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Numero do processo: 16349.000424/2009-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/03/2008
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE CAFÉ CRU EM GRÃOS
A lei não autoriza o aproveitamento de crédito integral na aquisição de café cru em grãos quando a operação estiver sujeita à suspensão da incidência do Pis e da Cofins.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 30/03/2008 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE CAFÉ CRU EM GRÃOS A lei não autoriza o aproveitamento de crédito integral na aquisição de café cru em grãos quando a operação estiver sujeita à suspensão da incidência do Pis e da Cofins. Recurso especial do contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE CAFÉ CRU EM GRÃOS A lei não autoriza o aproveitamento de crédito integral na aquisição de café cru em grãos quando a operação estiver sujeita à suspensão da incidência do Pis e da Cofins. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 04 24 /2 00 9- 10 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16349.000424/200910 Acórdão n.º 9303008.295 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 653/676), admitido pelo despacho de fls. 679/683 contra o Acórdão 3301004.736 (fls. 359/363), de 19/06/2018, assim ementado na parte que interessa ao deslinde da quaestio: Assunto: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008. CAFÉ CRU EM GRÃOS. INSUMO. COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS PRODUTORAS. CRÉDITO As compras de café cru em grãos de cooperativas agropecuárias produtoras, na qualidade de insumos a serem submetidos a beneficiamento, conferem ao comprador créditos presumidos de PIS e COFINS, pois a operação goza de suspensão das contribuições. ... Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em síntese, postula a empresa a reforma do recorrido por entender ter direito ao crédito presumido das contribuições nãocumulativas a que se refere à Lei 10.925/2004, calculados sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. No caso, tratase de aquisição de café em grãos cru, posição 0901, adquiridos de cooperativas. Entende que as aquisições de café de cooperativas agropecuárias não estão sujeitas à suspensão da incidência das contribuições por força do inciso II do § 1º do art. 9º da Lei 10.925, e que, em consequência, lhe confere direito aos créditos integrais sobre as referidas compras de café. Acresce que "com base no art. 6º da IN/SRF 660/2006, resulta em aplicação diversa sobre a mesma matéria, conforme disposição do inciso II do § 1º do art. 9º da Lei 10.925". De fls. 685/688, contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. O contribuinte postulou ressarcimento de COFINS referente ao 1º trimestre de 2008, cumulado com compensações (DCOMP), tendo calculado créditos integrais sobre Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16349.000424/200910 Acórdão n.º 9303008.295 CSRFT3 Fl. 4 3 compras de café em grãos de cooperativas, enquanto que a fiscalização entendeu que fazia jus tão somente ao créditos presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. No curso do procedimento fiscal, vez que dado tratamento manual ao pedido de ressarcimento/compensação, a recorrente informou que as aquisições de café são realizadas diretamente de cooperativas com café adquirido de produtor para revenda, estabelecimento comerciais atacadistas de café e um pequeno percentual (em torno de 5%) adquirido de produtor rural pessoa física. E que o café adquirido é descarregado em seu armazém para posterior realização de "blend", consistindo este na preparação e mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor ou por separação dos grãos por densidade para posterior comercialização. Assim, inconteste que o café adquirido pela recorrente é insumo em seu processo industrial (blend). O despacho decisório acerca do tema concluiu: 51. Importante se faz, nessa análise, a diferenciação das pessoas jurídicas abarcadas pela suspensão da venda de PIS e COFINS na venda para a agroindústria, daquelas vendas in natura diretamente ao consumidor final ou na revenda, fato inconteste, que nesses casos não há de se falar em crédito presumido, vez que aplicase a alíquota de 0%, conforme § 2º do artigo 2º da Lei 10.833/2003, não caberá direito a crédito o valor de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em produtos ou serviços à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição, impedindo este em linha com atuais soluções de consultas da RFB no sentido de não permitir qualquer tipo de creditamento pelos varejistas e revendedores. 52. Por fim, há de ressaltar ainda que os créditos apurados nos termos do artigo 8º da Lei 10.925/2004, não podem ser objeto de compensação ou ressarcimento, servindo apenas para desconto dos valores devidos das contribuições apuradas, como se depreende da leitura dos artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 22 de dezembro de 2005 e artigo 8º, §3º, II, da IN SRF nº 660/06: 53. Aplicando os normativos aqui comentados no caso concreto, calculamos o crédito presumido adotando o percentual de 35% da alíquota integral perfazendo a alíquota efetiva de 0,5775% (PIS) e 2,66% (COFINS), nos termos do artigo 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004 e posteriores alterações. Analiso a legislação de regência: Lei 10.925/04: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12...... todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16349.000424/200910 Acórdão n.º 9303008.295 CSRFT3 Fl. 5 4 crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. ... § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. ... Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: ... III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. Repisando os termos legais, a IN SRF 660/2006, asseverou às expressas que a venda de café cru em grãos submetese à suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16349.000424/200910 Acórdão n.º 9303008.295 CSRFT3 Fl. 6 5 Portanto, tal norma em nada modificou o alcance da Lei 10.925/2004. Sem embargo que o crédito na hipótese é presumido porque a operação de venda do café cru em grão goza de suspensão. Se a operação goza de suspensão da exigibilidade das contribuições sociais, por certo que a recorrente não tem direito ao crédito integral, uma vez que só há falarse em crédito integral quando a operação tenha sido tributada, pressuposto para que se possa aplicar as normas da nãocumulatividade. O crédito presumido em voga tratase de crédito ficto, que entendeu o legislador, quero crer, ser devido para salvaguardar o setor alimentício. Portanto, sem reparos à decisão recorrida. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte, mas nego lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16349.000424/200910 Acórdão n.º 9303008.295 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 709DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.009025/2008-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2004
MULTA POR INEXATIDÃO DE DECLARAÇÃO DEVIDA
A cobrança de multa por inexatidão de declaração de classificação de mercadoria é devida tanto no declaração de importação quanto na declaração de admissão de entreposto aduaneiro.
Numero da decisão: 3003-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório Por bem relatar os fatos reproduzo o relatório do acórdão da DRJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 90 25 /2 00 8- 14 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11128.009025/200814 Acórdão n.º 3003000.161 S3C0T3 Fl. 271 2 Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças do Imposto de Importação, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, além da multa do controle administrativo, regulamentar e da multa proporcional ao valor aduaneiro, em virtude da reclassificação tarifária, para as Declarações de Importação (DI) de nº 04/02174890, 04/02202052, 04/04268611, 04/05199958, 04/06130781 e 04/10612469, registradas respectivamente em 09/03/2004, 09/03/2004, 06/05/2004, 01/06/2004, 25/06/2004 e 20/10/2004, e multa administrativa pela reclassificação na Declaração de Admissão em Entreposto Aduaneiro (DA) nº 04/01643560, registrada em 19/02/2004. A importadora BAYER CROPSCIENCE LTDA, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 89.163.430/000561, por meio da DA nº 04/01643560, submeteu ao regime de entreposto aduaneiro 60.800,00 kg da mercadoria "HOSTATHION" [Nome Comercial: Hostathion Técnico; Ingrediente Ativo: Triazophos; Classe: Inseticidaacaricida; Estado Físico: Líquido; Concentração: 70%; nome químico: 0,0DIETHIL0(1 PHENIL1H1,2,4TRIAZOL3YL) phosphorothioate; registro no Ministério da Agricultura sob o nº 00388598 de 18/04/00]. Posteriormente, a mercadoria foi integralmente nacionalizada através de Declarações de Importação, na modalidade Despacho para Consumo, por meio das DIs nº 04/02174890, 04/0220205 2, 04/04268611, 04/05199958, 04/06130781 e 04/10612469, sendo classificada no código 2933.99.63 da Tarifa Externa Comum (TEC), com alíquota de 2,0% para o II e 0% para o IPI. Embasada em laudo de analise nº 0575.01 e legislação de regência, conforme consta do item Descrição dos Fatos (fls. 10 à 15), o produto Hostathion Técnico, originalmente classificada pelo contribuinte no código 2933.99.63 foi reclassificado pela fiscalização para o código 3808.10.29, com alíquota do II de 4%, permanecendo a alíquota de 0% para o IPI. Ocorreu então, o lançamento da diferença do Imposto de Importação, juros de mora, multa de ofício, multa de 1% por classificação fiscal incorreta e multa ao controle administrativo por ausência de licença de importação, referentes às Declarações de Importação, e multa de 1% por classificação fiscal incorreta para a Declaração de Admissão. A fiscalização relata que esta contribuinte foi incorporada, em 27/01/2005, pela ora denominada Bayer S/A, CNPJ 18.459.628/000115, que detém a responsabilidade tributária pelo pagamento deste lançamento. A interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 104/106, na qual informa, em síntese, que houve os recolhimentos dos valores exigidos neste processo quanto ao produto Hostathion Técnico, relativo às Declaração de Importação acima descritas, tendo em vista que as declarações deste auto já havia sido objeto de outro Auto de Infração lavrado Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11128.009025/200814 Acórdão n.º 3003000.161 S3C0T3 Fl. 272 3 pela Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, registrado sob o processo de nº 12749.000451/200767. Quanto à Declaração de Admissão, assim alega a interessada: 1. A d. autoridade fiscal operou em equivoco ao lançar a multa também sobre a Declaração de Admissão, lançamento este que não encontra qualquer amparo legal. 2. Tal equívoco se mostra mais evidente na medida em que a d. autoridade fiscal descreve a Declaração de Admissão 04/01643560, erroneamente como Declaração de Importação, conforme se verifica no Demonstrativo de Apuração anexo ao presente Auto de Infração. 3. Logo, não há que se falar em incidência de multa sobre o valor constante da Declaração de Admissão, mas apenas sobre as Declarações de Importação a ela relativas. A impugnação foi julgada pelo acórdão nº. 11051.288 6ª Turma da DRJ/REC (efls 121 a 125), que julgou procedente a impugnação exonerando parcialmente o crédito tributário exigido, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2004 Duplicidade de Lançamento Deve ser cancelado o credito tributário lançado em duplicidade, e cuja matéria foi tratada em processo distinto com Acórdão proferido. Inconformada a empresa autuada apresentou Recurso Voluntário (efls 137 a 149) alegando que no caso há a aplicação de dupla penalidade, pela declaração de admissão de entreposto aduaneiro e pela declaração de importação que configuram bis in idem. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11128.009025/200814 Acórdão n.º 3003000.161 S3C0T3 Fl. 273 4 Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. Inicialmente cumpre deixar consignado que o acórdão recorrido abordou as matérias impugnadas, decidindo por acolher parcialmente os argumentos da recorrente. O acolhimento da impugnação foi fundamentado na cobrança em duplicidade no processo n.º 12749000451/200767, autuado pela Receita Federal de Nova Iguaçu. Contudo, o acórdão proferido pela DRJ afirmou que a multa prevista no artigo 636 do Decreto 4.543 não fez parte do processo 12749000451/200767, sendo certo que a única cobrança dessa natureza sobre o fato gerador discutido encontrase nesses autos. Então a controvérsia esta na cobrança da multa pela inexatidão da declaração de admissão de entreposto aduaneiro, número 04/01643560, mantida apenas nesse processo. Nesse sentido, não restam dúvidas de que não há multa da mesma natureza sendo aplicada em duplicidade o que descaracteriza o bis in idem, posto que as multas cobradas no outro processo são relativas a Declaração de Importação enquanto que a multa mantida nesses autos é relativa a Declaração de Admissão de Entreposto Aduaneiro. A multa pela incorreção na declaração de admissão de entreposto aduaneiro esta prevista na legislação exposta a seguir. Relativamente a DA foi aplicada a multa prevista no Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, no seu art. 636, abaixo transcrito: Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, § 1o). § 2o A aplicação da multa referida no caput não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata de que trata o art. 645, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, § 2o). § 3o A multa pela classificação incorreta será aplicada em relação a cada mercadoria que necessite ser reclassificada, para o seu correto posicionamento na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a sua identificação. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11128.009025/200814 Acórdão n.º 3003000.161 S3C0T3 Fl. 274 5 Importante destacar que o parágrafo 2º deixa claro que a referida multa não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata de que trata o art. 6451, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis, sendo claro concluir que a multa aqui mantida esta prevista em lei e pode ser cobrada sem prejuizo de outras penalidades, que no presente caso, foram aplicadas no processo anterior. A base legal do artigo 636 é o art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 conforme transcrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. A mesma medida provisória define “o regime especial de entreposto aduaneiro na importação o que permite a armazenagem de mercadoria estrangeira em local alfandegado de uso público, com suspensão do pagamento dos impostos incidentes na importação.” É incontroverso o fato de que foram prestadas informações incorretas, tanto na admissão em entreposto como na importação. A possibilidade de aplicação da penalidade prevista no art. 84, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, à admissão em entreposto aduaneiro está prevista no art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. 1 Art. 645. Nos casos de lançamentos de ofício, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos tributos ou contribuições de que trata este Decreto (Lei no 9.430, de 1996, art. 44): I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento, de pagamento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso II; e II de cento e cinqüenta por cento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964. § 1o As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei no 9.430, de 1996, art. 44, § 1o): I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; e II isoladamente, quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. § 2o As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos (Lei no 9.430, de 1996, art. 44, § 2o, alínea "a", com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 70, inciso I). Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11128.009025/200814 Acórdão n.º 3003000.161 S3C0T3 Fl. 275 6 § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Nesse passo, o pagamento dos tributos do regime não impede a aplicação da multa por declaração inexata quanto a classificação fiscal, tendo em visto que este fato ocorreu e não foi contestado, logo, deve permanecer o lançamento referente à Declaração de Admissão de nº 04/01643560. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a multa aplicada pela autoridade fiscal. É o meu entendimento Márcio Robson Costa Relator Fl. 275DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.006471/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte.
Numero da decisão: 2401-006.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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CONTAGEM DO PRAZO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputase válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 64 71 /2 00 8- 91 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10510.006471/200891 Acórdão n.º 2401006.035 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório NAZARIO RAMOS PIMENTEL, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1518.759/2009, às efls. 231/234, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos, em relação ao exercício 2004, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/08, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/11/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente dos seguintes fatos geradores: a) omissão de rendimentos tributáveis recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada, no valor de R$ 3.558,00. A omissão foi apurada com base em DIRF apresentada pela pessoa jurídica Caixa Vida e Previdência S/A; b) omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 568.666,00, caracterizada pelo recebimento de lucros distribuídos disfarçadamente pela Empresa Jornal de Sergipe Ltda, da qual é sócio, sem a devida comprovação de que se tratava de rendimentos isentos. A distribuição disfarçada de lucros foi presumida com base no art. 404, incisos I e IV, do RIR/1999, tendo sido entregue ao autuado a quantia de R$ 29.000,00 a título de mútuo em condições de favorecimento, e a quantia de R$ 539.666,00 a título de doação de ações da pessoa jurídica Investimentos Hoteleiros do Nordeste S/A. Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ou Física, decorrente do trabalho com vínculo empregatício Corrigido conforme informação da fonte pagadora: Banco Banerj S.A. Rendimento: R$ 45.884,76 Inconformado com a Decisão recorrida que julgou improcedente a impugnação, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 241/251, procurando Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10510.006471/200891 Acórdão n.º 2401006.035 S2C4T1 Fl. 4 3 demonstrar sua total improcedência, repisando às razões da impugnação, motivo pelo qual, peço vênia para dotar o relatório da decisão de piso, in verbis: a) no lançamento fiscal não foi observado o prazo prescricional previsto nos artigos 156, inciso V, e 173 do CTN; b) as ações da Investimentos Hoteleiros do Nordeste S/A recebidas da Empresa Jornal de Sergipe Ltda. na realidade foram recebidas como devolução e restituição da sua participação societária nesta última, nunca por distribuição de lucros; c) a Empresa Jornal de Sergipe Ltda., ao longo de sua existência, sempre apresentou prejuízos, não podendo jamais fazer 'distribuição de lucros, e conforme reza a legislação só se é possível o pagamento de impostos sobre ganho de capital, sendo esta a única base de cálculo para apuração de impostos; d) a Investimentos Hoteleiros do Nordeste S/A já contabilizava prejuízo acumulado em 2003, no valor de R$ 2.075.122,50, desta forma, não teria ocorrido qualquer acréscimo patrimonial do autuado, ou apuração de ganho de capital. Corroborando com o alegado, é o fato de que em 2005 houve diminuição do capital social da referida empresa com a absorção dos prejuízos acumulados; . e) poderseia traçar um paralelo entre a substituição de participações societárias e a permuta de bens, sendo que esta não resulta em acréscimo patrimonial para o contribuinte, e não consiste fato gerador do imposto de renda f) quanto ao empréstimo, no valor de R$ 29.000,00, este teve como origem a venda de bens do ativo imobilizado pela Empresa Jornal de Sergipe Ltda. Ressaltou que tal venda não resultou em ganho de capital para a empresa, mas sim prejuizo, e que mesmo que fosse considerada a distribuição deste valor ao sócio, o autuado nada deveria ao Fisco, pois este representaria um resgate do seu investimento na empresa; g) o resgate da previdência privada, no valor de R$ 3.558,00, de fato ocorreu, entretanto, a tributação destes valores significaria bitributação, pois os valores investidos a titulo de previdência privada são produto de sua renda mensal já tributada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10510.006471/200891 Acórdão n.º 2401006.035 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DECADÊNCIA Preliminarmente a recorrente argüiu a "prescrição" do lançamento fiscal com base nos artigos 156, inciso V, e 173 do CTN. No caso em análise, o recorrente alega que o fato gerador ocorre no mês do recebimento, no que, pareceme, está confundindo diferentes obrigações e diferentes regras. No regime atual de tributação do IRPF, a regra aplicável à maioria dos rendimentos é a antecipação mensal de que trata o art. 2º da Lei nº 8.134, de 1990, sem prejuízo da apuração anual, disciplinada pelo art. 7º da Lei nº 9.250 de 1995: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (...) Assim, mensalmente surge para o contribuinte o dever de realizar antecipações de pagamento, caso tenha recebido rendimentos sujeitos a esse regime. E se chama "antecipação" porque não é definitiva. E não é definitiva porque a verificação da existência ou não do dever de pagar tributo só surgirá no encerramento do período de apuração, ou seja, no fim do anocalendário. Por isso, o fato gerador do imposto devido no anocalendário ocorre apenas em 31 de dezembro, mesmo nas hipóteses em que a base de cálculo deva ser apurada em bases mensais. Um exemplo disto, diz respeito a depósitos bancários, esta é, inclusive, uma matéria sumulada por este Conselho. Vejamos o teor da Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, a previsão legal de que o rendimento se considera recebido no mês do crédito não tem o condão de deslocar a data da ocorrência do fato gerador, que se aperfeiçoa em 31 de dezembro, alcançando todos os rendimentos apurados desde o início do seu período de apuração. Não há, portanto, nenhuma dúvida de que o imposto lançado foi calculado levandose em consideração, corretamente, que o fato gerador do imposto é anual (concretizandose em 31 de dezembro de cada ano). Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10510.006471/200891 Acórdão n.º 2401006.035 S2C4T1 Fl. 6 5 Assim, segundo os dispositivos legais mencionados pelo recorrente, o direito do Fisco constituir o crédito tributário somente extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, a contagem se iniciaria em 01/01/2004, e teria como termo final 31/12/2008. Portanto, tendo sido dada ciência do lançamento em 17/11/2008, constatase que não ocorreu a decadência do Fisco em constituir o crédito tributário em questão. MÉRITO Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte foi constada omissão de rendimentos, conforme relato encimado. O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste. Art. 787. As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo decisum abaixo transcrito: Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10510.006471/200891 Acórdão n.º 2401006.035 S2C4T1 Fl. 7 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Assim sendo, uma vez que o contribuinte simplesmente repisas as alegações da defesa inaugural, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotálos como razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada e documentos acostados aos autos, in verbis: No mérito, o impugnante alegou que recebeu as ações da Investimentos Hoteleiros do Nordeste S/A como devolução e restituição da sua participação societária na Empresa Jornal de Sergipe Ltda., e não por distribuição disfarçada de lucros. Entretanto, não apresentou qualquer documentação que comprovasse a redução 'de sua participação societária na Empresa Jornal de Sergipe Ltda., nem muito menos que a sua parcela no capital desta empresa chegava ao valor das ações da Investimentos Hoteleiros do Nordeste S/A recebidas, no montante de R$ 539.666,00. Ao contrário, verificase que na declaração de bens e direitos constante em sua declaração de ajuste anual relativa ao periodo autuado, às fls. 10, sua participação no capital social da Empresa Jornal de Sergipe Ltda. permanece inalterado, e no valor de R$ 108.557,00, enquanto foi incluida em seu patrimônio a participação no capital social da Investimentos Hoteleiros do Nordeste S/A recebidas, no montante de RS 539.666,00. O impugnante alega, também, que a Empresa 'Jornal de Sergipe Ltda., ao longo de sua existência, sempre apresentou prejuízos, e por este motivo não poderia jamais fazer distribuição de lucros. Entretanto, a inexistência de lucros reconhecidos pela empresa não significa sua inexistência de fato, e a alienação de bens de seu ativo ao sócio, sem a devida comprovação de que se trata de redução de capital, reforça a idéia de distribuição de lucros não tributados pela empresa. Observese que a distribuição a titulo de lucros somente goza de isenção se demonstrada contabilmente sua existência, e, conseqüentemente, sua tributação pela empresa. Foi alegado, também, que a Investimentos Hoteleiros do Nordeste S/A já contabilizava prejuízo acumulado em 2003, no valor de R$ 2.075.122,50, desta forma, não teria ocorrido qualquer acréscimo patrimonial do autuado, ou apuração de ganho de capital Entretanto, o valor de mercado das ações recebidas não corresponde necessariamente ao percentual de participação correspondente ao número de ações multiplicado pelo patrimônio líquido da empresa, pois fatores como Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10510.006471/200891 Acórdão n.º 2401006.035 S2C4T1 Fl. 8 7 expectativas de lucros futuros, tendências da economia e especulação do mercado influenciam no valor de mercado das ações. Não se pode, também, quantificar 0 valor destas ações em 2003 com base no patrimônio líquido. da empresa em 2005. O fato concreto é que o valor das ações declarado pelo contribuinte foi de R$ 539.666,00, às fls. 10, que é, inclusive, inferior ao valor constante nos demonstrativos contábeis da empresa, às fls. 106 e 108, no valor de R$ 996.359,60. Desta forma, a menos que tivesse sido comprovado cabalmente que o valor de mercado das ações era diferente do declarado, este último deve permanecer como base para o lançarnento fiscal. _` Quanto à alegação de que se poderia traçar um paralelo entre a substituição de participações societárias e a permuta de bens, cabe lembrar que o contribuinte manteve inalterada sua participação no capital social da Empresa Jornal de Sergipe Ltda., no valor de R$ 108.557,00, e, ao mesmo tempo, incluiu em seu patrimônio a participação no capital social da Investimentos Hoteleiros do Nordeste S/A recebidas, no montante de R$ 539.666,00. Desta forma, não há como se falar em permuta ou algo de natureza semelhante. Quanto ao valor recebido da Empresa Jornal de Sergipe Ltda. a título de empréstimo, no valor de R$ 29.000,00, 0 impugnante enfatiza que tal operação teve como origem a venda de bens do ativo imobilizado pela referida empresa, mas que tal venda não resultou em ganho de capital, mas sim em prejuízo. Além disso, mesmo que fosse considerada a distribuição deste valor ao sócio, o autuado nada deveria ao Fisco, pois este representaria um resgate do seu investimento na empresa. Contudo, além das condições de favorecimento já apontadas no auto de infração, que justificam a presunção de distribuição disfarçada de lucros, percebese claramente pela argumentação constante na impugnação que tal operação não se tratou nem mesmo de empréstimo, mas sim do repasse ao sócio do valor obtido na venda do ativo da empresa. Caber ressaltar que a existência ou não de prejuízo na venda não tem qualquer influência na tributação dos valores repassados ao sócio, pois, conforme já explicitado anteriormente, não houve a devida comprovação de que tal transferência foi realizada em contrapartida à redução de capital da empresa, ou seja, não representou devolução do capital ao sócio, mas sim a transferência de lucros mantidos a margem da contabilidade. Quanto à infração relativa ao resgate da previdência privada, o impugnante alegou que a tributação destes valores significaria bitributação, pois os valores investidos a título de previdência privada são produto: de sua renda mensal já tributada. Entretanto, a tributação de tais valores está plenamente justificada pelo fato de que os valores pagos como contribuição à previdência privada serem dedutíveis na base de cálculo do imposto. Além disso, a tributação do resgate da contribuição à previdência privada está prevista no art. 43, XIV, do RIR/1999, não sendo cabível a discussão em sede administrativa a sua legalidade ou não. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10510.006471/200891 Acórdão n.º 2401006.035 S2C4T1 Fl. 9 8 Essas são as razões de decidir do órgão de primeira instância, as quais estão muito bem fundamentadas, motivo pelo qual, após análise minuciosa da demanda, compartilho das conclusões acima esposadas. No que tange a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito tributário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a decadência e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 442DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.901002/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 12/01/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
É cabível a não homologação de compensação declarada quando ela estiver vinculada a direito creditório inexistente.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DOCUMENTO HÁBIL E SUFICIENTE. EXIGÊNCIA.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito (confessado) indevidamente compensado.
PER/DCOM. CANCELAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA.
Carece de previsão legal o cancelamento de ofício do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp).
PER/DCOMP. CANCELAMENTO PELO SUJEITO PASSIVO.
O cancelamento do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), por iniciativa do sujeito passivo, somente é possível se realizado antes da ciência da decisão administrativa referente a tal pedido ou da intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação.
Numero da decisão: 2402-006.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 12/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. É cabível a não homologação de compensação declarada quando ela estiver vinculada a direito creditório inexistente. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DOCUMENTO HÁBIL E SUFICIENTE. EXIGÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito (confessado) indevidamente compensado. PER/DCOM. CANCELAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Carece de previsão legal o cancelamento de ofício do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp). PER/DCOMP. CANCELAMENTO PELO SUJEITO PASSIVO. O cancelamento do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), por iniciativa do sujeito passivo, somente é possível se realizado antes da ciência da decisão administrativa referente a tal pedido ou da intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 10 02 /2 01 0- 40 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10680.901002/201040 Acórdão n.º 2402006.934 S2C4T2 Fl. 65 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos relatório do Acórdão nº 0235.951, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG, fls. 28 a 32: Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl.18, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP n.º 26367.56458.040805.1.3.042184, transmitida em 04/08/2005. A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRRF de código 5706 (Juros sobre capital próprio), no valor de R$ 31.500,00, efetuado em 12/01/2005. Consta do despacho decisório, que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas o valor recolhido foi parcialmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, restando saldo de crédito insuficiente para compensação dos débitos informados. Parte do valor recolhido foi consumido em outra compensação, efetuada por meio do PER/DCOMP nº 19551.92723.280205.1.3.041435. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 31.230,49 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho se deu em 16/03/2010 (fl. 26). Em 29/03/2010, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 02 e 03. Nela constam os seguintes argumentos: em 12/01/2005 a empresa recolheu um Darf no montante de R$ 31.500,00 referente a IRRF, período de apuração 08/01/2005, código da receita 5706, conforme identificado no Despacho Decisório. Após a conciliação dos pagamentos feitos pela empresa, identificouse esse Darf como pagamento indevido ao erário. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10680.901002/201040 Acórdão n.º 2402006.934 S2C4T2 Fl. 66 3 Como o valor não era devido, a empresa apresentou o pedido de compensação de R$ 31.500,00 através do PER/DCOMP 19551.92723.280205.1.3.041435, aceito pela Receita Federal. Este procedimento foi correto desde o início, a empresa apurou crédito por pagamento indevido ou a maior e compensou com o envio do pedido de compensação, não sendo objeto de cobrança até a presente data. Em 04/08/2005 foi enviado, indevidamente, outro pedido de compensação com o mesmo crédito, ou seja, foi enviado um novo pedido de compensação PER/DCOMP nº 26367.56458.040805. 1.3.042184 com o mesmo crédito de R$ 31.500,00. Tanto os créditos como os débitos identificados nesses dois pedidos são os mesmos. Por um erro da contabilidade não foi cancelado esta última solicitação de compensação. Como a empresa nada devia ao fisco par ser enviado este segundo pedido de compensação, solicita o seu cancelamento de ofício. Na análise da DCTF retificadora tudo foi corretamente alocado e identificado, sendo o primeiro pedido a expressão da verdade dos fatos, e o segundo pedido um erro da empresa. Isto posto, espera o contribuinte seja a presente manifestação de inconformidade recebida em sua integralidade, posto que a tempo e modo produzida, e que, após a análise cuidadosa de seus argumentos seja revisto o Despacho Decisório, cancelando se o pedido de compensação enviado em 04/08/2005, uma vez que não é mais possível ser feito pelo próprio contribuinte. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, mantendo a homologação parcial da compensação, em razão do DARF identificado no presente Per/Dcomp ter sido utilizado, também, em outro Per/Dcomp. Cientificada da decisão de primeira instância, em 21/12/11, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 37, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 38 a 42, em 17/1/11, no qual repete, basicamente, os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando que: Na verdade, a negativa de homologação da compensação processada não se deu por conta de qualquer tipo de erro de cálculo ou de apuração do imposto realmente devido. O indeferimento – correto por assim dizer – deve alcançar efeitos muito mais amplos que a própria negativa da RFB: impõese, urgentemente, CANCELAR o PER/DCOMP 26367.56458.040805.1.3.042184 porque apresentado sem qualquer suporte na escrita fiscal do contribuinte. E mais: não existem quaisquer valores a serem recolhidos à União Federal por conta da negativa da Receita Federal. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10680.901002/201040 Acórdão n.º 2402006.934 S2C4T2 Fl. 67 4 A persistir a honrada decisão sob revisão, atribuindo à recorrente responsabilidade pelo crédito fazendário de mais de R$ 62.000,00 (conforme DARF anexo à decisão recorrida), estarseia operando flagrante enriquecimento ilícito da Fazenda, visto que nenhum débito lhe é imputado, bem como nenhum crédito por ser exigido da recorrente, na medida em que o tão falado PER/DCOMP 26367.56458.040805.1.3.04 2184 não deveria existir no mundo jurídico. Muito embora a Receita Federal questione a exigência do rédito sob compensação, certo é que o valor compensado não surtiu seus efeitos legais, pois não homologada a referida compensação, ocorrendo mero erro escusável na contabilidade que processou duas vezes o mesmo crédito. ISTO POSTO, e considerando mais os áureos suplementos por parte deste Conselho, espera o contribuinte seja o presente RECURSO recebido em sua integralidade, porque a tempo e modo produzido, e que da análise cuidadosa do m´perito possa a Colenda Câmara julgar essas razões procedentes, cassando a decisão recorrida para CANCELAR os procedimentos fiscais adotados pela recorrente NO TOCANTE AO PER/DCOMP 26367.56458.040805.1.3.042184, sobretudo RECONHECEN DO a inexistência de seus efeitos legais, visto que o único procedimento de compensação válido e eficaz fora aquele decorrente do PER/DCOMP 19551.92723.280205.1.3.041435. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Como visto no relatório acima, a Recorrente apresentou o Per/Dcomp 26367.56458.040805.1.3.042184, fls. 20 a 24, em 4/8/05, para compensar débito declarado de R$ 31.500,00. Após a análise do Per/Dcomp, foi homologada parcialmente a compensação pleiteada, uma vez que parte do crédito que a Recorrente alegou ter já foi utilizado no Per/Dcomp 19551.92723.280205.1.3.041435, apresentado em 28/2/05. Dessa forma, estão sendo cobrados R$ 31.230,49 do débito declarado e cuja compensação não foi homologada, acrescidos de multa e juros. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10680.901002/201040 Acórdão n.º 2402006.934 S2C4T2 Fl. 68 5 Pois bem, em seu recurso, alega a Recorrente que o Per/Dcomp 26367.56458.040805.1.3.042184 foi enviado por “erro escusável na contabilidade que processou duas vezes o mesmo crédito” e pede o seu cancelamento. A Recorrente aduz, ainda, que a manutenção da decisão não homologatória da compensação estaria acarretando “enriquecimento ilícito da Fazenda, visto que nenhum débito lhe é imputado”. Vejamos, primeiramente, o que restou consignado no voto condutor da decisão recorrida: No caso, não se pode reformar a homologação parcial efetuada por meio do despacho contestado. Consulta aos Bancos de Dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil confirma que o DARF identificado no PER/DCOMP em litígio foi também utilizado no PER/DCOMP nº 19551.92723.280205.1.3.041435, objeto do processo nº 10680.919343/200938. As compensações de que ele trata já foram homologadas. Não sendo as compensações daquele PER/DCOMP objeto do despacho em questão e já tendo sido homologadas nos autos de outro processo, aqui não cabe nenhuma deliberação a elas concernente. Já se tendo consumido parte do crédito utilizado em compensações homologadas e sendo o saldo insuficiente para as compensações em questão, não cabe reformar a não homologação efetuada por meio do despacho contestado. Possível saneamento seria o cancelamento do PER/DCOMP nº 26367.56458.040805.1.3.042184 em litígio neste processo. O art. 62 da IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, prevê a possibilidade da desistência da compensação por meio de pedido de cancelamento de iniciativa do sujeito passivo, gerado a partir do Programa PER/DCOMP, na hipótese de inexistência do crédito ou do débito. Essa providência, contudo, só poderia ter sido tomada antes da ciência do despacho decisório de não homologação ou da intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação (art. 62, "caput" e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; art. 82, caput e parágrafo único Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008). Não se tendo tomado, oportunamente, tal providência, não há mais falar em cancelamento da compensação. Não há previsão legal para cancelamento de ofício do PER/DCOMP. Consequentemente não se pode cancelar o PER/DCOMP nº 26367.56458.040805.1.3. 042184 em litígio neste processo. Conforme se observa na transcrição acima, a decisão recorrida aponta a retidão da decisão não homologatória da compensação, mostrando que parte do crédito já havia sido utilizado no Per/Dcomp nº 19551.92723.280205.1.3.041435, bem como que não há previsão legal para cancelamento de ofício do Per/Dcomp e que tal providência poderia ter sido tomada pela Recorrente. De fato, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/05, a Recorrente poderia ter requerido o cancelamento do Per/Dcomp antes de ser cientificada do Despacho Decisório: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10680.901002/201040 Acórdão n.º 2402006.934 S2C4T2 Fl. 69 6 Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Todavia, constatase que a compensação foi realizada em 4/8/05, tendo a ciência da decisão não homologatória ocorrido somente em 16/3/10 (fl. 26), ou seja, quase cinco anos depois, sem que nenhuma providência quanto cancelamento do Per/Dcomp tivesse sido tomada pela Recorrente. Ademais, além de não haver previsão legal para o cancelamento de ofício do Per/Dcomp, como bem apontado pela decisão a quo, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. Essa é a inteligência que se extrai da Lei 9.430, de 27/12/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10680.901002/201040 Acórdão n.º 2402006.934 S2C4T2 Fl. 70 7 § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Sendo assim, havendo débitos (confessados) indevidamente compensados, que é o que aconteceu no caso em análise, é dever da autoridade administrativa proceder à sua cobrança, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66, razão pela qual não há que se falar em “enriquecimento ilícito da Fazenda”. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.721426/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Não obstante a documentação trazida aos autos pelo contribuinte, a análise procedida pela autoridade fiscal resultou na constatação de inconformidades entre as origens e as aplicações/dispêndios, nos meses indicados, presumindo, outrossim, a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda, caracterizada pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.
VÍCIO NO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Todas as circunstâncias que permearam a autuação estão devidamente transcritas na Descrição dos fatos e enquadramento legal anexos ao auto de infração.
DA MULTA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-006.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Não obstante a documentação trazida aos autos pelo contribuinte, a análise procedida pela autoridade fiscal resultou na constatação de inconformidades entre as origens e as aplicações/dispêndios, nos meses indicados, presumindo, outrossim, a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda, caracterizada pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. VÍCIO NO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Todas as circunstâncias que permearam a autuação estão devidamente transcritas na Descrição dos fatos e enquadramento legal anexos ao auto de infração. DA MULTA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 14 26 /2 00 9- 71 Fl. 404DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA (DRJ/BEL), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação para manter o crédito tributário lançado de ofício, nos termos do relatório e voto, conforme ementa do Acórdão nº 0120.731 (fls. 371/382): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Classificase como omissão de rendimentos, a oscilação positiva observada no estado patrimonial do contribuinte, sem respaldo em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, não logrando o contribuinte apresentar documentação capaz de ilidir a tributação. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. AQUISIÇÃO DE RENDA. O artigo 43 do Código Tributário Nacional determina que a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda, devem ser alvo de tributação do imposto de renda (hipótese de incidência). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Lançamento Procedente O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 306/318), lavrado contra o Contribuinte em 14/12/2009, onde foi apurado tributo relativo ao anoscalendário 2006, no valor de R$ 139.551,65, acrescido de Juros de Mora, calculados até 30/11/2009, no valor de R$ 38.934,91 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 104.663,73, perfazendo um total de Crédito Tributário Apurado de R$ 283.150,29. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10283.721426/200971 Acórdão n.º 2401006.114 S2C4T1 Fl. 3 3 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fl. 308/318), verificase que a autuação decorre de ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 16/12/2009 e, em 13/01/2010, apresentou sua impugnação de fls. 337 a 342. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BEL para julgamento, que, através do Acórdão nº 0120.731, julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário lançado de ofício, com juros atualizados nos termos da legislação de regência. Em 20/04/2011, o Contribuinte teria tomado ciência do Acórdão da DRJ/BEL, conforme mencionado no próprio Recurso e, tempestivamente, em 19/05/2011, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 388 a 394), onde, em suma, alega: Que o acréscimo patrimonial teve origem em um empréstimo concedido à empresa Companhia CIALI Amazonense de Alimentos, da qual o Recorrente é sócio, e que, apesar de o contrato de mútuo não ter sido registrado em órgãos de registro público, foram apresentados recibos que comprovariam a operação, razão pela qual a autoridade fiscal autuante deveria ter considerado o mútuo realizado (fl. 391); Que o fiscal não justificou o motivo pelo qual desprezou as provas produzidas pelo recorrente, o que, em sua visão, teria violado o princípio da motivação das decisões administrativas previsto no art. 93, IX, da CF/88 (fl. 391); Que o percentual de multa de 75% teria caráter confiscatório (fl. 393). É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Tendo em vista que o recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do mérito Os fatos que permeiam o caso em apreço são bastante claros: a fiscalização detectou, ao analisar as declarações fiscais do contribuinte, um acréscimo patrimonial a Fl. 406DF CARF MF 4 descoberto, ou seja, incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte para o ano calendário fiscalizado, pois o contribuinte teria realizado aporte financeiro através de um contrato de mútuo com a empresa CIALI, da qual era sócio, sem possuir, em tese, renda suficiente para tanto. Vide a descrição dos fatos, anexada auto de infração (fl. 308): Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física de 2007, referente ao anocalendário de 2006, o sujeito passivo informou, na Declaração de Bens e Direitos, deter 3.797.243 ações da Companhia Ciali Amazonense de Alimentos, CNPJ 00.432.620/000108, no valor de R$3.262.312,70, em 31/12/2006; ao passo que, no ano anterior, em 31/12/2005, detinha 2.182.979 ações que representavam o montante de R$1.875.455,63 ou seja, um aumento na ordem de R$1.386.857,07. Na descrição do bem, esclareceu que o referido acréscimo de se deveu à "conversão de contrato de mútuo entre a Companhia e Acionista". Na mesma Declaração de Bens (item n° 7), registrou possuir "Crédito decorrente de empréstimo de mútuo" com a mesma Companhia, no valor de R$1.387.544,00, em 31/12/2005, que caiu para R$377.861,82, em 31/12/2006, o que representa um decréscimo de R$1.009.682,18. Desse modo, seguindo o que ordena a legislação, o contribuinte foi intimado a apresentar os devidos esclarecimentos ao longo do procedimento fiscalizatório, os quais, no entender da autoridade administrativa, não teriam sido suficientes para justificar o aumento do patrimônio. A legislação é extremamente clara quando cria um mecanismo de presunção nos casos de acréscimo patrimonial detectados pela fiscalização, fazendose necessário, portanto, que o contribuinte apresente esclarecimentos acerca da origem do acréscimo, bem como apresente provas de que a operação, de fato, ocorreu. Vejamos o que dispõe o Decreto nº 3.000/99, vigente à época: "Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 7.713/88, art. 3°, § 4 ); (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. (...) Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em o aumento ou diminuição do patrimônio. (Lei n° 4.069/1962, art. 51, § I ). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Lei n° 4.069/1962, art. 52. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10283.721426/200971 Acórdão n.º 2401006.114 S2C4T1 Fl. 4 5 Nesse contexto, cabia ao Recorrente trazer aos autos a devida comprovação da origem desse patrimônio, ainda que não estivessem revestidos de todas as formalidades. O ponto nevrálgico da situação posta no caso em tela diz respeito tão somente à existência ou não da operação, mediante a devida comprovação. O contribuinte então, apresentou esclarecimentos no sentido de que a origem da renda teria sido um outro Contrato de Mútuo, com Altair Lobato de Azevedo, no valor de R$2.200.000,00 (dois milhões e duzentos mil reais). Entretanto, alguns elementos da operação mencionada pelo contribuinte chamaram a atenção do fiscal, que o levaram à conclusão de que o contrato de mútuo que foi apresentado poderia não corresponder à realidade dos fatos. Algumas das observações descritas no auto de infração são extremamente importantes para a conclusão jurídica desta Relatora, notadamente as seguinte elencadas, as quais desde já integram as razões de voto (fl. 311): O Sr. Altair, por sua vez, também foi intimado a confirmar e comprovar as transferências de numerário para o sujeito passivo, bem como a esclarecer a origem dos recursos envolvidos. Em resposta, o diligenciado afirmou que "as fontes de recursos que originaram o contrato de mútuo entre o Sr. Altair Lobato de Azevedo e o Sr. Ricardo de Oliveira Lobato, foram provenientes da venda de imóvel", pelo valor total de R$2.700.000,00 (dois milhões e setecentos mil reais). (…) Altair esclareceu que recebeu o valor da venda do imóvel de forma parcelada, "sem data certa, ou quantia fixa", e em espécie. E que, por sua vez, disponibilizou os valores em espécie para Ricardo e seu irmão Ronaldo, em razão dos contratos de mútuo. Apresentou, então, uma planilha com as datas dos pagamentos realizados pelo comprador (Otávio) ao vendedor (Altair), "e imediatamente disponibilizado pelo vendedor, na condição de mutuante aos mutuários" (Ricardo e Ronaldo), no valor total de R$2.603.225,00, sendo vinte e um pagamentos referentes a 2005 e três referentes a 2006 como prova apresentou Recibos assinados por Altair referentes aos valores pagos pelo comprador do imóvel todos em espécie. (…) O sujeito passivo informou que a transmissão do numerário, referente ao Contrato de Mútuo, ocorreu em parcelas variadas ao longo dos anos calendário de 2005 e 2006, no valor total de R$2.061.481,24, do Sr. Altair para o sujeito passivo, em espécie. Como prova, apresentou somente recibos. Ou seja, os efetivos recebimentos das parcelas do empréstimo pelo sujeito passivo se apóiam em simples recibos, não há qualquer registro bancário para comproválos, pois nenhuma das parcelas foi transferida por meio de cheques ou depósitos em conta. O sujeito passivo afirma ter recebido, por exemplo, Fl. 408DF CARF MF 6 valores de R$485.000,00, R$100.000,00, R$272.000,00 e R$330.000,00, em 16 de dezembro de 2005, em 02 de janeiro de 2006, em 03 de janeiro de 2006 e em 22 de fevereiro de 2006, respectivamente, em espécie. (…) (GRIFAMOS) É claro, que transações em espécie acontecem, mas não é usual no mundo moderno, com formas mais seguras e práticas disponíveis, pessoas circularem com tamanhas quantias de dinheiro lícito pelas ruas. Causa bastante estranheza à Fiscalização que valores tão elevados, que somados totalizam mais de dois milhões de reais, não tenham registros em instituições financeiras. E os recibos, por sua vez, não são provas incontestáveis, uma vez que podem ser confeccionados com os valores que convém e a qualquer tempo. (…) Causa estranheza à Fiscalização, considerando o prazo estipulado em contrato, que o suposto empréstimo não tenha sido pago, passados mais de três anos de sua celebração. IV A contração de novos empréstimos com a pessoa jurídica do mutuante, apesar da não quitação da dívida vencida. Causou mais estranheza, ainda, o item 1 do referido contrato, que reza que o valor da venda seria pago "conforme disponibilidade do promitente comprador". Não é normal em transações imobiliárias a não definição de prazos para pagamento entre os interessados, bem como de taxas de juros incidentes sobre parcelas ou em caso de atrasos. Como relatado, Altair afirmou que recebeu o valor da venda do imóvel de forma parcelada, "sem data certa, ou quantia fixa", e em espécie, conforme recibos, e que, por sua vez, disponibilizou os valores em espécie para o sujeito passivo. Ou seja, Altair teria recebido R$2.603.225,00, em espécie e em parcelas, e repassado parte do dinheiro, da mesma forma, para o sujeito passivo. Mais uma vez, causou bastante estranheza à Fiscalização que valor tão elevado não tenha registros em instituições financeiras. Nesse contexto, considerando que o contribuinte apenas trouxe aos autos simples recibos, entendo que tal conteúdo probatório não é robusto o suficiente para afastar a exigência fiscal. Tal ausência de convicção das "provas" trazidas pelo contribuinte fica ainda mais evidente na medida em que, retroagindo um pouco mais no tempo e analisando se o Sr. Altair teria condições financeiras de ter feito mútuo com a recorrente, foram verificadas várias inconsistências, quais sejam: Cabe comentar que Altair não pagou IR sobre o ganho de capital obtido pela suposta venda do imóvel no valor total de R$2.700.000,00, que tinha como registro, no anocalendário anterior, o valor de R$2.058.380,15. Ou seja, mais um detalhe que põe em dúvida a ocorrência de fato da venda. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10283.721426/200971 Acórdão n.º 2401006.114 S2C4T1 Fl. 5 7 Merece destaque também que, na Declaração de Bens e Direitos, dos exercícios de 2006 e 2007, do promitente comprador Otávio Ramam Neves, consta, na descrição do imóvel em questão, que este foi adquirido "conforme escritura lavrada no Cartório de 4 Ofício de Registro de Imóveis sob o no. 13.766". Como a citada escritura não foi apresentada à Fiscalização pelo vendedor Altair, o Cartório foi então solicitado, através do Ofício/Sefis/DRF/MNS n° 761/2009, a encaminhar cópia da referida matrícula. Contudo, na matrícula do imóvel n°13.766, encaminhada pelo Cartório à Receita Federal, não há qualquer registro de venda para o Sr. Otávio Ramam Neves. Por outro lado, consta o registro R.213.766 de Promessa de Compra e Venda, por efeito de cumprimento de mandado judicial, tendo como promitente vendedor Altair Lobato de Azevedo e como promissária compradora a empresa JUTAÍ REPRESENTAÇÕES E SERV. LTDA, CNPJ 01.033.739/000162, em 20 de agosto de 2003. A Fiscalização constatou, então, que não seria possível ao Sr. Altair vender um imóvel já vendido, e, caso a venda não tenha sido concluída de fato, a Fiscalização não compreende porque não há nenhum registro da desistência da venda e o registro da nova venda para Sr. Otávio. Para completar, consta, ainda, na matrícula do imóvel, a averbação AV.313.766 de Seqüestro de Bens, nos termos do Mandado de Seqüestro, datado de 11 de agosto de 2006, assinado por Juiz Federal, pelo qual o Oficial do Registro de Imóveis foi intimado a "proceder à averbação do decreto de Seqüestro no imóvel objeto desta matrícula em nome de Altair Lobato de Azevedo". A Fiscalização concluiu que se o imóvel não pertencia mais a Altair não poderia a Justiça ter providenciado seu seqüestro. Portanto, tendo em vista as diversas inconsistências na operação descrita pelo contribuinte, bem como não tendo sido trazidas provas acerca do Contrato de Mútuo, voto pela manutenção do lançamento nesse ponto. Da documentação utilizada na fiscalização A respeito do argumento do contribuinte de que teria existido um vício no ato administrativo de lançamento, pois não teria sido observado o princípio da motivação dos atos, entendo que não deve prosperar. Na realidade, toda a motivação do fiscal está devidamente transcrita na Descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 300 a 318), anexos ao auto de infração. Não vislumbro, portanto, nenhuma nulidade decorrente da documentação utilizada para embasar a lavratura do auto. Fl. 410DF CARF MF 8 Da multa confiscatória O Contribuinte insurgese sobre a cobrança de 75% a título de multa, por entender que tratase de uma cobrança inconstitucional que feriria o princípio do não confisco. Ocorre que este douto Conselho de Contribuintes já possui entendimento firmado no sentido de que a esfera administrativa não é competente para se manifestar sobre inconstitucionalidades. Tal entendimento inclusive já está sumulado, senão vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, somos pelo indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a totalidade do crédito tributário lavrado. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721806/2015-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.765
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 80 6/ 20 15 -3 8 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16682.721806/201538 Resolução nº 3201001.765 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16682.721806/201538 Resolução nº 3201001.765 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900217/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.539, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 21 7/ 20 06 -4 6 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13851.900217/200646 Resolução nº 1201000.539 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 2º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900217/200646 Resolução nº 1201000.539 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900217/200646 Resolução nº 1201000.539 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.900217/200646 Resolução nº 1201000.539 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13851.900217/200646 Resolução nº 1201000.539 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13851.900217/200646 Resolução nº 1201000.539 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13851.900217/200646 Resolução nº 1201000.539 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 31/03/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.014650/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 104.
Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 105.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPOSTO A PAGAR.
A exigência de multa isolada não se confunde com a exigência dos tributos. A ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação principal, não elide a sanção associada ao descumprimento da obrigação acessória. Havendo ou não tributo a pagar no final do período de apuração, deve-se antecipar o pagamento, conforme a base estimada. A não realização da antecipação determinada pela lei dá ensejo à exigência da correspondente sanção administrativa de caráter pecuniário.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.
A contabilização do crédito presumido de IPI tem o efeito de torná-lo efetivo para fins tributários.
Esse crédito tem natureza de subvenção para custeio e deve compor a base de cálculo estimada da antecipação mensal do IRPJ e da CSLL.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ATIVIDADE DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA.
A variação cambial ativa não é receita da exportação, ainda que o ativo financeiro que gerou a receita tenha sua origem em operação de exportação.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ATIVIDADE DE EXPORTAÇÃO. CSLL. IMUNIDADE.
A imunidade prevista no inciso I do § 2° do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras, de forma que este sobre a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Numero da decisão: 1201-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em não conhecer dos questionamentos relativos ao lançamento de IRPJ e sua multa de ofício e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa isolada de IRPJ e para excluir da base de cálculo da multa isolada de CSLL os valores relativos ao crédito prêmio de IPI; por unanimidade
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 104. Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPOSTO A PAGAR. A exigência de multa isolada não se confunde com a exigência dos tributos. A ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação principal, não elide a sanção associada ao descumprimento da obrigação acessória. Havendo ou não tributo a pagar no final do período de apuração, devese antecipar o pagamento, conforme a base estimada. A não realização da antecipação determinada pela lei dá ensejo à exigência da correspondente sanção administrativa de caráter pecuniário. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. A contabilização do crédito presumido de IPI tem o efeito de tornálo efetivo para fins tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 46 50 /2 00 7- 40 Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.758 2 Esse crédito tem natureza de subvenção para custeio e deve compor a base de cálculo estimada da antecipação mensal do IRPJ e da CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ATIVIDADE DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A variação cambial ativa não é receita da exportação, ainda que o ativo financeiro que gerou a receita tenha sua origem em operação de exportação. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ATIVIDADE DE EXPORTAÇÃO. CSLL. IMUNIDADE. A imunidade prevista no inciso I do § 2° do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras, de forma que este sobre a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em não conhecer dos questionamentos relativos ao lançamento de IRPJ e sua multa de ofício e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa isolada de IRPJ e para excluir da base de cálculo da multa isolada de CSLL os valores relativos ao crédito prêmio de IPI; por unanimidade (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório NETUNO ALIMENTOS S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1126.379 (fls. 866), pela DRJ Recife, interpôs recursos voluntários (fls. 909IRPJ e fls. 1313CSLL) dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de lançamentos tributários para realizar a retificação de ofício da apuração do Lucro Real, para exigir IRPJ, para exigir multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, relativos aos anos de 2002, 2003 e 2004, bem como para exigir juros de mora e multa de ofício (fls. 545). Em relação ao IRPJ, a fiscalização concluiu que o contribuinte: (i) realizou exclusão indevida na apuração do lucro real relativa a parcelas de crédito prêmio de IPI e crédito presumido de IPI; (ii) realizou compensação indevida de prejuízos fiscais (infração associada à exclusão dos créditos de IPI); (iii) utilizou benefício fiscal acima do limite autorizado (SUDENE); (iv) computou antecipações mensais (estimativas) não comprovadas e Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.759 3 (v) deixou de incluir receitas tributáveis na base das antecipações mensais, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 569). Em relação à CSLL, a fiscalização concluiu que o contribuinte: (i) realizou exclusão indevida na apuração do lucro líquido relativa a receitas de exportação; (ii) realizou compensação indevida de prejuízos fiscais (infração associada à exclusão das receitas de exportação) e (iii) deixou de incluir receitas tributáveis na base das antecipações mensais, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 569). A mesma ação fiscal deu origem a outros lançamentos tributários, formalizados nos processos nº 19647.014651/200794, nº 19647.008747/200802 e nº 19647.008748/200849, mas os respectivos créditos tributários foram incluídos em programas de parcelamento. O contribuinte impugnou os lançamentos tributários e a decisão de primeira instância, ora recorrida, exonerou parcialmente o crédito tributário exigido ao verificar que parte das estimativas glosadas foram recolhidas. O recurso voluntário apresentado em seguida traz os argumentos assim sintetizados: i) apesar de ter contabilizado créditos prêmios de IPI, eles não existem de fato e, por isso, não devem ser tributados; ii) os créditos presumidos de IPI somente poderão ser tributados quando ingressarem efetivamente no patrimônio do contribuinte, ou seja, quando as declarações de compensação em que são utilizados forem consideradas homologadas pela Administração Tributária; iii) os créditos prêmios e os créditos presumidos de IPI possuem natureza de recuperação de custos de âmbito compensatório, não podendo ser tributados; iv) a eventual reforma da decisão recorrida quanto aos itens anteriores deve causar efeito reverso, para que o prejuízo acumulado em 2003 retorne ao valor declarado pelo contribuinte e seja admitida a compensação realizada em 2004; v) a fiscalização não poderia ter arbitrado o lucro do contribuinte, por falta de previsão legal; vi) a multa isolada estava parcialmente decaída quando da lavratura do auto de infração; vii) não é possível exigir a multa isolada em concomitância com a multa de ofício; viii) não é possível exigir a multa isolada quando não há tributo a pagar no final do respectivo período de apuração; ix) não é possível exigir a multa isolada após o final do respectivo período de apuração; x) não é possível a inclusão de crédito prêmio e de crédito presumido de IPI na base de cálculo da multa isolada; xi) não é possível a inclusão, na base de cálculo da multa isolada de CSLL, da variação cambial ativa associada a operação de exportação. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.760 4 Salientese que o contribuinte, após o recurso voluntário, desistiu de questionar o lançamento de IRPJ e a correspondente multa de ofício, nos termos da petição de fls. 1701, e a DRF/Recife transferiu o correspondente crédito tributário para outro processo, nos termos do despacho de fls. 1720. Com isso, permanece em litígio no presente processo apenas o crédito tributário referente ao lançamento de multa isolada pelo pagamento a menor de estimativas de IRPJ e CSLL, conforme o extrato de fls. 1722. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 21/07/2009 (fls. 906) e seu recurso voluntário foi apresentado em 20/08/2009 (fls. 909). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo, nos seguintes termos. Em razão do pedido de desistência parcial do recurso, deixo de conhecer das seguintes questões trazidas no recurso voluntário, relativas à exigência de IRPJ: i) apesar de ter contabilizado créditos prêmios de IPI, eles não existem de fato e, por isso, não devem ser tributados; ii) os créditos presumidos de IPI somente poderão ser tributados quando ingressarem efetivamente no patrimônio do contribuinte, ou seja, quando as declarações de compensação em que são utilizados forem consideradas homologadas pela Administração Tributária; iii) os créditos prêmios e os créditos presumidos de IPI possuem natureza de recuperação de custos de âmbito compensatório, não podendo ser tributados; iv) a eventual reforma da decisão recorrida quanto aos itens anteriores deve causar efeito reverso, para que o prejuízo acumulado em 2003 retorne ao valor declarado pelo contribuinte e seja admitida a compensação realizada em 2004; v) a fiscalização não poderia ter arbitrado o lucro do contribuinte, por falta de previsão legal; Conheço das questões trazidas em combate à exigência de multa isolada pelo pagamento a menor de estimativas de IRPJ e CSLL e passo a analisálas. 1 Decadência O recorrente propugna pela decadência do direito de a Fazenda Pública exigir a multa isolada lançada para os meses de janeiro a novembro de 2002. Para tanto, adota a regra contida no artigo 150, §4º, do CTN. Afirma que a regra contida no artigo 173, I, do CTN não é aplicável na espécie, pois a multa isolada é obrigação acessória secundária à obrigação de recolher os tributos, de forma que deve seguir a mesma regra da obrigação principal, conforme o seguinte excerto (fls. 933): Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.761 5 Assim, a multa isolada, espécie de obrigação acessória, compõe o crédito tributário decorrente da obrigação principal e, portanto, estará sujeita a mesma regra de decadência. Este entendimento é também adotado pelo C. Conselho de Contribuintes: [...] Nessa linha, se o lançamento do IRPJ obrigação principal sujeitase a prazo decadência! de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional15, do mesmo modo será com as multas isoladas aplicadas por insuficiência de recolhimento das antecipações mensais do IRPJ obrigação acessória convertida em obrigação principal. A questão relativa ao prazo decadencial para a aplicação da multa isolada em tela já foi bastante discutida no âmbito deste tribunal administrativo, todavia já foi pacificado o entendimento de que a regra a ser aplicada é aquela contida no artigo 173, I, do CTN, conforme a Súmula CARF nº 104, verbis: Súmula CARF nº 104 Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Com isso, afasto a ocorrência da decadência reclamada, uma vez que esta ocorreria apenas se a contagem do prazo tivesse início na data do fato gerador da exigência e o artigo 173, I, determina que a contagem se inicie no primeiro dia do exercício seguinte ao que a exigência poderia ser realizada. 2 Concomitância com a multa de ofício vinculada ao não pagamento do tributo O recorrente afirma que a exigência de multa isolada pelo recolhimento a menor de antecipações mensais dos tributos não pode acontecer ao mesmo tempo em que é exigida a multa de ofício vinculada ao não pagamento do mesmo tributo. Para tanto, cita várias decisões deste CARF nesse sentido. A exigência da multa isolada em concomitância com a multa de ofício ainda é uma matéria polêmica no âmbito do CARF. Todavia, já se pacificou o entendimento de que essa concomitância não é devida quando a multa isolada tiver como fundamento o art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430/1996, nos termos da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Verifico que a exigência da multa isolada de IRPJ foi feita com o referido fundamento legal e também se exigiu a multa de ofício pelo pagamento a menor do IRPJ, de forma que essa multa isolada deve ser exonerada. Contudo, não houve exigência de multa de ofício pelo pagamento a menor de CSLL, ou seja, não há a concomitância das duas multas, pelo que a multa isolada em relação à CSLL deve ser mantida. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.762 6 Por tal razão, voto por afastar a exigência da multa isolada de IRPJ e manter a multa isolada de CSLL, quanto ao presente tópico. 3 Exigência da multa isolada diante da inexistência de tributo a pagar O recorrente defende que a exigência de multa isolada pelo recolhimento a menor de antecipações mensais dos tributos não pode acontecer quando não há tributo a pagar na apuração do final do exercício, conforme o seguinte excerto (fls. 937): Justificase o afastamento da aplicação da multa isolada quando encerrado o período de apuração sem que haja saldo de imposto a pagar em razão do fato gerador do imposto de renda somente se materializa em 31 de dezembro de cada ano (contribuintes optantes pelo regime de apuração anual art. 20, §3° da Lei n° 9.430/96). Em outras palavras, as antecipações mensais não configuram pagamento de tributo devido, mas somente antecipações de recolhimento. O imposto devido só se materializará com a apuração do lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Daí temse que, se após o término do período de apuração verificarse inexistir saldo de tributo a pagar, a eventual ausência de recolhimento das estimativas não terá acarretado repercussão tributária negativa, não se justificando a imposição de qualquer penalidade. Entendo que a exigência de multa isolada não se confunde com a exigência dos tributos. É certo que, caso não tenha havido a devida antecipação mensal do tributo sobre a base estimada, esta somente poderá ser exigida enquanto não for devido o próprio tributo, na data do seu fato gerador. Assim está declarado na Súmula CARF nº 821. Todavia, a ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação principal, não elide a sanção associada ao descumprimento da obrigação acessória. Não se pode confundir a obrigação de pagar o tributo (obrigação principal) com a obrigação de antecipar uma parte do pagamento (obrigação acessória), assim como ocorre com a obrigação de apresentar declaração, cujo multa pelo descumprimento não é afastada pelo pagamento do tributo ou pela ausência de tributo a pagar. De todo jeito, havendo ou não tributo a pagar no final do exercício, devese apresentar as declarações necessárias e devese antecipar o pagamento, conforme a base estimada. Ademais, devese repisar a já apontada obrigatoriedade de dar cumprimento à lei. A multa isolada é exigida em razão de comando legal expresso (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Da mesma forma, a exigência da multa vinculada também decorre de comando expresso, contido na mesma Lei (ainda o art. 44). Deixar de aplicar qualquer uma dessas multas é violar algum desses dispositivos legais, o que é defeso tanto à autoridade lançadora quanto ao julgador administrativo, seja ele de primeira instância ou componente do Conselho Recursal, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 1 Súmula CARF nº 82 Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.763 7 O recorrente aponta algumas decisões do CARF favoráveis à exoneração da multa isolada, mas esse não é o entendimento que vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais, órgão encarregado de solucionar as divergências de entendimento entre as várias turmas de julgamento do CARF. Vejase, por exemplo, o Acórdão nº 9101003.353, de 17 de janeiro de 2018, o qual manteve a multa isolada, por maioria de votos, conforme a seguinte ementa: IRPJ. CSLL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. É devida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, ainda que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário. Por tais razões, voto por afastar a presente reclamação. 4 Exigência da multa isolada após o final do período de apuração O recorrente defende que a exigência de multa isolada pelo recolhimento a menor de antecipações mensais dos tributos não pode acontecer após o encerramento do período de apuração, conforme o seguinte excerto (fls. 939): Seguindo a mesma linha de raciocínio desenvolvida no tópico anterior qual seja, de que as antecipações mensais não configuram pagamento de tributo devido, mas somente antecipações de recolhimento; e de que o imposto devido só se materializa com a apuração do lucro real em 31 de dezembro de cada ano , podese concluir que as supostamente indevidas exclusões da base de cálculo para a apuração das estimativas mensais não geraram repercussão econômica para o Fisco. Registrese que o presente tópico deve ser apreciado em caráter subsidiário, pois que os argumentos jurídicos anteriormente expendidos já são suficientes para assentar a inaplicabilidade da multa isolada ao caso em comento. De fato, assiste razão ao contribuinte quando afirma que este tópico segue a mesma linha de raciocínio do tópico anterior, pois somente se sabe que houve, ou não, tributo a pagar no final do período de apuração (tópico anterior) quando esse período de apuração já encerrou (presente tópico), ou seja, a situação do tópico anterior exige a ocorrência da situação do presente tópico. Com isso, os fundamentos trazidos no item anterior são perfeitamente plasmados à presente questão, quais sejam, o fato de o surgimento da obrigação principal não elidir a sanção pelo descumprimento da obrigação acessória e a necessidade de se cumprir as determinações legais. Estando claros os fundamentos adotados, acima exibidos, não há necessidade reproduzir o mesmo texto do item anterior. Por tais razões, voto por afastar a presente reclamação. 5 Inclusão de crédito prêmio e de crédito presumido de IPI na base de cálculo estimada da antecipação mensal dos tributos O recorrente afirma que não é possível a inclusão do crédito prêmio de IPI e de crédito presumido de IPI na base de cálculo estimada da antecipação mensal dos tributos, uma vez que estes não possuem natureza de receita e a base de cálculo da estimativa mensal é a receita bruta, conforme o seguinte excerto (fls. 941): Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.764 8 É fácil ver que a base de cálculo das estimativas mensais é a receita bruta auferida mensalmente, com as adições previstas no art. 225. Ora, já restou sobejamente demonstrado precedentemente que: (i) não se pode computar o créditoprêmio e o crédito presumido de IPI na conta de "receitas", tendo em vista o que se disse nos itens "III.l.A" e "III.1.B" deste recurso; (ii) o créditoprêmio e o crédito presumido não se enquadram no conceito de receita, haja vista possuírem a natureza de recuperação compensatória da custos, (cf. item "iii.i.c"). Desta feita, não se caracterizando como receitas, o créditoprêmio e o crédito presumido de IPI não podem compor a base de cálculo das estimativas mensais de IRPJ, em razão do que deve ser afastada a cobrança de multa isolada quanto à parcela atinente a esses incentivos. Em razão da desistência parcial do contencioso administrativo, por parte do contribuinte, os argumentos acima referidos não foram conhecidos até agora, mas o serão apenas para fins de solução da presente questão, relativa à base de cálculo de estimativas. 5.1 CRÉDITO PRÊMIO DE IPI EXISTÊNCIA O contribuinte afirma que, apesar de ter contabilizado créditos prêmios de IPI, eles não existem de fato e, por isso, não devem ser tributados. Afirma que a Administração Tributária negou todos os pedidos do contribuinte para aproveitar esses créditos. Afirma que já foi pacificado o entendimento jurisdicional de que esse benefício foi extinto em 1990. Afirma, ainda, que tais créditos não possuíam natureza de receita operacional, pelo que também não poderiam ser tributados. O crédito prêmio de IPI foi criado pelo DecretoLei nº 491/1969, cujo artigo 1º tem a seguinte redação: Art. 1º As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão, a título estimulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente. Outros decretosleis posteriormente emitidos (DL nº 1.724/1979 e DL nº 1.894/1981) permitiam ao Ministro da Fazenda determinar o prazo de vigência desse benefício, o que de fato ocorreu. Contudo, esses decretosleis foram objeto de questionamento levado à esfera judicial, o que levou a declarações de inconstitucionalidade. Com isso, novo imbróglio surgiu em relação ao alcance temporal do benefício fiscal. A questão sobre a validade desse benefício fiscal foi solucionada pela decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.111.148, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, em que ficou definido que o crédito prêmio de IPI somente pode ser adquirido até 04/10/1990, por força do §1º do artigo 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988. Transcrevese trecho da ementa da referida decisão: 6. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o créditoprêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485/RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.765 9 Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. Com isso, entendo que assiste razão ao recorrente quando afirma que o crédito prêmio de IPI por ele contabilizado nos anos 2002, 2003 e 2004 não pode compor a base de cálculo dos tributos, por ser inexistente, de forma que também não pode compor a base estimada das antecipações mensais. Com isso, entendo que a base de cálculo da multa isolada em tela deve ser reduzida pelo valor do crédito prêmio de IPI que tenha sido lá incluída. 5.2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI EFETIVIDADE O contribuinte também contabilizou créditos presumidos de IPI nos anos 2002, 2003 e 2004. Segundo o recorrente, esses créditos somente poderão ser tributados quando ingressarem efetivamente no patrimônio do contribuinte, ou seja, quando as declarações de compensação em que são utilizados forem consideradas homologadas pela Administração Tributária, nos seguintes termos (fls. 918): Olvidouse a autoridade autuante, contudo e também a E. 3a Turma da DRJ/Recife que as parcelas de crédito presumido a que a recorrente entende ter direito ainda não ingressaram em seu patrimônio, ainda não caracterizam acréscimo patrimonial, porque ainda não puderam ser aproveitadas já que as DCOMP's e pedidos de ressarcimento que as tem como objeto ainda não foram definitivamente homologados ou deferidos. Entendo que a contabilização do crédito presumido de IPI tem o efeito de tornálo efetivo no patrimônio da empresa, a menos de prova em contrário, o que não ocorreu. Na verdade, o recorrente reafirma a existência do crédito e aponta a sua utilização na compensação de tributos devidos. Ademais, o crédito presumido de IPI não depende de reconhecimento prévio da Administração Tributária, bastando que sejam satisfeitas as condições previstas no artigo 1º da Lei nº 9.363/1996, verbis: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Por fim, devese destacar que a declaração de compensação extingue, no momento de sua apresentação, o crédito tributário compensado. Ainda que a compensação possa ser posteriormente revista pela Administração Tributária, ela surte seus efeitos de imediato. Em outras palavras, a manifestação da Administração Tributária sobre declaração de compensação não tem a finalidade de darlhe efetividade, pois ela já a tem. A homologação da compensação apenas declara o que já está estabelecido, nos termos do §2º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.766 10 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Portanto, ao apontar o crédito presumido de IPI em declaração de compensação, o contribuinte consumou o seu patrimônio que já havia sido efetivamente adquirido. Com isso, superase o questionamento da efetividade do crédito presumido de IPI. 5.3 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NATUREZA JURÍDICA O recorrente ainda se opõe à tributação do crédito prêmio de IPI e do crédito presumido de IPI por entender que estes possuem natureza de recuperação de custos de âmbito compensatório. Considerando que o crédito prêmio declarado pelo contribuinte foi considerado inexistente neste voto, será apreciada apenas a natureza do crédito presumido de IPI. Ao aprofundar a sua tese, o recorrente chega ao entendimento de que o crédito presumido de IPI é um estímulo financeiro atrelado à idéia de recomposição patrimonial. O recorrente afasta a possibilidade de o crédito presumido ser uma modalidade de subvenção em razão de sua finalidade, que seria a de incrementar as atividades da empresa, e em razão de não configurar uma renúncia fiscal direta, pois não importaria em despesa para União. Com isso, conclui que o crédito presumido é uma recuperação de custos. Afirma ainda que, por ter caráter compensatório, indenizatório e não remuneratório, o crédito presumido não tem repercussão tributária e não entra no cômputo do lucro operacional, conforme o seguinte excerto (fls. 926): Não sendo receita, mas sim um ressarcimento de tributos pagos nas operações anteriores ocorridas no âmbito do mercado interno, como estímulo compensatório do esforço de exportação, é correto e Plausível esse acórdão do STJ ao julgar que o valor do créditoprêmio de IPI não entra no cômputo do lucro líquido para fins tributários. Poderseia, ainda, alegar que o Regulamento do Imposto de Renda prevê a inclusão das subvenções e das recuperações de custo no cômputo do lucro operacional (art. 392). Entretanto, o cerne da questão é fixar que a recuperação de custos advinda com o créditoprêmio e o crédito presumido tem caráter compensatório, indenizatório e não remuneratório. Portanto, a ausência de repercussão tributária dos aludidos incentivos não se justifica pelo fato de se enquadrarem ou não no conceito de receita, subvenção ou recuperação de custo, mas sim pelo fato de possuírem natureza compensatória pelo que caracterizamse não como acréscimo patrimonial, mas como recomposição de custos. Entendo que assiste razão ao recorrente quando classifica o crédito presumido de IPI como uma recuperação de custos e o custo a que se refere a lei (artigo 1º da Lei nº 9.363/1996) é o pagamento de PIS e COFINS na aquisição de insumos para a produção de bens exportados. Todavia, não pode prosperar o entendimento do contribuinte quando afirma que esse crédito tem natureza indenizatória. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.767 11 A indenização é uma contrapartida financeira para um dano sofrido. Assim, a indenização não acresce o patrimônio do indenizado, apenas repõe aquilo que foi indevidamente tirado deste. Entendo que o pagamento de PIS e COFINS não pode ser classificado como um dano e, consequentemente, a sua contrapartida não pode ser classificada como indenização. Também não assiste razão ao contribuinte quando afirma que a concessão do crédito presumido não é uma renúncia fiscal. Na verdade, a União deixa de arrecadar o valor correspondente ao crédito presumido, ou seja, o Tesouro Nacional assume o ônus de parte do custo de produção do contribuinte, a saber, o pagamento das referidas contribuições sociais. Assim, o crédito presumido de IPI é melhor classificado como uma subvenção de custeio e, como tal, deve ser considerado na apuração do lucro real, na medida em que reduz o custo de produção que compõe o lucro líquido. Sendo assim, o crédito presumido de IPI deve compor a base de cálculo estimada da antecipação mensal do IRPJ e da CSLL, por força do artigo 44, IV, da Lei nº 4.506/1964, verbis: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: [...] IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 6 Variação cambial ativa CSLL imunidade O contribuinte apresentou duas petições de recurso voluntário, uma para o auto de infração de IRPJ (fls. 909) e outra para o auto de infração de CSLL (1313). Nesta ultima, o recorrente traz os mesmos argumentos contrários à exigência da multa isolada, mas acrescenta um último argumento, propugnando pela impossibilidade de inclusão na base de calculo estimada dos valores relativos a variação cambial ativa, conforme o seguinte excerto (fls. 1336): Pretendeu, ainda, a i. autoridade fiscal com o que não discordou a E. 3a Turma da DRJ de Recife sancionar a recorrente por não incluir as receitas de variação cambial ativa na composição da ba|se de cálculo da estimativa mensal da CSLL. Essa inclusão, todavia, revelase indevida, uma vez que a variação cambial é receita de exportação, e, portanto, está abarcada pela regra de imunidade insculpida no art. 149, §2°, I da CF/88. Senão, vejamos. A Emenda Constitucional n° 33, ao modificar o art. 149 da Carta Magna, instituiu a seguinte imunidade: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, m, e 150, I e m, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6°, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. §3° As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação. Da leitura do dispositivo depreendese que as receitas decorrentes de exportação não estão sujeitas à incidência da CSLL por força de regra de imunidade. Disto não Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 19647.014650/200740 Acórdão n.º 1201002.766 S1C2T1 Fl. 1.768 12 se pode duvidar. Cabe, entretanto, perquirir se as variações cambias estão abraçadas no conceito de receita de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior. Entendo que a variação cambial ativa é receita financeira e não receita da exportação, como pretende o recorrente, ainda que o ativo financeiro que gerou a receita em tela tenha sua origem em operação de exportação. Ademais, ainda que fosse dado o salto pretendido pelo recorrente, entre receita financeira e receita da exportação, verifico que a CSLL tem como base tributável o lucro líquido da empresa, não sendo possível fragmentar esse lucro conforme a sua origem, ou seja, segmentálo em receita decorrente de exportação e receita não decorrente de exportação. Portanto, a CSLL não é alcançada pela imunidade prevista no artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal. Nesse sentido decidiu o Supremo Tribunal Federal quando julgou o RE nº 564.413/SC, com repercussão geral, tendo sido adotada a seguinte ementa: IMUNIDADE CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE EXPORTAÇÃO RECEITA LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2° do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Destarte, afastase a imunidade reclamada. 7 Conclusão Diante das razões acima expostas, voto por não conhecer dos questionamentos relativos ao lançamento de IRPJ e sua multa de ofício e, na parte conhecida, dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa isolada de IRPJ e para excluir da base de cálculo da multa isolada de CSLL os valores relativos ao crédito prêmio de IPI. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Fl. 1768DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.690632/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/07/2004
ÔNUS DA PROVA.
Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, o recurso não merece prosperar.
Numero da decisão: 3201-004.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/07/2004 ÔNUS DA PROVA. Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, o recurso não merece prosperar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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Recai ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, com documentos, motivos de fatos e de direito. Não realizado este procedimento nos ditames dos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que regula o PAF, em especial, dentro do momento (impugnação) determinado no seu §4.º, o recurso não merece prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 06 32 /2 00 9- 93 Fl. 143DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 105 em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 96 que negou provimento para a Manifestação de Inconformidade de fls. 10, mantendo o Despacho Decisório de fls. 7. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.690632/200993 Acórdão n.º 3201004.928 S3C2T1 Fl. 144 3 Essa decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SP, foi publicada com a seguinte Ementa: Em resumo, o Recurso Voluntário reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade. Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, os fatos, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Fl. 145DF CARF MF 4 O contribuinte pleiteou o reconhecimento de créditos de Cofins por pagamentos indevidos realizados em cima de pagamentos que já haviam ocorrido por meio de compensação. Conforme a legislação correlata, conforme Art. 170 do CTN e conforme inúmeros precedentes deste Conselho, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de créditos. A simples alegação de que possui o crédito e de que teria compensado anteriormente os tributos pagos por DARF, não é o mesmo que quantificar linha por linha e valor por valor o seu crédito, de forma que fique líquido e certo, conforme determinado no próprio Art. 170 do CTN. A mencionadas compensações teriam de ter sido comprovadas nos autos, mas não foram. Portanto, a partir deste momento verificase que o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, em especial com o determinado no §4.º (em negrito): "Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.690632/200993 Acórdão n.º 3201004.928 S3C2T1 Fl. 145 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)." Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902043/2008-78
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 3003-000.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 05803.17098.150404.1.3.046578, cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, Código de Receita 5856, PA de fevereiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 20 43 /2 00 8- 78 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.902043/200878 Acórdão n.º 3003000.175 S3C0T3 Fl. 3 2 2004, no valor original na data de transmissão de R$2.075,19, representado por Darf recolhido em 15/03/04. Após processada foi exarado o Despacho Decisório (efls. 38), emitido em 12/08/2008, no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: Em fevereiro/2004 a COFINS foi calculada segundo regime cumulativo. No entanto, sem observar o crédito do estoque existente em 31/01/2004, recolheuse o imposto no valor bem acima do que o realmente devido. Após recalculo, levandose em conta o crédito do estoque existente em 31/01/2004, gerouse um saldo a compensar no valor de R$ 2.075,19 (dois mil e setenta e cinco reais e dezenove centavos). Esse saldo foi compensado, através de Perd/Comp, com PIS e COFINS vencidos em 15/04/2004, sendo: R$ 104,61 (cento e quatro reais e sessenta e um centavos) referente ao PIS, e R$ 1.970,58 (hum mil novecentos e setenta reais e cinqüenta e oito centavos) referente a COFINS. Além da Perd/Comp, a referida compensação foi também declarada na DACON. Porém, por um lapso, a DCTF referente ao 1º Trimestre de 2004 não foi devidamente retificada, nesse período, o que somente foi feito agora, na data de 27/08/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 0538.516. O fundamento adotado, em síntese, foi a falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.902043/200878 Acórdão n.º 3003000.175 S3C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de crédito do estoque existente em 31/01/2004 que não foi aproveitado na época gerando o recolhimento a maior da Cofins, do período de apuração de fevereiro de 2004, recolhido em 15/03/04. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), artigo 373, inciso I: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Apesar da recorrente ter providenciado a retificação extemporânea da respectiva DCTF, recebida em 27/08/2008., os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da Cofins referente ao período de apuração em discussão e confirmar as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.902043/200878 Acórdão n.º 3003000.175 S3C0T3 Fl. 5 4 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
