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Numero do processo: 13116.720977/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INC. II, DO CTN. INEXISTÊNCIA.
A autoridade lançadora não indicou qualquer dispositivo legal estabelecendo a solidariedade do Prefeito em relação aos débitos do Município.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO PREFEITO. INEXISTÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS.
1. A fiscalização não demonstrou a participação do Prefeito na fraude cometida pelo mandatário.
2. A extensão da relação jurídico-tributária a uma determinada pessoa requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à responsabilidade. Dito de outra forma, a responsabilidade pressupõe a regra matriz de incidência e a regra matriz de responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, responsáveis, etc).
3. A responsabilização, portanto, requer tenham ocorrido todos esses pressupostos, sem os quais não poderá existir, sob pena de afronta ao princípio da legalidade.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DOLO ESPECÍFICO. DECORRÊNCIA DIRETA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ATENUAÇÃO DO PRINCÍPIO DA OBJETIVIDADE.
1. O mandatário foi totalmente infiel ao sujeito passivo, mormente porque não se vislumbra como o contribuinte possa se aproveitar da conduta ilícita retratada nos autos.
2. O art. 137 do CTN exclui a responsabilidade da pessoa jurídica e atribui responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico do mandatário contra o mandante, ex vi do seu art. 137, inc. III, alínea b.
3. Ainda se pode suscitar a aplicação do inc. I do citado art. 137, que igualmente atribui responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações situadas no âmbito penal. Isto é, sendo tão grave a infração, que a lei a enquadra como crime ou contravenção, a responsabilidade administrativa é igualmente do agente, e não da pessoa jurídica.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: João Victor Ribeiro Aldinucci
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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DIRF. Recorrentes PREFEITURA MUNICIPAL DE MINAÇU E OUTRO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INC. II, DO CTN. INEXISTÊNCIA. A autoridade lançadora não indicou qualquer dispositivo legal estabelecendo a solidariedade do Prefeito em relação aos débitos do Município. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO PREFEITO. INEXISTÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS. 1. A fiscalização não demonstrou a participação do Prefeito na fraude cometida pelo mandatário. 2. A extensão da relação jurídicotributária a uma determinada pessoa requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à responsabilidade. Dito de outra forma, a responsabilidade pressupõe a regra matriz de incidência e a regra matriz de responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, responsáveis, etc). 3. A responsabilização, portanto, requer tenham ocorrido todos esses pressupostos, sem os quais não poderá existir, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DOLO ESPECÍFICO. DECORRÊNCIA DIRETA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ATENUAÇÃO DO PRINCÍPIO DA OBJETIVIDADE. 1. O mandatário foi totalmente infiel ao sujeito passivo, mormente porque não se vislumbra como o contribuinte possa se aproveitar da conduta ilícita retratada nos autos. 2. O art. 137 do CTN exclui a responsabilidade da pessoa jurídica e atribui responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações que decorram direta e AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 09 77 /2 01 2- 33 Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 exclusivamente de dolo específico do mandatário contra o mandante, ex vi do seu art. 137, inc. III, alínea b. 3. Ainda se pode suscitar a aplicação do inc. I do citado art. 137, que igualmente atribui responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações situadas no âmbito penal. Isto é, sendo tão grave a infração, que a lei a enquadra como crime ou contravenção, a responsabilidade administrativa é igualmente do agente, e não da pessoa jurídica. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13116.720977/201233 Acórdão n.º 2402005.519 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Os autos já foram relatados neste Conselho, conforme Resolução de fls. 2027/2035. Vejase: Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília DF, assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: “2005, 2006, 2007, 2008 CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária, em regra, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136, CTN). TERCEIRO. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade solidária resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, prevista no art. 135 do CTN, alcança somente as pessoas expressamente identificadas nos inciso I, II e III desse artigo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Contra a contribuinte supra identificada foi lavrado auto de infração (fls. 1.864/1.879), para exigência de multa regulamentar no valor de R$ 39.905.771,82. A ação fiscal teve início em função da percepção, pelos setores de inteligência da Receita Federal, de que havia indícios de informações falsas contidas nas DIRF referentes aos anos calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008. Assim, esses setores acionaram vários órgãos, inclusive o Ministério Público Federal e a Policia Federal, a qual instaurou o inquérito policial n° 0313/2010SR/DPF/GO, que culminou na deflagração da Operação APATE, cujas investigações, na esfera criminal, ainda estão em andamento na Polícia Federal. De acordo com a autoridade fiscal, a contribuinte, na qualidade de fonte pagadora, prestou informações falsas sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, nos mencionados períodos. Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Segundo o agente fiscal, em relação ao ano de 2005, a Prefeitura apresentou à Receita Federal, em 21/02/2006, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF Original, na qual constam, entre outras informações, os valores pagos e o Imposto de Renda Retido por prestação de serviços. Nesta DIRF constam informações sobre valores pagos a pessoas físicas, decorrentes da prestação de serviços sem vínculo empregatício (código receita 0588), de 218 (duzentos e dezoito) beneficiários. Em 19/04/2010, mais de quatro anos após a entrega da DIRF original, a Prefeitura apresentou à Receita Federal, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF Retificadora, na qual constam, entre outras informações, os valores pagos e o Imposto de Renda Retido por prestação de serviços. Nesta DIRF Retificadora passou a constar informações sobre valores pagos a pessoas físicas decorrentes da prestação de serviços sem vinculo empregatício (código receita 0588), num total de 914 (novecentos e quatorze) beneficiários. Esta DIRF Retificadora foi entregue e assinada por meio de Certificado Digital, cujo titular e responsável é o Sr. VALBI BARBOSA DOS SANTOS, conforme consulta ao sistema ReceitanetLog.. Em relação ao ano de 2006, a Prefeitura apresentou à Receita Federal, em 15/02/2007, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF Original, na qual constam, entre outras informações, os valores pagos e o Imposto de Renda Retido por prestação de serviços. Nesta DIRF constam informações sobre valores pagos a pessoas físicas, decorrentes da prestação de serviços sem vínculo empregatício (código receita 0588), de 276 (duzentos e setenta e seis) beneficiários. Em 24/04/2010, mais de três anos após a entrega da DIRF original, a Prefeitura apresentou à Receita Federal Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF Retificadora, na qual constam, entre outras informações, os valores pagos e o Imposto de Renda Retido por prestação de serviços. Nesta DIRF Retificadora constam informações sobre valores pagos a pessoas físicas decorrentes da prestação de serviços sem vínculo empregatício (código receita 0588), num total de 1.267 (mil, duzentos e sessenta e sete) beneficiários. Esta DIRF Retificadora também foi transmitida pelo Sr. VALBI BARBOSA DOS SANTOS. Em relação ao ano de 2007, a Prefeitura apresentou à Receita Federal, em 14/02/2008, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte –DIRF Original, na qual constam, entre outras informações, os valores pagos e o Imposto de Renda Retido por prestação de serviços. Nesta DIRF constam informações sobre valores pagos a pessoas físicas, decorrentes da prestação de serviços sem vínculo empregatício (código receita 0588), de 519 (quinhentos e dezenove) beneficiários. Em 12/05/2010, mais de dois anos após a entrega da DIRF original, a Prefeitura apresentou à Receita Federal Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF Retificadora, na Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13116.720977/201233 Acórdão n.º 2402005.519 S2C4T2 Fl. 4 5 qual constam, entre outras informações, os valores pagos e o Imposto de Renda Retido por prestação de serviços. Nesta DIRF Retificadora constam informações sobre valores pagos a pessoas físicas decorrentes da prestação de serviços sem vínculo empregatício (código receita 0588), num total de 1.303 (mil, trezentos e três) beneficiários. Esta DIRF Retificadora também foi transmitida pelo Sr. VALBI BARBOSA DOS SANTOS. Em relação ao ano de 2008, a Prefeitura apresentou à Receita Federal, em 27/02/2009, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte –DIRF Original, na qual constam, entre outras informações, os valores pagos e o Imposto de Renda Retido por prestação de serviços. Nesta DIRF constam informações sobre valores pagos a pessoas físicas, decorrentes da prestação de serviços sem vínculo empregatício (código receita 0588), de 298 (duzentos e noventa e oito) beneficiários. Em 19/01/2010, a Prefeitura apresentou à Receita Federal Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF Retificadora, na qual constam, entre outras informações, os valores pagos e o Imposto de Renda Retido por prestação de serviços. Nesta DIRF Retificadora constam informações sobre valores pagos a pessoas físicas decorrentes da prestação de serviços sem vínculo empregatício (código receita 0588), num total de 929 (novecentos e vinte e nove) beneficiários. Esta DIRF Retificadora também foi transmitida pelo Sr. VALBI BARBOSA DOS SANTOS. Em face dessa grande variação na quantidade de beneficiários informados nas DIRF dos referidos períodos, concluiu a Fiscalização haver indícios de fraude. A Fiscalização lavrou Termo de Início do Procedimento, no qual solicita esclarecimentos sobre a efetiva prestação de serviços pelos beneficiários, bem como a comprovação, através de contratos, notas de empenhos e pagamentos desses serviços, a efetiva retenção do Imposto de Renda, bem como os devidos registros contábeis. A Prefeitura, em resposta (fl. 56) ao Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 21/07/2011, apresentou ordens de pagamento e notas de pagamento referentes a alguns poucos prestadores de serviços. Ao analisar a referida documentação, a autoridade fiscal identificou 3 (três) situações distintas, a saber: (1) prestadores de serviço com IRRF comprovado; (2) prestadores de serviço com IRRF comprovado parcialmente; e (3) prestadores de serviço com IRRF não comprovado (beneficiários não encontrados no código 0588). A Fiscalização elaborou uma planilha com a relação dos nomes das várias pessoas que constam como beneficiários nas referidas DIRF Retificadoras, suspeitas de não terem prestado os serviços. Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Ressaltou o agente fiscal que os valores inseridos na DIRF (rendimento tributável e imposto de renda retido na fonte) podem gerar a restituição integral do imposto supostamente retido. A multa aplicável ao presente caso foi de 300% (trezentos por cento) sobre o valor que for indevidamente utilizável, como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do Imposto a restituir ou a compensar, nos termos do parágrafo 3o do art. 86, da Lei n° 8.981/95. Informou a autoridade autuante que o Sr. VALBI BARBOSA DOS SANTOS detinha poderes para apresentar, entre outros documentos, as DIRF em nome da Prefeitura Municipal de Minaçu, pois o Prefeito deste órgão, na época dos fatos, o Sr. CÍCERO ROMÃO RODRIGUES, lhe outorgou uma procuração perante a RFB, no dia 07/01/2010. A autoridade fiscal promoveu, então, com fundamento nos artigos 124, inciso II e 135, inciso II, da Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional CTN, a responsabilização solidária pelos créditos tributários lançados aos Senhores VALBI BARBOSA DOS SANTOS e CÍCERO ROMÃO RODRIGUES, por meio de Termos de Sujeição Passiva Solidária, por entender que esses agentes praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei. Asseverou o autor do feito fiscal: “(...) a Fiscalização não tem elementos suficientes para afirmar que o Sr. CÍCERO ROMÃO RODRIGUES agiu pessoalmente ou mesmo que tinha conhecimento das fraudes aqui constatadas. No entanto, tendo sido caracterizado a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, a Fiscalização entende que a responsabilização prevista no referido diploma legal pode se dar em conseqüência do dolo ou culpa do agente, estando, neste caso, caracterizado, no mínimo, a culpa, pois cabe ao mandatário (mandato outorgado pelo povo de MinaçuGO), no caso o Prefeito Municipal de MinaçuGO, zelar pelo acompanhamento e verificação da legalidade dos atos praticados pelos seus prepostos, especialmente quando há a outorga de procuração para a pratica de atos específicos e com prazo definido. (...) no que no caso do Sr. VALBI BARBOSA DOS SANTOS, a Fiscalização entende que o mesmo agiu pessoalmente e tinha conhecimento das fraudes aqui constatadas, uma vez que as DIRFs com as informações falsas foram transmitidas por intermédio do seu Certificado Digital e com sua senha.” A contribuinte, Prefeitura Municipal de Minaçu, teve ciência do auto de infração, por via postal (AR), em 03/05/2012. O responsável solidário, Sr. Cícero Romão Rodrigues (Prefeito Municipal), teve ciência, por via postal (AR), em 03/05/2012. Já o responsável solidário, Sr. Valbi Barbosa dos Santos, teve ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e do auto de Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13116.720977/201233 Acórdão n.º 2402005.519 S2C4T2 Fl. 5 7 infração por meio de Edital, em 23/05/2012, por haver sido improfícua a tentativa de intimação postal. Em 12/04/2012, a contribuinte, Prefeitura Municipal de Minaçu, e o responsável solidário, Sr. Cícero Romão Rodrigues (Prefeito Municipal), apresentaram impugnação em peça única, na qual sustentam, em síntese: 1. O imputado responsável solidário não se enquadra no conceito de contribuinte estabelecido no art. 121 do CTN, pois “sua única relação jurídica com a Receita Federal reside tão somente quando este na condição de agente político percebe seu subsídio, consequentemente, retendo o IRRF, fato concreto que consolida a legalidade de sua situação tributária.” 2. Também não se enquadra no conceito de responsável solidário de que trata o art. 124, II do CTN, pois “para configurarse a solidariedade há que existir, antes, a responsabilidade, e esta apenas tem lugar se o responsável estiver, de alguma ou outra forma, vinculado ao fato gerador”. 3. O contador Sr. VALBI BARBOSA DOS SANTOS, que também figura como responsável solidário, “agiu pessoalmente de forma isolada, mediante instrumento procuratório (art. 135, II, do CTN), com fim único e precípuo de prestar serviço de forma uníssona aos ditames legais contábeis vigentes (...)”4. Em 30 março de 2010, “a Administração Municipal já havia rescindido unilateralmente o contrato de prestação de serviços com o Sr. Valbi Barbosa dos Santos, até então Contador da Prefeitura Municipal, conforme faz prova de Termo de rescisão unilateral em anexo. O motivo seria a dissídia (sic) que este profissional demonstrava para com serviços contratados.” 5. Em 5 de julho de 2010, Prefeitura encaminhou ofício à Delegacia Contra Crimes Fazendários, prestando essas informações, entre outras. 6. Em 7 de julho de 2010, protocolou ofício na repartição local da Receita Federal, comunicando que o aludido contador não estava mais autorizado a promover quaisquer atos inerente à administração municipal. 7. Em 29 de julho de 2010, a contribuinte requereu à Receita Federal informações, fiscais acerca das DIRF relativas aos exercícios de 2003 a 2010. 8. Em 24 de agosto de 2010, “determinou fosse procedida novas ratificações (sic) nas DIRFs, desta mantendo as informações originais (exercícios 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009 cópias de recibo em anexo datados de 24/08/2010).” 9. “(...) não houve por parte do contribuinte, nenhuma feitura de empenhos ou retenções, o que evidencia que mesmo se a famigerada suposta fraude no envio de dados fora realizado pelo Sr. Valbi Barbosa dos Santos, não concretizou, pois haveria, em tese, de ter participação de outros setores da prefeitura diversos Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 da "contabilidade", o que, só assim, poderia então, caracterizar a suposta conduta positiva ou omissiva do ora impugnante.” 10. O dever legal de fiscalizar o exercício do profissional contador e técnico em contabilidade é do Conselho Federal de Contabilidade e dos Conselhos Regionais de Contabilidade. 11. A responsabilização solidária imputada pela fiscalização se reveste de flagrante incerteza, na medida que ela própria declarou que “não tem elementos suficientes para afirmar que o Sr. CÍCERO ROMÃO RODRIGUES agiu pessoalmente ou mesmo que tinha conhecimento das fraudes aqui constatadas (...)”12. Cabe ao órgão acusador o ônus da prova, “não tão somente de sua materialidade, mas também, e de maior importância, a individualização do fato criminoso, em relação ao acusado”. 13. A autoridade fiscal capitulou a responsabilidade solidária nos artigos 124, II e 135, ambos do CTN, mas deixou de descrever precisamente qual seria o excesso de poder ou infração de lei que o impugnante incorreu. 14. “É imprescindível que haja a perfeita descrição da conduta, culposa e dolosa, do impugnante, para que o mesmo exercite com plenitude o seu direito constitucional da ampla defesa e contraditório, sob pena de afrontar o pilar do Estado Democrático de Direito, qual seja, o devido processo legal.” 15. Consoante inquérito policial, a responsabilidade do fato criminoso foi atribuída integralmente ao aludido contador. 16. Também a Prefeitura Municipal de Minaçu, não poderia figurar como sujeito passivo, por não se enquadrar nas tipificações insculpidas no art.121 do CTN. 17. Em conclusão, “(...) foi a fragilidade dos organismos fiscais que possibilitaram que o contador VALBI BARBOSA DOS SANTOS, agindo pessoalmente, já no exercício de 2010 manipulasse dados contábeis junto a Receita Federal de exercícios pretéritos (2005, 2006, 2007 e 2008), inclusive , quando as DIRfs, já haviam sido devidamente ratificadas (sic) sob responsabilidade do ora impugnante. Assim, comungando com a Fiscalização Federal, isso, após tomar conhecimento dos trabalhos realizados pela Policia Federal e pela Receita Federal, o Impugnante, convicto de sua inocência também admiti (sic) que as informações apuradas, nas três situações distintas, realmente eram falsas, no entanto, não pode admitir seja atribuída a ele responsabilidade passiva solidária, muito menos a Prefeitura Municipal, figurar como sujeito passivo da obrigação principal, a qual esta presumidamente, pretensamente sendo alvo.” 18. Impõese, portanto, o cancelamento da exigência fiscal ou, caso não acolhidas as razões de defesa, a suspensão do processo até o cumprimento das seguintes diligências: “a) junto a Polícia Federal, a fim de que seja extraído do Inquérito 0313/2010, instaurado por força da Operação APATE, cópia do depoimento do Sr. VALBI BARBOSA DOS SANTOS (a Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13116.720977/201233 Acórdão n.º 2402005.519 S2C4T2 Fl. 6 9 época preso provisoriamente), com o fito de serem consideradas as provas ali colhidas para fins desta da presente impugnação; bem como, a identificação, através do n. do "IP", esclarecendo de qual computador e de onde foram enviadas as supostas declarações fraudulentas; b) junto ao TCMGO, para que sejam colhidas informações junto ao SINCONTCM, dando conta se no decorrer dos exercícios de 2005, 2006, 2007 e 2008, se houve a realização de despesas em favor dos beneficiários (supostos prestadores de serviços) informados pela fiscalização, bem como seja informada os resultados das escriturações insertas nos Demonstrativos da Receita Tributária do município de Minaçu, e ainda nas Relações de retenções ocorridas no decorrer do exercício 2005, 2006, 2007e 2008 (...)”É o relatório.” Em síntese, o acórdão recorrido julgou: (i) improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, Prefeitura Municipal de MinaçuGO, mantendo o crédito tributário exigido; (ii) procedente a impugnação apresentada pelo Responsável Tributário Sr. Cícero Romão Rodrigues, excluindo o da condição de responsável solidário; e (iii) definitivamente constituído o crédito tributário em face do Senhor Valbi Barbosa dos Santos, na condição de responsável solidário, em razão da ausência de impugnação ao lançamento. Desse modo, em primeira instância, restaram: (i) mantidos os créditos tributários, no valor total de R$39.905.771,82 (trinta e nove milhões, novecentos e cinco mil, setecentos e setenta e um reais, e oitenta e dois centavos), decorrentes da aplicação das multas regulamentares, no percentual de 300% (trezentos por cento), previstas no art. 86, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.981/95, sobre as infrações que teriam ocorrido nos dias 19/01/2010, 19/04/2010, 28/04/2010 e 12/05/2010 (objeto de recurso voluntário); (ii) afastada a responsabilidade solidária do Prefeito do Município de MinaçuGO pelo pagamento das referidas multas (objeto de recurso de ofício); e (iii) mantida a responsabilidade solidária do Sr. Valbi Barbosa dos Santos, que, de acordo com a Fiscalização, seria o titular do Certificado Digital utilizado para transmissão das declarações cujas informações seriam falsas. Em recurso voluntário, a Contribuinte sustenta, em resumo, que: (i) "não praticou, nem teve a intenção de praticar qualquer ilícito penal, ou prejuízo a Receita Federal"; (ii) foi vítima dos atos ilícitos supostamente praticados pelo Sr. Valbi Barbosa dos Santos e não foi beneficiada pela prática desses atos; (iii) o Sr. Valbi Barbosa dos Santos seria o único responsável pela prática das infrações em questão, sendo que, por meio de seu Certificado Digital, retificou declarações relativas a período em que não tinha poderes para atuar como contador da Prefeitura; (iv) o art. 86 da Lei nº 8.981/95 seria inaplicável à Contribuinte, pois não teria prestado informações falsas à RFB; e (v) não emitiu qualquer documento comprobatório da retenção de IRRF às pessoas indicadas em suas DIRFs retificadas, as quais não teriam a ela prestado serviços. Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Sem contrarrazões. Em 06 de agosto de 2013, a egrégia Primeira Seção deste Conselho, considerando que a matéria em discussão está relacionada a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória relacionada ao IRRF, declinou a competência para esta Segunda Seção, o que fez citando o art. 3º, incs. II e V, do RICARF então vigente. É o relatório. Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13116.720977/201233 Acórdão n.º 2402005.519 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso de ofício deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior a R$1.000.000,00. Nesse sentido, eis o teor do art. 1º da Portaria MF nº 03/2008: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por sua vez, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, igualmente, ser conhecido. 2 Do recurso de ofício A DRJ excluiu a responsabilização solidária atribuída ao Sr. Cícero Romão Rodrigues, Prefeito Municipal à época dos fatos, recorrendo do ato a este Conselho. Por concordar com os seguintes argumentos da decisão a quo, eles serão adotados como razões de decidir: De plano, ressalto a inadequação da citação, no auto de infração, do art. 124, II do CTN, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (negritei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. É sabido que em uma relação jurídica tributária, podemos ter mais de uma pessoa no polo passivo, sendo que entre elas poderá haver uma situação de solidariedade, quando o sujeito ativo tem a faculdade de cobrar a totalidade da dívida diretamente de qualquer um dos coobrigados solidários. A solidariedade pode darse entre pessoas que se encontrem na condição de contribuintes ou responsáveis. A solidariedade de que trata o inciso II do art. 124 do CTN, a denominada Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 solidariedade de direito, somente ocorre nos casos previstos em lei, ou seja, decorre de disposição legal expressa. No caso dos autos, não indicou o agente fiscal qualquer dispositivo legal estabelecendo a aludida solidariedade. Apontou também a autoridade fiscal, como fundamento para a responsabilização solidária de terceiros, o art. 135, II do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (negritei): I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; (negritei) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. [...] Ocorre que, à toda evidência, o dispositivo legal supra transcrito, ao se referir, no inciso II, a mandatários, prepostos ou empregados, se amolda à função do Sr. Valbi Barbosa dos Santos contador e mandatário da Prefeitura Municipal de Minaçu à época dos fatos , e não à do Sr. Cícero Romão Rodrigues Prefeito Municipal à época dos fatos , agente político, administrador de pessoa jurídica de direito público. Por outro lado, muito embora não apontada pelo agente fiscal, cabe ressaltar que a norma contida no inciso III supra também não poderia ser aplicada ao presente caso, pois atribui responsabilidade aos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Com efeito, conforme já registrado, o impugnante, à época dos fatos, era agente político, administrador de pessoa jurídica de direito público. [...] No caso sob exame, não restou demonstrado pela fiscalização a vontade e consciência do ora impugnante, Sr. Cícero Romão Rodrigues Prefeito Municipal à época dos fatos, na prática do aludido ato (prestar informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte). Ao contrário, a própria autoridade lançadora afirmou que “(...) a Fiscalização não tem elementos suficientes para afirmar que o Sr. CÍCERO ROMÃO RODRIGUES agiu pessoalmente ou mesmo que tinha conhecimento das fraudes aqui constatadas (...). Portanto, é de se afastar a responsabilidade do Sr. Cícero Romão Rodrigues Prefeito Municipal à época dos fatos, pelo crédito tributário constituído. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13116.720977/201233 Acórdão n.º 2402005.519 S2C4T2 Fl. 8 13 É importante frisar que a autoridade autuante deveria ter comprovado que, no exercício da administração, o responsável efetivamente praticou os atos elencados no art. 135 do Código, mormente porque a responsabilização de terceiro pressupõe a realização de um ato seu, que implique qualquer uma das hipóteses arroladas no citado dispositivo. A extensão da relação jurídicotributária a uma determinada pessoa requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à responsabilidade. Dito de outra forma, a responsabilidade pressupõe a regra matriz de incidência e a regra matriz de responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, responsáveis, etc). A responsabilização, portanto, requer tenham ocorrido todos esses pressupostos, sem os quais ela não poderá existir, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. Logo, negase provimento ao recurso de ofício. 3 Do recurso voluntário e da responsabilidade pessoal do agente De acordo com a autoridade fiscal, a recorrente, na qualidade de fonte pagadora, prestou informações falsas através de DIRF´s retificadoras. Foilhe cominada, assim, multa de 300%, calculada sobre o valor do imposto indevidamente utilizável como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou a compensar, em conformidade com o art. 86, § 3º, da Lei 8.981/1995: Art. 86. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do Imposto de Renda na fonte, deverão fornecer à pessoa física ou jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do Imposto de Renda retido no anocalendário anterior, quando for o caso. [...] § 3º A fonte pagadora que prestar informação falsa sobre rendimentos pagos, deduções ou imposto retido na fonte, será aplicada multa de trezentos por cento sobre o valor que for indevidamente utilizável, como redução do Imposto de Renda a pagar ou aumento do imposto a restituir ou compensar, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais. A autoridade lançadora informou que as DIRF´s foram apresentadas pelo Sr. Valbi Barbosa dos Santos, que detinha poderes para fazêlo, tendoo feito através de certificado digital. Informou, ainda, que a fiscalização se iniciou nos setores de inteligência da Receita e que houve a deflagração da operação APATE, pela Polícia Federal. Ao julgar a impugnação do Município, a DRJ entendeu ser inaplicável ao caso o art. 137 do CTN, pois entendeu que teria havido apenas excesso de poderes ou infração de lei, de forma que o caso seria regulado pelo art. 135. Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Do exame do caso, contudo, depreendese que o mandatário, Sr. Valbi Barbosa dos Santos, agiu contra os interesses do Município. Com efeito, e de acordo com a própria acusação fiscal, as informações falsas prestadas tinham o condão de reduzir o Imposto de Renda a pagar ou de aumentar o imposto a restituir/compensar em favor dos beneficiários dos pagamentos informados nas DIRFs, mas não de trazer qualquer benefício econômico mediato ou imediato em favor do sujeito passivo. É sabido, a propósito, que pertencem aos Municípios o produto da arrecadação do imposto incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem (art. 158, inc. I, da CF), mas a acusação fiscal não se funda nessa questão, mormente porque não teriam ocorrido as retenções falsamente informadas nas DIRFs. Como dito, a acusação se prende ao consequente exclusivo de reduzir o imposto a pagar ou de aumentar o imposto a restituir/compensar. Isto é, o Sr. Valbi Barbosa dos Santos agiu no interesse próprio e de terceiros, mas não no exercício regular do mandato que lhe foi outorgado. Não há, ademais, provas de que ele estivesse cumprindo ordens do Município, muito menos que estivesse atuando regularmente. Não se pode admitir que o Município, mesmo sendo vítima do autor da conduta ilícita, tenha que suportar a penalidade correspondente. O mandatário foi totalmente infiel ao sujeito passivo, mormente porque não se vislumbra como o contribuinte possa se aproveitar da conduta ilícita retratada nos autos. Outra conclusão não se extrai da acusação fiscal. O art. 137 do CTN exclui a responsabilidade da pessoa jurídica e atribui responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico do mandatário contra o mandante, ex vi do seu art. 137, inc. III, alínea b: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; A infração, como se depreende da própria acusação fiscal, decorre da vontade consciente e exclusiva do Sr. Valbi Barbosa dos Santos, que, falseando informações em DIRFs, visou a obter resultado determinado (diminuição do imposto a pagar ou aumento do imposto a restituir/compensar), agindo contra os interesses de seu mandante, o Município recorrente. Nesse contexto, vale citar a doutrina do prof. Hugo de Brito Machado1: O art. 137 do Código Tributário Nacional definiu as hipóteses nas quais a responsabilidade por infrações tributárias fundase no elemento subjetivo e portanto tem caráter pessoal. Assim, ocorrendo qualquer das hipóteses nele previstas, a responsabilidade pelo cometimento da infração será pessoal do 1 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao código tributário nacional, volume II. São Paulo: Atlas, 2004, páginas 634 e seguintes. Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13116.720977/201233 Acórdão n.º 2402005.519 S2C4T2 Fl. 9 15 agente, vale dizer, há de ser atribuída necessariamente à pessoa natural, ou física, cuja conduta configura cometimento ilícito. [...] Nos casos indicados no art. 137, portanto, a responsabilidade pelas infrações tributárias é pessoal do agente. As penalidades tributárias correspondentes não podem ser cobradas da pessoa jurídica. Devem ser cobradas das pessoas naturais. Comentando esse dispositivo, ensina Gurgel Faria: [...] Com efeito, nas situações reguladas, o contribuinte ou responsável também sofre, muitas vezes, danos em razão da ação de seu representante, motivo pelo qual fica exonerado do pagamento de multa. Renovese que a exclusão diz respeito a penalidades, respondendo o sujeito passivo pelo pagamento dos tributos porventura cabíveis. [...] A atribuição de responsabilidade pessoal àquele que pratica a infração é da maior importância para evitar que a empresa, mesmo sendo vítima da conduta ilícita, tenha de suportar as penalidades correspondentes. [...] Insistase em que a penalidade a que nos estamos referindo diz respeito somente às penalidades. A responsabilidade pelos tributos eventualmente não pagos em razão dos atos que configuraram aquelas infrações é de natureza cível e, assim, atribuível à pessoa jurídica em virtude da denominada culpa in eligendo. Segundo o citado professor, o propósito do art. 137, inc. III, alínea "b" é "impedir que o lesionado com o ato de seu mandatário, preposto ou empregado, além do prejuízo especificamente decorrente do ato de infidelidade de seu representante, ainda seja alcançado pela penalidade fiscal". Singrando esse mesmo entendimento, o professor Leandro Paulsen, citando Walter Paldes Valério, lembra que se atenua o princípio da responsabilidade objetiva quando se diz que é pessoal a responsabilidade dos agentes que: [...] exercendo atividade dolosa em proveito próprio venham a dar causa a infrações fiscais pelas quais, de outro modo, responderiam as vítimas do dolo e não seus autores intelectuais, [...]2. Ademais, e como relatou o agente fiscal, a fraude deu origem à operação policial deflagrada no âmbito da operação APATE. 2 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 962. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Nesse contexto, ainda se pode suscitar a aplicação do inc. I do citado art. 137, que igualmente atribui responsabilidade pessoal ao agente quanto às infrações situadas no âmbito penal. Isto é, sendo tão grave a infração, que a lei a enquadra como crime ou contravenção, a responsabilidade administrativa é igualmente do agente, e não da pessoa jurídica ou política. Essa hipótese de aplicação do inc. I parece ser corroborada pelo próprio dispositivo legal que deu ensejo à autuação, segundo o qual a aplicação da multa de trezentos por cento é feita independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais. Logo, entendese que deve ser dado provimento ao recurso do Município, para afastar sua responsabilidade pelo crédito constituído nestes autos, excluindoo do pólo passivo. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: (a) CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; (b) CONHECER e DAR TOTAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de afastar a responsabilidade do Município de Minaçu pelo crédito constituído nestes autos, excluindoo do lançamento. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10480.723283/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Verificada nos documentos de lançamento de ofício a adequada descrição dos fatos e da fundamentação do débito, não prospera arguição de nulidade fundada no não atendimento desses requisitos.
GLOSA. COMPENSAÇÕES. DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL.
Determinação judicial transitada em julgado acerca do modo de correção dos créditos detidos pelo contribuinte deve ser cumprida tanto pelo contribuinte como pela administração tributária, tendo em vista o disposto no inciso XXXV do art. 5º da CF.
VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE.
Está sedimentado na jurisprudência dos tribunais superiores, com amparo no art. 149, § 2º inciso I, e art. 40 do ADCT da CF, c/c o Decreto-Lei nº 228/67, que as vendas de produtos destinadas à Zona Franca de Manaus se equiparam à exportações. Assim, estão sob o abrigo da imunidade, não compondo a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta do produtor rural.
VENDAS PARA "TRADING COMPANIES". OPERAÇÕES DE MERCADO INTERNO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A venda da produção rural para uma trading company se trata de operação que ocorre entre empresas sediadas em território nacional, não se enquadrando no conceito de exportação beneficiada seja por imunidade, seja por isenção.
DEVOLUÇÃO DE VENDAS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA.
No cômputo da base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta do produtor rural pessoa jurídica devem ser excluídas as devoluções de vendas anteriores sobre as quais já tenha incidido o tributo.
MULTA POR DECLARAÇÃO INCORRETA NA GFIP. CFL 68. MANUTENÇÃO PARCIAL.
A multa aplicada face à entrega da GFIP contendo informações incorretas ou omissões acompanha o destino da obrigação principal a qual está vinculada, devendo ser considerados os ajustes nesta eventualmente realizados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e afastar a nulidade suscitada e, no mérito, para dar-lhe parcial provimento, de modo que sejam excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas no AI 37.314.473-3 as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as devoluções de vendas, nos termos explicados no voto do Relator, devendo ser recalculada a multa constante no AI nº 37.314.471-7 considerando-se tais ajustes.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Verificada nos documentos de lançamento de ofício a adequada descrição dos fatos e da fundamentação do débito, não prospera arguição de nulidade fundada no não atendimento desses requisitos. GLOSA. COMPENSAÇÕES. DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. Determinação judicial transitada em julgado acerca do modo de correção dos créditos detidos pelo contribuinte deve ser cumprida tanto pelo contribuinte como pela administração tributária, tendo em vista o disposto no inciso XXXV do art. 5º da CF. VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. Está sedimentado na jurisprudência dos tribunais superiores, com amparo no art. 149, § 2º inciso I, e art. 40 do ADCT da CF, c/c o DecretoLei nº 228/67, que as vendas de produtos destinadas à Zona Franca de Manaus se equiparam à exportações. Assim, estão sob o abrigo da imunidade, não compondo a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta do produtor rural. VENDAS PARA "TRADING COMPANIES". OPERAÇÕES DE MERCADO INTERNO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A venda da produção rural para uma trading company se trata de operação que ocorre entre empresas sediadas em território nacional, não se enquadrando no conceito de exportação beneficiada seja por imunidade, seja por isenção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 32 83 /2 01 1- 21 Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 DEVOLUÇÃO DE VENDAS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. No cômputo da base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta do produtor rural pessoa jurídica devem ser excluídas as devoluções de vendas anteriores sobre as quais já tenha incidido o tributo. MULTA POR DECLARAÇÃO INCORRETA NA GFIP. CFL 68. MANUTENÇÃO PARCIAL. A multa aplicada face à entrega da GFIP contendo informações incorretas ou omissões acompanha o destino da obrigação principal a qual está vinculada, devendo ser considerados os ajustes nesta eventualmente realizados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e afastar a nulidade suscitada e, no mérito, para darlhe parcial provimento, de modo que sejam excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas no AI 37.314.4733 as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as devoluções de vendas, nos termos explicados no voto do Relator, devendo ser recalculada a multa constante no AI nº 37.314.4717 considerandose tais ajustes. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10480.723283/201121 Acórdão n.º 2402005.502 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE) DRJ/PE, que julgou procedente os Autos de Infração: (a) DEBCAD 37.314.4733, contribuição sobre a comercialização da produção rural, de 01/2007 a 12/2008 (b) DEBCAD 37.314.4725, contribuições a cargo da empresa destinadas a terceiros (SENAR), de 01/2007 a 12/20 (c) DEBCAD 37.314.4709, glosa de compensação, de 05/2006 a 04/2008 e (d) DEBCAD 37.314.4717, apresentar a empresa GFIP com informações incorretas/omissas na competência 11/2008, CFL 78. A instância recorrida assim resumiu os termos do lançamento e da impugnação (fls. 1133/1138): Segundo o relatório fiscal, os levantamentos utilizados são os seguintes: PR1 PRODUTOS RURAIS: subrogação proveniente da aquisição de produtos rurais a fornecedores pessoas físicas (competências 01/2007 e 03/2008); RM, RM1 e RM2 RECEITA MERCADO INTERNO: comercialização de produção rural a empresas da Zona Franca de Manaus; RE1 e RE2 RECEITA EQUIPARADA EXPORTAÇÃO: vendas de produção no mercado interno como se fossem exportação; PE, PE1 e PE2 PRODUTOS EXPORTADOS: contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR sobre as vendas da produção para o exterior; GC1 GLOSA DE COMPENSAÇÃO: glosa de compensação; O Relatório Fiscal, fls. 5/19, esclarece que foi lavrado, nas competências 01/2007 e 03/2008, o valor relativo à aquisição de produção rural a pessoa física lançado na conta 4010101092 – CANA FORNECEDOR. Também foi lavrado o montante relativo aos descontos concedidos pelo contribuinte na comercialização da produção no mercado interno apurado nas notas fiscais 555081, 524611, 547151, 544921, 544901, 543641, 550721, 552321, 553881, 553611 e 553991, lançadas na conta 30301010002 – AÇÚCAR CRISTAL EMPACOTADO, consoante tabela à fl. 9. No confronto entre o montante das vendas da produção rural escriturado na contabilidade do sujeito passivo, nas contas 30103010008 – AÇÚCAR VHP, 30103010001 – AÇÚCAR CRISTAL ENSACADO e 30103020011 – ÁLCOOL ANIDRO, e o verificado no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, fls. 140/142, restou comprovado que a empresa considerava tais vendas no mercado interno como se fossem exportações. Por conseguinte, os valores das referidas transações também foram lavrados. O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, com a redação dada pela EC nº 33, prevê a não incidência sobre as receitas decorrentes de exportação apenas das contribuições sociais e as de intervenção no domínio econômico, assim foi lançada a Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 contribuição de interesse de categoria econômica ou profissional que cabe ao SENAR. No mesmo Relatório, o auditor fiscal afirma que considerou fato gerador a venda realizada pela empresa fiscalizada a adquirente situada em Zona Franca como venda no mercado interno tendo em vista que a imunidade apenas abrange adquirente domiciliado no exterior, conforme planilhas, fls. 659 e 661. A autoridade lançadora relata que a impugnante tem em seu favor a ação ordinária nº 9617077, na 12ª vara da Justiça Federal, transitada em julgado em 25/05/2006, cujo objetivo foi a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre a autora e o INSS, no que concerne ao recolhimento de contribuição à Previdência Social Urbana, alusiva à categoria de trabalhadores rurais, bem como o reconhecimento do direito à compensação das quantias pagas a esse título com futuros débitos da autora, atualizada monetariamente pelos índices reais inflacionários e acrescida de juros de mora, no período de 05/1971 a 10/1991 e 08/1994 a 12/1995. A sentença, fls. 712/722, assegurou à autora o direito de proceder à compensação das parcelas pagas indevidamente da contribuição à Previdência Social Urbana de seus trabalhadores rurais relativos ao período de 25/01/1986 a 10/1991, de acordo com a prescrição decenária, com parcelas vencidas e vincendas da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários dos empregados, devendo os créditos da autora serem atualizados monetariamente pelos mesmos índices utilizados pelo INSS na cobrança de seus créditos previdenciários, até 01/01/1996, a partir de quando deverão incidir juros moratórios equivalentes à taxa SELIC, na forma do art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95. Assim, a autoridade fiscal glosou os valores indevidamente compensados por erro do contribuinte quanto aos índices de atualização, até 12/1995, do crédito judicialmente reconhecido. O contribuinte utilizou os índices da esfera judicial na execução fiscal, mas, a sentença determina que seja usado os índices do INSS na cobrança de seus créditos previdenciários. [omissis] Cientificado do lançamento em 23/05/2011, fl. 38, 46, 59 e 69, o interessado apresentou impugnação, fls. 759/782, em 22/06/2011, fl. 759, argüindo, em síntese, que: a) é tempestiva; b) a compensação glosada já havia sido homologada, expressa ou tacitamente, pela Receita Federal em fiscalização ocorrida em 2006, MPF nº 0928331000, que não pode ser mais anulada/desconstituída/reformada; c) a nulidade dos Autos de Infração por descumprimento dos requisitos obrigatórios previstos no art. 10 do Decreto 70.235/72. Inexistência de descrição do fato e da indicação da disposição legal infringida e da penalidade aplicável. Excetuando o AI 37.314.4717 porque contém os requisitos obrigatórios previstos na norma citada; d) as compensações realizadas foram regulares. A sentença determinou que a atualização do crédito até 01/01/96 fosse feita pelos mesmos índices utilizados para cobrança do crédito pelo INSS, sem estipular se essa cobrança seria administrativa ou judicial. Como o contribuinte ingressou na justiça para ter seu crédito reconhecido, o índice de atualização aplicado deve ser o utilizado na esfera judicial para atualizar os débitos objeto de execução fiscal (tabela da TFPE); Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10480.723283/201121 Acórdão n.º 2402005.502 S2C4T2 Fl. 109 5 e) o auditor fiscal utilizou indevido índice de atualização do crédito, aplicável às cobranças administrativas do INSS; f) está decadente o direito de a administração anular ato administrativo que, há mais de 05 anos, reconheceu a regularidade das compensações; g) é imune a contribuição para o SENAR, art. 149, § 2º da CF/1988, incidente sobre as receitas decorrentes de exportação. O SENAR destinase a custear os objetivos descritos no capítulo da ordem social na CF/88; h) parte da autuação nº 37.314.4733 decorreu da indevida glosa das deduções de vendas relativas a descontos fornecidos. Contudo, as deduções se referem a devoluções de vendas dos clientes, conforme tabela: [omissis] i) o valor relativo a devolução de vendas não compõe o conceito de receita bruta previsto no art. 22A, da Lei 8.212/91, conforme se observa da leitura do art. 5º da IN nº 257/2002; j) as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, arts. 1º e 4º, do DecretoLei nº 288/1967, que regula a Zona Franca de Manaus, e se beneficiam da imunidade prevista no art. 149, §2º, da CF/88; k) equiparase à exportação as vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras (tradings companies); l) como o AI 37.314.4717 se refere ao descumprimento de obrigação acessória, especificamente a entrega de GFIP com supostas incorreções, a demonstração da total regularidade da conduta e procedimentos da impugnante acarreta a improcedência do referido AI. Ante o exposto, requer que: sejam anulados os AIs lavrados em função de não conter requisitos obrigatórios previstos no art. 10, Decreto 70.245/72, mais especificadamente a descrição do fato e a indicação da disposição legal infringida e da penalidade aplicável; caso superado o pedido acima, julgar improcedentes os AIs pelos motivos acima elencados. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 11/8/2014 (fls. 1163/1229), aduzindo, em suma: que está parcelando o DEBCAD nº 37.314.4725 (contribuição para o SENAR); a nulidade dos DEBCADs nº 37.314.4709 e nº 37.314.4733 por ausência de descrição dos fatos e da indicação legal infringida e penalidade aplicável; serem regulares as compensações realizadas com o crédito decorrente do processo judicial nº 96.17077, existindo pronunciamento anterior da Receita Federal no mesmo sentido, o qual não pode ser anulado dado o transcurso do prazo decadencial; Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 caso se mantenha entendimento diverso, que sejam afastadas, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN, as penalidades e acréscimos moratórios sobre as compensações glosadas; ser possível a exclusão dos valores correspondentes à devolução de vendas e descontos concedidos da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta, dado a regra do art. 5º da IN SRF nº 257/02; as vendas à Zona Franca de Manaus, bem como as exportações indiretas via trading companies são imunes, pois equiparadas à exportação; ser improcedente o DEBCAD nº 37.314.4717, pois inexistindo irregularidades, não há fundamento para aplicação de multa devido à entrega de GFIP com incorreções. É o relatório. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10480.723283/201121 Acórdão n.º 2402005.502 S2C4T2 Fl. 110 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Esclareçase que a matéria litigiosa a examinar se atém aos DEBCADs nº 37.314.4709, nº 37.314.4733 e nº 37.314.4717, pois o DEBCAD nº 37.314.4725 foi objeto de pedido de parcelamento, já constando do processo administrativo apartado de nº 10480.728906/201402. Da inexistência de nulidade. De plano, cabe afastar a nulidade suscitada. A indicação das disposições legais infringidas e das penalidades aplicáveis estão bem circunstanciadas às fls. 44/45 (DEBCAD nº 37.314.4709) e 66/68 (DEBCAD nº 37.314.4733), constando no Relatório Fiscal adequada descrição dos fatos que levaram à realização desses lançamentos. Não se vislumbra traço sequer dos vícios apontados no recurso, tampouco de qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Da glosa de compensações. A empresa ajuizou ação ordinária nº 9617077, na 12ª vara da Justiça Federal de Pernambuco, transitada em julgado em 25/5/2006, cujo objetivo foi a declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre a autora e o INSS, no que concerne ao recolhimento de contribuição à Previdência Social Urbana, alusiva à categoria de trabalhadores rurais, bem como o reconhecimento do direito à compensação das quantias pagas a esse título com futuros débitos da autora, atualizada monetariamente pelos índices reais inflacionários e acrescida de juros de mora, no período de 05/1971 a 10/1991 e 08/1994 a 12/1995. A parte dispositiva da sentença, prolatada em 4/5/2000 (fls. 712/722) assegurou à autora o direito de proceder à compensação das parcelas pagas indevidamente da contribuição à previdência social urbana de seus trabalhadores rurais relativos ao período de 25/01/1986 a 10/1991, de acordo com a prescrição decenal, com parcelas vencidas e vincendas da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários dos empregados, "devendo os créditos da autora serem atualizados monetariamente pelos mesmos índices utilizados pelo INSS na cobrança de seus créditos previdenciários, até 01/01/1996, a partir de quando deverão incidir juros moratórios equivalentes à taxa SELIC, na forma do art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95". Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Conforme narrado pelo aresto contestado, a autoridade fiscal glosou os valores indevidamente compensados por erro do contribuinte quanto aos índices de atualização, até 12/1995, do crédito judicialmente reconhecido. O contribuinte utilizou os índices da esfera judicial na execução fiscal, mas a sentença havia determinado que fossem usados os índices do INSS na cobrança de seus créditos previdenciários. Ora, o contribuinte alude, no intuito de defender seus argumentos, aos termos de Informação Fiscal (fls. 850/858) elaborada em 19/2/2006 com vistas ao atendimento de diligência para verificação da correção do valor depositado em garantia daquele feito judicial, segundo a qual a referida sentença "não deixou claro quais os índices deveriam ser utilizados, se os utilizados na cobrança administrativa ou os da cobrança judicial". Vejase, primeiramente, que o recorrente vinha se compensando do crédito oriundo do processo em questão desde a competência jul/2002 (fl. 12), se utilizando, para tanto, dos índices da esfera judicial, em desacordo com a decisão do juízo. Ou seja, não pautou seu procedimento de compensação com base em orientação administrativa, independentemente do mérito dessa, pois já vinha aplicando desde bem antes, a seu exclusivo talante, índices inapropriados à atualização de seus créditos. Além disso, não há como conceber que entendimento flagrantemente equivocado vertido pela administração tributária, em sede de diligência fiscal, possa se sobrepor à expressa determinação judicial transitada em julgado, tendo em vista o princípio da unicidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da CF. Nesse compasso, é despiciendo cogitar de prévia anulação de ato administrativo, cabendo ao Fisco averiguar o cumprimento dos estritos termos da decisão judicial, como bem levou a efeito a autoridade lançadora. Não há, por outra via, permissivo legal para exonerar a multa e os juros agregados ao lançamento, sendo que o contribuinte não explica em que medida o parágrafo único do art. 100 do CTN se aplicaria ao caso em análise, do que não se cogita, aliás, visto que tal dispositivo trata de decisões de órgãos singulares ou coletivos, bem como de práticas reiteradas administrativas, em nada se confundindo com a situação dos autos. Por conseguinte, não há fundamentos a ensejar a reforma da autuação DEBCAD nº 37.314.4709. Da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus. Reza o inciso I do § 2º do art. 149 da CF, incluído pela EC nº 33/01, que as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico "não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação". Já o art. 4º do DecretoLei nº 288/67, tido por parte da doutrina como dotado de eficácia de lei complementar por ser lei condicionante de lei ordinária1, assim dispôs: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. 1 Martins, Ives Gandra Martins. Teleologia dos incentivos fiscais aprovados pela Suframa. Disponível em www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI162725,21048Telologia+dos+cincentivos+fiscais+aprovados+pela+Suframa Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10480.723283/201121 Acórdão n.º 2402005.502 S2C4T2 Fl. 111 9 O Tribunal Pleno do STF já se posicionou na ADI nº 310/AM (j. 19/2/2014), em caso versando sobre o ICMS mas, mutatis mutandis, aplicável ao particular, no sentido de que o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) conferiu vigência e caráter de imunidade à norma supra transcrita: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONVÊNIOS SOBRE ICMS NS. 01, 02 E 06 DE 1990: REVOGAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS INSTITUÍDOS ANTES DO ADVENTO DA ORDEM CONSTITUCIONAL DE 1998, ENVOLVENDO BENS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. Não se há cogitar de inconstitucionalidade indireta, por violação de normas interpostas, na espécie vertente: a questão está na definição do alcance do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a saber, se esta norma de vigência temporária teria permitido a recepção do elenco préconstitucional de incentivos à Zona Franca de Manaus, ainda que incompatíveis com o sistema constitucional do ICMS instituído desde 1988, no qual se insere a competência das unidades federativas para, mediante convênio, dispor sobre isenção e incentivos fiscais do novo tributo (art. 155, § 2º, inciso XII, letra ‘g’, da Constituição da República). 2. O quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à Zona Franca de Manaus constitucionalizouse pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária, persistindo vigente a equiparação procedida pelo art. 4º do DecretoLei n. 288/1967, cujo propósito foi atrair a não incidência do imposto sobre circulação de mercadorias estipulada no art. 23, inc. II, § 7º, da Carta pretérita, desonerando, assim, a saída de mercadorias do território nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. 3. A determinação expressa de manutenção do conjunto de incentivos fiscais referentes à Zona Franca de Manaus, extraídos, obviamente, da legislação préconstitucional, exige a não incidência do ICMS sobre as operações de saída de mercadorias para aquela área de livre comércio, sob pena de se proceder a uma redução do quadro fiscal expressamente mantido por dispositivo constitucional específico e transitório. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. (grifei) Em consonância com esse julgamento, vale citar também o AgRg no RE nº 826.779/RS (j. 24/11/2015), e a decisão da 1ª Turma do STJ no AgRg no AI nº 1420880/PE (j. 4/6/2013). Nesse contexto, não se verifica como a existência de eventuais disposições em legislação ordinária, tais como o art. 14 da MP nº 2.15835/01, que trata de isenções fiscais atinentes à Cofins, possam dar azo a entendimento, emanado sob a ótica de raciocínio a contrário senso, que defenda a incidência de contribuições sociais à míngua de norma isentiva. Em outras palavras, para o caso das vendas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus, a manifestação do Pretório Excelso é incisiva o suficiente para respaldar a compreensão de que estão elas sob o manto protetor da imunidade, por força do art. 149, § 2º inciso I, e art. 40 do ADCT da CF, c/c o DecretoLei nº 228/67. Portanto, devem ser excluídos, do DEBCAD nº 37.314.4733, os levantamentos associados às vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. Das Vendas Equiparadas às Exportações. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 No que tange às operações em epígrafe, temse que os levantamentos RE "Receitas Equiparada Exportação", correspondem a transações de vendas no mercado interno tidas como se fossem exportações. A autoridade fiscal considerou que a expressão "decorrente", contida no inciso I do § 2º do art. 149 da CF, implicaria em reconhecimento da imunidade apenas nos casos em que a produção é comercializada "diretamente com adquirente domiciliado no exterior", enquanto o recorrente contesta tal conclusão, aduzindo que as vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras (tradings companies) estariam abrangidas pelo benefício. Não lhe assiste razão, contudo. Registrese, de início, que a venda da produção rural para uma trading company se trata de operação que ocorre entre empresas sediadas em território nacional, sendo perfeitamente possível que a comercial exportadora, ao receber o produto, lhe dê outra destinação outra que não o comércio exterior. Desse modo, o produto dessa venda não está, necessariamente, vinculado a uma ulterior exportação. De outra parte, a competência para conferir isenção a uma determinada hipótese de incidência é do legislador ordinário, que assim o fez, por exemplo, nos arts. 5º e 7º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ao regrar as contribuições para o PIS e a Cofins. Ademais, o STF pelo seu Pleno já se pronunciou no RE nº 564.413, julgado em 12/8/2010 sob o rito de repercussão geral, a respeito do alcance da imunidade das receitas de exportação em caso versando sobre a CSLL, no sentido de que "a imunidade encerra constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita". Também com referência às receitas da espécie, e em repercussão geral outrossim no exame do RE nº 566.259, nessa mesma data, a conclusão do Pleno foi similar em caso atinente à CPMF: "Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador". À evidência, caberá ao STF delimitar contornos precisos para o vocábulo "decorrente", bem como explicitar o entendimento da questão em comento. Isso ocorrerá, decerto, quando da análise do Tema 674 da repercussão geral, "Aplicabilidade da imunidade referente às contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação intermediada por empresas comerciais exportadoras ('trading companies')", no leading case RE nº 759.244, o que, entretanto, ainda não se sucedeu. Nessa linha, temse que as disposições do art. 245 da IN MPS/SRP nº 3/05, bem como do art. 190 da IN RFB nº 971/09 em nada inovaram, servindo apenas de norte para a correta interpretação da legislação de regência. Merece registrar também que não prospera a tese de que o DecretoLei nº 1.248/72 teria sido recepcionado pela CF e daria guarida a pretensão do recorrente, pois a aplicação dessa norma, ainda que tivesse estendido para o produtorvendedor que comercializasse via trading os benefícios que então favoreciam os exportadores diretos, estaria obstada no presente contexto por força do art. 177 do CTN, o qual regra que a isenção não é extensiva aos tributos instituídos posteriormente a sua concessão, tais como as contribuições previdenciárias em apreço. Por outra via, anotese que as considerações traçadas pelo referido colendo tribunal em sede de repercussão geral no RE nº 627.815, j. 23/5/2013, versam sobre o Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10480.723283/201121 Acórdão n.º 2402005.502 S2C4T2 Fl. 112 11 significado do termo "decorrente" no contexto de variações cambiais auferidas pelo próprio exportador, o que, decerto, não é o caso presente. Por essas razões, deve ser mantida a exigência vinculada ao levantamento RE "Receita Equiparada Exportação" (ver item 4.4 do Relatório Fiscal). Das devoluções de vendas. O contribuinte argumenta que o valor relativo a devolução de vendas não compõe o conceito de receita bruta previsto no art. 22A, da Lei 8.212/91. É fato que a legislação do imposto de renda, no art. 12 do Decretolei nº 1.598/77 (reproduzido no art. 280 do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99 Decreto nº 3.000/99) prevê que as vendas canceladas estão compreendidas no conceito de receita bruta, sendo que a redação dada a essa norma pela Lei nº 12.973/14 explicita que as devoluções de venda também se incluem naquela definição. Por outro lado, necessário frisar que na legislação relativa às contribuições vem sendo dado tratamento diverso ao tema, sendo que, quanto às contribuições PIS e Cofins, no art. 1º, inciso V, alínea 'a' das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, existe disposição expressa da exclusão das vendas canceladas da base de cálculo do tributo. Também a Lei nº 12.546/11, que instituiu a contribuição previdenciária sobre a receita bruta (CPR) para diversas atividades, tem nos seus arts. 7º e 8º a previsão de exclusão das vendas canceladas da receita bruta. A propósito, temse que na Solução de Consulta Cosit nº 40/14, vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil por força do art. 9º da IN RFB nº 1.396/13, com a redação dada pela IN RFB nº 1.424/13, chegouse à seguinte conclusão, nos termos do excerto de ementa abaixo colacionado: VENDA CANCELADA. DEVOLUÇÃO DE VENDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. O valor do cancelamento de vendas decorrentes de devolução de mercadorias, que tenha sido objeto de incidência da CPRB, poderá ser excluído na determinação da sua base de cálculo no período de ocorrência da devolução. No tópico dessa Solução que trata especificamente da matéria, é consignado: 17. A venda cancelada corresponde a uma das hipóteses de exclusão da receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CPRB, conforme determina o art. 7º, caput, da Lei nº 12.546, de 2011, já reproduzido; no entanto, a legislação nada menciona sobre a devolução de venda. 18. Como visto anteriormente, o conceito de receita bruta, para fins de apuração dessa base de cálculo, deve guardar consonância com a legislação dos dem ais tributos federais. Assim, podese adotar o mesmo entendimento dado à Contribuição para o PIS e à Cofins apuradas no regime cumulativo, que, assim como a CPRB, têm como base de cálculo a receita bruta e apresentam como hipótese de exclusão, entre outras, a venda cancelada, nada mencionando sobre a devolução de venda, conforme o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 19. Ao analisar o assunto, através da Solução de Consulta Cosit nº 11, de 19 de junho de 2002, a CoordenaçãoGeral de Tributação – Cosit – exarou orientação de que o cancelamento de vendas pode ocorrer por vários motivos, inclusive pela devolução de mercadorias.A seguir reproduzse a ementa2 da citada Solução de Consulta: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO VENDAS CANCELADAS POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. O valor do cancelamento de vendas decorrente de devolução de mercadorias, que tenha sido objeto de incidência da Cofins, poderá ser excluído na determinação da base de cálculo, no período de ocorrência da devolução. O valor do eventual excesso de vendas canceladas pela devolução de mercadorias, em determinado período, em relação à receita bruta já submetida à incid ência da Cofins, poderá ser excluído na determinação da respectiva base de cálculo e m períodos subseqüentes. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 27 denovembro de 1998, arts. 2o e 3o. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO VENDAS CANCELADAS POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. O valor do cancelamento de vendas decorrente de devolução de mercadorias, que tenha sido objeto de incidência do PIS/Pasep, poderá ser excluído na determinação da base de cálculo, no período de ocorrência da devolução. O valor do eventual excesso de vendas canceladas pela devolução de mercadorias, em determinado período, em relação à receita bruta já submetida à incidência do PIS/Pasep, poderá ser excluído na determinação da respectiva base de cálculo em períodos subseqüentes. Dispositivos Legais: Lei n 9.718, de 27 de novembro de 1998, arts. 2o e 3o . 20. Dessa forma, concluise que o valor do cancelamento de vendas decorrentes de devolução de mercadorias, que tenha sido objeto de incidência da CPRB, poderá ser excluído na determinação da sua base de cálculo no período de ocorrência da devolução. (grifei) Tal conclusão se deve, logicamente, ao fato de que a devolução de uma mercadoria cuja venda já tenha sido tributada quando da saída do produto da empresa, traduz se, na prática, em "estorno de venda", pois a receita anteriormente gerada foi cancelada pela devolução correspondente. Salientese que a contribuição devida pelo produtor rural pessoa jurídica, a qual encontra seu esteio no art. 25 da Lei nº 8.870/94, consubstanciase em espécie do gênero contribuição substitutiva, à semelhança da multicitada CPRB. Isso, porque mediante a aplicação de um percentual sobre a receita do produtor, deixase de recolher àquelas contribuições devidas sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos seus segurados empregados e trabalhadores avulsos, prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Dessa maneira, tendo em vista o dever de coerência na interpretação dos conceitos normativos tais como a "receita bruta" que deve reger a administração tributária, e tratando o presente caso de contribuição previdenciária substitutiva sobre a receita bruta do produtor rural, lhe é igualmente aplicável o raciocínio desenvolvido na SC Cosit nº 40/14, de Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10480.723283/201121 Acórdão n.º 2402005.502 S2C4T2 Fl. 113 13 modo a que sejam consideradas passíveis de exclusão da base de cálculo da exigência as devoluções de venda. Em decorrência, devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias em tela as devoluções de venda, constantes dos documentos de fls. 889/901, que correspondam a vendas anteriores sujeitas à contribuição previdenciária, e que restaram mantidas, nos termos deste voto. Da multa por descumprimento de obrigação acessória. O contribuinte, nesse aspecto, cingese a afirmar que a demonstração da total regularidade de sua conduta e procedimentos levaria à consequente improcedência da multa por "entrega da GFIP com supostas incorreções". Sem embargo, ao longo desta fundamentação restou evidenciada a subsistência de relevante parte das infrações relativas à obrigação principal, do que decorre a manutenção parcial do auto em relevo. Nesse rumo, deve ser refeito o cômputo da multa veiculada no AI DEBCAD nº 37.314.4717, ajustandoa às exclusões da base cálculo "receita bruta" atinente ao AI DEBCAD nº 37.314.4733 mais acima explicadas, a saber, as vendas de produtos destinadas à Zona Franca de Manaus, e as devoluções de mercadorias associadas a vendas anteriormente sujeitas à incidência da contribuição contestada, nos termos descritos no item precedente. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, afastando a nulidade suscitada, darlhe parcial provimento, para fins de que sejam excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas no AI DEBCAD 37.314.4733 as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e as devoluções de vendas, nos termos explicados neste voto, devendo ser recalculada a multa constante no AI DEBCAD nº 37.314.4717 considerandose tais ajustes. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 19515.721453/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
EXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL NA DECISÃO. CORREÇÃO MEDIANTE A PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO
Demonstrada a existência de erro material na decisão, deve-se acolher os embargos inominados de modo a suprir a mácula apontada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo
Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 542 1 541 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721453/201162 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402005.416 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante PRESIDENTE DO COLEGIADO Interessado PERSONAL CARE SERVICOS MEDICOS LTDA EPP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL NA DECISÃO. CORREÇÃO MEDIANTE A PROLAÇÃO DE NOVO ACÓRDÃO Demonstrada a existência de erro material na decisão, devese acolher os embargos inominados de modo a suprir a mácula apontada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 53 /2 01 1- 62 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 19515.721453/201162 Acórdão n.º 2402005.416 S2C4T2 Fl. 543 3 Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos pelo Presidente da Turma, em face do acórdão n.° 2402004.857 proferido por esta Eg. Turma. O embargante apontou erro no processo de formalização do acórdão consistente em numeração incorreta da decisão. Foi lançado o número 2401004.857, quando a deveria constar 2402004.857. É o relatório. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Tratase de alegação de inexatidão decorrente de manifesto erro material, que deverá ser recebida como embargos inominados para saneamento da erronia, nos termos do "caput" do art. 66 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, com a seguinte redação: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão." Como se observa da parte final do dispositivo, os erros materiais deverão ser corrigidos mediante a prolação de novo acórdão. Nessa toada, a presente decisão tem apenas o desiderato de corrigir a erronia decorrente de erro na numeração do acórdão anterior, que passará a assumir o n.° 2402004.857. Conclusão Voto por acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão n.° 2402004.857, nos termos acima. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901411/2014-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.345
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 11 /2 01 4- 31 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901411/201431 Acórdão n.º 3402003.345 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901411/201431 Acórdão n.º 3402003.345 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901411/201431 Acórdão n.º 3402003.345 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901411/201431 Acórdão n.º 3402003.345 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11453.720001/2011-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1996
COFINS. AÇÃO RESCISÓRIA. COBRANÇA DE JUROS APÓS O TRANSITO EM JULGADO
Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora.
Os efeitos da decisão em ação rescisória produz efeitos inter pars, possui eficácia prospectiva., o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideram-se os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora.
Numero da decisão: 9303-004.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não o conheceram e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1996 COFINS. AÇÃO RESCISÓRIA. COBRANÇA DE JUROS APÓS O TRANSITO EM JULGADO Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora. Os efeitos da decisão em ação rescisória produz efeitos inter pars, possui eficácia prospectiva., o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideram-se os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não o conheceram e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello
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AÇÃO RESCISÓRIA. COBRANÇA DE JUROS APÓS O TRANSITO EM JULGADO Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora. Os efeitos da decisão em ação rescisória produz efeitos inter pars, possui eficácia prospectiva., o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideramse os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não o conheceram e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 45 3. 72 00 01 /2 01 1- 23 Fl. 884DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 884 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3102001.585, proferido pela 1ª Câmara da 2º Turma Ordinária da 3º Seção de Julgamento, que decidiu dar parcial provimento ao Recurso, para reconhecer a incidência de juros de mora a partir da data do trânsito em julgado da ação rescisória, além da multa de mora a partir do trigésimo dia, contado da intimação para recolhimento dos tributos debatidos em juízo. Todavia, o Relator restou vencido, o Conselheiro Ricardo Rosa foi o redator do voto vencedor que deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a incidência de juros de mora a partir da data do trânsito em julgado da ação rescisória. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1996 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de oficio quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COFINS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. DECADÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de créditos tributários, cuja cobrança estava afastada por força de sentença rescindida em ação rescisória extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, Aquele em que transitou em julgado a ação rescisória que tornou possível o lançamento, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. COFINS. JUROS DE MORA. AÇÃO RESCISÓRIA. Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora. Por força dos artigos 468 e 489 do Código do Processo Civil, a sentença Fl. 885DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 885 3 proferida em juizo faz lei entre as partes, o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideramse os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora. DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. LANÇAMENTO ISOLADO DA MULTA DE MORA E DOS JUROS MORATÓRIOS. As autoridades administrativas estão obrigadas a seguir os ditames estabelecidos em sentença judicial. Portanto, todas as alegações constantes do Recurso em relação a exigência da multa de mora e dos juros moratórios por meio de lançamento isolado realizado de oficio pela Administração Tributária, ficam superadas em razão da decisão constante Mandado de Segurança n° 502632745.2010.404.7000. JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°5 DO CARF. São devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°4 DO CARF. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. A lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado , quando deixe de lhe cominar multa de menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. Cabe a exigência de multa de mora, na ocorrência de sentença favorável em ação rescisória ajuizada pela Unido, cujos débitos não forem pagos no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a Recorrente foi cientificada da exigência pela Delegacia da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 886 4 Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte O presente processo versa sobre Auto de Infração lavrado para a exigência de juros e multa de mora, incidentes sobre débitos de COFINS, relativo a fatos geradores compreendidos entre 08/1995 a 12/1996. Consta do termo de encerramento da ação fiscal que o lançamento foi motivado pelo trânsito em julgado, em 30/08/2010, da ação rescisória n° 2000.04.01.1002669/PR, que desconstituiu o acórdão proferido no MS n° 95.00.110377/PR. Com a rescisão do julgamento, expediuse mandado de procedimento Fiscal MPF para apurar e lançar eventuais diferenças da COFINS que deixaram de ser recolhidas pela contribuinte, por conta da imunidade reconhecida nos autos do MS posteriormente rescindido. Na hipótese desses autos, como o valor relativo ao tributo já havia sido declarado em DCTF, a fiscalização, seguindo orientação judicial, lavrou o auto de infração apenas para exigência dos juros e da multa de mora, calculados desde a época do fato gerador do tributo. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que não há como admitir a tese acolhida pela Turma a quo, segundo a qual, a decisão proferida em sede de ação rescisória teria efeitos complexos, sendo que, com relação aos juros, seus efeitos seria ex nunc, e que a ação rescisória somente produz efeitos prospectivos. Por fim, defende que a incidência dos juros se dá desde o fato gerador do tributo, pugna pela reforma do acórdão. Para comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresenta como paradigma o acórdão nº CSRF/0201.749. Por outro lado, a Contribuinte em seu Recurso, pugna pela manutenção do acórdão, para fim de excluir integralmente a aplicação das penalidades de multa de mora e juros moratórios. Para comprovar as divergências, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas nºs 20313.483 e CSRF/02.01.749. O Recurso da Contribuinte não teve seguimento, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 846/854. No Reexame de Admissibilidade, fl. 853, o Presidente do CARF manteve na íntegra o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao Recurso interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 887 5 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Admissibilidade do Recurso Antes de passar à análise das matérias recursais, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional e Contribuinte. Admissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional Quanto ao Recurso da Contribuinte, não conheço, em razão da não comprovação de divergência jurisprudencial, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 846/854. A divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao termo inicial para a incidência dos juros de mora, considerando que a decisão recorrida determinou que se dê a partir do trânsito em julgado da ação rescisória, mas a Recorrente defende que, neste quesito, deveria prevalecer o entendimento segundo o qual a incidência se dá desde o fato gerador do tributo. Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma no Recurso, o Acórdão nº CSRF/0201.749. Vejamos a sua ementa COFINS. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Cabe lançamento de ofício para prevenir decadência durante o trâmite de ação rescisória, ajuizada contra Acórdão transitado em julgado. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE SEM DEPÓSITO DO TRIBUTO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por qualquer medida, desde que não acompanhada do depósito do montante integral daquele, não tem o efeito de purgar a mora, devendo o lançamento feito com o fito de prevenir a decadência fazer constar a exigência de juros de mora. Nenhum Fl. 888DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 888 6 prejuízo acarretará ao contribuinte, vez que, se vencedor na lide judicial, o processo administrativo perderá seu objeto. Neste ponto, para melhor ilustrar a divergência suscitada, cabe transcrever fragmento do voto condutor do paradigma: “No que tange aos juros de mora entendo serem cabíveis, pois a inexigibilidade do tributo por qualquer amparo judicial, não inibe a incidência de juros de mora exceto se vier acompanhada do depósito do débito no montante integral. Vale lembrar que, com a propositura da ação rescisória, a lide foi restabelecida. Cientificada da ação, caberia à empresa realizar o depósito judicial da importância questionada. A mora decorre do descumprimento da obrigação principal, na data de vencimento estipulada na legislação. A suspensão da exigibilidade tem por objeto determinar que a Administração apenas não pratique atos de cobrança do tributo e não havendo obstáculo à constituição do crédito tributário não o há em aplicar os encargos de mora.” Com efeito, o confronto das ementas já é suficiente para evidenciar a divergência jurisprudencial sobre o termo inicial para a contagem dos juros moratórios. Contudo, ressaltese que tanto o paradigma quanto a decisão recorrida trataram da mesma matéria, são referentes à mesma ação mandamental transitada em julgado e à mesma ação rescisória. O acórdão recorrido entendeu pela incidência dos juros de mora apenas a partir do trânsito em julgado da ação rescisória. Por sua vez, o paradigma citado firma entendimento diverso, no sentido de que a incidência deveria se dar desde a data de vencimento da obrigação tributária, exceto quando houver o depósito do débito no montante integral, conforme estipulado na legislação. Com essas considerações, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. Portanto, conheço do Recurso. Objeto da Lide/Mérito Tratase de auto de infração lavrado em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, para exigência de créditos tributários decorrentes de multa de mora e de juros em razão do não pagamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS no prazo determinado, relativo aos fatos geradores de agosto de 1995 a dezembro de 1996. Não obstante, para se compreender a lide, se faz necessário revisitar os fatos que deram a origem aos débitos, bem como do fluxo processual. Verifico nos autos que a Contribuinte em 25/08/1995, impetrou Mandado de Segurança, objetivando a declaração de inexistência de relação jurídica tributária, relativamente ao recolhimento da COFINS sob receitas de energia elétrica, em razão da Fl. 889DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 889 7 imunidade prevista no artigo 155, parágrafo 3º, da Constituição Federal. Consta nos autos do processo que a contribuinte procedeu os depósitos em juízo para litigar. O pleito da Contribuinte frente ao poder judiciário foi indeferido, o juízo entendeu pela obrigatoriedade do recolhimento da COFINS Receitas de energia elétrica. Não se conformando, a Contribuinte manejou Recurso de Apelação junto ao Tribunal Regional Federal da 4º Região, que deu provimento ao recurso, entendendo que não incide nenhum tributo nas operações de energia elétrica, exceto o ICMS, nos termos da artigo, artigo 155, parágrafo 3º, da Constituição Federal, afastando, por conseqüência, a aplicação dos arts. 1ºe 2º da Lei Complementar nº70/1991. Essa decisão transitou em julgado em 18/08/2000. A União ajuizou ação rescisória junto a Tribunal Regional Federal da 4º Região, com fundamento no art. 485, V do Código de Processi Civil vigente á época, objetivando a rescisão do acórdão favorável a Contribuinte. Em 07/08/2003, a 1º Seção do TRF da 4º Região, por maioria de votos, julgou procedente a ação rescisória, entendendo constitucional a cobrança da COFINS incidente sobre o faturamento das empresas distribuidoras de energia elétrica. Não obstante, a Contribuinte interpôs embargos infringentes, que foram julgados, por maioria, procedentes, reconhecendo a decadência do direito de propor a ação rescisória. Seguindo o fluxo recursal, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, ao qual foi dado provimento pelo STJ, para reformar a decisão do TRF da 4ª Região, afastando a decadência, e determinando a remessa dos autos para o TRF4, para que prosseguisse ao julgamento do mérito da rescisória. Os autos foram redistribuídos á Relatora, a qual votou pela procedência da ação rescisória, rescindindo a sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança, reconhecendo a validade da incidência da COFINS sobre o faturamento das empresas de energia elétrica. A decisão transitou em julgado em 30/08/2010. Em vista do resultado do julgamento, a Receita Federal do Brasil, intimou a Contribuinte a pagar o valor da COFINS relativa às competências entre agosto de 1995 a dezembro de 1996, acrescidos de juros de mora e multa de mora. A Contribuinte impugnou a intimação, a qual foi acolhida parcialmente para determinar o desmembramento da cobrança principal e acessória, e determinando proceder o lançamento em separado, de multa de mora e juros de mora. Essas foram as considerações para melhor esclarecer os fatos. Em razão do reexame de admissibilidade feita por este julgador, a matéria que sobe para julgamento a esta E. Câmara Superior, referese somente a qual momento incide os juros moratórios, se da data do transito em julgado da ação rescisória ou desde o fato gerador do tributo. Passo ao julgamento do Recurso. Pois bem, o contencioso gira em torno da controvérsia do lapso temporal da incidência de juros moratórios, se do momento do transito em julgado da ação rescisória ou desde o fato gerador do tributo. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 890 8 O crédito tributário lançado resumese a multa de ora, limitada em 20%, com fundamento na lei nº 9.430/1996, art. 43 e art. 61, parágrafo segundo e juros de mora relativos à taxa Selic, com fundamento na lei nº 9.065/1995, art. 13 e da lei nº 9.430/1996, art.43. Observo que, a instancia a quo, ao dar provimento parcial ao Recurso, voto vencedor proferido pelo Ilustre Conselheiro Ricardo Rosa, o qual, estendo minhas homenagens e admiração, fundamentou tal divergência da seguinte forma: "Em que pese a pertinência dos esclarecimentos aduzidos ao Voto, da sua leitura sou levado a entendimento diametralmente oposto ao que fora sugerido na decisão vencida. Assim decido porque, a meu ver, se a propositura da ação rescisória nenhuma conseqüência tem sobre a exeqüibilidade da ação impugnada, penso que o ingresso da Procuradoria da Fazenda Nacional com a ação rescisória não teve nenhum efeito sobre o status quo então vigente, permanecendo válida a regra determinada pela ação rescindenda até o trânsito em julgado da ação rescisória, qual fosse ela, o não pagamento dos tributos. Se a norma em determinado momento desobriga o contribuinte ao pagamento da exação e, por seu turno, o Erário busca revêla, o que, como se viu, só teve eficácia após o trânsito da ação rescisória, não vejo como considerar que antes dele". Notase que o r. acórdão recorrido empreendeu a melhor análise da legislação pertinente, a Turma recorrida defende a eficácia ex nunc do julgamento proferido na ação rescisória, no que concerne aos juros, considerando a natureza remuneratória e não coercitiva dos juros. Da Natureza Jurídica da Ação Rescisória e dos Efeitos Ex Nunc Penso que a decisão recorrida acertou em reconhecer a eficácia ex nunc da ação rescisória, entendo que os juros, neste caso, devem ser considerados de natureza remuneratória e não coercitiva. Com efeito, da análise que o Poder Judiciário faz de qualquer ação rescisória, são realizados três juízos. Primeiro, de conhecimento da ação, no qual se verificam se estão presentes os pressupostos do antigo artigo 485 do CPC, bem como se não há algum óbice processual como o da Súmula 343/STF.1 Segundo, analisase a possibilidade de 1 “Na interpretação do preceito do art. 485, V do CPC, surgiu a Súmula 343 do Supremo Tribunal Federal, in verbis: “Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais”. Na aplicação dessa Súmula, diversas orientações jurisprudenciais surgiram. Em primeiro lugar, “se a controvérsia jurisprudencial somente se instaurou, posteriormente, ao acórdão rescindendo, pode a ação ser julgada procedente” (RTJ, 97/19). Em segundo lugar, sua aplicação não abrange interpretação de texto constitucional (RTJ, 125/267, 114/361 e 108/1369; RSTJ, 96/150). Em terceiro lugar, “a divergência, no âmbito apenas de um tribunal, não impede a rescisória de acórdão que esposa entendimento contrário àquele pacificado no Excelso Pretório, desde a época da decisão rescindenda”, conforme decidiu o Superior Tribunal de Justiça (apud THEOTONIO NEGRÃO, ob. cit., nota 21 ao art. 485, fls. 377). Em quarto lugar, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, se a interpretação da lei era controvertida ao tempo em que foi prolatada a sentença rescindenda, mas depois se pacificou em sentido contrário, é cabível a rescisória (apud THEOTONIO NEGRÃO, idem, nota 21 ao art. 485, fls. 377). Como se vê, referida Súmula 343 traz um enunciado que oferece inúmeras dificuldades, para uma correta e justa apreciação da hipótese definida no inciso V do art. 485 do CPC. Embora esteja sendo aplicada no Superior Tribunal de Justiça, THEOTONIO NEGRÃO observa que houve nesta Colenda Corte uma certa tendência no sentido de reduzir o alcance da Súmula 343, de maneira a não aplicála se a interpretação de texto, embora Fl. 891DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 891 9 rescisão/desconstituição do julgado (jus rescindens). Terceiro, caso requerido pelo autor da ação, o rejulgamento da quaestio iuris. Nesta linha, Pontes de Miranda, Barbosa Moreira, Humberto Theodoro Junior, reconhecem amplamente2 que o juízo rescindendo tem natureza constitutiva,3 ou melhor, constitutiva negativa, visto que desconstitui a decisão anterior transitada em julgado, razão pela qual produz efeitos ex nunc, característico desse tipo de pronunciamento judicial. Já o juízo rescisório seguirá a natureza da ação anteriormente ajuizada, podendo, portanto, ser declaratório, constitutivo e condenatório. Por outro lado, a decisão deve ser tida como válida e eficaz, para todos os efeitos de direito, até a data do trânsito em julgado da decisão de procedência da ação rescisória. E assim ocorre essencialmente por três razões, A primeira razão, relacionase com a decisão de procedência do pedido deduzido em ação rescisória é, quanto ao juízo rescindente, constitutiva negativa. Portanto, salvo regra expressa em contrário, sentenças constitutivas, positivas ou negativas tornamse imperativas apenas quando do trânsito em julgado, de modo que sua eficácia é, por regra, ex nunc. A segunda razão, relacionase pela inaplicabilidade da súmula 343 STF, com maior razão é de se entender que a coisa julgada persiste até que definitivamente cancelada – o que só ocorre com o trânsito em julgado da decisão de procedência da ação rescisória. Quanto a terceira razão, penso que as particularidades da coisa julgada no que tange seus efeitos ao exame do controle de constitucionalidade contrapõe a subsistência da coisa julgada até o início do marco temporal. Em relação a primeiro ponto suscitado, ressaltase que esta alinhado com melhor doutrina, seja tradicional ou contemporânea4. Chiovenda em apud, corrobora neste mesmo sentido, o referido autor pondera em sede doutrinária que “A tutela constitutiva, conforme instrução doutrinária tem por pressuposto jurídicomaterial o direito do demandante à constituição de uma situação nova que, por outro lado, é causa de tal efeito jurídico”5. Portanto, “Firmada a premissa de que são coisas distintas a eficácia da sentença e a controvertida, afronta, no entender da turma julgadora da rescisória, a literal disposição de lei (idem, nota 22, pg. 377). Tratase em verdade, da melhor atuação jurisdicional, pois, o caso concreto é, sempre, a matriz do julgador. Bem por isso, expõe, com total razão, o excelso Ministro Eduardo Ribeiro: “Embora já tenha invocado a Súmula 343 do STF, assim como a de n. 134 do TFR, sempre encarei com reservas aqueles enunciados, que me parecem tentativa pouco feliz de fixar um critério objetivo para decidir quanto ao cabimento da rescisória, com fundamento no item V do art. 485 do CPC” (RSTJ, 40/28). (Marques, José Frederico, Instituições de Direito Processual Civil. Millennium, 1ª edição, 1999, pp. 424/425) 2 Nesse sentido: Pontes de Miranda, Barbosa Moreira, Frederico Marques, Humberto Theodoro Junior e Bernardo Pimentel. 3 Entre as três classificações usualmente aplicadas: declaratória, constitutiva e condenatória. 4 Cf. Tomás Pará Filho, Estudo sobre a sentença constitutiva, dissertação de concurso à cadeira de Direito Judiciário Civil da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1973, p. 139; Moacyr Amaral Santos, Comentários ao código de processo civil, Vol. IV, 1ª ed., São Paulo, Forense, 1976, p. 432; Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 42ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 2010, p. 528; Cândido Rangel Dinamarco, Instituições de Direito Processual Civil, vol. III, 6ª ed., São Paulo, Malheiros, 2009, p. 261; Paulo Henrique dos Santos Lucon, Eficácia das Decisões e Execução Provisória, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2000, p. 157; Teresa Arruda Alvim Wambier, Nulidades do processo e da sentença, 5ªed, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, p. 104; Sérgio Sahione Fadel, Código de processo civil comentado, tomo III, Rio de Janeiro, José Konfino Editor, 1974, p. 21; Marcelo Abelha Rodrigues, Elementos de direito processual civil, vol. 1, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 2000, p. 206; Alexandre Freitas Câmara, Lições de direito processual civil, vol. 1, 24ª ed., São Paulo, Atlas, 2013, p. 479; Ernane Fidélis dos Santos, Manual de direito processual civil, vol. 1, 11ª ed., São Paulo, Saraiva, 2006, p. 214; Marcus Vinicius Rios Gonçalves, Novo curso de direito processual civil, vol. 2, 10ª ed., São Paulo, Saraiva, 2014, p. 36. 5 Cf. Flávio Luiz Yarshell, Tutela jurisdicional, 2ª ed., São Paulo, DPJ Editora, 2006, p. 156. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 892 10 imutabilidade de seus efeitos substanciais (coisa julgada material), no caso da tutela constitutiva costumase dizer que seus efeitos se produzem, por regra, ex nunc. É que a sentença constitutiva estabelece uma nova situação jurídica e, portanto, é a inovação que estabelece o marco inicial da eficácia, sob o ângulo lógico”6 Por outro lado, a Fazenda Nacional sustenta que: "O juízo rescisório pode, inclusive, reformar a sentença ou acórdão impugnado, apenas para julgar o pedido da parte improcedente. Nesse último caso, o julgamento terá efeitos retroativos, próprios das sentenças declaratórias". Sem embargo, entendo que os efeitos da decisão nos autos da ação rescisória produzem efeitos inter pars, ou seja, possui eficácia prospectiva. Convém destacar que as sentenças ingressam no ordenamento jurídico como normas, de tal sorte, quando o julgador efetua nova interpretação, construindo um sentido diferente daquele veiculado em decisão anterior, temse a verdadeira inovação no ordenamento jurídico. Sendo assim, correto entendimento da tese acolhida pela Turma a quo, segundo a qual, a decisão proferida em sede de ação rescisória teria efeitos complexos, sendo que, com relação aos juros, seus efeitos seria ex nunc, ou seja, de que a ação rescisória somente produz efeitos prospectivos. Vejamos: "Como se extrai do enunciado, a incidência de juros ocorre somente se a parte perder a demanda. E claro, tratase de um pressuposto óbvio. Contudo, denota subordinação da incidência ao juízo que é feito da demanda. O que quero dizer é que houvesse, até determinada data, regra como a que aqui vigeu, ou que, por qualquer outra razão o Juiz entendesse que os valores somente foram devidos a partir de determinado momento, com certeza a incidência de juros não retroagiria a uma data anterior. Por certo, tratamse de normas aplicáveis às situações nas quais a divida é pré existente, anterior A. citação, mais para fixar a incidência em data posterior à constituição da divida do que para retroagila. Não penso que se aplique ao caso em tela, no qual a parte só pode ser considerada devedora muito depois da citação; uma particularidade da ação que rescinde outra" Assim, eventual direito da Fazenda Nacional exigir juros moratórios, nasce somente após a decisão definitiva da ação rescisória, com seu respectivo trânsito em julgado. Tal pretensão de aplicar para o passado a decisão antes do seu trânsito em julgado acarreta desequilíbrio aos artigos 1467, 156, X, e 1058 do CTN, bem como dos artigos 467, 468 e 489 do CPC/73, além da não observância da cláusula pétrea da coisa julgada, contida no artigo 5, XXXVI, da CF/88. 6 Cf. Flávio Luiz Yarshell, Curso de direito processual civil, vol. 1, 1ª ed., São Paulo, Marcial Pons, 2014, p. 242. 7 “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” 8 “Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116.” Fl. 893DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 893 11 Por todas as razões acima aduzidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto é como penso. (assinado digitalmente) Demes Brito Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional buscando a reforma do acórdão nº 3102001.585, que proveu parcialmente o recurso voluntário da Contribuinte para determinar a incidência de juros de mora a partir da data do trânsito em julgado da ação rescisória e da multa de mora a partir do trigésimo dia da intimação para recolhimento do tributo em discussão. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1995 a 31/12/1996 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de oficio quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COFINS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. DECADÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de créditos tributários, cuja cobrança estava afastada por força de sentença rescindida em ação rescisória extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, Aquele em que transitou em julgado a ação rescisória que tornou possível o lançamento, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 894 12 COFINS. JUROS DE MORA. AÇÃO RESCISÓRIA. Nos termos da Lei, sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidem juros de mora. Por força dos artigos 468 e 489 do Código do Processo Civil, a sentença proferida em juízo faz lei entre as partes, o que somente se modifica se, interposta ação rescisória, houver trânsito em julgado favorável à rescisão. Se o acórdão rescindendo determinava a não incidência das Contribuições, somente após sua reforma consideramse os valores devidos, acrescidos, a partir dai, de juros de mora. DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. LANÇAMENTO ISOLADO DA MULTA DE MORA E DOS JUROS MORATÓRIOS. As autoridades administrativas estão obrigadas a seguir os ditames estabelecidos em sentença judicial. Portanto, todas as alegações constantes do Recurso em relação a exigência da multa de mora e dos juros moratórios por meio de lançamento isolado realizado de oficio pela Administração Tributária, ficam superadas em razão da decisão constante Mandado de Segurança n° 502632745.2010.404.7000. JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°5 DO CARF. São devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°4 DO CARF. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. A lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado , quando deixe de lhe cominar multa de menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. AÇÃO RESCISÓRIA. Cabe a exigência de multa de mora, na ocorrência de sentença favorável em ação rescisória ajuizada pela Unido, cujos débitos não forem pagos no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a Recorrente foi cientificada da exigência pela Delegacia da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 895 13 Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional insurgiuse especificamente quanto à determinação do termo inicial de incidência de juros de mora, defendendo que o mesmo deve ser a data da ocorrência do fato gerador, diversamente do que restou decidido pelo Colegiado a quo. Para comprovar a divergência, colacionou como paradigma o acórdão nº CSRF/0201.749, com a seguinte ementa: COFINS. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Cabe lançamento de ofício para prevenir decadência durante o trâmite de ação rescisória, ajuizada contra Acórdão transitado em julgado. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE SEM DEPÓSITO DO TRIBUTO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por qualquer medida, desde que não acompanhada do depósito do montante integral daquele, não tem o efeito de purgar a mora, devendo o lançamento feito com o fito de prevenir a decadência fazer constar a exigência de juros de mora. Nenhum prejuízo acarretará ao contribuinte, vez que, se vencedor na lide judicial, o processo administrativo perderá seu objeto. O Ilustre Relator entendeu por admitir o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional por entender como devidamente comprovada a divergência jurisprudencial, tendo sido acompanhado pela maioria do Colegiado. No entanto, especificamente com relação ao conhecimento do apelo Fazendário, com as vênias que são devidas, ousouse divergir do nobre Relator, concordandose com os termos do voto com relação ao mérito, motivando a apresentação desta declaração de voto para expor as razões da discordância exclusivamente quanto à admissibilidade. Do confronto entre os acórdãos recorrido e paradigma verificase a ausência de similitude fática entre os julgados, requisito indispensável à comprovação da divergência jurisprudencial exigida para que o recurso especial tenha seguimento. O ponto fulcral do recurso da Fazenda Nacional é a discussão quanto aos efeitos da ação rescisória e a aplicação do art. 161 do Código Tributário Nacional no caso em exame, no qual foi afastada a incidência dos juros de mora pela taxa SELIC. No caso dos autos, durante a tramitação do mandado de segurança que garantiu a imunidade de COFINS à Contribuinte, essa procedeu aos depósitos judiciais dos valores em discussão que tiveram o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Procedeu ao levantamento dos referidos valores tão somente após o trânsito em julgado do mandado de segurança reconhecendolhe o direito de não recolher a COFINS. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 896 14 Portanto, tendo a Recorrida efetuado os depósitos judiciais no vencimento dos tributos, estava adimplente com a sua obrigação tributária no período de 1995 e 1996, não havendo razão para a exigência de juros moratórios com relação a referido período. Na hipótese de se admitir a mora, a mesma farseia existir tão somente a partir do trânsito em julgado da ação rescisória, pois só a partir deste momento é que seria exigível o crédito tributário. O acórdão paradigma, por sua vez, traz situação fática distinta, imprestável a comprovação do dissídio jurisprudencial. Trata de juros de mora exigidos no lançamento realizado de ofício para evitar a decadência, discussão totalmente diversa daquela travada nos presentes autos, no qual o crédito tributário fora constituído por meio de DCTF. Ainda, ponto relevante de distinção entre as bases fáticas, é que no acórdão paradigma, para o período em cobrança, ano de 1997, não haviam depósitos judiciais suspendendo a exigibilidade do tributo. Por se tratarem de situações fáticas distintas e que foram considerados como aspectos relevantes no acórdão recorrido para a decisão proferida, não há como empreender a mesma solução jurídica, razão pela qual não preenchido requisito indispensável à comprovação da divergência jurisprudencial para ter prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido, já se manifestou este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa do acórdão nº 9202003.679, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Portanto, considerouse não restarem integralmente preenchidos os requisitos de admissibilidade do apelo especial, uma vez que não há similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e, por conseguinte, inexiste a alegada divergência jurisprudencial. Com base nessas considerações, entendeuse pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, posição que restou vencida no julgamento. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 897DF CARF MF Processo nº 11453.720001/201123 Acórdão n.º 9303004.313 CSRFT3 Fl. 897 15 Fl. 898DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000002/2010-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FIM LUCRATIVO. DISSOLUÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TÍTULOS PATRIMONIAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
A cisão da BOVESPA e BM&F, associações civis sem fins lucrativos, consuma a devolução dos títulos patrimoniais aos associados. Não tem previsão legal a utilização, por associação civil, de instituto de modificação societária destinado às sociedades anônimas. Por consequência, tampouco se aplica a atualização de valores dos títulos patrimoniais de associações civis sem finalidade lucrativa com base no Método de Equivalência Patrimonial, próprio para investimentos em coligadas e controladas das sociedades anônimas que visam o lucro.
Numero da decisão: 9101-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Declararam-se impedidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal De Araújo e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FIM LUCRATIVO. DISSOLUÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. TÍTULOS PATRIMONIAIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. A cisão da BOVESPA e BM&F, associações civis sem fins lucrativos, consuma a devolução dos títulos patrimoniais aos associados. Não tem previsão legal a utilização, por associação civil, de instituto de modificação societária destinado às sociedades anônimas. Por consequência, tampouco se aplica a atualização de valores dos títulos patrimoniais de associações civis sem finalidade lucrativa com base no Método de Equivalência Patrimonial, próprio para investimentos em coligadas e controladas das sociedades anônimas que visam o lucro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Declararamse impedidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 02 /2 01 0- 36 Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 781 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal De Araújo e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela BRADESCO S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIARIOS (efls. 531 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402001.522 (efls. 463 e segs), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/12/2013, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal, relativa ao anocalendário de 2007, trata de acréscimo patrimonial auferido pela Contribuinte (devolução do patrimônio de entidade isenta), previsto no art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, auferido no processo denominado desmutualização, mediante transformação da Bolsa de Valores de São Paulo de uma associação civil sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, Bovespa Holding. Foram lançados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela primeira instância (DRJ). Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, que foi negado pela segunda instância (Turma Ordinária do CARF). Foi interposto pela Contribuinte recurso especial e a PGFN apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal. Da Autuação Fiscal Discorre a autoridade autuante (efls. 153/156) que a Contribuinte era proprietária de títulos patrimoniais da BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS (BM&F) nas modalidades Membro de Compensação (MC), Corretora de Mercadorias (CM) e Sócio Efetivo (SE), e da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Relata que no decorrer do ano Fl. 781DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 782 3 de 2007 ocorreram os processos de desmutualização de títulos da BM&F e da BOVESPA, com a substituição dos títulos das entidades por ações da nova companhia. Diante do contexto, conclui a Fiscalização: Com efeito, tanto a BOVESPA quanto a BM&F eram associações sem fins lucrativos e como tal gozavam das prerrogativas trazidas pelo ordenamento. Na condição de instituições isentas e, desde que não distribuídas e mantidas em conta de reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital, as atualizações dos títulos patrimoniais não eram tributadas, pois se lhes aplicava o quanto disposto na Portaria MF no 785177. Não obstante, com o advento dos referidos processos de desmutualização as diferenças entre o valor nominal das ações recebidas e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais devem ser computadas para efeito de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em face da retro citada legislação. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL, com fulcro no art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, para o anocalendário de 2007. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 151 e segs), que foi julgada improcedente pela 10ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do Acórdão nº 1626.876 (efls. 378 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 783 4 DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência da contribuição social sobre o lucro líquido, computandose na determinação da base de cálculo da CSLL do ano, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ESCRITURAÇÃO. PROVA. SUPORTE POR DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor da contribuinte, dos fatos nela registrados, se tais fatos forem comprovados por documentos hábeis e idôneos. Foi interposto recurso voluntário (efls. 410 e segs) pela Contribuinte, apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 03/12/2013. Decidiu o Acórdão nº 1402001.522 (efls. 463 e segs) negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F E DA BOVESPA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 531 e segs.). Contesta a interpretação dada pela Fiscalização, de que as associações civis BM&F e a BOVESPA, na operação de desmutualização, teriam devolvido o patrimônio aos seus associados, e que, por conta de devolução, deveria oferecer os rendimentos à tributação como resultado não operacional. Entende que não houve devolução patrimonial, porque as associações civis Fl. 783DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 784 5 passaram por cisão, razão pela qual não haveria nenhuma parcela a ser tributada. Discorre na introdução que as sociedades corretoras (instituições financeiras) estão subordinadas à autoridade do Banco Central do Brasil (BACEN), e, como são operadoras do mercado de capitais, encontramse subordinadas ao controle da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Assim, a apuração do valor dos títulos patrimoniais, do ponto de vista societário e fiscal, teve regras claras e definidas, razão pela qual o valor registrado na escrituração só poderia ser contestado caso deixasse de seguir procedimento imposto pelo BACEN ou pela CVM, ou mesmo pelo próprio Fisco. E as regras do BACEN e da CVM orientaram aos associados que, na apuração do balanço patrimonial, fosse feita correspondência entre o valor do patrimônio da Bolsa e a fração representada no título, e a contrapartida da diferença deveria ser lançada diretamente nas contas de Patrimônio Líquido para depois, no momento oportuno, ser levado ao capital. Afirma ainda que tanto a BOVESPA como a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), antes associações civis, transformaramse, cindindo parte de seus patrimônios, destinandoos ao aumento do capital de uma sociedade anônima, procedimento adotado dez anos antes pela CBLC, que se cindiu fazendo surgir uma sociedade anônima. Na ocasião da cisão da CBLC, a administração tributária se pronunciou por meio da Decisão Cosit nº13, de 1997, confirmando a correção do procedimento adotado, posicionamento que foi alterado pela Solução de Consulta Cosit nº 10 de 2007. Suscita dois pontos de divergência: (1) possibilidade de cisão na associação civil, e (2) acréscimo no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos não sujeito a tributação, desde que sejam distribuídos e formem reserva para incorporação ao capital (custo de aquisição valor histórico X atualização prevista na Portaria MF nº 785/77 semelhante ao MEP). Quanto ao mérito, discorre sobre seis pontos. Primeiro, sobre a cisão da BM&F e BOVESPA, aduzindo que o instituto da cisão é permitido para uma associação civil, conforme art. 2033 c/c art. 44 do CC/02 e art. 16 da Lei nº 9.532, de 1997, e que a operação de cisão não implica em distribuição de patrimônio aos associados. Segundo, sobre a atualização do valor dos títulos patrimoniais que detinha das associações civis, que seguiu a metodologia imposta pelos princípios contábeis e pelo BACEN e a CVM. Esclarece que ano a ano era feita a equivalência entre o valor contábil e o Patrimônio Líquido da Bolsa, método semelhante ao MEP, tendo sido o tratamento disciplinado na área fiscal pela Portaria MF nº 758/77, no sentido de que o acréscimo no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos não é sujeito a tributação, desde que sejam distribuídos e formem reserva para incorporação ao capital, entendimento ratificado pelas Leis nº 8.849, de 1994 e 9.064, de 1995. Terceiro, discorre que o ganho de capital na alienação dos títulos patrimoniais seria a diferença entre a receita de venda e o custo contábil. Como o custo contábil foi escriturado nos termos da Portaria MF nº 758/77 e das normas do BACEN e CVM, não poderia a Fiscalização ter desconsiderado a contabilização e aplicado o valor histórico do título patrimonial, contrariando mesmo o art. 418, § 1º do RIR/99. Quarto, protesta quanto ao fato de o título patrimonial do BOVESPA ter sido computado com valor zero, sob a justificativa de que a Contribuinte não teria apresentado o comprovante de aquisição do título, realizada em 1967, e não ter aceito o valor escriturado. Quinto, contesta a base legal, art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, que não teria qualquer relação com o ocorrido com a BM&F. Sexto, discorre sobre a indevida incidência da CSLL, vez que não há previsão na lei para ajuste do lucro líquido para refletir a valorização dos títulos. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 737/753 deu seguimento ao recurso. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 785 6 Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 755/778). Discorre sobre o contexto em que foram criadas a Bolsa de Valores e a BM&F, que emitiram diversos títulos patrimoniais, necessários para a pessoa física ou jurídica ter acesso às operações intermediadas no mercado de capitais, e que, por exercerem atividades de extrema relevância para os interesses nacionais, permitiram às Bolsa gozar de tratamento diferenciado, inclusive mediante fruição de isenção. Ocorre que, seguindo tendência internacional, a Bovespa afastouse do modelo de associações, migrando para a forma da sociedade anônima e finalidade lucrativa. E, no processo de desmutualização, houve devolução do patrimônio das associações civis sem fins lucrativos para as corretoras a elas associadas. Ocorre que, ao contrário do entendimento da Contribuinte, os institutos de fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida para as associações, conforme disposto nos arts. 1113 e seguintes, e art. 61 do Código Civil. As antigas Bovespa e BM&F, para poderem realizar a transformação societária, deveriam partilhar dos resultados obtidos advindos da atividade econômica desenvolvida. Contudo, por serem associações sem fins lucrativos, não há que se falar em distribuição de lucros e equiparação com as sociedades empresárias. Assim, a operação de desmutualização exigiria a prévia extinção da BOVESPA e da BM&F e a devolução patrimonial dos títulos aos associados, consumandose a hipótese de incidência prevista no art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997. Aduz ainda que não há que se falar em atualização dos investimentos, vez que a legislação aplicável às associações não pode ser estendida às sociedades empresárias que visam o lucro, tornado incabível, portanto, o MEP. Sobre a Portaria MF nº 785, de 1977, destaca que foi editada para regulamentar a alínea "m" do RIR/75, ou seja, retirou fundamento de validade de uma norma anterior ao próprio surgimento do MEP, que se deu com a Lei nº 6.404, de 1976. Enfim, registra as conclusões da Solução de Consulta Cosit nº 10, de 2007, que predicou expressamente que as sociedades corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais do patrimônio das bolsas de valores pelo MEP, consulta proferida justamente para esclarecer sobre a forma como deveria ocorrer a tributação nos casos de desmutualização da Bovespa e da BM&F. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Tratase de recurso especial da Contribuinte, no qual foram apontadas duas divergências, relativas à infração tributária de devolução do patrimônio de entidade isenta (art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997): (1) aplicação do instituto de cisão para as associações civis, e (2) atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP fora da incidência de tributação. A PGFN discorre em contrarrazões que não estaria caracterizada a divergência suscitada nos acórdãos paradigma nº 3403001.757 e 3403001.734, que analisaram incidência de PIS e Cofins não cumulativos. Ocorre que a decisão nº 3403001.734 não foi suscitada para caracterizar divergência, mas sim para tratar do mérito (efl. 550). E, quanto ao paradigma nº 3403 Fl. 785DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 786 7 001.757, apesar de tratar de hipótese de incidência diferente dos presentes autos, tem sua análise prescindível, porque a Contribuinte apresentou, ainda, uma outra decisão como paradigma. Tratase do acórdão nº 1103001.047, que trata de duas infrações tributárias de IRPJ e CSLL decorrentes da desmutualização: primeiro, a devolução do patrimônio de entidade isenta, precisamente o mesmo caso tratado nos presentes autos, e, segundo, de ganho de capital auferido pela contribuinte decorrente da alienação das ações que foram recebidas na desmutualização, hipótese aqui não tratada. De qualquer forma, a decisão paradigma enfrentou os argumentos relativos à primeira infração, devolução do patrimônio de entidade isenta, apresentando interpretação divergente da legislação tributária adotada pela decisão recorrida, aspecto tratado com precisão pelo despacho de exame de admissibilidade de efls. 737/753. E, pela descrição da ementa do acórdão paradigma nº 1103001.047, observa se que as duas divergências encontramse demonstradas: BOLSAS DE VALORES CONSTITUÍDAS SOB A FORMA DE ASSOCIAÇÕES CIVIS. DESMUTUALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CISÃO. Os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos não constituem receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas, autorizandose a sua exclusão na apuração do lucro real desde que não sejam distribuídos e formem reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. As associações civis são passíveis de cisão, não se limitando tal instituto apenas às pessoas jurídicas reguladas especificamente pela Lei Societária (Lei 6.404/1976). A desmutualização das bolsas de valores processo de reorganização da sua estrutura societária, alterandoas de associações civis sem fins lucrativos para sociedades anônimas não resulta em receita tributável sujeita à incidência de IRPJ e CSLL nas corretoras decorrente da valorização dos títulos patrimoniais (avaliados pelo valor contábil atualizado pelo patrimônio líquido das bolsas) permutados por ações. Descabida a alegação do Fisco de devolução de patrimônio das bolsas às corretoras associadas.(grifei). Isso porque na decisão recorrida, entendeuse incabível a aplicação do instituto de cisão para as associações civis, interpretação divergente da ementa transcrita. Da mesma maneira, nos presentes autos entendeuse que a atualização no valor dos títulos patrimoniais nos moldes do MEP promovida pelas associações civis não seria aplicável, vez que exclusiva às sociedades por ações regidas pela Lei das S.A., ou seja, entendimento diferente ao adotado pelo paradigma. Portanto, voto no sentido de conhecer o recurso da Contribuinte para as duas divergências levantadas. Passo ao mérito. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 787 8 A matéria devolvida encontrase no contexto do evento denominado "desmutualização". A BOVESPA e a BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS (BM&F) eram entidades do mercado de capitais constituídas sob forma de associações civis, sem finalidade lucrativa. A captação de recursos, desde a criação da instituição mutualizada Bolsa de Valores de São Paulo, em 1960, deuse por meio da emissão de títulos patrimoniais, que legitimava os adquirentes, pessoas jurídicas e físicas, a atuar nas operações intermediadas do mercado. Seguindo uma tendência internacional, em 2007, as bolsas de valores empreenderam um processo de mudança, deixando de operar na forma de associação civil sem fins lucrativos, para uma sociedade por ações. Transcorreramse reorganizações, com a cisão parcial da BOVESPA e da BM&F, criandose novas sociedades por ações. Ao final, consumouse a integração das sociedades Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo, resultando na criação da BM&FBovespa S.A. Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros. Fato é que as entidades que detinham títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F foram transformadas em acionistas da nova sociedade por ações criada. E a Contribuinte era detentora de títulos patrimoniais das associações civis BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS (BM&F) nas modalidades Membro de Compensação (MC), Corretora de Mercadorias (CM) e Sócio Efetivo (SE), e Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). No decorrer do ano de 2007, em razão da desmutualização de títulos da BM&F e da BOVESPA, efetuouse a substituição dos títulos das entidades por ações da nova companhia. Entendeu a autoridade autuante que, a partir da cisão da BOVESPA e BM&F (associações civis sem fins lucrativos), teria ocorrido a devolução dos títulos patrimoniais aos associados, e, por isso, caberia a tributação da devolução do patrimônio de entidade isenta (art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997): Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. (grifei) Contesta a Contribuinte a interpretação dada pela Fiscalização, fundamentando sua divergência nos dois pontos devolvidos para apreciação do Colegiado: (1) possibilidade de aplicação do instituto de cisão para as associações civis, e (2) atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP fora da incidência de tributação. Entendo que a interpretação dada pela recorrente não merece acolhida. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 788 9 Na realidade, pretende a Recorrente que a legislação empresarial destinada às sociedades com fins lucrativos seja estendida para as associações sem fins lucrativos nas situações em que lhe parecer mais conveniente. Não se pode desconsiderar as bases que sustentam a formação das diferentes espécies de pessoas jurídicas. Vale recorrer à abalizada doutrina de GOMES1 : Caracterizamse pela qualidade da iniciativa de sua criação. Tanto faz que se constituam para a realização de obra de interesses coletivo como para a consecução de fins particulares. Importa que sejam fruto da iniciativa privada. A distinção é importante porque se diferenciam, conforme o modelo adotado, a posição jurídica dos membros, seus direitos e obrigações, sua responsabilidade e a vinculação entre eles. A própria estrutura de cada qual ostenta traços inconfundíveis. É, no entanto, mais fácil distinguilas pelo fim para que se constituem e pela vinculação entre as pessoas agrupadas ou incorporadas. Na sociedade, o fim colimado é o proveito comum dos sócios, na associação, o fim é ideal (religioso, cultural, político, assistencial, esportivo) e na fundação, é o propósito de atender a interesses de caráter geral ou de uma categoria particular de indivíduos. Quanto à vinculação, somente a sociedade estabelece, entre os sócios, direitos e obrigações recíprocas. Na associação, os sócios não se encontram nessa relação de prestações correlatas e a fundação é antes um conjunto de bens do que de pessoas. As realidades diferentes entre associações e sociedades, naturalmente, são reproduzidas no Código Civil. Logo no art. 53, delimitamse com clareza as distinções apresentadas pelo inolvidável doutrinador. Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Diante de tais premissas, em que o fim colimado é o ideal da entidade (religioso, cultural, político, assistencial, esportivo, dentre outros), tanto que não há entre os associados direitos e obrigações recíprocos, e que é organizada para fins não econômicos, ou seja, não lucrativos, a associação, para a consecução dos seus objetivos, recebeu tratamento especial do ramo tributário, gozando de isenção de tributos. Nesse contexto, a própria dissolução de uma associação regese por regras próprias, conforme art. 61 do Código Civil. 1 GOMES, Orlando. Introdução ao direito civil, 19ª ed. Rio de Janeiro : Forense, 2007, p. 172. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 789 10 Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Observase que o remanescente do patrimônio da associação é destinado para (1) entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou (2) para instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. E, no caso de associação, a previsão é de que, caso tenha sua atividade descontinuada, que seja dada baixa de seus atos no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Não se fala em "transformação" da associação. Se resolver descontinuar suas atividades, o caminho é a sua dissolução. E o seu patrimônio, acumulado em razão da consecução da sua finalidade, com eventual superávit blindado da tributação, não por acaso deve ser destinado para entidades da mesma natureza, ou seja, sem fins econômicos. Não há como ignorar a lógica do sistema. Por sua vez, o fim colimado pela sociedade é o proveito comum dos sócios, razão pela qual entre eles existem direitos e obrigações recíprocas. Nesse contexto, o art. 981 do Código Civil não poderia ser mais didático: Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Na sociedade, sendo de proveito comum dos sócios, e com fins lucrativos, há a partilha dos resultados. Cenário completamente diferente da associação, cujo patrimônio e resultados obrigatoriamente não podem ser partilhados e caso extinta, devem ser direcionados para uma outra entidade sem fins lucrativos. Por isso que, no escopo de uma sociedade empresária, são permitidos os efeitos de metamorfose societária. Não interesse se o resultado positivo será destinado aos sócios ou para aumentar o capital da própria sociedade. Tratase de decisão dos sócios, vez que Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 790 11 o fim colimado da sociedade é o proveito comum deles. A transformação (a sociedade muda o seu tipo societário), a incorporação, a fusão e a cisão não alteram a finalidade de auferir lucro, pelo contrário, são reorganizações que visam, em tese, otimizar a operacionalização das atividades. Não por acaso, os eventos de transformação, incorporação, fusão e cisão são tratados pelo Código Civil como exclusivos de sociedades. CAPÍTULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse. Portanto, resta evidenciada situação completamente desvirtuada a defendida pela Contribuinte, para que se admita que, em uma cisão, parcela de uma associação sem fins lucrativos, possa ser transformada em uma sociedade empresária, cuja finalidade essencial seria o lucro, sem nenhuma prestação de contas de todo o patrimônio que foi acumulado no decorrer de anos sob a premissa de uma finalidade social, isenta de tributação. É precisamente nesse contexto que se insere o art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, situação que prevê a tributação em razão da devolução do patrimônio de entidade isenta. E o art. 2.033 do código não estende para as associações civis o mesmo tratamento dado às sociedades. Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Ora, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas do art. 44 (associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada) e sua transformação, incorporação, cisão ou fusão regemse pelo disposto no Código Civil. E o que dispõe o código? Restringe os institutos da transformação, incorporação, cisão ou fusão às sociedades empresárias, conforme arts. 1.113 a 1.122. E a exceção disposta em lei especial é precisamente a Lei nº 6.404, de 1976 (Lei da S.A.), aplicada às sociedades anônimas de capital aberto ou fechado. Portanto, considerando que o caso concreto trata, na realidade, de uma extinção de associações sem fins lucrativos, e a criação de outras pessoas jurídicas com fins lucrativos, aplicase o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, vez que se consumou a devolução do patrimônio de entidade isenta à recorrente por meio de ações de sociedades empresárias. Resta apreciar, na sequência, qual o valor do custo de aquisição do título patrimonial. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 791 12 Defende a Contribuinte que cabe a atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP, conforme metodologia imposta pelos princípios contábeis e pelo BACEN e a CVM, e o tratamento disciplinado na área fiscal pela Portaria MF nº 758/77. Ocorre que o MEP é instituto previsto na mencionada Lei nº 6.404, de 1976, que não trata de associações, mas sim de sociedade por ações que visam o lucro. É método de atualização de investimentos da controladora em controladas e coligadas. Ou seja, a investidora reflete, no seu patrimônio líquido, as variações positivas ou negativas do patrimônio líquido de suas investidas. Eventual variação positiva no investimento da investidora não é submetida à tributação, porque se trata de reflexo dos lucros das investidas destinados ao aumento do seu capital social, que já foram tributados nas próprias investidas (coligadas ou controladas). Por outro lado, as associações civis, enquanto se mantiverem nessa condição, e a quem pretende a recorrente equiparar às controladas ou coligadas, são isentas de tributação. Ou seja, não se tributa nem a investida (associação sem fins lucrativos), nem o investidor (detentor do título patrimonial). Por isso, o contexto em que insere a Portaria MF nº 785, de 1977 é o de conferir transparência à evolução patrimonial das bolsas, que eram associações sem fins lucrativos. Resta evidente, portanto, a distorção ao se pretender equiparar a variação de investimento prevista por meio do MEP à atualização de títulos patrimoniais decorrentes de variações no patrimônio das bolsas de valores prevista na mencionada portaria ministerial. Ademais, analisandose como a lei societária conceitua as sociedades controladas e coligadas (art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976), tornase ainda mais improvável compreender que os detentores dos títulos patrimoniais de uma associação sem fins lucrativos possam ser assemelhados a investidores com poder de decisão sobre a administração da investida, vez que não são detentores de um investimento relevante e tampouco exercem influência significativa. Os arts. 116 e 243 da Lei nº 6.404, de 1976, deixam claro o vetor que direciona a relação entre as empresas do grupo: o poder de deliberar sobre o destino da empresa. Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 792 13 Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. .............................................................................................. Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício.(...) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Vale transcrever a parte da Exposição de Motivos que versa sobre o § 2º do art. 243: ʺ(...) O conceito de sociedade controladora corresponde ao de acionista controlador, do parágrafo único do art. 116, com as adaptações necessárias para compreender quaisquer formas de sociedades controladas (e não apenas a de companhia) e a possibilidade de controle indireto, através de cadeia ou pirâmide de sociedades. Além disso, não se requer, no caso de sociedades, o efetivo exercício do poder de dirigir as atividades das sociedades controladas, que se presume nas relações intersocietárias.ʺ Como não poderia deixar de ser, o Código Civil de 2002 ratifica o entendimento: Art. 1.098. É controlada: I a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; II a sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, esteja em poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas. MARTINS 2, no Manual de Contabilidade Societária, ao tratar da consolidação das demonstrações contábeis, discorre sobre os aspectos relevantes para se caracterizar o controle. Dessa forma, os aspectos relevantes para se caracterizar o controle são: 2 MARTINS, Eliseu... [et. al]. Manual de Contabilidade Societária, 2ª ed. São Paulo : Atlas, 2013, p. 7356. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 793 14 Poder sobre a investida: provém de direitos que conferem ao investidor a capacidade para dirigir as atividades relevantes da investida (aquelas que afetam significativamente seu desempenho). Um investidor pode ter poder sobre uma investida mesmo que outra entidade tenha direitos que lhe garanta a capacidade de participar da gestão de atividades relevantes, como é o caso da influência significativa. Contudo, um investidor que tenha somente direitos de proteção sobre uma investida não tem poder sobre a investida e, portanto, não controla sua investida. Exposição (ou direitos) a retornos variáveis em razão de seu envolvimento com a investida: o que ocorre na medida em que os retornos do investidor provenientes do seu envolvimento com a investida variam em função do desempenho da investida e da participação da investidora no capital da investida. Capacidade para utilizar seu poder sobre a investida para afetar seus rendimentos sobre o investimento: o que implica que o investidor tem poder sobre a investida e usa esse poder para influenciar o retorno sobre o seu investimento por meio do seu envolvimento com a investida. Como se pode observar, a determinação do controle baseiase no poder (sobre as atividades relevantes da investida), nos retornos (para o investidor) e na relação entre eles (o uso desse poder para obter retornos sobre o investimento). (grifos originais) Como se pode observar, a equiparação entre os proprietários de títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos a controladoras de uma sociedade empresária por ações, com fins lucrativos (controlada ou coligada) não encontra nenhuma sustentação jurídica. A propriedade de títulos patrimoniais não confere nenhum poder sobre os destinos da associação, os associados não tem direitos e obrigações recíprocos, o fim colimado não é o proveito comum dos sócios, mas sim o ideal da associação. Por outro lado, o MEP reflete a valorização de ações que a empresa possui, de participações societárias de empresas controladas ou coligadas, sobre as quais exerce poder de decisão. Propriedade de títulos patrimoniais X propriedade de ações de empresas controladas e coligadas são situações que não se comunicam, sob qualquer enfoque que se analise a questão, tanto no direito empresarial (Código Civil), quanto no direito contábil (Lei nº 6.404, de 1976) ou no direito tributário. E, não havendo de se falar em MEP, não se aplica o disposto no art. 418, § 1º do RIR/99. Como se considerar como valor contábil do bem aquele que estiver registrado na escrituração do contribuinte, se a atualização do valor deuse em desacordo com as normas de vigência? O caso tratado nos autos é de devolução de patrimônio de entidade isenta, tratada pelo art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997. A PGFN, em contrarrazões, enfrenta com lucidez a questão (efls. 771/773), inclusive esclarecendo o contexto da edição da Portaria MF nº 785, de 1977: Nesse teor, cabe refutar o entendimento no sentido de que seria aplicável o método da equivalência patrimonial (MEP) para a Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 794 15 avaliação do título patrimonial das bolsas de valores. Ora, o MEP foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 6.404, de 1976, e deve ser aplicado de acordo com os preceitos firmados por este diploma legal. Assim, o primeiro aspecto que deve ser ressaltado é que a Lei n° 6.404, de 1976, tem como destinatárias as sociedades por ações, que possuem natureza jurídica totalmente diversa das associações. Com efeito, basta lembrar que a BOVESPA e a BMF foram instituídas como associações sem fins lucrativos, enquanto as sociedades por ações servem para o desenvolvimento de atividades empresariais – cujo objetivo é proporcionar lucro aos seus sócios. Desse modo, fica evidente a incompatibilidade da Lei nº 6.404, de 1976, com o regime jurídico das associações. Não obstante, nada impede que uma lei possa autorizar que as associações civis utilizem as regras previstas para as sociedades empresárias. Apesar das inúmeras disparidades entre as sociedades empresárias e as associações civis sem fins lucrativos, se a lei previsse que estas poderiam ser regidas pelas normas da Lei n° 6.404, de 1976, caberia apenas obedecer ao comando legal. Entretanto, não existe tal suporte – pois os dispositivos do Código Civil que regulamentam as associações não trouxeram norma com este conteúdo, tampouco a Lei n° 6.404, de 1976. Por sua vez, cumpre destacar que a Portaria nº 785/1977, do Ministro de Estado da Fazenda, regulamentou a tributação dos acréscimos patrimoniais auferidos pela BOVESPA e pela BMF. Ocorre que a mencionada Portaria em momento algum determinou a utilização da Lei das Sociedades por Ações para contabilização dos acréscimos de valor dos títulos patrimoniais das Bolsas. Confirase: Portaria nº 785, de 20 de dezembro de 1977 O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições e, com, fundamento no que dispõe o art. 223, ‘m’, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75: Resolve: I. Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º (RIR, art. 237). (destaques não constam no original) Inicialmente, chama a atenção que a citada Portaria foi editada para regulamentar a alínea “m” do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75. Significa Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 795 16 dizer que a Portaria n° 785, de 1977, retirou fundamento de validade de uma norma anterior ao próprio surgimento do MEP – que passou a vigorar apenas a partir da Lei n° 6.404, de 1976. Dessa forma, fica patente que a interpretação ministerial explicitada na mencionada Portaria não se referia ao MEP. Para confirmar essa constatação, vejamos o que dispunha a alínea “m” do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75: Art. 223. – Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, §§ 6º e 9º, 223, alínea l, 223, § 31, 236, 243, alínea d, 250, 254, § 3º, 283, 297, 577, 578 e 583 (Decretolei nº 1.096/70, art. 1º, §§ 6º e 7º, Lei nº 4.862/65, art. 49, Decretolei nº 1.260/73, art. 4º, Decretolei nº 1.109/70, art. 3º e § 1º, Lei nº 4.357/64, art. 3º, § 6º, Decretolei nº 756/69, art. 25, Decretolei nº 1.338/74, art. 15, § 4º, Decretolei nº 1.191/71, art. 9º, § único, Decretolei nº 221/67, art. 80, § 4º, Lei nº 5.508/68, art. 36, Decretolei nº 756/69, art. 24, § 4º, Decretolei nº 1.346/74, arts. 6º, § 3º, e 11, e Decretolei nº 1.370/74, art. 2º, § 3º); (destaques não constam no original) Dessa forma, percebese que a norma acima tratava dos quinhões ou frações ideais recebidas pelos associados em decorrência de meros aumentos de capital da bolsa de valores. Assim, não há que se confundir a situação tratada nos referidos atos normativos com o MEP. Não merecem prosperar, igualmente, alegações no sentido de que o Ofício Circular CVM nº 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273/1987 teriam obrigado as sociedades corretoras de valores a avaliarem seus títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) pelo MEP. Com efeito, inferese da leitura do art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, que o MEP só se aplica aos investimentos em sociedades controladas ou coligadas. Diante disso, não se pode admitir que o Poder Regulamentar conferido à CVM, pela Lei nº 6.404 de 1976, possa servir para autorizar a extensão do MEP para as Bolsas de Valores constituídas sob a forma de associação civil. Isso porque o art. 4º da referida lei evidencia que as normas expedidas pela CVM sujeitam apenas as companhias abertas. Por outro lado, se o Ofício Circular CVM nº 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273/1987 conferiram tal prerrogativa às corretoras, o fizeram desrespeitando o art. 248 da Lei n° 6.404, de 1976. Isso porque o citado dispositivo legal restringe a aplicação do MEP para avaliação de investimentos em sociedades coligadas ou controladas. Ora, Srs. Conselheiros, é possível conceber que as corretoras eram coligadas ou controladoras das Bolsas de Valores? Se prevalecer o entendimento de que as corretoras poderiam Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 796 17 avaliar seus títulos patrimoniais nas Bolsas de Valores pelo MEP, restaria desconfigurada ou simplesmente ignorada a natureza jurídica das próprias Bolsas de Valores. Significa dizer que o MEP serviria para associados avaliarem sua participação no patrimônio da associação – o que é totalmente incompatível com a finalidade e a estrutura de uma associação sem fins lucrativos. Observase que é inevitável constatar a natureza jurídica das sociedades por ações e os institutos decorrentes, dentro os quais o MEP. Não há que se falar em modificação societária (transformação, cisão, fusão ou incorporação) entre entidades cuja finalidade social é completamente diferente, de um lado, associação civil sem fim lucrativo, e de outro, sociedade empresária que visa o lucro. Qualquer caminho diferente da extinção da associação civil e da devolução do patrimônio da entidade mostrase completamente dissociado da legislação empresarial e tributária. Da mesma maneira, tampouco se aplica a atualização do valor dos títulos patrimoniais nos moldes do MEP, instituto próprio das sociedades anônimas. Correto, nesse sentido, o entendimento da autoridade fiscal, ao adotar o custo de aquisição do título como referência para apuração da base de cálculo tributável. Enfim, mostrase imprescindível comentar a respeito da Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26/10/2007, formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores, e respondida pela Receita Federal antes de se consumar a desmutualização, no qual esclareceu que a cisão é instituto aplicável apenas às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade, e que as bolsas de valores, na condição de associações, sujeitamse ao regime jurídico estatuído pelos arts. 53 a 61 do Código Civil. Ainda, predicou que as corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais dos seus títulos patrimoniais pelo MEP, mas, sim a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos, que se consumaria, dentre outras situações, a partir da extinção das associações sem fins lucrativos. Verificase, portanto, que as conclusões apresentadas foram solenemente ignoradas pela Contribuinte. Em relação à incidência da CSLL, o § 4º do art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, dispõe expressamente sobre a tributação da contribuição social. Quanto ao protesto de que o título patrimonial do BOVESPA adquirido em 1967 ter sido computado com valor zero, sob a justificativa de que a Contribuinte não teria apresentado o comprovante de aquisição do título, realizada em 1967, tratase de matéria no qual não restou demonstrada divergência, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF. Ou seja, não se consumou a devolução da questão, razão pela qual restou preclusa, fora do alcance de apreciação do presente Colegiado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso da Contribuinte. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16327.000002/201036 Acórdão n.º 9101002.462 CSRFT1 Fl. 797 18 Declaração de Voto Tendo em vista que não foi apresentada no prazo regimental, considerase não formulada a declaração de voto do Conselheiro Luís Flávio Neto 3. 3 Conforme Regimento Interno do CARF (RICARF), Anexo II, art. 63, §§ 6º e 7º: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 797DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000849/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
PARCELAMENTO. ADESÃO REQUERIDA. EFEITOS.
A adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário manobrado, como também importa em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Aplicação do art. 78, §2º e §3º, do RICARF.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
PARCELAMENTO. ADESÃO REQUERIDA. EFEITOS.
A adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário manobrado, como também importa em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Aplicação do art. 78, §2º e §3º, do RICARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário manobrado, por desistência total, conforme o contido no voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PARCELAMENTO. ADESÃO REQUERIDA. EFEITOS. A adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário manobrado, como também importa em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Aplicação do art. 78, §2º e §3º, do RICARF. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PARCELAMENTO. ADESÃO REQUERIDA. EFEITOS. A adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário manobrado, como também importa em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Aplicação do art. 78, §2º e §3º, do RICARF. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário manobrado, por desistência total, conforme o contido no voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PARCELAMENTO. ADESÃO REQUERIDA. EFEITOS. A adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário manobrado, como também importa em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Aplicação do art. 78, §2º e §3º, do RICARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PARCELAMENTO. ADESÃO REQUERIDA. EFEITOS. A adesão a parcelamento de débitos implica em desistência do Recurso Voluntário manobrado, como também importa em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Aplicação do art. 78, §2º e §3º, do RICARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário manobrado, por desistência total, conforme o contido no voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 08 49 /2 00 6- 59 Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de autos de infração, lavrado em 03/04/2006, contra a Recorrente, referente a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (não cumulativa), às fls. 1.313/1.324 e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (não cumulativa), às fls. 1.325/1.331, nos períodos de apuração compreendidos entre 01 de janeiro de 2003 e 31 de dezembro de 2004. A titulo de PIS, o crédito exigido é de R$ 724.886,13, além de R$ 1.069.997,84 a titulo de multa de oficio de 75% e de 150%, bem como os acréscimos legais, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.282/1.312. A titulo de Cofins, o crédito exigido é de R$ 3.381.957,52, além de R$ 5.020.007,38 de multa de oficio de 150% e 75%, bem como os acréscimos legais, consoante Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.282/1.313. O lançamento teve como fundamento jurídico os seguintes motivos: a) utilização de créditos do regime não cumulativo referentes a pagamentos a pessoa física, gastos em edificações e benfeitorias; b) simulação de compra de insumos no mercado interno; c) simulação de exportação de produtos; e d) inexistência de valores restituir a título de IRPJ e CSLL para fins de compensação dos débitos tributários referentes aos períodos de apuração ora em discussão. A Recorrente apresentou impugnação refutando todas as imputações feitas pelo fisco no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal. A Delegacia de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA) manteve o auto de infração na íntegra (fls. 1.826/1.881), conforme Acórdão nº 0615.595, de 26/09/2007, desta forma ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. Ê licito ao Fisco Federal valerse de informações coligidas por autoridades fiscais de outros entes tributantes, para efeito de Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10920.000849/200659 Acórdão n.º 3402003.431 S3C4T2 Fl. 2.028 3 lançamento de contribuições sociais, desde que se relacionem com os fatos cuja prova se pretenda produzir. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os aspectos relativos A responsabilidade solidária pelos créditos tributários da pessoa jurídica constituem matéria estranha ao processo administrativo fiscal regularmente instaurado contra esta última, podendo ser apresentada a defesa pertinente em caso de eventual execução judicial do crédito Tributário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora determinará, de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que forem consideradas prescindíveis ou impraticáveis. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete A. autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, ás quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase, nos percentuais previstos em lei, a multa de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 P1S/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS. Por expressa previsão legal, é somente sobre os encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos As edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, que é possível calcular o desconto. Período apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EXPORTAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. INOCORRÊNCIA. Se não houve exportação, não há que se falar em manutenção de crédito de PIS em relação aos insumos vinculados à dita e suposta exportação. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O evidente intuito de fraude, consistente na participação em exportações fictícias, comprovadas pela confecção de "comprovantes de Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 exportação" forjados enseja a aplicação da multa de oficio qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS. Por expressa previsão legal, é somente sobre os encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos às edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, que é possível calcular o desconto. EXPORTAÇÕES FICTÍCIAS. RECEITAS CONTABILIZADAS. EXIGÊNCIA. LEGITIMIDADE. Se não houve exportação, não há que se falar em manutenção de credito de Co fins em relação aos insumos vinculados h. dita e suposta exportação. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. 0 evidente intuito de fraude, consistente na participação em exportações fictícias, comprovadas pela confecção de "comprovantes de exportação" forjados enseja a aplicação da multa de oficio qualificada. Lançamento Procedente Após ciência do Acórdão recorrido, a Recorrente apresentou em 06/12/2007, tempestivamente, recurso voluntário, valendose dos mesmos argumentos apresentados em sua impugnação (fls. 1.890/1.941). Os autos, então, foram encaminhado a este CARF, que ao analisar o recurso interposto, o Colegiado decidiu pela conversão do processo em Diligência, conforme Resolução nº 3402000.698, de 17/09/2014. Vejase: "Diante dessas lacunas na instrução processual, converto o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora promova a complementação dos autos, aduzindo as seguintes informações: a) A existência de declaração de compensação onde o recorrente tenha indicado os créditos tributários referentes ao PIS e a Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2003 e 31/12/2004; b) Se os CNPJ da empresas que venderam insumo ao recorrente foram baixados. Caso positivo, elaborar uma planilha que confronte a data de baixa do CNPJ com a data da operação de venda e compra dos insumos; c) Se há comprovação de pagamento dos valores referentes a compra dos insumos no mercado interno; d) Se todos os produtos vendidos às empresas “comercial exportadora” foram entregues em recinto alfandegado. Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10920.000849/200659 Acórdão n.º 3402003.431 S3C4T2 Fl. 2.029 5 Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Os autos foram encaminhados à DRF de Joinvile (SC), para prosseguimento e cumprimento da citada Resolução. Procedido o Termo de Intimação Fiscal de fl. 1.950, solicitando documentos e informações à Recorrente, quando em sua resposta a intimação, protocola documento de fl. 1.951 (protocolado em 21/11/2014), informando o que segue: A recorrente anexou cópia dessa petição protocolada na DRF de Joinvile/SC, datado de 07/12/2009 (fl. 1.976), bem como, juntou cópia dos recolhimentos (DARFs e comprovantes), às fls. 1.977/1.979. Na sequência, à fl. 1.981, em 15/12/2010, foi elaborada pela DRF/Joinvile a seguinte informação: Na sequência foi elaborado pelo Fisco uma Carta de Cobrança nº 38, nos termos abaixo (fl. 1.987): Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 "Não consta de nossos arquivos o recolhimento do(s) débito(s) constante(s) do demonstrativo anexo, relativo ao processo citado. Assim sendo, solicitase providenciar o recolhimento, conforme DARF em anexo, ou comparecer no endereço abaixo, no prazo de 30 dias para comprovação". Em resposta, a empresa apresenta o documento abaixo reproduzido, acompanhado de planilha de cálculos, apensando cópia dos recolhimentos (fls. 2.000/2.009): Em 09/01/2015, foi proferido pela DRF de Joinvile (SC), o seguinte Despacho de encaminhamento (fls. 2.012/2.013), grifei: "Este processo teve o julgamento do recurso voluntário convertido em diligência pelo CARF através da Resolução 3402000698, de 17/09/2014. Por tal Resolução, pedese as seguintes informações: a) (...) ; b) (...).; c) (...) ; e d) (....). Os pontos “a” e “b” da Resolução foram respondidos pela EAC1SACATDRFJOI através do despacho de fls. 1.946 a 1.947. Após, o processo foi encaminhado à SAFIS da DRF/JOI para cumprimento da diligência quanto aos pontos “c” e “d”. A SAFIS emitiu o Termo de Intimação Fiscal de fl. 1950, em que a representante da empresa consta como cientificada em 07/11/2014. Ao Termo de Intimação de fl. 1.950 foi apresentada a resposta de fls. 1951 a 1981, em 21/11/2014. Em tal documento, a recorrente menciona que efetuou o pagamento objeto deste processo com os benefício da Lei 11.941/09. Informa, também, que tal procedimento já havia sido informado à DRF/JOI em 07/12/2009 através de requerimento de desistência do recurso. Em Despacho, a SAFIS da DRF/JOI entendeu pelo encaminhamento do processo à esta SACAT para análise quanto as alegações da interessada e posterior retorno ao CARF (fls. 1982 a 1984). Verificouse que os pagamentos realizados pelo interessado seriam insuficientes para a extinção dos créditos tributários levantados neste processo (fls. 1994 a 1999). A fim de obter esclarecimentos foi emitida a carta cobrança ao interessado (fls. 1987). Recebida esta carta cobrança, o interessado apresentou mais uma vez a cópia da manifestação apresentada em 07/12/2009 (fls. 2000 a 2009), em que comunica a desistência total do recurso por pagamento à vista com as reduções da Lei 11.941/09. Nesta sua manifestação há a memória do cálculo por si realizado para suposta quitação. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10920.000849/200659 Acórdão n.º 3402003.431 S3C4T2 Fl. 2.030 7 Ocorre que o interessado fez o cálculo a menor, a exemplo, calculei pelo sistema SIEF o valor devido para o débito COFINS com período 02/2004. Na memória do interessado, consta o valor de R$ 320.595,67, enquanto o SIEF aponta como valor correto a ser recolhido à época, com as reduções, R$ 395.303,23. Com o retorno da fase do processo para julgamento, os pagamentos precisaram ser desalocados. Importante observar que este processo encontravase em julgamento no CARF quando da protocolização da desistência, sendo que este órgão julgador não se manifestou sobre tal pedido. Assim, com o dispoto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB 06/09, no art. 78 da Portaria MF 256/09 e o que dispõe a Solução de Consulta Interna nº 10 – SRRF09/DISIT – compete ao CARF apreciar o pedido de desistência apresentado pelo interessado, “decidindo se homologa ou não a desistência do recurso e em que extensão” (SCI 10/2010 – SRR09/DISIT). Desta forma, encerrada a diligência solicitada, proponho o retorno deste processo ao CARFMF para prosseguimento do julgamento". Em 27/01/2015, a Recorrente, em resposta a Carta de Cobrança nº 38 recebida, protocolou requerimento de fls. 2.019/2.023, expondo suas contrarazões, não concordando com os cálculos feitos pela DRF de Joinvile e pugna pelo a seguir reproduzido: Conforme proposto, o processo então retornou a este CARF para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1. Da Admissibilidade dos Recursos Por economia processual, deixo de apreciar ordinários aspectos de praxe para, em razão do que abaixo se descreve, NÃO CONHECER DO RECURSO. 2. DAS PRELIMINARES Na forma do Requerimento de fls. 1.951 e reafirmado à fl. 2.000, a Recorrente apresentou PEDIDO DE DESISTÊNCIA DO RECURSO, tendo em vista a adesão da empresa ao parcelamento especial, com base na Lei nº 11.941/2009. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 3. DOS EFEITOS DO PARCELAMENTO Conforme consta no extrato processual (fls. 1.951 e 2.000) e no Despacho de Encaminhamento (fls. 2.012/2.013), a Recorrente informa que incluiu os débitos discutidos no presente processo no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, alegando ter ocorrido o seu pagamento em 27/11/2009 (data no comprovante autenticação dos DARF). Sobre o efeito da inclusão em parcelamento, de débitos discutidos em processo administrativo fiscal, o art. 78, § 2º e § 3º, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF), que assim disciplina (grifei): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (grifei). Conforme se depreende da leitura dos parágrafos 2º e 3º do art. 78 do RICARF, o pedido de parcelamento feito pela Recorrente importa na desistência do Recurso Voluntário e em renúncia ao direito sobre o qual se funda a própria ação, conforme se verifica pela solicitação da própria Recorrente em sua petição de fls. 1.951 e 2.000. Desse modo, concluise que houve a desistência formal do Recurso Voluntário por parte da Recorrente, quando incluiu os débitos do presente processo no parcelamento e protocolou seu pedido de desistência na RFB em 07/12/2009 (fl. 1.976). A despeito disso, como a antiga 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, não tinha conhecimento do parcelamento e, por conseguinte, da desistência do Recurso Voluntário, ela, em 23/10/2014, proferiu a Resolução nº 3402000.698, convertendo o processo em diligência. No entanto, o RICARF dispõe que, no caso de parcelamento, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente (art. 78, § 3º), “estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo”. Portanto, não se conhece do requerimento da Recorrente de fls. 2.019/2.023, protocolado em 27/01/2015, uma vez consumado sua desistência do recurso voluntário em 07/12/2009, conforme disposto no art. 78 citado, denota sua concordância com a dívida em discussão, motivo pelo qual deve ser declarada a definitividade do crédito lançado nestes autos. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10920.000849/200659 Acórdão n.º 3402003.431 S3C4T2 Fl. 2.031 9 CONCLUSÃO Face ao todo acima exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário apresentado pela Recorrente. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001586/2010-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008
VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO.
São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação.
Numero da decisão: 9303-004.233
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, vencidos os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Gilson Macedo Rosenburg Filho, que lhe negaram provimento. Não votaram os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado). Julgamento iniciado na reunião de 08/06/16 e concluído na reunião de 11/08/16, no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, já proferidos na reunião de Junho.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, vencidos os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Gilson Macedo Rosenburg Filho, que lhe negaram provimento. Não votaram os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado). Julgamento iniciado na reunião de 08/06/16 e concluído na reunião de 11/08/16, no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, já proferidos na reunião de Junho. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 86 /2 01 0- 43 Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.652 2 Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte contra ao acórdão nº 3402002.228, proferido pela 3ª Câmara/2ª Turma da 3º Seção, julgado em 24 de julho de 2013, que negou provimento ao Recurso da Contribuinte, mantendo a exigência fiscal sobre receitas decorrentes de vendas efetuadas com fim específico de exportação. O Colegiado a quo entendeu que para usufruir da isenção das Contribuições do PIS/COFINS, se faz necessário comprovar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para o embarque de exportação ou para recintos alfândegados, por conta da empresa comercial exportadora. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, conseqüentemente, usufruir da isenção da contribuição para o PIS, fazse necessário comprovar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PIS E COFINS. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem PIS e Cofins sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.653 3 Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, conseqüentemente, usufruir da isenção da contribuição para a COFINS, fazse necessário comprovar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PIS E COFINS. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. Consoante julgamento de mérito pelo STF do RE 606107 submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, não incidem PIS e Cofins sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. RO Provido e RV Provido em Parte Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente pela DRJ do Rio de Janeiro/RJ e pela contribuinte CIA NIPO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO – NIBRASCO, contra decisão da 5ª Turma da DRJ/RJ2 a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1334.003, proferido em 29 de março de 2011, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da COFINS as receitas decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. A receita auferida em decorrência da transferência de créditos de ICMS a terceiros pode ser excluída da base de cálculo da COFINS somente a partir de 1º/01/2009, por força da alteração promovida pela Lei 11.945/2009. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.654 4 Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. A receita auferida em decorrência da transferência de créditos de ICMS a terceiros pode ser excluída da base de cálculo do PIS somente a partir de 1º/01/2009, por força da alteração promovida pela Lei 11.945/2009. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ2 acolheu parcialmente as alegações, por entender que o contrato de compra e vendas das pelotas de minério de ferro firmado entre a Nibrasco e a Companhia Vale do Rio Doce CVRD, as cartas de correção das notas fiscais em conjunto com os Memorandos de Exportação eram suficientes para comprovar a venda realizada com o fim específico de exportação. Destacando, porém, que tais documentos foram apresentados somente quanto às notas fiscais emitidas até junho de 2008, não existindo provas quanto ao mês de outubro de 2008. Por conseguinte, determinou o cancelamento do auto de infração, para excluir aquelas notas fiscais cuja exportação foi considerada provada. Contudo, manteve o crédito tributário formalizado para o período de abril de 2008, calculado sobre a receita decorrente da transferência de crédito de ICMS, correspondente à Cofins no valor principal de R$ 2.178.379,29 e ao PIS no valor principal de R$ 472.937,61, a ser acrescido de multa de ofício e juros moratórios. Em face da exoneração parcial do crédito tributário lançado, o órgão julgador de primeira instância determinou a remessa dos autos ao CARF, para julgamento de recurso de ofício, nos termos do artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. A turma julgadora a quo por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso de ofício e parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que a Contribuinte não comprovou as operações de exportação para fins de isenção do PIS/COFINS. Por outro lado, inconformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso sustentando que restou comprovado que as vendas efetuadas tiveram o fim específico de exportação, consoante, determina a legislação de regência, afasta a incidência de PIS/COFINS sobre tais operações. A Fazenda Nacional, requer que seja negado provimento ao Recurso interposto pela Contribuinte, a fim de ser ver mantida a decisão recorrida. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Contribuinte colaciona os Acórdãos Paradigmas nºs 3401001.190, 3202000.779 e 3403003.299, que demonstram a Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.655 5 divergência suscitada pela Contribuinte quanto à comprovação de que as receitas tributadas são oriundas de vendas efetuadas com fim específico de exportação. A admissibilidade do Recurso Especial foi admitida conforme despacho às fls. 2511 a 2513. A Fazenda Nacional Apresentou suas contrarrazões. às fls. 2515 a 2534. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator Admissibilidade do Recurso O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância, Dele conheço. Quanto as matérias a serem apreciadas por esta E.Câmara Superior, conheço do Recurso apenas no que tange a comprovação das operações de exportação para fins de isenção de PIS/COFINS. Considerando que a matéria referente a transferência de créditos de ICMS (incidência de PIS/COFINS) já esta pacificada neste Conselho, consoante o julgamento de mérito pelo STF do RE 606 107, submetido à sistemática de Repercussão Geral, a ser reproduzida nos julgamentos do CARF, conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, o qual definiu que não incidem PIS e Cofins sobre a transferência a terceiros de créditos de ICMS obtidos em razão do benefício fiscal de que trata o artigo 25 da Lei Complementar nº 87/96. Objeto da Lide Mérito do Recurso A lide gira em torno de Autos de Infração lavrados em 23 de novembro de 2010, para exigência das Contribuições do PIS e COFINS, incidente sobre vendas no mercado interno para a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), da qual a autuada é coligada. Com efeito, o Colegiado a quo por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso de ofício e parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que a Contribuinte não comprovou as operações de exportação para fins de isenção do PIS/COFINS. Da análise do pleito verifico o seguinte: A Contribuinte desenvolve atividade de produção e venda de pelotas de minério de ferro, bem como o exercício de outras atividades direta e indiretamente relacionadas com a produção de ferro. Em suas operações, a Contribuinte adquire minério de ferro bruto da VALE S.A (nova denominação COMPANHIA VALE DO RIO DOCE VALE) e seu estabelecimento fabril ( usina de pelotização), transforma esse minério em pelotas, destinando as à venda ao mercado externo. Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.656 6 Cumpre destacar que a não incidência da contribuição para o PIS não cumulativo para operações destinadas a exportação tem fundamento no art. 5º da Lei n.º 10.637, de 2002, que se encontra redigido nos seguintes termos: Art. 5 A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...); III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. A mesma redação, embora no artigo seguinte, foi conferida, pela Lei n.º 10.833, de 2003, à COFINS não cumulativa, conforme previsto no dispositivo que a seguir transcrito: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste passo, o legislador ainda dispôs que são isentas do PIS/COFINS as vendas realizadas às empresas comerciais exportadoras, nos termos do art. 46 da IN SRF n.º 247, de 2002: Art. 46. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) VIII – de vendas realizadas pelo produtor vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e (...) § 1o Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. E ainda, o Decreto lei nº 1.248/1972, ao dispor sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, por empresa comercial exportadora, para o fim específico da exportação, deu a seguinte disciplina às operações por ela realizadas: Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.657 7 “Art. 1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercialexportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decretolei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art. 3º São assegurados ao produtor vendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação.” Portanto, o contencioso não cravase na discussão quanto a não incidência das contribuições com fins específicos de exportação, mas pelo fato da Autoridade Fiscal não reconhecer tais operações. Sem embargo, verifico nos autos contratos que legitimam as operações de fornecimento de pelotas de minério de ferro entre a Contribuinte e a VALE S.A, com fim específico de exportação. Com efeito, asseverou a fiscalização que: o CFOP utilizado nas notas fiscais de venda emitidas pela Contribuinte e no registro das entradas de produtos pela VALE S.A caracterizam operações de venda no mercado interno, as vendas efetuadas à VALE são registradas na contabilidade da empresa vendedora em conta correspondente à venda no mercado interno, os produtos vendidos foram entregues, segundo declaração da VALE no pátio da Contribuinte ( área não alfandegada), não se enquadrando, portanto, na definição de venda com fim específico de exportação dada pela IN 247/2002 , lei nº 9.532/1997 e Decreto n1.248/72. Da análise dos autos, verifico que a VALE foi intimada a prestar diversos esclarecimentos e informou que: "o recebimento das mercadorias se dá no pátio das usinas das coligadas. Em seguida, tais pelotas são exportadas pelo adquirente (fl.719). No curso da ação fiscal que originou os lançamentos, a VALE, mais uma vez intimada, esclarece que: em um primeiro momento, o produtos "pelota" deixa a área de produção da NIBRASCO e são encaminhados ao pátio desta, que não é alfandegado. Em um segundo momento, o produto "pelota" deixa o pátio da NIBRASCO e é encaminhado diretamente para os pátios da VALE que, de acordo com o ADE da 7º RF de nº 320, de 14 de setembro de2006, estão localizados em área alfadengada (fl.644)". Nada obstante, a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta em suas contrarrazões do Recurso, que consta nos autos do processo uma consulta junto à Alfândega da RFB do Porto de Vitória/ES, e foi constatado que a Contribuinte não é detentora de área alfandegada (fls. 376/386). Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.658 8 Quanto ao fato da área ser alfandegada ou não, não altera minha convicção de que esta operação foi destinada ao mercado externo. Explico: Dos memorandos de exportação apresentados pela Contribuinte constam todos os dados referente a exportação efetuada, destacandose o número e dada do conhecimento de Embarque, o país de destino da mercadoria, dados da nota fiscal emitida pela empresa exportadora, número, data de registro e data da averbação do registro de exportação, bem como número e data do Despacho de Exportação. Verifico ainda, que a Contribuinte figura nos memorandos de exportação na qualidade de remetente com o fim específico de exportação, sendo possível identificar o número e dada das notas fiscais emitidas pela Contribuinte, quantidade de mercadorias adquiridas, valor e quantidade exportada no mês. Registrese que todas notas fiscais relacionadas pela fiscalização (fls. 720 s 725), com data até junho de 2008, cujos valores serviram de base para o cálculo das contribuições lançadas, constam dos Memorandos de Exportação apresentados. Todas os documentos e notas fiscais confirmam a vinculação da exportação das mercadorias promovida pela VALE. O ponto fucral para o deslinde da lide, esta relacionado ao equívoco da Contribuinte no preenchimento do CFOP das notas fiscais que retratam a operação de venda com fim específico de exportação. Não vislumbro qualquer ato de máfé da Contribuinte, considerando que o uso de código indevido nas notas fiscais de venda, foram corrigidos ( fls. 1459 a 1702) por meio das cartas de correção referentes a cada nota fiscal, emitidas até junho de 2008, encaminhada e recebida pela VALE S.A, onde comunica a alteração do CFOP anteriormente utilizado para o código 5.501. Não localizei nos autos cartas de correção para as notas fiscais emitidas em outubro de 2008, período abrangido pelos autos. Neste ponto, penso que o crédito tributário relativo ao PIS/COFINS lançado no período de outubro de 2008 deve ser mantido. Quanto a tese da decisão recorrida de que cartas de correção das notas fiscais foram emitidas ao longo do mês de dezembro de 2010, após a contribuinte ter sido autuada e antes de apresentação de sua impugnação, não devem prevalecer, pois o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da verdade material. A par de tudo que foi exposto, penso que minhas razões de decidir não estão desalinhadas com atual entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, o qual vem decidindo sobre matérias análogas da seguinte forma: ACÓRDÃO Nº 3202000.779 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Período de apuração: 01/04/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/07/2008 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.659 9 Recurso Voluntário provido. Recurso de Ofício negado. ACÓRDÃO Nº 3403003.299 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Excluise do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Com essas considerações, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, mantendo integralmente o crédito tributário relativo ao PIS e a COFINS referente ao período de outubro de 2008. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 15586.001586/201043 Acórdão n.º 9303004.233 CSRFT3 Fl. 2.660 10 Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 10580.727129/2009-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.122
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 11 1 10 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.727129/200985 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.122 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE URV Recorrente FRANKLIN OURIVES DIAS DA SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 71 29 /2 00 9- 85 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 12 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.726133/200926. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, totalizando o valor de R$ 129.738,53, incluídos aí multa de ofício, equivalente a 75%, e juros de mora. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 13 3 A Contribuinte apresentou impugnação, restando integralmente indeferida pela DRJ/SDR/BA às fls. 126/132. Regularmente cientificada, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, fls. 137/227, argumentando, entre outros, a natureza indenizatória das diferenças recebidas de URV, a legitimidade da União Federal para cobrar o Imposto de Renda; a imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção; a exigência de multa de ofício e juros moratórios. Em análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, fls. 272/279, deu parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Após rejeitados os Embargos Declaratórios apresentados pela Contribuinte às fls. 284/287, apresentou Recurso Especial às fls. 294/318, suscitando, em síntese, a não incidência do Imposto de Renda sobre as verbas referentes às diferenças de URV, face sua natureza indenizatória. Alega que as parcelas referentes às diferenças de URV não representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou do trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração. Requer, ainda, tratamento isonômico entre os membros dos Ministérios Públicos da União e do Estado. No exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, a Presidência da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 354/356, deu seguimento ao recurso em face da verificação da divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, para que ambas as matérias suscitadas no recurso especial sejam discutidas. Assim, deve ser reapreciada da natureza jurídica das diferenças remuneratórias calculadas em face da variação da URV, pagas a membro de Ministério Público estadual, para concluir pela incidência ou não do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, bem como a aplicação da resolução n. 245 do STF ao caso concreto. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, fls. 358/365, vieram os autos conclusos. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 14 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.115, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.726133/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.115): PRELIMINAR DE NULIDADE Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Ministério Público da Bahia. Ausência de nulidade do lançamento Primeiramente, considerando ter sido suscitado de ofício a nulidade do lançamento, argumentando se a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral seria capaz de eivar de vício material o lançamento. Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. De acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 15 5 AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Aliás, até no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/2005 61, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Com base na decisão proferida pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos Fl. 380DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 16 6 acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo a nova base de cálculo. Destaco, ainda, que a competência dessa CSRF restringese a apreciação dos argumentos trazidos em sede de recurso especial pelas partes, não competindo aos seus membros suscitar de ofício argumentos pela nulidade da autuação sem que o recorrente o tenha feito. Isto posto, entendo que deva ser rejeitado o conhecimento da nulidade suscitada de ofício pela ilustre relatora. DO MÉRITO Competência para legislar sobre IR. Primeiramente, conforme descrito no lançamento, a Lei Complementar nº 20 do Estado da Bahia, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...[ § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da Fl. 381DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 17 7 devida correção salarial decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência sobre valores de diferenças de URV. Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza Fl. 382DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 18 8 daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV, ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial Fl. 383DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 19 9 tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 20 10 Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União Fl. 385DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 21 11 para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou Fl. 386DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 22 12 mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Quanto a necessidade de prévia declaração de inconstitucionalidade da lei estadual. Quanto a argumentação de que necessário, antes de efetivar ao lançamento, ter declarada a inconstitucionalidade da lei Estadual, entendo não ser esse o melhor entendimento aplicável. Conforme acima esclarecido, a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Contudo, não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Membros do MP da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, afasto a argumentação, de que necessário primeiramente declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionlidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Quanto a forma de cálculo do IR devido Regime Caixa X Competência Fl. 387DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 23 13 Conforme já trazido quando da apreciação da decisão do STF sobre o tema em sede de preliminar, entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de calculo aplícável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do rendimentos recebidos pelos membros do MP da Bahia, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da interposição do recurso), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP e o e RE 614.406/RS versam exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Conforme já citado neste voto e inclusive transcrita ementa, o CARF já se manifestou acerca dessa questão no processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Fl. 388DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 24 14 Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, Fl. 389DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 25 15 ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Da leitura do trecho do voto transcrito acima, ao qual uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS foram no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como Fl. 390DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 26 16 descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88), mas sim, pelo regime de competência. Dessa forma, considerado os termos da decisão do STF e STJ, encaminho pelo provimento parcial do Resp do Contribuinte, para afastar a nulidade e que a apuração do imposto devido seja feita de acordo com o regime de competência, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para afastar a nulidade suscitada de ofício pela relatora e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para afastar a nulidade suscitada de ofício e, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 391DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 27 17 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.727129/200985 Acórdão n.º 9202004.122 CSRFT2 Fl. 28 18 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.911520/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.404
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido.
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 15 20 /2 01 0- 97 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.911520/201097 Acórdão n.º 3402003.404 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório, que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A não homologação se deveu a inexistência do crédito informado, vez que o mesmo havia sido integralmente utilizado. Em sua manifestação a interessada alega que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei nº9.718, de 1998, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Sobreveio então o Acórdão 06041.127, da DRJ/CTA/PR, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.399, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10980.911525/201010, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.399): "O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.911520/201097 Acórdão n.º 3402003.404 S3C4T2 Fl. 0 3 A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.911520/201097 Acórdão n.º 3402003.404 S3C4T2 Fl. 0 4 Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; conclui se pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento. 2 Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.911520/201097 Acórdão n.º 3402003.404 S3C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.911520/201097 Acórdão n.º 3402003.404 S3C4T2 Fl. 0 6 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.911520/201097 Acórdão n.º 3402003.404 S3C4T2 Fl. 0 7 ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.911520/201097 Acórdão n.º 3402003.404 S3C4T2 Fl. 0 8 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.911520/201097 Acórdão n.º 3402003.404 S3C4T2 Fl. 0 9 base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos com amparo no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo STF), devendo o montante do direito creditório ser apurado pela unidade de origem. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 71DF CARF MF
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