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Numero do processo: 10980.010764/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: PAF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. IRPF. NÃO RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12). MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 2). JUROS DE MORA. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n. 4). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. IRPF. NÃO RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12). MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 2). JUROS DE MORA. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n. 4). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Fl. 42DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 2 MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado Digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 14/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente á época do julgamento). Relatório Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls. 54/56), acompanhado do Termo de Verificação Fiscal (fls.57/61), para exigir crédito tributário de IRPF, exercícios 2002, 2003 e 2004, correspondente o imposto suplementar no montante de R$ 5.002,62, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até 31/10/2006, originado da falta de comprovação de retenção de imposto de renda na fonte, no valor de R$ 7.742,90, que a contribuinte declarou ter sido efetuada pela empresa SCHUERTZ & CIA LTDA, CNPJ 00.330.003/000193, da qual é sócia. Importa ressaltar que, por meio da declaração apresentada, a contribuinte pretendia obter restituição de imposto de R$ 2.740,28 (fls. 04 e 18). Inconformado com o lançamento, a contribuinte interpôs impugnação (fls.01), acompanhada dos documentos de fls. 02/15, julgada improcedente, nos termos do acórdão unânime, DRJ/CTA n° 0625.988 de 30/03/2010, exarado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, em decisão assim ementada (fls. 23/24): “RETENÇÃO DE IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO HÁBIL.DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo comprovação hábil de retenção de imposto de renda na fonte, descabe a dedução na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente.” Das razões de decidir, importa ressaltar as seguintes análises fáticas: “As fls. 09/15, a impugnante apresenta comprovantes mensais de rendimentos auferidos da PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA, em que consta identificada como pertencente A carreira/classe de "EDUCADOR". Em tais documentos, porém, não há informação alguma relacionada A retenção de imposto de renda na fonte. Assim, em vez de comprovar a retenção de imposto declarada, demonstra que omitiu os rendimentos auferidos da PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA (infração em relação à qual compete à fiscalização, enquanto não decaído o direito, constituir o crédito tributário), haja vista que a percepção desses não exclui, por si só, a de outras fontes pagadoras. Ou seja, a interessada não comprova a existência da retenção de imposto glosada, de R$ 7.742,90, e nem há indicio de erro de Fl. 43DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10980.010764/200755 Acórdão n.º 220101.517 S2C2T1 Fl. 2 3 digitação na aposição da virgula a ela associada, uma vez que não há prova da existência de valores como R$ 774,29, R$ 77,42, R$ 7,74 ou outros quaisquer. Nesse contexto, como a impugnante não diz claramente qual seria o erro cometido na declaração de imposto de renda, não cabe ao julgador administrativo presumilo; como a interessada não comprova incorreção (que sequer especifica), não cabe à Administração suprir a falta dessa prova.” Cientificada da decisão primeira instância, em 15/04/2010, (“AR” fls.27), apresentou em 17/05/2010 Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 28/037, através do qual requer, em síntese, sejam reconhecidas as ilegalidades de ordem formal e material em relação ao Auto de Infração, apontadas no recurso, bem como, o reconhecimento de que se tratam de informações decorrentes de erro material, não se justificando a cobrança veiculada contra a Recorrente; e eventualmente que seja declarada abusividade e inaplicabilidade da multa de 75%. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso preenche as formalidades legais, razão pela qual dele conheço. Analisando os argumentos centrais, apresentados pela contribuinte, tempos que a mesma: 1. Aduz ser assalariada e, embora tenha figurado como sócia da pessoa jurídica, SCHUERTZ & CIA LTDA, constituída por seu exmarido, tratase de pessoa leiga em relação a assuntos contábeis e como elaborou pessoalmente sua Declaração de ajuste anual do Imposto de Renda, acabou se equivocando nos lançamentos; 2. Agiu com total ausência de máfé, sendo fruto do desconhecimento e falta de habilidade com o trato das questões contábeis; 3. O lançamento decorre de mero erro material, não houve renda e o montante cobrado extrapola em muito sua capacidade financeira; 4. Por fim, requer a anulação do auto de infração por entender inconvenientes, inoportunos ou ilegítimos e que seja declarada a ilegalidade da multa de ofício de caráter confiscatória e que atinge a sua capacidade contributiva. Passemos a analise da preliminar aventada, em suma, a recorrente alega genericamente nulidade do Auto de Infração. Verifico, no presente caso, que não procede qualquer argüição de irregularidade na formalização da exigência. A autoridade lançadora constituiu o crédito em estrita obediência à legislação mencionada. As peças produzidas pela fiscalização, bem como o auto de infração e seus anexos, estão devidamente elaborados, devidamente fundamentados e com as descrições necessárias, possibilitando uma perfeita compreensão dos fatos relatados, Fl. 44DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 4 pelas pessoas habilitadas à sua apreciação, não havendo, portanto, qualquer falta de clareza ou erro, em relação à constituição do crédito tributário contestado. Ademais, uma vez a ação fiscal tendo se desenvolvido de forma regular, as argüições em preliminar, mesmo que constituíssem irregularidades, deixam de ter importância após a lavratura dos Auto de Infração. As causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, restringemse, no tocante ao auto de infração, à lavratura por servidor incompetente e, quanto às decisões, às proferidas com preterição do direito de defesa, nos seguintes termos: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Estas são as hipóteses em que o legislador presume, de forma absoluta ter havido prejuízo à ampla defesa e ao contraditório, o que efetivamente não vislumbro no presente processo. Diante do exposto, deve ser rejeitada a preliminar argüida pela recorrente. No mérito, a questão versa tão somente sobre a comprovação do imposto de renda retido na fonte declarado em DIPF. Apesar de alegar erro material e ausência de máfé, a contribuinte efetivamente não comprova a existência da retenção. No Acerto da Declaração, fls.21, apenas foi excluído o imposto de renda retido declarado e não comprovado. O valor do lançamento de R$5.002,62, seria o imposto devido pela contribuinte quando da sua declaração, acrescido da multa de ofício prevista em lei e juros de mora, que incide sobre o valor do imposto que deveria ter sido pago em 30/04/2003, ou parcelado e que até o momento do lançamento não havia sido pago. De fato o lançamento apenas está cobrando com os devidos acréscimos o que a contribuinte deveria ter pago, com base nos rendimentos tributáveis por ela declarados: Resumo Detalhamento DAA 2003 Acerto da Declaração Fls.18/20 Fls.21 Rendimentos Tributáveis 45.816,00 45.816,00 Desconto Simplificado (20%) 9.163,20 9.163,20 Base de Cálculo 36.652,80 36.652,80 Alíquota % 27,50% 27,50% Total do Imposto 10.079,52 10.079,52 Parcela a deduzir 5.076,90 5.076,90 Imposto Devido 5.002,62 5.002,62 Imposto de Renda Retido na Fonte 7.742,90 Imposto (2.740,28) 5.002,62 A restituir A Pagar Multa Ofício 75% 3.751,96 Juros de Mora sobre imposto Suplementar (Calculados até Jun./2007) 3.327,24 Valor do Crédito Tributário Apurado 12.081,82 A recorrente também se insurge contra a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% que a considera confisco. No entanto é importante ressaltar que a multa Fl. 45DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10980.010764/200755 Acórdão n.º 220101.517 S2C2T1 Fl. 3 5 pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindose em sanção pela prática de ato ilícito, pelas infrações a disposições tributárias. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, já antes citado, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Assim, a multa de 75% é devida, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF, que se refere à garantia do direito de propriedade. In casu, a multa de ofício aplicada no lançamento teve esteio no artigo 44, I, da Lei n 9.430, de 27/12/1996, e seu pedido de afastamento e/ou a redução, como pleiteado pela recorrente, não encontra guarida, vez que não há previsão legal para tal, e o lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingirse às determinações da lei para efetuálo ou alterálo. O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontrase no artigo 161 do Código Tributário Nacional, já antes citado, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”, extraindose daí o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa – de mora ou de ofício , dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. Consoante com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. Assim, a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. O não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo devido enseja que a Fazenda Pública, desde que legalmente autorizada, ao cobrar o valor não pago, imponha sanções ao devedor, vez que a inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, não tem outra natureza que não a de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 6 Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência, sendo perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, por não se aplicar às penalidades pecuniárias de caráter punitivo o princípio de vedação ao confisco. Inclusive no que se refere a suposta inconstitucionalidade da multa, bem como seu caráter confiscatório, já é posição sumulada deste Conselho de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário: “Súmula CARF nº 3 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, está também já é matéria objeto de súmula deste Conselho, o que dispensa maiores considerações a respeito. Tratase da Súmula nº 4, a seguir reproduzida: “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”” Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade e no mérito nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 47DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
score : 1.0
Numero do processo: 13817.000433/2001-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO.
Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do despacho decisório que homologa tal parecer, considera-se instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anula-se a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-001.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso para anular o processo a partir da resolução da decisão da primeira instância, inclusive, para que seja elaborada em boa forma. Ausente justificadamente, o conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que foi substituído pelo Conselheiro Fábio Miranda Coradini. Além dos conselheiros Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Helder Kanamaru; e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do despacho decisório que homologa tal parecer, considera-se instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anula-se a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para anular o processo a partir da resolução da decisão da primeira instância, inclusive, para que seja elaborada em boa forma. Ausente justificadamente, o conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que foi substituído pelo Conselheiro Fábio Miranda Coradini. Além dos conselheiros Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Helder Kanamaru; e Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Fábio Miranda Coradini, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Helder Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da primeira instância, que passo a transcrever. "A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no montante de R$ 2.766.337,53 relativo ao saldo credor do IPI, a ser utilizada na compensação dos débitos declarados nos autos. Em Informação Fiscal de fls. 53/54, constatouse que a contribuinte teria direito ao ressarcimento no montante de R$ 1.136.511,89. De referida informação, que foi assinada por Auditor Fiscal da Receita Federal, a contribuinte teve ciência em 18/11/2004. Em 17/12/2004 a empresa apresentou "manifestação de inconformidade" contra o deferimento parcial de seu pleito, elencando os motivos de sua discordância com referência as glosas efetuadas pelo Fisco. Em 12/07/2005, o pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 1.136.511,89 e homologou as compensações declaradas até este limite. Conforme documentos anexos às fls. 114, 115 e 116, a contribuinte foi cientificada da decisão administrativa via Edital, afixado em 30/08/2005, e o prazo para manifestação expirou sem que houvesse qualquer contestação desta. O processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento, para prosseguimento, com a informação de que a contribuinte tomou ciência da Informação Fiscal em 18/11/2004 e apresentou "manifestação de inconformidade" em 17/12/2004, juntada às fls. 58/84." Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13817.000433/200100 Acórdão n.º 3102001.572 S3C1T2 Fl. 2 3 Delegacia da Receita Federal de Julgamento, resolveu que a manifestação apresentada pela Recorrente em 17/12/2004 foi em data anterior ao despacho decisório da autoridade administrativa que homologou parcialmente o direito creditório não instalou o contraditório administrativo previsto no Decreto nº 70.235/72. Cientificada da resolução da DRJ, a empresa apresentou recurso questionando a posição adotada por aquela autoridade julgadora, alegando que tomou ciência da decisão que glosou parcialmente o seu pedido, por meio da Informação Fiscal de fls. 53/54, que propôs o deferimento parcial do pedido, no valor de R$ 1.136.511,89. Decisão da qual a pode, de forma inequívoca, conhecer plenamente as razões do indeferimento de parte do seu pedido, levandoa apresentar sua contestação, na forma de "manifestação de Inconformidade", onde rebateu uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa, impugnação abrangendo toda as razões hábeis à reforma do indeferimento de seu crédito. Desse modo, deixar de apreciar a "Manifestação de Inconformidade" por ter sido interposta antes da decisão homologatória, ofende frontalmente os principio basilares da Constituição Federal, ampla defesa e do devido processo legal, pois notório que não houve desídia ou atraso da Recorrente na defesa de seu direito, e sim a manifestação prévia de contrariedade. Finaliza o Recurso, pedido a anulação da decisão recorrida e a devolução do processo a Delegacia de Julgamento para apreciação da "Manifestação de Inconformidade apresentada". É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A matéria em questão já foi decidida por este conselho, no Processo Administrativo nº 13817.000089/200221, que teve como interessada a própria Recorrente. A decisão foi no sentido de considerar instaurado o litígio com a Manifestação de Inconformidade apresentada antes do despacho decisório. A posição adotada naquele julgado é a mesma deste relator, entendo que a Manifestação apresentada pela Recorrente instaurou o litígio, devendo seus argumento serem apreciados no rito do Decreto nº 70.235/72. Neste mister transcrevo voto do i. Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que ao enfrentar a matéria no Acórdão 20312.687, julgado na sessão de 12/02/2008, expôs este mesmo entendimento, que peço vênia para incluir no meu voto e dele fazer minhas razões de decidir. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 "Na situação em tela, de manifestação de inconformidade apresentada antes do Despacho Decisório da autoridade competente para decidir o Pedido de Ressarcimento de IPI, mas após a Informação Fiscal afinal referendada no referido despacho decisório que homologou parcialmente o pleito, reputo obrigatória a apreciação pela DRJ. Daí caber anular a decisão recorrida, que não conheceu da manifestação de inconformidade por entender não instaurado o litígio. O contribuinte, sabedor de que a Informação Fiscal pelo deferimento parcial provavelmente seria acatada pela autoridade administrativa competente para decidir o pleito, antecipouse ao Despacho Decisório (que ainda não havia sido proferido) e, de pronto, manifestouse contra a glosa parcial do valor que espera ver ressarcido. A DRJ, para julgar não instaurado o litígio, levou em conta tal antecipação e mais duas circunstâncias reputadas relevantes: a contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório mediante edital, não se manifestando depois, e nos termos do art. 224, I, da Portaria MF no 30/2005 "somente compete às DRJ o julgamento de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos à restituição, ressarcimento e compensação" (negritos no original, cf. fl. 149). Embora seja certo que o melhor seria a contribuinte ter protocolizado sua manifestação de inconformidade após a ciência do Despacho Decisório — em vez de após a Informação Fiscal, até então um parecer que podia ou não ser referendado pela autoridade competente para decidir o pedido , a antecipação não permite ao órgão de origem desprezálo, eliminando por completo os seus efeitos como se a inconformidade não tivesse existido. Neste ponto, a informalidade moderada que orienta o Processo Administrativo Fiscal vai no sentido de que a peça protocolizada antecipadamente seja tida como manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório. Quanto à ausência de outra manifestação de inconformidade, posterior ao Despacho, a recorrente justifica informando que a filial da empresa na cidade de Mauá (filial 005, em nome da qual foi formulado o Pedido de Ressarcimento) estava desativada à época, e que por isso foi utilizada a intimação mediante edital. Tal justificativa, ainda que possa não ser aceita, especialmente porque o Edital é divulgado ao público em geral, a incluir a matriz e outros estabelecimentos da empresa, não retira dos autos a inconformidade protocolizada antes. Ponderados os fatos e circunstâncias da situação em foco, tenho para mim que a primeira instância deve analisar a inconformidade, sob pena de ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório e de desprezo à informalidade moderada e à fungibilidade, que também norteiam o processo Em respeito à ampla defesa e ao contraditório, não foi outro o entendimento do Juiz da Seção da Justiça Federal de Piracicaba, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13817.000433/200100 Acórdão n.º 3102001.572 S3C1T2 Fl. 3 5 ao analisar a situação em tela (Mandado de Segurança n° 2007.61.09.0008141, cujo mérito, todavia, foi denegatório, em razão de o juizo ter identificado como autoridade coatora o Delegado da DRJ, e não o da Delegacia da Receita Federal em Limeira). Observese: "... deixarse de apreciar o recurso interposto pela parte, na modalidade de manifestação de inconformidade pelo fato de ter sido ela apresentada antes da decisão homologatória do parecer fiscal, consiste em verdadeiro desrespeito ao direito de ampla defesa, pois em tal situação não houve desídia ou atraso por parte da Impetrante na defesa de seu direito, mas sim manifestação prévia de inconformidade." Destarte, cabe proceder à devolução do processo à instância a quo, para que aprecie as razões de inconformidade apresentadas antes do Despacho Decisório." Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso voluntário para anular a resolução da primeira instância determinando que seja realizado novo julgamento para apreciação da Manifestação de Inconformidade apresentada em 17/12/2004. Winderley Morais Pereira Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000240/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE.
Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 02 40 /2 01 0- 37 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000240/201037 Acórdão n.º 2402003.403 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com informações incorretas ou omissas, o que levou à aplicação da multa prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32 A, "caput", inciso I e parágrafos 2. e 3., também incluídos pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II , alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.1966 – Código Tributário Nacional. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 4), no decorrer da auditoria foram identificados diversos valores pagos aos prestadores de serviços pessoas físicas que ou foram declarados em competência incorreta ou deixaram de ser declarados em Gulas de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP. A auditoria fiscal cita que o § 9º do artigo 239 do Decreto 3048/1999, previa a não incidência de multa de mora às pessoas jurídicas de direito público. No entanto, a partir do Decreto nº 6042/2007, aqueles organismos passaram a sofrer a incidência de tal exação. Salienta a publicação da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a qual alterou a sistemática de cálculo das multas de mora e por descumprimento de obrigações acessórias e inseriu a multa de ofício. Assim, sob o argumento de efetuar a aplicação da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo, com base no artigo 106, II "c" do Código Tributário Nacional, a auditoria fiscal efetuou o cálculo da multa pela legislação anterior e pela legislação superveniente, a fim de verificar a melhor situação para o contribuinte. Para tanto, efetuou a soma multa de mora vigente a época da ocorrência do fato gerador com a penalidade por descumprimento da obrigação acessória prevista na legislação atual com a multa de mora da legislação atual. Assim, na competência 11/2007 a multa prevista na primeira situação mostrouse menos gravosa, portanto, o cálculo da multa pelo descumprimento da obrigação acessória se deu pela legislação atual. A autuada teve ciência do lançamento em 24/05/2010 e apresentou defesa (fls. 09) onde alega que não houve omissão ou qualquer tipo de máfé, mas sim uma interpretação equivocada do dispositivo legal que rege a matéria. Requer o deferimento e o reconhecimento dos valores recolhidos, mesmo que em competência diversa, uma vez que se trata apenas de declaração divergente das competências, excluindo assim a aplicação de eventual multa. Mediante despacho fundamentado, os presentes autos ficaram sobrestados em face de diligência solicitada nos autos das obrigações principais correlatas. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Pelo Acórdão nº 1436.748, a 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto julgou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18088.000240/201037 Acórdão n.º 2402003.403 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente, órgão público, foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com informações incorretas ou omissas. A infração ocorreu na competência 11/2007. Cumpre lembrar que anteriormente à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a responsabilidade por infrações cabia ao dirigente do órgão público, conforme dispunha o art. 41 da Lei nº 8.212/1991, revogado pela citada Medida Provisória, in verbis: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Como se vê até a edição da Medida Provisória nº 449/2008, de 03/12/2008, publicada no D.O.U. em 04/12/2008, não havia previsão para aplicação de multa ao órgão público, sendo que esta obrigação cabia ao dirigente por disposição legal. Quanto à aplicação da lei, a regra geral estabelecida no Código Tributário Nacional em seu artigo 144 é a seguinte: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, a regra geral é que a legislação a ser aplicada é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Assim, até a publicação da Medida Provisória nº 448/2008, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória era responsabilidade do dirigente e não do órgão. O CTN traz ainda a possibilidade de aplicação retroativa da lei, conforme pode ser verificado em seu art. 106 que dispõe o seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Observase que, no que tange à responsabilização do dirigente, aplicase a retroatividade benigna da lei, especificamente, a alínea “c” do inciso II do art. 106, acima transcrito. Ocorre que a auditoria fiscal, diante da impossibilidade de agora atribuir responsabilização ao dirigente, imputou à recorrente a obrigação em período anterior à revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991, quando não existia responsabilidade para o órgão, ou seja, na lavratura do presente auto de infração, efetuou aplicação retroativa da lei, cujo efeito foi atribuir penalidade não existente à época dos fatos geradores, contrariando o ordenamento jurídico. Como a Medida Provisória nº 449/2008 foi publicada em 04/12/2008, somente a partir desta data, o órgão público passou a ter responsabilidade pelas infrações cometidas, o que compreende as competências a partir de 11/2008, uma vez que a entrega da GFIP ocorre no dia 07 do mês subseqüente. Assim, embora a recorrente não tenha alegado, pelo princípio da autotutela e da estrita legalidade, há que se reconhecer que a infração não pode prevalecer em face da ilegitimidade passiva da recorrente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10469.901096/2010-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 01 09 6/ 20 10 -6 1 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901096/201061 Resolução nº 1802000.185 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1136.365, às fls. 37 a 39: A interessada acima qualificada formalizou a declaração de compensação PER/Dcomp nº 14471.47759.140710.1.7.040940, fls. 04 a 07, retificadora da PER/Dcomp nº 20810.98239.280809.1.3.043269, informando suposto crédito, que seria oriundo da PER/Dcomp inicial nº 15394.96347.240608.1.3.040094, no Valor Original do Crédito Inicial de R$ 86.235,61, e Crédito Original na Data da Transmissão no valor de R$ 56.483,07, para compensar débitos de CSLL, código de receita 248401, de jun/2003, e acréscimos, num total de R$ 158,01. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação, tendo em vista a inexistência do crédito, uma vez que o DARF que supostamente daria origem do crédito fora integralmente utilizado para quitação de débitos. 3. Cientificada do Despacho Decisório em 11/08/2010, conforme fl. 03, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 08/09/2010, consoante fl. 14, alegando que: 3.1. a decisão é totalmente improcedente porque a DIPJ transmitida em 13/07/2010 acusou débito de apenas R$ 121.764,39 em dezembro/2006, restando como crédito a diferença de R$ 86.235,61, informada como crédito original na data de transmissão e utilizada para quitar débitos através desta PER/Dcomp nº 14471.47759.140710.1.7.040940, tendo o citado crédito sido informado na PER/Dcomp inicial nº 15394.96347.240608.1.3.04 0094. Como mencionado, a DRJ Recife/PE manteve a negativa em relação à declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 VALORES INFORMADOS EM DCTF E/OU DIPJ. Sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório, temse por pago valor idêntico ao confessado, de sorte que o valor desse mesmo tributo informado a menor em DIPJ não afasta o valor devido, confessado, muito menos Fl. 63DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901096/201061 Resolução nº 1802000.185 S1TE02 Fl. 4 3 quando o interessado não apresenta nem livros nem documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos à comprovação fundamentada de erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/04/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/04/2012, com os argumentos descritos abaixo: a Recorrente apurou na DIPJ retificadora, transmitida em 13/7/2010, na Ficha 12A, um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 121.764,39; como foram pagos R$ 208.000,00, restou um crédito de R$ 86.235,61, utilizados para quitar os débitos relacionados no presente processo; para comprovar a correção dos valores consignados na DIPJ, bem como a sua coincidência com os registros contábeis no Livro Diário, estamos juntando o Livro Diário n° 81, autenticado na Jucern, sob n° 07/0043124, em 19/11/2007; há perfeita coincidência entre a Demonstração do Resultado do Exercício, registrada à fl. 424, e os valores consignados na DIPJ (quadro comparativo constante do recurso); o IRPJ totalizou R$ 1.705.960,03, e foi quitado pelas seguintes parcelas: 1) R$ 46.835,82 IRFONTE (Linha 12 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 2) R$ 16.499,46 IRFONTE ENT. ADM. PÚBL. FED (Linha 14 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 54 da DIPJ; 3) R$ 1.520.860,36 Estimativas do IRPJ de Jan a Dez/2006 (Linha 16 Ficha 12A): consignadas analiticamente na Ficha 11 da DIPJ, bem como nas DCTFs; 4) R$ 121.764,39 Saldo de IRPJ a pagar: valor pago em 31/01/2007, no código 2430, através do DARF de R$ 208.000,00 (R$ 121.764,39 utilizados para quitar o débito e R$ 86.235,61 utilizados como crédito para compensar débitos deste e de outros processos). comprovase, portanto, que os dados da DCTF, apontando como saldo do IRPJ a pagar, de 31/12/2006, a quantia de R$ 208.000,00, estão equivocados, porquanto inexiste débito desse montante; a falta de retificação da DCTF em lide, de R$ 208.000,00 para R$ 121.764,39, não justifica a manutenção da cobrança do presente processo, vez que inexiste débito de R$ 208.000,00, mas, tão somente, de R$ 121.764,39; houve recolhimento a maior de R$ 86.235,61, a ser compensado com débitos, como ocorreu neste e em diversos outros processos; Fl. 64DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901096/201061 Resolução nº 1802000.185 S1TE02 Fl. 5 4 apesar de termos juntado toda a documentação comprobatória dos fatos, a Recorrente solicita seja deferida a realização de diligência, com vistas à averiguação, se julgada necessária e imprescindível; tratase de providência, até a presente data, não realizada, porém imprescindível à convicção do julgador; a Recorrente anexa a seguinte documentação ao processo nº 10469.901670/201081, que trata de assunto idêntico ao debatido no presente processo: a) Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); c) Cópias das DCTFs relativas aos fatos geradores de janeiro a dezembro/2006, com 333 folhas; d) Cópia da DIPJ do anocalendário de 2006, período de 01/01/2006 a 31/12/2006, emitida com certificação digital, com 32 folhas. Este é o Relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901096/201061 Resolução nº 1802000.185 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação – DCOMP, em que utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ, relativamente à quitação do ajuste anual do anocalendário de 2006. A Delegacia de origem, por meio de despacho eletrônico, não homologou a compensação. A negativa foi motivada pelo fato de o referido pagamento já ter sido utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Em suas peças de defesa, a Contribuinte vem informando que o valor total do IRPJ no período é de R$ 1.705.960,03; que após a dedução das retenções e das estimativas, o saldo de IRPJ a pagar no ajuste é de R$ 121.764,39; e que ela recolheu R$ 208.000,00, o que teria gerado o crédito no valor de R$ 86.235,61. A decisão da Delegacia de Julgamento, mantendo a negativa em relação à pretendida compensação, está assim fundamentada: [...] 7. Esta 4ª. Turma da DRJ/Recife, 22/08/2012, efetuou o julgamento administrativo daquele contencioso do Processo 10469.091670/2010 81, nesta mesma sessão de julgamento, por meio do qual ficou decidido, por unanimidade de votos, manter o Despacho Decisório, não homologando o crédito tributário de R$ 86.235,61 ali pleiteado, uma vez que o DARF no valor de R$ 208.000,00, que seria a origem do crédito, tem o mesmo valor informado na última DCTF ativa da contribuinte que informa o débito de IRPJ sob o código de receita 2430, referente ao anocalendário de 2006, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 34 a 36, a qual se constituiu em confissão de dívida. 8. Portanto, além da PER/Dcomp que consta informada como origem do crédito, a de nº 15394.96347.240608.1.3.040094, não mais existir, uma vez que foi retificada/cancelada, até se chegar naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, temse que esta última foi objeto de julgamento por essa 4ª Turma da DRJ/Recife nesta mesma sessão de julgamento, que decidiu por manter o Despacho Decisório de NÃO HOMOLOGAÇÃO da PER/Dcomp, em função da falta de comprovação do crédito ali defendido, o qual, na verdade, consta confessado em DCTF, que ainda se encontra ativa, conforme as fls. 34 a 36. 9. Em função disso, as PER/Dcomp, a exemplo da presente de nº 14471.47759.140710.1.7.040940, que pretendiam se utilizar do suposto crédito, que teria origem naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, constante do referido Processo 10469.091670/201081, embora tais PER/Dcomp citem como origem Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901096/201061 Resolução nº 1802000.185 S1TE02 Fl. 7 6 do crédito a PER/Dcomp Inicial nº 15394.96347.240608.1.3.040094, que já não existe mais, na verdade, terão, todas elas, o seu pleito indeferido, tendo em vista que, como já mencionado, não restou comprovado o crédito pleiteado naquela PER/Dcomp nº 34969.80386.130710.1.7.041989, mas, ao contrário, foi confessado e assim se manteve informado na última DCTF ativa da contribuinte que se refere a tal crédito de IRPJ, código 2430, período de apuração 31/12/2006, conforme fls. 34 a 36. 10. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Vêse que a decisão da DRJ decorreu de outra decisão proferida por aquele mesmo órgão no processo nº 10469.091670/201081, onde foi realizado o exame do alegado direito creditório. Aquela outra decisão da DRJ (Acórdão nº 1136.368), que não reconheceu o crédito pleiteado, está assim fundamentada: [...] 10. Percebese, portanto, que os valores informados em DIPJ possuem mero caráter informativo, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF vão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. 11. Se a contribuinte verificar a ocorrência de erro na apuração de tributo informado em DCTF, deve providenciar a entrega da correspondente DCTF retificadora antes de qualquer procedimento de ofício. 12. Em consulta ao sistema DCTF, realizada por este relator, verifica se que a última DCTF apresentada pela contribuinte em que informa o IRPJ do ajuste anual do anocalendário de 2006 (período de apuração de 31/12/2006), código de receita 2430, é aquela DCTF retificadora/ativa de março de 2007, apresentada em 13/06/2008, conforme fls. 40 a 42, em que o valor ali confessado é justamente de R$ 208.000,00 e não os R$ 121.764,39 informados na sua DIPJ transmitida em 13/07/2010. Além disso, a interessada não acostou aos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Conclusão 13. Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU a compensação pleiteada na PER/Dcomp objeto do presente processo. Ao não retificar a DCTF antes de enviar a DCOMP, de fato, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901096/201061 Resolução nº 1802000.185 S1TE02 Fl. 8 7 Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio da DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não uma declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – DCOMP (14/07/2010), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado em valor maior que o devido, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se falar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou a Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado a DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que o saldo a pagar de IRPJajuste (apurado na DIPJ retificadora) era de R$ 121.764,39 (e não R$ 208.000,00, como declarado em DCTF). Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações, como fez a Delegacia de Julgamento. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901096/201061 Resolução nº 1802000.185 S1TE02 Fl. 9 8 Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, ancorada também no fato de a Contribuinte não ter retificado a DCTF antes do despacho decisório, a Delegacia de Julgamento mencionou que ela não acostou aos autos qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar erro na DCTF retificadora/ativa em que o valor de R$ 208.000,00 está confessado. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário apresentado no processo nº 10469.091670/201081 (que trata do mesmo crédito e que está sendo examinado nesta mesma sessão do CARF) cópias do Livro Diário (contendo a Demonstração do Resultado do Exercício), do Livro Razão, da DIPJ e das DCTF do período, fazendo também uma série de considerações sobre as rubricas que interferem na apuração do IRPJ. Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.901096/201061 Resolução nº 1802000.185 S1TE02 Fl. 10 9 1) verifique e informe: o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Natal/RN atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10680.907524/2008-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de CSLL decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-001.065
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de CSLL decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 126 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 28.08.2004, fls. 4958, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$2.383,03 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29.10.1999. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 30.07.2008, fl. 59, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 26.08.2008, fl. 01, apresentando a seguinte planilha esclarecendo que retificou os dados originalmente informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 1999 Demonstrativo da Compensação da CSLL na DIPJ do anocalendário de 1999 CSLL apurada R$14.059,33 () 1/3 da Cofins compensável com a CSLL R$6.274,13 () CSLL paga por Estimativa R$9.755,50 (=) CSLL a Pagar (R$1.970,36) CSLL Paga em 07.04.2000 R$4.303,87 (=) Total de CSLL a Pagar (R$6.274,11) (=) Total de CSLL a Pagar Corrigida até 31.07.2001 (R$7.907.91) Finalmente questiona “poderíamos compensar o saldo remanescente [no valor de R$1.586,68 e] de que forma?” Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0229.078, de 20.10.2010, fls. 6165:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 127 3 Data do fato gerador: 29/10/1999 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Notificada em 28.03.2011, fl. 75, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.04.2011, fls. 7677, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Temos a informar ainda, que na PER/DCOMP 22.899.09890.260804.1.3.04 3396, indevidamente foi oferecido o DARF código 2484 de CSLL ESTIMATIVA MENSAL, como se este valor tivesse sido pago indevidamente. O que ocorreu foi que nossa funcionária, não achando campo no qual pudesse colocar CSLL BASE NEGATIVA, lançou mão de um DARF da relação de pagamentos do ano de 1999, especificamente o do mês de setembro de 1999 no valor de R$2.363,03, cujo o valor mais se aproximou do valor corrigido da BASE NEGATIVA DE CSLL, para justificar o PER/DCOMP, e consequentemente o direito da compensação dos débitos acima. Estamos informando porque pelo PER/DCOMP, não fica clara esta situação, que esperamos fique esclarecida agora. Esperamos mais uma vez contar com a anuência e a compreensão do senhores, Auditores Fiscais Da Receita Federal do Brasil. Atenciosamente, É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 128 4 Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. A presente 1ª Turma Especial da 1º Seção do CARF examinando esta mesma questão de direito, pacificou o entendimento, de acordo com o Acórdão nº 180100.597 proferido pela Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez na sessão de julgamento de 28.06.2011 no processo nº 19647.010657/200610, no seguinte sentido: 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 129 5 A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do ano calendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do ano calendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 130 6 própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 131 7 Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 132 8 Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 133DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 133 9 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 134 10 §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 135 11 Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 136 12 no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 137 13 a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 138 14 Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado Acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito [...] e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 139 15 devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de CSLL, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19724. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.907524/200831 Acórdão n.º 180101.065 S1TE01 Fl. 140 16 conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso5. Com efeito, para o deslinde da questão, é imprescindível a análise respeito da juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2006, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o conseqüente retorno dos autos à turma julgadora de primeira instância para análise do mérito do litígio, ou seja, verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10735.003481/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. NOVOS RECIBOS. DECLARAÇÃO.
Quando a fiscalização glosa as despesas médicas unicamente porque os recibos não apresentam todos os requisitos exigidos pela lei, documentação apresentada pelo contribuinte, na forma de novos recibos e declaração do médico responsável, nos quais se identifica todos os elementos necessários, é suficiente para afastar a glosa.
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. UNIMED. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Quando a autoridade julgadora, primeira a apreciar documentação apresentada pelo contribuinte, entende que basta a apresentação de documento que identifique os valores do beneficiário do plano de saúde para afastar a glosa, basta a apresentação de tal documento para afastar a glosa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 24.839,60, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães que dava provimento parcial ao recurso em menor extensão.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013)
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RECIBOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. NOVOS RECIBOS. DECLARAÇÃO. Quando a fiscalização glosa as despesas médicas unicamente porque os recibos não apresentam todos os requisitos exigidos pela lei, documentação apresentada pelo contribuinte, na forma de novos recibos e declaração do médico responsável, nos quais se identifica todos os elementos necessários, é suficiente para afastar a glosa. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. UNIMED. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Quando a autoridade julgadora, primeira a apreciar documentação apresentada pelo contribuinte, entende que basta a apresentação de documento que identifique os valores do beneficiário do plano de saúde para afastar a glosa, basta a apresentação de tal documento para afastar a glosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$ 24.839,60, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães que dava provimento parcial ao recurso em menor extensão. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 34 81 /2 00 8- 30 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 218 2 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/CGE (Fls. 90), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de impugnação apresentada pela interessada supra contra o lançamento de ofício do IRPF do Exercício 2007, AnoCalendário 2006, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 02 a 05, decorrente da revisão de sua declaração anual, onde foi apurado imposto suplementar de R$ 9.480,67 mais multa de ofício e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 17.882,43. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fls. 10 v.), a autoridade fiscal informou que foi glosado o valor de RS 34.475,17, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução, e complementou a descrição dos fatos com a informação de que os recibos emitidos por Laidia Luiza Nogueira, Mauro Lucio da Terra Pereira e Willames dos Santos estão em desacordo com a legislação do IRPF, que não foi apresentado o comprovante de despesas médicas do INSS no valor de R$ 2.902,21 e que os comprovantes da Unimed Nova Iguaçu referemse ao ano base de 2005 não podendo ser aproveitados em 2006. Na impugnação de fls. 01/02, apresentada em 19/08/2008, a interessada alegou, em suma, que os recibos encaminhados inicialmente foram refeitos pelos profissionais indicados, observando as exigências do manual do contribuinte no item referente a comprovação dos pagamentos; que as despesas do INSS se referem ao desconto mensal que a instituição realiza no holerite da interessada, a título de plano de saúde, conforme item 6 do comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte anocalendário 2006; e que, quanto aos comprovantes da Unimed Nova Iguaçu, referentes ao ano base 2006, os mesmos foram trocados com os de 2005, na elaboração da declaração, sendo o valor dedutível declarado menor que o correto, que deveria estar acrescido de R$ Fl. 218DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 219 3 1.706,24. Acompanharam a impugnação os documentos de fls. 03 a 46. Instruem ainda os autos os documentos de fls. 47 a 61, incluindo consultas a sistemas de informação da Receita Federal e cópia da DIRPF/2007 processada da interessada. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. É permitida a dedução na declaração anual de despesas médicas relativas ao tratamento do contribuinte e de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas. Cabível a dedução como despesas médicas de pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, comprovada por documento emitido pela fonte pagadora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada em 06/06/2011 (Fls. 100), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 04/07/2011 (fls. 101), reiterando os argumentos apresentados quando da impugnação, acrescentando ainda: (...) A recorrente ao informar as despesas realizadas do plano de saúde "Unimed" apresentou as despesas realizadas no ex./2005 no valor de R$14.572,96 e não a do ex./2006 ou seja R$16.279,20 (...) Pelo Demonstrativo antes apresentado (a), e pelo demonstrativo (b) acima apresentado a recorrente teria uma diferença a seu favor na ordem de R$469,22, pois seu recolhimento foi maior do que o acima apresentado. Os documentos da apuração dos itens a e b acima narrados, estão anexados aos presentes autos e são de números 01 a 10. Expõe a recorrente que as despesas acima apresentadas estão sendo deduzidas em sua DIPF, tendo em vista que realmente foi ela que as resgatou, pois os rendimentos de seu esposo não eram suficientes, não cobrindo assim as compras de seus medicamentos, suprimentos e os de higiene pessoal, o qual era portanto seu dependente financeiro. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 220 4 Argui ainda em preliminar a recorrente que a impugnação antes apresentada foi genérica, pois bem: Não foi pedida a especificação dos serviços prestados pelos profissionais Laídia Luiza Nogueira, Mauro Lucio da Terra Pereira e Willames dos Santos, nem a quem foram prestados. Os recibos desses profissionais foram refeitos no Recurso nos moldes dos recibos fornecidos pelo Dr. Ricardo de Albuquerque Carneiro, aceitos pela Receita Federal na sua declaração. Os recibos da Unimed foram contestados por não serem do ano base 2006, não sendo arguida titularidade do usuário e dependente. O valor declarado de R$2.902,21, estava correto não cabendo rejeição da Receita Federal na Declaração de IR. Da Impugnação do Recurso 1) As exigências constantes da impugnação do Recurso poderiam ter sido solicitadas, com detalhes, quando da impugnação da Declaração em 07/2008. 2) Passaramse quase três anos para a recorrente conhecer da impugnação do recurso, recebida em 06/06/2011. 3) Tornase difícil atender as novas exigências plenamente, porque no decurso de mais de quatro anos pessoas morrem, mudam de residência, de local de trabalho, de profissão, etc. O próprio marido da recorrente faleceu em 21/01/2010. 4) A forma como foi redigida a impugnação leva a um raciocínio préconcebido de que a recorrente tinha intuito de lesar o fisco, haja vista que até a regularidade dos profissionais que lhe prestaram serviços com seus órgãos de classe foi levantada , o que é descabido. O cliente ou paciente não tem como exigir do profissional liberal que lhe presta serviços, provar que está regular com seu órgão de classe ou com a Receita Federal. O fato dele fornecer um recibo com valores de que prestou serviços a alguém e recebeu por esses serviços, onde conste nos recibos todos os requisitos para ser identificado e responder pelo que declarou, assinou e carimbou, parece ser suficiente para ser arguido pelos órgãos competentes f responder pelos seus atos ilícitos e não penalizar os contribuintes por estes atos. 5) Corrobora ainda mais a predisposição das julgadoras em duvidar da honestidade da recorrente quando cita a ilustre relatora (fls. 64) que a autoridade lançadora pode solicitar comprovação e justificação das deduções pleiteadas pelos contribuintes, mormente se essas forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, grifo nosso. Os rendimentos declarados pela recorrente foram de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 221 5 R$123.091,72 (cento e vinte e três mil, noventa e um reais e setenta e dois centavos) e as despesas dedutíveis de R$41.302,54 (quarenta e um mil, trezentos e dois reais e cinqüenta e quatro centavos), logo compatíveis. 6) A recorrente pode pagar suas dívidas em dinheiro com cartões de débito ou crédito, que são as formas mais aceitas de pagamento por profissionais liberais e pelo comércio em geral. O pagamento em cheque é o menos aceito. Também não é obrigada a usar um cheque especificamente para cada valor pago, podendo englobar vários pagamentos em um único cheque e depois fazer esse pagamento em dinheiro a quem dever. Até porque o talão de cheques é cobrado pelo Banco ao cliente. Dos Esclarecimentos A Recorrente considerase pessoa digna e honrada. Apresenta declarações anuais de Imposto de Renda há mais de quarenta anos, na maioria das vezes em conjunto com seu falecido marido e nunca tiveram impugnada sequer uma das declarações apresentadas. No ano base 2006, exercício 2007 apresentou declaração em separado por lhe ser mais favorável mais favorável e consoante o permitido na legislação vigente. As despesas dedutíveis foram lançadas em sua declaração por ser de fato e de direito cabeça do casal. Seu marido é que era seu dependente financeiro. É fácil comprovar que a recorrente não era dependente financeira de seu marido. Basta comprovar as declarações de Francisco Gonçalves Corrêa no ano base 2006: valor bruto de seus rendimentos R$20.625,24 (vinte mil, seiscentos e vinte e cinco reais e vinte e quatro centavos). Valor bruto dos rendimentos de Diva Valente Corrêa, ano base 2006 R$52.868,68 (28.683,54 + 8.028,82 + 16.156,32, este último parcela isenta maior de 65 anos), não estando incluídos os valores de R$86.379,36 (oitenta e seis mil, trezentos e setenta e nove reais e trinta e seis centavos) que a recorrente recebeu e declarou no ano base 2006 devido a ação judicial que logrou êxito. Em janeiro de 2005 seu marido foi submetido a uma cirurgia para retirada da próstata. Era portador de doença de Parkison desde 1985, agravada a partir de 1999 e em decorrência da anestesia e da medicação da doença ficou quase paralítico, nos dois meses subseqüentes a operação, precisando de cadeira de rodas para se locomover. Voltou a usar a medicação e com fisioterapia domiciliar retornou a caminhar. Face a doença, que tinha a forma de rigidez muscular, andava trôpego e lentamente e caia com facilidade. Em 2006, seu PSA que era controlado mensalmente por exames laboratoriais voltou a subir e teve que ser submetido a cerca de 30 sessões de radioterapia no período Fl. 221DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 222 6 de 08/06/2006 a 20/07/2006. Novamente se agravou a doença de Parkison e só após a radioterapia voltou a fazer fisioterapia domiciliar até o final do ano de 2006, desta vez com o Dr. Mauro Terra. Em junho de 2005 a recorrente levou um tombo na rua caindo com o joelho em cima de um tampão de água ocasionandolhe sérios problemas no joelho direito. Fez algumas sessões de fisioterapia em clínica, mas a falta de tempo não lhe permitiu continuar o tratamento. Usava antiinflamatórios para minorar as dores. Seu marido lhe tomava muito tempo. Remédios na hora certa, ajuda no banho e mudança de fraldas, pois ficou com incontinência urinária após a operação da próstata. No final de 2005 a recorrente levou outro tombo em casa, torceu a perna e a coluna, ficando alguns dias paralisada. Em janeiro de 2006, logo nos primeiros dias, lhe apresentaram a Dr3 Laidia Luiza, fisioterapeuta recémformada, que dispunha de tempo e de horários flexíveis e passou a fazer fisioterapia domiciliar durante todo o aro de 20")b com ela. Felizmente os resultados foram satisfatórios e em poucos meses já estava caminhando bem e sem grandes dores na coluna. O tratamento dentário foi possível no ano de 2006 por ter a recorrente recebido o valor de R$ R$86.379,36 (oitenta e seis mil, trezentos e setenta e nove reais e trinta e seis cen'avos) oriundo de ação judicial favorável. Os valores pagos aos Drs. Ricardo de Albuquerque Carneiro e Willames dos Santos foram pagos pela recorrente com seu dinheiro, motivo pelo qual solicitou aos profissionais que os recibos fossem passados em seu nome. O tratamento com Dr. Ricardo foi feito pela recorrente e o de seu marido pelo Dr. Willames por questão de horários e dias mais favoráveis. O Plano de Saúde feito com a Unimed em maio de 2000 foi feito por seu marido. A recorrente não questionou a titularidade no plano para não ferir a vaidade masculina de arguir sua dependência financeira da esposa. Em 2006, no entanto, foi solicitada inversão de titularidade no plano de saúde, mas a Unimed não aceitou. Para tal, o plano precisaria ser rescindido e feito novo plano, o que não lhes interessou. Mesmo assim e no interesse de estar a recorrente procedendo licitamente com sua declaração de renda e deduções cabíveis, solicitou ao INSS que lhe fosse fornecido comprovante de que seu marido era seu dependente financeiro para todos os fins, inclusive no Imposto de Renda, o que lhe foi concedido, (doe. 30) e fora considerado seu dependente desde o ex./2006. Mesmo assim ao não considerar todo o exposto, a recorrente está com muitas dificuldades financeiras, pois os gastos com o seu exmarido hoje falecido, na busca incessante de reabilitálo, a levou a dispor de todas as reservas, por esta razão se o digníssimo Conselho não atender o solicitado declina a recorrente pela retificação de sua DIPF 2006/2007, deduzindo Fl. 222DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 223 7 as despesas concernentes a seus tratamentos, pois conforme documentos a própria Unimed enviou Declaração dos valores gastos por cada beneficiário pelo plano e ainda existem recibos de despesas médicas, odontológicas, fisioterápicas e outras conforme documentos anexos da própria recorrente. E assim, suplica pela retificação dos valores apurados anteriormente. Juntou ao seu recurso os seguintes documentos: Declaração IRPF ex. 2007,Anobase 2006; Recibos e declaração da fisioterapeuta Laidia Luiza Nogueira; Recibos de serviços odontológicos do Dr. Ricardo Carneiro; Recibo do fisioterapeuta Mauro Lucio da Terra Pereira; Recibos de serviços odontológicos do Dr. Willames dos Santos; Comprovante de rendimentos do INSS; Nota fiscal n° 21148 da Clin.Neurológica Prof. Fernando Pompeu; Nota fiscal de LFC Serv. Médicos; Nota fiscal n° 20141 de Clin.Neurol.Prof. Fernando Pompeu; Recibos Unimed; Petição a Unimed Nova Iguaçu datada de 14/06/2011. Declaração da Unimed respondendo a petição; Declaração em separado correspondente aos valores pagos a Unimed em 2006, usuário titular e dependente; Duas folhas correspondentes a regularização do plano pela recorrente após a morte do seu marido; Recibo da Unimed, pagamento referente ao mês 06/2011 onde continua a recorrente como dependente do titular falecido em 21/01/2010, por não haver mudança na titularidade do plano; Declaração fornecida pela fisioterapeuta Laidia Luiza Nogueira, esclarecendo serviços prestados a recorrente; Radiografia da coluna lombar da recorrente; Duas receitas da Clinica de Fraturas datadas de 18/08/05 e 19/09/05; Ressonância magnética realizada em 07/07/05 pela recorrente; Declaração do Dr. Willames dos Santos referente ao atendimento odontológico em Francisco Gonçalves Correa no ano de 2006; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 224 8 Declaração da Casa de Saúde N.Sr3 de Fátima referente a cirurgia realizada por Francisco Gonçalves Correa em 06/01/05; Exame histopatológico realizado em 26/10/2004 por Francisco Gonçalves Corrêa; Quatro folhas de exame anátomopatológico do Laboratório BGM realizado em 07/11/05 por Francisco Gonçalves Corrêa; Declaração do Centro Radioterápico referente a radioterapia de Francisco Gonçalves Corrêa no período de 08/06/06 a 20/07/06; Duas folhas de receituário do Centro Radioterápico datadas de 05/07/06 e 08/08/06; Inscrição de Francisco Gonçalves Corrêa como cônjuge e dependente da recorrente na GEAP datada de 04/08/98 e comprovação de titularidade na GEAP da recorrente na mesma data; Declaração da Clínica Neurológica Professor Fernando Pompeu constando que Francisco Gonçalves Corrêa estava em tratamento nessa clínica desde 1999, portador da doença de Parkison; Cinco receituários da Clínica Neurológica Prof. Fernando Pompeu referente aos anos de 2005 e 2009, paciente Francisco Gonçalves Corrêa; Cintigrafia óssea, Centro de Medicina Nuclear, paciente Francisco Gonçalves Corrêa, datada de 18/04/2006; Declaração da Previdência Social informando que Francisco Gonçalves Corrêa é dependente da recorrente desde 2006 para todos os fins, inclusive Imposto de Renda (2 folhas); Sete folhas de extrato bancário, agência 0081, conta individual da recorrente, n° 080620, Banco do Brasil, ano de 2006; Vinte folhas da conta conjunta do Banco do Brasil agência 2148, conta n° 10401, ano de 2006, Francisco Gonçalves Corrêa e Diva Valente Corrêa; Declaração do Banco Itaú SA referente a solicitação de extrato bancário do Unibanco referente a conta conjunta da recorrente e seu marido ano de 2006, datada de 20/06/11, que será fornecida dentro de 15 a 20 dias após o requerimento; Declaração do motorista Ronildo; É o Relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 225 9 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme o relatório acima, permanecem em litígio apenas as glosas das despesas médicas relativas à profissional Laidia Luiza Nogueira, ao profissional Mauro Lucio da Terra Pereira, ao profissional Willames dos Santos, e Unimed Nova Iguaçu. Quanto as despesas com a UNIMED Nova Iguaçu, verificase nos autos que para a fiscalização foram apresentados documentos referentes ao ano base de 2005, e que os documentos referentes ao ano base de 2006 somente foram anexados por ocasião da impugnação. Deste modo, tenho o entendimento que realmente caberia a DRJ a apreciação e a emissão de juízo de valor acerca de tais documentos. Dentro deste contexto, a DRJ proferiu o seguinte juízo; in verbis: Com relação aos valores que teriam sido pagos à Unimed Nova Iguaçu, verificase que os documentos de fs. 08 a 19, títulos emitidos por essa cooperativa para pagamentos mensais, indicam como sacado o nome de Francisco G Corres e o nome da interessada como dependente. Tais documentos apenas comprovam o valor pago em cada mês pelo titular do plano de saúde, mas não fornecem informação sobre o valor que se refere a cada beneficiário do plano. Visto que o Sr. Francisco apresentou Declaração de Rendimentos separada no Exercício 2007, a interessada somente poderia deduzir em sua Declaração os valores pagos ao plano de saúde em seu próprio benefício, porém, não consta dos autos comprovação efetiva que permita identificar o valor que ela teria direito a deduzir.(pág 92 dos autos) Portanto, entendeu a DRJ que a contribuinte poderia deduzir valores pagos a UNIMED em seu benefício, desde que houvesse condições de identificar o valor a ela referente. Ante tal entendimento da DRJ, a contribuinte, em seu recurso, juntou documento emitido pela UNIMED, que permite identificar que o valor de R$8.139,60 foi pago em seu benefício. (Pág. 136 dos autos) Assim, entendo que a contribuinte supriu a falta apontada pela DRJ, devendo, por conseguinte, ser restabelecido a despesa médica relativa a UNIMED no valor de R$8.139,60. Quanto as glosas das despesas médicas relativas à profissional Laidia Luiza Nogueira, ao profissional Mauro Lucio da Terra Pereira, ao profissional Willames dos Santos, verifico que tais despesas médicas foram glosadas pela fiscalização unicamente porque esta Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 226 10 entendeu que os recibos apresentados não estavam de acordo com a legislação do IRPF. (pág. 06 dos autos) Do exposto, se verifica que a fiscalização não requisitou, nestes casos específicos, provas à contribuinte da efetividade da prestação dos serviços, ou dos pagamentos. Por este motivo, não é o caso de se requerer, no presente momento, a análise do caso sob o aspecto da efetividade da prestação dos serviços, ou dos pagamentos; mas sim sob a ótica da adequação dos recibos e declarações como meios de prova na forma exigida pela fiscalização. Dentro deste contexto, buscando suprir a falha apresentada pela fiscalização, a contribuinte tratou de apresentar novos recibos e declaração (folhas 107 a 113 dos autos) da profissional Laidia Luiza Nogueira, que possibilitam identificar o paciente, o tratamento realizado, as datas dos pagamentos, os pagamentos, quem realizou os pagamentos, o médico emitente, e o endereço do médico emitente. Tratou ainda a contribuinte de anexar novos recibos emitidos pelos profissionais Mauro Lucio da Terra Pereira (folha 42 dos autos) e Willames dos Santos (folhas 120 a 131 dos autos), que possibilitam identificar o paciente, o tratamento realizado, as datas dos pagamentos, os pagamentos, quem realizou os pagamentos, o médico emitente, e o endereço do médico emitente. Percebo ainda que a Recorrente juntou ao seu recurso cópias de exames e extratos bancários. Tais documentos foram anexados em virtude do entendimento da DRJ no sentido da necessidade de comprovação das prestações do serviços e dos efetivos pagamentos. Contudo, a DRJ não poderia inovar o lançamento, exigindo a comprovação das prestações do serviços e dos efetivos pagamentos. Bastando, para afastar as glosas realizadas pela fiscalização, a apresentação de documento que identifique o paciente, o tratamento realizado, as datas dos pagamentos, os pagamentos, quem realizou os pagamentos, o médico emitente, e o endereço do médico emitente. Assim, na presente situação, entendo que a documentação apresentada pela recorrente supre a prova requerida pela fiscalização, e é suficiente para reverter as glosas relacionadas a Laidia Luiza Nogueira, no valor de R$4.800,00, a Mauro Lucio da Terra Pereira, no valor de R$2.000,00, e a Willames dos Santos, no valor de R$9.900,00. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no montante de R$24.839,60. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10735.003481/200830 Acórdão n.º 2801002.966 S2TE01 Fl. 227 11 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13706.002077/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 Ementa: DIRPF. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. MULTA. A apresentação da DIRPF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do saldo do imposto a pagar, respeitado o limite de vinte por cento deste valor. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário para exigência da diferença de imposto, acrescido de multa de ofício de 75%. Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.643
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. MULTA. A apresentação da DIRPF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do saldo do imposto a pagar, respeitado o limite de vinte por cento deste valor. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário para exigência da diferença de imposto, acrescido de multa de ofício de 75%. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório WAGNER DIAS FERNANDES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRIO DE JANEIRO/RJ II (fls.43) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 04/09, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2000, no valor de R$ 3.948,03, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, e também de multa pelo atraso na entrega da declaração (R$ 6.431,45), perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 16.779,62. Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorre da revisão da DIRPF/2000 na qual foram apuradas as seguintes infrações: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, conforme informado pelas fontes pagadoras CENTRUS, BRASIL SEG. E BANCO CENTRAL DO BRASIL, nos valores, respectivamente, de R$ 15.915,00, com IRRF de R$ 4.016,63; R$ 23.757,29, com IRRF de R$ 1.723,99; e R$ 97.566,38, com IRRF de R$ 21.916,73. 2) Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada. Referese a diferença de rendimentos tributáveis, conforme informado por Brasilprev, no valor de R$ 3.406,00, com IRRF de R$ 551,90. 3) Multa pelo atraso na entrega da declaração. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que apresentou a declaração no prazo legal, na agência Barra Shopping dos Correios e que não sabe explicar o que pode ter ocorrido para a declaração não ter sido encaminhada tempestivamente para a Receita Federal. Reconhece que não pode comprovar a entrega da declaração nos Correios, pois extraviou os documentos. Diz que reencaminhou a declaração em 2004 e afirma que a não inclusão do valor de R$ 15.915,00, recebido de Centrus, se deve ao fato de se tratar de matéria sub judice. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, sobre a multa pelo atraso na entrega da declaração, a DRJ ressaltou que, apesar da alegação da defesa, os elementos carreados aos autos indicam que a declaração foi efetivamente entregue com atraso, sendo devida, então, a multa de ofício, que foi calculada corretamente. Sobre a alegação de que o valor de R$ 15.915,00, recebido de Centrus, não foi declarado por se tratar de matéria sub judice, a DRJ registrou que não há elementos nos autos que confirmem a alegação. O que há é uma DIRF segundo a qual o Contribuinte teria recebido rendimentos tributáveis, da referida fonte, no valor de R$ 15.915,02, com imposto retido na fonte de R$ 4.016,63. Embora o Contribuinte não tenha juntado as peças do tal processo, a DRJ informa que consultou nos sistemas do Poder Judiciário e constatou que o processo mencionado trata de ação coletiva e não consta informação de que o Contribuinte integre a ação. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13706.002077/200531 Acórdão n.º 220101.643 S2C2T1 Fl. 2 3 O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 15/03/2011 (fls. 48) e, em 15/04/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 49/50, que ora se examina, e no qual se limita a informa que juntou ao processo peças do processo judicial referido na impugnação e que comprovariam que integra a ação judicial em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento pelo qual se apurou omissão de rendimentos e também se exige multa pelo atraso na entrega da declaração. Sobre a multa pelo atraso na entrega da declaração, o Contribuinte não repete no recurso as ponderações que fez na impugnação. Como resta perfeitamente caracterizado o atraso na entrega da declaração, nada há para se rever no lançamento quanto a este item. Sobre a omissão de rendimentos, o Contribuinte se limita a afirmar que os rendimentos declarados como isentos referemse a matéria que se encontra sub judice. Pois bem, examinando os documentos de fls. 51/95 que, segundo o Contribuinte, comprovariam sua alegação, o que se verifica é que se trata de extratos e resumos da movimentação de mais de um processo, dos quais não se extrai nenhuma informação que impedisse o lançamento. Primeiramente, o que se verifica é que se trata de ações coletivas e não resta demonstrado nenhuma relação entre o objeto dessas ações e a matéria objeto do presente lançamento. E o Contribuinte também não aponta onde estaria essa relação, limitandose a afirmar, genericamente, que se trata de matéria sub judice. Nessas condições, não merece acolhida a alegação do Contribuinte. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003086/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO DO IRPJ. VERIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
Se o contribuinte não demonstra que as receitas correspondentes as retenções na fonte foram oferecidas à tributação na declaração, seu alegado crédito carece de certeza e liquidez, requisitos indispensáveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, para efeito da homologação tácita, começa a fluir a partir da protocolização do Pedido de Compensação
Numero da decisão: 1301-001.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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VERIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Se o contribuinte não demonstra que as receitas correspondentes as retenções na fonte foram oferecidas à tributação na declaração, seu alegado crédito carece de certeza e liquidez, requisitos indispensáveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos, para efeito da homologação tácita, começa a fluir a partir da protocolização do Pedido de Compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 30 86 /2 00 3- 11 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11610.003086/200311 Acórdão n.º 1301001.180 S1C3T1 Fl. 11 3 Relatório Em 27/02/2003, a contribuinte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/02), objetivando o aproveitamento de saldos negativos de IRPJ e da CSLL, referentes ao anocalendário de 2002, nos montantes de R$ 27.447.957,14 e R$ 9.523.625,49, respectivamente, para compensação de débitos diversos. Em 05/12/2003, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 87/92) HOMOLOGANDO INTEGRALMENTE as compensações declaradas em DCOMP nos respectivos valores declarados. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 20/01/2004 (fl. 93 verso) e dela recorreu a esta DRJ em 19/02/2004 (fls. 156/160). As alegações da interessada são resumidas a seguir. • Entre as argumentações da interessada temos a apresentação de DIPJ retifícadora informando os novos valores de saldos negativos nos valores de R$ 27.606.167,34 (fl.456) para o IRPJ e R$ 12.410.621,34 para a CSLL (fl.455). Referida DIPJ foi entregue em 16/07/2003 (fl.454), ou seja, antes da decisão da autoridade fiscal, ocorrida em 05/12/2003. • Outra alegação feita pela contribuinte diz respeito à confirmação por esta Delegacia de Julgamento dos valores informados na DIPJ retifícadora mediante decisão de 08/05/2007 (fls.407). No entanto, o referido ato administrativo não se trata de Acórdão proferido por esta Delegacia de Julgamento, razão pela qual não houve o reconhecimento de qualquer direito creditório à interessada. Ademais, o mencionado Despacho apresenta um equívoco, agora ressaltado, de fazer referência à DIPJ retifícadora, quando, na verdade, tratase de alusão à DIPJ original, ou seja, a análise da Derat/SPO foi baseada nesta declaração de rendimentos. • Dessa forma, a análise do direito creditório pela unidade deve levar em consideração a DIPJ retifícadora, pois, a mesma foi entregue antes do Despacho Decisório. • Quanto ao Despacho de fl.596 exarado pela Eqpir/Diort/Derat/SPO, em que a autoridade fiscal afirma ser da competência desta DRJ a apreciação dos questionamentos apresentados na manifestação de inconformidade, ressaltase que a DIPJ retifícadora e a DCOMP retifícadora (fls.341/342 – por exemplo) foram recepcionadas antes da referida decisão. Inclusive, os créditos discriminados na DCOMP mencionada, por exemplo, dizem respeito aos saldos negativos informados na DIPJ retifícadora (fl.342). Em virtude das contestações da requerente, o presente processo foi objeto de solicitação de diligência fiscal (fls.597/598) em que se solicitou à unidade de origem a análise da DCOMP RETIFÍCADORA, APRESENTADA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO de fls.87/92, e a tomada das demais providências cabíveis. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 A DERAT/SPO, em razão da solicitação desta Delegacia (fls.597/598), proferiu Despacho Decisório Retificador de fls.624/632 na data de 13/05/2010, em que houve a análise do direito creditório com base na DIPJ retifícadora apresentada pela contribuinte. Na decisão mencionada foi reconhecida à interessada os saldos negativos de R$ 27.319.607,38 (saldo na DIPJ de R$ 27.606.167,34) para o IRPJ e R$ 12.410.621,34 de CSLL (saldo na DIPJ de R$ 12.410.621,34), todos do anocalendário de 2002. Vêse que o reconhecimento do direito creditório para a CSLL foi integral e, parcial para o IRPJ relativo a diferença no valor de R$ 286.560,93 do saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2002, pelos seguintes motivos a seguir expostos: • O IRRF, referente à receita de prestação de serviços, não foi oferecida à tributação (IRRF de R$ 1.447,39), razão pela qual foi desconsiderado para fins de apuração de saldo negativo; • Validação parcial das compensações efetuadas em DCTF, cujos créditos foram analisados nos PAF de n° 10880.915266/200648 e 11610.018895/200247, no total de R$ 23.605.808,78. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório Retificador e dele recorreu alegando, em síntese: O método de valoração dos créditos e débitos ocasionou diferenças entre os montantes apurados pelo Fisco e os efetivamente compensados pela requerente. O valor compensado, de fato, totaliza R$ 43.663.892,92; • A diferença de R$ 286.560,93 (referente à estimativa do PA de 08/2002, cujo crédito foi apreciado no PAF n° 11610.018895/200247) provém do reconhecimento a menor do saldo negativo do ano calendário de 2001 do IRPJ, o qual foi utilizado na dedução da estimativa do PA ora discutido; • A diferença de R$ 286.560,93 está homologada tacitamente, pois já transcorreu o prazo para a homologação tácita das compensações (protocolo em 13/06/2003 e despacho decisório em 17/05/2010); • Pede o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do PAF n° 10880.915266/200648, o qual trata do direito creditório deduzido na estimativa do PA de 08/2002, objeto de glosa nestes autos. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPOI), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1626.638, de 10/09/2010 (fls.713), julgando improcedente a manifestação de inconformidade (não reconhecendo o direito creditório), tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO Constituem créditos a compensar ou restituir os saldos negativos de Imposto de Renda e da Contribuição Social apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11610.003086/200311 Acórdão n.º 1301001.180 S1C3T1 Fl. 12 5 O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo (AR, fl. 722) e, assente em lei. Dele conheço. Do relatado, em resumo, a lide restringese ao não reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 286.560,93, referente ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. As inconsistência apontadas no Despacho original, (com base em análise da DIPJ e Dcomp originais e não consideradas as declarações retificadoras), foram saneadas através do Despacho Decisório (Retificador) no qual foi reconhecido o SNIRPJ no valor de R$ 27.319.607,38, e o valor informado na DIPJ é de R$ 27.606.167,34, assim fundamentado: “A diferença apurada entre a autoridade fiscal e a informada em DIPJ retificadora pela contribuinte deriva de reconhecimento a menor por parte daquela da seguinte parcela constituinte do saldo negativo, ora pleiteado nos autos. • O IRRF, referente à receita de prestação de serviços, não foi oferecida à tributação (IRRF de R$ 1.447,39), razão pela qual foi desconsiderado para fins de apuração de saldo negativo; • Validação parcial das compensações efetuadas em DCTF, cujos créditos foram analisados nos PAF de n° 10880.915266/200648 e 11610.018895/200247, no total de R$ 23.605.808,78.” No recurso voluntário insiste a contribuinte que a estimativa de agosto de 2002 no valor de R$ 286.560,93 foi objeto de compensação, sem processo, no valor total de R$ 694.659,83 e, já foi homologada tacitamente. Aduz, ainda, que as argumentações trazidas em sede de Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário apresentados nos autos do processo n° 10880.915266/200648, é no sentido que a estimativa de agosto de 2002 foi homologada tacitamente em sua integralidade. Não pode a Agente Fiscal, após 7 (sete) anos do protocolo do pedido de compensação, deixar de homologar um valor que é objeto de análise em outro processo, nos termos dos §§ 2o. , 4° e 5o. do art. 74 da Lei 9.430/96. Do voto recorrido transcrevo os seguintes excertos, os quais adoto como razões de decidir: “Já em relação a ocorrência da homologação tácita, cabe esclarecer que o Despacho Decisório Retificador (fls.624/633) não se constitui de nova decisão, apenas retificou algumas inconsistências apuradas na decisão original (fls.87/92). A referida decisão foi proferida em 05/12/2003, em que foi decidida a homologação das compensações declaradas em DCOMP nos valores de R$ 27.447.957,14 para o IRPJ e R$ 9.523.625,49 para a CSLL. A nova análise apenas foi efetuada em razão de inconsistências apontadas pela contribuinte e que foram, portanto, saneadas por meio do Despacho Decisório de fls.624/633). Pelo disposto no § 5°, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso em questão, os pedidos de compensação foram protocolizados em 27/02/2003 (fls.01/02) e a ciência do Despacho Decisório da RFB deuse em 20/01/2004 (fls. 93verso), ou seja, Fl. 858DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 11610.003086/200311 Acórdão n.º 1301001.180 S1C3T1 Fl. 13 7 dentro do prazo determinado pela lei de regência. Afastada, portanto, a ocorrência da homologação tácita das compensações requeridas pela contribuinte. No que concerne ao pedido de sobrestamento do presente processo até o julgamento final do PAF n° 10880.915266/200648, o qual trata do direito creditório deduzido da estimativa do PA de 08/2002, objeto de glosa nestes autos, não merece prosperar, pois a compensação de créditos tributários, de acordo com o art.170 do CTN, somente pode ser deferida caso a contribuinte detenha direito creditório líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Pelo fato de a lide do PAF n° 10880.915266/200648 não estar solucionada com trânsito em julgado na esfera administrativa, impede à autoridade administrativa o seu reconhecimento, devendo, portanto, glosálo, conforme efetuado no referido Despacho Decisório de fls. 624/633. Objetivando melhor elucidar o caso, importante transcrever a legislação pertinente à homologação tácita dos pedidos de compensação. Dispõe o art. 74 da Lei n° 9.430/96, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). § 4o. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 5o. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003)" Dessa forma, não obstante o Despacho Decisório tenha sido objeto de reforma para saneamento das inconsistências apontadas, no caso, os pedidos de compensação formulados pela contribuinte em 27/02/2003, foram apreciados pela autoridade administrativa competente com ciência da decisão em 20/01/2004. Logo, não há como prosperar a alegação da contribuinte quanto à suposta ocorrência da homologação tácita de seus pedidos de compensação, não havendo, portanto, que se falar na extinção dos créditos por este motivo. Cumpre ressaltar que o presente processo foi objeto de decisão por esta mesma Turma de Julgamento, em sessão de 03/07/2012, por unanimidade de votos, foi convertido o julgamento em diligência, para que seja juntado, por prejudicialidade, os Autos do PAF no. 10880.915266/200648, para que sejam os dois processos julgados em conjunto (Resolução 1301000.065). Apreciado, nesta oportunidade, os autos do processo no. 10880.915266/2006 48, decidiu esta Turma Julgadora em dar provimento parcial ao recurso, mantendo a decisão da Fl. 859DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 8 autoridade julgadora de primeira instância, concluindo, que o saldo negativo de IRPJ apurado em 2001 foi totalmente utilizado, pelo que se convalida as compensações sem processo das estimativas de IRPJ de janeiro a julho de 2002 e convalido parcialmente a estimativa de agosto de 2002, restando um débito de R$ 286.560,93. Por fim, traz o recurso ora apreciado alegações pertinentes a evidente erro material no preenchimento das PER/DCOMPs, os quais motivaram a afirmação no Despacho Decisório retificador (fls. 624/625) de que a contribuinte teria solicitado a compensação de débitos no montante de R$ 136.964.802,92, mas, que, na realidade os valores declarados dos débitos totalizam R$ 43.663.892,92. De fato, compulsando a documentação carreada aos autos percebese que a partir do mês de junho de 2003, a contribuinte ao preencher as PER/DCOMPs inverteu os valores dos débitos e dos créditos, pelo que se constata nas DCTFs e DIPJs apresentadas. Vêse que os valores dos débitos que a recorrente pretendia compensar foram inseridos adequadamente nas DCTFs constantes dos autos, tendo sido retransmitidos para os Pedidos de Compensação no campo de “parcela utilizada do crédito original”, quando, na verdade, deveriam ter sido alocados no campo “valor original do débito compensado”. Constatado que, no caso, tratase de erro material e, em respeito ao princípio da verdade material, devese retificar o contido no Despacho Decisório reconhecendose que efetivamente o valor total dos débitos informados nos Pedidos de Compensação é no montante de R$ 43.663.892,92. De todo o exposto, meu voto é no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para retificar o Despacho Decisório com relação aos valores dos débitos informados em PER/DCOMPs e, mantenho o não reconhecimento ao direito creditório no valor de R$ 260.560,93. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 860DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726891/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 1996
Ementa:
IRPJ. VALOR APURADO NA DIPJ E NÃO DECLARADO EM DCTF. DEFESA DO SUJEITO PASSIVO PRETENDENDO ALTERAR BASE DE CÁLCULO SEM RETIFICAR DIPJ. IMPOSSIBILIDADE.
No lançamento por homologação cabe ao sujeito passivo a obrigação de apurar a matéria tributável e o quanto do imposto devido. Havendo erro quanto à apuração do tributo devido, o sujeito passivo pode retificar a DIPJ.
Nos casos em que o sujeito passivo apura imposto devido em DIPJ e não informa os valores em DCTF, a autoridade fiscal tem a prerrogativa de efetuar o lançamento para exigir os tributos apurados pelo próprio sujeito passivo, sendo incabível a pretensão do autuado, exercida mediante defesa, de alterar a base de cálculo sem retificar a DIPJ.
JUROS SOBRE A MULTA. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DO COLEGIADO. OBSERVÂNCIA PELO RELATOR EM FACE AO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL, RACIONALIDADE E EFICIÊNCIA DOS ATOS PROCEDIMENTAIS.
É entendimento majoritário do colegiado no sentido de que há incidência de juros pela taxa Selic em relação à multa aplicada.
Numero da decisão: 1402-001.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 Ementa: IRPJ. VALOR APURADO NA DIPJ E NÃO DECLARADO EM DCTF. DEFESA DO SUJEITO PASSIVO PRETENDENDO ALTERAR BASE DE CÁLCULO SEM RETIFICAR DIPJ. IMPOSSIBILIDADE. No lançamento por homologação cabe ao sujeito passivo a obrigação de apurar a matéria tributável e o quanto do imposto devido. Havendo erro quanto à apuração do tributo devido, o sujeito passivo pode retificar a DIPJ. Nos casos em que o sujeito passivo apura imposto devido em DIPJ e não informa os valores em DCTF, a autoridade fiscal tem a prerrogativa de efetuar o lançamento para exigir os tributos apurados pelo próprio sujeito passivo, sendo incabível a pretensão do autuado, exercida mediante defesa, de alterar a base de cálculo sem retificar a DIPJ. JUROS SOBRE A MULTA. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DO COLEGIADO. OBSERVÂNCIA PELO RELATOR EM FACE AO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL, RACIONALIDADE E EFICIÊNCIA DOS ATOS PROCEDIMENTAIS. É entendimento majoritário do colegiado no sentido de que há incidência de juros pela taxa Selic em relação à multa aplicada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório Pelo que se verifica da DIPJ de fl. 10, a recorrente, tributada com base no lucro presumido, informou ter obtido R$ 120.000,00 de receita correspondente ao percentual de 16% e o restante com percentual de 32%. Na DIPJ, em relação ao IRPJ, foram informadas os seguintes elementos: Trimestre Base de Cálculo Alíquota 15% adicional IRRF IRRF órgãos públicos IR a pagar 1º 1.849.699,66 277.495,45 178.996,97 42.543,56 93.171,47 320.777,39 2º 1.613.983,18 242.097,48 155.398,32 40.805,09 52.149,76 304.540,95 3º 1.516.134,16 227.420,12 145.613,43 25.605,63 110.996,27 236.431,63 4º 1.668.155,61 250.223,34 160.815,56 29.566,56 125.640,51 255.831,83 Apesar da DIPJ informar imposto a pagar, nos montantes acima referidos, quando se examinam as DCTFs apresentadsas pela recorrente, às fls. 04 a 07 ela não informou imposto a pagar. Do exame da Ficha 54 da DIPJ, à fl. 16, verificase que a recorrente prestava serviços para a Caixa Econômica Federal, Senado Federal, Tribunal Regional do Trabalho, Petrobrás Transportes – Madre de Deus; Petrobrtás Transportes – Fortaleza etc, sendo que para as empresas aqui nomInadas são identificados os seguintes serviços referentes ao código 6190, assimn descritos: “Serviços de abastecimento de água, telefone, correio e telégrafos, vigilância, limpeza, locação de mão de obra, intermediação de negócios, administração ou cessão de bens imóveis, móveis.” Além das empresas públicas antes referidas a DIPJ registra receitas auferidas de empresas particulares, tais como TWB BAHIA S/A; SAC SERVIÇOS DE ATENDIMENTO; SAER e, finalmente, receita advinda do Tribunal de Contas do Estado, da Procuradoria Militar, Petrobrás Distibuidora etc. Pelo que se extrai da fl. 25 dos autos, foi lavrado auto de infração para exigir exatamente os valores apurados na DIPJ, bem como a diferença de alíquota em relação aos R$ 120.000,00 mil reais tributados com base de cálculo de 16%, tendo a autoridade fiscal eleVadoa para 32%. Notificada, de forma tempestiva a recorrente apresentou impugnação de fl. 35 e seguintes, alegando, dentre outros fundamentos, repetidos no recurso, os seguintes pontos: Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 4 (i) que desempenha a atividade de agenciamento e intermediação de mão de obra temporária na área médica hospitalar, tal como delineado no artigo 4º da Lei nº 6.019, de 1974. Assim, da base de cálculo de sua receita deve ser retirado os valores repassados a título de encargos trabalhistas e sociais. Neste sentido reportase ao RESP 827194, DJ 24032008, p. 1 e à decisão do TRF4 na Apelação Cível 19605 PR; 2005.70.00196058); (ii) que a autoridade fazendária ignorou os valores efetivamente recolhidos, assim como aqueles retidos pelos tomadores dos serviços; (iii) No item III da impugnação a recorrente disserta sobre a natureza do agenciamento de mão de obra, argumentando que sua remuneração é apenas a taxa de administração. (iv) Finalmente, invoca em favor de sua tese o seguinte julgado da CSRF: A impugnação se fez acompanhada, dentre outros, dos seguintes documentos: 48 comprovantes de recolhimento de tributos, de fls. 86 e seguintes, referentes aos códigos 8109, 8408, 7767. comprovantes de retenções do IRRF. contrarto social de fls.; A DRJ julgou improcedente a impugnação sob o entendimento de que a autoridade fiscal limitouse a exigir o valor do imposto apurado pelo contribuinte em sua própria DIPJ. Em 13102011 (quintafeira) a parte interessada foi intimada do acórdão acima referido (fl. 1.432) e em 16112011 (primeiro dia após o feriado de 15 de novembro de 2011 que caiu numa terçafeira), ingressou com o recurso de fls. 1.445 a 1.471, repisando os argumentos articulados quando da impugnação, acrescentando, ainda, a inexigibilidade de juros sobre a multa. Na fl. 1.474 há certidão da autoridade preparadora informando que no dia 14 112011 não houve expediente, pois foi ponto facultativo em que se comemorou o dia do servidor público. É o relatório. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. No lançamento por homologação cabe ao sujeito passivo a obrigação de apurar a matéria tributável e o quanto do imposto devido. Em discordando da apuração feita pelo contribuinte a autoridade fiscal efetua o lançamento de ofício onde deve identificar o sujeito passivo, a matéria tributável, o período de apuração e o cálculo do valor devido. Nos casos em que o sujeito passivo apura a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente e o imposto a pagar, sem informar tal fato em DCTF (Declaração de Crédito Tributário Fiscal), podem surgir duas situações: a) a autoridade fiscal, em concordando com a apuração feita pelo sujeito passivo, lavra auto de infração para exigir o imposto apurado pelo próprio contribuinte, mais multa e juros; b) em discordando da apuração feita pelo sujeito passivo a autoridade fiscal identifica as omissões ou diferenças de alíquotas existentes e exige o respectivo imposto, acrescido de juros e multa. No caso dos autos pode se dizer que em relação aos R$ 120.000,00 (item 002 do auto de infração) tributados com alíquota de 16%, ocorreu a hipótese prevista na segunda parte da letra “b”, acima referida. A matéria tributável e a base de cálculo foram apuradas pelo próprio sujeito passivo. Discordouse apenas em relação à alíquota. Porém, em relação a tal item não há impugnação, dispensando maiores comentários neste recurso. Quando ao item 001 do auto de infração, em que o contribuinte apurou o imposto devido e não declarou em DCTF temse a situação descrita na letra “a”, antes referida, em que a autoridade fiscal limitase a exigir o imposto apurado pelo próprio sujeito passivo, não lhe sendo lícito, de ofício, alterar a DIPJ do contribuinte. Ainda que o artigo 142 do CTN diga que a constituição do crédito tributário é ato privativo da autoridade fiscal sabese que a declaração do contribuinte também é meio hábil à constituição de crédito tributário. Prestada declaração errada cabe a quem a declarou retificá la, no prazo de cinco anos, sob pena dela produzir os efeitos que lhes são inerentes. Em tendo alegado erro quanto à base de cálculo de sua declaração tal matéria somente poderia ser examinada por este colegiado e pela autoridade fiscal caso a parte tivesse retificadoa dentro do prazo de cinco anos, o que não se verificou no caso concreto. Estes fundamentos são suficientes para o julgamento do litígio resultando prejudicadas as demais alegações da parte recorrente. Contudo, em atenção ao que foi dito em Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 6 relação à jurisprudência do STJ como fundamento da pretensão da recorrente, observo que tal precedente encontrase superado e já decidido na sistemática do artigo 543C, DO CPC, e Resolução nº 08/2008 do STJ: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. SALÁRIOS E ENCARGOS PAGOS AOS TRABALHADORES CEDIDOS. INCIDÊNCIA. IRPJ E CSLL COBRADOS PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. 2. Questão já decidida sob a sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008 (REsp 1.141.065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º.02.10). 3. Com relação ao IRPJ e à CSLL cobrados pela sistemática do lucro presumido das empresas, aplicase o mesmo entendimento definido para os casos do PIS e da Cofins, tendo em vista a identidade dos fatos geradores. 4. "As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei". (REsp 963.196/PR, Rel. Min. Mauro Campbell, Segunda Turma, DJe 08.02.11) 5. Recurso especial não provido. (REsp 1267811, j. em 21 0302012). Não desconheço que na prestação de serviços de mão de obra é inviável a presunção de lucro presumido à alíquota de 32%. No entanto, a sistemática do lucro presumido é faculdade colocada à disposição do contribuinte, cabendo a ele optar entre o lucro presumido e o lucro real. O que não pode acontecer é pretender o melhor dos mundos de cada um dos regimes. Isto é, deduzirse todas as despesas como se fosse lucro real e aplicar base de cálculo do lucro presumido. Da alegação de não incidência de juros sobre a multa. Inicialmente, cabe observar que as multas punitivas1 objetivam desestimular a prática de infração. São constituídas por lançamento de ofício, consubstanciado na lavratura de auto de infração e representam sanção negativa, prevista em lei, que tem como suporte 1 Ao usar o termo multas punitivas não estamos nos referindo às multas de mora, que inobstante o caráter sancionatório, têm a função de induzir o sujeito passivo a cumprira obrigação até a data certa. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 7 fático atos omissivos ou comissivos, praticados por quem violou preceito de conduta obrigatória2. Conforme lição de Paulo de Barros, o “que permite distinguir a norma sancionatória, em presença da regra tributária, é precisamente o exame do suposto. Naquela, sancionatória, temos um fato delituoso, caracterizado pelo descumprimento de um dever estabelecido no consequente de norma tributária. Neste, um fato lícito, em que não encontraremos a violação de qualquer preceito, simplesmente uma alteração no mundo social a que o direito atribui valoração positiva”. 3 O artigo 161, do CTN, prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Nos termos do § 1º do artigo acima referido, “se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.” Por sua vez, os artigo 5º, § 3º, e 61, § 3º, ambos da Lei nº 9.430, de 1996, os quais grifei, disciplinam a matéria nos seguintes termos: Art. 5º. O imposto de renda devido, apurado na forma do artigo 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ... 3º. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... 2 Para o professor Paulo de Barros, no auto de infração encontrase uma norma individual e concreta em que o antecedente constitui o fato de uma infração, pelo relato do evento em que certa conduta, exigida pelo sujeito pretensor, não foi satisfeita segundo as expectativas normativas. Por força da eficácia jurídica que é propriamente de fatos, o consequente dessa norma, que podemos denominar de "sancionatória", estabelecerá uma relação jurídica em que o sujeito passivo ativo e a entidade tributante, o sujeito passivo é o autor do ilícito, e a prestação, digamos, o pagamento de uma quantia em dinheiro, a titulo e penalidade. (Curso de Direito Tributário. Ed. Saraiva. 22a. Edição. 2010. pág. 483. 3 Curso de Direito Tributário. 22a. Edição. 2010. Ed. Saraiva. pág. 483. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 8 § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Da conjugação dos dispositivos antes referidos temse a incidência de juros pela taxa Selic em relação aos débitos correspondentes a tributos e contribuições devidos à União. Aqui, desnecessário apontar a imprecisão terminológica do legislador ao fazer distinção entre tributo e contribuição, como se esta última não fosse espécie daquele. Bastava o legislador ter dito: “aos débitos para a União, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos em lei, incidirá juros.” Interessa identificar a possibilidade de se incluir as multas como se tributos fossem, pois o 3º do CTN, abaixo grifado, de forma expressa, excluiu as penalidades decorrentes de ato ilícito. Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. No momento em que o artigo 3º, de forma expressa, não inclui no conceito de tributo sanção decorrente de ato ilícito, necessário que se investigue a natureza da multa aplicada nos casos de lançamento de ofício. Sempre que houver necessidade de auto de infração é porque o sujeito passivo, de forma dolosa ou não, deixou de observar as exigências da lei. Nestas circunstâncias, além do tributo decorrente do fato gerador, exigese uma multa. Tal multa tem como causa não o fato gerador, mas sim a conduta do sujeito passivo que, por ato omissivo ou comissivo, deixou de cumprir com a obrigação prevista em lei. Quando se fala em juros sobre a multa não se pode confundir correção monetária, instrumento utilizado para manter o padrão da moeda, com juros. Igualmente, não se pode esquecer que a correção monetária, em matéria tributária, é sempre decorrente de lei. Da mesma forma que, em matéria tributária, a correção monetária é sempre decorrente de lei4, quanto aos juros temse o mesmo critério. No entanto, a questão aqui analisada não são os juros sobre os tributos, mas sim os juros sobre a multa. Se o legislador tivesse dito que “sobre os débitos para com a União incidirá juros calculados pela taxa selic”, não haveria dúvidas da incidência destes sobre a multa aplicada. Porém, assim não fez o legislador, mas nem por isto deve o interprete ficar limitado ao texto da lei. Há que analisar a norma como integrante de um sistema. Foi nesta linha de pensamento que, em ocasião passada, achei desprovida de qualquer raciocínio lógico a não incidência de juros sobre a multa. No meu entender, naquela ocasião, multa é débito tributário e sobre débito tributário deve incidir juros. Apesar de decisões do passado, reflexões acerca do tema continuam a me inquietar e refletir quanto a melhor aplicação do direito. Fiz análise comparativa da natureza 4 Ver RE 279931AgR/MG. Rel. Min. Maurício Correia. DJ 11102001, p. 00015. Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 9 das multas no direito penal e no direito tributário, para os lançamentos por auto de infração. A conclusão a que cheguei é que ambas decorrem de ação ou omissão que constitui violação de preceito obrigatório, cuja sanção prevista é o pagamento de determinada quantia em dinheiro. Juridicamente, não vejo distinção entre a pena de multa aplicada no direito penal e a exigência desta nas infrações tributárias. Se correta a premissa de a multa de ofício prevista no direito tributário e as multas pecuniárias do direito penal decorrem de infração, por ação ou omissão do agente imputado, a conclusão a que se chega é que tanto uma quanto a outra têm natureza sancionatória. O dolo e a culpa não dizem respeito à natureza jurídica da multa, mas sim a dosemetria, ou melhor, ao quantum da multa. Pode haver infrações culposas no direito penal punidas apenas com multa. Voltando à interpretação sistêmica, quando manifesteime entendendo incidir juros sobre a multa o fiz com base na premissa de que “se não aplicado juros e nem correção sobre a multa o valor desta corróise no tempo.” Porém, reflexões futuras apontaram certa insubsistência neste tipo de argumentação. Se adotar a tese de que, mesmo sem previsão em lei, a correção e os juros devem incidir como preceito de justiça, terseia que dizer que, igualmente, devem ser corrigidos os valores recolhidos a titulo de estimativas, carnêleão, IRRF etc. Não, não é assim, em matéria tributária correção monetária e os juros são sempre dependentes de lei. Nesta linha de raciocínio, qual seja, de que em matéria tributária a correção monetária e os juros são sempre dependentes de lei. Tendo o artigo 3º, do CTN, excluído do conceito de tributo as sanções decorrentes de atos ilícitos, têm que as multas devida, em caso de auto de infração são sanções impostas a quem deixou de observar preceito obrigatório, a conclusão a que chego é que, sem lei assim prevendo, não se pode cobrar juros sobre as multas decorrentes de sanções tributárias. Dentre os que pensam de forma diversa, e são maioria, há argumentos de que os juros sobre a multa somente incidem quando esta não é paga no vencimento, isto é, nos trinta dias subsequentes à notificação do auto de infração. Para estes a multa, quando não paga nos trinta dias subsequentes, assume a feição de crédito tributário, devendo incidir juros. O argumento é relevante, lógico e sedutor, mas me parece falho. Explico e exemplifico. Passados quatro anos, por hipótese, de determinada infração, a autoridade fiscal lavra auto de infração exigindo o tributo com juros e correção desde a data prevista para o pagamento deste. A multa, porém, é exigida sem juros. O argumento para a não cobrança de juros sobre a multa, desde o fato gerador, ao que parece, é que esta não teria natureza tributária, pois se assim fosse aplicar seia o disposto no artigo 5º, § 3º, combinado com o artigo 61, § 3º, ambos da Lei nº 9.430, de 1996. Todavia, pela tese dos que assim pensam, não pago nos trinta dias subsequentes à autuação, algo que não tinha natureza de tributo, num passo de mágica, sem previsão legal para tal, adquire tal qualidade ou atributo. Tal argumento, em que pese a autoridade de quem os defende, não me convence. Para a douta maioria, como a multa prevista no auto de infração deve ser paga no prazo de trinta dias após a notificação, a partir desta data temse uma obrigação pecuniária e sobre ela devem incidir juros, sob pena de não cumprir seu efeito inibitório. Porém, se impugnada, não se pode afirmar que o referido valor tornouse exigível nos trinta dias subsequentes à notificação. Assim, mais uma vez, o argumento me parece insubsistente. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10580.726891/200944 Acórdão n.º 1402001.118 S1C4T2 Fl. 0 10 Como não costumo me limitar ao texto da lei, ou melhor, procuro extrair da lei tudo quanto ela possa oferecer ao interprete, sem que este assuma o papel do legislador. No caso, ao ver a expressão tributo e contribuições me questionei se seria possível lei extrair do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a expressão multa. Não cheguei a tanto. Vi que o legislador chegou ao ponto de citar contribuições, espécie de tributo. Contudo, incluir multa, que sequer espécie de tributo é, equivale a fazer exigência sem lei. Cobrar juros sobre a multa é lógico, razoável e justo, mas para tal há necessário previsão legal, o que não há. Apesar dos fundamentos acima elencados, assim não entende a douta maioria deste colegiado, razão pela qual ressalvo meu entendimento pessoal, adotando, para efeitos deste julgado, o entendimento da douta maioria que nega provimento ao recurso no que diz respeito aos juros sobre a multa. ISSO POSTO, voto no sentido negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000765/2006-68
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratando-se de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.665
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 484 2 (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 221/226, com a exigência do crédito tributário no valor de R$264.465,71, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do anocalendário de 2002. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 057168 da agência nº 3713 do Banco Itaú S/A. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 217/220, foram analisados de forma individualizada os depósitos superiores a R$500,00 no montante de R$6.187.691,66, fl. 203, do qual restou sem comprovação de origem o valor total de recursos de R$529.408,41. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 25 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. inciso II do art. 249, parágrafo único do art. 251, art. 279, art. 282, art. 287 e art. 288 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 227/234 com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.539,24 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e inciso I do art. 2º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 485 3 III – O Auto de Infração às fls. 235/242 com a exigência do crédito tributário no valor de R$39.412,72 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Medida Provisória nº 1.858, de 24 de setembro de 1999, e Medida Provisória 1.807, de 25 de fevereiro de 1999 e parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 243/248 com a exigência do crédito tributário no valor de R$114.366,49 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. Cientificada em 12/12/2006, fls. 224, 232, 240, e 246, a Recorrente apresentou a impugnação em 11/01/2007, fls. 250/269, com as alegações abaixo sintetizadas. Argúi que apresentou no prazo legal todos os documentos solicitados. Defende que o procedimento fiscal é nulo, uma vez que o lançamento com base em depósitos bancários é ilegal e ainda que está eivado de vícios. Alega a impossibilidade de inversão do ônus da prova em decorrência da ausência de certeza de ocorrência do fato gerador. Diz que elaborou planilhas demonstrando a composição de todas suas contas bancárias que foram regularmente escrituradas. Informa Entretanto, apesar da contribuinte ter cumprido o seu dever de colaboração, respeitando todos os preceitos legais, escriturando suas contas bancárias de forma isenta de vícios, mesmo assim o Fisco, na ânsia da arrecadação, ignorou toda esta documentação e declarou incomprovadas as movimentações bancárias, sem produzir, salientese, prova alguma além da análise destas contas (regularmente escrituradas). [...] As contas foram regularmente escrituradas, gozam de fé publica. Não há que se presumir ter havido omissão de receita. [...] Isto posto, notase totalmente inconcebível manter o auto de infração calcandose apenas no art. 42 da citada lei. A presunção foi quebrada, como já se salientou e, a partir de então, caberia à Fiscalização comprovar realmente a omissão de receitas e não manter este Auto somente com fundamento em indícios. Acrescenta 2.1.34. O total dos depósitos bancários apurados pela autoridade fiscal, tomandose somente aqueles acima de R$500,00 (quinhentos reais), foi de R$6.187.691,66 durante todo o ano calendário de 2002 (fl. 207). 2.1.35. O total de recursos contabilizados na conta do passivo circulante da Impugnante — código 1146 a titulo de repasses de terceiros e que teve como contra partida a conta do Disponível — Bancos Conta Movimento foi de R$6.278.765,65, no mesmo período (fl. 160). 2.1.36. A diferença de um para o outro, caracterizase de forma clara e sem nenhuma margem de dúvidas, que está representada por créditos bancários abaixo de Fl. 493DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 486 4 R$500,00, transferências bancárias e outros lançamentos de ajustes ou estornos ocorridos no referido ano calendário de 2002. 2.1.37. Ainda contraargumentando, elaboramos nova planilha com todos os despachos de importação processados com a representação da lmpugnante durante o ano de 2002 (doc. 03), a qual, serve como prova irrefutável de o faturamento de R$123.979,00 foi o real do período e está representado pela regular emissão das notas fiscais de serviços (doc. 02). 2.1.38. Tudo aquilo que transitou por sua contacorrente bancária acima disso, referese obviamente á repasses de recursos de seus clientes para pagamento de impostos, taxas, contribuições e demais despesas aduaneiras nas operações de importação. 2.1.39. Conforme se depreende da análise da referida planilha (doc. 03), o total de importação dos despachos realizados foi da ordem de R$56.091.015,71 e o montante de impostos pagos foi de R$18.793.789,80, exceto aqueles oriundos de valoração aduaneira, recolhimento de ICMS, depósitos judiciais etc. 2.1.40. Os valores contidos na última coluna dessa planilha — denominado DARF recolhido, no total de R$199.741,25 deveria ser considerado pela autoridade no momento da elaboração do mapa "Valores com Documentos Disponibilizados", no total de R$5.564.683,56, por se tratarem de repasses de clientes transitados em conta corrente, devidamente comprovados e identificados, consoante cópias anexas (doc. 04). Procura demonstrar que o crédito tributário foi constituído por indício e que o depósito bancário tãosomente não pode ser considerado aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (art. 43 do Código Tributário Nacional). Informa que não houve observância do princípio da a hierarquia das normas, uma vez que o fato gerador de tributo deve ser definido por lei complementar (art. 146 da Constituição Federal). Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 3.1. Posto isso, pedese a essa justa Delegacia de Julgamento que: 3.1.1. seja julgado totalmente nulo o presente processo bem como o auto de infração dele constante, pelas incoerências expostas e, por conseqüência, seja afastada a penalidade consistente em recolher qualquer valor aos cofres públicos, seja a titulo de imposto, contribuição, multa ou juros; ou 3.1.2. seja julgado totalmente improcedente o presente processo bem como o auto de infração dele constante, pelas incoerências expostas, pois está provada a origem dos depósitos bancários e, por conseqüência, seja afastada a penalidade consistente em recolher qualquer valor aos cofres públicos, seja a titulo de imposto, contribuição, multa ou juros. Firme nestas razões, Aguarda deferimento. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 487 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0618.634, de 17/07/2008, fls. 412/426: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n° 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que a pessoa jurídica titular de conta bancária, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AFRONTA. Incabível a discussão, na esfera administrativa, quanto à possível inaplicabilidade da norma legal por ofensa a princípios constitucionais, tendo em vista o devido cumprimento As determinações legais inseridas no ordenamento jurídico bem como a vinculação e a obrigatoriedade da atividade administrativa. ATOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE. Refoge A. competência da autoridade administrativa a apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas Fl. 495DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 488 6 presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não constituem normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão Aquela objeto da decisão. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, desserve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. Notificada em 30/07/2008, fl. 431, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/08/2008, fls. 432/454, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta a demonstração das mutações do seu patrimônio e também dos sócios para defender que Estamos falando de uma base tributável apurada pela digna autoridade lançadora da ordem de R$529.408,41, ou seja, R$492.511,57 a mais do que a efetiva variação patrimonial da pessoa jurídica somada A da pessoa física dos sócios conforme demonstrado acima. Conclui Posto isso, pedese a este r. Conselho de Contribuintes que: 3.1 — reforme totalmente a decisão prolatada pela DRJ Curitiba em desfavor da Recorrente, para que seja julgado totalmente nulo o auto de infração constante do processo n° 10950.000765/200668, pelos vícios expostos e, por conseqüência, seja afastada a penalidade consistente em recolher qualquer valor aos cofres públicos, seja a titulo de multa ou de imposto; ou 3.2 — reforme totalmente a decisão prolatada pela DRJ Curitiba em desfavor da Recorrente, para que seja julgado totalmente improcedente o auto de infração constante do processo n° 10950.0007651200668, pelos vícios expostos e, por conseqüência, seja afastada a penalidade consistente em recolher qualquer valor aos cofres públicos, seja a titulo de multa ou de imposto; ou 3.3 — caso não atendidos os pedidos anteriores, reforme parcialmente a decisão prolatada pela DRJ Curitiba em desfavor da Recorrente, constante do processo n° 10950.000765/200668, pelos vícios expostos e, para que seja afastada a penalidade consistente em recolher qualquer valor aos cofres públicos a titulo de multa, obrigando a Recorrente a arcar apenas com valor dos impostos eventualmente não recolhidos. Firme nestas razões, Fl. 496DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 489 7 Aguarda deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que houve excesso de exação. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, fls. 01/02, do Termo de Início de Fiscalização, fls. 04/06, dos Termos de Constatação e Intimação Fiscal, fls.167/172, 174, 202/209, e 217/220, e finalizou em 12/12/2006 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 0224, 232, 240 e 246. Nestes termos, mostrase infundada a alegação da Recorrente de a autoridade fiscal não havia apreciado a documentação apresentada. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente suscita que os fatos tributáveis não estão comprovados. Sobre a realização de todos os meios de prova, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo Fl. 497DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 490 8 todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas e os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente discorda do procedimento fiscal dizendo que deve ser excluído da base da cálculo o valor de R$492.511,57 que caracteriza acréscimo patrimonial dela e dos sócios. Ainda aponta outras quantias que devem ser deduzidas por se tratar de recursos de terceiros. No que se refere omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, a Lei nº 9.430, de 1997, prevê: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 491 9 O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, positiva que, por presunção relativa, constitui omissão de receita os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. É regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da escrituração contábil da Recorrente, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre estes valores. Constatada a disparidade não justificada a origem dos depósitos bancários pela Recorrente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida. Ainda em relação à matéria, vale transcrever o enunciado de súmula do CARF n° 26, a qual é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF) que prevê: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A referida presunção legal é resultado de uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal. Restou comprovada a omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 057168 da agência nº 3713 do Banco Itaú S/A. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 217/220, foram analisados de forma individualizada os depósitos superiores a R$500,00 no montante de R$6.187.691,66, fl. 203, do qual restou sem comprovação de origem o valor total de recursos de R$529.408,41. Estes depósitos foram considerados omissão de receita em decorrência desta presunção legal que inverte o ônus da prova, ou seja, a autoridade fiscal fica desobrigada de comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabendo à Recorrente desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida, o que não ocorreu nos autos. A variação patrimonial da Recorrente e dos seus sócios no valor de R$492.511,57 não pode ser excluído da base de cálculo do tributo, por falta de previsão normativa. Ademais, foram considerados todos os valores constantes no Livro Diário, fls. 73/86, Livro Razão, fls. 87/160, na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 07/29 e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 211/216. Assim, os montantes anteriormente ao início da ação fiscal espontaneamente computados na base de cálculo tributos a que estava sujeita a Recorrente foram deduzidos para fins de apuração da base tributável de ofício. Também foi levado em consideração que a sua atividade econômica pressupõe a efetivação de recolhimentos por conta de clientes que a reembolsam mediante depósitos e transferências bancárias. Os registros contábeis destes valores, todavia, foram escriturados na conta Repasse de Terceiros 2.1.08.01.001.0001 do Passivo Circulante, código 1146, e não estão individualizados por cliente. Da mesma forma, as Declarações de Importação apresentam discriminações genéricas sem que sejam identificados os clientes e os documentos a que se referem as operações, em ofensa ao disposto no art. 258 do RIR, de 1999. Cabe ressaltar que a Recorrente tem o ônus de comprovar detalhada e individualizadamente todos os valores que lhe foram depositados coincidentes em datas e valores, inclusive aqueles porventura repassados pelos sócios. Em várias oportunidades a Fl. 499DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 492 10 Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem de parte recursos utilizados nessas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores na conta corrente nº 057168 da agência nº 3713 do Banco Itaú S/A, de acordo com o quadro demonstrativo às fls. 203/299. As provas do ilícito tributário constante nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos que demonstrem qualquer incorreção nos Autos de Infração, fls. 221/248. Assim, não cabem reparos aos procedimentos fiscais. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fixa: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 493 11 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Diferentemente do entendimento da Recorrente, a multa de mora é aplicável somente nos casos de pagamento espontâneo de tributo fora dos prazos de vencimento e antes do início do procedimento fiscal. De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) e depois de excluída a espontaneidade da Recorrente com a ciência do Termo de Início de Fiscalização, fls. 04/06, prevalece a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Portanto, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao PIS, à Cofins e à CSLL, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 501DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15889.000686/200742 Acórdão n.º 180100.665 S1TE01 Fl. 494 12 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/08/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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