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Numero do processo: 15471.001897/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2201-003.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 18 97 /2 00 8- 85 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15471.001897/200885 Acórdão n.º 2201003.019 S2C2T1 Fl. 70 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 40), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte foi lavrada notificação nº 2004/607450768044086 relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2003, para apurar crédito tributário no valor R$ 7.744,44. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foram apuradas as seguintes infrações: dedução indevida com dependente, Anderson Candido Santana, por não ter sido comprovada a guarda judicial, dedução indevida com despesa de instrução, dedução indevida de despesas médicas no valor de R$8618,60 e omissão de rendimentos do Comando do Exército e Fundo Especial de Previdência do Município do Rio de Janeiro. Em sua impugnação, a contribuinte apresenta os gastos efetuados com despesas médicas e afirma ser portadora de doença grave desde fevereiro de 2003. Foram solicitados documentos às fls.24 (carimbo) com resposta às fls. 27 a 29 (carimbo). Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES DEDUÇÃO INDEVIDA COM DESPESA DE INSTRUÇÃO MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas as matérias na que não tenhas sido expressamente contestadas pelo impugnante. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. As deduções de despesas médicas são permitidas quando preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A Recorrente foi cientificada em 20/08/2012 (Fls. 54), no entanto o Recurso Voluntário foi apresentado por sua Representante, Viviane Louise de Oliveira, documento de identificação às fls. 60 e de representação constando às fls. 61 a 63; Recurso interposto em 20/09/2012 (fls. 57 a 59), onde se argumenta em síntese: Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15471.001897/200885 Acórdão n.º 2201003.019 S2C2T1 Fl. 71 3 (...) A representada Delia de Oliveira, tem idade avançada e graves transtornos de sua saúde desde o ano de 2003, conforme inclusive documentos entregues a Secretaria da Receita Federal outrora. Disturbios de saúde estes caracterizados por miastenia gravis, traqueostomia definitiva, estensor traquial, atrofia nasal, transtorno específico de personalidade do adulto com instabilidade emocional, transtorno bipolar pós subseguentes internações na unidade de tratamento intensivo hospitalar com alienação mental por conseguência essa condição de distúrbios graves à sua saúde física e mental é profunda, incurável e irreversível, agravandose ao longo dos anos com o avanço da idade, sucessivas internações em UTI, das ressuscitações e dos tratamentos além dos medicamentos ministrados desde 2003. (...) A situação física e mental da Representada pode ser comprovada por outros laudos (com datas atuais) que poderão ser juntados ao processo se necessário, ou por perícia médica, se requerido; (...) Junta em conjunto: Documento de identificação (fls. 60); Translado de procuração do Cartório 23o Ofício de Notas Sucursal Tijuca (fls. 61 a 63); Receituário do CAARJ (fls.64); É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A contribuinte tomou ciência da decisão de Primeira Instância, encaminhada ao seu endereço, via correio, em 20/08/2012 conforme fls.54. A peça recursal somente foi protocolizada em 20/09/2012, conforme atesta documento de fl. 57, portanto, fora do prazo fatal que seria em 19/09/2012, quartafeira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15471.001897/200885 Acórdão n.º 2201003.019 S2C2T1 Fl. 72 4 Nos termos do artigo 33 do Decreto n 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, o prazo para interposição do recurso é de trinta dias, a contar da ciência da decisão da DRJ; in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Caberia ao recorrente adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Assim, não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como bem descrito no Acórdão recorrido, a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15471.001897/200885 Acórdão n.º 2201003.019 S2C2T1 Fl. 73 5 imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados não restam dúvidas de que os proventos recebidos eram de aposentadoria. Resta então analisar se, à época dos fatos, o contribuinte era portador de moléstia grave tipificada no texto legal, atestada por laudo médico oficial. Neste ponto o voto do relator do acórdão recorrido estabeleceu que; in verbis: Com relação à comprovação da moléstia grave a interessad apresentou o laudo expedido pelo Hospital Geral de Bonsucesso no qual consta a informação que desde fevereiro de 2003 é portadora do CID10G70.0 (Miastenia gravis), tal doença não esta prevista expressamente na legislação isentiva. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15471.001897/200885 Acórdão n.º 2201003.019 S2C2T1 Fl. 74 6 Acrescentese que o dispositivo isencional deve ser interpretado literalmente. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Concluise, então, que a contribuinte não tem direito à isenção prevista na Lei nº 7.713/1988, artigo 6º, inciso XIV, com a redação da Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei nº 9.250/1995.) Desta forma o relator do acórdão recorrido tratou de orientar a contribuinte sobre a forma de comprovar a existência da moléstia grave. Contudo, apesar das orientações recebidas, a recorrente não anexou qualquer laudo médico oficial, no qual se afirme que à época do fato gerador a mesma era portadora de moléstia grave prevista na legislação pertinente. Deste modo, entendo que a recorrente não logrou êxito em provar que, no ano base 2003, era portadora de Moléstia Grave prevista na legislação isentiva. Não tendo, portanto, direito à isenção pleiteada. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 10950.726440/2012-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 31/10/2007 a 13/02/2009
DECADÊNCIA. DRAWBACK.
No regime de drawback modalidade suspensão, o termo inicial para contagem do prazo de 5 (cinco) anos para lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA.
Indefere-se o pedido de diligência que tenha por objetivo inverter o ônus da prova.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
Numero da decisão: 3402-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 31/10/2007 a 13/02/2009 DECADÊNCIA. DRAWBACK. No regime de drawback modalidade suspensão, o termo inicial para contagem do prazo de 5 (cinco) anos para lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Indefere-se o pedido de diligência que tenha por objetivo inverter o ônus da prova. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.726440/201257 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.090 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria Imposto sobre a Importação Recorrente AUTO ADESIVOS PARANÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 31/10/2007 a 13/02/2009 DECADÊNCIA. DRAWBACK. No regime de drawback modalidade suspensão, o termo inicial para contagem do prazo de 5 (cinco) anos para lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência que tenha por objetivo inverter o ônus da prova. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 64 40 /2 01 2- 57 Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 03/12/2012, lavrados para exigir as diferenças de tributos devidos na importação em razão de descumprimento parcial do regime aduaneiro especial de drawback suspensão, relativamente às importações efetuadas entre 2007 e 2009. Segundo o termo de verificação fiscal, houve adimplemento parcial dos atos concessórios 20070144052 e 20080134548, resultando nas seguintes bases de cálculo em relação às quais foram exigidos os tributos incidentes na importação: Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) decadência em relação aos períodos de janeiro de 2007 a novembro de 2007; b) inconsistências, erros, falhas e dúvidas no levantamento das diferenças por parte do fisco; c) em razão dessas inconsistências e dúvidas, requereu diligência/perícia, formulando quesitos; d) contestou a multa de 75% e a cobrança de juros de mora sobre a taxa Selic. Por meio do Acórdão 34.259, de 27 de fevereiro de 2014, a 2ª Turma da DRJ Florianópolis julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2007 a 13/02/2009 DECADÊNCIA. DRAWBACK. No regime de drawback modalidade suspensão, o termo inicial para contagem do prazo de 5 (cinco) anos para lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Entendendo que os documentos presentes nos autos são suficientes para formação de sua convicção, o julgador pode indeferir o pedido de diligência para realização de perícia formulado pela impugnante. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 31/10/2007 a 13/02/2009 DRAWBACK. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.726440/201257 Acórdão n.º 3402003.090 S3C4T2 Fl. 3 3 Comprovado o inadimplemento parcial do regime aduaneiro especial de drawback, cabe o lançamento, além dos tributos suspensos incidentes nas importações, da multa de ofício de 75% pelo não recolhimento no momento oportuno. Impugnação Improcedente Regularmente notificado do Acórdão recorrido em 02/04/2014, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/04/2014, alegando, em síntese, o seguinte: a) decadência; b) reafirmou a necessidade da diligência, pois foi requerida mudança de código de enquadramento do RE, bem como apontados diversos erros e falhas, que precisam ser sanadas por meio da resposta dos quesitos apresentados; e c) pleiteou a aplicação do princípio da fungibilidade dos insumos, com base no art. 32 da Lei nº 12.350/10. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. O contribuinte alegou decadência parcial, sob o argumento de que a suspensão dos tributos incidentes na importação não interrompe o prazo de decadência previsto no art. 150, § 4º do CTN, citando, inclusive, entendimento da Ministra Denise Arruda no RESP 1.006.535. A alegação é totalmente improcedente. Em primeiro lugar o RESP 1.006.535 foi relatado pela Ministra Eliana Calmon, e não pela Ministra Denise Arruda. Em segundo lugar esse julgado do STJ não tem aplicabilidade ao caso concreto, pois se refere ao IOF, tributo não vinculado à exportação ou à concessão de regimes especiais na importação. A própria Ministra Eliana Calmon ressalvou na ementa que estava desconsiderando a suspensão concedida pela Administração, porque o IOF não integrava o ato concessório. Eis a ementa do referido julgado, extraída da página de jurisprudência do STJ: TRIBUTÁRIO IOF DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR DRAWBACK SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE IRRELEVÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente à atividade de importação/exportação e não integra, em regra, o Termo de Compromisso, forma de constituição do crédito tributário prevista na legislação aduaneira. Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 2. O fato gerador do IOF na operação de câmbio é a a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este, nos termos do art. 63, II, do CTN. 3. A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário. 4. Recurso especial provido. A jurisprudência do CARF consolidouse no sentido de que o prazo de decadência para o fisco constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do regime aduaneiro de drawback não flui durante a vigência do ato concessório, pois o fisco não tem como considerar o regime como inadimplido antes de expirada a validade do referido ato. Não se trata de interrupção ou de suspensão do prazo de decadência. Tratase isso sim de hipótese em que o prazo não começa a fluir, pois no caso do drawback a inércia do fisco não decorre de sua desídia em se movimentar para constituir o crédito tributário, mas sim de impedimento lógico para que ele possa considerar o regime inadimplido. Eis a ementa do Acórdão 9303000.224 da CSRF que retrata o entendimento vigente no CARF: DRAWBACK. Regime sob dupla jurisdição. Regime econômico regido por normas do MIDC e regime aduaneiro regido por normas do MF/SRF.DRAWBACK. DECADÊNCIA. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. (,,,)" O entendimento jurisprudencial do CARF foi incorporado, com modificações, pelo art. 752, § 3º , I do RA/2009, in verbis: Art.752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, caput,com a redação dada pelo DecretoLei no2.472, de 1988, art. 4o; eLei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): Ido primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou IIda data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. §1oO direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.726440/201257 Acórdão n.º 3402003.090 S3C4T2 Fl. 4 5 indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). §2oTratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo DecretoLei no2.472, de 1988, art. 4o). §3oNo regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: Isuspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e IIisenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção. No caso concreto, conforme bem apontou a decisão recorrida, o ato concessório 20070144052 foi prorrogado até 18/10/2012 e o ato concessório 20080134548 foi prorrogado até 03/12/2012. Desse modo, se o lançamento foi notificado ao contribuinte em 03/12/2012 não há que se cogitar de decadência no caso concreto. No mérito, verificase que a fiscalização demonstrou de forma minuciosa a quantificação do crédito tributário ora lançado de ofício, tendo trazido ao processo os elementos de prova de onde retirou suas conclusões (atos concessórios, DI, laudos periciais apresentados pelo próprio contribuinte, etc.). A defesa apontou a existência de erros, inconsistências e falhas, mas não trouxe aos autos nenhuma prova de suas alegações, como exige o art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O dispositivo legal é claríssimo ao estabelecer que não basta ao contribuinte alegar os pontos de discordância, sendo imprescindível a apresentação de provas do quanto houver sido alegado. No caso concreto, a defesa além de não ter apresentado as provas dos pontos divergentes alegados, pretendeu inverter o ônus da prova solicitando diligência para esclarecimento dos quesitos apresentados. Ora, todos os quesitos apresentados poderiam ser decididos no âmbito dos recursos administrativos apresentados, caso o contribuinte tivesse trazido aos autos Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 documentos que embasassem as alegações acerta dos equívocos supostamente cometidos pelo fisco. Vejam senhores conselheiros que nem mesmo a retificação para inclusão do ato concessório no campo 24 do RE e a mudança de enquadramento de 80.000 para 81.101 o contribuinte conseguiu provar, uma vez que se limitou a trazer o requerimento supostamente formulado à Administração, sem prova do deferimento ou do indeferimento e o que é pior, sem prova de que tal pedido tenha sido entregue à repartição fiscal. Portanto, o pedido de diligência deve ser rejeitado, com base no art. 18 e 28, parte final do Decreto nº 70.235/72, pois os elementos trazidos aos autos pela fiscalização são suficientes para dar lastro à autuação, não cabendo o deferimento de diligência, pois cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Outro pleito da defesa foi a aplicação do princípio da fungibilidade dos insumos, com base no 32 da Lei nº 12.350/10. Embora o referido artigo permita a aplicação do princípio da fungibilidade, sua aplicação restou prejudicada no caso concreto, pois o contribuinte não discriminou quais são as diferenças que devem ser supridas; nem qual ou quais insumos importados devem ser substituídos por insumos nacionais; e nem as quantidades de insumo nacional que devem ser alocadas substituir determinada quantidade de produto importado. Não tendo trazido aos autos nenhum motivo de fato ou de direito relevante capaz de introduzir modificações no lançamento, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13854.720183/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409.
2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte.
3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida.
Numero da decisão: 2301-004.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento ao recurso voluntário e que irá formalizar declaração de voto.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida.
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Recorrente JOSE TAVARES Recorrida União (representada pela Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP e Resp. 1.470.720RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.470.720RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 01 83 /2 01 1- 45 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento ao recurso voluntário e que irá formalizar declaração de voto. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo (suplente), Fabio Piovesan Bozza, Ivacir Júlio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1756.800, de 17/01/2012, (fls. 74 a 78). Reproduzo do relatório do acórdão recorrido: DO LANÇAMENTO Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a notificação de lançamento de fl. 4, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, anocalendário 2009, por meio da qual foi lançado o imposto no valor de R$ 7.206,31, acrescido de multa de ofício de R$ 5.404,73 e de juros de mora de R$ 1.091,03 (calculados até 30/09/2011), resultando no montante de R$ 13.702,07. Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 5, foi constatada a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista, no valor de R$ 59.400,05, com IRRF de R$ 2.545,72. A fiscalização esclarece que esse rendimento foi obtido mediante a dedução dos honorários advocatícios de R$ 25.457,16 dos rendimentos brutos recebidos, de R$ 84.857,21. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 19/09/2011 (fl. 69), o contribuinte apresentou, em 06/10/2011, a impugnação de fl. 2, acompanhada dos documentos de fls. 3/67, abaixo resumida. O valor supostamente omitido foi recebido acumuladamente, com valores corrigidos, conforme planilha de cálculos constante no processo, desde 1994. Portanto, não seria rendimento referente ao anobase 2009. Seguem anexas as principais peças do processo de ação trabalhista e recibo de honorários advocatícios. A DRJ julgou a impugnação improcedente, tendo o acórdão recorrido recebido a seguinte ementa: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13854.720183/201145 Acórdão n.º 2301004.654 S2C3T1 Fl. 99 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2009, em decorrência de ação judicial trabalhista, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. A ciência dessa decisão ocorreu em 06/02/2012 (fl. 82). Em 09/02/2012, foi apresentado recurso voluntário (fls. 84 a 85), no qual são reafirmados, em síntese, os argumentos da impugnação. O pedido consiste em que os rendimentos sejam considerados isentos ou não tributados ou, alternativamente, que sejam tributados pelo regime de competência. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Dos rendimentos recebidos acumuladamente. Período até anobase 2009 Trata o presente processo de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, por força de ação judicial trabalhista, relativos ao anocalendário de 2009. Tal tema já foi objeto de apreciação tanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STF), em processos com decisão definitiva de mérito na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 (presentemente, arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015). Assim, tais decisões devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Passemos à análise das referidas decisões. Do STF, temos o julgamento do RE 614.406/RS (com repercussão geral reconhecida) cuja tese restou reafirmada no julgamento do ARE 817.409, cujos trânsito em julgado deramse respectivamente em 11/12/2014 e 05/06/2015. Em ambos os acórdãos, decidiuse que o imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF) sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência, ou seja, calculados de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 acordo com o regime de competência. Tal é o entendimento que deve ser reproduzido pelos órgãos deste Carf. O RE 614.406/RS recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de (SIC) ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Assim, no RE 614.406/RS decidiuse negar provimento ao recurso extraordinário interposto pela União contra acórdão exarado pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pelo qual entendeuse correta a “Incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência após somado este com o valor já pago, pena afronta aos princípios da isonomia e capacidade contributiva insculpidos na CF/88 e do critério da proporcionalidade que infirma a apuração do montante devido”. Friso que, embora alguns Ministros teçam considerações sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da lei 7.713, de 1988 (como é o caso do Min. Marco Aurélio, do Min. Dias Toffoli e da Min. Cármen Lúcia), a discussão que se estabelece no plenário do STF é qual o regime de tributação a ser aplicado ao caso: (a) regime de caixa, posição da Min. Ellen Grace, que dava provimento ao recurso interposto pela União, julgando constitucional o art. 12 da Lei 7.713, de 1988 e (b) regime de competência, posição dos demais ministros, que, em decorrência, negaram provimento ao recurso da União. Desse modo, o limite objetivo da coisa julgada é dado pelo desprovimento da apelação da União contra o acórdão do TRF4, que houvera reconhecido incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713, de 1988 para que o IRPF fosse tributado pelo regime de competência (e não pelo regime de caixa) Tal situação, ou seja, ser o limite objetivo da coisa julgada no RE 614.406/RS a tributação dos rendimento recebidos acumuladamente pelo regime de competência, resta cristalina pela simples leitura da ementa do ARE 817.409: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MODO DE CÁLCULO. RENDIMENTOS PAGOS EM ATRASO E ACUMULADAMENTE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. TEMA Nº 368. JULGAMENTO DE MÉRITO NO RE 614.406. ALEGADA INDIFERENÇA NA APLICAÇÃO DO REGIME DE CAIXA OU DE COMPETÊNCIA AO CASO. INCURSÃO NO ACERVO FÁTICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA Nº 279 DO STF. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos em atraso e acumuladamente por pessoas físicas devem se submeter à incidência do imposto de renda segundo o regime de competência, consoante decidido pelo Plenário do STF no julgamento do RE 614.406, Rel. Min. Rosa Weber, Redator do acórdão o Min. Marco Aurélio, DJe de 27/11/2014, leading case de repercussão geral, Tema nº 368. (...) Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13854.720183/201145 Acórdão n.º 2301004.654 S2C3T1 Fl. 100 5 No mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no julgamento do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Das razões do conselheiro relator, Heitor de Souza Lima Junior, transcrevo: Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão (RE 614.406/RS), de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no . 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. (...) Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. (...) Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. (...) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Como já referido, também o STJ enfrentou a matéria no julgamento de dois recursos especiais sujeitos à sistemática do art. 543C do CPC, (e, portanto, vinculativos ao CARF em face do disposto no art. 62, § 2º, do Ricarf). Nesses, também restou assentado que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. O primeiro desses julgamentos é o Resp. 1.118.429SP, julgado em 24/03/2010 e transitado em julgado em 17/06/2010, o qual recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (Grifouse.) O segundo julgado, Resp. 1.470.720RS, julgado em 10/12/2014 e transitado em julgado em 04/03/2015, esmiúça a determinação das bases de cálculo do imposto sobre a renda, e recebeu a seguinte ementa: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. VERBAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. FACDT. SELIC. (...) 2. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT – fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. (Grifouse.) 3. Sistemática que não implica violação ao art. 13, da Lei n. 9.065/95, ao art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96, ao art. 8º, I, da Lei n. 9.250/95, ou ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, posto que se refere à equalização das bases de cálculo do imposto de renda apurados pelo regime de competência e pelo regime de caixa e não à mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13854.720183/201145 Acórdão n.º 2301004.654 S2C3T1 Fl. 101 7 4. Tema julgado para efeito do art. 543C, do CPC: "Até a data da retenção na fonte, a correção do IR apurado e em valores originais deve ser feita sobre a totalidade da verba acumulada e pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente, sendo que, em ação trabalhista, o critério utilizado para tanto é o FACDT". (Grifos no original.) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Transcrevo trechos do Resp. 1.470.720, a fim de aclarar os critérios pelos quais deve ser calculado o imposto sobre a renda: Esta Corte ao julgar recurso representativo da controvérsia decidiu que: "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente" (REsp. n. 1.118.429/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24.03.2010). Ou seja, entendeu que o art. 12, da Lei n. 7.713/88 não deve ser interpretado de forma a permitir a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo regime de caixa (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que efetivamente pagos os rendimentos de uma só vez), mas sim pelo regime de competência (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que deveriam ter sido pagos dos rendimentos mês a mês). Em razão dessa jurisprudência já consolidada, surgiu em inúmeros processos a discussão a respeito do modo com que se daria o cálculo dessa diferença de imposto de renda a ser paga pelo contribuinte ou a ele repetida pelo fisco, nos casos em que o Imposto de Renda incide sobre verbas trabalhistas pagas em atraso de forma acumulada, ou verbas de outra natureza também pagas em atraso de forma acumulada. Esse modo não poderia descurar da forma com que calculado o imposto nas declarações de ajuste, respeitandose a lógica do imposto e de sua repetição. Dito de outra forma, para respeitar a sistemática de apuração do Imposto de Renda e ao mesmo tempo o regime de competência, havia a necessidade de se estabelecer uma forma retroativa de cálculo do tributo que deveria ter sido pago ao tempo em que deveria ter sido recebido o rendimento (regime de competência) e apurar a diferença em relação ao que retido posteriormente na fonte (regime de caixa), o que carece da aplicação de um critério único de correção monetária, a fim de se equalizar as bases de cálculo do Imposto de Renda através do tempo (a base de cálculo do imposto que deveria ter sido pago sob o regime de caixa deve ser equalizada à base de cálculo do imposto pago sob o regime de competência) e definir a diferença do tributo a pagar ou restituir. Assim, o que se discute é o índice a ser fixado para a correção da base de cálculo do tributo e não do tributo devido ou do indébito a ser restituído. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 No caso das verbas trabalhistas, sabese que a Justiça do Trabalho utiliza para atualização dos débitos (base de cálculo do Imposto de Renda) a chamada Tabela FACDT (Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas), que tem por objetivo assegurar, "com base no índice oficial da inflação do mês anterior, o valor monetário dos créditos do trabalhador até o primeiro dia do mês seguinte" (Agravo de Petição n. 718903, TRT4, Sexta Turma, Rel. Juiz João Ghisleni Filho, julgado em 19.11.1998). Sendo assim, sua natureza é de fator de correção monetária, não se tratando de juros de mora, que tem por objetivo punir o devedor pela mora, acrescendo ao débito uma indenização a título de lucros cessantes. Do mesmo modo, no caso de verbas previdenciárias, a Justiça Federal faz uso do IGPDI e, mutatis mutandis, em outros casos fazse uso de índices diversos judicialmente fixados e transitados em julgado. A jurisprudência então caminhou para a seguinte forma de cálculo: resgatase o valor original da base de cálculo (após, portanto, as deduções legais) declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao anocalendário a que o rendimento corresponde (A) e adicionase o valor do rendimento recebido acumuladamente relativo ao mesmo ano (excluídos atualização monetária e juros) (B). Assim, chegase ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C = A + B). Sobre esta base de cálculo aplicase a tabela progressiva vigente no ano a que o rendimento corresponde. Com a aplicação da alíquota da tabela progressiva sobre a base de cálculo (C), chegase a um resultado de imposto devido à época. Desse resultado se subtrai o imposto efetivamente pago calculado com os valores da época. Essa diferença corresponde ao cálculo da diferença de imposto correspondente (D). Este cálculo deverá ser feito para cada anocalendário referente aos rendimentos percebidos acumuladamente (Dl, D2, etc). Esta diferença de imposto de renda (D), apurada em cada ano (D1, D2, etc), será atualizada pelo índice que melhor reflita a correção monetária para o débito em questão (no caso de débitos trabalhistas, utilizase o Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas FACDT, como visto) a partir de 30 de abril do ano subseqüente ao anocalendário respectivo. Cada uma das diferenças anuais (Dl, D2) será atualizada pelo índice referido até 30 de abril do ano subseqüente àquele em que ocorreu o recebimento dos valores acumulados e somadas entre si, constituindo o somatório de diferenças de imposto de renda (E =" Dl + D2 + etc.). O montante total das diferenças (E) será compensado com o total do imposto que foi indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa por força do recebimento de rendimentos acumulados, perfazendo o saldo de imposto de renda (F), a pagar (se E > imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa) ou a restituir (se E < imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa). Sobre (F), incidirá a taxa SELIC a partir de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados porque, ou constitui Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13854.720183/201145 Acórdão n.º 2301004.654 S2C3T1 Fl. 102 9 (F) uma diferença de imposto não pago pelo contribuinte (situação em que incidem o art. 13, da Lei n. 9.065/95 e o art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96), ou constitui um valor de indébito a ser repetido pelo Fisco ao contribuinte (situação em que incide o art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95). (...) De observar que a taxa SELIC não incide em nenhum momento anterior porque antes de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados o que ocorre é apenas uma equalização da base de cálculo do imposto de renda e não a mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. Assim, em atenção ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf, devem ser aplicadas as disposições do (a) RE 614.406/RS (STF), explicitadas no ARE 817.409 (STF), (b) Resp. 1.118.429SP (STJ) e (c) Resp. 1.470.720 (STJ). Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. João Bellini Júnior – relator Declaração de Voto Conselheira Alice Grecchi Tratandose de rendimentos recebidos acumuladamente, cujo Auto de Infração foi lavrado com fundamento o art. 12 da Lei 7.713/1988, entendo que o lançamento deve ser cancelado, com fulcro no Decisão do STF – Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 614.406/RS, sob o regime do art. 543B do CPC, portanto com Repercussão Geral Reconhecida. A questão da constitucionalidade do imposto de renda sobre os rendimentos pagos acumuladamente com base no art. 12 da Lei n° 7.713, de 1988, foi objeto de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 614.406/RS, sob o regime do art. 543B do CPC, portanto com Repercussão Geral Reconhecida, já transitada em julgado em 09/12/2014. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Inicialmente cabe analisar se na Decisão do STF foi aplicada a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial da norma sem redução de texto na qual se explicita que um significado normativo é inconstitucional sem que a expressão literal sofra qualquer alteração. A interpretação conforme não destina a suspender nem a cassar a eficácia do texto normativo sobre que se debruça. Ela serve tãosó para descartar a incidência de uma dada compreensão (ou mais de uma) que se possa extrair do dispositivo infraconstitucional tido por insurgente. Que significação? Aquela (ou aquelas) em demonstrada rota de colisão com a Magna Carta Federal. Sem, contudo, recusar ao ato sindicado a virtude de prosseguir eficaz (fim desejável). Do que resulta permanecer o Ordenamento Jurídico tal como se encontrava, pois, colocado a salvo da perturbação de ter um dos seus espécimes privado de eficácia. Cabe transcrever excertos do voto vista do Min. Carlos Britto (STF, ADPF 54QO) os quais esclarecem que o nome interpretação conforme a Constituição significa, em rigor, um imediato cotejo entre duas précompreensões ou dois antecipados entendimentos jurídicos: É que o momento processual em que já se consuma o referido exame de mérito parece autorizar a seguinte conclusão: a interpretação conforme é uma técnica de eliminação de uma interpretação desconforme... Quero dizer: o saque desse modo especial da interpretação conforme não é feito para conformar um dispositivo subconstitucional aos termos da Constituição Positiva. Absolutamente! Ele é feito para descartar aquela particularizada interpretação que, incidindo sobre um dado texto normativo de menor hierarquia impositiva, torna esse texto desconforme a Constituição. Logo, tratase de uma técnica de controle de constitucionalidade que só pode começar ali onde a interpretação do texto normativo inferior termina. Primeiro, a interpretação do texto segundo os seus próprios elementos de compreensibilidade e por imersão no diploma com que nasceu para o Direito Positivo. Pronto! Depois é que se faz, não a reinterpretação desse texto para afeiçoálo à normatividade constitucional, mas tãosomente uma comparação entre o que já foi interpretado como um dos sentidos dele (texto normativo) e qualquer dos dispositivos da Constituição. Donde o nome interpretação conforme a Constituição significar, em rigor, um imediato cotejo entre duas précompreensões ou dois antecipados entendimentos jurídicos: o entendimento que já se tem de qualquer dos dispositivos constitucionais versus aquele específico entendimento a que também previamente se chegou de um dispositivo infraconstitucional. (STF, ADPF 54QO, voto vista do Min. Carlos Britto) Constatase que para ocorrer a técnica de interpretação sem redução de texto deve ocorrer pluralidade de entendimentos, quanto ao conteúdo e alcance do texto normativo submetido ao controle de constitucionalidade. Analisandose o art. 12, da Lei n.º 7.713/88, abaixo transcrito, verificase que não se trata de pluralidade de interpretações e sim inconstitucionalidade em sua redação. Vejamos: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13854.720183/201145 Acórdão n.º 2301004.654 S2C3T1 Fl. 103 11 Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O preceito normativo transcrito é daqueles que não admitem dubiedade interpretativa. Sua moldura normativa – para usar a linguagem de Kelsen é estreita, não deixando liberdade para o interprete/aplicador. Ademais, de acordo com LAMMÊGO BULOS1, a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução do texto: (...) é a técnica decisória que possibilita à Corte Suprema excluir determinadas hipóteses de aplicação de um programa normativo. Sem empreender qualquer alteração gramatical dos textos legais, permite que o Supremo aplique uma lei, num determinado sentido, a fim de preservar a sua constitucionalidade. (p. 361362). Portanto, não cabe outro entendimento a não ser o de que o STF ao analisar o Recurso Extraordinário n° 614.406/RS, sob o regime do art. 543B do CPC, decidiu pela inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988, pois esta norma não comporta a aplicabilidade da técnica de interpretação sem redução de texto, visto que não há cotejo entre duas précompreensões ou dois antecipados entendimentos jurídicos, bem como não há como interpretar sem que o texto sofra alterações gramaticais, para que prevaleça a sua constitucionalidade. Dito isso, passo a análise da decisão. Em 23 de outubro de 2014 o Supremo Tribunal Federal STF, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Naquela ocasião veiculouse, no site eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a 1 LAMMÊGO BULOS, Uadi. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Ed. Saraiva, 2010. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma v.Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13854.720183/201145 Acórdão n.º 2301004.654 S2C3T1 Fl. 104 13 provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão da Suprema Corte, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, temse o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, assim descrito: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no Auto de Infração, visto que o mesmo foi lavrado utilizando como base de cálculo o valor total dos rendimentos recebidos, aplicando a alíquota da data do recebimento (regime caixa), com fundamento no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, que foi declarado inconstitucional. Concluise, portanto, que não pode ser mantido o presente lançamento, posto que calcado no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, que foi considerado inconstitucional pelo STF. Acrescento, ainda, que discordo da possibilidade de aproveitamento do lançamento, dandose parcial provimento ao recurso, para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Tal conduta reajustamento do lançamento implicaria em a autoridade lançadora fundamentar o lançamento em outro dispositivo legal, que não o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1998, utilizando novas bases de cálculos, desta feita, no regime de competência, para exigência do novo valor do imposto, acrescido dos devidos acréscimos legais. Aqui devese registrar que não há na legislação tributária dispositivo legal para amparar tal lançamento. Nesse sentido cabe transcrever os julgados abaixo: “Processo nº 11543.004646/200819 Recurso Voluntário Acórdão nº 2102003.268, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria IRPF RRA Recorrente CESAR ENRIQUE ROJAS CABALLERO Recorr ida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13854.720183/201145 Acórdão n.º 2301004.654 S2C3T1 Fl. 105 15 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido “Processo nº 11610.005873/200136 Recurso Voluntário Acórdão nº 2801003.967 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente GEORGINA FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Exercício: 1999 A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Provido” Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Acrescentese, ainda, que para o aproveitamento do lançamento seria necessária uma completa inovação da Notificação de Lançamento, com alteração da base de cálculo, do enquadramento legal, que entendo inexistente a época do fato gerador para referida exigência, e modificação das tabelas progressivas aplicáveis. Tais inovações somente poderiam ser concretizadas, mediante a lavratura de novo lançamento, que propiciaria o devido processo legal, com reabertura do prazo para impugnação, garantindo o direito de defesa do contribuinte. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para CANCELAR o lançamento. Alice Grecchi Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalment e em 23/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10530.725727/2010-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41 DA LEI 8.212/1991. REVOGAÇÃO. SÚMULA nº 65 CARF. DA PENALIDADE SOBRE A PESSOA JURIDICA DE DIREITO PÚBLICO.
Com a revogação do dispositivo artigo 41 da Lei 8.212/1991 pela MP 449/2008, transformada na Lei 11.941/2009, inexiste a responsabilidade pessoal do gestor de órgão público pelas infrações à legislação previdenciária, aplicada retroativamente aos fatos geradores ocorridos antes dos seu advento, por força do art. 106, II, a do CTN.
Contudo, deve ser mantida a penalidade aplicada à Pessoa Jurídica de Direito Público, conforme Súmula 65 deste CARF.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Numero da decisão: 2302-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Andrea Brose Adolfo - Relatora ad hoc na data da formalização.
Marcelo Oliveira - Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA (Redator), BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41 DA LEI 8.212/1991. REVOGAÇÃO. SÚMULA nº 65 CARF. DA PENALIDADE SOBRE A PESSOA JURIDICA DE DIREITO PÚBLICO. Com a revogação do dispositivo artigo 41 da Lei 8.212/1991 pela MP 449/2008, transformada na Lei 11.941/2009, inexiste a responsabilidade pessoal do gestor de órgão público pelas infrações à legislação previdenciária, aplicada retroativamente aos fatos geradores ocorridos antes dos seu advento, por força do art. 106, II, a do CTN. Contudo, deve ser mantida a penalidade aplicada à Pessoa Jurídica de Direito Público, conforme Súmula 65 deste CARF. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. ART. 41 DA LEI 8.212/1991. REVOGAÇÃO. SÚMULA nº 65 CARF. DA PENALIDADE SOBRE A PESSOA JURIDICA DE DIREITO PÚBLICO. Com a revogação do dispositivo artigo 41 da Lei 8.212/1991 pela MP 449/2008, transformada na Lei 11.941/2009, inexiste a responsabilidade pessoal do gestor de órgão público pelas infrações à legislação previdenciária, aplicada retroativamente aos fatos geradores ocorridos antes dos seu advento, por força do art. 106, II, “a” do CTN. Contudo, deve ser mantida a penalidade aplicada à Pessoa Jurídica de Direito Público, conforme Súmula 65 deste CARF. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 57 27 /2 01 0- 49 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 198 2 tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA (Redator), BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 199 3 Relatório Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora designada ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.312.4074, em face de Município de Nova Soure Prefeitura Municipal, referente às contribuições previdenciárias parte segurados incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), no período compreendido entre 01/2006 a 12/2008. Segundo o Relatório Fiscal, apesar do Ente Público ter apresentado as folhas de pagamento e demais informações, foram constatadas divergências entre os valores informados ao Tribunal de Contas do Município – TCM e as Folhas de Pagamento/GFIP. As bases de cálculo foram apuradas considerando as diferenças a maior informadas ao TCM em relação às Folhas de Pagamento e entre estas últimas e a GFIP. Com isso, a Prefeitura Municipal foi notificada a recolher o montante de R$ 721.125,17 (setecentos e vinte um mil e cento e vinte cinco reais e dezessete centavos), referente à contribuição previdenciária parte segurados, devida nos termos do art. 20, da Lei nº 8.212/1991. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) mantido o lançamento, conforme decisão de primeira instância que restou assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 SEGURADO EMPREGADO. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que prestam serviços à empresa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 200 4 Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que: a) Nem o Município nem o Gestor , em virtude da revogação do art. 41, da MP 449/2008, não podem ser multados por descumprimento de obrigação acessória; b) Não cabe a imputação de multa moratória em decorrência da Súmula 226 do Tribunal de Contas da União; c) Nulidade do Auto de Infração vez que a indicação do dispositivo legal infringido se mostra intangível, prejudicando o contraditório e a ampla defesa, pois não foi apresentada a base de cálculo para a multa; d) Não cabe a cobrança de contribuições previdenciárias sobre autônomos e prestadores de serviços, dada a inconstitucionalidade da cobrança. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 201 5 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 202 6 Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do nãoatendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Nulidade do Auto de Infração Alega o Recorrente, ainda, a nulidade do Auto de infração por não ter possibilitado a defesa plena, vez que não foi apresentada a base de cálculo para a multa. Conforme constatado nos autos, habitam diversos documentos que legitimam e fundamentam todos os levantamentos analisados pelo Auditor Fiscal a fim de delimitar a base de cálculo, com isso, o contribuinte teve total acesso aos cálculos preparados pelo Auditor Fiscal, como também foram concedidos, através dos meios legais, intimações e notificações para que o Contribuinte apresentasse sua defesa e manifestações. A base de cálculo encontrase devidamente exposta no Auto de Infração, bem como nos documentos que o acompanham. Aliás, o Relatório Fiscal deixa evidente que a base de cálculo foi extraída dos documentos fornecidos pelo próprio contribuinte ao TCM e na sua folha de pagamentos. Nesse sentido, nego provimento ao apelo. Revogação do art. 41 da Lei nº 8212/1991, pela MP nº 449/2008 convertida na lei 11.941/2009. No tocante à autuação dos Gestores de Órgão Público, com a revogação do dispositivo do art. 41 da Lei nº 8.212/1991, pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não poderá mais o Fisco autuálos, pessoalmente, pelas infrações à legislação previdenciária. Com isso, ao tratar da aplicabilidade da lei tributária no tempo, o CTN impõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 203 7 a) quando deixe de definilo como infração; Pois bem. Pelo fato da lei não ter mais definido a falta de cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícito administrativo, quando praticado pelos Gestores Públicos, devese aplicar a nova lei aos processos que não foram transitados em julgado, com isso a autuação que tomou como base de sua lavratura o art. 41 da Lei nº 8.212/1991 devem ter canceladas suas penalidades decorrentes. Nesse sentido trago ao presente julgado a posição cristalizada deste Conselho, através da Súmula do CARF nº 65: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Entretanto, a aplicação da penalidade deverá prevalecer sobre a pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica e todas as suas penalidades decorrentes, conforme abaixo demonstrado no parecer da PGFN. No caso dos autos, verificase que a penalidade aplicada dirigiuse ao ente público, e não ao gestor. Assim, tornase inócua qualquer alegação no sentido de que a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991 teria afastado a aplicação de penalidade ao gestor. Isso não significa, contudo, que o ente público também não sofra a aplicação da penalidade, eis que o art. 41 mencionado referiase tão somente ao gestor público. Sobre o tema, cabe transcrever o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190/2009, de 02/02/2009: (...) 22. Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica.(...)(Grifamos.) Por outro lado, a Súmula 226 do Tribunal de Contas da União, afirma ser “indevida a despesa decorrente de multas moratórias aplicadas entre órgãos integrantes da Administração Pública e entidades a ela vinculadas, pertencentes à União, aos Estados, ao Distrito Federal ou aos Municípios, quando inexistir norma legal autorizativa”. Entretanto, por todas as razões acima demonstradas, afasto a aplicação da Súmula 226 do TCU, por entender que não é cabível o seu entendimento no presente caso, pois existe previsão legal no que diz respeito à aplicação de multa moratória ao Órgão Público, conforme dispõe o Código Tribunal Nacional e a Lei nº 8.212/1991. Além disso, nessa senda, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190/2009, de 02/02/2009, prevê a possibilidade de aplicação Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 204 8 das penalidades a Pessoa Jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica, concernente às infrações à legislação previdenciária, conforme o caso em tela. Neste diapasão, entendo que deve ser mantida a multa aplicada ao Município Recorrente. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 8% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento; (II) de 24% a 50%, para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal; e (III) de 60% a 100%, nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia, na legislação anterior, a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 205 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 206 10 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda, que esta seria, sim, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, destinavase a punir a demora no pagamento do tributo e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §§ 4º e 5º e no revogado art. 35, ambos da Lei nº 8.212/1991. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 207 11 Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência (o que não significa legitimidade), caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício), estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II, do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um, quanto no outro caso, verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I, da Lei nº 8.212/1996, se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada, aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 208 12 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora ad hoc na data da formalização Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 209 13 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato dos conselheiros responsáveis pelos votos vencido e vencedor não mais integrarem o colegiado, fui designado AD HOC para redigir o voto vencedor. Feito o registro. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 210 14 O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 211 15 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 212 16 vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Auto de Infração de Obrigação Principal, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2006 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I, da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 213 17 previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 214 18 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 215 19 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 216 20 incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 217 21 Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “ multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei nº 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 218 22 descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, para subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 219 23 multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando que o horizonte temporal do lançamento compreende o período de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2008 e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, observado neste caso o limite máximo de 75%, em honra à retroatividade da lei tributária mais benigna insculpida no art. 106, II, ‘c’, do CTN, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I, da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.725727/201049 Acórdão n.º 2302002.864 S2C3T2 Fl. 220 24 mediante o presente lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalment e em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15586.000008/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008, 01/02/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração prestam-se ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado.
Numero da decisão: 3401-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. O julgamento foi presidido pelo conselheiro Rosaldo Trevisan, decano fazendário, em razão da declaração de suspeição por parte do conselheiro Robson José Bayerl (presidente substituto). Participou do julgamento pela representação fazendária o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
ROSALDO TREVISAN - Relator e Presidente no julgamento.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente) e Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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FRAUDE. Embargante GRANCAFE COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008, 01/02/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. REDISCUSSÃO DE MÉRITO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração prestamse ao questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Resta fora do universo de manejo dos embargos a simples rediscussão de mérito da matéria já decidida pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. O julgamento foi presidido pelo conselheiro Rosaldo Trevisan, decano fazendário, em razão da declaração de suspeição por parte do conselheiro Robson José Bayerl (presidente substituto). Participou do julgamento pela representação fazendária o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. ROSALDO TREVISAN Relator e Presidente no julgamento. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente) e Paulo Roberto Duarte Moreira (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 08 /2 01 1- 71 Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 1390 a 1396)1 opostos pela empresa, em relação ao Acórdão nº 3401002.278 (fls. 1302 a 1321), no qual, por maioria, foi rejeitada a preliminar de nulidade suscitada e foi negado provimento ao recurso voluntário apresentado: "(...)ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, pelo que não se conhece de argumentos como o de suposto caráter confiscatório da multa de ofício. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. O sujeito passivo que não apresenta impugnação não integra o litígio, iniciado apenas em relação àquele que se manifestou na primeira instância contra a autuação. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO LANÇADO SEM INTIMAÇÃO PRÉVIA AO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Nos termos da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, não caracterizando a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da autuação, a ausência de intimação na fase anterior. (...) AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. PESSOAS JURÍDICAS DE FACHADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exigese deste a diferença nos valores devidos das duas Contribuições, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições a pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, específico de aquisições a pessoas físicas. MULTA QUALIFICADA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS FICTÍCIOS DE PIS E COFINS. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. O aproveitamento sistemático de créditos fictícios do PIS e Cofins nãocumulativos, registrados na contabilidade com base em notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que, de fato, não eram fornecedoras porque a mercadoria era adquirida diretamente de produtores pessoas físicas, caracteriza a fraude por haver conduta dolosa visando modificar ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401003.135 S3C4T1 Fl. 1.417 3 características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Demonstrada a fraude, cabe a qualificação da multa, elevada ao percentual de 150%." (Acórdão nº 3401002.278, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas De Assis, maioria, vencidos os Cons. Ângela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte, sessão de 25.jun.2013) Alega a embargante que a decisão é "omissa" em relação à contestação feita pela empresa aos depoimentos de testemunhas (itens 52 e 53 da impugnação e 49 do recurso voluntário), e equivocada a afirmação constante do acórdão de que a empresa não teria contestado os depoimentos que serviram de prova nos autos. Afirma ainda a embargante que a decisão é "omissa" em relação ao fato de que as operações foram realizadas de 2007 a 2009, ao passo que as empresas ditas de fachada pela fiscalização foram constituídas muito antes dessa data, e "omissa" também no que se refere aos documentos carreados aos autos por ocasião da apresentação de memoriais, dando conta de que há empresas consideradas pelo fisco como pseudoatacadistas que continuam com CNPJ ativo. Assinala ainda a embargante omissões referentes a diversos argumentos contidos nas peças processuais da empresa: (a) que ao tempo das operações a empresa checava a situação de seus fornecedores, que não eram inaptos; (b) que a empresa respeitou todas as formalidades relativas às operações de compra e venda; (c) que todos os impostos devidos pela empresa nas operações de aquisição de café foram pagos; e (d) que as empresas tidas como de fachada, além de terem sido constituídas muito antes da data das operações realizadas, comercializavam seus produtos com diversas outras sociedades. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 1411 a 1414, e o processo foi a mim sorteado para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 1411 a 1414, passase diretamente à análise das omissões objetivamente apontadas. Importante destacar que no exame de admissibilidade não se estava a verificar efetivamente se houve omissões, mas se estas haviam sido objetivamente apontadas. Relevante ainda informar que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. Como relatado, as omissões apontadas se referem a pontos que a empresa julga importantes em suas peças de defesa, e que não teriam sido analisados pelo colegiado no acórdão embargado. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 4 São basicamente quatro as omissões apontadas, em relação: (1) à contestação feita pela empresa aos depoimentos de testemunhas (itens 52 e 53 da impugnação e 49 do recurso voluntário), com afirmação equivocada no acórdão de que a empresa não teria contestado os depoimentos que serviram de prova nos autos; (2) ao fato de que as operações foram realizadas de 2007 a 2009, ao passo que as empresas ditas de fachada pela fiscalização foram constituídas muito antes dessa data; (3) aos documentos carreados aos autos por ocasião da apresentação de memoriais, dando conta de que há empresas consideradas pelo fisco como pseudoatacadistas que continuam com CNPJ ativo; e (4) que as operações de aquisição foram regulares, cumprindo as formalidades exigidas, com pagamento dos tributos devidos, checandose a situação dos fornecedores, que eram empresas criadas há tempos e que comercializavam também com outras sociedades. É importante destacar que o acórdão embargado coteja as provas apresentadas pela fiscalização com as alegações da empresa. À fl. 1310, afirma o relator: "Diante das provas carreadas aos autos pela fiscalização, em confronto com as alegações da Recorrente, o que sobressai é a força das primeiras, a confirmar que os lançamentos devem ser mantidos, inclusive no tocante à penalidade majorada para 150%. Destaco, dessas as provas, as seguintes, todas já devidamente consideradas pela DRJ, cujo voto transcrevo (fls. 1226/1228):" E, após transcrever as provas (fls. 1310 a 1312), entre as quais os depoimentos testemunhais, arremata o voto condutor, em nítida ponderação entre as alegações de defesa da empresa e as provas carreadas aos autos (que entende mais contudentes): "A Recorrente não negou os fatos acima, tanto assim que não os rebateu de 'per si'. Poderia, por exemplo, ter refutado algum dos sete depoimentos de corretores de café (fls. 1012/1019), como o do produtor rural Carlos Augusto Biancardi, que deu detalhes sobre a presença dos funcionários da Grancafé em suas propriedades e afirmou que tais funcionários compareciam para a retirada do café comercializado e preenchiam as notas fiscais do produtor rural em nome das pseudoatacadistas (fl. 999 na numeração original, 1013 na numeração escaneada, item 5.2.4 do TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL). Ou, noutro exemplo, ter tratado da documentação apreendida pela fiscalização, onde demonstrado que no fechamento do mês de 09/2007 consta a GRANCAFÉ como adquirente de 600 sacas de café guiadas pela pessoa jurídica L&L, sendo que esta creditou de R$600,00 apenas pelo fornecimento da nota fiscal (R$1,00/saca), confirmando que se trata de venda de Nota Fiscal (ver fls. 682 e 1038). A afirmação da Recorrente, de que “os produtores/maquinistas e corretores de café, passaram, espontaneamente, a se estruturar na forma de pessoas jurídicas” (fl. 1252), depois de ela ter divulgado no mercado sua decisão de não mais adquirir o produto de pessoas físicas, não se sustenta, já que as pessoas jurídicas passaram a ser remuneradas com base na quantidade de notas fiscais emitidas, e não de café comprado e revendido. Também não parece crível a afirmação de que, nos dizeres da peça recursal, as empresas atacadistas (de fachada) Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401003.135 S3C4T1 Fl. 1.418 5 “literalmente combinaram o que seria a elas conveniente dizer ao Fisco” (fl. 1257). Ora, como admitir que tais empresas, se existissem de fato e de direito, teriam “orquestrado” respostas semelhantes, visando “esquivarse da responsabilidade de seus atos, imputandoa a terceiros, no caso, a Recorrente”? Quanto à participação da Recorrente na fraude, também restou demonstrada diante da atuação de seus funcionários, negociando diretamente com os produtores, e não apenas com as pessoas jurídicas atacadistas." (grifo nosso) Assim, é inexistente a omissão (1) apontada, visto que os excertos que a empresa indica (itens 52 e 53 da impugnação e 49 do recurso voluntário) como resposta às provas carreadas pelo fisco efetivamente não contestam, em espécie, tais provas, resumindose a considerações genéricas (como se percebe a seguir, em sua transcrição), sobre as quais o julgador se manifesta, como aqui esclarecido: Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN 6 As omissões indicadas como (2) e (3), em verdade, se referem a temas que são secundários ao julgamento. Vejase que a constituição anterior das empresas, ou o fato de hoje elas estarem em operação, não tem qualquer relação com elas terem ou não participado da fraude apontada, no período fiscalizado. Não vejo relevância, no julgamento, nem o relator viu, para tais alegações, que se referem a temas transversais ao discutido nos autos. A razão da manutenção da autuação não é a data da constituição das empresas, nem o fato de terem sido formalmente declaradas inaptas, como se percebe da conclusão expressa no voto condutor (fl. 1313): "Restou evidenciado, pelo conjunto probatório apresentado pela fiscalização e não infirmado pela Recorrente, que esta adquiria o café de produtores, pessoas físicas, mas pessoas jurídicas intermediárias, que de fato não compravam e revendiam o produto, apenas emitiam notas fiscais com o objetivo de gerar créditos de PIS e Cofins para o adquirente (a Recorrente)." (grifo nosso) Inexistentes, assim, também as omissões (2) e (3), que, em verdade, tratam de temas secundários ao deslinde do contencioso. Quanto à omissão (4), que sustenta não ter o fisco se manifestado sobre o fato de que as operações de aquisição foram regulares, cumprindo as formalidades exigidas, com pagamento dos tributos devidos, checandose a situação dos fornecedores, que eram empresas criadas há tempos e que comercializavam também com outras sociedades, percebese que a empresa deseja, em verdade, rediscutir o mérito da matéria julgada. Por certo que se o julgador conclui que as operações foram não só irregulares, mas fraudulentas, como aqui já exposto, inclusive com a participação da embargante, apresentando as provas para tal conclusão, provas essas que não foram refutadas a contento, como narra o relator do acórdão embargado, sustentar a embargante que as aquisições foram regulares (cumprindo as formalidades exigidas, com pagamento dos tributos devidos, checandose a situação dos fornecedores, que também transacionam com outras empresas) e que o julgador se omitiu sobre tal regularidade não faz sentido algum, parecendo a embargante buscar somente a rediscussão do mérito do julgado, o que não é atacável pela via de embargos de declaração. Em síntese, os temas sobre os quais se alega omissão ou foram devidamente analisados, ou são secundários aos deslinde do contencioso, ou representam mera tentativa de rediscussão do mérito do julgado. Pelo exposto, tenho que restaram ausentes na decisão embargada as omissões apontadas, e os embargos de declaração, recordese, prestamse a questionamento de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão proferido pelo CARF. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15586.000008/201171 Acórdão n.º 3401003.135 S3C4T1 Fl. 1.419 7 Voto, portanto, no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.729283/2013-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008,2009
ILEGITIMIDADE AD CAUSAM.
Comprovado nos autos que o ora impugnante e sua mulher eram os reais controladores e administradores dos recursos da pessoa jurídica, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula, em face de a constituição dessa empresa ter ocorrido em nome de sócios que se utilizaram de documentos de identidade falsos, correto o direcionamento da exigência para a pessoa jurídica constituída de ofício em nome do real responsável.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Resta sedimentado que o Recorrente teve acesso a todo o acervo fático e probatório, sendo devidamente intimado a pronunciar-se nos autos deste processo (que não se limitou aos depoimentos prestados por terceiros), tudo conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não existindo, portanto, cerceamento do seu direito de defesa e contraditório.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA.
Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicasse no que couber o que foi decidido em relação àquele.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
DILIGÊNCIA. PROVA TESTEMUNHAL. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
Numero da decisão: 1302-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de 1a instância e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008,2009 ILEGITIMIDADE AD CAUSAM. Comprovado nos autos que o ora impugnante e sua mulher eram os reais controladores e administradores dos recursos da pessoa jurídica, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula, em face de a constituição dessa empresa ter ocorrido em nome de sócios que se utilizaram de documentos de identidade falsos, correto o direcionamento da exigência para a pessoa jurídica constituída de ofício em nome do real responsável. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Resta sedimentado que o Recorrente teve acesso a todo o acervo fático e probatório, sendo devidamente intimado a pronunciar-se nos autos deste processo (que não se limitou aos depoimentos prestados por terceiros), tudo conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não existindo, portanto, cerceamento do seu direito de defesa e contraditório. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicasse no que couber o que foi decidido em relação àquele. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 DILIGÊNCIA. PROVA TESTEMUNHAL. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
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Comprovado nos autos que o ora impugnante e sua mulher eram os reais controladores e administradores dos recursos da pessoa jurídica, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula, em face de a constituição dessa empresa ter ocorrido em nome de sócios que se utilizaram de documentos de identidade falsos, correto o direcionamento da exigência para a pessoa jurídica constituída de ofício em nome do real responsável. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Resta sedimentado que o Recorrente teve acesso a todo o acervo fático e probatório, sendo devidamente intimado a pronunciarse nos autos deste processo (que não se limitou aos depoimentos prestados por terceiros), tudo conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não existindo, portanto, cerceamento do seu direito de defesa e contraditório. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicasse no que couber o que foi decidido em relação àquele. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 92 83 /2 01 3- 69 Fl. 3247DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.248 2 Anocalendário: 2008, 2009 DILIGÊNCIA. PROVA TESTEMUNHAL. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de 1a instância e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Por bem retratar o litígio, adoto parte do voto exarado pela Delegacia de Julgamento, complementandoo ao final: 6. Antes de analisar as argumentações do impugnante é importante transcrever o Relatório de Encerramento Fiscal, onde a autoridade lançadora expõe a origem da ação fiscal e seus desdobramentos até chegar ao lançamento ora impugnando. Para melhor entendimento dos fatos, cabe esclarecer inicialmente, que o presente procedimento fiscal junto à empresa JÚLIO CESAR DE SOUZA ME, CNPJ 12.544.891/000126, teve início em decorrência de outro procedimento realizado junto à empresa SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA, CNPJ 08.597.649/000143, que por sua vez, teve inicio em virtude da ação fiscal Fl. 3248DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.249 3 perpetrada junto à empresa ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA. O procedimento fiscal junto ao ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA, CNPJ 05.881.031/000112, foi realizado em virtude da Requisição do Ministério Publico Federal em procedimento criminal — processo n° 2007.34.00.0424307. No curso da ação fiscal, restou constatado que a sociedade era composta por interpostas pessoas (laranjas) e que os verdadeiros proprietários eram JULIO CESAR DE SOUZA e sua esposa SIRLEI ABADIA DE SOUZA. Diante de tais fatos, efetuouse a baixa de Ofício pela DRF Brasília do CNPJ n°05.881.031/000112, pertencente ao ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA, por intermédio do processo administrativo n° 14041.000233/2010 11. Também no mesmo processo, inscreveuse de ofício para efeito de equiparação à Pessoa Jurídica PJ, o Sr. JULIO CESAR DE SOUZA, com o CNPJ: 12.544.891/000126, e concluiuse a ação fiscalizadora com apuração de crédito tributário da ordem de RS 5.063.511,44 formalizado no processo n° 10166.722571/201040. Durante o procedimento fiscal junto ao SUPREMO ABATEDOURO, restou demonstrado, da mesma forma como ocorrera no caso ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS, que a sociedade era composta por interpostas pessoas (laranjas) e que o dono de fato se tratava do mesmo Sr. JULIO CESAR DE SOUZA, conforme se pode comprovar diante dos fatos narrados a seguir: Do Procedimento Fiscal A empresa SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA, CNPJ 08.597.649/000143 apresentou movimentação financeira de RS 59.480.357,24, ano de 2008 e de RS 73.011.930,81 ano de 2009 , entretanto informou DIPJ zerada no primeiro ano e não apresentou DIPJ no ano seguinte. A fiscalizada foi intimada e reintimada a apresentar os extratos bancários e livros fiscais. Em resposta, a mesma se limitou a solicitar diversos pedidos de prorrogação de prazo. Transcorridos os prazos para apresentação dos documentos solicitados, o contribuinte não se manifestou. Por entendermos que a situação descrita enquadrouse na previsão do art. 3o, VII do Decreto n° 3.724/2001, foi solicitada a expedição de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira — RMF do contribuinte. A RMF foi exarada em 22/02/2011 nos termos do art. 6o da lei Complementar n. 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n. 3.274/2001. Em atendimento à requisição, os bancos Bradesco e Itaú Unibanco S/A apresentaram extratos de aplicações financeiras e de movimentação de conta corrente em papel e em meio digital. Também apresentaram a ficha cadastral da empresa. De posse desses extratos bancários, procedeuse à análise individualizada dos créditos/depósitos efetuados nas contas. Não foram considerados os créditos referentes a empréstimos, estornos, devolução de cheques e aqueles relativos a transferências entre contas de mesma titularidade. Após expurgar os débitos/créditos improváveis de serem considerados receitas, elaboramos relação Fl. 3249DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.250 4 de tais créditos para ser submetida à comprovação de sua origem por parte do contribuinte, o qual se manteve em silêncio. Registrese que no curso da ação fiscal do SUPREMO ABATEDOURO, constatamos os seguintes fatos: 1 A sociedade foi constituída por interpostas pessoas (laranjas): 2 Os documentos de identidade utilizados no Contrato Social e posteriores Alterações, pelos pseudos sócio NELSON ALVES DOS SANTOS e ALEXANDRE DE CASTRO SALOMÃO, eram falsos; 3 Em razão desses fatos acionamos a Delegacia de Crimes Contra Ordem tributária DOT/DPF/PCDF, a fim de que fosse efetuado a prisão em flagrante do suposto Nelson. 4 A prisão ocorreu no dia 29/05/2012, quando ele compareceu a delegacia para prestar depoimento conforme Ocorrência Policial 009/2012; 5 Por meio de oitivas realizadas com gerentes das contas bancárias, fornecedores, veterinário e empregado do SUPREMO ABATEDOURO, ficou comprovado que o verdadeiro proprietário é o SR. JULIO CESAR DE SOUZA. Em virtude dessas considerações, o CNPJ 08.597.649/000143, da empresa SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORIFICO LTDA, foi declarado nulo de pleno direto, por padecer de vício de origem, que torna o ato contratual de constituição da empresa nulo "desde o início". Tal fato encontrase minuciosamente descrito na "Representação Fiscal Paia Fins de Nulidade do Ato Cadastral do CNPJ", formalizada no processo n° 10166.724917/201397. Cumprenos assinalar que ficou sobejamente comprovado que quem realiza as operações de natureza empresarial é o Sr. JÚLIO CESAR DE SOUZA. Em face da relação direta que o comerciante teve com o fato gerador do tributo, deve o lançamento de ofício recair na pessoa jurídica equiparada firma individual JULIO CESAR DE SOUZAME, CNPJ 12.544.891/000126. Cumpre ressaltar que a firma individual JULIO CESAR DE SOUZA ME, CNPJ 12.544.891/000126, foi inscrita de ofício, conforme processo n° 14.041.000.233/201011, em decorrência da ação fiscal realizada na empresa ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA, que foi requerida pelo Ministério Público Federal em procedimento criminal n° 2007.34.00.0424307. Da referida ação fiscal na empresa SOBRADINHO DOS MELOS constatouse que a sociedade também era composta por interpostas pessoas e que os verdadeiros proprietários eram JULIO CESAR DE SOUZA e a sua esposa SIRLEI ABADIA DE SOUZA. Como se pode notar, o Sr. Julio Cesar continua forjando Contratos Sociais com o intuito de fraude ao fisco, usando de subterfúgio para se esconder da responsabilidade de sócio proprietário da empresa. Foi assim com a empresa ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS e, no presente caso com o SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA. Não se pode perder de vista que a pseudo sociedade SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORIFICO nada mais é do que a continuidade das atividades operacionais da ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS, pois ambas apresentam as seguintes Fl. 3250DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.251 5 operacionalidades: 1. utiliza as mesmas instalações; 2. a atividade comercial é de abate e venda de gado, a mesma do Sobradinho; 3. 70% dos empregados do Supremo pertenceram ao quadro de empregados do SOBRADINHO DOS MELOS, conforme o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS do INSS. Logo podemos concluir que estas supostas sociedades, na realidade, foram criadas com o intuito de esconder o verdadeiro exercício da atividade empresarial do Sr. JULIO CESAR DE SOUZA, com o único objetivo de fraudar o fisco. À vista do acima exposto, lavramos, em 09/07/2013, Termo de Início de Fiscalização para firma individual JÚLIO CESAR DE SOUZA ME, CNPJ 12.544.891/000126, encaminhado por via postal para o endereço residencial do Sr. JULIO CESAR DE SOUZA, bem como para o endereço da empresa JULIO CESAR DE SOUZA ME (antiga SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORIFICO LTDA), intimando a pessoa jurídica a apresentar o livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias, os livros Diários e Razões e arquivos em meio digital. Em 26/07/2013, emitimos novo Termo de Início de Fiscalização Fiscal (reintimação), notificando a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados das contas bancárias abertas em nome do SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA durante os anos calendário de 2008 e 2009. No referido termo alertouse o sujeito passivo de que a não comprovação ensejaria lançamento de ofício por omissão de receitas com fundamento legal no art. 42 da Lei n° 9.430/96 e, ainda, de que a não apresentação da escrituração contábil, incluindo toda movimentação financeira acarretaria o arbitramento do lucro. A ciência ocorreu em 12/07/2013. Em resposta ao termo de Início, o Sr. Júlio César informou que: " NÃO dispõe de referidos documentos fiscais solicitados, eis que a referida empresa JULIO CESAR DE SOUZA ME? CNPJ n° 12.544.891/000126, foi criada de ofício, sem observância dos princípios constitucionais da legalidade e do contraditório e de ampla defesa" . Informo que a resposta foi postada em 23/07/2013, sendo recebida por esta auditora fiscal em 30/07/2013. Irregularidades (Infrações Apuradas) Depósitos Bancários De Origem Não Comprovada. Como já anteriormente exposto, a contribuinte apresentou elevada movimentação financeira em conta bancária de titularidade de empresa constituída por "laranjas", durante os anoscalendário de 2008 e 2009, entretanto informou DIPJ zerada em 2008 e não apresentou DIPJ em 2009. Por terem sido frustradas as tentativas de obter, junto à empresa criada com "vício de falsidade ideológica", seus extratos bancários foram obtidos mediante RMF's expedidas para o Banco Bradesco e Banco Itaú Unibanco S.A. Dos extratos das operações bancárias no Banco Bradesco e Banco Itaú Unibanco S/A e no Banco do Brasil, obtidos mediante emissão de RMF; Fl. 3251DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.252 6 procedeuse à análise dos dados no sentido de expurgar todos os depósitos/créditos improváveis de serem considerados receitas, como demonstrado abaixo. A empresa JULIO CÉSAR DE SOUZA ME foi intimada a, entre outros elementos, comprovar a origem dos recursos creditados na conta aberta em nome do SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA, bem como apresentar os livros contábeis. Em resposta à intimação informou que: "NÃO dispõe de referidos documentos fiscais solicitados, eis que a referida empresa JULIO CESAR DE SOUZA ME, CNPJ n° 12.544.891/000126, foi criada de ofício, sem observância dos princípios constitucionais da legalidade e do contraditório e de ampla defesa". É importante ressaltar que embora as contas dos bancos Bradesco e Itaú Unibanco S/A tenham sido abertas em nome do Supremo Abatedouro e Fl. 3252DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.253 7 Frigorífico Ltda, ficou sobejamente demonstrado que todos os recursos nela transitados correspondem às operações decorrentes da atividade mercantil exercita com habitualidade pelo Sr. JÚLIO CESAR DE SOUZA, motivo pelo qual impõese a tributação dos rendimentos na pessoa jurídica equiparada. Tendo em vista que o contribuinte já possui inscrição de ofício no cadastro do CNPJ sob o número 12.544.891/000126, sob a forma de firma individual JULIO CESAR DE SOUZA ME, os lançamentos decorrente da presente apuração serão constituídos em nome da referida firma. Convém frisar que de acordo com o art. 966 do Código Civil, empresário é quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para produção ou a circulação de bens ou de serviços Firma Individual (Empresário, Comerciante Individual) não tem personalidade jurídica, eis que somente adquire personalidade jurídica a sociedade com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos, conforme o art. 985 do Código Civil. Por sua vez, o art. 967 do Código Civil, estabelece a obrigatoriedade de inscrição de pessoa natural que exerça atividade empresarial no Registro Comercial e no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). Desse modo, por não haver dissociação entre a personalidade da firma individual e de seu titular, inclusive para fins de responsabilidade, não há razão jurídica para que a atividade empresarial desenvolvida pelo Sr. Júlio Cesar de Souza não possa ser considerada una. Portanto, desnecessário nova inscrição no cadastro do CNPJ quando o indivíduo já se encontra registrado como firma individual. Corrobora com este entendimento a jurisprudência administrativa, constante no Acórdão n° 9101000.793 Ia Turma Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exposto a seguir. Assunto: Normas Processuais — Recurso Especial Equiparação Pessoa Física a Pessoa Jurídica Decisão Contrária a Lei. Não existindo previsão legal que determine a segregação das atividades empresariais desempenhadas pelo contribuinte pelo contribuinte em CNPJ(s) distintos, posto que o cadastro da empresa individual está intimamente atrelado à pessoa física do empresário, não subsiste o cancelamento do auto de infração sob alegação de erro na identificação do sujeito passivo em razão da tributação sob CNPJ já existente. Assim, os lançamentos tributários decorrentes da presente apuração serão constituídos em nome da firma individual JULIO CESAR DE SOUZA ME, CNPJ n° 12.544.891/000126. Diante do acima exposto, e em virtude de a contribuinte não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, foram apurados valores de receitas não declaradas, tendo em vista a presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.430/1966 que caracteriza como omissão de receita: Fl. 3253DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.254 8 Os valores apurados encontramse discriminados em planilha que é parte integrante deste auto de Inflação, constantes nos anexos I e II. Importante ressaltar que, para fins de apuração da omissão de receita, da totalidade dos depósitos/créditos considerados foram deduzidos a redução do saldo devedor, os cheques devolvidos, os estornos e transferência de mesma titularidade. 7. Regularmente cientificado da exigência, o impugnante apresentou impugnação de fls. 3.1733.184, onde alega: que os fatos relatados pela autoridade fiscal estão dissociados da realidade e que foram apurados de maneira equivocada, uma vez que foram violados os princípios do contraditório e da ampla defesa, da presunção de inocência e da responsabilidade tributária; invoca sua ilegitimidade ad causam e pede o redirecionamento da ação ao verdadeiro contribuinte Supremo Abatedouro e Frigorífico Ltda, CNPJ 08.597.649/000143 e pede a nulidade do feito por essa razão; afirma ter havido violação ao princípio da estrita legalidade, afirmando que o artigo 123 do Código Tributário Nacional veda a utilização de contratos entre particulares, como escopo de imputar e responsabilizar às partes adstritas as obrigações tributárias; sustenta que inexiste prova material de que consubstancia a materialidade da infração a fim de lhe garantir a ampla defesa; que não consta dos autos elementos probatórios suficientes para embasar a nulidade do CNPJ da empresa Supremo, tendo sido mencionado, apenas, que “por meio de oitivas realizadas com gerentes das contas bancárias, fornecedores, veterinários e empregado do Supremo, ficou comprovado que o verdadeiro proprietário é Júlio César de Souza”, porém, não lhe foram cedidos tais elementos de prova; que cabe ao fisco provar o alegado e que o descumprimento de tal premissa aleija sua defesa, não lhe tendo sido oportunizado apresentar seus argumentos. Na conclusão solicita que o auto seja anulado por ilegitimidade ad causam e/ou por falta de provas; requer a oitiva de testemunhas e declara impugnadas todas as provas que dão sustentação à exigência. A 2ª Turma da DRJ de Curitiba exarou o Acórdão n. 0648.122 em 28 de julho de 2014 (fls. 3192 a 3209), in verbis: Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 3254DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.255 9 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa somente pode ser declarada quando cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto d infração. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 d Decreto n° 70.235/1972. ILEGITIMIDADE AD CAUSAM. Comprovado nos autos que o ora impugnante e sua mulher eram os reais controladores e administradores dos recursos da pessoa jurídica, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula, em face de a constituição dessa empresa ter ocorrido em nome de sócios que se utilizaram de documentos de identidade falsos, correto o direcionamento da exigência para a pessoa jurídica constituída de ofício em nome do real responsável. IMPUGNAÇÃO À EXIGÊNCIA. REQUISITOS. Segundo estabelece o processo administrativo fiscal, o contribuinte deve impugnar a imputação fiscal expressamente, apresentando fundamentos, razões e provas para a sua discordância. Isto é, deve ser apresentada, além das provas, as razões de fato e de direito com as quais o autuado contesta a exigência. A defesa formulada, sem apresentação de provas e com base em meras alegações, de negativa geral aos fatos, sem objetivamente atacar as infrações imputadas, não pode ser considerada como impugnação à exigência, nos termos das normas vigentes no processo administrativo fiscal. PROVA TESTEMUNHAL. O rito estabelecido no Decreto nº 70.235/1972 e na Portaria do Ministro da Fazenda nº 341/2011 (DOU 14/07/2011), a qual disciplina o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, não prevê a oitiva de testemunhas no julgamento administrativo de primeira instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte tomou ciência do Acórdão em 22/09/2014, conforme AR juntado às fls.3.221, e apresentou recurso voluntário de fls. 3.224 a 3.236 em 21/10/2014. Da análise do Recurso Voluntário interposto, constatase o intuito do recorrente em questionar a legitimidade para figurar no polo passivo da obrigação tributária, este sustentando que sua relação para com o frigorífico SUPREMO ABATEDOURO era de intermediação de compra e venda de gado apenas, não existindo, portanto, qualquer vínculo. Fl. 3255DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.256 10 Alegou também, que o único meio de prova que relacionou o Recorrente à empresa frigorífica, foram, unicamente, os depoimentos de terceiros, o que lhe impede de impugnar especificamente outros fatos; e que o único meio de defesa para tais meios de prova era o arrolamento de testemunhas indicadas pelo Recorrente, o que lhe foi indeferido. Afirmou que o processo administrativo, à partir da impugnação, não obedeceu aos princípios do contraditório e ampla defesa, pois não teve oportunidade de esclarecer que não é proprietário de nenhuma das empresas citadas no procedimento. Requereu a extinção do crédito tributário, ou subsidiariamente, a anulação de todo o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA. I. DA TEMPESTIVIDADE Tendo o contribuinte tomado ciência do Acórdão 0648.1222ªTurma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba em 22/09/2014 conforme AR juntado às fls.3.221 e apresentado recurso voluntário de fls. 3.224 a 3.236 em 21/10/2014, e, estando este devidamente representado, constato a tempestividade e conheço do Recurso interposto. II. DAS PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE PASSIVA E VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO Inicialmente, registrase que, conforme assumido pelo contribuinte em sua peça recursal, o recurso em análise visa questionar a legitimidade do Recorrente para figurar neste processo administrativo como sujeito passivo da obrigação tributária. E, de fato, os argumentos sustentados pelo contribuinte no recurso voluntário, não dizem respeito à infração que lhe é imputada. Em primeiro ponto, o recorrente aduz ser impossível produzir provas de uma empresa que nunca lhe pertenceu. Na peça recursal, o contribuinte afirma não ter vínculo direto, ou indireto, com a empresa SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA., responsável pelo fato gerador do tributo. Fl. 3256DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.257 11 Alega que a única relação existente entre os dois se dava pela intermediação feita pelo Sr. Julio Cesar de Sousa da compra e venda de gados. Sustenta ainda, que o único meio de prova obtida na ação fiscal para relacionar este àquela foram os depoimentos fornecidos por terceiros (gerentes das contas bancárias, fornecedores, veterinários e empregados do Supremo Abatedouro), motivo pelo qual argumenta ser impossível a realização de impugnação especificada. Adiante, defende que a única maneira de ver realizado o princípio do contraditório e ampla defesa no procedimento fiscal instaurado pela impugnação, era o depoimento pessoal do recorrente e de outras testemunhas análogas às inquiridas pela auditora fiscal responsável pela lavratura do auto de infração. No entanto, a referida produção de provas fora indeferida pela 1ª instância administrativa. Justifica não merecer razão as afirmações de que o recorrente se manteve inerte durante todo o procedimento fiscalizatório, haja vista que o fisco não lhe indagou para prestar esclarecimentos sobre os depoimentos que lhe apontavam como possível dono da empresa Frigorífico Supremo. Por fim, requer a reforma da decisão administrativa recorrida declarandose extinto o crédito tributário, ou, subsidiariamente, que todo o auto de infração seja anulado. No entanto, o recurso não merece ser provido pelas razões à seguir expostas. Pois bem, relativamente à alegação de inexistência de vínculo direto ou indireto do recorrente para com a empresa SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA., necessário que se transcreva alguns trechos colhidos do relatório final de fiscalização: “Para melhor entendimento dos fatos, cabe esclarecer inicialmente, que o presente procedimento fiscal junto à empresa JÚLIO CESAR DE SOUZA ME, CNPJ 12.544.891/000126, teve início em decorrência de outro procedimento realizado junto à empresa SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA, CNPJ 08.597.649/000143, que por sua vez, teve início em virtude da ação fiscal perpetrada junto à empresa ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA. O procedimento fiscal junto ao ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA, CNPJ 05.881.031/000112, foi realizado em virtude da Requisição do Ministério Público Federal em procedimento criminal — processo n° 2007.34.00.0424307. No curso da ação fiscal, restou constatado que a sociedade era composta por interpostas pessoas (laranjas) e que os verdadeiros proprietários eram JULIO CESAR DE SOUZA e sua esposa SIRLEI ABADIA DE SOUZA. Diante de tais fatos, efetuouse a baixa de Ofício pela DRF Brasília do CNPJ n° 05.881.031/000112, pertencente ao ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA, por intermédio do processo administrativo n° 14041.000233/201011. Fl. 3257DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.258 12 Também no mesmo processo, inscreveuse de ofício para efeito de equiparação à Pessoa Jurídica PJ, o Sr. JULIO CESAR DE SOUZA, com o CNPJ: 12.544.891/000126, e concluiuse a ação fiscalizadora com apuração de crédito tributário da ordem de RS 5.063.511,44 formalizado no processo n° 10166.722571/201040. Durante o procedimento fiscal junto ao SUPREMO ABATEDOURO, restou demonstrado, da mesma forma como ocorrera no caso ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS, que a sociedade era composta por interpostas pessoas (laranjas) e que o dono de fato se tratava do mesmo Sr. JULIO CESAR DE SOUZA, conforme se pode comprovar diante dos fatos narrados a seguir: Do Procedimento Fiscal A empresa SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA, CNPJ 08.597.649/000143 apresentou movimentação financeira de RS 59.480.357,24, ano de 2008 e de RS 73.011.930,81 ano de 2009, entretanto informou DIPJ zerada no primeiro ano e não apresentou DIPJ no ano seguinte. A fiscalizada foi intimada e reintimada a apresentar os extratos bancários e livros fiscais. Em resposta, a mesma se limitou a solicitar diversos pedidos de prorrogação de prazo. Transcorridos os prazos para apresentação dos documentos solicitados, o contribuinte não se manifestou. Por entendermos que a situação descrita enquadrouse na previsão do art. 3o, VII do Decreto n° 3.724/2001, foi solicitada a expedição de Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira — RMF do contribuinte. A RMF foi exarada em 22/02/2011 nos termos do art. 6o da lei Complementar n. 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n. 3.274/2001. Em atendimento à requisição, os bancos Bradesco e Itaú Unibanco S/A apresentaram extratos de aplicações financeiras e de movimentação de conta corrente em papel e em meio digital. Também apresentaram a ficha cadastral da empresa. De posse desses extratos bancários, procedeuse à análise individualizada dos créditos/depósitos efetuados nas contas. Não foram considerados os crédito referentes a empréstimos, estornos, devolução de cheques e aqueles relativos a transferências entre contas de mesma titularidade. Após expurgar os débitos/créditos improváveis de serem considerados receitas, elaboramos relação de tais créditos para ser submetida à comprovação de sua origem por parte do contribuinte, o qual se manteve em silêncio. Registrese que no curso da ação fiscal do SUPREMO ABATEDOURO, constatamos os seguintes fatos: Fl. 3258DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.259 13 1 A sociedade foi constituída por interpostas pessoas (laranjas): 2 Os documentos de identidade utilizados no Contrato Social e posteriores Alterações, pelos pseudos sócio NELSON ALVES DOS SANTOS e ALEXANDRE DE CASTRO SALOMÃO, eram falsos; 3 Em razão desses fatos acionamos a Delegacia de Crimes Contra Ordem tributária DOT/DPF/PCDF, a fim de que fosse efetuado a prisão em flagrante do suposto Nelson. 4 A prisão ocorreu no dia 29/05/2012, quando ele compareceu a delegacia para prestar depoimento conforme Ocorrência Policial 009/2012. 5 Por meio de oitivas realizadas com gerentes das contas bancárias, fornecedores, veterinário e empregado do SUPREMO ABATEDOURO, ficou comprovado que o verdadeiro proprietário é o SR. JULIO CESAR DE SOUZA. Em virtude dessas considerações, o CNPJ 08.597.649/000143, da empresa SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORIFICO LTDA, foi declarado nulo de pleno direto, por padecer de vício de origem, que torna o ato contratual de constituição da empresa nulo "desde o início". Tal fato encontrase minuciosamente descrito na "Representação Fiscal Paia Fins de Nulidade do Ato Cadastral do CNPJ", formalizada no processo n° 10166.724917/201397. Cumprenos assinalar que ficou sobejamente comprovado que quem realiza as operações de natureza empresarial é o Sr. JÚLIO CESAR DE SOUZA. Em face da relação direta que o comerciante teve com o fato gerador do tributo, deve o lançamento de ofício recair na pessoa jurídica equiparada firma individual JULIO CESAR DE SOUZAME, CNPJ 12.544.891/000126. Cumpre ressaltar que a firma individual JULIO CESAR DE SOUZA ME, CNPJ 12.544.891/000126, foi inscrita de ofício, conforme processo n° 14.041.000.233/201011, em decorrência da ação fiscal realizada na empresa ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA, que foi requerida pelo Ministério Publico Federal em procedimento criminal n° 2007.34.00.0424307. Da referida ação fiscal na empresa SOBRADINHO DOS MELOS constatou se que a sociedade também era composta por interpostas pessoas e que os verdadeiros proprietários eram JULIO CESAR DE SOUZA e a sua esposa SIRLEI ABADIA DE SOUZA. Como se pode notar, o Sr. Julio Cesar continua forjando Contratos Sociais com o intuito de fraude ao fisco, usando de subterfúgio para se esconder da responsabilidade de sócio proprietário da empresa. Fl. 3259DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.260 14 Foi assim com a empresa ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS e, no presente caso com o SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA. Não se pode perder de vista que a pseudo sociedade SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORIFICO nada mais é do que a continuidade das atividades operacionais da ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS, pois ambas apresentam as seguintes operacionalidades: 1. utiliza as mesmas instalações; 2. a atividade comercial é de abate e venda de gado, a mesma do Sobradinho; 3. 70% dos empregados do Supremo pertenceram ao quadro de empregados do SOBRADINHO DOS MELOS, conforme o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS do INSS. Logo podemos concluir que estas supostas sociedades, na realidade, foram criadas com o intuito de esconder o verdadeiro exercício da atividade empresarial do Sr. JULIO CESAR DE SOUZA, com o único objetivo de fraudar o fisco. À vista do acima exposto, lavramos, em 09/07/2013, Termo de Início de Fiscalização para firma individual JÚLIO CESAR DE SOUZA ME, CNPJ 12.544.891/000126, encaminhado por via postal para o endereço residencial do Sr. JULIO CESAR DE SOUZA, bem como para o endereço da empresa JULIO CESAR DE SOUZA ME (antiga SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORIFICO LTDA), intimando a pessoa jurídica a apresentar o livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias, os livros Diários e Razões e arquivos em meio digital. Em 26/07/2013, emitimos novo Termo de Início de Fiscalização Fiscal (reintimação), notificando a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados das contas bancárias abertas em nome do SUPREMO ABATEDOURO E FRIGORÍFICO LTDA durante os anos calendário de 2008 e 2009. No referido termo alertouse o sujeito passivo de que a não comprovação ensejaria lançamento de ofício por omissão de receitas com fundamento legal no art. 42 da Lei n° 9.430/96 e, ainda, de que a não apresentação da escrituração contábil, incluindo toda movimentação financeira acarretaria o arbitramento do lucro. A ciência ocorreu em 12/07/2013. Em resposta ao termo de Início, o Sr. Júlio César informou que: " NÃO dispõe de referidos documentos fiscais solicitados, eis que a referida empresa JULIO CESAR DE SOUZA –ME CNPJ n° 12.544.891/000126, foi criada de ofício, sem observância dos princípios constitucionais da legalidade e do contraditório e de ampla defesa". Informo que a resposta foi postada em 23/07/2013, sendo recebida por esta auditora fiscal em 30/07/2013.” Fl. 3260DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.261 15 Conforme se extrai do Relatório de Encerramento Fiscal, onde a autoridade lançadora expõe a origem da ação fiscal e seus desdobramentos até chegar ao lançamento em discussão, constatase que o presente procedimento de fiscalização é decorrência de outro procedimento de fiscalização empreendido contra a empresa ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS S.A. Já nesse procedimento fiscal ficara comprovado que o Sr. Julio Cesar de Sousa, juntamente com sua esposa Sirlei Abadia de Sousa, eram os verdadeiros proprietários. Nesta oportunidade foi inscrito de ofício, para fins de equiparação, a pessoa jurídica JULIO CESAR DE SOUSA – ME. É importante ressaltar que a empresa SUPREMO ABATEDOURO restou configurada como continuação da atividade empresarial da empresa ABATEDOURO SOBRADINHO DOS MELOS LTDA., por guardar diversas semelhanças para com a mesma. Por sua vez, o Recorrente requereu em sua impugnação, o arrolamento de testemunhas a fim de demonstrar que não era proprietário dos abatedouros em questão. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recorrente pediu a reforma da decisão exarada pela DRJ, para extinguir o crédito tributário em nome do Recorrente, ou, subsidiariamente declaração de nulidade de todo o auto de infração, pelo cerceamento do direito de defesa, notadamente, em razão do indeferimento do pedido de arrolamento de testemunhas. A este respeito, o inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado, tratase da exigência de tributos sobre omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 3261DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.262 16 Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a obtenção de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte limitouse a argumentar que não é parte legítima na demanda. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Com efeito, e ao contrário do que alega o Recorrente, os documentos fornecidos ao Contribuinte quando da autuação (Termo de Constatação Fiscal, Auto de Infração, anexos e Termo de Encerramento) foram os necessários e suficientes para garantir seu pleno conhecimento dos fundamentos de fato e de direito do lançamento; a motivação da origem dos valores considerados e sua discriminação, mesmo porque, repitase, ele já fora alvo de outro lançamento fiscal, correspondente às mesmas razões, só que atingindo ano calendário diverso. Dessa forma, não assiste razão ao Recorrente quando alega que sua defesa fica tolhida pelo fato da autuação ser baseada, unicamente, em depoimentos de terceiros, posto que a autuação não é baseada apenas nas oitivas mencionadas. Como dito anteriormente, trata se de um processo amplamente instruído por diversos extratos bancários, bem como pelo auto de infração, TVF, e demais provas documentais juntadas. Assim, resta sedimentado que o Recorrente teve sim, a oportunidade de apresentar argumentos, mas não o fez. Outrossim, é relevante expor que o mesmo tivera acesso a todo o acervo fático e probatório, sendo devidamente intimado a pronunciarse nos autos deste processo (que não se limitou aos depoimentos prestados por terceiros), tudo conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não existindo, portanto, cerceamento do seu direito de defesa e contraditório. Diante do exposto, entendo que o procedimento fiscal decorreu conforme determina o Decreto nº 70.235/72, e em consonância com os primados da ampla defesa e do contraditório, razão pela qual não merece acolhimento a arguição de nulidade do auto de infração em decorrência do cerceamento do direito de defesa. III. NO MÉRITO O recorrente é acusado de omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou Fl. 3262DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.263 17 jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 3263DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.264 18 Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. O Recorrente foi intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente, não o fazendo durante o procedimento fiscal, e tampouco em sede de impugnação ou recurso voluntário. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 373 da Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015 (NCPC): Art. 373. O ônus da prova incumbe: (...) II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 3264DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.265 19 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de Fl. 3265DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA Processo nº 10166.729283/201369 Acórdão n.º 1302001.898 S1C3T2 Fl. 3.266 20 rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Nesse cenário, e com fulcro no parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontravase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Assim sendo, confirmase a omissão de receita apontada pelo Fisco, negandose provimento ao recurso em relação a tal infração. IV. CONCLUSÃO Isso posto, voto por (i) rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e (ii) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMU CENO FEITOSA
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Numero do processo: 11634.720093/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. RELATORIO Este processo cuida de autos de infração que constitui e exige PIS e COFINS, referente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009, janeiro a dezembro de 2010 e janeiro a dezembro de 2011. Às contribuições sociais foram previstas as incidências de multa de ofício e juros de mora. Consoante o relatado na instância prévia: " A autoridade fiscal realizou diligência (por amostragem) em algumas empresas fornecedoras de matériaprima (suínos) e ainda na fase de verificação destes fornecedores de insumos que geraram os créditos, foi constatada a existência de empresas com irregularidades cadastrais junto a RFB, irregularidades no cumprimento de suas obrigações tributárias e aparentemente, sem capacidade econômico/financeira para operar." RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .7 20 09 3/ 20 14 -6 6 Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 3 2 De acordo com a autoridade fiscal, diligências permitiramlhe concluir que a contribuinte tinha como fornecedoras "empresas de "fachadas" utilizadas com único objetivo de fornecer nota fiscal para outras empresas, na presente fiscalização, o Frigorífico Rainha da Paz e, com isso propiciar a empresa adquirente o crédito integral das contribuições ao PIS e a Cofins. Também reforçam a constatação de que serviram apenas como fachada para disfarçar a verdadeira operação que, na realidade se refere à aquisição de pessoas físicas, com direito ao aproveitamento apenas de crédito presumido." Além disso, a auditoria verificou que a contribuinte aproveitou indevidamente créditos integrais quando, à luz dos registros e documentos contábeis, ela teria direito a crédito presumido. (por exemplo: Matériaprima adquirida de pessoas físicas;Matériaprima adquirida de agropecuárias; Matériaprima adquirida da empresa GLOBOSUÍNOS AGROPECUÁRIA S/A CNPJ: 76.108.349/000103 (a empresa efetua vendas com suspensão conforme notas fiscais) e; Matériaprima adquirida da COOPERATIVA AGROINDÚSTRIAL ÁGUAS FRIAS CNPJ: 04.463.344/000864 (a empresa efetua vendas com suspensão conforme notas fiscais). A autoridade fiscal, ao final, sintetiza, a constatação de falta de recolhimento dessas contribuições sociais: FALTA DE PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (PIS E COFINS) SOB A FORMA NÃO CUMULATIVA ANOSCALENDÁRIO DE 2009, 2010 E 2011 A forma de apuração dos resultados adotada pela empresa Lucro Real Anual (AC 2009) e Trimestral IRPJ e CSLL (AC 2010 e 2011), enseja a obrigatoriedade de apuração das contribuições sociais, PIS/COFINS, sob a forma não cumulativa, conforme determinam os artigos 8 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10 da Lei n ° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Essa forma de apuração das contribuições implica, de acordo com o artigo 3o das leis mencionadas acima, em aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS (9,25% do valor indicado na nota) oriundos das aquisições de insumos utilizados em seu processo produtivo (matériaprima, embalagens e materiais secundários), além de alguns outros que estão sendo aproveitados pela empresa, tais como devoluções de vendas e serviços de terceiros, conforme DACON.(grifo no original) Contudo, de acordo com o disposto no artigo 8 da Lei n° 10.925/04, as pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal destinadas à alimentação humana podem deduzir crédito presumido de PIS e Cofins sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, cerealistas, pessoas jurídicas e cooperativas que exerçam atividade agropecuária. Tratase de um beneficio fiscal concedido pelo legislador, que possibilitou o aproveitamento de crédito presumido de PIS e Cofins sobre as aquisições oriundas de pessoas físicas (não contribuintes das referidas contribuições) e sobre aquelas realizadas junto a pessoas jurídicas, cujo pagamento das contribuições é suspenso. O crédito presumido do PIS/COFINS é determinado mediante a aplicação do percentual de 60% sobre o valor das aquisições, ou seja, (60%* valor da nota fiscal de aquisição) * 9,25%. (grifo no original) A contribuinte contesta a autuação, em resumo, com as alegações seguintes: · há a duplicidade de cobrança de valores devidos a existência da Ação de Execução Fiscal 500885812.2012.404.7001, em trâmite na Vara Federal de Execuções Fiscais de Londrina PR, no qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) executa um total de R$ 709.742.27 (setecentos e Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 4 3 nove mil, setecentos e quarenta e dois reais e vinte e sete centavos), dívida esta referente às contribuições do PIS/COFINS, nas competências dezembro/2009, janeiro/2010, fevereiro/2010, abril/2010 e maio/2010. · Há razões para ser declarada a nulidade do lançamento (1º) a autuação está baseada em meras suposições e presunções, desprovidas de embasamento fático ou de provas contundentes, para desconsiderar as pessoas jurídicas que mantiveram relacionamento negocial com o ora Impugnante nos anos calendário 2009, 2010 e 2011, e afirma que, "devido à presunção de legitimidade dos atos administrativos, o ônus da prova, em matéria tributária, é incumbência do Fisco, que deve provar a ocorrência dos fatos que afirma terem existido " (2º) a total desconsideração das provas e documentos apresentados pela contribuinte. (3º) a autoridade lançadora não obteve êxito em desconstituir as pessoas jurídicas fornecedoras e os pagamentos realizados pela contribuinte; · Há razões para se conhecer a sua boa fé "não tendo poder de fiscalização, não pode responder financeiramente/tributariamente por irregularidades que não praticou! Tratase, outrossim, de fato de terceiro totalmente imprevisto e inevitável, uma vez que jamais poderia imaginar a Autuada que o fornecedor não cumpria regularmente com suas obrigações acessórias (DACON, DIPJ, dentre outros)." · Há razões para se reconhecer a correção e legalidade de suas operações Consoante se infere de seus atos constitutivos, a empresa Autuada tem por atividades principais o ramo de frigorífico abate de suínos, preparação de subprodutos do abate, comércio atacadista de carnes bovinas, suínas e derivados, comércio varejista de carnes e fabricação de produtos de carne,.... · Para a operacionalização de suas atividades o Impugnante realizada a compra de suínos vivos de diversas empresas, produtores (pessoas físicas e jurídicas), agropecuárias e cooperativas, cujas operações estão devidamente lastreadas pelas notas fiscais de compra e venda de suínos e notas de produtores rurais pessoas físicas, conforme comprovado no próprio Auto de Infração. (...) In casu, competia a Auditora Fiscal diligenciar para buscar maiores detalhes sobre a operação, sendo que, em não procedendo desta forma, incorre em erro de fato e de direito ao supor e presumir que aludidas empresas constituemse em meras emissoras de notas fiscais. (...) Todas as notas fiscais pela compra de suínos foram corretamente contabilizadas e escrituradas ..., cujos pagamentos ora ocorreram por transferências bancárias ora por emissão de cheques nominais aos fornecedores. Todos os insumos adquiridos pelo Frigorífico Rainha da Paz foram efetivamente utilizados no cumprimento de suas atividades sociais, qual seja, a produção e comercialização de carnes suínas, conforme atestam os seus atos constitutivos. Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 5 4 Assim, não merece razão a Autoridade Fiscal ao alegar que não há comprovação da destinação dos pagamentos e a efetiva operacionalização dos insumos adquiridos pelo Frigorífico Rainha da Paz. O próprio Procedimento Administrativo Fiscal apresenta relação dos pagamentos (cheques) e das respectivas notas fiscais (vide, a título meramente exemplificativo, os documentos acostados às fls. 209/268), os quais efetivamente comprovam a operação de compra e venda de suínos vivos. Referidos documentos (borderôs) comprovam e vinculam a nota fiscal de aquisição da matériaprima (suíno vivo), com sua correta identificação, a forma de pagamento, a identificação do cheque nominal emitido (banco, n° do documento) e a data da operação. Em suma, há incontestável prova da operação. ... e os extratos bancários que efetivamente comprovam os pagamentos aos fornecedores de suínos. Argumenta ainda, que: (a) não há irregularidade ou ilegalidade no fato da contribuinte quitar suas obrigações pela emissão de cheques nominais. (b) que sua escrituração faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, ou seja, do que alega. (c) a contribuinte não pode responder financeira e tributariamente por irregularidades praticados por seus fornecedores, fatos que a contribuinte não praticou; (d) a constatação de que os fornecedores estão em situação de irregularidade junto á Receita Federal não significa o descrédito das operações de compra e venda de suínos e dos creditamentos em discussão; (e) o fato dos fornecedores não terem atendido às solicitações da Receita Federal não comprova que elas eram "de fachada"; (f) os fornecedores objeto da suspeita pela autoridade fiscal possuem personalidade jurídica própria e sócios distintos da composição societária da recorrente; (g) a atuação da fiscalização desrespeita os princípios constitucionais da moralidade, da confiança e da lealdade administrativas. Sobre os créditos provenientes de pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias a contribuinte afirma que tem direito a aproveitar integralmente os créditos oriundos dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias, e não na proporcionalidade de 60% como define a autoridade fiscal, pois, dessa forma, há violação ao princípio da isonomia; Sobre os créditos provenientes de outras operações não procede as glosas fiscais (i) com as aquisições dos demais insumos usados em seu processo produtivo (carne mecanicamente separada, etc); (ii) com os bens adquiridos para revenda; (iii) com os fretes. Sobre a ausência de informações na DACON 2008: a contribuinte contesta a autoridade fiscal e explica que ela se equivocou ao considerar que a DACON de janeiro de 2009 traria saldos credores acumulados do PIS e da COFINS transferidos das DACONS de dezembro de 2008. Na verdade, o contrário é o que ocorreu. A DACON de janeiro de 2009 não constam esses valores, e a DACON de 2008 traz valores de débito (valores devidos), e não valores credores. Contesta a cobrança de multa e juros para ela, a multa tem magnitude confiscatória, desrespeita a capacidade contributiva do contribuinte e a legalidade como principio. Além disso, afirma que a contribuinte não é inadimplente das contribuições sociais; e os juros devem ser calculados a partir do lapso dos autos que definem a inadimplência, e não desde o vencimento do tributo. Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 6 5 Os respeitáveis julgadores da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém considerou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido. O Acórdão n.º 0129.759, proferido em 05 de agosto de 2014 por estes Julgadores, ficou assim ementado: Acórdão 3129.759 3a Turma da DRJ/BEL Sessão de 05 de agosto de 2014 Processo 11634.720093/201466 Interessado FRIGORIFICO RAINHA DA PAZ LTDA CNPJ/CPF 03.990.431/000130 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situase na competência da autoridade administrativa A sustentação probante pode estar calcada não só em fatos, mas também em presunções, já que na busca pela verdade material o fisco pode valerse, para comprovar suas alegações, de todos os meios de prova admitidos em Direito, até mesmo as presuntivas. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional MATÉRIA SEM IMPUGNAÇÃO. INCONTROVERSA. Considerase incontroversa, portanto sem litígio, a matéria do lançamento que o contribuinte deixar de impugnar, seja por concordar ou deixar de se manifestar expressamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 GLOSA DOS CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. Só podem ser apurados créditos de insumos na modalidade nãocumulativa da contribuição, quando houver compra de pessoa jurídica nacional e utilização em processo produtivo. Quando comprovado que o negócio jurídico não foi realizado com a pessoa jurídica que aproveita os créditos, ou que a compra e industrialização existe apenas formalmente, de forma dissociada da realidade fática, deve ser feita a glosa integral dos créditos CRÉDITO PRESUMIDO Os créditos presumidos da Lei 10.925/2004 são determinados mediante alíquotas (não o valor cheio) nos créditos de PIS calculado sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física, recebidos de cooperado pessoa física, de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 7 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 GLOSA DOS CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. Só podem ser apurados créditos de insumos na modalidade nãocumulativa da contribuição, quando houver compra de pessoa jurídica nacional e utilização em processo produtivo. Quando comprovado que o negócio jurídico não foi realizado com a pessoa jurídica que aproveita os créditos, ou que a compra e industrialização existe apenas formalmente, de forma dissociada da realidade fática, deve ser feita a glosa integral dos créditos aproveitados indevidamente como insumos CRÉDITO PRESUMIDO Os créditos presumidos da Lei n° Lei 10.925/2004 são determinados mediante alíquotas (não o valor cheio) nos créditos de PIS calculado sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física, recebidos de cooperado pessoa física, de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou de cooperativa de produção agropecuária ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009, 01/01/2010 a 31/12/2010, 01/01/2011 a 31/12/2011 DA VEDAÇÃO AO CONFISCO E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA . Incabível a discussão dos princípios constitucionais que tratam da vedação ao confisco e da capacidade contributiva, por força de exigência tributária, os quais deverão ser observados pelo legislador no momento da criação da lei. Portanto, não cogitam estes princípios de proibição aos atos de ofício praticados pela autoridade administrativa em cumprimento às disposições legais inseridas no nosso ordenamento jurídico, mesmo porque a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. NÃO TRANSGRESSÃO. Descabidas as alegações que teria havido transgressão aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade quando a auditoria fiscal transcorreu nos estritos termos das normas tributárias, e o lançamento foi devidamente efetivado na forma da legislação vigente. JUROS.TAXA SELIC. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A incidência de juros calculados com base na taxa Selic está prevista em lei em vigor, que os órgãos administrativos não podem se furtar a aplicar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte, em seu recurso voluntário, alega em resumo: Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE POR VICIO DE FORMAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO expõe suas razões para apontar que o auto de infração é nulo, e para contestar a decisão dos julgadores de 1º piso que não acolheu essas razões quando da impugnação. A recorrente entende que a autuação não apresenta provas para deslegitimar cada um e todas as operações realizadas com os fornecedores apontados como "de fachada". Ela explica que seu argumento é de que houve vício substantivo na formação do auto de infração, e não cerceamento ou prejuízo à defesa, como contra argumentou a decisão de 1ª instância. Que não cabe adotar amostragem para imputar cometimento de infração e decidir a aplicação de sanções e de penas. Nas palavras da recorrente: É cediço que a autuação por amostragem visa maximizar a atuação do Auditor Fiscal no cumprimento de suas atividades funcionais. No entanto, não pode prevalecer ou suplantar garantias e direitos dos Administrados/Contribuintes, com o único objetivo de sustentar a "fome" tributária do Estado. Não se questionou ou imputou prejuízo de defesa do interessado ou vício de forma no lançamento, militando a r. decisão de origem em caminho não trilhado pela defesa. Questionouse o procedimento abrupto praticado pelos Srs. Auditores Fiscais no lançamento tributário que impuseram a prática de ilícito administrativofiscal, em flagrante "vício substancial" do Auto de Infração. Ora, a atividade administrativofiscal é plenamente vinculada e assentase no princípio da legalidade e razoabilidade, não podendo a autoridade impor sanções ou efetuar lançamentos com base em presunções, principalmente quando desconsiderados os documentos apresentados pela empresa Autuada no decorrer do procedimento fiscalizatório. O instituto da amostragem deve ser utilizado como início e/ou indício de irregularidade administrativofiscal, mas não como fundamento principal para a lavratura do auto infracionário, na forma observada neste Caderno. Não encontrados elementos de provas pelo agente fiscalizador, não pode a Autuação Fiscal se lastrear unicamente em suposições, principalmente quando geradas de processos por amostragem. E é este o quadro que se observa. Conforme inúmeros apontamentos constantes da Impugnação, o hostilizado Auto de Infração está inteiramente fulcrado em presunções e indícios que nasceram do nefasto procedimento por amostragem praticado na origem. inquestionavelmente constatase que a autuação ocorreu por "diligências em algumas empresas (amostragem)'6\ significando que o procedimento ocorreu por mero arbitramento formalizado com base no "quadro demonstrativo" desconsiderando todas e quaisquer operações com crédito integral (100%). A atuação nefasta do procedimento fiscalizatório é de fácil assimilação. A planilha de fls. 679/1044, constituída por amostragem, apresenta um creditamento presumido genérico de PIS e COFINS das principais operações Recorrente, mas em total desconsideração da natureza de cada operação, jimo, por exemplo, a desconsideração integral das receitas derivadas de operações de fretes. Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 9 8 Incumbia ao Agente Fiscalizador promover a busca por elementos probatórios suficientes e contundentes que embasassem o lançamento tributário e a imposição das respectivas penalidades cominadas. (...) A alegada NULIDADE nasce deste estratagema: o procedimento por amostragem e a dicotomia quanto a total ausência de elemento probatório suficiente para manter o lançamento tributário ora guerreado. A nulidade nasce do aspecto substancial do guerreado Auto de Infração, quando o Fisco pretende que o Contribuinte desconstitua as suposições e presunções do auditor fiscal, mediante apresentação de provas robustas. Ao constituir o crédito fiscal mediante apenas indícios de prova, sem buscar a verdade material que deve dar substância ao lançamento, além de violação do princípio da reserva legal, constitui afronta às garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório. No caso dos autos, competia a Autoridade Fiscal solicitar maiores esclarecimentos do contribuinte (art. 9o, do Decreto n° 70.265/1972), pois incorre em erro qualquer averiguação que não oferece elementos concretos para a imputação feita, quando a lei diz que somente com elemento seguro de prova podem os lançadores impugnar informações dos contribuintes. Se "foram encontradas juntamente com algumas notas fiscais de venda da empresa Brasil Meat (amostragem), notas fiscais de produtor (pessoa física) tendo como destinatário o Frigorífico Rainha da Paz e como adquirente a empresa Brasil Meat" (sic), competia ao Fisco diligenciar sobre toda a operação ocorrida entre estas duas empresas (Brasil Meat e Frigorífico Rainha da Paz) e não proceder a desconsideração de todas as negociações envolvendo as referidas empresas. A existência de algumas notas fiscais emitidas por produtores pessoas físicas, o que admitese por amor à argumentação, não descaracteriza toda a operação de compra e venda de insumos, conforme justificativa para a glosa do crédito de PIS/COFINS. Poderia, o que apenas se admite por amor à argumentação, apenas desconsiderar o crédito proveniente destas notas fiscais, eis que inexistente outros argumentos/provas para a desconsideração das demais operações de compra e vendi Assim, considerando que a atuação fiscal se pautou exclusivamente pela amostragem, incorreu em excesso, desproporcionalidade e irrazoabilidade a glosa de todas as operações de compra e venda de insumos (matériasprimas) realizadas pelo Recorrente no período de 2009 a 2011. A aferição por amostragem apenas apresenta um mero indício de infração tributária, mais jamais pode servir de parâmetro e procedimento regular para a apuração do lançamento tributário, conforme procedimento executado pela Auditora (...) Isto posto, pugnase que este Col. Conselho de Contribuinte reexamine toda a matéria constante deste caderno processual e, no mérito, considerando orocedimento por amostragem, reconheça e declare a insubsistência e baixa do lançamento tributário ora guerreado. NULIDADE DO DECISUM DE 1ª GRAU contesta a decisão dos julgadores de 1º piso de que não teria sido impugnada a matéria "valores informados na DACON". Ao contrário, a contribuinte sustentou e Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 10 9 demonstrou que a autuação se equivocou na medida em que a empresa jamais informou que os valores na citada DACON se referiam a créditos acumulados de PIS e de COFINS. Alega que apresentara memória de cálculo dessas contribuições e os valores informados (fls. 669/670) tratam exclusivamente de dados contábeis (saldo inicial de PIS e COFINS) e as informações em questão são valores de débito (o que é devido dessas contribuições pela empresa), e não de crédito. A contribuinte interpreta que nessa situação foram desconsiderados, pelos julgadores, os elementos de prova, o que implicou em negativa de prestação jurisdicional, ofensa ao principio da legalidade e prejuízo à defesa e ao contraditório, razão para a nulidade da decisão da DRJ. Para a contribuinte esta é matéria importante, pois afirma que não se apropriou do crédito tributário em questão, ao contrário do que equivocadamente expusera a autoridade do lançamento. Não se reconhecendo a nulidade do acórdão recorrido, por eventualidade, ela retoma as alegações anteriormente postas sobre esta matéria e pede a nulidade do lançamento. MÉRITO No mérito, a contribuinte recupera as razões já postas no recurso anterior, dirigidos á instância anterior. Em brevíssimo resumo, com relação às glosas referentes às operações com as suas fornecedoras, consideradas pela autoridade fiscal como "de fachada" para se dissimular negócios, a contribuinte argüi que faltam aos autos de infração as provas do que lhe foi imputado, que se apóiam em suposições, indícios e presunções. Retoma a contribuinte as suas alegações que defendem a legitimidade e correção e procedência de suas operações e créditos, e a sua boa fé. Que não houve dissimulação ou simulação. Que a ação fiscal desatendeu os princípios constitucionais e administrativos da determinação de exigência na relação com os administrados. Com relação à glosa fiscal quanto aos créditos provenientes de pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias e demais créditos, que pretende subtrair da contribuinte direito ao crédito integral com relação às mercadorias adquiridas para revenda, bem como quanto aos insumos utilizados na produção de bens para venda , no entendimento da contribuinte, viola os princípios da igualdade e da isonomia e confronta o disposto nos artigos 3º da Lei n. 10.637/2002 e Lei n. 10.833/2003. Exemplifica com o caso da CMS (carne mecanicamente separada) e os fretes. Contesta a exigência de juros e multa. Afirma que eles dependem do término do processo administrativo, antes do qual lhe falta certeza e liquidez (art. 586, CPC). Ausente a inadimplência, falta a essas exigências requisito essencial. Argüi que a multa, pela sua magnitude, ofende o princípio da legalidade e a expectativa jurídica de que as multas não tenham caráter confiscatório. Ao final, pede a devolução dos autos à instância anterior, como posto na preliminar, pede a insubsistência da autuação, pede que as intimações sejam feitas em nome do advogado patrono. É o relatório. Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 11 10 VOTO Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminar de nulidade dos autos de infração Senhores Conselheiros, antes de prosseguirmos, tenho como necessário lidarmos com a preliminar suscitada pela recorrente por meio da qual reúne razões por que deveria, em sua visão, ser decretada a nulidade da autuação. Peço desculpas por não reproduzir aqui, da sua bem alentada e desenvolvida peça recursal, as citações e referências de doutrinadores e decisões judiciais e administrativas invocados pela recorrente para apoiar sua argumentação, mas apenas apresento a seguir um breve resumo dessas alegações. A contribuinte alega que: · a autuação se baseia em presunções e indícios, que lhe faltam provas, que foram desconsiderados os documentos apresentados pela contribuinte, que a 'autuação ocorreu por "diligências em algumas empresas (amostragem)", significando que o procedimento ocorreu por mero arbitramento realizado com base no 'quadro demonstrativo', desconsiderando todas e quaisquer operações com crédito integral (100%).' Que competia à autoridade fiscal ter solicitado maiores esclarecimentos do contribuinte (art. 9º do Decreto n. 70.265/1972 [sic]). · a planilha elaborada pela autoridade fiscal foi constituída por amostragem e apresenta um creditamento presumido genérico do PIS e da COFINS das principais operações da contribuinte, mas em total desconsideração integral das receitas derivadas de operações de fretes. · a autoridade fiscal se pautou exclusivamente pela amostragem e incorreu em excesso, desproporcionalidade e irrazoabilidade com as glosas de todas as operações de compra e venda de insumos (matérias primas). · a existência de algumas notas fiscais emitidas por produtores pessoas físicas, não descaracteriza toda a operação de compra e venda de insumos, conforme justificativa para a glosa; poderia apenas desconsiderar o crédito proveniente destas notas fiscais, eis que inexistente outros argumentos/ provas para desconsideração das demais operações de compra e venda. · As autoridades esperam que a contribuinte desconstitua as suposições e presunções mediante apresentação de provas robustas. · há violação do princípio da reserva legal, do da ampla defesa e do do contraditório. Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 12 11 Senhores Conselheiros, nas próximas linhas, vou procurar apresentar, com objetiva brevidade, minha análise desta questão e a razão por que entendo que essa nulidade não deve ser acolhida por este Colegiado. Ao retornar às condições e procedimentos adotados para se chegar ao lançamento em discussão, verifico que a autoridade fiscal usou de amostragem. Ela fez constar em seu relatório: Com o objetivo de verificar a veracidade da origem dos créditos de PIS/Cofins não cumulativos, aproveitados integralmente pela empresa nos anoscalendário de 2009 e 2010, foram realizadas diligências em algumas empresas (amostragem) fornecedoras de matériaprima (suínos) para a empresa Frigorífico Rainha da Paz. Ressaltese que, ainda na fase de verificação dos fornecedores de insumos que geraram tais créditos, foram constatadas a existência de empresas com irregularidades cadastrais junto à RFB, irregularidades no cumprimento de suas obrigações tributárias e aparentemente sem capacidade econômico/financeira para operar. ... No curso da fiscalização, também com o objetivo de verificar o correto aproveitamento dos créditos integrais de PIS/Cofins não cumulativos, a empresa foi intimada a apresentar, notas fiscais e respectivos comprovantes de pagamentos e recebimentos das mercadorias adquiridas de algumas empresas (amostragem). Com o escopo de verificar o PIS e a COFINS em regime não cumulativo devidos nos períodos de apuração de 2009, 2010 e 2011, a autoridade fiscal, após ter tido acesso aos documentos, declarações e registros concernentes à situação da contribuinte e às suas operações, identificou dois grande grupos de origens de creditamento: 1) aquisição de matéria prima (suínos); 2) aquisição de insumo junto a pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias. Com relação ao primeiro, ela selecionou uma parte das empresas fornecedoras para verificar a origem dos créditos aproveitados. A autoridade fiscal não verificou todos os fornecedores de suínos da contribuinte. O critério de composição desta amostra está claramente posta pela autoridade fiscal: ela selecionou, dentre os fornecedores de suínos que constam da escrituração da contribuinte, alguns deles, quais sejam: aqueles que, segundo os dados da Receita Federal, não pareciam possuir capacidade econômica/ financeira para operar, ou constavam como irregulares em seu cadastro ou como irregulares com as obrigações tributárias. Foram as seguintes as fornecedoras de suínos selecionadas: (1) LOIVA MARIA STEIN ME CNPJ: 02.000.946/000183, (2) NELI FENNER BERWANGER ME CNPJ: 07.536.827/000163, (3) ATÍLIO BERWANGER ME CNPJ: 12.655.832/000125, 94) ERNA FENNER ME CNPJ: 02.932.560/000100, (5) MJG LIRA SUÍNOS ME CNPJ: 78.383.684/000145, (6) AGC COMÉRCIO DE SUÍNOS LTDA ME CNPJ: 10.826.355/000198, (7) BRASIL ME AT LTDA ME CNPJ: 10.685.194/000160, (8) VENEZA COMERCIAL DE CARNES LTDA ME CNPJ: 79.703.906/000122, (9) DISTRIBUIDORA E TRANSPORTADORA DE CARNES SUITAV LTDA CNPJ: 07.797.729/000180 Para essas fornecedoras selecionadas para compor a amostragem, a autoridade fiscal iniciou um procedimento de verificação mais detida e in locum. Essas Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 13 12 empresas selecionadas e constituintes da amostra foram intimadas e se procurou um contato direto com o estabelecimento, seus administradores e proprietário. Após esses procedimentos, a autoridade fiscal reuniu um corpo de constatações que a levaram à conclusão de que os créditos derivados das operações da contribuinte com esses fornecedores deveriam ser glosados. A autoridade do lançamento verificou que todas essas empresas não haviam sido contribuintes dos tributos em tela nos anos sob fiscalização, e que a sua quase totalidade havia se declarado inativa, não foi localizada, e não demonstraram ter funcionado ou estar funcionando em suas atividades operacionais. Ao analisar as planilhas da autoridade fiscal, encontro essa mesma delimitação: nem todos os fornecedores de suínos da contribuinte tiveram suas operações glosadas, mas apenas as empresas listadas acima tiveram as operações de fornecimento de suínos glosadas. A amostragem foi adotada apenas para selecionar alguns dos fornecedores de suinos da contribuinte. Após a fiscalização dessas fornecedoras, a autoridade fiscal glosou a totalidade das operações de fornecimento de suínos provenientes dessas empresas. Portanto, não é verdade que o fato imputado (tributo não pago concernente à glosa do crédito proveniente da aquisição de suínos dessas empresas) no lançamento tenha sido determinado por amostragem. O fato imputado abrange todas as operações de fornecimento de suínos de todas essas empresas selecionadas. Passando ao segundo grande grupo de origem dos creditamentos tratado pela autoridade fiscal, qual seja, provenientes das aquisições junto a pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias, noto que a autoridade fiscal não usou de amostragem, mas considerou que a totalidade dessas aquisições não poderia dar direito ao crédito integral, como registrado na escrituração e declarações da contribuinte, mas, poderia, sim, dar direito ao crédito na proporção determinada pelo artigo 8 da lei 10.825. As planilhas feitas pela autoridade fiscal demonstram que ela glosou o creditamento integral de todas as operações de aquisição de insumos junto a esses tipos de fornecedores, aceitando que o creditamento fosse proporcional a 60%. Ao meu ver, contrariando as alegações da recorrente, nessa parte do procedimento fiscal também não se encontra o uso de amostragem na determinação dos fatos imputados. Donde concluo que não se deveria acolher as alegações da contribuinte de que a validade das autuações estaria fatalmente comprometida pelo uso de amostragem. Concordo com os julgadores de 1º piso que não podem ser aceitas as alegações de cerceamento do direito de defesa ou prejuízo ao contraditório. Ao lermos a impugnação e o recurso voluntário, é evidente que a contribuinte tem pleno conhecimento e domínio dos fatos imputados, das razões e motivações do lançamento, e consegue contrapor com desenvoltura, propriedade e assertividades argumentos para atacar as autuações. Por isso, entendo que essas alegações não devem prosperar. Também não procede a afirmação da contribuinte de que o lançamento não considerou os documentos e informações prestadas pela contribuinte, e que ele é resultado de arbitramento. A autoridade fiscal se baseou nos documentos entregues pela contribuinte para Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 14 13 identificar e analisar as origens dos creditamentos, selecionar algumas das empresas de fornecimento de suíno, para calcular o valor devido e o valor pago desses tributos, etc. A consulta às planilhas e às declarações prestadas à Receita Federal confirma que o lançamento não se pautou por arbitramento, mas foi derivado diretamente dos valores informados pela contribuinte na documentação entregue. Por isso, defendo que essas alegações não podem ser acolhidas, pois elas não correspondem á realidade dos fatos. A recorrente acusa a autuação de estar se apoiando em indícios e presunções. Com relação às glosas dos creditamentos referente às aquisições de suinos, a autoridade fiscal colacionou constatações de que os fornecedores selecionados: (a) não haviam contribuído com esses tributos nos anos fiscalizados; (b) haviam declarado sua inatividade, ou não foram localizados, ou não apresentaram condições para demonstrar que efetivamente realizaram as operações. Data vênia da recorrente, esses elementos não foram presumidos. Eles são fatos constatados pela autoridade fiscal nas diligências que realizou. Dentre esses fornecedores, os que foram localizados não lograram responder aos questionamentos fiscais. Não há presunção. O benefício do creditamento obtido a partir do relacionamento da contribuinte com essas empresas não é uma presunção ou um indício, mas um fato, comprovado pela documentação entregue pela contribuinte. No conjunto, no entendimento da autoridade do lançamento, a contribuinte manteve uma conduta de aproveitamento de créditos provenientes de aquisições de suínos em que seriam fornecedores empresas inativas, não localizadas, não contribuintes desses tributos. Com relação à glosa do creditamento integral das aquisições junto a pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias, a autoridade se apoiou no que consta nos documentos entregues pela contribuinte. Não há questionamentos sobre a validade dessas operações. A questão é de direito, se a contribuinte pode ou não se aproveitar integralmente dos créditos. Não há presunções ou indícios. Os fatos são incontroversos. Em minha visão, para justificar a validade dos autos de infração e do processo administrativo, esses elementos assim reunidos não são presunções ou indícios desprovidos de lastros em constatações ou nos documentos apresentados pela própria contribuinte. Por isso, considero que não podem ser aceitas as alegações da contribuinte a esse respeito para propor nulidade da autuação. Todo o procedimento fiscal seguiu os quesitos das leis que disciplinam o lançamento tributário. As argumentações da recorrente de que houve afronta à lei ou à reserva legal não se confirmam na análise do que consta dos autos. Com essas considerações, proponho a este Colegiado seja, nesta etapa da apreciação do recurso, seja negado acolhimento à preliminar que suscita nulidade da autuação. Instrução para o julgamento Tendo sido superada estas preliminares de nulidade, podemos prosseguir na apreciação deste processo administrativo. Como vimos, compõe este contraditório a exigência de contribuições sociais decorrente (i) da glosa dos creditamentos na aquisição de suínos e (ii) Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 15 14 da glosa dos creditamentos nas aquisições de insumos junto a pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias. Com relação à matéria (ii) o auto de infração traz, no termo fiscal: Com o mesmo intuito, análise do aproveitamento pela empresa de créditos integrais de PIS/COFINS, foi solicitado para que fornecesse a memória de cálculo contendo a identificação dos valores que foram informados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON do período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010. Da análise dos demonstrativos apresentados pela empresa (efetuados a partir das notas fiscais de saídas de mercadorias) foram verificados valores que, apesar da informação constar como sendo de crédito presumido, na realidade a empresa estava aproveitando o crédito integral, tais como: · Matériaprima adquirida de pessoas físicas; · Matériaprima adquirida de cooperativas; · Matériaprima adquirida de agropecuárias; · Matériaprima adquirida da empresa GLOBOSUÍNOS AGROPECUÁRIA S/A CNPJ: 76.108.349/000103 (a empresa efetua vendas com suspensão conforme notas fiscais) e; · Matériaprima adquirida da COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL ÁGUAS FRIAS CNPJ: 04.463.344/000864 (a empresa efetua vendas com suspensão conforme notas fiscais). Nesse contexto, face às circunstâncias declinadas no presente Termo, os valores utilizados como créditos integrais de PIS/Cofins na aquisição de matériaprima das empresas elencadas na letra "a" e o aproveitamento indevido mencionado na letra "b" foram glosados e recalculados como crédito presumido (60% do valor das notas fiscais) de PIS/Cofins na aquisição de matériaprima, conforme demonstrado nas planilhas em anexo. A contribuinte insiste que a apuração fiscal incluiu indevidamente os gastos com fretes, com bens adquiridos para revenda e insumos adquiridos para uso em seu processo produtivo (tais como carnes mecanicamente separadas). Vejamos: Continuando no equívoco da autoridade fiscalizadora, conforme planilhas de fls. 769 a 1044 os Auditores Fiscais excluíram do creditamento integral do PIS e da Cofins nãocumulativo as aquisições referentes aos demais insumos adquiridos pelo Recorrente utilizados em seu processo produtivo, tais como CMS (carne mecanicamente separada). Além desses insumos, também foram excluídos pela fiscalização os créditos integrais relativos a mercadorias adquiridas para revenda. Os insumos utilizados pela pessoa jurídica que geram créditos de PIS e Cofins estão previstos no Art. 3o, das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins): ...... Sobre a possibilidade de creditamento em relação à mercadoria destinada à revenda a Receita Federal do Brasil já proferiu o seguinte entendimento em Solução de Consulta: Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 16 15 Solução de Consulta n° 127, de 26 de setembro de 2008 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social— Cofins. EMENTA: INCIDÊNCIA NÃOCUMULAT1VA, DIREITO DE CRÉDITO. Pessoa jurídica dedicada ao comércio atacadista de carne bovina e suína pode descontar crédito da Cofins em relação à carne adquirida de cooperativa de produção agropecuária destinada à revenda, atendidas as demais exigências da legislação de regência. EMENTA: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA, DIREITO DE CRÉDITO. Pessoa jurídica dedicada ao comércio atacadista de carne bovina e suína pode descontar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep em relação à carne adquirida de cooperativa de produção agropecuária destinada à revenda, atendidas as demais exigências da legislação de regência. A legislação é clara quanto à possibilidade de creditamento com relação às mercadorias adquiridas para revenda, bem como quanto aos insumos utilizados na produção de bens para venda, razão pela qual está totalmente incorreta, desconsideração do crédito integral que ocorreu no presente auto. .. A fiscalização também excluiu os créditos integralmente aproveitados pelo Recorrente referentes a fretes. Em primeira aproximação dessa matéria do contraditório, creio que ela se refere à aplicação do disposto no artigo 8º da Lei n. 10.925, de 2004, face o disposto no artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, quando há venda de bens produzidos pela contribuinte e há bens revendidos pela contribuinte, e há insumos para essas duas atividades da contribuinte. De fato, o objetivo social da contribuinte inclui o comércio atacadista e varejista e as planilhas juntadas aos autos informam a existência de aquisições destinadas ao processo de produção e aquisições de bens destinados ao comércio. Pareceme necessário, para o prosseguimento da análise do contraditório, a obtenção de alguns esclarecimentos. No caso, obter informações complementares: i. que segreguem os totais das glosas de créditos derivados de aquisições de insumos usados no processo de produção dos totais das glosas dos créditos derivados das aquisições de bens e insumos destinados ao processo de revenda da contribuinte (atacadista ou varejista). E que para cada um desses grupos, relacione os itens ou gastos glosados e as respectivas motivações e razões. ii. Nesse conjunto, localizar os gastos com frete. iii. Caso existam, nesse conjunto, localizar os gastos glosados referentes a aquisições de bens ou de insumos ou de serviços que não tenham sido provenientes de pessoas físicas, cooperativas e agropecuárias (como indicado pela autoridade fiscal no lançamento). iv. Aproveitando a ocasião, rogo: (1) que se obtenha informações complementares que descrevam a situação cadastral das empresas selecionadas e fornecedoras de suínos, tratadas na glosa dos créditos Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 11634.720093/201466 Resolução nº 3401000.929 S3C4T1 Fl. 17 16 derivadas desse tipo de insumo. (2) que a autoridade fiscal se manifeste sobre a alegação da recorrente de que os valores informados na DACON de janeiro de 2009, como saldos iniciais, eram devedores, ao invés de credores (ver fls. 2266 e 1654/2655). Com essas demandas, proponho a este Colegiado converter este julgamento em diligência, para este processo retornar à unidade de jurisdição providenciar o atendimento da solicitação postas neste voto. Que se dê ciência desta decisão à contribuinte e também das Informações resultantes do atendimento da diligência. Que se abra prazo de 30 dias para a contribuinte, se desejar, se manifestar. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720080/2015-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
VALORES DECORRENTES DE RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. NÃO INCIDÊNCIA DE IRPF.Segundo o entendimento do STJ, adotado na sistemática dos recursos repetitivos, não incide IRPF sobre os juros incidentes sobre parcelas recebidas em decorrência de reclamatória trabalhista, dado o seu caráter indenizatório.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO INCIDÊNCIA DE IRPF.Segundo o entendimento do STJ, adotado na sistemática dos recursos repetitivos, não incide IRPF sobre os juros incidentes sobre parcelas recebidas em decorrência de reclamatória trabalhista, dado o seu caráter indenizatório. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 00 80 /2 01 5- 58 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Segundo o fisco, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 25.608,40, auferidos pelo notificado. Na apuração do imposto devido, nada foi compensado de Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. Informase que os rendimentos tributáveis, de acordo com a documentação do precatório nº 030310084.19885.04.0902 apresentada pelo contribuinte, importam no montante R$ 43.848,47. O sujeito passivo apresentou impugnação na qual alegou que não há incidência tributária sobre os juros decorrentes da ação trabalhistas, haja vista possuírem caráter indenizatório. Menciona jurisprudência. Por unanimidade de votos, a Turma da DRJ afastou os argumentos de exclusão dos juros da base de cálculo, porém deduziu desta as parcelas de FGTS (principal e juros), por serem abarcadas pela isenção. Deuse provimento parcial à defesa. Cientificado da decisão em 19/06/2015, fl. 84, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso em 17/07/2015, fls. 86/98, no qual, em síntese alegou que não houve omissão de rendimentos, na medida que apresentou toda a documentação requerida na intimação fiscal. Sustenta que declarou como rendimentos isentos os juros sobre o principal, o FGTS e os juros correspondentes e o fez com base na própria sentença trabalhista, como se pode ver da planilha de cálculo elaborada pela Justiça do Trabalho. Suscita a ocorrência de cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o órgão de julgamento indeferiu o seu pedido para que fosse oficiado o TRT, de modo a se pronunciar sobre a base de cálculo para apuração do IRPF. Isso, no seu entender, é causa de nulidade da decisão recorrida. No mérito, alega que não pode ser responsabilizado pelo tributo não retido pela fonte pagadora, nos termos do Parecer Normativo n.° 01/2002, aprovado pelo Secretário da Receita Federal. Sustenta que o tributo não retido deve ser exigido da fonte pagadora. Defende ainda que não há incidência de IRPF sobre os juros de mora calculados sobre as verbas trabalhistas, haja vista o seu caráter indenizatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11040.720080/201558 Acórdão n.º 2402005.360 S2C4T2 Fl. 187 3 O julgamento foi convertido em diligência, mediante a Resolução n. 2402 000.534, de 10/03/2016, para que o órgão preparador intimasse o contribuinte a apresentar a inicial e as decisões exaradas na reclamatória trabalhista que deu ensejo ao lançamento. Os documentos requeridos vieram aos autos, fls. 112/181. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Incidência de IRPF sobre juros pagos em reclamatória trabalhista A matéria de fundo presente neste processo diz respeito à incidência ou não do IRPF sobre juros de mora sobre valores decorrentes de sentença judicial. Sobre essa questão, temos que levar em conta o que ficou decidido pelo Egrégio STJ no bojo do REsp 1227133 / RS, o qual foi julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC. Esse julgado por força do § 2.° do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, deve obrigatoriamente ser observado pelos membros deste Tribunal Administrativo. A decisão no mencionado REsp foi assim ementada: "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." A planilha colacionada à fl. 179 indubitavelmente indica que o valor de R$ 18.240,07 oferecido à tributação pelo contribuinte, foi efetivamente a quantia recebida a título de valor principal. Além deste houve pagamento de juros sobre o principal, FGTS e juros sobre FGTS, os quais foram informados na DIRPF como rendimentos isentos e não tributáveis. As parcelas referentes ao FGTS e os juros sobre este foram expurgados do lançamento pela DRJ e, agora, diante da citada decisão do STJ, a qual é vinculante para o CARF, devemos também afastar a omissão remanescen Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11040.720080/201558 Acórdão n.º 2402005.360 S2C4T2 Fl. 188 5 Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/07 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723263/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas relativas a dependente de acordo com a legislação tributária, desde que o declarante inclua a pessoa física como dependente na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA ELISA DE MIRANDA CORREA SUTTER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTES São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas relativas a dependente de acordo com a legislação tributária, desde que o declarante inclua a pessoa física como dependente na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 32 63 /2 01 1- 81 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723263/201181 Acórdão n.º 2401004.392 S2C4T1 Fl. 72 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido e restabelecendo parcialmente o valor da restituição pleiteada na declaração de ajuste. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1253.520 (fls. 32/36): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas as despesas médicas declaradas e devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea, que atenda aos requisitos legais. DESPESAS MÉDICAS. PLANOS DE SAÚDE. COMPROVAÇÃO. Acatase a dedução dos valores pagos a título de Despesas Médicas, relativo ao contribuinte e seus dependentes em face da apresentação de comprovantes idôneos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2009/052639506279380, relativa ao anocalendário 2008, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 20.272,61 (fls. 4/9). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificada da notificação por via postal em 11/2/2011, às fls. 24 e 27, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2). 4. Intimada em 20/8/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 37/39, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 9/9/2014 (fls. 42/44). 4.1 A recorrente alega que informou na aba "dependentes" da DAA do ano calendário 2008, exercício 2009, entregue no dia 19/4/2009, o nome, a data de nascimento e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) relativos ao seu cônjuge, Sr. Luiz Fernando Feiteira Sutter, assim como declarou os respectivos rendimentos tributáveis Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723263/201181 Acórdão n.º 2401004.392 S2C4T1 Fl. 73 3 recebidos e os pagamentos efetuados por ele a título de despesas médicas e plano de saúde. Com o propósito de comprovar tais alegações, trouxe à colação a documentação de fls. 62/67. 4.2 Uma vez prestadas as informações corretamente, requer que sejam consideradas as despesas médicas e o plano de saúde em nome do seu dependente, Sr. Luiz Fernando Feiteira Sutter, no valor total de R$ 10.612,47. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723263/201181 Acórdão n.º 2401004.392 S2C4T1 Fl. 74 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito das deduções de despesas médicas, prescreve o Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifouse) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) 7. De verse que o direito à dedução das despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723263/201181 Acórdão n.º 2401004.392 S2C4T1 Fl. 75 5 8. No tocante às despesas médicas em nome do esposo da recorrente, Sr. Luiz Fernando Feiteira Sutter, a fiscalização justificou a glosa porque ele não constava como dependente do contribuinte na declaração de ajuste. 8.1 Ao não acatar as razões de defesa, mantendo a glosa efetuada pela autoridade lançadora, assim se manifestou a 1ª instância julgadora (fls. 35): Verifico, contudo, que da DAA/2009 a contribuinte não incluiu seu esposo, o Sr. Luiz Fernando Feiteira Sutter, como dependente em sua Declaração. Registrou apenas, no campo próprio, nome e CPF relativo ao próprio cônjuge (fls. 22). 9. Em contraponto, a recorrente afirma que incluiu o dependente na sua DAA do anocalendário 2008, exercício 2009, e, como elementos de prova, apresentou o recibo de entrega, às fls. 62, e a declaração completa de fls. 63/67. 10. De fato, a DAA de fls. 63/67 informa como dependente o Sr. Luiz Fernando Feiteira Sutter, além de incluir os seus rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas (fls. 63). 10.1 Acontece que os dados preenchidos dizem respeito a uma declaração retificadora, conforme se vê do campo "Esta declaração é retificadora? Sim" (fls. 63). Com a inclusão do dependente, o saldo do "Imposto a Restituir" apurado resultou em R$ 5.871,63 (fls. 67). 11. Desse modo, é evidente que o recibo de entrega trazido pela recorrente não correspondente à declaração de fls. 63/67. Não só pelo fato de o recibo assinalar a recepção, em 19/4/2009, às 15:44:19, de uma DAA original, como o montante do "Imposto a Restituir" apurado é distinto, equivalente a R$ 5.416,26 (fls. 62) 12. Por outro lado, tal comprovante de entrega da DAA/2009, anocalendário 2008, revelase congruente com os dados da Declaração de Ajuste objeto de revisão fiscal, os quais dão respaldo fáticojurídico à emissão da Notificação Fiscal nº 2009/052639506279380 (fls. 19/23). 12.1 Com efeito, o quadro "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido", elaborado pela fiscalização, indica no campo 15, relativo ao "Imposto a Restituir Declarado", o valor de R$ 5.416,26 (fls. 7). 12.2 No caso, o valor acima mencionado foi obtido a partir da cópia da DAA/2009, anocalendário 2008, transmitida pelo contribuinte e recepcionada pelo Fisco no dia 19/4/2009, às 15:44:19, em que apurou um crédito de restituição original na importância de R$ 5.416,26 (campo "Imposto a Restituir"), e não relacionou quaisquer dependentes no campo destinado a esse fim (fls. 19/23). 13. Portanto, não há plausibilidade nas alegações da recorrente, inexistindo comprovação da entrega de declaração retificadora pelo contribuinte antes de iniciado o procedimento de ofício da revisão da DAA/2009, anocalendário 2008, de maneira a caracterizar a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.723263/201181 Acórdão n.º 2401004.392 S2C4T1 Fl. 76 6 14. Em outras palavras, a recorrente não fez prova, em linguagem competente, que enviou pela Internet uma Declaração de Ajuste retificadora, incluindo como dependente, para efeito do imposto sobre a renda, o Sr. Luiz Fernando Feiteira Sutter. 15. Logo, inadmissível aceitar, para fins de dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda no anocalendário 2008, os pagamentos a título de despesas médicas e plano de saúde em nome do Sr. Luiz Fernando Feiteira Sutter, no valor total de R$ 10.612,47. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10480.728337/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALEGAÇÕES RECURSAIS SEM PERTINÊNCIA.
Em julgamento de processo relativo a pedido de restituição não cabe ao CARF apreciar requerimento para cancelamento de débito fiscal ou para apresentação de declaração de ajuste anual retificadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson e João Victor Ribeiro Aldinucci, que encaminhavam pelo não conhecimento do recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente ARBUINO RODRIGUES SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ALEGAÇÕES RECURSAIS SEM PERTINÊNCIA. Em julgamento de processo relativo a pedido de restituição não cabe ao CARF apreciar requerimento para cancelamento de débito fiscal ou para apresentação de declaração de ajuste anual retificadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson e João Victor Ribeiro Aldinucci, que encaminhavam pelo não conhecimento do recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 83 37 /2 01 3- 14 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua manifestação de inconformidade apresentada para desconstituir o despacho decisório que indeferiu seu pedido de restituição sobre rendimentos/indenização de anistiado político. Extraímos os principais aspectos do lançamento e da impugnação do seguinte excerto do relatório do acórdão recorrido: "O citado despacho decisório considerou que, apesar de ter sido ratificada a condição de anistiado político, o interessado não auferiu/auferia qualquer reparação econômica, pois foi reintegrado aos quadros da Polícia Militar de Pernambuco, o que não levaria à isenção pleiteada. Inconformado, o interessado, por meio de sua bastante procuradora, contestou o despacho decisório, afirmando que não solicitou isenção por sua condição de anistiado político, mas sim por ser portador de moléstia grave Mal de Parkinson. Requer ainda, revisão de pedidos de parcelamento e restituição de valor pago indevidamente, relativo a reparcelamento. Para instruir o pleito, anexou os documentos de folhas 42 a 56. " A DRJ julgou improcedente a manifestação do sujeito passivo. Segundo o voto do relator, houve uma tentativa de alterar a causa de pedir do pleito de restituição, posto que inicialmente havia sido alegada a condição de anistiado, sendo que depois argumentou tratar de crédito decorrente de isenção por moléstia grave. Continuando, o órgão recorrido esclareceu que mesmo que a situação fosse restituição decorrente da condição de portador de moléstia grave, o processo administrativo fiscal não seria a via para encaminhar tal pleito, mas o sujeito passivo deveria ter apresentado declaração de ajuste anual retificadora, como dispõe a legislação. Cientificada da decisão em 15/04/2015, fl. 65, a viúva do contribuinte interpôs tempestivamente recurso em 14/05/2015, no qual alega que não recolheu o valor do imposto devido relativo ao exercício 2013, posto que desde de 2011 o de cujos foi declarado portador de moléstia que lhe assegurava a isenção, nos termos de laudo emitido pela Junta Superior de Saúde da Polícia Militar de Pernambuco. Afirma que tentou enviar declaração retificadora, todavia, não obteve êxito, em razão da existência de débito em aberto. Ao final pede a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10480.728337/201314 Acórdão n.º 2402005.150 S2C4T2 Fl. 134 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme se viu do relatório acima o recurso é tempestivo. Por atender às demais exigências para admissibilidade, merece conhecimento Limites da lide A competência desta Turma de Julgamento restringese aos limites da lide, a qual diz respeito a recurso contra decisão que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho que indeferiu pedido de restituição. Observase que no recurso a representante do espólio do sujeito passivo busca o cancelamento de supostos débitos que este teria com a RFB. Insurgese contra a impossibilidade de transmitir declaração de ajuste anual em razão do bloqueio do sistema. Ocorre que estes temas, cancelamento do débito e apresentação de retificadora, não estão dentro do objeto deste processo administrativo fiscal, o qual se refere a pedido de restituição. Assim, tendo em vista que as razões recursais não guardam pertinência com o processo em questão, não há o que ser decidido no presente caso. Conclusão Voto por conhecer do recurso para lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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