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Numero do processo: 11080.723273/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO VERIFICADA.
Nega-se provimento aos embargos de declaração opostos, quando não constatada omissão no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1202-001.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. Nega-se provimento aos embargos de declaração opostos, quando não constatada omissão no acórdão embargado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1872; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.535 1 1.534 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723273/200946 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1202001.185 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Recorrente AGROFEL AGRO COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. Negase provimento aos embargos de declaração opostos, quando não constatada omissão no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório A Conselheira Redatora Designada, Viviane Vidal Wagner, não mais pertence a este CARF, de modo que os EMBARGOS são recebidos pelo Presidente da turma, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 32 73 /2 00 9- 46 Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723273/200946 Acórdão n.º 1202001.185 S1C2T2 Fl. 1.536 2 Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que o sujeito passivo alega omissão no Acórdão nº 1202000.954 proferido por esta 2ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, sessão de 09 de abril de 2013, relativamente à seguinte matéria: OMISSÃO, porque o “voto vencedor” do acórdão embargado deixou de se manifestar a respeito das provas e dos argumentos trazidos no recurso voluntário quanto a efetiva existência de substrato econômico na reorganização societária levado a efeito pela embargante, diferentemente do quanto sustentado no “voto vencido” do acórdão. O acórdão embargado contêm o seguinte ementário e decisão: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que cerceamento do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração, quando presentes no lançamento os elementos do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, e do artigo 142 do CTN. DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem aumento real do patrimônio e sem alteração do controle das sociedades envolvidas, e a utilização de sociedade veículo, de curta duração, constituem prova da artificialidade do ágio e impedem sua dedução na apuração do resultado tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Nereida de Miranda Finamore Horta (Relatora). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Viviane Vidal Wagner. Da análise dos autos, entendo estarem presentes os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723273/200946 Acórdão n.º 1202001.185 S1C2T2 Fl. 1.537 3 Os embargos são tempestivos e nos termos da lei, portanto dele se toma conhecimento. De acordo com o relatado, a “omissão” apontada pela embargante diz respeito falta do exame das provas e dos argumentos trazidos no recurso voluntário quanto a efetiva existência de substrato econômico na reorganização societária. Inicialmente, cumpre transcrever parte do “voto vencedor” do acórdão embargado que tratou dessa matéria, fls. 25/26 do acórdão: “[...]Assim, para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a razão negocial para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. É o que decorre da lei. A transação onerosa com terceiros, ou seja, entre empresas não ligadas entre si, é pressuposto da geração de ágio e decorre da lei. A leitura que se faz do art. 7° da Lei n° 9.532/97, combinado com o art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77, implica na verificação de ágio dedutível apenas quando formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Numa reorganização societária, deve haver consistência entre o motivo propulsor, o ato de criação do ágio em si e o resultado pretendido. Assim, o ágio suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem um propósito econômico real e um efetivo substrato econômico, concomitantemente. No presente caso, a fiscalização glosou as despesas de ágio após concluir que o ágio deduzido pela Recorrente não resultou de operação onerosa com terceiros, envolvendo pagamento, e sim de operação entre empresas do mesmo grupo econômico, com a participação de empresa veículo, em que houve mera reavaliação de ações. Uma análise da cronologia dos fatos deixa claro que houve a criação de uma empresa veículo (WF), por empresas e pessoas relacionadas ao grupo Ferrarin, para registro de um ágio. Essa empresa veículo (WF) passou a ser controladora da Agrofel (ora recorrente) com 80% do capital social, tendo contabilizado ágio pela integralização de cotas de capital da Agrofel transferidas a preço de mercado. Cinco meses após, a mesma WF foi incorporada pela Agrofel que pretende aproveitar as despesas de amortização desse ágio. Se antes das alterações societárias, a Agrofel era controlada pela Comércio de Produtos Agrícolas Ferrarin Ltda., com 80% das cotas de capital, Toni Ferrarin detinha 10% das cotas de capital e os outros 10% estavam em ações em tesouraria, após as alterações, o quadro societário da recorrente passou a ser: Comércio de Produtos Agrícolas Ferrarin com 95,53% do capital social; Toni Ferrarin com 2,23%; Wilson Ferrarin com 0,01% e em tesouraria 2,23% da cotas de capital. Vejase que, ao final do ciclo de alterações societárias, houve um mero incremento na participação societária da controladora da Agrofel. Em momento algum, houve ingresso de recursos de terceiros alheios ao grupo Ferrarin, inexistindo Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723273/200946 Acórdão n.º 1202001.185 S1C2T2 Fl. 1.538 4 um efetivo incremento patrimonial a justificar a contabilização e o aproveitamento, para fins tributários, do ágio gerado internamente.” Como se percebe da transcrição acima, o voto vencedor examinou as provas trazidas ao processo e enfrentou os argumentos que descaracterizaram a reorganização societária para fins tributários, mas que não foram suficientes para convencimento da maioria da turma quanto à sua correção para efeitos de dedutibilidade das despesas com o ágio formado. Essa questão também foi devidamente enfrentada/fundamentada em outros trechos do voto vencedor, inclusive com a transcrição de trechos de votos em outros processos com o mesmo entendimento. Nesse sentido, vejase a conclusão do voto vencedor, fls. 34 do acórdão: “[...] Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de se majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, com o único propósito de reduzir a base tributável pelo aproveitamento de despesas de amortização do respectivo ágio. Todavia, é incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, pois, como não há transferência de controle entre as empresas, logicamente, não há aquisição de nova propriedade. Assim, por lhe faltar fundamentação econômica, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, não pode ser oponível ao Fisco, como é o caso dos autos. A lei não permite o ágio artificial, porque deve ser interpretada de modo a se evitar a conduta abusiva, tendo em conta as exigências do bem comum e a função social da empresa, prevista no art. 170 da Constituição Federal. A segurança jurídica, no caso, decorre da interpretação racional e lógica do ordenamento jurídico, pautado em orientações consistentes de órgãos normativos e na jurisprudência consolidada do órgão de julgamento (CARF). Como a Recorrente, em sua defesa, não logrou desconstituir os argumentos da autoridade fiscal, e diante da evidente caracterização de ágio formado internamente, outra não pode ser a conclusão senão pela indedutibilidade das despesas de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidas no período fiscalizado.” Além do já mencionado, esclareçase à embargante que o voto vencedor do acórdão não precisa discorrer exatamente todos os pontos levantados pelo recorrente, e da maneira como a defesa gostaria, mas apenas as questões relevantes que levaram à decisão da Turma de Julgamento que, registrese, ocorreu por maioria de votos. Esse é o entendimento do STJ proferido no REsp nº 874.793, com o seguinte ementário (transcrito em parte): 1. [...] 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. (destaques meus) Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723273/200946 Acórdão n.º 1202001.185 S1C2T2 Fl. 1.539 5 Dessa forma, concluise que inexiste omissão no voto vencedor do acórdão embargado e o voto contém clara e completa fundamentação que levou à solução do litígio, de modo que descabe reapreciar novamente a matéria, como pretende o embargante, não sendo o caso de se proceder na revisão da decisão. Em face do exposto, voto no sentido de que sejam acolhidos os embargos opostos, para negarlhes provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911192/2012-03
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 92 /2 01 2- 03 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911192/201203 Acórdão n.º 3801003.389 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911192/201203 Acórdão n.º 3801003.389 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911192/201203 Acórdão n.º 3801003.389 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911192/201203 Acórdão n.º 3801003.389 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911192/201203 Acórdão n.º 3801003.389 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911192/201203 Acórdão n.º 3801003.389 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911192/201203 Acórdão n.º 3801003.389 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911192/201203 Acórdão n.º 3801003.389 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 15374.919841/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91.
Numero da decisão: 1402-001.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para apreciação do mérito do pedido, retomando-se a partir daí o rito processual, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para apreciação do mérito do pedido, retomando-se a partir daí o rito processual, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
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PRAZO PRESCRICIONAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para apreciação do mérito do pedido, retomandose a partir daí o rito processual, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 98 41 /2 00 8- 87 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.919841/200887 Acórdão n.º 1402001.648 S1C4T2 Fl. 156 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.919841/200887 Acórdão n.º 1402001.648 S1C4T2 Fl. 157 3 Relatório Tratase de pedido de restituição relativo ao suposto saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1998. Por bem retratar o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase do Despacho Decisório às fls.8 (rastreamento nº 78377322), de 26.08.2008, emitido pela então Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro Derat/RJO, que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento, veiculado no seguinte Perdcomp: Quadro 1 Per/Dcomp com Demonstrativo de Crédito Período de Apuração do Crédito Tipo de Crédito 29047.79697.311204.1.2.028352 Ex.1999 01/01/1998 a 31/12/1998 Saldo Negativo de IRPJ Segundo o Despacho Decisório, o pedido de restituição/ressarcimento foi indeferido em face do decurso do prazo de cinco anos entre a data de sua transmissão, através do sobredito Per/dcomp 31.12.2004 e a data de apuração do saldo negativo: 31.12.1998. O enquadramento legal do indeferimento consta assim: art. 168, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); inciso II do § 1º do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996; art. 5º, da IN SRF nº 600, de 2005 (fls.8). O interessado, em manifestação às fls.10/21, diz, preliminarmente, que a intimação não pode ser considerada válida, porque, conforme seu cartão CNPJ, seu domicílio fiscal é em Londrina (Av. Higienópolis, 1365 – Paraná), conquanto, “em dezembro de 2006, a antiga Telerj Celular foi incorporada pela atual VIVO S/A, conforme é conhecimento inclusive da Receita Federal”, mas “a intimação do despacho eletrônico proferido em 26.06.2008, que indeferiu o pedido de restituição, foi realizada na Rua Afrânio de Melo Franco, razão por que esta Manifestação de Inconformidade deve ser admitida em seus regulares efeitos”. Afirma que, “superada a questão da admissão”, a decisão deve ser reformada, porque, em 31.12.1998, data do nascimento do crédito, o prazo prescricional para a repetição do indébito era de dez anos a contar do fato gerador, conquanto se trata de tributo por homologação, e que, não tendo havido esta última, só a partir de 31.12.2003 é que teve início a contagem do prazo de cinco anos para compensação. Acrescenta que “o nascimento do crédito e seu efetivo aproveitamento ocorreram antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 9 de fevereiro de 2005”, que alterou para cinco anos o prazo decadencial para compensação/repetição do indébito tributário, de forma que o prazo decadencial para restituição é de 10 (dez) anos, tal como Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.919841/200887 Acórdão n.º 1402001.648 S1C4T2 Fl. 158 4 entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, e, uniformização de jurisprudência do E. Conselho de Contribuintes Federal. Diz que, ainda que a LC nº 118, de 2005, tivesse conteúdo simplesmente interpretativo, “não há que se falar em retroatividade sobre uma questão já consolidada desde há muito pelo Tribunal competente pela pacificação da legislação infraconstitucional, o STJ”, sendo inconstitucional a sua aplicação retroativa. Aduz que qualquer restrição à restituição, criada por lei posterior, “viola o art. 5º, XXXVI da CF/88, pois fere o direito adquirido da contribuinte, uma vez que o direito de restituição com as facilidades da legislação anterior já estava incorporado ao seu patrimônio jurídico”. Afirma que o Conselho de Contribuintes reconhece o prazo decadencial de 10 (dez) anos para a repetição/compensação de indébito e, que a Corte Especial do STJ pacificou o entendimento de que o prazo decadencial, antes da vigência da Lei nº 118/2005, continua sendo de dez anos. Diz que “se está diante de caso claro de invasão de competência, pois, por meio da LC nº 118/05, o Poder Legislativo (insuflado pelo Poder Executivo) pretende rever decisões proferidas pelo Poder Judiciário”. Reproduz ementas de julgados. Pede a reforma do despacho decisório, com o reconhecimento integral do crédito pleiteado. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.45/64. A decisão recorreu julgou improcedente a manifestação de inconformidade, concluindo que “o direito de pleitear restituição extinguese cinco anos após a constituição regular de saldo negativo de imposto ou contribuição a pagar.” Inconformado, após ciência da decisão em 10 de novembro de 2000, apresentou recurso voluntário em 09 de dezembro do mesmo ano. Em resumo, argumenta que não se aplica ao caso concreto o disposto no art. 3º da Lei Complementar 118 para fins de contagem do prazo prescricional. Requer, ao final, a reforma da decisão recorrida e o reconhecimento do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.919841/200887 Acórdão n.º 1402001.648 S1C4T2 Fl. 159 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. Tratase de pedido de restituição transmitido em 31 de dezembro de 2004 referente ao saldo negativo do anocalendário de 1998. O pedido de restituição foi encaminhado em 31 de dezembro de 2004. Assim, aplicase a tese do prazo prescricional de 10 anos (“5+5”), posto que o pedido de restituição foi realizado antes da vacatio legis da Lei Complementar 118, de 2005 (09 de junho de 2005), o que impede a contagem do prazo fatal para requerimento do indébito como sendo de cinco anos contados a partir da data do pagamento indevido ou a maior (nos termos da novel interpretação dada ao art. 168, I, do CTN, pelo art. 3º da Lei Complementar 118, de 2005). Incide, no caso concreto, o enunciado número 91 da Súmula CARF, assim vazado: “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Desse modo, tendo o pagamento indevido se caracterizado em 31 de dezembro de 1998, e o pedido de restituição transmitido em 31 de dezembro de 2004, não há que se falar em prescrição. Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para apreciação do mérito do pedido, retomandose, a partir daí, o rito processual. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10580.720767/2009-75
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.051
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 27/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 86 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “ Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 143.345,05, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720767/200975 Resolução n.º 2802000.051 S2TE02 Fl. 131 2 incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto deinfração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720767/200975 Resolução n.º 2802000.051 S2TE02 Fl. 132 3 correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ato contínuo, em sessão de 23/02/2011, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.274, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720767/200975 Resolução n.º 2802000.051 S2TE02 Fl. 133 4 (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i)os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 92), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 90/127), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; (iii) nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iv) não incidência de IR sobre juros moratórios; (v) a URV tem natureza indenizatória; (vi) ilegitimidade da União; e (vii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720767/200975 Resolução n.º 2802000.051 S2TE02 Fl. 134 5 isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10711.003545/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/09/2008
MULTA. ART. 50 DA IN SRF Nº 800/2007. TRANSPORTE INTERNACIONAL. INFORMAÇÕES SOBRE A CONCLUSÃO DA DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. ALCANCE.
O dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II).
As exceções à regra legal, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/09/2008 MULTA. ART. 50 DA IN SRF Nº 800/2007. TRANSPORTE INTERNACIONAL. INFORMAÇÕES SOBRE A CONCLUSÃO DA DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. ALCANCE. O dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). As exceções à regra legal, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente. Recurso voluntário provido.
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DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. . . Recorrente KUEHNE NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/09/2008 MULTA. ART. 50 DA IN SRF Nº 800/2007. TRANSPORTE INTERNACIONAL. INFORMAÇÕES SOBRE A CONCLUSÃO DA DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. VIGÊNCIA. ALCANCE. O dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). As exceções à regra legal, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 35 45 /2 01 0- 95 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à multa capitulada no art. 107, IV. “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF nº 800/2007, com alteração da IN SRF nº 899/2008. Cientificado do auto de infração, a contribuinte protocolizou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ. . O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade, suscitada pela empresa, pois o presente auto de infração cita de forma clara e precisa as informações necessárias que deveriam ter sido prestadas pelo transportador, assim como indica os dispositivos legais infringidos. No mérito, alega a contribuinte de que apenas com a publicação da IN SRF nº 899/2008, em 31/12/2008, que alterou o art. 50 da IN SRF nº 800/2007, passou a ser prevista a exceção do parágrafo único, até então inexistente. Logo, na data dos fatos geradores não existia a obrigação do prazo para prestação de informações do parágrafo único do art. 50 e nem do art. 22 da IN nº. 800/2007. Porém, para o arresto recorrido, a IN SRF nº 899/2008 apenas alterou a data da entrada em vigor do art. 22. Na data da publicação da IN SRF nº 800/2007, que se deu em 31/03/2008, data anterior aos registros, já existia a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Confirase: Ari 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta. Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto nos Pais. (grifei e sublinhei). Portanto, na ótica da DRJ, seria plenamente devido à multa em comento, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) de acordo com a IN SRF nº 800/2007, em razão ao atraso ocorrido na prestação das informações. Cientificada da decisão acima transcrita, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo que fosse julgado nulo ou improcedente o auto de infração, porquanto não há o que se falar em necessidade de observância do disposto no parágrafo único do art. 50 da IN 800/07, pelo fato de as matérias ali tratadas não abarcarem o regime jurídico da desconsolidação, que teria suas regras expressas no art. 22 do mesmo diploma legal. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.003545/201095 Acórdão n.º 3202001.057 S3C2T2 Fl. 340 3 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Examino, primeiramente, a alegação da recorrente, de que o auto de infração seria nulo, porque traria deficiente descrição da infração cometida. Entendo que não procede tal argumento da recorrente, na medida em que o Auto de Infração em tela descreve suficientemente a conduta tida como ilegal, a saber: entrega intempestiva das informações acerca da desconsolidação das cargas pelo transportador. Igualmente, como bem destacou o acórdão recorrido, a autoridade fiscal também cita de forma clara a infração praticada (art. 107, IV, "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003) e o dispositivo legal infringido (IN SRF n.º 800/2007, alterada pela IN SRF n.º 899/2008). Tanto que a recorrente se defende da imputação discutindo a vigência e/ou a inaplicabilidade das referidas normas ao caso concreto. Nesse contexto, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. Passemos ao mérito. O art. 107, IV, "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003, prevê multa à empresa de transporte internacional, que não apresentar informações a forma e no prazo exigido pela Receita Federal. In verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...] Fl. 172DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Os prazos a que se reporta o preceptivo legal acima transcrito foram definidos pelo art. 22 da IN SRF n.º 800/2007: Art. 22.São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Ao seu turno, as redações do art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, antes e depois da IN SRF nº 899/2008, eram respectivamente as abaixo indicadas: Art. 50.Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.003545/201095 Acórdão n.º 3202001.057 S3C2T2 Fl. 341 5 I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. **** Art. 1ºO art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de abril de 2009. ........................................................................................" (NR) Em seu recurso voluntário, a recorrente defende que o início da vigência da norma, que fixou o prazo para o transportador prestar informações, previsto no art. 22, III, não teria sido excepcionado tanto pela redação original quanto pelo texto alterado do parágrafo único do art. 50 da IN SRF n.º 800/2007. Vale dizer, para a empresa, o dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confundiria com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). O acórdão recorrido entendeu justamente o inverso, conforme se infere de suas palavras: Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, posterior aos embarques a que se referem a presente autuação, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. O que a IN SRF n.° 899/2008 alterou foi apenas a dilação do prazo para entrada em vigor daqueles previstos no art. 22 para a data de 01/04/2009. Entendo, todavia, que merece provimento o recurso voluntário, porque o dever de prestar informações acerca da conclusão da desconsolidação (art. 22, III) não se confunde com o dever de informação acerca das cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País (art. 50, § único, II). Até porque, é certo que as exceções, como é o caso do parágrafo único do art. 50 da IN SRF 800/2007, devem ser interpretadas restritivamente. Forte nessas razões, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13656.000681/2005-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2001
COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESSARCIMENTO. PESSOA JURÍDICA CONSUMIDORA FINAL.
Não sendo preenchidas as condições estabelecidas no art. 6º da IN/SRF nº. 006/199, incabíveis as deduções da COFINS pretendidas pela contribuinte.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados]
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieiri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2001 COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESSARCIMENTO. PESSOA JURÍDICA CONSUMIDORA FINAL. Não sendo preenchidas as condições estabelecidas no art. 6º da IN/SRF nº. 006/199, incabíveis as deduções da COFINS pretendidas pela contribuinte. Recurso Voluntário negado.
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SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Recorrente GM COSTA TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2001 COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESSARCIMENTO. PESSOA JURÍDICA CONSUMIDORA FINAL. Não sendo preenchidas as condições estabelecidas no art. 6º da IN/SRF nº. 006/199, incabíveis as deduções da COFINS pretendidas pela contribuinte. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados] Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieiri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Cuidase de Auto de Infração lavrado em face da contribuinte GM COSTA TRANSPORTES LTDA, em 29/08/2005, para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, bem como da multa de ofício e dos juros de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 06 81 /2 00 5- 66 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 mora, no valor de R$ 157.250,83, em face da falta de recolhimento daquela contribuição no ano de 2001. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (efls. 15/17), nas fichas 20A da DIPJ (fls. 6267) relativa ao anocalendário 2001, apresentada pela empresa, foram deduzidos em todos os meses de 2001, da Cofins Apurada (linha 18), valores a título de Compensação de Substituição pela não Ocorrência do Fato Gerador Presumido (linha 21). Tais valores, conforme informou a contribuinte, dizem respeito a deduções decorrentes de substituição tributária na compra de combustíveis diretamente da distribuidora, cuja dedução encontraria amparo no art. 6º da Instrução Normativa/SRF n° 006, de 2001. Glosados tais valores pela Fiscalização, foi lavrado o Auto de Infração de efls. 08/14, ao que a contribuição apresentou suas razões de defesa, por meio da impugnação de efls. 88/96. A DRJJuiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento efetuado (efls. 99/108), nos termos a ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. Diante da falta de recolhimento da contribuição, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício em conformidade com as determinações expressas em normas legais e administrativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE NORMAS PROCESSUAIS. Não se cogita de nulidade processual, tampouco de nulidade do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 107/114), alegando, em síntese: que é pessoa jurídica, consumidora final, adquirente de gasolina automotiva e óleo diesel diretamente das distribuidoras e, como tal, tem o direito de beneficiarse das deduções, a título de compensação, oriundas de substituição tributária descritas na DIPJ, nos termos previstos na IN/SRF nº. 006/1999; e que a alegação do fisco, de que a dedução só seria possível, se a autuada exigisse da unidade distribuidora, anotação no corpo da nota fiscal com apresentação da base de cálculo a ser deduzida, não merece grandes considerações, pois a aludida exigência do Parágrafo 1° artigo 6°, referese ao Distribuidor e não ao consumidor final, afrontando, assim, o princípio da legalidade, tendo em vista que o art. 170 do CTN permite a compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13656.000681/200566 Acórdão n.º 3202001.236 S3C2T2 Fl. 129 3 Ao final, requer a nulidade do Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. A legislação invocada pela contribuinte é clara e não lhe socorre em sua pretensão. O art. 6º da IN/SRF nº. 006/1999 assim dispõe: Art. 6º Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior (PIS e Co fins), correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. §1º. Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 22, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. §4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas no Instrução Normativa SRF nº 021, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7º a 14 desta InstruçãoNormativa. A primeira condição infringida pela contribuinte diz respeito às deduções que realizou em relação às compras efetuadas dos postos de combustíveis (vide efl.27), as quais não se encontram abrangidas pelo benefício, que prevê deduções apenas das compras realizadas diretamente das distribuidoras. Demais disso, a IN estabelece a condição de constar, da nota fiscal emitida pela distribuidora, destacadamente, a base de cálculo do valor a ser ressarcido, o que também não foi observado (vide efls. 28/58). Não é cabível a alegação da contribuinte de que tal condição não merece grandes considerações, por tratarse de condição dirigida ao distribuidor. Tratase de condição indispensável para o gozo do benefício pretendido, que não é mais nem Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 menos importante que as demais condições impostas pela legislação. Sem que se tenha destacado na nota a base de cálculo do valor a ser ressarcido, não há como identificar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Por último, cabe ressaltar que, conforme estabelecido no §4º do art. 6º,o ressarcimento estabelecido na normativa devese dar mediante ressarcimento ou compensação, observadas as normas estabelecidas no Instrução Normativa SRF nº 021, de 10 de março de 1997, não sendo prevista a compensação via DIPJ, como bem salientou a autoridade julgadora administrativa. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recuso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10073.902023/2009-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 23 /2 00 9- 05 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902023/200905 Acórdão n.º 3802003.081 S3TE02 Fl. 130 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902023/200905 Acórdão n.º 3802003.081 S3TE02 Fl. 131 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10768.901858/2006-79
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 58 /2 00 6- 79 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 88/92 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901858/200679 Acórdão n.º 3802003.363 S3TE02 Fl. 127 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 124). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 94/114, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901858/200679 Acórdão n.º 3802003.363 S3TE02 Fl. 128 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.728364/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Tal isenção não alcança rendimentos recebidos em razão de ação judicial trabalhista, que são rendimentos do trabalho e não proventos de aposentadoria.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
A falta de comprovação da retenção do imposto de renda retido na fonte autoriza a sua glosa.
FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula nº 12, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Tal isenção não alcança rendimentos recebidos em razão de ação judicial trabalhista, que são rendimentos do trabalho e não proventos de aposentadoria. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A falta de comprovação da retenção do imposto de renda retido na fonte autoriza a sua glosa. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula nº 12, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Negado
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Tal isenção não alcança rendimentos recebidos em razão de ação judicial trabalhista, que são rendimentos do trabalho e não proventos de aposentadoria. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A falta de comprovação da retenção do imposto de renda retido na fonte autoriza a sua glosa. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula nº 12, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 64 /2 00 9- 74 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 150 2 JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 151 3 Relatório Contra MOACYR JOÃO DE ALMEIDA BARRETO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 13/19, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2007, exercício 2008, no valor total de R$ 26.785,95, incluindo multa de mora (20%), multa de ofício (75%) e juros de mora, estes últimos calculados até 30/10/2009. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram: (i) omissão de rendimentos recebidos do INSS, valor de R$ 7.575,94, (ii) omissão de rendimentos recebidos da Pedreira Carangi Ltda, decorrente de ação judicial trabalhista, no valor de R$ 4.545,22 e (iii) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 30.190,69, referente a fonte pagadora Pedreira Carangi Ltda. Para melhor contextualizar as infrações, transcrevese a seguir Complementação da Descrição dos Fatos, fls. 16, da Notificação de Lançamento: Acordo Judicial Trabalhista processo 02841.1992.002.05.004. Reclamada: Pedreira Carangi Ltda. Termos homologados referente ao exercício 2008, parcelas recebidas em 2007: Rendimentos líquidos: R$ 287.500,00 Percentual dos rendimentos tributáveis conforme parcelas demonstradas no acordo homologado, 43,5% INSS apurado referente ao valor recebido no anocalendário 2007, R$ 10.447,05. Valor Bruto = Líquido recebido (R$ 287.500,00) + INSS (R$ 10.447,05) = R$ 297.947,05. O valor dos rendimentos tributáveis apurados corresponde a 43,5% do valor bruto = R$ 129.606,96. Pagamento de Honorários Advocatícios no valor de R$ 27.500,00, destes 43,5% são dedutíveis, ou seja, R$ 11.962,50. Rendimentos tributáveis a declarar = R$ 129.606,96 – R$ 11.962,50 = R$ 117.664,46. Valor declarado R$ 113.099,24. Valor da omissão R$ 4.545,22. Obs.: O valor do INSS adicionado ao rendimento recebido foi declarado no campo deduções da DIRPF, não implicando em acréscimo de IR a pagar. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, para Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 152 4 considerar isentos os rendimentos recebidos do INSS, conforme Acórdão DRJ/SDR nº 15 24.792, de 15/09/2010, fls. 39/43. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 12/11/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 46, o contribuinte apresentou, em 09/12/2010, recurso voluntário, fls. 47/55, no qual traz as seguintes alegações: que a obrigação da fonte pagadora de reter e recolher o imposto de renda deriva de fato gerador perfeito e acabado, tratandose, portanto, de verdadeira e legítima substituição tributária. que se a fonte pagadora não efetuou a retenção e o recolhimento a que estava obrigada, deverá o Fisco exigir o recolhimento do imposto de renda, não do contribuinte, mas da própria fonte pagadora. que comprovase, através da sentença judicial, que homologou o acordo trabalhista, que a fonte pagadora reteve o imposto de renda. que a Receita Federal não pode cobrar do contribuinte o imposto de renda, que por determinação judicial está explicitado que é de inteira responsabilidade da fonte pagadora. que é portador de moléstia grave e desta forma isento do desconto do imposto de renda. Conforme Despacho, fls. 148, de 16/03/2012, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 153 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que a lide persiste apenas no que se refere à omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no que tange aos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial trabalhista movida pelo contribuinte contra a pessoa jurídica Pedreira Carangi Ltda. Em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2008, anocalendário 2007, o contribuinte, no que se refere à fonte pagadora ofereceu à tributação rendimentos, no valor de R$ 113.099,24 e compensou imposto de retido na fonte, no valor de R$ 30.190,69. Por seu turno, a autoridade fiscal lançou a infração de omissão de rendimentos, no valor de R$ 4.545,22 (diferença apurada, conforme cálculos que constam da Notificação de Lançamento) e glosou integralmente o imposto de renda retido na fonte. No que se refere à infração de omissão de rendimentos, o contribuinte apenas afirma que é portador de moléstia grave. Contudo, conforme já bem explicitado na decisão recorrida, temse que os rendimentos são decorrente do trabalho, não se tratando de proventos de aposentadoria, de modo que não há que se falar em aplicação do disposto no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ou seja, os rendimentos recebidos em decorrência da ação judicial trabalhista são tributáveis, sendo certo, inclusive, que o contribuinte já assim reconheceu, posto que ofereceu à tributação, o valor de R$ 113.099,24. Aqui vale lembrar que o lançamento é apenas da diferença apurada pela autoridade fiscal e sobre tal diferença o contribuinte nada disse em seu recurso. Nessa conformidade, mantémse a infração de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Pedreira Carangi Ltda, no valor de R$ 4.545,22. Já no que se refere à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, o contribuinte afirma, em suma, que se a fonte pagadora não efetuou a retenção e o recolhimento a que estava obrigada, a exigência deveria recair sobre a mesma e que comprovase, através da sentença judicial, que homologou o acordo trabalhista, que a fonte pagadora reteve o imposto de renda. Ao contrário do que afirma a defesa, não existe nos autos prova de que a fonte pagadora tenha feito qualquer retenção de imposto de renda quando dos pagamentos efetuados ao contribuinte. Da Ata de Conciliação , fls. 24, restou assentado na cláusula 5ª, que a executada se comprometia a comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias e do imposto de renda devidos tanto do empregado quanto do empregador, incidentes sobre as parcelas salariais. Todavia, tal cláusula não pode ser tomada como comprovação da efetiva Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.728364/200974 Acórdão n.º 2102003.021 S2C1T2 Fl. 154 6 retenção do imposto na fonte. E mais, consta também nos autos, fls. 25/28, ofício encaminhado pela Justiça do Trabalho à Secretaria da Receita Federal, dando conta de que a fonte pagadora deixou de comprovar o recolhimento do imposto de renda e da contribuição previdenciária. Destaquese que o contribuinte não juntou aos autos comprovantes de pagamentos ou quaisquer outros documentos que demonstrassem que a retenção do imposto de renda tenha sido realizada. Também não procede a alegação da defesa de que se o imposto de renda não foi retido e recolhido a exigência deveria ser dirigida à fonte pagadora. Neste aspecto, vale lembrar que o fato de a fonte pagadora ter deixado de reter o imposto de renda na fonte, não desobriga o contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação, quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, sendo este o entendimento exarado na Súmula CARF nº 12, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Aliás, este foi o procedimento adotado pelo próprio contribuinte: recebeu os rendimentos e os ofereceu, pelo menos em parte, à tributação em sua DAA. Entretanto, compensou imposto de renda que não fora retido, tampouco, recolhido. Logo, correto o procedimento da autoridade fiscal ao imputar ao contribuinte a infração de compensação indevida de imposto na fonte e, via de conseqüência, exigir o tributo com os acréscimos legais cabíveis. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 18471.002264/2003-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1998, 30/09/2002
Recurso de ofício
VARIAÇÃO CAMBIAL. RECONHECIMENTO NO MOMENTO DA LIQUIDAÇÃO OU REGIME DE CAIXA. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 30, da Medida Provisória nº 1.858-10, de 1999, com os acréscimos da Medida Provisória nº 1.991-14, de 2000, as variações cambiais serão oferecidas a tributação quando da liquidação da correspondente operação, vigorando a regra do regime de caixa, sendo que apenas por opção da pessoa jurídica essas variações poderão ser consideradas segundo o regime de competência. Tendo o sujeito passivo optado expressamente pelo regime de caixa, deve ser cancelado o lançamento tributário que constitui crédito sobre receitas mediante a aplicação do regime de competência.
COFINS. RECEITAS. EXCLUSÕES. CANCELAMENTO E DEVOLUÇÕES DE VENDAS E IPI. POSSIBILIDADE.
Os valores referentes aos cancelamentos e devoluções de vendas e ao IPI destacado em notas fiscais separadas relativo a tais cancelamentos e devoluções, comprovados através de registros no Livro Razão do sujeito passivo, são dedutíveis da base de cálculo da COFINS, devendo ser cancelado o lançamento que impõe exigência glosando referidas exclusões.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA.
Padece de nulidade por cerceamento do direito de ampla defesa, o lançamento tributário que deixa de identificar com clareza e precisão a matéria tributável que dá suporte à acusação da ocorrência do fato gerador, ferindo-se direitos do contribuinte e garantias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal.
Preliminar acolhida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso Voluntário para anular o lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Luciano Martins Ogawa, OAB 195564 e, pela Fazenda Nacional, a Procuradora Luciana Ferreira Gomes Silva.
(assinado digitalmente)
Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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RECONHECIMENTO NO MOMENTO DA LIQUIDAÇÃO OU REGIME DE CAIXA. AUTUAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 30, da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999, com os acréscimos da Medida Provisória nº 1.99114, de 2000, as variações cambiais serão oferecidas a tributação quando da liquidação da correspondente operação, vigorando a regra do regime de caixa, sendo que apenas por opção da pessoa jurídica essas variações poderão ser consideradas segundo o regime de competência. Tendo o sujeito passivo optado expressamente pelo regime de caixa, deve ser cancelado o lançamento tributário que constitui crédito sobre receitas mediante a aplicação do regime de competência. COFINS. RECEITAS. EXCLUSÕES. CANCELAMENTO E DEVOLUÇÕES DE VENDAS E IPI. POSSIBILIDADE. Os valores referentes aos cancelamentos e devoluções de vendas e ao IPI destacado em notas fiscais separadas relativo a tais cancelamentos e devoluções, comprovados através de registros no Livro Razão do sujeito passivo, são dedutíveis da base de cálculo da COFINS, devendo ser cancelado o lançamento que impõe exigência glosando referidas exclusões. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Padece de nulidade por cerceamento do direito de ampla defesa, o lançamento tributário que deixa de identificar com clareza e precisão a matéria tributável que dá suporte à acusação da ocorrência do fato gerador, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 64 /2 00 3- 78 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 2 ferindose direitos do contribuinte e garantias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal. Preliminar acolhida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso Voluntário para anular o lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Luciano Martins Ogawa, OAB 195564 e, pela Fazenda Nacional, a Procuradora Luciana Ferreira Gomes Silva. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.058 3 Relatório Versam os autos de lançamento de ofício lavrado a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), no valor consolidado e originário de R$ 37.401.430,31 (trinta e sete milhões, quatrocentos e um mil, quatrocentos e trinta reais e trinta e um centavos), sendo R$ 17.541.551,41 a título de principal, R$ 6.703.715,48 referente aos juros de mora, e R$ 13.156.163,42 a título de multa proporcional (75%), relativamente ao período de 31/12/1998 a 30/09/2002. A descrição dos fatos e enquadramento legal constante do auto de infração (folhas 14 do processo – numeração eletrônica) dá conta de que a autuação se deu em razão de diferenças apuradas entre o valor declarado e os valores escriturados pelo contribuinte, relativamente à COFINS. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 24/09/2003, o sujeito passivo apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 138 e ss. – numeração eletrônica, cujos argumentos, por bem sintetizados pelo julgador em 1ª Instância (DRJ/RJOII), merecem ser transcritos: a) há vícios observados na instituição e execução do Mandado de Procedimento Fiscal que, por si, já demandariam a declaração de nulidade do lançamento. Primeiramente, o MPF F, emitido em 10/09/2002, e cientificado à impugnante em 18/09/2002, deveria ter sido executado até o dia 08/01/2003, ou seja, 120 dias depois de emitido, o que não ocorreu. b) Além de não ter sido concluído tampouco foi prorrogado com ciência do contribuinte, dentro do mesmo prazo. Ademais, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, jamais foi entregue pela fiscalização à impugnante. Houve sim, a emissão do MPF Complementar, com indicação de data de emissão de 26/12/2002, prorrogando a fiscalização para até 07/02/2003. Porém, esse MPFC somente foi levado ao conhecimento da impugnante no dia 14/01/2003, isto é, 6 dias após o prazo máximo de validade do MPFF; c) Se o MPFC carece de validade, e o MPFF não teve seu prazo prorrogado validamente, tampouco foi emitido novo MPFF, então todos os atos praticados pelas autoridades fiscais, a partir de 08/01/2003, também carecem de validade, ou seja, são nulos; d) Além disto, consta que o único tributo que seria objeto da fiscalização seria o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. No Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 4 MPFC emitido em 26/12/2002, que tentou, sem sucesso, prorrogar o prazo do procedimento, também não havia menção expressa de que a revisão alcançaria outros tributos ou contribuições. Considerando tal fato, não poderia o Agente Fiscal proceder à fiscalização da Cofins, pois de acordo com o § 1º do artigo 7° da Portaria n° 3.007, de 2001, o MPFF deverá indicar expressamente o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado; e) Por tais motivos, todos os atos praticados pela fiscalização são nulos, sendo nulo o auto de infração consequente de tal procedimento. Não obstante, também no mérito não caberia tal autuação, pelos seguintes motivos; f) Deduz que parte das divergências encontradas pela fiscalização devese a dedução das tarifas de interconexão. Assevera que com o advento do artigo 3°, §2° da Lei n° 9.718/98, os valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos para outra pessoa jurídica poderiam ser excluídos da receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Tal regra alcançou inúmeras pessoas jurídicas, dentre elas a impugnante, cuja atividade operacional exige a contabilização de receitas de terceiros em suas demonstrações financeiras, seja por questões comerciais, seja por questões regulatórias, receitas estas posteriormente transferidas aos seus efetivos titulares. g) Considerando tais definições e a sistemática sob a qual está obrigada a atuar, tendo em vista as regras estabelecidas pela ANATEL, ao excluir, das bases de cálculo da COFINS, as tarifas de interconexão ou tarifas de uso realizadas no período de fevereiro de 1999 até maio de 2000, a impugnante nada mais fez do que obedecer ao disposto no inciso II do § 2° do artigo 3° da Lei 9.718/98, que autorizava a exclusão da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins dos valores que, embora computados como receita, fossem transferidos para outras pessoas jurídicas. Ou seja, a impugnante apenas cumpriu uma determinação legal existente e vigente à época de ocorrência dos fatos geradores. h) Deduz, ainda, que parte das divergências encontradas pela fiscalização devese ao fato de ela ter reconhecido, para fins fiscais, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações, em função da taxa de câmbio, pelo regime de caixa, enquanto que a fiscalização aparentemente adotou o regime de competência. Para amparar sua alegação, transcreveu, o disposto no artigo 30 da MP 2.15835, de 24/08/2001 (reedição da MP 1.99112, de 14/12/99). i) Tal item corresponde a aproximadamente 90% do valor da autuação. Já a suposta dedução das tarifas de interconexão representa, aproximadamente, 5% do valor total da autuação. Para os demais 5%, não foi possível identificar ou pressupor causa(s) plausível (plausíveis), devido à ausência de explicitação no auto de infração. j) ainda no que diz respeito à utilização do regime de caixa aduz que com relação ao anocalendário de 1999, os contratos que Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.059 5 geraram o registro de variação cambial ativa em contas de resultado somente foram liquidados a partir do anocalendário de 2001. Portanto, também não caberia a autuação pretendida pela fiscalização, pois caso a impugnante tivesse efetivamente recolhido a Cofins sobre os valores correspondentes aos citados registros de variação cambial, teria o direito a créditos que poderiam ser utilizados a partir do anocalendário de 2000, conforme disposto no artigo 31 da MP n° 1.85810 e reedições (atual MP n° 2.15835); k) assim, como não houve qualquer realização de variação monetária, no citado anocalendário todo e qualquer pagamento que eventualmente tivesse sido efetuado tornarseia excedente, isto é, teria se transformado em crédito para ser utilizado em períodos de apuração subsequentes. 1) As diferenças apuradas para o anocalendário de 1998 decorreram de o Agente Fiscal haver computado em seus cálculos os valores lançados a crédito nas contas de receitas de vendas, ignorando todos os valores lançados a débito nas mesmas contas; m) Ocorreu que, no anocalendário de 1998, alguns valores relativos ao cancelamento de vendas de aparelhos, acessórios e habilitação foram registrados na contabilidade — Livro Razão — a débito das correspondentes contas de receita, ao invés de terem sido registrados nas contas cancelamento de vendas; n) Tal fato pode ser facilmente constatado, ao se examinarem os citados registros no Livro Razão da impugnante, para o mês de dezembro do anocalendário de 1998. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A fim de formular sua convicção para julgar o lançamento em questão, a DRJ solicitou três diligências a serem cumpridas pelo fiscal (sendo a última reiterando a intenção das anteriores), com o seguinte objetivo: a) esclarecesse se a contribuinte agiu na forma prescrita pelo art. 30 da MP 2.15835 (reedição da MP 1.99112); b) em caso afirmativo, informasse se existe algum motivo para que os valores de variação cambial não tenham sido considerados apenas quando da liquidação da correspondente operação; c) e caso não houvesse motivo para isto, solicitei que fosse elaborado um novo demonstrativo de apuração de débito, levandose em conta o prescrito no artigo acima citado; d) Analise as planilhas apresentadas na impugnação de fls. 132/155 e se manifeste sobre elas, verificando se os registros contábeis da contribuinte as amparam; Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 6 Em resposta aos esclarecimentos solicitados pela DRJ, o Auditor Fiscal da Receita Federal afirmou o seguinte: a) Pela análise dos Livros de Apuração do Lucro Real — LALUR de fs 1, 2, 3 e 4, verificase que, no ano de 1999, não houve qualquer ajuste relacionado ao regime de caixa para variação cambial, até porque a legislação não o permitia. Em relação aos demais anos, a contribuinte efetuou sempre adições ao lucro líquido relativas à variação cambial passiva não realizada e exclusões referentes à variação cambial ativa não realizada. Vale observar que, conforme art. 30, da MP n° 2.158 35/2001, a opção pelo regime de caixa deve ser realizada para todos os tributos e contribuições, valendo por todo o ano calendário; b) Não. c) A resposta aos itens c e d fica prejudicada, uma vez que a empresa autuada ajuizou Ação Ordinária questionando a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofms pela Lei n° 9.718/98, que recebeu o n° 2005.34.00.0168245. S. M. J., o sujeito passivo está questionando judicialmente a mesma matéria que está sendo discutida em âmbito administrativo. Conforme disposição expressa no art. 38, parágrafo Único, da Lei n° 6.830/80 e no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3/96, a propositura, pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso interposto. Importa observar que o Supremo Tribunal Federal já se posicionou em casos semelhantes pela inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS imposta pelo art. 3º, § 1°, da Lei n° 9.718/98, conforme acórdãos proferidos nos autos dos RE nos 346084/PR, 357950/RS, 358273/RS e 390840/MG. Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, bem como ao resultado das Diligências solicitadas, a Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro, proferiu o Acórdão de nº. 13 15.032, julgando procedente em parte o lançamento tributário, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/12/1998 a 30/09/2002 NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.060 7 de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e a dispositivo da Lei n° 2.354, de 1954 e DecretoLei n° 2.225, de 10 de janeiro de 1985, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. DEVER DE PROVAR. Compete à Fiscalização o dever de comprovar a ocorrência do fato jurídico tributário, indicando as circunstâncias em que este se verificou, e como determinou a matéria tributável e apurou o montante devido. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Por expressa disposição do Decreto n° 70.235/72, na impugnação do lançamento o contribuinte deve apresentar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE CAIXA. A partir de 01 de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio serão consideradas para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS segundo o regime de caixa ou, à opção do contribuinte, segundo o regime de competência. O regime de apuração da variação cambial (caixa ou competência) deve ser aplicado igualmente ao IRPJ, à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS em todo o Anocalendário. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. CUSTOS. INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. Não podem ser deduzidos os custos de utilização, pela prestadora do serviço, de rede de telecomunicações de terceiros. Dispositivos Legais: Lei n° 9.718/1998, arts. 2° e 3º; AD SRF n° 56/2000. BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÕES DE VENDAS E IPI. Os valores registrados como vendas canceladas, dentre os quais se incluem as devoluções de vendas, bem como o IPI destacado em separado em documento fiscal, podem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 8 Lançamento Procedente em Parte A DRJ/RJOII afastou a alegação de nulidade do lançamento em face de vícios apontados no trâmite do MPF. Em relação ao mérito, a DRJ exonerou parcialmente os lançamentos realizados nos anos de 2000 e 2002 relativamente às receitas de variação cambial reconhecidas pelo contribuinte pelo regime de caixa, conforme planilha de fls. 670 – numeração eletrônica, bem como excluiu da base de cálculo da COFINS os valores registrados como devolução de vendas e IPI nas contas de Habilitação, Acessórios e Aparelho móvel celular, conforme planilha de fls. 675 – numeração eletrônica. DO RECURSO DE OFÍCIO Diante do resultado do julgamento que exonerou o sujeito passivo do pagamento do tributo em valor superior à alçada estipulada no art. 2° da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 375, de 07.12.2001 e de acordo o art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 06.03.1972, com a nova redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10.12.1997, houve recurso de ofício por parte da DRJ/RJOII. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de 1ª instância em 17/08/2007, conforme documento de fls. 679 – numeração eletrônica, e não concordando com os termos em que foi proferida a mencionada decisão, o sujeito passivo apresentou, em 17/09/2007, Recurso Voluntário à este Conselho. O recurso de fls. 720 a 743 – numeração eletrônica dos autos, traz, em resumo, os seguintes argumentos da Recorrente: è Preliminarmente: · A nulidade da autuação em face da não comprovação da inexatidão cometida pelo contribuinte, nos termos do artigo 149 CTN, V c/c o artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, o que, por sua vez, impossibilitou ao contribuinte de promover a sua defesa tendo em vista que não conseguiu identificar os fatos que motivaram o lançamento; è Meritoriamente: · A exclusão de todos os valores decorrentes da apuração de variação monetária pelo regime de competência no período de 2001 a 2002, sendo que acusa o fiscal de ter inserido valores em linha incorreta, pois acresceu à base de cálculo da COFINS montantes a título de variação cambial apurados segundo o regime de competência; · O reconhecimento do direito previsto no artigo 31 da MP nº 2.158 35/2001, a fim de que se lhe autorize ter excluído da base de cálculo da COFINS as receitas provenientes de variação monetária ativa, apuradas pelo regime de competência, diferidas para o momento da liquidação (regime de caixa); Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.061 9 · Que os valores correspondentes aos montantes repassados pela contribuinte às demais operadoras a título de interconexão, pela prestação de serviços que essas operadoras exerceram em suas áreas de concessão, não podem ser configurados como receitas para efeito de tributação da COFINS; · A base de cálculo do PIS e da COFINS deve ser limitada às receitas próprias decorrentes das vendas de mercadorias e de serviços, vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98; · Que na verdade a contribuinte recolheu no período valores superiores ao que efetivamente seria devido, devendo não só ser cancelado o débito como reconhecido o direito de crédito do contribuinte. DA DILIGÊNCIA Às fls.778 – numeração eletrônica, foi expedida intimação nº 2551/2011, em decorrência da Resolução nº 3402000.2008, da 2ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, na qual o relator Júlio César Alves Ramos determinou que o sujeito passivo esclarecesse se possui medida judicial relativa aos créditos tributários objetos do presente processo administrativo. Cientificado da Intimação acima mencionada em 05/10/2011, conforme Termo de Ciência e Recebimento de Intimação de fls. 813 – numeração eletrônica, o contribuinte, em 03/11/2011, acostou aos autos todas as peças processuais da ação ordinária n° 2005.34.00.0168245 na qual o TRF da 1ª Região, manteve a sentença que reconheceu a inconstitucionalidade do “alargamento” da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pela Lei nº 9.718/98. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 06 (seis) Volumes, numerado até a folha 1052 (mil e cinquenta e duas – numeração eletrônica – ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 10 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Versam os autos de Recursos de Ofício e Voluntário, de modo que passo a abordagem separadamente de cada insurgência. I. Recurso de Ofício Considerando que os valores exonerados superaram ao montante de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), conheço do recurso de ofício. Analisando a decisão da DRJ/RJOII, constatase que foram excluídos do lançamento os valores relativos à tributação de receitas provenientes de variação cambial ativa dos anos de 2000 e 2002, por ter o contribuinte adotado o regime de caixa para tais períodos, assim como foram excluídos da base de cálculo da COFINS, os valores relativos a cancelamentos e devoluções de vendas de aparelhos, acessórios e habilitações, e respectivos valores de IPI, pelo que passo a apreciar cada item separadamente. I.a. Reconhecimento da variação cambial pelo regime de caixa: No que diz respeito à exoneração do lançamento sobre as receitas provenientes da variação cambial ativa, reputo inteiramente acertada e coerente a fundamentação lançada pela própria decisão recorrida, razão pela qual peço vênia para transcrever o trecho abaixo: Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual. Em relação às variações cambiais, contudo, essa regra foi alterada com a edição da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999, com os acréscimos da Medida Provisória 1.99114, de 11 de fevereiro de 2000, nos seguintes termos: “Art 30. A partir de 10 de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1° À opção da pessoa jurídica as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2º A opção prevista no parágrafo anterior aplicarseá a todo o anocalendário. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.062 11 § 3º No caso de alteração do critério e reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subsequente, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos das contribuições serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal." (Atual MP 2.15835/2001). A partir de janeiro de 2000, portanto, por determinação legal, a regra foi alterada apenas em relação às variações monetárias em função da taxa de câmbio. A norma supra transcrita preconizou a apropriação das referidas receitas pelo regime de caixa, facultando à pessoa jurídica o direito de optar pelo regime de competência na determinação do imposto de renda (IRPJ), da contribuição social (CSLL), do PIS e da Cofins. De acordo com o art. 30, §§ 1° e 2°, da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, matriz legal do art. 13 do Decreto n.° 4.524/2002 (Regulamento do PIS e da Cofins), essa opção prevalecerá para todos os tributos e contribuições e para todo o ano calendário. Nos termos do § 3° do art. 30 da Medida Provisória n.° 2.158 35/2001, a Secretaria da Receita Federal estabeleceu nas Instruções Normativas n.° 247, de 21 de novembro de 2002, e n.° 345, de 28 de julho de 2003, as normas a serem observadas pelos contribuintes em caso de alteração do critério e reconhecimento das variações monetárias. No presente caso, a impugnante contestou a utilização do regime de competência nos cálculos da fiscalização. Sustentou a defendente que, nos períodos de apuração autuados, nos anos de 2000, 2001 e 2002, contabilizou as variações cambiais pelo regime de caixa para fins de apuração do PIS e da Cofins. Em consulta às declarações de rendimentos entregues pela contribuinte – DIPJ referentes aos anoscalendários 2001, 2002 e 2003 (fls. 306/359), verificase que a opção pelo regime de caixa encontrase evidenciada. Ademais, o cumprimento, ainda que parcial, da diligência comprovou a alegação da impugnante. Portanto, o lançamento referente aos anos de 2000 e 2002 deve ser parcialmente exonerado. Como bem pontuou a decisão reexaminada, a autoridade autuante equivocou se em considerar as variações cambiais ativas pela aplicação do regime de competência, quando, pelo teor do art. 30, da MP nº 1.85810/99, houvera alteração da regra geral para que referidos resultados fossem reconhecidos apenas quando de sua liquidação, ou seja, pelo regime de caixa, sendo essa a opção feita pelo sujeito passivo. A DRJ, portanto, nada mais fez do que aplicar a legislação ao caso em concreto, restabelecendo o direito do sujeito passivo em diferir o momento da incidência da tributação sobre referidas receitas financeiras, não havendo o que retocar quanto a essa conclusão. I.b. Cancelamento de vendas: Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 12 No que tange aos valores referentes à cancelamento e devoluções de vendas de aparelhos, acessórios e habilitação constantes na cópia do Livro Razão apresentada junto à impugnação de fls. 386/391 – numeração eletrônica, tenho que novamente acertou a DRJ/RJO II em excluir da base cálculo da Cofins os valores registrados como devolução de vendas nas contas “Habilitação” (41121611), “Acessórios” (41211) e “Aparelho móvel celular” (41212), assim como o IPI destacado separadamente nas respectivas notas fiscais. E isto porque, segundo preceitua o inciso I, do §2º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, referidos eventos são dedutíveis da base de cálculo da COFINS, possuindo o sujeito passivo o direito a tal exclusão, in verbis: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;” Desta forma, embora num primeiro momento a fiscalização não tenha identificado, por equívocos nos lançamentos do próprio sujeito passivo, que haviam tais exclusões de sua receita bruta, que posteriormente vieram a ser devidamente comprovados com a juntada das cópias do Livro Razão, inclusive mediante realização de diligência, resta acertada a decisão que permite que referida exclusão de receita seja efetivada pelo sujeito passivo, pois que igualmente é um direito emanado da Lei. Com efeito, deve se mantido o cancelamento da exigência no tocante aos cancelamentos e devoluções de vendas e do IPI, conforme os próprios fundamentos da decisão reexaminada. I.c. Conclusão Consequentemente, entendo que andou corretamente a DRJ/RJOII, e, pelos próprios fundamentos por ela ostentados para afastar da base de cálculo do lançamento as referidas receitas, entendo que igualmente deve ser mantida a decisão proferida pela regional. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. II. Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de tempestividade de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Versam os autos de lançamento de ofício relativo à COFINS, fundamentado em supostas diferenças apuradas entre o valor declarado e os valores escriturados pelo contribuinte, relativamente a contribuição exigida, sendo que após decisão da DRJ/RJOII, que Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.063 13 cancelou parcialmente a exigência, insurgese a Recorrente contra a parte mantida da exigência pleiteando seu cancelamento integral por entender, em apertada síntese, que, em preliminar, [01] haveria nulidade na autuação fiscal; e, no mérito, [02] que seria detentora do direito de aplicar o regime de caixa também para os anos calendários de 1999 e 2001, mantidos pela decisão “a quo”; [03] bem como que é detentora de decisão judicial, ratificadora do pacífico entendimento do STF, que sustenta ser inconstitucional o “alargamento” das bases de cálculo da COFINS promovido pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo que deverseia, além de cancelar a exigência [04], reconhecer crédito em seu favor; [05], e, finalmente, que quanto às receitas de “interconexão”, por não se tratarem de receitas suas, não poderiam compor a autuação. Restaram preclusas matérias constantes da impugnação, que, improcedentes após a decisão da DRJ, não foram objeto de irresignação pelo Recurso Voluntário. Apesar de focalizados todos os pontos que restaram controvertidos nos autos, vejo que a apreciação da preliminar suscitada é prejudicial à análise de quaisquer outros aspectos de mérito trazidos no Recurso Voluntário, uma vez que entendo que deva a mesma ser acolhida, como passo a expor. Da leitura do relatório antes transcrito, bem como de uma mais delongada análise dos autos, tornouse possível verificar que apesar de muitos esforços, o lançamento discutido no processo restou, inegavelmente, obscuro no que tange à materialidade dos fatos geradores. Tendo falhado a Autoridade Lançadora na determinação da matéria tributável e na comprovação da ocorrência dos fatos geradores apontados, acabou por comprometer o integral e amplo direito de defesa do contribuinte e ainda, incidiu em desobediência ao preceito pelo qual a atividade de lançamento é vinculada à lei, conforme dispõe o art. 142, do CTN. Vejase: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifouse) Desnecessário trazer a interpretação que se extrai da leitura do dispositivo legal acima, pois a questão é mansa e não demanda controvérsias no ordenamento jurídico: descumpridos os requisitos legais previstos no dispositivo transcrito, nulo é o lançamento, por ofensa a inúmeros direitos e garantias do contribuinte, como os da segurança jurídica, direito ao contraditório e à ampla defesa, bem como aos princípios que abarcam e garantem a solidez do Processo Administrativo Fiscal, sob pena de se comprometer sua exequibilidade. Desta feita, após a infrutífera e inaugural 1ª diligência, ou seja, já na 2ª Diligência determinada no processo, da lavra do Presidente da 4ª Turma da DRJ/RJOII, Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 14 Marcos Soares da Mota e Silva às fls. 632641 (numeração eletrônica) dos autos, restou bem clara a afirmação de que faltaram provas para a efetivação do lançamento sob análise, especificamente quanto a determinação da matéria tributável e da ocorrência do fato gerador, justificando então a realização da 3ª diligência pela imprescindibilidade da Delegacia de Julgamento bem compreender o lançamento, na medida em que sua justificativa estava voltada em “adotar todas as ações possíveis e previstas em lei de forma a trazer a lume o pleno conhecimento do objeto do procedimento.” Data maxima venia, ao meu ver, o arrazoado da referida Autoridade Julgadora sobre as falhas na instrução probatória da pretensão creditória da Autoridade Fiscal no ato de lançamento, já é, de per si, suficiente para denotar a inobservância da Lei, não sendo apenas justificadores da realização de uma diligência, mas sim, da decretação da nulidade do lançamento ventilado. Observo ainda que “trazer a lume o pleno conhecimento do objeto do procedimento” (salientase, apenas após realização de diligência determinada pela Delegacia de Julgamento), é demonstrar que este objeto não foi claramente delimitado no lançamento efetuado e consequentemente que o direito de defesa do contribuinte já em primeira instância foi cerceado, pois a então “Impugnante” teve que apresentar suas razões de defesa sem o pleno conhecimento dos fatos (determinação da matéria tributável) sobre os quais deveria defender se, ofendendo também assim o duplo grau de jurisdição, garantido pela Carta Magna. Neste sentido, e em vários outros aspectos do processo, como a determinação ainda de uma 3ª diligência e da falta de documentos que demonstrassem as bases de cálculo utilizadas pela fiscalização, ainda como, a adoção, pela DRJ, da planilha de cálculo trazida pela própria Recorrente para tentar “encontrar” parte das diferenças que demonstrariam possivelmente/presumivelmente 95% das matérias tributáveis, são a demonstração cabal de que nestes autos não foram observadas todas as formalidades legais, comprometendo, conforme já mencionado acima, o ato administrativo de lançamento, tornandoo nulo, por cerceamento do direito a ampla defesa. Extraise da decisão de piso as conclusões do Ilustre Relator da DRJ: Passo a analisar o mérito e inicio por registrar que no caso em tela, os únicos elementos apresentados nos autos que indicam as bases de cálculo utilizadas no auto de infração são as planilhas de fls. 18/35 e as planilhas intituladas Demonstração de Resultados — ATL de fls. 39/128; tendo sido as primeiras elaboradas pelo fiscal autuante e quanto às últimas não há indicação de que tenham sido elaboradas pela impugnante ou de que tenham a sua anuência. Assim, pelo menos em princípio, não se pode afirmar, com absoluta certeza, que os valores insertos nas planilhas de fls. 18/35 sejam realmente os valores devidos pela impugnante. O simples preenchimento dos citados demonstrativos, sem que tenham sido trazidos aos autos elementos documentais, ou mesmo demonstrativos que, sem qualquer dúvida, tenham sido preenchidos pela própria impugnante, reconhecendo os valores ali constantes, não nos permite atestar a sua veracidade. Por conseguinte, à mingua de instrução primária que desse os contornos materiais que levaram a fiscalização a encontrar os valores lançados, faziase imprescindível a realização da Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.064 15 diligência fiscal no domicílio do contribuinte, até para que se pudesse contrapor os valores trazidos pela impugnante em sua impugnação de fls. 132/155. Por três vezes o processo foi baixado em diligência. Ainda assim, ela foi apenas parcialmente realizada, tendo o fiscal que cumpriu a diligência se manifestado diante dos questionamentos na forma já descrita no relatório, que transcrevo novamente abaixo, juntamente com a pergunta, por uma questão didática: a) esclarecer se a contribuinte agiu na forma prescrita pelo art. 30 da MP 1.99112; Pela análise dos Livros de Apuração do Lucro Real — LALUR de n° I, 2, 3 e 4, verificase que, no ano de 1999, não houve qualquer ajuste relacionado ao regime de caixa para variação cambial, até porque a legislação não o permitia. Em relação aos demais anos, a contribuinte efetuou sempre adições ao lucro líquido relativas à variação cambial passiva não realizada e exclusões referentes à variação cambial ativa não realizada. Vale observar que, conforme art. 30, da MP n° 2.15835/2001, a opção pelo regime de caixa deve ser realizada para todos os tributos e contribuições, valendo por todo o anocalendário; b) em caso afirmativo, informar se existe algum motivo para que os valores de variação cambial não tenham sido considerados apenas quando da liquidação da correspondente operação; Não; c) caso não houvesse motivo para isto, elaborar um novo demonstrativo de apuração de débito, levandose em conta o prescrito no artigo acima citado; d) Analisar as planilhas apresentadas na impugnação de fls. 132/155 e se manifestar sobre elas, verificando se os registros contábeis da contribuinte as amparam; A resposta aos itens c e d fica prejudicada, uma vez que a empresa autuada ajuizou ação ordinária questionando a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei n°9.718/98, que recebeu o n°2005.34.00.0168245. S.MJ., o sujeito passivo está questionando judicialmente a mesma matéria que está sendo discutida em âmbito administrativo. Conforme disposição expressa no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 e no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3/96, a propositura, pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso interposto. Importa observar que o Supremo Tribunal Federal já se posicionou em casos semelhantes pela inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da Cotins imposta pelo art. 30, § 1°, da Lei n° 9.718/98, conforme acórdãos proferidos Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 16 nos autos dos RE n° 346084/PR, 357950/RS, 358273/RS e 390840/MG. Sendo assim, despiciendo que se proceda a análise de toda a documentação trazida aos autos dos processos administrativos em epígrafe. De imediato verificase que com o cumprimento, ainda que parcial, da diligência ficou consignado que: a) a impugnante agiu na forma prescrita pelo art. 30 da MP 1.99112, ou seja, utilizouse do regime de caixa para contabilizar as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações, em função da taxa de câmbio, conforme permitido pela legislação tributária e, b) não existe qualquer motivo para que os valores de variação cambial não tenham sido considerados apenas quando da liquidação da correspondente operação. Quanto à resposta aos itens c e d entendeu o fiscal que esta estaria prejudicada, devido à empresa autuada ter ajuizado ação ordinária questionando a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei n° 9.718/98 (2005.34.00.0168245), de forma que o sujeito passivo estaria questionando judicialmente a mesma matéria que está sendo discutida em âmbito administrativo e, que conforme disposição expressa no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 e no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3/96, a propositura, pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importaria a desistência do recurso interposto. Sobre esta última assertiva cabe registrar, primeiramente, que não foi juntada aos autos qualquer peça da referida ação, sendo sequer informado o seu andamento e em qual vara ela teria sido ajuizada. Por tal motivo fica impossível confirmar se a matéria questionada judicialmente é exatamente a mesma matéria que está sendo discutida em âmbito administrativo. Mas de qualquer forma, levandose em conta a afirmação do fiscal de que a impugnante ajuizou ação ordinária questionando a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei n° 9.718/98, há que se considerar que a questão da opção pelo regime de caixa para contabilizar as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações, em função da taxa de câmbio, não será discutida na esfera judicial. Destarte, a não apreciação deste fato na esfera administrativa acarretaria o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, uma vez que tal questão não seria apreciada nem em âmbito judicial nem em âmbito administrativo, sendo que, segundo afirmação do impugnante, este item corresponde a aproximadamente 90% do valor da autuação. (grifouse) Como se vê, a DRJ já reconheceu que o procedimento de Fiscalização não deixou extreme de dúvidas a integral materialidade dos fatos geradores que foram objeto do lançamento tributário. Porém, ainda assim, acabou por superar esta realidade, pois que estaria demonstrado que o lançamento estaria abrangido na aplicação do regime de caixa para as variações cambiais, em cerca de 90%, sem, no entanto, elucidar qual a origem dos demais 10%. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.065 17 No entanto, diferentemente do entendimento da decisão de piso, tenho que não é porque o contribuinte conseguiu “entender” 90% das diferenças que possivelmente (presunção que partiu do contribuinte, e foi aceita pelo órgão julgador como verdadeiro, em prol do julgamento da causa), estejam materialmente abarcadas no lançamento, que tenha lhe sido dado condições de entender 100% do lançamento, ou que tenha lhe sido oportunizado o AMPLO e INTEGRAL direito de defesa. Era necessário que a autoridade fiscal deveria ter identificado exaustivamente a materialidade dos fatos tributados, na dicção do art. 142, do CTN, já transcrito. Devemos relembrar que estamos diante de um lançamento de ofício, em que o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito do Poder Público ao crédito tributário dele objeto, compete à Administração, É a decorrência da máxima da processualística em geral, pela qual compete ao autor a prova do fato constitutivo de seu direito, enquanto que ao réu, cabe o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor, de modo a lhe desconstituir o direito contra o qual resiste. É o que se colhe do art. 333, II, do CPC. Vejamos: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” O que se constata, no caso em análise, é que a autuação fiscal partiu de indícios da suposta existência de diferenças entre os valores declarados e os pagos, na realidade deixou a Administração de exaurir a prova da materialidade dos fatos geradores mediante atos de investigação ou auditoria fiscal, de modo que acabou por produzir um lançamento calcado em indícios desprovidos de integral demonstração, o que, por se tratar de Auto de Infração, certamente que lhe competiria. Discorrendo sobre o ônus da prova em sede fiscal, PAULO CELSO BERGSTROM BONILHA, em sua obra “Da Prova no Processo Administrativo Tributário” (Ed. LTR, 1992, p. 93), assim explicita: De fato, com a obra de Gian Antonio Micheli, os efeitos processuais da presunção de legitimidade dos atos administrativos foram devidamente equacionados, evidenciando se a imprestabilidade dos argumentos que o invocaram para justificar a exoneração da prova da administração. Eis a lição do grande mestre peninsular: Não pode ser, ao reverso, invocada a presunção de legitimidade inerente ao ato administrativo, de vez que ela não é suficiente para explicar os seus efeitos no âmbito do processo em questão, exatamente porque, nele, o juiz administrativo é posto na condição de formar seu próprio convencimento com a máxima liberdade e, portanto, a precitada presunção não está com força para vincular a formação da decisão judicial, no caso de Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 18 dúvida’. Como bem salientou o saudoso e ilustre professor que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma ‘relevatio ab onere agendi’ e não uma ‘relevatio ab onere probandi’, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas este atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão.” – grifouse. Aplicando tais ensinamentos ao caso concreto, verificase que se a Fiscalização, gozando da prerrogativa de acessar os documentos e registros societários, contábeis e fiscais do contribuinte, cujos indícios de divergência entre os valores declarados e os pagos suscitariam possível ocorrência de falta de recolhimento de tributo, deveria ter instaurado procedimento de efetiva fiscalização, para então se comprovar, com todos os meios em Direito admitidos, a existência dos pressupostos que poderiam conduzir a conclusão da existência de tributo sem recolhimento e, então, aí sim, constituir validamente o crédito tributário em favor do Poder Público. Se assim não agiu, deixando de cumprir o ônus da prova que lhe incumbe, tornou o lançamento tributário improcedente, pois que desprovido de suporte fático, lastreado em elementos que pudessem atestar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou mesmo, a conduta tipo da imposição da penalidade tributária. E não de forma diferente a jurisprudência deste Conselho acompanha este entendimento, merecendo sejam trazidos precedentes em mesmo sentido, a fim de ilustrar que em casos similares o caminho tem sido o de acolher a nulidade do ato de lançamento: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco desconsiderar a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal. Esses requisitos são importantes para a defesa do sujeito passivo da relação obrigacional tributária que lhe foi imputada pelo Fisco, não bastando a simples menção de que a empresa não requereu a sua isenção (imunidade) ao INSS. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.066 19 Recurso Voluntário Provido.” (ACÓRDÃO 2402003.657 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF – 2ª Seção – 4ª Cam./2ª Turma. Data de decisão: 24/09/2013) – grifouse. Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônus dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, o que não aconteceu. LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco desconsiderar a empreitada integral (empreitada total) consignada no contrato de prestação de serviço. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.” (ACÓRDÃO 2301003.561 CARF – 2ª Seção – 3ª Câm./ 1ª Turma. Data de decisão: 13/01/2014) – grifouse. Além disso, mutatis mutandis, pertinente trazer o entendimento que foi consolidado pelo 1º Conselho Federal de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, atualmente consolidados no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos seguintes julgados: “PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 20 A ausência, nos autos, de descrição minuciosa dos fatos e, ainda, de demonstrativos hábeis a esclarecer o critério adotado para apurar o montante de ‘recursos’ e ‘aplicações’, consignados nos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto, além de cercear a garantia constitucional de ampla defesa, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora de segunda instância. DECLARAR a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa.” (1° Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Acórdão º 106 11.750). “VICIO FORMAL – NULIDADE – INEXISTÊNCIA. Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação.” (1º Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Acórdão º 10807.556). Assim sendo, à míngua de prova cabal e integral da materialidade da matéria tributável, entendo que o lançamento acabou por cercear o amplo direito de defesa do contribuinte, e, consequentemente, incidiu em nulidade material insanável, razão pela qual deve ser cancelado e que seja exonerada a exigência fiscal nele veiculada. Por essas razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, especificamente para acolher a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, cancelando o crédito tributário. III. Conclusão: Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento tributário por vício material, nos termos do que acima foi exposto. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 18471.002264/200378 Acórdão n.º 3402002.356 S3C4T2 Fl. 1.067 21 Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 5/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR
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