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Numero do processo: 10166.724562/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010, 2011
INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO FISCAL DO CONTRIBUINTE.
As intimações por via postal, telegráfica, por meio eletrônico ou por qualquer outro meio ou via, serão feitas, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, não havendo previsão de as intimações serem dirigidas a procuradores.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
AUTO DE INFRAÇÃO LUCRO PRESUMIDO. ILEGALIDADE.
Cabe cancelar a autuação lavrada no regime do lucro presumido para o ano seguinte ao ano no qual a receita bruta resultante da autuação fiscal excedeu o limite autorizado para este regime de apuração.
COMISSÕES. CORRETORES. PARCERIA.
As comissões recebidas por corretores autônomos, que mantém contrato de parceria de trabalho com a imobiliária pessoa jurídica contratada por construtora/incorporadora, nas operações de vendas de unidades imobiliárias não se caracterizam como receita da pessoa jurídica.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual.
Numero da decisão: 1201-002.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, dar provimento aos recursos voluntários. A conselheira Ester Marques Lins de Sousa acompanhou a relatora pelas conclusões em relação ao ano calendário de 2010. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, no que foi substituído pelo conselheiro suplente José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010, 2011 INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO FISCAL DO CONTRIBUINTE. As intimações por via postal, telegráfica, por meio eletrônico ou por qualquer outro meio ou via, serão feitas, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, não havendo previsão de as intimações serem dirigidas a procuradores. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO LUCRO PRESUMIDO. ILEGALIDADE. Cabe cancelar a autuação lavrada no regime do lucro presumido para o ano seguinte ao ano no qual a receita bruta resultante da autuação fiscal excedeu o limite autorizado para este regime de apuração. COMISSÕES. CORRETORES. PARCERIA. As comissões recebidas por corretores autônomos, que mantém contrato de parceria de trabalho com a imobiliária pessoa jurídica contratada por construtora/incorporadora, nas operações de vendas de unidades imobiliárias não se caracterizam como receita da pessoa jurídica. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual.
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DOMICÍLIO FISCAL DO CONTRIBUINTE. As intimações por via postal, telegráfica, por meio eletrônico ou por qualquer outro meio ou via, serão feitas, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, não havendo previsão de as intimações serem dirigidas a procuradores. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO LUCRO PRESUMIDO. ILEGALIDADE. Cabe cancelar a autuação lavrada no regime do lucro presumido para o ano seguinte ao ano no qual a receita bruta resultante da autuação fiscal excedeu o limite autorizado para este regime de apuração. COMISSÕES. CORRETORES. PARCERIA. As comissões recebidas por corretores autônomos, que mantém contrato de parceria de trabalho com a imobiliária pessoa jurídica contratada por construtora/incorporadora, nas operações de vendas de unidades imobiliárias não se caracterizam como receita da pessoa jurídica. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, dar provimento aos recursos voluntários. A conselheira Ester AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 62 /2 01 4- 17 Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 3 2 Marques Lins de Sousa acompanhou a relatora pelas conclusões em relação ao ano calendário de 2010. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, no que foi substituído pelo conselheiro suplente José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 7/70, lavrados no regime lucro presumido em que se exigem R$5.988.184,21 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ devido à infração: 001 Omissão de Receitas da Atividade, receita Bruta Mensal na prestação de Serviços de Administração, Locação ou Cessão de Bens Imóveis, Móveis ou Direitos de Qualquer natureza, fatos geradores em 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011 e 31/12/2011; R$2.173.026,30 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo da mesma infração; R$724.342,09 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidência cumulativa padrão, reflexo da mesma infração; R$156.940,78 de Contribuição para o PIS, incidência cumulativa padrão, reflexo da mesma infração. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício 150%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Relatório Fiscal, págs. 71/129. 2. Foram responsabilizados solidariamente, págs. 4/6: a. LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, CNPJ 08.078.847/000109, com base legal no art. 124, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; b. Wildemir Antonio Demartini, CPF 013.308.29115, com base legal nos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; c. Marcos Antonio Moura Demartini, CPF 693.730.78100, com base legal nos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 3. As impugnações apresentadas por todos foram julgadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE, Acórdão nº 0268.419, de 12/05/2016, que considerou a impugnação procedente em parte, pois manteve os Termos de Responsabilidade Solidária relativos a Wildemir Antonio Demartini e Marcos Antonio Moura Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 4 3 Demartini, mas exonerou em parte a responsável solidária LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, das exigência relativas a IRPJ e multa de ofício e juros de mora respectivos: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, parte integrante deste acórdão, em julgar parcialmente procedentes as impugnações apresentadas, para: REJEITAR todas as nulidades argüidas e INDEFERIR o pedido de produção posterior de provas e o pedido de encaminhamento de intimações e notificações a endereço diverso do domicílio fiscal do sujeito passivo; MANTER INTEGRALMENTE, quanto a Wildemir Antonio Demartini e a Marco Antonio Moura Demartini, o vínculo de responsabilidade dos sujeitos passivos solidários; MANTER PARCIALMENTE, quanto à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, o vínculo de responsabilidade, para exonerar o sujeito passivo das exigências relativas ao IRPJ, assim como da multa de ofício e dos juros de mora respectivos, mas mantendo o vínculo de responsabilidade em relação às exigências de CSLL, Cofins e contribuição para o PIS, assim das respectivas multas e juros de mora; MANTER INTEGRALMENTE o lançamento de IRPJ, de contribuição para o PIS, de Cofins e de CSLL, inclusive os juros de mora e as multas de ofício correspondentes. 4. As ementas foram: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITAS COMISSÃO DE CORRETAGEM Sob pena de imputação fiscal de omissão de receitas, a empresa que realizar a intermediação da venda de imóveis com o concurso de corretores que não tenham com ela vínculo formal de subordinação deverá escriturar como receita própria o valor da comissão de corretagem atribuída àqueles corretores, salvo se comprovado que eles de fato atuaram em nome próprio e de maneira independente. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTERESSE COMUM São solidariamente obrigadas as pessoas físicas e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Todavia, não justifica a sujeição passiva solidária, por si só, o exercício e gozo de poderes e direitos Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 5 4 inerentes à condição de sócio ou acionista de pessoa jurídica, tais como a escolha dos administradores e a participação nos resultados, desde que não haja abuso e que tenham sido respeitados os limites e condições legais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA GRUPO ECONÔMICO As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212, de 1991, que trata das contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ADMINISTRADORES Os diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2010, 2011 ENVIO DE INTIMAÇÕES A ENDEREÇO DIVERSO DO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO Não existe nenhuma disposição legal que autorize o envio de correspondência ou intimação ao domicílio do advogado do contribuinte, ainda que regularmente constituído, nem a qualquer outro endereço que não se caracterize como o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. 5. O contribuinte e responsáveis solidários foram cientificados todos em 09/06/2016, págs. 2.244/2.247, e apresentaram Recursos Voluntários tempestivos em 07/07/2016. Recurso Voluntário LPS Brasilia Consultoria de Imóveis Ltda, págs. 2.248/2.343 6. Transcrevese o índice, a seguir, para, no voto, analisar os questionamentos. DIREITO.......................................................................................................................4 Parte A Questões de Mérito..........................................................................................4 2.1. Introdução: exposição sistemática das acusações contidas no Auto de Infração... 4 2.2. Ausência de prestação e tomada de serviços na relação jurídica estabelecida entre a Recorrente e Corretores Independentes........................................................................................6 2.2.1. A distinção entre corretagem e prestação de serviços..........................................7 2.2.2. A figura do "preposto" na corretagem de imóveis................................................11 2.2.3. A relação associativa que se institui entre imobiliária e Corretores Independentes.... 15 2.2.4. A diferença entre "coordenação" e "controle".......................................................24 2.3. A Recorrente não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os Corretores Independentes.....................................................................................................................26 2.3.1. 0 vínculo entre os compradores e os Corretores Independentes.........................................32 2.3.2. A questão da "transferência" do ônus relacionado à corretagem..........................................38 2.3.3. Prova da realização de pagamentos pelos compradores...........................................................42 2.3.4. A posição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais....................................................42 2.4. 0 limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração.................................................................................................................44 2.4.1. Falta de base legal e incertezas da circularização.........................................................................44 2.4.2. A opinião guiada pela "aparência" dos compradores de imóveis..........................................46 2.4.3. Declarações de Corretores Independentes que infirmam o Auto de Infração.................47 Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 6 5 2.4.4. Declarações de Incorporadoras que infirmam o Auto de Infração.......................................55 2.4.4. Declarações de Incorporadoras que infirmam o Auto de Infração.......................................55 2.4.5. Argumentos da DRJ sobre as provas..............................................................................57 2.5. Conclusão sobre o mérito do Auto de Infração....................................................................65 Parte B Questões Subsidiárias...............................................................................................65 2.6. Impossibilidade do lançamento sobre receitas não passíveis de reconhecimento ..........65 2.7. Ilegalidade do regime de reconhecimento de receitas adotado pelo Auto de Infração a empresa declarou pelo lucro presumido regime de caixa.................................................................................66 2.8. Improcedência da presunção simples de omissão de receitas......................................69 2.9. Ilegalidade do arbitramento alternativo, sem testar a metodologia do art. 284, do RIR de 1999...70 2.10. Necessidade de apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real.(excedidos R$48 milhões de receita bruta)..........................................................................................................................................74 2.10.1. Cenário 1........................................................................................................................76 2.10.2. Cenário 2......................................................................................................................... 78 2.10.3. Cenário 3.......................................................................................................................... 80 2.10.4. Síntese dos 3 Cenários..................................................................................................... 83 2.10.5. A justificativa contraditória da DRJ.................................................................................. 84 2.11. Descabimento do Agravamento da Multa Qualificada....................................................84 2.11.1. Os elementos objetivo e subjetivo do ilícito tributário.................................................. 85 2.11.2. O dolo tributário no lançamento de ofício..................................................................... 86 2.11.3. Apreciação da multa majorada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais......86 2.11.4. O procedimento da Recorrente e o descabimento da multa qualificada.........................88 2.12. Impossibilidade de Cobrança de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício................89 2.13. Reprodução das conclusões relativas ao IRPJ aos tributos reflexos.........................91 III CONCLUSÕES.................................................................................................................92 IVDO PEDIDO....................................................................................................................96 Recurso Voluntário LPS Consultoria de Imóveis Ltda, responsável solidário, págs. 2.489/2502 7. A LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, CNPJ 08.078.847/000109, relata o cancelamento parcial pela DRJ/BHE e repete a impugnação, resumida pela DRJ, que se reproduz: A autoridade fiscal não comprovou que a impugnante e a LPS Brasília possuíam direitos e deveres iguais e comuns na relação jurídica que dá ensejo à suposta incidência tributária. Não ficou demonstrado qualquer indício de confusão patrimonial entre a impugnante e a LPS Brasília, de forma a afastar cabalmente a aplicabilidade do artigo 124, I, do CTN. O relatório fiscal igualmente não foi capaz de comprovar que a impugnante possui interesse que não seja meramente econômico, na qualidade de sócia da LPS Brasília, no desempenho de suas atividades, não atendendo, portanto, ao requisito de ter interesse jurídico comum no fato que constitui a hipótese de incidência tributária, nos termos do artigo 124, I, do CTN. O relatório fiscal pretende imputar à impugnante a solidariedade pelo simples fato de figurar no quadro societário da LPS Brasília, o que não encontra amparo na legislação vigente. Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 7 6 A Fiscalização pretende arrolar a impugnante entre os responsáveis pelo crédito tributário lançado sem fazer qualquer prova de que teria incorrido nas hipóteses ensejadoras da solidariedade. A inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, I, do CTN, faz imperioso o cancelamento do termo de sujeição passiva. Não estão presentes as condições que autorizem a aplicação do artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991, pois a obrigação solidária com fundamento neste dispositivo exige que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo entre as sociedades de um dito grupo econômico e que o grau da centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou nãorealização dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Outro fundamento legal do termo de sujeição passiva, o artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991 determina a solidariedade no cumprimento das obrigações decorrentes daquela lei, não servindo, portanto, para imposição de solidariedade no pagamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Interpretação distinta desta significaria solapar o princípio da legalidade estrita que rege o direito tributário. Com efeito, o normativo não se presta para o caso concreto, uma vez que o termo de sujeição passiva pretende impor à impugnante responsabilidade pelo lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, enquanto que o artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991 é literal e expresso quanto a se aplicar em função das obrigações decorrentes daquela lei, o que não alcança os tributos lançados pelo auto de infração. O artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991, atribui obrigação solidária aqueles que possuem competência decisória concreta e determinante sobre os atos que correspondem ao fato gerador, bem como ao cumprimento das obrigações tributárias, e não em função do simples pertencimento ao grupo econômico. A fiscalização não logrou comprovar que a impugnante exerce sobre a LPS Brasília poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado, tampouco que teria tido ingerência sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações tributárias que a fiscalização pretende imputar à LPS Brasília. Não restou demonstrada, portanto, a caracterização de situação que autorize a obrigação solidária com fundamento no artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/1991. Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 8 7 Ainda que não se entenda pelo cancelamento do termo de sujeição passiva pelas razões acima, o que se admite a título de argumentação apenas, é cediço que a impugnante não pode figurar como devedora solidária da multa de ofício aplicada, uma vez que o artigo 124 é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. Ademais, repisese que se somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o artigo 137 também do CTN, o que não se verifica no presente caso. 8. Em síntese, pugna pela inaplicabilidade a seu caso do art. 124, I do CTN; assim como do art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991; e impossibilidade de lhe atribuir responsabilidade por penalidades; e requer que intimações e comunicações referentes ao processo sejam remetidas ao domicílio fiscal da impugnante, bem como para o escritório de seus advogados. Recurso Voluntário Wildemir Antonio Demartini, responsável solidário, págs. 2.579/2.649. 9. Mesmo teor, acrescido de : O relatório fiscal, em flagrante inconsistência, chama o impugnante a responder pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal, o que, por si só, impõe o cancelamento do termo de sujeição passiva solidária, uma vez que o artigo 135, III, do CTN, é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília. Assim como no caso do artigo 124, o relatório fiscal não comprovou que o impugnante teria agido de forma ilegal, ou com excesso de poderes ou de forma contrária ao contrato social da LPS Brasília. (...) Também não se sustenta a responsabilidade do impugnante pela multa caso seja adotado como fundamento o artigo 135, III, do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o artigo 137 também do CTN, o que não se verifica no presente caso. Recurso Voluntário, Marcos Antonio Moura Demartini, responsável solidário, págs. 2.506/2.576. 10. De mesmo teor. 11. É o relatório. Voto Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 9 8 Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Recurso de Ofício. 12. Haja vista a exoneração da responsabilidade solidária da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, em relação à exigência de IRPJ, cujo montante do IRPJ e respectiva multa de ofício totalizam R$8.023.951,16, devese conhecer do Recurso de Ofício, em obediência à Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que passou a ser no valor de R$2.500.000,00, e que entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial de União em 10/02/2017. 2 Recurso Voluntário. Mérito. 13. A discussão se refere ao tratamento tributário a ser dado às comissões de corretagem pagas pelos compradores de imóveis aos corretores que os atenderam; a Autuada alega que atua na contratação de imóveis a serem vendidos, junto às Incorporadoras/proprietárias, que são os seus clientes; já os corretores, são associados independentes, contratados pelos compradores e deles recebem as comissões, ou seja, os respectivos clientes dos corretores são os compradores, que os remuneram; portanto as comissões pagas pelos compradores aos corretores não se caracterizam como receitas da Autuada. 14. O Autuante, por sua vez, constatou: 4. A Empresa LPS Brasília tem por objeto social atualmente: (i) consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, ou de direitos e obrigações a eles relativos; (ii) prestação de serviços de assessoria técnico imobiliária; (iii) prestação de serviços de correspondente bancário. 15. Constatou que as autorizações de corretagem eram normalmente outorgadas pelas incorporadoras de maneira informal, não sendo formalizadas mediante Contratos de Prestação de Serviços; analisou a amostragem de contratos de associação firmados com corretores independentes, e concluiu que os corretores trabalharam de forma a caracterizar vínculo empregatício/contratual com a Autuada. 16. Relata que a fiscalizada foi intimada a informar: nome do corretor responsável pela venda do imóvel; n° do CPF e do CRECI do corretor de imóvel; o valor pago da comissão de venda ao corretor, porém não o fez, e o autuante arbitrou as bases de cálculo, mediante aferição indireta das remunerações às pessoas físicas que intermediaram as vendas das unidades imobiliárias, com base nos valores de comissão/premiação de vendas que estes receberam da fiscalizada e informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, anos calendário 2010 e 2011: Porém, no caso em análise, os valores aferidos como remunerações pagas às citadas pessoas físicas ficaram restritos aos valores da receita de intermediação de venda pagos à imobiliária Lopes Royal pelos serviços de alienação de imóveis prestados a diversas incorporadoras/construtoras, conforme dados por levantamento (lev) informados nas planilhas anexas. Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 10 9 (Fonte: ANEXO VI, Pág 1 a 261 Planilhas BC TOTAL_AI IRPJ e REFLEXOS e BC TOTAL_AI IRPJ e REFLEXOS resultantes da Planilha Consolidada_DIMOB 2010 e 2011_LPS Brasília que deu origem as bases de cálculo lançadas nos LEV A2 a VC); 31.2 – fica demonstrado que o procedimento da aferição indireta se justifica e se sustenta nos princípios da legalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva, com fundamento no art. 33, §§ 3° e 6° o da Lei n° 8.212/91; no art 3, § único e no art. 20, inc III da Lei n° 6.530/78 e nos art. 1° o ao 3°, § único, do Decreto n° 81.871/78 combinados com o previsto na Tabela de Honorários extraída do site do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª a Região (CRECI/DF), que a homologou após ser aprovada na Assembleia Geral Extraordinária do Sindimóveis/DF, em 22/11/96; (ANEXO VI_Pág 262 a 264) 31.3 dentre os diversos direitos e deveres enunciados na Tabela de Honorários, está prevista a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte; e também constitui infração grave ao código de ética instituído pela Lei Federal n° 6.530/78 (que regulamenta a profissão de Corretor), a cobrança de honorários inferiores aos previstos nesta Tabela pelos profissionais corretores/consultores de imóveis. Então, no caso em foco, foi considerado como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na conta contábil acima mencionadas, logo, a remuneração devida aos corretores é igual a receita de intermediação de venda recebida pela imobiliária; 17. A Autuada esclareceu que: como regra geral, todos os pagamentos relativos a remunerações de corretagem são realizados pelo cliente comprador, diretamente a quem lhes faça jus. A corretora de imóveis pessoa jurídica emite nota fiscal em face deste (compreendendo sua remuneração), e o corretor de imóveis independente emite recibo (compreendendo sua remuneração). Em casos excepcionais, é possível que a remuneração da imobiliária (total ou parcialmente) seja paga pela incorporadora. Nesses casos, a imobiliária emite nota fiscal apenas em face da incorporadora (quando esta assume o pagamento integral da remuneração devida à incorporadora (sic)); ou duas notas fiscais, uma em face da incorporadora e outra em face do cliente comprador (quando estes pagam, cada um, uma parcela da remuneração devida à imobiliária) Em todos os casos, frisese, a remuneração do corretor independente tornase devida e é paga pelo cliente comprador dos imóveis. 18. Em diligência junto a compradores dos imóveis concluiu que estes entendiam que: Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 11 10 a. a intermediação foi da Autuada; os corretores que os atenderam portavam crachás, camisetas e/ou cartões que os identificaram como representantes da Autuada; que lhes foram exigidos cheques diferentes para: sinal, comissão corretor, comissão demais membros da equipe; o fechamento da compra era em estande de venda da Autuada e/ou incorporadora, no local da obra, ou na sede da Autuada; o valor de compra e venda foi inferior ao da proposta de compra/venda e/ou tabela de preços com timbre da Autuada (que foram assinadas apenas pelo comprador e corretor autônomo), pois o primeiro incluiu as comissões; b. que foram cientificados de que, no exemplo descrito, em que o valor na tabela de vendas foi R$557.766,00: "(...) o valor que constará do contrato de promessa de compra e venda é de R$ 543.264,08, em face da dedução da comissão de parte da corretagem no valor de R$14.501,92. (2,6% do valor da tabela), que estou(amos) pagando por livre e espontânea vontade para o(a)(s) corretor(a)(es) de imóveis autônomo(s), sob a égide do art. 725 do Código Civil. O percentual da comissão de corretagem devido pela intermediação frutuosa e transparente do negócio, se encontra dentro dos limites permitidos pelo CRECI/DF (8ª Região) e contou com a minha aceitação. O valor constante do contrato será pago à REAL CELEBRATION ENGENHARIA LTDA, sem qualquer interferência ou participação do supracitado agente de corretagem. c. e que havia Recibo de Corretagem R$13.603,91, assinado pelo corretor, com CRECI respectivo (mas que tal valor foi repartido com outros, inclusive com supervisor, cujo endereço coincide com o da Autuada) d. Recibo de Corretagem Provisório R$898,00, da Autuada; e. memória de cálculo da área financeira da Autuada, que resultou nos cheques a serem emitidos: a) R$24.511,08, sinal pago à incorporadora; b) R$8.736,05, comissão para o corretor; c) R$2.013,54, de comissão para Coordenador de Equipe; d) R$836,65, premiação a coordenador de produto; R$2.077,68, comissão para Diretoria LPS; R$1.088,00, premiação mais taxa de cadastro para Lopes Real (Autuada) excetuado o Sinal, a somatória dos cheques perfaz R$14.751,92, que é a soma dos R$14.501,92. (2,6% do valor da tabela, correspondentes ao Recibo de Corretagem do corretor e Recibo de Corretagem Provisório da Autuada), mais R$250,00 de taxa de cadastro (R$50,00 para o corretor e R$200,00, para a Autuada; resumindo: Recebedor R$ Recibos Corretor 8.736,05 13.603,91 Coord Equipe 2.013,54 Coord de Produto 836,65 Diretoria da Autuada 2.077,68 Lopes Real (a Autuada) 1.088,00 898,00 Total/subtotal 14.751,92 14.501,91 Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 12 11 Taxa de cadastro corretor 50,00 Taxa de cadastro Autuada 200,00 Total 14.751,91 19. Percebese, que parte era remuneração do Corretor e parte de terceiros e o restante a Diretoria e a Autuada porém toda esta foi à conta do Corretor, que emitiu Recibo correspondente ao seu ganho e ao dos demais citados. a. No exemplo supra, evidenciase que R$8.736,05 foi remuneração do Corretor e R$2.850,19 de outros da equipe, R$ 3.165,68, receita da Autuada e respectiva Diretoria; ou seja, a comissão foi dividida entre vários e o corretor (independente) os remunerou; 20. À pág. 103, consta Memória de Cálculo Financeira, relativa a outra venda, onde a Comissão de Corretagem paga pelo comprador ao corretor autônomo foi no valor de R$5.099,36; a NF de Serviços da Autuada foi R$4.314,94, emitida para a construtora contratante da venda do imóvel, pela comissão que esta lhe pagou: Recebedor R$ Corretor 3.110,79 incluídos R$60,00 de taxa de contrato Coord Equipe 708,03 Coord de Produto 294,19 Diretoria da Autuada 730,58 Lopes Real (a Autuada) 4.820,61 incluídos R$190,00 de taxa de contrato Total 9.664,20 incluídos R$250,00 de taxa de contrato a. Neste exemplo, o pagamento feito pela incorporadora à Autuada foi de R$4.314,94, contra a NF desta; a comissão do Corretor foi rateada entre o Corretor, o Coordenador de Equipe, o Coordenador de produto, Diretoria da Autuada e Autuada, aparentemente contra Recibo do Corretor; além disso foram cobrados R$250,00, rateados como tabela supra, não constando que documento foi emitido. b. R$(5.099,36+4.314,94+250,00=9.664,30); o total de comissões recebidas foi a comissão paga pela construtora contra nota fiscal da Autuada; o restante, pago pelo comprador, foi rateado entre os diversos corretores. 21. O Autuante destaca que a obrigatoriedade de pagamento da comissão ao corretor pessoa física, pelo comprador, consta do item 5.1.2 do Contrato de Intermediação para Alienação de Unidades Habitacionais e Outras Avenças, firmado entre a construtora contratante e a Autuada, contratada; bem como no item 5.1.1, responsabilidade da contratante de pagar 2,2% à Autuada. 22. E analisou se o corretor e os "outros da equipe"caracterizavam vínculo empregatício com a Autuada: a. pelos depoimentos constantes no Relatório Fiscal, o Coordenador de Negócios nos anos autuados, era pessoa física, que recebia diretamente do financeiro da LPS (item 22.1, do Relatório Fiscal, págs. 87/89); a Coordenadora de Produto, titular de pessoa jurídica que emitia notas fiscais aos compradores (item 22.2, Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 13 12 págs. 89/90), trabalhavam como contratados exclusivos da Autuada; o Autuante concluiu que se caracterizou vínculo empregatício; b. pelos depoimentos dos Corretores, pessoas físicas, (itens 23/24, págs. 90/91), de que, conclui ter se caracterizado vínculo laboral com a Autuada: 24.1 uma ou mais vias dos documentos básicos emitidos na venda de imóvel (Pedido de Reserva e Proposta de Compra e Venda, Contrato de Promessa de Compra e Venda, Recibos de pagamento de sinal e de comissão, memória de cálculo....) e também o Contrato de prestação de serviço quando firmado entre as partes (Corretor e LPS) e o Recibo de Pagamento a Autônomo (RPA) normalmente ficava (am) sob o controle (posse e guarda) da imobiliária Lopes Royal e/ou da incorporadora/construtora e 01 via era entregue ao comprador do imóvel. Consequentemente, apesar de assinar praticamente todos os documentos, geralmente nenhuma via da maior parte dessa documentação era entregue aos corretores, principalmente o recibo de pagamento da comissão e o contrato de prestação de serviço, daí a dificuldade em apresentálos ao Fisco; 24.2 trabalhavam como corretor autônomo para a empresa LPS Brasília na venda de unidades imobiliárias (principalmente imóveis na planta) sob a sua responsabilidade, e que toda a documentação preenchida e assinada pelo corretor/comprador era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS, que juntamente com a construtora/incorporadora analisavam tais documentos e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador), a tesouraria/área financeira da Lopes Royai entregava o(s) cheque(s) do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos; 24.3 prestavam serviços com exclusividade geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiária LPS Brasília com toda a infraestrutura para atendimento ao cliente e que também era obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda assim como a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da fiscalizada (coordenador/supervisor de equipe, gerente/diretor...). Informaram ainda que caso o corretor não acatasse as determinações poderia ser desligado do quadro das equipes de venda da imobiliária LPS Brasília, também conhecida como Lopes Royal; 24.4 recebiam todo o material necessário utilizado na comercialização de imóveis, tais come tabelas de venda, blocos de proposta de compra e venda, recibos de corretagem, panfletos, folders: books, email corporativo, etc e que normalmente utilizavam crachá e camiseta da empresa LPS; 24.5 as comissões/premiações de venda eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 14 13 Brasília e que os percentuais/valores a serem pagos às partes dependiam do prazo, tipo, local... de cada empreendimento imobiliário a ser comercializado. Também mediante a apresentação do documento Memória de Cálculo da Área Financeira ficou demonstrado que a fiscalizada detinha o controle dos valores do sinal e da comissão/premiação/taxa de cadastro a serem pagos a cada um dos integrantes da intermediação imobiliária, com a discriminação de cada cheque emitido para pagamento do sinal è(...) 24 6 esclareceram que todos os membros integrantes da área de comercialização de imóveis da LPS Brasília participavam das comissões/premiações e eram compostos da seguinte forma: cada grupo de Corretor tinha um Supervisor/Coordenador de equipe; cada Empreendimento tinha um Coordenador de produto; cada grupo de Coordenador de equipe tinha um Superintendente, atual cargo de Diretor de Operações, que por sua vez reportavase ao Diretor Comercial e este à Diretoria Executiva da empresa. Na administração geral (Diretoria Executiva) da empresa LPS Brasília encontramse os sócios Wildemir Antonio Demartini (Diretor Presidente e Responsável Técnico perante o CRECI) e Marco Antonio Moura Demartini (Diretor Administrativo) Também apresentaram a relação nominal de cada membro da equipe de venda à época. 23. Às págs. 862/867, consta Instrumento Particular de Parceria Comercial da Autuada com um Corretor, que tem por base a Lei nº 6.530, de 1978, já transcrita, o Decreto nº 81.871, de 1978 e resoluções não identificadas COFECI e CRECIDF, de onde se extraem algumas cláusulas: CLÁUSULA SÉTIMA: Concordam livremente as partes que a obrigação da PARCEIRA EMPRESA restringese a propiciar condições favoráveis às vendas do(a) PARCEIRO(A) COMERCIAL, na forma explicitada na CLAUSULA TERCEIRA, não oferecendo qualquer tipo de remuneração a(o) PARCEIRO(A) COMERCIAL, o(a) qual, na condição de autônomo(a), atenderá pessoalmente os Compradores, PromitentesCompradores e Cessionários e apenas deles receberá as comissões referentes às intermediações devidamente concluídas e formalizadas sob a sua responsabilidade exclusiva e, ou, concomitante com eventuais outros parceiros comerciais, salvo se houver desistência, desfazimento de proposta, distrato amigável ou rescisão judicial entre as partes signatárias da compra e venda. Parágrafo Primeiro: Em reverência à moral e à lealdade que devem nortear a parceria comercial avençada na presente data, não se admitirá a prática de concorrência desleal, que constitui crime nas hipóteses do art. 195 da Lei n°. 9.279/96, de modo que, a título exemplificativo, sempre que os consumidores procurarem a empresa por intermédio de telefone, email, fax ou visita a stand ou à sede, não poderá o(a) PARCEIRO(A) COMERCIAL, pessoalmente ou por meio de terceiros corretores, vender a estas pessoas Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 15 14 imóveis nãodisponibilizados por meio da PARCEIRA EMPRESA. CLÁUSULA DÉCIMA: 0(A) PARCEIRO(A) COMERCIAL, na condição de profissional autônomo(a), poderá escolher previamente os horários dos plantões de venda dos quais pretende participar, podendo deles se ausentar e mesmo indicar outro colega com habilitação profissional, competência e idoneidade para tanto, sem qualquer ônus, necessitando apenas comunicar a PARCEIRA EMPRESA com razoável antecedência, de modo a assegurar a boa organização e a efetividade das vendas. Da mesma forma, não há restrições quanto a viagens pessoais, preservandose apenas o dever de informar a PARCEIRA EMPRESA prévia e tempestivamente. CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA: Por questão de organização e estratégia de vendas o(a)) PARCEIRO(A) COMERCIAL concorda em contar com o auxílio e a colaboração de outros colegas com reconhecido knowhow na negociação e no fechmento de vendas imobiliárias, bem como com a experiente consultoria prestada por profissional (is) atuante(s) junto à PARCEIRA EMPRESA, sendo facultado que combine com qualquer dos mesmos, quando for o caso, a divisão ou o repasse de parte das comissões avençadas com os COMPRADORES e PROMITENTES COMPRADORES. Parágrafo Primeiro: Por motivo de organização, planejamento e estratégia, com o objetivo de maximizar as vendas, a PARCEIRA EMPRESA reservase ao direito de convidar o(a) PARCEIRO(A) COMERCIAL a participar de grupos ou equipes de corretores autônomos com atuação em locais ou empreendimentos específicos, possibilidade que conta com a concordância deste. 24. No contrato supra não se identifica que o Corretor autônomo deva exclusividade à Autuada, com quem firma a parceria, ressalvado o parágrafo da clausula sétima, que se refere aos clientes que procuraram a Autuada, ou seja, o Corretor não pode se valer da carteira de clientes da imobiliária, com quem firmou a parceria. 25. No RV a Autuada destacou: 172. Destaquese o nível de detalhamento e a precisão técnica da resposta dada pela empresa diligenciada. O conhecimento um pouco mais aprofundado sobre a dinâmica do mercado imobiliário faz com que logo se percebam estes aspectos. Destaca a empresa diligenciada que "o comprador assume, no ato da contratação, três diferentes obrigações: (a) o preço do imóvel, perante a incorporadora; (b) a verba de corretagem devida à imobiliária, pela ligação incorporadoramercado; e (c) a verba de corretagem devida ao corretor independente, por terlhe proporcionado a compra (ligação comprador incorporadora Mais adiante, a empresa diligenciada confirma o que antecipou momentos antes: "os pagamentos são realizados pelo comprador (...) a verba de corretagem Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 16 15 devida ao corretor independente é paga diretamente ao corretor independente (...)". 26. Contrato de Corretagem: 5.1.1 2,2 % (dois vírgula dois por cento), valor este que será pago diretamente pelo CONTRATANTE após assinatura do contrato pelos Adquirentes e emissão da competente Nota Fiscal de Serviço pela CONTRATADA. 5.1.2 1,3 % (um vírgula três por cento) importância esta que integrará o preço da unidade na Tabela de Vendas, porém serão pagas pelos Adquirentes através de cheques nominativos aos corretores autônomos/coordenadores e recebidas a título de comissões individuais sobre as vendas realizadas. Tais valores sempre serão calculados à base de 1,3% (um vírgula três por cento) sobre o preço total de cada uma das unidades e deduzidos nos contratos de promessa de compra e venda das mesmas. Esses cheques ficarão em poder da CONTRATADA e somente serão entregues aos corretores/coordenadores após a assinatura do contrato por parte do cliente. 27. Nas diligências junto às incorporadoras/construtoras, estas confirmaram a informalidade na contratação, que contrataram a Autuada para intermediar as vendas das unidades imobiliárias, que a corretagem (entre 3,5% e 5%, sendo até 1,3% para o Corretor) é paga pelo comprador; que, a ligação incorporadoramercado é feita pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por corretores independentes; que as verbas são pagas a cada um deles em separado e cada um emite Nota Fiscal de Serviços ou Recibo; que a imobiliária pode às suas expensas, promover campanhas de premiação aos corretores autônomos e da Contratada (que é a Autuada); o corretor autônomo poderá contratar com o adquirente e cobrar até 1,3%, independente à contraprestação devida à Imobiliária; as despesas de propaganda e material para a venda são da Autuada; o direito de intermediação é em caráter de exclusividade para a Autuada e corretores que mantenham parceria com a mesma, até a quantidade estabelecida no contrato. 28. Destaca o Autuante: 44. E conveniente destacar que (...) se enfatizam as afirmações dos adquirentes de imóveis que não contrataram qualquer corretor e que este profissional já se encontrava nos locais de venda designados pela fiscalizada, se identificando como representante da LPS. 45. De acordo com a Lei n° 6.530, de 1978, e o respectivo regulamento (Decreto n° 81.871, de 1978) o atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição; e, ainda, somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. Nesse contexto, a referida empresa vem atuando na comercialização de imóveis à revelia da legislação vigente, pois conforme se observa Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 17 16 nas declarações prestadas por ela à auditoria fiscal, não há envolvimento do corretor autônomo com a fiscalizada e esta se relaciona com construtora/incorporadora geralmente de forma verbal, o que não corresponde com a verdade dos fatos diante da documentação apresentada e dos esclarecimentos prestados tanto pelos compradores/corretores de imóveis quanto por algumas construtoras/incorporadoras diligenciadas. 46. Por outro lado, a ausência do contrato formal (apesar da imposição legal) não descaracteriza a relação de prestação de serviço entre o sujeito passivo e o corretor de imóvel, pois, para atuar sob a orientação, coordenação, supervisão e direção da empresa auditada, em suas dependências ou de terceiros autorizados (quiosques/estandes), utilizando toda a sua estrutura administrativa e operacional, é necessário o estabelecimento de alguma relação de trabalho, seja na condição de empregado ou de prestador de serviço autônomo. Mesmo que não haja qualquer tipo de contrato escrito de prestação de serviço de corretagem, sendo este de natureza consensual e bilateral, se considera celebrado pelo simples acordo de vontades e, no caso presente, o vínculo contratual entre corretor e imobiliária fica confirmado tanto pelo cumprimento do objeto pactuado com incorporadoras/construtoras para a comercialização de imóveis quanto pelos documentos e esclarecimentos prestados pelos compradores e corretores de imóveis diligenciados. 29. O Autuante também montou o seguinte quadro, onde se evidencia a composição do pagamento das comissões, e quem foi o pagador em cada caso. QUADRO DEMONSTRATIVO: Dados oriundos dos documentos nas diligências realizadas em compradores/corretores de imóveis e em incorporadoras/construtoras Ite m Nome do Comprador do Imóvel (A) Data da Compra (B) Valor da Tabela de Venda: RS {C} Valor da Proposta: RS (D) Valor do Contrato: R$ (E) Diferença (F) = CD Valor Comissão LPS/PJ:R$ (G) e% = G/C Valor Comissão Corretores/PF: RS e % (H) e % = H/C Valor Total Comissão: RS e % (l) = G + H Empreen dimento (J) 1 Izabel Maria Ferreira Braga 25.02.10 557.766,00 543.264,08 543.264,08 14.501,92 12.270,86 (2,20%) 14.501,92 (2,60%) 26.772,78 (4,80%) Real Clebration Life Club/Aguas ClarasDF 2 Juliano de Oliveira Barbosa 21.08.10 514.820.00 490.108,64 490 108.64 24 711,36 12.216,20 (2,37%) 12.495,16( 2,43%) 24.711.36 (4.80%) Art Life Design/Aguas ClarasDF 3 Frederico Viotti Ribeiro 27.02.10 160.714.00 156.535,44 156.535,44 4.178,56 3.535,01 (2,20%) 4.178,56 (2,60%) 7.713,57 (4.80%) Real Clebration Life Club/ Aguas Claras DF 4 Daniela de Paula 04.07.09 142.859,18 139.144,84 139.144.84 3.714,34 3.142,90 (2,20%) 3.714,34 (2,60%) 6.857,24 (4.80%) Paço Línea/ Aguas Claras DF 5 Vanessa Rosane R. Lima 01.11.10 218.080.00 207.612,16 207.612.16 10.467,84 5.079,08 (2,33%) 5.380,76 (2,47%) 10.467.84 (4.80%) Taguá Life Center/ Taguatinga SulDF 6 João Paulo R. Santana 11.0910 270.386.00 257.407,47 257.407,47 12.978,53 5.880,90 (2,17%) 7.097,63 (2,63%) 12.978.53 (4.80%) Essencial By Victona/ Guará II DF Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 18 17 7 Manoel Pereira de Lima Júnior 30.1311 859.993.00 805.813,44 805.813.44 54.179,56 nc nc 54.179.56 (6.30%.) Res Jales Machad o/ Aguas Claras DF & Neuza de Jesus S. de Paula 25.03.10 807.288.64 768 538,79 768.538,79 38.749,85 nc nc 38.749.85 (4.80%) Res. Riviera Noroeste/Noro este Brasília DF 9 Isaac Jesus da Silva 14.06.11 193.779.05 165.996,78 185.996,78 7.782,27 nc nc 7.782,27 (4.02%) Res. Villa di Fion/Samam baiaDF 1C Maria de Lourdes G. Carneiro 08.06.10 125.200,00 119.190,40 119.190,40 6.009,60 nc nc 6.009,60 (4,80%) Res Villa Borghese/Sa mambaiaDF 11 Fernando Henrique V. Lacerda 08.01.10 152.749.00 145417,05 145.41705 7 331,95 nc nc 7.331,95 (4,80%) Res Borges Landeiro Garden/Ceilân diaDF 12 Carlos Gustavo C. Landim 01.03.11 638.115,00 621.364,48 631.364,48 16.750,52 13.879,00 (2,175%) 16.750,52 (2,625%) 30.629,52 (4,80%) Res Bossa Nova/Noroeste BrasiliaDF 30. Às págs. 1.624/1.626, o Autuante juntou a Tabela referencial de Comissões e Serviços Imobiliários, Resolução Cofeci nº 458/95, homologada pelo CRECI 8ª R: a. Venda de Imóveis Urbanos 6 a 8%; b. Incorporação de Área Edificada (Hor ou Vert) Venda de empreendimentos imobiliários, incluindose a organização e planejamento de vendas 6 a 8%; imóveis com financiamento 7 a 9%; c. Divisão de comissão entre Corretores de Imóveis: Corretor de Imóveis e/ou empresa imobiliária de vendedor 50%; Corretor de Imóveis e/ou empresa imobiliária de comprador 50%; Corretor de Imóveis, em regime de co participação com empresa imobiliária, na venda de imóveis de terceiros, somadas as comissões de captação e venda 30%; Corretores de Imóveis de plantão de incorporação mínima 25%; Corretagem de participação entre imobiliárias 50% 2.1 POSICIONAMENTO DO CARF. 31. Na mesma ação fiscal foi lavrada autuação de Contribuições Previdenciárias, processo nº 10166.724556/201460, para os mesmos fatos geradores nos anoscalendário 2010 e 2011; esta foi objeto do Acórdão nº 2202004.577, de 03 de julho de 2018, assim ementado: IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 19 18 Voto (...) As alegações da recorrente principiam por buscar diferenciar a corretagem da prestação de serviços, com foco no art. 722 do Código Civil, e salientar que os corretores independentes não são seus prepostos, sendo associativa a relação instituída entre eles e a imobiliária. Pois bem, reza o art. 11 da Lei n° 8.212/91 que a seguridade social é financiada, dentre outras fontes, por contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriocontribuição. Já no inciso V do art. 12 é assinalado ser segurado obrigatório, como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa fisica que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Notese que a legislação previdenciária não alude à necessidade de existência de um contrato de prestação de serviços formalizado e restrito aos termos do art. 593 a 609 do Código Civil como pressuposto para a incidência das contribuições. (...) Então, ainda que o art. 722 do Código Civil tenha distinguido o conceito de corretagem da simples prestação de serviços, objetivando denotar as especificidades desse contratos, para fins previdenciários deve ser observado o sentido largo da expressão 'prestação de serviços'. Vejase que o exercício da profissão de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei n° 6.530/78, que prescreve no caput do seu art 3o: Art 3o Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. (...) Inegável que a atividade do corretor de imóveis se exprime, em sua própria definição, na realização de uma prestação de serviços, qual seja, exercer a intermediação de operações imobiliárias, a aproximação das partes envolvidas na compra e venda de imóveis. E a qualidade de ser um contrato do tipo aleatório, no qual a remuneração percebida está vinculada a obtenção de um Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 20 19 resultado útil, não desfigura o caráter de contraprestação de serviços da comissão paga pelo contratante/tomador ao corretor de imóveis. (Grifouse.) 32. Também, a CSRF, quanto às contribuições previdenciárias, tem se posicionado a favor do Fisco. Citese: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 27/02/2018 Nº Acórdão 9202006.519 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovandose a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. 33. A Autuada, porém, obteve resultado favorável no processo referente a contribuições previdenciárias do anocalendário 2008, julgado por Turma Ordinária do CARF e que foi objeto de Recurso Especial pela PFN, não admitido em 04/12/2014: Processo nº 10166.727550/201100 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2403002.508– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes LPS CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CORRETAGEM DE IMÓVEIS. PAGAMENTO INDIRETO POR PARTE DA VENDEDORA. NÃO VERIFICAÇÃO. PAGAMENTO ACORDADO E REALIZADO PELO COMPRADOR ADQUIRENTE. AUSÊNCIA DE PROVAS DE DESEMBOLSO FINANCEIRO DA VENDEDORA PARA ADIMPLEMENTO DE COMISSÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Demonstrado nos autos que a comissão de corretores autônomos é realizada pelo comprador, mediante estipulação contratual, não há que se falar em lançamento em face da vendedora do imóvel, contra a qual não restou demonstrar a efetiva saída de recursos de seu caixa para adimplemento de tal parcela. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado 34. E ainda na mesma ação fiscal do presente processo foi lavrada autuação relativa a exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF sobre os pagamentos dos Corretores, processo nº 10166.724561/201472, fatos geradores nos anoscalendário 2010 e 2011, o julgamento pela Turma Ordinária foi favorável ao contribuinte, Acórdão nº 1401 002.069 de 19/09/2017: Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 21 20 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. Não há fundamentos para exigir da Recorrente qualquer valor a título de IRRF, pois na situação fática versada nos autos não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente às obrigações principais ou mesmo IRRF. Razão pela qual, impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Quanto a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, a que faz remissão o artigo 9º da Lei nº 10.426/02, com as alterações constantes da Lei n.º 1.488/200, entendo que ela somente é aplicada quando exigida juntamente com o imposto. 35. (...) Porém, no caso em análise, os valores aferidos como remunerações pagas às citadas pessoas físicas ficaram restritos aos valores da receita de intermediação de venda pagos à imobiliária Lopes Royal (Imobiliária LPS Brasília) pelos serviços de alienação de imóveis prestados a diversas incorporadoras e construtoras, conforme dados informados nas planilhas anexas, resultantes da Planilha Consolidada DIMOB 2010 e 2011_LPS Brasília que deram origem as bases de cálculo lançadas. 36. Voto, Mérito: A acusação fiscal restringese a natureza da relação existente entre a Recorrente e os corretores independentes que a ela se associaram, isto porque, defende o fisco tratarse de uma relação jurídica que envolve a prestação e a tomada de serviços, que por via de consequência geraria a obrigação de retenção do Imposto de Renda Fonte incidente sobre os pagamentos efetuados a título de remuneração em benefício dos corretores independentes. (...) Esse modelo de negócios adotado pela Recorrente se mostra perfeitamente legítimo, pois encontra amparo na legislação pertinente: Código Civil Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Lei 6.530/78 Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. § 1o As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 22 21 § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis § 3o Pelo contrato de que trata o § 2o deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. Tal modelo de negócios, foi inclusive referendado recentemente pelo STJ, em sede do julgamento do RESP 1.599.511, repetitivo com publicação em 06/09/2016, cuja ementa foi assim redigida: RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. VENDA DE UNIDADES AUTÔNOMAS EM ESTANDE DE VENDAS. CORRETAGEM. CLÁUSULA DE TRANSFERÊNCIA DA OBRIGAÇÃO AO CONSUMIDOR. VALIDADE. PREÇO TOTAL. DEVER DE INFORMAÇÃO. SERVIÇO DE ASSESSORIA TÉCNICOIMOBILIÁRIA (SATI). ABUSIVIDADE DA COBRANÇA. I TESE PARA OS FINS DO ART. 1.040 DO CPC/2015: 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitente comprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. 1.2. Abusividade da cobrança pelo promitente vendedor do serviço de assessoria técnico imobiliária (SATI), ou atividade congênere, vinculado à celebração de promessa de compra e venda de imóvel. II CASO CONCRETO: 2.1. Improcedência do pedido de restituição da comissão de corretagem, tendo em vista a validade da cláusula prevista no contrato acerca da transferência desse encargo ao consumidor. Aplicação da tese 1.1. 2.2. Abusividade da cobrança por serviço de assessoria imobiliária, mantendose a procedência do pedido de restituição. Aplicação da tese. III RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 23 22 REsp 1599511 / SP Relator(a) Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO (1144) S2 SEGUNDA SEÇÃO Data do Julgamento 24/08/2016 Data da Publicação/Fonte DJe 06/09/2016. Portanto, feita a análise acima e considerada a análise trazida no Parecer do Professor Marco Aurélio Greco anexado aos memoriais, verificase que o modelo de negócios praticado pela Recorrente era perfeitamente possível, não havendo que se falar em simulação. (...) Não há fundamentos para exigir da Recorrente qualquer valor a título de IRRF, pois na situação fática versada nos autos não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente às obrigações principais ou mesmo IRRF. Razão pela qual, impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. 37. Contudo, a PFN apresentou Recurso Especial, que foi admitido; o contribuinte apresentou suas contrarrazões, sendo esta a situação no momento, portanto, pendente de decisão definitiva. 2.2 JULGADO STJ. 38. Quanto ao julgado citado, do STJ, RESP 1.599.511, repetitivo com publicação em 06/09/2016, cabe transcrever o teor da análise realizada no respectivo voto: Concluise, assim, neste item, que, no contrato tradicional de corretagem disciplinado pelo Código Civil, a obrigação de pagar a comissão ao corretor é, em regra, do incumbente (ou comitente), o qual, usualmente, no mercado imobiliário, é o vendedor, podendo, entretanto, ser transferida a outra parte interessada no negócio mediante cláusula contratual expressa no contrato principal. (Grifouse.) 1.2. Da corretagem na compra e venda de unidades autônomas em incorporação imobiliária: Modernamente, a forma de atuação do corretor de imóveis tem sofrido modificações nos casos de venda de imóveis na planta, não ficando ele mais sediado em uma empresa de corretagem, mas, contratado pela incorporadora, em estandes situados no próprio local da construção do edifício de apartamentos. O cenário fático descrito nos processos afetados é uniforme no sentido de que o consumidor interessado se dirige a um estande de vendas com o objetivo de comprar uma unidade autônoma de um empreendimento imobiliário. No estande, o consumidor é atendido por um corretor previamente contratado pela incorporadora. Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 24 23 Alcançado êxito na intermediação, a incorporadora, ao celebrar o contrato de promessa de compra e venda, transfere para o promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem diretamente ao corretor, seja mediante cláusula expressa no instrumento contratual, seja por pactuação verbal ou mediante a celebração de um contrato autônomo entre o consumidor e o corretor. Esse cenário fático, aliás, é condizente com o que foi apurado nas fiscalizações realizadas pela Receita Federal do Brasil, conforme se constata na manifestação escrita da FAZENDA NACIONAL, apresentada nos autos do REsp 1.551.591∕SP, na condição de amicus curiae, abaixo transcrita: 8.Como a Receita Federal constatou em diversas fiscalizações, e como já mencionado alhures, há uma contratação prévia por parte da construtora, que repassa toda a intermediação, em caráter exclusivo, à imobiliária, a qual realiza os serviços contratados mediante seus colaboradores. A intermediação é realizada, portanto, em função dos interesses da construtora e os corretores da imobiliária contratada ficam a serviço da construtora, inclusive para coletar informações sobre futuros clientes. 9. Tanto é assim que, em várias ocasiões, a Receita Federal apurou que, somente após a concretização da venda, é celebrado um contrato de intermediação (de corretagem) que contém, geralmente, um anexo denominado ´Carta Proposta´, em que estão relacionados os valores de comissão devidos pelo comprador aos corretores envolvidos na venda ou à imobiliária. Ressaltese que, somente após a ´concretização´ da venda, o comprador (pessoa física) assina o contrato com o corretor, do que se infere que esse contrato de intermediação seria apenas um termo de transferência de responsabilidade pelo pagamento dos serviços, contratados inicialmente pela construtora e, em grande parte, já finalizados (captação, orientação e convencimento do cliente). 10. Não se nega que ambos (construtora e comprador) acabam usufruindo dos serviços do corretor, mas, como alguns doutrinadores manifestamse pelo entendimento de que os serviços devem ser pagos pelo contratante, a Receita Federal, em geral, autua as imobiliárias e construtoras pelo não faturamento de tais valores e pelo não pagamento das contribuições previdenciárias referentes aos corretores. 11. Seguem os auditores, o entendimento, por exemplo, de Orlando Gomes no sentido de que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). (fls. 1872 s., dos autos do REsp 1.551.951∕SP) Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 25 24 Esse quadro fático sintetiza a prática usual do mercado imobiliário brasileiro da utilização da corretagem em benefício do vendedor, pois toda a atividade desenvolvida, desde a divulgação até à contratação, tem por objetivo angariar clientes para a incorporadora (promitentevendedora). 39. Na situação dos autos, a LPS Brasilia é contratada por construtoras/incorporadoras, a fim de organizar e efetuar as vendas das unidades imobiliárias. De acordo com jurisprudência citada, cabe ao incumbente, neste caso a construtora/incorporadora, pagar a comissão sobre as vendas efetuadas; o comprador efetua o pagamento à construtora/incorporadora, a qual, segundo alega a Autuada, lhe paga a comissão, em relação à qual, a Autuada emite Nota Fiscal de Prestação de Serviços; contudo, o comprador emite cheque em separado para pagamento aos membros da equipe de vendas, que são o corretor que atendeu o cliente, colocado pela Autuada no ponto de venda, portanto, não foi contratado pelo comprador a fim de pesquisar imóveis do seu agrado, mas o comprador é atendido por ele em nome da Autuada, e ainda Coordenador da equipe e Coordenador de produto; segundo os dois exemplos examinados, além deles, também recebem uma parte do valor da comissão paga pelo comprador, a Diretoria da Autuada e a Autuada. 3 Legislação. 40. A Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, que regulamentou a profissão de Corretor de Imóveis, com as alterações vigentes a partir da data da publicação da Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, art. 139: Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. § 1o As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.097, de 2015) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) § 3o Pelo contrato de que trata o § 2o deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 26 25 Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) 4 Regime de apuração. Anocalendário 2011. 41. A autuação foi lavrada no regime do lucro presumido, nos dois anoscalendário autuados, 2010 e 2011. 42. Para estes anos, vigia a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 46, para o art. 13 da 9.718, de 27 de novembro de 1998: Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. 43. O Autuante explicou no Relatório Fiscal, item 31.3: 31.3 dentre os diversos direitos e deveres enunciados na Tabela de Honorários, está prevista a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte; (...) Então, no caso em foco, foi considerado como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na conta contábil acima mencionadas, logo, a remuneração devida aos corretores é igual a receita de intermediação de venda recebida pela imobiliária; 44. Assim, para apurar a receita bruta atribuída pelo Autuante à empresa, no ano 2010, cabe somar: a) os valores autuados, que correspondem às comissões pagas aos Corretores, que o autuante arbitrou como iguais aos valores das comissões que a Autuada recebeu (50% para os Corretores e 50% para a Autuada), informados no Dimob, com b) os valores das comissões que a Autuada informou como recebidos por ela, no mesmo Dimob, resultando, para o ano calendário 2010; fonte: Dimob, págs. 1.369/1.623 Receita Bruta 1º trim/2010 10.667.530,00*2= 21.335.060,00 2º trim/2010 10.566.251,05*2= 21.132.502,10 3º trim/2010 6.786.529,24*2= 13.573.058,48 4º trim/2010 12.346.141,09*2= 24.692.282,18 Total 80.732.902,76 45. Evidenciase que a Recorrente tem razão, ao apontar que a receita bruta da empresa considerada pelo Autuante extrapolou os limites do lucro presumido. Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 27 26 46. Como a legislação determinava que somente podem optar pelo regime, as empresas que no ano precedente tiveram receita bruta inferior a R$48.000.000,00, resulta, de plano, que a autuação relativa ao anocalendário 2011 deveria ter sido efetuada pelo regime do lucro real a que estaria sujeita a Recorrente, sendo ilegal a apuração pelo lucro presumido. 47. Pelo exposto, cabe o cancelamento da autuação relativa ao anocalendário 2011. 5 Anocalendário 2010. Mérito. 48. Verificouse que a Autuada era contratada por empresas construtoras/incorporadoras, para a realizar as vendas das unidades imobiliárias vendidas. 49. A Autuada tem registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis, assim como os Corretores que atuam junto aos compradores potenciais e que negociam a venda dos imóveis com estes. 50. A legislação vigente em 2010 e 2011, objeto das autuação, apenas determinava que as pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas e deverão possuir como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito; somente legislação vigente a partir de 2015, disciplinou a associação entre o corretor de imóveis e as imobiliárias, e mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário (desde que não caracterizado o vínculo empregatício), mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato e que tal contrato regulará como o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem. 51. O art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. 52. Verificouse que tanto a Autuada como os Corretores receberam comissões referentes às vendas efetuadas de imóveis, ou seja, a remuneração foi pelos resultados dos negócios fechados; não há comprovação de pagamentos de salários fixos pelo fato de ficarem os Corretores disponíveis para a Autuada; a tabela montada pelo Autuante e a análise das duas vendas deixaram claro que as comissões recebidas tanto pela Autuada como pelos Corretores, em última análise, saíram do bolso dos compradores, assim como todo o pagamento pela compra, sendo que: a. em alguns casos a Autuada recebeu a comissão da Incorporadora/Construtora que a contratou e os Corretores (o que negociou, mais o coordenador de produto e o coordenador da equipe) receberam o pagamento da comissão pelo comprador; b. em outros, tanto a Autuada como os Corretores foram pagos pelo comprador; Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 28 27 c. em outros, a Autuada recebeu a comissão da Incorporadora/Construtora que a contratou, e recebeu também uma parcela do pagamento efetuado pelo comprador, enquanto os Corretores receberam do comprador; d. assim, concluise que a partilha das comissões foi definida para cada negócio, não sendo igual para todos os negócios. e. Eis que o art. 728 do Código Civil, Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. 53. O site do CRECI/DF informa, na presente data: fonte: https://crecidf.gov.br/institucional/perguntaserespostas/ Existe algum percentual mínimo de comissão legalizado? A vigente Tabela Referencial de Comissões e Serviços Imobiliários, aprovada em Assembléia Geral Extraordinária do SINDIMÓVEIS/DF e homologada em Sessão Plenária do CRECI/DF, estabelece, para a venda de imóveis urbanos, remuneração equivalente a um mínimo de 6% e o máximo de 8%, calculados sobre o valor total da transação. Entretanto o percentual amplamente utilizado na remuneração do corretor é de 5%, atribuindose, para o caso específico de parceria com imobiliárias, percentual de 50% para cada parte.Por se tratar de Tabela Referencial, é permitida a negociação antecipada quanto a forma e montante da remuneração, observandose, no entanto, que o valor acordado deve sempre compatibilizar os interesses das partes, preservando a importância e a responsabilidade que o exercício da profissão atribui ao corretor de imóveis. 54. Como se vê, o percentual de comissão e a partilha da mesma é de livre negociação entre as partes envolvidas. 55. A atividade imobiliária tem tido desempenho bastante variável no País: Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 29 28 Fonte: Balanço Nacional da Indústria da Construção 2013, CBIC Câmara Brasileira da Indústria de Construção 56. Fonte: Empresa Junior Fundação Getúlio Vargas, em 2 de junho de 2016; fonte: http://ejfgv.com/2016/06/02/setoresestaobeneficiadossaoestaosofrendocrise/: Imobiliária Com muitas pessoas precisando diminuir seus gastos, um dos setores que mais sofrem frente à crise econômica é o imobiliário. Uma parte muito pequena da população pode gastar na compra de imóveis, tampouco trocálos. A fraca movimentação deste mercado nos últimos anos, causada pela imensa diminuição da procura de imóveis e pelas rescisões contratuais, tem se agravado progressivamente. Segundo pesquisas, o número de tentativas para desfazer contratos de compra de imóvel em 2015 subiu 20% em relação a 2014. Este fato ocorre devido, além dos altos cortes de gastos que foram necessários para grande parte da população brasileira, pois uma grande parcela da população perdeu parte de sua renda, não podendo investir em um novo imóvel em um momento de tamanha instabilidade. 57. A legislação vigente a partir de 2015, veio de encontro à forma de atuação mediante a associação entre o corretor de imóveis e as imobiliárias, que já era praticada. 58. De fato, muitas vezes a legislação disciplina situações que se consolidaram, o que é o caso; dada a variabilidade do mercado imobiliário, e sendo desnecessários investimentos que, por exemplo, uma indústria (maquinário, edificações, estoques), ou mesmo um comércio (estoques, lojas) demandam, a atividade de comercialização de imóveis se caracteriza pela variabilidade de recursos humanos para cada momento econômico se a imobiliária contratar como funcionários assalariados todos os corretores de que necessita em dado momento, em Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 30 29 momento seguinte, corre o risco de ter que incorrer em encargos trabalhistas decorrentes da dispensa destes funcionários, pois o mercado já não justifica tantas pessoas. 59. Daí resultou que o arranjo mediante associações entre os Corretores e as pessoas jurídicas imobiliárias, na qual dividem o trabalho e os ganhos resultantes das vendas concretizadas, é o mais vantajoso, dada a flexibilidade; as equipes de vendas são formadas e dissolvidas sem maiores formalidades. 60. O site do CRECI/DF esclarece: Quando o Corretor de Imóveis não está atuando, o que deve fazer junto ao CRECI? O Corretor de Imóveis é um profissional liberal, e como tal tem a prerrogativa de exercer suas atividades com autonomia e sem a necessidade de vínculo empregaticio, o que torna impossível para o CRECI determinar ou constatar que ele esta atuando em sua plenitude. 61. A decisão citada do STJ deixou claro que não há ilegalidade em o comprador pagar a comissão diretamente ao Corretor, desde que isso lhe seja esclarecido previamente; nos exemplos descritos nestes autos, evidenciouse que esse esclarecimento é bastante tortuoso, pois, primeiramente, o comprador é informado do preço do imóvel (no qual está embutido o valor da comissão ao Corretor) e, quando do fechamento, toma conhecimento de que o preço efetivo do imóvel é menor e a diferença se trata de comissão ao Corretor de qualquer forma, o comprador fecha o negócio ciente do total que irá desembolsar (que inclui a comissão); quanto à eventual futura apuração de um ganho de capital, se este comprador revender o imóvel, cabe esclarecer que o custo do imóvel será o preço efetivo do imóvel, acrescido da comissão ao Corretor, que pagou, desde que lhe seja fornecido o correspondente Recibo ou Nota Fiscal, o que segundo os autos, é feito. 6 Intimações. Procuradores. 62. Requer que as intimações e notificações relativas às decisões proferidas neste processo sejam encaminhadas aos seus procuradores, bem como sejam enviadas cópias à Impugnante. 63. A legislação que rege o procedimento administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, e alterações, determina que farseá a intimação por via postal, telegráfica, por meio eletrônico ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, não havendo previsão de as intimações serem dirigidas a procuradores. 7 Conclusão Voto por DAR provimento aos Recursos Voluntários e NEGAR ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 2707DF CARF MF Processo nº 10166.724562/201417 Acórdão n.º 1201002.487 S1C2T1 Fl. 31 30 Fl. 2708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001688/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 879 em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 851 que negou parcial provimento para a impugnação de fls. 224 e 546, mantendo parte dos Autos de Infração de Pis e Cofins de fls 204, 219, 271, 585 e 594, lavrado em razão de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 68 8/ 20 06 -7 7 Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 19515.001688/200677 Resolução nº 3201001.384 S3C2T1 Fl. 2.750 2 "Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte em refe encia foi apurada, conforme termos de verificação As fls. 187190 e 199204, diferença entre i valor escriturado e o declarado/pago de Cofins e PIS para fatos geradores ocorridos entre 06/2001 e 08/2004 para a Cofins, e entre 06/2001 e 07/2004 para o PIS, razão pela qual foram lavrados os autos de infração de fls. 195197 e 209211, integrados pelos termos, demonstrativos e documentos neles mencionados. Os créditos tributários lançados, compostos pelas contribuições, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/07/2006, perfazem o total de R$ 3.290.708,12 para a Cofins e R$ 536.269,20 para o PIS. 2. Conforme os termos de verificação, a fiscalização analisou os registros fiscais e contábeis do contribuinte, apurando PIS e Cofins devidos e não recolhidos. Mediante termo de intimação de fls. 86, foi solicitado ao contribuinte que apresentasse e preenchesse disquete de informações A. Receita Federal contendo as bases de cálculo utilizadas pela empresa na apuração das contribuições do período de 03/2000 a 01/2005, juntamente com os relatórios gerados pelo disquete, os quais deveriam ser assinados pelo representante legal da empresa. 0 programa necessário para elaboração dessas informações foi entregue à empresa em três disquetes, sendo cientificado o contribuinte em 19/04/2005 (fls. 86). 2.1. Em 25/07/2005 a empresa apresentou apenas os relatórios referentes aos anos de 2001 a 2005, assinados pelo titular da empresa, não sendo apresentado o disquete contendo as informações requisitadas. Submetidas as informações prestadas ao confronto com a declaração DCTF da empresa, e também com os valores recolhidos/compensados, apurouse as diferenças constantes dos demonstrativos de fls. 135144. Esses demonstrativos foram anexados ao termo de intimação de fls. 134, no qual solicitouse que a empresa esclarecesse as diferenças apuradas, apresentando resposta por escrito com indicação dos elementos apresentados. A ciência pelo contribuinte ocorreu em 10/08/2006. • 2.2. Em 18/08/2006, o contribuinte encaminhou envelope contendo os documentos de fls. 145 a 186, porém sem qualquer oficio de encaminhamento nem assinatura, e sem elementos que pudessem validar as supostas explicações, as quais verificadas em seu teor revelaram não possuir nexo causal que pudesse modificar as apurações realizadas com base nas informações anteriormente prestadas e assinadas pelo representante legal. 2.3. Restando válidas as informações prestadas pela empresa em 25/07/2005, utilizadas na elaboração dos demonstrativos citados, e não recolhidas nem declaradas em DCTF pela empresa as diferenças oriundas de omissões de receitas nas bases de cálculo usadas na apuração dos valores recolhidos e declarados em DCTF, foram lavrados os autos de infração em tela, com base nos art.2.°, 3. 0 e 8.° da lei 9.718/98, alterado pelas MP 1.807/99 e 1.858/99, e reedições; art.77, III, do DL 5.844/43; art.149 do CTN; art.1.° e 2.° da LC 70/91; art.926 do Decreto 3000/99; art.1.° e 3.°,"b", da LC 07/70, art.1.°, parágrafo único, da LC 17/73, art. 2.°, I, 8.°, I, e 9.° da lei 9.715/98, lei 10.637/2002 e alterações. A ciência pelo contribuinte ocorreu juntamente com os autos de infração. Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 19515.001688/200677 Resolução nº 3201001.384 S3C2T1 Fl. 2.751 3 3. Inconformada com as autuações, das quais foi devidamente cientificada em 28/08/2006, a contribuinte apresentou em 27/09/2006 as impugnações de fls. 214239 e 534 • 560, documentos anexos as fls. 240533 e 561774, nas quais deduz, em resumo, que: 3.1. Tratase de auto de infração visando a cobrança de "contribuições não declaradas e não recolhidas, acrescido da multa de mora e dos juros legais". 3.2. 0 crédito apurado não é o devido pela empresa, e decorre da superficialidade das diligências realizadas na ação fiscal, na medida em que não foram aprofundadas as investigações na busca da verdade material, em afronta aos princípios da legalidade e tipicidade tributárias. 0 auditor limitouse a solicitar e examinar uns poucos documentos, desconsiderando os esclarecimentos prestados pela autuada sobre as supostas irregularidades, resultando em conclusão equivocada a respeito da legislação. Apenas os débitos das contribuições de 08/2001 e 07/2004, e ainda o débito de 01/2004 (apenas para a Cofins), são devidos e não serão objeto de impugnação. 3.3. A atividade de fiscalização é estritamente vinculada, vedandose a interferência subjetiva do agente da Administração, os quais devem submissão à lei e A. tipicidade tributária e verdade material. Cita a doutrina a embasar sua tese. 0_auditor desviouse da verdade material pois não analisou com cautela as DCTF, que régistrarm os valores corretos dos débitos pagos pela empresa, nem os documentos contábeis oficiais da empresa. 0 trabalho da fiscalização consistiu apenas em contrapor os valores declarados em DCTF e os constantes nos mapas de apuração, os quais sequer tratamse de documentos oficiais, sendo apresentados pela autuada apenas para facilitar o trabalho de auditoria. 3.5. Ocorre que os valores de alguns períodos foram informados corn incorreções nos mapas de apuração e por isso não confirmavam os valores declarados em DCTF. Intimada a esclarecer a origem das diferenças encontradas, a empresa prestou todos os esclarecimentos, os quais, todavia, foram desprezados sob alegação de que não possuíam "nexo causal que pudesse modificar as apurações com base nas suas informações anteriormente prestadas". Como houve incorreções na informação de alguns períodos, a autuação foi lavrada sobre a totalidade das diferenças encontradas, sem investigar os fatos de maneira aprofundada. Toda a documentação contábil e de suporte sempre esteve A. disposição do auditor fiscal, que não esgotou as diligências necessárias para apurar a verdade material. 3.6. 0 auditor não buscou a realidade dos fatos, desdenhando dos princípios constitucionais que disciplinam a atividade de fiscalização e controle da arrecadação tributária. 0 auditor pautouse apenas no valor errado indicado nos mapas de apuração, desprezando todo o restante das contabilidade da autuada. Disso resulta a nulidade da autuação, em razão da superficialidade das diligências realizadas e da interpretação equivocada do sentido, Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 19515.001688/200677 Resolução nº 3201001.384 S3C2T1 Fl. 2.752 4 conteúdo e alcance dos princípios constitucionais da legalidade e tipicidade tributárias. 3.7. Para melhor compreensão, refutará os débitos impugnados de PIS e Cotins por período de apuração: 06 e 07 de 2001: a diferença entre o mapa de apuração e a DCTF decorre de inclusão indevida no mapa de valores relativos a provisões e mercadorias entradas em bonificação, que não devem compor a base tributável dessas contribuições. Anexa planilhas, cópias de DARF, balancetes e Livro Diário do período, demonstrando o valor correto das contribuições e seu recolhimento; 08/2002: a diferença entre o mapa de apuração e a DCTF decorre de inclusão indevida no mapa de valores relativos a provisão de receita de R$ 167.800,00 e um valor de R$ 13.845,87 que foi estornado posteriormente no próprio período. Tais valores não devem compor a base tributável das contribuições. A diferença exigida corresponde justamente à aplicação das aliquotas sobre os valores dessa provisão e do estorno. Anexa planilhas, balancetes e Livro Diário do período, demonstrando que o valor correto das contribuições foi o declarado em DCTF; 12/2002: não foi considerada a compensação integral dos débitos de 12/2002 com créditos acumulados de IRRF da autuada, originários de 2001. Anexa planilhas, balancetes e Livro Razão do período, demonstrando a compensação. Embora não tenha cumprido requisito formal (apresentação de PerDcomp), seu direito ao crédito é incontroverso, de forma que a extinção do crédito via compensação, prevista no art.156 do CTN, não poderia deixar de ser reconhecida em função de simples descumprimento de dever acessório, que sequer possui fundamento em lei. Transcreve decisão do Conselho de Contribuintes sobre compensação de tributos de mesma espécie (PIS com PIS) a embasar sua tese; 01/2003 (apenas PIS): não foi considerada a compensação corn créditos acumulados de IRRF da autuada, originários de 2001. Anexa planilhas, balancetes, DCTF, DARF e Livro Razão do período, demonstrando que o débito foi parcialmente compensado e parcialmente pago (R$ 51.264,52). Repete sategações acima sobre seu direito à compensação; 04/2003 (apenas PIS): a diferença entre o mapa de apuração e a DCTF decorre da não inclusão no mapa de valores relativos a créditos de compras de mercadorias efetuadas em 03/2003, que deveriam ser considerados na composição da base tributável do PIS, na medida em que o regime já era o não cumulativo e tais valores não haviam sido compensados no mês anterior. Anexa planilhas e Livro Razão do período, demonstrando que a diferença de PIS apurada em 04/2003 (R$ 11.768,59) referese ao saldo credor transportado do mês anterior, que poderia ser efetivamente utilizado pela autuada para abatimento do PIS devido em 04/2003; Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 19515.001688/200677 Resolução nº 3201001.384 S3C2T1 Fl. 2.753 5 05/2003: para o débito de Cofins, não foi considerada a compensação com créditos acumulados de IRRF da autuada, originários de 2001. Anexa planilha, DARF e Livro Razão do período, demonstrando que o débito foi parcialmente compensado e parcialmente pago. Repete as alegações do período 12/2002 sobre seu direito à compensação, acrescentando que o saldo devedor apurado após a compensação foi declarado em DCTF e recolhido (R$ 606.934,43). A diferença apurada de PIS não encontra nenhum fundamento pois o valor informado nos mapas de apuração apresentados ao auditor é o mesmo declarado em DIPJ e DCTF. Anexa planilhas e cópias do livro Razão contendo a base de cálculo do PIS para o período, demonstrando que foram considerados apenas os créditos permitidos pela legislação de regência (aluguéis pagos, despesas com energia elétrica, 1/12 do crédito de 0,65% permitido sobre o estoque existente quando da introdução da nova legislação que estabeleceu a nãocumulatividade do PIS, crédito de 1,65% calculado sobre as aquisições de mercadoria para revenda no mês e despesas financeiras com conta garantida), no total de R$ 381.316,86. Subtraindose esse valor do PIS devido (R$ 386.124,96), apurase o saldo de R$ 4.808,11, recolhido por meio de DARF; 07/2003: a diferença entre o mapa de apuração e a DCTF decorre de inclusão indevida no mapa de valores relativos a entradas de mercadorias que, à época, estavam sujeitas A. incidência monofásica, não devendo compor a base tributável das contribuições. Anexa planilhas e Livro Razão do período, demonstrando o valor correto das contribuições e seu recolhimento (R$ 49.784,89 e R$ 715.658,31); 11/2003: não foi considerada a compensação do PIS com saldos credores de PIS do período imediatamente anterior (10/2003), nem a compensação da Cofins com pagamentos a maior de Cofins do período anterior (10/2003). Anexa planilhas, balancetes, DCTF, DARF e Livro Razão do período, demonstrando que o débito foi parcialmente compensado e parcialmente pago. Repete as alegações do período 12/2002 sobre seu direito à compensação, acrescentando que o saldo devedor apurado após a compensação foi declarado em DCTF e recolhido (R$ 53.330,54 e R$ 727.154,19). 12/2003 (apenas Cofins): não foi considerada a compensação da Ca ins corn créditos de PIS decorrentes de compras realizadas no mesmo período. Anexa planilhas e Livro Razão do período, demonstrando que o débito foi parcialmente compensado e parcialmente pago. Repete as alegações do período 12/2002 sobre seu direito à compensação, acrescentando que o saldo devedor apurado após a compensação foi declarado em DCTF e recolhido (R$ 961.165,69). 04/2004: a diferença entre o mapa de apuração e a DCTF decorre da não inclusão no mapa de valores relativos a créditos de compras de mercadorias que deveriam ser considerados na composição da base tributável das contribuições. Anexa planilhas e Livro Razão do período, demonstrando que o saldo de créditos de PIS e Cofins decorrente das entradas de mercadorias do período (R$ 526.591,03 e R$ 2.426.432,65) e outros créditos permitidos pela legislação (depreciações de obras e benfeitorias, aluguéis pagos, despesas com sacolas plásticas e energia elétrica, 1/12 do crédito de 0,65% e 3% permitido sobre o estoque existente quando da introdução da Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 19515.001688/200677 Resolução nº 3201001.384 S3C2T1 Fl. 2.754 6 legislação que estabeleceu a nãocumulatividade do PIS e da Cofins) era de R$ 545.766,97 e R$'2.5'71\. 854,48, que, somado ao montante dos créditos não utilizados no período anterior r sultou em um credito total de R$ 584.985,57 e R$ 2.791.959,32, Subtraindose esse valor do PIS e Cofins devidos (R$ 588.608,77 e R$ 2.711.167,67), apurase saldo devedor de PIS de R$ 3.623,20, recolhido por meio de DARF (R$ 6.385,52), e saldo credor de Cofins de R$ 80.791,64. Apesar disso, recolheu DARF de Cofins para o período (R$ 29.410,10); 05/2004 (apenas Cofins): a diferença entre o mapa de apuração e a DCTF decorre da não inclusão no mapa de valores relativos a créditos de compras de mercadorias, que deveriam ser considerados na composição da base tributável da contribuição. Anexa planilhas e Livro Razão do período, demonstrando que o saldo de créditos de Cofins decorrente das entradas de mercadorias do período (R$ 2.308.932,63) e outros créditos permitidos pela legislação (depreciações de obras e benfeitorias, aluguéis pagos, despesas com sacolas plásticas e energia o da introdução da 8, que, somado ao crédito total de R$ 8), apurase saldo de R$ 237.144,43; adequadamente a as apresentados ao emonstrando que o ras e benfeitorias, crédito de 0,65% estabeleceu a não PIS devido (R$ (R$ 25.319,89); tos acumulados de ressaltando que se a titulo de PIS (R$ Iodo 12/2002 sobre • • elétrica, 1/12 do crédito de 3% permitido sobre o estoque existente quan legislação que estabeleceu a nãocumulatividade) era de R$ 2.451.609, montante dos créditos não utilizados no período anterior resultou em um 2.532.401,02. Subtraindose esse valor da Cofins devida (R$ 2.746.139, devedor de R$ 213.738,76, recolhido por meio de dois DARF no valor total 06/2004 (apenas PIS): a diferença apurada pela fiscalização não reflet apuração da contabilidade da empresa, pois o valor informado nos ma auditor é o mesmo montante declarado em DIPJ e DCTF. Anexa planilhas saldo de créditos de PIS permitidos pela legislação (depreciações de o aluguéis pagos, despesas com sacolas plásticas e energia elétrica, 1/12 d permitido sobre o estoque existente quando da introdução da legislação qu cumulatividade) era de R$ 548.591,79. Subtraindose esse valor d 573.784,57), apurase saldo devedor de R$ 25.192,79, recolhido via DARF 08/2004 (apenas Cofins): não foi considerada a compensação com créd IRRF da autuada, originários de 2003. Anexa planilhas e PerDcomp, equivocou ao preencher a DCTF, invertendo os códigos dos valores devido 80.900,07) com os de Cofins (R$ 315.534,33). Repete as alegações do pe seu direito A. compensação. 3.8. Caso não sejam suficientes os argumentos e provas apr a conversão do julgamento em diligência, a fim de que o auditor aprofu nos documentos contábeis e fiscais da empresa. Protesta por provar o al meios em direito admitidos, inclusive juntada de documentos. 3.9. Pelo exposto, pede a nulidade dos autos, em razão da diligências realizadas, violando a legalidade, tipicidade e verdade material. hipótese de nulidade, pede seja julgado improcedente a autuação, em vista débitos cobrados. Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 19515.001688/200677 Resolução nº 3201001.384 S3C2T1 Fl. 2.755 7 •sentados, impõese de as investigações gado por todos os uperficialidade das aso não acolhida a da inexistência dos 4. Tendo em vista o contribuinte concordar com a cobrança a os débitos de PIS c Cofins de 08/2001 e 07/2004, e o débito de Cotins de 01/2004, esses créditos foram transferidos para o processo 16151.000696/200684 (fls. 778), o qual encoi trase arquivado." Essa decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SP, foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70..35/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, rid há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. DCOMP. INSTRUMENTO FORMAL PARA COMPENSAÇÃO. A compensação de tributos no âmbito da Receita Federal é efetuada mediante a entrega da declaração de compensação (Dcomp), na qual constarão as informações relativas aos débitos e créd tos compensados, a teor do previsto no §1.° do art.74 da lei 9.430/96. DCOMP. EXTINÇÃO DO CREDITO. A Dcomp entregue â. RFB extingue o crédito trib drio, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme o 2.° do art.74 da lei 9.430/96, redação dada pela lei 10.637/2002. Em razd disso, exonerase o lançamento de Cofins para 08/2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70. 35/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, nã há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. DCOMP. INSTRUMENTO FORMAL PARA COMP NSAÇÃO. A compensação de tributos no âmbito da Receita Federal é efetuada mediante a entrega da declaração de compensação (Dcomp), na qual constarão as informações relativas aos débitos e créd tos compensados, a teor do previsto no §1.° do art.74 da lei 9.430/96. BASE DE CALCULO. VALOR EM DUPLICIDADE. Cancelase o valor referente A contribuição ao PIS apurada sobre as vendas de franquias do mês 05/2003, eis que incluído em duplicidade na base de cálculo apurada. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte." Em resumo, o Recurso Voluntário alegou a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, por falta de investigação material, contraargumentou cada debito de Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 19515.001688/200677 Resolução nº 3201001.384 S3C2T1 Fl. 2.756 8 Pis e Cofins de forma discriminada, alega que comprovou as provisões em impugnação, reconhece que não juntou provas das compensações alegadas mas entende que seu direito deve ser reconhecido, alega inclusão indevida na base de cálculo em razão da incidência monofásica, compras de mercadorias, saldos de créditos e bonificações e por fim solicita diligência para que seus documentos juntados em impugnação sejam analisados. Em fls. 2650 está juntada a Manifestação do Contribuinte em diligência, em fls. 2660 o Relatório Fiscal sobre a diligência, em fls. 2676 cópias das decisões e andamentos judiciais, em fls. 2712 o pedido parcial de desistência do recurso, fls. 2718 e seguintes o Despacho de Desistência e as providências consequentes. Em fls. 2736 consta o Despacho deste Conselho que identificou a ausência da mencionada Resolução de fls. 958 e determinou a sua juntada aos autos, o que ocorreu em fls. 2738. A diligência determinada foi a seguinte: "Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem: a) verifique se as bonificações a que antes se referiu revestem, de fato, a forma de descontos incondicionais concedidos; b) verifique qual a real natureza das provisões antes mencionadas; c) intime a Recorrente para apresentar os elementos contábeis (livros, notas fiscais de compra etc.) que justifiquem as irregularidades constatadas em cada período de apuração, inclusive requeira informações sobre a ação judicial que a ilustre patrona noticiou durante a sua sustentação oral (Mandado de Segurança nº 000199870.2007.403.6100), que pode vir a influenciar na solução do litígio. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário." Considerando que o relator e Presidente Charles Mayer de Castrou Souza estava ausente desta Turma de julgamento no momento do retorno e distribuição, os autos foram devidamente redistribuídos e pautados nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 19515.001688/200677 Resolução nº 3201001.384 S3C2T1 Fl. 2.757 9 Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme a legislação, as provas, os fatos, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. É preciso trazer aos autos as razões pelas quais se forma a convicção de que o presente procedimento administrativo não está em condições de julgamento. Em fls. 2712 consta um pedido de desistência parcial do recurso, em fls. 2718 e seguintes o Despacho de Desistência e as providências consequentes, contudo, não há uma reapuração dos créditos e matérias remanescentes em litígio após a desistência parcial do recurso. Por ser parcial, a autoridade de origem deve reapurar os efeitos da desitência parcial na liquidez dos créditos e nas matérias que remanescem em discussão. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem deve reapurar os créditos e matérias do presente caso e apontar quais matérias e valores restaram em litígio após a desistência parcial de fls. 2712. Após, o contribuinte deve ser cientificado do resultado do relatório fiscal e se manifestar. Por fim, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Resolução proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2757DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.940152/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
COMPENSAÇÃO. PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Deve ser negada a compensação quando o pretenso crédito apontado já foi utilizado para saldar outros débitos do contribuinte.
Numero da decisão: 3402-005.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser negada a compensação quando o pretenso crédito apontado já foi utilizado para saldar outros débitos do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 94 01 52 /2 00 8- 31 Fl. 314DF CARF MF 2 1. Por bem retratar o caso em apreço, emprego como meu o relatório desenvolvido no âmbito da resolução n. 3402000.271 (fls. 169/173), o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação (Dcomp), anexa fls. 02 a 06, de créditos provenientes de pagamento de PIS, período de apuração dezembro/1999, que teria sido efetuado a maior ou indevido, com débitos de CSLL, período de apuração outubro/2004, no valor total de R$ 23.813,49. Por meio do Despacho Decisório n° 808245828, emitido eletronicamente (fl.09), o Delegado da DERAT, homologou parcialmente a compensação declarada, alegando restar crédito disponível insuficiente para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 11/15), na qual alega, em síntese, que: 1) A questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB em 26.11.2003, referente ao 4° trimestre de 1999, entregue pela Telecomunicações do Rio Grande do Norte S.A. (doc. n° 6). A simples análise da DCTF retificadora demonstra de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. 2) Para o período de apuração em questão (dezembro de 1999), foi apurado débito de PIS (8109), no valor de R$ 91.635,51. 3) Como forma de pagamento foi parcialmente vinculado um DARF com valor pago de principal de R$ 123.000,00. 4) Dessa forma, como o valor total do Darf remanescente é de R$ 123.000,00, tendo sido utilizado apenas R$ 91.635,51, configura se direito creditório decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 31.364,49. 5) Logo, conforme demonstrado, basta o confronto da DCTF retificadora com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência do crédito e a regularidade da compensação. 6) Nos termos do §1º do art. 147 do CTN, pode o contribuinte retificar suas declarações até o momento em que for notificado do lançamento. 7) 0 próprio CTN fixa como prazo final para a retificação, nas hipóteses de redução e exclusão de tributo, a notificação do lançamento pelo Fisco. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 15374.940152/200831 Acórdão n.º 3402005.564 S3C4T2 Fl. 315 3 8) 0 parágrafo primeiro do citado artigo está situado na Seção II do CTN, que trata das modalidades de lançamento. 0 caput do artigo, por sua vez, cuida do regime jurídico dos tributos lançados por homologação, que é o caso do IRPJ e da CSLL (sic). 9) Nesse contexto, cumpre ao contribuinte prestar suas declarações, sendo sua atividade sujeita A ulterior homologação pelo FISCO. No caso de pagamentos efetuados mediante declarações de compensação (PER/DCOMP), o contribuinte deve informar créditos e vinculálos, parcialmente ou na integralidade, aos débitos que pretende quitar via regime de compensação. 10) Por outro lado, compete ao Fisco homologar (ou não) a PER/DCOMP transmitida. Em não homologando, desconsidera os créditos e notifica o contribuinte para pagamento dos débitos já declarados. E a este ato de notificação que se refere o CTN. 11) Dessa forma, não há dúvidas de que a retificação da DCTF foi realizada de forma tempestiva. Prova disso é sua recepção pelo Fisco. 12) Com base no exposto, fica claro que em análise da DCTF retificadora (i) o montante de R$ 31.364,49 foi recolhido a maior; (ii) tal valor consta do Darf cujo total é de R$ 123.000,00; (iii) a diferença entre o valor recolhido e o apurado, representa crédito, passível de utilização pela Requerente; (v) o citado valor foi corretamente e utilizado na DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade, inexistindo débito em aberto. 13) Por todo o exposto, pede e espera a Requerente a procedência da presente manifestação de inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório n° 757793301, com a conseqüente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado. 14) Requer, ainda, com fulcro no art. 16, § 4°, "a" e § 5° do Decreto n° 70.235/72, a juntada posterior dos documentos que eventualmente se façam necessários, haja vista a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, em face do porte da empresa, do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada pela requerente. Por intermédio do Acórdão nº 1328995 de 27/04/2010 a DRJ do Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos Fl. 316DF CARF MF 4 comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusão, exceto em situações especificas previstas na legislação pertinente. PAGAMENTO PARCIALMENTE UTILIZADO PARA QUITAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS DO CONTRIBUINTE. SALDO DISPONÍVEL INSUFICIENTE PARA HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Tendo sido o pagamento relacionado no PER/DCOMP parcialmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, de forma a restar saldo disponível em seu favor, inferior ao crédito alegado e sendo este insuficiente para realizar integralmente a compensação pretendida, homologase apenas parcialmente a compensação declarada. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, pedindo a procedência do recurso para que seja reconhecido o direito creditório, bem como a insubsistência da decisão recorrida e a extinção do crédito tributário consubstanciado na declaração de compensação não homologada. (...). 3. Uma vez cumprida a referida diligência (fls. 298/300) o processo imediatamente retornou para este Tribunal para fins de julgamento sem que, todavia, o contribuinte fosse intimado para se manifestar a respeito, o que levou este Colegiado a novamente converter o julgamento em diligência para que tal intimação fosse cumprida. 4. Nesse sentido, o contribuinte foi devidamente intimado (fl. 311), mas não apresentou qualquer manifestação acerca do resultado da diligência. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 7. A compensação, para que possa ser realizada, pressupõe a existência de créditos e débitos recíprocos entre os sujeitos que por ela impactados. Acontece que, no presente caso o resultado da diligência foi claro ao estabelecer que o contribuinte não possui crédito a compensar, uma vez que o mesmo já foi utilizado para saldar outros débitos do recorrente. É o que se observa do seguinte trecho do relatório de diligência fiscal: (...). 7.Logo, após a Intimação n° 1.366/2016 (fl. 194), e resposta do contribuinte (fl. 204) anexando DCTF, DIPJ, cópia registro Livro Diário n°s 268 e 269 ref. 12/99 registrados na JUCERN Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15374.940152/200831 Acórdão n.º 3402005.564 S3C4T2 Fl. 316 5 em 26/04/00 e n° 270 ref. a 01/00 registrado em 23/08/00, Balancetes e memória de cálculo, vamonos à análise: A DCTF (fls. 206/209) apresenta para débito do PIS o valor de R$ 91.635,51 para o pagamento no DARF de R$ 123.000,00. Já a DIPJ (fls. 211/249) na Ficha 32 – Cálculo de Contribuiçâo para o PIS/PASEP apresenta o valor de R$ 103.430,39. O Balancete de dezembro 1999 (fl. 251) na conta 319.86.2 – PASEP apresenta o valor de R$ 103.430,39. O quadro da memória de cálculo apresentado pela empresa referente ao PIS (fl. 265) apresenta o valor apurado de R$ 103.430,39. Logo, o valor correto do PIS de 12/99 passa a ser de R$ 103.430,39 embora tanto a empresa como a RFB estavam considerando o declarado na DCTF em R$ 91.635,51. Nas telas do sistema da RFB – SIEF – Fisc. Elet. Analisar Valores – Débitos Apurados e Pagamentos e Documentos de Arrecadação (fls. 323/327) vemos que a empresa também pagou com este DARF de 123.000,00 parte do PIS de 01/2000 em R$ 7.830,43 (que à o valor original de R$ 7.752,90 com atualização para o mês seguinte) do valor apurado desse PIS de 01/2000 em R$ 107.013,41. E também pagou com este DARF de 123.000,00 a DCOMP 17476.51558.130603.13042903 que foi homologada totalmente no valor de R$ 23.534,06 referente ao débito de Cofins de 05/2003. Nas telas do sistema da RFB – SIEF – DCTF (fls. 329/333) visualisamos as DCTF dos PA de 12/99 com o débito de PIS em 91.635,51; do PA 01/2000 com a compensação do valor de DARF em 7.830,43 e do PA de 05/2003 com a compensação de PGIM de 23.864.402,11 sendo parte de 37.736,87 (valor atualizado do crédito 23.534,06) para a DCOMP 17476.51558.130603.13042903. Resumindo: DARF = 123.000,00 Pagou DCTF de 01/2000 de PIS = 7.752,90 Pagou DCTF de 05/2003 de Cofins = 23.534,06 Pagou DCTF de 12/99 de PIS = 91.635,51 quando o correto era de 103.430,39 Sobra = 0,00 Logo, a sobra do DARF é 0,00. A empresa ficou devendo uma diferença de 11.717,35 referente ao PIS de 12/99. (...) (grifos constantes no original). Fl. 318DF CARF MF 6 8. Nesse sentido, inexistindo crédito em favor do contribuinte, andou bem a decisão, a qual deve ser mantida por este Tribunal. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. 10. É como voto (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.903362/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS.
Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
Numero da decisão: 1401-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratando-se de atividade de construção civil, a contratação por empreitada deve-se fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.
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EMPREITADA Recorrente TESCON ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 33 62 /2 00 9- 61 Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10166.903362/200961 Acórdão n.º 1401002.676 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório [...], em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento, relativo ao ano calendário de 2004, bem aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2005, pelo percentual de 32%, da receita bruta a ser considerada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando o correto seria aplicar o percentual de 12%, conforme determina a Solução de Consulta nº 337, de 28 de novembro de 2008. “A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todo os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita ao percentual de 12% na determinação da base de calculo da CSLL, pela sistemática do lucro presumido. A prestação de serviços de construção por empreitada, com fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, está sujeita a percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ, pela sistemática do lucro presumido”. Alega que à época informou nas DIPJ 2005 e 2006, bem com nas DCTF do período os valores recolhidos indevidamente. Ciente do equivoco providenciou as devidas retificações das declarações a fim de regularizar tal situação. A fim de provar sua condição de beneficiária da aplicação do percentual de 12% para a apuração da base de cálculo da CSLL no regime de lucro presumido, junta cópia da Décima Terceira Alteração do Contrato Social e DIPJ e DCTF retificadoras. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10166.903362/200961 Acórdão n.º 1401002.676 S1C4T1 Fl. 4 3 Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a homologação da compensação solicitada. Em 4 de agosto de 2011 a DRJ em Brasília DF julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente alegando, em síntese, a correção quanto ao percentual de presunção de 12% para fins da CSLL, na medida em que todos os contratos por ela firmados o são na modalidade empreitada por preço unitário, o que se identifica com a empreitada total. Ainda, em resposta à decisão recorrida, que considerou imprescindível a juntada aos autos de documentação comprobatória, a Recorrente apresentou anexos contendo todos os contratos por ela firmados, acompanhados das notas fiscais faturadas e recebidas no período de 01/04/2004 a 30/09/2005, as DIPJs referentes aos anoscalendário de 2004 e 2005 acompanhadas dos comprovantes de pagamento de tributos, além de comprovantes de valores retidos, registros contábeis e demonstrativos de apuração. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.660, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10166.903369/2009 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.660): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10166.903362/200961 Acórdão n.º 1401002.676 S1C4T1 Fl. 5 4 A Recorrente apurou seus tributos na sistemática do lucro presumido tendo originalmente utilizado como base de cálculo o percentual de presunção de 32% para fins de CSLL. Posteriormente retificou suas declarações e demonstrativos a fim de utilizar o percentual de 12%, sendo essa a origem do pagamento a maior que ela pretende ver compensado em suas declarações de compensação. Portanto, a discussão de fundo do presente processo reside em definir qual o percentual de presunção aplicável às atividades realizadas pela Recorrente. A legislação aplicável é a seguinte: Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. [...] Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 10166.903362/200961 Acórdão n.º 1401002.676 S1C4T1 Fl. 6 5 Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) A decisão recorrida, citando o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, afirmou que "No caso da CSLL, as receitas decorrentes da construção por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 12% (doze por cento) para fins de cálculo dessa contribuição. As receitas oriundas de construção por empreitada com fornecimento parcial de materiais ou unicamente de mãodeobra, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento)." Não obstante concordem quanto ao conceito, a decisão recorrida considerou que a Recorrente não teria apresentado a documentação comprobatória de seu direito a aplicar o percentual de 12% para fins da CSLL, entendendo que apenas a análise do objeto social não seria suficiente. Em resposta, como relatado, a Recorrente trouxe a documentação que comprova que ela era contratada para execução de obras por preço unitário, devendo fornecer todos os equipamentos, pessoal e materiais necessários, tratandose assim de empreitada total/global. A aplicação do percentual de 12% de CSLL para casos como o presente é corroborada pela jurisprudência deste CARF, conforme recentemente decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), considerase atividade de construção civil aquela que envolva a produção de uma obra no solo, a qual, para sua remoção, somente pode vir a ser derrubada, demolida ou desmantelada, não se tratando, pois, de fixação de um bem já construído ao solo, ou de montagem de um bem no solo, o qual, para sua retirada, pode vir a ser desmontado a qualquer tempo. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 10166.903362/200961 Acórdão n.º 1401002.676 S1C4T1 Fl. 7 6 CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. FORNECIMENTO DE TODOS OS MATERIAIS. Para efeito de aplicação do percentual de presunção do lucro presumido (CSLL) de 12% (doze por cento), tratandose de atividade de construção civil, a contratação por empreitada devese fazer na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (Acórdão nº 9101002.545 Sessão de 7 de fevereiro de 2017) Ante o exposto oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, de modo que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário para que a unidade de origem considere, para fins de cálculo do direito creditório pleiteado, que a CSLL devida pela empresa o era no percentual de presunção de 12%, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.002818/2005-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
MULTA DE OFÍCIO
A multa de 75% é aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de lançamento de ofício decorrentes da apuração de falta de pagamento ou recolhimento, bem como de falta de declaração e de declaração inexata.
Numero da decisão: 2002-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 MULTA DE OFÍCIO A multa de 75% é aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de lançamento de ofício decorrentes da apuração de falta de pagamento ou recolhimento, bem como de falta de declaração e de declaração inexata.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 52 1 51 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.002818/200535 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.349 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria IRPF. PENALIDADE. APLICAÇÃO. Recorrente MARA REGINA CASTILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 MULTA DE OFÍCIO A multa de 75% é aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de lançamento de ofício decorrentes da apuração de falta de pagamento ou recolhimento, bem como de falta de declaração e de declaração inexata. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 28 18 /2 00 5- 35 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 19679.002818/200535 Acórdão n.º 2002000.349 S2C0T2 Fl. 53 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da DRJ/BSA, que considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada (fls.27/31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. É cabível nos lançamentos de oficio a aplicação da multa no percentual de 75% sobre a totalidade ou diferença de Imposto nos casos de falta de pagamento, pagamento após o prazo sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração ou de declaração inexata. Em face do sujeito passivo foi emitido o Auto de Infração de fls. 6/14, relativo ao anocalendário 2001, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$51.837,00 (IRRF correspondente de R$7.852,53). O Auto de Infração alterou o resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$191,32 para saldo de imposto a pagar de R$4.960,95. Cientificada da autuação em 23/2/2005 (fls.20), a contribuinte impugnou a exigência fiscal em 23/3/2005 (fls. 2/18), alegando, em síntese, que não poderia ser penalizada com a multa infracional, eis que não teria havido sonegação, dolo ou máfé, mas, quando muito, um equívoco na apuração do imposto. Acrescenta que o montante de R$45.499,99 teria sido declarado como rendimento sujeito à tributação exclusiva por orientação da fonte pagadora. Intimada da decisão do colegiado de primeira instância, em 26/1/2009 (fl.34), a recorrente apresentou recurso voluntário em 18/2/2009 (fls. 37/44), em que alega os seguintes argumentos de defesa: o crédito tributário exigido encontrariase remido pela MP nº 499/08, visto que vencido a mais de cinco anos e inferior a R$10.000,00. Dessa forma, requer a extinção do crédito objeto dos autos com fundamento no artigo 156, inciso IV, do CTN. no mérito, defende que não poderia ser penalizada com a multa infracional, a uma porque não houve omissão de rendimentos, a duas porque não houve dolo. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 19679.002818/200535 Acórdão n.º 2002000.349 S2C0T2 Fl. 54 3 o rendimento tido por omitido foi informado como rendimento sujeito à tributação exclusiva. No seu entendimento, tratase de equívoco que não pode ser tomado como infração tributária, eis que assim estarseia transferindo para o particular os deveres próprios do Fisco. como, na sua visão, não houve omissão, restaria evidenciada a ausência de dolo ou máfé, o que elidiria a infração tributária. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.50). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Remissão MP nº 499/08 Quanto à alegação de remissão do crédito exigido, cabe esclarecer que sua análise deve ser levada a efeito pela Unidade da RFB de origem, a quem compete o controle do crédito tributário e que se manifestou à fl.51, nos seguintes termos: Cumpre esclarecer ainda que não cabe deferimento ao pedido de remissão nos moldes do art. 14 da Medida Provisória (MP) 449 de 03/12/2008, uma vez que o valor consolidado do débito, fl. 43, ultrapassa o limite consignado na legislação vigente. Delimitação da lide A contribuinte, ainda em sede de impugnação, não contestou a omissão de rendimentos a ela atribuída, limitandose a questionar a aplicação da multa de ofício. Dessa feita, não cabe pronunciamento deste colegiado acerca da omissão de rendimentos. Registrese que, em decorrência da não contestação, o crédito tributário correspondente foi transferido para acompanhamento em outro processo administrativo, conforme apontado às fls.47/48. Mérito O litígio a ser analisado recai sobre a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%. O colegiado de primeira instância manteve a exigência, consignando: Fl. 54DF CARF MF Processo nº 19679.002818/200535 Acórdão n.º 2002000.349 S2C0T2 Fl. 55 4 Acerca da suposto equívoco no preenchimento da Declaração, levado a efeito por orientação inadequada da fonte pagadora, cumpre destacar que não foi acostado qualquer documento probante que permitisse corroborar tal assertiva, isto é, que foi induzida a erro. Limitouse a Impugnante a apenas fazer tal afirmação. A título de exemplo, poderia ter acostado ou o comprovante de rendimentos em que constassem os rendimentos na rubrica “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva”, ou a Declaração da fonte pagadora confirmando a informação incorreta dada, ou qualquer outro documento hábil e idôneo que indicasse a verossimilhança da asserção despendida. Importa deixar em destaque que a infração lavrada decorreu da omissão de rendimentos. Não traduz esse fato qualquer transferência de deveres por suposto equívoco, que não ficou patenteado. A legislação é bastante clara ao indicar o responsável pela obrigação tributária: a pessoa física obrigada deve apurar o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente a todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário à exceção dos isentos, não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos tributação definitiva , na Declaração de Ajuste Anual (Lei n° 9.250/95, artigos 7° e 8°), a ser apresentada no anocalendário subseqüente. Assim, como não restou evidenciado o anunciado engano, a omissão persiste. Neste ponto, ainda, impende prelecionar que a aplicação de multa é decorrente do cometimento de infração, tendo como finalidade a imposição de um gravame ao contribuinte pelo descumprimento de dever legal. Configurada a hipótese de incidência, para alcançar seu fim, deve representar ônus significativamente maior, a fim de que as condutas em desconformidade com a legislação sejam desencorajadas. A alegação de que não houve prejuízo ao Erário, ou mesmo de não haver dolo, salvo disposição de lei em contrário, não elide a responsabilidade por infrações da legislação tributária, eis que independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136, Código Tributário Nacional) Dessa forma, em face do lançamento de oficio efetuado para incluir os rendimentos omitidos, deveria a Fazenda Pública aplicar obrigatoriamente a multa prevista (art.44, inciso I, da Lei 9.430/1996). No âmbito do Poder Executivo, deve a Autoridade Fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. (destaques acrescidos) Não há reparos a se fazer à decisão de piso. Como ressaltado naquele julgamento, a recorrente nada juntou que demonstrasse que foi levada a cometer equívoco no Fl. 55DF CARF MF Processo nº 19679.002818/200535 Acórdão n.º 2002000.349 S2C0T2 Fl. 56 5 preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual em função de informações prestadas pela fonte pagadora. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 73 dispõe: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Não tendo logrado comprovar que foi levada a erro pela fonte pagadora dos rendimentos, não cabe a aplicação da súmula citada. Quanto ao fato dos rendimentos terem constado da declaração, no campo relativo aos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, vale lembrar que a exigência da multa de ofício não decorre apenas da falta de pagamento, mas também da falta de declaração ou de declaração inexata, como se observa da leitura do art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A penalidade aplicada, no percentual de 75%, é uma sanção pecuniária com origem no descumprimento de obrigação principal consistente na falta de pagamento do imposto. O percentual independe do dolo na conduta do sujeito passivo, incidindo proporcionalmente ao montante do imposto não pago que foi identificado quando do lançamento de ofício. Caso ficasse comprovado que o sujeito passivo agiu com dolo, a autoridade lançadora aplicaria o percentual duplicado para a multa punitiva, correspondendo a 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, antes reproduzido. De sorte que a existência de boafé e a falta de uma intenção dolosa da contribuinte, como ressaltado em seu recurso, não é de molde a afastar a aplicação da multa de ofício, tampouco dispensar a exigência do imposto e dos juros de mora. Deste modo, revelase correta a exigência do imposto suplementar acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora correspondentes. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 19679.002818/200535 Acórdão n.º 2002000.349 S2C0T2 Fl. 57 6 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.910205/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 22/06/2009
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/06/2009 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 02 05 /2 00 9- 44 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.910205/200944 Acórdão n.º 1401002.793 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.122 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos Cofins – código de receita: 5856 de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2008 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 497.391,58 (quatrocentos e noventa e sete mil, trezentos e noventa e um reais e cinqüenta e oito centavos), conforme demonstrada na ficha 17, linha 74 Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 331.581,58 (trezentos e trinta e um mil, quinhentos e oitenta e um reais e cinqüenta e oito centavos), conforme ficha 17 linha 64 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 165.810,00 (cento e sessenta e cinco mil, oitocentos e deis reais), conforme ficha 17, linha 76 da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. 5 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n 10479.91916.220609.1.3.042794, enviada em 22/06/2009, a Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.910205/200944 Acórdão n.º 1401002.793 S1C4T1 Fl. 4 3 mesma fez a devida compensação do valor de RS 51.772,32 (cinqüenta e um mil, setecentos e setenta e dois reais e trinta e dois centavos). 6 Esse valor referese ao DARF recolhido a mais em 30/12/2008, no valor de RS 49.571,35 (quarenta e nove mil, quinhentos e setenta e um reais e trinta e cinco centavos), devidamente corrigido. Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de novembro de 2008, no valor de R$ 49.571,35, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de novembro de 2008, no valor de R$ 49.571,35, assim declarado na DCTF de novembro de 2008 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.910205/200944 Acórdão n.º 1401002.793 S1C4T1 Fl. 5 4 A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10855.910205/200944 Acórdão n.º 1401002.793 S1C4T1 Fl. 6 5 exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do DARF relativo ao mês de novembro de 2008 e da própria DIPJ/2009, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10855.910205/200944 Acórdão n.º 1401002.793 S1C4T1 Fl. 7 6 autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2008, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2008 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10855.910205/200944 Acórdão n.º 1401002.793 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10855.910205/200944 Acórdão n.º 1401002.793 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720298/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação.
ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO PROVIMENTO.
Estando o acórdão fundamentado pelos seus próprios elementos, motivado em legislação e precedente, contendo todos os requisitos exigidos em Lei, com relatório, voto e conclusão, e estando o dispositivo adequado com o voto proferido, não há razão para provimento dos embargos de declaração opostos com efeitos infringentes.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2301-005.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação. ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO PROVIMENTO. Estando o acórdão fundamentado pelos seus próprios elementos, motivado em legislação e precedente, contendo todos os requisitos exigidos em Lei, com relatório, voto e conclusão, e estando o dispositivo adequado com o voto proferido, não há razão para provimento dos embargos de declaração opostos com efeitos infringentes. Embargos Rejeitados.
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CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação. ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO PROVIMENTO. Estando o acórdão fundamentado pelos seus próprios elementos, motivado em legislação e precedente, contendo todos os requisitos exigidos em Lei, com relatório, voto e conclusão, e estando o dispositivo adequado com o voto proferido, não há razão para provimento dos embargos de declaração opostos com efeitos infringentes. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 98 /2 01 2- 48 Fl. 868DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional contra Acórdão de julgamento de Recurso de Ofício nº 2302003.696, da Segunda Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 846/855), julgado na sessão plenária de 11 de março de 2015, que restou assim ementado: " NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO FISCAL, RELATÓRIO FISCAL, AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO. NULIDADE. A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao principio da motivação". O acórdão foi assim lavrado: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício que anulou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito pela falta de indicação dos fatos e fundamentos jurídicos no Relatório Fiscal". Conforme os embargos de declaração opostos (fls. 857 a 862), e o despacho de admissibilidade, ao recurso é pautado pela omissão e contradição do julgado nos seguintes temas: "Nas suas razões aduziu que o referido acórdão em recurso de ofício conteria omissão e seria contraditório em sua fundamentação. A omissão se deu em razão de o recurso de ofício existir em relação à anulação por vício formal do auto de infração combatido em sede de impugnação, e o acórdão nada afirmar quanto a natureza desse vício, o que poderia levar ao entendimento de inviabilidade da realização de novo lançamento, caso ainda não decorrido o prazo decadencial. Já a contradição decorre de o acórdão desprover o recurso de ofício, mas em seu voto trazer precedente contrário ao entendimento exarado no acórdão de impugnação, pois caracteriza vício formal, falta de motivação, e o caracteriza como vício material. Tal desprovimento não deveria alterar o quadro, na matéria em que houve sucumbência, trazido ao CARF, e o voto, na forma exposta, até mesmo implicaria reformatio in pejus da decisão recorrida, pois tornaria inviável novo lançamento. Além disso, o voto afirma o acolhimento de preliminar de cerceamento de defesa arguida, o que certamente inexiste em recurso de ofício, pois ele não possui preliminares. As preliminares presentes nos autos se referem ao recurso voluntário, mas elas não mais deveriam estar em julgamento, pois ausentes no recurso de ofício. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16095.720298/201248 Acórdão n.º 2301005.524 S2C3T1 Fl. 3 3 Considerando que se trata de embargos opostos contra decisão por colegiado extinto, analiso sua admissibilidade, na qualidade de Presidente da Câmara a qual o referido colegiado estava subordinado. Cotejando os embargos com o acórdão e voto do relator, entendo presente a omissão arguida nos embargos, haja vista a ausência (observese a parte grifada, acima transcrita) quanto à natureza do vício que aflige a notificação de lançamento de débito, se material ou formal". Outrossim, existem contradições quando o voto do relator afirma: (i) a existência de descumprimento de requisitos formais, mas cita precedente de vício material; bem como (ii) a existência de preliminar em caso de recurso de ofício, já que a preliminar não se refere a ele, mas à impugnação". Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Portanto, passo a analisar o mérito. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E DA DECISÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Pois bem. Da análise da oposição dos embargos consoante o Acórdão lançado entendo que não assiste razão a recorrente, uma vez que os embargos de declaração se Fl. 870DF CARF MF 4 prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não erro na aplicação do direito (matéria) que possa modificar o julgado. Mais, a embargante traz em seu recurso questões suscitadas em decisão de primeira instância, a fim de trazer uma comparação sobre aplicação de vícios materiais ou formais, que poderia ter ocorrido na decisão a quo, e não na decisão ad quem. Apesar da clareza dos embargos, no sentido de não querer modificar decisão de primeira instância e sim "questionar" a decisão de segunda instância, por efeitos infringentes, entendo que não estão presentes os requisitos necessários para acolher os embargos de declaração. No presente caso, o voto do relator pode não estar na sua completa exaustão, mas em seu relatório, requisito obrigatório para o voto, consta a descrição dos fatos e de direito abordado, e que supre a ausência de apontamento dos fatos do voto, conforme alegado pela embargante. Apesar de haver determinado entendimento sobre vícios formais no voto, o relator se pronunciou exatamente pelo entendimento da DRJ de origem, que concluiu pelo vício material no auto de infração que maculava o lançamento como um todo. Entendo que, ao atribuir efeitos modificativos dos embargos ao julgado, em casos que não há obscuridade, contradição ou omissão pode haver, inclusive, precedente temerário, podendo atingir a materialidade da "coisa" já julgada, ainda que não transitada em julgado, já que a pretexto de correção do direito se oponha os embargos com claro intuito de alterar a decisão proferida pela Turma. Compreendo, portanto, que a via adequada para modificar a decisão do acórdão seria o Recurso Especial à Câmara Superior, órgão adequado para analisar a matéria, e aí sim corrigir possível erro na interpretação e na aplicação do direito ora esboçado. Nesse sentido, o STJ se pronunciou de forma corriqueira: Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS PREVISTOS NO ART. 1.022 DO CPC/2015. INCONFORMISMO DO EMBARGANTE. EFEITOS INFRINGENTES. INVIABILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. 1. A atribuição de efeitos infringentes, em sede de embargos de declaração, somente é admitida em casos excepcionais, os quais exigem, necessariamente, a ocorrência de omissão, contradição,obscuridade, ou erro material, vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. 2. A omissão no julgado que permite o acolhimento do recurso integrativo configura quando não houver apreciação de teses indispensáveis para o julgamento da controvérsia. 3. No caso dos autos, não existem os defeitos apontados pelo embargante, mas, apenas, entendimento contrário à sua pretensão recursal, de modo que é manifesta a intenção de rever os pontos analisados no julgado embargado, com a atribuição de efeitos infringentes ao recurso, o que é inviável em sede de Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16095.720298/201248 Acórdão n.º 2301005.524 S2C3T1 Fl. 4 5 embargos de declaração, em razão dos rígidos contornos processuais desta espécie de recurso. 4. Embargos de declaração rejeitados". Grifouse. (EDcl nos EAREsp 623637 / AP, Min. Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, órgão Julgador Corte Especial, DJe 11/10/2017). Ainda, esse Colegiado já decidiu que apenas a contradição, omissão ou obscuridade interna é albergada pelos embargos, não abrangendo contradição externa, isto é extensiva às demais peças do processo, ou como pretende ver a embargante ampliar os efeitos do julgado, conforme se constata do acórdão 2301005.036, proferido por esta 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária , julgado em 10 de maio de 2017, assim transcrito: "EMENTA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Somente a contradição interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo, circunstância que configura mera irresignação". Assim, mesmo que o direito esteja de alguma maneira não aplicado de forma adequada, concluo não ser o caso de provimento dos embargos, devendo a decisão ser guerreada por Recurso Especial à Câmara Superior, se assim a embargante entender devido. Não restou dúvida que no Acórdão embargado o colegiado considerou a natureza do vício ser insanável. Portanto, não tem contradição alegada, pois ao reportar para a decisão a quo, a conclusão ad quem foi no sentido de que não há como realizar novo lançamento no presente caso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto, portanto, e não acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Pública. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900795/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
Numero da decisão: 3401-005.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 07 95 /2 00 8- 05 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10865.900795/200805 Acórdão n.º 3401005.183 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 35981.18122.130504.1.3.04 0293 a compensação de débito de PIS/PASEP (cód.6912) do período de apuração 04/2004 com crédito de PIS/PASEP por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 03/2003, arrecadado na data de 15/04/2003. Do Despacho Decisório A DRF LIMEIRA em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 20/05/2008 (efls.11), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando que: “Em janeiro de 2.003 houve um equivoco e aconteceu que a empresa recolheu a maior os valores do pis no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2.003 e alguns pelo código indevido também ( 8109 — antigo) mas a Receita nos orientou a fazer o Redarf se viesse alguma cobrança apenas, pois a empresa optou pelo cálculo através do regime não cumulativo sobre receita bruta auferida”; anexou cópia dos DARFs que refletem o valor do crédito indicado na PER/DCOMP e diante desses fatos, elaborou e juntou planilha a seguir transcrita, acreditando no direito que lhe é conferido, comprovado a inexistência de má fé e demonstrada a insubsistência do despacho decisório, requer o deferimento de seu pleito. STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTOA Saldo em 01/12/2002 Estoque: 0,65% de RS 574.328,40.............................................................................................. RS 3.733, 1 Mês/Ano 12/2002 Vendas R$ 144.543,59 Compras RS Saldo RS 72.799,26 PIS a Recolher R$ PIS Recolhido a Recuperar RS 1.183,78 01/2003 R$ 75.284,22 RS 71.120,90 RS 4.163,32 RS 68,69 R$ 1.243,01 R$ 1.174,32 02/2003 R$ 194.327,31 RS 142.238.41 RS 52.088,90 RS 859,47 R$ 3.206,40 R$ 2.346,93 03/2003 R$ 269.805,40 R$ 140.434, 12 RS 129.371,28 RS 2.134,63 RS 4.451,78 R$ 2.317,15 04/2003 RS 247.127,33 RS 167.687,22 RS 79.440, 11 RS 1.310,76 RS 4 077,60 RS 2.766,84 05/2003 RS 183.193,65 RS 141.965,71 RS 41.227,94 RS 680,26 RS 3.022,69 R$ 2.342,43 06/2003 RS 184.542,46 RS 180.365,51 RS 4.176,95 RS 68,92 R$ 3.044,95 R$ 2.976.03 07/2003 RS 115.829,07 RS 68.235,22 RS 47.593,85 RS 785,30 R$ 1.911,18 RS 1.125,88 08/2003 RS 80.982,53 RS 28.786,83 RS 52.195, 70 RS 861,23 R$ 1.336,22 RS 474,99 09/2003 RS 81.003,70 RS 38.669,64 RS 42.334,06 RS 698,51 RS 1.336,56 R$ 638,05 10/2003 RS 141.451,95 R$ 85.044,44 RS 56.407,51 RS 930,73 RS 2.333,96 R$ 1.403,23 11/2003 R$ 126.813,12 RS 87.247,01 RS 39.566. 11 RS 652,84 RS 2.092,42 RS 1.439,58 12/2003 R$ 120.042,52 RS 82.274,05 RS 37.768,47 RS 623,18 RS 1.980,70 RS 1.357,52 Total: R$ 1.964.946,85 R$ 1.305.813,39 R$ 659. 133,46 R$ 10.875,71 R$ 32.422,44 R$ 21.546,73 Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.900795/200805 Acórdão n.º 3401005.183 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo demanda a comprovação da liquidez e certeza do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2003 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 44 a 47) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, limitandose a repisar os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, sem apresentar as provas pertinentes ao caso como bem observado pela autoridade julgadora de primeiro grau. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute teve início com a apresentação de PER/DCOMP declarando a compensação de débito de PIS/PASEP (cód. 6912) do período de apuração Abril/2004, com crédito por pagamento indevido ou a maior de PIS (vide efls.6): Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10865.900795/200805 Acórdão n.º 3401005.183 S3C4T1 Fl. 5 4 Pela inexistência nos Sistemas da Receita Federal dos dados do DARF indicado, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Intimação (efls.9) para que o contribuinte comparecesse à Unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição e apresentasse o(s) DARF(s) original(is) no prazo estipulado. Cientificado o contribuinte, da intimação, por “AR”, na data de 31/07/2006, não houve resposta, vindo, esse fato, ser esclarecido na manifestação de inconformidade com a indicação de dois DARFs (juntados no Processo nº 10865.900790/200874 onde discute parte do crédito): P.A. Pagamento Código Valor R$ Multa Juros Total 1º 31/03/2003 15/04/2003 8109 1.753,73 ‐ ‐ 1.753,73 2º 31/03/2003 15/04/2003 6912 2.698,05 409,56 26,98 3.134,59 4.451,78 409,56 26,98 4.888,32 A Contribuinte alega com base na planilha acima reproduzida, que para o período de apuração 12/2002 a 12/2003, estaria sujeita ao recolhimento do PIS pelo regime não cumulativo na alíquota de 1,65% e por equívoco a empresa recolheu a respectiva contribuição, inclusive em alguns meses com o código 8109 (do regime cumulativo), sem levar em consideração, na apuração do valor devido, os créditos a que teria direito. Esse fato é que resultou no recolhimento indevido ou a maior, cuja diferença corresponde ao crédito que deu base à compensação realizada nas PER/DCOMP apresentadas. É de se destacar também, que o valor do PIS/PASEP apurado e declarado ao fisco é igual ao crédito vinculado, como pode ser observado pelas telas dos sistemas da Receita Federal do Brasil juntadas ao processo. O Auditor Fiscal da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que conduziu o voto do acórdão recorrido, fez constar que: “para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação”. Ainda, do voto do acórdão recorrido, se extrai que a DCTF apresentada ao fisco, constante dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal corresponde exatamente ao montante dos valores principais recolhidos por meio de DARF e o DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, para o período de apuração 03/2003, também, reflete os mesmo valores declarados em DCTF. Portanto, foi oportunizado a contribuinte exercer o seu amplo poder de defesa, conforme direito prescrito na Lei do PAF, nº 9.430/1996 e nada foi feito na fase Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.900795/200805 Acórdão n.º 3401005.183 S3C4T1 Fl. 6 5 recursal, nenhum demonstrativo contábil/fiscal foi apresentado, como também, declarações retificadoras (DACON e DCTF) ou mesmo a DIPJ, que resultasse em meio de prova a dar convencimento a uma melhor análise passível de atender a compensação requerida. Reflete, nesse caso, completo desinteresse da Recorrente de agir em favor de sua causa, quando repete em seu recurso as alegações anteriormente produzidas, sem se dar ao trabalho ou se empenhar na produção de provas básicas a dar suporte ao crédito relacionado com a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.903035/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.320
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 35 /2 00 9- 27 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903035/200927 Acórdão n.º 1402003.320 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903035/200927 Acórdão n.º 1402003.320 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903035/200927 Acórdão n.º 1402003.320 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903035/200927 Acórdão n.º 1402003.320 S1C4T2 Fl. 6 5 e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903035/200927 Acórdão n.º 1402003.320 S1C4T2 Fl. 7 6 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903035/200927 Acórdão n.º 1402003.320 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.909548/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS.
A compensação de tributos devidos somente pode ser efetuada com créditos líquidos e certos e cabe ao contribuinte o ônus de comprovar essa situação em relação aos créditos que pretende utilizar.
Numero da decisão: 3301-004.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. A compensação de tributos devidos somente pode ser efetuada com créditos líquidos e certos e cabe ao contribuinte o ônus de comprovar essa situação em relação aos créditos que pretende utilizar. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 95 48 /2 01 2- 67 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10480.909548/201267 Acórdão n.º 3301004.831 S3C3T1 Fl. 162 2 Por economia processual, adoto o relatório da DRJ/BHE no Acórdão 08 029.575 5ª Turma da DRJ/FOR (flS. 43/47): Tratase de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório de fl. 9, emitido em 05/12/2012, pelo qual a DRF Recife não homologou o PER/DCOMP nº 25497.37104.240212.1.3.046487. Através do referido PER/DCOMP, o contribuinte compensou os débitos de PIS e Cofins discriminados às fls. 5 e 6, utilizandose de um crédito declarado a título de pagamento a maior da Cofins do período de apuração 07/2011, no valor de R$ 60.006,95. A não homologação se deu sob o fundamento de que o pagamento discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Ciente do Despacho Decisório em 18/12/2012 (fl. 13), o contribuinte apresentou em 17/01/2013 a manifestação de inconformidade de fls. 14 a 16, alegando em síntese que: • recolheu a maior a Cofins do período de apuração 07/2011, cujo valor era de R$ 24.920,66, quando foi pago o valor de R$ 84.927,61, resultando um crédito de R$ 60.006,95; • no momento da análise do PER/DCOMP a RFB não confirmou o crédito em virtude de o contribuinte não haver retificado até então a DCTF, fato que foi regularizado em 02/01/2013. A DRJ/FOR considerou a manifestação de inconformidade improcedente, com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. Não se homologa a compensação quando o pagamento indevido emerge de DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, salvo se comprovadas, a cargo do contribuinte, as razões da retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário, fls 54/60, no qual a Recorrente consignou que a decisão recorrida não teria reconhecido o crédito porque a apresentação isolada de DCTF retificada após o despacho decisório não se prestaria, sem a juntada de documentos comprobatórios, para validar o pedido de compensação. Assevera que "não obstante a DCTF tenha sido retificada após o despacho decisório a DACON já tinha sido Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10480.909548/201267 Acórdão n.º 3301004.831 S3C3T1 Fl. 163 3 retificada em 22/08/2012, ou seja, muito antes do despacho decisório, denotando absoluta espontaneidade do contruinte". Ao final, requer a homologação da PERD/COMP apresentada. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente alega ser titular de crédito no valor de R$ 60.006,95, e que a origem do crédito pode ser verificada na DIPJ enviada em junho de 2012. Assevera que a Administração Tributária é detentora de todas as informações que demonstram a validade do crédito e que não julgou necessário o envio de dados já em posse do Fisco. Contudo, a situação é inversa do que tenta fazer crer a Recorrente, quando contribuinte pretende utilizar seus créditos para compensar tributos devidos deve fazer prova de tais créditos, ou seja: o ônus de comprovar os créditos é de quem os declara e tais créditos devem ser líquidos e certos no momento da compensação, jamais controversos. Dessa forma, tendo em conta que a Recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito quando utilizado na compensação, deve ser mantida a decisão recorrida. Diante do exposto, voto por mas negar provimento ao recurso voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 163DF CARF MF
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