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Numero do processo: 10715.000020/2010-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador:15/02/2006
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador:15/02/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador:15/02/2006 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador:15/02/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador:15/02/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 00 20 /2 01 0- 68 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000020/201068 Acórdão n.º 9303003.738 CSRFT3 Fl. 247 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3201001.122, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000020/201068 Acórdão n.º 9303003.738 CSRFT3 Fl. 248 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000020/201068 Acórdão n.º 9303003.738 CSRFT3 Fl. 249 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000020/201068 Acórdão n.º 9303003.738 CSRFT3 Fl. 250 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000020/201068 Acórdão n.º 9303003.738 CSRFT3 Fl. 251 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000020/201068 Acórdão n.º 9303003.738 CSRFT3 Fl. 252 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000020/201068 Acórdão n.º 9303003.738 CSRFT3 Fl. 253 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.000020/201068 Acórdão n.º 9303003.738 CSRFT3 Fl. 254 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16682.720034/2014-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO
Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativo.
A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
PIS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO
Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativo.
A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o relator pelas conclusões. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Efetuou sustentação oral pela Recorrente a Dra. Vivian Casanova de Carvalho Eskenazi, OAB/RJ nº 128.556.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativo. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 PIS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativo. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativo. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 PIS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo da COFINS não cumulativo. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 34 /2 01 4- 36 Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o relator pelas conclusões. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Efetuou sustentação oral pela Recorrente a Dra. Vivian Casanova de Carvalho Eskenazi, OAB/RJ nº 128.556. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração que tem por escopo a exigência de contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o financiamento da Seguridade Social (COFINS) referentes ao ano de 2009, exações essas cujo valores, acrescidos de multa e juros, resultam, respectivamente, nas importâncias de R$ 4.333.790,46 e R$ 19.961.701,35. 2. Importante registrar que a Recorrente é uma empresa que atua no comércio atacadista e na distribuição de produtos farmacêuticos, cosméticos e similares e produtos de perfumaria. Não obstante, também apresenta como objeto social a participação no capital social de outras sociedades e, ainda, a prestação de serviços de operações logísticas. 3. Ademais, consoante se observa do procedimento fiscalizatório que precedeu a presente autuação, a Recorrente foi intimada para apresentar determinados documentos fiscais e, ato contínuo, para esclarecer a natureza das receitas registradas contabilmente com as rubricas "verbas de operação logística". Tais receitas foram registradas na linha 02 da ficha 07A do DACON (conta contábil 36012002 "Receitas financeiras/Verbas operações logística"). 4. Segundo a Recorrente, tais receitas seriam descontos comerciais concedidos pela indústria farmacêutica (fornecedora dos produtos comercializados e distribuídos pela Recorrente), descontos esses que se materializavam mediante a bonificação Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.344 3 em mercadorias, descontos comerciais, descontos em duplicatas e, ainda, mediante depósito em dinheiro. 5. Para esclarecer melhor a motivação do presente Auto de Infração, convém neste momento dar um passo atrás e entender melhor o mercado em que a Recorrente está inserida, de modo a viabilizar a sua análise sob uma perspectiva holística. Nesse sentido, não é demais lembrar determinadas práticas comerciais perpetradas entre os grandes laboratórios farmacêuticos (indústria farmacêutica) e as empresas comerciais atacadistas e distribuidoras, dentre elas a Recorrente. Assim, com objetivos variados1, é comum que a indústria farmacêutica utilize mecanismos comerciais no sentido de estimular a venda dos seus produtos pelas empresas atacadistas, como é o caso da Recorrente. 6. Uma das técnicas sobreditas é objeto de análise no presente Auto de Infração. Segundo consta dos autos, a Recorrente adquiria produtos de indústrias farmacêuticas pelo valor padrão praticado no mercado. Todavia, fazia a revenda destes produtos por um montante abaixo daquele normalmente praticado na revenda, reduzindo, por conseguinte, sua margem de lucro. Em contrapartida, posteriormente a tal revenda, a Recorrente recebia da indústria farmacêutica bonificações ou descontos comerciais, de modo a recompor a sua margem de lucro mediante a redução do custo de aquisição da mercadoria vendida. 7. A prática comercial alhures sumarizada era materializada contabilmente, conforme se observa de trecho do Termo de Verificação Fiscal a seguir transcrito: (...). Num primeiro momento, o registro dessas verbas seria feito pela área de Vendas ou de Marketing a débito de uma conta de Fornecedor, atrelada a um código com nome e CNPJ, que alimenta um módulo de Contas a Pagar, e a crédito de uma conta transitória dentro de um grupo de fornecedor no balanço: Transitória Fornecedores Verba Empresa, no primeiro caso, e Transitória Fornecedores Verbas de Propaganda, no segundo. Num segundo momento, quando ocorre o pagamento da verba por parte do Laboratório (fornecedor) a conta Fornecedor é creditada contra a conta Banco Conta Movimento ou contra a conta de Estoque Revenda (no caso de pagamento em mercadorias). Seguese um outro lançamento a débito da conta Transitória Fornecedores Verba Empresa em contrapartida à conta 36012002 Receitas Financeiras/Verba Operação Logística ou na conta 21012092 Transitória Fornecedores Verbas a Apropriar que disponibiliza a verba para gastos em ações de marketing, conforme o caso. Num terceiro momento, o registro da apropriação das verbas a contas de resultado é feito pela área contábil no qual a conta 36012002 Receitas Financeiras/Verba Operação Logística é debitada contra a conta 21012092 Transitória Fornecedores Verbas a Apropriar para fins de reclassificação da verba. A partir de então a verba poderá a ser creditada em três contas: 1 Como, "v.g.", introduzir um remédio novo no mercado, reforçar a marca de um produto, sobreporse à concorrência, etc. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 a) 32011005 CMV (no caso de Bonificação em Mercadorias); b) 36012002 Receitas Financeiras/Verbas Operação Logística (no caso de ressarcimento do desconto adicional concedido aos Clientes); c) 33081003 Outras Receitas Despesas Operac/Outras Desp O (Receita de Verbas Outras Ações de Marketing) O exame dos registros ao longo do ano na conta 36012002 revelou que frequentemente, após o registro dessas verbas de operação logísticas como receitas, valores expressivos eram de novo revertidos para as contas transitórias de passivo, diminuindo o saldo da conta em questão, o que ocasionou a redução da base de cálculo do PIS e da Cofins. (...).(fls. 566/567). 8. Em suma e empregando as próprias palavras do Recorrente desenvolvidas em sua Impugnação: ...a Impugnante sempre oferecia à tributação antecipadamente as parcelas da redução de preço concedida aos clientes em função dos seus acordos comerciais e na medida do recebimento das bonificações e descontos comerciais dos fornecedores, com exceção quando recebidos em dinheiro, tratava de excluir esses valores da conta receita, para fins de não incidência do PIS e da COFINS, visto que, por sua natureza, não poderiam receber o tratamento tributário aplicável às receitas. (fl. 1.085). 09. Nesse sentido, por entender que tais valores apresentam natureza de redutor de custo de aquisição e não faturamento/receita, a Recorrente não sujeitou tal importe à incidência do PIS e da COFINS. 10. Acontece que, para a fiscalização, a prática desenvolvida pela Recorrente não se enquadraria no conceito de bonificações ou descontos comerciais para fins de redução de custo, mas sim em uma típica prestação de serviço realizada pela Recorrente em favor de uma determinada indústria farmacêutica. Logo, o montante daí percebido seria receita para fins de incidência de PIS e COFINS. 11. Diante deste quadro, a fiscalização promoveu a presente autuação, da qual a Recorrente foi devidamente notificada, apresentando, por conseguinte, sua Impugnação de fls. 1.081/1.111 e da qual se extrai, em caráter sumário, os seguintes fundamentos: (i) que em razão de acordos comerciais celebrados tacitamente entre as indústrias farmacêuticas e a Recorrente, esta última efetua a venda de produtos por um preço aquém do usual e, posteriormente, é ressarcida por isso mediante bonificações ou descontos comerciais destinados pelos seus fornecedores; (ii) que o montante percebido dos seus fornecedores em razão de tais bonificações e descontos comerciais não configura receita e, portanto, não estaria sujeito a incidência do PIS e da COFINS, isso porque tal importe não implica acréscimo patrimonial ou geração de receita nova, mas configura, em verdade, redução do custo de aquisição de mercadorias previamente adquiridas; Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.345 5 (iii) subsidiariamente, a operação perpetrada pela Recorrente é uma operação de revenda de produtos farmacêuticos, ou seja, uma obrigação de dar, e não uma obrigação de fazer, o que retiraria a natureza de serviço desta operação e, consequentemente, afastaria a incidência do PIS e da COFINS dos valores daí percebidos; (iv) ainda subsidiariamente, em se tratando de uma operação de venda de produtos farmacêuticos, esta se sujeitaria à incidência monofásica das exações em tela, nos termos do art. 1o. da lei n. 10.147/00, razão pela qual a incidência de tais contribuições estaria concentrada na indústria farmacêutica, não sendo nada devido pela Recorrente; e, por fim (v) também subsidiariamente, protesta pelo afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa lançada. 12. Devidamente processada, a Impugnação foi julgada improcedente pela DRJSão Paulo (fls. 1.220/1.250), conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Integram a base de cálculo da contribuição a receita auferida em contrapartida à prestação de um serviço, em observância ao disposto no art. 1º da Lei n.º 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Integram a base de cálculo da contribuição a receita auferida em contrapartida à prestação de um serviço, em observância ao disposto no art. 1º da Lei n.º 10.833, de 2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 13. Uma vez intimado desta decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.261/1.292, oportunidade em que repisou os fundamentos anteriormente desenvolvidos em sede de Impugnação. 14. É o relatório. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Voto Vencido Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Relator 15. O recurso voluntário é tempestivo e atende as demais exigências formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. A natureza jurídicocontábil das bonificações e dos descontos na presente operação e seu reflexo para a apuração do PIS e COFINS 16. Para que haja o devido julgamento do caso em tela, mister se faz, neste momento, precisar a natureza jurídicocontábil das bonificações e dos descontos perpetrados na presente operação para, ato contínuo, verificar o impacto disso na apuração do PIS e da COFINS. 17. Neste esteio, convém destacar que a Administração Pública, por intermédio do Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982, assim conceituou o instituto da bonificação: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. 18. Assim, segundo o referido parecer, a bonificação pode se dar de duas formas: (i) o vendedor entrega a quantidade de coisas adquiridas mediante a incidência de um preço menor ou (ii) o vendedor, pelo preço originalmente pactuado, entrega uma quantidade maior de bens, o que, em última análise, também influenciará no preço final, de modo a reduzi lo. 19. Na primeira hipótese o preço é imediatamente afetado, enquanto que no segundo caso interferese, diretamente, na quantidade dos bens adquiridos e, indiretamente, no preço de tais bens. Já é possível perceber que em ambas hipóteses o que se alcança é uma redução do custo da mercadoria adquirida. 20. Percebese, pois, que bonificação é técnica genérica de redução de custo, técnica esta que, por sua vez, pode se subdividir em suas espécies: (i) descontos incondicionados e (ii) descontos condicionados. 21. Segundo dispõe a Instrução Normativa n. 51/78, os descontos incondicionais são assim conceituados: Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.346 7 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 22. Assim, se o gênero bonificação constar da nota fiscal de venda e não depender de evento posterior estaremos diante de um desconto incondicional. Por sua vez, se a bonificação depender de evento futuro para se concretizar, constando ela ou não na nota fiscal de venda, estarseá diante de um desconto condicional. Nesse sentido, aliás, é o voto vencedor proferido pelo Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, quando do julgamento do processo administrativo n. 10510.721517/201109 (acórdão n. 3402002.092), in verbis: a. Bonificações podem se caracterizar por concessões de vantagens dadas pelo vendedor ao comprador mediante diminuição do preço da coisa vendida ou entrega de quantidade maior de produtos que aquela estipulada. Ou seja, pode darse em abatimento de preço (a), em moeda enquanto “rebache de preço” (b), ou em mercadorias (c); b. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, e não depender de evento futuro e incerto, estar seá diante de “desconto incondicional”; c. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador não estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, estarseá diante de “desconto condicional”; d. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador, estando ou não consignado no documento fiscal no próprio ato da venda, mas depender de evento futuro ou incerto, estarseá diante de “desconto condicional”. (negrito nosso, sublinha do Autor). 23. Feitas essas considerações, é possível desde já destacar que no caso em concreto estamos diante de bonificação (gênero) que se perfaz mediante uma condição, qual seja, a revenda dos produtos farmacêuticos por um valor aquém daquele praticado pelo mercado e que é indicado pela indústria farmacêutica. Ademais, no caso decidendo, a bonificação não está vinculada a nota de venda, se materializando, em verdade, por notas de bonificações autônomas, conforme se depreende dos documentos de fls. 1.113/1.198. Em suma, tratase de hipótese de desconto condicionado (espécie). 24. De tais conclusões é possível extrair outra: independentemente do tipo de desconto recebido pela Recorrente, i.e., se condicionado ou incondicionado, fato é que estamos diante de inconteste figura de desconto, cabendo, pois, neste instante, verificar qual o tratamento jurídicocontábil a ser ofertado para tal rubrica. 25. Para tanto, insta neste instante repisar que a Recorrente é sociedade anônima e, por conseguinte, está sujeita às orientações exaradas pela Comissão de Valores Mobiliários, exatamente como prevê o art. 177, §§ 3º e 5º da lei n. 6.404/76, com a redação que lhe fora atribuída pelas leis n.s 11.638/07 e 11.941/09: Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (...) § 3º As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela registrados. (...). § 5º As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3º deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (...). (g.n.). 26. Por sua vez, a Comissão de Valores Mobiliários, por meio da Deliberação CVM n. 575/09, aprovou o pronunciamento técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis n. 16 (CPC n. 16), responsável pela regulamentação do registro de estoque e que assim dispõe: Mensuração de estoques 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos dos estoques 10. O valor de custo dos estoques deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos, bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes são deduzidos na determinação do custo de aquisição. (g.n.). 27. Segundo referida orientação, os descontos comerciais (gênero), independentemente de serem eles condicionados ou incondicionados (espécies), devem ser tratados como redutores do custo de aquisição de estoques. Neste mesmo diapasão são as lições do Professor Eliseu Martins2, in verbis: 2 "in" “Contabilidade de Custos”. 6ª ed. São Paulo: Atlas, p. 126. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.347 9 No caso de descontos comerciais e abatimentos, não há dúvidas: devem ser considerados como redução do preço de aquisição. 28. Assim, tratandose de redução do custo de aquisição, os valores percebidos a título de descontos não podem compor a apuração contábil das receitas de uma dada sociedade. É o que indica o CPC n. 30, também aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários pela Deliberação CVM n. 597/09 e cujo trecho relevante segue abaixo: Mensuração da receita 9. A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador. 29. Ante o quadro contábil acima desenhado, é possível concluir que bonificação é gênero do qual se extrai como espécie os descontos, sejam eles condicionados ou incondicionados. Não obstante, independentemente da existência ou não da condição, o desconto é tratado contabilmente como redutor de custo e, diante desta natureza, não compõe o montante da receita que será registrada contabilmente e, consequentemente, subordinada à tributação pelo PIS e pela COFINS. 30. O fato, todavia, de o registro contábil efetuado em concreto pela Recorrente não se adequar integralmente a tais regras, já que as bonificações foram indevidamente registradas como "Receitas Financeiras/Verba Operação Logística", não é suficiente para modificar a substância (natureza) de tais operações, uma vez que não compete a contabilidade criar fatos, mas apenas registrálos. Logo, eventual discrepância entre os registros contábeis perpetrados pela Recorrente em relação às regras do CPC e encampadas pela CVM poderiam, eventualmente, implicar o advento de sanções pelo descumprimento de obrigações acessórias, mas jamais a exigência da obrigação principal. 31. Não obstante, convém aqui abrir um parêntese para repisar a operação de bonificação realizada entre a Recorrente e as indústrias farmacêuticas. Como visto, a Recorrente adquiria os produtos da indústria farmacêutica pelo valor ordinário de mercado e, ato contínuo, promovia a sua venda por um montante indicado pela fornecedora e abaixo daquele praticado pelo mercado atacadista. Uma vez atendida esta condição em concreto, só então a indústria farmacêutica concedia à Recorrente a bonificação. 32. Este descompasso temporal se justifica economicamente, uma vez que foi o caminho encontrado pela indústria farmacêutica para garantir que a Recorrente de fato promovesse a venda dos fármacos pelo preço indicado pela fornecedora. Em outros termos, com essa sistemática, a fornecedora estancava o risco de conceder uma bonificação e, ainda sim, ver seus produtos vendidos não pelo preço por ela indicados, mas sim pelo preço comum de mercado a ser praticado pela Recorrente, o que, consequentemente, prejudicaria demasiadamente os variados propósitos comerciais deste modelo. 33. Nesse sentido, o fatos das bonificações se materializarem por intermédio de notas fiscais autônomas não desnatura tais operações como redutoras de custo, uma vez que Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 repitase estamos diante de descontos condicionados, os quais não se sujeitam aos duvidosos limites impostos pela Instrução Normativa n. 51/783. 34. Referida conclusão é a mesma quando se analisa as bonificações aqui tratadas sob uma perspectiva jurídica. Isso porque, as leis n.s 10.637/02 e 10.833/03, em sua redação vigente à época dos fatos, previam a incidência do PIS e da COFINS sobre o faturamento, ou seja, sobre aquele valor percebido pelo contribuinte em razão da venda de produtos e/ou prestação de serviços e que são incorporados em caráter definitivo ao seu patrimônio, independentemente da sua classificação contábil. Vejamos: Lei n. 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Lei n. 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 35. Dessa feita, resta claro que no presente caso os valores que foram objeto de autuação não são faturamento da Recorrente, mas sim redutores de custo, o que afasta, por conseguinte, a incidência do PIS e da COFINS. Nesse sentido é a jurisprudência deste Tribunal Administrativo: Ementa: COFINS. MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O recebimento de mercadorias em bonificação implica mera redução do respectivo custo unitário de aquisição. Redução de custo não equivale a receita e, portanto, não pode ser fato gerador da COFINS, nem mesmo após a vigência da EC n° 20/98. (ACÓRDÃO 340300.393; Sessão de 25/05/2010; Publicado no DOU em: 24.03.2011; Relator: Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz) (g.n.). PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BONIFICAÇÕES E DESCONTOS COMERCIAIS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTOS. Por força dos arts. 109 e 110, do CTN e segundo a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado (Direito Societário), nos termos do art. 177, da Lei nº 6.404/76, e conforme as Deliberações CVM nº 575, de 05 de junho e nº 597, de 15 de Setembro de 2009, e CPC nºs. 16 e 3 Que assim estabelece em seu item 4.2: "“4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.”" Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.348 11 30, de 2009, temse que as bonificações e descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita, devendo ser tratados como redutores de custos, e como tal devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se o desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. (...). Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (ACÓRDÃO 3402002.092; Sessão de 23/07/2013; Relator: Conselheiro João Carlos Cassuli Junior). 36. Assim, diferentemente do que fundamenta a fiscalização na presente autuação, não há que se falar em suposta prestação de serviço de logística por parte da Recorrente em favor das indústrias farmacêuticas. O fato da Recorrente apresentar em seu objeto social como uma das suas atividades a de prestação de serviço de logística em absolutamente nada altera esta conclusão. 37. Primeiro porque não há qualquer instrumento contratual no sentido de provar esse pretenso negócio jurídico, embora não se ignore o disposto no art. 107 do Código Civil, in verbis: Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. 38 Conforme se observa do dispositivo alhures transcrito, para que haja um negócio jurídico, ainda que carente de forma, há que existir declaração de vontade unívoca no sentido do negócio que se pretende perpetrar. Ocorre que, no presente caso, essa declaração é indevidamente presumida pela fiscalização, a qual decorre da incapacidade desta mesma fiscalização em acomodar a operação aqui tratada à figura dos descontos incondicionados, o que de fato é impossível, uma vez que, como visto ao longo do voto, os descontos percebidos pela Recorrente no presente caso são condicionados. 39. Por outro giro verbal, por não conseguir subsumir os fatos aqui tratados à figura do desconto incondicional, a fiscalização presumiu que estava diante de uma prestação de serviço de operação de logística, o que adveio do simples fato de a Recorrente contemplar esta atividade empresarial em seu objeto social. 40. Aliás, se de fato havia uma prestação de serviço, qual seria o preço praticado? Como tal preço era conformado? Quais as condições do serviço? A ausência de qualquer resposta plausível para tais indagações só reforça a inexistência de elemento volitivo no sentido de configurar uma suposta prestação de serviço. 41. Em verdade, conforme amplamente debatido no presente voto, o que temos aqui é uma prática comercial comum no nicho empresarial da Recorrente, que tem por objetivo fomentar as vendas de um determinado produto farmacêutico mediante a sua revenda por um preço abaixo daquele praticado pelo mercado, o que só é possível economicamente Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 (haja vista a redução da margem de lucro da comercial atacadista) pelo fato da indústria farmacêutica garantir uma contrapartida para a Recorrente por intermédio da bonificação. 42. Referendando este entendimento, insta novamente trazer a baila o já citado acórdão n. 3402002.092 deste Tribunal Administrativo quando assim prescreveu: (...). PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS OBTIDOS. RECLASSIFICAÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DIVERSOS. PRESUNÇÃO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Deve ser cancelado o lançamento baseado em presunção fiscal na hipótese de ausência de prova do elemento volitivo das partes em celebrar o contrato de prestação de serviço, consistente em uma obrigação de fazer da compradora em favor dos seus fornecedores, voltados à prestação serviços diversos por um preço certo, determinado ou determinável. Do mesmo modo, havendo contratos “atípicos”, que veiculam acordos comerciais prevendo o preenchimento de condições para a obtenção de descontos e/ou bonificações em operações comerciais, e não para a prestação de serviços de uma parte à outra, deve prevalecer a prova documental da existência dos acordos comerciais tendentes à concessão de descontos comerciais e bonificações em detrimento dos presumidos contratos típicos de prestação de serviços. (...). (ACÓRDÃO 3402002.092; Sessão de 23/07/2013; Relator: Conselheiro João Carlos Cassuli Junior). 43. Em seu voto, ao tratar desta questão em específico, o Relator do caso bem pondera: (...). Cumpre, finalmente, analisar se houve, efetivamente, a prestação de serviços da Recorrente em favor de seus fornecedores, e que teriam sido veiculados através do pagamento do preço mediante a concessão de descontos em duplicatas (“descontos obtidos”), registrados pela Recorrente – equivocadamente, no meu sentir , como “receitas financeiras”. De plano cabe observar que não há prova da existência de tais contratos de prestação de serviço, interpretando a Administração que tais contratos seriam celebrados verbalmente e seriam “presumidos” pela prática costumeira existente entre as partes, de modo que a Recorrente concederia vantagens aos seus fornecedores em troca de uma remuneração determinada, veiculada através de “descontos obtidos” em duplicatas. Tenho, no entanto, que não se trataram de prestações de serviços, e sim de acordos comerciais que efetivamente vinculavam as operações de compras e vendas sucessivas de mercadorias, e cujo objeto, invariavelmente, era o incremento das vendas de parte a parte, tanto dos fornecedores quanto da Recorrente. Falta prova do elemento volitivo das partes em celebrar o contrato de prestação de serviço, consistente em uma obrigação de fazer da contratada – no caso a Recorrente – em favor e benefício da tomadora – seus fornecedores. Ao Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.349 13 contrário, há contratos “atípicos”, que prevêem regras diversas para incremento de vendas dos produtos vendidos pelos fornecedores à Recorrente, com o que atenderseiam objetivos mútuos das partes, que ao cabo é o aumento das vendas. Tais contratos, no entanto, a meu sentir são acordos comerciais que veiculam regras para o preenchimento (ou não) de condições para a obtenção (ou não) de descontos e/ou bonificações em operações comerciais, e não de prestação de serviços de uma parte à outra. Atendidos esses preceitos dos contratos atípicos, se concediam descontos comerciais e/ou bonificações, mediante abatimento nas “duplicatas a pagar” pela Recorrente, procedimento esse que, na essência, veicula e preenche o conceito de bonificações ou descontos condicionais, e, como tais, nos termos da Lei Comercial (Art. 177, da LSA, CPC nºs 16 e 30 e Deliberações CVM nºs. 575 e 597/2009), não se subsumem no conceito de “receitas”, mas antes devem ser delas excluídos, pois que redutores de estoque. (...). Portanto, tenho que não se trata de típicos contratos de prestação de serviços, mas sim de contratos atípicos, lícitos, livremente pactuados pelas partes e que devem ter seus efeitos preservados pelo ordenamento jurídico. O conteúdo econômico das avenças, por seu turno, revestese da natureza de “vantagens comerciais do vendedor ao comprador”, no interesse de incrementar a venda de ambas as partes, e se concretiza mediante abatimento de preços, o que, conforme já discorrido, importa em redução de custos dos produtos adquiridos pela Recorrente. (...). (g.n.). 44. Ex positis, inexistindo ato volitivo referente à celebração de um negócio jurídico de prestação de serviço entre a Recorrente e as indústrias farmacêuticas e, ainda, levando em consideração a natureza de redução de custos das bonificações aqui tratadas, inexiste qualquer fundamento para a subsistência do presente lançamento. Dispositivo 45. Tendo em vista as considerações desenvolvidas acima, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, cancelando integralmente a autuação fiscal em comento. 46. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência, que levou o colegiado a conclusão diversa quanto a exigência de Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), referentes ao ano de 2009, suscitada no recurso voluntário. Tendo suscitado a divergência, recebi a designação para redigir o presente voto vencedor. Verificase que o litígio se concentra na determinação da natureza jurídico tributária dos recebimentos da Recorrente, que alega terem sidos classificados como valores redutores da rubrica custo dos produtos adquiridos para revenda, por serem por ela havidos como bonificações em mercadorias, recebimentos de numerário, descontos em notas fiscais de compra ou descontos em duplicatas, todos oferecidos por seus fornecedores por se relacionarem às operações de aquisição de produtos farmacêuticos, que (como consequência de prática comercial oriunda de acordos tácitos entre a Recorrente e seus fornecedores) possibilitaria ressarcila pela concessão de descontos a seus clientes nas operações de revenda desses produtos. Por outro giro, por entender que se trataria de receitas recebidas em contrapartida à realização de obrigações de fazer prestação de serviços (revenda de produtos farmacêuticos a preços predeterminados, é dizer, inferiores aos praticados pelo mercado varejista, ao encontro dos interesses dos fornecedores), entende o Fisco que tais valores recebidos (pelos serviços), devem ser oferecidos à tributação de PIS e da COFINS. Para tal conclusão, vejase o que a fiscalização apontou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 560/562), em que a fiscalizada informa que "(...) foi constituída sob a forma de uma sociedade anônima, tendo por objeto, nos termos do art. 3º de seu Estatuto Social: (i) o comércio atacadista e distribuição de produtos farmacêuticos, cosméticos e similares e produtos de perfumaria; (ii) a participação no capital social de outras sociedades, independentemente no setor econômico; e (iii) a prestação de serviços de operações logísticas" (grifei). No mesmo sentido, verificase nos autos, documentos apresentados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), onde constatase que as "(...) bonificações recebidas pela Companhia são para pagamento de algum serviço prestado, também de fácil comprovação" (doc. fls. 194/195 e 575/ 576). Vejase que tal informação não apenas prova o ânimo que sempre teve a PROFARMA de prestar serviço a seus fornecedores, como também de que essa remuneração seria realizada por meio, por exemplo, de bonificações em mercadorias. Ou seja, como parte das operações comerciais (mercancia) da Recorrente, oferecia um serviço a seus fornecedores que consistia na revenda de produtos farmacêuticos a seus clientes a preços que convinham aos laboratórios, em contrapartida, a PROFARMA, era por isso remunerada. No entanto, a PROFARMA por considerar que tais valores se revestiriam da natureza jurídica de bonificações em mercadorias ou descontos comerciais, defende que não Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.350 15 poderiam ser receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS, devendo ser considerados como redutores da rubrica custo dos produtos adquiridos para revenda. Sobre este fato, observase que desta forma explicou a empresa em sua impugnação: "(...) dentre as técnicas comerciais desenvolvidas com o objetivo de redução de custos, está a obtenção de bonificações e descontos comerciais junto a fornecedores". Assim, no que toca essa técnica comercial, prossegue esclarecendo a Recorrente, "(...) possui o objetivo precípuo de reduzir custos de operação". Em suma, conforme consta dos autos, a Recorrente revela que adquiria produtos de indústrias farmacêuticas pelo valor padrão praticado no mercado. Todavia, fazia a revenda destes produtos por um montante abaixo daquele normalmente praticado na revenda, reduzindo, por conseguinte, sua margem de lucro. Em contrapartida, posteriormente a tal revenda, a Recorrente recebia da indústria farmacêutica bonificações ou descontos comerciais, de modo a recompor a sua margem de lucro mediante a redução do custo de aquisição da mercadoria vendida. Pois bem. Antes de qualquer consideração é preciso ter em mente que a incidência das contribuições (PIS e COFINS) em debate, darseá independentemente da denominação ou classificação contábil, basta que reste caracterizado o auferimento de receita. Vejase o que estabelecia o art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, que tinha redação idêntica à do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 (destaques acrescidos): Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Neste contexto, é importante registrar o conceito de Receita. Salientase que com o advento da Lei nº 11.638/2007, o Brasil passou a adotar como padrão normativo contábil as normas internacionais conhecidas como International Financial Reporting Standarts IFRS, que estabeleceu uma nova norma global para receita de aplicação obrigatória para as sociedades anônimas de empresas de grande porte. Assim, "Receita é todo o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade, que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários". E neste conceito enquadramse os descontos obtidos juntos a fornecedores, a título de, por exemplo: distribuição de mercadorias, atividade de propaganda, bonificações em mercadorias, recebimentos de numerário, descontos em notas fiscais de compra ou descontos em duplicatas, e outros. Posto isto, não se justifica a tese da Recorrente de que os recebimentos pagos por seus fornecedores se relacionariam com as operações de aquisição de produtos farmacêuticos e que, por isso, se revestiriam da mesma natureza jurídica dos descontos comerciais. A pretensão da PROFARMA, visa a confundir duas operações comerciais distintas, fazendo que os benefícios por ela auferidos, por conta da realização de uma operação comercial (aquisição de mercadorias de seus fornecedores), sirvam para remunerar uma operação comercial diversa daquela. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Da mesma forma, não se sustenta, a alegação que a operação comercial em análise se trata de mera técnica comercial empregada para incrementar as vendas, e que se consumaria, contabilmente, por lançamentos a crédito na rubrica custo dos produtos adquiridos para revenda, uma vez que se vislumbra que haveria outra forma de alcançar esse fim, sem que houvesse a necessidade de valerse os fornecedores da contrapartida materializada pela entrega à PROFARMA, de bonificações em mercadorias ou concessão de descontos comerciais. E é por isso que não se pode albergar a tese da Recorrente de que os ressarcimentos recebidos de seus fornecedores teriam a natureza de descontos comerciais, apenas passíveis de redução, em sua contabilidade, da rubrica de custo dos produtos adquiridos para revenda. Em verdade, verificase que, apenas comprometendose a remunerar a PROFARMA face à revenda dos produtos farmacêuticos a preços predeterminados pelos laboratórios, é que se poderia garantir que seus produtos seriam revendidos a preços exatamente inferiores aos praticados no mercado varejistas (preços predeterminados). Os laboratórios apenas poderiam garantir que as revendas desses produtos seriam realizadas a determinados preços, de maneira a atender a seus próprios interesses mercadológicos, se remunerassem a PROFARMA por haver prestado o serviço que, em essência, consiste na revenda de produtos nas condições preestabelecidas pelos fornecedores. A operação comercial que aqui se analisa, revela que a PROFARMA atendeu a um interesse/uma exigência de seus fornecedores e foi, por essa razão, remunerada. A remuneração que adveio dessa operação comercial nunca poderia ser considerada um desconto comercial, concedido pelos laboratórios, uma vez que foi percebida pela Recorrente em contrapartida à realização de uma obrigação de fazer, típica da natureza jurídica de uma prestação de serviço. A prática comercial aduzida era materializada contabilmente, conforme se observa de trecho do Termo de Verificação Fiscal a seguir transcrito (fls. 560/585) grifouse: "(...) Num primeiro momento, o registro dessas verbas seria feito pela área de Vendas ou de Marketing a débito de uma conta de Fornecedor, atrelada a um código com nome e CNPJ, que alimenta um módulo de Contas a Pagar, e a crédito de uma conta transitória dentro de um grupo de fornecedor no balanço: Transitória Fornecedores Verba Empresa, no primeiro caso, e Transitória Fornecedores Verbas de Propaganda, no segundo. Num segundo momento, quando ocorre o pagamento da verba por parte do Laboratório (fornecedor) a conta Fornecedor é creditada contra a conta Banco Conta Movimento ou contra a conta de Estoque Revenda (no caso de pagamento em mercadorias). Seguese um outro lançamento a débito da conta Transitória Fornecedores Verba Empresa em contrapartida à conta 36012002 Receitas Financeiras/Verba Operação Logística ou na conta 21012092 Transitória Fornecedores Verbas a Apropriar que disponibiliza a verba para gastos em ações de marketing, conforme o caso. Num terceiro momento, o registro da apropriação das verbas a contas de resultado é feito pela área contábil no qual a conta 36012002 Receitas Financeiras/Verba Operação Logística é debitada contra a conta 21012092 Transitória Fornecedores Verbas a Apropriar para fins de reclassificação da verba. A partir de então a verba poderá a ser creditada em três contas: (a) 32011005 CMV (no caso de Bonificação em Mercadorias); Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.351 17 (b) 36012002 Receitas Financeiras/Verbas Operação Logística (no caso de ressarcimento do desconto adicional concedido aos Clientes); (c) 33081003 Outras Receitas Despesas Operac/Outras Desp O (Receita de Verbas Outras Ações de Marketing) O exame dos registros ao longo do ano na conta 36012002 revelou que frequentemente, após o registro dessas verbas de operação logísticas como receitas, valores expressivos eram de novo revertidos para as contas transitórias de passivo, diminuindo o saldo da conta em questão, o que ocasionou a redução da base de cálculo do PIS e da Cofins". Vejase que o registro contábil efetuado pela Recorrente, demonstra claramente que as bonificações foram registradas na conta própria: 36012002 como "Receitas Financeiras/Verba Operação Logística", o que pode ser confirmado em respostas ao Termo de Intimação, protocolizada pela Recorrente em 25/04/2012 (fls. 47/78). Neste caso, não há como empregar à remuneração advinda dessa operação (técnica comercial), o conceito de desconto comercial, para fins de classificação desse ingresso no patrimônio da Recorrente e com isso, não há como falar em lançamentos contábeis a crédito na rubrica custo dos produtos adquiridos para revenda, como se daria num caso de mera obtenção de desconto comercial, porque, simplesmente, para o presente caso, nunca ocorreu uma concessão de descontos comerciais, haja vista que a operação comercial em análise nada se confunde com uma operação de aquisição de mercadorias ou produtos por meio da qual se obteriam descontos comerciais. No entanto, o tratamento tributário empregando, nas próprias palavras da Recorrente desenvolvidas em sua Impugnação, se dava da seguinte forma (fl. 1.081/1.111) "(...) a Impugnante sempre oferecia à tributação antecipadamente as parcelas da redução de preço concedida aos clientes em função dos seus acordos comerciais e na medida do recebimento das bonificações e descontos comerciais dos fornecedores, com exceção quando recebidos em dinheiro, tratava de excluir esses valores da conta receita, para fins de não incidência do PIS e da COFINS, visto que, por sua natureza, não poderiam receber o tratamento tributário aplicável às receitas" (grifouse). A Instrução Normativa n° 51, de 3 de novembro de 1978, disciplinando os procedimentos para apuração da receita de vendas e serviços para tributação das pessoas jurídicas estabeleceu o seguinte em relação aos descontos incondicionados: “4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas: (...) (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente, (c) (...) 4.2. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.” Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Desta forma, a referida Instrução Normativa estabelece que os descontos incondicionais são aqueles que constam na nota fiscal de venda dos bens ou serviços reduzindo o preço das vendas sem nenhuma condição posterior. Destacase que no caso sob análise, estamos diante de bonificação que se perfaz mediante uma condição, qual seja, a revenda dos produtos farmacêuticos por um valor aquém daquele praticado pelo mercado e que é indicado pela indústria farmacêutica. Ademais, no caso em concreto, a bonificação não está vinculada a nota de venda, se materializando, em verdade, por notas de bonificações autônomas, conforme se depreende de cópias dos documentos apensos de fls. 1.113/1.198. Em resumo, tratase de hipótese de desconto condicionado. A operação comercial ora analisada, como demonstrou a fiscalização, sempre teve a natureza jurídica de uma prestação de serviço. Nesse diapasão, eis a conclusão do Fisco relativamente a que, (...) o contrato de bonificação pela baixa de preço não remunera a venda da mercadoria, mas o agir da contribuinte, a sua obrigação de fazer (fl. 572) grifo nosso. E continua às fl. 577, "(...) concluiuse que a verba recebida pela "operação logística" constituise numa receita oriunda de acordos promocionais para divulgação, promoção ou mesmo venda desses produtos sob determinadas condições préestabelecidas entre as partes: redução do preço usual praticado. Nesse caso, não se configurou a existência de uma receita financeira, tampouco um contrato de compra e venda, mas a contratação da obrigação de fazer ou seja conceder um desconto sob determinados produtos, pelo qual a atacadista PROFARMA será ressarcida". Assim, as contribuições serão devidas sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). Portanto, basta que haja receita para ocorrer a incidência, ainda que à alíquota zero, como se verifica, por exemplo, com relação às receitas financeiras. Além de conhecido o recurso deve ser desprovido, pois as bonificações em discussão sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, como decidiu recentemente este CARF no Acórdão 9303003.486, de 25/02/2016, proferido, nos autos do processo 16561.720069/201107: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. Os descontos obtidos pelo Contribuinte junto aos fornecedores que não constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços integram a base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativo. (...). Ou seja, a partir da instituição do regime não cumulativo, a incidência das contribuições litigiosas independe da discussão normalmente travada quando se discute as parcelas que se submeterão à incidência cumulativa. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16682.720034/201436 Acórdão n.º 3402003.147 S3C4T2 Fl. 1.352 19 Assim, como bem fundamento pelo Fisco na presente autuação, constatase a prestação de serviço de logística por parte da Recorrente em favor das indústrias farmacêuticas, como consta em seu objeto social, como uma das suas atividades a de prestação de serviço de logística. Por fim, entendo que restam afastadas as afirmações da Recorrente de que o presente caso pudesse ter relação com o regime de tributação monofásico das Contribuições Sociais, bem como que não houvesse a fiscalização provado as suas alegações. Com isso, no presente caso, os descontos obtidos pela PROFARMA a título de "bonificações em mercadorias, recebimentos de numerário, descontos em notas fiscais de compra ou descontos em duplicatas" juntos aos seus fornecedores, devem ser considerados receitas, e, portanto, integrar a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins. Não se trata portanto de descontos incondicionais de acordo com a legislação vigente. Conclusão Tendo em vista as considerações desenvolvidas no voto acima, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose integralmente a autuação fiscal em comento. É como voto. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10707.001524/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS. EFEITOS INFRINGENTES.
Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento.
Numero da decisão: 2301-004.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: Relator João Bellini Júnior
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
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EFEITOS INFRINGENTES. Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório Em 26/01/2016, esta 1ª Turma exarou a Resolução 2301000.572, pela qual resolveu encaminhar os autos em diligência ao Secoj. Eis o teor da referida resolução: No processo 10707.001524/200880, que trata da auditoria das mesmas contas correntes, e atinentes ao anocalendário 2003 e 2004, foi alegado que as contas correntes bancárias 174572 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 15 24 /2 00 8- 80 Fl. 5063DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 (Banco do Brasil) e 6507335 (Unibanco) eram exclusivamente provenientes de recursos de seu marido, conforme pôde ser confirmado na fiscalização em curso perante seu cônjuge, a teor da resposta por ele prestada. A referida fiscalização originou o processo 10707.001523/200835, do qual é sujeito passivo o Sr. Sergio Arthur Fabiano Leão Menescal, marido da autuada e cotitular das referidas contas conjuntas. Tais processos possuem como elemento de conexão a cotitularidade das contas correntes. Essa Turma, nesta mesma reunião de julgamentos, resolveu sobrestar processos em idêntica situação, em face do disposto no art. 6º, §§ 2º e 5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), em proposição de lavra do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, que reproduzo: De acordo com o novo Regimento Interno deste CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no caso de não estarem os processos conexos localizados na mesma Seção do processo principal, deverá se providenciar por resolução de diligência o sobrestamento daqueles na câmara: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; ... § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. ... § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Assim, de acordo com o artigo 6º, 5§º do RICARF, quando os processos se encontram em seções diferentes o reconhecimento da vinculação é ordinariamente realizado pela turma julgadora que aprecia o processo conexo ao principal, determinando por resolução seu sobrestamento. Acontece que no caso em exame o processo conexo se encontra no SECOJ, portanto ainda pendente de distribuição. Assim, combinado com o artigo 6º, §§2º e 5º e artigo 46, inciso II, a solução seria a juntada dos processos no SECOJ para posterior retorno por prevenção à esta turma. Fl. 5064DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001524/200880 Acórdão n.º 2301004.539 S2C3T1 Fl. 5.062 3 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências acima, observado o disposto no artigo 46, inciso II do RICARF. Considerando a conexão existente entre o presente processo e o processo 10707.001524/200880, e a conexão deste (10707.001524/200880) com o processo 10707.001523/2008 35, do qual é sujeito passivo o Sr. Sergio Arthur Fabiano Leão Menescal, marido da autuada e cotitular de contas conjuntas, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para a juntada dos processos no SECOJ para posterior retorno por prevenção à esta Turma, observado o disposto no artigo 46, II, do Ricarf. É como voto. Porém, consultando o andamento do processo 10707.001523/200835, verifico que este encontrase na atividade “para relatar”, na 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção deste Carf, desde 09/12/2015. Assim, é inaplicável o § 5º do art. 6º do Ricarf, conforme constou na Resolução. A regra aplicável é a do § 3º do mesmo artigo, que prevê a juntada por despacho do Presidente da Câmara (se os processos estiverem em Turmas de idêntica Câmara) ou do Presidente da Seção (caso de processos em Turmas de Câmaras distintas); Eis a redação do art. 6º, § 3º do Ricarf: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. Ocorre que o presente processo já teve sua juntada requerida ao Presidente da Seçã, via email corporativo, em 15/05/2015 (durante o recesso do Colegiado, em 2015), que foi negada, sob as seguintes alegações: “a distribuição por conexão é uma exceção ao princípio da impessoalidade, garantido pelo sorteio. Portanto, como o operador deôntico do art. 6o do RICARF é PODERÁ, não fico vinculado à distribuição por conexão. Assim, somente tenho deferido a distribuição por conexão quando há UMA QUESTÃO DE PREJUDICIALIDADE entre as decisões, ou seja, se uma vez tendo sido dado provimento ao recurso de um processo, o outro necessariamente deveria ser provido, e viceversa. Exemplifico, dois processos previdenciários um com o lançamento do tributo e outro com lançamento de multa (isso ainda ocorre muito no CARF), ora, se o tributo não for devido, não há que se falar em multa. Fl. 5065DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Agora, analisando o caso, temos dois contribuintes que, conforme livre convencimento dos colegiados, frente às provas apresentadas, podem ter julgamentos diferentes. A divergência, justamente, é resolvida pela CSRF em sede de RESP. Concluindo, salvo novos esclarecimentos sobre a questão de fato, esse não seria um dos casos de distribuição por conexão.” Nesse sentido, creio que a melhor solução é EMBARGAR DE OFÍCIO a resolução, uma vez que foi omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma (art. 65 do Ricarf), ou seja, o processo já estar distribuído para Conselheiro de outra Câmara no momento da conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior Tendo sido o processo encaminhado, por erro procedimental, em diligência ao Secoj, deve o erro ser corrigido com nova indicação do processo para pauta de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 5066DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000469/2001-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 18/06/1997 a 08/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 18/06/1997 a 08/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Elias Fernandes Eufrásio.
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PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 04 69 /2 00 1- 28 Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório PAISAGEM DISTRIBUIDORA DE LIVROS opõe Embargos de Declaração, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face de suposta omissão constante do Acórdão nº 320100.371, de 17/11/2009, que foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 18/06/1997 a 08/12/1999 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃOII e IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS VINCULADOS À IMPORTAÇÃO IPI Não se caracterizam como livros para fins de imunidade tributária, conforme o art. 150, inciso VI, alínea "d" da Constituição Federal/1988, pôsteres, fotografias e brinquedos. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995 é legitima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado A 2ª Câmara da lª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, Cientificada da referida decisão, o sujeito passivo, tempestivamente, interpôs embargos de declaração, onde alega omissão no acórdão, argumentando contradição no que tange às provas materiais e documentais produzidas nos processo administrativo (comprovação da existência do ISBN (International Standard Book Number) e omissão no que se refere a ausência das respostas aos quesitos determinados pelo então 3 ° Conselho de Contribuintes por conta da Resolução demandada, enfim, que os embargos tenham efeitos infringentes. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10074.000469/200128 Acórdão n.º 3201002.127 S3C2T1 Fl. 2.195 3 PAISAGEM DISTRIBUIDORA DE LIVROS, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, opõe embargos, argumentando contradição no que tange às provas materiais e documentais produzidas nos processo administrativo, alegando a comprovação da existência do ISBN (International Standard Book Number) e omissão no que se refere a ausência das respostas aos quesitos determinados pelo então 3 ° Conselho de Contribuintes por conta da Resolução demandada, enfim, que os embargos sejam acolhidos e tenham efeitos infringentes. Cumpre relembrar que versa o presente sobre auto de infração, decorrente de importação de mercadorias classificadas no código NCM 4901.99.00, referente a livros cujas alíquotas do II e do IPI eram de 0% (zero por cento), devido à imunidade tributária, quando, na realidade, tratavamse de mercadorias classificáveis em outras posições tarifárias. Regularmente cientificado do Acórdão de primeira instância, a embargante, tempestivamente, protocolizou o recurso voluntário, repisando praticamente os mesmos argumentos da impugnação. Ou melhor, arguiu a imunidade da importação de livros papéis e periódicos, diz que os materiais vinculados ao auto de infração em questão podem ser considerados como imunes. Os Autos foram convertidos em diligência (primeira diligência), através da Resolução de n° 3021.425, em sessão de novembro/2007, onde foi solicitado, à época: 1)Se o produto em exame é produto gráfico encadernado? 2)Se afirmativa a resposta ao quesito anterior, favor informar para cada produto analisado: (a) Tipo de encadernação; (b) Tipo de impressão; (c) Tipo de capa; (d) Existência de texto em qualquer parte do produto, especificando o conteúdo do referido texto; (e) Função principal. Com o retorno dessa diligência, a fiscalização (conforme efls.13521353) concluiu que passados sete anos, seria impossível responder de forma precisa a todos os quesitos formulados, em face da inexistência dos exemplares dos produtos. Informou ainda que: Não obstante, analisando as fotos dos produtos desclassificados pelo Fisco, prudentemente acostadas pelas Autoridades Fiscais às fls.202 a 209, observase que alguns itens não configuram produtos gráficos encadernados, tais como CD, POSTER, FITA, BRINQUEDO, QUEBRA CABEÇA. Quanto aos produtos encadernados, verificase, ademais, que o item identificado como POSTAL pela fiscalização, em que pese o fato de apresentarse encadernado, afigurase como conjunto de cartões postais facilmente destacáveis para utilização individual. Quanto ao tipo de encadernação utilizada, deve ser acrescentado que, de acordo com o que se observa das fotos analisadas, produto algum dos fotografados apresentava encadernação com capa dura, cabendo consignar que as agendas (foto fls.202) apresentavam encadernação espiral, com Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 a indicação dos dias da semana e espaço para anotações de compromissos em suas folhas. Registrese, outrossim, que o produto identificado como FOTO (KLOTZ) representa, pelas fotografias costadas às fls.205, verdadeiro álbum de fotos. Salientese, finalmente, que o item identificado como calendário (foto às fls.203) apresentava, em suas folhas, quadrados com a indicação dos dias do mês, alinhados por semana. A empresa foi devidamente notificada e se manifestou, apesar da resposta da fiscalização acima, rebateu sobre a matéria acerca da imunidade para todos os itens e enfatizou que os bens comercializados pela contribuinte são livros e o fato de que todos esses livros possuem um número de registro ISBN ( International Standard Book Number). Comenta ainda que: No Brasil, o órgão com a função de atribuir o número de identificação aos livros editados no pais, desde 1978, é a Fundação Biblioteca Nacional. A Fundação Biblioteca Nacional possui uma lista de produtos que são considerados livros e, que, portanto, estão sujeitos a registro no ISBN, entre eles: mapas (com especificação de escalas); filmes, videos e transparências educacionais e instrutivos;livros em fita cassete, CD, DVD (audiolivros); publicações eletrônicas, na Internet ou em suportes físicos (fitas lidas por máquinas, disquetes ou em CD Rom); software educacional ou instrutivo; guias; álbum de figurinhas; álbuns para colorir, pintar, recortar ou armar; agendas (com texto) etc... Dessa maneira, para clarear, em face dessas ponderações; a turma entendeu em converter o julgamento de novo, em diligência, através da Resolução de n° 3021.581, em sessão de dezembro/2008 para que a autoridade preparadora da Delegacia de origem a que está submetido o contribuinte intimasse o mesmo a informar, os respectivos ISBN de cada produto relacionados no auto de infração em debate, tendo em vista as alegações do próprio. Em ato contínuo, que depois de recebidos informativos sobre tais códigos, a autoridade preparadora oficializasse a Fundação Biblioteca Nacional, fornecendo a cópia do auto de infração, descrição de cada produto e seu correspondente ISBN, para que esta informasse se tal registro corresponde ao produto descrito no auto de infração (caso não ocorresse a coincidência entre o produto registrado e aquele descrito no auto de infração, fornecesse o descritivo do produto registrado no ISBN correspondente) e se o mesmo é um livro impresso ou um produto equiparado a livro. Constam várias intimações para que a empresa apresentasse o que foi demandado na segunda diligência, como informar os registros do ISBN dos produtos dos autos, o que não foi atendido, conforme se observa abaixo: TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n° 57/2009 No exercício das funções de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e em conformidade com o disposto nos artigos 194, 195 e 196 da Lei n° 5.172/1966 (CTN), nos artigos 34 e 44, §2° , da Lei n° 9.430/1996, nos artigos 431, 432, 435 e 440 do Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10074.000469/200128 Acórdão n.º 3201002.127 S3C2T1 Fl. 2.196 5 Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), e nos artigos 19 e 21 do Dec. 6.759/09 (RA), e em cumprimento determinação 3° Conselho de Contribuintes, 2a Câmara INTIMO a empresa acima identificada a informar no prazo de 20 (vinte) dias, a partir do recebimento desta intimação Via/Correios, os respectivos ISBN (International Standard Book Number) de cada produto relacionado no Auto de Infração formalizado através do processo 10074.000469/200128. E para surtir os devidos efeitos legais, lavramos o presente TERMO que vai assinado por nós Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e pelo representante da empresa. Rio de Janeiro, 16 de abril de 2009. Ratificado pelo Termo de Intimação Fiscal de n°85/2009, em 14/05/2009. Registremse as ciências, de acordo com os AR, às efls. 1413 e 1414. Assim sendo, os diversos Avisos de Recebimento (AR’s), encaminhados para o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, constituem provas incontestes da validade das intimações acima. Em sequência, verificase a resposta da segunda diligência, através do ofício/Presi n° 87/09 de 29/07/07 (Ministério da CulturaFundação Biblioteca Nacional, à fl. 1392 (papel) que encaminha o Comunicado Interno n° 127/08 do Centro de Processos Técnicos de FBN, às fls. 1394/1394 (papel), que não é objetivo das Agências, do ISBN exercerem uma função normativa ou fiscalizadora sobre o mercado editorial. Mas em pesquisa no Cadastro do sistema nacional do ISBN constatouse que a empresa Paisagem Distribuidora de Livros LTDA, prefixo editorial 86003 está com status desativado, Isto é, a empresa se cadastrou na Agência Brasileira do ISBN, mas nunca solicitou n° de ISBN. Desta forma não existe nenhum livro registrado no sistema ISBN relacionado a esta empresa e a este CNPJ. Prossegue: Consta, à fl. 1395 (papel), resultado da pesquisa: “Nenhum registro foi encontrado.” Idem, à fl. 1396 (papel) com status“desativado”.Idem, à fl. 1397 (papel)Não existem dados cadastrados. Passemos a análise dos itens embargados, após os fatos narrados. OMISSÃO NO QUE SE REFERE À AUSÊNCIA DAS RESPOSTAS AOS QUESITOS DETERMINADOS PELA PRIMEIRA RESOLUÇÃO Quanto a essa alegada omissão, como se observa, a primeira diligência foi solicitada e a fiscalização respondeu com o que podia, tendo em vista, passados os setes anos da autuação, no entanto, nada disso maculou o julgamento, posto que o julgador possuía elementos para formação de sua convicção. Mesmo assim, mediante sua manifestação, quando a embargante trouxe argumentos sobre o ISBN, ainda assim, a turma entendeu em baixar o julgamento em outra diligência ao próprio e a Biblioteca Nacional, conforme relato acima, que será o próximo item a ser analisado. Em sendo assim, não se acolhem os embargos de declaração nesta parte, por omissão a que o sujeito passivo alude, tendo em vista, resposta da fiscalização com o que foi possível, no entanto esta julgadora pode dar sequência aos autos, não inviabilizando o julgado. Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 CONTRADIÇÃO NO QUE TANGE ÀS PROVAS MATERIAIS E DOCUMENTAIS PRODUZIDAS NOS PROCESSO ADMINISTRATIVO, ALEGANDO A COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO ISBN Quanto à alegação de contradição na parte do julgado em que a Embargada afirma que possui o ISBN, que a Biblioteca Nacional não tem o condão de interferir no julgado, pois se tratam de livros importados e não livros nacionais. Inicialmente, vide trecho do acórdão ora analisado: (.....)Portanto, a isenção (ou imunidade) de que trata o art. 177 do RA (Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85) aplicase exclusivamente às pessoas elencadas nos incisos I e II do art. 178 e sua aplicação destinase exclusivamente à produção de livros, jornais e periódicos, sendo que, por força dos parágrafos 1º e 2º do art. 178, está enfatizado o princípio da exclusiva destinação, estando, inclusive, enumeradas diversas hipóteses de nãoaplicabilidade da dispensa legal. A imunidade deve ser interpretada literalmente, sendo que o próprio Código Tributário NacionalCTN estabelece que, nos casos de imunidade e isenção, não se pode usar critérios de analogia ou semelhança. Como ressaltado no relatório, inclusive trecho transcrito abaixo, a fiscalização constatou que muitas mercadorias importadas não eram dos tipos mencionados na alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal e que, embora a autuada lhes tenha rotulado com o código NCM específico para livros se tratavam de pôsteres, fotografias e brinquedos. A autoridade fiscal separou as mercadorias que eram realmente livros das outras que não eram. .......... Por todo o exposto, não se pode acatar que ursinhos e coelhinhos que reproduzem gravação são de fato brinquedos, talvez didáticos, mas não podem ser considerados livros. Pôsteres, ainda que de localidades históricas, ou turísticas não são livros e fotos soltas não são livros. Ou seja, não terem sido considerados pela fiscalização como livros, jornais e periódicos nem papel destinado a sua impressão. Em derradeiro, tendo em vista, as diligências solicitadas e em pesquisa no Cadastro do sistema nacional do ISBN constatouse que a empresa Paisagem Distribuidora de Livros LTDA, prefixo editorial 86003 está com status desativado, isto é a empresa se cadastrou na Agência Brasileira do ISBN, mas nunca solicitou n° de ISBN. Desta forma não existe nenhum livro registrado no sistema ISBN relacionado a esta empresa e a este CNPJ. ......... Pelo que se observa, o julgamento foi no sentido, como a embargante alega, em dar interpretação literal à imunidade prevista na CF, bem como a aplicação prevista nos artigos do Regulamento Aduaneiro, à época, para os produtos em litígio. Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10074.000469/200128 Acórdão n.º 3201002.127 S3C2T1 Fl. 2.197 7 Frisese que a resposta da Biblioteca Nacional (como se vê, acima) não foi fundamento, tampouco motivação para negar provimento ao recurso voluntário. De outro giro, constam várias intimações para que a embargante apresentasse o que foi demandado na segunda diligência, como informar os registros do ISBN, que partiu de alegações do próprio contribuinte; o que não foi atendido. Como disposto acima, não pode a embargante, agora, alicerçada em reclamada necessidade de acolhimento dos embargos, com efeitos infringentes alegando a existência do ISBN de cada produto, na tentativa de justificar que todo o material que tem ISBN é considerado livro e trazendo a listagem desses códigos, nessa etapa processual. Por todo o exposto, não há contradição, nem omissão na decisão em relação à prova produzida na diligência pelo CARF. Com a devida vênia, não há que se falar em contradição no referido acórdão, fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide. Se a embargante não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Destarte, não se acolhem os embargos de declaração, como pretende a embargante, quando deseja dar aos mesmos efeitos infringentes. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela embargante. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008746/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/11/2005, 09/11/2005, 12/11/2005, 14/11/2005, 15/11/2005, 19/11/2005, 23/11/2005, 26/11/2005, 27/11/2005, 30/11/2005, 01/12/2005, 02/12/2005, 03/12/2005
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõe-se a sua devida correção.
Numero da decisão: 3201-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Declarou-se suspeito o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõese a sua devida correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cassio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Declarouse suspeito o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 87 46 /2 00 9- 13 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201002.042 S3C2T1 Fl. 112 2 Tratase de despacho proferido por autoridade administrativa, informando que o Acórdão nº 3201001.805, de 11/11/2015, foi formalizado com a data equivocada. É a seguinte a ementa do acórdão embargado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/11/2005, 09/11/2005, 12/11/2005, 14/11/2005, 15/11/2005, 19/11/2005, 23/11/2005, 26/11/2005, 27/11/2005, 30/11/2005, 01/12/2005, 02/12/2005, 03/12/2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A partir da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/66, a multa aplicável pelo descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, pode ser elidida, desde que a omissão seja sanada antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O processo julgado por esta 1ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara versava sobre auto de infração referente à multa regulamentar prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66. O processo foi distribuído a este conselheiro, na forma regimental. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em análise aos autos, constatase, conforme suscitado pela unidade preparadora, que o Acórdão nº 3201001.805 foi, por equívoco, formalizado constando data diferente da que ele efetivamente foi julgado. O acórdão informa que o julgamento teria ocorrido em sessão de 11 de novembro de 2015. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10715.008746/200913 Acórdão n.º 3201002.042 S3C2T1 Fl. 113 3 Verificase, contudo, que seu julgamento consta da ata da sessão realizada em 11 de novembro de 2014. Assim, é de se corrigir apenas a data em que ocorreu a sessão de julgamento, mantendose inalterado tudo o que antes já decidido quanto ao litígio. Ante o exposto, nos termos do art. 66 do atual Regimento Interno deste Conselho Administrativo, conheço e acolho os embargos inominados, sem efeitos modificativos, apenas para corrigir, no Acórdão nº 3201001.805, a data da sessão, que passa a ser 11 de novembro de 2014, mantendose tudo o que já decidido por esta 1ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara. É como voto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721464/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
RECEITA TRIBUTÁVEL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO.
A base de cálculo do IRPJ e seus reflexos para fins de tributação pelo contribuinte é a sua receita bruta total, não importando a diferenciação dos valores recebidos a titulo de agenciamento de mão-de-obra dos valores a titulo de pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora de serviços. Irrelevante é o fato de que, na fatura, parcelas dos preços cobrados pela Recorrente estejam vinculadas ao custeio de encargos remuneratórios e sociais atinentes aos empregados temporários que disponibiliza à sua clientela.
Numero da decisão: 1401-001.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
.
.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. RECEITA TRIBUTÁVEL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO. A base de cálculo do IRPJ e seus reflexos para fins de tributação pelo contribuinte é a sua receita bruta total, não importando a diferenciação dos valores recebidos a titulo de agenciamento de mão-de-obra dos valores a titulo de pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora de serviços. Irrelevante é o fato de que, na fatura, parcelas dos preços cobrados pela Recorrente estejam vinculadas ao custeio de encargos remuneratórios e sociais atinentes aos empregados temporários que disponibiliza à sua clientela.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1991; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 67 1 66 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.721464/201399 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.630 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de maio de 2016 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente DINÂMICA RECURSOS HUMANOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. RECEITA TRIBUTÁVEL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO. A base de cálculo do IRPJ e seus reflexos para fins de tributação pelo contribuinte é a sua receita bruta total, não importando a diferenciação dos valores recebidos a titulo de agenciamento de mãodeobra dos valores a titulo de pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora de serviços. Irrelevante é o fato de que, na fatura, parcelas dos preços cobrados pela Recorrente estejam vinculadas ao custeio de encargos remuneratórios e sociais atinentes aos empregados temporários que disponibiliza à sua clientela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 14 64 /2 01 3- 99 Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 68 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0127.006, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: I DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, do PIS, e da Cofins, referente aos anoscalendário de 2009, e 2010, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 05.2013) tributo imposto rs juros de mora rs multa rs total rs IRPJ 366.415,36 110.474,66 549.623,07 1.026.513,09 PIS 28.513,85 8.809,22 42.770,84 80.093,91 COFINS 131.588,38 40.653,05 197.382,64 369.624,07 CSLL 130.454,47 39.273,73 195.681,72 365.409,92 TOTAL 656.972,06 1.841.640,99 A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 23/05/2013(fls. 1246/1296). II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL O contribuinte deixou de contabilizar receitas da atividade (...) a empresa impetrou, junto à Justiça Federal, ação com o objetivo de excluir valores pagos a trabalhadores, tais como salários e encargos, da base de cálculo dos tributos devidos quando exercendo atividade de locação de mãodeobra. A ação judicial levou o número 2004.70.05.0007368 e já teve o trânsito em julgado Percebese, portanto, que o pleito do sujeito passivo para excluir da base de cálculo de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL os salários e encargos pagos a seus empregados quando utilizados para prestação de serviços de locação de mãodeobra não foi acatado pelo Superior Tribunal de Justiça. 2.1.1 MULTA QUALIFICADA : 150% Considerando que o sujeito passivo já foi alvo de ação fiscal relativa ao ano calendário 2007, no qual também foram apurados falta de contabilização e pagamento dos tributos devidos sobre serviços prestados, o que caracteriza o dolo na ação de omitir as receitas recebidas, cabe a aplicação do disposto no art. 44, par. Io da Lei 9.430/96, elevandose a multa de ofício de 7 5% para 150%. Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 70 4 2.1.2 ARBITRAMENTO DO LUCRO Considerando que nos livros apresentados não estão contabilizadas as contas bancárias, tampouco as receitas efetivamente recebidas, foi lavrada, em 22/04/2013, intimação para que fosse refeita a contabilidade sob pena de arbitramento. Em resposta, o sujeito passivo esclarece que não é possível refazer a contabilidade e que " o p t a " pelo arbitramento do lucro. Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo Contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real, em virtude dos erros e falhas abaixo enumeradas: Falta de contabilização de movimentação financeira; Falta de contabilização da efetiva receita. ENQUADRAMENTO LEGAL Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso II, RIR / 99. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 24/06/2013, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração, e alega em síntese(fls. 1.305): 3.1 DA MULTA DE 150% APLICADAS PELO FISCO E DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. Nobres Julgadores, a Contribuinte ora recorrente, esteve pautada por decisão dos autos 2004.70.05.0007368 da Justiça Federal de Cascavel. Tal decisão, que fora liminarmente deferida, foi no sentido de entender que a base de cálculo dos tributos decorrentes da sua atividade deveria ser somente com relação à Taxa Sobre Serviços Prestados e não sobre o valor total da nota. Dessa forma, atribuir multa ao período que a Contribuinte estava com garantia judicial acerca de discussão tributária, é ilegal. Cabenos, portanto solicitar a redução da multa imposta por critérios da legalidade primitiva e por estar a contribuinte agindo dentro de seu direito fiscal através da decisão jurídica, ainda, que prévia, mas que demonstra claramente a inexistência da máfé. Como aponta o Auto de Infração, a multa aplicada à autuada é de 150%, incidentes sobre a diferença tributada. Ora, é absolutamente imoral imputar multa, ainda mais de 150%, incidente sobre crédito tributário, ainda mais quando inexistente o crédito, caso em que seja entendimento da diferenciação Recebimento X Receita Tributável, nos termos expressos do Código Tributário Nacional. Desta forma, as multas devem ser reduzidas ao patamar de 20%, por mais benéfica. Certamente a multa de 150% quanto a tal circunstância, além de consubstanciar ilegalidade, tem uma feição de confiscar do contribuinte quase à totalidade do valor do débito fiscal, nesse caso a totalidade + 50% por cento. 3.2. DA BASE DE CÁLCULO Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 71 5 A receita do Contribuinte foi de R$ 583.221,77, e a Fiscalização calculou tributos a pagar nos autos no valor de R$ 656.971,59, valor este superior à receita condição do Contribuinte; Pede que a revisão leve em consideração as notas fiscais faturas apresentadas no período de 01/2009 a 12/2010. 3.3 O OBJETO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA CONTRIBUINTE INEXIGIBILIDADE DO IRPJ/CSLL No mesmo contexto de argumentação, se insere a CSLL/IRPJ. O reembolso das verbas trabalhistas e encargos sociais decorrentes da cessão de mão de obra não é renda, portando o lançamento contábil não deve ser considerado como faturamento para fins fiscais, pois como tratase de reembolso de despesas não terá nenhum efeito para a apuração de lucro ou prejuízo. Tributar sobre reembolso do salário que o tomador de serviços está pagando é ilegal. Inexiste fato gerador passível de tributação. A Contribuinte simplesmente repassa o salário que o tomador de serviço paga decorrente da contratação do empregado. 3.4 O OBJETO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA CONTRIBUINTE INEXIGIBILIDADE DO PIS/COFINS. O que caracteriza a atividade fim da Contribuinte é a cessão de mão de obra. Por tal razão o reembolso da despesa da mão de obra, paga pelo tomador de serviço que a contrata, não é receita, não integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS, cuja autorização constitucional advém do art. 195,1, "b" da CF/88. A Contribuinte não fornece serviço especializado, mas sim mão de obra visando à atividade meio ou fim do tomador de serviços, que paga Taxa de Administração e reembolsa os encargos sociais e trabalhistas com os funcionários cedidos. Também, Nobre Julgadores, imputar a obrigatoriedade de recolhimento do PIS e COFINS sobre o valor da mão de obra, como no caso em tela, implica em desrespeitar preceito constitucional da capacidade contributiva do prestador de serviços, como determina o parágrafo primeiro do artigo 145, I, da Constituição Federal, pois o valor da mão de obra não influencia no preço do serviço, portanto não é renda. 3.5 DOS PEDIDOS Pelo exposto, requerse digne V. S.a, receber a presente impugnação para o especial fim de julgar improcedente o AUTO DE INFRAÇÃO, declarando sua correção ou a nulidade, haja vista o vício formal dos cálculos procedidos quando utilizados os totais das Notas Fiscais Faturas e não o descrito e contratado, ou seja, improcedências que embasaram o Auto de infração. Requer especial análise quanto a redução da multa qualificada de 150% para 20%, por medida de justiça! Caso não seja esse o entendimento, requer, outrossim, sejam os efeitos da representação suspensos até o deslinde do julgamento do Auto de Infração. 3.6 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA ARBITRAMENTO DO LUCRO A Impugnante não teceu argumentos de defesa em relação ao ARBITRAMENTO DO LUCRO, logo, consideraremos matéria não Impugnada. 3.7 DAS JURISPRUDÊNCIAS Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 72 6 Para consubstanciar os seus argumentos a Impugnante mencionou julgados judiciais. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. RECEITA TRIBUTÁVEL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO. A base de cálculo do IRPJ e seus reflexos para fins de tributação pelo contribuinte é a sua receita bruta total, não importando a diferenciação dos valores recebidos a titulo de agenciamento de mãodeobra dos valores a titulo de pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora de serviços. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. MULTA QUALIFICADA DESCABIMENTO Quando não se comprova a intenção dolosa do contribuinte, de omitir suas receitas tributáveis, com o fim de impedir, ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, não há que se falar em multa qualificada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, com exceção da desqualificação da multa que já foi acolhida pela DRJ, bem assim modifica o fundamento da sua preliminar de nulidade, dessa feita apontando a falta de prazo para consecução dos trabalhos fiscais pela falta da emissão de MPF. É o relatório. Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 73 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Delimitação da Lide Conforme ressaltado pela decisão de piso, a matéria atinente ao arbitramento do lucro para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL não foi questionada já em primeira instância, motivo pelo qual se trata de matéria fora da lide. Preliminar de nulidade A Recorrente em sede impugnatória alegou nulidade por vício formal na elaboração dos cálculos. Em sede recursal, muda o sentido do ataque. Alega que o lançamento estaria fulminado por ausência de requisito essencial do lançamento. Não precisou bem que requisito essencial seria esse. Eis suas próprias palavras: Ausente no Processo Administrativo um dos requisitos essenciais, isto o cumprido do prazo para conclusão (sic), apesar da entrega dos documentos pelo contribuinte de acordo com as solicitações, conforme se denota no bojo do processo. Ora, Nobre Julgadores, a ausência do Mandado de cumprimento dos prazos previsto em lei durante o Procedimento Fiscal, torna nulo o lançamento fiscal promovido. O antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou em caso semelhante, senão vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fiscal (Portaria n. 1.265, de 22 de novembro de 1999) entendese como contaminada de vício formal, justificando a declaração de nulidade de processo fiscal desde o início. Cabimento do disposto no inciso II do art. 173 do CTN. Recurso de ofício desprovido. (3o CC Ac. 303.31151 3a C. Rei. João Holanda CostaDOU 13.05.2004p. 41) Somente pela ementa ficou mais claro o que o contribuinte intenciona. Se quis dizer que o procedimento fiscal não foi acompanhado do MPF, equivocase. Mas, primeiro cabe fazer as seguintes considerações: O MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída ao auditor fiscal e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento. Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 74 8 Neste sentido direcionase a jurisprudência dominante do CARF, conforme ementas a seguir transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão nº 20308483 de 16/10/2002) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (...) (Acórdão 10707268 de 13/08/2003) NORMAS PROCESSUAIS MPFMANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO RECURSO EX OFFICIO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos do Decretolei nº 2.354/54, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. Recurso de ofício a que se dá provimento. (Acórdão 10706952 de 29/01/2003) Por conseguinte, eventual inobservância da norma infralegal em nada macularia o feito, razão pela qual não merece prosperar, de plano, a alegação da Recorrente. De qualquer forma, no caso concreto sequer se configura a impropriedade alegada. É o que se passa a demonstrar. No Termo de Início de Fiscalização (Fl.2) consta referência ao MPF reclamado: O presente procedimento é abrangido pelo MPF 0910300.2013.002048, cuja autenticidade pode ser verificada na internet através do endereço http://www.receita.fazenda.gov.br por meio do código de acesso 18021277. Na sequência se encontra a resposta dela à esse Termo, fazendo referência inclusive ao referido MPF: Em resposta a Intimação MPF n° 0910300.2013.002048, a empresa DINÂMICA RECURSOS HUMANOS LTDA, inscrita no CNPJ n° 00.442.201/000149, tendo recebido o mesmo no dia 12.03.2013, apresenta os elementos solicitados conforme segue: 1. Livros Diário/Razão n° 17 e 18 referente aos anos calendário 2009 e 2010; 2. Cópia do Contrato Social e das 7 (sete) alterações. Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 75 9 3. Livros de Apuração do ISS n° 12/2009 Serviços Prestados, e n° 13/2010 Serviços Prestados e n° 01/2010 Serviços Tomados. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: .............................................................................................................. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) Além disso, a fiscalização elaborou um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos, demonstra cabalmente a forma como foi apurado e calculado o crédito tributário, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, pelo que não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. Notase também que durante os trabalhos fiscais a contribuinte foi regularmente intimada a prestar os esclarecimentos necessários para elucidação dos fatos apurados pelo Fisco, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 94, de 24 de dezembro de 1997. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. MÉRITO O ponto relevante aqui ora em debate é a natureza da receita bruta da empresa prestadora de serviços temporários em relação a totalidade dos valores recebidos da empresa tomadora do serviço, e que, em contraponto, a Recorrente alega que sua atividade fim é a cessão de mão de obra. Por tal razão, segundo ela, o reembolso da despesa da mão de obra, paga pelo tomador de serviço que a contrata, não seria receita. Com efeito, segundo bem salientado pelo fiscal no TVF e pela decisão de piso, bem assim confirmado pelo próprio contribuinte, a discussão em tela já fora objeto de litígio judicial, porém de outro anocalendário, no caso do anocalendário de 2007. Por outro lado, o caso em tela, trata dos anoscalendários de 2009 e 2010. A referida ação judicial teve como objetivo a exclusão dos valores pagos a trabalhadores, tais como salários e encargos, da base de cálculo dos tributos devidos quando exercendo atividade de locação de mãodeobra. A ação judicial levou o número 2004.70.05.0007368, e já teve o trânsito em julgado com a seguinte ementa: Superior Tribunal de Justiça Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 76 10 RECURSO ESPECIAL N° 1.176.749 PR (2010/00095478) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: DINÂMICA RECURSOS HUMANOS LTDA ADVOGADO : KELLY CRISTINA RIBEIRO E OUTRO(S) RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : OS MESMOS EMENTA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEIS COMPLEMENTARES 7/70 E 70/91 E LEIS ORDINÁRIAS 9.718/98, 10.637/02 E 10.833/03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019/74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO, PELA PRIMEIRA SEÇÃO, DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP 1.141.065/SC). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL E IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.141.065/SC, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 09.12.2009, DJe 01.02.2010). 2. Deveras, a definição de faturamento mensal/receita bruta, à luz das Leis Complementares 7/70 e 70/91, abrange, além das receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, concepção que se perpetuou com a declaração de Inconstitucionalidade do § Io, do artigo 3o, da Lei 9.718/98 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal que assentaram a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718/98: RE 390.840, Rei. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005, DJ 15.08.2006; RE 585.235 RGQO, Rei. Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgado em 10.09.2008, DJe227 DIVULG 27.11.2008 PUBLIC 28.11.2008; e RE 527.602, Rei. Ministro Eros Grau Rei. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 05.08.2009, DJe213 DIVULG12.11.2009 PUBLIC 13.11.2009). 3. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 77 11 subsumemse na novel concepção de faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). 4. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta, no que concerne às empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74), engloba a totalidade do preço do serviço prestado, nele Incluídos os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados, que constituem custos suportados na atividade empresarial. 5. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mão deobra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74, consoante assentado na instância ordinária), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 6. Outrossim, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que: "... todos os tributos em discussão tem por base de cálculo montantes equiparados ou reflexos, isto é há uma base de cálculo maior (faturamento) da qual derivam parcelas dessa mesma base de cálculo (lucro real e líquido) e a solução a ser dada deve ser coerente com essa realidade, salvo se existente alguma peculiaridade na legislação específica de regência. (... ) ... não é a circunstância da prestação do serviço que autoriza a dedução ou não da receita da base de cálculo do tributo, mas o ingresso dessa receita a título próprio, que embora sirva para cobrir despesas administrativas, obrigações fiscais e trabalhistas posteriores não desqualifica a destinação da receita: compor o faturamento da pessoa jurídica. Somente havendo previsão legal é que se admite a repercussão jurídica do tributo, o que não é o caso das legislações dos tributos em referência na hipótese de cessão de mãodeobra quando o rendimento auferido (lucro líquido e receita total) pela prestação do serviço é auferido integralmente pela prestadora que também suporta integralmente o ônus fiscal." (REsp 1.088.802/RS, Rei. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 24.11.2009, Dje 07.12.2009) Percebese, portanto, que o pleito do sujeito passivo não foi nem acatado pela Justiça para o anocalendário de 2007. Porém, a míngua de maiores detalhes a respeito das petições iniciais de forma a melhor delimitar a causa de pedir e o pedido, conheço das razões recursais da Recorrente, não conseguindo de plano, identificar uma eventual concomitância das matérias. Nesse mesmo passo, conforme bem explicitado pela decisão de piso, a matéria já está assentada neste Tribunal Administrativo em sentido contrário ao pleito da Recorrente. E não poderia ser diferente. A "receita bruta" ora em debate tem a ver com todo o somatório dos preços percebidos pelo contribuinte em virtude dos serviços por ele prestados, ex vi artigo 224 do Decreto n° 3.000/99: Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10935.721464/201399 Acórdão n.º 1401001.630 S1C4T1 Fl. 78 12 Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n 8,981, de 1995, art. 31), Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei ns 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único) Irrelevante é, para os lançamentos em tela, que, na fatura, parcelas dos preços cobrados pela Recorrente estejam vinculadas ao custeio de encargos remuneratórios e sociais atinentes aos empregados temporários que disponibiliza à sua clientela. Se há um acerto particular entre fornecedor de serviço e cliente, este passa longe de produzir qualquer efeito fiscal e interferir no conceito legal de receita bruta. Ora, se bem visto, a quase totalidade das atividades podese, se quiser, perfilar os custos correspondentes e nem assim o conceito de receita se desnatura. A Recorrente alega que a mesma não passa de uma cessionária de mãode obra e que por isso não estaria prestando um serviço, mas tão somente fornecendo mãode obra. Mas essa premissa leva justamente ao contrário! É que as despesas com mãodeobra são inerentes a quase a totalidade das atividades de prestação de serviços. Assim, cumpre a ela arcar com os custos de sua atividade, e, para isso, existe a remuneração paga pelos tomadores que é considerado receita bruta. Como já se disse, o fato de haver uma vinculação natural não desnatura a natureza desses rendimentos, como quer fazer crer a Recorrente. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10111.000176/2011-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 01 76 /2 01 1- 29 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10111.000176/201129 Acórdão n.º 9303003.736 CSRFT3 Fl. 304 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.261, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo não apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10111.000176/201129 Acórdão n.º 9303003.736 CSRFT3 Fl. 305 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10111.000176/201129 Acórdão n.º 9303003.736 CSRFT3 Fl. 306 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10111.000176/201129 Acórdão n.º 9303003.736 CSRFT3 Fl. 307 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10111.000176/201129 Acórdão n.º 9303003.736 CSRFT3 Fl. 308 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10111.000176/201129 Acórdão n.º 9303003.736 CSRFT3 Fl. 309 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10111.000176/201129 Acórdão n.º 9303003.736 CSRFT3 Fl. 310 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10111.000176/201129 Acórdão n.º 9303003.736 CSRFT3 Fl. 311 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 311DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10972.720081/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
APURAÇÃO. SISTEMA CUMULATIVO E NÃO CUMULATIVO. SUJEIÇÃO PLURAL. GASTOS. SEGREGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa das Contribuição em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de apropriação direta ou rateio proporcional.
Apresentação de documentos que demonstrem a segregação dos custos, despesas e encargos incorridos é condição de reconhecimento do direito de crédito requerido pelo administrado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro Walker Araújo que convertiam o julgamento em diligência para ciência do contribuinte do resultado da diligência anterior.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 23/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 APURAÇÃO. SISTEMA CUMULATIVO E NÃO CUMULATIVO. SUJEIÇÃO PLURAL. GASTOS. SEGREGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa das Contribuição em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de apropriação direta ou rateio proporcional. Apresentação de documentos que demonstrem a segregação dos custos, despesas e encargos incorridos é condição de reconhecimento do direito de crédito requerido pelo administrado. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 APURAÇÃO. SISTEMA CUMULATIVO E NÃO CUMULATIVO. SUJEIÇÃO PLURAL. GASTOS. SEGREGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa das Contribuição em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de apropriação direta ou rateio proporcional. Apresentação de documentos que demonstrem a segregação dos custos, despesas e encargos incorridos é condição de reconhecimento do direito de crédito requerido pelo administrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 APURAÇÃO. SISTEMA CUMULATIVO E NÃO CUMULATIVO. SUJEIÇÃO PLURAL. GASTOS. SEGREGAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa das Contribuição em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de apropriação direta ou rateio proporcional. Apresentação de documentos que demonstrem a segregação dos custos, despesas e encargos incorridos é condição de reconhecimento do direito de crédito requerido pelo administrado. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 81 /2 01 1- 95 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro Walker Araújo que convertiam o julgamento em diligência para ciência do contribuinte do resultado da diligência anterior. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em setembro de 2011 sem exigência de crédito tributário, autuado para formalização da glosa de créditos do contribuinte correspondentes às Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins apuradas no Sistema NãoCumulativo e informados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon ao longo do ano de 2006. Na Descrição dos Fatos, parte integrante do Auto de Infração, a Fiscalização Federal explica. Em 13072011, o contribuinte foi cientificado via postal, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, intimandoo a apresentar, no prazo de vinte dias, livros fiscais e contábeis, arquivos magnéticos, demonstrativo de apuração mensal informando, para cada linha do Dacon, as contas analíticas de todos os valores que serviram de base para a apuração dos débitos e créditos das contribuições Pis e Cofins, relatórios extracontábeis e demais informações necessárias a apuração dos pretensos créditos (fls. 02 a 07). Vencido o prazo, nenhum documento foi apresentado. Após a Fiscalização ter concedido prorrogação do prazo inicial, em 20/09/2011, o Contribuinte protocolou novo pedido de prorrogação, alegando rescisão do contrato com o antigo contador. O Fisco não concedeu nova dilação do prazo para apresentação dos documentos requeridos. No seu dizer, “tendo em vista os prazos já concedidos e que teve prazo de 01/01/2010 [segundo Contribuinte, o contrato com o antigo contador foi rescindido em 31/12/2009] até 20/09/2011 para compor seus arquivos (fls. 28 e 29)”. Nestas circunstâncias, não foram apresentados (i) os arquivos magnéticos, (ii) o demonstrativo mensal informando para cada linha da Dacon as contas contábeis analíticas dos valores que serviram de base para apuração do débitos e dos créditos das Contribuições e fundamentação legal correspondente, (iii) os relatórios extracontábeis, (iv) Registro de Apuração do ICMS das filiais Paulínea e Ribeirão Preto, (v) Registro de Inventário da Matriz e Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10972.720081/201195 Acórdão n.º 3102003.111 S3C1T2 Fl. 3 3 das Filiais Paulínea, Ribeirão Preto e Uberlândia e (vi) resposta aos itens 14 e 15 do Termo de Início (existência de processos judiciais ou de consulta). A Fiscalização Federal explica que o Contribuinte atua no comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes e que apurou créditos correspondentes, exclusivamente, a despesas com energia elétrica e encargos com depreciação de bens do ativo imobilizado (conforme fichas 16 A e 06 A resumidas no Anexo I ao Termo de Verificação Fiscal). Que a tributação do álcool carburante era, à época dos fatos, concentrada nas distribuidoras e sujeita à apuração na Sistemática Cumulativa. Que não geram direito de créditos os bens e serviços utilizados como insumo por empresa que, como a autuada, desenvolve atividade comercial, valendo o mesmo em relação à depreciação de máquinas e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Por outro lado, uma vez que os créditos a que o Contribuinte teria direito deveriam ter sido apurados a partir do rateio entre receita total tributada e receita não cumulativa tributada, a ausência de qualquer demonstração da segregação das receitas e do cálculo correspondente, a falta de apresentação das contas contábeis analíticas vinculadas a cada linha da Dacon e dos livros, arquivos magnéticos e relatórios extra contábeis acarretou a glosa integral dos créditos vinculados aos gastos com energia elétrica. Finalmente, relata diferenças entre os valores informados nos Dacon e nos PER e, por força de todas as irregularidades até aqui apontadas, conclui pela glosa integral dos créditos objeto dos Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no período de janeiro a dezembro de 2006. O Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento descreve assim a Manifestação de Inconformidade à decisão proferida pela Fiscalização Federal. A empresa apresenta impugnação às fls. 413/424 na qual alega, em síntese, que: 1) “DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1.1) Tendo em vista que o presente Auto de Infração somente foi lavrado em 27/09/2011, referente a supostos créditos do regime nãocumulativo da Contribuição PIS/Pasep e Cofins do período de janeiro/2006 a dezembro/2006; logo, temse por operada a parcial decadência no presente caso, porquanto que transcorrido o tempo superior ao qüinqüênio legal; 2) DA COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS DO PIS E CONFINS. 2.1) Cumpre ressaltar que independente das supostas faltas apresentadas e citadas pelo Sr. Agente Fiscal, a Manifestante apresentou e disponibilizou para o Sr. Agente Fiscal diversos outros documentos contábeis/fiscais que dão total suporte e possibilidade jurídica/fiscal para comprovar os origens dos créditos ora utilizados; 2.2) Prova disso é que foram disponibilizadas para as devidas análises todas as NOTAS FISCAIS que deram origem aos créditos de PIS e COFINS, sendo que Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 tais documentos são mais do que suficientes para poder provar a origem e credibilidade dos valores utilizados; 3) DO DIREITO AO CRÉDITO DE ENERGIA ELÉTRICA INSUMO PREVISTO NO ARTIGO 3O, INCISO III, PREVISTO NAS LEIS 10.637/02 (PIS) E 10.833/03 (COFINS). 3.1) A legislação, como se nota, permitiu expressamente, em cumprimento ao regime não cumulativo, o desconto de créditos em relação à energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, ora Manifestante, como insumos na prestação de serviço e produção ou fabricação de bens ou produtos; 4) DA UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Foi outorgado ao contribuinte o direito de utilizar o crédito no prazo de 04 anos, sendo que no caso em tela, a empresa utilizou esta prerrogativa. OU SEJA: A IMPUGNANTE ACUMULOU REFERIDO CRÉDITO NO PRAZO DE 04 (QUATRO) ANOS E APÓS UTILIZOU REFERIDO CRÉDITO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO FISCAL”; Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 CRÉDITO PIS/PASEP E COFINS. APURAÇÃO E DECADÊNCIA. Não existindo lançamento de tributos não há que se falar em decadência. Os créditos requeridos devem estar devidamente quantificados e demonstrados na escrituração contábil. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Esclarece ter apresentado Manifestação de Inconformidade em face da decisão tomada no Despacho Decisório de não homologar “a integralidade dos Dacons apresentados”, razão pela qual requereu “o reconhecimento da integralidade da compensação declarada, bem como a total improcedência do Auto de Infração lavrado”. Inicia reiterando pedido de reconhecimento da decadência de uma parcela da autuação. Argumenta, Na realidade, contandose o prazo inversamente, ou seja, a partir da data inicial da lavratura do Auto de Infração –setembro de 2.011 – temos que os fatos ocorridos antes de setembro de 2.006 estão homologados tacitamente e o crédito tributário definitivamente extinto, de acordo com o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Cita e transcreve jurisprudência. A seguir, acusa vício na formalização do Auto de Infração, ante a ausência de qualquer documento comprobatório dos levantamentos efetuados pelo Fisco. Também cita e transcreve jurisprudência. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10972.720081/201195 Acórdão n.º 3102003.111 S3C1T2 Fl. 4 5 Requer a nulidade da decisão de piso pela não manifestação acerca da utilização do crédito de depreciação do ativo imobilizado. No mérito, relata ter apresentado à Fiscalização Federal “diversos outros documentos contábeis/fiscais que dão total suporte e possibilidade jurídica/fiscal para comprovar os origens (sic) dos créditos ora utilizados”, como, por exemplo, todas as notas fiscais que deram origem aos créditos. Que as Leis 10.833/03 e 10.637/02 claramente autorizam a utilização dos gastos com energia elétrica para lançamento credor no cálculo do valor devido das Contribuições. Repitase: a Lei claramente possibilitou a utilização do valor consumido de energia elétrica no estabelecimento da pessoa jurídica como insumo, sem traçar qualquer restrição, ou seja, consumindo a energia elétrica na prestação de serviços ou produção de bens ou produtos, é possível computar o crédito para o abatimento das contribuições. Na mesma direção, defende ter direito ao crédito “sobre máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado e sobre edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros com relação a encargos de depreciação e amortização incorridos no mês”. A esse respeito, considera que a Lei 10.865/04 feriu a regra da irretroatividade das leis ao restringir o direito de crédito calculado sobre os encargos de depreciação e amortização que estavam em andamento. A análise inicial do Processo indicou a necessidade de conversão do julgamento em diligência. O pedido foi assim expresso. VOTO pela conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Jurisdição do contribuinte informe sobre a existência de declarações de compensação ou pedidos de ressarcimento apresentados pela Recorrente, vinculados aos créditos discutidos no vertente Processo, anexandoas no caso de elas de fato existirem. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Preliminares arguidas Falta de provas Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 A Recorrente alega vício na formalização do Auto de Infração, pela ausência de comprovação das constatações veiculadas e que deram origem à glosa do crédito informado pelo Contribuinte nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon. A comprovação do fato ou direito, com se sabe, é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa assim a responsabilidade. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado; no entanto, não se amolda tão bem a essa máxima, pelo menos não para o efeito que, por vezes, parece que se lhe pretende atribuir. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. De fato, nem mesmo se pode falar em constituição formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade fazendária. No caso concreto, como se viu, a Fiscalizada foi intimada a apresentar os documentos que comprovavam a origem dos créditos informados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, restando omissa, pelo menos, em relação aos arquivos magnéticos; ao demonstrativo mensal, informando para cada linha da Dacon as contas contábeis analíticas de todos os valores que serviram de base para apuração dos débitos e dos créditos das Contribuições e fundamentação legal correspondente; aos relatórios extra contábeis e ao Livro Registro de Apuração do ICMS das filiais Paulínea e Ribeirão Preto. É óbvio que o administrado está obrigado a escriturar os livros fiscais, comerciais e contábeis que a legislação lhe obriga. Inadmissível que sejam apresentadas apenas notas fiscais desacompanhadas de qualquer tipo de escrituração, como que impondo à Fiscalização Federal o dever de fazer, ela, a escrituração que a empresa deixou de fazer. Ainda mais, antecipando um pouco a questão de mérito que, pareceme, haverá de ser decisiva, notas fiscais, sejam elas de entrada ou de saída, não contém isoladamente as informações suficientes para demonstração da necessária segregação das receitas auferidas pelas empresas sujeitas à apuração das Contribuições pelo Sistema Cumulativo e Não Cumulativo. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Requer a nulidade da Decisão proferida no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pela não manifestação acerca da utilização do crédito de depreciação do ativo imobilizado. Reproduzo a seguir, excerto extraído do Voto condutor da Decisão Recorrida, no qual o assunto é enfrentado. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10972.720081/201195 Acórdão n.º 3102003.111 S3C1T2 Fl. 5 7 Quanto ao crédito oriundo de depreciação do ativo imobilizado, salientese que a autoridade fiscal informa que “o contribuinte auferiu receitas apenas de revenda de mercadorias, conforme extrato da DIPJ (fls. 31 a 36)” e assim “descabe o crédito referente a máquinas e outros bens incorporados ao ativo imobilizado de empresas comerciais, vez que esses bens devem ter como fim a ‘utilização na produção de bens ou na prestação de serviços’". Portanto, a glosa deve ser mantida. A despeito de estar ou não correta a decisão tomada, uma vez que o assunto tenha sido enfrentado, não há que se falar em nulidade da Decisão. Prejudicial de Mérito. Decadência. A Empresa pretende demonstrar que o crédito tributário teria sido homologado tacitamente, tal como prescrito no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Não há que se falar, aqui, em crédito tributário. O Auto de Infração, como já bem esclarecido no Relatório que precede o vertente Voto, não está destinado à constituição de exigência de crédito tributário, mas à glosa de créditos do contribuinte. Por outro lado, ainda que assim não fosse, inexistindo antecipação de pagamento, não operase o lançamento por homologação, restando inaplicável o dispositivo evocado. Tratase de assunto pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme demonstra Recurso Especial Repetitivo nº 973733 a seguir reproduzido. Recurso Especial Repetitivo nº 973733 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). Fl. 515DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 (...) Inobstante, não me parece que nada disso seja de grande relevo à solução da lide. No caso, o que interessa é o prazo de cinco anos atribuído ao Fisco para rever a compensação pretendida pelo administrado, sob pena de homologação tácita. De fato, o que é possível discutir em relação ao direito de créditos de contribuinte, seja ele manifesto como pedido de ressarcimento, restituição ou compensação, é o prazo para apresentação do pedido de reconhecimento do direito ou o prazo para homologação da compensação requerida, nunca o prazo para constituição de exigência. Foi justamente esta a razão porque o julgamento da lide foi convertido em diligência, para que a Unidade de Jurisdição do contribuinte informasse sobre a existência de Declarações de Compensação vinculadas ao crédito neste controvertido. Às folhas 493 (eProc) e seguintes, foram anexadas as telas contendo informações a respeito das Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte. Conforme consta, elas foram transmitidas ao longo do ano de 2009. Uma vez que o Auto de Infração tenha sido cientificado ao contribuinte em 2011, não há que se falar em homologação tácita dos créditos. Crédito. Gastos com Energia Elétrica e Depreciação. Que diga desde logo, que não há razão para objetar o aproveitamento de créditos relacionados às despesas com energia elétrica. As Leis 10.637/02 e 10.833/03, como bem apontado pela Recorrente, são claras a respeito do assunto, se não vejamos1. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; Apesar disso, como foi amplamente divulgado nos autos, a empresa não apresentou qualquer elemento contábil apto a demonstrar a necessária segregação das receitas auferidas, com vistas à apuração do direito creditório segundo regras definidas pela legislação de regência para as empresas submetidas simultaneamente aos Regimes Cumulativo e Não Cumulativo das Contribuições. Mais uma vez, o teor do artigo 3º, parágrafos 7º, 8º e 9º, da Lei 10.637/02. § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o 1 Redação da Lei 10.637/02 na época da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10972.720081/201195 Acórdão n.º 3102003.111 S3C1T2 Fl. 6 9 crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Se não é possível fazer a apropriação direta nem o rateio proporcional, não vejo como determinar o direito de crédito que deva ser reconhecido ao contribuinte. Finalmente, no que se refere à depreciação e amortização de ativos, além da questão acima suscitada, tratase de um crédito admitido apenas às empresas que produzam bens ou vendam serviços, não às empresas que, como a recorrente, exercem atividade comercial. VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10768.720224/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
Ainda que já transcorrido o prazo de que trata o art 150 do CTN, nos cinco anos seguintes ao do envio da declaração de compensação pode a Administração proceder às investigações que entender necessárias à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
COMPENSAÇÃO DA CSLL COM ATÉ UM TERÇO DA COFINS PAGA. JANEIRO DE 1999. IMPOSSIBILIDADE
Será compensável com a CSLL devida o valor correspondente a até um terço da COFINS efetivamente paga. No entanto, não é passível de compensação a COFINS devida relativa ao mês de Janeiro de 1999.
Numero da decisão: 1401-001.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Ainda que já transcorrido o prazo de que trata o art 150 do CTN, nos cinco anos seguintes ao do envio da declaração de compensação pode a Administração proceder às investigações que entender necessárias à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO DA CSLL COM ATÉ UM TERÇO DA COFINS PAGA. JANEIRO DE 1999. IMPOSSIBILIDADE Será compensável com a CSLL devida o valor correspondente a até um terço da COFINS efetivamente paga. No entanto, não é passível de compensação a COFINS devida relativa ao mês de Janeiro de 1999.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.720224/200706 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.493 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 Ainda que já transcorrido o prazo de que trata o art 150 do CTN, nos cinco anos seguintes ao do envio da declaração de compensação pode a Administração proceder às investigações que entender necessárias à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO DA CSLL COM ATÉ UM TERÇO DA COFINS PAGA. JANEIRO DE 1999. IMPOSSIBILIDADE Será compensável com a CSLL devida o valor correspondente a até um terço da COFINS efetivamente paga. No entanto, não é passível de compensação a COFINS devida relativa ao mês de Janeiro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 02 24 /2 00 7- 06 Fl. 740DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 655658: O presente processo tem como objeto a compensação que é objeto da declaração 33299.00800.151203.1.3.046494. O crédito pleiteado, no valor de R$ 2.995.265,66, referese a parcela de alegado pagamento indevido de CSLL (código 6779 – ajuste anual ), ano calendário 1999, no valor total de R$ 3.081.584,90. Este recolhimento foi realizado por Telecomunicações de Minas Gerais SA (CNPJ 17.184.201/0001 99), incorporada em 03/08/2001 pela interessada. Em decisão emitida pela DERAT/RJ da qual foi cientificada em 28/08/2008 ( fls 46/52 e 148), a declaração de compensação foi não homologada sob os fundamentos a seguir sintetizados: • consultas feitas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal revelaram que a incorporada apresentou a DIPJ do ano calendário de 1999 em 15.09.2000 e nela informou CSLL anual a pagar de R$ 6.081.359,00; • por meio de DIPJ retificadora entregue em 23.10.2006 o valor originalmente apurado para a referida contribuição foi convertido em saldo negativo de R$ 2.938.786,75; • as deduções informadas em DIPJ na apuração do período não foram integralmente confirmadas, fato este que revelou para o ano de 1999 “CSLL a pagar” de R$ 4.443.456,37 e não saldo negativo de R$ 2.938.786,75, conforme retificadora. O demonstrativo seguinte indica os itens revisados e não acatados: • Tendo em vista que a CSLL a pagar do período (R$ 4.443.456,37) é superior ao recolhimento efetivamente realizado para o mesmo período (R$ 2.995.265,66), não há que se falar em excesso que revele crédito a ser reconhecido. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 4 3 Em 29/09/2008 a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 187/201, na qual solicita a posterior juntada de documentos e a realização de perícia . Quanto ao mérito, alega, em síntese, que: • Relativamente ao ano de 1999 verificou que a Telecomunicações de Minas Gerais apurou saldo negativo de CSLL, conforme DIPJ retificadora apresentada. Por este motivo, o recolhimento realizado constitui crédito passível de utilização nos termos da IN 900/2008; • Pretendendo confirmar a liquidez e certeza do referido crédito, a DERAT do Rio de Janeiro reviu a apuração referente ao ano de 1999. Porém, a revisão ocorreu após o prazo previsto no art 150 § 4º do CTN; • O fisco só pode questionar resultados e apurações dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. No caso concreto, havendo tal prazo se esgotado, o crédito pleiteado pela interessada representa situação jurídica consolidada; • A compensação é forma de extinção do crédito tributário, sendo portanto incabível a cobrança de juros e multa de mora em relação ao período entre a apresentação da Dcomp e o despacho decisório que não homologou a compensação. Por meio do Acórdão DRJ/RJOI nº 1223.483 (fls 172/178), emitido em 26/03/2009, foi integralmente mantida a decisão da DERAT pelos motivos assim expostos: • Conforme dispõe o art 150 do CTN, tornamse inquestionáveis os atos praticados e os fatos ocorridos há mais de cinco anos; com o decurso desse prazo não mais podem eles ser modificados nem pela Fazenda Pública nem pelo contribuinte • como os fatos geradores pertinentes ao crédito pleiteado ocorreram em 1999 e os procedimentos adotados na apuração dos tributos deles derivados não foram modificados nem pela interessada nem pelo Fisco até o encerramento do ano calendário de 2004, eles já se encontravam homologados em 23.10.2006, quando foi apresentada a DIPJ retificadora; • prevalevendo as informações prestadas na DIPJ retificada, a interessada não possui crédito de CSLL, mas sim saldo a pagar. Cientificada do Acórdão prolatado pela DRJ em 17/03/2009 (fls 183), a interessada apresentou o recurso voluntário de fls 187/201 no qual alega a seu favor que : • Na 1ª DIPJ que entregou para o ano de 1999 apurou CSLL a pagar de R$ 6.081.359,00. Deste total R$ 3.081.584,90 foi quitado por recolhimento e o remanescente por compensações; • Incorreu em erro nesta primeira DIPJ. O valor correto da CSLL do período foi alterado por DIPJ retificadora, na qual foi Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 5 4 informado para o ano em questão Saldo negativo de CSLL de R$ 2.938.786,75; • Tendo em vista a apuração de saldo negativo, todo o valor de R$ 6.081.359,00 representa crédito para a interessada; • O simples erro de preenchimento da DIPJ não pode impedir o reconhecimento de crédito liquido e certo; • No caso concreto, a interessada possui não só o crédito referente ao pagamento indevidamente realizado (R$ 6.081.359,00), mas também o crédito referente ao saldo negativo (R$ 2.938.786,75). O crédito pleiteado no presente corresponde apenas ao pagamento referido, de forma que, ainda que não ratificado o saldo negativo do ano em questão (1999) deve ser homologada a compensação em julgamento, que utiliza aquele crédito; • Como a interessada realizou pagamentos de R$ 6.081.359,00, o crédito a que tem direito corresponde à diferença entre este valor e o eventual débito de CSLL do período. Assim, como o despacho recorrido apurou CSLL a pagar de R$ 4.443.456,37, o crédito que deveria ter sido por ele confirmado é de 1.637.902,63 (R$ 6.081.359,00 – R$ 4.443.456,37); • Ao calcular o montante da rubrica “1/3 da Cofins efetivamente paga” o despacho recorrido deixou de considerar os valores parcelados no PAES, procedimento este equivocado. De toda forma, esta questão não tem relevância no caso concreto, já que, conforme DCTFs e documentos acostados aos autos (doc 05), a interessada efetivamente quitou, mediante recolhimentos, todos os débitos da Cofins relativa ao ano de 1999; • O item da declaração intitulado “ CSLL retida na Fonte por órgão público” não foi objeto de alteração, pela interessada, na retificadora que entregou. Logo, conforme art 150, § 4º do CTN, decaiu o direito de o Fisco alterar, de ofício, os valores informados na DIPJ entregue em 15/09/2000; • Sendo ou não acatada a DIPJ retificadora entregue em 2006, o fato é que a interessada comprovou o crédito que pleiteia. Conforme acórdão 110100370 da Primeira Câmara do CARF, prolatado em 11/11/2010, a decisão emitida pela DRJ foi anulada. Os motivos de assim decidir constam do trecho a seguir transcrito: “Em breve resumo dos fatos constantes do processo até a decisão da DRJ, inclusive, temse que: 1º) o despacho decisório, com base no Parecer conclusivo, não homologou a compensação porque foi verificado que o darf foi de R$ 2.995.265,66, enquanto a CSLL na apuração anual de 1999 seria de R$ 4.443.456,37; 2º) na manifestação de inconformidade , o contribuinte alegou que o Fisco não poderia examinar a existência de seu crédito por ter decaído esta possibilidade; 3º) A DRJ decidiu que o contribuinte não tinha direito ao crédito Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 6 5 pleiteado, pois a sua DIPJ retificadora foi entregue quando já estavam homologados os fatos de 1999. Assim, notase que a DRF praticou um ato com um determinado fundamento, que a contribuinte questionou a possibilidade da DRF utilizar tal fundamento e que a DRJ manteve o ato da DRF com base em fundamento diverso. Portanto, a decisão da DRJ tem dois graves problemas: não analisou a lide, nas suas razões e contrarazões; 2º) inovou totalmente a fundamentação do ato, já que sequer subsidiariamente utilizou os fundamentos da DRF; Pela falta de análise da lide, a DRJ deixou de exercer o controle da legalidade e, também, cerceou a defesa do contribuinte ao não examinar seus argumentos. Apenas por esta razão, a decisão da DRJ é nula.” Tendo em vista a nulidade prolatada, em 09/05/2012 os autos foram remetidos à DRJ RJO I para que fosse proferido novo julgamento. Foi então prolatado o Acórdão 1255.117 – 6ª Turma da DRJ/RJ1, de 19/04/13, que, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada e não homologou a compensação declarada. O citado Acórdão recebeu a seguinte ementa, fls. 654: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. PRAZO. Ainda que já transcorrido o prazo de que trata o art 150 do CTN, nos cinco anos seguintes ao do envio da declaração de compensação pode a Administração proceder às investigações que entender necessárias à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada do Acórdão em 25/09/2014 (fls. 584), a contribuinte, em 10/10/2014, interpôs o recurso voluntário de fls. 587601, contendo os seguintes tópicos: a) Da origem do crédito; b) Dos motivos para o indeferimento do crédito; c) Da natureza do crédito compensado: pagamento indevido de CSLL – ajuste anual. Irrelevância do saldo negativo; d) Da incongruência da motivação do despacho decisório; e) Dos equívocos no cálculo da dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga durante o período Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 7 6 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. A origem do crédito pleiteado foi assim identificada pela decisão de piso, fls. 659: O crédito pleiteado, no valor de R$ 2.995.265,66, referese a parte de alegado pagamento indevido de CSLL (código 6779 – ajuste anual ), ano calendário 1999, no valor total de R$ 3.081.584,90. O recolhimento em questão teria sido indevidamente realizado, segundo alegações, tendo em vista erros nas apurações concernentes ao ano de 1999, corrigidos por meio de DIPJ retificadora entregue em 23/10/2006. Nos termos da decisão recorrida, foi acatada e considerada a retificadora apresentada em 23/10/2006, tanto que toda a análise que a permeou baseouse nas informações retificadas, havendo estas sido apenas parcialmente confirmadas conforme quadro resumo abaixo: Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte não questionou de maneira específica os fatos apontados pela unidade de origem para confirmação parcial dos valores informados na DIRPJ retificadora. Naquela ocasião, a contribuinte limitouse a alegar Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 8 7 que o Fisco não poderia rever a apuração concernente a 1999, após o decurso do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN. Esta alegação da contribuinte foi devidamente refutada pela decisão de piso, nos seguintes termos, fls. 660: O art 150 § 4º do CTN trata do prazo máximo, previsto em lei, para que a Fazenda Pública proceda à constituição do crédito tributário mediante lançamento e, assim, exija eventuais diferenças. Tal limitação temporal, porém, não se aplica ao caso concreto. O entendimento já firmado pela Administração Pública, por meio da SCI 16/2012, de aplicação obrigatória por parte das unidades da RFB, conforme art 6º da Portaria RFB 3.222/2011, é o de que a análise dos créditos pleiteados em declarações de compensação se submete a prazo diverso, estabelecido no art 74 § 5º da Lei 9.430/96. Nos termos do referido ato, ainda que já transcorrido o prazo de que trata o art 150 do CTN, nos cinco anos seguintes ao do envio da declaração de compensação pode a Administração proceder às investigações que entender necessárias à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado e, sendo o caso, indeferi lo. Restando tempestiva a revisão realizada pela DERAT por meio do Parecer de fls 46/52 e diante da constatação de que os dados e informações alterados de ofício por aquele órgão estão devidamente respaldados pelos normativos nele citados e, ainda, pelas pesquisas acostadas às fls 24/31, ratifico as revisões efetivadas. Em sede recursal, a contribuinte enfatiza que o o crédito pleiteado nos presentes autos é apenas a parcela do pagamento de CSLL – ajuste anual (R$ 6.081.359,00) quitada mediante o DARF de R$ 3.081.584,90 (dos quais R$ 2.995.265,66 a título de “principal” e R$ 86.319,24 a título de “juros”). Segundo a recorrente, fls. 594, “é esse, e apenas esse, o crédito pleiteado no presente processo”. Alegação correta, porém desprovida de sentido, uma vez que a decisão de piso corretamente analisou se o aludido pagamento de R$ 2.995.265,66 poderia ou não se caracterizar como pagamento indevido, suscetível de ser utilizado para fins de compensação. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 660: Ressalto ainda que de nenhuma das 06 (seis) DCTFs que a interessada entregou para o 4º trimestre de 1999 consta débito referente à CSLL – ajuste anual (cód 6773). Não há, tampouco, nos arquivos eletrônicos da RFB, outros registros referentes a quaisquer formas de extinção de crédito tributário associdas ao fato gerador em questão (dez/1999, cód 6773). Diante do exposto, considerando que o recolhimento que é objeto da declaração de compensação em análise, no valor total de R$ 3.081.584,90 (principal de R$ 2.995.265,66) , é inferior ao débito apurado na DIPJ do período, no valor de R$ Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 9 8 4.443.456,37, e, ainda, que não não há registros, nem nos arquivos eletrônicos da RFB e nem nos autos, acerca de outras formas de extinção do crédito tributário associadas a este mesmo fato gerador, concluo pela não homologação da compensação declarada. Não é correta, portanto, a avaliação da recorrente de que este colegiado deveria reconhecer a inubsistência da motivação utilizada pelo despacho decisório (e ratificada pela DRJ) para negar o direito creditório da contribuinte. Conforme bem demonstrado ao longo do presente voto, tanto a autoridade competente da unidade de origem quanto o colegiado julgador a quo analisaram com correção o pleito da contribuinte, tendo chegado à correta e inquestionável conclusão de que o recolhimento em apreço (R$ 2.995.265,66 a título de “principal”) era inferior ao débito apurado na DIPJ do período, no valor de R$ 4.443.456,37. A recorrente abstevese, outrossim, de refutar o fato de que não há registros, nem nos arquivos eletrônicos da RFB e nem nos autos, acerca de outras formas de extinção do crédito tributário associadas a este mesmo fato gerador. Em sede recursal, a contribuinte questionou a análise da sua DIPJ retificadora, apresentada em 23/10/2006, mais especificamente em relação à base de apuração do benefício de 1/3 da COFINS. Em relação ao presente tema, considero que também não assiste razão à recorrente. A análise da recorrente, propositalmente ou não, ignorou completamente as explicações constantes do Parecer Conclusivo nº 40/2008, que procedeu a uma completa e minuciosa análise da DIPJ retificadora apresentada pela contribuinte em 23/10/2006. Para maior clareza, adoto as razões de decidir constantes do retrocitado Parecer, fls. 4751. No entanto, por economia processual, deixo de transcrevêlas na íntegra. Transcrevo, porém, a tabela de apuração do valor efetivamente pago a título de COFINS, base de cálculo para o cálculo do benefício de compensação de 1/3 na apuração da CSLL devida. A citada tabela consta às fls. 49: Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 10 9 Ressaltese, por oportuno, que nos termos do art. 8º, § 1º da Lei n° 9.718/98 somente admitia admitia a possibilidade de compensação do valor apurado com até um terço da COFINS efetivamente paga, conforme se verifica a seguir (grifado): Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. § I° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. Revelase, portanto, desprovida de fundamento legal a pretensão da recorrente de aplicar tal benefício sobre parcelas com exigibilidade suspensa ou parceladas, posto que tais parcelas claramente não se incluem no conceito de COFINS efetivamente paga. No tocante à COFINS devida e paga no mês de janeiro de 1999, a sua compensação parcial com a CSLL é expressamente vedada pela IN SRF nº 006/99, verbis (grifado): Art. 72 Será compensável com a CSLL devida o valor correspondente a até um terço da COFINS efetivamente paga. Parágrafo único. Não será passível de compensação a COFINS devida relativa ao mês de Janeiro de 1999. Assim, diante das disposições legais aplicáveis e dos elementos de prova constantes dos autos, é forçoso concluir pela exatidão da apuração procedida pela autoridade competente da unidade de origem, resumidas na taberla anteriormente transcrita no corpo do presente voto. Para maior clareza, transcrevo um trecho bastante relevante do Parecer elaborado pela unidade de origem, fls. 50: Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.720224/200706 Acórdão n.º 1401001.493 S1C4T1 Fl. 11 10 De todo o exposto, concluo que todas as alegações da recorrente se mostram desprovidas de fundamento jurídico e/ou carentes de comprovação documental. Assim sendo, considero que, em relação ao presente tema, a decisão de piso não merece quaisquer reparos. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13819.720378/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
Despesas Médicas - Plano de Saúde -Comprovação
Restando comprovado o valor desembolsado com o plano de saúde de cônjuge, cabe a dedução da despesa, seja na declaração em conjunto ou separado.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2201-002.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - (Presidente em exercício),-
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora
EDITADO EM: 29/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - (Presidente em exercício),- IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 03 78 /2 01 4- 64 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720378/201464 Acórdão n.º 2201002.792 S2C2T1 Fl. 109 2 MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 0830.351 – 1ª Turma da DRJ/FOR, de 30 de junho de 2014, fls. 26/29 que julgou improcedente a impugnação contra lançamento que exige imposto de renda das pessoas físicas, ano calendário de 2012, exercício de 2013, por glosa de despesas médicas. Transcrevo o relatório do acórdão combatido, por bem caracterizar o litígio: Tratase de Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 08/13, correspondente ao ano calendário 2012, exercício 2013. A exigência fiscal decorreu de revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual apresentada pela contribuinte, que resultou na glosa de despesas médicas no valor de R$ 20.872,56. Na complementação da “descrição dos fatos e enquadramento legal” posta na peça fiscal consta a seguinte informação: “Glosado o valor de R$ 20.872,56 indevidamente deduzido a título de despesas médicas” Conforme demonstrativo de apuração à fl. 12, foi modificado o saldo do imposto a restituir no valor de R$ 6.801,44 constante da DIRPF apresentada pela contribuinte, para saldo de imposto a restituir ajustado no valor de R$ 1.061,49. Cientificada do lançamento em 29/01/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR à fl. 21, a interessada apresentou impugnação em 14/02/2014, colacionando aos autos documentação que aduz ser suficiente para comprovar o direito à dedução do valor das despesas médicas apontadas no lançamento. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720378/201464 Acórdão n.º 2201002.792 S2C2T1 Fl. 110 3 Na sequência, por meio do despacho à fl. 25, se deu o encaminhamento dos autos a esta DRJ/Fortaleza. A contribuinte toma ciência desta decisão em 23 de julho de 2014 conforme AR de fls.33. Em 21 de agosto de 2014, às fls.37/41, há interposição de recurso voluntário onde a Recorrente, após narrar os fatos, alega que a dúvida postada sobre a idoneidade dos recibos apresentados não prospera. Porque o valor relativo ao pagamento do seu plano de saúde, lançado em sua declaração como despesa dedutível, atende aos requisitos de dedutibilidade da legislação em vigor. Transcreve a resposta à pergunta 363 do Site da Receita Federal do Brasil e afirma que os documentos anexados atendem plenamente aos requisitos legais. Informa que os pagamentos foram realizados através da conta conjunta que mantem com o marido, Valdomiro Possari, CPF 31612300863, no Banco Itaú, agência 3797, c/c 1213199, cujos extratos e boletos anexa. Como realiza sua declaração em separado, nos termos da resposta contida no site da Receita Federal teve o direito de deduzir o valor correspondente. Acrescenta a declaração do Sindicato dos engenheiros no estado de São Paulo, pela qual informa os valores pagos a AMIL ASS.MED.INTERNACIONAL LTDA, separado por titular e dependente. Por isto não poderia prosperar a afirmação do acórdão de que: Deste modo, ainda que se pudesse considerar a possibilidade desta dedução de despesas médicas ocorrer ao amparo do conceito de entidade familiar, vez que a impugnante apresentou sua declaração em separado, não há nos autos documentação que possa comprovar a participação ou vinculação contratual do titular do plano (Sr. Ernesto Valdomiro Possari), e conseqüentemente de sua dependente, ora impugnante, com a Amil Assistência Médica Internacional Ltda. Discorda desse entendimento e anexa o documento que instrumentaliza a contratação do plano, feita por meio da Proposta de Adesão –AMIL/SINDICATOPLANO DE SAÚDE COLETIVO POR ADESÃO, nº 2769 de 08.10.2010 onde se explicita o titular e seus dependentes. Pede o acolhimento de suas razões. Anexos folhas 42/93. Às fls. 94, despacho especifica os anexos que acompanham o recurso. Através do despacho de encaminhamento de fls.99, por sorteio, recebo o processo para relato. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720378/201464 Acórdão n.º 2201002.792 S2C2T1 Fl. 111 4 Voto Conselheiro Relator Conforme anteriormente relatado tratase de exigência do imposto de renda de pessoa física, referente ao ano calendário de 2012, exercício de 2013, onde na descrição dos fatos e enquadramento legal, às fls. 10, consigna a autoridade lançadora, o seguinte: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 20.872,56, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. CNPJ 62637137/000109 Sindicato dos Engenheiros No ES cod 26 – Declarado 20872,56 Enquadramento Legal:Art.8° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3º , da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99. Na impugnação de fls. 02 a contribuinte informou que o valor glosado se referia ao pagamento de despesas médicas próprias, no ano calendário de 2012, no valor de R$ 20.872,56, pagos ao Plano de Saúde AMIL. Juntou o comprovante emitido pelo plano, onde constam os valores relativos ao titular e os dependentes. A autoridade julgadora entendeu que tal documento seria insuficiente para justificar a dedução e manteve a glosa sob as seguintes alegações: (...) Conforme se pode observar da legislação em destaque, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, e ainda, referentes a aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Devese salientar que o direito à dedução de despesas médicas está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual. (...) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720378/201464 Acórdão n.º 2201002.792 S2C2T1 Fl. 112 5 Ou seja, a autoridade julgadora julgou insuficiente as provas juntadas e pediu outras que não estiveram claramente especificada no lançamento. O artigo 16 do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70235/1972 determina o conteúdo da impugnação e o seu parágrafo 4º é claro quanto ao momento de juntada da prova. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Aqui o princípio da legalidade estrita. Todavia o Processo Administrativo Federal sofre a influência de diversos princípios, dentre estes, o do formalismo moderado e o da verdade material. Além do mais, no presente caso, também vejo permissão para aceitar as provas trazidas em sede de recurso, ante o comando da letra “c” do acima transcrito, parágrafo 4º do artigo 16, tal seja: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) . No lançamento, a acusação se dá por Glosa do valor de R$ 20.872,56, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. E esta condição foi atendida na impugnação onde a causa para manter o lançamento foi além. O Relator do acórdão combatido acrescentou nas suas razões de decidir: No caso, visando afastar a glosa da despesa médica destacada no lançamento a contribuinte juntou ao processo declarações emitidas pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), às fls. 17/18, contendo a informação de que o Sr. Ernesto Valdomiro Possari efetuou pagamentos no ano calendário 2011 como participante no plano de saúde Amil Assistência Médica Internacional Ltda., sendo parte desse montante pago, ou seja, o valor de R$ 20.872,56, referente à parcela relacionada à participação da impugnante (Sra. Marlene da Cunha Possari) como dependente no referido plano de assistência médica. Deste modo, ainda que se pudesse considerar a possibilidade desta dedução de despesas médicas ocorrer ao amparo do conceito de entidade familiar, vez que a impugnante apresentou sua declaração em separado, não há nos autos documentação que possa comprovar a participação ou vinculação contratual do titular do plano (Sr. Ernesto Valdomiro Possari), e Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720378/201464 Acórdão n.º 2201002.792 S2C2T1 Fl. 113 6 conseqüentemente de sua dependente, ora impugnante, com a Amil Assistência Médica Internacional Ltda. Observase ainda que não foram colacionados demonstrativos dos desembolsos destas despesas que tenham sido realizadas através de eventual convênio com o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), isto em se confirmando que a entidade sindical é quem veio estabelecer a vinculação e/ou extensão do plano de saúde a seus associados e dependentes. Como se vê, a documentação anexada às fls. 17/18, por si só, não se revela suficiente para desconstituir a glosa fiscal, verificandose necessária a anexação de outros elementos de prova que possam demonstrar a vinculação contratual da impugnante com o mencionado com plano de saúde, assim como o desembolso destas despesas, ainda que tal ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, este sendo comprovadamente integrante da entidade familiar. Entendo que confrontado este argumento com a causa de lançar, pelo benefício da dúvida, é lícito supor que a recorrente entendeu que não estaria obrigada a comprovar com os cheques, extratos, contrato de constituição do seguro, etc, os pagamentos realizados. Exigência que só se esclareceu após a ciência do acórdão. Os documentos acostados ao recurso são os seguintes: Às fls: 55 – Declaração do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, com os valores anuais; 56 – Declaração do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, com os valores mensais;57 – Declaração do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, referente à rejuste de mensalidades e aniversário do contrato (julho/2012);58/59 – Proposta de Adesão – AMIL/SEESP, onde consta a Recorrente como dependente do titular; A orientação da Receita Federal do Brasil, quanto às formas possíveis de comprovação de despesas se fez através da Pergunta 363 do Site oficial onde trata da matéria: Vejase da Declaração/ Perguntão: 363 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? (...) A comprovação do ônus financeiro deve ser feita mediante documentação hábil e idônea, tais como contrato de prestação de serviço ou declaração do plano de saúde e comprovante da transferência de recursos ao titular do plano. (4º parágrafo da resposta à pergunta 363 da Declaração/ Perguntão(http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF /2014/perguntao/perguntas/pergunta363.html) Às fls.60/93 – constam os boletos, as programações e os extratos bancários onde foram debitados os valores do plano de saúde, também em consonância com as instruções acima mencionada: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 13819.720378/201464 Acórdão n.º 2201002.792 S2C2T1 Fl. 114 7 (...) Na hipótese de apresentação de declaração em separado, são dedutíveis as despesas com instrução ou médica ou com plano de saúde relativas ao tratamento do declarante e de dependentes incluídos na declaração, cujo ônus financeiro tenha sido suportado por um terceiro, se este for integrante da entidade familiar, não havendo, neste caso, a necessidade de comprovação do ônus.(...). (3º parágrafo da resposta à pergunta 363 da Declaração/ Perguntão(http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF /2014/perguntao/perguntas/pergunta363.html) Portanto, ante o conjunto probatório apresentado, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. . Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
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