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Numero do processo: 10120.007799/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator designado, Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator designado, Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 268 1 267 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.007799/200907 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.359 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de janeiro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MINERADORA SANTO EXPEDITO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator designado, Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 07 79 9/ 20 09 -0 7 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 269 ___________ RESOLUÇÃO Nº. 3402000.359 Tratam os autos de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, visando o cancelamento de Auto de Infração que constitui crédito tributário relativo a IOF, em decorrência da interpretação da Autoridade Fiscal de que valores escriturados nas contas 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda. e 1.2.03.04.0018 Luiz Rodrigues Neto, eram operações financeiras tipificadas como mútuo/empréstimo, sustentando a recorrente que tais entregas de valores foram feitas a título de antecipações de lucros, posteriormente transferidos para a conta respectiva (de lucros). Antes de mais nada, importante observar o que consta da Sexta Alteração de Contrato Social do sujeito passivo, juntado as folhas 26 a 29 dos autos, de 04 de outubro de 2005, a qual aponta que o seu quadro social era composto pelos sócios Terra Goyana Mineradora Ltda., Marcos de Alencastro Curado, André Alencastro Curado, Luiz Antônio Vessani e José Lincoln Gambier Costa. Ou seja, não figurava dos quadros de sócios do sujeito passivo, a pessoa de Luiz Rodrigues Neto, que teve valores a ele entregues pela sociedade, segundo consta do “Demonstrativo de Apuração de IOF” (fls. 104 e ss). Assim, referido beneficiário não era sócio do sujeito passivo, a menos que tenha ingressado na sociedade em alteração social posterior, o que não se pode averiguar ante a falta de juntada de documento com esse objetivo, cujo ônus da prova caberia, em princípio, a recorrente. Porém, como o sujeito passivo juntou muitas cópias de documentos, além de ter disponibilizado documentos que estão relatados nos autos, mas não encontramse nele anexados, por possivelmente entender a Autoridade que não era necessário sua juntada (mas apenas sua análise), é possível que não se tivesse atido a juntada de todos os documentos, que para saciar o princípio da busca da verdade material, deveriam encontrarse juntados. De igual maneira, não consta dos autos o documento que deu suporte a transferência da quantia de R$ 17.815.741,00, da conta 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda., para “Lucros Distr 2005”, em 02.01.06, assim como os demais documentos contábeis que sustentaram os lançamentos a crédito da empresa Terra Goyana Mineradora Ltda. Desta maneira, o que este Conselho possui de elementos para analisar o processo, são os Livros Diários acostados aos autos, os quais dão conta de que parte dos valores liberados o foram sob a rubrica de “Empréstimo”, pois que assim constou (ou sugeriu se constar) dos respectivos históricos. Essa denominação que se fez registrar nos Livros do contribuinte, feitos por ele próprio, fixam, em princípio, o “animus” que conduziu a operação, ou seja, a causa que justificou a liberação dos valores da sociedade para os beneficiários. Mas os documentos respectivos poderiam esclarecer melhor esse aspecto, além de não ser possível aplicar o mesmo critério para todos os lançamentos constantes dos Livros, o que, por si só, impediria compreender todas as liberações como fossem empréstimos. Isto porque há registros que não contém a expressão “empréstimo” ou mesmo a sigla “emp”, o que, no caso, poderia igualmente ser compreendido, aí sim, como sendo a Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10120.007799/200907 Resolução nº 3402000.359 S3C4T2 Fl. 270 3 movimentação de um “contacorrente” da sociedade para com o beneficiário, que podem ter outras motivações além de serem empréstimos, ou mesmo, distribuições antecipadas de lucros. Assim, no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção final sobre o assunto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Preparadora tome as seguintes providências: 1 – Intime o sujeito passivo para que acoste a esses autos, cópia das suas alterações de Contrato Social, posteriores à Sexta Alteração, e que estavam em vigor até 31.12.2006; 2 – Intime o sujeito passivo para que acoste aos autos cópia de todos os documentos que sustentaram cada um dos lançamentos contábeis dos valores escriturados a débito nas contas 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda. e 1.2.03.04.0018 Luiz Rodrigues Neto; 3 – Intime o sujeito passivo para que acoste aos autos cópia dos razões contábeis nos quais apareçam as contrapartidas das contas 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda. e 1.2.03.04.0018 Luiz Rodrigues Neto, limitandose aos lançamentos objetos de autuação, constantes do “Demonstrativo de Apuração do IOF”; 4 – Intime o sujeito passivo para que acoste aos autos cópia do documento que deu suporte a transferência da quantia de R$ 17.815.741,00, da conta 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda., para “Lucros Distr 2005”, em 02.01.06, assim como dos documentos que suportaram os demais registros contábeis lançados a crédito nas respectivas contas 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda. e 1.2.03.04.0018; 5 – Manifestese, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos a serem prestados, concedendo vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001075/2010-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
INTIMAÇÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. DESNECESSIDADE.
É desnecessária a intimação do contribuinte antes da lavratura do Auto de Infração para que preste esclarecimentos acerca do débito, uma vez que seu direito de defesa é resguardado quando se estabelece o contraditório a partir da intimação acerca da autuação.
PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO PERCENTUAL REFERENTE À CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT.
A legislação aplicável expressamente dispõe sobre a base de cálculo, referindo-se ao valor (percentual de 2,5%) incidente sobre a remuneração auferida pelo transportador autônomo, retida pelo tomador de serviço, não havendo previsão legal que determine a exclusão deste percentual para a apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária atinente à cota patronal.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO.
Não há qualquer vedação legal para a aplicação de mesma base de cálculo às contribuições sociais, ao contrário do que ocorre apenas em relação a impostos e taxas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INTIMAÇÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. DESNECESSIDADE. É desnecessária a intimação do contribuinte antes da lavratura do Auto de Infração para que preste esclarecimentos acerca do débito, uma vez que seu direito de defesa é resguardado quando se estabelece o contraditório a partir da intimação acerca da autuação. PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO PERCENTUAL REFERENTE À CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT. A legislação aplicável expressamente dispõe sobre a base de cálculo, referindo-se ao valor (percentual de 2,5%) incidente sobre a remuneração auferida pelo transportador autônomo, retida pelo tomador de serviço, não havendo previsão legal que determine a exclusão deste percentual para a apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária atinente à cota patronal. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO. Não há qualquer vedação legal para a aplicação de mesma base de cálculo às contribuições sociais, ao contrário do que ocorre apenas em relação a impostos e taxas. Recurso Voluntário Negado.
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PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. DESNECESSIDADE. É desnecessária a intimação do contribuinte antes da lavratura do Auto de Infração para que preste esclarecimentos acerca do débito, uma vez que seu direito de defesa é resguardado quando se estabelece o contraditório a partir da intimação acerca da autuação. PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO PERCENTUAL REFERENTE À CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT. A legislação aplicável expressamente dispõe sobre a base de cálculo, referindose ao valor (percentual de 2,5%) incidente sobre a remuneração auferida pelo transportador autônomo, retida pelo tomador de serviço, não havendo previsão legal que determine a exclusão deste percentual para a apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária atinente à cota patronal. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO. Não há qualquer vedação legal para a aplicação de mesma base de cálculo às contribuições sociais, ao contrário do que ocorre apenas em relação a impostos e taxas. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 10 75 /2 01 0- 06 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 08 22.807 fls. 60/66, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal consolidada em 16/12/1010, no AI DEBCAD 37.918.9753. O crédito previdenciário, cujo importe corresponde a R$ 2.321,18 (dois mil trezentos e vinte e um reais e dezoito centavos), referese ao período compreendido entre 01/2006 a 12/2006, e , segundo Relatório Fiscal, fls. 17/19, possui as seguintes imputações, in verbis: “3.1 No presente Auto de Infração foram lançadas as contribuições entidades e fundos (SEST/SENAT), não declaradas em GFIP, nem recolhidas: 1) Incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais fretistas na alíquota de 2,5% para todo o período. 3.2. Seguem em anexo, em meio papel, a planilha ‘FRETISTA’ contendo as remunerações dos segurados. Os dados foram extraídos dos arquivos digitais da contabilidade fornecidos pelo contribuinte. 4. CRITÉRIOS DE LANÇAMENTO Os critérios de lançamento foram os seguintes: a) Para todo o período, sobre os valores das contribuições incidiram juros SELIC sem multa de mora. b) Os valores foram lançados tomando por base os valores constantes nos arquivos do SIM – Sistema de Informações dos Municípios para o TCM – Tribunal de Contas dos Municípios.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 40/47. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 0822.807 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 (Fls. 60/66), mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente está o fisco autorizado a apurar as contribuições devidas à Previdência Social e a Outras Entidades, com base no procedimento de aferição indireta. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS A TERCEIROS. SEST E SENAT. Sobre parte da remuneração atribuída a segurados contribuintes individuais transportadores autônomos, equivalente a 20% do valor bruto do frete, considerada base de cálculo tributária, incidem contribuições sociais destinadas a Outras Entidades, SEST/SENAT, cuja retenção constitui obrigação da empresa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignado, o Município de Penaforte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 95/109, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Impossibilidade de defesa por ausência de identificação dos segurados 2. Nulidade do Auto de Infração, por ausência de indicação do modo de fiscalização utilizado pelo auditor, e pela ausência de intimação do contribuinte, antes da lavratura da autuação fiscal em epígrafe, para que prestasse esclarecimentos acerca do débito, violando, assim, os princípios do contraditório e da dupla instância administrativa; 3. A adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei n. 11.196/2005 com as alterações da Lei n. 11.960/2009; 4. Utilização de base de cálculo incorreta, tendo em vista que o valor fixado encontrase acrescido do percentual de 2,5% devido ao SEST/SENAT; 5. Fiscalização em duplicidade pela utilização de mesmo objeto e base de cálculo nos AI’s DEBCAD 37.318.9745 e DEBCAD 37.318.9753; 6. Nulidade da autuação em virtude da aplicação irregular da alíquota de 11% para todos os fiscalizados; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 4 5 7. Utilização incorreta da alíquota, por ser descabida a exigência de 11% mais 20% incidentes sobre as remunerações devidas ou pagas aos contribuintes individuais, cabendo apenas a incidência única de 20%, conforme estabelece o art. 21, da Lei n. 8.212/91. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls., temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA SUPOSTA IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA POR AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS FORA DA GFIP – NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS SEGURADOS Alega o contribuinte que o fiscal não identificou quais seriam os contribuintes fretistas fora das GFIP`s e agrupamento nos empenhos de pagamento de folha de empregados e que também não fez referencia aos demonstrativos detalhado e onde identificou tais contribuintes. Concordo com a DRJ ao afirmar que não procede a alegação, uma vez que os nomes dos segurados e suas remunerações contam de planilhas anexas ao auto de infração, PLANILHA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS FRETISTAS PM DE PENAFORTE" Fls. 20/26. Além de constar os dados nesta planilha, tais remunerações compõe a base de cálculo relacionada nos levantamentos CI Contribuinte Individual e FR Contribuinte Individual Fretista. À respeito dos segurados empregados, os valores foram apurados conforme descrição contida no tópico 4 do relatório fiscal, qual seja, pelo sistema SIM/TCM que deram condições à auditoria de elaborar a planilha FOLHA x GFIP PENAFORTE, com as diferenças encontradas. DA NULIDADE DO AUTO POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS EM MOMENTO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Aduz a Recorrente em sua defesa que “caso o Agente do Fisco encontre qualquer suposta irregularidade, antes de autuar, deve, necessariamente, intimar o contribuinte, por escrito, e na pessoa de seu representante legal (que deve tomar ciência pessoalmente), para que preste todos os esclarecimentos devidos, conferindolhe prazo razoável para tanto, sob pena de nulidade do ato”. Neste sentido, alega que a ausência de tal ato acarretou afronta aos princípios do contraditório e da dupla instância administrativa. Ora, não há que falar em violação de tais princípios, uma vez que são perfeitamente respeitados na medida em que é concedido o direito de defesa ao autuado quando da intimação do Auto de Infração, momento em que lhe é conferido o prazo de 30 (trinta) dias para adimplir o valor ou contestálo por meio da Impugnação, instrumento este, inclusive, utilizado pelo contribuinte. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 5 7 Ademais, não há previsão legal que vincule a autoridade fiscal à realização da intimação referida pela Recorrente. A fase que compreende a auditoria fiscal é inquisitória, a fase contraditória se dá com a oportunização de defesa via impugnação. DO PARCELAMENTO ESPECIAL NOS TERMOS DA LEI Nº. 11.196/05 E ALTERAÇÕES PELA LEI Nº. 11.960/09. A Recorrente colacionou aos autos protocolo de requerimento de adesão ao parcelamento especial conferido aos municípios (fls. 54/55), nos termos da Lei nº. 11.196/05 com as alterações introduzidas pela Lei nº. 11.960, dentro do prazo estipulado em seu art. 96, § 6o. Assim dispôs: “verificando o período de apuração dos débitos listados, observase que estão compreendidos débitos de períodos compreendidos no intervalo alcançado pela lei do parcelamento especial destinado aos Municípios – contribuições sociais de que tratam a alínea ‘a’ e ‘c’ parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91, em 240 (duzentos e quarenta) prestações mensais, nos termos da Lei 11.196/05, alterada pela Lei 11.960/09”. Contudo, em que pese o documento colacionado, nele não se encontram dados que permitam identificar quais débitos foram alvos do parcelamento requerido, nem mesmo foram juntados os comprovantes de pagamento mensal para constatação de sua regularidade nos termos do art. 101, § 1o da Lei 11.196/05. Sendo assim, percebese que a alegação é frágil, por não encontrar respaldo em provas suficientes a atestar o alegado, razão pela qual tornase inviável a apreciação acerca da existência de parcelamento em relação aos débitos exigidos nas autuações em epígrafe. É que, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª Edição, São Paulo: Dialética, 2010) , quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (g.n.). Sendo assim, afirmar a existência de celebração de parcelamento dos créditos previdenciários, quando ausentes provas que comprovem a sua regularidade bem como indique os débitos parcelados, inviabiliza qualquer consideração acerca do argumento expendido. UTILIZAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO INCORRETA Afirma a Recorrente que para apuração da base de cálculo a incidir o valor de 20% da contribuição previdenciária patronal devese observar a exclusão dos 2,5% referentes ao valor devido ao SEST/SENAT. A Lei 8.706/93 que dispõe sobre o SEST/SENAT expressamente dispõe em seu art. 7º, II, e parágrafo 2º, c/c art. 4º da Lei 10.666/03, sobre a base de cálculo, referindose Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 ao valor (percentual de 2,5%) incidente sobre a remuneração auferida pelo transportador autônomo, retida pelo tomador de serviço. Abaixo segue o texto da Lei 8.706/93: Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; III pelas receitas operacionais; IV pelas multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos desta lei; V por outras contribuições, doações e legados, verbas ou subvenções decorrentes de convênios celebrados com entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais. § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS. A seguir, segue a Lei 10.666/03 que trata da retenção: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Já em relação a contribuição patronal, nos termos do art. 22, III, da Lei n. 8.212, incidirá sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços sem, contudo, fazer qualquer menção a eventual exclusão do valor a ser apurado a outras entidades. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 6 9 Sendo assim, não prospera o argumento tecido pela Recorrente. DA UTILIZAÇÃO DE MESMA BASE DE CÁLCULO PARA OS AUTOS DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.318.9753 E DEBCAD 37.318.9745. A Recorrente argumenta a existência de fiscalização em duplicidade, em razão dos Autos de Infração supramencionados englobarem o mesmo objeto e base de cálculo. Ora, um exame mais acurado do Relatório Fiscal indicará que, inobstante a utilização de mesma base para o cálculo dos tributos autuados, é certo que cada qual se refere a contribuição previdenciária distinta com alíquotas e destinações diferentes, razão pela qual não merece propestar tal alegação. Enquanto o AI DEBCAD 37.318.9753 referese às contribuições destinadas ao SEST/SENAT, o AI DEBCAD 37.318.9745 remete às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais, correspondente à parte devida pelos seus segurados, bem como a segurados eletivos, efetivos, contratados e comissionados da Prefeitura Municipal de Penaforte. Importante salientar que não há qualquer vedação legal para a aplicação de mesma base de cálculo às contribuições sociais, ao contrário do que ocorre apenas em relação a impostos e taxas. DA SUPOSTA APLICAÇÃO IRREGULAR DA ALÍQUOTA DE 11% PARA TODOS OS FISCALIZADOS. Aduz a Recorrente que a autuação em epígrafe estaria eivada de vício pela utilização indiscriminada da alíquota de 11%. Cumpre esclarecer, neste ponto, conforme informação contida no Relatório Fiscal (Item 09 – Das alíquotas aplicadas, fl. 21), que a alíquota de 11% foi aplicada apenas em relação à contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações do contribuinte individual, já em relação ao contribuinte segurado empregado incidiu a aplicação de alíquota, correspondente à 8% (Conforme Planilha FOLHA X GFIP PENAFORTE, fl. 22). A fiscalização apurou a base de cálculo através dos valores consolidados de remunerações constantes no sistema SIM/TCM (Sistema de Informações dos Municípios/ Tribunal de Contas dos Municípios), de modo que não é possível identificar os valores auferidos por cada segurado a título de remuneração para se proceder com a determinação da alíquota aplicável, disposta na tabela alhures mencionada. Sendo assim, tratandose de aferição indireta (haja vista a não apresentação dos documentos solicitados no TIPF, fl. 46), passível de aplicação conforme o art. 33 da Lei 8.212/91, o fiscal utilizou a alíquota de 8% consoante a Instrução Normativa RFB n. 971/2009, não havendo que se falar em qualquer ilegalidade. DA ILEGALIDADE DE COBRANÇA SOBRE 1/3 DE FÉRIAS E OUTRAS VERBAS Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Infere a Recorrente acerca da ilegalidade da cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre supostas verbas de caráter indenizatório incidentes sobre a remuneração devida ao contribuinte segurado empregado. Contudo, afastando a análise da legalidade de tais exações, importa esclarecer que o método de apuração da base de cálculo para a incidência da contribuição em relação ao segurado empregado, em virtude da não apresentação das folhas de pagamento por parte do contribuinte, se deu pela aferição indireta, tomando por base as informações contidas no SIM/TCM. Sendo assim, não é possível averiguar quais valores das remunerações dos empregados poderiam possuir caráter indenizatório, e por conseguinte, não integrariam a base de cálculo da contribuição. Logo, a não apresentação de documentos por parte do contribuinte, para que se proceda a análise das remunerações de cada empregado e conseguinte identificação de supostas verbas indenizatórias, inviabiliza qualquer apreciação do argumento expendido. DO LIMITE ÚNICO DE 20% PARA DESCONTO NAS CONTRIBUIÇÕES DOS AUTÔNOMOS, AVULSOS E TODOS OS CONSIDERADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A Recorrente argumenta ser descabida a exigência de 11% mais 20% incidentes sobre as remunerações devidas ou pagas aos contribuintes individuais, cabendo apenas a incidência única de 20%, conforme estabelece o art. 21, da Lei n. 8.212/91. É cediço que o recolhimento de contribuições previdenciárias se dá através da contribuição mensal por parte da empresa incidente na remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais, com a aplicação de alíquota no percentual de 20%, conforme dispõe o dispositivo indicado pela Recorrente. O mesmo ocorre em relação aos segurados empregados, com o acréscimo, em relação a esta categoria, de 2% a título de SAT/GILRAT (grau médio). Também devem ser recolhidos os valores retidos, a título de contribuição previdenciária, dos segurados contribuintes individuais no percentual de 11% da sua remuneração. Neste sentido, em relação aos segurados empregados e avulsos, o percentual cumpre uma tabela progressiva, a qual não foi utilizada pela autoridade fiscal em razão da aferição indireta da base de cálculo, aplicandose a alíquota mínima correspondente a 8% (questão já tratada no tópico que trata acerca da aferição indireta). Ora, pelo exposto, é claramente perceptível que apesar da empresa efetuar os dois pagamentos, o ônus econômico suportado recai tanto sobre ela como também ao segurado. A Contribuição da empresa e equiparados sobre as remunerações dos contribuintes individuais está disposta no art. 22, III, da Lei 8.212/91, art. 1º, parágrafo 2º da Lei 10.666/91 e art. 201, II e parágrafo 6º do Decreto 3.048/99. Já a contribuição que cabe ao contribuinte individual, está disposta no art. 21 da Lei 8.212/91, art. 4º e 5º da Lei 10.666/03, bem como nos arts. 199, 199A, do Decreto 3.048/99 Ademais, estas disposições regem realizam os princípios constitucionais da equidade na forma de participação do custeio da previdência social (art. 194, parágrafo único, V, da CF) e da diversidade da base de financiamento (art. 194, parágrafo único, VI da CF). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 7 11 Não há que se falar, portanto, em qualquer ilegalidade na exigência. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para negar provimento, nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10380.723110/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PENALIDADES E INFRAÇÕES. ART. 112 DO CTN. TIPICIDADE.
Não se inclui nas hipóteses do art. 112 do CTN, para efeito da exclusão da multa de ofício, a divergência de entendimento sobre interpretação da legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado
A redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Receita Federal.
Numero da decisão: 3302-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, que dava provimento integral, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
Fez Sustentação Oral pela Recorrente Ana Beatrice Lundgren M. Meireles OAB/PE nº 16777.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, que dava provimento integral, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Ana Beatrice Lundgren M. Meireles OAB/PE nº 16777. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MULTA. CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. REALIZAÇÃO. HIPÓTESES. Descabe a realização de diligência ou perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, como os detergentes e sabões. REFRIGERANTES, REFRESCOS E NÉCTARES DA POSIÇÃO 2202.10.00. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. CONDIÇÕES. ATO DECLARATÓRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Receita Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PENALIDADES E INFRAÇÕES. ART. 112 DO CTN. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 31 10 /2 00 9- 16 Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.070 2 Não se inclui nas hipóteses do art. 112 do CTN, para efeito da exclusão da multa de ofício, a divergência de entendimento sobre interpretação da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, que dava provimento integral, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Ana Beatrice Lundgren M. Meireles – OAB/PE nº 16777. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1008 a 1064) apresentado em 09 de novembro de 2011 contra o Acórdão no 0122.492, de 02 de agosto de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 995 a 1002), cientificado em 14 de outubro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro a março de 2005, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI. ALÍQUOTA. REDUÇÃO. A redução de cinqüenta por cento das alíquotas do IPI relativas a refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.071 3 atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério, depende da expedição do competente Ato Declaratório pela Receita Federal do Brasil. IPI. CRÉDITO. GLOSAS. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza adquiridos pelo sujeito passivo que industrializa refrigerantes, apesar de constituírem despesa componente do custo da atividade, não integram efetivamente o produto final e nem sofrem a perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre o mesmo, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2009, de acordo com o termo de fls. 26 a 28. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de lançamento referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 1.810.246,90, aí incluídos principal, juros de mora, multa proporcional e multa isolada (multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito), em decorrência de a fiscalização haver detectado que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados com insuficiência de lançamento do imposto. As autoridades fiscais, em relatório de fiscalização, descrevem que (fls. 26/28): “(...) Examinando a relação de notas fiscais de saídas apresentada pela empresa, constatamos que a mesma (...) deu saída, de janeiro a março de 2005, a refrigerantes com redução na alíquota de IPI. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.072 4 A empresa esclareceu (...) que as mencionadas diferenças referiamse à redução de cinqüenta por cento das alíquotas do IPI referentes aos refrigerantes e refrescos contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná (...). (...) tal redução não é autoaplicável. Sua fruição depende de prévia declaração, feita pela Secretaria da Receita Federal, através de Ato Declaratório, reconhecendo que o produto satisfaz os requisitos legalmente exigidos. A empresa protocolizou apenas em 18/12/2006, após ser intimada durante os trabalhos da fiscalização (...), requerimento à Superintendência da Receita Federal para emissão de ‘ato, declarando o direito da signatária de redução de 50% das alíquotas de IPI’, ou seja, em data posterior ao período ora fiscalizado (...). Desta forma, procedeuse ao lançamento das diferenças de IPI devidas e não destacadas nas saídas dos produtos relacionados no Quadro Demonstrativo de Quantidades Saídas com Redução de IPI por Código de Produto (...). (...) A empresa apresentou (...) relação de insumos e sua utilização no processo, em anexo. Verificamos que vários dos produtos relacionados referemse a materiais adquiridos para limpeza. Verificamos, ainda, que a empresa creditouse, indevidamente, do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição. Verificamos, também, a partir da relação de Notas Fiscais de aquisição para industrialização (...) que a empresa creditouse, indevidamente, do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição daqueles materiais (...).” Cientificada, a contribuinte apresentou, em 11.01.2011, impugnação na qual alega: a) Na verdade, não ocorreu saída de produtos tributados com insuficiência do lançamento do imposto, visto que a impugnante vendeu produtos de sua fabricação tendo utilizado a redução de cinqüenta por cento das alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná. Assim, o direito da citada redução passou a existir para a impugnante em virtude do registro dos produtos no órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, prova oficial por escrito de que mencionados produtos estão conforme os padrões de identidade e qualidade exigidos por aquele Ministério, havendose de entender como assim comprovado o respectivo direito. b) A impugnante não cometeu qualquer ilícito de natureza fiscal, porquanto o seu direito tornouse constituído por efeito do cumprimento dos requisitos exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, sendo certo que as normas complementares aprovadas pela Portaria Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.073 5 Interministerial nº 113/1977 não decorrem de lei. Refere julgado administrativo, aduzindo que os requisitos ínsitos da NC 221 dizem respeito ao fato do produto ser classificado na posição 2202.10.00, que atenda aos padrões de identidade e qualidade exigidos para o consumo, o que é certificado pelo registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. c) Foi anulado crédito legítimo da impugnante, proveniente de aquisições de materiais tributados pelo IPI, para serem utilizados no processo de industrialização de produtos igualmente tributados na saída. A Constituição e o Código Tributário Nacional preconizam que se pode deduzir do valor do imposto correspondente à saída dos produtos tributados, o valor do imposto pago referente aos produtos adquiridos, de modo que seja tributado tão somente o valor acrescido. Sobre o assunto, coerente com a nãocumulatividade, o art. 519 do RIPI/2002 considera bens de produção os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial. No recurso, a Interessada contestou as conclusões do acórdão de primeira instância. Primeiramente, citou o Acórdão n. 340200.517, da 3ª Seção do Carf, cuja ementa foi a seguinte: IPI. CRÉDITOS. PRODUTO QUE NÃO CONSTITUI MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos arts. 25 e 27 da Lei n° 4.502/64 somente há créditos do imposto sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, entendendose como produtos intermediários aqueles que se consumam no processo produtivo em decorrência de um contato físico com o produto em elaboração. Em se tratando da produção de bebidas, cabível o crédito também sobre itens empregados na limpeza dos vasilhames em que acondicionada a bebida fabricada. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito ao crédito dos produtos usados diretamente na limpeza dos vasilhames. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator), que reconhecia o direito ao crédito de todos os produtos glosados pelo Fisco. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos pra redigir o voto vencedor quanto ao direito de crédito reconhecido. Esteve presente ao julgamento o Dr. Ivo de Oliveira Lima OAB/PE n°25263. Citou, a seguir, opinião da doutrina e do Superior Tribunal de Justiça. Quanto à redução da alíquota, citou o Acórdão n. 20177.930: Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.074 6 IPI. REFRIGERANTES, REFRESCOS E NÉCTARES DA POSIÇÃO 2202.10.00. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. ARTIGO 57 DO RIPI/98, C/C A NC 221 DA TIPI/98. Não representa perda do direito à redução da alíquota a inexistência da declaração da SRF relativa à permissão ao exercício do direito, se este é patente pelo cumprimento dos requisitos ínsitos na NC 221 da TIPI/98. Recurso provido. (Recurso Voluntário n°. 226049. Processo n°. 13839.004154/200230. Turma: 1ª Câmara. Data da Sessão: 19/10/2004. Relator: Rogério Gustavo Dreyer. Acórdão n°. 201 77930). A seguir, analisou as disposições legais e normativas, concluindo que teria o direito à redução. Ainda afirmou ser confiscatória a multa de 75% e ser o caso de aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, devese indeferir o pedido de perícia ou diligência formulado pela Interessada, por ser irrelevante à vista do estado do processo, que pode ser julgado imediatamente, por tratar o recurso apenas de matéria de direito. Da mesma forma, devese afastar a pretensão da Interessada de ver aplicada ao caso o disposto no art. 112 do CTN, uma vez que inexiste dúvida quanto à aplicação de penalidade. Ainda que existisse dúvida em relação a ser ou não exigível o imposto, tal situação não configuraria hipótese alguma das previstas no referido artigo, que diz respeito à lei que define infrações ou comine penalidade. Em relação à alegação de ser confiscatória a multa, aplicase o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009) e na Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No recurso, não repetiu a Interessada as alegações de nulidade da autuação. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.075 7 Assim, restam a analisar as questões relativas à redução da alíquota e ao direito de crédito. Em relação à primeira matéria, a Interessada citou acórdão da 1ª Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. De fato, naquela ocasião, fui o único conselheiro a não acompanhar o voto do Eminente Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer. O Decreto n. 75.569, de 25 de abril de 1975, estabeleceu incondicionalmente a redução1. A Portaria Interministerial n. 113, de 04 de março de 1977, conforme relatado pela Fiscalização, estabeleceu que os benefícios do referido Decreto ficariam subordinados ao ato previsto no Decreto n. 78.289, de 18 de agosto de 1976. O referido Decreto dispôs o seguinte: Art. 1º. Consideramse incluídos no destaque ("ex") constante do Anexo V do Decreto nº 75.659, de 25 de abril de 1975, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto nº 75.808, de 2 de junho de 1975,os refrigerantes e refrescos, naturais, que contenham extrato de semente, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuam "Certificado de Registro" expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Art. 2º. A redução de alíquota conferida pelo artigo 1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art. 3º. Os Ministros da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias a execução do disposto neste Decreto. Art. 4º. Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, salvo quanto ao disposto em seu artigo 2º, que vigorará a partir de 1 de novembro de 1976. 1 Art. 1º. Ficam reduzidas aos percentuais constantes dos Anexos I a VII as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados relativas às mercadorias nos mesmos relacionadas, segundo a classificação específica na Tabela anexa ao Decreto nº 73.349, de 19 de dezembro de 1973, ou desdobrada dos respectivos códigos sob a forma de destaques ("EX"). Art. 2º. Fica reduzida a 6% (seis por cento), até 31 de dezembro de 1975, e a 12% (doze por cento) a partir de 1º de janeiro de 1976 a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados para os produtos classificados no Capítulo 58 da Tabela anexa ao Decreto nº 73.340, de 19 de dezembro de 1973. Art. 3º. Este Decreto entrará em vigor a partir de 1º de maio de 1975, revogadas as disposições em contrário. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.076 8 Portanto, o decreto, especificamente, determinou que a concessão da redução seria efetuada caso a caso, “após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério.” Dessa forma, não se trata, apenas, de formalidade, mas de condição para fruição do benefício. O RIPI/2002 (Decreto n. 4.544, de 2002) reproduziu a condição no art. 65, I. O já citado art. 62 do Ricarf impede que se afaste disposição constante de decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Como se trata de matéria de competência de Decreto, à vista do disposto no Decretolei n. 1.199, de 1971, art. 4º, não se haveria que falar em ilegalidade. Vejase que a lei permite a decreto reduzir as alíquotas incondicionalmente. Assim, o decreto pode estabelecer condições para a redução das alíquotas, pelo princípio “a maiori, ad minus” (expressão vulgarmente conhecida por “quem pode o mais, pode o menos”). Por fim, para beneficiarse da redução, os produtos devem satisfazer aos padrões estabelecidos na Norma Complementar NC 221 da Tipi. Portanto, inexiste razão idônea para afastar a condição prevista no Decreto. Por esse contexto é que não adoto o entendimento do acórdão citado pela Interessada. No presente recurso, ainda há a questão da aplicação retroativa do ato declaratório, uma vez que se sabe que a Interessada requereu sua expedição após o início da ação fiscal e a obteve posteriormente para vários produtos. Segundo a Interessada, tratarseia dos mesmos produtos, segundo o que demonstraria a relação de produtos registrados no Ministério da Agricultura (documento 3 da impugnação de lançamento); o despacho decisório que precedeu a emissão do ato declaratório, por meio do qual se constatou que os referidos produtos enquadrarseiam nos padrões exigidos pela norma; despacho decisório, do qual constou ato declaratório a respeito da redução de 50% do IPI; Ato Declaratório DRF/STA n. 54, de 2007; outros despachos decisórios que reconheceram o direito à redução. Segundo a DRJ, o AD não teria efeito retroativo, uma vez que, para sua emissão, deve ser verificada a regularidade fiscal do contribuinte e haver a análise das condições pelo Ministério da Agricultura. O AD não é só pelo fato de ser denominado “declaratório” ato “meramente declaratório”, para efeito da distinção entre ato constitutivo e declaratório e caracterização do efeito, respectivamente, “ex tunc” e “ex nunc”. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.077 9 De fato, o efeito depende do que dispõe a legislação. Tanto é assim que há atos declaratórios, como os de declaração de documentação ineficaz para fins fiscais, que estabelecem a data específica à qual seus efeitos retroagem. No caso dos autos, os atos declaratórios em questão não estabeleceram a data de produção dos efeitos, mas apenas a data de vigência. Não havendo dúvidas de que a redução é cabível para os produtos especificados no ato declaratório a partir de sua publicação. Tratandose dos mesmos produtos que tenham saído do estabelecimento da Interessada antes da referida publicação, a questão é saber se caberia a redução. Dos autos não constam esclarecimentos suficientes para saber se todos os produtos objetos da autuação estão abrangidos por atos declaratórios. Embora a Fiscalização tenha relacionado o tipo de embalagem, capacidade e código do produto, não há referências expressas aos produtos constantes do AD. Entretanto, deve prevalecer, no caso dos autos, o entendimento da Primeira Instância. Primeiramente, porque se trata de condição para fruição do benefício como já se argumentou , de conhecimento da Interessada, em relação ao qual só tomou providências depois do início da ação fiscal. Notese, ainda, que outros estabelecimentos já detinham o ato declaratório. Ademais, a natureza específica dessa modalidade de ato declaratório não poderia produzir efeitos retroativos, uma vez que pressupõe a análise de uma série de requisitos a serem observados ao longo do tempo, como a situação fiscal do estabelecimento. O objetivo do AD é exatamente o de não ser necessário exigir prova da satisfação das condições caso a caso, tendo como efeito a presunção de que os produtos que saiam do estabelecimento com mesma denominação da constante no AD e com a informação, na nota fiscal, do seu número e data de publicação satisfaçam as condições. Portanto, o objetivo é de que as provas sejam efetuadas para a emissão do AD e não em momento posterior, fazendo ser do Fisco a prova sobre qualquer irregularidade. Por fim, tratase de um benefício, cuja fruição depende da ação do interessado, e não de um caso geral de redução de alíquota. O Código Tributário Nacional prevê procedimentos semelhantes nos arts. 155, 179 e 182. Não se pode admitir, assim, que somente agindo após o início de fiscalização, o benefício tenha efeitos “ex tunc”. Em relação aos insumos, o entendimento oficial da RFB considera que, nos termos do Parecer Normativo CST n. 65, de 1979, o produto intermediário que gera direito a crédito de IPI, quando não se incorpore ao produto fabricado, deve desgastarse em contato com ele no processo de fabricação e não de forma incidental. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.078 10 Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.079 11 Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Se, de um lado, tal entendimento, de aplicação obrigatória pelo Carf, nos termos do art. 62A de seu Regimento Interno (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), afasta a condição de contato físico direto com o produto fabricado, de outro, estabelece de forma clara que o insumo deva sofrer desgaste de forma imediata e integral durante o processo de fabricação. Como consequência, o acórdão afastou a possibilidade de creditamento de qualquer insumo que seja utilizado em maquinário no parque industrial, como partes e peças de equipamentos e combustíveis neles empregados, que não sofrem desgaste ou que o sofram de forma mediata. Há, ainda, precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE AÇO PARA CREDITARSE DO IMPOSTO RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATÁRIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE É FABRICADO O PRODUTO FINAL. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.080 12 Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. TIJOLOS REFRATÁRIOS. PRODUÇÃO DE AÇO. ART49 DO CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Constou o seguinte do voto do ministro Relator: Como observa o acórdão recorrido o ilustre relator Carlos Mário Veloso, há, no processamento da ação, refratários que se consomem, e nesse caso a dedução se impõe, e refratários que integram o meio de produção, que se não consomem, apenas se desgastam e devem ser substituídos. Portanto, podese concluir que que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, como os dos autos, peças e partes de máquinas etc. Os detergentes e assemelhados são empregados para limpeza pessoal ou da área de produção, mesmo dos equipamentos que processam as bebidas, e, assim, não são consumidos no processo de produção em si. O material de higienização, que se refere aos vasilhames, também se enquadra como produto intermediário, uma vez que se trata de produto reciclado no processo de produção e que não sofre processo de industrialização. Portanto, descabe razão à Interessada, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Divirjo do voto do ilustre Conselheiro Relator no que se refere à aplicação do ato declaratório que reconheceu a redução da alíquota. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.081 13 Conforme se depreende do voto apresentado, o D. Conselheiro Relator entende que o RIPI permite a redução das alíquotas, mas desde que atendidas determinadas condições e que o Ato Declaratório da SRF não é declaratório mas constitutivo. Certamente, para que os contribuintes obtenham a redução da alíquota fiscal, é preciso que atendam os requisitos exigidos pelo MAPA – Ministério da Agricultura, quanto a isso não resta dúvida. Inclusive, a meu ver, é este o ato constitutivo do benefício. Todavia, não coaduno com o entendimento de que o Ato Declaratório expedido pela Secretaria da Receita Federal não é declaratório, e a meu sentir, tal entendimento não representa análise de constitucionalidade de Decreto, mas ao contrário, reflete a sua devida interpretação. Explico. É fato incontroverso que a Recorrente atendeu aos requisitos exigidos pelo Ministério da Agricultura para a obtenção do benefício fiscal. Importante esclarecer que o registro do produto somente é conferido após o órgão atestar que o item submetido à sua análise atende a determinados padrões de identidade e qualidade. É apenas após este registro que se permite aos contribuintes apresentarem pedido perante a Receita Federal, visando a declaração do direito à redução do tributo objeto dos autos. Neste sentido, é de minha interpretação que o caráter meramente declaratório foi atribuído expressamente pela legislação, verbis: Decreto n° 84.637/80: “Art. 50: 0 artigo 336 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n.° 83.263, de 9 de março de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 336: As reduções de alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (222) da Tabela serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício. Parágrafo único. Os Ministros da Fazenda e da Agricultura poderão expedir normas complementares para execução do disposto neste artigo." (destaquei) Vale mencionar que disposição legal similar permaneceu nas alterações normativas posteriores, sendo que a redação dos Regulamentos do IPI de 1998 e de 2002 – aplicáveis ao período pleiteado, são no seguinte sentido, verbis: RIPI/98: “Art 57. Haverá redução: I – das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221), da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.082 14 RIPI/98: NC 221. Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes, refrescos e néctares, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento e esteja registrado no órgão competente desse Ministério.” (destaquei) RIPI/02: “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; e (...)” (destaquei) A interpretação de que a natureza do Pedido de Redução de alíquota objeto dos autos é declaratória está em coerência com as demais disposições normativas, no sentido de que a Secretaria da Receita Federal não tem competência técnica para verificar o cumprimento dos requisitos exigidos dos produtos. Conforme já esclarecido, é o órgão técnico do Ministério que irá constatar a presença dos requisitos e a possibilidade de classificação do produto, com o seu conseqüente enquadramento nas Notas Complementares beneficiadas com a redução do imposto. E não poderia ser diferente, porque é preciso possuir competência técnica e material para efetivar as análises referentes às características, aos padrões de qualidade e identidade, que são exigíveis para classificação de produtos do gênero. Portanto, pareceme claro que o RIPI, quando mencionou expressamente “serão declaradas, em cada caso, pela SRF ...” estava se referindo, efetivamente, a um ATO de natureza DECLARATÓRIA. O Pedido de Redução perante a Receita Federal, a meu sentir, tem intenção de cientificar o órgão que determinado contribuinte, em cumprimento à legislação e com base em registro obtido perante o Ministério da Agricultura, faz jus ao aproveitamento do benefício. A natureza declaratória, e não constitutiva, do reconhecimento do Pedido de Redução pela Receita Federal já foi objeto de análise por este Conselho, verbis: “PRODUTOS POSIÇÃO TIPI 2202/90 Redução de alíquota em 50%. Tendo os produtos seus registros atualizados e estando dentro do prazo de concessão estabelecido pelo Ministério da Agricultura, é de se reconhecer o gozo do benefício de que trata a norma contida no art. 2º do Decreto 97.976/88, suplementada pelas NC 211 e 221 da TIPI/88. A não expedição do AD não fulmina o direito do contribuinte, porquanto os preceitos determinantes de fruição foram atendidos.” (Acórdão nº 202 07.657, de 05/04/95 DO de 17/05/96 destaquei). Coerente, portanto, a interpretação dos termos do Decreto no sentido de que, uma vez atendidos os requisitos para o gozo do benefício, conforme reconhecimento do órgão Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.083 15 que possui competência técnica, material e legal para tanto – MAPA – o contribuinte já possa aproveitarse da redução de alíquota. Neste sentido, cito jurisprudência desta Casa, verbis: “REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (223) DA TIPI/83 Baixado o Ato Declaratório pelo Departamento da Receita Federal, reconhecendo que o produto satisfaz pressupostos para a redução, esta alcançará as saídas desde a data em que o produto passou a atender aos requisitos legais. Recurso provido.” (Acórdão n° 20166.632/90, da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei). “IPI AUDITORIA DE PRODUÇÃO Cabível a presunção legal se a fiscalização serviuse de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (211) DA TIPI/88 Excluise do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do benefício fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender aos requisitos legais.” (Acórdão n° 20209805, 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei) “IPI AUDITORIA DE PRODUÇÃO Cabível a presunção legal se a fiscalização serviuse de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (211) DA TIPI/88 Excluise do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do benefício fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender os requisitos legais.” (Acórdão n° 20209806, 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei) Diante do exposto, divirjo do entendimento apresentado pelo Ilustre Conselheiro Relatora para o fim de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte, reconhecendo seu direito ao aproveitamento do benefício desde o momento em que ficou comprovado o cumprimento dos requisitos para o gozo da redução do IPI ora sob análise, quando foram expedidos os respectivos registros dos produtos, pelo Ministério da Agricultura. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10875.908192/2009-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 92 /2 00 9- 13 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. transmitiu, em 10/01/2007, a Declaração de Compensação DComp nº 05709.49032.100107.1.3.040014, visando à extinção de débito de Cofins pela via de sua compensação com crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, por pagamento indevido ou maior do que o devido, referente ao período de apuração de 01/01/2002 a 30/01/2002, no valor de R$ 238.146,62. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848680587 não homologou a compensação porque o pagamento indigitado como fonte do direito creditório foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em reclamação, instruída com cópias do recibo de entrega e das páginas 01 a 05 do PER/DCOMP; da DCTF do período de interesse; da DIPJ 2002 Ficha 19B e do DARF representativo do recolhimento indevido, o interessado reafirma seu direito ao crédito e à compensação e pugna pela realização de diligência tendente a comprovar o direito creditório alegado. Todavia, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05035.958, de 23 de novembro de 2011, fls. 61 a 65 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908192/200913 Acórdão n.º 3403002.157 S3C4T3 Fl. 98 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 70 a 77, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma o pedido de diligência para comprovação de seu direito creditório, em respeito aos princípios processuais que cita. Instrui sua peça recursal com planilhas demonstrativas da apuração do tributo no respectivo período de apuração e diferença apurada, objeto da compensação. Reafirma seu direito à compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conclui, requerendo o conhecimento de seu recurso e o acolhimento de suas razões preliminares para, na hipótese deste Conselho entender que as informações fornecidas nos demonstrativos apensados ao recurso não sejam suficientes para o reconhecimento do pleito da Recorrente, determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil, da jurisdição da Recorrente, a fim de se realizar diligência em sua escrita fiscal e contábil, determinando, ao final, o efetivo valor do tributo devido no período de apuração aqui em deslinde, assim como o montante efetivo recolhido a maior, cancelandose as cobranças vinculadas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 77 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS8ª Turma nº 05035.958, de 23 de novembro de 2011. Provas apresentadas somente na fase recursal No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908192/200913 Acórdão n.º 3403002.157 S3C4T3 Fl. 99 5 Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. O recorrente todavia não comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justifique a apresentação tardia de documentos. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Ônus da prova nos processos de repetição de indébito cumulado com compensação Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908192/200913 Acórdão n.º 3403002.157 S3C4T3 Fl. 100 7 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908192/200913 Acórdão n.º 3403002.157 S3C4T3 Fl. 101 9 acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10983.904812/2008-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
No caso de compensação entre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito vencido, este será acrescido de multa e juros de mora até a data da transmissão da DCOMP (art. 28 da IN SRF n. 460/2004) e aquele será atualizado na forma prescrita no art. 51 da mesma IN.
Numero da decisão: 3403-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente o conselheiro Domingos de Sá Filho.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. No caso de compensação entre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito vencido, este será acrescido de multa e juros de mora até a data da transmissão da DCOMP (art. 28 da IN SRF n. 460/2004) e aquele será atualizado na forma prescrita no art. 51 da mesma IN.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. No caso de compensação entre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito vencido, este será acrescido de multa e juros de mora até a data da transmissão da DCOMP (art. 28 da IN SRF n. 460/2004) e aquele será atualizado na forma prescrita no art. 51 da mesma IN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente o conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 48 12 /2 00 8- 29 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre a DCOMP no 06756.40452.191104.1.3.040040, transmitida em 19/11/2004 (fls. 64 a 741) para compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título de Cofins (valor original utilizado de R$ 17.999,09, de um DARF com valor total de R$ 33.222,44, recolhido em 14/06/2002) com débitos da mesma contribuição vencidos em 14/03/2003 (valor principal de R$ 17.193,31). Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 38, a compensação não foi homologada diante da inexistência do direito creditório, tendo em vista que o pagamento informado foi integralmente utilizado para cobrir outras compensações efetuadas pela empresa: DCOMP no 11247.18362.191104.1.3.049052 (valor original utilizado de R$ 4.691,25) e no 22227.87642.191104.1.3.040010 (valor original utilizado de R$ 28.531,19). Em sua manifestação de inconformidade (fls. 4 a 10), alega a empresa, em síntese, que: (a) efetuou um pagamento indevido de Cofins em 14/06/2002, no valor de R$ 33.222,44; (b) para aproveitar o crédito, registrou 3 DCOMP (finais 9052, 0010 e 0040), na forma da IN SRF no 600/2005; (c) somando os créditos originais utilizados nas respectivas DCOMP (R$ 4.742,01 + R$ 10.481,34 + R$ 17.999,09), diferentemente daqueles atribuídos pela RFB (R$ 4.691,25 + R$ 28.531,19 + R$ 17.193,31), chegase ao valor pago indevidamente; e (d) “o valor da atualização foi utilizado para eventual compensação com multa e juros em virtude de envio da DCOMP após o vencimento do tributo compensado”, e, “portanto, constatase a inexistência de qualquer prejuízo ao Erário”. Em 26/03/2010, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 80 a 84, no qual acordase unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que: (a) a apresentação de DCOMP produz um efeito principal equiparável ao pagamento a extinção do crédito tributário, sob a condição resolutória de homologação expressa pela Fazenda; e (b) a formalização da compensação depois do prazo regular de vencimento dos débitos a serem compensados obriga o sujeito passivo a declarar tais débitos com acréscimo de multa e juros de mora, tal qual nas hipóteses de recolhimento de DARF a destempo. Cientificada da decisão de piso em 18/05/2010 (AR à fl. 88), a empresa apresenta recurso voluntário em 16/06/2010 (fls. 90 a 98), no qual afirma que: (a) os débitos constantes das DCOMP “foram apresentados para compensação já devidamente acrescidos das correções, juros e multas incidentes em decorrência da apresentação com atraso”, o que se percebe facilmente pela comparação entre os valores de débitos originários e levados a compensação; (b) o crédito pago indevidamente, em atendimento expresso ao disposto no art. 52 da IN SRF no 600/2005, foi atualizado à data de transmissão das DCOMP, perfazendo R$ 47.282,18, valor igual à somatória dos débitos igualmente atualizados no mesmo marco temporal; (c) o débito constante da PER/DCOMP de final 0010 era de R$ 9.893,92 em 14/02/2003, e passou a representar, com acréscimos legais (à data de transmissão da DCOMP 19/11/2004), R$ 14.917,05, valor que difere substancialmente dos R$ 28.531,19 indicados no despacho decisório, sem qualquer justificativa; e (d) admitidos os acréscimos legais até novembro de 2004, depois de tal data não poderia ser a recorrente penalizada pela mora da análise pelo Fisco (nesse sentido inclusive o art. 28 da IN SRF no 600/2005). É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10983.904812/200829 Acórdão n.º 3403002.342 S3C4T3 Fl. 131 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No presente processo é inequívoco que se deseja compensar (em 19/11/2004) um pagamento indevido de Cofins efetuado em 14/06/2002, no valor de R$ 33.222,44, com três débitos da mesma contribuição: um de R$ 9.893,92 (com vencimento em 14/02/2003), outro de R$ 17.193,31 (com vencimento em 14/03/2003), e um último de R$ 4.587,30 (com vencimento em 15/04/2003). As discussões travadas no processo versam sobre os acréscimos legais cabíveis sobre tais montantes. Em momento algum se discute a existência ou a liquidez do direito creditório (o próprio despacho decisório de fl. 38 reconhece crédito exatamente no valor original pleiteado: R$ 33.222,44), pelo que se assume aqui que efetivamente o sujeito passivo tem um pagamento indevido no valor de R$ 33.222,44, efetuado em 14/06/2002. Verificando as DCOMP apresentadas (fls. 40 a 75), podese extrair o quadro a seguir, que espelha o encontro entre débitos e créditos informados, na data de transmissão das declarações de compensação (19/11/2004): DCOMP (num. final) Crédito original (14/6/2002) Crédito atualizado 2 (19/11/2004) Débito original (R$) Data do débito original Multa de mora (R$) Juros de mora (R$) Débito atualizado 3 (19/11/2004) 0010 R$ 10.481,34 R$ 14.917,05 9.893,92 14/02/2003 1.978,78 3.044,35 R$ 14.917,05 0040 R$ 17.999,09 R$ 25.616,31 17.193,31 14/03/2003 3.438,66 4.984,34 R$ 25.616,31 9052 R$ 4.742,01 R$ 6.748,83 4.587,30 15/04/2003 917,46 1.244,07 R$ 6.748,83 Total: R$ 33.222,44 R$ 47.282,19 R$ 47.282,19 Contudo, no despacho decisório de fl. 38, indicase que o pagamento de R$ 33.222,44, efetuado em 14/06/2002, foi suficiente apenas para cobrir os débitos relacionados nas DCOMP de final 9052 (R$ 4.691,25) e de final 0010 (R$ 28.531,19), restando ainda a recolher R$ 17.193,31 a título de principal (acrescido de R$ 3.438,66 de multa de mora e de R$ 14.108,83 como juros de mora). O despacho decisório não indica a forma utilizada para o cálculo. Apesar de o valor referente à DCOMP de final 0010 ser condizente com o calculado no quadro acima, há substancial discrepância (aparentemente sem justificativa) para o valor referente à DCOMP de final 0010. 2 Valor atualizado na DCOMP (art. 51, II da IN SRF n. 460/2004 art. 52, II da IN SRF n. 600/2005). Selic acumulada de 42,32%. 3 Valores acrescidos de multa e juros de mora, atualizados na DCOMP (art. 28 da IN SRF n. 460/2004 art. 28 da IN SRF n. 600/2005). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 O julgador a quo não aprecia detalhadamente a questão, pois apesar de compreender que a recorrente efetuou a formalização da compensação apenas depois do prazo regular de vencimento dos débitos a serem compensados, parte do pressuposto (incorreto) de que o sujeito passivo não adicionou a tais débitos multa e juros de mora (e, como visto no quadro acima, houve efetivo acréscimo de juros e de multa de mora aos débitos compensados após seu vencimento). Sendo incontestável que o contribuinte possui o direito creditório, e sendo também cristalino que os débitos foram compensados após seu vencimento, cabe apenas promover o encontro de valores (devendo o montante pago indevidamente ser corrigido na forma do art. 51, II da IN SRF no 460/2004, e devendo os débitos compensados após seu vencimento serem acrescidos de multa e juros de mora, na forma do art. 28 da IN SRF no 460/2004). E a recorrente demonstra satisfatoriamente tal cálculo, ao contrário do despacho decisório de fl. 38. A dificuldade de interpretação de tal despacho decisório inegavelmente cerceia a defesa da recorrente, que teve que buscar (sem sucesso) interpretações alternativas do que poderia estar sendo computado pelo Fisco para se chegar aos valores ali indicados. Da mesma forma, o julgamento de primeira instância toma como argumento para sustentar a improcedência da manifestação de inconformidade a falta de inclusão de juros e multa de mora aos débitos, acréscmos estes que de fato foram efetuados pela recorrente. Esse cenário remete ao art. 59, II do Decreto no 70.235/1972, remissão essa que só afastamos com base no § 3o do mesmo artigo, pela possibilidade de decisão favorável à recorrente, pelo fato de esta ter satisfatoriamente demonstrado o mecanismo pelo qual atualizou seus créditos e débitos, para efeitos de compensação, na forma da legislação que rege a matéria. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721007/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO.
Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial
Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.053, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.848,35, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.053, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.848,35, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Redator designado. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 07 /2 00 9- 85 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão 2802001.053, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.848,35, em cada um dos anos calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos por ELANE MARIA PINTO DA ROCHA (fls. 26/273), em face do Acórdão 2802001.053, de 03 de março de 2011, fls. 81/86. de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “No que tange à preliminar suscitada relativa `a falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado, esse tópico merece sim, data vênia, uma posição esclarecedora de V. Exa. No acórdão recorrido, a matéria em debate não é sequer ventilada, seno utilizado como argumento justificador que “a decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta; portanto, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721007/200985 Acórdão n.º 2802001.861 S2TE02 Fl. 11 3 órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido”. (grifos nossos) Ora, E. julgadores, não se pode negar a importância da matéria trazida a baila pelo Recorrente, a qual não fora elucidada de maneira fundamentada pela decisão guerreada. Deve, portanto, tal preliminar ser analisada de forma exaustiva, esclarecendo todos os pontos atacados e não de forma suscinta, como fora realizado em primeira instância e mantido no acórdão em discussão. A questão da ilegitimidade da União e, sem dúvidas, questão de suma importância para deslinde do embate, devendo ser deferido tratamento com a sua situação. Impende destacar a necessidade de analisar os princípios e limites constitucionalmente impostos, delineando, de fato, a competência para enfrentar a presente demanda. Nessa senda, é imperioso realizar a análise de previsão constitucional referente à matéria, vez que esta irá fornecer os limites balizadores da aplicação da norma ao caso concreto. Portanto, não é cabível a análise meramente sucinta acerca do quanto alegado e reiterado pelo Recorrente. No mais repisa as alegações já abordadas na peça recursal. Voto Vencido Conselheira Relatora. Dayse Fernandes Leite, Relatora. A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis.. O acórdão embargado, por unanimidade de votos rejeitou as preliminares e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Na fase recursal, em preliminar recorrente solicita a reabertura em primeira instância, onde deve ser analisada e decidida a questão suscitada, relativa à falta de legitimidade ativa da União para cobrar suposto imposto de renda que por determinação Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 constitucional pertence ao Estado da Bahia, sob pena de supressão de instância administrativa, e violação dos dispositivos constitucionais alegados, o que acarretaria nulidade do presente processo administrativo tributário, devendo na primeira instância, ser reconhecida a ilegitimidade ativa da União para cobrar o suposto imposto de renda, que não foi objeto de retenção pelo Estado da Bahia e que seja anulado o lançamento que originou o crédito tributário que ora se discute e deslocado o julgamento desse litígio instaurado, para o âmbito da Fazenda Estadual. Ao apreciar a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, trazida pelo recorrente, o acórdão embargado asseverou que tal preliminar foi suficiente abordada, na decisão de primeira instâncias e entendeu como sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. E, nessa conformidade, quando superou a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, a decisão de primeira instância demonstrou suficientemente que a exigência contida nos autos se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Ainda, esclareceu que as nulidades argüidas sobre a decisão de primeira instância se repetiam nas razões do voluntário, de sorte a rejeitálas sob os mesmos argumento. Ora, o fato de o Acórdão embargado ter entendido que a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal,foi suficientemente combatida na decisão de primeira instância e adotar como razão de decidir os mesmos fundamentos nela contido, não pode ser visto como uma contradição ou obscuridade, a uma porque não há qualquer obscuridade no acórdão guerreado, que adotou como razão de decidir o mesmo entendimento explicitado, na decisão de primeira para a rejeição das preliminares argüidas pela recorrente; e a duas porque ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC) utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. No caso em debate, a Turma entendeu que as matérias argüidas como preliminares pela contribuinte, foram suficientemente abordadas, na decisão de primeira instância. Daí não se pode, na via dos embargos, querer obrigar a Turma a decidir de acordo com o pleiteado pela parte. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802001.053, de 03 de março de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite. Voto Vencedor Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721007/200985 Acórdão n.º 2802001.861 S2TE02 Fl. 12 5 Em que pese o judicioso voto da Conselheira Relatora, a quem presto minhas homenagens, dele ouso divergir em uma pequena parte, por entender que a questão veiculada pelo Embargante em seu Recurso Voluntário acerca da incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia não foi devidamente apreciada quando do julgamento do recurso voluntário do Embargante. Com efeito, o Embargante pede a expressa manifestação desta Turma sobre esta tese, citando inclusive entendimento jurisprudencial que possui efeitos normativos de efeitos vinculantes aos conselheiros do CARF, segundo o art. 62A do seu Regimento Interno. E neste sentido, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial. Conforme a Lei Estadual que autorizou o pagamento das verbas decorrentes de diferenças na remuneração da Embargante, está expressamente consignado que o mesmo se dá em função de uma decisão em processo judicial, consoante consigna a Ementa do Acórdão embargado. Isto posto, voto no sentido de acolher em parte os Embargos, e excluir da tributação os valores de R$29.848,35, em cada um dos anoscalendários, discriminados como juros de mora, bem como a respectiva multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000011/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. INTIMAÇÃO COM INDIVIDUALIZAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE.
A presunção de omissão de receita por depósitos bancários sem origem comprovada deve permitir que o contribuinte identifique quais valores estão sendo questionados pela fiscalziação, daí a necessidade de individualização. No caso dos autos, a individualização ocorreu por intimação detalhada, fato que torna o lançamento válido.
IRPJ. CSLL. FATO GERADOR. CRITÉRIO TEMPORAL.
O erro na identificação do critério temporal do fato gerador por parte da autoridade administrativa gera a nulidade do lançamento tributário, afronta ao art. 142, do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 1302-001.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 10/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. INTIMAÇÃO COM INDIVIDUALIZAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE. A presunção de omissão de receita por depósitos bancários sem origem comprovada deve permitir que o contribuinte identifique quais valores estão sendo questionados pela fiscalziação, daí a necessidade de individualização. No caso dos autos, a individualização ocorreu por intimação detalhada, fato que torna o lançamento válido. IRPJ. CSLL. FATO GERADOR. CRITÉRIO TEMPORAL. O erro na identificação do critério temporal do fato gerador por parte da autoridade administrativa gera a nulidade do lançamento tributário, afronta ao art. 142, do Código Tributário Nacional
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INTIMAÇÃO COM INDIVIDUALIZAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE. A presunção de omissão de receita por depósitos bancários sem origem comprovada deve permitir que o contribuinte identifique quais valores estão sendo questionados pela fiscalziação, daí a necessidade de individualização. No caso dos autos, a individualização ocorreu por intimação detalhada, fato que torna o lançamento válido. IRPJ. CSLL. FATO GERADOR. CRITÉRIO TEMPORAL. O erro na identificação do critério temporal do fato gerador por parte da autoridade administrativa gera a nulidade do lançamento tributário, afronta ao art. 142, do Código Tributário Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 10/06/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 00 11 /2 00 8- 63 Fl. 4314DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 4315DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.315 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício remetido a este Conselho pela autoridade julgadora a quo nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 em face do acórdão nº 0125.231, proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Belém (fls. 4295/4308), que julgou totalmente procedente a Impugnação ao Auto de Infração. O presente PAF versa sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 779/812, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, do anocalendário de 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 19.316.252,84, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/12/2007. Também integra os Autos de Infração o Termo de Verificação Fiscal (fls. 747/777). De acordo com os fatos narrados pelo AFRFB, o sujeito passivo incorreu nas seguintes infrações: i) Omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; ii) Despesas não comprovadas. Para justificar a lavratura do PAF, assim como, a exação em comento, o AFRFB asseverou em síntese que: IV. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ATÍLIO GUSSON SÓCIO DE FATO A responsabilidade tributária solidária de Atílio Gusson restou comprovada, conforme os elementos de prova especificados no termo de sujeição passiva solidária, abaixo colimados. [...] V. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA ART. 44, V, §2°, da Lei n° 9.430/96 Multa de ofício, em razão da conduta delitiva acima exposta, de acordo com o previsto no diploma legal abaixo, s/c: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 4316DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 4 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. VI. INFRAÇÕES APURADAS [...] VI. II. Omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada Infração conhecida após cotejo levado a efeito entre os valores constantes nos lançamentos contábeis das contas Bancos e aqueles constantes nos extratos bancários da fiscalizada, referentes aos recursos depositados em contascorrentes e de aplicação financeira. [...] Com objetivo proporcionarlhe a produção de prova em contrário, a fiscalizada foi cientificada do termo de intimação fiscal lavrado em 26/09/2007, sendo intimada a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados em todas as suas contascorrentes, conforme lançamentos constantes no anexo ao citado termo, os quais foram extraídos dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras. Da análise levada a efeito, após expurgarmos os valores referentes a eventuais resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos e empréstimos bancários, apuramos omissão de receitas nos períodos e totais, caracterizados pelos depósitos em conta não comprovados a sua origem pela fiscalizada, posto que, embora regularmente intimada a fazêlo, conforme já dito, quedouse inerte. Ressaltamos que procedemos à seleção apenas dos depósitos/ingressos de valores iguais ou superiores a R$ 1.000,00, para que fossem justificadas as suas origens, tendo em vista a considerável movimentação financeira evidenciada, nos anos calendário em comento, evitandose, desta forma, que fosse onerado o trabalho fiscal com valores, in casu, irrelevantes. As infrações acima capituladas motivaram a lavratura do auto de infração IRPJ e reflexos, o qual se encontra acostado nos autos do processo fiscal n° 10218.001271/200775. [...] VI. IV. Omissão de receitas depósitos bancários de origem comprovada Após a adoção dos procedimentos de estilo, nos mesmos moldes do que do libelo transcrito no item VI. II., restou comprovada a omissão de receitas em comento, referente ao anocalendário 2003. Fl. 4317DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.316 5 VI. V. Glosa de despesas operacionais Glosa de despesas deduzidas indevidamente da base de cálculo para apuração do IRPJ e CSLL, de acordo com a previsão esculpida nos arts. 249, inciso I, 299 e 300, do Decreto n° 3.000/99(Regulamento do Imposto de Renda). Por fim o AFRFB realizou um confronto entre os valores das despesas operacionais (frete; energia elétrica; despesas com manutenção; despesas com seguro) descritas no Diário e os valores das despesas comprovadas pela empresa ora Recorrida, glosando a diferença encontrada. A recorrida tomou ciência do lançamento em 15/01/2008 e apresentou a sua impugnação em 14/02/2008, na qual alegou em síntese: DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA IMPUGNANTE [...] embora possua a empresa documentação hábil e idônea para comprovar a autenticidade dos lançamentos efetuados em sua contabilidade, [...], está impossibilitada de fazêlo, uma vez que os seus livros fiscais. especificamente os livros Razão e Diário do ano calendário de 2003, bem como os demais documentos que foram fornecidos pela Impugnante, estão em poder da fiscalização [...] Diante dessa situação, [...] encontrase impossibilitada de elaborar sua defesa em virtude da falta de elementos necessários [...] para o exercício pleno do contraditório e ampla defesa [...], o que configura [...] a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. [...] é flagrante a nulidade do presente procedimento fiscal, face o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, em virtude da falta de acesso aos seus livros contábeis e sobretudo aos documentos que foram utilizados para dar suporte à glosa de despesas que representa mais de 90% da presente autuação [...] DA SUPOSTA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DOS SÓCIOS E DA ALTERAÇÃO DO DOMICÍLIO FISCAL DA IMPUGNANTE [...] consta no depoimento prestado pelo sócio Luiz Menegon no bojo do Termo de Verificação Fiscal às fls. 10 e 11, "QUE é sócio proprietário do FR1GOX1N COMERCIAL LTDA", evidencia sua condição de sócio da Impugnante [...]. Ademais, não há nos autos nenhum elemento que descaracterize sua condição de sócio, sendo certo que sempre exerceu referida função, representando a empresa nas diversas situações. [...] os poderes conferidos ao Sr. Atílio Gusson na qualidade de Gerente Financeiro da Impugnante não suplantam as atribuições para tal cargo. Isso porque, no ambiente empresarial, o gerente financeiro desempenha dentre outras funções: monitoramento contábil e financeiro, tesouraria, fechamentos contábeis, Fl. 4318DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 6 balanços, lucros e perdas, aumento da eficiência da organização, gerenciamento de fluxo de caixa, contas a pagar e a receber, processos administrativos, controle de custos de produção com vendas, controle de aplicações financeiras, etc. [...] não existe nenhum impedimento legal para que o gerente financeiro na qualidade de mandatário da empresa no bojo de um instrumento de mandato [...] possa atuar como sua representante e desempenhar as funções ali atribuídas [...] [...] o Sr. Atílio foi admitido como gerente financeiro da Impugnante em setembro de 2002 e percebia o salário mensal inicial de R$ 2.500,00 [...] tendo atingido o montante de 8.900,00 [...] após quatro anos de trabalho (em 09/2006). Em 01 de novembro de 2007, o Sr. Atílio foi demitido da empresa. [...] resta claro que não há que se falar em interposição fraudulenta dos sócios Luís Menegon e Maria Aparecida Menegon no quadro societário da Impugnante, bem como da equiparação indevida do Sr. Atílio Gusson como sócio de fato da empresa. DA NUL1DADE DA AUTUAÇÃO FISCAL POR ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E DA IMPROCEDÊNCIAS DAS INFRAÇÕES APURADAS No que diz respeito à suposta omissão caracterizada pelos valores constantes dos extratos bancários, [...] os auditores fiscais tãosomente se limitaram a mencionar a suposta incompatibilidade dos valores nos lançamentos contábeis e extratos bancários, sem apresentar nenhuma planilha dos valores que estariam sendo considerados nos extratos bancários e das divergências apontadas em relação aos lançamentos da conta Bancos. Em verdade, nos autos de infração constam valores fechados, de supostas infrações, apurados mês a mês, sem a menção detalhada da forma de apuração da provável infração, além de inexistir planilhas que demonstrem a ocorrência de tal fato. [...] tal omissão por parte dos auditores fiscais, dificultam sobremaneira o direito de ampla defesa e exercício do contraditório por parte da Impugnante, configurando no caso em tela, mais uma vez, um notório cerceamento do seu direito de defesa. [...] os agentes fiscais, ao apurarem o resultado tributável com base em omissão de receitas, teriam [...] que recompor o resultado tributável, e não simplesmente oferecerem tudo a tributação como se tais valores efetivamente correspondessem ao lucro da Impugnante [...] [...] No que concerne às glosas de despesas, [...] Realizando a confrontação entre as informações trazidas pela fiscalização no bojo do termo de verificação fiscal e os Balancetes da Impugnante dos meses de janeiro a dezembro do ano de 2003 (docs. 5 a 16 anexos), verificase o notório equívoco cometido pelas autoridades fiscais, ao se referir a valores supostamente constantes da contabilidade da Impugnante. Fl. 4319DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.317 7 A título de exemplo, [...]Foi informado pelos fiscais que no mês de janeiro a Impugnante apresentou uma despesa de frete no montante de R$ 1.069.545,55 [...]. Ocorre que tal valor, diz respeito à soma de toda a coluna "Outros gastos", como é possível constatar no Balancete da empresa (Período 01/01/03 a 31/01/03 doc. 5 anexo) e não de despesas com frete. Ou seja, no mês de janeiro a Impugnante apresentou uma despesa com frete no valor de R$ 689.505,52 [...] e não no valor de R$ 1.069.545,55 [...], mencionado pelas autoridades fiscais. DO DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA [...] não existiu intuito de fraude por parte da Impugnante. Isso porque, além de ter apresentado os documentos solicitados ao longo do trabalho fiscal, houve in casu um mero erro de escrituração contábil da empresa, que caso tivesse o alegado intuito de burlar o fisco jamais teria feito a escrituração correta no Livro Registro de Saídas e mais não teria efetuado sua declaração junto a Fazenda Estadual. [...] Em 11/11/2008, a autoridade julgadora a quo devolveu o processo à unidade de origem para que fossem adotas as seguintes providências: a) Apresentar termo de devolução dos livros e documentos apreendidos, relativos ao anocalendário 2003, ou do termo de fornecimento de cópia destes ao contribuinte. Em caso de impossibilidade de atendimento da exigência, fornecer para a impugnação ao lançamento; b) Apresentar termo de sujeição passiva solidária, ou documento equivalente, do Sr. ATÍLIO GUSSON, acompanhado do respectivo documento de ciência deste do lançamento/sujeição passiva. Em caso de impossibilidade de atendimento da exigência, dar ciência do lançamento e da responsabilidade solidária ao Sr. ATÍLIO GUSSON, reabrindo prazo para este impugnar o lançamento; c) Apresentar/demonstrar, com base na escrituração da recorrente, a origem dos valores tomados como despesas mensais contabilizadas a título de frete e energia elétrica; Em decorrência da diligência, foram anexados ao processo: i) Termo de Sujeição Passiva Solidária, lavrado em 22/06/2011 (fls. 944/945); ii) Termo de Constatação de Diligência Fiscal, lavrado em 22/06/2011, na qual consta a recusa de recebimento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por parte do Sr. Atílio Gusson (fls. 952); iii) Termo de Entrega de Cópias de Documentos (fls. 4242/4247), recebido pelo procurador do sujeito passivo em Fl. 4320DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 8 18/10/2011, na qual consta a entrega da cópia do processo (fls. 9544238) e a reabertura do prazo de defesa da recorrente; iv) Termo de Devolução de Livros e Documentos, lavrado em 26/06/2008, recebido pelo procurador do sujeito passivo (fls. 4250/4252); v) Demonstração dos valores de despesas de frete e energia elétrica, considerados não comprovados, corrigidos no curso da diligência (fls. 4278/4294); Diante dos fatos e argumentos apresentados, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Belém, por unanimidade de votos, em data de 27/06/2012 proferiu acórdão n° 0125.231 (fls. 4295/4308) dando total procedência à impugnação da ora Recorrida nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. FATO GERADOR. BASE TEMPORAL. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO. É improcedente o lançamento, por erro de identificação do fato gerador, que não observa o critério temporal de apuração da base de cálculo do tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: FATO GERADOR. BASE TEMPORAL. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO. É improcedente o lançamento, por erro de identificação do fato gerador, que não observa o critério temporal de apuração da base de cálculo do tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 Ementa: OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 4321DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.318 9 Anocalendário: 2003 Ementa: OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Fl. 4322DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 10 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso de Oficio apresenta os requisitos de admissibilidade então dele conheço. 1. DA OMISSÃO DE RECEITA Os julgadores a quo ao proferirem o acórdão n° 0125.231 (fls. 4295/4308), ora recorrido, entenderam pela improcedência do lançamento de omissão de receita, haja vista, o AFRFB não ter individualizado os créditos bancários divergentes da apuração entre os valores depositados e aqueles lançados em escrituração contábil pela contribuinte, ora Recorrida. Senão, vejamos: “Do exposto, no procedimento adotado pela autoridade lançadora, não houve a individualização dos créditos bancários, nem a regular intimação ao sujeito passivo para comprovação da origem desses créditos. Exigir esclarecimentos a respeito da falta de contabilização dos créditos bancários não equivale exigir a comprovação da origem desses créditos. A falta de individualização dos créditos bancários deixa o fato indiciário ilíquido e incerto. O lançamento do crédito tributário exige determinação líquida e certa da matéria tributável, ainda que a liquidez e certeza decorram de expressa determinação legal, como é o caso das presunções legais. No caso corrente, não há liquidez no fato indiciário da presunção, o que torna impossível a liquidez da matéria tributável. A irregular intimação do sujeito passivo, por sua vez, não configura a situação de falta de comprovação da origem dos créditos bancários, pressuposto da presunção. Pelo que, considerase improcedente o lançamento da omissão de receita, pela falta de comprovação da situação que constitui do gerador do lançamento (art. 142, CTN)”. No entanto, ao compulsar atentamente o PAF em discussão, em especial às folhas 705 a 727, podemos vislumbrar que houve por parte do AFRFB a individualização dos créditos bancários, assim como, houve a intimação da Recorrida para manifestarse sobre os créditos bancários. Desse modo, entendo pelo reforma do acórdão n° 0125.231, ora recorrido, no que se refere a falta de individualização e intimação dos créditos bancários. 2. DO IRPJ E CSLL – NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 4323DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.319 11 Prima facie, importante dispor que o Código Tributário Nacional, em seu art. 142, dispõe sobre o lançamento tributário. Vejamos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Em tempo, a Portaria do Ministério da Fazenda n. 203/2012, em seu art. 224, atribui a competência para lançamento às Delegacias Regionais, vejamos: Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...]. Nessa esteira, o ato administrativo de lançamento tributário está vinculado a verificar todos os critérios da regra matriz de incidência tributária, e entre eles está a verificação do critério temporal, o qual indica o exato momento em que o fato imponível ocorre. Todavia, conforme pode ser vislumbrado no(s) auto(s) de infração de IRPJ e CSLL (fls. 779/795), o AFRFB ao realizar o lançamento do crédito tributário, o fez sobre bases mensais, no entanto, como é sabido por todos, estes tributos (IRPJ e CSLL) têm as suas bases fixadas em apurações anuais ou trimestrais conforme disposto nos arts. 1º e 2º, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Senão, vejamos: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 Fl. 4324DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 12 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (grifei) Desse modo, a apuração mensal dos tributos realizada pelo AFRFB incorreu em flagrante discrepância com legislação pátria e, consequentemente, com a regra matriz de incidência tributária, ferindo de morte o lançamento tributário. Nesse sentido caminha a jurisprudência deste e. Conselho. Senão, vejamos: ELEIÇÃO INCORRETA DO CRITÉRIO TEMPORAL. A adoção incorreta na eleição do critério temporal do fato gerador torna imprestável o lançamento de ofício realizado ainda que se possa suprir evidente equívoco na indicação do enquadramento legal da infração. (Acórdão 1803001.514 CARF – 1ª. Seção 3ª Turma Especial Data de publicação: 25/10/2012) (grifei) Não bastasse o exposto, a apuração e o lançamento tributário em bases mensais (estimativas) do IRPJ e CSLL realizado pelo AFRFB vai de encontro ao disposto na Súmula n° 82 deste Conselho. Vejamos: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Desse modo, entendo que não há reparos a serem feitos no r. acórdão recorrido, o qual entendeu pela nulidade do lançamento tributário. Nesse passo, em virtude da nulidade do lançamento tributário, as demais argumentações restam prejudicadas, perdendo assim o seu objeto. 3. CONCLUSÃO Ante ao exposto, julgo improcedente o recurso de ofício, para manter a exoneração do crédito tributário constituído em desfavor da recorrida, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 4325DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.320 13 Fl. 4326DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 13971.912275/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO.
Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização
ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a
apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912275/200907 Acórdão n.º 330201.596 S3C3T2 Fl. 168 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 136 a 141) apresentado em 22 de junho de 2011 contra o Acórdão no 1433.327, de 13 de abril de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 131 a 134), cientificado em 31 de maio de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de IPI dos períodos de 4º trimestre de 2004, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. O pedido foi apresentado em 17 de julho de 2006 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório eletrônico de fl. 83. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente homologou as compensações declaradas, em razão da glosa de fornecedores optantes pelo SIMPLES. Alega a interessada que, nos termos do artigo 142 do CTN, o Despacho deve ser anulado por falta de motivação do ato, sendo que não há qualquer dispositivo legal que vede o aproveitamento dos créditos em questão, conforme o princípio constitucional da nãocumulatividade a Constituição, ademais os fornecedores não seriam optantes, conforme extrato do SIMPLES NACIONAL. Conforme ementa reproduzida, a DRJ indeferiu a manifestação. No recurso, a Interessada alegou que, a fundamentação legal, não teria sido citado dispositivo algum que vedasse a utilização dos créditos. Ademais, a Constituição federal não teria criado restrição alguma quanto à não cumulatividade do IPI. Finalmente, alegou que não caberia ao contribuinte verificar a forma de tributação das empresas fornecedoras. É o relatório. Voto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912275/200907 Acórdão n.º 330201.596 S3C3T2 Fl. 169 3 Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O despacho decisório especificou que houve glosa de créditos considerados indevidos e, conforme ressaltado pela Primeira Instância, no detalhamento da glosa (do que foi dado ciência à Interessada), ficou esclarecido que “os créditos glosados advinham de empresas optantes pelo Simples Federal”. Em relação às notas fiscais do estabelecimento optante pelo Simples, considerou a Primeira Instância que o estabelecimento estaria impedido de transferir créditos, razão pela qual não tinha o dever de confrontar os créditos com os débitos e efetuar o recolhimento do saldo. Muito embora o estabelecimento fornecedor tenha incorrido em irregularidade grave ao emitir nota fiscal que não poderia emitir e, ainda, destacar o IPI devido na saída como se não fosse optante pelo Simples, cabe razão à Primeira Instância ao fazer as seguintes considerações: Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que, ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. A LC nº 123/2006 revogou a Lei nº 9.317/96, porém manteve a vedação ao crédito na aquisição de fornecedores optantes pelo SIMPLES no artigo 23: “Art.23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional.” Relativamente ao argumento de boa fé, cabe ponderar que na situação em comento, referese a uma relação negocial envolvendo de um lado empresa comercial que adquire insumos e de outro, suposta, empresa fornecedora, o que, de plano, exige se um dever mínimo de cautela entre as partes envolvidas, ou seja o dever acautelatório necessário às boas práticas comerciais. No caso, uma empresa optante do SIMPLES emite um documento com destaque do IPI, como se fosse um contribuinte ordinário, o que resulta que esse fornecedor ao emitir um documento inválido lesou o adquirente que não tomou as cautelas necessárias. Admitir que um documento inidôneo confere direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe é devido, pois, inerente ao risco da atividade mercantilista, ou mesmo, de qualquer negócio. Por outro lado, nada impede que a pessoa lesada busque no Poder Judiciário o ressarcimento das perdas e danos que o(s) vendedor(s) possa(m) ter causado Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.912275/200907 Acórdão n.º 330201.596 S3C3T2 Fl. 170 4 Por outro lado, se o fornecedor não agiu de má fé, como é optante do SIMPLES e não devia destacar e pagar o IPI, tratase de recolhimento indevido, o que não se enquadra como ressarcimento ao adquirente, mas, sim, como restituição ao vendedor nos termos dos artigos 165 e 166 do CTN. Quanto à consulta ao SIMPLES NACIONAL juntada pela defesa, verifico nos sistemas da Receita Federal do Brasil que, por ocasião da emissão das indigitadas notas fiscais, os fornecedores eram optantes do SIMPLES FEDERAL, o que, como já visto, não permite nenhum aproveitamento dos supostos créditos. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.724198/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº. 449 de 2008. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leo Meirelles do Amaral divergiram, por entender que a multa aplicada deve ser reduzida em decorrência do descumprimento das obrigações principais ao percentual de 20% até novembro/2008, fixando o percentual de 75% nas demais competências. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 41 98 /2 00 9- 24 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº. 449 de 2008. Os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leo Meirelles do Amaral divergiram, por entender que a multa aplicada deve ser reduzida em decorrência do descumprimento das obrigações principais ao percentual de 20% até novembro/2008, fixando o percentual de 75% nas demais competências. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/200924 Acórdão n.º 2302002.516 S2C3T2 Fl. 185 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 17/12/2009 para constituição de crédito de contribuições destinadas às entidades e fundos denominados Terceiros, referentes às competências 01/2005 a 12/2007, incluindo décimos terceiros salários do período. O valor do crédito tributário é de R$ 72.998,75, já incluídos os juros e a multa de mora. Conforme Relatório Fiscal de fls. 31/35, os fatos geradores das contribuições apuradas no Auto de Infração foram as remunerações pagas, pelos serviços prestados, aos segurados empregados e que não foram declaradas em GFIP, sendo que os valores foram apurados pelo cotejamento das folhas de pagamento com as GFIP´s entregues. Outrossim, informa a autoridade fiscal no aludido documento que, em razão da conduta da empresa, encaminhouse ao Ministério Público Federal representação fiscal para a apuração de eventual responsabilidade penal dos envolvidos. Por fim, relata que outros Autos de Infração foram lavrados em razão da apuração do descumprimento de outras obrigações principais e também de algumas obrigações acessórias. Cientificada do Auto de Infração, a recorrente apresentou defesa a impugnação de fls. 117/125. A DRJ Curitiba, conforme acórdão de fls. 146/153, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão em 1 de outubro de 2010 (fls. 155), interpôs, em 21 de outubro de 2010, o recurso de fls. 157/166, no qual alega e requer, em apertada síntese, que: * o seu inconformismo prendese, tãosomente, em relação aos acréscimos legais (juros e multa) aplicados sobre o valor original do débito, os quais teriam sido fixados em valores exorbitantes, tornando quase impossível o cumprimento da obrigação tributária; * a utilização da Taxa Selic ofenderia a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional. Assim, pleiteia a aplicação de taxa correspondente a 1% ao mês na atualização de seus débitos; * a multa de 50% seria confiscatória, devendo ser reduzida para 30%. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Multas e juros. A recorrente afirma que o seu inconformismo cingese aos acréscimos legais, requerendo a aplicação de juros de mora correspondentes a 1% ao mês e de multa de 30%. Razão não assiste à recorrente, pois a multa de mora e os juros de mora aplicados tem previsão legal na Lei n° 8.212/91, não havendo outro fundamento legal para sua fixação em percentual diferente daquele constante do lançamento. Quanto às alegações de inconstitucionalidade dos referidos acréscimos legais, especialmente o efeito confiscatório da multa e a inexigibilidade da Taxa Selic, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o artigo 72 da Portaria MF nº 256/2009 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse ainda a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, dos pleitos da recorrente. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/200924 Acórdão n.º 2302002.516 S2C3T2 Fl. 186 5 Multas. Direito Intertemporal. Em que pese o desacerto das razões recursais, impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/200924 Acórdão n.º 2302002.516 S2C3T2 Fl. 187 7 cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, a princípio, nada haveria de ser revisto no lançamento, posto que a multa aplicável foi aquela prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN , prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que aplicase a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Ocorre que, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, nestas situações específicas, a aplicação da novel legislação pode se mostrar mais benéfica ao infrator. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao art. 106, II, ‘c’ do CTN. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/200924 Acórdão n.º 2302002.516 S2C3T2 Fl. 188 9 Declaração de Voto: Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Relator no que pertine a aplicação da multa de mora. Em julgamentos pretéritos adotei o posicionamento segundo o qual a multa aplicada quando do lançamento relacionado ao descumprimento das obrigações principais deveria ser aquela disposta no art. 35 da Lei 8.212/91, limitando o escalonamento ao percentual de 75% conforme nova redação dada pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91 subsumida a hipótese pela retroatividade benigna da norma (art. 106, inciso II, 'c', do CTN). No entanto, aprofundando o estudo do tema, achei por bem alterar o meu entendimento e, para o caso, no período de 01/2007 a 12/2008, aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pela MP 449/08 em decorrência da retroatividade benigna, reduzindo o percentual a 20%. Explico. No período em comento estava em vigor o art. 35 da Lei nº 8.212/91 cuja norma, na sua redação original, regulamentava a incidência da multa de mora sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, era agrupada em percentuais distintos a depender da data do pagamento da exação. Quanto mais distante do dia do vencimento, maior o percentual. A penalidade era aplicada pelo atraso no pagamento, existindo ou não ação fiscal. Assim prescrevia: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. " (grifo nosso) Posteriormente, com a criação da MP 448/09 convertida na Lei nº 11.941/09, a legislação ordinária de 1991 sofreu alterações significativas. A partir de então, o atraso no pagamento das contribuições sociais passou a ser conduta punida pela multa de mora ou multa de ofício. A aplicação de uma ou de outra estaria vinculada a existência de ação fiscal. Com efeito, a cobrança do tributo seguida de lançamento era condição para incidência da multa de ofício tipificada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (com redação da pela Lei nº 11.941/09) a qual remetia aos percentuais fixados no art. 44 da Lei no 9.430/96: "Art. 35A: Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal..." Em relação a multa de mora, o percentual passou a ser fixado em 20% nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vide transcrição: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/200924 Acórdão n.º 2302002.516 S2C3T2 Fl. 189 11 "Art. 35 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." "Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Do cotejo entre a antiga norma e aquela estabelecida após o avento da MP 449/08, inferese que a multa de mora passou a incidir de forma mais benéfica para o contribuinte a partir de dezembro/2008, porquanto limitada a 20% (vinte por cento). Sob a ótica da incidência do art. 106, inciso II, alínea 'c' do CTN, a lei mais benéfica deve ser aplicada ao fato pretérito quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 12 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Grifo nosso Neste contexto, em relação a ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias até novembro/2008, por inexistir previsão para a multa de ofício, deve incidir a penalidade prevista na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (multa de mora), entretanto, limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/08 (art. 35 da Lei 8.212/91 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Este entendimento vem sendo adotado pela 2ª Seção, 3ª Câmara, 1ª TO cujo julgado, de relatoria do Conselheiro Mauro José Silva (Acórdão nº 999.999 PAF 10805.003371/200716), a seguir transcrito: "LANÇAMENTOS RFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA 'C', DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança do regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea 'c', do inciso II, do art. 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%" Como dito inicialmente, se no passado adotava o posicionamento segundo o qual a multa aplicada quando do lançamento deveria ser aquela disposta no art. 35 da Lei 8.212/91 (multa de mora), limitando o escalonamento ao percentual de 75% conforme aplicação retroativa da nova redação dada pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício) nos termos do art. 106, inciso II, 'c', do CTN; no presente, considero que a comparação das normas deve ocorrer entre institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora (art. 35 da Lei 8212/91 antes da mp 449/08) com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91 após a MP 449/08), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91). Logo, a partir de dezembro/2008 é indubitável a incidência do novo regramento constante no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (multa de ofício). Antes, porém, até novembro/2008, deve ser aplicado o percentual de 20%. (assinado digitalmente) Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10980.724198/200924 Acórdão n.º 2302002.516 S2C3T2 Fl. 190 13 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI, Assinado digitalmente em 11/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 11070.002684/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativo a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2008 e março de 2009, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a Recorrente apropriou créditos das exações nas aquisições de mercadorias sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica (art. 43 da MP nº 2.15835/2001, Lei nº 10.483/2002 e Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso I, letra “a”, com alterações posteriores, art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 02 68 4/ 20 09 -1 3 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Resolução nº 3302000.304 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões de alegação foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: 1. em preliminar, pede a nulidade do auto de lançamento, visto que ele não contém todos os elementos necessários exigidos pelo Decreto n° 70.235, de 1972, na medida que se limita a apontar como enquadramento legal determinados dispositivos legais, de forma genérica. Além disso, os dispositivos legais apontados, ao contrário de dar sustentação à pretensão fiscal, garantem o direito de crédito da empresa. A empresa está prejudicada em seu direito de defesa, já que o ato formal de constituição do crédito tributário contempla vícios. Ele é manifestamente ilegal, não alcançando a presunção de validade que lhe é característica. O ato formal omitiuse me especificar a matéria tributável a lhe dar suporte de validade. Infringiu, assim, a CF, devendo ser declarado nulo o lançamento; 2. registra entendimentos sobre a nãocumulatividade, e diz que há direito de crédito de PIS e de COFINS em relação às aquisições tributadas quando a saída é isenta, não tributada, imune ou tributadas com alíquota zero. Conforme o art. 16 da MP n° 204, de 2004 (atualmente art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004), os contribuinte cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero ou com suspensão têm direito. à manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de insumos; 3. diz não existir na legislação que rege a matéria qualquer restrição ao crédito efetuado pela empresa. Ao contrário, existe expressa autorização legal para que isto ocorra (art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004). Ainda que houvesse restrição, tal seria inconstitucional, porquanto a nãocumulatividade deve ser entendida como integral e absoluta, nunca parcial e relativa. O direito de abatimento é garantido constitucionalmente (art. 195, § 12, da CF). A CF não dá margens para que o legislador ordinário restrinja o princípio da nãocumulatividade, autorizando, apenas, que sejam definidas as categorias econômicas para as quais as contribuições seriam não cumulativas; 4. entende que o caráter de nãocumulatividade inerente às contribuições para o PIS e para a COFINS deve ser interpretado de forma ampla, devendo a técnica base contra base ser atentamente observada, não podendo qualquer legislação infraconstitucional restringir o direito ao crédito; 5. assenta que sendo a empresa revendedora de mercadorias, onde sua operação de venda é tributada com alíquota zero, suspensa, não tributada ou isenta, tem ela direito à manutenção dos créditos de PIS e de COFINS decorrentes da aquisição de insumos vinculados a esta vendas, em função do regime da nãocumulatividade; 6. diz ser confiscatória a multa de ofício aplicada, havendo transgressão de princípios constitucionais e do Direito Civil; 7. refere serem inexigíveis juros de mora com base na taxa SELIC, impondose sua substituição por juros de 1% ao mês, não capitalizados, e correção monetária calculada com base na variação da UFIR, visto que qualquer outra forma de calcular os juros encontrará obstáculo no § 3 o do art. 192 da CF. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão no 1035.416, de 08/11/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 NULIDADE. FALTA DE Fl. 846DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Resolução nº 3302000.304 S3C3T2 Fl. 4 3 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. É infundada a argüição de nulidade dos lançamentos, por cerceamento do direito de defesa, se os dispositivos legais que os fundamentaram encontramse descritos nos Autos de Infração, o TVF descreve as infrações cometidas pela contribuinte, e a peça impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente para contradizer o suposto cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sujeitamse a lançamento de ofício os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sujeitamse a lançamento de ofício os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Resolução nº 3302000.304 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringe se a tributos e não a multa, e se dirige ao legislador. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Ciente desta decisão em 22/11/2011 (AR de fl. 805), a interessada ingressou, no dia 13/12/2011, com o recurso voluntário de fls. 806/821, no qual renova as alegações da impugnação sobre a nulidade do lançamento, o direito ao crédito nas saídas isentas, não tributadas e com alíquota zero, o caráter confiscatório da multa de ofício e a inexigibilidade da Taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Na forma regimental, o recurso voluntário foi sorteado para ser relatado. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente apresentou diversos PER/DCOMP e, ao realizar os procedimentos fiscais para apurar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, a Fiscalização constatou que a empresa interessada escriturou e utilizou indevidamente créditos do PIS e da Cofins na aquisição de mercadorias sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica (art. 43 da MP nº 2.15835/2001, Lei nº 10.483/2002 e Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso I, letra “a”, com alterações posteriores, art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005). Diante da inexistência de crédito e da existência de saldo devedor, os pedidos de ressarcimento foram indeferidos e foram lavrados os autos de infração controlados neste processo. Não há informação nos autos sobre o número dos processos relativos aos PER/DCOMP trabalhados no mesmo procedimento fiscal que resultou na lavratura dos autos de infração controlados no presente processo, a que se refere o Termo de Verificação Fiscal, e nem sobre a situação em que cada um se encontra. No entanto, este CARF já julgou diversos recursos voluntários constantes de processos de interesse da Recorrente e, certamente, alguns deles estão relacionados com o procedimento fiscal que resultou na lavratura do autos de infração do presente processo. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Resolução nº 3302000.304 S3C3T2 Fl. 6 5 A título de exemplo, foram julgados os processos nºs 11070.001759/200949 e 11070.001749/200911, Acórdãos nºs 3803003.676 e 3803.003.667, respectivamente, ambos de 25/10/2012, que têm relação com os autos de infração deste processo. Nos julgados acima, a Turma de Julgamento decidiu não analisar o mérito da recurso do contribuinte em razão da existência de ação judicial com o mesmo objeto, conforme se constata na ementa dos respectivos acórdãos, abaixo transcrita. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Referidas decisões foram objeto de Embargos de Declaração por parte do contribuinte, sob a alegação de que o Mandado de Segurança nº 2009.71.05.0014210 trata de matéria diversa da tratada nos processos nºs 11070.001759/200949 e 11070.001749/200911, a mesma tratada neste processo e que ensejou a lavratura dos autos de infração. No presente processo, e diante dos fatos acima narrados, a Turma de Julgamento deverá decidir se existe ou não concomitância de objeto deste processo com o mandado de segurança impetrado pela recorrente. Diante desta realidade, fazse necessário instruir os autos com as peças principais do mandado de segurança, tais como a Petição Inicial, a Sentença e Acórdãos do Tribunal Regional Federal, caso exista. Há, portanto, necessidade de retorno dos autos à RFB para completar a instrução do processo com os elementos necessários à formação da convicção dos membros do Colegiado sobre a existência, ou não, de concomitância de objeto deste processo com o mandado de segurança acima referido ou com outra ação judicial porventura impetrada pela Recorrente. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição da RFB de origem para as seguintes providências: 1 relacionar todos os processos de ressarcimento trabalhados no mesmo procedimento fiscal do Termo de Verificação Fiscal deste processo, indicando a situação atual de cada um deles (aguardando julgamento de manifestação de inconformidade, aguardando julgamento de recurso voluntário, aguardando julgamento de embargos de declaração, aguardando julgamento de recurso especial, encerrado, arquivado, etc.); 2 intimar a empresa recorrente a apresentar cópia da Petição Inicial do Mandado de Segurança nº 2009.71.05.0014210, bem como das decisões de mérito acaso proferidas no mesmo (Sentença e Acórdão do TRF); 3 intimar a empresa interessada a informar se, além do mandado de segurança do item 2, possui outra ação judicial, individual ou coletiva, por qualquer modalidade, impetrada antes ou depois (i) da ocorrência do fato gerador do créditos tributários deste processo ou (ii) da lavratura do auto de infração, discutindo o direito de crédito de PIS e Cofins nas aquisições de mercadorias sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica do PIS e da Cofins. Em caso positivo, apresentar cópia da Petição Inicial e das decisões de mérito acaso proferidas (Sentença e Acórdãos do TRF); Fl. 849DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Resolução nº 3302000.304 S3C3T2 Fl. 7 6 4 Diante dos elementos apresentados pela empresa recorrente, manifestarse (no Relatório da Diligência) sobre a existência, ou não, de concomitância de objeto deste processo com as ações judiciais a que se refere os itens 2 e 3, acima. 5 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo lhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11 para manifestação. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 850DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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