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Numero do processo: 10855.908025/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
Numero da decisão: 3201-004.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantese, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. “A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral.” (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01 062018 PUBLIC 04062018) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 80 25 /2 00 9- 01 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10855.908025/200901 Acórdão n.º 3201004.868 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de pedido de compensação lastreado em crédito de COFINS paga a maior, em razão de o ICMS ter sido incluído na base de cálculo da contribuição. Por bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da instância a quo: (...) Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 5856), (...). Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “II. DO DIREITO A. PRELIMINARMENTE A. 1. 1a PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DO CONTRADITÓRIO Dispõe o artigo 5o, LV da Constituição Federal o seguinte: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e amola defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ora, no caso em tela, em decorrência de obrigação legal, a Defendente efetuou a sua declaração de crédito e de compensação via PER/DCOMP com base na internet, instrumento ágil e eficiente, que, entretanto, deveria ser apreciado com mais atenção por parte do fisco, o que não aconteceu no caso em tela. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10855.908025/200901 Acórdão n.º 3201004.868 S3C2T1 Fl. 4 3 Antes de indeferir de imediato, sem qualquer contraditório, o pedido da Defendente alegando a inexistência de crédito, deveria o fisco intimar a empresa a explicar a origem do crédito, quando então tudo seria provado através de documentos, uma vez que é impossível enviar qualquer informação quando a compensação é feita via internet. Tivesse a Receita Federal intimado a Defendente certamente ter seia iniciado o contraditório, a Receita Federal saberia exatamente como o crédito nasceu e o direito à ampla defesa ficaria assegurado, o que não ocorreu. A fim de combater a r. decisão, no mérito, a Defendente apresenta todos os documentos que justificam a origem do crédito e os respectivos fundamentos de ordem jurídica. Merece assim a preliminar merece ser acatada para julgar nulo o decisório e determinar que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, a fim de que todos os documentos sejam apreciados e nova decisão seja proferida. A. 2. 2ª PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NOS TERMOS DO ARTIGO 265. IV. "a" DO CPC ATÉ JULGAMENTO DA ADC 18 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O crédito utilizado pela ora Defendente referese ao PIS/COFINS pago indevidamente sobre o ICMS e a matéria já se encontra em fase de julgamento perante o STF, nos autos da ADC 18, que terá efeito "erga omnes", em que inclusive foi concedida liminar objetivando paralisar todos os processos em andamento, nos seguintes termos: "EMENTA: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3o,§ 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal". Vêse, portanto, que o STF determinou a suspensão de todos os processos, uma vez que se tratando ação direta de constitucionalidade, o resultado do seu julgamento terá efeito "erga omnes". Assim, requer a ora Defendente que o presente processo também permaneça em suspenso, nos termos do artigo 265, IV, "a" até julgamento final da ADC 18 por parte do STF, quando então a mencionada decisão favorável ou desfavorável será aplicada no caso em tela. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10855.908025/200901 Acórdão n.º 3201004.868 S3C2T1 Fl. 5 4 A. 3. 3ª PRELIMINAR DA UNIÃO DOS PROCESSOS De forma indevida, ou seja, antes que tivesse ocorrido o trânsito em julgado pela via administrativa, a Receita Federal do Brasil em Sorocaba abriu outro Processo Administrativo de número 10855908.304/200966, relacionado com o débito para iniciar de imediato a cobrança, uma vez que até o DARF já foi emitido. Entretanto, tal procedimento não tem amparo legal, uma vez que não se pode separar o débito em um processo e o crédito em outro, pois o processo administrativo é único e tal procedimento só poderia ser feito após decisão final do processo administrativo. Tal procedimento além de ilegal, ainda prejudicou a Defendente que foi obrigada a apresentar duas defesas praticamente idênticas, ou seja, uma para o processo relacionado com o débito e outra relacionada com o crédito, havendo necessidade, portanto, que ambos os Processos sejam juntados, a fim de que as decisões sejam proferidas simultaneamente. B.QUANTO AO MÉRITO Entende a ora Defendente que os autos retornarão á Delegacia de origem, sem apreciação do mérito, a fim de que nova decisão seja proferida, agora com a apreciação dos documentos juntados e que nunca foram pedidos pelo fisco. Caso, entretanto, os dignos julgadores entenderem de forma diferente, no mérito razão também assiste à Defendente, uma vez que o crédito utilizado é legítimo e por conseqüência, legítima também é a compensação efetuada, como a seguir exposto: B.l. O CRÉDITO UTILIZADO PELA DEPENDENTE É LEGÍTIMO. UMA VEZ QUE SE TRATA DO TRIBUTO COFINS/PIS PAGO INDEVIDAMENTE SOBRE O ICMS QUE SE ENCONTRA EM JULGAMENTO PERANTE O STF O Artigo 195, § 45 assim dispõe: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 4o A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154,1." Por sua vez, o Artigo 154, I da Carta Magna assim dispõe: "A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no Artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;". Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.908025/200901 Acórdão n.º 3201004.868 S3C2T1 Fl. 6 5 Ora, apesar de todas as fontes de custeio previstas na Constituição Federal, mesmo assim o legislador constituinte ainda deixou um cheque em branco para a União criar a qualquer momento uma nova fonte de custeio, condicionando, entretanto, sua criação, apenas mediante lei complementar, o que não aconteceu no caso em tela, pois a incidência do PIS/COFINS a partir da Carta de 1988 foi introduzida pela Lei ordinária 9.718/99 e sucessivas alterações sempre através de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias, havendo assim patente ofensa ao Artigo 195, § 4o, cominado com o Artigo 154, I da Constituição Federal. B. 2. DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O ICMS IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO FAZ PARTE DO FATURAMENTO. SOB PENA DE OFENSA DIRETA AO ARTIGO 195.1. ALÍNEA "h" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O Artigo 195 da Constituição Federal, assim ensina: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, deforma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Seguindo a ordem processual, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14041.432, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma da decisão a quo por entender que: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10855.908025/200901 Acórdão n.º 3201004.868 S3C2T1 Fl. 7 6 a) houve cerceamento do direito de defesa – ausência do contraditório; b) deve ser suspenso o processo administrativo até o julgamento da ADC 18, pelo Supremo Tribunal Federal; c) o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS; d) o valor pleiteado para utilização do crédito seria a diferença paga a maior por conta do ICMS estar na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.717, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10855.908014/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.717): O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente não há de se falar em cerceamento de defesa e ausência ao contraditório, uma vez, que tratase de regra, que previamente ao despacho decisório devese intimar o contribuinte para apresentar qualquer defesa. Ao ser intimado, podendo o Contribuinte apresentar sua defesa, não há qualquer supressão ao seu direito, sendo que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exclusão do ICMS. Ademais, a matéria ventilada é meramente de direito em sua primeira fase, pois, o Contribuinte alega ter direito ao crédito COFINS, diante da inclusão do ICMS na base de cálculo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal em repercussão geral, firmou o seguinte entendimento: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.908025/200901 Acórdão n.º 3201004.868 S3C2T1 Fl. 8 7 contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2o, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3o, § 2o, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Ressaltase que o Pretório Excelso tem aplicado o entendimento em que não é necessário aguardar o julgamento dos Embargos de Declaração do RE 574706, vejamos: COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01062018 PUBLIC 04062018) Finalmente, essa Turma tem adotado o posicionamento de que deve ser excluído o ICMS da base de Cálculo do PIS/COFINS, vejamos: Acórdão: 3201004.124 Número do Processo: 10880.674237/201188 Data de Publicação: 12/09/2018 Contribuinte: RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES SA Relator(a): LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exc Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andr Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10855.908025/200901 Acórdão n.º 3201004.868 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante disso, resta prejudicado o pleito de sobrestamento do feito, concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000442/2005-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD. TÉCNICOS CONTRATADOS COMO CONSULTORES. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 - DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 9202-007.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD. TÉCNICOS CONTRATADOS COMO CONSULTORES. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 - DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
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PNUD. TÉCNICOS CONTRATADOS COMO CONSULTORES. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 42 /2 00 5- 05 Fl. 317DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, efls. 217/235, contra o acórdão nº 10422.239, julgado na sessão do dia 28 de fevereiro de 2007 pela 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuinte, que restou assim ementada: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS PNUD ISENÇÃO ALCANCE A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO – Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Intimada, a Contribuinte interpôs Recurso Especial, efls. 217/235, requerendo a reforma do acórdão. Conforme despacho de efls. 289/293, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: Do simples confronto das ementas e dos votos do acórdão recorrido com o acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial na matéria apontada pelo Recorrente – direito à isenção sobre rendimentos recebidos de organismos internacionais, mesmo ao residente no Brasil. No acórdão recorrido a decisão foi no sentido de considerar isentos apenas os rendimentos de funcionários residentes no exterior, ao passo que no aresto colacionado como paradigma, estendeuse a isenção a todos os funcionários com vínculo empregatício em organismos internacionais, residentes no País ou no estrangeiro, como se pode conferir pela transcrição de trecho do voto condutor do aresto paradigma: (...) Fl. 318DF CARF MF Processo nº 14041.000442/200505 Acórdão n.º 9202007.444 CSRFT2 Fl. 318 3 Intimada, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões de efls. 295/301, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. A matéria em discussão é o direito de isenção sobre rendimentos recebidos de organismos internacionais, mesmo aos funcionários residentes no País. Destaco que na sessão do dia 25 de julho de 2018, acórdão nº 9202007.104, de relatoria da Ilma. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, o colegiado analisou a presente matéria, o qual utilizo como fundamento para decidir o presente caso: A matéria em discussão é a isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física sobre os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual. Nesse sentido, por imposição do artigo 62, do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 1.306.393DF, julgado em 24/10/2012, sendo relator o Ministro Mauro Campbell Marques, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção Fl. 319DF CARF MF 4 sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. Assim, tendo em vista que o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do PNUD, e que a Súmula CARF nº 39, no sentido da tributação de ditos rendimento, foi revogada por meio da Portaria nº 3, de 09/01/2018, não há como manterse a exigência contida no Auto de Infração. (Grifamos) Assim, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e no mérito em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.720278/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2008
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2008
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2008 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2008 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 02 78 /2 01 1- 59 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de Cofins NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.050, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 16366.720278/201159 Acórdão n.º 3201004.494 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1145DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.720798/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 07 98 /2 01 0- 92 Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10855.720798/201092 Acórdão n.º 3301005.482 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) da contribuição (PIS/Cofins) e de homologação da compensação (DCOMP) até o limite do crédito reconhecido, conforme Informação Fiscal presente nos autos, informação essa que embasara a referida decisão de origem. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação do despacho decisório, em virtude de violação ao princípio da motivação e à garantia constitucional da ampla defesa, ou, subsidiariamente, a sua reforma, alegando violação ao princípio da verdade material. Segundo o então Manifestante, o ressarcimento das contribuições não estava limitado ao crédito apurado no mercado externo, tendo a própria Administração Pública identificado e confirmado expressamente a existência de saldo credor em valor total suficiente à homologação da compensação declarada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12072.489, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado pelo fato de que, em relação à receita auferida com operações no mercado interno, somente poderia ser compensado com outros tributos o saldo credor das contribuições acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões e, no mérito, (i) a equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo, (ii) o direito à compensação nos termos das Leis n° 11.116/05 e 9.430/96, (iii) violação ao princípio da hierarquia das leis e (iv) impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora. É o relatório. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10855.720798/201092 Acórdão n.º 3301005.482 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.475, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10855.720785/201013, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.475): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar "Nulidade do acórdão recorrido, por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões" A recorrente alega que o Despacho decisório e a decisão recorrida seriam nulos, pois desprovidos das fundamentações fáticas e legais, o que feriria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 5° da CF) e o art. 2° da Lei n° 9.784/99. O Despacho Decisório (fls. 526 a 529) fundamentouse na Informação Fiscal (fls. 448 a 465) que traz relato detalhado do trabalho de auditoria fiscal, com os tipos de crédito e receitas tributáveis analisados e os correspondentes fundamentos legais. E ainda os Anexos I ao XXVIII com os demonstrativos de cálculo dos créditos admitidos e glosados e das receitas sujeitas à tributação. E a decisão recorrida (fls. 601 a 611) seguiu a mesma linha. Enfrentou a preliminar de nulidade, remetendose à devidamente fundamentada e motivada Informação Fiscal e, no mérito, afastou os argumentos, citando os dispositivos legais em que se baseou. Não há, portanto, nulidade alguma, pelo que afasto a preliminar. Mérito "Da equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo do direito à compensação posicionamento consolidado do E. STF" "Do direito à compensação nos termos da Lei n° 11.116/05 da violação ao princípio da hierarquia das leis" "Do direito à compensação, nos termos da Lei n° 9.430/96" A conclusão da auditoria fiscal (fl. 463) foi a de que, ao fim do 2° trimestre de 2005, o contribuinte tinha R$ 351.985,48 de saldo de créditos Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10855.720798/201092 Acórdão n.º 3301005.482 S3C3T1 Fl. 5 4 de COFINS "Mercado Interno" (a compensar com débitos da COFINS futuros) e R$ 313.715, 35 de saldo créditos de COFINS "Mercado Externo"(créditos passíveis de restituição ou ressarcimento), após a glosa de R$ 124.732,91. A glosa motivou a homologação parcial das compensações vinculadas. Nos tópicos em epígrafe, a recorrente discorre longamente sobre teses jurídicas, cujo objetivo é o de obter autorização para utilizar o saldo de créditos de COFINS "Mercado Interno" para liquidar os débitos que restaram em aberto em razão da glosa de créditos. Inicia, informando que importa e produz mercadorias cuja venda é tributada pelo PIS/COFINS sobre uma base de cálculo reduzida (§2° do art. 1° da Lei n° 10.485/02). Subentendese que teria acumulado créditos em razão do benefício da redução de base de cálculo com manutenção integral de créditos. Discorre longamente sobre a identidade entre os institutos da isenção e da redução de base de cálculo, o que teria restado assentado pelo STF, no RE n° 635.688/RS, com repercussão geral. E destaca que esta decisão vincula o CARF, por força regimento interno. Ao fim, consigna que mantém integralmente os créditos de COFINS sobre as compras, apesar de gozar de redução de base de cálculo nas vendas, com base no art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que os créditos acumulados em razão de isenção poderiam ser objetos de pedidos de ressarcimento, nos termos do inciso II do art. 16 da Lei n° 11.116/05. Neste ponto, vale reproduzir a ementa do RE 635.688/RS, de 16/10/14, os citados dispositivos legais e ainda o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96: RE 635.688/RS "Recurso Extraordinário. 2. Direito Tributário. ICMS. 3. Não cumulatividade. Interpretação do disposto art. 155, §2º, II, da Constituição Federal. Redução de base de cálculo. Isenção parcial. Anulação proporcional dos créditos relativos às operações anteriores, salvo determinação legal em contrário na legislação estadual. 4. Previsão em convênio (CONFAZ). Natureza autorizativa. Ausência de determinação legal estadual para manutenção integral dos créditos. Anulação proporcional do crédito relativo às operações anteriores. 5. Repercussão geral. 6.Recurso extraordinário não provido." Lei n° 11.033/04 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Lei n° 11.116/05 "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10855.720798/201092 Acórdão n.º 3301005.482 S3C3T1 Fl. 6 5 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Prossegue, alegando que não se pode interpretar como impedimento ao ressarcimento/compensação dos créditos COFINS "Mercado Interno" o previsto no art. 21 da IN SRF n° 600/05: a uma, porque o conceito de redução de base de cálculo se equipara ao de isenção; e, a duas, pois estaria violando o princípio da hierarquia das leis, pois confrontase com os citados art. 16 da Lei n° 11.116/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim dispõe o art. 21 da IN SRF n° 600/05, em vigor no período em análise: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (...)" Por fim, alega que o direito à compensação de créditos com débitos está previsto no inciso II do art. 156 do CTN modalidade de extinção do crédito tributário. Que reconheceu a existência de saldo credor de COFINS "Mercado Interno" o que já evidencia o direito a que faz menção o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10855.720798/201092 Acórdão n.º 3301005.482 S3C3T1 Fl. 7 6 Que a compensação é o restabelecimento do direito à propriedade disposto no inciso XXII do art. 5° da CF. Que a não aceitação da compensação e a correspondente exigência dos débitos que por meio dela haviam sido liquidados atentaria contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da CF e art. 2° da Lei n° 9.784/99. Não assiste razão à recorrente. De pronto consigno que o tema relacionado à possível inconstitucionalidade da vedação legal ao ressarcimento de créditos da COFINS "Mercado Aberto" não se discute no âmbito deste colegiado, por força da Súmula CARF n° 2. Assim, nego provimento às alegações correlatas. Prossigo a análise do recurso, citando o art. 170 do CTN, que dispõe que a compensação de créditos líquidos e certos será autorizada por lei. Em sua esteira, foram editados os artigos 74 da Lei n° 9.430/96, 16 da Lei n° 11.116/05 e 17 da Lei n° 11.033/03, que dispõem que somente créditos acumulados em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência podem ser objetos de ressarcimento e/ou compensação com qualquer tipo de débito tributário federal. Dentre as hipóteses, portanto, não se inclui o excedente de créditos motivados por vendas com redução de base de cálculo. E o então vigente art. 21 da IN SRF n° 600/05 tão somente reproduziu tal interpretação dos dispositivos legais e, assim, de forma alguma os afrontou. O argumento de defesa que merece destaque é o que equipara a redução de base de cálculo à isenção, com base em decisão do STF, com repercussão, à qual estaríamos vinculados, por força do art. 62 do RICARF. Interpreto o RE 635.688/RS no contexto em que se insere. Os institutos foram equiparados para os fins a que se prestava aquele julgamento, qual seja, determinação do estorno do ICMS das compras cujas saídas gozavam do benefício fiscal da redução de base de cálculo do ICMS, como forma de preservação do princípio constitucional da não cumulatividade que rege este tributo. Não entendo, portanto, que o STF tenha introduzido um novo entendimento a ser aplicado em todos as circunstâncias e para todos os fins legais. E, não custa lembrar que não se está aqui vedando o direito ao crédito ou à sua manutenção o acúmulo, ocasionado por redução da base de cálculo das vendas correspondentes não se encontra entre as hipóteses de estorno de crédito do §13 do art. 3° da Lei n° 10.833/03 porém tão somente cumprindo determinação prevista em lei ordinária, cuja competência lhe foi atribuída pelo art. 170 do CTN. Isto posto, nego provimento aos argumentos contidos nos tópicos do recurso voluntário em epígrafe. "Da impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora art. 100 do CTN" Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10855.720798/201092 Acórdão n.º 3301005.482 S3C3T1 Fl. 8 7 Protesta contra a cobrança de juros e multa de mora, que foram acrescidos aos débitos liquidados com créditos glosados. Não conheço dos argumentos contidos neste tópico, pois não integra esta lide a cobrança dos débitos que restaram em aberto em virtude da não homologação da compensação. Conclusão Conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, nego provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720137/2017-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014
DECADÊNCIA.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a decadência deve ser apurada conforme a regra geral do inciso I do artigo 173 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL.
A remuneração paga a segurados a serviço da empresa constitui fato gerador das contribuições previdenciárias.
PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA.
A legalidade formal dos contratos não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR.
O sócio-administrador que pratica ato com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos torna-se responsável solidário pelas contribuições lançadas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses previstas na Lei nº 4.502/1964, artigos 71, 72 e 73.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a decadência deve ser apurada conforme a regra geral do inciso I do artigo 173 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL. A remuneração paga a segurados a serviço da empresa constitui fato gerador das contribuições previdenciárias. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A legalidade formal dos contratos não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. O sócio-administrador que pratica ato com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos torna-se responsável solidário pelas contribuições lançadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses previstas na Lei nº 4.502/1964, artigos 71, 72 e 73. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a decadência deve ser apurada conforme a regra geral do inciso I do artigo 173 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL. A remuneração paga a segurados a serviço da empresa constitui fato gerador das contribuições previdenciárias. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A legalidade formal dos contratos não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. O sócioadministrador que pratica ato com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos tornase responsável solidário pelas contribuições lançadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses previstas na Lei nº 4.502/1964, artigos 71, 72 e 73. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 37 /2 01 7- 91 Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.465 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15983.720137/201791, em face do acórdão nº 0444.742, julgado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), em sessão realizada em 18 de dezembro de 2017, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de auditoria fiscal realizada pelo AuditorFiscal Márcio Jesus Simões na sociedade empresária IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA referentes às contribuições previdenciárias devidas pela empresa para a SEGURIDADE SOCIAL e contribuição social para os TERCEIROS incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais autônomos declarados ou não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP. VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 11.566.439,00 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 2.759.536,65 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 106.482,47 TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL fls. 83 a 108 Na impugnação de fls 1705 a 1739, a sociedade empresária alega, em síntese, que: III DA DECADÊNCIA fls. 1707 a 1710 ∙ Assim, levandose em consideração que o Auto de infração foi cientificado ao contribuinte em AGOSTO DE 2017 temos que AS COMPETÊNCIAS DE JANEIRO A JULHO DE 2012 ESTÃO, INCONTESTAVLEMENTE, DECAÍDAS. ∙ Pelo exposto não resta dúvida de que o período cobrado neste Auto de Infração é indevido, devendo ser declarada a improcedência do lançamento fiscal. Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.466 3 IV DO CERCEAMENTO DE DEFESA – fls. 1710 a 1717 ∙ Tendo claramente definido os direitos inerentes ao administrado (contribuinte), podese verificar que no presente caso ocorreu cerceamento de defesa, uma vez que A FISCALIZAÇÃO SE PAUTOU APENAS EM PRESUNÇÕES, EM FATOS BUSCADOS EM PROCESSOS TRABALHISTAS QUE SEQUER TRANSITARAM EM JULGADO. ∙ Assim, não há alternativa senão a declaração de nulidade deste Auto de Infração pelo cerceamento de defesa havido. V DA NULIDADE DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA LAVRADOS – fls. 1717 a 1735 ∙ Veja, nobre Julgador, atualmente a decisão de desconsiderar uma personalidade jurídica é um procedimento incidental, que sob o crivo do contraditório, no intuito de evitar abusos que vem ocorrendo nas cobranças judiciais. ∙ Não há como concordar com a responsabilização solidária dos sócios da forma como foi feita nestes autos. Com base na jurisprudência acima transcrita e, especialmente, na proposta de reforma do Código de Processo Civil requer seja declarada a nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados. VI DA ILEGITIMIDADE DE PARTE – fls. 1735 a 1736 ∙ A empresa IMPORT EXPRESS é parte ilegítima para ser responsabilizada pelo crédito tributário lançado. ∙ Não pode a fiscalização, administrativamente e de ofício, simplesmente ignorar a existência de uma empresa. Se infração existe, o que se admite apenas para argumentar, no mínimo a empresa HIPERPLAN deveria figurar no Auto de Infração. ∙ Não há em lei qualquer previsão que admita que trechos de processos trabalhistas são suficientes para configurar uma confusão empresarial, ainda mais quando baseado em testemunhos de partes interessadas no recebimento de indenizações trabalhistas. ∙ O auto de infração é plenamente nulo na medida em que aponta como único responsável pela infração tributária a empresa IMPORT EXPRESS, sendo certo que todos os atos informados no termo de verificação dizem respeito a empresa HIPERPLAN. VII DO MÉRITO E DO ÔNUS DA PROVA – fls. 1736 a 1739 1. A simples indicação da prática de fatos jurídicos tributários não configura, sob nenhum aspecto, fundamentação precisa e correta para imputar infração à contribuinte, sem que ocorra a verificação profunda dos fatos, como já explicado. 2. A prova é a soma dos fatos produtores da convicção do Fisco, apurados no processo administrativo tributário. Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.467 4 3. Dessa forma e com base na legislação aqui indicada é imprescindível, para a configuração do ilícito tributário, que o Auto de Infração seja instruído com elementos probantes que demonstrem, dentro de uma margem segura e clara, a materialidade e autoria de determinada infração. VIII DO PEDIDO Pelo exposto é a presente para requerer: (a) seja reconhecida a decadência deste Auto de Infração(b) seja reconhecido o cerceamento de defesa havido. (c) Seja declarada a ilegitimidade de parte da empresa IMPORT EXPRESS. (d) No mérito a improcedência da ação fiscal, em razão da ausência de provas. Nas impugnações dos MARCELO ASMAR fls. 1742 a 1762 – 1857 a 1877 EDUARDO ASMAR fls. 1765 a 1785 – 1902 a 1923 GILBERTO ASMAR fls. 1788 a 1808 – 1879 a 1900 SILVANA DE ARAÚJO fls.1811 a 1831 – 1834 a 1855, alegam: I DA NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA LAVRADO ∙ Assim, não há como responsabilizar os sócios de uma empresa pelo pagamento de um imposto e seus reflexos se sequer existe um crédito tributário constituído. ∙ Veja, nobre Julgador, atualmente a decisão de desconsiderar uma personalidade jurídica é um procedimento incidental, que necessita sob o crivo do contraditório, no intuito de evitar abusos que vem ocorrendo nas cobranças judiciais. ∙ Não há como concordar com a responsabilização solidária dos sócios da forma como foi feita nestes autos. Com base na jurisprudência acima transcrita e, especialmente, na proposta de reforma do Código de Processo Civil requer seja declarada a nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados. II DO PEDIDO Pelo exposto é a presente para requerer: (a) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a consequente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento realizado, mantendo na integralidade o débito tributário. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, à fls. 2023/2059, reiterando as alegações expostas em impugnação. Ainda, foram juntados aos autos os Recursos Voluntários de Eduardo Asmar, Espólio de Gilberto Asmar, Marcelo Asmar e Silvana de Araújo, os quais requerem em suma a Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.468 5 nulidade do Termo de Sujeição Passiva para a consequente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. Em despacho de encaminhamento de fls. 2340/2341, compreendeuse que os Recursos Voluntários das pessoas físicas não haviam sido corretamente juntado ao processo e que o recurso voluntário do Espólio do Sr. Gilberto Asmar não teria sido corretamente assinado pelo representante. De igual forma, para atuar como procurador digital os documentos juntados em 26.03.2018 não seriam adequados. Na fl. 2343, há solicitação de juntada dos avisos de recebimento e dos Recursos Voluntários, nos quais, nas fls. 2371, 2399, 2427 e 2455 constam as procurações para atuar no presente processo. Em despacho de fl. 2462, consta que os Recursos Voluntários foram juntados, sendo objeto de solicitação de juntada, pois o processo já teria sido movimentado para a 2ª instância. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os recursos voluntários foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, devem ser conhecidos. 1. Preliminares. 1.1 Decadência. Ao lançamento em tela não se aplica o prazo de decadência previsto para os lançamentos sujeitos à homologação, a que se refere o CTN, artigo 150, § 4º, em razão da ressalva consignada no referido dispositivo legal. Art. 150 [...] § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (grifo nosso). Resta comprovado nos autos que a Import Express criou empresa “de fachada” (Hiperplan), optante pelo Simples, com a finalidade específica de nela registrar seus empregados e, assim, usufruir indevidamente do referido regime tributário. Tal fato caracteriza as hipóteses (dolo, fraude ou simulação) de aplicação a que se refere o dispositivo legal acima transcrito, tendo sido, inclusive, emitida Representação Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.469 6 Fiscal para Fins Penais em razão de os fatos relatados nos autos caracterizarem, “em tese”, crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2000. Como consequência, o prazo decadencial deve ser apurado segundo a regra geral do inciso I do artigo 173 do CTN, que assim dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso, o lançamento abrange as competências 01/2012 a 12/2014. Considerando a competência mais antiga, de 1/2012 verificase que o prazo decadencial começou a fluir em 1/1/2013 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito se tornou exigível) e se esgotará em 31/12/2017. Como o lançamento ocorreu em agosto/2017, anteriormente, portanto, ao encerramento do prazo decadencial, não há que se falar em decadência de nenhuma das competências objeto da autuação. 1.2 Cerceamento de defesa. Ao contrário do que alega contribuinte, a autuação foi lavrada com a estrita observância aos princípios que regem a atuação da Administração Pública, notadamente ao da ampla defesa. O Relatório Fiscal discorre detalhadamente sobre todas as evidências da simulação detectada. Todas as provas que fundamentam a autuação encontramse anexadas aos autos. A contribuinte, portanto, foi devidamente cientificado das infrações a ele imputadas, de modo que foi plenamente garantido o exercício do seu direito à ampla defesa. A contribuinte, todavia, mesmo diante das inúmeras provas dos autos, alega que o lançamento se baseou em presunções, em fatos buscados em processos trabalhistas que não transitaram em julgado, e que não há prova formal da acusação fiscal imputada. Conforme visto, tais alegações genéricas não se sustentam diante do robusto conjunto probatório dos autos que, conforme já mencionado, não foi objetivamente impugnado pelo sujeito passivo. Assim, rejeitase a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa. 1.3 Alegação de ilegitimidade A contribuinte alega que é parte ilegítima para ser responsabilizada pelo crédito tributário lançado e que a fiscalização não pode, de ofício, simplesmente ignorar a existência de uma empresa e que, se a infração existe, a empresa Hiperplan deveria, no mínimo, figurar no auto de infração. Mais uma vez não assiste razão à contribuinte. Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.470 7 Conforme visto, restou demonstrado que, em realidade, a existência da empresa Hiperplan, vinculada ao Simples, objetiva reduzir a tributação a que estaria sujeita a empresa Import Express, configurandose, desta forma, uma simulação tendente a reduzir as contribuições previdenciárias devidas pela autuada. As provas dos autos demonstram que a Hiperplan não apresentou receita no período objeto de autuação, o que não foi contestado em impugnação ou recurso, o que, conforme enfatizado pela auditoria fiscal, indica que sua razão de existir no mundo econômico é uma mera fantasia. Repisese que o próprio sócioadministrador da empresa Import Express afirma que a Hiperplan apenas existe no “papel”, e que foi criada para reduzir a carga tributária da Import Express. Diante da simulação, e com respaldo no CTN, artigo 149, inciso VII, abaixo transcrito, e no princípio da primazia da realidade, segundo o qual a essência do ato jurídico é o fato e não a forma, a auditoria fiscal, com acerto, considerou os vínculos dos segurados empregados formalizados na Hiperplan diretamente com a Import Express. CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Em que pese o entendimento contrário da contribuinte, a Import Express é contribuinte em relação aos fatos geradores relativos à remuneração auferida pelos empregados contratados pela Hiperplan e, conseqüentemente, é a responsável pelo cumprimento das obrigações principais e acessórias vinculadas às contribuições incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores que lhe prestaram serviços, ainda que formalmente vinculados a outra empresa. Cumpre registrar que a Hiperplan foi baixada de ofício da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) com a publicação do Ato Declaratório Executivo nº 10, de 26/1/2016, da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, no DOU de 28/1/2016 (fls. 19 e 21 do processo nº 19515.721028/201505), o que comprova o acerto da auditoria fiscal em efetuar o lançamento somente em nome da Import Express. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada. 2. Mérito 2.1 Do lançamento Constatase que a Autoridade Lançadora no item 2 – DAS INTIMAÇÕES FISCAIS E ATENDIMENTOS do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL fls. 83 a 108, solicitou todos os documentos e esclarecimentos junto à contribuinte. Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.471 8 Verificase que em virtude DAS INTIMAÇÕES FISCAIS E ATENDIMENTOS a sociedade empresária IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA – CNPJ 65.491.029/000240 apresentou os Resumos das Folhas de pagamento da sociedade empresária HIPERPLAN LOGISTICA LTDA – ME – CNPJ 04.852.100/000105. A Autoridade Lançadora confrontou os Resumos das Folhas de pagamento da sociedade empresária HIPERPLAN LOGISTICA LTDA – ME – CNPJ 04.852.100/0001 05, apresentadas pela sociedade empresária IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA – CNPJ 65.491.029/000240, com as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP constantes no banco de dados da Receita Federal do Brasil, e constatou que não havia as contribuições sociais devidas pela HIPERPLAN para a SEGURIDADE SOCIAL e TERCEIROS. Além disso, a Autoridade Lançadora constatou que alguns saláriosde contribuição não constavam nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP constantes no banco de dados da Receita Federal do Brasil, em virtude disso lançou as diferenças, conforme o quadro de fls. 93/94 do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL fls. 83 a 108. Em razão de tudo isso, a Autoridade Lançadora constatou, também, com base nas reclamatórias trabalhistas já com audiências de instrução encerradas e sentenças trabalhistas, que a sociedade empresária IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA – CNPJ 65.491.029/000240 e a sociedade empresária HIPERPLAN LOGISTICA LTDA – ME – CNPJ 04.852.100/000105 são solidários trabalhistas, como mantém em seus quadros sociais membros da mesma família, alguns deles residentes no mesmo domicílio. Além disso, foi constatada a existência de procuração passada pela empresa HIPERPLAN, por instrumento público, lavrada no Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do 30º Subdistrito Ibirapuera, no dia 29/05/2008, com validade de 05 (cinco) anos, outorgando aos sóciosadministradores da empresa IMPORT EXPRESS, Srs. Marcelo Asmar, Eduardo Asmar e Gilberto Asmar, amplos poderes administrativos e financeiros sobre todos os seus bens e obrigações. Certificase que a sociedade empresária HIPERPLAN LOGISTICA LTDA – ME – CNPJ 04.852.100/000105, foi excluída do SIMPLES NACIONAL por meio do Ato Declaratório Executivo nº 10, de 26/01/2016, da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (processo 19515.721028/201505) publicado no DOU de 28/01/2016 – Seção I – fls. 31, como também, BAIXA DE OFÍCIO DO CNPJ, segundo o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL fls. 83 a 108. De maneira que houve uma relação empresarial incontroversa entre a sociedade empresária IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA – CNPJ 65.491.029/000240 e a sociedade empresária HIPERPLAN LOGISTICA LTDA – ME – CNPJ 04.852.100/000105, todavia esta teve a baixa de ofício de seu CNPJ. Consequentemente, a sociedade empresária IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA – CNPJ 65.491.029/000240 teve proveito dessa relação empresarial, assim, quem tem o bônus, também, tem o ônus. Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.472 9 Ademais, a contribuinte não apresenta provas contrárias aos fatos narrados pela Autoridade Lançadora, como também, que não teve relação empresarial e proveito econômico, por meio de documentos idôneos, pois o ônus probatório é de quem alega, consoante os artigos 28 e 57, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 2.2 Da multa aplicada A multa de ofício aplicada fundamentase na Lei nº 8.212/1991, artigo 35A, e foi duplicada com base na Lei nº 9.430/1996, artigo 44, § 1º, por restar configurada nos autos as hipóteses previstas na Lei nº 4.502/1964, artigos 71 e 73 (sonegação e conluio). Lei nº 8.212/1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 2 de dezembro de 1996 Lei n° 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata [...] §1 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/1964 Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. [...] Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.473 10 Conforme o Relatório Fiscal, numa análise objetiva dos fatos relatados anteriormente, frente aos dispositivos legais em comento, não há como deixar de enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente da empresa IMPORT EXPRESS de impedir o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência dos fatos geradores, sua natureza e circunstâncias materiais, e das condições pessoais da contribuinte, na definição de sonegação contida no artigo 71. Assim, a constatação de terem sido simulados os atos realizados de terceirização, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, permitindo que a fiscalizada obtivesse vantagens no recolhimento das contribuições previdenciárias, ensejou a presente autuação, tendo como base a situação de fato. O ‘modus operandi’ descrito neste relatório, revelouse mero ardil para usufruir de forma indevida tratamento tributário privilegiado (SIMPLES). Enquadrase, portanto, na previsão dos artigos 71 e 73 da Lei nº 4.502/1964 (sonegação e conluio). O conluio restou ainda evidenciado na convergência dos atos das pessoas envolvidas na simulação, pois ocorreu o ajuste doloso da fiscalizada, por meio de seus sócios administradores, e de pessoas físicas integrantes da sua família que constam no quadro societário da empresa terceirizada, visando os efeitos referidos no artigo 71, inciso I e II, da Lei n° 4.502/1964. Assim, ao contrário do entendimento da recorrente, a multa de ofício foi duplicada (qualificada) não em razão da lavratura do Termo de Embaraço à Ação Fiscal, mas por restar configurada a sonegação e o conluio definidos Lei nº 4.502/1964, artigos 71 e 73. 2.3 Sujeição passiva solidária A sujeição passiva solidária imputada aos sóciosadministradores da Import Express baseiase no CTN, artigo 124, inciso II, e artigo 135, inciso III, que assim dispõem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: [...] II as pessoas expressamente designadas por lei. [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Conforme visto, o farto conjunto probatório dos autos evidenciou a simulação na contratação de pessoa jurídica interposta optante pelo Simples (Hiperplan), cujos empregados atuam, na verdade, como empregados da empresa Import Express, com o fim de Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.474 11 burlar o fisco e, assim, eximir a Import Express do recolhimento da contribuição previdenciária, em clara afronta à legislação. Conforme contratos sociais e alterações da Import Express, à época da ocorrência dos fatos geradores, os responsáveis solidários possuíam a mesma participação no capital social da empresa e a gerência, administração e direção geral da sociedade era exercida por todos os sócios em conjunto ou individualmente. A estreita relação de parentesco entre os sóciosadministradores da Hiperplan e da Import Express restou demonstrada nos autos: A Sra. GENILSA CORREIA DE SOUZA – CPF 115.142.54867, que compõe o quadro societário da empresa HIPERPLAN é esposa do Sr. MARCELO ASMAR CPF 031.773.48812, que compõe o quadro societário da empresa IMPORT EXPRESS, e residem no mesmo endereço, sito à Rua Santo Américo, n° 38, casa 48, no bairro do Morumbi. A Sra. ROSANA APARECIDA ASMAR BRANCO DE MIRANDA – CPF 091.355.60843, que compõe o quadro societário da empresa HIPERPLAN, é irmã do Sr. MARCELO ASMAR, e dos demais sócios da empresa IMPORT EXPRESS, a saber: Sr. GILBERTO ASMAR – CPF 844.472.22868, e Sr. EDUARDO ASMAR – CPF 010.104.81819. A Sra. SILVANA DE ARAÚJO – CPF 077.027.64821, que pertence ao quadro societário da empresa IMPORT EXPRESS, é esposa do Sr. GILBERTO ASMAR, e residem à Rua Wilton Paes de Almeida, 25, Casa 02, Cidade Jardim, São Paulo/SP. Nestes termos, não é crível que os sóciosadministradores da autuada não tenham tido ciência, e mesmo participado diretamente na simulação de terceirização de mão deobra implementada pela Import Express. Ademais, conforme já mencionado, o próprio Sr. Marcelo Asmar reconheceu que a Hiperplan somente existe no ‘papel’, assim como possuía, juntamente com os senhores Gilberto Asmar e Eduardo Asmar, amplos poderes administrativos e financeiros sobre todos os bens, direito e obrigações da Hiperplan, assim como para gerir os negócios da empresa, adquiridos através da procuração. Nas impugnações apresentadas, bem como nos recursos voluntários, verifica se que nenhum dos sóciosadministradores da autuada negaram a sua participação na simulação perpetrada, mas apenas alegaram que não poderiam ter sido responsabilizados pelos valores lançados antes da constituição definitiva do crédito, o que entendem ocorrer apenas após o ‘esgotamento’ da fase administrativa. Ao contrário do que alega a recorrente, o crédito tributário é constituído com a lavratura do auto de infração, conforme artigo 142 do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.475 12 Os Termos de Responsabilidade Tributária lavrados conferem aos responsáveis tributários legitimidade para impugnar a exigência fiscal, o que garante o exercício do direito de defesa no âmbito do contencioso administrativo fiscal e, assim, a compatibilidade entre o artigo 135 do CTN e a Lei nº 9.784/1999, artigos 9º e 58. Pelo exposto, a responsabilidade solidária de todos os sóciosadministradores da Import Express pelas contribuições lançadas deve ser mantida. 2.4 Do arrolamento de bens Os responsáveis solidários requerem a nulidade dos respectivos TAB, o que não pode ser acatado, posto que lavrados em observância ao disposto na Lei nº 9.532/1997, artigos 64 e 64A, que assim dispõem: Art. 64. A autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do seu patrimônio conhecido. §1º Se o crédito tributário for formalizado contra pessoa física, no arrolamento devem ser identificados, inclusive, os bens e direitos em nome do cônjuge, não gravados com a cláusula de incomunicabilidade. §2º Na falta de outros elementos indicativos, considerase patrimônio conhecido, o valor constante da última declaração de rendimentos apresentada. §3º A partir da data da notificação do ato de arrolamento, mediante entrega de cópia do respectivo termo, o proprietário dos bens e direitos arrolados, ao transferilos, alienálos ou onerálos, deve comunicar o fato à unidade do órgão fazendário que jurisdiciona o domicílio tributário do sujeito passivo. §4º A alienação, oneração ou transferência, a qualquer título, dos bens e direitos arrolados, sem o cumprimento da formalidade prevista no parágrafo anterior, autoriza o requerimento de medida cautelar fiscal contra o sujeito passivo. §5º O termo de arrolamento de que trata este artigo será registrado independentemente de pagamento de custas ou emolumentos: I no competente registro imobiliário, relativamente aos bens imóveis; II nos órgãos ou entidades, onde, por força de lei, os bens móveis ou direitos sejam registrados ou controlados; III no Cartório de Títulos e Documentos e Registros Especiais do domicílio tributário do sujeito passivo, relativamente aos demais bens e direitos. §6º As certidões de regularidade fiscal expedidas deverão conter informações quanto à existência de arrolamento. Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.476 13 §7º O disposto neste artigo só se aplica a soma de créditos de valor superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). § 8º Liquidado, antes do seu encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa, o crédito tributário que tenha motivado o arrolamento, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal comunicará o fato ao registro imobiliário, cartório, órgão ou entidade competente de registro e controle, em que o termo de arrolamento tenha sido registrado, nos termos do § 5º, para que sejam anulados os efeitos do arrolamento. § 9º Liquidado ou garantido, nos termos da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, o crédito tributário que tenha motivado o arrolamento, após seu encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa, a comunicação de que trata o parágrafo anterior será feita pela autoridade competente da Procuradoria da Fazenda Nacional. §10º Fica o Poder Executivo autorizado a aumentar ou restabelecer o limite de que trata o § 7 deste artigo. Art. 64A. O arrolamento de que trata o art. 64 recairá sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário de responsabilidade do sujeito passivo. Parágrafo único. O arrolamento somente poderá alcançar outros bens e direitos para fins de complementar o valor referido no caput. Outrossim, não cabe a esta instância de julgamento anular ou decidir sobre a emissão de TAB, conforme se depreende da Instrução Normativa RFB n° 1.565/2015, artigo 7º, §2°, que rege a matéria: Art. 7º O arrolamento será procedido por AFRFB sempre que for constatada a existência de créditos tributários superiores aos limites mencionados no caput do art. 2º. § 1 O sujeito passivo será cientificado do arrolamento por meio do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, lavrado por AFRFB. § 2º Os arrolamentos de bens e direitos serão acompanhados pela divisão, pelo serviço, pela seção ou pelo núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário na unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 15983.720137/201791 Acórdão n.º 2202004.848 S2C2T2 Fl. 2.477 14 Fl. 2477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000862/2010-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 08 62 /2 01 0- 34 Fl. 154DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos ou declarações, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 7.665,05. Motivo da glosa: intimado não comprovou a efetividade da prestação do serviço, assim como pela não comprovação do desembolso dos valores declarados como pagos à Alexsandra Izar da Silva (R$ 4.200,00) e ao Sindicato dos Vigias Portuários de Santos (3.392,09) e não comprovação das despesas médicas com o plano de saúde Unimed (R$ 72,96).No recurso voluntário o contribuinte traz novos documentos, inclusive folhas do livrocaixa do profissional, registrando os pagamentos. O contribuinte apresentou novos documentos e pleiteia provimento integral ao recurso. Reproduzimos uma passagem do recurso: Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10845.000862/201034 Acórdão n.º 2001000.883 S2C0T1 Fl. 3 3 O litígio versa sobre a infração de Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor total de R$ 7.665,05, referente a despesas médicas. O fundamento a recusa aos documentos foi a falta de comprovação do pagamento. No caso, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Observese ademais, que o contribuinte trouxe novos documentos, inclusive folhas do livrocaixa do profissional, registrando os pagamentos. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901598/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/06/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.588
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 98 /2 01 3- 33 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.901598/201333 Acórdão n.º 3401005.588 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.245. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.901598/201333 Acórdão n.º 3401005.588 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.901598/201333 Acórdão n.º 3401005.588 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.901598/201333 Acórdão n.º 3401005.588 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.901598/201333 Acórdão n.º 3401005.588 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.901598/201333 Acórdão n.º 3401005.588 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932418/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ.
A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DCOMP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 24 18 /2 00 9- 91 Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10980.932418/200991 Acórdão n.º 3301005.469 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório “por erro na capitulação legal e dispositivo legal infringido” e, no mérito, arguiu que o crédito era decorrente de pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins), relativamente a receitas de vendas para o exterior que foram equivocadamente contabilizadas como vendas no mercado interno e submetidas indevidamente à tributação, dado que as receitas de exportação não sofrem a incidência das contribuições. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06039.292, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado por insuficiência de provas. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, novamente, traz demonstrativos de cálculo da contribuição, bem como cópias do que informa ser o livro Razão. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.457, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10980.932407/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.457): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente alega que incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS de junho de 2007 receitas de exportação de mercadorias (inciso I do art. 6° da Lei n° 10.883/03). E, assim, teria um crédito (pagamento a maior da contribuição), o qual utilizou para liquidar débitos tributários federais vincendos. A fiscalização não homologou a compensação, porque o respectivo DARF estava vinculado a débito declarado em DCTF. A recorrente alegou que não teria sido considerada pela autoridade fiscal DCTF retificadora do débito original da COFINS, transmitida em data anterior (21/10/09) à do despacho decisório (26/10/09). Com efeito, em relação à última data, no AR (fl. 152) relativo à notificação do despacho decisório, consta carimbo com data de 19/10/09. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10980.932418/200991 Acórdão n.º 3301005.469 S3C3T1 Fl. 4 3 Porém, a data consignada "à mão", aparentemente também 19/10/09, realmente foi rasurada, tal qual informou a recorrente em seu recurso. Juntou aos autos cópias de demonstrativos das bases de cálculo antes e depois da exclusão da receita de exportação, com a apuração do crédito compensado. E cópias do razão da "conta 51000 produto das vendas no Brasil". Com a manifestação de inconformidade, carreou cópias de notas fiscais de venda, "telas" do SISCOMEX de operações de exportação e cópias dos DACON original e retificador.. Reputo não relevante para a solução da lide a controvérsia acerca da data da notificação do despacho decisório. Este colegiado admite DCTF entregue a destempo, desde que seja comprovada a legitimidade do crédito. Entretanto, nesta última e mais importante tarefa, falhou a recorrente. Deveria de ter trazido demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Diante disto, proporia uma diligência, para que a unidade de origem validasse as cópias apresentadas e a apuração do crédito. Contudo, em razão da ausência de tais conciliações, nego provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.905144/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2004
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.451
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ATP CONSTRUTORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 51 44 /2 00 9- 71 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10580.905144/200971 Acórdão n.º 3201004.451 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP com lastro em pagamento indevido ou a maior de Cofins. A DRF/Salvador emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débito declarado da empresa, não restando direito creditório disponível. Após ser cientificado do referido despacho decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Alegou, em síntese, que: a) o recolhimento a maior da contribuição decorre do fato de a variação monetária passiva ter sido maior que a receita; b) o Dacon e a DCTF retificadores indicam o valor real da apuração das contribuições, restando comprovada a existência do crédito; c) não efetuou a errata informando a transmissão da retificadora, porque o sistema da RFB não aceita proceder à retificação de Per/Dcomp que já tenha sido objeto de decisão administrativa; d) em respeito ao princípio da verdade material, não se pode negar a existência do direito creditório comprovado por Dacon/DCTF retificadores, que indicam todos os recolhimentos efetuados e os débitos do período para compor o saldo; e) existem nos autos elementos de prova que demonstram o erro cometido pela contribuinte em sua declaração. Após exame da defesa apresentada a DRJ/Belo Horizonte proferiu o acórdão 02058.186, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10580.905144/200971 Acórdão n.º 3201004.451 S3C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.446, de 27/11/2018, proferido no julgamento do processo 10580.905139/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.446): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior de PIS não cumulativo em decorrência de variação monetária passiva superior à receita do período. Embora, inicialmente, tenha informado a existência de débito no período, posteriormente, em procedimento de revisão, constatou a inexistência do referido débito e apresentou DACON e DCTF retificadoras. Assim, insiste, em sede recursal, que as declarações retificadoras são prova fidedigna do erro incorrido, devendo as informações nelas constantes serem tidas por verdadeiras na análise do indébito. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Como se verifica pelo exame dos autos, a retificação da DCTF foi promovida pela Recorrente posteriormente à ciência do despacho decisório que deixou de reconhecer o crédito postulado. Desse modo, compete à Recorrente fazer prova do direito postulado. Não se nega, a rigor, que o erro no preenchimento de declarações ao Fisco podem ser corrigidos em sede de contencioso administrativo, em face do que propugna o princípio da verdade material. Contudo, tal correção imprescinde de comprovação do erro alegado, devendo esta ser feita por meio dos documentos contábeis do contribuinte e não meramente pela retificação das declarações prestadas. E, na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado. Ademais, ressalta a decisão DRJ que, não obstante a retificação da DCTF e da DACON realizadas posteriormente à ciência do despacho decisório, a DIPJ retificadora Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10580.905144/200971 Acórdão n.º 3201004.451 S3C2T1 Fl. 5 4 apresentada informações divergentes. Logo, nem mesmo a DIPJ do contribuinte poderia ser invocada como comprovação do erro incorrido. Nesse sentido, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o valor, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Assim, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. A título informativo, cumpre esclarecer que não seria possível a informação da transmissão das declarações retificadoras em Per/Dcomp retificador. Como o contribuinte retificou suas declarações somente após a ciência do despacho decisório segundo afirma, para informar a correta apuração da contribuição , cabia a ele, conforme já exaustivamente exposto, trazer aos autos os documentos que demonstrassem e comprovassem a nova apuração. Pelo exposto, não obstante a alegação de erro no preenchimento das declarações prestadas à RFB, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.723352/2011-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENÚNCIA AO DIREITO PLEITEADO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
O parcelamento, especificamente quanto à parte nele incluída, configura desistência e importa renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso da Contribuinte.
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, no que se refere ao objeto da divergência suscitada, pois as distinções existentes afastam a possibilidade de constatação da divergência jurisprudencial.
Também não se vislumbra interesse recursal quando a divergência suscitada não é apta, por si só, a alterar o resultado do julgamento, considerando que as demais razões constantes do acórdão de segunda instância são suficientes para a sua manutenção.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119).
Numero da decisão: 9202-007.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões, em relação ao não conhecimento da primeira matéria, a conselheira Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PARCELAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENÚNCIA AO DIREITO PLEITEADO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O parcelamento, especificamente quanto à parte nele incluída, configura desistência e importa renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso da Contribuinte. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso especial quando não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, no que se refere ao objeto da divergência suscitada, pois as distinções existentes afastam a possibilidade de constatação da divergência jurisprudencial. Também não se vislumbra interesse recursal quando a divergência suscitada não é apta, por si só, a alterar o resultado do julgamento, considerando que as demais razões constantes do acórdão de segunda instância são suficientes para a sua manutenção. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF n.º 119). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 33 52 /2 01 1- 40 Fl. 1124DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões, em relação ao não conhecimento da primeira matéria, a conselheira Ana Paula Fernandes. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para aplicação da Súmula CARF nº 119. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratamse de Recursos Especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2302003.394 proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 11 de setembro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 633: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 3 3 A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considerase não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. ABSENTEÍSMO. A Lei n° 10.101/2000 estipula que as regras devem ser “claras e objetivas, quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas”. É até discutível se a mera vinculação a índices como absenteísmo é a regra mais adequada para se “incentivar” o empregado. Todavia, esta não foi uma preocupação da lei que disciplina o PLR. Desde que estipule resultado, de forma clara e objetiva, não há base legal para a desconsideração da natureza jurídica do PLR. Em matéria de participação nos lucros e resultados, a lei buscou interferir o mínimo possível, exatamente para não interferir na liberdade de negociação e gerar interferências de índole subjetiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. A Lei n° 10.101/2000 em momento algum faculta aos contribuintes individuais a percepção de PLR. Muito pelo contrário, no art. 2° expressamente se reporta aos “empregados”. Portanto, não há lastro normativo que permita concluir que os administradores contribuintes individuais possam perceber participação nos lucros. Recurso Voluntário Provido em Parte Convém destacar que foram opostos Embargos de declaração pela Contribuinte, contudo foram rejeitados, conforme consta do Despacho de Admissibilidade de fls. 789 e seguintes. Fl. 1126DF CARF MF 4 No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional referido anteriormente, fls. 655 a 667, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 696 a 701, para rediscutir a aplicação da multa relacionada à obrigação acessória (apresentação de GFIP), se seria o artigo 32A da Lei 8.2012/91 ou o art. 35A do mesmo diploma legal, considerando a existência de lançamento quanto à obrigação principal correlata, em decorrência da mesma ação fiscal. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) constatase que antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada); b) com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; c) o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; d) o art. 44, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); e) lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas à Seguridade Social foram devidamente recolhidas; f) por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91; g) os Autos de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 799 e seguintes, nas quais sustenta: Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 4 5 a) a manutenção do acórdão recorrido, considerando que, para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP, devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n.º 8.212/1991, sendo irrelevante a existência ou não de pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido; b) não há como se aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado, nem tampouco a nova redação do artigo 35; c) a jurisprudência é clara ao afirmar que, no caso mais benéfico à recorrida, consoante o disposto no art. 106 do CTN, a multa deve ser reduzida, nos ditames do art. 32A da Lei 8.212/91. Quanto ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, fls. 821 a 868, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 936 a 947, para rediscutir: a) a exigência de apresentação das avaliações individualizadas de cada beneficiário da PLRConvenção e da PLRComplementar, diante da norma extraída do § 1º do art. 2º da Lei n.º 10.101/2000; b) a incidência de contribuição previdenciária sobre pagamento à diretores nãoempregados. Cabe salientar que, quanto a segunda divergência admitida (PLR paga a diretores não empregados), foi protocolizada Petição de desistência do recurso administrativo, em razão da adesão ao Programa de Regularização Tributária (PRT) instituído pela MP n.º 766, de 4 de fevereiro de 2017, consoante se observa inclusive do Despacho abaixo transcrito, fls. 1.021: 1. O contribuinte apresentou Requerimento de desistência parcial do Recurso Voluntário, anexo às fls.968/1092 e 1100/1113, para inclusão de parte do débito em referência no Programa de Regularização Tributária – PERT. 2. Atendendo à sua solicitação, efetuamos o desmembramento do crédito tributário em referência, transferindo os valores lançados na Rubrica 14 – C.IND/ADM/AUT – LEV: PR – PLR FOLHA COMPLEMENTAR, competência 05/2008, no valor de R$ 301.378,56, para o DEBCAD: 37.497.1153 COMPROT 15504730617/201714, para inclusão no parcelamento. 3. Foram mantidos no lançamento originário os demais valores lançados no DEBCAD 37.315.4623 e integralmente os DEBCAD's 37.315.4631, 37.339.3890, 37.339.3903 e 37.339.3911, discutidos administrativamente. Sobre a matéria a respeito da qual não houve desistência do recurso, o Contribuinte sustenta, em síntese, que: a) o estabelecimento de metas é, sim, uma faculdade dada as partes, e não uma obrigatoriedade. Tanto é assim que o dispositivo legal que tratou da matéria art. 2º, § 1º, da Lei n.º 10.101/2000 taxou a instituição de programa de metas como uma possibilidade (podendo ser considerados, dentre outros, os seguintes critérios e condições); Fl. 1128DF CARF MF 6 b) em nenhum momento, a fiscalização exigiu a apresentação destas avaliações individualizadas, de modo que a falta de sua apresentação pela recorrente jamais poderia se constituir num fundamento para a manutenção da autuação pelo órgão a quo; c) no art. 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000, não se evidencia qualquer menção à necessidade de demonstração da efetiva avaliação individualizada de todos os beneficiários, como decidiu o acórdão recorrido; d) no acordo complementar, estabeleceuse a PLR Global 2007 apenas sobre os resultados atingidos em face dos contratos/obras da Recorrente, considerados individualmente, mediante os critérios e condições nele previstos, sendo certo que, neste caso, e não obstante o caráter facultativo do estabelecimento de metas e resultados, previuse de forma expressa e específica (item 4), as metas constantes do PLR Global 2007, bem como os instrumentos de aferição de cada uma delas; fixando, portanto, as respectivas regras substantivas e adjetivas de forma clara e objetiva. e) não se pode negar que houve pagamento de PLR a empregados que não tinham completado o tempo previsto para o recebimento da PLR de 2007 (mínimo de 8 meses trabalhados); f) ao efetuar os pagamentos referidos, a Recorrente o fez de forma espontânea, fora do âmbito da Convenção Coletiva de Trabalho e do seu Acordo Complementar, mas em conformidade com o comando do § 3º do art. 2º da Lei n.º 10.101/2000; g) nulidade do processo administrativo fiscal, considerando a aplicação de critérios pela decisão a quo jamais utilizados pela fiscalização para autuar a recorrente, havendo inovação indevida no lançamento; h) não houve transgressão à legislação pertinente, porquanto demonstradas as efetivas avaliações dos beneficiários da PLR Complementar a justificar legalmente o seu pagamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, fls. 950 e seguintes, assim argüiu: a) no que concerne à necessidade de fixação de regras claras e objetivas, temse que as mesmas devem ser entendidas como regras explícitas, inequívocas, diretas, precisas, que podem ser entendidas por qualquer pessoa que a elas tenham acesso, independentemente de prévios conhecimentos a respeito do tema; b) o contribuinte deixou de comprovar o atingimento das metas previstas no acordo, de forma individualizada, apesar de devidamente intimado para tanto pela fiscalização; c) há que se ter em mente que a fiscalização, quando solicita a demonstração do atingimento das metas estipuladas, não cria novos requisitos para que se considere regular o pagamento de PLR. Ao requerer que se comprove que as metas e critérios adotados foram de fato cumpridos, apenas busca verificar se, Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 5 7 de fato, foram observadas as regras, em tese claras e objetivas, previstas no instrumento de PLR; d) a lei não tem por escopo apenas o estabelecimento pro forma de regras, que podem ou não ser seguidas pelo empregador. O instrumento deve conter regras claras e objetivas e essas regras claras e objetivas devem ser observadas na hora de pagar a PLR; e) mas no momento em que o próprio empregador, no instrumento negociado, delimita parâmetros de pagamento, passa a ter o dever de demonstrar que se ateve a tais parâmetros, o que, definitivamente, não aconteceu no caso dos autos; f) requer a União que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, mantendose o acórdão recorrido nos quesitos objeto da presente insurgência. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Os presentes autos tratam dos seguintes descumprimentos de obrigações principais e acessórias: DEBCAD TIPO DE OBRIGAÇÃO DESCRIÇÃO 37.315.4623 Principal Contribuições Patronais 37.315.4631 Principal Contribuições de Segurados 37.339.3890 Principal Contribuições para Terceiros 37.339.3903 Acessória (CFL 68) Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias 37.339.3911 Acessória (CFL 59) Deixar de arrecadar, mediante desconto, contribuição de segurados empregados De acordo com o Relatório fiscal, fls. 23 e 24, foram feitos os seguintes levantamentos: Fl. 1130DF CARF MF 8 6.1. PLR CONVENÇÃO (Participação nos Lucros, nas competências abril e maio de 2008, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social); 6.2. PLR FOLHA COMPLEMENTAR (Valores pagos a alguns segurados empregados e contribuintes individuais (diretores não empregados) a título de Participação nos Lucros e Resultados na competência maio de 2008, em folha suplementar e confidencial, denominada “Folha de Pagamento Complementar – MAIO de 2008”, também não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social). 1. Do Recurso especial interposto pela Contribuinte Conforme narrado, foram suscitadas pela Recorrente as seguintes divergências: a) a exigência de apresentação das avaliações individualizadas de cada beneficiário da PLR, diante da norma extraída do § 1º do art. 2º da Lei n.º 10.101/2000; b) a incidência de contribuição previdenciária sobre pagamento à diretores nãoempregados. Quanto a segunda divergência admitida (PLR paga a diretores não empregados), foi protocolizada Petição de desistência do recurso administrativo, em razão da adesão ao Programa de Regularização Tributária (PRT) instituído pela MP n.º 766, de 4 de fevereiro de 2017, consoante se observa inclusive do Despacho de fls. 1.021. Assim, no que tange à referida divergência, diante da desistência do sujeito passivo quanto à rediscussão da matéria na presente instância, não conheço do recurso. No que se refere à PLR Convenção e Complementar, o acórdão recorrido assim dispôs: Em que pese a legitimidade da eleição do critério para o pagamento do PLR, a recorrente não demonstrou quais seriam os índices de absenteísmo e de acidentes de trabalhos nas empresas pactuantes e qual seria a redução necessária relativamente a tais índices. Destarte, não se discute, propriamente, a natureza do critério eleito (resultado de redução de absenteísmo e acidentes do trabalho), mas os parâmetros concretos de obtenção do resultado. Tal questão não foi superada pela recorrente, razão pela qual o lançamento dos valores relativos ao PLR estabelecido na Convenção Coletiva devem ser mantidos. Somese a isto o fato de que (v) receberam PLR trabalhadores que não cumpriam o requisito da Convenção Coletiva de terem trabalhado por pelo menos oito meses completos no ano de 2007; Com efeito, embora invocado como supedâneo para a validação do PLR, o documento “Acordo da oficialização da realização da PLR” (fls. 435/442) foi assinado por representante da empresa e pelo presidente da comissão de empregados, mas sem a participação do sindicato de empregados. Ademais, resumese a uma planilha com a votação para a eleição da comissão de Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 6 9 empregados, não ostentando nada de substancioso a respeito da definição dos parâmetros concretos para pagamento da PLR. Superadas as questões relativas ao PLR estabelecido em Convenção Coletiva, revejamos os argumentos suscitados quanto ao PLR complementar: (ii) o PLR complementar previsto em Acordo Coletivo de Trabalho não identifica com clareza os beneficiários, pois há a possibilidade de elaboração de quadro de nomes com as respectivas avaliações do grau de contribuição para o resultado na sua área de atuação; (iii) o PLR complementar não indica a contribuição esperada individualmente ou por cargo e inexiste previsão de quais elementos seriam considerados pelos gestores em sua avaliação, restando impossibilitado o acompanhamento dos empregados; Para a recorrente, há regras claras e objetivas consistentes na vinculação a resultados atingidos em face dos contratos/obras da recorrente, considerados individualmente, mediante critérios e condições previstos no próprio plano (item 4: “Metas Constantes do PLR Global 2007”), bem como os instrumentos de aferição de cada uma delas. Não discordamos da recorrente quanto a tais afirmações, posto que, o Acordo Coletivo parece ser suficientemente minucioso quanto ao estabelecimento dos parâmetros de percepção do PLR (fls. 107 e seguintes). Ocorre que a recorrente incidiu em duas transgressões graves ao não demonstrar as efetivas avaliações dos beneficiários do PLR complementar na forma do acordado e ainda alegou a confidencialidade dos pagamentos e da própria folha de pagamento suplementar (fls. 112). Ou seja, resta patente o descumprimento do quanto estabelecido no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, que exige “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Somese a isso o fato de que (vi) o PLR complementar não foi pago a diversos trabalhadores indicados como beneficiários no Acordo Coletivo de Trabalho. Observase, assim, que o lançamento foi mantido, essencialmente, pelas seguintes razões: a) a recorrente não demonstrou quais seriam os índices de absenteísmo e de acidentes de trabalhos nas empresas pactuantes e qual seria a redução necessária relativamente a tais índices; (ausência de parâmetros concretos de obtenção do resultado); b) receberam PLR trabalhadores que não cumpriam o requisito da Convenção Coletiva de terem trabalhado por pelo menos oito meses completos no ano de 2007; Fl. 1132DF CARF MF 10 c) não demonstrou as efetivas avaliações dos beneficiários da PLR complementar na forma do acordado e ainda alegou a confidencialidade dos pagamentos e da própria folha de pagamento suplementar; d) descumprimento do quanto estabelecido no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, que exige “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; e) o PLR complementar não foi pago a diversos trabalhadores indicados como beneficiários no Acordo Coletivo de Trabalho. Para o fim de demonstrar a divergência quanto "à ausência de apresentação das avaliações individualizadas de cada beneficiário da PLR", a Recorrente utilizou os acórdãos paradigma seguintes: Acórdão n.º 2401003.112 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS DE AFERIÇÃO DAS METAS PARA PAGAMENTO DE PLR. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação dos documentos em que conste a aferição dos resultados alcançadas com vistas ao pagamento da PLR, não descaracteriza o plano, quando este contiver as regras claras e objetivas exigíveis para pagamento do benefício. Sendo cabível, nestas situações, a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, seguida do lançamento das contribuições por arbitramento. Seguem trechos do acórdão do mencionado paradigma: "Há, todavia, um aspecto que não se pode deixar de considerar. Falo da recusa da empresa em apresentar as avaliações dos empregados, as quais foram utilizadas para mensurar o valor da PLR a ser pago individualmente. Somente com a apresentação do recurso, é que vieram aos autos os documentos de fls. 3.485/3.556, os quais comprovariam que houve a avaliação individual para todos os empregados." "Esse fato, por si só, não é suficiente para que seja, em razão da ausência de regras claras acerca da obtenção do direito ao recebimento da verba, desconsiderando o plano para pagamento de PLR. Para que se tenha o plano como desconforme com a lei de regência, é necessário que se demonstre que os critérios/condições estipuladas no instrumento de negociação sejam incompreensíveis ou inexequíveis. Isso não restou demonstrado quanto ao ajuste (...)". "Recaímos na mesma questão tratada acima. é que o relatório fiscal, no item 1.35.2.1 reconhece que no acordo havia as regras quanto à participação e um programa de metas, além de mecanismos de aferição do cumprimento das referidas metas. Todavia, acusa a empresa de não disponibilizar os relatórios de avaliação dos empregados, de forma que se pudesse verificar se a PLR havia sido paga de conformidade com o ajuste. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 7 11 A falta de apresentação dos relatórios não é causa para que se conclua que o plano de PLR não atende a norma de regência. Esta, vale repetir, estabelece que haja negociação entre empregador e empregados, que resulte em regras claras e objetivas quanto ao direito à verba. Acórdão n.º 2401003.708 PLR PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE MEMÓRIAS DE CÁLCULO DOS VALORES PAGOS. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO EFETUADO. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A não apresentação das memórias de cálculo dos valores pagos a título de PLR autoriza que o lançamento das contribuições tidas por devidas seja realizado pela sistemática do arbitramento em conformidade com o art. 33 da Lei 8.212/91, o que não foi observado no presente caso, já que, pela não apresentação, houve a simples descaracterização do acordo levado a efeito pelas partes. Seguem trechos do acórdão paradigma em análise: "Em momento algum, o fiscal apontou o descumprimento de qualquer outro requisito constante da Lei 10.101/2000, a exemplo da existência ou não de regras claras e objetivas, tendo se fixado que diante da não apresentação das memórias de cálculo, restou impossível a possibilidade da verificação do cumprimento do regulamento e forma de cálculo dos valores apurados e pagos pela recorrente a título de PLR aos segurados empregados". Embora o acórdão recorrido expressamente tenha reconhecendo a legitimidade dos critérios fixados para o pagamento da PLR, quanto ao fato de estabelecerem regras claras e objetivas, consignou o entendimento no sentido de que a recorrente não teria demonstrado os efetivos mecanismos de aferição desses índices, e nem comprovadas as efetivas avaliações dos beneficiários, o que justificaria a autuação. Notase, assim, que o recorrido, ao fundamentar a questão referente à ausência de mecanismos de aferição, utilizou fundamento adicional (comprovação das efetiva avaliações dos beneficiários) para manter a descaracterização da PLR, sem correspondência, nesse ponto, com as razões motivadoras da autuação. A fim de demonstrar a constatação mencionada, transcrevo os fundamentos do lançamento que constam do Relatório Fiscal, fls. 20 e seguintes: 6.3.10 Analisando todos os documentos apresentados concluise que a empresa possui dois critérios diferenciados para o pagamento da PLR de seus funcionários sendo efetuados. 6.3.11 O primeiro critério se verifica por meio da rubrica Participação nos Lucros (código 126) lançada em Folha de Pagamento, nas competências abril e maio de 2008 baseada em cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre Fl. 1134DF CARF MF 12 SITICOP e SICEPOT, com valores que variavam entre R$ 267,00 e R$ 400,00. 6.3.11.1 Verificouse que os pagamentos de PLR mencionados acima foram baseados na Cláusula 43ª PLR da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o SITICOP e o SICEPOT 2007/2008. CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (...). Parágrafo Primeiro – Os convenentes elegem como resultado o menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como a redução dos índices de acidente de trabalho. Parágrafo Segundo Somente fará jus à parcela de PLR o empregado que atenda a todas as condições adiante relacionadas: a) que o empregado tenha trabalhado na empresa que conceder o benefício ora estabelecido, no mínimo, 8 (oito) meses completos no ano de 2007; b) que o empregado tenha comparecido com freqüência integral, em todos os meses trabalhados no ano 2007; c) que o empregado não tenha se ausentado do trabalho por qualquer período, por qualquer licença, salvo no caso de acidente do trabalho ou licença maternidade, no ano de 2007; d) que o empregado não tenha sido vítima de acidente de trabalho no ano de 2007, a que tenha dado causa ou contribuído para a sua ocorrência; e) que o empregado não tenha sofrido advertência pelo não uso do EPI ou punição por falta disciplinar aplicada pelo empregador , no ano de 2007. Parágrafo Terceiro – Os empregados representados pelo SITICOPMG ou pela Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e que atendam todas as condições definidas no Parágrafo Segundo, receberão, a título de participação nos lucros ou resultados das empresas, até o dia 10 de maio de 2008, a importância fixa total por empregado, a ser paga pelas empresas de acordo com a estratificação abaixo: ... Parágrafo Sexto – O pagamento correspondente às duas faixas de maior valor , poderá, a critério da empresa, ser pago em duas parcelas, respectivamente em 10 de maio e 10 de outubro de 2008. ( ...) Parágrafo Nono – As empresas interessadas na celebração de Acordo Coletivo sobre a participação nos lucros ou resultados diverso dos termos estipulados nesta Convenção poderão Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 8 13 promover o Acordo mediante negociação com seus empregados, assistidos pelo SITICOPMG, hipótese em que as condições previstas no Acordo Coletivo prevalecerão sobre aquelas estabelecidas na presente Convenção Coletiva. 6.3.11.2 Da análise do contido neste documento, constatase que os pagamentos foram efetuados de acordo com o parágrafo primeiro da referida cláusula, que estabelece como resultado “o menor índice de absenteísmo nas empresas a ser alcançado em todo o período, assim como redução dos índices de acidente de trabalho” determinando ainda uma quantia certa a ser recebida pelos empregados. Tal condição não pode ser pode ser definida como meta, nem mesmo as condições relacionadas no parágrafo segundo da mesma cláusula. 6.3.11.3 Esta garantia mínima, sem qualquer outro plano de metas e resultados estabelecidos, bem como a ausência de definição de objetivos a serem atingidos, é comandada nas folhas de pagamento sob a rubrica Participação nos Lucros (código 126). 6.3.11.4 Assim, restou claro que o critério para pagamento da PLR não obedece a um plano de metas a ser cumprido e independe do esforço pessoal do empregado. 6.3.11.5 Tal situação colide frontalmente com a disposição da Lei nº 10.101/2000, quando, em seu artigo 2º, parágrafo 1º, determina que, dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do que for acordado. Na ausência das condições estabelecidas que regulem a matéria, a rubrica Participação nos Lucros (código 126) passa a ser um complemento salarial. 6.3.11.6 Do exposto, concluímos que, os pagamentos de PLR baseados na Convenção Coletiva foram efetuados independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ou premiação, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente o disposto no art. 3º, caput, da Lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. (...). 6.3.12 O segundo critério é evidenciado mediante análise da “Folha de Pagamento Complementar Maio de 2008” baseada no Acordo Coletivo de Trabalho (Complementar à Convenção Coletiva 2006/2007) denominado PLR GLOBAL 2007 – Participação nos Lucros ou Resultados. 6.3.12.1 Primeiramente, ao analisar a cláusula 2ª do referido Acordo Coletivo de Trabalho vislumbrase que o pagamento Fl. 1136DF CARF MF 14 deste “PLR Complementar” destinase a todos “denominados empregados elegíveis das obras e da sede da empresa”. 6.3.12.1.1 Tais “empregados elegíveis” são então definidos na Cláusula 3ª – item 2 como sendo ocupantes de cargos de Diretoria, Gerentes, Engenheiros, Chefes Administrativos, Técnicos, Encarregados e Coordenadores de Áreas. 6.3.12.1.2 Para efeito de comparação de ordem de grandeza temse que, de um total de 1.401 empregados da empresa na competência em que se pagou este benefício, somente 151 foram agraciados. Ou seja, pouco mais de 10% dos empregados da Fidens Engenharia S/A em maio de 2008. 6.3.12.1.3 Fica mais evidente o desequilíbrio quando se observa que, diversos trabalhadores com mesmo cargo têm tratamento diferenciado na medida em que, alguns recebem o “PLR Complementar” em detrimento de outros. (...). 6.3.12.1.4 À luz da Convenção Coletiva de Trabalho 2006/2007 temos, em sua parte que trata do PLR: CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS ( ...) Parágrafo Segundo Somente fará jus à parcela de PLR o empregado que atenda a todas as condições adiante relacionadas: a) que o empregado tenha trabalhado na empresa que conceder o benefício ora estabelecido, no mínimo, 8 (oito) meses completos no ano de 2007; (grifo nosso) 6.3.12.1.4.1 No entanto, apesar dos critérios estabelecidos na referida Convenção Coletiva de Trabalho e regulado pelo Acordo Coletivo de Trabalho (Complementar à Convenção Coletiva 2006/2007), alguns empregados receberam a PLR sem terem trabalhado todo o período da apuração. 6.3.13 Concluindo, a Fidens Engenharia S.A diferencia seus empregados ao estabelecer dois programas de PLR distintos efetuando pagamentos diferenciados apenas para os empregados de Cargos de Dirigentes e considerados de Nível Estratégicos para o desenvolvimento e a consecução dos negócios da empresa. Não levou em consideração que, para se alcançar os resultados são necessários o esforço e trabalho de todos empregados, independente dos níveis. Houve discriminação de trabalhadores de níveis hierárquicos inferiores. Desvirtuou, assim, o objetivo mencionado no artigo inicial da Lei nº 10.101, qual seja, de “integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição”. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 9 15 Assim, em momento algum, a fiscalização faz menção, no Relatório, quanto à necessidade de apresentação das avaliações individualizadas de cada beneficiário da PLR, entendendo, dando outros contornos para a indicação de que houve descaracterização dos pagamentos realizados a título de participação. Frisase que, diferentemente da presente autuação, conforme os trechos do Relatório anteriormente colacionados, a situação fática relatada nos paradigmas são eminentemente distintas da tratada nos nesses autos, tendo em vista que, no primeiro acórdão paradigma, o relatório fiscal, no item 1.35.2.1, reconhece que no acordo havia as regras quanto à participação e um programa de metas, além de mecanismos de aferição do cumprimento das referidas metas, mas não foram disponibilizados os relatórios de avaliação dos empregados, de forma que se pudesse verificar se a PLR havia sido paga de conformidade com o ajuste. Já no segundo paradigma, "em momento algum, o fiscal apontou o descumprimento de qualquer outro requisito constante da Lei 10.101/2000, a exemplo da existência ou não de regras claras e objetivas, tendose fixado que diante da não apresentação das memórias de cálculo, restou impossível a possibilidade da verificação do cumprimento do regulamento e forma de cálculo dos valores apurados e pagos pela recorrente a título de PLR aos segurados empregados". Assim, apesar de o acórdão recorrido ter tocado na questão atinente à necessidade de apresentação das efetivas avaliações dos beneficiários da PLR na forma do acordado, o lançamento não se dirigiu especificamente a tais avaliações, que se consubstanciam em documentos acessórios ao programa, mas não integrantes dele. O que consignou a decisão recorrida, em convergência com o lançamento, entre outras razões, foi a ausência de parâmetros de obtenção do resultado, ou seja, especificação acerca das regras apta a demonstrar a integração capital/trabalho, situação relativa ao próprio teor do plano. Portanto; diante dos fundamentos dispostos no Relatório Fiscal anteriormente mencionados, bem como pelas informações extraídas dos acórdãos paradigmas sobre os seus lançamentos; entendo que não merece ser conhecido o recurso especial interposto pela Contribuinte, por ausência de similitude fática entre os julgados, pois, conforme visto, os paradigmas não enfrentam PLRs similares e não tiveram como razões das autuações fundamentos similares aos constantes dos presentes autos, não sendo possível aferir se, caso as regras das PLRs sobre análise fossem idênticas às dos paradigmas, os resultados adotados nas Turmas nas quais eles foram proferidos seriam os mesmos. Além disso, mesmo que se entendesse pela existência da divergência argüida pela Contribuinte, ainda assim não deveria ser conhecido o seu recurso, considerando que o acórdão recorrido apresenta outras razões, além da levantada na divergência, tais como: a)existência de critérios diferenciados para pagamento da PLR; b) recebimento de PLR por trabalhadores que não cumpriram o requisito da Convenção Coletiva de terem trabalhado por pelo menos 8 meses completos no ano de 2007; c) ausência de demonstração dos índices de absenteísmo e de acidentes de trabalho nas empresas pactuantes e qual seria a redução necessária relativamente a tais índices; Fl. 1138DF CARF MF 16 d) ausência de participação do Sindicato no Acordo da oficialização da realização da PLR; e) a PLR complementar não foi paga a diversos trabalhadores indicados como beneficiários no Acordo Coletivo de Trabalho; f) inviabilidade de verificação do cumprimento ou não do acordo. Ressaltase que os mencionados fundamentos são suficientes para a manutenção do lançamento, motivo pelo qual não há interesse da Recorrente na rediscussão do tema objeto da divergência. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso interposto pela Contribuinte. 2. Do Recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. De acordo com o narrado, a divergência suscitada pela Procuradoria se refere à aplicação da multa relacionada à obrigação acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias). Assevera a Recorrente que o dispositivo aplicável ao presente caso é o art. 35A da Lei 8.2012/91, considerando a existência de lançamento quanto à obrigação principal correlata, em decorrência da mesma ação fiscal. De fato, conforme descrito anteriormente, no mesmo procedimento fiscal foi exigida a presente multa por descumprimento de obrigação principal, bem como multa por descumprimento de obrigação acessória por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Assim, a retroatividade benigna deve ser aplicada de conformidade com a Portaria Conjunta RFB/PGFN n.º 14, de 2009, bem como de acordo com o Enunciado de Súmula CARF n.º 119 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Súmula CARF n.º 119. (assinado digitalmente) Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10680.723352/201140 Acórdão n.º 9202007.469 CSRFT2 Fl. 10 17 Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 1140DF CARF MF
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