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Numero do processo: 16062.000163/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.477
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/07/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 06 2. 00 01 63 /2 00 9- 44 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 12/12/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 15/12/2005, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço nas competências de 10/2004 a 07/2005 e 10/2005. O relatório fiscal de fls. 22/26, diz que os fatos geradores relativos ao presente levantamento foram declarados pela notificada nas GFIP's e os recolhimentos havidos foram devidamente apropriados conforme o RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, de fls. 13 a 15. Após a impugnação, DecisãoNotificação exarada pela Delegacia da Receita Previdenciária em São José dos Campos/SP, colacionada às fls. 74/81, julgou o lançamento procedente. O contribuinte foi cientificado da decisão acima referida, através de Aviso de Recebimento confirmado às fls. 85, lhe sendo concedido o prazo para quitação do débito ou apresentação do recurso voluntário. O prazo expirou em 07/04/2006, o evento foi cadastrado no sistema SICOB conforme fls. 86/88 e foi emitido o Termo de Trânsito em Julgado, fls.90 e Ofício para inclusão no CADIN fls. 91. O contribuinte foi cientificado, conforme Aviso de Recebimento de fls. 92. Após a remessa do processo à Procuradoria do INSS para inscrição em dívida ativa, a notificada apresentou recurso intempestivo, conforme protocolo de fls. 100, informando que obteve decisão judicial favorável à interposição do recurso sem o depósito prévio de 30%, do valor do débito. A Procuradoria retornou o processo à fase administrativa, porque a competência para apreciar o recurso é da autoridade administrativa. Nas razões recursais a recorrente alega: a) a nulidade da NFLD por não demonstrar o cálculo dos juros; b) a nulidade da NFLD porque não há discriminação dos meses em que se utilizou a SELIC e dos meses em que a taxa de juros foi de 1%; c) que a aplicação da SELIC é inconstitucional; d) que a contribuição para autônomos e terceiros é inconstitucional; e) que os valores recolhidos em GPS não foram considerados; f) que inocorreu o delito previsto no artigo 168A do DecretoLei 2.818/40, com a redação do §1º, da Lei n.º 9.983/00; g) que é inexigível a contribuição sobre o 13º salário e por fim requer a improcedência da NFLD ou o desconto das parcelas pagas. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16062.000163/200944 Acórdão n.º 2302003.477 S2C3T2 Fl. 181 3 É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo da DecisãoNotificação de fls. 74/81, em 08/03/2006, fls.85, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 08/03/2006, fruindo até 07/04/2006. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 12/09/2007, conforme documento e protocolo de fls. 100, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Ainda é de se ver que às fls.94, dos autos consta o Aviso de Recebimento onde a notificada foi informada do termo do Trânsito em Julgado e da Inscrição no CADIN. A ação judicial interposta pela notificada, visava o oferecimento de recurso voluntário sem a garantia de instância e isto lhe foi deferido. Entretanto, é patente que a notificada não interpôs Recurso Voluntário, no prazo legal ou seja até trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, muito pelo contrário o Recurso Voluntário da empresa foi Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16062.000163/200944 Acórdão n.º 2302003.477 S2C3T2 Fl. 182 5 interposto apenas em 12/09/2007. Totalmente fora do prazo legal,.o que impede o seu conhecimento. Não há que se falar em desobediência à decisão judicial, posto que esta apenas deferiu a interposição do recurso sem a comprovação do depósito recursal, mas a admissibilidade do recurso pelo cumprimento do requisito de admissibilidade frente á tempestividade é da autoridade administrativa, na forma do artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Pelo exposto, Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730619/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.198
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada por GDK S/ª contra os autos de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e decorrente (CSLL), alcançando fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 30 61 9/ 20 11 -8 3 Fl. 4511DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 3 2 A fiscalização acusa o contribuinte de ter praticado as seguintes infrações: 1) Dedução indevida de despesas não comprovadas, nos anos de 2006 e 2007, conforme tópico VI do Termo de Verificação Fiscal. 2) Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no ano de 2007, por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais, conforme tópico V do Termo de Verificação Fiscal. 3) Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração, conforme tópico IV.1 do Termo de Verificação Fiscal. 4) Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008, relativo a receitas de competência do ano de 2007 reconhecidas somente no ano de 2008, conforme tópico IV.2 do Termo de Verificação Fiscal. Dedução indevida de despesas não comprovadas A primeira das infrações acima está relatada no item VI do Termo de Verificação, onde a fiscalização afirma que, da análise da documentação apresentada, constatou que a “GDK” não comprovou a totalidade dos custos e despesas, tendo sido glosados valores contabilizados nas contas de despesas: “1034 – Serviços Prestados Pessoa Jurídica” e “1198 – Material de Consumo”. Registra o TVF que os valores glosados por falta de apresentação das notas fiscais ou outros documentos comprovadores da realização e da essencialidade da despesa, que se encontram discriminados em planilhas anexas ao AI, foram os seguintes: Happyday Turismo Ltda. – conta 15763: Ano de 2006: R$ 336.143,16 Ano de 2007: R$ 257.925,33 Versegur – Vera Cruz Segurança Vigilância Ostensiva – conta 47697: Ano de 2006: R$ 266.353,41 Ano de 2007: R$ 67.382,38 Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL de 2007 por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais, A segunda infração, conforme relatado no item V do TVF, corresponde à glosa, feita pela fiscalização, ao diferimento de parcela do lucro, no ano de 2007 até a realização da receita, referente a 6 obras em contratos com entidades governamentais (conforme memória de cálculo apresentada pela “GDK”). A autoridade fiscal informa ter constatado que não houve segregação da apuração dos resultados dos contratos na contabilidade e, além disso, os próprios resultados estão inflados, pois não foram considerados todos os custos e despesas que deveriam estar a eles apropriados. Aponta impossibilidade de verificação dos cálculos apresentados, bem como da confirmação do resultado individual de cada obra, e diz que os relatórios gerenciais Fl. 4512DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 4 3 apresentados (extracontábeis) não confirmaram a correção dos valores excluídos, ao contrário, demonstraram resultados majorados, implicando diferimento maior que o de direito. Explica o TVF que: (...) a contribuinte não individualizou os registros contábeis (nem em contas auxiliares) por contrato ou obra, o que impossibilitou a reconstituição ou a apuração dos resultados do contrato, não cumprindo os requisitos postos pela legislação fiscal para excluir da tributação parcela do lucro proporcional à receita não recebida das entidades governamentais. A “GDK” declarou que utilizou como critério de avaliação do andamento da obra a execução física (medição), avaliada em laudo técnico, que é uma das alternativas previstas no item 5 da IN SRF nº 21/79. Verificouse, porém, que não foram computados nas obras específicas custos e despesas relevantes, de forma que os resultados passíveis de diferimento estavam majorados; – o art. 407, I, do RIR/99 determina que devem ser computados os custos de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração. O item 6 da IN SRF nº 21/79 esclarece que os custos computáveis na apuração do resultado são: custos diretos e indiretos (matéria prima, mão de obra direta e os custos gerais de fabricação) incorridos na construção ou produção, ou na prestação de serviços, inclusive os custos preliminares, tais como os de preparo de projetos, necessários à execução, incorridos após a contratação, o custo total orçado ou estimado e seus reajustes. A IN SRF 21/79 e os arts. 407 a 409 do RIR/99 fundamse no art. 10 do Decretolei nº 1.598/77; – em razão da inobservância desses procedimentos pela “GDK”, fezse necessária reconstituição do lucro real, considerandose os ajustes do lucro passível de cálculo de diferimento, o que fizemos no próximo tópico (V.4). Pelos cálculos demonstrados a seguir, é passível de exclusão no anocalendário de 2007 o valor de R$4.778.541,78, em contraposição aos R$26.480.779,27, valor efetuado pela contribuinte. Essa alteração provoca glosa de exclusões na apuração do lucro real de 2007, de R$22.095.702,86, e ajuste nas adições na apuração do resultado fiscal de 2008 no montante de R$19.339.346,27, quando parte do montante excluído no ano anterior foi adicionado;” Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração. A terceira infração acima apontada está relatada no item IV.1 do TVF, e corresponde à postergação de receitas oriundas de participação no Consórcio Carioca/GDK, sendo líder a Carioca. O objetivo do consórcio era a execução das obras e serviços de reparo e reabilitação de dutos, sob o regime de empreitada total por preços unitários, dos serviços contratados pela Petrobrás. Explica o TVF que, de acordo com o balancete emitido pelo Consórcio Carioca/GDK, em 2006 o empreendimento gerou R$ 41.465.321,44 de receitas da execução de obras, cabendo à “GDK”, 50%, ou seja, R$ 20.732.660,72. Informa que esses dados estão corroborados: (i) pelo Relatório Gerencial emitido pela “GDK”, relativo à obra 712 – São Fl. 4513DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 5 4 Paulo, que corresponde ao consórcio Carioca/GDK, (ii) pelo Balancete da contabilidade do consórcio e (iii) pelo Balancete geral da “GDK”, que correlaciona o registro em sua contabilidade de sua participação no consórcio. Diz que a “GDK” informou que reconheceu naquele ano receitas de R$ 19.801.899,33, e afirmou que adotou critério diverso do adotado pelo consórcio para reconhecêlas: enquanto os consórcios teriam utilizado a relação percentual entre o custo incorrido e custo orçado, da IN 21/1979, a “GDK” utilizou laudos de medição. Já os custos e demais contas patrimoniais, apropriavaos pelos balancetes dos consórcios, na proporção pactuada; Reproduz resumo comparativo demonstrando a apropriação de receitas, nos anos calendário em que se desenvolveu a execução do empreendimento, registrando observação de que o contribuinte, por meio do Termo de Entrega de Documentos nº 09/2011, de 28/07/2011, esclareceu que, erroneamente, considerou no faturamento desse consórcio as notas fiscais nº 390, de 05/01/2007, 522, de 13/02/2007, e 1.420, de 06/03/2008. Assim, o faturamento considerado pela “GDK”, relativo ao Consórcio Carioca/GDK, em 2006, foi de R$ 18.988.206,67, e não de R$ 19.801.899,33, como registrado contabilmente, evidenciando postergação, para o ano de 2007, de R$ 1.744.454,05. Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008 A quarta infração está relatada no item IV.2 do TVF, e corresponde a postergação de receitas oriundas de participação no Consórcio OSBAT II, firmado entre a “GDK” e a “Camargo Corrêa”, com participação de cada parte na proporção de 50% nos direitos e obrigações na execução dos serviços de reabilitação do duto OSBAT DN operado pela Transpetro. Informa o TVF que foi constatado que a “GDK” não computou exatamente 50% das receitas do consórcio que lhe cabiam em 2007. Conforme Balancete do Consórcio OSBAT II, as receitas decorrentes de serviços no país alcançaram R$ 172.843.747,55. Logo, caberia à “GDK” o montante de R$ 86.421.873,78 (50%). Ocorre que foi contabilizado pela “GDK” o valor de R$ 80.766.102,09, havendo, portanto, uma diferença de R$ 5.655.771,69. Apresenta comparativo dos balancetes da “GDK” e do Consórcio OSBAT II, nas óticas da empresa e do consórcio; Registra o TVF que, intimada a explicar a diferença, a “GDK” informou apenas que “o Consórcio reconhecia as receitas por critério distinto do utilizado pela “GDK”, e que, para manter o mesmo critério das demais obras, as receitas do Consórcio OSBAT II foram faturadas e registradas diretamente por ela, GDK, através das medições, conforme previsto na legislação”. Ressalvou que apenas os custos foram consolidados na contabilidade da “GDK” pelo Balancete do consórcio. Quanto às receitas, a fiscalização diz ter identificado lançamentos que totalizaram receita bruta de R$ 80.766.102,09; Instada a demonstrar a apropriação das receitas durante o período de execução do contrato, o contribuinte apresentou resumo comparativo de como foram apropriadas as receitas, nos anos posteriores ao que se desenvolveu a execução do empreendimento. Esse resumo, segundo a fiscalização, evidenciou a postergação, para o ano de 2008, de receitas de competência de 2007, no montante de R$ 5.655.771,69. A “GDK” diferiu o resultado obtido na realização do Consórcio OSBAT II – OS 711, na proporção da receita não recebida (não realizada). Fl. 4514DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 6 5 Ressalta o TVF que a contabilidade da empresa registra recuperação de custos no montante de R$ 21.596.798,91, ressalvado no resumo comparativo. Essa recuperação proveio de custos e despesas incorridos pela empresa na execução do empreendimento, mas que foram controlados em outros centros de custos. Esses custos influenciaram no resultado da obra, mas não foram computados na apuração do resultado dela, embora tenham sido no resultado global da empresa. Como esses custos não foram contemplados na demonstração do resultado do consórcio, mas sua recuperação foi, e o lucro diferível dessa obra teria ficado indevidamente majorado. Impugnação A interessada apresentou impugnação tempestiva, que se encontra assim resumida pelo julgador de primeira instância: “ O Sr. Fiscal iniciou seus trabalhos em 06/08/2010 e concluiu em 15/09/2011, emitindo mais de treze termos de intimação e continuidade fiscal, tendo solicitado mais de quatro mil documentos fiscais, que comprovassem a efetiva prestação de serviços, equivalente a R$ 77.844.845,17, para no fim glosar, de dois fornecedores, um montante de despesa de R$ 927.804,28, nos períodos base de 2006 e 2007, e discordar de procedimentos de apuração das obras de consórcio e diferimento de contratos com entidades governamentais, produzindo um extenso e tautológico relatório, de vinte páginas e cento e quarenta itens, trazendo eventos posteriores para fatos passados, como por exemplo, no item 70 do relatório, quando se refere à Deliberação CVM nº 576/2009, que é uma norma para exercícios encerrados a partir de dezembro de 2010, enquanto o período fiscalizado era de 2006 e 2007. Além do mais, a CVM é uma autarquia que regula e disciplina as sociedades de capital aberto, ou seja, aquelas que têm ações transacionadas na bolsa de valores, que não é o caso vertente, pois a GDK é uma sociedade de capital fechado, isto é, seu capital não é negociado em mercado; Verificase, no item 64 do relatório, que o Sr. Fiscal teve dificuldade de entender os termos do relatório enviado pela Contribuinte, no “Termo de Entrega de Documentos nº 042011” (doc. 02, anexo), no qual se demonstra que havia sim segregação da apuração dos resultados por contrato. Ao contrário do que ele afirma, os relatórios não são extracontábeis, pois são extraídos diretamente do sistema contábil Hércules, já que os lançamentos contábeis que envolvem despesas e receitas, enfim, as contas de resultado, só podiam ser efetuados com a indicação de um centro de custos. Os relatórios foram obtidos na função de relatórios gerenciais, mas a informação está contida na contabilidade societária. No item 74, o Sr. Fiscal afirma: “Observamos que a contabilidade apresentada não individualizou os lançamentos, nem apurou os resultados por contrato/obra”. É lamentável tal afirmação. Quer o Sr. Fiscal afirmar que os valores apresentados são uma obra de ficção?; No item 75, melhor sorte não cabe ao Sr. Fiscal quando diz: “Entretanto esses dados não puderam ser verificados e confirmados na escrita contábil. Quanto aos custos e despesas, a planilha de cálculo se limitou a apresentar os valores que teriam sido incorridos, não indicando as contas contábeis que estavam registrados”. A Autuada elaborou uma memória de cálculo com base em valores extraídos de relatórios contábeis que foram entregues à fiscalização através do “Termo de Entrega de Documentos nº 52011”, inclusive um DVD contendo: i) composição do aluguel interno cobrado em dezembro de 2007 para todas as obras selecionadas; ii) relatório gerencial demonstrando o resultado de 2007, por obra; e iii) NF 16656 da Kidde Brasil, que estava pendente de apresentação. Demonstramse todas as contas Fl. 4515DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 7 6 dos centros de custos, despesas e receitas que tiveram movimento no exercício, assim como o resultado de todos os centros de custos (doc. 03, anexo); Quanto ao item 76: “o plano de contas que acompanhou os arquivos digitais continha a conta denominada 4044 – Gerencial, que se desdobra na conta 4067 – Obras, que por sua vez estava desdobrada em subcontas com denominação de diversas obras. Porém, nos arquivos apresentados, essas subcontas não continham nenhum registro e os saldos estavam zerados (vide balancete extraído dos arquivos digitais), a Autuada atendeu ao solicitado pelo Sr. Fiscal, em consenso e por sugestão deste, através de relatório alternativo, extraído do sistema utilizado na época e até mesmo em planilha excel, conforme “Termo de Entrega de Documentos nº 072010” (doc 04, anexo). Em relação ao item 79: “Essa constatação não foi obtida diretamente da escrituração contábil, que não permitiu observação nesse nível de detalhe, repisese, e sim de Relatórios Gerenciais (extracontábeis) apresentados posteriormente pela Contribuinte”, a afirmação não é verdadeira. Os relatórios são extraídos da contabilidade e foram entregues ao Sr. Fiscal durante a fiscalização, e não “posteriormente”, e que tais relatórios são extracontábeis, conforme demonstrado anteriormente. Quanto ao item 80, parece que o Sr. Fiscal não entendeu o conteúdo do relatório; Em referência aos itens 94 a 96, em que o Sr Fiscal procura refutar evidências, referindose a “A uma e A duas”, é lamentável sua falta de entendimento do que seja um sistema contábil. Realmente, consta do centro de custo 3.1.1.06 os valores de R$ 435.307,03 e R$ 857.095,28, mas, como está claro, tais valores são do Custo de Produtos Vendidos OS 300C, conta 3.1.1.06.005 (doc. 05, anexo), sendo, portanto, verificado apenas um equívoco no centro de custo do lançamento contábil. No curso da fiscalização, ficou demonstrada a dificuldade do Sr. Fiscal de compreender as explicações dadas, o que fica provado na redação do item 104, diante da entrega do “Termo de Entrega de Documentos nº 022011” (doc. 06, anexo). Foi explicado ao Sr. Fiscal que alguma demora em atendêlo derivava da descontinuidade do sistema Hércules – WK, usado em 2006 e 2007, sendo que a fiscalização começou em 2010, como provado no “Termo de Entrega de Documentos nº 022010”, bem como correspondência da própria empresa (doc. 07, anexo); A Autuada, por trabalhar preponderantemente para pessoas jurídicas de direito público, ou empresas sob seu controle, empresa públicas, sociedades de economia mista ou suas subsidiárias, a exemplo da Petrobrás, tributa seus resultados através do art. 409 do RIR/1999, que manda excluir as receitas não recebidas, impondo o simultâneo diferimento dos custos correspondentes. Esta faculdade é exercida na parte “A” do LALUR e controlada na parte “B”, para ser adicionada quando do seu recebimento. Esse diferimento atinge os contratos de curto e longo prazo, sendo apurado por contrato. A parcela excluída é computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita é recebida. Diante do exposto, verificase que a Autuada tem sua escrituração contábil obedecendo ao Decretolei nº 1.598/1977, consagrado no art. 251 do RIR/1999, e é mantida com observância das disposições legais, fazendo prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados com documentos hábeis e idôneos. É respeitado também o Princípio da Competência, consubstanciado no regime recomendado pela legislação comercial das sociedades por ações, que foi encampado pela lei tributária para todas as empresas que pagam o imposto de renda com base no lucro real, ressalvados os casos especiais estabelecidos na própria legislação fiscal; A autuada agiu, durante todo o procedimento fiscal, com lisura, transparência e boa fé. Em nenhum momento criou qualquer espécie de embaraço à fiscalização o que Fl. 4516DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 8 7 configura circunstância atenuante, a recomendar revelação de sonegação tributária. A autuada apenas recolheu os tributos devidos dentro da liberdade que a Constituição Federal lhe faculta, o que é um direito líquido e certo, nos termos do inciso XXXVI do art. 5º da Carta Magna. Essa proteção visa proporcionar segurança aos cidadãos, no caso, os contribuintes, de um modo geral, respeitando tudo aquilo que se adquiriu e se patrimonializou em um tempo que a própria lei vigente lhe facultava tal benefício; O Sr. Fiscal demonstra em seu relatório querer conduzir a Autoridade Julgadora de que a autuada estivesse sempre imbuída do animus de sonegar. Nada mais distante da realidade. Verificase, na autuação, que no anocalendário de 2006 não resultou crédito tributário. O Sr Fiscal adicionou o valor de R$ 602.496,57, referente à glosa de despesa, e R$ 1.744.454,05, do entendimento divergente quanto à apuração do resultado das obras de consórcio, no total de R$ 2.346.950,62. Consoante “Demonstração da Compensação de Prejuízos Fiscais”, esse valor foi compensado com o prejuízo operacional existente, no montante de R$ 81.289.603,93, remanescendo um prejuízo fiscal de R$ 78.942.653,31, antes da compensação. Inexplicavelmente, desse valor foi deduzido o “Prejuízo Não Operacional”, de R$ 6.515.544,48, passando seu prejuízo fiscal para R$ 72.427.108,83; Para o ano calendário de 2007, o Sr. Fiscal manteve o referido prejuízo fiscal, adicionou R$ 28.076.782,26, sendo R$ 325.307,71 de glosa de notas fiscais de fornecedores; R$ 22.095.702,86 de divergência de entendimento quanto à forma de diferimento do lucro nos contratos com entidades governamentais; e R$ 5.655.771,69 também de divergência quanto à apuração das receitas de consórcio. Nesse mesmo quadro é compensado prejuízo fiscal, no limite de 30%, resultando em uma base de cálculo de IRPJ e CSLL de R$ 17.353.419,64, valor este não explícito no quadro, mas constante nos autos de infração de ambos os tributos. Nesse ponto, informese que a Autuada goza de benefícios fiscais da ADENE, de redução do imposto de renda e adicionais de 75%. Ora, se a Autuada tivesse apurado, em 2007, lucro real positivo, teria usado o incentivo fiscal a que tem direito. Para o anocalendário de 2008, a Autuada havia apurado um lucro real de R$ 8.009.444,67, sobre os quais pagou os devidos tributos, conforme planilha de apuração e ficha da DIPJ (docs. 10 e 10A, anexos), que, após os ajustes do Sr. Fiscal, passou a ser prejuízo de R$ 16.985.673,29; O cerne da questão está na apropriação e diferimento do resultado das obras de consórcio e na forma de diferimento do lucro nos contratos com pessoas jurídicas de direito público, ou empresa sob seu controle, etc. A Autuada fez toda a sua apuração na forma estabelecida na IN 21/1979, contrato a contrato, com procedimento uniforme dentro do mesmo critério escolhido durante toda a execução do contrato (doc. 11, anexo). A fiscalização, invocando os arts. 407 e 409 do RIR/99 quer tomar o todo pelo particular, encontra um percentual genérico de 8,69% (lucro bruto dividido pela receita bruta), aplicandoo sobre todos os contratos e conclui por uma glosa de exclusão no valor de R$ 22.095.702,86. Ora, o art. 407 cuida da tributação dos contratos de produção em longo prazo, prevendo duas hipóteses de apuração: i) segundo a percentagem da execução física, avaliada em laudo técnico de medição e; ii) segundo a percentagem que o custo incorrido representar sobre o custo total orçado ou estimado. A opção pelo critério de avaliação do andamento deve ser exercida em relação a cada contrato, mas o critério escolhido deverá ser praticado uniformemente durante toda a execução do contrato; Vejase que o art. 409 trata do diferimento do lucro até a sua realização, nos casos de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 e 408, permitindose que, para efeito de apurar o lucro líquido do períodobase, a pessoa poderá Fl. 4517DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 9 8 transferir, para resultados de exercícios futuros, parcela do lucro computado no resultado do períodobase. Diante de qualquer análise, não se encontra respaldo para que a Autoridade Fiscal tome lucro bruto sobre receita bruta para definir percentual de diferimento sobre todos os contratos, afinal, cada contrato tem uma realidade própria. Isto não tem base legal. Além do mais, se tivesse havido postergação de tributo, deveria ser cobrada a multa de 20% e os juros de mora pela taxa SELIC, mas não o próprio tributo, como bem define o art. 273 do RIR/99. Deve ser considerado ainda que no ano calendário subsequente houve lucro real e pagamento de tributos devidos. Por fim, lembre se que não se pode tomar período de postergação de balanço em balanço encerrado em 31/12 de cada ano, pois a Autuada apurava seu resultado em base estimada, com antecipação, redução ou suspensão do IRPJ e da CSLL; A mesma divergência de interpretação ocorre com as receitas do “Consórcio Reabilitação de Dutos Sudeste – OS 712” e do “Consórcio OSBAT – OS 711”, cujos valores glosados foram R$ 1.744.454,05, para o períodobase de 2006, e R$ 5.655.771,69, para 2007. Verificase, nos contratos (docs. 12 e 13, anexos), que a “GDK” não era a empresa líder. Através das peças constantes dos documentos (docs. 14 e 15, anexos), está demonstrado que a Autuada reconheceu todas as receitas ao longo do consórcio, em consonância com todos os demais contratos de todas as obras, mediante a emissão de cada fatura e com base na progressão física da obra. Já a empresa líder do consórcio apropriou ao resultado a receita, bem como custos e despesas ao longo do período de construção, à medida da evolução financeira das obras (método POC), medindose o percentual de custos incorridos em relação aos custos orçados. Não existe obrigatoriedade das consorciadas praticarem exatamente igual a apuração dos resultados do consórcio, mesmo porque cada consorciada não está obrigada a ter o mesmo regime de tributação. Pode, por exemplo, uma apurar seu resultado pelo lucro real e outra pelo presumido, não cabendo ao Sr. Fiscal querer autuar o contribuinte pelo exercício de uma faculdade legal; A Autuada disponibiliza cópia da documentação (docs. 16 e 17, anexos) provando os pagamentos efetuados à Happyday Turismo Ltda. e Versegur – Vera Cruz Seg. Vigilância Ostensiva, sendo: 1) Happyday: R$ 200.074,70 (2006) + R$ 130.442,74 (2007) = R$ 330.517,44 2) Versegur: R$ 189.249,42 (2006) + R$ 16.714,44 (2007) = R$ 198.963,86 A Autuada solicita que lhe sejam deferidos todos os meios de prova admitidos em Direito, indicando, de logo, a juntada posterior de novos documentos e, face ao exposto, vem requerer: a) recomposição do prejuízo fiscal do período base de 2006, no sistema SAPLI; b) reconhecimento do resultado do período base de 2007, de prejuízo fiscal, e da CSLL; c) julgamento simultâneo do auto de IRPJ e da CSLL, por se tratar do mesmo processo e; d) julgar totalmente improcedente o auto de infração ora discutido. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 3.675 a 4.341.” A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em salvador julgou improcedente a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. Fl. 4518DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 10 9 As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. RECEITAS RECONHECIDAS E NÃO RECEBIDAS. DIFERIMENTO DO LUCRO. Nos contratos de empreitada ou fornecimento celebrados com entidades governamentais, a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro computado no resultado, proporcional à receita considerada nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período, devendo computála no cálculo do lucro real do período base em que a receita for recebida. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. LUCRO DIFERIDO. PERCENTUAL DE DIFERIMENTO. O diferimento do lucro correspondente à parcela das receitas não recebidas dentro do período base está condicionado à segregação dos resultados de cada contrato/obra na contabilidade, admitindo se, contudo, diante da total impossibilidade de apuração do percentual de diferimento, por obra, e no caso de empresa cujas atividades sejam assemelhadas, a utilização de um percentual médio resultante da razão entre o lucro bruto total e o total das receitas operacionais. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA DOS EXERCÍCIOS. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A inexatidão quanto ao período de escrituração de receita ou de reconhecimento de lucro constitui fundamento para lançamento de imposto quando dela resulta redução indevida do lucro real ou postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior àquele em que seria devido. CONSÓRCIO PARA A EXECUÇÃO DE OBRAS E SERVIÇOS. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS, CUSTOS E DESPESAS. Consoante regras fixadas em contrato, é de responsabilidade de uma das consorciadas, definida como líder, a elaboração da contabilidade do consórcio, obrigando se todas a reconhecer contabilmente suas receitas, custos e despesas de conformidade com o percentual de participação de cada uma no empreendimento e computálos no resultado do respectivo período de apuração, não cabendo às consorciadas utilizar critério de reconhecimento das receitas diverso daquele empregado pelo consórcio. AJUSTE DO PREJUÍZO FISCAL DECLARADO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Os prejuízos fiscais declarados pela pessoa jurídica devem ser ajustados pelos valores tributáveis apurados em ação fiscal, cabendo ainda a compensação dos prejuízos de exercícios anteriores, no limite legal de 30% do lucro real ajustado. REDUÇÃO DO IMPOSTO. ÁREA DE ATUAÇÃO DA ADENE. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO. Fl. 4519DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 11 10 Incabível a recomposição do lucro da exploração em função de valores que deixaram de transitar pelo resultado contábil da empresa ou ainda daqueles que foram indevidamente contabilizados. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de lançamento decorrente de idênticos fatos geradores, há que se dar a ele o mesmo entendimento dado ao lançamento de IRPJ, observandose ainda que a base de cálculo negativa acumulada em exercícios anteriores deve ser utilizada para reduzir em até 30% a base de cálculo apurada em cada período base tributado. Ciente da decisão em 07 de março de 2014 (fls. 4415), a interessada ingressou com recurso em 04 de abril (fls. 4416). Na peça recursal, contesta pontualmente assertivas contidas no voto condutor e aduz que, diante das conclusões aqui expostas devese prosseguir com os mesmos argumentos já colocados na impugnação, ...” reeditando as razões então apresentadas e o pedido, que inclui perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele tomo conhecimento. Como visto do relatório, o litígio envolve acusação de cometimento de quatro infrações (Dedução indevida de despesas não comprovadas; Redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL de 2007 por motivo de diferimento de lucro auferido em contratos com entidades governamentais; Redução indevida do lucro líquido do ano de 2006, resultante de inexatidão quanto ao período base de escrituração e Postergação do tributo devido do ano de 2007 para 2008), sendo que para a infração 1, entendo necessário converter o julgamento em diligência, pelo fato da apresentação pela recorrente de uma série de documentos que merecem uma análise por parte da autoridade autuante, senão vejamos: Infração 1: A fiscalização glosou despesas operacionais em razão da falta de apresentação dos respectivos documentos comprobatórios, nos seguintes valores: Beneficiário Conta 2006 2007 Happyday Turismo Ltda. 15763 336.143,16 257.925,33 Versegur Vera Cruz Segurança Vigilância Ostensiva 47697 266.353,41 67.382,38 TOTAL 602.496,57 325.307,71 Em sua impugnação o sujeito passivo apresentou parte da documentação reclamada, referente a pagamentos feitos à empresa “Happyday” (fls. 4.209 a 4.311), nos valores de R$ 200.074,70 em 2006, e R$ 130.442,74 em 2007, e pela empresa “Versegur” (fls. Fl. 4520DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 12 11 4.312), nos valores de R$ 182.249,4 em 2006 e R$ 16.714,44 em 2007, implicando um total de R$ 382.324,12, em 2006, e R$ 147.157,18, em 2007. A decisão recorrida manteve a glosa mesmo para os documentos apresentados. Justifica o julgador: “No caso dos documentos apresentados no decorrer da ação fiscal, alguns foram admitidos, mas muitas das notas fiscais relacionadas nas planilhas fiscais anexas às intimações não foram entregues, bem como não houve qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços e de sua necessidade. Já em relação à documentação juntada à peça impugnatória, observase que nada de relevante foi acrescentado. Os documentos concernentes à “Happyday” são, na sua grande maioria, “Faturas de Serviços/Duplicatas” e não Notas Fiscais de Prestação de Serviços, que seriam, em última análise, os documentos apropriados para suportar esses gastos. Tais despesas, de modo geral, referemse a hospedagens e passagens aéreas, em nome de pessoas não identificadas, não havendo qualquer informação a respeito de possível vínculo que mantinham com a empresa. As poucas Notas Fiscais de Prestação de Serviços anexadas tratam de “Consultoria e Assessoria Administrativa”, ou seja, uma discriminação bastante vaga, sem nenhuma descrição do serviço que efetivamente teria sido realizado. Notase também a existência de gastos com a aquisição de bens do ativo imobilizado que, obviamente, não se enquadram no conceito de despesas operacionais. Quanto aos dispêndios realizados com a “Versegur”, a Impugnante juntou algumas notas fiscais relativas a “Serviços prestados de vigilância”, sendo que algumas delas não conferem em datas e valores com a planilha que elaborou (fl. 4.312). Ademais, não restou comprovado que tais notas fiscais não são as mesmas já apresentadas e acatadas pelo agente fiscal durante o procedimento fiscal e que, portanto, as respectivas despesas integraram os montantes tributados de ofício”. No recurso, contrapõe a Recorrente: (i) o Sr. fiscal, à época da fiscalização, aceitou documentos idênticos aos anexados à impugnação; (ii) na ocasião não foram apresentados todos os comprovantes apenas por falta de localização; (iii) os contratos com a Happyday não foram na modalidade de fornecedora direta de serviços, mas na modalidade de intermediadora, que emite passagens, meios de hospedagem, etc., e tem como receita a comissão recebida dos fornecedores. Nessa modalidade, não há, para a agência de turismo, obrigação de emissão de nota fiscal das passagens, hospedagem, etc., mas apenas sobre os valores das comissões cobrados. Contudo, emite fatura/duplicada de todos os gastos com as referidas despesas. O voto condutor, ao afirmar que “dos documentos apresentados no decorrer da ação fiscal, alguns foram admitidos, mas muitas das notas fiscais relacionadas nas planilhas fiscais anexas às intimações não foram entregues, bem como não houve qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços e de sua necessidade, afirma algo que não consta do TVF. Fl. 4521DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 13 12 O TVF registra que a glosa deuse por falta de apresentação de documentos, nada registrando quanto à falta de comprovação da efetividade dos serviços e de sua necessidade. É óbvio que, se os documentos não foram apresentados no curso da ação fiscal, o auditor não poderia ter apreciado a questão da “efetividade e necessidade” do serviço. Mas em relação aos documentos apresentados no curso da fiscalização, não há qualquer menção de algum não ter sido aceito por falta de comprovação da efetividade do serviço, ou por ele ser considerado desnecessário. Especificamente para essas despesas glosadas, a ação fiscal desenvolveuse da seguinte forma: Inicialmente, o contribuinte foi intimado (Intimação fl. 127) a apresentar toda a documentação contábil que embasou os lançamentos contábeis do mês de dezembro de 2006 das seguintes contas contábeis de CUSTOS/DESPESAS: 1034 – Serviços Prestados Pessoa Jurídica, 1101 Aluguel de Máquinas e Equipamentos, 1198 Material de Consumo, 125629 Mão de Obra, 2677 Passagens e Hospedagens, 1212 Despesas Diversas, 125664 Serviços Prestados e 125658 Subempreiteiros. O segundo passo foi a intimação fls. 135, para apresentar os documentos originais que deram suporte aos lançamentos extraídos do razão das contas 1034 (serviços prestados por pessoa jurídica) e 336 (Fornecedores) constantes dos anexos ao termo. Consignou a autoridade fiscal que os documentos originais relativos aos lançamentos enumerados no Anexo 1 (que se referem ao mês de dezembro de 2006) não foram encontrados entre os disponibilizados pela empresa para verificação, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 15/10/2010. Dos lançamentos relacionados nos anexos, há um da Happyday, em 22/12 no valor de R$ 20.000,00, e quatro da Versegur, no valor de R$ 6.595.303,65 cada, sendo 2 em 21/12/2006 e 2 em 31/12/2006. Pela intimação de fls. 155 a contribuinte foi reintimada a apresentar os documentos originais que deram suporte aos lançamentos extraídos do razão das contas 1034 (serviços prestados por pessoa jurídica) e 336 (Fornecedores) constantes dos Anexos 1, 2 e 3 do Termo, ainda não entregues. Entre os documentos relacionados encontramse dois da Versegur (R$ 45.611,70, em 26/12/2006 e R$ 14.726,00, em 21/12/2006) e um da Happyday (R$ 20.000,00 em 22/12/2006). Isso permite inferir que os quatro documentos da Versegur, no valor de R$ 6.595.303,65 cada, foram apresentados. Pela intimação de fls. 166 foi determinado a contribuinte a apresentação de toda a documentação que embasou os lançamentos contábeis da conta 1044 Serviços prestados pela Pessoa Jurídica, especialmente das empresas Câmbio Time Assessoria, VersegurSegurança, Inter Náutica Indust. Happyday Turismo Ltda. Docas da Bahia, Cia Brasileira de Soluções e Serviços, De Delisa Plásticos e Líder Alimentos. Na intimação seguinte, de fls. 173, a autoridade fiscal registra: “Através da intimação de 15/06/2011 solicitamos a apresentação de toda a documentação fiscal dos fornecedores referidos nos tópicos 1 a 4 abaixo. Fl. 4522DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 14 13 A relação das notas fiscais não apresentadas está anexada a este Termo. O não atendimento ensejará a glosa das correspondentes despesas. 1 De Delisa Plásticos – conta 13882: (...) 2 Companhia Brasileira de Soluções e Serviços – conta 152262 (...) 3 Companhia das Docas (...) 4 Happyday Turismo Ltda. conta 15763 4.1 2006 R$ 568.962,95 4.2 2007 – R$ 496.873,95 5 Versegur – Vera Cruz Segurança Vigilância Ostensiva – conta 47697 4.1 2006 R$ 1.623.880,81 4.22007 R$ 523.249,93”(destaquei) Da Happyday foram relacionados 159 lançamentos relativos ao ano de 2006, e da Versegur 187 lançamentos relativos ao ano de 2006 e 68 relativos ao ano de 2007. Não foi anexada a relação dos lançamentos do ano de 2007 da Happyday, apenas o total da despesa a eles relativa. A contribuinte apresentou parte dos documentos e foi lavrado o auto de infração glosando as despesas relativas aos documentos não apresentados, relacionados às fls. 53/60. Para a Happyday foram relacionados para glosa 93 lançamentos em 2006 (R$ 336.143,16) e 63 em 2007 (R$ 257.925,33), e para a Versegur, 34 em 2006 (R$ 266.353,41) e 7 em 2007 (R$ 67.383,38). Com a impugnação a contribuinte juntou, para a Happyday, 45 documentos de 2006 e 20 documentos de 2007, e para a Versegur, 19 documentos de 2006 e 2 documentos de 2007 (docs. 16 e 17). Portanto, temse que: 1 A contribuinte foi intimada a apresentar os documentos comprobatórios de todos os lançamentos de despesas pagas às pessoas jurídicas Happyday e Versegur. 2 Após a apresentação dos documentos, a fiscalização constatou que deixaram de ser apresentados os relativos a parte dos lançamentos, conforme a seguir: Ano beneficiário Quantidade Valor total 2006 Happyday 159 568.962,95 2006 Versegur 187 1.623.880,81 2007 Happyday ? 496.873,95 Fl. 4523DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 15 14 2007 Versegur 68 523.249,93 3 Atendendo a intimação para apresentar os documentos faltantes (que a fiscalização indicou individualizadamente), sob pena de glosa da despesa contabilizada, a contribuinte trouxe documentação relativa a parte dos lançamentos, remanescendo sem comprovação os lançamentos abaixo, que ensejaram o auto de infração: Ano Beneficiário Quantidade Valor total 2006 Happyday 93 336.143,16 2006 Versegur 34 266.353,41 2007 Happyday 63 257.925,33 2007 Versegur 7 67.382,38 Daí se infere que a fiscalização acatou todas as despesas para as quais foram apresentados os documentos, não tendo questionado a efetividade dos serviços ou sua necessidade. A glosa deuse, apenas, pela não apresentação dos documentos. De acordo com o que dispõe o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a impugnação o contribuinte deve apresentar as provas que possuir para desconstituir a acusação. No caso, tendo sido glosadas as despesas por falta de apresentação da documentação, cabia a contribuinte, na impugnação, juntar os documentos que possuía, como fez. Em relação à Happyday Turismo, que presta os serviços de aquisição de passagens e estadias para a contribuinte, a fiscalização intimou para a apresentação de toda a documentação. Constatando a falta de apresentação completa, relacionou os lançamentos para os quais não fora apresentada a documentação. Para o ano de 2006, por exemplo, de um universo de 159 documentos pedidos, totalizando R$ 568.962,65, a contribuinte apresentou 66, comprobatórios de despesas no montante de R$ 66.232,79. Para o ano de 2007, em que a fiscalização intimou para apresentação dos documentos referentes a R$ 496.873,95, a contribuinte apresentou documentos correspondentes a R$ 238.948,62. Em relação aos documentos apresentados, a fiscalização não duvidou da efetividade e a necessidade dos serviços, glosando apenas os valores correspondentes à documentação faltante. Em relação à Versegur, alega o julgador que “não restou comprovado que tais notas fiscais não são as mesmas já apresentadas e acatadas pelo agente fiscal durante o procedimento fiscal e que, portanto, as respectivas despesas integraram os montantes tributados de ofício”. Os documentos trazidos com a impugnação (relação às fls. 4312) estão identificados na relação que integrou o Termo de Intimação de fls. 173, como documentos não apresentados em atendimento à intimação anterior (para apresentar todos os documentos), com a advertência que sua não apresentação ensejaria a glosa das correspondentes despesas. O fato de esses documentos integrarem a relação das despesas glosadas (fls. 58/59 dos autos), obviamente, significa que eles não foram apresentados à fiscalização. No Doc. 17 (fls. 4.312), no qual a contribuinte relaciona os documentos que estão sendo juntados com a impugnação, há cinco notas fiscais nas quais foi aposta a observação (manuscrita) indicando que o valor era líquido. Fl. 4524DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.730619/201183 Resolução nº 1301000.198 S1C3T1 Fl. 16 15 Na relação dos lançamentos cujos documentos comprobatórios foram pedidos com a intimação de fls. 173 (e cuja não apresentação motivou a glosa) essas notas fiscais constam com as seguintes indicações (fls. 190): Data Crédito Histórico 28/04/2006 14.435,26 OVLR REF NF 2854 VERSEGUR 28/04/2006 6.678,34 OVLR REF NF 2853 VERSEGUR 28/04/2006 2.821,90 OVLR REF NF 2850 VERSEGUR 28/04/2006 47.531,13 OVLR REF NF 2869 VERSEGUR 28/04/2006 2.906.01 OVLR REF NF 2843 VERSEGUR Referidas notas fiscais, emitidas pela Versegur e juntadas à impugnação, estão anexadas às fls. 4315 a 4319. Logo, a vista dos documentos apresentados pela contribuinte por ocasião de sua impugnação/recurso, entendo salutar baixar o processo em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste sobre os documentos apresentados posteriormente ao procedimento fiscal, intimando a contribuinte para, se querendo, venha aos autos se manifestar acerca da conclusão da presente diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 4525DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16004.001447/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 26 1 25 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.001447/200861 Recurso nº 9.999.99Voluntário Resolução nº 2301000.287 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de setembro de 2012 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente COFERFRIGO ATC LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 44 7/ 20 08 -6 1 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001447/200861 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.287 S2C3T1 Fl. 27 2 Tratase de processo que, junto com outros 16, foram apensados ao principal, o de nº 16004.001445/200872, distribuído em lotes e sorteado a essa relatora em junho de 2012. Observase, porém, que o processo é composto por vários volumes e, em razão de algum equívoco, apenas o volume onde consta o ContraRazões da PGFN encontrase digitalizado, o que impede a apreciação, por esta Relatora, do recurso interposto pela recorrente Como o julgamento dos recursos do processo principal e de seus apensos foi convertido em diligência para que fossem juntados, a todos eles, o Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, citado nos Acórdãos recorridos, entendo que, por ser apenso e, portanto, conexo aos demais, o presente processo deve acompanhálos em diligência, para a sua correta formalização e julgamento em conjunto. Nesse sentido, Voto por converter o julgamento em diligência para que sejam juntados, aos autos, todos os volumes faltantes. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10510.720341/2011-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
GFIP. RETIFICADORA. INALTERABILIDADE DO LANÇAMENTO. O RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SE DÁ PELA GPS, SENDO A GFIP MERO DOCUMENTO DECLARATÓRIO. VERIFICADA DIFERENÇA ENTRE O QUE DECLARADO E O QUE RECOLHIDO E O QUE CONSTA DOS DEMAIS DOCUMENTOS DA EMPRESA, COMO FOLHA DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE A SOMENTE A RETIFICAÇÃO DA GFIP É INÓCUA, POIS ALÉM DESSA RETIFICAÇÃO NECESSÁRIO SE FAZ RECOLHER A DIFERENÇA APURADA. COMPENSAÇÃO. PROMOVIDA VIA GFIP APROVEITADA. AUSÊNCIA DE DIFERENÇAS A FAVOR DO CONTRIBUINTE E INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO SÃO INSTITUTOS COM PROCEDIMENTOS PRÓPRIOS E ESPECÍFICOS, ESTANDO FORA DO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO, BEM COMO A COMPETÊNCIA PARA ANALISAR TAIS PEDIDOS E DA DRF, SENDO INADEQUADO E INCOMPATÍVEL COM O PAF TAL MEDIDA. NOTAS FISCAIS COM DESTAQUE APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para:
I determinar que as notas fiscais a seguir elencadas sejam apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme o critério adotado pela fiscalização, levando-se, ainda, em consideração a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nos respectivos créditos - nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta.
II - determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerando-se o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.296.911-9 e 37.296.912-7, para o período de 01/2007 a 11/2008. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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INFORMAÇÃOES INCORRETAS OU OMISSAS; REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO; SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO – SAT/GILRAT/ADICIONAL; CONTRIBUINTE INDIVIDUAL; DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS DAL; REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS E TERCEIROS. Recorrente HABITACIONAL EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 GFIP. RETIFICADORA. INALTERABILIDADE DO LANÇAMENTO. O RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SE DÁ PELA GPS, SENDO A GFIP MERO DOCUMENTO DECLARATÓRIO. VERIFICADA DIFERENÇA ENTRE O QUE DECLARADO E O QUE RECOLHIDO E O QUE CONSTA DOS DEMAIS DOCUMENTOS DA EMPRESA, COMO FOLHA DE PAGAMENTO E CONTABILIDADE A SOMENTE A RETIFICAÇÃO DA GFIP É INÓCUA, POIS ALÉM DESSA RETIFICAÇÃO NECESSÁRIO SE FAZ RECOLHER A DIFERENÇA APURADA. COMPENSAÇÃO. PROMOVIDA VIA GFIP APROVEITADA. AUSÊNCIA DE DIFERENÇAS A FAVOR DO CONTRIBUINTE E INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO SÃO INSTITUTOS COM PROCEDIMENTOS PRÓPRIOS E ESPECÍFICOS, ESTANDO FORA DO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO, BEM COMO A COMPETÊNCIA PARA ANALISAR TAIS PEDIDOS E DA DRF, SENDO INADEQUADO E INCOMPATÍVEL COM O PAF TAL MEDIDA. NOTAS FISCAIS COM DESTAQUE APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 03 41 /2 01 1- 60 Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 651 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: I – determinar que as notas fiscais a seguir elencadas sejam apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme o critério adotado pela fiscalização, levandose, ainda, em consideração a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nos respectivos créditos nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta. II determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerandose o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.296.9119 e 37.296.9127, para o período de 01/2007 a 11/2008. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 652 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.296.9097, CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.296.9119, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal e de Diferenças de Acréscimos Legais DAL, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.296.9127, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados e contribuintes individuais – parte descontada do trabalhador, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.296.9135, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 96 a 100, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 108 e 109. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 04/02/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 02, e, ainda, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 04; 39 e 66. O contribuinte apresentou suas defesas/impugnações, petições com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 204 a 208; 209 a 213; 214 a 217; 218 a 221, recebidas, em 04/03/2011, conforme carimbo de recepção, de fls. 204; 209; 214 e 221, estando acompanhada dos documentos, de fls. 222 a 1.165. As impugnações foram considerados tempestivas, fls. 1.166 a 1.169; 1.170. Consta, as fls. 1.172 e 1.173, respectivamente, Termo de Apensação (1), informado a juntada por apensação a esses autos, do processo 10510.720482/200182 e do processo 10510.720483/201127, em 27/04/2012 O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0827.163 6ª, Turma DRJ/FOR, em 09/10/2013, fls. 1.177 a 1.186. A impugnação ao lançamento 37.296.9097 foi considerada procedente e o crédito anulado, as demais foram consideradas improcedentes e os créditos mantidos em sua totalidade. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 05/11/2013, conforme AR, de fls. 1.193. Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 653 4 Irresignado o contribuinte impetrou três Recursos Voluntários, petição de interposição com razões recursais, as fls. 1.195 a 1.206; 1.207 a 1.217 e 1.218 a 1.228, recebidas, em 04/12/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 1.195; 1.207 e 1.218, acompanhada dos documentos, de fls. 1.229 a 1.233. As razões recursais para os três créditos são as que seguir constam, sendo que esses serão julgados de forma conjunta. Mérito. · que a empresa sempre atendeu de forma solicita aos pedidos do fisco, fornecendo todas as informações e entregando todos os documentos, não tento o intuito de lesar ou fraudar, o que demonstra a sua boa fé; · que a empresa enviou as GFIP’s e as retificou algumas vezes, mas que as declarações retificadoras não foram processadas pelo órgão fiscal, possuindo a empresa recorrente crédito suficiente para compensar o débito surgido; · que a recorrente centralizou todos os recolhimentos de matrícula CEI no CNPJ da matriz, o que, também, foi feito pelo fisco no procedimento fiscal, sendo que desta forma não existe débito para os anos de 2006 e 2007, mas sim créditos a compensar em períodos subsequentes; · que o presente crédito advém de diferenças nos recolhimentos – parte declarada e não recolhida e outra parte não declarada e não recolhida, porém a recorrente promoveu a retificação das GFIP’s, sendo que essas não foram processadas pelo fisco e nem atualizadas pelo agente fiscal, o que causou as divergências; · que não deve prevalecer a alegação de perda da espontaneidade, pelo envio das GFIP’s retificadoras após o início da fiscalização em virtude do princípio da verdade material, sendo aplicável esse princípio em qualquer fase do processo, segunda a jurisprudência, cita e transcreve diversas doutrinas, requerendo a recorrente prazo de 90 dias para a juntada de documentos que cita, diz, ainda, que os tribunais pátrios já adotam o princípio da verdade material, cita TJMG; TCU; CARF, devendo o CARF conhecer das retificações e reconhecer o direito creditório, inclusive, em razão das compensações pleiteadas, cita decisão do 1º CC; CSRR, respeitandose sempre o princípio da legalidade, sendo necessário a reforma do acórdão recorrido; · que não pode prosperar a assertiva do acórdão guerreado que as compensações dos anos de 2006, 2007 e 2008 devem ser requeridas junto ao setor competente; · que o artigo 17, da IN RFB 1.300/2012 permite ao contribuinte solicitar a restituição, das contribuições retidas em nota fiscal de cessão de mão de obra em PER/DCOMP, se não o fizer em GFIP, Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 654 5 sendo a restituição por PER/DCOMP uma faculdade e não obrigação, neste caso a recorrente fez a solicitação em GFIP, não devendo subsistir o acórdão recorrido; · Dos pedidos e requerimentos: a) que o auto de infração n° 37.296.9119; 37.296.9127 e 37.296.9135, sejam fulminados, face ao crédito disponível da recorrente, sendo esse suficiente para compensar os débitos; b) requer a abertura de prazo para apresentar as retificações realizadas e não processadas pela RFB. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 1.238. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 1.238. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 07, fls. 1.239. Consta dos autos após a distribuição destes, ao presente Conselheiro Relator, os Termos de Análise de Solicitação de Juntada, de fls. 1.240; 1.243; 1.246; 1.249; 1.252, que supostamente pretendiam juntar aos autos os anexos, nº’s 29 a 37; 38 a 44; 21 a 28; 13 a 20; 07 a 12, respectivamente, todavia em razão dos arquivos estarem em branco e vazios rejeitei a juntada. Consta, também, após a distribuição destes autos, ao presente Conselheiro Relator, o Termo de Análise de Solicitação de Juntada, de fls. 1.255, que requeria a juntado dos documentos de fls. 1.256 a 1.563, anexos nº 01 a 06, ao presente feito, o que foi aceito, fls. 1.564 e 1.565. É o Relatório. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 655 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Os recursos voluntário são tempestivos e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade eles merecem ser apreciados, o que o será feito de forma conjunta. Delimitação da lide. Não está em discussão nesses autos o ano de 2006, uma vez que o presente lançamento reportase, exclusivamente, ao ano de 2007 e 2008. Assim sendo, nenhuma alegação sobre esse ano será analisada por se constituir em hipótese de divórcio ideológico. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Outrossim, não cabe ao presente processo administrativo fiscal discutir direito a compensação ou restituição, uma vez que o papel deste processo é atender ao que determinado pelo artigo 145, I c/c o artigo 149, e seus incisos, todos, da Lei 5.172/66. Qualquer alegação de compensação ou restituição deve ser promovida junto à autoridade competente da DRF e pelo meio processual adequado, que não é o presente processo administrativo fiscal. Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 656 7 Mérito. No que tange a alegação de boa fé e atendimento das solicitações do fisco, nada mais fez a recorrente do cumprir com o seu dever legal, uma vez que a boa fé é presumida e no outro caso se desatender as solicitações do fisco ficaria a recorrente sujeita as sanções determinadas em lei. Nem uma nem outra situação são capazes de alterar a situação do lançamento. O suposto não processamento pela RFB de GFIP’s retificadoras enviadas após o início do procedimento fiscal é irrelevante para o deslinde da questão, qual seja a existência de diferenças a recolher, em razão de duas situações: a) declaração a menor de base de cálculo; b) omissão total da base de cálculo, conforme consta do Anexo II – Segurado Não Declarados. A razão para a irrelevância da apresentação de supostas GFIP’s retificadoras é muito simples. A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP como o próprio nome esclarece, para fins de Previdência Social é um documento meramente informativo declaratório, ou seja, este documento não se presta a promover o recolhimento da contribuição social previdenciária, ou da contribuição para terceiros, ou qualquer outra contribuição para a previdência social. O documento que possui natureza arrecadatória é a Guia de Recolhimento da Previdência – GPS. A GFIP foi usada para verificar se todos os trabalhadores constantes da folha de pagamento e da contabilidade foram devidamente informados ao fisco, caso isso ocorra o valor apurado de recolhimento à previdência social pelo sistema SEFIP será idêntico ao da GPS, o que comprovará o recolhimento total das contribuições e provavelmente o fisco nada encontrará de diferenças. Mas, em caso contrário, ou seja, o fisco verifica que falta trabalhadores a serem declarados em GFIP e/ou, ainda, que a base de cálculo dos trabalhadores declarados foi subdimensionada, sugiram diferenças e desta forma, estando o valor apurado para recolhimento à previdência social pelo sistema SEFIP idêntico ao da GPS recolhida, ficará comprovada ter havido recolhimento parcial ou a menor, das contribuições e provavelmente o fisco encontrará diferenças foi o que acorreu, no caso em questão, é o consta do REFISC, fls. 97, que abaixo transcrevo, bem como está evidenciado no Anexo II – Segurado Não Declarados, fls. 115 a 138. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 657 8 Assim sendo, as supostas retificações em GFIP em nada alteram o lançamento, pois apenas o recolhimento adicional, via GPS, das diferenças apuradas na suposta GFIP retificadora poderia regularizar a questão e desde que efetuado tal recolhimento antes do início do procedimento fiscal. No presente caso, não há provas de tal recolhimento, nos presente autos, bem como após o início do procedimento fiscal não é mais lícito ao contribuinte promover tal recolhimento, pois afastada está a denúncia espontânea. O agente fiscal deixou claro os procedimentos utilizados no levantamento fiscal e o próprio contribuinte confirmou que, também, fez uso do mesmo procedimento aplicado pelo fiscal. Ocorre que o fiscal encontrou diferenças nos recolhimentos em razão da declaração e recolhimento parcial das contribuições que elencou, bem como em razão da omissão total de recolhimento para outros trabalhadores, o que já foi supramencionado. A situação de divergência mencionada fica clara quando se lê o campo observação do Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 158 a 168. Além disso, o agente fiscal consignou que utilizou todos os créditos a favor do contribuinte, apropriandoos nos respectivos lançamentos, o que pode ser verificado no Relatório de Documentos Apresentados – RDA, de fls. 10 a 20, bem como no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, 21 a 29. TABELA VALOR NOTAS FISCAIS APRESENTADAS X VALOR APROPRIADO PELO FISCO. COMPETÊNCIA VALOR APRESENTADO CONTRIBUINTE VALOR APROPRIADO PELO FISCO RADA OBSERVAÇÃO Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 658 9 01/2007 R$ 100.016,69 R$ 136.870,31 FISCO 02/2007 R$ 137.332,10 R$ 134.041,37 CONTRIBUINTE 03/2007 R$ 119.463,21 R$ 112.319,14 CONTRIBUINTE 04/2007 R$ 273.975,17 R$ 250.051,06 FLS.699; 702; 704; 705; 707 a 709; 711 a 713. NOTAS. CONTRIBUINTE 05/2007 R$ 55.186,13 R$ 55.1816,14 IGUAL 06/2007 R$ 162.159,52 R$ 162.159,52 IGUAL 07/2007 R$ 191.387,26 R$ 191.387,27 IGUAL 08/2007 R$ 45.156,84 R$ 25.906,84 FLS. 834; 838; 844 a 847; CONTRIBUINTE 09/2007 R$ 9.404,84 R$ 9.404,84 IGUAL 10/2007 R$ 10.5720,28 R$ 105.720,28 FISCO 11/2007 R$ 12.949,73 R$ 16.045,14 FISCO 12/2007 R$ 81.198,23 R$ 81.198,24 IGUAL 01/2008 R$ 62.961,71 R$ 62.961,73 IGUAL 02/2008 R$ 54.622,53 R$ 54.622,53 IGUAL 03/2007 R$ 57.082,29 R$ 57.082,29 IGUAL 04/2007 R$ 61.177,00 R$ 61.177,01 IGUAL 05/2008 R$ 51.965,59 R$ 53.045,00 FISCO 06/2008 R$ 88.724,49 R$ 88.724,48 IGUAL 07/2008 R$ 26.738,55 R$ 45.310,57 FISCO 08/2008 R$ 48.262,79 R$ 48.262.78 IGUAL 09/2008 R$ 15.691,99 R$ 15.691,99 IGUAL 10/2008 R$ 2.899,95 R$ 2.899,95 IGUAL 11/2008 R$ 6.046,53 R$ 6.046,52 IGUAL Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 659 10 12/2008 R$ 4.459,20 R$ 4.459,20 RDA, FLS. 19 NÃO CONSTA DE NENHUM DOS TRÊS LANÇAMENTOS Da comparação acima podemos constatar, o que a seguir descrevo: · competência 02/2007 há divergências entre o valor lançado pelo fisco e o apresentado pelo contribuinte. O Fisco considerou duas notas, uma no valor de R$ 7.484.18 e outra no valor R$ 31.068,20 não apresentadas pelo contribuinte. Entretanto, o contribuinte juntou as notas nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, que não consta do RDA e RADA para essa competência; · competência 03/2007 há divergências entre o valor lançado pelo fisco e o apresentado pelo contribuinte. O Fisco considerou uma nota no valor de R$ 23.924,11 não apresentada pelo contribuinte. Entretanto, o contribuinte juntou as notas nº 781, de 01/0/2007 com destaque de R$ 31.068,20, porém tal nota foi utilizada pelo fisco na competência 02/2007. · competência 04/2007 há divergências entre o valor lançado pelo fisco e o apresentado pelo contribuinte. O contribuinte juntou a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707, que não consta do RDA e RADA para essa competência; · competência 08/2007 há divergências entre o valor lançado pelo fisco e o apresentado pelo contribuinte. O contribuinte juntou a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, que não consta do RDA e RADA para essa competência. Não havendo por parte do fisco impugnação quanto a veracidade e validade das notas apresentadas pelo contribuinte devem estas serem apropriadas pelo fisco, uma vez que a responsabilidade pelo recolhimento não é da contratada prestadora dos serviços, mas sim da contratante – tomadora dos serviços. Assim sendo, as notas a seguir elencadas devem ser apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme critério adotado pela fiscalização, considerandose, ainda, a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta. Não existe nos autos provas de que o contribuinte tenha crédito a compensar com o fisco. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 660 11 O presente lançamento e o, respectivo, processo administrativo fiscal não são os meios adequados para a determinação da existência de eventual direito compensatório que pensa se o contribuinte detentor, tal pretensão deve obedecer, o que é determinado pelo artigo 89, da Lei 8.212/91 c/c o 247, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 e demais normas que regulam a matéria. A questão da perda da espontaneidade e da aplicação da verdade material são irrelevantes, no presente caso, pois como foi alhures supramencionada a retificação das GFIP’s, caso tenha ocorrido são irrelevantes, uma vez que essas não se constituem em forma de pagamento das contribuições e uma vez lançados os valores entendidos pelo fisco como devidos em razão da apuração de diferenças não recolhidas e verificadas na documentação da empresa, somente o recolhimento das diferenças ou a prova da inexistência dessas diferenças seriam capazes de modificar o quadro e não a apresentação de GFIP retificadora, mormente, quando essa visa excluir a tributação após o lançamento, artigo 147, parágrafo único, da Lei 5.172/66. Não existe direito creditório a ser reconhecido no presente PAF, pois essa não é a função dos presentes autos, apenas a autoridade local da DRF é competente nos termos da lei a reconhecer qualquer tipo de direito crédito, devendo o contribuinte caso se entenda detentor de tal tipo de direito manejar o procedimento adequado junto à autoridade competente. As retificações das GFIP não atribuem ao contribuinte nenhum tipo de direito creditório, pois a função da retificação é apenas corrigir supostas informações prestadas de forma omissa ou incorreta e nada mais, pois a GFIP não se presta a recolhimento de contribuição previdenciária. No que tange as supostas compensações pleiteadas, caso o contribuinte recorrente esteja se referindo as que fez via GFIP e que o agente lançador informou estarem incluídas na base de cálculo do Auto de Infração 37.296.9090 por terem sido informadas incorretamente, este situação, também, é irrelevante nesse caso Verificase da leitura do REFISC e da análise dos Discriminativos de Débito – DD, de fls. 05 a 09; 40 a 42; 67 a 69, que não houve glosa das compensações realizadas, mas sim que tais compensações por terem sido promovida de forma incorreta foram incluídas no computo do valor do auto de infração de obrigação acessória. Contudo, conforme consta, as fls. 139 a 142, Anexos III; IV; V e VII, a multa por descumprimento de obrigação acessória, que foi efetivamente aplicada foi a do Código de Fundamentação Legal – CFL.78, por ser a mais benéfica e que não incluía em seu cálculo a questão da compensação. Não fosse suficiente a DRJ/FOR, quando da prolação de seu acórdão anulou o Auto de Infração 37.296.9090 e assim a questão da inclusão das compensações na base de cálculo é despicienda. Além disso, podese verificar no Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 144 a 159, documento de Exclusão – DEBCAD 09.479.7574, nas competências 05/2007; 06/2007; 08/2007; 09/2007; 11/2007; 13º/2007; 04/2008; 05/2008; 07/2008; 11/2008; 12/2008 e 13º/2008 promoveu o aproveitamento das compensações efetuadas e verificadas regulares pela fiscalização. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 661 12 Tanto a compensação como o pedido de restituição são facultativos, pois o contribuinte não é obrigado a fazêlos e se resolver fazêlo pode optar por aquele que melhor atenda aos seus interesses, relativamente a contribuição social previdenciária ou até mesmo pode necessitar dos dois se entender pela compensação e essa não for total. Mas, isso não afeta em nada o que decido pela DRJ e muito menos o presente lançamento, pois ficou claramente demonstrado a existência de valores não declarados e assim não adimplidos, pois não oferecidos à tributação, bem como que a compensação efetivada em GFIP foi aproveitada pelo agente lançador, segundo consta dos documentos, anteriormente, mencionados. Não cabe ao CARF fixar prazo para que o contribuinte apresente este ou aquele documento, pois os autos caminha e se desenvolve dentro do devido processo legal e esse está estabelecido pelo Decreto 70.235/72, que em seu artigo 16, parágrafo 4º, regula o momento de apresentação de provas pelo contribuinte. No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria dos levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 04/02/2011, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2007 a 12/2008,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 108 e 109. Desta forma, para o período de 01/2007 a 11/2008, relativamente, aos DEBCAD’s 37.296.9119 e 37.296.9127, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois já se encontrava em vigor. O presente acórdão não reconhece nenhuma espécie de direito creditório à recorrente, pois essa não é a finalidade deste PAF e nem este órgão tem competência na forma que apresentado para tal análise, todo e qualquer direito creditório que a recorrente se julgue detentora deve ser requerido junto à autoridade competente, ou seja, DRF origem, nos presentes autos cabe ao CARF apenas a análise da regularidade do lançamento e nada mais. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10510.720341/201160 Acórdão n.º 2803003.678 S2TE03 Fl. 662 13 Expostos os argumentos acima rejeito todos os pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito darlhe provimento parcial para: I – determinar que as notas fiscais a seguir elencadas sejam apropriadas nos respectivos lançamentos, conforme o critério adotado pela fiscalização, levandose, ainda, em consideração a possibilidade e capacidade de aproveitamento das notas nos respectivos créditos nº 760, de 01/02/2007 com destaque de R$ 36.853,62, fls. 648, bem como a nota 774, de 15/02/2007 com destaque de R$ 4.989,49, fls 662, a nota nº 816, de 20/04/2007 com destaque de R$ 23.924,11, fls.707 e a nota nº 945, de 22/08/2007 com destaque de R$ 19.250,00, fls. 845, nos lançamentos sob vergasta. II determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo, considerandose o momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD’s 37.296.9119 e 37.296.9127, para o período de 01/2007 a 11/2008. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001904/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2005
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 19 04 /2 00 7- 41 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14 18.647 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.927.3351. Eis a ementa da decisão a quo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária. RELEVAÇÃO DA FALTA APLICADA. A multa aplicada deve ser relevada quando houver a correção da falta, a primariedade do infrator, a inocorrência de circunstancias agravantes e o pedido efetuado dentro do prazo de impugnação. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA COMETIDA. A correção de parte das ocorrências abrangidas pela autuação enseja a relevação parcial, relativamente ocorrência na qual esta se deu. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM MULTA PARCIALMENTE RELEVADA Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls.273/276, para afirmar que jamais deixou de recolher as contribuições na sistemática do Simples e que foi surpreendida com a exclusão deste regime tributário, sem ter sido sequer formalmente comunicada do ato de exclusão. Diante desta situação, sustenta, atrasou a entrega da DCTF, todavia, não pode ser penalizada, haja vista que somente ficou ciente da existência de débitos quando procurou a RFB e foi comunicada da exclusão do Simples. Alega que a falta de comunicação da exclusão do Simples representa afronta ao seu direito de defesa. Pede a reforma da decisão da DRJ, com cancelamento da lavratura. É o relatório. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13888.001904/200741 Acórdão n.º 2401003.676 S2C4T1 Fl. 562 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado a destempo, conforme data da ciência do acórdão da DRJ em 20/05/2008, fl. 270, e data de protocolização da peça recursal em 20/06/2008, fl. 273. Portanto não deve ser conhecido. Eis que o prazo fixado no Decreto n.º 70.235/1972, que disciplina o contencioso administrativo tributário de exigência de tributos administrados pela RFB, fixa em trinta dias, contados da ciência da decisão original, o prazo para interposição de recurso, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, em face de sua intempestividade. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 23034.023742/99-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 30/06/1999
RECURSO NÃO CONHECIDO
Não deve ser conhecido Recurso Voluntário quando houver desistência expressa, consubstanciada em documento assinado e protocolado pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.468
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela desistência expressa do contribuinte em recorrer.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 30/06/1999 RECURSO NÃO CONHECIDO Não deve ser conhecido Recurso Voluntário quando houver desistência expressa, consubstanciada em documento assinado e protocolado pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela desistência expressa do contribuinte em recorrer. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 37 42 /9 9- 52 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O presente processo referese à Notificação para Recolhimento de Débito – NRD n.º 262/1999, fls.19/22,lavrada pelo Ministério da Educação em 15/03/2000 e cientificada ao sujeito passivo em 23/03/2000, através de registro postal, fls.23, referente às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. De acordo com o constante dos autos, o contribuinte sofreu inspeção dos técnicos do Programa Integrado de Inspeção cm Empresas e Escolas PROINSPE, fls. 02/12, onde foi apurado débito de salárioeducação nas competências 01/1998, 04/1998 a 13/1998 e 01/1999 a 06/1999, por irregularidade nos recolhimentos e/ou na aplicação de recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental. A entidade apresentou defesa tempestiva alegando a nulidade Notificação devido à falta de cumprimento de requisitos formais para a constituição do crédito, que ajuizou ação visando a declaração da inexistência de relação jurídica com o FNDE, a qual foi parcialmente deferida e autprizada compensação e que foram lançados valores já recolhidos. O processo foi encaminhado à procuradoria para parecer acerca dos efeitos da ação judicial e Informação da Procuradoria Geral do FNDE às fls. 63/64, dá conta de que a ação interposta pela notificada teve decisão definitiva no Tribunal Regional Federal a favor da autarquia, sendo legítima a cobrança dos débitos existentes. Após o deferimento parcial da defesa apresentada, conforme Informação n.º 710/2003GEARC, de 25/02/2003, fls. 84/88, o valor do débito foi retificado na competência 12/1998. A empresa foi cientificada da decisão em 12/03/2013. Inconformada com a decisão, apresenta tempestivamente recurso voluntário, fls. 93/110, onde oferece bem como garantia de instância, aduzindo que aderiu ao REFIS e que por esta razão, desistiu expressamente de impugnar/recorrer do presente processo, conforme requerimento de desistência do recurso protocolado na Superintendência do INSS em Minas Gerais, fls. 112, reiterando nas razões recursais que este processo está parcelado no REFIS, que por este motivo a Notificação deve ser cancelada porque é vedado o bis in idem. Por fim, diz que vem cumprindo rigorosamente o acordo do REFIS, que quando da inclusão o Comitê Gestor não se manifestou contra a inclusão deste débito, mas se não foi incluído, o deve ser agora. Requer a sua exclusão do Cadastro de Inadimplentes do FNDE. Frente aos bens oferecidos para serem arrolados, o processo foi enviado à Procuradoria Federal do FNDE, que se pronunciou contra a aceitação do arrolamento em substituição ao depósito recursal para garantia de instância, devendo o contribuinte ser cientificado e lhe aberto prazo para efetuar o depósito, pagar ou parcelar o débito. O contribuinte se manifesta novamente às fls. 163/164, reiterando que desistiu do recurso relativo ao presente processo, bem como das ações judiciais interpostas, a fim de incluir os débitos no REFIS, colacionando às fls. 165, o termo de desistência e às fls. 166, declaração do Chefe do Serviço de Arrecadação da Agência da Previdência Social em Belo Horizonte/MG, conformando a formalização do pedido de desistência do recurso referente ao processo em questão. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.023742/9952 Acórdão n.º 2302003.468 S2C3T2 Fl. 221 3 Ofício do FNDE às fls. 170, endereçado à Coordenação de Recuperação de Créditos do INSS, pergunta se os valores foram incluídos no REFIS. Em resposta, Ofício da Divisão de Planejamento e Controle de Recebimentos Especiais, fls. 173, traz que: "...Assim sendo, esclarecemos que não constam em nossos sistemas, débitos no período em questão, que contemplem a rubrica FNDE Salário Educação, incluídos no REFIS." O contribuinte foi cientificado da informação prestada e se manifestou conforme segue: Em resposta ao ofício n°0000108/200!5, datado de 02 de março do ano em curso, relativamente a crédito do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, levantamento efetuado por técnico do Programa Inspeção em Empresas e Escolas PROINSPE, que apontou débito desta empresa no valor de R$665.322,77 (seiscentos s sessenta e cinco mil, trezentos e vinte e dois reais e setenta centavos), é a presente para informar o seguinte: face a Integrado de 01) Em 27 de maio de 2003, a Coordenação Geral de de Cobrança e do SME Divisão de Inspeção do FNDE Arrecadação, encaminhou Ofício de noi549/2003/GEARC à PRODEMGE, informando acerca da notificação para recolhimento de débito n°262/1999, objeto do processo n<>23034.023742/9952, cujo objeto era, também, o que consta da presente Informação ora atacada 02) Em 02 de julho de 2003, a PRODEMGE protocola, junto à Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, ofício requerendo a suspensão do prazo concedido para pagamento, tendo em vista o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, não ter processado, de forma própria, a inclusão dos débitos discutidos em processo administrativo n° 23034.023742/9952 e dos processos judiciais n°s. 1999.38.00.0408650 e 1999.38.00.0410Í0177, face à desistência dos mesmos, conforme exigência para adesão REFIS. Entretanto, daquele protocolo (02/07/2003) até a presente data, a PRODEMGE não obteve resposta ao seu requerimento, sendo certo, portanto, que a presente cobrança não deva prosperar, sobretudo porquê, o assunto presente é o mesmo atacado anteriormente. 04) Anexo, cópias do ofício protocolizado em julho de 2003 e da declaração firmada pelo Instituto do Seguro Social INSS, Agência da Previdência Social. 05) Requer, à luz do exposto: a) a suspensão do prazo de pagamento do débito apurado, face ao não atendimento à consulta anteriormente formalizada; e, b) resposta e posicionamento da Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME aos termos do ofício Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 protocolizado em 02/07/2003 em 05 (cinco) dias úteis, a contar do recebimento deste, sob pena da PRODEMGE se ver obrigada a tomar as medidas acauteladoras e judiciais cabíveis na proteção de seus interesses. Os autos foram novamente enviados à Procuradoria Federal do FNDE, que em função da edição da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, se manifestou pela transferência do processo para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o enviou a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devido à existência de recurso sem apreciação. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.023742/9952 Acórdão n.º 2302003.468 S2C3T2 Fl. 222 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Compulsando os autos é de se ver que, embora o processo tenha sido enviado a este Colegiado para a apreciação do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, os documentos acostados demonstram e o próprio contribuinte repete nas razões recursais, que expressamente desistiu de discutir este processo administrativo, assim como desistiu das ações judiciais interpostas, visando a inclusão dos débitos no REFIS. Às fls. 112, temos a formalização do pedido de desistência do andamento deste processo, protocolado na Agência da Previdência Social de Belo Horizonte/MG, que é juntado novamente às fls. 163 e às fls. 166, consta declaração do INSS, em 01/07/2003, atestando que houve a desistência dos processos administrativo e judiciais. Desta forma, se vê que houve desistência do recurso interposto, conforme requerimento protocolado, e neste caso, é de ser observado o que dispõe art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que em seu parágrafo 3º, estabelece hipóteses em que se configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto: § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Assim, frente à desistência do recurso voluntário interposto, não há o que ser apreciado por este Colegiado em atenção ao disposto pelo artigo 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria 256/2009: Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A questão superveniente à desistência do recurso, quanto à inclusão ou não do débito relativo a este processo administrativo no parcelamento, mais especificamente no REFIS, ou que o INSS não formalizou o referido parcelamento, não são da competência deste Colegiado, que se limita a apreciação do recurso, inexistente no presente caso, frente à expressa desistência, pelo contribuinte. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Caso o débito relativo às contribuições devidas para o Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação não tenha sido incluído em parcelamento, cabe ao órgão competente da Receita Federal do Brasil prosseguir com os procedimentos de cobrança, já que está exaurida a via administrativa, frente à desistência do recurso. Pelo exposto, Voto por não conhecer do recurso voluntário, frente à desistência do contribuinte em recorrer. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10920.000112/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
REPRESENTANTE COMERCIAL. CONTRIBUINTE INDIVUDUAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Por estar inserido na categoria de contribuinte individual, o representante comercial, sofrerá sobre a sua renda que auferir a incidência da contribuição previdenciária.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE.
1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado.
2. Em caso de operação legal, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de75%.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32-A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-003.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial aos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD's n.º 37.284.374-3 e 37.281.376-0, para excluir a multa qualificada e agravada, frente a não comprovação da conduta dolosa. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi acompanhou pelas conclusões. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, DEBCAD n.º 32.284.373-5, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 REPRESENTANTE COMERCIAL. CONTRIBUINTE INDIVUDUAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por estar inserido na categoria de contribuinte individual, o representante comercial, sofrerá sobre a sua renda que auferir a incidência da contribuição previdenciária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Em caso de operação legal, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de75%. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.3430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 12 /2 01 1- 01 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial aos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD's n.º 37.284.3743 e 37.281.3760, para excluir a multa qualificada e agravada, frente a não comprovação da conduta dolosa. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi acompanhou pelas conclusões. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 68, DEBCAD n.º 32.284.3735, para que a multa seja calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.284.3743, consolidado em 25/02/2011, em face de DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS SARDAGNA LTDA., no valor de R$ 2.838.197,84 (dois milhões, oitocentos e trinta e oito mil, cento e noventa e sete reais e oitenta e quatro centavos), referente às contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, no caso representantes comerciais, e SAT/RAT incidente sobre as remunerações aos segurados empregado, no período de 01/01/2006 a 31/12/2009. Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.284.3751, em face de DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS SARDAGNA LTDA., consolidado em 25/02/2011, no valor de R$ 1.575.868,12 (Um milhão, quinhentos e setenta e cinco mil, oitocentos e sessenta e oito reais e doze centavos), referente às contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 4 3 Tratase, ainda, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.284.3760, em face de DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS SARDAGNA LTDA., consolidado em 25/02/2011, no valor de R$ 172.141,41 (Cento e setenta e dois mil, cento e quarenta e um reais e quarenta e um centavos), referente à contribuição de responsabilidade da empresa devida aos terceiros conveniados da Previdência Social (FNDE, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE). E mais, tratase do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD N° 37.284.3735, no valor de R$ 30.471,40 (trinta mil quatrocentos e setenta e um reais e quarenta centavos) referente à multa decorrente da omissão de declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informação ã Previdência) das contribuições ora lançadas, fundamento legal AI 68. Ressaltese que o Auto de Infração DEBCAD nº 37.284.3751 foi desentranhado do presente processo e abrigado no processo nº 10920.001636/201110, tendo em vista que o mesmo foi impugnado intempestivamente. Entendeu a Autoridade responsável pelo lançamento, com base nos elementos fáticos colhidos, se tratar de Grupo Econômico de Fato entre a empresa Agroterra Comércio e Transportes Ltda. e a ora recorrente, uma vez que a primeira foi criada como apêndice da última, que elas possuem suas “sedes” no mesmo endereço, que possuem o mesmo controle familiar e, ainda, que fora constatado que a “Agroterra” não tinha atividade e receitas próprias. Sendo assim, o fisco responsabilizouas solidariamente pelos débitos previdenciários ora apurados. Ademais, o fisco caracterizou os representantes comerciais que atuaram para a empresa como contribuintes individuais, tendo em vista que nos contratos de representação comercial, entregues pela Autuada, restou evidenciado que os vínculos de trabalho deramse com pessoas físicas representantes comerciais e não com empresas de representação. Segundo relatório fiscal, não foi identificado na GFIP declaração de nenhum contribuinte individual durante o período fiscalizado, ou seja, a empresa nada recolheu, nem declarou à previdência social acerca dos pagamentos aos referidos trabalhadores. No que concerne às multas, aponta a Autoridade Fiscal que foi feita comparação mensal entre a soma da multa de mora, prevista no art. 35, inciso II da Lei 8.212/91, e a da multa de oficio, prevista no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91 (somada à multa do art. 32ª, inciso I da mesma lei, quando aplicável), e que para as competências em que a multa de oficio (75%) foi a mais benéfica, não houve aplicação concomitante de autuação por descumprimento de obrigação acessória (AIOA68). Esclarece, ainda, que dada por deixar de atender a intimação fiscal e pela prática de fraude e sonegação fiscal foram aplicadas a multa agravada (aumentada em 50%) e a multa duplicada ou qualificada (150%), respectivamente. Apresentada impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 5 4 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os pagamentos legalmente considerados como salário de contribuição, para fins previdenciários, compõem a base de cálculo da contribuição à Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS AUTÔNOMO/CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PAGAMENTO A REPRESENTANTE COMERCIAL PESSOA FÍSICA. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas, pela empresa, a qualquer título, durante o mês, aos autônomos/contribuintes individuais. Lei nº 8.212/91, art. 22, incisos I e II, art. 30, inciso I, alínea “b”. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte às condições que propiciaram a majoração da multa de ofício, pela caracterização do dolo, mantém se a multa qualificada no percentual de 150%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com informações incorretas ou omissas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: a) Preliminarmente, há que ser considerado que o julgamento parcialmente procedente aos embargos à execução, que tratava do DEBCAD 37.284.3751, no que tange aos pagamentos “extra folha” vem corroborar os argumentos expostos no presente recurso; b) É descabida a pretensão de enquadrar como relação de trabalho a relação existente entre a empresa e os representantes comerciais. Da análise das cláusulas dos contratos de representação comercial constatase que este é de natureza unicamente mercantil. Ademais, as pessoas físicas estão Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 6 5 devidamente inscritas no conselho de representantes comerciais. Sendo assim, deve o lançamento correspondente aos representantes comercias ser cancelado; c) Os lançamentos, efetuados sob a presunção de pagamento “extra folha” para os empregados, devem ser afastados e excluídos da presente autuação. Estes encontramse em consonância com os ditames legais, mais especificamente com os arts. 28 e 30 da Lei 8.212/91. O pagamento, considerado pelo Auditor Fiscal como sendo “extra folha”, de motoristas e ajudantes, nada mais é do que aumento salarial ocorrido no ano de 2010, como reconhecimento pelo aumento do faturamento da empresa em 2009. Contudo, os documentos que comprovam tal alegação não foram trazidos ao processo posto que estes foram consumidos pelo fogo no sinistro relatado nos autos, e sendo assim, há que prevalecer a presunção de boa fé e legalidade (in dúbio pro contribuinte); d) Não merece prosperar a manutenção da multa qualificada aplicada contra a recorrente, uma vez que a recorrente teve grandes dificuldades em apresentar a integralidade das informações solicitadas, em razão do caso fortuito ocorrido, mas em nenhum momento atuou de forma a fraudar à lei ou sonegar os tributos devidos; e) Deve ser afastada a multa agravada, com base no art. 44, § 2° da Lei 9.430/96, pois, a recorrente não deixou de apresentar a documentação solicitada, mas tão somente incorreu em atraso em entregála. Isto em virtude da dificuldade de contatar os diversos representantes comerciais que possuíam contratos à época do período fiscalizado, para solicitarlhes cópias dos contratos, já que as vias pertencentes à recorrente haviam sido destruídas no incêndio. Ademais, o posicionamento de afastar a multa agravada também foi adotado pela decisão judicial prolatada nos autos dos embargos à execução fiscal n° 501617288.2012.404.7201. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da existência de grupo econômico Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 7 6 O conceito de grupo econômico pode ser extraído do senso comum, o qual foi incorporado ao direito positivo através da CLT, cujo art. 1º, §2º dispõe que “sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiver sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e cada uma das subordinadas”. Tal norma não tem sua aplicação restrita às relações trabalhistas, pois além de ser norma conceitual, que define instituto, possui hierarquia de lei ordinária, suficiente para dispor sobre os conceitos societários. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”. Por ser norma de natureza tributária, deve ser necessariamente interpretada conforme as disposições do Código Tributário Nacional acerca da solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...). Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Conforme se depreende dos dispositivos acima, a solidariedade somente pode ser imposta àquele que tiver relação com o fato gerador do tributo. Assim também será nos casos em que a responsabilização por solidariedade decorrer da existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas, hipótese em que não será suficiente a relação de uniformidade de direção, sendo necessária também a relação da corresponsável com o fato gerador do tributo. Por esta razão é que a responsabilidade de uma empresa pelos débitos previdenciários das demais empresas do grupo econômico depende da existência de seu interesse no fato gerador daquelas contribuições previdenciárias. Sendo a contribuição incidente sobre a folha de salários, deverá se verificar se existe funcionários prestando serviços em comum para as empresas envolvidas; se a contribuição previdenciária incidir sobre a comercialização da produção rural, terá a fiscalização que comprovar que as corresponsáveis também participaram da operação comercial que deu ensejo à tributação. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 8 7 Ora, devidamente fundamentada a consideração de que existe grupo econômico, não cabe qualquer alegação de que foi indevida a colocação das empresas como solidárias, posto que enquadradas nos dispositivos legais acima citados. Dos Pagamentos aos Representantes Comercias A principal alegação da Recorrente com o intuito de rebater o lançamento em relação aos pagamentos realizados aos representantes comerciais é que entre a empresa e as pessoas físicas dos representantes comerciais havia relações contratuais, inexistindo, pois, quaisquer vínculos trabalhistas. Ocorre que, em verdade, vêse da análise dos autos que o lançamento foi realizado pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias incidente sobre os pagamentos realizados aos representantes comercias, estes enquadrados na categoria de contribuintes individuais. É cediço que o representante comercial por prestar serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma empresa ou mais de uma, sem relação de emprego é considerado contribuinte individual para a Previdência Social, entendimento pacífico na jurisprudência e evidenciado pelo julgado abaixo: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REPRESENTANTE COMERCIAL. Enquanto contribuinte individual, o representante comercial, mesmo que empresário ou titular de firma individual, sofre sobre a sua renda a incidência da contribuição previdenciária. (TRT5 RECORD: 272008120085050019 BA 002720081.2008.5.05.0019, Relator: EDILTON MEIRELES, 3ª. TURMA, Data de Publicação: DJ 22/04/2009) Sabese, também, que a partir de abril/2003, toda empresa que celebra contrato com representante comercial através de contratos mercantis, como a Recorrente, é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária dele como contribuinte individual, mediante desconto na remuneração a ele paga ou creditada corresponde a 11% (onze por cento) do total da remuneração. Entretanto, a ora Recorrente além de não comprovar o pagamento da contribuição a seu cargo, não efetuou as retenções da contribuição previdenciária dos representantes comerciais a seu serviço, contribuintes individuais conforme dispõe o artigo 4º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003. Assim sendo, embora não haja uma relação de emprego, como defendido pela Recorrente, persiste para esta a obrigação do recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações devidas/creditadas aos representantes comerciais pessoas físicas contratados, posto que, como enquadrados na categoria de contribuintes individuais, são segurados obrigatórios do RGPS, logo correto o lançamento. Insta ainda esclarecer que a Solução de Consulta nº 38/2009, levantada pela Recorrente nas laudas de seu recurso, não se aplica ao caso concreto, haja vista que a solução Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 9 8 se refere aos representantes comerciais que exercem as suas atividades por conta própria, assumindo o risco do negócio, o que não se pode verificar nos documentos acostados aos autos. Da existência de comissão extra folha para motoristas e ajudantes Quanto à questão ora tratada, a Recorrente reafirma a principal alegação levantada na impugnação por ela apresentada, de que o a existência de pagamento de salário ou comissão “extra folha” para motoristas e ajudantes da empresa não passou de mera presunção do Fisco, defendendo o acréscimo salarial verificado pelo Fisco se deu em virtude do incremento no faturamento de 2008 para 2009, o que não se desincumbiu de provar. Ocorre que, o autuante motiva o relatório fiscal citando em seu relatório fiscal os acórdãos das reclamatórias trabalhistas movidas em face da Recorrente onde se atestam a ocorrência da existência de salário extra folha para motoristas e ajudantes da empresa, a exemplo do julgado colacionado no acórdão de impugnação e reproduzido abaixo: Processo n° RT 6427/2008 — 3a Vara do Trabalho de Joinville SC Processo no RO 6427/2008 — la Câmara Autor: Adillcio Luiz Salvador Réu: Agroterra Comércio e Transportes Ltda. e outros Período do vinculo com AGROTERRA, conforme GFIP: 05/2006 a 07/2008 "(...) ACÓRDÃO (...) Mérito 1 — INTEGRAÇÃO DO SALÁRIO EXTRAFOLHA Na causa de pedir aduziu o reclamante, motorista carreteiro, que laborava como motorista de caminhão de dois eixos, cujo contrato de trabalho perdurou no interregno de 22/05/2006 até 07/04/2008, quando foi dispensado sem justa causa elas reclamadas. Aduziu que sua última e maior remuneração foi na base de R$ 651,00 mensais em folha, percebendo, ainda, comissões extrafolha, correspondente a 0,7% do valor das cargas transportadas, que lhe rendia uma remuneração total média de R$ 1.000,00. (...) Acolho em parte o pedido do autor para determinar a integração do salário extrafolha que fixo em R$ 350,00, para fins de gerar reflexos no FGTS (..). (...) Ao contrário do entendimento expresso no primeiro grau, da leitura dosdepoimentos exsurge que a par de haverem "duas folhas", uma escrita a lapis na qual estava lançado o valor correto, e também uma folha normal, que também assinavam (...) o declarante declarou expressamente que recebia apenas cópia do recibo normal. Por sua vez a testemunha de nome Adúlcio Luiz Salvador, ouvida a convite do autor, declarou que "recebiam um salário fictício que servia apenas para desconto do INSS e do valetransporte, havendo um outro recibo no qual estava corretamente marcado o valor pago" e que "não era o valor constante dos recibos juntados aos autos pelas reclamadas o valor que o depoente efetivamente recebia". Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 10 9 Processo n° RT 6427/2008 — 3ª Vara do Trabalho de Joinville SC Processo no RO 6427/2008 — 1ª Câmara Autor: Adúlcio Luiz Salvador Réu: Agroterra Comércio e Transportes Ltda. e outros Período do vinculo com AGROTERRA, conforme GFIP: 05/2006 a 07/2008 "(...) MÉRITO 1. Comissão extrafolha Pretende o autor reverter decisão de primeiro grau que não acolheu sua tese de perceber comissões, como motorista, no percentual de 0,7% do valor das cargas transportadas, que teriam sido pagas sem transito em seus contracheques. (...) Assim, considerando os indícios favoráveis ao autor, cuja prova nestes casos é eminentemente testemunhal, reformo a decisão de primeiro grau, reconhecendo o pagamento de comissão extrafolha, cujo valor arbitro em R$ 150,00 mensais. (...).” Assim, não há que falar em presunção, pois, para o caso em tela, a comprovação da existência de pagamento de comissão extra folha foi obtida através de vários elementos de prova, sobretudo, com as diversas ações trabalhistas movidas por exempregados da Recorrente. Por oportuno, cabe ressaltar que embora a Recorrente tenha alegado e até mesmo comprovado a ocorrência de sinistro que destruiu todos os seus arquivos, não poderia olvidar de tentar comprovar as suas alegações ainda que através de provas indiretas ou de quaisquer outro meio de prova que atestem os fatos/situações por ela alegados para combater as alegações e provas apontadas pelo Fisco. Da Multa em Relação aos Debcads 37.284.3743 e 37.284.3760 Entendeu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC que a autoridade fiscal, ao contrário do que alega a Autuada, agiu com acerto ao aplicar multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre as contribuições lançadas, posto que, com base no artigo 44, inciso I, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/1996, devese aplicar a referida multa quando se configurar uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 e, segundo o teor do acórdão de impugnação, restou evidenciado nos autos a ocorrência da Fraude prevista no artigo 72, bem como, da Sonegação prevista no artigo 71, desta lei. No que concerne ao agravamento da multa em 50% (cinqüenta por cento), fora imposta pelo agente fiscal em face do não atendimento pela Recorrente, no prazo marcado, das intimações fiscais por entender que a ocorrência do sinistro alegado pela Recorrente, por si só, não afastaria a obrigação da Recorrente de atender às intimações fiscais no prazo definido pelo Fiscal, posto que, existiam outros meios de provas capazes de atender ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, que não só as provas diretas. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 11 10 Em sua defesa, alegou a Recorrente que deve ser afastada a multa qualificada, bem como a agravada, ambas com base no art. 44 da Lei 9.430/96, pois, a Recorrente não deixou de apresentar a documentação solicitada, mas tão somente incorreu em atraso em entregála. Isto em virtude da dificuldade de contatar os diversos representantes comerciais que possuíam contratos à época do período fiscalizado, para solicitarlhes cópias dos contratos, já que as vias pertencentes à Recorrente haviam sido destruídas no incêndio (sinistro) ocorrido na sede da empresa. De fato, pelos documentos acostados aos autos aliados às razões e provas apresentadas em sessão pelos patronos da Recorrente, constatouse não só a ocorrência do sinistro como a extensão de seus danos que, dentre outras situações, realmente impossibilitou o cumprimento pela empresa do prazo dado pela autoridade fiscal para apresentação de documentos para esclarecimentos. Ademais, é cediço que para caracterização da fraude/sonegação é necessário que a ação entendida como “fraudulenta” tenha se operado conscientemente, visando dolosamente beneficiarse de maneira irregular. Assim sendo, não tendo o agente fiscal se certificado de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, não se mostra plausível a aplicação da multa qualificada posto que a penalidade estabelecida na lei é por demais severa, devendo ser evitada, ao máximo, a imputação da penalidade. Não se pode perder de vista, também, que a interpretação aqui defendida também se coaduna à regra de hermenêutica plantada no art. 112 do CTN, do qual floresce o princípio da interpretação mais benéfica ao infrator da lei que definir infrações ou cominar penalidades em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Tal interpretação, indubitavelmente, se revela como a mais benéfica ao acusado, uma vez que exclui do tipo infracional mais severo as ações nas quais o agente não teve o dolo de fraudar a Lei de Custeio da Seguridade Social. Avulta de todo o exposto, a aplicação de penalidade mais severa, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado, de maneira inequívoca, o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude, nos termos acima comentados , situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior envergadura, com o propósito não somente de punir o infrator pela conduta perpetrada, extrapolando o Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 12 11 evento do mero inadimplemento, como, também, de reprimir e desestimular comportamentos futuros de idêntico jaez. Assim, ante a efetiva ocorrência de sinistro que dificultou a defesa pela Recorrente e impossibilitou o cumprimento do prazo posto pela autoridade fiscal, devem ser afastadas tanto a qualificação quanto o agravamento da multa imposta à Autuada. Da Multa Aplicada por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.284.3735. Omissão em GFIP. No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 13 12 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Este entendimento, contudo, não pode prevalecer. Em primeiro lugar, a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10920.000112/201101 Acórdão n.º 2301003.014 S2C3T1 Fl. 14 13 Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário, para no mérito em relação aos DEBCADS 37.284.3743 e 37.284.3760, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO afastando a qualificação e agravamento da multa aplicada; e, em relação ao DEBCAD n° 37.284.3735, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja aplicada a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/05/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 18088.000226/2010-33
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.
Conforme se pode verificar do despacho de fls. 236, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo. Não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-003.841
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Conforme se pode verificar do despacho de fls. 236, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo. Não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. 1. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. 2. Conforme se pode verificar do despacho de fls. 236, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo. Não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 02 26 /2 01 0- 33 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000226/201033 Acórdão n.º 2803003.841 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000226/201033 Acórdão n.º 2803003.841 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre os valores das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a serviço do contribuinte, nas competências de 01/2005 a 08/2007 e 12/2007, incluindo o décimo terceiro salário. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 06 de julho de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A empresa é obrigada a recolher as contribuições devidas para terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço, no prazo estabelecido na legislação previdenciária. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso INTEMPESTIVO, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, reitera em todos os seus termos a impugnação Total apresentada ao Auto de Infração, relativamente ao DEBCAD nº 37.272.7379 e documentos apresentados com a mesma. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000226/201033 Acórdão n.º 2803003.841 S2TE03 Fl. 5 4 No mais, antes de falar em pagamento parcelamento pela manutenção da imposição de penalidade, requer a peticionária, a Revisão do Ato Cancelatório de isenção das Contribuições Previdenciárias, a partir de 01/01/2001, porquanto a entidade, após essa data foi regularizada como entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, conforme documentos em anexo, estado até a presente data cadastrada junto ao CNAS, não havendo que se falar em Apropriação Indébita e Sonegação de Contribuição Previdenciária, ante a isenção que é concedida a todas as entidades Beneficentes de Assistência Social, como é o caso da peticionária. O embasamento legal do pedido se dá em virtude de que desde o ano de 2001 até a presente data, a entidade gozou e goza dos benefícios de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, não havendo razão para recolhimento da penalidade imposta. Pelo exposto, requer a Vossa Excelência, a Revisão do Ato Cancelatório da Isenção das Contribuições Previdenciárias, a partir de 01/01/2001, porquanto a entidade, após essa data foi regularizada como Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, conforme documentos anexos, estado até a presente data cadastrada junto ao CNAS, não havendo que se falar em Apropriação Indébita e Sonegação de Contribuição Previdenciária, ante a isenção que é concedida a todas as entidades Beneficentes de Assistência Social, anulando destarte o auto de imposição de penalidade, bem como os valores nele estampados, por ser media de direito e de JUSTIÇA. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000226/201033 Acórdão n.º 2803003.841 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Conforme se pode verificar do despacho de fls. 236, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo, verbis: 1 – Dado ciência ao contribuinte do Acórdão nº 14.30.042, em 20/08/2010, a empresa apresentou Recurso Voluntário Intempestivo, protocolado em 28/10/2010, na DRFB – Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, juntado às folhas 090 a 114, referente ao AI DEBCAD nº 37.272.7379. Vêse, portanto, que o contribuinte não foi diligente quanto ao prazo para interposição do Recurso Voluntário, situação que atrai o instituto da perempção. Desse modo, não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, conforme acima explicitado, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso aviado pelo contribuinte, tendo em vista a intempestividade. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001364/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS À PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. DEDUTIBILIDADE. MEIOS DE PROVA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Para que sejam consideradas dedutíveis as despesas escrituradas em livro Caixa devem ser comprovadas com documentação idônea que identifique o beneficiário, o valor, a data da operação e que contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços prestados.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Em relação aos fatos geradores ocorridos até o ano-calendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 2201-002.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo ao valor de R$ 154.061,73 e excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS À PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. DEDUTIBILIDADE. MEIOS DE PROVA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Para que sejam consideradas dedutíveis as despesas escrituradas em livro Caixa devem ser comprovadas com documentação idônea que identifique o beneficiário, o valor, a data da operação e que contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços prestados. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Em relação aos fatos geradores ocorridos até o ano-calendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
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DESPESAS NECESSÁRIAS À PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. DEDUTIBILIDADE. MEIOS DE PROVA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, poderá deduzir todas as despesas previstas na legislação como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Para que sejam consideradas dedutíveis as despesas escrituradas em livro Caixa devem ser comprovadas com documentação idônea que identifique o beneficiário, o valor, a data da operação e que contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços prestados. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Em relação aos fatos geradores ocorridos até o anocalendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 64 /2 00 7- 10 Fl. 9690DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 valor de R$ 154.061,73 e excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 169/187Volume 1, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 265.456,03. A fiscalização apurou: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de trabalho com vínculo empregatício; Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, decorrente de trabalho sem vinculo empregatício; Multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF a título de CarnêLeão. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 330/334), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Preliminarmente, com fulcro nos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, pede se a apreciação e manifestação sobre as informações prestadas anteriormente que ensejaram a presente autuação, bem como os documentos acostados na oportunidade, cujos termos insertos são invocados e reiterados na presente peça, independente de transcrição juntada. Faz breve resumo dos fatos. Da Ocupação Profissional do Impugnante Fl. 9691DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 3 3 É pessoa física e, na condição de profissional autônomo, atua na área de Administração de Imóveis de Terceiros. No exercício dessa ocupação profissional, no ano de 2002, ocorreu grande movimentação financeira nas contas correntes de sua titularidade, advindas de depósitos, referentes a pagamentos de aluguéis, condôminos, IPTU, ou seja, movimentos alusivos a contratos locatícios, o que não se confunde com remuneração sobre a qual deveria incidir o IR. Da forma de remuneração do impugnante Salienta que embora a movimentação financeira sobre a administração de contratos de locação e seus encargos passasse pela conta de sua titularidade, a ele cabia apenas a administração, ou seja, receber dos devedores, retirar a taxa de administração correspondente, ou seja, sua remuneração, e transferir para seus clientes a devida diferença. Da Documentação Comprobatória sobre as transferências havidas na conta Conforme documentos já acostados, restou demonstrada a comprovação das alegações, por meio de contratos de locação/administração firmados com seus clientes. O que pode ser corroborado ainda por meio de livrocaixa, o que pede, desde já, seu acolhimento, com conseqüente apreciação para desconstituição da infração em comento. Da comprovação da movimentação financeira e necessário acolhimento do LivroCaixa A ora impugnada autuou com base no demonstrativo da sua movimentação bancária, havia no período de janeiro a dezembro de 2002. Contudo, este instrumento, por si só, não pode ser utilizado como base para apuração do IR, segundo pacífica jurisprudência do Tribunal Regional Federal, pois não há como prosperar a autuação fiscal levada a efeito somente com base em informações colhidas em extratos bancários, eis que não revelam necessariamente a renda auferida por pessoa física ou jurídica (TRF1, AC 1997.01.00.0433596/BA). Por esta razão, e por questão de justiça, há de ser analisado e acolhido o seu LivroCaixa, sobre o período em discussão, o qual junta, pois das informações insertas, dessaise a realidade da movimentação financeira nas contas de sua titularidade, pois, como dito, é corretor de imóveis. Recebe diversos depósitos nas suas contas, cabendolhe apenas, a título de remuneração, a quota parte destinada à administração desses imóveis, sobre a qual, quando for o caso, é que deveria incidir os consectários legais, tais como o IR. A apreciação do LivroCaixa tende a apontar para a correta fonte de recursos, evitando a cobrança em excesso, o que há de ser apurada, com conseqüente retificação do lançamento. Destaca ainda que o LivroCaixa, por se tratar de documento Fl. 9692DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 hábil e idôneo, que comprova contabilmente a origem dos recursos do impugnante, é prova inequívoca que descaracteriza a presunção legal de liquidez e certeza da cobrança em comento, que é uma presunção relativa. Se há que se falar em multa, deve incidir apenas sobre a diferença de imposto apurado, sobre o real rendimento do impugnante, e não sobre a movimentação financeira havida em contas de sua titularidade, pois a própria origem de toda a movimentação restou demonstrada nas informações anteriormente prestadas, que culminaram na presente notificação, principalmente nesta fase, onde junta o LivroCaixa. Temse que, uma vez apresentado o LivroCaixa, mesmo após os trabalhos fiscalizatórios, a existência deste carreou para si elementos necessários para desconstituir, em parte, a presunção juris tantum de verdade em que se fundamentou a fiscalização para erigir o lançamento de ofício, pois ali se encontra toda a sua movimentação diária e mensal. Os documentos já anexados nos autos, como contratos, procurações, demonstrativos dos recolhimentos do carnêleão e, agora, o LivroCaixa, demonstram efetivamente a fonte sobre a qual deverá ser feito o lançamento do imposto, desconstituindo assim eventuais omissões de rendimentos de trabalho, razão pela qual há de ser reconsiderada a própria multa isolada arbitrada pela impugnada. Requer o acolhimento da defesa e dos documentos; a apreciação dos documentos apresentados anteriormente e respectivas informações; a desconstituição e revisão do auto de infração, com conseqüente acolhimento do LivroCaixa e eventual lançamento suplementar com base nas informações insertas neste documento, requerendo assim nova apuração. A 3ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E PESSOA FÍSICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. MULTA ISOLADA (CARNÊLEÃO). CABIMENTO. A multa de lançamento de ofício é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do Imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. Impugnação Improcedente Fl. 9693DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 4 5 Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 08/10/2009 (fl. 1120), Rodolfo Rodrigues de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 06/11/2009 (fl. 1121), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, sobretudo: a) o acolhimento do presente recurso e documentos no efeito suspensivo e devolutivo; b) a apreciação dos documentos apresentados anteriormente e respectivas informações, requer ainda sejam consideradas partes integrantes da presente impugnação em todos os seus termos; c) a desconstituição e revisão do auto de infração em epígrafe com conseqüentemente acolhimento do livro caixa e eventual lançamento suplementar com base nas informações insertas neste documento, requerendo assim, nova apuração. d) A anulação do auto de infração que originou esse processo, dada inexistência de autorização judicial pela quebra do sigilo fiscal/bancário do Recorrente. O processo em apreço foi julgado em 19 de janeiro de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 220100.053, decidiram converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verifique: i a autenticidade dos documentos juntados; ii as despesas incorridas a título de livro caixa, com base nas informações constantes dos autos; iii demais providências que a autoridade fiscal entender pertinente para esclarecer os fatos em litígio. Concluída a diligência, deve ser lavrado relatório circunstanciado, dele dandose ciência ao contribuinte para, se for o caso, manifestarse no prazo de 05 (cinco) dias. Concluída a diligência, a Divisão de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília/DF elaborou relatório de fls. 9668/9686. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos o lançamento é decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas Fl. 9694DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 e de multa isolada por falta de recolhimento do IRPF a título de CarnêLeão, relativamente ao anocalendário de 2002. Em sua peça recursal alega o suplicante que é corretor de imóvel e sua movimentação bancária é procedente dessa atividade, portanto deve a fiscalização considerar as despesas incorridas lançadas no livro caixa, conforme faz prova os inúmeros documentos juntados aos autos. Assevera, ainda, que retirava a taxa de administração correspondente e transferia a diferença para seus clientes. Por fim, afirma que não houve autorização judicial para a quebra de sigilo bancário/fiscal. No que tange à alegação de quebra ilegal de sigilo bancário/fiscal, cumpre esclarecer que os extratos bancários foram encaminhados à fiscalização pelo próprio recorrente, após regular intimação da autoridade fiscal. Com efeito, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, autoriza o fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Ante a esses argumentos, não há como prosperar a suscitada preliminar. No mérito, alegou o suplicante que para obter o rendimento apurado pela autoridade fiscal incorreu em diversos custos, conforme vasta documentação carreada aos autos. Da análise dos autos, decidiu o Colegiado por converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se manifestasse em relação aos documentos juntados pelo recorrente. Concluída a diligência, a autoridade fiscal elaborou Relatório de Diligência, fls. 9668/9686, verbis: 2.A AUTENTICIDADE DOS DOCUMENTOS JUNTADOS (...) Relativamente à idoneidade dos documentos comprobatórios das despesas lançadas em livro caixa, isto é, se realmente se tratam de despesas incorridas devidamente comprovadas, ou se existiria documento comprobatório "forjado" ou "esquentado", conforme análise realizada pela fiscalização da RFB, aparentemente seriam documentos idôneos. A fiscalização não encontrou elementos que levassem à suspeição de fraude ou de não idoneidade, nem motivos para duvidar da boafé do contribuinte quanto à elaboração do livro caixa e escrituração das despesas nele mencionadas a partir da documentação comprobatória das mesmas. 2.B DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA 2.B.1 Despesas Deduzidas Indevidamente Diversas despesas lançadas no livro caixa estão lá dispostas indevidamente, possuem comprovantes irregulares ou não são autorizadas pela legislação. Assim, estão sendo propostas glosas no livro caixa apresentado, em especial relativamente a despesas não passíveis de dedução, conforme legislação vigente, despesas sem correlação com a atividade exercida e também despesas cujos comprovantes não são hábeis para sua comprovação. Fl. 9695DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 5 7 I Despesas Profissionais/Residenciais (...) Portanto, levando em conta, a fiscalização da RFB, de que o imóvel em questão era, no anocalendário 2002, utilizado tanto para a atividade profissional do contribuinte como também para sua residência, conforme dispõe a legislação, em especial o Parecer Normativo CST n° 60/1978, admitese apenas dedução de quinta parte de despesas com aluguel, energia, água, gás, taxas, impostos, telefone, telefone celular, condomínio. Assim, sugere a fiscalização da RFB que todas as despesas telefônicas em nome do contribuinte, despesas de condomínio, luz e água, escrituradas no livro caixa anocalendário 2002 (fls. 890 a 947) e devidamente comprovadas, sejam admitidas, porém, apenas em sua minta parte, devendo ser indeferida a dedução integral dos valores. Despesas com Telefone, Água, Energia e Condomínio Glosa de 4/5 do Valor (...) Quanto às despesas telefônicas em nome de terceiros, lançadas no livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), aparentemente sem qualquer relação com o contribuinte, sugere a fiscalização a não aceitação das mesmas. Essas pessoas não aparecem nas listas de pagamento de funcionários apresentadas pelo contribuinte (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606), isto é, não se tratam de empregados do contribuinte. Supondo que se tratem de familiares do contribuinte, não se admite, simplesmente por tal fato, a dedução de despesas. Conforme legislação relativa ao assunto, não é admissível dedução de despesas realizadas com terceiros, por exemplo, pagamento de suas contas telefônicas; não são admitidas despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente; conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, inciso III, podem ser deduzidas as despesas decorrentes do exercício da respectiva atividade, entre as quais despesas de custeio, ou seja, aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Salientese ainda que, aliado ao fato da titularidade de terceiros, a "classe" de grande parte de tais contas telefônicas é "Residencial", conforme constante do próprio corpo das faturas respectivas (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa ano calendário 2002 às fls. 948 a 1.606), o que descaracteriza por completo trataremse de linha utilizadas para a atividade profissional do contribuinte. Despesas Telefônicas de Terceiros Glosa Integral (...) II Despesas com Contadores, Advogados e Assessoria Jurídica Fl. 9696DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Quanto às despesas constantes do livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947) com contadores, advogados e assessoria jurídica, entende a fiscalização da RFB, não devem ser consideradas como dedutíveis. As despesas lançadas em livro caixa com advogados/assessoria jurídica trazem apenas simples recibos como forma de comprovação, sem numeração, digitados em processador de texto (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606). Não foi apresentada nenhuma nota fiscal de serviço ou documento fiscal equivalente. Relativamente a algumas dessas despesas há comprovantes de pagamentos, porém, quando apresentados, observase tratarse de comprovantes de depósito bancário de cheques (em sua maior parte), mas sempre em conta bancária de terceiros, isto é, pessoa diversa do advogado/assessor jurídico em questão. Ainda, quanto a algumas dessas despesas, com advogados/assessoria jurídica, consta apenas o simples recibo mencionado, não tendo sido apresentado qualquer comprovante de pagamento (cheque nominal, comprovante bancário, etc). Quanto às despesas lançadas em livro caixa relativas honorários de contadores, foram apresentados, na tentativa de comprovação, boletos bancários, sem, entretanto, qualquer indicativo de tratarse de pagamento a profissional contábil (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606). O boleto é emitido em nome de pessoa que não se sabe quem seja. Não consta do corpo do boleto a indicação do serviço prestado ou do produto adquirido. Não foi apresentada qualquer nota fiscal de serviço ou documento fiscal equivalente. Por fim, tanto relativamente aos serviços de advocacia/assessoria jurídica quanto aos serviços de contabilidade, lançados pelo contribuinte em seu livro caixa anocalendário 2002, não foram apresentados contratos de prestação de serviços. Sem tais contratos, não se pode precisar a natureza das despesas com advogados/assessoria jurídica, se seriam efetivamente relacionadas à atividade profissional do contribuinte, se seriam relacionadas a causas pessoais, se realmente existiu prestação de serviço nesse sentido; sem contrato de prestação de serviços de contabilidade não há como se afirmar que os boletos bancários apresentados sejam relativos a honorários de contabilidade, e se a pessoa indicada no boleto bancário tratase realmente de contador, e que este tenha prestado, de fato, os serviços de contabilidade, ou ainda, não se pode afirmar que efetivamente tenham sido prestados serviços de contabilidade. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, § 2°, o contribuinte deverá comprovar a veracidade das despesas mediante documentação idônea. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas Fl. 9697DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 6 9 Não tendo comprovado as despesas com advogados/assessoria jurídica e com contadores, sugere, a fiscalização da RFB, que tais despesas sejam desconsideradas do livro caixa ano calendário 2002, não podendo ser abatidas das receitas. Despesas com Advogados/Assessoria Jurídica/Contadores Glosa Integral (...) III Despesas Desconsideradas Devido à Falta de Comprovantes Hábeis para Tanto III.1 Despesas com "Correio Braziliense" As despesas escrituradas em livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), com Correio Braziliense não podem ser utilizadas para dedução das receitas, conforme entendimento da fiscalização da RFB. Essas despesas, normalmente com o histórico, no livro caixa, de "Pg Despesas Diversas S/A Correio Braziliense", trazem como comprovantes, apresentados pelo contribuinte, apenas canhotos de boletos bancários, sem qualquer indicação de que se trate de despesas com jornais ou serviços prestados pelo jornal ou ainda que se trate de despesas relativas ao contribuinte ou por ele pagas (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, ano calendário 2002, às fls. 948 a 1.606). Do canhoto de boleto bancário constam apenas alguns números em alguns campos, como número do documento, agência, vencimento e valor. Não há como se saber ao que se refere o pagamento, pois não há nenhuma identificação, nem do contribuinte, nem de quem vendeu o produto/prestou o serviço, nem do produto/serviço adquirido, sendo que sequer se sabe se se trata de operação de compra e venda. Inclusive, salientese, muitas vezes sequer consta, no canhoto do boleto bancário, a autenticação bancária de que tenha ocorrido o pagamento respectivo. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, inciso III, podem ser deduzidas as despesas decorrentes do exercício da respectiva atividade, entre as quais despesas de custeio, ou seja, aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas. Despesas com Correio Braziliense Glosa Integral (...) III.2 Boletos Bancários Utilizados como Comprovantes A maior parte das despesas da escrituradas no livro caixa, ano calendário 2002 (fls. 890 a 947), com as empresas Direct Line, Fl. 9698DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Eletec Divulgação, HSN Informática, Irca Consultoria, LC Relógios de Ponto, Multi Soft e Work Solution Informática, foi comprovada por meio de apresentação de boletos bancários (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606). Tais boletos trazem o nome da empresa, na condição de "cedente", e do contribuinte, como "sacado", porém, não identificam o serviço prestado/produto adquirido, isto é, a despesas realizada, de modo que não é possível saber se se trata de despesa dedutível relativamente à atividade profissional do contribuinte, não há como saber se se enquadram como despesas de custeio, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Quanto às despesas relacionadas abaixo não foram apresentadas notas fiscais de venda de produto ou serviço nem contratos esclarecendo que tipo de relação houve para que tivesse sido gerado, e pago, boleto bancário pelo contribuinte. Importante informar que, relativamente ao "histórico" das despesas mencionadas, constante do livro caixa, muitas vezes há referência à determinada "NP', isto é, nota fiscal, que representa, por excelência, o documento comprobatório para a fiscalização, sendo que, porém, não houve apresentação das mesmas. Salientese que muitos dos boletos, em especial relativos a pagamentos para a empresa LC elogios de Ponto, não trazem sequer identificação do contribuinte. Tratase apenas de um boleto bancário pago à citada empresa, porém, não se conhece o serviço prestado, o produto vendido, nem o adquirente dos mesmos, isto é, o boleto foi pago, porém, contém vários campos sem preenchimento, constando apenas o nome da empresa e autenticação bancária relativa ao pagamento realizado. Também há casos em que se percebe o preenchimento do boleto, porém, de forma ilegível, de modo que não se pode reconhecer as partes que eventualmente teriam transacionado. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, inciso III, podem ser deduzidas as despesas decorrentes do exercício da respectiva atividade, entre as quais despesas de custeio, ou seja, aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas. (...) III.3 Despesas Comprovadas com Simples Recibos Duas despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), com as empresas Direct Line e SG Confecções e Uniformes Profissionais, foram comprovadas com simples recibos (documentação comprobatória das despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002, às fls. 948 a 1.606). Não foi apresentada nenhuma nota fiscal de prestação de serviço ou venda de produto, inclusive, não foram apresentados quaisquer Fl. 9699DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 7 11 comprovantes de pagamento (cheque nominal, comprovante bancário, etc). Salientese, a despesa relativa à Direct Line, observase, no corpo do recibo, referese a pagamento da "Proposta n° 154/02", nada mais constando. O que significa o pagamento de 'proposta'? É proposta relativa a quê? Por que tal proposta não foi anexada? Como visto, não se pode aceitar o documento como sendo comprobatório da despesa, pois não se conhece a natureza da mesma, não se sabe se de fato serviria às despesas de custeio do contribuinte, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, § 2°, o contribuinte deverá comprovar a veracidade das despesas mediante documentação idônea. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas. Despesas Comprovadas com Simples Recibos Glosa Integral (...) IV Despesas Lançadas em Duplicidade/Despesas sem Comprovante Por fim, algumas despesas foram lançadas em duplicidade no livro caixa anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), devendo as mesmas ser desconsideradas, sendo que também há algumas despesas lançadas sem apresentação de comprovante por parte do contribuinte, que igualmente devem ser desconsideradas, não podendo ser abatida das receitas. Despesas sem qualquer correlação com a atividade profissional do contribuinte ou dela decorrente não são admitidas. Conforme Lei n° 8.134/1990, art. 6º, § 2º, o contribuinte deverá comprovar a veracidade das despesas mediante documentação idônea. Não são admitidos documentos fiscais sem identificação do adquirente; despesas, quando dedutíveis, devem ser comprovadas mediante documentação fiscal com perfeita indicação do adquirente e das despesas realizadas. (...) 2.B.2 Demais Despesas Lançadas em Livro Caixa, Ano Calendário 2002 Relativamente às demais despesas escrituradas em livro caixa, anocalendário 2002, DIRPF exercício 2003, verificada a documentação apresentada pelo contribuinte, entende a fiscalização que as mesmas se encontram devidamente comprovadas. 3 DESPESAS LANÇADAS EM LIVRO CAIXA, ANO CALENDÁRIO 2002 Fl. 9700DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Considerando as observações constantes do item 2 deste relatório, devese deduzir, do total de despesas lançadas em livro caixa, anocalendário 2002 (fls. 890 a 947), DIRPF Exercício 2003, anocalendário 2002 (fls. 427 a 434), as despesas ali indevidamente lançadas, de forma que o total de despesas do livro caixa, para o período em questão, ficaria alterado da seguinte forma: Mês Desp Escrituradas (A) Desp Indevidas (B) Total (AB) Jan R$ 23.930,61 R$ 7.911,32 R$ 16.019,29 Fev R$ 24.494,18 R$ 8.114,24 R$ 16.379,94 Mar R$ 26.995,62 R$ 7.805,10 R$ 19.190,52 Abr R$ 28.706,87 R$ 11.546,34 R$ 17.160,53 Mai R$ 23.897,85 R$ 9.522,31 R$ 14.375,54 Jun R$ 29.196,27 R$ 11.655,14 R$ 17.541,13 Jul R$ 26.582,40 R$ 8.340,59 R$ 18.241,81 Ago R$ 21.127,50 R$ 7.170,66 R$ 13.956,84 Set R$ 25.378,90 R$ 11.967,93 R$ 13.410,97 Out R$ 25.814,96 R$ 6.900,81 R$ 18.914,15 Nov R$ 17.398,48 R$ 2.641,58 R$ 14.756,90 Dez R$ 23.037,88 R$ 11.443,52 R$ 11.594,36 Total R$ 296.561,52 R$ 105.019,54 R$ 191.541,98 4 OMISSÃO DE RECEITAS ANOCALENDÁRIO 2002 Conforme o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal relativos à omissão de rendimentos apurada quanto ao contribuinte no anocalendário de 2002 (fls. 848 a 867), considerando os rendimentos do contribuinte ali apurados, e considerando também as despesas lançadas em livro caixa ano calendário 2002 item anterior deste relatório ("3 Despesas Lançadas em Livro Caixa, AnoCalendário 2002") , demonstra se os valores de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, relativamente aos quais deve ser apurado o imposto de renda pessoa física assim como a ausência de recolhimento de carnes leão respectivos: Mês Rendim. recebidos PF Despesas Livro Caixa Omissão Rendimentos PF Jan R$ 30.348,00 R$ 16.019,29 R$ 14.328,71 Fev R$ 29.146,88 R$ 16.379,94 R$ 12.766,94 Mar R$ 33.041,53 R$ 19.190,52 R$ 13.851,01 Abr R$ 31.743,16 R$ 17.160,53 R$ 14.582,63 Mai R$ 34.783,70 R$ 14.375,54 R$ 20.408,16 Jun R$ 34.158,06 R$ 17.541,13 R$ 16.616,93 Jul R$ 30.128,93 R$ 18.241,81 R$ 11.887,12 Ago R$ 27.770,99 R$ 13.956,84 R$ 13.814,15 Set R$ 31.612,97 R$ 13.410,97 R$ 18.202,00 Out R$ 29.847,36 R$ 18.914,15 R$ 10.933,21 Nov R$ 21.427,77 R$ 14.756,90 R$ 6.670,87 Dez R$ 11.594,36 _ Total R$ 334.009,35 R$ 191.541,98 R$ 154.061,73 Do exposto, verificase que a análise efetuada pela autoridade fiscal do livro caixa, fls. 890/944pdf, bem como dos documentos juntados, fls. 945/1606pdf, foi bastante criteriosa e, nesse sentido, só resta concordar com os argumentos despendidos pela autoridade fiscal acrescentando que: a) Todos os documentos não acatados pela fiscalização com o motivo “apresentação de simples recibo” e “apresentação de boleto bancário” referemse a produtos ou serviços fornecidos por pessoas jurídicas, as quais estão obrigadas à emissão de nota fiscal e/ou contrato de prestação de serviços. Além do mais, a descrição do boleto bancário não possibilita a identificação da natureza do pagamento efetuado e, portanto, não há como Fl. 9701DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 14041.001364/200710 Acórdão n.º 2201002.541 S2C2T1 Fl. 8 13 considerálo como despesa dedutível, uma vez que não há como saber se o gasto realizado se enquadra como despesas de custeio, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. b) Em alguns casos, verificase que os documentos juntados não comprovam de forma indubitável a veracidade das despesas escrituradas em livro Caixa, já que não descreve claramente o serviço prestado; não informa a identificação do emitente do recibo (em nome da pessoa jurídica); ou não informa/comprova, inequivocamente, a data e o pagamento. Nesses casos, como os documentos juntados não comprovam a natureza do pagamento, não é possível enquadrar como despesa de custeio. c) Constatamse, ainda, despesas sem qualquer correlação com atividade profissional do contribuinte e totalmente ilegíveis. Assim, como a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas representou o valor de R$ 334.009,35, e as despesas de livro caixa apurada pela autoridade fiscal corresponde a R$ 191.541,98, a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas representou o montante de R$ 154.061,73. No que toca à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, decorrente do mesmo fato (omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão), penso não ser possível cumular as referidas penalidades, pois até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, não havia previsão legal para a essa incidência cumulativa. Esse entendimento é pacifico neste Órgão, consoante a ementa da CSRF: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Assim, em relação ao anocalendário 2002, devese excluir da exigência a multa isolada do CarnêLeão. Ressaltese que o contribuinte se insurge contra todo o lançamento de ofício, que incluiu, por obvio, a multa de ofício isolada, portanto, o entendimento do Colegiado foi no sentido de enfrentar o item 03 do Auto de Infração, qual seja, falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 154.061,73, bem como excluir da exigência a multa isolada do CarnêLeão. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 9702DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Fl. 9703DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.001327/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/09/2000, 30/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001
CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08.
Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos.
CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS-Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3202-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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DECADÊNCIA PARA LANÇAR. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/09/2000, 30/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 CONTRIBUIÇÕES. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº nº. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 08. Os prazos para constituir crédito da Fazenda Nacional, pertinente às contribuições para a Seguridade Social, são os de cinco anos, previstos nos artigos 150, § 4o ou 173, I, do CTN, tendo em vista a edição da Súmula no 8 do STF, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei no 8.212/91, que fixava tal prazo em dez anos. CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por tal razão, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PISPasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 27 /2 00 6- 21 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Ausente, justificadamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de impugnação (fls. 78/104 e 324/34 9) da ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA., supra qualificada, apresentada em face dos Autos de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 68/69) e de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (11s. 74/75). Conforme consta no Termo de Verificação (fls. 62/64), a empresa ABB Alstom Power Brasil Ltda. (CNPJ 03. 215.403/000146), amparada em liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2000.61.03.002395 7 (3ª Vara da Justiça Federal em São José dos Campos/SP), procedeu aos cálculos e declarou a Cofins com base na LC n° 70/91 (Faturamento) e PIS com base na LC n° 7/70 (Faturamento), em vez de apurar referidas contribuições com base na Lei n° 9.718/98 (Receita Bruta). O processo judicial encontravase aguardando apreciação dos Embargos de Declaração opostos em face de decisão prolatada em Recurso Extraordinário julgado no Supremo Tribunal Federal. Entretanto, ainda que recolhidos e declarados com base no Faturamento, os recolhimentos das referidas contribuições sociais apresentaram divergências entre os valores contabilizados e os declarados e pagos nos meses de março/200, setembro/2000 e de dezembro/2000 a março/2001 (fls. 65 e 71). A ABB Alstom Power Brasil Ltda. foi incorporada pelo interessado em março de 2001. Ante o constatado, foram lavrados o Auto de Infração de Cofins (fls. 68/69) no valor de R$ 2.881.697,79, já incluídos os juros de mora calculados até 30.06.2006 e a multa de ofício de 75%, e o Auto de Infração de PIS (fls. 74/75), no valor de R$ 624.367,77, igualmente incluindo os juros e a multa. Tendo sido cientificado da exigência em 07.07.2006 (11s. 68 e 74), ocontribuinte apresentou em 08.08.2006 a Impugnação de fls. 78/104 (Cofins) e 324/349 (Cofins), alegando, em apertada síntese: • preliminarmente, que decaiu o direito de o Fisco efetuar o lançamento em função do decurso do prazo de cinco anos previsto no S 4% do art. 150, do CTN; • no mérito, que as diferenças apuradas pela fiscalização decorrem do fato de ter a fiscalizada procedido à apuração do PIS e da Cofins devidos no período de março/2000 a março/2001 com base nas notas fiscais emitidas no período, muito embora tenha feito a escrituração das receitas provenientes de seus contratos de Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.001327/200621 Acórdão n.º 3202001.274 S3C2T2 Fl. 1.110 3 empreitada, de longo prazo, nos termos da legislação do Imposto de Renda (art. 407 do RIR/99), ou seja, com o reconhecimento mensal de parcela do preço total do contrato como receita, independentemente de ter sido faturada; • tal procedimento, contudo, não acarretou prejuízos ao Fisco, uma vez que na totalidade do período autuado (março/2000 a março/2001) o PIS e a Cofins apurados ficaram em valor maior que o escriturado; • houve postergação do recolhimento da contribuição relativa a março/2000 para abril/2000 (denúncia espontânea), restando descabida a multa cominada, nos termos do art. 138 do CTN; • e, a partir de abril/2000, inclusive, houve a antecipação da tributação da contribuição que, se apurada nos moldes da legislação contábil e do imposto de renda, seria devida nos períodos de apuração de setembro e dezembro de 2000 e janeiro a março de 2001; • requer, assim, seja cancelado o presente lançamento. A DRJSão Paulo I/SP julgou procedente a impugnação (efls. 1.052/1.055), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, considera se de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Chegam os autos a este Colegiado para julgamento, em razão de interposição de recurso de ofício. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Ao teor do relatado, tratase de apreciação de recurso de ofício, interposto pelo órgão julgador a quo, em razão de haver exonerado o sujeito passivo em montante superior ao seu limite de alçada. A lide cingese tão somente à questão do prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publica lançar o crédito tributário relativo ao PIS, visto que a matéria de fundo encontrase sob apreciação do Poder Judiciário. No tocante ao prazo decadencial, é remansosa a jurisprudência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, no sentido de adotar o prazo limite de cinco anos, estabelecido no CTN, em face da Súmula Vinculante nº. 08 do STF. Referida Súmula passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008 para os demais órgãos do Poder Constituído Judiciário, bem como para a Administração Pública, direta e indireta, e pelos demais entes federativos. Por ela, foram reduzidos os prazos de decadência e prescrição das contribuições previdenciárias para cinco anos, diferente dos 10 anos preconizados na Lei Ordinária 8.212/1991: “São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, afastada a incidência do art. 45 da Lei 8.212/1991, resta decidir o termo inicial do prazo quinquenal previsto no CTN. O art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal e a decisão daquela Corte deve ser aqui adotada, independentemente das convicções pessoais dos julgadores. Esta é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo, versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, o prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento por parte do contribuinte (art. 150, §4º do CTN), ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, nos casos de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, do CTN). O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.001327/200621 Acórdão n.º 3202001.274 S3C2T2 Fl. 1.111 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No caso em questão, a autoridade julgadora administrativa de primeira instância, utilizandose do disposto na Súmula Vinculante STF nº 08, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212/91, entendeu que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS seria de 5 anos, contados a partir da data do fato gerador, tendo em vista que a contribuinte teria efetuado o pagamento parcial daquelas contribuições. Afirmou aquela autoridade: “No presente caso, os fatos geradores ocorreram entre março de 2000 e março de 2001, e o contribuinte havia recolhido o PIS e a Cofins apenas parcialmente (fls. 46/60). Portanto, o lançamento ocorrido em 07.07.2006 (fls. 68 e 74) é totalmente extemporâneo, pois já havía expirado o prazo decadencial de cinco anos para que o Fisco pudesse constituir o respectivo crédito tributário.” De fato, os Demonstrativos de Apuração constantes dos Autos de Infração deixam claro a existência de pagamento parcial. Assim, tendo havido antecipação de pagamento em relação a todos os períodos glosados pela Fiscalização, o dies a quo do prazo de 5 anos é a data da ocorrência do fato gerador. Deste modo, temse atingidos pela decadência todos os períodos autuados, vez que o fato gerador mais recente data de 31/03/2001, sendo que a ciência do auto de infração se deu em 07/07/2006, quando, então, o prazo decadencial já se havia esgotado em 31/03/2006. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 01/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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