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Numero do processo: 13971.722274/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EDUARDO FOGAÇA OLIVIER.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Renato Munhoz, OAB/SC 17.600.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Renato Munhoz, OAB/SC 17.600. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 22 27 4/ 20 11 -8 9 Fl. 10995DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.722274/201189 Resolução nº 2202000.541 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, EDUARDO FOGAÇA OLIVIER, foi lavrado o Auto de Infração no qual exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 8.296.670,51 a título de imposto de renda, acrescido de juros de R$ 2.744.265,08 devidos até 30/09/2011, de multa proporcional de R$ 12.445.005,76 e da multa isolada de R$ 269,52, totalizando R$ 23.486.203,94, relativos a fatos geradores verificados no anos calendário 2006, 2007 e 2008 (exercícios 2007, 2008 e 2009). Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) e ao Termo de Verificação Fiscal, além dos dispositivos legais infringidos, constatase que a autuação decorre das seguintes infrações: 001 – Omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, fatos geradores ocorridos em 30/10/2007 (R$ 98.000,00) e em 30/11/2007 (R$ 100.000,00). 002 – Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, caracterizada por valores creditados em contas de depósito, de poupança ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, de titularidade de direito ou de fato do sujeito passivo, em relação aos quais, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, infração verificada nos anos calendário 2006, 2007 e 2008. 003 – Multas Isoladas. Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, apurada em decorrência do cotejo entre os valores informados como de pessoas físicas e ou do exterior, em julho de 2007 (DIRPF 2008), com o valor informado de imposto de renda relativamente ao mesmo período de apuração (julho de 2007). No Termo de Verificação Fiscal (TVF), constante de 315 páginas, as autoridades lançadoras relatam que o procedimento fiscal foi autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 0920400/00123/09 e teve início em 20/04/2009, com a cientificação do Termo de Início do Procedimento Fiscal que se perfectibilizou por via editalícia (em razão do insucesso da ciência via postal), relativo ao imposto de renda da pessoa física do ano calendário 2006. Posteriormente, em 14/08/2009, o contribuinte foi intimado do Termo nº 2009.00123001, que incluiu os anos de 2005 e 2007 no período sob auditoria fiscal, também por edital. Em 25/08/2010, o fiscalizado foi cientificado, na pessoa do seu procurador, do Termo de Intimação nº 2009.00123078, quanto à extensão do período de fiscalização para o ano de 2008. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes emissão RMFs de Requisição de informação sobre a movimentação financeira do fiscalizado de fls 10 a 32. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 10996DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.722274/201189 Resolução nº 2202000.541 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 10997DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.722274/201189 Resolução nº 2202000.541 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 10998DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.722274/201189 Resolução nº 2202000.541 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 10999DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.722274/201189 Resolução nº 2202000.541 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 11000DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10935.720451/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2009 a 31/01/2012
ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo.
Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09.
Numero da decisão: 2301-004.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR-Relator.
EDITADO EM: 17/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo. Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIORRelator. EDITADO EM: 17/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 04 51 /2 01 3- 01 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Adoto o relatório do Acórdão n. 0642.052: Tratase de multa isolada lavrado em virtude de a empresa acima qualificada ter realizado compensação indevida em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social nas competências compreendidas no período de 03/2009 a 01/2012. O crédito tributário perfaz a quantia de R$ 98.128.585,17. Intimado, o contribuinte apresentou defesa tempestiva contra o lançamento, alegando que por se encontrar em “recuperação judicial”, conforme Autos do Processo 002494635.2012.0021 1 º Vara Cível de Cascavel, a cobrança do crédito tributário deverá ser suspensa. Destaca que deve ser concedido ao final um parcelamento diferenciado em razão de se encontrar em recuperação judicial. Informa que o presente débito foi incluído no parcelamento da Lei 11.941/2009, estando, deste modo, suspenso a exigibilidade do crédito nos termos do art.150, VI do CTN. Aponta que o lançamento apresenta o valor do tributo e seu acréscimos legais, sem constar, no entanto, a forma analítica como seu chegou ao cálculo total do crédito. Esclarece também que o lançamento não apresenta motivação fática e jurídica que permita o contribuinte impugnálo, prejudicando, assim, seu direito a ampla defesa. No mérito, alega que é indevida a contribuição social incidente sobre o aviso prévio indenizado, horas extras, férias indenizadas e terço constitucional, auxíliocreche e auxíliodoença nos quinze primeiros dias, haja vista serem pagamentos de natureza indenizatória, não integrando o saláriodecontribuição previsto no art. 28 da Lei 8.212/91. Aduz que a Constituição Federal somente autoriza a incidência tributária sobre verbas de natureza remuneratória, nos termos do art. 195, I, da Constituição Federal. Assim, mostrase ilegal e inconstitucional a exigência das contribuições sociais citadas, sendo, portanto, cabível a compensação realizada. Destaca, em especial, que o Decreto 6.727/2009 que alterou a redação do art.214 do Decreto 3048/99 , ao incluir o aviso prévio como verba que integra o salário de contribuição inova no ordenamento jurídico, padecendo, desse forma, de flagrante inconstitucionalidade. Recorda que a criação de nova base de cálculo só pode ser feita mediante lei complementar, nos termos do art. 146, inciso II, do CTN. Acrescenta que o aviso prévio indenizado é verba de natureza eventual, já que é recebido Fl. 463DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10935.720451/201301 Acórdão n.º 2301004.221 S2C3T1 Fl. 463 3 somente na rescisão do contrato de trabalho. Desse modo, não se caracteriza “ganhos habituais do trabalhador” previsto no art. 201 da CF para fins de incidência previdenciária. Conclui que também por este prisma a contribuição social em tela está eivado de inconstitucionalidade. Segue argumentando que as horasextras e auxílioacidente, outrossim, não fazem parte do ganho habitual do trabalhador, de modo que não atende o disposto do art. 201, §11 da Constituição Federal, não podendo, desse modo, sofrer incidência tributária. Cita jurisprudência do STJ que afasta a incidência sobre horasextras da remuneração paga ao servidor público federal. Em relação ao auxíliocreche, informa que a Súmula 23 do Câmara Superior de Recursos Fiscais pacificou o entendimento de que não incide contribuição social sobre a referida verba por ter caráter indenizatório. Transcreve jurisprudência no sentido que o auxíliodoença não está sujeito a incidência de contribuição social por se tratar de caráter eminentemente indenizatório, tendo em vista que o empregado afastado por motivo de doença não presta serviço e logo não recebe salário. Diante dos vícios apontados, conclui que é cabível a compensação dos valores pagos indevidamente a título aviso prévio indenizado, horas extras, férias indenizadas e terço constitucional, auxíliocreche e auxíliodoença com outras contribuições sociais como fez em GFIP. Por derradeira, destaca que a multa aplicada fere o princípio do nãoconfisco e da razoabilidade, sendo, portanto, inconstitucional a sua cobrança. A Delegacia da Receita Federal em Curitiba proferiu Acórdão acima numerado, por meio do qual entendeu pela procedência da autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/01/2012 FORMALIDADES DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa, quando presentes no lançamento todas as informações que possibilitem ao sujeito passivo compreender a sua exata extensão. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. É vedado a autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação, por inconstitucionalidade de tratado,acordo, tratado internacional, lei decreto ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 464DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Ato contínuo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário tendo alegado, em síntese, “buscando saldar seu passivo tributário, aderiu ao parcelamento da Lei n. 11.941/2009”. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Consta do Recurso Voluntário que o Sujeito Passivo aderiu ao Parcelamento Especial instituído pela Lei n. 11.941/2009. Como restam incontroversos os fatos geradores e tendo em vista que a confissão [adesão ao parcelamento] ocorreu antes do julgamento do Recurso Voluntário, entendo que afastado o decisum recorrido, pois a adesão ao REFIS implica na renúncia do direito de discutir administrativamente o débito confessado. Tratandose de parcelamento com confissão irretratável e irrevogável de dívida, aplicase ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à PortariaMF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009, e 586, de 2011),que dispõe o seguinte,com os destaques cabíveis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Dessa forma, houve desistência do recurso antes de seu julgamento. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10935.720451/201301 Acórdão n.º 2301004.221 S2C3T1 Fl. 464 5 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13767.000438/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DA PARCELA ISENTA. APOSENTADORIA. CONTRIBUINTE MAIOR DE 65 ANOS.
Exclui-se da infração de omissão de rendimentos a parcela isenta dos proventos de aposentadoria auferidos por contribuintes maiores de 65 anos, nos termos do inciso XV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, c/c o inciso I e § 1º do art. 8º da Lei nº 9.250/95.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da infração de omissão de rendimentos a parcela isenta no valor de R$ 13.968,00 (treze mil novecentos e sessenta e oito reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DA PARCELA ISENTA. APOSENTADORIA. CONTRIBUINTE MAIOR DE 65 ANOS. Exclui-se da infração de omissão de rendimentos a parcela isenta dos proventos de aposentadoria auferidos por contribuintes maiores de 65 anos, nos termos do inciso XV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, c/c o inciso I e § 1º do art. 8º da Lei nº 9.250/95. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da infração de omissão de rendimentos a parcela isenta no valor de R$ 13.968,00 (treze mil novecentos e sessenta e oito reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DA PARCELA ISENTA. APOSENTADORIA. CONTRIBUINTE MAIOR DE 65 ANOS. Excluise da infração de omissão de rendimentos a parcela isenta dos proventos de aposentadoria auferidos por contribuintes maiores de 65 anos, nos termos do inciso XV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, c/c o inciso I e § 1º do art. 8º da Lei nº 9.250/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da infração de omissão de rendimentos a parcela isenta no valor de R$ 13.968,00 (treze mil novecentos e sessenta e oito reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 04 38 /2 00 9- 14 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) – DRJ/RJ2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 8.279,32, relativo ao anocalendário 2005, tendo em vista a constatação da omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo, CNPJ nº 27.476.100/000145, no montante de R$ 170.495,50 (fls. 3/7). Em sede de impugnação o contribuinte requereu o cancelamento da exigência (fls. 8/11), alegando, em síntese, que: se aposentou compulsoriamente em 28/10/2004, mas que o ato da aposentadoria só saiu em 30/10/2007, e que assim faria jus à parcela isenta da aposentadoria no anocalendário 2005, no valor de R$ 13.968,00, porém a fonte pagadora não observou esse direito, motivandoo a retificar a declaração originalmente entregue; ao receber o comprovante de rendimentos desse ano percebeu que não fora contemplado com a referida isenção, pois seus rendimentos tributados totalizaram R$ 170.495,50, razão pela qual foi obrigado a deduzir do valor a importância referente à isenção, declarandoa como rendimento isento e informando o restante, R$ 156.527,50, no campo rendimentos tributáveis, não havendo então omissão de rendimento, mas sim correção da informação prestada pela fonte pagadora; outra Notificação de Lançamento, a de nº 2006/607445023862001 já examinara o período e foi cancelada como resultado de sua Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL) entregue em 27/12/2007; a mesma auditora que lavrara a precitada Notificação torna a cobrar novamente a mesma coisa, no lançamento ora em litígio. O julgamento administrativo de primeiro grau (fls. 65/68) manteve integralmente o lançamento, considerando, em síntese, os documentos apresentados insuficientes para o deslinde do litígio. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 17/7/2012 (fls. 76/79), reiterando o pedido da impugnação e afirmando, em resumo: que os votos vencidos da decisão contestada reconheceram o seu direito a excluir da omissão o valor de R$ 13.968,00, por se tratar de matéria já apreciada na Notificação de Lançamento nº 2006/607445023862001, cujos fatos geradores são os mesmos; e que, estando aposentado desde 28/10/2004, procurou apenas corrigir via retificadoras as informações equivocadas da fonte pagadora. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13767.000438/200914 Acórdão n.º 2802003.341 S2TE02 Fl. 90 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe esclarecer que o litígio versa sobre a infração de omissão de rendimentos apurada em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) retificadora do anocalendário 2005, entregue em 7/5/2009 pelo contribuinte (fls. 12/18). A entrega espontânea de retificadora constituise em faculdade do contribuinte, possuindo ela a mesma natureza e substituindo integralmente as informações prestadas na originalmente transmitida, conforme giza o art. 18 da Medida Provisória nº 2.158 49, de 23 de agosto 2001: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único.A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Em consonância com tais disposições, temse o regramento da art. 54 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001 Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Pois bem, conforme Dirf transmitida pela fonte pagadora Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo em 17/7/2008 (fl.38), o contribuinte recebeu R$ 170.495,50, salvo o 13º salário, a título de rendimentos do trabalho assalariado em 2005. Sem embargo, em sua DIRPF/2006 sob análise, informou que tal valor se dividiria em R$ 156.527,50 auferidos como parcela isenta de proventos de aposentadoria ou reforma, e R$ 13.968,00 recebidos como parcela isenta de proventos de aposentadoria, etc., de declarantes com 65 anos ou mais. Tal conduta acarretou a constatação, pela fiscalização, da infração de omissão de rendimentos no valor de R$ 170.495,50, ora contestada. O recorrente não apresenta nenhum argumento consistente que justifique a inclusão dos R$ 156.527,50 como rendimentos isentos em sua declaração, afirmando apenas que procurou corrigir a informação prestada pela fonte pagadora, sem contudo, apresentar qualquer documentação que corrobore tal assertiva. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 À míngua de provas que amparem a versão do recorrente, deve ser mantido o lançamento no particular, portanto. De outra banda, aduz ele que a fonte pagadora também não observou o disposto no inciso XV do art. 6º da Lei nº 7.718, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei nº 11.119, de 25 de maio de 2005, que ora se transcreve, por oportuno: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: I a XIV (omissis) XV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência complementar, até o valor de R$ 1.164,00 (mil, cento e sessenta e quatro reais), por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto; Convém reproduzir, aliás, o art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, no que diz respeito ao tema: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; (...) § 1º A quantia correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, representada pela soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, não integrará a soma de que trata o inciso I. Afirma também que em resultado de SRL relativa à Notificação de Lançamento nº 2006/607445023862001, que examinara declaração anteriormente entregue, também atinente ao anocalendário 2005, já havia sido considerada isento o valor de R$ 13.968,00. Nesse sentido, alude ao posicionamento vencido de dois julgadores no acórdão vergastado, que reconheciam tal isenção. Cabe sublinhar, primeiramente, que eventual pronunciamento da administração tributária a respeito de declaração já retificada em nada vincula o presente julgamento, seja pelo fato de que a declaração sob foco a substituiu integralmente, consoante legislação já referida, seja em razão de que o CARF é órgão distinto da Secretaria da Receita Federal dentro da estrutura do Ministério da Fazenda estando submetido na apreciação dos fatos em comento à legislação de regência, bem como a normas específicas tais como o RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Todavia, o caso concreto apresenta peculiaridades que devem ser devidamente avaliadas. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13767.000438/200914 Acórdão n.º 2802003.341 S2TE02 Fl. 91 5 Vejase que a administração tributária considerou estar comprovado, em resultado de SRL datado de 2/1/2008 (fls. 20/24), ser o valor de R$ 13.968,00 parcela isenta de aposentadoria de maior de 65 anos; posteriormente, em 17/5/2009, apreciando os mesmos fatos, considerou tal valor como omissão de rendimentos, constituindo o correspondente crédito tributário (fls. 3/7). Tal situação apresenta o caráter de nítida violação ao princípio da vedação ao comportamento contraditório (venire contra factum proprium), mormente quando tal câmbio de entendimento se verifica desacompanhado da devida fundamentação. Compulsando os autos, ademais, é possível verificar estar o contribuinte ser juiz de direito maior de 65 anos, estando aposentado desde 28/4/2004 dos quadros do Poder Judiciário, conforme Portaria nº 1.485, de 20/8/2007, publicada no Diário Oficial do Estado do Espírito Santo (fl. 13). Não é razoável que tal documentação seja aceita em um momento pela administração para fins de comprovação da condição de aposentado nos termos do inciso XV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, e que depois seja exigida a apresentação do comprovante de rendimentos emitido da fonte pagadora ou similar, tanto mais quando a narrativa do recorrente é consistente com sua versão de que as sucessivas retificações se deram justamente por problemas na prestação de informações por parte daquela fonte. Por conseguinte, deve ser excluída da omissão de rendimentos apurada no montante de R$ 170.495,50 a parcela isenta de R$ 13.968,00. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de excluir da infração de omissão de rendimentos a parcela isenta no valor de R$ 13.968,00 (treze mil novecentos e sessenta e oito reais). (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 93DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 19515.002703/2007-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
DCTF. FALTA DE ENTREGA. SUBSTITUIÇÃO PELA DIRF OU DIPJ. IMPOSSIBILIDADE.
A entrega da DCTF é obrigação acessória autônoma, razão pela qual a entrega ou não da DIRF e da DIPJ não influencia a obrigatoriedade de entrega da DCTF, ainda que nestas declarações constem os elementos necessários à fiscalização.
DCTF. FALTA DE ENTREGA. ART. 7º DA LEI 10.426/02. CONDUTA INFRATORA. TIPICIDADE. PRINCÍPIO DA TIPICIDADE CERRADA E DA LEGALIDADE. PENALIDADES.
O art. 5º da IN SFR 255/02 estabelecia apenas a data de entrega da DCTF. O art. 7º da Lei n. 10.426/02 é quem descreve de forma suficiente a conduta necessária a aplicação das penalidades - qual seja, deixar de apresentar a declaração. Destarte, não há que se falar em violação dos princípios da tipicidade cerrada e da legalidade. Outrossim, não houve violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não-confisco, pois a multa foi corretamente calculada, observando-se a limitação a 20% do montante dos tributos e contribuições de cada DCTF. Por fim, o art. 142 do CTN determina que a autoridade administrativa exija o cumprimento do dever instrumental e, caso este não seja cumprido ou o seja extemporaneamente, que seja aplicada então a multa prevista na legislação.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A jurisprudência deste Conselho encontra-se pacificada, por meio de sua Súmula 04, em relação a aplicação da Taxa Selic aos débitos fiscais federais.
Numero da decisão: 1801-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DCTF. FALTA DE ENTREGA. SUBSTITUIÇÃO PELA DIRF OU DIPJ. IMPOSSIBILIDADE. A entrega da DCTF é obrigação acessória autônoma, razão pela qual a entrega ou não da DIRF e da DIPJ não influencia a obrigatoriedade de entrega da DCTF, ainda que nestas declarações constem os elementos necessários à fiscalização. DCTF. FALTA DE ENTREGA. ART. 7º DA LEI 10.426/02. CONDUTA INFRATORA. TIPICIDADE. PRINCÍPIO DA TIPICIDADE CERRADA E DA LEGALIDADE. PENALIDADES. O art. 5º da IN SFR 255/02 estabelecia apenas a data de entrega da DCTF. O art. 7º da Lei n. 10.426/02 é quem descreve de forma suficiente a conduta necessária a aplicação das penalidades qual seja, deixar de apresentar a declaração. Destarte, não há que se falar em violação dos princípios da tipicidade cerrada e da legalidade. Outrossim, não houve violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do nãoconfisco, pois a multa foi corretamente calculada, observandose a limitação a 20% do montante dos tributos e contribuições de cada DCTF. Por fim, o art. 142 do CTN determina que a autoridade administrativa exija o cumprimento do dever instrumental e, caso este não seja cumprido ou o seja extemporaneamente, que seja aplicada então a multa prevista na legislação. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A jurisprudência deste Conselho encontrase pacificada, por meio de sua Súmula 04, em relação a aplicação da Taxa Selic aos débitos fiscais federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 03 /2 00 7- 85 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatório Tratase de auto de infração (efls. 80/81) lavrado em razão de aplicação de multa por falta de entrega da DCTF referente ao 3º e 4º trimestres/2003, ensejando a cobrança de multa no valor de R$ 46.739,71 (quarenta e seis mil, setecentos e trinta e nove reais e setenta e um centavos), conforme o referido auto (efls. 80/81). A autuação resulta de procedimento fiscalizatório iniciado em 18/04/2007 (e fl. 08), data em que a empresa foi intimada a: a) justificar divergências entre os valores da DIRPF/2003 e os declarados em DCTF referente ao código de retenção 0561; b) apresentar cópias das DCTF`s relativas a todos os trimestres de 2003, juntamente com o protocolo de entrega/transmissão, uma vez que o sistema da Receita Federal apenas acusava a transmissão das DCTF`s relativas ao 1º e 2º trimestres/2003; e c) apresentar cópia do contrato social e alterações a partir de 2003. A autuada juntou a cópia do contrato social e demais alterações e requereu dilação do prazo para juntada dos outros documentos solicitados (efl. 23), o que foi deferido (efl. 26). Posteriormente, requereu nova dilação (efl. 27), que também foi deferida (efl. 28). Posteriormente, juntou cópia das DCTF`s referentes ao 1º e 2º trimestres/2003 e requereu nova dilação do prazo para juntada dos demais documentos (efl. 29), que foi deferida (efl. 30). Requereu então nova dilação (efl. 31), que foi deferida (efl. 32). Assim, após prorrogar o prazo de juntada dos documentos solicitados quatro vezes, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação Fiscal (efls. 75/77), onde consignou a ausência de entrega das DCTF`s relativas ao 3º e 4º trimestres/2003, ensejando aplicação de multa, nos termos do art. 7°, inciso II, da Lei n° 10.426/02. Portanto, considerandose a limitação a 20% do montante dos tributos e contribuições de cada DCTF, cobrase multa a partir de 17/11/03, para a DCTF do 3° trimestre de 2003, no valor de R$ 21.552,56, e multa a partir de 16/02/04, para a DCTF do 4° trimestre de 2003, no valor de R$ 25.187,15. O contribuinte foi intimado da autuação em 17/09/2007 (efl. 80), tendo apresentado impugnação em 17/10/2007 (efls. 90/104), a qual foi julgada improcedente pela DRJSão Paulo I/SP (efls. 129/132), que invocou o art. 142 do CTN para esclarecer sobre a obrigatoriedade da autoridade administrativa aplicar a multa prevista na legislação atinente ao Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19515.002703/200785 Acórdão n.º 1801002.243 S1TE01 Fl. 158 3 descumprimento ou cumprimento extemporâneo de obrigação acessória, sendo clara a infração cometida pelo contribuinte. Argumentou ainda, em relação aos juros aplicados, que seu efetivo cálculo é matéria que foge da competência atribuída à autoridade julgadora. Intimado desta decisão em 27/05/2013 (efl. 136), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/06/2013 (efls. 137/150), onde: a) Alega a impossibilidade da aplicação da multa imposta, pois mesmo não tendo apresentado as DCTF`s – a empresa cumpriu sua obrigação acessória, uma vez que prestou todas as informações necessárias através da entrega da DIRF/2004 e a DIPJ/2004, onde constam os elementos necessários para sua fiscalização. b) Aponta a falta de tipicidade da multa aplicada, pois o núcleo da conduta supostamente violada pela empresa careceria de base legal, porquanto está previsto em instrução normativa. É que o art. 7º da Lei n. 10.426/02 prevê as penalidades aplicáveis, mas é o art. 5º da IN n. 255/02 que tipifica a infração que dá ensejo a aplicação da referida penalidade. Ressalta a aplicação dos princípios constitucionais da tipicidade cerrada e da legalidade (art. 5º, II da CF). c) Considerando que a empresa teria fornecido meios para a fiscalização, através da entrega da DIRF/2004 e a DIPJ/2004, argumenta violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do nãoconfisco. d) Alega a ilegitimidade da Taxa Selic para o cômputo dos juros moratórios, porquanto esta taxa seria incompatível com o conceito de juros moratórios aplicáveis aos débitos fiscais, nos termos do art. 161 do CTN. Por fim, requer o conhecimento e provimento do recurso, a fim de reformar a decisão recorrida e cancelar a multa imposta, bem como seja afastada a aplicação da Taxa Selic. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Impossibilidade de substituição da DCTF pela entrega de outras declarações O recorrente, inicialmente, alega que a entrega da DIRF/2004 e da DIPJ/2004, onde constam os elementos necessários para sua fiscalização, implica impossibilidade de aplicação da multa constante do auto de infração (efls. 80/81). O art. 113 do CTN dispõe sobre as obrigações acessórias, ou seja, aquelas prestações que auxiliam a arrecadação ou fiscalização de tributos. No caso em análise, estava em vigor a IN SFR 255/02, que instituía e disciplinava as regras para a entrega da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), que consiste num instrumento pelo Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 qual se materializa o cumprimento do dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil sobre os valores dos débitos tributários apurados pelo contribuinte, inclusive, se foram quitados ou não. Tratase, portanto, de obrigação autônoma, razão pela qual a entrega ou não da DIRF/2004 e da DIPJ/2004 não influencia a obrigatoriedade de entrega da DCTF. Ora, não é porque naquelas declarações já constam os elementos necessários à fiscalização que se desobriga o contribuinte de entregar a DCTF. Não há regra neste sentido. Portanto, se a entrega a DCTF está prevista no sistema jurídico brasileiro deve ser cumprida, independente da observância de outras obrigações acessórias. Rejeito, portanto, tal pretensão. Multa por falta de entrega da DCTF Outrossim, o recorrente aponta falta de tipicidade da multa, uma vez que o núcleo da conduta infratora estaria previsto na instrução normativa e não na lei. Tenho, entretanto, que tal argumentação não prospera. O art. 7 da Lei n. 10.426/02 descreve suficientemente o antecedente da norma tributária penal para identificar a materialidade da conduta infratora, não havendo a necessidade de que este se adentre aos detalhes procedimentais da forma como deveria ter sido efetivada a obrigação acessória. Assim, este dispositivo efetivamente estabelece a conduta infratora – qual seja, deixar de apresentar a DCTF – bem como as penalidades aplicáveis. Confira a redação do dispositivo anterior à Lei nº 11.051/04: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 19515.002703/200785 Acórdão n.º 1801002.243 S1TE01 Fl. 159 5 § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10(dez) dias, contados da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6º ( Vide Art. 32 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 ) Portanto, quem tipifica a infração que dá ensejo a aplicação da multa é o próprio art. 7º da Lei n. 10.426/02, que descreve de forma suficiente a conduta necessária a aplicação da penalidade. Assim, não há que se falar em violação dos princípios constitucionais da tipicidade cerrada e da legalidade. Também não há violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do nãoconfisco, pois – como dito no tópico anterior – a entrega da DIRF/2004 e da DIPJ/2004 não desobriga o contribuinte do envio da DCTF. Lado outro, a multa foi corretamente calculada, observandose os preceitos legais, notadamente a limitação a 20% do montante dos tributos e contribuições de cada DCTF. Outrossim, o art. 142 do CTN determina que a autoridade administrativa, por desempenhar atividade vinculada e obrigatória, exija o cumprimento do dever instrumental e, caso este não seja cumprido ou o seja extemporaneamente, que seja aplicada então a multa prevista na legislação. Rejeito, portanto, tal pretensão. Taxa Selic Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 6 Por fim, devese concluir pela manutenção da aplicação da taxa Selic, em conformidade com jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consoante revela o verbete da Súmula nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES
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Numero do processo: 11634.000054/2006-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL.
O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, para determinadas matérias, ou não está comprovada, em quaisquer dos paradigmas colacionados pela recorrente, a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado para situação fática idêntica ou sequer foram apresentados paradigmas. Assim, não é de se conhecer o recurso quanto a estas matérias.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
É de se permitir, dos rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista, a dedução do valor integral das despesas com honorários advocatícios, desde que pagas pelo contribuinte, sem indenização.
Recurso especial conhecido em parte e provido.
Numero da decisão: 9202-003.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, exclusivamente quanto ao critério de dedutibilidade dos honorários advocatícios, para, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento a recurso, restabelecendo-se a dedução integral dos valores pagos a título de honorários, no montante de R$ 122.477,37. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que votaram por negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, para determinadas matérias, ou não está comprovada, em quaisquer dos paradigmas colacionados pela recorrente, a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado para situação fática idêntica ou sequer foram apresentados paradigmas. Assim, não é de se conhecer o recurso quanto a estas matérias. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. É de se permitir, dos rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista, a dedução do valor integral das despesas com honorários advocatícios, desde que pagas pelo contribuinte, sem indenização. Recurso especial conhecido em parte e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, exclusivamente quanto ao critério de dedutibilidade dos honorários advocatícios, para, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento a recurso, restabelecendose a dedução integral dos valores pagos a título de honorários, no montante de R$ 122.477,37. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que votaram por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 54 /2 00 6- 39 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 500 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de lançamento de ofício de valores devidos a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) decorrentes de: a) dedução indevida de dependentes; b) dedução indevida de despesas médicas e c) rendimentos auferidos no anocalendário de 2001 decorrentes de ação trabalhista de excertos de efls. 56 a 156 (vide, em especial demonstrativos de efls. 130 a 142) e excertos de efls. 193 a 215. O Termo de Verificação Fiscal decorrente da mencionada ação fiscal encontrase às efls. 229 a 233, com o auto de infração arquivado às efls. 234 a 241. O contribuinte apresentou impugnação ao auto de efls. 246 a 267. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou improcedente a impugnação, na forma de Acórdão de efls. 284 a 300, tendo o contribuinte contra ele se insurgido, através de Recurso Voluntário de efls. 304 a 331. No julgamento do recurso, consubstanciado no Acórdão no 10423.224, da 4a Câmara do então 1o Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 29 de maio de 2008 (efls. 361 a 372), por unanimidade de votos, o colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesa médica no valor de R$ 775,00. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição Fl. 500DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 501 3 do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula 1CC n° 12, publicada no DOU em 26, 27 e 28 de junho de 2006). DESPESAS MÉDICAS CIRURGIA PAGAMENTO A AUXILIARES O valor pago a profissional auxiliar (instrumentista cirúrgico) que integrou equipe que realizou procedimento cirúrgico no contribuinte ou em seu dependente é dedutível como despesa médica. RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÕES JUDICIAIS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Podem ser subtraídas dos• rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial as despesas processuais, inclusive os honorários advocatícios, necessários à sua obtenção. No caso de rendimentos, em parte tributáveis e em parte isentos ou não tributáveis, somente é dedutível a parcela da despesa, proporcional aos rendimentos tributáveis. IRRF RENDIMENTO SUJEITO À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA 13° SALÁRIO IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO QUANDO DO AJUSTE ANUAL Os rendimentos de 13 0 salário estão sujeitos à tributação exclusiva de fonte, não integrando a base de cálculo do imposto quando do ajuste anual. Conseqüentemente, o imposto retido, incidente sobre esses rendimentos, não podem ser deduzidos do apurado na declaração. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE O fato gerador do imposto de renda, no caso de rendimentos recebidos de pessoas físicas, ocorre na data da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Tratandose de rendimentos referentes a mais de um período, recebidos acumuladamente, ocorre o fato gerador no momento do seu recebimento. LANÇAMENTO MULTA DE OFÍCIO No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de oficio, é cabível a aplicação da multa de oficio. Recurso parcialmente provido. Tal decisão foi objeto de embargos pelo autuado (efls. 383 a 388), estes últimos admitidos através de despacho de efls. 393/394, tendo a apreciação pelo Colegiado dos referidos Embargos resultado no Acórdão 3402.00.041, da mesma Turma e Conselho em questão, prolatado na sessão de 05 de março de 2009 (efls. 395 a 402) e assim ementado: EMBARGOS DECLARATÓRIOS Verificado erro material no voto condutor do Acórdão, é de se acolher os Embargos para sanar o vício. IRPF RENDIMENTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA Constatada a Fl. 501DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 502 4 omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda quê a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula 1CC n° 12, publicada no DOU em 26, 27 e 28 de junho de 2006). DESPESAS MÉDICAS CIRURGIA PAGAMENTO A AUXILIARES O valor pago a profissional auxiliar (instrumentista cirúrgico) que integrou equipe que realizou procedimento cirúrgico no contribuinte ou em seu dependente é dedutível como despesa médica. RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÕES JUDICIAIS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Podem ser subtraídas dos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial as despesas processuais, inclusive os honorários advocatícios, necessários à sua obtenção. No caso de rendimentos, em parte tributáveis e em parte isentos ou não tributáveis, somente é dedutível parcela da despesa, proporcional aos rendimentos tributáveis. IRRF RENDIMENTO SUJEITO À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA 13° SALÁRIO IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO QUANDO DO AJUSTE ANUAL Os rendimentos 13° salário estão sujeito à tributação exclusiva de fonte, não integrando a base de cálculo do imposto quando do ajuste anual. Conseqüentemente, o imposto retido, incidente sobre esses rendimentos, não podem ser deduzidos do apurado na declaração. IRPF MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GE~ RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE O fato gerador do imposto de renda, no caso de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, ocorre na data da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Tratandose de rendimentos referentes mais de um período, recebidos acumuladamente, ocorre o fato gerador no momento do seu recebimento. LANÇAMENTO MULTA DE OFÍCIO No caso de falta de pagamento ou de pagamento a menor de imposto, apurado por meio de lançamento de oficio, é cabível a aplicação da multa de oficio. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto n°. 70.235, de 1972. IRPF FÉRIAS REFLEXO Valores recebidos a título de férias como reflexo de diferenças salariais apuradas em momento posterior sujeitamse constituem verbas tributáveis. Embargos Acolhidos. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 503 5 Cientificada dessa decisão em 29/12/2009 (efl. 409), o Contribuinte manejou, em 11/01/2010, recurso especial de divergência (efls. 411 a 475), com fulcro no art. no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Depois de pleitear pela admissibilidade e de breve relato dos fatos, dividiu seu pleito em 5 matérias, a saber: 1) Dedução integral dos honorários advocatícios pagos: Contesta o contribuinte o reconhecimento parcial, para fins de dedução, dos referidos honorários, quando do lançamento de ofício dos rendimentos tributáveis (Somente R$ 97.854,23 dos R$ 122.477,37 pagos foram reconhecidos como dedução da base de cálculo pela autoridade lançadora, consoante demonstrativo de efl. 233). Sustenta o recorrente aqui que o art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, “literalmente autoriza a diminuição do valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento de rendimentos auferidos acumuladamente, inclusive de advogados, se pagas pelo contribuinte sem indenização, inexistindo nesse dispositivo legal qualquer menção expressa que autorize o Fisco a promover a eventual exclusão de valores de honorários relacionados a rendimentos isentos ou não tributáveis”. Ainda que mencione ter o recorrido se baseado em Acórdão emanado deste Conselho para fins de fundamentação de sua conclusão (Acórdão 10422.837), o recorrente apresenta, para a matéria em discussão, novos Acórdãos oriundos deste mesmo CARF e adotados como paradigmas, os quais, em seu entendimento, examinaram matérias idênticas, visto que ali também se estava a tratar de recebimento de rendimento que abrangia FGTS (rendimento isento), chegando, todavia, a conclusões diversas, uma vez que se permitiu a dedução da integralidade da despesa com honorários nos casos paradigmáticos, assim ementados. Acórdão 10615.974 (6a. Câmara do 1o. CC em 09/11/2006) IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. VERBAS ISENTAS – São isentas do imposto de renda as verbas relativas a Fundo de Garantia por Tempo de Serviço recebidas juntamente com parcelas aquelas de horas extras e diferença de gratificação semestral em face de reclamatória trabalhista. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO – Dos rendimentos recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista a lei permite a diminuição do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Recurso provido. Acórdão 10421.611 (4. Câmara do 1o. CC em 25/05/2006) IRPF RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS AÇÃO TRABALHISTA Não há reparos a fazer em lançamento que considera apenas as parcelas efetivamente tributáveis, recebidas em ação trabalhista, descontando o IRF recolhido pela fonte pagadora e admitindo a dedução do montante pago a titulo de honorários advocatícios. Perfeitamente admissível e razoável o critério da Fl. 503DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 504 6 proporcionalidade utilizado para a definição do "quantum" dos juros de mora recebidos que seria parcela tributável. Recurso negado Requer, assim, o direito à dedução integral do valor de R$ 122.477,37 pagos pelo recorrente ao seu advogado, como despesa integral efetivada para o auferimento dos rendimentos tributados pela fiscalização. 2) Redução indevida do Imposto de Renda na Fonte para quitação de imposto da responsabilidade pagadora : Insurgese aqui o contribuinte contra o aproveitamento pela autoridade autuante, na forma de demonstrativo de alínea “d” de efls. 233 e 234, de parte do Imposto de Renda Retido na fonte retido quando do recebimento da verba oriunda da ação judicial, prioritariamente, para quitar o valor devido a título de IRRF decorrente da parcela sujeita à tributação exclusiva na fonte (R$ 12.297,93), só aproveitando o restante do valor devido de R$ 60.090,50, ou seja, só aproveitando R$ 47.792,57, como dedução do imposto calculado devido quando do lançamento de ofício. Sustenta seu posicionamento com fulcro no teor do art. 16 da Lei no 8.134, de 27 de setembro de 1990, argumentando que, no caso, a responsabilidade é exclusiva da fonte, não cabendo qualquer dedução do IRRF retido do contribuinte, citando como paradigmas que configurariam tal divergência os Acórdãos 10616.135 e 10420.369, assim ementados: Acórdão 10616.135 (6a. Câmara do 1o. CC em 28/02/2007) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO No 10615.494 NORMAS PROCESSUAIS — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — PROCEDÊNCIA — RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO — Confirmada a omissão do acórdão, outro deve ser proferido na devida forma, para sanar a omissão. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — FALTA DE RETENÇÃO — ANTECIPAÇÃO DO AJUSTE ANUAL — LANÇAMENTO APÓS ANOCALENDÁRIO SUJEITO PASSIVO — Após o anocalendário, devem ser tributados na declaração de ajuste anual do IRPF os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas incluídos no campo de incidência desse imposto, que foram recebidos acumuladamente, não submetidos à respectiva retenção pela fonte pagadora. Nessa circunstância, incabível a constituição do crédito tributário na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos para exigência do imposto não retido na fonte. GRATIFICAÇÃO NATALINA A tributação deve se dar exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário, não se incluindo tais valores no ajuste anual, cabendo a responsabilidade pelo pagamento do imposto à fonte pagadora. MULTA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da MP n° 16, de 27/1212001, publicada no DOU de 28/12/2001, convertida na Lei n°. 10.426, de 24/04/2002, é que Fl. 504DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 505 7 passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deve oferecer os rendimentos à tributação. JUROS ISOLADOS Ocorrendo a hipótese de não retenção, quando devida, surge para a Fazenda Nacional o direito de exigir os juros compensatórios, nos exatos termos do art. 43 da Lei n°. 9.430, de 1996. Embargos acolhidos. .Acórdão 10420.369 (4. Câmara do 1o. CC em 02/12/04) DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO IMPOSTO NÃO RETIDO DECISÃO JUDICIAL POSTERIORMENTE ALTERADA — EXCLUSIVIDADE LEI 8.134, DE 1990 SUJEITO PASSIVO Sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte, sob regime de tributação exclusiva, os rendimentos provenientes de décimo terceiro salário. A pessoa jurídica é a responsável pela obrigação tributária, independente de não ter recolhido em decorrência de decisão judicial modificada posteriormente. Tão só a lei pode definir o sujeito passivo, nos termos do art. 97, III e 121, do CTN, contribuinte ou responsável. Recurso provido. 3) Isenção de rendimentos de férias indenizadas : Alega o contribuinte que a parcela de férias constante do quadro inicial de e fl. 232 (no valor de R$ 58.619,03, posteriormente ajustáveis para R$ 60.106,39 quando da consideração do acordo de R$ 550.000,00), se tratando de férias reconhecidas somente após a demissão sem justa causa, na forma do demonstrativo de efl. 108 ou, ao menos, a subparcela desta última, de R$ 17.047,78 (reflexos financeiros das parcelas recebidas a título de férias indenizadas quando da rescisão, na forma de anexo 2 à impugnação, ajustáveis para R$ 17.480,34) seriam de natureza indenizatória, não cabendo, assim, a sua tributação como rendimentos tributáveis. Apresenta como paradigma o Acórdão CSRF/0400.185, que sustentaria tal tese em divergência ao recorrido, assim ementado: FÉRIAS INDENIZADAS — NÃO INCIDÊNCIA Os valores assim recebidos assumem natureza indenizatória, não alcançados pela incidência do imposto de renda. Recurso especial negado 4) Tributação anual dos rendimentos pagos acumuladamente : Não apresentando paradigma administrativo a respeito, entende o contribuinte que, com base em jurisprudência oriunda no STJ, deva este CARF incorporar o entendimento de que, quando os rendimentos são pagos acumuladamente, no desconto do imposto de renda devem ser observados os valores mensais e não o montante global auferido, aplicandose as tabelas e alíquotas referentes a cada período. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 506 8 Colaciona jurisprudência emanada do Superior Tribunal de Justiça que sustentaria sua tese (Ag 10794391SP), colacionando Acórdãos administrativos de matérias diversas (denúncia espontânea – Acórdãos CSRF 910100.038 e CSRF 0106.098), onde se menciona a adoção de jurisprudência pacífica no STJ, sustentando que se devesse, também no presente caso, ainda que não tivesse encontrado paradigma relativo ao tema, adotar necessariamente a jurisprudência daquele órgão judicial, com o que se evitaria que, venham a ser gerados “processos judiciais morosos de elevados custos para as partes, e para o próprio Poder Judiciário, nos quais a Fazenda Pública terminará certamente vencida e condenada ainda a pagar as custas judiciais e honorários sucumbenciais devidos legalmente aos advogados dos contribuintes”. 5) Multa de ofício lançada : Alega que o Parecer Normativo CST n° 324/71, vigente quando do recebimento dos rendimentos e quando da apresentação de sua correspondente declaração de ajuste, exclui o recorrente de qualquer responsabilidade/culpabilidade sobre eventual insuficiência de retenção pela fonte pagadora, e, por conseqüência, de lhe serem por isso, cobrados multas sobre diferenças de retenção apuradas pelo fisco. Assim, entende que “na hipótese de a fonte pagadora não ter efetuado a retenção do imposto no ato do pagamento de rendimentos, ou têlo feito de forma insuficiente, não pode ser o contribuinte penalizado com a aplicação de multa por ato praticado com incorreção pela fonte, e ter sido induzido ao erro em sua declaração pela erro praticado pela fonte”, propugnando pela exclusão da multa. Novamente não colaciona paradigma administrativo relativo ao tema, repetindo a argumentação, já trazida no item anterior do pleito, de que, se deva, também no presente caso, ainda que não fosse sido encontrado paradigma relativo ao tema, adotar necessariamente a jurisprudência do STJ referente ao assunto (REsp 374603/SC e REsp 439142/SC), com base nos mesmos Acórdãos de denúncia espontânea já citados no item anterior do pleito recursal (Acórdãos CSRF 910100.038 e CSRF 0106.098). O recurso especial foi admitido pelo despacho de efls 477 a 482, de lavra do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento. Devidamente cientificada do recurso especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de efls. 485 a 498, onde cita a existência da Súmula 1° CC n° 12, bem como dos arts. 2° e 11 da Lei n° 8.134, de 1990 e do art. 12 da Lei n° 7.713, de 1988, justificandose, assim, a sujeição passiva do autuado. Alega ainda, quanto às férias indenizadas, que só se aplicaria a condição de rendimentos nãotributáveis àquelas não gozadas por necessidade do serviço, trazendo a propósito jurisprudência deste CARF que sustentaria seu posicionamento, colacionando, ainda, finalmente, jurisprudência que sustentaria o posicionamento do recorrido quanto aos demais itens questionados pelo contribuinte. Requer, assim, a União seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte e mantido o Acórdão proferido pela e. Câmara a quo É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 507 9 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator 1) Quanto ao conhecimento do Recurso: O recurso é tempestivo e todas as matérias objeto do pleito foram prequestionadas. Todavia, quanto à caracterização de divergência interpretativa, com a devida vênia ao despacho de admissibilidade de efls. 477 a 482 (que optou por condensar a análise em única matéria base de cálculo para a tributação dos passivos trabalhistas recebidos através de ação judicial), dandose assim, por fim, seguimento a todos os pleitos do contribuinte, entendo que a análise da caracterização de divergência deva ser realizada necessariamente por matéria para fins de conhecimento do pleito recursal, o que faço a seguir: 1,1) Quanto à dedução integral dos honorários advocatícios pagos: Verifico aqui que, realmente, conforme alegado, embora esteja a se tratar no âmbito do 1o. paradigma colacionado (Acórdão CC 10615.974) de recebimento de rendimentos que abrangem verbas isentas e tributáveis, permitiuse, ali, a dedução integral dos honorários advocatícios dos rendimentos recebidos, contrariando, assim, o recorrido, que só o permitiu na parcela proporcional aos rendimentos tributáveis. Caracterizada assim a divergência, conheço do Recurso nesta matéria. 1.2) Quanto à redução indevida do Imposto de Renda na Fonte para quitação de imposto da responsabilidade pagadora : Verifico, nesta matéria, que, em ambos os paradigmas trazidos pelo recorrente (Acórdãos CC 10616.135 e 10420.369), tratouse, somente, da responsabilidade da fonte pagadora quanto ao principal de imposto devido quando do recebimento de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, não objeto de retenção. Entendo, assim, que não há identidade fática com o caso, uma vez que em nenhum dos paradigmas se trata da forma como deve ocorrer a apropriação do IRRF retido, quando do recebimento de montante abrangendo rendimentos sujeitos ao ajuste e sujeitos à tributação exclusiva na fonte em sede de ação trabalhista, no caso de insuficiência de tal retenção. Para demonstrar a divergência, o contribuinte deveria ter trazido aos autos, necessariamente, situação onde, uma vez tendo se recebido montante oriundo de ação trabalhista contemplando rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e rendimentos sujeitos ao ajuste anual, tivesse se permitido a apropriação do imposto de renda (retido em valor insuficiente) de forma diversa à realizada pela autuação e confirmada pelo recorrido, ou seja, Fl. 507DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 508 10 não se utilizando do critério de quitação prioritária do tributo devido sobre o rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte. Nenhum dos dois paradigmas trazidos pelo recorrente se encaixa nesta hipótese e, destarte, entendo como não configurada a divergência e não conheço do recurso quanto a esta matéria. 1.3) Isenção de rendimentos de férias indenizadas : Ao examinar o recorrido e o paradigma, também entendo que não se configura qualquer divergência interpretativa, uma vez que ambos admitem a natureza não tributável das férias, quando indenizadas. O que ocorre é que, no acórdão recorrido, não o recorrente não teria deixado de gozar de férias por necessidade de serviço, mas as verbas pagas a título de férias no âmbito da reclamatória trabalhista, seriam decorrência de diferenças salariais. Dessa forma, concluiu que as verbas não teriam a característica de indenização. Por outro lado, no acórdão paradigma a situação fática é diferente, assim como os respectivos elementos de prova. É relatada a juntada de certidão, atestando solicitação e concessão de indenização dos períodos de férias, indeferidas por necessidade de serviço. Para fins de esclarecimento, encontramse abaixo reproduzidos excertos do voto condutor do acórdão recorrido, bem como do relatório e do voto condutor do acórdão paradigma. Recorrido (efl. 402): A segunda omissão apontada referese à parcela dos valores recebidos a título de férias. Sustenta o Recorrente que se trata de verbas isentas, por ter natureza indenizatória. Compulsando os autos, porém, verificase que nada indica tratarse de férias indenizadas (g.n.). Ao contrário, o que se extrai dos elementos carreados aos autos é que o recebimento dos valores a título de férias é um reflexo do recebimento de diferenças salariais e, neste caso, é inequívoca a tributabilidade desse rendimento. De qualquer forma, o ônus de comprovar a natureza indenizatória das verbas era do Contribuinte e este nada apresentou nesse sentido. Acórdão CSRF /0400.185: Relatório. “Das contrarazões, destacamos os seguintes argumentos (...) junta CERTIDÃO APCPP/MP nº 22/2005, atestando que houve solicitação e concessão de indenização dos períodos de férias, as quais foram indeferidas por absoluta necessidade de serviço, no anocalendário de 1994. Voto. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 509 11 “(...) Neste sentido direciono meu voto e, portanto, NEGO provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, reconhecendo que os valores recebidos a título de férias, quando não gozadas por necessidade do serviço (grifei), caracterizam indenização e, portanto, não tributáveis.” O que ocorre aqui é que no acórdão recorrido, a partir da valoração dos elementos carreados aos autos, não se convenceu o Colegiado a quo da natureza indenizatória de quaisquer montantes de férias percebidos quando da rescisão trabalhista. Só teria havido divergência caracterizada caso, em situação idêntica fática (por exemplo quando uma vez comprovadamente se tratando de férias não gozadas por necessidade do serviço), tivesse um colegiado concluído por sua natureza indenizatória e outro não. Notese que o Colegiado a quo não rejeita o fato de férias indenizadas (por exemplo, por necessidade do serviço) não estarem sujeitas à tributação, mas não se convenceu, com base nos elementos de prova carreados aos autos, que havia, no caso prático, qualquer parcela de férias indenizadas recebidas, não cabendo a esta instância especial, a esta altura, revolver novamente o conjunto probatório de forma a que se possa alterar tal valoração de provas. Assim, não conheço do recurso também quanto a esta matéria. 1.4) Quanto à tributação anual dos rendimentos pagos acumuladamente e quanto à multa de ofício lançada : Aqui, o art. 67, caput e §§4o. do atual Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Ficais é taxativo em estabelecer: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. Assim, uma vez não tendo o recorrente se desincumbido da tarefa de demonstrar a divergência através de decisões de outra câmara, turma de câmara, turma especial deste Conselho ou da própria CSRF, não é de se conhecer do recurso quanto a nenhuma destas duas matérias. A propósito ainda, de se notar, acerca da alegação do contribuinte de necessidade de vinculação a julgados do STJ, que, na forma do art. 62A do mesmo Regimento citado, a necessária vinculação deste CARF a julgados daquele tribunal só ocorre quando de julgamentos realizados na forma atualmente estabelecida pelo art. 543C, do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), o que não se aplica aos julgamentos reproduzidos pelo Fl. 509DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 510 12 contribuinte em seu pleito e, ainda, a nenhum outro relativo aos assuntos aqui tratados já realizado por aquele órgão Judiciário. Assim, também quanto a estas matérias não conheço do Recurso. 2) Mérito: Assim, conhecido o recurso exclusivamente quanto à matéria de dedução integral dos honorários advocatícios pagos, passo à análise de seu mérito. Entendo assistir razão ao recorrente quanto ao fato do dispositivo legal aplicável (art. 12 da Lei no 7.713, de 1988) não estabelecer qualquer restrição à dedução integral dos honorários advocatícios, ainda que se esteja diante de montante recebido que envolva rendimentos tributáveis e isentos ou não tributáveis, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. A propósito ainda, considerando o conceito contábil de despesa como gasto dispendido para o fim de obtenção de determinada receita (no caso, os rendimentos oriundos da ação), entendo como impossível poder se segregar, aqui, a parcela de despesa necessária ao recebimento dos rendimentos tributáveis daquela necessária à obtenção dos rendimentos não tributáveis, uma vez que o gasto com honorários é único para a obtenção simultânea de ambas as receitas. Vejase que, em determinadas hipóteses, o esforço dispendido pelo patrono da causa em cada parcela (tributável/isenta ou não tributável) e, assim, os honorários cobrados/pagos, são completamente desproporcionais aos montantes a serem recebidos de cada uma das parcelas, incabível nesta hipótese a proporcionalização proposta pelo recorrido, que, ressaltese uma vez mais, também não possui amparo legal. Voto, assim, por dar provimento ao recurso especial do contribuinte nesta matéria, restabelecendose a dedução integral dos valores pagos a título de honorários advocatícios, no montante de R$ 122.477,37. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, exclusivamente quanto à dedução integral dos honorários advocatícios pagos, para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto a esta matéria, restabelecendose a dedução integral dos valores pagos a título de honorários, no montante de R$ 122.477,37. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 510DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 11634.000054/200639 Acórdão n.º 9202003.608 CSRFT2 Fl. 511 13 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 10530.002607/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica.
SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE DA LC 105/2001. AUTORIZAÇÃO DA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA VIA ADMINISTRATIVA. Não prospera a alegação de nulidade do auto de lançamento por quebra de sigilo bancário da recorrente quando o próprio contribuinte fornece os extratos bancários e as informações que objetivaram a autuação.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. ANÁLISE PROBATÓRIA O texto legal determina presunção iuris tantum de omissão de receita quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira. A presunção deve ser afastada sempre que o contribuinte apresentar provas suficientes e idôneas da origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente. Precedentes.
Numero da decisão: 2202-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD (Relator), RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$ 710.456,20.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - PRESIDENTE
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCMIDT - Relator.
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA E FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. SIGILO BANCÁRIO. ILEGALIDADE DA LC 105/2001. AUTORIZAÇÃO DA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA VIA ADMINISTRATIVA. Não prospera a alegação de nulidade do auto de lançamento por quebra de sigilo bancário da recorrente quando o próprio contribuinte fornece os extratos bancários e as informações que objetivaram a autuação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM. ART. 42, LEI Nº 9.430/96. ANÁLISE PROBATÓRIA O texto legal determina presunção “iuris tantum” de omissão de receita quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira. A presunção deve ser afastada sempre que o contribuinte apresentar provas suficientes e idôneas da origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD (Relator), RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 26 07 /2 00 7- 74 Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 27 2 voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$ 710.456,20. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ PRESIDENTE (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCMIDT Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA E FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Tratase de auto de infração (fl. 8/10) no qual foi averiguado o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano calendário de 2004, constituído em razão deomissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no anocalendário de 2004, constituindo o crédito tributário no valor de R$ 637.206,74, já incluídos juros de mora e multa de 75%. Segundo consta no termo de verificação fiscal, (fls.14/17) a omissão de rendimentos restou caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas durante o anocalendário de 2004, nas seguintes instituições: Banco do Brasil (contas 11.7676 e 5.9846), Banco do Nordeste (conta 31.3937), HSBC (conta 37261 54),sem que a origem dos recursos utilizados tenha sido comprovada pela contribuinte. Procedimento de Fiscalização Por meio do Termo de Inicio da Fiscalização, a contribuinte foi intimada em 14/03/2007para apresentar, em 20 dias, os extratos bancários relativos às suas contas no ano calendário de 2004 e comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias (fl. 19). Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 28 3 Em 21/05/2007, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação hábil e comprobatória da origem dos depósitos bancários listados em anexo, referentes as contas correntes mantidas em seu nome noBanco do Brasil (contas 11.7676 e 5.9846), Banco do Nordeste (conta 31.3937), HSBC (conta 3726154). (fl. 136) A contribuinte apresentou resposta a Intimação (fls. 147/153). Teceu considerações sobre inconstitucionalidade do procedimento adotado em razão da Lei Complementar nº 105/01. Quanto aos depósitos, referiu que parte da receita informada pelos extratos bancários corresponderiam a receitas oriundas da atividade rural exercida por seu Esposo, Sr. Olinto Pereira Alves. Argumentou que as demais movimentações financeirasreferiamse a resgates de aplicações, desbloqueios de créditos e transferências, oque poderia ser constatado pela própria documentação emitida pelas instituições financeiras. A contribuinte foi reintimada em 21/06/2007, através do Termo de Reintimação Fiscal (fls. 154/155), para que apresentasse a documentação relativa à origem dos depósitos bancários referentes às contas correntes citadas. Sobreveio nova manifestação da Contribuinte informando que já colocara a disposição da autoridade fazendária a documentação necessária e suficiente para esclarecer os fatos questionados no procedimento de fiscalização (fls. 156/157). Diante das informações prestadas foram excluídos créditos apurados nas contas correntes em questão que condiziam a benefícios previdenciários e resgates de aplicações financeiras (fls. 160). Em posse das informações prestadas, a autoridade fiscal concluiuno Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/17) que a alegação de que a movimentação financeira se trata de atividade rural exercida como pessoa física pelo seu marido, que tem o benefício fiscal de redução de basede cálculo para 20% da receita bruta, não pode ser presumida pelo Fisco em prejuízo a Fazenda Nacional, pois o contribuinte não demonstrou por meio de escrituração de livro caixa sustentada por documentação idônea da prática de atividade rural e que tivesse coincidência entre valores e datas com os créditos nas contas bancárias.No tocante ao cálculo do imposto devido explicitou que (fl. 16): “Os valores dos créditos/depósitos estão detalhados no anexo do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 26/04/2007. Foi deduzido o valor do rateiodos créditos em conta conjunta, conforme disposto no art. 42, § 6º, da Lei 9.430/1996. Foram feitas exclusões de créditos quando identificadas com precisão a origem dos mesmos, tais como em transferência entre contas correntes do mesmo contribuinte, benefícios de aposentadoria e resgate de aplicações financeiras, que estão explicitados na planilha “Exclusões de Créditos”. O valor tributável é calculado partindose do total de créditos em conta corrente (planilha “Demonstrativos dos Depósito/Créditos”) menos as exclusões de créditos (planilha “Exclusões de Créditos” dividido pelo número de correntistas que não tenham Declaração de Imposto de Renda em Conjunto.” Fl. 3145DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 29 4 Ainda, por indícios de crime contra a ordem tributária, lavrouse Representação Fiscal para Fins Penais, cujo processo é apenso ao presente. Impugnação Notificada do lançamento fiscal em 16/10/2007 (fl. 164), a contribuinte apresentou impugnação (fls. 170/178), aduzindo em síntese: A garantia constitucional ao sigilo das informações pessoais, como cláusula pétrea, não poderia ser alterada pela Lei Complementar 105/2001, que autoriza a quebra de sigilo bancário pela via administrativa. o seu marido é um grande produtor rural, como se comprova por recolher INSS de seus empregados e apresentar declaração do ITR, possuídas em comum, além de notas fiscais de compra de insumos, que comprovam o volume de atividade exercida em 2004. Os rendimentos, portanto, são do seu marido, contra quem deveria ser efetuado o lançamento, caso se caracterizasse a omissão de rendimentos da atividade rural, cabendo a tributação de apenas 20% da receita bruta. Juntou à sua impugnação, documentos com o intuito de comprovar as alegações, quais sejam: Certidão de Casamento (fl. 181); Documento de Informações e Atualização Cadastral do ITR (fl. 196/219); Notas Fiscais de Avigro Avícola Agroindustrial Ltda. (fls. 220/221); Notas Fiscais de aquisição de Insumos (fls. 222/234); Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, CEI e folhas de pagamento (fls. 235/281); e Contratos de Integração Rural (fls. 282/307). Acórdão da DRJ A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR (fls. 310 a 312), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, relativo ao ano calendário de 2004, aduzindo em síntese: A lei complementar nº 105/2001 permite que a Receita Federal tenha acesso às informações bancárias, independentemente de autorização judicial. Incabível na esfera administrativa apreciar argumentos que impugnam a legalidade ou constitucionalidade das normas vigentes, por ser prerrogativa exclusiva do poder judiciário. A única forma para descaracterizar a presunção legal de rendimentos omitidos é a comprovação individualizada da origem dos depósitos, o que deve ser feito através demonstração da coincidência de data e valor entre o crédito e a sua alegada origem, especialmente quando se considera que o exercício de uma atividade não exclui a possibilidade de outras fontes de rendimentos. Fl. 3146DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 30 5 Por esse motivo, não se poderia admitir como prova da origem dos depósitos a demonstração do exercício de atividade rural, especialmente quando não se demonstra a correspondência entre os documentos apresentados e os depósitos em questão. Recurso Voluntário Intimado em 18/03/2008, fl. 317, irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 318/330) em 17/04/2008. Em síntese, repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação, acrescentando basicamente: A recorrente é casada em comunhão universal de bens com o Sr. Olinto Pereira, exercendo conjuntamente com ele, além da própria relação marital, atividade rural, concentrada no ramo da avicultura, o que pode ser verificado através da documentação apresentada, qual seja: cópia de GPS que comprova que o Sr. Olinto Pereira recolhe seus encargos à seguridade social na forma de produtor rural, declarações de ITR das Fazendas de sua propriedade, onde se pode verificar que nelas são exercidas atividades relativas à criação de aves, bem como documentação relativa aos funcionários destas fazendas (folha de pagamento e C.T.P.S de seus funcionários e guias de recolhimento do FGTS). Alega que o esposo da contribuinte na condição de produtor avícola pessoa física goza de benefícios fiscais, tais como de ICMS, onde há dispensa da emissão de nota fiscal para a comercialização de seus produtos, o que justifica a ausência de documentação. É plenamente possível justificar a movimentação bancária da contribuinte através do exercício de sua atividade rural. Os cálculos de participação dos integrados (resultado das parcerias), bem como as planilhas de resultados zootécnicos de frango de corte e, ainda, a quantidade de insumos adquiridos durante o período fiscalizado, comprovam que houve grande movimentação financeira durante o ano de 2004, o que justificaria a movimentação bancária. Em 03/08/2013, a Recorrente apresentou razões aditivas ao Recurso Voluntário, juntando documentos e alegando em síntese (fls. 343/362): O cabimento da juntada de documentos a qualquer tempo. Refere a recorrente que os artigos 3º, III, e 38 da Lei 9.784/99 garantem aos interessados a juntada de documento até antes da decisão do órgão competente na medida em que estabelecem o princípio da verdade material. No mérito, discorre sobre vício material no auto de lançamento, em decorrência de erro na tipificação do enquadramento legal e do montante tributável. Argumenta que o auto de infração enquadrou o contribuinte na hipótese do art. 42 da Lei nº 9.430/99, cumulado com o art. 849 do RIR/99, ao passo que as suas operações decorrem da atividade rural, sendo tributável apenas os seus resultados positivos,na forma do art. 57 do RIR/99. Alega que apresentou documentação comprobatória de sua atividade rural como avicultor, desde a primeira intimação até à sua impugnação, tal como: os contratos de parceria para a exploração avícola (fls. 282/307), recibos de ITR(fl. 196/219); folhas de pagamento de seus funcionários Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 31 6 rurais (fls. 235/281); comprovantes de compras de mercadorias isentas de ICMS que goza por ser produtor ruralno Estado da Bahia (fls220/234). Postula o afastamento da presunção relativa do art. 42 da Lei 9.430/96, explicando os ingressos ocorridos em sua conta corrente. Assim, aduz erro na base de cálculo da exação, porquanto a base de cálculo do IRPF para o produtor rural é o lucro adquirido com a sua atividade, ao passo que a base de cálculo utilizada foi a receita ou faturamento. De mesma forma, refere que nos casos de produtor rural devese aplicar alíquota no percentual de 20% do IRPF, por força do art 71 do RIR/99, trazendo no documento 12, planilhas que demonstrariam a comprovação dos ingressos nas contas correntes do autuado com a respectiva referência ao ReciboFatura da Atividade Rural e o respectivo número, de forma que cada um dos ingressos da conta corrente teria sua referência probatória a cada um dos comprovantes de venda frango da atividade rural. Informa que todas as contas correntes objeto da autuação são contas conjuntas entre a autuada e o seu cônjuge Olinto Alves, o qual exerce a atividade rural ostensivamente em nome próprio, por isso a documentação encontrase em nome dele. Em nome da contribuinte autuada há somente a distribuição de lucros de empresa, já que a atividade autuada (ingressos em conta corrente) referese à movimentação exercida por seu cônjuge em relação à atividade rural. Relata que o fiscal considerou como rendimento depósitos de diversos cheques, mas não retirou da base de cálculo os cheques que eram devolvidos (por ausências de fundos ou quaisquer outros motivos), constando nas planilhas juntadas (fls. 538/560) os valoresdiários/mensais dos montantes que podem ser consultados nos extratos que constam do Auto de Lançamento com a rubrica de Cheques Devolvidos, no total de R$ 145.532,80. Entende que, sendo a recorrente uma das sócias da empresa Avigro Avícola Agroindustrial Ltda., recebe lucros e dividendos, sendo tais ingressos isentos do imposto de renda, na forma do art. 10 da Lei nº10.925/95, postulando a exclusão de R$ 277.000,00 da base de cálculo do auto de lançamento. Aponta que parte dos valores considerados pela autuação decorrem de ingressos à titulo de benefício da previdência social Por essa razão, requer a retirada de R$ 17.960,70decorrente de recebimento de benefício do INSS por invalidez; R$ 3.040,00, relativos a rendimentos declarados na DIRPF 2004, cuja tributação se deu de forma ordinária naquele ano base, bem como R$ 5.540,98, que sofreram tributação exclusiva. Afirma que a autuação considerou para fins de apuração da base de cálculo as transferências ocorridas entre contas próprias, da recorrente, como se fosse renda por ela recebida, indicando planilha acostada à fl. 14 do auto de infração. Por fim, consigna vício material no lançamento, uma vez que teria considerado diversos valores descritos como resgates de aplicação e que constaram na base de cálculo como renda da contribuinte. Juntamente às razões aditivas traz os seguintes documentos: Relação de Cheques devolvidos, com planilhas referentes a “relação de cheques depositados e devolvidos”, Justificativa da Movimentação Analítica; Justificativa da Movimentação Consolidada Mensal; Resultados Consolidados Olinto Pereira Alves e Heda Maria Mascarenhas Alves. (Doc. 12, fls. 538/560), Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 32 7 Recibos de Distribuição de Lucros (fls. 561/568); Contrato Social da Empresa (fls. 569/575); DIRPF de comprovação dos benefícios previdenciários (fls. 576/580). Faturas bancárias, boletos bancários e faturas de venda de frango (fls. 581/928). Livro Caixa da atividade Rural exercida pela autuada e Resultado Consolidado(fls. 930/975). Livro Caixa da Atividade Rural em Conjunto (fls.977/1023). Escrituras públicas das fazendas onde exerce a atividade rural de avicultura e comprovante de pagamento dos ITR das referidas propriedades (fls. 1024/1183). Contratos de integração rural (fls. 1184/1205) Guias da Previdência Social, cópias da GEFIP/SEFIP, relativas aos funcionários que trabalhavam nas Fazendas exercendo a atividade rural de criação de aves, em relação ao anocalendário de 2004 (fls. 1206/1271) Recibos de férias, aviso prévio, rescisões e de salários de funcionários que exerciam atividade rural, bem como resumo da folha de pagamento(fls. 1273/1337 e (fls.1351/2000). Notas fiscais e recibos de compras de pintos de um dia e ração para estes animais, utilizados como insumos no desenvolvimento da atividade rural (fls.2001/2298). Recibos de venda de frango (faturarecibo Produtor Rural) em seu nome próprio como produtor rural pessoa física (fls. 2300/3107) As razões aditivas, bem como os documentos apresentados foram juntadas em anexos ao processo e determinado o pronunciamento sobre a possibilidade de seu recebimento quando do julgamento por este Tribunal (fl. 343). A Procuradoria da Fazenda Nacional manifestouse às fls. 742/743, requerendo não fossem conhecidas as razões aditivas e os documentos apresentados pela Recorrente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro FabioBrunGoldschmidt, Relator. Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 33 8 O recurso é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Recebimento das Razões Aditivas e das Provas O recorrente trouxe, após a interposição de seu Recurso Voluntário, razões aditivas e novas provas com o intuito de comprovar os fatos declarados. O artigo 16, § 5º, do Decreto 70.235/72, dispõe que a juntada de documentos após a impugnação, deverá ser requerida à autoridade julgadora, com fundamentos que justifiquem a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, ou, refirase a fato ou direito superveniente. Compulsando a documentação trazida percebese que se trata de comprovações pertinentes ao caso e que, embora não tenham sido apresentadas quando da impugnação, referemse aos argumentos já defendidos pela Recorrente desde a sua resposta à fiscalização, a saber: de que os rendimentos supostamente omitidos decorrem da atividade rural exercida pelo seu esposo e outros questionamentos como em relação à base de cálculo apresentada, tais como a contabilização de dividendos pagos à recorrentepelas empresa de atividade rural. Dentre tais provas, destacamse principalmente os recibos de venda de frango (faturarecibo Produtor Rural) em nome do esposo da recorrente como produtor rural pessoa física (fls. 2300/3107); faturas bancárias, boletos bancários e faturas de venda de frango (fls. 581/928); e o Livro Caixa da atividade rural exercida (fls. 930/1023). Tais provas possuem intuito de comprovar a origem dos depósitos indicados na autuação, bem como relacionar tais depósitos ao exercício da atividade rural. O acórdão recorrido, por sua vez, foi categórico ao rechaçar as razões da ora Recorrente, sob o argumento de que (fl. 312): “As determinações que individualizam um depósito são necessariamente a sua data e o seu valor. Logo, é impossível uma comprovação individualizada, senão através da demonstração da coincidência de data e valor entre o crédito e a sua alegada origem, especialmente quando se considera que o exercício de uma atividade não exclui a possibilidade de outras fontes de rendimentos, formais ou informais, lícitas ou não. Por este motivo, não se pode admitir como prova da origem dos depósitos a demonstração do exercício de atividade rural, especialmente quando não se demonstra a correspondência entre os documentos apresentados e os depósitos em questão.” Percebese que as razões e documentações apresentadas buscam contestar ponto específico da decisão da primeira instância que, ao analisar a documentação até então apresentada, a julgou insuficiente para comprovar o alegado pela recorrente. Devidamente caracterizada, portanto, a hipótese prevista no artigo 16, § 5º, do Decreto 70.235/72. Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 34 9 Uma vez aceita a possibilidade de juntada de novos documentos após a Decisão de Primeira Instância e até o julgamento do Recurso, não há qualquer óbice que sejam juntados os documentos através de razões aditivas ao Recurso Voluntário, tendo havido a devida notificação da Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência da apresentação de novas provas (fl. 333). Nesse sentido, inclusive, já decidiu esse Conselho: PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência. (...) (Processo nº19515004221200336Recurso nº Voluntário Acórdão nº 10617111 – Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária, Sessão de 09 de outubro de 2008). JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. (Processo nº 11080.727044/201115Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.402 – 2ª Turma Especial, Sessão de 19 de junho de 2013) Portanto, acolho o pedido do recorrente quanto ao recebimento e análise dos documentos juntados em sede de Razões aditivas ao Recurso Voluntário. Quebra de sigilo bancário Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 35 10 A recorrente insurgiuse quanto ao procedimento fiscalizatório, sob o argumento de houve violação ao sigilo das informações bancárias pela via administrativa. Ocorre que, por tudo que consta nos autos, não verifico a quebra de sigilo fiscal, já que todo procedimento fiscal se baseou em documentos apresentados pelo contribuinte, não tendo a autoridade fiscal se valido de requisições de movimentação financeira para outras instituições. Assim, se verifica da própria declaração da contribuinte à fl. 148, onde afirma ter sido ela a apresentar as informações e extratos bancários de sua titularidade. Por esta razão, uma vez que não há qualquer fundamento que justifique o pedido do recorrente quanto à nulidade do auto de infração por quebra de sigilo bancário, entendo que não deve prosperar a irresignação. Da Omissão de Rendimento Os Depósitos Bancários com origem na Atividade Rural Alega a recorrente a inexistência da omissão de rendimentos, porquanto os valores creditados na sua conta corrente são provenientes da atividade rural exercida conjuntamente ao seu esposo, Sr. Olinto Pereira, devendo ser tributada a omissão no percentual de 20% sobre a receita bruta, nos termos da Lei 8.023/90. Sob esse aspecto, a Recorrente desde a fiscalização comprovou que o seu esposo, com quem mantinha conjuntamente as contasque foram objeto da atuação, exercia a atividade rural, conforme se depreende dos seguintes documentos: Certidão de Casamento (fl. 181); Documento de Informações e Atualização Cadastral do ITR (fl. 196/219); Notas Fiscais de Avigro Avícola Agroindustrial Ltda. (fls. 220/221); Notas Fiscais de aquisição de Insumos (fls. 222/234); Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, CEI e folhas de pagamento (fls. 235/281); e Contratos de Integração Rural (fls. 282/307). Aos documentos já apresentados, somamse outros juntados nas razões aditivas ao Recurso Voluntário, tais como o Contrato Social da EmpresaAvigro Avícola Agroindustrial (fls. 569/575); os Contratos de integração rural firmados pelo Sr. Olinto Pereira, esposo e cotitular das contas correntes objeto da autuação (fls. 1184/1205), Notas fiscais e recibos de compras de pintos de um dia e ração para estes animais, utilizados como insumos no desenvolvimento da atividade rural (fls.2001/2298), dentro outros. Todavia, a mera caracterização do exercício de atividade rural, não é razão a priori para afastar a presunção da omissão de rendimentos prevista no art. 42,caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 36 11 Assim, o mero exercício da atividade rural, como bem referido na decisão recorrida, não é suficiente para afastar a presunção da omissão de rendimentos (fl. 312): “As determinações que individualizam um depósito são necessariamente a sua data e o seu valor. Logo, é impossível uma comprovação individualizada, senão através da demonstração da coincidência de data e valor entre o crédito e a sua alegada origem, especialmente quando se considera que o exercício de uma atividade não exclui a possibilidade de outras fontes de rendimentos, formais ou informais, lícitas ou não. Por este motivo, não se pode admitir como prova da origem dos depósitos a demonstração do exercício de atividade rural, especialmente quando não se demonstra a correspondência entre os documentos apresentados e os depósitos em questão.” Todavia, pelas razões aditivas ao Recurso Voluntário conjuntamente às novas provas trazidas (fls. 343/3107), pela recorrente percebese que é possível verificar as origem de parte dos depósitos realizados.Vejamos. Alega a Recorrente que o auditor fiscal equivocouse ao determinar como base de cálculo para a exigência do IRPF como sendo o total de ingressos em suas contas correntes. Assim indica que a base imponível da tributação seria de R$ 227.116,00, referente ao lucro da atividade rural, e não o valor de R$ 977.350,33 que decorre da atividade rural exercida pela Recorrente e pelo seu esposo (fl. 355). Para comprovar tal base de cálculo a Recorrente traz dois LivrosCaixa da atividade rural, um próprio do Sr. Olinto Pereira (esposo da Recorrente) e outro da atividade rural exercida em conjunto com o Sr. Lourival Nascimento, outro sócio da Empresa Avigro Avícola Agroindustrial Ltda. (fls. 569/575), na forma das fls. 930/1023. Para comprovar que os depósitos objeto da autuação tem sua origem comprovada e decorrem do exercício da atividade rural, a recorrente traz planilha “Justificativa de Movimentação” (fls. 549/560), onde indica a origem dos valores depositados na contacorrente do Banco do Brasil nº 59846 que serviram de base para a autuação (fls.137/142). Na planilha, individualizou, em todos os meses do anocalendário de 2004, certos depósitos supostamente omitidose o número da fatura que originou tal ingresso. A título de exemplo, tomemos a planilha elaborada para o mês de janeiro de 2004: Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 37 12 Tais valoresforam objeto da autuação, como se observa do Demonstrativo dos Depósitos/Créditos formulados pela autoridade fiscalizadora (fls. 137): Diante de tais depósitos, foram analisadas as faturas indicadas: Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 38 13 Cumpre esclarecer que tomo por boas as faturas indicadas, pelas seguintes razões: as faturas fornecem elementos adequados e condizentes com a prática da atividade rural, nominando o comprador, endereçamento, descrição quantidade e valor das mercadorias, sendo emitidas de maneira lógica e ordenada durante todo o ano verificado, encontrando em grande volume correspondência direta no Livro Caixa apresentado (fls. 982 e ss.): Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 39 14 Com base em tais informações, cotejando os números das faturas indicadas nas planilhas de fls 549/560, com as respectivas cópias das mesmas trazidas pela Recorrente, percebese que tais depósitos decorrem de receitas de atividade rural, já que em valores e datas condizentes com as faturas emitidas pelo esposo da Recorrente. Foram autuados 12 meses, referentes ao anocalendário de 2004. Relativamente a este período, trouxe depósitos de contas nas seguintes instituições: Banco do Brasil (contas 11.7676 e 5.9846), Banco do Nordeste (conta 31.3937), HSBC (conta 37261 54). Dentre estas o contribuinte traz comprovação expressa e individualizada da conta do Banco do Brasil nº 5.9846. Passase, agora, a elencar cada um dos depósitos que entendo como devidamente comprovado, relativamente à conta referida. Assim, no referido mês de janeiro de 2004, temos a seguinte comprovação: JANEIRO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 02.01.04 R$ 16.794,56 340 2380 02.01.04 R$ 4.559,80 341 2381 05.01.04 R$ 4.000,00 342 2382 59846 (Banco do Brasil) 06.01.04 R$ 218,70 Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 40 15 07.01.04 R$ 13.064,10 343 2383 09.01.04 R$ 10.663,00 344 2384 09.01.04 R$ 4.250,00 345 2385 09.01.04 R$ 6.500,00 346 2386 09.01.04 R$ 3.900,00 347 2387 14.01.04 R$ 5.130,00 348 2388 15.01.04 R$ 2.000,00 349 2389 19.01.04 R$ 6.000,00 350 2390 19.01.04 R$ 6.440,00 351 a 352 2391/2392 19.01.04 R$ 16.252,00 351 a 352 2391/2392 19.01.04 R$ 30,00 351 a 352 2391/2392 19.01.04 R$ 30,00 351 a 352 2391/2392 19.01.04 R$ 5,00 23.01.04 R$ 3.899,00 23.01.04 R$ 7.278,60 Valores Totais: R$ 111,014,76 Valores com origem reconhecida: R$ 99.613,46 Assim, da base de cálculo consolidada para o mês de janeiro de 2004, referente a depósitos ocorridos na conta 59846, no valor R$ 111.014,76, (fl.161) temos que R$ 99.613,46, tem sua origem reconhecida de forma individualizada, decorrendo da atividade rural exercida pela Sr. Olinto Pereira, esposo da recorrente. Assim, sucede com outros meses. FEVEREIRO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 04.02.04 R$ 2.000,00 354 2443 09.02.04 R$ 9.970,04 355 2444 11.02.04 R$ 6.650,77 (570 +5445,20 +635,57) 356 2445 13.02.04 R$ 3.000,00 357 2446 16.02.04 R$ 4.560,00 358 2447 17.02.04 R$ 7.581,99 359 2448 18.02.04 R$ 160.000,00 Excluído na fase fiscalizatória (fl. 160) 25.02.04 R$ 5.000,00 360 2449 26.02.04 R$ 13.670,97 361 2450 27.02.04 R$ 11.397,99 362 2451 59846 (Banco do Brasil) Valores Totais: R$ 223.831,76 Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 41 16 Valores com origem reconhecida: R$ 63.831,76 MARÇO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 01.03.04 R$ 2.879,10 973 2577 02.03.04 R$ 4.016,00 972 2576 02.03.04 R$ 7.972,51 971 2575 05.03.04 R$ 9.056,00 970 2574 08.03.04 R$ 8.000,00 969 2573 09.03.04 R$ 1.813,33 968 2572 11.03.04 R$ 3.517,00 (1.592,5+1.924,5) 967+966 25712572 11.03.04 R$ 115,50 965 2569 15.03.04 R$ 6.604,76 964 2568 17.03.04 R$ 6.604,76 17.03.04 R$ 9.755,90 (8.755,9= 3254,42 +2141,03+3360,35) 960 – 962 256664 18.03.04 R$ 2.375,78 22.03.04 R$ 11.883,00 23.03.04 R$ 8.931,42 24.03.04 R$ 6.643,00 958 2562 25.03.04 R$ 6.083,00 29.03.04 R$ 10.000,00 955 2559 30.03.04 R$ 8.359,60 952 2553 31.03.04 R$ 5.705,17 953 2554 59846 (Banco do Brasil) Valores Totais: R$ 120.315,83 Valores com origem reconhecida: R$ 84.437,87 ABRIL 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 02.04.04 R$ 1.728,00 363 2637 02.04.04 R$ 370,60 363 2637 02.04.04 R$ 11.866,36 364 2638 06.04.04 R$ 1.000,00 365 2639 59846 (Banco do Brasil) 07.04.04 R$ 10.136,70 366 2640 Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 42 17 07.04.04 R$ 5.000,00 366 2640 08.04.04 R$ 4.440,51 367 2641 08.04.04 R$ 1.851,93 368 2642 13.04.04 R$ 8.424,20 (7171,7+670,83 +581,87) 369 2643 14.04.04 R$ 126,23 370 2644 15.04.04 R$ 2.900,00 371 2645 15.04.04 R$ 4.661,00 372 2646 19.04.04 R$ 4.076,00 373 2647 23.04.04 R$ 10.295,00 374 2648 29.04.04 R$ 302,00 375 2649 30.04.04 R$ 6.000,00 376 2650 Valores Totais: R$ 73.178,53 Valores com origem reconhecida: R$ 73.178,53 MAIO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 03.05.04 R$12.622,00 422 2651 05.05.04 R$ 5.026,00 423 2696 06.05.04 R$ 5.166,64 424 2697 10.05.04 R$ 8.200,00 17.05.04 R$ 15.270,00 427+428 2700+2701 20.05.04 R$ 7.000,00 429+430 2702+2703 20.05.04 R$ 3.194,50 429+430 2702+2703 21.05.04 R$ 6.850,50 432 2705 21.05.04 R$ 167,00 21.05.04 R$ 238,00 431 2704 21.05.04 R$ 5.000,00 431 2704 24.05.04 R$ 20.000,00 432434 2708/2010 28.05.04 R$ 15.515,78 438 2711/2712 28.05.04 R$ 53,00 439 2711/2712 59846 (Banco do Brasil) Valores Totais: R$ 104,303,42 Valores com origem reconhecida: R$ 95.936,42 Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 43 18 JUNHO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 03.06.04 R$ 27.436,00 707709 2747/2749 07.06.04 R$ 15.981,86 710 2750 07.06.04 R$ 10,000,00 08.06.04 R$ 2.150,00 711 2751 11.06.04 R$ 8.575,00 712 2752 16.06.04 R$ 10.337,28 713 2753 22.06.04 R$ 10.000,00 714/715 2754/2755 23.06.04 R$ 10.000,00 716/717 2756 e 2760 25.06.04 R$ 500,00 718 2761 30.06.04 R$ 2.000,00 30.06.04 R$ 500,00 59846 (Banco do Brasil) Valores Totais: R$ 97.480,14 Valores com origem reconhecida: R$ 84.980,14 JULHO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 01.07.04 R$ 3.676,84 654 2858 05.07.04 R$ 576,09 655 2859 06.07.04 R$ 20.000,00 656 2859 08.07.04 R$ 2.500,00 657 2861 09.05.04 R$ 5.000,00 658 2862 13.07.04 R$ 4.205,81 659 2863 16.07.04 R$14.309,33 660 2864 21.07.04 R$ 5.159,00 661 2865 22.07.04 R$ 8.000,00 662 2866 26.07.04 R$ 9.570,00 663 2867 29.07.04 R$ 12.591,20 664 2868 30.07.04 R$ 7.151,84 665 2869 59846 (Banco do Brasil) Valores Totais: R$ 92.740,11 Valores que origem reconhecida: R$ 92.740,11 Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 44 19 AGOSTO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 03.08.04 R$ 1.600,00 757 2911 03.08.04 R$ 4.000,00 757 2911 03.08.04 R$ 2.900,00 /758 2912 04.08.04 R$ 12.000,00 759 2913 05.08.04 R$ 7.561,60 760 2914 06.08.04 R$ 10.000,00 761 2915 09.08.04 R$ 5.928,02 762 2916 16.08.04 R$ 10.000,00 763 2917 19.08.04 R$ 5.000,00 764 2918 20.08.04 R$ 10.000,00 765 2919 23.08.04 R$ 260,00 24.08.04 R$ 10.000,00 766/767 2920/2921 25.08.04 R$ 3.000,00 768 2922 26.08.04 R$ 5.000,00 769 2923 30.08.04 R$.6.000,00 770 2924 59846 (Banco do Brasil) Valores Totais: R$ 93.249,62 Valores que origem reconhecida: R$ 92.989,62 SETEMBRO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 02.09.04 R$ 6.623,48 810 2934 03.09.04 R$ 14.953,33 811 2935 08.09.04 R$ 20.00,00 13.09.04 R$9.047,50 812 2936 13.09.04 R$1.352,20 813 2937 14.09.04 R$ 2.996,54 814 2580 15.09.04 R$10.803,00 815 2939 17.09.04 R$ 295,00 816 2940 20.09.04 R$ 14.000,00 21.09.04 R$ 4.900,00 817 2941 23.09.04 R$ 20.000,00 29.09.04 R$10.000,00 818 2942 59846 (Banco do Brasil) Valores Totais: R$ 114.971.05 Valores com origem R$ 60.971,05 Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 45 20 reconhecida: OUTUBRO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 04.10.04 R$ 10.000,00 08.10.04 R$ 10.000,00 13.10.04 R$ 9.990,02 797 2972 13.10.04 R$ 9.821,44 798 2973 13.10.04 R$ 9.887,47 799 2974 14.10.04 R$ 1.400,00 14.10.04 R$ 960,00 15.10.04 R$ 5.000,00 800 2975 18.10.04 R$ 7.203,20 851 2976 19.10.04 R$ 20.539,00 852 2977 20.04.04 R$ 16.975,00 853 2978 20.04.04 R$ 9.794,26 854 2979 22.10.04 R$ 21.956,20 855 2980 25.10.04 R$ 470,00 856 2981 26.10.04 R$ 11.736,80 857 2982 27.04.04 R$ 1.412,80 858 2983 28.04.04 R$ 14.344,87 859 2984 29.10.04 R$ 6.000,00 29.10.04 R$ 537,20 59846 (Banco do Brasil) Valores Totais: R$ 168.028,26 Valores com origem reconhecida: R$ 139.131,06 NOVEMBRO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 01.11.04 R$ 5.265,99 03.11.04 R$ 738,90 821 2990 04.11.04 R$ 8.470,00 823 2992 04.11.04 R$ 22.240,44 824 2993 05.11.04 R$ 19.230,16 829 2998 09.11.04 R$ 228,49 937 3006 09.11.04 R$ 13.764,00 838 3007 09.11.04 R$ 13.764,00 839 3008 11.11.04 R$ 18.000,00 841 3010 11.11.04 R$ 18.011,15 845 3014 12.11.04 R$ 2.892,05 847 3016 59846 (Banco do Brasil) 12.11.04 R$ 1.550,00 846 3015 Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 46 21 16.11.04 R$ 15.000,00 901 3020 16.11.04 R$ 150,00 850 3019 17.11.04 R$ 6.180,00 902 3021 19.11.04 R$ 1.448,00 22.11.04 R$ 19.510,00 23.11.04 R$ 27.770,36 916 3035 24.11.04 R$ 48.284,95 917/919 3036/3038 25.11.04 R$ 2.000,00 924 3043 26.11.04 R$ 2.665,00 925 3044 29.11.04 R$ 143,60 930 3049 Valores Totais: R$ 247.307,09 Valores com origem reconhecida: R$ 221.083,10 DEZEMBRO 2004 Conta Corrente Data Valor Fatura nº Fatura fl.nº 01.12.04 R$ 7.962,00 935 3092 02.12.04 R$ 6.583,37 936 3093 03.12.04 R$ 12.302,00 937 3094 07.12.04 R$ 22.738,76 938 3095 09.12.04 R$ 20.431,50 939 3096 13.12.04 R$ 16.373,27 940 3097 15.12.04 R$ 29.354,55 941 3098 16.12.04 R$ 15.652,50 942 3099 16.12.04 R$ 2.325,15 943 3100 17.12.04 R$ 14.856,17 20.12.04 R$ 9.248,00 21.12.04 R$ 10.339,20 944 3101 22.12.04 R$ 13.698,50 945 3102 23.12.04 R$ 16.098,50 946 3103 23.12.04 R$ 1.012,00 24.12.04 R$ 4.000,00 947 3104 28.12.04 R$ 21.809,22 948 3105 30.12.04 R$ 50.000,00 lucro 59846 (Banco do Brasil) 30.12.04 R$ 50.000,00 lucro Razão Analítico fl. 568 e recibos Valores Totais: R$ 324.784,69 Valores com origem reconhecida: R$ 299.668,52 Valor total a ser excluído da base de cálculo R$ 1.408.561,64 Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 47 22 A documentação trazida corrobora as afirmações feitas desde a fiscalização de que os depósitos supostamente omitidos na CC 59846 (Banco do Brasil), em sua quase totalidade, eram decorrentes da atividade rural exercida pela Recorrente e por seu esposo. Ainda, em relação àCC 59846 (Banco do Brasil), referente à parte dos valores, cujas faturas não foram encontradas, sustenta a Recorrente que se trata de cheques devolvidos, logo após o ingresso na conta corrente, de forma a não configurar o fato gerador do imposto de renda. Juntou a planilha fls. 546 onde enumera os cheques, seu respectivo valor e a data de devolução. Analisando a planilha de depósitos cuja origem a fiscalização entendeu não comprovada, conjuntamente à planilha juntada pelo Recorrente às fls. 546/548, e os extrato bancário da conta corrente em questão fls 19/94, percebese que a fiscalização equivocadamente lançou na base de cálculo os seguintes cheques devolvidos: Data de Devolução Número do Cheque Valor Fiscalização elencou o depósito como omissão de rendimento 02/01/04 850102 RS 218,00 Fl. 137 01/03/04 850426 R$ 4.016,00 Fl. 137 18/03/04 72 R$ 6.604,76 FL.138 25/06/04 875 R$ 500,00 Fl. 138 22/12/04 12974 R$ 1.012,00 Fl. 140 Valor Total R$ 12.350,76 Cumpre salientar que, embora haja outros cheques devolvidos no lançamento, não os contabilizo porque, de acordo com planilha da atividade rural, eles tiveram sua origem comprovada e já foram contabilizados na planilha anterior. Ademais, tratandose de cheques devolvidos, necessária a exclusão do respectivo depósito da base de cálculo da omissão de rendimentos, conforme já explanado neste Tribunal: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. (...) Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 48 23 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. Recurso voluntário provido em parte. ( 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Relator(a) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRANº Acórdão 2101002.423) No tocante à distribuição de lucros de pessoa jurídica, a Recorrente argumenta que, sendo sócia da empresa Avigro Avícola Agroindustrial Ltda, percebe lucros e dividendos decorrentes de suas cotas. Por essa razão, requereu a exclusão da base de cálculo o valor de R$ 277.000,00, dada a isenção inerente à espécie tributária. Entendo que, no ponto, não merece ser provido o recurso. Em que pese traga em razões aditivas, os recibos simples de pagamento de lucros ao seu esposo, Olinto Pereira Alves (fls. 564/567), e o razão analítico atestando a ocorrência de lucros/prejuízo do exercício (fls. 568), não trouxe o requerente acomprovação de que os mesmos tenham sido efetivamente pagos, nem a relação discriminada de origem dos depósitos. ao pagamento de lucros, à exceção dos dois depósitos de R$ 50.000,00, lançados em 30/12/2004, que relaciona data de pagamento no recibo, no razão analítico e nos extratos bancários. Tais valores foram objeto de exclusão em nossa planilha de origem de rendimentos da atividade rural (mês de dezembro de 2004). Por fim, o requerente postula a exclusão dos seguintes valores constantes na DIRPF de fls. 577/580: R$ 17.960,70 que decorrem de ingressos a titulo de benefício da previdência social,decorrentes de recebimento de benefício do INSS por invalidez. R$ 3.040,00, relativos a rendimento tributável declarado na DIRPF 2004, na forma da DAA de fls. 580. R$ 5.540,48, relativo a rendimentos na caderneta de poupança e em fundos de investimento que sofreram tributação exclusiva, na forma da DAA de fls 578. No que se refere à tributação de valores recebidosà título de benefício da previdênciasocial, a contribuinte traz planilha de fl. 544, onde consta os valores supostamente recebidos. Confrontando referido documento à planilha de créditos decorrentes de benefícios previdenciaríos excluídos durante o processo de fiscalização (fls. 160), temos a seguinte situação: Meses Valores que o contribuinte indica como decorrentes de benefício previdenciário (fl. 544) Valores excluídos na fiscalização a título de benefício previdenciário (fl. 160) Janeiro Fevereiro R$ 1.713,38 Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 49 24 Março Abril R$ 1.567,41 R$ 1.567,41 Maio R$ 1.567,41 R$ 1.567,41 Junho R$ 1.638,40 R$ 1.638,40 Julho R$ 1.638,40 R$ 1.638,40 Agosto R$ 1.638,40 R$ 1.638,40 Setembro R$ 1.638,40 Outubro R$ 1.638,40 R$ 1.638,40 Novembro R$ 1.638,40 R$ 1.638,40 Dezembro R$3.282,10 R$ 3.272,10 Total R$ 17.960,7 R$ 14.598,92 Analisando as duas planilhas percebese a existência de um saldo de R$ 3.361,78, favorável aos valores informados pela contribuinte. Tal diferença decorre das quantias indicadas em fevereiro, no valor de R$ 1.713,38, e no mês de setembro, no valor de R$ 1.638,40. Cotejando tais quantias ao demonstrativo de depósitos/créditos formulado pela Fiscalização em relação à Conta Corrente BB 11.7676 (fls. 141/142), percebese que somente foi considerada como depósito omitido a parcela relativa ao mês de fevereiro, não constando dentre os depósitos investigados pela fiscalização a quantia indicada pela contribuinte no mês de setembro. Sendo assim, dentre todas as parcelas indicadas pela contribuinte somente a parcela relativa ao mês de fevereiro foi considerada como base de cálculo da exação. Todavia, quanto a essa parcela específica a contribuinte não trouxe prova, seja na Declaração de imposto de renda (fls. 579), seja em algum comprovante de recebimento, que comprove ser um efetivo recebimento a título de benefício previdenciário. Quanto à exclusão de valores de R$ 3.040,00, relativos a rendimento tributável declarado, entendo que o mesmo não pode ser excluído da base de cálculo do valor lançado, haja vista que a contribuinte não demonstrou vinculação entre o seu recebimento e os depósitos que originaram a autuação. Ademais, tratase de quantia não tributada, conforme atesta a DAA de fl. 580. No tocante, a exclusão dos valores na monta deR$ 5.540,48,relativo a rendimentos tributados exclusivamente na fonte, na forma como declarado na DAA da fl. 578, entendo que não prospera o recurso da contribuinte. Os rendimentos tributados exclusivamente ficam sujeitos à tributação definitiva não compondo a base de cálculo tributada na apuração anual. Assim, se não podem ser deduzidos quando da declaração anual do imposto,menos ainda dos valores lançados em decorrência da omissão de rendimentos decorrentes de depósito bancário de origem não comprovada. Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 50 25 Diante do exposto, concluo pela parcial procedência do recurso voluntário, para fins deexcluir da base de cálculo os depósitos cuja origem foi devidamente demonstrada no valor de R$ 710.456,20, referentes ao rateio de 50%, previsto no art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96, do total de 1.420.912,4, composto de R$ 1.408.561,64, correspondente ao montante total dos depósitos realizados pela empresa Avigro Avícola Industrial na contaconjunta CC 59846 (Banco do Brasil), e R$ 12.350,76, decorrentes de valores referentes a cheques devolvidos.Tais exclusões devem ser feitas mês a mês, como forma de melhor estabelecer a incidência dos juros sobre o lançamento, como segue: Conclusão Isso posto, entendo pelo PARCIAL PROVIMENTO do Recurso Voluntário, para fins de excluir da base de cálculo do lançamento os seguintes valores que tiveram sua origem devidamente comprovada: JAN/04 R$ 49.915,73 FEV/04 R$ 31.915,88 MAR/04 R$ 47.529,32 ABR/04 R$ 36.589,27 MAI/04 R$ 47.968,21 JUN/04 R$ 42.740,07 JUL/04 R$ 46.370,06 AGO/04 R$ 46.494,81 SET/04 R$ 30.485,53 OUT/04 R$ 69.565,53 NOV/04 R$ 110.541,55 DEZ/04 R$ 150.340,26 Meses Depósitos com origem comprovada Cheques devolvidos Total no mês 50% da contribuinte JAN/04 R$ 99.613,46 R$ 218,00 R$ 99.831,46 R$ 49.915,73 FEV/04 R$ 63.831,76 R$ 63.831,76 R$ 31.915,88 MAR/04 R$ 84.437,87 R$ 4.016,00 + R$ 6.604,76 = R$ 10.620,76 R$ 95.058,63 R$ 47.529,32 ABR/04 R$ 73.178,53 R$ 73.178,53 R$ 36.589,27 MAI/04 R$ 95.936,42 R$ 95.936,42 R$ 47.968,21 JUN/04 R$ 84.980,14 R$ 500,00 R$ 85.480,14 R$ 42.740,07 JUL/04 R$ 92.740,11 R$ 92.740,11 R$ 46.370,06 AGO/04 R$ 92.989,62 R$ 92.989,62 R$ 46.494,81 SET/04 R$ 60.971,05 R$ 60.971,05 R$ 30.485,53 OUT/04 R$ 139.131,06 R$ 139.131,06 R$ 69.565,53 NOV/04 R$ 221.083,10 R$ 221.083,10 R$ 110.541,55 DEZ/04 R$ 299.668,52 R$ 1.012,00 R$ 300.680,52 R$ 150.340,26 TOTAL R$ 1.408.561,64 R$ 1.420.912,40 R$ 710.456,20 Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 51 26 Tais valores correspondem ao rateio de 50%, previsto no art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96, do total de 1.420.912,4, composto de R$ 1.408.561,64, correspondente ao montante total dos depósitos realizados pela empresa Avigro Avícola Industrial na conta conjunta CC 59846 (Banco do Brasil), e R$ 12.350,76, decorrentes de valores referentes a cheques devolvidos. (Assinado digitalmente) Fabio BrunGoldschmidt Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Da Preliminar de Prova Ilícita por Quebra do Sigilo Bancário Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 52 27 Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 53 28 Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.002607/200774 Acórdão n.º 2202002.884 S2C2T2 Fl. 54 29 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto a ilicitude da prova. Acompanho o relator na apreciação das demais questões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10325.000592/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.850
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 59 2/ 20 05 -7 3 Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000592/200573 Resolução nº 3401000.850 S3C4T1 Fl. 1.049 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do COFINS não cumulativo do 1o trimestre de 2005. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 01/05), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência, consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade razão pelo qual dele tomo conhecimento. Como já relatado, o objetivo da diligência era fazer uma análise nos demais documentos contábeis da Recorrente a fim de saber se ela realmente recebera a quantidade de carvão alegada e o valor do crédito existente. Cabe salientar que na primeira análise, no voto de relatoria deste Conselheiro ora relata, acolhido por unanimidade, foi consignado que em razão do Princípio do non reformartio in pejus não se poderia levar em consideração as novas fundamentações da DRJ para negar o direito creditório. Com base nisso, ficou definido que o julgamento do recurso ficaria limitado à analise do motivo que levou a delegacia de origem a não reconhecer o crédito, qual seja, irregularidades das notas fiscais da aquisição de carvão vegetal. Com a delimitação definida acima, também ficou decidido que a mera irregularidade da nota fiscal não é suficiente para indeferir o crédito, pois o que gera o crédito é a aquisição do insumo, de modo que bastaria verificar os demais documentos da Contribuinte, Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000592/200573 Resolução nº 3401000.850 S3C4T1 Fl. 1.050 3 dentre eles, as folhas do livrorazão anexado ao recurso, para saber se realmente houve a aquisição alegada. A diligência não deixou dúvida de que, com base nos documentos analisados, constatouse a aquisição do carvão, bem como a existência de crédito em quantidade superior ao declarado na DACON. A autoridade fiscal também destacou, acertadamente, que o reconhecimento do crédito deve estar limitado ao valor declarado na DACON e pleiteado no pedido de ressarcimento. Em suma, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado, razão pela qual o crédito deve ser reconhecido e as compensações homologadas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório até o limite pleiteado e homologar as compensações declaradas. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de direito creditório com base em ressarcimento de PIS não cumulativo exportação referente a dezembro de 2002. O pedido da contribuinte (a) foi glosado em virtude de irregularidades constatadas em notas fiscais complementares emitidas pela própria contribuinte relacionadas à aquisição de carvão como insumo e também (b) foi glosado da parcela de crédito proveniente de gastos com energia elétrica consumida no mês de dezembro de 2002. Os julgadores a quo não acolheram a contestação da peticionaria por que teria faltado comprovação dos gastos pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país e porque os gastos de energia elétrica em dezembro de 2002 somente geraria crédito se insumo para a produção de bens ou prestação de serviços. Em 03/02/2011 o julgamento desta lide foi convertido por este Colegiado em diligência, entendendo que o recurso do contribuinte se circunscreveu à glosa referente à aquisição de carvão. O Colegiado, naquela ocasião, determinou: "Como visto acima, a nota fiscal não é o único documento hábil à análise do crédito, podendo esse ser verificado, também , pelos livros e demais documentos. Portanto, podese concluir que não é a nota fiscal que gera o crédito, mas sim a atividade destacada na legislação tributária, ou seja, a aquisição de determinados produtos. Sendo assim, basta verificar se a recorrente adquiriu, deveras, a quantidade de carvão alegada e se procedeu à escrituração contábil, bem como o recolhimento correto. A recorrente juntou aos autos as folhas do livro razão e as fichas de controle do IBAMA, para provar a veracidade das operações mencionadas nas notas fiscais complementares, de Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000592/200573 Resolução nº 3401000.850 S3C4T1 Fl. 1.051 4 modo que, com fulcro na verdade material, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, a fim de que sejam cotejadas as folhas do livro razão apresentadas pela recorrente, a fim de verificar a quantidade de carvão adquirida e contabilmente registrada, bem como o valor do crédito por ela gerado. Ao fim da análise, devese fazer relatório pormenorizado, destacandose, se for o caso, a existência a aquisição de carvão na quantidade alegada pela recorrente e o valor de crédito a ser ressarcido." (grifos nossos) A diligência, em sua apuração, se limitou aos dados constantes dos extratos do livro razão e informações do IBAMA que instruíam os autos, e a contribuinte não atendeu a autoridade fiscal apresentando o registro por ela solicitado. A contribuinte, em sua manifestação em resposta a essa diligência, repisa os argumentos de sua contestação levada ao conhecimento dos julgadores a quo. Pede que sejam suas razões apreciadas pelos Conselheiros. Assim, essa lide retorna a este Colegiado. Malgrado a objetividade e a clareza dos votos do Relator, o Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, na sessão de 03/02/2011 e na sessão de hoje, ambas desta 1ª Turma Ordinária, ouso expressar minha carência por mais informações, não atendidas pela diligência anterior, e necessárias, a meu ver, para os Respeitáveis Conselheiros formarem sua convicção conclusiva. Portanto, proponho a este Colegiado converter esse julgamento em diligência para enviar este processo à unidade de jurisdição para: 1. identificar os motivos para a emissão das notas fiscais complementares, e segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os motivos; 2. segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os tipos de fornecedores (se pessoa jurídica ou se pessoa física) e se seu domicílio está ou não em território nacional; 3. identificar, consoante documentação comprobatória, os valores pagos referentes às operações constantes das notas complementares; 4. identificar o somatório dos valores das operações referidos nas notas complementares que possuam documentos e declarações, além do razão e das informações do IBAMA já apresentados, que concorram para comprovar a operação, e identificar o somatório dos valores das operações que não possuam tais comprovações, documentos e declarações. Que a contribuinte seja notificada desta decisão e do resultado da diligência e possa, em cada caso, se manifestar no prazo de 30 dias. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721410/2012-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Silva. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhaes Peixoto e Jhonata Ribeiro da Silva.
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score : 1.0
Numero do processo: 16327.000293/2006-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, incidindo também sobre esta juros de mora. Tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1103-001.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso por maioria, vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, incidindo também sobre esta juros de mora. Tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso por maioria, vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
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Dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa. Recorrente BANCO DAYCOVAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. Os tributos cuja exigibilidade estiver suspensa por força judicial não são dedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NO CARF. À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN), sendo aplicável à espécie a Súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, incidindo também sobre esta juros de mora. Tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 93 /2 00 6- 86 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 296 2 Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso por maioria, vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 297 3 Relatório Tratase de auto de infração de CSLL (anocalendário 2003), com exigência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.17/21). A ciência do contribuinte ocorreu em 16/3/06 (fl.19). No “Termo de Verificação de Infração” (fls.12/16) a fiscalização consignou: na DIPJ/04, o contribuinte adicionou ao lucro real o montante de R$ 7.097.385,81, referente à somatória dos valores registrados na Parte A do LALUR a título de “PIS CONTESTADO JUDICIALMENTE” e “COFINS CONTESTADO JUDICIALMENTE”, porém, quando da apuração da CSLL, não procedeu de forma semelhante; as normas relativas à apuração do IRPJ são aplicáveis à CSLL, quando as que regem esta contribuição não dispõem diversamente; a referência normativa “normas de apuração”, constante do art.3º da Instrução Normativa SRF nº 390/04, indica a aplicação das mesmas regras relativas ao IRPJ, no cálculo do lucro líquido, lucro real e do resultado ajustado para fins de incidência da CSLL; nos termos do art.41, §1º, da Lei nº 8.981/95, os tributos com exigibilidade suspensa estão excluídos da regra estampada no caput, de que, na determinação do lucro real, são dedutíveis segundo o regime de competência; com base na Resolução CFC nº 1.066, de 21/12/05, e Nota Técnica 19.7, que visou conceituar passivos, provisões e contingências passivas, “...em termos contábeis, estamos, efetivamente, frente a uma obrigação legal a ser consignada no passivo dos entes empresariais. Não se trata, pois, de uma provisão [...]. Entretanto não se trata de uma antinomia entre as imposições de ordem legal. O fato de a lei comercial impor o registro contábil, segundo o regime de competência, por si só não atrai a dedutibilidade dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa. Os sistemas jurídicos convivem harmonicamente e têm por objeto disciplinas diferentes. 25. Por tudo isso é forçoso concluir que a lei introduziu critério jurídico tributário de ordem geral, vedando a dedutibilidade dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Os lançamentos foram considerados procedentes pela Oitava Turma da DRJ – São Paulo I (SP), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.158/169): TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. INDEDUTIBILIDADE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais não podem ser deduzidos para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE/ ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 298 4 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. O domicilio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. JUROS DE MORA.TAXA SELIC. Cabimento dos juros determinados pela taxa Selic, com base na Lei n° 9.065/95, art. 13. MULTA DE OFÍCIO. Legalidade do percentual de multa aplicado e adequação ao seu caráter punitivo. Devidamente cientificado em 7/5/09 (fl.172), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 5/6/09 (fls.173/203), em que alegou, em síntese: seria incorreta a afirmação de que o art.41 da Lei nº 8.981/95 excepcionou do regime de competência os tributos com exigibilidade suspensa; não se poderia falar em provisão, mas de uma verdadeira despesa, que pode ser dedutível ou não conforme previsão legal. “...é evidente que uma despesa já incorrida (no caso de negativa de liminar) não pode se transformar depois em provisão (se concedida a liminar) e voltar a ser despesa (se a final não concedida a segurança)”; inexistiria previsão legal para a exigência da CSLL sobre as despesas relativas ao tributos com exigibilidade suspensa; a exceção prevista no art.41, §1º, da Lei nº 8.981/95 aplicarseia unicamente para fins de apuração do lucro real. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 8.541/92 introduziram, somente para efeito da apuração do lucro real, o regime de caixa para a dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa, tendo sido tais dispositivos revogados pelo art.41 da Lei nº 8.981/95 que disciplinou inteiramente a matéria; o art.57 da Lei nº 8.981/95, invocado pela decisão recorrida, ressalvaria que “...embora as normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas sejam aplicáveis à CSL, no que diz respeito à base de cálculo e à alíquota deve ser observada a legislação específica da CSL. [...] a CSL tem base de cálculo própria prevista expressamente em lei específica, a qual não pode ser alterada senão por norma expressa, e esta situação não é infirmada pelo que dispõe o artigo 41 da Lei nº 8.981/95”; conforma acórdãos do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, apenas a lei poderia fixar a base de cálculo de tributos, não se admitindo que valores não dedutíveis da apuração do IRPJ sejam adicionados às bases de cálculo de outros tributos sem expressa determinação legal (Acórdãos nºs 10192.553/99, 10705.150/98, 10192.979/00); há julgados no sentido de que seria inaplicável o art.57 da Lei nº 8.981/95 para legitimar adições à base de cálculo da CSL de valores não previstos expressamente na legislação específica (Acórdãos nºs 10707.315 e 10322.749); “...aplicar à CSL as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IR não significa aplicar as mesmas normas relativas à determinação da base de cálculo (deduções, exclusões e adições), conforme aliás entendeu o próprio ilustre fiscal autuante”; quando o legislador pretende que uma regra produza efeitos na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, assim o determina expressamente, como fez, por exemplo, na própria Lei nº 8.981/95, quando limitou a compensação de prejuízos em 30% do lucro líquido ajustado em artigos distintos (art.42 para o IRPJ e art.58 para a CSL); Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 299 5 a própria Receita Federal teria, no Boletim Extraordinário Cosit nº 21, de 25/2/93, esclarecido que os tributos e contribuições não dedutíveis para efeito de IRPJ, por força do art.7º da Lei nº 8.541/92, não seriam adicionados para fins de apuração da base de cálculo da CSLL; “...o entendimento no sentido de que tanto os arts.7º e 8º da Lei nº 8.541/92, como o art.41 da Lei nº 8.981/95 somente se aplicam ao IRPJ foi incorporado ao próprio MAJUR – Manual do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, dos diversos anosbase que se sucederam à edição da Lei 8.541/92 e mesmo posteriormente à Lei 8.981/95”; seria ilegal a IN SRF nº 390/04 por extrapolar os comandos da Lei nº 8.981/95, sendo ainda inaplicável ao caso concreto em virtude do princípio da irretroatividade; o art.41, §1º, da Lei nº 8.981/95 seria inconstitucional por implicar a tributação de algo que não seria renda ou lucro, violaria o princípio da isonomia, impediria o direito de defesa administrativa e o livre ingresso no Judiciário, além de veicular sanção imprópria, sendo meio indireto e coercitivo de cobrança de tributos; não seria cabível as exigências de multa e juros, pois seguira rigorosamente as orientações constantes do Boletim Extraordinário Cosit nº 21/93 e do MAJUR, sendo aplicável ao caso o art.100 do Código Tributário Nacional; a exigência de juros sobre a multa de ofício não teria suporte legal; a taxa SELIC seria inaplicável no cálculo dos juros moratórios, que, no caso concreto, extrapolaria o percentual de 1% previsto no art.161 do CTN. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O cerne da discussão diz respeito à legalidade ou não da adição, à base de cálculo da CSLL, dos valores de PIS e Cofins contestados judicialmente e com exigibilidade suspensa. Inicialmente, cabe afirmar que os fundamentos adotados pela fiscalização justificam per si o lançamento do crédito tributário. Na resolução da controvérsia, não se pode olvidar a norma do art.57 da Lei nº 8.981/95, que funciona como importante vetor interpretativo: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 300 6 Mantendose uma coerência desejada entre as apurações do IRPJ e da CSLL, respeitandose, por óbvios as exceções legais, não há razão para, diante de tal comando legal, interpretarse o termo “apuração” restritivamente (v.g., como entendem alguns, apenas para definir se o valor tributável da CSLL deve ser apurado sob a forma de estimativa mensal ou a partir do balancete mensal de redução; se terá por base o resultado apurado anualmente, de acordo com a legislação comercial (lucro real), ou o lucro presumido trimestral, ou, ainda, o lucro arbitrado). A tese do Recorrente, de que a menção, ao final do próprio art.57 da Lei nº 8.981/95, afastaria a aplicação do art.41, §1º, da mesma lei da apuração da CSLL sustentase em particular interpretação literal, que, como é sabido por todos, não se mostra ideal para a obtenção da norma aplicável ao caso concreto. A matéria foi muito bem tratada pelo I. Conselheiro Antonio Bezerra Neto, ao redigir o voto vencedor do Acórdão nº 1401000.891, de 14/11/12. Dada a clareza e objetividade dos argumentos, são aqui acolhidos: “[...] A discussão cingese em saber se valores a título de tributos com exigibilidade suspensa em razão de ação judicial em que se discute a constitucionalidade de determinadas incidências, com ou sem depósito, podem ser deduzidos para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Inicialmente digase que para a Receita Federal do Brasil não há qualquer dúvida. Tanto é assim que foi editada a Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, onde está estampado de forma cristalina que a possibilidade de dedução não alcança tal hipótese: Art. 50. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do resultado ajustado, segundo o regime de competência. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: I depósito, ainda que judicial, do montante integral do crédito tributário; II impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; III concessão de medida liminar em mandado de segurança; IV concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. (destaquei) E essa disposição é coerente com a norma que trata do IRPJ, pois a esse respeito também não há dúvidas e nem lide. Por que então apenas para a CSLL, que tem a mesma estrutura e lógica, a regra seria diferente? Não vejo razão para tal. Por que haveria de a Lei nº 8.981/1995 estabelecer o regime da dedutibilidade dos tributos e contribuições pelo regime de competência, apenas quando a exigibilidade não estiver Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 301 7 suspensa e pelo regime de caixa em caso contrário para apenas o IRPJ e não também para CSLL? [...] apesar de ter se mudado o regime de caixa para competência o ordenamento não admite a exclusão de tributos e contribuições que estejam com sua exigibilidade suspensa por reclamação ou recurso (art. 151, inciso III do CTN). Porém, a Recorrente entende que a determinação prevista no §1°, artigo 41 da Lei 8.981/95 não alcançaria a contribuição social, pois a norma se refere ‘a apuração do lucro real’. Nesse caso, não se pode fazer uma interpretação literal desse dispositivo, mas sim uma interpretação sistemática. Em primeiro lugar, fazendose uma interpretação finalística rasteira se percebe que não há espaço para entender a razão de ser da exclusão apenas da base de cálculo das contribuições sociais das despesas com exigibilidade suspensa. Na verdade ou adotase o regime de caixa ou de competência, não fazendo sentido teleológico algum fazer qualquer distinção entre os referidos tributos. Outrossim, nessa interpretação sistemática cabe ainda a participação importante de um dispositivo integrador de legislação que não pode ser olvidado. Tratase do art. 57 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, em que se comanda que devem ser aplicadas à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n" 9.065, de 1995) Ora, se o legislador já informou em determinada norma (Lei 8.981/95) que o regime de competência deve ser adotado de uma determinada forma, essa informação não diz respeito à base de cálculo como divisam alguns, mas sim ‘norma de apuração e pagamento’ de tributo assim como está literalmente disposto no art. 57 da Lei nº 8.9881/95 Ademais, utilizandose apenas de uma interpretação literal os defensores dessa tese teriam ainda uma carga de esforço maior na medida em que teriam que afastar a legalidade de uma norma complementar à legislação tributária. Tratase do artigo 50 da Instrução Normativa n° 390, de 30/01/2004, que consolidou a legislação concernente à CSLL e dispõe sobre a apuração e o pagamento desta contribuição [...].” Mantémse o lançamento tributário com base nos atos legais mencionados pela autoridade autuante, que, inclusive, lastrearam o ato infralegal também empregado como fundamento adicional, qual seja a IN SRF nº 390, de 2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 302 8 No Termo de Verificação de Infração, a autoridade fiscal abordou em bons termos a matéria sob exame. Vejamos, verbis: “[...] Também não podemos deixar de dar destaque especial ao fato de que a INSRF nº 390 de 2.004 têm, por fundamento, entre outras leis, a Lei nº 8.981 de 1.995 ‘ex vi’ do disposto nas razões de sua edição (preâmbulo contendo exposição de motivos). 15. Ocorre na espécie que o art. 41 da mesma Lei nº 8981/95 veio a introduzir, no ordenamento tributário, nova regra sobre dedutibilidade de tributos e contribuições na apuração de bases imponíveis. Fora reafirmado no ‘caput’ deste artigo que os tributos e contribuições seriam dedutíveis segundo o regime de competência, regra, aliás, já existente em nosso ordenamento desde 1.978, introduzida pelo Decreto Lei nº 1.598/77. Porém, neste cenário, surgiu o novo critério legal (constante do §1º deste citado artigo), como transcrevemos abaixo: SUBSEÇÃO I Das Alterações na Apuração do Lucro Real Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. §1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. 16. A leitura cuidadosa do comando inserto no §1º leva o intérprete a concluir que os tributos e as contribuições com exigibilidade suspensa estão excluídos da regra estampada no ‘caput’ do artigo. Em outras palavras: os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa somente poderão ser deduzidos quando a relação jurídica obrigacional for confirmada, em definitivo, pelo Poder Judiciário. Assim, em que pese a técnica legislativa utilizada, os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa foram apartados de suas categorias originais para se constituírem em verdadeira nova categoria em termos de dedutibilidade de qualquer base de cálculo. É o surgimento de novo critério jurídico tributário. 17. Irrelevante nesta dedução, a literalidade do ‘caput’ do art.41 que faz expressa menção ao lucro real (base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica), eis que, deve a regra ser, por completo, afastada quando a situação fática envolver tributos e contribuições com exigibilidade suspensa. Estes formam categoria diversa dos tributos e contribuições devidos. 18. Portanto o novo critério passou a alcançar também a apuração da base de cálculo da CSLL visto que esta exação também está sujeita às normas de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica; vocábulo este a englobar, como já vimos, critérios e técnicas de apuração. 19. Corrobora esta interpretação o ato normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal que, por oportuno, transcrevemos, na parte que de perto interessa à matéria: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 303 9 Instrução Normativa SRF no 390, de 30 de janeiro de 2004 DOU de 2.2.2004 Dispõe sobre a apuração e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Art.1º Esta Instrução Normativa dispõe sobre a determinação e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Das normas aplicáveis Art.3º Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e, no que couberem, as referentes à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação da CSLL. DA BASE DE CÁLCULO Art. 14. A base de cálculo da CSLL, determinada segundo a legislação vigente na data de ocorrência do respectivo fato gerador, é o resultado ajustado, presumido ou o arbitrado, de que tratam os arts. 37 e 85, correspondente ao período de apuração. DO RESULTADO AJUSTADO Da Disposição Geral Art. 36. Estão sujeitas ao regime de incidência da CSLL sobre o resultado ajustado, em cada anocalendário, as pessoas jurídicas que forem obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real. Do Conceito de Resultado Ajustado Art. 37. Considerase resultado ajustado o lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o IRPJ, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação da CSLL. Parágrafo único. A determinação do resultado ajustado será precedida da apuração do lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais. Dos Tributos e Contribuições Da dedutibilidade Art. 50. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do resultado ajustado, segundo o regime de competência. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: I depósito, ainda que judicial, do montante integral do crédito tributário; II impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 304 10 III concessão de medida liminar em mandado de segurança; IV concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. 20. Toda e qualquer dúvida que pudesse haver na espécie, fora, devidamente, espancada pela redação clara, didática e cristalina do art. 50 do ato normativo, aqui, transcrito em parte.” A respeito da aplicação de entendimento da Receita Federal, exposto no Boletim Central Extraordinário Cosit nº 21/93, como aponta o próprio questionamento nº 481, transcrito no recurso voluntário, decorreu da interpretação de legislação anterior, qual seja, o art.7º da Lei nº 8.541/92, que, como o próprio Recorrente admite, foi revogado pelo art.41 da Lei nº 8.981/95. Art. 7° As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. §1° Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedutíveis, serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluído no períodobase em que a obrigação provisionada for efetivamente paga. §2° Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o imposto sobre a renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou como responsável em substituição ao contribuinte. §3° A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que o contribuinte assuma o ônus do imposto. §4° Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens que se acrescerão ao custo de aquisição. §5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Vale lembrar que o tratamento conferido aos valores relativos aos tributos com exigibilidade suspensa, havendo ou não depósito em garantia, estava previsto no art.8º, não no art.7º da Lei nº 8.541/92. Vejamos: Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, §5°, alínea b, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas 1 Os tributos e contribuições não dedutíveis para efeitos de IRPJ, por força do art.7º da Lei nº 8.541/92, serão adicionados para efeitos da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro? Fl. 304DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 305 11 a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia. Acrescentese que ao julgador cabe conhecer o direito aplicável à situação sob exame, de sorte que nada o impede de empregar, em caráter complementar, outros fundamentos na construção da norma especialíssima a reger o caso. Por isso, já se antecipa inexistir qualquer contradição decorrente do emprego da conclusão de que os tributos com exigibilidade suspensa não são uma obrigação, mas provisão, apesar de o auditorfiscal responsável pela realização do lançamento ter tido, neste particular, diversa compreensão. Não há se falar em mínimo prejuízo ao exercício do contraditório ou da ampla defesa, mormente à luz da impugnação e do recurso voluntário apresentados. A propósito, quanto ao caráter de provisão dos valores dos tributos com exigibilidade suspensa, o Recorrente apresentou os argumentos que entendeu pertinentes, como demonstra o seguinte excerto: “[...] Ora, é evidente que, nos termos da lei, sempre que não estiver suspensa a exigibilidade do crédito tributário, ainda que permaneça sub judice, como é o caso exemplificativamente de liminar negada ou concedida mas cassada por sentença, o tributo questionado é dedutível. E é exatamente por este motivo que não há que se falar no caso de provisão, mas sim de verdadeira despesa, cuja dedutibilidade ou não se dá nos termos da lei. De fato, enquanto uma despesa pode ser dedutível ou não conforme estabelecido em lei, é evidente que uma despesa já incorrida (no caso de negativa de liminar) não pode se transformar depois em provisão (se concedida a liminar) e voltar a ser despesa (se a final não concedida a segurança), tal como bem reconhecido por recente acórdão da C. 7ª Câmara do E. 1º Conselho de Contribuintes, Relator o Conselheiro Luiz Martins Valero (doc.02)”. Acerca do caráter de provisão dos tributos com exigibilidade suspensa em razão de decisão judicial, já tive a oportunidade de, nos acórdãos nº 140100.483, de 24/2/11, e nº 1103000.822, de 6/3/13, naquele como Relator e neste como Redator Designado, reafirmá lo com base nos fundamentos que passo a expor. Ao tratar do tema “provisões”, Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) lecionam: “(...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua liquidação. (...) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável a saída de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 306 12 recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação.” Tais autores complementam a exposição com esclarecimentos sobre o alcance das expressões “obrigação presente”, “evento passado”, “probabilidade de saída de recursos” e “estimativa confiável”. Quanto à obrigação presente, “...caracterizase por evidência disponível de que é mais provável que vai existir a obrigação do que não”. A respeito das demais: “Um evento passado é aquele que tem condições de criar obrigações. As obrigações são criadas quando a entidade não tem outra alternativa senão liquidar a obrigação gerada do evento, seja por imposição legal ou pelo fato do evento criar expectativas válidas em terceiros, de que a entidade cumprirá a obrigação, dada as práticas passadas da empresa, política de atuação ou declaração (...). Para o reconhecimento do passivo, além da obrigação presente, é condicionante a probabilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos futuros para sua liquidação, sendo que a probabilidade é maior de ocorrer do que de não ocorrer. As estimativas são essenciais quando se trata de provisões devido à sua característica intrínseca de incerteza. A estimativa confiável é resultante da capacidade da entidade determinar um conjunto de desfechos possíveis (...). As estimativas levam em consideração os riscos e incertezas, onde o risco representa a variabilidade dos desfechos possíveis.” Nesse contexto, não se desconhece a Norma e Procedimento de Contabilidade (NPC 22), sobre Provisões, Passivos, Contingências Passivas e Contingências Ativas, do Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes – IBRACON (elaborada em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários), aprovada pela Deliberação CVM nº 489, de 3 de outubro de 2005, de obrigatória aplicação para as companhias abertas. Em seu Anexo II contemplou exemplo (4a), a respeito da introdução de um novo tributo ou alteração da alíquota, inserido por dispositivo legal, em que a empresa entende ser inconstitucional. De acordo com a NPC 22, não se trataria de uma provisão, mas de uma obrigação legal. Vejamos: “A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Trata se de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC.” Fl. 306DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 307 13 Exatamente tal exemplo foi objeto de tópico específico no aludido Manual de Contabilidade, em que foram tecidas críticas a respeito de sua inclusão na norma. De acordo com os autores, sequer a conclusão poderia ser extraída da NPC 22. Textualmente: “Em primeiro lugar, a NPC 22 deriva da IAS 37 emitida pelo IASB2, e esta não contém o referido exemplo, e ele não se coaduna, no nosso julgamento, com o conteúdo das próprias normas, nem com a NPC 22 e nem com a IAS 37. No corpo da IAS 37 não há qualquer distinção entre ‘obrigação legal’ e ‘obrigação não formalizada’ (constructive obligation) para fins de reconhecimento de uma provisão. Vejase na parte inicial relativa às Definições, dentro do §6º, da NPC 22: ‘(v) Um passivo é uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. (vi) Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. (vii) Uma obrigação não formalizada é aquela que surge quando uma entidade, mediante práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria uma expectativa válida por parte de terceiros e, por conta disso, assume um compromisso.’ A partir dessas três definições podese construir que: ‘Um passivo é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade’. Ainda nas definições, há o conceito de provisão: ‘(ii) Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos.’ Substituindo a definição de passivo nessa da provisão, chegase então a: ‘Uma provisão é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, de prazo ou valor incertos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos.’ Com base nesses conceitos a NPC 22, tal qual a IAS 37, trata todas as obrigações com essa característica de provisões de forma igual. Nessa mesma NPC, são definidas as condições para reconhecimento de provisões: ‘Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: 2 Internacional Accounting Standards Board, instituição responsável por emitir normas internacionais de contabilidade. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 308 14 a) uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b) é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c) o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança.’ Aqui se tem a completa e explícita corroboração da definição a que chegamos mais atrás. E, ao longo de todo o corpo da referida NPC (e da IAS 37), não mais se faz qualquer distinção entre obrigação legal e obrigação não formalizada. Porém, no citado exemplo4a, há algo diferente e afirma que: ‘ 4. Tributos (a) A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC.’ ..... Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entender, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto. O que concordamos é com os cuidados extremos que devem ser tomados na consideração da probabilidade de exigibilidade de tributos, já que há, no Brasil de hoje, forte instabilidade no processo judiciário quanto à convergência das decisões. Mas isso não é motivo para se fugir do conceito contábil de passivo em geral, ou de provisão em particular. ..... Ratificamos nossa posição de necessidade de extremo zelo e devida prudência para essas situações aqui discutidas, mas reforçamos que a administração, em obediência ao conceito da Essência sobre a Forma, deve retratar da melhor maneira sua Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 309 15 posição patrimonial e de resultados.” (pp.341343) (alguns grifos nossos) A propósito, o exemplo acima destacado (4a) deixou de ser contemplado na Deliberação CVM nº 5943, de 15 de setembro de 2009, que revogou a Deliberação CVM nº 489/05. O certo é que a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, então, apenas ocorrerá no momento em que houver decisão final da lide, na hipótese de a mesma ser desfavorável ao contribuinte (Solução de Consulta SRRF 7ª RF, nº 168, de 19/06/01, DOU 18/09/01). Como o desfecho da ação judicial é incerto, deve o contribuinte aguardálo. A alegação de que a aplicação do art.41, §1º, da Lei nº 8.981/95, restringir seia à determinação do lucro real, não autoriza a conclusão de que os valores dos tributos com exigibilidade suspensa possam ser deduzidos da base de cálculo da CSLL. Fixada a premissa do caráter de provisão, o art. 2º da Lei nº 7.689/88 dispõe que “...a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (...), ajustado pela (...) adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real”. Há, ainda, o disposto no art.13, I, da Lei nº 9.249/95: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável;” (destaquei) De igual forma que na apuração do lucro real, somente podem ser deduzidas as provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária. Hiromi Higuchi, Fábio H. Higuchi e Celso H. Higuchi (in Imposto de Renda das empresas: interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo, IR Publicações, 2011, pp.372373), ao tratarem do art.41 da Lei nº 8.981/95, afirmam: “(...) Inúmeras pessoas jurídicas indagam se os tributos contestados no judiciário devem ser adicionados na determinação da base de cálculo da CSLL. Isso porque o art.41 e seu §1º da Lei nº 8.981, de 200195, dispõe o seguinte: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos 3 Aprova o Pronunciamento Técnico CPC 25 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata de provisões, passivos contigentes e ativos contingentes (correlação às Normas Internacionais de Contabilidade IAS 37). Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 310 16 termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. A dúvida é procedente porque o texto da lei diz na determinação do lucro real, não se referindo à CSLL. A conclusão, todavia, não poderá ser tirada com a interpretação isolada do art.41 da Lei nº 8.981/95. Essa lei veio dar coerência à dedutibilidade dos tributos contestados pelos contribuintes, ou seja, se alegam que a cobrança é ilegal ou inconstitucional não poderão, ao mesmo tempo, dizer que se tratam de despesas incorridas”. Não se tratando de despesas incorridas, a reserva de valores lançados na escrituração contábil nada mais representa que mera provisão. A provisão não dedutível na determinação do lucro real terá que ser adicionada também na apuração da base de cálculo da CSLL porque assim determina o art.2º da Lei nº 7.689/88, alterado pelo art.2º da Lei nº 8.034/90. O imposto ou a contribuição como ICMS, PIS, COFINS, IOF etc. com exigibilidade suspensa por impugnação ou recurso administrativo ou medida judicial favorável não constitui despesa incorrida mas mera provisão. Despesa incorrida é a irreversível enquanto a provisão pode resultar em despesa incorrida ou não, dependendo da decisão final na esfera administrativa ou judicial.” (destaquei) A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem contemplando tal entendimento. Mencionese, por exemplo, o acórdão nº 910100.592, de 18/5/10, com a clareza peculiar do Relator, I. Cons. Claudemir Rodrigues Malaquias, à época Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento, cujas razões de decidir são aqui empregadas, verbis: “(...) Na parte conhecida, os presentes autos referemse ao lançamento da CSLL decorrente da não adição à base de cálculo de valores correspondentes a contribuições para o PIS, objeto de questionamento judicial e com exigibilidade suspensa. A matéria submetida a este Colegiado cingese, portanto, à possibilidade de serem deduzidas da base de cálculo da CSLL as parcelas correspondentes aos tributos cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de questionamento judicial. São os seguintes os dispositivos que regem a matéria: Lei nº 8.981/95 (art. 41, caput e §1º) Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. §1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial." (negritado) Lei nº 9.249/95 (art. 13, inciso I) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 311 17 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n2 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. (negritado) A recorrente alega que a natureza da conta contábil em que os tributos foram escriturados é de contas a pagar e não de provisão. Entende a recorrente que o fato das referidas contribuições estarem com a sua exigibilidade suspensa, não significa que o crédito tributário correspondente não era devido, identificável ou mensurável, mas tão somente que o seu efetivo desembolso está postergado para o momento do término da ação judicial e que, portanto, até que não seja proferida decisão na ação judicial, são totalmente devidos. O entendimento que tem se firmado neste Conselho é de que os tributos que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, devem ser provisionados contabilmente, não se confundindo, portanto, com o registro de despesas incorridas. Os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por uma das hipóteses previstas no citado art. 151 devem ser contabilizados pelo regime de caixa, ou seja, considerados como despesa somente por ocasião de seu efetivo pagamento. Enquanto provisão, está vedada a sua dedução na apuração da base de cálculo de qualquer tributo, devendo, portanto, neste caso, serem integralmente adicionadas à base de cálculo da CSLL. Afinal, este é disciplinamento previsto no art.41, §1º da Lei nº 8.981/95 e no art.13, inciso I da Lei nº 9.249/95. Este posicionamento foi muito bem apresentado no voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortês, a quem peço vênia para sua transcrição: ‘(..) Entretanto, ao que pese o argumento despendido pela contribuinte, entendo que o mesmo não tem como prosperar, até porque, se a mesma entendesse que o crédito tributário questionado judicialmente era devido, não teria se aventurado a uma demanda judicial morosa e infrutífera. Se o fez, é porque entendia que as leis que instituíram ou majoraram as obrigações questionadas, traziam em seu bojo flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, e sendo assim, não há o que se falar em contas a pagar, até porque, tal obrigação nasce Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 312 18 de modo incondicional, ao passo que as características dos tributos com exigibilidade suspensa, são obrigações fiscais condicionadas à exigência futura e incerta. Portanto, por configurar uma situação de solução indefinida a data do encerramento do anocalendário a que se refere, dependente de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, subsumese a uma situação de contingência que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, ou seja, à época do balanço, tal ganho ou perda é apenas potencial, não representando, evidentemente, uma obrigação incondicional. (...) Logo, decorre daí a necessidade da formação da provisão para o registro contábil dos tributos com exigibilidade suspensa em função de sua contingência passiva em exercício futuro, cujos, valores, apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionados ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real, bem como para a determinação da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art.13, inciso I, da Lei n° 9.249/95.’ Nesta linha de argumentação, devese asseverar ainda que não encontra guarida no melhor direito a alegação da recorrente (fls.369) no sentido de que a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa aplicarseia, exclusivamente, à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e não à CSLL. Com efeito, pelo disposto no art.13, inciso I da Lei nº 9.249/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro restou vedada a dedução de quaisquer provisões. Nestas estão incluídas aquelas constituídas em função de tributo com exigibilidade suspensa, excetuandose apenas as provisões para pagamento de férias e décimoterceiro salário e as provisões técnicas exigidas pela legislação especial de determinadas instituições. Da análise efetuada, concluise com o mesmo entendimento do acórdão recorrido que decidiu pela impossibilidade de ser deduzida da base de cálculo da CSLL a parcela relativa às contribuições para o PIS objeto de questionamento judicial e com exigibilidade suspensa. A dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica.” (destaquei) Recentemente, a mesma Primeira Turma da CSRF, com diferente composição, confirmou tal entendimento, conforme acórdão nº 9101001.512, de 20/11/12, que recebeu a seguinte ementa: CSLL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 313 19 cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. O caráter de provisão restou ratificado em tal julgado, nos termos do voto do I. Relator, Cons. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, até pouco tempo Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento, verbis: “[...] A propósito, comungo do entendimento de que os tributos discutidos judicialmente representam provisões, uma vez que ditas obrigações fiscais não têm data definida de pagamento, bem como possuem incerteza quanto à sua ocorrência, já que, para serem considerados devidos, dependem de decisão judicial transitada em julgado em favor do fisco, caso contrário, como no presente, nada há a deduzir em face da inexistência, declarada em Juízo, de relação jurídicotributária. Assim, diante da sua imprevisibilidade, entendo que se caracterizam como provisões fiscais, e não como despesa incorrida. Entendo, pois, que o trânsito em julgado ocorrido em ano posterior à dedução em causa evidenciou que, no momento em que foi deduzida, a situação era incerta, daí a sua indedutibilidade, cuja situação passou a ser certa e conhecida somente quando ocorreu o trânsito em julgado da ação judicial, externando, em caráter definitivo, o entendimento de que a questionada contribuição previdenciária não era devida, não havendo, pois, falarse na existência de obrigação, menos ainda em sua dedutibilidade.” Tal tese, inclusive, vem sendo contemplada em diversos acórdãos, proferidos desde o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Exemplificativamente: “[...] CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica (Acórdão CSRF nº 910100.592, de 18 de maio de 2010). ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Segundo a legislação de regência, são indedutíveis na apuração do lucro real os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa por força de provimento judicial. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de indedutibilidade [...]” (Acórdão nº 1401000.952, de 9/4/13, Rel. Cons. Antonio Bezerra Neto) TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. Os Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 314 20 tributos cuja exigibilidade estiver suspensa por força judicial são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo nítido caráter de provisão. A dedutibilidade somente ocorrerá após decisão judicial final, desfavorável à pessoa jurídica. Precedentes da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos nº 9101001.512, de 20/11/12, e nº 910100.592, de 18/5/10). JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. São também indedutíveis os acréscimos de juros feitos às provisões contábeis de tributos com exigibilidade suspensa. Sendo acessórios, seguem o tratamento conferido ao principal. (Acórdão nº 1103000.822, de 6/3/13, Redator Designado Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro) “AUTO DE INFRAÇÃO. JUROS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. DESCABIMENTO. A incerteza inerente a despesas com juros sobre tributos com exigibilidade suspensa conferelhes natureza de provisões, e, como tais, tem a dedutibilidade expressamente obstada pelo artigo 13, caput e inciso I, da Lei n° 9.249/95. Da mesma forma, o parágrafo 1º do artigo 41 da Lei n° 8.981/95 impede a dedutibilidade de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, na determinação do lucro real, alcançando não somente o principal, mas também os juros de mora que são encargos acessórios acrescidos àquele, como recomposição da parcela do próprio tributo depreciada pela mora do contribuinte. CSLL. IMPEDIMENTO À DEDUTIBILIDADE RESTRITO À DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. INOCORRÊNCIA. A restrição à dedutibilidade das despesas de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa alcança também a base de cálculo da CSLL, não somente porque aplicamse àquela contribuição as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, como também porque tais despesas, caracterizandose como provisões, tiveram sua dedutibilidade expressamente vedada, tanto para o IRPJ como para a CSLL, pelo artigo 13 da Lei 9.249/95 [...]” (Acórdão nº 1402001.215, de 4/10/12, Redator Designado Cons. Leonardo de Andrade Couto) “CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. JUROS APLICADOS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São também indedutíveis os acréscimos de juros feitos às provisões contábeis de tributos com exigibilidade suspensa [...]” (Acórdão nº 1101 000.813, de 3/10/12, Rel. Cons. Edeli Pereira Bessa) “[...] PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS SOBRE CONTINGÊNCIAS FISCAIS. Por configurar uma situação de Fl. 314DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 315 21 solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. O mesmo ocorre com a provisão para juros sobre contingências fiscais os quais, por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, devem seguir a norma de dedutibilidade do principal.” (Acórdão nº 1301 00275, de 9/3/10, Rel. Cons. Waldir Veiga Rocha) “IRPJ. CSLL PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resulta em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS .JUDICIAIS. Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal [...]” (Acórdão nº 140200.007, de 27/7/09, Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto) “LUCRO REAL JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA MEDIDAS JUDICIAIS DEDUTIBILIDADE. Conforme o caput do art. 41 da Lei 8.981/95, os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Quando os tributos e contribuições estão com exigibilidade suspensa por força de medidas judiciais, nos termos do § 1° do mesmo artigo, a regra de dedutibilidade de que trata o caput do artigo, não se aplica. Conseqüentemente os juros de mora incidentes sobre esses valores também não podem seguir o regime de competência, por serem acessórios do principal [...]” (Acórdão nº 10709.344, de 16/4/08, Redator Designado Cons. Luiz Martins Valero) “[...] IRPJ — CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM Fl. 315DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 316 22 EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal [...]” (Acórdão nº 10196.008, de 1/3/07, Redator Designado Cons. Caio Marcos Cândido). Por todas as razões acima, os valores dos tributos com exigibilidade suspensa por decisão judicial, não são passíveis de dedução também na apuração da CSLL. Com a devida vênia à autoridade autuante, não prevalece, portanto, a conclusão de que não se estaria diante de uma provisão, mas de uma obrigação legal a ser consignada no passivo. No caso concreto, curiosamente a autuação não se fundamentou no art.13, I, da Lei nº 9.249/95, c/c o art. 2º, §1º, “c”, 3, da Lei nº 7.689/88, abaixo reproduzidos: Lei nº 9.249/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) Lei nº 7.689/88 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. §1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; ..... c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) ..... 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) No Termo de Verificação Fiscal (item 6), o agente fazendário inadvertidamente transcreveu a redação original do art.2º, §1º, “c”, da Lei nº 7.689/88, alterada pela Lei nº 8.034/90: “Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 317 23 § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1. exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2. exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computado como receita; 3. exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 1º, § 1º do DecretoLei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988, apurado segundo o disposto no art. 19 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e alterações posteriores; (Revogado pela Lei nº 7.856, de 1989) (Revogado pela Lei nº 7.988, de 1989) 4. adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido.” (destaquei) Alegando que os Manuais do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (MAJUR), mesmo posteriormente à Lei nº 8.981/95, não contemplavam a possibilidade de adição dos valores dos tributos com exigibilidade suspensa, o Recorrente inicialmente indicou apenas as DIPJ relativas aos anoscalendário 1994, 1995, 1998 e 2000: “[...] No caso concreto não se pode perder de vista que o entendimento no sentido de que tanto os arts. 7° e 8° da Lei n° 8.541/92 como o art. 41 da Lei n° 8.981/95 somente se aplicam ao IRPJ foi incorporado ao próprio MAJUR Manual do Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos diversos anosbase que se sucederam à edição da Lei 8.541/92 e mesmo posteriormente à Lei 8.981/95, de tal forma que ao cuidar das adições ao Lucro Real o Manual tem linha específica para a adição dos tributos e contribuições não pagos (art.7° e 8°) e mais tarde esclarecimentos específicos para os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa (art.41, par. 1°). Já ao cuidar das adições à base de cálculo da CSL não são repetidas nem a linha específica, nem os esclarecimentos. Com efeito, para os anosbase 1994 e 1995 o MAJUR trazia no Anexo 2 Demonstração do Lucro Real Adições Linha 9 o seguinte histórico: ‘Tributos e Contribuições NãoPagos (art. 7° e 8° da Lei 8.541/92)’. Contudo, no Anexo 3 Quadro 5 Demonstração do Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro, ao cuidar das adições, nenhuma referência fazia a este título (doc. 05 da impugnação). O mesmo ocorreu nos anosbase subseqüentes (doc.05 da impugnação). De fato, a título exemplificativo verificase que para o anobase 1997 o MAJUR, ao tratar da ‘Ficha 07’; relativa à ‘Demonstração do Lucro Real’, expressamente Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 318 24 determinava nas instruções relativas à linha 13 deverem ser adicionados ‘f) os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172/66, haja ou não depósito judicial, caso os mesmos tenham sido computados na demonstração do lucro líquido (Lei n° 8.981/95, art. 41, §1°). Todavia, ao tratar da Ficha 11, relativa ao "Cálculo da contribuição social sobre o lucro’, inexiste tal determinação. Tal se repete nos anosbase 1998 (IRPJ Ficha 7, linha 14, letra ‘e’ e CSL Ficha 11) e 2000 (IRPJ Ficha 10, linha 16, letra ‘e’ e CSL Ficha 29 e 30).” Quanto ao anocalendário 2003, objeto do lançamento tributário em questão, afirmou o Recorrente: “De fato, na DIPJ 2003/2004 existia a ficha 09B/16 específica para a adição dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa na base de cálculo do IRPJ, e não existia ficha específica para a adição dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa na base de cálculo da CSL. Contudo, para ambos os tributos existia uma ficha denominada 'outras adições’, onde deveriam ser informados os valores que não se classificassem em qualquer das fichas anteriores, sendo que para a CSL eram apontadas as seguintes hipóteses (ficha 17/18 da CSL): a) os juros, decorrentes de empréstimos, pagos ou creditados a empresa controlada ou coligada, independentemente do local de seu domicilio, incidentes sobre valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas controladas, domiciliadas no exterior (MP n° 1.991/15, de 2000, art. 35, e reedições); b) a despesa com a constituição da provisão para perdas prováveis na realização de investimentos; c) o valor das perdas de capital por variação na percentagem de participação no capital social de coligada ou controlada no Brasil, quando o investimento for avaliado pela equivalência patrimonial; d) o valor do ágio amortizado quando se tratar de instituições participantes do Programa de Estimulo à Reestruturação do Sistema Financeiro de que trata a Lei n° 9.710, de 19 de novembro de 1998, cujo processo de incorporação tenha ocorrido até 31 de dezembro de 1996 (Lei n° 9.710, de 1998, art. 2°, inciso VI); e) as demais despesas informadas na Linha 06A/45, que não sejam usuais ou normais nos tipos de transações, operações ou atividades da empresa, e não sejam necessárias à realizações dessas atividades e à manutenção da respectiva fonte produtora, caso não haja previsão específica, neste manual, para inclusão em outra linha. O fato de inexistir ficha própria para adicionar à base de cálculo da CSL o valor das despesas relativas aos tributos e Fl. 318DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 319 25 contribuições com exigibilidade suspensa não significa que tal valor poderia ter sido informado pelo Recorrente na ficha destinada às ‘outras adições’, conforme pretende fazer crer a r. decisão recorrida. Se a DIPJ 2003/2004, ao menos para fins de apuração da CSL, considerasse as despesas relativas aos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa como ‘outras adições’ simplesmente as teria colocado dentre as hipóteses previstas na linha 17/18 acima descritas, o que não foi feito pelo MAJUR, de modo que, ‘data maxima venia’, está equivocada a r. decisão recorrida quando afirma que o valor dos tributos com exigibilidade suspensa poderia ter sido informado na ficha ‘outras adições’ para fins de apuração da CSL.” Essa alegação da defesa, que se ateve ao fato de inexistir ficha própria para a adição, à base de cálculo da CSLL, do valor relativos aos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, não encontra guarida nas seguintes instruções (“Perguntas e Respostas”) disponibilizadas pela Receita Federal para a apuração no anocalendário 20034: “749. Qual a base de cálculo da CSLL para as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real? A base de cálculo da CSLL é o Lucro Líquido do período de apuração antes da Provisão do Imposto de Renda, ajustado por: a) Adições, tais como: Valor das provisões não dedutíveis na determinação do Lucro Real, exceto a provisão para o imposto de renda (Lei n o 8.981/95, art. 57) Valor da reserva de reavaliação efetivamente realizado durante o período de apuração, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do período (Lei n o 8.034/90, art. 2 o ); Ajuste por diminuição do valor dos investimentos avaliados pelo patrimônio líquido (Lei n o 8.034/90, art. 2 o ); Parcela dos lucros de contratos de construção por empreitada ou fornecimento celebrados com pessoa jurídica de direito público, proporcional à receita recebida no período, excluída em períodos anteriores (Lei n o 8.003/90, art. 3 o ); Reserva Especial Realização (Lei n o 8.200/91, art. 2 o ); Juros sobre o Capital Próprio, em relação aos valores excedentes aos limites estabelecidos na legislação do imposto de renda. Despesas não dedutíveis (Lei n o 9.249/95, art.13); Perdas no Exterior (Medida Provisória n o 1.99116/00, art. 21); Valores excedentes aos limites estabelecidos para o Preço de Transferência (Lei n o 9.430/96, art. 18 a 24 e IN SRF n o 38/97); 4 Disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2003/PergResp2003/pr747a761.htm. Consulta em 13/10/14. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 320 26 Valor dos lucros distribuídos disfarçadamente (Lei n o 9.532 de 1997, art. 60); Lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no Exterior, disponibilizados a partir de 1º/10/99, devem ser computados na base de cálculo da CSLL em 31 de dezembro do anocalendário da disponibilização (MP nº 1.858 de 1999, art. 21), a partir de 1º/1/2001 serão considerados disponibilizados na data do balanço em que tiverem sido apurados (MP nº 215835 de 2001, art. 74); Variações cambiais passivas nas operações não liquidadas para quem opta por tributar a variação cambial apenas por ocasião da liquidação da obrigação (art. 30 da MP nº 1.85810 de 1999); Variações cambiais ativas – operações liquidadas (art. 30 da MP nº 1.85810 de 1999); Perdas de créditos nos valores excedentes ao legalmente permitido (Lei nº 9.430 de 1996, art 9º , combinado com art. 28); Juros sobre empréstimos pagos ou creditados a controladas e coligadas equivalentes a lucros não disponibilizados (MP nº 2.158/35, de 2001, art. 34) NOTA : Nos casos de cisão, fusão, incorporação ou extinção da pessoa jurídica durante o anocalendário de 2002, deverá ser tributado na data do evento, o valor correspondente a esses ganhos que foram excluídos nos períodos anteriores.” Assim, tendo em conta a natureza de provisão, alhures destacada, por óbvio que as orientações de preenchimento do Fisco federal, disponibilizadas para auxiliar os contribuintes no preenchimento da DIPJ/04, apontavam para a necessidade de adição à base de cálculo da CSLL dos tributos com exigibilidade suspensa, no caso concreto, dos valores de PIS e Cofins discutidos judicialmente. Em excerto do MAJUR anexado aos autos pelo Recorrente (fls.154/155), verificase que havia na DIPJ/04 linha específica para a adição das provisões não dedutíveis (Linha 17/02). Ainda que dúvida restasse ao contribuinte, vez que a instrução referente à Linha 17/02 (“Provisões Não Dedutíveis”) menciona apenas aquelas informadas nas Fichas 04A e 05A, havia a Linha 17/18, reservada a adições residuais. A propósito, é importante fixar que as hipóteses ali relacionadas constituemse em rol exemplificativo, como encerra a expressão “tais como”: “Linha 17/18 Outras Adições Indicar, nesta linha, os demais valores a serem adicionados ao lucro líquido, na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, que não se classifiquem em qualquer das linhas anteriores, tais como [...]” (destaquei) Caso ainda o contribuinte não estivesse seguro sobre o tratamento tributário que deveria conferir, na apuração na CSLL, aos valores de tributos com exigibilidade suspensa, se teriam ou não natureza de provisão, poderia ter ingressado com uma consulta formal perante Fl. 320DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 321 27 a Receita Federal, como prevê o art.46 do Decreto nº 70.235/72, o que impediria a instauração de procedimento fiscal a partir de sua apresentação: Art. 46. O sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado. Parágrafo único. Os órgãos da administração pública e as entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular consulta. ..... Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. A ausência de linha específica na DIPJ/04, reservada unicamente à adição daquelas importâncias à apuração da base de cálculo da CSLL, não autoriza o contribuinte a deixar de se comportar em conformidade com a legislação de regência, a qual deve ser obedecida. A respeito da alegação de ilegalidade da IN SRF nº 390/04, não pode ser acolhida, pois a necessidade de adição de tais valores decorre, como visto acima, de uma interpretação sistemática das regras de apuração aplicáveis à CSLL, tendo aquele ato normativo infralegal apenas explicitadoa, não se podendo falar em indevida aplicação retroativa. No tocante às inconstitucionalidades aventadas pelo Recorrente, o Decreto nº 70.235/72 estabelece, como regra, a proibição de os órgãos de julgamento afastarem a aplicação de lei: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ..... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 322 28 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Tal entendimento já está consolidado no âmbito do CARF, tendo sido objeto do Enunciado nº 2 da súmula de jurisprudência dominante: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, mesmo sob fundamento de inconstitucionalidade, por exemplo, por suposta violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco e da conservação da empresa. Cabe lembrar, ainda, que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). Acerca da possibilidade de ingresso no Judiciário para contestar a autuação, a Constituição Federal de 1988 garante tal direito, conforme art.5º, XXXV (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”), de forma que o agir do Fisco federal, em constituir o crédito tributário, sequer interfere em tal possibilidade posta à disposição do contribuinte. Acrescentese que o art.41, §1º, da Lei nº 8.981/95 não veicula sanção imprópria, mas apenas uma regra que impossibilita a dedução de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, quando interpretada em conjunto com o art.57 da mesma lei. Reiterese que o art.13, inciso I da Lei nº 9.249/95, c/c o art. 2º, §1º, “c”, 3, da Lei nº 7.689/88, está em consonância com tal interpretação. No que concerne à exigência de multa e juros, não há como dispensálos com base no art.100, parágrafo único, do CTN. Em passagem anterior deste voto, evidenciouse que o Questionamento nº 48 do Boletim Central Extraordinário Cosit nº 21/93 baseouse no art.7º da Lei nº 8.541/92, que não tratava da dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa. Ademais, no MAJUR da DIPJ/04 não havia instruções que dispensassem os contribuintes de adicionar tais valores à apuração da CSLL. Ao revés, orientavaos sobre a necessidade de adição das mesmas provisões não dedutíveis na determinação do lucro real, havendo na DIPJ/04 linha residual para “outras adições”. Relativamente à exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, o CTN autoriza tal exigência. Em seu artigo 161, dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 323 29 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139, CTN), tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113, CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: “Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (destaquei) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 324 30 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem Fl. 324DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000293/200686 Acórdão n.º 1103001.124 S1C1T3 Fl. 325 31 incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Quanto ao percentual, não há mais discussão. O entendimento quanto à aplicação da taxa SELIC consolidouse administrativamente, sendo, inclusive, objeto do Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicados com base na taxa SELIC. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 325DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10855.003037/2006-96
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ERRO DE INFORMAÇÃO.
Devem ser acolhidos, em parte, os embargos para correção do erro de informação constante do acórdão embargado atinente a dividendos do ano-calendário 2007: de não teve recebimento de dividendos para teve recebimento de dividendos.
Numero da decisão: 1802-002.277
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votros, ACOLHER em parte os embargos de declaração, para retificar erro na informação relativa aos dividendos de 2007, e ratificar os demais termos do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que acolhiam os embargos para dar efeitos infringentes.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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A. Participações e Representações Itu Ltda Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ERRO DE INFORMAÇÃO. Devem ser acolhidos, em parte, os embargos para correção do erro de informação constante do acórdão embargado atinente a dividendos do ano calendário 2007: de “não teve recebimento de dividendos” para “teve recebimento de dividendos”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votros, ACOLHER em parte os embargos de declaração, para retificar erro na informação relativa aos dividendos de 2007, e ratificar os demais termos do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que acolhiam os embargos para dar efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 30 37 /2 00 6- 96 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 997 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 998 3 Relatório A Contribuinte inconformada, na parte que restou vencida no Acórdão nº. 180200.505, de 05/07/2010 (efls. 905/917) que manteve parcialmente o crédito tributário lançado pelo Fisco pelos autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL) do anocalendário 2004, opôs Embargos de Declaração em 29/12/2011 (efls. 972/977) com fulcro nos artigos 64 e 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº.256/2009, alegando erro, omissão e contradição no julgado vergastado. A Embargante tomou ciência do citado Acórdão em 24/12/2011 por via postal, conforme Aviso de RecebimentoAR (efls. 969), e apresentou os Embargos de Declaração em 29/12/2011 (fls. 972/977). Destarte, os embargos foram protocolizados dentro do prazo de 05 (cinco) de que trata o § 1º do artigo 65, Anexo II, do RICARF. O Acórdão embargado tem a seguinte ementa (efl. 905), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. VENDA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. RECONHECIMENTO DA INFRAÇÃO IMPUTADA. Configura omissão de receita o ganho de capital auferido na operação de venda de participações societárias permanentes, cuja alienação deixou de ser registrada na escrita contábil e fiscal. Além disso, o recolhimento dos tributos sobre o ganho de capital, ainda que em parte, no curso da lide administrativa, implica reconhecimento da infração imputada. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. DOLO ESPECÍFICO. NÃO COMPROVADO. Não caracterizado o dolo de fraude ou sonegação fiscal, impõe se a redução da multa de 150% para 75%. JUROS SELIC. CABÍVEL. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Fl. 999DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 999 4 Liquidação e Custodia SELIC para títulos federais (Súmula n° 4 do CARF). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento principal, por sua intima relação de causa e efeito. (...) O citado Acórdão, primeiramente, foi objeto de Embargos de Declaração por parte da Fazenda Nacional que discordara da desclassificação da multa de 150% para 75%. Os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional foram julgados por esta Colenda 2ª Turma Especial na Sessão de 22/02/2011, quando foram rejeitados por unanimidade de votos, conforme Acórdão nº 1802000.801 (efls. 951/956), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL. INTUITO DE FRAUDE. DOLO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AFASTAMENTO DA QUALIFICADORA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. Os fundamentos constantes do voto condutor do acórdão embargado pela caracterização e comprovação da infração imputada omissão de receitas não operacionais (falta de pagamento de ganho de capital) que aliás tal infração restou reconhecida pela própria autuada na medida em que efetuou, após a autuação, o recolhimento, ainda que em parte, do crédito tributário concernente à operação de venda de participação societária do seu ativo —não suprem a falta de caracterização e comprovação, pela fiscalização, do intuito de fraude (dolo) para qualificação da multa. Embargos Rejeitados. (...) Desta feita, como já mencionado no início, os Embargos de Declaração são do sujeito passivo. Nas razões dos embargos, a Embargante argumenta que o Acórdão guerreado apresenta erro, omissão e contradição, e que a decisão embargada deve ser reformada, invocando efeitos infringentes ao recurso. A propósito, transcrevo as razões aduzidas pela Embargante no seu recurso (efls. 972/977), in verbis: (...) Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1000 5 Breve relato: A Acusação Suposta omissão de Receita (Ganho de Capital) decorrente de alienação de participações societárias pelo valor R$ 700.000,00 que, segundo o fisco, teria ocorrido em 2004, o que tornaria devidos o IRPJ e a CSLL. O Recurso Em sua defesa sustentou a recorrente que a indigitada operação não acontecera através do instrumento particular datado de 26.11.2004, sendo este mera garantia (contrato de gaveta), e sim em 01.10.2007, ocasião em que alienou sua participação para a empresa Jadangil e recebeu o prego. Comprovou através de Diligência Fiscal (Doc. Anexo e que consta dos autos) inúmeras situações fáticas que militam contra a acusação fiscal. São elas: · Que permaneceu como sócia da empresa, cuja participação teria sido alienada em 2004, nos anos de 2004/2005/2006. · Que no final de 2007 não era mais sócia e nem poderia, vez que alienou sua participação em 01.10.2007. · Que, no ano de 2007, enquanto ainda era sócia, recebe dividendos. · Que, no 4° trimestre de 2007, registrou a operação na forma da Lei e recolheu os tributos devidos. • O Julgamento Quando do julgamento, após o relatório e da sustentação oral, expôs o ilustre relator suas razões e votou por dar provimento parcial ao Recurso para reduzir a multa de 150% para 75% e determinar que, por imputação de pagamento, fossem considerados os recolhimentos feitos de IRPJ e CSLL efetuados em 01/2008, também constatados na Diligência Fiscal. Os Embargos • Erro fls. 882 Do voto Condutor (2° parágrafo) Estamos diante de erro evidente no julgado porquanto, nos fundamentos, consta do Acórdão que: "... ; que nas DIPJ seguintes (anoscalendário 2007 e 2008) não constou como sócia e, também, não teve distribuição de lucros. ..." Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1001 6 Ora, tendo a recorrente alienado sua participação em 01.10.2007, por óbvio, não poderia constar como sócia nas DIPJs de 2007 e 2008. Mais grave ainda (engano claro) é a afirmativa de que a recorrente não teria recebido distribuição de lucros, o que afronta a Diligência Fiscal (Doc. anexo), que foi categórica no sentido de houve distribuição de dividendos no ano de 2007 para a recorrente. • Omissão fls. 883 V. a 886 No Voto Vencedor Nem uma palavra no Voto Vencedor sobre o que foi colocado na sustentação oral, ou seja, de que o "Contrato de Gaveta", onde o alienante não transfere e nem o adquirente recebe o preço, onde, por óbvio, não acontece transferência alguma, apenas parametriza o negócio que, conseqüentemente, somente será efetivado quando todos os "minoritários" negociarem suas participações. A razão desse procedimento ,"Contrato de Gaveta" é evitar que o "último" minoritário” coloque preço "absurdo" em sua participação societária, o que, aliás, é prática comum em sociedades cujas participações não são negociadas em Bolsa de Valores. Portanto, essa omissão "parcial" muito provavelmente influiu na conclusão voto dos demais Conselheiros —em claro prejuízo para a recorrente. • Contradição fls. 881 v. Do Voto Condutor (4° parágrafo) O fato de ter registrado a operação em 2007 e recolhido os tributos devidos, de modo algum induz a conclusão do relator de que: "...na medida em que recolheu o imposto, ainda que em parte, sobre ganho de capital sobre essa operação de alienação de participação societária permanente, reconheceu a infração imputada." Muito pelo contrário, a conclusão lógica é no sentido de que a alienação, de fato e de direito, aconteceu em 2007, jamais reconhecer a suposta infração tida pelo fisco como ocorrida em 2004. fls. 881 V. Do Voto Condutor (3° parágrafo) Mas não é só, através de extratos bancários, comprovou e demonstrou que o recebimento do preço e a efetivação do negócio se deram no final de 2007. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1002 7 " Logo, ficou sem sentido a juntada de extratos bancários de operação que — flagrantemente — não passou pelo sistema bancário." Ora, a contradição é insuperável, como poderia uma operação constante de extrato bancário não ter passado pelo sistema bancário ? Não bastasse, é insustentável a afirmativa do relator de que a prova bancária da efetividade da operação não servia, e mais, dando credibilidade a instrumento particular no importe de R$ 700.000,00 teria se dado em dinheiro, o que evidentemente não é razoável e nem faz sentido, a não ser que se admita que a recorrente recebeu o preço 2 (duas) vezes. Pedido Ante o exposto, diante das provas e das evidencias fartamente demonstradas, espera e confia a embargante ver seu apelo conhecido e acolhido para, conseqüentemente, saneados os erro/omissão/contradição apontados, seja o Acórdão retificado de modo a que venha refletir, fielmente, o que dos autos consta, e mais ainda, que lhe sejam conferidos os necessários efeitos infringentes que: certamente, resultarão no total provimento do Recurso Voluntário. (...) É o relatório. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1003 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Os Embargos de Declaração foram protocolizados tempestivamente e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Conforme narrado no relatório, a Embargante, nas razões do recurso, alegou a existência de erro, omissão e contradição entre a decisão vergastada e os seus fundamentos. Na verdade, a Embargante, no caso, busca rediscutir, em sede de embargos, o mérito das matérias já enfrentadas e decididas pelo Acórdão embargado, o que é vedado na via estreita dos Embargos de Declaração. Data venia, diversamente do alegado pela Embargante não há omissão e não há contradição no Acórdão embargado. O erro alegado (erro de informação relativo aos dividendos de 2007), embora existente o erro de informação, é irrelevante, não interfere, no mérito, do Acórdão embargado, não justificando, por conseguinte, o pedido de efeitos infringentes. 1) – Erro de informação relativo aos dividendos distribuídos em 2007: Nas razões dos embargos a Contribuinte alegou: (...) • Erro fls. 882 Do voto Condutor (2° parágrafo) Estamos diante de erro evidente no julgado porquanto, nos fundamentos, consta do Acórdão que: "... ; que nas DIPJ seguintes (anoscalendário 2007 e 2008) não constou como sócia e, também, não teve distribuição de lucros. ..." Ora, tendo a recorrente alienado sua participação em 01.10.2007, por óbvio, não poderia constar como sócia nas DIPJs de 2007 e 2008. Mais grave ainda (engano claro) é a afirmativa de que a recorrente não teria recebido distribuição de lucros, o que afronta a Diligência Fiscal (Doc. anexo), que foi categórica no sentido de houve distribuição de dividendos no ano de 2007 para a recorrente. (...) Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1004 9 Tratase de erro de informação quanto a dividendos do anocalendário 2007 que não tem o condão de justificar o pedido de efeito infringente aos embargos. Na verdade, a questão se houve, ou não, distribuição de dividendos em 2007 é irrelevante, despicienda, não interfere no mérito da lide já enfrentada e decidida pelo Acórdão embargado, Como já dito, a recorrente busca rediscutir, em sede de embargos, matéria de mérito, o que é vedado, quanto ao elemento temporal do fato gerador (fato imponível) do IRPJ e da CSLL (lançamento reflexo) quanto à operação de alienação (venda, transferência) de participação societária, alegando que a operação, para efeito tributário, não teria ocorrido em 26/11/2004, mas sim apenas em 01/10/2007. E, para dar força a esse argumento, a Embargante invoca informação constante dos autos – Relatório de Diligência relativa à lide objeto de processo conexo – de que recebera dividendos em 2007, chegando, por conseguinte, à inferência que, então, o fato gerador dos tributos da operação de venda da alienação da participação societéria não seria em 2004, mas apenas em 2007. Essa prova Relatório de Diligência – já foi analisada, sopesada, pela decisão embargada (efls. 880/883), quando enfrentou, no mérito, a questão do elemento temporal do fato gerador – pretensão de inocorrência do fato gerador (tese ou argumento do distrato contratual) e, por último, do argumento do “contrato de gaveta” deslocamento do fato gerador de 26/11/2004 para 01/10/2007. Ambas as pretensões do sujeito passivo foram rechaçadas, por falta de plausibilidade jurídica. Apenas para argumentar (relembrar), o que restou decidido pelo acórdão embargado: a) Distrato Contratual: Ns razões do recurso voluntário, o sujeito passivo defendeu a tese ou argumento do distrato contratual: que o contrato, operação de venda de participação societária ocorrida em 26/11/2004 (cópida do Instrumento Particular de Venda e Compra de Participação Societária e outras Avenças efls. 49/52), narrada, descrita, no auto de infração teria sido desfeito (distrato oral, verbal) no mês seguinte e que, por consequinte, não teria ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL; que a venda ou transferência dessa participação societária na empresa SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA teria ocorrido somente em meados de 2007 (01/10), quando registrou essa transação na sua escrituração contábil/fiscal. Entretanto, essa tese ou argumento do distrato contratual não prosperou, conforme acórdão embargado, pois à luz do art. 472 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002), “o distrato fazse pela mesma forma exigida para o contrato”. A propósito, transcrevo, nessa parte, os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado que rechaçou a tese do distrato (efls. 905/917), in verbis: (...) DISTRATO DA OPERAÇÃO DE VENDA. ALEGAÇÃO PREJUDICADA. RECONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DA OPERAÇÃO DE ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1005 10 SOCIETÁRIA PERMANENTE E DA OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL GANHO DE CAPITAL De acordo com o Termo de Constatação (fls. 110/113), "o documento relativo à alienação (fls. 40/45), denominado 'INSTRUMENTO PARTICULAR DE VENDA E COMPRA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA E OUTRAS AVENÇAS', foi apreendido pela Policia Federal em 15/06/2005, em cumprimento a Mandados de Busca e Apreensão expedidos pelo Juiz Federal Dr. Vlamir Costa Magalhães da Vara Federal de Itaborai/RJ, nos autos do processo n° 200551070006503, em 03/06/2005. A recorrente alegou que a operação de venda de participações societárias teria sido objeto de distrato, logo no mês seguinte, no próprio ano; que não recebera o valor em dinheiro, mas sim uma nota promissória e que, em face do distrato, o citado documento de credito foi devolvido. Apesar de afirmar em suas razões que o negócio celebrado em 26/11/2004 teria sido desfeito no mês seguinte, a recorrente não trouxe aos autos qualquer prova desta alegação, limitandose a afirmar que nada havia mudado em termos de titularidade das suas participações societárias. O instrumento de venda das participações societárias permanentes — cópia anexada aos autos — está devidamente firmado pelas partes. Nele os vendedores dão expressa quitação pelo recebimento da importância, em moeda corrente nacional, tudo conforme, inclusive, descrito no Termo de Constatação. Este contrato, celebrado na forma escrita, é válido até que se prove o contrário. Evidentemente, no caso de desfazimento, exige também a forma escrita, caso contrário o instrumento poderá ser levado a registro a qualquer momento. Não é crível, tendo em vista a prática corrente no ambiente empresarial, que um contrato por escrito de venda de participações societárias seja desfeito apenas oralmente. Não convence, também, a afirmação de que o pagamento do negócio foi feito por meio de uma nota promissória recebida a titulo "pro soluto", posteriormente cancelada. Caso assim fosse, evidentemente tal circunstância constaria de contrato. Sem embargo, no citado instrumento contratual de alienação de participações societárias (fls. 40/45), consta (item 1) que a recorrente vendeu as suas participações societárias e consta, também, que recebeu naquele ato de maneira irrevogável e irretratável em moeda corrente nacional a integralidade do preço ajustado quanto à sua parte, ou seja, R$ 700.000,00. Ora, moeda corrente nacional não se confunde com nota promissória. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1006 11 Mais adiante, na cláusula (item 3) reza o instrumento contratual: "(..) Os INTERVENIENTES ANUENTES renunciam em caráter irrevogável e irretratável em favor da COMPRADORA e para esta cedem em caráter irrevogável e irretratável todo e qualquer direito, direto ou indireto, inclusive o adquirido por sub rogação, sobre as ações e quotas objeto do presente, abrindo mão de toda a propriedade, posse, uso, usufruto e qualquer outro direito passado ou futuro, nada mais tendo a reclamar ou repetir a qualquer tempo ou sob qualquer fundamento". Na clasula seguinte (item 4) repetese: "O presente instrumento é celebrado em caráter irrevogável e irretratável, obrigando as partes, seus herdeiros e sucessores, a qualquer titulo." Como demonstrado, o referido contrato de "venda e compra" foi cercado de extrema cautela, pois reza em diversos pontos o caráter irrevogável e irretratável do avençado. Ademais, os INTERVENIENTES ANUENTES (prevendo algum problema) renunciaram em caráter irrevogável e irretratável todo e qualquer direito sobre as ações e quotas objeto do instrumento, e, mais, abriram mão de toda a propriedade, posse, uso, usufruto e qualquer direito passado e futuro acerca dos mesmos, nada mais tendo a reclamar ou repetir a qualquer tempo ou sob qualquer fundamento. Assim, não é crível que este instrumento contratual, cercado de tanta cautela, tenha sido objeto de distrato oral no mês seguinte. Falar em distrato oral de avença irrevogável e irretratável é tecnicamente, no mínimo, um contrasenso. Poderia ser objetada, na sequência, um distrato formal, ou outra operação de alienação/aquisição — recompra envolvendo mesmo objeto, mesmo valor, e as mesmas partes, mas não distrato oral. De qualquer forma, a recorrente não produziu prova formal do distrato. Diversamente do alegado pela recorrente, o referido instrumento de contrato de alienação das participações societárias pela recorrente deu plena quitação em dinheiro (item 1) de R$ 700.000,00 (parte da recorrente na alienação), cujo valor circulou a margem da contabilidade, pois não foi registrado como ingresso (receita de venda, alienação). Por isso, da imputação da infração "omissão de receitas não operacionais — ganho de capital (RIR/99, arts.521, 522 e 528). (...) Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1007 12 Aqui, cabe asseverar que o fato do negócio jurídico descrito no instrumento contratual, com cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade, não ter sido levado a registro na escrituração contábil/fiscal no anocalendário 2004 e se reportar a operação realizada em espécie (dinheiro) não o invalida, não configura óbice algum para efeito tributários (fato gerador), pois inexiste prova do distrato formal da avença, conforme exige o art. 472 do Código Civil Brasileiro. Neste caso, o fato gerador (fato imponível) do IRPJ e da CSLL restou configurado, e mais, independendemente dos efeitos dos atos e fatos efetivamente ocorridos quanto ao contrato de venda e compra de participação societária, pela inteligência do art. 118 do Código Tributário Nacional, cujo texto legal transcrevo, in verbis: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Mas, se isso não bastasse, a tese ou argumento, por último, do “Contrato de Gaveta”, sustentada pela Contribuinte, põe por terra, sepulta, de vez, o argumento do Distrato Contratual, confirmando e reafirmando que a operação de venda da participação societária ocorrera, efetivamente, no dia 26/11/2004, mas que teria ocorrido o deslocamento do fato gerador dos tributos para 01/10/2007, data em que se daria efetivamente publicidade ao negócio jurídico (“Contrato de Gaveta”).. b) “Contrato de Gaveta”: Na sustentação oral, sessão de julgamento de 05/07/2010, a Contribuinte defendeu a tese ou argumento do “Contrato de Gaveta”, que o negócio jurídico ficou por certo tempo parado, em stand by, e que foi registrado na escrituração contábil e fiscal apenas em 2007 e que o fato gerador do IRPJ e da CSLL, por conseguinte, teria ocorrido apenas em 2007 e não em 26/11/2004. Nesse sentido, transcrevo a fundamentação constante do voto condutor do acordão embargado (efl. 882): (...) Ainda, segundo o causídico, patrono da recorrente, em sustentação oral efetuada na própria Sessão de Julgamento, frisou que a operação de venda irretratável e irrevogável das participações permanentes da recorrente para a empresa JADANGIL, realizada em 26/11/2004, não foi registrada na escrita contábil e fiscal antes da autuação, não com propósito de sonegação fiscal, mas sim em face de rearranjo organizacional das empresas do Grupo econômico Schincariol; que a adquirente buscava "ganhar tempo" na recompra das demais participações permanentes ainda em poder de outros sócios da empresa Schincariol Participações e Representações, e enquanto não se ultimasse todas as recompras previstas o contrato não Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1008 13 teria publicidade, seria contrato de gaveta, mas que acabou vindo a público, em face de apreensão em operação da Policia Federal autorizada judicialmente. (...) Nas razões dos embargos, a Contribuinte novamente reportase ao ”Contrato de Gaveta” (efls. 972/977), in verbis: (...) Em sua defesa sustentou a recorrente que a indigitada operação não acontecera através do instrumento particular datado de 26.11.2004, sendo este mera garantia (contrato de gaveta), e sim em 01.10.2007, ocasião em que alienou sua participação para a empresa Jadangil e recebeu o preço. Comprovou através de Diligência Fiscal (Doc. Anexo e que consta dos autos) inúmeras situações fáticas que militam contra a acusação fiscal. São elas: Que permaneceu como sócia da empresa, cuja participação teria sido alienada em 2004, nos anos de 2004/2005/2006. Que no final de 2007 não era mais sócia e nem poderia, vez que alienou sua participação em 01.10.2007. Que, no ano de 2007, enquanto ainda era sócia, recebe dividendos. Que, no 4° trimestre de 2007, registrou a operação na forma da Lei e recolheu os tributos devidos (...) Ora, o fato gerador do tributo é um evento jurídico involuntário, em relação aos contribuintes; ocorre e decorre automaticamente, por exemplo, da celebração do negócio jurídico (instrumento de venda e compra de participação societária, de 26/11/2004). Não há possibilidade legal das partes signatárias do negócio jurídico transigirem, no sentido de definir, escolher o momento mais adequado a partir do qual aceitam e consideram ocorrido o fato gerador do tributo (retardando sua publicidade para terceiros, normente o fisco), em relação ao negócio jurídico celebrado em 26/11/2004. A propósito, o Código Tributário Nacional – CTN (art. 123) veda qualquer ajuste entre particulares, no sentido de deslocar, para o futuro, o fato gerador do tributo em relação ao negócio jurídico já celebrado e sua responsabilidade. Transcrevo, a seguir, o texto, o comando, do citado dispostivo legal, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1009 14 Como visto, ajustes particulares, no sentido de manter o negócio jurídico celebrado incógnito, em stand by, sem registro na escrituração contábil (“Contrato de Gaveta”), para deslocar o fato gerador para frente, não podem ser opostos contra o Fisco. Por isso, o argumento do “Contrato de Gaveta” configura um despautério. A tese ou o argumento do “contrato de gaveta”, defendida pela Embargante, por conseguinte, coloca por terra, sepulta de vez, a tese ou argumento do distrato contratual. Então, o contrato de venda de participação societária foi celebrado em 26/11/2004 e sempre existiu, desde então. O fato gerador do IRPJ e da CSLL, no caso, como já decidido pelo Acórdão embargado, ocorreu, deuse em 26/11/2004, data da celebração do negócio jurídico, conforme instrumento contratual particular de venda das participações societárias da SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA. Entretanto, a Embargante suscitou a existência de erro de informação no acórdão embargado, no que concerne à distribuição de dividendos no anocalendário 2007;. que, diversamente do que consta da fundamentação, recebeu sim dividendos em 2007, em relação à participação societária alienada, pois alienou, vendeu, a participação societária apenas em 01/10/2007, e não 26/11/2004; que, então, deveria se dado efeito infringente aos embargos. Consta da fundamentação da decisão embargada efls. 882): (...) Consta, também, da diligência fiscal que desde a data de venda das participações societárias objeto dos autos (26/11/2004), a recorrente jamais recebeu dividendos. No período em que o contrato ficou incógnito (contrato de gaveta), nas DIPJ (anos calendário 2004, 2005 e 2006) a recorrente constou, pro forma, como sócia; por conseguinte sem distribuição de lucros; e nas DIPJ seguintes (anoscalendário 2007 e 2008) não constou como sócia e, também, não teve distribuição de lucros. Fato que reafirma que as cláusulas do contrato celebrado em 26/11/2004 foram observadas e cumpridas à risca pela recorrente. (...) As informações constantes da fundamentação, transcrita acima, constam também do Relatório de Diligência Fiscal (efls. 928/950), porém, com uma ressalva. Diversamentre do que consa da citada fundamentação, a Embargada recebeu dividendos da SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA no anocalendário 2007. Ou seja: consta do Relatório de Diligência que a Embargante recebeu dividendos da SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA no ano calendário 2007, embora não figurasse mais como sócia em 2007 e 2008. Como visto, realmente houve esse lapso, essa divergência (erro de informação quanto a dividendos na fundamentação do acórdão recorrido). Por isso, cabe retificar essa informação no Acórdão embargado: Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1010 15 Vale dizer, no anocalendário 2007 a Embargante recebeu dividendos da empresa que vendera (alienara) em 2004. Logo, cabe retificar a informação de “não teve recebimentos de dividendos” para “teve recebimentos de dividendos”. Porém, tratase de erro (divergência de informação quanto a dividendos) irrelevante, despiciendo, que não interfere no mérito da lide já decidido pelo Acórdão embargado, pois essa questão se houve, ou não, distribuição de dividendos em 2007 faz parte do argumento já rejeitado pelo Acórdão embargado (“Contrato de Gaveta”), ou seja, a distribuição de dividendos, no caso, prova e comprova que se tentou deslocar, realmente, o fato gerador dos tributos ocorridos em 26/11/2004 para 01/10/2007. As partes deram publicidade ao negócio jurídico celebrado em 26/11/2004 apenas e somente em 01/10/2007, quando o registraram na escrituração contábil/fiscal. Em suma, a distribuição de dividendos em 2007 pela SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA à Embargante (informação constante da DIPJ e consoante Relatório de Diligência) é um fato irrelevante, não tem o condão de interferir no mérito já decidodo pelo Acórdão embargado. Vale dizer, não interfere na validade, para efeitos tributários , do contrato celebrado em 26/11/2004, data da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, pela omissão de receitas – ganho de capital, pois a tese ou argumento do Distrato não prosperou (faltou a Contribuinte provar que tivessse ocorrido o distrato formal) e a tese ou argumento do “Contrato de Gaveta”, além de confirmar e reafirmar o negócio jurídico celebrado em 26/11/2004, não pode ser oposto ao Fisco para deslocar o fato gerador dos tributos para 01/10/2007, pois ajustes particulares para deslocamento do fato gerador de tributo não têm validade contra o Fisco (CTN, art. 123). A venda da participação societária, por derradeiro, ocorreu em 26/11/2004. 2) Omissão: Nas razões dos embargos, a Embargante alegou omissão na fundamentação do voto condutor que não teria tratado do argumento “contrato de gaveta”. • Omissão fls. 883 V. a 886 No Voto Vencedor Nem uma palavra no Voto Vencedor sobre o que foi colocado na sustentação oral, ou seja, de que o "Contrato de Gaveta", onde o alienante não transfere e nem o adquirente recebe o preço, onde, por óbvio, não acontece transferência alguma, apenas parametriza o negócio que, conseqüentemente, somente será efetivado quando todos os "minoritários" negociarem suas participações. A razão desse procedimento ,"Contrato de Gaveta" é evitar que o último “minoritário” coloque preço "absurdo" em sua participação societária, o que, aliás, é prática comum em sociedades cujas participações não são negociadas em Bolsa de Valores. Portanto, essa omissão "parcial" muito provavelmente influiu na conclusão voto dos demais Conselheiros — em claro prejuízo para a recorrente. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1011 16 (...) Diversamente do alegado, não há a alegada omissão, pois no tópico já enfrentando 1) Erro de informação relativo aos dividendos distribuídos em 2007, houve transcrição de parte da fundamentação do voto condutor do Acordão embargado onde esse argumento do “Contrato de Gaveta” foi tratado, expressamente, sendo utilizado, inclusive, como fundamento, para desqualificação da multa de ofício (redução da multa de 150% para 75%). 3) – Contradição: Nas razões dos embargos, por fim, a Embargante alegou a existência de contradição entre a fundamentação e a decisão embargada, nos sequintes termos: (...) • Contradição fls. 881 v. Do Voto Condutor (4° parágrafo) O fato de ter registrado a operação em 2007 e recolhido os tributos devidos, de modo algum induz a conclusão do relator de que: "...na medida em que recolheu o imposto, ainda que em parte, sobre ganho de capital sobre essa operação de alienação de participação societária permanente, reconheceu a infração imputada." Muito pelo contrário, a conclusão lógica é no sentido de que a alienação, de fato e de direito, aconteceu em 2007, jamais reconhecer a suposta infração tida pelo fisco como ocorrida em 2004. fls. 881 V. Do Voto Condutor (3° parágrafo) Mas não é só, através de extratos bancários, comprovou e demonstrou que o recebimento do preço e a efetivação do negócio se deram no final de 2007. " Logo, ficou sem sentido a juntada de extratos bancários de operação que — flagrantemente — não passou pelo sistema bancário." Ora, a contradição é insuperável, como poderia uma operação constante de extrato bancário não ter passado pelo sistema bancário ? Não bastasse, é insustentável a afirmativa do relator de que a prova bancária da efetividade da operação não servia, e mais, dando credibilidade a instrumento particular no importe de R$ 700.000,00 teria se dado em dinheiro, o que evidentemente não é razoável e nem faz sentido, a não ser que se admita que a recorrente recebeu o preço 2 (duas) vezes. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1012 17 Primeiro, essa alegação de contradição está superada, prejudicada, pois, conforme já demonstrado anteriormente, no Acordão embargado a tese ou argumento do Distrato Contratual não prosperou (faltou a Contribuinte provar que tivessse ocorrido distrato formal) e a tese ou argumento do “Contrato de Gaveta”, além de confirmar e reafirmar o negócio jurídico celebrado em 26/11/2004, não pode ser oposto ao Fisco, pois ajustes particulares para deslocamento do fato gerador de tributo não têm validade contra o Fisco (CTN, art. 123). A questão levantada pela Embargante, relativa aos extratos bancários, é totalmente sem sentido. Constam dos autos cópias de extratos bancários não da Embargante, mas apenas do seu sócio Alcides Vargas Porteiro (efls. 301/320) que comprovam que, em 2004, nada transitou pela conta bancária atinente à indigitada operação de venda das participações societárias na empresa SCHINCARIOL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA. A venda foi por valor em espécie (dinheiro) conforme reza de cláusula do respectivo Instrumento de Contrato (efls 42/46): (...) 1. As partes resolvem que os VENDEDORES vendem para a COMPRADORA totalidade da participação societária que possuem na forma individualizada em todas as sociedades dispostas e relacionadas no ANEXO ÚNICO, nas quais tenham participação, pelo preço global certo e ajustado de R$ 850.000,00 (oitocentos e cinquenta mil reais), sendo R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) pagos à PRIMEIRA VENDEDORA e R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) pagos ao SEGUNDO VENDEDOR. Os VENDEDORES recebem neste ato, em moeda corrente nacional, a integralidade do preço ajustado, dando plena, geral, irrevogável e irretratável quitação à COMPRADORA, obrigandose a assinarem as alterações contratuais das sociedades e transferência de ações e quaisquer outros documentos necessários ou solicitados pela COMPRADORA, retratando a venda ora pactuada e procedendo os VENDEDORES sua retirada do quadro societário de todas as sociedades elencadas no ANEXO ÚNICO. (Grifo não consta do original). (...) Por isso, constou da fundamentação do voto condutor (efl.915): (...) Quanto às provas "extratos bancários", novamente não servem de prova, pois, o recebimento ou pagamento foi ern dinheiro (em espécie), cujo valor circulante não consta registrado em lugar algum (valor à. margem da escrituração contábil, fiscal e do sistema bancário). Logo, ficou sem sentido a juntada de extratos bancários de operação que —flagrantemente — não passou pelo sistema bancário. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1013 18 (...) Por fim, consta do Acordão embargado que a Contribuinte reconheceu, anos depois da ocorrência do fato gerador, a infração imputada, pois efetuou o pagamento, ainda que parcial, do ganho de capital nessa operação de venda de participação societária objeto da autuação, configurando ato incompatível com a vontade de recorrer (preclusão lógica). A propósito, consta da fundamentação do voto condutor (efls. 912/915): (...) Entretanto, todas essas alegações no sentido de negar a existência da operação de alienação das participações societárias permanentes, por fim, restaram superadas ou prejudicadas, pois, a recorrente, na medida em que recolheu o imposto, ainda que em parte, sobre ganho de capital sobre essa operação de alienação de participação societária permanente, reconheceu a infração imputada. Neste sentido, a recorrente requereu a juntada e juntou aos presentes autos, em 18/05/2010, copia de relatório resultado de Diligência Fiscal constante dos autos do processo administrativo fiscal conexo que tramitou pela 1ª Câmara do então 1° Conselho de Contribuintes (atual CARF) — processo n° 10855.003040/200618 — cujo sujeito passivo é a empresa JADANGIL PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA, CNPJ: 58.648.775/000158 (adquirente das participações societárias permanentes da recorrente) e que foi autuada justamente pelo fato de não ter registrado na escrituração contábil e fiscal essa operação de aquisição. Dentre outras questões, consta do resultado dessa diligência fiscal, realizada in loco, que a ora recorrente apurou o ganho de ganho de capital sobre a operação de venda de participação societária para a JADANGIL tãosomente no 4° (quarto) trimestre de 2007, efetuando o pagamento do IRPJ e da CSLL em janeiro/2008. A diligência não especificou quanto teria sido recolhido a titulo dessas exações fiscais. A diligência fiscal foi determinada, naqueles autos, pela Resolução n° 1101 00.007, de 19/06/1999. Destarte, corno demonstrato, houve por parte da recorrente o reconhecimento da infração "omissão de receitas não operacionais — ganho de capital" sobre a venda de participações societárias para a empresa JADANGIL, na medida em que fez o recolhimento de IRPJ e CSLL sobre ganho e capital, e ainda que que o crédito tributário tenha sido recolhido tãosomente em parte. (...) Portanto, não há contradição na decisão embargada. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10855.003037/200696 Acórdão n.º 1802002.277 S1TE02 Fl. 1014 19 Por tudo que foi exposto, voto para ACOLHER, em parte os embargos de declaração, para retificar oerro de informação relativa aos dividendos de 2007, e ratificar os demais termos do acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por NELSO KICHEL
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