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Numero do processo: 10283.005906/2006-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 07/12/2004, 11/04/2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-008.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 59 06 /2 00 6- 49 Fl. 637DF CARF MF 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009 (atual, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), em face do Acórdão nº 3402002.610, de 28/01/2015, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 07/12/2004, 11/04/2005 EXTRAVIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. Na impossibilidade de localização de mercadoria à qual tenha sido aplicada a pena de perdimento e que esteja sob custódia de depositário, este responde pela multa substitutiva. Recurso de Ofício Provido Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso, a Contribuinte suscita divergência jurisprudencial referente as seguintes matérias:(1) a existência de nulidade processual por cerceamento ao direito de defesa; e (2) a ausência de conduta antijurídica, em razão de amparo em decisão judicial. Visando comprovar a(s) divergência(s), apresentou como paradigmas, respectivamente, os Acórdãos nº 9303002.892 (1) e 3403003.538 (2), cujos inteiro teor das ementas foram reproduzidas no recurso. Do juízo de admissibilidade, o Presidente da 4º Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento parcial ao recurso, especialmente quanto à possibilidade do reconhecimento por decisão administrativa da ausência de conduta antijurídica, em razão de amparo em decisão judicial (acórdão paradigma nº 3403003.538), conforme depreendese do exame de admissibilidade, ás efls. 575 579. Houve reexame de admissibilidade do Recurso interposto, o Presidente do CARF, manteve na íntegra o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao Recurso, ás efls. 580581. A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, efls. 583590. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10283.005906/200649 Acórdão n.º 9303008.506 CSRFT3 Fl. 638 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. In caso, tratase de autuação de exigência da penalidade prevista no § 3º do art. 23, do Decretolei nº 1.455/1976, lavrada em 26/09/2006, em desfavor da Contribuinte, no valor de R$ 2.416.902,00, equivalente ao valor aduaneiro de mercadorias estrangeiras importadas, objeto de perdimento, e mantidas sob sua guarda e custódia, na condição de Fiel Depositário, em razão de não mais serem localizadas, decorrente de procedimento fiscalizatório perpetrado pela Alfândega do Porto de Manaus (MPF nº 0227600/00418/06). De acordo com os autos, a sobredita ação fiscalizatória em referência, originouse de medida liminar, em sede do Mandado de Segurança MS, de nº 2003.01.00.0116284/DF (Processo na Origem: MS de nº 2002.01.00.0415660/AM), concedida pelo ilustre Desembargador Federal Carlos Olavo, do Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região, a qual suspendeu ato liberatório de mercadorias apreendidas, proferido por ora do Agravo de Instrumento, de n° 2003.01.00.0102050/AM (Processo de Origem: nº 2002.32.00.0048883 Ação Civil Pública), do também Tribunal Regional Federal da Primeira Região, de lavra da ilustre Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, em favor da empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda. – na qualidade de agravante. Assim, que no dia 02/05/2003, auditoresfiscais e técnicos da Receita Federal compareceram ao depósito da Empresa DM Eletrônica da Amazônia LTDA., com o objetivo de recolher as mercadorias constantes dos Termos de Entrega n° 0227600/0003/2003, 0227600/0004/2003, 0227600/0005/2003, 0227600/0006/2003 e 0227600/0007/2003 emitidos pelo Fiel Depositário do Porto de Manaus (às fls. 124133), referentes aos processos de apreensão de n°s: 10283.004218/200238, 10283.004774/200212, 10283.006527/200242 e 10283.006526/200206. Durante a realização dos trabalhos, verificandose as quantidades das mercadorias descritas nos Termos acima citados foram constatadas divergências no recolhimento das mercadorias (em falta e em acréscimo). De acordo com o Anexo I (Demonstrativo do Recolhimento de Mercadorias constantes dos Termos de Entrega n° 0227600/0003/2003, 0227600/0004/2003, 0227600/0005/2003, 0227600/0006/2003 e 0227600/0007/2003 emitidos pelo Fiel Depositário do Porto de Manaus) do Relatório de Diligência Fiscal, de 04/06/2003 (às fls. 118123), foram recolhidas 212.408 unidades de Fl. 639DF CARF MF 4 mercadorias (aparelhos eletrônicos, partes e peças e manuais) correspondentes ao valor de R$ 10.675.217,00. No recolhimento das mercadorias, constatouse a falta de 73.047 unidades de mercadorias que correspondem ao valor de R$ 5.217.297,50 conforme retromencionado Anexo I. Verificouse ainda que existiam 324.979 unidades de mercadorias (aparelhos eletrônicos, partes e peças e manuais) que não constavam nos supracitados Termos de Entrega e que também foram recolhidas para averiguar a regularidade de sua entrada no País, conforme Anexo II (Demonstrativo do Recolhimento de Mercadorias que NÃO constavam nos Termos de Entrega N° 0227600/0003/2003, 0227600/0004/2003, 0227600/0005/2003, 0227600/0006/2003 e 022760010007/2003 emitidos pelo Fiel Depositário do Porto de Manaus) do Relatório de Diligência Fiscal, de 04/06/2003. Constatouse também que 27 caixas de papelão contendo pares de caixa acústica/altofalante lenoxx sound do CD 171 e 26 caixas de papelão contendo sistema de som com cd player/tayer/tapedeck/rádioAM/FM — lenoxx sound — CD 171 estavam molhadas e rasgadas, consoante Termo de Constatação n° 11/2003, de 23/05/2003 (à fl. 201). Uma vez recolhidas, as mercadorias foram transportadas e levadas ao armazém 20 da Empresa de Revitalização do Porto de Manaus, que ficou constituída Fiel Depositário das mesmas, de acordo com o Termo de Constituição de Fiel Depositário n° 37/2003, datado de 04/06/2003 (à fl. 223). Que, foram lavrados os Termos de Lacração n° 37/2003 a 70/2003 e de n° 80/2003 a 104/2003, os Termos de Deslacração nº 45/2003, 4612003 e de n° 83/2003 a 87/2003, os Termos de Entrega de Mercadoria n° 09/2003 a 18/2003 e de n° 20/2003 a 30/2003, o Termo de Constituição de Fiel Depositário n° 37/2003 e o Termo de Constatação nº 11/2003 (às fls.134223). Verificouse que no Termo de Lacração n° 98/2003 (à fl. 140) foram descritas 80 unidades do rádio gravador portátil com cd player AUDAX AX 2014 a menos do que o efetivamente recolhido, segundo o Termo de Entrega de Mercadoria n° 26/2003 (à fl.206). O transporte das mercadorias foi realizado pela Empresa Transglobal Serviços Ltda. A Contribuinte e a Empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda foram intimadas a prestar esclarecimentos sobre os Termos de Entrega de n°s 0227600/0003/2003, 0227600/0004/2003, 0227600/0005/2003, 0227600/0006/2003 e 0227600/0007/2003 emitidos pelo Fiel Depositário do Porto de Manaus, bem como a esclarecer as divergências encontradas no recolhimento das mercadorias relacionadas nos Anexos I e II do Relatório de Diligência Fiscal, de 04/06/2003, conforme, intimações n°s: 45/2003 e 46/2003 (às fls. 224225). Em 27/06/2003, em atendimento à intimação de n° 45/2003, a Contribuinte alegou que a ela não se poderia imputar qualquer responsabilidade pelas divergências apontadas, pelo fato de essas mercadorias, por decisão judicial, não terem permanecido depositadas, de forma constante, sob sua custódia, consoante documento CE/ERP N. 218/2003 emitido pela citada empresa (à fl. 226). Em 07/07/2003, em resposta à intimação de n° 46/2003, a Empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda alegando a ocorrência de algum equívoco na descrição das Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10283.005906/200649 Acórdão n.º 9303008.506 CSRFT3 Fl. 639 5 mercadorias, solicitou a restituição das mesmas e o acesso de seus procuradores para realizarem a conferência das mercadorias, conforme documento em anexo (às fls. 227 228). Diante dessa solicitação, em referência às mercadorias recolhidas e relacionadas nos Anexos I e II do Relatório de Diligência Fiscal, de 04/06/2003, a Empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda foi intimada a apresentar na Alfândega da Receita Federal no Porto de Manaus a descrição correta da(s) mercadoria(s) que pudesse(m) ser idêntica(s) para efeito de falta e acréscimo de mercadoria (s) e identificála(s) fisicamente, conforme Intimação, de 10/07/2003 (à fl. 235). Em resposta, a empresa alegou não ser possível identificar as mercadorias sem um exame físico e reiterou o seu pedido de devolução, consoante documento, de 15/07/2003 (às fls. 236 237). Assim, no dia 31/07/2003, foi instituída uma comissão para promover perícia técnica visando identificar os produtos, subprodutos e peças arrecadados da Empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda., em cumprimento à referida ordem judicial, de acordo com a Portaria ALF/MNS n° 234 (à fl. 242). Tendo em vista as conclusões da Comissão de Perícia Técnica, e as compensações efetuadas conforme a seguir, o Grupo de Vigilância, Busca e Repressão da Alfândega da Receita Federal no Porto de Manaus foi autorizado a atualizar os Anexos I e II do Relatório de Diligência Fiscal, de 04/06/2003, com os dados levantados corrigidos, segundo determinação transcrita no Memorando n° 01/2003 desta Comissão, de 01/08/2003 (à fl. 243), substituindoos pelos Anexos A e B do Relatório n° 34 Seana/Vigilância/Repressão, de 25/08/2003 (às fls. 250260): "O item 21 do Anexo I e o item 10 do Anexo II apresentavam a mesma descrição, assim as 3.022 unidades em falta do item 21 rádio gravador portátil foram compensadas (supridas) com 3.022 unidades do item 10, não restando saldo em falta do item 21; O item 22 do Anexo I e o item 12 do Anexo II apresentavam a mesma descrição, assim das 7.994 unidades em falta do autorrádio com cd player e painel destacável, 7.989 foram compensadas (supridas) com 7989 unidades do item 12, restando saldo em falta de 5 unidades do item 22". Dessa forma, em relação ao Anexo I, o total de unidades de mercadorias recolhidas mudou de 212.408, correspondentes ao valor de R$ 10.675.217,00, para 223.419 unidades, correspondentes ao valor de R$ 13.086.385,00. Já o total de unidades de mercadorias em falta mudou de 73.047, correspondentes ao valor de R$ 5.217.297,50, para 62.036 unidades, correspondentes ao valor de R$ 2.806.129,50. Em relação ao Anexo II, o total de unidades de mercadorias em acréscimo mudou de 324.979 para 313.968 unidades. Sendo que, os Anexos I e II do Relatório de Diligencia Fiscal, de 04/06/2003, após atualizações, passaram a ser, respectivamente, os Anexos A e B referidos no Relatório n° 34 Seana/Vigilância/Repressão, de 25/08/2003. Assim, as 313.968 unidades descritas no Anexo B (Anexo II atualizado) foram retidas e a Empresa DM Eletrônica da Amazônia intimada a apresentar em 24 horas os Fl. 641DF CARF MF 6 documentos comprobatórios da entrada legal das referidas mercadorias no País ou de seu trânsito regular no território nacional, conforme Termo de Retenção nº 47/2003, de 01/09/2003 (às fls. 264266 e 273275). Em 04/09/2003, a Empresa DM Eletrônica da Amazônia encaminhou ofício à Inspetoria da Alfândega da Receita Federal do Porto de Manaus solicitando prazo suplementar de 10 dias para seu atendimento. Em 30/09/2003, a Empresa DM Eletrônica da Amazônia foi novamente intimada (Intimação nº 54/2003, datada de 26/09/2003, à fl. 276) a apresentar em 24 horas os documentos comprobatórios da entrada legal das referidas mercadorias no País ou de seu trânsito regular no território nacional, descritas no Termo de Retenção nº 47/2003, e ao mesmo tempo informada que a concessão de prazo dilatório solicitado não encontrava amparo na legislação. Nessa mesma data (30/09/2003), a Empresa DM Eletrônica da Amazônia encaminhou ofício à Inspetoria da Alfândega da Receita Federal do Porto de Manaus (em resposta à Intimação nº 54/2003) tentando esclarecer que parte desses produtos é de sua fabricação e que outra parte já havia sido anteriormente importada de forma regular. Em 01/10/2003, a Empresa DM Eletrônica da Amazônia apresentou impugnação ao Termo de Retenção nº 47/2003 e ao final requereu a devolução das mercadorias. Como a empresa não logrou êxito em comprovar a entrada legal das referidas mercadorias no País e/ou de seu trânsito regular no território nacional, conforme Termo de Retenção nº 47/2003, foi lavrado o Auto de Infração e Termo Apreensão e Guarda Fiscal nº 0227600/00563/03, em face da DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (às fls. 9197), datado de 12/01/2004, vinculado ao processo 10283.000150/200480, por entender que as mercadorias lá referidas foram importadas irregularmente. Por sua vez, de acordo com os Termos de Entrega de Mercadoria de nºs 09/2003 a 18/2003 e 20/2003 a 30/2003 (às fls. 202222) e Termo de Constituição de Fiel Depositário n° 37/2003, de 04/06/2003 (à fl. 223), a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus recebeu as mercadorias em depósito e foi constituída como Fiel Depositário de todas as mercadorias descritas nos Anexos I e II do Relatório de Diligência Fiscal, de 04/06/2003, que foram atualizados, respectivamente, pelos Anexos A e B do Relatório n° 34 Seana/Vigilância/Repressão, de 25/08/2003. No dia 14/07/2004, através do Ato de Destinação de Mercadorias –ADM nº 114, processo nº 10283.004878/200308, as mercadorias recolhidas nos termos do Anexo I, foram destinadas ao Ministério da Educação/Secretaria Executiva, que após conferência, informou, em seu Relatório de 07/12/2004, não terem sido encontrados 92 aparelhos eletrônicos (ver fl. 7), e que, por sua vez, também desistiu das partes e peças dos aparelhos eletrônicos CR612, CD121 e CD 171. No dia 20 de julho de 2004, através do Ato de Destinação de Mercadorias – ADM, n° 023 processo n° 10283.003714/200436, as mercadorias recolhidas nos termos do Anexo II foram destinadas através de leilão a pessoas jurídicas, sendo que, apenas 3.004 unidades foram efetivamente destinadas (rádio gravador portátil), vez que as demais já haviam sido compensadas, isto é, supriram itens em falta do Anexo I. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10283.005906/200649 Acórdão n.º 9303008.506 CSRFT3 Fl. 640 7 Posteriormente, foram emitidas pela Seção de Programação e Logística (SAPOL) as guias de remoção n° 0227600/0030/2004, n° 0227600/0031/2004, n° 0227600/0032/2004, n° 0227600/0033/2004, n° 0227600/0034/2004 e n° 0227600/0012/2005, às fls. 6981, com o objetivo de recolher da Empresa de Revitalização do Porto de Manaus para o Depósito de Mercadorias Apreendidas da Receita Federal em Manaus, as mercadorias constantes dessas guias. No dia 11 de abril de 2005, consoante descrito no Memorando n° 001/2005 do Depósito de Mercadoria Apreendidas da Receita Federal em Manaus (à fl. 68), informase que referente à guia de remoção n° 0227600/0012/2005, processo nº 10.283.004218/200238, houve a falta de 3.022 unidades do rádio gravador portátil com cd player, com a inscrição lenoxx sound, item 21 do Anexo I, e de 7.989 unidades do autorrádio com cd player e painel destacável com a inscrição lenoxx sound, item 22 do Anexo I. Todavia, como relatado antes, a falta dessas mercadorias foi compensada (suprida), respectivamente, com 3.022 unidades do rádio gravador portátil com leitor de cd, lenoxx, CD 106, item 10 do Anexo II, e com 7.989 unidades do autorrádio com cd player painel destacável, com a inscrição lenoxx sound, LX 440, item 12 do Anexo II. Portanto, na realidade o que deveriam ser encontrados na Empresa de Revitalização do Porto de Manaus, seriam as 3.022 unidades do CD 106, item 10 do Anexo II, e as 7.989 unidades do LX 440, item 12 do Anexo II, que não foram destinadas, removidas, incorporadas, leiloadas ou arrematadas. E, tendo em vista que a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus, de acordo com os Termos de Entrega de Mercadoria de n° 09/2003 a 18/2003 e 20/2003 a 30/2003 e Termo de Constituição de Fiel Depositário n° 37/2003 recebeu e ficou constituída como Fiel depositário de todas as mercadorias recolhidas e descritas nos Anexos I e II do Relatório de Diligência Fiscal, de 04/06/2003, que foram atualizados, respectivamente, pelos Anexos A e B do Relatório n° 34 – Seana/Vigilância/Repressão, de 25/08/2003, inferiuse que: "A responsabilidade pela falta das mercadorias (92 aparelhos eletrônicos) referentes ao ADM no 114, de 14/07/2004, processo n° 10283.004878/200308 nos termos do Relatório de Conferência do Ministério da Educação, de 07/12/2004, seria da Empresa de Revitalização do Porto de Manaus; Que deveriam estar guardadas na Empresa de Revitalização do Porto de Manaus as 3.022 unidades do rádio gravador portátil com leitor de cd, lenoxx, CD 106, item 10 do Anexo II e as 7.989 unidades do autorrádio com cd player painel destacável, com a inscrição lenoxx sound, LX 440, item 12 do Anexo II, que foram recolhidas, entregues à citada empresa, que compensaram (supriram), respectivamente, a falta de 3.022 unidades do rádio gravador portátil com cd player, com a inscrição lenoxx sound, item 21 do Anexo I, e de 7.989 unidades do autorrádio com cd player e painel destacável com a inscrição lenoxx sound, item 22 do Anexo I, que não foram destinadas, removidas, incorporadas,leiloadas ou arrematadas". No dia 03/04/2006, de acordo com a Intimação Seope n° 39/2006 (à fl.58), intimouse a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus a apresentar e disponibilizar, no prazo de 48 horas a contar da data da ciência da intimação, para fins de verificação física, as Fl. 643DF CARF MF 8 3.022 unidades do rádio gravador portátil com leitor de cd, lenoxx, CD 106, item 10 do Anexo II, e as 7.989 unidades do autorrádio com cd player painel destacável, com a inscrição lenoxx sound, LX 440, item 12 do Anexo II. Em atendimento à intimação acima citada, através do documento CE/ERP/N° 052/2006, de 03/04/2006 (às fls.4445), a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus não apresentou e nem disponibilizou as mercadorias objeto da intimação. Apenas informou que, através do processo de leilão 10283.003714/20043, foram entregues à Empresa Caribe Comércio de Componentes Eletrônicos Ltda, em 28/04/2004, 3.448 aparelhos LX 440 e 3.004 rádios gravadores marca lennoxx sound CD 106. Por sua vez, em contrapartida, relata a fiscalização que a empresa não diz a verdade quando informa que foram entregues 3.448 aparelhos LX 440 à Empresa Caribe Comércio de Componentes Eletrônicos Ltda; pois, na realidade o que foi entregue à retrocitada empresa foram 19.317 partes e peças do LX 440 e 01 (uma) caixa contendo manuais do LX 440, conforme processo de leilão n° 10283.003714/20043 e guia de licitação n° 227600/0002 2004 (às fls. 8890). Como visto, de acordo com os Termos de Entrega de Mercadoria n° 23/2003, n° 24/2003, n° 28/2003 e o Termo de Constituição de Fiel Depositário n° 37/2003 estavam sob responsabilidade da Empresa de Revitalização do Porto de Manaus a guarda de 7.989 unidades do CD player painel destacável e que não foram destinadas, removidas, incorporadas, leiloadas ou arrematadas. Quanto ao CD 106, realmente foram entregues 3.004 unidades do aparelho; mas, como descrito anteriormente, a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus recebeu e ficou constituída fiel depositária de 6.026 unidades do rádio gravador portátil c/ leitor de cd lenoxxCD 106, conforme Termos de Entrega de Mercadoria n° 16/2003, n° 18/2003, n° 25/2003, n° 26/2003 e Termo de Constituição de Fiel Depositário n° 37/2003. Dessa forma, estava sob responsabilidade da Empresa de Revitalização do Porto de Manaus a guarda de 3.022 unidades do referido aparelho que, como já relatado, compensaram (supriram) a falta de 3.022 unidades do rádio gravador portátil com cd player, com a inscrição lenoxx sound, item 21 do Anexo I do Relatório de Diligência Fiscal, de 04/062003, e que não foram destinadas, removidas, incorporadas, leiloadas ou arrematadas. No dia 28/04/2006, de acordo com a Intimação Seope n° 44/2006 (à fl.31), intimouse novamente a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus a apresentar e disponibilizar, no prazo de 48 horas, para fins de verificação física, as 3.022 unidades do rádio gravador portátil com leitor de cd, lenoxx, CD 106, item 10 do Anexo II e as 7.989 unidades do autorrádio com cd player painel destacável, com a inscrição lenoxx sound, LX 440, item 12 do Anexo II. Em resposta à intimação Seope n° 44/2006, por meio do documento CE/ERP/N° 069/2006 (às fls. 1518), a Empresa de Revitalização do Porto de Manaus alegou em suma a ocorrência de equívocos e de não existir qualquer falta de mercadoria que lhe possa ser atribuída e novamente não apresentou e nem disponibilizou as mercadorias objeto da intimação. Relata ainda a fiscalização que o valor das 3.022 unidades do rádio gravador portátil c/ leitor de cd, lenoxx, CD 106, das 7.989 unidades do autorrádio com cd player painel destacável, com a inscrição lenoxx sound, LX 440, e das 92 unidades dos aparelhos eletrônicos Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10283.005906/200649 Acórdão n.º 9303008.506 CSRFT3 Fl. 641 9 referentes ao ADM n° 114, de 14/07/2004, processo n° 10283.004878/200308 é de R$ 2.416.902,00 (ver demonstrativo de mercadorias, à fl. 13). E, tendo em vista que a Contribuinte não apresentou, não disponibilizou e nem localizou as mercadorias, que já foram objeto da pena de perdimento, e que estavam sob sua guarda, a fiscalização aplicoulhe multa pecuniária no valor de R$ 2.416.902,00, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias não localizadas, nos termos do art. 23, § 3º, do DecretoLei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei 10.637/2002, regulamentado pelo art. 618, § 1º, do Decreto 4.543/2002, com a redação dada pelo Decreto n° 4.765/2003. Do julgamento da Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), declarou a nulidade do lançamento por entender que houve vício material. Vejamos: "Destarte, com base nos autos, por entender que: (i) o extravio e/ou não localização da mercadoria depositada não enseja, por si só, a aplicação da penalidade substitutiva da conversão do perdimento em multa pecuniária ao depositário, mormente,quando não se restar cabalmente demonstrada sua concorrência ao ilícito que ocasionou a inflição do perdimento, por absoluta ausência de nexo causal; (ii) a falta de fundamentação fática e legal da causa do perdimento na presente autuação, constituiuse pecha na verificação da ocorrência do fato ensejador do Dano ao Erário e, em conseqüência, por esse viés, do próprio cabimento da penalidade substitutiva à pena do perdimento; e que, (iii) de certa forma,tais fatos (inclusive o do remanejamento entre os produtos relacionados nos Anexos I e II,mesmo sem a precisa descrição de seus modelos; o da incongruência entre as datas do recebimento das mercadorias e àquela em que se acusou a falta dessas mercadorias, por ocasião do ADM 114, de 14/07/2004; e o da própria aplicação da penalidade substitutiva a mercadorias já destinadas), também ocasionaram à impugnante cerceamento de seu pleno direito de defesa; e, ainda, considerando a devida competência regimental, VOTO no sentido de conhecer daimpugnação para PRELIMINARMENTE, DECLARAR A NULIDADE do lançamento, porvício material – por atingir aspectos intrínsecos do lançamento, exonerando o sujeito passivo do crédito objeto da presente lide". Por sua vez, a 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, ao apreciar o Recurso Voluntário, deu provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer o lançamento, com fundamento de que aa impossibilidade de localização de mercadoria à qual tenha sido aplicada a pena de perdimento e que esteja sob custódia de depositário, este responde pela multa substitutiva. Em seu Recurso, a Contribuinte aduz divergência jurisprudencial quanto a ausência de conduta antijurídica, em razão de amparo em decisão judicial, dissenso aceito como divergente. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 3403 003.538, transcrevese: Fl. 645DF CARF MF 10 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTI JURÍDICA. PENALIDADE. Não há que se falar em conduta antijurídica quando o contribuinte observa ordem judicial obtida por "contribuinte de fato" (substituído),determinando que não faça a retenção e o recolhimento do IPI, sob pena de crime de desobediência, circunstância que afasta qualquer tipo de cominação de penalidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. Quando "contribuinte de fato" ingressa em Juízo, sob o argumento de suportar o ônus econômico do tributo, e obtém provimento judicial que impeça os seus fornecedores de reterem e recolherem o tributo devido,tal ordem judicial constitui norma individual e concreta que desloca a responsabilidade tributária do tributo, sendo ele quem exclusivamente deu causa ao não recolhimento e ele quem tem legitimidade,reconhecida pela decisão, para responder por eventuais prejuízos ao Fisco. A discussão judicial entre o "contribuinte de fato" e o Fisco apenas gera efeito entre ambos, fazendo "lei" entre tais partes, não envolvendo o contribuinte, sendo que em razão do artigo 811 do CPC é o "contribuinte de fato", quem deu início à discussão judicial e obteve provimento judicial em seu favor, que deve responder pela reversão da medida liminar. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. AUSÊNCIA DE COBRANÇA. Se não há conduta antijurídica e por essa razão o afastamento das penalidades, sob o ponto de vista lógico não há que se falar em dever jurídico de recolhimento do IPI, o que impede que o contribuinte que simplesmente recebeu e cumpriu a ordem judicial obtida por "contribuinte de fato" sofra a exigência do tributo em questão por meio de atos jurídicos denominados auto de infração e de imposição de multa, pois ausente a ilicitude a fundamentar o AIIM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. AUSÊNCIA DE CONDUTA ANTIJURÍDICA. IMPOSTO COBRADO A PARTE. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. A cobrança dirigida ao contribuinte que recebeu e cumpriu ordem judicial ofende o próprio mecanismo de cobrança do IPI, pois como o Imposto é cobrado à parte, o contribuinte seria cobrado do Imposto (acrescido de multa punitiva e juros) que não foi repassado ao próximo elo da cadeia (contribuinte de fato), que justamente é o "contribuinte de fato", que se valeu da medida judicial para maximizar os seus lucros, não Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10283.005906/200649 Acórdão n.º 9303008.506 CSRFT3 Fl. 642 11 respondendo, com a autuação do contribuinte, pelo prejuízo que causou, e enriquecendo sem causa, o que é vedado em nosso Direito, ao se locupletar indevidamente de forma dupla. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MEDIDA JUDICIAL. ART. 121 DO CTN E ARTS. 472 E 811 DO CPC. CONSULTA FORMAL. A Consulta formal vincula o contribuinte e o Fisco e nunca o Fisco e terceiro, sendo que deve ser observada a resposta a consulta obtida pela contribuinte que expressamente determinou, em obediência às regras processuais, que em hipótese de medida liminar obtida por "contribuinte de fato" é o próprio "contribuinte de fato", quem deu causa ao não recolhimento do tributo, que arque exclusivamente com o crédito tributário, não sendo necessário que o contribuinte obtenha tantas respostas à consulta quantos os terceiros que ingressarem com ação com tal pedido. Entendimento da Secretaria da Receita Federal, ademais, se encontra em perfeita consonância com o posicionamento adotado em outros atos do mesmo Órgão e com as regras adjetivas e substantivas vigentes. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Com efeito, o acórdão paradigma "caso Petrópolis" tratou de situação envolvendo contribuintes "de fato" e "de direito", responsabilidade por retenção e recolhimento de tributos (IPI) devidos, além de locupletamento indevido de forma dupla. Como visto, o paradigma não guarda qualquer similitude fática ou de divergência normativa do que restou decidido pela turma recorrida. A Fiscalização autuou o a Contribuinte, em razão da guarda de mercadorias às quais havia sido aplicada a pena de perdimento, e que não foram localizadas na hora em que foram transferir para o depósito da Receita Federal do Brasil. Contudo, o depositário defendeu se, no sentido de que as mercadorias não estavam em sua guarda porque no interregno do procedimento fiscal, por força de decisão judicial (mais tarde revertida), ele teve que entregar as mercadorias ao importador. Segundo alega, foi quando as mercadorias desapareceram. Por sua vez, a DRJ, considerou o lançamento nulo, por vício material, ausente de fundamentação fática e legal da causa do perdimento. Daí, a decisão recorrida, decide exclusivamente com base na possibilidade de imposição da pena de perdimento ao depositário. Ademais, o acórdão recorrido não tratou em momento algum sobre a conduta do depositário, mesmo obedecendo decisão judicial, era antijurídica e, por conseguinte, ensejaria a aplicação da pena de perdimento, sequer mencionou a decisão judicial. Examinou apenas a possibilidade de aplicar a multa de conversão da pena de perdimento ao depositário. Como se vê, não haverá, portanto, caracterização de divergência se ambos os acórdãos recorrido e paradigma não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Fl. 647DF CARF MF 12 Diante disso, afastase, de imediato, a possibilidade de se estabelecer comparação e deduzir divergência de entendimentos entre os acórdãos confrontados, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado". Dispositivo Diante de tudo que foi exposto, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 648DF CARF MF
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Numero do processo: 11030.000579/2002-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2000
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios quando há omissão no julgado.
Numero da decisão: 3302-007.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes.
(assinatura digital)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinatura digital)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes. (assinatura digital) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (assinatura digital) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
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OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios quando há omissão no julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, sem, contudo, imprimirlhes efeitos infringentes. (assinatura digital) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinatura digital) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 05 79 /2 00 2- 40 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302007.287 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de processo no qual discutese a incidência do PIS sobre as vendas realizadas pela Cooperativa, eis que a fiscalização tributou todas as vendas de mercadorias do setor de “mercado” por falta de identificação dos adquirentes. Adoto e transcrevo o Relatório redigido quando da prolação da Resolução 210100.007 efls. 638, também utilizado quando da prolação do acórdão 3302005.313, efls. 714. “A contribuinte supra identificada foi autuada por ter a fiscalização apontado que verificou ter ocorrido a falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social PIS referente aos períodos de apuração de 01/01/1997 a 31/07/2000, conforme constou do Auto de Infração que se encontra as fls. 04 a 07. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal que se encontra as fls. 08 a 23, a fiscalização tributou todas as receitas de vendas de mercadorias do setor de "Mercado", por falta de identificação dos adquirentes. A fiscalização informa, também no referido termo, que a contribuinte recebia dos associados e adquiria de terceiros Cevada, Feijão e Milho, que contabilizava separadamente, e os revendia no mercado interno para não associados, entretanto nenhuma receita foi tributada pela contribuinte, o que fez com que a fiscalização apurasse ao valor das receitas decorrentes das operações com terceiros a partir da proporção das aquisições de terceiros em relação as entradas totais desses produtos. De acordo com o que 'relatou a fiscalização, essa forma de apuração foi aplicada somente para os fatos geradores ocorridos no ano de 1997; no período de janeiro de 1998 a setembro de 1999 foram tributadas somente as receitas correspondentes as vendas dos "Mercados". No mês de outubro de 1999, foi tributada toda a receita bruta operacional auferida, com as exclusões previstas no art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. Para os períodos de apuração ocorridos a partir do Mês de novembro de 1999, a base de cálculo foi apurada a partir da receita bruta mensal, acrescida das outras receitas operacionais, com a exclusão dos valores previstos no art. 15 da Medida Provisória (MP) n° 1.8587, de 29 de julho de 1999. A contribuinte impugnou a exigência, conforme documentos que se encontram as fls. 306 a 426. Seus argumentos de defesa podem ser assim resumidos: 1. A cooperativa possui uma pequena Seção de Consumo e, dentro dela, uma subseção denominada "Mercado", que s6 opera com seus associados. Como é uma atividade que representa menos de dez por cento de seu faturamento total, e como demandaria recursos consideráveis a implantação de um sistema informatizado de controle de vendas, de moldes a registrar a Fl. 739DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302007.287 S3C3T2 Fl. 4 3 identificação do adquirente (já que todos os associados são conhecidos dos funcionários), a apresentação da identificação por parte dos associados é exigida somente quando a venda é realizada a prazo. 2. Mesmo considerando que tivessem ocorrido operações com não associados, poderseia considerar como vendas a terceiros o percentual máximo de 30% das vendas totais do mercado, em vista da Resolução do Conselho Nacional de Cooperativismo CNC no 01/1972, que regulamentou o art. 86 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. 3. A consolidação dos valores apurados pela fiscalização como venda para terceiros, no ano de 1997 foi elaborada com equívocos, conforme segue: 3.1. Em relação As compras de milho, foi apurada uma absurda margem operacional de 108%, decorrente da forma de cálculo, que considerou a relação percentual entre os recebimentos de terceiros e os recebimentos totais do produto e aplicoua sobre as vendas mensais. Além desse fato, ao transportar os valores das vendas para o Demonstrativo das Vendas com Terceiros Apuradas pela Fiscalização 1997, foram lançados os valores em cada mês (janeiro, março e abril) e o somatório de tais valores foi lançado no mês dezembro, duplicando o valor da receita apurada. 3.2. Essa metodologia equivocada determinou que uma compra de feijão gerasse prejuízo e a compra de milho produzisse um lucro absurdamente elevado. Tais equívocos comprometem todo o demonstrativo de fl. 297, repercutindose em todas as demais apurações de tributos que constaram dos autos de infração. 4. Ainda com relação As compras de milho, foram incluídas como compras de terceiros, as realizadas de outras cooperativas associadas, no ano de 1997, no valor de R$ 15.011,60, por terem sido lançadas por equivoco na contabilidade como compras de terceiros, quando, consoante o disposto no art. 79, da Lei n° 5.764, de 1971, tais compras são operações típicas do ato cooperativo. 5. Também com relação às aquisições de feijão no ano de 1997, do total de R$ 573.754,29, inúmeras aquisições, no valor de R$ 241.403,39, foram realizadas junto a cooperativas associadas e lançadas por equivoco como compras de terceiros, quando são operações típicas do ato cooperativo. 6. Com base nos argumentos anteriormente resumidos, a impugnante elaborou novos demonstrativos de receitas, dentro da mesma metodologia adotada pelos fiscais autuantes, que apresenta no anexo n° 02. 7. Apesar de ter sido intimada para apresentar planilha com os valores repassados aos associados no período de novembro de 1999 a dezembro de 2000, a contribuinte laborou em erro, em razão da lacônica intimação, informando apenas os repasses Fl. 740DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302007.287 S3C3T2 Fl. 5 4 decorrentes da comercialização de produtos agrícolas, deixando de informar os repasses dos produtos pecuários (leite in natura, matrizes e rebanhos suínos, etc.), e, no caso das receitas de venda de bens e mercadorias a associados, deixou de computar os fornecimentos de rações, de medicamentos veterinários, de suínos de terminação, etc., o que resultou em deduções da base de cálculo inferiores A efetivamente passíveis de dedução. 8. Com base nos novos demonstrativos elaborados pela impugnante, a conclusão é de que o débito que pode ser reconhecido, com os encargos de multa de 75% e juros com base na taxa Selic, com os quais a impugnante não concorda, seria somente em relação ao ano de 1997, e no valor total de R$ 6.682,68. 9. As fls. 311 a 320, a impugnante tece considerações acerca de suas relações operacionais com seus associados. 10. A multa de 75% é confiscatória, não devendo seu percentual ser maior que 30%. 11. A imposição da taxa Selic como juros de mora vem ferir diversos princípios constitucionais tributários, dentre eles, o da proporcionalidade A. capacidade contributiva, o da isonomia e o da proibição da cobrança de tributo com efeito confiscatório. 12. De acordo com o art. 79, da Lei n° 5.764, de 1971, as sociedades cooperativas não realizam venda em seus atos cooperativos, portanto o PIS não incidia sobre eles, além disso, a própria Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970, em seu art. 3°, § 4°, estatuiu que as entidades em fins lucrativos não contribuíam para o PIS tendo como base de cálculo o seu faturamento e sim sobre a folha de pagamento, inferindose dai, que a alteração legislativa levada a cabo pela MP n° 1.858 e suas "n" reedições absolutamente em nada alterou esse entendimento. Requer a impugnante que a autuação seja tornada insubsistente; que lhe seja parcelado o débito no valor de R$ 6.682,68, que reconhece ser devido; que a multa de oficio seja reduzida para 30% e que os juros sejam calculados no percentual de 1% ao mês. A impugnante apresentou o anexo 01 (fls. 336 a 394), com cópia do Razão Analítico e das notas fiscais de aquisições de outras cooperativas; o anexo n° 02 (fls. 395 a 418), com os mapas de apuração das bases de cálculo que considera corretas; o anexo n° 03 (fls. 419 a 424), com copia de parte de acórdão do Superior Tribunal de Justiça no REsp n° 215.881 PR; e o anexo n° 04 (fls. 425 e 426), com copia do Termo de Intimação fiscal, cuja cópia já se encontrava à fl. 26 A DRJ em Santa Maria RS julgou procedente, em parte, o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/STM nº 1.723, de 11/07/2003. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302007.287 S3C3T2 Fl. 6 5 Ciente da referida decisão no dia 20/08/2003, a Cooperativa ingressou, no dia 19/09/2003, com Recurso Voluntário no qual repisa os argumentos da impugnação, naquilo que foi vencida. Alegando a existência de fato novo, no dia 09/06/2006 a Recorrente solicita a realização de diligência para que se avalie todas as exclusões e deduções previstas na IN SRF nº 635, editada em 24/03/2006, que veio disciplinar os procedimentos de apuração do PIS e da Cofins, devido pelas sociedades cooperativas em geral, sendo que as exclusões e deduções aplicamse a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999 (§ 4º, do art. 11).” Em resposta ao que fora solicitado na referida diligência, a fiscalização da unidade de origem prestou os seguinte esclarecimentos: Desta forma, informamos que os valores lançados pela recorrente em sua contabilidade, no período de novembro de 1999 a dezembro de 2000, devem compor as aquisições de mercadorias de associados, por equívoco de registro na contábil de aquisição de associados lançadas na conta de aquisição de não associados. Diante disso, a planilha apresentada pela requerente, nas fls. 489 e 490 do PAF, Volume 3, corresponde às bases de cálculo (BC) mensais apuradas para o PIS Programa de Integração Social. Dessa forma, restaram apenas as seguintes BC positivas na referida planilha: Abril de 2000 BC de R$369.184,15 Junho de 2000 BC de R$ 246.556,12 Julho de 2000 BC de R$ 124.175,38 Em 31/3/2016, a recorrente foi cientificada do resultado da diligência, porém, esgotou o prazo que lhe fora concedido e não se manifestou a respeito. É o relatório. O Relator do Acórdão assim concluiu acerca do direito que lhe foi submetido a análise: “Por todo exposto, votase pelo provimento parcial do recurso, para determinar à apuração da base de cálculo em relação: a) ao ano 1997, mediante aplicação do percentual obtido da proporção entre o valor do Custo da Mercadoria Vendida total (CMV) pela receita brutal total do correspondente mês, informados nos demonstrativos contábeis da recorrente colacionados aos autos; e b) ao período de 11/1999 a 7/2000, mediante aplicação do resultado da diligência, consignado no Termo de Encerramento de Diligência de fls. 709/710. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento” Fl. 742DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302007.287 S3C3T2 Fl. 7 6 Embargos Inominados apresentados pela Unidade Preparadora, que assim pode ser sintetizado. “1. Tendo em vista o teor do despacho de saneamento de fls. 730/731, foi constituído o presente despacho, a fim de regularizar a situação. 2. Trata o presente de auto de infração do PIS, onde, após percorrer diversas instâncias administrativas (fls. 02/713), foi proferido acórdão pela Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme fls. 714/718. 3. Tendo tomado conhecimento do mesmo, a DRF/PFO/Sacat/RS procurou efetuar os cálculos dos valores mantidos, a fim de dar ciência ao autuado. 4. Contudo, ao ser analisado o acórdão, não foi conseguido interpretar e, consequentemente, calcular a exação relativamente aos fatos geradores de 1997. 5. O que está gerando a dúvida é em relação ao item a seguir transcrito (fl. 718 do processo): “… a) ao ano 1997, mediante aplicação do percentual obtido da proporção entre o valor do Custo da Mercadoria Vendida total (CMV) pela receita bruta total do correspondente mês, informados nos demonstrativos contábeis da recorrente colacionados aos autos:...”. 6. Em relação a tal item, levantamse os seguintes questionamentos: a) o valor do custo da mercadoria total se refere, efetivamente, a todos os custos da cooperativa ou somente aqueles relacionados aos produtos cevada, feijão e milho ? b) a receita bruta total do correspondente se refere, efetivamente, a todas as vendas ou somente as vendas dos produtos cevada, feijão e milho ? c) o percentual obtido da proporção entre o CMV mensal pela receita bruta total mensal deve ser aplicado sobre quais valores? 7. Esclarecessese, também, que, caso o CMV mensal e as vendas totais mensais se refiram a todas as vendas realizadas pela cooperativa, não constam tais demonstrativos mensais no processo, bem como, a autuada efetuou, em consulta a sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica do exercício de 1998, somente a apuração anual do imposto (fls. 158/189). 8. Face o exposto, propõese que este processo seja devolvido ao CARF para os devidos esclarecimentos, a fim de possibilitar o correto cálculo da exação remanescente.” O despacho de admissibilidade de efls. 736 e 737 admitiu os Embargos e remeteuo ao Colegiado, para apreciação. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302007.287 S3C3T2 Fl. 8 7 É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. Em relação ao critério de rateio relativo ao ano de 1997, assim concluiu este Colegiado: “No entendimento deste Relator, o critério de rateio adequado e razoável e que tem relação direta com a base de cálculo, inequivocamente, é o percentual obtido da proporção entre o valor do Custo da Mercadoria Vendida total (CMV) pela receita bruta total do correspondente mês, informados nos demonstrativos contábeis da recorrente colacionados aos autos. Com relação às operações com terceiros, referentes às aquisições de milho e feijão no ano de 1.997, respectivamente, no valor total de R$ 37.025,00 e R$ 573.754,29, apurado pela fiscalização, segundo a recorrente, R$ 15.011,60 e R$ 241.403,39 foram adquiridas de cooperativas associadas, consideradas operações típicas, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/1971, não sujeitas a cobrança das referidas contribuições. De fato, segundo o art. 791 da Lei 5.764/1971, são considerados “atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. Assim, em relação aos atos praticados entre si, para que sejam considerados atos cooperativos, as cooperativas devem ser associadas para a consecução dos objetivos sociais. Acontece que, no caso em tela, a recorrente não comprovou que as operações comerciais por ela realizadas foram celebrados com cooperativas dela associadas para consecução dos seus objetivos sociais. E na ausência da comprovação dessa condição necessária tais operações não se qualificam como atos cooperativos, em decorrência, as receitas decorrentes de tais operações devem ser tratadas como auferidas de operações com terceiros e, nessa condição, integram a base de cálculo da contribuição.” Foram intermpostos Embargos Declaratórios para sanar omissão em relação à forma de determinação do percentual obtido na proporção entre o valor do Custo da Mercadoria Vendida total – CVM pela receita bruta total do correspondente mês ou, visto de outra forma, o quanto representa o custo na mercadoria na receita bruta. Todavia a Unidade Preparadora alegou omissão no que diz respeito a: Fl. 744DF CARF MF Processo nº 11030.000579/200240 Acórdão n.º 3302007.287 S3C3T2 Fl. 9 8 · Se o valor do custo da mercadoria total se refere a todos os custos da cooperativa ou somente aqueles relacionados aos produtos cevada, feijão e milho? · Se a receita bruta total se refere a todas as vendas ou somente as vendas dos produtos cevada, feijão e milho? · A quais valores deve ser aplicado o percentual obtido na proporção entre o CVM mensal e a receita bruta? A controvérsia cingese à metodologia de apuração da receita tributável relativa a “operações com terceiros em relação aos produtos cevada, feijão e milho no ano de 1997. Tratando o presente processo da tributação sobre as receitas de cevada, feijão e milho, voto no sentido de acolher os Embargos Declaratórios para, sem efeitos infringentes, sanear a omissão no sentido de que o valor do custo da mercadoria total e a receita bruta total refiramse tão somente aos produtos cevada, feijão e milho, bem como que o referido percentual obtido na proporção entre o CVM mensal e a receita bruta seja aplicado sobre a receita tributável. É como voto (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 745DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901479/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-006.937
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS QUE COMPROVEM O CRÉDITO ALEGADO. No processo administrativo fiscal, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, deve ser o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam sua apresentação extemporânea, notadamente quando, por qualquer razão, seria impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 14 79 /2 01 2- 32 Fl. 66DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.937 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901479/2012-32 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, transmitido por meio de PER/Dcomp. A DRF de origem indeferiu o pedido, por meio do despacho decisório eletrônico, no qual aponta-se que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito do contribuinte. Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade para alegar que teria refeito a apuração do PIS e a Cofins, tendo percebido que teria deixado de apropriar créditos autorizados em lei: Alega que a empresa, adquiriu insumos para revenda com incidência de PIS e Cofins, e promoveu a saída do produtos sujeitos à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins, mas, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das mesmas contribuições que lhe são autorizados conforme determinação do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente para PIS e Cofins, de forma que o registro destes créditos em DACON retifícadora resultou em pagamento indevido ou a maior de PIS e Cofins. Teria retificado o Dacon, mas não a DCTF, com o intuito de evidenciar o valor do pagamento efetuado, quando houvesse o cruzamento dos valores das duas declarações. Concluiu, para requerer a reforma do despacho decisório, com reconhecimento integral do direito creditório. A unidade de origem suscitou a intempestividade da manifestação de inconformidade. Contudo, como o dia 24/12/2012 não seria dia de expediente normal, para a contagem do prazo, a data da ciência deveria constar como 26/12/2012. Deste modo, a manifestação foi considerada tempestiva. Por seu turno, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade pelo fato de não haver identificado qualquer documentação contábil que provasse o alegado. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando o direito ao crédito, contudo deixou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar o alegado. Fl. 67DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.937 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901479/2012-32 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.936, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 13227.901478/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.936): Trata-se de pedido de compensação de créditos tributários desacompanhado de documentos contábeis que sirvam de prova para as alegações. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento contábil ou nota fiscal que pudesse provar ou ao menos trouxesse indícios da veracidade dos argumentos nela trazidos. O Recurso Voluntário também veio desacompanhado de qualquer documento. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. O Recurso Voluntário limitou-se a afirmar que o recolhimento a maior teria decorrido de um "equívoco contábil", elaborando uma planilha das diferenças sem, todavia, provar as alegações. Assim, pelo fato da Recorrente não haver se desincumbido do ônus de produzir em momento oportuno as provas do direito creditório alegado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Isto porque no processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 68DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.937 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13227.901479/2012-32 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 13051.720171/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.046
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que lhe negavam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado)
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de Cofins Não-Cumulativa – Exportação, de que trata o art. 6º, § 2º da Lei nº 10.833, de 2004, pleiteado pela empresa em epígrafe por meio do PER (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso). Não há informação de compensações declaradas com referência no crédito. A DRF de origem indeferiu o pedido, emitindo Despacho Decisório no qual foi consignado que se trata de pedido em duplicidade. No referido despacho, aponta-se o número de outro PER/DCOMP referente ao mesmo crédito. Como fundamento para a decisão é indicada a seguinte base legal: parágrafo 7º do art. 21 e Parágrafo 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde, preliminarmente, pugna pela nulidade do Despacho Decisório, que estaria eivado de vício formal insanável. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .7 20 17 1/ 20 11 -6 6 Fl. 215DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.046 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720171/2011-66 Aponta que dito Despacho Decisório não veio acompanhado da devida fundamentação motivacional, mas apenas apontaria as supostas infrações cometidas pela Manifestante. Faltariam a exposição dos elementos de convicção, dos elementos fáticos e do motivo da inexistência de crédito. Concluiu que teria ocorrido cerceamento de defesa e colaciona doutrina, que entende corroborar seu raciocínio. Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Aponta equívoco referente à tipificação do "enquadramento legal", ao indicar o parágrafo 7o do Art. 21 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, o qual trata sobre créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, que não guardaria relação com a suposta exigência descumprida. Aduz que, pelo erro cometido pela autoridade tributária (omissão da legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida no PER com a indicação de dispositivos imprecisos), haveria carência de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da suposta duplicidade do pedido de ressarcimento em questão, dificultando o exercício de seu direito de defesa, importando em vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório. Argumenta que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. Traz julgados do Egrégio Conselho de Contribuintes que coadunam com suas alegações. No mérito, destaca, inicialmente, a correção do Pedido de Ressarcimento complementar de créditos. Argumenta que, apesar de serem referentes ao mesmo período, tratar-se-ia de pedidos diferentes. Acrescenta que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada. Por fim, observa que enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior. Relata que a apuração dos créditos no pedido original foi feita com a utilização do método "Base na Proporção da Receita Bruta Auferida", com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende do DACON. No entanto, narra que efetuou um trabalho de revisão fiscal com recálculo dos créditos de Cofins Não-Cumulativa – Mercado Interno no período, referente ao rateio proporcional da receita bruta auferida pela Manifestante, alterando os percentuais dos créditos passíveis de ressarcimento, mas que não foram alvos do outro pedido. Alega que havia inserido "receitas" das vendas, oriundas da comercialização de bens e mercadorias referente a atos cooperados, no primeiro pedido de ressarcimento de Cofins Não-Cumulativa. Então, ao recalcular a totalidade das receitas, desconsiderando as vendas referentes aos atos cooperados, conforme previsto em lei, chegou-se a um novo percentual de receitas para o mercado interno e exportação. Demonstra o recálculo por meio de um exemplo prático. Argumenta que, constatado o erro no percentual outrora empregado, verificou-se, por conseguinte, que a empresa havia requerido valor a menor, razão pela qual, dentro do prazo prescricional, fez pedido referente apenas à parcela que ficou de fora do outro pedido, por ser a Fl. 216DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.046 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720171/2011-66 única forma de haver ressarcido os valores decorrentes de tais créditos apurados após o trabalho de revisão fiscal, já que entende que as operações com cooperados não configuram receitas. Traz acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assevera que a IN RFB 900/08, em seu art. 77, não permite que o contribuinte efetue a retificação do pedido de ressarcimento após a decisão administrativa. Então, como possui valores passíveis de ressarcimento que foram levantados no recálculo, apresentou novo pedido, já que não havia outra forma de pleitear a diferença. Por fim, destaca que referido pedido "complementar" não se trata de aumento de crédito, mas de realocação do rateio proporcional dos créditos passíveis de ressarcimento e que acarretaram no pedido "complementar". Da correção monetária ao pedido de ressarcimento Defende que a demora no reconhecimento do crédito implica que se proceda à devida correção pela Selic desde a data do protocolo do pedido a fim de reparar a mora e o poder aquisitivo do crédito. Pugna pela devida correção dos créditos pela taxa SELIC, desde a data dos seus protocolos, em conformidade com o art. 39, § 4.° da Lei n° 9.250/95 e com a Súmula n° 411 do STJ. Do Pedido Requer, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório face às irregularidades apontadas e, no caso de não acolhimento do pedido anterior, no mérito, a reforma do Despacho Decisório uma vez que o PER analisado trata-se de pedido complementar de crédito, o qual deve ser acrescido da devida correção monetária pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento/compensação. Por seu turno, a DRJ julgou a impugnação improcedente. Irresignado, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.041, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720140/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 217DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.046 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720171/2011-66 Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.041). Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Entende o relator que o PER 40274.87969.270409.1.1.09-4700 objeto dos autos deve ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original nº 31498.58811.160508.1.5.09-2039, que trata do mesmo trimestre do tributo, sendo que a norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. Entende, ainda, que como já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação, que a retificação do PER original por força do impeditivo normativo não deve surtir efeitos. Entretanto, respeitosamente não concordo com as assertivas explicitadas pela i. relator, na medida em que inexiste no ordenamento jurídico pátrio qualquer restrição ao direito contribuinte de efetuar novo pedido de ressarcimento que tenha por objeto o mesmo trimestre de tributo já pedido anteriormente, desde que não haja similitude de créditos e que seja respeito o prazo prescricional para o exercício do direito de ressarcimento. Ora, entendo ser totalmente aceitável que ao contribuinte seja concedido o direito de rever seus lançamentos e, ultrapassado o prazo de retificar o pedido original previsto na IN 900/2008, realize novo de pedido de ressarcimento. No caso dos autos, a Recorrente afirmou tratar-se de pedidos de ressarcimento diferentes, decorrente de recálculo dos créditos de PIS/COFINS não cumulativo que modificou o percentual de rateio do mercado interno não-tributado e mercado de exportação. Ou seja, o primeiro pedido foi realizado em valor ao menor do que aquele efetivamente devido, fato este que motivou a apresentação de pedido complementar. Ao que parece estamos diante de dois pedidos distintos, o original e o complementar, que tem em comum o fato de se referirem ao mesmo trimestre do tributo. E, em se tratando de pedidos distintos, o limite para o exercício do direito ao pedido complementar é o prazo prescricional para o exercício do direito ao ressarcimento e, não do prazo de retificação previsto na IN 900/2008. Contudo, não obstante a Recorrente tenha carreado documentos para comprovar suas alegações, faz necessário que a fiscalização apure se há similitude dos créditos apresentados nos PER nº s 40274.87969.270409.1.1.09-4700 e 31498.58811.160508.1.5.09-2039, intimando, para tanto, à Recorrente para apresentar documentos que entender necessário à conclusão da diligência. O fundamento para o indeferimento foi por duplicidade de pedido, aparentemente, calcado na identidade do trimestre, do tributo e do tipo de crédito "Cofins Não- Cumulativa" - Mercado Interno. A base legal foram os artigos 21, §7º e 28, §2º da IN RFB nº 900/2008, a saber: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]§ 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: Fl. 218DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.046 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720171/2011-66 I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...]§ 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação De início, entendo que o requisito de que cada pedido corresponda a um trimestre não implica a consequência contrária, ou seja, que cada trimestre corresponda a um único pedido. Esta possibilidade, inclusive está expressa no artigo 22 da referida instrução normativa, ao permitir a existência de pedido de ressarcimento residual relativo a créditos objeto de pedidos anteriores. Art. 22. O saldo credor passível de ressarcimento relativo a períodos encerrados até 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedido de ressarcimento ou Declaração de Compensação apresentados à RFB até 31 de março de 2007, bem como os relativos a trimestres encerrados após 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedidos de ressarcimento ou Declaração de Compensação formalizados mediante a apresentação de petição/ declaração em meio papel entregues à RFB a partir de 1º de abril de 2007, somente poderá ser ressarcido ou utilizado para compensação após apresentação de pedido de ressarcimento do valor residual. Assim, admito não haver incompatibilidade inerente entre a possibilidade de apresentar um pedido de ressarcimento relativo a um mesmo período e da mesma natureza já pedidos. Porém, é necessário entender que a instituição de sistemas eletrônicos e travas operacionais são plausíveis, de modo a possibilitar análises céleres e identificação de possíveis situações caracterizadoras de pedidos de ressarcimentos indevidos. Inclusive a regra de impossibilidade de retificação de PER após o despacho decisório é plausível, pois não faria sentido retroagir processualmente para inovar um pedido para o qual já houvesse decisão administrativa, com litígio eventual já delimitado. Todavia, ao interpretar que a instrução normativa, concluindo pela impossibilidade de PER complementar, estar-se-ia implementando um novo prazo prescricional, qual seja, a emissão de despacho decisório. Sabe-se que tal prescrição está contida no Decreto 20.910/32, cujo artigo 1º dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Contudo, ao admitir que cada trimestre seja realizado por apenas um pedido, sem possibilidade de complementação, acaba por resultar em estabelecimento de novo prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito ao ressarcimento de créditos. Assim, ainda que o contribuinte dispusesse de anos para pedir o ressarcimento, após a emissão do despacho decisório, qualquer valor ainda não pedido, seja por qualquer motivo, tornar-se-ia prescrito, já que impossível qualquer retificação ou apresentação de PER complementar. Como ficaria o direito do contribuinte se eventuais créditos somente fossem reconhecidos em ato normativo emitido pela própria RFB posterior a pedidos já decididos, mas antes de escoado o prazo do Decreto nº 20.910/32, tal qual o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que estabeleceu novo conceito de insumos para efeito da não-cumulatividade das contribuições? Fl. 219DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.046 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720171/2011-66 Entendo que a IN não pretendeu a alteração deste prazo. Conforme já exposto, a retificação de PER é vedada após a emissão de despacho decisório e nesta vedação residem motivos de ordem processual e mesmo de eficiência da análise eletrônica de PER/DCOMPS. Todavia, o contribuinte não apresentou uma retificadora, mas um novo PER do mesmo período, tributo e tipo de crédito, que o sistema presumiu como duplicidade dos pedidos. Porém, tal presunção de indeferimento não se verifica, pois o pedido, em princípio, não está em duplicidade, em vista das alegações e documentos apresentados. A presunção de duplicidade ocorreu em função apenas do período, tributo e da natureza do crédito, mas não dos valores pleiteados, o revela um critério da Administração para o tratamento eletrônico, mas que pode não corresponder à verdade material dos pedidos, nem pode servir para a configuração de novo prazo prescricional. Assim, voto no sentido de afastar a presunção de duplicidade reconhecida eletronicamente, para que tal duplicidade seja aferida pela análise dos valores efetivamente pleiteados pela unidade de origem. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade de origem. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.905205/2011-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe inteiro teor do despacho decisório denegatório do pedido de restituição, bem como esclareça a situação do recolhimento reclamado pelo recorrente. Posteriormente, o recorrente deve ser cientificado da diligência realizada, sendo facultado a ele o prazo de 30 dias para se manifestar sobre os fatos apurados. Vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que rejeitaram a proposta de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta anexe inteiro teor do despacho decisório denegatório do pedido de restituição, bem como esclareça a situação do recolhimento reclamado pelo recorrente. Posteriormente, o recorrente deve ser cientificado da diligência realizada, sendo facultado a ele o prazo de 30 dias para se manifestar sobre os fatos apurados. Vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que rejeitaram a proposta de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e redatora designada (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 60/61) contra decisão de primeira instância (fls. 51/54), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Em desfavor do contribuinte acima identificado foi emitido Despacho Decisório (fls. 05 e 07) em 03/01/2012, indeferindo o pedido de restituição de R$ 19.605,82 com a justificativa da ausência de documentação comprobatória (...). DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, VALORES DEVEDORES E EMISSÃO DE DARF. 2. Analisando os sistemas da Receita Federal do Brasil, em especial o PER/DCOMP Despacho Decisório - Detalhamento da Compensação, observa-se que não há detalhamento para compensação, pois trata-se de pedido de restituição. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .9 05 20 5/ 20 11 -0 1 Fl. 99DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2002-000.108 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10140.905205/2011-01 3. Após a ciência do Despacho Decisório em 17/01/2012 (fl. 09), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/02/2012 (fl. 12) (...). 4. Na PER/DCOMP o contribuinte informou ser possuidor de um valor Original de crédito inicial de R$ 19.605,82 e um crédito original na data da transmissão de R$ 19.605,82 (fls. 03/04). O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. É imprescindível que as alegações contraditórias a questão de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância, juntando documentos e requerendo a restituição de valores pagos em 2008. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil - Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 26/11/2015 (fl. 70); Recurso Voluntário protocolado em 16/12/2015 (fl. 60), assinado pelo próprio contribuinte. Após debates em sessão de julgamento, este relator ficou vencido na conversão do julgamento em diligência pois entende que o processo já se encontra maduro para julgamento, especialmente pela análise do conjunto probatório já produzido, vez que o contribuinte não comprova quais imóveis que foram vendidos. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e rejeito a conversão do julgamento em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora designada Peço venia ao I. relator para divergir quanto a sua análise dos elementos que compõem os autos, entendendo que não estão disponíveis todos os elementos necessários ao julgamento. Primeiro, observo que, para manter o indeferimento do pedido do contribuinte, a decisão recorrida registra: 12. Portanto, considerando o discorrido acima, pode-se concluir que o contribuinte não comprovou seu direito, pois não restou evidente que os imóveis descritos nas certidões Fl. 100DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2002-000.108 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10140.905205/2011-01 eram os mesmos que foram vendidos, bem como se as referidas datas diziam respeito a eles. Acrescente-se ainda a presente discussão que a data de aquisição é a data constante no instrumento de doação. Assim, deve ser mantido o indeferimento do pedido de restituição nos termos do Despacho Decisório. Do exame dos autos, não consta qual teria sido a motivação para o indeferimento do pedido no despacho decisório. Verifico à fl.5 que foi apontada como justificativa a ausência de documentação comprobatória. Por seu turno, à fl.7, consta que informações complementares estariam disponíveis na internet. Segundo ponto a ser analisado é que o recorrente alega que teria procedido a entrega de declaração retificadora, informando a ausência de ganho de capital a recolher, o que ensejou seu pedido de restituição. A declaração retificadora consta às fls. 28/41. Não obstante, segundo a decisão recorrida, os pagamentos não estariam disponíveis. Segue trecho da decisão: 8. Analisando os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em especial o Conta Corrente Pessoa Física– Créditos Tributários - verifica-se que o contribuinte não possui créditos tributários devido a depuração (fls. 49). Compulsando ainda o citado sistema, em especial Pagamentos, observa-se que R$ 13.495,90 estão reservados e R$ 6.109,92 não foram utilizados. Isto posto, o julgamento deve ser convertido em diligência para que a Unidade de origem anexe inteiro teor do despacho decisório, contendo a motivação para o indeferimento do pleito do contribuinte, e para que esclareça a situação dos recolhimentos reclamados pelo recorrente, informando se a declaração retificadora juntada pelo recorrente foi processada, bem como se foi objeto de trabalho fiscal. Posteriormente, o recorrente deve ser cientificado da diligência realizada, sendo facultado a ele o prazo de 30 dias para se manifestar sobre os fatos apurados. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.913098/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido.
Numero da decisão: 3401-006.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 30 98 /2 01 2- 97 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.913098/201297 Acórdão n.º 3401006.173 S3C4T1 Fl. 166 2 Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica nº 42081.45665.240211.1.7.040204, transmitida em 24/02/2011, por meio da qual o contribuinte solicita compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original de R$157.671,56 (utilizou nesta DCOMP parcela deste valor, no montante de R$14.593,90, sendo R$3.090,22 para extinguir débito de PIS e R$11.503,68 para extinguir débito de COFINS). 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF CXL) decidiu pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório emitido em 01/02/2013, às folhas 82/85, com base na constatação da inexistência do crédito pleiteado, tendo em vista que foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) um pagamento com o DARF indicado na DCOMP integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. 3. Regularmente cientificada, a empresa apresentou, em 19/03/2013, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/08, alegando que a compensação não foi homologada em decorrência do seu equívoco em não ter retificado nem a DCTF e nem o DACON, mas que efetivou tais retificações em 27/02/2013, após tomar conhecimento do Despacho Decisório. Alegou, ainda, que seus registros contábeis já indicavam o pagamento a maior. 4. A DRJ Fortaleza (DRJ/FOR), em sessão de 17/10/2014, proferiu o Acórdão nº 0831.373, às fls. 106/110, através do qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório só se admite mediante comprovação do erro em que se funda com base em escrituração e documentos. 5. A ciência deste Acórdão pelo contribuinte se deu em 17/12/2014, conforme “Termo de Abertura de Documento” à fl. 118. Irresignado com a decisão da DRJ FOR, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/01/2015, às fls. 121/132, basicamente repetindo os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 7. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11020.913098/201297 Acórdão n.º 3401006.173 S3C4T1 Fl. 167 3 8. Do quanto exposto, verifico que a DRJFOR fez a correta análise quanto às conseqüências da retificação da DCTF antes ou após o Despacho Decisório. Realmente, quando o contribuinte apresenta DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório de não homologação, ou mesmo antes deste, só se admite a redução do débito mediante comprovação do erro incorrido na DCTF original, demonstrado pelo contribuinte, com base em escrituração contábil/fiscal e documentos de suporte, como notas fiscais. Esta é a regra estabelecida pelo art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 9. E nos processos em que o contribuinte reivindica um direito de crédito contra a Fazenda Nacional, temse que o Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, determina, em seu art. 373, inciso I, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. O pedido de restituição, ressarcimento ou compensação apresentado desacompanhado de provas deve ser indeferido. 10. Ocorre que, da análise dos autos, verifico que o recorrente não anexou qualquer documento que pudesse servir a tal comprovação. Limitouse, tanto na Manifestação de Inconformidade quanto no Recurso Voluntário, a insistir na tese de que a retificação do DACON, mesmo após a ciência do Despacho Decisório, juntamente com a escrituração do referido crédito no Livro Razão, já seriam provas suficientes do seu direito. 11. Nesse aspecto, mais uma vez correta a decisão da DRJFOR ao afirmar que “A retificação do DACON e da DCTF para que seja considerada apta para fazer prova de que existiu um pagamento indevido ou a maior de PIS/PASEP e COFINS tem que vir acompanhada da escrituração contábil e respectiva documentação que lhe deu suporte e que justifique a alteração das declarações”. 12. O DACON é um documento preenchido pelo próprio contribuinte, que é livre para inserir nele os dados que entender sejam os corretos. O Fisco, entretanto, mais do que um poder, tem o dever, atribuído pela Constituição Federal, de verificar a correção de tais informações. O recorrente insiste em que o Fisco confirme as informações prestadas no DACON a partir do próprio DACON, o que evidentemente é redundante. 13. Para realizar tal análise, deve a Autoridade Tributária se valer da escrituração contábil para conferir as receitas e, assim, apurar os débitos das contribuições, bem como conferir as aquisições de bens e serviços e, do mesmo modo, apurar os créditos da não cumulatividade para, ao final, apurar a existência de saldo credor ou devedor. Nesse mister, pode inclusive verificar as notas fiscais de entrada e de saída, que dão suporte fático à escrituração contábil, e realizar circularização de informações junto a fornecedores e clientes do sujeito passivo. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11020.913098/201297 Acórdão n.º 3401006.173 S3C4T1 Fl. 168 4 14. No entanto, o contribuinte fornece unicamente uma cópia do Livro Razão onde consta o registro contábil do crédito pleiteado, sem apresentar os demais registros contábeis que poderiam evidenciar a verdadeira questão aqui tratada, que é descobrir qual o motivo para o contribuinte ter reduzido seu débito, bem como comprovar que o valor correto do PIS é o que consta na DCTF retificadora, e não aquele informado na DCTF original. 15. A DRJFOR deixou bastante claro que o fundamento para a sua decisão foi essa carência probatória, inclusive explicitando qual a documentação que o recorrente deveria ter apresentado em sua defesa. Mesmo assim, ao apresentar este Recurso Voluntário, o sujeito passivo nada acrescenta em termos de provas, apenas repisando os argumentos anteriores. 16. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002675/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR JUSTIFICATIVA.
Antes do lançamento, o contribuinte deve ser intimado a apresentar a justificativa dos depósitos havidos em sua conta bancária. Não ocorre prejuízo à defesa se há intimação regular, com a concessão de prazo razoável para atendimento, sobretudo se o prazo é prorrogado a pedido do contribuinte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Presumem-se rendimentos recebidos os depósitos em conta bancária para os quais, regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo-se o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Não se admite a apresentação de prova documental no recurso, quando o recorrente poderia tê-lo feito no momento oportuno.
Numero da decisão: 2301-006.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR JUSTIFICATIVA. Antes do lançamento, o contribuinte deve ser intimado a apresentar a justificativa dos depósitos havidos em sua conta bancária. Não ocorre prejuízo à defesa se há intimação regular, com a concessão de prazo razoável para atendimento, sobretudo se o prazo é prorrogado a pedido do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumem-se rendimentos recebidos os depósitos em conta bancária para os quais, regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo-se o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Não se admite a apresentação de prova documental no recurso, quando o recorrente poderia tê-lo feito no momento oportuno.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR JUSTIFICATIVA. Antes do lançamento, o contribuinte deve ser intimado a apresentar a justificativa dos depósitos havidos em sua conta bancária. Não ocorre prejuízo à defesa se há intimação regular, com a concessão de prazo razoável para atendimento, sobretudo se o prazo é prorrogado a pedido do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumem-se rendimentos recebidos os depósitos em conta bancária para os quais, regularmente intimado, o contribuinte não logrou comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo-se o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Não se admite a apresentação de prova documental no recurso, quando o recorrente poderia tê- lo feito no momento oportuno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 75 /2 00 7- 04 Fl. 617DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.232 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002675/2007-04 Relatório Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos anos- calendários de 2003 e 2004, apurado em face de 1) omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício; 2) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada -Fapi, e 3) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O lançamento foi impugnado (e-fls. 551 a 555) e a impugnação foi considerada improcedente, nos termos do Acórdão nº 17-30.283, de 3 de março de 2009 (e-fls. 575 a 585). Foi manejado recurso voluntário (e-fl. 590 a 594) no qual o recorrente alegou: a)alegou que o colegiado a quo foi omisso quanto à alegação de falta de prazo para apresentar, no curso da ação fiscal, a documentação requerida, apesar da solicitação de dilação do prazo para a apresentação, causando prejuízo à defesa; b)que os créditos bancários tiveram origem na retirada de lucros de Pinhal Corretora de Seguros Ltda, cujo livro razão analítico requereu a juntada; c) que a distribuição de lucros não foi informada nas declarações da pessoa física e da pessoa jurídica por erro do contador. É o relatório suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. O recorrente não impugnou ou recorreu do lançamento quanto à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício e à omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada -Fapi. Está, pois, na lide apenas o lançamento por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Preliminar de nulidade O recorrente alega nulidade do feito por cerceamento do direito de defesa porque não lhe teria sido concedido, no curso da ação fiscal, prazo suficiente para apresentar documentos que justificassem os depósitos em suas contas bancárias. Alega, também, que o colegiado a quo foi omisso nessa matéria. Não é o que eu vejo nos autos. Fl. 618DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.232 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002675/2007-04 O recorrente e o cotitular da conta foram regularmente intimados (e-fls. 428 a 449) a justificar os depósitos bancários. O recorrente solicitou prorrogação de prazo (e-fl. 526) e lhe foram concedidos mais vinte dias para atendimento à intimação. Findo o prazo, nada foi apresentado, nem mesmo a solicitação, justificada, para nova dilação do prazo. Além disso, o recorrente argumentou, no recurso, que os valores dos depósitos seriam retiradas de lucros de sua empresa e apresentou o livro razão, documento que, obviamente, a ele sempre teve acesso. Não vejo, pois, qualquer limitação à defesa; pelo contrário, percebo que a Autoridade Lançadora foi condescendente ao lhe proporcionar prazo maior do que o usual. Também não admito a alegação de que o acórdão recorrido teria sido omisso ao analisar a nulidade, pois claramente descreveu a inércia do contribuinte para justificar os depósitos, embora regularmente intimado (e-fls. 582 e 583): O contribuinte foi intimado, em 20/06/2007, por via postal, com Aviso de Recebimento- AR, a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem e a natureza dos valores creditados nos anos de 2003 e 2004, em suas contas mantidas nas instituições financeiras, conforme "Planilha de Depósitos/Créditos" que acompanhou o Termo de Intimação Fiscal lavrado em 12/06/2007. As vésperas do encerramento do prazo da intimação o contribuinte solicitou por meio de petição datada de 05/07/2007, prorrogação de prazo, sendo-lhe concedido mais 20 (vinte) dias contados a partir do término do prazo relativo ao Termo de Intimação recebido em 20/06/2007. Contudo o fiscalizado não apresentou quaisquer documentações que demonstrassem e comprovassem as origens e as naturezas dos depósitos, objetos da intimação, tanto no decorrer da auditoria fiscal, nem na impugnação, portanto diferentemente do que o contribuinte alega em sua defesa que foi devidamente demonstrados através dos documentos anexos. Rejeito, pois, a preliminar. Mérito Registre-se que, em relação à conta conjunta, o cotitular foi devidamente intimado e o lançamento obedeceu à proporção estabelecida no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Quanto ao mérito, alega, o recorrente, que os depósitos tiveram origem em lucros retirados da empresa Pinhal Corretora de Seguros Ltda., cujo livro razão analítico requereu a juntada. Na impugnação, o recorrente já havia alegado que parte dos depósitos corresponderiam a lucros recebidos, mas não apresentara nenhum documento a comprovar a alegação. Ademais, como o próprio recorrente afirmou em seu recurso, não constou qualquer distribuição de lucros nas declarações de imposto de renda da pessoa física ou da pessoa jurídica. No recurso voluntário, juntou cópia do que seria o livro razão da empresa para comprovar a distribuição de lucros. Fl. 619DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.232 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002675/2007-04 Nos termos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 1 , é na impugnação que o contribuinte deve apresentar os documentos a fundamentar sua pretensão, precluindo-se o direito de fazê-lo posteriormente, com as exceções do dispositivo. O recorrente não demonstrou a impossibilidade de apresentar o documento na impugnação, o documento não se refere a fato ou direito superveniente e sua finalidade não é contrapor fatos ou razões trazidas posteriormente, mas os fatos e razões originais do lançamento. Portanto, não há como admitir a juntada intempestiva de documentos, sob pena de malferir a legislação. Ainda que se admitisse o documento apresentado (e-fls. 613 a 615), ali não consta nenhum lançamento contábil coincidente com os depósitos a justificar (e-fls. 430 a 444). Conclusão Voto por rejeitar a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Relator 1 Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000054/2006-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2002
CERCEAMENTO DE DEFESA
Todo o iter do processo administrativo fiscal, previsto no Decreto nº 70.235/72, está transcorrendo nos estritos limites da legalidade, vez que, o contribuinte fora intimado para se manifestar tanto mediante apresentação de impugnação ao auto de infração ,quanto da decisão da DRJ, mediante Recurso Voluntário, que, neste momento, está sendo objeto de apreciação.
ITR - ISENÇÃO
O contribuinte não faz qualquer prova de que as áreas do referido imóvel cumprem os requisitos de isenção previstos na legislação.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA
A diligência é instituto posto à disposição da autoridade julgadora, prevista no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caso entenda que o processo não está devidamente instruído para a prolação de decisão de mérito.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE
Conforme súmula 11 do CARF, a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2002-001.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2002 CERCEAMENTO DE DEFESA Todo o iter do processo administrativo fiscal, previsto no Decreto nº 70.235/72, está transcorrendo nos estritos limites da legalidade, vez que, o contribuinte fora intimado para se manifestar tanto mediante apresentação de impugnação ao auto de infração ,quanto da decisão da DRJ, mediante Recurso Voluntário, que, neste momento, está sendo objeto de apreciação. ITR - ISENÇÃO O contribuinte não faz qualquer prova de que as áreas do referido imóvel cumprem os requisitos de isenção previstos na legislação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA A diligência é instituto posto à disposição da autoridade julgadora, prevista no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caso entenda que o processo não está devidamente instruído para a prolação de decisão de mérito. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Conforme súmula 11 do CARF, a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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ITR - ISENÇÃO O contribuinte não faz qualquer prova de que as áreas do referido imóvel cumprem os requisitos de isenção previstos na legislação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA A diligência é instituto posto à disposição da autoridade julgadora, prevista no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caso entenda que o processo não está devidamente instruído para a prolação de decisão de mérito. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Conforme súmula 11 do CARF, a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 7. 00 00 54 /2 00 6- 30 Fl. 61DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.223 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10247.000054/2006-30 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 22 a 29), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu autuação sob os seguintes fundamentos: 001 - IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL A presente ação fiscal trata de autuação contra o sujeito passivo acima qualificado, materializada neste Auto de Infração, onde lhe e exigido o crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), incluídos multa de oficio e juros de mora e cujo procedimento fiscal pertinente, fatos, documentos registrados e irregularidades detectadas estão descritos no Termo de Verificação Fiscal. Os valores apurados no Auto de Infração decorrem da falta de recolhimento do ITR em virtude da glosa total da área declarada exclusa da tributação a título de Área de e de Utilização Limitada, e sua conseqüente reclassificação como área tributável, tendo em vista que o contribuinte não logrou êxito, mediante documentação comprobatória prevista na legislação do imposto em epígrafe, na isenção da área supramencionada, conforme os procedimentos de auditoria interna de Malhas da SRF, mediante verificação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR - DIAC/DIAT). Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$14.191,90, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, apresentada pelo contribuinte, que conforme decisão da DRJ: Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, em 28.07.2006, em síntese: O impugnante afirma que este imóvel rural é de propriedade da União, de acordo com o Decreto n° 6.383/76, vendido irregularmente a ele, que após tomar conhecimento deixou de pagar o ITR. Não teria auferido vantagem na área do imóvel, já que não produziu, continuando a área coberta de mata virgem. Após tomar conhecimento que as terras pertencem a União - Terra Indígena - considerou nula a escritura e deixou de recolher o ITR. O Procurador da Fazenda Nacional insiste em cobrar tributo indevidamente sobre terras que não pertencem ao impugnante. A área faria parte de reserva indígena conforme Decreto Presidencial n° 6.383/76. O impugnante não pode assumir responsabilidade, quando já existe uma situação definida: o retomo do imóvel ao patrimônio público. Ao final requer seja anulado o auto de infração, podendo para isso, se necessário, ser feita perícia técnica e de exaustivo exame de toda a documentação ora oferecida e do Decreto do Presidente da República n° 6.383/76 que arrecadou esse imóvel para a União por ser Terras Indígenas. Fl. 62DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.223 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10247.000054/2006-30 A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, em 14/11/2008, no acórdão 11-24.465, às e-fls. 44 a 50, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 02/01/2009, às e-fls. 53 a 59, no qual alega, em síntese que: preclusão temporal do processo administrativo fiscal, vez que a Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, determina prazo de 360 dias para que seja proferida uma decisão, em respeito ao princípio da verdade material; o STJ decidiu pela isenção de ITR nas áreas de Reserva Legal; cerceamento de defesa vez que parte do imóvel foi considerado reserva indígena; o presente processo deve ser baixado em diligência para que o INCRA e o IBAMA se manifestem sobre o imóvel, que sofreu desapropriação; É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 18/12/2008, e-fls. 52, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 02/01/2009, e-fls. 53, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 22 a 29), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu autuação pela reclassificação de área não abarcada pela isenção do imposto. O contribuinte alega que não teria auferido vantagem na área do imóvel, já que não produziu, continuando a área coberta de mata virgem. Após tomar conhecimento que as terras pertencem a União - Terra Indígena - considerou nula a escritura e deixou de recolher o ITR. Alega que a área foi desapropriada, mas nada comprova. A DRJ manteve a autuação, sob os seguintes fundamentos: Assim, podemos afirmar que quem tem a posse de imóvel público por ocupação, autorizada ou não, deve apresentar a declaração do ITR. Inobstante o caráter precário dessa posse - não gera efeitos para fins de usucapião por determinação constitucional ~ ela configura fato gerador do imposto, pois a tributação da terra em função do seu valor econômico (fator de produção). De modo que a incidência do imposto, in casu, decorre do uso e fruição do imóvel pelo particular, onde o aproveitamento econômico do imóvel é igual ao fato de produção. Ante o exposto, e considerando tudo o mais que do processo consta, VOTO pela PROCEDÊNCIA do lançamento, para manter integralmente a exigência constante do Auto de ¡ infração. Fl. 63DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.223 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10247.000054/2006-30 Preliminar - cerceamento de defesa O processo administrativo fiscal é garantia constitucional do contribuinte, de forma que não é exigido qualquer valor pecuniário para discutir matéria no âmbito do Poder Público. Como reza a CRFB/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) O lançamento fiscal é atividade plenamente vinculada à autoridade administrativa que, naquela situação, entenda pela ocorrência do fato gerador da obrigação, tem o dever de ofício de constituir o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de prevaricação. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Desta forma, cabe ao contribuinte apresentar documentos e provas de fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito da Fazenda de proceder o lançamento. Todo o iter do processo administrativo fiscal, previsto no Decreto nº 70.235/72, está transcorrendo nos estritos limites da legalidade, vez que, o contribuinte fora intimado para se manifestar tanto mediante apresentação de impugnação ao auto de infração ,quanto da decisão da DRJ, mediante Recurso Voluntário, que, neste momento, está sendo objeto de apreciação, conforme se vê pelos artigos 15 e 33 do Decreto retro mencionado, aqui colacionados: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Logo, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, vez que a ampla defesa e o contraditório, princípios caros ao devido processo legal e a verdade material, própria do processo administrativo fiscal, foram respeitados. Quanto a alegação de que o auditor fiscal deveria solicitar documentos ao contribuinte antes da lavratura do auto de infração, esta também não merece prosperar, já que Fl. 64DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.223 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10247.000054/2006-30 consta nos autos intimação para que a recorrente apresentasse provas, conforme bem abordado pela decisão da DRJ: Depreende-se da descrição dos fatos da Notificação de Lançamento que os documentos de f. 31-75, entregues pela impugnante em resposta à intimação fiscal para comprovar os fatos tributários por ela declarados no exercício em questão, foram analisados pela autoridade fiscal, a qual apresentou extensos fundamentos para rejeitá-los como prova. No relatório fiscal ficou consignado, em síntese, que o sujeito passivo, apesar de regularmente intimado, deixou de comprovar o atendimento aos requisitos da isenção da área de preservação permanente e da área de servidão florestal, bem como deixou de comprovar o valor da terra nua - VTN declarado porque apresentou laudo técnico realizado por profissional não habilitado e que não atingiu o grau de fundamentação II. Cabe ao contribuinte apresentar documentos e provas de fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito da Fazenda de proceder o lançamento, motivo pelo qual afasto a preliminar aventada. ITR - Terra indígena Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte formula as mesmas alegações apresentadas em sede de impugnação, não produzindo provas ou trazendo qualquer fundamento novo, motivo pelo qual adoto as razões da DRJ, conforme artigo 57, §3º do RICARF: O impugnante se ateve a argumentar e tentar provar que “e' parte ilegítima para flgurar neste lançamento ƒiscal porquanto 0 imóvel é de domínio e posse da União”. Para comprovar suas alegações o impugnante menciona 0 Decreto do Presidente da República n° 6.383/76. Mesmo que o impugnante comprovasse que tinha o imóvel totalmente em área indígena, a alegação do impugnante de que, por esse motivo, não seria sujeito passivo do ITR, não encontra respaldo na legislação. As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União, porém os índios têm a posse permanente, a título de usufi'uto especial. Essas terras são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas imprescritíveis. Por conseguinte são imunes do ITR cabendo à União declarar essas áreas para efeito do ITR, pois a imunidade não desobriga o contribuinte de apresentar a DITR. ' ' A imunidade, nestes casos, está condicionada ao imóvel ser bem da União e a posse ser dos índios. Entretanto se, apesar de ser bem da União e a posse ser dos índios por comando constitucional, o contribuinte tem a posse não tem como se afastar o mesmo do pólo passivo. O art. 4° da Lei n° 9.393, de 1996, determina que: “Art. 4 ° Contribuinte do ITR e' o proprietário de imóvel rural, 0 titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. ” A Instrução Normativa - IN SRF n° 256, de 2002, art. 4°, que dispõe sobre as normas de tributação do ITR, e a IN SRF n° 272, de 2002, an. 4°, § 2°, que dispõe sobre o Cadastro de Imóveis Rurais Cafir, defini o contribuinte possuidor a qualquer título: ”Art. 4”. § 2°É possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel rural, seja por direito real de fruição sobre coisa alheia, no caso de usuƒrutuario, seja por ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público. (§ 2°do art. 4 "da IN SRF n“ 272, de 2002) ” O Perguntas e Respostas ITR, acima referido, trata deste assunto nas perguntas 32, 33 e 80. 032. Quem é possuidor a qualquer titulo? Fl. 65DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.223 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10247.000054/2006-30 O ITR adota o instituto da posse tal qual definido pelo Código Ci l. E possuidor a qualquer título aquele que tem a posse plena do imóvel rural, sem subordinação (posse com animus domint), seja por direito real de fruição sobre coisa alheia, como ocorre no caso do usufrutuário, seja por ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público. A expressão posse a qualquer titulo refere-se à posse plena, sem subordinação (posse com animus domini), abrangendo a posse justa (legitima) e a posse injusta (ilegítima). A posse será justa se não for violenta, clandestina ou precária; será injusta se for: I- violenta, ou seja, adquirida pela força flsica ou coação moral; Il- clandestina, isto é, estabelecida às ocultas daquele que tem interesse em tomar conhecimento; III- precária, quando decorre do abuso de confiança por parte de quem recebe a coisa, a título provisório, com o dever de restitui-la. (CC, arts. 1.196,1.390,1.394, 1.403,11,1.412 e 1.414; IN SRF n2256, de 2002, art. 42, § 2) 033. Considera-se contribuinte do ITR o possuidor com posse não autorizada? Sim. Para efeito do ITR, e' contribuinte o possuidor a qualquer titulo.Considera-se possuidor a qualquer titulo aquele que tem a posse do imóvel rural, inclusive a decorrente de ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público. (1NsRF zfi 256, de 2002, an. 42, § 22) 080. Com relação ao imóvel rural mantido a titulo de posse, como deve proceder o possuidor para constituir a área de reserva legal? Na posse, a reserva legal é assegurada pelo Termo de A justamente de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de titulo executivo, e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico ejurídico, quando necessário. (Lei n° 4.771, de 1965, art 16, §§ 9” e 10, com a redação dada pela Medida Provisória n” 2.166-67, de 2001, art. 1°; R1 TR/2002, art 12, § 2°; IN SRF n” 256, de 2002, art. 11, § 29" Da diligência Primeiramente, é dever do contribuinte a manutenção de toda a documentação comprobatória para fins de apuração de qualquer espécie de tributos, vez que lhe compete o ônus probandi caso haja início de fiscalização por parte da Fazenda Pública. Como alhures mencionado, cabe ao contribuinte apresentar documentos e provas de fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito da Fazenda de proceder o lançamento. A diligência é instituto posto à disposição da autoridade julgadora, prevista no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caso entenda que o processo não está devidamente instruído para a prolação de decisão de mérito. Eis o teor do dispositivo legal: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames Fl. 66DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.223 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10247.000054/2006-30 desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) Ademais, o motivo apresentado pelo contribuinte para o deferimento da perícia, como acima explicitado, é frágil. Logo, não há que se acatar o pedido de diligência proposto. Prescrição intercorrente Quanto a alegação de prescrição intercorrente, tal instituto não se aplica ao processo administrativo fiscal, conforme sumulado por este CARF: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Diante do exposto, conheço do Presente Recurso voluntário para, afastar a preliminares suscitada e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 13312.000641/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41. LEI Nº 8.212/91. MP Nº 449/08. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
O art. 65, I, da MP nº 449/08 revogou o art 41 da Lei n° 8.212/91, não havendo mais fundamento legal para a responsabilização pessoal do dirigente de órgão público pelas infrações a obrigações previdenciárias acessórias, revogação essa que, por conceder ao contribuinte tratamento mais benéfico em relação à multa, deve ser aplicado de forma retroativa, nos termos do art. 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Exonerado
Numero da decisão: 2402-007.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41. LEI Nº 8.212/91. MP Nº 449/08. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. O art. 65, I, da MP nº 449/08 revogou o art 41 da Lei n° 8.212/91, não havendo mais fundamento legal para a responsabilização pessoal do dirigente de órgão público pelas infrações a obrigações previdenciárias acessórias, revogação essa que, por conceder ao contribuinte tratamento mais benéfico em relação à multa, deve ser aplicado de forma retroativa, nos termos do art. 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatinic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 06 41 /2 00 8- 58 Fl. 363DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.333 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13312.000641/2008-58 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 4 de junho de 2019, proferido no âmbito do processo n° 13558.001477/2007-32 - OSIAS ERNESTO LOPES, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuida o presente de Recurso Voluntário em face de acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. O lançamento, consubstanciado no DEBCAD 37.033.758-1, refere-se a multa pessoal aplicada sobre o Secretário de Administração do município de Itabuna em virtude de ter deixado de declarar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências de 3/2002 a 9/2004, infringindo, assim sendo, o disposto no art. 32, IV, § 5º da Lei 8.212/91. Regularmente impugnado o lançamento, a instância de piso julgou-o procedente, por meio do acórdão assim ementado: Fl. 364DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.333 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13312.000641/2008-58 Em seu recurso voluntário, o recorrente estruturou sua defesa nos seguintes tópicos: I - Ilegitimidade da parte: Prevalência da Lei Nacional. Ausência na Lei Orgânica do município de Itabuna de regra expressa, clara, específica delegando responsabilidades sobre GFIP a secretário municipal. Diretor de Departamento - Natural delegado de funções e encargos. Da jurisprudência no âmbito administrativo. A condição de agente político do secretário municipal - suas conseqüências - responsabilidades. Sobre o Decreto Municipal nº 5.932/01 (art 46) - quanto à responsabilidade do diretor de RH no cumprimento de atividades básicas relativas à legislação de pessoal. II - Da irretroatividade da Lei Processual - aplicação da lei nova - prejuízo ao recorrente - nulidade processual. III - Da satisfação dada à solicitação constante da TIAF. IV - Do caso fortuito ou de força maior. V - Do papel auditorial da secretaria do planejamento e finanças. VI - Do princípio constitucional da proporcionalidade. VII - Da correção das irregularidades dentro do prazo original do decreto nº 3.048/91. VIII - Do entendimento jurisprudencial das cortes judiciais sobre a questão. Mais a frente, em 22.7.09, o recorrente apresentou nova petição, por meio da qual encaminhou outros documentos, bem como passou a sustentar a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/91. É o relatório." Convém salientar que as referências específicas presentes no relatório do acórdão paradigma suso transcrito são exclusivas do Processo Administrativo Fiscal nº 13558.001477/2007-32, não guardando relação com o presente repetitivo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 365DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.333 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13312.000641/2008-58 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira - Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Nesse contexto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 4 de junho de 2019, proferido no âmbito do processo n° 13558.001477/2007-32 - OSIAS ERNESTO LOPES, paradigma ao qual o presente processo encontra-se vinculado. Transcreve-se, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelos Conselheiro Maurício Nogueira Righetti, digno Relator da decisão paradigma suso citada, reprise-se, Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 4 de junho de 2019. Acórdão nº 2402-007.323 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Conselheiro Maurício Nogueira Righetti - Relator O contribuinte teria tomado ciência do acórdão recorrido em 29.8.08 e apresentou seu Recurso Voluntário, tempestivamente, em 23.9.08. Observados os demais requisitos para admissibilidade, dele passo a conhecer. A multa impingida, de natureza objetiva, tinha espeque, à época, no artigo 41 da Lei 8.212/91, que possuía a seguinte redação: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Nesse rumo, a considerar que teria havido o descumprimento do dever instrumental determinado pelo artigo 32 da Lei 8.212/91, aplicou-se a multa prevista em seu § 5º. Ocorre que com o posterior advento da Medida Provisória 449/2008, houve a expressa revogação daquele artigo 41 da Lei 8.212/91, revogação esta, mantida pela Lei 11.941/2009, produto de sua conversão. É certo que o ato do lançamento deve-se reportar sempre a lei vigente à época da sua produção. Contudo, há situações em que o próprio CTN, especificamente em seu art. 106, autoriza excepcionalmente que fatos passados sejam regulados pela legislação futura. Vejamos: Art 106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: Fl. 366DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.333 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13312.000641/2008-58 1 - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 11- tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;e quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua Prática Com efeito, forço concluir que não mais subsiste fundamento legal para a exigência da multa à época aplicada. No mesmo sentido, o enunciado da Súmula CARF nº 65, verbis: Súmula CARF nº 65: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para DAR-LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti" Alertamos, uma vez mais, que as referências específicas presentes no voto condutor do acórdão paradigma encimado são exclusivas do Processo Administrativo Fiscal nº 13558.001477/2007-32, não havendo relação com o presente repetitivo, aqui se aplicando, tão somente, a decisão de mérito lá proferida. Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator. Fl. 367DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900585/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 85 /2 01 4- 69 Fl. 76DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.304 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900585/2014-69 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 77DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.304 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900585/2014-69 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 78DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.304 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900585/2014-69 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 79DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.304 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900585/2014-69 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 80DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.304 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900585/2014-69 Fl. 81DF CARF MF
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