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Numero do processo: 10283.721257/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRRF. LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Deve ser considerada como não impugnada a parcela do lançamento sobre a qual a parte interessada não se insurge, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado.
IRPF. RECEITA TRIBUTADA
A receita da atividade rural, em relação à parcela tributada, atrai a incidência da norma cogente, sendo racionalmente necessário que a mesma seja observada no cálculo da APD, tornando sua inclusão obrigatória. O art. 5º da Lei n.º 8.023/1990, preceitua que é opção do contribuinte, do resultado da atividade rural, tributar vinte por cento da receita bruta no ano-base.
Numero da decisão: 2102-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir R$ 478.045,80 da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi.
(Assinado Digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Sidnei de Sousa Pereira, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Deve ser considerada como não impugnada a parcela do lançamento sobre a qual a parte interessada não se insurge, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. IRPF. RECEITA TRIBUTADA A receita da atividade rural, em relação à parcela tributada, atrai a incidência da norma cogente, sendo racionalmente necessário que a mesma seja observada no cálculo da APD, tornando sua inclusão obrigatória. O art. 5º da Lei n.º 8.023/1990, preceitua que é opção do contribuinte, do resultado da atividade rural, tributar vinte por cento da receita bruta no anobase. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir R$ 478.045,80 da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 57 /2 00 9- 70 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 (Assinado Digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado Digitalmente) Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Sidnei de Sousa Pereira, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 205/214, por meio do qual lhe é exigido crédito tributário no importe de R$2.370.982,05 (dois milhões, trezentos e setenta mil, novecentos e oitenta e dois reais e cinco centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, constatase que a autuação é decorrente da: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Por meio do Mandado de Procedimento FiscalMPF n°02.2.01.002009 001945 foi determinada fiscalização no contribuinte acima identificado, referente ao anocalendário 2006. Respaldada no MPF acima citado emiti o Termo de Início do Procedimento Fiscal, datado de 02/04/2009, e encaminhei para o endereço do contribuinte registrado nos Sistemas informatizados da Receita Federal Cadastro das Pessoas Físicas (rua via Arterial Sul n°12, quadra 8, conjunto Aruanã, Compensa I, neta cidade), o qual foi recepcionado em 07/04/2009, conforme aviso de recebimento AR. Transcorrido o prazo estabelecido na intimação sem que o investigado se manifestasse, lavrei o Termo de Intimação Fiscal, datado de 04/05/2009, intimandoo novamente a apresentar a documentação. O documento foi recepcionado no domicílio tributário do investigado em 15/05/2009, conforme AR, porém mais uma vez não se manifestou. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721257/200970 Acórdão n.º 2102003.134 S2C1T2 Fl. 332 3 No decorrer do procedimento fiscal foram enviados ofícios a cartórios de registros de imóveis de diversas jurisdições, a fim de se obter documentos comprobatórios dos imóveis registrados em nome do contribuinte. Assim, com base na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007 e nos dados internos e externos disponíveis elaborei Demonstrativo de Variação Patrimonial, anocalendário 2006. Na elaboração desse Demonstrativo não foi considerado o resultado da atividade rural, por não ter o investigado fornecido documentos comprobatórios das receitas e despesas dessa atividade. Evidenciando acréscimo patrimonial a descoberto o contribuinte foi intimado, em 28/07/2009, por meio de seu representante legal, a prestar justificativas referentes aos elementos e valores especificados no Demonstrativo de Variação Patrimonial, conforme Termo de Ciência e de Solicitação de Esclarecimentos. Transcorrido o prazo regulamentar da intimação, o interessado não se manifestou. O acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, é caracterizado como omissão de rendimentos e sujeito à tributação do imposto de renda, conforme estabelece o art. 55, XIII, combinado com o art. 807, ambos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 17 de junho de 1999. Sob a égide da legislação tributária, formalizo o presente lançamento de ofício para exigir o imposto de renda sobre omissão de rendimentos, caracterizada pelo acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 2006, em conformidade com o Demonstrativo mensal de evolução patrimonial, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens de recursos, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados.” Cientificado do lançamento fiscal e inconformado, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 221/222, em 26.11.2009, por meio do qual, resumidamente, expõe que: “Os bens adquiridos que caracterizavam a omissão de rendimentos e que serviriam como base para a lavratura do Auto de Infração, foram adquiridos por meio de um empréstimo contraído pela pessoa física junto a empresa LISA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em 30 de abril de 2005, no valor de RS4.260.000,00 (quatro milhões e duzentos e sessenta mil reais), conforme cópia do termo de confissão de dívida e pacto de pagamento anexo. Na formalização do empréstimo, foi acordado entre as partes, que o valor do mesmo seria depositado diretamente na conta dos proprietários vendedores dos bens da seguinte forma: uma parte pela Lisa Industria a Comercio Lida. e outra parte por Empresas compradoras da mesma, conforme podemos comprovar com Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 cópias de recibos bancários, o que não caracteriza sonegação de imposto por parte da pessoa física”. Ao final, o Contribuinte requer sejam cancelados o Auto de Infração e o termo de arrolamento de bens. Para tanto, carreia aos autos o documento de fls. 233/234. Posteriormente, na data de 12 de novembro de 2010, o Contribuinte oferece o que denomina de "Aditivo à Impugnação'', cuja juntada aos autos encontrase às fls. 242/262. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 5ª Turma da DRJ/BEL decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário apurado, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os rendimentos relativos ao acréscimo patrimonial do contribuinte, quando não acobertados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No voto condutor do referido acórdão, foi ressaltado ainda que: “Já no que respeita ao documento de fls. 197/221, não obstante o contribuinte intitulálo "Aditivo à Impugnação”, há de se convir, cumpre afirmar, sob esta perspectiva não pode ser encarado. Oferecido quase um ano após a apresentação da impugnação, e composto de 21 (vinte e uma) folhas, enquanto àquela dedica somente 2 (duas) o que por si só desvirtua o caráter de mero aditivo ou complemento , acatar a peça em questão representaria verdadeira afronta ao disposto no art. 15 do já referido Decreto n. 70.235, de 1972, o qual prevê que a peça impugnatória deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Assim, conferir ao documento apresentado o status de impugnação seria o mesmo que, ao arrepio do dispositivo supramencionado, e ausente qualquer previsão autorizadora, elastecer o período de que dispõe o contribuinte para apresentar a defesa fiscal, com o que não pode pactuar este Órgão Julgador. Diverso seria o destino de eventual prova documental apresentada após o prazo previsto no art. 15 do Decreto n. 70.235, se presente, e somente se presente, uma das hipóteses expressamente elencadas nas acima transcritas alíneas do §4.° do art. 16. Não é o caso, e este é o motivo porque, no âmbito desta Casa, não se conhece da aludida peça.” Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721257/200970 Acórdão n.º 2102003.134 S2C1T2 Fl. 333 5 O Contribuinte teve ciência de tal decisão em 20.04.2011, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 276/326, em 06.05.2011, pelo qual reiterou integralmente as razões contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda – em suma: 1 Preliminar de nulidade do Auto de Infração por Vício Formal: ausência de levantamento financeiro. alega que a Fiscalização poderia ter realizado o levantamento financeiro do Contribuinte, tendo em vista a movimentação de elevados valores em sua conta pessoal, o que seria possível constatar que os dispêndios do Contribuinte não superariam os recursos disponíveis em determinado período; 2 Preliminar de nulidade do Auto de Infração por Cerceamento do Direito de defesa. dispõe que configurase obstrução do direito de ampla defesa quando a Fiscalização não entrega as planilhas ao Contribuinte; 3 – Preliminar de Nulidade do Auto de Infração por Vício Formal. defende a obrigatoriedade da ciência ao Contribuinte das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, como pressuposto de validade do lançamento tributário; 4 – Do Erro de Fato no Levantamento. que, por falha técnica do Fisco, foi lavrado Auto de Infração à revelia da lei, havendo erro de fato no levantamento do fluxo financeiro, ao não constar o empréstimo obtido junto a empresa; 5 – Ofensa ao Princípio da Moralidade Administrativa. que haveria violação ao Princípio da Moralidade, culminando com a nulidade do ato de lançamento assentado em procedimento fiscal conduzido à revelia do padrão de conduta ansiado pela legislação tributária; 6 – Da Proporcionalidade e da Razoabilidade da Multa Aplicada – da Afronta ao Princípio da Proibição de Confisco. alega a desproporcionalidade exacerbada existente entre os valores que vem sendo cobrados pelo Fisco e a infração supostamente cometida, sendo que a sanção punitiva não poderia ser desviada de sua real finalidade em atender o Princípio da Proporcionalidade; 7 – Ofensa à Capacidade Contributiva. expõe que não se pode permitir que o Imposto de Renda recaia sobre o valor bruto dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, tendo em vista que Código Tributário Nacional teria consagrado a teoria do acréscimo patrimonial para a conceituação do fato gerador do imposto de renda; Por fim, pleiteia o Contribuinte pelo conhecimento e provimento de seu recurso, reformandose a decisão recorrida, cancelandose integralmente o respectivo Auto de Infração. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.04.2011, como atesta o AR de fls. 272. O Recurso Voluntário foi interposto em 06.05.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física decorrente da apuração de variação patrimonial a descoberto no Exercício de 2007. Os quadros de fls. 195/196 apontam excesso de aplicações sem origem nos meses de março, maio, junho, julho, agosto, setembro e dezembro de 2006. As aplicações foram todas feitas em bens imóveis adquiridos ao longo do ano. Delimitação da controvérsia Antes de entrar na análise do Recurso Voluntário propriamente dito, é preciso chamar a atenção para o fato de que através da Impugnação de fls. 221/222, o Recorrente se limitou a alegar que os dispêndios efetuados por ele estariam acobertados por empréstimos tomados da empresa LISA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Tal Impugnação foi apresentada em 26.11.2009. Passado 1 ano do protocolo da Impugnação – em 12.11.2010, o Recorrente trouxe aos autos o que chamou de “Aditivo à Impugnação”, por meio do qual trouxe novos argumentos que implicariam, a seu ver, na revisão do lançamento. A decisão recorrida, porém, ao analisar as defesas apresentadas, deixou de considerar este aditivo, em face do que determina o art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Assim, limitouse a analisar a alegação de que os dispêndios que geraram o lançamento estariam acobertados pelo empréstimo mencionado (único argumento trazido em sede de Impugnação). Com efeito, dispõem os arts. 15 e 16 do referido Decreto: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 336DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721257/200970 Acórdão n.º 2102003.134 S2C1T2 Fl. 334 7 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância Como se vê, existem prazos preclusivos para que o contribuinte apresente sua defesa em face de um determinado lançamento. Caso assim não fosse, não haveria necessidade de que fossem estipulados prazos para o oferecimento de Impugnações e/ou recursos, tendo em vista que os mesmos se perpetuariam ad eternum. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Por isso que, passado este prazo preclusivo – que no caso é de 30 dias – qualquer nova matéria trazida em sede de defesa deve ser considerada preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Diante disso, a exemplo do que ocorreu em relação à análise da Impugnação apresentada pelo Recorrente, o recurso somente deve ser conhecido quanto à parcela relativa à alegação de que os dispêndios constantes do fluxo de variação patrimonial estariam acobertados por empréstimos, já que as demais matérias suscitadas pelo Recorrente devem ser consideradas preclusas. Neste sentido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. Matéria não questionada na impugnação, momento em que se instaura o litígio no processo administrativo fiscal, e somente suscitada na fase recursal constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. (Acórdão nº 220200838, de 19.10.2010) Vale lembrar ainda que o que se analisa aqui é a decisão recorrida, razão pela qual o recurso voluntário limitase a atacar os argumentos nela esposados – salvo as específicas hipóteses acima mencionadas, de fatos novos não conhecidos anteriormente (o que não ocorreu nestes autos). Por todos estes motivos, fica claro que o recurso somente deve ser conhecido quanto à questão da aceitação, ou não, do empréstimo tomado com a empresa LISA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA como origem a justificar os dispêndios constantes do fluxo de variação patrimonial. Vale ressaltar ainda que nesta mesma sessão de julgamento foi apreciado o processo nº 10840.003487/0081, no qual esta questão foi debatida e do qual se extrai o seguinte trecho do voto condutor: Como é cediço, o CARF não possui competência originária. Os recursos voluntário e de ofício objetivam sempre a reapreciação de questões postas ao juízo das Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Neste diapasão tem se manifestado a Jurisprudência administrativa. Confirase: PRECLUSÃO Matéria não argüida na impugnação quando se estabelece o litígio e vem a ser demandada apenas na petição recursal, constitui matéria preclusa da qual não toma conhecimento em respeito ao duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Recurso negado. (Recurso nº 012959, 2ª Câmara, Processo nº 10580.005843/93 91, Sessão de 14/05/98, Relator José Clóvis Alves, Acórdão nº 10243008, por unanimidade). Ao discorrerem sobre e tema o ilustre Dr. Marcos Vinicius Neder e Dra. Maria Teresa Martinez López, in Processo Fl. 338DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721257/200970 Acórdão n.º 2102003.134 S2C1T2 Fl. 335 9 Administrativo Fiscal Federal Comentado – Dialética – 2002, afirmam: Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa e às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre em relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. (grifei) Em sua peça recursal a defesa traz novas questões ao debate, dissociadas dos fundamentos pelos quais instaurou o contraditório administrativo, que somente serão analisadas por serem matéria de ordem pública, relacionada à regra de incidência. Feitas estas considerações, passase então à análise de mérito do recurso. Do mérito Delimitado o alcance das matérias a serem apreciadas em sede deste Recurso, há que se analisar se merece acolhida a alegação do Recorrente no sentido de que os dispêndios (compra de imóveis) por ele efetuados no ano de 2006 estariam acobertados pelos valores tomados como empréstimo da empresa LISA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Para comprovar o referido empréstimo, o Recorrente trouxe aos autos o “termo de confissão de dívida e pacto de pagamento” de fls. 233/234, do qual consta que a referida pessoa jurídica teria lhe emprestado R$ 4.260.000,00 em abril de 2005, da seguinte forma: CLÁUSULA PRIMEIRA O DEVEDOR declara que contraiu em 30 de Abril de 2005, um empréstimo de 4.260.000,00 (quatro milhões duzentos e sessenta mil reais) junto a CREDORA, para fins de compra de terras rurais e maquinários, aceitando o presente contrato como confissão de dívida e pacto de pagamento. Além deste documento, porém, o Recorrente não trouxe nenhum outro que pudesse demonstrar a efetiva transferência dos valores entre as partes – seja do empréstimo, do pagamento dos imóveis pela pessoa jurídica, ou mesmo da quitação deste empréstimo – o que deveria ocorrer em dezembro de 2007 e dezembro de 2008, conforme cláusula segunda do já referido contrato, verbis: O empréstimo contraído será pago pelo DEVEDOR a CREDORA, em 30 de Dezembro de 2007 e 30 de Dezembro de 2008, conforme acordo firmado entre as partes. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 Devese ressaltar que a tributação por presunção de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto encontra expressa previsão legal, e para que o contribuinte possa dela se defender precisa demonstrar que detinha recursos (origens) suficientes para acobertar os dispêndios efetuados ao longo de um determinado anocalendário. Não há aqui o ônus do Fisco de comprovar a falta da origem, mas, inversamente, há a obrigação do contribuinte de comprovar – com documentação hábil e idônea – a existência desta origem. Neste sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 1996, 1997 Ementa: APD ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO EXCESSO DE APLICAÇÕES JUSTIFICADO COM RECURSOS DE EXERCÍCIOS PRECEDENTES AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DESSES RECURSOS NÃO ACATAMENTO É ônus do contribuinte comprovar a origens de recursos para fazer frente à presunção de omissão de rendimentos lastreada em fluxo de caixa que apura acréscimo patrimonial a descoberto. Não basta afirmar que detinha valores em anos antecedentes, mormente quando o contribuinte sequer apresentou declaração de ajuste anual nos anos anteriores e nos anos em debate. APD COMPROVAÇÃO DE FONTE DE RECURSO ADEQUAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA Comprovada a fonte de recursos, esta deve ser registrada no fluxo de caixa, reduzindo o APD do período. (...) (Acórdão nº 10617129, julgado em 10.10.2008 destacamos) Assim é que, tratandose de previsão legal, o ônus de efetuar a prova da inocorrência do acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal caberia ao próprio Recorrente. Caberia assim ao Recorrente demonstrar – com documentação suficiente – de que forma o empréstimo tomado com a referida empresa foi utilizado para a aquisição dos imóveis em tela, já que este é o objeto do lançamento. Tal prova, porém, não foi feita. Ademais, sem a demonstração da devolução do valor mutuado, ou sequer um sinal de que tal devolução tenha ocorrido, a argumentação do Recorrente fica sobremaneira prejudicada. Vale lembrar que a legislação brasileira (NCC, Lei nº 10.406/2002) assim define o mútuo: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Como se vê, é da essência da operação de mútuo que aquilo que se emprestou seja devolvido. Sem o empréstimo ou sem a devolução, pode existir qualquer outra operação, mas não o mútuo. No caso em exame, como se viu, não há prova de que os valores em questão tenham sido entregues ao Recorrente (ainda que a terceiros em seu nome) e nem que tenham sido devolvidos, o que descaracteriza a operação como tal e impossibilita esta turma de acolher a alegação de que os dispêndios em questão seriam acobertados pelo referido empréstimo. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721257/200970 Acórdão n.º 2102003.134 S2C1T2 Fl. 336 11 Foi por este motivo que a decisão recorrida negou a pretensão do Recorrente, mantendo o lançamento. É o que se depreende do seguinte trecho: No entanto, é de se convir, o precitado termo, desacompanhado da escrituração contábil inerente à operação por meio dele veiculada, bem como de prova da efetiva entrega dos recursos correspondentes, não pode servir de justificativa a qualquer incremento no patrimônio do contribuinte. Notese que se cuida aqui da expressiva quantia de R$ 4.260.000.00 (quatro milhões, duzentos e sessenta mil reais). Certamente, se a transferência de tais recursos realmente se operou, ou seja, se deixou a esfera da credora Lisa Indústria e Comércio Lida. além de integrar a escrituração da referida pessoa jurídica, há de ter sido levada a eleito por meio do sistema financeiro, não havendo porque o impugnante deixar de carrear aos autos os elementos de prova respectivos, como ele próprio parece ensaiar na impugnação. Por fim, e apenas por amor à argumentação, há que se destacar que não houve qualquer vício de nulidade do lançamento em questão, tendo em vista que não se pode falar em cerceamento do direito de defesa em momento anterior ao oferecimento da Impugnação. Apesar de ser plenamente possível que o contribuinte inicie sua defesa já em sede de fiscalização, não se pode falar em violação ao seu direito de defesa antes de iniciado o processo administrativofiscal sendo certo que tal cerceamento não ocorreu na hipótese em exame. Outrossim, o Recorrente teve chance de se defender de forma ampla e plena a partir do momento de sua impugnação – ocasião em que teve acesso a todos os documentos e tabelas utilizados pela autoridade fiscal para respaldar o lançamento em questão. Caberia a ele, a partir de então, apresentar todos os documentos e razões que implicassem no cancelamento deste lançamento. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho é unânime, como se pode verificar através do seguinte julgado: (...) CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. (Ac. nº 10420731, Rel. Cons. Nelson Mallmann, julgado em 15.06.2005) Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi, Relatora designada. Com a devida licença da nobre relatora da matéria, Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, discordo, em parte, do brilhante voto proferido. Constatase na DAA, Exercício 2007 (fls. 56 a 62), que o contribuinte declarou rendimentos tributáveis auferidos da Lisa Indústria e Comércio Ltda. de R$ 42.000,00 e rendimentos tributáveis da atividade rural de R$ 478.045,80, declarando, ainda, rendimentos da parcela isenta correspondente à atividade rural no valor de R$1.311.728,20. Resta comprovado, na declaração simplificada de ajuste anual, referente ao anocalendário de 2006, que em relação aos rendimentos tributáveis, isto é, R$ 42.000, 00 + R$ 478.045,80 = R$ 520.045,80, foi apurado o imposto de renda devido e informada a respectiva forma de pagamento. No Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 63/65), o Fisco intimou o contribuinte, entre outros itens, à apresentar: 1 Documentação comprobatória de todos os valores de Rendimentos tributáveis recebidos, MENSALMENTE, da empresa Lisa Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 03.591.877/000192 no anocalendário 2006; 2 Documentação comprobatória dos Rendimentos Isentos, Não Tributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte, inclusive da atividade rural, recebidos no anocalendário acima mencionado. Compulsando os autos, verificase que o recorrente não atendeu a intimação em nenhum de seus itens. No entanto no DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL, constante em fls. 155/161, o Fisco considerou os rendimentos tributáveis auferidos da Lisa Indústria e Comércio Ltda. no valor de R$ 42.000,00, e deixou de considerar os rendimentos tributáveis da atividade rural no valor de R$ 478.045,80, embora, em relação aos quais, inclusive, nem havia intimado o recorrente a apresentar a respectiva comprovação, uma vez que no item 2 supra transcrito, apenas intimou o contribuinte a comprovar os rendimentos isentos da atividade rural. Independentemente de o contribuinte ter sido intimado ou não à comprovar os rendimentos tributáveis da atividade rural, importa que tais rendimentos foram oferecidos à tributação e, portanto, devem ser considerados na apuração da APD – Acréscimo Patrimonial a Descoberto, os quais, por ser mais benéfico ao contribuinte devem ser considerados como auferidos no mês de janeiro de 2006. A receita da atividade rural, em relação à parcela tributada, atrai a incidência da norma cogente, sendo racionalmente necessário que a mesma seja observada no cálculo da APD, tornando sua inclusão obrigatória. Salientase ainda, que o art. 5º da Lei n.º 8.023/1990, preceitua que é opção do contribuinte, do resultado da atividade rural, tributar vinte por cento da receita bruta no anobase. Em especial, com fundamento no art. 37 da Constituição Federal, são cogentes para a Administração Pública, obedecer, entre outros enumerados, o princípio da legalidade. Por todo o exposto, o Demonstrativo de Apuração do IRPF, constante do Auto de Infração que compõe o presente litígio, deverá ser recalculando, considerando para o Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721257/200970 Acórdão n.º 2102003.134 S2C1T2 Fl. 337 13 mês de janeiro de 2006, a receita já tributada de R$ 478.045,80, reduzindo a omissão de rendimentos, caracterizada pelo acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário 2006, no respectivo demonstrativo mensal de evolução patrimonial, no qual foi apurado o excesso de aplicações sobre origens de recursos. Ante do exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso. (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALI CE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10746.904212/2012-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 21 2/ 20 12 -4 0 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904212/201240 Resolução nº 3803000.586 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.861, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904212/201240 Resolução nº 3803000.586 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904212/201240 Resolução nº 3803000.586 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904212/201240 Resolução nº 3803000.586 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904212/201240 Resolução nº 3803000.586 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904212/201240 Resolução nº 3803000.586 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904212/201240 Resolução nº 3803000.586 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11516.721724/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
Ementa:
LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que dele é decorrente (CSLL), devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1101-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2279; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 391 1 390 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721724/201168 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1101001.177 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria IRPJ e CSLL DEDUÇÃO DE DESPESAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: LUCRO REAL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. DISTRIBUIDORA DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTRAPARTIDA PELO USO DE FAIXA DE DOMÍNIO EM ESTRADAS. Antes de qualquer pronunciamento do Poder Judiciário em sentido contrário, não se pode negar vigência à lei estadual que obriga a concessionária distribuidora de energia elétrica ao pagamento de contrapartida pelo uso de faixa de domínio em estradas estaduais ou federais concedidas à administração estadual, de modo que sendo necessárias as despesas efetivamente incorridas pela Contribuinte a esse título, deve ser cancelado o lançamento advindo da glosa dessas despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que dele é decorrente (CSLL), devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 17 24 /2 01 1- 68 Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 06/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Na origem, cuidase de autos de infração por meio dos quais a contribuinte é compelida a recolher à Fazenda Nacional a importância de R$7.837.206,02 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; R$2.821.394,17 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; exações estas acrescidas de multa de ofício de 75% e juros moratórios, totalizando, em valores históricos, o valor de R$24.008.496,94 (05/10/2011). Estas exigências referemse a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006, período em que a contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ em que apurou resultados fiscais com base no lucro real anual. A irregularidade apontada no lançamento de IRPJ e, por decorrência, no lançamento de CSLL se constituiu na glosa de ‘CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS’. Conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 308/318), “o objetivo principal deste procedimento fiscal é realizar a análise da dedutibilidade das despesas registradas como Contraprestação por Uso de Faixa de Domínio, ocorridas na holding no anocalendário 2006 (antes da conclusão da reestruturação societária), e que motivaram autuação fiscal idêntica na subsidiária CELESC DISTRIBUIÇÃO referente aos anos calendários 2007 e 2008 e constante no processo administrativo n° 11516.004270/201086” (fl. 309). Iniciada a fiscalização, foram solicitados, dentre outros documentos, os registros contábeis referentes ao ano calendário 2006, ocasião em que foi identificada a escrituração de R$31.348.824,07 a título de “PROV. UTILIZ. FAIXAS DEINFRA”, constante na conta contábil 61503419900 OUTROS (fl. 192). Em seguida, a fiscalizada foi intimada, em 18/05/2011, a comprovar o efetivo desembolso do valor citado, o que foi feito em resposta apresentada em 27/05/2011. Após, em 20/06/2011, a fiscalização cientificou a contribuinte de que “a despesa referente a ‘USO Fl. 392DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.721724/201168 Acórdão n.º 1101001.177 S1C1T1 Fl. 392 3 DA FAIXA DE DOMÍNIO das vias aéreas junto às rodovias estaduais e federais de responsabilidade do DEINFRA/SC’, embora instituída através de Lei estadual, não preenche os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, previstos no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), pelos seguintes motivos: a) O citado dispêndio não possuía respaldo pelo órgão regulador das concessões do setor elétrico brasileiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL; b) Tinha como beneficiário o acionista controlador da companhia, o Estado de Santa Catarina.” (fl. 309). De acordo com a Fiscalização (fl. 310 do TVF), em síntese, a Lei Estadual n. 13.516/2005, regulamentada pelo Decreto n. 3.930/2006 que autorizou o Estado de Santa Catarina a utilizar e comercializar, a título oneroso, as faixas de domínio , constituiuse em uma “inusitada fórmula que proporcionou transferência de recursos financeiros da CELESC para os cofres do governo estadual”. Em seguida, afirma que, “embora forçada pela legislação estadual a assumir este ônus, a fiscalizada não poderia utilizálo na dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, por tratarse de despesa desprovida dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, previstos no artigo 299 do RIR/99, essenciais para a condição de dedutibilidade no cálculo dos citados tributos”. Destaca que o Estado de Santa Catarina é o principal acionista e controlador da CELESC e que, ignorando a “(des)necessidade” operacional da companhia em relação a pagamento pela utilização da faixa de domínio “e com o objetivo único de elevar suas receitas correntes, promove a tramitação, aprovação e sanção de uma lei estadual (de constitucionalidade questionável) que onera as finanças, inicialmente da CELESC (holding atual) e posteriormente da CELESC DISTRIBUIÇÃO” (fl. 311). Cita atas de reuniões do Conselho de Administração da CELESC em que foram pautados debates e discussões sobre a instituição da cobrança pela utilização das referidas faixas de domínio, momento em que se aponta o manifesto constrangimento dos conselheiros frente ao que chamou de “excesso cometido pelo acionista controlador, o Estado”. No ponto, informa que, em 14/02/2006, um dia após a primeira reunião do Conselho, a indefinição provocara uma Notificação Extrajudicial à CELESC, patrocinada pelo DEINFRASC (fl. 28/30). Em 31/12/2008, o Conselho de Administração da CELESC DISTRIBUIÇÃO decidiu pela suspensão do pagamento da malsinada taxa, mas, no intervalo de janeiro/2006 e dezembro/2008, indiferente da controvérsia gerada, a CELESC holding e sua subsidiária efetivaram registros de despesas pela “Utilização das Faixas de Domínio DEINFRA”, que repercutiram na apuração dos resultados das mesmas. Informa, ainda, a fiscalização que a CELESC tenta reaver os valores tidos como pagos indevidamente ao DEINFRASC por meio de ação judicial de cobrança (fls. 53 e seguintes). Por outro lado, a Fiscalização defende que a inexistência da obrigação contratual de pagar e, também por esse motivo, a indedutibilidade da citada despesa se daria, ainda, pelo fato de que o Decreto n. 3.930/2006, em seu art. 5°, instituiu o Termo de Permissão Especial de Uso Oneroso (como instrumento contratual entre o permissor [DEINFRASC] e o permissionário [CELESC] e que o pagamento da remuneração anual da faixa de domínio deveria ter sido efetuado somente após a assinatura do referido termo, nos dizeres do art. 19 do citado decreto. Ocorre que, prossegue a Fiscalização, o termo somente foi firmado em 28/03/2007, mais de um ano após o desembolso para fazer frente à despesa. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 Entende, então, a Autoridade Fiscal que “a fiscalizada efetuou o pagamento de R$31.348.824,07 sem nenhuma obrigação contratual de fazêlo” (fl. 313) e que, com efeito, os gestores da companhia contribuíram para cumprir o desejo do executivo estadual: “onerar com despesas injustificadas uma controlada para reforçar o Caixa do governo estadual” (fl. 314). Após, aborda o fato de que outras empresas (públicas e privadas) também sofreram “pressão do executivo estadual para implementar a Lei 13.516/2005” (fl.314) e que algumas delas negaramse a assinar o Termo de Permissão Especial de Uso. Exemplificativamente, citou a CASAN Companhia Catarinense de Águas e Saneamento, empresa controlada pelo Estado de Santa Catarina (99% das ações, à época) e cooperativas de eletrificação rural, sendo que, em todos os casos, a DEINFRASC ajuizou ações de obrigação de fazer, as quais, até o momento da autuação, não haviam tido êxito. Mais à frente, a autoridade fiscal destaca (em tópico denominada ‘Da inconstitucionalidade da cobrança’) que a ABRADEE Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica impetrou no STF diversas ADIs, sendo a da CELESC a de n. 3.7986 e que, ao tempo da ação fiscal, encontravase “em tramitação com parecer da PGR pela inconstitucionalidade da cobrança” (fl. 316), sendo certo que o sítio eletrônico do STF da conta apenas de que o parecer seria no sentido da parcial procedência da ação, sem, contudo, apontar o quanto propôs a PGFN como solução adequada ao caso. De toda forma, certo é que o mérito não foi julgado pelo Pretório Excelso. Ainda no ponto, afirma que, em casos similares, o Eg. STF e o I. STJ têm posicionamento contrário à cobrança pela utilização da faixa de domínio. A partir disso, afirma a fiscalização que, “no caso específico da fiscalizada, a despesa contabilizada, em 31/01/2006, na conta 61503419900 OUTROS, no montante de R$31.348.824,07, não preenche os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade previstos no artigo 299 do RIR/99. Os registros sob esse título configuram violação à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, ao reduzirem as bases de cálculo dos citados tributos” (fl. 317). Por fim, arremata a Autoridade Fiscal que, “mesmo que se alegue ter sido inevitável o desembolso das desnecessárias despesas, e a consequente contabilização das mesmas, a fiscalizada deveria ter procedido à adição ao lucro líquido do exercício dos valores correspondentes, como previsto no inciso I, do art. 249 do RIR/99” (fl. 317). Inconformada, a Contribuinte apresentou tempestivamente, em 03/11/2011, sua impugnação (fls. 337/358), argumentando, em síntese, que: · A circunstância de a despesa não ter sido respaldada pela ANEEL não retira a sua obrigatoriedade ou exigibilidade, sendo certo haver casos outros em que despesas necessárias, usuais e inafastáveis da companhia não são consideradas pela ANEEL na composição do preço da tarifa de energia elétrica; · “No caso específico, as despesas pelo uso da faixa de domínio, ao contrário do que sugeriram os auditores fiscais responsáveis pela autuação, não configuraram mera liberalidade da Companhia. / Tais despesas, conforme será demonstrado no próximo tópico, eram exigíveis por força dos preceitos contidos na Lei Estadual n. 13.516/2005, segundo os parâmetros delineados no Decreto n. 3.930/2006” (fl. 340), sendo certo que “a CELESC, mesmo não concordando, se viu obrigada a remunerar o DEINFRA pela utilização das faixas de domínio das rodovias estaduais, especificamente no que se refere à passagem de redes de energia elétrica” (fl. 340), ocasião em que cita trechos de diversas atas de reuniões; Fl. 394DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.721724/201168 Acórdão n.º 1101001.177 S1C1T1 Fl. 393 5 · Ressalta que, no próprio âmbito da União, havia divergência sobre o assunto, afirmando que, enquanto a ANEEL entendia que o uso da faixa de domínio não era passível de cobrança a ANTT manifestou entendimento no sentido de que o pagamento era devido (fl. 342); · “Assim, a contraprestação pecuniária pela ocupação das faixas de domínio de rodovias estaduais e federais delegadas ao Estado, diante da imposição legal, possuía contornos de necessidade, usualidade e normalidade perante as atividades inerentes e ínsitas à atividade operacional da Impugnante. / Neste sentido, tal contraprestação está perfeitamente enquadrada no conceito de despesa operacional, necessária, usual e normal, passível de ser deduzida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 299 do RIR/99” (fl. 344); · Versando sobre o fundamento legal do dever de remunerar a utilização das faixas de domínio, ao se analisar a Lei Estadual n. 13.516/2005 e o Decreto n. 3.930/2006, concluise que, “diante desse contexto, a assinatura do Termo configurava, apenas, mera formalização de uma situação consolidada: o uso efetivo e o dever de remunerar, de acordo com os parâmetros definidos no Decreto n. 3.930/2006” (fl. 346), razão por que “a CELESC S.A e, posteriormente, a CELESC Distribuição efetuaram o pagamento das referidas contrapartidas relativas aos exercícios de 2006, 2007 e 2008, por força não propriamente do Termo de Permissão Especial de Uso n. 003/2006, mas sim das disposições contidas na Lei n. 13.516/2005 e no Decreto n. 3.930/2006, pois, como já exposto, o uso da faixa de domínio já era efetivo e independia da existência do termo, sendo, da mesma forma, efetivo o dever de remunerar” (fl. 348); · Como não poderia deixar de ser, as empresas do Grupo CELESC deduziram da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores registrados a título de despesa pelo uso da faixa de domínio nos anos de 2006, 2007 e 2008, mas, posteriormente, em razão da evolução jurisprudencial sobre a matéria, o Grupo CELESC deixou de efetuar a contraprestação pelo uso das faixas de domínio, motivando, inclusive, o DEINFRA a ingressar com Ação de Obrigação de Fazer (enquanto a CELESC ingressou com ação de cobrança, buscando reaver os valores pagos ao DEINFRA); · Sobre a validade e eficácia das normas estaduais que instituíram a cobrança pelo uso da faixa de domínio, entende que deve haver “o cumprimento do instrumento legal instituído, até que sobrevenha sua revogação ou seja declarada sua inconstitucionalidade” (fl. 349); · Relembra que a ABRADDE tem buscado a declaração de inconstitucionalidade da referida Lei Estadual por meio da ADI n. 3798 (controle de constitucionalidade concentrado) e a Contribuinte, pela via de exceção (controle de constitucionalidade difuso), ajuizou Ação ainda em trâmite perante o TJSC, de modo que, até a data da apresentação da impugnação, permaneciam válidos os referidos atos normativos, o que torna “perfeitamente possível o registro como despesa no IRPJ e, consequentemente, com reflexos na base de cálculo da CSLL, dos valores pagos ao DEINFRA nos anos de 2006, 2007 e 2008 no tocante a utilização das faixas de domínio das rodovias estaduais e outras sob jurisdição” (fl. 350); Fl. 395DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 · Por fim, afasta o caráter subjetivo da norma sugerido pela Autoridade Autuante, no sentido de que o Estado, acionista majoritário da autuada, teria interesse na edição das normas porquanto seria beneficiada de forma exclusiva, afirmando, para tanto, (i) que a lei teve seu processamento legislativo em conformidade com a Constituição e de tal forma foi sancionada e (ii) que a norma é aplicada não só à contribuinte como também às demais empresas (públicas ou privadas), o que denota caráter generalista; · Por fim, apenas contesta a multa de ofício de 75%, apontandoa como excessiva, desproporcional e confiscatória. Em sessão de julgamento realizada em 05/07/2013, a d. 3ª Turma da DRJ/FNS julgou procedente a impugnação e exonerou integralmente o crédito tributário, nos termos do acórdão n. 0731.897 (fls. 369/383), que foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO REAL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. DISTRIBUIDORA DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTRAPARTIDA PELO USO DE FAIXA DE DOMÍNIO EM ESTRADAS. Antes de qualquer pronunciamento do Poder Judiciário em sentido contrário, não se pode negar vigência à lei estadual que obriga a concessionária distribuidora de energia elétrica ao pagamento de contrapartida pelo uso de faixa de domínio em estradas estaduais ou federais concedidas à administração estadual, de modo que sendo necessárias as despesas efetivamente incorridas pela Impugnante a esse título, deve ser cancelado o lançamento advindo da glosa dessas despesas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e o que dele é decorrente (CSLL), devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação deste, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Impugnação Procedente Fl. 396DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.721724/201168 Acórdão n.º 1101001.177 S1C1T1 Fl. 394 7 Crédito Tributário Exonerado” Como houve a exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos em montante superior ao limite fixado em Portaria do Ministro da Fazenda, os autos subiram para análise deste Col. CARF com Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Como visto, a irregularidade motivadora da notificação fiscal consubstancia se no ‘Registro de Despesa a Título de Contraprestação por Uso de Faixa de Domínio’, a qual, de acordo com a Fiscalização, não poderia ser apontada como despesa operacional (o que levou à redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL), uma vez que não preencheria os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. A partir do que consta dos autos, inferese que a fiscalização, por entender se tratar de norma estadual inconstitucional, afirma que a contribuinte não poderia levar a resultado, como despesa no ano de 2006, os valores pagos sob essa rubrica, razão por que entende que, “no caso específico da fiscalizada, a despesa contabilizada, em 31/01/2006, na conta 61503419900 OUTROS, no montante de R$31.348.824,07, não preenche os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade previstos no artigo 299 do RIR/99. Os registros sob esse título configuram violação à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, ao reduzirem as bases de cálculo dos citados tributos” (fl. 317). Em complemento, afirma (i) que o fato de a ANEEL não autorizar a inclusão desses dispêndios no cálculo da tarifa de energia elétrica reforça o caráter de despesa desnecessária à atividade; e (ii) que a natureza da contraprestação é contratual, de modo que, sem contrato, inexistiria a obrigação de pagar, na medida em que a obrigação somente nasce com a assinatura do Termo de Permissão (o qual foi assinado em 28/03/2007, cf. fl. 277) no ponto, menciona o art. 19 do Decreto n. 3.930/2006. Convenço de que tenha razão a contribuinte, devendo, pois, ser mantida a r. decisão exarada em 1ª instância. Em primeiro lugar, devese relembrar que a despesa a título de contraprestação por uso de faixa de domínio, ora glosada, foi efetivamente incorrida e, sendo necessária para a manutenção da fonte produtora de receita, é dedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras do lucro real. Por outro lado, conforme bem decidiu a d. DRJ, “até que o Poder Judiciário decida o contrário, a lei estadual encontrase em plena vigência. Desse modo, não cabe à autoridade fiscal decidir pela invalidade ou ineficácia da lei, por mais vícios de Fl. 397DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 inconstitucionalidade que lhe pareçam existir. Não cabe à autoridade fiscal anteciparse ao Poder Judiciário para afastar a aplicação de lei estadual que entende estar viciada, tampouco cabe tecer qualquer juízo de valor acerca da motivação subjacente à edição da lei estadual” (fl. 378). Notese que se está diante de uma lei editada em conformidade com todas as normas procedimentais de regência, de modo que deve ser observado até que o Poder Judiciária, competente para tanto, se manifeste de modo contrário. Acerca disso, registrese que não há qualquer decisão do STF acerca da ADI n. 3.798, impetrada pela ABRADEE especificamente contra a cobrança dos valores registrados como despesa pela Contribuinte, razão por que a Lei Estadual n. 13.516/2005 permanece vigente e eficaz. Por outro lado, caso a r. decisão do Pretório Excelso seja no sentido da inconstitucionalidade da lei estadual e caso a Contribuinte ajuíze ação para reaver o que terá sido pago (de forma indevida) nos autos, há notícia de que a contribuinte já acionou o Estado de Santa Catarina para tanto , os valores eventualmente recebidos deverão ser tratados como “recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis” e computados na determinação do lucro operacional do período a que se referir a recuperação, nos termos do art. 392, inc. II, do RIR/99. Nesse sentido, leiamos trecho esclarecedor existente no r. acórdão recorrido, litteris: “Data venia, a decisão que vier a ser proferida pelo Poder Judiciário em nada afetará o lançamento em exame, porque ele [o lançamento], quanto a essa matéria específica, nem mesmo poderia ter sido efetuado. Isso porque, se a exação for declarada constitucional, preservase a dedução do lucro real laborada pela Contribuinte e confirmase a improcedência do lançamento; ou, se a exação for declarada inconstitucional, a Autuada adquire o direito de reaver os valores indevidamente pagos, o que corresponderá, na data em que isso ocorrer, a novo fato gerador, relativo ao registro de receita por conta de recuperação de custo.” (fl. 379) Por outro lado, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 308/318), “o objetivo principal deste procedimento fiscal é realizar a análise da dedutibilidade das despesas registradas como Contraprestação por Uso de Faixa de Domínio, ocorridas na holding no anocalendário 2006 (antes da conclusão da reestruturação societária), e que motivaram autuação fiscal idêntica na subsidiária CELESC DISTRIBUIÇÃO referente aos anoscalendários 2007 e 2008 e constante no processo administrativo n° 11516.004270/201086” (fl. 309). O referido processo administrativo que versa sobre idêntica autuação fiscal na subsidiária CELESC DISTRIBUIÇÃO foi analisado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento em sessão realizada em 03/10/2012, ocasião em que foi exarado o acórdão unânime n. 1402001.213, que, no ponto, possui a seguinte ementa, litteris: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO REAL. DESPESAS DEDUTÍVEIS. DISTRIBUIDORA DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTRAPARTIDA PELO USO DE FAIXA DE DOMÍNIO EM ESTRADAS. Antes de qualquer Fl. 398DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11516.721724/201168 Acórdão n.º 1101001.177 S1C1T1 Fl. 395 9 pronunciamento do Poder Judiciário em sentido contrário, não se pode negar vigência à lei estadual que obriga a concessionária distribuidora de energia elétrica ao pagamento de contrapartida pelo uso de faixa de domínio em estradas estaduais ou federais concedidas à administração estadual. ” Na ocasião, afirmouse, no voto condutor, que, “consoante acima narrado, verificase que a despesa a título de contraprestação por uso de faixa de domínio decorre de lei estadual vigente e, portanto, restou incorrida, tendo sido regularmente contabilizada, portanto dedutível, à luz do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. / Em que pese (...) ser praticamente certo que a empresa logrará êxito na ação judicial, descabe a glosa, por falta de previsão legal. No momento em que o contribuinte obtiver êxito deverá tributar o valor em face da recuperação da despesa”. Outrossim, não merece guarida o argumento da fiscalização no sentido de que houve pagamento sem nenhuma obrigação contratual de fazêlo. É que, como visto, a Lei n. 13.516/2005 dispôs sobre a exploração da utilização e da comercialização, a título oneroso das faixas de domínio e das áreas adjacentes às rodovias estaduais e federais delegadas ao Estado, sendo que a referida norma previu, em seu art. 6º, o valor a ser pago, in verbis: “Art. 6º O valor a ser pago pelo uso da faixa de domínio e suas áreas adjacentes, bem como das licenças e valores devidos ao DEINFRA, serão calculados de acordo com a Tabela constante no Anexo Único desta Lei, reajustável mensalmente pela variação do IGPM, ou outro índice oficial adotado pelo Governo. ” Dessa forma, é evidente que a contraprestação pelo uso das faixas de domínio já estava instituída, de modo que a Contribuinte poderia, desde então, reconhecer em sua escrituração o registro da despesa incorrida. O Decreto n. 3.930/2006 nada mais fez que determinar a data do pagamento da referida despesa. De outro lado, em que pese o termo de permissão ter sido assinado em 28/03/2007, a cláusula décima primeira (“Da validade”) previu a produção de efeitos a partir de 24/02/2006. Dessa forma, mostrase inafastável a conclusão de que se cuida de despesa que poderia, sim, ser reconhecida como o foi pela empresa no ano de 2006. Por fim, também deve ser afastado o argumento fiscal quanto à ANEEL no sentido de que, não havendo autorização para a inclusão destes dispêndios no cálculo da tarifa de energia elétrica, deveria, então, ser declarado que a despesa não era necessária para fins tributários , porquanto a decisão da Agência Reguladora é absolutamente irrelevante para o exame de dedutibilidade da despesa no âmbito da legislação tributária federal. Conclusão Ante o exposto, de se concluir que foi efetivamente incorrida a despesa contabilizada (e paga) a título de contraprestação por uso de faixa de domínio no ano calendário de 2006, haja vista que decorreu de obrigação legalmente imposta à Contribuinte, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício mantendo in totum o quanto decidido pela d. DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 400DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15504.004417/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 04 41 7/ 20 10 -2 8 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.004417/201028 Resolução nº 2402000.471 S2C4T2 Fl. 58 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/03/2010 (fl. 1) para exigência de contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados a título de PLR considerado em desacordo com a legislação pertinente, bem como sobre remunerações pagas a segurados contribuintes individuais a seu serviço, no período de 01/2005 a 12/2005. A Recorrente interpôs Impugnação (fls. 144/154), requerendo a extinção do lançamento e, alternativamente, a redução dos montantes lançados. A DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário (fls. 193/199), sob os argumentos de que: (i) a participação nos lucros ou resultados paga em desacordo com a legislação de regência integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias; (ii) a remuneração auferida em uma ou mais empresas integra o salário de contribuição do contribuinte individual; e (iii) o processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis. Intimada da referida decisão em 21/05/2012 (fls. 207/208), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/06/2012 (fls. 211/222), no qual essencialmente repisa os argumentos já apresentados na Impugnação, sustentando, em síntese: (i) a decadência parcial do período de 01/2005 a 03/2005, com fulcro no art. 150, § 4º, do CTN; (ii) que a contribuição ao SAT limitase à remuneração dos segurados empregados, sendo indevida a exigência em relação aos contribuintes individuais; (iii) que os pagamentos efetuados a título de PLR se baseiam em convenção coletiva de trabalho e ocorreram de acordo com a Lei nº 10.101/00; (iv) a redução da multa para o patamar vigente à época do lançamento, por lhe ser menos gravosa; (v) a não incidência de juros sobre multa; requerendo, ao final, a reforma do acórdão recorrido, o cancelamento do auto de infração com a extinção da exigência lançada e, alternativamente, a redução dos montantes lançados. Quando do início do julgamento do recurso por esta C. Turma, especificamente no tocante à alegação de decadência apresentada pela Recorrente, foi levantada a necessidade de se apurar com maior precisão se a empresa Recorrente teria efetuado ou não pagamentos, ainda que parciais, de contribuições previdenciárias no período objeto da autuação, para que se pudesse julgar com maior precisão e segurança a aplicação do art. 150, § 4º do CTN ao caso, tendo sido solicitada diligência (fls. 227/232). Em resposta aos questionamentos (fls. 236/238), o auditor fiscal trouxe o detalhamento em planilha dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária no período objeto da autuação, esclarecendo que os valores das remunerações pagas pela Recorrente aos contribuintes individuais como salário de contribuição (transportadores autônomos) e o valor das remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de PLR, não teriam sido incluídas na base de cálculo para apuração das contribuições previdenciárias pagas no período. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.004417/201028 Resolução nº 2402000.471 S2C4T2 Fl. 59 3 Intimada, não houve manifestação da Recorrente quanto ao resultado da diligência. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.004417/201028 Resolução nº 2402000.471 S2C4T2 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Em 20 de junho de 2013, o julgamento do presente recurso foi convertido em diligência, a fim de que restasse melhor esclarecido nos autos se a Recorrente teria efetuado ou não pagamentos, ainda que parciais, de contribuições previdenciárias no período objeto da autuação (01/2005 a 12/2005), para que se pudesse julgar com maior precisão e segurança a aplicação do art. 150, § 4º do CTN ao caso, ante a alegação de decadência do direito de cobrança referente aos períodos de 01/2005 a 03/2005. Conforme se verifica na resposta elaborada pelo auditor fiscal (fls. 236/238), há registros de GPS no Sistema da Receita Federal do Brasil que indicam que houve o pagamento de contribuições previdenciárias por parte da Recorrente no período de 01/2005 a 03/2005. Em que pese os questionamentos propostos terem sido devidamente respondidos pela fiscalização, verificase a necessidade de se obter outros esclarecimentos para que o julgamento possa ser realizado da melhor forma. De acordo com o Relatório Fiscal, o auto de infração compõe os levantamentos “FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO” e “PA1 – PAGAMENTO AUTONOMO”, sendo os valores autuados decorrentes de pagamentos a segurados empregados a título de PLR e pagamentos a contribuintes individuais (transportadores autônomos), obtidos por meio da DIRF. Pressupõese, assim, que o levantamento “FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO” se refere aos valores de PLR, e o levantamento “PA1 – PAGAMENTO AUTONOMO” se refere aos pagamentos a contribuintes individuais (transportadores autônomos). Conforme item 02 do Relatório Fiscal, é possível entender que as verbas de PLR se referem ao período de 01/2005 e 02/2005. Notase que nos quadros de fls. 28 e seguintes, é mencionado o termo “PLR a cobrar” somente no período de 01/2005 e 02/2005. No quadro de fl. 92 também consta a parte de PLR somente no período de 01/2005 e 02/2005, quando do cálculo do AI 68. Entretanto, ao contrário do período estipulado no Relatório Fiscal para as verbas autuadas de PLR (01/2005 e 02/2005), existem valores exigidos sob o levantamento “FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO” em outros períodos, como os períodos de 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005 e 12/2005. Assim, para o devido deslinde do processo, é necessário que a fiscalização especifique quais são as rubricas que compõem efetivamente cada um desses levantamentos. Não obstante, verificando a defesa do contribuinte, verificouse que este juntou aos autos uma convenção coletiva firmada entre os Sindicatos dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Material Elétrico de Várzea da Palma e Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Material Elétrico de Várzea da Palma, Corinto e Lassance. Como consta na referida Convenção, o Sindicato das Indústrias é composto pelas empresas Rima Industrial S.A., Italmagnésio Nordeste S.A. e Minaço S.A., não fazendo Fl. 255DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.004417/201028 Resolução nº 2402000.471 S2C4T2 Fl. 61 5 alusão à Recorrente. Analisando o seu contrato social, também não se verifica qualquer vínculo entre as empresas. Desta forma, quando da intimação da Recorrente, é mister que esta demonstre o seu vínculo com as empresas mencionadas acima, de forma a verificar se estava ou não sujeita às regras previstas na convenção. Diante disso, entendo que o julgamento deve ser novamente convertido em diligência, a fim de que: (i) A fiscalização especifique as rubricas que se referem aos valores constantes no relatório fiscal a título de “FP1 – FOLHA DE PAGAMENTO” nos períodos de 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005 e 12/2005; (ii) Após a realização da nova diligência, a Recorrente seja intimada para manifestarse acerca do seu vínculo com as empresas mencionadas na convenção coletiva juntada aos autos, de forma a verificar se estava ou não sujeita às regras previstas na convenção. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique e responda as questões expostas acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001735/2010-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DECADÊNCIA. TERMO A QUO.
Conforme entendimento sufragado pelo STJ, em julgamento submetido ao rito do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo), existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4º).
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÕES A PRAZO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Nas alienações de bens a prazo, o fato gerador ocorre no momento da alienação e o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista, com vencimento do imposto, de forma proporcional, na medida em que os pagamentos forem sendo realizados.
O recebimento de valores de forma parcelada não altera e nem fraciona a data da ocorrência do fato gerador referente ao ganho de capital.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator), Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora Designada.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DECADÊNCIA. TERMO A QUO. Conforme entendimento sufragado pelo STJ, em julgamento submetido ao rito do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo), existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4º). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÕES A PRAZO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Nas alienações de bens a prazo, o fato gerador ocorre no momento da alienação e o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista, com vencimento do imposto, de forma proporcional, na medida em que os pagamentos forem sendo realizados. O recebimento de valores de forma parcelada não altera e nem fraciona a data da ocorrência do fato gerador referente ao ganho de capital. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator), Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora Designada. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 487 1 486 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.001735/201061 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.778 – 1ª Turma Especial Sessão de 4 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente VIVIANE KLANN VICTORINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DECADÊNCIA. TERMO A QUO. Conforme entendimento sufragado pelo STJ, em julgamento submetido ao rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4º). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÕES A PRAZO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Nas alienações de bens a prazo, o fato gerador ocorre no momento da alienação e o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista, com vencimento do imposto, de forma proporcional, na medida em que os pagamentos forem sendo realizados. O recebimento de valores de forma parcelada não altera e nem fraciona a data da ocorrência do fato gerador referente ao ganho de capital. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator), Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 17 35 /2 01 0- 61 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 488 2 Tânia Mara Paschoalin – Presidente e Redatora Designada. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 444/451 deste processo digital), reproduzido a seguir: Por intermédio do Auto de Infração de fls. 217 a 222, integrado pelos demonstrativos de fls. 223 a 236 e pelo Relatório de Fiscalização de fls. 207 a 216, exigese da interessada o Imposto sobre Ganho de Capital no valor de R$ 285.827,09, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão de o fisco haver detectado omissões de ganho de capital nos meses de fevereiro/2005 a fevereiro/2008, na alienação de participações societárias para a Assolan Industrial Ltda.. Transcrevese, a seguir, por bem demonstrarem a apuração do ganho de capital e do imposto correspondente, excertos do Relatório de Fiscalização: [...] ANÁLISE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. Analisando os contratos sociais apresentados pela contribuinte, quais sejam: a 18ª alteração do contrato social da empresa Distribuidora Clean Ltda., fl. 127; a 17ª alteração contratual da empresa Quimivale Industrial Ltda., fl. 132 e os Laudos de Avaliação do Patrimônio Liquido das empresas acima mencionadas, verificamos que as alterações bem como os laudos foram elaborados após a venda haver sido realizada e, ainda, constam das referidas alterações contratuais que os únicos donos das empresas em questão eram as empresas Hypermarcas S/A e Monte Cristalina S/A. De modo, as reavaliações procedidas visaram unicamente ajustar o patrimônio das empresas proprietárias em decorrência dos valores despendidos para suas aquisições, não aproveitando esses novos valores aos seus exproprietários. Desta forma, os novos documentos acostados ao presente auto não alteram os valores pelos quais as empresas estavam registradas nas declarações de ajuste anual dos contribuintes. Com relação ao Darf apresentado, fl. 124, no valor de R$ 630.012,60, datado de 31/03/2005 e cujo código de recolhimento se refere ao pagamento de ganho de capital. Conforme pedido de Fl. 488DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 489 3 compensação "PER/COMP", fl. 59 e 68, o valor solicitado para compensação foi de R$ 267.430,37, restando o valor de R$ 362.582,23 para pagamento do ganho de capital, valor este que foi utilizado na presente infração. [...] A presente fiscalização decorre de representação fiscal elaborada quando do encerramento da fiscalização levada a efeito no contribuinte JOINE DALMEIDA VICTORINO, CPF 871.658.99987, processo n° 10909.000116/201059, fl. 36. No curso daquela fiscalização, foram obtidos os contratos da empresa QUIMIVALE INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 02.006.074/000160 que, na 10ª alteração contratual de 1° fevereiro de 2005, fl. 56, seus sócios, os Srs. JULIANO D'ALMEIDA VICTORINO, CPF 006.299.00981 e VIVIANE KLANN VICTORINO, CPF 951.557.59900, transferem para a empresa BAULE PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 07.099.137/000194, a totalidade, menos uma quota, de suas participações na empresa, ficando esta uma quota de posse do Sr. Juliano; também foi apresentado o contrato social da empresa DISTRIBUIDORA CLEAN LTDA, CNPJ 03.325.972/000144, que na 12ª alteração contratual de 1° fevereiro de 2005, fl. 51, seus sócios JOINE D'ALMEIDA VICTORINO, CPF 871.658.99987 e JULIANO D'ALMEIDA VICTORINO, transferem para a empresa BAULE PARTICIPAÇÕES LTDA, a totalidade, menos uma quota, de suas participações na empresa, ficando a quota a menos também de posse do Sr. Juliano; ainda foi apresentado pela empresa Hypermarcas S/A, detentora da empresa Assolan, pessoa jurídica que adquiriu as três empresas citadas acima, cópia do Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas, contrato que estabelece as datas, prazos e condições de pagamento, fl. 83. [...] RELATO HISTÓRICO. Em 1º de fevereiro de 2005, conforme consta da 10ª alteração contratual da empresa QUIMIVALE INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 02.006.074/000160, seus sócios os Srs. JULIANO D'ALMEIDA VICTORINO, CPF 006.299.00981 e VIVIANE KLANN VICTORINO, CPF 951.557.59900, transferiram para a empresa BAULE PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 07.099.137/000194, a totalidade, menos uma quota, de suas participações na empresa, ficando esta uma quota de posse do Sr. Juliano, fl. 43. Na mesma data, conforme consta da 12ª alteração contratual da empresa DISTRIBUIDORA CLEAN LTDA, CNPJ 03.325.972/000144, seus sócios JOINE D'ALMEIDA VICTORINO, CPF 871.658.99987 e JULIANO D'ALMEIDA VICTORINO, também transferiram para a empresa BAULE PARTICIPAÇÕES LTDA, a totalidade, menos uma quota, de Fl. 489DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 490 4 suas participações na empresa, ficando a quota a menos também de posse do Sr. Juliano, fl. 53. A empresa BAULE PARTICIPAÇÕES LTDA, conforme consta do cadastro da Receita Federal, foi constituída em 27/10/2004, com sede na cidade de São Paulo – SP e sua principal função foi a de recepcionar as ações das empresas que seriam posteriormente vendidas conforme contrato de opção a ser exercido pela empresa MONTE CRISTALINA., fl. 177. Em razão da transferência das quotas, notese que não houve venda, da Quimivale Industrial Ltda. e da Distribuidora Clean Ltda., seus antigos quotistas passaram a deter a totalidade das quotas da empresa BAULE PARTICIPAÇÕES LTDA, conforme se nota no cadastro da empresa junto a Receita Federal onde consta que os sócios declaram possuir 70% do capital social para VIVIANE KLANN VICTORINO; 16% para JULIANO D'ALMEIDA VICTORINO e 14% para JOINE D'ALMEIDA VICTORINO. Ainda temos que na declaração de imposto de renda da pessoa jurídica da BAULE PARTICIPAÇÕES LTDA consta que seu capital social é de R$ 69.998,00 (o mesmo que a soma das quotas das empresas que seriam alienadas), consta também da declaração que a empresa possui participação em empresas coligadas sendo R$ 49.999,00 na empresa QUIMIVALE INDUSTRIAL LTDA e R$ 19.999,00 na DISTRIBUIDORA CLEAN LTDA. Ou seja, o total das quotas menos as únicas quotas que não foram alienadas e que ficaram de posse do Sr. Juliano. Outro fato importante a ser observado é que os quotistas recolheram, 31/03/2005, o imposto sobre o ganho de capital nos seguintes valores; R$ 630.012,60 para VIVIANE; R$ 128.565,00 para JOINE e de R$ 12.857,40 mais R$ 128.565,00 para JULIANO, o qual foi motivo de solicitação de restituição de parte do imposto pago em vista da alegação de haverem utilizado o percentual de 27,5% quando a alíquota correta para ganho de capital seria de 15%, fl. 58. Ainda temos, como comprovação do recebimento dos valores informados no Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas, a constituição da empresa Aliança, onde, na cláusula 6° os valores a serem integralizados se referem às parcelas a serem recebidas decorrentes da venda das empresas em questão, fl. 79. DETERMINAÇÃO DO OBJETO DA VENDA E DO CUSTO DE AQUISIÇÃO Conforme consta da declaração de ajuste anual do ano de 2006, fl. 09, e dos contratos sociais das empresas objetos da venda, temos que VIVIANE KLANN VICTORINO,CPF 951.557.59900 possuía 98% das quotas da empresa QUIMIVALE INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 02.006.074/000160, correspondendo a 49.000 quotas a R$ 1,00 avaliadas em R$ 49.000,00, fl. 43. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 491 5 DETERMINAÇÃO DO PREÇO DA VENDA E DA DATA. A concretização da venda se deu pelo exercício do contrato de opção de compra o qual foi alterado por duas vezes sendo que a última alteração, que foi utilizada para delimitar os termos da compra, foi o SEGUNDO ADITAMENTO E RERATIFICAÇÃO DO CONTRATO DE OPÇÃO DE COMPRA DE QUOTAS, fl. 87. Por esse instrumento foi determinado que o objeto da compra seria a totalidade das quotas das empresas QUIMIVALE INDUSTRIAL; da DISTRIBUIDORA CLEAN e da BAULE PARTICIPAÇÕES, mais as duas quotas faltantes que pertenciam a Juliano. O SEGUNDO ADITAMENTO E RERATIFICAÇÃO DO CONTRATO DE OPÇÃO DE COMPRA DE QUOTAS estabelece três formas de pagamento sendo a primeira (item 2.1, inciso "i" e "ii"), que os valores seriam pagos no valor de R$ 6.000.000,00, dois dias úteis contados da data do exercício da opção, que foi em 08 de fevereiro de 2005, e o montante de R$ 3.585.000,00 pagos em cinco parcelas consecutivas mensais com vencimento para todo dia 10, a partir de março de 2005, parcelas de R$ 717.000,00. A segunda parte do pagamento monta R$ 19.000.000,00 e seriam pagos em 95 parcelas mensais de R$ 200.000,00 e estavam sujeitas a uma cláusula condicional que envolve a resolução definitiva, com julgamento de mérito, dos processos abaixo relacionados até 10/07/2005. E, como na data estipulada estes processos não foram solucionados, o valor do segundo montante foi substituído pelo disposto na cláusula 2.1.2, inciso "i", "ii" e "iii" que alterou o valor para mais três montantes sendo o primeiro no valor de R$ 4.000.000,00, em 10 parcelas de R$ 400.000,00, vencendo a partir de 10/08/2005; o segundo também de R$ 4.000.000,00, divididos em 20 parcelas de R$ 200.000,00, iniciando em 10/06/2006 e findando em 10/01/2008 e o terceiro montante em uma única parcela de R$ 100.000,00, vencendo em 10/02/2008. [...] Outro fator importante a ser considerado é que, pelas cláusulas, está estabelecido que os pagamentos serão rateados de forma que cada quotista receba o equivalente a 25% dos valores indicados, item 2.1 "i", fl. 241, isso para as duas empresas. Assim temos que o contribuinte recebeu 50% dos valores globais da venda das empresas. Teremos, então, que valor total a ser recebido pela venda das empresas fora de R$ 17.685.000,00 = (R$ 6.000.000,00 + R$ 3.585.000,00 + R$ 4.000.000,00 + R$ 4.000.000,00 + R$100.000,00) que dividido pelo percentual de 25% coube ao contribuinte o montante de R$ 4.421.250,00, conforme tabela abaixo. [...] Fl. 491DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 492 6 Como a empresa foi vendida em parcelas temos que, para cada parcela, retirar o custo correspondente. Assim utilizamos custo total da empresa R$ 49.000,00 e dividimos pelo lucro total da venda R$ 4.372.250,00 (4.421.250,00 49.000,00) e teremos o percentual de 0,11%, ou seja, para cada valor pago teremos um custo que representa 0,11% desse valor e em conseqüência termos um lucro para cada real recebido de 98,89% (100% 0,11%), que vem a ser a parcela a ser utilizada para diferimento. A fundamentação legal consta do referido Auto de Infração. Encerrado o trabalho fiscal, foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada sob o nº 10909.001736/201013. A contribuinte apresenta, por meio de procurador habilitado (v. mandato à fl. 275), a impugnação de fls. 241 a 270, na qual expõe suas razões de contestação. Argúi que o lançamento pautouse no Contrato de Compra das empresas Quimivale Industrial Ltda., Distribuidora Clean e Baule Participações e o agente notificante, apesar de possuir cópia de todos os contratos das empresas, bem como os extratos onde circularam os valores recebidos e os comprovantes de pagamento do ganho de capital, preferiu pautarse tão somente no 2º Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra das Quotas, ou seja, a exigência fundouse tão somente em parte da documentação, o que teria resultado na dissonância entre os valores lançados e a realidade fática, base da tributação. Diz que o cálculo “arbitrado” pelo agente notificante é totalmente incoerente. Relata que, em outubro de 2004, a empresa Monte Cristalina firmou Contrato de Opção de Compra de Quotas com as empresas da família, ou seja, tanto a Distribuidora Clean, cujo capital social era de R$ 20.000,00, sendo 50% de cada um dos sócios, Joine D'Almeida Victorino e Juliano D’Almeida Victorino, como a Quimivale Industrial Ltda., da qual detinha 98% do capital social de R$ 50.000,00, sendo os outros 2% do sócio Juliano D’Almeida Victorino. A intenção era de adquirir as duas empresas, com tudo o que elas representavam, incluindo lucros acumulados, e, no intuito de firmar um único Contrato, a Assolan, empresa posteriormente adquirente, exigiu dos alienantes a transferência de suas cotas para uma terceira empresa, a Baule Participações, no intuito de dispor dos percentuais dos capitais sociais das duas empresas de forma equânime. E, assim, foi feita a transferência das cotas das empresas da família para a Baule Participações, distribuindose para cada sócio os percentuais de acordo com a sua participação nas antigas empresas. Em razão disso, a composição das cotas na Baule Participações ficou da seguinte forma: Viviane Klann Victorino 70%, Juliano D'Almeida Victorino 16% e Joine D'Almeida Victorino 14%. Em 01/02/2005, foi firmado contrato com a Assolan para a aquisição Fl. 492DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 493 7 das empresas Distribuidora Clean Ltda, Quimivale Industrial Ltda e Baule Participações. Argúi que o agente notificante “entendeu pela facilidade de lançar todos os valores com base tão somente no 2º Aditivo”, impondolhe o percentual de 25% sobre o total da alienação e, como já destacado, do total das cotas alienadas para a Assolan, possuía 70%, sendo manifesta a impossibilidade jurídica da apuração de ganho de capital com base no percentual de 25%. A circunstância de o "Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas" estipular que caberia a cada um dos cotistas 25% dos valores recebidos na venda das cotas da Baule/Distribuidora Clean/Quimivale Industrial e, portanto, que receberia o percentual de 25%, não teria aptidão jurídica de alterar a real composição societária da empresa, tendo ela a titularidade de 70%, sendo esta a realidade fática e jurídica a ser considerada para o lançamento. Expõe que declarou no ano de 2005 o recebimento da venda de suas cotas, no percentual de 70%, e tributou o montante com base na alíquota de 15% como impõe a legislação. Diz que pretender tributar o cotista de uma sociedade sobre montante diverso daquele decorrente da venda do seu percentual de participação, com justificativa em disposição contratual, que prevê percentuais aleatórios de distribuição dos valores, importa na alteração da sujeição passiva, por convenção particular, o que é vedado pelo art. 123 do Código Tributário Nacional. Citando Alberto Xavier, o artigo 142 do CTN e Acórdãos do CARF, argúi ser nulo o lançamento, sob o argumento de que o Fisco apurou de maneira incorreta a base de cálculo do imposto, ao considerar 25% do valor da venda quando possuía 70% das cotas alienadas, sendo este um vício insanável. Aduz que, como já destacado, a fiscalização pautouse no Segundo Aditamento e Reratificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas, para fins de apuração do montante tributável, desconsiderando, no entanto, aspectos importantes do referido contrato, expressos também nos outros dos quais originou (contrato de "Opção de Compra e o Primeiro Aditamento"), especialmente quanto ao objeto da referida alienação. Para fins meramente contratuais, utilizouse a nomenclatura genérica de "QUOTAS" para referirse a todo o objeto da operação comercial realizada, no entanto, analisadas em harmonia, as disposições do contrato e seus aditamentos evidenciam que o objeto da alienação é mais abrangente do que o valor nominal das referidas cotas. Na verdade, todo o patrimônio da empresa de que era cotista foi alienado com base em seu valor contábil, apurado por meio do respectivo balanço patrimonial, deixando de existir e sendo incorporada à adquirente ASSOLAN. O agente notificante teria considerado, equivocadamente, que os valores dados em pagamento referiam se única e exclusivamente à totalidade das cotas que representam o capital social integralizado das empresas Baule Participações Ltda., Quimivale Industrial Ltda. e Distribuidora Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 494 8 Clean Ltda., e, assim, como custo de aquisição apenas o montante relativo ao valor nominal das mesmas. Ocorre que a operação de alienação das cotas abrangia tudo o que elas representavam, e não somente o valor nominal utilizado para fins de integralização do capital social, como fica evidente no item 1.1 do Contrato de Opção de Compra. Argúi que na apuração do ganho de capital real, há que se levar em conta o valor contábil dos bens e direitos alienados na operação, apurado em balanço patrimonial, somando o seu montante às cotas do capital social, constituindo, assim, o custo de aquisição a ser considerado. Da análise fática aprofundada dos negócios feitos pelas empresas, restaria cristalino que houve a alienação de todos os bens e direitos representados pelas cotas, inclusive os equipamentos e as máquinas, indispensáveis para a continuidade das atividades da empresa, além dos lucros acumulados. Conclui que não houve qualquer ilegalidade nos negócios realizados, tampouco nas declarações apresentadas ao fisco, uma vez que estas teriam sido feitas com base no real ganho de capital, de acordo com o valor de aquisição dos bens e direitos alienados e a sua real participação societária, de 70%, sendo esta a disponibilidade econômica tributável. O fato do contrato particular prever a distribuição do valor recebido na proporção de 25% para cada um dos sócios das três empresas incorporadas apenas reforçaria o erro na base de cálculo, “haja vista que o agente notificante possuía todos os contratos firmados”. Repisa que os valores pagos na aquisição das empresas englobavam todo o patrimônio, com tudo o que elas representavam, incluindo lucros acumulados. Cita a Lei nº 6.404/1976, o Código Civil, o artigo 21 da Lei no 9.249/95, a Instrução Normativa DNRC nº 88/2001, discorre sobre a operação de incorporação, argüindo que, após o contrato de compra e venda, a Assolan incorporou as empresas Baule Participações, Distribuidora Clean e Quimivale Industrial e, obrigatoriamente, na transferência do patrimônio para a incorporadora deve se dar a avaliação pelo valor contábil ou de mercado. Aduz que a incorporação foi realizada tendo por base o valor contábil do patrimônio registrado na contabilidade, tanto que o laudo de avaliação foi realizado com base nos balanços patrimoniais emitidos pelas empresas posteriormente incorporadas, sendo este o custo de aquisição para o cálculo do ganho de capital. Argumenta que a alienação das empresas necessariamente deve ocorrer antes de qualquer procedimento para a incorporação, o que foi efetuado, que cabe à incorporada a aprovação do projeto acerca da reforma do ato constitutivo, não possuindo maiores obrigações para a operação, devendo a incorporadora realizar a avaliação da sociedade incorporada, para posterior agregação ao seu patrimônio. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 495 9 Reclama que dos documentos apresentados na fiscalização, ou seja, os laudos de avaliações das empresas alienadas, protocolo e justificação de incorporação, a Ata de Assembléia e a posterior alteração contratual com a incorporação, tiveram o intuito de comprovar que o custo de aquisição nada mais é do que o valor contábil agregado pela empresa incorporadora, mas que, apesar da comprovação, emitiu o fiscal, Auto de Infração sob a alegação de que a incorporação não ocorreu nos exatos termos da legislação e que tal afirmação, sem especificar exatamente qual procedimento foi inadequado, deve ser rechaçada. Destaca o seguinte trecho do RF: “De modo, as reavaliações procedidas visaram unicamente ajustar o patrimônio das empresas proprietárias em decorrência dos valores despendidos para suas aquisições, não aproveitando esses novos valores aos seus exproprietários. (grifo nosso)”, argüindo a distinção entre reavaliação e laudo de avaliação, que só ocorreria reavaliação se as empresas tivessem realizado o levantamento patrimonial tendo por base o valor de mercado. E, como já explicado e comprovado, o patrimônio foi repassado pelo valor contábil, ou seja, o valor do ativo e do passivo registrado na contabilidade na época dos fatos, não existindo qualquer reavaliação. Refere que, nos termos do Contrato de Opção, deveria ser levantado balanço especial para apuração do valor do saldo circulante, valor do estoque de matériaprima, valor de produtos acabados, valor em caixa, valor do contas a pagar a terceiros, bem como valor da dívida financeira, ficando, assim, claro que a aquisição não se deu somente das cotas e sim da totalidade do patrimônio registrado na contabilidade. Somando o patrimônio das duas empresas denotase que o total do custo para a venda é de aproximadamente doze milhões e, assim, considerando que, segundo o Aditivo ao Contrato de Opção de Compra de Quotas o valor da alienação se deu no montante global de R$ 17.685.000,00, temse que o valor do ganho de capital gira em torno de R$ 6.000.000,00, valor esse tributado pelos sócios na proporção já mencionada, ou seja, Viviane (70%), Juliano (16%) e Joine (14%). Invoca os artigos 521 a 523 do RIR/1999 e o artigo 4º, § 2º, da IN SRF nº 93, de 1997, argüindo que nas alienações de bens classificáveis no ativo permanente, o ganho de capital corresponderá diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo custo contábil. Refere que o cálculo apresentado encontrase dentro das normas da lei, merecendo análise apurada ante aos fatos destacados, e, se necessário, perícia para avaliação do custo contábil. Argúi que não pode ocorrer tributação sobre renda fictícia, conforme delimitado pela própria Constituição, devendo a base de cálculo do imposto ser na medida da disponibilidade da riqueza nova realmente experimentada pelo contribuinte, ou seja, as empresas já valiam aproximadamente doze milhões, portanto é esse o montante que deve ser excluído para se chegar à base de cálculo Fl. 495DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 496 10 do ganho de capital. Cita Ives Gandra da Silva Martins, e prossegue argüindo que se deve manter a mesma linha de raciocínio no caso de sócios que se retiram da sociedade em andamento. Na prática, o que ocorre não é somente a retirada do valor das quotas integralizadas, e sim de todo o patrimônio advindo do faturamento e já tributado, conforme reza o artigo 238 do RIR. É de se imaginar que a empresa iniciou suas atividades com somente o valor das quotas integralizadas por seus sócios, mas que, ao longo de sua vida, após oferecer à tributação seu faturamento, a empresa pode quitar suas obrigações, e sobraramlhe reservas para investir na sociedade, aumentando seu estoque e adquirindo bens fixos ou imobilizados e até intangíveis que valoraram suas cotas. Diz que se impõe a análise do patrimônio das empresas como um todo, com base no valor contábil demonstrado por meio do Balanço Patrimonial. No mais, estando todos os documentos que comprovam a transação de posse da empresa Assolan e, havendo necessidade de apresentação de outros documentos para comprovação do explanado até então, requerse diligências com fulcro no inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/72 para comprovação do valor contábil das empresas. Argúi que fez o recolhimento do ISGC no valor de R$ 630.012,60 e pleiteou, mediante PER/DECOMP, compensação da parcela de R$ 267.430,37. Apesar da homologação integral da compensação solicitada, preferiu não receber o saldo de R$ 47.846,35 antes da finalização dos trabalhos de fiscalização. Requer, agora, que seja abatido esse valor do total da exigência. Às fls. 267 a 269, contesta a contribuinte a multa de ofício (75%), argüindo, em síntese, ser a mesma excessiva, revestida de todas as características de confisco, enfim, alegações tendentes, todas, à demonstração da inconstitucionalidade desta exigência, pugnando pela sua redução. Requer, assim, o cancelamento integral do Auto de Infração, tendo em vista o erro na base de cálculo, o que viciaria totalmente o lançamento, e, se assim não se entender, diz que o mesmo deve ser refeito, para considerar os valores das empresas alienadas quando incorporadas pela adquirente. E, ainda, se assim não se entender, requer perícia dos documentos que estão de posse da empresa adquirente Assolan, para a comprovação do valor contábil da empresa na época da alienação. E, ainda, a redução da exigência no valor de R$ 47.846,35, correspondente à compensação homologada. À fl. 437, memorando da SECAT da DRF em Florianópolis, encaminhando a petição de fl. 438 a 440, apresentada pela contribuinte em 23/08/2011, na qual argúi a decadência do lançamento. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 443/465, assim ementado: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 497 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS COTAS. Para efeito de apuração de ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das cotas é apurado pela média ponderada dos seus custos unitários. Não é possível alterar o valor original de aquisição de participações societárias constantes da declaração de bens e direitos. Está sujeito ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que efetuar alienação de participações societárias com valores superiores aos constantes da declaração de bens. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O descumprimento da obrigação tributária, verificado em procedimento fiscal, acarreta a cobrança do imposto devido, com o acréscimo de multa de ofício. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDOS DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de perícia quando a matéria que seria objeto deste procedimento já tem seu conteúdo definido em lei. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/06/2012 (fl. 469), a Interessada interpôs, em 17/07/2012, o recurso de fls. 473/476. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 498 12 Tratase de alienação de quotas de mais de uma sociedade empresária, no qual a contribuinte e seus familiares venderam, em conjunto, a totalidade de suas participações, mediante um “Contrato de Opção de Compra de Quotas”, firmado em caráter irrevogável e irretratável em 07/10/2004 (fls. 289313). Ao realizar a auditoria fiscal sobre a documentação apresentada pela contribuinte, o Agente da RFB entendeu que as quotas haviam sido vendidas por valor superior ao custo de aquisição declarado na DIRPF e que o recolhimento do IRPF sobre o respectivo Ganho de Capital fora insuficiente em relação ao crédito tributário apurado no curso do procedimento fiscal, o que o levou a lavrar o Auto de Infração aqui questionado em 25/05/2010 (fls. 217236). No presente caso, se a contagem do prazo decadencial iniciar na data de ocorrência do fato gerador, que é 07/10/2014 (data do contrato), o termo decadencial final será 07/10/2009. Por outro lado, se o início da contagem for estabelecido na data do primeiro dia do exercício seguinte (01/01/2005), a decadência estará configurada em 01/01/2010. Sendo o Auto de Infração lavrado em 25/05/2010, constatase que em qualquer uma das opções de início da contagem do prazo decadencial o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário estará atingido pela decadência. O acórdão recorrido entendeu que nas alienações a prazo o fato gerador da obrigação tributária ocorre no recebimento das parcelas e não no momento da alienação (data do contrato), o que evidentemente não condiz com o ordenamento jurídico tributário brasileiro. A jurisprudência do CARF vem entendendo que no caso de ganho de capital em vendas a prazo o fato gerador ocorre no momento da alienação e não no pagamento das parcelas. Portanto, como a alienação, que difere do recolhimento do tributo, ocorre com a formalização do negócio jurídico, o fato gerador do tributo ocorre com a pactuação da venda, e não com o pagamento das parcelas. Tal entendimento tem como fundamento o art. 140 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, derivado do art. 21 da Lei nº 7.713/1988, do qual decorre o disposto no art. 31 da IN SRF nº 84/2001. Não se pode confundir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, que se dá no momento da "formalização do negócio jurídico", com as datas dos recebimentos das respectivas parcelas. Logo, tendo o contrato sido firmado em 07/10/2004 e o Auto de Infração lavrado em 25/05/2010, temse que o ato administrativo de lançamento foi plenamente atingido pela decadência. Ao final, requer o recebimento do presente recurso voluntário, dandolhe total provimento para reformar o respeitável acórdão a quo, no sentido de declarar insubsistente o respectivo Auto de Infração e os créditos tributários dele decorrentes. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 499 13 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Cingese a controvérsia à verificação da ocorrência de decadência do direito de o Fisco constituir o presente crédito tributário. Alega o Interessado que a jurisprudência do CARF se direciona no sentido de que no caso de ganho de capital em vendas a prazo o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física ocorre no momento da alienação, e não no momento do pagamento das parcelas a serem adimplidas. Para o Recorrente o fato gerador ocorreu em outubro de 2004, quando da formalização do “Contrato de Opção de Compra de Quotas” (fls. 354/378) entre a sociedade empresária Monte Cristalina S/A e os quotistas alienantes. Logo, se o contrato foi firmado em 07/10/2004 e o Auto de Infração lavrado em 25/05/2010, temse que o ato administrativo de lançamento foi atingido pela decadência. A leitura do “Relatório de Fiscalização” (fls. 406/418), no entanto, evidencia que a Autoridade lançadora considerou, por se tratar de alienação a prazo, que fatos geradores teriam ocorrido no recebimento de cada uma das parcelas estipuladas no “Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas” (fls. 90/121), celebrado em fevereiro de 2005 entre a sociedade empresária Assolan Industrial Ltda. e os titulares das quotas das empresas alienadas, dentre eles a ora Recorrente. O mesmo entendimento foi adotado pelos julgadores da instância de piso. Registro, inicialmente, por oportuno, que a Autoridade lançadora procedeu a imputação de parte do montante recolhido pela Recorrente (DARF à fl. 128) a título de ganho de capital. Dos R$ 630.012,60 recolhidos em 31/03/2005, R$ 362.582,23 foram alocados às competências de fevereiro a julho e parte à competência de agosto de 2005, conforme evidencia o “Demonstrativo de Apuração” de fls. 223/232. O restante do valor recolhido não foi alocado porque a Interessada já havia pleiteado a restituição correspondente a este valor por meio de PER/DCOMP. Assim, o crédito tributário exigido no presente processo referese ao ganho de capital relativo ao período de agosto de 2005 a fevereiro de 2008. Logo, diferentemente do que aconteceu no processo 10909.000116/201059, cujo cônjuge da Recorrente foi o autuado, o que interessa aqui é a investigação do momento da data de ocorrência do fato gerador nas alienações a prazo de bens e direitos, porquanto se este momento for a data da formalização do contrato, seja do “Contrato de Opção de Compra de Quotas” (07/10/2004), seja do “Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas” (08/02/2005), a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário já teria se operado, haja vista que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 01/06/2010, ou seja, cinco anos após a celebração de qualquer dos dois contratos. Ao revés, se a data da ocorrência do fato gerador for a data do recebimento das parcelas, a decadência não teria ocorrido, pouco importando a data de celebração dos contratos, pois o recebimento da parcela mais antiga ocorreu em agosto de 2005 e a ciência do Auto de Infração em 01/06/2010, ou seja, a menos de cinco da data da ocorrência do fato gerador. Embora a data da formalização do contrato seja irrelevante para o deslinde da presente controvérsia, registro o meu entendimento no sentido de que o Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 500 14 negócio jurídico se concretizou mediante o “Segundo Aditamento e ReRatificação do Contrato de Opção de Compra de Quotas”, pelos motivos expostos no voto que proferi no referido processo 10909.000116/201059, os quais utilizo como fundamentos complementares às razões de decidir deste voto. Pois bem. Consoante demonstrado acima, a discussão está relacionada à data da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa física no caso de ganho de capital decorrente de alienação a prazo de quotas societárias. Esta data influenciará no resultado do presente julgamento. Para uma melhor compreensão da matéria, fazse necessário, por primeiro, estabelecer a distinção entre o negócio jurídico celebrado e o fato jurídico tributário. Para isso, me valho da lição de Marcos Vinicius Neder (Controvérsias JurídicoContábeis – Aproximações e Distanciamentos, Dialética, p. 335). São dele as palavras abaixo: Em muitos casos, a norma jurídica tem como pressuposto de sua incidência, fato já juridicizado por outra norma jurídica. Um fato jurídico pode servir de suporte fático para a incidência de outra norma. (...) No Direito Tributário, o legislador identifica que certos atos ou negócios jurídicos privados denotam capacidade contributiva dos sujeitos a ele vinculados e captura nesse suporte fático um fato que autoriza a incidência tributária. O que se busca evidenciar, com os ensinamentos do Insigne tributarista, é que a existência de um negócio jurídico privado que se posiciona de forma subjacente ao fato jurídico tributário. Nas alienações de quotas societárias o ganho de capital é o fato jurídico tributário e a situação subjacente é o negócio jurídico privado de alienação de quotas. Assim, a situação que constitui o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de alienação de quotas de uma sociedade empresária é uma relação posterior ao momento de celebração do “Contrato de Opção de Compra de Quotas”, ou seja, o contrato regula uma situação jurídica que irá desencadear a incidência do tributo se e quando houver acréscimo patrimonial. Em outras palavras: o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos não é a celebração do negócio jurídico, senão apenas o acréscimo patrimonial dele decorrente. Não fosse assim, qualquer alienação sofreria a incidência tributária, ainda que não houvesse acréscimo patrimonial. E isso não é verdade. Registro, por oportuno, que o imposto sobre a renda da pessoa física é regido pelo regime de caixa. O regime de caixa, como o próprio nome indica, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidos quando houver a realização financeira deles. O regime de caixa é o que melhor se harmoniza ao conceito constitucional de renda, porquanto identifica, com maior precisão, o conceito de acréscimo patrimonial disponível. Na apuração do imposto de renda pelo regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, somente ocorrerá o acréscimo patrimonial se houver a efetiva disponibilidade Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 501 15 financeira. Logo, nas alienações a prazo de bens e direitos de pessoa física o fato gerador do ganho de capital ocorrerá no recebimento de cada uma das parcelas pactuadas. Bem por isso é que o art. 21 da Lei nº 7.713/1988 está descrito nos seguintes termos: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Esmiuçando mais o entendimento acima exposto: a obrigação tributária nasce com a ocorrência do fato gerador e não depende da intenção dos agentes que celebraram o negócio jurídico subjacente que porventura ocasionou efeitos tributários. O fato gerador, e por consequência a obrigação tributária, decorrem tão somente da subsunção de uma situação fática à descrição abstrata contida na lei. O art. 114 do Código Tributário Nacional – CTN, por sua vez, estabelece que o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, ou seja, é o fato ou o conjunto de fatos a que o legislador vincula o nascimento da obrigação de pagar o tributo. Transportando essa ordem de idéias para o caso concreto, bem se vê que a celebração do contrato de compra e venda não pode ser considerada o momento do fato gerador do imposto de renda no caso de ganho de capital na alienação a prazo de cotas societárias, haja vista que o contrato é uma situação necessária ao nascimento da obrigação tributária, porém não é suficiente, porquanto a mera contratação não gera qualquer acréscimo patrimonial. O que ocasiona o acréscimo patrimonial é o recebimento das parcelas pactuadas. Não se desconhece o entendimento existente no CARF de que a data da ocorrência do fato gerador nas alienações a prazo de bens e direitos é a data da celebração do contrato. Um dos argumentos da corrente que adota este entendimento é o de que o fato gerador da obrigação regese pela lei vigente no momento de sua ocorrência. Assim, se o fato gerador ocorresse na data de recebimento de cada parcela inviabilizarseia a cobrança do tributo, na medida em que toda alteração legislativa obrigaria o recálculo do quantum do imposto devido, o que violaria a segurança jurídica. A situação revelada neste processo demonstra o quão frágil é este argumento. É que o contrato foi celebrado em fevereiro de 2005, o lançamento ocorreu em junho de 2010 e o julgamento de segunda instância está ocorrendo em outubro de 2014, sem que a legislação respectiva tenha se alterado uma única vez. Não se está querendo dizer que é impossível ocorrer alterações supervenientes na legislação. É lógico que pode. Contudo, as exceções devem ser tratadas como exceções, e não como regra, mediante a análise de cada caso concreto. Demais disso, nada impede que o legislador estabeleça regras de transição no caso de alterações legislativas, o que é até comum no ordenamento jurídico brasileiro. Já caminhando para a conclusão do meu voto, observo que embora não se referindo especificamente ao ganho de capital na alienação de bens e direitos, o Superior Tribunal de Justiça – STJ decidiu, no Recurso Especial nº 973.733, julgado sob o rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 502 16 recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4º). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. É pacífico que o ganho de capital na alienação de bens e direitos está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que sua apuração é realizada pelo próprio contribuinte. No caso concreto, o DARF de fl. 128 revela que o Interessado recolheu parte do imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da alienação de quotas societárias em 31/03/2005. Aplicável, portanto, conforme a orientação do STJ, a regra do art. 150, § 4º, do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador. O negócio jurídico foi celebrado em fevereiro de 2005, a primeira parcela não paga considerada no lançamento referese ao mês de agosto do mesmo ano (data da ocorrência deste fato gerador) e a ciência do Auto de Infração se deu em 01/06/2010 (Aviso de Recebimento à fl. 239). Logo, não ocorreu a decadência do direito de o Fisco constituir o respectivo crédito tributário, porquanto o fato gerador mais antigo ocorreu em agosto de 2005, ao passo que a cientificação do lançamento se deu junho de 2010, antes de decorrido o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora designada. Com a devida vênia do Nobre Relator, Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, permitome divergir de seu voto relativamente à data da ocorrência do fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na alienação a prazo de participação societária. Para deslinde da questão, transcrevo trecho do Acórdão 9200.809 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 10 de maio de 2010: Inicialmente, destaco que nas vendas a prazo, com ganho de capital, o fato gerador ocorre no momento da alienação do bem ou do direito e o pagamento do imposto é diferido para a data do recebimento. A circunstância do artigo 21 da Lei n° 7.713, de 1988, prever pagamento do imposto em data posterior, como ocorre, por exemplo, na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, em que o fato gerador, decorrente dos rendimentos do trabalho, se dá em 31 de dezembro, com declaração entregue e Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 503 17 imposto apurado no mês de abril do ano seguinte, não altera a data do fato gerador e nem muda o marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de venda em várias parcelas, temse o fato gerador no momento da alienação, com vencimento do imposto, de forma proporcional, na medida em que os pagamentos forem sendo realizados. A propósito dos fatos relacionados à venda a prazo, o artigo 140, do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado por meio do Decreto n° 3.000, de 1999, assim dispõe: Art. 140 Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês , considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei n° 7 713, de 1988, artigo 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida No caso dos autos, portanto, o fato gerador ocorreu na data em que o negócio jurídico foi celebrado fevereiro de 2005 Em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do anocalendário. Desse modo, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4o, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na espécie, como o ganho de capital referese ao fato gerador ocorrido em fevereiro de 2005, com recolhimento parcial do imposto de renda sobre ganho de capital, conforme indicado pelo Ilustre Relator, o prazo decadencial começou a contar em fevereiro de 2005, sendo possível o lançamento até fevereiro de 2010. Ocorre que a Contribuinte somente foi cientificada do lançamento em 01/06/2010 (fl. 239), quando o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10909.001735/201061 Acórdão n.º 2801003.778 S2TE01 Fl. 504 18 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10660.001532/2008-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
RECURSO DE OFÍCIO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. EXCLUSÃO DA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE POR SOLIDARIEDADE. ART. 34 DO PAF. Excluir a responsabilidade do sujeito passivo solidário equivale, de fato e de direito, a exonerá-lo do pagamento do tributo em sua integralidade, e portanto, configura exoneração sujeita ao recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 8/STF. Por força da Súmula Vinculante nº 8 do STF foi afastado o prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o prazo de 5 anos previsto no CTN, enquanto norma recebida pela Constituição como Lei Complementar.
RECURSO DE OFÍCIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A atribuição de responsabilidade em relação às pessoas físicas de ex-sócios depende da prova da prática de atos concretos de gestão, a comprovar a gestão de fato da empresa, o que caracterizaria a violação ao contrato social, legitimando a aplicação do art. 135 do CTN. A atribuição de responsabilidade a pessoas físicas que foram constituídas como representantes da empresa diante de instituições bancárias, por meio das competentes procurações, apenas se legitima se demonstrada a prática de ato com excesso de poder ou com infração à lei, conforme previsto no mesmo art. 135 do CTN. Entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça de que O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de poderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falar-se em responsabilidade tributária do ex-sócio a esse título ou a título de infração legal (Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 260.107, Relator Ministro José Delgado, DJ 19.4.2004).
SOLIDARIEDADE PASSIVA. SONEGAÇÃO. ART. 71, II, DA LEI 4502/64. ART. 135, III, DO CTN. CONFIGURAÇÃO. O ato de transferência de quotas para pessoa sem capacidade financeira nem gerencial para suportar e conduzir a atividade da pessoa jurídica configura a hipótese do art. 71, II, da Lei nº 4.502/64, no que se refere à identificação e determinação do efetivo sujeito passivo da obrigação, devendo ser atribuída a responsabilidade pessoal ao ex-sócio que alienou as quotas nestas condições, autorizando a atribuição de responsabilidade com fundamento no art. 135, III, do CTN.
FRAUDE E SONEGAÇÃO. DECADÊNCIA E MULTA QUALIFICADA. Não configura fraude a apresentação de DCTF com a confissão de Cofins em valor inferior ao efetivamente devido, se houve a apresentação de DIPJ e DACON informado o valor efetivamente devido, além de que, a escrituração contábil é coerente com os dados informados nestas últimas declarações. No entanto, caracteriza sonegação o ato de alienação artificiosa da integralidade das quotas para uma única e última pessoa física que se verificou não possuir capacidade financeira nem técnica para conduzir os negócios da empresa, o que traduz ato que se presta a impedir e retardar o conhecimento das condições pessoais do contribuinte. Decadência que deve ser aferida com fundamento no art. 173 do CTN. Multa de ofício que se mantém no patamar de 150%.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. Na apuração da Cofins sob o regime não-cumulativo, a partir da edição do Decreto nº 5.164/04 as receitas financeiras estão sujeitas à aplicação de alíquota zero.
Recursos de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins as receitas financeiras em relação aos fatos geradores ocorrido a partir de agosto de 2004, inclusive. A Dra. Elaine Perez, OAB/DF 35.122 sustentou pela responsável solidária Sônia Maria de Jesus.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. EXCLUSÃO DA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE POR SOLIDARIEDADE. ART. 34 DO PAF. Excluir a responsabilidade do sujeito passivo solidário equivale, de fato e de direito, a exonerálo do pagamento do tributo em sua integralidade, e portanto, configura exoneração sujeita ao recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 8/STF. Por força da Súmula Vinculante nº 8 do STF foi afastado o prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o prazo de 5 anos previsto no CTN, enquanto norma recebida pela Constituição como Lei Complementar. RECURSO DE OFÍCIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A atribuição de responsabilidade em relação às pessoas físicas de exsócios depende da prova da prática de atos concretos de gestão, a comprovar a gestão de fato da empresa, o que caracterizaria a violação ao contrato social, legitimando a aplicação do art. 135 do CTN. A atribuição de responsabilidade a pessoas físicas que foram constituídas como representantes da empresa diante de instituições bancárias, por meio das competentes procurações, apenas se legitima se demonstrada a prática de ato com excesso de poder ou com infração à lei, conforme previsto no mesmo art. 135 do CTN. Entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça de que “O simples AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 15 32 /2 00 8- 18 Fl. 10961DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de poderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falarse em responsabilidade tributária do exsócio a esse título ou a título de infração legal” (Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 260.107, Relator Ministro José Delgado, DJ 19.4.2004). SOLIDARIEDADE PASSIVA. SONEGAÇÃO. ART. 71, II, DA LEI 4502/64. ART. 135, III, DO CTN. CONFIGURAÇÃO. O ato de transferência de quotas para pessoa sem capacidade financeira nem gerencial para suportar e conduzir a atividade da pessoa jurídica configura a hipótese do art. 71, II, da Lei nº 4.502/64, no que se refere à identificação e determinação do efetivo sujeito passivo da obrigação, devendo ser atribuída a responsabilidade pessoal ao exsócio que alienou as quotas nestas condições, autorizando a atribuição de responsabilidade com fundamento no art. 135, III, do CTN. FRAUDE E SONEGAÇÃO. DECADÊNCIA E MULTA QUALIFICADA. Não configura fraude a apresentação de DCTF com a confissão de Cofins em valor inferior ao efetivamente devido, se houve a apresentação de DIPJ e DACON informado o valor efetivamente devido, além de que, a escrituração contábil é coerente com os dados informados nestas últimas declarações. No entanto, caracteriza sonegação o ato de alienação artificiosa da integralidade das quotas para uma única e última pessoa física que se verificou não possuir capacidade financeira nem técnica para conduzir os negócios da empresa, o que traduz ato que se presta a impedir e retardar o conhecimento das condições pessoais do contribuinte. Decadência que deve ser aferida com fundamento no art. 173 do CTN. Multa de ofício que se mantém no patamar de 150%. COFINS NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. Na apuração da Cofins sob o regime nãocumulativo, a partir da edição do Decreto nº 5.164/04 as receitas financeiras estão sujeitas à aplicação de alíquota zero. Recursos de ofício negado. 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Fl. 10962DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.962 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte Eletro Metal Indústria e Comércio de EletroEletrônicos Ltda para a constituição de crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação a fatos geradores ocorridos entre 01/2002 e 12/2006 (fls. 11/28). O lançamento foi realizado porque “O estabelecimento industrial não declarou nem recolheu aos cofres públicos valores da COFINS (...). A fiscalizada limitouse a informar nas DCTF ínfimos valores devidos, conforme demonstrado nas planilhas corroborados pelos documentos enumerados no Termo de Verificação em anexo” (fl. 13). Em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2002 a 01/2004 a apuração se deu pelo regime cumulativo (o procedimento de apuração é descrito às fls. 30/31 e as planilhas que consolidam os valores estão às fls. 47/57), e de 02/2004 a 12/2006 pelo regime nãocumulativo (o procedimento é descrito às fls. 31/32 e a planilha de consolidação dos valores se encontra às fls. 58/74). A notificação do contribuinte aconteceu em 18/05/2008 (fl. 12). Também foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, por meio dos quais foi atribuída responsabilidade solidária a Antonio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho, Sônia Maria de Jesus, José de Oliveira Lima, Wagner Roberto Peral, José Luiz de Souza, Carlos Alberto Back e José Vieira Lima (fls. 291/299). O Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 29/46), do item 14 adiante, começa por explicar que o local onde hoje se encontra estabelecida a empresa, para o qual houve a transferência em 06/12/2006, em ItapevaMG, é “um galpão onde, efetivamente, nenhuma atividade empresarial funciona ou funcionou, desde a data da transferência, pois, nas idas ao local constatamos que a estrutura é precária para o funcionamento de uma empresa, com depósitos de algumas bancadas, caixas com ditos materiais de estoque e máquinas aparentemente em desuso” (fl. 32). Em seguida, apresenta um quadro que resume a seqüência cronológica de alterações da composição societária da empresa, desde 2002 até 2006 (fl. 33), demonstrando que as referidas pessoas físicas eram sócias e foram saindo paulatinamente da sociedade, até restar apenas o Sr. José Vieira Lima em 10/06/2007. Também descreve cada um destes eventos, detalhando que a retirada da participação societária na autuada, pelos contribuintes Antonio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho e Sônia Maria de Jesus, deuse pela permuta com quotas de participação societária de outras pessoas jurídicas (fl. 34). Apresentase, então, um quadro que demonstra a existência de vínculo negocial entre a pessoa jurídica autuada e as pessoas jurídicas das quais são sócios as mesmas pessoas físicas acima referidas (fl. 29), bem como os valores dos pagamentos realizados pela autuada para estas pessoas jurídicas a título de compra de bens e pela prestação de serviços, em especial de assessoria. Fl. 10963DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O TVF relata o seguinte (fls. 36/37): Em relação aos contribuintes Wagner Roberto Peral, Carlos Alberto Back e José Luiz de Souza, a atribuição de responsabilidade se deu sob a motivação de que “não só praticaram atos de gerência administrativa, financeira e comercial, negociaram e receberam valores em seus nomes, aceitando o risco de operações de crédito bancário e comprometendo o patrimônio da empresa, como ainda receberam pelos serviços prestados por meio de consultorias, conforme demonstramos adiante” (fl. 39). Especificamente em relação ao contribuinte Wagner Roberto Peral: Fl. 10964DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.963 5 Em relação ao contribuinte José Luiz de Souza: E quanto a Carlos Alberto Back: Por fim, quanto a José Vieira Lima: 42) Constatamos que Jose Vieira Lima, CPF 280.041.91800, não tem capacidade econômico financeira e nem técnica para gerir a empresa. Fazemos tal afirmação em vista de um conjunto de evidências. De acordo com o próprio dossiê do contribuinte (doc. de fls. 334 a 351 do ANEXO II), em nome dele não existe movimentação financeira em bancos, não recebeu nem lucros nem rendimentos da empresa, não houve nenhum rendimento exclusivo de fonte, nem isento ou não tributável, não consta nenhuma alienação de bens. Durante os procedimentos de auditoria, não só os esclarecimentos expressos por meio do termo de declaração (doc. de fls. 354 a 356 do ANEXO II), como também as informações prestadas por meio das Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRF e outras telas e documentos em anexo ficam evidenciados que ele não participava das decisões da empresa e, acima de tudo, quando transferiram as cotas da fiscalizada para seu nome, ele não tinha conhecimento e esclarecimentos da situação econômicofinanceira da empresa. Afirmou, verbalmente, que quando recebeu as cotas estava com muita dificuldade financeira e o pessoal prometeu um cargo na empresa, que em meados de setembro (data do inicio dos procedimentos da auditoria) solicitaram que ele mudasse para Itapeva para administrar a fiscalizada. Fl. 10965DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 43) Importante, foi nesta época, meados de setembro de 2007, que Jose de Oliveira Lima alega que conheceu Antônio de Oliveira Lima e Paulo Oshiro. Atentamos. Nesta data os "ex sócios" estiveram em Itapeva certificando do local da empresa transferida. 44) Ressaltamos que José Vieira Lima, sem nenhum demérito e com muito respeito à sua pessoa, era ele mesmo quem limpava a mesa para nós desenvolvermos os trabalhos (eu e o contador). Era quem nos servia o café. Certa vez precisamos de xerox de documentos e ele solicitou recursos ao contador. Uma pessoa aparentemente modesta, simples e ainda sem nenhuma capacidade financeira para gerenciar a empresa, em contradição no ano da transferência das cotas para seu nome, quando a empresa faturou em 2005, R$ 37.391.886,21 e em 2006, R$ 35.356.847,23. Já o valor da compra das referidas cotas em sua declaração foi registrado por apenas R$ 100,00. E o que é pior, ao final com a transferência das cotas para seu nome, deixaram como único sócio da sociedade, já por um período superior a 180 dias, tendo como conseqüência toda responsabilidade da empresa fiscalizada em seu nome. 45) Portanto, todos estes conjuntos de fatos relacionados nos itens 24 a 44 evidenciam a continuação do comando da fiscalizada pelos então sócios. Segundo o TVF, “todos estes conjuntos de fatos relacionados nos itens 24 a 44 evidenciam a continuação do comando da fiscalizada pelos então sócios” (fl. 41), de maneira que passa a apresentar a fundamentação legal para a extensão da sujeição passiva às referidas pessoas físicas, da qual se transcreve o seguinte trecho (fl. 42): 47) São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceira pessoa ("laranja") que apenas emprestou o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham liberdade de fato para gerir os negócios, inclusive movimentar as contas bancárias, acarretando, portanto, a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN.. 48) De acordo com a documentação integrante deste processo conforme exposto acima, deduzse que o conjunto dos elementos e indícios é prova mais do que suficiente para concluir que nos anos de 2002 a 2006, o grupo de sócios, depois exsócios e procuradores da empresa, por meio de serviços prestados ou vendas de mercadorias e serviços, administraram a fiscalizada ao mesmo tempo declarando e pagando ínfimos valores dos débitos fiscais devidos conforme já dito, como também no final ainda transferiram as cotas da empresa para uma interposta pessoa, dificultando sobremaneira a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos créditos tributários e o conhecimento de fatos relevantes para o exercício do poder dever de lançamento de oficio, prejudicando o direito da Fazenda Pública. Fl. 10966DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.964 7 (grifo editado) O TVF também concluiu pela aplicação da multa de 150%, por entender tratarse de situação enquadrada nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, apresentando a seguinte motivação (fl. 45): Foram apresentadas impugnações tanto pela pessoa jurídica autuada como pelas pessoas físicas. A respeito do conteúdo de cada uma destas impugnações, transcrevese o seguinte trecho do relatório do acórdão da DRJ: A empresa apresentou impugnação de fls. 307/336, na qual alega, em síntese, que: 1) preliminarmente, “requer seja restituído o prazo para a impugnação ao auto de infração visto que, como os autos dos processos não puderam sair das repartições, e o exame dos mesmos não poderia ser feito detalhada e rigorosamente por advogado, contador, ou quem quer que seja, em menos de uma semana, requereuse que fossem extraídas cópias integrais dos processos, para que o exame fosse feito com detalhe e rigor”, sendo que “muito embora o requerimento das cópias tivesse sido feito anteriormente, as cópias somente foram entregues, forma parcial, em data de 30052008, quando o advogado ora subscritor destacou uma equipe para tirar fotos dos documentos faltantes”; 1.1) “o tempo exíguo que foi concedido para a defesa, o prazo regulamentar de 30 dias, foi sensivelmente prejudicado pelo grande número de documentos que o Agente Fiscal juntou nos autos, mais de 6.000 cópias, e, mais prejudicado ainda com a impossibilidade de a repartição fiscal não fornecer toda a documentação em cópia, em prazo hábil para que a contribuinte pudesse se defender, de forma que o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias não restou integro, prejudicando a defesa.”; 2) “dispõe o art. 173 do CTN, que "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Na hipótese em apreciação, o auto de infração contém lançamentos a partir de 10/01/2003 até 16/05/2003, que, se fosse caso para tanto, deveriam ter sido concretizados até 15/05/2008, mas foram lançados em 16/05/2008 (data do auto de infração)”; Fl. 10967DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 3) “os lançamentos tributários efetivados no auto de infração devem ser cancelados e, se for o caso, emitidos outros, posto que os mesmos estão caracterizados por erros de interpretação tais como: 3.1) as receitas financeiras da empresa autuada foram excluídas da base de cálculo apenas do período cumulativo; foram incluídas do período não cumulativo. Tal entendimento é equivocado, visto que as receitas financeiras não fazem parte do faturamento, independente do tributo ser ou não ser cumulativo. As receitas financeiras são excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS em razão de os Tribunais brasileiros não consideraram as receitas financeiras como sendo 'faturamento; 3.2) As receitas decorrentes das vendas realizadas pela empresa autuada para a ZONA FRANCA DE MANAUS foram incluídas na base de cálculo, visto que o Sr. Agente Fiscal entendeu que elas foram excluídas indevidamente da base de cálculo do PIS. Não tem razão. É que as vendas efetivadas para a ZONA FRANCA DE MANAUS são equiparadas à exportação e estão amparadas em legislação especial que determinam incentivo fiscal no tocante a essas vendas, isentando as vendas realizadas para essa regido do PIS e da COFINS; 3.3) Os lançamentos efetivados pelo Sr. Agente Fiscal do período de 01/2003 a 12/2004 são impugnados, por ora, por negativa geral, visto que, em razão da não exibição dos documentos juntados nos processos em sua integra, não teve a empresa autuada ou os seus advogados condições de impugnar tais lançamentos. Podem os lançamentos efetivados pelo Sr. Agente estarem corretos, mas a impugnante somente poderá considerar que estão corretos se puder confrontar com os documentos acostados nos autos; foi por essa razão é que se pediu a restituição de prazo para a defesa, como requerido, no inicio da presente impugnação” 4) “desde já a empresa autuada impugna a tipificação contida no item 58 do Termo de Verificação Fiscal, como supostamente caracterizadora do crime de sonegação fiscal, visto que em nenhum momento, houve por parte dos administradores da empresa autuada qualquer intenção dolosa objetivando locupletamento pessoal em detrimento dos interesses da sociedade. Todas as transações realizadas pelos administradores da empresa foram realizadas em decorrência de legítimos atos de comércio, atos jurídicos perfeitos, válidos, com agentes capazes e na forma prescrita em lei”; 5) “supõe inadvertidamente o Sr. Agente Fiscal que a empresa autuada estaria fazendo negócios com empresas prestadoras de serviços e empresas terceiras e como tal remunerandoos com supostos serviços ou supostas transações de compra e vendas de mercadorias, tudo com o objetivo de remunerar os responsáveis apontados como solidários pela Sr. Agente Fiscal. As transações realizadas pela empresa e tidas como suspeitas pelo Sr. Agente Fiscal são transações legitimas e foram efetivamente realizadas em prol da empresa, com pagamentos aos efetivos prestadores de serviços e nas suas respectivas contas bancárias e com pagamento dos tributos correspondentes”; Fl. 10968DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.965 9 6) “passamos, então, analisar o quadro demonstrativo de fls. 28 dos autos, após o item 23 do termo de verificação fiscal, pelo qual o Sr. Agente Fiscal supôs, de forma imaginativa, sem amparo em prova ou dados concretos, que os sócios, procuradores e funcionários participaram da administração da empresa autuada, recebendo remuneração, pelas suas gestões, por meio de venda de mercadorias, produtos e serviços destinados ás empresas que indica”; 7) a impugnante analisa sua relação com as empresas CORYUS, TECHINVEST, CLIPTECH, KARIMEX, SISP, LIMA ASSESSORIA, JLS ASSESSORIA, PERAL ASSESSORIA, WAY TECH CONSULTORIA; 8) “a falta de pagamento do tributo foi decorrência das atividades da empresa; fruto das oscilações do mercado, não conseguiu acompanhar a concorrência dos produtos estrangeiros, e tampouco conseguiu elevar o preço de seus produtos diante da rigidez de seus clientes. Toda a documentação fiscal e contábil da empresa espelha a realidade, de forma que o Sr. Agente Fiscal pelo simples exame dos livros, pelas informações ali contidas, tais como os de tributos a pagar, saldo nas apurações do IPI, da COFINS e do PIS, DACON, SINTEGRA, DIPJ, levantou o exato montante a recolher, ficando evidenciada a ausência de fraude ou de intuito doloso nas atitudes e declarações dos administradores da empresa autuada”; 9) “as demais informações contidas no termo de verificação fiscal efetuadas pelo Sr. Agente Fiscal também pecam pelos seus irrealismos. O fato de a empresa não estar aparelhada no local, ou ainda não estar funcionando no local, não significa em hipótese alguma, que ela não vá funcionar, ou que o titular da empresa, no caso, o Sr. José Vieira Lima seja uma pessoa despreparada e sem condições financeiras para o desenvolvimento da empresa”; 10) “o quadro demonstrativo das vendas de mercadorias e serviços e compras da Eletro Metal Ltda para as empresas dos sócios e exsócios e também para outras empresas fornecedoras e clientes, apresentado às fls. 33, é impugnado, visto que irreal e totalmente infundado e incompreensível. O Sr. Agente Fiscal deverá explicar quais os elementos utilizados para chegar às conclusões do quadro demonstrativo, visto que, por exemplo, no total das vendas, estão computadas outras operações que não são propriamente vendas, e foram consideradas como vendas e relativamente aos insumos, terseá que explicar de onde foram tirados tais números, e explicar a que se referem esses insumos, para que a impugnante possa defenderse do quadro demonstrativo”; 11) “no tocante à eventual caracterização do crime contra a ordem tributária informado pelo D. Agente Fiscal, nesta oportunidade, fica totalmente impugnado, visto que ao longo do período apontado, não se evidencia qualquer fraude quanto à Fl. 10969DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 não declaração nas DCTFs dos valores devidos dos tributos. Não há nenhuma inverdade nas declarações das DCTFS; foram declarados apenas os valores que foram pagos pela empresa autuada; os valores devidos não foram declarados, mas, SEMPRE, constaram nos documentos fiscais examinados pelo próprio agente fiscal, tais como nas fichas do PIS — DIPJ — DACON, SINTEGRA e nos próprios livros fiscais da empresa, tais como nos livros de apuração dos tributos.” 12) “totalmente descabida a aplicação da multa de 150% (cento e cinqu enta por cento) sobre a totalidade do tributo devido. A multa aplicada é condizente com fraude que na presente hipótese não houve. O tributo devido é aquele que está lançado na contabilidade da empresa e nos livros fiscais”; O processo foi inicialmente distribuído ao Julgador Marcelo Cuba Neto (atualmente cumprindo mandato de conselheiro do CARF), que o baixou em diligência por meio do Despacho nº 29 – 2ª Turma da DRJ/JFA (fls 9196/9198), na qual, entre outras providências requerida, determinou a reabertura do prazo de impugnação. Em face do exposto, a empresa apresentou manifestação às fls. 9250/9271, na qual “reitera e ratifica as razões apresentadas em sua IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO”, e quanto ao relatório da diligência efetuada alega, em síntese, que: 13) “as pessoas mencionadas, MAXIMIANO GAMEZ, MARCOS BUENO, IRINEU BORSOI, MAURICIO ANTONIO PAIS, FERNANDA BOCALINI ROQUE, CYBELE PISANESCHI, JACIARA APARECIDA ANSENSIO, são pessoas prestadoras de serviços, que, em função das suas condições técnicas, compradores e vendedores de produtos eletrônicos, componentes de produtos encomendados pelas empresas terceiras, Wolkswagen, Whirlpool, Philips, General Motors, Eletrolux, Cliptech, Tecplam, etc. prestavam serviços aos contratados, CLIPTECH, TECPLAM, gerindo o produto encomendado desde a compra da matéria prima até final produção, objetivando qualidade, menor custo, eficiência. Prestavam serviços através de suas pessoas físicas ou através de empresas (pessoas jurídicas) que constituíram”; 14) “a empresa manifestante tinha, como sempre teve, administração própria, tendo em seus quadros, funcionários, gerentes, pessoal administrativo e de produção, gerida sob mando de seus sócios diretores, jamais a serviço de ex sócios e no interesse exclusivo da sociedade formada pelos Srs. José de Oliveira Lima, Dulio Paulo de Oliveira Freitas e José Vieira Lima”; Os senhores Antonio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro e Henrique José de Faria Ramalho, arrolados como devedores solidários, apresentam impugnações às fls. 8224/8231, 8710/8717 e 8422/8429 respectivamente, que embora individualizadas apresentam o mesmo teor. Nas citadas impugnações alegam, em síntese, que: 15) “não houve nos períodos em exame qualquer vantagem financeira em seu favor e nem qualquer prova de que tenha Fl. 10970DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.966 11 influenciado nos negócios da ELETRO METAL” e “e nem tampouco influenciavam nos negócios da empresa”. “Demais disso, não se pode e nem se deve supor que uma pessoa, ao obter suposta vantagem financeira ou influenciar os negócios de uma empresa possa ser passível de responsabilidade tributária”; 16) “os arts. 124 e 135, III do CTN, nos quais o Sr. Agente Fiscal supõe encontrar fundamento para impor a solidariedade ao requerente não são atinentes à espécie, não são tipificadores desse instituto legal”; 17) discorrem sobre as operações das empresas das quais são sócios com a autuada e alegam decadência dos lançamentos relativos ao períodos de 01/01/2002 a 31/12/2002; 18) em relação à diligência efetuada, apresentam manifestação às fls. 9600/9628, reafirmam os argumentos da impugnação e trazem detalhamento das empresas das quais participam; A senhora Sônia Maria de Jesus, arrolada como devedora solidária apresenta impugnação às fls. 8902/8926, na qual alega, em síntese, que: 19) “decadência dos débitos tributários relativos ao período de 01 de janeiro de 2003 à 20 de maio de 2003, cf. artigo 146, III, da Constituição Federal, c.c. artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional”; 20) “nulidade do auto de infração e imposição de multa. Cerceamento do direito de defesa da Impugnante”; 21) “ausência dos pressupostos para atribuição de responsabilidade pessoal à Sra. Sônia Maria de Jesus pelos débitos tributários da empresa autuada”; 22) em relação à diligência efetuada, apresenta manifestação às fls. 9629/9637, reafirma o argumento da impugnação e alega ainda que “na diligência fiscal realizada com o intuito de carrear provas das alegações lançadas no auto de infração, nada de concreto foi obtido”; O senhor José de Oliveira Lima, arrolado como devedor solidário apresenta impugnação às fls. 8615/8626, na qual discorre sobre sua vida empresarial e alega, em síntese, que: 23) “inicialmente, no tocante ao ora impugnante é de se considerar nulo o auto de infração visto que imputada a sua responsabilidade tributária em valores indeterminados e imprecisos”; 24) “o auto de infração contém lançamentos a partir de 01/01/2002 até 31/12/2002, que, se fosse caso para tanto, deveriam ter sido concretizados até 01/01/2008 mas foram lançados em 16/05/2008 (data do auto de infração), esses lançamentos não podem atingir o ora impugnante visto que a sua Fl. 10971DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 extensão devese limitar ao período em que não haja DECADÊNCIA DE LANÇAMENTO”; O senhor José Vieira Lima, arrolado como devedor solidário apresenta impugnação às fls. 9443/9447, na qual alega, em síntese, que: 25) “inicialmente, no tocante ao ora impugnante é de se considerar nulo o auto de infração visto que imputada a sua responsabilidade tributária em valores indeterminados e imprecisos”; 26) “todas as transações efetivadas pelo impugnante são legitimas, como todas as transações praticadas em qualquer tempo, em nome da sociedade, não se evidenciando da análise da documentação contábil e fiscal existente na empresa, qualquer mácula ou irregularidade que demonstre fundamento para a imputação da responsabilidade solidária como foi imputada pelo Sr. Agente Fiscal”; O senhor Wagner Roberto Peral, arrolado como devedor solidário apresenta impugnação às fls. 9029/039, na qual alega, em síntese, que: 27) “o impugnante jamais geriu a empresa autuada. Era, como sempre foi, simples funcionário da empresa, sua função, na empresa, era técnica. Como engenheiro industrial elétrico, era responsável pelo controle de qualidade dos produtos fabricados pela empresa. Posteriormente, foi desligado da empresa, em 30 de agosto de 2002, passando a prestar serviços, os mesmos serviços, em nome da empresa que constituiu, PERAL ASSESSORIA E CONSULTORIA S/C LTDA, como prestador de serviços, cuidando da área de controle de qualidade dos produtos”; 28) “no mês de março do ano de 2003, quando a sociedade estava reduzida a 02 sócios, os Srs. José de Oliveira Lima e Dúlio Paulo de Oliveira Freitas e, quando o engenheiro JOSE LUIZ SOUZA, que também tinha sido nomeado procurador, transferiuse para Manaus (AM) para prestar serviços para a empresa TECPLAM e em virtude da impossibilidade de os sócios estarem permanentemente na empresa, foi pedido para que o impugnante aceitasse ser procurador da empresa, suprindo a ausência de qualquer um deles, na assinatura de cheques ou outro documento burocrático”; 29) “o impugnante jamais teve poder de decisão nos negócios da empresa. Em nenhum momento, teve conhecimento de que os impostos não estavam sendo pagos. Tampouco sabia de transações ou negócios comerciais ou financeiros envolvendo a empresa, que não se limitasse a sua área de atuação. Sempre trabalhou na fábrica, cuidando do controle de qualidade dos produtos”; 30) “inicialmente, no tocante ao ora impugnante é de se considerar nulo o auto de infração visto que imputada a sua responsabilidade tributária em valores indeterminados e imprecisos”; Fl. 10972DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.967 13 31) “o auto de infração contém lançamentos a partir de 01/01/2002 até 31/12/2002, que, se fosse caso para tanto, deveriam ter sido concretizados até 01/01/2008 mas foram lançados em 16/05/2008 (data do auto de infração), esses lançamentos não podem atingir o ora impugnante visto que a sua extensão devese limitar ao período em que não haja DECADÊNCIA DE LANÇAMENTO”; 32) em relação à diligência efetuada, apresenta manifestação às fls. 9520/9531, reafirma o argumento da impugnação e alega ainda que “no seu Termo de Diligência Fiscal, o Sr. Auditor Fiscal ao relatar o resultado das diligências que efetivou em nenhum momento se refere aos Procuradores, como participantes da administração”; O senhor José Luiz de Souza, arrolado como devedor solidário apresenta impugnação às fls. 8630/8642, na qual alega, em síntese, que: 33) “o impugnante jamais geriu a empresa autuada. Era, como sempre foi, simples funcionário da empresa; sua função, na empresa, era técnica. Como engenheiro elétrico, era responsável pela engenharia de método e também cuidava da área de produção. Posteriormente, foi desligado da empresa, passando a prestar serviços, os mesmos serviços, em nome da empresa que constituiu, JLS ASSESSORIA CONSULTORIA LTDA, como prestador de serviços, cuidando da área de método e produção”; 34) “inicialmente, no tocante ao ora impugnante é de se considerar nulo o auto de infração visto que imputada a sua responsabilidade tributária em valores indeterminados e imprecisos”; 35) “o auto de infração contém lançamentos a partir de 01/01/2002 até 31/12/2002, que, se fosse caso para tanto, deveriam ter sido concretizados até 01/01/2008 mas foram lançados em 16/05/2008 (data do auto de infração), esses lançamentos não podem atingir o ora impugnante visto que a sua extensão devese limitar ao período em que não haja DECADÊNCIA DE LANÇAMENTO”; 36) em relação à diligência efetuada, apresenta manifestação às fls. 9534/9545, reafirma o argumento da impugnação e alega ainda que “no seu Termo de Diligência Fiscal, o Sr. Auditor Fiscal ao relatar o resultado das diligências que efetivou em nenhum momento se refere aos Procuradores, como participantes da administração”; O senhor Carlos Alberto Back, arrolado como devedor solidário apresenta impugnação às fls. 8414/8417, na qual discorre sobre sua vida empresarial e alega, em síntese, que: 37) “o impugnante sempre foi mero funcionário da empresa KARIMEX COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA, de onde, aliás como indicado pelo Sr. Agente Fiscal, recebia os seus salários. Jamais recebeu procuração pública ou particular, ou Fl. 10973DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 mesmo verbal, para praticar qualquer ato administrativo em nome da empresa autuada”; 38) “a ficha cadastral a que se refere o Sr. Agente Fiscal de fls. 155 e 172 do Anexo III, do BICBANCO é mero documento onde não consta a menção de qualquer procuração ou mesmo qualquer documento que vincule o impugnante à empresa HL ELETRO METAL LTDA. A ficha cadastral de fls. 155 é ficha cadastral da pessoa física do impugnante, onde não se menciona nada a respeito da empresa fiscalizada e autuada. E o cartão de autógrafo de fls. 172 foi assinado pelo ora impugnante em branco, onde não constavam os textos datilografados a posteriori pelo próprio Banco, quando equivocadamente constou o nome dó impugnante como procurador da empresa HL ELETRO METAL” 39) em relação à diligência efetuada, apresenta manifestação às fls. 9513/9517, alega ainda que “O Termo de Diligência Fiscal no tocante ao Impugnante, como era de se esperar, não apresenta nenhuma prova ou sequer indícios de que o impugnante fosse procurador ou administrador da empresa ELETRO METAL LTDA; todos os documentos juntados não se ferem ao Impugnante; seu nome jamais foi mencionado direta indiretamente”; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG (DRJ), por meio do Acórdão 0941.868, de 6 de dezembro de 2012 (fls. 10846/10859), deu provimento apenas em parte ao recurso da contribuinte, apenas para excluir os períodos de apuração 01/2002 a 11/2002, em virtude da decadência, por aplicação do art. 173 do CTN, e afastar a atribuição de solidariedade em relação a Antônio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho, Sonia Maria de Jesus, Wagner Roberto Feral, Carlos Alberto Back e José Luiz de Souza. Foi mantida a condição de sujeito passivo solidário em relação a José de Oliveira Lima e José Vieira Lima. O acórdão tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. Constatada a fraude, a análise da decadência se desloca do art. 150 para o art. 173 do CTN. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. As receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição. MULTA QUALIFICADA. Constatada a fraude aplica se a multa no percentual de 150%. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Não se provando os requisitos legais para caracterização da solidariedade passiva, essa deve ser afastada. Fl. 10974DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.968 15 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Relator do Acórdão, conforme consta de seu voto, limitouse a transportar para este caso as mesmas conclusões do Acórdão nº 0941.813, de 29 de novembro de 2012, por meio do qual foi julgado o auto de infração de IPI, e que entendeu o seguinte em relação à atribuição da responsabilidade às pessoas físicas: DA SOLIDARIEDADE PASSIVA. A autoridade fiscal arrolou como devedores solidários em relação ao auto de infração em análise e lavrou os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, as pessoas físicas a seguir relacionadas; a) Antônio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho e Sonia Maria de Jesus, nos termos do art. 124 e 135, item III do CTN, referente aos períodos de 2002, na qualidade de sócios gerentes e responsáveis pela empresa conforme contrato social e alterações, e de 2003 a 2006 como exsócios, que teriam obtido vantagens financeiras e influenciado nos negócios da empresa, conforme descrito nos itens 18 a 38 do Termo de Verificação Fiscal (TVF); b) José de Oliveira Lima, nos termos do art. 124 e 135, item III do CTN, na qualidade de sócio gerente de acordo com contrato social e suas alterações (fls. 053 a 114) no período 2002 a 2006, conforme descrito nos itens 18 a 38 do TVF; c) Wagner Roberto Feral, Carlos Alberto Back e José Luiz de Souza, nos termos do art. 135, item III do CTN, tendo em vista as procurações e fichas cadastrais junto aos bancos, que seriam também administradores de fato dos negócios da sociedade conforme descrito nos itens 26 a 30 do TVF; d) José Vieira Lima, nos termos do art. 124 e 135, item III do CTN, como interposta pessoa conforme descrito nos itens 36 a 42 do TVF. Os senhores Antônio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho e a senhora Sonia Maria de Jesus foram sócios gerentes da empresa até 16/10/2002 quando se retiraram da sociedade, transferindo suas cotas para os sócios Duílio Paulo de Oliveira Freitas e José de Oliveira Lima, conforme 25ª alteração contratual. A partir de então passaram a atuar em outras sociedades que se relacionavam comercialmente com a autuada. A autoridade fiscal entendeu que tais relações eram na verdade um subterfúgio usado para que os citados senhores mantivessem vínculos administrativos com a empresa e dela recebessem benefícios financeiros. Fl. 10975DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Como no auto de infração em análise só foram lançados tributos dos períodos de apuração 01/2003 a 12/2006, não será analisada a situação dos citados senhores no período em que exerceram a atividade de sócio gerente da empresa. A solidariedade quanto ao crédito lançado para o período dos lançamentos efetuados, no qual eles já não faziam parte do quadro da empresa, no meu entendimento não deve ser mantida. Os pagamentos efetuados à empresa Coryus Assessoria Empresarial S/C Ltda, se deram em função de ser ela proprietária do imóvel localizado na Rua Filomena Bitolo, 141, São Bernardo do Campo, alugado para sede da autuada em data anterior à alteração contratual em questão, como se constata no sistema CNPJ e em recibos anexados pelos interessados. Quanto às demais empresas que os arrolados em questão constavam como sócios (Techinvest Ltda, Cliptech Indústria e Comércio Ltda. e Karimex Componentes Eletrônicos Ltda., Tecplan Indústria eletrônica Ltda., SISP Sistemas Programáveis Comercial Ltda.), os pagamentos por elas recebidos se deram em função de transações comerciais e ou prestação de serviços efetuados. Constam dos autos cópias de notas fiscais de algumas dessas transações, porém não ficou evidenciado que elas não ocorreram efetivamente, ou seja, não se comprovou que as mercadorias vendidas não foram entregues ou que os serviços relacionados não foram prestados. Assim, não se pode afirmar que tais pagamentos eram distribuição irregular de lucros da autuada aos antigos sócios. Quanto ao fato de, como consta no Relatório de Diligência Fiscal, clientes da autuada identificarem como responsáveis pelo seu contato com ela, funcionários dessas outras empresas, também não me parece suficiente para caracterizar a solidariedade, visto que se trata de empresas que negociavam em grupo e em alguns casos como subcontratadas da autuada, como se vê em alguns contratos cujas cópias foram anexadas. Assim, entendo que os senhores Antônio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho e a senhora Sonia Maria de Jesus devem ser excluídos do pólo passivo. Em relação aos senhores Wagner Roberto Feral, Carlos Alberto Back e José Luiz de Souza que foram arrolados como devedores solidários, em função de que em algum momento atuaram como procuradores da empresa, inclusive assinando cheques, entendo que só este fato isolado não é suficiente para caracterizar a sujeição passiva. De fato não existem nos autos provas de que tais senhores tiveram influência direta na administração da empresa, tais como, firmar contratos em seu nome, e principalmente na não declaração de valores ao fisco federal. Ademais os valores recebidos por eles não se configuram como exorbitantes para as tarefas desempenhadas de consultoria. Assim, também devem ser excluídos do pólo passivo da autuação. Fl. 10976DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.969 17 Quanto ao senhor José de Oliveira Lima, estão presentes os pressupostos da solidariedade, visto ter ele “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”, ou seja, ele, como sócio administrador agiu de forma a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que caracteriza as previsões dos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cumpre ressaltar que a partir do período 03/2007 a empresa passa a declarar faturamento zero e em 10/06/2007 o citado senhor transfere a totalidade das cotas ao senhor José Vieira Lima, também arrolado como devedor solidário, que, como demonstra a análise de suas declarações de imposto de renda não reúne condições financeiras para figurar como sócio da autuada, o que nos leva a conclusão de se tratar de interposta pessoa. Assim, os senhores José de Oliveira Lima e José Vieira Lima devem permanecer na condição de devedores solidários. Pelo exposto, voto pela manutenção integral do crédito tributário lançado, pela exclusão dos senhores Antônio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho, Wagner Roberto Feral, Carlos Alberto Back e José Luiz de Souza e da senhora Sonia Maria de Jesus da condição de devedores solidários do crédito lançado e pela manutenção dos senhores José de Oliveira Lima e José Vieira Lima na condição de devedores solidários. (grifos editados) Quanto à decadência, o acórdão da DRJ concluiu, especificamente quanto ao presente caso, por aplicação do art. 173 do CTN, que “considerando que a ciência do presente auto de infração se deu em 18/05/2008, para os períodos de apuração 01/2002 a 11/2002 a contagem do prazo iniciase em 01/01/2003 e, conseqüentemente, o prazo para o lançamento encerrouse em 31/12/2007, sendo, portanto, insubsistentes os lançamentos efetuados para o período” (fl. 10858). Houve a interposição de recurso de ofício com fundamento no art. 34 do Decreto nº 70.235/72 c/c art. 1º da Portaria MF nº 3/2008. O contribuinte ELETRO METAL INDUSTRIA E COMERCIO DE ELETROELETRÔNICOS LTDA interpôs recurso voluntário (fls. 10928/10953), no qual basicamente reitera os mesmos fundamentos de sua impugnação, requerendo ao final que seja reconhecido que não houve fraude, de maneira que não seja aplicada a multa qualificada de 150% e que o prazo de decadência seja contado na forma do art. 150 do CTN, Além disso, pede o cancelamento do lançamento em razão de que não poderia haver incidência de PIS/Cofins sobre as receitas financeiras da empresa. O responsável JOSÉ DE OLIVEIRA LIMA interpôs Recurso Voluntário (fls. 10893/10927) no qual reedita os mesmos fundamentos do recurso voluntário da autuada, sendo representados ambos pelo mesmo advogado, acrescentando a alegação de não existência dos pressupostos para a aplicação do art. 135, III, do CTN. Fl. 10977DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 Não houve a interposição de recurso por parte do responsável JOSÉ VIEIRA LIMA. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso de ofício foi interposto tanto (a) em razão da exclusão do lançamento dos fatos geradores ocorridos até 11/2002, porque atingidos pela decadência, como (b) pela exclusão dos sujeitos passivos Antônio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho, Sonia Maria de Jesus, Wagner Roberto Feral, Carlos Alberto Back e José Luiz de Souza. O recurso de ofício é previsto no art. 34 do PAF (Processo Administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/72), nos seguintes termos: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Excluir a responsabilidade do sujeito passivo solidário é o mesmo que exonerálo do pagamento do tributo, em sua integralidade, e portanto, configura exoneração sujeita ao recurso de ofício. Em relação a ambos os temas, portanto, por configurar exoneração de montante superior ao valor de teto previsto na legislação, na forma do art. 34 do PAF c/c art. 1º da Portaria MF nº 3/2008, tomo conhecimento do recurso. O recurso voluntário de JOSÉ DE OLIVEIRA LIMA foi interposto em 12/03/2013 (fl. 10893), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 19/02/2013 (fl. 10888). O recurso voluntário do contribuinte ELETRO METAL INDUSTRIA E COMERCIO DE ELETROELETRÔNICOS LTDA foi interposto em 01/04/2013 (fl. 10928), dentro do prazo de 30 dias contados da data da ciência por decurso de prazo, fixada pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 10892), realizado no domicílio eletrônico do contribuinte. Ambos os recursos voluntários são tempestivos e contém fundamentos de reforma ao acórdão da DRJ, de maneira que deles tomo conhecimento. Passo à análise do mérito. 1. O recurso de ofício. São duas as matérias abrangidas pelo recurso de ofício: a exclusão de fatos geradores atingidos pela decadência e a exclusão da responsabilidade em relação a determinados sujeitos passivos. Fl. 10978DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.970 19 1.1. A decadência. Quanto à decadência, não há qualquer reparo a fazer no acórdão da DRJ, quando aplica o prazo de 5 anos para a contagem da decadência em relação à Cofins (fl. 10858), no lugar do prazo de 10 anos utilizado pela Fiscalização (fl. 45). O prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91 foi expressamente afastado pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante nº 8, em reconhecimento de que deve prevalecer o prazo de 5 anos previsto no CTN, o qual foi recebido pela Constituição de 1988 como lei complementar. Por isso, deve ser mantido o entendimento quanto à aplicação do prazo de 5 anos. 1.2. A solidariedade passiva de Antônio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho e Sonia Maria de Jesus. Embora sem concordar com parte da fundamentação do acórdão recorrido, conforme se explicará mais adiante, entendo que a sua conclusão deve ser mantida, negandose provimento ao recurso de ofício, o que faço no contexto das seguintes ponderações. Um dos fundamentos do acórdão da DRJ para afastar a atribuição de responsabilidade solidária é de que a Fiscalização não teria provado que os serviços e produtos comercializados entre a pessoa jurídica autuada e a pessoa jurídica dos exsócios não seriam verdadeiras. Ocorre a atribuição da responsabilidade aos terceiros, pela Fiscalização, não teve como fundamento a alegação de que os serviços e vendas de mercadorias não teriam existido. Ou seja, a Fiscalização não alega que as relações comerciais entre a pessoa jurídica autuada e as outras pessoas jurídicas dos exsócios não teriam ocorrido. Assim, não está em questão saber se a prestação de serviço ou a venda de mercadorias firmadas entre a pessoa jurídica autuada e as pessoas jurídicas dos exsócios aconteceu de fato ou não. A fundamentação para a atribuição da responsabilidade reside em que as pessoas físicas em questão teriam utilizado a pessoa jurídica da contribuinte como um anteparo meramente formal para isolar nesta empresa o passivo tributário. No presente caso, com efeito, a Fiscalização apresentou a seguinte conclusão geral em relação a todas as pessoas físicas às quais foi atribuída a responsabilidade solidária pelo crédito tributário (Termo de Verificação Fiscal, fl. 42): 47) São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceira pessoa ("laranja") que apenas emprestou o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual Fl. 10979DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 tinham liberdade de fato para gerir os negócios, inclusive movimentar as contas bancárias, acarretando, portanto, a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN.. 48) De acordo com a documentação integrante deste processo conforme exposto acima, deduzse que o conjunto dos elementos e indícios é prova mais do que suficiente para concluir que nos anos de 2002 a 2006, o grupo de sócios, depois exsócios e procuradores da empresa, por meio de serviços prestados ou vendas de mercadorias e serviços, administraram a fiscalizada ao mesmo tempo declarando e pagando ínfimos valores dos débitos fiscais devidos conforme já dito, como também no final ainda transferiram as cotas da empresa para uma interposta pessoa, dificultando sobremaneira a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos créditos tributários e o conhecimento de fatos relevantes para o exercício do poder dever de lançamento de oficio, prejudicando o direito da Fazenda Pública. (grifos editados) Embora o TVF assim conclua, os elementos de prova trazidos aos presentes autos não comprovam a prática de qualquer ato de administração de fato por parte dos ex sócios Antônio de Oliveira Lima, Paulo Oshiro, Henrique José de Faria Ramalho e Sonia Maria de Jesus, nem nenhum ato concreto de ingerência ou direcionamento na administração da pessoa jurídica autuada. O mais próximo que se chega de uma prova neste sentido é o que relata o item 43 do TVF, referindose ao depoimento de José Vieira Lima (fl. 1001/1002), dando conta de que Antônio de Oliveira Lima e Paulo Oshiro estiveram em Itapeva para se certificar do local para onde aconteceria a transferência da pessoa jurídica autuada em 2007. Com efeito, se estes dois sócios já tinham saído da sociedade em 2003, como interpretar a ida de ambos até ItapevaMG em 2007? Não se pode precisar. Embora isto possa sugerir que a proximidade destes dois sócios seja possivelmente maior do que a relação meramente comercial, entendo que não faz prova da prática de ato de gestão ou de administração de fato da pessoa jurídica autuada. A Fiscalização demonstrou que, depois da saída dos quatro sócios em questão, a pessoa jurídica autuada passou a manter relações comerciais com pessoas jurídicas das quais estas mesmas pessoas físicas eram sócias. Embora isso possa sugerir a existência de fraude ou conluio, entendo que também aqui não há prova de que os exsócios teriam concretamente praticado ato de gestão ou administração de fato da pessoa jurídica autuada – que é o autorizativo da aplicação do art. 135 do CTN. A Fiscalização sugere que a pessoa jurídica autuada servia de mero anteparo formal para o proveito econômico dos exsócios que, ao realizarem sistematicamente a prática de atos em nome da pessoa jurídica, exerciam de fato a sua administração, caracterizandoos como sócios de fato da pessoa jurídica, o que ficava acobertado pela condição meramente formal dos sócios constantes no contrato social, José de Oliveira Lima e José Vieira Lima e, ao final, apenas deste último. Fl. 10980DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.971 21 Ocorre que, repito, não vejo nos autos qualquer prova da existência concreta de atos de gestão ou de administração de fato. Também não consigo concluir pela existência de proveito econômico para os exsócios diante do fato de que a receita auferida pela empresa autuada depois serviu de pagamento para outras empresas, as quais também estão submetidas ao recolhimento dos impostos federais, de maneira que não entrevejo qualquer ganho nisto. É bem verdade que acaso se demonstrasse que a as pessoas jurídicas dos ex sócios recebiam exclusivamente da pessoa jurídica autuada a totalidade de suas receitas, então se poderia cogitar de que todas as pessoas jurídicas envolvidas, tanto a autuada como as pessoas jurídicas de que são sócios os exsócios da autuada, seriam um mero anteparo formal. Isto poderia autorizar a desconsideração da personalidade jurídica de todas as pessoas jurídicas envolvidas, mas isto não foi demonstrado nem foram alcançadas as demais pessoas jurídicas. Optou a Fiscalização por atribuir diretamente à pessoa física dos exsócios a responsabilidade com fundamento no art. 135 do CTN, alegando a existência de administração de fato. Ocorre que, conforme já dito, não se prova que os exsócios concretamente exerciam a gestão de fato da pessoa jurídica autuada. É essencial a prova de que os exsócios – que já não figuravam mais no contrato social – exerciam a condução de fato da pessoa jurídica autuada, pois apenas assim se provaria a violação de lei e do contrato social que autorizaria a atribuição de responsabilidade com fundamento no art. 135 do CTN. Não altera este entendimento o fato apontado pela Fiscalização de que a saída destes quatro sócios da pessoa jurídica autuada se deu justamente com a permuta de quotas de empresas que o sócio José de Oliveira Lima detinha em outras empresas. Tal rearranjo societário, por si mesmo, não representa nenhuma irregularidade. De outro lado, em relação aos procuradores legais Wagner Roberto Feral, Carlos Alberto Back e José Luiz de Souza, embora tenha praticado atos em nome da empresa, como seus representantes, isto por si mesmo não configura nenhuma violação de lei, nem ao contrato social. Se não há vedação para que se constitua um terceiro, por meio de procuração, representante da pessoa jurídica para determinados atos de administração de contas bancárias, são regulares os atos que pratica, apenas se podendo cogitar da aplicação do art. 135 do CTN quando se identificar a prática de algum ato com excesso de poderes ou em violação à lei ou ao contrato social. Nesta perspectiva, portanto, ser procurador de uma pessoa jurídica não torna a pessoa do procurador responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica, senão apenas quando incorrer na hipótese do art. 135 do CTN, do que não há demonstração nos autos. Fl. 10981DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 De outro lado, vale lembrar que, tanto em relação aos exsócios como aos procuradores, é entendimento cristalizado do Superior Tribunal de Justiça que “De acordo com o nosso ordenamento jurídicotributário, os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. 4. O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de poderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falarse em responsabilidade tributária do exsócio a esse título ou a título de infração legal.” (Primeira Seção, Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 260.107, Relator Ministro José Delgado, DJ 19.4.2004). Enfim, não cabe a atribuição de responsabilidade com fundamento no art. 135 do CTN se não há a demonstração da violação ao estatuto e à lei. Recurso de ofício negado. 2. Os recursos voluntários. O julgamento dos recursos voluntários é dividido nos seguintes temas: 2. 1. A responsabilidade de José de Oliveira Lima. O TVF relata o seguinte: Quanto ao senhor José de Oliveira Lima, estão presentes os pressupostos da solidariedade, visto ter ele “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”, ou seja, ele, como sócio administrador agiu de forma a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que caracteriza as previsões dos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cumpre ressaltar que a partir do período 03/2007 a empresa passa a declarar faturamento zero e em 10/06/2007 o citado senhor transfere a totalidade das cotas ao senhor José Vieira Lima, também arrolado como devedor solidário, que, como demonstra a análise de suas declarações de imposto de renda não reúne condições financeiras para figurar como sócio da autuada, o que nos leva a conclusão de se tratar de interposta pessoa. Assim, os senhores José de Oliveira Lima e José Vieira Lima devem permanecer na condição de devedores solidários. (grifo editado) Entendo que se deve considerar configurada a infração à lei e ao estatuto diante do ato de transferência de quotas para pessoa sem capacidade financeira nem gerencial para suportar e conduzir a atividade da pessoa jurídica, com potencial configuração da hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/64, no que se refere à identificação e determinação do efetivo sujeito passivo da obrigação, devendo ser atribuída a responsabilidade pessoal ao exsócio que alienou as quotas nestas condições. Fl. 10982DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.972 23 A propósito do responsável José Vieira Lima, que ingressou como sócio em 13/12/2005 e terminou, em 2007, remanescendo como único sócio da autuada, a Fiscalização constatou o seguinte: 42) Constatamos que Jose Vieira Lima, CPF 280.041.91800, não tem capacidade econômico financeira e nem técnica para gerir a empresa. Fazemos tal afirmação em vista de um conjunto de evidências. De acordo com o próprio dossiê do contribuinte (doc. de fls. 334 a 351 do ANEXO II), em nome dele não existe movimentação financeira em bancos, não recebeu nem lucros nem rendimentos da empresa, não houve nenhum rendimento exclusivo de fonte, nem isento ou não tributável, não consta nenhuma alienação de bens. Durante os procedimentos de auditoria, não só os esclarecimentos expressos por meio do termo de declaração (doc. de fls. 354 a 356 do ANEXO II), como também as informações prestadas por meio das Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRF e outras telas e documentos em anexo ficam evidenciados que ele não participava das decisões da empresa e, acima de tudo, quando transferiram as cotas da fiscalizada para seu nome, ele não tinha conhecimento e esclarecimentos da situação econômicofinanceira da empresa. Afirmou, verbalmente, que quando recebeu as cotas estava com muita dificuldade financeira e o pessoal prometeu um cargo na empresa, que em meados de setembro (data do inicio dos procedimentos da auditoria) solicitaram que ele mudasse para Itapeva para administrar a fiscalizada. 43) Importante, foi nesta época, meados de setembro de 2007, que Jose de Oliveira Lima alega que conheceu Antônio de Oliveira Lima e Paulo Oshiro. Atentamos. Nesta data os "ex sócios" estiveram em Itapeva certificando do local da empresa transferida. 44) Ressaltamos que José Vieira Lima, sem nenhum demérito e com muito respeito à sua pessoa, era ele mesmo quem limpava a mesa para nós desenvolvermos os trabalhos (eu e o contador). Era quem nos servia o café. Certa vez precisamos de xerox de documentos e ele solicitou recursos ao contador. Uma pessoa aparentemente modesta, simples e ainda sem nenhuma capacidade financeira para gerenciar a empresa, em contradição no ano da transferência das cotas para seu nome, quando a empresa faturou em 2005, R$ 37.391.886,21 e em 2006, R$ 35.356.847,23. Já o valor da compra das referidas cotas em sua declaração foi registrado por apenas R$ 100,00. E o que é pior, ao final com a transferência das cotas para seu nome, deixaram como único sócio da sociedade, já por um período superior a 180 dias, tendo como consequ ência toda responsabilidade da empresa fiscalizada em seu nome. 45) Portanto, todos estes conjuntos de fatos relacionados nos itens 24 a 44 evidenciam a continuação do comando da fiscalizada pelos então sócios. Fl. 10983DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 24 Não houve recurso deste responsável contra o acórdão da DRJ, que manteve a atribuição de responsabilidade a si, resta preclusa no âmbito administrativo a discussão a respeito de sua qualidade de responsável tributário. Voto, diante de tais provas e constatações, pela manutenção da responsabilidade em relação a José de Oliveira Lima. 2.2. A configuração dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 e os seus efeitos em relação à contagem do prazo decadencial e à aplicação da multa agravada. O recorrente Eletro Metal sustenta que teria havido apenas a mera alegação de existência de fraude, mas que não haveria qualquer prova da existência de conduta fraudulenta. Devese destacar, inicialmente, que a capitulação das condutas não foi apenas em relação ao art. 72, que trata da fraude, mas também ao art. 71 da Lei nº 4.502/64, que trata da sonegação. Devese perceber, também e principalmente, que as referidas tipificações não consideram apenas o fato de se ter declarado sistematicamente em DCTF um valor inferior ao efetivamente devido a título de Cofins. Entendo que não configura fraude a apresentação de DCTF com a confissão de Cofins em valor inferior ao efetivamente devido, se houve a apresentação de DIPJ e DACON informado o valor efetivamente devido, além de que, a escrituração contábil é coerente com os dados informados nestas últimas declarações. Entendo que esta conduta não traduz nenhum intuito de fraude, nem é capaz de retardar ou impedir a ocorrência do fato gerador. Pelo contrário, a apresentação de declarações com informações incongruentes apenas pode causar a precipitação da fiscalização. Ocorre que esta não é a única conduta que levou à tipificação dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. É passível de caracterizar sonegação o ato de alienação artificiosa da integralidade das quotas para uma única e última pessoa física que se verificou não possuir capacidade financeira nem técnica para conduzir os negócios da empresa, prestandose para impedir e retardar o conhecimento das condições pessoais do contribuinte. Confirase que a aplicação da multa qualificada, no patamar de 150% (na época prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 e hoje no § 1º do mesmo dispositivo) aconteceu sob dois fundamentos, conforme se confere da motivação para tanto, no seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 45): 61) Não se trata, neste caso sob foco, de valores de pouca significância, cuja atitude de não declarar ao fisco federal pudessem ser atribuídas às falhas provindas da negligência nos seus controles contábilfiscais. Tratase de prática adotada pela empresa de forma reiterada e continuada, em todos os meses dos anos de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, em declarar e pagar Fl. 10984DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10660.001532/200818 Acórdão n.º 3403002.989 S3C4T3 Fl. 10.973 25 ínfimos valores tanto do IPI, em média apenas 1,5% dos valores devidos, como do PIS e da COFINS conforme demonstrado nas planilhas (doc. de fls. 041, 051, 066 a 068), além de transferir as cotas da empresa para uma interposta pessoa, dificultando a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos créditos tributários e o conhecimento dos fatos relevantes para o exercício do poderdever de lançamento de oficio, prejudicando o direito da Fazenda Pública, conforme já exposto acima. Portanto formamos a convicção de que está comprovada, em tese, a subsunção As hipóteses previstas nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, sujeitando A penalidade prevista no art. 957 do RIR/99, (Lei n° Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, item H), conforme descrito acima. A alteração sucessiva do rol dos sócios, a qual culminou com a remanescência apenas do Sr. José Vieira Lima como o único sócio meramente formal, revela a conduta dolosa dos envolvidos no sentido de servirse da pessoa jurídica como meio para obter proveito econômico, recebendo por meio de pagamento a outras pessoas jurídicas, sem ter de se responsabilizar pela gestão da pessoa jurídica. Assim, também é correta a contagem da decadência por aplicação do art. 173 do CTN, em razão da configuração da ressalva prevista no art. 150, § 4º do CTN, determinando expressamente que este último dispositivo não deve ser aplicado na hipótese de dolo, fraude ou simulação. Entendo, pois, que resta potencialmente configurada a conduta tipificada nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64, devendo, por via de conseqüência, haver a contagem da decadência na forma do art. 173, I, do CTN e a aplicação da multa qualificada, com fundamento no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. 2.3. As receitas financeiras. O lançamento divide os fatos geradores entre os períodos de 01/2002 a 01/2004, em que a apuração da Cofins se deu pelo regime cumulativo, e de 02/2004 a 12/2006, em que a apuração aconteceu pelo regime nãocumulativo. Na parte relativa ao regime cumulativo, apurada com fundamento na Lei nº 9.718/98, segundo relata o Termo de Verificação Fiscal, não houve a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da Cofins, em respeito à decisão judicial obtida pela contribuinte, declarando a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da referida Lei. No entanto, na parte relativa ao regime nãocumulativo, houve a inclusão da receita financeira na base de cálculo, por aplicação do art. 1º da Lei nº 10.833/2003, que assim o determina. Ocorre que a partir da edição do Decreto nº 5.164/2004, a incidência de PIS/Cofins nãocumulativo passou a acontecer com alíquota zero (exceto em relação às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio). Assim, o valor das receitas financeiras deve ser excluído da base de cálculo a partir do fato gerador 08/2004. Fl. 10985DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 26 3. Conclusão. Voto por nega provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para reconhecer a incidência da alíquota zero da Cofins sobre as receitas financeiras em relação aos fatos geradores 08/2004 em diante, de maneira que tais receitas deve ser excluídas da autuação. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 10986DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 18108.002266/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2402-000.128
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: Nereu Miguel Ribeiro Domingues
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Igor Soares, Ronaldo De Lima Macedo, Wilson Antonio de Souza Corrêa Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 10/12/2007 para exigir o valor de R$ 1.028.164,13, a título de multa, por ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, instituída pela Lei n°. 9.528/97, com exigência a partir da competência 01/99, no período de 01/99 a 12/06, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Os lançamentos de fatos geradores não declarados em GFIP foram: (i) relativos ao período de 01/04 a 12/06 referentes às remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de alimentação/refeição, sem a devida inscrição da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT nos termos da Lei n° 6.321/76, e, portanto considerados como salário de contribuição para a Previdência Social; (ii) relativos ao período de 01/99 a 12/06 referentes às remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de prêmio de seguro de vida em grupo, sem a devida previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho, conforme Decreto nº 3.265/99. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 28/31) pleiteando a nulidade da NFLD, pois teria havido a decadência do lançamento. A d. Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 91/94) julgou procedente o lançamento. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 100/369) alegando que: • a Recorrente tem direito à imunidade tributária e previdenciária prevista nos artigos 150, inciso VI, alínea "c" e 195, § 7º, ambos da Constituição Federal, porque é uma entidade de assistência social; • o lançamento estaria decaído; • o benefício do seguro de vida em grupo não integra o salário de contribuição, por não ter natureza salarial; • não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em relação às remunerações pagas pelo Recorrente a seus empregados a título de alimentação, mesmo considerando que atualmente não se encontra inscrita no PAT. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18108.002266/200739 Resolução n.º 2402000.128 S2C4T2 Fl. 373 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando as questões suscitadas no presente processo, observase que existe óbice ao julgamento do recurso apresentado. A presente autuação versa sobre apresentação de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, situação esta que está atrelada à exigência das contribuições previdenciárias consubstanciada nas NFLD’s nº 37.012.1775, 37.012.1783, 37.012.1791 e 37.012.1805. Tendo a autoridade fiscal, através dessas notificações fiscais de lançamento de débitos, identificado valores pagos sobre os quais era devida a incidência de contribuições previdenciárias (as quais não foram recolhidas pelo contribuinte), e que, em razão disso, esses valores não foram inseridos nas folhas de pagamento elaboradas pela Recorrente, lavrou a fiscalização o presente auto de infração. Cabe ressaltar que a NFLD nº 37.012.1783, sob minha relatoria, foi julgada totalmente procedente, restando, por ora, sabermos o desfecho das NFLD’s nº 37.012.1775, 37.012.1791 e 37.012.1805 (exigência do montante principal das contribuições previdenciárias), posto que, para se aferir a necessidade de se incluir na GFIP eventuais valores, deverseá analisar, primeiramente, se tais valores se referem a fatos geradores das contribuições previdenciárias. Diante disso, para que seja possível proceder com o julgamento do presente auto de infração, é necessário que sejam prestadas informações relacionadas às NFLD’s nº 37.012.1775, 37.012.1791 e 37.012.1805, tais como: a) Se houve pagamento dos débitos lá discutidos, parcelamento ou confissão de dívida. b) Qual o objeto de cada uma das NFLD’s. c) Se há decisão irrecorrível proferida nos autos das referidas NFLD’s. d) Se sim, qual o teor das decisões. Caso os julgamentos finais ainda não tenham sido realizados, é mister que os presentes autos aguardem as decisões a serem proferidas nos referidos processos, a fim de se evitar a existência de decisões conflitantes em relação a matérias que estão intrinsecamente relacionadas. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para o esclarecimento das questões propostas. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 08/04/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 08/04/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979175/2009-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/06/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 75 /2 00 9- 83 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979175/200983 Acórdão n.º 3801004.548 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 24,99, ocorrido em 12/06/2003, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 16/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 12200. 72 715.141 105.1.2. 040095, relativo ao período de apuração mai/2003. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979175/200983 Acórdão n.º 3801004.548 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.844,20,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 12/06/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979175/200983 Acórdão n.º 3801004.548 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979175/200983 Acórdão n.º 3801004.548 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10166.911821/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 11 82 1/ 20 09 -8 1 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911821/200981 Resolução nº 3801000.837 S3TE01 Fl. 181 2 Trata o presente processo de compensação declarada que, conforme apontado pela Recorrente, tem origem em crédito referente a valor indevidamente recolhido a título de CIDE, apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 sobre remessas ao exterior para pagamento de licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador. A compensação não foi homologada, sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando os aspectos legais estabelecidos em conformidade com o artigo 21 da Lei 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que contemplou a nãoincidência da referida contribuição a partir de janeiro de 2006 e informou que feito o pagamento tem direito à devolução dos mesmos. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos documentos fiscais e contábeis imprescindíveis à constatação da existência do crédito solicitado, fazendose o conjunto probatório incapaz de aferir certeza e liquidez do crédito pretendido, bem assim, entende que a DCTF retificadora apresentada o foi em data posterior à ciência do despacho decisório. O acórdão de fls. restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada com a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário fundamentandose no princípio da verdade material, juntou aos autos documentos relativos às compensações com o fito de demonstrar que foram devidamente registradas na Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911821/200981 Resolução nº 3801000.837 S3TE01 Fl. 182 3 contabilidade do sujeito passivo, ponderando serem suficientes para constatação da certeza e liquidez do crédito ora pretendido, quais sejam: a) DARF comprobatória do recolhimento indevido, comprovando o pagamento indevido no período de junho de 2006, instruído na PER/DCOMP; b) Cópia do Livro Razão Analítico do exercício de 2007, em que se verifica o estorno do montante recolhido na subconta CIDE – Remessas Exterior, também instruído na PER/DCOMP; c) Cópia do Livro Razão Consolidado do exercício de 2006, em que se verifica o lançamento referente ao mês de junho de 2006; d) Cópias das DCTFs original e retificadora. Requereu seja a presente compensação homologada. É o que importa relatar. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911821/200981 Resolução nº 3801000.837 S3TE01 Fl. 183 4 Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Primeiramente, é preciso apontar que não há impedimento para retificação da DCTF após o despacho decisório e antes de remessa dos créditos para inscrição em dívida ativa da União. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve : Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou, III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso. Conforme relatado, o ponto crucial da lide consiste na ausência de elementos probatórios capazes de aferir o direito ao crédito solicitado decorrente do suposto pagamento indevido a título de CIDE incidente sobre remessas ao exterior de remunerações pagas pela licença de uso ou de direitos de comercialização de softwares, com base nos artigos 20 e 21 da Lei 11.452/2007 que delimitou expressamente o campo de abrangência da Lei 10.168/2000 ao instituir a nãoincidência da CIDE a partir de janeiro de 2006, assim expresso: Art. 20. O art. 2º da Lei n.º 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei n.º 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1º A: "Art. 2º ................................................................................. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.911821/200981 Resolução nº 3801000.837 S3TE01 Fl. 184 5 § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (...) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. Certo é que a supracitada norma contempla a nãoincidência da CIDE para remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador e, nesta esteira, fazse necessário averiguar o objeto da relação contratual, ou seja, é certo que os pagamentos dos contratos relativos ao licenciamento de uso ou direito de software, não obrigam ao pagamento da CIDE, desde 1º de janeiro de 2006, sendo que, tendo havido tal pagamento a Recorrente possui indébito possível de creditamento. Entretanto, apesar da Recorrente ter juntado documentos e comprovantes de pagamento tenho que os mesmos são insuficientes para se apurar se realmente se relacionam a remunerações pagas ao exterior vinculadas a contratos de licenciamento de uso de programas de computador, de modo que apenas mediante o confronto dos documentos contábeis com o contrato de licenciamento, licença de uso de software ou documento semelhante é que essa Turma poderá evidenciar se o pagamento efetivamente se deu por esse motivo. Nesse sentido, voto para baixar em diligência à Delegacia de origem para determinar ao contribuinte que apresente: 1. A cópia autenticada do Contrato referente de Licença de Uso ou de Direito de Programas de Computador ou documento que ateste o efetivo motivo do pagamento e cópia das notas fiscais (ou invoices, devidamente traduzidas) correspondentes; 2. Retorne o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15540.000754/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar a decisão definitiva quanto à exclusão do contribuinte do SIMPLES, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fabio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi , Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar a decisão definitiva quanto à exclusão do contribuinte do SIMPLES, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fabio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi , Leo Meirelles do Amaral. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .0 00 75 4/ 20 08 -9 5 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15540.000754/200895 Resolução nº 2302000.334 S2C3T2 Fl. 134 2 Relatório e Voto Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 12/12/2008, e cientificado ao sujeito passivo em 18/12/2008, referindose às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2005. O relatório fiscal de fls. 52/55, traz que a autuada foi excluída do SIMPLES FEDERAL com efeito retroativo a 01/01/12003, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/NIT no. 24, de 03 de março de 2008, tendo como situação excludente o fato de ultrapassar o limite de receita bruta. Entretanto, a autuada continuou a informar em GFIP c condição de isenta e não procedeu aos recolhimentos previdenciários patronais. O Levantamento tomou por base os valores declarados em GFIP em confronto com as folhas de pagamento apresentadas. Após a impugnação, onde o recorrente pede o sobrestamento do feito até a decisão final do processo relativo à exclusão, foi proferido Acórdão pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1(RJ), fls. 102/107, que julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde alega em síntese: a) o cerceamento de defesa porque a fiscalização reteve documentos para análise e não devolveu; b) que requereu ao Banco Central que informasse a origem dos depósitos bancários considerados como omissão de receita; c) discorre sobre a inexistência da omissão de receita porque não se configurou; d) que devem ser excluídas do lançamento as rubricas de PIS/COFINS porque efetuou a retenção e o recolhimento; e) que há erro no cálculo dos impostos devidos e lista os lançamentos que considera indevidos com relação à omissão de receita, cheques devolvidos e estornos; f) que também não estão corretos os cálculos dos impostos e multas incidentes sobre as supostas receitas omitidas; g) a progressão indevida da alíquota em face da prescrição reconhecida; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15540.000754/200895 Resolução nº 2302000.334 S2C3T2 Fl. 135 3 h) a improcedência das tributações reflexas; i) a ilegalidade da SELIC. Requer a insubsistência e improcedência da decisão de primeira instância e que seja dado provimento ao recurso. Alternativamente, requer que os impostos sejam apurados considerando 50% das receitas supostamente omitidas. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade e deve ser conhecido. Entretanto, é de se observar que o lançamento se refere às contribuições devidas pela exclusão da recorrente do SIMPLES. Na impugnação os argumentos da autuada versam sobre a não definitividade do Ato Declaratório Executivo, pois estaria pendente de julgamento o recurso interposto pelo contribuinte. De fato, não consta dos autos informação do Fisco acerca do trânsito em julgado do recurso interposto quanto ao Ato Declaratório Executivo n.º 24/2008, e consulta ao site deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais mostra que o processo 10730.001524/200710, relativo ao referido ato, encontrase sorteado para relator, de forma que entendo não ser possível prosseguir com este julgamento sem que antes seja decidido acerca da definitividade da exclusão da empresa do SIMPLES. Neste lançamento está sendo cobrada a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais , em virtude da exclusão da empresa do SIMPLES, assunto que já tem que estar resolvido na área administrativa para que se possa julgar o mérito do presente auto de infração de obrigação principal, uma vez que não cabe aqui, tecer considerações a cerca da pertinência ou não da exclusão da empresa do Sistema. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à origem para aguardar a decisão definitiva, na esfera administrativa, sobre a exclusão da recorrente do SIMPLES e somente após tal informação retornem a este Colegiado. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento a autuada e concedido prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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