Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.001988/2004-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO. APRESENTAÇÃO APÓS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE.
Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considera-se não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003.
Numero da decisão: 9303-008.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO. APRESENTAÇÃO APÓS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considera-se não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.001988/2004-47
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989651
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.230
nome_arquivo_s : Decisao_10830001988200447.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10830001988200447_5989651.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7698076
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661628342272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 237 1 236 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.001988/200447 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.230 – 3ª Turma Sessão de 19 de março de 2019 Matéria 40.612.4486 IPI COMPENSAÇÃO Requisitos formais Recorrente ITAMBE INDUSTRIA DE PRODUTOS ABRASIVOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO. APRESENTAÇÃO APÓS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 19 88 /2 00 4- 47 Fl. 229DF CARF MF 2 Tratase de Pedidos de Ressarcimento de Crédito Básico de IPI, de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, referentes ao 1º Trimestre do anocalendário de 2004, sendo um deles apresentado em formulário "papel" e o outro em meio eletrônico. Foram também apresentadas várias declarações de compensação correspondentes. Despacho Decisório A Delegacia da Receita Federal em Campinas SP analisou os pedidos de ressarcimento e considerou não formulado o pedido de ressarcimento entregue em formulário "papel". Em face desse entendimento, homologou apenas parcialmente as compensações. Manifestação de Inconformidade Intimado da decisão, o contribuinte, inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma do despacho decisório e o reconhecimento do ressarcimento em sua integralidade. Alegou que o pedido de ressarcimento em discussão não pode ser enviado pela Internet, devido à transição do processo manual para o sistema eletrônico. Adicionalmente afirmou, para fins de esclarecimento, que os dois pedidos referir seiam a direitos creditórios diversos, não havendo duplicidade e créditos pleiteados no processo. Decisão de Primeira Instância A Manifestação de Inconformidade foi apreciada Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP que, em decisão consubstanciada no acórdão n° 14 33.852, negoulhe provimento, sob o entendimento de que, sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, deve ser considerado não formulado o pedido de ressarcimento apresentado em formulário "papel". Consequentemente, firmou o entendimento de que, uma vez considerado não formulado o pedido, não caberia analisar a manifestação de inconformidade quanto a seu mérito. Recurso Voluntário Cientificado da decisão de primeira instância, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, em que reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida e o reconhecimento do crédito pleiteado. Em seu recurso, o Sujeito Passivo: (1) Inicialmente, afirma ter tentado enviar o pedido de ressarcimento em meio eletrônico, mas teria encontrado entraves e, portanto, para resguardar seus direitos, realizou a solicitação por meio físico (formulário de papel). (2) Em seguida, refere os princípios da instrumentalidade das formas, proporcionalidade, razoabilidade e eficiência, que entende aplicáveis ao caso. (3) Adicionalmente, alega não ter havido qualquer prejuízo ao erário. (4) Ainda, aduz que a desconsideração do pedido implicaria enriquecimento sem causa d união. (5) Finalmente, pede a reforma da decisão de primeira instância, para que seja considerado válido o pedido realizado em meio físico. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10830.001988/200447 Acórdão n.º 9303008.230 CSRFT3 Fl. 238 3 Decisão Recorrida O Recurso Voluntário foi apreciado pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF que, em decisão consubstanciada no acórdão n° 3302001.624, negou provimento ao Recurso Voluntário, confirmando o entendimento da decisão de piso. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidos a ementa e o dispositivo do citado acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO SISTEMA ELETRÔNICO. APRESENTAÇÃO APÓS 29/09/2003. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Recurso Especial do Sujeito Passivo Cientificado da decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Especial, para rediscussão da possibilidade de utilização de formulário em papel, para solicitar ressarcimento, após 29/09/2003. Para comprovação da divergência, o Sujeito Passivo a título de paradigma o acórdão 1402001.036. Como fundamento para reforma da decisão recorrida alegou que a exigência da formulação do pedido em formato eletrônico pode ser atenuada, impondose a análise do mérito do pedido, em vista da inocorrência das hipóteses previstas no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Em Despacho de Análise de Admissibilidade, o Presidente da Câmara deu seguimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo. Contrarrazões da Fazenda Nacional Tendo sido cientificada da decisão, do recurso especial do Sujeito Passivo e de sua análise de admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões no prazo regimental, requerendo negativa de provimento ao recurso especial, para manutenção da decisão recorrida. Fl. 231DF CARF MF 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência do contribuinte é tempestivo e cumpre os requisitos regimentais, conforme colocado no despacho de exame de admissibilidade, com o qual concordo. Portanto, deve ser conhecido. No mérito, é discutido o requisito formal para que um pedido de ressarcimento de IPI possa ser considerado formulado. Pois bem, a Instrução Normativa SRF n° 376, de 2003, vigente à época dos fatos em debate, dispõe exatamente sobre o tema, determinando: em seu art. 2°, a obrigatoriedade de apresentação do pedido por meio do programa PER/DCOMP, para situações entre as quais se enquadram os fatos objeto do presente processo; em seu art. 3°, outras situações em que seria permitido o uso de formulários; e em seu art. 4°, que o descumprimento do disposto nos arts. 2° e 3° implica que seja considerado não formulado o pedido apresentado. A seguir, para fins de ilustração, encontramse reproduzidos os artigos acima referidos: Art. 2o O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF, respectivamente, Declaração de Compensação, Fedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.2, nas seguintes hipóteses: (...) III — tratandose de Pedido de Ressarcimento formulado por pessoa jurídica, nos casos em que um de seus estabelecimentos apure crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), passível de ressarcimento, que tenha sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado ou que se refira a período de apuração relativo ao exercício de 1999 ou posterior e que tenha sido apurado há menos de cinco anos, exceção feita aos créditos do IPI de que trata o art. 20 da Instrução Normativa SRF n 210, de 30 de setembro de 2002. (...) Art. 3o À exceção das hipóteses mencionadas no art. 2", o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10830.001988/200447 Acórdão n.º 9303008.230 CSRFT3 Fl. 239 5 administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições sob administração da SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF o correspondente formulário aprovado pelo art. 44 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, ou pelo art. 7o da Instrução Normativa SRF n" 379, de 30 de dezembro de 2003, ao qual deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. Art. 4o Na hipótese de descumprímento do disposto nos arts. 2o e 3° será considerado não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação, (grifo nosso) Na decisão recorrida, é clara a afirmação da inexistência de comprovação , nos autos, de indisponibilidade do sistema, que impossibilitasse seu uso. Aliás, esse ponto é expresso na própria ementa de decisão recorrida, antes reproduzida. Portanto, adoto as razões de decidir da decisão recorrida que, por sua vez, havia acompanhado o entendimento da decisão de piso. Em suma, com o pedido de repetição de indébito realizado fora da forma prescrita e sem motivo que implicasse inexigibilidade de conduta diversa, entendo que ele deva ser considerado não formulado. CONCLUSÃO Em vista do exposto voto por negar provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, para manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.720286/2017-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE APRESETAÇÃO DE RECIBOS. RECEITUÁRIO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos utilizados para pagamento das despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa de comprovação através de recibos, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade dos documentos. A documentação apresentada consiste em receituário. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas, por força do que dispõe a legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE APRESETAÇÃO DE RECIBOS. RECEITUÁRIO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos utilizados para pagamento das despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa de comprovação através de recibos, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade dos documentos. A documentação apresentada consiste em receituário. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas, por força do que dispõe a legislação tributária.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13771.720286/2017-11
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970088
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-001.094
nome_arquivo_s : Decisao_13771720286201711.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13771720286201711_5970088.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7646916
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661653508096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 54 1 53 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13771.720286/201711 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.094 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente TEREZINHA MARIA DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE APRESETAÇÃO DE RECIBOS. RECEITUÁRIO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos utilizados para pagamento das despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa de comprovação através de recibos, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade dos documentos. A documentação apresentada consiste em receituário. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas, por força do que dispõe a legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 72 02 86 /2 01 7- 11 Fl. 54DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável para a contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pela Contribuinte de R$ 28,36 para R$ 256,83 de imposto suplementar a pagar referente ao ano calendário de 2013. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentado o receituário para a prótese dentária adquirida, como complementação do tratamento. A constituição do Acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de apresentação de receituário como documento suplementar, como segue: Tratase de impugnação à Notificação de Lançamento, de fls. 08/13, lavrada em face da contribuinte acima identificada em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício de 2014, Ano Calendário de 2013, tendo sido apurado o imposto suplementar de R$ 256,83, a ser acrescido de juros e multa. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a infração de dedução indevida de despesa médica no valor de R$ 3.000,00, referente ao Centro de Prótese Dentária Manzoli, pois em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verifica se que o CNAE Fiscal da empresa se refere à atividade econômica "Serviços de Prótese dentária". No caso de despesas com próteses dentárias, exigese, além da Nota Fiscal em nome do beneficiário, a comprovação com receituário odontológico. A dedução de despesas médicas tem previsão legal no art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que assim dispõem: (...) Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação de forma inequívoca, mediante documentação hábil e idônea, e restringese aos pagamentos efetuados pelos contribuintes, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. A fim de comprovar a despesa médica referente ao Centro de Prótese Dentária Manzoli Ltda EPP, no valor de R$ 3.000,00, a contribuinte apresenta nota fiscal emitida pelo Centro de Prótese Dentária Manzoli Ltda – EPP, em seu nome, e que discrimina os materiais usados na prótese dentária, fl. 04. A contribuinte apresenta ainda previsão de honorários emitida pela Pignaton Odontogia Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13771.720286/201711 Acórdão n.º 2001001.094 S2C0T1 Fl. 55 3 Especializada, fl. 05, e recibos da Pignaton Odontologia Especializada, fls 06/07. Todavia, a dedução das despesas com próteses dentárias depende da apresentação de nota fiscal em nome do beneficiário e de receituário médico. Não tendo a contribuinte apresentado o receituário médico, não há como acatar a despesa. Assim mantémse o lançamento. Pelo exposto, voto em julgar improcedente a impugnação, mantendo o imposto suplementar. É o meu Voto. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o recálculo do imposto a pagar no valor de R$ 256,83, referente ao anocalendário de 2013. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em 24/04/2018 recebeu da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), cópia do Acórdão 12.92.442 21ª Turma da DRJ/RJO, intimando a contribuinte a pagar no prazo de 30 dias, contados a partir da ciência, estando anexo um DARF para pagamento até 30/04/2018. Devido a exiguidade do prazo para preparar e apresentar recurso, a contribuinte preferiu efetuar o pagamento do DARF e posteriormente requerer devolução do valor por julgar indevida a cobrança, o que está fazendo pelo presente. No citado acórdão é citado o art. 8, inciso II, alínea “a” e § 2º da Lei 9.250/1995 que reza: “no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário”. Convenhamos que, é do conhecimento de qualquer leigo que, no caso de restaurações de dentes, o Cirurgião Dentista, ao indicar ao laboratório quais blocos serão feitos, não o faz descrevendo em palavras como em um receituário médico, mas sim envia ao laboratório um “molde” representativo da arcada dentária do paciente, bem como um gráfico indicativo das posições dos dentes a serem restaurados. Tal gráfico foi anexado à Impugnação nº 2014/010200103910. Objetivando maiores esclarecimentos, anexa ao presente: 1 – Declaração do Cirurgião Dentista. 2 – Previsão de honorários com gráfico indicativo das posições das restaurações. 3 – Comprovante de inscrição e de Situação Cadastral do Laboratório. 4 – Nota Fiscal de Serviços Eletrônica. 5 – Descrição de serviços Nº de Ordem 00479. Fl. 56DF CARF MF 4 6 – Descrição de serviços Nº de Ordem 0041191. 7 – Cópia da DARF no valor de R$ 515,05. 8 – Cópia do comprovante de pagamento da DARF. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A Autoridade Fiscal sustenta suas afirmações com base no seguinte ocorrência apontada no Lançamento: CENTRO DE PROTESE DENTÁRIA MANZOLI LTDA – EPP: Em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificase que o CNAE Fiscal da empresa se refere à atividade econômica “Serviços de Prótese dentária”. No caso de despesas com próteses dentárias, exigese, além da Nota fiscal em nome do beneficiário, a comprovação com receituário odontológico. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13771.720286/201711 Acórdão n.º 2001001.094 S2C0T1 Fl. 56 5 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especifica para o caso aponta para o receituário médico e a nota fiscal em nome do beneficiário, conforme inciso V, § 2º, art. 8º da Lei nº 9.250/95, transcrito acima. A Recorrente apresentou a Fiscalização por ocasião da verificação fiscal o diagnóstico do tratamento e a previsão de honorário assinada por profissional habilitado, fl. 5, e notas fiscais referentes ao tratamento dentário, conforme fls. 6 e 7 dos autos. No diagnóstico profissional consta a necessidade de “coroa sobre implante”, como elemento complementar do tratamento a ser colocada depois dos implantes metalocerâmicos. Essa prescrição por si só já faz às vezes de receituário suprindo a exigência legal mencionada. Na fl. 4, consta a nota fiscal de prestação de serviço de prótese dentária, nº 01418, no valor de R$ 3.000,00, em nome da Paciente/Contribuinte, com a descrição do material empregado igual aquele prescrito pelo profissional habilitado, sendo: coroa em zircônia, cerâmica laminada e coroa metalocerâmica. Por oportuno transcrevo a seguir os Fl. 58DF CARF MF 6 termos explicativos da praxe neste seguimento de prestação de serviços, que consta do Recurso Voluntário, fl. 41: Convenhamos que, é do conhecimento de qualquer leigo que, no caso de restaurações de dentes, o Cirurgião Dentista, ao indicar ao laboratório quais blocos serão feitos, não o faz descrevendo em palavras como em um receituário medico, mas sim envia ao laboratório um “molde” representativo da arcada dentária do paciente, bem como um gráfico indicativo das posições dos dentes a serem restaurados. Tal gráfico foi anexado à IMPUGNAÇÃO Nº 2014/010200103910. Pelo que consta dos autos nestes itens já se considera atendida a exigência legal específica para o caso, todavia, em sede de Recurso Voluntário a Recorrente juntou ao processo, fl. 46, declaração do profissional habilitado, Dr. Paulo Sergio Pignaton, CROES 1282, que realizou o serviço dentário, afirmando o seguinte: Declaro para os devidos fins, que o trabalho de prótese realizado pelo centro de prótese Manzoli para a Srª Terezinha Maria Souza Salvador, foi para complementar o trabalho de reabilitação oral, como conta do referido orçamento, sendo, portanto um trabalho integrado e realizado por dois profissionais. A Recorrente em sede de Recurso Voluntário apresenta novamente cópia da nota fiscal da prótese nº 01418, fl. 49, além de extrato individual de controle do Centro de Prótese Dentária Manzoli Ltda., com a identificação do DR. Paulo Sergio Pignaton, profissional habilitado responsável pelo serviço odontológico, fls. 50 e 51. Por fim, cabe destacar, que a Recorrente ao receber a cientificação do resultado do Acórdão da DRJ, desfavorável à sua impugnação, desde logo, preocupada com a exiguidade do prazo para preparar e apresentar o recurso tomou a decisão de efetuar o pagamento do DARF referente ao valor cobrado pelo fisco, embora não concordando com a decisão proferida em primeiro grau administrativo. Destaquese que a providência do pagamento do crédito tributário com suspenção de execução não caracteriza aceitação do resultado do julgamento da DRJ, razão pela qual a Contribuinte interpôs Recurso ao CARF. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose as deduções das despesas médicas glosadas e cancelandose o crédito tributário na sua totalidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905184/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.746
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10675.905184/2012-69
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5978286
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.746
nome_arquivo_s : Decisao_10675905184201269.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10675905184201269_5978286.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7670459
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661660848128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.905184/201269 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.746 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria DCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 84 /2 01 2- 69 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10675.905184/201269 Acórdão n.º 3201004.746 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09052.860, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09052.860. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10675.905184/201269 Acórdão n.º 3201004.746 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10675.905184/201269 Acórdão n.º 3201004.746 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10675.905184/201269 Acórdão n.º 3201004.746 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.178) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12719.000371/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante simulação, nos termos previstos no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Numero da decisão: 3302-006.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante simulação, nos termos previstos no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12719.000371/2009-21
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988676
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.581
nome_arquivo_s : Decisao_12719000371200921.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 12719000371200921_5988676.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7697885
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661672382464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 143 1 142 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12719.000371/200921 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302006.581 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2019 Matéria Multa Aduaneira Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INCOVISA COMÉRCIO MPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA MEDIANTE SIMULAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante simulação, nos termos previstos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 03 71 /2 00 9- 21 Fl. 7008DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 144 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 27.616.483,90 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no § 3° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Depreendese do relatório de ação fiscal, parte integrante do auto de infração e peça na qual são descritos os fatos que levaram à autuação, que a interessada promoveu importações ao amparo das Declarações de Importação listadas às folhas 56 a 61, registradas no período de 09/03/2007 a 14/01/2009, informando tratarse de importações diretas, nas quais figurava como importador e adquirente das mercadorias, ou seja, como se as importações estivessem sendo realizadas por sua própria conta e ordem. Aplicados procedimentos especiais de fiscalização, previstos na Instrução Normativa SRF n° 228/2002, a fiscalização concluiu que as operações eram, em verdade, realizadas mediante a ocultação do real importador, com o uso de recursos dele proveniente, fato que caracterizou a interposição fraudulenta de terceiro. O relatório fiscal registra considerações sobre a interposição fraudulenta de terceiros, ocultação do sujeito passivo e os motivos e vantagens dessa ocultação, entre eles: a descaracterização da condição de contribuinte do IPI, equiparado a industrial; a não submissão aos procedimentos de habilitação; a interferência na avaliação de risco da operação; e o acobertamento de operações fraudulentas. O procedimento fiscal verificou que os endereços das filiais da Incovisa e da Comercial de Vidros São Pedro (CVSP) foram coincidentes, tanto em Florianópolis como no Paraná. Também eram coincidentes os conteúdos e visuais das páginas das duas empresas na internet. Inicialmente, em 11/08/2006, a interessada (Incovisa) foi habilitada a realizar operações de comércio exterior, na modalidade simplificada, com estimativa semestral de importações no valor de US 150.000,00. Posteriormente, em 26/09/2006 foi realizada vinculação com a empresa First S.A. para que esta realizasse importações por sua conta e ordem (da Fl. 7009DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 145 3 Incovisa). Em 08/12/2006, solicitou aumento da estimativa semestral de importações, na modalidade ordinária, justificando o aumento do capital social de R$ 70.000,00 para R$ 600.000,00. Apresentou como comprovante, recibo de depósito do sócio no valor de R$ 530.000,00, datado de 28/11/2006, e sua declaração de Imposto de Renda do ano de 2006. A estimativa semestral de importações foi aumentada para US$ 1.820.000,00. Análise dos extratos bancários da interessada e de seu sócio revelou que o cheque depositado, que comprovaria a integralização do capital social, não foi compensado, ou seja, diferentemente do afirmado à fiscalização na época da habilitação, o capital social não foi integralizado pelo sócio. Concluiuse, assim, que o aumento de capital social alegado foi mera ficção, com intuito de justificar o aumento do limite operacional no Siscomex que em dois meses (março e abril de 2007) já havia sido extrapolado. Análise da Declaração de Ajuste Anual do sócio, dos anos de 2006 e 2007, revelou sua incapacidade para justificar a origem dos recursos utilizados para o aumento de capital social da empresa, seja de venda de imóvel, de lucros e dividendos recebidos, ou de empréstimos registrados em sua declaração de imposto de renda. Intimada a esclarecer os fatos a interessada apresentou a justificativa de que o aumento de capital havia sido feito com reserva de capital de outra empresa. Todavia nenhuma das justificativas apresentadas estão registradas em sua contabilidade. Em 05/08/2008 a interessada novamente solicitou aumento da estimativa semestral das importações, momento no qual ratificou a informação anterior de que a integralização do capital social havia sido realizada no momento de cadastro inicial de habilitação no Radar, a despeito de ter ciência da não compensação do cheque anteriormente depositado pelo sócio. No período entre março de 2007 e agosto de 2007 a interessada promoveu importações por conta e ordem da empresa First S.A. Dessas, a fiscalização analisou, por amostragem, 10 (dez) operações de importação (fls.38). Verificouse que a First S.A. utilizou recursos próprios para o fechamento do contrato de câmbio e pagamentos de tributos incidentes sobre quase a totalidade das importações (fl.s 962/963). Foi apresentada tabela na qual se verifica que o pagamento do câmbio de algumas das importações feitas por conta e ordem pela First S.A. foi realizado pela Incovisa, apesar de não haver registro em sua contabilidade.O extrato bancário da conta da Incovisa registra depósitos, TED e transferências de recursos em datas anteriores ao do fechamento de câmbio, sem os quais a empresa não poderia arcar com esses custos. A análise dos comprovantes e extratos bancários mostram que a maior parte dos pagamentos dos custos de importações realizados por intermédio da First S.A. foram realizados pela Comercial de Vidros Sao Pedro (CVSP) diretamente à First S.A., cabendo Incovisa somente uma pequena parte do pagamento das Fl. 7010DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 146 4 mercadorias importadas, apesar de ser declarada como adquirente das mercadorias. As notas fiscais de entrada dessas importações estão registradas no Livro de Registro de Entradas da Incovisa, porém a comprovação dos pagamentos foi realizada por meio dos extratos bancários e comprovantes de pagamento da CVSP. O Livro Razão da Incovisa, nos meses de março/abril/maio de 2007, não possui registros adequados das importações, sendo que a análise das notas fiscais levam conclusão de que se tratam das importações realizadas pela First S.A., porém com origem desconhecida dos recursos utilizados nos pagamentos. Intimada a interessada justifica que se trata de falha na importação de dados pelos sistemas de controle. Concluise que nas importações realizadas pela First S.A. por conta e ordem da Incovisa foram utilizados recursos de terceiros, qual seja, a CVSP. A partir de setembro de 2007 foram realizadas operações de importação, pela Incovisa, por sua própria conta. Para verificação da regularidade foram analisadas 3 (três) importações escolhidas aleatoriamente. Dessa análise se constatou que os registros do Livro Razão não correspondem aos valores de mercadorias importadas pela interessada no período de setembro a dezembro de 2007. A interessada justificou os erros como causados por falhas dos sistemas de controle. A fiscalização registra que não há comprovação das origens dos recursos utilizados nestas operações. O relatório fiscal conclui que (a) não foi comprovada a integralização do aumento de capital social; (b) se desconsiderada a integralização do capital social, houve saldo credor de caixa; (c) o contrato de mútuo entre a Incovisa e a CVSP, no valor de R$ 8.000.000,00, não se presta a comprovar a origem dos recursos porque não houve comprovação da efetiva transferência destes recursos, pois é necessário que os valores tenham transitado em contas correntes bancárias de titularidade da pessoa jurídica; (d) a análise contábil revela que a empresa não teria condições de realizar suas operações de comércio exterior se desconsiderados os recursos ingressados na empresa pertencentes a terceiros, fato que comprova a ocultação do real interessado nas operações mediante o uso de simulação de negócios; (e)havia confusão de estrutura física e serviços entre as empresas Incovisa e CVSP; (f) não houve recolhimento do IPI, por parte da Incovisa, do que se suspeita que houve quebra na cadeia do IPI, pelo não recolhimento do imposto. Pelas razões expostas, concluiuse que a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações realizadas pela Incovisa configurou a presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros, sujeitando as mercadorias importadas a pena de perdimento. Em razão da informação de que as mercadorias importadas já haviam sido consumidas ou transferidas a Fl. 7011DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 147 5 terceiros, foi lavrado o auto de infração do presente processo para exigir a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas no período de 09/03/2007 a 14/01/2009, prevista no § 3° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Com base no disposto no artigo 124 da Lei n° 5.172/1966, Código Tributário Nacional, foram autuados na condição de responsáveis solidários: Carlos Alberto Ribeiro de Souza e Comercial de Vidros Sao Pedro Ltda. Os interessados foram cientificados por via pessoal (ciências fls. 02/03). Do presente processo consta apenas a impugnação, tempestiva, da Incovisa Comércio, Importação e Exportação, às folhas 2228 a 2291, com os documentos anexados às folhas 2242 a 7051. Em resumo, a impugnante alega que há nulidade do auto de infração em razão das teses de (a) violação do principio da legalidade estrita inocorrência de fato típico punível com a pena de perdimento; (b) violação do principio da verdade material; (c) apuração infracional genérica ausência da individualização dos lançamentos; (d) ocultação — implicações ao uso dos recursos de terceiros nas operações de comércio exterior — legalidade; (e) evidência da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior; (f) acusação de quebra da cadeia do IPI, uso de presunção inexistente, ausência de provas — inexigibilidade tributária. A impugnante informa que foi constituída pelos mesmos sócios da Comercial de Vidros São Pedro Ltda, com o fim de se dedicar ao mercado atacadista,e já por essa razão, não haveria motivo para se ocultar da fiscalização pois as empresas pertencem ao mesmo grupo. Discorda da instrução processual realizada com base em informações da internet, pois fotos e informações ali postas não refletem, necessariamente, a realidade atual das empresas. Nesse aspecto informa que as duas empresas, Incovisa e Comercial de Vidros São Pedro, nunca ocuparam ao mesmo tempo o mesmo endereço. Por outro lado, defende que a interdependência das empresas já se deu no plano legal, gerando especiais efeitos no que diz respeito à tributação do IN, vez que pela dicção do art. 42, Ida Lei n° 4.502/64, do art. 9° da Lei 7798/89 e do art. 520, I, do Regulamento do IPI, as empresas interdependentes são equiparadas a estabelecimento industrial por ocasião das respectivas saídas. (sic) Registra que a fiscalização, apesar de informar que escolheu as Declarações de Importação de forma aleatória, selecionou apenas as 10 (dez) primeiras DI's registradas, em um universo de 36 operações realizadas através da First S.A., exatamente quando a empresa tratava da formação de capital próprio para o aumento de suas operações. Fl. 7012DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 148 6 Observando os dados, a fiscalização concluiu que houve a utilização de recursos da CVSP para efetivação das operações de importação, porque haveria transferências bancárias para a conta da Incovisa em datas anteriores aos fechamentos de cambio. Observa as conclusões da fiscalização para reforçar que quando os recursos foram utilizados no comércio exterior, estavam disponíveis em sua conta em razão de receitas por operações próprias e em razão de transferências efetivadas pela CVSP. Alega que a fiscalização ignorou as transferências entre as contas bancárias de sua titularidade que, quando cotejadas, revelam que a maioria dos recursos empregados no comércio exterior se encontravam depositados em suas próprias contas e quando foram complementados o foram pela sua coirmã, empresa independente, Comercial de Vidros Sao Pedro Ltda, existente desde 1976 e regularmente habilitada no RADAR. Informa que as importações por conta própria ocorreram no período de setembro de 2007 a outubro de 2008, sendo que, para a análise, a fiscalização selecionou apenas 3 (três) Declarações de Importação em um universo de 139 (cento e trinta e nove) registradas por conta própria. Não houve individualização de cada operação de importação, e o perdimento foi baseado em uma presunção legal relativa. Alega que não ficou claro se a impugnante não logrou demonstrar a origem, transferência e disponibilidade de recursos empregados no comércio exterior, ou se a contabilidade analisada não espelhava esses movimentos. Defende que são situações absolutamente diversas das quais derivam reflexos jurídicos também diversos. Defende que não participou de qualquer conduta fraudulenta e que, ainda que se comprovasse que a impugnante tenha cedido o seu nome a terceiros para a realização de operação de importação, a conduta não seria apenada com a pena de perdimento, mas, na pior das hipóteses, com a multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Defende que a pena de perdimento deveria recair, se fosse o caso, sobre adquirente oculto nas importações. Alega que, todavia, é e sempre foi a adquirente das mercadorias importadas, não havendo interposta pessoa ou ocultação. Defende que a pena de perdimento a ela aplicada confirma a tese de que é a real adquirente das mercadorias. Alega que é acusada de ocultação de terceiro, porém a descrição dos fatos é vaga, não sendo clara ao designar quem seria o sujeito oculto presente nas operações fiscalizadas. Defende que, se apenas 25% de seu faturamento é oriundo de vendas à Comercial de Vidros São Pedro e os restante 75 % de suas receitas são oriundos de vendas a mais de 500 clientes, então, pelo raciocínio empregado, esses 500 clientes também seriam sujeitos ocultos. Fl. 7013DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 149 7 Defende que o principio da tipicidade cerrada, corolário do principio da legalidade, não foi observado pela fiscalização ao definir a infração cometida. Alega que a autuação abrangeu todas as operações de importação por ela realizadas no período de março de 2007 a outubro de 2008, assim, "como a proposição de perdimento recaiu sobre todas as operações de importação realizadas peal Incovisa, evidenciase que a constituição do crédito tributário foi genérica, não individualizada, tratando todas as hipóteses de incidência havidas ao longo das atividades da impugnante como se fossem rigorosamente idênticas, fato absolutamente insustentável." E que a ação fiscal violou vários pressupostos do lançamento, o que implica diretamente no cerceamento da ampla defesa, resultado da falta de individualização do lançamento. "Sem essa individualização sempre haverá dúvidas, nos termos do inciso II do Artigo 112 do CTN, sobre a natureza ou as circunstâncias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos." Defende que não há vedação ao uso de recursos de terceiros em operações de comércio exterior, inclusive conforme artigo 5° da IN 225/02, e que os recursos de terceiro utilizados tiveram origem em empresa do mesmo grupo, conforme contrato de mútuo apresentado, ao qual a fiscalização não deu valor jurídico. A fiscalização entra em contradição ao defender que para ter validade o contrato de mútuo os recursos deveriam ter transitado pelas contas da impugnante e, em outro momento afirma que "sempre há transferências para a conta da Incovisa". Discorda da análise realizada pela fiscalização e contesta as afirmações de que a impugnante seria responsável por apenas pequena parte dos pagamentos. Apesar de a amostra ser de apenas 10 DI's, já em uma delas o pagamento realizado diretamente pela Incovisa foi muito maior (R$ 209.787,42) que o valor emprestado pela CVSP (R$94.000,00), ao contrário do que afirmou a fiscalização. A condução da análise das importações por conta própria foi mais grave, pois se resumiu a 3 (três) DI's em um universo de 139 (cento e trinta e nove) DI's, fato que retira toda a confiabilidade da conclusão do procedimento fiscal. Informa que seu faturamento em 2007 foi de R$ 11.492.569,91, sendo que R$ 3.175.240,14 (27,63%) oriundos da comercialização realizada com a Comercial de Vidros São Pedro e o restante R$ 8.317.329,77 (72,3%) resultado de vendas para terceiros. No ano de 2008, dos R$ 33.093.345,64 faturados, 27,5%, ou R$ 9.018.604,43 foram resultado de vendas à Comercial de Vidros São Pedro e 72,75% do faturamento, R$ 24.074.741,21 resultado de vendas a terceiros clientes. Defende assim, que os faturamentos realizados retroalimentaram o fluxo de caixa utilizado para realizar as operações de importação subseqüentes. Assim, resta demonstrado que os recursos utilizados nas operações de comércio exterior são fruto inicialmente do contrato de mutuo e depois das vendas efetivas, Fl. 7014DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 150 8 decorrentes das realizações dos estoques formados a partir das importações. Defende que, com base nos dados apresentados, possuía capacidade operacional para justificar as operações de importação realizadas e que não houve ocultação do real adquirente, pois para se sustentar essa tese, haveria que se verificar que a totalidade ou ao menos a esmagadora maioria das mercadorias importadas houvessem sido comercializadas com o sujeito oculto, o que não é o caso, como se verifica das notas fiscais de saída. Alega que as notas fiscais demonstram que tãosomente 25% das transações comerciais por ela realizadas eram feitas coma empresa Comercial de Vidros São Pedro, portanto, não se pode cogitar da hipótese de sugerir que essa seria a real adquirente dos produtos importados. Transcreve excerto de decisão do TRF da 4a Região com o seguinte teor "Não há falar em ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante a interposição fraudulenta de terceiro, se todos os sujeitos envolvidos na importação estão perfeitamente identificados e não há qualquer dúvida quanto à realidade da operação mercantil" (AMS 2006.72.08.0012938...) Defende que o emprego dos artifícios alegados não aufeririam nenhum beneficio nem à Incovisa, nem à CVSP, pois não há se falar em quebra da cadeia do IPI, sendo as empresas interdependentes, nos termos da lei. Defende a tese de falta de amparo legal para a exigência do IPI pela saída de mercadorias importadas sem a ocorrência das hipóteses de industrialização. Alega que não houve fraude nos procedimentos de habilitação no Siscomex e que ambas as empresa, Incovisa e Comercial de Vidros São Pedro, estavam habilitadas a operar no comércio exterior. Defende que a própria IN 650/08 em seu artigo 4° prevê que a falta de aprovação ou deferimento de elevação dos limites operacionais postulados, inclusive em razão de apresentação de documentos falsos, é passível de apresentação de novo pedido, não se constituindo, portanto de vicio insanável, ao contrário do afirmado pela fiscalização. Defende que possuía capacidade operacional e recursos financeiros disponíveis para justificar o aumento do capital a que se propôs, conforme dados que apresenta, referentes aos rendimentos do sócio Carlos Alberto Ribeiro de Souza em 2006 (R$ 621.545,00); conta de reservas da Comercial de Vidros São Pedro (R$ 700.000,00) e limites bancários e operacionais do grupo (R$ 600.000,00 em 2005, R$ 1.697.142,00 em 2006, R$ 2.302.000,00 em 2007 e R$ 4.548.000,00 em 2008). Alega que também não houve fraude à avaliação de risco da operação, para fins de parametrização da DI, pois os critérios, seu uso e aplicação são privativos da Administração. Defende que nem mesmo foi levantada a hipótese de que poderia ter havido subfaturamento, prática comum quando dos casos de uso de "laranjas". Fl. 7015DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 151 9 Defende que não há confusão na estrutura física das empresas Incovisa e Comercial de Vidros Sao Pedro, que nunca ocuparam o mesmo imóvel ao mesmo tempo, conforme histórico que apresenta. Requer sejam desconsiderados para efeitos da presente relação processual as pessoas física e jurídica intimadas em conjunto, por afronta ao disposto no inciso I do artigo 7° e artigo 11 do Decreto n° 70.235/1972, dandose seguimento ao processo administrativo em seus ulteriores feitos, exclusivamente em relação à impugnante, devidamente representada e intimada para figurar no pólo passivo da relação posta. Requer ainda, que seja afastada a multa em trato, sejam arquivados a representação para fins penais, a representação para fins de inaptidão e o arrolamento de bens proposto. A Primeira Turma da DRJ Florianópolis julgou a impugnação procedente, nos termos do Acórdão nº 0717637, de 25 de setembro de 2009, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 09/03/2007 a 14/01/2009 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Contrário sensu, comprovadas a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior, a presunção não se estabelece. Impugnação Procedente. O acórdão foi submetido ao recurso necessário em vista do valor exonerado, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, em conformidade com o disposto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso de ofício foi apresentado com observância dos requisitos de admissibilidade, de forma que passo à análise O recurso trata da aplicação da pena de perdimento, substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em virtude da presunção legal de interposição fraudulenta, derivada da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação. Fl. 7016DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 152 10 Nos termos do voto da Primeira Turma da Delegacia de Julgamento de Florianópolis, a Fiscalização não logrou êxito em comprovar que o sujeito passivo não detinha recursos suficientes para efetuar as operações de importação nos períodos de apuração compreendidos entre 03/2007 e 10/2008. E que, por ter analisado apenas treze declarações de importação no universo de cento e setenta e cinco declarações, a conclusão da fiscalização não poderia "extrapolar a todas as operações de importação realizadas pela interessada". Diante dessa premissa, exonerou o crédito tributário. Podese notar que a matéria é exclusivamente probatória, não se discute a interpretação da legislação utilizada no auto de infração e sim se havia provas suficientes para lastrear a presunção legal de interposição fraudulenta, prevista no inciso V, do artigo 23, do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, com a pena prevista no parágrafo 1°e 3º do mesmo artigo. Sendo assim, devese buscar provas nos autos de que o recorrente possuía recursos suficientes para arcar com as importações realizadas nos anos de 2007 e 2008. Nos termos do relatório de ação fiscal, entre março de 2007 e outubro de 2008, a Incovisa importou o valor de R$ 22.650.683,00. Sendo que, de março de 2007 a agosto de 2007, todas as importações da Incovisa foram realizadas pela First S/A por conta e ordem. Já, no período compreendido entre setembro de 2007 e outubro de 2008, suas importações foram por conta própria. Constatações da Fiscalização sobre as importações da sociedade Incovisa: 1 A First utilizou recursos próprios para fechamento do contrato de câmbio e pagamento dos tributos incidentes sobre quase totalidade das importações (fls.962 a 963). De acordo com a tabela entregue pelo contribuinte (fl.102), a Incovisa arcou com o pagamento do câmbio de algumas das importações feitas por conta e ordem pela First, apesar de a contabilidade da empresa (livro Razão 2007 às fls.598 a 738) não mostrar esses pagamentos; 2 O extrato bancário da Incovisa (fls.151 a 296), na conta do Banco do Brasil (indicada pelo contribuinte como banco responsável pelo pagamento do câmbio), observouse que sempre há transferências para a conta da Incovisa (TED, Depósitos e transferências ONLINE) em datas anteriores ao fechamento do câmbio, pois o saldo da conta da empresa não seria suficiente para cobrir esta despesa, o que sugere que a empresa utilizou recursos de terceiros; 3 Foi a empresa CVSP quem arcou com quase totalidade dos custos das importações feitas pela First em nome da Incovisa. Esta afirmação foi confirmada pelos comprovantes dos pagamentos da CVSP à FIRST (fls.1209, 1212,1215, 1216, 1219, 1223, 1224, 1227, 1230, 1231, 1234, 12351238, 1239, 1242, 1457, 1476, 1478, 1486, 1496, 1506, 1516, 1517, 1528, 1536, 1537, 1548, 1557 e 1558) entregues pela Incovisa à fiscalização bem como pelos extratos bancários da empresa CVSP (fls.447 a 526) que mostram que foi esta empresa e não a Incovisa quem arcou com os recursos para efetivar estas importações. Os comprovantes e extratos mostram que a maior parte destes pagamentos era feita pela CVSP diretamente à FIRST, cabendo à Incovisa somente uma pequena parte do pagamento das mercadorias importadas, apesar de estar declarado nas DI que a Incovisa é a real adquirente. Para entendermos isso, basta olhar a tabela acima e observar as colunas "Yr. Total da NF", "Pagto Incovisa/Dt Pagto" e " Pagto CVSP/Dt Pagto". Os pagamentos da CVSP foram sempre maiores que os realizados pela Incovisa e foram em datas anteriores ao registro da DI, ou seja, Fl. 7017DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 153 11 era a CVSP quem de fato arcava com os custos destas importações, repassando à First os valores por ela gastos para efetivar as importações. Já os pagamentos da Incovisa foram todos realizados em datas posteriores (basicamente no mês seguinte) às datas de registro das DI. Se observarmos a tabela entregue pelo contribuinte (fls.101 a 102), na coluna "Banco Pagto", observamos que os pagamentos das importações por conta e ordem são todos feitos com recursos da CVSP, pois as contas bancárias mencionadas são de titularidade desta empresa (o banco n° 1 é o Banco do Brasil fls. 477 a 505, o banco n° 4 é o Bradesco fls.506 a 521 e o banco n° 3 é o Banco Real fls. 522 a 523, todos de titularidade da empresa CVSP). A Incovisa, por meio de sua resposta ao Termo de Intimação 04/08 (fl.92, item "e"), relata que o sócio da CVSP, Carlos Alberto Ribeiro de Souza, possuía na conta Reservas de Capital desta empresa, valores que utilizou para realizar a integralização do capital social da Incovisa, o que o fez através dos pagamentos das importações relacionadas no quadro acima a débito das disponibilidades da CVSP. Vale ressaltar que esta explicação da Incovisa não está espelhada em sua contabilidade tampouco nas declarações de rendimento de seu sócio (fls.538 a 545). Já a First, em sua resposta à intimação (fls.962 a 1171), considera os pagamentos da CVSP relacionados no quadro acima como adiantamento (vide Demonstrativos de Despesas às fls.987, 1006, 1026, 1048, 1067, 1085, 1103, 1119, 1145, 1167) e no extrato bancário da First comprovando esses pagamentos, eles aparecem como oriundos da CVSP (segundo anotação à mão, fls.988, 1027, 1068, 1120, 1148); 4 Algumas notas fiscais foram registradas no Livro de Registro de Entradas da Incovisa, porém o pagamento destas importações não foi comprovado pela Incovisa, mas sim pela CVSP, por meio dos extratos bancários desta empresa e dos comprovante de pagamento em nome da CVSP (fls citadas no item 3 acima); 5 Com exceção da Nota Fiscal nº 21447, nenhuma das demais compras de mercadorias está registrada no Livro Razão da Incovisa, ou seja, no mês de março/2007, foi observado pela fiscalização somente o registro no Livro Razão de uma compra de mercadoria da First no valor de R$ 97.034,29 (f1.602). Em abril, não há registro de compras de mercadorias da First e em maio/2007, há um registro de "compras de mercadorias no mês", sem identificar se foi ou não proveniente da First e num valor de R$ 1.617.798,88. Porém, se forem somadas as compras do quadro acima (exceto a relativa à NF 21447, registrada em março), que são relativas aos meses de março e abril, chegase ao total de R$ 1.496.906,51. Já as compras provenientes da importação por conta e ordem da First, em maio, segundo o Livro de Registro de Entradas (fl.916), totalizam R$ 2.095,621,20. Então teríamos o total de R$ 3.592.527,71 (1.496.906,51 + 2.095.621,20) 1.617.798,88 = 1.974.728,83 de mercadorias importadas pela First por conta e ordem da Incovisa e sem devido registro no Livro Razão da contribuinte, estando desconhecida a origem dos recursos de seus pagamentos. Questionada sobre essa situação na intimação 04/08, a sociedade respondeu (item d à fl.92) que: "as diferenças havidas nos meses março/2007 e abril/2007 são decorrentes de erro de importação de dados do sistema fiscal para o sistema contábil de controle da empresa. Nos meses subsequentes de maio, junho, julho e agosto/2007, respectivamente, as importações foram efetivadas de forma correta não havendo qualquer pendência.". Segundo a fiscalização a resposta da Incovisa não condiz com a realidade que se observa em sua contabilidade; 6 Esta situação de nãoregistro de entrada das mercadorias e saída de seu respectivo pagamento à First se repete por todo o período em que foram feitas importações por conta e ordem da Incovisa. Conclui a fiscalização que, de acordo com o disposto no art. 5º da IN SRF nº 225/2002, nas importações realizadas pela First por conta e ordem da Incovisa foram utilizados recursos de terceiros, ou seja, recursos da CVSP. Fl. 7018DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 154 12 7 No Livro Razão de 2007 (fls.598 a 738), nos meses de setembro a dezembro, os lançamentos de compra de mercadoria não correspondem aos valores de mercadorias importadas pela Incovisa neste mesmo período. Por exemplo, se tomarmos o mês de setembro de 2007, os valores de compra declarados no Livro Razão (fis.658) não conferem com os valores de mercadorias importadas no mês; 8 As compras de mercadorias importadas registradas no Livro de Entrada de 2007 (fls.913 a 928) não estão de acordo com os registro de compras no Livro Razão (fls.598 a 738) daquele ano. Questionada sobre essa situação no Termo de Intimação n° 04/08, item d (f1.73), a empresa respondeu que (f1.92 no item d) : "as diferenças são decorrentes de erro de importação de dados do sistema fiscal para o sistema contábil de controle da empresa e que, a partir de setembro/2007, quando foram iniciadas as atividades da filial 0003, novos erros foram gerados, relativamente aos lançamentos das correspondentes notas fiscais de entrada, alguns casos feitos em duplicidade e outros não efetivados o lançamentos da entrada". Concluise que a Incovisa não contabilizou o pagamento destas importações, ou seja, não houve saída das disponibilidades da empresa para pagamento destas importações; 9 A análise contábil revela que a empresa não teria condições de realizar suas operações de comércio exterior se desconsiderados os recursos ingressados na empresa pertencentes a terceiros, fato que comprova a ocultação do real interessado nas operações mediante o uso de simulação de negócios. Por fim, ressaltase que a Incovisa mantinha saldo credor de caixa nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, conforme relato da fiscalização: Desconsiderada a integralização do aumento de capital em setembro/2006, contabilizada no Livro Razão 2006 (fl. 930), ocasionada pela devolução do cheque do sócio (conforme relatado no item 4.2 acima — ver extratos), observase o saldo credor ("estouro") de caixa de mais de 530.000,00 reais já em 2006. Esse saldo credor continua presente também no Livro Razão 2007. Inclusive, observase que no mês de fevereiro e março de 2007 (11.602), mesmo se não desconsiderássemos o valor oriundo da integralização do aumento de capital, haveria saldo credor de caixa, comprovandose que a empresa não possuía recursos próprios para arcar com suas operações de comércio exterior. Ao longo do ano de 2008, observase também no Livro Razão (fls.741, 742, 743), que, por exemplo, nos meses de março, abril, maio e julho sempre que a conta caixa fica credora, há um débito referente a contrato de mútuo que sana a situação de saldo credor de caixa, porém esse débito do contrato de mútuo não transita na conta banco da empresa, tampouco aparece nos extratos bancários da empresa (fls. 150 a 475), nas datas em que o mútuo é citado no Livro Razão. Sobre o contrato de mútuo mencionado, foi apresentado um com a Comercial de Vidros São Pedro CVSP, datado de 04/01/2006, no valor de R$ 8.000.000,00. Afirma que as importações foram custeadas por esse mútuo. Acontece que esse valor não transitou pelas contas bancárias da Incovisa. O contrato não foi registrado em cartório de registro público e sequer possui reconhecimento das firmas neles apostas. As empresas que assinaram o contrato possuem os mesmos sócios. Fl. 7019DF CARF MF Processo nº 12719.000371/200921 Acórdão n.º 3302006.581 S3C3T2 Fl. 155 13 Por essas considerações, entendo que o contrato de mútuo apresentado como fonte de receita para custear as importações não presta para esse fim, uma vez que não comprova a real existência do mútuo. Por tudo que foi exposto, fico convencido de que a Incovisa não possuía recursos suficientes para arcar com as operações de importação realizadas nos períodos compreendidos entre 03/2007 e 10/2008. Diante deste fato, com base no § 2º, do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, fica caracterizada a interposição fraudulenta, punível com a pena de perdimento ou, no caso de impossibilidade de aplicação, com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Ex positis, dou provimento ao recurso de ofício para reformar a decisão da DRJ de cancelar a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 7020DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000281/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16306.000281/2008-61
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5985913
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-000.805
nome_arquivo_s : Decisao_16306000281200861.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 16306000281200861_5985913.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7688992
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661682868224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.014 1 1.013 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16306.000281/200861 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.805 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2019 Assunto IRPJ/SALDO NEGATIVO/COMPENSAÇÃO Recorrente OWENS CORNING FIBERGLAS A.S. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 28 1/ 20 08 -6 1 Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.015 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SPO1 em sessão de 21 de junho de 2013 (fls. 875/893)1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada e manteve o decidido pelo Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP em 06/01/2009 (fls. 43/49) que havia dado provimento parcial ao pleito compensatório interposto, reconhecendo o montante de R$ 786.367,10 para um total buscado de R$ 5.474.804,03. Deste modo, resta em litígio o montante de R$ 4.688.436,93 (R$ 5.474.804,03 – R$ 786.367,10), basicamente representado pelas seguintes rubricas: 1) IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras (código de recolhimento 5272 e 3426); e, 2) IRRF sobre serviços prestados (código DARF 1708). O Acórdão de 1º Piso restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em rápidas linhas, a refrega prendese na busca da comprovação de que os valores remanescentes pleiteados foram objeto de anterior oferecimento à tributação pela contribuinte e, neste sentido, toda sua argumentação centrase na possibilidade de haver dissonância entre o momento do reconhecimento do rendimento (pelo regime de competência no caso da recorrente) e pelo de caixa, relativamente às fontes pagadoras. Foi exatamente este o motivo que levou a Turma a quo a converter o primeiro julgamento em diligência em 01/06/2010 (fls. 521/523) determinando: “Tendo em vista as divergências apontadas e a documentação/alegações apresentadas tornase necessário converter o presente processo em diligência fiscal visando a análise do direito creditório da contribuinte. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.016 3 Pela análise da DIPJ/2004 de fl.18, a interessada utilizouse de deduções de IRRF nas estimativas mensais e na apuração anual, razão pela qual se torna necessário uma análise mais pormenorizada do direito credit6rio. Os pontos seguintes devem ser verificados para uma melhor compreensão da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003: • Informe o montante do IRRF dedutível de códigos 5272, 1708 e 3426, para fins de cálculo do IR devido do ano calendário de 2003; • Informe se os montantes dos rendimentos correspondentes ao IRRF dedutível (receitas financeiras e demais rendimentos) foram oferecidos à tributação mediante a análise dos livros fiscais e comprovantes de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc) em confronto com a DIPJ para. o anocalendário de 2003; • Verificar se os montantes glosados no presente Despacho Decisório de receitas financeiras de códigos 5273 e 3426, de fato, foram oferecidos à tributação no exercício anterior (ano calendário de 2002); • Verificar se, de fato, as receitas correspondentes ao IRRF de código 1708 foram oferecidos b. tributação na linha 30 da Ficha 06 A da DIPJ, mediante a análise da escrituração contábil e comprovante de rendimentos em confronto com a DIPJ; • Elabore relatório conclusivo por anocalendário e dê ciência ao contribuinte concedendolhe o prazo de 10 dias para manifestação, conforme art.44 da Lei n° 9.784/99.” Na sequência houve a intimação feita à contribuinte pela Autoridade que presidiu a diligência, a sua resposta, a conclusão do procedimento e a subsequente manifestação da então impugnante, inclusive com a juntada de “parecer” elaborado por profissional contábil por ela contratado (fls. 521/571). Com sustentáculo neste procedimento investigativo e suplementar e o que mais entendeu presente nos autos, a Turma a quo, depois de afastar todas as preliminares de nulidade, homologação tácita e decadência aventadas, exarou a decisão ora combatida, cuja ementa foi acima reproduzida. Excertos do voto condutor mostram a linha de julgamento adotada (fls. 888/891): “Compete inferir que a presente manifestação de inconformidade não conduz nenhuma inovação essencial daquilo que foi abordado na decisão administrativa proferida pela unidade de origem, da mesma forma que não se constitui em instrumento que permita motivar a reforma ou tornar sem efeito as inferências e constatações expressas no aludido despacho decisório, ante a precariedade de lastro de elementos indispensáveis para a aferição da certeza e liquidez do Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.017 4 crédito declarado, porquanto os elementos carreados aos autos pelo requerente, por si só, não perfazem prova suficiente a demonstrar fidedignamente o montante do direito protestado no litígio. Assim sendo, importa frisar que nesta fase processual não basta que o interessado restrinjase a assegurar a legitimidade da apuração do crédito declarado na DCOMP, mas, também, comprovar a constituição e a disponibilidade da importância pleiteada, visando evidenciar a apuração fiscal originária, apoiandose em demonstração comparativa, detalhada e conjugada com os dados consignados na Declaração de Informação EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica, bem como se lastreando com o acervo documental fiscal e registros dos fatos contábeis patrimoniais e de resultado que mantêm correlação intrínseca com a proveniência e aproveitamento do aludido saldo negativo, observandose, cumulativamente, os ditames específicos firmados pela legislação tributária, inerente às situações de dedução do tributo devido calculado no períodobase. Neste aspecto, a propósito, compete acentuar que a escrituração contábil e demonstrações financeiras deverão apresentarse firmadas e regularmente levados a registro no órgão de competente, cujas informações devem ser mantidos em boa ordem e conservados sob a responsabilidade do sujeito passivo a fim de serem colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, enquanto não ocorrida a prescrição dos créditos tributários vinculadas aos fatos a que se refiram à declaração de compensação, conforme determina o art. 195, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Cumpre acentuar, ainda, que se confere imprescindível que a escrituração contábil da entidade denote se o crédito declarado não foi utilizado em compensações de períodos de apuração distintos do mesmo imposto ou de outros tributos, demonstrando a preexistência do direito patrimonial decorrente da apuração do saldo negativo do IRPJ, assim como o correspondente aproveitamento contábil para fins de dedução de exigências fiscais dissímeis no curso dos períodos supervenientes, observandose as formalidades disciplinadas pela legislação de regência. Em resumo, compete ao contribuinte trazer aos autos os meios o conjunto probatório previsto na legislação tributária, acompanhado pelas respectivas Demonstrações Financeiras (incluindose os Balanços e Balancetes de Suspensão e Redução formalizados em consonância com art. 35, §1º da Lei nº 8.981, de 20/01/1995), Livros Fiscais (LALUR e Livro Razão) e Livros Comerciais (Livro Diário), devidamente escriturados e registrados, à época dos fatos, a fim de demonstrar a autenticidade da apuração do crédito pleiteado, evidenciando a composição da origem, o controle do saldo da conta patrimonial pertinente ao saldo negativo do imposto apurado no encerramento do períodobase, bem como as destinações/compensações ulteriormente imputadas ao pretenso direito creditório. Em sentido geral, é cediço que o apoio de defesa pautado em meras alegações, não tem a força de Verdade Material em sede dos ritos e formalidades disciplinados para o Processo Administrativo Fiscal, os Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.018 5 quais demandam o amparo mediante apresentação de material probatório hábil e idôneo em conformidade com a legislação tributária. Sob este aspecto, sinalizam de maneira expressa os arts. 15 e 16, inciso III e parágrafo 4º do Decreto n º 70.235, de 1972 (PAF), com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, cujo excerto segue abaixo transcrito, quando estabelece normas acerca dos trâmites do processo administrativo fiscal, evidenciando que é da essência da relação processual que as alegações sejam devidamente instruídas com as respectivas provas no ato da interposição da manifestação de inconformidade: (...) Ao cabo das considerações procedidas, compete inferir que a legislação aplicável atribui ao requerente firmar justificativas motivadas e corroboradas em razões e fatos que demonstrem suas objeções em relação à decisão administrativa que não homologou a compensação declarada, bem assim provar a eventual inexatidão dos pressupostos e fatores que pautaram a negativa de reconhecimento do crédito pleiteado, em conformidade com os termos firmados no despacho decisório. Importante acentuar, em caráter suplementar, que a comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento da interposição da manifestação de inconformidade. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, como atestam de forma ilustrativa as ementas dos seguintes acórdãos: (...) Em suma, cabe ao sujeito passivo comprovar o que atesta, sob pena de preclusão do direito de interpor em outro momento processual. Destarte, impõese não acolher as argüições que refutam a negativa de homologação da compensação declarada na respectiva DCOMP, bem como manter inalterado os efeitos da decisão circunstanciada no despacho decisório”. (destaques no original). Devidamente cientificada (13/07/2013 – fls. 894), a contribuinte acostou Recurso Voluntário em 13/08/2013 (fls. 895/945) no qual, além de combater a decisão de 1º Grau, volta a insistir em preliminares de, a) decadência; e, b) nulidade da decisão recorrida por falta de apreciação e valoração dos documentos apresentados nos autos e, no mérito, reafirma ter apurado saldo negativo de IRPJ em razão de retenções na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras e serviços prestados e que a divergência apontada pela DERAT no DD e confirmada pelo Acórdão da DRJ prendese, basicamente, à forma de apropriação de tais rendimentos (por competência ou por caixa). Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.019 6 Alternativamente, clama pela realização de nova diligência para suprir a inconclusiva posição da primeira. As ponderações finais resumem a posição da recorrente (RV – fls. 944/945): É o relatório, em apertadíssima síntese. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.020 7 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do Acórdão recorrido em 13/07/2013 – fls. 894 protocolização do RV em 13/08/2013 – fls. 895) a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 946/949) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Como visto no relatado, o cerne da discussão é a comprovação de que os valores dos rendimentos sobre os quais incidiram o IRRF que compôs o saldo negativo de IRPJ informado pela recorrente e que permitiria a compensação intentada teriam sido oferecidos à tributação, especificamente os pertinentes a aplicações financeiras e serviços prestados (códigos de recolhimento 5272, 1708 e 3426), não tendo o DD decisório reconhecido parte do montante pleiteado. No dizer da recorrente, a divergência teria tido origem na dissonância entre os métodos de reconhecimento temporal dos rendimentos, no seu caso, pelo regime de competência e no das fontes pagadoras, pelo de caixa. Por ocasião do julgamento de 1ª Instância, a Turma Julgadora, por entender relevante as colocações feitas pela contribuinte, resolveu converte o julgamento em diligência a fim de que a Autoridade Fiscal da unidade de origem prestasse informações que pudessem embasar a decisão a ser proferida. Realizado o procedimento, vieram as informações e a contraparte da contribuinte, incluindo parecer elaborado por profissional por ela contratado (fls. 521/571). A partir daí, mesmo com os reclamos da recorrente de que a diligência foi inconclusiva, a 2ª Turma da DRJ/SPO1 prolatou decisão em 21/06/2013 negando provimento à impugnação e mantendo a decisão da DERAT/SP consubstanciada no DD. No RV apresentado para apreciação deste Colegiado a recorrente suscitou preliminares, voltou a reclamar da inconclusiva diligência, reafirmou a correção de seu procedimento (RV – fls. 932)2 e, alternativamente, requisitou a baixa dos autos para nova averiguação pela Unidade de Origem do quanto alegado (RV – fls. 943): 2 Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.021 8 Antes de analisar os argumentos expendidos no recurso voluntário, incluindo as preliminares aventadas, vejo que os autos carecem de melhor instrução procedimental e processual. Explico. A matéria em discussão é estritamente de cunho fático, ou seja, imperioso se verifique se os montantes sobre os quais incidiram o IRRF que compôs o saldo negativo encontrado pela recorrente foram oferecidos à tributação. É a norma cogente do artigo 231, III, do RIR/1999, Decreto nº 3000, de 26/03/1999 (hoje revogado, mas vigente à época dos fatos): Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Digase, é inequívoco que, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica somente possa se aproveitar do IRRF cujos rendimentos tenham sido computados na determinação do lucro real. Pacífica a jurisprudência do Colegiado de 2º, exemplificativamente, Ac. 1302 003.099, de 19/09/2018: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DO RENDIMENTO À TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. RECONHECIMENTO PARCIAL. O sujeito passivo deve comprovar que os rendimentos foram incluídos na determinação do lucro tributável, conforme expressa previsão legal. Pois bem, no caso concreto, a recorrente sustenta que essa obrigatoriedade foi cumprida, apenas havendo divergência no que tange ao momento do reconhecimento da receita (competência ou caixa). Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.022 9 Evidente que neste momento do julgamento, em que pese a existência de “farta documentação” (como já alegado em vários momentos do processo pelas partes), fato é que o ponto nevrálgico a ser investigado não restou comprovado, melhor dizendo, não se tornou claro se os valores foram efetivamente oferecidos à tributação e – mais que isso – se as alegações da recorrente de que computou os rendimentos em um período diferente daquele reconhecido pelas fontes pagadoras (2002 ou 2003), são procedentes. E essa transparência – vital para a decisão a ser prolatada – MESMO com a diligência realizada, não se consumou. Como sabido, diligências prestamse exatamente para dar suporte aos autos, elucidando pontos obscuros e permitindo aos julgadores (que só manuseiam os autos em sua fase final), firmar convicção para declinarem seus votos, o que, data vênia, não se viu no presente caso. Em outro dizer, com a devida licença, penso que a diligência não se aprofundou como deveria de modo a permitir uma leitura consistente dos fatos narrados, ficando no entremeio de ilações extremamente frágeis (para fins de convencimento do julgador), como se vê abaixo (Termo de Encerramento de Diligência nº 0001, de 04/10/2011 – fls. 548/549): “03) Embora os valores registrados na escrituração da empresa superem os efetivamente oferecidos á tributação, fls. 2verso e 3 do demonstrativo, não podemos afirmar que as diferenças tenham sido tributadas no ano anterior, pois os saldos apurados, registrados nas fichas do Razão no final do ano calendário, utilizados para preenchimento da DIPJ indicam valores bem inferiores aos contabilizados durante o ano. a) Valores contabilizados no ano de acordo com o livro Razão. al) Receita Licenciamento (Royalty) R$ 72.927,80 a2) Juros e Rend. s/ Aplicações Financeiras R$ 35.396.917,73 a3) Aplicações Financeiras R$ 10.875.835,94 04) As receitas correspondentes ao IRRF, código 1708 foram oferecidas à tributação na linha 30, fls. 132, juntamente com outras, que atingiram o montante de R$ 977.467,00 e não R$ 18.325.815,15, conforme constou em fls. 96 e 472”. Ora, a afirmação literal de que “embora os valores registrados na escrituração da empresa superem os efetivamente oferecidos á tributação, fls. 2verso e 3 do demonstrativo, não podemos afirmar que as diferenças tenham sido tributadas no ano anterior...”, afasta do referido termo (que deveria ser incisivo a respeito dos fatos questionados pela decisão da DRJ quando da conversão em diligência fls. 521/523)3 afasta, repito, qualquer possibilidade de se tomar tal relatório como documento de sustentação à decisão a ser prolatada. 3 Vejase o teor da requisição da DRJ: “Pela análise da DIPJ/2004 de fl.18, a interessada utilizouse de deduções de IRRF nas estimativas mensais e na apuração anual, razão pela qual se torna necessário uma análise mais pormenorizada do direito credit6rio. Os pontos seguintes devem ser verificados para uma melhor compreensão da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003: • Informe o montante do IRRF dedutível de códigos 5272, 1708 e 3426, para fins de cálculo do IR devido do anocalendário de 2003; • Informe se os montantes dos rendimentos correspondentes ao IRRF dedutível (receitas financeiras e demais rendimentos) foram oferecidos à tributação mediante a análise dos livros fiscais e Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.023 10 Nessa linha, com a devida vênia, insisto, penso que, ao invés de eliminar as dúvidas apontadas na Resolução da DRJ, a diligência acabou por aumentálas. Assim, não vejo outro meio que não a conversão do julgamento em nova diligência a fim de que tais questionamentos possam ser respondidos. Antes, porém, creio ser relevante ponderar sobre o posicionamento assumido pela defesa da recorrente em sua peça recursal quando peremptoriamente sustenta (RV – fls. 923) ter trazido aos autos “farta documentação” e que “não houve a apreciação dos documentos que instruíram os presentes autos”. Mais, que “os I. Julgadores pretendem transferir para a Recorrente atividade cuja atribuição é exclusiva da administração pública”, e que, “ainda que assim não fosse, (...) criouse nova obrigação acessória não prevista na legislação (demonstrativos de receitas financeiras), em total afronta ao princípio constitucional da legalidade”. Para concluir seu raciocínio (RV – fls. 924): “Ora, não é o Administrado quem deve fazer o trabalho do Administrador, a quem compete buscar com profundidade a verdade dos fatos. Inimaginável, portanto, transferir ao contribuinte a obrigação do preenchimento de mais e mais planilhas e demonstrativos além daquelas diversas obrigações acessórias às quais o Administrado já se encontra sujeito. Noutras palavras, isto significa facilitar a atividade do Administrador sem amparo legal, sob pena do contribuinte sofrer autos de infração ou não ter suas compensações homologadas, como ocorreu no presente caso!” Labuta em evidente equívoco a recorrente. Não se trata de criar “obrigações acessórias novas” nem transferir ao administrado o serviço que caberia à Administração Tributária. Ao revés, tratase, simplesmente, de dar coerência e formatação lógica a centenas de documentos que compõem o rol probatório de INTERESSE DA CONTRIBUINTE e que, por isso mesmo, deveria ter sido por ela providenciado, até porque, não se olvide, no caso de pedido de restituição/ressarcimento/compensação, o autor nos autos é o sujeito passivo e a ele, na forma do artigo 373, I, do atual CPC (artigo 333, I, do CPC de 1973), é que cabe o ônus de apresentar as provas que entende pertinentes. comprovantes de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc) em confronto com a DIPJ para. o anocalendário de 2003; • Verificar se os montantes glosados no presente Despacho Decisório de receitas financeiras de códigos 5273 e 3426, de fato, foram oferecidos à tributação no exercício anterior (anocalendário de 2002); • Verificar se, de fato, as receitas correspondentes ao IRRF de código 1708 foram oferecidos b. tributação na linha 30 da Ficha 06 A da DIPJ, mediante a análise da escrituração contábil e comprovante de rendimentos em confronto com a DIPJ; • Elabore relatório conclusivo por anocalendário e dê ciência ao contribuinte concedendolhe o prazo de 10 dias para manifestação, conforme art.44 da Lei n° 9.784/99.” Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.024 11 Falando mais claramente, à recorrente cabe o ônus de demonstrar a veracidade de seus argumentos, mediante a apresentação de documentos idôneos devidamente ordenados: IRPJ – PROVA – Cumpre à impugnante demonstrar o efeito modificativo ou extintivo do crédito constituído pelo lançamento. Não basta ao impugnante juntar documentos aos autos, sendo indispensável que ele demonstre o efeito probatório por eles produzido. (Acórdão nº 10707882) Em outro dizer, importante que haja concatenação lógica entre a prova e as informações a ela relativas. Foi exatamente esta a linha adotada e pontificada pela decisão a quo quando assentou (Ac. DRJ – fls. 885/886): “Como já dito, a aferição de direito creditório deverá ser efetuada com base em documentação comprobatória.. A documentação apresentada pela interessada não comprovou o oferecimento à tributação das receitas vinculadas ao IRRF dedutível, sendo insuficiente apenas a apresentação da escrita fiscal. Para a comprovação da tributação das receitas financeiras e da apuração do IRRF dedutível é imprescindível que a contribuinte apresente um demonstrativo contendo a tributação das receitas financeiras totais dos anoscalendário de 2001 a 2003 bem como do IRRF correspondente de forma individualizada (por código de retenção). Ademais, deveria a interessada ter acostado aos autos, os comprovantes de rendimentos, uma vez que é necessário identificarse quais parcelas compuseram as receitas financeiras tributadas no período e nos anoscalendário anteriores (conciliação entre a DIPJ, comprovante de rendimentos e escrituração). O que a contribuinte apresentou em sua manifestação de inconformidade não discrimina quais parcelas compuseram as receitas tributadas por período bem como o IRRF correspondente. A identificação de cada fonte pagadora, respaldada em comprovante de rendimentos, é essencial, pois, sem esta, não se pode afirmar com certeza a veracidade das informações contidas na escrita fiscal”. Ora, de solar clareza que, em momento algum, a Turma Julgadora de 1º Grau “criou” nova obrigação acessória, mas, apenas, pontuou pela necessidade da estruturação lógica das provas, de forma que o reclamo da recorrente se mostra equivocado e deve ser afastado. Feitas estas observações e pelo o que mais consta nos autos, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA a fim de que seja verificado pela Autoridade Tributária junto à recorrente, à vista dos livros e documentos pertinentes à matéria tratada nos autos, o quanto abaixo se discrimina: 1. Qual o montante do IRRF dedutível de códigos 5272, 1708 e 3426, para fins de cálculo do IR devido do anocalendário de 2003; Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 16306.000281/200861 Resolução nº 1402000.805 S1C4T2 Fl. 1.025 12 2. Se os montantes dos rendimentos correspondentes ao IRRF dedutível (receitas financeiras e demais rendimentos) foram oferecidos à tributação mediante a análise dos livros fiscais e comprovantes de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc.) em confronto com a DIPJ para o ano calendário de 2003; 3. Se procede a alegação da recorrente de divergência entre os regimes de competência (que diz adotar) e o de caixa (que as fontes pagadoras adotariam); 4. Nessa linha, verifique se os montantes glosados no presente Despacho Decisório de receitas financeiras de códigos 5273 e 3426, de fato, foram oferecidos à tributação no exercício anterior (anocalendário de 2002); 5. Verifique se, de fato, as receitas correspondentes ao IRRF de código 1708 foram oferecidos b. tributação na linha 30 da Ficha 06A da DIPJ, mediante a análise da escrituração contábil e comprovante de rendimentos em confronto com a DIPJ; 6. Informe quaisquer outros pontos que entenda relevantes para deslinde do caso. Do procedimento citado, deverá lavrar termo CONCLUSIVO de forma a permitir a correta instrução processual, dando ciência à contribuinte e abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre a matéria objeto da diligência, juntando documentos que entender pertinentes. Transcorrido o trintídio legal, com ou sem manifestação da recorrente, os autos devem voltar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1026DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900257/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/09/2003
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO NÃO UTILIZADO.
Constatada a existência de saldo disponível para compensar débito declarado em DCOMP, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar a compensação até o valor do saldo disponível.
Numero da decisão: 3301-005.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/09/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO NÃO UTILIZADO. Constatada a existência de saldo disponível para compensar débito declarado em DCOMP, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar a compensação até o valor do saldo disponível.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.900257/2008-86
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5971751
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.723
nome_arquivo_s : Decisao_16327900257200886.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 16327900257200886_5971751.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7654359
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661695451136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1380; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 87 1 86 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900257/200886 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.723 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria PER/DCOMP IRPJ Recorrente BANCO ITAULEASING S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2003 PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO NÃO UTILIZADO. Constatada a existência de saldo disponível para compensar débito declarado em DCOMP, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar a compensação até o valor do saldo disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 02 57 /2 00 8- 86 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 16327.900257/200886 Acórdão n.º 3301005.723 S3C3T1 Fl. 88 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1644.233 13 ª Turma da DRJ/SP1, que manteve o Despacho Decisório com o numero de rastreamento nº 757850012, por intermédio do qual não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 17414.52679.311003.1.3.040956. Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir. 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 17414.52679.311003.1.3.040 956), na data de 31/10/2003, pela qual pretende quitar os débitos declarados no referido documento, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 15/06/2000, no valor de R$ 189.466,62 (código de receita: 4574). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil circunscricionante, quanto à arrecadação/cobrança, emitiu o Despacho Decisório de fls. 5, datado de 24/04/2008, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito, da compensação declarada. 3. Cientificada, em 02/05/2008, da solução dada à declaração de compensação apresentada, conforme informação constante às fls. 25, a Insurgente, por intermédio de representante legal, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 02, tempestivamente, conforme fls. 26, com a juntada de documentos de fls. 03 a 24 [documentos de identidade do patrono, procuração, vários DARF, demonstrativos da compensação entendida devida, DIPJ 2001 (composição base de cálculo do PIS), DCTF Retificadora 2º trimestre/2000, PER/DCOMP 17414.52679.311003.1.3.040956, controles de compensação atinentes ao PIS], apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. Demonstra cálculos próprios que sustentariam o crédito pleiteado. 3.2. Diante do que intenta demonstrar e junta ao processo, entendendo ter esclarecida a origem do crédito que reclama, requerendo a baixa da compensação não homologada. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 13ª Turma da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso apresentado, não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, conforme Acórdão nº 16 19.057, datado de 16/10/2008, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/06/2000 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.900257/200886 Acórdão n.º 3301005.723 S3C3T1 Fl. 89 3 inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito desacompanhada de elementos cabais de sua prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VERDADE MATERIAL. O processo administrativo fiscal orientase pela busca da verdade real ou material. Assim, qualquer fato aduzido nos autos deverá, sempre, vir acompanhado de comprovação documental ou, no mínimo, com contundentes indícios de sua veracidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do julgamento de primeiro grau, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em que especifica a origem de seu crédito (saldo de DARF no valor originário de R$ 62.424,87, em 15/06/2000, decorrente de pagamento a maior de PIS do período de apuração 05/2000), bem como os documentos que o comprovam, entendendo que a compensação efetuada estaria em conformidade, já que o crédito seria suficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Esclarece que "o recolhimento do DARF no valor de R$ 102.414,83 resultou em um pagamento a maior, eis que apenas uma parcela desse DARF, no valor de R$ 39.987,96, foi alocada ao pagamento do PIS de maio de 2000, o que resultou no indébito ora perseguido, no montante originário de R$ 62.424,87". Destaca, que "a não homologação da presente compensação parece ter ocorrido por conta erro da Recorrente no preenchimento do PER/DCOMP, vez que foi declarado como sendo o DARF do pagamento a maior o de valor R$ 189.466,62, quando o correto seria o DARF de R$ 102.412,83". Pondera ainda que "a autoridade administrativa, na busca da solução do litígio instaurado na fase administrativa, deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal". Por fim, conclui seu Recurso Voluntário requerendo "a reforma da decisão proferida, com a conseqüente homologação da compensação pretendida", bem como "o cancelamento da cobrança efetivada por meio do Processo Administrativo n.° 16327.900.311/200893 e protesta pela juntada dos documentos anexos e de outros que se fizerem necessários". É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.900257/200886 Acórdão n.º 3301005.723 S3C3T1 Fl. 90 4 Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A Recorrente afirma ter crédito originário de pagamento a maior de PIS do período de apuração 05/2000, no valor originário de R$ 62.424,87, diferença entre o pagamento no montante de R$ 102.412,83, à fl. 79, e a parcela do débito do correspondente período para o qual foi vinculado em DCTF, R$ 39.987,96 (conforme demonstrado em suas DIPJ e DCTF da época, às fls. 66 e 8184, respectivamente). Com base no alegado saldo credor originário, R$ 62.424,87, promoveu a compensação de débito de IRPJ, código de receita 23191 IRPJ Entidades financeiras/Estimativa mensal, do período de apuração 09/2003, no valor de R$ 99.380,39, por intermédio do PER/DCOMP nº 17414.52679.311003.1.3.040956. O Despacho Decisório que analisou o crédito pleiteado, porém, não homologou a compensação em razão da não localização do DARF nos sistemas da Receita Federal, conforme demonstrativo a seguir: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 62.424,87. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. CAMPO DARF VALOR CAMPO DO DARF VALOR PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/05/2000 VALOR DO PRINCIPAL: 189.466,62 CNPJ: 49.925.225/000148 VALOR DA MULTA: 0,00 CÓDIGO DE RECEITA: 4574 VALOR DOS JUROS: 0,00 NÚMERO DE REFERÊNCIA: 0 VALOR TOTAL DO DARF: 189.466,62 DATA DE VENCIMENTO: 15/06/2000 DATA DE ARRECADAÇÃO: 15/06/2000 D ante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 99.380,39 19.876,07 63.961,21: A Recorrente afirma em seu recurso que a não homologação pode ter ocorrido em virtude de erro no preenchimento de sua PER/DCOMP, vez que foi declarado como sendo o DARF do pagamento a maior o de valor R$ 189.466,62, quando o correto seria o DARF de R$ 102.412,83. O confronto entre as informações do mencionado DARF e as constantes do PER/DCOMP permite concluir ser procedente a alegação da Recorrente. Isso porque a análise pela Receita Federal sobre o crédito pleiteado foi feita de forma automática, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.900257/200886 Acórdão n.º 3301005.723 S3C3T1 Fl. 91 5 buscas, em sua base de pagamentos, das características do DARF informado no PER/DCOMP. Como não havia DARF no valor de R$ 189.466,62 na base de dados informatizada da Receita Federal, não teria como confirmálo e, conseqüentemente, verificar a suficiência de seu saldo disponível para a compensação desejada. COMPARATIVO DARF X PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CNPJ CÓDIGO DE RECEITA Nº DE REFERÊNCIA DATA DE VENCIMENTO VALOR PRINCIPAL VALOR DA MULTA VALOR DOS JUROS VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO DARF 31/05/2000 49.925.225/000148 4574 15/06/2000 102.412,83 0,00 0,00 102.412,83 15/06/2000 PER/DCOMP 31/05/2000 49.925.225/000148 4574 15/06/2000 189.466,62 0,00 0,00 189.466,62 15/06/2000 Partindose da constatação de erro no preenchimento do valor do DARF no PER/DCOMP, outra análise precisa ser feita, qual seja, a existência de saldo disponível do DARF em comento, que, segundo a Recorrente, seria de R$ 62.424,87, suficiente para extinguir o débito de IRPJ informado no PER/DCOMP. O extrato da DCTF do 2º Trimeste de 2000 da Recorrente, à fl. 81, expondo o débito de PIS do período de apuração 05/2000, no valor total de R$ 127.041,74, bem como seus respectivos créditos vinculados, permite afirmar que apenas uma parcela de R$ 39.987,96 do DARF em questão (valor total de R$ 102.412,83) foi vinculada ao referido débito, não sendo utilizada nessa declaração R$ 62.424,87. DCTF / 2º TRIMESTRE DE 2000 PIS MAIO/2000 DÉBITO APURADO 127.041,74 CRÉDITOS VINCULADOS Pagamento (39.987,96) Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior (87.053,78) SOMA DOS CRÉDITOS VINCULADOS (127.041,74) SALDO A PAGAR 0,00 Dados do DARF Período de Apuração 31/05/2000 Código do Tributo 4574 Vencimento 15/06/2000 Valor do Principal 102.412,83 Valor Pago do Débito 39.987,96 Tal fato, vinculação parcial de DARF em DCTF, não foi observado pela autoridade julgadora de primeiro grau, razão pela qual manteve a não homologação da compensação, conforme se percebe no trecho extraído daquela decisão, a seguir: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.900257/200886 Acórdão n.º 3301005.723 S3C3T1 Fl. 92 6 8.5. Ademais, do cotejo das informações (valores) constantes na DCTF Retificadora (R$ 127.041,74) e o arrecadado (R$ 102.412,83) exsurge, sem espaço para dúvidas e ao contrário do sustentado pela Manifestante, insuficiência de recolhimento para o tributo/período de apuração sob análise. No entanto, como bem destacado pela Recorrente, a autoridade administrativa, na busca da solução do litígio instaurado na fase administrativa, deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal, neste caso, sem ficar adstrita ao erro cometido pela Recorrente no preenchimento do PER/DCOMP, notadamente nas informações referentes às características do DARF que respaldariam o seu crédito. Em razão das constatações acima, concluise pela procedência da alegação da Recorrente quanto ao saldo de R$ 62.424,87, decorrente de pagamento a maior de PIS do período de apuração 05/2000, que pode ser utilizado no PER/DCOMP n.º 17414.52679.311003.1.3.040956. Diante do acima exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.721019/2009-86
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/11/2007
PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz.
PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, torna-se parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do Decreto-Lei nº 37/1966.
RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO ADUANEIRA.
Responde pela infração aduaneira qualquer pessoa, independente de sua intenção, que concorra para a sua prática ou dela se beneficie, de acordo com o teor do § 2º do art. 94 c/c o inciso I do art. 95, do Decreto-Lei nº 37/1966.
SÚMULA CARF Nº 90. APLICAÇÃO AO CASO.
Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11.
Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/11/2007 PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, torna-se parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do Decreto-Lei nº 37/1966. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO ADUANEIRA. Responde pela infração aduaneira qualquer pessoa, independente de sua intenção, que concorra para a sua prática ou dela se beneficie, de acordo com o teor do § 2º do art. 94 c/c o inciso I do art. 95, do Decreto-Lei nº 37/1966. SÚMULA CARF Nº 90. APLICAÇÃO AO CASO. Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10540.721019/2009-86
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986870
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.645
nome_arquivo_s : Decisao_10540721019200986.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10540721019200986_5986870.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7693229
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661706985472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 57 1 56 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.721019/200986 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.645 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de março de 2019 Matéria AI ADUANA MULTA Recorrente LUIZ EUGENIO SANTA CRUZ SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/11/2007 PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontrase válido e eficaz. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Tendo a contribuinte deixado de apresentar respostas às intimações lavradas pela fiscalização aduaneira, tornase parte legítima para figurar no polo passivo da exigência da conseqüente penalidade tipificada no art. 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/1966. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO ADUANEIRA. Responde pela infração aduaneira qualquer pessoa, independente de sua intenção, que concorra para a sua prática ou dela se beneficie, de acordo com o teor do § 2º do art. 94 c/c o inciso I do art. 95, do DecretoLei nº 37/1966. SÚMULA CARF Nº 90. APLICAÇÃO AO CASO. Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 10 19 /2 00 9- 86 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10540.721019/200986 Acórdão n.º 3002000.645 S3C0T2 Fl. 58 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "De acordo com o Auto de Infração (fls. 02/06), lavrado em 03/06/2009 contra o sujeito passivo acima identificado, tratase de multa regulamentar no valor de R$ 9.860,00, por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira. 2. Informa a autoridade tributária, para as matérias objeto do presente processo, que (fls. 04): “Multa aplicável por maço de cigarro ou unidade de produto relacionado no art. 1° do DecretoLei n ° 399/68, cumulativo a pena de perdimento pela prática de infração As medidas de controles fiscais relativas a fumo, cigarro, charuto, cigarrilha de procedência estrangeira. Mercadorias apreendidas pela Policia Federal, onde foram armazenadas na Superintendência Regional na Bahia e encaminhado para o Depósito de Mercadorias Apreendidas DMA da ALF/SDR BA, conforme Oficio n° 1083/2009 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10540.721019/200986 Acórdão n.º 3002000.645 S3C0T2 Fl. 59 3 DREX/SR/DPF/BA de 15/04/2009 e que segundo consta no LAUDO n° 1211/2007, fls. 04 e 05 totalizando 4.930 maços de cigarros das marcas BROADWAY e "DERBY". Fato Gerador Valor 29/11/2007 R$ 9.860,00”. 3. O referido Laudo no 1211/2007 – SETEC/SR/DPF/BA (fls. 08/13) foi emitido em 11/12/2007, pela Setor TécnicoCientífico (SETEC), da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Estado da Bahia, no interesse do Oficio no 06612007PENALJustiça FederalFeira de Santana/BA (ref. Processo 2007.33.04.019112 6), datado de 13/11/2007. DA IMPUGNAÇÃO 4. O sujeito passivo interpôs impugnação (fls. 18/24) alegando, em síntese, que: 4.1. segundo a Receita Federal, a infração teria ocorrido em 27/11/2007, porém nesta data não existe nenhum fato gerador pois não ocorreu nenhuma apreensão de cigarros em posse do citado cidadão, assim, o fato gerador é inconsistente, pois as mercadorias já estavam apreendidas desde 06/10/2006; 4.2. as mercadorias não pertencem ao cidadão ora autuado, sendo que a propriedade das mercadorias, bem como toda a responsabilidade sobre ela é da empresa W Presentes e Decorações Ltda, que contratou o Recorrente para efetuar o transporte de 55 (cinqüenta e cinco) volumes fechados em caixas de papelão, não tendo o contratante do serviço informado que, em meio a todos os produtos, haveria 10 caixas de cigarro; 4.3. o transportador não agiu com dolo de praticar ato ilícito; 4.4. existe desproporcionalidade em aplicar multa de R$ 9.860,00 (nove mil e oitocentos e sessenta reais) em face de um trabalhador que sobrevive honestamente, dirigindo uma velha Kombi, ano 1979, a qual sustenta uma família que vem sofrendo sérias privações pela falta da Kombi propulsora do sustento familiar." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), analisando as argumentações do contribuinte, julgou improcedente a Impugnação, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/11/2007 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10540.721019/200986 Acórdão n.º 3002000.645 S3C0T2 Fl. 60 4 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO TRANSPORTADOR. Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, assim como o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 47/50), no qual requereu, em preliminar, a ilegitimidade passiva e a nulidade do Auto de Infração, no mérito, a prescrição intercorrente. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão cingese a autuação fiscal para exigência de multa pecuniária por terem sidos apreendidos maços de cigarros importados sendo transportados sem prova da regular importação, restando, pois, o ora recorrente sujeito as penalidades previstas no parágrafo único do art. 3º do DecretoLei nº 399/68 e do art. 621 do Regulamento Aduaneiro/02, vigentes à época dos fatos: Art. 621. A pena de perdimento da mercadoria será ainda aplicada aos que, em infração às medidas de controle fiscal estabelecidas pelo Ministro de Estado da Fazenda para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10540.721019/200986 Acórdão n.º 3002000.645 S3C0T2 Fl. 61 5 fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de origem estrangeira, adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem tais produtos, por configurar crime de contrabando (Decretolei no 399, de 1968, arts. 2o e 3o e seu § 1o). Parágrafo único. A penalidade referida no caput aplicase, inclusive, pela inobservância de qualquer das condições referidas no inciso I do art. 540, para o desembaraço aduaneiro de cigarros (Lei no 9.532, de 1997, art. 50, parágrafo único). Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuírem ou consumirem qualquer dos produtos nele mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)) (grifo nosso) Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminares Nulidade do Auto de Infração Em seu Voluntário, a recorrente alegou que as mercadorias já estavam apreendidas desde 06/10/2006, sendo incorreta a afirmação de que, segundo a Receita Federal, a infração teria ocorrido em 27/11/2007, logo, tornando o fato gerador inconsistente e, por conseqüência, estaria, segundo a recorrente, configurada a nulidade do Auto de Infração. Conforme Auto de Infração, o presente lançamento tem como fato gerador as mercadorias (4.930 maços de cigarros), apreendidas pela Policia Federal, onde foram armazenadas na Superintendência Regional na Bahia e encaminhadas para o Depósito de Mercadorias Apreendidas DMA da ALF/SDR BA, tudo conforme o Oficio no 1083/2009 DREX/SR/DPF/BA (fl. 7), de 15/04/2009, e o Laudo n° 1211/2007, de 11/12/2007 (fl. 08/13). Não assiste razão à Recorrente, uma vez que, estando o fato gerador devidamente delimitado e corretamente descrito no Auto de Infração e nos demais documentos nele referenciados e considerandose que a data atribuída no Auto de Infração como data do fato gerador foi a data em que a perícia deslocouse ao município de Feira de Santana/BA, com o objetivo de proceder exame pericial nas mercadorias apreendidas, e que somente nesse Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10540.721019/200986 Acórdão n.º 3002000.645 S3C0T2 Fl. 62 6 momento foi atestada a procedência estrangeira das mercadorias, não se vislumbra qualquer vício a macular a peça de lançamento. Ademais, esclareçase que a Fazenda Pública possui 5 anos para a constituição de créditos tributários, sejam decorrentes do descumprimento da Obrigação Tributária Principal, sejam decorrentes do descumprimento de Obrigações acessórias, conforme teor do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifo nosso) Assim, o Auto de Infração foi lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, assim como não incorreu em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, logo, encontrase válido e eficaz. Ademais, a imposição da penalidade decorreu da inobservância da legislação de regência pelo sujeito passivo, fato inconteste. Isto posto, rejeito a preliminar de nulidade. Ilegitimidade Passiva A contribuinte alegou em sua defesa que não é parte legítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração, basicamente, por não ser o proprietário das mercadorias, apenas transportavaas para terceiros e desconhecia a sua irregularidade, assim como do que se tratava. De pronto, deixese consignado que tais alegações não tem o condão de excluir a responsabilidade do recorrente. Reproduzse os dispositivos pertinentes à questão existentes no DecretoLei nº 37/1966: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10540.721019/200986 Acórdão n.º 3002000.645 S3C0T2 Fl. 63 7 Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; ......................................................................................................... (grifo nosso) Com efeito, resta incontroverso nos autos que o recorrente transportava as mercadorias e que não possuía, nem posteriormente apresentou, a comprovação da sua regular importação. Dessa maneira, não há como negar que o recorrente concorreu para a prática da infração, quer soubesse ou não da irregularidade das mercadorias, quer fosse ou não o proprietário das mesmas. Assim, à luz dos dispositivos transcritos, a conduta do recorrente sujeitouo à penalidade prevista parágrafo único do art. 3º do DecretoLei nº 399/68, vigente à época dos fatos, e, portanto, correto tanto o lançamento realizado pela fiscalização aduaneira, como a decisão proferida pela primeira instância. Por fim, ressaltese que este Tribunal, após longa reflexão, especificamente, essa matéria, assentou entendimento uniforme através da edição da Súmula CARF nº 90, a qual foi atribuído efeito vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018: Súmula CARF nº 90 Caracteriza infração às medidas de controle fiscal a posse e circulação de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, sem documentação comprobatória da importação regular, sendo irrelevante, para tipificar a infração, a propriedade da mercadoria. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Isto posto, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10540.721019/200986 Acórdão n.º 3002000.645 S3C0T2 Fl. 64 8 Mérito Prescrição Intercorrente Tratemos, agora, da prejudicial de mérito apresentada pela contribuinte. Ressaltese que esta foi a única questão de mérito trazida por ela em sua peça recursal. Assim, a ora recorrente alegou a ocorrência da prescrição intercorrente no presente processo e requereu a aplicação, por analogia, do art. 173 do Código Tributário Nacional, o que, segundo ela, acarretaria a necessária declaração da insubsistência do Auto de Infração e a determinação do conseqüente arquivamento deste processo administrativo, instaurado para a aplicação da penalidade. Com efeito, deve ser rechaçada essa alegação recursal, pois não se aplica o instituto da prescrição intercorrente a processos administrativos fiscais, conforme teor da Súmula CARF nº 11, cujo efeito vinculante foi atribuído pela Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Dessa forma, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.721619/2010-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10410.721619/2010-63
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989594
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.871
nome_arquivo_s : Decisao_10410721619201063.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10410721619201063_5989594.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7698019
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661710131200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 104 1 103 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.721619/201063 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.871 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 26 de março de 2019 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MARIA DE LOURDES CABRAL DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 16 19 /2 01 0- 63 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10410.721619/201063 Acórdão n.º 2002000.871 S2C0T2 Fl. 105 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 15/18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2006. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$13.631,73 para R$2.196,99. Tal notificação decorreu da falta de comprovação da existência de moléstia grave, que justificasse a declaração de rendimentos isentos realizada pela contribuinte, resultando na apuração de omissão no valor de R$72.227,07. Impugnação Cientificada à contribuinte em 26/10/2010, a NL foi objeto de impugnação, em 24/11/2010, às fls. 2/14 dos autos, na qual a contribuinte afirmou que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria de portador de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que comprovaria ser ela portadora de mal de alzheimer. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 63/69): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECLARAÇÃO RETIFICADORA. Somente são isentos de tributação apenas os rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, A vigência da isenção é do mês da emissão do laudo ou parecer que reconheceu a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10410.721619/201063 Acórdão n.º 2002000.871 S2C0T2 Fl. 106 3 produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 28/2/2014 (fl. 71), o representante legal do espólio da contribuinte, em 28/3/2014 (fl. 73), apresentou recurso voluntário, às fls. 73/99, no qual alega, em apertado resumo, que: existiria nos autos laudo especializado emitido em 1/10/2010 por psiquiatra, o qual o relator da decisão recorrida não teria informado seu inteiro teor. caberia ao Fisco, em caso de dúvida, buscar a verdade junto à profissional que cuidava da contribuinte as explicações necessárias e à perícia oficial emitente do laudo juntado. constaria dos documentos juntados o início da doença em 4/5/2004. o laudo juntado consignaria que a contribuinte vinha sofrendo com a doença há seis anos, ou seja, desde 2004. jurisprudência judicial reconheceria validade a laudos médicos particulares. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos auferidos pela recorrente, os quais ela alega seriam isentos, uma vez que provenientes de aposentadoria, reforma e pensão e ela seria portadora de moléstia grave. Sobre o assunto, trago as súmulas CARF nos 43 e 63, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 43 Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10410.721619/201063 Acórdão n.º 2002000.871 S2C0T2 Fl. 107 4 provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O colegiado de primeira instância consignou que a contribuinte não apresentara laudo médico que atendesse os requisitos da norma, conforme trecho a seguir reproduzido: 8.5 Quanto a alegação da representante legal da contribuinte, que o laudo especializado assinado pela Dra. Cristina de Lima Coimbra, CRm 52309, datado de 01/10/2010, afirmando que a contribuinte e portadora de lesão mental há seis anos, não prospera, pois não consta do laudo tal conclusão. Ademais, o referido documento não há estes termos e o mesmo não está revestido das formalidades prevista em Lei, por não ser emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 9. Ainda, com relação ao documento expedido pela Junta Médica do Exercito, a própria fonte pagadora não considerou os rendimentos da pensão recebida pela contribuinte como rendimentos isentos, no anocalendário de 2010, a partir da data da emissão da Ata de Inspeção Médica, conforme pesquisa ao Sistema DIRF. No recurso voluntário, o representante legal insiste na validade do laudo emitido pela médica responsável pelo tratamento da contribuinte (fls.51/52). Não obstante, como consignado na decisão recorrida, a legislação de regência exige que o laudo comprobatório da moléstia seja emitido por serviço médico da União, dos Estados, do Município ou do Distrito Federal. Nesse sentido, o laudo emitido por instituição oficial não indica a existência de moléstia tipificada em lei (fl.43), além de ter sido emitido em 2010 e não indicar a data de início da doença. Isto posto, não há reparos a se fazer à decisão de piso, a qual adoto, sendo de se manter a autuação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.921906/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS/COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL.
Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000.
O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência).
PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa.
PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002).
Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens.
PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa.
DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72).
Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS.
O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo.
Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.226
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.921906/2012-05
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5991034
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.226
nome_arquivo_s : Decisao_10880921906201205.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880921906201205_5991034.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7703375
ano_sessao_s : 2019
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002). Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa. DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS. O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo. Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador. Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661714325504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2177; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.921906/201205 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.226 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria RESSARCIMENTO PIS/COFINS Recorrente MERCANTIL FARMED LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/COFINS. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 3º, I, "b" e do art. 2º, §1º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, é vedado o creditamento das contribuições de PIS/Cofins dos bens adquiridos para revenda no caso de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal especificados no inciso I do art. 1º da Lei no 10.147/2000. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis. Tal dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem naquela situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). PIS/COFINS. STJ. CONCEITO ABSTRATO. INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito abstrato de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002) deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. COMERCIALIZAÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 19 06 /2 01 2- 05 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 2 O transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda (arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003) ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo (incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002). Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. PIS/COFINS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 está restrita aos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado destinados para locação a terceiros, produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços; não sendo cabível na hipótese de máquinas ou equipamentos utilizados na atividade comercial da empresa. DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente sequer contestou os fundamentos dessa decisão nesta parte. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRODUÇÃO DE PROVAS. O processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. 1046, §2º expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplica as normas do CPC apenas em caráter supletivo. Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade/impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador. Recurso Voluntário negado Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 3 Direito Creditório não reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento/compensação de valores credores de contribuição não cumulativa vinculados à receita do mercado interno. A fiscalização concluiu pela inexistência dos créditos pleiteados, razão pela qual foi emitido Despacho Decisório pela autoridade administrativa, indeferindo o pedido de ressarcimento apresentado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados, objeto das seguintes rubricas: a) Mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas; b) Despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica; c) Despesas com fretes nas transferências de mercadorias entre estabelecimento da empresa; d) Depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado; e e) Outras operações com direito a crédito. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10052.454. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: a) Creditamento do PIS e da COFINS com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas b) Despesas incorridas com frete nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da empresa c) Creditamento de PIS e COFINS referente à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 4 d) Comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica e) Créditos rubricados como "outras operações com direito a crédito" É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.223, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.921905/201252, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.223): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. a) Creditamento do PIS e da Cofins com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas Como consta na Informação Fiscal que fundamentou o Despacho Decisório, em relação aos bens para revenda, foram glosados os créditos relativos às aquisições dos seguintes produtos: 1) produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto ne 4.542, de 26 de dezembro de 2002: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; 2) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, da Tipi; Tais créditos foram glosados em face da vedação contida no art. 3º, I, "b" e no art. 2º, §1º, II da Lei nº 10.637/2002 (disposição idêntica na Lei nº 10.833/2003) c/c o inciso I do art. 1o da Lei no 10.147/2000, abaixo transcritos: Lei nº 10.637/2002: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II no inciso I do art. 1o da Lei no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei no 10.147/2000: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições (...) serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 6 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Como se vê, a matéria não oferece maiores dificuldades, tratandose de vedação expressa em lei ao creditamento das contribuições sob a rubrica bens para revenda para os produtos específicos adquiridos pela ora recorrente. De outra parte entende a recorrente que tem direito a esses créditos com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. No entanto, o dispositivo acima não tem o alcance pretendido pela recorrente, possibilitando a manutenção apenas do crédito da contribuição já existente para aquela operação, ou seja, previsto na legislação para determinado bem na situação fática específica, mas que foi aplicado em produto cuja receita de venda não é tributada (suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência). Há que se salientar também que, no caso específico, a fundamentação para a glosa sobre as aquisições de bens para revenda não foi o fato de as receitas de vendas não serem tributadas, mas a existência de vedação legal ao creditamento nas aquisições dos determinados produtos. No mais, mesmo que se adotasse uma interpretação extensiva do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o que esta Relatora entende não ser cabível, a norma genérica, que permitiria a manutenção dos créditos nas vendas com alíquota zero, não poderia derrogar a norma específica que veda expressamente o crédito nas aquisições dos produtos sob análise, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 7 § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. (...) No que concerne às alegações da recorrente relativas a Medida Provisória nº 413/2008 e sua conversão na Lei nº 11.727/2008, é de se esclarecer que também não se discute aqui a possibilidade, em tese, de aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 em relação aos custos, despesas e encargos dos distribuidores, comerciantes ou varejistas de produtos farmacêuticos, mas, obviamente, que somente haverá o efetivo direito ao creditamento quando este esteja previsto em relação a operação concretizada. Dessa forma, em face da vedação legal acima descrita, não há possibilidade de reverter a glosa relativa aos bens adquiridos para revenda. Relativamente às devoluções de venda, as glosas foram assim justificadas pela fiscalização: De acordo com o inciso VIII, art. 3° das leis 10.637/2002 e 10.833/20031, só são passiveis de desconto de créditos os "bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei" (g.n.). Na listagem apresentada pelo contribuinte, segregada por matriz e filiais, foram constatadas notas fiscais de devolução de produtos TRIBUTADOS A ALIQUOTA ZERO (mercadorias do inciso I, art. 1° da Lei n° 10.147, de 2000). Essas notas foram excluídas da apuração dos créditos, assim como as devoluções em que não foram apresentados os NCM dos produtos. Como se denota, tratase também de vedação expressa em lei de creditamento sobre a operação de devolução correspondente à venda cuja receita não foi anteriormente tributada. Da mesma forma, a norma genérica veiculada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não poderia revogar a norma 1 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; (...) Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 8 específica que veda expressamente o crédito nas devoluções de vendas cujas receitas não foram anteriormente tributadas. Assim, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. b) Despesas incorridas com frete nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da empresa Sustenta a recorrente a legitimidade de seu crédito sobre as despesas de fretes incorridas na transferência de produtos entre seus estabelecimentos com base nos arts. 3o, inciso IX e 15 da Lei 10.833/2003. Alega que "promove a transferência de mercadorias entre suas filiais por razões logísticas, a fim de facilitar a destinação à futura operação de venda, otimizando o tempo e os custos com o transporte nessas operações". Entende também que as despesas com frete interno estariam abrangidas pelo conceito de insumo, o qual deveria ser considerado de forma ampla, de modo a contemplar a totalidade dos dispêndios essenciais para a operação da empresa, do qual resulta a geração de sua receita e faturamento. Por fim, acrescenta a recorrente que: 36. Nesse sentido, os custos de frete interno devem ser entendidos como parte integrante do frete de venda, cujo desconto de créditos é permitido, uma vez que os custos com a saída dos bens entre os estabelecimentos da Recorrente, para futura comercialização pelo vendedor, correspondem, na realidade, a uma parcela dos custos totais que a empresa incorre para que os produtos vendidos sejam entregues aos clientes, sendo que o envio para as empresas da Recorrente tem o intuito tão somente de facilitar, do ponto de vista logístico e comercial, tal deslocamento. 37. Ademais, foi ignorado pelo V. Acórdão recorrido que as despesas com o frete interno são indispensáveis para a comercialização dos bens, já que sem a transferência dos produtos entre os estabelecimentos da Recorrente, a venda aos clientes restaria comercialmente dificultada em razão, entre outros, do aumento de custos e do tempo da chegada dos produtos até o cliente. 38. Assim, verificase que existe uma inerência entre as despesas com frete interno incorridas pela Recorrente e a venda futura das mercadorias, o que gerará a receita tributável pelo PIS/COFINS. Portanto, não há como se negar o direito ao desconto de créditos de PIS/COFINS sobre tais despesas com fretes. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 9 10.833/2003; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15, II da Lei n° 10.833/2003. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No caso específico do presente processo, interessa analisar a possibilidade de enquadramento nas hipóteses ii) frete na operação de venda ou iii) frete como insumo. Ao que se deduz do relato da recorrente, os fretes contestados não se caracterizam como frete na operação de venda entre o estabelecimento do vendedor e o do comprador, mas de frete transferência de produtos entre as suas filiais. Conforme disposto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a empresa pode descontar créditos calculados em relação a "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". De forma que não encontra amparo nesse dispositivo legal a pretensão de creditamento sobre as despesas que não são de "frete na operação de venda", mas de deslocamento de produtos destinados a venda, por razões logísticas, entre seus próprios estabelecimentos. Melhor sorte não assiste à recorrente quanto à possibilidade de enquadramento no conceito de insumo das despesas de frete de transferência de produtos entre suas filiais. Adotase aqui o entendimento delineado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, no sentido de que o conceito abstrato de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. Não obstante o conceito mais amplo de insumo do STJ no REsp nº 1.221.170/PR, no que interessa aos autos, conforme declarações da recorrente, resta evidente que os fretes de transferência entre os estabelecimentos da recorrente dãose no interesse da comercialização dos produtos, e não do processo produtivo em si, assim considerado aquele que origina o produto final ou concernente à execução do serviço, o que afasta a possibilidade de creditamento de tais despesas como insumos. Este Colegiado decidiu recentemente, no Acórdão nº 3402006.026, de 12 de dezembro de 2018, sob relatoria desta Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 10 Conselheira (Voto abaixo transcrito), no sentido de que os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens, de forma que o conceito de insumo deve ser aferido somente em relação a estas duas atividades, ou seja, os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço: Atividade de comercialização de mercadorias versus conceito de insumos Ao que se observa da leitura dos incisos I e II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/20022, em relação à "revenda" de mercadorias, só há o direito ao desconto de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os próprios "bens adquiridos" para revenda (inciso I), enquanto que "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda", há direito ao aproveitamento de créditos sobre todos os "bens e serviços, utilizados como insumo" nessas atividades (inciso II), sendo que aqui o conceito de insumo deve ser buscado no REsp nº 1.221.170/PR. Como se denota da redação dos incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, a preposição "na" que sucede a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo" e que antecede os termos "prestação de serviços" 2 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 11 e "produção ou fabricação" delineia o entendimento de que os bens e serviços que serão objeto de creditamento são aqueles utilizados como "insumo" nessas duas atividades, seja lá qual for o conceito de insumo a ser adotado pelo intérprete. De outra parte, nesse dispositivo legal (incisos II), a referência a "bens ou produtos destinados a venda" na segunda atividade geradora de crédito ("produção ou fabricação") está a dizer que o creditamento diz respeito ao processo produtivo do bem ou produto "destinado a venda", ou seja, ao processo produtivo do qual resultarão os bens ou produtos a serem vendidos, e não à atividade posterior de vendas. Contudo, considerando os critérios definidos pela Ministra Regina Helena Costa em seu voto no REsp nº 1.221.170/PR, em especial, o da relevância mais abrangente do que o critério da pertinência , não se pode descartar por completo a hipótese excepcional de uma despesa posterior ao processo produtivo vir a ser também considerada insumo: Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. Ainda que caiba, dentro do conceito de insumos, a discussão casuística acerca de algumas despesas posteriores ao processo produtivo, na mera comercialização de mercadorias que não foram produzidas ou fabricadas pela contribuinte, atividade preponderante da ora recorrente, somente há o direito ao creditamento sobre os próprios bens adquiridos para revenda, com base nos incisos I dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002, mas não com base nos incisos II desses artigos, pois ausente o processo produtivo de prestação de Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 12 serviços ou de produção ou fabricação de bens requerido neste inciso. Os incisos II dos arts. 3o das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam a atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente a prestação de serviços e a produção ou fabricação de bens. Tratase da prerrogativa do legislador ordinário de conferir tratamento privilegiado a determinados segmentos que seriam merecedores dentro do contexto econômico e social do País. Não se deve olvidar que cabe ao agente administrativo aplicar a lei tal como promulgada, sem estender seus efeitos para hipóteses nela não previstas. Nesse sentido já decidiu este CARF em face da própria contribuinte no Acórdão nº 3403003.306, de 14 de outubro de 2014, mediante voto vencedor do Conselheiro Rosaldo Trevisan, proferido nos seguintes termos: (...) Em face da Súmula CARF nº 2, não pode se distanciar o julgador dos comandos legais que disciplinam a matéria, os artigos 3º, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que permitem créditos em relação a: "II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)" (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo [artigos 3º, II das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003] torna inequívoco que só bens e serviços podem ser insumos, e que tais “bens e serviços” para serem considerados insumos, devem ser utilizados: (a) na prestação de serviços; ou (b) na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Trabalha, assim, o texto legal, indubitavelmente, com duas categorias: “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. Assim, não se pode conceber o alargamento vislumbrado no excerto transcrito do voto do relator, que acrescenta a estas outras categorias, carentes de previsão legal. E sustentar que a lei restringiu indevidamente a não cumulatividade constitucionalmente assegurada no § 12 do artigo 195 é atentar contra o próprio teor de tal dispositivo constitucional, que remete a disciplina à “lei”. Ademais, esbarrase novamente no teor da já citada Súmula CARF nº 2, que impede seja um texto legal vigente considerado inconstitucional por este tribunal administrativo. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 13 Acrescentese que o fato de as mesmas Leis nº 10.637/2002 e no 10.833/2003 contemplarem a revenda em inciso diverso (art. 3º, I) não permite concluir que também no inciso II se estaria a tratar da atividade de revenda, considerandoa ao lado ou até dentro da “produção/fabricação” ou “prestação de serviços”. Seria novamente um alargamento carente de fundamento legal. Não se pode generalizar a conclusão de que as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 permitem créditos apenas ao setor industrial ou de prestação de serviços (créditos estes que deveriam ser estendidos aos demais setores por isonomia ou analogia, independente da existência de lei que o autorizasse). Ambas as leis (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) tratam de créditos também a outros setores. Mas não o fazem especificamente nos incisos II dos arts. 3º, que, como aqui já detalhado, versam restritivamente sobre “produção/fabricação” e “prestação de serviços”. (...) Passase agora a analisar cada glosa especificamente contestada dentro do conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR. (...) (b) Despesas com frete, incluindo as despesas com combustível e manutenção da frota (código 10103 e 10113 do SPEDContribuições) (...) Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 14 Embora haja construção jurisprudencial no CARF3 no sentido de admitir o desconto de créditos relativos ao frete em algumas hipóteses específicas, na situação retratada pela recorrente, de frete ou gastos de transporte de produtos para revenda, fora do contexto da prestação de serviços ou da produção de bens, não se cogita de creditamento a título de insumo. Também não socorrem a recorrente os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03, eis que não comprovado, que se trataria de legítima hipótese de frete na operação de venda ou revenda entre o estabelecimento da recorrente e da adquirente. O transporte de produtos entre os estabelecimentos da recorrente ou até determinado ponto para posterior revenda, que não se refere ao próprio transporte do produto revendido para o estabelecimento adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012. Eventuais despesas com transporte ou frete anteriores ao frete na operação de revenda, que o viabiliza, podem ser caracterizadas como despesas com vendas, para as quais não há previsão legal de creditamento. 3 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 15 Com relação às despesas com combustível e manutenção da frota, como já mencionado, também não há possibilidade de creditamento das contribuições como insumos na atividade comercial varejista. Assim, devem ser mantidas as glosas de despesas de transporte (frete, combustível e manutenção) deste tópico. Dessa forma, o transporte de bens destinados a venda entre os estabelecimentos da recorrente, sem vinculação com o processo produtivo em si, que não se refere também ao deslocamento do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra nas hipóteses permissivas de creditamento de frete na operação de venda ou de serviço utilizado como insumo no processo produtivo. A decisão recorrida deve ser mantida também neste tópico. c) Creditamento de PIS e Cofins referente à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado Com relação aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, argumenta a recorrente que: 46. Contudo, o V. Acórdão recorrido novamente baseou se em critérios restritivos do direito ao creditamento de PIS e COFINS pelos contribuintes,deixando de analisar a natureza da atividade da Recorrente, desenvolvida mediante a utilização dos equipamentos tratados no referido despacho decisório,o que a legitima, portanto, a apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação relativos a estes equipamentos. 47. Nesse sentido, em que pesem as atividades da Recorrente sejam classificadas como comerciais, há que se reconhecer, contudo, que a utilização dos equipamentos em análise implica diretamente na elaboração das operações da Recorrente, o que não foi reconhecido pelo V. Acórdão recorrido. Como se sabe, os encargos de depreciação não são passíveis de creditamento como insumo (incisos II dos arts. 3º das referidas Leis), eis que o correspondente crédito é previsto em outro inciso. Não assiste razão à recorrente quanto à possibilidade de creditamento com base nos incisos VI e §1º, III dos artigos 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, os quais preveem o desconto de créditos para os encargos de depreciação somente para as "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" [grifei], mas não para a atividade comercial da recorrente. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 16 Assim, descabe reverter a glosa dos encargos de depreciação. d) Comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica Relativamente às despesas de aluguel, assim decidiu o julgador a quo: Por sua vez a contribuinte registrou ter apresentado os comprovantes de pagamento do valor da locação do imóvel que ensejou a apuração dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, mas que não havia localizado cópia do contrato de locação. Disse ter localizado em seus arquivos remotos o contrato de locação em referência, entendendo que tal comprova seu direito aos créditos. Entretanto, afirmou a Fiscalização que a empresa apresentou comprovantes de pagamento apenas para o período março a dezembro de 2007, atentandose que o presente processo se refere ao 2º trimestre de 2006, para o qual não houve comprovação do pagamento da despesa em questão. Observese, ainda, que na planilha de fl. 81 a Fiscalização nada apurou a título de despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, o que não foi questionado, de forma direta e objetiva, pela contribuinte. Disso decorre que a contribuinte não tem razão quanto ao presente item, devendo ser mantido o entendimento constante da informação produzida pela Fiscalização, nada devendo ser alterado no Despacho Decisório. O documento acostado à Manifestação de Inconformidade (doc. 06) tratase de Contrato de Locação com a empresa NEWSERV ADM. COM. E SERVIÇOS LTDA. cujo prazo é "03 (três) anos, com início a 01 de Agosto de 2005 e a terminar em 31 de Julho de 2008". Assim, ocorreu que, no procedimento fiscal foram apresentados apenas comprovantes de pagamento para o período março a dezembro de 2007, tendo sido acusada, na Informação Fiscal, a falta de comprovação de utilização do imóvel nas atividades da empresa e do contrato de locação, o qual veio a ser apresentado na Manifestação de Inconformidade. Com efeito, para o período específico sob análise no presente processo (01/04/2006 a 30/06/2006), faltaria ainda apresentar a comprovação dos pagamentos dos alugueis e da utilização do imóvel nas atividades da empresa. No recurso voluntário (parágrafos 56. a 59.), a recorrente apenas repisa os exatos termos da Manifestação de Inconformidade (parágrafos 20. a 23), nada argumentando acerca da decisão recorrida. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 17 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destinasse a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Do julgador do CARF é esperado que ele decida motivadamente em consonância com os argumentos e provas apresentados pela recorrente, cotejandoos com os demais elementos dos autos. Certamente que não seria tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do direito creditório da contribuinte mencionada na decisão recorrida quando a própria recorrente não se deu ao trabalho de sequer contestar os fundamentos dessa decisão nesta parte. Dessa forma, diante da ausência no recurso voluntário de elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida quanto à glosa de despesas de aluguel no período de apuração do presente processo, ela há de ser mantida. e) Créditos rubricados como "outras operações com direito a crédito" Relativamente a esta rubrica, assim consta na Informação Fiscal: 7) OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CREDITO A partir de janeiro/2007 o contribuinte passa a apurar créditos em relação a rubrica "outras operações com direito a crédito". Foi então intimado, a partir do Termo de Intimação Fiscal n 1, item 5, a informar a origem dos valores apresentados na referida rubrica, sendo que não foram apresentados quaisquer esclarecimentos quanto aos valores pleiteados. Sendo assim, esses valores foram integralmente excluídos da apuração dos créditos de PIS e Cofins nãocumulativo: (...) No recurso voluntário, a recorrente apenas repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade no sentido de que ainda não teria localizado a documentação que comprovaria a ocorrência desses dispêndios, requerendo o direito à futura produção de prova sobre este item. No entanto, como se sabe, o processo administrativo tem um rito diferenciado do procedimento adotado no âmbito do Código de Processo Civil, o qual, no seu art. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 18 1046, §2º4, expressamente preservou a vigência das disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis. Conforme se denota na leitura do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 abaixo, em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a impugnação ou a manifestação de inconformidade, não há qualquer previsão de autorização para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador nas situações cabíveis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em 4 Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições se aplicarão desde logo aos processos pendentes, ficando revogada a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. (...) § 2º Permanecem em vigor as disposições especiais dos procedimentos regulados em outras leis, aos quais se aplicará supletivamente este Código. (...) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.921906/201205 Acórdão n.º 3402006.226 S3C4T2 Fl. 0 19 que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ademais, no período específico deste processo, a contribuinte não apurou créditos em relação à rubrica "outras operações com direito a crédito", o que passou a ser feito no Dacon somente a partir de janeiro/2007. Dessa forma, não cabe reforma também nesta parte da decisão recorrida e indeferese o pedido da recorrente de futura produção de prova, considerandose também o pedido de perícia não formulado, nos termos do art. 16, §1º do Decreto nº 70.235/72, por deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV desse artigo. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.722701/2017-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-001.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10320.722701/2017-91
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970030
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-001.095
nome_arquivo_s : Decisao_10320722701201791.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10320722701201791_5970030.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7646664
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661725859840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 69 1 68 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.722701/201791 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.095 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente JOSE RAIMUNDO LINDOSO CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 27 01 /2 01 7- 91 Fl. 69DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pelo Contribuinte de R$ 5.146,34 para R$ 297,16, de imposto de renda pessoa física a pagar, acrescido da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2015. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão de não ter provado a decisão judicial que homologou a pensão alimentícia, especialmente no que se refere à fixação do valor da obrigação alimentar. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à dedução do imposto referente à pesão alimentícia paga por falta de comprovação, nos termos que segue: Conforme já relatado o processo trata de impugnação contra a glosa do valor de R$ 19.794,54, referente à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. O contribuinte discordou da glosa, apresentando, como prova do pagamento da pensão alimentícia, comprovantes de rendimentos, fls. 5 e 7, onde constam deduções a este título que totalizam R$ 19.796,74. O impugnante não apresentou decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública que fixasse o valor da pensão alimentícia. Esclarecese que somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, comprovadamente decorrentes de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escrituração pública. Para fins tributários, não basta que a decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública assinalem o tema da pensão alimentícia, devendo, para fins de despesa dedutível, estar fixado o valor da pensão alimentícia ou o percentual que incidirá, a este título, sobre os rendimentos do alimentante. A legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da Declaração Anual de Ajuste, a possibilidade de deduzir da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados a título de Pensão Alimentícia judicial, incorridos durante o anocalendário, senão vejamos: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10320.722701/201791 Acórdão n.º 2001001.095 S2C0T1 Fl. 70 3 (...) Portanto, são dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de Pensão Alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Para fins tributários, não basta que a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou ainda a escritura pública assinalem o tema da pensão alimentícia, devendo, para fins de despesa dedutível, estar fixado o valor da pensão alimentícia ou o percentual que incidirá, a este título, sobre os rendimentos do alimentante. Observese ainda que há limitações para o uso de escrituração pública conforme art. 733 da Lei nº 13.105/2015 (novo CPC), in verbis: (...) O autuado apresentou comprovantes de rendimentos onde constam descontos a título de pensão, mas não apresentou qualquer documento (decisão judicial/acordo homologado judicialmente/escritura pública) que comprovasse os valores a serem pagos a este título. Portanto, voto por considerar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário lançado. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário ao valor de R$ 297,16, mais multa e juros de mora. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: José Raimundo Lindoso Campos, portador do CPF nº 023.581.313 34, parte interessada nos processos acima citado, vem por meio deste, requerer a impugnação da glosa de despesa com Pensão, efetuada pela Autoridade Lançadora que justificou essa glosa pela ausência de Decisão Judicial que comprovasse a mesma. Para tanto anexamos a este a Sentença Judicial que determinou o desconto em folha de pagamento da Pensão judicial, desta forma saneando a pendência apontada. Solicito também que com o acatamento deste recurso, a Declaração de Ajuste Anual 2015/2016 objeto dessa demanda, seja acatada da forma originalmente apresentada. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Destaquese que a ciência do Acórdão da DRJ aconteceu em 02.03.2018, fl. 41, e o protocolo de recebimento do Recurso Voluntário e documentação complementar em 29.03.2018, fl. 44. A Autoridade Fiscal sustenta suas afirmações com base na ausência de comprovação o que foi confirmado na decisão da DRJ, nos seguintes termos: O contribuinte não atendeu a intimação no item de fixação do valor da pensão em escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente motivo da glosa dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia. Glosa do valor de R$ 19.794,54, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. PENSÃO ALIMENTÍCIA O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10320.722701/201791 Acórdão n.º 2001001.095 S2C0T1 Fl. 71 5 II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Decreto nº 3.000/99. Art. 77. (...) § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. O pagamento da pensão alimentícia foi realizado com base no cumprimento da decisão judicial que homologou o acordo no percentual de 10% dos rendimentos de todas Fl. 73DF CARF MF 6 as fontes pagadoras do Recorrente, cuja decisão homologatória consta da fl. 53/64 dos autos, juntados em sede de Recurso Voluntário em complementação dos documentos inicialmente apresentados à Fiscalização. Ocorre que os documentos apresentados por ocasião da verificação fiscal não foram aceitos como prova oficial da existência de decisão judicial, visto tratarse de documento de informação dos descontos efetuados pelas fontes pagadoras, embora se tratando de órgãos públicos, com fé pública, que somente poderiam estar cumprindo decisão oficial judicial. Todavia, a negativa de aceitação daqueles documentos pela Fiscalização restou superada em vista da juntada dos documentos que comprovam a decisão judicial da pensão alimentar concedida, especialmente quanto ao quantitativo que obriga ao alimentante, fls. 57 e 61, por desconto em folha de pagamento, sendo assim permitida a dedução do imposto de renda conforme constou em sua Declaração de Ajuste Anual – DAA apresentada referente ao anocalendário de 2015. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou elementos probantes da existência material da pensão alimentícia homologada no judiciário, conforme exigidos pela legislação tributária. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, para exclusão do crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
