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Numero do processo: 11080.722892/2011-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 28 92 /2 01 1- 38 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.199, julgado na sessão de 04 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.722892/201138, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde 4 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente 6 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 7 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/0 1/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002599/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/04/2003
CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. EMPREGADO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DECADENCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO ART. 173, I, DO CTN. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte.
A empresa é legalmente obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviço.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até 11/2011, anteriores a 12/2001, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Relator
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1997 a 30/04/2003 CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. EMPREGADO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DECADENCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO ART. 173, I, DO CTN. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. A empresa é legalmente obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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EMPREGADO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DECADENCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO ART. 173, I, DO CTN. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. A empresa é legalmente obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até 11/2011, anteriores a 12/2001, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 25 99 /2 00 7- 65 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13971.002599/200765 Acórdão n.º 2301003.679 S2C3T1 Fl. 364 3 Relatório 1. Cuidase de Recurso Voluntário interposto por CONSTRUTORA E COMÉRCIO CONFI LTDA contra a decisão que julgou válida a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.060.4300. 2. Emerge do relatório fiscal (fls. 60/64) que os documentos apresentados pela empresa quando intimada do procedimento fiscal não foram úteis à verificação direta dos fatos gerados e da base de cálculo das contribuições sociais, a que motivou a auditoria a utilizarse da aferição indireta, por meio de informações constantes do sistema Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS. 3. O crédito constituído se refere às contribuições devidas à Seguridade Social e a outras entidades decorrentes do pagamento aos empregados e administradores da empresa não recolhidas em época própria, referente às competências de 08/1997 a 10/1997, 12/1997 (13º salário), 01/1998 a 03/1998 e 01/1999 a 04/2003 (incluídos os respectivos 13° salários). 4. O levantamento do débito está dividido por códigos de identificação, conforme classificados pelo auditor fiscal (fl. 58): “FOC folha de pagamento dos empregados do período da GFIP; PRO folha de pagamento dos administradores do período da GFIP; FAC folha de pagamento dos empregados do período anterior a GFIP; PRA folha de pagamento dos administradores do período anterior A GFIP.” 5. A ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos transcritos abaixo: “CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. EMPREGADO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é legalmente obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviço. FATO GERADOR Constitui fato gerador da contribuição previdenciária a remuneração declarada pela empresa em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, como, também as declaradas em formulário destinado a processo de parcelamento não formalizado por omissão do contribuinte. AFERIÇÃO INDIRETA É Lícita a presunção do fato gerador, com a apuração por aferição indireta do salário de contribuição quando a empresa deixa de Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 apresentar a documentação comprobatória, cabendo a essa o ônus da prova em contrário. Parágrafo 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. Lançamento Procedente” 6. Visando reverter a constituição do crédito, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 335/340), no qual assinala que: a) entregou todos os documentos solicitados no procedimento fiscal, pelo que a aferição indireta se fez impertinente; b) a documentação apresentada evidencia que suas atividades se encerram no ano de 1997; c) a formalização do encerramento de seus atividades na junta comercial não se deu em 1997, em razão de débitos pendentes; d) jamais colocou em dúvida a veracidade das informações alusivas à remuneração de seus funcionários contidas no documento assinado por seu sóciogerente; e) deixou de oficializar o parcelamento por razões não aclaradas nos autos. 7. Não tendo o Fisco apresentado contrarrazões, o julgamento foi convertido em diligência, por meio de resolução (fls. 342/345), para que a autoridade fiscal verificasse a ocorrência do parcelamento, seu conteúdo, a coincidência com o crédito tributário discutido, bem como eventual pedido de desistência da análise do recurso voluntário. 8. Em atendimento ao disposto na resolução, à fl. 347 a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu despacho conclusivo no qual aclara que o débito aqui discutido não fora abrangido pelo Programa de Recuperação Fiscal – REFIS. 9. Devidamente intimada, a contribuinte deixou transcorrer in albis o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação do resultado da diligência. 10. Após, os autos foram restituídos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13971.002599/200765 Acórdão n.º 2301003.679 S2C3T1 Fl. 365 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA 1. Na última assentada esta Câmara decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse sanada dúvida quanto a inclusão ou não do presente débito no Programa de Recuperação Fiscal (REFIS). 2. Em resposta, a autoridade fiscal removeu as dúvidas informando que os débitos ora lançados não foram consolidados no Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), visto que a dívida consolidada se refere exclusivamente a débitos não previdenciários em cobrança à época pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Eis o trecho da informação fiscal: “Em resposta à Resolução 2301000.212 da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, passase a responder à diligência solicitada. Conforme consta à fl. 315 do presente processo (antiga fl. 310 do processo papel), resta cristalino que os débitos lançados pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD 37.060.4300 não foram consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS – visto que a dívida consolidada referese exclusivamente a débitos não previdenciários em cobrança à época pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Desse modo, podese afirmar conclusivamente que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD 37.060.4300 não foi incluída no REFIS.” (fl. 347) 3. Não há, portanto, óbice ao enfrentamento da matéria recursal trazida ao exame deste colegiado. DA DECADÊNCIA 4. De pronto passo à análise da decadência, assunto que enfrento de ofício, haja vista tratarse de matéria de ordem pública. 5. Tratase de débito previdenciário relativo às competências compreendidas entre 08/1997 a 04/2003. O contribuinte foi cientificado do 21/09/2007, conforme demonstra o documento o AR recebido pelo representante da empresa. (fl. 56/57) 6. Compulsando os autos, depreendese que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 7. O CARF, por intermédio de uma de suas Câmaras Superiores, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal)”. (Processo nº 36918.002963/200575; Recurso nº 243.707 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.418) 8. É o caso, portanto, da aplicação do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, posto que a espécie é de tributo sujeito à homologação. Sendo assim, encontramse decaídas as contribuições relativas ao período de 08/1997 a 09/2002, inclusive. 9. Uma vez que resta o débito a ser enfrentado, passo à análise das demais questões recursais. DO ARBITRAMENTO 10. No que diz respeito à reclamação do contribuinte acerca do procedimento utilizado pelo auditor fiscal para o arbitramento das contribuições, entendo que não há retificação a fazer na decisão recorrida. 11. Ante a negativa da empresa em apresentar toda a documentação solicitada não caberia ao auditor fiscal outra ação a não ser o arbitramento. A justificativa para a adoção do ato extremo está posta no relatório fiscal: “Tendo em vista que não havia documentos para a verificação direta dos fatos geradores e da base de cálculo das contribuições, nas competências não cobertas pelo levantamento do FORCED Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos (Anexo I), assinado pelo proprietário da empresa, esta Auditoria utilizouse das informações contidas no sistema Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, através da GFIP informada mensalmente pela empresa (Anexo II). (fls. 60/61) 12. O procedimento está devidamente previsto na Lei n.º 8.212/91, art. 33, §6º: “Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário”. 13. O Contribuinte, por sua vez, não apresentou documentos hábeis a contestar o procedimento de aferição indireta, de maneira que rejeito a preliminar por ele levantada. DO DÉBITO 14. No que diz respeito ao débito principal, entendo que restou evidenciado nos autos que os valores eram devidos. Os documentos apresentados pela empresa não foram suficientes para elidir o lançamento fiscal. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13971.002599/200765 Acórdão n.º 2301003.679 S2C3T1 Fl. 366 7 15. A ementa do julgado na primeira instância evidencia a obrigação do contribuinte: “CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. EMPREGADO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é legalmente obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviço. FATO GERADOR Constitui fato gerador da contribuição previdenciária a remuneração declarada pela empresa em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, como, também as declaradas em formulário destinado a processo de parcelamento não formalizado por omissão do contribuinte.” 16. Desta forma, mantenho a decisão recorrida quanto às competências não atingidas pela decadência. DA MULTA APLICADA 17. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido de ofício em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 18. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 19. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 20. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 21. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, até 11/2008, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 22. Voto por conhecer do Recurso Voluntário para darlhe parcial provimento e: a) aplicar a decadência prevista no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, para afastar do lançamento as contribuições relativas ao período de 08/1997 a 09/2002, inclusive; b) aplicar a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. 23. No mais, mantenho a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, quanto à aplicação do prazo decadencial, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por aplicar a regra contida no art. 150, § 4o, do CTN. De fato, o STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13971.002599/200765 Acórdão n.º 2301003.679 S2C3T1 Fl. 367 9 Todavia, no caso em tela, entendo que aplicase a regra contida no art. 173, I, do CTN, uma vez que não houve recolhimento antecipado da contribuição devida incidente sobre a remuneração paga aos segurados a serviço da notificada, objeto do lançamento. Observase, da análise do DAD, RDA e RADA, que não houve recolhimento após 11/2001, mas somente até a competência 09/2001, ou seja, houve recolhimento parcial somente em competências alcançadas pela decadência por qualquer regra do CTN. Assim, após 09/2001, verificase que não consta qualquer recolhimento de contribuições sociais. Dessa forma, considerando que o débito se refere às competências compreendidas entre 08/1997 a 04/2003, e considerando que a intimação do sujeito passivo se deu em 21/09/2007, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 11/2001, inclusive, uma vez que, para a 12/2001, o lançamento poderia ter sido lançado em 01/2002, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2003, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do art. 173, citado acima. Nesse sentido, voto por dar provimento parcial ao recurso, para que se exclua, do valor do débito, por decadência, o valor lançado até a competência 11/2001, inclusive. É como voto. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723652/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011
INICIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEMAIS ENVOLVIDOS. ESPONTANEIDADE. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS.
Quando a matéria fiscalizada não é comum à nova intimação, mesmo que o contribuinte intimado já tenha envolvimento com o procedimento iniciado, não resta prejudicada a espontaneidade do contribuinte sobre outros tributos. Para que a espontaneidade reste frustrada é necessário que a retificação seja sobre a mesma matéria intimada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Em havendo tão-somente divergência de interpretação acerca da legislação tributária, ausente o dolo, não deve ser o contribuinte penalizado com a multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 2201-002.195
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício relativa à omissão de rendimentos da atividade rural e desqualificar a multa de ofício remanescente, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Camilo Balbi (Suplente convocado), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathália Mesquita Ceia e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente convocado). Ausentes justificadamente Eduardo Tadeu Farah e Márcio Lacerda.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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DEMAIS ENVOLVIDOS. ESPONTANEIDADE. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. Quando a matéria fiscalizada não é comum à nova intimação, mesmo que o contribuinte intimado já tenha envolvimento com o procedimento iniciado, não resta prejudicada a espontaneidade do contribuinte sobre outros tributos. Para que a espontaneidade reste frustrada é necessário que a retificação seja sobre a mesma matéria intimada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Em havendo tãosomente divergência de interpretação acerca da legislação tributária, ausente o dolo, não deve ser o contribuinte penalizado com a multa de ofício qualificada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício relativa à omissão de rendimentos da atividade rural e desqualificar a multa de ofício remanescente, reduzindoa ao percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 36 52 /2 01 2- 25 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA 2 Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Camilo Balbi (Suplente convocado), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Nathália Mesquita Ceia e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente convocado). Ausentes justificadamente Eduardo Tadeu Farah e Márcio Lacerda. Relatório Mediante o Auto de Infração (fls. 551 a 556), exigese do Recorrente o montante de R$ 346.451,51 a título de imposto suplementar que acrescidos de multa de ofício de 75% e qualificada de 150% e juros de mora, relativos aos anoscalendários 2008, 2009 e 2010, totaliza o valor de R$ 731.444,05, atualizado até maio de 2012. No procedimento fiscal das pessoas jurídicas SOLO AGRICOLA LTDA., (fls. 24) e ALLICORP TRADING E COMERCIO EXTERIOR S/A (fls. 81), ambos iniciados em 13.04.11 constatouse no Livro Caixa das fiscalizadas diversos pagamentos a pessoas físicas, entre elas o presente Recorrente, nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010 sem retenção do imposto de renda na fonte (fls. 75 e 115, respectivamente). Em 07.11.11 e 26.10.11 através dos Termos de Intimação fiscal nº 06 (fls. 496) e 04 (fls. 507) foi solicitado a SOLO e a ALLICORP, respectivamente, que esclarecessem o motivo ou causa dos pagamentos efetuados as diversas pessoas físicas, entre elas o presente Recorrente. As fiscalizadas quedaramse silente e incorreram em multa isolada pela ausência de recolhimento de IRRF. Como houve identificação dos beneficiários, a autoridade fiscal iniciou processo de fiscalização para o Recorrente. Assim, em 11.01.12, o Recorrente foi intimado a ajustar as suas Declarações de Ajuste Anual com vistas a reconhecer os valores recebidos das fiscalizadas. A intimação ainda ponderava que não era preciso ser pago o imposto, pois esse seria alvo de autuação fiscal. Assim, o Recorrente recebeu o respectivo Termo de Inicio de Ação Fiscal (fls. 120) questionando a confirmação do recebimento das Sociedades SOLO e ALLICORP os seguintes montantes: 2008 – R$ 3.900,00, 2009 – R$ 33.983,40 e 2010 – R$ 385.649,15. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10980.723652/201225 Acórdão n.º 2201002.195 S2C2T1 Fl. 3 3 No entanto, o Recorrente em 23.12.11 já havia apresentado Declaração de Ajuste Anual Retificadora referente aos exercícios de 2009 (fls. 126), 2010 (fls. 145) e 2011 (fls. 156). O Termo de Verificação (fls. 534) que gerou o Auto de Infração (fls. 551) excluiu a espontaneidade das declarações retificadoras de 23.12.11 com base na expressão “a dos demais envolvidos” do art. 7º, §1º e 2º do Decreto nº 70.235/72 ao dar por iniciado o procedimento fiscal perante o presente contribuinte em 07.11.11 ou 26.10.11 através dos Termos de Intimação Fiscal nº 06 (fls. 496) e 04 (fls. 507) da SOLO e a ALLICORP, respectivamente. Nesta senda, o Recorrente foi autuado em razão das seguintes irregularidades apontadas no Termo de Verificação fiscal: · Omissão de rendimentos da atividade rural, R$ 839.522,66 no ano calendário 2010 acrescido de multa de ofício (75%); e · Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, R$ 3.900,00 (ano calendário 2008) R$ 33.983,40 (ano calendário 2009) e R$ 385.649,15 (ano calendário 2010), acrescidos de multa qualificada (150%). O Recorrente apresentou Impugnação (fls. 563) aduzindo: · os valores recebidos das empresas SOLO e ALLICORP foram informados nas declarações retificadoras e não estariam sujeitos a tributação, por se tratarem de créditos a receber referente a parcela de lucros; · não estaria enquadrado no § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72 (perda da espontaneidade), uma vez que, não seria mais sócio da empresa SOLO e a infração investigada relacionase com operação portuária enquanto o presente procedimento fiscal estaria investigando distribuição de lucros e haveres. Por consequência, este fundamento acarretaria a espontaneidade das DIRPF – Retificadoras por serem anteriores ao seu Termo de Início de Ação Fiscal; · espontaneidade especialmente quanto aos rendimentos auferidos como produtor rural (ano base 2010), haja vista que este recebimento não teria relação com as pessoas jurídicas fiscalizadas; e · erro na planilha de fls. 546, elaborada para lavratura da autuação, onde teria sido consignado valor em duplicidade, pois se registraram, em 27.09.2010, sob a rubrica TED/REAL, R$ 108,966,74 e, em 29.09.2010, R$ 59.685,56, totalizando R$ 168.652,30. O registro, em 07/10/2010, R$ 168.652,30, BB RONDON, corresponderia a esses mesmos valores, utilizados para pagamento do financiamento de custeio rural, junto ao Banco do Brasil em Rondonópolis (BB RONDON), registrado no Livro Caixa da empresa Solo Agrícola Ltda., apresentado ao Fisco. Afirmando que o direito a receber desses valores constou na Fl. 613DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA 4 declaração de ajuste anual. Pugnando pela não tributação dos valores das planilhas de fls. 545 e 546, ou, se assim não se entender, pela desconsideração do valor lançado em duplicidade (R$ 168.652,30). A 4ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação mantendo a exigência consignada na autuação nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL E PARTE DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Considerase não impugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não se manifesta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA. Carece de comprovação inequívoca a alegação de lançamento em duplicidade de valores de rendimentos considerados omitidos pela autuação. ESPONTANEIDADE. PERDA. PARTICIPANTES. O início do procedimento fiscal em um dos participantes exclui a espontaneidade, em relação às matérias sob investigação, de todos os demais envolvidos nas infrações verificadas, independentemente de intimação. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. VEDAÇÃO. A autoridade administrativa não pode autorizar a retificação da declaração de rendimentos depois de iniciado o processo administrativo fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RENDIMENTOS NÃO DECLARADOS. Configurase a conduta dolosa que busca a supressão do recolhimento dos tributos devidos a omissão reiterada de rendimentos tributáveis em montantes significativamente superiores aos declarados. Cientificado em 10.10.12 (fls. 595), o Recorrente apresentou, tempestivamente, em 09.11.12 (fls. 597), Recurso Voluntário requerendo a total improcedência do lançamento fiscal em razão da espontaneidade das declarações retificadoras e, alternativamente, o reconhecimento da espontaneidade quanto aos valores oriundos de atividade rural, bem como a improcedência da autuação quanto aos valores recebidos das empresas em razão desses valores serem não tributáveis, divisão de lucros e, alternativamente, a retirada do valor em duplicidade de R$ 168.652,30 e afastamento da multa agravada de (150%), pois não está presente o dolo, fraude ou simulação, pelas mesmas razão de direito aduzidas na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10980.723652/201225 Acórdão n.º 2201002.195 S2C2T1 Fl. 4 5 1. Declarações Retificadoras – Espontaneidade O Recorrente alega que não houve a perda de espontaneidade, a um porque a matéria fiscalizada no âmbito da pessoa física não é a mesma matéria fiscalizada no âmbito da pessoa jurídica e a dois porque não mais faz parte do quadro societário das empresas SOLO e ALLICORP e nem se encontra em seus quadros como diretor ou empregado. Para tanto, utiliza como base o § 1º do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72. Confirase o disposto no § 1º do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72: Art. 7.º. (...): (...) § 1º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifos nossos) A espontaneidade não é apenas inerente ao contribuinte, como critério subjetivo, mas também abrange a matéria objeto de fiscalização, como critério objetivo. Assim, para que haja espontaneidade tanto contribuinte como matéria não podem ser alvo de procedimento fiscal em curso. Assim, o dispositivo legal ao dispor acerca da exclusão da espontaneidade se refere ao contribuinte como uma pessoa envolvida na mesma matéria foco da fiscalização em andamento. E, não poderia ser diferente. A intenção da norma é justamente evitar que o contribuinte ciente de possíveis irregularidades tributárias em fiscalização pelas autoridades tire proveito desse fato e frustre autuação fiscal. Logo, para que o contribuinte frustre autuação fiscal é preciso que seja a mesma matéria em questão, caso contrário, a autuação fiscal permanece. Assim, no caso em questão, apesar de o Recorrente já ter conhecimento da fiscalização que estava ocorrendo nas empresas SOLO e ALLICORP, tendo em vista que em 13.04.2011 foi ele que recebeu a fiscalização em nome dessas empresas, como a matéria abordada nessa fiscalização não lhe era comum, a retificação das declarações de ajuste anual no âmbito da pessoa física não frustram a autuação para a qual houve intimação das pessoas jurídicas. Desta forma, a espontaneidade do Recorrente resta mantida quando da retificação das suas declarações de ajuste anual. Portanto, em face dos fatos apresentados resta mantida a espontaneidade do Recorrente quando da apresentação das declarações retificadoras em 23.12.11, devendo as informações apresentadas pelo Recorrente na referidas declarações serem consideradas como válidas e passíveis de produção de seus efeitos. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA 6 2. Rendimentos da Atividade Rural Como as declarações de ajuste anual retificadoras apresentadas pelo Recorrente gozam de espontaneidade, a multa de ofício de 75% aplicada sobre o imposto devido em rendimentos de atividade rural deve ser afastada. 3. Rendimentos Recebidos das Pessoas Jurídicas O Recorrente solicita a improcedência da autuação, quanto aos valores recebidos das sociedades SOLO e ALLICORP listados às fls. 545/546, em razão desses valores serem não tributáveis, pois seriam decorrentes de divisão de lucros devidas. O Recorrente aponta que os valores recebidos das sociedades SOLO e ALLICORP são créditos a receber referentes a lucros e haveres quando o mesmo ainda fazia parte dos quadros societários dessas empresas. Ou seja, não se trata de rendimentos, mas sim de créditos, logo alega que não deve haver incidência do imposto de renda, pois não se trata de rendimento. Ou melhor, são créditos ainda não recebidos. Entretanto, apesar da argumentação do Recorrente, a fiscalização consegue comprovar que tais valores não se tratam de créditos a receber do Recorrente, mas sim de valores já pagos pela sociedade ao Recorrente. A prova advém do livro caixa da empresa, pelo qual se verifica que os valores apontados pela fiscalização na autuação foram pagos pela referida empresa e o beneficiário dos rendimentos é o Recorrente. Neste sentido, em não se tratando de crédito a receber, mas sim de valores já recebidos e não tendo o Recorrente justificado a natureza do rendimento, mantémse a autuação da fiscalização. A multa qualificada de 150% aplicada sobre esse valores pagos por pessoa jurídica ao Recorrente deve ser reduzida para 75%, tendo em vista que não restou comprovado o intuito de sonegação, fraude ou conluio. Ou seja, não houve utilização de artifícios para afastar o pagamento do tributo. O Recorrente reporta nas suas declarações retificadoras os valores recebidos de pessoa jurídica, o Recorrente não nega a existência desses valores, mas apresenta sim uma percepção equivocada do tratamento tributário que deve ser dispensado a esses rendimentos e interpretação divergente não deve ser penalizada com multa de ofício qualificada. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10980.723652/201225 Acórdão n.º 2201002.195 S2C2T1 Fl. 5 7 Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício relativa à omissão de rendimentos da atividade rural e desqualificar a multa de ofício remanescente, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Nathália Mesquita Ceia – Relatora. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA
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Numero do processo: 15956.000469/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.283
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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Elias Sampaio Freire – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 46 9/ 20 07 -1 0 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000469/200710 Resolução nº 2401000.283 S2C4T1 Fl. 181 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pelo COLÉGIO NOSSA SENHORA AUXILIADORA, irresignado com o acórdão de fls., por meio do qual fora mantida a integralidade do Auto de Infração n. 37.126.3948, lavrado para a cobrança de multa aplicada por ter a empresa apresentado as GFIP´s com erro de preenchimento de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 6° da lei 8212/91. Conforme se depreende do Relatório Fiscal da Infração, constatouse que a recorrente, no período de 01/2001 a 05/2003, utilizouse incorretamente do FPAS 639 (entidade isenta) quando o correto seria 574 (estabelecimento de ensino). Com relação ao período posterior a 05/2003, incorreu no mesmo procedimento, no entanto, este período foi classificado em fundamentação legal diversa da aplicada neste Auto de Infração, tendo em vista a alteração promovida pelo Decreto 4.729/03 no Inciso II do artigo 284 do Decreto 3048/99 e, portanto, estas competências estão incluídas no Auto de Infração 37.126.3930. Ademais, foi verificado, ainda, que a empresa incorreu em erros na "Declaração para o INSS" (folha de rosto da GFIP), deixando de informar nas competências 12/2001 e 12/2002 os campos: "contrib desc prev socIal comp 13" "valor devido prev social comp 13" A multa lançada compreende o descumprimento de obrigações acessórias no período de 01/2001 a 05/2003, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 28/09/2007 (fls. 01). Em seu recurso, alega o recorrente que está amparado pelos institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito uma vez que o mesmo conforme os documentos acostados aos autos é detentor do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos permanente, por força do Decretolei n o 1572/77. Afirma, por conseguinte, ter por finalidade a assistência social por meio da educação, da cultura e da assistência social, como instrumento de promoção, defesa e proteção da infância, da adolescência, da juventude e de adultos, em consonância com a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), a Lei de Diretrizes e Bases da Educa cão Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), bem como aplica a totalidade de seus recursos econômicofinanceiros integralmente na consecução de suas finalidades institucionais dentro do Território Nacional e os seus diretores, presidente e membros do conselho exercem seus cargos gratuitamente, sem qualquer tipo de remuneração, não distribuindo lucros ou dividendos. Defende se considerada como instituição de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal, além de ser inscrita no CNAS e declarada como de fins filantrópicos desde 1975. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000469/200710 Resolução nº 2401000.283 S2C4T1 Fl. 182 3 Sustenta que impetrou junto ao Superior Tribunal de Justica STJ, o Mandado de Segurança 11.393/DF contra ato do Senhor Ministro de Estado da Previdência Social, estando, portanto, o equivocado cancelamento de seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, pendente de julgamento, motivo pelo qual o presente auto de infração deve ser cancelado. Relata que a segurança fora denegada pelo Superior Tribunal de Justica STJ, estando o mesmo pendente de julgamento de recurso interposto ao Supremo Tribunal Federal – STF, que através do Min. Marco Aurélio de Mello, concedeu medida liminar suspendendo a exigibilidade da cota patronal em favor da recorrente. Por fim, defende que o Auto de Infracão e acórdão ora impugnados contrariam ordem judicial emanada do Mandado de Segurança 1999.61.00.0291982, o qual, em sentença proferida pelo Juízo da 2 a Vara da Justiça Federal da Segunda Subseção Judiciária de Ribeirão Preto confirmada em acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região TRF 3a REGIÃO, concedeu segurança a fim de isentar o recorrente do recolhimento da contribuição incidente sobre a folha de salários, por ser portador do "Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS/CEBAS) " junto Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o necessário relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000469/200710 Resolução nº 2401000.283 S2C4T1 Fl. 183 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator No presente caso a lançamento se deu em decorrência da emissão de Ato Cancelatório da Isenção ao pagamento das contribuições patronais em desfavor da recorrente. Em suas razões de recurso, sustenta que no Mandado de Segurança 1999.61.00.0291982, foi proferida sentença pelo Juízo da 2a Vara da Justiça Federal da Segunda Subseção Judiciária de Ribeirão Preto confirmada em acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região TRF 3a REGIÃO, a qual concedeu segurança a fim de isentar o recorrente do recolhimento da contribuição incidente sobre a folha de salários, por ser portador do "Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS/CEBAS) " junto Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS De tal sorte, ao analisar os autos do presente processo, não verifiquei dele constarem informações seguras acerca do andamento atualizado das ações que se relacionam com o presente lançamento. Assim, entendo que antes mesmo da análise das alegações de mérito objeto do recurso voluntário, que exista providência a ser tomada para o devido esclarecimento acerca do andamento e objeto das ações judiciais indicadas no presente processo. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que os autos baixem a origem e que a ilustre autoridade fiscal informe a este Conselho, o andamento atualizado do MS 1999.61.00.0291982 e MS 11.393/DF, fazendo juntar aos autos cópia de suas iniciais e das decisões que nele porventura já tiverem sido proferidas. Após devidamente cientificado o contribuinte das providências tomadas, que os autos sejam novamente enviados a este Eg. Conselho. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 16327.904230/2008-62
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, em virtude da decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São PauloSP1, a qual julgou improcedente o pedido do contribuinte, mantendo a não homologação da declaração de compensação no. 11848.14402.250804.1.3.042400. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 23 0/ 20 08 -6 2 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 143 2 Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 90 a 94 (PER/DCOMP nº 11848.14402.250804.1.3.042400), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód. receita 0220) relativo ao período de apuração do 4º trimestre de 1999. Pelo Despacho Decisório de fls. 03 o contribuinte foi cientificado, em 29/08/2008 (fls. 95), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 1.580,00). Irresignado, o contribuinte apresentou em 29/09/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 e 02, alegando, em apertada síntese, o seguinte: 4.1 Que conforme apurado na DIPJ de 2000, anocalendário 1999, a empresa apresentou um recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, uma vez que os recolhimentos por estimativa ultrapassaram o débito real do período, conforme a seguinte tabela: Que os valores acima foram utilizados para compensar os débitos informados na DCOMP com os devidos acréscimos legais. Que o crédito foi devidamente corrigido até a data da apresentação da DCOMP. Que o saldo remanescente do crédito foi devidamente compensado com outros créditos. 4.5 Por fim solicita que seja cancelado o despacho decisório, uma vez que o débito foi devidamente pago conforme a utilização de parte do crédito gerado no ano de 1999. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo SP1, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 1634.2898, sessão de 18 de outubro de 2011, cuja ementa está abaixo transcrita: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 144 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido. Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em apertada síntese que a decisão da DRJ é nula por falta de fundamentação; que houve a decadência/prescrição das cobranças dos períodos compensados com o crédito pleiteado; e, quanto ao mérito, ante a existência de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 1999, possui direito à compensação desse crédito com outros tributos federais administrados pela SRFB; requerendo, ao final, acolhimento da defesa para reforma do julgado. É o relatório, passo a decidir. Voto Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 14.02.2012, conforme aviso de recebimento fls. 103 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 14.03.2012, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares Nulidade da Decisão da DRJ Alega o contribuinte que a decisão da DRJ é nula, porque é vazia e totalmente desprovida de fundamentação jurídica, pois, limitase a declarar como incorreto o procedimento adotado, aduzindo que não estaria comprovado direito creditório. Tal afirmação não merece prosperar. Nesta perspectiva, verificase que a decisão recorrida claramente delimitou o ponto sobre o qual analisaria o pedido da recorrente, conforme trecho da decisão recorrida sobre esse ponto: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 145 4 Segundo informações constantes na Manifestação de inconformidade apresentada, percebese que o pretenso direito creditório seria, na realidade, de saldo negativo de IRPJ apurado em 1999 e não de pagamento a maior conforme declarado. Seguindo com sua fundamentação, a decisão recorrida trouxe os motivos pelos quais não reconhecera o crédito tributário pleiteado, ante a não comprovação do pagamento a maior do que o devido ou saldo negativo por documentos contábeis e fiscais: 8. Primeiramente, independentemente de qualquer outra análise, não haveria como se reconhecer o direito creditório aqui pleiteado, vez que o pagamento efetuado em janeiro de 2000 foi totalmente utilizado para a quitação do débito de IRPJ no valor de R$ 1.617,16, declarado na DCTF do 4º trimestre de 1999 (ND: 00001.002.000/60247688) e o contribuinte não demonstrou que o pagamento efetuado realmente tivesse sido feito a maior, trazendo documentação que pudesse de fato demonstrar que a apuração de IRPJ do referido período fosse inferior ao declarado. Em que pese não haver IRPJ a pagar no 4º trimestre de 1999, conforme DIPJ anexada, tal demonstrativo não serve como prova do alegado visto que seria preciso demonstrar que o ali apurado reflete a realidade dos fatos, estando devidamente escriturado na contabilidade do manifestante, bem como amparado por documentação hábil que pudesse comprovar a exatidão de tais registros. Somente estes elementos já seriam suficientes para o não reconhecimento do crédito aqui requerido. 9. Além dos apontamentos acima, ainda cumpre frisar que o pedido se refere a um pagamento indevido ou a maior, enquanto que nas alegações parece se referir a um suposto saldo negativo, no entanto, observando a DIPJ anexada, notase que não se poderia configurar a hipótese aventada uma vez que não houve recolhimento de estimativas, conforme alegado, visto que o regime adotado pelo manifestante foi o do lucro real trimestral, apurando prejuízo fiscal em dois dos 4 trimestres de 1999 e imposto a pagar em outros dois. Dada a falta de clareza quanto ao direito creditório requerido forçoso se faz reconhecer a correção do despacho combatido pelas razões acima mencionadas. Desta forma, constatase que a decisão recorrida está plenamente fundamentada. Com efeito, rejeito a preliminar argüida. Decadência e Prescrição Alega o contribuinte, como preliminar, que houve prescrição do direito de cobrança da Fazenda, em relação aos débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo, porque os débitos são de 2001 e a cobrança foi efetuada apenas em 2012. Entendo que a referida alegação também não merece prosperar. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 146 5 Cabe alertar, primeiramente, que os débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ora debatido, estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional, e, portanto, não podem ser cobrados. A existência do processo administrativo de cobrança no. 16327.904230/2008 62, constante à fl. 101, relacionando tais débitos, serve apenas de controle da Secretaria da Receita Federal, para adotar as medidas cabíveis após o desfecho do presente processo e não implica qualquer restrição aos direitos do contribuinte. No caso concreto, ora em análise, em agosto de 2008, a Contribuinte tomou ciência do despacho decisório não homologando as compensações realizadas, sob o argumento de que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O referido despacho decisório fora objeto de impugnação administrativa, a qual recebera decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São PauloSP1, que manteve o indeferimento da compensação efetuada, conforme Acórdão n° 1634.2898, na sessão de 18 de outubro de 2011. E, diante dessa decisão contrária, a Recorrente apresentou recurso voluntário que ora está sendo analisado pelo CARF. Portanto, percebese que o presente processo está seguindo seu curso normal e, em momento algum, a Recorrente foi cobrada pelos débitos compensados, não havendo que se cogitar sobre a ocorrência de prescrição do direito da Secretaria da Receita Federal, em efetuar tal cobrança, sendo totalmente descabida tal alegação pela Recorrente. Ademais, como se não bastasse, está sendo analisada a não homologação de declaração de compensação, referentes a crédito de 1999, mas, submetidas em agosto de 2004. Desta feita, o prazo para homologação dos tributos iniciase a partir da data de transmissão das declarações e; somente a partir desta data, iniciase o prazo decadencial de cinco (5) anos para o Fisco homologar expressamente as compensações realizadas (art. 74, §§2º e 5º da Lei 9.430/96). Caso esse prazo decorra sem qualquer manifestação por parte do Fisco, ocorre a chamada homologação tácita. Ocorre que, em agosto de 2008, o Fisco emitiu despacho decisório não homologando as compensações realizadas, determinando o pagamento dos valores devidos. Ou seja, percebese que não há que se cogitar prescrição ou decadência, vez que houve análise dos pedidos de compensação do Recorrente dentro do prazo por Lei estipulado. Desta forma, rejeito a preliminar. Do Mérito Conforme exposto, a Recorrente pugna pela revisão do decisum a quo, por esse ter mantido a decisão que indeferiu a homologação do PER/DCOMP número 11848.14402.250804.1.3.042400, referente a crédito decorrente saldo negativo do ano calendário de 1999, utilizado para quitar os débitos de IRPJ. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 147 6 A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (devidamente declarado em DCTF), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ademais, ressaltou em seu julgado que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovasse cabalmente o crédito pleiteado. Na verdade, apesar da Recorrente em seu recurso voluntário reforçar a tese de que está usando o suposto pagamento indevido de R$1.617,16, referente ao 4º trimestre de 1999, pelos argumentos e provas trazidos aos autos, em especial, a manifestação de inconformidade, concluise que o presente processo tratase do reconhecimento de um crédito de R$4.491,07, a título de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 1999, cuja origem decorre de pagamento de estimativas mensais, no valor de R$6.443,59, que ultrapassou o imposto realmente devido, no montante de R$1.952,52. Verifico que o despacho Decisório, ao mencionar que o crédito pleiteado já havia sido utilizado para outros pagamentos, o fez, porque o contribuinte informou em sua PER/DCOMP, tratarse de pagamento “indevido ou a maior” de estimativa e não “saldo negativo do período”, que é o caso. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP, o recolhimento de estimativa como origem do crédito e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. No que diz respeito, particularmente à essa questão, vale transcrever o seguinte julgado: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. A imperfeição na forma de pedir utilizada pelo interessado, referindo se ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da existência de crédito de imposto, nem motivar o indeferimento do pedido, sobretudo porque o primeiro afeta diretamente o segundo. A mera falta de informação do saldo negativo pleiteado na DIPJ também não constitui motivo para negar o direito creditório. (Delegacia de Julgamento no RJ, Acórdão 1211125, sessão de 11/08/2006) Esse entendimento está calcado também no Princípio da Verdade Material, instituto que norteia o Processo Administrativo e que deve ser observado criteriosamente, conforme preconizam os julgados deste Conselho in verbis: "IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Por força do principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, insubsiste a parcela da exigência fundada em erro de fato no preenchimento da declaração de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 148 7 rendimentos, devidamente comprovado em diligência fiscal determinada para aquele fim. Recurso provido." (Acórdão 10514307, 5' Camara, 1° Conselho, sessão 20/02/2004) — g.n. "IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado. (Acórdão 10807418, 8 Camara, 1° Conselho, sessão 11/06/2003) — g.n. "IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — COMPENSAÇÃO — ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do principio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 10808805, 8' Camara, 1° Conselho, sessão 27/04/2006) — g.n. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo 10283.900148/200917. (grifos meus) Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 149 8 No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: 8. Primeiramente, independentemente de qualquer outra análise, não haveria como se reconhecer o direito creditório aqui pleiteado, vez que o pagamento efetuado em janeiro de 2000 foi totalmente utilizado para a quitação do débito de IRPJ no valor de R$ 1.617,16, declarado na DCTF do 4º trimestre de 1999 (ND: 00001.002.000/60247688) e o contribuinte não demonstrou que o pagamento efetuado realmente tivesse sido feito a maior, trazendo documentação que pudesse de fato demonstrar que a apuração de IRPJ do referido período fosse inferior ao declarado. Em que pese não haver IRPJ a pagar no 4º trimestre de 1999, conforme DIPJ anexada, tal demonstrativo não serve como prova do alegado visto que seria preciso demonstrar que o ali apurado reflete a realidade dos fatos, estando devidamente escriturado na Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 150 9 contabilidade do manifestante, bem como amparado por documentação hábil que pudesse comprovar a exatidão de tais registros. Somente estes elementos já seriam suficientes para o não reconhecimento do crédito aqui requerido. 9. Além dos apontamentos acima, ainda cumpre frisar que o pedido se refere a um pagamento indevido ou a maior, enquanto que nas alegações parece se referir a um suposto saldo negativo, no entanto, observando a DIPJ anexada, notase que não se poderia configurar a hipótese aventada uma vez que não houve recolhimento de estimativas, conforme alegado, visto que o regime adotado pelo manifestante foi o do lucro real trimestral, apurando prejuízo fiscal em dois dos 4 trimestres de 1999 e imposto a pagar em outros dois. Dada a falta de clareza quanto ao direito creditório requerido forçoso se faz reconhecer a correção do despacho combatido pelas razões acima mencionadas. Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. A Contribuinte com base na DIPJ anexada aos autos, alegou que efetuou recolhimentos a título de estimativas de IRPJ que ultrapassaram o valor real devido no período a título de IRPJ, conforme quadro abaixo: Nessa linha, então, apesar da DIPJ levar à conclusão que o regime adotado pela Contribuinte foi o do lucro real trimestral e que apurou prejuízo fiscal em 02 (dois) dos 04 (quatro) trimestres de 1999, com imposto a pagar em outros dois, tal fato não foi amplamente esclarecido durante o trâmite processual para dar a certeza ao julgador em sua decisão. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Ademais, o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora e a condução do exame do PER/DCOMP não permitiu que a documentação contábil e fiscal fosse confirmada. Desta forma, entendo que a solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904230/200862 Resolução nº 1802000.425 S1TE02 Fl. 151 10 Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo, em Marília, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que entenda necessários verifique e informe: 1) O regime de apuração adotado pela Contribuinte; 2) O valor do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 1999, se aplicável; 3) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 1999, já fora compensado com outros débitos federais e; 4) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 1999, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 11848.14402.250804.1.3.042400. Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de afastar as preliminares e converter o julgamento em diligência, para que a DRFSP, em Marília atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10680.008785/2002-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2001
BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da contribuição, nos períodos de competência de dezembro de 1996 a dezembro de 2001, era o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim entendido o total das receitas operacionais.
FUNDAÇÃO. RECEITAS. TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO E DE MODERAÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ISENÇÃO.
As receitas de taxa de administração e de moderação, cobrados dos associados, decorrem de atividades próprias de fundação e, a partir de 1º de fevereiro de 1999, tornaram-se isentas da contribuição, por expressa determinação legal.
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. EXCLUSÃO.
Por força do disposto no art. 62-A do RICARF. c/c a decisão do STF, no julgamento do RE 585.235-QO/MG, sob o regime do art. 543-B da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece-se a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 que ampliou a base de cálculo da Cofins cumulativa, para afastar a incidência da contribuição sobre receitas não operacionais, no períodos de competência de fevereiro de 1999 a dezembro de 2001.
Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para manter a exigência da contribuição do período de dezembro/1996 a janeiro/1999 sobre as receitas de taxa de seguro, taxa de administração e taxa moderadora; e II) em relação ao recurso especial do sujeito passivo, dar provimento parcial: a) por maioria de votos, para reconhecer a decadência relativa ao período de janeiro a novembro/1996. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez López; e b) por unanimidade de votos, para excluir da base de cálculo da contribuição as receitas de aluguel do período de dezembro/1996 a janeiro/1999 e excluir integralmente a exigência a partir de fevereiro/1999.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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TRIBUTO. DIFERENÇAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, reconhecese a decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Nacional constituir a parte do crédito tributário lançada e exigida para as competências de janeiro a novembro de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição, nos períodos de competência de dezembro de 1996 a dezembro de 2001, era o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim entendido o total das receitas operacionais. FUNDAÇÃO. RECEITAS. TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO E DE MODERAÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ISENÇÃO. As receitas de taxa de administração e de moderação, cobrados dos associados, decorrem de atividades próprias de fundação e, a partir de 1º de fevereiro de 1999, tornaramse isentas da contribuição, por expressa determinação legal. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. EXCLUSÃO. Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STF, no julgamento do RE 585.235QO/MG, sob o regime do art. 543B da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 que ampliou a base de cálculo da Cofins cumulativa, para afastar a incidência da contribuição sobre receitas não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 87 85 /2 00 2- 81 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 operacionais, no períodos de competência de fevereiro de 1999 a dezembro de 2001. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para manter a exigência da contribuição do período de dezembro/1996 a janeiro/1999 sobre as receitas de taxa de seguro, taxa de administração e taxa moderadora; e II) em relação ao recurso especial do sujeito passivo, dar provimento parcial: a) por maioria de votos, para reconhecer a decadência relativa ao período de janeiro a novembro/1996. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez López; e b) por unanimidade de votos, para excluir da base de cálculo da contribuição as receitas de aluguel do período de dezembro/1996 a janeiro/1999 e excluir integralmente a exigência a partir de fevereiro/1999. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Procuradoria Fazenda Nacional e pela contribuinte contra o acórdão nº 20310.409, proferido pela Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, cujos membros acordaram, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto à decadência, e, por maioria de votos, em dar provimento quanto ao restante. O acórdão recorrido foi assim ementado: “COFINS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. BASE DE CALCULO. Até 31/01/99, as entidades sem fins lucrativos não enquadradas como beneficentes de assistência social, sujeitavamse ao pagamento da Cofins em relação as receitas inerentes ao seu objeto, nos termos do artigo 2° da Lei Complementar n°70, de 30 de dezembro de 1991. ISENÇÃO. A partir de 01/02/99, as fundações são isentas da Cofins em relação as receitas decorrentes de atividades Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.008785/200281 Acórdão n.º 9303002.447 CSRFT3 Fl. 739 3 próprias, conforme Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Recurso voluntário provido.” Cientificada desse acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração alegando obscuridade e omissão no julgado. Analisados os embargos, estes foram rejeitados, conforme Despacho às fls. 379/372. Intimada da rejeição dos embargos, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 382/409, requerendo a reforma da decisão recorrida, a fim de que seja restabelecida a decisão da DRF em Belo Horizonte, alegando, em síntese, que, nos períodos mensais de competência de janeiro de 1996 a janeiro de 1999, as receitas de aluguéis estão compreendidas no conceito de faturamento, nos termos do art. 2º da LC nº 70, de 1991, e, portanto, integram a base de cálculo da Cofins; e, nos períodos subseqüentes, fevereiro de 1999 a dezembro de 2001, as receitas decorrentes da taxa de administração e da taxa moderadora não estão compreendidas no conceito de receitas de atividades próprias, segundo o disposto no art. 13, VIII, e 14, X, da MP nº 2.13835/01, e art. 55 da Lei nº 8.218, de 1991, e, assim, também integram a base de cálculo dessa contribuição. Analisada a admissibilidade do recurso especial, este foi então admitido e dado seguimento, conforme despacho de fls. 418/420. Cientificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, fls. 437/450, e, também, recurso especial, fls. 475/492, contra a parte do acórdão recorrido que lhe foi desfavorável, ou seja, contra o não reconhecimento da decadência parcial do crédito tributário lançado e exigido e, ainda, contra o não reconhecimento de isenção da Cofins sobre suas receitas. Contrarrazões da Fazenda Nacional vieram às fls. 577/596. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Os recursos apresentados pela Fazenda Nacional e pela contribuinte são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. As matérias, em discussão nesta fase recursal, se restringem à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir parte do crédito tributário impugnado e à incidência da Cofins sobre as receitas da recorrente. Recurso Especial do Sujeito Passivo I Decadência. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O sujeito passivo suscitou, em seu recurso especial, a decadência em relação às competências de janeiro de 1996 a maio de 1997. A decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário está regulada no CTN, que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Já no julgamento do REsp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça (STJ) assim decidiu, quanto à decadência: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação da contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. No presente caso, a recorrente foi intimada do lançamento em 19/06/2002, conforme provam a assinatura e a data, postas no auto de infração às fls. 25. Do exame dos autos, nenhum documento foi encontrado comprovando antecipação de pagamento para as parcelas lançadas e exigidas. Também, em momento algum, a recorrente alegou pagamentos por conta dos valores lançados e exigidos. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.008785/200281 Acórdão n.º 9303002.447 CSRFT3 Fl. 740 5 Para as competências de dezembro de 1996, em diante, não há que se falar em decadência. O primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido exigida a contribuição, daquele mês, ocorreu em 1º/01/1998. Contandose os cinco anos para sua exigência, a data limite expirou em 1º/01/2003, na prática em 31/12/2002, contudo a recorrente foi intimada do lançamento em 19/06/2002. Assim, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, aquela decisão, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente aos fatos geradores das competências de janeiro a novembro de 1996. Recursos da Fazenda Nacional e do Sujeito Passivo II Incidência da Cofins O Procurador da Fazenda Nacional defende a incidência da contribuição, para as competências de janeiro de 1996 a janeiro de 1999, sobre as receitas de aluguéis, sob o argumento de que integram o faturamento, nos termos da LC nº 70, de 1991, e, para as demais competências, sobre a totalidade das receitas, da Lei nº 9.718, de 1998, e, ainda que, a decisão recorrida afrontou o art. 2º da LC nº 70/91, excluindo os aluguéis do faturamento; e, colidiu com o art. 13, VIII, e 14, X, da MP nº 2.15835/01, e também com o art. 55 da Lei nº 8.212/91, retirando a tributação que incidia sobre as taxas de administração e moderadora. Já a recorrente, defende a isenção de suas receitas à incidência da contribuição. O lançamento em discussão abrangeu os períodos mensais de competência de janeiro de 1996 a dezembro de 2001 e teve como fundamento, a LC nº 70, de 1991, para as competências de janeiro de 1996 a janeiro de 1999, e a Lei nº 9.718, de 1998, para as demais competências, fevereiro de 1999 a dezembro de 2001. Todavia, as competências de janeiro a novembro de 1996 foram alcançadas pela decadência, restando, portanto, examinar as posteriores. II a) competências de dezembro de 1996 a janeiro de 1999 A LC nº 70, de 1991, que fundamentou a exigência da contribuição para os períodos mensais de competência de janeiro de 1996 a janeiro de 1999, que assim dispunha: “Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Art. 6° São isentas da contribuição: [...]; III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Ora, segundo este diploma legal, a base de cálculo da contribuição, naquele período é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, ou seja, as receitas operacionais. Assim, para as pessoas jurídicas que têm como objeto social e econômico, o comércio de bens, o faturamento corresponde à receita operacional bruta dos bens revendidos, no caso de industrialização, à receita operacional bruta dos bens fabricados e vendidos e, no caso de prestação de serviços, à receita operacional bruta dos serviços prestados decorrentes de seu objeto social e econômico. No presente caso, a recorrente é uma fundação, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como objetivos sociais e econômicos “a prestação de serviços e benefícios aos empregados e exempregados da instituidora; promover iniciativa de caráter social, cultural e recreativo, visando ao bem estarestar comum; administrar planos de benefícios a empregados e exempregados da instituidora”, conforme consta de seu Estatuto Social, cópia às fls. 73/79. Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, e o Estatuto Social, a recorrente não se enquadra no inciso III do art. 6º, e, portanto, suas receitas decorrentes da prestação de serviços, previstos em seu estatuto, com exceção das receitas de aluguéis, estavam sujeitas à contribuição, conforme decidido no acórdão recorrido. As receitas de aluguéis, ora tributadas, não decorram de suas atividades nem de seus objetivos sociais e econômicos e, portanto, constituem receitas não operacionais que não integram seu faturamento mensal. Já as demais receitas tributadas, taxas de seguro/administração e taxa moderadora, decorrem dos serviços prestados aos seus associados, integram seu faturamento e estavam sujeitas à contribuição. Naquele período, não havia legal previsão para isentar receitas da atividade própria o que veio a ocorrer com a edição da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, com aplicação retroativa a fevereiro de 1999. IIb) competências de fevereiro de 1999 a dezembro de 2001 Naquele período, foram tributadas outras receitas (correntes, eventuais, taxa moderadora, taxas de seguro/administração, aluguéis e financeiras). A Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que fundamentou a exigência nesse período, assim dispõe: Fl. 640DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.008785/200281 Acórdão n.º 9303002.447 CSRFT3 Fl. 741 7 “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) [...].” No entanto, posteriormente, foi editada a MP nº 2.15835, de 24/08/2001, assim dispondo: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...]; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. [...].” Por sua vez, o art. 13, citado no inciso X, assim estabelece: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...]; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; [...].” Ora, as receitas de taxas de seguro/administração e de taxa de moderação decorrem da atividade fim da contribuinte (próprias) e se enquadram no inciso X do art. 14, citados e transcritos acima. Dentre os objetivos do interessado se encontra a prestação de serviços aos seus associados (empregados e exempregados da sua instituidora), incluindo a administração de planos de benefícios e outros serviços administrativos. Para atender este objetivo, cobra taxas de administração e de moderação dos beneficiários dos serviços colocados a sua disposição. Assim, as receitas auferidas com tais serviços constituem receitas de suas atividades próprias e não estão sujeitas à Cofins, conforme decidido no acórdão recorrido. Já em relação às demais receitas (correntes, eventuais, aluguéis e financeiras), a exigência da contribuição teve como fundamento o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de Fl. 641DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 27/11/1998, citados e transcritos anteriormente, que havia ampliando a base da Cofins para a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. No entanto, no julgamento dos RE’s nºs 357.950 e 358.273, com decisões transitadas em julgado em 01/09/2006, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins, promovidas pela Lei nº 9.718, de 27/11/1998, art. 3º, § 1º. Também, o próprio Poder Executivo, levandose em conta estas decisões, revogou, por meio da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 79, inciso XII (MP nº 449, de 03/12/2008), aquele parágrafo primeiro que determinava a ampliação da base de cálculo dessas contribuições. Dessa forma, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, aquela decisão, para afastar a incidência da Cofins sobre outras receitas, nos períodos de competência de fevereiro de 1999 a dezembro de 2001. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial aos recursos especiais, da contribuinte, para: 1) reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir a parte do crédito tributário correspondente às competências de janeiro a novembro de 1996; 2) excluir da base de cálculo da contribuição, no período de dezembro de 1996 a janeiro de 1999, as receitas de aluguéis; e, 3) cancelar integralmente a exigência da contribuição para os períodos de competência de fevereiro de 1999 a dezembro de 2001; e, da Fazenda Nacional, para manter a exigência da contribuição, no período de dezembro de 1996 a janeiro de 1999, lançada e exigida sobre as demais receitas (taxas de seguro/administração e taxa moderadora), acrescida das cominações legais. Henrique Pinheiro Torres Fl. 642DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.000308/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presente autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 30 8/ 20 10 -6 3 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000308/201063 Resolução nº 2401000.335 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrado sob o n. 37.171.3552, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados, na competência 05/2005. Conforme relatório fiscal, fl. 13 a 15, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AI, os valores das contribuições apuradas do montante lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item 48 ( Participações de Empregados ) e folha de pagamento ( SUPERAÇÃO ) apresentada e cujos pagamentos efetuados não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social. Foi utilizado o código de levantamento SI Base de Cálculo Sem Identificada Nominal e Não Declarada em GFIP. Ainda conforme descrito pelo auditor os motivos pelo qual os valores não foram considerados como PLR (excluídos do conceito de salário de contribuição) é o fato de não estar de acordo com a lei 10.101 de 19/12/2000, Art. 2°. § 1°: Acordo referente ano de 2004 firmado em 01/06/2004, o acordo tem que ser pactuado previamente este foi no meio do ano. 1. Os beneficiários do programa conforme determinado na cláusula quarta e parágrafos primeiro ao sexto do presente acordo não foram identificados na sua totalidade, mesmo sendo solicitado por varias vezes. 2. Nas cláusulas quinta, sexta e parágrafo único e sétima do presente acordo fala em participação nos resultados e é condicionado ao cumprimento de metas e o indicador para apuração será o EBITDA, que é calculado considerando o procedimento usual adotado na empresa : Margem Operacional expurgados os Valores da Depreciação, dos Impostos e das Despesas Financeiras e para medição será utilizado valores finais do ano 2004 em comparação com os valores constantes do Planejamento Operacional PO do RCCO Corporativo que será feita pela Diretoria de Finanças e Controle Corporativa, portanto entendendo este auditor que as regras não são objetivas, e fica prejudicada a sua mensuração com base na documentação deficiente apresentada. 3. As cláusulas oitava, nona e parágrafo único falam em valor do prêmio, base de pagamento usando média de comissões, horas extras, que ficaram impossibilitadas de análise visto que não foram apresentadas as folhas de pagamento com os referidos cálculos e valores motivo pelo qual foram lavrados Ais CFL 30 e 35. 4. Já na cláusula décima primeira é mencionado GRUPO ESPECIAL que também não foram identificados na sua totalidade mesmo sendo a empresa notificada por varias vezes conforme TIFs anexas. 5. 4. A empresa apresentou vários arquivos, planilhas, folhas de pagamento, ( ano 2006 ou sem a verba de participação nos resultados paga em 2005 referente ao acordo de 2004 ) em diversos momentos porém sempre sem informar, esclarecer e justificar através de documentos os valores que deram origem e identificando nominalmente o montante de Fl. 972DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000308/201063 Resolução nº 2401000.335 S2C4T1 Fl. 4 3 R$ 1.314.172,96 lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item 48 como Participações de Empregados, mesmo sendo notificada especificamente para isso. Destacase que realizou a autoridade fiscal o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando que o AI foi lavrado já na vigência da MP 449, convertida na lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 19/02/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 22/02/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa pela autuada, fls. 162 a 200. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 574 a 605. A S S U N T O : O U T R O S T R I B U T O S OU C O N T R I B U I Ç Õ ES Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. LIMITES. A competência da Justiça do Trabalho limitase a determinar o recolhimento das contribuições previdenciárias provenientes das sentenças condenatórias em pecúnia que proferir, e dos valores objeto de acordo homologado, que integrem o saláriodecontribuição. Nos casos extrajudiciais, é indiscutível a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para apuração e cobrança das contribuições previdenciárias e devidas a Terceiros, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória. TERCEIROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SEBRAE. INCRA. SESC O salário educação previsto no art. 212, § 5 o da Constituição Federal é devido pelas empresas, calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424/96 e Lei n° 9.766/98. O Supremo Tribunal Federal reconheceu sua constitucionalidade através da súmula n.° 732 do Supremo Tribunal Federal. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000308/201063 Resolução nº 2401000.335 S2C4T1 Fl. 5 4 É devida pelas empresas a contribuição destinada ao SEBRAE, arrecadada como adicional às contribuições do SESC e SENAC. A contribuição destinada ao INCRA tem previsão legal e é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural. Os prestadores de serviço também estão incluídos entre os obrigados ao recolhimento para o SESC e o SENAC PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Existe motivação legal quando os dispositivos mencionados no auto de infração contêm as normas que a fiscalização entende deveriam ter sido respeitadas e não o foram. A motivação fática está contida no auto de infração que descreve os atos praticados pelo autuado que violaram a legislação tributária. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. MULTA APLICADA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DA INFRAÇÃO. A norma atual somente se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 974DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000308/201063 Resolução nº 2401000.335 S2C4T1 Fl. 6 5 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 734 a 779. Em síntese, a recorrente repete as mesmas alegações já apresentadas em sua impugnação, quais sejam: 6. Preliminarmente, Indica erro na sujeição passiva, já que o AI foi lavrado contra pessoa jurídica extinta desde 31.12.2007, conforme demonstrado por meio do cartão CNPJ. É entendimento pacífico desde Conselho que não pode ser lançado débito contra pessoa extinta, conforme acordão CSRF/0105.352 e outros que cita. 7. No mérito, afirma que mesmo estando regulares os procedimentos por ela adotados foram lavrados nesta ação fiscal 09 autos de infração, discriminandoos às fls. 165/166. 8. Considerando os critérios estabelecidos na lei, frisese que a empresa cumpriu todos os critérios, quais sejam: 8.1. O acordo de PLR da recorrente resultou de negociação entre empresa e seus funcionários, havendo representante sindical da categoria. Todas as partes assinaram devidamente o acordo, tendo o mesmo sido arquivado na entidade sindical. 8.2. Está claro que o acordo cumpriu também as exigências quanto a fixação dos direitos substantivos e regras adjetivas, onde deverão constar nas regras mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. (cláusulas de quinta a décima segunda). 8.3. Foi devidamente arquivado no sindicato conforme documento 10 da impugnação. 8.4. Não substitui, nem complementa a remuneração devida a qualquer empregado, considerando que o pagamento deuse n ano de 2005 em uma única vez, sem modificar a remuneração devida, inclusive sendo pago no mesmo momento do salário de abril. 8.5. Foi observada a periodicidade de um semestre civil, como determina a lei. 8.6. Não houve impasse, já que o acordo foi devidamente assinado por todas as partes envolvidas. 8.7. Quanto ao momento em que tem que ser firmado, entende a Câmara superior de Recursos Fiscais que há obrigatoriedade legal de se acordar antes do fim do período a que se refere o acordo, como ocorreu no presente caso. 8.8. Por fim, quanto individualização dos funcionários argumenta que a lei em momento algum exige a individualização de metas, razão pela qual a exigência da fiscalização quanto a identificação dos beneficiários. Ou seja, resta demnostrado quem são os beneficiários do plano: todos os empregados da recorrente e seus estagiários sem discriminação alguma. 9. Quanto a desconformidade da GFIP, é obvio que só se declara em GFIP valores passíveis de tributação. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000308/201063 Resolução nº 2401000.335 S2C4T1 Fl. 7 6 10. Transcreve o art. 28, I, da lei 8.212/91 que conceitua o salário de contribuição, salientando que o legislador reconhece como tal o montante dos valores auferidos pelo trabalhador como contraprestação do trabalho por ele prestado e de forma habitual, independente de sua espécie, sendo tal montante a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo que no §9° deste mesmo dispositivo legal estão discriminadas verbas que não compõe o salário de contribuição, pois tendo em vista sua natureza, não representam remuneração pela trabalho desenvolvido. Esse o caso da PLR (art.28, §9°, "j"). 11. Quanto à PLR, por ser um direito constitucional do trabalhador previsto no art. 7o , XI, da CF, de maneira alguma poderá ser suprimido, e não há que se falar em incidência de qualquer encargo fiscal. Explicitando o objetivo constitucional de proteção ao trabalhador e desoneração das verbas a ela destinadas a título de PLR, transcreve doutrina a respeito. 12. Diante do exposto, resta demonstrado que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos funcionários a título de PLR, pois não há amparo constitucional para a manutenção desta Autuação, mormente porque os valores em questão não trazem os requisitos necessários ao seu enquadramento na classe das remunerações sujeitas ao saláriodecontribuição, que são (i) habitualidade, (ii) periodicidade, (iii) regularidade e (iv) contraprestação pelo trabalho. 13. Ressalta que a contribuição ao GILRAT não poderia ter sido instituída com base na competência residual da União Federal de criar outras fontes de custeio para o financiamento da Seguridade Social,competência essa, expressamente, prevista no artigo 195, § 4 o , da Constituição Federal, cujo dispositivo, apenas pode ser utilizado se observado o disposto no artigo 154, inciso I, também, da Carta Magna. A União Federal só pode instituir novos tributos, não expressamente previstos, através da Lei Complementar. 14. Ademais, mesmo que não fossem aceitos os argumentos de inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência desta contribuição permaneceria indevida, pelo descumprimento dos artigos 195, parágrafo 4°, e 154, inciso I, da Constituição Federal, j á que seu fato gerador e sua base de cálculo são idênticos aos de outra contribuição existente, que é a contribuição previdenciária geral prevista no art. 195 da CF. 15. No presente caso, não há qualquer descrição da Fiscalização em relação ao grau de risco das atividades desempenhadas pela Impetrante, sendo que a tributação destinada ao GILRAT depende de tal classificação, sem a qual, de acordo com o artigo 22, II, da Lei n°8.212/91, não há possibilidade de incidência da alíquota devida. 16. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. 17. Ademais, mesmo que não fossem aceitos os argumentos de inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência desta contribuição permaneceria indevida, pelo descumprimento dos artigos 195, parágrafo 4°, e 154, inciso I, da Constituição Federal, j á que seu fato gerador e sua base de cálculo são idênticos aos Fl. 976DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000308/201063 Resolução nº 2401000.335 S2C4T1 Fl. 8 7 de outra contribuição existente, que é a contribuição previdenciária geral prevista no art. 195 da CF. 18. No presente caso, não há qualquer descrição da Fiscalização em relação ao grau de risco das atividades desempenhadas pela Impetrante, sendo que a tributação destinada ao GILRAT depende de tal classificação, sem a qual, de acordo com o artigo 22, II, da Lei n°8.212/91, não há possibilidade de incidência da alíquota devida. 19. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. 20. Requer que seja integralmente provido, com a reforma do acordão recorrido, sendo reconhecido o acordo PLR entre a recorrente e os funcionários. É o relatório. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000308/201063 Resolução nº 2401000.335 S2C4T1 Fl. 9 8 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 925. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA DILIGÊNCIA QUANTO A INDICAÇÃO INDEVIDA DO SUJEITO PASSIVO Quanto ao lançamento referirse a pessoa jurídica extinta, notese que ditos argumentos não foram trazidos na impugnação, razão pela qual dita matéria não foi apreciada pelo julgador de primeira instância, tendo sido colacionados argumentos apenas quanto a nulidade do procedimento, pelo incorreta indicação do sujeito passivo na fase recursal. Todavia, a apreciação por parte deste colegiado, só se faz possível quanto a essa matéria, após a manifestação da autoridade fiscal sobre ditos argumentos, uma vez que o recorrente alega que, quando da realização do lançamento, a Pessoa Jurídica TVA, encontrava se extinta pela incorporação. A apreciação dessa matéria, nessa oportunidade, sem que a DRFB tenha a possibilidade de apresentar seus fundamentos, importa violação ao amplo exercício do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual deve o processo ser convertido em diligência, a fim de que a autoridade fiscal se manifeste acerca das alegações trazidas pelo recorrente sobre encontrarse a empresa extinta no momento da realização do procedimento fiscal. CONCLUSÃO Face o exposto voto por converter o julgamento em diligência. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.002138/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. POSSIBILIDADE.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. POSSIBILIDADE. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 21 38 /2 00 8- 51 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.002138/200851 Acórdão n.º 2101002.340 S2C1T1 Fl. 107 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 92/104) interposto em 22 de setembro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) (fls. 76/83), do qual o Recorrente teve ciência em 23 de agosto de 2011 (fl. 88), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 37/41, lavrado em 03 de dezembro de 2007, em virtude de dedução indevida de despesas médicas, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 O direito à dedução de despesas médicas e odontológicas está condicionado à comprovação da efetividade da prestação dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, o ônus probatório da regularidade das deduções pleiteadas em sua Declaração de Ajuste Anual. Mantidas as glosas pela não comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 76). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 92/104, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator. O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Discutese, no presente caso, questão relativa a dedução de despesas médicas. Em relação a essas glosas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.002138/200851 Acórdão n.º 2101002.340 S2C1T1 Fl. 108 3 I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.002138/200851 Acórdão n.º 2101002.340 S2C1T1 Fl. 109 4 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).” Cabe mencionar, ainda, que a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.002138/200851 Acórdão n.º 2101002.340 S2C1T1 Fl. 110 5 "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pelo Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas que foi mantida pelo acórdão recorrido, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por meio de decisão que teve, basicamente, a seguinte fundamentação: (a) os saques não coincidem com as datas e valores dos recibos apresentados à fiscalização e (b) o recibo comprova apenas a realização do serviço, não a efetividade do pagamento. Entendo, todavia, que a fundamentação da decisão recorrida não deve prevalecer, pois o Recorrente juntou aos autos, além dos recibos de despesas médicas, declarações com a firma reconhecida de todos os profissionais confirmando não só a prestação dos serviços, mas também a efetividade dos pagamentos. Se isso não bastasse, muito embora os valores não coincidam exatamente com os montantes pagos aos profissionais, os extratos bancários descritos no lançamento demonstram um elevado histórico de saques efetuados pelo contribuinte. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.002138/200851 Acórdão n.º 2101002.340 S2C1T1 Fl. 111 6 Aliás, necessário se faz observar, outrossim, que desde o início da fiscalização, o contribuinte atendeu a todas as solicitações da fiscalização, mostrando coerência em todas as suas justificativas. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979169/2009-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/12/2002
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação de direito creditório.
Numero da decisão: 3803-004.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação de direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 69 /2 00 9- 26 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de São Paulo que indeferiu o pedido de compensação transmitido que tinha por objetivo extinguir o débitos de PIS com crédito da mesma contribuição recolhido em 13.12.2002. À fl. 03 está anexo o despacho decisório, que não homologou a compensação realizada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à fl. 07, sob argumento de que na qualidade de prestadora de serviços de transportes rodoviários está sujeita ao pagamento de pedágio. Afirmou que recebe dos contratantes valores para pagamento do pedágio, os quais são obrigatoriamente destacados em campo específico do conhecimento de transporte rodoviário. Deste modo, pretende que estes valores não integrem a base de cálculo da contribuição, com fundamento no parágrafo único do art. 2o da Lei nº 10.209/01, uma vez que esses valores recolhidos indevidamente não configuram receitas operacionais. Cumpre destacar que os autos foram instruídos com planilha contendo valores dos pagamentos de pedágio; números dos conhecimentos de transportes; data de emissão. Às fls. 12/15 sobreveio o acórdão n.º 1627.502 – 5º Turma da DRJ de São Paulo, que indeferiu o pedido sobre o pressuposto de que o sujeito passivo não apresentou prova do direito creditório, pois os julgadores de piso concluíram que a relação de conhecimentos de transporte não é suficiente para comprovar se pedágio integrou a base de cálculo do tributo. No recurso voluntário anexo às fls. 17/18, o contribuinte novamente reitera os argumentos já apresentados em sua manifestação de inconformidade e insiste em que os valores relativos ao pedágio constavam do referidos conhecimentos de transporte e foram tributados. Por fim, pleiteia a conversão do julgamento em diligência a fim de que seja apurada a existência do seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O contribuinte afirma ter direito a compensação realizada, sob o argumento de que o artigo 2º da Lei n.º 10.209/2001 determina que o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional, assim por este motivo este não deve integrar a base de incidência de contribuições. Lei n.º 10.209/2001: Art.2º O valor do ValePedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.979169/200926 Acórdão n.º 3803004.687 S3TE03 Fl. 30 3 nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Parágrafo único. O valor do ValePedágio obrigatório e os dados do modelo próprio, necessários à sua identificação, deverão ser destacados em campo específico no documento comprobatório de embarque. Com efeito, de fato retirase da legislação acima citada que o pedágio não integra o valor do frete, logo num primeiro momento assiste razão ao contribuinte. Entretanto, o interessado, necessariamente, deve constituir prova do seu direito no processo administrativo fiscal, sob pena do colegiado indeferir o pleito formulado. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte insiste no fato de que a relação dos conhecimentos de transporte perfaz prova suficiente para demonstrar o seu direito. Contudo, compreendo que não lhe assiste razão, uma vez que é indispensável a apresentação do Livro Razão e do Livro Diário, justamente com o objetivo de comprovar a existência dos pagamentos indevidos, pois mera relação dos conhecimentos de transportes não são suficientes para apurar do crédito. Quanto ao pedido de diligência, cumpre lembrar que precluiu o direito do sujeito passivo, com fundamento no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ainda mais, quando o contribuinte não anexou nem mesmo indícios que lhes sejam favoráveis para que este relator se convencesse, ainda que ligeiramente, do direito creditório alegado. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 22 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003025/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira Presidente
Bernadete de Oliveira Barros - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente Da Turma), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzáles Silvério
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete de Oliveira Barros Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente Da Turma), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriano Gonzáles Silvério RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 03 02 5/ 20 09 -7 3 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.003025/200973 Resolução nº 2301000.398 S2C3T1 Fl. 12.202 2 RELATÓRIO Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Terceiras Entidades, FNDE, INCRA, SESI, SENAI E SEBRAE, além de SEST e SENAT. Conforme Relatório Fiscal (fls. 762), o fato gerador da contribuição lançada, é o pagamento de remuneração dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, administradores, autônomos e freteiros, que prestaram serviços à empresa nos estabelecimento matriz e filial, informados na folha mas não declarados em GFIP. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1034.239, da 7a Turma da DRJ/POA (fls 113), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário, indeferindo a perícia requerida. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia, argumentando que a perícia/diligência se justifica no caso dos autos, vez que plausíveis as alegações da defesa sobre a existência de erros materiais capazes de conduzir o julgamento à direção diversa daquela que se configura com os elementos dos autos. Reafirma que foram juntados ao Processo 11065.003024/200929, documentos que comprovam suas alegações, e que não foram examinados pela DRJ face a desistência da impugnação pela recorrente no referido processo. Entende que não se pode admitir que a administração tributária exija tributo sobre base de cálculo fictícia, ou sobre parcelas isentas como, por exemplo, o abono pecuniário de férias. Reitera que o DD aponta diferença de RAT na competência 13/2005, sem que haja a indicação de um segurado cuja remuneração tenha deixado de ser declarada em GFIP, asseverando que o fiscal deixou de indicar a origem e o valor das remunerações sobre as quais incidiu a exação exigida, cerceando o direito de defesa da autuada. Sustenta que parcelas sem natureza remuneratória, como o abono de férias de que tratam os arts 143 e 144, da CLT, estão sendo computadas como remuneração e remunerações declaradas em GFIP não foram integralmente consideradas para fins de apurar eventual diferença não declarada. Insurgese contra a multa aplicada, alegando possuir caráter confiscatório e natureza abusiva, e contra a aplicação da taxa SELIC, argumentando ilegalidade. Discorda do critério de comparação adotado pela fiscalização para verificação de multa mais benéfica, defendendo a multa de 0,33% ao dia, limitado a 20%, pugnando pela Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.003025/200973 Resolução nº 2301000.398 S2C3T1 Fl. 12.203 3 comparação da multa prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores, com a multa prevista no art. 61, caput, e § 2o, da Lei 9.430/96, com prevalência da mais benéfica. Finaliza requerendo a nulidade da decisão de primeira instância e/ou a conversão em diligência para realização de perícia, e declaração da improcedência do lançamento, com o cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.003025/200973 Resolução nº 2301000.398 S2C3T1 Fl. 12.204 4 VOTO Bernadete de Oliveira Barros – Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Em seu recurso, a recorrente alega incorreção na base de cálculo apurada pelo fiscal e requer, entre outras coisas, que seja realizada diligência para apuração dos fatos alegados. Afirma que o DD aponta diferença de RAT na competência 13/2005, sem que haja a indicação de um segurado cuja remuneração tenha deixado de ser declarada em GFIP, e que está sendo cobrada contribuição sobre abono de férias. Verificase, ainda, que, em sua impugnação, a recorrente afirmou que a documentação que comprovaria a incorreção dos valores lançados estaria no processo 11065.003024/200929. Em sua decisão, a autoridade julgadora informou que não era possível a análise da documentação juntada ao processo acima referido, uma vez que aqueles autos já não se encontravam mais na DRJ, já que a recorrente havia desistido da impugnação, e não acatou o pedido de diligência, argumentando que a autuada deveria ter juntado a documentação comprobatória de suas afirmações aos presentes autos, na impugnação. Diante dessa informação, a autuada juntou, ao seu recurso, vários documentos que, segundo entende, comprovariam suas afirmações, entre eles, recibo de férias e Relação de Trabalhadores constantes do arquivo SEFIP. Em que pese esses documentos não terem sido apresentados em sede de defesa, entendo que as cópias juntadas ao recurso deixam dúvidas quanto à correção dos valores lançados e, consequentemente, quanto à liquidez do débito. Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, entendo que o processo deva ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal se pronuncie quanto aos argumentos expendidos em sede recursal, analisando os documentos juntados pela recorrente e se manifestando, de forma conclusiva, quanto à suficiência da documentação apensada para a retificação do débito. E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem prestados pela fiscalização, abrindo prazo para sua manifestação. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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