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Numero do processo: 13851.901917/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.866
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação relativos a crédito de PIS/COFINS não cumulativa. A DRF de origem exarou o despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório e homologando as compensações objeto da Dcomp analisada, até o limite do direito creditório remanescente após o procedimento especial de ressarcimento de que trata a Portaria MF 348/2010. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual manifestou concordância com a fiscalização em relação aos itens: “6.3. Despesas com alugueis de prédios locados”, “6.4.2. Partes e peças importadas utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente aplicados na produção” e “6.6. Receita na venda de sucatas”; e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 91 7/ 20 11 -1 5 Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13851.901917/201115 Resolução nº 3402001.866 S3C4T2 Fl. 3 2 sustentou a legitimidade dos demais créditos, em linhas gerais, sob o conceito de insumo delimitado pelo critério da necessidade/essencialidade dos gastos com bens ou serviços utilizados pela empresa em sua atividade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa abaixo: (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. INSUMOS. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa as despesas com a aquisição de partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que atuem diretamente no processo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa. (...) Cientificada dessa decisão em, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: II 1. Da Legitimidade da Apropriação dos Créditos de COFINS Oriundos dos Serviços Prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Essencialidade dos Serviços na Atividade Produtiva da Recorrente. II. 1.2. Sobre os serviços de condução de veículos industriais prestados pela SERVISYSTEM II. 1.3. Serviços de Administração de Almoxarifado. II. 1.4. Ad Argumentandum Tantum Necessidade de manutenção dos créditos de COFINS ao menos em relação ao fornecimento dos veículos industriais pela Servisystem II.2. Do Direito ao Crédito de PIS Decorrente da Aquisição de Partes. Pecas. Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas Pertencentes à Recorrente Atuação Direta desse Maquinário no Processo de Fabricação ou Produção (Itens 7.4.1 e 7.4.2 do Relatório de Atividade Fiscal) II.2. a. Nulidade do Acórdão Recorrido Falha da Fiscalização Necessidade de Verificação, In loco, da Utilização dos Insumos e das Máquinas no Processo Produtivo da Recorrente Conversão do Julgamento deste Recurso em Diligência II.2.b. Do Direito da Recorrente aos Créditos de COFINS sobre instintos e serviços essenciais à sua linha de produção e aplicados no maquinário que não entram diretamente em contato com o produto final produzido pela Recorrente. II.2.a. Da Efetiva Participação das Máquinas e Insumos no Processo de Produção da Recorrente. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13851.901917/201115 Resolução nº 3402001.866 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 3402 001.855, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.721690/2011 26. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.855): "Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. O conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais se adota desde já o entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13851.901917/201115 Resolução nº 3402001.866 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios da essencialidade e relevância considerados são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13851.901917/201115 Resolução nº 3402001.866 S3C4T2 Fl. 6 5 fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005. A Receita Federal, por sua vez, trouxe outros delineamentos para a interpretação do conceito abstrato de insumo trazido pelo STJ mediante o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, cujo entendimento também vincula a fiscalização em seus atos. Observase, no entanto, que, para verificar o enquadramento do caso concreto ao referido conceito abstrato de insumo, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas pela fiscalização e pela recorrente. II1. Da Apropriação dos Créditos de Cofins relativos aos serviços prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Um dos contratos celebrados em 2010 com a empresa SERVISYSTEM tem o seguinte objeto: “O objeto da presente contratação é a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de administração de almoxarifados e serviços administrativos, no Projeto denominado “deficientes” nas dependências indicadas pela CONTRATANTE. Também faz parte da presente contratação, a utilização de mão de obra por parte da CONTRATANTE, no que ser refere ao setor de Análise e Estatística da Qualidade, cujos serviços dizem respeito a desmontagem de produtos avariados.” (...) Embora haja nos autos alguma descrição do que seria a administração de almoxarifados, falta um melhor detalhamento acerca do serviço relacionado ao "setor de Análise e Estatística da Qualidade", bem como quanto aos demais "serviços administrativos" ou ao Projeto denominado “deficientes”. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13851.901917/201115 Resolução nº 3402001.866 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, é conveniente que se solicite à recorrente um laudo técnico com descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado acima e/ou no entendimento veiculado pelo PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da possibilidade de se manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. De outra parte, para uma maior segurança no julgamento pelo Colegiado seria também de grande utilidade um laudo técnico nesses termos relativamente aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA. II.2. Da Aquisição de Partes, Peças, Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas pertencentes à Recorrente Relativamente a este tópico, as glosas foram efetuadas em relação às aquisições diretamente encaminhadas aos centros de custos que não estavam diretamente relacionados ao processo produtivo conforme entendimento da fiscalização (item 7.4.1 do Relatório Fiscal). Os centros de custos foram assim descritos pela fiscalização: Com relação aos centros de custos de "Engenharia de Produtos" e "Desenvolvimento de Novos produtos", relativos ao desenvolvimento de novos processos de fabricação de compressores, haveria a possibilidade de creditamento caso os itens adquiridos para estes centros (partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços) atendessem aos Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13851.901917/201115 Resolução nº 3402001.866 S3C4T2 Fl. 8 7 requisitos constantes no item 8.1 ("Pesquisa e Desenvolvimento") do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Relativamente aos centros de custos de manutenção, quais sejam, Construção e Reforma de Máquinas; Ferramentaria; Fábrica geral; Funilaria e Manutenção Industrial; há, em tese, a possibilidade de creditamento como insumos somente para os bens e serviços que não devam ser objeto de ativação (creditamento por encargos de depreciação). Essa matéria também foi tratada no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 no item 7.1 ("Manutenção periódica e substituição de partes de ativos imobilizados"). Assim, a recorrente deve ser intimada para que apresente Laudo Técnico acerca da análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção ou de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13851.901917/201115 Resolução nº 3402001.866 S3C4T2 Fl. 9 8 REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900687/2008-70
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO NÃO FORMULADO. DESCABIMENTO.
Não cabe a conversão do Pedido de Compensação em Declaração de Compensação quando o interessado não apresenta provas do encaminhamento do pedido de compensação para a Autoridade Fazendária.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SUMULA 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O reconhecimento do direito creditório depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. A apreciação presente restringiu-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP.(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO NÃO FORMULADO. DESCABIMENTO. Não cabe a conversão do Pedido de Compensação em Declaração de Compensação quando o interessado não apresenta provas do encaminhamento do pedido de compensação para a Autoridade Fazendária. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SUMULA 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. O reconhecimento do direito creditório depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. A apreciação presente restringiu-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP.(assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
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PEDIDO NÃO FORMULADO. DESCABIMENTO. Não cabe a conversão do Pedido de Compensação em Declaração de Compensação quando o interessado não apresenta provas do encaminhamento do pedido de compensação para a Autoridade Fazendária. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SUMULA 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. O reconhecimento do direito creditório depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. A apreciação presente restringiuse a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 06 87 /2 00 8- 70 Fl. 91DF CARF MF 2 que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP.(assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão 1230.447, de 12 de maio de 2010, da 7ª Turma da DRJ/RJ I, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 03952.32690.240904.1.3.021051, em 24/09/2004, efls. 37, utilizandose do crédito relativo a saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, código 2362, calculado sobre a base de cálculo relativo ao período de 01/01/1998 a 31/12/1998 no valor de R$ 9.108,78 para compensação dos débitos ali confessados. O Despacho Decisório Eletrônico, efl. 17, concluiu pelo indeferimento do pedido nos seguintes termos: Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 24/09/2004 Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 9.108,78 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima Identificado, Cientificada da decisão em 04/04/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 30/04/2008. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 92DF CARF MF Processo nº 15374.900687/200870 Acórdão n.º 1003000.564 S1C0T3 Fl. 3 3 • Anocalendário: 1998 Ementa: DECADÊNCIA O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em que alega em síntese: Que o pedido de compensação foi formulado por meio da entrega da DCTF relativa ao 1° trimestre de 1999, visto que na época dos fatos era vigente a IN/RFB n° 21/97, que aprovava a compensação independentemente de requerimento formalizado pelo sujeito passivo; Que a compensação pleiteada foi efetivamente formulada em 1999, anteriormente, portanto a transmissão da Declaração de Compensação nº 03952.32690.240904.1.3.021051, que apenas ratificava o pleito anterior; Que discorda que a data de início da contagem do prazo decadencial de créditos relativos a saldo negativo de IRPJ do exercício 1999, apurado no final do ano seja o dia 31/12/1998, conforme consta na decisão ora recorrida, mas que a restituição do saldo negativo do IRPJ mantido na escritura fiscal, devidamente apurado e escriturado seria 5 (cinco) anos a partir do dia em que o contribuinte ficou impossibilitado de transferir o saldo; Que a interpretação advinda da Lei Complementar n°118/2005 somente pode ser aplicada aos fatos ocorridos após sua entrada em vigor, não se verificando aos fatos anteriores a 9 de junho de 2005; Que no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação a extinção do direito a pleitear o pagamento indevido não seria na data do pagamento indevido, mas após o prazo para homologação do lançamento pela Fazenda Pública (homologação tácita). Assim, o crédito tributário somente se considera extinto com a homologação do lançamento. A partir daí começaria a correr o prazo para decadência, extintivo do direito a restituição do indébito; Que da ocorrência do fato gerador da obrigação até a manifestação da Secretaria da Receita Federal do Brasil já teriam se passados mais de 5 (cinco) anos, quando a Recorrente manifestou seu pedido de compensação, pleiteado na própria DCTF, portanto entende que o direito da Fazenda Pública estaria alcançado pela decadência; No pedido a Recorrente pede que Recurso Voluntário seja julgado inteiramente procedente para o fim de reformarse o Acórdão n° 12.30.447 em referência, afastando a decadência do direito do contribuinte e, consequentemente: a) reconhecer que houve homologação tácita; ou b) homologar compensação pretendida que deu origem ao processo administrativo em epígrafe. Fl. 93DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Cabe analisar preliminarmente a alegação da Recorrente de que a cobrança dos tributos ora em exame estaria decaído, tendo em vista que já teriam passados mais de 5(cinco) anos entre o fato gerador da exação, que ocorreu em 1999, e a cobrança que se efetivou em 2008. Embasa sua argumentação afirmando que solicitou a compensação do seus débitos através de DCTF, citando a IN SRF n° 21/97, uma vez que se tratavam de tributos da mesma espécie, e que, de acordo com art. 14, caput, poderia efetuar a compensação independentemente de solicitação à Administração Pública, ou seja, que estaria desobrigada a formalizar o seu pedido. Continuando, alega que à época não havia a exigência de apresentação de PER/DCOMP, e que a partir da edição da IN SRF n° 210/2002 a compensação passou a ser um das formas de extinção do débito, condicionada a posterior homologação, cujo prazo para verificação pelo Fisco era de 5 (cinco) anos. De fato, a partir de 01/10/2002, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, que revogando a IN SRF Nº 21/97 e alterações, regulamentou o mecanismo da compensação, determinando que a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Determinou também que os "Pedidos de Compensação" pendentes de apreciação fossem equiparados a "Declaração de Compensação", retroagindo a data de seu protocolo. Reproduzo, por relevante, a base legal para essa conclusão Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. [...] § 4º O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação".(grifei) Verifico contudo, que a Recorrente não apresentou comprovação que teria encaminhado formulário de "Pedido de Compensação". E que este pedido estaria pendente de apreciação pela Autoridade Administrativa na data em que a Instrução Normativa SRF nº Fl. 94DF CARF MF Processo nº 15374.900687/200870 Acórdão n.º 1003000.564 S1C0T3 Fl. 4 5 210/2002 entrou em vigor. Portanto não houve conversão do Pedido de Compensação em Declaração de Compensação. A partir de 30/12/2003, ficou estabelecido que a PER/DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. A Recorrente apresentou a PER/DCOMP nº 03952.32690.240904.1.3.02 1051, objeto do presente recurso, em 24/09/2004 e o despacho decisório foi lavrado em 20/03/2008, portanto dentro do prazo que cabia ao Fisco para pronunciarse sobre a compensação pleiteada. Pelo exposto, REJEITO a preliminar alegada de decadência do Fisco analisar a compensação pleiteada. Quanto a decisão contida no despacho decisório eletrônico que entendeu que já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo, bem como no acórdão combatido que decidiu pela decadência do direito da Recorrente pleitear a compensação devem ser revistos, tendo em vista o entendimento adotado pelo CARF, que “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” (Súmula Vinculante CARF nº 91 e Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018). Contudo, o que foi analisado foi a possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09/06/2005, dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo, o que verifico não foi realizado nas instâncias inferiores. Dessa forma, rejeitada a preliminar, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de análise do indébito, determinando o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado , de modo a evitar a supressão de instância e o cerceamento de defesa. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 95DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.010403/2001-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/12/1996, 31/12/1997
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO. SUMULA CARF 03.
Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97.
Numero da decisão: 1301-003.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/12/1996, 31/12/1997 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO. SUMULA CARF 03. Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97.
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VALOR MÍNIMO PARA O CONHECIMENTO NÃO ATINGIDO. SUMULA CARF 03. Em virtude da exoneração de crédito tributário em montante inferior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), cumpre não conhecer o Recurso de Ofício, em atenção às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 04 03 /2 00 1- 12 Fl. 123DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13807.010403/200112 Acórdão n.º 1301003.851 S1C3T1 Fl. 124 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 31/35, que se prestou a exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, assim como os respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%, devido em razão da constatação de vendas de produtos industrializados sem emissão de notas fiscais, apuradas em decorrência de falta de comprovação dos saldos da conta fornecedores ("passivo fictício") em 31/12/1996 e 31/12/1997. O crédito tributário exigido está constituído dos seguintes montantes: Imposto = R$951.080,67 Juros de mora = R$ 770.198,63 Multa proporcional = R$ 713.310,49 Valor total = R$ 2.434.589,79 O lançamento fundouse em diversos dispositivos do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 87.981/82, indicados no campo do enquadramento legal (fl. 35), assim como no art. 40 da Lei n° 9.430/96. O procedimento de fiscalização, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 08132002000009062 (fl. 01), da DRF São Paulo, e as conclusões dele decorrentes, estão relatados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 29/30. O início da ação fiscal ocorreu com a ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 09), em 25/08/2000, que solicitou vários documentos e livros fiscais, relativos ao ano de 1997. O objeto inicial da fiscalização foram as verificações do cumprimento de obrigações tributárias relativas ao IRPJ. Posteriormente, em face das constatações obtidas no trabalho fiscal, o período de verificação foi antecipado para os anos de 1995 e 1996, tendo sido incluídas as verificações dos demais tributos, em razão da tributação reflexa. A fiscalizada foi intimada a comprovar os valores que constavam lançados na conta "fornecedores" em 31/12/1996 e 31/12/1997, respectivamente nos seguintes montantes: R$ 3.434.924,97 e R$ 6.100.394,79. Segundo consta relatado no TVF, em atenção a esta intimação o contribuinte "disponibilizou alguns documentos insuficientes para a comprovação integral da veracidade dos referidos saldos". Comprovou, apenas, o montante de R$ 24.512,53, relativo a fornecedores nacionais, em 31/12/1997. Em decorrência da falta de comprovação dos demais valores, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento de ofício do IRPJ, uma vez configurada "a hipótese legal de OMISSÃO DE RECEITAS, prevista no art. 228 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/94". Referido lançamento foi recepcionado pelo processo administrativo n° 13807.009548/200171. Fl. 125DF CARF MF 4 E, tendo em vista a constatação de que o interessado industrializava, importava e comercializava produtos tributados pelo IPI, o lançamento do tributo decorreu da disposição contida no § 2o do art. 343 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto 87.981/82. Conforme dispôs o § 1o do mesmo comando regulamentar, o imposto foi apurado "com base nas alíquotas e preços mais elevados". Dos produtos comercializados pela fiscalizada a alíquota mais elevada de IPI era de 10%. O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado do lançamento (fl. 34), em 11/09/2001, na pessoa de seu "supervisor de impostos". Não tendo sido constatada a apresentação de impugnação ao lançamento, procedeuse à lavratura de Termo de Revelia (fl.38), e o crédito tributário foi objeto de inscrição em Dívida Ativa da União DAU (fls.39/44). Em razão da cobrança executiva, o contribuinte ingressou com Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em DAU (fl. 58), alegando que havia protocolado sua impugnação, tempestivamente, em 11/10/2001, conforme cópia do protocolo que anexou às fls.63/74. Seguindo orientação da "Procuradoria PFN", efetuou "um processo de envelopamento", com o preenchimento de "um formulário contendo cópia do auto e da defesa protocolada". Requereu, nestes termos, que fosse admitida e provida sua peça reclamatória, "para o efeito de cancelar, por completo, o Auto de Infração de IPI" (fl. 62). À vista deste requerimento, a unidade preparadora propôs o cancelamento da inscrição do crédito tributário em PAU, nos termos do despacho de fl. 79, e o encaminhamento do processo para julgamento. Na referida peça reclamatória, o sujeito passivo trouxe, em síntese, os seguintes protestos: a) que a suposta não comprovação dos saldos da conta "fornecedores" teria autorizado "a presunção legal e omissão de receita, a qual deu origem ao lançamento de ofício de IRPJ, com lançamentos reflexos de CSLL, Cofins, PIS e IPI, ora impugnados"; b) que teve dificuldades de apresentar os documentos à autoridade fiscal, porque se tratavam de documentação antiga e volumosa, mas entende que "cabalmente comprovou o saldo das contas em questão, para ambos os períodos impugnados". E a "eventual desconformidade, apenas formal, dos documentos apresentados com a solicitação feita pela autoridade fiscal, não a escusaria de provar o alegado, sendolhe vedado autuar o contribuinte com base em mera presunção"; c) que traz aos autos toda a documentação comprobatória dos saldos de fornecedores daqueles períodos, acompanhada de planilhas indicadoras de cada um dos elementos das operações de importação que se possa entender precisem ser evidenciados; d) que, com base nos documentos, para o anobase de 1996 temse que o total das importações em moeda norteamericana foi de US$ 3.478.198,96. Sabendo se estarem as mesmas sujeitas à variação cambial, a qual afeta o saldo de fornecedores, é suficiente multiplicar tal valor pela cotação vigente em 31/12/1996 (1,0386), alcançandose o total de R$ 3.612.457,44 (superior, em pequena parcela, aos 3,4 milhões glosados); e) que, fazendose o mesmo para 1997, constatase que além dos US$ 3.478.198,96 do ano anterior, novas importações foram contratadas no montante de Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13807.010403/200112 Acórdão n.º 1301003.851 S1C3T1 Fl. 125 5 US$ 2.354.332,16. Ora, somandose os valores, obtémse US$ 5.832.531,12, que multiplicado pela taxa vigente em 31/12/197 (1,1156), resulta em R$ 6.506.771,72 (valor ligeiramente superior aos 6.075 milhões glosados); f) que todos os dados das importações coincidem com aqueles informados pela impugnante e constantes do livro Razão apresentado no curso da fiscalização. Coincidem, também, com os registros no Diário Geral, cujas cópias estão juntadas; g) que é ônus do Fisco a prova da ocorrência dos elementos configuradores do fato gerador do tributo. Não há que se falar em manutenção no passivo de obrigações já pagas, conforme enquadramento do auto de infração, pois a própria documentação apresentada no curso da ação fiscal demonstrava que substancialmente as obrigações constantes dos saldos de fornecedores em 1996 e 1997 teriam sido pagas em exercícios posteriores. Também não caberia afirmar ter havido manutenção no passivo de obrigações não comprovadas, pois, tendo sido indicados os números das importações que geraram tais obrigações, nome do fornecedor, país de origem, valor em dólares, data do vencimento, etc, conforme admitido pela autoridade fiscalizadora, fica claro não haver subsídios para sustentar a não comprovação; h) que o fato de as planilhas apresentadas não indicarem eventuais outros itens solicitados pela fiscalização não autoriza a presunção. No caso, falta os atributos essenciais para adotar a presunção: não ocorre subsunção dos fatos à hipótese legal de presunção prevista no art. 228 e parágrafo único do RIR/94; os argumentos que fundamentaram a presunção não foram sólidos e consistentes; bem assim não foi estabelecida com precisão a base de cálculo dos tributos lançados; i) que, "pelos mesmos argumentos acima explicitados, os quais ora expressamente se ratifica, descabe a tributação reflexa do IPI. Sendo improcedente a autuação de IRPJ, igual entendimento se aplica no que tange o IPI em lide". j) que, não obstante entender ter demonstrado a insubsistência da medida fiscal, requer a realização de perícias, elabora quesitos e indica perito, Conclui a impugnante requerendo o inexorável cancelamento do auto de infração reflexo do IPI, ante á improcedência do auto de infração de IRPJ. Importa ainda relatar que o julgamento do auto de infração principal, relativo ao IRPJ, procedeuse pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília, nos termos do Acórdão n° 12.752, de 11 de fevereiro de 2005 (fls. 97/102), que decidiu pela total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou o lançamento improcedente. A decisão da DRJ foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/12/1996, 31/12/1997 OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Não comprovada, no processo principal, a ocorrência das situações fáticas que deram ensejo à aplicação da presunção legal de omissão de receitas, é igualmente improcedente o lançamento reflexo. Fl. 127DF CARF MF 6 Lançamento Improcedente Em razão da decisão de primeira instancia ter declarado o lançamento improcedente, houve interposição de recurso de ofício, o qual se passa a analise. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13807.010403/200112 Acórdão n.º 1301003.851 S1C3T1 Fl. 126 7 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso de Ofício Compulsando os autos, verificase que o recurso de ofício foi interposto visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do total crédito tributário originalmente lançado (valor originário de R$ 951.080,67, acrescido da Multa de ofício de R$ 713.310,49, e juros de mora de R$ 770.198,63, resultando no crédito tributário total de R$ R$ 2.434.589,79). Conforme demonstrativo do crédito tributário constante da decisão de primeira instancia que o valor exonerado total foi inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) para fins do limite proposto pela Portaria MF nº 63, de 10/02/2017. Neste caso, aplicase a Sumula CARF 103, vejamos: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Baseado em tais assertivas, entendo que o Recurso de Ofício deve ser NÃO CONHECIDO, nos termos da Portaria MF nº 63/17, com amparo no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900726/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Pedido de Restituição de crédito de contribuição não cumulativa, relativamente a alegado pagamento, transmitido através do PER/Dcomp. O referido pleito foi indeferido por despacho decisório eletrônico, sob o seguinte fundamento: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório no fato de que as receitas auferidas pela contribuinte seriam referentes a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 72 6/ 20 12 -8 1 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.900726/201281 Resolução nº 3402001.961 S3C4T2 Fl. 3 2 serviços prestados para empresa residente no exterior, e, portanto, estariam fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, nos termos do inciso I, §1º do art. 149 da Constituição Federal ou do inciso II do art. 6º da lei nº 10.833/2003. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A nota fiscal juntada não comprova uma transação internacional, já que nas operações comerciais com partes domiciliadas no exterior, o documento comprobatório é a fatura/invoice. Nos contratos de câmbio apresentados, não há qualquer referência a fatura ou nota fiscal. A interessada não retificou a DCTF, e mesmo que o tivesse feito, a mera retificação não poderia ser aceita como prova. A fim de comprovar a efetiva prestação de serviços para o exterior, ela deveria ter apresentado: fatura de prestação de serviços no exterior (commercial invoice), contrato de prestação de serviços firmado entre ele e a empresa, livros fiscais e contábeis que discriminassem as receitas auferidas pelo contribuinte e os pagamentos recebidos. Cientificada dessa decisão, a interessada apresentou recurso voluntário, repisando que o pagamento foi indevido eis que se trataria de efetiva exportação de serviços, sujeita à imunidade/não incidência das contribuições ao PIS e da Cofins. A fim de esclarecer qualquer dúvida acerca da contratação envolvida, a recorrente acostou o contrato de prestação de serviço, bem como todos os extratos bancários dos períodos objeto dos pedidos de restituição. Subsidiariamente, requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para que fossem apresentados os documentos julgados necessários à comprovação da prestação do serviço e pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.939, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900705/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.939): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Não obstante a recorrente não tenha retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, este CARF tem entendido que: "Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.900726/201281 Resolução nº 3402001.961 S3C4T2 Fl. 4 3 por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado" (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou o contrato de prestação de serviço com a empresa estrangeira reclamado na decisão recorrida e comprovantes dos pagamentos correspondentes. Esses documentos, juntamente com outros que constam nos autos, podem representar um indício de que as receitas tributadas seriam decorrentes de "serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas"; e, consequentemente, estariam beneficiadas pela isenção das contribuições de PIS/Cofins, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 ou do art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e do art. 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da documentação acostada. Ademais, a fiscalização pode, caso entenda necessário, proceder ao exame de livros de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes de lançamentos neles efetuados, bem como efetuar intimações à recorrente para apresentação de esclarecimentos e documentos, no intuito de apurar se efetivamente houve erro na DCTF transmitida para o período e o alegado pagamento indevido decorrente da isenção das receitas tributadas. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.900726/201281 Resolução nº 3402001.961 S3C4T2 Fl. 5 4 comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10215.720633/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADE. NULIDADE. INCORRÊNCIA.
O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida.
PAGAMENTO DE PARCELAS DO SIMPLES. ERRO NA APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA SUJEITA AO ARBITRAMENTO.
Em não tendo considerado na receita bruta omitida também os valores já declarados pelo contribuinte, e considerados no pagamento das parcelas devidas ao Simples, se faz premente o seu decote, sob pena de se submeter o contribuinte à dois regimes tributários antagônicos dentro de um mesmo período de apuração.
DECORRÊNCIAS. CSLL - PIS - COFINS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir da autuação os valores recolhidos a título do Simples Federal, vencida a conselheira Maria Lúcia Miceli (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ARBITRAMENTO Recorrente LIRA E LIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADE. NULIDADE. INCORRÊNCIA. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 06 33 /2 00 9- 12 Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 692 2 PAGAMENTO DE PARCELAS DO SIMPLES. ERRO NA APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA SUJEITA AO ARBITRAMENTO. Em não tendo considerado na receita bruta omitida também os valores já declarados pelo contribuinte, e considerados no pagamento das parcelas devidas ao Simples, se faz premente o seu decote, sob pena de se submeter o contribuinte à dois regimes tributários antagônicos dentro de um mesmo período de apuração. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir da autuação os valores recolhidos a título do Simples Federal, vencida a conselheira Maria Lúcia Miceli (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Relatora. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 693 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ fl. 109), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS fl. 120), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS fl. 131) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL fl. 142), por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2005 e 2006. O lançamento decorre de presunção de omissão de receitas caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 149/163), que é parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. O procedimento fiscal abarcou os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, quando então a autuada era optante do SIMPLES Federal. Assim, para o anocalendário de 2004, além do lançamento com apuração dos créditos tributários pela sistemática do SIMPLES, também foi expedido o Ato Declaratório Executivo n° 4, de 23/03/2009, fls. 88, excluindo a autuada do SIMPLES a partir do anocalendário de 2005. O lançamento e o ADE são objeto do processo administrativo n° 10215.720046/200923. Em função da exclusão da sistemática do SIMPLES, para os anoscalendário de 2005 e 2006, objeto do presente processo, o lucro foi arbitrado, tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte era imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas enumerados no Termo de Verificação Fiscal. Enquadramento Legal: artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e artigo 530, inciso II do RIR/99. A 1a Turma da DRJ em Belém/PA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 0126.575, de 26/06/2013 (fls. 512/544), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 694 4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 695 5 aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. O prazo para apresentação da impugnação é de trinta dias contados da ciência do lançamento. A apresentação extemporânea de novos argumentos e/ou provas por parte do sujeito passivo deve estar fundamentada na força maior ou na superveniência de fato ou direito. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Ciente da decisão de primeira instância em 28/10/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 552, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/11/2013 conforme carimbo de recepção à folha 553, com as seguintes alegações: preliminar de nulidade da autuação em razão da perempção do Mandado de Procedimento Fiscal. quanto ao mérito, afirma que a movimentação bancária, não reflete a realidade do faturamento da empresa contribuinte, pelas seguintes razões: a) Os valores monetários apenas passaram pela conta; b) Não havia a exigência de vinculação de movimento bancária para casamento de operações comerciais e ou civis, motivo pelo qual a utilizou para outro fins, inclusive cedendo a conta para terceiros, sendo prática comum na cidade em que está localizada a recorrente. c) Em razão da atividade principal ser compra e venda é que ocorreram o volume maior de circulação financeira na conta bancária pessoa física do contribuinte, sem qualquer relação com rendimentos e ou ganhos de capital pessoa jurídica e física. d) E conforme se corrobora com as respectivas declarações e documentos fiscais e contábeis apresentados pelo Contador da empresa ora Impugnante (LIRA & LIRA LTDA EPP) referente aos anos de 2005 e 2006, os valores tributados mês a mês e progressivamente pelo Auditor, esses valores não foram mantidos nas contas bancárias da autuada, como dito apenas circulou pelas contas, sendo que o artigo 42 da Lei 9.43096 é bem claro em que há a necessidade de manutenção desses valores na conta bancária, o que não ocorreu. e) O faturamento correto e verdadeiro da recorrente é o apresentado pela documentação fiscal entregue. f) a simples circulação das contas correntes da pessoa jurídica jamais refletirá o verdadeiro faturamento da mesma, sendo absurda autuação pela movimentação bancária. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 696 6 g) É comum a auditoria fiscal, autuar as empresas pelo movimento das notas de compras e vendas, que porventura não foram escrituradas, fazendo o arbitramento do imposto e demais contribuições, mas não tributar o inexistente. é flagrante o equívoco na interpretação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, conforme ementa de decisão judicial transcrita. o agente fiscal não pode valerse de presunções, ficções ou indícios para suprir lacunas de auto de infração lavrado com base em extratos e/ou depósitos bancários, por força do principio da segurança jurídica, pois as mencionadas técnicas (presunções e indícios) só pode ocorrer de norma jurídica expressa. depósitos bancários são apenas indícios, mas não são em si mesmo, exigíveis em hipóteses de incidência, para efeito de imposto de renda, posto que o fato gerador deve oferecer consistência suficiente em ordem a afastar a conjectura ou simples presunção. incumbe a Fazenda o ônus de comprovar o fato gerador, o que não está demonstrado nos autos, conforme determina o artigo 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, afrontando o princípio da legalidade. o art. 42 da lei no. 9.430/96 autorizou o lançamento com base em depósitos bancários, desde que haja identificação dos depósitos ou autorização judicial, além da necessidade da manutenção dos valores em investimentos e ou depósitos, e não apenas circulação, e isto não foi demonstrado pela autoridade lançadora, pois valeuse da presunção. na área judicial, consoante a Súmula no 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções, legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre os depósitos/ transferência bancários e o rendimento supostamente omitido. a RMF Requisição de Movimentação Bancária foi encaminhada diretamente ao contribuinte, causando a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. verificase que a autoridade administrativa solicita: extratos de todas as contas bancarias; documento hábil e idôneo que comprove a origem dos recursos depositados na conta corrente do impugnante, enfim, um verdadeiro bombardeio a sua vida privada e intimidade consagrada na Constituição federal, sem autorização judicial, subsidiando o MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL com base na CPMF, sendo mais um motivo para a nulidade do lançamento. aduz que os direitos e garantias individuais não são ilimitados, mormente quando conflitarem entre si, devendose observar o princípio da concordância prática ou da harmonização. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 697 7 o interesse público não pode ser confundido com o interesse da Fazenda Pública, a ponto de violar a garantia à liberdade, intimidade e à vida privada, assim como violar a garantia ao sigilo de dados, todos previstos na Constituição Federal, artigo 5º. o direito individual ao sigilo de dados reservados de vida financeira e bancária das pessoas nem sempre pode se opor ao interesse público, mas sua quebra só pode advir de determinação judicial. a obtenção direta de informações bancárias viola artigo 145, § 1º da CF/88, já que o citado dispositivo autoriza o agente fiscal a tomar conhecimento de dados sigilosos, mas devem ser respeitados os direitos individuais e nos termos da lei. alega que os efeitos da exclusão do SIMPLES somente poderiam ser a partir de março de 2009, quando da ciência do ADE, por ser direito adquirido e garantia constitucional assegurado, mantendose, portanto, na sistemática nos anos de 2005 e 2006. as leis tributárias devem sempre dispor para o futuro, não podendo alterar e sobrepor a lei maior, portanto, os fatos estão seguros e garantidos; devese aplicar o fundamento constitucional e penal da irretroatividade da lei, mantendo a recorrente no Simples Nacional. a recorrente recolheu e apresentou a declaração pelo SIMPLES nos anos, expressando sua vontade de permanecer na sistemática, não cabendo exclusão retroativa nos termos do Parecer COSIT nº 60 e Ato Declaratório SRF nº 16, de 02/10/2002. a multa de ofício é ilegal, com efeito de confisco, vedado pela CF/88. é necessário que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores da receita bruta informada na declaração do SIMPLES, sob pena de ocorrer bi tributação. alega, ainda, que o auditor fiscal deve promover o aproveitamento das custas na aquisição de mercadorias para depois promover o arbitramento do IRPJ, porque as operações não incidem sobre as operações de combustíveis, devendo ser decretada a nulidade do auto de infração. não concorda com a alegação da decisão recorrida quanto à matéria não impugnada com relação ao arbitramento. alega que toda a tese da impugnação trata do arbitramento do lucro, feito exclusivamente com base na "movimentação bancária" sem qualquer comprovação de renda ou faturamento, desconsiderando os pagamentos, mas apenas arbitrando pela soma anual da movimentação bancária. a recorrente apresentou robusta prova documental, razões fáticas e jurídicas, teses e jurisprudência, bem como diversos documentos, que não foram apreciados pela DRJ de Belém. a escrituração fiscal e recolhimentos foram efetuados regularmente e apresentados na defesa/impugnação. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 698 8 ante as robustas provas documentais carreadas aos autos do Processo Administrativo 10215.720.001/200878, comprovando a regular escritura fiscal e recolhimento dos encargos tributários e que foram todos processados pelo regime de "lucro presumido". o não acolhimento da impugnação e ou não acolhimento do presente recurso voluntário para chamar o processo a ordem e analisar as robustas provas produzidas e carreadas aos autos pela contribuinte Recorrente, este egrégio CARF, estará ferindo frontalmente os Princípios e Garantias Constitucionais Pátrias Na sessão do dia 23 de setembro de 2014, este colegiado converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1302000.336, da lavra do i. Conselheiro Waldir Veiga Rocha, do qual extraio os seguintes trechos: É que o presente processo cuida da constituição de créditos tributários por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2005 e 2006. A exigência se fez com base nas normas aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo sistema simplificado de pagamentos (SIMPLES), instituído pela Lei n° 9.317/1996. No entanto, até o anocalendário 2004, o contribuinte era tributado pelo sistema simplificado. Durante a fiscalização, foram apuradas omissões de receitas também no ano de 2004, pelo que foram lavrados autos de infração para constituição dos créditos tributários correspondentes. Ainda, diante da constatação de que as receitas omitidas, somadas às declaradas, excediam o limite para permanência no SIMPLES, foi publicado o Ato Declaratório Executivo n° 4, de 23/03/2009 (fl. 88), mediante o qual o contribuinte foi excluído do SIMPLES a partir de 01/01/2005. Tanto os lançamentos referentes ao ano calendário 2004 quanto o ADE são objeto do processo administrativo n° 10215.720046/200923. (...) A exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2005 é matéria prejudicial à decisão que se há de tomar neste processo, acerca do exigências de tributos nos anos subsequentes. Um segundo motivo que impede o julgamento, neste momento, é a alegação da recorrente de que teria efetuado pagamentos na sistemática do SIMPLES, nos meses dos anoscalendário 2005 e 2006. Existem indícios nesse sentido, a saber, a existência da declaração de valores a pagar nas DSPJ (fls. 236/247 e 254/265), mas não encontro nos autos evidência segura de que os valores tenham sido efetivamente recolhidos. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, que deverá adotar as seguintes providências: 1 Consultar os sistemas de processamento de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e elaborar relação dos valores efetivamente pagos pelo contribuinte, referentes ao SIMPLES, das competências dos meses dos anoscalendário Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 699 9 2005 e 2006, caso existentes tais pagamentos. Fazer acostar aos autos documentos comprobatórios. 2 Aguardar a decisão definitiva na instância administrativa do processo n° 10215.720046/200923. Após o trânsito em julgado administrativo, fazer acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva do processo n° 10215.720046/200923. A autoridade fiscal responsável pela diligência elaborou Relatório de fls. 682/684, do qual a recorrente teve ciência em 03/07/2018 (AR fls. 687), mas não apresentou manifestação. Tendo em vista que o relator da citada resolução não se encontra mais neste colegiado, o processo foi distribuído para minha relatoria, nos termos do artigo 49, § 5º do RICARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Lúcia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. No entanto, quanto às matérias trazidas na peça, é necessário verificar a alegação de que teria contestado o arbitramento do lucro na impugnação, fato negado pela decisão recorrida, conforme voto condutor abaixo transcrito: 3.5 – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – ARBITRAMENTO DO LUCRO A Impugnante não teceu argumentos de defesa em relação ao ARBITRAMENTO DO LUCRO, logo, consideraremos matéria não Impugnada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o lucro foi arbitrado nos seguintes termos: 26. Em regra, as pessoas jurídicas deverão sujeitarse à tributação pelo lucro real, ou, quando seja permitido, opcionalmente, pelo lucro presumido, ou ainda, excepcionalmente, poderá nas hipóteses previstas na lei fiscal, ser adotado o arbitramento dos seus resultados. Inexiste, no caso do sujeito passivo, a possibilidade de lançamento de ofício com base no lucro presumido, pois essa forma de tributação é opção do contribuinte, conforme art. 26, § I o , da Lei n° 9.430, de 1996, e ele não a exerceu. A fl. 100, vêse que inexiste pagamento de imposto de renda, no código de receita do lucro presumido, relativo a 2005 ou 2006. Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 700 10 § I o A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. 27. Também impossível a apuração do lucro real, vez que a escrita contábil está em desacordo com a legislação comercial e fiscal. Os Livros Diário, às fls. 38/140 do Anexo I, e os Livros Razão não estão encadernados, permitindo a fácil substituição das folhas. Não estão acompanhados de documentação hábil que comprove os fatos nela escriturados. Não foram submetidos à autenticação na Junta Comercial do Pará. E não apresentam a transcrição do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do período de apuração. São as exigências dos artigos 258, 274 e 923 do RIR/99. 28. Além de não manter a escrita de acordo com as leis comerciais e fiscais, nem elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, o sujeito passivo deixou de registrar sua movimentação financeira e bancária. Fato grave que, segundo o art. 530, incisos I e II, do RIR/99, implica o arbitramento dos lucros da empresa. Em sua impugnação, a autuada traz várias questões de mérito, mas em nenhum momento contesta a forma de apuração dos créditos tributados com o arbitramento do lucro. Não há uma linha sequer na defesa acerca da regularidade da escrita contábil e fiscal que permitisse que o lançamento fosse feito com tributação pelo lucro real. No Termo de Verificação Fiscal, o auditor teceu vários motivos para desqualificar a escrituração, mais especificamente quanto: (i) a falta de encadernação dos Livros Diários, e ausência de registro na Junta Comercial do Pará;(ii) ausência de transcrição do balanço patrimonial e da demonstração dos resultados do período de apuração, (iii) falta de registro na contabilidade de sua movimentação financeira e bancária. Estes fatos levam ao arbitramento do lucro obrigatório nos termos do artigo 530, incisos I e II do RIR/99, verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (...) Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 701 11 Apenas nos PEDIDOS da impugnação que a impugnante requer que Seja declarada a regularidade da escrituração mantida pelo Contribuinte, referente aos anos de 2005 e 2006, nos termos do artigo 923 do RIR/99. Este pedido é genérico, sem qualquer outro elemento trazido na defesa que permita inferir que o arbitramento, cujo fundamento legal é o artigo 530 do RIR/99, deveria ser afastado. Nestes termos, conheço parcialmente do recurso voluntário, por concordar com a decisão recorrida quanto à preclusão para a contestação do arbitramento do lucro. Da preliminar de nulidade da perempção do Mandado de Procedimento Fiscal e erro na base de cálculo A recorrente alega que o MPF 0210200/2008/002397 estaria precluso, extinto por decurso de prazo, via de conseqüência, sem eficácia, nulo ab initio. Não assiste razão à recorrente, pois é entendimento pacificado no CARF que o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando em nulidade prevista no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, conforme ementas de Acórdãos a seguir: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INSTRUMENTAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de planejamento, não contaminando a ação fiscal se emitido com eventuais falhas.(Acórdão nº 1201002.761, de 19/03/2019) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. EVENTUAL IRREGULARIDADE NÃO ANULA O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, portanto eventual irregularidade em sua emissão ou prorrogação não constitui motivo suficiente a anular o lançamento.(Acórdão nº 9202007.528, de 29/01/2019) O que vale verificar é se o procedimento fiscal observou os ditames do citado dispositivo, além do artigo 142 do CTN. No presente caso, compulsando os autos, verificase que todos os requisitos estão atendidos, pois houve a verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível. A recorrente ainda alega que houve erro na base de cálculo, pois não foram excluídas as receitas já declaradas, e o auditor fiscal deveria ter aproveitado os custos na aquisição de mercadoria. Estas são questões afetas ao mérito, que serão analisadas posteriormente. Por todo acima exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 702 12 MÉRITO Da exclusão do Simples Federal. Como relatado, o presente processo cuida do lançamento de crédito tributários dos anoscalendário de 2005 e 2006, com apuração pelo lucro arbitrado, e decorre da exclusão da recorrente da sistemática do SIMPLES Federal, por meio do ADE nº 4, de 23/03/2009. A exclusão foi contestada, com a instauração do contencioso administrativo, sendo tratada no processo administrativo nº 10215.720046/200923. Por ser uma prejudicial ao presente lançamento, necessário se faz saber qual o resultado do julgamento, sendo esta questão objeto da Resolução nº 1302000.336. Noticia a autoridade responsável pela diligência que anexou aos autos o Acórdão nº 1302002.744, deste colegiado, da lavra do i. Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, de 12 de abril de 2018, relativo ao julgamento do processo nº 10215.720.046/200923, com a seguinte ementa relativa ao mérito da exclusão do SIMPLES: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Correto o ato de exclusão do Simples com base em excesso de receita apurado em lançamento julgado na primeira instância. Verificase que restou definitivamente julgado, na esfera administrativa, a lide quanto à exclusão do SIMPLES, com efeitos a partir do anocalendário de 2005, sendo negado provimento ao recurso voluntário. Nestes termos, a exclusão do SIMPLES é irreversível, sendo que não cabe neste processo analisar as questões acerca desta matéria. Do sigilo bancário A defesa alega que houve a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, ocorrendo violação a diversos princípios constitucionais, e também do artigo 145, § 1º da CF/88. Esta questão já se encontra pacificada no CARF, no sentido de que a autoridade fiscal tem acesso aos dados bancários sem autorização judicial, conforme ementas a seguir: SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco. (Acórdão nº 1301 003.477, de 20/11/2018) SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 703 13 nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. (Acórdão nº 1401002.958, de 17/10/20018) E, por tratar bem da questão aqui colocada, transcrevo o voto do i. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, no Acórdão nº 1302002.808, da sessão de 17 de maio de 2018, cujas razões e fundamentos passo a adotar: O acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal: Art. 145... § 1° Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. E o CTN, com status de lei complementar, assim já previa, in verbis: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A LC n° 105, de 10 de janeiro de 2001, veio regular, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras, assim determinando: Art.1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 704 14 (...) Art.5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Na sequência foram editados a Lei n° 10.174, de 2001 e o Decreto n° 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Imprópria, assim, a tentativa de vincular esta atividade tãosó ao Poder Judiciário, sob o argumento de que somente este atua com a razoabilidade necessária à garantia do direito fundamental à intimidade ou à inviolabilidade de dados. Os atos legais e regularmente mencionados disciplinaram as hipóteses específicas nas quais o acesso é permitido e, ao circunscreverse a este âmbito, a prova obtida é plenamente válida. Cabe observar que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 705 15 determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5o, § 5o, e art. 6o, parágrafo único, ambos da LC n° 105, de 2001. Ademais, as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. A constitucionalidade da requisição de movimentação financeira pelo Fisco, diretamente às instituições financeiras, sem intervenção judicial, prevista na LC. 105/2001, foi objeto de questionamentos perante o STF tanto em recursos extraordinários, quanto por meio de Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADI. Em julgamento conjunto de cinco processos (RE 601.314 E ADI's 2390, 2386, 2397 e 2859) pelo pleno do STF, finalizado em 24/02/2016, prevaleceu o entendimento, por maioria de 9 votos a 2, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. (...) Nestes termos, com o julgamento definitivo do RE 601.314 pelo STF, com repercussão geral reconhecida, foi fixado o entendimento acerca da constitucionalidade da LC nº 105/2001, sendo de observação obrigatória pelo CARF, no termos do § 2º do artigo 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Portanto, não há reparo no procedimento da fiscalização, sendo correto lançamento que tem como base os extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras. Do lançamento dos créditos tributários nos anoscalendário de 2005e 2006 Em apertada síntese, a recorrente alega que a movimentação bancária não reflete o faturamento da empresa, sendo flagrante o equívoco na interpretação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, já que o fiscal não pode se valer de presunção, uma vez que os depósitos são apenas indícios, mas cabendo à Fazenda o ônus de comprovar o fato gerador. Cita ainda a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR, que ratifica o entendimento de ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base em apenas extratos bancários. Não merece prosperar as alegações. O presente lançamento teve como fundamento legal o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata de presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Cabe esclarecer que a presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 706 16 Assim define Alfredo Augusto Becker: "A observação do acontecer dos fatos segundo a ordem natural das coisas, permite que se estabeleça uma correlação natural entre a existência do fato conhecido e a probabilidade de existência do fato desconhecido. A correlação natural entre a existência de dois fatos é substituída pela correlação lógica. Basta o conhecimento da existência de um daqueles fatos para deduzirse a existência do outro fato cuja existência efetiva se desconhece, porém temse como provável em virtude daquela correlação natural." Logo, aplicando no campo tributário, para que um lançamento tenha como base uma presunção legal de omissão de receita, é imprescindível que o fato autorizativo daquela conclusão seja comprovado. Isto significa dizer que a omissão de receita não é comprovada diretamente, mas através da comprovação de um evento, previsto em lei, que funciona como prova indireta, já que há uma correlação lógica. Com relação à presunção prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, vale transcrever o item 22 da Exposição de Motivos Interministerial nº 484, de 24 de outubro de 1996, dirigida ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República, que tratou da proposta de Projeto de lei que resultou na Lei nº 9.430, de 1996, de alteração da legislação tributária federal: O art. 42 objetiva o estabelecimento de critério juridicamente adequado e tecnicamente justo para apurar, mediante a análise de movimentação financeira de um contribuinte, pessoa física ou jurídica, valores que se caracterizem como rendimentos ou receitas omitidas. Há que se observar que a proposta não diz respeito ao acesso às informações protegidas pelo sigilo bancário, as quais continuarão sendo obtidas de acordo com a legislação e jurisprudência atuais. O que se procura é, a partir da obtenção legítima das informações, caracterizarse e quantificarse o ilícito fiscal, sem nenhum arbítrio, mas de forma justa e correta, haja vista que a metodologia proposta permite a mais ampla defesa por parte do contribuinte. Também importa ressaltar que análise da movimentação deverá ser individualizada por operação, onde o contribuinte terá a oportunidade de caso a caso, identificar a natureza e a origem dos respectivos valores. Dessa forma, temse a certeza de que as parcelas não comprovadas, ressalvadas transferências entre contas de mesma titularidade ou movimentações de pequeno valor (art. 42, § 3º), sejam, efetivamente, fruto da evasão tributária.(grifei) Assim, no caso da presunção prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o fato autorizativo seria a constatação de depósitos bancários cuja origem não tenha sido comprovada. O procedimento adotado pela fiscalização deve, obrigatoriamente, analisar os valores creditados de forma individualizada, conforme determina o dispositivo legal, sob pena de cercear o direito de defesa da autuada. Cabe ainda esclarecer que se trata de presunção relativa, cabendo a prova em contrário. De fato, nem sempre um depósito bancário significa a ocorrência do fato gerador, ou seja, uma receita. Assim, há a possibilidade de reverter a presunção, bastando comprovar que o recurso depositado não decorre de receita, ou que seria uma receita já tributada. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 707 17 No entanto, as presunções legais provocam a chamada “inversão do ônus da prova”. É ônus do contribuinte comprovar que o depósito bancário não é receita, ou que seria receita já tributada. Não é o ônus do Fisco. Para a autoridade fiscal, basta comprovar o fato: depósitos bancários cuja origem não está esclarecida. Portanto, por força do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não há qualquer ilegalidade no lançamento baseada em valores depositados. Do exposto, no presente caso, compulsando os autos, verifico que a recorrente não trouxe qualquer elemento de prova capaz de infirmar o lançamento. A impugnação foi apresentada desacompanhada de documentos, assim como recurso voluntário. Logo, não há qualquer repara a ser feito na apuração da base de cálculo. Ademais, também é importante ressaltar que a presunção de omissão de receita com origem em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada é aplicada apenas para os fatos geradores a partir de 01/01/1997. Para os períodos anteriores, não havia a previsão legal de presunção. Logo, cabia ao Fisco a verificação de que o depósito bancário, cuja origem não tivesse sido comprovada, seria uma receita mantida à margem da escrituração. E é esse o entendimento emanado na Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, editada em 01/10/1985, cuja aplicação se dá em fato geradores anteriores ao anocalendário de 1997, o que não é o caso concreto. A recorrente requer que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores da receita bruta informada na declaração do SIMPLES, sob pena de ocorrer bi tributação. Não assiste razão à recorrente. Como já explanado no voto anteriormente, para infirmar este lançamento caberia à autuada comprovar que os valores depositados, cujas origens não foram comprovadas, não seriam receitas, ou se assim o fosse, seriam receitas já tributadas. Destaco que durante a ação fiscal foi constatado que a autuada não registrava na contabilidade a sua movimentação financeira. Para que a conciliação fosse possível, a então fiscalizada foi intimada, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 3/2009 (fls. 35), com ciência em 14/01/2009, a identificar os lançamentos efetuados nos Livros Caixa 2004, 2005 e 2006 relativos aos depósitos bancários: Foram solicitadas várias prorrogações de prazo, com reintimação por mais 3 (três) vezes. Na quarta reintimação Termo de Intimação Fiscal nº 112/2009, fls. 93, com ciência em 24/04/2009, o auditor fiscal esclareceu que, na ausência de esclarecimentos, todos os valores depositados seriam considerados receitas omitidas: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 708 18 Como não houve este esclarecimento, até que se prove o contrário, os valores depositados cuja origem não foi comprovada presumemse como receita omitida, não havendo motivos para que as receitas já declaradas sejam excluídas da base de cálculo do lançamento. E, com relação aos pagamentos, o mesmo raciocínio se aplica. Neste ponto, peço vênia para discordar do relator original deste processo, que solicitou em diligência para que fossem identificados os pagamentos. Ocorre que, no entendimento desta conselheira, estes pagamentos estão vinculados às receitas declaradas, não sendo cabível a redução dos créditos tributários lançados, sob pena de duplo aproveitamento dos mesmos valores pagos. A recorrente ainda aduz que a autoridade fiscal deveria excluir os custos da aquisição de mercadorias, para depois, de deduzidos esses valores, promover o arbitramento do IRPJ. Também não é possível acatar esta alegação, pois a sistemática do arbitramento do lucro não considera as despesas e custos, já que estes valores são presumidos ao aplicar a alíquota sobre a receita bruta. No caso dos autos, como foi aplicada a alíquota de 9,60%, foi presumido que as despesas e custos representariam 90,40% do faturamento. Da vedação pela CF/88 da aplicação da multa de ofício efeito de confisco A defesa contesta a aplicação da multa de ofício de 75% por ser vedada pela Constituição Federal de 1988, pois representa verdadeiro confisco, sendo ilegal portanto. Quanto a estas alegações, é de se citar a Súmula CARF nº 2, no sentido de que este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 é claro ao determinar a cobrança da multa de ofício no percentual de 75% no caso de lançamento. Esta lei, até o presente momento, não foi considerada ilegal, devendo todos observar o seu cumprimento. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 709 19 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Redator Designado Com a devida vênia das sempre ponderadas e razões considerações da D. Relatora mas ouso dela discordar, no que foi acompanhado pela maioria de meus pares, apenas das conclusões afeitas ao tópico "Da bitributação e aproveitamento dos custos" e, mesmo quanto a este ponto, apenas para considerar devida a exclusão, do crédito apurado, dos valores já declarados pelo contribuinte ao fisco federal. E as razões de minha discordância, aqui, cingem à constatação de um erro de fato no cálculo da receita bruta considerada, já que a fiscalização deixou de somar à receita omitida aquela informada nas DAS; neste passo, considerou como receita tributada apenas os valores apontados nos extratos bancários e, assim, permitiu uma excrescência: num mesmo período de apuração a empresa estaria submetida a dois regimes de tributação, inclusive incompatíveis. Neste caso, é fato que, se a receita bruta total considerada referese tão só aos depósitos bancários, ignorandose a receita declarada pelo contribuinte, há que se assumir três possíveis conclusões: a) a D. Fiscalização partiu da premissa de que as receitas declaradas estariam compreendidas pelos valores identificados nos extratos bancários; ou b) a D. Auditoria considerou a totalidade das receitas tributáveis apenas a partir dos extratos, considerando, não tributáveis, aquelas declaradas pelo contribuinte; ou, ainda c) a D. Fiscalização errou, pura e simples, ao efetuar o cálculo da receita bruta. Em quaisquer das hipóteses acima, a conclusão é a mesma: os valores pagos pelo contribuinte tem que ser considerados como incluídos na receita tributável e, por conseguinte, tem que ser deduzidos do montante do crédito apurado. Se a empresa efetuou o recolhimento das valores concernentes ao SIMPLES, faz, sim, jus ao decote destes valores do crédito apurado, mesmo que, neste caso, vislumbrese um possível benefício injusto ao contribuinte, decorrente de erro da fiscalização. A luz do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, tão só para deduzir da autuação os valores recolhidos a título do Simples Federal. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10215.720633/200912 Acórdão n.º 1302003.487 S1C3T2 Fl. 710 20 Fl. 710DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.904239/2009-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. IRPJ. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA.
As receitas decorrentes das atividades de construção civil, especificamente, a instalação e montagem de paredes e forro em gesso acartonado, estão sujeitas à aplicação do percentual de 8% (oito por cento) na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. As receitas decorrentes da construção por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, como no caso apreciado, estão sujeitas à aplicação do percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ com base no lucro presumido.
VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, no processo administrativo, é possível a apresentação de documentos que esclareçam os fatos após o manejo da impugnação, flexibilizando os efeitos da preclusão previstos no parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1003-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. IRPJ. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. As receitas decorrentes das atividades de construção civil, especificamente, a instalação e montagem de paredes e forro em gesso acartonado, estão sujeitas à aplicação do percentual de 8% (oito por cento) na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. As receitas decorrentes da construção por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, como no caso apreciado, estão sujeitas à aplicação do percentual de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ com base no lucro presumido. VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, no processo administrativo, é possível a apresentação de documentos que esclareçam os fatos após o manejo da impugnação, flexibilizando os efeitos da preclusão previstos no parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 42 39 /2 00 9- 17 Fl. 191DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de 0352.524, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever, com a devida complementação adiante: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 6/8, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 13977.46306.270706.1.3.044704, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento, relativo ao anocalendário de 2003, pelo percentual de 32%, da receita bruta a ser considerada na determinação da base de cálculo do IRPJ, quando o correto seria aplicar o percentual de 8%. Alega que à época informou na DIPJ e na DCTF do período os valores recolhidos indevidamente. Ciente do equivoco providenciou as devidas retificações das declarações a fim de regularizar tal situação. A fim de provar sua condição de beneficiária da aplicação do percentual de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ no regime de lucro presumido, junta cópia das DIPJ e DCTF retificadoras. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a homologação da compensação solicitada. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11060.904239/200917 Acórdão n.º 1003000.628 S1C0T3 Fl. 3 3 Em 29 de maio de 2013, a 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e prolatou o Acórdão nº 0352.524, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário requerendo a reforma da decisão e, alegou, em síntese, que: É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Fl. 193DF CARF MF 4 PRELIMINARMENTE Em suas razões recursais, a Recorrente, traz a alegação de preliminar que se confunde com o mérito da questão, por referirse à juntada de novos documentos necessários para elucidar qual o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda, no caso de contribuinte que desenvolve atividades na área da construção civil com o concomitante fornecimento de materiais. Entendo, que não se trata de matéria preliminar, mas sim, do próprio mérito, o qual passase à análise. NO MÉRITO Como já relatado, não houve a homologação da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 13977.46306.270706.1.3.044704, por intermédio da qual a Recorrente pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. De acordo com o constante nos autos, o crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente, tendo optado pela apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido, haver cometido erro ao efetuar o recolhimento, relativo ao anocalendário de 2003, pelo percentual de 32%, da receita bruta a ser considerada na determinação da base de cálculo do IRPJ, quando o correto seria aplicar o percentual de 8%. Isso, sob a alegação de a receita auferida pela Recorrente se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, conforme disposições do art. 15 da Lei nº 9.249/951. 1 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). e) prestação de serviços de construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura vinculados a contrato de concessão de serviço público. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11060.904239/200917 Acórdão n.º 1003000.628 S1C0T3 Fl. 4 5 O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997 esclarecendo que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção em se tratando de empreitada unicamente de mãodeobra. De fato, a partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil a contratação por empreitada pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 15 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 14 da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998). O entendimento constante no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, sobre o quantitativo de material condicionante a utilização do coeficiente presumido mais benéfico vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como: "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". Assim, somente as receitas decorrentes da construção por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 8% (oito por cento) para fins de cálculo do IRPJ. As receitas oriundas de construção por empreitada com fornecimento parcial de materiais ou unicamente de mãodeobra, estarão sujeitas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento). E como no caso sob exame, tratase do anocalendário de 2003, aplicase, portanto, a norma que exige o fornecimento da quantidade total do material utilizado na empreitada, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo do IRPJ. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pela Recorrente são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem os serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Quando da interposição da manifestação de inconformidade, a fim de provar sua condição de beneficiária da aplicação do percentual de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ no regime de lucro presumido, juntou cópia das DIPJ e DCTF retificadoras. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 195DF CARF MF 6 A DRJ entendeu que a documentação juntada à impugnação, embora relevante, mostrase insuficiente à adequada instrução probatória dos autos, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. Por outro lado, ciente da necessidade de comprovação em questão, no momento da apresentação do recurso voluntário, a Recorrente juntou aos autos a relação de notas fiscais emitidas e as correspondentes notas fiscais, referente ao 1º trimestre de 2003 (período em foi gerado o crédito). Tais notas fiscais, de acordo com a Recorrente, comprovam que as atividades por ela desenvolvidas na área de construção civil (especificamente, com a instalação e montagem de paredes e forro em gesso acartonado, fornecendo sempre em conjunto os materiais necessários para a prestação do serviço em questão), cumprem os requisitos, especificados na legislação de regência, como necessários para aplicação do percentual de 8% (oito por cento) para apuração da base de cálculo do IRPJ. A Recorrente anexou, ainda, aos autos o demonstrativo da base de cálculo do IRPJ do 1º trimestre de 2003, onde demonstrou o valor do crédito e o contrato social. Pois bem, feita a análise da documentação acostada aos autos, na opinião deste julgador, as notas fiscais e os documentos contábeis juntados pela Recorrente são elementos suficientes a demonstrar, de forma inequívoca, se tratar de serviços prestados com fornecimento de material, para a satisfatória comprovação de que as referidas receitas estão sujeitas à aplicação do percentual de 8% para a determinação do Lucro Presumido do período em discussão. De fato, com a apreciação das referidas notas fiscais, verificouse, em quase sua totalidade, que do valor cobrado, estão segregados as parcelas referentes à mão de obra (instalação e montagem de paredes e forro em gesso acartonado) e atinente aos materiais utilizados na obra e nela incorporados. Ora, claro está que a atividade desenvolvida pela Recorrente,ou seja, sua prestação de serviço se enquadra ao conceito estabelecido pela legislação para usufruir do benefício da redução do percentual da alíquota, vez que ela mesma fornece e aplica todos os materiais indispensáveis à execução do objeto que foi contratado e os mesmos são incorporados à obra através de serviço prestado pela própria Recorrente. Por outro lado, entendo que a documentação juntada aos autos em sede de Recurso Voluntário, quando imprescindível para solução da lide e à formação da livre convicção do julgador, pode e deve ser apreciada, considerando que o processo administrativo regese pelo princípio da verdade material, que tem por finalidade a busca da realidade dos fatos. Ora, a jurisprudência deste Tribunal é dominante no sentido de que a verdade material sobrepõese ao formalismos estrito, com a flexibilização do art. 16, do Decreto 70 235/722. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11060.904239/200917 Acórdão n.º 1003000.628 S1C0T3 Fl. 5 7 Levese levar em conta, ainda, a Lei 9.784/993 a qual determina que a administração pública obedecerá, entre outros, aos princípios da ampla defesa e do contraditório (caput do artigo 2º), e que o interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo, somente podendo ser recusadas as provas quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias (artigo 38). Como dito, que se verifica e que a 1ª e a 3ª turmas da CSRF têm proferido inúmeras decisões que reconhecem a possibilidade de apresentação de provas documentais após o manejo da impugnação, flexibilizando os efeitos da preclusão previstos no parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72. A exemplo citase o Acórdão 9303007.855 (sessão de 22 de janeiro de 2019): A decisão mencionada, restou assim ementada: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador:14/05/2004 PROVAS. VERDADE MATERIAL. Admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando comprovam inequivocamente a certeza e liquidez do direito creditório declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida. Do acórdão em questão, pinçase trecho que aplicase como luva ao caso ora julgado: No caso dos presentes autos, tendo em vista que os documentos trazidos aos autos pela Contribuinte comprovaram a liquidez e certeza de parte do crédito tributário declarado na DCOMP, e têm valor fiscal notas fiscais e livro razão entendese pela possibilidade de aceitação, já que não demandam novas discussões no âmbito do recurso voluntário, apenas complementando o que já fora trazido em sede de manifestação de inconformidade. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à 3 Essa lei disciplina o processo administrativo em âmbito federal, e, nos termos de seu artigo 69, deve ser aplicada subsidiariamente às legislações específicas. Fl. 197DF CARF MF 8 impugnação quando concretizadas quaisquer das situações previstas no § 4º, o que ocorre nos presentes autos. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõese o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Em síntese, concluiu a 3ª Turma da CSRF que é possível a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente ao julgamento em primeira instância, ainda mais quando esses comprovam inequivocamente a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e não abrem discussão de nova matéria. Destarte, em homenagem a tais princípios da verdade material e do formalismo moderado, objetivando uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal, que o julgador deve se utilizar de todos os meios de provas disponíveis ou colocadas à disposição, não deixando de recebêlas em razão de não terem sido apresentadas no momento da instrução do processo Assim, a documentação apresentada pela Recorrente, em sede recursal, deve ser aceita e, na realidade, comprova que suas atividades enquadramse como aptas a estarem submetidas ao coeficiente de 8% (oito por cento) e não ao de 32% (trinta e dois por cento), para o cômputo da base de base de cálculo do IRPJ, conforme planilha de cálculo a seguir descrita: Ano Calendário de 2003 DIPJ Valor R$ Decisão 2ª Instância Valor R$ 1º Trimestre Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8% 112.064,07 116.481,79 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11060.904239/200917 Acórdão n.º 1003000.628 S1C0T3 Fl. 6 9 Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 32% 4.417,72 Resultado da Aplicação dos Percentuais 10.378,80 9.318,54 IRPJ Apurado Com Base no Lucro Presumido Alíquota de 15% 1.556,82 1.397,78 () IRRF (50,11) (50,11) IRPJ a Pagar 1.506,71 1.347,67 DCTF IRPJ a Pagar 1.506,71 IRPJ Pago a Maior 159,04 Pedido no Per/Dcomp 1.118,13 Todavia, uma ressalva deve ser feita no sentido de que o valor de R$159,04 apurado na planilha em questão, a título de pagamento a maior de IRPJ, referente ao 1º trimestre do anocalendário de 2003 já foi reconhecido no processo nº 11060.904237/200910. Logo, nestes autos não há mais nenhum valor referente ao direito creditório pleiteado a ser reconhecido. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o acórdão de piso, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001020/2007-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS FISCAIS. VALORAÇÃO
Os débitos fiscais compensados com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a entrega de Declaração de Compensação (Dcomp) protocolada depois das datas de vencimentos dos respectivos débitos, estão sujeitos a multa moratória e a juros de mora, calculados desde as datas dos respectivos vencimentos até a data de protocolo da respectiva Dcomp, nos termos da legislação tributária vigente. Nessa hipótese, não há que se falar em denúncia espontânea.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS FISCAIS. VALORAÇÃO Os débitos fiscais compensados com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a entrega de Declaração de Compensação (Dcomp) protocolada depois das datas de vencimentos dos respectivos débitos, estão sujeitos a multa moratória e a juros de mora, calculados desde as datas dos respectivos vencimentos até a data de protocolo da respectiva Dcomp, nos termos da legislação tributária vigente. Nessa hipótese, não há que se falar em denúncia espontânea. Recurso especial do contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS FISCAIS. VALORAÇÃO Os débitos fiscais compensados com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a entrega de Declaração de Compensação (Dcomp) protocolada depois das datas de vencimentos dos respectivos débitos, estão sujeitos a multa moratória e a juros de mora, calculados desde as datas dos respectivos vencimentos até a data de protocolo da respectiva Dcomp, nos termos da legislação tributária vigente. Nessa hipótese, não há que se falar em denúncia espontânea. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 10 20 /2 00 7- 01 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10675.001020/200701 Acórdão n.º 9303008.533 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte (fls. 270/284, admitido pelo despacho de fls. 359/360, contra o Acórdão 220100.104 (fls. 246/258), de 06/05/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS FISCAIS. VALORAÇÃO Os débitos fiscais compensados com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a entrega de Declaração de Compensação (Dcomp)protocolada depois das datas de vencimentos dos respectivos débitos, estão sujeitos A. multa moratória e a juros de mora, calculados desde as datas dos respectivos vencimentos até a data de protocolo da respectiva Dcomp, nos termos da legislação tributária vigente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA Denúncia espontânea pressupõe a comunicação pelo contribuinte de infração cometida por ele, pertinente a fato desconhecido do Fisco. A transmissão de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) após as datas dos vencimentos dos débitos fiscais, objeto das compensações declaradas, não caracteriza denúncia espontânea de infração tributária. Recurso negado. Em síntese, postula o contribuinte a reforma do recorrido alegando denúncia espontânea a que alude o art. 138 do CTN, pois o débito, por meio de compensação, embora pago a destempo, foi levado a efeito sem qualquer anterior procedimento de ofício, pelo que, conclui, não haveria incidência de multa de mora. Em contrarrazões (fls. 364/370), pede a Fazenda que seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10675.001020/200701 Acórdão n.º 9303008.533 CSRFT3 Fl. 4 3 A recorrente apresentou pedido de ressarcimento referente a crédito de IPI por meio do processo 13048.000027/200249, no valor de R$ 147.617,76, o qual foi integralmente reconhecido pela unidade local da RFB. Contudo, nem todas compensações vinculadas a esse crédito foram homologadas porque parte das compensações foram declaradas após o vencimento dos débitos. A empresa transmitiu as DCOMP em 23/09/2003, 01/03/2004 e 12/05/2004, relativamente a débitos vencidos entre as datas de 29/05/2002 e 12/05/2004. Em função da mora, foram descontados os encargos moratórios e sua atualização monetária, o que deu azo a homologação parcial das compensações declaradas, pois ainda haveria um saldo a pagar de R$ 6.655,81, conforme Parecer DRF/STM 589, de 18/10/2007. Estreme de dúvida que algumas das compensações foram declaradas e transmitidas após o vencimento do débito a que se referiam. Isso é inconteste. Dessarte, dúvida não resta que quando do envio da DCOMP o contribuinte estava em mora, e, assim, não há que se falar em espontaneidade, pois incide na hipótese, a contrário senso, o entendimento do STJ, eis que valores declarados em DCOMP, como vimos decidindo majoritariamente, não equivalem a pagamento. Assim, não incide na hipótese os termos do decidido no REsp 1.149.022SP, julgado sob o rito dos recursos repetitivos e a própria Súmula 360 do STJ, vazada nos seguintes termos: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Destarte, entendo que está correta a exigência fiscal. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço do recurso do contribuinte, mas negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10675.001020/200701 Acórdão n.º 9303008.533 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902393/2009-65
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 29/07/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVAS JUNTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Em razão do princípio da verdade material, culminado com o art. 38 da Lei 9.784/99, acolhe-se a juntada de documentos indispensáveis à comprovação do direito creditório do contribuinte.
ANÁLISE DE NOVAS PROVAS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Em razão da juntada de provas no recurso voluntário, para evitar a supressão de instância, deve o processo receber novo despacho decisório, considerando os documentos acostados e eventuais provas complementares.
Numero da decisão: 1003-000.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que os autos retornem à DRF de origem e o Despacho Decisório seja refeito, considerando os documentos juntados pela Recorrente no recurso voluntário e, havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de pagamento a maior CSLL, que seja realizada a homologação da DCOMP nº 19307.77402.200705.1.3.04-4570., nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 29/07/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVAS JUNTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. Em razão do princípio da verdade material, culminado com o art. 38 da Lei 9.784/99, acolhe-se a juntada de documentos indispensáveis à comprovação do direito creditório do contribuinte. ANÁLISE DE NOVAS PROVAS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Em razão da juntada de provas no recurso voluntário, para evitar a supressão de instância, deve o processo receber novo despacho decisório, considerando os documentos acostados e eventuais provas complementares.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que os autos retornem à DRF de origem e o Despacho Decisório seja refeito, considerando os documentos juntados pela Recorrente no recurso voluntário e, havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de pagamento a maior CSLL, que seja realizada a homologação da DCOMP nº 19307.77402.200705.1.3.04-4570., nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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PROVAS JUNTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. Em razão do princípio da verdade material, culminado com o art. 38 da Lei 9.784/99, acolhese a juntada de documentos indispensáveis à comprovação do direito creditório do contribuinte. ANÁLISE DE NOVAS PROVAS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Em razão da juntada de provas no recurso voluntário, para evitar a supressão de instância, deve o processo receber novo despacho decisório, considerando os documentos acostados e eventuais provas complementares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que os autos retornem à DRF de origem e o Despacho Decisório seja refeito, considerando os documentos juntados pela Recorrente no recurso voluntário e, havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de pagamento a maior CSLL, que seja realizada a homologação da DCOMP nº 19307.77402.200705.1.3.044570., nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 23 93 /2 00 9- 65 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13851.902393/200965 Acórdão n.º 1003000.696 S1C0T3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1438.793, de 27 de setembro de 2012, da 6ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo do direito creditório pleiteado. Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no Relatório do r. acórdão, passo a transcrevêlo abaixo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código de receita: 2089) e de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de nº 19307.77402.200705.1.3.044570, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl.10, na qual alega, em síntese, que: a) em 20/07/2005, apresentou via Internet a Per/Dcomp de nº 19307.77402.200705.1.3.044570 com o fim de utilizar o saldo do pagamento a maior realizado com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), referente ao 2° Trimestre de 2004, no valor principal de R$ 553,50, e, atualizado, de R$ 644,88, para compensar os valores de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) apurados no 2° Trimestre de 2005, no valor de R$ 307,35 e R$ 276,62, respectivamente; b) o contribuinte recebeu desta DRF o Despacho Decisório, em epígrafe, informando sobre a não homologação da compensação devido à inexistência do pagamento à maior informado; c) em análise na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), transmitida em 11/08/2004, recibo n° 36.91.35.99.3888, referente ao 2° trimestre de 2004, verificouse que a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) à pagar e seu respectivo pagamento não condizem com a informação contida na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), transmitida em 18/05/2005, recibo n° 37.80.52.57.3309, referente ao anocalendário 2004, constatando, portanto, erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13851.902393/200965 Acórdão n.º 1003000.696 S1C0T3 Fl. 4 3 Tributários Federais (DCTF), fazendo com que não haja saldo de pagamento à maior; d) tendo em vista o erro de fato demonstrado no item acima, sem qualquer prejuízo à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o contribuinte efetuou, em 21/07/2009, a Retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), recibo n° 09.06.81.99.1084, referente ao 2° trimestre de 2004. Ao final, requer a análise da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informada no item acima, e homologação do PER/Dcomp, transmitido em 20/07/2005, sob o n° 19307.77402.200705.1.3.044570, em virtude do mesmo não possuir irregularidades. É o relatório. A DRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/07/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) A contribuinte é optante do regime do lucro presumido e recolheu, em 29/07/2004, o valor de R$ 885,60 a título de CSLL. Identificou, contudo, que houve um equívoco na apuração da CSLL, pois deveria ter recolhido a importância de R$ 332,10. Diante disso, houve um recolhimento a maior no valor de R$ 553,50; (ii) A Recorrente apresentou PER/DCOMP devido ao valor pago a maior a título de CSLL e recebeu Despacho Decisório negando a homologação da declaração de compensação. Aduz que o indeferimento decorreu da falta de retificação da DCTF referente ao 2ºtrimestre/2004; (iii) Constatado o problema, a Recorrente promoveu a retificação da DCTF e apresentou manifestação de inconformidade informando o erro de fato ocorrido no Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13851.902393/200965 Acórdão n.º 1003000.696 S1C0T3 Fl. 5 4 preenchimento. A DRJ, porém, ao analisar a peça de defesa da Recorrente, julgou o pedido improcedente e não reconheceu do direito creditório em razão de ausência de documentação; (iv) Reconhece ter havido mero erro de preenchimento da DCTF, sem qualquer intuito de burlar o Fisco, agindo de boafé; (v) Defendeu que toda a documentação supostamente não apresentada pela Recorrente foi entregue por meio físico à Receita Federal e, para afastar qualquer dúvida, a mesma junta ao recurso voluntário todos os documentos que entende serem suficientes para comprovar o crédito. Ao final, requereu a procedência do recurso voluntário, para que seja acolhida a retificação e homologados os pedidos de compensação em análise. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou DCOMP nº 19307.77402.200705.1.3.044570, em razão de crédito originado por pagamento a maior de CSLL, recolhido através de DARF, período de apuração 30/06/2004, no valor de R$ 553,50 (fls. 02 a 05). Valor do DARF R$ 885,60. A compensação não foi homologada porque, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto do processo, foram localizados um ou mais pagamentos, não restando créditos disponíveis para homologação Despacho Decisório à fl. 06. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, onde esclarece ter ocorrido erro de fato no preenchimento da DCTF e que, identificado o erro, a mesma promoveu a retificação da DCTF. A DRJ, ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, não reconheceu o direito creditório, visto que a contribuinte não juntou aos autos nenhum documento comprobatório do alegado crédito. Destacando que apenas a DIPJ não faz prova irrefutável a favor da contribuinte, outros documentos fiscais e contábeis são indispensáveis para a referida análise. Em recurso voluntário, a Recorrente ratifica a informação de erro no preenchimento da DCTF, destacando que, em 29/07/2004, recolheu através de DARF o valor de R$ 885,60 a título de CSLL. Posteriormente, identificou ter havido um equívoco na apuração da CSLL, pois deveria ter recolhido a importância de R$ 332,10. Diante disso, houve um recolhimento a maior no valor de R$ 553,50. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13851.902393/200965 Acórdão n.º 1003000.696 S1C0T3 Fl. 6 5 Só após o recebimento do Despacho Decisório a Recorrente identificou onde estava o erro e retificou a DCTF do 2ºtrimestre de 2004. Contudo, em razão da fundamentação quanto a ausência de prova contábil e fiscal no r. acórdão para corroborar as alegações constantes na defesa, a Recorrente apresentou, junto ao recurso voluntário, novos documentos ao processo, os quais, segundo defende, são suficientes para comprovar a existência do crédito, entre os quais junta cópia autenticada do Razão Analítico do 2º trimestre/2004, Livro Diário 2004, Livro Diário 2005, além das DCTF original e retificada e cópia do DARF. A Declaração de Compensação é um processo que visa restituir quantias pagas a título de tributos ou contribuições que são administrados pela Receita Federal do Brasil, que foram recolhidos indevidamente ou ainda, quando o valor pago é maior do que aquele realmente devido. Ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, previsto na legislação fiscal federal. A DCOMP, portanto, não é comprovante de crédito. Cabe à Receita Federal, munida de outras informações prestadas pelo contribuinte (IRPJ, DCTF, DIRF, etc), verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado para homologar a compensação. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar seia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A decisão da DRJ, porém, estava fundamentada primordialmente na ausência de comprovação contábil das compensações e, em razão desse posicionamento, a Recorrente acostou novos documentos contábeis e fiscais da empresa para comprovar suas alegações. A determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A comprovação, portanto, é condição para admissão da retificação da DCTF realizada, quando essa, como no caso dos autos, reduz tributos. A DIPJ, embora seja um documento importante, não comprova as alegações do autor por se tratar de mera declaração sem efeitos de confissão de dívidas, tendo, pois, efeitos meramente informativos. Conforme registrou o Ilmo. Julgador na DRJ, "desde o anocalendário de 1999, a DIPJ tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13851.902393/200965 Acórdão n.º 1003000.696 S1C0T3 Fl. 7 6 configuram confissão de dívida a Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6º, inciso I, a DIPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar". A autoridade julgadora, por outro lado, deve se orientar pelo princípio da verdade material quando da apreciação das prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O princípio da ampla defesa, por outro lado, garante ao contribuinte o direito de defenderse plenamente de todos os fatos e fundamentos dentro do processo administrativo. Os documentos colacionados ao recurso voluntário são novos no processo e não foram analisados e discutidos pela DRF e pela DRJ. Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, em obediência à verdade material que deve pautar os processos administrativos e da formalidade moderada e na permissão concedida pelo art. 38 da Lei 9.784/99, o contribuinte tem a possibilidade de juntar documentos indispensáveis para sua defesa mesmo após a manifestação de inconformidade.. Por essa razão, entendo não ter havido a preclusão para a juntada de provas nesse caso específico e, para evitar prejuízo à defesa ou evitar supressão de instância de julgamento, haja vista que as questões trazidas no recurso voluntário não foram enfrentadas nas instâncias anteriores, deve o processo retornar à DRF para que seja possível à unidade de origem analisar as declarações da Recorrente quanto à demonstração da liquidez e certeza do crédito, através da análise dos documentos juntados nesta oportunidade. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os autos retornem à DRF de origem e o Despacho Decisório seja refeito, considerando os documentos juntados pela Recorrente no recurso voluntário e, havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito a título de pagamento a maior CSLL, que seja realizada a homologação da DCOMP nº 19307.77402.200705.1.3.044570. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000380/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA.
O imposto pago relativo a ganhos de capital na alienação de bens ou direitos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração.
Numero da decisão: 2401-006.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IMPOSTO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. O imposto pago relativo a ganhos de capital na alienação de bens ou direitos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente MARILENE PARENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IMPOSTO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. O imposto pago relativo a ganhos de capital na alienação de bens ou direitos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 03 80 /2 01 0- 24 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13866.000380/201024 Acórdão n.º 2401006.507 S2C4T1 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 6/9, anocalendário 2007, que apurou imposto suplementar de R$ 29.538,50, acrescido de juros de mora e multa de mora, em virtude de compensação indevida de imposto complementar (mensalão), referente à diferença entre o valor declarado R$ 36.708,86 e o valor efetivamente recolhido com código de receita 0246 de R$ 0,00. Em impugnação apresentada à fl. 2, a contribuinte informa que o imposto recolhido decorreu de ganhos de operações na bolsa de valores, que no mesmo ano passou a ter prejuízos. A DRJ/SP2, julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 17 45.045 de fls. 22/24, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. Em tendo o próprio contribuinte reconhecido que o imposto complementar declarado corresponde, na verdade, a imposto de renda recolhido em operações na Bolsa de Valores, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 3/12/10 (Aviso de Recebimento AR de fl. 27), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 4/1/11, fl. 32, no qual repete o argumento apresentado na defesa que: Por um determinado período em 2007 apurou ganhos em investimentos feitos em bolsa de valores e recolheu durante os primeiros cinco meses o valor de R$ 36.708,86. No decorrer do mesmo ano, passou a ter prejuízo, deixando de haver ganho de capital. Solicitou então orientação ao contador sobre como informar o valor na declaração para se restituir do valor pago, pois pagou sobre lucro que não existiu. Entende que se não tivesse feito o recolhimento mensal e tivesse apurado o resultado ao final dos 12 meses, haveria prejuízo, e não haveria o conflito de querer restituir o que foi pago. É o relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13866.000380/201024 Acórdão n.º 2401006.507 S2C4T1 Fl. 38 3 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO A recorrente afirma que informou o valor no campo imposto suplementar para se restituir de imposto pago resultado de investimentos em bolsa de valores, que ao final do ano apurou prejuízo. Contudo, conforme já esclarecido no acórdão recorrido, não há como ser acolhido tal argumento. O Decreto 3.000/99, vigente à época dos fatos, assim dispõe: Art.117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2ºe 3º, §2º, eLei nº 8.981, de 1995, art. 21). [...] §2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. (grifo nosso) Portanto, o imposto pago decorrente de ganhos de capital apurado em bolsa de valores sujeitamse à tributação exclusiva ou definitiva, não sendo submetidos ao ajuste anual, estando correta a glosa efetuada pela fiscalização. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13866.000380/201024 Acórdão n.º 2401006.507 S2C4T1 Fl. 39 4 Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.902319/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, afastando o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado, determinando a restituição dos autos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito pretendido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10469.902321/2009-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2144; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.902319/200974 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401003.248 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria PER/DComp; IRPJ Recorrente LUIZ FLOR & FILHOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, afastando o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado, determinando a restituição dos autos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito pretendido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10469.902321/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 19 /2 00 9- 74 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.902319/200974 Acórdão n.º 1401003.248 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de PER/DComp apresentado pelo contribuinte, no qual pleiteou o deferimento de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ e declarou a compensação deste crédito com débitos de estimativas de IRPJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio de Despacho Decisório, decidiu não homologar a compensação declarada. A DRF constatou que o valor integral do DARF informado pelo contribuinte no PER/DComp havia sido inteiramente utilizado. Portanto, não havia saldo para a compensação pretendida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual, em síntese, alegou que teria cometido erro de fato no preenchimento do PER/DComp, uma vez que deveria ter pleiteado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ ao invés de pagamento indevido ou a maior. O contribuinte informou na Manifestação de Inconformidade que apresentou DIPJ retificadora na qual corrigiu a informação e passou a registrar o dito saldo negativo. Ao final pediu que a primeira instância de julgamento reconhecesse o crédito oriundo de saldo negativo e homologasse a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Inicialmente, a DRJ registrou que a autoridade administrativa não poderia ter homologado a compensação declarada pois inexistia o crédito pleiteado decorrente de pagamento a maior ou indevido. Em seguida, a DRJ declarou sua incompetência para realizar o exame inaugural do crédito sob novo fundamento, ou seja, decorrente de saldo negativo de IRPJ. Inconformado com a decisão de piso, o contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e ainda lançou mais duas questões, a saber: (i) que, embora a competência originária para apreciar o crédito pleiteado seja da DRF, devese conjugar com as garantias processuais, de forma que se adote as decisões e providências processuais necessárias para que se retorne e se aprecie a matéria em primeira instância, com posterior oferecimento de oportunidade recursal ao contribuinte; e (ii) que a autoridade julgadora de segunda instância se manifeste acerca da possibilidade legal e jurídica da nova análise dos fundamentos que levam à manutenção do crédito pleiteado pela recorrente, à luz da suspensão da exigibilidade do crédito pela Fazenda Pública, bem como pela Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.902319/200974 Acórdão n.º 1401003.248 S1C4T1 Fl. 4 3 manutenção desse direito creditório em razão da necessidade de nova decisão de competência da DRF/Natal. É o que havia para relatar. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1401003.245, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10469.902321/2009 43, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.245): O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos legais. Passo a analisálo. No que tange às razões adotadas pela DRJ para declinar da competência para analisar o crédito pleiteado sob novo fundamento na Manifestação de Inconformidade, impende asseverar, de pronto, que as autoridades julgadoras não detêm competência para a realização de atos primários, como se vê na lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) É oportuno reprisar que o crédito que foi submetido pelo contribuinte à análise de liquidez e certeza por parte da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, com fulcro no artigo 170 do CTN, derivava de pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.902319/200974 Acórdão n.º 1401003.248 S1C4T1 Fl. 5 4 O pedido de repetição decorrente do direito creditório calcado em pagamento a maior ou indevido de IRPJ foi corretamente indeferido pela autoridade administrativa competente. E, na esteira dos ensinamentos acima mencionados, as autoridades julgadoras são incompetentes para efetuar o exame inaugural da liquidez e certeza de um crédito diverso, qual seja, de um crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ. Neste sentido, realmente não competia à DRJ proceder à análise pedida pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade. Todavia, no recurso voluntário, o contribuinte formulou pedidos diversos. Ao reconhecer a competência original da DRF, o contribuinte pediu que a segunda instância julgadora devolvesse os autos para que a DRF pudesse realizar o exame de liquidez e certeza do crédito, agora sob novo fundamento, ou seja, crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ. Também pediu que este Conselho se pronuncie sobre a possibilidade de nova análise pela DRF, em vista da suspensão da exigibilidade do crédito. É oportuno destacar que, embora em regra, não seja permitido aos contribuintes inovarem em razões de fato e de direito no recurso voluntário, no presente caso, a questão da incompetência da DRJ surgiu somente na decisão de primeira instância. Assim, em respeito ao contraditório e à ampla defesa, tomo conhecimento das razões expostas e dos pedidos formulados. Os pedidos demandam uma análise detalhada. Em julgados anteriores, já me manifestei acerca da possibilidade de superar o erro de fato no preenchimento do PER/DComp, quando o contribuinte indica equivocadamente como fundamento do crédito o pagamento indevido ou a maior, quando deveria ter indicado saldo negativo, ou viceversa. Contudo, não vislumbro na regulamentação do Processo Administrativo Fiscal, veiculado pelo Decreto nº 70.235/72, a possibilidade de a segunda instância determinar o retorno do processo à autoridade lançadora para que esta possa exercer sua competência original. Mesmo que se submetesse o feito a uma diligência, nesta etapa do processo, o conhecimento da matéria e o exame de liquidez e certeza do crédito seria feito originariamente pela autoridade julgadora, o que, como dito, não é possível. Contudo, há que se ter uma solução legítima que evite que o contribuinte perca seu eventual direito a crédito por força de erro de fato no preenchimento do PER/DComp. Neste contexto, adoto como razão de decidir a fundamentação exarada no Acórdão nº 1301003.599, de relatoria do Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.902319/200974 Acórdão n.º 1401003.248 S1C4T1 Fl. 6 5 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, pois, sua lógica jurídica é perfeitamente aplicável ao presente caso: O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10469.902319/200974 Acórdão n.º 1401003.248 S1C4T1 Fl. 7 6 de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. Na decisão a quo, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Mas, em verdade, considerouse incompetente para o exame do crédito, destacando que se tratava de competência da DRF. No precedente da 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF supra, dáse um passo a mais ao conhecer parcialmente o pedido do contribuinte tãosomente para "afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada". Reconhecese, assim, o erro de fato que autoriza a autoridade administrativa a realizar a revisão de ofício, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Neste diapasão, havendo a comprovação do erro de fato na demonstração do crédito, a autoridade administrativa da DRF poderia, de ofício, considerar o crédito decorrente de saldo negativo e passar à análise de liquidez e certeza. Em relação ao segundo pedido da contribuinte, o próprio Parecer Normativo citado aduz que a revisão de ofício do Despacho Decisório pode ser feita enquanto os créditos tributários não estiverem prescritos. Tais créditos foram Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10469.902319/200974 Acórdão n.º 1401003.248 S1C4T1 Fl. 8 7 considerados compensados indevidamente no Despacho Decisório, mas, tendo em vista que a Manifestação de Inconformidade dá início ao contencioso tributário sob a égide do Decreto nº 70.235/72, os créditos encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, III, do CTN. Desta forma, não se afasta a competência da autoridade da DRF de verificar a ocorrência da hipótese de revisão de ofício, de realizar o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito pleiteado e, se for o caso, de homologar a compensação com débitos vencidos ou vincendos. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de retificação de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 113DF CARF MF
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