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Numero do processo: 10530.723755/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ.
Ano-calendário: 2006
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA
TEMPORÁRIA. FORNECIMENTO DE MATERIAIS E MEDICAMENTOS.
Não se considera unicamente fornecedora de mão-de-obra,
contratos que contemplem todo o fornecimento de materiais e produtos especializados para a consecução daquilo que é contratado.
Numero da decisão: 1301-000.653
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: Não Informado
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2006 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. FORNECIMENTO DE MATERIAIS E MEDICAMENTOS. Não se considera unicamente fornecedora de mãodeobra, contratos que contemplem todo o fornecimento de materiais e produtos especializados para a consecução daquilo que é contratado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Salvador/BA. Verificase no presente processo que se trata de autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e dos seus respectivos reflexos (fls. 03 – 34), decorrentes da apuração de receitas escrituradas e não oferecidas à tributação. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 35 – 40), os valores dos tributos lançados foram obtidos a partir das receitas escrituradas no Livro Diário da empresa (fls. 72 111), coincidentes com aquelas informadas em DIPJ, sendo que a empresa não declarou qualquer valor em DCTF. A apuração do IRPJ e da CSLL deuse com base no lucro presumido, opção exercida pela empresa em sua DIPJ. Devidamente notificada da autuação, a recorrente apresentou, Impugnação (fls. 199 – 230), acompanhada dos documentos de folhas 231 a 387, aduzindo em síntese, que desempenha a atividade de agenciamento/intermediação de mãodeobra temporária especializada, conforme contratos por ela firmados (fls. 248 320) e contrato social (fls. 234 243), havendo, erroneamente, a incidência do PIS e da Cofins, bem como do IRPJ e da CSLL, sobre encargos sociais e trabalhistas, restando tal incidência ilegal, afirmou, destarte, que aufere renda a partir do agenciamento de mãodeobra temporária especializada, mediante Taxa de Agenciamento (única e exclusivamente), sendo esta sua principal atividade, como se observa a partir da análise dos contratos anexos, os quais, por sua vez, seriam acompanhados de planilhas de custos dos trabalhadores agenciados (com destaque dos encargos trabalhistas e sociais). Destacou ainda que ao valor da mercadoria constante da nota fiscal de agenciamento de mãodeobra temporária, parâmetro atualmente utilizado como base de cálculo dos tributos lançados, agregamse diversos outros valores cujas naturezas são diametralmente distintas da receita e faturamento, como é o caso dos valores recebidos a título de encargos sociais e trabalhistas e que apenas transitam pela contabilidade da empresa, não lhe gerando qualquer receita (acréscimo patrimonial), mas tão somente um repasse de verbas. Sustentou no mais, que em relação ao PIS e à Cofins, o Pleno do Supremo Tribunal Federal considerou patentemente inconstitucional e ilegal a alteração do conceito de faturamento previsto no art. 195, I, da Constituição Federal, feita pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, quer seja antes ou depois da edição da EC nº 20/1998. Destacou que a Fiscalização teria ignorado os valores efetivamente recolhidos pela empresa, conforme DARF anexos, assim como aqueles retidos pelos tomadores dos serviços de agenciamento, conforme demonstrado pelas notas fiscais e demonstrativos que as acompanham, os quais deveriam, necessariamente, ser compensados na apuração do imposto devido. Quanto ao mérito, alegou a recorrente que o exercício das atividades prestadas pelas empresas de agenciamento e recrutamento de mãodeobra de caráter temporário especializado está disciplinado pela Lei nº 6.019, de 1974, e regulamentado pelo Decreto nº 73.841, de 1974, sendo definida pela referida lei como a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consista em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10530.723755/200998 Acórdão n.º 1301000.653 S1C3T1 Fl. 2 3 trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos que a atividade fim de tais empresas resumese na procura de trabalhadores que possuam o perfil exigido pela tomadora, atuando por meio de seleção de pessoal, cadastramento daqueles que cumprem os requisitos determinados pela cliente, bem como a intermediação do trabalhador com a empresa tomadora, tal como delineado no artigo 4º da Lei nº 6.019, de 1974 e que a atividade econômica de fornecimento de mãodeobra ou trabalho temporário especializado, regulada por lei, implica uma movimentação contábil vultosa, ainda que a receita não seja necessariamente grande para a empresa agenciadora, porquanto o contrato firmado com a empresa tomadora prevê, por força do próprio artigo 4º da Lei nº 6.019, de 1974, o pagamento de salários e encargos sociais enquanto reembolso ou repasse, cabendo à fornecedora faturar como seu apenas o montante acrescido da própria atividade, aquele percebido através da comissão, denominada taxa de agenciamento. Dito isso, afirmou que as partes significativas de suas entradas financeiras são meras transferências, visto que os valores percebidos a título de encargos sociais e trabalhistas e reembolsos são, integralmente, transferidos aos empregados então utilizados, não configurando receita e faturamento para a empresa agenciadora de mãodeobra, não podendo servir de base de cálculo de tais exações (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) já que o objeto do contrato entre a empresa locadora de mãodeobra e sua contratante, não é a prestação do serviço realizado pelos trabalhadores, mas sim a aproximação e a intermediação entre o trabalhador e a empresa tomadora, tecendo outras tantos considerações no mesmo sentido. Asseverou ainda, que considerando os devidos ajustes nas bases de cálculo dos tributos lançados, com a retirada dos encargos trabalhistas e sociais na apuração da receita bruta da empresa, como já exposto, e considerando os valores já recolhidos no período da autuação (DARF de fls. 325 329), bem como aqueles retidos pelos tomadores dos serviços de agenciamento quando de sua execução, conforme notas fiscais e demonstrativos que as acompanham (fls. 331 382), os valores devidos para os tributos em referência (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) encontravamse demonstrados nas planilhas apresentadas na impugnação, às folhas 222, 223, 225 e 226, respectivamente, requerendo, por oportuno, a improcedência da autuação. A 2ª Turma da DRJ de Salvador/BA, nos termos do acórdão e voto de folhas 399 a 411, julgou parcialmente procedente a exigência fiscal, fundamentando para tanto, que recorrente, na condição de agenciadora de mãodeobra, assume todos os custos operacionais correspondentes aos salários e encargos trabalhistas e sociais de seus empregados, devendo, portanto, reconhecer como receita o valor total recebido por tal serviço, seja a que título for. Relembrou, por oportuno, o conceito de faturamento para fins tributários, colacionando os artigos 219, parágrafo único e 279, todos do RIR/99, de sorte que o valor pago pelo tomador do serviço representa o pagamento do preço que é cobrado pela contribuinte em troca da locação da mãodeobra, ainda que neste preço estejam evidentemente incluídos os custos incorridos pela impugnante para que pudesse prestar a seu cliente o serviço de locação de mãodeobra temporária, registrando que tais encargos só poderiam ser utilizados como custos no caso de apuração do resultado pela sistemática do lucro real, sendo que, na sistemática do lucro presumido, são considerados indiretamente quando se tributa apenas um percentual da receita bruta auferida. Cotejouse na decisão recorrida os contratos juntados pela recorrente afirmandose que no caso específico, seriam muito claros no sentido de que a recorrente era Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 responsável pela execução dos serviços contratados, e não apenas pelo fornecimento de mão deobra, inclusive com aplicação de materiais, na forma dos artigos que definem o objeto de cada contrato. Feita essa apurada análise de cada contrato, concluiuse que o valor total faturado constitui a receita bruta da empresa autuada, não sendo correto o entendimento da contribuinte de que somente a taxa de administração consistiria em receita passível de incidência tributária. No que toca à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, verificou a decisão recorrida que não se aplicaria ao caso, pois a sua discussão, no judiciário, estaria adstrita ao alargamento da base tributável das contribuições sociais (PIS e Cofins), considerando a receita operacional e as demais receitas, independentemente da atividade da empresa ou da classificação contábil adotada, nos termos do § 1º do art. 3º desse dispositivo legal, e os lançamentos em tela são relativos às receitas operacionais auferidas pela empresa, que compõem o seu faturamento. Quanto às alegações de que não foram observadas, pelo autuante, os valores espontaneamente recolhidos e as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras dos serviços prestados, verificouse que a recorrente teria parcial razão, pois em relação aos valores retidos na fonte, a contribuinte anexou a planilha de folha 384, na qual procurou demonstrar retenções na fonte sobre receitas oriundas de serviços prestados aos seguintes clientes: Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), Prefeitura Municipal de São Francisco do Conde, Município de Feira de Santana e Prefeitura Municipal de Ilhéus, sendo certo que apesar de a impugnante não ter apresentado documento comprobatório de tais retenções, já que as notas fiscais anexadas não discriminam qualquer valor retido em relação aos tributos em exame, nem foram apresentados os respectivos comprovantes das retenções emitidos pelas fontes pagadora, constariam dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) da Prefeitura Municipal de Feira de Santana e do SERPRO (fls. 392 394), relativos ao ano de 2006, tendo como beneficiário dos rendimentos correspondentes a recorrente, cujos valores retidos, demonstrados na decisão recorrida por meio de gráfico ilustrado, deveriam ser utilizados na apuração dos tributos devidos. No que toca aos parciais recolhimentos que a recorrente sustentou ter efetuado, afirmou a decisão recorrida que pela análise dos documentos apresentados pela impugnante (fls. 325 329), de fato esta efetuado alguns recolhimentos de CSLL, PIS e Cofins, relativos ao ano objeto da autuação, antes do início do procedimento fiscal, recolhimentos esses confirmados em consulta aos sistemas informatizados da RFB (fls. 395 398) e, no entanto, ausente a declaração espontânea (antes de iniciado o procedimento fiscal), os valores dos débitos originais apurados deveriam ser constituídos de ofício em sua totalidade, devendo o recolhimento ser alocado ao lançamento, ressaltando que também deveria ser exonerada a multa de ofício proporcional aos valores espontaneamente recolhidos, dandose assim, pela parcial prevalência da autuação. Cientificada da decisão parcialmente desfavorável, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos já relatados e pugnando pela reforma da decisão recorrida na parte em que lhe foi desfavorável. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10530.723755/200998 Acórdão n.º 1301000.653 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Registrese de início que a parcial procedência à autuação concedida pela decisão recorrida, esvaziou a questão relativa às retenções e pagamentos já realizadas imputandoos para liquidação do débito constituído. Remanesce, portanto, questão atrelada ao mérito da autuação discutida, consistente em perquirir se a recorrente de fato omitiu receita ao considerarse como empresa prestadora de serviços de agenciamento de mãodeobra, e tributar somente o que chamou de “taxa de agenciamento”. O argumento da recorrente é deveras conhecido, consiste em afirmar que a maior parcela da movimentação de suas “receitas” financeiras são meras transferências, porquanto se ocupa unicamente de intermediar a contratação da mãodeobra especializada. Consistindose assim, em receita tributável unicamente aquela parcela correspondente ao agenciamento. Andou bem a decisão recorrida ao manter, quanto ao mérito da infração aqui discutida, a exigência fiscal. Anotese que a 2ª Turma da DRJ de Salvador/BA mesmo após superar formalmente o conceito de “receita” para fins tributários e evidenciar a obrigatoriedade de a recorrente computar os demais valores na base de cálculo dos tributos devidos na sistemática do lucro presumido, enfrentou com minudência os contratos que foram glosados pela Fiscalização (fls. 112 – 150), concluindo que não versaram unicamente acerca da intermediação de mãodeobra, pelo contrário, em todos a recorrente se obrigou à prestação dos serviços e ao fornecimento dos materiais necessários. Diante desse quadro fático, ainda que defensável a tese da recorrente quanto à exclusão das demais parcelas da base tributável, se esbarra na conjuntura daquilo que contratado. Colho, por oportuno, trecho no qual a decisão recorrida encerra a matéria ao cotejar os contratos juntados aos autos, observese, litteris (fls. 407 em diante): (...) No caso específico em exame, os contratos celebrados entre a autuada e seus clientes são muito claros no sentido de que a interessada é a responsável pela execução dos serviços contratados, e não apenas pelo fornecimento de mãodeobra, inclusive com aplicação de materiais, na forma dos artigos que definem o objeto de cada contrato, transcritos a seguir: Contrato com a Prefeitura Municipal de Feira de Santana (fls. 112/115) CLÁUSULA SEXTA – DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA (...) Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 6.2 – É de inteira responsabilidade da Contratada a execução dos serviços objeto deste contrato, não podendo ela eximirse, ainda que parcialmente, sendo ainda de sua responsabilidade, toda mãodeobra necessária a execução dos trabalhos, utilizando pessoa selecionado e habilitado, além de material necessário a efetivação dos serviços; 6.3 – Obrigase a Contratada a fornecer a Contratante, mensalmente e até o quinto dia útil de cada mês, relação nominal de todos os seus empregados, bem como cópias reprográficas devidamente autenticadas dos comprovantes de quitação de todas as obrigações sociais; (...) Contrato com a Prefeitura Municipal de Ilhéus (fls. 116/127) OBJETO, REGIME DE CONTRATAÇÃO E PREÇO Prestação dos serviços de cogestão na área médica ambulatorial e paramédica durante 24 horas/dia, com fornecimento de medicamentos, material de consumo em geral, objetivando os procedimentos e atendimento conforme descrito no anexo IV do edital. A cogestão dos serviços nos postos de saúde dos Bairros Teotônio Vilela, Sara, Urbis e Nelson Costa, em Ilhéus/Ba, iniciará de acordo com a expedição da ordem de serviços emitida pela Secretaria Municipal de Saúde. A contratação, objeto deste Contrato, será executada pelo regime de preço global estimado; (...) Contrato com o SERPRO (fls. 128/150) CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO – Prestação dos Serviços de Medicina do Trabalho e Enfermagem do Trabalho, que deverá, também, ser responsável pelo fornecimento de medicamentos e materiais especializados necessários, em situações de emergências médicas, ao atendimento aos empregados do Serpro, na forma especificada na subcláusula 2.1 a seguir, obrigandose a executálo nas condições estabelecidas, consoante Edital de Pregão nº 0005/2003 – SERPRO Regional Salvador de 20/11/2003 e seus Anexos, bem como Proposta Escrita/Lance Verbal de 03/12/2003 constantes do aludido Processo às folhas 236 e 241, respectivamente. (...) (grifos do original) Atentese, portanto, que não há margem de dúvida no caso em exame, mesmo que se admita que nas empresas fornecedoras de mãodeobra a receita tributável no lucro presumido seja apenas a taxa de intermediação, sugestão dada para os fins de argumentar, a recorrente esbarraria no constatado óbice fático de ter extrapolado esse limite nos contratos Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10530.723755/200998 Acórdão n.º 1301000.653 S1C3T1 Fl. 4 7 glosados pela Fiscalização. Ora, ficou evidenciada à exaustão que em todos os contratos celebrados, a recorrente era responsável pelo pessoal e pelo fornecimento dos medicamentos e matérias especializados. Não merece, portanto, qualquer censura a decisão recorrida, que cotejou com acerto a circunstância de fato envolvida no presente processo reconhecendo os parciais pagamentos e retenções, mas no mérito, mantendo inalterada a autuação. Dito isso, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 04 de agostode 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 10920.006628/2007-75
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS
E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE
PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 1997
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE
Ao reproduzir no recurso voluntário, “ipsis literis” a peça contestatória sem
apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro à decisão
proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os
fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos
pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade,
segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da
pretensão à reforma.
PRELIMINAR DE NULIDADE.
Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do
Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar
em nulidade do procedimento fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO
NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para
se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº
2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para
discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a
constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida
ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa
dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela
própria Constituição Federal.
EXCLUSÃORETROATIVIDADE
DO ATO DECLARATÓRIO. O
ato de exclusão é meramente declaratório, e os efeitos da exclusão se
produzem a partir do mês subsequente ao em que for incorrida a
situação excludente.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1803-001.233
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto
que acompanham o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor
Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 1997 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Ao reproduzir no recurso voluntário, “ipsis literis” a peça contestatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro à decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. EXCLUSÃORETROATIVIDADE DO ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão é meramente declaratório, e os efeitos da exclusão se produzem a partir do mês subsequente ao em que for incorrida a situação excludente. Recurso Negado.
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PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 244 2 EXCLUSÃO RETROATIVIDADE DO ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão é meramente declaratório, e os efeitos da exclusão se produzem a partir do mês subsequente ao em que for incorrida a situação excludente. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0625.253 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 104 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Trata o processo de exclusão da ora reclamante, da sistemática do Simples, e por meio do Ato Declaratório Executivo n 2 104 (fl. 89), de 02 de junho de 2008, de emissão do Delegado da Receita Federal em JoinvilleSC, com efeitos a partir de 04/03/1997, fundamentado na prática reiterada de infração à legislação tributária, em afronta ao disposto no inciso V do artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996. 2. A ação que culminou com a exclusão da contribuinte ao Simples teve origem em Representação Administrativa (fls.01/15) e foi instruída com os documentos de fls. 16 a 82. Na análise a Seção de Controle e Acompanhamento TributárioSACAT propôs a exclusão da contribuinte ao Simples, em face da caracterização de hipótese que não permite a sua permanência na sistemática. 3. Cientificada do feito em 19/06/2008 (fls.90), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls.91/94), onde alega que sua exclusão se revela Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 245 3 precipitada e antijurídica, pois a) em relação às supostas irregularidades arguidas nos lançamentos, apresentou impugnação, não havendo em nenhum dos casos, decisão definitiva; b) que tais lançamentos estão com sua exigibilidade suspensa, por força do disposto no inciso III do art. 151 do CTN; c) que não poderia ter sido efetuada sua exclusão ao Simples, sem estarem efetivamente constituídos os atos fiscais que motivaram a representação; d) que enquanto não consolidados os lançamentos, o ato declaratório é nulo de pleno direito e; que, se ao final restar comprovada a improcedência dos lançamentos, restará sem efeito a razão motivadora de sua exclusão. 4. No tópico seguintes, levanta a preliminar de decadência, posto que a autuação abrangeu período de 10 (dez) anos, sob a égide dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991; que o lançamento é inconstitucional, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal que emitiu a Súmula Vinculante nº 08 e, em assim sendo, os períodos de competência que já foram atingidos pela decadência não podem ser considerados para fins de efeito do ato de exclusão, conforme disposição do art. 1" do Decreto n" 2.346, de 1997. 5. Sobre as irregularidades apontadas pelo fisco afirma que em relação aos fatos geradores e/ou procedimentos que entendeu como devidos, as informações, escrituração contábil e recolhimentos tributários, estes foram efetuados normalmente, à época própria e no prazo legal e que, outros procedimentos que no seu entender são indevidos estão sendo objeto de discussão, em processos autônomos. Quanto à exclusão em si, argumenta que seus efeitos só podem alcançar os fatos supervenientes ao entendimento da SRF, por força do princípio da segurança jurídica, devendo, também, ser respeitado o espírito dos comandos constitucionais que garantem tratamento jurídico diferenciado e favorecido às empresas de pequeno porte. Pede o cancelamento do ato ora atacado”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 28/01/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0625.253 entendendo “por unanimidade de votos afastar as preliminares levantadas e, no mérito, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e assim, indeferir o pedido de reforma do ato de exclusão ao Simples”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 04/03/1997 OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 246 4 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que infringe a legislação tributária deve ser excluído do Simples de ofício com efeitos a partir do mês em que fique caracterizada a reiteração na prática infracional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/03/1997 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do procedimento fiscal, quando comprovado que não houve cerceamento do direito de defesa, e foram cumpridos os demais requisitos previstos no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972). EXCLUSÃO DO SIMPLES DECADÊNCIA A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias e; eventual alegação de decadência deve ser oposta no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso porventura sejam constituídos de ofício. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio”. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/02/2010, (AR constante das fls. 109v) a PRINCIPE TRANSPORTES E TURISMO LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0625.253, recorre em 05/03/2010 (111 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 0625.253, a Recorrente, no recurso voluntário, limitouse a reproduzir, Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 247 5 “ipsis literis” a peça contestatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba – PR. Na verdade não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada. Assim procedendo, a Recorrente feriu o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem ser dialéticos e discursivos; devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. Na verdade o princípio da dialeticidade consiste no dever do recorrente de indicar todas as razões de direito e de fato que dão base ao seu recurso, visto ser impossível ao CARF avaliar os vícios existentes na decisão de primeiro grau, sem que o interessado apresente todas as suas razões. Sobre o assunto, leciona Nelson Nery Júnior: “(...) o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. O recorrente deverá declinar o porquê do pedido de reexame da decisão. (...) As razões do recurso são elemento indispensável a que o tribunal, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderandoas em confronto com os motivos da decisão recorrida. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, é necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial” (Nelson Nery Júnior in “Teoria geral dos Recursos”. São Paulo; Ed. Revista dos Tribunais, 2004, p. 176 e 177). Analisando o tema o Superior Tribunal de Justiça, assim decidiu “verbis”: “(...) o presente recurso não tem porte para infirmar a decisão recorrida, pois restringiuse o agravante, a reiterar ipsis literis, os motivos expendidos no especial; Consequentemente, o presente agravo não impugna, como seria de rigor, o fundamento da decisão recorrida, circunstância que obsta, por si só, o acolhimento da pretensão recursal” (AG nº. 479378/RJ, rel. Ministro Barros Monteiro, DJ de 14/2/2003). “(...)Ao interpor o recurso de apelação, deve o recorrente impugnar especificamente os fundamentos da sentença, não sendo suficiente a mera remissão aos termos da petição inicial e a outros documentos constantes nos autos. Precedentes.” (REsp nº. 722.008/RJ, rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, j. em 22/5/2007). Diante a ação deliberada da Recorrente em desconsiderar todos os argumentos apresentados pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 28/01/2010, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0625.253, meu entendimento inicial conduzia para não reconhecer do recurso voluntário. Porém, Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 248 6 buscando o fim maior do processo administrativo fiscal, que é a verdade material, passo a analisar a decisão de decisão de primeiro grau como se o recurso estivesse posto. Primeiramente, quero me ater a preliminar de nulidade do procedimento fiscal. Entendo que a preliminar de nulidade do procedimento fiscal é descabida, pois vejo que o procedimento fiscal foi realizado segundo as determinações contidas no art. 142 do CTN e o auto de infração foi lavrado com observância dos requisitos prescritos pelo art. 10 do Decreto nº. 70.235/72. Passando a questão maior dos autos, que é saber o motivo que ensejou a exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Para elucidar a questão, trago a tona parte do relatório da representação fiscal, constante das fls. 85 dos autos, “verbis”: Diante do visto acima existem seis situações apontadas no MPF, quais sejam: a) elementos que, em tese, sugeriam a existência de Grupo Econômico; b) empregados não registrados, sendo que os valores pagos aos mesmos não eram contabilizados; c) não foram contabilizadas as movimentações financeiras das Contas nºs 10.1782 e 3.2301; Agências Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 249 7 2.4899 e 3.1550 respectivamente, em que a Recorrente figura como titular; d) A Recorrente também adquiriu carrocerias, ônibus e veículos de passeio nos anos de 2005 e 2006 efetuando registro contábil dos mesmos que não coaduna com a boa técnica contábil, além de não terem sido identificados os pagamentos relativos às notas fiscais de compra apresentadas (fls. 11/12); e) As despesas com causas trabalhistas também não foram escrituradas; e f) A Recorrente apresenta faturamento mensal, sem a contrapartida de pagamentos de salários. Porém, não houve tanto na impugnação quanto no Recurso (esta último, como já dito uma copia do primeiro) qualquer argumentação fática, limitandose unicamente a afirmar, às fls. 93 e 94 (impugnação) e 115 (recurso) o seguinte: Diante dos espartanos argumentos acima, vejo que o Recorrente não trouxe argumentos para impugnar o ato de exclusão, como também não apresentou os números dos referidos “processos autônomos” nem tampouco qual a fase que se encontram. Desta forma, a mera informação de que existem “processos autônomos” não pode ter o condão de suspender o ato de exclusão do simples. Observando os documentos que constam dos autos, fica claro que a Recorrente, sistematicamente e durante todo o período abrangido no MPF, manteve movimentação de valores à margem da escrituração, não escrituração de despesas, atos que por si só autorizam a exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES nos termos do artigo 14, V da Lei nº. 9.317/1996. Diante desse fato e utilização os preceitos do § 3° do art. 15 da mesma Lei nº. 9.317/96, a exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo tributário. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 250 8 Até porque, o ato de exclusão é meramente declaratório, uma vez que os efeitos da exclusão se produzem a partir do mês subsequente ao em que for incorrida a situação excludente, conforme dispõe o inciso II do art. 15 da Lei 9.317/96. Alega também a Recorrente às fls 92 e 93 da impugnação e fls. 113 e 114 do recurso voluntário que tratam da suposta decadência, a seguir transcrito: “a) da decadência 1. Conforme se depreende dos lançamentos que originaram a representação, quase todos, senão todos os fatos geradores apontados já incorreram em decadência, porquanto a ação fiscal abrangeu um período de 10 (dez) anos, sob a égide dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991. 2. Ora, referido procedimento é manifestamente inconstitucional, conforme, inclusive, recente julgado do Egrégio Supremo Tribunal Federal, o que motivou aquela Corte à emissão da Súmula Vinculante n° 8, e que tem a seguinte dicção: ‘São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.56911977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário’. (Grifamos) 3. Destarte, como exposto, os lançamentos efetuados ou informações consideradas relativamente a fatos geradores em relação aos quais já ocorreu a respectiva decadência, são nulos de pleno direito e não geram nenhum efeito sob a ótica jurídica”. Vejo que em relação a esse tópico houve uma confusão de conceitos por parte da Recorrente, tendo em vista que não existe decadência, tendo em vista que os fundamentos de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES não tratam de ausência de recolhimento de tributos e sim de pratica reiterada de atos vedados pela legislação de regência do sistema. Caso isso não fosse suficiente para manter a exclusão da Recorrente, observando os documentos que constam dos autos, fica claro que a Recorrente, sistematicamente e durante todo o período abrangido no MPF, integrava um grupo econômico, inclusive com o nome bem similar: A sociedade Transportadora Príncipe Ltda inscrita no CNPJ/MF nº. 82.608.548/000183e a empresa Transportes Dressel Ltda., inscrita no CNPJ/MF nº. 9.670.550/000178. Observando os autos, constato que a Recorrente, possui o seguinte quadro de representantes legais: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 251 9 Já a sociedade Transportadora Príncipe Ltda., CNPJ/MF nº. 82.608.548/000183, possui o seguinte quadro de representantes legais: Observando as participações societárias não resta dúvida que a Recorrente faz parta de um grupo econômico de fato de propriedade dos integrantes da Família Dressel o que impede a sua manutenção no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Isso porque o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES não é, simplesmente, um método de administração tributária; tratase de um verdadeiro Instituto Jurídico de nível constitucional que fora introduzido, no ordenamento Brasileiro, pelo constituinte originário e aperfeiçoado pelo constituinte derivado. A arquitetura jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES obedeceu a dois princípios fundamentais que estão escritos na Constituição da República e direcionados às microempresas e às empresas de pequeno porte: a) Com tratamento favorecido (inciso X do art. 170 da CF/88); e b) Com tratamento Diferenciado (art.179 da CF/88). Durante dos fatos tidos como puníveis, a Administração do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES era realizada tomando por base as determinações do Decreto nº. 6.038/ 2007 que instituiu o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – CGSN. E, O artigo 12 da Resolução CGSN nº. 4/2007 (e suas alterações) traz uma lista expressa de 25 situações que impedem a fruição do tratamento favorecido, conforme pode ser visto abaixo: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 252 10 “Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: I que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); II – de cujo capital participe outra pessoa jurídica; III – (...) IV – de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos da Lei Complementar nº 123, de 2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso I do caput deste artigo; V – cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada pela Lei Complementar nº 123, de 2006, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso I do caput deste artigo; VI – cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso I do caput deste artigo; VII – (...)” A breve leitura da lista acima já demonstra que existem restrições postas em razão da atividade ou atividades conjugadas desenvolvidas pelas sociedades. Para aferição da concretude destas proibições, por atividade, são irrelevantes as declarações dos contribuintes postas em atos societários, como acontece na declaração do objeto social em contratos ou estatutos de constituição, ou mesmo em declarações cadastrais às instituições de administração tributária, creditícias, classistas ou previdenciárias. Aferese a proibição pelo conteúdo econômico o que acontece no caso da Recorrente. E, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão recorrida é de ser confirmada por seus próprios fundamentos. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso para manter a exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES com efeitos a contar de 04/03/1997. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10920.006628/200775 Acórdão n.º 1803001.233 S1TE03 Fl. 253 11 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 4/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
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Numero do processo: 10980.009570/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano calendário: 2012
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Conforme decidido pelo
Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo cujos débitos foram antes declarados à Receita Federal. Nesse contexto, não há que se falar em
denúncia espontânea.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1402-001.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrente MATESC MATERIAL ESCOLAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo cujos débitos foram antes declarados à Receita Federal. Nesse contexto, não há que se falar em denúncia espontânea. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.009570/200464 Acórdão n.º 140201.051 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório MATESC MATERIAL ESCOLAR LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face do indeferimento do pedido de restituição protocolizado em 30/04/2004 (fls. 03 a 06) e referente a valores recolhidos pelo interessado no montante de R$ 2.142,07, a título de multa de mora sobre parcelas da CSLL, que, conforme planilha de fl. 10, teriam sido pagas no período entre 31/01/1995 e 20/08/2002. 2. Conforme se verifica às fls. 29/30, o pedido, apreciado pelo Seort da DRF em Curitiba, foi indeferido em 11/08/2004, com base nos seguintes fundamentos: 1) o dispositivo contido no art. 138 do CTN não exime o contribuinte da multa de mora prevista nos termos do art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, visto que referida multa não apresenta caráter punitivo, mas sim indenizatório; 2) ademais disso, verificase prejudicado o pedido, na parte referente a pagamentos efetuados antes de 30/04/1999, tendo em vista o transcurso do prazo decadencial concernente ao direito de o interessado pleitear a restituição. 3. Regularmente cientificado (por AR – fl. 32) em 17/08/2004, o contribuinte, por meio de seus procuradores legalmente constituídos (fl. 12), juntou aos autos os documentos de fls. 43 a 47 (DARF de IRRF) e impugnou o despacho decisório em 01/09/2004, conforme fls. 33 a 42, apresentando contrarazões onde, em síntese: 1) relativamente à decadência que teria prejudicado parte do pedido de restituição em exame, alega que os dispositivos legais aplicáveis à espécie são aqueles contidos no § 4º do art. 150 e no inciso VII do art. 156 ambos do CTN que, combinados com o disposto pelo inciso I do art. 168 do precitado diploma, esteiam o entendimento de que o contribuinte dispõe de um prazo de dez anos para requerer o reconhecimento do indébito. 2) em apoio à supracitada exegese, transcreve arestos coligidos junto aos Tribunais Regionais Federais da 1a. e da 4a. Regiões, e argumenta que a extinção do crédito tributário ocorre cinco anos após o pagamento do tributo ou contribuição com a respectiva homologação tácita, sendo que só a partir desta data é que, então, se inicia a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte pleiteie a restituição do tributo recolhido indevidamente. 3) quanto ao direito creditório vindicado, sustenta que os pagamentos feitos com atraso foram, todavia, efetuados antes de qualquer iniciativa do Fisco, acrescidos de juros de mora, razão pela qual entende estarem preenchidos, na espécie, os requisitos exigidos pelo art. 138 do CTN para que se exclua a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento das multas moratórias incidentes sobre os valores pagos “à vista”. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.009570/200464 Acórdão n.º 140201.051 S1C4T2 Fl. 0 3 4) argumenta que o propósito do referido art. 138 é justamente incentivar os contribuintes inadimplentes a regularizarem, por vontade própria, sua situação perante o Fisco, o que se concretiza pela exclusão da responsabilidade pela infração cometida pelo denunciante e, conseqüentemente, pela (não) imposição de qualquer tipo de penalidade. 5) em apoio à sua argumentação, transcreve arestos coligidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, da qual extrai a conclusão de que, uma vez efetuada a denúncia espontânea, não pode o Fisco aplicar ao contribuinte denunciante qualquer espécie de penalidade. 6) por último, traz à colação cópias de DARF de fls. 44 a 47, para contestar o despacho decisório ora hostilizado, também na parte referente à não confirmação pelos sistemas informatizados da Receita Federal (SINAL09) de pagamentos de multas moratórias alusivas a recolhimentos realizados a título de IRRF. 4. Após a impugnação, dado o fato de que o pedido de restituição originalmente formalizado pelo contribuinte era referente a multas de mora pagas sobre diferentes tributos e contribuições federais, a matéria pertinente aos pagamentos realizados sobre o valor do CSLL foi apartada do PAF n.º 10980.002777/200416, de molde a propiciar o seu adequado julgamento, razão pela qual foi constituído o presente processo administrativo. A decisão recorrida está assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002, 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Indeferese o pedido de restituição de multa de mora paga juntamente com o tributo ou contribuição, uma vez que a sanção moratória está fundada em legislação tributária em plena vigência, não se podendo alegar, no caso, a denúncia espontânea. Solicitação indeferida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.009570/200464 Acórdão n.º 140201.051 S1C4T2 Fl. 0 4 Mediante resolução 140200.081 de 5/8/2011, o julgamento foi convertido em diligência para os seguintes fins: “(...) No recurso voluntário, fls. 62 e seguintes, o contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória. Pois bem, não consta nos autos se os valores que o contribuinte pleiteia restituição foram objeto de declarações/confissões anteriores ao recolhimento. Em face da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, que deve ser aplicada neste Conselho, à luz do artigo 62A do Regimento Interno em vigor, proponho a conversão do julgamento em diligência para verificar se os tributos sobre os quais incidiram a multa moratório foram objeto de declaração em DCTF ou DIPJ. (...)” Consoante Informação Fiscal de fl. 101 foi verificado que o contribuinte informou os débitos nas DCTF de fls. 86 a 92. Ato continuo, o processo retornou ao CARF para prosseguimento. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.009570/200464 Acórdão n.º 140201.051 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de restituição de multas de mora recolhidas pelo contribuinte nos pagamentos de tributos federais em atraso, discriminadas no relatório de fls. 8 a 10, que foi indeferido pela DRJ e DRF, com base nos seguintes fundamentos: 1) o dispositivo contido no art. 138 do CTN não exime o contribuinte da multa de mora prevista nos termos do art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, visto que referida multa não apresenta caráter punitivo, mas sim indenizatório; 2) ademais disso, verificase prejudicado o pedido, na parte referente a pagamentos efetuados antes de 30/04/1999, tendo em vista o transcurso do prazo decadencial concernente ao direito de o interessado pleitear a restituição. No recurso voluntário, fls. 62 e seguintes, o contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória. Uma vez que não consta nos autos se os valores que o contribuinte pleiteia restituição foram objeto de declarações/confissões anteriores ao recolhimento e considerando a face da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, que deve ser aplicada neste Conselho, à luz do artigo 62A do Regimento Interno em vigor, o julgamento foi conversão do julgamento em diligência para verificar se os tributos sobre os quais incidiram a multa moratório foram objeto de declaração em DCTF ou DIPJ. Pois bem, consoante apurado na diligência fiscal, os valores pagos em atraso foram declarados pelo contribuinte tanto em DCTF quanto em DIPJ, conforme documentos de fls. 82 a 90, sendo assim, não há que se falar em denúncia espontânea, sendo cabível a exigência da multa de mora. Consultando os julgados do STJ em matéria repetitiva, verificase a seguinte decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.009570/200464 Acórdão n.º 140201.051 S1C4T2 Fl. 0 6 PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). (...) 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifei). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10509.000191/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 09/05/2000
RECOLHIMENTO DOS DÉBITOS LANÇADOS EM AUTO DE INFRAÇÃO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. PERDA DE OBJETO.
Comprovado que o pagamento informado pelo contribuinte corresponde aos débitos constantes do lançamento, há de se reconhecer a extinção do litígio administrativo
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.417
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 09/05/2000 RECOLHIMENTO DOS DÉBITOS LANÇADOS EM AUTO DE INFRAÇÃO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. PERDA DE OBJETO. Comprovado que o pagamento informado pelo contribuinte corresponde aos débitos constantes do lançamento, há de se reconhecer a extinção do litígio administrativo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Relatório A Recorrente qualificada acima, protocolou em 02/05/2002 pedido de admissão temporária com utilização econômica para as mercadorias declaradas na DI nº 02/04152148. Em razão da demora da autoridade fiscal em conceder o pedido, foi impetrado Mandado de Segurança apreciado na 7ª Vara da Justiça Federal em Salvador, com pedido de liberação da mercadoria objeto de pedido de admissão. A Recorrente obteve decisão liminar favorável. Cientificado da decisão judicial, a Fiscalização Aduaneira promoveu a entrega da mercadoria, sem a conclusão da instrução do pedido de admissão e sem a conferência física. Em 03/01/2003, a autoridade fiscal cientificou a Recorrente do indeferimento do pedido de admissão exigindo a comprovação da destinação ao exterior da mercadoria ou o recolhimento dos tributos devidos em decorrência de despacho para consumo. Não sendo atendido a determinação do órgão fazendário, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo os tributos devidos com a correspondente multa de ofício e cobrança dos juros moratórios. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou manifestação de inconformidade, onde alega que a demora na decisão da Receita Federal aconteceu em razão de movimento grevista que estava sendo adotado à época do pedido de admissão temporária. Com a obtenção da medida judicial, foi necessário decidir de forma imediata sobre a conferência física, e tendo em vista, a necessidade urgente de liberação do equipamento e ainda, receosa de ocorrer demora no procedimento, aceitou assinar o termo apresentado pela fiscalização, abrindo mão da conferência física da mercadoria e portanto, não agiu de máfé. A Delegacia de Julgamento decidiu não conhecer da impugnação, por entender que o recurso quanto ao indeferimento de pedido de admissão temporária, cabe ao Superintendente da Receita Federal e por não existir questionamentos quanto a cobrança dos tributos. A decisão da DRJ foi assim ementada. "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/05/2002 REGIME DE ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. 1. A decisão sobre o pedido de concessão do regime de especial de admissão temporária compete ao titular da unidade da Receita Federal responsável pelo despacho aduaneiro da mercadoria, facultado, em caso de indeferimento, recurso para o Superintendente Regional da Receita Federal da respectiva região fiscal, não sendo cabível o reexame da matéria pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. 2. Havendo lançamento de oficio decorrente do indeferimento do pedido de concessão de regime de admissão temporária, a apreciação do litígio por parte das DRJ baseiase na premissa da inaplicabilidade do beneficio fiscal tal como decidido pelas autoridades administrativas competentes. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10509.000191/200301 Acórdão n.º 310201.417 S3C1T2 Fl. 2 3 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarse não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente questionada pelo impugnante. Impugnação não Conhecida" Cientificada da decisão de primeira instância. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. Em 15/02/2008, veio a Recorrente aos autos, informando que realizou o pagamento dos débitos discutidos no presente processo, por meio dos DARF às fls. 191 e 192, pedindo o arquivamento do processo. Os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, ao apreciar o Recurso Voluntário, resolveram baixar os autos em diligência para que a unidade preparadora confirmasse os recolhimentos apresentados e se os valores recolhidos extinguiam todos os débitos constantes do processo. A unidade de origem procedeu a diligência, concluindo pela procedência dos recolhimento que extinguiram totalmente os débitos em discussão no presente processo. (fl. 202). Concluída a diligência, retornaram os autos a este Conselho, sendo sorteados a este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Nos termos do relatório da diligência fiscal, os recolhimentos, realizados pelo contribuinte, extinguiram totalmente os débitos constantes do auto de infração controlado no presente processo. O pagamento é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. sendo comprovado a ocorrência do pagamento dos débitos, há de se reconhecer que não mais existe litígio em discussão, o que implica na perda do objeto do presente processo. Diante do exposto, voto no sentido de na conhecer do recurso por falta de objeto. Winderley Morais Pereira Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000102/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE.
De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares
da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.”
Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo quanto aos valores depositados nas contas conjuntas.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00.
“Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61).
Hipótese em que o somatório dos valores inferiores a R$ 12.000,00 é inferior a R$ 80.000,00.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.330
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo quanto aos valores depositados nas contas conjuntas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61). Hipótese em que o somatório dos valores inferiores a R$ 12.000,00 é inferior a R$ 80.000,00. Recurso provido.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.º 29, “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo quanto aos valores depositados nas contas conjuntas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física” (Súmula CARF 61). Hipótese em que o somatório dos valores inferiores a R$ 12.000,00 é inferior a R$ 80.000,00. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fl. 359DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/11/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 16004.000102/200891 Acórdão n.º 210101.330 S2C1T1 Fl. 357 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 327/352) interposto em 17 de outubro de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 308/323), do qual o Recorrente teve ciência em 17 de setembro de 2008 (fl. 326), que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de cerceamento de defesa e julgou procedente o auto de infração de fls. 272/274, lavrado em 21 de janeiro de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada no anocalendário de 2005. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que ao interessado foi franqueado pleno acesso as provas que embasaram a autuação e que as infrações e circunstâncias da autuação encontramse detalhadas nos autos. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Fl. 360DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/11/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 16004.000102/200891 Acórdão n.º 210101.330 S2C1T1 Fl. 358 3 A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%). A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração da multa de oficio, consubstanciadas pela tentativa de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto, é de se manter a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Lançamento Procedente” (fls. 308/309). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 327/352, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, o recurso voluntário interposto cingese à aferição da regularidade do lançamento tributário, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada listados no “demonstrativo dos créditos de origem não comprovada” de fl. 258. Antes de analisar qualquer alegação contida no recurso voluntário, cumpre observar que, compulsandose a ficha cadastral acostada às fls. 42/43, relativa à conta corrente mantida no Banco Bradesco S.A., verificase que a conta do Recorrente em referida instituição financeira é conjunta. De fato, consoante se atesta dos extratos bancários colacionados aos autos, as contas bancárias mantidas junto ao Banco Bradesco são de titularidade do Recorrente em conjunto com a sua esposa, razão pela qual, de acordo com o disposto pelo art. 42, §6º, deveria a fiscalização, quando do processo fiscalizatório, ter intimado referida cotitular, e, se fosse o caso, rateado os valores depositados entre os referidos titulares. Neste sentido, cumpre trazer à baila o quanto disposto pelo referido dispositivo legal, in verbis: “Art. 42. (...) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos Fl. 361DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/11/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 16004.000102/200891 Acórdão n.º 210101.330 S2C1T1 Fl. 359 4 titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” No entanto, muito embora fosse conjunta, a cotitular do Recorrente nunca foi intimada para demonstrar a origem dos depósitos efetuados nas respectivas contas, não se podendo pressupor que os valores creditados pertencem proporcionalmente a cada um dos titulares, sob pena de cerceamento de defesa. A este respeito, aliás, é expressa a Súmula n.º 29 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor abaixo se reproduz: Súmula CARF nº 29: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Assim, sendo certo que não houve, in casu, intimação específica da outra co titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados na fase que precedia a lavratura do auto de infração, verificase a insanável nulidade do presente auto de infração relativamente à conta corrente mantida no Banco Bradesco S.A. Devese observar que, in casu, a declaração de ajuste anual não é conjunta. No que se refere aos valores remanescentes, deve ser aplicado o disposto no art. 42, § 3º, inciso II, da Lei 9.460/96. Com efeito, dispõe o referido dispositivo legal o seguinte: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) À luz do teor do referido dispositivo, cumpre salientar que o legislador estabeleceu um parâmetro para que se pudesse identificar objetivamente a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem justificada, sendo que, do somatório de depósitos inferiores a R$ 12.000,00, se superado o limite de R$ 80.000,00 dentro do anocalendário, a fiscalização estaria autorizada a tributar o montante apurado em sua integralidade. Fl. 362DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/11/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 16004.000102/200891 Acórdão n.º 210101.330 S2C1T1 Fl. 360 5 Tal entendimento está consubstanciado na Súmula CARF n. 61, segundo a qual “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” Não obstante, no caso em análise, conforme se extrai do “demonstrativo dos créditos de origem não comprovada” de fl. 258, o somatório dos valores de depósitos inferiores a R$ 12.000,00 é menor do que o limite anual de R$ 80.000,00, motivo pelo qual o auto de infração deve ser cancelado em sua integralidade. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 363DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/11/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003659/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa: PPREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SOCIEDADE
COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES
AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP.
MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA
PROVISÓRIA 2.16840/
2001).
1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de
Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP
foi
instituída em substituição às contribuições da mesma
espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas
a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI,
SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR)
(Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro
Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004,
DJ 06.09.2004).
2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse
que: (i) A
Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST
e do Serviço Nacional de Aprendizagem do
Transporte SENAT,
dispôs que:
"Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a
partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas
atuais contribuições compulsórias das empresas de
transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da
remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a
todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto
Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social
da Indústria SESI,
e do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial SENAI,
que passarão a ser
recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte –
SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do
Transporte SENAT,
respectivamente; II pela
contribuição mensal compulsória dos transportadores
autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos
por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente,
do salário de contribuição previdenciária; (...) § 1º A
arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos
incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência
Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST
e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a
que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às
mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive
no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às
contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo
INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3
de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840,
de
24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço
Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP,
preceitua que:
"Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP: (...) § 2o A
referida contribuição é instituída em substituição às
contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas
sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998,
destinadas ao: I Serviço
Nacional de Aprendizagem
Industrial SENAI;
II Serviço
Social da Indústria SESI;
III Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC;
IV Serviço
Social do Comércio SESC;
V Serviço
Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT;
VI Serviço
Social do Transporte SEST;
VII Serviço
Nacional de Aprendizagem Rural SENAR.
§ 3o A
partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam
desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades
mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência
até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos,
multas e juros."
3. Consequentemente, com a criação do Serviço Nacional
de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP,
a
natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no
setor de transporte de cargas, passou a ser fator
preponderante para fins de recolhimento da contribuição
corporativa respectiva em substituição das contribuições
destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S",
razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições
destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma
4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição
das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo
SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos
de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência
pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao
SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de
transportes. Houve apenas alteração da destinação do
tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o
SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para
o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro
Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008,
DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo
Tribunal de origem no sentido de que as empresas
enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT
estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais
destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n.
8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o
SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte.
(...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José
Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ
02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu
adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes
que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando,
apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)"
(REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira
Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...)
Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas
transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas
pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas
obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o
SEBRAE, concluise
pela legalidade desta última
contribuição pelas empresas de transporte rodoviário
vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel.
Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em
04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A
Lei nº
8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições
recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o
SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem
suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática
de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel.
Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em
28.10.2003, DJ 09.12.2003).
5. Não há, portanto, como sustentar a tese da fiscalização,
bem como os argumentos do relator originário, notadamente
em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento,
pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade,
situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento
jurídico
6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do
Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em
pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as
demais entidades integrantes do referido sistema.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.584
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao recurso, nos termos do voto vista vencedor, redator(a) designado Amilcar Barca Teixeira
Junior. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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É que, à luz do princípio da legalidade, temse que: (i) A Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, dispôs que: "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte – SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; (...) § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3 de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840, de 24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, preceitua que: "Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP: (...) § 2o A referida contribuição é instituída em substituição às contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998, destinadas ao: I Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI; II Serviço Social da Indústria SESI; III Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC; IV Serviço Social do Comércio SESC; V Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT; VI Serviço Social do Transporte SEST; VII Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. § 3o A partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos, multas e juros." 3. Consequentemente, com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, a natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no setor de transporte de cargas, passou a ser fator preponderante para fins de recolhimento da contribuição corporativa respectiva em substituição das contribuições destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S", razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo Tribunal de origem no sentido de que as empresas enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n. 8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte. (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando, apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)" (REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o SEBRAE, concluise pela legalidade desta última contribuição pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A Lei nº 8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 09.12.2003). 5. Não há, portanto, como sustentar a tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento, pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico 6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as demais entidades integrantes do referido sistema. Recurso Voluntário Provido
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CUSTEIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP. MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA PROVISÓRIA 2.16840/2001). 1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP foi instituída em substituição às contribuições da mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR) (Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 06.09.2004). 2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse que: (i) A Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, dispôs que: "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 73 2 da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte – SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; (...) § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3 de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840, de 24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, preceitua que: "Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP: (...) § 2o A referida contribuição é instituída em substituição às contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998, destinadas ao: I Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI; II Serviço Social da Indústria SESI; III Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC; IV Serviço Social do Comércio SESC; V Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT; VI Serviço Social do Transporte SEST; VII Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. § 3o A partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos, multas e juros." 3. Consequentemente, com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, a natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no setor de transporte de cargas, passou a ser fator preponderante para fins de recolhimento da contribuição corporativa respectiva em substituição das contribuições destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S", razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 74 3 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo Tribunal de origem no sentido de que as empresas enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n. 8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte. (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando, apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)" (REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o SEBRAE, concluise pela legalidade desta última contribuição pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A Lei nº 8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 09.12.2003). 5. Não há, portanto, como sustentar a tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento, pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 75 4 6. Com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as demais entidades integrantes do referido sistema. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vista vencedor, redator(a) designado Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. assinado digitalmente Amilcar Barca Teixeira Junior Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 76 5 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de repasses aos segurados cooperados – motoristas de táxi, por serviços prestados a terceiros e intermediados pela cooperativa, onde não houve repasse ao SEST/SENAT. A DecisãoNotificação – fls 58 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • A contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) substitui a contribuição até então devida pelas cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema S. Por isso, sendo a COOPERTAXI um autêntica cooperativa de transporte, não cabe o desconto do tributo ao Serviço Social do Transporte (Sest) e o Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte (Senat). • O Sest e Senat foram criados pela Lei n. 8.706/93, o primeiro, com o objetivo de desenvolver programas nos campos de alimentação, saúde, cultura, lazer e segurança no trabalho para o trabalhador em transporte rodoviário e para o transportador autônomo; e o segundo, na preparação, treinamento, aperfeiçoamento e formação profissional. As rendas são compostas de contribuições compulsórias das empresas de transporte, calculadas sobre o montante de remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e de contribuição mensal dos transportadores autônomos. Antes, essas contribuições eram devidas ao Sesi e ao Senai. • A COOPERTAXI está dispensada das contribuições ao Sest/Senat, antes exigida pela lei, pois só realiza operações com cooperados e não com autônomos. • O SESCOOP, por sua vez, foi criado pela Medida Provisória 1.715/98 (atual MP 2.16840, de agosto de 2001) com o objetivo de organizar, administrar e executar, em todo o território nacional, o ensino de formação profissional, desenvolvimento e promoção social do trabalhador em cooperativa e dos cooperados. O sistema é mantido pelas próprias cooperativas que contribuem com um valor de 2,5% sobre a folha de pagamento dos seus empregados. • Requer sejam consideradas as razões recursais ora apresentadas, com o escopo de se lhe dar provimento integral, a fim de reformar o acórdão local e tornar sem efeito a autuação levada a efeito em função da decretação da nulidade formal e material do auto de infração em causa. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 77 6 É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 78 7 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra O ponto controverso cingese a definir a responsabilidade da cooperativa no recolhimento das verbas ao SEST/SENAT em razão de serviços de transporte prestados por seus segurados e com sua intermediação. Inicialmente esclarecemos que os valores devidos ao SESCOOP têm como base de cálculo a remuneração paga aos empregados das cooperativas e não os valores repassados aos segurados, como no caso sob exame. A lei 8.706/93, que institui o SEST/SENAT, assim determina: Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: ... II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; O decreto 1007/93 traz Art. 2° Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: I empresa de transporte rodoviário: a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia; II salário de contribuição do transportador autônomo: a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos no § 4° do art. 25 do Decreto n° 612, de 21 de julho de 1992. 1° O disposto no inciso I deste artigo abrange, também, as empresas que, embora não tenham como atividade principal ou preponderante o transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, realizam a referida atividade. 2° No caso previsto no parágrafo anterior, as contribuições a que se referem os incisos I, letra a , e II, letra a , do art. 1° deste decreto serão calculadas sobre o montante da remuneração paga pelo estabelecimento contribuinte aos seus Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 79 8 empregados diretamente envolvidos na atividade de transporte rodoviário. (...) § 3° As contribuições devidas pelos transportadores autônomos serão recolhidas diretamente: a) pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços; b) pelo transportador autônomo, nos casos em que prestar serviços a pessoas físicas. Art. 3° A arrecadação e fiscalização das contribuições compulsórias de que trata este decreto serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao Sest e ao Senat, por meio de convênios. Completando o quadro legal incidente sobre tais exações, temos a IN INSS/ DC n°100/2003 e IN SRP n° 03 de 14 de julho de 2005. IN 100/03 Art. 295. As cooperativas de trabalho e de produção estão sujeitas às mesmas obrigações previdenciárias das empresas em geral, em relação: () § 2° A cooperativa de trabalho, na atividade de transporte, em relação à remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual que lhe presta serviços e a cooperado pelos serviços prestados com sua intermediação, deve reter e recolher a contribuição do segurado transportador autônomo destinada ao Serviço Social do Transporte (SEST) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENA T), observados os prazos previstos nos arts.102 e 105. IN 003/2005 Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3° da Lei n° 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. ... §9º O condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), o auxiliar de condutor autônomo, bem como o cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, estão sujeitos ao pagamento da contribuição para o Serviço Social do Transporte SEST e para o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, conforme disposto no art. 7º da Lei nº 8.706, de 1993, que será calculada mediante a Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 80 9 aplicação da alíquota prevista na tabela constante do Anexo III sobre a base de cálculo definida no §2° do art. 69, ambos desta IN. § 10. A contribuição referida no § 9º , para cujo cálculo não se observará o limite máximo do salário de contribuição, deverá ser: (NR dada pela IN nº 20, de 11.01.07) (...) III descontada e recolhida pela cooperativa, quando se tratar de cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos. Fica assim demonstrado que as cooperativas de motoristas de táxi devem reter e recolher as verbas devidas pelos seus cooperados, a título de SEST/SENAT, não se confundindo com os valores devidos ao SESCOOP que, como já explicitado, é ônus da cooperativa e incide sobre a sua folha de pagamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 81 10 VOTO VENCEDOR Solicitei vista destes autos por discordar do voto do i. Relator, notadamente por se tratar de assunto até certo ponto dissonante entre as entidades componentes do denominado Sistema “S”, em especial, quando surge nova entidade dessa natureza no âmbito do referido Sistema. A discussão em relação ao recolhimento da contribuição de terceiros (Sistema “S”) não é recente. O próprio sistema SEST / SENAT, quando criado, enfrentou esse tipo de problema em relação, por exemplo, ao Sistema SESI / SENAI, que pela perda de receitas, entendiam pela ilegalidade da criação do Serviço Social Autônomo na área de transporte. Em virtude dos embates entre referidas entidades, o assunto foi judicializado, chegando, inclusive, ao STJ, onde restou sedimentado que a criação, por lei, do SEST / SENAT, bem como a canalização das contribuições das empresas do ramo transporte para o Serviço Social Autônomo próprio, estava correta. A criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, como era de se esperar, também causou sérios abalos nas entidades mais antigas (SESI / SENAI, SEST / SENAT, SENAR, entre outras), obviamente pela perda de receitas que migrariam delas para a novel entidade. A discussão pelas receitas também chegou ao STJ, conforme se pode observar da ementa do REsp nº 986.273 – SC, abaixo transcrito. RECURSO ESPECIAL Nº 986.273 SC (2007/02155633) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : SERVIÇO SOCIAL DO TRANSPORTE SEST E OUTRO ADVOGADO : RODRIGO JOSÉ MACHADO E OUTRO(S) RECORRIDO : COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA COOPERCARGA ADVOGADO : ANTONIO BONIFACIO SCHMITT FILHO E OUTRO(S) INTERES. : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : REPR. POR PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRANSPORTE. CONTRIBUIÇÕES AO SEST/SENAT. SUBSTITUIÇÃO PELO SESCOOP. MEDIDA PROVISÓRIA 1.715/98 (ATUAL MEDIDA PROVISÓRIA 2.16840/2001). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 82 11 1. A contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP foi instituída em substituição às contribuições da mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas a outras entidades integrantes do Sistema "S" (SENAI, SESI, SENAC, SESC, SENAT, SEST e SENAR) (Precedente do STJ: REsp 587.659/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 06.09.2004). 2. É que, à luz do princípio da legalidade, temse que: (i) A Lei 8.706/93, ao criar o Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, dispôs que: "Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte – SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente ; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária ; (...) § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios . § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS."; (ii) Por seu turno, a Medida Provisória 1.715, de 3 de setembro de 1998 (atual Medida Provisória 2.16840, de 24 de agosto de 2001), ao autorizar a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, preceitua que: "Art. 10. Constituem receitas do SESCOOP : (...) § 2o A referida contribuição é instituída em substituição às contribuições, de mesma espécie, devidas e recolhidas pelas sociedades cooperativas e, até 31 de dezembro de 1998, destinadas ao: I Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI; II Serviço Social da Indústria SESI; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 83 12 III Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC; IV Serviço Social do Comércio SESC; V Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT; VI Serviço Social do Transporte SEST; VII Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR. § 3o A partir de 1o de janeiro de 1999, as cooperativas ficam desobrigadas de recolhimento de contribuições às entidades mencionadas no § 2o, excetuadas aquelas de competência até o mês de dezembro de 1998 e os respectivos encargos, multas e juros." 3. Conseqüentemente, com a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SESCOOP, a natureza de cooperativa da sociedade, ainda que atuante no setor de transporte de cargas, passou a ser fator preponderante para fins de recolhimento da contribuição corporativa respectiva em substituição das contribuições destinadas a outras entidades integrantes do "Sistema S", razão pela qual sobressai a inexigibilidade das contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT em relação à mesma. 4. Deveras, o mesmo fenômeno ocorreu com a substituição das contribuições destinadas ao SESI/SENAI pelo SEST/SENAT, consoante se colhe dos seguintes excertos de arestos desta Corte: (i) "(...) 1. Conforme jurisprudência pacífica do STJ, a Lei 8.706/93 não extinguiu o adicional ao SEBRAE devido pelas empresas prestadoras de serviços de transportes. Houve apenas alteração da destinação do tributo, pois, se antes contribuíam para o SESI e para o SENAI, com a lei passaram a contribuir para o SEST e para o SENAT. (...)" (AgRg no REsp 740.430/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 09.02.2009); (ii) "(...) 2. O entendimento assumido pelo Tribunal de origem no sentido de que as empresas enquadradas na classificação contida no art. 577 da CLT estão sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SESI e SENAI, e a partir da edição da Lei n. 8.706/93, se prestadora de serviço de transporte, para o SEST e o SENAT, espelha a jurisprudência desta Corte. (...)" (AgRg no Ag 845.243/BA, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 02.08.2007); (iii) "(...) 2. A Lei n.º 8.706/93 não extinguiu adicional ao SEBRAE devido pelas empresas de transportes que antes contribuíam para o SESI e o SENAI, passando, apenas, a contribuírem para o SEST e o SENAC. (...)" (REsp 754.637/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 08.11.2005, DJ 28.11.2005); (iv) "(...) Uma vez que as contribuições devidas pelas empresas Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 84 13 transportadoras ao SESI e ao SENAI foram substituídas pelas contribuições ao SEST e ao SENAT, sem criar novas obrigações ou alterar o recolhimento da contribuição para o SEBRAE, concluise pela legalidade desta última contribuição pelas empresas de transporte rodoviário vinculadas ao SEST/SENAT . (...)" (REsp 729.089/RS, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 04.08.2005, DJ 21.03.2006); e (v) "(...) I A Lei nº 8.706/93, em seu art. 7º, inc. I, transferiu as contribuições recolhidas pelo INSS referentes ao SESI/SENAI para o SEST/SENAT, sem criar novos encargos a serem suportados pelos empregadores e sem alterar a sistemática de recolhimento ao SEBRAE. (...)" (REsp 522.832/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 09.12.2003). 5. In casu, cuidase de mandado de segurança em que cooperativa de transporte pretende que não lhe sejam cobradas as contribuições destinadas ao SEST e SENAT, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002, tendo em vista sua substituição pelo SESCOOP. 6. Recurso especial desprovido. (grifouse e negritouse) Como se pode observar da ementa acima transcrita, não há como sustentar a tese da fiscalização, bem como os argumentos do relator originário, notadamente em virtude de o contribuinte, se mantido o lançamento, pagar a contribuição para o Sistema “S” em duplicidade, situação totalmente incompatível com o nosso ordenamento jurídico. Com a criação do Serviço Nacional de aprendizagem do Cooperativismo – SESCOOP, não há que se falar em pagamento, pelas cooperativas, de contribuição para as demais entidades integrantes do referido sistema. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Redator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15586.001048/200915 Acórdão n.º 2803001.067 S2TE03 Fl. 85 14 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUN IOR, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13888.004351/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/10/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA
A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das
contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA MORATÓRIO E JUROS SELIC APLICAÇÃO
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/10/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.196
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA MORATÓRIO E JUROS SELIC APLICAÇÃO O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 31/10/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.004351/200788 Acórdão n.º 240102.196 S2C4T1 Fl. 111 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.089.9016, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela retida dos segurados empregados e contribuintes individuais não recolhidas na época própria. O lançamento compreende competências entre o período de 04/2006 a 10/2006, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio das folhas de pagamento e termos de rescisão, mas não informados em GFIP. Conforme descrito no relatório fiscal, as remunerações pagas ou devidas aos segurados empregados, no período citado no item 3 do referido relatório, sendo os descontos verificados em folhas de pagamento e em GFIP's — "Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social" entregues após o início da ação fiscal. Os valores encontramse discriminados no "Relatório de Lançamentos". As remunerações pagas ou devidas a segurado trabalhador autônomo em maio/2006, sendo o desconto verificado em GFIP — "Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social", entregue após o início da ação fiscal. O valor encontrase discriminado no "Relatório de Lançamentos". Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 19/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/12/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 36 a 53. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência total do lançamento, fls. 67 a 72. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 80 a . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega: 1. Da leitura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e dos documentos que a instruem não se vê uma só prova documental de que o fato gerador em concreto da contribuição tenha efetivamente ocorrido. 2. A própria decisão corrobora a ausência de documentação probatória hábil , na medida em que alega que o simples demonstrativo de cálculo seria suficiente. 3. O lançamento é nulo de pleno direito, por transbordar qualquer espécie de presunção de liquidez e certeza que poderia eventualmente gozar, eis que de fato não se tomou por base nenhum documento da impugnante capaz de transmitir a realidade da contabilidade da empresa. 4. Frisese que , com relação à inconstitucionalidade/ilegalidade da taxa SELIC, a r. decisão se calou, apenas ressaltando que seria incabível sua análise em sede administrativa. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 5. Cabe demonstrar que os julgadores dos tribunais administrativos, por estarem exercendo o ofício judicante, e principalmente por estarem jungidos ao princípio da legalidade, cujo efeito máximo é o de acarretar o dever de cumprimento primeiramente da Constituição Federal, podem e devem conhecer acerca da inconstitucionalidade de leis argüidas em sede administrativa. 6. Tentou a Fiscalização fazer incidir as contribuições previdenciárias sobre quantias que não são propriamente "remuneração" e, portanto, não podem ser incluídas na base de cálculo da contribuição dos empregados e dos contribuintes individuais. 7. A Impugnante somente é obrigada a reter e a recolher a contribuição incidente sobre o salário (strictu sensu) de seus empregados, e não sobre estas outras verbas que tais segurados recebem em cada mês de competência, nem sobre verbas eventualmente destinadas a terceiros que não se afeiçoam ao conceito de "remuneração'. 8. Além disso, depreendese que o Agente Fiscal pretende a cobrança de juros e multa moratória em valores estratosféricos e totalmente desproporcionais, o que se afigura absolutamente indevido; 9. A taxa SELIC configurase como verdadeiro juro remuneratório do capital investido pelos adquirentes de títulos públicos, não se adequando com o instituto dos juros moratórios; 10. A Recorrente aguarda confiante seja o presente recurso administrativo conhecido e provido por este E. Conselho de Contribuintes, para o fim de se declarar nula a r. decisão de la instância administrativa, pelos fatos expostos acima. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.004351/200788 Acórdão n.º 240102.196 S2C4T1 Fl. 112 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 109. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA FALTA DE CLAREZA DOS FATOS GERADORES APURADOS – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegando ainda nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se determinasse quais os fatos geradores apuradas, o que implica cerceamento do direito de defesa. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar, cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento conforme MPF mencionado na preliminar anterior. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura da NFLD ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes, inclusive com o detalhamento no relatório DAD dos valores descontados. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a lavratura da NFLD, com a indicação das diferenças apuradas não lhe confiro razão, entendo que razão não assiste ao recorrente. Ao contrário do entendimento do recorrente, a autoridade fiscal realizou a devida identificação dos fatos geradores e de todas as diferenças apuradas, descrevendo no relatório, todos os fatos geradores. Não trouxe o recorrente qualquer prova de que os lançamentos estavam equivocados, sendo que simples alegações não são capazes de afastar os levantamentos em questão. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Simplesmente alegar, sem demonstrar o cumprimento da legislação, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, por rubrica, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Com relação aos levantamentos referentes ao desconto do segurado empregados, o recorrente resumiuse a refutar o lançamento, e as diversas inconstitucionalidades apontadas (SELIC, multa), sem a apresentação de qualquer prova que demonstrasse não serem devidas as contribuições ou que fora realizado o recolhimento correspondente. O recorrente durante o procedimento fiscal teve a oportunidade de manifestarse e apresentar os documentos para comprovar que os recolhimentos foram realizados. Contudo, não apresentou os documentos para que a autoridade fiscal, pudesse apreciar a regularidade. Ademais, tratase de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores desta NFLD estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, extraídos do das folhas de pagamento e demais documentos contábeis da empresa, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na folha de pagamento da empresa, documento GFIP. Assim, se constatado algum erro ou lançamento indevido caberia a empresa demonstrar os erros cometidos e retificálos. Após o lançamento teve o recorrente a oportunidade de impugnar os valores e demonstrar a existência de erros, ou mesmo a existência de recolhimentos quanto a contribuição dos segurados descontada. A obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.004351/200788 Acórdão n.º 240102.196 S2C4T1 Fl. 113 7 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) DA BASE DE CÁLCULO Não há que se considerar o argumento de que foram considerada pela fiscalização valores não correspondentes a remuneração do empregado. Conforme descrito, tratase de lançamento de valores descontados, ou seja a base de cálculo foi apurada pelo próprio recorrente, ao efetuar o desconto mensal da contribuição previdenciária de seus empregados. Portanto, os valores apurados na presente NFLD, tem por base documentos e declarações do próprio recorrente, razão porque entendo infundados os argumentos acerca da base de cálculo. QUANTO A TAXA SELIC Com relação à arguição de ser indevida a cobrança de juros, razão não assiste ao recorrente. Está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 3 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA Nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. QUANTO A MULTA MORATÓRIA Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.004351/200788 Acórdão n.º 240102.196 S2C4T1 Fl. 114 9 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) No que tange a arguição de inconstitucionalidade ilegalidade dos juros aplicáveis, conforme descritos nas ementas trazidas em seu recurso, razão também não assiste ao recorrente. A apreciação acerca da ilegalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, quanto a SELIC E MULTA, é incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as exigências previstas na Lei n ° 8.212/1991, bem como no Decreto 3.048/99. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, à título de reforço, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000734/2007-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE OFÍCIO LIMITE
DE ALÇADA
Não se toma conhecimento de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado na primeira instância, a título de tributo e multa, está abaixo do atual limite de alçada, que foi estabelecido pela Portaria MF n° 3, de 3 janeiro de 2008. A norma de cunho processual tem aplicação imediata aos casos ainda pendentes de julgamento na data de sua vigência.
Numero da decisão: 1802-001.086
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE OFÍCIO LIMITE DE ALÇADA Não se toma conhecimento de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado na primeira instância, a título de tributo e multa, está abaixo do atual limite de alçada, que foi estabelecido pela Portaria MF n° 3, de 3 janeiro de 2008. A norma de cunho processual tem aplicação imediata aos casos ainda pendentes de julgamento na data de sua vigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.000734/200701 Acórdão n.º 180201.086 S1TE02 Fl. 519 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que, ao proferir o Acórdão nº 0710.450 (fls. 442 a 448), exonerou parcialmente o crédito tributário constituído por meio dos autos de infração de fls. 378 a 413, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Caracterização da Presunção Legal de Omissão de Receitas. Depósitos Bancários, Análise e Determinação Individual. Lançamentos calcados em presunções legais não podem sofrer abalos quanto à sua consistência e nem haver incertezas quanto à riqueza a ser tributada. A verdade material, em lançamentos deste tipo, se obtém de um modo indireto, fazendo intervir ilações e presunções que devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. Quem determina a receita eventualmente a ser considerada omitida, nos termos da presunção legal do art.42 da Lei 9430/96, é o órgão fiscal e nesta determinação, nos termos da lei, deve ser apontado/identificado cada depósito/crédito bancário que se pretende caracterizar como sem explicação acerca de sua origem, sob pena de carecer de credibilidade as exigências fiscais dai advindas. PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. IRPJ. ANO DE 2004 E 2005. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a falta de recolhimento de imposto de renda pessoa jurídica informado em DIPJ (declaração que não tem caráter de confissão de dívida), correta a constituição do crédito tributário com a penalidade cabível (multa de oficio). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.000734/200701 Acórdão n.º 180201.086 S1TE02 Fl. 520 3 CSLL. ANO DE 2004 E 2005. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a falta de recolhimento de CSLL informada em DIPJ (declaração que não tem caráter de confissão de divida), correta a constituição do crédito tributário com a penalidade cabível (multa de ofício). Lançamento Procedente em Parte O Recurso de Ofício foi apresentado em virtude de o crédito tributário exonerado neste processo e no processo decorrente de n° 10909.000736/200792 (que estava apensado ao presente) ter ultrapassado o limite de alçada previsto no art. 34, I, do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/1997, cujo valor foi fixado pelo art. 2° da Portaria MF n° 375, de 07/12/2001. No presente processo também houve apresentação de recurso voluntário, às fls. 481 a 492, mas a Contribuinte desistiu do mesmo, conforme petição de fls. 508 e despacho de fls. 513, aderindo ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Deste modo, só restou o recurso de ofício para ser examinado nestes autos. Este é o Relatório. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.000734/200701 Acórdão n.º 180201.086 S1TE02 Fl. 521 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. A autoridade julgadora a quo interpôs o recurso necessário com base no limite de alçada estabelecido no artigo 2° da Portaria MF n° 375, de 07/12/2001, vigente na data em que a decisão de primeira instância foi proferida. Contudo, sobreveio novo limite para a interposição de recurso de ofício, conforme Portaria MF n° 3, de 3/01/2008, a saber: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. A norma que define novo limite de alçada, dada a sua natureza processual, tem aplicação imediata aos casos ainda pendentes de julgamento na data de sua vigência. Assim, considerando os valores exonerados constantes na Tabela de fls. 442/verso deste processo e também no Demonstrativo Consolidado de fls. 5 do processo reflexo nº 10909.000736/200792, a título de tributo e multa, cujo montante é inferior ao atual limite de alçada, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 521DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10909.000734/200701 Acórdão n.º 180201.086 S1TE02 Fl. 522 5 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10882.003987/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU
TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA
FINANCEIRA CPMF
Data do fato gerador: 11/08/1999, 18/08/1999
CPMF. NÃO RECOLHIMENTO EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL
POSTERIORMENTE REVOGADA. LANÇAMENTO DA CPMF NÃO
RETIDA E NÃO RECOLHIDA PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.
RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE
CORRENTISTA.
Nos termos da Lei 9.311/96, a CPMF pode ser exigida tanto da Instituição Financeira responsável pela retenção, quanto do contribuinte eleito pela norma, ou seja, o correntista (artigo 4o, Inciso I).
No caso de falta de retenção, a CPMF pode ser exigida do contribuinte correntista, com base na responsabilidade supletiva (Lei 9.311/96, artigo 5o, § 3°).
CPMF. MULTA E JUROS SELIC
São devidos a multa e os juros de mora pelo não recolhimento da CPMF na época própria, conforme previsão do artigo 13, incisos I e II, da Lei 9.311/96.
Negado provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-001.260
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 11/08/1999, 18/08/1999 CPMF. NÃO RECOLHIMENTO EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL POSTERIORMENTE REVOGADA. LANÇAMENTO DA CPMF NÃO RETIDA E NÃO RECOLHIDA PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE CORRENTISTA. Nos termos da Lei 9.311/96, a CPMF pode ser exigida tanto da Instituição Financeira responsável pela retenção, quanto do contribuinte eleito pela norma, ou seja, o correntista (artigo 4o, Inciso I). No caso de falta de retenção, a CPMF pode ser exigida do contribuinte correntista, com base na responsabilidade supletiva (Lei 9.311/96, artigo 5o, § 3°). CPMF. MULTA E JUROS SELIC São devidos a multa e os juros de mora pelo não recolhimento da CPMF na época própria, conforme previsão do artigo 13, incisos I e II, da Lei 9.311/96. Negado provimento ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório INTERMÉDICI SERVIÇOS MÉDICOS LTDA.., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 59.e seguintes) contra o acórdão nº 05 14.530, de 11 de setembro de 2006, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (fls. 45 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o auto de infração, em virtude de não recolhimento de CPMF, que não foi retida e recolhida na época própria por força de decisão judicial posteriormente revogada, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira— CPMF, formalizada no auto de infração de fls. 06/08. 0 feito, relativo a fatos geradores ocorridos no mês de agosto de 1999, constituiu crédito tributário no montante de R$ ..., incluídos principal, multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora calculados até o mês anterior ao da lavratura. 2. Conforme a DESCRIÇA0 DOS FATOS (fl. 08), a autuação referese A CPMF não retida e não recolhida por força de medida judicial posteriormente revogada. 0 tributo foi apurado com base em demonstrativo elaborado por instituições financeiras junto às quais a contribuinte foi titular de conta corrente, em cumprimento ao disposto no inciso IV, art. 45 da MP n° 2.11330 de 26/04/2001 (e suas reedições). 3. Cientificada da exigência em 23/12/2003, conforme AR de fl. 15, em 23/01/2004 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 17/31, na qual alega, em síntese e fundamentalmente que: 2.1. nunca procurou o Poder Judiciário com vistas a afastar a exigência da contribuição; 2.2. a responsabilidade pela retenção e recolhimento da CPMF seria exclusiva das instituições financeiras; 2.3. o lançamento dos juros de mora e da multa de 75% configurariam confisco, que é vedado pela Constituição;. 2.4. não existiria em todo o auto de infração, uma referencia sequer, a justificar a sanção aplicada à autuada, nem relação ao valor dos juros moratórios — pela ausência de constituição em Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.003987/200341 Acórdão n.º 330101.260 S3C3T1 Fl. 73 3 mora — nem em relação à multa — pela ausência de qualquer responsabilidade da autuada. A DRJ considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, consoante a seguinte Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Data do fato gerador: 11/08/1999, 18/08/1999 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍC10. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCARIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. NÃO RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, está correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. CONFISCO. A alegação de ofensa ao principio da vedação de confisco diz respeito à inconstitucionalidade da lei, sendo defeso aos órgãos administrativos reconhecêla de forma original. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. 0 controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Lançamento Procedente . Extraise do v. Acórdão ainda o seguinte trecho: 4. Inicialmente observamos que a impugnante não contesta a ocorrência dos fatos geradores que deram origem A autuação, nem os valores da contribuição lançados no auto de infração. 5. São irrelevantes, no que diz respeito á exigência da contribuição lançada no auto de infração de fls. 06/08, as alegações de que não procurou o Poder Judiciário com vistas ao afastamento da contribuição. De fato, nas datas dos fatos geradores ora lançados, as instituições financeiras não debitaram os valores devidos da CPMF na conta corrente da autuada, pois estavam impedidas de fazêlo, por força de liminar concedida em Ação Civil Pública. 6. Deveras, o Ministério Público do Estado de São Paulo ingressou com Ação Civil Pública em face da União Federal perante a 3a Vara da 1a Subseção Judiciária do Estado de São Paulo (proc. no 1999.61.00.036601) argüindo a inconstitucionalidade da Emenda Constitucional n° 21, de 18 de março de 1999, diploma que prorrogou a vigência da CPMF, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 tributo instituído pela Unido mediante a Lei n° 9.311, de 1996, no exercício da competência tributária outorgada pela EC n° 12, de 1996. 7. A liminar requerida foi concedida no sentido de que a União Federal se abstivesse da cobrança da CPMF em relação às operações bancárias realizadas no Estado de São Paulo. Referida liminar foi cassada pelo Tribunal Regional da 3a Regido (proc. no 1999.03.00.0390853), em decisão publicada no DOE em 24 de agosto de 1999, data a partir da qual voltaram as instituições financeiras a reter e recolher a CPMF. Assim, a contribuição incidente sobre as movimentações financeiras ocorridas no período albergado pela liminar não foi debitada pelas instituições financeiras nas contas correntes dos contribuintes, nem recolhida aos cofres públicos. 8. Quanto à responsabilidade pela retenção e recolhimento da CPMF, que a contribuinte alega ser exclusiva das instituições financeiras, cabe analisar de forma mais focada o artigo 5° da Lei n° 9.311, de 1996. in verbis: ... § 3 Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. [destaque acrescido] 9. Decorre da leitura do § 3° do art. 5° da Lei n° 9.311, de 1996, que o diploma que instituiu a CPMF cuidou de estabelecer a responsabilidade supletiva do contribuinte pelo recolhimento da CPMF, caso a instituição financeira não procedesse à retenção do tributo. 10. 0 comando em tela encerra, portanto, a permissão para que o Fisco dirija o lançamento e a cobrança da CPMF não recolhida diretamente ao contribuinte, caso o tributo não tenha sido retido e recolhido pela instituição financeira onde o fato gerador tenha se materializado. Sobressai ainda, da leitura do apontado § 3°, que é incondicional a atribuição de responsabilidade supletiva ao contribuinte. Em decorrência dessa compreensão, não cabe ao intérprete cogitar das razões fáticas que concorreram para a falta de retenção da CPMF pela instituição bancária. 11. Como já anteriormente observado, a interessada não negou a ocorrência dos fatos geradores nem a falta de retenção, pela instituição financeira, do tributo devido. Assim, a hipótese em exame não se vincula à situação em que, retida pela instituição financeira, não tenha a CPMF sido recolhida aos cofres públicos. 12. Exigir a CPMF diretamente do contribuinte, nos casos de imobilidade da instituição financeira responsável, como autorizou a Lei n° 9.311, de 1996, é determinação que viaja ao encontro do instituto da responsabilidade supletiva, introduzida no ordenamento jurídico tributário pelo art. 128 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.003987/200341 Acórdão n.º 330101.260 S3C3T1 Fl. 74 5 Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. ... 14. Vejase que a mencionada responsabilidade supletiva do contribuinte em relação CPMF não retida e não recolhida pela instituição bancária, instaurada pela Lei n° 9.311, de 1996, veio a ser repisada na edição dos atos infralegais. ... 17. Assim, não tendo havido retenção da CPMF por parte das instituições financeiras, deve o Fisco exigir do contribuinte, devedor principal e responsável supletivo por divida própria, a satisfação do crédito tributário, acrescido de multa e juros de mora. 18. No tocante à multa, cabe observar que, frente à falta de recolhimento da CPMF devida, e à ausência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, impõese o lançamento de oficio com a imposição da multa de oficio por força do artigo 44, I, da Lei no 9.430, de 1996, como foi feito neste caso: Lei n°9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 19. Ainda no que respeita à imposição da multa de oficio, cumpre esclarecer que a responsabilidade por infrações da legislação tributária possui caráter objetivo, independendo da intenção do sujeito passivo. Em outras palavras, basta para caracterizála a prática do ato que infringe a norma tributária, sendo irrelevantes os motivos que eventualmente possam ter contribuído para tal conduta. Tratase de princípio consagrado no próprio CTN, cujo art. 136 dispõe: Lei n° 5.172, de 1966 (CTN) Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 20. No caso em exame, a multa de oficio foi lançada como penalidade porque o contribuinte, na qualidade de responsável suplente pelo adimplemento da CPMF, deixou de efetuar o pagamento da obrigação. Assim, também não procede a alegação de inexistência de justificativa para o lançamento da multa. A justificativa é o fato de a Fazenda Pública verse obrigada a constituir o crédito tributário mediante lançamento de oficio, conforme determinado pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, acima transcrito. 21. 0 mesmo deve ser observado quando aos juros, que a autuada entende indevidos pela ausência de constituição em mora. A mora, na esfera tributária, independe de qualquer ação do sujeito ativo da obrigação, pois decorre do simples fato de não pagamento do tributo no prazo de vencimento. Deveras, assim dispõe o art. 161 do Código Tributário Nacional: Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (destaques acrescidos). 22. Quanto à alegação de que a aplicação da multa de 75% e dos juros configuraria confisco, observamos que a vedação do inciso IV do art. 150 e o principio do § 10 do art. 145 da atual Constituição dirigemse ao legislador, com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante p.ex., a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse principio relacionase com o momento de instituição do tributo, pela elaboração da norma definidora da hipótese legal de incidência, base de cálculo e alíquota aplicável. 23. Conforme já acima exposto, a multa foi aplicada em obediência ao art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Do respeito ao mesmo diploma legal decorre a exigência dos juros, conforme previsto em seu artigo 61. Assim, o questionamento da impugnante diz respeito à constitucionalidade da lei que fundamentou a aplicação da multa e dos juros, no caso, o art. 44, I, e o art. 61, da Lei n° 9.430, de 1996, matéria cuja apreciação não cabe a esta Turma de Julgamento. 24. Com efeito, no âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe verificar exclusivamente se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a lei, sem emitir juízo quanto à legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. 25. Deveras, o controle da constitucionalidade das Leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, "a", III, da CF de 1988, sendo, assim, defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, conhecer alegação de inconstitucionalidade da lei que fundamenta o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.003987/200341 Acórdão n.º 330101.260 S3C3T1 Fl. 75 7 26. Isto porque, a decisão de não aplicála ao caso concreto, até por razão lógica, é precedida de um juízo e conseqüente. declaração: o reconhecimento administrativo da inconstitucionalidade da lei ou ato normativo aplicado. 27. Ora, se irrecorrível, a decisão administrativa favorável ao sujeito passivo, tem o poder de colocar fim à lide, e, portanto, a inconstitucionalidade reconhecida nesta esfera tornase definitiva, posto que esta deliberação não será submetida ao crivo revisional colocado sob guarda do Supremo Tribunal Federal. ... 29. Essa vinculação do agente administrativo somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Este, aliás, é o entendimento manifestado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN/CRE/n.° 948, de 02 de julho de 1998) acerca da disposição contida no Decreto n.° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, insurgindose contra a exigência, conforme transcrição a seguir: PRELIMINARMENTE: Mister se faz destacar, que a ora Recorrente em nenhum momento ajuizou qualquer medida judicial visando a não retenção da CPMF. Caso os bancos com os quais a Recorrente movimenta suas contas não retiveram o valor referente a CPMF, não poderá a ora Recorrente arcar com qualquer multa ou juros de mora pela falta de retenção que não era de sua responsabilidade, mas dos bancos, nos termos da Instrução Normativa n° 42 de 2 de maio de 2.001, que dispõe sobre a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direito de Natureza Financeira (CPMF). Vejamos: ... Dessa maneira, a ora Recorrente não é a responsável pelo não recolhimento da CPMF, pois mesmo em caso de decisão judicial, a instituição financeira deveria fazer a reserva do valor da contribuição de que trata o parágrafo 1° do art. 5° da Lei n° 9.311, de 1996, tornando o valor da contribuição indisponível para o correntista, conseqüentemente, tal responsabilidade deverá ser atribuída aos bancos, a cerca dos motivos que levaram a não reter a CPMF / não proceder a reservar do valor da contribuição, tornando o valor da contribuição indisponível para o correntista, nos termos das normas que regem a matéria. NO MÉRITO: ... Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Nos exatos termos do disposto no artigo 5°, da Lei n° 9.311/96, é atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da CPMF as instituições que efetuarem os lançamentos, na hipótese em estudo do Banco Bradesco S/A e HSBC. ... E ainda, se a Recorrente estivesse amparada por decisão judicial, que se admite por amor ao argumento, mesmo assim, competia a instituição bancária apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento, e efetuar o débito na conta da ora Recorrente, após a revogação da medida judicial, nos moldes do disposto na Instrução Normativa SRF n° 042/2001, artigo 17 e seguintes. Vejamos: ... Por mais esses fundamentos, merece reforma o V.Acórdão n° 05 14.530 — 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Campinas (SP) — visto que não se pode julgar procedente o lançamento, e condenar a Recorrente em juros de mora e a multa de 75%, eis que não deu causa ao não recolhimento da CPMF, o que configura verdadeiro confisco, sendo vedado pela Constituição Federal. Dessa maneira, não se justifica a condenação imposta a Recorrente, visto que não deu causa ao não recolhimento da CPMF; não é responsável pela retenção e o recolhimento da contribuição; conseqüentemente, não se pode cogitar em juros morat6rios, eis que não deu causa a mora, e tampouco, a multa pela ausência de qualquer responsabilidade por parte da Recorrente em reter e recolher a contribuição, nos exatos termos das normas que regulam à matéria. . É o relatório. Voto Conselheiro FÁBIO LUIZ NOGUEIRA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Inicialmente, em relação à alegação de confisco e de ofensa à Constituição Federal, em virtude da cobrança de juros de mora e da multa de 75%, cabe mencionar a Súmula CARF 02, cujo enunciado destaca que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Quanto aos temas suscitados em preliminar, na verdade se confundem com o Mérito e serão analisados a seguir. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.003987/200341 Acórdão n.º 330101.260 S3C3T1 Fl. 76 9 A Lei 9.311/96 elegeu como contribuinte o titular da conta em que ocorreram os fatos geradores da CPMF, ou seja, as movimentações financeiras, nos termos do artigo 4o, “caput” e Inciso I, “verbis”: Art. 4° São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2° , ainda que movimentadas por terceiros; O que ocorreu é que foi atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento à instituição financeira, nos termos do artigo 5o, da mesma Lei. Realmente, a instituição financeira poderia ou deveria ter feito a reserva no saldo das contas, como consta no § 1°, do citado artigo 5o : § 1° A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2° , valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7° sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. Entretanto, o próprio artigo 5o, em seu § 3°, não deixa dúvida quanto à responsabilidade do correntista, na ausência de retenção da CPMF: § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Portanto, a responsabilidade supletiva se extrai da própria lei de regência, que não pode ser afastada por este Conselho. Assim, o valor da contribuição pode ser exigido do Recorrente, considerando que no caso não foi feita a retenção. Por outro lado, a Medida Provisória 2.15835 procurou regular as situações de não retenção e recolhimento envolvendo ações judiciais, ou seja, justamente o caso destes autos (ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público, no Estado de SP): Art.44. O valor correspondente à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, não retido e não recolhido pelas instituições especificadas na Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, posteriormente revogadas, deverá ser retido e recolhido pelas referidas instituições, na forma estabelecida nesta Medida Provisória Art.45. As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: I apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 II efetuar o débito em conta de seus clientescontribuintes, a menos que haja expressa manifestação em contrário: ... IV encaminhar à Secretaria da Receita Federal, no prazo de trinta dias, contado da data estabelecida para o débito em conta, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas alíneas do inciso II, conforme o caso, relação contendo as seguintes informações: Nesse cenário, havia determinação legal para que a instituição financeira efetuasse a retenção e o débito na conta dos correntistas favorecidos, após a revogação da decisão judicial, ressalvada a hipótese de manifestação expressa do correntista contribuinte, contrária à retenção, ou para o caso de contas encerradas. Foi justamente com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras que se originou a presente autuação. Assim, entendo que caberia ao Contribuinte demonstrar a não ocorrência das situações acima, ou seja, que, após a revogação da decisão judicial, não se opôs à retenção e que não tinha encerrado a conta bancária. Mas, nada disso foi demonstrado. Portanto, a MP mencionada, além de não revogar a responsabilidade supletiva do contribuinte correntista, determinou que as instituições financeiras informassem ao Fisco as situações em que a retenção não pôde ser feita. Se o Contribuinte, na época, possuía conta na instituição financeira ou se entende que não fez oposição à retenção (aspectos que não ficaram provados nestes autos) são questões que se resolvem no campo da responsabilidade bancocliente. Mas, não afetam o direito do Fisco cobrar a CPMF do Contribuinte correntista. Em relação à multa e os juros de mora estão prevista na própria Lei que instituiu a CPMF (artigo 13, Inciso I e II, da Lei 9.311/96) e devem ser mantidos. Feitas estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.003987/200341 Acórdão n.º 330101.260 S3C3T1 Fl. 77 11 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12269.004747/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/11/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. INADIMPLEMENTO. INFRAÇÃO.
A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.314
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. INADIMPLEMENTO. INFRAÇÃO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração – AI n.º 37.210.0457, no valor de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), no qual é aplicada multa pelo descumprimento da obrigação acessória de deixar de preparar as folhas de pagamento dos segurados a seu serviço conforme os padrões estabelecidos pela Administração Tributária. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 04: Em fiscalização desenvolvida na empresa verificouse que o contribuinte apresentou folhas de pagamentos em desacordo com os padrões e as normas estabelecidos pela Legislação Previdenciária. O contribuinte deixou de incluir nas folhas de pagamentos, os pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais, no período de 07/2007 a 06/2008, conforme 'Planilha 1 Pagamentos Efetuados a Contribuintes individuais", em anexo. Tal fato foi constatado no confronto entre as folhas de pagamentos e nos recibos de pagamentos de contribuintes individuais que foram lançados nas seguintes contas contábeis: 00090 conservação imobilizado, 00211 outras despesas com pessoal e 00442 serviços pg Pessoa Jurídica. A empresa apresentou impugnação, fls. 38/39., na qual, em síntese, alegou que não efetuou pagamentos a contribuintes individuais no período em questão, por isto não constam nas contas contábeis mencionadas acima, conforme comprovam as notas fiscais em anexo (doc. 2). Conforme comprovado também pela impugnação ao AI n.º 37.210.0740, que por sua vez serve de fundamento para este lançamento. Requer a declaração de improcedência da autuação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Porto Alegre afastou as alegações da empresa fundamentando o seu posicionamento nas razões de decidir constantes no voto proferido no julgamento da impugnação contra o AI n.º 37.210.0740. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual que as remunerações lançadas nos Levantamentos L02 e L05 (contas 00090; 00211 e 00442) não dizem respeito ao pagamento a pessoas físicas, mas a pessoas jurídicas, conforme cópias de notas fiscais e do razão analítico juntadas. Aduziu ainda que foi equivocada a conclusão do fisco quando considerou pagamento de prólabore os valores repassados ao sócio Edgar Morais Otero como devolução do empréstimo lançado na conta empréstimo na Conta Contábil 0057893 2210201000 EMPRÉSTIMO P. FÍSICA A PAGAR. A origem do empréstimo, defende a impugnante, foram as remessas efetuadas ao Sr. Edgar Morais Otero pela empresa Simab S/A, da qual é sócio o Sr. Remy Picard, também sócio da autuada. Essas quantias, afirma, foram utilizadas para fazer frente a Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.004747/200911 Acórdão n.º 240102.314 S2C4T1 Fl. 146 3 despesas de instalação da impugnante, que iniciava sua atividades no final do ano de 2005. Sustenta que os referidos repasses foram efetuados à empresa autuada a título de empréstimo. Apresenta como comprovante para origem dos valores declaração do contador, que também é procurador da empresa Simab S/A, bem como registros na conta contábil de empréstimo desta empresa vinculada ao Sr. Edgar Moraes Otero. Alega que a autuada quitou o empréstimo para como o sócio Edgar Otero, mediante transferências aos demais sócios, Remy Picard, Miguel Flores da Cunha e Ricardo Picard, que incorporam tais valores ao capital social da mesma. Os dois últimos sócios, afirma, transferiram suas cotas para Remy Picard, que hoje é seu sócio majoritário. Sustenta que é possível verificar a situação descrita acima pelo termo de quitação do sócio Edgar Morais Otero (doc. 5), também pelo livro contábil razão analítico da impugnante onde constam estes lançamentos efetuados quase que simultaneamente (doc. 6), bem como pelas alterações contratuais,onde também constam estas movimentações (doc. 7). Advoga que 01/08/2007 houve a quitação do empréstimo da empresa para com o Sr. Edgar Otero, no valor de R$ 2.026.957,82, e na mesma data foram promovidos os aumentos de capital em favor dos demais sócios no montante de R$ 2.045.000,00. Afirma que a diferença de R$ 18.348,82 foi decorrente de vendas efetuadas ao Sr. Edgar Otero em 02/05/2007 e lançadas na conta empréstimo em questão. Ao final, requer a declaração de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Dos limites da lide Como se vê da peça recursal, além do argumento relativo aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, a empresa manifestase contrariamente a incidência de contribuições sobre os valores tomados como prólabore, todavia, essa alegação é impertinente em relação à presente autuação, uma vez que a mesma diz respeito tão somente à infração decorrente da falta de registro nas folhas de pagamento das remunerações pagas aos contribuintes individuais (levantamentos L02 e L05). Nesse sentido, o argumento relativo ao prólabore não será apreciado. Da ocorrência da infração Como a questão pertinente trazida a debate no recurso diz respeito à existência de pagamentos a contribuintes individuais, cuja falta de lançamento em folhas de pagamento deu ensejo ao presente AI, sintome a vontade para transcrever trecho do voto proferido a poucos minutos no julgamento do recurso contra a decisão que declarou procedente o AI n.º 37.210.0740. Eis o que foi consignado no referido voto, que foi acatada por unanimidade por essa Turma de Julgamento: Os pagamentos efetuados a contribuintes individuais Os valores tomados como base de cálculo para os Levantamentos L02 e L05, relativos às supostas remunerações pagas a contribuintes individuais, foram obtidas das contas contábeis “00090 – conservação do imobilizado”; “00211 – outras despesas com pessoal” e “00442 – pagamento a pessoa jurídica”. Tais quantias encontramse discriminadas na planilha de fl. 39. A empresa, para afastar a pretensão fiscal, acostou cópias de notas fiscais, fls. 76/92, as quais comprovariam que nas contas apontadas pela auditoria, para o período fiscalizado, haveria apenas pagamentos a pessoas jurídicas. Na análise dessa questão, o órgão recorrido confeccionou a tabela de fl. 149, na qual demonstra que as notas fiscais colacionadas pela recorrente não guardam relação com os documentos em que se baseou o fisco para apurar a contribuição sobre a remuneração de contribuintes individuais. No recurso a empresa mantém a mesma alegação de que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas, mas não apresenta qualquer documento adicional que pudesse levar a descrédito a conclusão da DRJ. De fato, compulsando os autos pude notar que as provas juntadas não se referem aos valores lançados pelo fisco na apuração. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12269.004747/200911 Acórdão n.º 240102.314 S2C4T1 Fl. 147 5 Diante dessas constatações, hei de me alinhar ao posicionamento do órgão a quo, declarando procedentes as contribuições fundamentadas no inciso III do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.876/1999, as quais correspondem a 20% das remunerações apontadas pelo fisco. Havendo a conclusão de que a empresa efetivamente pagou remuneração a contribuintes individuais, tendo deixado de registrálas em folha de pagamento, não tenho dúvida de que foi desobedecido o comando previsto no inciso I do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...) Diante dessas evidências, afasto a tese da inocorrência da infração, posto que a empresa não conseguiu afastar a conclusão do fisco acerca da existência de pagamentos a contribuintes individuais, os quais não foram registrados nas folhas de pagamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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