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Numero do processo: 10183.002736/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/05/2006
AGÊNCIA DE FOMENTO. NATUREZA JURÍDICA. IRRF. ILEGALIDADE DO ART. 56, §7º DA IN 1022/2012.
As agências de fomento possuem natureza jurídica de instituições financeiras, por força do art. 1º da Medida Provisória nº 2192-70/2001 e do art. 17 da Lei nº 4595/64. Em razão disso, o art. 56, §7º da IN RFB 1022/2012 é ilegal, ao restringir a dispensa de retenção na fonte do art. 77, I da Lei nº 8981/95 quanto às referidas agências de fomento.
Numero da decisão: 1301-003.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ilegalidade do art. 56, §7º da IN 1022/2012 e a natureza jurídica de instituição financeira das agências de fomento, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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NATUREZA JURÍDICA. IRRF. ILEGALIDADE DO ART. 56, §7º DA IN 1022/2012. As agências de fomento possuem natureza jurídica de instituições financeiras, por força do art. 1º da Medida Provisória nº 219270/2001 e do art. 17 da Lei nº 4595/64. Em razão disso, o art. 56, §7º da IN RFB 1022/2012 é ilegal, ao restringir a dispensa de retenção na fonte do art. 77, I da Lei nº 8981/95 quanto às referidas agências de fomento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a ilegalidade do art. 56, §7º da IN 1022/2012 e a natureza jurídica de instituição financeira das agências de fomento, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 27 36 /2 00 6- 79 Fl. 246DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, protocolado pelo interessado em 01/08/2006, no montante de R$ 111.788,59, correspondente ao Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras, os quais teriam sido supostamente retidos indevidamente pelo Banco do Brasil S.A nos meses de agosto de 2004 a maio de 2006. O interessado apresentou declarações de compensação (DCOMPs), por meio das quais declarou débitos que pretendia compensar com o crédito pleiteado. Ele fundamenta o pleito no inciso I, do artigo 77, da Lei n° 8.981, de 21/01/1995, que prevê a dispensa de retenção do IR sobre rendimentos de aplicações de renda fixa e variável de titularidade de instituição financeira. Alega possuir a condição de instituição financeira, com base na Lei Complementar do Estado de Mato Grosso n° 140, de 16/12/2003, que autorizou e criou a Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso S/A; na Medida Provisória n° 2.19270, de 24/08/2001, que teve por objeto a redução da presença estatal na atividade bancária; e na Resolução n° 2828, de 30/03/2001, que dispõe sobre a constituição e funcionamento das agências de fomento. Em 31/08/2012, foi proferido Despacho Decisório nº 1.651 pela autoridade a quo (DRF CBA/MT fls. 203/207), do qual o interessado tomou ciência em 20/09/2012 (fl. 211), indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações efetuadas, sob fundamento de que as Agências de Fomento não se enquadrariam como instituições financeiras. Cientificado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade aduzindo: . que é uma instituição financeira, criada pela Lei Complementar Estadual n° 140, de 16 de dezembro de 2003, tendo como fundamento jurídico a Medida Provisória n° 2.19270, de 24 de agosto de 2001. . que o Banco Central do Brasil, dentro da competência que lhe foi conferida pelo art. 9º, da Lei Federal n° 4.595/64, editou a Resolução 2.828, de 30 de março de 2001, dispondo sobre a constituição e funcionamento das agências de fomento. . que faz jus ao benefício disciplinado no inciso I, do art. 77 da Lei n° 8.981/95, com a redação dada pela Lei n° 9.065/1995, ou seja, como instituição financeira não está sujeita a retenção do Imposto de Renda sobre suas aplicações financeiras. . que, se a Lei e o Conselho Monetário Nacional concede a condição de instituição financeira, não é aceitável que uma Instrução Normativa, no caso a IN RFB n° 1.022/2010, lhe modifique a natureza jurídica. . que o art. 77 da Lei n° 8.981/1995 excluiu de tributação toda e qualquer instituição financeira, independente de suas especialidades. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10183.002736/200679 Acórdão n.º 1301003.951 S1C3T1 Fl. 3 3 . que o Ato Declaratório SRF N° 097, de 02 de dezembro de 1999 mostrou o mesmo entendimento já pacificado, quanto a não incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa de titularidade das agências de fomento. . que, pelos motivos acima elencados, há de se concluir que reputamse indevidas as retenções na fonte do imposto de renda sobre aplicações financeiras de renda fixa. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/08/2004 a 31/05/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. IRRF. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. AGÊNCIA DE FOMENTO. DISPENSA DE RETENÇÃO. INAPLICÁVEL. Para os períodos objeto de pedido de restituição/compensação (agosto/2004 a maio/2006), a dispensa de retenção na fonte do imposto de renda sobre rendimentos de aplicações financeiras, prevista pelo artigo 77 da Lei n° 8.981/95, não se aplica às agências de fomento de que trata o art. 1º da Medida Provisória n° 2.19270, de 24 de agosto de 2001. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. A controvérsia está delimitada a seguinte questão: saber se os rendimentos auferidos pelo interessado, agência de fomento, em operações bancárias de aplicações financeiras de renda fixa estão ou não dispensados de retenção do imposto sobre a renda, com base no inciso I do artigo 77, da Lei n° 8.981/95. Em outras palavras, o cerne da divergência ora instaurada diz respeito ao enquadramento das agências de fomento como instituições financeiras. Apresentaremos, inicialmente, o panorama legislativo acerca da matéria, para em seguida endereçarmos nossa análise à questão principal. Fl. 248DF CARF MF 4 Dispõem os arts. 76 e 77,I da Lei nº 8981/95, verbis: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; II definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: I em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, inclusive sociedade de seguro, previdência e capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil; Pois bem. A Recorrente foi criada pela Lei Complementar Estadual nº 140/2003, com fundamento na Medida Provisória nº 219270/2001, que tinha como objetivo expresso a redução da presença estatal na atividade bancária, conforme dispôs seu art. 1º, verbis: Art.1o A redução da presença do setor público estadual na atividade financeira bancária será incentivada pelos mecanismos estabelecidos nesta Medida Provisória, e por normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional, no âmbito de sua competência, preferencialmente mediante a privatização, extinção, ou transformação de instituições financeiras sob controle acionário de Unidade da Federação em instituições financeiras dedicadas ao financiamento de capital fixo e de giro associado a projetos no País, denominadas agências de fomento. No mesmo ano de edição da MP acima citada, o Banco Central do Brasil editou a Resolução nº 2828/2001, que dispõe sobre a constituição e funcionamento das agências de fomento, atribuindolhe expressamente a natureza jurídica de instituições financeiras: Art. 1º Estabelecer que dependem de autorização do Banco Central do Brasil a constituição e o funcionamento de agências de fomento sob controle acionário de Unidade da Federação, cujo objeto social é financiar capital fixo e de giro associado a projetos na Unidade da Federação onde tenham sede. Mais ainda, em seu art. 3º, a resolução traz o rol de atividades possíveis da agência de fomento, listando uma série de atividades típicas de instituições financeiras, conforme definição dada pelo art. 17 da Lei nº 4595/64: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10183.002736/200679 Acórdão n.º 1301003.951 S1C3T1 Fl. 4 5 coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Inclusive, a própria introdução da Resolução 2828/2001 deixa claro que elas se submetem ao regime da Lei nº 4595/64, que trata do sistema financeiro nacional e abarca sob sua regulação: Art. 1º O sistema Financeiro Nacional, estruturado e regulado pela presente Lei, será constituído: I do Conselho Monetário Nacional; II do Banco Central do Brasil; (Redação dada pelo Del nº 278, de 28/02/67) III do Banco do Brasil S. A.; IV do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico; V das demais instituições financeiras públicas e privadas. Como se vê da descrição de suas atividades, e como ressaltado pelo contribuinte, as agências de fomento nada mais são do que bancos de desenvolvimento com limitado escopo de atuação, atendendo a exigências mais restritas de liquidez e alavancagem, mas sem descaracterizar sua natureza de instituição financeira. A despeito da clareza da legislação, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 1022/2012, que disciplina a matéria em seu art. 56, I e §7º: “Art. 56 Estão dispensados a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto sobre a renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos: I em aplicações financeiras de renda fixa, inclusive por meio de fundos de investimento, de titularidade de instituição financeira, sociedade de seguro, de previdência e de capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil;.... § 7º A dispensa a que se refere o caput não se aplica às agências de fomento de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 2.19270, de 24 de agosto de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.236, de 11 de janeiro de 2012 ) O mencionado § 7º, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.236/2012, dispunha que não estão dispensados da retenção na fonte os rendimentos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade das agências de fomento, estabelecendo uma restrição não prevista em lei ao alcance do art. 77, I da Lei nº 8981/95. Todavia, tal redação foi alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.303/2012, a qual passou a dispor o seguinte: Fl. 250DF CARF MF 6 § 7º A dispensa a que se refere o caput aplicase aos rendimentos pagos às agências de fomento de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 2.19270, de 24 de agosto de 2001, a partir de 1º de janeiro de 2013. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.303, de 30 de novembro de 2012 ) Ora, em menos de um ano a RFB veiculou duas instruções normativas acerca das agências de fomento com comandos absolutamente contraditórios, sinalizando grande insegurança de sua própria posição acerca da matéria... A DRJ, ao julgar a matéria, ressaltou a sua vinculação às normas legais e regulamentares, inclusive às instruções normativas, razão pela qual aplicou literalmente o disposto pela IN RFB nº 1303/2012, para reconhecer que: Portanto, pela redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.303, de 30 de novembro de 2012, em vigor, somente os rendimentos pagos às agências de fomento a partir de 1º de janeiro de 2013 estariam dispensados de retenção na fonte. Donde se conclui que, para os períodos objeto de pedido de restituição/compensação (agosto/2004 a maio/2006), a dispensa de retenção na fonte do imposto de renda sobre rendimentos de aplicações financeiras, prevista pelo artigo 77 da Lei n° 8.981/95, não se aplica às agências de fomento de que trata o art. 1º da Medida Provisória n° 2.19270, de 24 de agosto de 2001. Com a devida vênia, essa posição não pode prosperar, pois o legislador não estabeleceu qualquer distinção entre as instituições financeiras e as agências de fomento espécie de instituição financeira para fins de aplicação do art. 77, I da Lei nº 8981/1995. Não há qualquer dúvida quanto à natureza jurídica das agências de fomento: a) a Medida Provisória nº 219270/2001 a qualifica expressamente como instituição financeira; e b) suas atividades se enquadram perfeitamente na descrição do art. 17 da Lei nº 4595/64. Na linha do antigo brocardo romando, Ubi lex non distinguir nec nos distinguere debemus, onde a lei não distingue, não cabe a nós distinguir por meio da interpretação. Os textos normativos tributários, por uma razão de segurança jurídica, devem ter seu sentido balizado fortemente pela sentido literal das expressões utilizadas, como forma de garantir o primado da legalidade (art. 150, I da CF/88) e a preponderância das deliberações feitas pelo legislador. Desse modo, as instruções normativas da RFB buscaram introduzir critérios novos e restrições não previstas pelo legislador, em clara ofensa à legalidade tributária. Portanto, há que se reconhecer a patente ilegalidade do art. 56, §7º da Instrução Normativa nº 1022/2012. Quanto ao segundo ponto aduzido pela DRJ (a possibilidade de utilizar o IRRF na apuração do IRPJ), o mesmo não é objeto da lide, razão pela qual não cabe a nós nos manifestarmos sobre isso. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a ilegalidade do art. 56, §7º da IN 1022/2012 e a natureza jurídica de instituição financeira das agências de fomento, devendo o processo ser remetido à DRF para análise do crédito pleiteado. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10183.002736/200679 Acórdão n.º 1301003.951 S1C3T1 Fl. 5 7 É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.983042/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
SIMPLES. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO LEGAL, SOB O CÓDIGO DE RECEITA INCORRETO. APRESENTAÇÃO INDEVIDA DE PER/DCOMP. ERRO DE FATO. ACRÉSCIMOS LEGAIS EXIGIDOS. NÃO CABIMENTO.
A indevida apresentação de Declaração de Compensação de tributo pago pelo sistema SIMPLES, sob o código incorreto, ao invés de apresentação de pedido de retificação do DARF, caracteriza um erro de fato.
Não há, in casu, que se cogitar de tributo não pago no prazo previsto na legislação específica (Simples), pois o foi, sendo inequívoca a intenção do contribuinte de apurá-lo e recolhê-lo, no período de apuração, na forma fixada pelo sistema Simples.
A exigência de acréscimos legais sobre o tributo já recolhido e outra vez confessado na DCOMP configuraria claro bis in idem e enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional, posto que o crédito tributário a que teria o direito de constituir e exigir foi satisfeito pelo contribuinte dentro do prazo legal.
Trata-se de situação absolutamente atípica, não prevista nas normas complementares emanadas da administração tributária que, em atenção aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e equidade, cuja aplicação é prevista no art. 108 do CTN, impõem o cancelamento dos acréscimos legais exigidos.
Numero da decisão: 1302-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.983040/2011-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 SIMPLES. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO LEGAL, SOB O CÓDIGO DE RECEITA INCORRETO. APRESENTAÇÃO INDEVIDA DE PER/DCOMP. ERRO DE FATO. ACRÉSCIMOS LEGAIS EXIGIDOS. NÃO CABIMENTO. A indevida apresentação de Declaração de Compensação de tributo pago pelo sistema SIMPLES, sob o código incorreto, ao invés de apresentação de pedido de retificação do DARF, caracteriza um erro de fato. Não há, in casu, que se cogitar de tributo não pago no prazo previsto na legislação específica (Simples), pois o foi, sendo inequívoca a intenção do contribuinte de apurá-lo e recolhê-lo, no período de apuração, na forma fixada pelo sistema Simples. A exigência de acréscimos legais sobre o tributo já recolhido e outra vez confessado na DCOMP configuraria claro bis in idem e enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional, posto que o crédito tributário a que teria o direito de constituir e exigir foi satisfeito pelo contribuinte dentro do prazo legal. Trata-se de situação absolutamente atípica, não prevista nas normas complementares emanadas da administração tributária que, em atenção aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e equidade, cuja aplicação é prevista no art. 108 do CTN, impõem o cancelamento dos acréscimos legais exigidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.983040/2011-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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RECOLHIMENTO DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO LEGAL, SOB O CÓDIGO DE RECEITA INCORRETO. APRESENTAÇÃO INDEVIDA DE PER/DCOMP. ERRO DE FATO. ACRÉSCIMOS LEGAIS EXIGIDOS. NÃO CABIMENTO. A indevida apresentação de Declaração de Compensação de tributo pago pelo sistema SIMPLES, sob o código incorreto, ao invés de apresentação de pedido de retificação do DARF, caracteriza um erro de fato. Não há, in casu, que se cogitar de tributo não pago no prazo previsto na legislação específica (Simples), pois o foi, sendo inequívoca a intenção do contribuinte de apurálo e recolhêlo, no período de apuração, na forma fixada pelo sistema Simples. A exigência de acréscimos legais sobre o tributo já recolhido e outra vez confessado na DCOMP configuraria claro bis in idem e enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional, posto que o crédito tributário a que teria o direito de constituir e exigir foi satisfeito pelo contribuinte dentro do prazo legal. Tratase de situação absolutamente atípica, não prevista nas normas complementares emanadas da administração tributária que, em atenção aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e equidade, cuja aplicação é prevista no art. 108 do CTN, impõem o cancelamento dos acréscimos legais exigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 30 42 /2 01 1- 26 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.983042/201126 Acórdão n.º 1302003.685 S1C3T2 Fl. 3 2 processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.983040/201137, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo contra o Despacho Decisório que reconheceu o direito creditório pleiteado relativo a recolhimento do Simples, mas homologou apenas parcialmente a compensação uma vez que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do acórdão recorrido, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, no qual alega, em síntese: a) que apurou e recolheu o imposto relativo ao Simples na forma devida e dentro do prazo legal; b) que cometeu mero erro no preenchimento do código do DARF e prontamente ao identificálo apresentou a DCOMP para corrigir o erro visando a extinção do tributo com o código correto; c) que não há que se falar em acréscimos legais em razão do pagamento fora do prazo, uma vez que o tributo foi liquidado dentro do prazo legal previsto; d) que o entendimento veiculado no acórdão recorrido que manteve a incidência dos acréscimos previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, vai de encontro ao princípio da razoabilidade, ao desconsiderar o pagamento realizado em razão da ocorrência de um simples erro formal que nenhum prejuízo causou aos cofres públicos. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.983042/201126 Acórdão n.º 1302003.685 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.682, de 13/06/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.983040/2011 37, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.682): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A questão controvertida nos autos referese ao fato de, em que pese tenha sido reconhecido o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, a autoridade administrativa competente homologou apenas parcialmente a compensação pleiteada, tendo em vista a incidência de acréscimos legais em face do pagamento do débito compensado a destempo, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A recorrente se rebela contra o fato de a autoridade ter considerado a quitação do débito objeto de compensação fora do prazo de vencimento, por se tratar do mesmo tributo apurado e recolhido no prazo legal, porém com o código de receitas incorreto. Com efeito, examinando o PER/DCOMP verificase que o crédito informado referese à pagamento do Simples sob o código 7104 (grupo do tributo: Lançamento de Ofício), relativo ao período de apuração encerrado em 31/01/1996 e vencimento em 20/02/2006, no valor de R$ 1.476,91. Por outro lado, a contribuinte informa como débito compensado na DCOMP o valor devido a título de Simples sob o código 6106 (grupo de tributo: Simples) período de apuração: Janeiro de 2006 com vencimento em 20/02/2006, no valor de R$ 1.476,91. Verificase a quase absoluta identidade entre o crédito e débito pleiteado na PER/DCOMP, com exceção unicamente do código de recolhimento. O contribuinte recolheu o tributo sob o código equivocado, embora do mesmo tributo, pertencente ao grupo de código relativos a lançamento de ofício, quando o correto seria preencher com o código relativo ao grupo do tributo próprio do Simples. É gritante que a contribuinte adotou o procedimento equivocado para corrigir o seu erro no preenchimento do DARF. Bastava ter apresentado um pedido de REDARF na unidade de origem e a situação teria sido prontamente corrigida. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.983042/201126 Acórdão n.º 1302003.685 S1C3T2 Fl. 5 4 Ao utilizarse do instrumento da PER/DCOMP para tentar solucionar o erro cometido, a contribuinte acabou por confessar a liquidação do mesmo tributo (Simples), só que desta feita à destempo. Aplicandose friamente a norma, e observandose puramente o formalismo, não haveria outra opção senão imputar os acréscimos legais ao débito compensado. Todavia, penso que a solução para o presente caso deve ser feita com alguma temperança, posto que se encontra evidenciado um erro de fato por parte do contribuinte quando do cumprimento de sua obrigação de apurar e recolher o tributo devido no regime adotado (Simples). A rigor, o contribuinte cumpriu, embora com erro (na indicação do código da receita), a obrigação de adimplir sua obrigação de recolher o tributo dentro do prazo legal. Ao tentar corrigir o erro (no preenchimento do DARF), acabou confessando o mesmo débito (por meio da DCOMP), só que desta feita já fora do prazo de vencimento. O art. 61 da Lei nº 9.430/1996, estabelece a cobrança de juros e multa sobre os tributos pagos em atraso, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que, desta feita, não há que se cogitar de tributo não pago no prazo previsto na legislação específica (Simples), pois o foi. Ainda que feito com a indicação incorreta do código de recolhimento resta inequívoca a intenção do contribuinte de recolher o tributo devido no sistema Simples, naquele período de apuração. Assim, exigir acréscimos legais sobre o tributo confessado na DCOMP configuraria, ao meu ver, claro bis in idem, posto que se trata de tributo já recolhido no prazo legal, repito, ainda que sob o código errado. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.983042/201126 Acórdão n.º 1302003.685 S1C3T2 Fl. 6 5 A imposição de penalidade de juros e multa de mora no presente caso configuraria, também, um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional, posto que o crédito tributário a que teria o direito de constituir e exigir foi satisfeito pelo contribuinte, ora recorrente, dentro do prazo legal. Não se desconhece aqui os efeitos da declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, mas sim de considerar o erro de fato cometido pelo contribuinte como um ato que não trouxe prejuízo ao Fisco. Entendo que teria sido o caso de cancelamento da declaração de compensação, indevidamente apresentada, posto que instrumento inábil para corrigir o erro cometido no recolhimento, seguido da simples retificação do código de recolhimento. A desistência do pedido de compensação, todavia, é vedada pelas normas que regem a compensação1, uma vez proferido o despacho decisório e, ainda, tal análise compete à autoridade administrativa. Releva observar, que o tratamento da compensação foi feito por meio dos sistemas eletrônicos da Receita Federal. Houvesse o tratamento manual dos dados, a autoridade administrativa poderia, ela mesma, ter constatado o equívoco do contribuinte na apresentação da DCOMP e intimálo a adotar o procedimento correto que seria a solicitação de retificação do código do DARF (REDARF). Tratase de situação absolutamente atípica, não prevista nas normas complementares emanadas da administração tributária, mas que demanda um solução que atenda aos interesses do Fisco e do contribuinte. Assim, com base nos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e equidade, cuja aplicação é prevista no art. 108 do CTN2, entendo que os acréscimos legais exigidos devem ser cancelados, homologandose integralmente a compensação pleiteada. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 1 IN.RFB nº 900/2008: CAPÍTULO XII DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 2 CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.983042/201126 Acórdão n.º 1302003.685 S1C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.921908/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.103
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de provas, a DCTF e o Dacon retificados após a ciência do despacho decisório não podem ser considerados instrumentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 21 90 8/ 20 12 -2 1 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.921908/201221 Resolução nº 3402002.103 S3C4T2 Fl. 3 2 hábeis para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pelo qual pede, em síntese, para que seja reconhecido o crédito tributário declarado na DCTF e ratificado pelas informações inseridas no Dacon, com a homologação da compensação informada no PERDCOMP. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: i) Que apresentou o pedido de compensação mediante a entrega da PER/DCOMP, objetivando compensar valor recolhido a maior de PIS/Cofins, com débito da própria PIS/Cofins; ii) Considerando que o saldo credor originário deveria ter sido atualizado desde seu recolhimento com a aplicação da Taxa Selic; iii) Apresentou a DCTF e o Dacon retificadores após o despacho decisório, mas antes do julgamento da manifestação de inconformidade, o que deveria ter sido analisado iv) Como não foi realizada a devida confrontação dos valores informados na DCTF e no DACON, equivocadamente concluiuse tratar de compensação efetuada sem lastro em créditos anteriores; v) A DCTF foi transmitida dentro do prazo legal; vi) A apuração de PIS e Cofins foi consolidada no Dacon, tendo sido apresentada a retificação, informando o mesmo valor constante na DCTF; vii) Cabe ao fisco apresentar indícios de que os valores não estão corretos; viii) Aplicase o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28/08/2015, aprovado pelo Despacho RFB Nº SN1, de 28 de agosto de 2015, que possui caráter vinculante ao órgão fazendário, inclusive, trata, exatamente, da possibilidade de retificar a DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP e da ciência do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.098, de 18 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12448.921913/201233. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.098): Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.921908/201221 Resolução nº 3402002.103 S3C4T2 Fl. 4 3 "1.2. Verifico que o Termo de Solicitação de Juntada de fls. 47 está datado de 13/06/2017, igualmente abaixo colacionado: 1.3. Observo que consta no histórico de ações sobre o documento a assinatura digital do procurador na mesma data. 1.4. Todavia, foi informado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 48 que somente em data de 13/01/2018 foi registrada a Solicitação de Juntada de Documentos referente à "Resposta à Intimação". 1.5. Outrossim, esclareço igualmente que não há informações nos autos de que o recurso tenha sido protocolado por meio físico ou por via postal. 2. Diante da dúvida sobre a tempestividade do recurso e, para correta análise da admissibilidade, fazse necessário propor a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora de Origem esclareça através de Informação Fiscal sobre os fatos acima demonstrados, tornando inequívoca a data do efetivo protocolo, ou seja, 13/06/2017 (Solicitação de Juntada de Documentos de fls. 47) ou 13/01/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 48). 2.1. Cumprida a diligência acima, retornem os autos para julgamento. É a proposta de Resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora de Origem esclareça através de Informação Fiscal sobre os fatos acima demonstrados, tornando inequívoca a data do Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.921908/201221 Resolução nº 3402002.103 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivo protocolo, ou seja, 13/06/2017 (Solicitação de Juntada de Documentos) ou 13/01/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada). Cumprida a diligência acima, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004466/2003-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2003
SIMPLES FEDERAL. VEDAÇÃO À OPÇÃO. LEI 9.317/1996. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS.
Embora nos termos da Súmula CARF 81 seja vedada a aplicação retroativa da LC 123/2006, a contribuinte que presta serviços de manutenção de máquinas e equipamentos deve ser mantida no SIMPLES federal eis que, nos termos da Súmula CARF 57, tal atividade não vedava a opção por este regime de tributação.
Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.
Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 9101-004.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. VEDAÇÃO À OPÇÃO. LEI 9.317/1996. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Embora nos termos da Súmula CARF 81 seja vedada a aplicação retroativa da LC 123/2006, a contribuinte que presta serviços de manutenção de máquinas e equipamentos deve ser mantida no SIMPLES federal eis que, nos termos da Súmula CARF 57, tal atividade não vedava a opção por este regime de tributação. Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
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VEDAÇÃO À OPÇÃO. LEI 9.317/1996. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Embora nos termos da Súmula CARF 81 seja vedada a aplicação retroativa da LC 123/2006, a contribuinte que presta serviços de manutenção de máquinas e equipamentos deve ser mantida no SIMPLES federal eis que, nos termos da Súmula CARF 57, tal atividade não vedava a opção por este regime de tributação. Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 44 66 /2 00 3- 38 Fl. 101DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.245 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10855.004466/2003-38 Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls.) em face do acórdão 391-00.041, proferido pela 1a Turma Especial da 1a Seção em de 21 de outubro de 2008, o qual decidiu dar provimento ao recurso de voluntário, tendo recebido as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 391-00.041, de 21 de outubro de 2008 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2003 SIMPLES. ATIVIDADE IMPEDITIVA EXCETUADA PELA NOVA LEI. O artigo 17 §1°, inciso XIII da lei complementar n° 123 de 14.12.2006 excetuou as restrições impostas pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317/1996 com as alterações introduzidas pela Lei 10.684/2003. RETROATIVIDADE DA LEI NOVA. EFEITOS. JULGAMENTOS PENDENTES. O fato tem repercussão pretérita por força do caráter interpretativo daquelas normas jurídicas impeditivas, revogadas pela nova legislação, devendo seus efeitos se subsumirem a regra da retroatividade prevista no artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Cientificada em 17 de março de 2009 (fl. 57), a Recorrente interpôs recurso especial em 20 de março de 2009 (fl. 68), alegando divergência jurisprudencial em relação ao conteúdo dos acórdãos n. 302-36.709, de 25 de fevereiro de 2005 e n. 303-35.326, de 19 de maio de 2008, cujas ementas, quanto a essa matéria, são as seguintes: Acórdão paradigma 302-36.709 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços elétricos de manutenção, projetos, assistência técnica, montagens e venda de materiais Fl. 102DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.245 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10855.004466/2003-38 elétricos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9º , inciso XIII, da Lei nº 9.317/96). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Acórdão paradigma 303-35.326 Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Legislação Superveniente. Inclusão Retroativa. Impossibilidade. A alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo Simples não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, para efeito de re-incluir contribuinte regularmente excluído com base na legislação vigente à época do ato. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO O despacho de admissibilidade de fls. 89-91, de 18 de fevereiro de 2010, do Presidente da 1a Câmara da 1a Seção, deu seguimento ao recurso especial, tendo analisado ambos os acórdãos paradigmas. A divergência foi assim entendida: O voto do relator do acórdão recorrido conclui pela aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, entendendo que a restrição constante da lei vigente à época do fato julgado, a Lei n°9.3171/96, autorizaria a incidência do art. 106, do CTN. Em sentido inverso é o entendimento do acórdão paradigma, qual seja, da impossibilidade de aplicação retroativa de alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo Simples, devendo ser considerada a atividade exercida pela empresa sob a égide da Lei n°9.316/97, aplicando-se a restrição da opção ao SIMPLES para pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem, manutenção e assistência técnica em equipamentos eletro eletrônicos, assemelhada à de Engenheiro. Intimada em 2 de junho de 2010 (fl. 94), a contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal O recurso é tempestivo e atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida no tocante ao seu seguimento, motivo pelo qual concordo e adoto as razões do i. Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do Recurso Especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999. Fl. 103DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.245 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10855.004466/2003-38 Mérito O presente recurso foi admitido para a discussão sobre a possibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, na parte em que deixa de vedar determinadas atividades de optar por este regime de tributação. Sobre esta matéria, a jurisprudência deste CARF se consolidou, tendo havido a publicação da Súmula CARF no. 81 (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018), cujo enunciado é o seguinte: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. A análise dos precedentes em que se baseou a edição da Súmula CARF 81 revela que eles tratam, todos, dos efeitos de legislação editada posteriormente à Lei 9.317/1996 que simplesmente deixa de vedar determinadas atividades à opção pelo SIMPLES, sem a específica previsão legal de qualquer efeito retroativo. Em síntese: Acórdãos 9101-000.809, 9101-000.980, 9101-001.001, 1402-000.168, 3801- 000.165, 3801-00.111, 3801-000.039, 3803-00.045 e 303-35326 - analisaram a Lei Complementar 123/2006, esclarecendo que essa legislação, no que se refere à exclusão de vedação à opção pelo SIMPLES anteriormente instituída, não se aplica a situações anteriores à sua vigência, pela inexistência de subsunção a qualquer das hipóteses previstas no art. 106, do CTN. Acórdãos 9101-000.843 e 3801-000.039 - analisaram a Lei 10.034/2000, que excluiu a atividade de creche, ensino infantil e ensino fundamental da vedação ao SIMPLES, esclarecendo que não poderia haver aplicação retroativa da nova legislação. Acórdão 9101-001.010 - analisou a Lei 10.684/2003, que excluiu a atividade de agências lotéricas da vedação ao SIMPLES, esclarecendo que não poderia haver aplicação retroativa da nova legislação. Assim, a jurisprudência deste tribunal se consolidou no sentido de que a contribuinte não pode ser autorizada a optar pelo SIMPLES federal pela única razão de a atividade por ela exercida ter deixado de ser vedada por legislação posterior. Vale notar que as súmulas do CARF são de observância obrigatória por parte dos Conselheiros, nos termos do artigo 45, VI, do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015. Além disso, diversas passagens do RICARF/2015 registram que as súmulas do CARF devem ser aplicadas independentemente da data de sua aprovação. Neste sentido, o artigo 67, § 3º, do anexo II do RICARF/2015 determina que não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso; no mesmo sentido, o § 12, III, desse mesmo artigo estabelece que não servirá como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF. Fl. 104DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.245 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10855.004466/2003-38 No caso, porém, é de se notar que a retroatividade da Lei Complementar 123/2006 foi tratada apenas subsidiariamente no voto condutor do acórdão recorrido. Com efeito, o principal argumento deste voto para ter autorizado a contribuinte a se manter no SIMPLES foi o fato de este ter entendido que a atividade por ela exercida não estaria entre as vedações constantes do artigo 9°, XIII da Lei 9.317/1996. A menção à retroatividade foi feita apenas ao final do voto, como reforço de argumentação, como se pode depreender da análise dos seguintes trechos daquele voto (grifamos): (...) Trata-se da exclusão da ora recorrente do Simples em razão da exploração de atividade não permitida aos optantes pelo Sistema, consoante o objeto social já descrito nos autos. Há que ser verificado que constou do Ato Declaratório de Exclusão de fls. 07 que a Recorrente exercia atividade econômica não permitida para o Simples. Da leitura do relatório fiscal as folhas 29, verifica-se que a atividade desenvolvida pela recorrente e de reforma e manutenção em máquinas industriais alega a DRS que esta atividade é relativa às profissões expressamente listados dentre elas, a de engenheiro. Não vislumbro atividade assemelhada a de engenheiro. Trata-se, na verdade, de empresa de montagem, manutenção e assistência técnica em equipamentos eletro eletrônicos. Alem disso, o artigo 17, § 1°, inciso XIII da Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006, supriu a vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317/2003. (...) Nesse ponto, observo que a decisão recorrida não merece reforma quando decidiu pela manutenção da contribuinte em questão no SIMPLES federal em virtude de a atividade não ser equiparada a de profissionais legalmente habilitados. No caso, a contribuinte foi excluída do SIMPLES a partir de 1o de janeiro de 2002 por ter indicado como atividade econômica o CNAE o n° 4549-7/99 (outras obras de instalações) (fl. 10). Em sua defesa, sustenta que a empresa se dedicava a "montagem, manutenção e assistência técnica em quadros de comando, equipamentos eletroeletrônicos para distribuição de energia e mecânicos" e que na verdade o CNAE adequado seria o CNAE 3121- 6/00. A DRJ entendeu que se operou a vedação já que a atividade seria assemelhada à de engenheiro. O artigo 9°, XIII, da Lei 9.317/1996 vedava a opção pelo SIMPLES para os seguintes atividades: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifamos) A principal discussão nos presentes autos, portanto, sempre esteve voltada à definição sobre se a atividade exercida pelo contribuinte em questão seria ou não assemelhada à de engenheiros. Fl. 105DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.245 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10855.004466/2003-38 Sobre a sua atividade, a contribuinte afirmou: O ramo de atividade da empresa em epígrafe se resume tecnicamente no seguinte: a) Recebemos de empresas clientes, uma solicitação de montagem de uma "parte" integrante de uma máquina (exemplo : um torno); b) Essa "parte" integrante dessa máquina (tomo), por nós montada, faz com que a energia elétrica seja distribuída para funcionamento da mesma; c) Na maioria das vezes o cliente já nos encaminha as peças e o projeto para montagem dessa "parte", ficando de nossa responsabilidade apenas á.mão de obra; d) Uma vez concluída a montagem, essa "parte" é devolvida ao cliente e o tributo recolhido mensal é acrescido de 0,5% para o I.P.1 por orientação da legislação. Entendemos então que o CNAE deveria ser 3121-6/00 —Montagem, manutenção, comércio e assistência técnica em quadros de comando, equipamentos eletro eletrônicos para distribuição de energia e mecânicos, e não o CNAE 4549-7/99 Outras obras de instalações, codificado erradamente quando da alteração do registro de firma individual em 11109/2001 (xerox em anexo). Juntamos também xerox NF entrada solicitando a mão de obra (projeto anexo), xerox NF saída quando concluído o serviço para melhor entendimento. Analisando tal defesa em conjunto com a documentação apresentada, a DRJ entendeu que a "a empresa presta serviços de manutenção em máquinas e equipamentos industriais" (fl. 36). Assim, compreendeu que a atividade estaria compreendida na vedação, baseada no Ato Declaratório Normativo n. 4/2000, segundo o qual "não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia." O acórdão recorrido, como visto, concluiu de forma diametralmente oposta, não vislumbranndo atividade assemelhada à de engenheiro. De se notar que a situação dos autos se amolda ao conteúdo da Súmula CARF n. 57 (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018): Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. De fato, o artigo 9°, XIII, da Lei 9.317/1996 apenas impedia o exercício de atividade pela pessoa jurídica envolvendo prestação de serviço exercido por profissional habilitado (profissão regulamentada), que não é o caso da Recorrente eis que a atividade de por ela desempenhada, a princípio, prescinde de tal profissional. Assim, a vedação prevista no artigo 9°, XIII, da Lei 9.317/1996 não é aplicável à contribuinte em questão. Portanto, é de se manter a contribuinte no SIMPLES, tal como decidiu a decisão recorrida, seja em razão da insuficiência dos argumentos da Recorrente para modificar a decisão Fl. 106DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.245 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10855.004466/2003-38 recorrida, seja porque o caso dos autos se amolda ao conteúdo do enunciado da Súmula CARF n. 57. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por conhecer do recurso especial e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000118/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2006
AUXÍLIO-CRECHE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. PARECER PGFN Nº 2600/2008.
Conforme dispõe o Enunciado nº 310 de Súmula STJ, o auxílio-creche não integra o salário de contribuição. Em decorrência de entendimento pacífico da jurisprudência e orientação constante do Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, PGFN/CRJ/Nº 2600/2008, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio-creche AUXÍLIO-BABÁ. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. REGIME DO ARTIGO 543-C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
O auxílio-babá configura a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho, caracterizando-se uma modalidade alternativa de auxílio-creche. Assim, deve ser concedido ao auxílio-babá o mesmo tratamento tributário do auxílio- creche, conforme o teor do Enunciado nº 310 de Súmula STJ e do Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-001.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Ronaldo de Lima Macedo
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NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. PARECER PGFN Nº 2600/2008. Conforme dispõe o Enunciado nº 310 de Súmula STJ, o auxíliocreche não integra o salário de contribuição. Em decorrência de entendimento pacífico da jurisprudência e orientação constante do Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, PGFN/CRJ/Nº 2600/2008, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxíliocreche AUXÍLIOBABÁ. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. O auxíliobabá configura a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho, caracterizandose uma modalidade alternativa de auxíliocreche. Assim, deve ser concedido ao auxíliobabá o mesmo tratamento tributário do auxílio creche, conforme o teor do Enunciado nº 310 de Súmula STJ e do Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 894DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 895DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 19740.000118/200868 Acórdão n.º 240201.863 S2C4T2 Fl. 819 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, lavrado em face da FAPES – Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE e INCRA), para as competências 01/1997 a 09/2006. O Relatório Fiscal (fls. 71/81) informa que o fato gerador das contribuições lançadas decorre do pagamento de valores a título de reembolsocreche e reembolsobabá aos segurados empregados. Tais valores foram informados nas folhas de pagamento na rubrica REEMBOLO CRECHE (código 158900000), sem incidência de contribuição para a Seguridade Social. Esse Relatório Fiscal informa ainda que os valores pagos a título de reembolsocreche integram o salário de contribuição, já que as despesas não foram devidamente comprovadas pelos empregados beneficiados, afastando a incidência da isenção prevista no art. 28, parágrafo 9°, alínea “s”, da Lei no 8.212/1991. Por sua vez, os valores pagos a título de reembolsobabá integram o salário de contribuição, já que as despesas não foram devidamente comprovadas pelos empregados beneficiados e não há comprovação de registro na carteira de trabalho das babás, do recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a estas e ausente ainda a prova de que o reembolso é limitado ao menor salário de contribuição mensal, afastandose a isenção prevista no art. 219, parágrafo 9°, XXIV do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99. Os benefícios foram concedidos com base em regulamento da empresa, denominado “Programa de Assistência PréEscolar”. A base de cálculo do presente lançamento fiscal decorre dos valores pagos aos segurados empregados, a título de reembolsocreche e reembolsobabá, seguindo em anexo a relação dos empregados beneficiados, assim como os respectivos valores retirados das folhas de pagamento de empregados (fls. 82/115), o Regulamento da empresa denominado “Programa de Assistência Préescolar” (fls. 149/154), as Instruções de serviços/comunicados do Programa de Assistência Préescolar (fls. 155/182), e a Relação de empregados beneficiados com o reembolsobabá (fls. 184/185). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 14/12/2007 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 256/270 – Volume II) – acompanhada de anexos de fls. 271/757 –, alegando, em síntese, que: 1. ocorreu a decadência tributária; Fl. 896DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 2. os valores pagos a título de reembolsocreche e reembolsobabá têm caráter indenizatório, não integrando o salário de contribuição. Anexa os comprovantes das despesas realizadas pelos empregados beneficiados com os benefícios; 3. ilegalidade da utilização da TAXA SELIC como juros moratórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão no 1220.141 da 15a Turma da DRJ/RJOI (fls. 763/779 – Volume IV) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que, em decorrência da decadência tributária, foram excluídos os valores apurados até a competência 12/2001 e também alterados o salário de contribuição de algumas competências. A Notificada apresentou recurso (fls. 806/814 – Volume V), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro (DEINF/RJO) informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 816 e 817). É o relatório. Fl. 897DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 19740.000118/200868 Acórdão n.º 240201.863 S2C4T2 Fl. 820 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fl. 817). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O Relatório Fiscal (fls. 71/81) informa que o fato gerador das contribuições lançadas decorre do pagamento de valores a título de reembolsocreche e reembolsobabá aos segurados empregados, já que as despesas não foram devidamente comprovadas pelos empregados beneficiados, afastando a incidência da isenção prevista no art. 28, parágrafo 9°, alínea “s”, da Lei no 8.212/1991. Esses benefícios foram concedidos aos empregados por força de regulamento da empresa denominado “Programa de Assistência Préescolar” (fls. 150/154), pelo qual a empresa concede reembolso auxíliocreche aos empregados com dependentes de até seis anos e reembolso auxílioacompanhante aos empregados com dependentes de até dois anos. Cumpre esclarecer que a nomenclatura adequada não se mostra relevante para fins de incidência de contribuição previdenciária, mas sim se o pagamento de tais benefícios respeitaram ou não a legislação vigente para que a empresa possa gozar da isenção tributária, bem como esteja de acordo com a jurisprudência dominante dos tribunais superposição (STF e STJ). Logo, não importa adotar o nome reembolso ou auxílio, eis que a disciplina jurídica de uma espécie tributária nunca deriva de sua denominação, mas sim da análise conjugada do seu fato gerador e da base de cálculo. Isso está em consonância com o art. 4o do CTN, in verbis: Art. 4º. A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Verificase que, nos documentos acostados aos autos, há a relação dos empregados beneficiados com o reembolsocreche, assim como os respectivos valores retirados das folhas de pagamento de empregados (fls. 82/115), e a relação de empregados beneficiados com o reembolsobabá (fls. 184/185). É cediço que as verbas que têm natureza indenizatória não integram a base de cálculo, porquanto não estão abrangidas pela expressão rendimentos do trabalho. Com relação ao auxíliocreche, há que se observar o entendimento manifestado no parecer elaborado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) nº 2600/2008, face ao entendimento pacificado na jurisprudência no sentido de que os valores Fl. 898DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 pagos a título de auxíliocreche não integram o salário de contribuição, inclusive com a edição da Súmula nº 310 do STJ que dispõe no mesmo sentido. Transcrevo abaixo trechos do parecer da PGFN nº 2600/2008: “PGFN/CRJ/Nº 2600/2008 Tributário. Contribuição Previdenciária. AuxílioCreche. Natureza indenizatória. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. I O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto n.º 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou o requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que fixam o entendimento de que não incide a contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxíliocreche, instituído em decorrência do dever do patrão a manter creche ou terceirização do serviço, conforme previsão do art. 389, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 2. Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigandoa a rever de ofício os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei nº 10.522/2002. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que não incide a contribuiçãoprevidenciária sobre o auxíliocreche, porquanto essa verba não integra o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária.. II 4. Várias ações foram propostas pelos empregadores contra a União (INSS) com o objetivo de que o Poder Judiciário reconhecesse a impossibilidade do Fisco cobrar a contribuição previdenciária nos moldes acima mencionados. 5. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é no sentido de que a verba relativa ao auxíliocreche não tem natureza indenizatória, mas sim salarial, motivo pelo qual deveria incidir a contribuição previdenciária quando do seu recebimento. 6. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ que o auxíliocreche não integra o saláriodecontribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária e constituise numa indenização pelo fato da empresa não manter em funcionamento uma creche em seu próprio estabelecimento. Ademais, o caráter salarial Fl. 899DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 19740.000118/200868 Acórdão n.º 240201.863 S2C4T2 Fl. 821 7 restaria descaracterizado pela cessação do recebimento do benefício quando o menor ultrapasse os seis anos de idade. 7. Vale lembrar que a controvérsia está superada pelo verbete sumular nº 310 do STJ. Verbis: O Auxíliocreche não integra o saláriodecontribuição. (...)” (g.n.) Nos termos do entendimento acima, os valores pagos em decorrência de auxíliocreche não integram o salário de contribuição independentemente da comprovação da despesa com creches pelos segurados, desde que haja demonstração, por meio de documentos, dos seguintes requisitos: (i) identificação dos beneficiários; (ii) os dependentes não tenham mais de 6 anos de idade; e, o benefício seja limitado ao valor fixado na convenção coletiva. Depreendese do Relatório Fiscal e dos demais documentos acostados ao presente processo que esses requisitos foram preenchidos, eis que a auditoria fiscal cingese a registrar que o lançamento decorre da falta de comprovação pelos empregados das despesas efetuadas com o benefício do auxíliocreche. Com relação ao auxíliobabá, o Relatório Fiscal registra que o motivo do lançamento, para incidência da contribuição previdenciária, decorre do entendimento de que deve ser exigida a comprovação da despesa efetuada pelo segurado empregado com a babá e o respectivo recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre esse salário pago. A norma de proteção extraída do artigo 389, §1°, da CLT, criada pelo Decretolei nº 229, de 28/02/67, tem por finalidade propiciar à trabalhadora a necessária tranqüilidade para exercício de suas funções laborais, quando permanece longe do convívio de seu filho. Quando criado em 1967, buscavase que o local de guarda fosse em alguma dependência adequada da própria empresa, mas por diversas razões, muitas relacionadas à própria segurança e saúde da criança, na prática constatouse que em vários estabelecimentos melhor se cumpriria a finalidade da norma através de convênios com instituições próprias para esse fim, as creches. Mas também se verificou que nem sempre havia creches próximas à residência da mãe ou de seu local de trabalho, daí se buscou uma outra modalidade, o serviço de babá. De fato, esse último possui algumas vantagens: a criança não precisa ser deslocada diariamente, pois permanece em seu mesmo ambiente e muitas vezes permanece no convívio de algum parente mais próximo, o que atende perfeitamente à finalidade da norma de proteção. Daí é que em 03/09/1986 a Portaria n° 3.296 do Ministério do Trabalho autorizou expressamente a adoção do sistema de “auxíliocreche” como alternativa para à exigência da CLT. Tal ato normativo já com uma preocupação prospectiva, também traz uma abertura para outras modalidades, sem lhes atribuir alguma denominação específica, equiparandoas ao auxíliocreche: Art. 1°. Ficam as empresas e empregadores autorizados a adotar o sistema de ReembolsoCreche, em substituição à exigência contida no § 1o do art. 389 da CLT, desde que obedeçam às seguintes exigências: I O ReembolsoCreche deverá cobrir, integralmente, as despesas efetuadas com o pagamento da creche de livre escolha da empregadamãe, ou outra modalidade de prestação de Fl. 900DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 serviço desta natureza, pelo menos até os seis meses de idade da criança, nas condições, prazos e valor estipulados em acordo ou convenção coletiva, sem prejuízo do cumprimento dos demais preceitos de prestação à maternidade. CLT – Da Proteção do Trabalho da Mulher – Dos Métodos e Locais de Trabalho Art. 389. Toda empresa é obrigada: (...) § 1° Os estabelecimentos em que trabalharem pelo menos 30 (trinta) mulheres com mais de 16 (dezesseis) anos de idade terão local apropriado onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período da amamentação. Percebese que o auxíliobabá não é espécie de benefício distinta do auxílio creche, mas tão somente uma modalidade alternativa para a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho. Para essa finalidade, o benefício é oferecido em modalidades, a saber: (i) permanência da criança no próprio local de trabalho; (ii) ou em creche; (iii) ou, ainda, com babá. O entendimento do STJ que resultou no Enunciado da Súmula nº 310, de 11/05/2005, é que o benefício tem natureza indenizatória e, portanto, não sofre incidência de contribuições previdenciárias. E não é a modalidade do benefício que altera a sua natureza jurídica: quando oferecido na forma de auxíliobabá também é indenização e, portanto, beneficiase do entendimento reproduzido no Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008: Súmula nº 310 – STJ : “O Auxíliocreche não integra o salário decontribuição.” Ressaltase, ainda, que a matéria está sendo julgada no regime do artigo 543 C do Código de Processo Civil (CPC) e da Resolução no 8 do STJ, que trata dos recursos repetitivos, conforme se pode verificar no Resp. n° 1146772/DF: Processo REsp 1146772/DF RECURSO ESPECIAL 2009/01227547 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 24/02/2010 Ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 458, II E 535, I E II DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOCRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 310/STJ. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Não há omissão quando o Tribunal de origem se manifesta fundamentadamente a respeito de todas as questões postas à sua apreciação, decidindo, entretanto, contrariamente aos interesses dos recorrentes. Ademais, o Magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pelas partes. 2. A demanda se refere à discussão acerca da incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores percebidos pelos empregados do Banco do Brasil a título de auxíliocreche. Fl. 901DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 19740.000118/200868 Acórdão n.º 240201.863 S2C4T2 Fl. 822 9 3. A jurisprudência desta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que o auxíliocreche funciona como indenização, não integrando, portanto, o salário de contribuição para a Previdência. Inteligência da Súmula 310/STJ. Precedentes: EREsp 394.530/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, DJ 28/10/2003; MS 6.523/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ 22/10/2009; AgRg no REsp 1.079.212/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 13/05/2009; REsp 439.133/SC, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 22/09/2008; REsp 816.829/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux,Primeira Turma, DJ 19/11/2007. 4. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 5. Recurso especial não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausentes, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda e os Srs. Ministros Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Diante de tal fato, ainda que se entenda pela aplicação restritiva do Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008 somente à modalidade auxíliocreche, não há dúvidas de que o entendimento do STJ não é diferente para a modalidade auxíliobabá e tendo sido conferido o regime do artigo 543C do CPC, a decisão do STJ deve ser aqui reproduzida, conforme determina o novel artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009: Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vêse por meio dos precedentes que resultou no Enunciado da Súmula nº 310 que, de fato, o STJ não faz distinção entre as modalidades do benefício: Processo REsp 413651/BA. RECURSO ESPECIAL2002/00182934 Relator(a) Ministro FRANCIULLI NETTO (1117). Órgão Julgador T2 SEGUNDA Fl. 902DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 TURMA. Data do Julgamento 08/06/2004. Data da Publicação/Fonte DJ 20/09/2004 p. 227 Ementa: RECURSO ESPECIAL. ALÍNEAS "A" E "C". PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOCRECHE. AUXÍLIOBABÁ. VERBA INDENIZATÓRIA QUE NÃO INTEGRA O SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 83 DO STJ. Cumpre observar, por primeiro, que inexiste ofensa ao disposto no artigo 535, inciso II, do Código de Processo Civil, porquanto o tribunal recorrido apreciou toda a matéria recursal devolvida. No que tange à questão da incidência da contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche e o auxíliobabá, a jurisprudência desta Corte Superior, inicialmente oscilante, firmou entendimento no sentido de que tais benefícios têm caráter de indenização, razão pela qual não integram o salário de contribuição. O artigo 389, § 1º, da CLT impõe ao empregador o dever de manter creche em seu estabelecimento ou a terceirização do serviço e, na sua ausência, a verba concedida a esse título será indenizatória e não remuneratória. Precedentes: EREsp 438.152/BA, Relator Min. Castro Meira, DJU 25/02/2004; EREsp 413.322/RS, Relator Min. Humberto Gomes de Barros, DJU 14.04.2003 e EREsp 394.530/PR, Relator Min. Eliana Calmon, DJU 28/10/2003). Aplicase à espécie, pois, o enunciado da Súmula 83 deste Sodalício: "não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". A propósito, restou consignado no julgamento do Agravo Regimental no Ag 135.461/RS, Relator Min. Antônio de Pádua Ribeiro, DJU 18.8.97, que "esta súmula também se aplica aos recursos especiais fundados na letra 'a' do permissivo constitucional". Recurso especial nãoconhecido. Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, não conheceu do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator". Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Castro Meira, Francisco Peçanha Martins e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Por tudo, entendo que deve ser dispensado à modalidade do benefício titulada auxíliobabá, o mesmo tratamento tributário do auxíliocreche. Tendo a fiscalização se convencido de que os valores são efetivamente relativos ao benefício, a parcela tem natureza indenizatória e fica, portanto, dispensada a comprovação da despesa do empregado com a babá. Para se afastar a incidência sobre os valores pagos ou reembolsados pela empresa, é suficiente a identificação do responsável e do dependente através de certidão de nascimento ou de outro documento onde também se possa comprovar a idade da criança. Diante disso, os valores lançados no presente processo não integram o salário de contribuição, pois, da maneira com foram pagos pela Recorrente, o auxíliocreche e auxílio Fl. 903DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 19740.000118/200868 Acórdão n.º 240201.863 S2C4T2 Fl. 823 11 babá não remuneram o trabalhador, mas o indenizam por ter sido privado de um direito previsto no art. 389, § 1o, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), vendose, por consectário lógico, forçado a pagar alguém para cuidar de seu filho no horário de trabalho. Logo, como os valores lançados não integram o salário de contribuição, não há incidência de contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 904DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 08/08/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005610/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. NEGATIVA DE PROVIMENTO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. CARACTERIZAÇÃO. INAUGURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA.
A impugnação apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar, o que não ocorreu no caso concreto.
Não prospera recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação por flagrante intempestividade.
Numero da decisão: 2402-007.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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NEGATIVA DE PROVIMENTO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. CARACTERIZAÇÃO. INAUGURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA. A impugnação apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar, o que não ocorreu no caso concreto. Não prospera recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação por flagrante intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 56 10 /2 00 7- 15 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19647.005610/200715 Acórdão n.º 2402007.401 S2C4T2 Fl. 142 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 117/122) em face do Acórdão n. 11 28.760 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) DRJ/REC (efls. 106/110), que não conheceu da impugnação (efls. 02/06), apresentada em 13/06/2007, que enfrentou o lançamento constituído em 11/05/2007 (efls. 104/105) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2005/604425108453062 no valor total de R$ 27.871,49 (efls. 09/14) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Cientificada do teor do Acórdão n. 1128.760 em 18/03/2010 (efl. 115), a impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 13/04/2010 com as seguintes alegações, resumidas pela parte final: [...] Ex positis, após a sábia e Douta apreciação dos Senhores Julgadores, sejam pelo mérito inquestionável que remete a procedência a recorrente, sejam ainda por mais relevantes e fundamentais as situações de fato e de direito, pelo flagrante erro praticado pelo Acórdão recorrido, uma vez que considerou intempestiva a impugnação tempestivamente apresentada pela apelante, com o fundamento em documento “AR” assinado por pessoa estranha, que não reside no endereço da apelante, portanto, não tendo sido entregue no endereço desta última, impondose a reforma desta decisão, no sentido de afastar a intempestividade e consequentemente apreciar o mérito, sejam os Senhores Julgadores, ainda pelos Doutos Suplementos Jurídicos e sereno conhecimento desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por fim, requer que a CONAB seja Oficiada , no sentido de prestar esclarecimentos a respeito da forma que procedeu a retenção dos valores, relativos aos honorários pagos a apelante, tudo conforme fundamentação, salientando que, se tal pedido não for deferido, restará caracterizado o cerceamento do direito de defesa da apelante e afronta ao Art. 5°, inciso LV da CF/88, finalmente a apelante. espera e confia na REFORMA TOTAL no ACÓRDÃO PROLATADO. [...] Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19647.005610/200715 Acórdão n.º 2402007.401 S2C4T2 Fl. 143 3 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator Não obstante o recurso voluntário ser tempestivo, dele se conhece parcialmente, pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, é oportuno resgatar o pronunciamento da instância de piso em face da impugnação apresentada pela impugnante, agora Recorrente: [...] A primeira questão a ser analisada e' a relativa à tempestividade da impugnação. A Interessada informa ter sido cientificada do lançamento em 15/05/2007. Não procede, no entanto, tal informação. O aviso de recebimento de fl. 95 e a cópia de tela do Sistema de Controle de Postagens de fl. 96 mostram que a entrega da correspondência com a Notificação deuse em 11/05/2007. Logo, o prazo para impugnação transcorreu de 14/05/2007 (uma segundafeira, l.° dia útil subseqüente ao da ciência) até 12/06/2007 (terçafeira), nos termos do art. 15 do Decreto 70.235, de 06/03/1972: [...] Em conseqüência, é intempestiva a impugnação apresentada em 13/06/2007, dado que nessa data já havia expirado o prazo para impugnação sem qualquer manifestação da Interessada. Não tendo ocorrido impugnação tempestiva, nao se instaurou o litígio e, em conseqüência, não há que se julgar os demais argumentos expostos na mesma, face à incompatibilidade entre a rejeição de tal preliminar e o julgamento do mérito, conforme arts. 14 e 28 do Decreto 70.23 5/72: [...] De plano, não há nenhum reparo a fazer quanto às alegações da decisão recorrida no que diz respeito à intempestividade da impugnação, vez que inquestionável. Não obstante, a Recorrente alega que o Aviso de Recebimento AR relativo à correspondência que a cientificava do lançamento em litígio foi assinado por pessoa estranha, que não reside no seu endereço, e que, portanto, não foilhe entregue. Em face dessas alegações é necessário esclarecer que não consta do recurso da Recorrente qualquer informação de alteração ou mudança de endereço (domicílio fiscal) à RFB, nem muito menos que isso tenha ocorrido antes da constituição do lançamento em lide, observandose que essa providência deve ser efetivada no prazo de 30 (trinta) dias da eventual Fl. 143DF CARF MF Processo nº 19647.005610/200715 Acórdão n.º 2402007.401 S2C4T2 Fl. 144 4 alteração/mudança, a teor do art. 30, caput e parágrafo único, do Decreto n. 3.000/99 RIR/99, vigente à época dos fatos. Desta forma, uma vez que a Notificação de Lançamento foi enviada para o domicílio fiscal da Recorrente registrado nos sistemas da RFB, é válida a ciência por via postal confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, conforme preceitua o Enunciado n. 9 de Súmula CARF, de natureza vinculante. Da leitura sistêmica dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72, concluise que a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal iniciase com a impugnação tempestiva exigência do crédito tributário, observado o prazo de 30 (trinta) dias a contar da constituição do lançamento. Na espécie, resta comprovado nos autos que a contribuinte tomou ciência do lançamento por via postal na data de 11/05/2007 (sextafeira) iniciandose o prazo para impugnação em 14/05/2007 (segundafeira, primeiro dia útil seguinte à ciência) e vencendose em 12/06/2007 (terçafeira). Todavia, a contribuinte só veio apresentar impugnação em 13/06/2007 (quartafeira), um dia após o transcurso do prazo legal. Nessa perspectiva, não havendo impugnação tempestiva não há litígio ou fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. Esclarece o Ato Declaratório Cosit n. 15/96, que integra a legislação tributária (art. 96 do CTN) como norma complementar das leis e dos decretos (art. 100, caput e inciso I, do CTN), apresentada defesa fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.902138/2010-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2005
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito reconhecido revelou-se insuficiente para a quitação dos débitos informados no PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1002-000.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Vieira, Marcelo José Luz de Macedo, Rafael Zedral.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito reconhecido revelou-se insuficiente para a quitação dos débitos informados no PER/DCOMP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Vieira, Marcelo José Luz de Macedo, Rafael Zedral.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-25T18:05:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-25T18:05:03Z; Last-Modified: 2019-06-25T18:05:03Z; dcterms:modified: 2019-06-25T18:05:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-25T18:05:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-25T18:05:03Z; meta:save-date: 2019-06-25T18:05:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-25T18:05:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-25T18:05:03Z; created: 2019-06-25T18:05:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-25T18:05:03Z; pdf:charsPerPage: 1387; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-25T18:05:03Z | Conteúdo => S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10675.902138/2010-46 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-000.720 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 04 de junho de 2019 Recorrente RADIPEL TRATORPECAS LTDA EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito reconhecido revelou-se insuficiente para a quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Vieira, Marcelo José Luz de Macedo, Rafael Zedral. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a homologação parcial da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/JFA: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 21 38 /2 01 0- 46 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-000.720 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.902138/2010-46 Trata-se de Dcomp nº 15378.68429.090309.1.7.043080 que visou a compensar crédito no valor original de R$ 283,18 a título de pagamento indevido/a maior de Simples federal. Valor total do Darf de R$ 4.672,55 (código 6106, PA 31/05/2006, arrecadação em 20/06/2006). No respectivo Despacho Decisório eletrônico (DD), tal compensação foi homologada parcialmente, à razão de que o referido crédito foi insuficiente para quitar os débitos informados naquela Dcomp. Da análise do "Detalhamento da Compensação [...]" contido no DD, verifica-se que o valor utilizado do crédito utilizado foi de R$ 114,15. Na manifestação de inconformidade, em síntese, é defendido que o débito compensado é de igual valor ao do crédito reconhecido e que não procede aquele decisório. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/JFA, conforme acórdão n. 0945.464, de 14 de agosto de 2013 (e-fl. 43), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. Não comprovada a existência de direito creditório, líquido e certo, não há que se reconhecê-lo. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 51), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "De acordo com a fundamentação do referido Acórdão, o valor original do crédito pretendido não existe na sua totalidade, apenas parcialmente como já fora decidido" aduzindo que o Despacho Decisório Eletrônico "Informa também as alocações realizadas do valor do DARF pago de R$ 4.672,55 (código 6106, PA 31/05/2006, arrecadação em 20/06/2006), o qual é a origem do crédito". Ressalta, porém, que "das alocações mencionadas, a de valor R$ 169,03 (processo 10675.902138/2010-46), não é do conhecimento da empresa, restando dúvida sobre a mesma, pois, esse número de processo citado, corresponde ao mesmo nº do processo de crédito constante do DESPACHO DECISÓRIO/PER/DCOMP objeto deste...". Acredita "ter ocorrido problemas no processamento do PER/DCOMP, fato este, comentado pelo plantão fiscal que não conseguiu esclarecer o citado processo de alocação". Por esse motivo, "entende não proceder a decisão apresentada que considerou o crédito insuficiente para quitar os débitos informados no PERD/COMP". Ao final, requer que "o processo seja baixado para diligência para investigação da referida alocação e homologação total da compensação declarada". Após uma primeira análise dos autos, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência, conforme Resolução n.º 1002-000.027, desta 2.ª Turma Extraordinária (e-fls. 67), reproduzida a seguir: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-000.720 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.902138/2010-46 Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem esclareça pormenorizadamente em qual débito foi alocado o valor de R$ 169,03 vindicado como crédito pelo Recorrente, juntando, inclusive, relatório circunstanciado explicativo e telas dos sistemas, se for o caso, de modo que fique inequivocamente demonstrada a utilização ou disponibilidade do pagamento mencionado. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. Em Relatório de Diligência (e-fls. 72) a Unidade Preparadora prestou os esclarecimentos conforme segue: Em atenção à Resolução nº 1002-000.027 - Turma Extraordinária / 2ª Turma ordinária, de 06/11/2018, informo que o valor de R$ 169,03 não está alocado a nenhum débito e, sim, reservado para o processo nº 10675.902138/2010-46. Este é o procedimento habitual do sistema SIEF Processos que ocorre quando da apresentação de manifestação de inconformidade/recurso. Ou seja, o valor que está sendo questionado pelo contribuinte fica em "stand by", ou seja, aguardando a resolução do litígio administrativo. Uma vez reconhecido o direito creditório ao contribuinte, o valor reservado passa para a situação de "bloqueado". A seguir constam as telas extraídas do sistema SIEF Documentos de Arrecadação relacionadas ao pagamento em questão. (...) Quanto ao valor de R$ 167,89 mencionado ao final da folha 3 da Resolução, refere-se ao débito não homologado no Despacho Decisório nº 880521035 e não ao crédito. (...) Atendidas as solicitações constantes da Resolução n.º 1002-000.027, não consta que o Recorrente tenha apresentado contrarrazões, sendo os autos encaminhados a esta relatoria em 01/02/2019 (e-fls. 80). E o Relatório do necessário. Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-000.720 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.902138/2010-46 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 15378.68429.090309.1.7.043080 transmitido em 09/03/2009, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Como se observa, o valor do crédito declarado revelou-se insuficiente para a quitação dos débitos informado no PER/DCOMP, motivo porque a autoridade administrativa homologou parcialmente a compensação declarada. Em suas razões de defesa, o Recorrente alegou unicamente desconhecer o débito ao qual foi alocado o valor de R$ 169,03 (processo 10.675.902138/2010-46), acreditando ter ocorrido problemas no processamento do PER/DCOMP. Conforme indicado no relatório de diligência (e-fls. 72), a Unidade Preparadora informou que "o valor de R$ 169,03 não está alocado a nenhum débito e, sim, reservado para o processo nº 10675.902138/2010-46", que, no caso, é o processo de controle do débito. Portanto, não houve o pretenso "erro de alocação do pagamento" argüido pelo Recorrente, mas sim a reserva do valor questionado no PER/DCOMP nº Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-000.720 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.902138/2010-46 15378.68429.090309.1.7.043080 para o processo nº 10675.902138/2010-46, que terá prosseguimento se, ao cabo deste voto, ficar comprovada a legitimidade da homologação parcial do PER/DCOMP em questão. A propósito, considerando que o Recorrente não traz outros argumentos ou documentos tendentes a infirmar a homologação parcial do PER/DCOMP em questão, entendo que foi acertada a decisão recorrida, não merecendo reparos. Nesse quadro, a falta de comprovação da existência e suficiência do crédito pleiteado configurou ausência do requisito de liquidez e certeza necessários à homologação integral do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional - CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações constantes da base de dados da RFB e extraídas de documentos fiscais e declarações prestadas pelo próprio Recorrente, sendo, portanto, legalmente válidas, a não ser que tenham sido retificadas na forma da legislação tributária de regência, o que não ficou provado nos autos. Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que o argumento esposado pelo Recorrente não merece acolhimento, motivo porque VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001192/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/03/2006
MULTA DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POR MEDIDA LIMINAR JUDICIAL ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA DA PENALIDADE.
A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do seu vencimento impede a incidência da multa moratória e o seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial, uma vez que não é possível caracterizar a mora do contribuinte nesta ocasião. Apenas após ultrapassado o prazo de 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição é possível configurar o atraso no pagamento do tributo, penalizado pela multa de mora.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, como consequência da alteração do dispositivo do art. 35 da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 11.941/2009, o valor da multa prevista por tal artigo passou a ser limitado a 20% do crédito tributário. Assim, quando há somente a aplicação da multa de mora sem lançamento de multa de ofício ou qualquer outra por descumprimento de obrigação acessória ligada à GFIP, para a escolha da multa mais favorável ao contribuinte, deve-se simplesmente comparar a multa antiga do art. 35 da Lei nº 8.212/91 com aquela prevista pela nova redação do mesmo dispositivo.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-005.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa lançada ao percentual de 20%, devendo esta incidir a partir do 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo lançado, naturalmente, devendo-se observar o trâmite processual decorrente do prosseguimento da demanda judicial no que se relaciona aos valores depositados em juízo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POR MEDIDA LIMINAR JUDICIAL ANTERIOR À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA DA PENALIDADE. A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do seu vencimento impede a incidência da multa moratória e o seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial, uma vez que não é possível caracterizar a mora do contribuinte nesta ocasião. Apenas após ultrapassado o prazo de 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição é possível configurar o atraso no pagamento do tributo, penalizado pela multa de mora. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, como consequência da alteração do dispositivo do art. 35 da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 11.941/2009, o valor da multa prevista por tal artigo passou a ser limitado a 20% do crédito tributário. Assim, quando há somente a aplicação da multa de mora sem lançamento de multa de ofício ou qualquer outra por descumprimento de obrigação acessória ligada à GFIP, para a escolha da multa mais favorável ao contribuinte, deve-se simplesmente comparar a multa antiga do art. 35 da Lei nº 8.212/91 com aquela prevista pela nova redação do mesmo dispositivo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 92 /2 00 8- 94 Fl. 185DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa lançada ao percentual de 20%, devendo esta incidir a partir do 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo lançado, naturalmente, devendo-se observar o trâmite processual decorrente do prosseguimento da demanda judicial no que se relaciona aos valores depositados em juízo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 131/151, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, de fls. 113/125, que julgou procedente o lançamento das contribuições à terceiros correspondentes às parcelas devidas a título de Salário Educação e Contribuição ao Incra (DEBCAD nº 37.187.79-6), incidentes sobre o abono único pago a todos os segurados empregados em decorrência de convenção coletiva, conforme auto de infração de fls. 2/11, lavrado em 07/10/2008, relativo às competências de 10/2005 a 03/2006 (exceto 02/2006), com ciência do RECORRENTE 29/10/2008, conforme assinatura no auto de infração às fls. 2. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 249.093,24, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de mora no percentual de 30%. De acordo com o Relatório Fiscal acostado às fls. 12/14, o RECORRENTE excluiu do Salário-de-Contribuição o montante referente ao Abono Único (Levantamento ABU). Ocorre que, por se tratar de valor recebido em razão de Convenção Coletiva de Trabalho entre a Federação Nacional dos Bancos-FENABAN e a Confederação Nacional dos Bancários (Contrato Privado), a fiscalização entende que deve integrar o salário-de-contribuição, já que o valor é sempre definido pela própria Convenção e pago em uma única parcela. Assim, só deveria ser excluído se desvinculado do salário por força de Lei, nos termos do art. 214, V, “j” do Decreto nº 3.048/99. O RECORRENTE discute o mérito da cobrança judicialmente, por meio do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.024687-5, por não considerar o Abono Único como rubrica integrante do salário-de-contribuição. No processo judicial, houve a suspensão da Fl. 186DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 exigibilidade do crédito tributário. Assim, o presente caso se trata de lançamento que visa resguardar o crédito dos efeitos da decadência. Da Impugnação Intimado pessoalmente dos lançamentos em 29/10/2008 (fl. 2), o RECORRENTE apresentou Impugnação de 78/96 em 28/11/2008. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo I/SP, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Da Impugnação Tempestivamente, a Autuada impugnou o lançamento através da defesa de fls. 75/93, juntando cópias de procurações e substabelecimentos, às fls. 94/106, alegando em síntese: DOS FATOS Após um breve relato dos fatos, esboça o entendimento da fiscalização, constante do relatório fiscal, de que sobre os pagamentos efetuado pela impugnante a título de ABONO ÚNICO incidem contribuição previdenciária, todavia, conforme Certidão de Objeto e Pé a exigibilidade do crédito previdenciário encontra-se suspensa. Ressalta que constou expressamente do relatório fiscal, bem como do r. despacho de fls. 60 do processo administrativo em referência, o reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos valores lançados por força de liminar no Mandado de Segurança n° 2005.61.00.024687-5 (fls. 17/33). Sem adentrar no mérito da exigência que é objeto de discussão no Poder Judiciário, há outras razões que o crédito tributário ora constituído não pode prevalecer, como se verá: a) estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por liminar em mandado segurança a aplicação de multa de ofício viola o disposto no art.63 da Lei n° 9.430/96; b) ainda que venha a se entender no processo judicial que os pagamentos feitos a título de "Abono Único" têm natureza salarial, de qualquer modo é indevida a cobrança ao INCRA; c) os juros moratórios jamais poderiam ser calculados na dimensão pretendida; e d) independentemente de serem devidos os valores lançados, não há que se falar em co- responsabilidade dos diretores. DO DIREITO Impossibilidade da exigência da multa lançada no caso concreto crédito estar com a exigibilidade suspensa Tendo em vista o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de liminar no Mandado de Segurança n° 2005.61.00.024687-5, revela-se manifestamente improcedente a aplicação no caso da multa de oficio, porquanto viola o disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/96, transcrevendo-o, entendimento este confirmado pelo art. 491 da IN MPS n° 03/2005. Da extinção da contribuição ao incra Fl. 187DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 Argúi não ser devida a contribuição ao Incra, pois a Lei n° 7.787/89 em seu art. 30, § 10 suprimiu as contribuições incidentes sobre a folha de salários destinadas ao PRORURAL, extinguindo, conseqüentemente, as contribuições ao INCRA e ao Funrural previstas no inciso II do art. 15 da LC n° 11/71. Afirma que a exação ao INCRA não tem natureza jurídica de Contribuiçao de Intervenção no Domínio Econômico -CIDE, inclusive este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, citando julgados. Acresce ainda que mesmo que se entenda ter esta contribuição natureza de CIDE, na esteira do que decidiu a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EDRESP n° 770.451-SC, DJ 11/06/2007), mesmo assim referida contribuição não seria devida, tendo em vista que este tributo não foi recepcionado pela nova ordem constitucional. Passa a discorrer sobre a legislação que instituíram e as alterações promovidas relativas as contribuições ao INCRA, afirmando em síntese, que a contribuição do artigo 30 do DL 1.146/70, modificada pelo artigo 15 da Lei Complementar 11/71 é, hoje, um adicional de 0,2% da contribuição previdenciária das empresas, a qual incide, nos termos da Lei n° 8.212/91, art. 22, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, ou seja, sobre a folha de salários, concluindo que a contribuição ao INCRA não foi recepcionada pela CF/88. Somente as contribuições existentes sobre a folha de salários que forem destinadas a entidades privadas vinculadas ao sistema sindical, cujo objetivo fosse o serviço social e a formação profissional foram recepcionadas pela Constituição Federal, como as contribuições ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio - SESC e do Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria - SENAI. Cita julgados a respeito. Saliente ainda que mesmo que se entendesse que a contribuição ao INCRA fora recepcionada pela CF/88, com a edição da Emenda Constitucional n° 33/01 tal argumento não mais merece guarida. Diante do exposto, não há interpretação possível que preserve no ordenamento jurídico a contribuição ao INCRA, porquanto o Constituinte Derivado expressamente estabeleceu que a incidência de contribuição de intervenção no domínio econômico somente poderá ter alíquotas ad valorem ou específica tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação, jamais permitindo a aplicação de tais alíquotas sobre a folha de salários, portanto, resta claro que tal contribuição não se coaduna com o texto constitucional vigente. DOS JUROS DE MORA Refere que não poderiam ser exigidos os juros a taxa Selic, pois além de ser uma figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do poder executivo e, ainda, extrapola o percentual de 1% previsto no CTN. Caso entenda-se válida a cobrança dos juros à taxa Selic, revela-se manifestamente indevida a cobrança de juros de mora de 1% quando a Selic for inferior a este percentual, como ocorreu nas competências de 11/2006, janeiro/2007, março/2007, maio/2007 a agosto/2007. O auto de infração lavrado não indica qualquer dispositivo legal que permita tal interpretação, muito pelo contrário, consta expressamente que os juros devem ser calculados a taxa SELIC. Da ausência de co-responsabilidade dos administradores pelos débitos lançados Não há que se falar nos autos em co-responsabilidade dos diretores. O artigo 13, parágrafo único da Lei n.° 8.620/93 estabelece que os administradores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens, nos casos de dolo ou culpa. Por outro lado também não restou comprovado a ocorrência das hipóteses previstas nos artigos Fl. 188DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 134, III, e 135 ?) do CTN para que seja imputada a responsabilidade tributária aos administradores, a foi invocado no auto de infração. Na verdade a fiscalização pretende imputar a responsabilidade solidária aos diretores por mero inadimplemento das contribuições previdenciárias, sem demonstrar que houve culpa destes e o correspondente nexo causal, o que neste caso não seria possível fazer esta prova, pois não ocorreu comportamento ilícito, pois o não pagamento dos valores lançados se deu ao amparo de ordem judicial. Desta forma, resta absolutamente improcedente a imputação de corresponsabilidade pessoal aos diretores apontados no presente auto de infração por eventual inadimplemento das contribuições previdenciárias lançadas, devendo ser cancelado o auto de infração quanto a esse aspecto. DO PEDIDO Ante o exposto, requer o Impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de ser reconhecida a insubsistência do auto de infração ora impugnado. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo I/SP, às fls. 113/125, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/2005 a 31/03/2006 AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. I - A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. II - A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que a formalização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata. III - Tratando-se de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justifica-se acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais, visto que indisponível o interesse público subjacente à controvérsia. MULTA .JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - e multa de mora, todos de caráter irrelevável. INCRA. A contribuição para o INCRA, por se tratar de exação não extinta com o advento da Lei n° 7.787/89 e exigível de todas as empresas, independentemente do ramo em que atuem. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. Fl. 189DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 O Relatório de Representantes Legais não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, intimado da decisão da DRJ em 06/04/2009, conforme AR de fls. 128, apresentou o recurso voluntário de fls. 131/151 em 06/05/2009. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE praticamente reiterou o alegado em sua Impugnação, deixando apenas de questionar a co-responsabilidade dos diretores. Ademais, acrescentou apenas a questão atinente à retroatividade benigna da penalidade, em razão das alterações trazidas pela MP 449, publicada em 04/12/2008. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO 1. Da Multa de Mora Em que pese discutir o lançamento do crédito na via Judicial, o RECORRENTE se utiliza da via administrativa para questionar matéria diversa do mérito da cobrança: a imposição de multa de mora quando suspensa a exigibilidade do tributo por decisão judicial proferida em Mandado de Segurança Preventivo, ou seja, antes mesmo da constituição do tributo. Fl. 190DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 Nos termos do art. 63, §2º da Lei nº 9.430/1996, a suspensão da exigibilidade do tributo em decorrência de decisão judicial interrompe a incidência da multa de mora, conforme adiante reproduzido: Lei nº 9.430/1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (...) §2º. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. No caso em questão, considerando-se que a exigibilidade do tributo restou suspensa antes mesmo de sua constituição, compreendo assistir razão ao RECORRENTE na medida em que não é possível, no presente caso, caracterizar a mora do contribuinte. É certo que, como bem determina o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, afastada a suspensão da exigibilidade judicialmente concedida, e apenas caso a liminar seja reformada, o contribuinte possui prazo de 30 dias para realizar o pagamento do débito, sem que seja atraída a penalidade moratória. Apenas após ultrapassado o prazo de 30 dias é possível ao Fisco configurar a violação à legislação tributária penalizada pela multa de mora. Em outras palavras, não pode o RECORRENTE ser penalizado por infração à legislação que “possivelmente” cometeria. Como dito, o crédito teve a exigibilidade suspensa por força da concessão de liminar em Mandado de Segurança (art. 151, IV do CTN), proferida no processo judicial nº 2005.61.024687-5 (NPU 0024687-79.2005.4.03.6100). Em consulta ao acompanhamento processual, verificou-se que apesar do RECORRENTE ter obtido decisão favorável em 1º instância, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), deu provimento à apelação/remessa necessária da União, e reconheceu a incidência das contribuições previdenciárias sobre o Abono Único, em decisão monocrática terminativa disponibilizada no dia 04/09/2008. Referida decisão foi, ainda, objeto de agravo interno e embargos de declaração, que tiveram provimento negado, conforme acórdãos publicados em 19/02/2009 e 02/07/2009, conforme informações obtidas através da página de acompanhamento processual do referido Tribunal Regional Federal da 3ª Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?numeroProcesso=002468 77920054036100). É fato que houve a interposição de sucessivos recursos contra tal decisão. O Recurso Especial foi admitido e remetido ao STJ, ao passo que o Recurso Extraordinário não foi admitido pelo TRF3, o que ensejou a interposição de agravo ao STF para destrancar o recurso. No STJ, o referido processo foi distribuído sob o nº REsp 1670265/SP e se encontra concluso com Ministra Assusete Magalhães, conforme pesquisa realizada no site do STJ. Não foram encontrados dados sobre o agravo remetido ao STF para destrancar o Recurso Extraordinário. Fl. 191DF CARF MF http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?numeroProcesso=00246877920054036100 http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?numeroProcesso=00246877920054036100 Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 Contudo, mesmo diante da existência de recursos ainda não julgados pelos Tribunais superiores, o termo final da suspensão da exigibilidade da multa de mora não é o trânsito em julgado do processo, mas sim os 30 dias subsequentes à decisão judicial que considerou devida o tributo, conforme prevê o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, anteriormente mencionado. Neste caso, a decisão judicial que considerou devida a incidência da contribuição previdenciária sobre o Abono Único foi a decisão monocrática terminativa do TRF3 disponibilizada no dia 04/09/2008, razão pela qual a partir do 31º dia a contar desta data passou a ser devida a multa de mora. Desta forma, assiste razão ao RECORRENTE quando afirma que a aplicação de multa de mora, no momento do lançamento, ocorreu em desconformidade com o que determina o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Contudo, ainda que se considere o termo inicial para contagem da incidência da multa de mora o 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devida a contribuição, numa análise preliminar, a conclusão seria para a manutenção da penalidade de mora, já que teria decorrido tempo suficiente para atingir o teto da multa que passou a ser aplicada após a nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (20% do valor do tributo). No entanto, no dia da sessão de julgamento, o representante do contribuinte trouxe da Tribuna informação de que, no dia 03/06/2019 (um dia antes da sessão de julgamento), apresentou petição neste processo através da qual acostou aos autos documentos esclarecendo que, em razão da revogação da medida liminar pelo TRF3, o RECORRENTE efetuou o depósito judicial no valor integral do débito no prazo de 30 dias previsto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, justamente para evitar a incidência da multa de mora (fls. 162/178). Da documentação anexa, constata-se que a decisão judicial que considerou devida a contribuição foi publicada em 05/09/2008 (sexta-feira), conforme fl. 176, e o depósito judicial no valor de R$ 2.595.839,32 foi realizado em 06/10/2008 (segunda-feira), de acordo com a guia de fl. 178. Diante da informação trazida pelo contribuinte, se foi feito o pagamento (depósito judicial) do montante do crédito tributário no período de 30 dias após a derrubada da decisão liminar, então não haveria que se falar em aplicação de multa de mora no presente caso, haja vista não ter começado a fluir o prazo para a aplicação da referida penalidade. Sendo assim, por ser um crédito tributário sub judice a unidade preparadora deve observar que a multa de mora somente deverá fluir a partir do 31ª dia após a decisão judicial que considerou devida a contribuição, exatamente conforme prevê o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Naturalmente, em tendo sido atendido o depósito judicial no referido prazo, não haverá que se falar em aplicação da multa de mora. Ademais, tal multa (se houver) deve ser limitada à 20% da obrigação principal, em razão da retroatividade benigna da penalidade, conforme esclarecido a seguir. Fl. 192DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 2. Da Retroatividade Benigna Quanto à alegação do RECORRENTE que a multa de mora deverá ser limitada ao percentual de 20%, e não de 30%, por força da retroatividade benigna da alteração posterior da redação do art. 35 da Lei nº8.212/1991 (pela MP 449/2008), que determinou que a incidência da multa de mora decorrente nos atrasos no pagamento das contribuições sociais seria paga nos moldes estipulados pelo art. 61 da Lei nº 9.430/1996, entendo que merecem prosperar o pleito do contribuinte. O CTN, em seu art. 106, inciso II, “c”, assim define: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. É notório que a alteração legislativa introduzida pela Lei nº 11.941/2009 implica em penalidade menos severa ao RECORRENTE, posto que reduz o teto da multa de mora para 20%, ao passo que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 permitia a aplicação de multa em patamares que poderia chegar a 100%. Importante esclarecer que, neste caso, não foi aplicada a multa incidente sobre os lançamentos de ofício (antiga multa GFIP do art. 32 da Lei nº 8.212/91 + a multa de mora do art. 35 da mesma lei, substituídas pela atual multa de 75% do art. 44 da Lei nº 9.430/96, conforme art. 35-A da Lei nº 8.212/91) tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito em razão da liminar em ação judicial. Assim, somente foi aplicada a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 em razão do atraso no pagamento das contribuições. Sendo assim, para verificar a retroatividade benigna, é de rigor apenas a comparação da multa prevista na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 com a multa prevista pela nova redação do mesmo dispositivo, sem envolver a comparação de outras multas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Assim, entendo que deve ser aplicado ao presente caso o limite para multa moratória de 20% previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. 3. Das Alegações De Inconstitucionalidade. Contribuição ao INCRA Alega o RECORRENTE que a cobrança da contribuição ao INCRA não se coaduna com o texto constitucional então vigente, além de alegar que teria sido extinta pela Lei nº 7.787/89. Conforme exposto, embora tais questões não sejam objeto de ação judicial apresentada pelo RECORRENTE e, em que pese os argumentos do contribuinte, este colegiado não é tribunal constitucional, ficando impossibilitado de reconhecer a inconstitucionalidade de qualquer norma. Fl. 193DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 Portanto, quanto a este tópico, entendo ser aplicável a Súmula CARF 02 e o caput do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para se manifestar sobre essa questão. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, conforme bem esclareceu a autoridade julgadora de primeira instância, o STJ já definiu (sob a sistemática dos Recursos Repetitivos) que a contribuição ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 7.787/89, como alega o RECORRENTE, permanecendo hígida sua cobrança. Neste sentido, transcrevo a tesa firmada após o julgamento do REsp 977.058: Tema 83: A parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) - destinada ao Incra não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91. Por ter sido sob a sistemática do art. 543-C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, não merece prosperar o inconformismo do RECORRENTE. 4. Dos Juros de Mora - SELIC O RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.” Fl. 194DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.163 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001192/2008-94 Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para limitar o montante referente à multa de mora ao percentual de 20%, devendo esta incidir a partir do 31º dia após a data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo lançado, devendo-se observar o trâmite processual decorrente do prosseguimento da demanda judicial no que se relaciona aos valores depositados em juízo, nos termos do voto acima. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.005658/2006-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.005658/200693 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.328 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 10 de julho de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente TELELISTAS REGIAO1 LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NO PAGAMENTO DE TRIBUTOS. ANOCALENDÁRIO 2001 INOVAÇÃO RECURSAL MATÉRIA NÃO IMPUGNADA IMPOSSIBILIDADE Não se conhece, em fase recursal, matéria que não tenha sido objeto de impugnação em primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 56 58 /2 00 6- 93 Fl. 217DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1217.489 5 Turma da DRJ/RJOI que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Auto de Infração lavrado contra a ora recorrente. Segue o relatório: Versa o presente processo sobre o auto de infração por meio do qual estão sendo exigidas da interessada acima qualificada multas de mora, no valor total de R$ 53.778,28, com base no art. 61 e §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430/1996, e juros de mora, no valor total de R$ 240,03, com base no art. 43 da Lei n° 9.430/1996, incidentes sobre os pagamentos declarados em DCTF,. elencados As fls. 41/42, todos com vencimentos no anocalendário de 2001, recolhidos em atraso. Inconformada, a interessada apresentou sua peça impugnatória a exigência, instaurando a fase litigiosa do processo, onde descreve a autuação, argüi a tempestividade e a decadência e alega, em síntese, que recolheu espontaneamente os impostos que serviram como base de cálculo dos créditos tributários exigidos no auto de infração, não entendendo porque quantia tão alta está sendo cobrada a titulo de multa moratória, ferindo o "principio da razoabilidade" e da "onerosidade excessiva". Encerra pedindo seja o Auto de Infração seja reduzido para o valor de R$ 240,03, eliminadose a multa moratória exigida ou reduzindoa ao percentual máximo de 2%, considerado razoável como punição moratória pelo Código Civil Brasileiro e pelo Código do Consumidor, para o devedor que paga espontaneamente. A recorrente foi cientificada da decisão em 17/03/2008 (fl 170) e apresentou o seu recurso voluntário em 15/04/2008 ( fl 173) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que não apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu não conheço. A DRJ assim decidiu o pleito (resumidamente): Ao pedir no item "a" da conclusão da peça impugnatória a redução do Auto de Infração para o valor de R$ 240,03, a interessada demonstrou acatar a cobrança do valor dos juros de mora, restringindo seus protestos apenas à exigência da multa moratória, que reconhece não ter recolhido. ... Destarte tendo os pagamento sido efetuados após o vencimento, mesmo que espontaneamente, cabe a exigência por meio do auto de infração objeto do presente processo da multa de mora não recolhida, descabendo a aplicação da mesma em percentual diferente do estabelecido na legislação especifica retrotranscrita. As arguições trazidas aos autos do presente processo pela interessada, referentes à inconstitucionalidade ou ilegalidade dos dispositivos normativos que Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10768.005658/200693 Acórdão n.º 1001001.328 S1C0T1 Fl. 3 3 permitem a exigência da multa de mora refogem à competência desta autoridade administrativa julgadora, por serem as mesmas da alçada dos órgãos judiciais. Não há ato do Supremo Tribunal Federal de declaração de inconstitucionalidade dos atos legais embasadores do feito. Portanto, o procedimento fiscal não ofende o principio da legalidade, porque tais atos não se acham com sua execução suspensa. Cabe ressaltar que a lei tem força vinculante para a administração, não lhe cabendo a opção de descumprila, principalmente ao se tratar de aplicação da legislação tributária, que se faz mediante atividade plenamente vinculada. Por outro lado, A 5° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, compete julgar, em primeira instância, os processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Seu Poder é limitado a examinar se os atos praticados pelos Agentes da Administração Federal estão de acordo com a lei e com os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores e aplicáveis ao caso. Portanto, não cabe ao julgador administrativo de primeira instância apreciar a legalidade ou constitucionalidade dos atos normativos expedidos pelas autoridades competentes, tampouco analisar sua coerência ou correlação com teorias e princípios jurídicos como requer a interessada. Assim, tendo a exigência sido corretamente efetuada com fulcro em bases legais vigentes, não cabe neste voto quaisquer ajustes em virtude de inconstitucionalidade ou ilegalidade protestada na peça impugnat6ria. Em seu recurso, a recorrente menciona que: A respeitável decisão de primeira instância julgou que os argumentos trazidos pela recorrente contra o lançamento ora guerreado não são passíveis de análise ou da alçada do ilustre Órgão Administrativo, posto que sua análise seria de competência dos órgãos judiciais. Entretanto, com o devido respeito, é da competência dos órgãos da administração pública analisar o mérito, cotejandoo com toda a legislação em vigor e entendimentos jurisprudenciais dominantes, a fim de que o caso concreto seja julgado de acordo com o entendimento corrente doutrinário e jurisprudencial, o que certamente dará ao administrado maior segurança em suas relações jurídicas. Assim é que passamos a expor o que segue. Passa a discorrer, então, sobre o artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, segundo o qual a denúncia espontânea exclui o pagamento de penalidades (seja ela multa de mora ou punitiva). Cita jurisprudência de tribunais superiores para embasar a sua opinião e culmina pedindo provimento ao recurso voluntário. Em seu recurso voluntário, fica claro que a recorrente inovou os argumentos em relação à impugnação. Em sua impugnação, a ora recorrente alegara, única e exclusivamente, aspectos de inconstitucionalidade da norma tributária: COMO PODE SER RAZOÁVEL A LAVRATURA DESTE AUTO À LUZ DA DEFINIÇÃO DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE ? ISTO SEM CONTAR QUE OS VALORES ALI CONTIDOS TAMBÉM INFRINGEM O PRINCÍPIO DA ONEROSIDADE EXCESSIVA. Fl. 219DF CARF MF 4 Assim temse a impugnante como injustamente autuada, pelo que pleiteia ao Sr. Julgador que acolha as razões expostas, e atenda aos seguintes requerimentos: a) Que este Auto de Infração seja reduzido a R$ 240,03, eliminando a multa moratória; ou b) Que a multa moratória seja reduzida a um máximo de 2%, valor que o nosso direito considera como razoável como punição moratória (vide o Código Civil Brasileiro e o Código do Consumidor) para o devedor que paga espontaneamente. Como antes dito, novo argumento foi apresentado pela recorrente. Assim, evidentemente, há que se observar o que dispõem os artigos 14 e 17, do Decreto 70.235/72. Ora, conforme o disposto no Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente atacada pelo sujeito passivo, quando da impugnação. Outrossim, é a impugnação que inicia e delimita a fase litigiosa, isto é, o presente processo administrativo. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Desta forma, uma vez que em primeira instância a Recorrente não arguiu os fatos que traz apenas no bojo do seu Recurso Voluntário, tal matéria encontrase fora dos contornos da presente lide, não podendo ser inaugurada nesta fase processual. Igualmente, salientase que a Contribuinte não tornou a tratar de nenhuma das alegações constantes em sua Impugnação inicial, logo, o presente Recurso não possui qualquer matéria passível de apreciação por este juízo sob pena de haver uma supressão de instância. Apenas por amor ao debate, mas, sem entrar demasiadamente no mérito, tal instituto (denúncia espontânea) não seria aplicável, ao caso em discussão, se levarmos em conta a súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual: SÚMULA. 360 STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.(grifei). Assim, ainda que o presente Recurso Voluntário tenha sido apresentado tempestivamente, não pode ter seu conteúdo conhecido sob pena de supressão do necessário duplo grau de jurisdição. Portanto, nego conhecimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10768.005658/200693 Acórdão n.º 1001001.328 S1C0T1 Fl. 4 5 Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.904884/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.041
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância proferida, que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente e manteve o Despacho Decisório, que não homologou a compensação requerida. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, por entender ausentes a liquidez e certeza do crédito pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 04 88 4/ 20 12 -4 0 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10283.904884/201240 Resolução nº 3201002.041 S3C2T1 Fl. 3 2 Após, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201002.033, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.904875/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201002.033): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Em que pese a Manifestação de Inconformidade ser muito breve, é importante considerar que o Despacho Decisório foi mais breve ainda e, em razão destes fatos, a materialidade da presente lide administrativa fiscal adquiriu substância somente com o julgamento em primeira instância e Recurso Voluntário. O contribuinte juntou ao Recurso Voluntário o mencionado acordo com o banco, assim como juntou o comprovante de pagamento em fls 41 e seguintes e Dacon em fls. 134 e seguintes. Sob o risco de devolver integralmente o valor recebido, o contribuinte diferiu a homologação ao longo do prazo do contrato com o banco e entende que seu pagamento antecipado da Cofins, é o próprio pagamento indevido, uma vez que está recolhendo, de forma dupla, o mesmo tributo, só que de forma diferida. Alega que retificou a Dacon e que está pagando duas vezes o mesmo tributo e, logo, na hipótese de não reconhecimento do pagamento indevido, estaria incorrendo em bitributação. Os documentos mencionados permitem a busca da verdade material neste caso em concreto. Em face do exposto, com fundamento na regra administrativa fiscal da busca da verdade material, votase para que ps autos sejam convertido em diligência para que: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10283.904884/201240 Resolução nº 3201002.041 S3C2T1 Fl. 4 3 Os autos retornem à unidade de origem para que a fiscalização aprecie o mérito em face dos documentos apresentados e também avalie na escrita fiscal e documentos juntados aos autos se é possível concluir que o contribuinte realmente diferiu e pagou novamente o mesmo tributo ou não. Após o relatório fiscal, deve ser aberta a vista ao contribuinte para seu pronunciamento. Cumprida a diligência, retornem os autos ao CARF." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: Os autos retornem à unidade de origem para que a fiscalização aprecie o mérito em face dos documentos apresentados e também avalie na escrita fiscal e documentos juntados aos autos se é possível concluir que o contribuinte realmente diferiu e pagou novamente o mesmo tributo ou não. Após o relatório fiscal, deve ser aberta a vista ao contribuinte para seu pronunciamento. Cumprida a diligência, retornem os autos ao CARF.." (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 182DF CARF MF
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