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Numero do processo: 11040.904351/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 43 51 /2 00 9- 88 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.904351/200988 Acórdão n.º 1402002.667 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.904351/200988 Acórdão n.º 1402002.667 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.904351/200988 Acórdão n.º 1402002.667 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11040.904351/200988 Acórdão n.º 1402002.667 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000233/2005-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.379
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13016.000233/200506 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.379 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 02 33 /2 00 5- 06 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13016.000233/200506 Acórdão n.º 9303005.379 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.853. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13016.000233/200506 Acórdão n.º 9303005.379 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13016.000233/200506 Acórdão n.º 9303005.379 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13016.000233/200506 Acórdão n.º 9303005.379 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.940152/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em apreço, emprego como meu o relatório desenvolvido no âmbito da resolução n. 3402000.271 (fls. 169/173), o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação (Dcomp), anexa fls. 02 a 06, de créditos provenientes de pagamento de PIS, período de apuração dezembro/1999, que teria sido efetuado a maior ou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 40 15 2/ 20 08 -3 1 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 15374.940152/200831 Resolução nº 3402001.162 S3C4T2 Fl. 304 2 indevido, com débitos de CSLL, período de apuração outubro/2004, no valor total de R$ 23.813,49. Por meio do Despacho Decisório n° 808245828, emitido eletronicamente (fl.09), o Delegado da DERAT, homologou parcialmente a compensação declarada, alegando restar crédito disponível insuficiente para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 11/15), na qual alega, em síntese, que: 1) A questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB em 26.11.2003, referente ao 4° trimestre de 1999, entregue pela Telecomunicações do Rio Grande do Norte S.A. (doc. n° 6). A simples análise da DCTF retificadora demonstra de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. 2) Para o período de apuração em questão (dezembro de 1999), foi apurado débito de PIS (8109), no valor de R$ 91.635,51. 3) Como forma de pagamento foi parcialmente vinculado um DARF com valor pago de principal de R$ 123.000,00. 4) Dessa forma, como o valor total do Darf remanescente é de R$ 123.000,00, tendo sido utilizado apenas R$ 91.635,51, configurase direito creditório decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 31.364,49. 5) Logo, conforme demonstrado, basta o confronto da DCTF retificadora com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência do crédito e a regularidade da compensação. 6) Nos termos do §1º do art. 147 do CTN, pode o contribuinte retificar suas declarações até o momento em que for notificado do lançamento. 7) 0 próprio CTN fixa como prazo final para a retificação, nas hipóteses de redução e exclusão de tributo, a notificação do lançamento pelo Fisco. 8) 0 parágrafo primeiro do citado artigo está situado na Seção II do CTN, que trata das modalidades de lançamento. 0 caput do artigo, por sua vez, cuida do regime jurídico dos tributos lançados por homologação, que é o caso do IRPJ e da CSLL (sic). 9) Nesse contexto, cumpre ao contribuinte prestar suas declarações, sendo sua atividade sujeita A ulterior homologação pelo FISCO. No caso de pagamentos efetuados mediante declarações de compensação (PER/DCOMP), o contribuinte deve informar créditos e vinculálos, parcialmente ou na integralidade, aos débitos que pretende quitar via regime de compensação. 10) Por outro lado, compete ao Fisco homologar (ou não) a PER/DCOMP transmitida. Em não homologando, desconsidera os Fl. 304DF CARF MF Processo nº 15374.940152/200831 Resolução nº 3402001.162 S3C4T2 Fl. 305 3 créditos e notifica o contribuinte para pagamento dos débitos já declarados. E a este ato de notificação que se refere o CTN. 11) Dessa forma, não há dúvidas de que a retificação da DCTF foi realizada de forma tempestiva. Prova disso é sua recepção pelo Fisco. 12) Com base no exposto, fica claro que em análise da DCTF retificadora (i) o montante de R$ 31.364,49 foi recolhido a maior; (ii) tal valor consta do Darf cujo total é de R$ 123.000,00; (iii) a diferença entre o valor recolhido e o apurado, representa crédito, passível de utilização pela Requerente; (v) o citado valor foi corretamente e utilizado na DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade, inexistindo débito em aberto. 13) Por todo o exposto, pede e espera a Requerente a procedência da presente manifestação de inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório n° 757793301, com a conseqüente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado. 14) Requer, ainda, com fulcro no art. 16, § 4°, "a" e § 5° do Decreto n° 70.235/72, a juntada posterior dos documentos que eventualmente se façam necessários, haja vista a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, em face do porte da empresa, do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada pela requerente. Por intermédio do Acórdão nº 1328995 de 27/04/2010 a DRJ do Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusão, exceto em situações especificas previstas na legislação pertinente. PAGAMENTO PARCIALMENTE UTILIZADO PARA QUITAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. SALDO DISPONÍVEL INSUFICIENTE PARA HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Tendo sido o pagamento relacionado no PER/DCOMP parcialmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, de forma a restar saldo disponível em seu favor, inferior ao crédito alegado e sendo este insuficiente para realizar integralmente a compensação pretendida, homologase apenas parcialmente a compensação declarada. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, pedindo a procedência do recurso para que seja reconhecido o direito creditório, bem como a insubsistência da decisão Fl. 305DF CARF MF Processo nº 15374.940152/200831 Resolução nº 3402001.162 S3C4T2 Fl. 306 4 recorrida e a extinção do crédito tributário consubstanciado na declaração de compensação não homologada. (...). 3. Uma vez cumprida a referida diligência (fls. 298/300) o processo imediatamente retornou para este Tribunal para fins de julgamento. 4. É o relatório. Resolução 5. Conforme se observa do relatório alhures, uma vez realizada a diligência determinada na resolução n. 3402000.271 (fls. 169/173) a unidade preparadora promoveu o imediato retorno dos autos para julgamento por parte deste Tribunal. Olvidouse de, antes disso, intimar o recorrente para que pudesse manifestarse a seu respeito, o que se contrapõe ao prescrito no art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 6. Assim, seguir adiante no presente julgamento nos termos em que se encontra o processo em epígrafe poderia redundar em ofensa ao princípio do devido processo legal e seus consectários lógicos, i.e., contraditório e ampla defesa (art. 2°. da lei n. 9.784/99), implicando, pois, a sua nulidade. 7. Neste sentido, com o escopo de evitar tais máculas, resolvo novamente baixar o presente processo em diligência com o fito de que o recorrente seja intimado e, caso queira, manifestese a respeito da diligência efetuada nos autos. Em seguida, determino seja o processo mais uma vez remetido para apreciação deste Tribunal Administrativo. 8. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722545/2014-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/01/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-003.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça intempestivamente apresentada a título de recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça intempestivamente apresentada a título de recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722545/201496 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.998 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria ADUANA PENA DE PERDIMENTO CONVERSÃO EM MULTA Recorrente PORTES BR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS: HMG LTDA. E MOTO DESIGN COML. IMP. EXPORTADORA LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/01/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância administrativa exarada. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça intempestivamente apresentada a título de recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 45 /2 01 4- 96Fl. 691DF CARF MF 2 Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos. Relatório Versa o presente processo sobre aplicação de multa equivalente ao valor da mercadoria por conversão de pena de perdimento, ex vi do art. 23, V, § 2º do DL 1.455/76, relativamente às declarações de importação, que menciona, na modalidade “por encomenda”, em favor de MOTO DESIGN COML. IMP. EXPORTADORA LTDA (doravante MOTO DESIGN). Narra a fiscalização que o contribuinte (PORTES BR) não logrou comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos necessários à realização das operações catalogadas, bem assim, constatouse a confusão societária/patrimonial em relação à pessoa jurídica HMG LTDA. (doravante HMG). Relata, ainda, que, mesmo após diversas intimações/reintimações, os questionamentos e documentos foram respondidos/apresentados apenas parcialmente. Lavrada a autuação, foram incluídas no polo passivo, na condição de responsáveis tributários, as pessoas jurídicas HMG e MOTO DESIGN, encomendante das mercadorias importadas. Devidamente intimados os sujeitos passivos, apenas MOTO DESIGN apresentou impugnação, onde alegou ter firmado contrato de importação por encomenda com PORTES BR e não ter qualquer envolvimento com eventual falta de capacidade financeira de PORTES BR e HMG; que a suposição de “quebra da cadeia de IPI”, firmada pela fiscalização, como conseqüência da interposição fraudulenta, a ele não se aplica, uma vez que os produtos não se sujeitariam ao referido imposto; que a legislação lhe garantiria o crédito pelo imposto pago no desembaraço aduaneiro; e, que a multa exigida não deveria ser proporcional ao valor da operação de importação, mas sim ao respectivo tributo. A DRJ São Paulo/SP manteve integralmente o lançamento, em decisão assim ementada: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior com a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V, §2º). IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO FALSO. PERDIMENTO. Aplicase a pena de perdimento quando constatada a utilização de documento falso na operação de importação, nos termos do art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 6.759/09.” Mais uma vez intimados, apenas MOTO DESIGN ingressou com recurso voluntário que, inovando completamente a argumentação, sustentou violação ao princípio da busca pela verdade material; nulidade do lançamento por falta de materialidade e pela sua boa fé; que não houve prova da antecipação de recursos para a realização das importações; que não foram considerados os elementos probatórios apresentados em impugnação; que não é Fl. 692DF CARF MF Processo nº 12466.722545/201496 Acórdão n.º 3401003.998 S3C4T1 Fl. 11 3 atribuição sua fiscalizar as finanças das empresas com que transaciona, sendo esse papel reservado às autoridades fiscais; que todo o arcabouço da incapacidade financeira envolveu apenas PORTES BR e HMG, sendo terceiro estranho a esse suposto esquema fraudulento; que não haveria qualquer benefício em seu favor nessas operações a justificar a participação na fraude; e, que não concorreu para realização dos atos fraudulentos, o que afastaria sua responsabilidade tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Cumpre salientar, como relatado; que as pessoas jurídicas PORTES BR e HMG, devidamente intimadas, não apresentaram recurso, como já ocorrera na primeira oportunidade de manifestação recursal. Respeitante ao recurso interposto por MOTO DESIGN, nada obstante tópico específico afirmando sua tempestividade, não é o que se verifica pela seqüência de intimações formalizadas. Consoante Intimação nº 84/2016, de 30/03/2016, efl. 595, e “Termo de Ciência por Abertura de Mensagem” (efl. 597), a pessoa jurídica MOTO DESIGN, através de procurador credenciado, teve ciência do acórdão de impugnação e da intimação respectiva, em 30/03/2016, às 15:21:51 hs, data em que se considerou feita a intimação, nos termos do art. 23, § 2º, III, “b” do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, em 10/05/2016, a unidade preparadora confeccionou a Carta Cobrança nº 100/2016 (efl. 604) à MOTO DESIGN, em razão da não apresentação do competente recurso voluntário e transcorrido in albis o prazo para quitação do débito. Aludidos documentos foram disponibilizados no Domicílio Tributário Eletrônico da pessoa jurídica MOTO DESIGN em 10/05/2016, às 14:49:36 hs, conforme documento de efl. 607, tenda a interessada os acessado na mesma data, às 15:41:47 hs (efl. 608). Em 09/06/2016, MOTO DESIGN ingressou com recurso voluntário (efls. 616 e ss.). Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão de primeiro grau administrativo – e não da recepção da carta cobrança – caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Como assinalado, a ciência válida da decisão de primeiro grau administrativo ocorreu em 30/03/2016, quartafeira, vencendo o prazo para interposição do voluntário em 29/04/2016, sextafeira, contado na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, de maneira que, Fl. 693DF CARF MF 4 protocolada a peça recursal em 09/06/2016, é inconteste a sua intempestividade, não atendendo a requisito básico de admissibilidade. Em face do exposto, ante a extemporaneidade do recurso voluntário manobrado, voto por não conhecêlo. Robson José Bayerl Fl. 694DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.011797/2001-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso protocolado intempestivamente.
Numero da decisão: 1201-001.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso protocolado intempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 17 97 /2 00 1- 68 Fl. 475DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório da decisão de primeira instância, com os complementos necessários: A empresa acima qualificada apresentou, inicialmente, no exercício de 2001, pedidos de compensação (formulários), fls. 01 e 171/174, por meio dos quais solicita a compensação de créditos provenientes de saldos negativos de IRPJ relativos aos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, nos valores de R$ 12.414,08, R$ 55.894,78 e R$ 71,214,53, respectivamente, totalizando crédito no montante de R$ 139.523,39 (fl. 02 Pedido de Restituição), com débitos de PIS e COF1NS referentes aos períodos de apurações maionovembro de 2001. Posteriormente, apresentou os PER/DCOMPs acostados às folhas 175/201 e 204/219, por meio dos quais pretende compensar créditos de saldos negativos de IRPJ relativos aos anos calendários de 1999 e 2000, nos valores de R$ 55.815,87 e R$ 63.522,31, respectivamente, com débitos de PIS, COFINS, CSLL, IRRF E CSRF, de diversos P.A. Segundo o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife em 16/06/2009 ciência em 01/07/2009 (fls. 273/274), com base no Termo de Informação Fiscal de folhas 269/272, foi reconhecido o direito creditório da contribuinte na proporção abaixo demonstrada, homologando as compensações pleiteadas nos referidos PER/DCOMPs, conforme demonstrativos apresentados às folhas 273/274 e 411: Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 278/282), alegando, em síntese: a) que, com base na Solução de Consulta n° 53, de 11 de agosto de 2006, procedeu à retificação de todas as declarações entregues, referentes aos anos calendários de 2004 e 2006, especialmente DCTF e PER/DCOMP, conforme documentos acostados, não sendo as mesmas observadas pela autoridade fiscal, quando da análise dos pedidos de compensação, tendo em vista a utilização dos montantes constantes em declarações e documentos não contemplados pelas retificações; e b) que os pedidos e retificações foram efetuados de forma espontânea, não havendo qualquer procedimento fiscal Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10480.011797/200168 Acórdão n.º 1201001.806 S1C2T1 Fl. 3 3 que invalide os atos praticados, devendo ser observadas as informações ali prestadas para homologação da compensação e não as originariamente apresentadas e consideradas pela autoridade fiscal, isto, porque, a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo a original em todos os seus termos (§1°, do art 11, da IN RFB n° 903/2008 no mesmo sentido das IN RFB n°s. 786/2007 e 695/2006), sendo este também o entendimento do CARF, conforme acórdão transcrito; c) que essa possibilidade de sobreposição de dados também se aplica às PER/DCOMPs retificadas (arts. 56 a 61 da IN SRF n° 600/2005); d) que os valores devidos de PIS e COFINS foram alterados, somando quantias bem menores que aquelas declaradas anteriormente, existindo a possibilidade dos valores declarados como não homologados para Receita Federal serem indevidos; e e) que, em abril de 2008, ao tomar ciência de outro despacho decisório (Processo n° 10480.900201/200872), que não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMPs n° 15286.77569.291204.1.3.02800? (COFINS 2172 competência março/2003) e n° 10884.19989.301204.1.3.024746 (COFINS 2172 competência maio/2003), efetuou o pagamento do débito cobrado, conforme documentação anexa, e, para sua surpresa, ao examinar o presente despacho decisório verificou que a COFINS devida relativa à competência de março e maio de 2003, mesmo já tendo sido pagas, tiveram sua compensação homologada com saldo negativo de IRPJ de anos anteriores, configurando assim um pagamento em duplicidade dos valores, concluindose, mais uma vez, pela probabilidade dos valores declarados como não homologados pela Receita Federal serem indevidos, devendo ser cancelado os lançamentos efetuados com base em informação equivocada de PER/DCOMP que foi retificada antes do despacho. A solicitação foi deferida em parte, conforme decisão assim ementada: COMPENSAÇÃO REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA. O cancelamento de declaração de compensação não se insere na esfera de competência das delegacias de julgamento, devendo o pedido ser endereçado ao titular da unidade da Receita Federal do Brasil que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 477DF CARF MF 4 Foi emitida a intimação de fl. 439, para ciência da contribuinte relativamente ao Acórdão nº 1131.511 da DRJ/REC, da carta cobrança de débitos, sendo facultado o recurso ao CARF no prazo trinta dias. A referida intimação e seu anexo foram recebidos pela contribuinte em 4 de abril de 2011, conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 442. Em 5 de maio de 2011, foi protocolado o Recurso Voluntário (fls. 443 a 447) no qual, foi alegado: a) preliminarmente, a sua tempestividade, nos seguintes termos: 1. O contribuinte tomou conhecimento do mencionado Acórdão em 05 de abril de 2011, terçafeira. Tendo ele o prazo de 30 dias para recorrer, conforme disposição contida no artigo 33 combinado com o artigo 5º do Decreto n° 70.235/1972, temse que este se finda em 05 de maio de 2011 (quintafeira), pelo que este Recurso se apresenta como tempestivo. b) quanto ao mérito, foram repisadas as razões expendidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. Alega a recorrente ter apresentado o recurso tempestivamente, conforme consta na sua parte inicial: 1. O contribuinte tomou conhecimento do mencionado Acórdão em 05 de abril de 2011, terçafeira. Tendo ele o prazo de 30 dias para recorrer, conforme disposição contida no artigo 33 combinado com o artigo 5º do Decreto n° 70.235/1972, temse que este se finda em 05 de maio de 2011 (quintafeira), pelo que este Recurso se apresenta como tempestivo. No entanto, como se pode ver no AR de fl. 442, a ciência quanto ao acórdão da DRJ/REC ocorreu em 4 de abril de 2011 (segundadeira) e não no dia 5 desse mesmo mês como alegado: Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10480.011797/200168 Acórdão n.º 1201001.806 S1C2T1 Fl. 4 5 Dispõe o Decreto nº 70.235/1972: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; [...] § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 479DF CARF MF 6 [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Não há nos autos nenhuma informação de que houve alguma anormalidade quanto ao expediente do órgão em que corria o processo, tanto no dia do início, quanto no do vencimento do prazo a que se refere o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Assim, o prazo para a interposição do recurso voluntário iniciouse em 5 de abril de 2011 (terçafeira), encerrandose no dia 4 de maio desse mesmo ano (quartafeira). O recurso voluntário foi protocolado em 5 de maio de 2011 (fl. 443), conforme abaixo: Portanto, o recurso voluntário é intempestivo. Em vista de todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10480.011797/200168 Acórdão n.º 1201001.806 S1C2T1 Fl. 5 7 Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720836/2014-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/08/2013
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CESSÃO DE CRÉDITOS. AÇÃO JUDICIAL. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A aquisição de direito de crédito de terceiros em ação judicial, transferido mediante cessão, não autoriza o adquirente utilizá-lo para fins de compensação com os tributos da Seguridade Social.
Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio informou que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2011 a 31/08/2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CESSÃO DE CRÉDITOS. AÇÃO JUDICIAL. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A aquisição de direito de crédito de terceiros em ação judicial, transferido mediante cessão, não autoriza o adquirente utilizá-lo para fins de compensação com os tributos da Seguridade Social. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 219 1 218 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720836/201497 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.084 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ROTELEDISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2011 a 31/08/2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CESSÃO DE CRÉDITOS. AÇÃO JUDICIAL. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A aquisição de direito de crédito de terceiros em ação judicial, transferido mediante cessão, não autoriza o adquirente utilizálo para fins de compensação com os tributos da Seguridade Social. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio informou que apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 36 /2 01 4- 97 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 220 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10140.720836/201497, em face do acórdão nº 0737.428 julgado pela 5ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: DO LANÇAMENTO Tratase de Autos de Infração (AI), nos quais se exigem créditos referentes à contribuição previdenciária, decorrente de compensação indevida em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), cujo valor consolidado em 29/05/2014 corresponde a R$ 8.441.225,38, conforme fl. 2 quais sejam: 1. AI DEBCAD nº 51.055.9476, referente a glosas de contribuições compensadas em desacordo com a legislação (inexistência de crédito), no período de 07/2011 a 08/2013, no importe de R$ 2.970.468,48, cujo valor consolidado na data de 29/05/2014, acrescido de juros e multa de mora de 20%, corresponde a R$ 3.985.522,62, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 7 a 17; e 2. 2. AI DEBCAD nº 51.055.9484, referente a multa isolada no percentual de 150%, prevista no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, no período de 02/2012 a 01/2014, por falsidade nas declarações de compensações informadas em GFIP, cujo valor consolidado na data de 29/05/2014, corresponde a R$ 4.455.702,76, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 23 a 27. Consta do Relatório Fiscal (fls. 32 a 36) que a empresa alegou ter recebido, mediante Escritura Pública de Cessão de Direito Creditório, o valor de R$ 1.000.000,00, tendo por origem o Processo Judicial nº 2008.34.00.0225006, tendo por cedente CIA AÇUCAREIRA USINA BARCELOS, processo originário da Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 221 3 15ª Vara da Justiça Federal de Brasília, em fase de execução de sentença sob nº 0022460.54.2008.4.01.3400. Relata a autoridade fiscal que a empresa foi reintimada a justificar as compensações, tendo esta solicitado prazo de 20 dias, em face da pendência da habilitação na Vara Federal de Brasília; que esgotado o prazo, a empresa não apresentou habilitação e também não explicou a origem das compensações. Argumenta que se a empresa estaria tentando a habilitação é porque se utilizou dos créditos de precatórios na compensação, apesar de não informado tal fato claramente nas respostas das intimações e que também não apresentou nenhuma planilha explicando ou corrigindo os valores compensados; que o valor informado do crédito foi de R$ 1.000.000,00, no entanto compensou R$ 2.970.468,48, ou seja valor bem superior. Narra que a fundamentação da empresa para a compensação, conforme peça inicial da Execução de Sentença sob nº 0022460.54.2008.4.01.3400, seria o art. 386 do Código Civil Brasileiro, o art. 567, inciso II, do Código de Processo Civil, e Solução de Consulta COSIT n. 163, de 18/06/2012. Cita a autoridade fiscal que os arts. 30 a 42 da Lei nº 12.431/2011, com fundamento nos §§ 9 e 10, do art. 100, da Constituição Federal, permite a possibilidade de compensação, porém esta se dá no âmbito judicial, não havendo previsão legal para a compensação por iniciativa do contribuinte, de débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com créditos de precatórios; que a compensação por meio de precatórios, é feita de ofício, na esfera judicial, conforme previsão da Lei 12.431/2011. Efetuou o lançamento fiscal referente a glosa de compensação indevida, com juros e multa de mora de 0,33% ao dia até o limite máximo de 20% de multa (Art 89, § 9º, da Lei 8.212/91) Auto de Infração DEBCAD nº 51.055.9476. Por considerar que tais compensações foram declaradas com falsidade em GFIP, visto terem sido declarados créditos inexistentes, uma vez que créditos de precatórios não podem ser utilizados administrativamente, foi aplicada a multa isolada de 150% sobre o valor indevidamente compensado, de acordo com art.89, § 10, da Lei nº 8212/91, por meio do Auto de Infração AI DEBCAD nº 51.055.9484. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, por se caracterizar, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária (Processo nº 10140.720837/201431). DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou impugnação, consignando de forma expressa se referir apenas ao Auto de Infração AI DEBCAD nº 51.055.9484, às fls. 85 a 96 e docs. de fls. 97 a 106. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 222 4 Diz que apresentou Cessão Pública de Direito Creditório, no valor de 1.000.000,00 (um milhão de reais), tendo como Cedente CIA AÇUCAREIRA USINA BARCELOS, decorrente do processo inicial sob o n. 2008.34.00.0225006, originário da 15ª Vara da Justiça Federal de Brasília DF em fase de Execução de Sentença sob o nº 0022460.54.2008.4.01.3400, transitado em julgado. Que em momento algum agiu de máfé ou mesmo de forma fraudulenta para que lhe fosse aplicada a penalidade, pois realizou compensação assegurada no Código Civil Brasileiro, com a fundamentação de ser credora da União por intermédio de uma Ação Pública, protocolada muito antes do procedimento fiscal ter iniciado, bem como pelo direito líquido e certo de compensação. Que no tocante a divergência de valores do crédito público e do valor dos impostos, informa que o crédito no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) juntamente com a correção monetária é suficiente ao pagamento dos impostos. Que não houve conduta tendente de sonegação no ato compensatório, com fulcro em uma Cessão de Crédito Federal, mas sim, intuito de pagamento de impostos devidos. Fala que a multa isolada de 150%, somente pode ser aplicada em caso de fraude com a existência de dolo, conforme Lei nº 10.833/03. Que quando ocorre compensação não homologada, sem fraude, incide a Lei nº 12.249/2010, e regulamentações implementadas pela IN RFB nº 900/2008; que atualmente o contribuinte que buscar compensação embasada em crédito não aceito pela RFB, será penalizado com multa de 50% sobre o valor do crédito, reconhecido como multa de ofício, como foi aplicada no DEBCAD nº 51.055.9476. Diz que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 indicou qual seria a multa aplicada, bem como determinou a lavratura de auto de infração unicamente para exigir o pagamento da multa isolada, nos casos de débito ou o crédito não serem passíveis de compensação por expressa disposição legal; o crédito for de natureza não tributaria; ou quando ficar caracterizada a prática de fraude, sonegação ou conluio, citando o Acórdão nº 201 80.668. Discorre sobre o Ato Declaratório Interpretativo nº 17/02, a respeito de compensações indevidas em razão de vedação expressa e crédito de natureza não tributária, tida como presumidamente fraudulentas, porem, a nova redação do dispositivo da lei, permite a imposição de multa não qualificada em tais hipóteses; que leva a crer que a ocorrência de fraude depende de esforço probatório autônomo, não podendo ser automática, como previsto no ADI, citando para tanto, julgados administrativos. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 223 5 Reforça que a Lei nº 10.833/03 não alterou a regra da multa qualificada; que depende de prova, cujo ônus é do Fisco em provar que o contribuinte sonegou, fraudou ou agiu em conluio. Discorre que em 2004, com a Lei nº 11.051, o art. 18 da Lei nº 10.833/03 foi alterado, de modo a permitir a multa isolada, unicamente nos casos fraude, sonegação ou conluio, e compensação considerada não declarada. Concorda com o posicionamento majoritário do Conselho de Contribuintes a respeito do entendimento sobre a multa isolada, decorrente de compensação considerada não declarada, nas hipóteses em que ficar caracterizado o evidente intuito de fraude, que vigorou até a publicação da Lei nº 11.196/2005. Que nem sempre quando a compensação seja considerada não declarada, e ainda que se trate de créditos não tributários, ocorre dolo; que inexistindo justificativa a embasar a qualificação da multa, não se pode considerar que houve dolo, citando julgados do Conselho de Contribuintes. Aduz ser necessária a prova do dolo para qualificar a multa, cujo ônus é do Fisco. Diz que apresentou justificativa plausível sobre a compensação realizada, ainda que não aceita pela Receita Federal; que há elementos que comprovam a existência do contribuinte ser credor da União, por ativos lícitos; que o simples documento público comprova a inexistência de dolo ou fraude por parte da empresa; que é legítima proprietária de créditos federais, que restou comprovado nos autos, com as declarações apresentadas à fiscalização, bem como com os documentos juntados nos autos. O valor da multa, mesmo sendo incoerente, pois inexistente o dolo, é também desproporcional, ferindo gravemente o princípio da proporcionalidade e razoabilidade, cujas multas tributárias sujeitamse também aos Limites do Poder de Tributar, insertos em nossa Constituição Federal, dentre os quais o nãoconfisco e a capacidade contributiva, além de outros princípios como razoabilidade e proporcionalidade, citando também os princípios do art. 2º da Lei nº 9.784/99. Cita julgados do Conselho de Contribuintes, com características semelhantes ao presente, em que foi afastada a multa isolada. Faz arrazoado sobre o conceito de fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64; que para a existência da fraude, considera necessário o nexo motivacional entre a conduta fraudulenta e o fato gerador, ou seja, o comportamento tenha por pretensão substituir ou esconder total ou parcialmente o fato gerador; que não foi provada e fundamentada a existência de fraude por parte da autoridade fiscal, citando, ainda a Súmula nº 4 do CARF, quando tratou de omissão de receita, mas que entende cabível, por analogia, ao caso presente. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 224 6 Por fim, não tendo ocorrido dolo por parte da impugnante, requer a improcedência da exigência fiscal. A DRJ de origem entendeu por manter o crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração n°51.055.9484, considerando não impugnado o Auto de Infração n° 51.055.9476. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 181/195, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A lide encontrase delimitada a aplicação da multa isolada, aplicada em percentual de 150%. O contribuinte realizou compensações consideradas indevidas, por utilizarse de direito de crédito de terceiros em ação judicial, transferido mediante cessão, o que não lhe autorizava a utilizálo para fins de compensação com os tributos da Seguridade Social. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Relativamente à aplicação da multa isolada de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 225 7 O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Da leitura destes dispositivos, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou qualquer uma das figuras penais descritas no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de 150% é cabível não apenas em função da compensação indevida mas pela declaração falsa do contribuinte de possuir créditos em seu favor. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracterizaria a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual foi a situação que ensejou a glosa das compensações. O Relatório Fiscal fornece os fundamentos para a multa, descrevendo os supostos créditos que o contribuinte teria utilizado para as compensações. Tais compensações foram indevidas. Assim sendo, as importâncias utilizadas como crédito pelo contribuinte não gozavam do pressuposto de liquidez e certeza, levando à conclusão de que este contribuinte compensouse de créditos inexistentes. Por pertinente, transcrevo trecho do voto vencedor da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido no Acórdão nº 9202004.341, em julgamento na Câmara Superior deste Conselho (sessão de 24/08/2016), sobre a aplicação da multa ora examinada: "Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. ... Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: "Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 226 8 falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da ei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal." ... Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. ... De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. (sem grifos no original.)" Deste modo, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, com relação à multa isolada, considerando que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que o contribuinte encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 227 9 uma declaração falsa, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Registro, ainda, que esta Turma, em julgamento em 04 de abril de 2017, por maioria de votos, entendeu pela manutenção da multa isolada de 150%, consoante ementa abaixo parcialmente transcrita: "[...] COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. [...]" (Acórdão 2202003.786. Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Redatora designada: Conselheira Cecília Dutra Pillar. Sessão de 04/04/2017) Assim, restando evidenciado que na declaração em GFIP houve falsidade da declaração apresentada, está configurada a situação prevista na Lei para a aplicação da penalidade de 150%. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Declaração de Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 228 10 Em que pese o bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator Martin da Silva Gesto, peço vênia para divergir pelos argumentos que serão expostos a seguir. O Recorrente opõese à incidência da multa isolada, de que trata o artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 e artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, alegando, em síntese, que não estaria caracterizada a sonegação ou a máfé. Nesse ponto, entendo corretas as alegações do contribuinte. Isso porque o erro quanto a matéria jurídica (natureza indenizatória ou não das verbas e prescrição dos créditos) não se confunde com a fraude elemento essencial do tipo penal. Nesse sentido, valiosa a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Habeas Corpus nº 72.5848: CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA ICMS ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS CREDITAMENTO FRAUDE. A fraude pressupõe a vontade livre e consciente. Longe fica de configurála, tal como tipificada no inciso II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, o lançamento de crédito, considerada a diferença de alíquotas praticadas no Estado de destino e no de origem. Descabe confundir interpretação errônea de normas tributárias, passível de ocorrer quer por parte do contribuinte ou da Fazenda, com o ato penalmente glosado, em que se presume o consentimento viciado e objetivo de alcançar proveito sabidamente ilícito. Esclarecedor o seguinte trecho do voto do Ministro Relator Marco Aurélio: "conforme salientado pelo Juízo, ao proferir sentença absolutória, passouse ao fisco a informação de que o creditamento resultava da diferença de alíquota, isso mediante lançamento claro e preciso, nas respectivas guias. Como, então, falar em fraude? O que houve foi impropriedade da interpretação conferida à legislação tributária, e issopode acontecer, sem configuração de crime, na vida de qualquer contribuinte e, também, no atuar da própria Fazenda, o que, aliás, é repetitivo. A "informação falsa" que justifica a imputação da penalidade qualificada de 150% está relacionada a ocultação de fato e não questionamento sobre o seu significado jurídico. Essa distinção fundamental fica mais clara com os exemplos fornecidos por HUGO DE BRITO MACHADO em sua obra "Estudos de Direito Penal Tributário". Vejamos: Primeiro exemplo: dizer que ocorreu ou não ocorreu, um acréscimo patrimonial, em determinada empresa, é uma questão de fato. Dizer que esse acréscimo patrimonial está, ou que não está, determinado de acordo com a legislação tributária é uma questão de direito, como é também uma questão de direito saber se o dito acréscimo patrimonial é, ou não é, tributável pelo imposto de renda. Segundo exemplo: dizer que determinado produto industrializado tem determinadas características materiais, ou que não as tem, é uma questão de fato. Dizer que o mesmo produto está classificado nesta ou naquela posição da Tabela de Incidências do IPI é uma questão de direito. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10140.720836/201497 Acórdão n.º 2202004.084 S2C2T2 Fl. 229 11 (...) Muitos outros exemplos podem ser citados. Importante, porém, é perceber que, nas questões de fato, a divergência não se estabelece a respeito do significado jurídico dos fatos, mas sobre os próprios fatos, nos aspectos perceptíveis independentemente de conhecimento jurídico. Dessa forma, para que se pudesse falar em "informação falsa" seria necessário demonstrar, por exemplo, que o Recorrente alegou o recolhimento de salário maternidade quando não possuía qualquer empregada. Inteiramente distinto é entender que o valor recolhido à título de salário maternidade não integra o salário de contribuição e, por isso, foi um recolhimento indevido. (assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 229DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.736589/2011-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que, no acórdão embargado, houve lapso acerca do nome do patrono da recorrente, responsável pela sustentação oral constante do decisum.
Numero da decisão: 9202-005.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-003.961, de 10/05/2016, sanar o erro apontado no nome do patrono que realizou sustentação oral, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve lapso acerca do nome do patrono da recorrente, responsável pela sustentação oral constante do decisum.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-003.961, de 10/05/2016, sanar o erro apontado no nome do patrono que realizou sustentação oral, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
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OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve lapso acerca do nome do patrono da recorrente, responsável pela sustentação oral constante do decisum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202003.961, de 10/05/2016, sanar o erro apontado no nome do patrono que realizou sustentação oral, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 65 89 /2 01 1- 79 Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 12448.736589/201179 Acórdão n.º 9202005.623 CSRFT2 Fl. 1.400 2 Relatório Tratase de embargos de declaração de iniciativa do contribuinte, com fulcro no previsto no art. 65, §1o, inciso III, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Referese o embargante ao Acórdão nº 9.202003.961, deste Colegiado, julgado na sessão plenária de 10 de maio de 2016, onde, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao Recurso Especial de iniciativa do contribuinte e deuse provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Transcrevese a ementa e decisão do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Decisão: por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Vencida, também, a Conselheira Patrícia da Silva. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso. Os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra apresentarão declaração de voto. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes (Relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 12448.736589/201179 Acórdão n.º 9202005.623 CSRFT2 Fl. 1.401 3 Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Realizaram sustentação oral os representantes da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira, e do contribuinte, Dr. Hermano Antônio do Cabo Notaroberto, OAB/RJ: 127.529 Após sustentar a tempestividade do Recurso, fazer breve digressão acerca da metodologia de cálculo utilizada pela autoridade fiscal e resumir a tese e fundamentação constantes do voto vencedor do Acórdão embargado, o embargante apontou a existência de: a) Contradição no voto vencedor: Inicialmente, reproduziu o excerto do voto vencedor abaixo: "(...) em nenhum momento, no caso em questão, se adotou critério especial ou substitutivo ao legalmente estabelecido para fins de determinação do custo de aquisição a ser computado quando da apuração do ganho de capital (base de cálculo do IRPF)". Alega, então, que se o critério juridico da autuação fosse "o" legalmente admitido para fins de determinação do custo de aquisição a ser computado quando da apuração do ganho de capital (base de cálculo do IRPF), ele não poderia estar errado e ter sido mantido exclusivamente em respeito ao principio do não reformatio in pejus, julgando assim ter demonstrado "a" contradição do voto vencedor. Nota, ainda que o voto vencedor do Acórdão embargado, apesar de rechaçar a glosa feita pela fiscalização, mantém como custo de aquisição exatamente os R$ 8.972.439,50 que foram objeto da glosa. b) Erro no decisum embargado: Menciona, aqui, o embargante, que o vergastado equivocouse ao indicar o nome do advogado que fez a sustentação oral no julgamento do Recurso Especial: em vez de indicar o Dr. Luis Cláudio Gomes Pinto (OABRJ n° 88.704), advogado com poderes para representar o embargante (procuração de efl. 910), indicou o Dr. Hermano Antônio do Cabo Notaroberto Barbosa, que não consta do referido instrumento de mandato nem foi constituído em qualquer outro instrumento como patrono do embargante. Pleiteia, assim, que o referido erro seja retificado. Requereu, assim, que embargos de declaração fossem conhecidos e providos, de forma a se corrigir o Acórdão embargado nas duas searas acima. Todavia, os embargos, na forma de despachos de admissibilidade de efls. 1349 a 1352, foram admitidos exclusivamente quanto ao lapso ocorrido na identificação do patrono responsável pela sustentação oral junto a este Colegiado. É o relatório. Voto Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 12448.736589/201179 Acórdão n.º 9202005.623 CSRFT2 Fl. 1.402 4 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço, mantida aqui a interpretação de efl. 1351, no sentido se reconhecer como tempestivos os embargos, uma vez que interpostos no prazo regulamentar, independentemente da validade de intimação de efls. 1232 a 1238. Ainda, quanto a esta segunda intimação, ressalto existir razão ao contribuinte quanto à argumentação da desqualificação multa de ofício, produzida pelo Acórdão de efls. 1035 a 1068, já ter, a esta altura, sido objeto de trânsito em julgado administrativo. A propósito, notase ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional de efls. 1070 a 1084 exclusivamente sobre a incidência de juros de mora sobre a referida multa de ofício e não sobre seu percentual. Assim, a esta altura, aplicável, para fins de cobrança via DARF, a desqualificação da multa de ofício perpretada pelo Colegiado a quo, reduzindoa ao percentual de 75%, conforme Acórdão de efls. 1035 a 1068, sem que tivesse, repitase, sequer havido Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto a tal desqualificação. Passando à análise de mérito da matéria admitida, cediço, a partir do teor do decisum embargado, que existe lapso na decisão, uma vez que o responsável pela sustentação oral junto a este Colegiado foi o Dr. Luis Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OABRJ sob o número 88.704. Diante do exposto, voto por conhecer e acolher os embargos sem efeitos infringentes, para reratificar o Acórdão nº 9.202003.961, fazendolhe agora constar em seu decisum que "Realizaram sustentação oral os representantes da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira, e do contribuinte, Dr. Luis Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OABRJ sob o número 88.704", excluindose a citação ao Dr. Hermano Antônio do Cabo Notaroberto, OAB/RJ 127.529, mantendose, destarte, inalterado o resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930216/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.383
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão.
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 02 16 /2 00 9- 11 Fl. 744DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.281 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11080.930216/200911 Acórdão n.º 3402004.383 S3C4T2 Fl. 112 3 Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.281), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos Fl. 746DF CARF MF 4 podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 613 a 624, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de julho de 2005, no total de R$ 5.052.626,20, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime nãocumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 14%, 12%, 14%, 12% e 31%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11080.930216/200911 Acórdão n.º 3402004.383 S3C4T2 Fl. 113 5 Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 526 a 648, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra quea Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; vi) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vi) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Fl. 748DF CARF MF 6 Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 679 a 689, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11080.930216/200911 Acórdão n.º 3402004.383 S3C4T2 Fl. 114 7 Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 6) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 750DF CARF MF 8 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua Fl. 751DF CARF MF Processo nº 11080.930216/200911 Acórdão n.º 3402004.383 S3C4T2 Fl. 115 9 apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 613 a 624). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 526 a 648), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 752DF CARF MF 10 deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 613 a 624) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls 526 a 648), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723375/2014-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/07/2009
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/07/2009 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.723375/201492 Recurso nº 2 De Ofício Acórdão nº 3402004.215 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/07/2009 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 33 75 /2 01 4- 92 Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10711.723375/201492 Acórdão n.º 3402004.215 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do Acórdão 16073.910, que ao julgar a impugnação cancelou a exação objeto dos autos em montante que, à época da decisão, ultrapassou o limite de alçada. O valor exonerado (principal + multa de ofício), contudo, é inferior ao limite atualmente vigente, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.199, de 26 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10410.720607/201445, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.199): "Como relatado, o valor exonerado objeto do recurso de ofício foi inferior à R$ 2.500.000,00. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), estabeleceu que: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Por seu turno, a Súmula CARF, abaixo transcrita, explicita o direito intertemporal para aplicação do teor da transcrita Portaria Ministerial, consoante o brocardo que é princípio do direito adjetivo, qual seja, tempus regit actum. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10711.723375/201492 Acórdão n.º 3402004.215 S3C4T2 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com efeito, sendo o valor de alçada nesta data inferior à R$ 2.500.000,00, o presente recurso não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 720DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.009650/2004-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PRELIMINAR - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Inexistindo
violação às disposições do art. 142 do CTN e, tampouco, dos art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Não é nulo o procedimento fiscal iniciado com termo de intimação ao contribuinte para apresentação de livros e documentos.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - Iniciado o procedimento administrativo, a
denúncia efetivada não mais sera espontânea, resultando para o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação. E ineficaz a retificação da declaração que pretenda regularizar obrigações tributárias relacionadas à matéria sob investigação.
JUROS DE MORA - São devidos juros de mora sobre o credito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Tendo a fiscalização apurado
insuficiência no pagamento do imposto, caracterizada está a infração, e, sobre o valor do tributo ainda devido, é cabível a multa prevista no art. 44, I, da Lei 9430/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.307
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Rogério Garcia Peres
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 Ementa: PRELIMINAR - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Inexistindo violação às disposições do art. 142 do CTN e, tampouco, dos art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Não é nulo o procedimento fiscal iniciado com termo de intimação ao contribuinte para apresentação de livros e documentos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - Iniciado o procedimento administrativo, a denúncia efetivada não mais sera espontânea, resultando para o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação. E ineficaz a retificação da declaração que pretenda regularizar obrigações tributárias relacionadas à matéria sob investigação. JUROS DE MORA - São devidos juros de mora sobre o credito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Tendo a fiscalização apurado insuficiência no pagamento do imposto, caracterizada está a infração, e, sobre o valor do tributo ainda devido, é cabível a multa prevista no art. 44, I, da Lei 9430/96. Recurso Voluntário Negado.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19647.009650/2004-85 Recurso n° 174.745 Voluntário Acórdão n° 1801-00.307 — la Turma Especial Sessão de 03 de agosto de 2010 Matéria CSLL Recorrente MENDONÇA EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida 5a Turma da DRJ — RECIFE/PE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 Ementa: PRELIMINAR - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Inexistindo violação às disposições do art. 142 do CTN e, tampouco, dos art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Não é nulo o procedimento fiscal iniciado com termo de intimação ao contribuinte para apresentação de livros e documentos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - Iniciado o procedimento administrativo, a denúncia efetivada não mais sera espontânea, resultando para o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação. E ineficaz a retificação da declaração que pretenda regularizar obrigações tributárias relacionadas à matéria sob investigação. JUROS DE MORA - Sao devidos juros de mora sobre o credito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - Tendo a fiscalização apurado insuficiência no pagamento do imposto, caracterizada está a infração, e, sobre o valor do tributo ainda devido, é cabível a multa prevista no art. 44, I, da Lei 9430/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE B RROS FERNANDES - Presidente RO R. IA PEIES - Relator EDITADO EM: 2 6 OUT 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva (Suplente Convocado), Maria de Lourdes Ramirez, Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Valmir Sandri (Suplente Convocado) e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de auto de infração no qual foi constituído crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre Lucro Liquido — CSLL, no valor de 167.751,13, ai incluídos a multa de oficio e os juros de mora. No referido auto, foram consignadas as seguintes irregularidades no campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal": 1. Na DIPJ relativa ao ano-calendário de 1999, o contribuinte compensou base de cálculo negativa de períodos anteriores, sendo que o saldo fora totalmente utilizado no período -base anterior. 2. Consignou-se tratar de glosa do saldo credor de CSLL, supostamente originado no ano- calendário de 1999 e utilizado indevidamente para compensar CSLL a pagar em 2002, tendo em vista que o saldo credor não existia, pois resultou de compensação da CSLL no ano- calendário de 1999, com base de cálculo negativa de períodos anteriores, compensação realizada indevidamente, vez que já fora utilizada anteriormente a 1999. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de folhas 89/91 tempestivamente alegando em síntese: a) Com a entrega da documentação solicitada à autoridade autuante, a DIPJ foi melhor analisada e constatou-se que, por equivoco, abateu da base de cálculo negativa da CLSS a quantia de R$ 640.497,92, o que foi comunicado aquela autoridade, inclusive quanto ao envio da DIPJ retificadora transmitida via intern& e ao pagamento de R$ 89.455,26, ou seja, R$ 54.491,37, acrescido de juros e mora. 2 Processo n° 19647.009650/2004-85 Sl-TE01 Acórdão n.° 1801-00.307 Fl. 2 b) 0 contribuinte concorda com o que a autoridade autuante alega no auto de infração, porem discorda do fato de não terem sido imputados os valores recolhidos em 10/05/2004, que decorreu da retificadora, aceita por esta autoridade. c) Reconhece que creditou a importância de R$ 45.754,30, acrescido da Se lic, referente a glosa de compensação indevida de contribuição. Requer ao final a improcedência do lançamento, a aplicação no disposto no art. 112 do CTN, bem como protesta por todos os meios de provas admitidos, inclusive a diligência e perícia, para qual formula quesitos. Ao analisar a impugnação, a DRJ Recife (PE) julgou procedente o lançamento, através do Acórdão n° 11-20.083 — 5a Turma da DRJ/REC, de 30.08.2007 (fls. 110 a 113), assim ementado: COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL A compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL enseja a exigência do valor não recolhido, acrescido dos consectários legais. ESPONTANEIDADE - EXCLUS:4 -0 Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a inflação. A DRJ Recife (PE) fundamenta sua decisão com os seguintes argumentos: O inipugnante concorda expressamente com a autuação, porém reputa equivocada a conduta da autoridade fiscal em desconsiderar as informações da DIPJ retificadora, bem como os valores que, em razão da retificação, foram recolhidos. Entretanto, no momento em que foi entregue a DIPJ retificadora, o impugnante já se encontrava em procedimento de fiscalização, o que afastou a sua espontaneidade para fazê-lo, por força do disposto no art. 138 do CTN. Por conseguinte, os valores de CSLL que lhe foram imputados devem ser considerados devidos na sua integralidade, mas ao impugnante compete o direito de ver reduzido, do crédito lançado, os valores espontaneamente recolhidos, o que deve ser feito, mediante requerimento ao setor especifico da unidade de origem, não em sede de julgamento administrativo. O Recorrente foi devidamente intimado da decisão em 09.04.2008, conforme AR juntado às fls. 116. Em 08.05.2008 interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 125 a 133), sustentando, em síntese, que: • A fiscalização deixou de observar o art. 47 da Lei n° 9.430/96 e o art. 842 do RIR/99, que instituiu o incentivo ao pagamento espontâneo dos tributos já lançados ou declarados, até o 20° dia subseqüente à data de recebimento do termo de inicio de fiscalização. • Conforme consta do próprio auto de infração, a autoridade afirma que enviou Termo de Intimação, solicitando informações acerca da CSLL de 1999 em 13/04/2004, tendo a Recorrente tomado ciência apenas em 16/04/2004 (sexta- feira). Dessa forma, a contagem do prazo se inicia em 19/04/2004 (segunda- feira) e termina no dia 08/05/2004 (sábado), que por não se tratar de dia de expediente normal prorroga-se automaticamente para o dia 10/05/2004 (segunda-feira). E foi exatamente na data de 10/05/2004 que a Recorrente efetuou o recolhimento integral dos valores informados na DIPS retificadora do ano-calendário 1999 enviada em 05/0/2004, obedecendo ao previsto por lei. • Descabe pagamento de multa e dos juros porque a Recorrente pagou a CSLL de uma so vez, dentro do prazo previsto pela Lei n° 9.430/96, acrescido de juros, caracterizando-se a denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN. No mais, cita a jurisprudência administrativa e judicial, e requer que a autuação seja declarada nula e que seja julgada improcedente a denúncia fiscal, posto ter pago a CSLL espontaneamente, obedecendo o prazo de vinte dias previsto no art. 47 da Lei n° 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator 0 Recurso Voluntário 174745 preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A discussão que remanesce na presente lide diz respeito A. possibilidade de se declarar e recolher tributo após o inicio de procedimento fiscal, valendo-se da espontaneidade prevista no art. 47 da Lei n° 9.430/96. Preliminar de nulidade Sustenta o Recorrente que a inobservância ao art. 47 da Lei n° 9.430/96 e ao art. 842 do RIR/99 demonstra a fragilidade da autuação, por não apresentar termo de inicio de fiscalização, razão por que deve ser declarada nula, sendo o que se requer. 0 Decreto n° 70.235/72, art. 7°, tem a seguinte determinação sobre o procedimento fiscal: Art. 7° 0 procedimento fiscal tem inicio com: I — o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...)Conforme se verifica, a lei não elege o termo de inicio de fiscalização como documento validador de abertura de Processo n° 19647.009650/2004-85 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.307 Fl. 3 procedimento fiscal, mas sim o primeiro ato de oficio, escrito. Assim, não há, concretamente, qualquer mácula no Termo de Intimação Fiscal e Solicitação de Esclarecimentos (lIs. 32), levado a ciência do contribuinte, para o efeito de demarcar o inicio do procedimento fiscal. No caso presente, a autoridade fiscal cumpriu todos os preceitos exigidos pela legislação vigente (art. 9° e seguintes do Decreto n° 70.235/72), tendo procedido ao lançamento com base em dados reais do Recorrente, conforme se constata do exame dos autos, inclusive no que se refere ao embasamento legal e à tipificação da infração cometida. Portanto, as alegações acima mencionadas não podem ser consideradas para fins de se declarar a nulidade do lançamento. Retificação da DIPJ após o inicio da fiscalização 0 Recorrente retificou a DIPJ 2000, ano-calendário 1999, e efetuou o recolhimento da diferença da CSLL ora exigida, após o inicio do procedimento fiscal, com fundamento no art. 47 da Lei n° 9.430/96. Requer, portanto, que os pagamentos efetuados sejam abatidos do débito lançado, sendo indevida a multa e os juros. 0 citado dispositivo legal tem a seguinte redação: Lei n°9.430/96 Art. 47. A pessoa fisica ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente a data de recebimento do termo de inicio de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo corno contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997)(negritei) importante destacar, desde logo, que o dispositivo em questão faculta ao contribuinte o pagamento, até o 20° dia subseqüente à data de recebimento do termo de inicio de fiscalização, dos tributos já declarados. Note-se que a lei permitiu tão somente o pagamento de tributos já declarados, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. A norma não prevê a entrega de declaração ou sua retificação, portanto, deve-se entender que seu alcance está restrito aos tributos já declarados quando do recebimento do termo de inicio de fiscalização. Por conseguinte, estando excluída a hipótese de apresentação de declarações, originais ou retificadoras após o inicio do procedimento fiscal, incabível é a pretensão de recolhimento espontâneo de tributos não declarados antes do recebimento do termo de inicio de fiscalização. Vale dizer, que o art. 47 da Lei n° 9.430/96 não alberga o procedimento adotado pelo Recorrente, que promoveu a retificação da DIPJ após a data de inicio do procedimento fiscal. De fato, o recebimento de termo de inicio de fiscalização exclui a espontaneidade por força das disposições do § único, do art. 138 do CTN. Ante o exp sto NEGO provimento ao Recurso Voluntário. R IA PERES - Relator RO A matéria já se encontra sumulada neste Conselho, conforme abaixo: Súmula CARF N" 33 A declaração entregue após o inicio do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de oficio. No mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho, conforme abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MATÉRIA SOB INVESTIGAÇÃO — O alcance da ação fiscal desenvolvida na pessoa fisica delimita o campo da espontaneidade para os demais envolvidos. Considera-se ineficaz a retificação da declaração que pretenda regularizar obrigações tributárias relacionadas a matéria sob investigação. 1° Conselho de Contribuintes/ 5". Camara/ ACóRDÃO 105-15.929 em 17/08/2006. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Iniciado o procedimento administrativo, não mais espontâneo será de denúncia eventualmente ofertada, resultando para o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação. 1" Conselho de Contribuintes/ 2". Camara/ ACÓRDÃO 102-48.687 em 06/07/2007. Dessa forma, deve ser mantido integralmente o presente lançamento. Juros de mora Incabível o pleito de exclusão dos juros de mora. A matéria já se encontra sumulada neste Conselho, conforme abaixo: Súmula CARF N" 5 Sao devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Multa de lançamento de oficio Tendo a fiscalização apurado insuficiência no pagamento do imposto, caracterizada está a infração, e, sobre o valor do tributo ainda devido, é cabível a multa prevista no art. 44, I, da Lei 9430/96. 6
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