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Numero do processo: 10880.900054/2008-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015).
Numero da decisão: 9101-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 00 54 /2 00 8- 28 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 9101003.242 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de Pedido de Compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 2000, apresentado em 31/10/2003. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo não homologou as compensações. Após a apresentação de manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve a decisão da DRF. O contribuinte apresentou recurso voluntário que foi acolhido parcialmente pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi movimentado para a Procuradoria que apresentou recurso especial por divergência na interpretação da lei tributária a respeito do prazo para repetição de indébito na forma do artigo 168, do Código Tributário Nacional. O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho: Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. A divergência é patente: o acórdão recorrido firmou entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a restituição O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 9101003.242 CSRFT1 Fl. 4 3 de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. Por sua vez no paradigma, o colegiado entendeu que esse prazo é sempre de 5(cinco) anos contados do anocalendário que o saldo foi apurado. Destarte, em vista do exposto DOU SEGUIMENTO ao recurso especial. O contribuinte foi intimado para apresentar contrarrazões ao recurso especial, sem que tenha apresentado qualquer manifestação. É o relatório. Voto Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.240, de 09.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.900061/200820. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.240): O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. De toda forma, não conheço do recurso especial, conforme razões a seguir. A Procuradoria sustenta a contrariedade do acórdão recorrido ao artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Para julgamento da matéria, sobreleva considerar a previsão dos artigos 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, que prescrevem: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 9101003.242 CSRFT1 Fl. 5 4 inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ao assim dispor, o citado artigo 4º tinha por finalidade atribuir eficácia retroativa à inovação veiculada pelo artigo 3º. Com efeito, o artigo 106, do Código Tributário Nacional é nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; O Supremo Tribunal Federal decidiu em sessão do Pleno, aplicando a sistemática do artigo 5453B, do Código de Processo Civil, que: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 9101003.242 CSRFT1 Fl. 6 5 aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Tribunal Pleno, Recurso Extraordinário nº 566.621, DJe 10/10/2011, Rel. Ministra Ellen Gracie) Os Conselheiros deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais devem reproduzir as decisões do Supremo Tribunal Federal, tomadas com fundamento no artigo 543B, do antigo CPC/1973, na forma do artigo 62, §2º, do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ressaltese, ainda, que a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/06 pode ser proclamada por este Colegiado em observância ao próprio RICARF (Portaria MF nº 343/2015), termos do artigo 62, §1º, I e II, alínea b: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0 II que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; O citado dispositivo regimental encontra fundamento no artigo 26A, do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 9101003.242 CSRFT1 Fl. 7 6 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pois bem. Diante disso, entendo necessário adotar o entendimento do STF no julgamento acima, que reconheceu: (i) que a LC 118/2005 não é interpretativa, tendo alterado o prazo para restituição de indébito de 10 anos (contados do fato gerador), para 5 anos (do pagamento indevido). (ii) a segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/05, é inconstitucional; (iii) o novo prazo para restituição de indébito (5 anos) só seria aplicável às ações ajuizadas a partir de 9/06/2005. Cumpre destacar, ainda, que o CARF aprovou Enunciado de Súmula em sentido similar, dispondo que: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso destes autos, a Turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para assegurar o direito à compensação de saldo negativo acumulado no 3º trimestre de 2000 (desde 1996) quanto às compensações realizadas em 2003. O recurso especial da Procuradoria não se coaduna com o entendimento do Pleno do Supremo Tribunal Federal, conforme acórdão acima colacionado, como tampouco com a Súmula 91 do CARF. Diante disso, voto por não conhecer o recurso especial da Procuradoria, nos termos do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.900054/200828 Acórdão n.º 9101003.242 CSRFT1 Fl. 8 7 Por tais razões, não conheço o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo o acórdão recorrido. O processo deve retornar à unidade de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão da Turma a quo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 275DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900023/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Declaração de Compensação Ano-calendário: 1998 Ementa: SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO EM EXERCÍCIOS. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. A utilização do crédito tributário referente ao saldo negativo do IRPJ ou da CSLL tem como regra a compensação e exceção o pedido de restituição. A faculdade conferida ao contribuinte de requerer restituição do saldo negativo não pode ser compreendida como sendo marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de períodos sucessivos de prejuízos fiscais o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase pré-operacional, em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-000.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para exame das demais questões relacionadas ao mérito. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Declaração de Compensação Ano-calendário: 1998 Ementa: SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO EM EXERCÍCIOS. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. A utilização do crédito tributário referente ao saldo negativo do IRPJ ou da CSLL tem como regra a compensação e exceção o pedido de restituição. A faculdade conferida ao contribuinte de requerer restituição do saldo negativo não pode ser compreendida como sendo marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de períodos sucessivos de prejuízos fiscais o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase pré-operacional, em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. Recurso voluntário parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2062; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900023/200862 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.650 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de agosto de 2011 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BENTELLER ESTAMPARIA AUTOMOTIVA Recorrida 5ª TURMA DRJ CAMPINAS SP Assunto: Declaração de Compensação Anocalendário: 1998 Ementa: SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO EM EXERCÍCIOS. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. A utilização do crédito tributário referente ao saldo negativo do IRPJ ou da CSLL tem como regra a compensação e exceção o pedido de restituição. A faculdade conferida ao contribuinte de requerer restituição do saldo negativo não pode ser compreendida como sendo marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de períodos sucessivos de prejuízos fiscais o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase préoperacional, em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para exame das demais questões relacionadas ao mérito. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Fl. 120DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10830.900023/200862 Acórdão n.º 140200.650 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP n° 29572.37417.260204.1.3.028545, transmitida em 26/02/2004, para extinção de débitos no valor principal de R$ 200.827,37, com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/01/1998 a 31/12/1998, no valor de R$ 118.861,48 (fls. 36/40). Por meio do despacho decisório de fl. 49, proferido em 07/03/2008 e cientificado à recorrente em 14/03/2008 (fl. 48) a referida declaração de compensação não foi homologada pela autoridade fiscal, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 26/02/2004 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 118.861,48 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima Identificado. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos Indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 200.827,37 40.165,45 150.157,14 ....” Irresignada, a parte interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 02/19, em 14/04/2008, insurgindose em relação à aplicação retroativa da Lei Complementar n° 118, de 2005, e sustentando, nos termos do artigo 168, I c/c artigo 156, VII do CTN, a possibilidade de compensação dentro dos 5 (cinco) anos contados a partir da Fl. 121DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10830.900023/200862 Acórdão n.º 140200.650 S1C4T2 Fl. 3 3 extinção do crédito tributário, verificada após o decurso do prazo previsto no artigo 150, § 4°, do CTN, para homologação do lançamento. A DRJ, no acórdão de fls. 75/79, indeferiu a solicitação da contribuinte, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. O direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 10 do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. UTILIZAÇÃO DE INDÉBITO. FORMA. A mera apuração de saldo negativo em DIPJ não equivale a pedido de restituição, mormente na vigência de legislação que autorizava a utilização de indébito desta natureza com tributos de mesma espécie, independentemente de pedido. Solicitação Indeferida” Intimada em à fl. 80, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 81/89, cuja data do protocolo não é possível identificar, repisando suas alegações quanto ao prazo para pleitear a compensação de tributos. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10830.900023/200862 Acórdão n.º 140200.650 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direto creditório referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/01/1998 a 31/12/1998, apresentado em 26/02/2004, que segundo a decisão recorrida foi fulminado pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do artigo 168, inciso I, do CTN. Dispõe o artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, que o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Em que pese o art. 6o, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, ter postergado o direito à compensação para o mês de abril do ano subseqüente à apuração, bem como a faculdade de pedir restituição para o momento seguinte à entrega da declaração de rendimentos, com a substituição da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIRPJ pela Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ (Instrução Normativa SRF nº 127/98, publicada no DOU de 02 de novembro de 1998), deixando de existir o vínculo do ajuste anual com aquela declaração, foi editado o Ato Declaratório SRF nº 3/2000, publicado no DOU em 11 de janeiro de 2000, dispondo que “os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” No mesmo sentido, do que dispõe o Ato Declaratório antes referido temse o artigo 6º, da Instrução Normativa nº 210, de 2002, o 5º, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e o artigo 4º, da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, que se encontra em vigor, assim dispondo: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e Fl. 123DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10830.900023/200862 Acórdão n.º 140200.650 S1C4T2 Fl. 5 5 III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. O saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase préoperacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. Nesta linha colho o seguinte trecho de artigo escrito por Eurico Marcos Dinis de Santi: Compensação dos prejuízos é decorrência necessária do fato gerador do imposto de renda e da CSLL. É elemento para a determinação do aspecto quantitativo do imposto de renda. Eliminálo seria macular os artigos 43 e 44 do CTN, tornando um nãoacréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda, em montante irreal. O motivo da trava foi garantir a arrecadação e não limitar o direito à compensação. ... O objetivo da trava foi garantir uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de utilização do prejuízo acumulado. Em contrapartida, extingui o prazo (...) para que o contribuinte pudesse compensar integralmente seu saldo de prejuízo fiscal, ainda que em muitos anos1. Quanto ao segundo argumento da recorrente, qual seja, a tese dos 5 + 5, apesar desta já ter sido referendada pelo STF, nos termos do artigo 543B, do CPC, o que à luz do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, vincula as decisões deste colegiado, diante do fato de que o acórdão não transitou em julgado, na data da sessão deste julgamento, e diante da circunstância de que o primeiro fundamento, por si só, é suficiente para acolher a tese da recorrente, optou o colegiado em não adentrar no exame do segundo ponto do recurso. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para exame das demais questões relacionadas ao mérito. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva 1 In Revista Dialética de Direito Tributário. nº 185. Fevereiro 2011, pág. 50. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720120/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007, 01/08/2009 a 31/10/2009
01/04/2010 a 31/08/2010
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AMPARO LEGAL. PARECER NORMATIVO CST Nº 39/1970. SÚMULA CARF Nº 2.
Não é possível a exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo do IPI, por ausência de amparo legal. Sentido do Parecer Normativo CST nº 39/1970. O CARF tampouco é competente para decidir pela inconstitucionalidade de lei tributária. Inteligência da Súmula CARF nº 02.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF.
A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC.
Numero da decisão: 3201-003.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura eletrônica)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura eletrônica)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007, 01/08/2009 a 31/10/2009 01/04/2010 a 31/08/2010 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AMPARO LEGAL. PARECER NORMATIVO CST Nº 39/1970. SÚMULA CARF Nº 2. Não é possível a exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo do IPI, por ausência de amparo legal. Sentido do Parecer Normativo CST nº 39/1970. O CARF tampouco é competente para decidir pela inconstitucionalidade de lei tributária. Inteligência da Súmula CARF nº 02. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura eletrônica) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura eletrônica) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AMPARO LEGAL. PARECER NORMATIVO CST Nº 39/1970. SÚMULA CARF Nº 2. Não é possível a exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo do IPI, por ausência de amparo legal. Sentido do Parecer Normativo CST nº 39/1970. O CARF tampouco é competente para decidir pela inconstitucionalidade de lei tributária. Inteligência da Súmula CARF nº 02. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura eletrônica) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 01 20 /2 01 2- 17 Fl. 403DF CARF MF 2 (assinatura eletrônica) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 346, em face da decisão proferida pela DRJ/PE de fls. 331, que manteve o lançamento de IPI, conforme Auto de Infração de fls 3 e Termo de Verificação Fiscal de fls 13. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: "Tratase de Impugnação contra Auto de Infração do IPI lançado contra o estabelecimento filial, cujos valores foram lançados com juros de mora e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), totalizando R$ 4.048.156,10. A autuação devese à falta declaração em DCTF e de recolhimento de saldo devedor do Imposto escriturado (item do Auto de Infração) e de saldo devedor apurado pela fiscalizzção depois de reconstituída a escrita fiscal (infração 2). Na Impugnação, tempestiva, a contribuinte, depois de transcrever a descrição contida no Auto de Infração, defende a exclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. No mais, contesta a taxa Selic aplicada como juros de mora, por considerála imprópria para tanto conforme jurisprudência e doutrina que menciona; trata da confissão de tributo em parcelamento (outro ponto que, assim como a exclusão do ICMS, apresentase dissociado da autuação); e alega que a multa de ofício é confiscatória. Requer, ao final, seja apreciada a Impugnação, “decotandose do auto de infração os valores em excesso, na forma das razões fáticas e legais deduzidas em linhas pretéritas.” É o relatório." A decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida pela DRJ/PE, foi publicada com a seguinte Ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007, 01/08/2009 a 31/10/2009, 01/04/2010 a 31/08/2010 IPI. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O valor do ICMS integra a base de cálculo do IPI. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10665.720120/201217 Acórdão n.º 3201003.240 S3C2T1 Fl. 404 3 EVASÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. Nos termos do art. 161, § 1º, do CTN, apenas se a lei não dispuser de modo diverso os juros serão calculados à taxa de 1% ao mês, sendo legítimo o emprego da taxa SELIC, nos termos da legislação vigente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007, 01/08/2009 a 31/10/2009, 01/04/2010 a 31/08/2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro, em forma regimental. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, os documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Conforme Auto de Infração de IPI de fls. 3 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 13, o contribuinte deixou de declarar e pegar o IPI, assim como escriturou, de forma indevida, créditos de IPI na aquisição de insumos não tributados, sem destaque nas notas fiscais de compras dos insumos. Fl. 405DF CARF MF 4 Durante a fiscalização o contribuinte mencionou que os créditos estariam amparados por decisão judicial, mas ao analisar os autos, conforme a fiscalização menciona, há uma decisão do TRF1, de fls 273, que não ampara o crédito, ao contrário, veda esta possibilidade, conforme trecho transcrito a seguir: Considerado esse fato importante, é igualmente revelador constatar que o contribuinte não contestou nenhuma das infrações descritas no lançamento, apenas solicitou que o ICMS fosse excluído da base de cálculo do IPI na apuração, solicitou o cancelamento da multa e a não aplicação dos juros. Ainda que a presente lide administrativa fiscal não tenha sido alterada com o Recurso Voluntário apresentado, porque não contestou o lançamento, é importante observar que não é possível excluir a parcela do ICMS da base de cálculo do IPI, por ausência de amparo legal. Este é o sentido do Parecer Normativo CST nº 39/1970, transcrito parcialmente a seguir: "IPI. CÁLCULO DO IMPOSTO. VALOR TRIBUTÁVEL. É o preço da operação de que decorrer o fato gerador, excluídas tão somente as parcelas expressamente autorizadas na lei; o ICM, como "parte integrante" desse preço (DL nº 406, de 1968, art. 2º , § 7º ), se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI. (...) Logo, se por disposição expressa de lei o montante do ICM integra o valor ou o preço da operação, se o valor tributável do IPI é o "preço da operação"; se somente podem ser excluídas desse preço as parcelas expressamente enunciadas na lei (e aí não consta a relativa ao ICM), é evidente que também sobre essa última parcela, integrante do preço, há de incidir o IPI." Esta situação não foge da limitação imposta à análise da constitucionalidade da legislação correlata, conforme inteligência da Súmula CARF nº 02. Dessa forma, o lançamento deve ser integralmente mantido, com multas e juros, visto que as infrações foram descritas e fundamentadas, assim como as multas e os juros. Não há qualquer erro insanável no lançamento que possa comprometer a cobrança. Quanto à multa de ofício lançada, reflete exatamente o patamar legalmente determinado (75%), que não pode ser afastado em nome da razoabilidade, proporcionalidade ou não confiscatoriedade, conforme a Súmula no 2 deste tribunal. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10665.720120/201217 Acórdão n.º 3201003.240 S3C2T1 Fl. 405 5 A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, conforme Súmula n.º 4 deste Conselho. Por todo o exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 407DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.724565/2011-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG.
No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF-Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. Precedentes. Acórdãos nº 9101-002.013, 9101-002.044, 9101-002.287, 9101-002.291 e 9101-002.530.
Numero da decisão: 9101-003.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. Precedentes. Acórdãos nº 9101002.013, 9101002.044, 9101002.287, 9101002.291 e 9101002.530. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 45 65 /2 01 1- 08 Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.325 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 3175/3190) interposto por GEOSOL GEOLOGIA E SONDAGENS S/A ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402001.399 (efls. 3043/3139), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 09/07/2013, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 988/1034 e 1043/1063), relativa aos anoscalendário de 2007 e 2008, tratou de glosa de despesas e deu ensejo a autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 1065/1088), que foi julgada improcedente (efls. 2915/2968) pela primeira instância (DRJ). Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 2972/2992). A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) negou provimento ao recurso (efls. 3043/3139). Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte (efls. 3145/3154) que foram inadmitidos por despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 3159/3169). Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 3175/3190), que foi admitido parcialmente por despacho de exame de admissibilidade de efl. 3273/3285 apenas para a matéria "CSLL coisa julgada", decisão confirmada pelo despacho de reexame de admissibilidade de efls. 3286/3287. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") às efls. 3292/3318. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/Belém, nos termos do Acórdão nº 0241.545, da sessão de 19/12/2012, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.326 3 Anocalendário: 2007, 2008 DESPESAS DE ALUGUEL BENS ALUGADOS DE SOCIEDADE CONTROLADA SEM PROPÓSITO NEGOCIAL E ECONÔMICO Os pagamentos a título de aluguel de bens a pessoa jurídica criada e controlada, direta ou indiretamente, pela locatária não constituem custo ou despesa dedutível se ficar demonstrado que a beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial, nem estrutura administrativa própria, e que não atua como verdadeira proprietária e administradora dos bens alugados, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora. PRESTADORA DE SERVIÇOS POR CONTROLADA PELA SUBCONTRATANTE FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE E DE PROPÓSITO NEGOCIAL PRÓPRIO Não constituem despesa ou custo dedutível os pagamentos a título de remuneração pela prestação de serviços a beneficiária que foi criada pela fonte pagadora para desenvolver atividades que esta mesma realizava ou é capaz de realizar, se ficar comprovado que essa beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial nem estrutura administrativa própria, que carece de condições materiais para realizar os serviços, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a contribuição se torne novamente exigível com base em norma legal superveniente. DESPESAS DE ALUGUEL BENS ALUGADOS DE SOCIEDADE CONTROLADA SEM PROPÓSITO NEGOCIAL E ECONÔMICO Os pagamentos a título de aluguel de bens a pessoa jurídica criada e controlada, direta ou indiretamente, pela locatária não constituem custo ou despesa dedutível se ficar demonstrado que a beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial, nem estrutura administrativa própria, e que não atua como verdadeira proprietária e administradora dos bens alugados, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.327 4 com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora. PRESTADORA DE SERVIÇOS POR CONTROLADA PELA SUBCONTRATANTE FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE E DE PROPÓSITO NEGOCIAL PRÓPRIO Não constituem despesa ou custo dedutível os pagamentos a título de remuneração pela prestação de serviços a beneficiária que foi criada pela fonte pagadora para desenvolver atividades que esta mesma realizava ou é capaz de realizar, se ficar comprovado que essa beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial nem estrutura administrativa própria, que carece de condições materiais para realizar os serviços, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 09/07/2013, decidiu no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, por meio do Acórdão nº 1402001.399, nos termos da ementa a seguir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DAS OPERAÇÕES. EFEITOS FISCAIS. O papel Fiscalização não é averiguar a lisura e correição dos registros contábeis. Somente se tais registros operarem alteração na determinação das bases de cálculo de determinado tributo é que o Fisco poderá contestálos, ainda assim no estrito limite de suas consequências fiscais. Se entre o fato gerador e a ciência do lançamento não houver transcorrido mais de cinco anos, contados nos termos do art. 173, I, do CTN, ou, se for o caso, de acordo com o art. 150, §§ 1º e 4º do mesmo diploma legal, não há que se falar em decadência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. DESLOCAMENTO DA BASE TRIBUTÁVEL PARA SOCIEDADES QUE SE ENCONTREM EM SITUAÇÃO TRIBUTARIAMENTE MAIS FAVORÁVEL. TRANSFERÊNCIA DE RECEITAS DE EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO REAL PARA EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. ACUMULAÇÃO DE DESPESAS NA PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. Quando comprovado por indícios convergentes que se constituiu sociedade com o único intuito de se transferir a base tributável para essa nova empresa que se encontra em situação Fl. 3327DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.328 5 tributariamente mais favorável, uma vez identificada a verdade dos fatos e o real contribuinte das operações que geraram as respectivas receitas, cabível a exigência dos tributos devidos do efeito sujeito passivo. Nessa situação, não constituem despesa ou custo dedutível os pagamentos a título de remuneração pela prestação de serviços a beneficiária que foi criada pela fonte pagadora para desenvolver atividades que esta mesma realizava ou é capaz de realizar, se ficar comprovado que essa beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial nem estrutura administrativa própria, que carece de condições materiais para realizar os serviços, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora. DESPESAS DE ALUGUEL FICTÍCIAS. BENS LOCADOS DE SOCIEDADE CONTROLADA SEM PROPÓSITO NEGOCIAL E ECONÔMICO. LOCAÇÃO DE BENS ANTERIORMENTE PERTENCENTES AO LOCATÁRIO. VALORES INCOMPATÍVEIS COM AS CONDIÇÕES DE MERCADO. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Os pagamentos a título de aluguel de bens a pessoa jurídica criada e controlada, direta ou indiretamente, pela locatária não constituem custo ou despesa dedutível se ficar demonstrado que a beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial, nem estrutura administrativa própria, e que não atua como verdadeira proprietária e administradora dos bens alugados, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LIMITES DA COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 7.689, DE 1988. APTIDÃO DA LEI Nº 8.212, DE 1991, PARA A EXIGÊNCIA DA CSLL. O trânsito em julgado da decisão que tiver desobrigado o contribuinte do pagamento da CSLL, por considerar inconstitucional a Lei nº 7.689, de 1988, não impede que a exação seja exigível com base em norma legal superveniente que tenha alterado substancialmente os aspectos da hipótese de incidência. A Lei nº 8.212, de 1991, constitui fundamento legal apto para exigir a CSLL de contribuintes que se acham desobrigados, por decisão judicial definitiva, de cumprir a Lei nº 7.689, de 1988. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. DESLOCAMENTO DA BASE TRIBUTÁVEL PARA SOCIEDADES QUE SE ENCONTREM EM SITUAÇÃO TRIBUTARIAMENTE MAIS FAVORÁVEL. TRANSFERÊNCIA DE RECEITAS DE EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO REAL PARA EMPRESA OPTANTE Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.329 6 PELO LUCRO PRESUMIDO. ACUMULAÇÃO DE DESPESAS NA PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. Quando comprovado por indícios convergentes que se constituiu sociedade com o único intuito de se transferir a base tributável para essa nova empresa que se encontra em situação tributariamente mais favorável, uma vez identificada a verdade dos fatos e o real contribuinte das operações que geraram as respectivas receitas, cabível a exigência dos tributos devidos do efeito sujeito passivo. Nessa situação, não constituem despesa ou custo dedutível os pagamentos a título de remuneração pela prestação de serviços a beneficiária que foi criada pela fonte pagadora para desenvolver atividades que esta mesma realizava ou é capaz de realizar, se ficar comprovado que essa beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial nem estrutura administrativa própria, que carece de condições materiais para realizar os serviços, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora. DESPESAS DE ALUGUEL FICTÍCIAS. BENS LOCADOS DE SOCIEDADE CONTROLADA SEM PROPÓSITO NEGOCIAL E ECONÔMICO. LOCAÇÃO DE BENS ANTERIORMENTE PERTENCENTES AO LOCATÁRIO. VALORES INCOMPATÍVEIS COM AS CONDIÇÕES DE MERCADO. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Os pagamentos a título de aluguel de bens a pessoa jurídica criada e controlada, direta ou indiretamente, pela locatária não constituem custo ou despesa dedutível se ficar demonstrado que a beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial, nem estrutura administrativa própria, e que não atua como verdadeira proprietária e administradora dos bens alugados, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora. Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte que foram inadmitidos por despacho de exame de admissibilidade de embargos. Na sequência foi interposto pela Contribuinte recurso especial, que foi admitido parcialmente apenas para a matéria "CSLL coisa julgada", nos termos do despacho de exame de admissibilidade de efl. 3273/3285 e despacho de reexame de admissibilidade de efls. 3286/3287. Sobre a matéria conhecida ("dedutibilidade da CSLL para tributos com exigibilidade suspensa"), discorre a Contribuinte, no mérito, que desde a impugnação vem informando que não se submete ao pagamento da CSLL, vez que se encontra amparada por sentença transitada em julgado prolatada em ação ordinária declaratória, e que a permanência dos efeitos da referida sentença teria sido proclamada pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1.118.893MG, julgado sob a égide do art. 543C do CPC, situação que vincula o Colegiado administrativo com base no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Requer pelo cancelamento do auto de infração. Fl. 3329DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.330 7 A PGFN apresentou contrarrazões, no qual aduz que a decisão transitada em julgado a favor da recorrente submetese a limites objetivos, e sendo a relação jurídico tributária de trato sucessivo, a imutabilidade a coisa julgada material existe sobre o pedido e sobre os fatos deduzidos na inicial, e não tem repercussão sobre aqueles que exsurgiram após o julgado, vez que não haveria que se falar em coisa julgada sobre situação jurídica nova. Assim, tendo ocorrido modificação na legislação de regência da CSLL, e que a ação judicial invocada pela Contribuinte não apreciou as alterações posteriores, e por isso não integrando a causa de pedir da demanda, não caberia aplicação da decisão no caso concreto. Cita da ADI 15/DF que afirmou pela inconstitucionalidade apenas dos dispositivos 8º e 9º da Lei nº 7.789, de 1988, e que reafirmou a constitucionalidade dos demais dispositivos da CSLL, em julgamento de 14/06/2007. Discorre que na demanda que deu origem ao REsp 1.118.893/MG do STJ questionouse a validade da cobrança da CSLL instituída pela Lei nº 7.689, de 1988, referente ao anocalendário de 1991, o que não é o caso dos autos, anoscalendário 2007 e 2008. E, ainda que se entenda que o julgamento do STJ no REsp 1.118.893 poderia ser estendido para lançamentos com fatos geradores ocorridos posteriormente a 1992, cabe dizer que o próprio STJ (EREsp 841.818/DF e EAg 991.788/DF) esclareceu que, nesse caso, a eficácia da coisa julgada favorável ao contribuinte teria que ser limitada à decisão do STF na ADI 15 (STF) que declarou a constitucionalidade da CSLL em controle concentrado. Requer pela negativa do provimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 3273/3285, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer parcialmente do Recurso Especial da Contribuinte, para a matéria "CSLL coisa julgada". Passo ao exame do mérito. Aduz a Contribuinte que não estaria submetida à cobrança da CSLL para os anoscalendário de 2007 e 2008, por força de decisão judicial transitada em julgado. Transcrevo excerto da decisão recorrida sobre o assunto: Com respeito à exigência de CSLL, alega a Recorrente que a Lei nº 7.689, de 1988, não se aplicaria por força de decisão judicial 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.331 8 transitada em julgado a seu favor e que, por isso, o lançamento violaria a coisa julgada. A violação persistiria até mesmo se invocadas leis posteriores à CSLL, porque estas não teriam modificado aspectos essenciais da Lei nº 7.689, de 1988, ou seja, não teriam reinstituído a CSLL. De fato, conforme certidão de fls. 1130 e 1131, no ano de 1989 a Recorrente propôs a ação judicial n° 89.00014617 perante a Sexta Vara da Justiça Federal em Minas Gerais objetivando o não recolhimento para a CSLL em razão de suposta inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88. A sentença de primeira instância foi parcialmente favorável à autora, considerando que a CSLL não poderia ser cobrada tão somente em relação ao ano de sua instituição – 1988, não havendo inconstitucionalidades em relação à cobrança em períodos subsequentes. Ambas as partes apelaram ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que reformou essa sentença (apelação cível n° 92.01.039743MG), declarando, em relação à CSLL, a completa inconstitucionalidade do art. 2º da Lei n° 7.689, de 1988 (fls. 1193/1195). Segundo certidão de fls. 1130/1131, e documento de fl. 1199, o trânsito em julgado se deu em 03/11/1992. Não houve, portanto, recursos ao STJ e STF. Não constam informações sobre eventual ação rescisória. (...) De fato, como argumentado pela Recorrente, tal matéria foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede do rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). Argumenta aquela corte superior, em seu acórdão representativo de controvérsia (REsp nº 1.118.893 MG (2009/00111359) – Min. Arnaldo Esteves Lima) – Dje de 06/04/2011), que as leis posteriores à Lei n° 7.689/88, que apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, não seriam aptas a criarem nova relação jurídicotributária, de modo que não haveria fundamento para a cobrança da exação em relação às empresas que possuíssem decisões favoráveis transitadas em julgado pela inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. Há que se registrar que a legislação analisada pelo STJ no REsp 1.118.893/MG e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei nº 7.689, de 1988, consiste na Lei Complementar nº 70, de 1991, e as Leis nº 7.856, de 1989, nº 8.034, de 1990, nº 8.212, de 1991, nº 8.383, de 1991 e nº 8.541, de 1992. Por sua vez, a CSLL sofreu substanciais alterações, desde a sua instituição: Lei Complementar nº 70, de nº 1991 (art. 11); a Lei nº 8.383, de 1991 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95); a Lei nº 8.541, de 1992 (ats. 22, 38, 39, 40, 42 e 43); a Lei nº 9.249, de 1995 (arts. 19 e 20); a Lei nº 9.430, de 1996 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei); e a Lei nº 10.637, de 2002 (arts. 35 a 37, 45), Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.332 9 Ocorre que o enquadramento legal da presente autuação referese aos anos calendário de 2007 e 2008, e tem como base legal, além do art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, precisamente as posteriores modificações na legislação de CSLL: art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995; art. 2º e 19 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. Observase, claramente, que tais normas não foram analisadas no julgamento do REsp 1.118.893/MG. A discussão posta nos autos consiste em matéria já apreciada pelo presente Colegiado. Dentre os precedentes, acórdãos nº 9101002.013 (7 de outubro de 2014, Redator Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão), nº 9101002.044 (11 de novembro de 2014, Relator Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão), nº 9101002.287 (5 de abril de 2016, Relatora Conselheira Adriana Gomes Rêgo), 9101002.291 (5 de abril de 2016, Relator Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão) e nº 9101002.530 (18 de janeiro de 2017, Relator Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão). Transcrevo o substancioso voto do Acórdão nº 9101002.530, cujos fundamentos adoto como razões para decidir. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à adequada aplicação a ser dada ao decidido no Recurso Especial (REsp) do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de nº 1.118.893/MG, proferido na sistemática de Recursos Repetitivos. Primeiramente destaco que, em casos deste tipo, volto meu olhar com muita atenção ao que foi decidido judicialmente, pois o que deve ser cumprido é o que se contém na decisão que transitou em julgado para o contribuinte, para que não se confunda a aplicação dos aspectos materiais do caso específico à subsunção da decisão do STJ em que se sustenta a fundamentação do contribuinte, pois se estendem apenas os seus efeitos processuais em relação aos limites decididos no repetitivo, no caso o REsp. nº 1.118.893/MG, especificamente no que diz respeito à extensão e limites da coisa julgada. Para o caso presente, esta metodologia, este cuidado específico, nos remete ao teor da decisão em que se baseia o contribuinte para deixar de recolher a CSLL e, também, aos seus fundamentos. Conforme se extrai dos autos, a decisão transitada em julgado foi proferida em 10 de fevereiro de 1992, sendo que os anos calendário em que se questiona a cobrança da CSLL são 2007 e 2008. O teor da ementa da decisão do TRF da 1ª Região é o seguinte – Apelação em Mandado de Segurança nº 90.01.052797MG: EMENTA CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. LEI 7.689, DE 15/12/88, INSTITUIDORA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS EMPRESAS. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade da exação pelo Plenário desta Corte (A.I. na AMS nº 89.01.136147/ MG), negase provimento ao apelo da UNIÃO e à remessa, provendose o recurso adesivo. Sentença reformada em parte. Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.333 10 ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas: Decide a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, negar provimento aos recursos, provendo o recurso adesivo, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Custas, como de lei. Brasília, 10 de fevereiro de 1992 (data do julgamento) A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp. 1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG por força do art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp. 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG. No caso em questão temos três aspectos, analisados a seguir. 1) A decisão em favor do contribuinte, exarada em 10 de fevereiro de 1992, inquinou de inconstitucionalidade a Lei nº 7.689/1988, alicerçada no AMS nº 89.01.136147/ MG (ver julgado acima transcrito), o qual teve entre seus fundamentos o fato de que a Lei nº 7.689/1988 só poderia instituir contribuição social caso fosse editada como lei complementar e, assim, não considerou a LC nº 70/1991, aspecto que, conforme o entendimento, poderia ter sido superado, considerando o que dispõe o art. 11 da referida LC nº 70/1991 (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”). Há que se ressaltar, também, que foi a Lei nº 7.689/1988, tanto em 1994, quanto também em 1996 — anos anteriores ao anoscalendário em referência (2007 e 2008) reafirmada constitucionalmente pelas Emendas Constitucionais nºs Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.334 11 1, de 1994, e 10, de 1996, (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”), o que, por si só, convalidaria qualquer outra possível pecha de inconstitucionalidade que, até então, se lhe pudesse impingir (v.g., mesma base de cálculo e mesmo fato gerador do imposto de renda, administração e fiscalização por parte da Receita Federal do Brasil, criação antes da entrada em vigor do sistema tributário, entre outras). 2) Após prolatada a decisão em que, indiretamente, se estriba o contribuinte (AMS nº 89.01.136147/ MG – 03/10/1991), diversas normas que vieram tratar da CSLL foram editadas antes de 2007 (primeiro anocalendário do lançamento em questão), e.g.: LC nº 70/1991 (art. 11), 8.383/1991 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95), 8.541/1992 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43), 9.249/1995 (arts. 19 e 20), 9.430/96 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei) e 10.637/2002 (arts. 35 a 37 e 45). Dessas normas, apenas as LC nºs 70/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (além das Leis 7.856/1989, 8.034/1990 e 8.212/1991) estão cotejadas no REsp. 1.118.893/MG. Ou seja, não se pode aplicar o referido REsp. 1.118.893/MG sob os aspectos materiais do caso presente em virtude de que ele não tratou de diversas alterações legislativas que aqui se aplicam e que afetaram a materialidade e os aspectos de contorno do fato gerador da CSLL – o que, evidentemente, não teria mesmo o condão de fazer, ainda que fosse uma lei. Aceitarse isso configuraria uma extensão indevida, uma legiferação abusiva por via de decisão judicial, com efeitos prospectivos no ordenamento que só são possíveis de existir em texto constitucional. Vejase que o lançamento, consubstanciado no Auto de Infração, além da Lei nº 7.689/1988, remete expressamente à Lei nº 8.981/1995 (art. 57), à Lei nº 9.249/1995 (art. 2º) e à Lei nº 9.316/1996 (art. 1º) – leis que não foram objeto de análise no REsp. 1.118.893/MG. De lembrar que, quando a Lei 9.430/1996 foi publicada, já era pacífico que a CSLL poderia ser regulada por lei ordinária, um dos fundamentos do acórdão que transitou em julgado a favor do contribuinte, quando afastou a incidência da CSLL com base na Lei nº 7.689/1988. Assim, por estes dois motivos, afasto a aplicação do REsp. 1.118.893/MG para o caso presente, porém, necessário destacar, sem descumprir o art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II – é que o REsp. 1.118.893/MG não se aplica aqui. 3) Vejase que os dois aspectos acima considerados são suficientes para a manutenção integral da exigência, mas há outro aspecto a ser discutido. Tal aspecto, enfrentado e afastado pelo contribuinte, diz respeito aos efeitos das decisões do STF proferidas em sentido contrário à decisão transitada em julgado, que não teriam o condão de afetála, e o faz também com supedâneo no REsp. 1.118.893/MG, afastando também a aplicação da Súmula STF nº 239. Porém, há que se observar que o referido Acórdão do STJ não considerou, ao decidir, os efeitos específicos das decisões em sede de controle concentrado (nem mesmo em obter dicta). Apenas se referiu a decisões do STF de forma genérica (consta do Acórdão: “O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado...”), porém sem considerar este relevantíssimo aspecto. É que a decisão em sede de controle concentrado tem efeito erga omnes, à semelhança de lei, irradiando efeitos gerais após sua edição e afastando as normas e as decisões (normas individuais) que lhe sejam contrárias. Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.335 12 O próprio REsp. 1.118.893/MG, em sua fundamentação, deixa claro que, se houver lei superveniente que afete a cobrança que foi afastada pela coisa julgada, ela deve ser considerada (grande parte da rationale da decisão é elaborada com base nesta fundamentação). Ora, uma decisão do STF em sede de controle concentrado tem exatamente o efeito de uma lei e, no caso, uma lei de efeito substancial, que irradia seus efeitos estabelecendo um novo marco jurídico dali em diante e consolidando os atos já praticados para aqueles que não tinham em seu favor uma decisão com trânsito em julgado. Entendo que o tema não foi enfrentado especificamente pelo REsp. 1.118.893/MG, não fazendo parte do que ali foi decidido e, portanto, com relação a essa questão, o REsp. 1.118.893/MG não se aplica. Vejase, por oportuno, que foi dito o seguinte, na ementa daquela decisão do STJ (grifei): 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Adotandose essa mesma linha de raciocínio, os efeitos futuros ou prospectivos do Recurso Extraordinário nº 146.7339SP, de 1992, do STF, transitado em julgado em 1993, devem, também, ser respeitados, sob pena de se negar validade — o que é ainda pior — ao próprio controle difuso seguido de Resolução do Senado!!! Dessa forma, o julgamento posterior pelo STF, em controle difuso seguido de Resolução do Senado, não afasta, retroativamente, a eficácia da coisa julgada — ou seja, não afasta “a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada”, nas palavras do próprio STJ , mas afasta, sim, essa eficácia, posteriormente, em face de sua força normativa e executiva. Para o passado, portanto e apenas para ele , faz se necessária a interposição de ação rescisória, se se pretender desfazer os efeitos da coisa julgada nesse período. Ao julgar o RE nº 146.7339SP, de 1992, e também o RE nº 150.7641PE, o STF decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (exceto seu art. 8º e 9º que não afetam o lançamento em debate no presente processo). A decisão daquele primeiro RE tem o seguinte teor, no que importa especificamente para o presente debate: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. NÃO É INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1º, 2º E 3º DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. [...]. Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.336 13 Considerando que a decisão do RE nº 146.7339SP foi proferida pelo STF em 29/06/1992 e publicada em 01/07/1992, com trânsito em julgado em 13/04/1993 e que a Resolução do Senado de nº 11, foi editada em 04/03/1995 e publicada em 12/04/1995, restou afastada a coisa julgada alegada pelo contribuinte, que tinha sob fundamento a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, o que atinge os anoscalendário de 2007 e 2008, objeto destes autos. Ademais, há um argumento contundente no presente caso, que são os efeitos os efeitos futuros ou prospectivos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 152/ DF, de 2007, do STF, transitada em julgado, devem, também, ser respeitados, sob pena de se negar validade — o que é ainda pior — ao próprio controle concentrado de constitucionalidade!!! Esse aspecto foi muito bem captado pelo Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do STJ, nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF e nos Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF, ao anotar que, respectivamente (destaques do original): 13. Anotese que o egrégio STJ já assentara, em paradigmáticas decisões, [...] que a declaração de inconstitucionalidade não elimina os efeitos já consumados ao abrigo de sua eficácia (REsp 1.118.893MG, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 06.04.11), assim abrindo o caminho para se harmonizar os dois modos de controle (difuso e concentrado) de verificação de adequação das leis à Constituição: [...]. 28. No STJ, essa matéria já foi objeto de recurso repetitivo, em julgamento relatado pelo eminente Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, que assim pronunciou a preservação dos efeitos da coisa julgada difusa, até que a sua eficácia fosse eliminada por decisão do STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Dessa forma, o julgamento posterior pelo STF, em controle concentrado de constitucionalidade, não afasta, retroativamente, a eficácia da coisa julgada ou seja, não afasta “a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada”, nas palavras do próprio STJ —, mas afasta, sim, essa eficácia, posteriormente, em face de sua força normativa e executiva. Para o passado, portanto e apenas para ele , fazse necessária a interposição de ação rescisória, se se pretender desfazer os efeitos da coisa julgada nesse período. E nem poderia ser diferente, pois do contrário (cf. Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF, do STJ) (destaques do original): [...], se não se der pronta prevalência à decisão do STF, terseá de afirmar invertendose a hierarquia das decisões judiciais que a supremidade seria atributo do decisum anterior, em detrimento do julgado do Pretório Máximo. Ao julgar a ADIn nº 152/DF, o STF decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (exceto seus arts. 8º e 9º que não afetam o lançamento em debate no presente processo). A decisão tem o seguinte teor, no que importa especificamente para o presente debate: Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 13603.724565/201108 Acórdão n.º 9101003.221 CSRFT1 Fl. 3.337 14 EMENTA: [...] IV. ADIn: L 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação da Medida Provisória 22, de 1988. [...] 3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo tribunal federal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela análise do permissivo constitucional que devolve ao STF o conhecimento de toda questão da constitucionalidade da lei. Considerando que a decisão da ADIn nº 15 foi proferida pelo STF em 14/06/2007 e publicada em 31/08/2007, com trânsito em julgado em 12/09/2007, restou afastada a coisa julgada alegada pelo contribuinte, que tinha sob fundamento a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, o que atinge os anoscalendário de 2007 e 2008, objeto destes autos. Tal lançamento, em nosso entendimento está em perfeita consonância com o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 2011, pelos motivos acima alegados, especialmente o que se contém em seus §§ 51, 52 e 99. Em relação às demais matérias do recurso especial (planejamento tributário IRPJ, nulidade e conversão da multa de ofício em multa de mora), não foram admitidas pelo despacho de exame de admissibilidade, razão pela qual não foram devolvidas para exame de mérito do presente Colegiado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Contribuinte para a matéria "CSLL coisa julgada", e, no mérito, na parte devolvida, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721575/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Os débitos indevidamente compensados não se confundem com aqueles que deram origem ao suposto direito creditório que lastreou a compensação.
TRIBUTO PREVIDENCIÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA. DISCUSSÃO JUDICIAL.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2201-004.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Os débitos indevidamente compensados não se confundem com aqueles que deram origem ao suposto direito creditório que lastreou a compensação. TRIBUTO PREVIDENCIÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA. DISCUSSÃO JUDICIAL. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 15 75 /2 01 3- 62 Fl. 679DF CARF MF 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração decorrente da glosa de compensação de contribuições previdenciárias identificadas no período de abril a dezembro de 2008, incluindo o 13º salário, que deu origem ao DEBCAD 37.369.0479, cujo montante lançado, consolidado até fevereiro de 2013, alcançou R$ 898.316,98, incluindo juros e multa de mora. No mesmo procedimento, foi exigida multa isolada por inserção de créditos indevidos em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, que originou o DEBCAD 51.020.6506, tratado nos autos do processo10580.721577/201351. O Relatório Fiscal de fl. 14 a 20 aponta os seguintes motivos para a constituição, de ofício, do crédito tributário: que as compensações efetuadas pelo contribuinte, lastreadas em crédito decorrente de valores pagos incidentes sobre salário maternidade, foram realizadas com base em créditos inexistentes, já que a ação judicial em que se discutiu a matéria resultou em decisão desfavorável ao contribuinte (item 3.1.2, fl. 14); que as compensações efetuadas pelo contribuinte, lastreadas em crédito decorrente de valores pagos incidentes sobre o adicional de 1/3 de férias, apesar de sentença favorável proferida nos autos do MS nº 002647830.2007.4.01.3300, foram efetuadas indevidamente, já que o provimento judicial condiciona a compensação ao julgamento em definitivo da lide, nos termos do disposto no art. 170A da Lei 5.172/66 CTN, (item 3.1.3, fl. 15); Houve lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária à empresa Centro Escolar Aquarius Ltda, por restar caracterizada a existência de Grupo Econômico, em razão constatação de direção, controle ou administração exercida pelos mesmos administradores e por serem as empresas interligadas, utilizando, alternada e concomitantemente, os mesmo empregados, possuindo o mesmo objeto social e estrutura organizacional. Ademais, houve imputação de responsabilização solidária pelo crédito tributário aos sócios administradores. Ciente do Auto de Infração em 05 de março de 2013, conforme fl. 02, inconformado, o autuado apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 355 a 393, que assim foi relatada pela Decisão a quo: Preliminarmente, alega que a autuação é nula de pleno direito porque o período objeto da fiscalização já havia sido fiscalizado. Afirma que em 26/10/2010, através do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0510100.2010.012686, foi Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10580.721575/201362 Acórdão n.º 2201004.009 S2C2T1 Fl. 680 3 iniciado um procedimento de fiscalização referente às contribuições previdenciárias relativas ao período de 06/2006 a 12/2008, cujo encerramento ocorreu no dia 05/12/2011. Destaca que depois de encerrada essa fiscalização, no dia 07/02/2012, o AuditorFiscal autuante iniciou nova fiscalização referente ao mesmo tributo e aos mesmos fatos (MPF nº 0510100.2012.000995), analisando a mesma documentação do período compreendido entre 04/2008 a 12/2008, o que configura vício formal e implica nulidade da autuação. Ainda em preliminar, afirma que em nenhum momento o autuante afastou a existência dos créditos da empresa e que o procedimento de compensação foi feito pelo instrumento previsto na legislação (GFIP), conforme previsto no art. 44 da IN RFB nº 900. Alega que há divergência no Auto de Infração, pois a autoridade fiscal enquadrou o procedimento do contribuinte como “falso” a fim de aplicar a multa de 150%, mas não analisou o procedimento de compensação em si (homologação ou não homologação) e simplesmente afastou o quantum declarado pelo contribuinte. Afirma que a aplicação do artigo 170A do CTN em ações de mandado de segurança é uma atecnia, e nesse sentido cita entendimento da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Argumenta que o art. 170A poderia ser suscitado no máximo para não homologar a compensação realizada, mas não para enquadrar a declaração como falsa. Assevera que a falsidade da declaração ocorre quando a justificativa apresentada para a compensação é uma e o apurado é outro, sendo que no presente caso as justificativas e toda a documentação solicitada foram apresentadas no decorrer da fiscalização e o Relatório Fiscal é muito claro no sentido de que os valores levantados e glosados foram apurados nas GFIP. Diante deste cenário, conclui que os Autos de Infração são nulos de pleno direito, haja vista que o enquadramento legal não foi adotado corretamente. Alega que a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário, o qual só poderá ser considerado definitivamente constituído após o encerramento do processo administrativo fiscal. Afirma que antes disso não se poderá de modo algum atribuirse ao contribuinte a prática de algum crime fiscal e cita diversas decisões do STF nesse sentido. Por isso, conclui que a Representação Fiscal para Fins Penais deverá ficar no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil até o esgotamento final da via administrativa e, ainda, até o final do prazo para o contribuinte pagar ou parcelar o tributo. No mérito, esclarece que as compensações foram efetuadas com utilização dos créditos oriundos dos autos de Mandado de Segurança nº 2007.33.00.0264934, impetrado pela empresa para contestar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como sobre os valores pagos a título de saláriomaternidade, férias, adicional de férias de 1/3 (terço constitucional) e aviso prévio indenizado. Afirma que, conforme foi indicado no próprio Relatório Fiscal, a Fl. 681DF CARF MF 4 empresa obteve êxito na referida ação, tendo portanto o direito de não mais pagar sobre as verbas discutidas, bem como de compensar os créditos decorrentes dos pagamentos indevidos, na forma declarada nas GFIPs pertinentes ao período em questão. Destaca que a empresa cumpriu todas as suas obrigações fiscais, sendo prova disso os diversos documentos que foram apresentados no decorrer da fiscalização (cópias das decisões proferidas nos mandados de segurança, planilhas de memórias de cálculo e GFIPs), os quais demonstraram que a impugnante está adimplente com o fisco previdenciário, pois cumpriu todos os seus deveres principais e instrumentais. Discorre sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, citando o art. 195 da Constituição Federal, o art. 22 da Lei 8.212/91 e também diversos dispositivos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Destaca que a incidência da contribuição patronal limitase aos valores pagos aos segurados como retribuição ao trabalho efetivo ou potencial. Afirma que já se tentou, através das Medidas Provisórias 1.523 13 e 1.59614, ampliar a hipótese tributária para além dos valores pagos como contraprestação de serviços, contudo essa ampliação foi prontamente obstada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, na ADIN nº 16596, e depois acabou sendo expressamente rejeitada quando da conversão da MP em lei. Diante disso, conclui que a exigência de contribuições sobre as importâncias pagas nos primeiros 15 dias de afastamento do empregado por doença ou acidente, sobre os valores pagos a título de férias gozadas e adicional de 1/3 de férias e sobre os valores pagos a título de saláriomaternidade constitui inegável ofensa ao princípio da legalidade estrita e ao histórico legislativo e jurisprudencial, pois nas referidas situações é óbvio que o empregado não presta serviços nem fica a disposição da empresa. Discorre especificamente sobre a natureza de cada uma das verbas acima mencionadas, visando a demonstrar que as mesmas não têm natureza de contraprestação pelo trabalho e não concretizam a hipótese legal de incidência. Para corroborar sua tese, cita julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça. Afirma que o fisco sustenta a exigência da contribuição previdenciária patronal sobre salário maternidade,férias gozadas e respectivo adicional de 1/3 com o argumento de que esses valores integram o saláriode contribuição, quando é certo que o saláriodecontribuição é base de cálculo apenas da contribuição devida pelos segurados, e não da contribuição patronal (conforme disposto no art. 20 da Lei 8.212/91). Defende que as peculiaridades do salário de contribuição não podem ser invocadas para justificar a incidência das contribuições a cargo do empregador. Afirma que a compensação facultada pelo art. 66 da Lei 8.383/91 ocorre no âmbito do lançamento por homologação e independe de autorização da Administração Pública, cuja participação na operação cingese à posterior revisão, com a possível homologação ou com o lançamento em razão da discordância total ou parcial com a compensação realizada. Assevera que essa hipótese não se confunde com a modalidade Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10580.721575/201362 Acórdão n.º 2201004.009 S2C2T1 Fl. 681 5 de compensação prevista nos artigos 170 e 170A do Código Tributário Nacional, que cuida da compensação realizada diretamente pelos agentes fiscais, a pedido do contribuinte, extinguindo crédito tributário já constituído, nos termos do art. 156, II, do CTN. Anota que a distinção entre esses regimes de compensação tem sido destacada pelo Superior Tribunal de Justiça e, por fim, conclui que a Administração não pode vincular o procedimento de compensação efetuado pelo contribuinte ao trânsito em julgado da decisão judicial. Alega que a apresentação de GFIP é apenas uma obrigação acessória do contribuinte, que não substitui a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ato administrativo vinculado e obrigatório atribuído de maneira privativa à autoridade fiscal (art. 142 do CTN). Afirma que é função do sujeito ativo da obrigação tributária, em caso de averiguação de ausência de pagamento ou de compensações indevidas, proceder ao lançamento de ofício e notificar o sujeito passivo. Argumenta que o contribuinte, ao informar em GFIP a suspensão de pagamento com fundamento em processos judiciais, não pratica nenhum ato tendente a constituir o crédito tributário, e portanto não há razão para que o Fisco proceda à inscrição em dívida ativa e à respectiva cobrança de seus créditos. Contesta a multa aplicada no Auto de Infração DEBCAD nº 51.020.6506, afirmando que se a obrigação principal é indevida também não há que se falar em multa acessória. Além disso, alega que a multa aplicada é flagrantemente inconstitucional, porque viola os princípios do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da isonomia, da proporcionalidade, da razoabilidade e da moralidade. Ao final, com base nesses argumentos, a empresa pediu que seja dado provimento à impugnação e que seja julgado improcedente o Auto de Infração. Requereu também a intimação do seu patrono para a realização da oportuna sustentação oral por ocasião do julgamento da impugnação. Debruçada sobre os argumentos expressos na impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, concluiu pela sua improcedência, mantendo integralmente o crédito tributário lançado. As conclusões do Julgador de 1ª instância podem ser assim resumidas: Preliminares Período objeto da fiscalização O fato de o período fiscalizado já ter sido objeto de fiscalização anterior não acarreta nenhum vício no crédito tributário. Inexiste previsão legal de “homologação” de fatos analisados e não glosados em fiscalizações anteriores. Ao contrário, em virtude da indisponibilidade do interesse público e tendo em vista o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa de lançamento, a Fiscalização pode e deve constituir o crédito tributário correspondente a todas as Fl. 683DF CARF MF 6 infrações que porventura sejam apuradas, desde que não tenha decorrido o prazo decadencial (Código Tributário Nacional, artigos 142 e 149). Questões relativas à análise da compensação (...) O fato de a compensação ter sido feita através do instrumento previsto na legislação (GFIP) não impede que a fiscalização desconsidere esse procedimento e constitua o crédito tributário daí decorrente. Aliás, em nenhum momento a autoridade fiscal afirmou que o motivo da glosa da compensação teria sido a inadequação do instrumento utilizado. A descrição dos fatos e fundamentos jurídicos constantes do Relatório Fiscal deixa claro que o motivo da glosa foi a inexistência dos créditos informados em GFIP pela empresa autuada. Ao contrário do que afirma a impugnante, a fiscalização afastou sim a existência e validade dos créditos da empresa. Isso foi feito de forma expressa nos itens 3.1.1 a 3.1.6: (...) Conseqüentemente, também se mostra equivocada a alegação de que a fiscalização não teria analisado “o procedimento de compensação em si”. O trecho do Relatório Fiscal acima citado deixa claro que as compensações foram devidamente analisadas, tendo a fiscalização concluído que a mesma foi feita em desacordo com o art. 170A do Código Tributário Nacional. (...) Portanto, entendo que as preliminares de nulidade devem ser rejeitadas. O Auto de Infração está devidamente motivado e não possui nenhum vício que possa acarretar a nulidade dos Autos de Infração. (...) Representação Fiscal para Fins Penais Por fim, no que tange às alegações relativas à Representação Fiscal para Fins Penais, é necessário esclarecer que se trata de matéria que está fora do âmbito de atribuições das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ. Mérito Compensação indevida (...) Em consulta ao site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (www.trf1.jus.br) e às cópias de decisões judiciais anexadas no presente processo, é possível verificar que a empresa teve decisão parcialmente favorável na primeira e na segunda instância. O pedido da autora foi julgado improcedente em relação ao saláriomaternidade e procedente em relação ao adicional de um terço de férias. Contudo essas decisões não transitaram em julgado, pois a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, o qual se encontra sobrestado aguardando julgamento de recurso representativo da controvérsia no Superior Tribunal de Justiça (sistemática dos recursos repetitivos). (...) Portanto, o simples fato de o processo judicial movido pela empresa autuada ainda estar em andamento já é suficiente para evidenciar que o procedimento de compensação efetuado está em Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10580.721575/201362 Acórdão n.º 2201004.009 S2C2T1 Fl. 682 7 desacordo com a lei, pois foi efetuado antes do trânsito em julgado da decisão judicial relativa às contribuições discutidas, o que configura afronta direta ao artigo 170A do Código Tributário Nacional. A autuada alega que a limitação do artigo 170A do CTN não seria aplicável aos tributos discutidos por meio de mandado de segurança, nem às compensações efetuadas na sistemática do lançamento por homologação (com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91). Contudo, essa alegação não tem como prosperar, pois o condicionamento da compensação ao trânsito em julgado da decisão, previsto no artigo 170A do CTN, aplicase a toda e qualquer modalidade de compensação e a todo e qualquer tipo de ação judicial. (...) Portanto, a glosa das compensações efetuadas pela empresa nas competências do período de 04/2008 a 13/2008 está correta e a exigência constante do Auto de Infração DEBCAD nº 37.369.0479 deve ser mantida integralmente. Questionamentos relativos às contribuições incidentes sobre algumas rubricas da folha de pagamento Matérias discutidas em juízo pela empresa autuada – Renúncia ao contencioso administrativo Com relação às alegações expendidas pelo contribuinte com o intuito demonstrar a ilegalidade/inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre algumas rubricas de sua folha de pagamento (tais como os valores pagos no primeiros 15 dias de afastamento do segurado por doença acidente, saláriomaternidade, férias e respectivo adicional de 1/3), cabe esclarecer que se trata de matérias que estão sendo discutidas pelo contribuinte no bojo do Mandado de Segurança nº 002647830.2007.4.01.3300 (numeração antiga 2007.33.00.0264934) O Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, estabelece que a propositura de ação judicial importa em renúncia ou desistência da instância administrativa:(...). Alegação de necessidade de lançamento O contribuinte alega que a apresentação de GFIP não substitui o lançamento tributário, de forma que seria necessária a atuação da fiscalização para constituição do crédito tributário. (...) E foi justamente isso que aconteceu no presente caso. A autoridade fiscal iniciou um procedimento fiscal contra o contribuinte, intimouo para apresentar documentos e esclarecimentos, analisou os elementos apresentados e, ao final, efetuou os lançamentos, consubstanciados nos Autos de Infração nºs 37.369.0479 e 51.020.6506. Fl. 685DF CARF MF 8 Portanto, o questionamento da empresa não tem sentido. Questionamentos relativos à multa constante do Auto de Infração DEBCAD nº 51.020.6506 (...) Esse Auto de Infração é objeto de outro processo administrativo fiscal, o de nº 10580.721577/201351. Portanto, todas as alegações relacionadas a esse crédito tributário serão apreciadas apenas naquele processo (...) Requerimentos finais – intimação a respeito da data de julgamento e sustentação oral Quanto ao pedido de intimação a respeito da data de julgamento e de realização de sustentação oral, é necessário esclarecer que tais medidas não se mostram cabíveis na primeira instância do processo administrativo fiscal, por falta de previsão legal. (...) Ante todo o exposto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo integralmente o Auto de Infração DEBCAD nº 37.369.0479. Ciente do Acórdão do Julgamento em 1ª Instância, em 22 de setembro de 2014 (fl. 447), ainda inconformado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 449 a 470, em que pleiteou a improcedência total do débito ora sob análise, lastreando suas razões a partir dos seguintes tópicos: I Preliminarmente matéria em recurso repetitivo revisão e/ou retificação de lançamento necessidade regimento interno lei 10.522/02; I.I Preliminar Período de apuração foi objeto de fiscalização no MPF 0510100.2010.01.012686; II Da tempestividade e do efeito suspensivo; IV Do Mérito IV.I Do vício (insanável) da autuação em razão da ausência de correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários; IV.II Da compensação Prevista no art. 66 da lei nº 8.383/91; IV.III Da indevida exigência de contribuição previdenciária sobre valores objeto do Mandado Segurança apresentado (15 primeiros dias de afastamento, saláriomaternidade, das férias e do terço constitucional); IV.IV Da necessidade de conversão do julgamento em diligência. É o relatório necessário. Voto Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10580.721575/201362 Acórdão n.º 2201004.009 S2C2T1 Fl. 683 9 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. PRELIMINARES Matéria em recurso repetitivo Revisão e/ou retificação de lançamento necessidade regimento interno CARF Lei 10.522/02. Alega o recorrente que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ e STF em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos art. 543 B e C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF. Afirma que, no caso em tela, a matéria discutida não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre algumas verbas e multa confiscatória está sendo ou já foi analisada pelo STF e STJ, com repercussão geral reconhecida, o que demandaria a devolução dos presentes autos à 1ª instância para que a turma julgadora reproduzisse nos autos a decisão proferida, em particular no REsp 1.230.957, que teria sido eleito como Recurso Representativo da Controvérsia, tendo restado consolidado entendimento quanto à não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o pagamento dos primeiros 15 dias de afastamento de licença médica, do terço de férias e do aviso prévio. Elencadas as razões recursais, é claro que equivocase o contribuinte. Não se discute nos autos a procedência ou não de indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior de contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas objeto de discussão judicial. O que se tem é que a autuação decorre da não observação pelo contribuinte das limitações impostas pela legislação para exercício da prerrogativa de compensar débitos pendentes de pagamento mediante compensação com utilização de créditos decorrentes de decisão judicial. Ou seja, a autuação não avaliou a procedência do suposto crédito apontado pelo contribuinte, terminando o procedimento de ofício em momento anterior à apuração do eventual direito creditório e à verificação de sua suficiência para extinguir a totalidade dos débitos compensados. A competência desta Corte é a de julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (art. 1º do RICARF). Desta forma, os limites de atuação deste Colegiado estão na verificação dos atos administrativos praticados no processo de exigência tributária, em particular para aferição de sua procedência e compatibilidade com a legislação. A lide instaurada no presente caso versa sobre a não homologação de uma compensação tributária lastreada em crédito decorrente de decisão judicial que, à época, não havia transitado em julgado, o que afronta diretamente previsão legal contida no Código Tributário Nacional: Fl. 687DF CARF MF 10 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 2001) Pelo comando legal acima, claro está que a compensação, no caso de crédito decorrente de decisão judicial, somente pode ser levada a termo após o seu trânsito em julgado. Além disso, a compensação promovida por iniciativa do próprio sujeito passivo ocorre instantaneamente, no exato momento de sua efetivação, extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória de posterior procedimento de homologação, sendo também indiscutível que, em se tratando de contribuições previdenciárias, somente pode alcançar débitos posteriores ao surgimento do crédito. A Autoridade Administrativa apenas homologa ou não o procedimento efetuado pelo sujeito passivo e, para tanto, verifica sua correção no momento em que seus efeitos são alcançados, ou seja, no momento da compensação. Além da verificação do cumprimento das exigências impostas pela legislação, se estes forem plenamente atendidos, o Fisco quantifica o indébito e avalia sua eventual suficiência em relação ao débito que se pretendeu extinguir. No caso ora sob análise, não tendo sido identificada, no momento da homologação, a ocorrência do trânsito em julgado do provimento judicial, não se chegou às fases seguintes do procedimento fiscal (quantificação do crédito e cotejo com o débito). Assim, reconhecer a correção do procedimento de compensação por conta do trânsito em julgado superveniente, importaria assumir o risco de afirmar que o crédito foi suficiente à extinção do débito, o que pode resultar em prejuízo ao Erário, além de configurar decisão que se assemelha à compensação de ofício, cuja competência é da unidade responsável pela administração do tributo e não do julgador de 2ª instância. Portanto, o julgamento do REsp citado não empresta seus efeitos ao presente processo, mas pode e deve ser considerado pelo contribuinte para quantificar o seu direito creditório e promover a compensação em momento posterior ao trânsito em julgado do provimento judicial. Situação diferente seria se o presente tratasse de cobrança de tributo lançado sobre as verbas consideradas pelo judiciário fora do campo de incidência do tributo previdenciário. Neste caso, não haveria dúvidas sobre a improcedência do lançamento. Contudo, como se viu, o imputação fiscal decorre de compensação indevida de débitos apurados sobre rubricas que não se confundem com as verbas em litígio judicial. Assim, rejeito a preliminar suscitada. Período de apuração foi objeto de fiscalização no MPF 051010.2010.01.012686 Sustenta o recorrente a nulidade da autuação, basicamente por entender que todo e qualquer fato gerador compreendido no período teria sido homologado pelo Fisco, em razão de ter sido fiscalizada em procedimento anterior, no mesmo período. Não assiste razão ao recorrente. A possibilidade de novo procedimento de fiscalização em face de determinado contribuinte decorre da vinculação à lei da atividade de Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10580.721575/201362 Acórdão n.º 2201004.009 S2C2T1 Fl. 684 11 lançamento. Identificado fato que configure infração à legislação tributária é dever do fisco promover o lançamento de ofício, independentemente de ter ou não incluído o contribuinte em programa de fiscalização anterior. Ainda que o contribuinte fosse fiscalizado e autuado no mesmo período e sobre o mesmo tributo, não estaria a salvo de, dentro do prazo decadencial, ser objeto de novo procedimento fiscal, é o que se conclui pelos termos do Decreto 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Ver tópico (4 documentos) Assim, rejeito a preliminar suscitada. Da tempestividade e do efeito suspensivo. A tempestividade do recurso já foi declarada no início do presente voto, resultando, por consequência, na suspensão do crédito tributário até que exaurido o trâmite administrativo previsto na legislação. Assim, nada a prover neste tema. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Embora seja a última matéria suscitada no recurso, por seu caráter preliminar de mérito, antecipo sua análise. O recorrente pleiteia a conversão do julgamento em diligência com o fim de verificar: se no Auto de Infração está sendo cobrada parcela indevida da contribuição previdenciária relativa aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado ou incidente sobre 1/3 de férias; se os créditos tomados e suja compensação restou glosada referemse aos valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado ou incidente sobre 1/3 de férias. Completamente desnecessária a diligência pleiteada, seja em razão do motivo que levou à glosa das compensações (inexistência de trânsito em julgado do provimento judicial), seja em razão da Autoridade Fiscal não ter chegado à fase de avaliação do mérito do crédito pleiteado. Ademais, os valores cobrados decorrem da própria informação prestada pelo contribuinte em GFIP, razão pela qual, ainda que já ciente do provimento judicial, caso tenha calculado o montante declarado sobre as verbas que discute judicialmente, deverá considerar Fl. 689DF CARF MF 12 tal equívoco no momento de apurar o crédito passível de restituição e compensação, naturalmente nos limites da legislação e das conclusões do judiciário. Assim, indefiro pedido de conversão do julgamento em diligência. MÉRITO Antes de adentrar às questões de mérito, o contribuinte faz um breve relato dos fatos que cercam a presente lide administrativa, afirmando que a decisão recorrida teria se equivocado ao entender que inexiste crédito, já que haveria a necessidade da decisão judicial transitar em julgado. Está correta a decisão recorrida. A utilização de direito creditório pelos contribuintes demanda a convicção de sua liquidez e certeza, sendo certo que, enquanto não transitado em julgado o provimento judicial que tenha reconhecido um indébito tributário, não há que se falar em liquidez e certeza do crédito. Daí a espírito do art. 170A do CTN já citado alhures. Do vício (insanável) da autuação em razão da ausência de correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para apuração dos supostos créditos tributários. Alega o recorrente que a autoridade fiscal não considerou os argumentos e documentos apresentados pela parte recorrente, principalmente os contábeis, que, supostamente, comprovam a regularidade da empresa perante o Fisco. O Agente Fiscal não observou, ainda, o entendimento judicial e o entendimento deste Conselho em relação às rubricas que estão sendo cobradas, bem como o procedimento realizado pelo contribuinte. Afirma que os valores compensados decorrem de contribuições incidentes sobre os 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como a título de saláriomaternidade, férias, adicional de 1/3 e outras. Sustenta que sendo tais valores pagos indevidamente, conforme demonstrado em ações mandamentais e decisões proferidas em sede de recurso repetitivo, não pode ser a recorrente compelida ao pagamento da contribuição à margem da legislação tributária sobre os valores em debate, bem como efetuar a compensação das respectivas quantias pretéritas indevidamente pagas. Aduz que teria obtido decisão favorável em sede de Mandado de Segurança, que poderia ser executada imediatamente, sem a necessidade de trânsito em julgado. Resumidos os argumentos do recurso sobre o tema, como já expresso acima, não houve qualquer manifestação da Autoridade Fiscal sobre o mérito do direito creditório que o contribuinte entende devido. O que se identificou foi que suposto direito teria sido utilizado antes do trânsito em julgado da decisão judicial em que se funda. Os precedentes judiciais ou administrativos juntados no curso do procedimento fiscal não podem ser avaliados pelo AuditorFiscal considerando sua convicção pessoal sobre o tema, exclusivamente por este exercer atividade plenamente vinculada e, em particular, em razão da discussão judicial sobre a regularidade ou não da incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas em comento, o que, considerando a supremacia da decisão judicial sobre a administrativa, impõe que seja acatado os exatos termos do provimento judicial. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10580.721575/201362 Acórdão n.º 2201004.009 S2C2T1 Fl. 685 13 Não merece prosperar a tese da defesa de que, por se tratar de ação mandamental, poderia executar a decisão exarada em sede de Mandado de Segurança independentemente de trânsito em julgado. Senão, vejamos o que decidiu o Magistrado, em 28 de fevereiro de 2008 (fl. 235): Do exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA pleiteada para: a) declarar a inexistência de relação jurídica entre a Impetrante e a autoridade coatora que a obrigue ao pagamento da contribuição previdenciária incidente tão somente sobre o auxílio doença pago diretamente por ela aos seus empregados (quinze primeiros dias de afastamento dos empregados doente ou acidentados), bem como do adicional de férias (1/3); b) assegurar à Impetrante o direito de compensar, sem a incidência dos artigos 3º e 4º da LC 118/2005 e IN nº 600/2005, e, após o trânsito em julgado, na forma do art. 74 da Lei 9.430/96 e da IN 210/2012, os valores recolhidos a título das referidas contribuições incidentes sobre o auxílio doença pago diretamente por ela aos seus empregados, bem como do adicional de férias (1/3), com as parcelas vincendas de quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil, facultandose à Administração a conferência das quantias, atualizando seus créditos pela Selic. Portanto, a execução imediata do provimento judicial não afastaria a necessidade de aguardar o seu trânsito em julgado e indica, sem a menor sombra de dúvidas que o recorrente, a despeito de ter pleno conhecimento dos limites do que lhe foi concedido judicialmente, ousou, já a partir do mês 04/2008, a valerse do crédito ainda precário para reduzir, mediante compensação, o tributo que deveria recolher (fl. 258 e ss). Por fim, frisese que os valores que se exigem no presente processo não são relativos a cobrança do tributo previdenciário sobre as verbas discutidas judicialmente, mas são as contribuições regulares calculadas pelo recorrente e, indevidamente, compensadas antes do trânsito em julgado do provimento judicial que lhe deu amparo. Sendo certo que o crédito decorrente do provimento judicial poderá ainda ser pelo contribuinte utilizado, desde que sempre observando as limitações impostas pela legislação e pelo próprio provimento judicial. Assim, nego provimento ao recurso no presente tema. Da compensação prevista no art. 66 da Lei 8.383/91 Alega o recorrente que, ao contrário do que decidiu a Delegacia de Julgamento, não haveria vedação ao aproveitamento do tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado, já que o procedimento realizado teria fundamento no art. 66 da Lei 8.383/91, nas decisões judiciais e no entendimento deste Conselho. Desnecessárias maiores considerações sobre essa questão, pois, como se viu no tema anterior, a necessidade de aguardar o trânsito em julgado está estampada no corpo do provimento judicial, cuja observância é obrigatória administrativamente, em razão da supremacia da decisão judicial sobre a administrativa. Fl. 691DF CARF MF 14 Ainda assim, não identifico como afastar o teor do provimento judicial e do art. 170A do Código Tributário Nacional em razão do que prevê o art. 66 da lei 8.383/94, que assim dispõe: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Ora, ainda que a compensação seja efetuada pelo próprio interessado, como também ocorre em relação a quaisquer outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é certo que a utilização de tal instituto não poderá se dar sem observação do que prevê o Código Tributário Nacional, que, ressaltese, é quem relaciona a compensação como hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, incido II), configurando norma geral em matéria trituraria, recepcionado pela atual Constituição Federal com status de lei complementar, cujo conteúdo orienta o exercício da tributação por todos os entres tributantes. Assim, nada a prover neste tema. Da indevida exigência da contribuição previdenciária sobre valores objeto do mandado de segurança (primeiros 15 dias de afastamento dos funcionários doentes ou acidentados; salário maternidade; férias e do 1/3 Constitucional) Embora o contribuinte tenha tratado de forma segregada cada rubrica especificada no título, deixo de tratar dos temas, seja em razão da discussão não se mostrar útil à lide em tela, já que a autuação decorre da não observação da limitação do art. 170A do CTN, seja em razão de que os argumentos objetivam demonstrar a não incidência do tributo previdenciário sobre tais verbas, no que se confunde com a discussão levada ao crivo do judiciário, o que impõe reconhecer a renúncia à instância administrativa, nos termos da Súmula Carf nº 01. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim em razão das razões e fundamentos legais acima expressos, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10580.721575/201362 Acórdão n.º 2201004.009 S2C2T1 Fl. 686 15 Fl. 693DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.013193/2007-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/03/2002 a 30/04/2003
CRÉDITO FINANCEIRO. ILIQUIDEZ. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
A auto compensação de débitos tributários escriturados com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de ação judicial, somente é possível depois de apurada a liquidez do valor utilizado, nos estritos termos da decisão transitada em julgado.
Numero da decisão: 9303-005.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ILIQUIDEZ. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A auto compensação de débitos tributários escriturados com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de ação judicial, somente é possível depois de apurada a liquidez do valor utilizado, nos estritos termos da decisão transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 31 93 /2 00 7- 17 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte ARACRUZ CELULOSE S.A. (incorporada por Fibria Celulose S/A) (fls. 543 a 559) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3303002.681 (fls. 460 a 473) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 19 de agosto de 2014, no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, ratificado pelo Despacho nº 3302029 (fls. 529 e 530) que negou seguimento aos embargos de declaração da Contribuinte, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO IPI, NA ESCRITA FISCAL. CRÉDITO ILÍQUIDO.ILEGITIMIDADE. É ilegítima a compensação de débitos do IPI, na escrita fiscal desse imposto, com créditoprêmio definitivamente reconhecido em juízo, por ter sido apurado que essa compensação ocorreu antes do trânsito em julgado da respectiva liquidação da sentença. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. O estabelecimento incorporador de outro é responsável pelo IPI e acréscimos, inclusive multas, devidos até a data da incorporação, pelo estabelecimento incorporado. DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento, sob a forma de dedução parcial de débitos do IPI, no período de apuração do imposto, de créditos admitidos, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, a título de IPI não recolhido, por glosas procedentes, de créditos não admitidos. Recursos de Oficio e Voluntário negados. O presente processo tem origem em Auto de Infração para exigência do IPI (não declarado) (fls. 06 a 10) decorrente de aproveitamento indevido de créditoprêmio do IPI, instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491/69, cabível, na época, pela exportação de produtos industrializados realizada no período de 15/12/89 a 05/10/90. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 4 3 Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 a 22), o aproveitamento ocorreu mediante escrituração no livro Registro de Apuração do IPI, do segundo decêndio de março de 2002 ao terceiro decêndio de abril de 2003. Foi apurado pela Fiscalização ter sido o créditoprêmio do IPI reconhecido para a Riocell S/A, incorporada por Aracruz Celulose S/A, no julgamento conjunto da Ação Ordinária Declaratória nº 95.00012227 e da Ação Cautelar nº 94.00175361, as quais transitaram em julgado em 28/02/1997. Ocorre que o aproveitamento do benefício foi considerado indevido pela auditoria fiscal porque, embora o crédito fosse certo, em razão do seu reconhecimento definitivo em juízo, carecia do atributo da liquidez por ocasião do seu aproveitamento, a qual só veio a ser adquirida posteriormente, com o trânsito em julgado da respectiva liquidação de sentença, em 22/02/2006. Após cientificada da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 224 a 253), julgada parcialmente procedente para cancelar parte da exigência do IPI anteriormente ao terceiro decêndio de novembro de 2002, pois fulminada pela decadência, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 1016.550 da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (fls. 381 a 392), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DO IPI, NA ESCRITA FISCAL. CRÉDITO ILÍQUIDO. ILEGITIMIDADE. É ilegítima a compensação de débitos do IPI, na escrita fiscal desse imposto, com créditoprêmio definitivamente reconhecido em juízo, por ter sido apurado que essa compensação ocorreu antes do trânsito em julgado da respectiva liquidação da sentença. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. O estabelecimento incorporador de outro é responsável pelo IPI e acréscimos, inclusive multas, devidos até a data da incorporação, pelo estabelecimento incorporado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, por qualquer motivo, é acrescido de juros de mora, calculados pela Taxa Selic. DECADÊNCIA. Verificada a antecipação de pagamento, sob a forma de dedução parcial de débitos do IPI, no período de apuração do imposto, de créditos admitidos, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, a titulo de IPI não recolhido, por glosas procedentes, de créditos não admitidos. Lançamento Procedente em Parte Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 5 4 Vistos, relatados e discutidos os autos, acordam os membros da Terceira Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgar procedente em parte o lançamento, para cancelar a exigência do IPI, formalizada no Auto de Infração, das fls. 3 a 7 (vol. 1), no valor total de R$ 3.992.375,16 (três milhões, novecentos e noventa e dois mil, trezentos e setenta e cinco reais e dezesseis centavos), fulminada pela decadência, conforme detalhado no demonstrativo anexo ao voto, e respectivos juros de mora e multa de 75%, mantendo o restante da exigência do IPI, no valor de R$ 1.230.848,12, acrescida de juros de mora e multa de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Contra referida decisão, foi apresentado recurso de ofício pelo Presidente da Turma Julgadora da DRJ e recurso voluntário pelo Sujeito Passivo (fls. 398 a 415), aos quais foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 3303002.681 (fls. 460 a 473) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 19 de agosto de 2014, ratificado pelo Despacho nº 3302029 (fls. 529 e 530) que negou seguimento aos embargos de declaração da Contribuinte. No ensejo, a Contribuinte, após intimada do despacho de negou seguimento aos embargos de declaração, interpôs recurso especial (fls. 543 a 559), alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de compensação do créditoprêmio do IPI reconhecido por meio de ação judicial anteriormente ao trânsito em julgado da liquidação de sentença, pois a ação judicial que reconheceu o direito da Recorrente e a liquidação de sentença foram ajuizadas anteriormente à edição do art. 170A do CTN. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 330100.556. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) a decisão judicial que reconheceu o direito ao créditoprêmio de IPI e o início da liquidação de sentença ocorreram antes da entrada em vigor da restrição prevista no art. 170A do CTN, bem como ter resultado a liquidação de sentença em crédito da Contribuinte superior ao montante objeto da compensação; (b) a restrição relativa à compensação de crédito reconhecido judicialmente somente após o trânsito em julgado da demanda entrou em vigor com a publicação da Lei Complementar nº 104/2001, na data de 10/01/2001, que inseriu o art. 170A no Código Tributário Nacional. A ação judicial nº 0001222 70.1995.404.7100 foi distribuída em 25/01/1995 e a liquidação de sentença iniciada em 30/07/1997, portanto, ambas anteriormente à entrada em vigor do art. 170A do CTN; (c) conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, pela sistemática dos recursos repetitivos, o art. 170A do CTN o qual veda a compensação de créditos tributários antes do trânsito em julgado da ação somente é aplicável às demandas ajuizadas após 10/01/2001; (d) por fim, reforça estar devidamente comprovada nos autos a divergência jurisprudencial, pois tanto o acórdão recorrido quanto o paradigma tratam de Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 6 5 autos de infração decorrentes de compensação de IPI na escrita fiscal, referentes ao créditoprêmio reconhecido na mesma decisão judicial proferida na ação ordinária nº 95.00.012227 RS (000122270.1995.404.7100), que apurou o montante de R$ 26.982.934,22 atualizado até 01/07/2001; (e) requer o provimento do recurso especial para que seja declarada a improcedência da acusação fiscal. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 17 de fevereiro de 2016 (fls. 597 a 599), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação ao direito de proceder à compensação de créditos tributários decorrentes de ação judicial sem trânsito em julgado, por ter sido ajuizada anteriormente à vedação do art. 170A do CTN. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 601 a 608) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. A matéria trazida para debate em sede de recurso especial de divergência do Contribuinte limitase à possibilidade de pleitear a restituição/compensação de crédito tributário objeto de ação judicial antes do trânsito em julgado da liquidação de sentença, pois ajuizadas anteriormente à vigência da LC nº 104/2001 que inseriu o art. 170A do CTN. De início, cumpre destacar ter o Superior Tribunal de Justiça entendimento consolidado no sentido de ser aplicável a restrição contida no art. 170A do Código Tributário Nacional somente às demandas judiciais ajuizadas após a vigência do referido dispositivo, introduzido pela LC nº 104/2001. O posicionamento foi firmado no julgamento do recurso especial nº 1164452/MG, pela sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, correspondente ao art. 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 7 6 Civil, aprovado pela Lei nº 13.105/2015), cujos fundamentos foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (grifouse) Desta forma, foi consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça entendimento, segundo o qual a vedação contida no art. 170A do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar nº. 104, de 10 de janeiro de 2001, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência do referido dispositivo. Conforme relatado, no que tange à matéria pertinente ao recurso especial, a Contribuinte é detentora de créditoprêmio de IPI devidamente reconhecido em demanda judicial, ajuizada em 25/01/1995 e transitada em julgado em 14/02/1997. Além disso, conforme restou determinado em sentença, a correção monetária aplicável foi apurada por meio de liquidação de sentença, procedimento este iniciado em 30/07/1997 e sentenciado em 28/09/2001. Neste caso, tendo sido a demanda judicial ajuizada em 25/01/1995, e a liquidação de sentença terse iniciado em 30/07/1997, portanto, ambas anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, não há que se falar na vedação à compensação antes do trânsito em julgado da ação. Não há de se falar na falta de liquidez do crédito, pois a sentença já é líquida. Assim, o caso em análise amoldase ao entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça, devendo ser afastada a aplicação do art. 170A do Código Tributário Nacional. De outro lado, conforme estabelecido no §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015, a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 8 7 13.105/2015 Novo Código de Processo Civil) deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Diante de todo o exposto, e com fulcro no §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, dáse provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a vedação à compensação antes do trânsito em julgado contida no art. 170A do CTN, com o cancelamento do auto de infração de IPI em exigência. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão de mérito se restringe à liquidez do crédito tributário utilizado na compensação dos débitos tributários escriturados e compensados pelo contribuinte com crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de ação judicial, cuja sentença de liquidação se encontrava pendente de trânsito em julgado. A auto compensação do crédito financeiro se deu com débitos tributários escriturados, vencidos entre as datas de 20/11/2002 e 9/5/2003. Nesse período, a legislação tributária assim dispunha, quanto à compensação: Lei nº 9.430, de 27/12/1996: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Código Tributário Nacional (CTN): "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (incluído pela Lcp nº 104, de 2001)." Segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, citado e transcrito acima, os créditos apurados, ou seja, certos e líquidos, contra a Fazenda Nacional, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, poderão ser compensados com débitos tributários vencidos. Já o art. 170A do CTN, também citado e transcrito acima, com vigência a partir de 11 de janeiro de 2001, veda a compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de ação judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva ação. No presente caso, apesar das ações de conhecimento do direito do contribuinte ao crédito financeiro utilizado nas compensações terem transitado em julgado em 28 de fevereiro de 1997, a sentença de liquidação em que foi apurada a liquidez dos créditos, valores mensais, atualização monetária, inclusive os índices que seriam aplicados, juros compensatórios e montante, somente transitou em julgado em 2 de junho de 2006, conforme demonstrado e provado no acórdão recorrido (fls. 471/472). Tomo a liberdade de reproduzir excerto do acórdão recorrido, mais especificamente do voto do ilustre Relator Conselheiro Alexandre Gomes, às fls. 471/472, no Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 10 9 qual demonstrou e provou a iliquidez do crédito financeiro utilizado e ainda que o próprio contribuinte tinha ciência dessa iliquidez, na data das compensações efetuadas por ele: (...) "Decisão recorrida entendeu que, diante da menção expressa tanto da sentença quanto do Acórdão proferido pelo TRF 4ª, o crédito não possuía liquidez e certeza posto que dependeria de liquidação de sentença. Isto porque a decisão proferida pelo Tribunal Regional expressamente determinou que a apuração do crédito se daria por liquidação de sentença (A correção monetária, a ser computada da data da lesão, obedecerá aos índices a serem determinados em liquidação de sentença, como julgado na instância "a quo") Ressalto que a Recorrente deu inicio a liquidação da sentença em 29/07/1997 e da petição inicial convém destacar: Em 28.02.97, conforme certidão de fls. 111112, sobreveio o trânsito em julgado da decisão, restando definitivamente decidida a lide favoravelmente à autora. Todavia, declarada a existência do direito, apenas parte do provimento jurisdicional inicialmente pretendido foi atendido. Definida a existência do direito resta ainda quantificar o êxito obtido pelo autor no feito, eis que expressamente restou diferido tal mister pela sentença, como alhures já referido —fl. 89 , para liquidação a ser proposta pela parte posteriormente ao seu trânsito em julgado. 5. Ante a patente necessidade de se liquidar a sentença para que definitivamente restem fixados os critérios que levarão ao valor exato dos créditos a que tem direito a autora, imperioso tecer algumas considerações acerca das modificações ocorridas na matéria com o advento da Lei 8.898, de 29.6.94, para demonstrar o cabimento da liquidação por (...) 9. Com efeito, para que se possa calcular na forma prevista no Código de Processo Civil, artigo 604, é necessário que estejam a mão todos os elementos para a efetivação da operação aritmética no momento em que oferecida a inicial executória; havendo necessidade de serem levantados e ponderados elementos embasadores do cálculo, bem como determinados fatores a serem aplicados para a sua elaboração, o que se terá será a necessidade de elaboração de conta, procedimento mais complexo, incabível nos estreitos lindes no necessariamente célere e objetivo artigo 604, e s6 realizável em sede de liquidação de sentença. 10. As discussões acerca de conversão de moeda estrangeira em moeda corrente nacional — discussões acerca da data a ser considerada na conversão, da Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 11 10 cotação a ser utilizada, etc., a necessidade de conferência dos valores em moeda estrangeira nas guias de exportação e eventual necessidade de análise de documentos outros a serem confrontados com tais guias, tais como os conhecimentos de embarque, bem como a análise e aplicação das normas que disciplinavam a verificação do valor dos créditos em cada caso, desaguam na incontestável conclusão de que o procedimento que se impõe no caso para a verificação do "quantum" devido à autora é a liquidação por arbitramento, conforme prevê o artigo 606 do CPC, em seu inciso II. Reforça tal entendimento o fato de que os valores que deverão embasar os cálculos estão inseridos em guias de exportação que deverão passar pelo crivo do contraditório para que se elevem a condição de legitimas fornecedoras de valores idôneos para figurarem como componentes do valor total final entendido como devido. Considerese ainda a necessidade de se estabelecer a forma de se proceder ao calculo de atualização monetária ante aplicação de inúmeros índices de correção e expurgos a considerar no caso e de aplicação de juros moratórios. Flagrante, pois, a configuração, na espécie, de quadro a ensejar muito mais do que meros cálculos aritméticos. Tal liquidação de sentença somente transitou em julgado em 02 de junho de 2006. Como se viu da própria inicial de liquidação de sentença, à época das compensações no livro do IPI, a própria Recorrente reconhecia que o credito não gozava de liquidez e certeza, motivo pelo qual está correta a decisão recorrida." (...) Assim, demonstrado e provado que, na data das compensações efetuadas pelo contribuinte, o trânsito em julgado da sentença judicial em que se apurou a liquidez dos créditos financeiros utilizados, ainda não havia ocorrido. e, portanto, os créditos utilizados eram ilíquidos, as compensações não podem ser convalidadas. Registrese que, ao contrário do entendimento proferido pela relatora, a negativa de provimento aqui realizada, inclusive pelo acórdão recorrido, não tem ligação direta com a vigência do art. 170A do CTN. Não se está negando o direito em razão deste dispositivo, até mesmo porque a ação judicial aqui discutida foi proposta antes da vigência de tal dispositivo. Isto é incontroverso. Negase o direito em face do que dispõe o próprio caput do art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11080.013193/200717 Acórdão n.º 9303005.882 CSRFT3 Fl. 12 11 O dispositivo legal é claro ao exigir que o crédito a ser compensado deve ter a característica de certeza e liquidez. Portanto, conforme bem demonstrado na decisão recorrida, faltava ao crédito a liquidez necessária para que fosse possível a compensação pretendida. Em face do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 620DF CARF MF
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Numero do processo: 13829.000144/2005-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA.
Não se conhece do recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexistente a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas.
Numero da decisão: 9303-005.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. Não se conhece do recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexistente a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 9. 00 01 44 /2 00 5- 97 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 633 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 608 a 618) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 330201.580 (fls. 598 a 605) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26 de abril de 2012, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001 IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/10/1999 a 08/12/1999 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 634 3 DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawback suspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se inicia com o fim do programa de exportação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. Recurso Voluntário Provido em Parte A Contribuinte teve contra si lavrado auto de infração (fls. 06 a 23), e respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 24 a 30), para exigência do crédito tributário de imposto sobre produtos industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional, referentes ao imposto suspenso na aquisição de insumos a serem empregados na industrialização de produtos exportados, adquiridos em desacordo com os Planos de Exportação dos quais a empresa era beneficiária. A impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo (fls. 367 a 379) foi julgada improcedente, mantendose o lançamento em sua integralidade, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 1432.599 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 548 a 558), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/10/1999 a 20/04/2001 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica no imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial, no caso do regime DrawbackSuspensão, deverá ser estabelecido de acordo com a Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 635 4 regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, e como tal, a contagem inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto esta competência é instituída por lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez que a autuação se embasou em livros e documentos contábeis e fiscais fornecidos pelo próprio sujeito passivo e os argumentos da defesa evidenciam ter havido compreensão da motivação para a formalização dos autos de infração, não se acolhe a preliminar suscitada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignado, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário (fls. 564 a 579), ao qual foi dado parcial provimento nos termos do Acórdão nº 330201.580 (fls. 598 a 605) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26 de abril de 2012, ora recorrido, tão somente para considerar decaídos os fatos geradores anteriores a 29/12/1999, aplicandose o art. 173, inciso I do CTN, para contagem do prazo decadencial. Nesse ponto, a decisão foi assim fundamentada: [...] Quanto à decadência, a razão também está com a Primeira Instância, uma vez que não se trata de hipótese de lançamento por homologação. Primeiramente, pela própria natureza das operações, dentro das quais não há pagamento antecipado, pois a incidência do IPI sobre os insumos fica suspensa. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 636 5 Ademais, o referido imposto, que, como esclarecido por vezes nos presentes autos, é devido pela Interessada como responsável, é obrigação tributária que não se comunica com o IPI devido nas saídas de produtos industrializados. Tanto é assim que não existe o alegado direito de crédito. No âmbito de tal obrigação, os pagamentos eventuais de IPI que se refiram ao imposto de obrigação própria da Interessada não se prestam para caracterizar a existência de pagamento antecipado a que se refere o art. 150 do CTN. Admitir tal hipótese seria como considerar que eventuais pagamentos de outro tributo pudessem interferir no prazo decadencial de IPI. Aplicandose ao caso o art. 173, I, do CTN, o prazo de decadência inicia se somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Nessa matéria, discordase da conclusão da Primeira Instância, que considerou iniciar o prazo somente com o conhecimento do descumprimento da condição, que se daria somente quando a Receita Federal tomasse conhecimento “do adimplemento ou não dos compromissos assumidos pelo beneficiário do regime, o que se dá somente no encerramento do Plano de Exportação aprovado”. É que, no caso dos autos, tal raciocínio somente pode ser aplicado ao caso da apuração de insumos adquiridos em excesso, que não foram empregados nos produtos exportados. No caso dos insumos adquiridos antes da vigência do plano de exportação e dos insumos não incluídos no plano, o lançamento poderia ser efetuado a qualquer tempo. No caso de tais insumos (anexo III de fl. 133 dos autos), como o lançamento foi efetuado em 25 de outubro de 2005, somente poderia abranger os fatos geradores (data de saída dos produtos) até 29 de dezembro de 1999. O imposto relativo às saídas de 30 de dezembro de 1999 somente poderiam ser lançados em 2000, começando a fluir o prazo de decadência em 1º de janeiro de 2001 e finalizando em 31 de dezembro de 2005. Já o IPI devido anteriormente já poderia ter sido lançado em 1999, finalizandose o prazo decadencial em 31 de dezembro de 2004. Assim, em relação à tabela de fl. 133, o primeiro fato gerador (08 de dezembro de 1999) relativo aos insumos não incluídos no plano de exportação e todos os relativos aos insumos adquiridos antes da ciência da aprovação do plano restaram abrangidos pela decadência. De resto, destaquese que não há o que reparar nos fundamentos do acórdão de primeira instância, relativamente ao que foi alegado no recurso, razão pela qual, adotandoos com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso da Interessada, para considerar decaídos os períodos mencionados no parágrafo anterior. [...] Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 637 6 Portanto, embora tenha o acórdão recorrido adotado a regra do art. 173, inciso I do CTN para contagem do prazo decadencial, discordou da decisão da DRJ quanto à determinação do termo inicial, explicase: a DRJ considerou iniciarse o prazo somente com o descumprimento dos compromissos assumidos pelo beneficiário do regime especial de drawback, que se dá no encerramento do Plano de Exportação aprovado; o Colegiado a quo, por sua vez, concluiu que o raciocínio poderia ser aplicado somente aos insumos adquiridos em excesso e não empregados nos produtos exportados, sendo que para o caso dos insumos adquiridos antes da vigência do Plano de Exportação e daqueles ali não incluídos, o lançamento poderia ser efetuado a qualquer tempo. Em face da referida decisão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (fls. 608 a 618), insurgindose quanto ao reconhecimento da decadência parcial e alegando divergência jurisprudencial quanto à definição do termo inicial para a contagem do prazo decadencial no regime de drawback. Sustenta a Recorrente que o prazo inicial para a constituição do crédito tributário somente pode ocorrer após a emissão do relatório de comprovação emitido pelo órgão administrador. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 310100295 e 30131373. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que na vigência do regime de drawback, o Fisco só estará autorizado a constituir o crédito tributário após ser comunicado do término do regime, o que se dá com a emissão do Relatório Final de Comprovação de Drawback pela SECEX. Assim, com base no art. 173, I, do CTN, o termo de início do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do recebimento pela Receita Federal do Relatório de Comprovação. Por fim, requer o provimento do recurso especial para afastar a decadência declarada no acórdão recorrido. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho S/Nº, de 16 de novembro de 2015 (fls. 620 a 624), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. Não foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (fl. 631). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 638 7 Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A discussão dos autos dáse em torno da contagem do prazo decadencial para o lançamento decorrente do descumprimento, pela Contribuinte, do programa de exportação da Lei nº 8402/92 (drawback verdeamarelo), e regulamentado pelo Decreto nº 541/1992, por meio do qual são adquiridos insumos no mercado interno e no mercado externo, com suspensão do IPI, a serem empregados em produtos a ser exportado, verificandose o seu adimplemento mediante a condição de posterior comprovação do cumprimento do Plano de Exportação aprovado. No que tange ao termo inicial da decadência, a fundamentação da decisão recorrida deuse nos seguintes termos: [...] Quanto à decadência, a razão também está com a Primeira Instância, uma vez que não se trata de hipótese de lançamento por homologação. Primeiramente, pela própria natureza das operações, dentro das quais não há pagamento antecipado, pois a incidência do IPI sobre os insumos fica suspensa. Ademais, o referido imposto, que, como esclarecido por vezes nos presentes autos, é devido pela Interessada como responsável, é obrigação tributária que não se comunica com o IPI devido nas saídas de produtos industrializados. Tanto é assim que não existe o alegado direito de crédito. No âmbito de tal obrigação, os pagamentos eventuais de IPI que se refiram ao imposto de obrigação própria da Interessada não se prestam para caracterizar a existência de pagamento antecipado a que se refere o art. 150 do CTN. Admitir tal hipótese seria como considerar que eventuais pagamentos de outro tributo pudessem interferir no prazo decadencial de IPI. Aplicandose ao caso o art. 173, I, do CTN, o prazo de decadência iniciase somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Nessa matéria, discordase da conclusão da Primeira Instância, que considerou iniciar o prazo somente com o conhecimento do descumprimento da condição, que se daria somente quando a Receita Federal tomasse conhecimento “do adimplemento ou não dos compromissos assumidos pelo Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 639 8 beneficiário do regime, o que se dá somente no encerramento do Plano de Exportação aprovado”. É que, no caso dos autos, tal raciocínio somente pode ser aplicado ao caso da apuração de insumos adquiridos em excesso, que não foram empregados nos produtos exportados. No caso dos insumos adquiridos antes da vigência do plano de exportação e dos insumos não incluídos no plano, o lançamento poderia ser efetuado a qualquer tempo. No caso de tais insumos (anexo III de fl. 133 dos autos), como o lançamento foi efetuado em 25 de outubro de 2005, somente poderia abranger os fatos geradores (data de saída dos produtos) até 29 de dezembro de 1999. O imposto relativo às saídas de 30 de dezembro de 1999 somente poderiam ser lançados em 2000, começando a fluir o prazo de decadência em 1º de janeiro de 2001 e finalizando em 31 de dezembro de 2005. Já o IPI devido anteriormente já poderia ter sido lançado em 1999, finalizandose o prazo decadencial em 31 de dezembro de 2004. Assim, em relação à tabela de fl. 133, o primeiro fato gerador (08 de dezembro de 1999) relativo aos insumos não incluídos no plano de exportação e todos os relativos aos insumos adquiridos antes da ciência da aprovação do plano restaram abrangidos pela decadência. [...] A Fazenda Nacional, por sua vez, insurgese por meio de recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao termo inicial de contagem do prazo decadencial no regime de drawback suspensão. Tratase de situação fática diversa daquela que foi analisada no caso dos autos, pois não se está diante do regime especial de drawback suspensão, mas sim de plano especial de exportação (drawback verdeamarelo), que possui características diferentes daquele, não sendo possível a aplicação do mesmo tratamento jurídico com relação à decadência. As ementas dos julgados colacionados como paradigma evidenciam a falta de similitude fática e, por conseguinte, da divergência jurisprudencial pretendida, no caso em exame: Ementa Acórdão nº 310100.295: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/01/1999 DRAWBACK SUSPENSÃO, DECADÊNCIA. Tem sido entendimento neste Conselho, em especial a Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o termo "a quo" do prazo decadencial em caso de drawback será contado a partir do primeiro dia útil ao ano seguinte da data Fl. 639DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 640 9 do recebimento do relatório de comprovação de drawback, aplicandose ao caso o artigo 173, inciso I, do CTN. DRAWBACK SUSPENSÃO, DENUNCIA ESPONTÂNEA. A legislação tributária não admite a ocorrência da denuncia espontânea no regime especial de Drawback, tendo em vista que o ato concessório assemelhase a contrato de direito privado que ocorrendo a inadimplência não pode ser obstada pela denúncia do artigo 138 do CTI\L Somente admite a ocorrência da denuncia espontânea se o Contribuinte realizar o recolhimento dos tributos dentro de 30 dias após o vencimento do prazo para exportação dos produtos, MULTA DE OFÍCIO, RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO, Sucessão por incorporação da controlada pela controladora, importa na inexorável assunção dos direitos e deveres da sucedida pela sucessora, sejam passados, presentes e futuros compromissados, nos termos da lei, não cabendo a exclusão da responsabilidade se os acionistas e administradores se confundem. Recurso Voluntário Negado Ementa Acórdão nº 30131373: DRAWBACK. SUSPENSÃO. II./IPI VINCULADO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente do regime de Drawback é o consagrado no art. 1731 do CTN, cuja contagem só pode ocorrer após a emissão do relatório de comprovação emitido pelo órgão administrador do beneficio. A concessão do regime condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78, DL 37/66). O descumprimento da obrigação estabelecida no art. 325 do RA, que determina a utilização do beneficio no documento comprobatório da exportação, implica a descaracterização do regime e a exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados que lhe corresponderam. CONCESSÃO. FISCALIZAÇÃO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. É de competência exclusiva da SECEX a concessão do regime de drawback quando efetivamente cumpridas a formalização, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, fase esta que confirma a condição do regime, que até então se encontrava sob condição resolutória. (Inteligência do art. 2° da Port. MF n° 594/92 c/c a Port. SECEX n° 4/97). É da competência da SRF a aplicação do regime, a fiscalização dos tributos suspensos e a constatação do regular cumprimento pela importadora dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente, compreendendo esta última, após a verificação da SECEX. (Inteligência do art. 30 da Port. MF n° 594/92 c/c a Port. SECEX n° 4/97). ADIMPLEMENTO. INEXISTÊNCIA. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13829.000144/200597 Acórdão n.º 9303005.868 CSRFT3 Fl. 641 10 Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. (Inteligência do Comunicado DECEX n° 21/97, tem 19.1). Na falta de vinculação dos Atos Concessórios do Regime de Drawback aos Registros de Exportação deverão ser exigidos os tributos suspensos na importação, acrescidos de multa de oficio e dos juros de mora. Comporta juros e multa de mora quando da nacionalização de mercadorias sobre tributos suspensos, antes do início de procedimento fiscal. Iniciado o procedimento cabe multa de oficio. RECURSO NEGADO. Tanto é assim que no próprio documento de concessão do Plano de Exportação consta a possibilidade de a Fiscalização proceder às verificações no curso do programa especial ou após o seu término, não se falando em aguardar o relatório final, como ocorre no drawback suspensão, para averiguar o seu adimplemento: [...] Nos termos do artigo 17 da TN DpRF n° 084/92, a fiscalização poderá, no curso da execução do presente Plano de Exportação ou após o seu término, proceder as verificações que julgar convenientes e, se apuradas divergências, fará de ofício a exigência tributária correspondente. [...] Diante do exposto, ausente a comprovação da divergência jurisprudencial por não haver a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, não se conhece do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 641DF CARF MF
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Numero do processo: 13707.000044/2007-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando é indicado como único paradigma acórdão proferido pelo mesmo colegiado que prolatou o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-006.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando é indicado como único paradigma acórdão proferido pelo mesmo colegiado que prolatou o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 00 44 /2 00 7- 17 Fl. 159DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, tendo em vista a constatação de erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003, relativamente a rendimentos declarados pelo Contribuinte que, conforme informações constantes da DIRF, teriam sido recebidos por sua genitora, Sra. Juana Soto Rivera. Em sessão plenária de 18/09/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2801003.200 (efls. 93 a 96), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DIRPF/DIRF. CRUZAMENTO DE DADOS. VALORES ERRONEAMENTE DECLARADOS. EXCLUSÃO. Prevalece a exclusão dos valores lançados na declaração de ajuste anual quando estes estão em descompasso com os valores informados em DIRF pela fonte pagadora. Recurso Voluntário Negado" A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator." Cientificado do acórdão em 04/02/2014 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 100), o Contribuinte interpôs, em 18/02/2014 (carimbo aposto às efls. 102), o Recurso Especial de efls. 102 a 115, com fundamento no art. 37, § 2º, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, visando rediscutir a exclusão, de ofício, de rendimentos por ele declarados na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003, sob o fundamento de que a titularidade desses rendimentos, conforme informações da DIRF, seria de sua genitora. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho s/n de 02/07/2015 (efls. 152 a 155). Em seu apelo, o Contribuinte alega: o fato gerador do Imposto de Renda se dá no momento de sua disponibilidade, a teor do que dispõe o art. 43, I, do CTN, não havendo, assim, na hipótese, como se negar a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ou seja, fato gerador do imposto de renda, da pensão especial recebida pelo recorrente; a esse respeito, a própria 1a Turma Especial do CARF, no julgamento do Recurso Voluntário relativo ao processo nº 13707.001.434/200615, interposto pela genitora do recorrente, Juana Soto Rivera, em sessão de 30/11/11, proferiu acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. Exercício: 2002 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13707.000044/200717 Acórdão n.º 9202006.011 CSRFT2 Fl. 160 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO. Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatado elemento de prova que descaracterize a omissão de rendimentos, cabível o cancelamento do correspondente crédito tributário. Recurso Voluntário provido." (Recurso Voluntário n° 503.861, Acórdão n° 2801 02.075,Processo n° 13707.001434/200615, julgado pela Ia Turma Especial, Sessão de 30/11/2011). no entanto, o acórdão recorrido contrariou expressamente o art. 43, do CTN, na medida em que deu prevalência aos valores informados em DIRF pela fonte pagadora, em detrimento do real beneficiário da pensão especial; além disso, o acórdão recorrido é divergente, em relação ao acórdão da 1a Turma Especial acima transcrito, assim como do entendimento jurisprudencial do E. Tribunal Regional Federal, conforme demonstra a ementa a seguir transcrita: "PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO DIRF. INFORMAÇÃO EQUIVOCADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS NÃO CARACTERIZADA. 1. A comprovação de que a informação prestada pela fonte pagadora na declaração de imposto de renda retido na fonte (DIRF) não corresponde à realidade uma vez que a autora não recebeu as verbas salariais ali declaradas — implica a descaracterização da suposta omissão de rendimentos e, via de consequência, a nulidade do auto de infração lavrado por esse motivo. 2. O total dos rendimentos tributáveis informados na declaração anual apresentada pela parte autora, após a desconsideração do montante comprovadamente não pago, supera aquele efetivamente recebido. 3. Apelação da autora a que se dá provimento. Apelação da Fazenda Nacional a que se nega provimento. (Apelação Cível 2002.38.03.0009231/MG, TRF Ia Região, Rei. Desa. Federal Maria do Carmo Cardoso, 8a Turma, unanimidade, julg. 17/05/2013, publ. 14/06/2013 DJF1, p. 733). frisese que o fato de a fonte pagadora, no caso, a Secretaria de Estado de Administração e Reestruturação do Rio de Janeiro SARE, não haver informado corretamente o lançamento decorrente da Pensão Especial percebida pelo recorrente, por meio da matrícula nº 00/821.3258, não o exime da responsabilidade tributária de responder pelo seu pagamento, uma vez que essa informação deve constar na Declaração de Ajuste Anual do Contribuinte; por tal razão, o Contribuinte informou na sua Declaração de Ajuste Anual os valores recebidos a título de Pensão Especial, por também ser o responsável pela informação Fl. 161DF CARF MF 4 em sua Declaração de Ajuste Anual dos valores recebidos, sob pena de exação, na trilha de precedentes jurisprudenciais; com efeito, uma vez comprovado nos autos que o recorrente é quem efetivamente recebeu os valores atinentes às pensões por ele recebidas, não obstante a fonte pagadora tenha apresentado DIRF, na qual informou o pagamento e a retenção do IR na fonte em nome de pessoa diversa, no caso, sua mãe, existe o fato gerador para a cobrança do Imposto de Renda, corretamente, na declaração de rendimentos do recorrente; inferese, portanto, que está configurada a divergência jurisprudencial, uma vez que o acórdão recorrido negou vigência à Lei Federal, enquanto o acórdão paradigma, prolatado pela 1a Turma Especial, deu correta aplicação ao disposto na lei em questão e no entendimento jurisprudencial; por derradeiro, mister se faz tecer alguns esclarecimentos e considerações a respeito das premissas que embasaram o acórdão recorrido; à época da concessão das pensões, tanto da Pensão Especial quanto da Pensão Previdenciária, o recorrente era menor impúbere e ainda não possuía CPF, sendo que no IPEPJ constava, nos documentos pertinentes, somente o nome do recorrente e demais dados de sua mãe, inclusive CPF, figurando esta como responsável; já nos documentos referentes à Pensão Especial não constava o nome do recorrente, mas sim o de sua mãe, bem como o CPF dela, a seu ver indevidamente, pois o recorrente era o real beneficiário da referida pensão, conforme consta nos DOC.01., fls.20; DOC. 02, fls. 21 a 23, DOC.03, fls. 24 e DOC.04, fls. 25, o que é corroborado pelos demais documentos anexados aos autos; quando indagado por sua mãe ao setor correspondente, o porquê de não constar o nome do recorrente nos documentos pertinentes a ele como beneficiário, lhe foi dito que deveria ser desta forma e não como constava nos documentos do IPERJ, isto é, como mãe responsável; a partir do ano de 2005 foram corrigidos todos os seus dados referentes à Pensão Especial, mantendo o mesmo número de matrícula de origem (00/0821.3258), que inicialmente estava em nome de sua mãe como sendo a pensionista, sendo que o recorrente era o real beneficiário; o vínculo de pensionista aparece em todos os comprovantes de pagamento mensais, até a sua extinção em 2008 (21 anos), conforme se pode ver nos documentos anexados aos autos, por exemplo, nos contracheques de outubro e dezembro de 2005, janeiro de 2006, janeiro de2007 e novembro de 2008 (último recebido DOC. 05, fls. 26 a 34); dessa forma podese dizer que a referida matrícula não lhe é atribuída como servidor, mas sim como pensionista, sendo que foram feitas as devidas correções, inclusive na DIRF e nos já referidos documentos, a partir do ano de 2005; a referida Pensão Especial foi concedida ao recorrente pelo então Chefe de Polícia Civil, Sr. Dr. Hélio Tavares Luz, no uso de suas atribuições, conforme despacho datado de 19/12/1996 (DOC.02, fls. 21 a 23) e publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (DOC.03, fls. 24), tendo sido extinta em 2008, por ter atingido a maioridade (DOC. 04, fls.25); Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13707.000044/200717 Acórdão n.º 9202006.011 CSRFT2 Fl. 161 5 a fim de demonstrar que a Pensão Especial lhe pertencia por direito e para dirimir qualquer dúvida, anexa a Certidão de Percepção de Pensão Especial, emitida pelo órgão competente, onde consta ser seu real beneficiário, detentor da matrícula 00/0821.3258, recebida de 28/02/1997 a 10/12/2008 (DOC. 01, fls. 20); ocorre que já houve dois julgamentos que trataram de fato semelhante ao ora aqui tratado, sendo de exercícios distintos (2001 e 2002), ambos foram favoráveis à sua mãe, sendo um deles objeto de acórdão em anexo (DOC.06, fls. 35 a 37), muito embora também figurasse o nome de sua mãe na DIRF correspondente e não o seu (processo n° 13707.001581/200512, Acórdão n° 189609 2a Turma da DRJ/STM, sessão de 12/09/2008, referente ao ano calendário de 2000, exercício 2001; e processo nº 13707.001434/200615, Acórdão n° 280102.075, da 1a Turma Especial, sessão de 30/11/2011, referente ao ano calendário 2001, exercício 2002, Relatora Dra. Tânia Mara Paschoalin, que conclui que de fato a matrícula nº 00/0821.3258 pertencia ao titular ora requerente e que ele era o beneficiário da Pensão Especial e não sua mãe); o processo nº 13707.001613/200652, em nome da mãe do recorrente, referente ao mesmo exercício do presente processo (2003), também objeto de Recurso Voluntário, ainda não foi julgado; o recorrente percebia duas pensões por falecimento de seu genitor Jayme de Lima, exservidor Delegado de Polícia Civil, matrícula n° 701.6255, sendo uma do antigo IPERJ e a outra pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão Rioprevidência Fundo Único de Previdência Social, instituído pela Lei nº 3.189, de 1999; reza o artigo 1o da referida Lei: "Fica instituído o Fundo de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro Rioprevidência com a finalidade de arrecadar, assegurar e administrar recursos financeiros e outros ativos para o custeio dos proventos de aposentadoria ou reforma, das pensões e outros benefícios, concedidos e a conceder aos membros e servidores estatutários e seus dependentes, pelo Estado do Rio de Janeiro, suas autarquias e fundações." (nova redação dada pela Lei nº 5.260, de 2008); o IPERJ foi incorporado ao Rioprevidência em 2007, conforme a Lei nº 5.109, de 2007. Ao final, o Contribuinte requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, determinandose a manutenção dos valores lançados na sua Declaração de Ajuste Anual a título de Pensão Especial. Cientificada, a Fazenda Nacional não ofereceu Contrarrazões (efls. 157). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 163DF CARF MF 6 O art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época da interposição do presente Recurso Especial, assim estabelecia: “Artigo 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (grifei) Importa salientar que tal pressuposto foi reiterado no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Do exame do recurso interposto pelo Contribuinte, constatase que o paradigma indicado – Acórdão nº 280102.075 foi proferido pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 30/11/2011, ou seja, a mesma Turma que proferiu o acórdão recorrido, nº 2801003.200, de 18/09/2013, o que contraria o caput do art. 67, acima transcrito. Ademais, esclareçase que acórdãos proferidos pelo Poder Judiciário não servem como paradigmas, por absoluta falta de previsão regimental. Assim, no presente caso não foi satisfeito requisito essencial para interposição de Recurso Especial de Divergência, qual seja, a indicação de acórdão, à guisa de dissídio jurisprudencial, proferido por Colegiado do CARF diverso daquele que prolatou o acórdão recorrido. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.000238/2009-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS
INFRINGENTES.
Verifica omissão do julgado quanto à análise de contrarrazões recursais apresentadas por um dos devedores solidários, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanada a aludida omissão. Inexistência, no caso, de efeitos infringentes.
RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ESPÓLIO. AGRAVAMENTO DO
PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO À
INTIMAÇÃO COM EVIDENCIADO PREJUÍZO AO ERÁRIO.
Dá ensejo ao agravamento da multa conduta omissiva do contribuinte que obstaculize injustifidacamente o bom andamento do procedimento de fiscalização a ponto de prejudicar a arrecadação tributária a que faria jus o erário público.
Numero da decisão: 9101-003.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declarac¸a~o para, re-ratificando o Aco´rda~o n. 9101-002.326, de 04/05/2016, sem efeitos infringentes, sanar a omissa~o apontada, confirmando o agravamento da multa em relac¸a~o ao responsa´vel solida´rio.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Flávio Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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OMISSÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES. Verifica omissão do julgado quanto à análise de contrarrazões recursais apresentadas por um dos devedores solidários, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanada a aludida omissão. Inexistência, no caso, de efeitos infringentes. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ESPÓLIO. AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO COM EVIDENCIADO PREJUÍZO AO ERÁRIO. Dá ensejo ao agravamento da multa conduta omissiva do contribuinte que obstaculize injustifidacamente o bom andamento do procedimento de fiscalização a ponto de prejudicar a arrecadação tributária a que faria jus o erário público. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaraçaõ para, reratificando o Acórdão n. 9101002.326, de 04/05/2016, sem efeitos infringentes, sanar a omissão apontada, confirmando o agravamento da multa em relação ao responsável solidário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 02 38 /2 00 9- 81 Fl. 15608DF CARF MF Processo nº 16004.000238/200981 Acórdão n.º 9101003.282 CSRFT1 Fl. 4.513 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase, originalmente, de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”) no processo n. 16004.000238/200981, em face do acórdão n. 1102001.032 (doravante “acórdão a quo”), proferido pela 2a Turma Ordinária da 1 a Câmara desta 1 a Seção (doravante “Turma a quo”), de interesse de COFERFRIGO ATC LTDA (doravante “COFERFRIGO) e dos seguintes sujeitos passivos solidários: ALFEU CROZATO MOZAQUATRO (doravante “ALFEU”), JOÃO PEREIRA FRAGA (doravante “JOÃO”), MARCELO BUZOLIN MOZAQUATRO (doravante “MARCELO”), PATRÍCIA BUZOLIN MOZAQUATRO (doravante “PATRÍCIA”), INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA (doravante “CMA”) e CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA (doravante “CM4”). O acórdão a quo restou assim ementado: 2003. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. Deixase de conhecer o recurso apresentado pelo sujeito passivo para o qual não foi instaurado o litígio em razão da não interposição de impugnação. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. É no processo administrativo fiscal que estão contidas as garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa e não no procedimento inquisitório de preparação do lançamento. O processo formase pela instauração da fase litigiosa com a impugnação da exigência. LANÇAMENTO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade tributária compõe a sujeição passiva do crédito tributário. A autoridade administrativa deve identificar o sujeito passivo na atividade do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRADORES DE FATO. É cabível a responsabilização solidária de administradores de fato que praticam os atos ilícitos, ou seja, a conduta infratora prevista no artigo 135 do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. TITULARES DE FATO. Possuem o interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a consequente responsabilização solidária, os titulares de fato imediatamente beneficiados pelos recursos financeiros advindos de situações jurídicas que constituem o fato gerador da obrigação tributária principal. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA Fl. 15609DF CARF MF Processo nº 16004.000238/200981 Acórdão n.º 9101003.282 CSRFT1 Fl. 4.514 3 DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Afastase o agravamento da penalidade de ofício na hipótese em que a ausência de apresentação dos documentos solicitados em intimação não impede que a Fiscalização tome conhecimento pleno da receita omitida pelo contribuinte e do fato gerador dos tributos lançados, com a conseqüente lavratura dos lançamentos. A não apresentação dos livros contábeis tem conseqüência jurídica específica, qual seja, o arbitramento do lucro. Recurso de Ofício e Voluntário negados. ARBITRAMENTO DOS LUCROS Impõese o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil e fiscal revelarse imprestável para a apuração do lucro real e para a identificação da movimentação financeira. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROVA INDICIÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO. A prova indiciaria é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. É o caso dos autos onde se desnuda, com todas as luzes, o procedimento fraudulento, consistente na utilização de interposta pessoa jurídica, sem existência fática e sem capacidade operacional, com vistas ao não pagamento dos tributos e contribuições devidos em operações perpetradas pelas pessoas físicas até então ocultas e agora responsabilizadas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. Esta Corte Administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF n° 2). MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Verificada e provada conduta fraudulenta tendente ao não pagamento dos tributos e contribuições é cabível a sua exigência com a multa qualificada de 150%. MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO. DESCABIMENTO. O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros. AUTO REFLEXO (CSLL/COFINS/PIS) Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. A longa ementa do acórdão proferido pela Turma a quo evidencia tratarse de processo envolvendo os seguintes temas: (i) arbitramento dos lucros para o cálculo do IRPJ e CSL; (ii) tributação reflexa de PIS e COFINS; (iii) responsabilidade solidária; (iv) prática de fraude e dolo; (v) decadência; (vi) qualificação da multa, no percentual de 150%; (vii) agravamento da multa, em mais 50%. O caso envolve uma série de fatos, ocorridos em meio à “Operaçaõ Grandes Lagos", por meio da qual teria sido desbaratada uma organizaçaõ criada para fraudar a administração tributária por diversas formas. Houve determinação judicial para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas fossem fiscalizadas pela Receita Federal, verificandose que a COFERFRIGO seria detida por interpostas pessoas, tendo como reais proprietários ALFEU, JOÃO, MARCELO, PATRÍCIA, CMA e CM4. O acórdão proferido pela Turma a quo apresenta minucioso e extenso relatório dos fatos ocorridos, o qual integro a este acórdão. Deixo, no entanto, de transcrevêlo, Fl. 15610DF CARF MF Processo nº 16004.000238/200981 Acórdão n.º 9101003.282 CSRFT1 Fl. 4.515 4 pois a maior parte das questões atinentes aos referidos fatos já se encontram superadas nesse estágio processual: (i) arbitramento dos lucros para o cálculo do IRPJ e CSL: mantido pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (ii) tributação reflexa de PIS e COFINS: mantido pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (iii) atribuição de responsabilidade solidária a ALFEU, JOÃO, MARCELO, PATRÍCIA, CMA e CM4: mantido pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (iv) prática de fraude e dolo: mantido pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (v) decadência relativa ao IRPJ e CSL dos três primeiros trimestres de 2003, bem como relativos ao PIS e à COFINS de janeiro a novembro de 2003: declarados pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pela PFN; (vi) qualificação da multa, no percentual de 150%: declarados pelas decisões da DRJ e da Turma a quo, sem que tenha havido recurso especial pelos sujeitos passivos; (vii) agravamento da multa, em mais 50%, nos termos do art. 44, par. 2o, da Lei n. 9.430/96: mantido pela decisão da DRJ e excluída pelo acórdão a quo, em face do que a PFN interpôs recurso especial. No caso, apenas a PFN interpôs recurso especial em face do acórdão a quo, exclusivamente quanto ao item (vii) acima, qual seja, agravamento da multa, em mais 50%, nos termos do art. 44, par. 2o, da Lei n. 9.430/96. Nesse ponto, a Turma a quo compreendeu inaplicável a aludido agravamento e reduziu a multa de ofício de 225% para 150%, sob o fundamento de que a conduta dos sujeitos passivos, de deixar de responder a intimações fiscais e apresentar livros e documentos solicitados pela autoridade fiscal, por ensejar o arbitramento dos lucros, já seria consequência suficiente em face dos aludidos atos. O referido recurso especial foi julgado pelo Colegiado desta e. CSRF, tendo sido proferido o acórdão nº 9101002.326, de 04.05.2016, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO COM EVIDENCIADO PREJUÍZO AO ERÁRIO. Fl. 15611DF CARF MF Processo nº 16004.000238/200981 Acórdão n.º 9101003.282 CSRFT1 Fl. 4.516 5 Dá ensejo ao agravamento da multa conduta omissiva do contribuinte que obstaculize injustificamente o bom andamento do procedimento de fiscalização a ponto de prejudicar a arrecadação tributária a que faria jus o erário público. Constou do relatório do respectivo acórdão a informação de que “Não foram apresentadas contrarrazões pela recorrida ou pelos sujeitos passivos solidários.” Por sua vez, a i. Servidora da DRF de São José do Rio Preto, Sra. Maria Teresa Franco Pereira, proferiu “despacho de encaminhamento”, com a devolução do processo a este Tribunal, a fim de informar que houve apresentação de contrarrazões contra o Recurso Especial interposto pelo Procurador do responsável solidário JOÃO, acima referido, informando, ainda, que tais contrarrazões estariam acostadas às fls. 15544/15559 dos autos. O referido despacho foi admitido como embargos de declaração por este Tribunal, os quais foram pautados para julgamento pelo Colegiado. Contudo, em sessão anterior, antes de analisar a questão trazida nos aludidos “embargos”, o Colegiado compreendeu necessária verificar a legitimidade processual da embargante, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência. Como resposta, foi proferido despacho de encaminhamento, nos seguintes termos: “No exercício das funções do cargo de AuditorFiscal da RFB e de Chefe desta Sacat, RATIFICO o Despacho de Encaminhamento contido à Fl. 15598, e o complemento para informar que a Portaria DRFSJR no 68/2013, publicada no DOU de 05/12/2013 (Fls. 15599 15600), em seu Artigo 1o, II, autoriza os Chefes de Equipe desta Delegacia para tal mister. E para comprovar cabalmente a designação da servidora AnalistaTributária da RFB, juntamos suas Portarias de designação de chefia, sendo a primeira delas de 1994 (Fls. 1560115604). Dessa forma, sou pelo retorno deste processo ao Carf / CSRF. Observo que, como Chefe desta Sacat, também ajo por delegação de competen̂cia, sendo a Portaria vigente a DRFSJR no 47, de 11/10/2016, DOU de 18/10/2016.” Foram, ainda, acostados aos autos: i) a Portaria 0800/Pn. 122, de 31/10/1994, que resolveu: “Designar MARIA TERESA FRANCO PEREIRA, ATN 3606, matrícula n. 3.015.6912, SIAPE n. 0133081, para exercer a Função Gratificada, FG3, de Chefe de Equipe na Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto”; ii) a Portaria n. 68, de 3/12/2013 DOU de 05/12/2013, em que o Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto delega competência, entre outros, aos Chefes de Equipe. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Antes de adentrar no mérito dos embargos, é preciso verificar se estes foram opotos por agente legitimado. Assim dispõe o art. 65, anexo II, do RICARF: Fl. 15612DF CARF MF Processo nº 16004.000238/200981 Acórdão n.º 9101003.282 CSRFT1 Fl. 4.517 6 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1o Os embargos de declaraçaõ poderão ser interpostos, mediante peticã̧o fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Tendo em vista os esclarecimentos prestados nos autos, compreendo que a Sra. Maria Teresa Franco Pereira apresentou o despacho de encaminhamento, ora recebido como embargos, na qualidade de delegatária do Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, de forma a ser legitimada para a sua oposição. Ademais, os embargos de declaração opostos preenchem os requisitos do RICARF, devendo ser admitidos para sanar a omissão do acórdão dos recurso especial quanto às contrarrazões do espólio do responsável solidário JOÃO. Em suas contrarrazões ao recurso especial da PFN, alega o responsável solidário JOÃO, em especial, que: o STF já teria se posicionado no sentido de que multas acima do valor do tributo seriam confiscatórias, de forma que a sanção de 150% do valor do tributo seria inconstitucional; não teria havido fraude, conluio ou falsificação de documentos; o lançamento teria se baseado em presunções, ausente comprovação de fato ilícito ou de dolo; não caberia aplicação de multa de 225% para o inventariante, pois: (i) não haveria dolo para o cometimento de fraude ou simulação; (ii) não haveria como vincular a conduta do inventariante àqueles ilícitos; (iii) não se teria acesso aos documentos requisitados, já que eles estavam em posse da Polícia Federal. Como se pode observar, a maior parte dos argumentos colacionados nas aludidas contrarrazões referemse à qualificação da multa (de 75% para 150%), matéria que não foi objeto de recurso especial, assim como se requer afastar dispositivos legais por inconstitucionalidade, o que é vedado na esfera administrativa (Súmula CARF n. 1). Quanto aos argumentos suscitados em relação ao agravamento da multa em mais 50% (matéria objeto do recurso especial da PFN), compreendo que não são hábeis para afastar o quanto decidido por este Colegiado no julgamento do recurso especial, em que restou assentado: "Como se pode observar, o fato que enseja o agravamento da multa em 50% (tendo como base as multas de 75% e 150%) não é a imprestabilidade ou mesmo inexistência de livros contábeis hábeis à apuração lucro real, o que é Fl. 15613DF CARF MF Processo nº 16004.000238/200981 Acórdão n.º 9101003.282 CSRFT1 Fl. 4.518 7 hipótese arbitramento de lucros. O que causa o referido agravamento, nos termos prescritos pelo legislador, é a conduta omissiva e protelatória adotada pelo contribuinte que, quando intimado, nem apresenta os referidos documentos e nem informa à autoridade fiscal quanto à sua inexistência, indisponibilidade, imprestabilidade ou reserva do direito de apresentação, com a geração de prejuízos ao fisco. O bom andamento dos procedimentos administrativos instaurados para a apuração de obrigações tributárias é protegido pelo ordenamento jurídico, que estabelece penalidades a restritas hipóteses de condutas do particular de obstacularização da fiscalização, capazes de colocar em risco a arrecadação tributária. (...) No caso concreto, a demora na apuração dos tributos neste processo administrativo colaborou para que boa parte dos créditos viessem a ser consumidos pelo decurso do prazo decadencial. Merece destaque o seguinte trecho do acórdão a quo: O agravamento da multa, segundo a fiscalização, decorreu da falta de manifestação, pela COFERFRIGO, quanto aos Termos de Intimação no 094, 113, 159 e 193, mediante os quais foram solicitados esclarecimentos acerca de sua escrituração contábil, sobre as receitas de terceiros acobertadas por suas notas fiscais, sobre as contas bancárias não localizadas em seus livros Diário e Razão, entre outros. Foi reintimada a prestar esclarecimentos mediante os Termos n. 113, 159, 193 e 204. Limitouse a solicitar prorrogações de prazo. Notese, além disso, que a não colaboração do contribuinte, no presente caso, fez com que a fiscalização diligenciasse junto à SEFAZSP e SEFAZMG para a obtenção de informações, obstáculo o qual pode ter colaborado para a decadência de boa parte dos débitos tributários envolvidos.” Especificamente em relação ao responsável solidário JOÃO (espólio), consta nos autos que “não logrou êxito em justificar ou comprovar, a esta fiscalização, as operações ou negócios que deram causa a esses pagamentos ou créditos em suas contas bancárias. Ressaltese que o inventariante não respondeu às intimações da fiscalização”. (efls. 12983). O Espólio foi intimado pelo Termo de Constatação, Intimação e Reintimação nº 188 para apresentar informações (efls.77217723). Não houve resposta a esta intimação, o que motivou nova intimação através do Termo de Constatação e Reintimação nº 199 (efls. 7720), a qual também restou sem resposta. Como se pode observar, o responsável solidário, inclusive por seu inventariante, foi intimado e reintimado para a prestação de informações e apresentação de documentos, mas nada o fez, impondo inegável embaraço à fiscalização. Vale também transcrever o quanto contido no termo de responsabilidade solidária, com destaque às referências ao Sr. JOÃO PEREIRA FRAGA (efls. 12982 e seg): 1) A COFERFRIGO PAGOU DESPESAS PESSOAIS DE FRAGA (pagamentos de empréstimo, de mensalidade escolar de seu filho etc.) com cheques de contas bancárias controladas pelo mesmo FRAGA mediante procuração; 2) A COFERFRIGO TRANSFERIU VALORES PARA AS CONTAS BANCARIAS DE FRAGA por meio de suas contas bancárias, controladas mediante procuração pelo próprio FRAGA, contabilizando essas transferências de valores como suprimento de caixa. 3) NO ESCRITÓRIO DE FRAGA, FORAM ENCONTRADOS TALÕES DE CHEQUES DA COFERFRIGO COM FOLHAS EM BRANCO, ASSINADAS PELO SÓCIOGERENTE DE DIREITO DA MESMA. Esses talões de cheque foram apreendidos pela Policia Federal no curso da Operação Grandes Lagos, Fl. 15614DF CARF MF Processo nº 16004.000238/200981 Acórdão n.º 9101003.282 CSRFT1 Fl. 4.519 8 em 05/10/2006, ao cumprir mandado de busca e apreensão nesse escritório em Fernanclópolis/SP. Ressaltese que o inventariante do espólio de FRAGA não logrou êxito em justificar ou comprovar, a esta fiscalização, as operações ou negócios que deram causa a esses pagamentos ou créditos em suas contas bancárias. Ressalte se que o inventariante não respondeu As intimações da fiscalização. A COFERFRIGO, intimada e reintimada sobre esses fatos, entre outros, preferiu não se manifestar. A descrição detalhada dos fatos acima e de outros que vinculam FRAGA A COFERFRIGO, podem ser encontradas no Termo de Verificação Fiscal, que segue em anexo ao presente Termo. Assim, seja pela responsabilidade solidária em si, que resta incontroversa nos autos, seja pelos atos praticados, é necessário reconhecer que recai sobre o aludido responsável solidário também a multa agravada. Voto, portanto, por CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, confirmando o agravamento da multa também em relação ao responsável solidário. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 15615DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.017890/2007-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Alegações procedentes.
PRELIMINARES. NOTIFICAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL.
Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal.
Numero da decisão: 2001-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Alegações procedentes. PRELIMINARES. NOTIFICAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 78 90 /2 00 7- 15 Fl. 152DF CARF MF 2 JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige da contribuinte a importância de R$ 7.415,78, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2002. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente foi intimada a comprovar os pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, com comprovações outras, porque aqueles acostados não estariam a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotada na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à afirmação de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciado pela Recorrente, nos termos a seguir reproduzidos: (...) 0 artigo 8°, inc. II, alínea "a", da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 e o artigo 80, § 1°, incisos I a V, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda, assim estabelecem: Lei 9.250/95 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem corno as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso 11, alínea "a"). §1º 0 disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10680.017890/200715 Acórdão n.º 2001000.049 S2C0T1 Fl. 3 3 (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) E certo que o contribuinte apresentou a autoridade fiscal os recibos de pagamento das despesas declaradas com profissionais. Todavia, aquela autoridade exigiu a apresentação de elementos que comprovassem a efetividade dos pagamentos. A exigência fiscal não é descabida. Para gozar as deduções com despesas médicas, não basta ao contribuinte a disponibilidade de simples recibos, pois questionado pela autoridade administrativa deverá comprovar, de forma objetiva, a efetiva prestação do serviço médico e o pagamento realizado. Importante frisar que no tocante As despesas médicas relativas aos profissionais indicados no relatório desta decisão, a autuação não está fundamentada na falsidade dos documentos. 0 lançamento está alicerçado na falta de comprovação do efetivo pagamento e prestação dos serviços. Isso não implica, necessariamente, falsidade documental, mas, sim, a imprestabilidade dos recibos apresentados para fruição do beneficio fiscal. (grifei) (...) 0 artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto ° 3.000, de 1999, determina que o contribuinte, quando instado, deverá apresentar todos os elementos que comprovem o efetivo pagamento das despesas declaradas. Por sua vez, o § 1° do mesmo artigo, excepciona o caso em que a fiscalização poderá lançar mão da glosa das deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados. Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (DecretoLei n2 5.844, de 1943, art. 11, §3º. §: I" Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei No 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (...) Ao efetuar o pagamento das despesas a contribuinte pode lançar mão da emissão de cheque nominal ao profissional que lhe presta o Fl. 154DF CARF MF 4 serviço, pode efetuar saques compatíveis com as datas de emissão dos recibos, ou ainda, pode realizar transferência bancária para quitar o gasto médico. (...) Ressaltese mais uma vez que os recibos oferecidos, por si sós, são considerados insuficientes para a aceitação da referida dedução no montante declarado, levando em conta o valor envolvido, pois, na verdade, fazem prova tão somente das declarações neles contidas, não dos fatos declarados. (...) Por pertinente, incumbe dizer que as afirmações constantes de documentos, sejam os recibos ou as declarações prestadas pelos profissionais, não podem ser opostas, incontinenti, à Fazenda Pública, que têm seus próprios mecanismos e poderes. O Código Civil, por seu turno, regula as relações entre particulares. Assim, quando estabelece os requisitos básicos, por exemplo, para que um documento seja considerado prova de quitação, o faz tendo em vista a oposição deste documento em relação aos seus signatários, não em relação à Administração Pública. Aliás, a presunção de veracidade, como estatui o artigo 219 do Código Civil (Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002), operase somente em relação aos signatários: “Art. 2Í9. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários”. A presunção de veracidade não alcança terceiros, entre os quais o sujeito ativo da obrigação tributária, que mantém uma relação jurídica distinta e completamente independente daquela entre os signatários. Há de se observar ainda que o lançamento está fundamentado na existência de despesas exageradas em relação aos rendimentos percebidos pela autuada. (...) Por todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, com manutenção do crédito tributário, no valor de R$7.415,78 (sete mil quatrocentos e quinze reais e setenta e oito centavos), sobre o qual incidem multa de oficio de 75 %, passível de redução, e juros de mora. Conclui, assim, o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa no valor total relativo às despesas médicas. Por sua vez, irresignada com a decisão do acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.017890/200715 Acórdão n.º 2001000.049 S2C0T1 Fl. 4 5 II PRELIMINARMENTE DA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA NULIDADE. 0 art. 7º da Lei 10.424/02 determina que o contribuinte que deixar' de apresentar DCTF (ou documento equivalente DIPJ, DIRPF, Dacon conforme o caso), ,nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, DEVER SER INTIMADO a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, OU A PRESTAR ESCLARECIMENTOS, NOS DEMAIS CASOS no prazo estipulado pela Secretaria da Receita FederalSRF. Assim o é em respeito aos principio do contraditório e da ampla defesa, princípios estes assegurados constitucionalmente ao cidadão. A manifesta violação a esses princípios normativos inquina de nulidade o lançamento, como inclusive já reconheceu a Segunda Câmara desse ínclito Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda quando do julgamento do recurso nº 146454 processo nº 13603.001118/200288. Desta forma se impõe o reconhecimento da afronta aos princípios elementares do Estado Democrático de Direito, corroborado pela CR/88 e também pela legislação infraconstitucional aplicável à espécie e o reconhecimento da nulidade do lançamento, o que fica desde já requerido e que sequer foi apreciado quando do julgamento da impugnação. III PRELIMINAR DE MÉRITO III.1 DA MULTA CONFISCATÓRIA 75% Ultrapassada a preliminar retro arquida, o que se admite apenas pelo princípio da eventualidade, ainda assim o lançamento não pode prosperar da forma em que se apresenta. Eis que o fisco fez incidir multa de 75% sobre o Imposto de Renda que considerou devido. Entretanto, reza o artigo 50, inciso IV da Constituição da República de 1988 in verbis: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte é vedado à União, aos Estados e aos Municípios: ..................................................... IV utilizar tributos com efeito de confisco." 111.2 DA ILEGALIDADE DA TAXA SELIC (...) Tratase, pois, não somente de inconstitucionalidade manifesta, como também de quebra de hierarquia das leis vez que a Lei ordinária nº 9.065/1995 não poderia ter alterado o Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei nº 5.172/66, porém com status de lei complementar, a teor da Emenda Constitucional nº 01. Mostrase induvidosa a necessidade de excluir da exação, juros de mora com a incidência da Taxa SELIC, por afrontar a Constituição Federal e ao princípio da hierarquia das normas legais, tudo por uma Fl. 156DF CARF MF 6 questão de economia processual, o que fica desde já requerido através do acolhimento do presente recurso. Requer, pois, Impugnante, ora Recorrente, que seja acolhida a presente preliminar para, em eventual manutenção de exação decotar a taxa selic para a contagem dos juros de mora. III QUESTÃO DE MÉRITO (...) Conforme anteriormente apontado, o que se verifica no caso dos autos e que a autoridade fiscal autuou a contribuinte mesmo diante do fato de que as despesas efetuadas foram comprovadas mediante documentação suficiente, de acordo com a legislação pertinente e ao contrário das razões postas no acórdão. A legitimidade da dedução das despesas médicas em questão é induvidosa, a teor do artigo 80 do RIR/99: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso 11, alínea "a"). §1º 0 disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(GRIFEI) (...) IV DOS PEDIDOS 01. Seja considerada improcedente o procedimento fiscal de expedir auto de infração, pelo Correio, sem oferecimento de oportunidade de esclarecimento prévio, consoante legislação processual retro indicada; 02. Seja expurgado do crédito tributário em lide, a multa confiscatória de 75%, incidente sobre o imposto de renda considerado devido; 03. Seja também excluído da incidência tributária, o juro moratório calculado por incidência da Taxa SELIC; 04. Sejam recepcionados os elementos probatórios de pagamentos de despesas médicas em anexo e constante da declaração; 05. Em decorrência, seja decretada a nulidade do lançamento fiscal, pelos vícios processuais e meritórios trazidos à colação, oferecendo a Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.017890/200715 Acórdão n.º 2001000.049 S2C0T1 Fl. 5 7 oportunidade à contribuinte de retificar a declaração, desde que demonstrada a justa causa para possíveis incorreções. É o relatório Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DE NOTIFICAÇÃO A notificação via sistema de Correio é válida legalmente e não ocasionou qualquer prejuízo à Recorrente visto que a impugnação foi apresentada à DRJ no prazo estabelecido em lei, portanto, tempestiva, razão disso foi a julgamento naquele primeiro grau administrativo. Neste particular, não assiste razão à demandante neste quesito por insuficiente alegação. Rejeito a preliminar de inadequada notificação pelo Correio. DA PRELIMINAR DE MÉRITO MULTA DE 75% Improcedente a alegação de que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% teria caráter confiscatório porque prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, e inciso I, do art. 957, do Decreto nº 3.000/99, e não ofende qualquer dispositivo constitucional tributário. Ressaltese tratar de matéria pacificada neste Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula 2, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeito a preliminar de mérito da Multa de 75%. DA PRELIMINAR DE MÉRITO TAXA SELIC Improcedente a contestação da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios aplicáveis ao crédito tributário, porque prevista na legislação. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Rejeito a preliminar de mérito da Taxa Selic. Fl. 158DF CARF MF 8 DO MÉRITO A questão aqui tratada é de natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decretolei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados â cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10680.017890/200715 Acórdão n.º 2001000.049 S2C0T1 Fl. 6 9 Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. Ressaltese que o termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os Fl. 160DF CARF MF 10 desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos contidos na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebida do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10680.017890/200715 Acórdão n.º 2001000.049 S2C0T1 Fl. 7 11 Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto à deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Fl. 162DF CARF MF 12 Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.017890/200715 Acórdão n.º 2001000.049 S2C0T1 Fl. 8 13 Cabe ressaltar que existe a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). De entenderse que os registros do Livro Caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória apresentada, se respaldados em escrituração contábil ou livro caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória, mantidos de acordo com as normas legais e, fundados em documentos hábeis, serão validos para todos os efeitos e fazem prova verdadeira em favor do cliente/paciente. Em caso de dúvida da inveracidade dos fatos registrados cabe à Autoridade Fiscalizadora auditálos. Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já comprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória tem que ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. Ressaltese que a Recorrente apresentou declarações assinadas pelos profissionais que afirmam ter prestado os serviços, em quantidades bastante elevadas naquele exercício e, em alguns casos, consta a informação de que o atendimento médico foi efetuado a domicílio. Fl. 164DF CARF MF 14 É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pela contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 165DF CARF MF
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