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Numero do processo: 13886.000229/00-88
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1990 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1990 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1990 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 02 29 /0 0- 88 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 10/05/2000, relativo ao período de apuração de 01/05/1990 a 30/09/1995. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13886.000229/0088 Acórdão n.º 9900000.675 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora para a análise do mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10708.000263/97-20
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1997
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO
Não havendo omissão, contradição ou divergência no acórdão embargado não podem ser opostos Embargos de Declaração que é o meio apropriado para apreciação ou modificação do mérito.
Numero da decisão: 1802-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os Embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO Não havendo omissão, contradição ou divergência no acórdão embargado não podem ser opostos Embargos de Declaração que é o meio apropriado para apreciação ou modificação do mérito.
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CABIMENTO Não havendo omissão, contradição ou divergência no acórdão embargado não podem ser opostos Embargos de Declaração que é o meio apropriado para apreciação ou modificação do mérito . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os Embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 210 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto contra o Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente o Recurso Voluntário, mantendo a decisão da 8º Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ, que indeferiu o pleito do Embargante. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Ocupamonos de processo administrativo no qual se trata de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 14 de novembro de 1997, e de pedido de compensação de (fl. 31), protocolado em 05 de junho de 1997. Aludidos pedidos têm como objeto o mesmo crédito, no valor de R$ 110.346,60, referente a pagamento indevido ou a maior feito, sob o código 2362 (estimativas de IR) referente ao ano de 1996. Consta dos autos que tendo sido solicitada, em 14 de janeiro de 1998, a confirmação da liquidez e certeza do crédito pretendido (fl. 35), foi realizada diligência cujo relatório conclusivo, juntado às folhas 43 e 44, ratifica a existência de indébito no total de R$ 99.315,35. Tendo em vista o referido relatório, foi emitido em 04 de setembro de 2008 o despacho decisório de folhas 85 a 87, no qual se consignou que a recorrente fundamentou seus pedidos de compensação em pagamento de imposto de renda que teria sido feito a maior do que o devido no ano de 1996, entretanto, pelo teor de sua declaração de rendimentos de 1997, verificouse na ficha 08 (fls. 15) que o valor pleiteado correspondia ao saldo negativo apurado na linha 18, a título de imposto de renda a pagar e por isso, considerou que a recorrente, no preenchimento de seu pedido, cometeu um erro de fato, ao indicar o crédito pleiteado como pagamento indevido e não como saldo negativo de imposto de renda, tratando o dessa maneira, bem como conferindo ao pedido de compensação as inovações trazidas para o procedimento. Salientouse, no mérito, que de conformidade como que consta na ficha 08 da declaração de rendimentos de 1997, o saldo negativo de imposto de renda pagar, no montante de R$ 110.346,60, foi apurado, no encerramento do ano calendário 1996, a partir da dedução do imposto calculado (alíquota 15%), no valor de R$ 61.551,68 mais o adicional, (R$ 17.034,45), deduzidos do imposto de renda na fonte sobre operações com a Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 211 3 Prefeitura de Angra dos Reis (R$ 18.480,06) e do imposto de renda mensal por estimativa, no valor de R$ 153.144,76 do imposto sobre o lucro real. Sendo assim, destacou a autoridade administrativa que conforme se verificaria no termo de diligência elaborado no âmbito da DRF em Nova Iguaçu, a recorrente considerou o valor de DARF pago em dezembro de 1996 como R$ 15.785,73 e o valor, comprovado (DARF) era de R$ 5.444,08 e por consequência a recorrente faria jus ao valor de R$ 99.315,35, em conformidade com o Termo de Diligência de folhas 43 a 45. Após essas claras e autoexplicativas conclusões, a Autoridade Administrativa afirmou expressamente que em nada obstante as considerações feitas acima, as compensações se encontravam homologadas tacitamente pelo decurso do prazo de 5 anos, com base no artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 e que, portanto, os débitos nela relacionados estavam extintos conforme disposto no artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. Surpreendentemente, a parte dispositiva do Despacho Decisório fez constar a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido. Cientificada (fl. 113), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 125 – 126), reiterando seus argumentos e pugnando pelo reconhecimento do direito creditório. Verificase que consta na ementa da decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ (fls. 143 – 148) o “status” de compensação homologada, consignandose que uma vez reconhecida a homologação tácita, a consequência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo artigo 74, § 5º, da lei 9.430/1996. Registrou a decisão da DRJ, nessa toada, que da análise do despacho decisório depreendese que já se havia reconhecido a homologação tácita da declaração de compensação de folha 31, tendo, porém, sido atribuído a tal fato efeitos equivocado. Sublinhouse, portanto, que de conformidade com o comando do próprio ato decisório e demonstrativo de folhas 107 a 108, a extinção dos débitos que constam da declaração homologada foi operada, tão somente, até o limite do direito creditório então reconhecido e que nos termos do artigo 74, § 2° da Lei 9.430/1996, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, operando efeito o ato sob condição resolutória após o seu implemento, uma vez reconhecida a homologação tácita, se imporia, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, o reconhecimento da extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo artigo 74, § 5º da mesma lei 9.430/1996. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 212 4 Concluiuse, destarte, pela extinção integral dos débitos que foram objeto da declaração de compensação de folhas 31. No intuito de manifestarse sobre os pontos abordados na Manifestação de Inconformidade, que surpreendentemente nada tratou acerca dos efeitos equivocados emprestados ao despacho decisório, a DRJ afirmou que de fato não existiria nenhum direito creditório além daquele já reconhecido, mas nada refletindo, por isso, na conclusão de homologarse tacitamente as compensações declaradas. Em vista dessas circunstâncias, a DRF devolveu o processo à DRJ para adequarse o julgamento, que modificou (fl. 160) o resultado do julgamento de favorável ao interessado para desfavorável ao interessado. Devidamente cientificada da decisão proferida pela DRJ (fl. 163), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 164 – 170), insistindo na existência integral do crédito, nada tratando acerca dos efeitos da já reconhecida homologação tácita. A 2º Turma Especial do Conselho de Contribuintes de Recursos Fiscais CARF, indeferiu a solicitação do ora Embargante, através do Acórdão n° 1802 00.788 de 22 de fevereiro de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. Uma vez reconhecida à homologação tácita, a consequência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo art. 74, § 5 da lei 9.430/1996. Inconformado com a decisão, o Embargante apresentou os presentes embargos de declaração no qual aduziu, em síntese, a existência de omissão do julgador na declaração do direito de crédito remanescente que este acreditava fazer jus. É o relatório, passo a decidir. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 213 5 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Nada obstante as alegações da Embargante, de que o Acórdão proferido no âmbito do Recurso Voluntário teria sido omisso quanto ao reconhecimento do seu direito de crédito, não coaduno do mesmo entendimento. A decisão, ora atacada, quando se pronunciou em relação ao mérito do pleito do Embargante, não foi omissa ou inconclusiva; os argumentos apresentados pelo órgão julgador foram extremamente claros e precisos em considerar a inexistência de crédito ao Embargante. O Acórdão embargado considerou a ocorrência da homologação tácita em decorrência do transcurso temporal, baseando sua decisão no artigo 74, § 5º, da lei nº 9.430/1996. Em decorrência deste fato, o direito de crédito pleiteado pelo Embargante estaria submetido aos mesmos efeitos da homologação tácita, como podemos extrair do trecho abaixo transcrito: Portanto, não há mais controvérsia nos autos, as compensações foram homologadas tacitamente no mesmo valor do credito pleiteado, extintos os débitos indicados pela contribuinte, não havendo mais crédito a ser reconhecido. Assim, como verificado, este fato foi objeto de claro pronunciamento do órgão julgador, ora Embargado, que decidiu pela homologação tácita, por decurso temporal, dos débitos e créditos declarados na obrigação acessória. Sendo assim, ao julgar a solicitação de reconhecimento de crédito remanescente suscitada pelo Embargante, o julgador argumentou que, conforme apurado em diligência no âmbito da DRF de Nova Iguaçu RJ, o crédito da Embargante seria de R$ 99.315,35, estando este compensado com os débitos declarados na obrigação acessória no mesmo valor. Diante do resultado da diligência, a decisão no âmbito da Delegacia Regional de Julgamento foi de considerar a homologação tácita do saldo apurado nesta diligencia, sendo este entendimento repetido no acórdão de julgamento do Recurso Voluntário, ora embargado, conforme se extrai do trecho abaixo transcrito: Quando ambas as decisões se manifestaram pela inexistência de parte do crédito, não o fizeram para atrelharlhe às homologações das compensações, mas sim, para fundamentar, alternativamente, suas razões de decidir. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 214 6 Além disso, uma vez declarada à homologação tácita, este fato ocasiona a extinção dos débitos em favor dos créditos apresentados na declaração, independentemente da certeza e liquidez dos valores declarados. Sendo assim, com a ocorrência da extinção do crédito declarado, independente de sua certeza e liquidez, não se pode considerar a existência de saldo remanescente surgido da atualização deste pela taxa Selic. Este entendimento também se encontra explícito no acórdão como fica demonstrado no trecho abaixo transcrito: A propósito, a ementa da decisão recorrida prescinde de qualquer esforço hermenêutico, estatuindo que se homologavam as compensações, tacitamente, a independer da certeza e liquidez do crédito indicado. Assim, considero que em momento algum restou qualquer dúvida sobre o entendimento do julgador do Recurso Voluntário quanto a eventual crédito remanscente do Embargante. Ante os argumentos apresentados pelo Embargante, concluo que o motivo que ensejou a contestação do acórdão tem por objetivo o ataque ao mérito, ou seja, pretende modificação da decisão proferida para que fosse reconhecido seu “direito” a atualização de seus créditos, via selic, o que ensejaria apuração de crédito fiscal remanescente. Nessa esteira, conforme já decidido inúmeras vezes neste processo administrativo, não assiste razão ao embargante, entendimento com o qual coaduno. Ademais, os embargos de declaração não são o meio apropriado para apreciação ou modificação do mérito desse processo administrativo que é exatamente o que pretende a Embargante. Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR os embargos interpostos. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180201.300 S1TE02 Fl. 215 7 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 11 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10909.002162/2007-97
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Fez sustentação oral o Dr. Cicero Dittrich, OAB/SC no 13.467. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 333/339), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento de pedido de ressarcimento do IPI, no valor de 124.240,38, correspondente ao primeiro trimestre de 2006. O pleito se alicerçou no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. Segundo relatório que subsidiou a decisão de primeira instância, a contribuinte, em 15/05/2006, apresentou o pedido de ressarcimento/declaração de compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 02 16 2/ 20 07 -9 7 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002162/200797 Resolução nº 3802000.093 S3TE02 Fl. 389 2 PER/DCOMP n 17385.75904.150506.1.3.016511, no valor de R$ 52.458,65, relativo ao mesmo período de apuração. As compensações efetuadas encontramse discriminadas às fls. 236/237. Em exame do pedido, a DRF Itajaí glosou totalmente o crédito do IPI correspondente às notas fiscais de emissão da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ 65.727.711/000108, correspondente ao montante de R$ 172.890,12. A glosa foi motivada em decorrência das seguintes constatações relatadas pela autoridade fiscal (ver Parecer SARAC de fls. 219/225): a) a interessada não comprovou os pagamentos em favor da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda.; b) também não apresentou os conhecimentos de transporte das compras efetuadas à Petropolímeros (apenas informou que o fornecedor seria o responsável pelo transporte); c) nas notas fiscais emitidas pela Petropolímeros não foi identificado o transportador (embora na maioria das notas tenham sido registradas as placas dos veículos, estas, contudo, mediante consulta ao RENAVAM, correspondiam a placas inexistentes ou a veículos que “não poderiam ter transportado as cargas”); e, d) ausência de carimbo da fiscalização estadual na transposição da fronteira. Inconformada com o indeferimento de seu pleito, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou o seguinte: a) que a maioria das transações que ocorrem no mercado atual são extintas por meio de pagamento em espécie e que tal constitui uso e costume; b) que a empresa dispunha de caixa excedente e que por muito tempo trabalhou adequando seu capital para que ficasse o mesmo consigo, não inserindo boa parte de seus recursos no sistema bancário objetivando economia com a contribuição provisória sobre movimentações financeiras; c) que em 2006 passou a efetuar seus pagamentos por boletos bancários e/ou TED´s, anexando notas fiscais de 2006; d) que o despacho decisório se assenta em presunção; e) que o transporte das mercadorias e o preenchimento das notas fiscais não são de sua responsabilidade; f) que a movimentação de seu estoque demonstra que adquiriu o produto PET virgem, código 678; e, g) que a legislação lhe dá direito à compensação tributária. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002162/200797 Resolução nº 3802000.093 S3TE02 Fl. 390 3 A primeira instância, todavia, não acolheu os argumentos aduzidas pela reclamante em vista das “provas indiretas de inexistência das operações da Manifestante com a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA.”. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 04/06/2012 (fls. 343 do processo eletrônico). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/07/2012, o recurso voluntário de fls. 344/367, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda: a) que o transporte foi feito mediante modalidade CIF, de forma que ao emitente incorrem as responsabilidade do transporte, bem como inerentes ao preenchimento das notas fiscais, na forma do Regulamento do ICMS; b) que a empresa não tem por hábito a recusa da entrega de mercadorias pela incompatibilidade de placas entre a nota fiscal e o veículo; e) quanto à falta de carimbo da fiscalização estadual ressalta que em nenhuma das notas fiscais emitidas pela Petropolímeros existe identificação do transportador e que o trajeto feito pelo veículo não é de sua responsabilidade; e, f) que, após o início deste processo administrativo, a empresa fora fiscalizada (processo no 10909.004957/200900), não tendo correspondente ação fiscal detectado nenhuma irregularidade nas transações entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007; sobre a questão, apresenta documentação que, pede, seja aceita como prova suficiente para desconstituir o lançamento. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso com a correspondente homologação da compensação pleiteada. Instruem o recurso, além de documentos estatutários da recorrente, cópia de relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (v. fls. 383/386 do processo eletrônico). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O relatório da SARAC da DRF Itajaí, bem como o voto que direcionou a decisão de primeira instância apontam para a inexistência das transações comerciais que a recorrente diz ter celebrado com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. Em contrapartida, a recorrente afirma que, após o início deste processo administrativo, foi fiscalizada pela Receita Federal, ocasião em que não teria sido detectado nenhum problema nas transações realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002162/200797 Resolução nº 3802000.093 S3TE02 Fl. 391 4 A reclamante acosta aos autos cópia do relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (fls. 383/386 do processo eletrônico), objeto do processo administrativo no 10909.004957/200900. Em pesquisa realizada no eprocesso não localizei o processo indicado pela recorrente. Assim, a análise que segue é baseada unicamente na cópia anexada pela interessada em seu recurso. Segundo cópia do relatório fiscal acostada aos autos, consta que a recorrente, nos anos de 2004 a 2007, efetuou pagamentos através de cheques (sacados/compensados) nas contas de depósito mantidas em seu nome nos bancos do Brasil, Sudameris e Safra. A contabilização de tais pagamentos no livro Razão se deu a débito da conta Caixa e a crédito das respectivas contas bancárias, o que redundou em elevados saldos devedores diários na conta Caixa. Todavia, a inexistência de saídas diárias desses recursos demonstrou que a empresa “não necessitava de suprimentos diários para a realização de pagamentos no dia”. Não obstante, o item 3 do relatório fiscal em comento trata da “APURAÇÃO DA REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA FISCALIZADA NOS ANOS DE 2004, 2005, 2006 E 2007 COM A EMPRESA PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA. – CNPJ no 65.727.711/000108”. Consta do relatório fiscal referenciado que a motivação para o exame em questão decorreu dos despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí em resposta aos pedidos de ressarcimento do IPI conjugados com pedidos de compensação formalizados pela interessada. Na lista dos processos objeto do exame consta o presente processo. Segundo o relatório fiscal em evidência, Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) [...] Os procedimentos fiscais realizados e análise fiscal dos fatos verificados nos PERDCOMP’s abaixo relacionados, além de estarem descritas detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização, também estão descritos detalhadamente na Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC, para fins de apoio aos despachos decisórios que posteriormente proferirá e dará a devida ciência à FISCALIZADA. [segue quadro demonstrativo que discrimina quatro PERDCOMP, com os respectivos processos (10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921), todos, como se vê, formalizados em 2009, e, conforme mesma planilha, correspondentes ao anobase de 2007] Fl. 391DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10909.002162/200797 Resolução nº 3802000.093 S3TE02 Fl. 392 5 Consta do relatório fiscal em tela que a contribuinte foi cientificada do mesmo em 21/12/2009. Por sua vez, o processo que ora se examina foi formalizado em 2007 e corresponde ao período de apuração de 01/01/2006 a 31/03/2006. Portanto, quando do exame do presente processo, a correspondente ação fiscal reportada pela recorrente não tinha como ter sido considerada nos exames feitos pela SARAC da DRF Itajaí. Assim como ocorreu em relação ao processo no 10909.004957/200900 (referenciado no relatório de fiscalização acima citado), também não localizei no eprocesso nenhum dos processos administrativos discriminados no relatório fiscal em evidência (pesquisa realizada em 06/03/2012, às 11:00 hs). Logo, não se conseguiu ter acesso ao “Relatório Interno de Fiscalização”, muito menos à “Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC”, os quais, conforme trecho acima reproduzido, devem ter instruído os processos de compensação formalizados em 2009. Diante do exposto, e considerando que a cópia do relatório fiscal juntado pela reclamante procura comprovar a regularidade das transações comerciais realizadas entre esta e a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., e ainda, diante da indisponibilidade no eprocesso dos processos de compensação referenciados no sobredito relatório fiscal – que, possivelmente, poderiam trazer mais subsídios para o julgamento da presente lide – voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência a fim de que sejam juntados aos autos: a) cópia do relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/2009 00 e seus correspondentes anexos; b) eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921; e, c) demais informações que a unidade preparadora considerar como relevantes para o julgamento do presente feito. Instruído os autos com o resultado da diligência, e dada oportunidade de manifestação da interessada quanto ao seu teor, deverá o processo ser devolvido a esta 2a Turma Especial da 3a Seção do CARF para julgamento. Sala de Sessões, em 19 de março de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10675.001965/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3102-000.214
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo do pedido eletrônico de ressarcimento n° 10355.77621.270903.1.1.016886 (cópia resumida às fls. 01/02). no valor de R$21.727.63, relativo a saldo credor do IPI apurado no 1° trimestre de 2003 pelo estabelecimento 22.312.045/000134 (11. 02). O crédito informado no mencionado PER foi utilizado na compensação declarada por intermédio da DCOMP n° 26072.43398.281003.1.3.01 5074 (fls.03/05). O pleito da contribuinte foi analisado pela unidade de origem, que o indeferiu na sua totalidade. A autoridade competente fundamentou que o saldo credor relativo ao 1º trimestre de 2003 havia sido tratado no processo n° 10675.001350/200365 e que todo o direito creditório reconhecido em tal processo já havia sido aproveitado, tendo sido uma Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10675.001965/200804 Resolução n.º 3102000.214 S3C1T2 Fl. 2 2 parte utilizada para compensações e outra parte ressarcida à interessada. E o que consta do despacho decisório de fls. 13/14. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 20/31 por intermédio da qual discorda do indeferimento de seu pleito. Em preliminar, a manifestante alegou a prescrição quanto ao direito de a Fazenda Pública indeferir o saldo credor pleiteado em ressarcimento, que no seu entender, esgotase cinco anos após o encerramento do trimestrecalendário de apuração daquele saldo credor. No mérito, arguiu que. em razão de o processo n° 10675.001350/2003 65, que cuida do direito creditório relativo ao trimestrecalendário em apreço, encontrarse em fase de recurso a ser examinado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). "não poderia ler sido encerrada a fase administrativa deste recurso'' (do presente processo n° 10675.001965/200804). Aduziu, também, que teria ocorrido erro em decisão proferida naquele processo n° 10675.001350/200365. que lhe teria sido prejudicial. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/09/2003. 03/10/2003 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO RECONHECIDO. Permanece não homologada a compensação vinculada a pedido de ressarcimento cujo direito creditório reconhecido não foi suficiente para a compensação dos débitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. A verificação que a Administração deve promover, visando deferir ou indeferir pedidos de ressarcimento de créditos, não se subsume aos prazos decadenciais previstos nos artigos 150 e 173 do CTN por não se tratar de hipótese de constituição de crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10675.001965/200804 Resolução n.º 3102000.214 S3C1T2 Fl. 3 3 Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Penso, entretanto, que o presente processo não está em condições de ser julgado. Não há como há como ignorar que há evidente relação de prejudicialidade com o mérito do processo nº 10675.001350/200365, onde se discute o montante dos créditos que dariam suporte à compensação objeto do presente litígio em que se debate, como se viu, a suficiência dos créditos disponíveis para compensação. Não há, por outro lado, como redistribuir o presente processo a fim de que seja promovido o julgamento em conjunto, dado que o de nº 10675.001350/200365 já foi incluído em pauta. Inaplicável, portanto o § 7º do art. 49 do Regimento do CARF1. Assim, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência, a fim de que o processo seja encaminhado à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Jurisdição e que lá permaneça até o julgamento definitivo do recurso relativo ao processo nº 10675.001350/200365. Concluído tal julgamento, deve o órgão preparador apurar se o montante reconhecido naquele processo é suficiente para extinguir os créditos objeto de compensação no presente recurso e, caso não seja, informar o montante que remanesce devido. Findas tais providências, deve ser dada ciência dessa apuração ao sujeito passivo e concedidolhe o prazo de 30 dias para manifestação. Decorrido tal prazo, devem os autos retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 1 § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003249/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.322
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 323 a 326, integrado pelos demonstrativos de fls. 320 a 322, pelo qual se exige a importância de R$297.080,06, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 2000 e 2001. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 317 a 319, no qual o autuante esclarece que: • o contribuinte foi intimado, em 13/07/2004, a apresentar os extratos das contas correntes e aplicações financeiras relativos aos anos-calendários 2000 e 2001, assim como comprovar, com documentação hábil e idônea, a natureza e a origem dos recursos creditados/depositados nas referidas contas; • em 24/08/04, por meio de seu procurador, o fiscalizado apresentou parte da documentação exigida (fls. 24 a 80); • em razão da ausência de parte dos extratos, foram emitidas Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira – RMF (fls. 82 a 86) solicitando às instituições financeiras, a totalidade dos extratos de contas correntes e aplicações financeiras (inclusive poupanças) do período fiscalizado; • foram encaminhados os seguintes extratos: Bank BOSTON S/A (fls. 116 a 125); Banco CIDADE S/A (fls. 144 a 189); Banco ITAU S/A (fls. 207 a 225); Banco SUDAMERIS S/A (fls. 226 e 238); e UNIBANCO S/A (fls. 234, 235, 241 e 242); • com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, a fiscalização elaborou as planilhas de fls. 244 a 251, as quais foram encaminhadas ao contribuinte para que comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários efetuados em suas contas bancárias nos anos-calendário 2000 e 2001; • examinando a documentação apresentada pelo contribuinte (fls. 253 a 296, 302 e 303), a fiscalização efetuou diversas exclusões nas planilhas encaminhadas anteriormente, remanescendo sem comprovação os depósitos constantes dos quadros de fls. 306 a 314, os quais foram tributados como omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 3 3 DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 335 a 380, instruída com os documentos de fls. 381 a 458, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 463 a 465): Regularmente cientificado do lançamento em 09/12/2005, conforme fl. 324, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 335/380, em 10/01/2006, acompanhado de documentos (fls. 381/458), alegando, preliminarmente, que: a) A nulidade do auto de infração, por vício formal, posto que o Mandado de Procedimento Fiscal não obedeceu aos ditames do disposto no Decreto n° 3.724/2001, por não ter sido expedido por autoridade competente; b) A nulidade do procedimento administrativo, por cerceamento de defesa, decorrente da não entrega ao contribuinte dos extratos bancários obtidos através da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF); c) A nulidade do lançamento tributário e do auto de infração por arbitramento/presunção baseado exclusivamente em extratos bancários; os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda; o Egrégio Tribunal Federal de Recursos já firmara o mesmo entendimento, conforme Súmula n° 182, bem como jurisprudência que citou; d) Houve a ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; e) Houve a quebra do sigilo bancário sem autorização legal, citando doutrina e jurisprudência; f) A Lei Complementar n° 105/2001 e o Decreto n° 3.724/2001 são absolutamente inconstitucionais, porque afrontam os artigos 5°, incisos X, XII, XXII e LIV e 145, § 1°, da Constituição Federal vigente; g) É ilegal a utilização de dados da movimentação bancária do impugnante; h) O disposto no § 3° do art. 11 da Lei n°9.311/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, não pode ser aplicado retroativamente, sob pena de ofensa aos princípios da irretroatividade e anterioridade da lei tributária; i) É ilegal a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic, por ofensa ao princípio da isonomia; j) A multa de ofício aplicada é confiscatória e ofende o princípio da isonomia. Quanto ao mérito, alegou, em apertada síntese, que: a) Os valores creditados em suas contas correntes derivou de sua atividade laboral e do prestígio que gozou perante diversas instituições financeiras; b) Manteve estreita relação comercial com a empresa internacional Cellstar Corporation, maior distribuidora de aparelhos de telefonia celular do Estados Unidos da América tendo, na época, se estabelecido e constituído duas sociedades no Brasil; c) O impugnante foi diretor executivo da empresa Cellstar do Brasil Ltda., empresa brasileira e subsidiária da empresa americana, e captou empréstimos bancários Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 4 4 perante o Banco Cidade S/A, que posteriormente foi incorporado pelo Banco BCN S/A e, por fim, pelo Banco Bradesco S/A; d) Estas instituições emprestaram valores que circularam em suas contas correntes, dentro dos exercícios de 2000 e 2001; e) À época dos fatos era possuidor junto ao Banco Cidade S/A de uma conta denominada "conta empréstimo", sendo creditada na sua conta corrente valores sob a sigla "Créd Conf Aviso", como ocorreu no mês de outubro/2000, nos montantes de R$ 30.480,00 e R$ 17.480,00, e novembro/2000, no importe de R$ 19.874,01; f) Nos anos de 2000 e 2001 viajou ao exterior várias vezes, à trabalho, e realizou despesas através de seus cartões de crédito pessoal, que foram reembolsados pela Cellstar mediante depósitos em conta corrente; g) Pelo cargo que ocupava Cellstar, realizou reuniões em almoços e jantares, que eram reembolsados através de depósitos em dinheiro e em cheque; h) Para comprovar o alegado, junta Relatório de Despesas elaborado em 31/01/2001, no montante de R$ 12.046,73 que, somado ao dispêndio do cartão de crédito de R$ 16.230,09, totaliza R$ 28.276,82, que foi depositado em sua conta corrente em 01/02/2001; i) Identicamente, em 30/03/2001 solicitou à Cellstar reembolso de R$ 992,20 que, somado ao dispêndio do cartão de crédito de R$ 3.407,80, perfaz o montante de R$ 4.400,00, que foi depositado em sua conta corrente no dia 30/03/2001; j) Houve outros reembolsos, conforme quadro demonstrativo anexo à impugnação; k) Alienou em 2001 diversos veículos, recebendo créditos na conta corrente do Banco Cidade S/A: R$ 20.000,00 em 01/03/2001; R$ 14.000,00 em 20/03/2001; R$ 5.000,00 em 17/08/2001; R$ 3.000,00 em 22/08/2001; R$ 2.600,00 em 27/08/2001; R$ 6.000,00 em 04/09/2001 e R$ 35.152,63 em 05/12/2001; 1) Assim, os valores depositados em sua conta corrente não podem ser considerados como "omissão de rendimentos", pois derivaram de origem lícita e não se prestaram a aumento patrimonial tributável; m) Houve equívoco na lavratura do auto de infração pois, apesar de reconhecerem que as contas correntes analisadas eram em conjunto com sua esposa Marisa Bertoldi Zampini, os auditores autuantes desconsideraram o disposto no artigo 58, § 6°, da Lei n° 10.637/2002; n) Outro equívoco, no cálculo do imposto supostamente devido, foi não terem considerado a parcela a deduzir de R$ 5.076,90 da tabela progressiva anual. Finalizou requerendo provar o alegado por todos os meios idôneos e moralmente legítimos, em Direito admitidos, tais como juntada de novos documentos e especialmente, prova pericial, esta requerida nos termos do artigo 18 da Lei n° 8.748/1993. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) julgou procedente em Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 5 5 parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 04-16.187 (fls. 461 a 477), de 05/12/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, afastam-se as preliminares de nulidade argüidas. PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A instância .administrativa é incompetente para manifestar-se -sobre a constitucionalidade de leis. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PELO FISCO. É lícita a utilização dos dados da CPMF para a apuração de outros tributos, após a edição da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. O sigilo bancário não é oponível ao Fisco ante ao contido na Lei Complementar n° 105/2001. MULTA DE OFÍCIO. JUROS SELIC. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Foge ao campo decisório da autoridade administrativa investigar se a multa de ofício e os juros de mora calculados à taxa Selic, incidências previstas em lei, têm caráter confiscatório, ou ainda se são eles ilegais ou inconstitucionais, cabendo à autoridade administrativa apenas verificar a correção da incidência dessas exações, na forma da legislação que as instituiu. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. CONTA CONJUNTA. Comprovado que a conta bancária é de titularidade conjunta, fato não considerado quando do lançamento, os valores cuja origem não foi justificada devem ser divididos pelo número de titulares. A decisão a quo excluiu da base de cálculo 50% do valor apurado pela fiscalização por se tratar de contas bancárias conjuntas nas quais os titulares apresentaram declaração em separado (fl. 476). Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 6 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 15/07/2009 (vide AR de fl. 480 verso), o contribuinte interpôs, em 12/08/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 486 a 495, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 496), expondo as razões de sua irresignação, a seguir sintetizadas. 1. Preliminarmente, o contribuinte argúi a nulidade do lançamento, uma vez que sua esposa, não foi intimada a se manifestar quanto à movimentação financeira das contas conjuntas. 2. No mérito, o recorrente alega que: 2.1. A fiscalização teria se baseado em informações obtidas pelo cruzamento de dados da CPMF, fornecidos pelas instituições financeiras, com dados constantes no sistema de informações da SRF, o que era vedado pelo art. 11 da Lei no 9.311, de 1996. A alteração introduzida pela Lei no 10.174, de 2001, no referido artigo, autorizando o fornecimento de dados, desde que solicitados formalmente, não pode ser aplicada para retroagir seus efeitos em relação aos eventos ocorridos em 2000 e 2001. Da mesma forma a Lei Complementar no 105, de 2001, que autorizou a quebra do sigilo bancário, a pedido dos auditores fiscais, sem prévia autorização judicial, entrou em vigor apenas em 10 de janeiro de 2001. 2.2. Não restou comprovado que o recorrente possuía sinais exteriores de riqueza, ou que tivesse adquirido disponibilidade econômica, transcrevendo precedentes administrativos para corroborar seu entendimento. 2.3. Caso o lançamento seja mantido, entende que devem ser abatidas todas as despesas reembolsadas pela empresa CELL STAR (fls. 405 a 452 dos autos), pois essas foram desconsideradas pela decisão recorrida, tudo em homenagem ao princípio da verdade real. 2.4. Alega que a taxa SELIC tem caráter remuneratório e não moratório, violando o limite previsto no art. 161 do Código Tributário Nacional que fixou as taxas de juros a 12% ao ano, ou seja, 1% ao mês. Cita doutrina sobre o assunto. 2.5. O espólio não é “sucessor” da pessoa falecida no âmbito civil, mas é responsável pelos débitos tributários até a data da abertura da sucessão, pugnando pela aplicação da multa de mora de 20%, e “além da redução da multa de mora, mais importante ainda é a redução da multa punitiva, que merece ser reduzida, no mínimo, à metade.” (fl. 494). 3. Ao final requer que se acolha o presente recurso com o fim de (fl. 494): a) acolher a preliminar para declarar a nulidade do auto de infração, ante a inexistência da necessária intimação da cônjuge, à época; b) na remota hipótese de não acolhimento da preliminar e em homenagem ao princípio da eventualidade, que seja julgado totalmente improcedente o lançamento, uma vez que depósitos e/ou extratos bancários não podem servir de base de cálculo para o imposto sobre a renda, sem a correlata comprovação de omissão, bem como da efetiva renda auferida, o que não restou demonstrado no caso em tela; Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 7 7 c) ou, subsidiariamente, reconhecer a violação ao princípio da irretroatividade da lei tributária, a necessidade de abatimento dos valores reembolsados pela empresa CELL STAR, a redução das multas de mora e punitiva, em homenagem ao princípio da proporcionalidade, em percentual equivalente a no máximo 10% (dez por cento) para multa de mora e de 35% (trinta e cinco por cento) para multa punitiva; d) fixar os juros de mora, de acordo com o artigo 161 do Código Tributário Nacional, em no máximo 1% ao mês. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 06, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2011, veio numerado até à fl. 503 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003249/2005-18 Resolução n.º 2202-00.322 S2-C2T2 Fl. 8 8 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. Trata de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em que o contribuinte argúi a nulidade do lançamento, alegando que sua esposa, co-titular das contas fiscalizadas, não foi intimada a se manifestar em relação a movimentação financeira das mesmas. Foram tributados os depósitos em três contas bancárias: Banco Cidade, agência no 2-7, conta corrente no 44587.40; Banco Itaú, agência no 1266, conta corrente no 1333-1; e Banco de Boston, agência no 28, conta corrente no 72.0896.06 (fls. 313 e 314). Como já observado pela decisão recorrida, as contas mantidas junto ao Banco Cidade e ao Banco Itaú são conjuntas com a Sra. Marisa Bertoldi Zampini, esposa do contribuinte, de acordo com as fichas cadastrais anexadas às fls. 135 e 194, respectivamente. No caso do banco de Boston, constata-se que a conta também é conjunta com o cônjuge, uma vez que na parte superior dos extratos consta o nome da Sra. Marisa Bertoldi Zampini (vide como exemplo os extratos de fls. 30 a 39). Conforme relatado pelo julgador a quo (fl. 476): [...] Nas declarações do impugnante (fls. 04 e 07) não consta a assinalação de que é em conjunto com o cônjuge. Consulta aos sistemas da RFB confirmam as declarações apresentadas pelo cônjuge do contribuinte, para os anos-calendário objeto de autuação, concluindo-se que as declarações do autuado foram apresentadas em separado. Destarte, para que se possa formar um juízo acerca da matéria em discussão, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora esclareça se a Sra. Marisa Bertoldi Zampini, co-titular das contas fiscalizados, foi instada a comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados, anexando, se for o caso, cópia das intimações. Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cientificar o contribuinte do resultado da diligência, para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 16024.000584/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De acordo com a jurisprudência do STJ, firmada em ação processada nos termos do artigo 543-C do Código de Processo Civil, o dies a quo do prazo decadencial se rege pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, quando não há pagamento antecipado, porém, este não é o caso dos autos.
FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo disponibiliza as informações financeiras, em atendimento a intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora.
Numero da decisão: 1102-000.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Recorrentes ANGASIL COMÉRCIO, REPRESENTAÇÃO E TRANSPORTES LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De acordo com a jurisprudência do STJ, firmada em ação processada nos termos do artigo 543 C do Código de Processo Civil, o dies a quo do prazo decadencial se rege pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, quando não há pagamento antecipado, porém, este não é o caso dos autos. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo disponibiliza as informações financeiras, em atendimento a intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 05 84 /2 00 7- 60 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ANGASIL COMÉRCIO, REPRESENTAÇÃO E TRANSPORTES LTDA, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto, que julgou parcialmente procedente a impugnação contra os autos de infração lavrados de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e reflexos (Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL), relativos ao ano calendário de 2002. A autuação se deu ante a constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Tendo em vista que a receita bruta auferida no ano de 2001 excedera o limite para a manutenção da empresa no Simples, foi ela excluída deste regime com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2002, por meio de Ato Declaratório Executivo, conforme consta no processo n° 10855.003520/200671 (Representação Fiscal). Em atendimento a intimações fiscais, apresentou a contribuinte os livros Registros de Entradas e de Saídas, o Livro Caixa, cópia do contrato social e suas alterações, e também os extratos bancários da conta corrente nº 2.1229, agência 24090, do Banco Bradesco S/A (fls. 48/205). A fiscalização elaborou a planilha denominada “Extrato de Crédito” (fls.210/235) na qual relacionou diversos depósitos/créditos que, segundo ela, não puderam ser identificados como transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de cheques, resgates de aplicações financeiras, ou outra operação cuja natureza fosse evidente, e intimou a empresa a esclarecer referidos valores. Em resposta, a contribuinte discorreu sobre a sua atividade de exploração do comércio atacadista de produtos rurais, beneficiamento de produtos rurais, transportes de carga e representação comercial por conta de terceiros, e alegou que os depósitos bancários são, na sua quase totalidade, provenientes de recebimentos de pessoas jurídicas em que a ANGASIL figura como intermediária, percebendo comissão de 1% dos valores das vendas. Após sucessivas intimações, apresentação de documentação, e análise pelo fisco, a autoridade fiscal elaborou os demonstrativos de fls. 425461 detalhando e consolidando os valores submetidos à tributação. Em razão da exclusão da empresa do Simples, e da falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais que permitiriam a tributação pelo lucro real, a empresa teve o seu lucro arbitrado pela fiscalização, tendo como base as receitas escrituradas no livro Caixa e os depósitos bancários de origem não comprovada. A contribuinte impugnou os lançamentos, aduzindo, em síntese, o seguinte: Fl. 739DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 4 3 a) decadência do direito do Fisco de exigir os tributos relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2002 e 30 de outubro de 2002; b) cerceamento do direito de defesa, pois o Fisco apresentou apenas o total dos valores questionáveis mês a mês, não demonstrou como apurou o valor cobrado, e nem se desconsiderou ou não os valores referente ao ICMS da receita bruta; c) impossibilidade de tributação com base exclusivamente em depósitos bancários; d) inconstitucionalidade da taxa Selic como juros de mora. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto reconheceu a decadência relativa aos três primeiros trimestres de 2002, para o IRPJ e CSLL, e aos meses de janeiro a outubro de 2002, para o PIS e a COFINS, e, no mérito, julgou procedentes os lançamentos, recorrendo de ofício de sua decisão (fls. 695709). Cientificada desta decisão por via postal (AR de fls. 717), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25.06.2009, fls. 718731, no qual pugna pelo cancelamento dos autos de infração, por insanável vício, tendo em vista a inconstitucionalidade da quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial, tornando ilícitas e imprestáveis para quaisquer fins jurídicos as informações assim obtidas. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Inicialmente, observo que, embora o presente processo tenha sido a mim distribuído para relato em sorteio realizado em setembro de 2010, foi somente em 21 de janeiro de 2013 — conforme informação registrada no sistema eprocesso — que, após a digitalização de todas as peças processuais, o processo foi afinal disponibilizado ao relator, motivo pelo qual somente neste momento pode o mesmo ser incluído em pauta para julgamento. Recurso de ofício: Analisandose o extrato do processo de fls. 732 e seguintes, verificase que a decisão recorrida exonerou a contribuinte de tributo e encargos de multa em valor superior ao estabelecido pela Portaria MF nº 3 de 03.01.2008, pelo que deve ser conhecido o recurso de ofício interposto. O cancelamento das referidas parcelas se deu em face da decadência do fisco de efetuar os lançamentos relativos aos três primeiros trimestres de 2002, para o IRPJ e CSLL, e aos meses de janeiro a outubro de 2002, para o PIS e a COFINS. Não merece reforma a decisão recorrida. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 5 4 No entendimento deste relator, e da majoritária jurisprudência do CARF (anterior ao julgamento pelo STJ do Recurso Especial 973.733), nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, independente de ter havido ou não pagamento prévio, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, acusação esta que não foi imputada à recorrente. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento em sentido diverso, expresso no REsp 973.733, ao qual foi conferido o caráter de recurso repetitivo, nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, tendo tal decisão transitado em julgado em 29/10/2009. Segundo o STJ, nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo qüinqüenal da regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. Nos termos do art. 62A, do vigente Regimento Interno do CARF, tal entendimento do STJ há de ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, o que torna obrigatório perquirir se houve ou não o efetivo pagamento antecipado. No caso dos autos, a contribuinte efetuou pagamento relativamente a todos os meses de 2002 na modalidade do Simples, conforme já deixara expressamente consignado a decisão recorrida. Portanto, a decadência é de fato regida pela regra do art. 150, §4º do art. 150 do CTN, o que demonstra o acerto da desoneração efetuada pela autoridade julgadora a quo. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário: O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Alega a recorrente a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que visaram a autorizar a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Com relação a este tema, é fato que o Colegiado tem reiteradamente decidido pelo sobrestamento dos feitos, em obediência ao que determinam o art. 62A, do Anexo II, Regimento Interno do CARF, e a Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012, tendo em vista o mesmo estar pendente de julgamento no âmbito do STF em sede de repercussão geral. Neste sentido, por exemplo, as recentes resoluções 1102000.122, 1102000.125, 1102000.126, e 1102000.127. Por outro lado, a alegação de quebra de sigilo bancário revelase de todo improcedente nos casos em que os extratos bancários são apresentados ao fisco pelas próprias pessoas jurídicas fiscalizadas. A questão que se encontra pendente de apreciação pelo STF em sede de repercussão geral diz respeito somente aos casos de obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras, ao abrigo das normas estabelecidas pela Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 e legislação correlata. Neste sentido, por exemplo, os recentes julgados deste Colegiado nos acórdãos 1102000.667, 1102000.833, e 1102000.466, cuja ementa abaixo transcrevo: “FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. INEXISTÊNCIA. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 6 5 Não há que falar em quebra de sigilo bancário quando o próprio sujeito passivo disponibiliza as informações financeiras, em atendimento à intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora.” (Acórdão 1102000466, relator Leonardo de Andrade Couto, sessão de 30 de junho de 2011) É verdade que no caso concreto a autoridade fiscal intimou a recorrente a apresentar os extratos bancários de diversas contas correntes, em mais de uma instituição financeira, conforme Termo de Intimação de fls. 208209, e que, não tendo sido integralmente atendida, expediu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF àquelas instituições para a obtenção dos extratos bancários.relativos aos anos de 2002 a 2004. É o que está descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 462466. Contudo, consta também no mesmo Termo lavrado que “no dia 11 de julho de 2007, o contribuinte forneceu os extratos bancários da conta corrente n° 2.1229, agência 24090, do Bradesco S/A, dos anoscalendários de 2002 a 2004.” Esta informação vem corroborada pelo documento de fls. 47 registrando o protocolo de entrega desses documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal de jurisdição do contribuinte. Nos presentes autos, todos os créditos com relação aos quais a recorrente foi intimada a comprovar a origem são de depósitos ocorridos exclusivamente na conta bancária n° 2.1229, agência 24090, do Bradesco S/A, no ano calendário de 2002. Ou seja, em que pese tenha havido a expedição de requisições de movimentação financeira a outras instituições financeiras, e abrangendo períodos diversos, o fato é que, com relação a todos os fatos geradores aqui discutidos, os elementos de prova (os extratos bancários) foram fornecidos pela própria recorrente, em atendimento a intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora no uso de sua competência legal. Portanto, não há que se falar em prova ilícita ou imprestável, nem tampouco em quebra de sigilo bancário. A defesa inicial, apresentada pela recorrente em sede de impugnação, conforme visto, abordava outras questões, as quais foram devidamente refutadas pela autoridade julgadora a quo. Contudo, nenhuma dessas questões foi renovada por ocasião da apresentação do recurso voluntário, no qual a recorrente limitouse, conforme relatado, a pugnar pelo cancelamento dos autos de infração exclusivamente em face da alegada inconstitucionalidade da quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial, alegação a qual foi aqui refutada, não restando mais nenhuma questão a ser apreciada por este Colegiado. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 742DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16024.000584/200760 Acórdão n.º 1102000.858 S1C1T2 Fl. 7 6 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10860.901783/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2002
COFINS. VENDAS A ESTABELECIMENTO SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRATAMENTO EQUIVALENTE AO DISPENSADO ÀS EXPORTAÇÕES. DECRETO-LEI 288/67 E MP 2.037-25/00, ARTIGO 14.
O artigo 4o do Decreto-lei no. 288/67 equiparou as vendas de mercadorias nacionais à Zona Franca de Manaus às exportações, no que se refere ao regime tributário aplicável, equiparação esta válida, inclusive, para benefícios e incentivos instituídos posteriormente à edição do próprio Decreto-lei no. 288/67.
A Medida Provisória no. 2.037-25/00 e as demais que se lhe seguiram suprimiram a referência à Zona Franca de Manaus constante do artigo 14, nas primeiras edições do diploma e, desta maneira, evidenciaram a fruição do regime isencional, quanto à COFINS, às receitas de vendas a empresas ali estabelecidas, a partir de 21.12.2000.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 COFINS. VENDAS A ESTABELECIMENTO SITUADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRATAMENTO EQUIVALENTE AO DISPENSADO ÀS EXPORTAÇÕES. DECRETOLEI 288/67 E MP 2.037 25/00, ARTIGO 14. O artigo 4o do Decretolei no. 288/67 equiparou as vendas de mercadorias nacionais à Zona Franca de Manaus às exportações, no que se refere ao regime tributário aplicável, equiparação esta válida, inclusive, para benefícios e incentivos instituídos posteriormente à edição do próprio Decretolei no. 288/67. A Medida Provisória no. 2.03725/00 e as demais que se lhe seguiram suprimiram a referência à Zona Franca de Manaus constante do artigo 14, nas primeiras edições do diploma e, desta maneira, evidenciaram a fruição do regime isencional, quanto à COFINS, às receitas de vendas a empresas ali estabelecidas, a partir de 21.12.2000. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 17 83 /2 00 9- 11 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Em 24.02.2005, a ora recorrente transmitiu DComp (fls. 1/3) objetivando extinguir obrigação tributária federal por meio de supostos créditos da COFINS, apurados em relação ao P.A. 03/2002. A DRF de origem, então, prolatou despacho decisório eletrônico (fls. 4) recusando a homologação da compensação com fundamento na alegada inexistência do direito creditório, eis que o pagamento efetuado pelo sujeito passivo se mantinha integralmente alocado para satisfação de obrigação confessada por ele próprio em DCTF nãoretificada. Tempestivamente, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6/10). Expôs que o crédito resultaria de pagamentos efetuados supostamente a maior no período de apuração, como decorrência da espontânea inclusão, na base de cálculo da exação, das receitas auferidas com a comercialização de mercadorias nacionais a adquirentes estabelecidos na Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, sustentou, primeiro, a isenção do negócio ao tributo, em virtude do disposto nos artigos 4o, do Decretolei nº 288/67 e 40, do ADCT; depois, sustentou que, desde o advento da Emenda Constitucional nº 33/01, por obra da qual modificouse o artigo 149 da CF/88, as operações estariam albergadas por imunidade. Em primeira instância, a pretensão do sujeito passivo acabou desprovida. Os principais fundamentos da decisão foram construídos com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/06. De acordo com o primeiro deles, o Decretolei nº 288/67 somente teria equiparado as vendas à Zona Franca de Manaus às exportações, no que respeitasse ao regime tributário em vigor à época em que promulgado referido diploma. Apenas os incentivos fiscais já fruíveis pelas exportações em fevereiro de 1967 seriam, nesta perspectiva, extensíveis às vendas que tivessem a Zona Franca de Manaus por destino. Como a própria instituição da COFINS somente se deu em 1991, por força da LC nº 70, o tratamento previsto pelo artigo 4o do mencionado Decretolei nº 288 seria inaplicável à isenção conferida, nesta espécie impositiva, para as receitas de exportação. O segundo argumento vem em consideração às hipóteses isencionais previstas, para a COFINS, na MP nº 18586/09, artigo 14. Por meio do dispositivo, o Executivo federal outorgou, a partir de 1o de fevereiro de 1999, isenção a uma série de ocorrências ali listadas, entre as quais às receitas de “exportação de mercadorias para o exterior”. E no §2o do mesmo artigo 14, previu expressamente que o tratamento favorecido ali instituído não Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901783/200911 Acórdão n.º 3403001.930 S3C4T3 Fl. 10 3 alcançaria as vendas realizadas “a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio.” A desequiparação – consistente em sujeitar ao tributo as vendas à ZFM quando as exportações são desoneradas – foi objeto de impugnação via ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Governador do Amazonas, constituindo fundamento do pedido o disposto no artigo 40, do ADCT, de acordo com o qual a Zona Franca de Manaus se manteria, até o ano de 2013, como área de livre comércio e de incentivos fiscais (ADI no. 2.348). Tendo o Plenário do Supremo Tribunal Federal deferido a liminar requerida com efeitos prospectivos em 18.12.2000, entendeu a COSIT que, a partir de então, as vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus fruiriam da isenção desde que caracterizada uma das hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do próprio artigo 14, da MP nº 1.8586/09, quais sejam: (a) receitas no fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; (b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro – REB; (c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei no. 1.248/72, destinadas ao fim específico de exportação; e (d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na SECEX. Entendeu, ainda, a DRJ recorrida que, não fossem tais obstáculos normativos, a manifestação de inconformidade igualmente haveria de ser rejeitada em razão da prova insuficiente do alegado direito creditório. Sobreveio o recurso voluntário (fls. 76/105), cujos fundamentos repetem os da própria irresignação de origem. Em 8 de julho de 2011, este Colegiado determinou a conversão do julgamento em diligência para que a DRF de origem se manifestasse sobre documentos comprobatórios do crédito trazidos pela recorrente, bem como examinasse se as receitas supostamente auferidas com vendas à ZFM já não teriam sido prévia e espontaneamente excluídas da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, e dada ciência à recorrente, a DRF de origem elaborou relatório fiscal, por meio do qual chancelou o direito creditório pleiteado. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 O recurso é tempestivo e obedece às formalidades aplicáveis, de forma que dele se conhece. Foi o Decretolei no. 288, de 1967, que estabeleceu a equivalência de tratamento jurídico tributário entre as exportações e as vendas de mercadorias a estabelecimentos sediados na Zona Franca de Manaus. De acordo com seu artigo 4o: “Art. 4o. A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” Não há dúvida de que o preceptivo em questão tenha instituído verdadeira equivalência, em termos fiscais, entre as operações comerciais que destinassem bens à Zona Franca de Manaus e as exportações de mercadorias, de tal sorte que as desonerações válidas para a segunda espécie se aplicassem, também, para a primeira. O questionamento, quanto ao dispositivo, diz respeito à abrangência do seu significado, em termos temporais. Invocando a Solução de Consulta COSIT no. 7/06, a DRJ recorrida lê, na expressão “constantes da legislação em vigor” uma limitação da equiparação aos favores fiscais já existentes quando da edição do Decretolei no. 288/67. E por assim entender, conclui que isenções outorgadas às exportações por normatização posterior, entre as quais as relativas à COFINS, não seriam extensíveis às vendas internas, com destino à ZFM. O entendimento não me convence. Não me convence porque a fórmula legislativa, segundo penso, é indicativa do oposto, quer dizer, de que por seu intermédio se tenha pretendido colher, com a equiparação, também os incentivos fiscais que viessem a ser concedidos às exportações – e não apenas aqueles existentes em fevereiro de 1967. Fosse este o propósito da regra, e bastaria ao Executivo de então têla redigido de maneira a relacionar em lista as respectivas hipóteses. Realmente, circunscrevendose a equiparação a benefícios já existentes, seria perfeitamente possível têlo feito. Penso que a escolha da expressão “constantes da legislação em vigor” teve em mira efeito diverso. Justamente porque a equivalência recairia sobre os incentivos fiscais já existentes e, também, sobre outros que, no futuro, as exportações porventura usufruíssem, a solução foi o emprego da fórmula generalizante. Todo o tratamento fiscal, tal como dispensado pela legislação em vigor às exportações, seria extensível às vendas de mercadorias para a ZFM. Mais do que isso, a expressão “constantes da legislação em vigor” está a indicar que as remessas de mercadorias à Zona Franca de Manaus terão tratamento jurídico tributário equivalente àquele definido para as exportações concomitantemente praticadas. O regime jurídico das vendas à ZFM é, em suma, aquele definido pela legislação aplicável às vendas para o exterior. O debate não é novo, de modo que doutrina e jurisprudência já se debruçaram sobre a proposta exegética reproduzida pelo acórdão a quo. Refutamna, entre outros, Geraldo Ataliba e Cléber Giardino: “Resulta claro que a intentio legislatoris, aí, foi a de atribuir absoluta igualdade entre os regimes jurídicos das exportações para o exterior e das exportações para a Zona Franca de Manaus. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901783/200911 Acórdão n.º 3403001.930 S3C4T3 Fl. 11 5 Tratase de conhecida técnica legislativa, estabelecendo presunção absoluta (praesumptio iuris et de iute), que não consente contrariedade pelo aplicador administrativo ou judicial, mesmo diante de todas as evidências em contrário. As normas que manifestam as chamadas presunções iuris et de iure não se distinguem de quaisquer outras normas jurídicas. In casu, a presunção estabelecida, como visto acima, tem conteúdo nítido: exportar para Manaus, para todos os fins fiscais, é o mesmo (ou seja, produz os mesmos efeitos) que exportar para o exterior. (...). Por outro lado, in casu, a intentio legislatoris coincide com a intentio legis. A esta, também, importou igualar, para efeitos fiscais – isto é, considerar como se fossem uma só e mesma situação – esses dois tipos de exportação” (Revista de Direito Tributário, no. 41, p. 206220). Assim também tem se pronunciado de longa data o E. STJ, entre cujos julgados o seguinte me pareceu revelador: “(...) o votocondutor do acórdão vergastado observou que, ao equiparar a exportação para o exterior à venda para a Zona Franca o legislador fez a seguinte ressalva: ‘para todos os efeitos fiscais constantes da legislação em vigor’. Isto significa, nos termos do voto, que seria imperioso que a legislação posterior reiterasse esse regime sempre que pretendesse mantê lo. Ocorre que, esta não é a interpretação mais adequada para se atribuir à referida norma legal. (...) Percebese com clareza absoluta que a expressão ‘constantes da legislação em vigor’ significa que a equiparação das operações relativas à exportação com as da Zona Franca de Manaus, é universal, abrangendo toda e qualquer espécie de tributo” (REsp no. 144.785, j. 21.11.2002, relator o Min. Paulo Medina). Sintomático disso é que a Corte Superior vem reconhecendo às vendas para a ZFM a aplicabilidade de regras dispensadas às exportações relativamente a espécies tributárias cuja própria instituição é posterior ao Decretolei no. 288/67, entre as quais a COFINS e ao PIS. Entre muitos precedentes, vejase somente o seguinte: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA. DL NO. 288/67. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. PRECEDENTES. (...) Esta Corte possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 conforme disposições do Decretolei no. 288/67”.(REsp no. 802.474, j. 05.11.2009, relator o Min. Mauro Campbell Marques) Isso significa que a comunicação do regime jurídicotributário das exportações às vendas para a ZFM é, desde o advento do Decretolei no. 288/67, automática. Não é preciso que, a cada nova imposição fiscal às exportações ou a cada nova desoneração que as favoreça disposições análogas sejam editadas para contemplar os negócios envolvendo a Zona Franca de Manaus. Uma vez definidas, para qualquer espécie impositiva, as regras regentes das exportações, o tratamento é imediatamente extensivo às operações com mercadorias nacionais destinadas à ZFM. Ao contrário do que propagado no aresto recorrido é a desequiparação – e não a equiparação – que estaria a requerer a edição de norma excepcional. E, ainda assim, apartar as duas realidades, no que se refere ao tratamento fiscal aplicável a cada qual, pode significar violação ao artigo 40, do ADCT. Vejamos. Quando da instituição da COFINS, a LC no. 70/91 conferiu disciplina diferenciada às exportações por meio de seu artigo 7o: “Art. 7o São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) III – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no. 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV – de vendas, com fim específico de exportação, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; (...) VI – das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Este contexto legislativo sobreviveu inalterado à promulgação da Lei no. 9.718/98 que, predisposta a disciplinar amplamente a COFINS, veiculou em seu artigo 2o regra que assegurava a coexistência das novas disposições com aquelas anteriores, com as quais não contrastassem: “As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observada a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta lei.” A próxima modificação veio somente em junho de 1999, quando da edição da Medida Provisória no. 1.8586, cujos artigos 14 e 23 respectivamente prescreveram: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II – da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901783/200911 Acórdão n.º 3403001.930 S3C4T3 Fl. 12 7 §2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio.” “Art. 23. Ficam revogados: (...) II – a partir de 30 de junho de 1999: (...) b) o art. 7o da Lei Complementar no. 70, de 1991, e a Lei Complementar no. 85, de 15 de fevereiro de 1996;” Revogando o tratamento dado à matéria pela LC no. 70/91, a MP no. 1.858 6/99 manteve a desoneração conferida às exportações propriamente ditas mas, em contrapartida, ressalvou expressamente do regime as vendas a estabelecimentos sediados na ZFM, submetendo ao tributo, portanto, as receitas daí advindas. Sucede que o Poder Judiciário repreendeu a iniciativa. Provocado via ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Governador do Amazonas, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em decisão liminar, vislumbrou ofensa ao artigo 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, de acordo com o qual a Zona Franca de Manaus subsistiria incentivada por regimes fiscais diferenciados até o ano de 2013 (ADI 2.348). Eis o texto em questão: “Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais pelo prazo de vinte e cinco anos a partir da promulgação da Constituição.” Fato é que, por força da liminar, a expressão “a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus” constante do citado artigo 14, da MP n. 1.8586/99 – a esta altura reeditado na MP no. 203724 – foi suspensa com efeitos prospectivos. E aí vem o acontecimento decisivo: nas edições subseqüentes da mesma medida provisória, a começar pela MP no. 2.037 25, publicada em 21.12.2000, e em todas as demais, inclusive na MP no. 2.15835/01, cuja vigência tornouse definitiva com o artigo 2o, da EC no. 32/01, o Executivo removeu a referência à Zona Franca de Manaus da cláusula restritiva aos limites da isenção. Quer dizer, o artigo 14, reproduzido na MP no. 2.03725 e em todas as reedições do mesmo veículo, deixou de conter, no §2o, a menção à Zona Franca de Manaus. Vejase: “Art. 14. §2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;” Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Percebase que, não mais excepcionando da regra isencional as vendas para a ZFM, as receitas resultantes da operação acabaram favorecidas pela exoneração, dado que, como exposto, estão equiparadas às exportações por obra do Decretolei no. 288/67. Bastou que as novas edições da MP 2.037 removessem a norma distintiva para a equivalência de regimes imediatamente se estabelecer já em nível legal, sem que, para reconhecêla, seja preciso evocar o artigo 40, do ADCT. Foi possivelmente por este motivo – a omissão dos estabelecimentos da ZFM no §2o do artigo 14, da MP no. 2.037 – que o autor da ADI no. 2.348 deixou de aditar a petição inicial à medida que novas edições se superpunham. Nenhum sentido haveria em fazêlo, afinal, se a inconstitucionalidade apontada nas primeiras versões da medida provisória não fora cometida naquelas publicadas após o deferimento da liminar. E foi esta a razão pela qual o Supremo Tribunal Federal entendeu, anos depois, que a ADI perdera o objeto. A equiparação, todavia, vem sendo positivamente assegurada pelo artigo 14 da MP no. 2.03725, desde 21.12.2000, pouco importando, para estas considerações, que a liminar deferida na ADI no. 2.348 tenha perecido ante a extinção daquele processo. Neste sentido tem se posicionado parcela significativa dos julgadores deste Colegiado, entre os quais: “Ainda de acordo com este raciocínio, entendo que, a partir de dezembro de 2000, devese reconhecer a existência do benefício pretendido, sendo indiscutível a equiparação das remessas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus à exportação.” (Acórdão no. 20179.407, Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas) Como o fato gerador objeto da DCOMP em questão é posterior a este marco temporal – 21.12.2000 – é de se admitir, ao menos em tese, o recolhimento a maior. Pois bem. Para documentar seu alegado direito, a recorrente produziu os seguintes elementos de prova: (a) planilha extracontábil, objetivando ilustrar o cálculo de apuração da COFINS no período de apuração e o montante das receitas auferidas com vendas à ZFM; (b) cópia da guia DARF com que efetuou o pagamento supostamente a maior do tributo; (c) relatório de auditoria fiscal contratada para a apuração do indébito; (d) cópia da primeira página da DCTF retificadora do débito de COFINS inicialmente confessado; (e) extrato de consulta à página da SUFRAMA na internet, onde consta relação de notas fiscais emitidas pela recorrente e internadas na ZFM no período de apuração; e, enfim, (f) cópia das próprias notas fiscais relacionadas no extrato acima, indicativas de operações comerciais alegadamente abrigadas pela regra isencional. Os documentos em questão, todavia, não chegaram a ser examinados pelas instâncias de origem – não por inteiro, ao menos – seja porque as decisões recorridas recusaram a pretensão sob argumentos que prescindiam da análise, seja porque parte da prova apenas foi trazida aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10860.901783/200911 Acórdão n.º 3403001.930 S3C4T3 Fl. 13 9 E foi em razão da insuficiente análise a que haviam sido submetidas as provas produzidas pela parte que este Colegiado entendeu por bem converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, por meio da Resolução no. 3403000.240. Objetivavase que o órgão preparador identificasse a existência do suposto indébito e o mensurasse, sem objetar lhe os motivos em que se fundamentara a recusa da homologação. Particularmente, interessava a esse órgão julgador confirmar que a ora recorrente houvera, de fato, espontaneamente exposto à tributação as receitas obtidas com as vendas a adquirentes estabelecidos na ZFM, no período considerado. Ao cabo da diligência, a fiscalização elaborou relatório ao ensejo do qual reconstruiu a base de cálculo da COFINS para o período de apuração em cogitação, fazendoo a partir de dados extraídos da escrituração fiscal da recorrente, em especial, do LRAIPI e do LAICMS. No cálculo que efetuou, a autoridade encarregada da diligência identificou nos livros fiscais mencionados as categorias de receitas tributáveis pela exação por referência aos CFOPs das respectivas operações mercantis, incluindo, dentre eles, aqueles utilizados pela recorrente nas notas fiscais sacadas para documentar as vendas a estabelecimentos da ZFM. E o relevante é que, assim procedendo, a autoridade de origem determinou a base imponível do tributo em valor coincidente com aquele que a recorrente oferecera à incidência, a confirmar que a pessoa jurídica realmente recolheu a exação sobre as receitas auferidas com as vendas à ZFM no período. Sendo assim, comprovado o indébito e a sua origem, voto pelo provimento do recurso voluntário, a fim de que seja homologada a compensação declarada. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720515/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA LEGAL.
EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI.
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.769
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pelo Recorrente. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odair Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pelo Recorrente. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odair Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720515/200767 Acórdão n.º 220201.769 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, DENIVAL ALMEIDA RODRIGUES , foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 04, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa, totalizando o crédito tributário de R$ 1.813.210,58, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Barra do Cassange, com área total de 23.693,4 ha, NIRF 1.091.1154, localizado no município de Poconé/MT. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 02) a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que após regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a intimação para apresentar documentos para comprovar as áreas de preservação permanente e utilização limitada declaradas no exercício de 2003. Também foi alterado o Valor da Terra Nua pela ausência de Laudo de Avaliação do imóvel com base nas informações do Sistema de Preços de Terras — SIPT da Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento em 28/12/2007 (fl. 78), o interessado apresentou, em 18/01/2008, a impugnação de fls. 81 a 83, acompanhada dos documentos de fls. 154 a 190, onde argumentou, em suma, que em 21/11/2007, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, protocolizou junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Cuiabá — MT, Laudo Técnico de Utilização de Imóvel Rural, ADA, Certidões, DIRPF/2003 e Contrato de Arrendamento do Imóvel Rural, antes da lavratura da Notificação de Lançamento, por isso requer suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário, até conclusão da análise dos dados oferecidos à fiscalização, por ser de direito. Em 19 de janeiro de 2009, o contribuinte apresentou requerimento de fls. 103 a 112, contra o resultado do Despacho Decisório no 1.188/DRF/CBA, de 21/11/2008, proferido pela SRF/Cuiabá/MT, que entendeu desconsiderar as áreas de preservação permanente e reserva legal e modificar o valor da terra nua com base no SIPT pelos motivos ali expostos. Alegou, ainda, que no protocolo oficial do recibo do ADA fornecido pelo Ibama, de 2002, não há espaço disponível para discriminação das áreas ambientais, portanto, não há motivo para a fiscalização desconsiderar tais áreas por falta de detalhamento das mesmas no documento. A área reserva legal encontrase averbada nas matrículas do imóvel, inclusive, justificando seu entendimento com jurisprudência que dispensa a entrega do ADA para comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal. De acordo com a cartaimagem georeferenciada, a área de preservação corresponde a 2.731,3 hectares e a Lei Estadual no 6.758, de 21 de março de 1996 considerou as áreas alagáveis localizadas na planície do Pantanal de Interesse Ecológico, que no presente caso, corresponde a 8.805,4 ha. Alega, também, que conforme a tabela de Preços Referenciais de Terras e Imóveis Rurais/Incra o VTN/ha da região do Baixo Pantanal é R$ 78,00. Por último, requer as deduções que entende ter direito, pela utilização e eficiência na exploração da terra em 2004 e que as intimações sejam endereçadas para Av. Historiador Rubens de Mendonça no 990, 6 0 Andar, conj. 604, Bosque da Saúde, Cuiabá — MT. O contribuinte em 28/05/2009 apresenta impugnação complementar, na qual alega, basicamente, que o imóvel rural é alagadiço, sem possibilidade nenhuma de Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 beneficiamento do solo e do plantio de lavouras, ainda que de subsistência. A criação de bovino, nessa região, revelase temerária, face a necessidade de retirada dos animais, por força das enchentes. Tendo em vista as características apontadas do local, protocolizou em 09/02/2009 na Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), de Mato Grosso, requerimento solicitando a confirmação se o imóvel em referência é área de interesse ecológico. Da análise da documentação apresentada àquele órgão ficou confirmado que a propriedade está inserida na Planície Alagável da Bacia do Alto Paraguai, denominada Pantanal, contemplada em sua totalidade em área de interesse ecológico, conforme estabelecido na Lei no 6.758/1996. A DRJ de Campo Grande ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 Área de Preservação Permanente. Área de Utilização Limitada/Reserva Legal. ADA. Por expressa determinação legal, a exclusão das áreas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), e/ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR a que se referir. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada em caráter específico, por órgão competente federal ou estadual, para a propriedade particular e declarada em Ato Declaratório Ambiental protocolizado tempestivamente no Ibama. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT n° 146533. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado e insatisfeito, o interessado apresenta recurso voluntário, reiterando basicamente os mesmos argumentos da impugnação, que podem assim ser sintetizados, nos principais pontos. Com o intuito de ver preservados o meio ambiente e seus direitos, o Requerente, no dia 12 de junho de 1998 firmou um TERMO DE RESPONSABILIDADE E PRESERVAÇÃO DE FLORESTA junto ao IBAMA no qual ficou acordado que 50% Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720515/200767 Acórdão n.º 220201.769 S2C2T2 Fl. 3 5 (cinquenta por cento) da área seria , reserva legal. Nessa reserva legal não está abrangido os 2.500ha (dois mil e quinhentos hectares) de área de preservação permanente. Não pode prosperar a exigência contida no § 40 do art. 10 na Instrução Normativa n. 43197 da Receita Federal, alterada pela IN 67197, vez que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental é mera formalidade condicional à comprovação da existência da área de utilização limitada (reserva legal) no imóvel de propriedade da parte recorrente. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão principal de mérito diz respeito às áreas de preservação permanente/áreas de reserva legal e ao valor da terra nua. Do ADA Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720515/200767 Acórdão n.º 220201.769 S2C2T2 Fl. 4 7 Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2003, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e áreas de reserva legal. Do VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.720515/200767 Acórdão n.º 220201.769 S2C2T2 Fl. 5 9 preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 05, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11030.000752/98-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/1991 a 31/03/1992
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A continuidade da exploração mercantil fará do adquirente a qualquer título o responsável pelos tributos que tenham incidido no estabelecimento adquirido até a data da aquisição, na conformidade do art. 133 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.962
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 427 1 426 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11030.000752/9890 Recurso nº 226.800 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.962 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria FINSOCIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MASTER SONDA HIPERMERCADOS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1991 a 31/03/1992 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A continuidade da exploração mercantil fará do adquirente a qualquer título o responsável pelos tributos que tenham incidido no estabelecimento adquirido até a data da aquisição, na conformidade do art. 133 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Insurgiuse a Fazenda Nacional em Recurso Especial de fls. 349/371, admitido pelo Despacho nº 3020.293 às fls. 409/411, contra o Acórdão de fls. 333/344, da Segunda Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, que unanimemente acatou a preliminar de ilegitimidade passiva da autuada, entendendo que a destinatária do auto de infração deveria ter sido primeiramente a empresa alienante denominada Comércio de Alimentos Sul Brasil Ltda., atual denominação da Sonda Supermercados Exportação e Importação Ltda. a partir da sua cisão, quando transferiu cotas à Master Sonda Hipermercados Ltda. e continuou a existir sob nova razão social acima referida. O auto de infração exige a contribuição de Finsocial partindo da premissa que a empresa não recolheu qualquer valor, exigindolhe, portanto, o percentual equivalente a 0,5% de seu faturamento nos períodos de agosto de 1991 a março de 1992. Inicialmente a fiscalização pretendeu exigir o crédito da empresa Sonda Supermercados Exportação e Importação Ltda., mas em virtude de ter sido cindida, optou pelo cancelamento do auto de infração e materialização de um novo, autuando desta vez a adquirente Master Sonda Hipermercados Ltda., ora Recorrida. Entretanto, no Acórdão recorrido, entendeu a Relatoria tratarse de responsabilidade subsidiária e não solidária, excluindo desta maneira a Recorrida do pólo passivo e cancelando o auto de infração. A Recorrente em suas razões afirma que o Acórdão da Egrégia Segunda Câmara deste Conselho contraria disposição de lei e diverge de jurisprudência consolidada deste CARF, através dos acórdãos paradigmas de nº 20216.425 e 20216.434, acostados às fls. 372/408. Segue aduzindo que o entendimento de jurisprudência acerca da matéria é de que a responsabilidade em caso de cisão parcial deve ser solidária, transcrevendo ementas da esfera judicial e administrativa às fls. 354/356 e 368/370. Por fim, requer a reforma do acórdão, restabelecendo a decisão de primeira instância, pela qual se manteve o auto de infração contra a Recorrida. Em contrarrazões às fls. 416/421, aduz a contribuinte que o fato de a cisão ter sido parcial, ou seja, não ter resultado na extinção da empresa cindida, estipula que as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida serão responsáveis apenas pelas obrigações que lhes forem transferidas, sem solidariedade entre si, pela transcrição do art. 233 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em conjunto com o art. 133, inc. II, CTN, ambos transcritos, requerendo a mantença da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11030.000752/9890 Acórdão n.º 930301.962 CSRFT3 Fl. 428 3 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator Nas fls. 409/411 Despacho nº 3020.293 abordando decisão com informação correta da folha deste processo (333) e do número do Acórdão, porém, por equívoco transcrevendo Acórdão contemplando matéria diferente da destes autos. Mesmo assim, quanto à divergência, o despacho enfrentou o tema contido nos autos, averbando também a tempestividade. Fico de acordo. A Câmara a quo, como já informado no relatório, foi unânime em considerar a responsabilidade tributária da pessoa jurídica adquirente pelos atos e fatos praticados pela pessoa jurídica adquirida até a data da transação aquisitiva. Constato no Voto da Conselheira Relatora do Recurso Voluntário à fl. 340 destes autos que em 30.05.97, a pessoa jurídica denominada Máster ATS Supermercados Ltda. e a Vilamamir Comércio e Serviço Ltda. absorveram parcela do patrimônio da Sonda Supermercados Exportação e Importação Ltda., por via de cisão parcial dessa última, canalizando essa parcela para Master Sonda Hipermercados Ltda. filial da cindida, com sede em Erechim/RS contra quem a fiscalização optou por lavrar o AI. E ainda, que a responsabilidade civil/comercial no caso de cisão parcial, não se estende aos estabelecimentos incorporados na forma do disposto no § 1º do art. 229 da Lei nº 6.404/76. Entendo inatacável a decisão no Recurso Voluntário porque louvada no art. 133 do CTN que é reverberado pelo art. 208 do Decreto nº 3.000/99 – RIR, uma vez que a adquirente, Comércio de Alimentos Sul Brasil Ltda., nova denominação da Sonda Supermercados Exportação e Importação Ltda., é continuadora das atividades mercantis exercidas pela autuada que, por sua vez, somente poderá ser subsidiariamente responsabilizada no caso em que a adquirente não venha a adimplir a dívida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13971.003675/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/07/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO EMPREGADOR. NÃO RECOLHIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONFUSÃO DE DISPOSITIVOS LEGAIS NO RELATÓRIO FISCAL. CIÊNCIA PELO CONTRIBUINTE DA INFRAÇÃO IMPUTADA.
Alega a Recorrente que os dispositivos mencionados pela autoridade fiscal eram confusos ou não se relacionavam com o objeto da autuação. Como se pode notar, tanto da impugnação apresentada quanto do Recurso Voluntário, a Recorrente tem plena ciência da matéria da autuação, sendo inclusive capaz de debatê-la ponto a ponto. O cerceamento de defesa é verificado nas situações em que ao contribuinte autuado não é dada a oportunidade de rebater as afirmações da autoridade autuante ou, ainda, nos casos em que o Auto de Infração como um todo impossibilita que o contribuinte verifique a razão pela qual tenha sido autuado. Precedentes: CARF, Acórdão n° 2802-001.402 e Acórdão 1402-001.029.
COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA DA MATRIZ PARA AUTUAÇÃO DE DÉBITOS DE FILIAL EM OUTRO ESTADO.
Na vigência da Instrução Normativa RFB n° 3/2005, o contribuinte poderia eleger o estabelecimento centralizador de sua empresa, mediante requerimento, ou, na falta desta eleição, a SRP, atualmente RFB, uma vez constatando que os elementos necessários à realização de auditoria-fiscal se encontravam em outro estabelecimento que não o eleito, poderia promover, de ofício, a alteração do centralizador. Destarte, não há que se falar em falta de competência da Unidade da RFB de Blumenau para fiscalizar a filial em Recife, uma vez que a fiscalização foi realizada no estabelecimento matriz localizado na Unidade de Blumenau.
DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. INEXISTÊNCIA. O prazo decadencial inicia-se, no caso de recolhimento a menor, na ocorrência do fato gerador. Seu término, nos termos da legislação tributária, ocorrerá cinco anos mais tarde, ou 60 meses - completos - após o fato gerador. Assim, não há que se falar na decadência da competência 09/2004, vez que não completos os cinco anos que a lei determina.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ATINENTE AO REGIME GERAL.
Uma vez excluída a empresa do Simples Nacional, os efeitos dessa exclusão são aplicados de forma retroativa, nos termos do art. 3°, § 10, da Lei Complementar n° 123/06. Assim, correta a autuação sobre a diferença a ser recolhida a título de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO EMPREGADOR Recorrente TECNOLOGIA INDUSTRIA DE FORROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/07/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO EMPREGADOR. NÃO RECOLHIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONFUSÃO DE DISPOSITIVOS LEGAIS NO RELATÓRIO FISCAL. CIÊNCIA PELO CONTRIBUINTE DA INFRAÇÃO IMPUTADA. Alega a Recorrente que os dispositivos mencionados pela autoridade fiscal eram confusos ou não se relacionavam com o objeto da autuação. Como se pode notar, tanto da impugnação apresentada quanto do Recurso Voluntário, a Recorrente tem plena ciência da matéria da autuação, sendo inclusive capaz de debatêla ponto a ponto. O cerceamento de defesa é verificado nas situações em que ao contribuinte autuado não é dada a oportunidade de rebater as afirmações da autoridade autuante ou, ainda, nos casos em que o Auto de Infração como um todo impossibilita que o contribuinte verifique a razão pela qual tenha sido autuado. Precedentes: CARF, Acórdão n° 2802 001.402 e Acórdão 1402001.029. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA DA MATRIZ PARA AUTUAÇÃO DE DÉBITOS DE FILIAL EM OUTRO ESTADO. Na vigência da Instrução Normativa RFB n° 3/2005, o contribuinte poderia eleger o estabelecimento centralizador de sua empresa, mediante requerimento, ou, na falta desta eleição, a SRP, atualmente RFB, uma vez constatando que os elementos necessários à realização de auditoriafiscal se encontravam em outro estabelecimento que não o eleito, poderia promover, de ofício, a alteração do centralizador. Destarte, não há que se falar em falta de competência da Unidade da RFB de Blumenau para fiscalizar a filial em Recife, uma vez que a fiscalização foi realizada no estabelecimento matriz localizado na Unidade de Blumenau. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 36 75 /2 00 9- 11 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. INEXISTÊNCIA. O prazo decadencial iniciase, no caso de recolhimento a menor, na ocorrência do fato gerador. Seu término, nos termos da legislação tributária, ocorrerá cinco anos mais tarde, ou 60 meses completos após o fato gerador. Assim, não há que se falar na decadência da competência 09/2004, vez que não completos os cinco anos que a lei determina. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ATINENTE AO REGIME GERAL. Uma vez excluída a empresa do Simples Nacional, os efeitos dessa exclusão são aplicados de forma retroativa, nos termos do art. 3°, § 10, da Lei Complementar n° 123/06. Assim, correta a autuação sobre a diferença a ser recolhida a título de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 248 3 Relatório Tratase de AI DEBCAD sob o n° 37.243.7460, consolidado em 22/09/2009, no valor de R$ 919.142,94 (novecentos e dezenove mil, cento e quarenta e dois reais e noventa e quatro centavos), decorrente de não recolhimento de contribuições sociais a cargo da empresa e contribuição SAT (GIILRAT), nas competências de 08/2004 a 07/2007. Nos termos do Relatório Fiscal (Fls. 73/78), os fatos geradores das contribuições lançadas foram apurados de acordo com os seguintes levantamentos: LEVANTAMENTO FP – FOLHA DE PAGAMENTO – referente às contribuições pagas, devidas ou creditadas, aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 08/2004 a 06/2006 (Matriz), levantadas com base em resumos de folhas de pagamento, GFIPs e contabilidade, bem como no período de 04/2006 a 07/2007 (Filial), com base em resumos de folhas e GFIPs. LEVANTAMENTO FPO – FOLHA DE PAGAMENTO OBRA – referente às remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados da própria empresa, que trabalharam na obra de construção civil realizada no período de 08/2005 a 03/2006, levantadas com base em resumos de folhas de pagamento, conforme discriminativo “Obra CEI 50.019.26.017/75 (Fl. 79). As remunerações em comento não foram lançadas em título próprios da contabilidade. LEVANTAMENTO OBR – OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL – referente a remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, na obra de construção civil acima identificada, no período de 08/2009, lançadas por arbitramento e apuradas por aferição indireta com base na área construída e no padrão da obra, com valores do Custo Unitário Básico – CUB do estado de Pernambuco, conforme planilha e cálculo (Fls. 79/81). O levantamento gerou a lavratura do Auto de Infração DEBCAD 37.243.7451 (P.A. 13971.003674/200977). LEVANTAMENTO RAT – DIFERENÇA DE RAT – referente à diferença de alíquota de 1%, relativa ao RAT incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados no período de 07/2006 a 11/2006, referente à Matriz, conforme resumos de folha de pagamento e GFIP. A diferença de recolhimento ocorreu porque a empresa declarou em GFIP a alíquota RAT de 2%, ao invés de 3%, que seria correto, uma vez que a empresa tem por objeto social a exploração do ramo de fabricação de forros em aglomerado de madeira e alumínio, CNAE 2330399, cuja alíquota é de 3%. LEVANTAMENTO RES – DIRECTA ENGENHARIA E PROJETOS LTDA – referente à contribuição de 11% sobre as notas fiscais de serviços de construção civil, prestados pela empresa Directa Engenharia e Projetos Ltda, no período de 04/2005 a 03/2006, relacionadas no discriminativo (fl. 85). A retenção não foi destacada das notas fiscais, o que gerou a lavratura do Auto de Infração DEBCAD 37.243.7427 (P.A. 13971.003671/200933). LEVANTAMENTO Z1 – TRANSFERIDO DO LEVANTAMENTO FP (75%) – competência transferida dos levantamentos FP – Folha de Pagamento. Em virtude da Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 edição da Lei 11.941/2009, foi efetuado comparativo entre multas e constatado que, nos períodos de 08/2004 a 03/2005, 02/2006 e 04/2006 a 07/2007, a multa mais benigna foi a de ofício (75%). LEVANTAMENTO Z2 – TRANSFERIDO DO LEVANTAMENTO FPO (75%) competência transferida dos levantamentos FPO – Folha de Pagamento Obra. Em virtude da edição da Lei 11.941/2009, foi efetuado comparativo entre multas e constatado que, nos períodos de 13/2005 e 02/2006, a multa mais benigna foi a de ofício (75%). Realizados os levantamentos, considerouse ainda, para lavratura dos Autos de Infração, que a empresa Recorrente fora excluída do Simples Nacional em 07/08/2003, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 461.462, com efeitos retroativos a 01/01/2002. Sendo assim, os valores recolhidos de acordo com o sistema de arrecadação SIMPLES, no período de 08/2004 a 06/2006, foram deduzidos do crédito lançado, a fim de se evitar pagamento duplicado de contribuições. A Recorrente foi intimada do AIIM em 28/09/2009 e, às fls. 91/124, apresentou impugnação em 28/10/2009. Recebida a Impugnação, a Delegacia da RFB de julgamento em Brasília (DF) proferiu acórdão (Fls. 143/175), dando procedência em parte à pretensão da Recorrente, para excluir a competência de 08/2004 em função da decadência, bem como para determinar o aproveitamento de créditos das competências 11/2005, 07 e 08/2006. Face ao acórdão proferido, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (Fls. 202/204), alegando, em síntese: i) houve cerceamento de defesa, uma vez que foram colocados nos fundamentos legais do débito dispositivos revogados ou que não têm relação com o lançamento, impedindo que a Recorrente soubesse em quais fundamentos estava pautada a autuação; ii) a unidade da Receita Federal do Brasil localizada em Blumenau (SC) não tem competência para fiscalizar empresa localizada em Recife (PE), como é o caso da filial fiscalizada e, portanto, o auto de infração deve ser considerado nulo; iii) operouse a decadência com relação aos valores referentes aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a 28/09/2004, inclusive; iv) da empresa optante pelo SIMPLES não se pode exigir escrituração no molde das demais empresas; v) a Recorrente apresentou defesa relativa à exclusão do SIMPLES em 2003, mas apenas em 2006 houve decisão, razão pela qual, antes disso, não poderia a empresa ser considerada excluída do sistema; vi) é inconstitucional o art. 33, § 4°,da Lei 8.212/91, pois, ao exigir a contribuição com base na área construída, criou um novo imposto, pois a CF, art. 195, I, alíneas a, b e c, apenas permite a exigência de contribuição com relação à folha de salários e demais rendimentos do trabalho, receita ou faturamento e o lucro; vii) os valores constantes na tabela “Remuneração Empregados” devem ser considerados na dedução dos supostos valores devidos e, ainda, que o fato de a empresa ter descumprido obrigação acessória (declaração em GFIP dos valores retidos) não pode afastar o Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 249 5 direito de a contribuinte deduzir dos valores supostamente devidos na regularização da referida obra as contribuições de 11% sobre as NFs emitidas pela Directa; viii) o valor da mãodeobra apurado por aferição não condiz com a prevista no contrato anexado, celebrado com a empresa Reta Engenharia S/C Ltda; ix) não concorda com o lançamento referente aos 11% incidentes sobre as notas fiscais de serviço, pois o fisco não comprovou a cessão de mão de obra – não foi comprovada a ocorrência do fato gerador com relação à prestação de serviços pela empresa Directa Engenharia & Projetos Ltda; x) afirma que não contratou os serviços da empresa Directa Engenharia & Projetos para construção da obra arbitrada, mas sim a empresa Reta Engenharia, conforme contrato anexado aos autos; xi) a empresa não tem qualquer responsabilidade pela obrigação tributária decorrente da relação contratual com o prestador de serviços; xii) a autoridade fiscal, ao lavrar o auto de infração referente às contribuições previdenciárias sobre as folhas de pagamento da obra, deixou de determinar a matéria tributável, não restando demonstrada a forma de apuração dos valores que o AIIM indicou como bases de cálculo, bem como com base em quais fundamentos e critérios foi autuada; xiii) houve cobrança múltipla sobre os mesmos fatos geradores, ocorrendo a tributação em cascata sobre os mesmos supostos fatos geradores, que sequer restaram comprovados; xiv) quanto ao SAT, a Recorrente afirma que a classificação do CNAE da empresa foi alterada por autoridade fiscal municipal, sendo a empresa obrigada a reenquadrar se sob pena de cancelamento da sua inscrição estadual. Desta forma, a empresa calculou o SAT com base no CNAE determinando pelo município, não podendo ser punido com cobrança de diferença, nos termos do AIIM; xv) questiona a regularidade da contribuição SAT perante o ordenamento jurídico vigente; xvi) as multas exigidas são abusivas, sendo, ainda, desproporcionais às supostas infrações, vez que a empresa não agiu com dolo, fraude ou máfé; xvii) não pode prevalecer a taxa SELIC se os AIIM forem mantidos, nos termos do art. 161, §1°, do CTN. Ao final, requer seja reconhecida a nulidade do acórdão proferido ou o cancelamento dos AIIM, bem como a exclusão dos valores cobrados em duplicidade e daqueles relativos à filial, por falta de competência da autoridade fiscal. Ainda, requer a exclusão dos valores relativos aos fatos geradores ocorridos em 09/2004; a exclusão dos valores relativos à retenção de 11% sobre as NFs emitidas pela Directa Engenharia & Projetos, bem como a exclusão das parcelas relativas ao SAT. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Aos autos foram apensados os processos n° 13971.003678/200955 e 13971.003676/200966 (Fls. 270/271), relativos à Representações para Fins Penais, emitidas pela autoridade fiscalizadora. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 250 7 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminares A Recorrente alega, em preliminares, que houve cerceamento de defesa; erro de forma do AIIM; incompetência da autoridade fiscal autuante e decadência. No que se refere ao cerceamento de defesa e ao vício formal apontado, não tem razão a Recorrente. A alegação de que os dispositivos mencionados pela autoridade fiscal eram confusos ou não se relacionavam com o objeto da autuação não serve para justificar a pretensão da contribuinte. Como se pode notar, tanto da impugnação apresentada quanto do Recurso ora em análise, a Recorrente tem plena ciência da matéria da autuação, sendo inclusive capaz de debatêla ponto a ponto. O cerceamento de defesa é verificado nas situações em que ao contribuinte autuado não é dada a oportunidade de rebater as afirmações da autoridade autuante ou, ainda, nos casos em que o Auto de Infração como um todo impossibilita que o contribuinte verifique a razão pela qual tenha sido autuado. Neste sentido, é o posicionamento do CARF: “Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, de sorte a oportunizar ao contribuinte o direito à ampla defesa, não há se falar em nulidade do lançamento. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DIRF. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELA VERACIDADE DAS INFORMAÇÕES A declaração de rendimentos é obrigação e responsabilidade do contribuinte e não de profissional da área contábil contratado. Ninguém pode se escusar de cumprir a lei tributária, alegando que não a conhece. (...)” (CARF – Processo n° 10215.720249/200839, Acórdão n° 2802 001.402) “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O cerceamento de direito de defesa ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual encontramse as informações que norteiam o lançamento a ser contestado, ou se a descrição dos fatos é insuficiente ou deficiente, de tal forma, a impedilo de apresentar impugnação. Situações estas que não se encontram nos presentes autos. Erros na determinação das bases de cálculos, devidamente comprovados, podem ser corrigidos e não implicam em nulidade do lançamento. (...) Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (CARF, Proc. n° 16327.000260/201012, Acórdão 1402 001.029, Relator Antonio José Praga de Souza) A Recorrente alega que a DRF de Blumenau, ao proferir o acórdão que deu parcial provimento à sua Impugnação, agiu contrariamente à ampla defesa garantida pelo texto constitucional. Segundo a Recorrente, a autoridade julgadora deixou de apreciar alguns dos fundamentos apresentados em impugnação, razão pela qual se impunha a nulidade do acórdão. Todavia, é claramente verificada a manifestação da autoridade julgadora, às fls. 150/151, à respeito das considerações feitas pela Recorrente acerca da constitucionalidade dos arts. 31 e 33, § 4° da Lei 8.212/91. O acórdão dedicou um tópico apenas para justificar a impossibilidade de análise de constitucionalidade na esfera administrativa, o que torna descabida a pretensão de nulidade da Recorrente. Ainda quanto às preliminares, no que tange à competência da autoridade fiscal de Blumenau para autuação de créditos tributários oriundos de filial estabelecida em Recife, não assiste razão a Recorrente. A Lei n° 11.457/2007, em seus artigos 2° e 3°, concede à Receita Federal do Brasil, no âmbito de sua competência material e de sua estrutura hierárquica e funcional, a prerrogativa de definir as regras de competência para execução da fiscalização e arrecadação, obedecida a legislação vigente. Importante frisar, ainda, que a mesma lei, através do art. 48, normatizou a questão da vigência dos atos dos órgãos então unificados, prevendo a manutenção dos convênios celebrados e dos atos normativos já editados quando da vigência da lei. Com base nisso, a Instrução Normativa SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, tratou do tema do domicílio tributário e estabelecimentos nos seus artigos 741 a 747: Art. 741. Domicílio tributário é aquele eleito pelo sujeito passivo ou, na.falta de eleição, aplicase o disposto no art. 127 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). Art. 742. Estabelecimento é uma unidade ou dependência integrante da estrutura organizacional da empresa, sujeita à inscrição no CNPJ ou no CEI, onde a empresa desenvolve suas atividades, para os fins de direito e de fato. Art. 743. Estabelecimento centralizador, em regra, é o local onde a empresa mantém a documentação necessária e suficiente Fl. 284DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 251 9 à fiscalização integral, sendo geralmente a sua sede administrativa, ou a matriz, ou o seu estabelecimento principal, assim definido em ato constitutivo. Art. 744. A empresa poderá eleger como centralizador quaisquer de seus estabelecimentos, devendo, para isso, protocolizar requerimento na SRP, observado o disposto no art. 22. Art. 745. O estabelecimento centralizador será alterado de oficio pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à AuditoriaFiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no §2° do art. 22. § 1° A escolha ou a alteração do estabelecimento centralizado r levará em conta, alternativamente, o estabelecimento empresarial que: I possuir o maior número de segurados; II concentrar o funcionamento contábil e de pessoal; III apresentar o maior valor de contribuição para a Previdência Social. §2° Se o estabelecimento definido como novo centralizador estiver circunscrito a outra DRP, será providenciada, pelo Serviço/Seção de Fiscalização da DRP, a transferência dos documentos e dos registros informatizados da empresa para a DRP circunscricionante do novo estabelecimento centralizador que, no prazo de trinta dias, comunicará à empresa esta mudança. Art. 746. A empresa deverá manter à disposição do AFPS, no estabelecimento centralizado r, os elementos necessários aos procedimentos fiscais, em decorrência do ramo de atividade da empresa e em conformidade com a legislação aplicável. Art. 747. É vedado atribuirse a qualidade de centralizador a qualquer unidade ou dependência da empresa não inscrita no CNPJ ou no CEI, bem como àquelas não pertencentes à empresa. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que, na vigência da Instrução Normativa n° 3/2005, o contribuinte poderia eleger o estabelecimento centralizador de sua empresa, mediante requerimento, ou, na falta desta eleição, a SRP, atualmente RFB, uma vez constatando que os elementos necessários à realização de auditoriafiscal se encontravam em outro estabelecimento que não o eleito, poderia promover, de ofício, a alteração do centralizador. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Dessarte, não há que se falar em falta de competência da Unidade da RFB de Blumenau para fiscalizar a filial em Recife, uma vez que a fiscalização foi realizada no estabelecimento matriz localizado na Unidade de Blumenau. Da Decadência Pretende a Recorrente a declaração de decadência do direito creditório referente à competência de setembro de 2004. A autuação se deu em 28 de setembro de 2009, conforme AIIM (Fl. 01). Assim, reconhecido que houve pagamento a menor pela Recorrente, aplicouse o disposto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, segundo o qual quando do recolhimento a menor do tributo pelo contribuinte, contarseá o prazo decadencial a partir da data do fato gerador. Ressaltese, aliás, que o acórdão proferido em análise à impugnação apresentada reconheceu a decadência dos créditos tributários anteriores à setembro de 2004. Não satisfeita com o reconhecimento da decadência, a Recorrente insiste na idéia de que a decadência deveria, da mesma forma, ocorrer em relação à competência de 09/2004, uma vez que a autuação ocorreu em setembro de 2009. O prazo decadencial iniciase, no caso de recolhimento a menor, na ocorrência do fato gerador. Seu término, nos termos da legislação tributária, ocorrerá cinco anos mais tarde, ou, para melhor demonstrar, 60 meses – completos – após o fato gerador. Assim, não há que se falar na decadência da competência 09/2004, vez que não completos os cinco anos que a lei determina. Mérito Aferição indireta A Recorrente insurge quanto à aferição indireta, sob a alegação de que não se pode exigir das empresas optantes pelo SIMPLES, escrituração contábil nos moldes das demais empresas. A Lei n° 9.317/1996 dispunha: “Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4°. § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 252 11 b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2° O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista.” Notese que, apesar de haver dispensado as empresas da escrituração contábil, a lei não as desobrigou de manter em boa ordem e guarda todos os documentos que serviram de base para escrituração dos livros exigidos, bem como, não as dispensou do cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista. No caso em análise, não há que se falar em dispensa da escrituração contábil, vez que no período abrangido pela fiscalização, a empresa já havia sido excluída do SIMPLES, pois a exclusão se dera de forma retroativa a 2002. Ainda, quanto à alegação de que a empresa apresentara defesa relativa à sua exclusão do SIMPLES e que, até que proferida a decisão definitiva, não poderia a Recorrente ser considerada excluída do regime especial, não há respaldo. A fiscalização da qual resultou o AIIM ora discutido se iniciou em 28 de julho de 2009 (FLs. 40), somente dois anos após proferida a decisão definitiva. Assim, não tem razão a Recorrente em alegar que as contribuições não poderiam ser aferidas pelo fato de estar desobrigada da escrituração contábil. Ademais, quanto à possibilidade da aferição indireta, importante destacar o quanto prevê a Lei n° 8.212/91: “ Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Nos termos do dispositivo acima transcrito, é autorizado à fiscalização a apuração de contribuições devidas por aferição indireta quando verificado que a empresa Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 fiscalizada não possui escrituração contábil regular, que demonstre o movimento real da empresa. No caso em questão, a empresa autuada, nos termos do relatório fiscal, deixou de lançar em sua contabilidade todos os fatos relacionados à obra de construção civil já mencionada, como mão de obra, notas fiscais de aquisição de materiais, serviços prestados por empreiteiras e etc. Além disso, a empresa deixou de lançar as notas fiscais emitidas pela empresa Directa Engenharia & Projetos Ltda (apreendidas pela fiscalização, conforme termo de apreensão juntado às fls. 40/41) e todos os fatos geradores relativos à filial da empresa. Ou seja, sendo verificadas tantas irregularidades na escrituração contábil da empresa fiscalizada, não restaram alternativas à fiscalização senão a de aferir indiretamente o quanto devido à título de contribuições sociais, nos termos do art. 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91. Vale mencionar que, antes da aferição indireta, a fiscalização cuidouse de intimar a empresa a apresentar os documentos relativos à obra de construção civil, conforme Termo de Intimação Fiscal (fls. 38/39) e esta não o fez. Além disso, ao contestar a aferição indireta, a Recorrente limitase a fazer alegações, mas não apresenta documentos ou provas suficientes para desconstituir o lançamento, razão pela qual se impõe a manutenção do mesmo. Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização para aferição das contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente. Base de Cálculo As contribuições para a Seguridade Social a cargo do empregador, nos termos da Lei n° 8.212/91, têm como base de cálculo o total de remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, destinadas a retribuir o trabalho: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” A Recorrente alega que a autoridade fiscal, ao lavrar o auto de infração, deixou de detalhar a matéria tributável. Às fls. 79 dos autos é possível verificar que o AuditorFiscal embasou o cálculo das contribuições em folhas de pagamento verificadas nos documentos por ele analisados quando da fiscalização. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 253 13 Vale dizer que neste demonstrativo o Auditor, inclusive, detalha o cálculo, discriminando os valores declarados em GFIP, os não declarados e as folhas de pagamento mês a mês. Portanto, não há que se falar na impossibilidade alegada pela Recorrente de que não conseguira verificar as bases para tributação. Aliás, tanto foi possível à Recorrente identificar a matéria tributável que esta impugnou a autuação ponto a ponto. Caso houvesse discordância da empresa quanto aos valores discriminados no relatório fiscal e planilha de fl. 79, cabia à Recorrente trazer aos autos provas capazes de refutar os valores lançados. O que não ocorreu. Retenção de 11% em razão de cessão de mãodeobra A Recorrente discute a retenção os 11% (onze por cento) sobre as notas fiscais emitias em seu nome pela empresa Directa Engenharia & Projetos Ltda. Alega que o fisco não comprovou a cessão de mãodeobra; que o valor apurado por aferição não condiz com a prevista no contrato celebrado com a empresa Reta Engenharia S/C Ltda; que não contratou os serviços da empresa Directa Engenharia & Projetos para construção da obra arbitrada, mas sim a empresa Reta Engenharia; e, ainda, que a empresa não tem qualquer responsabilidade pela obrigação tributária decorrente da relação contratual com o prestador de serviços. O art. 31, da Lei n° 8.212/91, trata da retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura quando da contratação de cessão de mãodeobra: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1° O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (...) § 3° Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4° Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRP n° 3/2005, vigente na data da ocorrência do fato gerador, em seu art. 145, III, preceitua: “Art. 145 . Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, observado o disposto no art. 176, os serviços de: (...) III construção civil, que envolvam a construção, a demolição, a reforma ou o acréscimo de edificações ou de qualquer benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo ou obras complementares que se integrem a esse conjunto, tais como a reparação de jardins ou passeios, a colocação de grades ou de instrumentos de recreação, de urbanização ou de sinalização de rodovias ou de vias públicas; (...)” No caso em tela, conforme se verifica das notas fiscais apreendidas (fl. 44) pelo Auditor Fiscal durante a fiscalização (Fls. 46/67), a empresa Directa Engenharia & Projetos Ltda. prestou serviços à Recorrente no período de abril de 2005 a março de 2006, referentes à obra de construção civil. Os serviços descritos nas Notas Fiscais, apesar de não detalhados por serviços, mas sim por medição de serviços, são suficientes para demonstrar a contratação da referida empresa pela Recorrente para prestação de serviços relativos à construção civil. E, sendo estes submetidos à incidência de contribuições na forma de retenção, legítima a autuação com base nesses valores. Vale ressaltar que, apesar de a Recorrente negar a contratação de cessão de mãodeobra da empresa Directa Engenharia & Projetos Ltda, em momento algum esta consegue comprovar suas alegações. Não consegue apresentar explicação plausível ao fato de haverem notas fiscais emitidas pela empresa em seu nome e, ainda, afirma que não foi esta a empresa contratada para efetivação da obra, juntando contrato de prestação de serviços firmado com outra empresa – a Reta Engenharia S/C Ltda. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 254 15 O já transcrito art. 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91, esclarece que, quando a fiscalização constatar irregularidades na escrituração contábil ou qualquer outro documento da empresa que diga respeito à sua contabilidade, a apuração de eventuais valores devidos será feita mediante aferição indireta, cabendo à empresa fiscalizada o ônus da prova em contrário. Pois bem. Foram localizadas e apreendidas as referidas notas fiscais de serviços na contabilidade da empresa Recorrente. Verificada a inexistência de retenção dos 11%, o AuditorFiscal exerceu sua função, autuando a empresa. A partir disso, cabia à empresa, nos termos do art. 33, o ônus de provar que esses serviços não foram efetivamente prestados e que, por isso, a retenção de 11% seria indevida. O que não ocorreu. A empresa fez afirmações que não pôde comprovar. Limitouse a dizer que não contratou a empresa Directa Engenharia & Projetos e que as notas fiscais foram emitidas sem seu conhecimento; apresentou contrato firmado com a empresa Reta Engenharia alegando que isso, por si só, era suficiente para comprovar a não contratação da outra empresa. Não obstante, contradizendo suas próprias alegações, a Recorrente requer a dedução da contribuição de 11% apurada sobre a remuneração despendida na execução da obra, o que lhe geraria um crédito cujo direito não pode ser reconhecido à vista dos recolhimentos e declarações em GFIP efetuados muito aquém da realidade fática. Sem fundamento a pretensão da Recorrente. Aliás, ainda que fosse acatado o pedido de dedução dos valores referentes à retenção de 11%, a empresa teria que cumprir obrigações acessórias estabelecidas na legislação, nos termos dos artigos 447, da IN RFB n° 03/2005 e 355, incisos I e II, da IN RFB n° 971/2009: “Art. 447. A remuneração relativa à mãodeobra terceirizada, inclusive ao décimoterceiro salário, cujas correspondentes contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra, será atualizada até o mês anterior ao da emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas no caput e na alínea "b" do inciso II do art. 495, e aproveitada na forma do art. 445, considerandose: I até janeiro de 1999, a remuneração correspondente às contribuições recolhidas em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do prestador, com o endereço da obra, e que traga, no campo "observações", a identificação da matrícula CEI e o número da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços; II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com Fl. 291DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo contratante com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira; c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto nas alíneas "a" e "b" deste inciso, observado o disposto no § 2º e no art. 239; III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP referente à obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. III a partir de outubro de 2002, somente serão atualizadas e deduzidas da RMT as remunerações declaradas em GFIP referente à obra, com comprovante de entrega, emitida pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. (Redação dada pela IN RFB nº 774, de 29/08/2007) (Vide art. 2º da IN RFB nº 774/2007)” “Art. 355. A remuneração relativa à mãodeobra terceirizada, inclusive ao décimo terceiro salário, cujas correspondentes contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra, será atualizada até o mês anterior ao da emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas na alínea "b" do inciso II e no inciso III do art. 402, e aproveitada na forma do art. 353, considerandose: I a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços, emitidos pela empreiteira; II a remuneração declarada em GFIP referente à obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada por empreiteiro interposto, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo empreiteiro contratante com base nas Fl. 292DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 255 17 notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços, emitidos pela subempreiteira;” Assim, ante as alegações sem prova da Recorrente, a ausência de retenção dos 11% (onze por cento) sobre os valores da prestação de serviços contidos nas referidas notas fiscais, a não apresentação das GFIPs vinculadas à obra referentes a tais notas fiscais, pelo não cumprimento das determinações contidas na IN SRP n° 3/2005, patente o indeferimento do pedido de dedução de valores das contribuições referentes à obra em questão. Por fim, no que diz respeito à alegação da Recorrente de que não possui responsabilidade pela obrigação tributária decorrente de relação contratual com prestador de serviços, equivocase. O já mencionado art. 33, da Lei n° 8.212/91, em seu § 5°, em complemento ao art. 31, determina: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.” “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Assim, não tendo a empresa contratante efetuado a retenção, passa a ser sua a responsabilidade pela importância que deixou de receber ou arrecadar nos termos da legislação especializada e, portanto, legítima a autuação. SAT A Lei n° 8.212/91 estabelece a exigência do SAT, definindo os patamares de incidência conforme o risco a que estiverem sujeitos os trabalhadores em razão da atividade preponderante do empregador: Fl. 293DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes.” O art. 202 do Decreto n° 3.048/99, por sua vez, prevê a responsabilidade por parte da empresa em fazer seu autoenquadramento, de acordo com a atividade exercida, cabendo à administração federal, ao constatar erro no autoenquadramento, orientar o contribuinte e proceder à notificação dos valores devidos: “Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 256 19 § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. § 6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.” A competência para fiscalizar o recolhimento do SAT/GILRAT, à época da ocorrência dos fatos geradores, era da Secretaria da Receita Previdenciária. Atualmente, em razão da unificação da fiscalização federal, a competência passou a ser da Receita Federal do Brasil, nos termos dos arts., 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007. A Recorrente, todavia, alega que recolheu a contribuição SAT sob a alíquota de 2% em atendimento a fiscalização do município de Blumenau, corroborada pela fiscalização do estado de Santa Catarina, em dezembro de 2006 e abril de 2007, respectivamente. A competência dos entes municipais e estaduais, nos termos da legislação vigente, não possui qualquer relação com a fiscalização relativa ao GILRAT. Conforme já descrito, a competência é exclusiva da União, através da Receita Federal do Brasil. Portanto, não pode proceder a alegação da Recorrente de que seu enquadramento equivocado se deu por determinação municipal ou estadual. Quanto à classificação CNAE correspondente à atividade exercida pela empresa e, por conseqüência, sua alíquota, da simples análise do contrato social da Recorrente (fls. 32/39) é possível verificar que se trata de indústria fabricante de forros e, de acordo com a Fl. 295DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 tabela de classificações, à atividade industrial é atribuída a alíquota de 3% (três por cento), dado o risco inerente à produção. Vale dizer que, de acordo com o relatório fiscal (fls. 76), a Recorrente é fabricante de chapas de cimento com reforço em madeira e, assim, a classificação mais adequada seria a do CNAE 23303/99 – Fabricação de outros artefatos e produtos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e materiais semelhantes, cuja alíquota também é de 3% (três por cento), conforme Anexo II da IN SRP n°3/2005. Multa Pretende o contribuinte seja reduzida a multa aplicada quando da autuação, por entender que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) possui caráter confiscatório e desproporcional. No relatório fiscal, mais especificamente às fls. 77 dos autos, ao descrever os levantamentos efetivados quando da fiscalização, a autoridade fiscal os dividiu em “Z1 – Transferido Lev. FP (75%)” e “Z2 – Transferido do Lev. FPO (75%)”. Ambos os levantamentos se referem a desmembramentos realizados para verificação da multa mais benigna ao contribuinte, conforme planilha “comparação de multas” às fls. 88.. Notese que em algumas das competências a autoridade fiscal optou pela aplicação da multa aplicável anteriormente à vigência da Lei n° 11.941/2009, por ser a mais benigna ao contribuinte. Assim, realizado pela autoridade fiscal estritamente o quanto previsto em lei para aplicação de multas, indeferese o pedido de redução de multa, bem como sua exclusão. SELIC O Código Tributário Nacional, em seu art. 161, prevê expressamente a possibilidade de lei fixar juros diversos do quanto por ele previsto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, em seu art. 89, § 4°, prevê: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003675/200911 Acórdão n.º 2402003.328 S2C4T2 Fl. 257 21 § 4° O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou entendimento, inclusive mediante Súmula, a respeito da aplicação da SELIC para aplicação de juros nos casos referentes às contribuições previdenciárias: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ademais, não cabe a este Conselho discutir quanto ao caráter remuneratório da Taxa SELIC, pois a Administração Pública é regida pelo Princípio da Legalidade e, sendo assim, deve respeito às normas vigentes. Destarte, patente o indeferimento do pedido de redução da taxa SELIC a 1% ao mês, bem como sua exclusão. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso vez que tempestivo e a ele negar provimento pelos fundamentos acima expostos. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 297DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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