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Numero do processo: 13984.001015/2006-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
SIMPLES MULTA DE OFÍCIO
SIMPLES - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA - ARTIGO 44, II DA LEI Nº 9.430/96 c/c ARTIGOS 71, 72 e 73 DA LEI Nº 4.502/64 - NECESSIDADE DE OCORRÊNCIA DE DOLO (ELEMENTO ESPECÍFICO) PARA CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE.
Numero da decisão: 9101-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Otacílio Dantas Cartaxo
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
Susy Gomes Hoffmann- Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 SIMPLES MULTA DE OFÍCIO SIMPLES - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA - ARTIGO 44, II DA LEI Nº 9.430/96 c/c ARTIGOS 71, 72 e 73 DA LEI Nº 4.502/64 - NECESSIDADE DE OCORRÊNCIA DE DOLO (ELEMENTO ESPECÍFICO) PARA CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 SIMPLES MULTA DE OFÍCIO SIMPLES MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA ARTIGO 44, II DA LEI Nº 9.430/96 c/c ARTIGOS 71, 72 e 73 DA LEI Nº 4.502/64 NECESSIDADE DE OCORRÊNCIA DE DOLO (ELEMENTO ESPECÍFICO) PARA CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Otacílio Dantas Cartaxo OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. Susy Gomes Hoffmann Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 10 15 /2 00 6- 12 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face de acórdão proferido pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que julgou irregular a aplicação da multa agravada, prevista no artigo 44, II da Lei 9430/96. Contra a Contribuinte acima identificada foram lavrados os autos de infração de fls.296 a 357, exigindo o recolhimento de valores referente aos seguintes tributos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, Imposto sobre Produtos Industrializados Simples, Programa de Integração Social Simples, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples, Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social Simples, e valores devidos a título de INSS Simples, consolidados em R$ 303.089,37 (Trezentos e três mil, oitenta e nove reais e trinta e sete centavos). Cientificada, a Contribuinte apresentou Impugnações (fls.369/410). Ao apreciar os presentes autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis Santa Catarina, julgou procedente o lançamento (fls.420/431), nos seguintes termos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2004 PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS NA CONTABILIDADE. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITAS. Caracterizamse como omissão do registro de receitas os valores dos pagamentos efetivamente realizados e não registrados na contabilidade da pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITAS. OPTANTES PELO SIMPLES. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13984.001015/200612 Acórdão n.º 9101001.740 CSRFT1 Fl. 518 3 Aplicamse à microempresa (ME) e à empresa de pequeno porte (EPP) todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA. O porcentual de multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n9 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (setenta e cinco por cento), será duplicado nos casos previstos nos arts. 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio), da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lançamento Procedente Inconformada, a Empresa impetrou Recurso Voluntário (fls.442/445) perante a 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que proferiu acórdão (fls. 451/459) assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Exercício: 2005 PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS NA CONTABILIDADE PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITAS. Caracterizamse como omissão do registro de receitas os valores dos pagamentos efetivamente realizados e não registrados na contabilidade da pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITAS OPTANTES PELO SIMPLES. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas. MULTA AGRAVADA LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL IMPROCEDÊNCIA Incabível o agravamento da multa de lançamento ex officio exasperada quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou Fl. 519DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 simulação por parte da autuada. A presunção legal de omissão de receitas caracterizada por pagamentos de compras não escriturados não justifica a aplicação da multa exacerbada. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que: A decisão recorrida contrariou a Lei ao afrontar o artigo 44, II da Lei nº 9.430/96, c/c os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4502/64. E contrariou também a prova dos autos, vez que desconsiderou as notas fiscais existentes às fls. 261/271 (notas fiscais da empresa Florestal Rio das Pedras Ltda.). Requereu por fim o restabelecimento da imposição da multa aplicada em sua modalidade qualificada. Ao apreciar a peça recursal (fls.473), o Presidente da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, admitiu o Recurso Especial. Devidamente cientificada da interposição do Recurso Especial pela Fazenda Nacional, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É em síntese o relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann O presente Recurso Especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a possível afronta a legislação e à evidência da prova. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13984.001015/200612 Acórdão n.º 9101001.740 CSRFT1 Fl. 519 5 Dispõe o artigo 44, II da Lei nº 9.430/96: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Como se pode perceber, para a qualificação da multa de ofício o intuito de fraude deve ser EVIDENTE, ou seja, o órgão fazendário deve demonstrar de forma minuciosa e justificada o dolo do Contribuinte. No caso dos autos, a multa qualificada foi aplicada pela ocorrência de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, como aponta o item 001 dos autos de infração (fls.306, volume 2) e também com fundamento nas notas fiscais fornecidas pela Empresas Klabin S.A. e Florestal Rio das Pedras Ltda. (fls. 215 e seguintes, volume 2). Como consta do Acórdão recorrido, o tema deste item da autuação pode ser assim descrito: No presente caso, do confronto entre os dados disponibilizados à Fiscalização por fornecedores (KLABIN S/A e FLORESTAL RIO DAS PEDRAS LTDA.) e a contabilidade do contribuinte, constatouse que pagamentos efetuados às pessoas jurídicas circularizadas não estavam escriturados. Regularmente intimada e reintimada a esclarecer a irregularidade detectada a contribuinte deixou de fazêlo, como se vê do Termo de Verificação Fiscal, fls. 360 a 362. Assim, configurouse a hipótese de presunção legal de omissão de receitas, prevista em lei, no caso as disposições do art. 281, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n2 3.000, de 26 de março de 1999, que tem por matriz legal os • art. 40 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 12, § 2°, do Decretolei n 2 1.598, de 1977. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Ademais, o Acórdão recorrido fundamentou a desqualificação da multa da seguinte forma: Em relação à irregularidade descrita no item 001 do auto de infração foi aplicada a multa de lançamento ex officio exasperada, ao percentual de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, fls. 306/307, sob a acusação de a contribuinte ter agido dolosamente, com evidente intuito de fraude, ao deixar de escriturar os pagamentos identificados pelo fisco, como se vê do TVF, segundo parágrafo da fl. 363. Neste particular entendo que a decisão a quo deve ser revista, em parte, para reduzir penalidade ao seu percentual normal de 75%, visto que a exigência fiscal descrita no item 001 do auto de infração ocorreu com base em presunção legal de omissão de receitas que, por si só, não autoriza a exasperação da penalidade. Quando a tributação resulte de presunção legal relativa, iuris tantum, as circunstâncias que possam a vir autorizar a exasperação da penalidade devem ser minuciosamente justificadas e comprovadas nos autos, o que não ocorreu no presente caso. Neste sentido é a jurisprudência desta Câmara como se vê do acórdão n° 108 07.390, de 28/05/2003, encimado pela seguinte ementa: "MULTA AGRAVADA — APLICAÇÃO — LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL — Incabível o agravamento da multa de oficio quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem de depósitos bancários não justifica a aplicação da multa exacerbada." Realmente, pelo que se verifica do TVF a autuação se baseou na presunção de receitas em virtude de pagamento feitos com recursos estranhos à escrituração. No entanto, pelos documentos constantes dos autos e pelas alegações consignadas no Recurso Especial, o Fisco não obteve êxito em comprovar o intuito doloso por parte do contribuinte, para caracterizar a fraude e consequentemente viabilizar a exasperação da multa que se pretende aplicar. Até porque, o conceito de evidente intuito de fraude não se presume, sendo muito mais do que a simples omissão de rendimentos quando ausente conduta material bastante para sua caracterização, injustificada portanto a imposição da multa agravada. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13984.001015/200612 Acórdão n.º 9101001.740 CSRFT1 Fl. 520 7 Assim, a quantidade de compras e os grandes valores que deixaram de ser escriturados, como alega a recorrente, geram a presunção de omissão de receitas, mas não se constituem em elementos suficientes para a configuração do intuito doloso de fraudar e sim em “simples” omissão de receitas. Desta feita, NEGO provimento ao Recurso Especial, para manter a multa de ofício nos termos do artigo 44, I da Lei 9.430/96, em consonância com o acórdão proferido pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 18 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Fl. 523DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11080.929218/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
Ementa:
BASE DE CÁLCULO.
Considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, condição resolutória para a sua eficácia, e que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.991-18, de 9 de junho de 2000, e que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para a COFINS, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3402-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel, Luiz Carlos Shimoyama e Fernando Luiz da Gama Lobo DEça.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: BASE DE CÁLCULO. Considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, condição resolutória para a sua eficácia, e que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.991-18, de 9 de junho de 2000, e que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para a COFINS, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel, Luiz Carlos Shimoyama e Fernando Luiz da Gama Lobo DEça.
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Considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, condição resolutória para a sua eficácia, e que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.99118, de 9 de junho de 2000, e que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para a COFINS, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Raquel Motta Brandão Minatel, Luiz Carlos Shimoyama e Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 92 18 /2 00 9- 68 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 119 2 Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF em Porto Alegre, que não homologou a compensação declarada por ausência de direito creditório oponível contra o Fisco. A interessada, preliminarmente, defende o direito à apresentação da presente manifestação de inconformidade, a qual teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos em aberto. No mérito, contesta o Despacho alegando que constatou a existência de valores pagos a maior a título das contribuições para o PIS e para a Cofins. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º, §2°, inciso III da Lei n° 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais que iriam ao encontro de suas alegações. A Delegacia de Julgamento de Porto Alegre (RS) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento a Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) A controvérsia que origina a presente demanda decorre do fato da Recorrente pretender cobrar o tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir as deduções previstas na Lei. Afirmam os Agentes do fisco que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal; b) Nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos; c) O artigo 3º da Lei 9.718/98 foi construído de forma lógica e coerente, sendo que somente a leitura integrada de todo o seu teor é que permite Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 120 3 delimitar com precisão o seu conteúdo e alcance. Seguindo passo a passo a norma legal, veremos que para a apuração da base de cálculo das contribuições, o sujeito passivo deve, em um primeiro momento, obter a receita bruta da empresa no período. Para tanto, deve proceder o somatório das grandezas previstas no parágrafo primeiro. Concluída esta parte, o resultado não corresponde a base de cálculo das exações, como pretende a Recorrente, visto que se faz necessário proceder as exclusões previstas no parágrafo segundo, inclusive aquela estatuída no inciso III, ou seja, as receitas transferidas para outras pessoas jurídicas; d) Conforme referido anteriormente, o direito líquido e certo da Impetrante violado pela Recorrente, decorre da letra do inciso III, do parágrafo 2º , do artigo 3º da Lei 9.718/98. Este dispositivo legal entrou em vigor em fevereiro de 1999 e foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, publicada no Diário Oficial da União do dia 10 de junho de 2000. Considerando que a revogação da norma que previa a exclusão das receitas transferidas para outras pessoas jurídicas, implicou em majoração das referidas contribuições, sua aplicação deve respeitar o princípio da anterioridade nonagésimal, previsto no parágrafo 6º do art. 195 da Constituição Federal e artigo 150, III, " c " da mesma Carta; e e) Demonstrado o conteúdo e o alcance dos termos do art. 3º , § 2°, III da Lei 9718/98, bem como a total improcedência dos argumentos que pretendem condicionar a sua eficácia ao advento de normas regulamentares, cumpre ressaltar que a Impetrante tem o direito de efetuar a compensação do montante que lhe foi indevidamente exigido pela Autoridade Fazendária, com parcelas vincendas das próprias contribuições. Termina sua petição recursal requerendo que seja dado provimento ao recurso com a conseqüente reforma da decisão, sendo concedido e reconhecido o direito liquido e certo da contribuinte compensar a importância recolhida indevidamente. É o Relatório. Voto Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 121 4 Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Compulsando os autos, verificase que a pedra angular do litígio posto nos autos restringese em analisar a aplicação do parágrafo 2, III, da Lei nº 9.718/98. Ressalto que o inciso III do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 determinava que fossem observadas as normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, as quais nunca foram editadas. Avulta de importância uma breve passeada pela legislação que regulou e regula a incidência e a base de cálculo da COFINS. Vigoram a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, as Leis nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e a nº 10.833, de 29, de dezembro de 2003, estas duas últimas as que instituíram o regime da nãocumulatividade da Contribuição para a COFINS. Colaciono os dispositivos de interesse: LEI COMPLEMENTAR Nº 70, DE 1991. Art. 1º Sem prejuízo das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Programa do Patrimônio do Servidor Público PASEP, fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas, inclusive a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2º A contribuição de que trata o artigo anterior será de 2% (dois por cento) e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. (...) LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 122 5 § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III – revogado pela Medida Provisória nº 2.15, de 2004; IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 3º revogado pela Lei nº 11.051, de 2004; § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos; Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 123 6 III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. § 7º As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (...) LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002. Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; V referentes a: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 124 7 a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (...) LEI No 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...) Resta claro pela evolução legislativa que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998, encontrase revogado expressamente pelo disposto na alínea “b” do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória no 1.99118, de 2000, publicada no Diário Oficial da União do dia 10 seguinte, atual art. 93, V, da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, e, como se constata, a legislação tributária superveniente não contempla entre as hipóteses deduções e exclusões permitidas da base de cálculo das mencionadas contribuições, valores que computados como receita bruta tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 125 8 Após a citada revogação, a antiga Secretaria da Receita Federal editou o Ato Declaratório SRF no 56, de 20 de julho de 2000, a respeito da matéria, assim dispondo: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991 18, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Neste sentido devese dizer que os valores a que se referia o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998, efetivamente eram receitas das empresas. Não se tratavam de reversões de provisões, descontos ou vendas canceladas, em relação às quais não ocorria o ingresso de numerário na empresa, e sim de efetivas receitas das pessoas jurídicas. O referido dispositivo legal condicionou a exclusão de valores da base de cálculo da COFINS a três fatores, a saber: a) Que tenham sido computados como receitas; b) Que tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica; e c) Que atendessem às normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo. Não é preciso despender muita energia mental para concluir que a regra que previa a exclusão dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não era autoaplicável, tendo em vista que sua utilização estava condicionada à observância de regulamento a ser baixado pelo Poder Executivo. A delegação de competência para o Poder Executivo regulamentar dispositivos de lei é corrente na legislação pátria. A título de comentário, basta lembrar o caso da compensação tributária. Apesar de ter sido prevista no Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, em seu art. 170, somente passou a ser aplicável com o advento da Lei nº 8.383, de 1991, portanto, 25 anos após. Inserese dentro do poder discricionário do Poder Executivo, delegado pelo legislador infraconstitucional, a indigitada regulamentação. Consoante tal poder, o Executivo não regulamentou o dispositivo. E antes que regulamentação alguma fosse feita, o mesmo Poder Legislativo, que a delegara ao Executivo, revogou o dispositivo. Os fatos ou atos jurídicos sujeitamse a três planos: o da existência, o da validade e o da eficácia. Dirseá que a norma encartada no inciso III, do § 2º, do art. 3º Lei no 9.718, de 1998, enquanto vigeu, passou Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 126 9 pelo plano da existência, da validade, mas não atingiu o da eficácia, pois esta não se concretizou pela inexistência da regulamentação indispensável. A conclusão a ser tirada é que o legislador ordinário preferiu deixar a definição dos parâmetros a serem respeitados na efetivação da citada exclusão para o Poder Executivo. Até porque, se tinham os tais valores a natureza de receitas, ordinariamente integravam a base de cálculo das aludidas contribuições, já que incidentes sobre o faturamento. Quisesse o legislador ordinário permitir a autoaplicabilidade do referido comando legal, não teria ele imposto a condição determinando que fossem “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”. Na linha do entendimento fixado, resta apoditico que a regra prevista no inciso III, do § 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 carecia de uma condição resolutória para sua eficácia, qual seja, a regulamentação pelo Poder Executivo. Como o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, muito pelo contrário, foi revogado, é possível asseverar que ele não produziu eficácia para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para a COFINS. Como todos os créditos envolvidos nas compensações deste processo são oriundos da aplicação do citado dispositivo, entendo que não há indébito a ser restituído ao recorrente. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 127 10 Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Diante dessa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.929218/200968 Acórdão n.º 3402002.294 S3C4T2 Fl. 128 11 No caso em epígrafe, resta amesquinhada e desprovida de força a possibilidade de compensação, haja vista que o recorrente não é credor da Fazenda Pública conforme ficou comprovado ao longo da exposição. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 29/01/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903848/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. DCTF. NÃO HOMOLOGAÇÃO. QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RECURSO NÃO CONHECIMENTO.
Pelo fato de a contribuinte ter alegado o pagamento do tributo, referente a débitos indevidamente compensados, não se conhece o recurso voluntário interposto, por falta de interesse.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Recorrente UNIMED JOAÇABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DCTF. NÃO HOMOLOGAÇÃO. QUITAÇÃO DO TRIBUTO. RECURSO NÃO CONHECIMENTO. Pelo fato de a contribuinte ter alegado o pagamento do tributo, referente a débitos indevidamente compensados, não se conhece o recurso voluntário interposto, por falta de interesse. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 38 48 /2 00 9- 61 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Tratase o presente de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte, e não homologada pela Delegacia da Receita Federal de Joaçaba/SC, através do despacho decisório proferido em 11/05/2009, pelo fato de os créditos já terem sido integralmente utilizado para o pagamento de débitos da própria contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, consolidando um saldo devedor de R$ 309,70, referente aos débitos indevidamente compensados. Cientificado do despacho decisório, a contribuinte protocolizou manifestação de inconformidade em 18/06/2009 (fls. 03/05), defendendo que a razão da não homologação de sua compensação, ocorreu pelo fato de ter alocado incorretamente, em DCTF, recolhimentos anteriormente efetuados, tratou então de, posteriormente a decisão do despacho decisório, retificar a DCTF, para fins de corrigir o erro. Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ julgou improcedente, por entender que os valores confessados, e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não teriam existência jurídica válida, não sendo, portanto, os créditos em comento líquidos e certos. Por essa razão, o acórdão recorrido manteve o despacho decisório que não homologou a compensação. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, apresentando comprovante de pagamento do saldo devedor, referente aos débitos indevidamente compensados, no valor de R$ 309,70, e requerendo dessa forma a anulação dos valores cobrados. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. No presente caso a contribuinte pediu a compensação de débito com créditos seus decorrentes de pagamento a maior de PIS. Analisando o pedido, a DRF/Joaçaba/SC, emitiu despacho decisório eletrônico, indeferindo a compensação, pelo fato de os créditos já terem sido utilizados anteriormente para quitação de outros débitos da Recorrente. Leiase: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.903848/200961 Acórdão n.º 3202001.084 S3C2T2 Fl. 91 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não conformada, a contribuinte apresentou manifestação de conformidade, requerendo a revisão do despacho decisório, e pedido o reconhecimento do crédito para a quitação do tributo, e por fim, postula pela homologação integral dos valores quitados através do Perd/Comp nº 19528.64644.311006.1.3.044582. O acórdão recorrido, porém, não acolheu a manifestação de inconformidade, uma vez que “só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ater crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei.” Leiase: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da DCOMP, não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de divida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual \a não homologação promovida pela DRF/Joaçaba/SC foi correta. Contra o referido acórdão recorrido, a contribuinte interpôs recurso voluntário, se limitando a sustentar que houve a quitação integral do débito constante no presente processo, no valor de R$ 309,70, referente a débitos indevidamente compensados, conforme comprovante de pagamento em anexo (fls. 86). Dessa forma, uma vez que a contribuinte alega, exclusivamente, em seu recurso, que quitou integralmente o valor compensado, entendo que não há interesse recursal da recorrente, considerando que tal atitude, ao contrário de infirmar, confirma a correção do despacho decisório, que não homologou o encontro de contas solicitado, e do acórdão recorrido que o ratificou. Efetivamente, a alegação de que houve pagamento do tributo, cuja compensação não foi homologada, representa concordância com os termos da decisão da DRF e da DRJ. Forte nessas razões, voto para NÃO CONHECER o recurso voluntário, devendo a unidade preparadora examinar se houve, ou não, pagamento do tributo compensado. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720051/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação.
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal, e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
Numero da decisão: 2201-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. SUJEITO PASSIVO DO ITR. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal, e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. SUJEITO PASSIVO DO ITR. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal, e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 51 /2 00 8- 25 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 47.646,50, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Machado”, cadastrado na RFB sob o nº 5.353.1957, com área declarada de 1.936,0 ha, localizado no Município de Tucumã – PA.. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1,00, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 283.275,52 ou R$ 146,32/ha, correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: declara que, desde o ano de 2000, não é proprietário do imóvel rural denominado “Fazenda Machado” (NIRF 5.353.1957), posto que efetuou a venda do mesmo naquele período; a apresentação da DITR/2006 em seu nome, deuse em razão de inúmeros óbices burocráticos para transferir a titularidade do imóvel para o novo proprietário e, conseqüentemente, não providenciou a alteração dos dados cadastrais do imóvel junto à Receita Federal. Isto, para evitar a inscrição de seu nome em Divida Ativa da União; pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, invocando o disposto no art. 151 do CTN e citando Geraldo Ataliba; pede a anulação do lançamento, uma vez que a intenção do impugnante ao apresentar a declaração do ITR do imóvel que não lhe pertencia e, por tal motivo, declarou valores que não correspondiam com as características do imóvel com o único intuito de evitar que seu nome, que ainda constava como titular do referido imóvel, respondesse por penalidades tributárias e Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720051/200825 Acórdão n.º 2201002.392 S2C2T1 Fl. 3 3 sofresse restrições fiscais, como inscrição na divida ativa, com as implicações decorrentes; por não ter sido possível localizar o atual proprietário do imóvel, requer a realização de perícia na área em questão, por necessária e imprescindível, em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa; novamente, pede a suspensão prevista no art. 151 do CTN e pela produção de prova pericial, que sejam aceitas as razões de mérito expendidas, para considerar a total improcedência do lançamento impugnado, e por fim, requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de decidir pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal reclamado. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como contribuinte do imposto na correspondente DITR/2006, além de não ter sido devidamente comprovado nos autos a efetiva alienação do imóvel em data anterior à do fato gerador do imposto, observada a legislação pertinente. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2006, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2006, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão.. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 37), Sebastião Machado de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 25/04/2011 (fls. 40 e seguintes), sustentando, essencialmente: 2 PRELIMINARMENTE: 2.1 DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Conforme já salientado em sede de Impugnação entregue em Primeira Instância, o recorrente não é mais o proprietário do imóvel em questão; nesta senda, não é também o sujeito passivo da obrigação tributária, conforme podemos observar no Contrato de Compra e Venda de Imóvel Rural em anexo, que figura como "comprador" (e até então legítimo sujeito passivo), o Sr. João Pereira Salgado, sujeito ao qual deveria recair a eventual penalidade imposta (se é que a mesma procede) e o processo que aqui se rebate. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 (...) A acusação genérica, como se verifica nos presente auto de infração, em termos de procedimento é totalmente inaceitável por se tratar de uma medida desproporcional e não razoável vez que não pode provocar uma simples defesa genérica, porquanto uma acusação genérica tolhe o direito de defesa e dificulta, para não dizer, inviabiliza a apresentação da peça de resistência. (...) Não havendo outro norte, requer desde logo, como prova inafastável, a realização de perícia, inclusive com verificação in loco, para a comprovação dos fatos afirmados nesta peça recursal. Os elementos constantes do processo não são suficientes para consolidar a presente autuação, sendo que o teor da decisão proferida em Primeira Instância é totalmente parcial, logicamente, em desfavor do Recorrente. (...) Diante de tudo, requer a inversão do ônus da prova, recaindo esta sobre o Recorrido, para que demonstre nos autos suas alegações apresentadas, virtualmente embasadoras do auto lavrado, sobretudo cumprindo as exigências legais por ele deslembradas conforme já tecido nas linhas acima. (...) A problemática maior, e que não pode ser ignorada, é que o nobre julgador sequer analisa os pontos da defesa entregue em Primeira Instância, entregando simplesmente uma decisão extremamente mal fundamentada, sendo que não discorre sobre nenhuma tese ventilada por este peticionante, afrontando de forma gritante o princípio da motivação das decisões. (...) 3.2 DO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO E DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: (...) Esse entendimento deixa claro que, mesmo em caráter de multa, esta não pode ter caráter de penalidade, com características de aniquilação do patrimônio do autuado. Ora, a aplicação de uma multa de R$ 47.646,50 (quarenta e sete mil seiscentos e quarenta e seis reais e cinquenta centavos) não possui condão diferente disso, razão pela qual merece reforma, mormente em um caso gritante de ausência de provas como do auto em questão.. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720051/200825 Acórdão n.º 2201002.392 S2C2T1 Fl. 4 5 Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal alterou o VTN declarado, de R$ 1,00, que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 387.200,00 ou R$ 200,00/ha, com base no SIPT Sistema de Preços de Terra. De acordo com a Descrição dos Fatos, fl. 02, “Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado”. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as preliminares suscitadas pela defesa. A primeira alega ilegitimidade passiva; a segunda afirma que a fiscalização praticou uma acusação genérica; a terceira considera a decisão de primeira instância mal fundamentada e a última protesta pelo pedido de perícia. Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, verifico, pois, que o argumento não tem passagem. Compulsandose os autos, constatase que o recorrente apresentou como prova da ilegitimidade passiva tão somente a cópia do Contrato de Compra e Venda de Imóvel, contudo, para comprovar a efetiva transferência de propriedade, é necessária a apresentação de seu registro no Cartório de Registro de Imóveis. Observase, ainda, que após a data da assinatura do suposto Contrato de Compra e Venda de Imóvel, 10/03/2000, o recorrente continuou apresentando, em seu nome, as declarações de ITR para o imóvel em questão. Ademais, conforme se verifica do extrato de fl. 09, o registro do imóvel rural na Receita Federal do Brasil encontrase ativo e em nome do contribuinte. Portanto, penso que restou caracterizado que o recorrente é o contribuinte do ITR, nos termos do art. 4º da Lei n° 9.393/1996. Afastase, pois, a suscitada preliminar. No que tange à alegação de que a fiscalização efetuou acusação genérica, penso que o argumento é estéril e não merece acolhimento. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fl. 02, o lançamento só foi constituído em consequência da não apresentação, pelo contribuinte, do laudo de avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Com efeito, o enquadramento legal para essa infração encontrase devidamente destacado na fl. 02 dos autos. Assim, válido o lançamento também nesse ponto. Sobre a alegação de que a decisão recorrida foi mal fundamentada, verifica se do acórdão exarado pela 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF que o julgado analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos impugnatórios, conforme se extrai das fls. 28/34. Em verdade, o inconformismo do recorrente tem a ver com o entendimento do julgador na análise das provas constantes dos autos. Com efeito, na apreciação das provas, o julgador pode interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. O que de fato ocorreu. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Assim, pelos fundamentos expostos entendo que a preliminar suscitada não merece acolhimento. No que diz respeito ao pedido de perícia, penso que deve ser indeferido. Conforme bem salientou a decisão recorrida, a perícia proposta pelo contribuinte tem por objetivo a busca de elementos probatórios de suas alegações. Com efeito, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear sua realização, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972). Indefiro, pois, o pedido de perícia. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. No mérito, insurge o suplicante apenas contra a multa imposta, alegando que sua aplicação fere o principio constitucional da vedação ao confisco e da proporcionalidade. Pois bem, sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete a este Órgão Administrativo declarar a ilegitimidade/inconstitucionalidade da norma constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (vedação ao confisco e da proporcionalidade) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressaltese que em seu apelo o contribuinte não se insurge contra o arbitramento do VTN. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11020.901527/2012-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 27 /2 01 2- 83 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901527/201283 Acórdão n.º 3802002.772 S3TE02 Fl. 94 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901527/201283 Acórdão n.º 3802002.772 S3TE02 Fl. 95 5 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11020.901531/2012-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 31 /2 01 2- 41 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901531/201241 Acórdão n.º 3802002.776 S3TE02 Fl. 94 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901531/201241 Acórdão n.º 3802002.776 S3TE02 Fl. 95 5 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011577/2005-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
RESGATES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.
CONTRIBUIÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR RELATIVA A PROGRAMAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA EM FAVOR DE SEUS EMPREGADOS. ISENÇÃO.
A isenção prevista no inciso VIII do art. 6º da Lei nº 7.713, 1988, abarca tão-somente as contribuições pagas pelos empregadores em favor dos empregados, não alcançando o resgate de tais contribuições, cuja tributação é regida pelo disposto no art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO.
Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o crédito tributário exigido no lançamento, mantendo-se, contudo, a infração de omissão de resgates de contribuições de previdência privada.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 RESGATES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. TRIBUTAÇÃO. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. CONTRIBUIÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR RELATIVA A PROGRAMAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA EM FAVOR DE SEUS EMPREGADOS. ISENÇÃO. A isenção prevista no inciso VIII do art. 6º da Lei nº 7.713, 1988, abarca tão-somente as contribuições pagas pelos empregadores em favor dos empregados, não alcançando o resgate de tais contribuições, cuja tributação é regida pelo disposto no art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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TRIBUTAÇÃO. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. CONTRIBUIÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR RELATIVA A PROGRAMAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA EM FAVOR DE SEUS EMPREGADOS. ISENÇÃO. A isenção prevista no inciso VIII do art. 6º da Lei nº 7.713, 1988, abarca tão somente as contribuições pagas pelos empregadores em favor dos empregados, não alcançando o resgate de tais contribuições, cuja tributação é regida pelo disposto no art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 15 77 /2 00 5- 27 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011577/200527 Acórdão n.º 2102002.788 S2C1T2 Fl. 138 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o crédito tributário exigido no lançamento, mantendose, contudo, a infração de omissão de resgates de contribuições de previdência privada. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CLAUDIO BERCANI foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 18/25, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 5.720,13, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até setembro de 2005. A infração apurada pela autoridade fiscal está assim descrita: Omissão de rend. pelo resgate de contrib. de previdência privada. O contribuinte considerou R$ 79.801,73 como rend. isentos alegando depósitos efetuados entre 1993/95. De acordo com a Dirf da fonte pagadora e do comprovante de rendimentos apresentado pelo contribuinte o referido valor é rendimento tributável, sujeito ao ajuste anual. Segundo os extratos individuais do fundo gerador de benefícios, apresentados pelo contribuinte, o ônus pelos depósitos foi suportado pela empresa, sendo assim, não há que se falar de isenção nos termos do art 39, XXXVIII, do RIR/99 que é taxativo ao estabelecer que o ônus pelos depósitos deve ser da pessoa física. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011577/200527 Acórdão n.º 2102002.788 S2C1T2 Fl. 139 3 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/15, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 0618.368, de 17/06/2008, fls. 87/91. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/07/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 94/95, o contribuinte apresentou, em 15/08/2008, recurso voluntário, fls. 96/110, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que o imposto exigido na Notificação de Lançamento já foi recolhido em 25/04/2001, conforme Darf, juntado aos autos, quando da impugnação. Entretanto, tal fato não foi considerado pela autoridade fiscal, gerando, em conseqüência, dupla tributação sob uma única e mesma renda. que a decisão recorrida fundamentase no art. 43, inciso XIV do RIR/99, reportandose ao artigo 39, inciso XXXVIII do mesmo Regulamento que se constituiu na base legal da Medida Provisória n° 1.74937, de 11 de março de 1999, bem como no artigo 33 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja vigência se deu a partir de 01/01/1996. que pouco importa se o ônus foi ou não da pessoa física, eis que a matéria é regida pelo inciso VIII, do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. que em relação aos depósitos efetuados pelo empregador do recorrente, em período anterior a vigência da Lei n° 9.250, de 1995 (01/01/1996) não poderiam, não podem e não poderão ser tributados (gozam de isenção legal). que na hipótese de o ônus ter sido da empresa, a isenção vem materializada no mencionado inciso VIII e se o ônus foi do empregado, ainda assim estaria isento, diante do permissivo inciso VII, “b”, do artigo 6°, da mesma Lei n° 7.713, de 1988. que as aplicações dos Fundos de Previdência foram tributadas na fonte, o que faz cair por terra o argumento da autoridade recorrida, mesmo que se queira, incorretamente, subsumir o caso concreto ao inciso VII, "b" e não ao inciso VIII, do artigo 6.°, da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de resgates de previdência privada, no valor de R$ 79.801,73, relativo ao anocalendário 2000, que o contribuinte afirma tratarse de rendimentos isentos, nos Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011577/200527 Acórdão n.º 2102002.788 S2C1T2 Fl. 140 4 termos do disposto no inciso VIII do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a seguir transcrito: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) VIII as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes; De pronto, cumpre esclarecer que a isenção prevista no dispositivo legal acima transcrito abarca tãosomente as contribuições pagas pelos empregadores em favor dos empregados e dirigentes, não alcançando o resgate de tais contribuições, cuja tributação é regida pelo disposto no art. 33 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Melhor explicando, a contribuição feita pelo empregador, que é um rendimento indireto recebido pelo empregado, é isenta, nos termos do disposto no art. 6º, inciso VIII. Contudo, o art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995, determina que são tributáveis os resgates de contribuições feitas às entidades de previdência privada. Ou seja, são dois momentos distintos, com tratamentos tributários também distintos. No primeiro momento, quando o contribuinte recebe o rendimento indireto, na forma de contribuição com previdência privada feita pelo empregador, o rendimento é considerado isento. Todavia, no segundo momento, quando o contribuinte resgata as contribuições feitas pelo empregador há a tributação. Na verdade, a legislação permite uma postergação do pagamento do imposto, que somente é exigido quando da realização do resgate das contribuições. E este é o caso dos autos. Quando o empregador fez as contribuições para o programa de previdência privada em favor do contribuinte não houve tributação, ou seja, o rendimento indireto foi recebido pelo contribuinte livre do imposto de renda. Já em 2000, quando o contribuinte fez o resgate de tais contribuições houve a incidência do imposto de renda na fonte, sendo certo que tais rendimentos sujeitamse ao ajuste anual, nos termos do determinado no art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995. Vale dizer que não procede a afirmação do recorrente de que as aplicações dos fundos de previdência foram tributadas na fonte. Primeiro porque não há nos autos comprovação de tal afirmação e segundo porque há a determinação expressa no inciso VIII do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, de que são isentas as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados. A tributação na fonte apenas ocorreu no momento do resgate das contribuições, mas quando o empregador fez o pagamento das contribuições ao programa de previdência privada em favor do contribuinte nenhuma tributação ocorreu. Por outro lado, se o ônus das contribuições fosse do contribuinte, o resgate das mesmas somente seria isento se restasse comprovado nos autos que tais contribuições Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011577/200527 Acórdão n.º 2102002.788 S2C1T2 Fl. 141 5 tivessem sido efetuadas no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, o que não é o caso. Nestes termos, não pode prosperar a tese da defesa de que sejam isentas as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Por fim, devese analisar a alegação do contribuinte de que o imposto exigido na Notificação de Lançamento já foi recolhido em 25/04/2001, conforme Darf, juntado aos autos, quando da impugnação. Nesse sentido, cumpre observar que o lançamento é decorrente de revisão de Declaração de Ajuste Anual (DAA) retificadora, exercício 2001, anocalendário 2000. Na DAA original, fls. 50, o contribuinte havia apurado saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 2.260,03, que foi devidamente recolhido, dentro do prazo legal, conforme Darf, fls. 29, em 25/04/2001. Já na DAA retificadora, fls. 53, o contribuinte apurou saldo de imposto a restituir, no valor de R$ 19.685,44. Destaquese que tal quantia não chegou a ser restituída para o contribuinte, advindo a Notificação de Lançamento, que exige do contribuinte imposto suplementar de R$ 2.260,03, que corresponde exatamente a quantia já recolhida, mediante Darf, fls. 29. Ora, de acordo com o inciso I do art. 156 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), o pagamento extingue o crédito tributário e estando o mesmo extinto não pode, por óbvio, ser exigido do contribuinte mediante lançamento de ofício. Veja que, a exigência no lançamento de imposto já pago implica em onerar o contribuinte com multa de ofício sobre valores já recolhidos antes do lançamento. Nestes termos, devese manter a infração imputada ao contribuinte, contudo, o crédito tributário exigido no lançamento deve ser exonerado, posto que o valor do principal já havia sido recolhido pelo contribuinte na data do vencimento do tributo. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para cancelar o crédito tributário exigido no lançamento, mantendose, contudo, a infração de omissão de resgates de contribuições de previdência privada. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.011577/200527 Acórdão n.º 2102002.788 S2C1T2 Fl. 142 6 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10970.720271/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. DÚVIDA RAZOÁVEL.
Deve-se afastar a qualificação da multa de ofício quando houver dúvida razoável acerca do dolo do sujeito passivo quanto aos atos que vieram a retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.
Numero da decisão: 1201-000.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência. No mérito, acórdão em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para: i) por maioria de votos, manter o lançamento de ofício quanto à indedutibilidade do ágio, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Francisco Alexandre dos Santos Linhares (suplente convocado), sendo que o Conselheiro Rafael Correia Fuso acompanhou o relator pelas conclusões; ii) por unanimidade de votos, AFASTAR a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a para 75%; iii) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso quanto à exoneração da multa isolada, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e Francisco Alexandre dos Santos Linhares (suplente convocado). Ausente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, substituído pelo Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares (suplente convocado).
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Francisco Alexandre dos Santos Linhares (suplente convocado), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DIREITO DE FISCALIZAR. DECADÊNCIA. O direito de o Fisco examinar a legalidade de atos praticados pelo sujeito passivo que repercutam em fatos geradores de períodos futuros contase da data da ocorrência desses fatos geradores (art. 150, § 4º, do CTN) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os respectivos tributos poderiam ter sido lançados (art. 173, I, do CTN), e não da data em que praticados os referidos atos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Tal como ocorre na determinação do lucro líquido apurado para fins societários, é indedutível das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social a amortização do ágio gerado a partir de reorganização de empresas sob controle comum. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 71 /2 01 2- 11 Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 3 2 MULTA QUALIFICADA. DOLO. DÚVIDA RAZOÁVEL. Devese afastar a qualificação da multa de ofício quando houver dúvida razoável acerca do dolo do sujeito passivo quanto aos atos que vieram a retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência. No mérito, acórdão em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para: i) por maioria de votos, manter o lançamento de ofício quanto à indedutibilidade do ágio, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Francisco Alexandre dos Santos Linhares (suplente convocado), sendo que o Conselheiro Rafael Correia Fuso acompanhou o relator pelas conclusões; ii) por unanimidade de votos, AFASTAR a qualificação da multa de ofício, reduzindoa para 75%; iii) pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso quanto à exoneração da multa isolada, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e Francisco Alexandre dos Santos Linhares (suplente convocado). Ausente o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, substituído pelo Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares (suplente convocado). (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Francisco Alexandre dos Santos Linhares (suplente convocado), Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0943.047, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora MG. Conforme relatado em seu termo de verificação fiscal, a autoridade acusa a contribuinte de haver cometido as seguintes infrações à legislação tributária: a) falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração relativa aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, haja vista haver deduzido despesas com amortização de ágio que se revelaram indevidas; b) falta de pagamento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, decorrente da infração acima descrita. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 4 3 Em apertada síntese, explica a autoridade fiscal que entre o final do ano de 2004 e o início do ano de 2005 três empresas do mesmo grupo econômico, quais sejam, METALSIDER LTDA. (autuada), RODOMETAL LTDA. e PARMETAL S/A, por decisão de seus controladores (família Lima), celebraram uma sequência negócios jurídicos entre elas que ao final gerou um ágio reconhecido na contabilidade da recorrente no valor de R$ 323.793.093,43. Argumenta a fiscalização com base, dentre outros, no item 20.1.7 do Ofício Circular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, no item 120 da Resolução CFC n° 1.110/2007, no item 47 do Pronunciamento Técnico CPC nº 04 e no item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008, não ser cabível o reconhecimento de ágio em operações realizadas entre empresas do mesmo grupo econômico. Explica ainda que esse entendimento também está amparado na doutrina especializada em direito societário. Por fim, a autoridade conclui o seguinte no item 7 de seu TVF: Diante de todo o exposto, segue a conclusão a que chegou o Fisco: a) O ágio contabilizado em Dezembro/2004 pela empresa RODOMETAL e transferido em Maio/2005 para a empresa fiscalizada (METALSIDER) no processo de cisão total daquela, é um ágio interno, carente de substância econômica, uma vez que não houve qualquer desembolso de recursos, não houve circulação de riqueza entre partes independentes, não houve despesa paga nem incorrida. Logo, se não houve pagamento antecipado dos lucros projetados (ágio com base em previsão de rentabilidade futura), não há que se falar em diferimento e amortização do referido ágio, sendo indevida sua contabilização em conta do Ativo Diferido; b) a operação societária da qual resultou o ágio foi realizada dentro de um mesmo grupo econômico, entre partes relacionadas e sob controle comum; c) ausência de razões empresariais legítimas e não exclusivamente fiscais: não houve qualquer propósito negocial na incorporação da RODOMETAL pela METALSIDER, que não fosse a redução da carga tributária, mediante a utilização do benefício fiscal disposto no artigo 7o, inciso III, da Lei 9.532/97 único propósito claramente manifestado na justificação da operação e ratificado pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 002; d) houve artificialismo nas operações de reorganização societária realizadas, uma vez não ter ocorrido efetiva transferência de controle societário: completada a última etapa do processo (incorporação reversa da RODOMETAL pela METALSIDER) voltouse à configuração societária inicial: a empresa fiscalizada (incorporadora) retorna aos antigos sócios e ao controle da PARMETAL, na mesma proporção da participação inicial, conforme demonstrado no item "6.1.a) O antes e depois" do presente relatório. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 5 4 Sobre o IRPJ e a CSLL anuais lançados de ofício o auditor impôs multa qualificada, tendo em vista as seguintes razões arroladas no item 8 do TVF: (...) Multa de ofício aplicada: Em princípio, ao se deparar com a amortização do ágio fundamentado com base em expectativa de rentabilidade futura, a fiscalização está diante de um valor dedutível por força da previsão legal, já que, tanto o surgimento do ágio quanto a reestruturação societária são aceitos pelo ordenamento. No entanto, verificouse no presente caso, o intuito doloso do contribuinte, ao formalizar seus registros contábeis e societários de forma a dar uma aparência de correção a uma amortização em que estejam presentes o ágio interno e reestruturação societária sem a efetiva mudança de controle societário, pretendendo induzir a fiscalização a avalizar uma operação que, nessas circunstancias, é oponível ao Fisco. E, para isto, o contribuinte fiscalizado, em conluio com as demais empresas do grupo, promoveram uma série de atos de reorganização societária ausentes de razões empresariais e econômicas verdadeiras, cujo resultado não acarretou a efetiva transferência de controle societário, mas, tão somente, o benefício da amortização de um ágio gerado artificialmente. Ou seja, a vontade declarada nos atos formais praticados diverge da vontade real desejada pelas partes. Desse modo, o dolo encontrase presente ao buscar meios artificiosos para enganar, para ludibriar o Fisco, realizando operações societárias que, analisadas individualmente, estão perfeitamente legais na forma, mas, no conjunto, na essência, não trazem substância econômica, pois ao final da reorganização societária, o controle acionário retorna à situação inicial, anulando os atos praticados, sendo seu único propósito a economia de tributos. Sendo assim, presente o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, mediante a simulação de atos de reorganização societária praticados entre empresas de um mesmo grupo econômico e sob controle comum, atos estes perfeitos na forma, mas sem razões empresariais legítimas, efetuamos o lançamento da presente infração com imposição da multa de ofício qualificada de 150%, conforme disposto no Art. 44, § l° da Lei 9.430/96. Dessa forma, corroborando o entendimento aqui exposto quanto à indedutibilidade do ágio gerado artificialmente e da qualificação da multa aplicada, seguem alguns julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF (antigo Conselho de Contribuintes), em situações fáticas análogas ao presente caso: Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 6 5 (...) Acórdão n° 1202 00753, de 12 de abril de 2012 (2a Câmara, 2a Turma Ordinária CARF) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. OPERAÇÃO INTERNA. SIMULAÇÃO. GLOSA. A criação de ágio por meio de reorganização societária entre empresas do mesmo grupo econômico, pautada em fortes indícios, além de prova direta da ocorrência de simulação revelase artificial e não gera direito à dedução das respectivas despesas de amortização. MULTA QUALIFICADA. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de oficio. (...) Inconformada com a exigência a contribuinte propôs impugnação ao lançamento argumentando, em síntese, o seguinte: a) ao contrário do afirmado pela fiscalização, a reestruturação societária sob exame teve objetivo negocial, qual seja, a modernização da indústria com reorganização societária, intensivo treinamento de seus empregados, aumento de seu quadro funcional, criação de setores especializados de siderurgia, silvicultura e produção de carvão vegetal, o que lhe exigiu aplicação de vigorosos investimentos financeiros e o controle de seus custos; b) o auto de infração não merece prosperar porque os arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 autorizam a dedutibilidade do ágio apurado com base em rentabilidade futura, sem vedar, em momento algum, que a geração do ágio tenha se dado em operações entre sociedades ligadas; c) da mesma forma, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 não traz qualquer exceção às hipóteses de incorporação, fusão ou cisão ali previstas, daí porque também este dispositivo não veda a formação de ágio em operações entre pessoas ligadas; d) as manifestações de Jorge Vieira da Costa Junior e Eliseu Martins, citados pela fiscalização, referemse apenas aos aspectos contábeis do ágio interno, e não ao aspecto tributário. Tratando especificamente do aspecto tributário aqueles autores afirmam que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 confere sentido econômico ao ágio gerado internamente (artigo disponível em www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/13.pdf); e) também o CARF, por meio do acórdão nº 110100708, prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara na sessão de 11/04/2012, acolheu o entendimento ora sustentado pela contribuinte segundo o qual a legislação tributária confere fundamento econômico ao ágio interno; Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 7 6 f) verificouse, no caso, a decadência do direito de o fisco questionar a legalidade dos negócios jurídicos que geraram o ágio em dezembro de 2004, haja vista que passaramse mais do que cinco anos até a data da lavratura do auto de infração, realizada em novembro de 2012; g) os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, bem como a Instrução Normativa SRF nº 11/99, deixam claro que as regras aplicamse também ao caso de incorporação reversa, tal como fez a contribuinte; h) a empresa PARMETAL optou pela apuração de lucro presumido no ano de 2004, não se aproveitando do diferimento do pagamento do IRPJ e da CSLL previsto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Em assim sendo, a despesa com amortização do ágio também deve ser reconhecida a partir de 2004; i) não há previsão legal para imposição de multa isolada quando as estimativas mensais de IRPJ e da CSLL forem apuradas por meio de balanços ou balancetes de suspensão ou redução. A lei prevê multa isolada apenas quando há falta de pagamento de estimativas apuradas com base na receita bruta e acréscimos; j) é ilegal a exigência de multa isolada pela falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL quando for imposta, também, multa pela falta de pagamento do imposto e da contribuição apurados ao término do respectivo anocalendário; k) incabível a exigência da multa isolada imposta pela falta de pagamento de estimativas de IRPJ e CSLL relativas ao mês de dezembro, quando neste mês o pagamento for realizado por meio de balanços ou balancetes de suspensão ou redução; l) não houve dolo por parte da contribuinte que ensejasse a qualificação da multa de ofício. Jamais quis escamotear do conhecimento da fiscalização a reorganização societária que praticou. Aliás, a praticou com respaldo em todo o arcabouço legal vigente no direito positivo, não havendo empregado meios artificiosos visando ludibriar o Fisco, ao contrário do que afirma o auditor. Apreciadas as razões de defesa, a DRJ de origem decidiu pela improcedência da impugnação em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devem ser conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Não há que se falar em decadência dos valores lançados, decorrentes da glosa de despesa de ágio, dentro do prazo decadencial, ainda que sua origem remetase a ano calendário já decaído. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA. PREMISSAS. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 8 7 As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro no art. 7º, inciso III, e 8º da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto não há espaço para a dedutibilidade do chamado "ágio de si mesmo ", cuja amortização é vedada para fins fiscais. MULTA QUALIFICADA. CONLUIO. Ante a constatação de evidente conluio, visando os efeitos da sonegação e da fraude, há que se qualificar a multa de oficio. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É legítima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda determinado sob base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que apurado prejuízo no anocalendário correspondente, se frustrados seus pagamentos mensais. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, reproduzindo as mesmas razões expostas na impugnação. Por fim, a PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário reforçando as razões que justificaram o lançamento e sua manutenção pela DRJ de origem. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegação de Decadência Argumenta a recorrente que o fisco não poderia questionar, em 2012, a validade dos negócios jurídicos geradores do ágio celebrados em 2004, uma vez que ultrapassado o prazo decadencial de cinco anos. Inicialmente importa esclarecer que o lançamento tributário, cientificado ao sujeito passivo em 07/12/2012, reportase a fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos em 31/12/2007, 31/12/2008 e 31/12/2009. Em sendo assim, ainda que fosse possível empregarse aqui a regra estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN, não haveria como admitir ter se operado a decadência do direito de o fisco constituir, pelo lançamento de ofício, os créditos tributários sob exame, uma vez que entre as datas dos respectivos fatos geradores e a data da ciência ao lançamento passaramse menos do que cinco anos. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 9 8 Da mesma forma, também não ocorreu a extinção, pela decadência, da multas isoladas ora contestadas. De fato, em se tratando de multa regulamentar, é pacífico o entendimento deste Conselho no sentido de que a decadência é contada segundo o disposto no art. 173, I, do CTN. No caso, o fato gerador mais antigo de multa isolada ocorreu em 31/01/2007, daí por que a contagem do prazo de cinco anos iniciouse em 01/01/2008, e se encerraria em 31/12/2012. E, como visto, a ciência ao lançamento se deu antes dessa data, em 07/12/2012. Mas o que a recorrente contesta, em verdade, é a decadência do direito de o fisco questionar negócios jurídicos realizados há mais de cinco anos da data do lançamento, ainda que referidos negócios jurídicos tenham produzido efeitos tributários futuros sobre fatos geradores ocorridos antes de passados os cinco anos. Sobre o assunto o art. 37 da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Ora, se a lei determina que o sujeito passivo deva guardar documentos referentes a negócios jurídicos que venham produzir efeitos fiscais futuros, há de se concluir, necessariamente, que essa lei dá ao fisco o direito de examinálos. Pois não haveria razão de a lei tributária exigir que o sujeito passivo guardasse documentos se não fosse para ficarem à disposição de eventual exame pela autoridade tributária. E se a lei confere ao fisco o direito de examinar aqueles documentos, é porque também lhe dá o direito de vir a questionar os negócios jurídicos ali registrados, desde que para constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos em períodos posteriores, ainda não alcançados pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, e do art. 173, I, ambos do CTN. Aliás, ao tratar dos mesmos efeitos fiscais futuros, mas no que concerne à decadência da tributação do lucro inflacionário realizado, o CARF assim se pronunciou: Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. 3) Da Despesa com Amortização do “Ágio Interno” O litígio objeto do presente processo tem como pano de fundo a seguinte questão de direito: a legislação tributária admite, ou não, que o lucro real e a base de cálculo da CSLL sejam reduzidos mediante o reconhecimento de despesa com amortização de “ágio interno”, qual seja, aquele gerado em decorrência de reorganização societária realizada exclusivamente entre empresas controladas pelo mesmo grupo econômico? Nos subitens seguintes procuraremos responder essa questão. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 10 9 3.1) Do Tipo Específico de Reorganização Societária Art. 36 da Lei º 10.637/2002 No caso dos autos o grupo econômico de que faz parte a recorrente promoveu, no final do ano de 2004 e no início de 2005, um tipo específico de reorganização societária expressamente autorizado em norma legal, qual seja, o art. 36 da Lei nº 10.637/2002, que assim estabelece: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1º O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2º Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º. Primeiramente cumpre registrar que essa norma foi posteriormente revogada pela Lei nº 11.196/2005, fato que em nada repercute no presente litígio uma vez que, realizada em final de 2004 e início de 2005, ou seja, quando ainda estava em pleno vigor o art. 36 da Lei nº 10.637/2002, a reorganização societária empreendida pela grupo do qual faz parte a ora recorrente deve ser tratada como ato jurídico perfeito. O que está em causa aqui, portanto, são os efeitos dessa reorganização, e não ela mesma, daí porque não importa que a norma em questão tenha sido posteriormente revogada. Pois bem, a reorganização societária prevista no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, autoriza, ainda que por vias transversas, que a pessoa jurídica investidora reavalie seu investimento na pessoa jurídica investida, com diferimento da tributação do ganho de capital assim auferido para momento futuro e incerto. Foi essa a reorganização societária efetuada pelo grupo de empresas ao qual pertence a autuada, senão vejamos: a) em 23/09/2004 Bruno Melo Lima controlava PARMETAL (empresa de participações do grupo), possuindo 93,35% de seu capital com direito a voto, sendo o restante pertencente a outro membro da família Lima. Nesta mesma data PARMETAL controlava METALSIDER Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 11 10 (empresa operacional do grupo ora autuada), com participação de 99,9999% em seu capital, sendo os outros 0,0001% pertencentes a seis pessoas da família Lima. Ainda nesta data, METALSIDER controlava RODOMETAL (empresa inativa ou “casca”), com participação de 99,73%% em seu capital, sendo os outros 0,27% pertencentes a três pessoas da família Lima. Assim, nessa data, Bruno Melo Lima controlava PARMETAL que controlava METALSIDER que controlava RODOMETAL; b) em 27/12/2004 METALSIDER transferiu à PARMETAL sua participação em RODOMETAL pelo valor contábil de R$ 111.556,00; c) nessa mesma data RODOMETAL promoveu o aumento de seu capital em R$ 368.139.552,00. Esse aumento de capital foi inteiramente subscrito e integralizado por PARMETAL, mediante a transferência, à RODOMETAL, da participação que possuía em METALSIDER, empresa esta que, conforme laudo elaborado à época, foi avaliada economicamente em R$ 368.176.370,00, ante a um valor contábil de R$ 8.450.000,001; d) em contrapartida ao aumento em seu capital, RODOMETAL contabilizou em seu ativo investimentos a participação adquirida em METALSIDER pelo seu valor contábil, acrescido de um “ágio interno” no valor de R$ 323.793.093,43. Houve, portanto, uma reavaliação do investimento em METALSIDER; e) em 25/05/2005 RODOMETAL, controladora de METALSIDER, foi incorporada por esta, que passou a amortizar o ágio antes registrado naquela. Em razão da substituição das ações da empresa extinta, PARMETAL readquiriu a participação em METALSIDER, já reavaliada economicamente. O grupo de empresas retorna à configuração observada em 23/09/2004, exceto pela extinção, por incorporação, de RODOMETAL. Assim, nessa data, Bruno Melo Lima controlava PARMETAL (empresa detentora da participação reavaliada) que controlava METALSIDER (empresa detentora do ágio). Em suma, tal como verificado antes dos atos de reorganização societária, PARMETAL voltou a ser detentora de participação societária representativa de 99,9999% do capital de METALSIDER, só que, agora, avaliada economicamente. E segundo o art. 36 da Lei nº 10.637/2002, a tributação do ganho de capital auferido com a reavaliação do investimento é diferido para momento futuro e incerto. Mas a amortização do ágio registrado na investida e a dedução da respectiva despesa não foram reguladas pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Nada há ali que autorize a amortização de ágio e a dedução dessa despesa (seja “ágio interno” ou não). A amortização do ágio nas operações de incorporação, fusão e cisão, como se verá no item seguinte deste voto, é regulada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. E por não haver comunicação necessária entre a reavaliação do investimento prevista no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 e a amortização do ágio estabelecida nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, também não assiste razão à recorrente quando afirma que o “ágio interno” poderia ser amortizado já a partir de 2004 em razão de PARMETAL haver optado pelo lucro 1 Alega a recorrente que PARMETAL não se beneficiou do diferimento da tributação do ganho de capital correspondente à reavaliação do investimento em METALSIDER, haja vista que optou pela apuração de lucro presumido no período. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 12 11 presumido naquele ano, não tendo se beneficiado do diferimento do IRPJ e da CSLL devidos sobre o ganho de capital2. Em suma, por não haver comunicação necessária entre aquelas normas, o fato de PARMETAL não haver se beneficiado do diferimento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre o ganho de capital verificado na reavaliação do investimento na ora recorrente não implica o direito desta em amortizar o “ágio interno”. 3.2) Da Amortização do Ágio Como visto no subitem anterior deste voto, especialmente nas letras “d” e “e”, RODOMETAL, que adquiriu com ágio a participação societária em METALSIDER, foi posteriormente incorporada por esta. Alega a contribuinte que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, abaixo transcritos, conferem a ela o direito à dedutibilidade da despesa com amortização do ágio, já que se trata de ágio cujo fundamento é a rentabilidade futura (dela própria): Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decretolei nº1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Ocorre que o caso dos autos é de “ágio interno”, ou seja, aquele gerado a partir de negócios jurídicos realizados entre empresas que estão sob controle comum. Entende a fiscalização que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 não albergam a dedutibilidade da despesa com amortização de “ágio interno”, haja vista que se trata de uma despesa desnecessária à consecução das atividades da pessoa jurídica. 2 Ainda que, segundo a tese aqui defendida, seja irrelevante, o fato é que não restou provado nos presentes autos que PARMETAL ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL no ano de 2004 o ganho de capital verificado na reavaliação de sua participação em METALSIDER, ora recorrente. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 13 12 Pois bem, a grande maioria das decisões do CARF3 sobre essa matéria nega a dedutibilidade do “ágio interno” na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Veja a seguir, a título exemplificativo, a ementa a uma dessas decisões: Acórdão nº 1402001.338, prolatado pela 2º Turma Ordinária da 4ª Câmara, na sessão de 06 de março de 2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 (...) DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. (...) Entretanto, em abril de 2012 foi exarado, salvo engano, o primeiro posicionamento do CARF favorável à dedutibilidade da despesa com amortização do “ágio interno”. Tratase do chamado caso Gerdau apreciado no âmbito dos acórdãos nos 110100.708, 110100.709 e 110100.710, prolatados na mesma sessão pela 1ª Turma da 1ª Câmara. É a seguinte a ementa a esses três acórdãos (todas as três têm o mesmo conteúdo): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. O art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio 3 A pesquisa não abrangeu as decisões exaradas pelo extinto Conselho de Contribuintes. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 14 13 surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. O fato de não ser considerado adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. (...) E embora posteriormente a mesma 1ª Turma da 1ª Câmara, após a mudança em sua composição, tenha passado a negar a dedutibilidade da despesa com amortização do “ágio interno” 4, entendo ser necessário enfrentar neste voto os fundamentos contidos no referido acórdão sobre o caso Gerdau, em especial aqueles extraídos do artigo produzido por Jorge Vieira da Costa Junior e Eliseu Martins, apresentado no âmbito do 4º Congresso USP sobre Controladoria e Contabilidade, realizado em 20045, até porque a recorrente faz alusão tanto ao caso Gerdau quanto ao referido artigo. Pois bem, já no item 1 do artigo os autores apresentam as questões que se propõem a responder: 1. Introdução (...) Este trabalho visa a abordar modalidade recente de incorporação reversa praticada no mercado: a que toma por base ágio gerado internamente. Contabilmente, referido evento, do ponto de vista estritamente técnico, é admissível? E do ponto de vista tributário, há previsão legal para sua consecução? (Grifamos) (...) 4 Vide acórdão nº 1101000.913, prolatado na sessão de 09 de julho de 2013. 5 O artigo, que encontrase nesta data disponível em www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/13.pdf, tem o seguinte título: A Incorporação Reversa com Ágio Gerado Internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 15 14 No item 2 do artigo os autores inicialmente escrevem sobre a teoria do surgimento do ágio em transações entre parte independentes e não relacionadas (arm’s length transaction), bem como sobre a forma de seu registro na contabilidade. Em seguida, empregando essa mesma teoria, concluem ser inadmissível a geração interna de ágio, daí porque respondem à primeira questão suscitada no início do trabalho da seguinte forma6: 2. Contabilização do Ágio: Como fazêla à luz da Teoria Contábil? (...) Resta justificado, dessa forma, pelo exposto, que definitivamente, à luz da Teoria da Contabilidade, é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. Não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante. E do ponto do vista tributário, como seria encarada a questão? Haveria óbices para o reconhecimento de ágio gerado internamente? A próxima seção do trabalho dedicase a dirimir essa e outras questões. (Grifamos) É portanto no item 3 do artigo que os autores pretendem responder à segunda questão, que é aquela que ora nos interessa. A seguir transcrevese trechos desse item7: 3. Lei 10.637/02, art. 36: Renúncia Fiscal? Ao se compulsar a legislação tributária, temse contato com a Lei nº 10.637/02, sancionada em 30.12.2002. Referido diploma legal, em seu artigo 36, admite, para fins tributários, a reavaliação de participações societárias, quando da integralização de ações subscritas, com o diferimento da tributação do IRPJ e da CSLL. Reproduzse, a seguir, referido dispositivo: (...) Elucidando o caput do artigo 36, temse que caso uma dada companhia “A” possua participação societária em outra companhia “B”, e resolva constituir uma terceira companhia “C”, integralizando ações subscritas de “C” com a participação societária em “B” avaliada economicamente, o “lucro” apurado por “A” na integralização das ações subscritas de “C” não será tributado de imediato, para fins de IRPJ e CSLL. Prosseguindo com a leitura sistemática do dispositivo, chegase ao seu § 1º, a seguir reproduzido: (...) Em linhas gerais, o “lucro” apurado em “A” será tributado em duas situações: (i) quando “A” alienar, liquidar ou baixar, a 6 Relembrando, a questão é a seguinte: “Contabilmente, referido evento, do ponto de vista estritamente técnico, é admissível?” 7 O art. 37 da Lei nº 10.637/2002 encontrase transcrito no item 3.1 deste voto. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 16 15 qualquer título, sua participação societária em “C”, entidade na qual foram subscritas ações; e (ii) quando “C” alienar, liquidar, integralizar subscrição de ações de outra pessoa jurídica, ou baixar a qualquer título sua participação societária em “B”. Aqui cabe um breve comentário. O fisco admite o diferimento da tributação, para fins de IRPJ e CSLL, de participações societárias avaliadas economicamente, utilizadas para fins de conferência de capital em outra pessoa jurídica, tãosomente em um primeiro momento. A renúncia fiscal, no caso, não contempla sucessivas operações de subscrição de ações e integralização com a mesma participação societária (§ 1º, inciso II), originalmente, avaliada economicamente, o que elide possível efeito de elisão em cascata. Encerrando o estudo do artigo 36, o seu parágrafo § 2º excepciona as operações de combinação de negócios entre companhias, como eventos indicativos da realização do ganho de capital apurado pela companhia que integraliza ações subscritas, com participação societária avaliada economicamente. Orienta o dispositivo: (...) Em suma, utilizando o mesmo exemplo, caso “C” seja incorporada por hipótese pela, agora sua controlada, companhia “B”, o “lucro” registrado em “A” não será tributado para fins de IRPJ e CSLL. Contudo, o ágio carreado de “C” para “B” será dedutível tanto na apuração do lucro real quanto na base de cálculo da CSLL a ser apurado em “B” 7. (Grifamos) Questionase, desse modo, a racionalidade econômica do artigo 36 da Lei nº 10.637/02, pelo lado do ente tributante, que permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem, artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de “sociedades veículo”, que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas “casca”, com finalidade meramente elisiva. Do ponto de vista tributário, à luz do artigo 36, e dependendo da forma pela qual a operação é realizada, a Fazenda Pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL mas deixa de tributar “ganho de capital” registrado pela companhia que subscreve e integraliza aumento de capital em “sociedade veículo” ou de participação “casca”, a ser em seguida incorporada. Com a incorporação, a sociedade veículo ou de participação “casca” deixa de existir. Como não há intenção de alienar a participação societária que incorpora a “sociedade veículo”, tampouco liquidála ou baixá la a qualquer título, posto que através dela o grupo econômico Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 17 16 realiza seus negócios sociais, e a incorporação da “sociedade veículo” não constitui realização do ganho de capital (§ 2º da art. 36), a Fazenda Pública, em verdade, poderá jamais tributar dita “receita”, ou melhor, haverá uma probabilidade muito remota de fazêlo. (...) Veja que esse é justamente o tipo de reorganização societária apreciada tanto no referido caso Gerdau quanto nos presentes autos. Pois bem, o objeto da presente autuação fiscal é a amortização do “ágio interno” que os autores do artigo expressamente afirmam não ser possível para fins societários, mas apenas para fins tributários, conforme trecho já acima transcrito, e novamente abaixo reproduzido: (...) Contudo, o ágio carreado de ‘C’ para “B” será dedutível tanto na apuração do lucro real quanto na base de cálculo da CSLL a ser apurado em “B” 7 Ocorre que, embora reconheça a honestidade científica dos autores, em especial do Dr. Eliseu Martins, que tanto contribuiu para o desenvolvimento da Ciência Contábil em nosso país, não posso deixar de apontar aquilo que, a meu juízo, representa uma grave omissão no artigo. De fato, em lugar algum do trabalho os autores apontam o alicerce teórico da afirmação de que o “ágio interno” é dedutível para fins fiscais. O único fundamento por eles apresentado para sustentar a dedutibilidade, para fins tributários, do ágio gerado internamente, foi a singela e quase despercebida remissão à nota de rodapé nº 7 (observe com atenção o final do parágrafo acima reproduzido), nota essa que possui o seguinte conteúdo: 7 A questão foi disciplinada pelas Instruções Normativas da SRF nº 11/99 e nº 390/04, art. 75. Assim, a afirmação de que o “ágio interno” é dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL foi fundamentada pelos autores do artigo apenas e tãosomente nos textos da Instrução Normativa SRF nº 11/99 e do art. 75 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, os quais praticamente reproduzem as disposições contidas nos já referidos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, que por sua vez tratam do ágio na incorporação, fusão e cisão de controladas, e não de “ágio interno”. Em outras palavras, não se dispuseram os autores a elucidar as razões teóricas pelas quais entendem que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, ou os atos normativos que os regulamentaram, amparam a dedutibilidade fiscal do ágio gerado internamente. Poderseia imaginar que os autores do artigo entenderam, tal qual defendido pela ora recorrente, que o ágio a que se referem os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 alcança também o ágio gerado internamente. Resumindo, se a lei não faz distinção entre ágio e “ágio interno” não haveria razão para o intérprete fazêlo. Mas se fosse assim, os autores teriam que igualmente admitir que a legislação societária também não faz distinção entre ágio e “ágio interno”, algo que contradiz a conclusão Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 18 17 de seu artigo, que enfaticamente promove essa distinção, inclusive afirmando ser inadmissível o surgimento de ágio interno à luz da Teoria Contábil. Neste ponto é importante ressaltar que o ágio na aquisição de investimento é um fenômeno regulado pelo direito societário. E embora tenha sido a legislação tributária aquela que primeiro tratou do assunto8, fêlo apenas com o objetivo de regularlhe os efeitos tributários relativos à sua amortização. Nesse sentido, o art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 estabelece o seguinte: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (Grifamos) (...) Ademais, embora a Lei 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações, não tenha disciplinado a questão do ágio, a Comissão de Valores Mobiliário, logo na primeira Instrução que editou após a sua criação, tratou assim do assunto: Instrução CVM nº 01, de 27 de abril de 1978: (...) Desdobramento do custo de aquisição de investimento XX Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada ou em controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: a) equivalência patrimonial baseada em balanço patrimonial ou em balancete de verificação levantado até, no máximo, sessenta dias antes da data da aquisição pela investidora ou pela controladora, consoante o disposto no Inciso XI b) ágio ou deságio na aquisição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. (Grifamos) (...) Não há a menor dúvida, portanto, que o ágio havido na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial é um fenômeno regulado pelo direito societário. O direito tributário, como de regra o faz em relação a outros fenômenos regulados pelo direito privado, apenas trata de seus efeitos fiscais. 8 A Lei nº 6.404/76 é silente acerca do ágio e de seu conceito. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 19 18 Então, retomando o raciocínio, cai por terra o entendimento que poderseia atribuir aos autores do artigo segundo o qual, uma vez que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 não fazem distinção expressa entre ágio e “ágio interno”, não caberia ao intérprete fazêlo. Pois embora a norma legal de natureza societária também não faça distinção entre ágio e “ágio interno” (art. 20 do Decretolei nº 1.598/77), os autores, sim, sustentaram tal distinção em seu artigo para vedar a amortização do “ágio interno” para fins societários. Assim sendo, se em 2004 a norma societária (art. 20 do Decretolei nº 1.598/77) não fazia a distinção expressa entre ágio e “ágio interno”, não poderiam os autores do artigo fazêlo àquela época, a não ser por meio de uma interpretação restritiva dessa legislação. Aliás, já que está subordina à lei, nem mesmo a legislação societária infralegal surgida a partir de 20079,10 poderia fazer tal distinção, como efetivamente o fez, a não ser, igualmente, pela via de uma interpretação restritiva da norma legal (art. 20 do Decreto lei nº 1.598/77). A questão crucial, portanto, é saber, em primeiro lugar, se é juridicamente válido empregarse uma interpretação restritiva do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 para distinguir entre ágio e “ágio interno” com vistas a admitirse, para fins societários, a amortização do ágio, mas não o do “ágio interno”, como propuseram os autores do artigo. E, em segundo lugar, é também necessário verificar se é juridicamente válido empregarse uma interpretação restritiva aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 com vistas a admitir a dedutibilidade, para fins tributários, da despesa com amortização de ágio, mas não admitila em relação ao “ágio interno”, como pretende a fiscalização. Como é cediço, a interpretação restritiva, tal qual a extensiva, a literal, a analógica, a sistemática, a histórica, a finalística, etc., fazem parte do arcabouço da Hermenêutica Jurídica. O emprego de cada uma dessas ferramentas deve ser levado a cabo pelo intérprete, de modo a revelar o correto significado da norma jurídica, segundo os valores contidos no Direito. Pois bem, afirmam os autores do artigo que a amortização do “ágio interno” para fins societários é inadmissível, haja vista não ser fruto de uma transação entre partes independentes e não relacionadas (arm’s length transaction). Segundo esse entendimento a restrição ao “ágio interno” tem lugar para impedir que o controlador de um grupo de empresas, com vistas a alcançar seus próprios interesses em detrimento dos interesses dos minoritários, manipule o lucro líquido da pessoa jurídica mediante a dedução da despesa com sua amortização, despesa essa que, ao contrário do “ágio verdadeiro”, é gerada artificialmente pois nenhum recurso econômico ou financeiro é empregado na sua geração. 9 Vide, entre outros, o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, a Resolução CFC n° 1.110/2007, o Pronunciamento Técnico CPC nº 04/2008, revisado em 2010, e a Orientação Técnica CPC 02/2008. 10 Mas pelo menos de 1994 o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações FIPECAFI, já advertia ser inadmissível o surgimento de ágio gerado internamente. Veja o comentário contido na página 247 daquele Manual: “Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor de equivalência patrimonial e, nos casos onde os investimento foram feitos através de subscrições em empresas coligadas e controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio.” Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 20 19 Bem por isso a legislação societária infralegal surgida a partir de 2007, na esteira do que há muito tempo já afirmava a doutrina especializada, expressamente restringiu (portanto, uma interpretação restritiva) o alcance do vocábulo “ágio” contido no art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, inadmitindo a dedutibilidade do ágio gerado internamente para fins societários, senão vejamos: OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007: (...) 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. (Grifamos) Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. (Grifamos) Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 21 20 independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (...) Resolução CFC n° 1.110/2007: (...) 120 O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. (...) Pronunciamento Técnico CPC nº 04 (Revisão nº 1, de 2010): (...) Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. 50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade. (...) Orientação Técnica CPC nº 02/2008: (...) 50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 22 21 E quanto à dedutibilidade, no âmbito da legislação tributária, da despesa com amortização do ágio gerado internamente? Como visto antes, os autores do artigo em comento não apresentaram fundamentos teóricos que validassem sua conclusão de que o ágio gerado internamente, apesar de ser indedutível para fins societários, é dedutível para fins tributários. Mas a meu ver as razões por eles empregadas para não admitir a despesa com amortização do “ágio interno” para fins societários valem, igualmente, para justificar a invalidade da dedução dessa mesma despesa para fins fiscais, com a única diferença de que, enquanto lá o controlador viola os interesses legítimos do minoritários, aqui viola os interesses legítimos do fisco. E tal violação decorre da manipulação do lucro líquido mediante a dedução de despesa com a amortização de ágio na aquisição de um investimento para o qual não houve nem haverá qualquer sacrifício econômico, posto que realizada entre empresas do mesmo grupo econômico. Em outras palavras, se pelo menos desde 1994 a doutrina especializada em direito societário não admite a amortização do “ágio interno”, e, mais recentemente, a Comissão de Valores Mobiliários, o Conselho Federal de Contabilidade e o Comitê de Pronunciamentos Contábeis expressamente não admitem essa dedução para fins societários, por que motivo o fisco a admitiria para fins tributários? Por que os intérpretes do direito societário podem validamente empregar uma interpretação restritiva do vocábulo “ágio” contido no art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 (norma societária), enquanto os intérpretes do direito tributário não podem empregar a interpretação restritiva do mesmo vocábulo “ágio” contido nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97? Não fossem todas as razões acerca da artificialidade da despesa com amortização de “ágio interno”, ensejadora da manipulação do lucro líquido, o simples fato de a legislação societária, corretamente interpretada, não albergar a dedução dessa despesa, implica necessariamente a adoção da mesma interpretação à legislação tributária, a teor do disposto no art. 109 do CTN, in verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Ora, se o conceito de ágio, segundo a interpretação que lhe dá a doutrina societária especializada, não inclui o ágio gerado internamente, então a correta interpretação dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 também não admitirá a dedução da despesa com amortização do “ágio interno”. 4) Da Qualificação da Multa de Ofício Alega a recorrente não ter agido dolosamente, daí porque seria incabível a qualificação da multa de ofício. Afirma que jamais pretendeu ocultar do conhecimento do fisco a reorganização societária que realizou, aliás, com respaldo em todo o arcabouço legal vigente no direito positivo. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 23 22 Pois bem, entendo que neste tipo específico de reorganização societária, que encontra previsão no art. 36 da Lei 10.637/2002, sempre remanescerá dúvida razoável acerca de se o sujeito passivo agiu, ou não, dolosamente. Ademais, em razão de estar autorizada por lei, não há que se perquirir sobre a existência de propósito negocial diverso daquele previsto na própria lei, qual seja, a reavaliação do investimento mantido pela investidora e o deferimento de sua tributação. De fato, referido dispositivo legal autoriza esse tipo de reorganização societária única e exclusivamente para fins possibilitar a reavaliação, na investidora (PARMETAL), da participação que mantém em sua investida (METALSIDER), reavaliação essa cuja incidência do IRPJ e CSLL devidos pela investidora poderá ser diferida11. Mas esse tipo de reorganização societária traz como reflexo o surgimento de um “ágio interno”, o qual, apesar de contabilizado, não pode ser amortizado nem para fins comerciais nem para efeitos fiscais por não ter sido fruto de uma arm’s length transaction. Todavia, a contabilização desse ágio interno na investidora pode levála a erro de direito, concernente à crença da validade jurídica de sua amortização para fins fiscais. A possibilidade de ter a ora autuada incorrido nesse erro de direito não é remota, daí porque, a meu juízo, não há como afirmarse, para além de qualquer dúvida razoável12, que a contribuinte agiu dolosamente ao amortizar o “ágio interno”. 5) Da Multa Isolada Falta de Pagamento de Estimativas Mensais de IRPJ e CSLL Conforme já antecipado em outras oportunidades, entendo que o cabimento, ou não, da multa isolada imposta pela falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, quando houver imposição concomitante da multa de ofício pela falta de pagamento anual do imposto e da contribuição, deve levar em consideração a norma vigente no momento de ocorrência do fato gerador da multa isolada. Mais especificamente, devese identificar se o regime jurídico regulador da imposição da multa isolada é aquele previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, ou se é o prescrito por aquele mesmo artigo, mas com a redação dada pela da Lei nº 11.488/2007, fruto da conversão da Medida Provisória nº 351/2007. Pois para os fatos ocorridos durante a vigência do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, venho acolhendo a tese defendida majoritariamente pelos membros deste Conselho segundo a qual não cabe a exigência da multa isolada prevista no parágrafo 1º, inciso V, daquele dispositivo quando houver também exigência da multa de ofício estabelecida em seus incisos I e II do caput. E embora haja mais de uma justificativa jurídica para essa tese, entendo que o não cabimento da imposição concomitante dessas duas multas tem como fundamento a dubiedade da redação do próprio art. 44 em sua redação original, dubiedade esta que deve ser resolvida a favor do sujeito passivo, a teor do disposto no art. 112, I, do CTN. 11 E não custa repetirmos aqui o que foi dito alhures: o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 não cuida de ágio, muito menos de sua amortização. Tal assunto, nos casos de incorporação, fusão e cisão, é regulado pelos já examinados arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. 12 Sobre o padrão de convencimento aqui adotado, construído a partir de “prova para além de qualquer duvida razoável” (evidence beyond a reasonable doubt), já me manifestei no âmbito do processo nº 10980.721462/2011 92. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 24 23 Referida dubiedade, todavia, foi completamente afastada com a nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrita, daí porque entendo que para os fatos ocorridos a partir de 22/01/2007, data em que entrou em vigor Medida Provisória nº 351, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, não há impedimento jurídico para imposição concomitante das multas previstas em seus incisos I e II, “b”: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) No caso dos autos as multas isoladas referemse a falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram, todos, após 22/01/2007, quando já estava em vigor a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, motivo pelo qual, como dito antes, entendo não haver óbice legal para imposição concomitante da multa prevista em seu inciso I com aquela estabelecida no inciso II, alínea “b”. Também não assiste razão à defesa quando afirma que a multa isolada em comento somente se aplica quando as estimativas mensais de IRPJ e CSLL forem apuradas com base na receita bruta, não incidindo quando forem apuradas com base em balancetes mensais, como no caso dos autos. Ora, o art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96 remete ao art. 2º da mesma lei que, por sua vez, remete ao art. 29 e seguintes da Lei nº 8.981/95, os quais tratam do pagamento das estimativas mensais apuradas não só com base na receita bruta como também por meio do levantamento de balancetes mensais. Não há, portanto, qualquer distinção entre essas duas formas de apuração de estimativas no que diz respeito ao cabimento da multa isolada. Por fim, também não há como acolherse a alegação da recorrente segundo a qual seria incabível a exigência da multa isolada imposta pela falta de pagamento de Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10970.720271/201211 Acórdão n.º 1201000.939 S1C2T1 Fl. 25 24 estimativas de IRPJ e CSLL relativas ao mês de dezembro, quando neste mês o pagamento for realizado por meio de balanços ou balancetes de suspensão ou redução. Isso porque o aludido art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, não ampara a exceção pretendida pela interessada. 6) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10920.911431/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 31 /2 01 2- 17 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911431/201217 Acórdão n.º 3803005.680 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911431/201217 Acórdão n.º 3803005.680 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911431/201217 Acórdão n.º 3803005.680 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911431/201217 Acórdão n.º 3803005.680 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911431/201217 Acórdão n.º 3803005.680 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911431/201217 Acórdão n.º 3803005.680 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13884.002229/2003-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA. DÉBITO NÃO DECLARADO. SALDO CREDOR.
A reconstituição da escrita fiscal do IPI em virtude de identificação de débito não declarado absorve eventual saldo credor existente para efeito de cálculo do montante dos tributos devidos.
Numero da decisão: 3403-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA. DÉBITO NÃO DECLARADO. SALDO CREDOR. A reconstituição da escrita fiscal do IPI em virtude de identificação de débito não declarado absorve eventual saldo credor existente para efeito de cálculo do montante dos tributos devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 22 29 /2 00 3- 83 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de créditos do IPI registrado em 14/05/2003 (fl. 03)1, relativo ao primeiro trimestre de 2003, no valor de R$ 25.844,05, em função de saldo credor decorrente do art. 11 da Lei no 9.779/1999 combinado com a IN SRF no 33/1999. Aberto procedimento fiscal para verificação do direito creditório em 11/07/2007 (fl. 49), e solicitados documentos ao postulante (fls. 51/52), que os encaminha integralmente (cf. fls. 57/58), o fisco conclui, pela análise da documentação, que houve erro em relação a uma classificação fiscal adotada, intimando o contribuinte a reconstituir a escrituração do Livro de Apuração do IPI em 10 dias (fls. 82/83). A empresa foi cientificada da exigência em 16/10/2007, cf. AR de fl. 84, e, em 26/10/2007 solicitou prorrogação do prazo por mais 30 dias (fl. 85), sendo concedido um prazo adicional de 10 dias úteis, a contar de 30/10/2007 (fl. 86). Em 14/11/2007, é lavrado o Relatório Fiscal de fls. 88 a 94, no qual se atesta que, em fiscalização por amostragem (18 maiores notas fiscais de entrada com crédito de IPI e 24 maiores notas fiscais de saída com alíquota de IPI=0%), detectouse que nas notas de saída, foi indevidamente utilizada a classificação fiscal 4819500200 (já que até 01/10/2002, vigorava a classificação fiscal 4819.50.00, com alíquota de 0%, que passou depois a 15%, com o advento do Decreto no 4.396, de 27/09/2002), demandando o fisco a reconstituição da escrita pela empresa, sem atendimento. O fisco, ao reconstituir o livro RAIPI de janeiro a março de 2003, verificou que o contribuinte não faz jus aos créditos de IPI, mas deveria ter recolhido valores referentes a saldo devedor de IPI (que passaram a ser cobrados no processo administrativo de no 13864.000467/200716 auto de infração). O conteúdo do primeiro relatório é reproduzido e detalhado no Relatório Fiscal de fls. 114 a 118, que serve de amparo ao Parecer de fls. 133/134, e, por consequência, ao despacho decisório denegatório do direito creditório emitido em 07/01/2008 (fl. 135). Cientificada do despacho decisório em 21/01/2008 (AR à fl. 137), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 15/02/2008 (fls. 144 a 153), argumentando basicamente que: (a) não houve erro de alíquota da mercadoria (matéria que já está sendo discutida na defesa à autuação); e (b) o crédito tem relação única e exclusiva com as notas fiscais de entrada, e não de saída, não cabendo no processo de ressarcimento referente a créditos pela entrada serem discutidas as alíquotas utilizadas nas saídas de produtos, sendo, portanto, nulo o despacho decisório (pois, “em nenhum momento constou do Relatório Fiscal IPI, f. 109 a 113 e do Parecer Seort, f. 128 a 130 qualquer justificativa acerca da não validade do crédito que serviu de base para a presente compensação”). Requer, por fim, a suspensão da exigibilidade do crédito e a eventual juntada de novos documentos. O despacho de fl. 161 propõe que o processo referente ao crédito e o auto de infração sigam juntos à DRJ para julgamento, pela identidade de conteúdo, o que é acatado à fl. 162. Em 19/09/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 165 a 169), acordando unanimemente o tribunal de piso pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os fundamentos de que, de acordo com a legislação, “o direito creditório a ressarcir decorre do saldo credor apurado em cada trimestre, o qual somente é apurado após o encontro dos créditos e débitos escriturados nos livros próprios”, e que é vedado o ressarcimento se houver processo administrativo que possa alterar o valor a ser ressarcido (art. 19 da IN SRF no 210/2002). Revela ainda o julgador que a impugnação ao Auto de Infração 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13884.002229/200383 Acórdão n.º 3403002.888 S3C4T3 Fl. 244 3 referente ao processo no 13864.000467/200716 foi julgada improcedente conforme acórdão 1435.348, de 28/09/2011. Cientificada do julgamento da DRJ em 01/11/2012 (cf. AR de fl. 173), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 30/11/2012 (fls. 175 a 179), no qual alega que: (a) a empresa havia recolhido o débito exigido no auto de infração em 27/11/2009, antes do julgamento efetuado pela DRJ, conforme revelam os comprovantes de fls. 223 a 238 (restando inaplicável a disposição do art. 19 da IN SRF no 210/2002, por não mais haver processo que pudesse alterar o valor a ser ressarcido); e (b) a liquidez e a certeza do crédito não foram abaladas, mas somente a certeza e a liquidez dos débitos, sendo cabível o ressarcimento (devendo ser homologadas as compensações decorrentes). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Recomendável, de início, verificar qual a fundamentação legal para o crédito solicitado (art. 11 da Lei no 9.779/1999): “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda”. (grifo nosso) Já de início resta claro que o relevante para o creditamento não é só a entrada (como alega a recorrente), porque somente poderá a empresa utilizar o saldo credor do IPI acumulado em relação às entradas se não puder compensálo com o IPI devido na saída de outros produtos. E a norma expedida pela Secretaria da Receita Federal, à época, e que deveria ser observada, é a Instrução Normativa no 33/1999, que afirma, em seu art. 2o, § 1o, que o aproveitamento dos créditos “darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados”. E o mesmo comando normativo, no parágrafo seguinte (§ 2o do art. 2o), complementa que somente poderá ser utilizado crédito em período subsequente “no caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior”. Daí a necessidade inicial de reconstituição da escrita, demandada pelo fisco. Só pode efetivamente transportado para período subsequente o crédito que não foi passível de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 compensação com o IPI devido na saída em relação ao período. E, havendo débito em aberto (e sem compensação) no período, por óbvio este influenciará o resultado do crédito a ser transportado. Não tendo a empresa tomado a providência de reconstituir a escrita (mesmo após intimada e reintimada a fazêlo), o fisco levou a cabo a tarefa, apurando que, em decorrência de erro de classificação fiscal na saída, surgiram débitos que inviabilizaram o transporte de créditos. A incorreção da classificação fiscal, à época controversa, hoje é pacífica, tendo a recorrente inclusive indicado que efetuou os pagamentos correspondentes antes do julgamento do auto de infração. À fl. 92 é mostrada a situação dos débitos e créditos apurados pelo contribuinte (quadro 1 com resultado credor de R$ 25.844,05) e pelo fisco (quadro 2 com resultado devedor de R$ 5.903,09) para o primeiro trimestre de 2003. Às fls. 116/117 o fisco demonstra como reconstituiu o Livro RAIPI de janeiro a março de 2003: separou os valores por decêndio, indicando na coluna crédito o valor apurado pela empresa, e na coluna débito (15%) o cálculo do IPI que deveria ter sido destacado nas notas fiscais de saída caso o produto tivesse sido tributado com a alíquota de 15%. Na coluna IPI devido consta o valor que deveria ter sido recolhido pela empresa. Assim, gerouse o demonstrativo constante da tabela de reconstituição de fl. 117. Em tal demonstrativo, a coluna “IPI devido” corresponde aos valores lançados em auto de infração, e a coluna “saldo” aos valores utilizados para o cálculo dos transportes de crédito (cujo resultado se revelou negativo). Assim, equivocase a recorrente quando sustenta que os débitos pagos em relação à citada autuação não teriam sido tomados em conta na reconstituição da escrita pelo fisco. Como o próprio nome sugere, a reconstituição é da escrita fiscal, e não dos pagamentos de fato efetuados. Os valores aos quais chega o fisco após a reconstituição da escrita (reitere se, reconstituição esta que à empresa foi demandada por duas vezes) contemplam os débitos e créditos, e o pagamento de valores referentes à citada autuação em nada afeta o direito creditório, já materializado na reconstituição da escrita. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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