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Numero do processo: 10384.003160/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA
A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo.
IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitar-se a apreciar a preliminar levantada.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço.Art.30, inciso I, alínea a, da Lei n.( 8.212/91.
Multa punitiva art.283, inciso I, alínea g, do Regulamento da Previdência.Valor atualizado por Portaria Ministerial, art.373, do mesmo Regulamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.989
Decisão:
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo. IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitar-se a apreciar a preliminar levantada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço.Art.30, inciso I, alínea a, da Lei n.( 8.212/91. Multa punitiva art.283, inciso I, alínea g, do Regulamento da Previdência.Valor atualizado por Portaria Ministerial, art.373, do mesmo Regulamento. Recurso Voluntário Negado
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IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitarse a apreciar a preliminar levantada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço.Art.30, inciso I, alínea “a”, da Lei n.° 8.212/91. Multa punitiva art.283, inciso I, alínea “g”, do Regulamento da Previdência.Valor atualizado por Portaria Ministerial, art.373, do mesmo Regulamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 31 60 /2 01 0- 87 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003160/201087 Acórdão n.º 2302002.989 S2C3T2 Fl. 68 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em 05/08/2010 e cientificado ao sujeito passivo, através de registro postal em 20/08/2010, por infração ao art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, já que deixou de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2008 a 12/2009. De acordo com o relatório fiscal de fls. 05, a autuada não arrecadou as contribuições relativas a cota dos segurados das remunerações dos servidores comissionados/temporários e contribuintes individuais, que prestaram serviço ao município, no período acima citado. O município apresentou impugnação intempestiva argüindo a nulidade da autuação porque o auditor agiu de máfé, não possuindo noção do trabalho realizado, pois aplicou multa pelo não recolhimento das contribuições dos segurados e multa por não ter arrecadado a mesma contribuição, configurando bis in idem . Informação do Fisco às fls. 32/33, diz que a impugnação do contribuinte não foi conhecida pela intempestividade, o que não instaurou a fase litigiosa do processo, e que as matérias alegadas na impugnação, por serem de direito não podem ser revistas de ofício. Da Informação foi dada ciência ao contribuinte que apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese: a) a tempestividade da impugnação, porque não há provas nos autos de que a autuação foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo; b) que o serviço de rastreamento dos correios não é prova do recebimento; c) que não há provas de quem tenha recebido o AR Aviso de Recebimento; d) que o número de autos de infração, 21, demandou carga excessiva de trabalho, impossibilitando o cumprimento imediato pelo Município; e) que é irrazoável a alegação da Receita Federal da perda de prazo por dois dias, fazendo referência ao artigo 23§2º,II, diz que se a data do recebimento for omitida, temse que feita após 15 dias da data da expedição da intimação, o que deve ser aqui obedecido; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) que em outro auto de infração, cobrou com juros e multa as contribuições dos segurados, de forma que não cabe esta multa isolada pela não arrecadação da contribuição g) que não foram descritos pelo auditor os fatos que levaram a autuação; h) por fim, requer o provimento do recurso para declarar a tempestividade da autuação e afastar a multa isolada. O recurso não foi aceito pela Delegacia da Receita Federal, porquanto não havia sido instaurada a fase litigiosa, frente a inexistência de impugnação válida. Inconformado, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.º 678555.2011.4.01.4000, com pedido de liminar onde pleiteou o exame dos recursos interpostos a todos os autos de infração lavrados pelo Fisco, com o reconhecimento do efeito suspensivo e o desbloqueio das contas do Fundo de Participação dos Municípios. A liminar foi deferida, foi proferida posterior sentença de primeiro grau e os autos vieram a este Colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003160/201087 Acórdão n.º 2302002.989 S2C3T2 Fl. 69 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso voluntário apresentado pela autuada é tempestivo e está sendo conhecido, por força de decisão judicial, uma vez que não há decisão de primeira instância recorrida. Conforme se pode ver da análise dos autos, a autuada apresentou impugnação intempestiva argüindo apenas questões de direito, que não merecem exame de ofício, como a inaplicabilidade da multa no auto de infração por já ter sido aplicada em outro auto de infração de obrigação principal. O Fisco informou ao contribuinte, às fls. 32/33, que não havia matéria de fato a ser revista de ofício. Contra o decisório é que a autuada interpôs este recurso, o qual está sendo examinado por força de decisão judicial. Quanto à alegada tempestividade da impugnação, a recorrente não possui razão, posto que às fls. 08/14, constam a postagem dos autos de infração e a situação de entregues pelos Correios, documento hábil e verídico, não cabendo a desconfiança por parte do recorrente, que sequer apontou vício no procedimento levado a termo pelos Correios. Conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.). Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Assim, a alegação da recorrente de que as autuações encaminhadas por via postal foram recebidas por pessoa não autorizada não constitui razão para conhecimento de impugnação intempestiva, com ou sem argüição de tempestividade, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. VIA POSTAL. POSSIBILIDADE. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Não merece provimento recurso carente de argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo.” É possível a citação da pessoa jurídica pelo correio, desde que entregue no domicílio da ré e recebida por funcionário, ainda que sem poderes expressos para isso. (AgRg no Ag 711722 / PE ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2005/01614041, Ministro Humberto Gomes de Barros, 3ª Turma, DJ 27/03/2006, p. 267) Ademais,tal assunto já se encontra sumulado por este colegiado, Súmula n.º09, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF N.º 383, DOU de 14/10/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Quanto à referência ao artigo 23,§2º, II do Decreto 70.235/72, para dizer que deveria ser considerada feita a intimação após 15 dias da postagem, é de se ver que tal dispositivo contempla as situações em que não há data do recebimento da correspondência, o que não ocorreu no caso em tela, onde a recorrente recebeu as vias relativas aos autos de infração lavrados, em 20/08/2010. É também improcedente a alegação de que o número excessivo de autuações impediu que a recorrente prontamente apresentasse suas impugnações, porquanto os prazos processuais vem definidos em lei, sendo defeso à administração pública descumprilos ou ampliálos a fim de beneficiar um ou outro contribuinte. Conforme consta da legislação vigente, mais precisamente no Decreto n.º 70.235/72, artigo 15, o contribuinte tem o prazo de trinta dias para impugnar o lançamento, o que não ocorreu no presente processo: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Corroborando o disposto pelo Decreto acima citado, a Portaria RFB n.º10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais, traz no seu artigo quinto que a impugnação será apresentada no prazo de trinta dias da ciência do procedimento a ser impugnado: Art. 5º A impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. Parágrafo único.A impugnação e a manifestação de inconformidade: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003160/201087 Acórdão n.º 2302002.989 S2C3T2 Fl. 70 7 I serão instruídas com a comprovação de legitimidade do representante legal ou de seu procurador; II poderão ser entregues diretamente ou remetidas por via postal à unidade da RFB de jurisdição do sujeito passivo, considerandose tempestivas se postadas no prazo previsto no caput. O termo inicial para contagem do prazo é o primeiro dia útil posterior à ciência do contribuinte, nos termos do art. 30 da Portaria RFB n.º 10.875/2007, excluise o dia do começo e incluise o do vencimento. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade, em auto de infração apreciará tãosomente a tempestividade argüida, tendo em vista que não foi instaurada a fase litigiosa em relação às demais matérias constantes da peça impugnatória, as quais não serão conhecidas, a teor do disposto pelos artigos 14 do Decreto 70.235/72 e 2º, da já citada Portaria RFB n.º 10875/2007: Decreto n.º 70.235/72 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Portaria RFB n.º 70.875/2007 Art. 2º O processo administrativo fiscal iniciase: I com a impugnação tempestiva da NFLD e do Auto de Infração; Portanto está correto o Fisco ao se pronunciar pela intempestividade da impugnação, que nesta condição não se prestou a iniciar a fase contenciosa do procedimento administrativo, mantendo a multa aplicada no auto de infração por descumprimento de obrigação acessória como lançada. Todavia, em obediência à decisão judicial que determinou o conhecimento do recurso interposto, me manifesto sobre os demais aspectos nele trazidos. De acordo com os autos a recorrente infringiu a legislação vigente ao não arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2008 a 12/2009. À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através do Auto de Infração de Obrigação Principal. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infraçãode Obrigação Fl. 73DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Acessória. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória ou de ofício, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. São duas condutas distintas , sendo improcedente a argüição da recorrente de que não cabe esta autuação, pois já tinha sido autuada pelo não recolhimento da contribuição. Assim, ao não proceder o desconto da contribuição previdenciária da remuneração dos segurados a recorrente infringiu o disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 8.212/91, estando correta a autuação: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n.º 8.620/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; É também inócua a argüição de que não foram descritos os fatos que originaram a autuação, porque os mesmos estão devidamente relatados no Relatório Fiscal, às fls. 05. A multa aplicada está de acordo com o artigo 283, inciso I, alínea “g”, do Regulamento da Previdência Social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Interministerial n.º 822, de 29/06/2010, artigo 8º, inciso V, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11030.907100/2011-99
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2001
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 71 00 /2 01 1- 99 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 11/06/2006, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907100/201199 Acórdão n.º 3803005.901 S3TE03 Fl. 19 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/POA, de 24/05/12 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 1038.588, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 139 processos semelhantes em 20/06/2012, a contribuinte protocolou defesas específicas em 16/07/2012, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907100/201199 Acórdão n.º 3803005.901 S3TE03 Fl. 20 5 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907100/201199 Acórdão n.º 3803005.901 S3TE03 Fl. 21 7 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907100/201199 Acórdão n.º 3803005.901 S3TE03 Fl. 22 9 b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907100/201199 Acórdão n.º 3803005.901 S3TE03 Fl. 23 11 IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907100/201199 Acórdão n.º 3803005.901 S3TE03 Fl. 24 13 a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907100/201199 Acórdão n.º 3803005.901 S3TE03 Fl. 25 15 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907100/201199 Acórdão n.º 3803005.901 S3TE03 Fl. 26 17 prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10945.900091/2013-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/02/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 91 /2 01 3- 00 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900091/201300 Acórdão n.º 3801003.038 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900091/201300 Acórdão n.º 3801003.038 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900091/201300 Acórdão n.º 3801003.038 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900091/201300 Acórdão n.º 3801003.038 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900091/201300 Acórdão n.º 3801003.038 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900091/201300 Acórdão n.º 3801003.038 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900091/201300 Acórdão n.º 3801003.038 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10120.010257/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DE IRRETROATIVIDADE.
Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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FATOS GERADORES Recorrente ESTADO DE GOIÁS TRIBUNAL DE JUSTIÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DE IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 02 57 /2 01 0- 47 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.010257/201047 Acórdão n.º 2402003.837 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 12/2007 e 13/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 26), a empresa apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Relata que a empresa deixou de informar a totalidade da remuneração recebida por todos os segurados (empregados e comissionados), vinculados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) a seu serviço, ou informou remunerações com valores menores que os constantes em folha de pagamento, inclusive 13º salários, bem como informou, com incorreção, a alíquota GILRAT, gerando um valor a menor na GPS. Os valores não declarados estão discriminados no anexo deste relatório e foram objetos de lançamento da obrigação principal (processos 10120.010254/201011 e 10120.010256/201001). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 27) informa que foi aplicada a multa no valor de R$57.271,20 (cinquenta e sete mil, duzentos e setenta e um reais e vinte centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Essa multa aplicada correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição apurada sobre os fatos geradores não declarados, limitada, por competência, aos valores previstos no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/1991 (em função do número de segurados da empresa), conforme demonstrado na planilha em anexo(fls. 31/34). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 17/12/2010 (fls. 01 e 80), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 135/136) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: 1. não houve divergências de informações prestadas por meio das GFIP e MANAD, e que os recolhimentos foram feitos tempestivamente conforme informações geradas pela GFIP; 2. aduz se reservar no direito de fazer a juntada de outras provas documentais com base na Lei n° 9.532, de 10.12.1997; 3. à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Auto de Infração, espera e requer que seja acolhida a presente Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o AI DEBCAD: 37.292.0969. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0348.606 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 145/149) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele se coaduna com os preceitos legais que disciplinam a sua lavratura, posto que traz em seu conteúdo todos os requisitos necessários a sua validade. A Recorrente interpôs recurso voluntário argumentando que: (i) servidores do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) foram computados como segurados do Regime Geral de Previdência Social (RGPS); (ii) não foram realizadas as deduções pagas de forma indevida; (iii) na competência 13, há valores em duplicidade; e (iv) ocorreu valores apurados de servidores que estão com remuneração acima do teto do RGPS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Goiânia/GO informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.010257/201047 Acórdão n.º 2402003.837 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à autuação do ente público na vigência do art. 41 da Lei 8.212/1991, competências até 10/2008, entendese que há impossibilidade de aplicação retroativa da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Inicialmente, quanto ao descumprimento da obrigação acessória, no que tange a órgão ou entidade da administração pública, a redação original do art. 41 da Lei 8.212/1991 atribuía a responsabilidade pela prática de tal infração ao seu dirigente, não recaindo sobre a pessoa jurídica qualquer responsabilidade, em virtude de infração dessa natureza, cometida por seus agentes. Posteriormente, com a edição da Medida provisória (MP) n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, o art. 41 supracitado foi revogado e, por consectário lógico, a responsabilidade pela infração à legislação previdenciária no âmbito da administração pública deixou de ser do dirigente. Para tais infrações, passou a ser aplicada a regra geral, ou seja, a partir da vigência da MP supracitada, a pessoa jurídica na qual está inserido o órgão público ou o próprio ente da administração é quem deve responder pelas infrações perpetradas contra a legislação previdenciária. Vejamos o artigo 65, I, da referida MP n° 449, de 04 de dezembro de 2008: Art.65. Ficam revogados: I os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 4º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do art. 80, o art. 81, os §§1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89, e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (grifos nossos); Vejamos também o art. 79 da Lei 11.941/2009, de 27 de maio de 2009: Art. 79. Ficam revogados: I os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (grifos nossos); Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Era exatamente o preceito estabelecido no art. 41 da Lei 8.212/1991 que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária, que assim dispunha: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Sabemos que o procedimento administrativo do lançamento, em regra, deve se reportar sempre a lei vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, conforme dispõe art. 144 do Código tributário Nacional (CTN). Contudo, há situações em que o próprio CTN, especificamente em seu art. 106, autoriza excepcionalmente que fatos pretéritos sejam regulados pela legislação futura, tratandose de retroatividade benigna (retroatividade benéfica). Vejamos as disposições do art. 106 do Códex: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: (a) quando deixe de definilo como infração; (b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Assim, em consonância com os incisos I e II do art. 106 do CTN, vêemse as hipóteses que estipulam, no plano da hermenêutica, a retroação para uma lei interpretativa e para uma lei mais benéfica ao sujeito passivo tributário, respectivamente. Por sua vez, o inciso II do art. 106 do CTN, aproximandose do campo afeto às sanções tributárias, permite que se aplique retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao sujeito passivo, comparativamente à lei vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Na realidade, o CTN consagra a regra da retroatividade da Lei mais favorável, autorizando assim que a penalidade seja readequada para seguir o tratamento mais benéfico ao contribuinte. Com a referida mudança legislativa, a questão que se levanta é a possibilidade de aplicála a infrações cometidas em período anterior a sua vigência. Em razão de se tratar de legislação tributária, sua interpretação deverá ser orientada pelo art. 106 do CTN, susomencionado. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, pela MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.010257/201047 Acórdão n.º 2402003.837 S2C4T2 Fl. 5 7 decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Esta nova regra, entretanto, deve ser aplicada às infrações ocorridas a partir do início da sua vigência, ou seja, para as infrações ocorridas após a MP n° 449, de 04 de dezembro de 2008. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa, a qual somente deverá ocorrer nas hipóteses específicas do art. 106 do CTN, retromencionado. No presente Auto, a multa foi aplicada em razão de infração cometida nas competências 12/2007 e 13/2007, conforme Relatório Fiscal de Aplicação da Multa e Informação Fiscal de Diligência. A infração em tela consumase no momento em que a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas, até o dia 07 (sete) do mês seguinte àquele a que se referirem as informações (conforme o art. 225, inciso IV e § 2o, do Regulamento da Previdência Social RPS). Sendo assim, resta claro que a infração relativa às competências 12/2007 e 13/2007 foi anterior à vigência da MP n° 449, ocorrida em 04/12/2008. Logo, a responsabilidade pela multa não poderia ter sido atribuída ao órgão público, pois isto implica dar eficácia retroativa à revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela MP n°449/2008. Diante desse contexto fático e jurídico, entendese que a multa aplicada deverá ser excluída, eis que os entes públicos passaram a responder pelas infrações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias – anteriormente previstas na legislação previdenciária como sendo de responsabilidade exclusiva do dirigente de órgão ou entidade da administração pública – somente após a vigência da MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos, em sua totalidade, os valores da multa aplicada, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10650.901303/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 03 /2 01 2- 92 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor da Cofins não cumulativa, apurado para o 3º trimestre de 2006, às fls. 02/05. A DRF em Uberaba (MG) glosou os créditos apurados e escriturados pela recorrente sob o argumento de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram calculados não geram créditos daquela contribuição, nos termos da legislação tributária vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: O crédito da COFINS não cumulativa reconhecido através de despacho decisório da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou R$2.141.712,25, portanto, tratase de matéria incontroversa. ........................ Quanto ao lançamento de ofício que apurou COFINS devida a pagar relativo ao fato gerador ocorrido em 02/2008, que resultou na exigência tributária de R$257.176,06, sendo R$116.327,15 de COFINS não cumulativa devido e R$87.245,36 de multa de ofício e R$53.603,55 de juros de mora, a impugnante concorda com a exigência tributária e já efetuou a compensação com o crédito da contribuição reconhecido pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba – Minas Gerais (matéria incontroversa), tendo como fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e alterações posteriores e o artigo 170 do CTN... ............................... A petição apresentada pela requerente, onde impugna o ato decisório que negou o direito ao ressarcimento de parte do pedido formulado na inicial que se constituiu no processo nº 13646.000074/200949, está em conformidade com o que dispõe o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, portanto, deve ser admitida como tempestiva. ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não consignou no seu despacho Decisório o crédito da COFINS não cumulativa homologado tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901303/201292 Acórdão n.º 3301002.292 S3C3T1 Fl. 195 3 período de janeiro a dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o processo administrativo nº 13646.000074/200949. A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido pela decadência e a Autoridade Fiscal, através do despacho decisório, de forma extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e § único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica. A impugnante se insurge, ainda, contra o despacho decisório da autoridade fiscal que não admitiu a restituição dos créditos da COFINS não cumulativa, não atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos, despesas e encargos na manutenção da empresa, portanto, o despacho decisório emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para restabelecer tais créditos. ......................... Como a impugnante não tem como utilizar os créditos da COFINS na compensação de débitos administrados pela SRFB, a vedação ao ressarcimento em espécie dos créditos pela Autoridade Fiscal, sob o argumento de que inexiste norma procedimental regulamentadora a ser adotada para conceder o ressarcimento em espécie, além de tornar a lei inócua, a conduta omissiva da Administração – falta de emissão dos atos administrativos regulamentadores do exercício do direito da contribuinte – caracteriza enriquecimento sem causa da própria Administração EM RAZÃO DE SUA TORPEZA. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0944.709, datado de 27/06/2013, às fls. 138/153, sob as seguintes ementas: “ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO. A legislação vigente não prevê prazo para a necessária verificação da liquidez e certeza do direito creditório postulado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA. Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório ou a não homologação da compensação, e não apreciar originariamente pedido de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. INCIDÊNCIA. NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 158/177), requerendo, literalmente: “I – Determinem à Autoridade administrativa competente que efetue a homologação da compensação e declare a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66; II – a Decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Juiz de Fora em Minas Gerais seja reformada e seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia remanescente de R$ 1.884.536,19, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005; III – Seja reconhecida a decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente, relativo à COFINS não cumulativa relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro o § 4º do artigo 150 e do parágrafo único do artigo 149 do CTN, em razão de inexistência de crédito tributário constituído via auto de infração, o que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório; IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos os valores glosados pela Fiscalização a título de COFINS não cumulativa, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007 no valor de R$ 6.006.174,08; V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de efetuar a revisão do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja reconhecido expressamente a decadência do direito de lançar relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 2006 (janeiro a dezembro), e restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18; VI – Seja revisado o despacho decisório para incluir e/ou restabelecer o direito creditório, relativo à COFINS não cumulativa, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150 e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN à matéria objeto do contraditório; VII – Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições da COFINS, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901303/201292 Acórdão n.º 3301002.292 S3C3T1 Fl. 196 5 em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide. VIII – Os créditos da COFINS objeto da lide sejam ressarcidos à Autuada em espécie, conforme dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, e com fulcro no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa, aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.” Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “1 – DOS FATOS; II – DA APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL DA CELERIDADE PROCESSUAL, DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS E DA UTILIDADE (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE QUE TRATA O PROCESSO DE nº 13646.000074/200949); III – DO CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA E OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR; III.4 – CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, NÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA”; concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação de compensação e extinção do crédito tributário; (ii) decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente; (iii) reconhecimento da homologação tácita do lançamento e restabelecimento dos valores glosados para o período de 01/2006 a 08/2007, no valor de R$ 6.006.174,08; (iv) reconhecimento da decadência do direito de lançar, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2006, e seja restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18, a questão a ser decidida neste processo é o ressarcimento do saldo credor da COFINS não cumulativa, apurado para o 3º trimestre de 2006, no valor original de R$890.197,28, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias. Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão recorrida, o indeferimento do pedido de restituição, objeto deste processo, teve como fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela Fiscalização sob os argumentos de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café); 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho); 5) bens para venda adquirido com alíquota zero; 6) receita somada irregularmente aos bens (bônus recebidos na comercialização do leite dos associados); 7) bens utilizados como insumo, de fato contabilizado sob esta rubrica, mas revendidos (calcário bicálcio, fosfato e uréia); 8) bens fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados como insumos (fretes sobre aquisições de bens para revenda); 10) despesas com contraprestações de arrendamento mercantil; 11) bens do ativo imobilizado encargos de depreciação; 12) bens do ativo imobilizado depreciações com base no valor de aquisição; e, 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero. A recorrente, em seu recurso voluntário, não fundamentou sua discordância contra cada uma das glosas, se limitando a afirmações genéricas, literalmente: “Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.” A Lei nº 10.833. de 29/12/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispõe quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901303/201292 Acórdão n.º 3301002.292 S3C3T1 Fl. 197 7 [...]. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...}. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...].” Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: [...]; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901303/201292 Acórdão n.º 3301002.292 S3C3T1 Fl. 198 9 III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...]. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o O direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa na hipótese de venda de produtos in natura de origem vegetal, efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade rural e cooperativa de produção agropecuária, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica que exerça atividade rural e pela cooperativa de produção agropecuária, em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...].” De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos da COFINS glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 7,6 % sobre os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens. Nem o autuante nem a recorrente referiramse ao crédito presumido da agroindústria. Segundo o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente, aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; segundo o § 3º, incisos I e II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e os custos e despesas incorridas e pagas pessoas jurídicas, todas domiciliadas no País, desde que onerados pela contribuição; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, tratase de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas; 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café) também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2; 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos; 5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, não geram créditos; 6) bônus recebidos na comercialização do leite dos associados e a estes repassados, por representarem custo do leite entregue também não geram créditos porque o leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas; 7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não gera crédito; também o cálcário bicálcio e o fosfato, por terem sido adquiridos com alíquota zero, não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento; 8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas física e jurídica; as aquisições de pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições de pessoas jurídicas geram créditos, conforme dispositivo citado no item anterior (7), desde que o insumo tenha sido utilizado na fabricação de produto destinado à venda e sujeito à contribuição, o que não ocorreu; 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo, no presente caso, como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; 10) de contraprestações de arrendamento mercantil; conforme demonstrado no Despacho Decisório, na realidade, tratase de encargos de depreciações, contudo não foi provada a aquisições dos bens; a recorrente não contestou esta fundamentação; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901303/201292 Acórdão n.º 3301002.292 S3C3T1 Fl. 199 11 11) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; segundo o Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições não foram comprovadas (planilha às fls. 38) e a bens não utilizados na fábrica de ração (produção – planilha às fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, geram créditos; 12) depreciações de bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição, tratase de depreciação acelerada, correspondente a 1/48 do valor de aquisição; contudo todas as despesas foram apropriadas sobre aquisições efetuadas até 30/04/2004; segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas depois daquela data; 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero, somente dão direito a créditos a devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas vendas. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor, efetuar sua compensação e/ ou ressarcilo, nos termos da legislação tributária vigente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904468/2012-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 68 /2 01 2- 70 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904468/201270 Acórdão n.º 3803004.818 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904468/201270 Acórdão n.º 3803004.818 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904468/201270 Acórdão n.º 3803004.818 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 14098.000125/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 25 /2 00 9- 59 Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000125/200959 Acórdão n.º 2302003.027 S2C3T2 Fl. 1.366 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 1.237 e seguintes). Adotase trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.241 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante o auto de infração n° 37.226.0411 e anexos de f. 0125, através do qual se exige o valor consolidado em 18/05/2009 de R$ 1.276.688,54. A exigência se refere à contribuição da empresa sobre a remuneração dos 40 empregados, contribuição da empresas sobre a remuneração de transportadores autônomos, e contribuição da empresa sobre a remuneração de contribuintes individuais, conforme indicado nos fundamentos legais do débito do auto de infração. No relatório fiscal e anexos integrantes do auto de infração, f. 26 e seguintes, a autoridade fiscal relata a atividade da empresa, o desenvolvimento do procedimento e os fatos geradores do crédito lançado: “1. Este relatório é parte integrante do AI — Auto de Infração — DEBCAD n° 37.226.0411 (Processo n° 14098.000125/200959) referente a contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social (ou recolhidas em valor inferior), cujos recolhimentos não foram comprovados pela autuada, bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação da Receita Federal do Brasil. (...) 2.3 Em decorrência do processo de recuperação judicial, sob o 61812008, em trâmite pela Segunda Vara da Comarca de Primavera do LesteMT, em: 19/12/2008, foi nomeado, por aquele Juízo, como administrador judicial da empresa, o advogado Marcelo Gonçalves. (...) 4. Os valores dos créditos constituídos correspondem às seguintes contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo: • a) contribuição previdenciária, a cargo do empregador, alíquota de 20% incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 b) contribuição previdenciária, a cargo do empregador, alíquota de 20%, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais prestadores diversos; c) contribuição previdenciária, a cargo do empregador, alíquota de 20%, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais transportadores autônomos (fretes e carretos). DOS FATOS GERADORES 5. Assim, constituem fatos geradores dos tributos ora lançados neste Auto de Infração: 5.1 Levantamento AJC Período de lançamento: 05 a 12/2004 Estabelecimento: 03.240.326/000265 As remunerações, a título de ajuda de custo, pagas, continuamente, aos segurados empregados da empresa. A Lei n° 8.212/91 considera que não integra o saláriodecontribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT que assegura aos empregados, em caso de necessidade de serviço, o direito à ajuda de custo resultante das despesas de sua transferência para localidade diversa da que resultar do contrato. A ajuda de custo, quando paga continuamente, em valor fixo, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar gastos feitos pelo empregado, adquire natureza salarial. A sua não eventualidade caracteriza remuneração ao empregado por serviços prestados em decorrência do contrato de trabalho, havendo, portanto, desvirtuamento da natureza jurídica indenizatória. A autuada foi reiteradamente intimada a esclarecer a natureza de tais pagamentos, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 003 (Anexo I) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo IV), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentar os esclarecimentos solicitados, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDEBCAD n° 37.230.7345 processo n° 14098.000132/200951. Assim, esta fiscalização considerou tais valores como parcelas substitutivas de salário (salário indireto), independentemente da sua denominação. Além disso, não foi apresentada nenhuma disposição normativa da empresa, seja em regulamento ou cartilha de remunerações e benefícios, ou mesmo em acordo, convenção ou dissídio coletivo que disciplinasse a matéria, ou qualquer outra evidência onde restasse comprovado que tal vantagem é de acesso a todos os empregados da empresa, pois foi constatado que tais valores foram pagos somente aos empregados alocados na filial 03.240.326/000265. A partir do confronto entre as informações prestadas no decorrer da fiscalização, através da folha de pagamento, em Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000125/200959 Acórdão n.º 2302003.027 S2C3T2 Fl. 1.367 5 meio papel e em meio magnético, e as prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, alíquota de 23% (Empresa = 20% + RAT = 3016), incidentes sobre as remunerações, discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, a título de ajuda de custo, tendo o sido o respectivo crédito tributário constituído através deste Auto de Infração. (...) 5.2 Levantamento CI Período de lançamento: 05 a 1212004 Estabelecimento: 03.240.426/000184 As remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, apuradas a partir do exame da escrituração contábil, em meio digital, fornecidas pela empresa, no layout MANAD — Manual de Arquivos Digitais. Foram encontrados lançamentos dessas despesas nas seguintes contas contábeis: 3.2.1.3.035 DESP C/INFORMATICA PF; 3.2.1.3.030 DESPESAS DIVERSAS; 3.2.1.3.020 PROPAGANDA E PUBLICIDADE; 3.2.1.3.021 SERVIÇOS PROFISSIONAISPF; 3.2.1.3.014 SERVIÇOS PROFISSIONAISPJ.. Da análise das contas 3.2.1.3.021 SERVIÇOS PROFISSIONAISPF e 3.2.1.3.014 SERVIÇOS PROFISSIONAISPJ, verificouse que a autuada deixou de contabilizar fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da sua contabilidade (objeto da lavratura do Auto de Infração AIDEBCAD n° 37.230.7370 —processo n° 14098.000135/200994), uma vez que efetuou lançamentos de despesas com pessoas jurídicas na conta destinada a abrigar despesas com pessoas físicas, bem como fez lançamentos de despesas com pessoas físicas na conta contábil destinada a abrigar despesas com pessoas jurídicas, conforme quadro exemplificativo a seguir: Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 A autuada foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos constantes das referidas contas contábeis, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 002 (Anexo III) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo III), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentálos, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDDEBCAD n° 37.226.0446 — processo n' 14098.000131/200914. (...) Os lançamentos efetuados, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental, constam do RL — Relatório de Lançamentos, com a sigla CI — Contribuintes Individuais e a relação de beneficiários dos pagamentos efetuados consta do demonstrativo denominado Anexo II ao REFISC. (...) 5.3 Levantamento CRP Período de lançamento: 05 a 08/2004 Estabelecimento: 03.240.326/000265 As remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa, a título de representações/comissões, aos seus segurados empregados Odair José Sanson Junior e Jairo de Meira, uma vez que os mesmos constam das folhas de pagamento da empresa como vendedores externos e ao mesmo tempo recebem importâncias contabilizadas nas seguintes contas contábeis: Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000125/200959 Acórdão n.º 2302003.027 S2C3T2 Fl. 1.368 7 1.1.2.2.001 ADIANTAMENTO A FORNECEDORES; 1.1.5.1.003 COMPRAS MERCADO EXTERNO; 2.1.1.1.012 FORNECEDORES DE CEREAIS; 2.1.1.1.001 FORNECEDORES EM GERAL; 2.1.1.1.002 FORNECEDORES PREÇO A FIXAR; 2.1.1.1.007 MERCADORIAS DE TERCEIROS EM DEPÓSITO e 3.2.1.3.021 SER VICOS PROFISSIONAISPF. As comissões ou percentagens são parcelas de natureza salarial pagas com base em percentuais sobre os negócios que o empregado efetua. A Lei 8.212199 entende por saláriode contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Portanto, as comissões/percentagens são consideradas remuneração, sendo sempre base de incidência de contribuição previdenciária. A partir do confronto entre as informações prestadas no decorrer da fiscalização, através da contabilidade e folhas de pagamento, em meio magnético, e aquelas prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, alíquota de 23% (Empresa = 20% + RA = 3%) incidentes sobre as remunerações, não discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, a título de comissões/representações, tendo o sido o respectivo crédito tributário constituído através deste Auto de Infração. (...) 5.4 Levantamento FPN Período de lançamento: 05 a 09/2004 Estabelecimento: 03.240.326/000265 As remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em GFIP, discriminadas nas Folhas de Pagamento, apresentadas em meio papel e em meio magnético (layout estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD). A partir do confronto entre as informações prestadas pela empresa através da sua folha de pagamento, em meio papel e em Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 meio magnético, e as prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, alíquota de 23% (Empresa = 20% + RA = 3%) incidentes sobre as remunerações, discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, conforme discriminado no RL — Relatório de Lançamentos com a sigla FNG Folha de Pagamento não declarada em GFIP. A relação de beneficiários dos pagamentos efetuados consta do demonstrativo denominado Anexo I ao REFISC. (...) 5.5 Levantamento FRT Período de lançamento: 05 a 11/2004 Estabelecimento: 03.240.326/000184 As remunerações pagas ou creditadas pelo sujeito passivo a segurados transportadores rodoviários autônomos, categoria contribuintes individuais, não discriminadas nas folhas de pagamento, apresentadas em meio magnético (layout estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD, e não declaradas em GFIP, cuja apuração da base de cálculo foi feita através da análise dos valores contabilizados na conta contábil 2.1.1.6.010 CARTA FRETESA PAGAR. A autuada foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos constantes da referida conta contábil, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 002 (Anexo II) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo 11), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentálos, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDDEBCAD n° 37.226.0446. (...) Os lançamentos efetuados, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental, constam do RL — Relatório de Lançamentos, com a sigla FRT — Frete Rodoviário e a relação de beneficiários dos pagamentos efetuados consta do demonstrativo denominado Anexo III ao REFISC. (...) 6. Os recolhimentos efetuados pela empresa foram considerados no lançamento e deduzidos do débito levantado, conforme relatório de apropriação de documentos apresentados — RADA. 7. Os documentos examinados foram os seguintes: contabilidade e folhas de pagamento em meio digital, no layout estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais, folhas de pagamento em meio papel, última GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, entregue em cada competência, antes do início do procedimento fiscal. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000125/200959 Acórdão n.º 2302003.027 S2C3T2 Fl. 1.369 9 7.1. Cabe esclarecer que esta fiscalização utilizouse de arquivos digitais, (informações contábeis, relativas ao período de 05/2005 a 12/2004), no leiaute previsto no MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais, versão 1.0.0.2, aprovada através da Instrução Normativa SRP n° 1212006, tendo sido os arquivos solicitados por meio de Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF. Os arquivos que foram disponibilizados pela empresa e utilizados no presente lançamento estão relacionados a seguir: A empresa foi cientificada por aviso de recebimento postal em 27/05/2009, conforme consta da f. 417. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 570602, em 24/06/2009, por meio da qual a empresa, resume os fatos e apresenta seus argumentos de defesa nestes termos: (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente foi cientificada do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 1.299 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: decadência da competência 05/2004; discriminação imprecisa dos fatos geradores, não constando, de forma individualizada, cada um dos fatos geradores e dos sujeitos que deram origem a estes fatos geradores; nulidade do AI, pelo fato da intimação ter sido feita na pessoa de uma secretaria administrativa, que não é representante legal, mandatário designado ou preposto; nulidade do AI em razão da autoridade fiscal ter indeferido o pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos, mesmo a empresa estando em processo de recuperação judicial; nulidade do AI por não ter sido excluído do lançamento a parcela atingida pela imunidade nas operações de exportação (art. 149, § 2°, da CF), a qual beneficia as exportações realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras; ausência de exclusão das comercializações realizadas com segurados especiais; inconstitucionalidade da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Decadência. Alega a recorrente a decadência da competência 05/2004. Ocorre que a ciência do lançamento ocorreu em 27/05/2009 e os fatos imponíveis referemse às competências 05/2004 a 12/2004, de sorte que mesmo na hipótese de aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, apenas as competências anteriores a 05/2004 estariam alcançadas pela decadência. Nesse sentido, mostrase correta a decisão de primeira instância, que negou pleito impugnatório de mesmo teor. Senão vejamos. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008”. Com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Vejamos a parte final do voto proferido pelo Rel. Min. Gilmar Mendes, seguida do texto do aludido enunciado: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Como cediço, os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103 A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000125/200959 Acórdão n.º 2302003.027 S2C3T2 Fl. 1.370 11 Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Deveras, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 No presente caso, como afirmado, por quaisquer das regras, não há como se reconhecer a decadência, visto que não ultrapassado o lustro normativo, independentemente do dies a quo considerado. Discriminação Imprecisa. Alega a recorrente que há discriminação imprecisa dos fatos geradores, não constando, de forma individualizada, cada um dos fatos geradores e dos sujeitos que deram origem a estes fatos geradores. Neste ponto, suficiente repetir os argumentos do decisório de origem: Conforme relatado pela autoridade fiscal à L 27 e seguintes, trata o lançamento de: a) contribuição previdenciária, a cargo do empregador, alíquota de 20%, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; b) contribuição previdenciária, a cargo do empregador, alíquota de 20%, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais prestadores diversos; c) contribuição previdenciária, a cargo do empregador, alíquota de 20%, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais transportadores autônomos (fretes e carretos). Do relatado, constatase que a base imponível das contribuições foi obtida a partir da análise das Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social —GFIP, folhas de pagamento e da contabilidade da empresa, da seguinte forma: Levantamento AJC: comparação entre as GFIPs e folhas de pagamento, após a empresa ser intimada e reintimada a esclarecer a natureza de pagamentos com características de salários indiretos, deixando de fazelo, o que motivou também a lavratura de auto de infração por esta falta; Levantamento CI: comparação entre as folhas de pagamento, GFIPs e a contabilidade, contas indicadas o relatório, na qual se apurou remunerações pagas a contribuintes individuais não consideradas na determinação da base das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, após a empresa ser intimada e reintimada a esclarecer a S que se referiam as despesas contabilizadas. Levantamento CRP: valores pagos a empregados, contabilizados em contas diversas das correspondentes às remunerações habituais, contas indicadas no relatório, não informadas nas GFIPs e folhas de pagamento. Levantamento FPN: valores pagos a empregados, registrados nas folhas de pagamento, mas não informados em GFIP. Levantamento FRT: valores apurados na conta "2.1.1.6.010 — CARTAS FRETES A PAGAR", não informados em GFIPs. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000125/200959 Acórdão n.º 2302003.027 S2C3T2 Fl. 1.371 13 Percebese, assim, que a peça fiscal traz informações suficientes para que se compreenda a motivação fática e jurídica do lançamento, não sendo passível de acatamento a alegação de que há imprecisão na discriminação dos fatos geradores. Não há porque "supor" que o critério do lançamento seja "produto rural", como consta da peça de defesa. A autuação se deve à constatação que valores foram pagos a segurados, empregados ou contribuintes individuais, a partir da contabilidade e das folhas de pagamento apresentadas pela própria empresa, confrontadas com as GFIPs também por ela apresentadas. Desta forma, assim respondese às indagações contidas na peça impugnatória: a) a autoridade fiscal não fez prova da condição dos segurados empregados de produtores rurais porque os fatos geradores correspondem a pagamentos que, conforme a contabilidade e folhas de pagamentos da empresa, foram feitos aos segurados empregados ou contribuintes individuais que lhe prestam serviços. A condição de empregado é comprovada pelo fato dos segurados constatem das GFIPs e folhas de pagamento com esta qualidade, e não necessita ser provada no caso de contribuintes individuais, visto que não são empregados; b) a base de cálculo é o próprio valor dos pagamentos efetuados aos segurados, quando não informados em GFIPs, registrada na contabilidade da empresa, não havendo aplicação de nenhum critério ou parâmetro para determinar outro valor; c) o levantamento não se baseia em notas fiscais de entrada; d) a condição de empregado é comprovada pelo fato dos segurados constatem das GFIPs e folhas de pagamento com esta qualidade, e não necessita ser provada no caso de contribuintes individuais, visto que não são empregados. Assim, o relatório fiscal, com seus demonstrativos e o auto de infração que o precedeu, são suficientes para que a empresa compreenda a exigência que lhe foi feita, e que poderia contestar, se fosse o caso, fundamentandose em documentos que comprovassem que os fatos registrados em sua contabilidade não são geradores das contribuições exigidas. Por isso, não se vislumbra prejuízo ao contraditório e à ampla defesa no presente lançamento, devendose debitar apenas à retórica e natural combatividade do autor da peça impugnatória as alegações vazadas neste sentido. Sem mais a acrescentar, deve ser negado provimento a tal pleito recursal. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Intimação. Assevera a recorrente que há nulidade do AI, pelo fato da intimação ter sido feita na pessoa de uma secretaria administrativa, que não é representante legal, mandatário designado ou preposto. Ocorre que a intimação do auto de infração em que se materializou o lançamento se fez em 27/05/2009, mediante o aviso de recebimento postal no 594738365, f. 417, endereçado à empresa, no endereço "Av. Historiador Rubens de Mendonça, n° 2254, sala 1003, Jardim Aclimação, Cuiabá — MT", mesmo endereço denotado na peça impugnatória. Esta forma de intimação é admitida no processo administrativo fiscal, independentemente da ciência pessoal, conforme art. 23, inc II, do Decreto 70.235/72. Destarte, não há como dar guarida ao inconformismo recursal. Prorrogação de prazo para apresentação de documentos. Suscita ainda a recorrente a nulidade do AI em razão da autoridade fiscal ter indeferido o pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos, mesmo a empresa estando em processo de recuperação judicial. Ocorre que o pleito da recorrente encontrase despido de qualquer embasamento legal, razão pela qual não merece ser acatado. Imunidade nas Operações de Exportação. A peça recursal ainda tece extensa argumentação que busca sustentar a nulidade do AI por não ter sido excluído do lançamento a parcela atingida pela imunidade nas operações de exportação (art. 149, § 2°, da CF), a qual beneficia as exportações realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras. Ocorre que, como visto, o presente lançamento trata exclusivamente das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em nada alcançando a venda de produção rural, quer no mercado interno, quer no exterior. Sendo assim, totalmente improcedente a argumentação. Segurados Especiais. Alega que não foram excluídas as comercializações realizadas com segurados especiais. Como afirmado, o presente lançamento trata exclusivamente das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, não se relacionando à comercialização de produção rural, muito menos com segurados especiais. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000125/200959 Acórdão n.º 2302003.027 S2C3T2 Fl. 1.372 15 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10480.913394/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
INDÉBITO INCOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO.
A não comprovação do indébito implica a não-homologação da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do débito indevidamente compensado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do indébito implica a nãohomologação da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 33 94 /2 00 9- 11 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.134/141) interposto pelo contribuinte SOSERVI SOCIEDADE DE SERVIÇOS GERAIS LTDA em face de acórdão proferido pela 2ª turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife – PE (fls.96/102) que a julgou improcedente, cuja ementa transcrevo: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. INDÉBITO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito ao indébito exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. INDÉBITO. ONUS PROBANTE. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. O sujeito passivo, sobre o qual recai o ônus processual probante, deve apresentar as provas do direito ao reconhecimento do indébito questionado por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada, ressalvadas as hipóteses das alíneas "a" a "c", do art. 16, do Decreto n°70.235/72. INDÉBITO INCOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do indébito implica a nãohomologação da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do débito indevidamente compensado. COBRANÇA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Não se ha de conhecer, no que se refere à alegação de duplicidade do débito, de pedido de cancelamento da cobrança cuja compensação não foi homologada, uma vez que referido débito foi confessado como devido pela própria contribuinte, em PER/DCOMP, declaração que constitui confissão de divida, a teor do art. 74, § 6°, da Lei n° 9.430, de 1996. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 11/16, protocolizada aos 20/11/2009 em face do Despacho Decisório com rastreamento n° Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10480.913394/200911 Acórdão n.º 3401002.391 S3C4T1 Fl. 162 3 848570309, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife/PE (fl. 06, do qual a contribuinte tomou ciência aos 21/10/2009, fls. 10 e 54), que não homologou a compensação objeto da Declaração de Compensação (DCOMP) n°06619.17083.241007.1.3.0609 (fls. 01/05) Consoante se verifica As fls. 01/05, a ora recorrente, por meio de supradita DCOMP, declarou a compensação de débito a titulo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (código de receita: 6012), período de apuração: 2° trimestre de 2003, no valor de R$ 46.709,60, com conjecturado crédito, no montante original inicial de R$ 135.290,92, derivado de alegado pagamento a maior que o devido a titulo da COFINS (código de receita: 2172), período de apuração de 31/12/2002, vencimento: 15/01/2003, realizado aos 15/01/2003 no valor total de R$ 166.233,71. Inferese, do Despacho Decisório de fl. 06, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, foi não homologada a supradita compensação, pois o pagamento acima discriminado, embora localizado nos sistemas informatizados da RFB, havia sido integralmente utilizado na compensação do débito de CONFINS do mês de dezembro/2002. Em sua manifestação argumentou que o crédito utilizado na DCOMP de fls. 01/05 decorreria de pagamento a maior da COFINS referente ao mês de dezembro/2002, mas que, na DCTF atinente ao anocalendário de 2002, teria sido informado valor da COFINS a recolher (e concretamente pago aos 15/01/2003) no valor de R$ 166.233,71, o qual seria superior ao efetivamente devido (R$ 30.942,79) ,porquanto da base de cálculo da contribuição não teriam sido excluídas receitas referentes a contratos de longo prazo firmados com pessoas jurídicas de direito público, no montante de R$4.509.978,85, as quais podem ser diferidas para o mês dos efetivos recebimentos, nos termos do art. 409, do Decreto n° 3.000/99. Afirmou que as justificativas acima já teriam sido apresentadas oportunamente, por ocasião de respostas a Termos de Intimações Fiscais atinentes ao "RPF Fiscalização de n° 04.1.01.0020070009764" do anocalendário de 2002 (fls. 28 e 29/34) e assevera que tais justificativas teriam sido integralmente acatadas pelo fiscal autuante. Diante das razões acima, reputou a contribuinte haver efetuado pagamento a maior da COFINS de dezembro/2002 na importância de R$ 135.290,92, passível de restituição/compensação, aos moldes dos art. 165 e 170, ambos do CTN e do art. 74, da Lei n° 9.430/96, que foi realizada dentro do prazo decadencial de 05 anos. Aduziu ainda que, apesar de ter efetivado recolhimento a maior, por equivoco não retificou a DCTF antes apresentada, não fazendo constar desta Declaração o valor efetivamente devido a titulo de COFINS do período de apuração de dezembro/2002 (qual seja: R$ 30.942,79), o que foi posteriormente providenciado, de acordo com os documentos de fls. 16/52, e, diante da retificação da DCTF estaria comprovada a plena existência dos créditos utilizados na compensação, a impugnante requereu "... seja declarada a improcedência do presente Auto de Infração, tendo em vista a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN'', haja vista a plena validade e existência dos créditos utilizados na compensação de fls. 01/05. Além disto, a contribuinte articulou que "... o suposto débito cobrado diante da nãohomologação da compensação é objeto do processo administrativo n°19647.009602/2008li, cuja Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 exigibilidade está suspensa face a apresentação de defesa administrativa, consoante demonstrativo do processo em anexo". A DRJ houve por bem em não acolher as alegações apresentadas, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ( fls. 135/142), reiterando as alegações já apresentadas em sede de manifestação de inconformidade , para reforma r. o acórdão com o escopo de ser homologada a compensação declarada na PER/DCOMP nº17471.30768.241007.1.3.040074, em razão da plena existência e suficiência do crédito de COFINS de dezembro de 2002, ou , caso assim não entendesse, determinada conversão do julgamento em diligência para apuração por auditor fiscal designado dos valores declarados e apurados ora discutidos , em especial ao que tange as Notas Fiscais informadas nestes autos e retificação de DCTF, e que determinese a reunião deste processo ao processo administrativo nº 19647.009602/200811, para serem, julgados em conjunto , vez que tratam de suposto débito de IRPJ do mesmo período : 2ª Trimestre de 2003, notadamente da compensação aqui analisada, evitandose cobrança em duplicidade e decisões conflitantes sobre o mesmo crédito, por ser claramente de direito e por justiça Fiscal. É o Relatório Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO A COMPENSAR Conforme bem demonstrado na decisão a quo, o Despacho Decisório de fl. 06 não homologou a compensação objeto da DCOMP de fls. 01/05, pois o pagamento nela discriminado já havia sido totalmente utilizado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de 31/12/2002. A recorrente limitase a reiterar a sua manifesta inconformidade em face de supradito Despacho Decisório, alegando, em suma, que: a) o crédito utilizado na DCOMP de fls. 01/05 decorreria de pagamento a maior da COF1NS referente ao mês de dezembro/2002, mas que, na DCTF atinente ao ano calendário de 2002, teria sido informado valor da COF1NS a recolher (e concretamente pago aos 15/01/2003) no valor de R$ 166.233,71, o qual seria superior ao efetivamente devido (R$ 30.942,79), porquanto da base de cálculo da contribuição não teriam sido excluídas receitas referentes a contratos de longo prazo firmados com pessoas jurídicas de direito público, no montante de R$ 4.509.978,85, as quais podem ser diferidas para o mês dos efetivos recebimentos, nos termos do art. 409, do Decreto n° 3.000/99; b) por equivoco não retificou a DCTF antes apresentada, não fazendo constar desta declaração o valor efetivamente devido a titulo de CORNS do período de apuração de Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10480.913394/200911 Acórdão n.º 3401002.391 S3C4T1 Fl. 163 5 dezembro/2002 (qual seja: R$ 30.942,79), o que foi posteriormente providenciado, de acordo com os documentos de fls. 16/52, e, diante da retificação da DCTF estaria comprovada a plena existência dos créditos utilizados na compensação; c) haveria duplicidade de cobrança em relação aos valores exigidos nos autos do processo administrativo n° 10480.009602/200811. Ora, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN, a obrigação tributária principal, que tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária, surge com a ocorrência do fato gerador e se extingue com o crédito tributário dela decorrente. Os tributos subordinados ao lançamento por homologação, como é o caso da COFINS, caracterizamse pelo dever legal atribuído ao sujeito passivo (contribuinte ou responsável tributário) de antecipar o pagamento do tributo devido sem prévio exame da Administração Tributária. Para esta modalidade de tributo, o crédito tributário (débito do sujeito passivo) se extingue, dentre outras hipóteses, pelo pagamento efetuado (e nos limites deste), subordinada a defnitividade desta extinção à condição de ulterior homologação pela autoridade fiscal (art. 150, caput e §1°, do CTN). No caso de o pagamento ser inferior ao montante devido em razão do fato gerador ocorrido, a autoridade fiscal ressalvada a situação em que o tributo não pago haja sido informado em instrumento com efeito de confissão de divida (como, por exemplo, a DCTF) — pode, no prazo decadencial de cinco anos, exigir diferenças não recolhidas que acaso apurar (art. 150, §4°, do MN). Nesta situação, é da autoridade administrativa o ônus de comprovar o cabimento da exigência de tais diferenças. Contrariamente, sendo o pagamento superior ao tributo efetivamente devido, o sujeito passivo tem direito à restituição, total ou parcial, do montante recolhido. E o que, de modo irrebatível, deflui do art. 165, I, do CTN. O ônus de comprovar o direito ao reconhecimento do indébito é do sujeito passivo, por aplicação analógica, na forma do art. 108, I, do CTN, da disposição embutida no art. 333, I, da Lei n° 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil), pois se trata de fato constitutivo do direito à restituição. Por isto mesmo, a autoridade administrativa competente para examinar o direito creditório pode condicionar a sua admissão à apresentação de documentos comprobatórios, bem como pode determinar a realização de diligência para verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo. Confirase a respeito: arts. 4° e 17, da Instrução Normativa (IN) SRF n° 210, de 30/09/2002; arts. 4 0, 19 e 24, da IN SRF 460, de 18/10/2004; arts. 40, 19 e 24, da IN SRF n°600, de 28/12/2005; e art. 65, da IN RFB n° 900, de 30/12/2008. No entanto, a exigência de documentos comprobatórios do indébito ou a determinação da realização de diligência para se atestar a correção das informações prestadas pelo sujeito passivo perde sentido em situações, como a configurada nos presentes autos, na qual a autoridade administrativa competente, a partir da análise de elementos disponíveis em seus sistemas informatizados, extraídos de declarações e de demonstrativos apresentados pelo próprio sujeito passivo, de pronto se convence ser improcedente o direito ao reconhecimento do indébito. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 Neste ponto, salientase que, nos termos da Súmula 50, expedida pelo Pleno do deste Conselho, "O lançamento de oficio pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário" o que se aplica, por analogia, à análise de DCOMP, na hipótese de a autoridade administrativa dispor de • informações, de caráter confessional, que lhe foram prestadas pelo próprio sujeito passivo em DCTF. Foi o que, in casu, restou demonstrado, visto que a autoridade administrativa, a partir de informes prestados pelo próprio sujeito passivo, concluiu que o pagamento já havia sido integralmente utilizado para a quitação do correspondente tributo e, por isto, não homologou a compensação declarada. E, de fato, verificase, junto à DCTF apresentada pela recorrente vigente quando a contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório censurado, enviada aos 15/09/2004 (fls. 55/56) que constitui confissão de divida, ao moldes do art. 5°, §1°, do Decreto lei n° 2.124, de 13/06/1984 e do pacifico entendimento do STJ a respeito, consolidado na Súmula 436, que o pagamento realizado foi completamente vinculado ao tributo confessado naquela Declaração: "Súmula 436. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco". Nesta situação, em que o direito creditório foi negado com base em informação de caráter confessional prestado pela própria contribuinte, para fazer jus ao reconhecimento do indébito a recorrente deve comprovar que o valor do tributo efetivamente devido em face do fato gerador concretamente ocorrido é inferior ao tributo confessado em DCTF ao qual o pagamento realizado foi vinculado integralmente, comprovando, assim, o direito ao indébito. Ocorre que a recorrente, em nenhum momento do trâmite processual anexou qualquer documento hábil a comprovar o valor do tributo efetivamente devido em face do fato gerador concretamente ocorrido, e, por decorrência, não testificou que o débito confessado em DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório (e pago) seria inferior ao montante concretamente devido Com propriedade, o que a DCTF forma é a presunção de que o débito nela declarado seja devido, já que tem efeito de confissão de divida dos débitos nela constantes, na forma do comando contido no art. 5°, §1°, do Decretolei n°2.124/84 acima já reproduzido. O fato de a DCTF, dado o caráter confessional que detém, constituir autêntico instrumento de cobrança dos débitos nela unilateralmente apurados pela contribuinte não impõe a conclusão de que os valores destes débitos, para cuja definição não concorre a Administração Tributária, sejam compatíveis com as importâncias devidas em relação ao fato gerador concretamente sucedido, podendo haver diferenças contra ou a favor do sujeito passivo. Assim sendo, não vislumbro razão para reforma a decisão a quo, não merecendo guarida o recurso voluntário da contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10480.913394/200911 Acórdão n.º 3401002.391 S3C4T1 Fl. 164 7 Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13116.902564/2011-94
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 64 /2 01 1- 94 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902564/201194 Acórdão n.º 3803005.383 S3TE03 Fl. 84 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 3 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 953,10. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 30 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902564/201194 Acórdão n.º 3803005.383 S3TE03 Fl. 85 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902564/201194 Acórdão n.º 3803005.383 S3TE03 Fl. 86 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722974/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NULIDADE. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. AGENTE COMPETENTE. INOCORRÊNCIA.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, realizando o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, mediante a lavratura de auto de infração.
ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não procede a alegação de decadência para o lançamento relativo ao IRPJ e CSLL apurados no ano-calendário 2007, considerando que o contribuinte apurou seus resultados pelo Lucro Real anual, uma vez que o lançamento foi efetivado em 28/12/2012 e o prazo final, ainda que observado o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, somente se esgotaria em 31/12/2013.
REPASSE DE EMPRÉSTIMOS AOS SÓCIOS. DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. GLOSA.
Comprovado o imediato repasse ao sócio-gerente da pessoa jurídica dos empréstimos bancários tomados por esta, sem o reconhecimento de receita financeira na mesma proporção das despesas financeiras imputadas, correta é a glosa destas por se caracterizarem como desnecessárias.
GLOSA DE CUSTOS. COMPRAS INEXISTENTES.
Comprovada a inexistência das operações comerciais contabilizadas pela recorrente, amparadas em documentos inidôneos e a existência de Caixa 2 formado com os recursos supostamente utilizados no pagamento das compras não comprovadas, deve ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco.
APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CUSTOS. SUPERAVALIAÇÃO DE ESTOQUE. GLOSA.
Não comprovado o erro contábil alegado para justificar a diferença identificada entre o estoque final de um ano calendário e o estoque inicial do ano calendário seguinte, correta é glosa dos valores excedentes do custo das mercadorias vendidas apurados no período.
MULTA ISOLADA.CABIMENTO.
A exigência da multa isolada decorre de expressa disposição legal e impõe-se diante da modificação da base mensal do Imposto de Renda e da CSLL devida a título de estimativas.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE.
Restando caracterizado o intuito doloso da recorrente ao inflar os seus custos de aquisição de mercadorias mediante o registro de operações fictícias e utilização de documentos fiscais inidôneos e, ainda, comprovado pela fiscalização que os recursos supostamente utilizados para o pagamento das operações comerciais eram utilizados e/ou sacados e retornavam para compor Caixa 2 da empresa, impõe-se a aplicação da multa qualificada sobre a infração apurada.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI.
Comprovado que o sócio-gerente foi o principal artífice de esquema criminoso que, durante anos consecutivos, utilizou-se de documentos fiscais falsos e inidôneos com vistas a simular a aquisição de mercadorias pela pessoa jurídica fiscalizada, no intuito de reduzir os lucros tributáveis e ocultar o desvio dos recursos para um Caixa 2, utilizado para pagamentos de despesas estranhas à empresa, correta a imputação de responsabilidade com base no inc. III do art. 135 do CTN.
Numero da decisão: 1301-001.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, exceto quanto à exigência da multa isolada, mantida por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier. Acordam, ainda, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do responsável solidário Eloizo Gomes Afonso Durães, mantida apenas em relação à infração analisada no item 7 do voto condutor.
(assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. AGENTE COMPETENTE. INOCORRÊNCIA. O Auditor-Fiscal da Receita Federal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, realizando o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, mediante a lavratura de auto de infração. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procede a alegação de decadência para o lançamento relativo ao IRPJ e CSLL apurados no ano-calendário 2007, considerando que o contribuinte apurou seus resultados pelo Lucro Real anual, uma vez que o lançamento foi efetivado em 28/12/2012 e o prazo final, ainda que observado o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, somente se esgotaria em 31/12/2013. REPASSE DE EMPRÉSTIMOS AOS SÓCIOS. DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. GLOSA. Comprovado o imediato repasse ao sócio-gerente da pessoa jurídica dos empréstimos bancários tomados por esta, sem o reconhecimento de receita financeira na mesma proporção das despesas financeiras imputadas, correta é a glosa destas por se caracterizarem como desnecessárias. GLOSA DE CUSTOS. COMPRAS INEXISTENTES. Comprovada a inexistência das operações comerciais contabilizadas pela recorrente, amparadas em documentos inidôneos e a existência de Caixa 2 formado com os recursos supostamente utilizados no pagamento das compras não comprovadas, deve ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CUSTOS. SUPERAVALIAÇÃO DE ESTOQUE. GLOSA. Não comprovado o erro contábil alegado para justificar a diferença identificada entre o estoque final de um ano calendário e o estoque inicial do ano calendário seguinte, correta é glosa dos valores excedentes do custo das mercadorias vendidas apurados no período. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. A exigência da multa isolada decorre de expressa disposição legal e impõe-se diante da modificação da base mensal do Imposto de Renda e da CSLL devida a título de estimativas. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. Restando caracterizado o intuito doloso da recorrente ao inflar os seus custos de aquisição de mercadorias mediante o registro de operações fictícias e utilização de documentos fiscais inidôneos e, ainda, comprovado pela fiscalização que os recursos supostamente utilizados para o pagamento das operações comerciais eram utilizados e/ou sacados e retornavam para compor Caixa 2 da empresa, impõe-se a aplicação da multa qualificada sobre a infração apurada. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Comprovado que o sócio-gerente foi o principal artífice de esquema criminoso que, durante anos consecutivos, utilizou-se de documentos fiscais falsos e inidôneos com vistas a simular a aquisição de mercadorias pela pessoa jurídica fiscalizada, no intuito de reduzir os lucros tributáveis e ocultar o desvio dos recursos para um Caixa 2, utilizado para pagamentos de despesas estranhas à empresa, correta a imputação de responsabilidade com base no inc. III do art. 135 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, exceto quanto à exigência da multa isolada, mantida por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier. Acordam, ainda, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do responsável solidário Eloizo Gomes Afonso Durães, mantida apenas em relação à infração analisada no item 7 do voto condutor. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente em exercício. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes.
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FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. AGENTE COMPETENTE. INOCORRÊNCIA. O AuditorFiscal da Receita Federal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, realizando o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, mediante a lavratura de auto de infração. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procede a alegação de decadência para o lançamento relativo ao IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2007, considerando que o contribuinte apurou seus resultados pelo Lucro Real anual, uma vez que o lançamento foi efetivado em 28/12/2012 e o prazo final, ainda que observado o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, somente se esgotaria em 31/12/2013. REPASSE DE EMPRÉSTIMOS AOS SÓCIOS. DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. GLOSA. Comprovado o imediato repasse ao sóciogerente da pessoa jurídica dos empréstimos bancários tomados por esta, sem o reconhecimento de receita financeira na mesma proporção das despesas financeiras imputadas, correta é a glosa destas por se caracterizarem como desnecessárias. GLOSA DE CUSTOS. COMPRAS INEXISTENTES. Comprovada a inexistência das operações comerciais contabilizadas pela recorrente, amparadas em documentos inidôneos e a existência de Caixa 2 formado com os recursos supostamente utilizados no pagamento das compras não comprovadas, deve ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 74 /2 01 2- 18 Fl. 17114DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.115 2 APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CUSTOS. SUPERAVALIAÇÃO DE ESTOQUE. GLOSA. Não comprovado o erro contábil alegado para justificar a diferença identificada entre o estoque final de um ano calendário e o estoque inicial do ano calendário seguinte, correta é glosa dos valores excedentes do custo das mercadorias vendidas apurados no período. MULTA ISOLADA.CABIMENTO. A exigência da multa isolada decorre de expressa disposição legal e impõese diante da modificação da base mensal do Imposto de Renda e da CSLL devida a título de estimativas. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. Restando caracterizado o intuito doloso da recorrente ao inflar os seus custos de aquisição de mercadorias mediante o registro de operações fictícias e utilização de documentos fiscais inidôneos e, ainda, comprovado pela fiscalização que os recursos supostamente utilizados para o pagamento das operações comerciais eram utilizados e/ou sacados e retornavam para compor Caixa 2 da empresa, impõese a aplicação da multa qualificada sobre a infração apurada. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Comprovado que o sóciogerente foi o principal artífice de esquema criminoso que, durante anos consecutivos, utilizouse de documentos fiscais falsos e inidôneos com vistas a simular a aquisição de mercadorias pela pessoa jurídica fiscalizada, no intuito de reduzir os lucros tributáveis e ocultar o desvio dos recursos para um “Caixa 2”, utilizado para pagamentos de despesas estranhas à empresa, correta a imputação de responsabilidade com base no inc. III do art. 135 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, exceto quanto à exigência da multa isolada, mantida por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni e Carlos Jenier. Acordam, ainda, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do responsável solidário Eloizo Gomes Afonso Durães, mantida apenas em relação à infração analisada no item 7 do voto condutor. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES – Presidente em exercício. Fl. 17115DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.116 3 (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes. Fl. 17116DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.117 4 Relatório SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA e o RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES, já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 0641.188, de 27/05/2013, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Os recorrentes foram cientificados do auto de infração relativo ao IRPJ e CSLL. no valor de R$ 185.693.041,71, incluindo multa e juros calculados até 12/2012. As infrações apuradas, relativamente ao IRPJ e CSLL, estão consolidadas no item XII (subitens A a D) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 15.894/15.955), após extensa e minuciosa descrição das apurações e verificações realizadas, in verbis: XIII DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DE VALORES DEVIDOS DE IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IRRF E MULTA ISOLADA Do exposto acima, constatamos, durante a ação fiscal, a ocorrência das seguintes infrações à legislação tributária, abaixo discriminadas, que impõem a constituição de crédito tributário através de lançamento de ofício: A GLOSA DE CUSTOS/COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE COMPRAS B SUPERAVALIAÇÃO DE ESTOQUE INICIAL C GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS D MULTA ISOLADA E PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA F GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS A GLOSA DE CUSTOS/COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE COMPRAS Como detalhadamente exposto nos itens VI e VIII acima, não ficaram comprovadas as compras de mercadorias e serviços adquiridas, ao longo do período fiscalizado (2007 a 2009), dos seguintes fornecedores: CNPJ RAZÃO SOCIAL 06.184.172/0001 49 CEREALISTA GUIMARÃES LTDA 07.061.726/000183 CPA COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA 08.042.077/000136 CENCO CENTRAL DE COMERCIO E GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA 67.893.362/000120 COMÉRCIO VAREJISTA DE HORTIFRUTIGRANJEIROS VILA SÔNIA LTDA 08.795 471/000145 VINCULO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS E MIUDEZAS LTDA 01.616. 391/000136 MOEMA HORTIFRUTIGRANJEIRO LTDA Fl. 17117DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.118 5 08 .061.781/000136 ATACADÃO CENTRO SUL DE CEREAIS LTDA 00.292.673/000162 PLATANUS LATICÍNIOS LTDA 08.802.284/000141 WSP DISTRIBUIDORA DE CEREAIS LTDA 03.898.216/000104 HORFRUGRAN COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA 47.014.923/000166 FRIHELP FRIGORÍFICO VALE DAS ÁGUAS LTDA 09.635.364/000112 COMERCIAL DE ALIMENTOS SOUZA LTDA 01.364.420/000110 FRESH FRUIT INDUSTRIA COMERCIO SERVIÇOS LTDA 10.661.740/000122 DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS ESTRELA DO MAR LTDA Ainda, constatamos a utilização de documentação inidônea (notas fiscais "frias") nestas aquisições fictícias. Os lançamentos contábeis referentes a estas compras estão consignados nos Anexos 10 a 18, acima mencionados. Nestes termos elaboramos o quadro abaixo, demonstrando os valores contabilizados de compra não comprovados, totalizados anualmente: Fornecedor 2007 2008 2009 Total Cerealista Guimarães 39 803.148,89 15.554.548,75 ,00 55.357.697,64 CPA 11.990.679.83 3.508.217,65 ,00 15.498.897,48 CENCO 4.480.357,85 5.262.536,35 .00 9.742.894,20 V incuto .00 2.688.725,25 .00 2.688.725,25 V. Sônia 2.106.775,50 4.442.694,00 .00 6.549.469,50 Moema 1.292.242,50 2.581.686,00 ,00 3.873.928,50 Atacadão 3.043.507,55 .00 .00 3.043.507,55 Frihelp 250.697,00 21.849,00 ,00 272.546,00 Fresh Fruit (lanç agrupado) .00 .00 258.808,00 258.808,00 Souza (lanç agrupado) .00 .00 4.770.995,70 4.770.995,70 Estrela do Mar (lanç agrupado) .00 ,00 3.575.883,30 3.575.883,30 Horf rugan (lanç agrupado) .00 .00 6.228.602,80 6.228.602,80 Platanus (lanç agrupado) .00 .00 7.025.884,15 7.025.884,15 WSP(lanç agrupado .00 .00 6.240.949,00 6.240.949,00 CPA (lanç agrupado) .00 9.088.903.75 .00 9.088.903,75 Cenco (lanç agrupado) ,00 8.695.693,59 647.151,35 9.342.844,94 Vinculo (lanç agrupado) .00 6.327.121.70 2.230.397,50 8.557.519,20 Vila Sónia (lanç agrupado) .00 .00 5.705.620,00 5.705.620,00 Total 62.967.409,12 58.171.976,04 36.684.291,80 157.823.676,96 Fl. 17118DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.119 6 Estes valores, que foram apropriados indevidamente aos custos, serão adicionados ao lucro líquido, nos respectivos períodos de apuração, nos termos do artigo 249, inciso I, do RIR/99. B SUPERAVALIAÇÃO DE ESTOQUE INICIAL Como foi visto no item XIIa acima, o valor do estoque total inicial no ano calendário de 2009 era superior ao estoque total final do ano calendário 2008, conforme as DIRPJ e registros contábeis apresentados. O valor desta divergência era de R$12.146.607,99. O contribuinte, intimado (TIF n°6) a esclarecer este fato, transmitiu um novo arquivo digital de sua contabilidade à RFB, referente ao ano calendário 2009, alegando ter havido falha de sistema ao gerar o arquivo magnético contábil anterior. Conforme estes novos registros o estoque inicial de 2009 corresponde ao valor final de 2008, porém o contribuinte com o intuito de não alterar o valor do Custo das Mercadorias Vendidas e conseqüentemente o resultado do exercício, efetuou ou modificou vários lançamentos contábeis, que inflaram os valores das compras de 2009, no mesmo montante da divergência anterior. Após nova intimação (TIF n°9), para apresentar a documentação hábil e idônea que suportasse os novos registros efetuados, o contribuinte nada esclareceu ou comprovou. Nestes termos, desconsideraremos os novos registros contábeis acrescentados ou modificados por total falta de comprovação e levandose em conta os valores declarados de estoque nas DIPJ (AC 2008 e 2009) apresentadas, será considerada superavaliação de estoque inicial no ano calendário 2009 a diferença entre esta e o estoque final do ano calendário 2008. Esta divergência apurada será tratada como apropriação indevida de custos e será adicionada ao lucro líquido, no ano calendário 2009, nos termos do artigo 249, inciso I, do RIR/99. C GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS Como foi visto no item XIIb acima, a empresa celebrou contratos de mútuo com o sócio administrador da empresa Eloízo Gomes Afonso Durães e com a sua segunda esposa Lilian Cristina Nicareta. Através destes contratos a empresa SP concedeu os recursos discriminados no quadro abaixo: CONTRATO DE MUTUO VALOR MUTUO – ELOÍZO GOMES AFONSO DURÃES 01 /2007 2.987.829,43 MUTUO ELOÍZO COMES AFONSO DURÃES 02/2007 12.187.454,83 MUTUO LILIAN CRISTINA NICARETA 500.024,00 Destes recursos concedidos em 2007, nenhum valor foi devolvido à empresa e tampouco houve a contabilização de qualquer receita financeira a título de juros. Também como vimos anteriormente, neste período, a empresa tomou empréstimos bancários, repassando parte destes recursos ao sócio e sua esposa, através dos contratos de mútuo acima mencionados. Os juros bancários devidos às instituições financeiras foram apropriados como despesas na contabilidade da empresa. Portanto, constatamos que parte das despesas financeiras, compreendendo os juros contabilizados referentes aos valores repassados para o Sr Eloízo e Sra Lilian, Fl. 17119DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.120 7 não seriam dedutíveis, uma vez que os recursos emprestados pelo banco não seriam necessários à atividade da empresa e nem à manutenção da respectiva fonte produtora, conforme determina o artigo 299 do RIR/99. O cálculo destes juros apropriados indevidamente foi efetuado no item Xllb acima, conforme demonstrados nos Anexos 22, 23 e 24 destes Relatórios, cujos valores a serem glosados de despesas financeiras estão abaixo discriminados: Ano Juros a Glosar 2007 1.821.710,25 2008 2.582.162,96 2009 2.433.339,45 Esta divergência apurada será tratada como apropriação indevida de despesas e será adicionada ao lucro líquido, no ano calendário 2009, também nos termos do artigo 249, inciso I do RIR/99. Verificamos que para as três infrações acima apuradas (itens A, B e C), o enquadramento legal das mesmas seria o artigo 249, inciso I do RIR/99 que estabelece que as despesas deduzidas do Lucro Líquido e que não sejam dedutíveis na determinação do Lucro Real, devem ser adicionadas a este, para fins de apuração do IRPJ devido, conforme transcrição literal abaixo deste dispositivo: "Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6°, § 2°): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real;" Ainda, com base no artigo 28 da Lei 9.430/96, na determinação da base de cálculo para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL se aplicariam as mesmas normas da legislação vigente ao IRPJ, como disposto abaixo: "Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1oa 3o, 5oa 14, 17a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. " Relacionamos no Anexo 25 levantamento das bases de cálculo e valores devidos de IRPJ e CSLL, consideradas as glosas de despesas e custos acima discriminadas. D FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL SOBRE A BASE ESTIMADAS MULTA ISOLADA Como já mencionado, o contribuinte optou, nos anos calendários de 2007 a 2009, pela tributação do IRPJ e CSLL, pelo o Lucro Real Apuração Anual. Na DIPJ apresentada constatamos que a empresa fiscalizada, com o objetivo de apurar o IRPJ e CSLL devidos por estimativa, levantou mensalmente as bases de cálculo de IRPJ e CSLL através de balancetes de suspensão ou redução. Levandose em conta as despesas ora glosadas mensalmente, recalculamos os valores devidos por estimativa de IRPJ e CSLL, conforme demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal (Anexo 26 e 27). Nestes demonstrativos identificamos que nos meses de janeiro/2007 a dezembro/2009 eram devidos IRPJ e CSLL, não declarados e nem recolhidos pela empresa fiscalizada. A falta desta declaração/recolhimento mensal impõe a Fl. 17120DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.121 8 constituição de multa isolada nos termos da alínea b do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, conforme transcrito abaixo: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes mu/tas: (com a Redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória n°351/2007convertida na Lei n° 11.488/07) (...) // de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa parra a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." Resumimos no quadro abaixo, os valores devidos mensalmente de IRPJ e CSLL e as respectivas multas isoladas aplicáveis: Mês IRPJ Devido Por Estimativa IRPJ Multa Isolada 50% CSLL Devida Por Estimativa CSLL Multa Isolada 50% 01 /07 597.240,34 298.620,17 215.726,52 107.863.26 02/07 0,00 0,00 0,00 0.00 03/07 0,00 0,00 0,00 0,00 04/07 1.269.379,21 634.689,60 459.1 36,51 229.568,26 05/07 1.367.044,74 683.522,37 492.856,1 0 246.428,05 06/07 1.589.331,08 794.665,54 572.879,19 286.439,59 07/07 1.865.102,58 932.551,29 672.156,93 336.078,46 08/07 877.093,24 438.546,62 316.473,57 158.236,78 09/07 1 .850.847,72 925.423,86 667.025,18 333.512,59 10/07 1.706.225,57 853.1 12,78 614.961,20 307.480,60 11/07 2.872.062,90 1.436.031,45 1.034.662,64 517.331,32 12/07 2.633.307,83 1.316.653,91 948.710,82 474.355,41 Total 2007 16.627.635,19 8.313.817,59 5.994.588,67 2.997.294.33 01/08 800.674,13 400.337,06 288.962.69 144.481.34 02/08 0,00 0,00 0,00 0.00 03/08 332.653,26 166.326,63 121.195,17 60.597,59 04/08 2.068.977,97 1.034.488,98 745.552,07 372.776,03 05/08 2.790.140,35 1.395.070,1 8 1.005.170,53 502.585,26 06/08 469.430,17 234.71 5,08 169.714,86 84.857,43 07/08 117.793,69 58.896,84 43.125,73 21 .562,S6 08/08 968.797,48 484.398,74 349.487,09 174.743,55 Fl. 17121DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.122 9 09/08 1.233.805,43 616.902,71 444.889,95 222.444,98 10/08 534.924,54 267.462,27 193.292,84 96.646,42 11/08 2.015.815,16 1.007.907,58 726.413,46 363.206,73 12/08 4.448.669,90 2.224.334,95 1.602.241,16 801.120,58 Total 2008 15.781.682,08 7.890.841,04 5.690.045,55 2.845.022,77 01/09 2.171.806,88 1.085.903,44 782.570,48 39.285,24 02/09 0,00 0,00 0,00 0,00 03/09 0,00 0,00 0,00 0,00 04/09 0,00 0,00 0,00 0,00 05/09 0,00 0,00 0,00 0,00 06/09 56.018,80 28.009,40 23.766,77 11.883,38 07/09 1.289.955,37 644.977,69 465.103,93 232.551,97 08/09 521.372,24 260.686.12 188.414,01 94.207,00 09/09 906.730,07 453.365,03 327.142,82 163.571,41 10/09 247.216,54 123.608,27 89.717,96 44.858,98 11/09 230.390, 3 115.195,06 83.660,45 41.830,22 12/09 1.216.939,24 608.469,62 438.818,13 219.409,06 Total 2009 6.640.429,26 3.320.214,63 2.399.194,53 1.199.597,27 E PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM CAUSA [...] F GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS [...] G MULTA QUALIFICADA Conforme anteriormente exposto, no decorrer desta ação fiscal foi apurado que parte das compras contabilizadas pela fiscalizada não existiram, sendo inclusive suportadas com documentos inidôneos ("notas frias"), procurando através destes subterfúgios aumentar indevidamente os seus custos e despesas e a conseqüente redução das bases de cálculo e valores devidos de 1RPJ e CSLL, procedimento que caracteriza sonegação fiscal, nos termos do inciso I e caput do art. 71 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1.964, que assim dispõe: "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias mate riais;n Fl. 17122DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.123 10 Estes fatos impõem a aplicação de multa de ofício agravada de 1 50% nos termos do § Io do art. 44, da Lei 9.430/96. Estas compras fictícias também foram adicionadas indevidamente às base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, resultando também na redução indevida dos montantes a pagar destas contribuições. Também será imposta a multa de ofício agravada de 1 50% nestes casos. Quanto às demais infrações acima apuradas a multa de ofício imposta será de 75% nos termos do inciso I do art. 44, da Lei 9.430/96. As exigências relativas ao IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, descritas no subitem E, e às contribuições ao PIS e à Cofins, descritas no subitem F, foram formalizadas em outros processos administrativos fiscais. No item XV do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora descreve a imputação de responsabilidade ao sócio ELOÍZO COMES AFONSO DURÃES, in verbis: XV DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA De todo o exposto, cabe, no presente caso, considerar pessoalmente responsável o contribuinte ELOÍZO COMES AFONSO DURÃES, CPF 806.302.86868, pelos créditos tributários ora constituídos, na condição de principal administrador da empresa, tendo praticado atos com infração de lei, dado os crimes de sonegação fiscal e falsificação de documentos fiscais apurados no decorrer desta ação fiscal. Os fatos e condutas atribuídos ao Sr Eloízo estão discriminados no Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 01, lavrado simultaneamente a este Termo de Verificação Fiscal. Conforme relatado no acórdão recorrido, consta às fls. 16.49416.501 o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01, no qual Eloízo Gomes Afonso Durães, CPF 806.302.86868, sócio administrador da empresa SP Alimentação e Serviços Ltda, foi apontado como sujeito passivo solidário da presente autuação. A presente sujeição passiva está amparada pelo disposto no inciso II do artigo 135 do Código Tributário Nacional, que estabelece que são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Irresignada, a interessada SP ALIMENTAÇÃO impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: 2. Da impugnação apresentada pela empresa Cientificada, a pessoa jurídica apresentou em 22/01/2013 impugnação ao feito, fls. 16.524–16.569, onde alega: 2.1 DA NULIDADE DE INTIMAÇÃO EDITAL CERCEAMENTO DE DEFESA que esteve em férias coletivas no período de 22/12/2012 a 01/01/2013 e, somente em 15/01/2013, conseguiu manter contado com os Sr. Auditor Fiscal que informou verbalmente a intimação da empresa através do edital, o qual fora afixado nas dependências da repartição fiscal em 13/12/2012 e desafixado em 02/01/2013; Fl. 17123DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.124 11 que o presente auto de infração foi lavrado em 10/12/2012 e a intimação do contribuinte por Edital n. 318/2012 afixado nas dependências da repartição fiscal em 13/12/2012 e desaxifado em 02/01/2013 é nulo de pleno direito, pois o Fisco simplesmente ignorou o disposto no inciso I a III do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72; que os Srs. Auditores Fiscais não cumpriram o determina do inciso I, do artigo 23, vez que não foi tentado a intimação pessoal da empresa, do representante legal ou procurador da empresa autuada; que não foi atendido ainda o disposto no inciso II, do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 tendo em vista que da lavratura do Auto de Infração, 10/12/2012, a data da fixação do Edital nas dependências da repartição fiscal, 13/12/2012, não teria havido tempo hábil para se tentasse intimar o contribuinte por via postal e a resposta retornar até o dia 12/12/2012; que, a autoridade fiscal descumpriu o determinado no inciso III do artigo 23 eis que não recebeu intimação pelo correio eletrônico. Assim, os Srs. Auditores Fiscais teriam violado o disposto nos incisos I a III e parágrafo 1o, todos do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, tornando a intimação por Edital n. 318/2012 nula de pleno direito. Sustenta que em 16/01/2013, além da cópia do Edital n. 318/2012, o procurador da Defendente recebeu somente Termo de Devolução de Documentos n. 0014 com os documentos e livros fiscais relacionados. Não recebeu cópia dos Autos de Infração, Termo de Verificação Fiscal, muito menos documentos que o instruíram sob alegação do decurso do prazo de 15 dias estipulados no Edital n. 318/2012, devendo o contribuinte solicitar vistas do processo para obter cópia integral. Na mesma data, nos moldes do procedimento vigente, enviou email solicitando vistas do processo administrativo. Contudo, até o presente momento não obteve retorno comprovado o cerceamento de defesa e violação a garantias constitucionais. 2.2 DA TEMPESTIVIDADE Afirma que o Representante Legal da empresa, Sr. Eloizo foi intimado em 22/12/2012, do Termo de Sujeição Passiva Solidário dos autos de infrações referente os processos 19515.722974/201218, 19515.722975/201262 e 19515.722976/2012 15, portanto, deste modo, a presente defesa é tempestiva, devendo a mesma ser apreciada para ao final ser julgado procedente. 2.3 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTRARIAR O ARTIGO 11 DO DECRETO 70235/72. Alega que o auto de infração foi lavrado e assinado pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, que estão subordinados ao chefe de fiscalização, que está subordinado ao chefe de Equipe de Fiscalização que por sua vez está subordinado ao Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, o qual deveria ter assinado o auto de infração ou autorizado o Sr. Fiscal, por ofício, para atribuirlhe poderes para tanto, como determina o artigo 11, inciso IV, do Decreto 70.235. Transcreve o dispositivo mencionado e repisa no fato de que, hierarquicamente, a autoridade fiscal que lavrou o auto de infração é subordinado aos seguintes cargos: 1. Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo; Fl. 17124DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.125 12 2. Chefe de Equipe de Fiscalização; 3. Chefe de fiscalização. E, assim sendo, afirma que como o Sr. Delegado da Receita Federal, que deveria ter assinado o auto de infração não o fez; tampouco autorizou seus subordinados (o chefe de equipe de fiscalização e o chefe de fiscalização) e muito menos autorizou o Sr. Fiscal, deixando, assim, de observar todos os pressupostos legais contidos no artigo 11 do Decreto 70235/72, pelo que entende SER NULO O LANÇAMENTO. Transcreve ementa proferida pelo CARF Não obstante este fato, o próprio Decreto n° 70.235/72, ao tratar da questão das nulidades no procedimento administrativo, em seu artigo 59, Inciso I, determina que são nulos autos de infração como o presente em razão da lavratura pela Auditoria Fiscal em contrariedade ao disposto no artigo 11, Inciso IV. Assim,, não tendo sido o auto de infração assinado pelo chefe do órgão expedidor ou por outro servidor autorizado, o Sr. Fiscal é incompetente para assiná lo, motivo pelo qual impõese a nulidade do auto de infração conforme estabelece o artigo 59 do decreto 70.235. 2.4 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTRARIAR GARANTIAS E PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E O ENTENDIMENTO PACÍFICO DO STJ E STF. Afirma que, em 18/03/2011, foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização referente à fiscalização de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do Ano Calendário 2007, e intimado a apresentar diversos livros e documentos fiscais e, posteriormente, através do Termo de Intimação Fiscal n° 02 de 30/05/2011, lhe foi solicitado a entrega dos extratos bancários de contascorrente e aplicações financeiras referente os anos calendário 2007, 2008 e 2009. Ocorre que os Srs. Auditores Fiscais de Rendas já possuíam os extratos das contas bancárias da empresa antes mesmo de dar início à fiscalização e, também no curso da fiscalização, foi solicitada ao Sr. Delegado da Receita Federal autorização para a obtenção das informações bancárias do contribuinte emitindo Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, a fim de apresentar extratos bancários, dados cadastrais, procurações, cartão de assinaturas e documentos de débito (cheque, TEDs, DOCs, transferências, etc. Afirma que atendeu parcialmente a inumação apresentando alguns extratos bancários e mesmo assim foram requisitados às instituições financeiras por meio de RMF's; que resta claro que o Fisco já possuía informações bancárias do contribuinte antes de intimálo do início da fiscalização e também antes de lavrar o auto de infração em epígrafe, configurando assim quebra de seu sigilo fiscal, eis que as informações financeiras da Defendente foram solicitadas e fornecidas sem autorização judicial para tanto. Deste modo, é evidente a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, e conforme determinação do artigo 59, §1°, do Decreto n° 70.235/72, o Auto de Infração em tela também deve ser declarado nulo, por ser ato posterior às requisições de movimentação financeira eivadas de VICIO insanável, pois foram obtidos os extratos bancários do contribuinte SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Logo, resta evidente que o MPF e toda a autuação foi embasado em prova ilícita, eis que a Fiscalização realizou o confronto da escrita fiscal com informações Fl. 17125DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.126 13 obtidas diretamente das instituições financeiras, o que caracteriza quebra do sigilo fiscal, sem autorização judicial. Quanto ao assunto, merece destaque o recente julgado proferido pelo Supremo Tribunal Federal, publicado em 11/05/2011, onde por maioria de votos se concedeu a medida cautelar requerida na perspectiva de recurso extraordinário (RE 389808 / PRParaná) para suspender os efeitos da quebra do sigilo fiscal, eis que esta medida viola o artigo 5°, X e XII, da CF, que consagra a garantia constitucional da intimidade e da privacidade, caracterizando um ilícito constitucional; viola, também, o princípio da reserva da jurisdição, caso o Fisco não possua autorização do Poder Judiciário para invadir a privacidade financeira do contribuinte; viola, ainda, o princípio da razoabilidade, já que o contribuinte está em posição desvantajosa perante o Fisco; e, por último, viola o princípio da legalidade aa segurança jurídica e do devido processo legal pela falta de observância e respeito à lei que determina a existência de prévio processo ou procedimento administrativo para tanto, bem como de autorização judicial. Neste sentido, segue decisão do Supremo Tribunal Federal, proferido pelo Relator Ministro Carlos Velloso, no RE 219.780/PE, em que foi indeferido o recurso extraordinário da União Federal e cujo entendimento, mesmo antes da edição da Lei Complementar n° 105/2001. Transcreve ementas. Prossegue, dando destaque ao artigo 5o, incisos X e XII, da Constituição Federal, que trata da inviolabilidade do direito constitucional da intimidade/privacidade financeira e transcreve. Sustenta que através das cláusulas constitucionais que transcreve, são assegurados à empresa a inviolabilidade da intimidade, a privacidade do indivíduo, o sigilo de correspondências, dados e comunicações telefônicas, SALVO SE AUTORIZADO POR ORDEM JUDICIAL e, ainda, restringida para fins apenas de investigação criminal ou instrução processual penal. E mais, afirma que a Carta Magna, em seu artigo 145, §1°, ao dispor sobre o Sistema Tributário Nacional, determina o que já foi explanado no sentido de que a administração tributária deve respeitar os direitos individuais do contribuinte. Deste modo, entende que resta evidente que se o procedimento fiscal violar os preceitos consagrados pela Constituição Federal, caracterizado estará o ilícito constitucional, ou seja, o Fisco ao quebrar o sigilo por conta própria estará se utilizando de prova ilícita, sendo esta destituída de validade jurídica de acordo com o artigo 5°, inciso LVI, da Constituição Federal e artigo 332, do Código de Processo Civil. Vale dizer, ainda, corroborando com o todo alegado até então, que a garantia de sigilo da intimidade financeira do contribuinte não é absoluta, podendo esta ser quebrada em casos excepcionais. No entanto, se faz necessário a intermediação do Poder Judiciário para que a quebra seja autorizada, em respeito ao postulado constitucional da reserva de jurisdição. Este é o recente entendimento do Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 389808/PR, já mencionado anteriormente e publicado em 11/05/2011, cujo trecho do voto do Ministro Celso de Melo referendando a decisão do Ministro Marco Aurélio e a ementa colaciona transcrita na seqüência. Adiante transcreve ementa proferida pelo STF demonstrando a base do mesmo raciocínio. Salienta que, constando nos julgados a expressão quebra do "sigilo bancário", devese estender a expressão às informações prestadas por instituições financeiras Fl. 17126DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.127 14 em geral, sejam elas bancos, que gerenciam as contas correntes e poupanças dos contribuintes, sejam as administradoras de cartões de crédito e débito, pois ambas estão equiparadas no mundo jurídico, através de disposição expressa contida no artigo 1o, §1°, VI, da Lei Complementar n° 105/2001. Transcreve o entendimento do Superior Tribunal de Justiça ao que tange à indispensabilidade de prévia autorização judicial para efeito de quebra do sigilo bancário. E, ainda cita os Tribunais Regionais Federais e os Tribunais de Justiça acompanham tal entendimento. Transcreve dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001 para defender que diante da leitura destes comandos, para não ocorrer qualquer violação à intimidade e privacidade financeira do contribuinte, já que não são direitos absolutos, devese respeitar o procedimento estabelecido na Constituição Federal em conjunto com o previsto na legislação complementar e cm sua respectiva regulamentação, a fim de que a prova obtida através de quebra de sigilo não seja ilícita por inconstitucionalidade. Destaca que o artigo 5o, da Lei Complementar n° 105/2001, dispõe sobre a possibilidade do Poder Executivo disciplinar a periodicidade de obtenção de informações das operações financeiras do contribuinte somente para a União. E o artigo 6o, da Lei Complementar n° 105/2001, por sua vez, estabelece quanto à União, Estados, Distrito Federal e Municípios, que o que os agentes fiscais somente poderão examinar as referidas informações se houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, sendo considerada esta quebra de sigilo indispensável pela autoridade administrativa competente. Assim sendo, pela interpretação da Lei Complementar n° 105/2001, somente a União, através de autorização do Poder Executivo e de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, tem o direito de obter com periodicidade informações acerca das operações financeiras do contribuinte. No entanto, é importante destacar, que até mesmo esta possibilidade exclusiva da União em requisitar periodicamente informações financeiras está com a sua constitucionalidade sub judice no Supremo Tribunal Federal, sendo objeto da ADI n° 4.010. MAS, FRISASE QUE APESAR DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001, EM SEU ARTIGO 6o, AUTORIZAR AOS ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS O EXAME DE INFORMAÇÕES PRESTADAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, SEJA BANCOS, SEJA ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E DÉBITO, QUANDO HOUVER PROCESSO ADMINISTRATIVO INSTAURADO OU PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO, ESTA AUTORIZAÇÃO LEGAL POR SI SÓ NÃO BASTA. EIS QUE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL ESTABELECE QUE AS GARANTIAS CONSTITUCIONALMENTE ASSEGURADAS AOS CIDADÃOS EM GERAL E AOS CONTRIBUINTES, EM PARTICULAR, DEVEM SER RESPEITADAS, SENDO NECESSÁRIA PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA TANTO. Assim, além da instauração de prévio processo administrativo ou procedimento fiscal em curso para que se quebre o sigilo fiscal do contribuinte, é indispensável autorização judicial para que esta quebra seja constitucional, o que não ocorreu no caso em tela, já que não basta apenas a emissão de Requisição de Informações de Movimentação Financeira pelo Delgado da Receita Federal para as instituições financeiras. Fl. 17127DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.128 15 Sendo assim, como a Carta Magna é a Lei hierarquicamente superior à Lei Complementar n° 105/2001, para que haja a quebra do sigilo fiscal do contribuinte, necessário se faz a obtenção de autorização judicial e a existência de prévio processo administrativo ou procedimento fiscal em curso, o que não ocorreu no caso em tela. Este é o posicionamento também do E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo esposado em decisão n° 9111815000, proferida pela 10a Câmara de Direito Público e sob a relatoria da Exma. Desembargadora Teresa Ramos Marques. Transcreve a ementa: Assim, diante de todo o exposto, resta claro que as informações obtidas das instituições financeiras foram obtidas ilicitamente e consistem meio inábil (prova ilícita) para a lavratura do Auto de Infração, eis que não foram respeitados os princípios constitucionais da reserva de jurisdição, da legalidade, da segurança jurídica e do devido processo legal, violando, conseqüentemente, as garantias constitucionais da intimidade e da privacidade financeira do contribuinte. Ora, isto ocorreu no caso cm tela, pois mesmo cem a Defendente apresentando alguns extratos bancários, o Fisco já tinha ciência dos mesmos antes de dar início à fiscalização, bem como quanto aos extratos não apresentados ao Fisco pelo contribuinte, o Sr. Auditor Fiscal de Rendas, também no curso da fiscalização, solicitou a determinadas instituições financeiras, através de requisição de movimentação financeira, a movimentação bancária ali existente. Em outras palavras, devido a falta de autorização judicial independente de prévio processo administrativo ou procedimento fiscal em curso, conforme estabelece o artigo 5°, X e XII, da CF combinado com o artigo 6°, da Lei Complementar n° 105/2001, resta evidente a presença de vício no procedimento fiscal, e conseqüentemente, no Auto de Infração em comento, por defeito quanto a legalidade do ato que o originou e a falta de observância dos requisitos procedimentais para a sua formação, vício este não sanável por não restar materializado o motivo que levou a presente autuação, devendo o referido Auto de Infração ser anulado de pleno direito. 2.5 POSICIONAMENTO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a partir do ano de 2010, o entendimento no que tange à matéria do presente Auto de Infração converge no mesmo sentido do todo alegado, conforme transcrições que junta. Desta forma, devido a falta de autorização judicial, de prévio processo administrativo ou procedimento fiscal em curso, conforme estabelece o artigo 5°, X e XII, da CF e o artigo 6°, da Lei Complementar n° 105/2001 respectivamente, resta evidente a presença de vício no Auto de Infração em comento, por defeito quanto à legalidade do ato que o originou e a falta de observância dos requisitos procedimentais para a sua formação, vício este não sanável por não restar materializado o motivo que levou a presente autuação, devendo o referido Auto de Infração ser anulados de pleno direito. 2.6 DO CERCEAMENTO DE DEFESA Não recebido apensos que acompanham o Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal. O Auto de Infração é passível de nulidade, eis que o Termo de Verificação Fiscal menciona diversos apensos. Contudo, o Contribuinte não recebeu nenhum dos referidos apensos relação abaixo: Fl. 17128DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.129 16 APENSOS DOCUMENTOS 1 a 7 Relatório fornecido pelo Fisco Estadual 8 a 25 Termo de Intimações e as respectivas respostas dos fornecedores, quando recei 11 Documentos do Comércio Varejista de Hortifrutigranjeiros Vila Sónia apurado Fisco em diligência 16 Documentos da Platanus Laticínios Ltda apurados em diligência 17 Documentos da WSP Distribuidora de Cereais Ltda pelo Fisco em diligência 18 a 35 Conteúdo ignorado 36a47 Documentos obtidos das instituições financeiras 37 a 48 Informações cadastrais apresentadas por cada banco 48 a 54 Cópia dos cheques 55 Termos de Depoimentos 56 a 58 Conteúdo ignorado 59 Lançamentos contábeis que geraram créditos de PIS/COF1NS Afirma que, sem a consulta dos documentos, está incapacitada de elaborar com perfeição sua defesa, visível o cerceamento de defesa ora praticado pelo Fisco. Afora a ilegalidade do ato dos Srs. Auditores Fiscais, seria impossível a autuada se defender das acusações, sem verificar os documentos que instruíram o Auto de Infração, com outros documentos que estão na posse da autuada. Então, tomando essa atitude, o Fisco tornou deficiente a instrução do processo, ferindo flagrantemente o Princípio do Contraditório. Demonstrado está que foi prejudicada; vez que não recebeu cópia de todos os documentos que instruíram o Auto de Infração. Deste modo, viuse impossibilitada de verificar as informações constantes no processo e prestar esclarecimentos que poderiam mudar o curso da defesa contra a injusta imposição que lhe foi feita. O cerceamento de defesa deve ser analisado em concreto e, no presente caso, não foi oferecido condições para poder prepararse adequadamente. A juntada dos documentos seria necessária para oferecer condições de modo que as informações possam ser processadas, analisadas e eficazmente colocadas à disposição do interessado, para que possa decidir o que melhor atende a seus interesses. Ora, ao sujeito passivo é permitido um dos direitos mais fundamentais do Processo Administrativo Fiscal, que e o informalismo. Não há que se falar na sapiência ou ignorância do contribuinte, e a defesa é preparada com informações do fiscalizado, muitas vezes completamente distante dos emaranhados das leis fiscais, que se modificam constantemente. Quando do início dos trabalhos fiscais a lei fala em "procedimentos". "Procedimentos" e "processo" não se confundem. O primeiro traduz a idéia de movimento, ação; enquanto o segundo compreende uma soma de atos decorrentes daqueles, ou, mais sucintamente, o rito tendente à concretização do procedimento, Fl. 17129DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.130 17 Assim o sujeito passivo deve estar ciente do procedimento fiscal contra ele dirigido. Tal ciência não é, não deve ser entendida como uma benesse ou dádiva estatal, mas um meio indispensável de comunicação, para que lhe seja possível ao Autuado preparar, convenientemente, sua defesa. Portanto, é indispensável fazer chegar ao contribuinte, mediante os termos e atos do processo, as informações que lhe possam ser úteis e benéficas, baseandose no pressuposto de que o Estado não é parte interessada em arrecadar, mas entidade pública que deve aplicar os ditames legais sob o manto da moralidade administrativa. Entendese tratar de indeclinável obrigação do Fisco esclarecer e juntar todos os documentos que acompanham o Auto de Infração, o que poderia beneficiar em muito o contribuinte. Já que há o princípio da oficialidade que rege os procedimentos administrativos, tais procedimentos devem ser uniformes e iguais. Todo e qualquer ato que tangencia a esfera de direitos e obrigações de uma pessoa, física ou jurídica, lhe diz respeito, e sobre ele o Interessado tem direito a dele ter conhecimento. Os órgãos públicos, no novo desenho constitucional da Carta de 1998, têm o dever de informar os dados a que tenham acesso, excetuados os dados que envolvam a segurança do Estado. Se um documento foi utilizado, ainda que para fornecer um indício de existência de um fato tributário, o documento passa a ser relevante por si só, e dele o Contribuinte deve ter conhecimento no curso dos procedimentos de fiscalização a que se submeteu. 2.6.1 O Fisco, não disponibilizando os documentos (apensos) à Defendente, viola princípios constitucionais como a legalidade e segurança jurídica. Transcreve doutrina Ora, todos aqueles que no exercício de função administrativa, por seus Agentes ou Auditores Fiscais, ou por seus procuradores, ou ainda, por quem quer que a represente se afaste dos rígidos limites da legislação tributária, agem de forma contrária aos princípios antes mencionados, consagrados pela Constituição Federal e também àqueles que legitimam o procedimento administrativo, de observância obrigatória para eles. Assim, diante de todo o exposto, configurado e demonstrado Cerceamento de Defesa, eis que não teve acesso a diversos documentos que instruem o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, violado garantias constitucionais do contribuinte, bem como os princípios constitucionais da legalidade, da segurança jurídica e do devido processo legal. Reafirmase, em respeito aos elementares direitos da cidadania, que houve cerceamento do direito de defesa ao não ser enviado juntamente com o Auto de Infração, todos os documentos que o instruíram, dando ciência, ao Autuado, do teor da representação fiscal de que foi sujeito passivo. Deste modo, as informações contidas no Auto de Infração não são suficientes para apresentar uma defesa precisa. Tomando essa atitude, o Fisco tornou deficiente a instrução do processo, ferindo flagrantemente o Princípio do Contraditório. Desde já requer seja entregue cópia dos documentos que instruíram o presente processo ou seja disponibilizada vista dos autos à Defendente com conseqüente Fl. 17130DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.131 18 devolução de prazo a fim de elaborar e apresentar sua Defesa com perfeição sob pena de Cerceamento de Defesa. 2.7 DO DIREITO Em caso das preliminares argüidas não serem acolhidas, o que não nos afigura possível, cumpre examinar questões de mérito que levarão à declaração da improcedência da autuação. A Defendente não concorda com o apurado no Termo de Verificação Fiscal, na lavratura do Auto de Infração e os impugna desde já, bem como todos os demonstrativos apresentados e valores apurados pelo Fisco. 2.7.1 Da glosa das despesas financeiras 001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS diante da divergência apurada, as despesas financeiras não necessárias foram tratadas como apropriação indevida sendo adicionada ao lucro líquido no ano calendário 2009; Os Srs. Auditores Fiscais efetuaram glosa de despesas financeiras decorrente de contratos de mútuo firmado entre a empresa e o sócio administrador da empresa e sua esposa. Ocorre que as conclusões obtidas pelo Fisco e conseqüentemente a glosa das despesas financeiras não deve prevalecer. A Defendente agiu nos moldes da legislação vigente eis que firmou contratos de mútuos, contabilizado os contratos bem como as receitas financeiras a título de juros. Caso o Fisco tivesse realizado o levantamento fiscal, teria constado a regularidades dos lançamentos. Deste modo, a presente acusação está embasada somente em indícios, diante da precipitação da autoridade fiscal. Assim, não pode ser autuada e penalizada por infração que não cometeu sob pena de enriquecimento ilícito do Poder Público além da violação ao Princípio da Segurança Jurídica. 2.7.2 Das transações comerciais 002 CUSTO DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE CUSTOS contabilização de custos com base em documentos inidôneos; Os Srs. Auditores Fiscais efetuaram glosa dos custos de bens sob alegação de contabilização de documentos inidôneos. Contudo, tal entendimento não deve prevalecer eis que fundada exclusivamente em Relatórios fornecidos pelo Fisco Estadual, documentos estes NÃO recebidos pela Defendente. Ocorre que todas as transações comerciais consumaram entre 2007 a 2009, e as diligências e apurações dos Srs. Auditores Fiscais foram realizadas a partir de 2011. Esclarece que sempre se ateve a todas as formas de precauções possíveis quando da realização das transações comerciais, no que se refere à documentação a ser exigida das empresas vendedoras, a fim de apenas prosseguir nas negociações se as mesmas estivessem em perfeita conformidade com o disposto na legislação vigente, de modo a não restar dúvidas quanto a real existência fática e jurídica. Há época das transações comerciais, a Defendente verificou a existência das empresas vendedoras com documentos que lhe foram apresentados e colhidos pela própria, tais como: consultas da situação cadastral do Sintegra/ICMS que constava Fl. 17131DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.132 19 como HABILITADO; Alteração de Contrato Social; Comprovante de Inscrição e Situação Fiscal emitido no site da Secretaria da Receita Federal; Autorização de Impressão de Documentos; consulta no site do Serasa. Deste modo, as transações comerciais se efetivaram, as empresas vendedoras efetivamente existiam, havendo a emissão de documentos fiscais necessários, a circulação de mercadorias, bem como o pagamento das compras. Assim, agiu e utilizou os meios que lhe eram acessíveis para verificar a existência e idoneidade das empresas com quem transacionou comercialmente, não agindo com máfé, dolo fraude ou simulação eis que NÃO objetivou burlar o Fisco. Seus atos foram amparados em legislação vigente eis que as transações comerciais ocorreram de fato e direito. Desta forma, embora o Fisco alegue a inexistência da empresa vendedora ou inabilidade dos documentos fiscais, à época das transações comerciais (2007 a 2009), tais informações não se apresentaram para a ora impugnante. Os documentos que lhe foram entregues pelos fornecedores, bem como através de consultas que realizou perante os órgãos públicos, verificouse a idoneidade das empresas vendedoras e de seus as atos, sendo evidente sua boafé. Ainda não prevalece a alegação do Fisco quanto a inocorrência das transações comerciais eis que amparada nos Relatórios elaborados pelo Fisco Estadual e entregues ao Fisco Federal, documentos estes não recepcionados pela impugnante não tendo condições de analisálos e, se fosse o caso, impugnálos. Reafirma novamente que no período de 2007 a 2009 transacionou comercialmente com as empresas vendedoras relacionadas no Termo de Verificação Fiscal, recebeu mercadorias acompanhadas de documentos fiscais hábeis, escriturou e contabilizou as notas fiscais, efetuou o pagamento pela aquisição das mercadorias, tudo nos moldes da legislação vigente. Portanto, a glosa dos custos sob alegação de contabilização de documentos inidôneos não deve prevalecer eis que fundada exclusivamente em Relatórios elaborado pelo Fisco Estadual, documentos estes NÃO entregues a Defendente. Assim, reitera a legitimidade das transações comerciais, devendo a glosa dos custos ser anulado. Entende que o Fisco não realizou o levantamento fiscal nos moldes da legislação vigente, embasando a suposta infração em Relatórios elaborados e fornecidos pelo Fisco Estadual DOCUMENTOS ESTES NÃO ENTREGUES A DEFENDENTE PORTANTO IMPOSSIBILIDADE DE SE MANIFESTAR A RESPEITO. E mais, as diligências realizadas pelos Srs. Auditores Fiscais em 2012, ou seja, vários anos após a conclusão das transações comerciais, simplesmente consistiram em enviou de correspondência (Termo de Intimações) para as empresas e sócios das empresas vendedoras e nas declarações recebidas dos sócios. Ocorre que os Termos de Intimações e anexos, assim como as respectivas respostas dos fornecedores, quando recebidas, juntadas ao presente processo como Apensos 8 a 25, NÃO foram entregues ou disponibilizada vista à Defendente, impossibilitando novamente sua defesa implicando em cerceamento de defesa. Renova o pedido para que cópia dos documentos que instruíram o presente processo sejam entregues ou disponibilizada vista dos autos à Defendente com conseqüente devolução de prazo a fim de elaborar e apresentar sua Defesa com perfeição sob pena de Cerceamento de Defesa, Ora, as transações comerciais ocorreram entre 2007 e 2009. Se no ano de 2011, as correspondências para as empresas fornecedoras ou sócios destas foram devolvidos com a informação de "mudouse", não implica que as transações comerciais se consumaram. A situação fática das empresas vendedoras pode ter Fl. 17132DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.133 20 alterado após 2009 não alterando os fatos passados, ou seja, as transações comerciais entre a empresa impugnante e as empresas vendedoras ocorreram de fato e de direito, não podendo ser objeto de glosa por parte do Fisco. Outrossim, o Termo de Verificação Fiscal, item VI Da Apuração de Aquisições de Mercadorias/Produtos/Serviços não Comprovadas e Diligências a Fornecedores, informa que quando recepcionada o Termos de Intimações as empresas declaravam que "jamais teve qualquer relacionamento comercial com a empresa SP". Frisese novamente, A DEFENDENTE NÃO RECEBEU OS DOCUMENTOS CITADOS COMO APENSOS 8 A 25 estando impossibilitada de se defender plenamente das acusações que lhe são impostas, cerceando seu direito de defesa. Mesmo sem ter acesso e analisar tais Termos de Intimações e respostas dos fornecedores, entende que o procedimento fiscal não foi elaborado com perfeição vez que embasado somente em presunções e indícios. Caso os Srs. Auditores Fiscais tivessem realizado levantamento fiscal, analisado os documentos e livros fiscais das empresas fornecedoras, teriam constatado que estas transacionaram comercialmente com a empresa Defendente. portanto, nulo o procedimento fiscal que resultou no lançamento de ofício representado pelo auto de infração ora impugnado. A simples leitura do apurado e relatado no Termo de Verificação Fiscal comprova a afirmação da Defendente. As fls. 32 do Termo de Verificação Fiscal informa que a Vital Representações Comerciais recebeu de Cerealista Guimarães, cheques da impugnante referente a contrapartida a uma palestra realizada em 20/03/2007. Ora, se a Cerealista Guimarães repassou cheque da Defendente à Vital, comprovado está que a tais cheques decorrem do pagamento das mercadorias adquiridas em transação comercial de compra e venda. E mais, as fls. 31 do Termo de Verificação Fiscal relata que a Prosystem Processamento de Dados recebeu de CPA Comércio de Produtos Alimentícios cheques da Defendente por conta de locação de equipamentos. Novamente, se a CPA Comércio de Produtos possuía cheques da Defendente e repassou para Prosystem, tais cheques referemse a pagamento pelas transações comerciais concluídas. Reafirma as mercadorias adentraram no estabelecimento da Defendente, os documentos fiscais que acobertaram as compras foram regularmente escriturados nos livros registros, tudo nos moldes da legislação vigente, ou seja, as transações comerciais se consumaram e a Defendente efetuou o pagamento pela aquisição das mercadorias. Assim, resta clara a boafé da Defendente pois à época das transações comerciais, era evidente a idoneidade das empresas vendedoras e dos documentos fiscais emitidos pelas mesmas, não havendo justificativa para o lançamento de ofício. A Defendente não pode ser autuada e penalizada como se tivesse concorrido para a suposta inidoneidade das empresas vendedoras ou dos documentos fiscais que acompanharam as mercadorias, conforme alega os Srs. Auditores Fiscais no Termo de Verificação Fiscal e nos documentos (diversos apensos) que NÃO LHE FORAM D1SPOSINIBILIZADOS, impossibilitando elaboração de sua defesa com perfeição, cerceando seu direito de Defesa. Transcreve ementas de uma série de julgados de todas as esferas de tributação. Portanto, notase que o Auto de Infração ora impugnado está calcado exclusivamente em presunção, pois em nenhum momento a fiscalização foi capaz de provar a inexistência das transações comerciais, apresentado somente frágeis Fl. 17133DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.134 21 indícios que por si só não tem o condão de caracterizar a infração imputada à autuada. 2.7.3 Superavaliação do Estoque 003 CUSTO DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS CUSTOS NÃO COMPROVADOS superavaliação do estoque inicial no ano calendário de 2009, eis que era superior ao estoque total final do ano calendário de 2008; Os Srs. Auditores Fiscais efetuaram glosa dos custos de bens sob alegação de super avaliação do estoque inicial no ano calendário de 2009 no valor de R$12.146.607,99. Contudo, tal entendimento não deve prevalecer eis que tal equivoco foi esclarecido durante o procedimento fiscal e simplesmente ignorado no Termo de Verificação Fiscal conforme se comprovará demonstrado. Durante o procedimento fiscal, diversas vezes informou à autoridade fiscal que a impugnante estava sob procedimento fiscal também na esfera estadual. Deste modo, foi justificado e comprovado a impossibilidade de apresentar aos Srs. Auditores Fiscais alguns documentos e livros fiscais pois os mesmos estavam em poder do Fisco Estadual. Tendo que atender as solicitações do Fisco Federal e também do Fisco Estadual, se equivocou e apresentou arquivo magnético contendo informações que não condiziam com a contabilidade da empresa. Questionada da divergência do estoque final do ano calendário de 2008 com o estoque inicial do ano calendário 2009, em 22/01/2012 apresentou esclarecimentos nos seguintes termos e documentos abaixo relacionados: "Apresentamos neste ato o arquivo magnético retificado, informamos que a diferença de saldo demonstrada tias contas do item 2, foi causada por falha de sistema ao gerar o arquivo magnético contábil, informamos ainda que as informações foram declaradas de forma correta na DIPJ ano 2010 período: 01/01/2009 a 31/12/2009 e DIPJ ano 2009 período: 01/01/2008 a 31/12/2008, assim não causando nenhum prejuízo a apuração do imposto, anexamos neste ato as documentações demonstrando que o imposto foi calculado deforma correta. Anexos: DIPJ 2010 Período: 01/01/2009 a 31/12/2009 DIPJ 2009 Período: 01/01/2008 a 31/12/2008 Recibo de Entrega de Livro Digital Período: 01/01/2009 a 31/12/2009 Arquivo Magnético Período: 01/01/2009 a 31/12/2009” Portanto, resta claro que NÃO INCORREU NA INFRAÇÃO APONTADA eis que NÃO HOUVE SUPERAVALIAÇÃO DO ESTOQUE INICIAL DE 2009 conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal. Em julho de 2009, a empresa contratou novo escritório de contabilidade (externo) para acompanhar suas atividades. No DIPJ informou os valores correto de estoque inicial de 2008 (R$31.855.083,56) e o Custo da Mercadoria Vendida CMV de 2008 (R$125.389.122,08). Porém, por um lapso, não conferiu os valores de estoque final e o valores de compras. Tendo em vista que o CMV foi informado corretamente, não houve reflexo na apuração dos tributos. A afirmação é comprovado e demonstrado no Balancete de Verificação de 2008 com estoque final Fl. 17134DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.135 22 de R$36.973.100,78 e no Balancete de Verificação de 2009 o estoque inicial tem o mesmo valor, R$36.973.100,78. Esclarece ainda que no DIPJ de 2010/2009 foi declarado o valor correto do Estoque Inicial R$36.973.100,78, comprovando que não houve superavaliação do estoque e sim um simples equivoco, não havendo justificativa para o lançamento de ofício. A impugnante não pode ser autuada e penalizada por infração que não cometeu sob pena de enriquecimento ilícito do Poder Público além da violação ao Princípio da Segurança Jurídica. 2.8 MULTA ISOLADA 004 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão e redução. Diante das diversas glosas de despesas e custos, os Srs. Auditores Fiscais recalcularam e apuraram os valores devidos por estimativa de IRPJ e CSLL conforme Termo de Verificação Fiscal. Contudo, a imposição de multa isolada não deve prevalecer eis que conforme exaustivamente esclarecido anteriormente, a Defendente na infringiu a legislação, portanto incorreta a glosa das despesas e custos. Reafirma que o procedimento fiscal foi embasado em presunção e indícios não justificando a glosa de despesa financeira, glosa de custos com base em documentos inidôneos, a acusação de custos não comprovados por superavaliação do estoque inicial de 2009. A glosa incorreta de despesas e custos e interpretação equivocada da superavaliação do estoque inicial 2009 implicou na imposição da multa isolada. A Defendente não pode ser autuada e penalizada por infração que não cometeu sob pena de enriquecimento ilícito do Poder Público além de violação ao Princípio da Segurança Jurídica. 2.9 DO LEVANTAMENTO ESPECÍFICO A autuação fiscal foi embasada em presunções e indícios no lugar de realizar o levantamento fiscal específico. Impugna novamente a quebra e sigilo bancário sem autorização judicial, não refletindo assim, a realidade das atividades da empresa que para ser efetivamente apurada necessário análise de um conjunto de elementos, como confronto da declaração das empresas vendedoras em resposta aos Termos de Intimações com as respectivas contabilidade. Caso tal procedimento ocorresse, teria constatado que as empresas vendedoras transacionaram comercialmente com a Defendente no período de 2007 a 2009, comprovando a saída de mercadoria da empresa vendedora e o respectivo pagamento pelas vendas. Deixaram de lado uma prova que se produzida, daria fim a questão, fulminando qualquer espécie de indício em contrário. Impugna novamente o fato da autoridade fiscal desprezar os esclarecimentos e documentos apresentados que comprovam a inocorrência da suposta superavaliação de estoque inicial de 2009. Demonstrado está que houve equivoco no DIPJ mas no Balancete de Verificação os valores estão corretos, ou seja, Balancete de Verificação de 2008 com estoque final de R$ 36.973.100,78 e no Balancete de Verificação de 2009 o estoque inicial tem o mesmo valor, R$ 36.973.100,78. Fl. 17135DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.136 23 Sem a realização do mesmo tudo quanto alegado constituemse apenas como frágeis indícios, desprovidos da condição de tornaremse provas cabais, e assim sendo, validar o crédito tributário. Sendo assim, claro está que a fiscalização agiu temerariamente e lavrou o auto de infração sem critério algum e embasada apenas em presunções, quando deveria ter realizado análise de todos os registros contábeis das empresas vendedoras a fim de comprovar a veracidade das declarações das empresas fornecedoras de que "jamais teve qualquer relacionamento comercial com a empresa SP". Caso tivesse realizado tais análise, certamente, as declarações prestadas cairiam por terra pois a Defendente transacionou com todas as empresas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal, não devendo prevalecer a glosa dos custos. Deste modo, desde já, requer seja convertido o julgamento em diligência, nos termos do artigo 18, do Decreto 70.235/72, para que seja analisada a escrita fiscal das empresas vendedoras. E mais, é irrefutável que tal presunção não implica na possibilidade de glosa dos custos. Transcreve doutrina. Assim, é indiscutível que a autuação não está calcada em elementos suficientes capazes de gerar um valor passível a ser lançado e exigido, eis que emhasada em prova ilícita. Deste modo, "evidenciar" é comprovar, tornar claro, como uma verdade incontestável, demonstrar, patentear um determinado fato. No caso, portanto, a fiscalização não comprovou as supostas infrações apontadas no Termo de Verificação Fiscal que implicasse ou possibilitasse glosa dos custos e despesas já que se utilizou de prova ilícita e não realizou levantamento fiscal. Deste modo, diante de tantas incertezas demonstradas pela autoridade fiscal, verificase como improcedentes e totalmente injustas a exigibilidade do lançamento de ofício. Efetivamente o trabalho do Fisco não traz segurança na medida em que não foram levantadas todas as informações necessárias e indispensáveis que justificasse a suposta infração, sendo incorreta a exigência fiscal devendo a mesma ser cancelada. Assim sendo, incorreta a glosa dos custos e despesas, incorreta a acusação de custos não comprovados (superavaliação do estoque de 2009), incorreta a imposição de multa isolada, devendo o auto de infração ser julgado improcedente, o que deverá ser decretado na melhor forma de Direito 2.10 DOS ACRÉSCIMOS EXIGIDOS PELO FISCO MULTA E OS JUROS. Não sendo devido o Imposto e a Contribuição Social, também não são devidos os acessórios, ou seja, multa e juros. E mais, as fls. 57 do Termo de Verificação Fiscal aplica multa qualificada, impondo multa de ofício agravada de 150% alegação de que a Defendente utilizou de "subterfúgios" para "aumentar indevidamente os seus custos e despesas e a conseqüente redução das bases de cálculo e valores devidos de IRPJ e CSLL, procedimento que caracteriza sonegação fiscal". Fl. 17136DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.137 24 Ora, é evidente o vicio formal no agravamento da multa pois conforme demonstrado anteriormente, a Defendente transacionou com as empresas vendedoras, recebeu as mercadorias, efetuou a pagamento pela aquisição das mercadorias, os documentos fiscais hábeis foram escriturados e contabilizados, tudo nos moldes da legislação vigente. E mais, à época dos fatos, as empresas vendedoras existiam de fato e direito e os documentos fiscais que ampararam as transações comerciais eram hábeis, não podendo ser glosadas. Portanto, as acusações e infrações impostas são nulas de pleno direito e conseqüentemente nulo o auto de infração. Ao contrário da acusação, não utilizou de "subterfúgios" tendo simplesmente cumprido a legislação vigente. Assim, não justifica as multas impostas. Ressaltase que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes corrobora a tese da Defendente, como se verifica da decisão proferida em caso análogo ao presente: (...) 2.11 DO PEDIDO Diante do exposto, requer à Vossa Senhoria, acolha as preliminares aduzidas, determinando a nulidade do procedimento fiscal; ou caso assim não entenda, entrega dos documentos (apensos) que acompanham auto de infração ou a disponibilização dos autos para vistas e assim devolver prazo para apresentar defesa sob pena de cerceamento de defesa. Caso não o for o entendimento, que determine a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, para sanar as irregularidades cometidas pelo Fisco. Caso ainda não for o entendimento, requer redução ou relevação das multas impostas diante de todo o exposto anteriormente. Requer dignese Vossa Senhoria conhecer a Defesa e julgar totalmente procedente, declarando insubsistentes as autuações fiscais para o fim de anular o Auto de Infração, bem como cancelar as exigibilidades do crédito tributário em questão. Protesta provar a veracidade do alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de documentos, vistorias, etc. O acórdão recorrido, em seu item 3, transcreve os argumentos da impugnação apresentada pelo sr. Eloisio Gomes Afonso Durães, indicado como responsável solidário pelo Fisco, in verbis: 3. Da impugnação apresentada por Eloízo Gomes Afonso Durães Na mesma data, 22/01/2013, e por meio dos mesmos procuradores, instrumento de mandato às fls. 16.68116728, foi protocolada a defesa de Eloízo Gomes Afonso Durães, apontado como sócio solidário da obrigação que ora se analisa. Na peça de defesa ele assim se manifesta: 3.1 DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA N° 1 O Defendente foi intimado do Termo de Sujeição Passiva Solidária referente o Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.002011008570, em face da empresa SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA., diante da suposta constatação no "decorrer da ação fiscal, a prática de crimes de falsificação de documentos fiscais, Fl. 17137DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.138 25 inserção de elementos inexatos na contabilidade e prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias." nos anos calendários de 2006 a 2009. Além disso, foi também motivo para a emissão do Termo de Sujeição Passiva Solidária n°l, a suposta constatação de "contabilização da quitação destas compras inexistentes através de cheques emitidos pela empresa fiscalizada". "Posteriormente, através de documentos encaminhados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPESP), (...) constatamos depoimentos de integrantes do grupo econômico liderado pela SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA., detalhando as práticas criminosas descritas nos itens 2,3, e 4 acima (vide Apenso 57 destes PAFS)". O Fisco alega que através de inúmeras provas documentais e testemunhais, o Sr.Eloízo foi o principal interessado e beneficiário das práticas fraudulentas "tendo como um dos principais objetivos, modificar as características essenciais do fato gerador, alterando as bases de cálculo dos tributos, de modo a reduzir os seus montantes devidos. O ocultamento das reais bases de cálculo dos tributos em questão fez surgir os créditos tributários decorrentes desta ação fiscal." Com estas supostas condutas, os Srs. Auditores Fiscal da Receita Federal, entenderam caracterizado a sujeição passiva solidária do ELOÍZO GOMES AFONSO DURÃES pelos créditos constituídos nos processos administrativos fiscais, nos termos do inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional. Contudo, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, não restou comprovado práticas fraudulentas, não prevalecendo o Termo de Sujeição Passiva, bem como a autuação fiscal, conforme restará comprovado. Dentro da classificação da responsabilidade tributária, está a responsabilidade de terceiros, dentre estes a dos sócios, prevista no artigo 134 e 135, do Código Tributário Nacional. A responsabilidade de terceiros não se assemelha a responsabilidade por substituição, sendo aquela modalidade de responsabilidade por transferência, que surge em momento posterior à realização da conduta e não no momento da prática do fato jurídico tributário, como ocorre com a responsabilidade por substituição. A responsabilidade de terceiros pode ser solidária e subsidiária A solidariedade é aquela em que não existe benefício de ordem, ou seja, o pagamento do tributo é devido pelo contribuinte ou pelo responsável, sendo esta bem definida pelo artigo 896, parágrafo único, do antigo Código Civil de 1976, que descrevia existir a solidariedade quando na mesma obrigação concorresse mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com seu direito ou obrigado à dívida toda. A responsabilidade solidária está descrita no artigo 124, do Código Tributário Nacional e através de sua leitura é evidente não existir qualquer compatibilidade com a sujeição passiva solidária atribuída ao Defendente, eis que o sócio administrador do sujeito passivo não se enquadra em nenhum dos incisos existentes na referida norma, senão vejamos: (...) E mais, dispõe o artigo 134, do CTN, quanto à solidariedade, que deve ser interpretado conjuntamente com o artigo 124, do Código Tributário Nacional: (...) Fl. 17138DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.139 26 Importante análise deve ser feita do caput da norma acima transcrita. Nele, resta claro que só existe solidariedade nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte SP ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA., o que não vem ao caso, já que o sujeito passivo é empresa constituída desde o ano de 1997 c possui sua situação cadastral "ATIVA" perante ao Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). Corrobora este entendimento o Ilustre Professor Eduardo Marcial Ferreira Jardim, ao afirmar em sua obra "Manual de direito financeiro e tributário", Editora Saraiva1999, p.232, que a responsabilização de terceiros prevista no artigo 134, do CTN, é solidária c se condiciona a dois requisitos indispensáveis que seriam: "a impossibilidade de o contribuinte satisfazer o débito e a circunstância de o responsável solidário praticar ato omissivo ou comissivo no tocante ao fato jurídico tributário". Sendo assim, não havendo um dos requisitos essenciais para caracterização da solidariedade, aos sócios não pode ser estendida obrigação do sujeito passivo principal, eis que este possui plena condição de garantir o débito. Não se aplica ainda o disposto no inciso III, do artigo 135 do CTN, eis que não foi comprovado excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto pelo sócio administrador. O Termo de Verificação Fiscal afirma ainda que o Sr Eloizo foi o principal interessado e beneficiário das supostas práticas fraudulentas diante de sua evolução patrimonial. Tal afirmação está embasa exclusivamente em presunções pois não foi analisado com perfeição a Declaração do Imposto de Rendas. O Fisco verificou somente o valor do patrimônio declarado sem analisar as demais informações com as dívidas e ônus assumidos. Portanto, na realidade, NÃO HOUVE AUMENTO PATRIMONIAL POR PRATICAS FRAUDULENTAS QUE INDICASSEM EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. Efetivamente, o Sr. Eloizo possui outras atividades que geram rendimentos. Ainda que houvesse aumento patrimonial, este não depende exclusivamente das atividades decorrentes da SP Alimentação e Serviços Ltda. Deste modo, resta claro a precipitação da autoridade fiscal e nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do Auto de Infração, por terem sido ambos embasados em prova ilícita. 3.2 DAS RAZÕES JÁ TRANSCRITAS NA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA Com relação às demais razões apresentadas pelo ora impugnante, estas são cópia fiel das alegações apresentadas pela empresa, mesmo porque, em ambos os casos, o procurador é o mesmo, conforme se pode comprovar pelos instrumentos de mandato. Desta forma, deixamos de transcrever as demais alegações uma vez que já se encontram reproduzidas no relatório. A 2ª Turma da DRJ em Curitiba analisou as impugnações apresentadas e, por via do Acórdão nº 0641.188, de 27/05/2013, considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 17139DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.140 27 Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Ementa: INTIMAÇÃO. A norma legal vigente não prescreve o esgotamento dos meios de intimação existentes para, em último recurso, autorizar o uso de Edital; admite a citada via de exceção desde que reste demonstrado improfícuo um dos meios de intimação existentes, pois não estão sujeitos a ordem de preferência. COMPETÊNCIA PARA FORMALIZAR O LANÇAMENTO A competência para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, pelo lançamento, é exclusiva dos Auditores Fiscais da Receita Federal, não havendo previsão legal para que o Delegado da unidade de jurisdição da contribuinte precise assinar o auto de infração. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. Procede a glosa das despesas financeiras (juros) referentes a empréstimos tomados junto às instituições financeiras, os quais, eram repassados ao sócio majoritário e o cônjuge, via contratos de mútuo, uma vez que não podem ser consideradas como necessárias à atividade da empresa nem à manutenção da respectiva fonte produtora. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE CUSTOS. Comprovado que o sujeito passivo utilizouse de documentos inidôneos para inflar seus custos e que o numerário aparentemente utilizado para o pagamento das mercadorias retornava aos cofres da empresa ou tinha destino outro, que não a atividade fim, autoriza o lançamento para a exigência dos tributos desviados aos cofres da União, e justificam a qualificação da multa. SUPER AVALIAÇÃO DE ESTOQUE. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CUSTOS. Mantémse a tributação da diferença apurada entre o estoque final de um ano calendário e o estoque inicial do ano calendário seguinte, uma vez que o sujeito passivo além de não justificar os novos valores, modificou os registros contábeis sem apresentar qualquer comprovação. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Ao que não foi objeto de abordagem específica relativamente à CSLL aplicase o entendimento esposado quanto ao IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de impugnação. AUTOS DE INFRAÇÃO. CABIMENTO DA EXIGÊNCIA DA MULTA ISOLADA DE 50%. Fl. 17140DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.141 28 É cabível a aplicação da multa de 50% exigida isoladamente em função da falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada, incidente sobre as estimativas não pagas, a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a conduta dolosa, caracterizada por utilização de documentos inidôneos. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO. Nos termos da legislação (CTN, art. 172), somente a lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder remissão total ou parcial do crédito tributário. Inexistindo autorização legislativa, descabe a concessão de remissão. Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado. ARGÜIÇÕES PRELIMINARES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade do auto de infração, se o fiscal autuante observa os procedimentos previstos na legislação tributária. PRELIMINAR. FALTA DE ACESSO AOS DOCUMENTOS QUE EMBASARAM O PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. É facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário o direito à vista do processo junto ao órgão preparador dentro do prazo legal de trinta déias a partir do momento em que o interessado toma ciência do lançamento, nos termos da legislação de regência. PROVA.EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e Fl. 17141DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.142 29 ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS As decisões administrativas, resultantes de processo de consulta, não se constituem em normas gerais de Direito Tributário, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Ementa: PROTESTO PELA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS E PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. O protesto pela juntada de novos documentos aos autos, deve ser fundamentado e concomitante à apresentação da correspondente documentação, ficando prejudicado, destarte, o pedido efetuado no desfecho da peça impugnatória, no sentido de posterior juntada de documentos, frisandose que, até a data do presente julgamento, o suplicante não trouxe qualquer documentação adicional que pudesse justificar o referido pedido. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. Ciente da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 12/06/2013, mediante decurso de prazo, a contribuinte SP ALIMENTAÇÃO apresentou recurso voluntário em 05/07/2013, na qual, em linhas gerais, repisa as alegações apresentadas em sua impugnação, com exceção dos seguintes aspectos: a) Abandona as argüições de nulidades, trazidas na impugnação, e descritas nos subitens 2.1 (Da Nulidade de Intimação Edital Cerceamento de Defesa) e 2.6 (DO CERCEAMENTO DE DEFESA Não recebido apensos que acompanham o Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal) do Acórdão recorrido; b) Passa, a partir do recurso voluntário, a argüir a nulidade do auto de infração em face da juntada, ao processo, de documentos estranhos às apurações e às suas atividades, à saber: às fls. 14.433 a 14.587, documentos referentes Fl. 17142DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.143 30 à avaliação de comodities em língua estrangeira; às fls. 14.588 a 14.743, relação de usinas de açúcar e álcool, relação de indústria de refrigerantes, da indústria de achocolatados, da indústria de iogurtes, de bolos e misturas de doces, de refrescos e pós para preparo, extratos, polpas e molhos de tomates e atomatados, entre outros. Afirma que não apresentou tais documentos e que lhes são estranhos. Adita que, às fls. 14.770, foi juntada a capa da revista ABCCA Associação Brasileira de Cavalos Árabes o que também é estranho às suas atividades. c) Traz, ainda, como nova alegação, a ocorrência de decadência do lançamento em relação ao anocalendário 2007, na medida em que o acórdão recorrido afastou a alegação de nulidade da intimação por edital pelo fato de a recorrente ter apresentado a impugnação e procuração em 22/01/2013. Sustenta que, se a intimação do lançamento se consumou em 22/01/2013, o direito do Fisco constituir o crédito tributário relativo ao ano de 2007 resta fulminado pela decadência, nos termos do § 4ºdo art. 150 do CTN. d) Alega ainda que o acórdão recorrido embasouse no fato do Sr. Benedito Lemes ter sido processado criminalmente por supostos delitos contra o sistema financeiro nacional e suposto recebimento de recursos da recorrente, mas que a relatora do acórdão foi induzida a erro pelos auditoresfiscais responsáveis pela lavratura do auto de infração, pois o acusado foi absolvido no processo penal, conforme sentença que transcreve. e) No mérito, reafirma todos os argumentos trazidos na impugnação. Ao final, a recorrente requer que se acolha as preliminares de nulidade e, se assim não for entendido, que se determine a conversão do julgamento em diligência para sanar as irregularidades cometidas pelo Fisco. Sucessivamente requer a redução ou relevação das multas impostas. O responsável solidário, por sua vez, foi intimado do acórdão recorrido por via postal, em 06/06/2013, e interpôs recurso voluntário em 05/07/2013, no qual reapresenta as alegações trazidas na impugnação quanto à imputação de responsabilidade e, quanto ao mérito da autuação, repete literalmente os argumentos da interessada, indicada como sujeito passivo principal, apresentados no seu recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 17143DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.144 31 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO PRINCIPAL O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim, dele conheço. A recorrente SP ALIMENTAÇÃO traz, preliminarmente, alegações de nulidade da autuação e de decadência parcial do lançamento. Examino inicialmente as alegações de nulidade suscitadas. 1. Da alegação de nulidade da autuação por incompetência do agente Contrariedade ao art. 11 do Decreto nº 70.235/1972. A recorrente alega a nulidade do lançamento na medida em que teria sido desrespeitado o art. 11 do Decreto nº 70.235/1972, quando de sua formalização. Sustenta que, não tendo sido o auto de infração lavrado pelo chefe do órgão expedidor ou outro servidor autorizado, o lançamento é nulo, nos termos do art. 59 do mesmo diploma. A nulidade suscitada deve ser rejeitada. O artigo 11 do Decreto nº 70.235/1972, trata da notificação de lançamento que é uma das formas de exigir o crédito tributário de ofício, ao lado do auto de infração, conforme dispõe o art. 9º do mesmo decreto. Ocorre que o lançamento sob exame foi realizado por meio de auto de infração, cujos requisitos estão fixado no art. 10 do Decreto nº 70.235/19721. O dispositivo citado estabelece que o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente. 1 Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 17144DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.145 32 A competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal, para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido foi estabelecida no art. 6º da Lei nº 10.593, de 08 de dezembro de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007. A atividade de realizar o lançamento deriva do art. 142 do Código Tributário Nacional. Na condição de autoridade administrativa que detém a competência para realizar o lançamento tributário, o AuditorFiscal independe de qualquer autorização superior para efetuálo, pois não possui discricionariedade para não realizálo, devendo praticar o ato, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, o lançamento não apresenta qualquer vício a ensejar a sua nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, pois o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os autos de infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que é a autoridade administrativa competente para formalizálos. Assim, rejeito a primeira argüição de nulidade. 2. Da alegação de nulidade do lançamento por conter elementos estranhos aos fatos apurados e atividade da recorrente. Trouxe a recorrente em seu recurso voluntário, argumento novo quanto à nulidade do auto de infração em face da juntada, ao processo, de documentos estranhos às apurações e às suas atividades, à saber: às fls. 14.433 a 14.587, documentos referentes à avaliação de comodities em língua estrangeira; às fls. 14.588 a 14.743, relação de usinas de açúcar e álcool, relação de indústria de refrigerantes, da indústria de achocolatados, da indústria de iogurtes, de bolos e misturas de doces, de refrescos e pós para preparo, extratos, polpas e molhos de tomates e atomatados, entre outros. Afirma que não apresentou tais documentos e que lhes são estranhos. Adita que, às fls. 14.770, foi juntada a capa da revista ABCCA Associação Brasileira de Cavalos Árabes o que também é estranho às suas atividades. Em que pese não tenha suscitada na impugnação, por se tratar de alegação de nulidade, examino os argumentos da recorrente. Examinando os autos, verifico que os documentos apontados referemse a elementos apresentados por terceiros intimados pela fiscalização com vistas ao esclarecimento quanto ao recebimento de cheques emitidos pela fiscalizada e que teriam sido destinados a seus fornecedores, porém foram creditados em contas bancárias de outras pessoas físicas e jurídicas. Os documentos de fls. 14.433 a 14.743, referemse a documentos apresentados pela empresa Vital Representações Ltda, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 14.897/14.898. Já o documento de fls. 14.770/14.775 e seguintes compõe o conjunto de documentos apresentados pelo Sr. Florivaldo de Carvalho, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 14.754/14755. De fato, nas diligências realizadas, a fiscalização apurou que os cheques emitidos pela fiscalizada foram destinados a negócios e empresas completamente estranhos à atividade da recorrente, embora tenham sido contabilizados pela interessada como pagamentos a fornecedores. Fl. 17145DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.146 33 Destarte, tratamse de elementos colhidos pela fiscalização no curso do procedimento fiscal, com vistas à apuração dos fatos, não existindo qualquer irregularidade no fato de constarem dos autos. Assim, rejeito a segunda alegação de nulidade. 3. Da alegação de nulidade por quebra ilegal de sigilo bancário. Nulidade do auto de infração por contrariar garantias e princípios constitucionais e o entendimento pacífico do STJ e STF. A recorrente alega que no curso da ação fiscal foi intimada a apresentar extratos bancários de contas correntes e aplicações financeiras do ano de 2007 a 2009 e que, embora tenha apresentado alguns extratos solicitados a fiscalização solicitou autorização do Delegado da Receita Federal para a requisição de informações da sua movimentação financeira diretamente aos bancos. Argumenta que a fiscalização já detinha extratos de suas contas antes mesmo do início do procedimento fiscal e que, mesmo tendo atendido parcialmente a intimação e apresentado alguns dos extratos solicitados, a fiscalização requisitou os extratos às instituições financeiras por meio de RMF. Aduz que, resta claro que o Fisco já possuía informações bancárias do contribuinte antes mesmo de intimálo do início da fiscalização e também antes de lavrar o auto de infração, configurando quebra ilegal de seu sigilo fiscal uma vez que foram solicitadas e fornecidas as informações financeiras sem autorização judicial para tanto. Sustenta que o procedimento fiscal e autuação são nulos, porquanto amparados em prova ilícita, obtida mediante quebra de se sigilo bancário, sem autorização judicial. A recorrente cita ainda diversos entendimentos jurisprudenciais do STJ e STF que sustentam a indispensabilidade de prévia autorização judicial para a quebra de sigilo bancário. Analisando, inicialmente, os aspectos fáticos levantados pela recorrente, no que tange à requisição da movimentação financeira diretamente os bancos pela fiscalização, não encontro respaldo nos elementos dos autos para a alegação de que a fiscalização já detinha extratos da interessada antes mesmo de dar início ao procedimento fiscal. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a procedimento fiscal teve início em 18/03/2011. No curso das investigações a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar extratos bancários e cópias de cheques, DOC, e TED emitidos para pagamentos de fornecedores e que, após várias prorrogações e reintimações, a recorrente apresentou parte dos extratos e apenas uma cópia de cheque entre as solicitadas e informou que não poderia apresentar os demais documentos de remessas financeiras aos fornecedores, devido ao alto custo de obtenção das cópias dos microfilmes. Diante da recusa na apresentação dos elementos, a fiscalização lavrou o Termo de Embaraço e ReIntimação nº 06, de 21/10/2011, (fls. 397/398) na qual descreve as situações de não atendimento às intimações para caracterizar o Embaraço à Fiscalização, nos Fl. 17146DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.147 34 termos do parágrafo único do art. 919 e do inc. I do art. 922 do RIR/1999 e reintimou o contribuinte a apresentar os elementos faltantes, no prazo de cinco dias à contar da ciência. Na sequência, em 28/11/2011, ante a recusa da fiscalizada, ora recorrente, em apresentar todos os elementos bancários solicitados, foi lavrada pelos auditoresfiscais responsáveis pela fiscalização a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 403/410), na qual relatam as apurações realizadas e a indispensabilidade do exame dos elementos solicitados, em face do embaraço à fiscalização caracterizado, nos termos previstos no inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar nº105/2001. A referida solicitação foi autorizada pelo Delegado da Receita Federal da DEFIS/SP, em 01/12/2011. Com efeito, a entrega apenas parcial dos extratos solicitados e a recusa em apresentar os demais documentos bancários comprobatórios de sua movimentação financeira, após reiteradas intimações, caracteriza, no meu entender, embaraço ao trabalho da fiscalização com vistas às apurações em curso, mormente tendose em conta que buscava o Fisco identificar a efetividade das operações de compras junto a fornecedores, escrituradas na contabilidade pela interessada, com fortes indícios de irregularidade, consoante informações recebidas do Fisco Estadual de São Paulo. Assim, considero plenamente justificável, ante ao arcabouço legal que regulamenta a requisição e informações financeiras pelo Fisco diretamente às instituições financeiras, a medida adotada com vistas a apuração dos fatos, na busca da verdade material. Não há nos autos, qualquer elemento que indique que o Fisco tenha obtido extratos bancários junto aos bancos antes de qualquer procedimento instaurado. Em face do que estabelece o art. 5º da Lei Complementar nº105/2001, o Fisco dispõe de informações sobre os montantes globais movimentados pelos titulares de operações bancárias, mediante informações prestadas periodicamente pelas instituições financeiras. Tais elementos, no entanto, não permitem identificar qualquer origem ou natureza dos gastos a partir deles efetuados e não se confundem com a possibilidade legal conferida ao Fisco, pelo art. 6º da mesma lei, de requisitar informações sobre a movimentação financeira dos titulares das operações junto às instituições financeiras, desde que exista procedimento fiscal instaurado e que o seu exame seja considerado indispensável pela autoridade competente. É exatamente esta a hipótese dos autos, tendo a RMF sido emitida com amparo no inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o disposto no art. 5º da Lei Complementar nº105/2001. Assim, do ponto de vista fático e do ordenamento legal vigente não encontro qualquer nulidade no procedimento adotado pelo Fisco quanto à obtenção dos documentos relativos à movimentação financeira da interessada, com vistas à apuração e busca da verdade material. Não obstante, a recorrente alega ainda que a requisição de informações de sua movimentação Financeira pelo Fisco, diretamente às instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, à despeito do que dispõe a LC nº 105/2001, caracterizaria quebra ilegal do Fl. 17147DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.148 35 sigilo bancário, na medida em que viola direitos individuais do contribuinte, assegurado pela Constituição. Nesse sentido, a prova assim obtida seria ilícita e, portanto, nulo o procedimento. Como já analisado, a Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001, estabeleceu a possibilidade do Fisco, em determinadas situações que considere indispensáveis às suas apurações e, mediante procedimento fiscal instaurado, solicitar informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes diretamente às instituições financeiras. A recorrente cita julgados das cortes superiores da justiça visando a dar sustentação à sua tese. É certo que o tema relacionado ao sigilo bancário tem suscitado inúmeras discussões quanto aos seus limites e abrangência constitucional, tanto na doutrina quanto na jurisprudência. A própria LC. nº 105/2001 teve sua inconstitucionalidade arguida perante o Supremo Tribunal Federal, tanto em sede de ADI, quanto por meio de recurso extraordinário, inclusive com repercussão geral reconhecida no âmbito do RE nº 601.314. Em que pesem tais questionamentos, não existe qualquer pronunciamento do STF, em caráter erga omnes, afastando a aplicação da referida lei complementar. Com a devida vênia, entendo que existe uma enorme mistificação a respeito do assunto, principalmente no que se refere a aplicação das garantias constitucionais, tais como a da inviolabilidade da intimidade e do sigilo de dados, com vistas a opor ao Fisco o sigilo bancário e obstaculizar a sua ação fiscalizadora, mediante sua amarração à inexorável morosidade do processo judicial. A um tempo assistese a cada dia mudanças legislativas que visam impor ao Fisco prazos mais reduzidos para a conclusão de suas ações e, por outro lado, medidas inversamente proporcionais assegurando maiores prazos e garantias aos contribuintes. Para que a administração tributária possa dar cumprimento ao disposto no §1º do art. 145 da CF, quanto ao caráter pessoal e à sua graduação segundo a capacidade econômica do contribuinte, são necessários instrumentos efetivos para que ela possa identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas dos contribuintes. Nesse sentido, entendo que a LC nº105/2001, vem ao encontro de tais objetivos, ao dar ao Fisco um instrumento efetivo com vistas a identificar a renda e o patrimônio dos contribuintes, com o devido respeito aos direitos individuais, na medida em que não apenas assegura o resguardo das informações sigilosas fornecidas pelas instituições financeiras, como também estabelece como condição para o acesso aos dados, a instauração de procedimento fiscal e a indispensabilidade de seu exame, com vistas às apurações. A alegação de possível violação da intimidade se já não encontra justificativa quando se trata de contribuintes pessoas físicas, dada a aplicação objetiva dos dados obtidos, exclusivamente tendo em vista a apuração do patrimônio e/ou renda, e a preservação do sigilo pela lei, tornase ridícula quando se trata de pessoa jurídica, na medida em que todos os dados de sua movimentação financeiras devem estar devidamente registrados na sua contabilidade e os respectivos comprovantes devem ser arquivados e mantidos pelo prazo legal. Como conceber que uma empresa que deixa de escriturar sua movimentação bancária completa ou Fl. 17148DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.149 36 não possua os elementos comprobatórios possa se eximir de tal obrigação escudandose no manto do sigilo bancário? Pareceme inconcebível. No que concerne à possível violação à intimidade e ao sigilo de dados, adoto o entendimento manifestado pelo Ministro do STF, Sepúlveda Pertence, para quem: “O sigilo bancário só existe no Direito Brasileiro por força de lei ordinária. Não entendo que se cuide de garantia com status constitucional. Não se trata de ‘intimidade’ protegida no inciso X do art. 5º da Constituição Federal. Da minha leitura, no inciso XII da Lei Fundamental, o que se protege, e de modo absoluto, até em relação ao Poder Judiciário, é a comunicação ‘de dados’ e não os ‘dados’, o que tornaria impossível qualquer investigação administrativa. (...)”2. No mesmo sentido o entendimento do Minsitro do STF, Cezar Peluso, para quem “Se os dados como tais ... forem invioláveis, não há nenhum meio possível, por exemplo, de fiscalização tributária, porque os dados são objeto dos registros, isto é, se o Fisco não tem direito de proceder a fiscalização in loco e ter acesso a dados, a fiscalização é simplesmente inviável! O que a Constituição protege... é o processo de comunicação. Esse é que não pode ser interrompido, porque aí há inviolabilidade da comunicação. Mas o acesso aos dados, findo o processo de comunicação, nem sempre é proibido”. 3 A despeito de tudo quanto foi observado, tratandose de discussão quanto a constitucionalidade de lei impõese observar a Sumula CARF 2, para declinar da competência para a apreciação da alegação quanto a tal aspecto.4 Ante ao exposto, rejeito a alegação de nulidade suscitada. Passo ao exame da preliminar de decadência em relação ao anocalendário 2007. 4. Da alegação de Decadência. A recorrente, traz a alegação, em seu recurso voluntário, da ocorrência de decadência do lançamento em relação ao anocalendário 2007. Sustenta que, na medida em que o acórdão recorrido afastou a alegação de nulidade da intimação por edital pelo fato de a recorrente ter apresentado a impugnação e procuração em 22/01/2013. Conclui que, se a intimação do lançamento se consumou em 22/01/2013, o direito do Fisco constituir o crédito tributário relativo ao ano de 2007 resta fulminado pela decadência, nos termos do § 4ºdo art. 150 do CTN. Não assiste razão a recorrente. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fl. 16.506, a intimação quanto aos lançamentos realizados mediante a lavratura dos autos de infração ocorreu mediante Edital afixado em dependência da repartição fiscal de origem, franqueada ao público, no dia 2 Excerto do voto do Min. Sepúlveda Pertence, quando do julgamento do MS 21.729, DJ. 19.10.2001, (apud CASSONE, Vitório, Sigilo Bancário: Critério e Interpretação Constitucional. RET 55, maijun/07, p.84), in PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 13 ed. Livraria do Advogado Editora. ESMAFE. 2011. P. 1330. 3 Excerto do voto na apreciação de Liminar na AC 33, in PAULSEN, Leandro. op cit. P. 1335. 4 Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 17149DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.150 37 13/12/2012, restando consumada a intimação em 28/12/2012, nos termos do inciso IV do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972. Não há qualquer afirmação no acórdão recorrido considerando que o lançamento teria se consumado em 22/01/2013, ocasião em que a recorrente interpôs o recurso voluntário. Não bastasse isto, o prazo decadencial para o lançamento relativo ao IRPJ e CSLL apurados no anocalendário 2007, considerando que o contribuinte apurou seus resultados pelo Lucro Real, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN somente se esgotaria em 31/12/2013. Ante ao exposto, afasto a alegação preliminar de decadência. 5. Do pedido de realização de diligências. A recorrente requer a realização de diligências para que seja analisada a escrita fiscal das empresas fornecedoras, ao argumento de que a fiscalização lavrou a autuação amparado apenas nas declarações prestadas pelas empresas de que “jamais tiveram qualquer relacionamento comercial com a empresa SP”, sem examinar os registros contábeis das vendedoras. Alega que se fosse examinada a escrituração contábil das empresas vendedoras cairia por terra a acusação fiscal, pois transacionou com todas as empresas apontadas no Termo de Verificação Fiscal. Entendo que o pedido de diligência apresentado tem caráter meramente protelatório, na medida em que a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento novo que pudesse desqualificar, ainda que parcialmente, as informações trazidas pela fiscalização para embasar o lançamento de glosa de custos de aquisição de mercadorias. A fiscalização não se amparou apenas nas informações prestadas pelas empresas registradas como fornecedoras na escrita contábil da recorrente para efetuar a glosa dos custos de aquisição contabilizados. Além das diligências realizadas junto aos fornecedores a fiscalização trouxe aos autos elementos colhidos pelo Fisco Estadual, cruzamento de informações fiscais prestadas aos Fiscos estadual e federal, documentos que indicavam a existência de Caixa 2, obtidos junto ao Ministério Público Estadual de São Paulo relativos a procedimento investigatório criminal e extensa investigação da destinação dos valores referentes a cheques, ordens de pagamento (DOC e TED) contabilizados como pagamentos a fornecedores, mas que tiveram outro destino. Assim, considero que incumbia à recorrente apresentar os elementos de prova para desconstituir as conclusões da fiscalização que ensejaram a autuação. Ante ao exposto, rejeito o pedido de realização de diligências. Apreciadas as preliminares, passo ao exame das alegações de mérito. Fl. 17150DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.151 38 MÉRITO 6. Da glosa de despesas financeiras. A recorrente se insurge contra o lançamento que efetuou a glosa de despesas financeiras lançadas referentes a encargos sobre empréstimos e financiamentos. De acordo com a imputação feita pelo Fisco grande parte dos valores tomados a título de empréstimos e financiamentos pela recorrente foram repassados diretamente ao sócio Eloizo Gomes Afonso Durães e sua esposa Lílian Cristina Nicareta. Alega a recorrente que agiu nos moldes da legislação vigente, pois firmou os contratos de mútuo e os contabilizou, bem como as receitas financeiras a título de juros e que o lançamento realizado foi precipitado, pois efetuado somente com base em indícios. Examinando Termo de verificação fiscal e os demais elementos dos autos, verifico que a fiscalização identificou que, no ano calendário de 2007, a pessoa jurídica tomou empréstimos bancários e repassou parte desses valores ao sócio administrador da empresa Eloízo Gomes Afonso Durães e sua esposa Lilian Cristina Nicareta. O Fisco apurou ainda que, não há registro na contabilidade da empresa da devolução, ainda que parcial, dos valores, além de não ter sido registrada nenhuma receita financeira a título de juros relativo aos empréstimos concedidos aos beneficiários supra indicados. A recorrente apresentou dois contratos de mútuo, nos quais constam cláusulas de que o pagamento do principal, bem como a correção monetária (IGPM) e juros devidos (0,5% ao mês) serão efetivados no prazo máximo de 300 meses (25 anos). No entanto, não há registro de qualquer valor devolvido à empresa, seja a título de amortização ou juros devidos. O Fisco identificou que alguns valores tomados junto aos bancos foram repassados na mesma data a título de empréstimo para o sócio majoritário. Cita como exemplo que, no dia 24/05/2007, foi contabilizada pela empresa SP uma captação no Banco Bradesco, a título de Empréstimo para Capital de Ciro, no valor de R$ 6.000,0000,00. Na mesma data, foi contabilizada a concessão de um empréstimo de R$ 6.500.000,00 para o sócio Eloizo. No dia 29/06/2007, foi contabilizado um empréstimo concedido pelo Banco Santander no montante de R$ 4.500.000,00 e na mesma data foram contabilizados três repasses a título de mútuo para o sócio Eloizo, nos valores de R$ 1.000.000,00, R$ 2.250.000,00 e R$ 2.000.000,00, totalizando um montante de R$5.250.000,00. Embora outros empréstimos tenham sido tomados pela recorrente ao longo do ano de 2007, conforme planilha às fls. 16.387 a 16.420, e outros valores tenham sido emprestados ao sócio Eloizo e sua esposa no mesmo ano, conforme contratos de mútuo (fls. 546/551) e planilhas (fls. 16.436/16.438), examinando os autos, verifico que apenas nas datas acima citadas é possível identificar a coincidência entre a tomada de empréstimos e seu imediato repasse ao sócio Eloizo. Os demais valores emprestados não correspondem, necessariamente a repasses de empréstimos tomados. Por outro lado, verificase que, ao menos em relação aos contratos de mútuo formalizados existia a previsão de incidência de juros e correção monetária sobre os valores emprestados ao sócio. Diante dos elementos constantes dos autos entendo que a infração descrita na autuação (glosa de despesas financeiras não necessárias) restou caracterizada apenas em Fl. 17151DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.152 39 relação aos empréstimos tomados e imediatamente repassados ao sócio Eloizo na mesma data. Ou seja, o empréstimo para capital de giro tomado junto ao Banco Bradesco em 24/05/2007, no valor de R$ 6.000.000,00 e o empréstimo de R$ 4.500.000,00 tomado junto ao Banco Santander em 29/06/2007 e repassado, também na mesma data, ao sócio. Entendo que os encargos incidentes sobre tais operações são indedutíveis da apuração do lucro real, pois eram evidentemente desnecessários os empréstimos tomados pela recorrente, na medida em que foram imediatamente repassados ao sócio administrador. Assim, os encargos incidentes sobre os empréstimos tomados que ultrapassem os valores registrados como receitas financeiras decorrentes do repasse não podem ser dedutíveis. No caso em tela, a recorrente nada reconheceu a título de receitas financeiras sobre os empréstimos repassados ao sócio, de modo que, todos os encargos incidentes sobre os empréstimos referidos são indedutíveis. Com relação aos demais empréstimos, no entanto, não há como descaracterizar a necessidade dos empréstimos tomados em momentos distintos dos empréstimos concedidos ao sócio. Entendo que, neste caso, caberia ao Fisco ter efetuado o lançamento da receita financeira não reconhecida, nos termos pactuados no contrato de mútuo. Não vejo, porém, como descaracterizar os juros incorridos sobre os empréstimos tomados em datas distintas dos empréstimos concedidos. Assim, entendo que o lançamento deve subsistir apenas com relação à glosa de encargos dos empréstimos tomados em 24/05/2007 e 29/06/2007, conforme abaixo calculado, utilizandose os mesmos critérios adotados pelo Fisco: Juros incorridos em 2007 Empréstimo Repassado Data Valor Dias transcorridos Tx Média de Juros diários Juros incorridos Banco Bradesco 24/5/2007 6.000.000,00 217 0,0005912515 769.809,45 Banco Santander 29/6/2007 4.500.000,00 182 0,0005912515 484.234,98 Total de Juros incorridos sujeitos à glosa em 2007 1.254.044,43 Total de Juros glosados na autuação em 2007 1.821.710,25 Total de juros glosados a excluir do lançamento em 2007 567.665,82 Juros incorridos em 2008 Empréstimo Repassado Data Valor Dias transcorridos Tx Média de Juros diários Juros incorridos Banco Bradesco 24/5/2007 6.000.000,00 360 0,0004575779 988.368,26 Banco Santander 29/6/2007 4.500.000,00 360 0,0004575779 741.276,20 Total de Juros incorridos sujeitos à glosa em 2008 1.729.644,46 Total de Juros glosados na autuação em 2008 2.582.162,96 Total de juros glosados a excluir do lançamento em 2008 852.518,50 Fl. 17152DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.153 40 Juros incorridos em 2009 Empréstimo Repassado Data Valor Dias transcorridos Tx Média de Juros diários Juros incorridos Banco Bradesco 24/5/2007 6.000.000,00 360 0,0004312053 931.403,45 Banco Santander 29/6/2007 4.500.000,00 360 0,0004312053 698.552,59 Total de Juros incorridos sujeitos à glosa em 2009 1.629.956,03 Total de Juros glosados na autuação em 2009 2.433.339,42 Total de juros glosados a excluir do lançamento em 2009 803.383,39 Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, nesta parte para excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores acima indicados. 7. Da glosa de custos dos bens vendidos e/ou serviços prestados. Comprovação Inidônea dos custos. Contabilização com base em documento inidôneos. Alega a recorrente que os Auditores Fiscais efetuaram glosa dos custos de bens sob alegação de contabilização de documentos inidôneos, o que não deve prevalecer, pois fundada exclusivamente em Relatórios fornecidos pelo Fisco Estadual. Sustenta que todas as transações comerciais se consumaram entre 2007 a 2009, e as diligências e apurações dos Srs. Auditores Fiscais foram realizadas a partir de 2011. Esclarece que se ateve a todas as formas de precauções possíveis quando da realização das transações comerciais, no que se refere à documentação a ser exigida das empresas vendedoras, a fim de apenas prosseguir nas negociações se as mesmas estivessem em perfeita conformidade com o disposto na legislação vigente, de modo a não restar dúvidas quanto a real existência fática e jurídica. Diz que, na época das transações comerciais, a verificou a existência das empresas vendedoras com documentos que lhe foram apresentados além dos colhidos por ela própria, tais como: consultas da situação cadastral do Sintegra/ICMS que constava como HABILITADO; Alteração de Contrato Social; Comprovante de Inscrição e Situação Fiscal emitido no site da Secretaria da Receita Federal; Autorização de Impressão de Documentos; consulta no site do Serasa. Assegura que, deste modo, as transações comerciais se efetivaram, as empresas vendedoras efetivamente existiam, havendo a emissão de documentos fiscais necessários, a circulação de mercadorias, bem como o pagamento das compras, não podendo ser responsabilizada pela inidoneidade de documentos de terceiros, constatada a posteriori. Reitera que agiu e utilizou os meios que lhe eram acessíveis para verificar a existência e idoneidade das empresas com quem transacionou comercialmente, não agindo com máfé, dolo fraude ou simulação eis que não objetivou burlar o Fisco. Entende que o Fisco não realizou o levantamento fiscal nos moldes da legislação vigente, embasando a suposta infração em Relatórios elaborados e fornecidos pelo Fisco Estadual. Alega, ainda, que as diligências realizadas pela fiscalização em 2012, vários anos após a conclusão das transações comerciais, limitouse ao envio de correspondência (Termo de Intimações) para as empresas e sócios das empresas vendedoras e nas declarações recebidas dos sócios. Fl. 17153DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.154 41 Sustenta que as transações comerciais ocorreram entre 2007 e 2009 e, se no ano de 2011, as correspondências para as empresas fornecedoras ou sócios destas foram devolvidos com a informação de "mudouse", não significa que as transações comerciais se consumaram. Alega que a situação fática das empresas vendedoras pode ter alterado após 2009 não alterando os fatos passados, ou seja, as transações comerciais entre a empresa impugnante e as empresas vendedoras ocorreram de fato e de direito, não podendo ser objeto de glosa por parte do Fisco. Examinando as alegações da recorrente quanto à utilização de informações obtidas pelo Fisco Estadual de São Paulo, não vejo óbices à sua integração ao conjunto probatório juntado aos autos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 15894/15955) a interessada foi uma das empresas investigadas na Operação Pratos Limpos, realizada pela Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo por demanda requisitória do GEDECSP (Grupo Especial de Delitos Econômicos do Ministério Público do Estado de São Paulo), a qual teve por objetivo levantar informações fiscais sobre esquemas fraudulentos em licitações praticados por empresas fornecedoras de merenda escolar. As verificações do Fisco Estadual abrangeram as aquisições de mercadorias realizadas pelas empresas fornecedoras de merenda, tendo sido constatados fortes indícios de que as operações entre as empresas investigadas e alguns de seus fornecedores não ocorreram, no todo ou em parte. Iniciada a ação fiscal em 18/03/2011 (Termo de Inicio, fls. 5), com a solicitação de documentos à interessada, a fiscalização foi informada pela ora recorrente que os livros e documentos solicitados estavam em poder do Fisco Estadual de SP, em face do procedimento fiscal instaurado na Operação Pratos Limpos. Em decorrência disto a fiscalização solicitou, por meio de ofícios (fls. 196/197 e 219/220), cópias dos documentos coletados, alem de arquivos magnéticos do Sintegra e cópias de eventuais relatórios de fornecedores apurados como inidôneos ou que tivessem se envolvido em operações fraudulentas, para subsidiar o trabalho fiscal, o que foi disponibilizado pela Secretaria de Fazenda de São Paulo em 02/08/2011 (fls. 229) Ora, a cooperação entre as Fazendas Públicas da União e dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e a prestação de assistência mútua para a fiscalização dos respectivos tributos e permuta de informações é prevista expressamente no art. 199 do CTN e no inc. XXII do art. 37 da CF, na forma da lei ou convênio. De acordo com nota divulgada no sítio da RFB na internet, em 04/06/2008, foi prorrogado o convênio já firmado entre a RFB e a Secretaria de Fazenda de São Paulo para cooperação e troca de informações5. 5 http://www.receita.fazenda.gov.br/automaticoSRFSinot/2008/06/04/2008_06_04_16_04_16_926130145.html: A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo assinaram dia 30/05 a prorrogação do convênio de cooperação técnica, que possibilita a troca de informações. Com a renovação do acordo, os fiscos federal e estadual podem continuar realizando ações conjuntas de fiscalização e cobrança de tributos que administram. Um dos objetivos da prorrogação é dar continuidade ao trabalho de parceria no combate à sonegação. Pelo acordo, a Receita Federal do Brasil repassa à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo informações sobre contribuintes paulistas, de interesse do fisco estadual e viceversa. O convênio foi prorrogado por 60 meses. Fl. 17154DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.155 42 Assim, os levantamentos e diligência realizados pelo Fisco Estadual de São Paulo, regularmente transferidos ao Fisco Federal, são válidos e aptos a integrar o conjunto probatório coligido no procedimento administrativo instaurado pela RFB. A alegação da recorrente de que não teria tido acesso aos relatórios produzidos pelo Fisco Estadual com vistas a contraditálo também não merece guarida na medida em que estão devidamente apensados aos autos em sua íntegra, sendo que lhe era facultado pedir vistas e, mesmo, cópia de todos os documentos que integram o processo, nos termos do inc. II do art. 3º da Lei nº 9.784/1999. Os relatórios do Fisco Estadual concluídos após levantamentos nas bases de dados da RFB, da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais e do próprio Fisco de São Paulo, além das diligências realizadas in loco, apontaram que: a maior parte dos fornecedores sequer havia realizado operações interestaduais, especialmente para o estado de São Paulo; que há indícios de que, alguns deles, tiveram existência efêmera ou sequer operaram; que o documentário fiscal que deu suporte às operações registradas junto à recorrente, não corresponde às respectivas autorizações de impressão de documentos fiscais dadas pelo Fisco Estadual; que carimbos das barreiras estaduais do Fisco, apostos nos documentos fiscais apresentados pela recorrente, eram falsos, cancelados ou inidôneos. Ou seja, todos os indícios apontavam para a inidoneidade dos documentos apresentados como suporte das operações contabilizadas. Não obstante, a fiscalização não se limitou a utilizar as informações contidas nos relatórios das diligências empreendidas pelo Fisco de São Paulo. Além de realizar suas próprias diligências junto aos fornecedores com indício de irregularidades, das quais algumas restaram infrutíferas, investigou e analisou as operações bancárias relativas à emissão de cheques e transferências pela recorrente e identificou que os valores indicados na contabilidade como destinados a pagamentos a diversos fornecedores foram, na verdade, sacados “na boca do caixa” e reingressados em “Caixa 2” da própria recorrente, e/ou destinados a outras pessoas físicas ou jurídicas diferentes das identificadas na contabilidade, sem qualquer relação comercial com a interessada. As diligências realizadas junto às pessoas físicas e jurídicas indicadas nos documentos bancários como beneficiárias das ordens bancárias (cheques/TED e DOC), evidenciaram a real destinação dos recursos que saíram das contas bancárias. Na mesma direção apontaram os documentos obtidos junto ao Ministério Público Estadual de São Paulo, obtidos mediante autorização judicial para o compartilhamento de provas dos Procedimentos Investigatórios Criminais da GEDEC nº 07/08 e 13/09, que fizeram parte da denúncia criminal oferecida pelo MP estadual de São Paulo. Na análise dos documentos compartilhados a fiscalização identificou planilha extraída de um “pen drive” do Sr. Sílvio Marques, gerente financeiro do grupo SP Alimentação, onde eram registradas as operações extra contábeis referentes à real destinação dos recursos sacados através dos cheques emitidos pela empresa SP para o pagamento das compras fictícias, documentos denominado pela fiscalização como “Caixa 2”. Os dados das operações registradas nesta planilha coincidem com os valores sacados na “boca do caixa” junto aos bancos no período por ela abrangido, demonstrando que, efetivamente, as operações de compras contabilizadas eram fictícias e que os pagamentos aos fornecedores registrados tinham outra destinação. Os documentos e analises constam dos Apenso 57 e 58 dos autos e nos Anexos 19 e 20 do Termo de Verificação fiscal. Fl. 17155DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.156 43 Consta, ainda, dos documentos que compõem a denúncia criminal, o depoimento de pessoas envolvidas sobre vários crimes praticados: fraude à licitação, formação de quadrilha, sonegação fiscal, pagamentos de propinas a agentes públicos, falsificação de documentos (notas frias), entre outros. Dado o conjunto robusto de indícios que apontavam para a inexistência das operações registradas na contabilidade como pagamento de compras a fornecedores, a fiscalização, com intuito de comprovar a existências das operações, intimou a recorrente (TIF nº 09) a apresentar: nome e CPF da pessoa da empresa fornecedora com quem foram feitos os contatos comerciais e respectivos pedidos; placa do veículo transportador (se próprio), nome completo e CPF do condutor; Nome e CNPJ da transportadora, caso tenha utilizado veículos de terceiros; conhecimentos de transporte e comprovantes de pagamento de fretes; duplicatas referentes aos pagamentos efetuados , com autenticação de quitação bancária; indicar e comprovar qual a destinação das mercadorias adquiridas, com as correspondentes notas fiscais de saída ou de fornecimento de merenda ou cestas básicas. Segundo o TVF, nenhum documento ou esclarecimento foi apresentado à fiscalização. Ora, diante da farta gama de dados apontando para a inexistência das operações de compras registradas na sua contabilidade, a recorrente nada trouxe, seja na fase investigatória, seja após a instauração da fase litigiosa, que pudesse convalidar os seus registros. Limitouse a alegar, sem comprovar, que adotou todas as cautelas necessárias com vistas a identificar a idoneidade dos fornecedores, por ocasião dos negócios. Tenta ainda desqualificar a acusação fiscal, ao argumento de que as diligências realizadas pelo fisco estadual e pela RFB apontam para a inidoneidade dos documentos e ou inexistência das empresas, vários anos após a realização das operações e que não poderia ser responsabilizada por isto. Ocorre que a fiscalização demonstrou que, somados aos indícios de inidoneidade dos documentos fiscais que ampararam as operações e à inexistência de alguns fornecedores, somamse declarações de exsócios de diversas dessas empresas afirmando não terem transacionado com a interessada no período em questão e, ainda, a identificação de que os pagamentos registrados contabilmente eram destinados, na verdade, para outros beneficiários e/ou regressavam aos cofres da empresa via “Caixa 2”. Diante das evidências colhidas pela fiscalização, entendo que caberia à fiscalizada trazer, ainda que por amostragem, comprovação de que as operações contabilizadas tinham existência real. A recorrente alega ainda que, em pelo menos duas diligências realizadas pela fiscalização com vistas a identificar os reais beneficiários dos recursos sacados das contas bancárias da interessada, foram identificados os nomes dos fornecedores CPA e Cerealista Guimarães como repassadores dos cheques emitidos. Cumpre analisar os fatos. Com relação aos cheques contabilizados como se destinados ao pagamentos do fornecedor CPA em novembro e dezembro de 2007, a fiscalização identificou nas cópias de cheques fornecidas pelas instituições financeiras que os valores foram depositados na conta da empresa Prosystem Processamento de Dados Ltda. Intimada a justificar o recebimento dos Fl. 17156DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.157 44 recursos, a empresa, após sucessivos pedidos de prorrogação, informou (fls. 14839/14840) que teria recebido os cheques mediante repasse da empresa CPA Produtos Alimentícios Ltda, para quitação de uma dívida relativa a locação de equipamentos de informática, que teria ocorrido entre janeiro de 2005 e dezembro 2006. A empresa CPA, por sua vez, teria recebido os cheques da empresa SP Alimentação. A empresa Prosystem não apresentou qualquer documento para comprovar o que foi informado, alegando que os mesmos se encontram em arquivo morto “de difícil apuração”. Examinando as cópias dos cheques mencionadas, verifico que os mesmos foram emitidos nominativos, diretamente à empresa Prosystem Processamento de Dados Ltda, não havendo qualquer menção da empresa CPA nos documentos, seja como beneficiária ou endossante. Por outro lado, o relatório fiscal do Fisco de São Paulo em face das diligências realizadas junto à empresa CPA indicam, segundo depoimento de um exsócio, que esta não teria realizado nenhuma operação comercial no período em que participou da sociedade (22/09/2005 a 20/02/2007), o que evidenciaria a ausência de efetiva atividade da empresa. Assim, ante a ausência de outros elementos de comprovação da efetividade das operações examinadas, entendo que tais elementos não infirmam as conclusão da fiscalização no sentido da inidoneidade das supostas compras realizadas junto ao fornecedor CPA. Com relação aos cheques que foram identificados como beneficiária a empresa Vital Representações Comerciais Ltda, intimada a empresa informou que não tem qualquer relação comercial com a empresa recorrente. Aditou que os valores teriam sido repassados pela empresa Cerealista Guimarães Ltda, referentes a pagamentos parciais de serviços prestados que teriam sido acertados em 20/03/07 e consistiriam na apresentação do Cenário Mundial do Açúcar e também a relação dos principais produtores de açúcar e álcool do Brasil e as principais indústrias consumidoras. Acrescenta que o valor total combinado foi de R$ 200.000,00, pagos parcialmente por meio dos depósitos feitos na sua conta bancária. Afirma que o contato na empresa era feito com o Sr. Rodrigo Guimarães e que, após o pagamento da última parcela, em março de 2008, não conseguiu mais contatálo, o que gerou a manutenção do registro deste valor no seu passivo, como adiantamento de clientes, conforme documentação contábil que anexa. A recorrente anexa cópias de uma apresentação, contendo gráficos e slides, a maior parte em língua inglesa, sobre o cenário mundial da produção e demanda de açúcar e do álcool (fls. 14.433 a 14.587) e uma relação de usinas produtoras de açúcar e álcool no país e de indústrias e empresas listadas por setores, que seriam potenciais clientes do setor (fls. 14.588/14743). Apresenta ainda uma nota fiscal de serviços prestados, em favor da empresa Cerealista Guimarães Ltda, no valor de R$ 192.161,00, emitida apenas em 10/05/2012, ou seja, quase dois meses após ter sido intimada a prestar esclarecimentos. Fl. 17157DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.158 45 A fiscalização, em seu Termo de Verificação Fiscal fez a seguinte análise dos documentos apresentados: “A VITAL alegou ter recebido R$ 200.000,00 por uma palestra sobre o mercado de açúcar. Este fato causou bastante estranheza dado o elevado preço do serviço prestado (valor algo inferior a palestras de expresidentes da República, como comentado na imprensa) e, ainda, contratada por uma empresa de porte tão pequeno e hoje desaparecida como a CEREALISTA GUIMARÃES LTDA. Além disso, um dos cheques depositados na conta da VITAL foi contabilizado como pagamento à empresa CPA e não à CEREALISTA GUIMARÃES.” De fato, causa estranheza o montante que teria sido pago pela mencionada “apresentação”, como também não se vislumbra qual seria o interesse de uma empresa atacadista de produtos alimentícios, que atendia ao mercado interno, no cenário mundial do açúcar e do álcool. A empresa diligenciada tampouco informou a data em que tais serviços teriam sido prestados, já que os contatos iniciais teriam ocorrido em março de 2007 e o último pagamento só ocorreu em março de 2008, sem que tenha emitido a respectiva nota fiscal, o que só veio a ocorrer em 2012, após ter sido intimada a prestar esclarecimentos. Observo ainda que, também neste caso, os cheques (fls. 11653, 11662 e 11680) foram emitidos nominativos, diretamente à empresa Vital Representações Comerciais Ltda, não havendo qualquer menção da empresa Cerealista Guimarães Ltda nos documentos, seja como beneficiária ou endossante. O mesmo ocorre em relação ao cheque nº 31.404 (fls. 9948), emitido nominalmente à empresa Vital Representações Comerciais Ltda e não à empresa CPA, conforme registro contábil (fls. 15960). Outro aspecto a demonstrar que as operações comerciais que dariam suporte aos pagamentos contabilizados não existiram consiste no prazo que a interessada, ora recorrente, teve para efetuar as quitações, em grande parte dos casos superiores a um ano. Os cheques emitidos em 2008 em favor da empresa Vital foram contabilizados como quitação de compras que teriam sido realizadas em 2007, como se demonstra abaixo: cheque nº 31.312 – emitido em 26/02/08 – pagto NF. 4827 – Cerealista Guimarães, emitida em 26/07/07 (fls. 16.034 – Anexo 6 – TVF e fls. 16.201 – Anexo 14 TVF); cheque nº 31.304 – emitido em 04/03/08 pagto. NF. 3754 Cerealista Guimarães, emitida em 08/03/07 (fls. fls. 16.034 – Anexo 6 – TVF e fls. 16.187 – Anexo 14 TVF); cheque nº 31.564 – emitido em 17/03/08 pagto. NF. 3857 Cerealista Guimarães, emitida em 18/04/07 (fls. fls. 16.035 – Anexo 6 – TVF e fls. 16.189 – Anexo 14 TVF); e cheque nº 31.560 – emitido em 17/03/08 pagto. NF. 450 – CPA Prod. Alimentícios, emitida em 24/01/07 (fls. fls. 15.958 – Anexo 2 – TVF e fls. 16.121 – Anexo 10 TVF). Este prazo elástico, que chega a ultrapassar a um ano, entre o registro das compras e o suposto pagamento contabilizado foi constante no período examinado pode ser constatado no confronto das compras contabilizadas e da relação de cheques contabilizados como pagamentos aos fornecedores: CPA (Anexo 2 e Anexo 10 do TVF); Cerealista Guimarães Ltda (Anexo 6 e Anexo 14 do TVF). Fl. 17158DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.159 46 Nenhuma empresa comercial, em qualquer ramo de atividade, teria condições de se manter operando, com prazos tão elásticos para recebimento de seus créditos. Notese que não há qualquer acréscimo nos valores pagos em relação às notas fiscais de compras, o que indica que não houve sequer pagamentos com mora. Não obstante, os registros de compras permanecem constantes ao longo dos meses e anos, ainda que os pagamentos só sejam registrados muito tempo depois. Tais fatos corroboram a inexistência real das operações comerciais contabilizadas pela recorrente que foram glosadas pelo Fisco. Por todo o exposto, entendo que deve ser mantida a glosa e rejeitado o recurso voluntário neste ponto. 8. Da Superavaliação de estoques. Glosa de custos dos bens vendidos e serviços prestados. A recorrente alega quanto à superavaliação do estoque inicial no ano calendário de 2009, que houve erro, possivelmente gerado pela troca de escritório contábil e devido ao fato de que não estava de posse de seus livros, que estavam em poder do Fisco Estadual. Alega ainda que os valores do estoque inicial em 2009 e do custo da mercadoria vendida foram informados corretamente na DIPJ 2010, não tendo, portanto, causado nenhum prejuízo à apuração do imposto. No curso do procedimento fiscal, a fiscalização identificou que o valor do estoque total inicial no ano calendário de 2009 era superior ao estoque final do ano calendário de 2008, conforme dados informados nas respectivas DIPJ e os registros contábeis apresentados. A divergência constatada foi de R$ 12.146.607,99. Intimada a esclarecer o fato, a recorrente transmitiu e apresentou novo arquivo digital de sua contabilidade do ano de 2009 à RFB, alegando que teria ocorrido falha ao gerar o arquivo original. A fiscalização apurou que nos novos arquivos gerados fora\m incluídos e alterados vários lançamentos, que inflaram os valores das compras de 2009, no mesmo montante da divergência anteriormente apurada. Intimada a apresentar a documentação que teria dado suporte aos novos lançamento, a recorrente não prestou nenhum esclarecimento ou documento. Em sua impugnação a recorrente apresenta cópia de DIPJ retificadora do ano de 2009 e da DIPJ de 2010, além de cópias de balancetes contábeis dos anos 2008 e 2009. Analisando as DIPJ dos anoscalendário 2008 e 2009, verifico que, de fato existe uma divergência de R$ 12.146.607,99 entre o estoque final de 2008 (RS 24.826.492,79) e o estoque inicial de 2009 (R$ 36.973.100,78), o que majorou os custos efetivos do ano calendário 2009. Durante o procedimento fiscal a recorrente apresentou novos arquivos digitais, nos quais acrescentou, retificou ou excluiu diversos lançamento, conforme anexo 21 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 16383/16385). Fl. 17159DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.160 47 A recorrente alega que informou o valor correto do estoque inicial de 2008 (R$ 31.855.083,56) e o Custo da Mercadoria Vendida – CMV de 2008 (R$ 125.389.122,08), porém,. Por um lapso, não conferiu o valor final dos estoques e os valores das compras. Afirma que, tendo em vista que o CMV foi informado corretamente, não houve reflexo na apuração dos tributos., o que se comprovaria pelo balancete de verificação de 2008, com estoque final de R$ 36.973.100,78, mesmo valor contido no estoque inicial verificado no balancete de verificação de 2009. Examinando os novos arquivos a fiscalização constatou que, de fato, havia desaparecido a divergência de saldos, porém em face das modificações o custo da mercadoria em 2009 teria sido majorado na mesma proporção. Intimada, a recorrente não esclareceu, nem comprovou as alterações introduzidas. Na fase impugnatória a recorrente tenta demonstrar que, na verdade o que estaria incorreto seria o estoque final declarado para o ano de 2008, que seria de R$ 36.973.100,78 e não de R$ 24.826.492,79, conforme declarado. Para tanto traz aos autos 2 balancetes de verificação do ano de 2008 e um balancete de 2009, além de cópias de suas DIPJ. A despeito de não esclarecer a origem da divergência do saldo de estoque final de 2008, nem trazer qualquer comprovação adicional, os balancetes apresentados não comprovam as alegações da recorrente. Senão vejamos. A recorrente alega que informou corretamente o valor correto do estoque inicial de 2008 (R$ 31.855.083,56) e o Custo da Mercadoria Vendida – CMV de 2008 (R$ 125.389.122,08), e que o erro teria sido cometido apenas em relação ao valor das compras e ao valor final do estoque. Na Ficha 04A DIPJ retificadora do anocalendário 2008, trazida pela recorrente (fls. 16.586), encontramse declarados os seguintes valores: 20 – Estoque inicial 31.855.083,56 22 – Compras no ano 123.892.713,73 23 – Estoque Final 24.826.492,79 24 – Custo da Mercadoria Vendida 130.921.304,50 Verificase que o valor informado como CMV na DIPJ é de R$ 130.921.304,50 e não de R$ 125.389.122,08. A recorrente traz dois balancetes relativos ao ano de 2008, não tendo a esclarecido qual deles conteria os dados corretos. No balancete de verificação (fls. 16655/16663), têmse as seguintes informações: Estoque inicial em 2008 39.780.501,84 Estoque Final em 2008 36.973.100,78 Custo da Mercadoria Vendida em 2008 125.389.122,08 Fl. 17160DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.161 48 Desta feita, os valores contidos no balancete coincidem com os valores defendidos pela recorrente como estoque final e CMV, mas diverge no que afirma estar correto como estoque inicial de 2008. Nenhum dos valores coincidem com os dados informados pela recorrente na DIPJ. No segundo balancete (provisório) de 2008 apresentado pela recorrente na impugnação (fls. 16677/16680), constam os seguintes saldos: Estoque inicial em 2008 31.855.083,56 Estoque final em 2008 39.780.501,84 Custo da Mercadoria Vendida em 2008 152.378.918,60 Ocorre que, além dos valores, com exceção do estoque inicial, não coincidirem com os valores defendidos como corretos pela própria recorrente, consta que os saldos espelhados nos balancetes referemse ao período de 01/01/2008 a 31/07/2008. Não há, portanto, como acolher qualquer das teses esboçadas pela recorrente para justificar as divergências identificadas. Resta como certeza que os valores apurados e informados por ela própria nas DIPJ dos anos de 2008 e 2009, apresentam um divergência nos estoques final (2008) e inicial (2009), do que resulta na majoração do custo das mercadorias vendidas em 2009 no montante de R$ 12.146.607,99. Não logrando a recorrente comprovar, nem justificar a divergência, entendo que o lançamento deve ser mantido também nesta parte. 9. Da aplicação da Multa Isolada. A recorrente questiona a exigência da multa isolada reafirmando que é incorreta a glosa dos custos e despesas e alega que a exigência está baseada em presunções e indícios. Não tem razão a recorrente nos seus argumentos. A exigência da multa isolada decorre de expressa disposição legal e impõese diante da modificação da base mensal do Imposto de Renda e da CSLL devida a título de estimativas. Como a alteração das bases de cálculo das estimativas decorrem dos mesmos fatos analisados anteriormente, todas alegações de mérito foram analisadas nos tópicos anteriores e as conclusões aplicamse integralmente à exigência das multas isoladas. Assim, impõese dar provimento parcial ao apelo, nesta parte, para reduzir a base de cálculo das multas isoladas aplicadas em face da exclusão parcial do lançamento relativo à glosa de despesas financeiras, conforme descrito no tópico 8 deste voto. Fl. 17161DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.162 49 10. Do levantamento específico. A recorrente alega que a autuação foi embasada em presunções e indícios, pois a fiscalização deveria ter realizado análise de todos os registros contábeis das empresas vendedoras a fim de comprovar a veracidade das declarações das empresas fornecedoras de que jamais teve qualquer relacionamento comercial com a empresa SP. Caso tivesse realizado tais análise, certamente, as declarações prestadas cairiam por terra pois a recorrente transacionou com todas as empresas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal, não devendo prevalecer a glosa dos custos. Questiona ainda a quebra ilegal do sigilo bancário e afirma que o acórdão recorrido embasa sua decisão no ato do sr. Benedito Lemes ter sido processado criminalmente, por supostos delitos contra o sistema financeiro nacional e suposto beneficiário de recurso da recorrente e que a relatora teria sido induzida a erro pelos auditoresfiscais, pois em 13/12/2010 foi proferida sentença absolvendo a pessoa citada. A alegação da recorrente não procede, conforme amplamente analisado nos tópicos anteriores desse voto. A fiscalização amparouse diversos indícios e evidências colhidas no curso da ação fiscal e não apenas em declarações das empresas fornecedores para concluir pela glosa dos custos relativos a operações comerciais consideradas inexistentes. Também no que tange à quebra de sigilo bancário, as alegações da recorrente já foram analisadas no tópico 3 deste voto. Por fim, a afirmação de que o acórdão recorrido teria sido fundamentado no processo criminal contra o sr. Benedito Lemes, que, segundo informação da recorrente teria sido absolvido das acusações, não corresponde à realidade. Embora citada na decisão recorrida a existência de ações criminais contra diversas pessoas que teriam se envolvido em ações ilícitas apuradas na Operação Pratos Limpos, inclusive contra o sr Benedito Lemes, o julgado fundamentouse nas diversas provas e indícios colhidas pelo Fisco, sendo irrelevante ao deslinde da controvérsia a absolvição do sr. Benedito Lemes quanto aos crimes que lhe foram imputados. Destarte, rejeito as alegações. 11. Dos acréscimos exigidos pelo Fisco – Multa e Juros. A recorrente questiona a cobrança de multa e juros exigidos, alegando que se não são devidos o imposto e a contribuição, não são devidos os acessórios. Especificamente quanto à qualificação da multa aplicada sobre a glosa de custos afirma que esta é incabível pois, conforme teria demonstrado, transacionou com as empresas vendedoras, recebeu as mercadorias, efetuou o pagamento pela aquisição, os documentos fiscais hábeis foram escriturados e contabilizados, tudo nos moldes da legislação vigente. Nega ter usado de subterfúgios e sustenta que cumpriu a legislação. Não assiste razão à recorrente. Tendo sido consideradas corretas as exigências, impõese a aplicação das penalidades de ofício e acréscimos legais de juros calculados à taxa Selic. Fl. 17162DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.163 50 No que concerne à exigência de multa qualificada, aplicada apenas com relação à infração de glosa de custos dos bens vendidos e/ou serviços prestados considerados inidôneos, entendo que restou plenamente caracterizado o intuito doloso da recorrente ao inflar os seus custos de aquisição de mercadorias mediante o registro de operações fictícias e, ainda, utilizandose de documentos fiscais inidôneos. A fiscalização demonstrou ainda que os recursos supostamente utilizados para o pagamento das operações comerciais eram utilizados e/ou sacados e retornavam para compor Caixa 2 da empresa e empregados em pagamentos para outras transações não vinculadas às atividades da empresa, com indícios inclusive de pagamentos de propinas à funcionários públicos, com suspeitas de envolvimento em fraudes à licitações. Pelo exposto, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício sobre a infração referida e os demais acréscimos legais incidentes sobre as outras infrações apuradas. 11. Do Lançamento Reflexo. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso em relação à CSLL, para excluir da base de cálculo anual e da multa isolada por estimativas os valores referentes à glosa de despesas financeiras excluídas do lançamento, nos termos do item 8 deste voto. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: ELOIZO GOMES AFONSO DURÃES 12. Da Imputação de responsabilidade ao sócio O sujeito passivo indicado como responsável solidário refuta o enquadramento alegando que as práticas fraudulentas imputadas não restaram comprovadas; que não se aplica ao caso o disposto no inciso III do artigo 135 do CTN; que não teve aumento patrimonial por práticas fraudulentas, que indicassem evolução patrimonial; que possui outras atividades que geram rendimentos e que, se houvesse incremento patrimonial este não depende exclusivamente das atividades decorrentes da SP Alimentação e Serviços; que houve precipitação por parte do fisco uma vez que tanto o Termo de Sujeição Passiva Solidária como o Auto de Infração, estão embasados em prova ilícita. Na sequência do recurso voluntário interposto repete, quanto ao mérito da autuação, os mesmos argumentos apresentados pela pessoa jurídica indicada como principal obrigado. De imediato, impõese consignar que todas as considerações e conclusões adotadas quanto às questões de mérito alegadas pelo sujeito passivo principal, aplicamse às alegações trazidas pelo responsável solidário, ora recorrente. Assim, aproveita ao responsável o acolhimento parcial do recurso voluntário da pessoa jurídica indicada no pólo passivo, nos termos examinados anteriormente. Passo, então, ao exame da imputação de responsabilidade pessoal do recorrente, nos termos do inciso III do art. 135 do CTN, pelas infrações imputadas à pessoa jurídica. Fl. 17163DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.164 51 A fiscalização lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 16494/16501), no qual descreve todas as ilicitudes constatadas no curso da ação fiscal: crimes de falsificação de documentos fiscais (utilização de notas fiscais "frias” para dar cobertura à contabilização de aquisições de mercadorias inexistentes); inserção de elementos inexatos na contabilidade, prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias; contabilização de quitação de compras inexistentes através de cheques que retornaram ao caixa (2) da fiscalizada para utilização em operações estranhas às atividades da pessoa jurídica; e existência de depoimentos em denúncia criminal apontando um esquema criminoso de fraude à licitações para fornecimentos de merenda escolar e corrupção de servidores públicos. Todas estas ações ilícitas, segundo descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária, tiveram como principal responsável o Sr. Eloizo Durães, com base nos seguintes fatos: Eloizo Durães é o único sócio administrador e responsável pela empresa fiscalizada perante a RFB; Todas as procurações concedendo poderes para terceiros assinar cheques em nome da empresa SP (vide Apensos 36 a 47 dos PAFs), inclusive aqueles acima mencionados, eram outorgadas por ele; o nome de Eloizo Durães é mencionado inúmeras vezes na Denúncia Crime do MPESP, sempre referenciado como um dos líderes e principais articuladores do esquema criminoso em questão. Boa parte desta peça acusatória é suportada por depoimentos de GENIVALDO MARQUES DOS SANTOS, exsócio da VERDURAMA COMÉRCIO ATACADISTA DE ALIMENTOS LTDA empresa do grupo econômico da SP ALIMENTAÇÃO, através de Acordo de Delação Premiada celebrado com aquele Órgão. Eloizo Durães apropriouse de recursos financeiros da pessoa jurídica a título de "empréstimos" em 2007, no montante de R$15.175.284,26, sem nunca ter devolvido um centavo do valor mutuado, tanto a título de amortizações, como de juros; no arquivo digital apreendido, onde estão transcritas as transações do Caixa 2 da empresa SP, no período de 01/07/2005 a 06/03/2008. o Sr. Eloizo é identificado em 2045 operações (aprox. 20% delas), autorizando pagamentos à margem da contabilidade. Concluiu a fiscalização que “ficou comprovada através de inúmeras provas documentais e testemunhais a participação ativa do Sr ELOÍZO COMES AFONSO DURÃES na administração da empresa SP no decorrer de todo o período fiscalizado. Durante este período o Sr Eloizo foi o principal interessado e beneficiário das práticas fraudulentas acima imputadas à empresa SP, tendo como um dos principais objetivos, modificar as características essenciais do fato gerador, alterando as bases de cálculo dos tributos, de modo a reduzir os seus montantes devidos. O ocultamento das reais bases de cálculo dos tributos em questão fez surgir os créditos tributários decorrentes desta ação fiscal”. Ante ao conjunto probatório carreado aos autos e já exaustivamente analisado neste voto, entendo que resta bem fundamentada a imputação de responsabilidade pessoal do recorrente pelos débitos exigidos à pessoa jurídica, colocandoo no pólo passivo ao lado daquela. Pelos fatos apurados ficou evidenciado um grande esquema criminoso que, durante anos consecutivos, utilizouse de documentos fiscais falsos e inidôneos com vistas a simular a aquisição de mercadorias pela pessoa jurídica fiscalizada, no intuito de reduzir os Fl. 17164DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.165 52 lucros e ocultar o desvio dos recursos para um “Caixa 2”, utilizado para pagamentos de despesas estranhas à empresa, inclusive de propinas a funcionários públicos que estariam envolvidos nas fraudes de licitações pública para o fornecimento de merenda escolar. As apurações do Ministério Público Estadual de São Paulo e os documentos acostados ao autos, apontam o Sr. Eloizo Durães como o principal artífice do esquema criminoso que, dentre os diversos ilícitos cometidos, resultou diretamente na sonegação dos tributos federais lançados, na medida em que propiciaram a redução indevida das bases de cálculos. A alegação do recorrente de que seu aumento patrimonial não decorre das práticas fraudulentas, mas de outros negócios que possui, estaria sujeito à reparos. Não obstante, como bem observa o acórdão recorrido, a imputação da responsabilidade com base no art. 135, III do CTN prescinde de tal demonstração pelo Fisco. Não obstante, entendo que a imputação restou caracterizada apenas quanto à infração relativa à glosa de custos relativos à compras inexistentes, tanto que em relação às demais infrações a fiscalização sequer aplicou a multa de ofício qualificada que requer a comprovação do intuito doloso. Assim, em consonância com o disposto na Súmula nº 430 do STJ6, à míngua de outros elementos, entendo que a imputação de responsabilidade não pode subsistir quanto aos tributos devidos em face das demais infrações apuradas na autuação. CONCLUSÃO Por todo o exposto, quanto ao recurso voluntário do sujeito passivo principal, voto no sentido de rejeitar as alegações preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica para excluir da base de cálculo anual e da multa isolada por estimativas do IRPJ e da CSLL os valores referentes à glosa de despesas financeiras excluídas do lançamento, nos termos do item 8 deste voto. Com relação ao recurso voluntário do sócio apontado como responsável solidário, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para manter a imputação de responsabilidade, nos termos do art. 135, inc. III do CTN, ao lado da pessoa jurídica indicada por sujeição direta, apenas quanto aos tributos devidos em decorrência da infração relativa à glosa de custos referentes à compras inexistentes, analisada no item 7 deste voto. É como voto. Sala de sessões, em 13 de março de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 6 Súmula 430: “O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente”. Fl. 17165DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.722974/201218 Acórdão n.º 1301001.453 S1C3T1 Fl. 17.166 53 Fl. 17166DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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