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Numero do processo: 10650.001686/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Anos calendários: 2001, 2002, 2003 e 2004
DESPESAS MÉDICAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
Conforme prevê o par. 2º , inciso III do Art. 8º da lei 9.250/95, as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Sempre que esta entender necessária, terá a prerrogativa de intimar o contribuinte a comprovar a efetiva realização dos serviços médicos ou transferência de numerários envolvidos, notadamente,
quando afastada a presunção de veracidade dos recibos apresentados.
Numero da decisão: 2102-001.416
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Anos calendários: 2001, 2002, 2003 e 2004 DESPESAS MÉDICAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Conforme prevê o par. 2º , inciso III do Art. 8º da lei 9.250/95, as deduções da base de cálculo do imposto estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Sempre que esta entender necessária, terá a prerrogativa de intimar o contribuinte a comprovar a efetiva realização dos serviços médicos ou transferência de numerários envolvidos, notadamente, quando afastada a presunção de veracidade dos recibos apresentados.
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Sempre que esta entender necessária, terá a prerrogativa de intimar o contribuinte a comprovar a efetiva realização dos serviços médicos ou transferência de numerários envolvidos, notadamente, quando afastada a presunção de veracidade dos recibos apresentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 176DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10650.001686/200730 Acórdão n.º 2102001.416 S2C1T2 Fl. 175 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a. Turma da DRJ/JFA, de 17 de julho de 2.008 (fls. 74/86), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo assim, a exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 17/12/2007. De acordo com o Auto de Infração (fls. 03/20), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre da indevida dedução de despesas médicas, assim descriminadas à fl. 04: 001 DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções de despesas médicas nas declarações dos exercícios de 2002 a 2005, respectivos anoscalendários de 2001 a 2004, relativas ao profissional Wayner Japur, conforme descrito abaixo: Exercício 2002/Anocalendário 2001 Valor: R$ 9.000,00 Exercício 2003/Ano calendário 2002 Valor: R$ 4.000,00 Exercício 2004/Ano calendário 2003 Valor: R$ 5.000,00 Exercício 2005/Anocalendário 2004 Valor: R$ 4.500,00 No Processo Administrativo Fiscal n° 15983.000100/200771 ficou caracterizado que os recibos emitidos pelo profissional Wayner Japur, CPF 082.488.18691 no período de 2001 a 2004 são inid6neos e, portanto, imprestáveis e ineficazes para fins de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física. Dessa forma, os valores constantes dos recibos devem ser considerados indedutiveis, salvo se acompanhados de documentação comprobatória do respectivo e efetivo pagamento. O valor total do crédito tributário em 17/12/2007, data da sua lavratura, era de R$ 19.659,30, sendo R$ 6187,50 a título de imposto, R$ 4.190,55 de juros de mora e R$ 9.281,25 de multa de proporcional. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10650.001686/200730 Acórdão n.º 2102001.416 S2C1T2 Fl. 176 3 Às fls. 63/68 o Recorrente apresentou impugnação, alegando que as autoridades autuantes não apresentaram qualquer irregularidade nos recibos a elas apresentados, sendo que as meras alegações não tem o condão de invalidar referidos documentos pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Santos e que não fizeram prova que descaracterizasse a efetivação dos serviços odontológicos prestado a ele e a seus familiares. Alegou ainda que não prevaleceu o princípio da verdade material, pois a suposição de inexistência dos pagamentos está em linha diametralmente oposta aos recibos apresentados e a expressa declaração expedida pelo beneficiário dos pagamentos, Dr. Wayner Japur, o que também fere o princípio do devido processo legal, tornando insanável o procedimento fiscal, tornandoo nulo. Sobre a suficiência dos recibos por ele apresentados, citou jurisprudência do Poder Judiciário e apontou como vício de nulidade o fato de não ter participado do procedimento que os declarou inválidos. Com efeito, a decisão proferida pela 1a Turma da DRJ/JFA afastou as preliminares de nulidade por entender que as alegadas não ocorreram e nem mesmo estão previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72, e que a dedução de despesas médicas deve observar o que dispõe o art. 80 do RIR/99, com evidencias dos pagamentos, se e quando realizados em papel moeda, conforme farta jurisprudência deste colegiado. Em Recurso Voluntário, o Recorrente repete as alegações apresentadas na impugnação, no sentido de que a decisão recorrida manteve a presunção fiscal em detrimento dos recibos, declarações e demonstrativos de transferências apresentados, não obedecendo ao princípio da verdade material e a do devido processo legal, uma vez que não participou do procedimento que declarou os recibos emitidos como inválidos. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. A decisão recorrida está devidamente fundamentada e não merece qualquer reparo, devendo ser mantida integralmente. As preliminares de nulidade de que houve ofensa ao princípio da verdade material e da ampla defesa em momento algum se apresentaram, pois ao Recorrente até mesmo antes da constituição do crédito tributário foi assegurado por várias oportunidades prazos para apresentar documentos que justificasse, com documentos hábeis, qualquer pretensão de exigência do imposto decorrente da previsível glosa das deduções efetuadas. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10650.001686/200730 Acórdão n.º 2102001.416 S2C1T2 Fl. 177 4 Do procedimento em que foram declarados inidôneos os recibos emitidos pelo Sr. Wayner Japur, o Recorrente nem poderia participar, pois dele não seria parte. O lançamento fiscal pautouse no art. 73 do RIR que expressamente estabelece que “Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”, portanto, inquestionável a atribuição da autoridade fiscal autuante. Com efeito, foram questionadas as deduções a título de despesas odontológicas nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2.002 a 2005, dos supostos pagamentos efetuados ao Sr. Wayner Japur, irmão do Recorrente, conforme está por ele declarado (fl. 23). Considerando que os recibos emitidos pelo profissional mencionado foram tidos como inidôneos pela Receita Federal, o Recorrente foi intimado para apresentar provas de que os serviços e respectivos pagamentos foram efetivamente prestados. Nas várias oportunidades concedidas para afastar a pretensão fiscal e infirmar o seu trabalho, juntou apenas recibos e relativamente aos períodos questionados, apenas quatro comprovantes de transferências de numerários, em datas desconexas e com valores significativamente inferiores aos constantes nos recibos. Às fls. 26 a 29, e reapresentados às fls. 140 a 143, juntou quatro comprovantes de transferências bancárias, sendo: R$ 500,00 em 13/12/2003, e o último recibo daquele ano datado de 17/11/2003, foi do mesmo valor; R$ 200,00 em 11/08/2004, 18/12/2004 e 21/12/2004, e os recibos daquele ano, que totalizaram R$ 5.000,00, foram datados em 30/04/2004, 30/06/2004 e 30/10/2004, respectivamente, de R$ 1.500,00, R$ 1.450,00 e R$ 1.550,00. Assim, independentemente da inidoneidade dos recibos apresentados, os únicos comprovantes de transferências de numerários, mesmo figurando como beneficiária a esposa do Sr. Wayner Japur, as mesmas não guardam consonância com os recibos apresentados, além de estarem com valores significativamente inferiores. A decisão recorrida está bem fundamentada e não merece qualquer reparo, inclusive, às fls. 82/83 transcreve vários precedentes deste colegiado, espelhando o entendimento com o qual compartilho. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 179DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10650.001686/200730 Acórdão n.º 2102001.416 S2C1T2 Fl. 178 5 Fl. 180DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101113/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na
hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte,
ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a
ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de
substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de
forma a deflagrar simulação.
Numero da decisão: 3201-000.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram
o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Robson José Bayerl, Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 542DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe em 28/02/2006, relativo aos créditos de PIS não cumulativo do quarto trimestre de 2005, no valor de R$ 85.428,53 (fl. 01). A DRF em Novo Hamburgo emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2007 (fl. 57), com base no Relatório da Ação Fiscal de fls. 43 a 55, reconhecendo o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 73.643,48. Foram glosados os valores decorrentes de créditos de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME, CNPJ 04.585.274/000140) era, na realidade, estabelecimento da própria interessada. O Relatório fiscal transcreve parte de relatório anterior, resultado de detalhado procedimento de fiscalização, efetuado para exame de solicitações referentes ao ano calendário 2004. São apontados os diversos aspectos que resultaram na constatação de inexistência de serviços prestados por empresa independente, em desacordo com o critério para a apuração de créditos estabelecido na legislação. Cabe frisar que não foram oferecidos pela empresa à tributação os valores decorrentes de transferências de créditos de ICMS a terceiros. Conforme o citado no relatório, tais valores não foram considerados para efeitos de glosa em função da determinação judicial no Mandato de Segurança 2006.04.01.016972/RS. A DRF/NHO efetuou a ordem bancária do ressarcimento cio saldo incontroverso (fl. 75). A contribuinte apresenta, em 16/03/2007, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade (fls. 79 a 93, mais os anexos), através de representante devidamente habilitado, na qual se insurge contra a glosa relativa aos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado. Inicialmente, questiona o fato do auditorfiscal sequer ter comparecido nas empresas, tendo como base integralmente a fiscalização anterior. Aborda todos os aspectos levantados pela fiscalização e que levaram à conclusão da estreita vinculação entre as duas a ponto de concluir pela inexistência de créditos, com o objetivo de comprovar serem empresas diferentes e, em decorrência, ser legítimo o creditamento de PIS e Cofins sobre os serviços prestados pela empresa PUPPIES TIME. Observa que sendo a empresa Puppies de menor porte e em função da forma de atuação da IMS, que preza que os parceiros possuam uma relação de confiança e participem de programas de qualidade da empresa, a proximidade das empresas constatada pela fiscalização (sócia ser exfuncionária, uso de orientações e memorandos da IMS, uso de papel timbrado, bens em nome de IMS, entre outros fatos constatados) seria natural, nada caracterizando irregularidade. Sobre a assistência de saúde da Unimed contratada por Puppies, na qual figura como representante autorizado um sócioadministrador da IMS, a Fl. 543DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101113/200697 Acórdão n.º 320100.0776 S3C2T1 Fl. 536 3 empresa esclarece que ocorreu apenas um equívoco. Junta notas fiscais de remessa de mercadorias entre as empresas, contrato de locação e inventário de material de embalagem. Requer, por fim, que seja reformada a Decisão para reconhecer a procedência do pedido em relação aos itens abordados. Cumpre registrar que das Ações Fiscais realizadas, em decorrência dos mesmos fatos aqui abordados, resultaram glosas em outros processos e lançamentos de ofício em relação a valores já ressarcidos referentes a outros períodos de apuração. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1021.421 (fls. 515/516): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: PIS NÃO CUMULATIVA — Corretas as glosas relativas aos créditos que a interessada se utilizou provenientes de serviços de industrialização prestados por estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Mantidas as glosas não contestadas pela interessada. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 17/03/2010 (f1.520), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/04/2010 (fls. 521/531), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. O referido recurso ataca a glosa do crédito de PIS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. Sobre esse aspecto, entendo que a questão merece muita cautela. Com efeito, a glosa dos créditos oriundos das despesas de contratação de mãodeobra terceirizada teve por base a premissa de que a Recorrente agiu Fl. 544DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 dissimuladamente para reduzir a sua carga tributária. Tal premissa, segundo o juízo a quo, foi devidamente comprovada pela fiscalização, e, portanto, a glosa foi mantida. Inicialmente, é importante consignar que o emprego de dolo, fraude ou simulação em matéria tributária configura hipótese de evasão fiscal, e não de elisão fiscal. A distinção básica entre esses dois institutos é que a evasão é empreendida por meios ilícitos, enquanto a elisão é empreendida por meios lícitos. Configurada hipótese de evasão, a autoridade fiscalizadora deve proceder à lavratura de auto de infração, acrescida de multa qualificada e acompanhada de representação fiscal para fins penais, uma vez que evasão é crime contra ordem tributária capitulado na Lei nº 8.137 de 1990. Já a elisão, se empreendida com abuso de forma, abuso de direito, negócio jurídico indireto, entre outras figuras afins, permitiria à autoridade fiscalizadora desqualificar o negócio jurídico praticado pelo contribuinte para alcançar os efeitos tributários do negócio jurídico dissimulado. Entretanto, o fundamento legal para essa desqualificação é o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que é norma de eficácia limitada, ou seja, a sua aplicação é condicionada à regulamentação posterior (fato que, nesse particular, ainda não há). Segundo a autoridade fiscalizadora, a Recorrente teria forjado a contratação de uma pessoa jurídica independente, que, em verdade, seria um estabelecimento próprio, o que inviabilizaria a tomada de créditos de PIS na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Desse modo, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Puppies Time Ltda., glosando os referidos créditos. Na minha visão, a questão central em discussão é a seguinte: a Recorrente empreendeu evasão por ter simulado a contratação da empresa Puppies Time Ltda. ou elisão por ter reestruturado as suas atividades com o propósito de reduzir o seu custo de produção? Simular é mentir sobre algo, fazendoo parecer algo que não é. No caso concreto, a Recorrente realmente contratou uma empresa regularmente constituída para realizar uma etapa do processo de industrialização dos seus produtos, sendo que em momento algum a Recorrente alegou fazer outra coisa. Desse modo, não há mentira, e, portanto, simulação. Haveria simulação se a Recorrente emitisse notas fiscais de prestação de serviço de uma empresa fantasma para gerar créditos de PIS. Também haveria simulação se os serviços que foram contratados não fossem efetivamente prestados, caso em que não poderia haver o creditamento de PIS. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, entretanto. Convém consignar que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais evoluiu no trato do assunto, pois até bem pouco tempo atrás a verificação da licitude do planejamento tributário limitavase ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo certo que atualmente é necessário ir além, analisandose a substância econômica dos atos e negócios jurídicos efetivamente praticados pelo contribuinte. Vejamos: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. Fl. 545DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101113/200697 Acórdão n.º 320100.0776 S3C2T1 Fl. 537 5 (Acórdão nº 10423.129, Rel. Cons. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23.04.2008) ......................................................................................................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. (Acórdão nº 10323.441, Redator Designado Cons. Antonio Bezerra Neto, Sessão de 17.04.2008) ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a lançamento de ofício de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, em nome desta. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Fl. 546DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO NEXO DE CAUSALIDADE A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO O lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os seus aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a conformam. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. (Acórdão nº10421.729, Redator Designado Cons. Gustavo Lian Haddad, Sessão de 26.07.2006) Ora, a Recorrente reconhece que reestruturou suas atividades de forma a reduzir custos, passando a contratar empresa cuja sócia era sua exfuncionária e que efetivamente lhe prestava serviços. Além disso, como era a principal cliente da Puppies Time Ltda. (a Recorrente não era sua cliente exclusiva), reconhece que possuía ingerência sobre as atividades dessa empresa. Ocorre que isso, por si só, ainda não permite que a autoridade fiscalizadora desqualifique o negócio jurídico realizado entre as empresas, de modo a glosar as despesas incorridas pela Recorrente que originaram os seus créditos de PIS. Para tanto, deveria provar que a relação entre a Recorrente e a Puppies Time Ltda. era meramente formal, sem substância econômica. Em outras palavras, a circunstância de que a Recorrente possuir ingerência sobre a Puppies Time Ltda. é totalmente irrelevante para revelar a falta de substância econômica nessa relação comercial. Impõese ressaltar que o critério da ingerência administrativa é totalmente alheio à legislação de regência da PIS não cumulativa, uma vez que o art. 3º, II, da Lei nº 10.637de 2002, não faz qualquer restrição relacionada à qualidade do prestador dos serviços ou da sua relação comercial com o tomador. Tanto é assim que uma matriz pode contratar a sua subsidiária para prestar serviços, e viceversa, sem que isso lhes impeça de tomarem crédito de PIS, nos termos da legislação citada. A questão que se faz pertinente nesse caso é a adequação dos preços praticados aos padrões de mercado, mas a legislação de regência é omissa nesse aspecto. Convém mencionar, por fim, que se o legislador ordinário tivesse a intenção de evitar esse tipo de reestruturação operacional, ele deveria ter estabelecido vedação similar ao creditamento da locação ou arrendamento de bens que já tenham integrado o ativo permanente da empresa locatária ou arrendatária. Vejamos: Lei nº 10.637 de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 547DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.101113/200697 Acórdão n.º 320100.0776 S3C2T1 Fl. 538 7 (...) Lei nº 10.865 de 2004 Art. 31. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Ante a falta de indícios suficientes que respaldem a desconsideração da personalidade da Puppies Time Ltda. e a inexistência de vedação legal ao planejamento tributário empreendido pela Recorrente, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, de modo a afastar a glosa dos créditos decorrentes da contratação da empresa Puppies Time Ltda. para o processo de embalagem dos produtos da Recorrente. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 548DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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Numero do processo: 10917.000168/2003-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
RENDIMENTOS DE MENORES. TRIBUTAÇÃO.
Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes.
Exercida a opção pela declaração em conjunto e verificada a existência de omissão dos rendimentos dos menores, a autoridade fiscal encontra-se amparada pela legislação para proceder ao lançamento contra o declarante que usufruiu das deduções relativas aos menores.
INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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TRIBUTAÇÃO. Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes. Exercida a opção pela declaração em conjunto e verificada a existência de omissão dos rendimentos dos menores, a autoridade fiscal encontrase amparada pela legislação para proceder ao lançamento contra o declarante que usufruiu das deduções relativas aos menores. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 100DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10917.000168/200305 Acórdão n.º 210201.168 S2C1T2 Fl. 97 2 EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra SILVIA BAUNGARTEN BAIÃO PEREIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 13/20, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 15.621,62, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até junho de 2003. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: Omissão parcial de rendimentos recebidos de Justiça Federal de Primeira Instância, CNPJ 00.508.903/00150 conforme Dirf da fonte pagadora. A contribuinte declara como rendimento tributável recebido desta fonte o valor de R$ 79.282,80 e da Dirf consta o valor de R$ 158.565,24. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/03, resumida no Acórdão DRJ/FNS nº 0711.949 de 08/02/2008, fls. 33/34, nos seguintes termos: (...) a interessada apresentou a impugnação de fls. 1 a 3, alegando que os valores considerados como omitidos referemse a rendimentos de seus filhos Pedro Sérgio Baumgarten Baião Pereira e Bárbara Baumgarten Baião Pereira, no valor total de R$ 79.282,44. A inclusão de tais valores foi realizada porque os mesmos estavam cadastrados com o seu CPF. Alega que o equívoco foi corrigido com a entrega de declaração em nome de seus filhos, utilizando CPF próprios, oferecendo à tributação os rendimentos recebidos no anocalendário 2000, conforme recibos de entrega que anexa às fls. 8 e 9. A DRJ Florianópolis decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, sob a alegação de que os filhos da contribuinte constavam como seus dependentes em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) e também em razão da impossibilidade de se acatar as DAA apresentadas pelos filhos da contribuinte, dado que na data da entrega das Declarações já teria ocorrido a exclusão da espontaneidade em relação aos rendimentos considerados omitidos pela contribuinte. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10917.000168/200305 Acórdão n.º 210201.168 S2C1T2 Fl. 98 3 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/04/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 40, a contribuinte apresentou, em 06/05/2008, recurso voluntário, fls. 41/45, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Efetivamente, no dia 27 de dezembro de 1998, o exmarido da recorrente, funcionário aposentado da Justiça Federal, veio a falecer. Em decorrência de seu falecimento, a recorrente passou a perceber pensão por morte. Os filhos PEDRO e BÁRBARA também, sendo que estes, como beneficiários do “de cujus”, deveriam ter seus correspondentes CPF's, o que, por ignorância da ora recorrente, não foi providenciado. Assim, os proventos da recorrente e de seus filhos foram lançados, em relação ao anocalendário 2000, ao CPF somente da recorrente. Acrescentese que, quando da constatação dos equívocos, foram apresentadas as declarações, tanto em referência ao ano calendário 2000 como a correspondente a 2001. Referidas declarações, por terem sido prestadas fora do prazo legal, sujeitaramse aos pagamentos das correspondentes multas, tendo ocorrido, inclusive, restituição do imposto. (...) Desta forma, entende a ora recorrente que o equívoco, sem qualquer repercussão em sua renda, sem qualquer demonstração de má fé, encontrase devidamente justificado, devendo ser dado provimento ao presente recurso para o fim de considerarse insubsistente o auto de infração que ensejou o processo sob análise. O v. acórdão proferido, em certo trecho, afirma que os filhos “foram declarados como seus dependentes e, portanto, os rendimentos por eles recebidos compõem a base de cálculo do imposto devido no ajuste anual, conforme disposto...”. “Data máxima vênia”, entende a recorrente ter laborado em equívoco o v. acórdão. A respeito, a Quarta Câmara desse Conselho, em decisão muito bem relatada pelo Eminente Relator NELSON MALLMANN, em situação análoga, já decidiu: “RENDIMENTOS DE MENORES E OUTROS INCAPAZES. Os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares menores e outros incapazes serão tributados em seus respectivos nomes, com o número de inscrição próprio no Cadastro de Pessoas Físicas CPF.” (processo n° 10980.012817/200268, j. em 22/03/2006) É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10917.000168/200305 Acórdão n.º 210201.168 S2C1T2 Fl. 99 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Dos autos inferese que a contribuinte apresentou sua DAA, anocalendário 2000, exercício 2001, onde pleiteou a dedução de despesas com dependentes e as correspondentes despesas com instrução referente aos seus filhos menores Pedro e Bárbara. Entretanto, deixou de incluir dentre os rendimentos tributáveis pensão recebida da Justiça Federal pelos menores. No lançamento, a autoridade fiscal imputou à contribuinte a infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 79.282,44, que corresponde ao somatório das quantias recebida por cada um dos filhos. Foi também considerado, para fins de cálculo do imposto devido pela contribuinte, o imposto de renda retido na fonte sobre as pensões dos menores. No recurso, assim como na impugnação, a contribuinte afirma que incorreu em erro quando do preenchimento de sua DAA, de sorte que providenciou a apresentação das DAA dos menores, as quais foram devidamente processadas com a exigência de multa por atraso na entrega e devolução de saldo de restituição. Aduz, ainda, que os rendimentos de menores são tributados em seus respectivos nomes. Para o exame da questão, transcrevese, por pertinente, o art. 4º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art.4º Os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares menores e outros incapazes serão tributados em seus respectivos nomes, com o número de inscrição próprio no Cadastro de Pessoas FísicasCPF (Lei nº 4.506, de 1964, art. 1º, e Decreto Lei nº 1.301, de 31 de dezembro de 1973, art. 3º). §1º O recolhimento do tributo e a apresentação da respectiva declaração de rendimentos são da responsabilidade de qualquer um dos pais, do tutor, do curador ou do responsável por sua guarda (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 192, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, incisos I e II). §2º Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, ainda que em valores inferiores ao limite de isenção (art. 86), poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes. §3º No caso de menores ou de filhos incapazes, que estejam sob a responsabilidade de um dos pais, em virtude de sentença judicial, a opção de declaração em conjunto somente poderá ser exercida por aquele que detiver a guarda.(grifei) Fl. 103DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10917.000168/200305 Acórdão n.º 210201.168 S2C1T2 Fl. 100 5 De fato, a legislação acima transcrita prevê que os rendimentos de menores sejam tributados em seus respectivos nomes, entretanto, opcionalmente permite que sejam tributados em conjunto com os rendimentos dos pais. No presente caso, a opção pela tributação dos rendimentos em conjunto foi exercida pela contribuinte, mãe dos menores, quando relacionou o nome dos filhos como seus dependentes, usufruindo da corresponde dedução e também da dedução com despesas de instrução. O procedimento da autoridade fiscal foi correto, pois respeitou a opção exercida pela contribuinte, de sorte que tributou os rendimentos dos menores em conjunto com os seus rendimentos. Em assim não procedendo, ou seja, optando pela tributação dos rendimentos dos menores em seus respectivos nomes, implicaria em proceder a glosa das deduções com dependentes e despesas com instrução na DAA da contribuinte. Entretanto, tais glosas não teriam fundamentação legal, visto que a legislação permite que a contribuinte faça a opção por tributar os rendimentos em conjunto, considerando os menores seus dependentes. No que diz respeito às DAA dos menores apresentadas em data posterior a ciência do Auto de Infração, correta a decisão recorrida quando afirma que já teria ocorrido a exclusão da espontaneidade em relação aos rendimentos considerados omitidos pela contribuinte, conforme disposto no art. 7º, §1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Vale, ainda, dizer que o fato de a Secretaria da Receita Federal do Brasil ter processado as DAA apresentadas em nome dos menores, inclusive com a exigência de multa por atraso e devolução de saldo de restituição, em nada prejudica o lançamento de que ora se cuida, dado que tais fatos somente beneficiam os contribuinte envolvidos, pois o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos dos menores foi compensado duplamente, ora nas DAA dos menores, ora na DAA da recorrente, gerando inclusive saldo de imposto a restituir. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso, mantendose a decisão recorrida. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 104DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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Numero do processo: 16327.001288/2004-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TACITA DA APURAÇÃO. A
formalização de exigência suplementar de crédito tributário em decorrência
de revisão de apuração declarada pelo sujeito passivo, admitida como
formalmente válida pela autoridade lançadora, somente pode ser efetuada em
até 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador.
AUDITORIA FISCAL A PARTIR DE EXTRATOS DE
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. MATÉRIA EM REPERCUSSÃO
GERAL NO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. Descabe o
sobrestamento do julgamento administrativo se o procedimento fiscal teve em
conta movimentação bancária apresentada pelo próprio sujeito passivo, em
atendimento a intimação fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM
NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Não se presta
como prova da origem a demonstração de transferências bancárias advindas
de conta-corrente de mesma titularidade, cuja movimentação não foi
apresentada no curso da ação fiscal, após regular intimação. ALEGAÇÃO
DE TROCA DE CHEQUES. NEXO DE CAUSALIDADE.
INEXISTÊNCIA. Mantém-se a exigência se a contribuinte sequer demonstra
a vinculação dos depósitos de origem não comprovada as operações que
alega.
Numero da decisão: 1101-000.432
Decisão: ACORDAM os membros da la Câmara / la Turma Ordinária do
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento
PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir os valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL nos
lo e 2o trimestres/99, e de Contribuição ao PIS e COFINS de janeiro/99 a junho/99, em razão
da decadência. Vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva(Relator) que dava
provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a
Conselheira Edeli Pereira Bessa
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA APURAÇÃO. A formalização de exigência suplementar de crédito tributário em decorrência de revisão de apuração declarada pelo sujeito passivo, admitida como formalmente válida pela autoridade lançadora, somente pode ser efetuada em até 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. AUDITORIA FISCAL A PARTIR DE EXTRATOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. MATÉRIA EM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. Descabe o sobrestamento do julgamento administrativo se o procedimento fiscal teve em conta movimentação bancária apresentada pelo próprio sujeito passivo, em atendimento a intimação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Não se presta como prova da origem a demonstração de transferências bancárias advindas de conta-corrente de mesma titularidade, cuja movimentação não foi apresentada no curso da ação fiscal, após regular intimação. ALEGAÇÃO DE TROCA DE CHEQUES. NEXO DE CAUSALIDADE. INEXISTÊNCIA. Mantém-se a exigência se a contribuinte sequer demonstra a vinculação dos depósitos de origem não comprovada as operações que alega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Camara / r Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir os valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL nos lo e 2o trimestres/99, e de Contribuição ao PIS e COFINS de janeiro/99 a junho/99, em razão da decadência. Vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva(Relator) que dava provimento ao recurso em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa i JOSÉ RI = Relator ELI PEREIRA BESSA — Redatora Designada Af hi FRANCISCO D ALES • BEIRO DE QUEIROZ - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva, Marcos Vinícius de Barros Ottoni (Suplente convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidnete). Relatório KIXIKI MOVEIS, INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 645/661), contra o Acórdão n° 18-6.142, de 19/10/2006 (fls. 628/641), proferido pela colenda la Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria - RS, que julgou parcialmente procedente o lançamento consubstanciado nos autos de infração de IRPJ, fls. 06; PIS, fls. 09; COFINS, fls. 12; e CSLL, fls. 15. A irregularidade fiscal imposta ao contribuinte refere-se ao ano-calendário de 1999, abaixo reproduzida: DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação, em anexo, que é parte integrante deste auto de infração. A relação individualizada dos depósitos e/ou créditos bancários de origem não comprovada constam das Planilhas de fls. 273 a 294 e os montantes mensais e trimestrais dos valores tributados constam do Demonstrativo das Bases de Cálculo de fls. 299, sendo que a tributação obedeceu ao regime do lucro presumido, adotado pelo contribuinte para o ano- calendário de 1999. Os lançamentos do PIS, COFINS e CSLL são decorrentes da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Cientificada dos lançamentos em 30/07/2004, o contribuinte apresenta em 30/08/2004, a impugnação de fls. 320 a 335, com os anexos 1 a 6 de fls. 336 a 625, alegando, em síntese, o que segue: 2 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 2 a) Os créditos/depósitos que deram suporte ao lançamento, em grande parte, traduzem operações não catalogadas como receitas/rendimentos. Sao meras transferências interbancárias, cuja prova não logrou produzir durante o período da auditoria fiscal, como aconteceu, por exemplo, com os documentos do Banco Bradesco, só recebidos em 05/08/2004 (vide anexo 6), cinco dias após a ciência das autuações. b) Argüi que os créditos/depósitos a seguir não devem sofrer tributação pelos seguintes motivos: c) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 1, comprovam que a quantia de R$ 1.400,00, depositada junto à CEF, provém de um saque efetuado junto ao Bradesco. d) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 2.a, comprovam que o montante de R$ 40.500,00 depositado junto ao Banrisul, provém de diversos saques de cheques efetuados junto ao Brade sco. e) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 2.b, comprovam que o montante de R$ 6.187,66 depositado junto ao Banrisul, provém de diversos saques de cheques efetuados junto ao Banco Meridional. f) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 2.c, comprovam que o montante de R$ 665.560,00 creditados na conta- corrente no 19.017898.0-6, referem-se ao somatório das transferências financeiras provenientes da "Conta Especial Garantida" n° 24.017898.0- 2, do próprio Banrisul — Agência Carazinho. Apresenta declaração prestada pela direção da agência bancária, bem como cópias das escrituras públicas e correspondentes registros imobiliários de garantia hipotecária para dar cobertura A. abertura de crédito em conta corrente, via "Conta Especial Garantida". g) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 3.a, comprovam que o montante de R$ 76.500,00 depositados junto ao Banco Meridional, provém de diversos saques de cheques efetuados junto ao Bradesco. h) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 3.b, comprovam que o montante de R$ 18.515,00 depositados junto ao Banco Meridional, provém de diversos saques de cheques efetuados junto ao Banrisul. i) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 3.c, comprovam que o montante de R$ 14.000,00 depositados junto ao Banco Meridional, provém de diversos saques de cheques efetuados junto a CEF. i) - A planilha e cópias dos documentos que compõem o anexo 4, demonstram que a autuada emitiu cheques do Banco Meridional no 3 montante de R$ 44.344,46, em favor de outras empresas (New Trends, M. Garcia & Cia Ltda, Quality Cosméticos Ltda, etc) e, ao mesmo tempo, recebeu, nas mesmas datas, outros cheques de iguais valores das referidas empresas, destinados a cobrir os saques efetuados da conta bancária retrocitada (Meridional). Alega, tratar-se de simples troca de cheques, negociados com essas empresas de factoring, visando suprir iliquidez da empresa. k) A planilha e cópias dos cheques/extratos que compõem o anexo 5, demonstram terem ocorrido depósitos junto ao Banrisul, CEF, Bradesco e Meridional, no montante de R$ 42.130,00, com cheques de iguais valores emitidos pela empresa interligada "Comercial Loss de Móveis Ltda., cujos sócios-proprietários são os mesmos da autuada. Esclarece que se trataram de operações de socorro financeiro (mútuos) prestados pela referida empresa interligada. INCONSISTÊNCIAS DE ORDEM MATERIAL 1) Admitindo-se, apenas por hipótese, a regularidade dos valores autuados, o procedimento fiscal não poderia prosperar, em virtude da inconstitucionalidade material das normas que, em tese, lhe daria amparo. m) Apesar de não ter feito qualquer menção, o Agente do Fisco teria embasado a requisição dos extratos bancários e o pedido de comprovação da origem dos depósitos na Lei Complementar n° 105, de 2001 e no decreto n°3.724, de 2001. n) Ocorre, porém, que tais diplomas apresentam vícios formais afrontosos Constituição, que impedem o Fisco de exercitar o direito de que entende dispor. Alega que houve ofensas aos princípios da legalidade, da repartição de competências e da irretroatividade da lei. Sobre o tema, cita doutrina e jurisprudência administrativa (fls. 328/329). o) Alega a inconstitucionalidade/ilegalidade da tributação dos depósitos, pois deve haver a necessária distinção a ser feita entre os fenômenos dos ingressos e das receitas. p) Argüi , ainda, a ocorrência de vícios equívocos do lançamento amparado no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, já que não deve ser interpretado literalmente, pois há incongruência com o conceito de renda e proventos de qualquer natureza, assim como compreendido no art. 153, III, da Constituição Federal de 1988. q) De igual maneira, se aplicável assim como está redigido, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, afrontaria o conceito de renda estabelecido no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN). r) 0 procedimento fiscal também ofendeu aos artigos 114 e 116 do CTN, porque, obviamente, os depósitos bancários, por si sós, não corporificam necessária e suficientemente, nem a obtenção de renda /lucro, nem o auferimento de receita advinda da compra e venda e de prestação de serviços, mas apenas a propriedade/posse e a exploração continuada de bem econômico, juridicamente qualificado como capital circulante. Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI AcOrcldo n.° 1101-00.431 Fl. 3 s) No que se refere aos lançamentos da CSLL, PIS e COFINS, alega guardar relação de dependência com o lançamento do IRPJ e que todos os argumentos opostos contra aquela exigência sejam considerados nos lançamentos decorrentes. A Colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pela manutenção parcial da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A autoridade administrativa não tem competência para apreciar matéria atinente a constitucionalidade ou legalidade de normas legais, ficando adstrita ao seu cumprimento. 0 foro próprio para discussões dessa natureza é o Poder Judiciário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NA -0 COMPROVADA A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES - PIS, COFINS E CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Lançamento Parcialmente Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 01/12/2006 (fls. 243-v), e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 27/12/2006 (fls. 645), onde reforça os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o relatório. 5 Voto Vencido Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator 0 recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto do relato, o lançamento sob exame decorre da acusação de presunção de omissão proveniente de depósitos bancários não comprovados. A recorrente suscita preliminar de nulidade do auto de infração em razão da inconstitucionalidade do diploma legal que embasou o lançamento. Este Tribunal Administrativo possui posicionamento pacificado sobre a matéria, visto se tratar de objeto da Súmula n° 02, cujo enunciado é o seguinte: 02 — INCONST1TUCIONALIDADE Súmula 1°CC n° 2: 0 Conselho de Contribuintes não competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não é cabível o acolhimento do pleito da recorrente Quanto ao mérito, a autoridade autuante juntou aos autos as planilhas de fls. 273/294, onde constam os valores individualizados da movimentação financeira não comprovada, bem como os montantes mensais e trimestrais dos valores tributados constam do Demonstrativo das Bases de Cálculo de fls. 299. Por ocasião da defesa inicial, a recorrente juntou aos autos quadros demonstrativos e documentos, os quais apreciados pela turma julgadora de primeiro grau conforme exposição do voto condutor do aresto recorrido abaixo transcrita: Neste aspecto, a defesa alega que muitos dos depósitos/créditos tributados não traduzem operações catalogadas como receitas/rendimentos. Acrescentou à impugnação os documentos que compõem os anexos I a 5 (fis. 336 a 625), visando demonstrar a existência de transferências (via cheque) entre contas bancárias da própria autuada, da empresa interligada Comercial Loss Lida para a autuada, e, ainda, a ocorrência de troca de cheques da autuada com as empresas de factoring New Trends, M Garcia & Cia. Ltda., Quality Cosméticos Ltda., que totalizam os seguintes valores: Anexo 1 — R$ 1.400,00 na Caixa Econômica Federal — CEF (origem saque Bradesco); Anexo 2.a— R$ 40.500,00, no Banrisul (origem saque Bradesco); Anexo 2.b — R$ 8.684,26, no Banrisul (origem saque Banco Meridional); 6 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 4 Anexo 2.c — R$ 665.560,00, no Banrisul (origem transferência financeira de sua "Conta Especial Garantida" do próprio Banrisul); Anexo 3.a — R$ 76.500,00, no Banco Meridional (origem saque Bradesco); Anexo 3.b — R$ 18.515,00, no Banco Meridional (origem saque Banrisul); Anexo 3.c — R$ 14.000,00, no Banco Meridional (origem saque CEF); Anexo 4 — R$ 44.344,46, no Banco Meridional (origem troca de cheques corn empresas de factoring New Trends, M Garcia & Cia. Ltda., Quality Cosméticos Ltda.); Anexo 5 — R$ 42.130,00, no Banrisul, GEE, Bradesco e Meridional (origem transferências /depósitos de valores efetuados pela empresa interligada Comercial Loss Ltda.). Examinando-se as provas anexadas na impugnação, conclui-se que os valores acima apresentados devem ser aceitos, parcialmente, pelos seguintes motivos: Anexo 2.a —planilha de fl. 341 - Em 29/01/1999, cheque n° 1969, valor R$ 4.450,00, do Bradesco «is. 342/343) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Banrisul de R$ 2.191,33 (IL 279), que deve ser aceito como comprovado. - Em 03/02/1999, cheque n° 1979, valor R$ 650,00, do Bradesco (Jls. 344/345) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul 279), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 26/02/1999, cheque n° 2042, valor R$ 4.400,00, do Bradesco (fls.348/349) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Banrisul de R$ 4.090,57 (IT 279), que deve ser aceito como comprovado. - Em 12/05/1999, cheque n°2173, valor R$ 350,00, do Bradesco (lis. 362/363) — Existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul. Porém, o depósito não foi tributado pela fiscalização, em função do baixo valor (11. 258), devendo ser desconsiderado no somatório da plan ilha. Anexo 2.b —planilha deft. 391 - Em 08/02/1999, cheque n° 236898, valor R$ 2.984,26, do Banco Meridional (fls.392/393) - Não existe depósito com coincidência de data e valor na conta do Banrisul. Na data da 7 compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Banrisul de R$ 900,00 (fl. 279), que deve ser aceito como comprovado. - Em 07/05/1999, cheque n° 84, valor R$ 5.700,00, do Banco Meridional (fls.394/396) - Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banrisul. Na data da compensação do referido cheque consta um depósito no Banrisul de R$ 3.203,60 (fl. 280), que deve ser aceito como comprovado. Anexo 2.c —planilha de fls. 398-400 - Não ficou suficientemente comprovada a alegação de que os créditos relacionados na planilha de fls. 398-400, na conta corrente Banrisul n° 19.017898.0-6, no montante de R$ 665.560,00, tem origem em transferências financeiras provenientes da "Conta Especial Garantida" n° 24.017898.0-2, do próprio Banrisul — Agência Carazinho. A declaração prestada pela direção da referida Agência Bancária 407), bem como as cópias das escrituras públicas e correspondentes registros imobiliários «Is. 401-406), demonstram simplesmente que a autuada possuía conta na referida agência, sob valor de R$ 70.000,00, com garantia hipotecária do imóvel objeto da matricula n° 6.250. Além de não trazer aos autos os extratos bancários da "Conta Especial Garantida" para mostrar os lançamentos de débitos na conta, o impugnante não apresentou qualquer comprovação de que a origem dos recursos são os alegados empréstimos realizados aipo cheque especial), ou ainda, são operações bancárias que não resultem em tributação na pessoa jurídica autuada, já que as transferências financeiras para a conta corrente somam, no ano de 1999, o valor R$ 665.560,00, enquanto a garantia hipotecária na conta especial é de apenas R$ 70.000,00. Anexo 3.a — planilha de fl. 411 - Em 25/01/1999, cheque n° 1958, valor R$ 500,00, do Bradesco (fls. 414/415) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Meridional (fl. 274), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 29/04/1999, cheque n° 2094, valor R$ 400,00, do Bradesco (11s. 434/435) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Meridional (Ji. 275), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 02/06/1999, cheque n° 2183, valor R$ 2.400,00, do Bradesco (fls. 436/437) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 2.000,00 (fl. 276), que deve ser aceito como comprovado. Anexo 3.b —planilha de fl. 481 - Em 19/04/1999, cheque n° 873008, valor R$ 1.365,00, do Banrisul (fls. 490/491) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Meridional 273/275), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. 8 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 5 - Em 10/06/1999, cheque n° 464768, valor R$ 2.300,00, do Banrisul (lls. 482/483) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banco Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 2.040,19 276), que deve ser aceito como comprovado. - Em 25/11/1999, cheque n° 526838, valor R$ 7.700,00, do Banrisul (17s. 494/495) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banco Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 2.600,00 (fl. 279), que deve ser aceito como comprovado. Anexo 3.c —planilha de fl. 497 - Em 02/07/1999, cheque n° 701720, valor R$ 13.000,00, da CEF (fis. 500/501) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta do Banco Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 1.500,00 276), que deve ser aceito como comprovado. Anexo 4— (fls. 502-583) - Os documentos de fls. 503-583 demonstram que a autuada emitiu cheques sacados da conta 02.0023507-0 do Banco Meridional no montante de R$ 44.344,46, em favor das empresas New Trends, M Garcia & Cia. Ltda, Quality Cosméticos Ltda. Porém, não ficou suficientemente demonstrado, com coincidências de datas e valores, que os cheques recebidos dessas empresas, nas mesmas datas, foram depositados na referida conta corrente da autuada no Banco Meridional. Portanto, a origem apresentada pela defesa não deve ser aceita. Anexo 5 —planilha de fl. 585 - Em 03/04/1999, cheque n° 510281, valor R$ 1.200,00, do Banco Meridional, emitido pela interligada Comercial Loss de Moveis Ltda. (fls. 586/587) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Bradesco (fl. 290), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 05/04/1999, cheque n° 603513, valor R$ 3.800,00, do Banco Meridional, emitido pela interligada Comercial Loss de Moveis Ltda. (lls. 614/615) — Além do cheque não estar nominal, não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto ao Banco Meridional (fls. 273 e 275), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. - Em 02/08/1999, cheque n° 401, valor R$ 1.250,00, do Banco Meridional, emitido pela interligada Comercial Loss de Moveis Ltda. (fls. 596/597) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada junto a Caixa Econômica Federal 286), devendo ser desconsiderado no somatório da planilha. 9 - Em 04/11/1999, cheque n° 919, valor R$ 7.700,00, do Banco Meridional, emitido pela interligada Comercial Loss de Moveis Ltda. (fls. 620/621) — Não existe depósito, com coincidência de data e valor, na conta da autuada no Banco Meridional. Na data da compensação do referido cheque consta apenas um depósito no Meridional de R$ 3.000,00 (fl. 277), que deve ser aceito como comprovado. Esclarece-se que, conforme determinação do artigo 16, sç 4°, do Processo Administrativo Fiscal - Decreto n° 70.235, de 1972, as provas devem ser apresentadas na impugnação a menos que a contribuinte demonstre: a) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) que se refira a fato ou a direito superveniente; e, c) que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, conclui-se que houve comprovação dos seguintes valores apresentados na impugnação (anexos 1 a 5): ANEXO VALORES APRESENTADOS VALORES COMPROVADOS 1 1.400,00 1.400,00 2.a 40.500,00 36.931,90 2.b 8.684,26 4.103,60 2.c 665.560,00 0 3.a 76.500,00 75.200,00 3.b 18.515,00 11.790,19 3.c 14.000,00 2.500,00 4 44.344,46 0 5 42.130,00 31.180,00 Total 163.105,69 Na peça recursal a contribuinte retorna aos autos, tendo acolhido parcialmente a decisão de primeira instância e efetuado o recolhimento dos tributos correspondentes, relativos aos seguintes itens: (a) Anexo 2.a; (b) Anexo 2.b; (c) Anexo 3.a; (d) Anexo 3.b; (e) Anexo 3.c; (f) Anexo 5. A recorrente insurge-se contra a manutenção de parte do lançamento relativo aos seguintes itens: (i) Anexo 2.c; e (ii) Anexo 4, fazendo a juntada dos documentos de fls. 662/677, correspondentes a extratos de movimentações bancárias junto ao Banrisul, agência em Carazinho, RS, em nome da própria recorrente, onde fica comprovada a origem de parte dos recursos considerada não comprovada pela autoridade fiscal, conforme planilha de fls. 279/285. Na lavratura do auto de infração, a fiscalização considerou como omissão de receita os lançamentos efetuados a crédito na conta 1901789806, do Banrisul, agência 170, cujo histórico encontra-se assim descrito: "Crédito cfe. aviso". Pois bem, a documentação apresentada pela recorrente comprova que os recursos são oriundos da conta n° 24.017898.0-2, da mesma agência do Banrisul, de 1 0 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 6 titularidade da recorrente, motivo pelo qual deve ser acolhida a argumentação de defesa e excluir da tributação o item denominado Anexo 2.c. Da mesma forma, considero devidamente comprovada a origem dos recursos utilizados para os depósitos efetuados no valor de R$ 44.344,46, Anexo 4, conforme comprovantes de fls. 502/583 (cópias dos cheques emitidos — frente e verso), com a demonstração da tramitação bancária e respectiva liquidação. Da leitura do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, resta claro que o legislador abordou o tema de depósitos bancários cuja origem não tenha comprovação a fim de coibir a prática de ingressos simulados ou ilegítimos como modalidade de omissão de receitas, dispondo que deverão ser tratados como omissão de receitas aqueles depósitos que deixarem de ser devidamente comprovados. Extrai-se do mencionado artigo regulamentar que as pessoas fisicas ou jurídicas que realizarem depósitos bancários sem a devida comprovação, terão o tratamento presuntivo como omissão de receitas. Porém, de fundamental importância, registrar que os documentos juntados aos autos não deixam dúvidas da regular origem dos recursos depositados pela empresa. Encontrando-se comprovada a origem dos recursos depositados pela pessoa jurídica, cuja operação se concretiza por meio de depósitos bancários, não podem ser considerados como se fossem depósitos sem origem comprovada. 0 fato descrito não se enquadra na hipótese de incidência e, em conseqüência, a exigência não tem como prosperar. Entendo que está devidamente comprovado o mútuo, com suficientes provas materiais da sua ocorrência, sendo assim, considero desnecessário o registro em instrumento público do contrato para torná-lo válido. As operações devidamente contabilizadas em ambas empresas, bem como os documentos apresentados fazem prova suficiente para infirmar o lançamento em questão. Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, para excluir da tributação os itens: Anexo 2.c e Anexo 4. como voto. Sala das Sessões, em 24 fevereiro de 2011 11 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA — Redatora Designada Em vistas aos autos, constato que, de fato, as exigências pertinentes aos períodos de apuração até junho/99 devem ser canceladas, porque à. época do lançamento (30/07/2004) já havia transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência daqueles fatos geradores. Observo que esta conclusão leva em conta as novas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF n° 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543- B e 543-C da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARE. Isto porque, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543-C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp n° 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIALARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, ,sç 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. I. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.I42/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 12 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 7 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, sç 40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10" ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3 ° ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribui0es previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraio deste julgado que o fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar- se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Vejo claro, a partir da ementa transcrita, ser necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Destaco, porém, que no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendia-se ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contando-se 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4° do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não vejo, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, o que permite, aqui, a livre convicção acerca de sua definição. 13 E, no presente caso, como verifico nos autos, há informação na DIPJ de que a contribuinte apurou IRPJ e CSLL a pagar nos 1 ° e 2° trimestres de 1999, bem como Contribuição ao PIS e COFINS a pagar de janeiro a junho/99 (fls. 89, 92, 94/96, 100/102). De outro lado, a Fiscalização nada apontou acerca da inexistência destes recolhimentos. Ao contrário, como demonstrarei adiante, a autoridade lançadora admitiu a receita declarada como origem dos valores depositados nas contas bancárias auditadas, providência somente possível se constatado que aqueles montantes foram submetidos a regular tributação. Assim, considerando a decadência parcial da exigência, passo à apreciação do mérito relativamente aos créditos tributários de IRPJ e CSLL, lançados nos 3 ° e 4° trimestres de 1999, e de Contribuição ao PIS e COFINS lançados de julho/99 a dezembro/99. Antes, porém, destaco que não vejo aqui hipótese de sobrestamento determinado por outra alteração promovida no Anexo II do Regimento Interno do CARF, por meio da Portaria MF n° 586/2010: Art. 62-A. [...] § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2° 0 sobrestamento de que trata o § 10 será feito de oficio pelo relator ou por provocação das partes. Isto porque, embora estes autos versem sobre exigência decorrente da análise de movimentação bancária da contribuinte, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral de questão constitucional suscitada, em decisão de 23/10/2009, assim ementada: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇ A -0 JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTAIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Nestes termos, a questão constitucional que aguarda manifestação do Supremo Tribunal Federal restringe-se d. aplicação da Lei Complementar n° 105/2001 relativamente a períodos de apuração anteriores à. sua vigência, para fins de fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco. Já nestes autos, embora se trate de períodos de apuração anteriores à vigência da Lei Complementar n° 105/2001, vejo evidenciado o fornecimento de informações sobre movimentação bancária, ao Fisco, diretamente pela contribuinte fiscalizada, em atendimento a intimação, conforme documentos de fls. 25 a 21. E, como ressaltado pela autoridade julgadora de l a instância, a obrigatoriedade de assim proceder já estava prevista em Lei desde 1957, conforme consolidação do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR199): Art. 927. Todas as pessoas fisicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informaç5es e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do 14 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 8 Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante. (Lei n2 2.354, de 1954, art. 72) No mais, quanto ao mérito, o presente voto é apenas para registrar que vislumbro contexto diferente daquele abordado pelo I. Relator, no que tange as provas apresentadas pela contribuinte em sua impugnação e, depois de rejeitadas pela autoridade julgadora de l a instancia, complementadas em recurso voluntário. Como dito pelo I. Relator, na defesa inicial, a recorrente apresentou, dentre outros, os seguintes elementos citados pela autoridade julgadora de l a instancia: Anexo 2.c — R$ 665.560,00, no Banrisul (origem transferência financeira de sua "Conta Especial Garantida" do próprio Banrisul); 1...] Anexo 4 — R$ 44.344,46, no Banco Meridional (origem troca de cheques corn empresas de factoring New Trends, M Garcia & Cia. Ltda., Quality Cosméticos Ltda.); [-..] Relativamente aos documentos que compõe o Anexo 2c, a recorrente apresentou documentos de fls. 662/677, nos quais, de fato, ha evidências de transferência de valores mantidos junto ao Banrisul, agência em Carazinho, RS, em nome da própria recorrente, sendo que o crédito correspondente a estas transferências foi considerado como omissão de receita quando aportados na conta 1901789806, do Banrisul, agência 170, sob o histórico "Crédito cfe. aviso". Todavia, entendo que apenas a prova de que tais recursos são oriundos da conta n° 24.017898.0-2 - na mesma agência do Banrisul e de titularidade da recorrente - não é suficiente para afastar a exigência correspondente. Isto porque não ha prova da escrituração contábil daquela conta bancária e a movimentação correspondente foi omitida da Fiscalização. Constato nos autos que, no Termo de Inicio de Fiscalização, a contribuinte foi intimada a apresentar Extratos de contas correntes bancárias e de aplicações financeiras da empresa, de 1998 a 2003 (fl. 25). Na primeira oportunidade, apresentou extratos do Banco do Brasil (movimentação parcial de 1998 e movimentação global de 1999), Unibanco (movimentação global de 1998 e 1999), Caixa Econômica Federal - CEF (movimentação total) e Meridional (movimentação global de 1998 e 1999), conforme fls. 26. Em 12/04/2004 apresentou extrato do Banrisul, conta 19017898.0-6 (movimentação de 1998 e 1999), em 23/04/2004, extrato do Bradesco, e ,em 30/04/2004, extrato de conta vinculada poupança junto ao Banco Santander (fls. 27 a 31). A partir dai, a Fiscalização passou a questionar a origem dos depósitos constantes dos extratos que lhe foram apresentados, e assim descritos no Termo de Intimação a fl. 33: 0066020023507 conta corrente e poupança, do Banco Meridional, ag. Carazinho-RS; conta 1901789806 do Banrisul S/A, ag. 170; conta 003.000009073 da Caixa Econômica Federal, ag. 0464 e conta 227293 do Bradesco S/A, ag. 32727. Os extratos estão juntados as fls. 114/233 e a relação dos depósitos bancários questionados consta as fls. 234/256, seguindo- se relação de créditos dispensados de exame em função do valor (fls. 257/266), relação de créditos com origem comprovada mediante documentação hábil e idônea (fls. 267/272) ai incluídas transferências de conta poupança, liberação de empréstimos, transferências de contas 15 de mesma titularidade e outros créditos de origem comprovada conforme esclarecimentos de fls. 36/37. As fls. 273/294 constam as relações de créditos de origem não comprovada, aportados nas seguintes contas bancárias: • Conta n° 0066020023507, Banco 008 (Meridional) Agência Carazinho; • Conta n° 1901789806 Banco 041 (Banrisul) ag. 170; • Conta n° 003.000009073 Banco 104 (Caixa Econômica Federal), ag. 0464; • Conta n° 227293 Banco 237 (Bradesco), ag. 32727. Parece-me claro, nestes elementos, que a autoridade lançadora desconhecia a movimentação bancária mantida na conta n° 24.017898.0-2, junto ao Banrisul. Às fls. 295/299 há relação de cheques devolvidos e o demonstrativo de fl. 299 assim apura as bases de cálculo da autuação: Ma Depósitos/Créditos Cheques Devolvidos Valor Declarado Diferença a Tributar jan/99 194.068,28 10.495,25 36.379,09 147.193,94 fev/99 193.348,08 21.622,60 22.629,99 149.095,49 mar/99 208.832,73 14.957,23 21.468,30 172.407,20 1 Trim/99 596.249,09 47.075,08 80.477,38 468.696,63 abr/99 159.121,94 5.866,44 41.568,19 111.687,31 mai/99 197.146,46 10.789,02 38.814,86 147.542,58 jun/99 185.280,51 6.074,84 42.824,74 136.380,93 2 Trim/99 541.548,91 22.730,30 123.207,79 395.610,82 jul/99 227.709,86 1.756,69 51.442,43 174.510,74 ago/99 235.612,00 13.599,56 59.942,85 162.069,59 set/99 2 11. 525,90 2.048, 19 69.748,21 139.729,50 3 Trim/99 674.847,76 17.404,44 181.133,49 476.309,83 out/99 220.174,68 12.265,80 51.481,65 156427,23 nov/99 313.768,70 14.323,61 68.534,12 230.910,97 der/99 216.938,63 1.491,61 46.348,51 169.098,51 4 Trim/99 750.882,01 28.081,02 166.364,28 556.436,71 Observo que a dedução da receita declarada se fez em atenção a solicitação da contribuinte em 15/06/2004 (fl. 35): 04) — Em 02 de novembro de 2003, em resposta a primeira Intimação, foram apresentadas cópias das declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, compreendendo o período de 1.998 a 2003, estando incluído o exercício fiscalizado de 2000 ano-base 1999, onde apresenta um resultado declarado de R$ 628.903,00, montante que deve ser considerado como receita j6 declarada e devidamente tributada pela empresa. Destaco apenas que a contribuinte errou ao totalizar o resultado de 1999, pois suas apurações trimestrais e mensais em DIPJ (fls. 89/105) apontam exatamente para os valores considerados pela Fiscalização. 16 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 9 Diante deste contexto, minhas conclusões acerca dos documentos que compõem o Anexo 2c (fls. 398/400) são distintas daquelas adotadas pelo I. Relator, bem como daquelas expressas pela DRJ. Isto porque a autoridade julgadora de l a instância declarou a insuficiência das provas apresentadas nos seguintes termos: Anexo 2.c —planilha de fls. 398-400 - Não ficou suficientemente comprovada a alegação de que os créditos relacionados na planilha de fls. 398-400, na conta corrente Banrisul n° 19.017898.0-6, no montante de RS 665.560,00, tem origem em transferências financeiras provenientes da "Conta Especial Garantida" n° 24.017898.0-2, do próprio Banrisul — Agência Carazinho. A declaração prestada pela direção da referida Agência Bancária ql. 407), bem como as cópias das escrituras públicas e correspondentes registros imobiliários (As. 401-406), demonstram simplesmente que a autuada possuía conta na referida agência, sob valor de R$ 70.000,00, com garantia hipotecária do imóvel objeto da matricula n° 6.250. Além de não trazer aos autos os extratos bancários da "Conta Especial Garantida" para mostrar os lançamentos de débitos na conta, o impugnante não apresentou qualquer comprovação de que a origem dos recursos são os alegados empréstimos realizados (tipo cheque especial), ou ainda, são operações bancárias que não resultem em tributação na pessoa jurídica autuada, já que as transferências financeiras para a conta corrente somam, no ano de 1999, o valor RS 665.560,00, enquanto a garantia hipotecária na conta especial é de apenas R$ 70.000,00. Já em recurso voluntário, a contribuinte juntou cópia dos extratos da referida conta de onde se originaram as transferências, e neles vejo que o titular da conta 6, realmente a autuada, estando destacados débitos que correspondem a créditos considerados depósitos bancários de origem não comprovada aportados na outra conta mantida pela empresa junto ao Banrisul (fls. 666/677). Porém, os valores que suprem a conta 24.017898-0 não são os alegados empréstimos, e sim diversos créditos sob históricos do tipo Cr. Títulos, Dep. Em Cheque, Cr. Cfe Aviso. É certo que os extratos apresentados partem de um saldo devedor de R$ 57.886,42 e esta divida da empresa para com a instituição financeira não se reduz para menos de R$ 42.405,18 durante o ano de 1999, nem se eleva para além de R$ 72.439,37 neste período, observando o limite de crédito de R$ 70.000,00 referenciado em todos os extratos. Todavia, esta movimentação significa que não foram apenas os créditos garantidos por este financiamento que justificaram as transferências a partir desta conta, mas também e principalmente (dada a estabilidade do saldo diário durante todo o ano-calendário) os demais aportes verificados na conta em razão de títulos recebidos e depósitos em cheque. Esta conta bancária, como disse, não foi noticiada à Fiscalização, limitando- se a contribuinte a apresentar aqueloutra mantida no Banrisul. Assim, embora a origem fisica das transferências esteja demonstrada, a prova apresentada não se presta a desconstituir a exigência. Isto porque, nos termos da Lei n° 9.430/96, vislumbro implícita a exigência de que a prova da origem se apresente com maior amplitude, na medida em que o §2° do seu art. 42 determina a tributação especifica dos valores assim comprovados, o que somente é possível em face da demonstração completa da natureza das operações alegadas: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição 17 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do ás normas de tributação espec(icas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [..-] Demais disto, quando esta prova se verifica no curso do contencioso administrativo fiscal, depois de a contribuinte ter se omitido em fazê-lo, embora regularmente intimada a tanto durante o procedimento fiscal, considero licito exigir que a autuada prove não só a origem, como também a natureza dos valores recebidos e a sua regular tributação, ou a sujeição a normas de isenção ou de não-incidência, sob pena de sua omissão favorecê-lo com o decurso do prazo decadencial para exigência do crédito tributário sob outra fundamentação ou modalidade de tributação. Recordo, ainda, que a pedido da contribuinte a autoridade lançadora considerou que as receitas declaradas teriam sido movimentadas nas contas bancárias fiscalizadas, valendo-se destes valores como prova da origem de parte dos depósitos bancários questionados. Desnecessário, portanto, perquirir em diligência se aquela movimentação bancária foi escriturada em contra partida As receitas espontaneamente oferecidas à tributação pela contribuinte. Assim, entendo que não há reparos à exigência, por não vislumbrar razão para excluir, da tributação, os depósitos bancários originados de transferência desta conta bancária não apresentada à fiscalização para auditoria. Quanto aos depósitos efetuados no valor de R$ 44.344,46, indicados no Anexo 4 (fls. 502/583), também chego a uma conclusão diversa do I. Relator. Em vistas aos autos, observo que, relativamente a esta parcela, a contribuinte já havia alegado As fls. 36/37: 2) — Registrou-se na resposta anterior (Item 06) que "a deficiência de capital de giro e constantes déficit de caixa, levaram a Empresa fiscalizada a se socorrer de empréstimos particulares, empréstimos bancários, negociações de títulos, trocas de cheques, e outros meios..." que poderiam ser comprovados com os documentos solicitados aos bancos. Tendo recebido somente do Banco Meridional, até a presente data, assim mesmo podemos comprovar que: 2.1 — Simples troca de cheques: Constam, em anexo (ANEXO 02), cópias de documentos (cheques) coincidentes em datas e valores, emitidos pela Intimada e outras empresas (New Trends, M Garcia & Cia Lida, Quality Cosméticos Lida, e outras) entre elas conhecidas e com as mesmas dificuldades de crédito, junto a instituições oficiais, que realizavam a "troca de cheques", oportunizando, assim, captar recursos junto a Factorins, bancos financiadoras, etc., no valor de R$ 44.344,46. Apreciando esta alegação, a Fiscalização entendeu que tais documentos não são suficientes para comprovação, uma vez que não lid nexo causal, ou seja, vinculo ou 18 Processo n° 11030.001624/2004-45 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.431 Fl. 10 coincidência entre os valores dos cheques apresentados e eventuais depósitos efetuados naquelas datas. Destaco que a quase totalidade dos documentos juntados no Anexo 4 refletem operações datadas de janeiro/99 e assim já alcançadas pela declaração parcial de decadência do crédito tributário aqui constituído (fls. 503/580). Em verdade, apenas os documentos de fls. 581/583 referem-se a operações de agosto/99 e neles vejo, apenas, extrato da conta 006.02.0023507-0 junto ao Banco Meridional, na qual est á grifado o débito de R$ 3.389,96, relativo ao cheque n° 530, cuja cópia aponta como beneficiário New Trends, e por si só nada esclarece, na medida em que a exigência decorre da falta de comprovação da origem de depósitos bancários mantidos pela autuada, e não de cheques por ela emitidos. Assim, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mas apenas para excluir os valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL nos 10 e 2° trimestres/99, e de Contribuição ao PIS e COFINS de janeiro/99 a junho/99, em razão da decadência. I PEREIRA BESSA - Conselheira 19
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Numero do processo: 13888.000003/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Tratando-se de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória,aplica-se o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de ofício.
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
MULTA DEVIDA.
1 Constitui infração punível com multa administrativa, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei nº 8212/91
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.733
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2000; e II) dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzidose
os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de ofício. PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA DEVIDA. 1 Constitui infração punível com multa administrativa, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei nº 8212/91 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2000; e II) dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzidose os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.000003/200812 Acórdão n.º 240101.733 S2C4T1 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado, em face da empresa em epígrafe, lavrado com fundamento no artigo 32, inciso IV e §§ 3º e 5º da Lei nº 8212/91, c/c os art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Segundo o relatório fiscal da infração, fls. 9, a empresa apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social –GFIP, relativas ao período de 01/1999 a 03/2006, sem informar os dados relativos às bolsas de estudo concedidas aos filhos dos empregados Esta conduta, segundo o AuditorFiscal da Previdência Social AFPS autuante, caracterizou infringência ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 5°, da Lei ri.° 8.212/91, acrescentados pela Lei n.° 9.528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, não tendo sido constatada a ocorrência de circunstâncias agravantes nem atenuante nele previstas (artigos 290 e 291). De acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa e seus demonstrativos de cálculo de fls. 51/137, foi imputada a penalidade administrativa de R$ 377.023,76 (trezentos e setenta e sete mil e vinte e três reais e setenta e seis centavos), conforme disposto nos artigos 32, § 5º da Lei nº 8212/91, acrescentado pela Lei nº 9528/97 e 284, inciso II e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua o contribuinte apresentou sua defesa por meio do instrumento de fls. 148/178, aduzindo, em apertada síntese, após relato fálico, que a autuação não merece prosperar por lhe faltar suporte típico; que as bolsas de estudo concedidas não estão na GFIP por força do artigo 28, § 9 0, "t” da Lei n° 8.212/91, não integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias; transcreve o artigo 195 da Constituição Federal, aduzindo que o referido Diploma teria eleito a folha de salário como base de cálculo;cita o magistério de ROQUE ANTONIO CARI:HUTA; que a instituição de tributos não é livre, devendo obedecer um modelo rígido e inflexível fixados pelas regras constitucionais; Transcreve os artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional par fins de fixar o conceito de folha de salários; que o direito tributário pode emprestar os conceitos de direito privado para fins tributários, mas não poderá alterálos, uma vez que sedimentados na sociedade e no ordenamento jurídico; cita o magistério de ALIOMAR BALEEIRO, PAULO DE BARROS CARVALHO e BERNARDO RIBEIRO DE MORAES; que os postulados constantes dos artigos 109 e 110 do CTN foram convalidados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da inconstitucionalidade da cobrança sobre pro labore e remunerações a autônomos; transcreve o decidido no Recurso Extraordinário n° 1667729; que ao instituir a contribuição prevista no artigo 195, inciso 1, alínea "a", CF/88, deveria o legislador adotar o conceito de salário, conforme o prevê o direito do Fl. 270DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 trabalho; traz o conceito de empregado do artigo 3° da CLT; traz o magistério de AMAURI MASCARO NASCIMENTO acerca do conceito de salário; transcreve os artigos457 e 458 da CLT; que a legislação é clara e precisa ao excluir do conceito de salário e remuneração, para efeitos trabalhistas, a educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros; que as bolsas de estudo concedidas a seus empregados e aos dependentes destes não integram o salário; que a educação é um direito social, e, como tal, tem de ser provido pelo Estado e pela sociedade civil; transcreve o artigo 212, § 5° da CF/88; que age imbuída do espírito de cooperação ao Estado, fomentando e desenvolvendo os aspectos inerentes à dignidade humana; transcreve o DecretoLei n° 1.422/75; que a legislação veda o bis in idem, de maneira que não se pode cobrar contribuições previdenciárias sobre bolsas de estudo e salário educação sobre a mesma base; Transcreve o artigo 22, inciso I da Lei n°8.212/91; que o referido artigo da lei de custeio há de ser interpretado de acordo com a legislação trabalhista; cita julgados do Tribunal Superior o Trabalho; que a multa aplicada assume nítido caráter confiscatório; que o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal veda expressamente a instituição de tributos com efeito de confisco; Que o principio vedação a tributação com finalidade expropriatória do patrimônio; que o confisco resta caracterizado quando a imposição tributária supera os limites possíveis de tributação da riqueza; cita ensinamento de José Souto Maior Borges e Roque Antonio Carrazza; Colaciona fragmento do julgamento da ADI n° 551/RJ (STF). Postula pela procedência da impugnação e pela conseqüente anulação do Auto de Infração. A Secretaria da Receita Previdenciária em Campinas/SP, por meio da Decisão Notificação –DN nº 21.424.4/1143, julgou procedente a autuação. Intimado da decisão, o contribuinte ingressou com recurso a este Conselho, fls. 200/230, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação, finalizando por concluir que a multa exigida no artigo 32 inciso IV § 5º da Lei n º 8212/91 é inconstitucional, por afrontar princípios constitucionais , dentre eles o direito a propriedade e o não confisco. Ao final, requer a total procedência do presente Recurso Voluntário, para declarar nulo o auto de infração hostilizado e determinar o arquivamento do respectivo processo. Sem contrarrazões, vem os autos a esta Câmara para julgamento Fl. 271DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.000003/200812 Acórdão n.º 240101.733 S2C4T1 Fl. 248 5 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora O recurso preenche os requisitos exigidos para sua admissibilidade, devendo, portanto será conhecido. Antes de adentrar às questões de mérito, mister proceder à análise da preliminar de decadência suscitada Nada obstante, correta tivesse sido a decisão da Secretaria da Receita Previdenciária em Campinas, quando do julgamento da impugnação do contribuinte, cm relação à decadência, impõe considerar que o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". Fl. 273DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.000003/200812 Acórdão n.º 240101.733 S2C4T1 Fl. 249 7 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” Fl. 274DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404 Buscar análise da decadência. Porém, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Nos casos de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, não há o que se falar em aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, uma vez que a utilização desse é restrita à aferição da perda do fisco do direito de efetuar o lançamento quando o contribuinte antecipa o recolhimento e o fisco quedase inerte no seu direito de lançar a diferença entre a quantia devida e aquela efetivamente adimplida. Vale considerar que, se à própria obrigação principal pode ser aplicada a contagem pelo critério do art. 173, I, do CTN, com o muito mais razão devese utilizar esse dispositivo quando se trata de aferir o prazo que o fisco dispõe para aplicar penalidades administrativas, haja vista ser esse um caso típico de lançamento de ofício. Assim, levandose em conta o período da autuação de 01/1999 a 03/2006 e que a empresa tomou ciência da autuação em 14/08/2006, pelo critério acima, já não poderia mais ser lançada a multa relativa às infrações ocorridas no período de 01/01/1999 a 31/11/2000, devendo essas competências serem excluídas do presente Auto de Infração. Superada a preliminar suscitada, passo à análise das razões de mérito, esclarecendo que, conforme relatado, tratase de AUTO DE INFRAÇÃO, lavrado contra a empresa, por descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a qual tem por objeto as prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme o disposto no art. 113 § 2º do Código Tributário Nacional –CTN. No presente caso, a obrigação consiste em informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social –GFIP, os fatos geradores de contribuições sociais, nos termos do art. 32, inciso IV (abaixo transcrito): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena Fl. 275DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.000003/200812 Acórdão n.º 240101.733 S2C4T1 Fl. 250 9 administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. De início, e em que pese os argumentos da recorrente, vale esclarecer que desde 01/1999, por força das disposições acrescentadas no inciso IV do artigo 32 da Lei nº 8212/91, que as empresas em geral são obrigadas a informar mensalmente, por intermédio de GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Como a autuação se refere ao período de 01/1999 a 12/2006, a empresa efetivamente já tinha a obrigação acessória de declaralos em GFIP. Em suas razões de recurso o contribuinte alega, ainda. que “(...) não integra a base de calculo da contribuição previdenciária os valores despendidos pela recorrente à título de Bolsa de Estudos oferecidos aos filhos, estudantes, de seus empregados. Destarte, não fazendo parte da base de cálculo da contribuição previdenciária, não há que se alocar em seu escrita fiscal, especialmente a previdenciária os respectivos valores. Nesse sentido, importa esclarecer, que em face aos argumentos apresentados pelo contribuinte e já devidamente enfrentados na Decisão de primeira instância, dentro do conceito de saláriodecontribuição, o próprio artigo 28, mais adiante, prevê inúmeras situações especiais, onde, mesmo havendo pagamento direto ao empregado, não haverá a incidência da contribuição previdenciária. Tais hipóteses, vale dizer, que são várias e exclusivas, na realidade e por óbvio, se consubstanciam em isenções concedidas àqueles que têm o dever de contribuir com a Previdência Social, desonerandoos da exação. Conforme definido no § 9º do citado art. 28 da Lei nº 8212/91, que relaciona as verbas que não integram o salário de contribuição, sendo que a isenção estabelecida na alínea “t” do referido artigo exclui da incidência de contribuição previdenciária o "valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissional". Logo, a parcela ofertada aos trabalhadores a titulo de bolsas de estudos aos seus dependentes não se encontra relacionada entre aquelas excluídas da incidência de contribuição previdenciária. Por sua vez, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada (nos termos do art. 111, II da Lei nº 5,172/66 CTN), do contrário estaria imprimindolhe um alcance que a norma não tem nem poderia ter, eis que as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas. Dessa maneira, para que não houvesse incidência de contribuição previdenciária seria necessário que o beneficio fosse diretamente relacionado a um plano educacional visando a educação básica; ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa não sendo utilizado em substituição de parcela salarial e que todos o empregados e dirigentes tivessem acesso ao mesmo. No caso em comento, a AuditoriaFiscal apurou a existência de subsídios dados aos funcionários sob a forma de bolsas de estudos direcionadas aos filhos destes, fora, portanto, das hipóteses do art. 28, alínea "t" da Lei no. 8.212191, ou seja, o beneficiário da Fl. 276DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 utilidade previsto na norma que exclui a incidência de contribuição é o empregado e não seus filhos. Dessa forma, ao constatar que a empresa não declarou a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a fiscalização regular e oportunamente lavrou o competente auto de infração. Em que pese a alegação de que a multa tem caráter confiscatório e que fere princípios constitucionais, importa salientar que o que fundamentou a penalidade em questão foi a legislação previdenciária vigente à época que de forma objetiva fixava os valores a serem aplicados, sendo tal determinação advinda de uma lei em vigor, insta convir que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Cumpre destacar, outrossim, que nos termos dos artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. No entanto, quanto à aplicação da multa, vale ressaltar que, para esse tipo de infração, houve alteração do cálculo pela Medida Provisória n.º 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que inseriu o art. 35A na Lei n. 8.212/1991, prevendo para os casos de lançamento de ofício a aplicação do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. Consoante a norma inserta no referido dispositivo legal não pode haver acumulação da multa de ofício aplicada no lançamento da obrigação principal com a multa decorrente do inadimplemento de obrigação acessória Assim, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN , verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, há que se verificar, competência a competência, se a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não declarada), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias nas NFLD correlatas resulta em valor mais benéfico ao contribuinte. Por todo o exposto; Fl. 277DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.000003/200812 Acórdão n.º 240101.733 S2C4T1 Fl. 251 11 VOTO no sentido preliminarmente, acolher a preliminar suscitada, para declarar a decadência da multa aplicada pelas infrações ocorridas até a competência 11/2000 nos termos do artigo 173, inciso I do CTN, CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, deduzidose os valores levantados a título de multa na NFLD correlata Cleusa Vieira de Souza Fl. 278DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14485.000258/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2004
Ementa:
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A empresa deve apresentar a GFIP, documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, em conformidade com o respectivo Manual de Orientação.
DECADÊNCIA:
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 REINCIDÊNCIA
Caracteriza-se reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver decisão administrativa definitiva condenatória ou homologatória referente à infração anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2004 Ementa: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa deve apresentar a GFIP, documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, em conformidade com o respectivo Manual de Orientação. DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 REINCIDÊNCIA Caracteriza-se reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver decisão administrativa definitiva condenatória ou homologatória referente à infração anterior. Recurso Voluntário Negado
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DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 REINCIDÊNCIA Caracterizase reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver decisão administrativa definitiva condenatória ou homologatória referente à infração anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. EDITADO EM: 14/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14485.000258/200708 Acórdão n.º 230201.107 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração foi lavrado em 30/07/2007 e cientificado ao sujeito passivo em 31/07/2007, visando substituir outro lavrado em 35.878.5672, de 16/01/2005, relativo ao período de 08/2000 a 03/2004, tornado nulo por decisão de primeira instância em 04/11/2005. O relatório fiscal de fl.21, e o relatório de aplicação da multa, fl.22, trazem que a autuada apresentou as GFIP’s das competências de 01/1999 a 04/2004, em desacordo com o estabelecido pelo Manual de Orientação da GFIP, versão 6, informando valores a maior nos campos remuneração sem 13º salário e remuneração 13º salário, bem como valores a maior relativos a pagamentos a autônomos, conforme planilhas de fls. 23 a 77.Aduz o relatório, que a autuada é reincidente por ter tido contra si lavrado auto de infração em 18/12/1997, com decisão administrativa definitiva em 30/04/1998, e por isso a multa foi elevada em duas vezes, nos moldes do artigo 292, incido IV, do Regulamento da Previdência Social. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls.104/114, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) a decadência para as competências até 30/07/2002; b) a anulação de todo o lançamento face à decadência, c) que a reincidência foi apurada em período decadente; d) que há vícios na autuação porque não há menção ao dispositivo legal do fato gerador da multa; e) que houve cerceamento de defesa, na medida em que não há prova da reincidência, posto que o auto de infração que a originou não foi juntado aos autos. Requer o provimento do recurso para reformar a decisão e decretar a improcedência do auto de infração. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme protocolo de fl.118. Assim, cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do mesmo e passo ao seu exame. A recorrente não questiona o mérito da autuação, mas alega a nulidade da autuação porque o relatório fiscal não menciona o dispositivo legal que capitula a infração. Entretanto, não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização da mesma. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14485.000258/200708 Acórdão n.º 230201.107 S2C3T2 Fl. 3 5 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ademais, do exame do autos se pode vislumbrar às fls.21 e.22, no relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, que a autuada informou valores em GFIP em Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 desconformidade com o respectivo Manual de Orientação., infringindo o disposto na Lei n° 8.212/91 art. 32, IV, §§1° e 3º, combinado com o art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999.e os dispositivos legais que suportam a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, artigos 92 e 102 e art. 283, caput e §3º e art. 373, do Regulamento da Previdência Social. Quanto à argüição de decadência para fins de apuração de reincidência também não assiste razão à recorrente, uma vez que por reincidência se entende a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou seu sucessor, dentro de cinco anos, da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória referente a autuação anterior, conforme disposto pelo parágrafo único do artigo 290, do já citado Regulamento da Previdência Social: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único.Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) No caso em tela, pelos dados constantes no processo, temos que a recorrente foi autuada em ação fiscal anterior em 18/12/1997, com decisão transitada em julgado administrativamente em 30/04/1998. Assim, resta configurada a reincidência para as competências até 03/2003, ou seja, ao apresentar GFIP com valores errôneos nos campos de décimo terceiro salário e relativos à remuneração de autônomos, a autuada praticou nova infração dentro de cinco anos da data em que se tornou irrecorrível aquela decisão administrativa. A reincidência foi genérica já que a infração praticada foi diversa da incorrida anteriormente. Porém, é de se atentar que o auto de infração contempla as competências de 01/1999 a 04/2004 e foi lavrado em 30/07/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 31/07/2007, devendo ser considerada a decadência. exposta no Código Tributário Nacional, já que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14485.000258/200708 Acórdão n.º 230201.107 S2C3T2 Fl. 4 7 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, por se tratar de auto de infração,não há recolhimentos parciais, assim, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo, artigo 173, inciso I, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2001, inclusive. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Ainda que restasse apenas uma competência cuja GFIP tivesse sido apresentada em desconformidade com o Manual de Orientação, o valor da multa se manteria íntegro. A recorrente está obrigada a apresentação de GFIP nos moldes estabelecidos pela legislação do período de vigência: Lei n.º 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97 § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 Art.225. A empresa é também obrigada a: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14485.000258/200708 Acórdão n.º 230201.107 S2C3T2 Fl. 5 9 (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, caput e §3º, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial nº. 142, de 11/04/2007, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. Ainda a penalidade foi elevada em duas vezes frente a já citada ocorrência da circunstância agravante de reincidência genérica, conforme disposto pelo artigo, 292, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99,com a redação vigente à época da autuação: Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000938/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
Numero da decisão: 2201-001.076
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, excluir a cobrança da multa isolada por concomitância.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.000938/200411 Recurso nº 166.195 Voluntário Acórdão nº 220101.076 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria IRPF Recorrente MAURO RENOSTO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, excluir a cobrança da multa isolada por concomitância. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 137DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 27/34,), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 74.672,77, calculados até 31 de março de 2004. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa física (aluguéis), no anocalendário 2000, bem como a falta de recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão nos meses de agosto e novembro desse mesmo ano. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, verbis: A PRELIMINARMENTE Nulidade do lançamento de ofício – Omissão de formalidade essencial Afronta ao artigo 142 do CTN e ao art. 9º do Decreto n.° 70.235/72. B MÉRITO Multa isolada aplicada concomitantemente com a multa proporcional, ambas de ofício descabimento – ilegalidade e ilegitimidade. A 2ª Turma da DRJ – Campo Grande/MS julgou parcialmente procedente o lançamento, reduzindo a multa isolada para 50%, conforme se verifica das ementas abaixo transcritas: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. MULTAS ISOLADAS. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multas isoladas no caso de não pagamento de IRPF por antecipação (CarnêLeão), concomitantemente com a multa proporcional devida pela falta de pagamento do tributo após o ajuste anual. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em decorrência da retroatividade benigna de lei, exonerase parcialmente a multa isolada lançada. Lançamento Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância, Mauro Renosto apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10140.000938/200411 Acórdão n.º 220101.076 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente deve ser analisada a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente, sob a alegação de que “... o auto de infração não contêm todos os requisitos indispensáveis a sua validade e eficácia jurídicas, de modo a que possa produzir os efeitos inerentes ao ato administrativo de lançamento, a teor do artigo 142 do CTN e do artigo 9° do Decreto n.° 70.235/72. Referida peça fiscal foi lavrada de forma englobada, reunindo num só termo o lançamento de oficio sobre matéria tributável que se diz omitida pelo impugnante, juntamente com a respectiva multa, bem como, concomitantemente, a multa isolada, ambas com fulcro no art. 44, par. 1°, inc. I e III, da Lei n.° 9.430/96”. Com efeito, não merecer prosperar a preliminar argüida, visto que se observa do Auto de infração, constante às páginas 27/34, que são mencionados os dispositivos legais infringidos e, ainda que não especificados, o conteúdo da autuação está informado detalhadamente no campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (is)". Verificase, também, que o recorrente ao se defender da autuação, tanto em sua Impugnação, quanto em seu Recurso Voluntário, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciada no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, jurisprudência E. Conselho. Portanto, pelo que se verifica dos autos o lançamento foi efetuado com observância dos requisitos do artigo 142 do CTN e o artigo 9° do Decreto n.° 70.235/72, não se configurando, desta feita, qualquer violação aos que os mencionados diplomas legais dispõem. Destarte, não merece ser acolhida a suscitada preliminar. Passemos, então, à análise da questão de mérito. Em relação ao mérito, alega sumariamente o recorrente “... ser totalmente improcedente a aplicação da multa isolada, de forma concomitante com a proporcional, ambas de oficio ...” Assevera, ainda, que “...a irresignação do recorrente, tal como na impugnação, situase no fato da duplicidade, da concomitância da penalização que lhe foi imposta, posto que incidentes sobre a mesma base de cálculo: o tributo devido”. No que tange à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, verificase que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnê leão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento de ofício, ou seja, houve a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo. Com efeito, pacífica é a jurisprudência deste Conselho Administrativo de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão. É o que se colhe do entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante à ementa destacada: Fl. 139DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/2002 19, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Assim, na exigência de tributo por auto de infração ou notificação de lançamento não há espaço para se incluir concomitantemente a cobrança da multa de lançamento de ofício e a multa isolada, sobre a mesma omissão que gerou o lançamento do tributo. Destarte, não deve prevalecer a imposição da multa isolada. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, excluir a cobrança da multa isolada por concomitância. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 140DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10140.000938/200411 Acórdão n.º 220101.076 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10140.000938/200411 Recurso nº: 166.195 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.076. Brasília/DF, 14 de abril de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 141DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16020.000110/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/03/2006
CESSÃO DE MÃO DE OBRA RETENÇÃO 11%.
A empresa contratante de serviços de construção civil, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, está obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa prestadora dos serviços.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.946
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Empresas em Geral Recorrente EATON POWER QUALITY INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/03/2006 CESSÃO DE MÃODEOBRA RETENÇÃO 11%. A empresa contratante de serviços de construção civil, executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa prestadora dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Edgar Silva Vidal. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à obrigação do contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço Conforme Relatório Fiscal (fls. 193 a 198), a recorrente contratou serviços sob a modalidade de cessão de mão de obra ou empreitada parcial junto a diversas empresas ali relacionadas, sem, contudo, efetuar a retenção de 11% do valor bruto das notas/faturas emitidas pela contratada, ou efetuando a retenção de valor menor que o devido, contrariando os normativos legais que regem a matéria. A autoridade lançadora fundamentou o débito no art. 31, da Lei 8212/91, informando que a empresa notificada realizava contratos de subempreitada com prestadores de serviços em obras de construção civil (subempreiteiros) sem que esses contratos configurassem o repasse integral da obra, configurando, portanto, um contrato de subempreitada parcial, não se aplicando o instituto da solidariedade entre a empresa construtora Eaton e a subempreiteira, mas sim o instituto da retenção, razão pela qual a empresa Eaton era a responsável pelas matrículas e encerramentos das obras perante o INSS. Esclarece que a base de cálculo utilizada no levantamento para a aplicação da retenção de 11% foi de no mínimo 50% do valor bruto da nota fiscal, quando os valores de material/equipamento e mão de obra estavam discriminados nas notas fiscais mas não nos contratos, e de 100% quando os mesmos não estavam discriminados nas notas fiscais, independentemente de estarem discriminados ou não nos contratos. A notificada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação 21.038/0047/2007 (fls 601 a 611), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 620), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Reitera que a lei que instituiu a retenção de 11% sobre a mãodeobra contratada foi introduzida no ordenamento jurídico por veículo inadequado, o que a torna absolutamente indevida. Frisa que, tratandose de contratação de serviços, o tema é regido pelo artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, com as alterações introduzidas pela Lei n.° 9.528/97 e, diante disso, a responsabilidade existente entre o tomador e o prestador do serviço de construção civil é subsidiária, vez que, de início, a r. Fiscalização deve cobrar seu crédito tributário daquele que efetivamente prestou o serviço, no caso, do construtor, somente podendo acionar o contratante/tomador quando não conseguir receber do primeiro. Reafirma que os serviços contratados pela recorrente não têm qualquer relação com cessão de mão de obra, mas sim de mera prestação de serviços, onde foram apenas emitidas notas fiscais e os serviços foram prestados apenas uma única vez, ou alternativamente, mas jamais de forma contínua. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16020.000110/200758 Acórdão n.º 230101.946 S2C3T1 Fl. 678 3 Sustenta que só se pode considerar serviço prestado mediante cessão de mão deobra aqueles nos quais as empresas contratadas alocam seus segurados, colocandoos à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, o que não ocorreu no caso em tela, razão pela qual inaplicável o art. 31 da Lei n° 8.212/91, devendo ser julgado improcedente o lançamento ora recorrido. Infere que é bastante provável que as empresas que prestaram os serviços para a Recorrente tenham pago normalmente a contribuição previdenciária para o INSS em sua totalidade, o que evidencia que, no caso específico dos autos, deveria obrigatoriamente o INSS primeiro fiscalizar as empresas prestadoras de serviço e só após constatar que elas não recolheram a contribuição social, ai sim autuar a Recorrente. Alega desproporcionalidade e efeito confiscatório da penalidade imposta à Recorrente, pois se exige, também através da NFLD, multa punitiva que ofende o direito de propriedade e alcança caráter confiscatório, em manifesta demonstração de ofensa a princípios basilares que regem o sistema jurídico, especialmente na esfera administrativa. Insurgese contra a aplicação da taxa SELIC para os débitos tributários, uma vez que estará corrigindoos e, ao mesmo tempo, remunerandoos com índices superiores aos permissivos legais. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a notificada alega que a lei que instituiu a retenção de 11% sobre a mãodeobra contratada foi introduzida no ordenamento jurídico por veículo inadequado, o que a torna absolutamente indevida, e entende que, tratandose de contratação de serviços, o tema é regido pelo artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, com as alterações introduzidas pela Lei n.° 9.528/97 e, diante disso, a responsabilidade existente entre o tomador e o prestador do serviço de construção civil é subsidiária. Todavia, a notificação discutida por meio do presente processo administrativo fiscal não foi lavrada com fundamento no instituto da solidariedade, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente, e sim na obrigatoriedade das empresas de, ao contratar serviços com cessão de mão de obra ou empreitada, reter 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal . Da mesma forma, a autoridade notificante não fundamentou o débito no art. 30, da lei 8.212/91, e sim no art. 31 do mesmo diploma legal, com a redação dada pela Lei 9.711/98, uma vez que o fato gerador da contribuição lançada ocorreu após a vigência da Lei 9.711/98. Portanto, o presente levantamento referese à obrigação da empresa de reter 11% sobre o valor da mãodeobra contida na nota fiscal de serviços, emitida pelas prestadoras. Em que pese afirmação de que a responsabilidade existente entre o tomador e o prestador do serviço de construção civil é subsidiária, vale reiterar que o presente lançamento não foi efetuado em virtude de solidariedade. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Portanto, a recorrente descumpriu obrigação a ela dirigida, não podendo se falar em responsabilidade subsidiária. O entendimento defendido pela recorrente de que o INSS deveria verificar inicialmente se o tributo foi recolhido pela prestadora antes de exigilo do responsável tributário está desprovido de amparo legal. A Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção. O seu art. 31 assim dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16020.000110/200758 Acórdão n.º 230101.946 S2C3T1 Fl. 679 5 cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5. º do art. 33. Nesse sentido, após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada parcial na construção civil, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Assim, a empresa notificada, na condição de tomadora de serviços com cessão de mãodeobra ou empreitada, está obrigada a tal procedimento, independente do fato de a prestadora ter efetuado ou não o recolhimento das contribuições. E o agente fiscal, ao constatar a prestação de serviço com cessão de mãode obra e a falta da retenção, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no § 5º do art. 33, da Lei 8.212/1991: Art. 33. (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Dessa forma, a Lei 8.212/91 estabelece, no art. 31, na redação transcrita acima, que empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida aos cofres da Previdência Social. Quanto à legalidade da exação discutida, cumpre informar que o próprio Supremo Tribunal Federal já reconheceu que a obrigação de efetuar a retenção introduzida no art. 31 da Lei 8.212/91 pela Lei 9.711/98 não se configura em criação de um novo tributo e sim em alteração na forma de recolhimento da contribuição, conforme voto do Min. Relator CARLOS VELLOSO, cujo trecho transcrevo abaixo: RE 393946/MG Relatório: A 3ª Turma do Eg. Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em mandado de segurança, deu provimento à apelação e à remessa oficial decidindo pela legitimidade da retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, introduzida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, redação dada pela Lei 9.711/98, uma vez que a citada retenção objetivou facilitar a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, bem como prevenir a sonegação, sendo certo que ela não institui empréstimo compulsório, aumento de alíquota ou confisco, tampouco viola a capacidade contributiva ou qualquer princípio constitucional. O acórdão restou assim ementado: "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO) SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ARTIGO 31 DA LEI Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. DECISÕES TRIBUTÁRIAS DO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO) SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. 1. As modificações introduzidas pela referida Lei 9.711/98 visam, apenas e tãosomente, facilitar a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, prevenindo a sonegação, não havendo nisso nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade. 2. Com efeito, não se cuida de uma nova fonte de custeio para a Seguridade Social (C.F., art. 195, § 4º), nem, tampouco, de imposto criado na área da competência residual da União (C.F., art. 154, I) ou instituição de empréstimo compulsório (C.F., art. 148). O que houve, não faz mal repetir, foi uma alteração na forma de recolhimento da contribuição previdenciária, sem nenhuma afronta à Constituição, atribuindo responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, o que é permitido não só pelo Código Tributário Nacional (art. 128), como, também, pela atual Carta Magna, que prevê, inclusive, o pagamento antecipado do imposto ou contribuição, com possibilidade de compensação e/ou restituição (C.F., art. 150, § 7º), exatamente como previsto na Lei 9.711/98, ora impugnada, pelo que não há que se falar ou sustentar em, repito, empréstimo compulsório, aumento de alíquota, confisco ou transgressão a qualquer princípio constitucional, muito menos o da capacidade contributiva. (...) No caso, entretanto, registra Fábio Zambitte Ibrahim, com propriedade, que, "mutatis mutantis, é possível comparar a obrigatoriedade da retenção dos 11% com o desconto do imposto de renda na fonte. Em ambas as situações, a fonte pagadora tem dever legal de efetuar determinada retenção, diminuindo o valor pago. É um facere, isto é, uma prestação positiva imposta a determinada pessoa, no interesse da arrecadação de exações devidas." (Fábio Zambitte Ibrahim, "A Retenção de 11% Sobre a MãodeObra", LTr Editora, 2000, pág. 23). Não se tem, portanto, contribuição nova. Temse, sim, "mera obrigação acessória." (Fábio Zambitte Ibrahim, ob. cit., pág. 32). Aqui, repetese, o tomador do serviço, ou o contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigado a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente. Não há falar, portanto, vale repetir, em contribuição nova, ou contribuição decorrente de outras fontes C.F., art. 195, § 4º.(grifos meus) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16020.000110/200758 Acórdão n.º 230101.946 S2C3T1 Fl. 680 7 Assim, o Supremo concluiu que a Lei 9.711/98 não introduziu nova contribuição e sim nova obrigação acessória, que é a de reter 11% sobre o valor dos serviços prestados contidos na nota fiscal ou fatura. Cumpre destacar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica”. (grifei) A recorrente alega que os serviços em questão não se enquadram no conceito de cessão de mão de obra eis que não eram contínuos e nem houve a colocação do empregado à disposição da recorrente. Entretanto, para os fins do art. 31 da lei 8.212/91, e de acordo com os normativos vigentes à época da ocorrência do fato gerador, consideramse serviços contínuos “...aqueles que se constituem em necessidade permanente do contratante, ligados ou não a sua atividade fim, independente de periodicidade, conceito no qual se enquadram perfeitamente os serviços prestados pelas empresas contratadas, conforme descrição constante das planilhas elaboradas pelo agente fiscal e dos contratos e notas fiscais juntados ao processo. No mesmo sentido, a redação do artigo 219, parágrafo 1º, do Decreto 3.048/99, dispõe que: “Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” Os contratos de Prestação de Serviços trazidos aos autos corroboram o entendimento de que os serviços prestados se enquadram no conceito legal de cessão de mão de obra. Ademais, constam, das notas fiscais, o destaque das retenções. Assim, entendo que restou caracterizada a situação prevista no art. 31, da Lei 8.212/91, bem como a obrigatoriedade de a recorrente efetuar a retenção de que trata o referido dispositivo legal. Em relação ao entendimento de que é bastante provável que as empresas que prestaram os serviços para a Recorrente tenham pago normalmente a contribuição previdenciária para o INSS em sua totalidade, o que pode ocasionar o enriquecimento ilícito do Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 Órgão Previdenciário, vale reiterar que, conforme artigo 31 da Lei 8.212/91, a obrigação direta de efetuar a retenção e recolher o valor devido é da contratante dos serviços. E, como se presume feita a retenção, de acordo com o § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91, transcrito acima, a prestadora poderá se compensar dos valores retidos, já que a própria Lei nº 9.711/98, que instituiu a obrigatoriedade de a empresa contratante de serviços com cessão de mão de obra reter 11% do valor bruto da nota fiscal de serviços, determinou que o valor retido será compensado com as contribuições devidas sobre a folha. Ademais, mesmo que ainda que a prestadora não tenha feito a compensação, poderá fazêla a qualquer momento, pois possui amparo legal para tanto. Dessa forma, não há que se falar em enriquecimento ilícito. A recorrente alega desproporcionalidade e efeito confiscatório da penalidade imposta, entendendo que se exige, por meio da NFLD em discussão, multa punitiva que ofende o direito de propriedade e alcança caráter confiscatório. Todavia, cumpre esclarecer que o valor lançado na NFLD é a multa de mora. Não foi aplicada uma penalidade, já que o presente crédito não foi constituído tendo em vista uma infração à legislação, mas sim devido à constatação de que não houve o recolhimento do valor total da contribuição previdenciária devida no prazo legal. A NFLD, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, notifica o contribuinte de que ele é devedor da Previdência Social da quantia nela expressa. E o valor notificado foi acrescido de juros e multa moratória, tendo em vista o nãorecolhimento de toda a contribuição no prazo legal. Tal procedimento encontra amparo nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91, vigentes à época do lançamento. Cumpre lembrar que “na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza”. “A lei para o particular, significa ‘pode fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’.” (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991. 16ª ed. Atual. Pela Constituição de 1988, 2ª tiragem, p. 78) Portanto, a multa de mora aplicada está em conformidade com o estabelecido na Lei 8.212/91. Da mesma forma, a aplicação da taxa SELIC no caso em tela possui amparo na legislação assinalada no FLD. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 03/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 16020.000110/200758 Acórdão n.º 230101.946 S2C3T1 Fl. 681 9 Nesse sentido e, Considerando tudo mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13851.000368/2003-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário:
1997, 1998, 1999, 2000, 2001
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se
pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos
artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência
e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Demonstrado que o contribuinte conhecia perfeitamente as acusações e exerceu plenamente o contraditório, descabida a pretensão de ver declarado nulo o procedimento por cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Comprovado que o contribuinte percebeu rendimentos tributáveis não indicados em declaração de ajuste anual, deve-se manter o lançamento pois caracterizada a omissão de rendimentos.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
O contribuinte deve comprovar a efetividade das despesas com instrução, sua ou de seu dependente, em determinado ano-calendário a fim de fazer jus ao direito de dedução no referido período até o limite legalmente previsto.
MULTA DE OFÍCIO
Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
TAXA SELIC INCIDÊNCIA MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2102-001.162
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência que extingui o crédito tributário do ano-calendário 1997.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Demonstrado que o contribuinte conhecia perfeitamente as acusações e exerceu plenamente o contraditório, descabida a pretensão de ver declarado nulo o procedimento por cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovado que o contribuinte percebeu rendimentos tributáveis não indicados em declaração de ajuste anual, deve-se manter o lançamento pois caracterizada a omissão de rendimentos. IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. O contribuinte deve comprovar a efetividade das despesas com instrução, sua ou de seu dependente, em determinado ano-calendário a fim de fazer jus ao direito de dedução no referido período até o limite legalmente previsto. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. TAXA SELIC INCIDÊNCIA MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, Fl. 200DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 183 2 págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Demonstrado que o contribuinte conhecia perfeitamente as acusações e exerceu plenamente o contraditório, descabida a pretensão de ver declarado nulo o procedimento por cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovado que o contribuinte percebeu rendimentos tributáveis não indicados em declaração de ajuste anual, devese manter o lançamento pois caracterizada a omissão de rendimentos. IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago. IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. O contribuinte deve comprovar a efetividade das despesas com instrução, sua ou de seu dependente, em determinado anocalendário a fim de fazer jus ao direito de dedução no referido período até o limite legalmente previsto. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. TAXA SELIC INCIDÊNCIA MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 184 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência que extingui o crédito tributário do anocalendário 1997. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 17/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 121 a 138, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 98 a 113, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 51 a 53 dos autos, lavrado em 26/02/2003, relativo aos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, com ciência do RECORRENTE em 01/03/2003, conforme AR de fl. 73. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 112.342,98, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 52 e 53, o presente lançamento teve origem nas seguintes infrações: “001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Fl. 202DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 185 4 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, conforme descrição dos fatos constantes do Relatório Fiscal em anexo. Fato Gerador 31/12/1998 31/12/1999 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2001 Valor Tributável ou Imposto R$ 6.299,10 R$ 6.595,62 R$ 6.940,14 R$ 10.772,46 R$ 11.421,54 R$ 7.409,28 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento Legal Arts. 1° a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; Art. 21 da Lei n° 9.532/97; Art. 43 do RIR/99; Art. 1° da Lei n° 9.887/99. 002 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS MÉDICAS DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE Glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme descrição dos fatos constantes do Relatório Fiscal em anexo. Fato Gerador 31/12/1997 31/12/1997 31/12/1997 31/12/1997 31/12/1997 Valor Tributável ou Imposto R$ 2.780,00 R$ 1.930,00 R$ 3.600,00 R$ 3.600,00 R$ 9.716,27 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Fl. 203DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 186 5 31/12/1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/1998 31/12/1999 31/12/1999 31/12/1999 31/12/1999 31/12/1999 31/12/1999 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2000 31/12/2001 31/12/2001 R$ 4.380,00 R$ 1.500,00 R$ 5.460,00 R$ 5.440,00 R$ 2.800,00 R$ 800,00 R$ 500,00 R$ 9.716,00 R$ 2.300,00 R$ 1.800,00 R$ 11.673,02 R$ 3.757,00 R$ 6.787,00 R$ 4.800,00 R$ 3.842,00 R$ 5.000,00 R$ 3.250,00 R$ 5.378,00 R$ 12.672,00 R$ 6.053,00 R$ 4.800,00 R$ 1.300,00 R$ 2.700,00 R$ 4.749,00 R$ 6.918,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Fl. 204DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 187 6 31/12/2001 31/12/2001 31/12/2001 R$ 6.000,00 R$ 1.300,00 R$ 2.400,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento Legal Art. 11, § 3°do DecretoLei n°5.844/43; Arts. 8°, inciso II, alínea "a" e §§ 2° e 3°, 35 da Lei n°9.250/95.; Arts. 73 e 80 do RIR/99. 003 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESA COM INSTRUÇÃO DEDUZIDA INDEVIDAMENTE Glosa de despesas com instrução, pleiteadas indevidamente, conforme descrição dos fatos constantes do Relatório Fiscal em anexo. Fato Gerador 31/12/1997 31/12/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 3.400,00 R$ 3.400,00 Multa(%) 75,00 75,00 Enquadramento Legal Art. 11, § 3°do DecretoLei n°5.844/43; Art. 8°, inciso II, alínea "b", da Lei n°9.250/95.; 004 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE PREVIDÊNCIA PRIVADA DEDUZIDA INDEVIDAMENTE Redução indevida da base de cálculo com despesas de Previdência Privada pleiteada indevidamente, conforme descrição dos fatos constantes do Relatório Fiscal em anexo. Fato Gerador 31/12/2001 Valor Tributável ou Imposto R$ 2.762,00 Multa(%) 75,00 Fl. 205DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 188 7 Enquadramento Legal Art. 11, § 3 do DecretoLei n°5.844/43 e art. 4º, inciso V, da Lei nº 9.250/95; Art. 11 da Lei nº 9.532/97; Arts. 73, 82 e §1º do RIR/99; Art. 61 da Medida Provisória nº 2.15835. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 54 a 63, a autoridade lançadora relatou as infrações da seguinte forma: “2.1.) Omissão de rendimentos provenientes de pessoas jurídicas (...) Conforme documentos trazidos aos autos, constantes às fls. 14 a 24, a contribuinte percebeu, nos exercícios de 1999, 2000, 2001 e 2002, anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, rendimentos de pessoas jurídicas provenientes de duas fontes pagadoras, quais sejam, Nossa Caixa — Nosso Banco S/A e Instituto Nacional do Seguro Social. Conforme podemos depreender dos documentos constantes às fls. 16, 17, 18, 20, 21, 23 e 24, a contribuinte recebeu rendimentos tributáveis, sob as rubricas pensão por morte previdenciária e aposentadoria por tempo de serviço, do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, nos seguintes valores: em 1998, R$ 6.299,10 (fl. 17); em R$ 1999, R$ 6.595,62 (fl. 18); em 2000, R$ 17.712,60 (fls 20 e 21 — R$ 6.940,14 + 10.772,46); em 2001, R$ 18.830,82 (fls. 23 e 24 — R$ 11.421,54+ 7.409,28). Em que pese tal fato, conforme dados constantes das declarações de ajuste anual dos exercícios de 1999 a 2002, anoscalendário 1998 a 2001 (fls. 38 a 50), a contribuinte somente declarou rendimentos tributáveis provenientes da pessoa jurídica Nossa Caixa — Nosso Banco S/A, nos valores correspondentes aos informes de rendimentos constantes às fls. 14, 15, 19 e 22. (...) 2.2.) Despesas médicas deduzidas indevidamente, versando sobre pagamentos que teriam sido efetuados a Roberto Fattori, Alder Oliver Bedran, Economus Instituto Social de — Assistência Médida, Beneficência Portuguesa de São Paulo, Otorhinus Clínica Médica S/C Ltda., Rubens Palagi, Jorge Bedran Filho, Elias Zacaib, Centro Avançado de Diagnóstico e Imagem, Instituto Penido Burnier, Serviço de Anestesia de Araraquara, Hospital Beneficência Portuguesa de Araraquara, Fl. 206DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 189 8 Maurício Galantier, Sérgio Daniel Mariotini, Anestesia Analgesia lnaloterapia S/C Ltda., Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Araraquara e, finalmente, Organização Médica Araraquara S/A Pelo conjunto probatório constante dos autos, restam caracterizadas infrações à legislação regente do imposto de renda pessoa física. Verificamos, especialmente com base nos dados constante das declarações de imposto de renda pessoa física de fls. 35 a 50, que a contribuinte utilizouse indevidamente de diversas deduções de despesas médicas, indevidamente, em suas declarações de ajuste anual dos exercícios multicitados, visto que a prestação dos serviços respectivos, inobstante terem sido solicitados diversos documentos por meio do Termo de Intimação, não restou caracterizada nos autos. O único documento enviado pela contribuinte, referente às deduções de despesas médicas constantes no quadro 6. de suas declarações de ajuste anual, envolvendo as empresas acima mencionadas é o constante de fl. 28, correspondente a pagamento no valor de R$ 580,00 ao Centro Avançado de Diagnóstico por Imagem, em 1999. Porém, nem mesmo tal documento é hábil a comprovar qualquer dedução por parte da contribuinte, visto que o exame ali descrito foi efetuado em Vera Lucia Brandão, e, conforme dados das declarações da contribuinte, Vera Lucia Brandão não foi elencada como sua dependente para fins de imposto de renda. (...) Fazse mister esclarecermos que a contribuinte, indevidamente, declara pagamentos, a título de despesas médicas, que estariam sendo efetivados em face de Economus Instituto Social de Assistência Médica, nos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000. Porém, os documentos apresentados pela mesma, constantes às fls. 25 a 27 dos autos, representam relação de contribuições efetuadas ao Economus Instituto de Seguridade Social, correspondentes a pagamentos que representam contribuições à previdência privada. De tal sorte, efetuaremos as glosas dos valores deduzidos indevidamente a título de despesas médicas, vez que não restou a efetividade das mesmas comprovada nos autos, e apropriaremos os valores representados pela somatória dos dados constantes às fls. 25 a 27 como deduções correspondentes a pagamentos à previdência privada. (...) Observese que no anocalendário de 2001, exercício de 2002, a contribuinte efetuou a dedução de valores pagos ao Economus com o código de previdência privada (código 06 fl. 49), de tal sorte que, com relação a este anocalendário, por ter havido dedução de despesa a título de previdência privada no código Fl. 207DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 190 9 correto, simplesmente efetuaremos a glosa do valor não comprovado (vide subitem seguinte 2.3.). Pois bem, eis a razão que nos levou a mencionar, linhas acima, que o único documento atinente a despesas médicas (em que pese não ser hábil a comprovar dedução) é o constante da fl. 28 dos autos. Como vimos, os demais, referentes a Economus Instituto de Seguridade Social referemse a contribuições à previdência privada. (...) Pudemos verificar, conforme conjunto probatório constante do presente processo administrativo, que não foram trazidos aos autos, em que pese o interregno acima mencionado, documentos que viessem a comprovar a efetividade da totalidade das despesas lançadas pela contribuinte como deduções do imposto de renda pessoa física em suas declarações de ajuste anual dos exercícios de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, a título de despesas médicas, odontológicas, com clínicas, laboratórios, etc... (...) 2.3.) Dedução indevida a titulo de contribuição à previdência privada Conforme mencionado no subitem anterior, e de acordo com os dados constantes da declaração de ajuste anual da contribuinte do exercício de 2002, anocalendário de 2001, em relação a tal anocalendário a contribuinte declarou as despesas referentes a contribuições à previdência privada (em que pese estarem sob a rubrica Economus Instituto Social de Assistência Médica) no correto código de previdência privada (código 06 quadro 6 fl. 49). Porém, à evidência, conforme dados constantes do demonstrativo de fl. 27, verso, e do informe anual de rendimentos de fl. 22, o valor correto a ser utilizado como dedução a título de contribuição à previdência privada é de R$ 7.115,65 e não R$ 9.877,65, declarado pela contribuinte. De tal forma, a diferença de R$ 2.762,00 será glosada. 2.4.) Dedução indevida de despesas com instrução Em função do que já foi exposto, conforme já o dissemos, foi a contribuinte, com relação a todos os pagamentos constantes do quadro 6. de suas declarações de ajuste anual, intimada a apresentar documentos que comprovassem a efetiva ocorrência das mesmas. Incluíamse na exigência os documentos atinentes a despesas médicas, odontológicas, clínicas, planos de saúde, exames laboratoriais, previdência privada, além, é claro, dos documentos representativos das deduções a título de despesas Fl. 208DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 191 10 com instrução de seus dependentes, constantes também dos quadros 6. das declarações de ajuste anual multicitadas. Inobstante tal exigência, somente foram trazidos aos autos, no que pertine a despesas com instrução, os documentos constantes às fls. 11 a 13 dos autos, que se referem a despesas efetuadas pela contribuinte em face de seus netos, nos anos de 1999, 2000 e 2001. (...) Porém, apesar de ter declarado despesas com instrução nos anoscalendário de 1997 e 1998, exercícios de 1998 e 1999, não apresentou, a contribuinte, qualquer documento hábil a confirmar o efetivo dispêndio de tais valores, de tal sorte que serão glosadas as deduções de despesas com instrução dos anos calendário mencionados (1997 e 1998), nos seguintes valores: R$ 3.400,00 em 1997 e R$ 3.400,00 em 1998.” Após a revisão das declarações de ajuste do RECORRENTE, foi apurado o imposto suplementar no valor total de R$ 51.548,50, sobre o qual incidem a multa de ofício de 75% e os respectivos juros de mora, conforme demonstrativos de fls. 64 a 69 As cópias das declarações de ajuste da RECORRENTE encontramse às fls. 35 a 50 dos autos. DA IMPUGNAÇÃO Em 31/03/2003, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 75 a 88, através de procurador devidamente habilitado à fl. 89. Em suas razões, arguiu, em suma, o seguinte: Preliminar: A RECORRENTE requereu a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Alegou que, em suma, o auto de infração seria confuso e que não foram indicados os dispositivos legais que embasaram. Requereu a nulidade do auto de infração. Mérito Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas: A RECORRENTE alegou que os rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS têm como natureza pensão por morte e aposentadoria por tempo de serviço. Assim, no seu entendimento, não havia a necessidade de declarar tais Fl. 209DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 192 11 valores, uma vez que os mesmos não atingem, no prazo de um ano, o limite mínimo para ser tributado. Despesas médicas: Sobre este ponto, a RECORRENTE afirmou , em suma, que as despesas médicas foram comprovadas nas respectivas declarações de ajuste anual, o que, no seu entendimento, é meio hábil. Assim, a glosa das despesas se caracterizaria arbitrária e injusta. Ademais, alegou que, ao contrário do que consta no Relatório Fiscal, os valores pagos à Economus referemse a despesas médicas, e não representam contribuições à previdência privada. Dedução com despesas de instrução: Neste ponto, a RECORRENTE defendeu que as despesas com instrução de dependes estão embasadas na guarda judicial exercida de dois netos, assim: “(...) Ocorre que, os netos da contribuinte estão sob a sua guarda para fins previdenciários desde o ano de 1992, como faz certo a "certidão" emitida pelo D. Juízo da 2a Vara Cível da Comarca de Araraquara, ora anexada. Portanto, desde o ano de 1992 é a contribuinte impugnante quem vem suportando as despesas com instrução dos dois menores. Desde então, esses netos figuram como dependentes da contribuinte em suas declarações de ajuste anual. Nas declarações de ajuste anual dos anoscalendários 1997 e 1998, os menores estão indicados como dependentes da contribuinte e portanto, as despesas com instrução suportadas pela impugnante, correspondente ao limite legal, devem sim serem deduzidas, uma vez que referemse à despesas com instrução de menores dependentes da contribuinte. Dessa forma, as deduções glosadas referentes às despesas com instrução nos anoscalendário 1997 e 1998 são arbitrárias e injustas. Tais deduções devem ser mantidas, eis que, há comprovação de que a contribuinte sempre suportou com as despesas com instrução de seus netos, que estão sob a sua guarda desde o ano de 1992.” Dedução a título de contribuição previdenciária privada: A RECORRENTE alega que não haveria diferença a ser glosada correspondente à dedução a título de contribuição à previdência privada. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 193 12 Afirmou que os valores estariam de acordo com o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto na Fonte emitidos pela instituição “Nossa Caixa”. Da inconstitucionalidade da taxa SELIC: Por fim, a RECORRENTE defendeu a tese de que seria ilegal e inconstitucional a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 98 a 113 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto de renda, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A juntada posterior de documentos não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. O §4° do mesmo artigo prevê que provas podem ser apresentadas em outro momento processual nos casos em que especifica. Caso que não se enquadra em quaisquer das hipóteses e impede o deferimento da juntada posterior de provas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 194 13 A tributação de valores omitidos apurados em ato de fiscalização, consoante legislação pertinente, somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova inequívoca de que tais valores refiramse a rendimentos não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte. GLOSA DEDUÇÃO COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO. Na declaração de ajuste anual somente poderão ser deduzidos os pagamentos comprovadamente efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, o que não ocorreu na presente situada. GLOSA DA DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Consideramse para fins de apuração da base de cálculo do imposto devido na declaração de ajuste, as contribuições comprovadamente pagas para as entidades de previdência privada, domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. DECISÕES JUDICIAIS. EXTENSÃO As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto, a autoridade julgadora, rebateu um a um os pontos de defesa da RECORRENTE, e apresentou argumentos abaixo transcritos: Fl. 212DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 195 14 Omissão de rendimentos: “(...) Da análise dos documentos constantes dos autos, verifica se notadamente pelo Relatório de fls. 56 e 57 e pelos informes de pagamentos fornecidos pela fonte pagadora de fls. 16/18, 20/21, 23/24 e 46/48 e cópia das declarações de ajuste anual (fls. 36, 39, 42, 46 e 49), pelos quais se verifica que os rendimentos foram recebidos e não declarados como reconhece a própria contribuinte, pois entendia que tais rendimentos estariam abaixo do milite (sic) mínimo para efeitos tributários. No entanto, havendo a identificação de mais de uma fonte pagadora, como ocorre no presente caso, há necessidade de adicionar os rendimentos omitidos do Instituto nacional do Seguro Social – INSS, CNPJ n° 29.979.036/000140 aos rendimentos já declarados, o que deu ensejo à autoridade autuante a oferecer corretamente os rendimentos à tributação, razão pela permanece inalterada esta parte integrante do lançamento. (...)” Deduções com despesas médicas “(...) Ao contrário dos argumentos formulados pela impugnante, as declarações de ajuste anual dos profissionais e das clinicas envolvidos nas infrações não são provas hábeis e suficientes para comprovação da efetividade dos pagamentos e da realização dos serviços médicos, uma vez que tais declarações visam suprir obrigações acessórias e não a identificação especifica do sujeito passivo autuado, tendo em vista que cabe ao contribuinte intimado comprovar por meio de laudos, odontogramas, entre outros, concernente ao tratamento realizado e também por meio de cheques nominativos e extratos bancários correspondentes em datas e valores, porém nada foi comprovado. (...) No tocante às despesas com o Economus Instituto Social de Assistência Médica, a impugnante tem razão apenas em parte, uma vez que dos documentos acostados aos autos notadamente dos informes de rendimentos de fls. 14, 15, 19 e 22, constatase que de fato houve desembolso destinado ao Plano Unificado de Saúde, respectivamente, nos valores de R$ 734,19 (ano calendário: 1997), R$ 801,39 (anocalendário: 1998), R$ 1.001,07 (anocalendário: 2000) e R$ 1.078,90 (anocalendário: 2001). Assim, tais valores estão comprovados e devem figurar como dedução a títulos de despesas médicas nas declarações correspondentes. (...)” Dedução com despesas de instrução Fl. 213DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 196 15 “(...) Cumpre ressaltar, ainda, que a necessidade de comprovação ou justificação da dedução pleiteada está prevista no citado diploma legal. Assim, as deduções de despesas com instrução somente são cabíveis se pleiteadas com o próprio contribuinte e/ou com seus dependentes, desde que sejam devidamente comprovadas, o que não ocorreu na presente situação. Portanto, os valores pleiteados a título de despesas com instrução não foram comprovados, razão pela qual a glosa lançada permanece inalterada. (...)” Dedução à título de contribuição previdenciária privada “(...) o valor da diferença glosado no importe de R$ 2.762,00 a título de contribuição à previdência privada correspondente ao anocalendário 2001 encontrase perfeitamente justificada dada a falta de comprovação existente nos autos, não havendo qualquer reparo a ser feito nesta parte do lançamento. Em relação às contribuições pagas ao Economus Instituto Social de Assistência Médica, equivocase a impugnante ao considerar que as contribuições com a previdência privada não foram consideradas como deduções, uma vez que os demonstrativos de apuração de fls. 64 a 68 comprovam que os valores de R$ 4.201,38 (anocalendário: 1997), R$ 4.406,42 (anocalendário: 1998), R$ 4.689,74 (anocalendário: 1999) e R$ 5.656,74 (anocalendário: 2000) já foram devidamente considerados na apuração do respectivo imposto. Portanto, o procedimento adotado pela autoridade lançadora está perfeitamente correto. (...)” Da multa de 75% e dos juros de mora “(...) Em relação à multa de ofício e aos juros de mora, prevê o artigo 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a imposição de multa nos casos em que ocorre lançamento de ofício. Segundo o dispositivo legal, a multa será calculada tendo como base a totalidade ou a diferença do tributo, conforme o caso requeira. Adicionalmente, o art. 61 do mesmo dispositivo estabelece que os débitos para com a União, quando não pagos, serão acrescidos de juros de mora, não havendo, portanto, previsão legal para o cancelamento da multa de oficio ou dos juros de mora pelo motivo aventado pelo interessado. (...)” Em razão do acima exposto, a DRJ decidiu alterar em parte o lançamento apenas para acatar a dedução a títulos de despesas médicas em razão do desembolso destinado Fl. 214DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 197 16 ao Plano Unificado de Saúde nos anoscaledário 1997, 1998, 2000 e 2001, conforme demonstrativo de fl. 112 dos autos DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 12/01/2009, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 117, apresentou o recurso voluntário de fls. 121 a 138, em 04/02/2009, através de procuradores habilitados às fls. 89 e141. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE, em sede de preliminar, argumentou que o auto de infração seria nulo “em face à ausência de fundamentação legal hábil a embasar a imposição de tão exorbitante multa e juros”, e que violou o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, reiterou o alegado em sua impugnação. Desta forma, requereu o cancelamento do lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio, passo a analisar a decadência dos créditos tributários lançados, por ser matéria de ordem pública e, portanto, cognoscível de ofício. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 215DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 198 17 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 216DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 199 18 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Obedecendo os critérios da decisão do STJ, e tendo em vista que o presente auto de infração foi lavrado apenas em 26/02/2003 (fl. 51), relativo a acusações do ano calendário 1997 a 2000, resta nítido que o lançamento referente aos fatos geradores de 1997 ocorreu quando o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência (art. 156, inciso V, do CTN). Ultrapassada essa questão preliminar constatada de ofício, passo a analisar as razões de defesa da RECORRENTE: 1. Preliminares 1.1. Da arguição de inconstitucionalidade Verificase que, ao longo de sua defesa, a RECORRENTE faz alegações de inconstitucionalidade atreladas ao presente lançamento. Desta forma, de início, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 1.2. Da nulidade do auto de infração A RECORRENTE argui que o auto de infração seria nulo por ter violado o seu direito contraditório e à ampla defesa em razão da ausência de fundamentação legal hábil a embasar a imposição da multa e dos juros, que julgou serem exorbitantes. Entendo que não há que se falar em nulidade, visto que a RECORRENTE não teve a sua defesa prejudicada por qualquer motivo. Cumpre esclarecer que as razões levantadas pelo RECORRENTE não se enquadram nas causas de nulidade admitidas no processo administrativo fiscal, conforme art. 59 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Fl. 217DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 200 19 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa;” Sobre a aplicação dos juros de mora e da multa de ofício, de acordo com o demonstrativo de fl. 69, a autoridade fiscal demonstra o enquadramento legal para a aplicação do mesmo, qual seja: “Enquadramento Legal MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 01/01/1997. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n29.430/96. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3 2 , da Lei n 2 9.430/96.” Em razão do exposto, não há que se falar em violação do direito à ampla defesa e ao contraditório, o que pode ser provado pela longa e detalhada defesa da RECORRENTE, tendo em vista que a autoridade lançadora expôs toda a fundamentação legal que embasou o auto de infração, inclusive acerca dos juros e da multa de ofício. Portanto, entendo que são infundadas as preliminares alegações de defesa da RECORRENTE. Ultrapassadas as questões preliminares, passo a analisar o mérito da defesa da RECORRENTE: 2. Mérito No mérito, entendo que não merece reforma a decisão proferida pela DRJ, visto que o auto de infração foi lavrado com observância dos dispositivos legais aplicáveis aos fatos. Ademais, ao contrário do que alega a RECORRENTE, os documentos acostados aos autos não são hábeis a afastar a exigência do crédito tributário. 2.1. Da omissão de rendimentos No mérito, a RECORRENTE afirma que é infundada a infração de omissão de rendimentos, visto que em momento algum visou omitir rendimento e argumentou que eventual prática de conduta contrária à legislação não teria sido dolosa. Fl. 218DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 201 20 A lei prevê que todos os rendimentos tributáveis auferidos durante o ano devem ser indicados na DIRPF, inclusive aqueles que tenham o imposto já retido pela fonte pagadora. Neste sentido, cumpre transcrever o teor do art. 8º da Lei nº 9.250/95: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...)” Sobre a não aplicação da multa lavrada pela autoridade fiscal, em razão de suposta boafé da RECORRENTE e da ausência de conduta dolosa, também não merece ser acatado tal pleito. A multa aplicada decorre de previsão legal em razão do lançamento de ofício, no percentual de 75%, conforme disciplina o art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” 2.2. Da dedução com despesas médicas A RECORRENTE contesta a glosa das deduções de despesas médicas supostamente efetuadas, e alega que comprovação das mesmas estaria condicionada tão somente à declaração do próprio contribuinte. Novamente resta infundada a tese apresentada pela RECORRENTE, visto que todas as deduções estão sujeitas à comprovação por parte dos contribuintes. Não se deve entender por comprovação a mera indicação da despesa na declaração de ajuste anual, nos termos do art. 797 do RIR/1999 (adiante transcrito), os comprovantes das despesas que impliquem em dedução do imposto de renda devem ser mantidos em boa guarda pelo contribuinte, caso seja exigida a apresentação dos mesmos pela autoridade fiscal. E não é só. Também o Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 202 21 § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." No que diz respeito a alegação de que os valores despendidos com o instituto denominado Economus, entendo que, também, não devem prevalecer as afirmações da RECORRENTE. De acordo com os documentos de fls. 25 a 27v, e com os comprovantes de rendimentos de fls. 14, 15, 19 e 22 dos autos, podese perceber que o Economus é instituto de seguridade social. A confusão provocada pela RECORRENTE ocorreu em decorrência do Regulamento Básico do Plano Unificado de Saúde, instituído pela Nossa Caixa, o qual dispõe em seu item 8.1 que o “Plano Unificado de Saúde PLUS II” é administrado pela Economus – Instituto de Seguridade Social (fls. 91 a 95). Desta forma, os valores pegos ao instituto Economus são dedutíveis por ser tratarem de plano de previdência privada, e não por ser despesa médica, devendo ser informado sob a rubrica “Contribuição à Prev. Privada e FAPI” na declaração de ajuste anual. Tal fato foi verificado pela autoridade fiscal, que corrigiu o mencionado erro ao apropriar os valores pagos à Economus (que estavam sob a rubrica de despesa médica) como deduções correspondentes à previdência privada, conforme esclarecido no Relatório Fiscal: “(...) Fazse mister esclarecermos que a contribuinte, indevidamente, declara pagamentos, a título de despesas médicas, que estariam sendo efetivados em face de Economus Instituto Social de Assistência Médica, nos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000. Porém, os documentos apresentados pela mesma, constantes às fls. 25 a 27 dos autos, representam relação de contribuições efetuadas ao Economus Instituto de Seguridade Social, correspondentes a pagamentos que representam contribuições à previdência privada. De tal sorte, efetuaremos as glosas dos valores deduzidos indevidamente a título de despesas médicas, vez que não restou a efetividade das mesmas comprovada nos autos, e apropriaremos os valores representados pela somatória dos dados constantes às fls. 25 a 27 como deduções correspondentes a pagamentos à previdência privada. (...)” De acordo com os demonstrativos de fls. 64 a 67, notase que a autoridade fiscal efetivamente realizou a dedução da base de cálculo referente aos valores, pagos a título de previdência privada, de: R$ 4.201,38, R$ 4.406,42, R$ 4.689,23 e R$ 5.656,74, referente Fl. 220DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 203 22 aos anoscalendário 1997, 1998, 1999 e 2000, respectivamente, obtidos por meio do documento de fls. 25 a 27verso. O valor referente ao anocalendário 2001 não foram corrigidos pela autoridade fiscal, tendo em vista que, na declaração de ajuste do mencionado ano, a RECORRENTE informou corretamente o valor pago à Economus sob a rubrica de dedução a título de previdência privada, e não mais como despesa médica. Contudo, tal valor foi corrigido de ofício por não corresponder ao efetivamente pago pela RECORRENTE (ver item 2.4 abaixo). Importante também afirmar que andou bem a autoridade julgadora de primeira instância ao corrigir o lançamento, tendo em vista que os documentos de fls. 14, 15, 19 e 22 comprovam a efetividade de despesas médicas nos anos 1997, 1998, 2000 e 2002, respectivamente, pagas ao Plano Unificado de Saúde da Nossa Caixa. Estas foram as únicas despesas médicas comprovadas nos autos e foram todas consideradas e aproveitadas no julgamento de 1ª instância. 2.3. Da dedução com despesas de instrução Neste ponto a RECORRENTE argumenta que tem a guarda de seus netos (Thiago Carlos Castelo Brandão e Matheus Marco Castelo Brandão), conforme certidão de fl. 90. Sendo assim, defende que tem direito à dedução da despesa com instrução dos mesmos, no limite legalmente permitido de R$ 3.400,00 por anocalendário. De acordo com o auto de infração de fls. 51 a 53, e com o Relatório Fiscal de fls. 54 a 63, a autoridade fiscal manteve as deduções das despesas com instrução relativas aos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, no valor de R$ 3.400,00 cada. A glosa efetuada pela fiscalização referese apenas às deduções relativas aos anoscalendário 1997 e 1998, tendo em vista que a RECORRENTE não apresentou qualquer comprovante de despesa com a instrução de seus netos nos referidos anos (1997 e 1998) e não por falta de dependentes. Ao apresentar sua impugnação e o seu recurso voluntário, a RECORRENTE não trouxe aos autos qualquer comprovação da efetividade das despesas, somente anexou aos autos comprovante de despesas referentes aos anoscalendário 2000 e 2001 (fls. 164 a 179), os quais não fazem parte da glosa efetuada, que somente se limitou aos anos 1997 e 1998. Como dito, a infração em análise não foi ocasionada pela falta de comprovação da relação de dependência entre a RECORRENTE e seus netos, mas sim pela ausência de comprovação de despesa com a instrução dos mesmos nos anoscalendário 1997 e 1998. Sendo assim, deve ser mantida as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. 2.4. Da dedução com previdência privada Conforme já exposto no item 2.2 acima, a autoridade fiscal observou que os valores pagos à Economus o foram a título de previdência privada (e não despesas médicas) e Fl. 221DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 204 23 efetuou a correção das declarações de ajuste referente aos anoscalendário 1997, 1998, 1999 e 2000. Em relação à declaração de ajuste referente ao anocalendário 2001, a RECORRENTE já havia apresentado corretamente a dedução do valor pago à Economus como sendo previdência privada. Contudo, a RECORRENTE informou que tal valor seria de R$ 9.877,65 (fls. 48 a 50), enquanto que de acordo com o comprovante de rendimentos de fl. 22 e com o extrato de fls. 25 a 27verso, o valor efetivamente pago pela RECORRENTE à Economus foi de R$ 7.115,65. Desta forma, a fiscalização efetuou a glosa da diferença (R$ 2.762,00), tendo em vista que não foi comprovado o pagamento do montante declarado pela RECORRENTE. A RECORRENTE não apresentou qualquer documento que comprovasse o recolhimento por ela declarado. Assim, deve ser mantida a glosa parcial efetuada pela fiscalização. 2.5. Da multa aplicada e da taxa SELIC Conforme já exposto no item 2.1 acima, a multa de ofício aplicada tem respaldo legal e o reconhecimento de seu caráter supostamente confiscatório demandaria a análise de constitucionalidade da lei, o que é vedado em sede de recurso voluntário ao CARF, nos termos do item 1.1 acima. Por fim, quanto à aplicação da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, entendo que é legal a incidência, nos exatos termos da Súmula nº 04 deste CARF: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, apenas no sentido de reconhecer a extinção dos créditos relativos ao anocalendário 1997, visto que atingidos pela decadência. Quanto ao demais anoscalendários, entendo que deve ser mantida a decisão da DRJ. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 222DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13851.000368/200350 Acórdão n.º 2102001.162 S2‐C1T2 Fl. 205 24 Fl. 223DF CARF MF Emitido em 25/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.003306/2003-26
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2004
Ementa: NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA - NÃO APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE - Havendo fundamento para a autoridade julgadora deixar de apreciar as alegações expostas no recurso/impugnação, tal qual a impossibilidade de sua argüição na esfera administrativa, não há que se falar em omissão e conseqüente nulidade da decisão proferida.
APROPRIAÇÃO DE PERDAS - ART. 9º LEI Nº 9.430/1996 - PRAZO - O prazo para apropriação de perdas decorrentes do não recebimento de créditos é de seis meses, de acordo com o que determina o artigo 9º da Lei nº 9.430/1996. Inapropriada a contagem em dias do referido prazo, haja vista o que dispõe expressamente a legislação de regência.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - ERRO NA APURAÇÃO - Eventuais erros na lavratura do Auto de Infração devem ser indicados expressamente pelo contribuinte, sob pena de não conhecimento de suas alegações. Não se configura lançamento em duplicidade quando verificada que a as despesas glosadas pela fiscalização referem-se a situações e valores diversos.
MULTA DE OFÍCIO - Em se tratando de postergação no recolhimento de tributos, deve ser aplicada a multa moratória a razão de 20%, eximindo-se o contribuinte do recolhimento da multa de ofício de 75%
JUROS DE MORA - O não pagamento de débitos para com a União, decorrente de tributos e contribuições, sujeita o contribuinte à incidência de juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic.
Preliminar rejeitada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 108-08.048
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, por maioria de votos, excluir a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Fernando Américo Walther (Suplente Convocado), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto
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OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 • Recurso n°. : 140.502 Matéria : CSL - EX.: 2000 Recorrente : PERNAMBUCANAS FINANCIADORA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida : 8a TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Sessão de : 10 DE NOVEMBRO DE 2004 Acórdão n°. : 108-08.048 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA - NÃO APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE - Havendo fundamento para a autoridade julgadora deixar de apreciar as alegações expostas no recurso/impugnação, tal qual a impossibilidade dá sua argüição na esfera administrativa, não há que se falar em omissão e conseqüente nulidade da decisão proferida. APROPRIAÇÃO DE PERDAS - ART. 9° LEI N° 9.430/1996 - PRAZO - O prazo para apropriação de perdas decorrentes do não recebimento de créditos é de seis meses, de acordo com o que determina o artigo 90 da Lei n°9.430/1996. Inapropriada a contagem em dias cio referido prazo, haja vista o que dispõe expressamente a legislação de regência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - ERRO NA APURAÇÃO - Eventuais erros na lavratura do Auto de Infração devem ser indicados expressamente pelo contribuinte, sob pena de não conhecimento de suas alegações. Não se configura lançamento em duplicidade quando verificada que a as despesas glosadas pela fiscalização referem-se a situações e valores diversos. MULTA DE OFÍCIO - Em se tratando de postergação no recolhimento de tributos, deve ser aplicada a multa moratória a razão de 20%, eximindo-se o contribuinte do recolhimento da multa de oficio de 75% JUROS DE MORA - O não pagamento de débitos para com a União, decorrente de tributos e contribuições, sujeita o contribuinte à incidência de juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PERNAMBUCANAS FINANCIADORA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, por maioria de votos, excluir a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Fernando Américo Walther (Suplente Convocado), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DORI PAegAN IPRE NT KAREM N DIAS DE MELLÓ °El • • RELATORA/ FORMALIZADO EM: 2 1 MAR 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARGIL MOURÃO GIL NUNES e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 Recurso n°. : 140.502 Recorrente : PERNAMBUCANAS FINANCIADORA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO RELATÓRIO Contra a empresa Pernambucanas Financiadora S.A — Crédito, Financiamento e Investimento, foi lavrado o Auto de Infração, com a conseqüente formalização do crédito tributário, relativo à multa e juros por atraso no recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativa ao ano-calendário de 1999. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 08166002003-00224-5, constatou a autoridade fazendária que a Recorrente, no período acima referido, teria computado como despesa perdas referentes ao não recebimento de créditos, sem contudo, atentar-se para os requisitos previstos no artigo 90, §1°, inciso II, aliena 'a' da Lei n° 9.430/1996, segundo o qual, o não recebimento de valores até 5.000,00 só pode ser deduzido do lucro como despesa depois de decorridos seis meses do vencimento do débito. Desta forma, baseada na planilha de fls. 43/49, fornecida pela própria Recorrente, a fiscalização apurou que houve a dedução indevida de perdas no valor de R$ 100.568,76, porquanto tais valores só seriam dedutíveis no ano-base de 2000. Assim, por entender tal conduta como postergação de pagamento de contribuição, foi efetuado o lançamento tributário para exigência do valor relativo à multa e aos juros moratórios, vez que houve o pagamento da contribuição devida em 2000. Intimada acerca do aludido Auto de Infração, a ora Recorrente apresentou sua Impugnação, alegando, em síntese: 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 (i) a incorreção do lançamento tributário, uma vez que os valores computados como perda referem-se ao inadimplemento de parcelas de contrato de crédito, hipóteses em que há o vencimento antecipado de toda a divida. Desta forma, o termo inicial para contagem do prazo de seis meses seria o dia de vencimento da primeira parcela inadimplida, e não a data de vencimento de cada parcela vincenda; (ii) a inconstitucionalidade da cobrança de juros moratórios com base na variação da Taxa Selic; e (iii) a natureza confiscatória da multa calculada sobre a razão de 75%. Remetidos os autos para julgamento, a 8 a Turma da DRJ de São Paulo/SP, houve por bem julgar procedente o lançamento tributário, em decisão assim ementada: 'Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO — POSTERGAÇÃO DE CSLL — JUROS MORA TÓRIOS — MULTA ISOLADA — GLOSA DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS — ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO NÃO COMPROVADA — A alegação de ilegalidade em lançamento fiscal deve estar amparada em fatos hábeis a evidenciar a inocorrência da infração imputada. In casu, o impugnante não provou, para nenhum dos valores por ele baixados como perdas de crédito, que o critério de glosa adotado pela autoridade fiscal tenha sido diverso daquele estabelecido na norma legal de vigência TAXA SELIC E MULTA DE 75% - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE — À autoridade administrativa compete atuar dentro do ordenamento jurídico, aplicando as leis vigentes às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência apreciar questões relacionadas à inconstitucionalidade de leis ou à 4 fl MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 ilegalidade de normas infra-legais, matérias reservadas ao Poder Judiciário Lançamento Procedente." No voto condutor da aludida decisão, entendeu o limo. Relator que a ausência de comprovação, por parte da Recorrente, acerca do equívoco na apuração das datas de vencimento de cada crédito, impediria o reconhecimento da improcedência do lançamento tributário, calcado em elementos por ela própria fornecidos, a saber, a planilha de fls. 43/49. Intimada em 31.03.2004 acerca da referida decisão, a Recorrente apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário, requerendo a reforma da decisão de primeira instância administrativa pelos motivos a seguir discriminados: (i) nulidade da decisão recorrida, na medida em que a mesma se absteve da apreciação de matérias de ordem constitucional, quais sejam, a aplicação de juros moratórios com base na variação da Taxa Selic, e a imposição da multa de oficio no percentual de 75%, tendo, nesse sentido, reiterado os argumentos expostos em sua Impugnação; (ii) os créditos apontados na planilha de fls. 43/49 estariam vencidos há 180 dias, correspondente aos seis meses de que trata o artigo 9° da Lei n° 9.430/1996; (iii) não foram excluídos pela fiscalização, na apuração do crédito tributário, os nomes repetidos dos devedores, relativos aos mesmos contratos; 5 , ., , (;t2,- MINISTÉRIO DA FAZENDA .14.7i' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 405t4-> OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 (iv) a determinação do quantum debeatur não poderia se fixar apenas nos dados constantes da planilha de fls 43/49, haja vista que aludido documento se presta apenas para uso interno e controle da empresa, devendo, portanto, a fiscalização efetuar a análise de todos os contratos envolvidos na demanda. É o Relatório. I 6 , g ' a MINISTÉRIO DA FAZENDA Wr;-:-:1,49- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4it5). OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 VOTO Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO, Relatora O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, pelo que tomo conhecimento. Em principio, ressalta-se que os presentes autos estão sendo apreciados concomitantemente ao Processo Administrativo n° 16327.003305/2003- 81 — referente ao IRPJ — por esta mesma julgadora, e na mesma sessão de julgamento, em virtude da coincidência de fundamentos verificada em ambas as autuações. 1) Nulidade da decisão de primeira instância Preliminarmente, pleiteia a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, em vista da não apreciação de parte das alegações trazidas em sua Impugnação, notadamente no que se refere à inconstitucionalidade da aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic, e no caráter confiscatório da multa de oficio imposta à razão de 75%. Sobre a questão, frise-se que as hipóteses de nulidade no processo administrativo estão taxativamente previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972, podendo ser decretada unicamente quando constatado (i) ato ou termo lavrado por pessoa incompetente e (ii) despacho ou decisão proferido por autoridade incompetente, ou com preterição do direito de defesa. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •:-.**,.,;› OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.00330612003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 Com efeito, ainda que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, baseada na segunda hipótese de nulidade prevista pelo referido artigo 59, tenha se manifestado pela anulação da decisão administrativa que não enfrenta todos os argumentos de defesa, determinando, neste contexto, a prolação de nova decisão (cf. Acórdão CSRF 01-03.281), a toda evidência tal entendimento não se aplica ao caso em pauta, por se tratar de situação diversa. De fato, não há que se perquirir sobre eventual omissão da decisão de primeira instância, porquanto inquestionável que a mesma apreciou todos os pontos de defesa suscitados pela ora Recorrente, manifestando-se expressamente sobre cada um deles. A bem da verdade, o não conhecimento de parte das alegações, por se considerar inapropriada a discussão na esfera administrativa, não faz omissa esta decisão, pelo contrário, haja vista a clara exposição dos fundamentos que levaram o limo. Relator a conduzir sua decisão neste sentido. Assim, por não verificar qualquer hipótese capaz de gerar a nulidade da decisão de primeira instância, rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente. 2) Contagem do prazo para apropriação dos custos No que diz respeito ao mérito, aduz o contribuinte que haveria equivoco na contagem do prazo determinado para apropriação das perdas, uma vez que entre o vencimento da primeira parcela não adimplida e a data de baixa do crédito, teriam transcorrido mais dei 80 dias, o que importaria no decurso de prazo de 6 meses, previsto no artigo 9° da Lei n° 9.430/1996. Há, ao meu ver, equivoco na interpretação do texto legal por parte da Recorrente. Bem verdade que, corriqueiramente, se estipula o prazo de seis meses como equivalente a 180 dias, embora se saiba que, em razão da variação do número de dias contido em cada mês, esta relação não é fixa, podendo variar para . mais ou para menos conforme o caso. 8 -.0..-1&4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.00330612003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 Por tal razão, considerar para fins legais o prazo de 6 meses como idêntico a 180 dias encerra um impropério. Nas situações em que a lei define determinado prazo, o parâmetro para sua contagem deve obedecer expressamente as disposições contidas no texto legal, sendo vedada a conversão de meses para dias, e vice-versa, haja vista as distorções decorrentes deste procedimento. No caso em tela, o artigo 90 , §1°, inciso II, aliena 'a' da Lei n° 9.430/1996, dita expressamente que o prazo a ser observado pelo contribuinte para apropriação de perdas no recebimento de crédito é de seis meses, independente do número de dias que transcorra durante este interregno temporal. O decurso de 180 dias é, portanto, irrelevante para definição do momento de dedução destas perdas. Deste modo, ainda que os créditos da Recorrente tenham como data de vencimento mais remota o dia 01.07.1999, e que até 31.12.1999 tenha transcorrido mais de 184 dias, de se notar que os seis meses a que se refere o artigo 9° da Lei n°9.460/1996 somente se completaram em 01.01.2000, razão pela qual as despesas correspondentes só poderiam ser computadas como custo no ano-calendário subseqüente. 3) Erro na apuração do débito Ainda como questão de mérito, assevera a Recorrente a impossibilidade de manutenção da autuação, em virtude do equívoco da autoridade fazendária na apuração do montante devido, visto que não foi excluída da base de cálculo para aplicação da multa e juros, os nomes que aparecem repetidamente na planilha de fls. 43/49, e que se referem ao mesmo contrato de financiamento. Nesse sentido, afirma o contribuinte que a razão para repetição de nomes se explica, pois o cadastro do devedor é inserido na planilha de acordo com o vencimento das parcelas inadimplidas. Assim, para cada vencimento haveria nova inserção do nome do inadimplente no relatório. 9 :aMINISTÉRIO DA FAZENDA 20-4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •:ico:,5),' OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 A despeito da não comprovação do alegado pela Recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, procedi a verificação da planilha para constatação de eventual repetição de nome (e de crédito), por ventura não excluído pelo agente fiscal na consecução do lançamento. Neste tocante, pela análise randâmica do relatório de fls. 43/49, é possível notar que, malgrado alguns nomes apareçam repetidamente, tal situação não importa em incorreção do crédito tributário. Isto porque, nos casos em que apurada a repetição de nome, o número do contrato correspondente é diferente, o que indica a falta de identidade entre os créditos, ainda que relativos ao mesmo devedor. A titulo exemplificativo, veja-se que os nomes Robinson Domingos Lem, Lisabete Ap. dos Santos, Cristiano - Aparecido R. e Moacir de Oliveira Co., conquanto apareçam no referido relatório por duas vezes, os números dos contratos inadimplidos não são coincidentes, o que impede o reconhecimento da duplicidade na apuração da base tributável, conforme alegado pela Recorrente. Assim, não tendo sido localizado qualquer crédito repetido capaz de gerar a incorreção no cálculo do montante devido, tampouco havendo precisa indicação, pelo contribuinte, dos casos em que essa repetição se verificaria, mantenho o lançamento conforme efetuado pela fiscalização. Finalmente, cabe ressaltar que descabe a argüição de improcedência do Auto de Infração, em razão da sua constituição calcada exclusivamente no relatório apresentado às fls. 43/49. Ora, aludido documento, ainda que de uso interno da Recorrente, é instrumento suficientemente capaz de demonstrar o montante dos créditos apropriados como custo no ano-calendário de 1999, sendo, portanto, desnecessária, além de inviável, a análise de cada contrato, conforme postulado pelo contribuinte. to \loç 2 . _a: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44~4' OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. :108-08.048 De mais a mais, frise-se que referido relatório foi apresentado pela própria Recorrente, .em atenção a intimação expedida pela Secretaria da Receita Federal, com expressa indicação de que dele constavam os clientes baixados para incobráveis no ano de 1999. A prova em que se baseia a fiscalização para efetuar o lançamento é, portanto, válida e plenamente aceitável, cabendo ao contribuinte -a sua desconstituição, através da apresentação de outros documentos que revelasse a impropriedade da constituição do crédito tributário, ou ao menos através da requerida análise dos contratos. 4)Multa de 75% No que tange à aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, considero que merece reparo a decisão recorrida. A despeito das alegações trazidas pela Recorrente acerca do caráter confiscatório da penalidade, verifico que a questão em pauta, por se tratar de postergação no recolhimento do imposto, e não propriamente na falta de recolhimento da exação, não comporta a aplicação de multa de ofício à razão de 75%, mas apenas de multa moratória de 20%. Com efeito, de acordo com o Parecer Normativo n° 02, de 28.08.96, do Coordenador Geral do Sistema de Tributação, deve-se aplicar aos casos de postergação no recolhimento de impostos o mesmo tratamento dispensado às situações de denúncia espontânea, eximindo, portanto, o contribuinte da aplicação de penalidade mais agravada. 5)Aplicação de juros de mora com base na taxa Selic No que diz respeito à inconstRucionalidade da taxa Selic, salvo caso • • de reiteradas decisões proferidas pelos Tribunais Superiores, é vedado aos órgãos ti 4 1 a MINISTÉRIO DA FAZENDA • ;:?.::;> PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .lia3;:si? OITAVA CÂMARA Processo n°. : 16327.003306/2003-26 Acórdão n°. : 108-08.048 administrativos julgadores a apreciação de vício de inconstitucionalidade, cujo julgamento importe em negar vigência à norma constitucionalmente editada, consoante determina o artigo 22A do Regimento Interno deste Conselho. De outra parte, não há que se falar em ofensa ao artigo 161 do Código Tributário Nacional. Com efeito, a Lei n° 8981/1995, em seu artigo 84 inciso I, estabeleceu a equivalência para os juros de mora à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Dívida Mobiliária Federal interna. Com a edição da Medida Provisória n° 947, em 23.03.1995, os juros de mora foram estabelecidos à equivalência da taxa referencial do Sistema de Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, disposição esta corroborada pelo artigo 13 da Lei 9065/1995, e artigo 61 da Lei 9430/96. •Assim, prevista em lei a aplicação de juros calculados pela variação da taxa Selic, não há que se falar em ofensa ao artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional. Ademais, a limitação de juros à razão de 12%, prevista no artigo 192, §3° da Constituição Federal, revogado pela Emenda Constitucional n° 40/2003, carecia de aplicação imediata, necessitando de Lei Complementar para regulamentação, conforme entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, na ADIN 4-7 DF: Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento, para excluir a multa de ofício. Sala das Sessões - DF, em 10 de novembro de 2004. dOriffeKAREM JUREIDI DIA E MELLO PEIXOTO 12 Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1 _0023800.PDF Page 1 _0023900.PDF Page 1 _0024000.PDF Page 1 _0024100.PDF Page 1 _0024200.PDF Page 1 _0024300.PDF Page 1
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