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Numero do processo: 11080.914800/2012-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 00 /2 01 2- 25 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914800/201225 Acórdão n.º 3802003.801 S3TE02 Fl. 121 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 59 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 08/01/2014 (fls. 57), interpondo recurso tempestivo em 04/02/2014 (fls. 59). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914800/201225 Acórdão n.º 3802003.801 S3TE02 Fl. 122 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003537/2003-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/05/2003
COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO DEFINITIVO.
Nos termos do artigo 170 e 170-A do Código Tributário Nacional, incabível compensação de créditos tributários objeto de decisão judicial antes do trânsito em julgado definitivo da respectiva decisão judicial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
MÍRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/05/2003 COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO DEFINITIVO. Nos termos do artigo 170 e 170-A do Código Tributário Nacional, incabível compensação de créditos tributários objeto de decisão judicial antes do trânsito em julgado definitivo da respectiva decisão judicial. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA - Presidente. MÍRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
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EXIGÊNCIA DO TRÂNSITO EM JULGADO DEFINITIVO. Nos termos do artigo 170 e 170A do Código Tributário Nacional, incabível compensação de créditos tributários objeto de decisão judicial antes do trânsito em julgado definitivo da respectiva decisão judicial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA Presidente. MÍRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 35 37 /2 00 3- 52 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da empresa INDEBA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, indeferindo, assim, o direito creditório solicitado, com a conseqüente nãohomologação da compensação dos débitos declarados. Diante da precisão do relatório constante do acórdão, que minuciosamente reportou a pretensão da contribuinte, passo a adotálo, nos termos a seguir: “Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n°0650/2008 do Serviço de Orientação e Análise Tributária — SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, de 09/12/2008 (fls.66/70), que não admitiu a Declaração de Compensação de fls.05/06, pelo não atendimento do disposto no art.170A do Código Tributário Nacional e aplicação dos Pareceres PGFN/CRJ n°679, de 10 de abril de 2001, e 683, de 1993, publicado no DOU de 29/07/1993, item 34: apresentação da DCOMP antes do trânsito em julgado da ação judicial no Mandado de Segurança n°2000.33.00.0286301BA. Por conseguinte, considerou indevidamente compensados os respectivos débitos vinculados com créditos do PIS/PASEP. Consta no despacho decisório que foram homologadas as compensações objeto das Declarações de Compensação de fls.01/02 e 03/04, por expressa determinação legal, §5° do art.74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada do indeferimento em 10/02/2009 (fl.119), a interessada apresentou em 09/03/2009 a manifestação de inconformidade de fls.72/77, alegando, em síntese , que: a não homologação da compensação não merece prosperar pois o entendimento do despacho é contrário ao adotado pelos Tribunais Pátrios; o prévio reconhecimento da liquidez e certeza só pode ser exigido na compensação prevista no art.170 do CTN, que se refere a compensação como forma de extinção do crédito tributário, e, sendo atinente ao objeto de lançamento tributário já consumado, é dotado de liquidez e certeza. O mesmo não se pode exigir da compensação por homologação prevista no art.66 da Lei.n°8.383, de 1991, que não foi alterado pela lei complementar, cujo dispositivo é dirigido ao contribuinte; o Judiciário apenas reconhece o direito de ser efetuada a compensação, sem no entanto proceder a homologação do encontro de contras, cabendo à Administração fazendária o direito de se verificar se a compensação fora efetuada corretamente; o art. 170A do CTN passou a existir após alteração do CTN trazida pela Lei Complementar n°104, de 10 de janeiro de 2001, Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.003537/200352 Acórdão n.º 3102002.270 S3C1T2 Fl. 158 3 transcreve doutrina e jurisprudências; a decisão deve ser reformada haja vista a indevida e ilegal interpretação adotada que levou ao indeferimento do pedido de compensação, pois não se pode aplicar ao presente caso o disposto no art. 170A.” Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 124/131), em que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o pedido, indeferindo, o direito creditório almejado, com a conseqüente nãohomologação da compensação dos débitos declarados. Assim manifestouse o colegiado na origem, íntegra da ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/05/2003 COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Inconformada, com a decisão de primeira instância, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 134/138 , em que renovou os idênticos argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. É o Relatório Voto Conselheira Mírian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele o conheço. No mérito, cingese a questão em saber se é possível a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional ,objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. A empresa Recorrente, conforme depreendese dos autos (fls. 56), formalizou a apresentação de Declaração de Compensação anteriormente ao trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 2000.33.00.0286301BA, que, há época, encontravase pendente de julgamento do Recurso Especial pelo Superior Tribunal de Justiça no STJ. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 De fato, a compensação, instituto clássico do direito das obrigações, insculpido no ordenamento jurídicotributário por meio do inciso 11 do art. 156 da Lei no 5.172/66 (CTN), como modalidade excepcional de extinção do crédito tributário, encontrase condicionada ao cumprimento de requisitos legais que restringem sua aplicação. De tais restrições, emergem os arts. 170 e 170A (introduzido pela Lei Complementar n° 10412001) do mesmo CTN, os quais em vista de aplicáveis ao caso em discussão merecem ser apreciados, in verbis: “Art. 170, A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir b autoridade administrativa, r autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito me julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lei Complementar n" 104, de 10 de janeiro de 2001). (sublinhouse). Como se vê a partir dos dispositivos legais acima transcritos, a compensação de débitos se afigura possível quando existentes são os créditos favoráveis à contribuinte, sobressaindo cristalina a compreensão no sentido de restringir a possibilidade de compensação dos débitos do sujeito passivo apenas com créditos líquidos e certos dele contra a Fazenda Pública e nunca antes de transitar em julgado a decisão judicial que lhe seja favorável e lhe viabilize o aproveitamento de créditos que porventura tenham sido judicialmente pleiteados. Reforçando ainda a impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial, apesar da vedação contida no art. 170A do CTN, é de se considerar que tal procedimento não é cabível haja vista que não se pode homologar a compensação com base em decisão judicial passível de reforma, pois caso o trâmite da ação ultrapasse o prazo para homologação, a compensação se tornaria definitiva, e a eventual reforma do julgado não surtiria mais efeito, por extinção do prazo para homologar ou não a Declaração de Compensação. Haveria, assim, afronta ao princípio da unicidade de jurisdição, de acordo como qual não cabe à autoridade administrativa pronunciarse sobre o mérito de questão pendente de apreciação definitiva pelo Poder Judiciário. Destaquese que o tema não é novel nesta 2ª Turma. Em julgado de janeiro de 2014, da relatoria do ilustre Conselheiro José Fernandes, nos autos do Recurso Voluntário 13896.000272/200294, recorrente Distribuidora de Bebidas Barletta LTDA, acórdão nº 3102 002.140, por unanimidade, assim decidiuse: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DÉBITOS DECLARADOS COM CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A compensação somente pode ser realizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, revestiremse dos Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.003537/200352 Acórdão n.º 3102002.270 S3C1T2 Fl. 159 5 atributos da certeza e liquidez, nos termos do caput do artigo 170 do CTN 2. Em face da ausência dos atributos da certeza e liquidez, é vedada a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão. Recurso Voluntário Negado.(grifo nosso).” Desta feita, uma vez demonstrada que a compensação pleiteada está em descompasso com o disposto nos artigos 170 e 170A do CTN e Instruções Normativas da SRF, deve ser indeferido o direito creditório solicitado, com a conseqüente nãohomologação da compensação dos débitos declarados. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário da empresa INDEBA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, mantendose na íntegra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.915584/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUFICIENTE.
Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório decorrente de pagamento a maior, deve ser deferida a restituição e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido pela respectiva verificação fiscal.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUFICIENTE. Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório decorrente de pagamento a maior, deve ser deferida a restituição e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido pela respectiva verificação fiscal. Recurso Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUFICIENTE. Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório decorrente de pagamento a maior, deve ser deferida a restituição e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido pela respectiva verificação fiscal. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 55 84 /2 00 9- 16 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.915584/200916 Acórdão n.º 3402002.534 S3C4T2 Fl. 205 3 Relatório Versa o processo de compensação declarada no PER/DCOMP, de nº. 20223.45571.151206.1.3.043862, no qual foi apontado como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior realizado pelo sujeito passivo no valor R$75.783,69 (setenta e cinco mil, setecentos e oitenta e três reais e sessenta e nove centavos), relativo à COFINS no período de 31/10/2003. O Despacho Decisório Eletrônico de fls. 04 – numeração eletrônica, não homologou a compensação pretendida ao argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos da contribuinte, não restando saldo creditório disponível. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do despacho decisório de fls. 04 – numeração eletrônica, em 29/04/2009, o contribuinte inconformado com a decisão proferida, apresentou, em 29/05/2009, Manifestação de Inconformidade de fls. 02/03 – numeração eletrônica. Na Manifestação apresentada, o contribuinte alegou que a homologação do pedido de compensação não ocorreu devido a um equivoco no ajuste da sua DCTF que deixou de refletir o pagamento indevido a maior, assim, em 28/05/2009, na tentativa de demonstrar o pagamento indevido, retificou a DCTF do 4º trimestre de 2003, bem como anexou cópia da declaração retificadora apontada. DO JULGAMENTO DA 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na Manifestação de Inconformidade apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, proferiu o Acórdão de nº. 0237.261, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 206DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Direito Creditório Não Reconhecido A 1ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender que as retificações feitas pelo contribuinte (após o despacho decisório), em 28/05/2009, estão atingidas pelo instituto da decadência. DO RECURSO Cientificada em 08/02/2012, da Decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE, por meio de AR de fl. 49 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou em 14/03/2012, Recurso Voluntário a este Conselho, asseverando que a origem do direito creditório decorre de decisão judicial transitada em julgado em 17/02/2006, obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092865 na qual pleiteava a não exigência da Cofins sobre a receita bruta total, prevista na Lei nº. 9.718/98. Portanto, após trânsito em julgado, o Recorrente passou a transmitir PER/Dcomp’s relativos aos recolhimentos efetivados a partir do período de novembro/2002, período a partir do qual passou a recolher mediante DARF a parcela da Cofins apurada sobre “Outras receitas”. Anexou à peça recursal cópias da certidão de inteiro teor emitida pelo TRF da 1ª Região acerca do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092865, bem como, petição inicial, sentença e decisão final, com respectiva certidão de trânsito em julgado, Ofício TRF1 nº 0154/02 – STTUR, de 05/02/2003 ordenando a conversão em renda dos depósitos judiciais, Ofício CEF nº 349/2003, confirmando a conversão em renda dos depósitos judiciais; Livro Razão do exercício de 2003 e Extrato de pagamentos obtidos junto à RFB. DO JULGAMENTO DA 2ª INSTÂNCIA Através da Resolução n°.3402000.612, a 2ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, ao apreciar o recurso interposto pelo contribuinte, entendendo que o processo não reunia condições de receber um justo julgamento, houve por bem em converter o mesmo em diligência para que fossem adotadas as providências transcritas abaixo: a) Pautandose na decisão transitada em julgado da ação judicial, verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, com relação ao mês em que está sendo apontada a existência de crédito utilizado para compensação veiculada na DCOMP em análise; b) Manifestese conclusivamente sobre a existência (ou não) de pagamento indevido ou a maior que o devido, bem como, havendo crédito, qual o seu respectivo montante; c) Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.915584/200916 Acórdão n.º 3402002.534 S3C4T2 Fl. 206 5 DA REALIZAÇÃO DA DILIGÊNCIA: Através do termo de intimação fiscal de fl. 173 – numeração eletrônica, o contribuinte foi intimado, em 17/03/2014 (tomou conhecimento por meio do portal eCAC), para apresentar no prazo 20 (vinte) dias a contar da data do recebimento da intimação, os Balancetes mensais de julho a outubro de 2003 – parte relativa às receitas auferidas. Regularmente intimada, o contribuinte apresentou o balancete solicitado (fls. 178 e 185), bem como a memória de cálculo com as contas que expurgou da base de cálculo da contribuição (fl. 188). Também consta aos autos a solicitação de esclarecimentos sobre quais receitas que compunham as contas Garantia Ampliada, Retorno de seguro, Retorno de Despachante, Retorno de Acessórios e Descontos Obtidos. A resposta do contribuinte à solicitação está na fl. 191. A autoridade preparadora afirma no relatório de diligência fiscal de fls. 197 e 198 – numeração eletrônica, que os valores apresentados pela contribuinte são coerentes com o balancete apresentado e totalizam R$ 2.526.123,08, logo, aplicando a esse valor a alíquota da Cofins (3%) se obtém o valor de R$ 75.783,69, valor esse que é informado pelo contribuinte como crédito de pagamento a maior. Contudo, ressaltou que o demonstrativo incluiu as contas Garantia Ampliada, Retorno de Seguro, Retorno de Despachante e Retorno de Acessórios, constituídas por receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, que não devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Tendo em vista o exposto, a Autoridade Preparadora refez os cálculos reconhecendo o valor de R$ 74.494,96 como pagamento a maior da Cofins. Ao fim, registrou que o crédito pleiteado (R$ 75.783,69) foi utilizado pelo contribuinte em duas DCOMP, a de nº. 20223.45571.151206.1.3.043862 (crédito utilizado R$ 36.072,71), objeto do processo nº.10680.915584/200916; e a outra de nº. 03517.95618.261206.1.3.043796 (crédito utilizado R$ 39.710,98), objeto do processo nº 10680.916282/200957. O contribuinte foi informado do relatório da Autoridade Preparadora por meio da caixa postal eCAC. Conforme as fls. 199 e 200 demonstram, a abertura do documento ocorreu em 15/05/2014 e a ciência por decurso de prazo ocorreu em 23/05/2014. Por fim, não houve manifestação do contribuinte. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado até a folha 203 (duzentas e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Atendidos os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, conforme verificação efetuada já por conta do julgamento anterior, e, constatado o cumprimento da diligência nos termos em que solicitados na Resolução nº 3402000.612 entendo que possui agora, este processo, condições de receber um julgamento justo. A análise dos autos dá conta de que o despacho decisório indeferiu declaração de compensação, e consequentemente, manteve exigível crédito tributário sobre os tributos compensados, do que gerou insuficiência de recolhimentos, ante à conclusão da Fiscalização de que as retificações feitas pelo contribuinte (após o despacho decisório), na data de 29/04/2009, estariam atingidas pelo instituto da decadência. No entanto, tenho me posicionado no sentido de que quem origina o crédito é o pagamento indevido, e não a retificação (ou não) da DCTF (seja ela possível ou não, pelo decurso do prazo). A questão do prazo para se retificar a DCTF, no caso em concreto, é irrelevante para verificar se houve pagamento a maior, pois que não é a DCTF que constitui o crédito tributário, mas sim o pagamento indevido. E o pagamento indevido é decorrência de reconhecimento contido em decisão judicial própria do contribuinte, o que muda este caso na comparação com os casos de mero pagamento indevido em DARF. Neste caso, é a ação judicial, transitada em julgado em 02/2006, que permite a compensação, e não meramente o pagamento indevido feito sem ação. Superado isso, diante falta de análise do crédito pleiteado pela Recorrente até o momento, esta Turma determinou a realização de diligência fiscal a fim de verificar a existência (ou não) de pagamento indevido ou a maior que o devido, bem como, havendo crédito, qual o seu respectivo montante. A referida Diligência chegou às seguintes conclusões: Originalmente, o contribuinte apurou a Cofins sobre uma base de cálculo de R$ 15.102.930,21, obtendo o valor a pagar de R$ 453.087,91, conforme DIPJ 2004 (fl. 193). A DCTF apresentava débito de R$ 453.087,90, vinculado a dois pagamentos, de R$ 377.304,21 e R$ 75.783,69 (fl. 194). Embora a DIPJ permaneça a mesma, a DCTF foi retificada e processada pelo Fiscel, que apresenta hoje o débito no valor de R$ 377.304,21, vinculado ao pagamento de mesmo valor. (fl. 195). Quanto ao pagamento de R$ 75.783,69, encontrase reservado para utilização no presente processo (fl. 196). O demonstrativo enviado pela empresa discrimina as contas que considera excluídas da base de cálculo da Cofins. Os valores informados são coerentes com o balancete apresentado e totalizam R$ 2.526.123,08. Aplicando a esse valor a alíquota da Fl. 209DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.915584/200916 Acórdão n.º 3402002.534 S3C4T2 Fl. 207 7 Cofins (3%) obtemos R$ 75.783,69, que é o valor informado como crédito de pagamento a maior. Porém, o demonstrativo inclui as contas “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Acessórios”, constituídas por receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, que não devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Por este motivo, os cálculos da empresa foram refeitos, conforme demonstrado a seguir: (...) Diante do exposto, sou pelo reconhecimento do pagamento a maior da Cofins, período de apuração outubro de 2003, no valor de R$ 74.494,96. Registro que o crédito pleiteado (R$ 75.783,69) foi utilizado pelo contribuinte em duas DCOMP: • 20223.45571.151206.1.3.043862 (crédito utilizado R$ 36.072,71), objeto do presente processo; • 03517.95618.261206.1.3.043796 (crédito utilizado R$ 39.710,98), objeto do processo nº 10680.916282/200957. Observase que, a Autoridade Preparadora expressamente afirmou que ao se aplicar o disposto na decisão judicial em favor da Recorrente, reconheceuse a existência de pagamento a maior da Cofins, período de apuração outubro de 2003, porém, houve por bem refazer o cálculo do crédito pleiteado pelo contribuinte por considerar que, nos cálculos da Recorrente, as receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, não deveriam ter sido excluídas da base de cálculo da contribuição. Desta maneira, a Autoridade Preparadora glosou parte do crédito pleiteado, conforme se verifica no relatório de diligência fiscal. Porém, em face do reconhecimento de que apenas poderiam ser submetidas à tributação as receitas que preenchessem o conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tenho que as receitas operacionais, porém que não decorram de “faturamento”, assim entendido com a receita da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, não podem ser incluídos na base imponível das contribuições em análise. Deste modo, as receitas decorrentes de “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Acessórios”, revestemse de natureza de “outras receitas operacionais”, mas não se caracteriza como faturamento. Daí porque entendo ser equivocada a glosa realizada pela Autoridade Preparadora, posto que tais exclusões acabam ofendendo ao conceito de faturamento, contrariando o comando da declaração de inconstitucionalidade antes mencionada, de modo que, ao executar o comando desta decisão, deverá a autoridade preparadora afastar a glosa dos créditos sobre as rubricas acima mencionadas, homologando a compensação até o montante do Fl. 210DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 credito disponível. Esta a razão – para que dúvidas não remanesçam – do porque do provimento ser parcial. Assim sendo, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito já levantado pela diligência, bem como para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição no período em questão, dos valores relativos à “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Acessórios” e, por fim, determinar a homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 15586.001109/2010-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pode ser obtido mediante aferição indireta.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.861
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pode ser obtido mediante aferição indireta. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 11 09 /2 01 0- 88 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão das multas. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001109/201088 Acórdão n.º 2403002.861 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1238.575 da 11ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, através do auto de infração DEBCAD 37.234.6790, no montante de R$ 112.354,29 (cento e doze e mil e trezentos e cinquenta e quatro reais e vinte e nove centavos), que acrescido de multa e juros perfez o valor consolidado em 28/09/2010 de R$ 208.663,23 (duzentos e oito mil e seiscentos e sessenta e três reais e vinte e três centavos). 2. De acordo com o relatório fiscal, fls 79/87, o presente crédito tributário referese a contribuição dos segurados empregados da empresa e dos segurados contribuintes individuais, inclusive prólabore dos sócios e transportadores autônomos. 3. Para apuração do presente auto de infração foram analisados o estabelecimento matriz e as obras de matricula CEI de responsabilidade da empresa. 4. A empresa apresentou sua escrituração contábil através dos Livros Diários, anos 2005, 2006 e 2007, e Livro Auxiliar, anos 2005 e 2006. 5. "0 contribuinte apresentou também os Livros Razão, exercícios 2005, 2006, 2007, no entanto, esses livros não atendem as formalidades legais exigidas, ..., a saber: Os Livros Razão dos exercícios de 2005 e 2007 foram apresentados sem os Termos de Abertura e Encerramento, e conseqüentemente, sem as devidas assinaturas do responsável pela empresa e do profissional contábil responsável pela escrituração dos mesmos, deixando de atender formalidades exigidas pelas normas contábeis. 0 Livro Razão do exercício de 2006, além de não conter as assinaturas nos Termos de Abertura e Encerramento, foi impresso baseado num Plano de contas diverso do utilizado no exercício por ocasião da escrituração do Livro Diário. Apresenta assim, movimentação em contas inexistentes na escrituração do Livro Diário e deixa de apresentar contas utilizadas na escrituração contábil da época. Desta forma, o Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 livro apresentado à fiscalização não atende as formalidades extrínsecas e intrínsecas exigidas pelas normas contábeis." 6. "Pelo exame da escrituração contábil, relativa aos exercícios 2005, 2006 e 2007, e da documentação apresentada pelo sujeito passivo, ficou constatado que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, uma vez que não consta a totalidade dos gastos com a mão de obra utilizada, necessária ao desempenho de suas atividades e prestação dos serviços discriminados nas Notas Fiscais de serviços por ela emitida, omitindo assim, informações verdadeiras." 7. Pela auditoria na documentação apresentada, verificouse que o contribuinte deixou de recolher, em época própria, as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a seus empregados, aos sócios, outros contribuintes individuais, inclusive transportador autônomo, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007, conforme relatado abaixo: 7.1. Sobre remunerações dos segurados empregados: 7.1.1. — "A empresa efetuou pagamentos aos trabalhadores relacionados na Planilha "Relação de Segurados com Pagamentos ExtraOficiais", os quais prestaram serviços à empresa, nos períodos indicados, mas não foram incluídos na folha de pagamento, GFIP apresentadas nem foram escriturados na contabilidade. Tais trabalhadores foram identificados pelos comprovantes de entrega de vale transporte e seus pagamentos confirmados através dos recibos, bem como da justificativa apresentada pela empresa, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 002, onde a mesma assume a realização de pagamentos extraoficial" a determinados trabalhadores, .... (Levantamentos EX e EXI)" 7.1.2. — Considerando que a contabilidade foi apresentada de forma deficiente, uma vez que não registra a totalidade dos gastos com a mão de obra utilizada, necessária para o desempenho de suas atividades, e prestação de serviços discriminados nas Notas Fiscais de Serviços por ela emitida, a base de calculo foi apurada indiretamente, através de arbitramento. Sendo que, utilizouse como parâmetro para a aferição indireta o faturamento apurado pelas Notas Fiscais de Serviços, deduzindo os valores das remunerações constantes em folha de pagamento elaboradas para cada tomador de serviço/obra, conforme planilhas anexadas ao relatório fiscal, fls 170/189 (levantamentos AN e AN1, lançados em cada uma das matriculas CEI, e levantamentos TN e TN1, lançados no CNPJ da empresa). 7.1.2.1. — Esclarece que "nas competências em que os valores de Folha de Pagamento foram superiores aos valores das BC apuradas pelas Notas Ficais de Serviços, não computamos diferença aferida nessa competência, e o valor a maior foi deduzido da aferição da competência seguinte, aproveitando assim toda a Base de Cálculo já apropriada pelas Folhas de Pagamentos apresentadas "; que a Receita da empresa, que serviu como base para apuração dos valores aferidos, foi Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001109/201088 Acórdão n.º 2403002.861 S2C4T3 Fl. 4 5 apurada pelas Notas Fiscais de Serviços, emitidas pelo contribuinte, conforme demonstra a planilha "Notas Fiscais de Serviços — Tomadores de Serviços e Obras Mat CEI"; e os percentuais utilizados na aferição, para apuração da mão de obra empregada, constante de cada nota fiscal de serviço, foram os mesmos considerados pela empresa, registrados nas próprias notas fiscais emitidas, ou constantes dos contratos de serviços/obras apresentados à fiscalização, também destacados na planilha anteriormente mencionada. 7.1.3. Levantamento F21 — lançamento referente à contribuição previdenciárias devidas sobre as remunerações de seus empregados constantes em folha de pagamento e recolhidas a menor. 7.1.4. Levantamentos F3 e F31 — referese A. planilha "Relação dos Segurados Incluídos Como Não Declarados Em GFIP, Apurados Pela Folha de Pgto e/ou RAIS e/ou Data de Admissão". 0 contribuinte tomou ciência dos valores levantados, relativo ao ano de 2005, através do Termo de Intimação 002, e confirmou tais dados. 7.1.5. Levantamento T3 e T31 — referese à planilha "Relação dos Segurados Aos Tomadores de Serviço — Não Decl. Em GFIP, Apurados pela Folha de Pgto E/Ou Data de Admissão". 7.2. Sobre as remunerações dos Segurados Contribuintes Indivi uais e Transportadores Autônomos 7.2.1. Levantamento CI, CI1, FR, FR1 — referese a planilha "Relação Dos Serviços Prestados Por Pessoas Físicas — Apurados Pelos Doc/Contabilidade — Não Recolhido ". 7.2.2. Levantamento P3 e P31 — lançamento referente à pró labore, apurados na folha de pagamento e escriturados na contabilidade. 8. Emitida Representação Fiscal para Fins Penais, devido a omissão de fato gerador em folha de pagamento, GFIP e contabilidade, configurando, em tese, ilícitos previstos no art. 337 — A, incisos I e III do Código Penal. 9. "Ressaltamos que o contribuinte agiu de forma dolosa, ao manter, por três anos consecutivos (2005, 2006 e 2007), ora fiscalizado, a prática, de usufruir mão de obra de segurados sem que os mesmos estejam regularmente contratados, ..." 10. Esclarece que os valores recolhidos em GPS e os créditos relativos retenção de 11% destacados em notas fiscais de serviços foram apropriados. 11. Esclarece, também, que os valores declarados em GFIP foram lançados apenas para apropriação dos valores recolhidos, não gerando valores no presente auto de infração. 12. Relata As alterações ocorridas na Lei 8212/91, pela nova redação dada pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu novos Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 valores para infrações pelo descumprimento das obrigações ocorridas na Autuada. Sendo assim, elabora quadro comparativo, fls 163, das multas das contribuições previdencidrias para aplicação da multa mais benéfica, conforme artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, já que as infrações ocorreram na égide de uma legislação diferente da atual. Da Impugnação 13. 0 contribuinte foi cientificado do presente AI em 28/09/2010, conforme fls. 01. A empresa apresentou impugnação em 28/10/2010, fls 757/791, e anexos, onde alega em apertada síntese: 14. Dos Fatos 14.1. "..., alegou a fiscalização a necessidade de desconsideração da contabilidade da Impugnante por motivo de haver encontrado documentos que comprovariam a existência de funcionários não registrados em alguns meses, chamados de 'extraoficiais'. 14.2. Alega não ter impugnado os autos de obrigação acessória nem as rubricas do presente auto, referentes As contribuições devidas sobre a remuneração de contribuintes individuais e transportadores autônomos, bem como glosas de com ensação, tendo pago ou parcelado os valores constantes deste auto. 15. Do Direito 15.1 Da ilegalidade da aferição indireta dos valores devidos a titulo de contribuição social. Presença comprovada de parâmetros documentais seguros, utilizados pela própria fiscalização e, portanto, aptos a embasar a autuação. 15.1.1. A Impugnante entende que a contabilidade da empresa foi desconsiderada A conveniência do fisco, apesar de ter apresentado toda a documentação requerida e ter respondido oralmente e por escrito a todos os questionamentos realizados. 15.1.2. Considera ser ilegal a justificativa de desconsideração da contabilidade, já que ao mesmo tempo utilizouse de dados e documentos contábeis e fiscais para aferir valores de contribuições realmente devidas, enquanto apurou indiretamente a base de cálculo das contribuições previdencidrias, valendose do faturamento apurado nas notas fiscais. 15.1.3. Entende ter havido bis in idem, já que a fiscalização tanto constituiu o crédito tributário com base nos valores apresentados pela empresa como arbitrou estes mesmos valores fictamente, devido A ausência de parâmetros. 15.1.4. Questiona como não ter havido parâmetros hábil, se o Fisco lançou as contribuições previdencidrias efetivamente devidas como base nos valores verificados pela documentação da empresa que acusou a existência de funcionários não registrados. Pede para verificar o Discriminativo de Débito dos levantamentos C21. CI, CI1, F2, F21, F3, F31, F4, FR, FR1, P1, P21, P3 P31, T21, T3, T31. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001109/201088 Acórdão n.º 2403002.861 S2C4T3 Fl. 5 7 15.1.5. "... o próprio Relatório Fiscal do Auto de Infração consta a informação de que os trabalhadores apontados como 'Extras – Oficiais —foram identificados pelos comprovantes de vale transporte, e seus pagamentos foram confirmados através dos recibos" item 4.1.1.". 15.1.6. Entende não haver respaldo na aferição indireta já que a própria fiscalização demonstra quem são, quantos são, além de quando e quanto recebeu cada um dos funcionários supostamente não registrados, especificados em planilha. 15.1.7. Alega ter havido excesso por parte da fiscalização já que esta aferiu as contribuições tanto de forma direta quanto indireta. 15.1.8. Também alega que outra prova da ilegalidade cometida se encontra no fato da fiscalização valerse de documentos contábeis e fiscais da Impugnante "em outro momento que lhe era conveniente": na apuração das contribuições devidas sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais e transportadores autônomos. 15.1.9. Cita em sua defesa o art. 373 do Código de Processo Civil, principio da indivisibilidade da prova documental. 15.1.10. "... a r. autoridade fiscal acabou constituindo duas exações tributárias sobre o mesmo fato gerador, lançando contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos Segurados Empregados tanto de forma direta, valendose da documentação, quanto de forma indireta com base em todas as notas fiscais de serviço."" 15.1.11. Cita que os tribunais são uníssonos quanto a aplicabilidade da aferição indireta dos tributos aos casos que a contabilidade é ausente ou imprestável, e apresenta decisões os Superior Tribunal de Justiça. 15.1.12. "Vale ressaltar que somente a base de cálculo poderá ser arbitrada, pois a ocorrência do fato j urídico, no máximo pode ser presumida". 15.1.13. Cita doutrina e alega que "não há justificativa legal para a fiscalização desconsiderar os documentos apresentados e arbitrar o valor das contribuições previdencicirias utilizando as notas fiscais haja vista que o artigo 148 do CTIV é taxativo nas hipóteses de arbitramento." 15.1.14. Considera que o arbitramento é ilegal, pois não seguiu o art. 148 do CTN. Relata os motivos. 15.1.15. "Assim, considerando a documentação apresentada pela Impugnante e tendo em vista a apropriação desta para lançamento de tributo, ao mesmo tempo em que a se considerou ilegalmente para fins de se realizar nova aferição, agora indireta, requer a Impugnante a anulação deste auto de infração no que toca a todos os lançamentos efetuados por arbitramento Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 ilegal da base de cálculo com espeque nas notas fiscais de serviço e considerando 50% destas o valor da mãodeobra". 15.2. Do Indevido Arbitramento da base de calculo de contribuições previdencidrias em 50% do valor das notas fiscais. Percentual adotado referente ao serviço e não a mão de obra. Pedido de perícia a fim de comprovar a real percentagem da mão de obra empregada em relação ao valor da nota fiscal. 15.2.1. Alega que "o percentual de 50% sobre a nota fiscal se refere monta do gênero serviço, e não da espécie mãodeobra, decorrente de previsão normativa para determinação da base de cálculo da retenção, especificamente enunciado, à época, no inciso Ido artigo 150 da Instrução Normativa SRP n°03/2005 (atual artigo 122 da IN SRI' n° 971/2009)." 15.2.2. Considera que o percentual não reflete a realidade da relação econômica desenvolvida, mas apenas presunção normativa para fins de arrecadação mediante retenção. 15.2.3. "... a aferição foi exacerbada, pois se valeu tão somente de percentuais de serviço das notas fiscais, desconsiderando o fato de que a indigitada IN RFB no 971/2009 determina que a mãodeobra representa apenas 40% do valor do serviço ". 15.2.4. Cita decisões das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. 15.2.5. Frisa que o percentual real de mão de obra empregada nos serviços prestados é de apenas 5%, para isso anexa Planilha de Composição do Preço Unitário praticado pela Impugnante. 15.2.6. "Na trilha, portanto, da prerrogativa do ônus da pra var em contrário enunciada pelos parágrafos 4 0 e 6° do artigo 33 da Lei 8212/91, requerse perícia contábil com o objetivo de, 6 vista dos documentos apresentados e das obras tributadas, calcular a percentagem efetivamente observada da mãodeobra em relação aos valores das notas fiscais, para que seja determinada a monta realmente devida a titulo de contribuições previdenciárias indiretamente aferidas, ultrapassadas que sejam, por suposto, as argumentações sobre o descabimento e ilegalidade do próprio arbitramento em si". 15.3. Da indicação de assistente técnico pericial e apresentação de quesitos periciais. 15.3.1. Requer realização de perícia com a finalidade de comprovar que o percentual de mão de obra utilizada nas obra é menor do que o alcançado pela fiscalização, formula quesitos a serem respondidos pela perícia e indica o perito. 16. Dos Pedidos 16.1. Nulidade parcial ou integral do AI Debcad 37.234.6782, seja pela impossibilidade de realização de aferição indireta no caso vertente, seja pela tributação em bis in idem mediante dupla aferição ilegal, direta e indireta, de bases de cálculo de contribuições, seja pelos errôneos percentuais utilizados para o arbitramento, tanto em relação is previsões da legislação quanto em relação is percentagens reais de mão de obra empregada. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001109/201088 Acórdão n.º 2403002.861 S2C4T3 Fl. 6 9 16.2. Solicita que se determine a perícia contábil requerida em item anterior. Inconformada com a decisão, a recorrente, em 12/09/2011, apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Aferição indireta/arbitramento. · Da aferição indireta resultou bis in idem. · Questiona arbitramento e aferição direta num mesmo lançamento. · Impossível afirmar ser imprestável a documentação apresentada. · Apresentou todos documentos e informações relacionados às obras. · Questiona o percentual de 50% do valor das notas fiscais e requer perícia para comprovar a real percentagem da mão de obra. Em 20/07/2012, a recorrente apresentou Laudo Pericial Contábil, buscando suprir a perícia solicitada. É o relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Observo que o recurso não se manifestado sobre a totalidade do lançamento, concentrandose na questão da aferição indireta da base de cálculo. Entendo corretos os procedimentos do fisco. A Administração Tributária pode proceder à aferição indireta ou arbitramento da base imponível do tributo, nas hipóteses enumeradas no artigo 148, do CTN, verbis: "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." O artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, determinam que, “Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida” e "se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário". Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001109/201088 Acórdão n.º 2403002.861 S2C4T3 Fl. 7 11 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A ausência de documentação que reflita, de maneira idônea, a realidade dos fatos, autoriza a autoridade fiscal a proceder à aferição indireta das contribuições sociais devidas. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 No caso presente, o Relatório Fiscal registra vícios na contabilidade, folhas de pagamento e GFIP. Foram constatados pagamentos a trabalhadores que prestaram serviços à empresa sem serem incluídos na Folha de Pagamento, contabilidade, e nas GFIP apresentadas pelo contribuinte. Segundo o próprio Relatório Fiscal, a empresa assume a realização de "pagamento extraoficial". 4.1.1 — A empresa efetuou pagamentos aos trabalhadores relacionados na Planilha "Relação de Segurados com Pagamentos ExtraOficiais", trabalhadores esses que prestaram serviços à empresa, nos períodos indicados, sem serem incluídos na Folha de Pagamento nem nas GFIP apresentadas pelo contribuinte e as respectivas remunerações não foram escrituradas através dos lançamentos contábeis de sua contabilidade. Tais trabalhadores foram identificados pelos comprovantes de entrega de vale transporte, e seus pagamentos foram confirmados através dos recibos, bem como da justificativa apresentada pela empresa, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 002, onde a mesma assume a realização de "pagamento extraoficial" a determinados trabalhadores, cópias anexadas por amostragem. Os citados pagamentos não integram as despesas contabilizadas pela empresa. (Levantamentos EX e EX1) O Relatório Fiscal contém anexos planilhas com a relação dos segurados com pagamentos extraoficias e documentos: recibos de pagamento e controles de entrega de vale transporte. Outros vícios também ficaram registrados como GFIP sem as informações relativas a processos trabalhistas; os Livros Razão dos exercícios de 2005 e 2007 foram apresentados sem os Termos de Abertura e Encerramento, e conseqüentemente, sem as devidas assinaturas do responsável pela empresa e do profissional contábil responsável pela escrituração dos mesmos; o Livro Razão do exercício de 2006, além de não conter as assinaturas nos Termos de Abertura e Encerramento, foi impresso baseado num Plano de Contas diverso do utilizado no exercício por ocasião da escrituração do Livro Diário, dessa forma apresentou movimentação em contas inexistentes na escrituração do Diário e deixou de apresentar contas, utilizadas na escrituração da época. 1. A presente Auditoria Fiscal referese ao Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n°.720100.2009.01745, tendo iniciado os procedimentos na empresa acima identificada, solicitando a apresentação dos documentos relacionados no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal recebido pela empresa em 11/03/2010. No decorrer da ação fiscal foram emitidos também, Termos de Intimação Fiscal n°.s 001 e 002, em 16/06/2010 e 16/07/2010, respectivamente, solicitando a Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001109/201088 Acórdão n.º 2403002.861 S2C4T3 Fl. 8 13 apresentação de outros documentos, bem como fora intimada a apresentar GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, relativas aos recolhimentos de contribuições previdenciárias, efetuados anteriormente ao inicio do procedimento fiscal, sem as devidas declarações, inclusive relativas a processos trabalhistas. ... 3.1 O contribuinte apresentou também os Livros RAZÃO, dos exercícios 2005, 2006 e 2007, no entanto, esses livros não atendem as formalidades legais exigidas, segundo as normas contábeis recomendadas, ou seja, formalidades extrínsecas e/ou intrínsecas, a saber: Os Livros Razão dos exercícios de 2005 e 2007 foram apresentados sem os Termos de Abertura e Encerramento, e conseqüentemente, sem as devidas assinaturas do responsável pela empresa e do profissional contábil responsável pela escrituração dos mesmos, deixando de atender formalidades extrínsecas; O Livro Razão do exercício de 2006, além de não conter as assinaturas nos Termos de Abertura e Encerramento, foi impresso baseado num Plano de Contas diverso do utilizado no exercício por ocasião da escrituração do Livro Diário. Apresenta assim, movimentação em contas inexistentes na escrituração do Diário, e, deixa de apresentar contas, utilizadas na escrituração da época. Desta forma, o livro apresentado à fiscalização, não atende as formalidades extrínsecas e intrínsecas exigidas pelas normas contábeis. 3.2 Pelo exame da escrituração contábil, relativa aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, e da documentação apresentada pelo sujeito passivo, ficou constatado que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, uma vez que não consta a totalidade dos gastos com a mão de obra utilizada, necessária ao desempenho de suas atividades e prestação dos serviços discriminados nas Notas Fiscais de Serviço por ela emitidas, omitindo assim, informações verdadeiras. 3.3 Pelo fato da contabilidade do contribuinte não registrar a verdadeira movimentação da empresa, foi lavrado, na presente Auditoria Fiscal, o Auto de Infração 37.234.6812, com fundamento no art. 33 §§ 2°. e 3°. da Lei 8.212/91. 4. Pela auditoria na documentação apresentada, verificouse que o contribuinte deixou de recolher, em épocas próprias, as contribuições previdenciárias, indicadas no item 2 acima, incidentes sobre as remunerações pagas a seus empregados, aos sócios e outros contribuintes individuais que lhes prestaram serviços, inclusive transportador autônomo, no período de janeiro/2005 a dezembro de 2007, conforme relatado nos itens a seguir. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 O método utilizado para definir as bases de cálculo foi tomar como parâmetro o faturamento apurado pelas Notas Fiscais de Serviço, deduzindo dessa aferição os valores das remunerações constantes das Folhas de Pagamento elaboradas para cada tomador de serviço/obra sendo que nas competências em que os valores de Folha de Pagamento foram superiores aos valores das BC apuradas pelas Notas Fiscais de Serviço o valor a maior foi deduzido da aferição da competência seguinte, aproveitando assim toda a Base de Calculo já apropriada pelas Folhas de Pagamento apresentadas. 4.1.2 — Considerando que a Contabilidade da Empresa foi apresentada de forma deficiente, uma vez que não registra a totalidade dos gastos com a mão de obra utilizada, necessária ao desempenho de suas atividades, e prestação dos serviços discriminados nas Notas Fiscais de Serviço por ela emitidas, omitindo assim, informações verdadeiras, a base de cálculo das contribuições previdenciárias foi apurada indiretamente, com fulcro no parágrafo 6°.do art. 33 da Lei 8.212/91. Desta forma, o arbitramento da mãodeobra empregada nos serviços prestados aos tomadores contratantes e obras, está sendo realizado usandose como parâmetro o faturamento apurado pelas Notas Fiscais de Serviço, deduzindo dessa aferição os valores das remunerações constantes das Folhas de Pagamento elaboradas para cada tomador de serviço/obra. (Levantamentos AN, AN1, TN e TN1) Demonstramos nas planilhas mencionadas abaixo, as Bases de cálculo aferidas, conforme citado, sendo: ... 4.1.2.1 Esclarecemos que nas competências em que os valores de Folha de Pagamento foram superiores aos valores das BC apuradas pelas Notas Fiscais de Serviço, não computamos diferença aferida nessa competência, e o valor a maior foi deduzido da aferição da competência seguinte, aproveitando assim toda a Base de Calculo já apropriada pelas Folhas de Pagamento apresentadas. Para cada nota fiscal, está discriminado em planilha o percentual utilizado para a determinação da base de cálculo (folhas 95 a 114). Entendo que esse procedimento está em harmonia com as normas, inclusive no percentual utilizado e que o abatimento das bases de cálculo contidas nas folhas de pagamento elimina a hipótese do bis in idem. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001109/201088 Acórdão n.º 2403002.861 S2C4T3 Fl. 9 15 MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte e determinando a exclusão da multa de ofício. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001109/201088 Acórdão n.º 2403002.861 S2C4T3 Fl. 10 17 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16327.000911/99-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1993, 1994, 1997
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733.
DCTF. SALDOS A PAGAR ZERADOS. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Inexistindo confissão de dívida, quer pela falta de declaração do tributo em DCTF, quer pela apresentação de DCTF com saldos a pagar zerados, correta a exigência do crédito tributário com os consectários do lançamento de ofício.
COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO QUE DESCONSIDERA PAGAMENTOS A MAIOR EFETUADO PELO CONTRIBUINTE.
Inexiste obrigação legal de a fiscalização imputar no auto de infração o saldo de pagamentos a maior para abater a dívida do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO.
O não atendimento de intimação da fiscalização para o contribuinte prestar esclarecimentos, rende ensejo ao agravamento da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SOB INTERVENÇÃO DO BANCO CENTRAL.
A competência para dispensar a exigência de multas administrativas com base no art. 18 da Lei nº 6.024/74 é do interventor nomeado pelo Banco Central e não do CARF.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, excluiu-se do lançamento os fatos geradores ocorridos em setembro e outubro de 1993, em razão da decadência; e b) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à exclusão da multa de ofício com base no art. 18, f, da Lei nº 6.024/74. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Inexistindo a antecipação do pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ RESP 973.733. DCTF. SALDOS A PAGAR ZERADOS. INEXISTÊNCIA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Inexistindo confissão de dívida, quer pela falta de declaração do tributo em DCTF, quer pela apresentação de DCTF com saldos a pagar zerados, correta a exigência do crédito tributário com os consectários do lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO QUE DESCONSIDERA PAGAMENTOS A MAIOR EFETUADO PELO CONTRIBUINTE. Inexiste obrigação legal de a fiscalização imputar no auto de infração o saldo de pagamentos a maior para abater a dívida do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. O não atendimento de intimação da fiscalização para o contribuinte prestar esclarecimentos, rende ensejo ao agravamento da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SOB INTERVENÇÃO DO BANCO CENTRAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 11 /9 9- 25 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 A competência para dispensar a exigência de multas administrativas com base no art. 18 da Lei nº 6.024/74 é do interventor nomeado pelo Banco Central e não do CARF. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, excluiuse do lançamento os fatos geradores ocorridos em setembro e outubro de 1993, em razão da decadência; e b) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à exclusão da multa de ofício com base no art. 18, “f”, da Lei nº 6.024/74. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 23/04/1999, lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de setembro e outubro de 1993; agosto, outubro e novembro de 1994 e janeiro, março, julho, outubro, novembro e dezembro de 1997. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 14/28, o contribuinte obteve liminar em 07 de agosto de 1993 garantindo o direito de recolher o PIS com base na Lei Complementar nº 7/70 na modalidade PIS repique. Em 07 de outubro de 1996 transitou em julgado a decisão do TRF da 3ª Região garantindo ao contribuinte o direito de continuar a recolher o PIS nos moldes da LC nº 7/70 até maio de 1994, uma vez que a partir da vigência da Emenda Constitucional de Revisão nº 1/94, passou a sujeitarse ao PISRECEITA BRUTA ENTIDADES FINANCEIRAS (Períodos de apuração de julho de 1994 em diante). A fiscalização apurou que o contribuinte recolheu a menor o PISREPIQUE em setembro e outubro de 1993; recolheu a menor o PISRECEITA BRUTA em agosto, outubro e novembro de 1994; e recolheu a menor o PISRECEITA BRUTA em janeiro, março, julho, outubro, novembro e dezembro de 1997. Houve agravamento da multa de ofício com base no disposto no art. 994 do RIR/94, por falta de atendimento a intimações. Em sede de impugnação (fls. 316/321), a defesa alegou o seguinte: 1) a própria fiscalização constatou a existência de pagamentos a maior em certos períodos de apuração, mas não utilizou o saldo favorável à recorrente para abater a dívida dos períodos onde houve recolhimento a menor; 2) o lançamento de ofício não procede em relação a débitos Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000911/9925 Acórdão n.º 3403003.497 S3C4T3 Fl. 4 3 declarados em DCTF; 3) o agravamento da multa é improcedente porque além da recorrente não ter se recusado a prestar as informações solicitadas, pelo menos uma parte dos documentos consistentes nos DARF de pagamento já estavam em poder da Administração, pois os dados estavam no sistema de controle de pagamentos; 4) ocorreu a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento; 5) a fiscalização não respeitou o critério da semestralidade da base de cálculo previsto no art. 6º, parágrafo único, da LC nº 7/70. A 5ª Turma da DRJ Campinas, , por meio do Acórdão nº 6.156, de 10 de março de 2004, manteve em parte o lançamento. Foi rejeitada a alegação de decadência, pois segundo a DRJ o prazo para o lançamento seria de dez anos. Ficou decidido que não houve lançamento de débito confessado em DCTF, pois nos períodos de apuração em que houve declaração em DCTF o lançamento de ofício foi feito pela diferença e nos períodos onde não houve declaração ou a DCTF foi apresentada com saldos zerados, não houve confissão de dívida. Foi rechaçada a alegação de que o autuante não abateu os recolhimentos a maior do auto de infração, sob o argumento de que é dever do contribuinte efetuar a compensação na sua contabilidade e que o fiscal não tem poderes para presumir a compensação que não tenha sido registrada pelo contribuinte. Ficou decidido que o contribuinte não tem direito à semestralidade porque antes da EC de Revisão nº 1/94 estava sujeito ao PISREPIQUE e após o advento ficou sujeito ao PISRECEITA OPERACIONAL nos termos estipulados naquela emenda constitucional, a qual não se referiu ao faturamento do sexto mês anterior. Foi mantido o agravamento da multa de ofício, pois a recorrente não atendeu a quarta intimação (fl. 36). O auditor repetiu os termos dessa intimação na quinta intimação (fls. 37). O atendimento da quinta intimação, não desfaz a infração já praticada. A DRJ constatou um equívoco da fiscalização cometido na apuração da contribuição do mês de novembro de 1994 e excluiu do auto de infração o valor de 2.122,70 UFIR. Regularmente notificado daquele Acórdão em 11/05/2004 (AR de fls. 373), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 382/398, em 11/06/2004, alegando, em síntese, o seguinte: 1) está em procedimento de liquidação extrajudicial decretado pelo Banco Central do Brasil, conforme ATOPRESI nº 843, de 23 de março de 1999. Sendo assim deve ser excluída a multa, com base no art. 18, "f", da Lei nº 6.024/74; 2) ocorreu a decadência do direito do fisco; 3) os débitos declarados em DCTF não são passíveis de lançamento de ofício. Devem ser encaminhados para cobrança via inscrição em dívida ativa; 4) tem direito de abater do débito recolhido a menor o crédito que a própria fiscalização apurou nos períodos em que houve recolhimento a maior; 5) o agravamento da multa é improcedente porque ao contrário do que afirmou a decisão recorrida, não há no processo um único documento que evidencie a negligência ou recusa peremptória em atender aos pedidos de documentos e esclarecimentos formulados pelo fisco. É o relatório do que interessa. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A defesa invoca como matéria de defesa o art. 18, "f" da Lei nº 6.024/74 com o objetivo de que este colegiado exclua a multa de ofício, pois a instituição financeira está sob intervenção do Banco Central. Este colegiado não tem competência legal para excluir multas de ofício com base no disposto no art. 18, "f", da Lei nº 6.024/74. Tal competência foi atribuída ao interventor nomeado pelo Banco Central, a teor do disposto no art. 5º da referida lei. A recorrente alegou a decadência do direito do fisco em relação a parte dos períodos de apuração. Com o advento do art. 62A do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Súmula Vinculante nº 8 do STF e a decisão do STJ proferida no RESP nº 973.733, sob o regime do art. 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000911/9925 Acórdão n.º 3403003.497 S3C4T3 Fl. 5 5 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O demonstrativo de situação dos recolhimentos de fl. 16 revela que não houve pagamento antecipado em relação aos fatos geradores ocorridos em outubro de 1994, novembro e dezembro de 1997. Em relação a esses fatos geradores, aplicase a regra do art. 173, I do CTN. Em relação a esses períodos não ocorreu a decadência, pois tomando o fato gerador de outubro de 1994 o prazo começou a fluir em 01/01/1995 e expirou em 31/12/1999. Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do auto de infração em abril de 1999, o lançamento permanece hígido em relação a todos os períodos de apuração em relação aos quais não houve pagamento antecipado. Quanto aos demais períodos de apuração, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN. Considerando que a ciência do lançamento ocorreu em abril de 1999, estão caducos todos os fatos geradores lançados até março de 1994. Devem ser excluídos deste lançamento de ofício os fatos geradores de setembro e outubro de 1993, lançados sob a égide do PIS REPIQUE, em virtude da extinção do direito do fisco efetuar o lançamento (art. 150, § 1º e 4º combinado com art. 156, V, ambos do CTN). O contribuinte alegou que débitos confessados em DCTF não podem ser objeto de lançamento de ofício, mas sim encaminhados para cobrança via inscrição em dívida ativa. No caso concreto não houve confissão de dívida em relação a nenhum dos períodos de apuração abarcados pelo lançamento de ofício. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Em relação aos períodos de agosto, outubro e novembro de 1994 não houve declaração de PIS em DCTF, conforme comprovam os extratos do sistema DCTF de fls. 343/357. Em relação aos demais períodos de apuração, todos do ano de 1997, o contribuinte apresentou as DCTF com saldos a pagar zerados, conforme se pode comprovar no extrato de fls. 358. Logo, ao contrário do alegado pela defesa, os valores apurados de ofício no auto de infração jamais estiveram confessados ao fisco, pois ou o contribuinte não declarou o PIS ou declarou que nada devia. Correta a lavratura do auto de infração para exigência dos débitos não confessados com os consectários do lançamento de ofício. O contribuinte reclamou do fato de a fiscalização não ter imputado os saldos de pagamento a maior para abater a dívida lançada de ofício. A apuração da fiscalização foi feita em 1999, quando vigorava o regime jurídico do art. 66 da Lei nº 8.383/91 para a compensação de tributos da mesma espécie e o art. 74 da Lei nº 9.430/96 que regulava a compensação entre tributos de espécies distintas, sujeito a pedido prévio do contribuinte à repartição fiscal. Assim, a fiscalização não tinha e não tem nenhuma obrigação de fazer a compensação em nome do contribuinte, pois aqueles dispositivos legais deixam bem claro que o procedimento de compensação é de iniciativa do contribuinte e não do fisco. Portanto, correta a lavratura do auto de infração sem a dedução dos valores recolhidos a maior, pois cabia ao contribuinte solicitar ou efetuar a sua compensação em procedimentos específicos. No que concerne ao agravamento da multa, verificase que o contribuinte foi intimado em 09/11/1998 a apresentar declaração de existência ou não de ações judiciais ainda em curso envolvendo o PIS referentes ao anocalendário de 1994, 1995 e 1996; demonstrativo da Base de Cálculo do PIS contendo receitas e exclusões amparado pela documentação comprobatória (balancetes, Lalur, e outros); bem como os DARF do período fiscalizado (fl. 37). Em virtude do não atendimento dessa intimação, o contribuinte foi reintimado, nos mesmos termos, em 14/01/1999 (fl. 38). Tal intimação foi atendida em 18/01/1999, conforme fls. 39 e ss. Portanto, o contribuinte não atendeu à intimação de fl. 37 formalizada em 09/11/1998. Se não tivesse sido reintimado nos mesmos termos em janeiro de 1999, a fiscalização não teria obtido os documentos solicitados. Logo, correta a inflição do agravamento da multa de ofício, pois a intimação de fl. 37 não foi cumprida pelo contribuinte. Ele precisou ser reintimado para atender à solicitação do fisco. O art. 994 do RIR/94, cuja matriz legal era o art. 4º, § 1º da Lei nº 8.218/91, dispunha o seguinte: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000911/9925 Acórdão n.º 3403003.497 S3C4T3 Fl. 6 7 "Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do art. 992 passarão a ser de 150% e 450%." Posteriormente, o art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96 reduziu a multa por falta de atendimento a intimação nos seguintes termos: "§ 2º. Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente." Analisandose o demonstrativo da multa e dos juros de mora de fls. 11, verificase que a fiscalização aplicou o percentual correto de 112,5% para todos os fatos geradores, inclusive os de 1994, considerando o princípio da retroatividade benígna. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso apenas para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos em setembro e outubro de 1993, em virtude da decadência. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10283.901883/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.091
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra (relator). Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SOCIEDADE AMAZONENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra (relator). Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Redator designado. EDITADO EM: 23/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antônio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0623.558, da DRJ/Curitiba, o qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 28/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 23/02 /2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.901883/200867 Resolução n.º 330200.091 S3C3T2 Fl. 401 2 Usando do princípio da economia processual e no intuito de ilustrar aos pares a matéria, adoto e ratifico excertos do relatório objeto da decisão recorrida, que bem descrevem os fatos até aquela fase dos autos, ipsis verbis: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 13/11/2004 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 6912, do período de apuração de 30/04/2004, com arrecadação em 14/05/2004, no valor originário de R$ 16.389,73. A Delegacia de origem, em análise datada de 18.07.2008 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 07.08.2008, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/11): "A requerente declarou na DCTF 2° TRIMESTRE/2004 ter a pagar (e pagouse) de PIS no mês de abril o valor de R$ 16.389,73, conforme DARF em anexo. Posteriormente, constatouse que o valor real a ser pago era de R$ 7.033,63, ou seja, inferior ao valor informado na referida DCTF, gerando, portanto, um crédito de R$ 9.356,10. (...) Entretanto, de forma equivocada não foi retificada a DCTF de origem dos créditos, o que gerou a vinculação de um débito com valor equivalente ao DARF pago, a inconformidade dos créditos a serem utilizados para compensação e conseqüentemente a reprovação do PER/DCOMP Juntando aos autos cópia de DCTF retificadora, entende a contribuinte que "se torna equivalente o débito compensado com o valor pago".”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve a glosa do crédito pretendido, em acórdão resumido na seguinte ementa: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Fl. 357DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 28/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 23/02 /2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.901883/200867 Resolução n.º 330200.091 S3C3T2 Fl. 402 3 Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos, interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos anteriormente. Em adição, junta DCTF retificadora entre outros documentos e alega que não há preclusão visto que tais documentos se destinam a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, permissão prevista na alínea "c", § 4°, do art.16 do Decreto n° 70.235/72. Finaliza requerendo: “a) a juntada aos autos da documentação comprobatória do direito creditório, nos termos da alínea "c", § 4°, do art.16 do Decreto n° 70.235/72; b) pela análise da documentação acima citada para, reconhecendo o direito creditório de Recorrente, dar provimento ao presente Recurso Voluntário e, via de conseqüência, homologar a compensação pleiteada”. É o relatório. Voto vencido. Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece ser conhecido, pois é tempestivo e preenche os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua admissibilidade. Preclusão A Recorrente alega em seu favor que o indeferimento ao pleito compensatório fundouse no fato de não ter apresentado documentos fiscais hábeis a comprovar o seu direito creditório. Sustenta que, em decorrência disso, abrese a oportunidade para apresentar, neste momento processual, a documentação alusiva e comprobatória do crédito deduzido. Invoca a seu favor a alínea "c", § 4º, art. 16, do Decreto n.° 70.253/721. Analisando o excerto legal aduzido pela Recorrente, ao contrário do que afirma, resta precluso o direito de apresentação de prova documental nesta fase recursal vez que a oportunidade para fazêla é na impugnação, consoante assinala referido excerto. Mérito Deixo de analisar o mérito em virtude da preclusão apontada. Conclusão 1 Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. l.° da Lei n.° 8.748/1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 358DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 28/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 23/02 /2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.901883/200867 Resolução n.º 330200.091 S3C3T2 Fl. 403 4 Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário e indeferir o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Voto vencedor Conselheiro ALEXANDRE GOMES O direito ao crédito utilizado pela Recorrente na compensação informada por meio de PERD/COMP foi indeferido, pois o alegado pagamento a maior estaria atrelado a valor declarado em DCTF como devido. A Recorrente por sua vez, informou que em sua DCTF teria sido informado valor que não correspondia ao valor efetivamente devido a título de COFINS e que por descuido não teria sido efetuada a retificação desta DCTF. A DRJ de Belém, em suas razões de decidir assim consignou: Assim, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido com o pagamento, não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito, confessado em DCTF, fazendose necessário, ainda e notadamente, que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal fora diversa e o pagamento respectivo de fato indevido. Junto com o Recurso Voluntário foram juntados ao presente processo copia do DARF, do PERD/COMP, da DCTF retificadora e dos livros fiscais que segundo a Recorrente comprovariam a ocorrência do pagamento a maior informado. Assim, tendo por norte o princípio da verdade material e verificando a necessidade de análise dos documentos por parte da autoridade preparadora, com a devida vênia do nobre relator, entendo por bem converter o presente processo em diligência para que: a) sejam analisados os documentos juntados ao presente processo junto com o Recurso Voluntário, em complemento aos já apresentados anteriormente, informando se de fato existe pagamentos a maior ou indevidos; b) seja intimada a Recorrente para que informe o motivo da modificação dos valores devidos da contribuição, bem como lhe seja dada ciência do resultado da presente diligencia; (assinado digitalmente) Alexandre Gomes – Redator Designado. Fl. 359DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ALEXANDRE GOMES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 28/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 23/02 /2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005214/2002-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE.
O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigura-se lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário.
APURAÇÃO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito a crédito do IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final.
DÉBITOS DECLARADOS. DCOMP NÃO HOMOLOGADA. COMINAÇÕES LEGAIS.
Os débitos tributários vencidos, objetos de Declaração de Compensação (Dcomp) não homologada, estão sujeitos às cominações legais, juros e multa moratórios, quando de suas liquidações.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao ressarcimento pleiteado, e, pelo voto de qualidade, em negar provimento, quanto à dispensa de penalidades e juros. Vencidos neste quesito, os conselheiros Bernardo Motta Moreira (Relator), Antônio Lisboa Cardoso e Helder Massaaki Kanamaru. Designando para redigir o voto vencedor, na parte vencida, o conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernardo Motta Moreira - Relator.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigura-se lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário. APURAÇÃO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito a crédito do IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final. DÉBITOS DECLARADOS. DCOMP NÃO HOMOLOGADA. COMINAÇÕES LEGAIS. Os débitos tributários vencidos, objetos de Declaração de Compensação (Dcomp) não homologada, estão sujeitos às cominações legais, juros e multa moratórios, quando de suas liquidações. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao ressarcimento pleiteado, e, pelo voto de qualidade, em negar provimento, quanto à dispensa de penalidades e juros. Vencidos neste quesito, os conselheiros Bernardo Motta Moreira (Relator), Antônio Lisboa Cardoso e Helder Massaaki Kanamaru. Designando para redigir o voto vencedor, na parte vencida, o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Bernardo Motta Moreira - Relator. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
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POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigurase lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário. APURAÇÃO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito a crédito do IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final. DÉBITOS DECLARADOS. DCOMP NÃO HOMOLOGADA. COMINAÇÕES LEGAIS. Os débitos tributários vencidos, objetos de Declaração de Compensação (Dcomp) não homologada, estão sujeitos às cominações legais, juros e multa moratórios, quando de suas liquidações. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 52 14 /2 00 2- 16 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 484 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto ao ressarcimento pleiteado, e, pelo voto de qualidade, em negar provimento, quanto à dispensa de penalidades e juros. Vencidos neste quesito, os conselheiros Bernardo Motta Moreira (Relator), Antônio Lisboa Cardoso e Helder Massaaki Kanamaru. Designando para redigir o voto vencedor, na parte vencida, o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Bernardo Motta Moreira Relator. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório Por bem descrever os fatos, peço licença para adotar o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. “O estabelecimento acima identificado apresentou pedidos de ressarcimento do saldo credor do IPI, autorizado pelo art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, referentes ao período de 01/01/1999 a 31/12/2001, fls. 01, 21, 54, 105, 147, 186, 239, 280, 341, 389, 421 e 470, no valor total de R$ 1.139.443,29, cumulados com declarações de compensação. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, pelo Despacho Decisório n° 150/2008, fls. 639/640, de 28 de abril de 2008, com suporte na Informação fiscal das fls. 575/578, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações vinculadas ao crédito pretendido, pelos motivos relatados a seguir: 2.1 Os únicos produtos que a empresa dá saída são os jornais Zero Hora, Diário de Santa Maria e Diário Gaúcho, que, de acordo com o art. 150, VI, d, da Constituição Federal, são produtos imunes à tributação, não revestindo, por isso, a condição de estabelecimento industrial, nos termos da legislação do IPI. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 485 3 2.2 O entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil é de que o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de novembro de 1999, não se aplica aos produtos amparados por imunidade. 3. Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 09 de maio de 2008, conforme Aviso de Recebimento na fl. 643. Inconformado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 644/662, firmada por procurador (Instrumento de Procuração na fl. 663) alegando, em síntese, o seguinte: a) decadência do direito de rever o direito ao crédito; b) direito ao crédito nas saídas de produtos imunes; c) vinculação da Administração Pública aos atos normativos por ela expedidos: violação ao art. 11 da Lei n° 9.779/99 e, em especial, ao art. 4° da IN SRF n° 33, de 04 de março de 1999, uma vez que os produtos industrializados sujeitos à alíquota zero englobam os produtos imunes; d) aplicação retroativa de ato infralegal, em violação aos artigos 106, I, e 144, ambos do Código Tributário Nacional. 3.1 Ao final, requer a reforma do despacho decisório e homologação das compensações efetuadas”. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. O saldo credor de IPI, objeto de pedido de ressarcimento, não está sujeito a prazo estipulado em lei para verificação de sua legitimidade. São inadmitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos imunes por outros fatores que não a exportação, bem como de produtos com a notação "NT" (não tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Ilegalidade. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à ilegalidade dos atos normativos, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Aplicação dos atos normativos. O julgador deve observar.o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Solicitação Indeferida Fl. 485DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 486 4 Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Argui a decadência do crédito tributário aduzindo que “passados mais de cinco anos do pedido de ressarcimento, decaiu o direito da administração de rever o crédito utilizado para compensar outros tributos. Plenamente aplicável o artigo 173 do Código Tributário Nacional, que impede a administração de constituir crédito tributário após o transcurso do prazo qüinqüenal. O prazo decadencial de 5 anos é aplicável para todos os elementos que envolvam a apuração do crédito tributário. Tratandose de compensação, o prazo de cinco anos deve incidir tanto para o crédito da Fazenda como para o crédito do contribuinte utilizado”. No mérito, sustenta que os produtos de sua fabricação são produtos imunes e não produtos não tributados. Destaca a relevante distinção que há entre ambos. Que o direito ao crédito não surgiu com a Lei n° 9.779/99, mas do próprio princípio da nãocumulatividade, previsto na Constituição Federal. Que o direito ao crédito no caso de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero foi explicitado na Instrução Normativa SRF n° 33/99, mais tarde ilegalmente modificada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006. Cita “recente julgamento, ocorrido em 18 de junho de 2008 [no qual] o Min. Ricardo Lewandovski” consideraria “patente que o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de insumos tributados, no caso de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, não teria surgido apenas com a promulgação da Lei 9.779/99, já derivado diretamente do princípio da nãocumulatividade, previsto na CF/88 e em Cartas anteriores, sendo inadmissível que lei ordinária ou simples regulamento pudessem obstaculizálo. Ressaltou que a retroação dos efeitos da Lei 9.779/99 estaria implícita, porque esse diploma configuraria verdadeira "lei interpretativa”. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Bernardo Motta Moreira Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. 1. Preliminar de Decadência: Preambularmente, enfrento a questão da decadência suscitada pelo interessado, que argumentou estar o direito da Fazenda Pública de não homologar as compensações por ele levadas a efeito, fulminado pela decadência. Segundo a ótica do contribuinte, “passados mais de cinco anos do pedido de ressarcimento, decaiu o direito da administração de rever o crédito utilizado para compensar outros tributos. Plenamente aplicável o artigo 173 do Código Tributário Nacional, que impede a administração de constituir crédito tributário após o transcurso do prazo qüinqüenal”. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 487 5 Todavia, nesse ponto, entendo que andou bem a instância a quo, motivo pelo qual não merece acolhida a alegação da Recorrente. Com efeito, o art. 173 do Código Tributário Nacional, utilizado como fundamento da decadência arguída, trata do prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário, que não se aplica ao caso ora examinado, visto que o presente processo trata de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI, cumulado com declaração de compensação. No caso em tela, o único prazo a que está sujeita a autoridade administrativa é aquele que diz respeito à homologação das compensações, que é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação, inexistindo prazo estipulado em lei para verificação da legitimidade do crédito pleiteado. Para a homologação das compensações declaradas devese verificar a legitimidade do crédito ofertado. Não se comprovando a existência desse crédito, as compensações não podem ser homologadas. Cuidase do exercício do comando contido no dispositivo do art. 74, da Lei 9.430/96, que regulamenta a compensação, sob condição resolutória de posterior verificação por parte da Autoridade competente. Reza o mencionado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento,poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Neste sentido, a compensação declarada pelo contribuinte possui condição resolutória de sua ulterior homologação, referindose tal análise, à extinção do crédito tributário “pago”, por meio do instituto extintivo da obrigação, que é a compensação. O dispositivo legal retro transcrito é expresso em estabelecer que o crédito tributário pago por meio de compensação é extinto, sob condição de posterior análise do Órgão Administrativo competente. Ou seja, a extinção do débito existente em nome do contribuinte (crédito da Fazenda Nacional) é que está sujeita à análise (condição resolutória) da Receita Federal do Brasil, e não, direta e objetivamente, o crédito nela utilizado. Evidentemente que para se avaliar se a “moeda de pagamento” era hábil para extinguir a obrigação, se deve analisar sua consistência, caso em que, para essa finalidade, poderá a autoridade proceder a essa análise. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 488 6 Na mesma esteira, o §5º do artigo citado é objetivo ao regulamentar o prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da declaração de compensação para a sua homologação, determinando que é a homologação da compensação que possui tal prazo decadencial – e não o crédito tributário utilizado. Se assim o fosse, os contribuintes poderiam transmitir Declarações de Compensação (DCOMPs) à Receita Federal do Brasil às vésperas do vencimento do prazo de 5 (cinco) anos do período de geração do crédito, impedindo que o Órgão Administrativo tenha tempo hábil para uma resposta, que não a homologação tácita da declaração apresentada. Portanto, no caso em concreto dessa alegação, entender de maneira diferente seria contrariar o preceito do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, o que é defeso a este órgão julgador, por inviável a via da argüição de inconstitucionalidade de Lei. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. 2. Impossibilidade de manutenção e ressarcimento de créditos de IPI adquiridos na entrada de insumos aplicados na industrialização de produtos imunes: No mérito, discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes. Tratase de um assunto bastante controvertido, se não pela própria sistemática de apuração de tributos nãocumulativos e das tantas interpretações que comporta no tocante às conseqüências do aproveitamento de créditos quando a operação subsequente é desonerada do imposto, então pelas divergentes decisões encontrados na jurisprudência. A evolução dos julgados dos Tribunais Superiores, no entanto, caminha no sentido diverso da pretensão da Recorrente. É ver. O Supremo Tribunal Federal, através de seu Plenário, já teve a oportunidade de se pronunciar sobre a temática dos insumos tributados seguidos de saída desonerada, como constante no resultado do julgamento do Recurso Extraordinário 475.551/PR, cuja ementa transcrevo: EMENTA: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INSUMOS OU MATÉRIAS PRIMAS TRIBUTADOS. SAÍDA ISENTA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. ART. 153, § 3º, INC. II, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 11 DA LEI N. 9.779/1999. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO: INEXISTÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. Direito ao creditamento do montante de Imposto sobre Produtos Industrializados pago na aquisição de insumos ou matérias primas tributados e utilizados na industrialização de produtos cuja saída do estabelecimento industrial é isenta ou sujeita à alíquota zero. 2. A compensação prevista na Constituição da República, para fins da não cumulatividade, depende do cotejo de valores apurados entre o que foi cobrado na entrada e o que foi devido na saída: o crédito do adquirente se dará em função do montante cobrado do vendedor do insumo e o débito do adquirente existirá quando o produto industrializado é vendido a terceiro, dentro da cadeia produtiva. 3. Embora a isenção e a alíquota zero tenham Fl. 488DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 489 7 naturezas jurídicas diferentes, a consequência é a mesma, em razão da desoneração do tributo. 4. O regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, esta a substância jurídica do princípio da não cumulatividade, não aperfeiçoada quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. 5. Com o advento do art. 11 da Lei n. 9.779/1999 é que o regime jurídico do Imposto sobre Produtos Industrializados se completou, apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias primas tributadas e utilizadas na industrialização de produtos isentos ou submetidos à alíquota zero. 6. Recurso extraordinário provido. (RE 475551, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 06/05/2009, DJe213 DIVULG 12112009 PUBLIC 13112009 EMENT VOL0238203 PP00568 RTJ VOL00218 PP00486) De maneira elucidativa, a Corte Maior sintetiza a operacionalização do princípio da nãocumulatividade com atenção ao caso particular da saída de produto imune, conforme trecho abaixo extraído da ementa do Recurso Extraordinário 561.676/SC, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO. OPERAÇÕES COM ENERGIA ELÉTRICA. I Na sistemática que rege o princípio constitucional da não cumulatividade, a operação desonerada de IPI impede o reconhecimento do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte, raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota zero, isenção, não incidência e de imunidade. II Inexiste direito constitucional ao crédito de IPI decorrente da aquisição de energia elétrica empregada no processo de fabricação de produtos industrializados que são onerados pelo imposto em suas saídas. III Agravo regimental improvido. (RE 561676 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 01/06/2010, DJe145 DIVULG 05 082010 PUBLIC 06082010 EMENT VOL0240907 PP01574 RT v. 99, n. 901, 2010, p. 144145) Neste diapasão, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento em sede de recurso repetitivo, decidiu, ao revés do entendimento da Recorrente, que a ficção jurídica prevista no art. 11, da Lei nº 9.779/99, não alcança situação reveladora de isenção do IPI que a antecedeu. Atentese para o seguinte verbete: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 490 8 ISENTOS OU SUJEITOS AO REGIME DE ALÍQUOTA ZERO. LEI 9.779/99. NOVEL JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O direito ao crédito de IPI, fundado no princípio da não cumulatividade, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, exsurgiu apenas com a vigência da Lei 9.779/99, cujo artigo 11 estabeleceu que: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." 2. "A ficção jurídica prevista no artigo 11, da Lei nº 9.779/99, não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu" (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: RE 562.980/SC, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, Rel. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe167 DIVULG 03.09.2009 PUBLIC 04.09.2009; e RE 460.785/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe171 DIVULG 10.09.2009 PUBLIC 11.09.2009). 3. In casu, cuidase de estabelecimento industrial que pretende o reconhecimento de direito de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériaprima, material de embalagem e insumos destinados à industrialização de produto sujeito à alíquota zero, apurados no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1998, razão pela qual merece reforma o acórdão regional que deferiu o creditamento. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido, restando prejudicadas as pretensões recursais encartadas nas aduzidas violações dos artigos 166 e 170A, do CTN. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 860369/PE, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Aprofundandose na interpretação do artigo 11 da Lei 9.779/99 e examinando a matéria objeto da controvérsia em tela, com especial ênfase ao caráter restritivo do preceito legal (RESP 1.015.855/SP), o Superior Tribunal de Justiça decidiu no seguinte sentido, conforme ementa a seguir: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 491 9 PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo nãoprovimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 492 10 aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição qüinqüenal (aplicação do Decreto 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. (REsp 1015855/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/04/2008, DJe 30/04/2008) Se não bastasse os entendimentos do STF e do STJ sobre o assunto, esta Terceira Seção de Julgamento do CARF já se pronunciou sobre o tema, em relação à própria Recorrente, na seguinte oportunidade: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 493 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 APURAÇÃO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito a crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final. ATOS NORMATIVOS. OBEDIÊNCIA. PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. A observância dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 11080.901897/200668, Acórdão 3102001.133 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Rel. Conselheiro Ricardo Paulo Rosa). Em seu voto, o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa arremata a questão: “Se não é da índole do método de apuração baseado no princípio da nãocumulatividade a autorização para o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos utilizados para produtos isentos ou tributados com a alíquota zero, por certo também não o é nos casos de fabricação de produtos imunes ou nãotributados, de tal sorte que o aproveitamento do créditos nestas circunstâncias depende de expressa previsão legal. No mesmo diapasão, encontrase a orientação consignada em súmula editada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Todo exposto, salvo melhor juízo, afasta qualquer possibilidade de que se acolha o entendimento de que o aproveitamento de créditos em situações como a de que aqui tratamos seja um procedimento inerente à mecânica da nãocumulatividade. Em lugar disso, necessário admitir que ele decorre de Lei e dela depende. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 494 12 Neste sentido, identificase no comando legal contido na Lei 9.779/99 autorização para o aproveitamento de crédito apenas em dois casos: nos de fabricação de produtos isentos e nos de fabricação de produtos tributados à alíquota zero. [...] Não havendo, como se disse, considerações complementares capazes de elucidar a distinção anunciada, o argumento trazido pela própria recorrente, no sentido de que a matériaprima utilizada na fabricação de produtos nãotributados jamais pode ser aproveitada como crédito de IPI, ao contrário da matéria prima dos produtos imunes, que se enquadra na hipótese prevista no art. 11 da Lei n° 9.779/99, termina por corroborar (embora não fosse essa a sua intenção) o entendimento de que a autorização para apropriação do crédito na escrita, em tais circunstâncias, está restrita àquilo expressamente determinado na Lei permissiva, a Lei 9.779/99”. Assim, e com base nas decisões acima colacionadas, mantenho a decisão da DRJ, negando o pedido de ressarcimento de IPI baseado nos créditos de insumos tributados aplicados na industrialização dos produtos imunes fabricados pela Recorrente. 3. Exclusão de Penalidades e Juros: Esse ponto referese à eventual exclusão das penalidades, com base no art. 100, inc. I e III e parágrafo único, do CTN, uma vez que a Recorrente fez o seu pleito segundo o entendimento constante na Instrução Normativa nº 33/99, não se sustentando, segundo alega, a retroatividade do Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06. É importante atentarmos para as disposições infralegais trazidas ao mundo jurídico pelas deliberações emanadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Instrução Normativa nº 33/99, ao tratar dos produtos passíveis de aproveitamento do crédito, referiuse expressamente àqueles identificados como imunes. Observese: Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPII decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 495 13 § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Mais tarde, o Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, com o fito de interpretar a Instrução Normativa nº 33/99, assim esclareceu: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo n° 10168.000853/200696, declara: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2° O disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. A Recorrente recorre a estas disposições em sua defesa, conforme excertos do recurso voluntário apresentado a este colegiado, a seguir transcritos. Ocorre que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006, proibiu, em seu art. 2°, II, o creditamento do Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 496 14 IPI envolvendo insumos empregados na industrialização de produtos imunes. 2.3.11 Não é possível que um ato supostamente interpretativo afaste expressa previsão legal e de fontes complementares das leis. A administração tributária está vinculada aos instrumentos normativos que produz, devendo atender à IN SRF n° 33/99, a qual foi exarada com a finalidade de regulamentar o art. 11 da Lei n° 9.779/99. (...) 2.3.13 O ADI n° 05/06 claramente não possui natureza interpretativa, pois modifica a legislação ao afastar o direito à manutenção do crédito de IPI aos produtos imunes. 2.3.14 Não havendo dúvidas quanto às disposições da Lei n° 9.779/99 e da IN SRF n° 33/99, não há falar em interpretação, pois o ADI n° 05/06 não pode "interpretar" inovando algo que está claríssimo nos referidos diplomas. 2.3.15 Logo, sequer há espaço para a edição de um ato normativo cuja finalidade é exclusivamente interpretativa. Viola o senso comum afirmar que a expressão "inclusive imunes" prevista no art. 4° da IN SRF n° 33/99 deve ser esclarecida por possuir sentido ambíguo. Assim sendo, se a única função do ADI é esclarecer a legislação, e isso sequer poderia ser feito, o ADI não é interpretativo e, conseqüentemente, não produz efeito algum porque sua função não lhe permite inovar a legislação permanecendo os efeitos da IN SRF n° 33/99. 2.3.16 Afastada a natureza interpretativa, o referido ato não é aplicável ao caso dos autos, porquanto, conforme previsão do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. 2.3.17 Segundo o princípio da legalidade, somente a lei pode instituir ou majorar tributos. Ao implicar em majoração de tributo, o ADI SRF n° 05/06 possui natureza modificativa, violando o art. 97 do Código Tributário Nacional, uma vez que isso somente poderia ser feito por meio de lei que alterasse a redação do art. 11 da Lei n° 9.799/99. (...) Primeiramente, é imperioso que se reconheça a exata finalidade para a qual a Instrução Normativa SRF nº 33/99 foi editada. Tal como claramente disposto no mesmo artigo 4º da IN, onde são mencionados os produtos imunes, o comando infralegal ali presente destinase a regulamentar o “direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI”. Foi no intento de regulamentar a apuração do Imposto, que terminou por acrescentar na relação de produtos nos quais as MP, PI e ME adquiridos seriam empregados, os Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 497 15 produtos imunes, que não estavam especificados no artigo 11 da Lei a que se propunha regulamentar. A esse respeito, mister que se reconheça a incompetência da Administração para legislar sobre os critérios de apuração da base de cálculo dos tributos, nos termos do artigo 97 do Código Tributário Nacional. Em consequência, o comando contido no artigo 4º da Instrução Normativa nº 33/99 transborda sua competência ao incluir dentre os produtos que ensejam a manutenção do crédito decorrente da aquisição de insumos, aqueles classificados como produtos imunes, na medida em que estes não estavam contemplados na Lei 9.779/99, restando a consequência do ali disposto, a meu ver, limitada àquela prevista no parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Por força do comando legal acima transcrito, entendo que a Administração está impedida de cobrar da Recorrente qualquer tipo de penalidade, assim como de proceder à correção do valor ou à exigência de juros em relação a eventual saldo devedor apurado. De resto, no que concerne ao Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, pareceme que a intenção da Administração foi, de fato, no sentido de esclarecer a razão para a inclusão de produtos imunes no texto da Instrução Normativa nº 33/99. A inclusão que, a priori, parece ser completamente desarrazoada, encontra provável justificativa na intenção de preservar às empresas exportadoras o direito à manutenção dos créditos na aquisição de insumos destinados à fabricação de produtos imunes. É que a imunidade concedida aos produtos exportados não se confunde com a imunidade objetiva, identificada com o produto em si. A manutenção dos créditos na aquisição de insumos empregados em produtos exportados constituise em verdadeiro incentivo à exportação, não cabendo qualquer tipo de ilação quanto à pertinência do lançamento credor. Ao intentar resguardar tal direito, a IN 33/99 terminou por provocar certa confusão, cujos efeitos tentouse aplacar com a edição do ADI 05/06. Esse, contudo, seja ou Fl. 497DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 498 16 não reconhecido como de caráter interpretativo ou não, não tem o efeito de afastar o disposto no artigo 100 do CTN, acima transcrito. Por todo o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado pela recorrente, para excluir a incidência de juros sobre o saldo devedor não extinto com o crédito do contribuinte não reconhecido no presente processo. (assinado digitalmente) Bernardo Motta Moreira Relator Voto Vencedor Discordo do Ilustre Relator apenas quanto à dispensa das cominações legais, juros e multa moratórios, sobre os débitos tributários, objetos da Dcomp em discussão, cuja compensação não foi homologada. A exigência de juros e multa moratórios sobre débitos tributários liquidados (pagos) a destempo está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Especificamente, em relação aos juros de mora, o Código Tributário Nacional (CTN) prevê sua incidência, independentemente de quaisquer motivos que levaram à mora, assim dispondo: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” (grifo nãooriginal) Fl. 498DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.005214/200216 Acórdão n.º 3301002.101 S3C3T1 Fl. 499 17 Em relação à multa de mora, ao contrário do Ilustre Relator, entendo que, no presente caso, não se aplica o art. 100, incisos I e III e parágrafo único do CTN, para excluíla. A citada IN SRF nº 33, de 1999, se aplica somente a contribuintes do IPI, industriais e/ ou equiparados a industriais, conforme se verifica do conteúdo do seu art. 4º, a seguir: “Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999.” (destaque não original) Também, o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, é dirigido para aos contribuintes do IPI, assim dispondo: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” O dispositivo fala em créditos escriturados e saldos credores trimestrais apurados no Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) obrigatório para os contribuintes do IPI. A recorrente, para efeitos da legislação do IPI, não é industrial nem equiparada a industrial e, portanto não é contribuinte deste imposto, não escritura o RAIPI nem faz jus a créditos incidentes como custos nas aquisições de bens utilizados em sua atividade econômica. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.909694/2011-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/09/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/09/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 96 94 /2 01 1- 12 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909694/201112 Acórdão n.º 3801004.360 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909694/201112 Acórdão n.º 3801004.360 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909694/201112 Acórdão n.º 3801004.360 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909694/201112 Acórdão n.º 3801004.360 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005324/2010-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/04/2010
ILEGALIDADE E EXCESSO NO LANÇAMENTO E JULGAMENTO A QUO. INEXISTÊNCIA. FASES QUE SE DESENVOLVERAM EM RESPEITO E OBSERVÂNCIA AS NORMAS LEGAIS E PROCEDIMENTAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL X ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA ENTRES AMBAS. POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA DE UMA SEM A EXISTÊNCIA DA OUTRA, INCLUSIVE, DA EXISTÊNCIA, EXCLUSIVA, DA ACESSÓRIA. PREVISÃO LEGAL E JURISPRUDENCIAL. CUMPRIMENTO E EXECUÇÃO DE DEVER INSTRUMENTAL. OBRIGAÇÃO LEGAL. O PREJUÍZO AO FISCO NÃO SE VERIFICA, EXCLUSIVAMENTE, NA ÓRBITA ECONÔMICA/FINANCEIRA/PATRIMONIAL. CONTRIBUINTE REINCIDENTE. APLICAÇÃO DA NOVEL LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. OBRIGATORIEDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para aplicar do artigo 32-A-I e demais consectários.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magladi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/04/2010 ILEGALIDADE E EXCESSO NO LANÇAMENTO E JULGAMENTO A QUO. INEXISTÊNCIA. FASES QUE SE DESENVOLVERAM EM RESPEITO E OBSERVÂNCIA AS NORMAS LEGAIS E PROCEDIMENTAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL X ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA ENTRES AMBAS. POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA DE UMA SEM A EXISTÊNCIA DA OUTRA, INCLUSIVE, DA EXISTÊNCIA, EXCLUSIVA, DA ACESSÓRIA. PREVISÃO LEGAL E JURISPRUDENCIAL. CUMPRIMENTO E EXECUÇÃO DE DEVER INSTRUMENTAL. OBRIGAÇÃO LEGAL. O PREJUÍZO AO FISCO NÃO SE VERIFICA, EXCLUSIVAMENTE, NA ÓRBITA ECONÔMICA/FINANCEIRA/PATRIMONIAL. CONTRIBUINTE REINCIDENTE. APLICAÇÃO DA NOVEL LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. OBRIGATORIEDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para aplicar do artigo 32-A-I e demais consectários. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magladi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 172 1 171 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.005324/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.763 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente EMCCAMP RESIDENCIAL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/04/2010 ILEGALIDADE E EXCESSO NO LANÇAMENTO E JULGAMENTO A QUO. INEXISTÊNCIA. FASES QUE SE DESENVOLVERAM EM RESPEITO E OBSERVÂNCIA AS NORMAS LEGAIS E PROCEDIMENTAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL X ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA ENTRES AMBAS. POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA DE UMA SEM A EXISTÊNCIA DA OUTRA, INCLUSIVE, DA EXISTÊNCIA, EXCLUSIVA, DA ACESSÓRIA. PREVISÃO LEGAL E JURISPRUDENCIAL. CUMPRIMENTO E EXECUÇÃO DE DEVER INSTRUMENTAL. OBRIGAÇÃO LEGAL. O PREJUÍZO AO FISCO NÃO SE VERIFICA, EXCLUSIVAMENTE, NA ÓRBITA ECONÔMICA/FINANCEIRA/PATRIMONIAL. CONTRIBUINTE REINCIDENTE. APLICAÇÃO DA NOVEL LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. OBRIGATORIEDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para aplicar do artigo 32AI e demais consectários. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 53 24 /2 01 0- 11 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005324/201011 Acórdão n.º 2803003.763 S2TE03 Fl. 173 2 Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magladi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005324/201011 Acórdão n.º 2803003.763 S2TE03 Fl. 174 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração – AI DEBCAD 37.275.8460, CFL.69, que objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 6., também acrescido pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, fls. 04 a 08, com período de apuração de 01/2006 a 12/2006, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 12 e 13. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 26/04/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 113 a 116, recebida, em 24/05/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 117 a 131. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 136 e 145. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0250.991 6ª Turma da DRJ/BHE, em 07/11/2013, fls. 148 a 151. A impugnação foi considerada improcedente. A autoridade julgadora de primeiro grau, via contato telefônico solicitou ao órgão local DRF – origem que devolvesse os autos àquela instância, fls. 152. O órgão julgador a quo emitiu novo Acórdão 0251.355 6ª Turma da DRJ/BHE, em 21/11/2013, fls. 153 a 157, sob a alegação de correção de inexatidão material. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/12/2013, por intermédio do AR, de fls. 161; 163 e 165. Irresignada a empresa apresentou o recurso voluntário petição de interposição com razões recursais, as fls. 167 a 169, recebido, em 08/01/2014, desacompanhado de qualquer documentos. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Mérito. · que a atuação e a decisão de primeiro grau operaram em ilegalidade/excesso, pois a empresa se conduziu com boafé durante o Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005324/201011 Acórdão n.º 2803003.763 S2TE03 Fl. 175 4 processo administrativo, sendo que eventuais equívocos formais, não podem ensejar autuações; · que inexistindo o principal inexiste o acessório, não podendo haver violação de sua regra, reconhecendo o fisco que apesar dos erros nas declarações não houve diferenças de contribuição a exigir, não havendo prejuízo ao fisco, cumprindo a empresa fielmente a legislação trabalhista e previdenciária, cumprindo a empresa as obrigações principais da lei, o que não justifica a aplicação da multa; · Por fim pede e requer: a) acolhimento do recurso; b) decretação da improcedência da autuação; c) baixa e arquivo dos autos; d) endereçamento das intimações diretamente ao escritório dos patronos, no endereço declinado, sob pena de nulidade do procedimento administrativo. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 170. Os autos subiram ao CARF, fls. 170. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 03, fls. 171. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005324/201011 Acórdão n.º 2803003.763 S2TE03 Fl. 176 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado Equivocase a recorrente, pois não há excesso da autuação ou do julgamento a quo, o agente lançador apenas cumpriu o seu dever legal, tendo em vista que ao constatar o desatendimento da determinação legal por parte do contribuinte agiu como manda a lei e aplicou a sanção prevista, artigo 32, IV, §6º, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 142, parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 117, III, da Lei 8.112/90, por outro lado a DRJ nada mais fez do que promover a análise e julgamento da impugnação dando a solução que entendeu aplicável ao caso. Novamente, enganase a recorrente o fato de inexistir diferença de contribuição a ser recolhida, não implica em inexistência do não cumprimento de obrigação acessória – dever instrumental determinado em lei e consequentemente em violação a lei tributária, a obrigação acessória existe, ainda, que não haja obrigação principal, o parágrafo único do artigo 175, da Lei 5.172/66 é expresso nesse sentido. As questões relativas a acessoriedade não tem no âmbito tributário a relação com que se apresenta na seara cível. O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005324/201011 Acórdão n.º 2803003.763 S2TE03 Fl. 177 6 De mais a mais o normal e esperado é que todos ajam com boafé e no campo tributário isso não pode ser justificativa para que o fisco deixe de aplicar a lei como esta lhe determina e ordena, pois no campo infracional aplicase o artigo 136, da Lei 5.172/66, outro não é o pensamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre a matéria, observese a transcrição. EMEN: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇA SALARIAL DECORRENTE DA CONVERSÃO DA URV (11,98%). JUROS E MULTA. INCIDÊNCIA. 1. As verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real (11,98%) têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda. Precedentes. 2. Segundo o art. 136 do CTN, "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". 3. Se o imposto de renda deixou de ser retido na fonte no momento próprio, sobre o tributo incidem juros de mora e multa, independentemente da boafé do agente, ainda que a ausência de retenção tenha sido imputada à instituição pagadora. 4. A ausência de retenção na fonte não retira a responsabilidade do contribuinte que recebeu o rendimento de submeter a renda à incidência do imposto, arcando, obviamente, com os consectários legais decorrentes do inadimplemento. Precedentes da Segunda Turma. 5. Recurso especial provido. EMEN:(RESP 201201625858, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:15/02/2013 ..DTPB:.) (o destaque é meu). O contribuinte não é capaz de identificar ou não se esta ou aquela conduta é capaz de produzir prejuízo ou fisco e esse prejuízo não pode ser entendido, exclusivamente, como de ordem econômico/financeira/patrimonial, pois a ausência de informação ou a informação incorreta nos campos da GFIP, nos termos do artigo 32, parágrafo segundo, da Lei 8.212/91 podem dificultar ou inviabilizar a concessão de benefícios ante a ausência de base de dados para tal fim. Consta do relatório fiscal do presente auto que a empresa fiscalizada sofreu a lavratura de onze autos de infração no procedimento fiscal levado a cabo no contribuinte, sendo três decorrentes do descumprimento de obrigação principal e oito decorrentes do descumprimento de deveres instrumentais, esse mesmo relatório informa que a empresa, não é primária, ou seja, já foi autuada em fiscalizações anteriores por descumprimento de obrigações acessórias, artigo 290, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, o que infirma a alegação de cumprimento fiel das obrigações trabalhistas e previdenciárias. O contribuinte tem o dever legal de cumprir as obrigações principais e as acessórias o cumprimento de uma, não dispensa o cumprimento da outra. Indefiro o pedido de intimação em nome dos causídicos e nos endereços destes, uma vez que o artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, do Decreto 70.235/72 não trazem tal hipótese e estabelecem as formas de comunicações ao sujeito passivo. Aliás, esse, também, é o entendimento do judiciário. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005324/201011 Acórdão n.º 2803003.763 S2TE03 Fl. 178 7 TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ART. 23 DO DECRETO N.º 70.235/72 INTIMAÇÃO POSTAL PESSOA JURÍDICA ENDEREÇO ELEITO PELO CONTRIBUINTE. 1. O impetrante, ora apelado, impetrou o presente mandamus pugnando pela invalidade do ato de intimação da decisão proferida em primeiro grau no processo administrativo, sustentando que a intimação foi realizada em lugar diverso do apontado em sua impugnação e recebida por pessoa estranha aos quadros da empresa. O MM. Juízo a quo, acolhendo os fundamentos aduzidos na inicial, julgou procedente o pedido formulado, declarando a nulidade do processo administrativo fiscal, desde a intimação do impetrante do julgamento da impugnação, decisum contra o qual agora se insurge a União. 2. O contribuinte foi intimado, por via postal, em seu domicílio fiscal. Em que pese sustentar ter declinado outro endereço para receber as intimações, quando da apresentação de sua impugnação, e que o recebimento foi atestado por pessoa que não detinha poderes para tanto, não existe qualquer ressalva normativa no sentido de que a intimação deve ser feita na pessoa do advogado, na hipótese de haver procuradores constituídos pelo contribuinte, nem que o próprio destinatário ou pessoa por ele autorizada firme o documento. 3. A tese inicial da necessidade de intimação da empresa através de seus advogados implicaria em aplicar a mesma disciplina que rege o ato de citação judicial ao ato de mera intimação de decisão em processo administrativo. A intimação de atos de comunicação em processo administrativo não se reveste das mesmas exigências previstas em lei para efetivação da citação judicial, não estando o fisco obrigado a intimála na pessoa do advogado. 4. No mais, se a intimação foi encaminhada ao destino correto, se pessoa que não deveria recebêla o fez, ou ainda, se o fez e não repassou o importante documento às mãos dos seus efetivos destinatários, tais falhas jamais podem ser imputadas à autoridade notificante, mas ao próprio contribuinte, na administração do seu pessoal. 5. Remessa necessária e apelação interposta pela União providas. (AMS 200251100065655, Desembargador Federal RICARLOS ALMAGRO VITORIANO CUNHA, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::16/12/2011 Página::202/203.) (o realce é meu). Assim com esses esclarecimentos afasto todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005324/201011 Acórdão n.º 2803003.763 S2TE03 Fl. 179 8 Contudo, ante a alteração normativa introduzida pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 o patamar de multa foi alterado, assim deve ser aplicada a sistemática de cálculo da multa determinada pelo artigo 32AI e demais consectários. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, aplicação do artigo 32AI e demais consectários. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10480.905383/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA.
Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá-lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração.
Numero da decisão: 1302-001.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Silva e Leonardo Marques.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitá-lo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração.
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Recorrente Pernod Ricard Brasil Ind. e Com. Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA. Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Guilherme Silva e Leonardo Marques. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1140.220 da 3ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 53 83 /2 01 1- 73 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO PARCIAL. COMPENSAÇÃO PARCIALMENTE HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi parcialmente utilizado na quitação de débitos confessados em DCTF e em compensações anteriores. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1140.220 em 10/05/2013 (Termo a fls. 168), interpôs, em 24/05/2013, recurso voluntário (doc. a fls. 170 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que se trata de recurso voluntário interposto pela recorrente contra decisão que não homologou a DCOMP nº 03956.59153.220708.1.7.040557; b) que, segundo a RFB, o DARF discriminado na DCOMP (R$ 1.731.801,16) foi localizado no sistema, porém, o mesmo foi supostamente utilizado quase que em sua totalidade na quitação dos supostos débitos: i) de R$ 740.710,58 por meio do PER/Dcomp nº 29809.88904.140108.1.3.047045; e ii) de R$ 757.154,35 (principal de R$ 740.710,58) referente ao IRPJ do anocalendário de 2004, utilizando para tanto outra parte desse DARF; c) que, em análise perfuctória, tomando por base só a DCTF (doc. 08 da manifestação de inconformidade) que discrimina o débito ao qual o DARF se encontra alocado (página 3 da DCTF), é d e se supor que não existia direito creditório, porém referida análise carece de materialidade, uma vez que não foi observada sequer a própria DIPJ do período, qual seja o anocalendário 2004; d) que a divergência encontrada é a ausência de DCTF retificadora que justifique a existência do pagamento indevido, ainda que a recorrente, por um lapso, tenha deixado de entregar uma DCTF retificadora, a existência do pagamento indevido pode ser comprovada através da análise de sua própria DIPJ, suportada por sua escrita contábil; e) que, antes da auditoria de suas demonstrações financeiras, tinha apurado IRPJ/AC 2004 a pagar no montante de R$ 740.710,58, que foi indevidamente alocado ao DARF de R$ 1.731.801,16, através de informação prestada em DCTF do período (doc. 08 da inicial); f) que, após a transmissão da DIPJ retificadora (doc. 09 da manifestação de inconformidade), restou demonstrado que no período relativo ao anocalendário de 2004 a recorrente teve saldo negativo de IRPJ, portanto, o pagamento de R$ 740.710, 58, outrora informado, é indevido; g) que, apesar de quaisquer incorreções verificadas pela fiscalização com relação a não transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não deixou de demonstrar que seu crédito advinha de pagamento válido, a maior ou indevido, e demonstrados na DCOMP e principalmente através da DIPJ/05; h) que requer seja o pedido conhecido e dado provimento ao presente recurso voluntário , para que seja reconhecido expressamente o direito creditório da recorrentem homologada a DCOMP e anulado o crédito tributário do processo de cobrança nº 10480.906065/201120. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.905383/201173 Acórdão n.º 1302001.570 S1C3T2 Fl. 194 3 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 139/140, razão pela qual dele conheço. A questão posta para julgamento deste Colegiado reside unicamente em saber se a falta de retificação da DCTF pode obstar o reconhecimento do direito creditório que aflorou da retificação apenas da DIPJ, quando verificado que o DARF que consubstancia o direito creditório pleiteado, objeto do pedido de compensação, fora alocado pela própria recorrente, para extinção do débito confessado na DCTF (não retificada). Entendo perfeita a decisão da DRJ/REC, cujos seguintes excertos a seguir transcrevo: “9. Como se sabe, a DCTF, nos termos da legislação de regência, constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados, o mesmo não ocorrendo com a DIPJ, que tem natureza meramente informativa. 10. No caso concreto, verificase que a empresa apresentou DCTF em que fez constar haver apurado débito do IRPJ no 4º trimestre de 2004, vinculandoo ao pagamento realizado através de DARF no mesmo montante. 11. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer integralmente o crédito pleiteado, haja vista que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, parcialmente alocado a débitos regularmente confessados pela pessoa jurídica. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN). 12. Destaquese ainda que, além de não retificar a DCTF, que constituía obrigação sua, não trouxe a interessada prova alguma do tanto alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 19723, e deixando de observar o previsto no art. 333 do Código do Processo Civil.”. Acrescento à bem fundamentada decisão da DRJ/REC que, enquanto não retificada a DCTF, o débito ali confessado subsiste, logo, se possível fosse restituir o alegado direito creditório, sem que a recorrente promovesse a prévia retificação da DCTF, teríamos o melhor dos mundos para a recorrente, pois, além de ter sido restituída do valor pago, passaria a estar formalmente protegida de qualquer multa de ofício sobre IRPJ lançado até o valor declarado na DCTF, qualquer que fosse a infração constatada, já que não incide multa de ofício sobre débito declarado em DCTF. Por último, alerto que a apresentação de DIPJ retificadora não é prova suficiente e incontestável do direito creditório, mas apenas uma das tantas providências que deveria a recorrente tomar, para demonstrar o seu direito creditório. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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