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Numero do processo: 10380.901735/2006-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito.
PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL.
A Administração Pública tem o poder-dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poder-dever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta.
DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO.
Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas.
DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE.
O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção.
SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE.
É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material.
Numero da decisão: 1402-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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(SUCEDIDA) INCORPORADA PELA CONSTRUTORA MARQUISE S/A. (SUCESSORA). Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 17 35 /2 00 6- 82 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.063 2 FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.064 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão, que manteve o decidido no Despacho Decisório de 23/06/2010 (fl. 778), que por sua vez, adotou a Informação Fiscal de fls. 752/763, de 21/06/2010, fundamentada no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de fls. 209 e seguintes, de 11/05/2010, onde relatou um esquema de fraude, simulação e conluio entre empresas, com origem remota em negócios fictos de compra e venda de imóveis, geradores de créditos inexistentes de tributos federais e subsequente celebração de contratos simulados entre as empresas dos grupos empresariais CEC Internacional S/A e Grupo Marquise, com o fim de auferimento de vantagens fiscais ilícitas em prejuízo da fazenda nacional. Segundo consta do Relatório de Análise Tributária da SAPAC, o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, "tais créditos" eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Destaca a autoridade fiscal que os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Ao Grupo CEC, estão ligadas as empresas: Sul Diesel S/A; Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda e Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP; Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda; Xingu Administração e Participação S/A; à RCA International Commodities S/A estão ligadas as empresas BEX Internacional S/A; Canavieira Florestamento e Reflorestamento S/A e Panagra do Brasil S/A; Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A e quanto ao Grupo capitaneado pela Construtora Marquise S/A a Capitalize Fomento, Comercial Ltda, Construtora Marquise S/A e Ecofor Ambiental S/A. Segundo a autoridade fiscal, conforme descreve às fls. 252/256 do Anexo do Relatório de Análise Tributária, temse os quadros (abaixo colacionados) e a auditoria cruzada das operações intragrupos para rastreamento da origem dos créditos, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais. Vejamos o fluxograma e em seguida as notas explicativas com o panorama global do planejamento tributário ocorrido entre os grupos CEC e MARQUISE. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.065 4 Seguem as explicações do fluxograma com enfoque global do planejamento tributário entre os grupos empresarias. I) PRINCIPAIS CARACTERES DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 Instrumentação por Contratos de Promessa de Compra e Venda de Imóveis formalizados apenas "no papel". 2 — Ausência do substrato material especifico de uma efetiva compra e venda imobiliária (animo de pagar o preço objetivando a transcrição no Cartório de Registro de Imóveis). 3 — Inserção de clausula previsora de multa desarrazoada com o objetivo de entabular a incidência de IRFONTE e conseqüente conversão em crédito transferível de IRRF/Saldo Negativo de IRPJ com destinação posterior préconcebida. 4 — Presença de clausula estipulatória, temporalmente delimitada, de ENCARGOS FINANCEIROS especialmente superavaliados até o mês de Julho/2004, com o objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS Não Cumulativos para posterior transferência. 5 — Agregação daqueles encargos financeiros, conforme nova clausula especialmente alocada para tal, de multa imotivada a ser reconhecida no especifico mês de Julho/2004, com o mesmo objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativo. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.066 5 6 — Operações sempre concebidas e entabuladas como sendo a Prazo, onde o adquirente nada paga (por absoluta inexistência de recursos para tal), e o alienante nada cobra (por ter a operação de compra e venda função outra que não a ordinária aquisição de imóvel). 7 — Operações concebidas sempre em meio a pessoas ligadas. 8 — Operações realizadas em circulo, com vendas sucessivas, reclamando a utilização igualmente simulada do artifício das cessões fictícias de crédito, ante o registro meramente contábil da "venda anterior' ainda não recebida. 9 — Utilização de operações com imóveis , superavaliados, dado o alto valor atribuído aos bens, considerado como método IDEAL a garantir ao Grupo Empresarial transmitente a maior cifra possível de Créditos Fiscais Fictícios, proporcionando maiores vantagens ao Grupo Empresarial recepcionador. II) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS INTERMEDIÁRIOS PRATICADOS COMO CONDIÇÃO NECESSÁRIA À IMPLEMENTAÇÃO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO QUE OBJETIVOU A TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A PARTIR DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 — Manipulação contábil das empresas adquirentes e alienantes dos bens imóveis geradores dos créditos fiscais fictícios. 2 — Receitas e despesas com origens apenas nas operações intragrupo ou intergrupos empresariais, adequando valores e resultados contábeis/fiscais, sendo sempre aquelas inferiores a estas. 3 — Preparação das empresas para as operações de CISÕES SELETIVAS, com criação de PJs para cumprirem vida efêmera e papéis préordenados. 4 — Segregação dos créditos de tributos fictícios vertidos para as Pessoas Jurídicas então surgidas das Cisões Seletivas. 5 — Negociação simulada das ações/quotas das pessoas jurídicas criadas a partir das Cisões Seletivas com os integrantes do Grupo Empresarial interessado na captação dos créditos fictos. 6 — Incorporações intermediárias das pessoas jurídicas surgidas das Cisões Parciais Seletivas por outras pessoas jurídicas ligadas ao Grupo Empresarial solvente e lucrativo, interessado na captação dos créditos fiscais fictos. III) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS DE RECEPÇÃO FINAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FICTÍCIOS PRATICADOS NO SEIO DAS EMPRESAS DO GRUPO EMPRESARIAL. SOLVENTE E LUCRATIVO INTERESSADO NA CAPTAÇÃO ESPECÍFICA DE CRÉDITOS COM O FIM DE EXTINGUIR SEUS DÉBITOS PRÓPRIOS SEM QUALQUER DESEMBOLSO REAL. 1 — Chamamento das situações postas pelas Cisões seletivas para o patrimônio das pessoas jurídicas componentes do Grupo Empresarial lucrativo e solvente. 2 — Captação final dos créditos precedida de transações comerciais/financeiras simuladas, tendentes a ofuscar e obscurecer a visão imediata da recepção direta e préordenada dos créditos fiscais fictícios. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.067 6 3 — Incorporações intermediárias dissimuladoras da recepção direta e imediata dos créditos pelo Grupo Empresarial interessado na captação final. 4 — Incorporações finais (préordenadas) das diversas pessoas jurídicas de vida efêmera recheadas todas de créditos fiscais fictícios. 5 — Usufruto do almejado "recheio fiscal" via PER/DCOMPs pelo Grupo Empresarial economicamente lucrativo, em flagrante prejuízo do Fisco. A autoridade fiscal elaborou longo despacho, descrevendo as transações realizadas entres as empresas adiante citadas. Consta do relatório, que o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, os créditos eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência Como destacado pela autoridade fiscal, os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma em si mesmo, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Segundo a autoridade fiscal, conforme descreve nos seguintes quadros, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais: Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.068 7 Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.069 8 Por fim, o trabalho fiscal objetivou oferecer sólida fundamentação probatória e a motivação legal para o indeferimento liminar de qualquer pedido de restituição/compensação que envolva os créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte (convertido ou não em Saldo Negativo de IRPJ) e das Contribuições para o PIS Não Cumulativo e COFINS Não Cumulativo, cujas origens — imediata ou remota — decorra das transações celebradas entre as empresas Cio Grupo CEC e do Grupo Marquise. Foram analisados no documento os fundamentos primáiros da origem dos créditos utilizados finalisticamente pelas empresas do Grupo Marquise em PER/DCOMPs diversas entregues ora pela Construtora Marquise S/A, ora pela ECOFOR Ambiental S/A, ora pela Capitalize Fomento Comercial Ltda. Também forma procedidas as demonstrações dos vícios insanáveis dos negócios jurídicos presentes e considerados em todas as etapas do planejamento tributário evasivo que, ao fim, almejou como objetivo real e querido pelas partes, a geração ficta de créditos para aproveitamento dos mesmos em PER/DCOMPs. Conclusivamente, pretendese que as elementares "simulação", "fraude" e "conluio", qualificadoras da conduta das partes nos casos concretos examinados, sejam não só inseridas na análise, como também e principalmente, pautem a razão de decidir por parte dos Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.070 9 julgadores, no sentido do indeferimento liminar daqueles pedidos restitutórios/compensatorios, fundamentados na origem que apontamos. Assim, tendo em vista que o ponto inicial que criou os créditos que se pretende restituir e compensar é o mesmo dos processos abaixo indicados, tendo em vista a relação de causa e efeito, todos devem ser julgados conjuntamente. 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A No presente caso, insta alertar ainda que, em 29/12/2003 ocorreu uma cisão parcial da emprese PANAGRA DO BRASILS.A.. e posteriormente um incorporação de uma parte da empresa cindida pela CONSTRUTORA MARQUISE S/A. A parte que foi cindida e incorporada pela Construtora, é relativa a parcela do patrimônio liquido estimada por Laudo de Avaliação de 31/12/2003 em R$ 1.080.807,00 representada por direitos creditórios e obrigações a pagar. (Instrumento de Protocolo de Cisão, com registro do documentos na Junta Comercial do Estado do Ceará em 23/01/2004). Consta também, que nesta operação de cisão parcial com versão de parcela do patrimônio da CINDIDA, para a sociedade receptora, será reduzida a participação dos acionistas Jose Carlos Valente Pontes, CPF, n° 022926533/20 e José Erivaldo Arraes, CPF no 048941383/87, que substituirão parcela de sua participação societária na CINDIDA, por ações de capital da RECEPTORA, recebendo cada acionista, da CINDIDA, 4.156.950 Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.071 10 (quatro milhões, cento e cinquenta e seis mil, novecentas e cinqüenta) ações, sem valor nominal,[...] No presente caso, o fato que gerou os créditos ora discutidos, foi a venda de um terreno da (Brasil Exportação de Castanhas, CNPJ 05.719.141/000182, nome empresarial atual BEX Internacional S/A) BEX, para a PANAGRA DO BRASIL S.A. Importante ressaltar, que em ambos grupos CEC e Marquise, temos como acionistas o Sr. Jose Carlos Valente Pontes, CPF, n° 022926533/20 e o Sr. José Erivaldo Arraes, CPF no 048941383/87. A BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHAS S/A, CNPJ 05.719.141/000182, era, pelo menos até o anocalendário 2000, coligada da pessoa jurídica CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA., CNPJ 07.791813/0000125, conforme atestam os registros contábeis efetuados nos Livros Razão desta última empresa, relativos aos anos de 1999 e 2000, respectivamente as fls. 458 e 190 dos autos, onde se lêem os lançamentos de "Empréstimos e Adiantamentos a Cias. Coligadas, Brasil Exportação de Castanhas S/A". E ambas empresas, a BEX e a PANAGRA, a pessoa física Paulo Sérgio Carneiro Porto, CPF 090.379.18387, era DiretorPresidente de BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHAS S/A na data atribuída ao Contrato de Promessa de Compra e Venda do terreno situado em Caucaia/CE (30/12/1998), como se verifica pela leitura do instrumento contratual. Nessa mesma data, a referida pessoa física era também dirigente de CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA./PANAGRA BRASIL S.A., a se considerar a informação aposta por esta empresa na Ficha 43 de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ do anocalendário 1998. Pois bem, após o alerta acima, passo a relatar os fatos e alegações constantes nos autos. Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão, que manteve o decidido no Despacho Decisório, que por sua vez, adotou a Informação Fiscal, fundamentada no Relatório Fiscal, de 11/05/2010, onde relatou "um esquema anormal de gestão de empresas", que "engendraram planejamento tributário visivelmente de natureza evasiva [...] voluntariamente praticada entre os agentes, tais como os elementos do dolo e da simulação, além do necessário conluio entre as partes". Versam, os presentes autos, sobre os Pedidos de Restituição — PER de numeros 01759.87076.270903.1.2.049454 (11s. 02/04) e 2 I 886.29988.270903. 1.2.047342 (11s. 80/82), formalizados por PANAGRA DO BRASIL S/A. CNP.1 07.793.813/000125 (novo nome empresarial de CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA.), relativos a pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, depois retificados para Pedidos de Restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ do anocalendário 2002. Compulsando os autos, percebo que o presente processo foi originalmente formalizado para análise manual do PER de n° 01759.87076.270903.1.2.049454 (conforme despachos de lis. 01 e 05). Em seguida, os autos do processo de n° 10380.009183/200659, que cuidam do pedido de retificação do tipo de crédito cuja restituição fora pleiteada por meio do Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.072 11 mencionado PER — de pagamento indevido ou a maior de IRRF para saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 — Foram anexados aos presentes autos (conforme termo de lis. 20). Já o PER de no 21886.29988.270903.1.2.047342 foi originalmente autuado no processo de numero 10380.9()1736/200627. também para o lirn de sua análise manual (segundo despachos de fls. 79 e 83). A semelhança do que ocorrera no caso no primeiro PER. Os autos do processo que trata do pedido de retificação do tipo de crédito cuja restituição lora pleiteada por meio do PER de n" 21886.29988.270903.1.2.047342 — de pagamento indevido ou a maior de IRRF para saldo negativo de 1RPJ do anocalendário 2002 (processo de n° 10380.009180/2006 IS) — foram anexados aos autos do processo dc n° 10380.901736/2006 27 (conforme termo de fls. 98). Em seguida, os autos do processo de n° 10380.901736/200627 Foram juntados, por anexação, aos presentes autos, que passaram a cuidar de toda a matéria atinente restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 apurado por CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA., CNPJ 07.793.813/000125 (conforme Termo de 11s. 156). Em 15/07/2005 e 18/07/2005, CONSTRUTORA MARQUISE S/A. CNPJ 07.950.702/000185, sucessora de CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. (PANAGRA DO BRASIL S/A), formalizou as Declarações de Compensação DCOMP de nos 27970.84214.150705.1.3.020440 (fls. 08/11 dos autos apensados) e 09102.35802.180705.1.3.023643 (fls. 01/04 dos autos apensados) , para o Fim de compensar valores devidos de IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativos aos períodos de apuração março/2004, maio/2004, junho/2004 e agosto/2004, com o saldo negativo de 1RPJ do anocalendário 2002 havido por sucessão da empresa mencionada. As DCOMP transmitidas pela sucessora foram baixadas para análise manual no âmbito do processo de número 10380.720383/200828, cujos autos foram juntados, por apensação, aos do presente processo, conforme termo de fls. 34 dos autos apensados. Em seguida, veio aos autos, a Informação Fiscal (fls.766/771), que se fundamentou no Relatório de Análise Tributária da SAPAC, que concluiu o seguinte: 23. Como se viu, o Contrato de Compra e Venda de Imóveis, constituindose como os documentos remotos originadores de todas as demais operações que envolveram os Grupos Empresariais (CEC e Marquise), leva à conclusão de que nenhuma operação imobiliária de fato ocorreu, dado o elenco de provas indicidrias graves, precisas e concordantes entre si, apresentados nos incisos acima referidos, as quais foram apontadas pelo Relatório de Análise Tributária. Diante dessas constatações, não pode o Fisco têlos (os contratos) como produtores dos efeitos pretendidos pelas partes. Em conseqüência, há que se não homologar todas as compensações vinculadas ao crédito descabido. No caso vertente, inexiste pagamento indevido, muito menos saldo negativo do IRPJ, no anocalendário 2000, o que fulmina o pretenso da empresa. Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.073 12 24. Destarte, é de se concluir que: a) inexiste o crédito alegado pela interessada, uma vez que, como restou fartamente demonstrado nos autos, ele decorreria de um ato simulado (venda fictícia de imóvel), engendrado com o concurso de terceiros, por meio de conluio, objetivando burlar a Fazenda Nacional, para extinguir débitos tributários legítimos, com a utilização de pretensos créditos, cuja titularidade teria sido adquirida pela Construtora Marquise S/A, em processo de sucessão societária; b) inexiste motivação jurídica para a imposição da multa contratual que teria dado causa à incidência do IRFF, que veio a constituir o pretenso direito de crédito adquirido pela Construtora Marquise S/A, CNPJ n° 07.950.702/000185, uma vez que a pretensa adquirente do imóvel (Panagra do Brasil S/A, CNPJ n° 07.793.813/000125), nem ao menos cumpriu a obrigação de pagar à pretensa alienante (Brasil Exportação de Castanhas, CNPJ 05.719.141/000182, nome empresarial atual BEX Internacional S/A) o valor correspondente à entrada do respectivo valor da operação; assim, é óbvio que, se se tratasse de uma transação normal, não cabia a esta transferir a posse e a propriedade do imóvel para terceiros, sem qualquer contrapartida da parte adquirente, o que torna injustificável o acatamento pacifico do reconhecimento da divida relativa à aludida multa; c) inexiste hipótese fática para a incidência do IRRF na situação tratada nos autos, em razão de a multa de que se cuida ainda que fosse legitima não corresponder à rescisão de contrato, única situação eleita pelo legislador como hipótese de incidência do tributo no caso de pagamento ou crédito de multas contratuais, nos termos do art. 70 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 25. Por todo o exposto e considerando o Relatório de Análise Tributária, fls. 195/265, aprovado pela Delegada da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, com cópia em anexo para conhecimento da empresa em prestigio ao Principio do Contraditório e da Ampla Defesa, proponho: a) O NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório almejado pela empresa, anocalendário 2000, relativamente ao Saldo Negativo do IRPJ e, por conseguinte, o INDEFERIMENTO dos PER n° 25014.96649.270903.1.2.044158, fls. 02/04, e 16192.74107.270903.1.2.044610, fls. 72/74; b) a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações objeto dos PER/DCOMP n° 07721.67870.140705.1.7.029053 e 12834.43940.140705.1.7.02.4957, ambos baixados para tratamento manual por intermédio do processo n° 10380.720382/200883, juntado por apensação ao presente processo, e todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório, ora descabido; A Informação Fiscal, sintetiza as operações de compra e venda do imóvel/terreno entre as empresas do mesmo grupo, onde na primeira compra, gerou crédito indevido de IRRF e na segunda de PIS/COFINS. Devido a tais fatos, os pedidos de restituição e de compensação foram negados, conforme r. Despacho Decisório de fls.778, abaixo colacionado. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.074 13 Com base nos fundamentos consubstanciados na Informação Fiscal, fls. 766/777, que aprovo, e no uso da competência de que trata o art. 203, inciso X, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.° 125, de 04 de março de 2009, decido: a) NÃO RECONHECER o direito creditório almejado pela empresa, anocalendário 2002, relativamente ao Saldo Negativo do IRPJ e, por conseguinte, INDEFERIR os PER/DCOMP n° 01759.87076.270903.1.2.049454, fls. 02/04, e 21886.29988.270903.1.2.047342, fls. 80/82; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações objeto dos PER/DCOMP n° 09102.35802.180705.1.3.023643 e 27970.84214.150705.1.3.020440, ambos baixados para tratamento manual por intermédio do processo n° 10380.720383/2008 28, juntado por apensação ao presente processo, e todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório não reconhecido; C) Intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência da presente decisão da não homologação e do não reconhecimento do direito creditório almejado, pagar os débitos indevidamente compensados, assegurandolhe o direito á manifestação de inconformidade contra a denegatória do pleito perante a Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal em Fortaleza DRJFOR, como lhe faculta o art. 66 da IN RFB n° 900/2008. A Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade de fls.785 e seguintes, sem juntar documentos novos, referente ao não reconhecimento do direito creditório. Os autos forma encaminhados para Delegacia da Receita Federal de Fortaleza, que se manifestou e informou que para os pedidos de compensação do processo anexo 10380.720383/200828, feitos com estes créditos dos pedidos de restituição destes autos em epígrafe, foi lavrado Auto de Infração exigindo multa isolada, formalizado no processo administrativo 10380.722365/201003. Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão de fls.880/916, mantendo o Despacho Decisório, registrando a ementa abaixo colacionada e concluindo da seguinte forma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OBTENÇÃO DE CÓPIAS DOS AUTOS. DEMORA. Não havendo o contribuinte logrado provar que foi a Repartição Fiscal competente que deu causa A demora no seu acesso As copias que solicitou dos autos do processo, não há como acatar a preliminar de preterição do direito A ampla defesa, ao contraditório c ao devido processo legal. A possibilidade de obter cópias de peças dos autos é uma faculdade que possui o contribuinte para o exercício do seu direito de defesa; todavia, Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.075 14 para exercêla, por evidentes razões operacionais, deve requerer as cópias junto ao brgíio Preparador do processo em tempo hábil, notadamente cm Função do elevado número de folhas de que se compõem os autos. A declaração de nulidade de atos praticados no âmbito do processo administrativo fiscal federal demanda que reste provado prejuízo ao exercício do direito de defesa do sujeito passivo. Demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu as razões de fato e de direito em que se Fundou o Despacho Decisório objeto dos autos, tanto é que manejou argumentos de defesa pertinentes, não há que se cogitar de nulidade processual. DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ONUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição c compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do lato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar latos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo fático, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS 0 SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA, PARA FINS DE PROVAR A MATERIALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. O lato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.076 15 SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO DIREITO CREDITÓRIO TRANSFERIDO. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o direito pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por fim, concluiu da seguinte forma: Em seguida, foi interposto Recurso Voluntário pela Construtora Marquise S/A, descrevendo os fatos ocorridos, requerendo basicamente a reforma do v. acórdão recorrido, reiterando as alegações da manifestação de inconformidade e basicamente alegando (fls.5/9 do RV) que não pode ser responsabilizada por atos ilícitos praticados por suas sucedidas e terceiros, eis que agiu de boafé e não tinha conhecimento das irregularidades para a criação dos créditos, no momento em que incorporou a parte da PANAGRA. Alega que a empresa BEX, teria parcelado o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno e, por tal motivo, restaria comprovado o direito ao crédito no momento da incorporação. É o relatório. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.077 16 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e foi interposto por seu representante com poderes para tanto, motivo pelo qual deve ser admitido. O recurso da Recorrente abarcou apenas dois pontes, que serão abaixo analisados e não alegou homologação tácita. Em relação as alegações de que a empresa BEX, vendedora, teria parcelado o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno, entendo que tais créditos não podem ser opostos face ao Fisco, pois os atos jurídicos, que geraram a multa, restaram comprovadamente inexistentes, pois foram praticados por meio de fraude, simulação e conluio. Vejamos as constatações da Fiscalização que restaram comprovas nos autos por meio do Relatório de Análise Tributária, relativas as operações empresariais: Primeiramente cumpre afirmar a titularidade efetiva do imóvel, conforme dados extraídos do CRI que o encampa, diz o Cartório Carlinda Paula de Caucaia (CE), que o imóvel objeto da Matricula R 01576, sito a Rua 15 de Novembro, s/n, com area de 3,2 ha, ou 32.010 metros quadrados, tem como titular efetivo, desde 1985 a empresa BEX Internacional S/A. Mas, devida a condição de visível insolvência da empresa que o titular de direito, o imóvel não está circunstanciado pelo fato de ausência de ônus que lhe gravem ou que já vinham lhe gravando ao tempo em que as "operações imobiliárias" junto as empresas do Grupo CEC se deram. Apenas para citar os principais gravames sobre o imóvel, extraemse da Certidão Cartorária: a) a Hipoteca junto ao Banco do Nordeste do Brasil, desde 1993; b) a penhora em Execução por Dívida contraída pela BEX junto à Caixa Econômica Federal, desde 1997 (sendo que, ambas, continuam vigentes desde as supostas "vendas" até hoje); c) diversas penhoras em execução trabalhista. A propósito, as penhoras na Justiça Trabalhista forneceram a este Fisco um dado essencial: o nível de avaliação do imóvel (prego para provável arrematação) nos anos de 2004 e seguintes. As cerca de cinco penhoras avaliaram o imóvel entre o intervalo de R$ 160.000,00 e 320.000,00. Nada mais que estas cifras. Apostos estes detalhes passemos a relatar os dados da PRIMEIRA VENDA do imóvel em questão. O fato se da em data de 30.12.1998. O documento formal dessa suposta venda é um Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel formatado tal e qual os detalhes do Contrato descrito no item anterior. 0 valor da venda teria sido R$ 8.800.000,00. Quanto ao pagamento, a CANAVIEIRA daria a entrada de R$ 2.620.000,00 até 30/06/1999. Mas Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.078 17 havia a velha "Cláusula de Multa" aplicável por parte da vendedora (BEX), no mesmo prazo previsto para o pagamento do valor da entrada pelo adquirente. Ignorando, tal como no caso anterior, a Clausula Geral dos Contratos sinalagmaticos rexceptio non adimpleti contractus, e seus efeitos próprios, ainda que inadimplente o comprador quanto ao pagamento da entrada a que se obrigara, as partes registram contabilmente a apropriação de multas a cargo do vendedor, sem qualquer motivação lógica intracontratual, dado que não rescindiram o Contrato. Como já fizemos observar, a motivação mesma da incidência dessas multas era a geração de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), com o fim de posterior transferência as empresas do Grupo Marquise. E note que a circunstancia criada na Clausula previsora de multa (Cláusula Segunda do Contrato) não se adequa à previsão abstrata da norma que a estipula. Por esse Contrato foi gerado um montante total (valor originário) de IRRF no total de R$ 2.112.000,00. Esse valor fora inteiramente absorvido pela Construtora Marquise, a partir de Cisão Partial (Seletiva) da beneficiária (Canavieira). De qualquer forma a Tabela abaixo mostra, a partir das DIRFs entregues pela BEX (Declarante) o rol de IRRF alegadamente retido quando da apropriação das multas simuladas. [...] esta tabela esta na Informação Fiscal de todos os processos da PANAGRA. Dois detalhes chamam a atenção do Fisco nesta PRIMEIRA VENDA do Terreno na Caucaia cujo registro no CRI leva o n° R01576. 0 primeiro detalhe diz respeito ao fato da alegação da operação em si, quando se obriga ao Fisco a conceber e acatar como autêntico o registro do "pagamento/apropriação" dessa inusitada e escandalosa multa. Já nos referimos acerca da situação de insolvência das empresas do Grupo CEC. Mesmo a despeito disso, vieram o registro dessas vultosas 'multas". Pois bem. Olhando para a amplidão monetária das cifras semestrais das multas provisionadas, é de se indagar como conceber movimentação financeira dessa grandeza entre empresas sem nenhuma atividade operacional? Mas o absurdo atinge o clímax quando comparamos o 'valor de venda' do imóvel (R$ 8.800.000,00) com o 'montante de multa provisionada (R$ 14.080.000,00). Como visto, não pode o Fisco ter esse negócio de Compra e Venda ocorrido no plano da existência. Só mesmo a fabricação" de créditos fiscais fictos o podem explicar. O segundo detalhe que chama a atenção nesta PRIMEIRA VENDA diz respeito a concentração de atos no tempo, praticados pelo contribuinte visando concretizar o direito creditório da CANAVIEIRA ao tributo IRRF (ou Saldo Negativo de IRPJ), para posterior repasse ao Grupo Marquise. Note que todas as DIRFs foram entregues num só momento: em 30/09/2003. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.079 18 Também as retificadoras das DIPJs tiveram sua entrega concentrada naquele ano. Levando as características dessas condutas fáticas observadas nos atos do contribuinte para a Teoria Geral do Negócio Jurídico é cristalino concluir, com base na legislação civil vigente, pela existência de ato simulatório pautado pela prática do uso de documentos antedatados (no caso o Contrato de Promessa de Compra e Venda). Isso, porque não é crivei conceber que em 2003 — em forma de 'estalo" — tenha o contribuinte descoberto que tinha de apropriar multas da vendedora, retendo IRRF por essa pretensa apropriação, desde os idos de 1999. Na verdade, as coisas assim se deram exatamente porque a alegada Compra e Venda não inocorrera de fato, sendo ela, mera etapa do planejamento tributário que almejava a transferência de créditos para o Grupo Marquise. Por fim, convém registrar, mais uma vez, as relações de sócios comuns entre vendedora (SEX) e compradora (CANAVIEIRA). A presença mútua dos Senhores Paulo Sérgio Carneiro Porto e Antonio Eugenio Carneiro Porto explica a realização de um negócio que, na prática, fora consigo mesmo e com objetivo préordenado. Cabe agora oferecer os detalhes da SEGUNDA VENDA do Imóvel Terreno na Caucaia, cuja Matricula é R01576, acontecida entre as mesmas partes. Em 30.11.2003 a empresa BEX Internacional S/A entabula novo Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de 03 (três) imóveis; a Fazenda Caraíbas 02 (Gleba °B"); o Terreno na Caucaia, com área de 4.731 m2, com Matrícula 7.684 e um outro Terreno na Caucaia, com área de 32.010 m2, cuja Matrícula é de n°576, registrado no Cartório Carlinda Paula. 0 valor global do negócio seria R$ 49.360.000,00 e o adquirente (Comprador) seria a PANAGRA DO BRASIL S/A (que então sucedera a CANAVIEIRA). Incluído no rol dos 03 (três) imóveis citados, a negociação do Terreno na Caucaia, com àrea de 32.010 m2, cuja Matricula é de n°576, para a PANAGRA, em 30.11.2003, configura o que caracterizamos como a SEGUNDA VENDA do mesmo bem entre as mesmas partes. Mas enquanto na PRIMEIRA VENDA o mote das partes fora a geração de IRRF, nesta SEGUNDA VENDA, o objetivo (complementar, evidentemente) fora o de gerar créditos fictícios de PIS/COFINS Não Cumulativo. E assim foi concretizado a nova venda ficta, que proporcionou a geração de R$ 1.449.277,26 de Créditos de PIS e R$ 6.403.139,59 de Créditos de COFINS. A origem desses créditos residiu na apropriação de encargos financeiros até o mês de Julho de 2004, pela "compra a Prazo". Mas, como se não bastassem esses apreciáveis encargos financeiros (notar que, conforme previa a Clausula 2.2.2 do Contrato, incidia o índice do CDI em dobro, mais juros mensal de 2%), como numa bola de cristal, o novo Contrato de Promessa de Compra e venda entre a BEX e a PANAGRA previa, ainda, a aplicação despropositada de uma Multa, sem qualquer fato plausível que a justifique na Teoria do Direito dos Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.080 19 Contratos, a ser reconhecida exatamente no fatídico mês de Julho de 2004, conforme se pode ver na Cláusula 2.2.3. E essa "multa" entrou no cômputo dos encargos financeiros decorrentes da compra do imóvel a Prazo. Como se observa, mais uma vez aqui estão presentes todos os pressupostos para a caracterização da conduta simulatória, pautada pela utilização de documentos antedatados. Não é crível imaginar que, quando da regular formalização de um Contrato para Venda a Prazo (lavrado que fosse em 2003, ou mesmo antes), estipulasse ele regra especial de cálculo de encargos financeiros, só vigente até a data de Julho de 2004 (mês limite em que se permitiu a utilização de encargos financeiros como base de cálculo de Créditos de PIS/COFINS), se não estivesse presente — quando da formalização mesma da suposta avença — o préconhecimento desse prazo limite. Por isso, o uso de documentos antedatados sai do campo das meras fiações para o plano da verossimilhança da prática simulatória. Uma informação final importante deve fechar este tópico. Depois que o imóvel Terreno na Caucaia, com area de 32.010 m2, cuja Matricula 6 de n° 576 passa as vicissitudes que aqui demonstramos nas operações entre BEX x CANAVIEIRA/PANAGRA, com os dois objetivos exemplarmente detectados (geração ficta de Créditos de IRRF e de PIS/COFINS), a PANAGRA "vende" o mesmo imóvel, agora para a CEC INTERNACIONAL S/A, em 30/04/2005, pela expressiva cifra de R$ 27.000.000,00, mesmo a despeito dos gravames que o imóvel carrega e mesmo diante da titularidade real do mesmo (ainda nas mãos da BEX, de forma precária, dados os ônus civis a que está sujeito). Note ainda, que dissemos no início deste tópico, que a Justiça do Trabalho fizera, nesse mesmo ano de 2005, a avaliação do prego do bem, para efeito de penhora em ação trabalhista, no intervalo entre R$ 160.000,00 e R$ 320.000,00. Comparese, pois, esta faixa de valor com a nova "Venda" (simulada) feita pela PANAGRA à CEC (R$ 27.000.000,00). Como se viu, os Contratos de Compra e Venda do Imóvel, constituindose com documentos remotos originadores de todas as demais operações que envolveram os Grupos Empresariais (CEC e Marquise), leva à conclusão de que nenhuma operação imobiliária de fato ocorreu, dado o elenco de provas indiciárias graves, precisas e concordantes entre si, apontadas pelo Relatório de Análise Tributária. Diante dessas constatações, não pode o Fisco têlos (os contratos) como produtores dos efeitos pretendidos pelas partes. Em conseqüência, não se pode homologar as compensações vinculadas ao crédito descabido. No caso vertente, inexiste pagamento indevido, muito menos saldo negativo do IRPJ, no anocalendário 2002, ou em qualquer outro ano. Destarte, tendo em vista as operações praticadas pelos grupos empresariais, podese concluir que: a) inexiste o crédito alegado pela interessada, uma vez que, como restou fartamente demonstrado nos autos, ele decorreria de um ato simulado (venda fictícia de Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.081 20 imóvel), engendrado com o concurso de terceiros, por meio de conluio, objetivando burlar a Fazenda Nacional, para extinguir débitos tributários legítimos, com a utilização de pretensos créditos, cuja titularidade teria sido adquirida pela Construtora Marquise S/A, em processo de sucessão societária. b) inexiste motivação jurídica para a imposição da multa contratual que teria dado causa à incidência do IRFF, que veio a constituir o pretenso direito de crédito adquirido pela Construtora Marquise S/A, CNPJ n° 07.950.702/000185, uma vez que a pretensa adquirente do imóvel (Panagra do Brasil S/A, CNPJ n° 07.793.813/000125), nem ao menos cumpriu a obrigação de pagar a pretensa alienante (Brasil Exportação de Castanhas, CNPJ 05.719.141/000182, nome empresarial atual BEX Internacional S/A) o valor correspondente à entrada do respectivo valor da operação; assim, é óbvio que, se tratasse de uma transação normal, não cabia a esta transferir a posse e a propriedade do imóvel para terceiros, sem qualquer contrapartida da parte adquirente, o que torna injustificável o acatamento pacifico do reconhecimento da divida relativa a aludida multa; c) inexiste hipótese fática para a incidência do IRRF na situação tratada nos autos, em razão de a multa de que se cuida ainda que fosse legitima não corresponder à rescisão de contrato, (única situação eleita pelo legislador como hipótese de incidência do tributo no caso de pagamento ou crédito de multas contratuais, nos termos do art. 70 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, como a operação de compra e venda do terreno não existiu devido a fraude e simulação, logo a multa que acompanha o contrato, também não. Devido a tal fato, não se configurou hipótese de incidência do IRRF a ser parcelado pela vendedora do terreno BEX. Desta forma, como entendo que não deveria incidir o IRRF, pois não existiu hipótese de incidência de tal imposto, e o parcelamento feito pela empresa BEX, não pode gerar crédito para a empresa incorporadora da compradora (Recorrente Construtora Marquise), face ao Fisco. A empresa BEX, que parcelou IRRF, pagou/parcelou equivocadamente, devendo ela pedir a restituição de tais valores. Os valores parcelados pela empresa vendedora BEX, não fazem parte da discussão dos autos e não podem compor o saldo negativo do IRPJ da compradora PANAGRA, que foi incorporada pela Recorrente, que pretende compensar com seus débitos de imposto. Também é importante ressaltar, que o artigo 136 do CTN, da Seção III, que trata de responsabilidade de terceiros, descreve que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente, da natureza, extinção e extensão dos feitos do ato. (responsabilidade objetiva). Esta responsabilidade objetiva prevista no dispositivo acima indicado, tem presunção relativa (artigos 108, IV e 112 do CTN) e pode ser afastada quando comprovada pelo sujeito passivo, que agiu de boafé, não participou dos atos ilícitos, não tinha condições de saber, no momento em que determinado ato foi praticado, das ilicitudes que geraram determinados créditos. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.082 21 Ocorre, que no presente caso, ficou constatado no Relatório de Análise Tributária da SAPAC (fls.195/265), que o grupo empresarial do qual a Recorrente pertence (Grupo Marquise), que incorporou a compradora do terreno PANAGRA, fez parte (conluio) das operações fraudulentas que criaram os créditos tributários irregulares, agravando ainda mais a situação da Recorrente, não tendo como aceitar determinados créditos e compensações. Neste diapasão, entendo que os valores do parcelamento do IRRF, não deveriam compor o saldo negativo do IRPJ relativo ao pedido de restituição retificado, feito pela PANAGRA, e muito menos ser transportado para empresa incorporadora, a Construtora Marquise, para requerer a compensação. No mais, adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido, os quais entendo que devem ser mantidos. Em relação as alegações de que a sucessão da empresa PANAGRA, não poderiam prejudicar a Recorrente, também entendo que não devem ser providas. No presente caso, insta alertar que, em 29/12/2003 ocorreu uma cisão parcial da emprese PANAGRA DO BRASILS.A. e, posteriormente, um incorporação de uma parte da empresa cindida pela CONSTRUTORA MARQUISE S/A. (informações constantes no processo 10380.901739/200661). A parte que foi cindida e incorporada pela Construtora, é relativa a parcela do patrimônio liquido estimada por Laudo de Avaliação de 31/12/2003 em R$ 1.080.807,00 representada por direitos creditórios e obrigações a pagar. (Instrumento de Protocolo de Cisão, com registro do documentos na Junta Comercial do Estado do Ceará em 23/01/2004). Nesta operação de cisão parcial, consta que da versão de parcela do patrimônio da CINDIDA, para a sociedade receptora (Construtora), será reduzida a participação dos acionistas Jose Carlos Valente Pontes, CPF, n° 022926533/20 e José Erivaldo Arraes, CPF no 048941383/87, que substituirão parcela de sua participação societária na CINDIDA, por ações de capital da RECEPTORA, recebendo cada acionista, da CINDIDA, 4.156.950 (quatro milhões, cento e cinquenta e seis mil, novecentas e cinqüenta) ações, sem valor nominal,[...] Ou seja, quando da cisão e incorporação da PANAGRA, pela Construtora Marquise, foi constatado que os Srs. Jose Carlos Valente Pontes, CPF, n° 022926533/20 e José Erivaldo Arraes, CPF no 048941383/87, eram acionistas das duas. (fls. 733 do protocolo de cisão) Sendo assim, entendo que no momento da cisão parcial da PANAGRA e incorporação pela Construtora Marquise, tinham os mesmos principais acionistas, não tendo como acolher agora a alegação da Recorrente de que não tinha conhecimento das ilegalidades do crédito e que não poderia ser responsabilizada pelas atos praticados pela BEX e PANAGRA. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo integralmente o v. acórdão recorrido, negando deferimento aos pedidos de restituição e não homologando as compensações. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10380.901735/200682 Acórdão n.º 1402002.485 S1C4T2 Fl. 1.083 22 Em relação ao Auto de Infração de multa isolada, aplicada pela não homologação da compensação, em tramite nos autos do processo 201003, tendo em vista a constatação da fraude, simulação e conluio nas operações que criaram os créditos, entendo que deve ser mantido em seus termos. O Auto de Infração foi lavrado exigindo multa isolada qualificada a 150%, com base no artigo 80 da Lei 10833/03. O dispositivo e a legislação que fundamentaram a multa, não foram alterados até o momento, não se aplicando o pedido de retroatividade benigna da Recorrente, que trata de multa disposta no artigo 74 da Lei 9.430/99. Em relação a impossibilidade de aplicação da multa de ofício em casos de sucessão, entendo que tal pedido também não pode ser acatado, eis que existe a Sumula 47 do CARF/MF. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1085DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.729494/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/09/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/09/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/09/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.047
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/09/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 94 94 /2 01 3- 11 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/09/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.491. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.729494/201311 Acórdão n.º 3302004.047 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904356/2012-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.750
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 56 /2 01 2- 11 Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10280.904356/201211 Acórdão n.º 9303004.750 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.652, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúric e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10280.904356/201211 Acórdão n.º 9303004.750 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10280.904356/201211 Acórdão n.º 9303004.750 CSRFT3 Fl. 5 4 produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10280.904356/201211 Acórdão n.º 9303004.750 CSRFT3 Fl. 6 5 Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." No caso deste processo o litígio abrange, tão somente, o direito de crédito sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses dois insumos foi reconhecido, no presente processo também deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 671DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722855/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A decisão de primeira instância deverá conter relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, conforme estabelecido no Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2202-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à primeira instância para que seja proferido um novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A decisão de primeira instância deverá conter relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, conforme estabelecido no Decreto 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à primeira instância para que seja proferido um novo julgamento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A decisão de primeira instância deverá conter relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, conforme estabelecido no Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à primeira instância para que seja proferido um novo julgamento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 28 55 /2 01 0- 73 Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 10480.722855/201073 Acórdão n.º 2202003.778 S2C2T2 Fl. 2.632 2 Relatório Conforme o Relatório elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância, fls. 2534 e ss., a ação fiscal está sim delineada: AUTUAÇÃO Tratase de crédito tributário lançado pela autoridade fiscal em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas pelos segurados e arrecadadas pela empresa. O crédito tributário apurado, consolidado em 11/10/2010, com ciência pessoal pelo interessado em 25/10/2010, consubstanciase no valor originário de R$326.424,48, que acrescido de multa e juros totaliza a quantia de R$777.638,20, sendo relativo ao período de apuração de 01/2006 a 12/2008. (DEBCAD: 37.292.4743). Os fatos geradores de contribuições previdenciárias, objeto deste Auto de Infração, não foram declarados até o início do procedimento fiscal nas GFIP’s, conforme preceitua o art 32, da Lei 8.212/1991. De acordo com o Relatório Fiscal (RF), em síntese, temse que: Divergência Folha de Pagamento x GFIP: Mediante análise realizada nas folhas de pagamentos apresentadas e as GFIP’s armazenadas nos sistemas coorporativos da SRFB, constatouse divergências nas remunerações pagas aos segurados empregados. Tais divergências foram lançadas nos levantamentos: F1, F11 e F12 FOLHA DE PAGAMENTO (FPAS 515), e F2, F21 e F22 FOLHA DE PAGAMENTO (FPAS 655). Contribuintes individuais: No exame da escrituração contábil, foram identificados pagamentos realizados a segurados contribuintes individuais não declarados nas GFIP’s. Foram anexadas folhas dos Livros Razão com tais lançamentos. A base de cálculo foi lançada nos levantamentos: Cl e CI1 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, CC, CC1 e CC2 – CONTRIBUIÇÃO CALCULADA. Pró Labore: Constataramse lançamentos na conta n° 91101010019 PRÓ LABORE, referente à retirada pelas sócias, Sônia Maria Lourenço da Silva e Cleônides Lourenço da Silva, sem a devida declaração nas GFIP. A base de cálculo foi lançada nos levantamentos: PC e PC1 PRÓ LABORE CONTABILIDADE. Pagamento de Reembolso nas Folhas de Pagamento: Por intermédio dos Termos de Intimação Fiscal n° 06 e n° 07 foi solicitado ao sujeito passivo que informasse do que se tratavam as rubricas pagas nas folhas de pagamentos a título de "REEMBOLSO TRAN" e "REEMBOLSO EXTRA FAT". Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 10480.722855/201073 Acórdão n.º 2202003.778 S2C2T2 Fl. 2.633 3 Contudo, nas datas aprazadas, o contribuinte não prestou os esclarecimentos necessários à fiscalização. Assim, os reembolsos foram considerados como tributáveis para Previdência Social, sendo a base de cálculo lançada nos levantamentos: RF, RF1, R2 e R21 REEMBOLSO FOLHA. Divergência no confronto entre a Folha de Pagamento e a RAIS: Em 13/09/2010, o sujeito passivo foi regularmente intimado, a prestar esclarecimentos quanto às divergências existentes entre as remunerações constantes nas folhas de pagamentos de salários e as declaradas na Relação Anual de Informações Sociais RAIS. Entretanto, o contribuinte prestou esclarecimentos insuficientes, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento nos levantamentos: PR, DR1 e DR2 DIVERGÊNCIA RAIS X FOLHA. Informa o Relatório Fiscal que nas competências 13/2007 e 13/2008 (13° salário) a divergência foi corrigida, haja vista que só após a intimação foram apresentadas as folhas de pagamentos corretas. Salário Utilidade – Alimentação: Mediante a lavratura dos Termos de Intimação Fiscal n° 01 e 02 foi solicitado ao sujeito passivo o comprovante de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Entretanto não comprovou que atendia aos requisitos previstos na legislação para fornecer alimentação a seus empregados, constituindo, portanto, em nítida parcela salarial "in natura" nos termos do art. 458 da CLT. A base de calculo considerada pela fiscalização como tributável foi lançada nos levantamentos SU e SU1 SALÁRIO UTILIDADE ALIMENTAÇÃO. Informa ainda o Relatório Fiscal que todas as guias da previdência social, no código de pagamento 2100 (Empresas em Geral) e 2119 (exclusivo para Outras Entidades), relativas ao período de 01/2006 a 12/2008, foram deduzidas (apropriadas) dos créditos previdenciários ora constituídos, estando relacionadas no relatório "RDA Relatório de Documentos Apresentados", anexo ao auto de infração. Estes pagamentos foram efetuados pela empresa antes do início do procedimento fiscal e se referem a valores declarados e não declarados em GFIP, estas também entregues antes do início da ação fiscal. Salientese que os valores declarados nas GFIP, antes do início deste procedimento fiscal, foram lançados no levantamento "G1 GFIP FPAS 515" e "G2 GFIP FPAS 655". Neste sentido, destaquese que os valores declarados nas GFIP’s entregues antes do início da ação fiscal não foram objeto de lançamento na presente fiscalização porque já foram constituídos por meio da própria GFIP, que possui caráter declaratório e natureza jurídica de confissão de dívida. Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 10480.722855/201073 Acórdão n.º 2202003.778 S2C2T2 Fl. 2.634 4 Considerando que os fatos relatados ao longo do relatório configuram, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I, II e III, do Código Penal, acrescentado pela Lei 9.983, de 14/07/2000, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para posterior envio ao Ministério Público Federal. A autoridade fiscal considerou que o sujeito passivo cometeu vários ilícitos tributários e aplicou a multa de ofício acrescida de 50%, conforme previsão no artigo 44, § 2° da Lei 9430/96. Foi obedecido o princípio da retroatividade benigna no cálculo da multa. IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou impugnação (fl. 2215 e ss.), em suma argüindo: lavratura do AI por servidor incompetente; vícios no MPF, tocantes a emissão e prorrogação; impossibilidade de constituir crédito tributário com base no Livro Diário, considerando sua opção pelo lucro presumido e a falta de obrigatoriedade de manter esse livro; ilegitimidade passiva em relação às contribuições previdenciárias dos segurados, quando o valor foi pago integralmente pela fonte ao beneficiário; erro na alíquota empregada no lançamento; desconsideração de documentos comprobatórios que estavam sob a guarda da fiscalização; exigência de valores que já haviam sido pagos anteriormente, no que toca às remunerações pagas às sócias Cleônides e Sônia Maria; desconsideração de GFIP retificadas durante o procedimento fiscal; a impugnante estava inscrita no PAT, em 2004; consideração indevida de valores relativos a reembolso de transporte (quilometragem) na base de cálculo das contribuições sociais; consideração indevida de pagamentos relativos a 1/3 de férias, aviso prévio indenizado, auxílio doença e horas extras na composição da base de cálculo das contribuições; desconsideração de valores que constam como retenção nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelo impugnante, sendo que essa comprovação e as GPS são suficientes para extinguir o crédito tributário. JULGAMENTO RECORRIDO A questão foi assim analisada pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ, em suma, concluindose pela manutenção da exigência tributária: a matéria não questionada está preclusa, conforme o artigo 17 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Mandado de Procedimento Fiscal – MPF foi emitido e cientificado de acordo com as normas que o regem, não cabendo a nulidade da autuação, nos termos dos artigos 59 a 61 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972. Ao confeccionar, ainda que por opção própria, o Livro Diário, a empresa deve observar todas as formalidades legais e princípios atinentes à escrituração contábil, Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 10480.722855/201073 Acórdão n.º 2202003.778 S2C2T2 Fl. 2.635 5 caracterizandose como infração a desobediência a essas regras, conforme determina o Regulamento da Previdência Social – RPS. impugnante requer a nulidade da autuação pelo entendimento que os valores que foram retidos na competência de Dezembro/2006 são mais do que suficientes para quitar os créditos das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, colocando planilha demonstrativa dos valores apurados pela fiscalização. Entretanto, as GPS’s – Guias de Pagamento apresentadas pela empresa foram devidamente apropriadas aos valores apurados e, conseqüentemente, nenhum valor de segurado foi levantado em relação a este fato gerador. Isto pode ser verificado no Relatório RDA – Relatório de Documentos Apresentados e no Relatório RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Equivocase a impugnante mais uma vez, eis que todos os valores de retenção das notas fiscais foram considerados pela fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada dessa decisão em 06/07/2015, conforme Aviso de Recebimento na fl. 2549, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/08/2015, com protocolo na folha 2551. Em sede de recurso, em resumo, assim argumenta: a) a recorrente é empresa privada que exerce atividade de locação de mão de obra especializada e agenciamento de mão de obra temporária (Lei 6.019/74). b) preliminarmente, sempre pugnando pela nulidade da autuação: b.1 fala do MPF, aponta vícios de inclusão de Auditores e prorrogação de prazo. b.2 é optante do lucro presumido, não está obrigada a manter o Livro Diário. A seguir fala do Livro Razão e diz que este também não é obrigatório. E então conclui que a fiscalização somente poderia efetuar suas apurações com base no Livro Caixa. b.3 a fiscalização desconsiderou suas explicações de que a diferença entre as folhas de pagamento e a RAIS eram decorrentes do fato de que a massa salarial constante dessa última era composta de todas as verbas remuneratórias, indenizatórias e rescisórias, incluindo trabalhadores celetistas e temporários. Utilizouse de "aferição indireta" prevista na Lei nº 8.212/1991, o que somente poderia ser aplicado após a Lei nº 11.941/2009, não podendo alcançar fatos geradores de períodos pretéritos. b.4 ajuizou ação em 16/11/2010, já transitada em julgado, para não recolher contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de alimentação de seus empregados. Anexa documentos. b.5 existem ainda outras ações judiciais que cita especificamente, relativas a 1/3 constitucional sobre férias, férias, horas extras, aviso prévio indenizado, auxílio transporte e auxílio doença. Anexa documentos. Na fl. 2567 e ss. constam peças de Ação Ordinária na Justiça Federal, onde o autor requer que seja declarado que a parcela paga in natura aos seus trabalhadores não seja considerada base de cálculo de contribuições previdenciárias (certidão fl. 2735). Nas fls. 2600 Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 10480.722855/201073 Acórdão n.º 2202003.778 S2C2T2 Fl. 2.636 6 e ss. constam peças de outra Ação, onde observo provimento apenas em relação ao terço constitucional de férias. Nas fls. 2618 e ss. consta Apelação Cível tratando de aviso prévio indenizado, horas extras e afastamento por motivo de doença. c) No mérito: c.1 desconsideração de pagamentos realizados antes da lavratura do AI, com inobservância do artigo 156 do CTN. O Auditor Fiscal deveria ter realizado o confronto entre os valores devidos e os valores recolhidos em GPS e retidos pelos tomadores de serviços, para constatar que somente em alguns períodos que são listados no recurso haveria débitos. c.2 quando recebeu o Termo de Intimação nº 06, procedeu à retificação de GFIP. No entanto, a fiscalização desconsiderou as informações ali contidas. Considerando a retificação, não caberia ser aplicada contra si a multa punitiva no percentual de 112,5%. No pedido fala em "anulação" total do Auto de Infração. PEDE "anulação" do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquele existente na seqüência do processo digital, em meio magnético (arquivo .pdf). O processo se desenvolve em fases, numa "luta de ação e reação", como identificam os processualistas. Segundo o Decreto nº 70.235, de 1972, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar que instaura a fase litigiosa do procedimento. De acordo com o artigo 25, do citado Decreto, existe uma primeira instância de julgamento, que compete às DRJ, e uma segunda instância, de competência do CARF. De acordo com o artigo 31, "a decisão (de primeira instância) conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências." (sublinhei). Observase, conforme aqui relatado, que a autuação referiuse a diversas rubricas como por exemplo Divergência Folha de pagamento x GFIP, Pró Labore e Salário Utilidade – Alimentação. Este processo, especificamente, encerra o DEBCAD 37.292.4743. Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 10480.722855/201073 Acórdão n.º 2202003.778 S2C2T2 Fl. 2.637 7 Entretanto, como se pode observar na decisão recorrida, a mesma não faz menção a todas as questões levantadas na impugnação, referindose, pareceme que equivocadamente, sob o título "mérito" da impugnação, a (fl. 2538): Aduz a nulidade da autuação, uma vez que os valores que foram retidos na competência de DEZEMBR0/2006 são mais do que suficientes para quitar os créditos das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados. Isto porque, na competência de DEZEMBR0/2006, a fiscalização constatou que os valores retidos dos empregados totalizam o seguinte: (...) Por outro lado, no mês de dezembro/2006, conforme consta no RDA, a Impugnante recolheu em GPS e através de retenções, o valor de R$ 271.539,33, mais do que suficiente para quitar o pretenso crédito tributário, tal como determina o art. 31, §1° da Lei 8.212, de 24.07.1991. No Voto condutor daquele Acórdão, foi dito que: Pois bem, a impugnante requer a nulidade da autuação pelo entendimento que os valores que foram retidos na competência de Dezembro/2006 são mais do que suficientes para quitar os créditos das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, colocando planilha demonstrativa dos valores apurados pela fiscalização. Afigurase o equívoco, poderseia inferir, em virtude do processo nº 10480.722853/201084, que encerra o DEBCAD 37.292.4727, que encontrase apensado a este e que, de fato, tratase de Auto de Infração, lavrado em razão da falta de recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, provenientes de arrecadação, mediante desconto sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, previstas no art. 20, da Lei 8.212/1991. Diz o auditor Fiscal que os fatos geradores respectivos não foram declarados em GFIP, desobedecendo o artigo 32, do mesmo diploma legal. O período de lançamento é referente ao 13º salário de 2006 e o valor, consolidado em 11/10/2010, importou em R$ 47.038,31. Lá, foi proferido o Acórdão 1262.326 11ª Turma da DRJ/RJ1 . Considerando, pelo que consta dos autos, que a resposta apresentada pela DRJ não condiz nem abarca em sua totalidade aquilo que foi questionado pelo contribuinte em sua impugnação, VOTO pela declaração de nulidade do julgamento recorrido, para que outro seja proferido, em observância ao princípio da ampla defesa. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 10480.722855/201073 Acórdão n.º 2202003.778 S2C2T2 Fl. 2.638 8 Fl. 2638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720022/2014-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ÁGIO INTERNO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Os requisitos previstos nos artigos 7º, inciso III e 8º da Lei n° 9.532/97 são autorizadores da amortização do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura. São eles: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; e iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Restando suficientemente comprovado nos autos o atendimento adequado a todos os requisitos, não deve subsistir a glosa fiscal equivocada em enquadrar tal operação idônea como aparente abuso de planejamento fiscal, ainda mais sem efetiva comprovação do alegado.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
AUTOS REFLEXOS. CSLL.
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se à CSLL, no que couber.
Numero da decisão: 1402-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto acompanhou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ÁGIO INTERNO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os requisitos previstos nos artigos 7º, inciso III e 8º da Lei n° 9.532/97 são autorizadores da amortização do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura. São eles: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; e iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Restando suficientemente comprovado nos autos o atendimento adequado a todos os requisitos, não deve subsistir a glosa fiscal equivocada em enquadrar tal operação idônea como aparente abuso de planejamento fiscal, ainda mais sem efetiva comprovação do alegado. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 AUTOS REFLEXOS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se à CSLL, no que couber.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 650 1 649 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720022/201428 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.454 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2017 Matéria IRPJ AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Recorrente TECHNOS DA AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ÁGIO INTERNO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Os requisitos previstos nos artigos 7º, inciso III e 8º da Lei n° 9.532/97 são autorizadores da amortização do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura. São eles: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; e iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Restando suficientemente comprovado nos autos o atendimento adequado a todos os requisitos, não deve subsistir a glosa fiscal equivocada em enquadrar tal operação idônea como aparente abuso de planejamento fiscal, ainda mais sem efetiva comprovação do alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 AUTOS REFLEXOS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase à CSLL, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 22 /2 01 4- 28 Fl. 650DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10283.720022/201428 Acórdão n.º 1402002.454 S1C4T2 Fl. 651 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº14 57.649, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, na sessão de 27 de março de 2015. TECHNOS DA AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO S.A. (contribuinte autuada), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta impugnação à exigência tributária consubstanciada no presente processo. Tratase de autos de infração, fls. 325, relativo ao IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 14.856.364,60 (inclusos multa de oficio de 75% e juros de mora à taxa Selic, calculados até janeiro/2014). I) DA AUTUAÇÃO Consoante Termo de Descrição dos Fatos, parte integrante dos autos de infração, a Fiscalização constatou que: "(...) 1 A pessoa jurídica reduziu de forma indevida, as bases de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), no anocalendário de 2010, porquanto considerou como dedução, quando da apuração das bases imponíveis das mencionadas exações, valores relativos a ágio por expectativa de rentabilidade futura. 2 Devese consignar que o mencionado ágio originouse de um processo de reorganização societária, meticulosamente engendrado, conforme será explanado a seguir. Em 8/05//2008, a TECHNOS RELÓGIOS S/A, CNPJ: 92.672.203/000142, sócia majoritária da pessoa jurídica fiscalizada, teve seu controle acionário mudado das pessoas físicas de Mário Hilario Goetems, CPF: 000.894.51015 (93,57% do capital social), Maria Estela Silvestrin, CPF: 192.221.81034 ( 3,62% do capital social) e Renato José Goettems, CPF: 003.315.03034, para a pessoa jurídica T1 PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ: 09.379.347/0001 61. 3 Nesta operação, a nova investidora T1 PARTICIPAÇÕES S/A, adquiriu 89,96% das ações da TECHNOS RELÓGIOS S/A, registrando um ágio fundamentado na rentabilidade futura pela aquisição do controle acionário, no valor de R$ 163.654.604,00. 4 Segundo se apurou, o ágio, consistente na diferença entre o valor de aquisição e o valor de patrimônio líquido da participação adquirida, teria por fundamento, como já frisado supra, a lucratividade futura da investida (goodwill) e lastreouse documentalmente no Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira, de 06/05/2008, elaborado por THERCO GRANT THORTON CONSULTORES S/S, que adotou em sua avaliação, o método de Fluxo de Caixa Descontado. Inobstante a peça documental auto intitularse formalmente de Relatório, podese inferir, pelo seu aspecto material, tratarse de um Laudo deAvaliação 5 De se registrar que, conquanto o Relatório tenha sido apresentado à Fiscalização como sendo a peça documental que teria dado respaldo ao ágio apurado quando da aquisição dos 89,96 % da ações da TECHNOS RELÓGIOS S/A, pela T1 PARTICIPAÇÕES S/A, o seu conteúdo diz respeito a uma avaliação econômicofinanceira do sujeito passivo sob exame, TECHNOS DA AMAZÔNIA Fl. 652DF CARF MF 4 INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, conforme se observa no subitem a. Tributos, do item Tributos sobre Vendas e Custos Operacionais , da Seção 3. Projeções Operacionais e Financeiras, do Relatório. O que pareceu, no mínimo, estranho. 6 Cumpre destacar que anteriormente, mais precisamente em 14/04/2008, a investidora T1 PARTICIPAÇÕES S/A, teve 99,99% do seu capital social adquirido por uma outra pessoa jurídica, SD PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ: 09.341.018/000121, tendo esta desembolsando o valor de 1 (um) real por ações, pago a cada um dos dois acionistas da vendedora, R$ 250,00, perfazendo um total de R$ 500,00. 7 Sobre essas duas pessoas jurídicas, SD PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ: 09.341.018/000121 e T1 PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ: 09.379.347/000161, é interessante apresentar alguns aspectos que entende a Fiscalização, ser pertinentes na avaliação do contexto dos fatos em que ocorreu o processo de reorganização societária, que redundou na apuração do ágio com os seus inerentes reflexos tributários. 8 A SD PARTICIPAÇÕES S/A, que inicialmente se denominava N.I.K.S.P.E. Empreendimentos e Participações S/A, de acordo com os registros cadastrais da Receita Federal do Brasil (RFB), foi aberta em 07/01/2008 e tinha como sócios fundadores o Sr. Cleber Faria Fernandes, CPF: 192.212.35874 e a Sra. Sueli de Fátima Ferretti, CPF: 764.868.77804, coincidentemente, sócios fundadores da T1 PARTICIPAÇÕES S/A, criada de acordo com os registros cadastrais da Receita Federal do Brasil, em 13/02/2008. Ou seja, entre a abertura das duas pessoas jurídicas decorreu pouco mais de 1 (um) mês. 9 Cabe observar que esta última pessoa jurídica denominavase no início de suas atividades, V.Q.Q.S.P..E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, e posteriormente em 16/04/2008, conforme 1 a alteração contratual, mudouse para outro endereço, substituiu seus dois sócios iniciais e passou a intitularse T1 PARTICIPAÇÕES LTDA. 10 Devese ainda assinalar que os dois sócios iniciais da SD PARTICIPAÇÕES S/A e da T1 PARTICIPAÇÕES S/A, o Sr. Cleber Faria Fernandes, CPF: 192.212.35874 e a Sra. Sueli de Fátima Ferretti, CPF: 764.868.77804, apresentamse no cadastro da Receita Federal do Brasil, como responsáveis por mais de 198 pessoas jurídicas, fato este, por si só, digno de uma investigação mais aprofundada por parte do setor competente da Receita Federal do Brasil. 11 Pois bem. Continuando o exame do processo de reorganização societária constatouse, de acordo com o Protocolo de Justificação, reforçado pelas Notas Explicativa das Demonstrações Financeiras da SD PARTICIPAÇÕES S/A, que em 11/05/2008, a controlada TECHNOS RELÓGIOS S/A incorporou sua controladora, T1 PARTICIPAÇÕES S/A, e na mesma operação a TECHNOS RELÓGIOS S/A foi incorporada pela sua controlada TECHNOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, pessoa jurídica ora fiscalizada, tendo esta se transformado societariamente em TECHNOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A. 12 Em decorrência da reestruturação societária o ágio por rentabilidade futura que havia sido gerado na aquisição da participação acionária da TECHNOS RELÓGIOS S/A pela T1 PARTICIPAÇÕES S/A, passou a integrar o patrimônio da Fiscalizada, que passou a amortizá lo com base no estabelecido no art. 386,Inciso II, do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/99). II DA ANÁLISE DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO 13 Os contornos e delineamentos que envolveram o processo da reorganização societária em comento, permite inferir tratarse de um caso típico de planejamento tributário abusivo. A análise dos fatos demonstra que a reorganização societária foi engendrada com o único propósito de auferir vantagem fiscal indevida, via amortização de um ágio gerado artificialmente. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10283.720022/201428 Acórdão n.º 1402002.454 S1C4T2 Fl. 652 5 14 Os aspectos na criação e funcionamento da pessoa jurídica T1 PARTICIPAÇÕES S/A, levam forçosamente a concluir tratarse a mesma de uma sociedade efêmera criada apenas para amparar a geração de um ágio irreal. 15 Os sócios fundadores Cleber Faria Fernandes e Sueli de Fátima Ferretti, como frisado supra, são responsáveis por mais de 198 pessoas jurídicas perante o cadastro da RFB, cada um, e apresentavam como endereço comercial comum, o n° 818, da Rua Pamplona, 9 o Andar, Conjunto 92, Jardim Paulista, CEP: 01405 001, São Paulo/SP, conforme a 1 a alteração contratual da T1 PARTICIPAÇÕES S/A. 16 O primeiro e o segundo, que também constam na 1a. alteração contratual da T1 PARTICIPAÇÕES S/A, como contabilista e analista, se auto qualificam, conforme Declarações de Imposto de Renda DIRPF/2011, anocalendário de 2010, como técnico em contabilidade e advogada, respectivamente, e não declararam à Fazenda Nacional as suas participações nas sociedades empresárias envolvidas na reorganização societária. 17 O curto espaço de tempo que os dois constaram como sócios/acionistas da SD PARTICIPAÇÕES S/A (01/01/2008 a 05/05/2008), e da T1 PARTICIPAÇÕES S/A, (13/02/2008 a 28/04/2008), leva a questionarse, inclusive, a existência da affectio societatis, levando a ilação de que a participação de ambos nos atos constitutivos das sociedades empresárias, serviu apenas para dissimular a existência dos verdadeiros interessados e articuladores do negócio subreptício. 18 Asseverese que os acionistas/diretores, substitutos das duas pessoas físicas supra mencionadas, na SD PARTICIPAÇÕES S/A, conforme registros cadastrais da RFB, foram o Sr. Luiz Felipe de Almeida Campos, CPF: 021.363.19701, o Sr. Pedro Henrique Nogueira Damasceno, CPF: 939.184.96791, o Sr. Mário Spínola e Castro, CPF: 023.675.07716 e o Sr. Rafael Gonçalves Mendes, CPF: 303.696.10890, tendo esta alteração cadastral ocorrido em 05/05/2008. Sendo que o primeiro e o quarto também sucederam os sócios fundadores Cleber Faria Fernandes e Sueli de Fátima Ferretti, na T1 PARTICIPAÇÕES S/A, em 28/04/2008. 19 Os senhores Mário Spínola e Castro e Luiz Felipe de Almeida Campos, também eram diretores da TECHNOS RELÓGIOS S/A, controladora da pessoa jurídica fiscalizada, conforme vislumbrase a teor do Protocolo de Justificação das Incorporações anexo. 20 Ou seja, todas as pessoas físicas que passaram a constar das administrações da SD PARTICIPAÇÕES S/A e da T1 PARTICIPAÇÕES S/A, apresentavam ou passaram a apresentar vínculos jurídicos e profissionais com as pessoas jurídicas de TECHNOS RELÓGIOS S/A e de TECHNOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, denotando assim um liame de funções e interesses entre as pessoas envolvidas no viciado processo de reorganização societária, que foi articulado mediante um conjunto de operações estruturadas em sequência, com o fito único de diminuir, indevidamente, os pagamentos do IRPJ e da CSLL. 21 A análise do aspecto temporal do conjunto de operações que desaguaram o surgimento do ágio ora contestado, permite observar que entre o evento de criação da controladora T1 PARTICIPAÇÕES S/A (13/02/2008), e a sua incorporação pela controlada TECHNOS RELÓGIOS S/A, e ainda a incorporação desta última pela controlada ora fiscalizada, TECHNOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, ocorrida em 11/05/2008, decorreram apenas 3 (três) meses. 22 Não se compreende, em uma situação normal, a necessidade de se criar uma sociedade que dure apenas três meses, tendo por sócios pessoas físicas contumazes na arte de se fazer Fl. 654DF CARF MF 6 passar por sócios/dirigentes de sociedades empresárias, fundadas sabese lá com que objetivo. No caso em exame, percebese não ter havido outro propósito negocial que não fosse a criação de um ágio irreal, originado com o escopo único de auferir vantagem fiscal indevida. 23 Como já consignado supra, em 08/05/2008, a T1 PARTICIPAÇÕES S/A teria adquirido a participação de 89,96% do capital social da TECHNOS RELÓGIOS S/A, mas a primeira já apresentava àquela data, como seus acionistas/dirigentes a pessoa jurídica de SD PARTICIPAÇÕES S/A e os Srs. Rafael Gonçalves Mendes e Luiz Felipe de Almeida Campos, que como já frisado antes eram pessoas ligadas a própria TECHNOS RELÓGIOS S/A e a TECHNOS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A. O Protocolo de Justificação demonstra o fato das operações de sucessão ter ocorrido entre partes relacionadas, pessoas físicas e jurídicas, reforçando assim o entendimento da geração de um ágio interno irreal, um ágio de si mesmo. 24 Inobstante a Fiscalizada ter apresentado cópia de um extrato bancário do banco Itaú, onde constam valores a débito que, segundo ela, se referiam ao pagamento da T1 PARTICIPAÇÕES S/A pela aquisição da participação societária na TECHNOS RELÓGIOS S/A, não puderam ser levados em consideração no exame fiscal, porquanto não foram apresentadas as escritas contábeis das pessoas jurídicas envolvidas, acompanhadas dos documentos referente à operação, tais como, recibos firmados dos alienantes/proprietários das ações, atas da TECHNOS RELÓGIOS S/A e da T1 PARTICIPAÇÕES S/A, com a fundamentação econômicocontábil para a realização da alienação e aquisição das ações etc. 25 Também devese assinalar que de acordo com Diário Oficial de São aulo (Junta Comercial), de 05/06/2008, foi efetuada uma alteração do capital social que teria variado do valor inicial R$ 500,00 para R$ 241.100.500,00, entretanto, da mesma forma acima, não foram apresentados nem a escrita contábil nem a documentação lastreadora dos lançamentos do aumento do capital, que possibilitariam a verificação da origem dos recursos que embasaram o aludido aumento. 26 Insta informar que o valor da subreptícia aquisição da participação societária da TECHNOS RELÓGIOS S/A, de acordo com declarado na ficha 36A, da DIPJ Especial de Incorporação da T1 PARTICIPAÇÕES S/A (anexo 6), montava R$ 251.500.000,00 (participação permanente: 87.845.396,00 + ágio em investimentos 163.654.604,00) todavia o valor total disponível por esta para pagamento do investimento seria de R$ 241.100.500,00, de acordo om o aumento Processo 10283.720022/201428 de capital supra indicado, isso se presumirmos que o aludido aumento teria sido com recursos financeiros, visto não ter sido apresentada a documentação pertinente à operação, conforme frisado antes. Ainda assim restaria uma diferença de mais de R$ 10.000.000,00 para cobrir o custo de aquisição do investimento. 27 Ademais mesmo que houvesse sido apresentados os elementos citados, não teriam eles o condão de revestir de validade e legalidade o planejamento tributário abusivo, engendrado por pessoas ligadas, em que surgiu o ágio interno com os seus aspectos delineados. Como restou demonstrado supra, a geração do ágio se deu intra grupo empresarial. Não houve a intervenção de pessoas interdependentes, e nesse contexto, o recurso saiu de um caixa para entrar em outro do grupo empresarial. Não existiu outro objetivo na reorganização societária que fosse a geração ficta da mais valia (goodwill) e que permitiu à pessoa jurídica examinada a amortização do pseudo custo deste elemento do ativo diferido, contribuindo assim para uma diminuição indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 28 Malgrado os procedimento formais terem sido todos observados, a análise da essência econômica dos fatos leva a concluir não ter havido outro propósito negocial na operação que não fosse a vantagem fiscal. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10283.720022/201428 Acórdão n.º 1402002.454 S1C4T2 Fl. 653 7 Asseverese que para efeitos da legislação societária, a operação envolvendo ágio interno é vedada, conforme determina o CPC 04, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, aprovado pela Deliberação CVM n° 553, de 12/11/2008. 29 De maneira que conforme o apurado pela fiscalização, procedese a glosa da exclusão no valor de R$ 21.602.407,66, que foi o valor considerado como dedução na apuração do lucro real do Anocalendário de 2010, a título de amortização de ágio, consoante informado no LALUR da pessoa jurídica. 30 Vale ressaltar que a ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral, da DIPJ/2011, Anocalendário 2010, apresenta valores das rubricas integrantes das Exclusões, divergentes do constante do LALUR, o mesmo acontecendo em relação aos itens componentes da Adições, malgrado o valor final do Lucro Real ser o mesmo na Declaração e no Livro Fiscal, R$ 36.799.501,29. 31 Acostase a presente peça lançante todos os documentos, Demonstrações Contábeis, Notas Explicativas, relatórios etc, envolvidos no processo da reorganização societária em exame, inclusive aqueles citados nesta descrição dos fatos, supedáneos das conclusões da Fiscalização, os quais poderão ser analisados, em seu completo teor, pelos interessados, considerando o amplo direito à defesa. 32 De maneira que, ante o exposto supra, procedese a constituição do crédito tributário em desfavor da Fiscalizada, mediante o presente lançamento de ofício, materializado neste auto de infração, por ser a forma legal de saneamento da irregularidade fiscal ora apurada. II) DA IMPUGNAÇÃO A Contribuinte foi cientificada em 13/01/2014, fl. 26, tendo apresentado em 11/02/2014 a impugnação de fls. 366387, contestando integralmente a exigência e, ao final, concluindo que: "(...) 5.26. Como demonstrado na seção anterior, o ágio em questão foi gerado de forma legítima, entre partes independentes, tendo havido o efetivo pagamento do preço de aquisição das ações de TECHNOS RELÓGIOS. Por outro lado, não há restrições com relação ao laudo de avaliação6 nem quanto ao fundamento do ágio (rentabilidade futura do investimento); assim, não há nenhuma razão para que a disciplina prevista nos citados artigos da Lei n° 9.532/97 deixe de ser aplicada. 5.27. Aliás, ressaltese que, ainda que se tratasse de "ágio interno", não há qualquer dispositivo legal que negue a sua dedutibilidade. Citese, neste sentido, o Acórdão n° 1101 00.708 (...) 5.28. O CARF também admitiu o aproveitamento fiscal de ágio originado de operações realizadas entre partes relacionadas nos Acórdãos n°s 1301001.224 (Relator EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JÚNIOR, de 11.06.2013); e 1302001.145 (Relator MÁRCIO RODRIGO FRIZZO, de 06.08.2013). 5.29. E nem poderia ser diferente, uma vez que os arts. T e 8o da Lei n° 9.532/97 não fazem qualquer restrição neste sentido. Tanto assim é que o art. 21 da Medida Provisória ("MP") n° 627, de 11.11.20137 , com vigência a partir de 01.01.2015, alterou a legislação em vigor estabelecendo que, para produzir efeitos fiscais, o ágio deve originarse de transação entre partes não dependentes. 5.30. Ora, entendimento de que o ágio gerado entre partes relacionadas não poderia ser fiscalmente amortizado antes da vigência da MP n° 627/2013 tornaria letra morta o art. 21 da Fl. 656DF CARF MF 8 referida MP, contrariando um dos princípios básico de hermenêutica, qual seja, o de que a lei não traz palavras inúteis ou expressões desnecessárias. 5.31 Em suma: (i) estão completamente equivocados os AUTOS ao glosarem a dedutibilidade de despesas com amortização do ágio neles versado, sob a alegação de se tratar de "ágio artificialmente criado intra grupo", haja vista que: (a) a aquisição das ações de TECHNOS RELÓGIOS decorre de negócio realizado entre partes independentes; (b) houve efetivo pagamento do preço de aquisição das ações de TECHNOS RELÓGIOS; e (c) os AUTOS não contestam o laudo de avaliação nem os fundamentos do ágio, embora, manifestem estranheza (injustificada, como visto) de ele estar focado em TECHNOS DA AMAZÔNIA. (ii) ainda que assim não fosse, deveria ser aceita a dedutibilidade de ágio gerado entre empresas do mesmo grupo até a entrada em vigência da MP n° 627/2013; e (iii) estruturas idênticas àquela analisada no caso concreto foram validadas pelo CARF em inúmeras oportunidades. 6. DO PEDIDO 6.1. Em face do exposto, a IMPUGNANTE espera e requer que sejam julgados totalmente improcedentes os AUTOS, com a consequente extinção do crédito tributário deles decorrente. (...)" Pois bem. Passo, agora, a complementar o presente relatório. Diante da Impugnação, o pedido da ora recorrente foi considerado improcedente, sendo o crédito tributário mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário reiterando seus argumentos e, trazendo esclarecimentos (itens 3.10 a 3.16 do Recurso Voluntário págs. 13 15) referentes a novas alegações trazidas no Acórdão de Impugnação pela autoridade julgadora. Vejase, abaixo, a ementa da decisão combatida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO GERADO EM OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. PREMISSAS As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o, inciso III, e 8o da Lei n° 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto não há espaço para a dedutibilidade do chamado "ágio de si mesma", cuja amortização é vedada, haja vista que não encontra respaldo nas normas tributárias e fere um dos princípios básicos do IRPJ/CSLL, qual seja: a incidência sobre o lucro efetivamente auferido, sendo que no caso em questão essa prática ocorreu. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10283.720022/201428 Acórdão n.º 1402002.454 S1C4T2 Fl. 654 9 Ao que toca o restante do trâmite processual, registrase que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN, e que não há Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 658DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pelo que, dele conheço. Em síntese, o contribuinte defende que o negócio jurídico realizado (venda do controle acionário da empresa Technos Relógios S/A, única acionista da Technos da Amazônia Indústria e Comércio S/A) deuse entre partes independentes, uma vez que a investidora T1 Participações S/A comprou a participação e substituiu os antigos controladores da Technos Relógios S/A em seu comando. Para comprovar essa independência e o efetivo pagamento pela participação societária adquirida, juntou ao autos, como anexo ao recurso voluntário, DARF’s de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Física sobre ganho de capital na venda de bens duráveis às fls. 619 e 621, em nome dos antigos sócios da Technos Relógios S/A. Foi apresentado, ainda, laudo de avaliação, firmado pela empresa Terco Grant Thornton Consultores S/S, de 06.05.2008, contemporâneo, portanto, a operação realizada. Por fim, foi anexado o contrato firmado entre as partes vendedora e investidora que trata em minúcias as condições para a operação de aquisição da participação societária em negociação, condizente com uma efetiva operação de compra realizada entre partes independentes. Feito esse intróito, passase aos fatos e ao mérito do recurso voluntário. 1. Da estruturação da operação negocial O contribuinte, em seu recurso voluntário, descreve as mesmas operações apresentadas no relatório deste voto, esclarecendo os passos realizados. Mario Hilátrio Goettems (93,57%), Maria Estela Silvestrin (3,62%) e Renato José Goettems são as pessoas físicas acionistas da Technos Relógios S/A que, em 08.05.2008, venderam a quase totalidade de sua participação na referida companhia para a empresa T1 Participações S/A. Como disposto no relatório, nessa operação de venda de participação, a nova investidora adquiriu 89,96% das ações da Technos Relógios S/A, registrando um ágio fundamentado em rentabilidade futura pela aquisição do controle acionário no valor de R$ 163.654.604,00. Não há provas nos autos que permitam concluir que as pessoas físicas acima indicadas e a T1 Participações tenham qualquer vínculo para serem consideradas, para fins da operação realizada, partes relacionadas. O ágio acima apontado, segundo o próprio relatório, lastreouse documentalmente no Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira, de 06.05.2008, elaborado por Terco Grant Thornton Consultores S/S, que adotou em sua avaliação o método do Fluxo de Caixa Descontado (rentabilidade futura). Como a Technos Relógios S/A era a acionista única da Technos da Amazônia Indústria e Comércio S/A, na avaliação realizada, embora dirigida para a Technos Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10283.720022/201428 Acórdão n.º 1402002.454 S1C4T2 Fl. 655 11 Relógios S/A, levou em consideração a atividade operacional da Technos da Amazônia na apuração do valor de mercado das empresas. O contrato firmado para a operacionalização da venda das ações da Technos Relógios S/A pelas pessoas físicas para a T1 Participações está colacionado aos autos às fls. 461 a 514, com os anexos às fls. 515 a 582 e, ao ver deste Julgador, não traz em seu conteúdo qualquer apontamento que possa levar à conclusão que se trata de um documento formalizado entre partes relacionadas. A fiscalização, por não estar diante de uma típica operação de “ágio interno”, buscou elementos subjacentes que pudessem descaracterizar as condições de uma legítima operação de compra e venda de participação societária entre partes independentes, apontando, por exemplo, o uso de duas empresas oriundas das mesmas pessoas físicas, as quais foram identificadas, pela própria Recorrente, como “empresas de prateleira”, de tal forma que, sua origem não interfere em nada com a operação em que ambas foram utilizadas. Mais importante que a origem das “empresas de prateleira” seria verificar a origem dos recursos que foram aportados na empresa T1 Participações para a aquisição do controle acionário da Technos Relógios S/A e, por consequência, da Technos Amazônia, fato não desenvolvido pela fiscalização responsável pela lavratura da autuação. O desenrolar da operação de reorganização societária esclareceu o motivo da utilização de duas holdings na operação, por parte dos investidores: uma (SD Participações) seria mantida acima da empresa operacional (a Technos Amazônia); a outra (T1 Participações) seria incorporada, de tal forma que o ágio pudesse chegar e ser usufruído pela empresa operacional. Em resumo, a T1 Participações foi capitalizada para ter lastro e comprar as ações da Technos Relógios junto aos seus acionistas; a SD Participações, na qualidade de acionista majoritária da T1 Participações, quando esta viesse a ser incorporada e extinta, passaria a controlar, diretamente, a empresa operacional, no caso, a Technos Amazônia. Para a obtenção desse resultado, a Technos Relógios incorporou a T1 Participações e foi incorporada pela Technos Amazônia. A estrutura societária final não é a mesma estrutura societária inicial, uma vez que, inicialmente, a Technos Relógios e, por consequência, a Technos Amazônia eram controlados por pessoas físicas, mais acima nomeadas; ao final, a Technos Amazônia passou a ser controlada pela SD Participações, que não tem qualquer relação com as pessoas físicas da origem da operação. Ou seja, ocorreu, de fato, uma operação de venda de participação societária com ágio, entre partes não relacionadas, com desembolso efetivo de dinheiro e ganho de capital por parte dos vendedores, devidamente comprovado pelos DARF’s de recolhimento de IRPF acostados aos autos. Em que pese “os contornos e delineamentos que envolveram o processo da reorganização societária em comento permitir inferir tratarse de um caso típico de planejamento tributário”, não se pode taxálo de abusivo sem comprovar os abusos, notadamente porque, apesar de o uso da despesa com ágio proporcionar uma redução do IRPJ e CSLL devidos pela Recorrente, fato é que, na outra ponta da equação, os vendedores recolheram os impostos devidos pelo ganho de capital na venda que realizaram. Há propósito Fl. 660DF CARF MF 12 negocial na operação e não se pode concordar que o ágio em questão tenha sido “gerado artificialmente”. Como já foi dito acima, a T1 Participações, de fato, foi criada com o intuito de ser, ao final da reorganização, extinta por incorporação. Fez, de fato, o papel de uma empresa veículo. Mas ao contrário dos casos típicos de “ágio interno”, neste as partes não são relacionadas e houve o efetivo desembolso de dinheiro na operação de aquisição de participação societária. O aspecto temporal, considerando a duração de tempo da reorganização societária e, ao final, a presença de pessoas afins no comando da SD Participações, T1 Participações e na diretoria da Technos Relógios não demonstram que vendedores e compradora sejam partes relacionadas, mas que a operação estrutura pela compradora para a aquisição da Technos Amazônia foi estudada em detalhes para que o ágio gerado legalmente pela aquisição da participação societária pudesse subsumirse às regras da Lei 9.532/97 e, assim, ser utilizado como despesa dedutível pela empresa operacional, no caso, a Recorrente. A fiscalização, em suas observações no Termo de Verificação Fiscal, aponta que não teve acesso a um comprovante de pagamento pela T1 Participações para os vendedores, nem teve acesso às escritas contábeis das pessoas jurídicas envolvidas, acompanhadas dos documentos referentes à operação, para o devido exame fiscal. Não relata ou esclarece, contudo, se as partes foram intimadas a apresentar tais documentos e comprovações e se negaram, ou se, simplesmente, não ocorreram essas solicitações, uma vez que a fiscalização já estava convicta de estar diante de um “planejamento tributário abusivo”. De qualquer forma, não seria razoável entender que os vendedores pagariam masi de 20.000.000,00 de reais de IRPF sobre ganho de capital de mais se não tivessem concretizado o negócio pela venda de suas participações societárias, afastando dúvidas ou a necessidade de outros documentos para comprovar a realidade da operação. Quanto às formalidades, a própria fiscalização afirma que foram observadas. Passemos a analisar as razões que levaram a 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto a manter os autos de infração lavrados pela fiscalização. O i. Relator do acórdão recorrido parte da premissa que o caso em exame se trata, indubitavelmente, de amortização de ágio interno e, para confirmar essa posição, aponta que “a amortização do ágio, pago com fundamento em previsão de rentabilidade futura, com fulcro no artigo 7º, inciso III, da Lei nº 9.532 de 1997, deve atender, inicialmente, a três premissas básicas, como forma de comprovação da realização do propósito negocial da operação”, enumerandoas: 1 O efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 2 A realização das operações originais entre partes não ligadas; 3 Seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. O próprio Relator afirma que, a seu ver, no presente caso, “a segunda premissa básica não foi cumprida, razão pela qual não restou demonstrado o propósito negocial da operação. Antes de adentrar ao item 2, concordamos com o posicionamento da decisão recorrida no sentido de que houve o efetivo pagamento do custo total de aquisição, Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10283.720022/201428 Acórdão n.º 1402002.454 S1C4T2 Fl. 656 13 inclusive do ágio, uma vez que os vendedores, pessoas físicas detentoras das ações da Technos Relógios S/A não só receberam o preço, como pagaram o IRPF devido pelo ganho de capital na venda de sua participação societária. Por outro lado, há, nos autos, laudo de avaliação da participação vendida às fls. 330 a 360, fundado na expectativa de rentabilidade futura, firmado por Terco Grant Thornton Consultores S/S, que, em sua conclusão, de fls. 354, afirma “considerando o objetivo, as premissas definidas pela alta administração da empresa e adotandose a metodologia de avaliação econômicofinanceira, com base no método do Fluxo de Caixa Descontado, o valor econômicofinanceiro de 100% das ações da Technos Relógios S.A. na data base de 30 de abril de 2008 é de R$ 290.564 mil”. O valor de venda, conforme contrato firmado pelas partes, é de R$ 251.500mil, conforme se vê às fls. 465, item 3.1.1.1 do contrato. Como a venda foi de aproximadamente 90% das ações da companhia, o valor é compatível com a operação real e demonstra a lisura na avaliação da empresa adquirida. Resta enfrentar o item 2. No acórdão recorrido, o i. Relator afirma que “não houve ingresso de novos recursos na empresa. De outro lado, não ocorreu tributação de ganho de capital para equilibrar a equação tributária.” Como se trata de venda de participação societária, não era de se esperar que entrasse algum recurso na empresa vendida, pois, em verdade, quem recebeu pela venda da participação societária foram os acionistas desta empresa vendida. Por outro lado, embora talvez o i. Relator não tivesse tido acesso aos DARF’s de pagamento do IRPF por parte dos vendedores, fato é que a Recorrente juntou aos autos, juntamente com o seu recurso voluntário, comprovante do recolhimento do imposto de renda sobre ganho de capital por parte das pessoas físicas que venderam as suas participações na Technos Relógios S/A. Ou seja, a operação deuse, efetivamente, entre partes independentes, com o valor de venda da empresa, com ágio, sendo integralmente arcado pelo comprador, afastando qualquer argumento no sentido do ágio ser forjado. De se registrar, pela pertinência ao caso, o posicionamento absolutamente correto do i. Relator quanto à licitude dos atos realizados pelas partes envolvidas na operação de compra das ações da Technos Relógios e da própria Recorrente, em relação aos atos societários firmados, quando afirma que “desde o primeiro atendimento à Fiscalização, durante a auditoria, o contribuinte foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para aproveitar o ágio”, inclusive reconhecendo que o uso de empresa veículo era prática normal à época, notadamente pelo disposto no art. 8º, da Lei 9.532/97. Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, exonerandoo do IRPJ e CSLL constituídos no presente processo. É o voto. (assinado digitalmente) Fl. 662DF CARF MF 14 Demetrius Nichele Macei Fl. 663DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.731826/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTINUIDADE. AÇÃO FISCAL. PRAZO DE SESSENTA DIAS.. EFEITOS DA SUPERAÇÃO.
Consoante decorre do § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, a superação do prazo de sessenta dias previsto nesse artigo restabelece a espontaneidade do sujeito passivo nos termos ali referidos, não havendo, contudo, implicação em nulidade ou encerramento do procedimento fiscal.
NULIDADE. ALEGAÇÕES GENÉRICAS.
Não prosperam alegações genéricas de nulidade quando não demonstrado, efetivamente, a existência de prejuízo ao direito de defesa.
VALE-GÁS. REMUNERAÇÃO INDIRETA.
O vale-gás fornecido mensalmente aos empregados integra o salário contribuição, não havendo permissão para sua exclusão, seja nos termos do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, seja à luz dos demais diplomas de regência.
Numero da decisão: 2402-005.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTINUIDADE. AÇÃO FISCAL. PRAZO DE SESSENTA DIAS.. EFEITOS DA SUPERAÇÃO. Consoante decorre do § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, a superação do prazo de sessenta dias previsto nesse artigo restabelece a espontaneidade do sujeito passivo nos termos ali referidos, não havendo, contudo, implicação em nulidade ou encerramento do procedimento fiscal. NULIDADE. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Não prosperam alegações genéricas de nulidade quando não demonstrado, efetivamente, a existência de prejuízo ao direito de defesa. VALEGÁS. REMUNERAÇÃO INDIRETA. O valegás fornecido mensalmente aos empregados integra o salário contribuição, não havendo permissão para sua exclusão, seja nos termos do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, seja à luz dos demais diplomas de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 18 26 /2 01 1- 10 Fl. 1834DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10380.731826/201110 Acórdão n.º 2402005.814 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de retorno de diligência demandada pela 1ª Turma da 3ª Câmara do CARF, em sessão realizada em 4/11/2014 (fls. 1726/1732). Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, que julgou procedente autos de infração (fls. 2/41) versando sobre contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades e fundos, a saber: 1. DEBCAD Nº 37.042.5472, contribuições previdenciárias patronais e à parte destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes de acidentes de trabalho, não recolhidas e não declaradas em GFIP pela empresa, incidentes sobre prolabore, pagamentos à Unimed, pagamentos de patrocínio a clubes de futebol profissional e valegás; 2. DEBCAD Nº 37.303.4933, diferenças de contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados empregados, não recolhidas e não declaradas em GFIP, incidente sobre as verbas já aludidas; 3. DEBCAD Nº 37.303.4946, contribuições devidas a outras entidades e fundos: SESC, SENAC, SEBRAE, e FNDE/Salárioeducação, incidentes sobre as referidas remunerações pagas aos segurados empregados, aí incluído o valegás. Foram examinados os documentos apresentados pela empresa, entre eles: Folhas de pagamento de salários e seus resumos (meio papel e meio digital), Recibos de pagamentos de férias e rescisões de contrato; Guias da Previdência Social GPS; os livros contábeis Diário e Razão (meio digital); Balancetes contábeis e Balanço Patrimonial (meio digital), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, processos judiciais do INCRA: ação declaratória cumulada com pedido de depósito e repetição de indébito; ação ordinária Sentença n.° 00006 /2007 e apelação n° 42.4748CE do Processo n.° 2003.81.00.0143786 e depósitos. Mantida a exigência no julgamento de primeira instância (fl. 1556/1567), foi interposto recurso voluntário em 10/1/2014 (fls. 1576/1717), no qual foi aduzido, consoante síntese realizada no relatório da Resolução nº 2301000.491 (fl. 1730): a) preliminarmente, a nulidade do lançamento, por falta de ciência tempestiva do Termo de Continuidade da ação fiscal, o que eiva de vício insanável o procedimento fiscal, por ferir os princípios da publicidade, da ampla defesa e da legalidade; b) cerceamento a ampla defesa e ao contraditório, por ausência de clareza e detalhamento sobre a acusação fiscal, que tornou impossível a identificação do enquadramento legal utilizado na ação fiscal e importa em nulidade do processo; Fl. 1836DF CARF MF 4 c) houve ofensa ao princípio da verdade material, eis que a decisão de primeira instância limitou sua análise apenas em relação às informações prestadas pela fiscalização; d) no mérito, a inexistência de divergência quanto aos valores devidos em face dos pagamentos realizados a cooperativa de trabalho, tendo em vista que a simples diferença entre o valor lançado na contabilidade como registro do valor pago a Unimed e o valor declarado na GFIP não representa a existência de valores pagos e não declarados a incidir a cobrança de contribuição previdenciária; e) os valores relativos ao repasse do vale gás não configuram salário indireto e, consequentemente, salário de contribuição, pois não estão presentes os requisitos dispostos em lei para a configuração desta verba como tal, diante da ausência de gratuidade desta, previsão em Convenção Coletiva da categoria, tratandose de uma obrigação e não uma liberalidade patronal, e ausência de habitualidade, pois só é concedido aos empregados que não possuem gás canalizado em suas residências e não tenham faltas injustificadas no mês; e f) por fim, realização de perícia contábil para a comprovação do direito alegado. Tendo em vista informação do recorrente de que havia pago parcialmente a exigência, foi prolatada a já mencionada Resolução nº 2301000.491, mediante a qual foi determinada diligência para fins de que a autoridade de origem verificasse se houve pagamento parcial dos valores lançados no presente auto de infração, e em caso positivo, se a parte remanescente da exigibilidade tributária referese apenas aos pagamentos efetuados à UNIMED e à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de vale gás. A repartição de origem exarou Informação Fiscal (fl. 1758) consignando que houve pagamento parcial dos valores lançados,"e que a parte remanescente da exigibilidade tributária referese apenas à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de vale gás (Levantamentos VG1 e VG2)". Cientificado o recorrente, este apenas reiterou os pedidos já formulados, no que pertinentes à matéria remanescente (fls, 1762/1769). É o relatório. Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10380.731826/201110 Acórdão n.º 2402005.814 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi admitido pelo CARF, razão pela qual passo direto ao exame das preliminares levantadas. Inicialmente, percebese que o contribuinte tem uma percepção equivocada do alcance do disposto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:(Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A própria norma explicita a consequência atribuível à extrapolação do prazo de sessenta dias ali referido, ou seja, o restabelecimento da espontaneidade do sujeito passivo. Alusão alguma há nessas disposições à eventual nulidade do lançamento, ou mesmo encerramento "automático' do procedimento fiscal, em virtude do término daquele prazo. Acrescentese, ainda, que não restou comprovado qual teria sido o prejuízo advindo dessa ocorrência. Sem procedência, portanto, tal alegação. Melhor sorte não sucede no que toca ao argumento de que houve cerceamento de defesa dada a falta de clareza e detalhamento na "acusação fiscal". Fl. 1838DF CARF MF 6 Nos documentos de fls. 2/82 estão devidamente expostos os cálculos levados a efeito no lançamento, e o Relatório Fiscal, fls. 137/141, circunstancia solidamente as razões de fato e de direito que lastraram a constituição de ofício do crédito tributário. O conceito de ausência de clareza, aduzido na peça recursal, é extremamente vago e cai no vazio, quando desacompanhado de evidências e exemplos inequívocos a lhe amparar. De todo modo, mencionese que no relativo aos pagamentos realizados à Unimed, única situação em que o contribuinte busca trazer alguma ilustração de como teria sido, em tese, prejudicado em sua defesa, não persiste mais a lide, como relatado. E, no que concerne à pretensa nulidade da decisão a quo, que não teria examinado as aduções do recorrente mas tão somente as informações da fiscalização, a própria resposta da DRJ/FOR à afirmativa nesse sentido, veiculada já na impugnação, comprova que os argumentos de ambas as partes, Fisco e contribuinte, foram devidamente sopesados à luz dos fatos e do direito carreados nos autos. Com efeito, o contribuinte parece ter dificuldade em compreender ser ônus seu juntar os documentos e trazer sua interpretação dos fatos de modo a se contrapor à versão apresentada pelo Fisco, consistente com o procedimento por este realizado. Rejeitase, outrossim, tal linha de argumentação, por não haver sido demonstrado qualquer prejuízo à defesa, salvo o que, eventualmente, ela mesmo se imputou, ao apresentar arguições meramente retóricas e sem fundamento em seu recurso voluntário, no que toca às nulidades. Quanto à questão de fundo, permaneceu controverso tão somente os lançamentos referentes às contribuições incidentes sobre o valegás fornecido aos empregados da empresa, considerado como remuneração indireta pelo Fisco. Nesse aspecto, também não se verifica qualquer reparo a realizar na contestada, pois está firmado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que os ganhos habituais sob a forma de utilidades integram o saláriodecontribuição, não estando o valegás incluído nas exceções a essa regra geral, discriminadas no § 9º dessa mesma lei. O fornecimento mensal de valegás, tal como no caso em comento, já foi reconhecido pelo CARF como integrante do saláriodecontribuição, consoante evidencia o seguinte trecho de ementa do Acórdão nº 240100.856, j. 3/12/09: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP SÚMULA VINCULANTE DECADÊNCIA QUINQUENAL MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. (...) O vale gás fornecido aos empregados constitui salário de contribuição, uma vez que não existe dispensa legal para sua exclusão. Irrelevante, aliás, que tal utilidade esteja prevista em convenção coletiva, pois atos do gênero não possuem o poder de derrogar os indigitados dispositivos legais. Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10380.731826/201110 Acórdão n.º 2402005.814 S2C4T2 Fl. 110 7 Muito pelo contrário, visto que o STJ, em recente decisão, não só se manifestou em sentido convergente com o apresentado nesta fundamentação, como considerou a previsão do valegás em convenção coletiva evidência adicional a corroborar o caráter remuneratório dessa utilidade (AgRg no REsp nº 1.479.931/RJ, j.. 28/4/2015): TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBAS PAGA AO EMPREGADO. VALEGÁS. BENEFÍCIO DE NATUREZA SALARIAL. HABITUALIDADE E GRATUIDADE. ART. 28, § 9º, DA LEI N. 8.212/91. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. COMPOSIÇÃO. 1. Cingese a controvérsia trazida a esta Corte à possibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre o benefício denominado "valegás", pago mensalmente pela empresa a seus funcionários. 2. O Tribunal de origem considerou que a verba em apreço possui natureza salarial e, portanto, integra a base de cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária, pois não se encontra entre as hipóteses de isenção previstas no art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91. 3. É assente nesta Corte que incide contribuição previdenciária sobre o "total da remuneração" paga ou creditada aos trabalhadores, a qualquer título, exceto as verbas listadas no art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/1991. 4. Na espécie, cuidase de pagamento feito com habitualidade pela empresa a título de valegás, hipótese que não está arrolada entre as exceções legais, além de estar prevista em Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato respectivo, de modo a atrair a incidência da contribuição previdenciária. Agravo regimental improvido. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para afastar a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008977/2009-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Numero da decisão: 9101-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
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LIMITE LEGAL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Recorrentes PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) CALAMO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE BELEZA S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 89 77 /2 00 9- 89 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 3 2 compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados: I O Auto de Infração às fls. 4046, com a exigência do crédito tributário no valor de R$3.354.392,64, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real apurado no decorrer do anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos: 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo fiscal, tendo em vista que o saldo de prejuízo fiscal, da empresa incorporada SHOPPING ESTACÃO LTDA, CNPJ 03.967.151/000101, na data da compensação, era de R$ 14.406.185,40, conforme Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais SAPLI (fls. 33 a 39). Do exame da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ anocalendário 2007, Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 4 3 constatase que a empresa compensou o valor de R$ 16.746.103,55, donde se conclui que foi compensado valor de R$ 2.339.918,15 acima do saldo de prejuízos. Conforme Demonstrativo do primeiro período de 2004, a empresa apresentava saldo de prejuízo de R$5.294.852,35 (fls. 35). Em dezembro/2004 houve cisão parcial, tendo a pessoa jurídica mantido 55,89% (cinquenta e cinco inteiros e oitenta e nove décimos por cento) do patrimônio liquido. De acordo com o artigo 514 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no 3.000, de 26/03/99 RIR/99, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, PROPORCIONALMENTE á parcela remanescente do patrimônio liquido, donde se conclui que a empresa poderia ter compensado, relativamente a aquele período somente o valor de R$ 2.959.292,98. Há indícios que a utilização de prejuízo inexistente é decorrente de ter o contribuinte apropriado valor de prejuízo que não poderia ser utilizado, face a cisão ocorrida em 2004. [...] 002 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% . Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda. Conforme constante na Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ, da empresa incorporada SHOPPING ESTAÇÃO LTDA, CNPJ 03.967.151/000101, foi apurado lucro real no anocalendário de 2007, no valor de R$ 32.683.810,30. De acordo com o inciso III do artigo 250 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no 3.000/99 RIR/99, pode ser excluído do lucro liquido, para fins de apuração do lucro real, o prejuízo fiscal de períodos anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. Diante do constante na legislação, constatase que o contribuinte efetuou a compensação acima do limite permitido, conforme demonstrado abaixo: Lucro real após da comp. prej. próprio per. de apuração R$ 32.683.810,30 Compensação de prej. fiscais de períodos de apur. anteriores R$ 16.746.103,55 Limite de 30% do lucro real R$ 9.805.143,09 Compensação acima do limite permitido R$ 6.940.960,46 () Infração relativa a prejuízos inexistentes R$ 2.329.019,90 Base de Cálculo do IRPJ R$ 4.601.041,61 É lavrado o presente auto de infração para constituição do crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, decorrente da Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 5 4 infração cometida compensação de prejuízos acima do limite estabelecido na legislação. O sujeito passivo da obrigação tributária é a empresa incorporadora, ora autuada, nos termos do artigo 132 do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172/66. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 247, art. 250, inciso III do art. 251 e parágrafo único do art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários, também foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II O Auto de Infração às fls. 4753, com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.240.877,14, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real apurado no decorrer do anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos: 001 BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Compensação indevida de base de calculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, tendo em vista que o saldo de base negativa, da empresa incorporada SHOPPING ESTAÇÃO LTDA, CNPJ 03.967.151/000101, na data da compensação, era de R$ 14.406.185,36 , conforme Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (fls. 32 a 32). Do exame da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ anocalendário 2007, constatase que a empresa compensou o valor de R$ 16.746.103,55, donde se conclui que foi compensado valor de R$ 2.339.918,19 acima do saldo de base de cálculo negativa. Conforme demonstrativo da base de cálculo negativa da CSLL, do primeiro período de 2004, a empresa apresentava saldo de base de cálculo negativa de R$ 5.294.852,35 (fls. 32). Em decorrência da cisão parcial, realizada em dezembro/2004, a pessoa jurídica manteve 55,89% (cinquenta e cinco inteiros e oitenta e nove décimos por cento) do patrimônio liquido. De acordo com o artigo 514 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no 3.000, de 26/03/99 RIR/99 e artigo 22 da Medida Provisória 2.15835/2001, a pessoa jurídica cindida poderá compensar a base de cálculo negativa, PROPORCIONALMENTE a parcela remanescente do patrimônio liquido, donde se conclui que a empresa poderia ter compensado, relativamente a aquele período o valor R$ 2.959.292,97. Há indícios que a utilização de prejuízo inexistente é decorrente de ter o contribuinte apropriado valor de prejuízo que não poderia ser utilizado, face a cisão ocorrida em 2004. [...] Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Compensação indevida de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% da base de cálculo apurada no período. Conforme constante na Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ, da empresa incorporada SHOPPING ESTAÇÃO LTDA, CNPJ 03.967.151/000101, foi apurada base de cálculo da CSLL, no ano calendário de 2007, o valor de R$ 32.683.810,30. De acordo com o artigo 58 da Lei 8.981/95, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos base anteriores em, no máximo, trinta por cento. Diante do disposto na legislação, constatase que o contribuinte efetuou a compensação acima do limite permitido, conforme demonstrado abaixo: Lucro real após da comp. prej. próprio per. de apuração R$ 32.683.810,30 Compensação de prej. fiscais de períodos de apur. anteriores R$ 16.746.103,55 Limite de 30% do lucro real R$ 9.805.143,09 Compensação acima do limite permitido R$ 6.940.960,46 () Infração relativa a prejuízos inexistentes R$ 2.339.918,19 Base de Cálculo do IRPJ R$ 4.601.042,27 É lavrado o presente auto de infração para constituição do crédito tributário da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, decorrente da infração cometida compensação de base de cálculo negativa acima do limite estabelecido na legislação. O sujeito passivo da obrigação tributária é a empresa incorporadora, ora autuada, nos termos do artigo 132, inciso do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172/66. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificado, o Sujeito Passivo apresentou a impugnação, fls. 8088. Está registrado no Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0632.094, de 02.06.2011, fls. 164160: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 7 6 Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE SALDO COMPENSÁVEL. Mantémse a exigência correspondente a compensação de saldo inexistente de prejuízos fiscais. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. Inexiste amparo legal para se proceder a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA ANTERIOR. INEXISTÊNCIA DE SALDO COMPENSÁVEL. Mantémse a exigência correspondente à compensação de saldo inexistente de base de cálculo negativa anterior de CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA ANTERIOR. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. Inexiste amparo legal para se proceder â compensação de base de cálculo negativa anterior sem observância do limite de 30% do lucro liquido ajustado do período de apuração em que a pessoa jurídica foi extinta por incorporação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições devidos pela incorporada até a data da incorporação, como por eventual multa de oficio e demais encargos legais formalizados após a alteração societária, em decorrência de infração cometida pela empresa sucedida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento impugnado, mantendo as exigências de R$ 1.731.551,07 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e R$ 623.358,38 de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, além das Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 8 7 correspondentes multas de lançamento de oficio de 75% e dos acréscimos legais. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002. Apartar em processo distinto as exigências não impugnadas de IRPJ e CSLL — nos valores de R$ 3.689,04 de imposto e R$ 1.328,06 de contribuição, além das correspondentes multas de lançamento de oficio de 75% e dos acréscimos legais — sobre a compensação indevida de R$ 14.756,18 de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa anterior de CSLL. Confirmar os recolhimentos de fls. 119122. É importante registrar que a decisão de primeira instância administrativa revisou os cálculos referentes à primeira infração (compensação de prejuízos fiscais e bases negativas inexistentes), para concluir que o montante compensado indevidamente era de R$ 14.756,18 (como alegava a contribuinte em sua impugnação), e não R$ 2.339.918,15 (como contava dos autos de infração). Este primeiro item do lançamento, portanto, ficou solucionado com a decisão da Delegacia de Julgamento, e o litígio remanesceu apenas em relação à segunda infração (compensação acima do limite de 30%, realizada na data da extinção da pessoa jurídica). Notificado, o Sujeito Passivo apresentou o recurso voluntário, fls. 235250. Está registrado no Acórdão nº 1402001.055, de 12.06.2012, efls. 334352: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão CSRF 9101/00.401 de 2/10/2009). MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA A TAXA SELIC. Correta a exigência da multa de oficio, em se tratando de auto de infração lavrado contra empresa que era controladora da contribuinte à época das irregularidades, bem como dos juros de mora a taxa Selic sobre o principal. Por sua vez, sobre a multa de oficio, os juros devem ser de 1% ao mês. Recurso Voluntário Provido em Parte. [...] Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 9 8 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso em relação à inaplicabilidade do limite de 30% para compensação de prejuízos. [...] Por unanimidade de votos, manter a exigência da multa de ofício. Por maioria de votos, determinar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no percentual de 1% ao mês. O processo foi encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 14.02.2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 353354). De acordo com o disposto no art. 79 do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, a intimação presumida da PGFN ocorreu em 16.03.2013. Em 15.02.2013, tempestivamente, foi interposto o recurso especial de efls. 355363 (Despacho de Encaminhamento de efl. 386). Suscita que: III – DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL [...] Com a devida vênia, notase que o r. acórdão recorrido não empreendeu a melhor análise da legislação pertinente, tendo, no ponto, contrariado também a jurisprudência desse Eg. Conselho Administrativo e dos extintos Conselhos de Contribuintes. Doravante se passará a demonstrar que a r. decisão merece ser reformada por esta Col. CSRF. [...] Como visto, a decisão proferida pelo Colegiado a quo excluiu a incidência de juros, com esteio na taxa SELIC, sobre a multa de ofício, convencida de que inexistiria previsão legal para tanto. Estabeleceu, como conseqüência, que os juros moratórios sobre a multa de ofício só poderiam incidir no percentual de 1%, de acordo com o CTN. Porém, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais encampou entendimento diverso no sentido de ser aplicável à hipótese a taxa Selic. Confira‑ se a ementa do acórdão paradigma CSRF/910100.539: [...] Em igual sentido ao acórdão supra transcrito, apresenta‑ se, ainda, como paradigma, o acórdão CSRF/0400.6511, proferido pela Quarta Turma da Câmara Superior, cuja ementa abaixo se reproduz: [...] Diante da simples leitura das ementas, fica claro que, diante de situações fáticas idênticas, foram adotadas conclusões jurídicas diversas. Resta caracterizada, portanto, a divergência jurisprudencial, que se resume à taxa que deve ser utilizada para o cálculo dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Enquanto o Colegiado a quo entende ser aplicável a taxa de 1%, as turmas prolatoras dos acórdãos paradigmas defendem que deve ser empregada a taxa Selic para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre a multa. Destaquese que o Colegiado a quo posicionouse no sentido de que os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa, que se sujeitaria ao percentual de 1%. Diferentemente, a Primeira e a Quarta Turma da Câmara Superior manifestaram‑ se no sentido de que são devidos juros de mora, calculados à taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, o que inclui a multa de ofício. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 10 9 Demonstrada a divergência jurisprudencial diante dos acórdãos paradigmas em anexo, encontram‑ se presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial, consoante o disposto no art. 67, do RI CARF. IV ‑ DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO O Colegiado a quo, prolator do acórdão ora recorrido, firmou posicionamento no sentido de que os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício proporcional. De acordo com tal entendimento, só seria possível a incidência de juros sobre a multa ao percentual de 1%, em face do que dispõe o art. 161 do CTN. Conforme restará demonstrado, entretanto, revela‑ se correta a exigência de juros de mora, calculados à taxa Selic, sobre toda a obrigação tributária principal, o que inclui a multa de ofício. A fim de contextualizar o problema e buscar a interpretação adequada, serão transcritos os dispositivos aplicáveis à solução do caso. Em primeiro lugar, os artigos 44, I, e 61, §3º, da Lei nº 9.430/96, com a redação anterior à dada pela Lei nº 11.488/2007: [...] A divergência sobre a aplicabilidade da SELIC sobre a multa de ofício a título de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. O art. 61, caput, e seu §3º da Lei nº 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”. Assim, é importante definir a que “débitos” se referem o art. 61, caput, e seu §3º do mencionado diploma legal. É sabido que, com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, surge o direito subjetivo público do sujeito ativo (União) a receber o crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagá‑ lo no prazo previsto na legislação específica. Portanto, nota‑ se que, se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o Fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros). Quer‑ se dizer com isso que os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu §3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo. Os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada. É o que manda o citado §3º. Desse modo, fica patente que a Lei nº 9.430/96 dispôs de modo diverso do §1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a “taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”, que é a taxa SELIC. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 11 10 Logo, resta correta a aplicação dos juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício. V – PEDIDO Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, mantendose integralmente o lançamento tal como realizado, em especial, reconhecendose a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Houve seguimento ao recurso especial da PGFN (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 04.08.2015, efls. 388392), uma vez que as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial em relação a "Juros de Mora sobre Multa de Ofício Proporcional" a partir do exame dos paradigmas: Acórdão nº 9101 00.539, de 11.03.2010 e Acórdão nº CSRF/0400.651, de 18.09.2007. Notificado em 07.12.2015, efl. 395, o Sujeito Passivo apresentou em 21.12.2015, efl. 397, as suas contrarrazões, efls. 397403. Argui que: O Recurso Especial da Fazenda Nacional versa sobre a ilegalidade da incidência de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício aplicada no lançamento fiscal, conforme reconhecido pelo Acórdão n° 1402001.055, com voto vencedor do Cons. Antônio José Praga de Souza. Data vênia, os argumentos recursais não são suficientes para derruir as bem postas razões de decidir do acórdão cameral, conforme restará demonstrado. [...] Não obstante o raciocínio Fazendário, há de se concluir que, ainda que se entenda adequada a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo supostamente devido, os juros calculados com base nessa taxa não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal. [...] O artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, o qual por sua vez estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos, verbis: [...] Senso comum, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se depreende da definição de "tributo", contida no artigo 3º do Código Tributário Nacional ("CTN"), abaixo transcrito: [...] A multa fiscal, de forma diversa, decorre de infração cometida pelo contribuinte, como bem conceitua de De Plácido e Silva: "É a imposição Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 12 11 pecuniária devida pela pessoa, por decisão da autoridade fiscal, em face de infração às regras instituídas pelo Direito Tributário. " [...] Essa característica distingue os tributos das multas. De fato, a aplicação de multa tem por objetivo penalizar o comportamento repudiado pelo ordenamento jurídico. Os fatos que ensejam o pagamento dos tributos, por outro lado, são fatos lícitos: auferir renda, prestar serviços, ser proprietário de veículos automotores, etc. Assim a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 3º do CTN. Ademais, o parágrafo primeiro do artigo 113 do CTN, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária", ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. [...] Assim, resta demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, constatável no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários exigidos, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por esse E. CARF. [...] Nem se alegue, ainda, como pretende a Fazenda Nacional, que a cobrança dos juros sobre a multa, no presente caso, estaria amparada pelo artigo 43 da Lei n° 9.43 0/96, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. [...] A mesma conclusão, requerse seja aqui adotada, reconhecendose a improcedência do Recurso Fazendário e mantendose o acórdão da Turma na parte em que afastou a incidência dos juros de mora sobre multa de ofício. Ante ao todo exposto e por tudo o mais que será suprido por V.Exas., requerse o NÃO PROVIMENTO do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter o acórdão recorrido na sua correta conclusão de não se exigir a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício. O Sujeito Passivo foi cientificado da referida decisão em 07.12.2015, efl. 395, termo inicial da contagem do prazo de quinze dias estabelecido no art. 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Em 21.12.2015, efl. 409, tempestivamente, foi interposto o recurso especial, efls. 409419 1. Suscita que: Quanto à manutenção da multa de ofício imputada à Recorrente, autuada na condição de responsável solidária por sucessão, na forma do artigo 132, do CTN, em virtude da incorporação havida, abstémse de apresentação de recurso especial, apenas em função do disposto no § 3º, 1 Fundamentação Legal: Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 13 12 do art. 67, do Regimento Interno deste Conselho, frente ao teor da Súmula CARF n° 47. O objeto deste Recurso Especial, então, circunscrevese, tão somente, à questão da possibilidade de se compensar prejuízo fiscal e base de cálculo negativa acima do limite de 30% do lucro líquido, em caso de incorporação, como a situação concreta. [...] Tratase, pois, de matéria controversa e ainda não definida de forma definitiva, não obstante a já existência de precedente da CSRF, como apontado no acórdão recorrido, razão pela qual se impõe o presente recurso especial. Em sentido diametralmente oposto ao decidido pelo acórdão ora recorrido, a título de paradigma, destacase o acórdão n° 1103001.129, de 22.10.2014, da 3ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, 1ª Seção, cuja ementa dispõe: [...] A fundamentação do acórdão recorrido parte da transcrição do Acórdão CSRF 910100.401, de 01.10.2009, concluindo, objetivamente, então que: [...] Diversamente, o acórdão paradigma centra as suas conclusões na linha de que o direito a tal compensação integral decorre de uma interpretação sistemática do contexto legislativo, não havendo necessidade de previsão legal expressa para tanto. Inclusive, parte, também, da análise do mesmo acórdão CSRF 910100.401. [...] Demonstrada, assim, portanto, a divergência de conclusões entre Tur mas deste Egrégio Conselho, na interpretação da mesma questão jurídico tributária e, inclusive, partindo do mesmo precedente administrativo. 4. Pois bem. Como ponto de partida para o presente exame, considerese a própria Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 998/95, reedição das MP's. 947/05 e 972/05, que originaram a Lei 9.065, que é o fundamento legal da exigência, em especial dos seus artigos 15 e 16: [...] Ora, Preclaros Julgadores, o espírito que emana do enunciado acima é o de que não se pretendeu subtrair do contribuinte qualquer direito, mas tãosomente de uma limitação no tempo de compensar os prejuízos, sabidamente com o intuito arrecadatório. E, para que tal se concretizasse, haveria de estar a empresa em atividade, de modo a ter assegurado o direito de compensar os 70% de prejuízos restantes para atingir o todo, em períodos posteriores. Precisaria a lei ter dito isso? Evidentemente que não! A respeito dessa limitação travaramse, no Judiciário, várias contendas, pois muitos contribuintes e ilustres juristas defendiam a sua inconstitucionalidade, que findou em não ser reconhecida. Mas, em julgado do STJ, no RESP 154175/CE, de 16.06.2000, pela 2ª Turma, sendo relatora a Ministra Eliana Calmon, firmouse um princípio preciso e salutar: [...] Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 14 13 Diante do que outra indagação vem à tona: se a pessoa jurídica se extinguir, no caso por incorporação total, evaporase o prejuízo que ainda tenha por compensar? O fisco se apropriaria indevidamente do saldo? A resposta só pode ser negativa, pois demandaria admitir que o con ceito constitucional e legal de renda poderia ser modificado a critério do legislador ordinário, ou por simplista interpretação fiscal. A doutrina, de longa data, vem examinando essa situação de aplicação ou não da trava de 30%, nos casos de extinção da pessoa jurídica, seja a que título for, incluindo a incorporação por outra empresa. [...] Na jurisprudência administrativa, encontramse acórdãos confirmando essa interpretação, repelindo a glosa aqui pretendida. [...] Recorrente em aproveitar a integralidade do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa quando da operação de incorporação total havida. Assim, mostrase insubsistente as exigências nos termos em que levadas a efeito. Ante ao exposto, requerse o conhecimento e o provimento deste Recurso Especial, para o fim de se reformar parcialmente o acórdão n° 1402001.055, cancelandose integralmente os lançamentos de IRPJ e de CSLL. Houve seguimento ao recurso especial do Sujeito Passivo (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 25.04.2016, efls. 447449), uma vez que as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial em relação a "Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativas da CSLL sem Observância do Limite de 30% do Lucro Líquido Ajustado no Caso de Extinção da Pessoa Jurídica por Incorporação" a partir do exame do seguinte paradigma: Acórdão nº1103001.129, de 22.10.2014. Notificada em 20.04.2016, efl. 450, a PGFN apresentou em 26.04.2016, efl. 457, as suas contrarrazões, efls. 451456. Argui que: II – DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO Não merece prosperar a pretensão do recorrente. Como bem assinalou a decisão de admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte, o acórdão paradigma, posteriormente à interposição recursal, foi reformado pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. No caso, a reforma se deu favoravelmente à União (Fazenda Nacional), tendo sido consagrada a tese oposta à defendida pelo contribuinte, ou seja, que independente do encerramento ou não das atividades da empresa, o limite de 30% para a compensação persiste. Confirase a ementa do Acórdão nº 9101002.208 que reformou o acórdão paradigma: [...] Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 15 14 Embora a decisão de admissibilidade tenha assinalado que a reforma do acórdão paradigma tenha se dado posteriormente à interposição do recurso especial do contribuinte, e de que, por isso, a admissibilidade não estaria prejudicada, fato é que agora a divergência outrora existente encontrase dirimida pela Câmara Superior de Recurso Fiscais. Desse modo, utilizase aqui, como suficientes contrarrazões, os trechos do voto condutor do Acórdão nº 9101002.208, que dirimiu a divergência. [...] Contudo, apenas para título de argumentação, se a trava de 30% estivesse afastando o conceito de renda, ela não o estaria fazendo apenas para a situação de extinção da pessoa jurídica, já que no que diz respeito ao fato gerador do IRPJ/CSLL, que tem delimitação temporal, ela está limitando a compensação dos prejuízos no período, independe de qualquer evento societário. [...] E é na linha da “benesse tributária” que o Supremo Tribunal Federal tem tratado a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, como se depreende dos RE 344.994/PR e 545.308/SP, e demais julgados posteriores daquele tribunal. Por oportuno, transcrevo: [...] É oportuno também ponderar que, se quisesse o legislador ressalvar a possibilidade de, na incorporação, permitir a compensação integral, teria feito de forma expressa, como o fez por ocasião do art. 1º da Lei nº 9.065/95, em relação às empresas inseridas no Befiex. Assim, inexiste fundamentação legal que autorize este colegiado a afastar os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 ao caso concreto. [...] Desse modo, diante dessas razões, que dirimiram a divergência outrora existente, o recurso especial do contribuinte deve ser desprovido. III – CONCLUSÃO Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer que seja negado provimento à insurgência do interessado, com a consequente manutenção do acórdão quanto à matéria recorrida. É o Relatório. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator Verificase que os paradigmas indicados (Acórdão nº 910100.539, de 11.03.2010 e Acórdão nº CSRF/0400.651, de 18.09.2007) não foram reformados na parte objeto do presente litígio. Por conseguinte, não cabem reparos ao exame de admissibilidade, e assim voto por CONHECER do recurso especial interposto pela PGFN. O Acórdão nº1103001.129, de 22.10.2014, foi reformado pelo Acórdão nº 9101002.208, de 03.02.2016. Entretanto, na data da interposição do recurso especial do Sujeito Passivo, o Acórdão nº110300.617, de 31.01.2012, ainda não tinha sido reformado na matéria que lhe aproveita e por isso deve ser mantido como paradigma (§ 15 do art. 67 do Anexo II do RICARF). Por conseguinte, não cabem reparos ao exame de admissibilidade, e assim também voto por CONHECER do recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo. Mérito II.1) Recurso Especial do Sujeito Passivo Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativas da CSLL sem Observância do Limite de 30% do Lucro Líquido Ajustado no Caso de Extinção da Pessoa Jurídica por Incorporação O Sujeito Passivo procura demonstrar, em síntese, que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não se aplica nas hipóteses de descontinuidade da pessoa jurídica extinta por incorporação. A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinou a questão da seguinte forma a partir de 01.01.1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. [...] Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. O Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 344.994/PR declarou a constitucionalidade do art. 42 e do art. 58 da Lei n.º 8.981, de 1995: Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 17 16 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. [...] Vale transcrever excertos do VotoVista da Ministra Ellen Gracie: Como sabido, em matéria de Imposto de Renda, a lei aplicável é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Entendo com a devida vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não tem ‘crédito’ oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à ‘socialização’dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal – atenta a valores mais amplos como a estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos – que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante par ao exercício que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30% ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Pacificando este entendimento, ainda o Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 545.308/SP declarou novamente a constitucionalidade do art. 42 e do art. 58 da Lei n.º 8.981, de 1995: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 18 17 Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. Assim o STF fixou que o direito a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL tem natureza jurídica de benefício fiscal em favor do contribuinte. Desse modo pode ser revista pelo ente tributante e não se caracteriza direito adquirido, ou seja, direito subjetivo definitivamente incorporado ao patrimônio jurídico do titular (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Por seu turno, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, manteve o benefício fiscal nos mesmos moldes da Lei nº 8.981, de 1995 e assim dispõe a partir de 01.01.1996: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. [...] Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Ademais, nesse mesmo sentido está registrado no enunciado da Súmula CARF nº 3: Para determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social Sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado pode ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 19 18 Por conseguinte, restou cristalino o entendimento de que a Lei nº 8.981, de 1995 e por inferência também a Lei nº 9.065, de 1995, que tratam da limitação legal de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL são constitucionais, mesmo porque não foi declarada a inconstitucionalidade de nenhuma delas pelo Supremo Tribunal Federal (art. 102 da Constituição Federal). Aliás, como se trata de benefício fiscal pode ser revisto a qualquer tempo pelo ente público competente para a instituição do tributo e se restringe às condições fixadas em lei (caput do art. 37 da Constituição Federal). Verificase, por conseguinte, que a mencionada compensação não pode ser considerada como direito adquirido, senão nos limites da legislação que rege a matéria. Nos julgamentos pelo STF do RE 344.994/PR e do RE 545.308/SP, apesar de não ter examinada a questão do limite legal de 30% para compensação de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL em caso de extinção de pessoa jurídica, restou cristalino que a lei aplicável em relação a essa compensação é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Aliás assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no REsp 1107.518/SC: "A homenagem ao princípio da legalidade tributária exige expressa disposição na lei da conduta a ser praticada pelo ente tributante e pelo contribuinte." Sobre o conceito legal de renda, temse que para fins de IRPJ em seu aspecto material da hipótese de incidência deve ser entendido como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (art. 43 do Código Tributário Nacional CTN). Fica a cargo de lei ordinária federal fixar os demais aspectos da hipótese de incidência, inclusive o temporal, uma vez que a competência para instituir o IRPJ e a CSLL é da União (inciso III do art. 153 e alínea c do inciso I do art. 195, todos da Constituição Federal). A limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não pode ser traduzida em instituição de novo tributo, o que somente poderia ser efetivado nos estritos termos das determinações constantes na Constituição Federal. Tratase tão somente de instrumento de política tributária. Este benefício fiscal, constituído dentro de parâmetros legais, tem natureza jurídica de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em relação a períodos futuros (art. 6º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Nada mais é que a utilização delimitada de prejuízos fiscais acumulados ou bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas de períodos anteriores. O conceito de renda não foi adulterado, tampouco extravasada a competência tributária da União acarretando tributação do patrimônio. Em relação ao conceito de lucro, cabe explicitar que tem caráter eminentemente legal (art. 6º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988), o que pode não corresponder às perspectivas societárias e econômicas, conforme entendimento do STF esposado no RE 344.994/PR. Reiterese que a limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não tem o condão de criar "artificialmente um lucro nas pessoas jurídicas deficitárias, para tributarlhes o patrimônio", como bem elucidado acima pelo Voto Vista da Ministra Ellen Gracie. Podese concluir que a continuidade da pessoa jurídica não implica um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL afastada do limite legal de 30%, o que não desnatura a materialidade da hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL, nem o conceito para fins tributários de renda ou de lucro em determinado período de apuração, no sentido preciso de confirmar a independência entre os exercícios. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 20 19 Ainda, o art. 32 e art. 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, vedaram à pessoa jurídica compensar seus próprios prejuízos se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido modificação de seu controle acionário e do ramo de atividade, bem como vedou a compensação, pela pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão, de prejuízos da sucedida e não estabeleceu exceções a esta regra. A interpretação sistemática da Lei n° 8.981, de 1995, da Lei nº 9.065, de 1995 e do DecretoLei nº 2.341, de 1987, leva a conclusão de que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL aplicase nas hipóteses de descontinuidade da pessoa jurídica por incorporação, já que inexiste neste contexto norma implícita. Reiterese que não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Já restou bem esclarecido que o presente litígio abrange questões sobre o direito à compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em anos futuros, especificamente no que toca às nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. Não deixo de reconhecer que a matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas, como já apontado resumidamente acima, eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Entre as razões de decidir, adoto o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 21 20 que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 22 21 A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 23 22 Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 24 23 direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à baila a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 25 24 A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência de uma aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009 também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 26 25 Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 27 26 compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 9101 00.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 28 27 limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é correta a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua incorporação, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ. Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 29 28 IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 30 29 da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pelo contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 31 30 atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 32 31 da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 33 32 que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 34 33 posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa extinta: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também outro tipo de argumentação a meu ver inadequada, que procura defender o entendimento de que a aplicação da trava de 30% à compensação promovida por pessoa jurídica prestes a ser incorporada resultaria no abandono forçado de um ativo seu, de origem tributária, assegurado em lei. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 35 34 Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria a própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida foram corroborados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101 002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 36 35 referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Temse que no anocalendário de 2007 (02/05/2007), a pessoa jurídica Shopping Estação Ltda., CNPJ 03.967.151/000101, foi extinta por incorporação pela sucessora Calamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A., responsável pelos tributos devidos pela sucedida extinta por incorporação. A Shopping Estação Ltda., em razão de sua extinção, compensou o lucro ajustado apurado no decorrer de 2007 com os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, sem a limitação de 30% prevista na legislação tributária. Verificase que a circunstância de a pessoa jurídica Shopping Estação Ltda. ter sido incorporada, com a extinção de sua personalidade jurídica, não permite a compensação sem limitação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL dos anos anteriores. Restou bastante evidenciado que deve prevalecer a regra geral impositiva para todos os efeitos legais, qual seja, que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL impõese inclusive no caso de extinção da pessoa jurídica. Nesse passo, devem ser mantidas as autuações fiscais a título de IRPJ e CSLL. II.2) Recurso Especial da PGFN Incidência de Juros de Mora Sobre a Multa se Ofício Proporcional A PGFN defende a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional por existência de previsão legal. O Código Tributário Nacional determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 37 36 imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Por sua vez, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas que, pelo simples fato da sua inobservância e convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Para todas as situações em que os débitos tributários não são pagos nos prazos legais, sobre eles incidem de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Sobre a matéria, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Depreendese que incidem juros de mora sobre os débitos para com a União de tributos administrados pela RFB, inclusive sobre o crédito decorrente de exigência correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora exigidos isolada ou conjuntamente não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. A jurisprudência administrativa reiterada e uniformes estão consubstanciadas em enunciados de súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF) que dispõem: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 38 37 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ademais, este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial Repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20092 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3: 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. Ainda o Tribunal Regional Federal (TRF) 4ª Região no julgamento da Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC mantém os juros de mora sobre a multa de ofício proporcional TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Pacificando este entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1146859/SC, assim assentou: 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 113 e art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 39 38 TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) Também o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1129990/PR, assim decidiu: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) Ainda o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR, declarou a legalidade da incidência de juros de mora: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Por essa razão, adotando a interpretação sistemática inferese que quando não integralmente pagos no vencimento incidem juros de mora sobre o crédito tributário, que inclui o tributo e a multa de ofício proporcional. Tem cabimento adotar a interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no seguinte sentido: Acórdão nº 9101002.180, de 20.01.2016: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Acórdão nº 9202003.821, de 08.03.2016: Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 40 39 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão nº 9303003.385, de 26.01.2016: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. A jurisprudência CSRF é congruente no sentido de que o crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Assim, voto por DAR provimento ao recurso especial da PGFN em relação ao cabimento da incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício proporcional. III. Conclusão III.1) Recurso Especial da PGFN Desse modo, voto no sentido de: CONHECER o recurso especial interposto pela PGFN; DAR provimento ao recurso especial da PGFN em relação ao cabimento da incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício proporcional. III.2) Recurso Especial do Sujeito Passivo Desse modo, voto no sentido de: CONHECER o recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo; NEGAR provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo no que se refere à compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado no caso de extinção da pessoa jurídica por incorporação, mantendose os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10980.008977/200989 Acórdão n.º 9101002.860 CSRFT1 Fl. 41 40 Fl. 497DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.003587/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 17/05/2006
COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins não-cumulativa.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Prado que reconhecia o direito ao crédito nas despesas com frete e armazenagem.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 10/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 17/05/2006 COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Prado que reconhecia o direito ao crédito nas despesas com frete e armazenagem. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 10/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 35 87 /2 00 4- 11 Fl. 304DF CARF MF 2 Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário proposto pela Recorrente, CRYSTALSERV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, em face da decisão proferida pela douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que entendeu por bem manter a decisão da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto que não homologou a compensação apresentada pela Recorrente por insuficiência de créditos passíveis de compensação. Pelo o que se depreende dos autos, a Recorrente apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), declaração de compensação, indicando créditos de PIS relativos a pagamentos com fretes e armazenagem. Ocorre que, em procedimento administrativo fiscal anterior à análise do presente pedido de compensação, foi constado que a Recorrente, ao invés de possuir créditos da referida contribuição, em verdade, possuía débitos passíveis de pagamento, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração de nº 15956.000309/200843 para constituição e cobrança do crédito tributário. Neste sentido, foi o relato do acórdão recorrido. Confirase: Na informação fiscal (fls. 111/112), que acompanha o despacho denegatório, foi relatado, em breve resumo, que do cálculo do crédito do PIS demonstrado na ficha 04 do DACON, do 4º trimestre de 2004, foram glosados valores relativos aquisições de açúcar de álcool com fins específicos de exportação e aqueles relativos a pagamentos com fretes e armazenagem anexo I. Igualmente, efetuou ajustes na ficha 05 do DACON, referente a receitas que não podem ser consideradas como de exportação, resultando num novo valor de PIS devido, apurado após esgotados os créditos j á ajustados e resultou num saldo devedor de R$ 189.443,36. Assim, inexistia, neste mês, valor de crédito de PIS a ser pleiteado em compensado. O referido Auto de Infração encontrase pendente de julgamento nesta Turma de Julgamento, também de relatoria deste Relator. A DRJ/Ribeirão Preto/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 215240), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/05/2006 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para efeito de benefício fiscal obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no SISCOMEX. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de contribuição para o PIS vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação. Tratase de caso de nãoincidência por força de disposição legal que, por consequência natural do regime da nãocumulatividade das contribuições, não Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10840.003587/200411 Acórdão n.º 3302004.105 S3C3T2 Fl. 3 3 resulta direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração do PIS nãocumulativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/05/2006 DECORRÊNCIA. REVISÃO DE CRÉDITO DO PIS. Tendo a apuração do crédito do PIS sido objeto de análise e revisão em procedimento fiscal anterior, a decisão ali adotada, deve ser igualmente aplicada neste processo, pois foi baseada, nos mesmos elementos de prova. Às fls. 25171, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente pela Recorrente que, após fazer relato dos fatos, traz as seguintes alegações, em resumo: Que faz jus aos créditos de PIS e COFINS oriundos de gastos com frete e armazenagem, mesmo sendo uma empresa comercial exportadora, uma vez que, caso não lhe seja concedido este direito de creditamento, restará violado o princípio da nãocumulatividade das referidas contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 05.05.2011 (fls.242) e protocolou Recurso Voluntário em 06.06.2011 (fls. 251271) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 306DF CARF MF 4 Do que se extraí dos autos, trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito do Programa de Integração Social PIS nãocumulativa de outubro de 2004, no valor de R$ 27.109,54, com débito de responsabilidade da Recorrente, sendo que os créditos utilizados pelo contribuinte relativos a pagamentos com fretes e armazenagem estão vinculados ao lançamento de ofício objeto do processo nº 15956.000309/200843. Os fundamentos fáticos e jurídicos defendidos pela Recorrente correspondem aos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos julgados no referido processo, cujo resultado deve ser refletido no julgamento deste processo administrativo. No processo nº 15956.000309/200843 de relatoria deste Relator, restou decidido no Acórdão de nº 3302004.106 , pela manutenção das glosas relativas aos créditos de PIS apurados pela Recorrente sobre as despesas de frete e armazenagem, com fundamento no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, conforme se verifica no trecho abaixo: III.1 Créditos sobre despesas de frete e armazenagem na exportação Segundo a fiscalização, há expressa vedação legal à apuração de créditos vinculados à receita de exportação, conforme artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003 c/c o inciso III, do artigo 15 da referida norma, sendo que a empresa comercial exportadora não pode apurar créditos vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referente a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação, a saber: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. *** Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (....) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Já a Recorrente, alegou que mais do que comercial exportadora, é pessoa jurídica exportadora, o que lhe assegura o crédito nas aquisições vinculadas às suas receitas de exportação, conforme o art. 6º da Lei nº 10.833, notadamente os previstos no art. 3º, IX. Que os “serviços acessórios contratados pelo contribuinte no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência do imposto, ou seja, os respectivos prestadores são contribuinte do PIS/COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas”, sendo que obstar tal crédito seria uma afronta à sistemática não cumulativa. Alegou, ainda, que o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, no qual teria se baseado a autoridade fiscal para negar o direito ao crédito, vedou a apropriação de créditos nas aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições, Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10840.003587/200411 Acórdão n.º 3302004.105 S3C3T2 Fl. 4 5 ratificando o disposto no art. 3º, § 2º, II da mesma lei, “não se aplicando aos demais bens e serviços adquiridos com o pagamento de tais contribuições, os quais, ainda que ‘vinculados à receita de exportação’, não se confundem com a operação incentivada das comercias exportadoras de ‘venda com fim específico de exportação”. Pois bem. Em que pese os argumentos tecidos pela Recorrente, não há como deixar de aplicar ao presente caso, ainda que sua consequência acarrete na quebra da não cumulatividade, a vedação expressa contida no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, que impede a utilização de créditos vinculados à receita de exportação. Isto porque, o §4º, do artigo 6º, da referida Lei, ao remeter seus efeitos ao §1º, daquele artigo, que por sua vez, o vincula ao artigo 3º, da citada norma, estendeu os efeitos da vedação, destinada a empresa comercial exportadora, a todas hipóteses de creditamento previstas nos incisos desse último. Além disso, pela própria dicção do §4º, verificase que a intenção do legislação foi de restringir o direito ao crédito do PIS e da COFINS a todas despesas vinculadas à receita de exportação e, não apenas em relação as mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições. Neste sentido, transcrevo as ementas extraídas dos processos consulta nºs 354/09 e 69/12 , da Superintendência Regional da Receita Federal SRRF, 8ª e 4ª Região Fiscal, no sentido de vedar a apuração de créditos na forma do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003 sobre despesas vinculadas à exportação, a saber: EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. É vedado à empresa comercial exportadora apurar créditos da Cofins, na forma do disposto no art.3º, da Lei nº 10.833, de 2003, relativamente a despesas de frete, armazenagem, aluguel, energia elétrica, depreciação de maquinários, despesas com água e outras assemelhadas, por expressa disposição legal contida no art. 6º, §4º, do mesmo diploma. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARMAZENAGEM. Poderá ser descontado crédito relativo à Cofins calculado sobre a despesa com armazenagem de mercadoria a ser exportada, desde que não se trate de empresa comercial exportadora, que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, e atendidos os demais requisitos normativos e legais pertinentes. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, com alterações, arts.3º, IX, e 6º, §1º. No presente caso, a Recorrente, na qualidade de empresa comercial exportadora, adquiriu mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando, assim, por total imposição normativa, vedado o aproveitamento de crédito. Portanto, independentemente do fato de incidir PIS sobre as despesas de frete e armazenagem, fato é que a legislação veda a tomada de créditos quando referidas despesas estão vinculadas à exportação. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização que glosou os créditos apurados pela Recorrente com fundamento no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, aplicável ao PIS nos termos do inciso III, do artigo 15 da referida norma. Fl. 308DF CARF MF 6 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 309DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720139/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.908
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 39 /2 01 2- 21 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720139/201221 Acórdão n.º 3302003.908 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.077. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11516.720139/201221 Acórdão n.º 3302003.908 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11516.720139/201221 Acórdão n.º 3302003.908 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11516.720139/201221 Acórdão n.º 3302003.908 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11516.720139/201221 Acórdão n.º 3302003.908 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903520/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 20 /2 01 0- 11 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.903520/201011 Acórdão n.º 1301002.346 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.903520/201011 Acórdão n.º 1301002.346 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.903520/201011 Acórdão n.º 1301002.346 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.903520/201011 Acórdão n.º 1301002.346 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.903520/201011 Acórdão n.º 1301002.346 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.903520/201011 Acórdão n.º 1301002.346 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.903520/201011 Acórdão n.º 1301002.346 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 183DF CARF MF
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