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Numero do processo: 10935.720269/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008
SIMPLES. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA.
É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL PREVIDENCIÁRIO.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do SIMPLES é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição do Ato Declaratório Executivo e Termo de Exclusão do Simples.
SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL PREVIDENCIÁRIO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do SIMPLES é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição do Ato Declaratório Executivo e Termo de Exclusão do Simples. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 02 69 /2 01 1- 80 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720269/201180 Acórdão n.º 2402003.937 S2C4T2 Fl. 274 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento tributário realizado em 02/05/2011 relativo às contribuições sociais previdenciárias relativas ao serviços contratados de cooperativa de trabalho médico. O lançamento resulta da exclusão da recorrente das sistemáticas do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL em razão da constatação de exercício da atividade econômica impeditiva. A atividade seria assemelhada à corretagem pela intermediação na venda de planos de saúde e não a atividade de cobrança. Seguem transcrições da decisão recorrida: 12. Conforme verificado, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tem natureza jurídica assemelhada à de corretagem, caracterizada pela mediação de negócios, que no caso é a comercialização e administração de um plano de saúde, de caráter coletivo, operado pela Unimed Cooperativa de Trabalho Médico. Há um contrato de prestação de serviços médicos formalizado entre a Sind. Administradora Ltda e a Unimed de Cascavel, de caráter coletivo, destinado a atender a qualquer usuário pessoa física que queira aderir ao plano de saúde por ela patrocinado, independentemente de qualquer vínculo de natureza trabalhista, de classe ou associativa. É a Sind Administradora Ltda que comercializa o plano de saúde por meio de seus agentes e promove a inscrição dos usuários junto ao operador. Pela intermediação dos serviços a Sind Administradora Ltda recebe comissões arrecadadas juntamente com as mensalidades dos participantes. 13. Ou seja, o desenvolvimento desta atividade não corresponde à declarada na ficha cadastral do contribuinte descrita pelo código CNAE 82.91100 Atividades de cobranças e informações cadastrais. A atividade de cobrança que o contribuinte executa está relacionada à administração da sua própria carteira de clientes, em razão de eventuais inadimplências que venham a ocorrer no repasse das mensalidades e cotas de coparticipação do plano de saúde. Na análise dos documentos fiscais e contábeis não foram identificadas receitas provenientes de cobrança extrajudicial de títulos vencidos de terceiros ou decorrentes de outra atividade qualquer. 14. O enquadramento correto do sujeito passivo fica assim definido, de acordo com a relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco do Anexo V do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e dos Anexo II e III da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Quanto aos processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, a decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade do recorrente e atualmente se encontram na Primeira Seção deste CARF aguardando distribuição: 11. As representações administrativas estão identificadas pelos processos nº 10935.720241/201142 e 10935.720240/201106, respectivamente, a partir dos quais resultaram o Ato Declaratório Executivo – Exclusão do Simples ADE nº 05/2011 e o Termo de Exclusão do Simples Nacional TESN nº 08/2011. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente. Segue transcrição da ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008. ARROLAMENTO DE BENS. REGISTRO PÚBLICO. O arrolamento de bens definido pela legislação tributária não implica expropriação de bens ou restrição à transferência de sua propriedade pelo contribuinte, ficando sujeito apenas à devida comunicação do fato ao fisco para controle, não havendo possibilidade de não se levar o arrolamento a registro público por expressa determinação legal dessa providência. ATIVIDADE DA EMPRESA. REENQUADRAMENTO EM PROCEDIMENTO FISCAL. O reenquadramento da atividade da empresa que motivou sua exclusão do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL já tendo sido analisado nos autos relativos a estas respectivas exclusões, não pode ser rediscutido no processo reflexo sob risco de se vir a proferir decisão conflitante com o processo matriz. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE. A autoridade julgadora administrativa não tem competência para se pronunciar quanto à legalidade de norma jurídica vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. MULTA DE OFÍCIO. DOLO E MÁ FÉ. Aplicase a multa de ofício sempre que o lançamento decorrer de procedimento fiscal, sendo que o dolo e a má fé do contribuinte, quando apurados pela Fiscalização, justificam o agravamento da multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Fl. 276DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720269/201180 Acórdão n.º 2402003.937 S2C4T2 Fl. 275 5 21.3. Tratandose de serviços relacionados à área da saúde, a base de cálculo será definida em função das peculiaridades da cobertura do contrato, segundo critérios definidos no Art. 291 e seguintes da Instrução Normativa IN/SRP nº 03, de 14/07/2005, com a seguinte redação. ... 21.4. No presente caso, os serviços contratados com a Unimed estão relacionados à área de saúde sujeitandose a critérios diferenciados na apuração da base de cálculo para incidências das contribuições sociais. 21.5. Nas notas fiscais/faturas de prestação de serviços em que os serviços prestados e materiais utilizados não estão discriminados, a base de cálculo aplicada não será inferior a 30% do valor bruto dos pagamentos realizados (Art. 291, I, “a” da IN 03). 21.6. Nas faturas em que os valores estão discriminados de acordo com a natureza do ato praticado, a base de cálculo das contribuições será o valor dos serviços executados por médicos cooperados. Tais valores estão descritos como Ato Cooperado Principal segundo consta em Declaração apresentada pelo Diretor Presidente da Unimed de Cascavel (cópia anexa). 21.7. Os valores que serviram de base ao lançamento fiscal encontramse discriminados na planilha “Anexo Pagamentos a Cooperativa de Trabalho” e foram coletados das faturas de serviços respectivas corroboradas pelos registros contábeis. 21.8. Para efeito de apuração do valor do INSS devido foram consideradas todas as faturas de serviços emitidas contra a empresa associada. A competência do débito é definida pela data da emissão do documento. ... Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas com precisão na decisão recorrida: Regularmente intimada de todos os Autos de Infração decorrentes da mesma Ação Fiscal, a contribuinte apresentou impugnação única para todos, subdividindo suas alegações conforme os respectivos lançamentos, identificados pelos seus respectivos números DEBCAD´s. Além disso, a impugnação contém ainda argumentos genéricos, aplicáveis a todos os lançamentos, assim resumidos: seria indevido o arrolamento de bens da autuada antes de se tornar definitiva administrativamente a exigência, por ofensa ao direito de defesa e ao devido processo legal (artigo 5º, LV, da CF/88); estaria equivocada a imputação de atividade comercial da empresa feita pela Fiscalização e da qual decorre sua exclusão Fl. 277DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, exclusões estas das quais resulta a presente exigência; seria indevida a exigência de juros de mora com base na variação da taxa SELIC; somente seria aplicável a multa de que trata o artigo 44, da Lei 9.430/96 se houvesse havido dolo ou máfé do contribuinte, o que não ocorreu no presente caso. Especificamente no que diz respeito à presente autuação, alega a contribuinte em sua impugnação, resumidamente, que: seria indevida a exigência de contribuições previdenciárias sobre serviços prestados por pessoa jurídica, por expressa ofensa ao artigo 195, I, “a”, da Constituição Federal de 1988; a instituição de bases de cálculo distintas das previstas no texto constitucional para exigência de contribuições previdenciárias somente poderia ser feita por meio de lei complementar conforme disposto pelo artigo 195, §4º c/c art. 154, I, da Constituição Federal de 1988; especificamente quanto às contribuições exigidas, não podem subsistir uma vez que a impugnante atenderia todos os requisitos para permanecer no SIMPLES FEDERAL e no SIMPLES NACIONAL. É o Relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720269/201180 Acórdão n.º 2402003.937 S2C4T2 Fl. 276 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Enquadramento no SIMPLES A primeira preliminar enfrentada diz respeito à discussão no presente processo do enquadramento da recorrente no SIMPLES. O processo onde se discute a exclusão do SIMPLES está em tramitando no CARF e, de fato, ainda não há decisão definitiva sobre a matéria, conforme pode ser consultado do sítio mantido na internet. Não se nega a correlação e dependência deste ao processo através do qual se discute especificamente o enquadramento no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Sendo esse favorável ao recorrente, estarão excluídos os créditos lançados sob o mesmo fundamento. Por outro lado, a correlação não inibe o lançamento antes da decisão definitiva nos processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, uma vez que nessas hipóteses não há previsão legal para a suspensão ou interrupção do prazo decadencial. Conforme as regras do Regimento Interno do CARF, os processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade: Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ... Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 .... IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; ... Como conseqüência, a discussão aceita dos fatos que conduziram à expedição do ADE não é cabível neste processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário, mas somente no processo próprio. Em conclusão, voto por não conhecer das questões relativas a exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL; no entanto, que fique sobrestada a execução do crédito até que também se decida definitivamente sobre a exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Mérito Todos os eventuais recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Alega inconstitucionalidade da contribuição sobre a contratação de serviços por intermédio de cooperativa de trabalho prevista no artigo 22, IV da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Também se insurge o recorrente contra os dispositivos legais relativos à multa aplicada, os juros moratórios e o arrolamento de bens. No entanto, é vedado a este órgão administrativo afastálos por inconstitucionalidade: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720269/201180 Acórdão n.º 2402003.937 S2C4T2 Fl. 277 9 Em razão do exposto, voto pelo conhecimento parcial do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 281DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.720239/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
SIMPLES. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA.
É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL PREVIDENCIÁRIO.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do SIMPLES é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição do Ato Declaratório Executivo e Termo de Exclusão do Simples.
SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL PREVIDENCIÁRIO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do SIMPLES é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário rediscussão acerca dos motivos que conduziram à expedição do Ato Declaratório Executivo e Termo de Exclusão do Simples. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 02 39 /2 01 1- 73 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720239/201173 Acórdão n.º 2402003.934 S2C4T2 Fl. 546 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento tributário realizado em 02/05/2011 relativo às contribuições sociais previdenciárias relativas ao serviços contratados de cooperativa de trabalho médico. O lançamento resulta da exclusão da recorrente das sistemáticas do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL em razão da constatação de exercício da atividade econômica impeditiva. A atividade seria assemelhada à corretagem pela intermediação na venda de planos de saúde e não a atividade de cobrança. Seguem transcrições da decisão recorrida: 12. Conforme verificado, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tem natureza jurídica assemelhada à de corretagem, caracterizada pela mediação de negócios, que no caso é a comercialização e administração de um plano de saúde, de caráter coletivo, operado pela Unimed Cooperativa de Trabalho Médico. Há um contrato de prestação de serviços médicos formalizado entre a Sind. Administradora Ltda e a Unimed de Cascavel, de caráter coletivo, destinado a atender a qualquer usuário pessoa física que queira aderir ao plano de saúde por ela patrocinado, independentemente de qualquer vínculo de natureza trabalhista, de classe ou associativa. É a Sind Administradora Ltda que comercializa o plano de saúde por meio de seus agentes e promove a inscrição dos usuários junto ao operador. Pela intermediação dos serviços a Sind Administradora Ltda recebe comissões arrecadadas juntamente com as mensalidades dos participantes. 13. Ou seja, o desenvolvimento desta atividade não corresponde à declarada na ficha cadastral do contribuinte descrita pelo código CNAE 82.91100 Atividades de cobranças e informações cadastrais. A atividade de cobrança que o contribuinte executa está relacionada à administração da sua própria carteira de clientes, em razão de eventuais inadimplências que venham a ocorrer no repasse das mensalidades e cotas de coparticipação do plano de saúde. Na análise dos documentos fiscais e contábeis não foram identificadas receitas provenientes de cobrança extrajudicial de títulos vencidos de terceiros ou decorrentes de outra atividade qualquer. 14. O enquadramento correto do sujeito passivo fica assim definido, de acordo com a relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco do Anexo V do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e dos Anexo II e III da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Quanto aos processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, a decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade do recorrente e atualmente se encontram na Primeira Seção deste CARF aguardando distribuição: 11. As representações administrativas estão identificadas pelos processos nº 10935.720241/201142 e 10935.720240/201106, respectivamente, a partir dos quais resultaram o Ato Declaratório Executivo – Exclusão do Simples ADE nº 05/2011 e o Termo de Exclusão do Simples Nacional TESN nº 08/2011. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente. Segue transcrição da ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008. ARROLAMENTO DE BENS. REGISTRO PÚBLICO. O arrolamento de bens definido pela legislação tributária não implica expropriação de bens ou restrição à transferência de sua propriedade pelo contribuinte, ficando sujeito apenas à devida comunicação do fato ao fisco para controle, não havendo possibilidade de não se levar o arrolamento a registro público por expressa determinação legal dessa providência. ATIVIDADE DA EMPRESA. REENQUADRAMENTO EM PROCEDIMENTO FISCAL. O reenquadramento da atividade da empresa que motivou sua exclusão do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL já tendo sido analisado nos autos relativos a estas respectivas exclusões, não pode ser rediscutido no processo reflexo sob risco de se vir a proferir decisão conflitante com o processo matriz. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE. A autoridade julgadora administrativa não tem competência para se pronunciar quanto à legalidade de norma jurídica vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. MULTA DE OFÍCIO. DOLO E MÁ FÉ. Aplicase a multa de ofício sempre que o lançamento decorrer de procedimento fiscal, sendo que o dolo e a má fé do contribuinte, quando apurados pela Fiscalização, justificam o agravamento da multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Fl. 548DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720239/201173 Acórdão n.º 2402003.934 S2C4T2 Fl. 547 5 21.3. Tratandose de serviços relacionados à área da saúde, a base de cálculo será definida em função das peculiaridades da cobertura do contrato, segundo critérios definidos no Art. 291 e seguintes da Instrução Normativa IN/SRP nº 03, de 14/07/2005, com a seguinte redação. ... 21.4. No presente caso, os serviços contratados com a Unimed estão relacionados à área de saúde sujeitandose a critérios diferenciados na apuração da base de cálculo para incidências das contribuições sociais. 21.5. Nas notas fiscais/faturas de prestação de serviços em que os serviços prestados e materiais utilizados não estão discriminados, a base de cálculo aplicada não será inferior a 30% do valor bruto dos pagamentos realizados (Art. 291, I, “a” da IN 03). 21.6. Nas faturas em que os valores estão discriminados de acordo com a natureza do ato praticado, a base de cálculo das contribuições será o valor dos serviços executados por médicos cooperados. Tais valores estão descritos como Ato Cooperado Principal segundo consta em Declaração apresentada pelo Diretor Presidente da Unimed de Cascavel (cópia anexa). 21.7. Os valores que serviram de base ao lançamento fiscal encontramse discriminados na planilha “Anexo Pagamentos a Cooperativa de Trabalho” e foram coletados das faturas de serviços respectivas corroboradas pelos registros contábeis. 21.8. Para efeito de apuração do valor do INSS devido foram consideradas todas as faturas de serviços emitidas contra a empresa associada. A competência do débito é definida pela data da emissão do documento. ... Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas com precisão na decisão recorrida: Regularmente intimada de todos os Autos de Infração decorrentes da mesma Ação Fiscal, a contribuinte apresentou impugnação única para todos, subdividindo suas alegações conforme os respectivos lançamentos, identificados pelos seus respectivos números DEBCAD´s. Além disso, a impugnação contém ainda argumentos genéricos, aplicáveis a todos os lançamentos, assim resumidos: seria indevido o arrolamento de bens da autuada antes de se tornar definitiva administrativamente a exigência, por ofensa ao direito de defesa e ao devido processo legal (artigo 5º, LV, da CF/88); estaria equivocada a imputação de atividade comercial da empresa feita pela Fiscalização e da qual decorre sua exclusão Fl. 549DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, exclusões estas das quais resulta a presente exigência; seria indevida a exigência de juros de mora com base na variação da taxa SELIC; somente seria aplicável a multa de que trata o artigo 44, da Lei 9.430/96 se houvesse havido dolo ou máfé do contribuinte, o que não ocorreu no presente caso. Especificamente no que diz respeito à presente autuação, alega a contribuinte em sua impugnação, resumidamente, que: seria indevida a exigência de contribuições previdenciárias sobre serviços prestados por pessoa jurídica, por expressa ofensa ao artigo 195, I, “a”, da Constituição Federal de 1988; a instituição de bases de cálculo distintas das previstas no texto constitucional para exigência de contribuições previdenciárias somente poderia ser feita por meio de lei complementar conforme disposto pelo artigo 195, §4º c/c art. 154, I, da Constituição Federal de 1988; especificamente quanto às contribuições exigidas, não podem subsistir uma vez que a impugnante atenderia todos os requisitos para permanecer no SIMPLES FEDERAL e no SIMPLES NACIONAL. É o Relatório. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720239/201173 Acórdão n.º 2402003.934 S2C4T2 Fl. 548 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Enquadramento no SIMPLES A primeira preliminar enfrentada diz respeito à discussão no presente processo do enquadramento da recorrente no SIMPLES. O processo onde se discute a exclusão do SIMPLES está em tramitando no CARF e, de fato, ainda não há decisão definitiva sobre a matéria, conforme pode ser consultado do sítio mantido na internet. Não se nega a correlação e dependência deste ao processo através do qual se discute especificamente o enquadramento no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Sendo esse favorável ao recorrente, estarão excluídos os créditos lançados sob o mesmo fundamento. Por outro lado, a correlação não inibe o lançamento antes da decisão definitiva nos processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, uma vez que nessas hipóteses não há previsão legal para a suspensão ou interrupção do prazo decadencial. Conforme as regras do Regimento Interno do CARF, os processos de exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade: Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ... Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 551DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 .... IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; ... Como conseqüência, a discussão aceita dos fatos que conduziram à expedição do ADE não é cabível neste processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário, mas somente no processo próprio. Em conclusão, voto por não conhecer das questões relativas a exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL; no entanto, que fique sobrestada a execução do crédito até que também se decida definitivamente sobre a exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Mérito Todos os eventuais recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Alega inconstitucionalidade da contribuição sobre a contratação de serviços por intermédio de cooperativa de trabalho prevista no artigo 22, IV da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Também se insurge o recorrente contra os dispositivos legais relativos à multa aplicada, os juros moratórios e o arrolamento de bens. No entanto, é vedado a este órgão administrativo afastálos por inconstitucionalidade: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.720239/201173 Acórdão n.º 2402003.934 S2C4T2 Fl. 549 9 Em razão do exposto, voto pelo conhecimento parcial do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 553DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10920.911406/2012-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 06 /2 01 2- 33 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911406/201233 Acórdão n.º 3803005.655 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911406/201233 Acórdão n.º 3803005.655 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911406/201233 Acórdão n.º 3803005.655 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911406/201233 Acórdão n.º 3803005.655 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911406/201233 Acórdão n.º 3803005.655 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911406/201233 Acórdão n.º 3803005.655 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000216/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001, 2002
PROVA PERICIAL.
O pedido de produção de prova pericial pelo contribuinte deve atender aos requisitos constantes no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
A comprovação da existência da área de Reserva Legal é necessária para fins de gozo da isenção.
VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). POSSIBILIDADE. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE.
O Valor da Terra Nua - VTN constante do SIPT é válido para fins de arbitramento, quando o contribuinte falha em comprovar o valor registrado na DITR. Nos termos dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, especialmente o artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o VTN arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, na hipótese de encontrar-se revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2201-002.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 19/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001, 2002 PROVA PERICIAL. O pedido de produção de prova pericial pelo contribuinte deve atender aos requisitos constantes no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência da área de Reserva Legal é necessária para fins de gozo da isenção. VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). POSSIBILIDADE. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. O Valor da Terra Nua - VTN constante do SIPT é válido para fins de arbitramento, quando o contribuinte falha em comprovar o valor registrado na DITR. Nos termos dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, especialmente o artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o VTN arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, na hipótese de encontrar-se revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 19/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16045.000216/200510 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.303 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria ITR Recorrente BOCAINA DO SUL PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 PROVA PERICIAL. O pedido de produção de prova pericial pelo contribuinte deve atender aos requisitos constantes no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência da área de Reserva Legal é necessária para fins de gozo da isenção. VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). POSSIBILIDADE. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. O Valor da Terra Nua VTN constante do SIPT é válido para fins de arbitramento, quando o contribuinte falha em comprovar o valor registrado na DITR. Nos termos dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, especialmente o artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o VTN arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 16 /2 00 5- 10 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 19/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 67 lavrado em 08.12.05, exigese da Contribuinte o montante de R$ 62.967,92 de imposto, R$ 41.354,92 de juros de mora e R$ 47.255,94 de multa de ofício, referente ao ITR dos exercícios de 2001 e 2002 incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Santana do Rio Aba no município de Areias/SP. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 71): · Rejeita o VTN declarado pelo contribuinte de R$ 59,03/ha por compreender estar subavaliado diante do VTN médio para os exercícios de 2001 e 2002 constantes no Sistema de Preço de Terras (SIPT) no valor de R$ 537,19/ha (fls. 63) e R$ 557,85/ha (fls. 64), respectivamente. · Glosa a área de 500 ha informada como de utilização limitada na DITR de 2002, pois compreendeu que o contribuinte cometeu um engano no preenchimento da declaração, uma vez que o imóvel tem 500 ha de área de pastagem. · Não aceita o valor das benfeitorias, culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas por não terem sido devidamente comprovadas pelo contribuinte, pois apenas foram citadas opiniões de engenheiros de avaliação ligados ao setor imobiliário rural e ofertadas de mercado, sem, contudo terem sido anexados quaisquer provas dos valores mensurados. · Embora o laudo cite as benfeitorias não especifica o total em hectare ocupado com as construções, razão pela qual foi glosado a área de 36,6 ha. · Alterou a área de pastagem pleiteada pelo contribuinte em função dos índices de produção pecuária, aplicáveis à propriedade em questão, que demonstrou uma constância de 12 cabeças de gado e 08 cavalos para o período apurado. A Contribuinte tomou ciência no corpo do próprio Auto de Infração às fls. 68 em 14.12.05, tendo apresentado Impugnação em 05.01.06 às fls. 85, aduzindo: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16045.000216/200510 Acórdão n.º 2201002.303 S2C2T1 Fl. 3 3 Como preliminar: · Ausência de Mandado de Procedimento Fiscal para instauração do processo administrativo tributário. · Preterição do direito de defesa uma vez que: o A Fiscalização não juntou aos autos a íntegra das informações por ela obtidas no SIPT, fato que impossibilita a defesa do contribuinte pois sem acesso a tais dados não tem como averiguar se alguma outra categoria (além de “campos”) seria porventura mais adequada para a classificação do imóvel objeto da autuação. o Não tem como avaliar se o VTN adotado pela Fiscalização, e obtido do SIPT, corresponde de fato ao VTN de propriedade imobiliárias da mesma região onde se encontra o imóvel em tela. o Não tem como constatar a racionalidade do SIPT como: saber se a Fiscalização considerou, na apuração do VTN, propriedades imobiliárias equivalentes ou comparáveis à do contribuinte, não só quanto à área, mas também no que se refere à existência de benfeitorias e pastagens. No mérito: · Inocorrência de subavaliação da propriedade haja vista que comprovou, através de laudo acostado aos autos, o valor total do imóvel equivalente a R$ 420.000,00 tanto para exercício de 2001 quanto para o exercício de 2002. · Embora a Autoridade Lançadora tenha reconhecido os valores de pastagem e benfeitorias confirmadas pelo laudo, não os excluiu do VTN. Segundo o laudo o imóvel possuía as seguintes benfeitorias: uma casa sede, uma casa de colono, uma igreja, uma escola, um estábulo, um barracão para os carneiros, uma cocheira para os cavalos e dois chalés alpinos, observando ainda que a propriedade é servida de energia elétrica. Desta feita, compreende não ser cabível que nenhuma área seja atribuída a estas benfeitorias, que foram comprovadas inclusive por fotos. · Na hipótese da prova pericial já produzida venha a ser desconsiderada requer a realização de nova perícia que comprove o valor total do imóvel, bem como o valor das áreas de pastagem e benfeitorias. Para tanto formula quesitos e indica perito. · Alternativamente, diante da recusa da perícia requisitada e prevalecendo a avaliação da Fiscalização, requer acesso ao integrado Sistema de Preços da Terra (SIPT) para averiguar a racionalidade da comparação de dados Fiscalização, bem como critérios adotados no cálculo do “VTNmédio”. · Reconhece o equívoco no preenchimento da DITR/02 apontando que a propriedade sempre possuiu área de pastagem de 500 ha. A Contribuinte, através da petição de fls. 168, requer a juntada de novo laudo (fls. 169) elaborado por distinto engenheiro agrônomo, acompanhado do respectivo ART (186) no intuito de comprovar o VTN e as áreas de pastagem e benfeitorias. A 1ª Turma da DRJ/CGE através do acórdão nº 0414.292 de 20.06.08 (fls. 199) rejeitou as preliminares para julgar procedente o lançamento, nos seguintes termos: · A apresentação das provas pelo contribuinte deve ser feita até a impugnação. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Indeferiu o pedido de diligência pericial, pois a perícia teria o condão de levantar provas a favor do contribuinte que poderiam ser por ele produzidas por outros meios. · O Auto de Infração contém todos os requisitos exigidos pela legislação não havendo incorreção ou omissões a serem apontadas, não havendo nulidade a ser declarada. · Inocorrência de violação à ampla defesa e ao contraditório uma vez que ao contribuinte foi dado o direito de apresentar impugnação, não havendo qualquer obstrução que a impedisse de apresentar a impugnação. · Rejeitou as preliminares de ilegalidade uma vez que o presente processo é meramente de direito, estando o lançamento devidamente amparado pelas leis que disciplinam a matéria. · Compreendeu como matéria não impugnada a glosa de 500 ha como área de utilização limitada tendo em vista o reconhecimento do equívoco pela contribuinte na impugnação. · Não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo porque ser revisto o valor atribuído ao imóvel com base no SIPT. · É impertinente a alegação de falta de publicidade dos valores constantes do SIPT, haja vista que não há obrigatoriedade de publicidade dos parâmetros de malha fiscal. Salientou que o que importa ao contribuinte não é conhecer os valores constantes do SIPT, mas provar o valor de mercado de seu imóvel na data do fato gerador. · A correção de possível equívoco no preenchimento da DITR informando quantidade menor de área de pastagem deve vir acompanhada de laudo técnico acompanhado de ART, bem como documentação que comprove a existência de gado (quantitativo de 2000 e 2001) no imóvel (notas fiscais de movimentação de animais, de aquisição de vacinas e ficha de vacinação etc). O contribuinte não apresentou comprovação de existência de animais nos anos base dos exercícios, razão pela qual não há como ser alterada a glosa efetuada. · A alteração da área de benfeitoria não acarreta mudança no crédito tributário, haja vista que o imóvel permaneceria com grau de utilização inferior a 30% o que implicaria na incidência da mesma alíquota. · O mesmo argumento vale para o valor das benfeitorias, haja vista que o valor da terra nua foi apurado com base dos valores constantes no SIPT. Como os valores das benfeitorias são acréscimos que são feitos ao solo, o restabelecimento somente iria implicar em majoração do valor total do imóvel, que não tem relevância para a determinação da base de cálculo do ITR. A Contribuinte tomou ciência da decisão em 10.06.08 conforme AR de fls. 208, havendo apresentado em Recurso Voluntário às fls. 217, aduzindo: · Equivocouse tanto em 2001 ao declarar como área tributável a área total de 682,50 ha, quanto em 2002 ao declarar como área de utilização limitada a área de 500,00 ha e área tributável 182,50 ha. Isto porque na forma do art. 10, II, a da Lei nº 9.393/96, 20% da área total do imóvel (1.694,00 ha) é área de Reserva Legal 338,80 ha. Assim, o imóvel possui uma área total isenta de tributação de 1.350,30 ha. Área esta plenamente preservada haja vista que somente 36,30 ha é ocupado com benfeitorias e possui apenas 20 unidades animais para área remanescente de 307,90 ha. Assim, requer o reconhecimento como área intributável (reserva legal) a área de 338,80 ha, uma vez que não há exigência legal de apresentação de ADA ou averbação na matrícula do imóvel para comprovação da área de Reserva Legal. Apresenta jurisprudência sobre o tema. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16045.000216/200510 Acórdão n.º 2201002.303 S2C2T1 Fl. 4 5 · É fato incontroverso a existência da área de Reserva Legal, pois jamais se afirmou que a referida área não existia. · Uma vez que o contribuinte apresentou laudo técnico elaborado por profissional devidamente habilitado acompanhado da respectiva ART e em consonância com a NBR 14.635 da ABNT, viola o princípio da legalidade o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) com base no SIPT, no valor de R$ 909.999,86 (R$ 537,19/ha) e R$ 944.997,90 (R$ 557,85/ha), valor este muito superior ao VTN declarado (R$ 100.000,00) e apurado no segundo Laudo de Avaliação de fls. 169 de R$ 120.000,00 (R$ 70,84/ha), razão pela qual requer a adoção do VTN apontado no Laudo de Avaliação. · Efeito confiscatório do lançamento efetuado no valor de R$ 170.271,48 que corresponde aproximadamente 20% do valor do imóvel apurado pela própria fiscalização (R$ 909.999,86). · Impossibilidade de aplicação de multa moratória até a decisão final do processo administrativo diante a suspensão do crédito tributário decorrente da interposição, tempestiva, da impugnação ao lançamento. O Recurso Voluntário foi encaminhado à 1ª Câmara/2ª Turma do CARF que em 18.06.10 proferiu o Acórdão 210200.712 (fls. 385) declarando a nulidade do acordão recorrido diante do cerceamento de defesa decorrente da falta de análise, pela DRJ de Campo Grande, do segundo Laudo de Avaliação acostado aos autos em data anterior à prolação do Acórdão recorrido. A 1ª Turma da DRJ/CGE através do acórdão nº. 0426.629 de 28.11.11 às fls. 402 rejeitou as preliminares para julgar improcedente a Impugnação, mantendo o lançamento, nos seguintes termos: · A apresentação das provas pelo contribuinte deve ser feita até a impugnação. · Indeferiu o pedido de diligência pericial, pois a perícia teria o condão de levantar provas a favor do contribuinte que poderiam ser por ele produzidas por outros meios. · O Auto de Infração contém todos os requisitos exigidos pela legislação não havendo incorreção ou omissões a serem apontadas, não havendo nulidade a ser declarada. · Inocorrência de violação à ampla defesa e ao contraditório uma vez que ao contribuinte foi dado o direito de apresentar impugnação, não havendo qualquer obstrução que a impedisse de apresentar a impugnação. · Rejeitou as preliminares de ilegalidade uma vez que o presente processo é meramente de direito, estando o lançamento devidamente amparado pelas leis que disciplinam a matéria. · Ambos os Laudos apresentados não atenderam o item 9.2.3.4 alínea “b” da NBR 146533 da ABNT que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”, sendo que tais dados de mercado devem se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliado, na data do fato gerador do ITR. Desta feita da inaptidão de tais laudos mantém o arbitramento do VTN com base no SIPT. · É impertinente a alegação de falta de publicidade dos valores constantes do SIPT, haja vista que não há obrigatoriedade de publicidade dos parâmetros de malha fiscal. Salientou que o que Fl. 575DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 importa ao contribuinte não é conhecer os valões constantes do SIPT, mas provar o valor de mercado de seu imóvel na data do fato gerador. · A correção de possível equívoco no preenchimento da DITR informando quantidade menor de área de pastagem deve vir acompanhada de laudo técnico acompanhado de ART, bem como documentação que comprove a existência de gado (quantitativo de 2000 e 2001) no imóvel (notas fiscais de movimentação de animais, de aquisição de vacinas e ficha de vacinação etc). O contribuinte não apresentou comprovação de existência de animais nos anos base dos exercícios, razão pela qual não há como ser alterada a glosa efetuada. · A alteração da área de benfeitoria não acarreta mudança no crédito tributário, haja vista que o imóvel permaneceria com grau de utilização inferior à 30% o que implicaria na incidência da mesma alíquota. · O mesmo argumento vale para o valor das benfeitorias, haja vista que o valor da terra nua foi apurado com base dos valores constantes no SIPT. Como os valores das benfeitorias são acréscimos que são feitos ao solo, o restabelecimento somente iria implicar em majoração do valor total do imóvel, que não tem relevância para a determinação da base de cálculo do ITR. A Contribuinte tomou ciência do acórdão em 13.12.11 conforme documento dos correios às fls. 413, vindo apresentar Recurso Voluntário em 06.01.12 (fls. 416) reafirmando os pontos apresentados no Recurso Voluntário de fls. 217, já relatados, inovando nos seguintes termos: · Inaplicabilidade do SIPT ao caso em concreto, pois somente foi implementado no ano de 2002, posterior aos anos bases 2000 e 2001. · Quanto à inadequação do Laudo à NBR 146533 da ABNT, o contribuinte junta acórdão proferido pela presente Corte Administrativa onde o relator menciona não ser necessário que o laudo apresentado pelo contribuinte atenda a referida regulamentação. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1. Nulidade do auto de infração por conta da utilização do SIPT A Contribuinte alega que a utilização do arbitramento do VTN com base no SIPT pela fiscalização resulta na nulidade do lançamento, tendo em vista que os contribuintes não têm acesso à composição do valor constante no SIPT, impedindo, dessa forma, a formulação de defesa, restando prejudicado o princípio do contraditório. O VTN apontado no SIPT é utilizado pela fiscalização como parâmetro de arbitramento. O parâmetro de arbitramento da fiscalização poderia ser definido de outra forma. Cabe ao contribuinte fazer prova de que o valor reportado na DITR a título de terra nua seja condizente com as condições de mercado. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16045.000216/200510 Acórdão n.º 2201002.303 S2C2T1 Fl. 5 7 Como a Contribuinte falhou em comprovar que o valor atribuído à terra nua na sua DITR era compatível com mercado, restou à fiscalização o arbitramento com base no SIPT. O fato de a Contribuinte não ter acesso a formulação do valor constante no SIPT não acarreta a nulidade do lançamento, pois a Contribuinte poderia ter contestado o valor arbitrado com base em laudo e outros meios de prova idôneos e não o fez. Assim, a simples alegação de que o SIPT não condiz com a realidade mercadológica da região não tem o condão de afastar o arbitramento. 1.2. Do Pedido de Perícia A Contribuinte requer perícia com vistas a aferir o Valor da Terra Nua declarado no Laudo com aquele arbitrado pela Autoridade Fiscal no lançamento. Em que pese a legislação autorizar a produção de prova pericial, entendo que este não é o caso. Isso porque ambas as partes já produziram prova acerca do Valor da Terra Nua, sendo certo que agora cabe ao julgador sopesar a robustez das mesmas. Ademais, conforme disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, o pedido de perícia deve constar da impugnação, com a exposição dos motivos que a justifiquem, a formulação de quesitos referentes aos exames desejados e o nome, endereço e qualificação profissional do perito. O parágrafo 1º desse dispositivo, acrescentado pelo art. 1º da Lei n.º 8748/1993, dispõe que “considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Desta feita por entender desnecessária a produção de prova pericial em razão das provas produzidas no processo já serem suficientes para formar a convicção, bem como pelo fato de o pedido de prova pericial feito pelo Contribuinte não se adequar aos requisitos legais, afasto o pedido de produção de prova pericial. 2. Mérito 2.1. Da Área de Reserva Legal Na DITR/2001, a Contribuinte não informou a existência de área de reserva legal, enquanto na DITR/2002 informou uma área de 500 ha. Na Impugnação a Contribuinte não contestou a glosa da área de Reserva Legal pela Autoridade Lançadora, fazendo a ressalva de que tal área era na verdade área de pastagem, pois a propriedade sempre possuiu área de pastagem de 500 ha: “27.Consta ainda do laudo trazido aos autos pela Requerente que não houve equívoco no preenchimento da DITR do exercício de 2001, no que se refere à área de pastagens (500ha), como interpretou a D. Fiscalização. Segundo o laudo, equívoco houve isso sim no preenchimento da DJTR do exercício de 2002 (56 ha). pois é certo que a propriedade tem 500ha de pastagens. Ocorre que a topografia do terreno, o solo raso e o grande afloramento Fl. 577DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 de rochas impedem que a propriedade seja considerada altamente produtiva em face do pequeno número de animais.” Somente por ocasião do Recurso Voluntário a Contribuinte levantou a existência da área de Reserva Legal requerendo seu reconhecimento e a consequente retificação das DITRs. Desta feita, a argumentação levantada pela Contribuinte de que a existência da área de Reserva Legal é fato incontroverso, é improcedente, pois não foi declarada/arguida pela Contribuinte até o Recurso Voluntário. Em princípio, o § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN) veda a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte após a notificação do lançamento: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Entretanto, não se pode olvidar que o art. 145, I, do mesmo Código, prevê a modificação do crédito tributário e a alteração do lançamento mediante impugnação do sujeito passivo e o inciso III do susomencionado dispositivo combinado com o art. 149, IV estabelecem que o lançamento pode ser revisto de ofício quando se comprove erro na declaração prestada. “Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.” “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;” Possibilidade autorizada inclusive pelo §2º do art. 147 do CTN: “§ 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” Ainda que em fase posterior à retificação da declaração, que se encerra com a notificação do respectivo lançamento, não só se pode admitir a impossibilidade de retificação em face de impugnação ou recurso apresentados, quando se comprove erro ou omissão quanto a qualquer elemento do fato gerador, hipótese em que está a autoridade tributária obrigada a revisar de ofício o lançamento. Outro não deve ser a compreensão do tema sob pena de violação, não só, do princípio da verdade material como do princípio da estrita legalidade, que tem por embasamento o fato de que, sendo a obrigação tributária uma obrigação “ex lege”, não se pode Fl. 578DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16045.000216/200510 Acórdão n.º 2201002.303 S2C2T1 Fl. 6 9 pretender que, pela simples razão de ter sido ultrapassada a fase de retificação da declaração, se mantenha um lançamento no qual se comprove a existência de erro a favor ou contra o sujeito passivo, o que acarretaria um crédito tributário precário com consequentes questionamentos judiciais futuros redundando em prejuízo aos cofres públicos. Diante do dever da presente Corte Administrativa de controlar a legalidade não se pode admitir a recusa na apreciação quanto a possível existência de área de Reserva Legal, razão pela qual se passa a apreciação da matéria. O laudo de fls. 169 não aponta a existência de área de Reserva Legal, atestando ainda área de pastagem, pomar e reflorestamento inferior a que a Contribuinte deseja ver reconhecida: “11. Distribuição das Áreas da Fazenda: De acordo com o levantamento de campo efetuado encontrouse as seguintes distribuições de área (mapa anexo). Preservação permanente (hidrografia) 150,00 ha PP (declividade) 1.406,00ha PP (1.800m e topo de montanhas) 85,25 ha Pastagens, pomar e reflorestamento 60,60 ha Benfeitorias 2,00 ha Total 1.703,75 ha” O laudo de fls. 27 embora na conclusão recomende a averbação da Reserva Legal, não aborda sua existência na análise da propriedade, descrevendo, pelo contrário, a existência de 500 ha de área de pastagem: “As Áreas de Preservação Permanente da propriedade se distribuem da seguinte forma: aprox. 35% ou seja 354,02 ha, se encontram ao longo dos cursos d'água, em alguns afluentes uma largura mínima de 30m e em alguns afluentes chegam a 50m de largura, e também junto as nascentes, mesmo que intermitentes e nos chamados Olhos d'água, um raio mínimo de 50m, a redação desta foi dada pela Lei n° 7.803/89, bem como também através do art.3° alínea " b " , inciso III da Resolução CONAMA n° 004/85. Já os aprox. 65% restantes das áreas de preservação permanente, ou seja, 657,48 ha, se enquadram no art. 2o , item d" da Lei 4.771/65, Topo de Morro, Montes, Montanhas, e Serras, bem como também o item " h " onde em altitudes superiores a 1.800m, qualquer que seja a vegetação, esta alínea teve sua redação pela Lei n° 7.803/89, bem como também através do art.3° alínea " b " incisos, IV, V, VI, XI e o art. 4o da Resolução CONAMA n° 004/85, como pode ser observado através da carta do IBGE, folhas SF.23ZAIV3 (primeira edição1974) e folha SF.23ZAIV4 (MI27424) impressão1982, em anexo. Ou seja, praticamente toda propriedade esta localizada em área de preservação permanente, somente uma pequena porção de 500 ha, espalhada pela propriedade é utilizada como área de pastagem para as poucas cabeças de animais da fazenda, isto ocorre, pois além da topografia local, como citado anteriormente através das áreas de preservação, ocorre que estas são de solo raso, com grande afloramento de rochas, e vegetação típica de campos de altitude, o que faz com que qualquer atividade comercial (pecuária/agricultura) junto a ela, seja improdutiva, por isso um número tão reduzido de animais, para uma extensão de área de pastagem, cabe aqui ressaltar que na declaração do imposto territorial rural ITR do ano de 2002, foi erroneamente digitado 56 ha, quando o correto seria 500 ha.” A Contribuinte não junta outros documentos que possam comprovar a existência da área de Reserva Legal como Ato Declaratório Ambiental do IBAMA (ou de outro órgão ambiental dos demais entes federados) reconhecendo a referida área ou averbação desta na escritura do imóvel. Notese que não se está adentrando na necessidade destes documentos Fl. 579DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 para o gozo do benefício fiscal, ponto extensamente defendido pela Contribuinte, mas sim a própria existência da referida área no plano fático. A mera citação da disposição legal não basta para comprovar a existência da área de Reserva Legal quando todos os documentos apresentados pela própria contribuinte (DITR 2001 e 2002, ambos os laudos e Impugnação) apontam em sentido contrário. Ainda que a legislação tenha imposto à Contribuinte a constituição de área de Reserva Legal, os documentos, acima citados, demonstram que a referida restrição ao direito de propriedade não foi observada, vindo a Contribuinte fazer uso econômico da área em questão para outros fins. Desta feita, uma vez que o direito tributário busca trabalhar sobre a realidade dos fatos diante da falta de provas quanto à existência da área de reserva legal não se reconhece a mesma, devendo ser mantido o lançamento nesse aspecto. 2.2. Do Valor da Terra Nua (VTN) A Contribuinte não se insurge contra a inaptidão dos laudos por não se adequarem ao item 9.2.3.4 alínea “b” da NBR 146533 da ABNT que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”, sendo que tais dados de mercado devem se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliado, na data do fato gerador do ITR. A Contribuinte junta jurisprudência no sentido de não ser necessário que o laudo técnico venha atender aos requisitos da NBR 146533 da ABNT. Inicialmente fazse mister esclarecer que a jurisprudência do CARF não possui efeito vinculante, estando os demais julgadores aptos a elaborar decisões em sentido contrário. Entretanto, não é o caso em tela, pois em que pese o discurso favorável do relator a referida tese, a mesma não foi aplicada ao julgado colacionado. No julgado em questão, o VTN arbitrado pela Autoridade Lançadora não se mostrou adequado, pois utilizou a média dos VTN das DITRs do exercício sem fazer distinção à aptidão agrícola, razão pela qual foi utilizado o VTN declarado pelo contribuinte na DITR, não havendo necessidade quanto aplicação do laudo impróprio. Desta feita, diante da inaptidão dos laudos apresentados pela Contribuinte e a consequente falta de comprovação do VTN declarado nas DITRs 2001/2002 deve a Autoridade Tributária, por força de determinação legal art. 14 da Lei nº. 9.393/96, arbitrar o VTN com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT): “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.” O afastamento dos laudos encontrase devidamente fundamento no acórdão recorrido inobservância do item 9.2.3.4 alínea “b” da NBR 146533 da ABNT. Logo, a aplicação dos SIPT na hipótese de subavaliação do VTN, quando o laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte não se enquadra na NBR 146533 da ABNT, tratase de determinação legal na forma do art. 14 da Lei nº 9.393/96 não cabendo a Autoridade Lançadora, diante da sua atividade administrativa plenamente vinculada e em observância da estrita legalidade, se esquivar na aplicação da lei. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16045.000216/200510 Acórdão n.º 2201002.303 S2C2T1 Fl. 7 11 A Contribuinte argumenta a impossibilidade da aplicação retroativa do SIPT aos anos bases 2000 e 2001, uma vez que o referido Sistema de Preço de Terras só teria sido implementado em 2002. O princípio da irretroatividade da lei tributária impede que a lei retroaja para mudar qualquer elemento da hipótese de incidência. O art. 11 da Lei nº 9.393/96 é de clareza hialina ao afirmar que o valor do imposto será apurado aplicandose sobre o valor da terra nua a alíquota. O art. 32 do Decreto nº 4.382/02 ao regulamentar o referido dispositivo legal determina que o valor da terra nua é o valor de mercado do imóvel: “Valor do Imposto Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU.” “Subseção II Da Base de Cálculo Valor da Terra Nua Art. 32. O Valor da Terra Nua VTN é o valor de mercado do imóvel, excluídos os valores de mercado relativos a (Lei nº 9.393, de 1996, art. 8º, § 2º, art. 10, §1º, inciso I): I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; IV florestas plantadas. § 1º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado (Lei nº 9.393, de 1996, art. 8º, § 2º).” A base de cálculo do ITR é o Valor da Terra Nua. O Sistema de Preço de Terras não é base de cálculo, mas sim o método pelo qual a Autoridade Lançadora determina o valor de mercado do imóvel para proceder ao arbitramento da base de cálculo quando a declarada pelo contribuinte seja omissa ou não mereça fé. Notese que, ainda que inexistente o SIPT, tal fato não impediria que a Autoridade Tributária arbitrasse a base de cálculo do imposto fazendo uso de outros meios para descobrir o valor de mercado do imóvel à época do fato gerador. Logo, o SIPT tratase apenas do método através do qual a Fazenda apura fato préexistente – valor de mercado do imóvel, não havendo que falar em retroatividade, razão pela qual improcedente a alegação do Contribuinte no sentido de nulidade do lançamento em face de aplicação retroativa do SIPT. O Sistema de Preço de Terras apurou que em 2001 e 2002 o valor médio de mercado para imóveis rurais para aptidão agrícola na categoria “campos” daquela região era de R$ 537,19 (fls. 63) e R$ 557,85 (fls. 64), valores estes que foram utilizados para arbitrar o VTN para as DITR/01 e 2002 da Fazenda Santana do Rio Aba. 2.3. Do efeito Confiscatório Fl. 581DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 A recorrente utiliza o valor do Auto de Infração referente ao ITR devido em dois exercícios (2001 e 2002), acompanhado de seus consectários, multa de ofício e juros para, confrontando com o valor total do imóvel, alegar efeito confiscatório do crédito tributário. Inicialmente cabe observar que o alto valor de ITR decorreu da subutilização do imóvel constatado pelo índice de produção pecuária aplicável ao imóvel, bem como na mora da Contribuinte em adimplir sua obrigação tributária. O lançamento previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional trata de atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Desta feita, não compete à administração tributária, sob pena de violação à cláusula pétrea da separação dos poderes, adentrar na opção legislativa quanto aos critérios para apuração da base de cálculo ou alíquota do Imposto Territorial Rural. Ademais, vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte tendo em vista que o presente lançamento encontrase devidamente albergado pela legislação vigente, que não será neste voto apreciada a alegação da Contribuinte de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco, que deve ser pleiteada pela Contribuinte na esfera judicial confrontando os elementos quantitativos da hipótese de incidência ao respectivo princípio constitucional. 2.4. Da Multa de Mora A Contribuinte argumenta que a interposição tempestiva da Impugnação ao lançamento suspende a exigibilidade do crédito tributário e posterga, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Colaciona ainda jurisprudência da presente corte afastando multa de mora com base na referida argumentação. Diante da inexistência de MULTA de mora no presente Auto de Infração impertinente a alegação da Contribuinte. Na hipótese de a Contribuinte ter objetivado a aplicação da referida teoria aos JUROS de mora a alegação da Contribuinte não encontra amparo legal. O crédito tributário e obrigação tributária são institutos distintos. A constatação encontrase na redação do art. 139 do CTN ao afirmar que o crédito tributário decorre da obrigação principal. O crédito tributário é composto não só pelo valor da obrigação tributária, como também dos encargos pelo seu descumprimento e pela sua mora. Logo, embora a Fl. 582DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16045.000216/200510 Acórdão n.º 2201002.303 S2C2T1 Fl. 8 13 interposição da impugnação suspenda o crédito tributário, aquela não carreta, conforme afirma a Contribuinte, em postergação do vencimento da obrigação tributária. O vencimento da obrigação tributária está descrito na hipótese de incidência. O vencimento da obrigação tributária, previsto em lei, não se altera pelo contencioso administrativo ou judicial. Se o objetivo da Contribuinte era ilidir os juros moratórios no decorrer do processo administrativo fiscal deveria ter optando por outra modalidade de suspensão do crédito tributário, com depósito em juízo do valor correspondente ao crédito tributário. O presente entendimento é acompanhado inclusive pelo julgado colacionado pela Contribuinte: “No que concerne aos juros de mora, no entanto, entendo que por ser instituto de mera retribuição pela manutenção do capital que permaneceu nas mãos do devedor, carece o Recorrente de razão para requerer sua exclusão.” (Processo 13161.000292/9920 de 14.05.04 rel. Luiz Roberto Domingo.) Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora Fl. 583DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/03/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13054.001682/2008-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COFINS. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RS-RG.
Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos de passeio, motocicletas, e kombis que eventualmente transportam funcionários.
Numero da decisão: 3403-002.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer: (a) a não incidência da contribuição em relação a créditos de ICMS transferidos a terceiros (reproduzindo decisão definitiva do STF no RE no 606.107/RS-RG); e (b) os créditos da contribuição em relação ao óleo diesel utilizado para abastecer caminhão da frota da empresa, empregado no transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Ausente o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. Sustentou pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS no 22.484.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62 A de seu Regimento Interno. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos de passeio, motocicletas, e “kombis” que eventualmente transportam funcionários. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer: (a) a não incidência da contribuição em relação a créditos de ICMS transferidos a terceiros (reproduzindo decisão definitiva do STF no RE no 606.107/RSRG); e (b) os créditos da contribuição em relação ao óleo diesel utilizado para abastecer caminhão da frota da empresa, empregado no transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Ausente o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. Sustentou pela recorrente o Dr. Dílson Gerent, OAB/RS no 22.484. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 16 82 /2 00 8- 50 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente processo sobre o Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP) de fls. 1 a 41, transmitido em 15/03/2007, referente a crédito da COFINSExportação (§ 1o do art. 6o da Lei no 10.833/2003) do 2o trimestre de 2006 (no total de R$ 416.689,06). No Relatório de Verificação Fiscal (RVF) de fls. 64 a 68, foram apontadas como irregularidades: (a) a não inclusão das receitas com créditos de ICMS transferidos a terceiros na apuração da base de cálculo da contribuição; (b) a inclusão indevida na base de cálculo dos créditos das despesas com combustível (“que não é integrado ao produto no processo produtivo”); e (c) bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. Tal relatório serviu de base ao presente processo e aos processos administrativos no 13054.001680/200861 (1o trimestre/2006), no 13054.001686/200838 (3o trimestre/2006) e no 13054.001688/200827 (4o trimestre/2006). Com base no RVF, é proferido o despacho decisório de fl. 70 (em 25/02/2009), reconhecendo parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 358.544,89. A empresa apresenta manifestação de inconformidade em 23/04/2009 (fls. 99 a 115), alegando que: (a) a expressão “receita bruta”, desde a entrada em vigor do DecretoLei no 1.598/1977, reproduzida no art. 279 do RIR/1999 e na Instrução Normativa SRF no 51/1978, excluindo expressamente o ICMS; (b) os combustíveis utilizados na frota de veículos (um caminhão, um veículo Golf e uma Kombi, e 6 veículos locados) utilizada nas atividades da empresa, objeto de glosa, estão expressamente contemplados no art. 3o da Lei no 10.637/2002; e (c) a afirmação de que a empresa teria descontado créditos em relação a bens e serviços adquiridos de pessoas físicas é parcialmente incorreta, conforme planilha que anexa, reconhecendo que computou equivocadamente parte da base de cálculo dos créditos da contribuição (R$ 95.263,00, devendo ser deduzido do crédito solicitado o valor de R$ 7.239,99), mas as restantes aquisições de pessoas físicas não foram computadas na base de cálculo dos créditos. Em 10/02/2011 (fls. 151/152), a DRJ competente solicitou baixa em diligência, para que se verificasse conclusivamente a questão referente aos créditos referentes a aquisições de pessoas físicas. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 247DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13054.001682/200850 Acórdão n.º 3403002.912 S3C4T3 Fl. 186 3 No Relatório de Diligência Fiscal de fl. 154, que se presta também a verificações referentes à COFINS do 3o e do 4o trimestres de 2006 (processos administrativos no 13054.001686/200838 e no 13054.001688/200827, respectivamente), e à Contribuição para o PIS/PASEP do 2o, do 3o e do 4o trimestres de 2006 (processos administrativos no 13054.001684/200849, no 13054.001685/200893 e no 13054.001687/200882, respectivamente), concluise ser correta a alegação da empresa (inclusive a admissão do erro cometido no 2o trimestre de 2006). O julgamento de primeira instância ocorre em 20/05/2011 (fls. 163 a 171), acordando unanimemente o tribunal administrativo pela parcial procedência da manifestação de inconformidade, afastandose a parcela incorreta da glosa que se referia a aquisições de pessoas físicas (R$ 44.868,38), e reconhecendose a glosa em relação à parcela admitida pela empresa (R$ 7.239,99). Quanto às receitas de transferência de créditos de ICMS, o julgador afirma que sua exclusão da base de cálculo só veio a ser reconhecida na Lei no 11.945/2009, com efeitos a partir de janeiro de 2009. E, no que se refere a combustíveis, os gastos devem ser vinculados às exportações (e não a operações no mercado interno), e o combustível utilizado pela frota da empresa não obedece ao conceito de insumo. Cientificada do resultado do julgamento em 16/09/2011 (AR de fl. 184), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 17/10/2011 (fls. 186 a 205), basicamente reiterando os argumentos expressos em sua manifestação de inconformidade, bem como a jurisprudência ali referida, e rechaçando a utilização do conceito de insumos da legislação do IPI para as contribuições. Por meio da Resolução no 3401000.712, de 22/05/2013 (fls. 242 a 244), relatada pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis (que não mais faz parte deste CARF), houve sobrestamento do julgamento do processo para aguardar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal no RE no 606.107/RS, que trata da inclusão (ou não) da receita de transferência de créditos de ICMS na base de cálculo das contribuições. Com o advento da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o presente processo passa a ser distribuído, para apreciação pelo colegiado, independente da decisão definitiva a ser proferida pelo STF no RE no 606.107/RS. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há que se esclarecer de plano que dos três temas inicialmente controversos, um restou solucionado nestes autos: o referente à glosa pela utilização de créditos decorrentes de aquisição de pessoas físicas, que foi em parte afastada pela DRJ (R$ 44.868,38) e em parte reconhecida pelo sujeito passivo (R$ 7.239,99). Fl. 248DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Assim, persistem contenciosos dois tópicos: a inclusão das receitas referentes a cessão de créditos de ICMS a terceiros (tema que ensejou o sobrestamento) e a glosa de despesas com combustíveis para veículos utilizados pela empresa (que demanda uma breve incursão inicial sobre o conceito de insumo na legislação que rege as contribuições). Da cessão de créditos de ICMS a terceiros A discussão sobre a inclusão ou não da receita decorrente de cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS é frequente neste CARF. Contudo, não se pode afirmar que esteja assentado o posicionamento sobre a matéria. A recorrente aponta normas relativas ao Imposto de Renda (Decretolei no 1.598/77, art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda e IN SRF no 51/78) como supedâneos para a conclusão de que a expressão “receita bruta” não abarca o crédito de ICMS registrado em seu ativo circulante. Adiciona precedentes jurisprudências administrativos e judiciais em seu favor. Analisandose julgados recentes (anos de 2011 e 2012) deste CARF, tribunal que substituiu o antigo Conselho de Contribuintes, encontramse tanto posicionamentos alinhados com o entendimento da recorrente2, quanto em sentido diverso3, pela incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o resultado da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Também judicialmente a matéria é controversa, tanto que foi reconhecida sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal em 01/07/2010, no RE no 606.107/RS: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida4.(grifo nosso) Reconhecida a repercussão geral, a suprema corte vem determinando a devolução dos autos à origem, sobrestandoos (v.g. RE no 650.767/RS, RE no 641.035/RS, RE no 605.195/RS, RE no 631.574/DF, RE no 600.384/RS, e RE no 614.307/RS). Por isso, ocorreu o sobrestamento do julgamento, por determinação desta turma, conforme a Resolução no 3403 000.414. 2 Acórdãos no 3202000.498 e 499, ambos relatados pela Cons. Irene Souza da Trindade Torres (vencida), maioria, sessão de 23.mai.2012; e Acórdãos no 3801001.041 a 043, todos relatados pelo Cons. Jose Luiz Bordignon, unânime, sessão de 22.mar.2012. 3 Acórdãos no 3301001.373 a 376, todos relatados pelo Cons. Antonio Lisboa Cardoso (vencido), qualidade, sessão de 22.mar.2012; Acórdãos no 3801001.343 a 353, todos relatados pela Cons. Andrea Medrado Darze (vencida), qualidade, sessão de 15.fev.2012; Acórdãos no 3301000.916 a 920, todos relatados pelo Cons. José Adão Vitorino de Morais, unânime, sessão de 2.mai.2011; e Acórdão no 3402000.988, Cons. Júlio Cesar Alves Ramos, unânime, sessão de 3.fev.2011. 4 RE no 606.107/RS, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 1.jul.2010, public. Em 20/8/2010. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13054.001682/200850 Acórdão n.º 3403002.912 S3C4T3 Fl. 187 5 Contudo, dois eventos posteriores possibilitam (em verdade, obrigam) o retorno da análise, agora de forma definitiva, por este CARF. O primeiro é a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que permitia o sobrestamento administrativo dos processos sobre as matérias com repercussão geral reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Permaneceu vigente no referido art. 62A somente o comando do caput: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) O segundo evento é exatamente a decisão definitiva, pelo STF, em relação à matéria. Em 22/05/2013 (com publicação em 25/11/2013) o pleno da corte julgou o RE no 606.107/RS, acordando, por maioria de votos (vencido o Min. Dias Toffoli), que: “EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas Fl. 250DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 2511 2013) (grifo nosso) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13054.001682/200850 Acórdão n.º 3403002.912 S3C4T3 Fl. 188 7 Em consulta ao sítio web do STF, atestase que tal acórdão transitou em julgado ainda em dezembro de 2013. Aplicável, assim, o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo esta corte administrativa reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Procedente, então, nesse tópico, o recurso voluntário. Do conceito de insumos para a contribuição O tópico restante a analisar trata da correta interpretação do conceito de insumos na legislação que rege a contribuição, pelo que se recomenda, inicialmente, tecer algumas considerações gerais sobre a matéria. O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarse ia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma (v.g. Acórdãos no 3403002.469 a 477; 3403001.893 a 896; 3403001.935; e 3403002.318 e 319). Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo da rubrica questionada no presente contencioso: despesas com combustíveis consumidos pelos veículos da frota da recorrente e locados. Das despesas com combustíveis A fiscalização alega que não pode haver crédito em relação a despesas com combustíveis, visto que tais combustíveis não se integram ao produto no processo produtivo. É nítida, assim, a aplicação da legislação do IPI à contribuição, em dissonância com as disposições gerais expostas no tópico anterior (conceito de insumos). Tal aplicação restritiva é corroborada pela decisão de piso. Incumbe já de início adequar tal raciocínio ao conceito de insumo compatível com a contribuição, seja porque a legislação expressamente relaciona os combustíveis na lista de insumos que podem ser aplicados no processo produtivo, ou mesmo porque é excepcional imaginar uma situação em que o combustível se integre ao produto, ou com ele entre em contato físico (não parecendo ter o comando a visão restritíssima que lhe dá a autoridade fiscal). Cabível, assim, a priori, o crédito em relação a despesas com combustíveis, desde que este seja necessário ao processo produtivo da empresa. Pelo teor do recurso voluntário, notase que a empresa possui um caminhão Mercedes Benz placa IND 4688, um GOLF placa IYM 2222, e uma KOMBI placa IMH 3302. E utilizou os veículos locados de placas ILS 3241, IMS 2985, ILX 0497, IMA 4137, IND 8997 e INL 8932. A empresa afirma que “todos os veículos são ou foram utilizados nas operações de transporte de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem entre os diversos estabelecimentos da empresa e por empregados vinculados aos departamentos comercial e industrial”. E acrescenta que “em alguns períodos, o GOLF e a KOMBI também são utilizados para o transporte de funcionários da produção, que fazem horasextras”. Como a empresa não detalha quais são os veículos locados, referindose no recurso somente a suas placas, efetuei, em nome da verdade material, buscas às referidas placas, na web, em sítio que informa dados do DETRANRS (www.checkmeucarro.com.br), obtendo os seguintes resultados: placa ILS 3241 (YAMAHA/YBR 125K Roxa, à gasolina, ano 2003/2004), placa IMS 2985 (FIAT/Uno Mille Fire Flex branco, gasolina/álcool, ano 2005/2006), placa ILX 0497 (GM/Celta 3 portas branco, gasolina, ano 2004/2004), placa IMA 4137 (VW/GOL 1.0 branco, gasolina, ano 2004/2005), placa IND 8997 (FIAT/Uno Mille Fire Flex branco, gasolina/álcool, ano 2006/2006) e placa INL 8932 (VW/GOL 1.0 branco, gasolina/álcool, ano 2005/2006). Fl. 253DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13054.001682/200850 Acórdão n.º 3403002.912 S3C4T3 Fl. 189 9 Não se entende como atividade relacionada ao processo produtivo, necessária à obtenção do produto final, o transporte de passageiros (ainda que funcionários da empresa, e ainda que eventualmente) pelas KOMBIS, nem aqueles efetuados por veículos de passeio e motocicletas. Assim recentemente decidiu esta turma, de forma unânime (Acórdãos no 3403 002.783, e 784). Por carência probatória (detalhamento da forma de utilização no processo produtivo), então, afastase o direito creditório em relação ao combustível utilizado para abastecer tais veículos. No entanto, é perfeitamente crível que o caminhão Mercedes Benz, placa IND 4688 (Mercedes Benz/MBAtego 2425, azul, diesel, ano 2006/2006), movido a óleo diesel, tenha efetivamente sido utilizado para transportar materiais necessários à obtenção do produto final gerado pela empresa. Assim, afastase somente a glosa referente às despesas de abastecimento do caminhão Mercedes Benz, placa IND 4688. Como não se tem detalhamento preciso dos abastecimentos nos presentes autos, incumbe à autoridade responsável pela liquidação intimar a empresa a apresentar as referidas notas de abastecimento, que só poderão ser computadas para efeito de crédito se vinculadas estritamente a óleo diesel ou ao citado caminhão. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer: (a) a não incidência da contribuição em relação a créditos de ICMS transferidos a terceiros (reproduzindo decisão definitiva do STF no RE no 606.107/RS RG); e (b) os créditos da contribuição em relação ao óleo diesel utilizado para abastecer caminhão da frota da empresa, empregado no transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Rosaldo Trevisan Fl. 254DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10980.006691/2003-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 200 1 199 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.006691/200373 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.738 – 1ª Turma Especial Data 25 de abril de 2014 Assunto Pedido de Diligência Recorrente OBRA PRIMA S.A. TECNOLOGIA E ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 06 69 1/ 20 03 -7 3 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.006691/200373 Resolução nº 3801000.738 S3TE01 Fl. 201 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir da recorrente valores a título da COFINS em razão da ausência de recolhimento do tributo declarado em DCTF. A recorrente alega que os valores exigidos em auto de infração foram compensados com créditos de PIS, que por sua vez se encontram vinculados a pedido de restituição materializado no processo administrativo n° 10980.001760/200191, indeferido pela DRF competente mas até então objeto de recurso perante esse Conselho. Também foram indeferidos pedidos de compensação incluídos no processo n° 10980.003733/200314 em razão da ausência de reconhecimento dos créditos de PIS, conforme cópia do despacho decisório. O Termo de Verificação Fiscal de fls. corrobora tais afirmações. A recorrente apresentou impugnação alegando a impossibilidade de cobrança dos créditos de COFINS enquanto tramitar o pedido de restituição na esfera administrativa, o que foi afastado pelo acórdão da DRJ que velou pela independência entre os processos e considerou o lançamento procedente. Em seu recurso voluntário a recorrente alega, em síntese, que o resultado dos processos administrativos relacionados é essencial ao prosseguimento da cobrança materializada nesses autos. Em análise do recurso voluntário esta Turma entendeu que “O auto de infração, portanto, decorre diretamente do não reconhecimento, pela autoridade administrativa, do direito creditório pretendido pelo contribuinte, o qual seria utilizado para fins de compensação com os valores objeto do lançamento. Assim, não há como proferir manifestação definitiva nos presentes autos, enquanto não encerrado o processo administrativo relativo ao reconhecimento de tal direito.” Foi então o julgamento convertido em diligência para determinar: “1. Juntar ao presente cópia do acórdão proferido pela DRJ/Curitiba relativo ao processo n° 10980.001760/200191, caso seja a decisão final, ou aguardar até que esta seja prolatada, na hipótese de apresentação de recurso voluntário, juntando cópia de ambas as decisões; 2. Retornar o presente a este CARF para julgamento” É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.006691/200373 Resolução nº 3801000.738 S3TE01 Fl. 202 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de retorno de diligência. A DRF de origem atestou que os valores de COFINS em cobrança por meio do presente auto de infração, informados pelo contribuinte em DCTF, foram compensados com créditos de PIS objeto do pedido de restituição de que trata o processo administrativo nº 10980.001760/200191. Em resumo, caso deferida a restituição dos valores pleiteados naquele processo restariam extintos os créditos tributários em cobrança nestes autos. Assim, em cumprimento à determinação de diligência exarada por esta Turma foram anexadas aos presentes autos as decisões proferidas naquele processo de n.º 10980.001760/200191. e especificamente: (i) a decisão exarada pela DRJ que deferiu apenas em parte o pedido de restituição de valores de PIS, tendo indeferido os pedidos relativos a fatos geradores anteriores a 01/1995 em razão da ocorrência da “decadência”, e (ii) o acórdão proferido por esse Conselho que reformou a decisão de primeiro grau e reconheceu a procedência do recurso do contribuinte para lhe permitir a restituição de todo o montante pleiteado, inclusive os valores relacionados aos exercícios de 1992 em diante, conforme os seguintes termos: “Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a inocorrência de prescrição e, portanto, o direito à restituição de valores pagos a maior, de acordo com a sistemática do PIS/Repique, devidamente corrigidos e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido.” Entretanto, sem sabermos qual foi o total do crédito reconhecido e se ele é suficiente para suprir a cobrança decorrente do presente auto de infração não é possível à essa Turma cancelálo in totum. Para isso tenho que é preciso encaminhar novamente o processo para a DRF de origem para que, feita a apuração do crédito reconhecido no processo de n.º 10980.001760/200191 informe se houve algum débito remanescente dos respectivos pedidos de compensação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10835.900178/2008-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente resolução.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente resolução. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente resolução. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 35 .9 00 17 8/ 20 08 -5 9 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.900178/200859 Resolução nº 3801000.644 S3TE01 Fl. 201 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 1/5) de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep de dezembro de 2002, no valor de R$ 1.895,43, com débito de Cofins de junho de 2004, no valor de R$ 2.417,81. A DRF de Presidente Prudente (SP), por meio do despacho decisório de fls. 6/8, não homologou a compensação declarada, em razão da inexistência de saldo referente ao recolhimento indicado no PER/DCOMP, pois ele teria sido alocado para extinção de débito declarado pela própria contribuinte. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/13, alegando, em síntese, que teria indicado equivocadamente na DCTF o débito de R$ 4.665,01 da Contribuição para o PIS/Pasep de dezembro de 2002, enquanto o valor correto era de R$ 2.771,91, valor esse extinto com parte do pagamento objeto do PER/DCOMP (R$ 1.263,33 dos R$ 3.158,76), mais dois recolhimentos, de R$ 1.474,66 e R$ 33,92, também indicados na DCTF. Assim, corrigindo a DCTF por meio de retificadora transmitida em 27/05/2008, estaria evidenciado o direito creditório objeto do PER/DCOMP. A DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresenta Recurso Voluntário que se vale basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade, juntando com o mesmo a planilha de apuração do valor pago a maior e livro de apuração do ICMS. É o que importa relatar. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.900178/200859 Resolução nº 3801000.644 S3TE01 Fl. 202 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O presente recurso somente foi interposto em decorrência do entendimento da DRJ de que a DCTF retificadora não comporta prova hábil para apuração da certeza e liquidez do crédito como se pode ver do seguinte trecho: No entanto, tal pretensão não merece acolhida. Ocorre que esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido (no caso, em dezembro de 2002) e comparálo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois tratase de uma solicitação de seu exclusivo interesse. No presente, a interessada limitouse a apresentar a DCTF retificadora, sem qualquer documentação que a lastreasse, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento. Preliminarmente, discordo do entendimento da DRJ de que está precluso o direito de apresentar provas em outro momento processual que não a manifestação de inconformidade, especialmente porque a recorrente só tomou conhecimento específico do se lhe pretendia – a apresentação complementar de documentos – quando da decisão da DRJ. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 291, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 392. 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 2 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10835.900178/200859 Resolução nº 3801000.644 S3TE01 Fl. 203 4 Não considerar a documentação apresentada e negar o direito do contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria mais que enriquecimento sem causa do Estado, rompimento do mais basilar princípio da moralidade. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência. Ante ao exposto, voto no sentido de afastar a prejudicial ante existente e converter o presente julgamento em diligência para que: 1. Examine a Delegacia de origem os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála. 2. Abra prazo para a contribuinte se manifestar. 3. Retorne esse processo a esse Conselho para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902122/2012-43
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2002
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2002 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 18 1 17 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.902122/201243 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.873 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria Compensação Recorrente SANDERO INDUSTRIA E COMERCIO DE VELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2002 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 22 /2 01 2- 43 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902122/201243 Acórdão n.º 3803005.873 S3TE03 Fl. 19 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/BHE, de 08/10/2013 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 0249.778, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 01/11/2013, a contribuinte protocolou defesas específicas em 28/11/2013, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902122/201243 Acórdão n.º 3803005.873 S3TE03 Fl. 20 5 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902122/201243 Acórdão n.º 3803005.873 S3TE03 Fl. 21 7 receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902122/201243 Acórdão n.º 3803005.873 S3TE03 Fl. 22 9 Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902122/201243 Acórdão n.º 3803005.873 S3TE03 Fl. 23 11 VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902122/201243 Acórdão n.º 3803005.873 S3TE03 Fl. 24 13 § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902122/201243 Acórdão n.º 3803005.873 S3TE03 Fl. 25 15 conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902122/201243 Acórdão n.º 3803005.873 S3TE03 Fl. 26 17 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11128.005150/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 10/05/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. "EX" TARIFÁRIO — CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO.
0 produto importado identificado como máquina encartuchadeira horizontal, automática e continua, para acondicionar bisnagas em caixas dobráveis (cartuchos),para embalagens de largura compreendida entre 20 a 75 mm, altura entre 15 e 75 mm e comprimento entre 50 e 230 mm, com controlador lógico programável (CLP) e capacidade máxima igual a 450 cartuchos/minuto." enquadra-se no Ex 042 do código TEC 8422.40.90.
Numero da decisão: 3201-000.697
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Vencida a Conselheira Mércia Trajano D'Amorim.
Declararam se impedidos os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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"EX" TARIFÁRIO — CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. 0 produto importado identificado como máquina encartuchadeira horizontal, automática e continua, para acondicionar bisnagas em caixas dobráveis (cartuchos),para embalagens de largura compreendida entre 20 a 75 mm, altura entre 15 e 75 mm e comprimento entre 50 e 230 mm, com controlador lógico programável (CLP) e capacidade máxima igual a 450 cartuchos /minuto." enquadra-se no Ex 042 do código TEC 8422.40.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Camara / la Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Mércia Trajano D'Amorim. Declararam se impedidos os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. p. JUDITH D fRWNDES ARMANDO - P 'dente. la&CU -e/A/0 .4.41AA-00 MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - Relaj Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de lavratura de Auto de Infração (fls. 01/25), em virtude do não reconhecimento do "EX" tarifário pleiteado pelo importador, em decorrência do que foram exigidos: diferença de tributos e contribuições (II, P1S/PASEP e COFINS), multa regulamentar pela classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, hem como pela apresentação de fatura comercial em desacordo com as indicações do Regulamento. Os valores correspondentes ás exigências acima mencionadas constam da tabela abaixo, perfazendo o total de R$ 372.079,36 (trezentos e setenta e dois mil, setenta e nove - reais e trinta e seis centavos). f-- Valores era 189 , 1.1.- fls. 01113 1. P. V.- Ils. 14117 7 Impost° /1 196.013,59; 3.919,68 ,Contellsolflo Juros de Mora! (celculo ate 301 (6/95) I 5 .0"745,75 L....., Malta proporelonal i 147.010,191 144 i 16.331,96 ! Mulls itegoiarnentar Patura icepreelsa c I 200,00 I, ineorreta 354,78 631,86 PIS/PASEP - Es. CORNS - fls. 18125 18125 TOTAL 364.632,49 3.919.68 TOTAL GF.RAl., 372.079,36 Segue-se um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. O importador COLGATE — PALMOLIVE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, inscrito no CNP sob n° 00.382.468/0001-98, submeteu a despacho a mercadoria relacionada nas sete adições da Declaração de Importação n°05/0478191-4, as fls. 29 a 37. A mercadoria chegou a este Porto de Santos em 04/05/2005, a bordo do navio SANTOS EXPRESSA, procedente do Porto de Antuérpia, Bélgica, acondicionada nos containeres AWSU 196232-2, CMCU 492678-3 e SUDU 486369-4, conforme consta no Conhecimento Marítimo n° DEHAM3420500304, datado de 20/04/2005, às ils. 39 a 41. Para a adição 002, foi pleiteado pelo importador o "EX 042", do código NCM 8422.40.90, com a redução da aliquota do Imposto de Importação, de 14% para 2%, (v. fls. 30). 2 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Processo n° 11128.005150/2005-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201 -000.697 1:1. 413 Em 13/05/2005, quando da conferência documental, foi determinado ao importador o recolhimento da multa prevista no artigo 107, inciso X, alínea "c", do Decreto - Lei no 37/66, com as alterações dadas pelo artigo 77, da Lei n° 10.833/2003 (multa de R$ 200,00, pela Fatura Comercial apresentada estar imprecisa e incorreta) bem como a diferença do PIS/PASEP e COFINS, e os acréscimos legais incidentes, tendo em vista a Fatura Comercial apresentada estava imprecisa e incorreta, em desacordo com o inciso III, do artigo 497, do Decreto n° 4.543/2002, as fls. 76. Como a Declaração de Importação foi parametrizada pelo SISCOMEX para o canal amarelo de conferência aduaneira, em 19/05/2005, foi solicitada e determinada a conferência fisica, para perfeita identificação da mercadoria, visando seu correto enquadramento tarifário, as fls. 75. A conferência física foi realizada com o auxilio de assistente técnico (Sr. ANTONIO DIAS FILHO) , na area de engenharia mecânica, através da SAT n° 1558/05/EQCOF, as fls. 80. Em 16/06/05, foi emitido o Laudo de Identificação, referente a Solicitação de Assistência Técnica, SAT n° 1558/05/EQCOF, as fls. 84 a 103. A mercadoria relativa a adição 002 «is. 86), esta assim descrita na Declaração de Importação: "01 máquina encartuchadeira horizontal, automática e continua, para acondicionar bisnagas em caixas dobráveis (cartuchos),para embalagens de largura compreendida entre 20 a 75 mm, altura entre 15 e 75 mm e comprimento entre 50 e 230 mm, com controlador lógico programável (CLP) e capacidade máxima igual a 450 cartuchos /minuto." 0 perito encontrou as seguintes divergências, entre a descrição da máquina na DI e o produto periciado: Conforme dados da placa, o modelo é SC3-HS. Na documentação fornecida em 08/06/05, como modelo CP SC3 a produção máxima nominal é de 500 cartuchos por minuto (v. anexo 03). Em 13/06/05 uma nova documentação foi apresentada, onde o modelo é apenas SC3, e a capacidade é de 450 cartuchos por minuto (ver anexo 04). Outras declarações do fabricante foram apresentadas (ver anexos 05 e 06). Em 22/06/2005, foi solicitado aditamento em complemento SAT no 1558 / 05 /EQCOF, tendo em vista dúvidas suscitadas com relação as máquinas despachadas pelas adições 002 e 005, as fls. 104. 3 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES O complemento a SAT foi emitido em 11/07/2005, as fls. 105 a 119 e, a vista do mesmo, foi lançada no SISCOMEX; a exigência fls. 120, a seguir transcrita: "TENDO EM VISTA 0 LAUDO TÉCNICO SAT 1558 / 05 / EQCOF E SEU ADITAMENTO, ENTENDEMOS QUE 0 EQUIPAMENTO DA ADIÇÃO 002, NÃO CARACTERIZA 0 EX TARIFÁRIO, CONSIDERANDO QUE SUA INTERPRETAÇÃO DEVE SER LITERAL (CAPACIDADE MÁXIMA DE 450 UNIDADES). PELO QUE SE ENTENDE DO LAUDO ESTA CAPACIDADE PODE SER EXPANDIDA ATÉ 500 UNIDADES, DEPENDENDO DO TIPO DE CARTUCHO E/OU DAS NECESSIDADES DO IMPORTADOR (FOLHA DOIS DO LAUDO ADITADO — ITEM A). AS CLASSIFICAÇÕES FISCAIS FORAM CONSIDERADAS CORRETAS, EXCETO 0 ACIMA EXPOSTO. AO EQDAT PARA AS RETIFICAÇÕES QUE SE FIZEREM NECESSÁRIAS, COM 0 CÁLCULO DOS TRIBUTOS ADICIONAIS APLICÁVEIS." A Equipe de Despacho de Admissão Temporária e Reimportação — EQDAT, manteve a exigência efetuada pela Equipe de Conferência Física — EQCOF, as fls. 136. Em 15/07/05 o importador apresentou a sua não-concordância com a exigência feita através do Siscomex, e a Declaração de Importação, juntamente com os documentos de instrução do despacho, foram encaminhados a esta EQLAP, para prosseguimento, as fls. 121 e 135. Em 25/07/05 foi lavrado o Auto de Infração ora em comento. Vejamos agora a questão do "EX" tarifário pleiteado para a máquina encartuchadeira horizontal, modelo SC3 — adição 002 da DL A Resolução CAMEX n° 01, de 17/01/2005, alterou a aliquota ad valorem do Imposto de Importação para 2,00 (dois por cento), até 31 de dezembro de 2006, as aliquotas ad valorem do Imposto de Importação, incidente sobre o seguinte Bem de Capital, na condição do Ex-tarifário. NCM Descrição Ex 042 — Máquinas encartuchadeiras horizontais, automáticas e continuas, para acondicionar bisnagas em caixas dobráveis (cartuchos), para embalagens 8422.40.90 — (BK) de largura compreendida entre 20 e4 75 mm, altura entre 15 e 75 mm e comprimento entre 50 e 230 mm, com controlador lógico programável (CLP) e capacidade máxima igual a 450 cartuchos / minuto. Observa-se que, para usufruir da redução da ali quota do Imposto de Importação para 2,00%, a máquina encartuchadeira horizontal, automática e continua, deve obrigatoriamente destinar-se a: *** Acondicionar bisnagas em caixas dobráveis (cartuchos); 4 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Processo n° 11128.005150/2005-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-000.697 II. 414 *** Para embalagens de largura compreendida entre 20 e 75 mm, altura entre 15 e 75 mm e comprimento entre 50 e 230 mm; *** Deve possuir controlador lógico programável (CLP); e *** Deve apresentar capacidade máxima igual a 450 cartuchos / minuto. O importador procedeu ao registro da Declaração de Importação pleiteando o "EX 042", para a mercadoria despachada pela adição 002, descrevendo-a exatamente conforme o texto do referido "EX 042", publicado da Resolução CAMEX, apenas acrescentando o n° de série, modelo e ano de fabricação. Em ato de conferência fisica, realizada com auxilio de assistente técnico, com a emissão da Laudo Técnico referente êt SAT n° 1558 / 05 / EQCOF, e seu complemento datado de 11/07/2005, constatou-se que o modelo declarado e o constante da placa de identificação da máquina despachada por intermédio da adição 002, é SC3-HS, conforme pode ser observado na foto n° 03, ás fls. 90. Ocorre que na documentação apresentada pelo importador, em 08/06/2005, consta o modelo CP SC3, que possui produção maxima nominal de 500 cartuchos por minuto, as fls. 97 — Anexo 03. Em 13/06/2005, foi apresentada pelo importador nova documentação, onde consta o modelo SC3, que possui capacidade maxima de 450 cartuchos por minuto, ás fls. 98 — Anexo 04. O importador tentou explicar a divergência de produção existente entre os dois modelos, informando que o anexo 03 (500/minuto) refere-se ao modelo especifico para trabalhar a 450/minuto. Já na informação às fls. 121, apresenta o fluxo de trabalho da ENCARTUCHADEIRA SC3-HS, onde consta que a máquina efetua a abertura e armação de 500 cartuchos por minuto, insere as bisnagas nos cartuchos (500), efetua o fechamento dos cartuchos (500) e, finalmente, termina o processo com a saída de 450 cartuchos por minuto. Verifica-se pelas informações prestadas pelo importador, que há, para a obtenção de 450 cartuchos / minuto, a partir da inserção de 500 unidades de insumo, há que ocorrer uma perda máxima de 10% dos cartuchos armados no inicio da operação. Se a perda ocorrida for menor que 10%, automaticamente o resultado final será a saída um número entre 450 e 500 unidades / minuto. PORTANTO, a encartuchadeira apresenta capacidade para produção de mais de 450 unidades / minuto. fls. 122, no item 6, esclarece que "o input" (de 500/min) está mencionado no Catálogo Comercial da 1WK, conforme item 5 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES "Cartoning", primeira pagina Ns. 121), e no item 7 acrescenta que "..."o output poderá possuir desvios por motivo de diferenças na qualidade dos cartuchos operados pela máquina". Ressalta-se que é a própria empresa interessada, por meio de suas informações, que afirma possuir a máquina objeto de analise, capacidade de entrada (input) de 500 cartuchos por minutos e capacidade de saída (output) também de 500 cartuchos por minuto, verificando- se a possibilidade de desvios, apenas no caso de diferença de qualidade dos cartuchos operados pela máquina. No complemento a SAT, às fls. 107, o técnico certificante, em resposta ao quesito I, "c", confirma que, "dependendo do cartucho usado, a máquina pode trabalhar acima de 450 cartuchos por minuto, até 500 cartuchos por minuto". Ao quesito I, "d", confirma também que a "variação de produção aplicada ao equipamento em questão conforme catálogo poderia ser considerada para mais ou para menos, em relação a produção padrão estabelecida de 450 ou 500 cartuchos por minuto". Ressaltamos a resposta fornecida ao quesito 1, "a", onde o técnico certificante confirma que os anexos 03 (produção de 500 /min.) e 04 (produção de 450 / min.), referenciam o mesmo equipamento, diferenciando apenas no cartucho usado (450 ou 500), dependendo da necessidade do importador. CONSTATA-SE ASSIM, POR TUDO O QUANTO AQUI FOI EXPOSTO, QUE A MÁQUINA ENCARTUCHADEIRA HORIZONTAL, MODELO SC3-HS, SUBMETIDA A DESPACHO, POSSUI CAPACIDADE MÁXIMA IGUAL A 500 CARTUCHOS / MINUTO, CONFORME CONSTATADO EM ATO DE CONFERÊNCIA FÍSICA. Em virtude do exposto, o "EX" tarifário pleiteado pelo importador não foi reconhecido pela fiscalização, o que motivou a lavratura do Auto ora em análise. Em decorrência da descaracterização do "EX" tarifário pleiteado pelo importador, foram cobradas diferenças de tributos e contribuições, aplicada multa de oficio, mais multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, além da multa pela apresentação de fatura comercial em desacordo com as indicações do Regulamento Aduaneiro. Lavrado o Auto de Infração de fls. 01/25, dele foi dada ciência ao interessado em 29/07/05 (fls. 01, 14, 18 e 25). Inconformado com o teor do mesmo, o interessado apresentou sua IMPUGNAÇÃO, tempestiva, as fls. 162/180, em 17/08/05). Eis um resumo de seus argumentos impugnatórios: 01 - O EX foi criado, inicialmente, pela Resolução n° .7 (EX 018), de 25/03/2003 (cópia anexa, que estabelecia a capacidade maxima igual ou superior a 300 cartuchos por minuto. Quando se aproximava o final do prazo do EX 018 (31/12/03), o interessado solicitou a edição de nova Resolução, visando 6 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Processo n° 11128.005150/2005-11 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-000.697 Fl. 415 prorrogar a validade do referido EX Seu pedido foi atendido pela Resolução n° 01, de 17 de janeiro de 2005 (EX 042), onde surgiu a expressão "capacidade máxima igual a 450 cartuchos / minuto). Acredita que a alteração do texto decorreu de exigência da AB1MAC, face a eventual existência de produção nacional em quantidade inferior a 450 unidades / minuto (anexa manifestação da ABIMAQ). 02 - Quando da importação da máquina, reproduziu o texto do EX 42, para evitar qualquer interpretação que colocasse em dúvida o enquadramento da máquina no citado destaque. 03 - A Encartuchadeira IWK, modelo SC3-HS, cujo número de série é 39.523, é constituída por três elementos, quais sejam: 1) abertura e armação de cartuchos; 2) inserção das bisnagas nos cartuchos e 3) fechamento dos cartuchos. 04 - 0 Manual Genérico faz referência ao input de 500 cartuchos por minuto. 0 Manual Especifico da máquina (v. fls. 231), identificado no rodapé das suas páginas pelo número de série 39.523 aponta, na página 4-4, a capacidade de "output" de 450 cartuchos/minutos. Esta é a produção efetiva da máquina importada. A que consta do Catálogo, com capacidade para 500 cartuchos por minuto, é outra máquina. 05 - Fala da imperfeição do texto do EX 042, que não afeta o fato de que a máquina importada tem capacidade máxima de "output" de 450 cartuchos por minuto. Entende que a redação do EX 042 contém imperfeição que merece análise por parte da CAMEX de modo a avaliar a conveniência de alteração , para não deixar dúvidas a respeito. 06 — Questiona a cobrança de diferença de tributos e contribuições, multas de oficio e regulamentares, por entender que o enquadramento no EX tarifário está correto. 07 - A multa regulamentar da fatura não é impugnada, é apenas mencionada na peça impugnat6ria, sem quaisquer comentários. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/05/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. "EX" TARIFÁRIO – CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um determinado código fiscal para um "Ex" tarifário, é necessário que suas características essenciais estejam perfeitamente adequadas as especificaçõ es estabelecidas no referido "Ex". Qualquer discrepância entre as características da mercadoria que se pretende destacar com aquelas descritas no "Ex" 7 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES pretendido impossibilita o enquadramento no destaque tarifário, ensejando a cobrança da diferença de tributos e contribuições respectivas, quando existentes. DESENQUADRAMENTO DE EX TARIFA' RIO. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA Descrição na DI conforme o 'EX", não condizente com o constatado na verificaoão fisica, enseja a cobrança de multa de oficio e juros de mora sobre as diferenças de tributos e contribuições eventualmente existentes, conforme legislação de regência. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO, POR ENQUADRAMENTO INDEVIDO NA NCM, NAS NOMENCLATURAS COMPLEMENTARES OU EM OUTROS DETALHAMENTOS INSTITUÍDOS PARA A IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. No caso de desenquadramento de EX tarifário, cabe a multa de I% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 84, inciso I, da MP n° 2158-35, de 24/08/2001, conforme esclarecimento da Nota Técnica COANA/COFIN n° 104, de 04/04/2002 (o EX tarifário faz parte do item "outros detalhamentos"). Lançamento Procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Verifica-se dos autos que a máquina adquirida pela recorrente é uma encartuchadeira modelo SC3-HS, número de série é 39523, fabricada na Alemanha, em 2005, por IWK, e é constituída por três módulos diferentes: (i) abertura e armação de cartuchos, (ii) inserção das bisnagas nos cartuchos e (iii) fechamento dos cartuchos. É importante frisar que ficou comprovado que a velocidade máxima de saída da encartuchadeira é de 450 cartuchos por minuto, conforme se verifica do catálogo comercial da IWK e da declaração emitida pelo fabricante estrangeiro. Deve ser ressaltado que o 8 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Processo n° 11128.005150/2005-11 S3-C211 Acórdão n.°3201-000.697 Fl. 416 equipamento importado normalmente alcança a velocidade de 500 cartuchos por minuto, contudo, o produto especifico em questão nestes autos, foi calibrado, ainda na origem, para 450 cartuchos por minuto, pela necessidade igualmente especifica da importadora, ora recorrente, para a produção de cartuchos de dentifrício. Note-se que há prova nos autos de que a máquina enchedora (localizada na ponta da linha de montagem) opera na velocidade de 450 tubos por minuto, o que tornaria inviável e nociva a operação do equipamento importado em velocidade superior. Note-se também que na valoração das provas dos autos, este relator entende que o manual genérico refere-se aos produtos em geral da IWK, enquanto que o manual especifico refere-se ao unicamente produto encomendado pelo importador, dentro de suas necessidades, o qual deve prevalecer sobre aquele para a correta identificação do produto importado, que considerada esta velocidade de produção está perfeitamente enquadrado no Ex 042 do código TEC 8422.40.90. Ademais, mesmo que a velocidade de produção fosse 500 cartuchos por minuto, como consta do manual genérico, não parece a este relator, que tal fato afastaria o enquadramento do produto importado do Ex em questão, posto que não havia produção nacional deste tipo de encartuchadeira. A regra inserta na Resolução n°. 7 da CAMEX, de 27/03/2003, anterior à criação do EX 042, assim dispunha: NCM 8422.40.90 - Ex 018 — Máquinas automáticas, continuas, para acondicionar bisnagas em caixas dobráveis (cartuchos), com controlador lógico programável (CLP) e capacidade máxima igual ou superior a 300 cartuchos por minuto. Com o avanço na tecnologia, a produção nacional se aprimorou e alcançou a marca de mais de 300 cartuchos por minuto, o que inviabilizou a renovação do Ex 018, pois a política nacional de criação dos Ex Tarifários sempre objetivou a proteção da produção nacional, estimulando a atividade industrial interna em seus exatos termos, o que obviamente conduziu a criação daquele Ex contido na Resolução n°. 7/03 da CAM EX. Por esta razão, a CAMEX a analisar o pedido de reedição do Ex 018, adequou seu texto, quanto A. velocidade, fixando o novo limite mínimo de 450 cartuchos por minuto, para o qual, à época, não existia equipamento nacional similar. A contribuinte, em seu memorial de julgamento afirma que "...no momento da alteração do texto do Ex 018, que originou o Ex 042, ocorreu omissão no texto pois, ao 9 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES substituir o texto "capacidade máxima igual ou superior a 300 cartuchos por minuto" por "capacidade máxima igual ou superior a 450 cartuchos por minuto" houve a exclusão da expressão "ou superior", distorcendo a interpretação do Ex, bem como contrariando a intenção do legislador, pois as máquinas que produzem até 450 cartuchos por minuto é que são protegidas política governamental, já que apresentam similar no mercado nacional, fato este ignorado pela DIU, que, em sua decisão, insistiu no argumento de que a encartuchadeira adquirida pela Recorrente pode chegar a produção de 500 cartuchos por minuto, excluindo-a da classificação fiscal abrangida pelo Ex 042, na importação sob análise." É verdade que a CAMEX editou Resolução n.° 02/2006, em 24/02/2006, que visava a correção da Resolução n°. 1/2005, que em seu artigo 7°, trazia o seguinte texto: Art. 7 0 Na resolução CAMEX n.° 01, de 17 de janeiro de 2005, publicada no Diário Oficial da Unido de 19 de janeiro de 2005: Onde se le': Ex 042 — Máquinas encartuchadeiras horizontais, automáticas e continuas, para acondicionar bisnagas em caixas dobráveis (cartuchos), para embalagens de largura compreendida entre 20 e 75mm, altura entre 15 e 75mm e comprimento entre 50 e 230mm, com controlador lógico programável (CLP) e capacidade máxima igual a 450 cartuchos/minuto. Leia-se: Ex 042 Máquinas encartuchadeiras horizontais, automáticas e continuas, para acondicionar bisnagas em caixas dobráveis (cartuchos), para embalagens de largura compreendida entre 20 e 75mm, altura entre 15 e 75mm e comprimento entre 50 e 230mm, com controlador lógico programável (CLP) e capacidade máxima igual ou superior a 450 cartuchos/minuto." A Resolução n.° 02/2006 da CAMEX tem caráter meramente declaratório, quando corrige o texto anterior do Ex 042, foi publicada em 24/02/2006, sendo certo que o texto a ser considerado deve ser este, como se o texto anterior, sem a expressão "ou superior" nunca tivesse existido. 10 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES Processo n° 11128.005150/2005-11 S3-C21'1 Acórclilo n°3201-000.697 11. 417 Logo, entendo correta da classificação fiscal adotada pela contribuinte, ora recorrente, devendo ser afastada a exigência dos tributos e das penalidades debatidos nestes autos, e assim, por todo o exposto, VOTO por conhecer do recurso par dar-lhe integral provimento. (2-) ARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - rettor Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por NALI DA COSTA RODRIGUES
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Numero do processo: 16024.000034/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/07/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 53.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 22 da Lei n° 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, para excluir da autuação as competências até 12/2001, inclusive, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 53. Constitui infração às disposições inscritas no art. 22 da Lei n° 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 34 /2 00 7- 41 Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, para excluir da autuação as competências até 12/2001, inclusive, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.668 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 Data da lavratura do AIOA: 17/07/2007. Data da Ciência do AIOA: 17/07/2007. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 3ª Turma da DRJ/STM que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento tributário aviado no Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº 37.108.4920, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter deixado de comunicar, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho CAT, a ocorrência ou agravamento de doença ocupacional, ou ainda em decorrência da verificação de alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, reconhecidos pelo serviço médico da empresa, conforme Relatório Anual do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional de 2001 a 2006, que apresentou um total de 103 segurados com exames audiométricos alterados, de acordo com relação anexa, elaborada com base em relatórios fornecidos pela empresa, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 07/09. CFL 53 Deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao INSS, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista nos artigos 286 e 292, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, a qual corresponde ao limite mínimo do salário de contribuição (piso normativo) por ocorrência, ou seja, por acidente de trabalho não comunicado, de acordo com o artigo 28, parágrafo 3º da Lei nº 8.212/91, o que representa o montante de R$ 65.487,40 (Sessenta e cinco mil, quatrocentos e oitenta e sete reais e quarenta centavos), tendo em vista que deixaram de ser apresentadas 103 (centro e três) CAT decorrentes de exames alterados. O piso normativo considerado foi de R$ 635,80 de acordo com o item 4, alínea "b" do aditamento coletivo de trabalho datado de 30/08/2006. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 125/135. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1808.143 3ª Turma da DRJ/STM, a fls. 698/701, julgando procedente a autuação em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/12/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 704. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 705/716, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que não há previsão legal para a aplicação de multa por eventual descumprimento da NR 7.4.8.; · Que falta o devido processo legal individual para a constatação de acidente de trabalho equiparado; · Que a empresa mantém inúmeras medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho e fornecia e fornece EPIs individuais e coletivos, monitorando e exigindo constantemente sua utilização, adotando medidas de proteção para elidir, ou prevenir eventuais efeitos na saúde de seus trabalhadores; · Que nos 103 empregados relacionados na autuação, não há qualquer constatação por via pericial médica do INSS ou judicial de que as alterações pretensamente existentes nos exames audiométricos dos segurados tem qualquer relação com as atividades por eles desenvolvidas no ambiente da empresa. Aduz que inexiste requisito essencial para a autuação, qual seja, o laudo técnico pericial do médico do INSS que comprove a existência de "nexo causal" entre a doença profissional alegada e o ambiente de trabalho · O Recorrente contesta, um a um, o valor individual da multa aplicada, ao argumento de que cada um dos empregados relacionados no Auto de Infração pertence a uma categoria específica, dotada de piso salarial específico, o que não foi respeitado; · Requer a abertura individual administrativa para a verificação de acidente de trabalho equiparado nos 103 casos relacionados na autuação, sob pena de nulidade do auto de infração; Ao fim, requer que o Auto de Infração seja julgado insubsistente, quer pelas razões preliminares quer pelas de mérito, para que prevaleça a costumeira J U S T I Ç A ! Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.669 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 21/01/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. O Recorrente contesta, um a um, o valor individual da multa aplicada, ao argumento de que cada um dos empregados relacionados no Auto de Infração pertenceria a uma categoria específica, dotada de piso salarial específico, fato que não teria sido respeitado. Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.670 7 energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderá ser conhecida por este Colegiado, em virtude da preclusão. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Assim, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.671 9 Consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em sua escalação titular, sujeitamse sempre ao regime referido no art. 173 do CTN os lançamentos tributários de penalidade pecuniária decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que o crédito tributário dele consequente é sempre oriundo de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de apurar a ocorrência de eventual infração a dispositivos da Lei e, em consequência, proceder à lavratura do competente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Cumpre ressaltar que a eventual extinção da obrigação tributária principal, por qualquer de suas modalidades, seja mediante pagamento, seja em razão de homologação tácita do crédito tributário, não irradia efeitos sobre as obrigações tributárias acessórias, as quais ainda subsistem de observância obrigatória pelo Sujeito Passivo até que sobrevenha a decadência. Anotese que o regime do lançamento por homologação, conforme expressamente consignado no caput do art. 150 do CTN, somente ocorre quanto aos tributos (obrigação tributária principal) cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, jamais quanto às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação tributária acessória, estas, sempre formalizadas mediante lançamento de ofício. Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Nessa perspectiva, diante do tratamento diferenciado relativo ao lançamento de obrigação principal, há que se reconhecer a existência de discrimen na apreciação da decadência em relação a cada espécie de lançamento. Assim, uma coisa é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, em razão de os correspondentes fatos geradores terem ocorrido em período já alcançado pela decadência. Outra coisa distinta é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória decorrente do descumprimento objetivo de obrigação acessória. Nessa perspectiva, a análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício mediante a lavratura do competente auto de Infração sempre que a fiscalização constatar o descumprimento de obrigação tributária acessória. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) De outro eito, o art. 22 da Lei nº 8.213/91 prevê que a empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência do Auto de Infração de Obrigação Acessória em debate realizada 17/07/2007, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias principais previstas na Lei nº 8.213/91 exigíveis a contar da competência Janeiro/2002, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN. Pelo exposto, sendo de janeiro/2001 a dezembro/2006 o período de apuração do presente lançamento, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício e à luz da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, não demanda áurea mestria concluir que se encontram fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência dezembro/2001, inclusive, contingência que se constitui óbice intransponível à constituição do crédito tributário delas decorrente, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.672 11 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA CONDUTA INFRACIONAL Louvouse a presente autuação na falta de Comunicação de Acidentes de Trabalho a qual se encontrava jungida a empresa autuada por força do preceito inscrito no art. 22 da Lei nº 8.213/91, c.c. art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriodecontribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social. §1º Da comunicação a que se refere este artigo receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. §2º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. §3º A comunicação a que se refere o § 2º não exime a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto neste artigo. §4º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela Previdência Social, das multas previstas neste artigo. §5o A multa de que trata este artigo não se aplica na hipótese do caput do art. 21A. (Incluído pela Lei nº 11.430, de 2006) Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 336. Para fins estatísticos e epidemiológicos, a empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de que tratam os arts. 19, 20, 21 e 23 da Lei nº 8.213, de 1991, ocorrido com o segurado empregado, exceto o doméstico, e o trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena da multa aplicada e cobrada na forma do art. 286. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §1º Da comunicação a que se refere este artigo receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. §2º Na falta do cumprimento do disposto no caput, caberá ao setor de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. (grifos nossos) §3º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. §3º Na falta de comunicação por parte da empresa, ou quando se tratar de segurado especial, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §4º A comunicação a que se refere o § 3º não exime a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto neste artigo. §5º A perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social poderá autuar a empresa que descumprir o disposto no caput, aplicando a multa cabível, sempre que tomar conhecimento da ocorrência antes da autuação pelo setor de fiscalização. (Revogado pelo Decreto nº 3.265/99) §6º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela previdência social, das multas previstas neste artigo. A Constituição Federal de 1988 define a Saúde como um direito de todos e dever do Estado, obtida não pela ausência de doenças, mas como a resultante das condições de alimentação, educação, meio ambiente, trabalho, emprego, salário, transporte, lazer e liberdade, e acesso aos serviços de Saúde. Os aspectos puramente técnicos e econômicos da produção de bens não podem redundar num total desprezo às condições mínimas necessárias para que o trabalhador desenvolva a sua atividade dentro de condições humanas e cercado das garantias destinadas à preservação de sua personalidade. Para que o trabalhador atue em local apropriado, o direito fixa condições mínimas a serem observadas pelas empresas, quer quanto às instalações onde as oficinas e demais dependências se situam, quer quanto às condições de contágio com agentes nocivos à saúde ou de perigo que a atividade possa oferecer, quer quanto ao acompanhamento Fl. 3678DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.673 13 ostensivo da saúde do obreiro. Todos esses aspectos devem ser conjugados para a obtenção do meio ambiente do trabalho seguro e saudável. Os acidentes do trabalho constituem a face visível de um processo de desgaste e destruição de parcela da força de trabalho no sistema capitalista, sendo que muitas destas ocorrências são evitáveis. Compete, portanto, à sociedade e às instituições públicas o desafio de prevenir tais agravos, visando à diminuição dos acidentes por meio do aprimoramento de políticas que almejem o desenvolvimento de um meio ambiente de trabalho seguro e saudável, com ênfase nos aspectos de prevenção e promoção da saúde do empregado, na articulação de iniciativas entre instituições que são fundamentais para enfrentar os desafios da prevenção, na relação entre saúde e condições de trabalho, transformando o trabalho em fonte de dignidade e realização humana e não em local de sofrimento, lesões e óbitos. Nesse mister, o hoje Ministério do Trabalho e Emprego instituiu Normas Regulamentadoras, citadas no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que regulamentam e fornecem orientações sobre procedimentos obrigatórios relacionados à segurança e medicina do trabalho, as quais são de observância obrigatória pelas empresas públicas e privadas, bem como pelos órgãos públicos da administração direta e indireta que possuam empregados regidos pela CLT. O não cumprimento das disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho sujeita o empregador à aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente, sendo certo que a recusa injustificada do empregado ao cumprimento de suas obrigações com a segurança do trabalho constitui ato faltoso. Nessa vertente, houvese por editada a Norma Regulamentadora nº 7, que estabelece os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na execução do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, o qual se houve por norteado pelos primados da prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclínica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores. De acordo com o item 7.4.1 da NR7, o PCMSO deve incluir, entre outros, a realização obrigatória dos exames médicos admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de função e demissional, compreendendo avaliação clínica, abrangendo anamnese ocupacional (histórico de uma doença feito pelo médico com base nas informações colhidas com o paciente) e exame físico e mental, além de exames complementares, realizados de acordo com os termos específicos tratados na NR em foco. Sendo constatada através de exames médicos a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, ou sendo verificadas, através dos exames constantes dos Quadros I e II, e do item 7.4.2.3 da NR7, alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, cabe ao médicocoordenador ou encarregado da empresa solicitar a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de Fl. 3679DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho e orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. NR 7 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional 7.4.8 Sendo constatada a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, através de exames médicos que incluam os definidos nesta NR; ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, através dos exames constantes dos Quadros I (apenas aqueles com interpretação SC) e II, e do item 7.4.2.3 da presente NR, mesmo sem sintomatologia, caberá ao médicocoordenador ou encarregado: a) solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; (grifos nossos) b indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; c) encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho; (grifos nossos) d) orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. No caso em exame, apesar de estar obrigada, por força do preceito inscrito no item 7.4.8 da NR7, a comunicar, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho CAT, a ocorrência ou agravamento de doença ocupacional, ou alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, a empresa foi autuada por deixar de comunicar a ocorrência de um total de 103 segurados com exames audiométricos alterados, conforme Relatório Anual do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional de 2001 a 2006, e relação a fls. 08/09, elaborada com base nos relatórios fornecidos pela empresa. Como visto, a verificação através de exames médicos, de alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, constituise motivo bastante, suficiente e determinante para a emissão das respectivas CAT e para o encaminhamento do trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho; Não se mostra demasiado ressaltar que tal obrigação não se configura como uma faculdade da empresa, porém, uma obrigação acessória de observância compulsória, sujeitando o Infrator às sanções expressamente fixadas na legislação previdenciária. Não procede, portanto, a alegação de que “nos 103 empregados relacionados na autuação, não há qualquer constatação por via pericial médica do INSS, ou judicial, tanto por parte do INSS, órgão autuador competente, ou por via judicial, de que as alterações pretensamente existentes nos exames audiométricos dos segurados tem qualquer relação com as atividades por eles desenvolvidas no ambiente da empresa, e, sobretudo, inexiste requisito essencial para a autuação, qual seja, o laudo técnico pericial do médico do INSS que comprove a existência de "Nexo causal " entre a doença profissional alegada e o ambiente de trabalho, consoante preconiza o artigo 21 A da lei previdenciária”. Fl. 3680DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.674 15 De acordo com a alínea ‘c’ do item 7.4.8 da NR7, sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, através dos exames médicos, mesmo sem sintomatologia, caberia ao médicocoordenador ou encarregado da empresa encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho. Avulta do caso em exame que a alegada inexistência de laudo pericial do INSS de nexo causal não decorre da efetiva inexistência de nexo técnico epidemiológico, mas, sim, do não encaminhamento do trabalhador à Previdência Social para a realização do exame pericial com aptidão a apurar a real existência de nexo causal, não tolerando o Ordenamento Jurídico Brasileiro que alguém se beneficie de sua própria torpeza, a teor do dogma jurídico de origem canônica “nemo potest venire contra factum proprium”, consagrado no art. 243 do Código de Processo Civil e no art. 973 do Código Civil. Pelos mesmos motivos, deve também ser rechaçada a alegação “da falta do devido processo legal individual para a constatação de acidente de trabalho equiparado nos 103 casos relacionados no auto de infração”. Nos termos da legislação acima selecionada a incumbência do encaminhamento do trabalhador à Previdência Social para o estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho é exclusiva da empresa, e não da Fiscalização. Compete sim à Fiscalização, diante da constatação de que tal encaminhamento não se houve por realizado nas hipóteses e nas condições previstas na legislação de regência, proceder à lavratura do correspondente Auto de Infração, conforme previsto no art. 22, caput, da Lei nº 8.213/91 e art. 336, caput, do Regulamento da Previdência Social. Não procede, igualmente, a alegação de “inexistência de previsão legal para aplicação de multa fundamentada no artigo 22 da lei 8213/91 por descumprimento da NR 7.4.8.”. (sic) A julgar pela tese defendida brilhantemente pelo Recorrente, ninguém poderia ser apenado pelo cometimento de crime, uma vez que inexiste previsão legal para aplicação de pena por descumprimento do Código Penal. Esclareçase que o Sujeito Passivo não está sendo autuado pelo descumprimento da NR 7.4.8., mas, sim, pela não emissão das CAT nas hipóteses em que a legislação previdenciária estatui como de emissão obrigatória. Assim como da Seara penal, o agente é condenado e apenado não pelo descumprimento do Código Penal, mas, sim, pelo cometimento da conduta típica fixada no Codex, nas circunstâncias ali previstas. Cremos que seja tal esclarecimento suficiente. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representa ofensa ao dispositivo legal encartado no art. 22 da Lei nº 8.213/91 c.c. art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sujeitando o Infrator à penalidade administrativa de cunho pecuniário prevista no art. 286 do RPS. Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 286. A infração ao disposto no art. 336 sujeita o responsável à multa variável entre os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição, por acidente que tenha deixado de comunicar nesse prazo. §1º Em caso de morte, a comunicação a que se refere este artigo deverá ser efetuada de imediato à autoridade competente. §2º A multa será elevada em duas vezes o seu valor a cada reincidência. §3º A multa será aplicada no seu grau mínimo na ocorrência da primeira comunicação feita fora do prazo estabelecido neste artigo, ou não comunicada, observado o disposto nos arts. 290 a 292. O conceito jurídico de Salário de Contribuição encontrase assentado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, cujo §3º estatui que o seu limite mínimo corresponde ao piso salarial, legal ou normativo, da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §3º O limite mínimo do saláriodecontribuição corresponde ao piso salarial, legal ou normativo, da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (...) No caso em exame, foi considerado como limite mínimo do saláriode contribuição o piso normativo da categoria, no valor de R$ 635,80 , em conformidade com o item 4, alínea "b" do aditamento coletivo de trabalho datado de 30/08/2006. Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.675 17 O Recorrente contesta, um a um, o valor individual da multa aplicada, ao argumento de que cada um dos empregados relacionados no Auto de Infração pertenceria a uma categoria específica, dotada de piso salarial específico, o que não teria sido respeitado. No entanto, esqueceuse de rechear suas argumentações com os meios de prova indispensáveis a demonstrar a existência de pisos salariais diferenciados e a vinculação desses pisos salariais distintos para cada um dos trabalhadores relacionados no Anexo a fls. 08/09. Como é cediço, no Processo Administrativo Fiscal a voz de defesa do sujeito passivo em matéria tributária se propaga em ondas documentais, falando ao vácuo as alegações recursais não acompanhadas pelos indícios de prova material que lhes forneçam o devido esteio probatório. Alegar sem nada provar produz o mesmo efeito jurídico que nada alegar. 3.2. DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL A empresa alega que mantém inúmeras medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho e que fornecia e fornece EPI individuais e coletivos, monitorando e exigindo constantemente sua utilização, adotando medidas de proteção para elidir, ou prevenir eventuais efeitos na saúde de seus trabalhadores. Parabéns. Para complementar tais cuidados no cumprimento das normas de segurança do trabalho falta ainda à Autuada, sempre que constatar, através de exames médicos, a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, ou sempre que forem verificadas, através dos exames constantes dos Quadros I e II, e do item 7.4.2.3 da NR7, alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, proceder à emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho, encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho e orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho, conforme previsto no item 7.4.8. da NR7. A não observância objetiva de tais obrigações acessórias sujeita a empresa à penalidade pecuniária prevista na legislação ora em destaque, como assim se deu no presente caso, mesmo nos casos em que a empresa mantenha inúmeras medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho, que forneça EPI individuais e coletivos, que monitore e exija constantemente sua utilização, ou que adote medidas de proteção para elidir ou prevenir eventuais efeitos na saúde de seus trabalhadores. 3.3. DA VERIFICAÇÃO DO ACIDENTE DE TRABALHO. Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 O Recorrente requer a abertura individual administrativa para a verificação de acidente de trabalho equiparado nos 103 casos relacionados na autuação, nos exatos termos da Lei, sob pena de nulidade do auto de infração. O Recorrente não tem que requerer a verificação de acidente de trabalho. Ele tem, por obrigação legislativa a todos imposta, que emitir a CAT e encaminhar o trabalhador para a Previdência Social, para o devido estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho, sempre que constatar, através de exames médicos, a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, ou sempre que forem verificadas, através dos exames constantes dos Quadros I e II, e do item 7.4.2.3 da NR7, alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, como assim relata a Fiscalização ter ocorrido no presente caso, sob pena de inflição de penalidade pecuniária. O encaminhamento para a apuração da efetiva ocorrência de acidente de trabalho não é um ônus da Administração Tributária, mas uma obrigação acessória da empresa, a qual, se não cumprida, configurase infração legal, apenada com o castigo pecuniário cominado no Ordenamento Jurídico. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência da autuação levada a cabo pela Autoridade Fiscal. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de 1ª Instancia não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência dezembro/2001, inclusive, em razão da decadência prevista no art. 173, I do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16024.000034/200741 Acórdão n.º 2302002.992 S2C3T2 Fl. 3.676 19 Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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