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Numero do processo: 13839.002734/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
PROCESSOS ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO.
A desistência do recurso caracteriza-se como fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 3402-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência do recorrente.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PROCESSOS ADMINISTRATIVO. DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO. A desistência do recurso caracteriza-se como fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência do recorrente. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
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DESISTÊNCIA. FATO IMPEDITIVO. A desistência do recurso caracterizase como fato impeditivo do direito de recorrer, o que leva ao não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência do recorrente. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 27 34 /2 00 1- 10 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Tratase de auto de infração eletrônico, decorrente do processamento da DCTF do anocalendário de 1997, lavrado em 13 de novembro de 2001, cientificado à contribuinte em 07 de dezembro de 2001, exigindo crédito tributário no valor de R$ 54.629,95, relativo à falta de recolhimento da Contribuição ao PIS, diante da não localização da ação judicial informada em DCTF, referente a débitos informados com exigibilidade suspensa. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 01/03, em 28 de dezembro de 2001, alegando, em síntese, que: 1. A autoridade fiscal não teria considerado a existência de Mandado de Segurança, distribuído em 10/04/96 à 20ª Vara Cível Federal de São Paulo, sob nº 96.00099650, com pedido de liminar, objetivando a concessão de segurança para o fim de eximirse do recolhimento do PIS nos termos da Medida Provisória nº 1.286, de 1996, e suas reedições, conforme demonstra Certidão de Objeto e Pé (doc. 4). 2. Acrescenta que, em 21 de maio de 1996, o MM. Juízo julgou procedente e ação e concedeu a segurança requerida, para o fim de lhe garantir o direito ao pagamento do PIS nos moldes da Lei Complementar nº 7, de 1970, e não nos termos da MP n.º 1.212, de 1995. 3. Desta forma, estaria amparada por decisão judicial que impediria a lavratura do auto de infração, tendo em conta a inexistência de infração à legislação tributária. Em suas palavras: “Conforme se pode verificar da simples leitura do presente auto de infração a D. Autoridade Administrativa tinha conhecimento da Medida Liminar. Isto porque a Impugnante, na sua declaração de contribuições e tributos federais (DCTF), referiu se ao processo acima mencionado para sustentar o não pagamento da Contribuição para Programa de Integração Social devido à suspensão da exigibilidade. Ademais, a D. Autoridade Administrativa tinha de ter conhecimento da concessão da medida liminar e destarte da suspensão da exigibilidade do crédito “ex officio”, tendo em vista ser parte do processo referido.” Requer que as intimações e notificações sejam encaminhadas a seus procuradores, no endereço que especifica. Conclui, pleiteando o cancelamento do auto de infração. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ Salvador julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0536951, cuja ementa abaixo reproduzo, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.002734/200110 Acórdão n.º 3402002.392 S3C4T2 Fl. 121 3 A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício vinculada, para débitos já declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) Os débitos em tela (PIS de 01/1997 a 03/1997) foram regularmente incluídos no programa de parcelamento instituído pela Lei n° 9.964/2000 REFIS I. Em virtude do advento da Lei n°. 11.941/2009, os débitos anteriormente incluídos no REFIS I foram migrados para o novo parcelamento denominado REFIS IV, conforme se extrai do anexo "RECIBO DE CONSOLIDAÇÃO"; b) O argumento defendido pela D. Autoridade Julgadora para decidir pela procedência do auto de infração foi o fato de que o desfecho do Mandado de Segurança n°. 96.00099650 teve desfecho desfavorável à Recorrente. Ocorre que o argumento de que o Mandado de Segurança teve desfecho desfavorável ao contribuinte não pode, de forma alguma, ser admitido, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado unicamente em razão de não ter sido comprovada a existência do Mandado de Segurança. Em outras palavras, a discussão referese tãosomente à comprovação ou não da existência do Mandato de Segurança e não à questão de mérito nela discutida, ou o trânsito em julgado da decisão judicial; c) Não cabe a multa de mora no presente caso em virtude de que a exigibilidade do crédito tributário sempre esteve suspensa, ou seja, o recorrente nunca deixou de cumprir qualquer obrigação que lhe cabia e, portanto, nunca incorreu em mora; d) Não houve regular constituição pelo ato de lançamento tributário da multa de mora, sendo vedada à Autoridade Julgadora incluíla na presente autuação. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Voto A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. É fato incontroverso que os débitos em discussão nestes autos foram incluídos no REFIS I e migrados para o REFIS IV. Partindo desse fato, passo a análise dos demais requisitos de admissibilidade do recurso apresentado. O direito a recorrer está sujeito à observância de requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Regressando aos autos, conforme já dito, o recorrente fez opção ao REFIS e incluiu os débitos discutidos nestes autos. Consoante noção cediça, o REFIS foi um parcelamento de dívidas oferecido pelo Governo Federal aos contribuintes com um série de vantagens. Nos termos do art. 78 do Regimento Interno do CARF, a adesão a qualquer parcelamento importa na renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13839.002734/200110 Acórdão n.º 3402002.392 S3C4T2 Fl. 122 5 modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Assim sendo, ao protocolar a declaração REFIS, incluindo os débitos ora em discussão, o sujeito passivo desistiu tacitamente deste recurso voluntário. Tendo em vista que a desistência é um fato impeditivo do direito de recorrer, uma vez que a interposição do recurso seria um ato incompatível com o anteriormente realizado, deixo de conhecer do recurso voluntário impetrado pelo sujeito passivo. É como voto. Sala de sessões, 28/05/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916069/2011-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/03/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 85 1 84 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.916069/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.837 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Fênix Empreendimentos S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/03/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/03/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 69 /2 01 1- 21 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 30/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 338,60, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de março de 2002. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916069/201121 Acórdão n.º 3802002.837 S3TE02 Fl. 86 3 b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/07/2013 (fls. 83 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 11/07/2013 (fls. 82), o recurso voluntário de fls. 57/74, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 80/81, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916069/201121 Acórdão n.º 3802002.837 S3TE02 Fl. 87 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916069/201121 Acórdão n.º 3802002.837 S3TE02 Fl. 88 7 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904364/2012-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 64 /2 01 2- 71 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904364/201271 Acórdão n.º 3801003.178 S3TE01 Fl. 87 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904364/201271 Acórdão n.º 3801003.178 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/10/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2003 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904364/201271 Acórdão n.º 3801003.178 S3TE01 Fl. 89 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904364/201271 Acórdão n.º 3801003.178 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904364/201271 Acórdão n.º 3801003.178 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904364/201271 Acórdão n.º 3801003.178 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 11065.722132/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.305
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à origem, a fim de aguardar a decisão definitiva, na esfera administrativa, sobre a exclusão do Contribuinte do SIMPLES e somente após tal informação retornem a este Colegiado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à origem, a fim de aguardar a decisão definitiva, na esfera administrativa, sobre a exclusão do Contribuinte do SIMPLES e somente após tal informação retornem a este Colegiado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 22 13 2/ 20 12 -0 8 Fl. 678DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.722132/201208 Resolução nº 2302000.305 S2C3T2 Fl. 679 2 Relatório e Voto O Auto de Infração de Obrigação Principal foi consolidado em 04/05/2012, e cientificado ao sujeito passivo em 22/05/2012, referindose às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2008 a 12/2008. O relatório fiscal de fls. 16/24, traz que a autuada foi excluída do Sistema de Tributação Simplificada – SIMPLES NACIONAL, através de Ato Declaratório Executivo SEORT/DRFNHO n.º 15, em 25/04/2012, fls. 34, por restar evidenciada a prestação de serviços como interposta pessoa jurídica para a empresa CALÇADOS RAMARIM LTDA. A Representação Fiscal para a exclusão consta das fls. 35/38. Aduz o relatório, que a autuada foi criada com o fim específico de prestar serviços à CALÇADOS RAMARIM LTDA. que a autuada iniciou suas atividades tendo como sócio empregado da RAMARIM, que foi demitido da empresa, sendo posteriormente foi sucedido pelo seu filho e retornou à RAMARIM até o seu óbito., documentos comprobatórios fls. 25 e seguintes. Que as atividades são prestadas nas instalações da RAMARIM , com suas máquinas e equipamentos, sem qualquer contrato de aluguel ou comodato, esclarecimentos prestados pela própria autuada às fls. 68. Que toda a receita da autuada provém da prestação de serviço para a RAMARIM. O levantamento tomou por base os valores constantes nas folhas de pagamento da empresa e as informações constantes das GFIP da autuada. Foi lavrado Termo de Sujeição Solidária Passiva para a empresa CALÇADOS RAMARIM LTDA. , fls. 348, com ciência em 25/05/2012. Após a impugnação, Acórdão de fls.604/620 , se pronunciou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que sua exclusão do SIMPLES não é definitiva, porque apresentou recurso voluntário contra o Ato Declaratório Executivo n.º 15, que ainda está pendente de julgamento; b) que este processo depende do que for decidido naquele; c) que reitera todas as suas alegações da impugnação; d) que contrato de comodato não precisa ser registrado em cartório. Que não mantém contrato escrito de comodato, mas contabiliza os valores de contrato verbal; Fl. 679DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.722132/201208 Resolução nº 2302000.305 S2C3T2 Fl. 680 3 e) que é a recorrente que assume todos os ônus e bônus de seu empreendimento; f) que a Lei n.º 12546/2011 desonerou a folha de pagamento e o custo da mão de obra se equiparou às empresas do SIMPLES, e, como a recorrente continua prestando serviços à RAMARIM, é de se ver que é falsa a premissa de redução de custos na prestação de serviços terceirizados; g) a opção de contratar parte da produção tem a única finalidade de otimizar a produção; h) que é lícito ás pessoas terem livre iniciativa e é válido o planejamento tributário; i) o encerramento da filial da RAMARIM e a locação do prédio para a JARDEL visou apenas a otimização da produção e não houve continuidade das atividades. Por fim, requer a procedência do recurso para declarar insubsistente o ADE n.º 15 e a excluiu do SIMPLES NACIONAL e que lhe seja reconhecido o direito de ser optante do Sistema. Alternativamente, requer o deferimento da compensação dos valores já recolhidos, enquanto optante do SIMPLES NACIONAL. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade e deve ser conhecido. Entretanto, é de se observar que o lançamento se refere às contribuições devidas pela exclusão da recorrente do SIMPLES. Na peça recursal os argumentos da autuada versam sobre a não definitividade do Ato Declaratório Executivo, pois estaria pendente de julgamento o recurso interposto pelo contribuinte. De fato, não consta dos autos informação do Fisco acerca do trânsito em julgado do recurso interposto quanto ao Ato Declaratório Executivo n.º 15/2012, e consulta ao site deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais mostra que o processo 11065.721614/201232, relativo à Representação Fiscal que culminou na emissão do Ato Declaratório Executivo, encontrase para sorteio, de forma que entendo não ser possível prosseguir com este julgamento sem que antes seja decidido acerca da definitividade da exclusão da empresa do SIMPLES. Neste lançamento está sendo cobrada a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais , em virtude da exclusão da empresa do SIMPLES, assunto que já tem que estar resolvido na área administrativa para que se possa julgar o mérito do presente auto de infração de obrigação principal, uma vez que não cabe aqui, tecer considerações a cerca da pertinência ou não da exclusão da empresa do Sistema. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à origem para aguardar a decisão definitiva, na esfera administrativa, sobre a exclusão da recorrente do SIMPLES e somente após tal informação retornem a este Colegiado.. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11065.722132/201208 Resolução nº 2302000.305 S2C3T2 Fl. 681 4 Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento a autuada e concedido prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 681DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 15956.000309/2007-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/11/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 09 /2 00 7- 62 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Em face de Mercearia Realves Ltda. foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/46, relativa às importâncias supostamente não lançadas correspondentes à parte patronal e do financiamento dos benefícios destinados às Entidades Terceiras – SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE e os concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), acrescidos de multa. A Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 240300.375, que se encontra às fls. 147/149v e cuja ementa é a seguinte: ”ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/11/2005 GFIP. BASE DE CÁLCULO As informações constantes das GFIP servem como base de cálculo das contribuições devidas. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15956.000309/200762 Acórdão n.º 9202003.219 CSRFT2 Fl. 12 3 base na redação dada pela lei 11.941/09 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, devendo ser aplicada a mais benéfica à contribuinte. Intimada do v. acórdão em 05/05/2011 (fl. 150), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 153/163) no mesmo dia, sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n° 230100.283 e 240100.120, no tocante à aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela lei 11.941/09, para fins da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II do CTN. Ao recurso especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 273/2011, de 18/05/2011 (fls. 200/204). Regularmente intimado do acórdão, o contribuinte deixou de apresentar suas contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 230100.283 e 240100.120. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 230100.283 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ha que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, afim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tomou legítimo o instrumento realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 40 prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado" Acórdão nº 240100.120 "SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA I De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART 150, §4º ). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, §4 ° do CTN" Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15956.000309/200762 Acórdão n.º 9202003.219 CSRFT2 Fl. 13 5 Verifico, ainda, constar dos respectivos votos que integram os acórdãos paradigmas: Acórdão n° 230100283 "Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008 entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n°449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” Acórdão n° 240100120 "Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34, da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. (...) Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: "Art.. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serio aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei n° 8.212/1991, Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância." No presente caso, o v. acórdão recorrido determinou, para fins de cálculo de multa a ser aplicada em decorrência da retroatividade benigna, a comparação entre a multa aplicada e a atual multa prevista no artigo 35, caput da Lei nº 8.212/1991 (conforme redação da Lei nº 11.941/2009), resultando na aplicação do percentual de 20%. Os paradigmas colacionados, no entanto, determinaram que para fins de aplicação da retroatividade benigna fosse comparada a multa lançada com aquela prevista no novel artigo 35A da Lei nº 8.212/191, que, ao fazer remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, resulta na aplicação de penalidade de 75% do valor do tributo lançado. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, a discussão nos presentes autos é relativa à multa a ser aplicada no presente caso em decorrência do advento da Lei nº 11.941/2009, que alterou os dispositivos da Lei nº 8.212/1991 que tratavam da matéria. Ressalto, antes de tecer maiores comentários, que o presente lançamento tem como objetivo a cobrança de valores relativos às contribuições previdências apuradas como devidas relativas à parte patronal e do financiamento dos benefícios destinados às Entidades Terceiras – SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE e os concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), acrescidos de multa (fls. 56/58). O v. acórdão recorrido, ao analisar as razões de recurso do contribuinte, houve por bem determinar o cálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela lei 11.941/2009, caso mais favorável ao contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra tal conclusão. Tratase de tema bastante debatido no âmbito deste egrégio colegiado. Para fins de clareza transcrevo, a seguir, a redação dos dispositivos relevantes vigentes à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15956.000309/200762 Acórdão n.º 9202003.219 CSRFT2 Fl. 14 7 III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houver parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.” Esse dispositivo era aplicado às contribuições previdenciárias, administradas pelo INSS, enquanto que aos demais tributos e contribuições federais aplicavamse as penalidades dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: “Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Verificase, desde logo, que existia distinção na aplicação de penalidades para os casos do não recolhimento de contribuições previdenciárias e para os casos de não recolhimento de outros tributos. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15956.000309/200762 Acórdão n.º 9202003.219 CSRFT2 Fl. 15 9 De fato, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 estabelecia que na hipótese de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias a multa aplicável era sempre uma dita “de mora” (independentemente do pagamento ser espontâneo ou em decorrência de lançamento de ofício), enquanto que a ausência de apuração e recolhimento tempestivo dos demais tributos e contribuições federais, nos termo da Lei nº 9.430/1996, era penalizado com (i) multa de mora, em caso de recolhimento intempestivo antes do lançamento ou (ii) multa de ofício, em caso de lançamento pela autoridade fiscal. Assim, uma primeira conclusão é que a distinção entre multa de mora e multa de ofício não era relevante no âmbito das contribuições previdenciárias na medida em que a legislação aplicável a tais contribuições não a fazia. Tal sistemática, no entanto, sofreu profundas alterações em decorrência da unificação da arrecadação dos tributos federais no âmbito da Receita Federal do Brasil com o advento da Lei nº 11.941/2009. De fato, uma vez unificada a arrecadação não fazia sentido a existência de sistemáticas de aplicação de penalidade diferentes, razão pela qual a Lei nº 11.941/2009 alterou tais dispositivos. A Lei nº 8.212/1991, após o advento da Lei nº 11.941/2009, passou a tratar das penalidades nos artigos 32A, 35 e 35A, in verbis: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” No presente caso, considerando que o lançamento decorreu da não apuração e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, verifico que pela sistemática anterior à MP 449/2008 (convertida na lei nº 11.491/2009), o lançamento estaria sujeito à multa prevista no artigo 35 da Lei 8.212/1991 que, em sua redação à época dos fatos geradores, determinava a aplicação de uma multa de 8% até 100% da contribuição devida em função da fase em que se encontrava a cobrança do débito. Embora o artigo 35 da Lei 8.212 denominasse tal penalidade de mora, em essência, quando lançada em procedimento de ofício para apuração dos tributos não lançados, tem sua correspondência no atual artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, que rege as hipóteses de lançamento de ofício pela autoridade fiscal e não na atual redação do artigo 35 da Lei n. 8212/1991, que rege as hipóteses de recolhimento espontâneo pelo contribuinte. Assim, para aplicação do comando de retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN devese comparar a penalidade prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com aquela prevista no artigo 35A da Lei n. 8.212/1991, que remete ao artigo 44 da Lei n. 9.430/1996, ficando limitada ao percentual de 75% prevista neste último dispositivo. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, limitada ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 15956.000309/200762 Acórdão n.º 9202003.219 CSRFT2 Fl. 16 11 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10314.724447/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 11/09/2007 a 18/04/2012
IMPORTAÇÃO - INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA - PRINCÍPIO DA TIPICIDADE - ATIPICIDADE DA CONDUTA.
O Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas tributáveis e as respectivas obrigações e sanções tributárias delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a tributabilidade e responsabilidade de uma conduta somente se dêem quando ocorra sua exata adequação ao tipo legal, sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN), não prevista expressamente na descrição da lei tributária especifica. Para a configuração das infrações previstas no art. 105, inc. XI do Decreto-lei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decreto-lei 1.455/76, que autorizam a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa (art. 23, § 3º do Decreto-Lei nº 1.455/76), é imprescindível a comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos aduaneiros em razão de artifício doloso, bem como da ocultação mediante fraude ou simulação, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, sob pena de atipicidade da conduta.
IMPORTAÇÃO - INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA - RESPONSABILIDADE SUBJETIVA - PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA DA SANÇÃO.
Tratando-se de infrações dolosas legalmente conceituadas como crimes (arts. 334, § 3º e 299 do CP), a responsabilidade pela sanção administrativa é pessoal do agente (art. 137 do CTN), não podendo a sanção passar da pessoa do infrator (art. 5º, XLV da CF/88), nem transmitir-se a pessoas alheias à infração (nemo punitur pro alieno delicto), sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator (art. 100 do Dec.-lei nº 37/66).
IMPORTAÇÃO - INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA - MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO - CESSÃO DE NOME - PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO.
Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decreto-lei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem.
Numero da decisão: 3402-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator designado. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Luiz Carlos Shimoyama. Designado conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça para redigir o voto vencedor
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
FERNANDO LUIZ da GAMA D EÇA Relator designado
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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O Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas tributáveis e as respectivas obrigações e sanções tributárias delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a tributabilidade e responsabilidade de uma conduta somente se dêem quando ocorra sua exata adequação ao tipo legal, sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN), não prevista expressamente na descrição da lei tributária especifica. Para a configuração das infrações previstas no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76, que autorizam a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa (art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76), é imprescindível a comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado na falta de pagamento parcial dos tributos aduaneiros em razão de “artifício doloso”, bem como da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, sob pena de atipicidade da conduta. IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA DA SANÇÃO. Tratandose de infrações dolosas legalmente conceituadas como crimes (arts. 334, § 3º e 299 do CP), a responsabilidade pela sanção administrativa é pessoal do agente (art. 137 do CTN), não podendo a sanção passar da pessoa do infrator (art. 5º, XLV da CF/88), nem transmitirse a pessoas alheias à infração (“nemo punitur pro alieno delicto”), sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator (art. 100 do Dec.lei nº 37/66). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 44 47 /2 01 2- 30 Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 3 2 IMPORTAÇÃO INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO CESSÃO DE NOME PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator designado. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Luiz Carlos Shimoyama. Designado conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça para redigir o voto vencedor GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. FERNANDO LUIZ da GAMA D EÇA – Relator designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 07/08/2012, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 34.211.277,07 em virtude dos fatos a seguir descritos. Durante procedimento especial de fiscalização com base na IN RFB 228/2002, foi verificado que a CLARION DO BRASIL cedeu seu nome à MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 4 3 (MITSUBISH MOTORS), CNPJ 54.305.743/001170, para a realização de operações no comércio exterior, acobertandoa. Ainda, ficou comprovado que os produtos importados pela CLARION para a MMC são fruto de encomenda, tendo em vista a existência de contratos de fornecimento com programação, realizada anteriormente as importações, para o abastecimento de peças. Além disso, os produtos destinados às montadoras são desenvolvidos especificamente para cada modelo de carro e são sempre vendidos para a sua montagem na linha de produção. Existe ainda cláusula específica no contrato de que os mesmos não podem ser vendidos a terceiros sem autorização da MMC. Pela análise das cláusulas contratuais reproduzidas às folhas 46 dos autos, fica claro que os produtos vendidos pela CLARION DO BRASIL à MMC são resultado de prévio acordo (encomenda) entre as partes, no qual a segunda apresenta um programa de fornecimento contínuo de mercadorias à primeira. Mediante a análise dos contratos com as montadoras e das respostas apresentadas pela empresa, concluise que a CLARION DO BRASIL, mesmo sabendo que só poderia cumprir suas obrigações contratuais por meio da importação de empresas coligadas localizadas no exterior, optou por não registrar essas operações de importação como sendo por encomenda. Por tal prática, a CLARION DO BRASIL foi autuada pela multa prevista no art. 33 da Lei n.º 11.488 de 15 de junho de 2007. Tendo em vista o término do procedimento especial de fiscalização com base na IN RFB n° 228/2002, concluindo que a empresa CLARION cedeu seu nome para as operações de importação da empresa MMC, foi iniciado em 12/06/2012 procedimento de fiscalização, mediante a abertura do Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) nº 08155002012005827, com vistas à aplicar a pena de perdimento ou a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida, relativamente às importações efetuadas de forma irregular (ocultação do sujeito passivo) no período compreendido entre setembro de 2007 e abril de 2012, tendo em vista o disposto no art. 23, § 1º, do Decreto Lei nº 1.455/76. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 13/08/2012 (fls.154), o contribuinte MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA, protocolizou impugnação, tempestivamente em 132/09/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 192 à 220. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, o impugnante MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA alegou que: Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 5 4 Nulidade de auto de infração decorrente exclusivamente de PROCEDIMENTO FISCAL DO QUAL NÃO PARTICIPOU A IMPUGNANTE. Conforme se extrai de diversas passagens do relatório fiscal, a autuação ora impugnada decorre diretamente de outro procedimento fiscal, fundamentado na Instrução Normativa SRF n° 228/2002, relacionado exclusivamente à empresa Clarion do Brasil Ltda. Pelo que se constata da leitura do relatório fiscal, a Receita Federal teria concluído, no bojo daquele procedimento fiscal, que a Clarion teria cedido seu nome para a realização de operações em nome da Impugnante. Como conseqüência da conclusão de procedimento fiscal que envolveu exclusivamente a empresa Clarion, foi lavrado, em face da Impugnante, o auto de infração impugnado, que impôs multa equivalente a 100% do valor aduaneiro de todas as mercadorias que lhe foram vendidas pela Clarion, sob o fundamento de que as importações teriam sido realizadas por encomenda e, nada obstante, a Impugnante teria sido omitida na DI. É necessário destacar, em primeiro lugar, que o auto de infração lavrado não é condizente com a fundamentação adotada pela Fiscalização. De fato, a autuação procura fundamento no procedimento anterior instaurado em face da Clarion, com base na Instrução Normativa n° 228/2002. Sustentase na acusação de que as mercadorias teriam sido importadas pela Clarion por encomenda da Impugnante, o que supõe a capacidade financeira e a utilização de recursos exclusivamente por parte do importador, conforme previsto na Lei n° 11.281/2006 e na IN 634/2006. Diante disso, verificase um claro descompasso entre a fundamentação (procedimento da IN 228/2002) e o motivo que acarretou a autuação (suposta importação por encomenda), na medida em que, tendo concluído a Fiscalização que se trataria de importação por encomenda, o procedimento da IN 228/2002 só poderia apontar que a Clarion adquiriu mercadorias no exterior com recursos próprios, não havendo que se falar em cessão de nome para acobertar operações da Impugnante. Acentuese que, em nenhum momento, a Fiscalização questionou a capacidade financeira das empresas, sendo a autuação incompatível, portanto, com a fundamentação adotada (existência de um procedimento prévio com base na IN 228), o que enseja a sua nulidade, por incoerência e vício de motivação. Afigurase inequívoco, portanto, que a Impugnante sofreu as conseqüências de uma autuação diretamente decorrente de procedimento fiscal lavrado exclusivamente contra terceiro (o procedimento da IN 228 que teria sido instaurado contra a Clarion), sem sequer ter sido intimada a apresentar documentos Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 6 5 ou outros elementos capazes de esclarecer os fatos sobre os quais a Fiscalização formulou a acusação fiscal e que poderiam eventualmente evitar a lavratura do auto de infração. Assim, o procedimento fiscal adotado é nulo também por ter “condenado” a Impugnante sem sequer ouvila previamente quanto aos fatos que ensejaram a autuação. A Fiscalização pinçou dois elementos de um procedimento fiscal lavrado contra uma terceira pessoa (Clarion) e, sem sequer juntar cópia integral daquele procedimento ou, no mínimo, do próprio relatório fiscal, imputou à Impugnante, sem intimála a prestar qualquer esclarecimento, multa aduaneira no valor de 34 milhões de reais. O auto de infração não está, portanto, devidamente instruído “com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito’ conforme determina o artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, sendo nulo também por esse motivo. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. Resta plenamente demonstrada, assim, a violação ao direito de defesa do sujeito passivo, implicando a nulidade do procedimento fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração, nos termos do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72 . Inocorrência de importação por encomenda no caso em análise. A par da nulidade do auto de infração, a exigência não tem mínimas condições de prosseguir, em vista da improcedência do entendimento fiscal. A alegada “encomenda” não pode ser considerada como hipótese de “importação por encomenda” nos termos da legislação em vigor, em especial a Lei n° 11.281/2006 e a Instrução Normativa n° 634/2006, não havendo que se falar, portanto, em ocultação do real adquirente de mercadorias importadas (hipótese prevista no art. 23, V, § 1º, do DL 1455/76 como ensejadora da pena de perdimento, convertida na multa equivalente ao valor das mercadorias, conforme § 3º do dispositivo). Com efeito, a Lei n° 11.281/2006, que regulou os efeitos aduaneiros e tributários da chamada “importação por encomenda”, definiua como a hipótese em que uma empresa importa mercadorias, por sua própria conta e risco, para revenda a promissário comprador previamente conhecido. A partir do quadro normativo vigente, a própria Receita Federal esclarece que, na importação por encomenda, “uma empresa a encomendante predeterminada, interessada em uma certa mercadoria, contrata uma outra empresa — a importadora para que esta, com seus próprios recursos, providencie a importação Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 7 6 dessa mercadoria e a revenda posteriormente para a empresa encomendante. Tratase de interpretação em conformidade com a legislação e que demonstra claramente que encomendante é a empresa que figura no contrato de compra e venda firmado com a importadora previamente à compra de determinada mercadoria no mercado exterior. Afinal, só a empresa que contrata e, assim, mantém vínculo jurídico com a importadora tendo por objeto a aquisição de mercadoria estrangeira, pode cumprir a obrigação de “apresentar à unidade da SRF com jurisdição para fiscalização aduaneira sobre o seu estabelecimento matriz, cópia do contrato firmado entre as duas empresas (encomendante e importadora), caracterizando a natureza de sua vinculação, a fim de que a contratada seja vinculada à encomendante no Siscomex, pelo prazo ou operações previstos no contrato. Desse modo, para efeito de cumprimento do art. 3º da Instrução Normativa SRF 634/2006, a importadora somente tem obrigação legal de indicar, na Declaração de Importação, empresa com a qual tenha firmado contrato de compra e venda previamente à aquisição das mercadorias provenientes do exterior e que será, desta forma, a futura compradora da mercadoria nacionalizada. Não é isso, entretanto, o que ocorreu nas operações objeto do auto de infração. O entendimento da Fiscalização baseouse, em síntese, no fato de que os produtos da Clarion adquiridos pela Impugnante seriam específicos, só podendo ser utilizados nos veículos da marca Mitsubishi. Por essa razão, entendeu a Fiscalização que a Clarion atuaria como mera pessoa jurídica importadora das mercadorias e que estas seriam revendidas à Impugnante após o desembaraço aduaneiro. Equivocouse, porém, a Fiscalização. O contrato de fornecimento de mercadorias firmado pelas empresas autuadas não se confunde com a importação por encomenda. A Clarion não se qualifica como pessoa jurídica importadora. As pessoas jurídicas importadoras realizam, tipicamente, atividades de intermediação entre o exportador, situado no exterior, e o adquirente das mercadorias, situado no país, seja na importação por conta e ordem, seja na importação por encomenda (diferenciandose, esta última, pela assunção total, pela importadora, dos riscos da operação). Vale dizer, o importador é sempre um terceiro em relação ao exportador e ao adquirente das mercadorias localizado no País. Consequentemente, a atividade da pessoa jurídica importadora é essencialmente distinta da atuação daquela pessoa jurídica. Cita a Solução de Consulta n° 119/2007. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 8 7 Fornece o exemplo de empresas como a Samsung ou a Apple, que importam produtos de suas matrizes no exterior para atender à demanda das operadoras de telefonia. A Clarion é subsidiária integral da empresa japonesa Clarion Co. Ltd. Que desenvolveu e detém direitos sobre os produtos em questão. Nesta qualidade, a Clarion do Brasil efetivamente realiza a gestão dos negócios do grupo econômico em território nacional, definindo, com exclusividade, a sua forma de atuação, inclusive para atender à demanda das montadoras, dentre as quais a Impugnante. Assim, compete à Clarion, exclusivamente, organizar seus negócios da melhor forma possível, para atender às obrigações contratuais assumidas, viabilizando o fornecimento das peças solicitadas pelas montadoras e pelos demais contratantes. Diante desse quadro, concluise que a Clarion não se qualifica como uma mera importadora de bens por encomenda de terceiros. Ela não é propriamente uma “intermediária” entre empresa estrangeira e brasileira. Tratase de empresa constituída no Brasil para desenvolver, em nome próprio, as atividades necessárias ao abastecimento do mercado interno com produtos Clarion. Ela é, em outras palavras, a “dona do negócio” e, quando importa produtos, sempre o faz por sua própria conta. O CONTRATO CELEBRADO ENTRE AS PARTES É DE FORNECIMENTO DE MERCADORIAS NO MERCADO NACIONAL E NÃO DE IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. Destaquese que a Clarion do Brasil foi contratada pela Impugnante para lhe fornecer produtos destinados à montagem de veículos Mitsubishi, em especial rádios e tocadores de CD. Como não poderia deixar de ser, os rádios e tocadores de CD devem observar determinadas especificações técnicas previamente estabelecidas, uma vez que tais aparelhos serão acoplados aos veículos produzidos pela Impugnante. Tratase de um típico contrato de fornecimento de peças que serão utilizadas pela Impugnante na fabricação de veículos. Para efeito do cumprimento do acordo celebrado entre as partes, não interessa nada à Impugnante onde e como serão produzidas as peças que lhe serão fornecidas. O que interessa e é isso que está refletido no contrato de fornecimento é que a Clarion lhe entregue os referidos produtos de acordo com determinadas especificações técnicas e dentro do cronograma de entregas previamente estabelecido. O contrato celebrado entre as partes não impõe à Clarion a obrigação de importar e revender determinados produtos à Impugnante, o que seria imprescindível para a caracterização de uma importação por encomenda, conforme define a própria Receita Federal. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 9 8 A obrigação assumida pela Clarion, no bojo do contrato celebrado com a Impugnante, é diferente. A Clarion comprometeuse a fornecer, no mercado nacional, peças que serão utilizadas na fabricação de veículos pela Impugnante e que poderão ser nacionais ou mesmo importadas. A forma como se dará o cumprimento do contrato pela Clarion importação ou fabricação em território nacional não tem nenhuma relevância para a Impugnante, desde que os produtos obedeçam a suas especificações e lhe sejam entregues dentro do cronograma estipulado. Portanto, o objeto do contrato não é a revenda de mercadorias de origem estrangeira, o que o distingue de um contrato de importação por encomenda e afasta a necessidade de vinculação das partes para fins aduaneiros. Em outras palavras, o objeto do contrato de fornecimento de mercadorias celebrado entre a Impugnante e a Clarion (fornecimento de mercadorias no mercado nacional, de qualquer procedência) não se confunde com o objeto típico de um contrato de importação por encomenda (revenda de determinadas mercadorias importadas). AS MERCADORIAS IMPORTADAS PASSAM POR PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO ANTES DE SEREM ADQUIRIDAS PELA IMPUGNANTE NO MERCADO INTERNO. A par de o acordo comercial celebrado entre as partes não configurar uma importação por encomenda, a Fiscalização deixou de considerar aspecto de essencial importância. Todos os produtos adquiridos pela Impugnante passaram por um processo de industrialização prévio no estabelecimento industrial da empresa, o que inviabiliza por completo a acusação fiscal. Na medida em que as mercadorias fornecidas à Impugnantes são industrializadas pela Clarion, afastase qualquer dúvida em relação ao fato de que tal empresa não é pessoa jurídica importadora, sendo, na realidade, uma indústria e de que o contrato de fornecimento firmado entre as empresas não é de importação por encomenda (revenda de mercadorias importadas), porquanto as mercadorias comercializadas entre elas são nacionais. A corroborar a ausência de fiscalização, podese mencionar o fato de que os fiscais autuantes nem sequer “repararam” que todas as declarações de importações que deram origem às operações objeto da autuação foram desembaraçadas com suspensão do IPI, conforme o art. 29, §§ 1º e 4º, da Lei n° 10.637/2002. O referido dispositivo permite que o estabelecimento industrial de partes e peças destinadas à fabricação de veículos automotores desembarace, com suspensão do IPI, matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a tal finalidade. Nesse sentido, a Clarion atendeu os requisitos para se utilizar do benefício, como comprovam os Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 10 9 requerimentos apresentados periodicamente à Receita Federal, nos moldes exigidos pela Instrução Normativa RFB n° 948/2009. A falha do trabalho fiscal, ao deixar de verificar um fato de tamanha notoriedade (pois bastava, para tanto, verificar as informações prestadas nas DIs), corrobora a insuficiência do trabalho fiscal. Para comprovar o seu processo de industrialização, a Clarion providenciou a elaboração de dois laudos técnicos, sendo um de engenharia e outro contábil. Importante destacar que, em todos os produtos adquiridos pela Impugnante, os kits finais são compostos por diversos produtos, inclusive alguns de fabricaçãonacional. Nesse sentido, vejase, a título exemplificativo, a descrição da composição do Kit vendido sob o código Clarion P1H09/ 12BR QY5019VA (Código Mitsubishi CA541075). A presença de mercadorias nacionais acopladas ao produto final se repete em relação a todos os produtos, variando apenas os componentes. Portanto, diante da prova conclusiva de que os produtos adquiridos pela Impugnante foram submetidos a processo de industrialização em território nacional, afastase por completo a conclusão fiscal de que teria havido, no caso, importação, seguida de revenda, de mercadorias por encomenda da Impugnante. Consequentemente, não estava a Clarion obrigada a indicar a Impugnante, nas DI's, como encomendante das mercadorias importadas, o que implica a insubsistência da acusação de “ocultação” desta na operação de comércio exterior e impõe o cancelamento da multa aplicada. Falta de proporcionalidade e razoabilidade na imposição da multa EQUIVALENTE À CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. INOCORRÊNCIA DE DOLO OU dano ao Erário. Como se verifica, a infração descrita na norma legal na qual se fundamenta a autuação não se caracteriza com a mera ocultação do adquirente das mercadorias importadas. O dispositivo deixa bastante claro que os meios utilizados para alcançar o intento devem ser ilícitos. A infração deve ser praticada “mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. E mais, o resultado da conduta deve produzir “dano ao Erário”. A fraude ou a simulação (da qual a interposição fraudulenta é espécie) e o dano são, portanto, elementos constitutivos do tipo legal. Sem eles, não há infração que justifique o perdimento. A infração é de caráter material. Tratase da única interpretação compatível com o princípio da proporcionalidade da pena, que impõe justa medida entre o bem Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 11 10 jurídico violado e a sanção. Como punição, a multa, além da obediência estrita à lei, deve obrigatoriamente tomar como parâmetro " a natureza, a gravidade e a característica do ilícito, de modo a desestimular a inobservância das obrigações legalmente previstas. Por isso, a aplicação de penalidades deve corresponder exatamente ao fato legalmente tipificado, podendo sofrer temperamentos à luz das circunstâncias peculiares de cada caso, pois, do contrário, a exigência se afigurará desarrazoada, contrariando o princípio da proporcionalidade da pena. A aplicação de pena equivalente a 100% do valor da mercadoria é, ao lado do próprio perdimento, a mais grave das penas administrativas, razão pela qual somente tem cabimento em hipóteses excepcionais. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. NÃO HÁ SEQUER ACUSAÇÃO, PELA FISCALIZAÇÃO, DE OCORRÊNCIA DE DOLO NA OPERAÇÃO. Não restou configurado, em hipótese alguma, contrato que obrigasse a Clarion a importar determinados bens e revendêlos à Impugnante, o que, a teor da legislação de regência e do entendimento da própria Receita Federal, seria imprescindível para caracterizar uma importação por encomenda. A Fiscalização, por seu turno, entendeu que estaria caracterizada uma importação por encomenda, desconsiderando o fato de que as mercadorias vendidas à Impugnante passam por processo de industrialização em território nacional. Diante do contexto da operação, verificase que não há que se falar, nem sequer em tese, da ocorrência de dolo. Houve, no máximo, uma divergência de interpretação quanto às normas em vigor, na medida em que, no entendimento da Clarion e da Impugnante, não restou caracterizada a ocorrência de importação por encomenda, ao contrário do entendimento da Fiscalização. A Fiscalização fundamentouse, exclusivamente, em dois supostos elementos probatórios: o contrato de fornecimento de mercadorias celebrado entre a Impugnante e a Clarion e o questionário de respostas elaborado por esta empresa durante a fiscalização da IN 228/2002 a que teria sido submetida. Esses elementos não foram considerados, pela Fiscalização, como sendo inverídicos ou fraudulentos, o que eventualmente poderia configurar dolo específico do agente na prática de ato danoso ao Erário. Na verdade, a Fiscalização aceitou como verdadeiras todas as informações contidas no contrato firmado entre as parte e no questionário respondido pela Clarion, o que demonstra não ter havido qualquer divergência com relação aos fatos neles retratados. O que ocorreu é que a Fiscalização extraiu, a partir da análise destes elementos, uma interpretação Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 12 11 diferente sobre a natureza jurídica do acordo celebrado entre as partes, em relação àquela defendida pela Impugnante e pela própria Clarion, o que não torna dolosa nem simulada nem fraudulenta a conduta das empresas. NÃO HOUVE PREJUÍZO ao Erário. Cumpre destacar, por fim, que não houve qualquer prejuízo ao Erário em decorrência da operação em tela, na medida em que os tributos incidentes na importação foram integralmente recolhidos pela Clarion, o que, além de ser requisito para registro da Declaração de Importação no SISCOMEX, nunca foi questionado. De outro lado, a Fiscalização limitase a alegar a existência de danos potenciais ao controle aduaneiro, alegando, genericamente, que “a não vinculação dos reais beneficiários nas Declarações de Importação impede que a Receita Federal do Brasil possa exercer de maneira eficaz uma de suas missões que é a de exercer o controle aduaneiro, o que inegavelmente só vem a trazer prejuízos para o nosso país ” (fl. 52). Ou seja, tal como não foi apontada uma conduta dolosa específica por parte das empresas envolvidas, igualmente não foi demonstrada a existência de um prejuízo real e efetivo (e não meramente hipotético) ao Erário. E não poderia ser diferente, pois não houve, nem sequer em tese, qualquer prejuízo ao Fisco Federal em decorrência da falta de indicação do nome da Impugnante na DI, na qualidade de encomendante (caso se concluísse como correto o entendimento fiscal, o que se admite para argumentar). Não há que se cogitar, portanto, da quebra da cadeia do IPI, que teoricamente poderia consistir no principal prejuízo econômico decorrente da suposta ocultação da qualidade de encomendante da Impugnante (caso se pudesse admitir a acusação fiscal). De outro lado, é sabido que, muitas vezes a ocultação de um participante da operação de comércio exterior é justificada pela impossibilidade formal e material daquele participante preencher os requisitos impostos pela Receita Federal, especialmente a na habilitação no SISCOMEX (conhecida como RADAR IN 650/2006). No entanto, a Impugnante, como parte essencial de suas atividades sociais, realiza importações de grandes volumes de mercadorias. Está, portanto, regularmente habilitada para atuar no SISCOMEX, possuindo RADAR ativo (doc.08). Assim sendo, caso se entendesse que ela seria encomendante predeterminada das mercadorias importadas pela Clarion, não haveria qualquer impedimento ou desvantagem, do ponto de vista formal ou material, à sua identificação na Declaração de Importação. Vale dizer, isso seria indiferente para a Impugnante. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 13 12 Não se pode cogitar, portanto, de qualquer prejuízo real ao Erário, o que impede a aplicação da pena de perdimento (assim como a multa substitutiva), nos termos da jurisprudência do STJ e do CARF anteriormente citada. Diante desse quadro, verificase que, em sendo acolhida a linha de argumentação da Fiscalização quanto à caracterização de uma importação por encomenda, a falta de indicação da Impugnante na DI consubstanciaria, quando muito, uma FALHA MERAMENTE FORMAL, passível de multa no importe de 1% do valor da mercadoria, a teor do art. 711 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009). Requerimento de perícia. A impugnante apresenta os quesitos formulados, que deverão ser respondidos pelos Srs. Peritos, bem como indica, como seu assistente técnico, o Eng. Felipe Steyer (CREASP 5061726944), com endereço na Rua Sansão Alves dos Santos, 76, cj. 52, São Paulo/SP (tel. 55050666); bem como o Sr. João Carlos Castilho Garcia (CRC1SP169842/03), com endereço na Rua Madre Cabrini, 341, São Paulo/SP (tel. 50807500). QUESITOS PARA A PERÍCIA TÉCNICA • Esclareçam os Srs. Experts qual a atividade principal da empresa Clarion do Brasil Ltda., de acordo com a sua inscrição no CNAE; • Informem os Srs. Experts qual a relação da Clarion do Brasil com a empresa japonesa Clarion Co., Ltd.; • Informem os Srs. Peritos quem são os clientes da Clarion do Brasil e quais os tipos de produtos por ela fornecidos no país; • Informem os Srs. Experts se os produtos finais vendidos à Impugnante sofreram processo de industrialização no estabelecimento da Clarion, situado no país, de acordo com as definições do art. 4o, incisos II a IV, do Regulamento do IPI (Decreto n° 7.212/2010); Informem os Srs. Peritos, relativamente às mercadorias que integraram os produtos finais comercializados com a Impugnante, qual foi o tratamento tributário adotado por ocasião do desembaraço aduaneiro, com relação ao IPI, mais especificamente quanto ao disposto no art. 29, §§ 1o e 4o da Lei n° 10.637/2002. Conclusão e pedido. Por todo o exposto, ficou demonstrado que: A autuação é nula, por se basear, exclusivamente, em elementos extraídos de outro procedimento fiscal, da qual a Impugnante não fez parte. Ademais, a Impugnante não foi chamada a prestar qualquer esclarecimento quanto à matéria autuada, tendo sido intimada somente em momento posterior à própria aplicação da pena de perdimento e sem que fosse o processo administrativo instruído Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 14 13 com todos os elementos que a Fiscalização fez referência como determinantes para a lavratura do auto de infração; Não restou configurada, no caso concreto, a realização de operações de importação por encomenda, que, a teor da acusação fiscal, teriam sido ocultadas das autoridades aduaneiras, ensejando a multa substitutiva do perdimento. A Clarion do Brasil não se caracteriza como mera pessoa jurídica importadora, mas sim como a gestora dos negócios do seu grupo econômico no País, sendo, inclusive, empresa que exerce atividade de industrial. Além disso, o contrato celebrado entre as partes configura um típico acordo de fornecimento de produtos no mercado interno, destinados à linha de montagem da Impugnante (o que justifica a existência de rigorosas especificações técnicas e cronograma de entregas de acordo com as previsões de industrialização). Por fim, restou comprovado que todos os produtos finais adquiridos pela Impugnante sofreram processo de industrialização no estabelecimento da Clarion, sendo integrados, inclusive, por produtos de fabricação nacional, o que afasta a acusação de que teria havia mera importação seguida de revenda para a Impugnante, tornando insubsistente a multa. A aplicação da multa equivalente à pena de perdimento das mercadorias é medida desproporcional e irrazoável, na medida em que não há sequer acusação de dolo, não tendo havido, ainda, qualquer dano ao Erário, ficando descaracterizados, portanto, os elementos (dolo e dano) constitutivos do tipo infracional no qual se fundamenta a autuação. Diante de todo o exposto, requer a Impugnante seja cancelada a autuação, julgandose insubsistente o auto de infração lavrado, como medida de Direito. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 14/08/2012 (fls.160), o contribuinte CLARION DO BRASIL, protocolizou impugnação, tempestivamente em 132/09/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 520 à 564. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, o impugnante CLARION DO BRASIL alegou que: Em sede de Preliminar Da restrição ao direito de defesa A fiscalização realizada em face das autuadas foi assustadoramente simplista e genérica. É de difícil intelecção o auto de infração, no sentido de que a fiscalização não consegue vincular as hipóteses caracterizadoras da importação por encomenda ao caso em análise. Conforme podemos observar do auto de infração em comento, a fiscalização realizada em face das autuadas foi assustadoramente simplista e genérica. É de difícil intelecção o auto de infração, no sentido de que a fiscalização não consegue Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 15 14 vincular as hipóteses caracterizadoras da importação por encomenda ao caso em análise. A fiscalização, de forma extensa, discorre sobre a legislação aplicável ao caso, fazendo um histórico de como as alterações ocorreram, porém não aponta de forma precisa quais normas foram desrespeitadas. Como a fiscalização pode concluir que a importação é por encomenda, se a mesma, em momento algum confeccionou laudo para a constatação do processo de industrialização realizado nas mercadorias importadas? O trabalho fiscal foi pautado, exclusivamente, em contrato de fornecimento entre a Impugnante e as demais autuadas (Mitsubishi e Honda), não existindo produção de prova em relação ao processo produtivo realizado pela Clarion do Brasil antes da venda dos equipamentos às montadoras. A forma como a autoridade fiscalizadora conduziu o procedimento de fiscalização causa, sem sombra de dúvidas, prejuízo à Impugnante, eis que não houve respeito ao princípio do contraditório. A fiscalização não buscou entender como funciona a operação, bem como não efetuou diligência à sede da empresa e tampouco determinou que fosse confeccionado laudo técnico a fim de verificar o processo produtivo pelo qual os produtos importados são submetidos, fica cabalmente comprovado que a fiscalização preteriu o direito de defesa da Impugnante, razão pela qual deve o presente auto deve ser cancelado. Da Nulidade da Imputação do AIIM Genérico Conforme mencionado anteriormente, é de difícil intelecção o auto de infração, no sentido de que a fiscalização não consegue vincular as hipóteses caracterizadoras da importação por encomenda ao caso em análise. A Impugnante não deixa de reconhecer que a fiscalização dissertou sobre todas as hipóteses descritas acima, mas também reconhece que o auto de infração foi elaborado de maneira extremamente genérica, pois deixou de concluir o que a Impugnante efetivamente praticou. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. Em não havendo a subsunção do fato à norma, o presente auto de infração deve ser cancelado de plano. No Mérito. A Operação não configura “importação por encomenda” Na fundamentação do AIIM combatido, no item “3. Das Modalidades de Importação e outras Considerações", a Fiscalização tece considerações quanto às modalidades de importação, explicando existirem três modalidades de importação na legislação aduaneira do Brasil, que são (i) Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 16 15 importação direta, (ii) importação por conta e ordem de terceiro e (iii) importação para revenda a encomendante predeterminado. Em seguida, esclarece quais os elementos de cada modalidade, para ao final conceituar a operação realizada pela Impugnante como na modalidade (iii) importação para revenda a encomendante predeterminado. Inaugurando esse tópico é interessante colacionar o trecho da fundamentação fiscal que trata da "importação direta", uma vez que é essa a operação realizada pela Impugnante empresa brasileira controlada por grupo multinacional detentor da tecnologia dos equipamentos vendidos à Montadora. Os argumentos trazidos à presente peça impugnatória, demonstrados pela documentação acostada, comprovam à saciedade a alegação. Requisitos de importação direta e de importação por encomenda Como bem exposto na fundamentação do AIIM combatido, a importação chamada de direta é a modalidade ordinária, pela qual o particular age por conta própria, no que tange às questões comerciais, financeiras, logísticas e aduaneiras da operação. Por se tratar do "método convencional" não existe norma específica tratando dos requisitos próprios da "importação direta", motivo pelo qual nos socorremos da SOLUÇÃO DE CONSULTA n° 119, DE 30 DE ABRIL DE 2007, ato normativo expedido pela autoridade administrativa como norma complementar à lei. Como fartamente comprovado pela documentação acostada, a Impugnante pratica todos os atos de comércio internacional com independência, sendo a única responsável pela fase comercial, logística de transporte, desembaraço, pagamento de tributos, arcando com a contabilização e, ainda, realiza operação industrial nos bens que vende para a Montadora, não podendo de maneira alguma ser caracterizada a operação como importação por encomenda. Aclarando ainda mais essa questão, a Solução de Consulta n° 233 de 21 de Setembro de 2011 DISIT 8a. Região Fiscal demonstra outras situações em que há tratamento fiscal contrário para operações de "revenda" ou "industrialização" Pela leitura do texto da fundamentação do AIIM somos levados ao entendimento de que a Fiscalização Aduaneira entende que, mesmo no caso de haver importação de componentes para industrialização haveria a necessidade de tratamento da operação como importação por encomenda, quando o tipo exige que assim sejam tratadas apenas as importações de mercadorias para revenda para cliente predeterminado. Da Garantia à Mitsubishi Conforme já falado, tratase a Impugnante de produtora mundial e que no mercado nacional industrializa e comercializa seus produtos e não mera revendedora de produto importado como quer fazer entender o auto. Por este motivo, além da Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 17 16 comercialização também presta o serviço de garantia dos produtos inseridos na produção dos veículos da Mitsubishi. De acordo com o estabelecido pelo contrato havido entre as empresas (DOC 13), a Clarion presta garantia por todo e qualquer defeito de material empregado no produto, em prazo idêntico ao oferecido pela montadora aos seus consumidores, pelo prazo de 1, 2 ou 3 anos, dependendo do projeto, contados a partir da venda destes ao consumidor final. A Clarion industrializa os bens vendidos De acordo com o Art. 4º. do Regulamento do IPI, o Decreto 7.212/2010, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. Por seu turno, produto industrializado é aquele resultante de qualquer operação definida no como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária, nos termos do Art. 3o. RIPI. Temse como atividades de industrialização, as operações de transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento ou reacondicionamento; renovação ou recondicionamento. Cabe ressaltar que, para fins de ser reconhecida a operação de industrialização, o Regulamento é claro ao dispor que são irrelevantes o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Nesse sentido, citase o acórdão n° 1032031 de 09 de Junho de 2011, da RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM PORTO ALEGRE e o acórdão n° 1432375 de 01 de Fevereiro de 2011, da RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO. Disto se denota que qualquer que seja a operação aplicada ao produto, se o resultado lhe conferir uma das características reconhecidas no art. 4o. (qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo), será reconhecida como industrialização, seja um processo curto ou longo, parcial ou total. Descrição da operação praticada Conforme afirmado anteriormente, a CLARION DO BRASIL importa produto semiacabado do México e os submete a processo de industrialização. No Brasil exerce atividade de industrialização adicionando ao produto importado semiacabado, outras partes e peças e após produto acabado, os reembala para entrega ao cliente. Isto, nos moldes do art. 4º do Regulamento do IPI, se traduz como operação de beneficiamento, montagem e acondicionamento, Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 18 17 conforme se poderá verificar dos laudos técnicos dos produtos Clarion comercializados no Brasil, sob título: Laudo Técnico de Detalhamento de Operações de Industrialização, anexos no DOC 3. Para tanto, fornece o exemplo do produto CHICOTE PARA RADIO AUTOMOTIVO, CLARION 983080640B, referência do cliente CA541237, apresentando laudo e parecer conclusivo dos engenheiros peritos no seguinte sentido: "Concluímos que o equipamento denominado CHICOTE PARA RADIO AUTOMOTIVO, CLARION 983080640B, referência do cliente CA541237 sofre um processo de beneficiamento, montagem parcial e reacondicionamento onde estão envolvidas 45 operações diferentes, caracterizandose como modificação, aperfeiçoamento, montagem parcial, inspeção visual, inspeção geral de funcionamento e reembalagem, atendendo, portanto, os quesitos básicos de industrialização exigidos pelos incisos II, III e IV do Art. 4o. do Decreto 7.212 de 15 de junho de 2010 (RIPI/2010)." Corrobora com esse entendimento, o laudo elaborado pela Ernest & Young com foco nos critérios fiscais, que analisou a evolução do regulamento do IPI e seus conceitos, avaliando sua aplicabilidade ao processo produtivo em discussão, do que se denota do DOC 4. É importante mencionar que, além da MMCB, muitos outros clientes fazem parte do portfolio CLARION DO BRASIL, tais como: Marcopolo S/A; Cometa Comércio de Veículos Ltda; SAGA Amazônia Comércio de Veículos Ltda; Autobel Veículos Ltda, dentre outros, prova que se faz com o DOC 7. Exatamente por existir um processo de industrialização dos produtos comercializados no Brasil que a CLARION DO BRASIL cumpre com os requisitos para beneficiarse da suspensão do IPI nos termos do art 5o. da Lei 9.826/199, art. 29 da Lei 10.637/2002, e art. 6o. da IN SRF 296/03, com isso elabora suas Declarações de Importação com a referida suspensão. Assim, a Clarion faz constar em suas Declarações de Importação a seguinte observação: SOLICITA O IMPORTADOR A SUSPENSÃO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS CONFORME DISPOSTO NO ARTIGO 6º.DA IN. 296 DE 06/02/2003 D.O.U. 12/02/03. REGULAMENTAÇÃO DADA PELAS LEIS NR. 9.826, DE 23 DE AGOSTO DE 1999, NR. 10.485, DE 3 DE JULHO DE 2002, E NR. 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002, COM A REDACAO DADA PELA LEI NR. 10684, DE 30 DE MAIO DE 2003." Este benefício somente é aplicável às operações importação diretas por industrial, uma vez que já há decisões no sentido de Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 19 18 que não está habilitada a tal suspensão as operações por encomenda, na qual pretende enquadrar o Fisco com a lavratura do presente auto. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. Além disso, a CLARION, por se tratar de fabricante de autopeças, recolhe a título de PIS/PASEPImportação e COFINSImportação, as alíquotas de 2,30% e 10,20% respectivamente, que são superiores às alíquotas de 1,65% e 7,60% aplicáveis na importação pela montadora, fato que, juntamente à suspensão do IPI, se comprova com as Dls anexas em DOC 8. É evidente, portanto, que a empresa não realiza importação por encomenda, tampouco pretende realizar, pois todas as características de sua operação revelam o contrário, com carga tributária superior à que teria no caso da importação feita pela montadora (PIS/Cofins Importação é superior no caso da importação ser feita pela Impugnante, em face do que seria se a importação fosse feita pela montadora vide art. 85 da Lei 10.865/04). Interposição Fraudulenta X Encomenda X Recursos Ilícitos Apesar de pelo exposto já ter restado claro que a Impugnante não realiza importação por encomenda e não oculta o real adquirente da mercadoria, é importante ressaltar novamente que o auto de infração impugnado é demasiadamente genérico e evidencia que o trabalho fiscal não foi realizado com o devido zelo. Por mais de 10 páginas a fiscalização narra sobre as modalidades de importação e seus requisitos, fazendo, inclusive menção aos acontecimentos históricos que levaram a fiscalização a editar determinadas instruções normativas. De acordo com todo o contexto histórico inserido, as fraudes ocorridas sempre visaram a vantagens tributárias de forma ilícita ou até mesmo através de brechas na lei. Ocorre que não logrou êxito a autoridade em demonstrar qual seria a vantagem ocorrida no caso em tela com a suposta fraude (pelo demonstrado nessa peça no tópico da Industrialização, a importação pela Impugnante é tributada com PIS/Cofins à alíquota de 13,10%, enquanto a importação feita pela Montadora seria tributada com 9,25%, ou seja, a operação realizada da forma como é se torna mais vantajosa ao Erário). De forma genérica, negligenciando ao verdadeiro objetivo do auto de infração, qual seja a demonstração de conduta punível com penalidade, faz divagações de condutas rechaçadas pela fiscalização. Assim, embora seja difícil entender qual infração a Impugnante cometeu, forçoso interpretar que a fiscalização tenha tentado imputar a Impugnante pena por ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, infração capitulada como uma das espécies de interposição fraudulenta. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 20 19 Nessa senda, poderseia definir interposição fraudulenta de terceiros como todo ato em que uma pessoa física ou jurídica aparenta ser o responsável por uma operação de comércio exterior pela qual de fato não foi, tendo apenas tentado fazer parecer que seria o seu beneficiário, de modo a interporse entre a União (sujeito ativo) e o real sujeito passivo, com o objetivo central de ocultar este último da relação obrigacional tributária. A fiscalização não observou os artigos l° e 2° da Portaria MF 350/2006,, o trabalho fiscal foi pautado, exclusivamente, em contrato de fornecimento entre a Impugnante e as demais autuadas, não existindo produção de prova em relação a interposição fraudulenta. A fim de corroborar com esse entendimento, cita o ACÓRDÃO nº 1735127 de 23 de Setembro de 2009 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, onde consta os elementos de prova que podem e devem ser utilizados pela fiscalização antes de concluir com o procedimento fiscal. Demonstrado pelo auto de infração que a fiscalização não buscou entender como funciona a operação, bem como não efetuou diligência à sede da empresa e tampouco determinou que fossem apresentados documentos ou confeccionado laudo técnico a fim de verificar o processo produtivo pelo qual os produtos importados são submetidos, fica cabalmente comprovado que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar de forma documental que a operação realizada pela Impugnante é fraudulenta. Para demonstrar a capacidade econômica e financeira da Impugnante, comprovando que as operações realizadas no período da autuação foram custeadas com recursos próprios da mesma, junta os demonstrativos financeiros auditados por empresa de auditoria independente, com balanço patrimonial, demonstração de resultado, mutações do patrimônio liquido e demonstração dos fluxos de caixa, os contratos de empréstimos acompanhados dos respectivos contratos de câmbio, bem como das declarações de informação fiscal da pessoa jurídica DIPJ (DOC 10,11 e 12). Inaplicabilidade da pena de perdimento O que se reprime, através da aplicação da pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, que poderá se realizar, inclusive, pela interposição fraudulenta de terceiros. Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal. No procedimento da Impugnante, porém, não há qualquer objetivo fraudulento ou malicioso, a justificar o confisco dos equipamentos importados. No caso em tela, a fiscalização buscou tipificar o perdimento pela existência de dano ao erário configurado pela ocultação do Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 21 20 real comprador (responsável pela operação), mediante fraude ou simulação, porém o auto de infração é carente de provas que conduzam a conclusão da autoridade fiscal. Essa é a redação do art. 23, inciso V, c/c § lº do Dec.Lei 1.455. O conteúdo abaixo grifado, mediante fraude ou simulação, deixa evidente a necessidade do dolo na conduta do agente para haja a aplicação da pena de perdimento. A Ausência de dano ao Erário Ainda que se entendesse pela caracterização da ocultação do real adquirente das mercadorias, não há que se argumentar em dano ao erário como pretendeu fazer a fiscalização, eis que o trabalho fiscal não foi eficaz ao tentar demonstrar em suas alegações a suposta não declaração do real adquirente das mercadorias. A fiscalização não deixa claro os motivos que ensejam o suposto dano causado. O auto contempla meras suposições, tais como a quebra na cadeia do IPI, no entanto, é notório que não há quebra na cadeia, tanto que ambas as empresas importam as mercadorias com suspensão do citado imposto. Frisese, é necessária a existência de dano ao Erário para que se configure as penalidades impostas à Impugnante. Referida penalidade possui, unicamente, a função de restituir o que deveria ser de propriedade do poder público. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto. A fiscalização deveria demonstrar, de forma quantitativa, o dano ao Erário, de maneira a não restarem dúvidas no sentido de lesão aos cofres públicos em termos pecuniários, ocasionado pela ocultação do sujeito passivo. Ausência de fraude ou simulação Sabese que a fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, visa ocultarse da relação obrigacional tributária, ludibriar a ação fiscalizatória da RFB, deixar de recolher os tributos incidentes e proteger seu patrimônio de eventual execução Fiscal No comércio exterior a intenção dos simuladores é encoberta mediante disfarce, parecendo externamente negócio que não é espelhado pela vontade dos contraentes. A característica fundamental do negócio simulado é a divergência intencional entre a vontade e a declaração onde as partes desejam mera aparência do negócio e criam ilusão de existência. Para o caso em tela, o AFRFB, não logrou êxito em comprovar qual o fim objetivado pela Impugnante de tentar enganar a ação fiscalizatória da RFB, ocultar o real beneficiário da operação de Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 22 21 comércio exterior e suprimir ou não recolher os tributos devidos, com o fito de fraudar a legislação. Dessa forma, não há de se falar em fraude ou simulação, pois, diante da ausência de documentos que comprovem o dolo ou a intenção de se simular a operação, bem como da obrigatoriedade da Impugnante em recolher todos os tributos da operação, sem se beneficiar ou beneficiar terceiro, parece ilógico atribuir a prática de infração aduaneira por pífios indícios e presunções. Do ônus da prova da RFB Por muitos anos perdurou a crença de que o ônus da prova incumbiria ao contribuinte. No entanto, há alguns anos, a melhor doutrina se manifesta no sentido de que o ônus da prova no processo administrativo é da administração pública, inclusive, utilizando de forma subsidiárias as lições contidas no Código de Processo Civil Brasileiro, em especial o artigo 333. A fiscalização falhou por não acostar aos autos prova de que a Impugnante ocultou o real adquirente das mercadorias importadas. Assim, tendo em vista o precário trabalho fiscal, cabe ao julgador verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado pela fiscalização, afinal, no processo administrativo federal, o dever de provar cabe à autoridade pública que lavrou o auto de infração, sendo que a sua ausência no momento da lavratura, tecnicamente já contamina o trabalho fiscal. Da conversão do julgamento em diligência Primeiramente, não há que se falar em ocultação do real adquirente da mercadoria, afinal, a Impugnante é sociedade empresária limitada que tem por objetivo o comércio, a industrialização, montagem, inspeção, embalagem e serviço de assistência técnica de produtos eletrônicos para veículos automotivos. É empresa multinacional, que goza de prestígio mundial, sendo constantemente auditada a fim de cumprir à risca com todas as obrigações inerentes a sua atividade. Feito esse breve esclarecimento, conforme a natureza do auto, nem sempre a mera suposição ou até mesmo a prova documental são suficientes para imprimir certeza ou convicção quanto à verdade dos fatos aduzidos no trabalho fiscal. No presente caso, a Fiscalização autuou a Impugnante por entender que a mesma emprestou seu nome à montadora, de forma a ocultar o real adquirente das mercadorias importadas. Contudo, o trabalho fiscal não analisou detidamente a operação praticada pela Impugnante, sendo que o auto carece de elementos probatórios que constatem a alegada ocultação. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 23 22 A fiscalização não se deu ao trabalho de entender o processo produtivo da Impugnante, assim como não confeccionou laudo sobre o mesmo. Referida prova é necessária, eis que a Impugnante importa os equipamentos e os beneficia, derrubando a argumentação da fiscalização de que a Impugnante estaria fornecendo o seu nome à montadora para que a mesma pudesse operar no comércio exterior. Porém, devido a sanha arrecadatória da fiscalização, o trabalho fiscal optou não produzir a referida prova, o que, por óbvio, restringe o direito de defesa da Empresa. Conforme o art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72, "são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa". Dessa forma, V. Sa. poderá declarar a nulidade advinda da negativa aos princípios da ampla defesa ou do contraditório, já devidamente arguida preambularmente, com base no disposto no art. 59, inciso II, do mesmo Decreto 70.235/72 ou então, verificada a complexidade do processo produtivo da empresa, converter o julgamento em diligência, a fim de que seja realizada perícia técnica no produto. Nos termos do artigo 16 do Decreto 70.235/72, a Impugnante indica como assistentes periciais o Contador João Carlos Castilho Garcia, CRC 1SP169842/03, e o Engenheiro Felipe Steyer, CREASP 5061726944 e apresenta quesitos. • Descrever o processo produtivo da Impugnante Clarion do Brasil. • Responder se são realizados processos industriais pela Impugnante nas mercadorias objeto da autuação. • Descrever o processo de agregação física nas mercadorias objeto da autuação. • Com base no artigo 49 do Regulamento do IPI, há a caracterização da industrialização nas operações praticadas pela Clarion do Brasil? • Com base nos demonstrativos financeiros e contábeis é possível afirmar que a Clarion tem capacidade financeira para realizar a importação por conta própria? • Por fim, informa a Impugnante que, em havendo necessidade, poderá apresentar mais documentos que porventura estejam em seu alcance, demonstrando sua total boafé e interesse em colaboração com esta Administração Pública. Dos Pedidos Frente a todos os fatos e fundamentos contemplados na presente peça impugnatória, requer: Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 24 23 Que a presente impugnação seja remetida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente para o seu conhecimento; Que a presente impugnação, por cumprir os requisitos ao que se refere à tempestividade seja conhecida; Que seja autorizada a juntada posterior do laudo contábil que demonstra a realização da operação de industrialização, sendo que nessa Impugnação é juntada versão preliminar, com amostra de operações cursadas à época dos fatos colhidos nesse AIIM conforme DOC 5; Que, no caso de se entender necessária, seja feita a conversão do presente julgamento em diligência; Em sede PRELIMINAR, seja dado provimento à presente Impugnação para o fim de reconhecer a NULIDADE completa da autuação, ante o cerceamento de defesa pela ausência de produção de provas. No MÉRITO, seja dado provimento à presente Impugnação para fim de declarar a insubsistência do lançamento do crédito tributário, por todos os argumentos e documentos produzidos na presente Impugnação, procedendose às baixas nos respectivos arquivos e sistemas informatizados, determinandose, por fim, o arquivamento do presente processo. A 23ª Turma de Julgamento da Delegacia de São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1645.207, de 27 de março de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/09/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. Importação de produtos destinados à montadora, por meio de contrato. Estabelecimento de um programa de fornecimento contínuo de mercadorias. No momento da importação, já se conhece a quem se destina a carga, pois tratamse de produtos específicos para o encomendante, por força das cláusulas contratuais. O importador sequer pode vender seus produtos no mercado livremente, necessitando de autorização do encomendante para fazêlo. Configurada a aquisição de mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado importação por encomenda. A não observância de preceitos previstos na legislação, implica na prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros, irregularidade apenada com a pena de perdimento. Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 25 24 O fato dos produtos serem beneficiados, montados e recondicionados no mercado interno pelo importador não descaracteriza essa situação. Irresignados com a decisão da primeira instância administrativa, a MMC Automóveis do Brasil e a Clarion do Brasil interpuseram recursos voluntários ao CARF. Em brevíssima síntese, a MMC Automóveis do Brasil alegou em sua peça recursal que: A intimação do sujeito passivo para participar do processo de fiscalização sobre tema de seu interesse é fundamental para que se possam apresentar elementos tendentes a evitar a imposição de penalidade, em consonância com os princípios do contraditório e da ampla defesa. Ademais, a Lei n° 11.281/2006, cuja interpretação deve ser estrita, por força do princípio da reserva legal, só impõe a adoção do regime de encomenda quando alguém importe mercadorias a serem revendidas a terceiros no estado em que se encontrem, situação que reconhecidamente não ocorreu no caso. De fato, o que houve foi a aquisição pela Recorrente de produtos nacionais industrializados pela Clarion no País com a utilização de insumos nacionais e importados, o que não caracteriza importação de mercadoria estrangeira por encomenda de terceiro. Não houve, por outro lado, a comprovação de qualquer ato doloso no intuito de lesar o Erário que justificasse a imposição da pena de perdimento, mesmo porque a Recorrente possui registro no SISCOMEX, não obteve qualquer vantagem tributária e foram feitos todos os registros contábeis e fiscais da operação, possibilitando o amplo controle do Fisco. A recorrente Clarion do Brasil apresentou os seguintes fundamentos jurídicos e legais para requerer a reforma da decisão de primeira instância: a) Houve restrição ao direito de defesa; b) O auto e infração foi genérico, fato que acarreta sua nulidade; c) Não houve interposição fraudulenta de terceiros, eis que a importação praticada pela recorrente é a denominada “importação direta”, conforme declarado na DI; d) Os produtos revendidos a sociedade MMC Automóveis do Brasil passam por processo produtivo, motivo fundamental para descaracterizar a importação por encomenda; e) O que se reprime, através da aplicação da pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, que poderá se realizar, inclusive, pela interposição fraudulenta de terceiros. Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal. No procedimento da Recorrente, porém, não há qualquer objetivo fraudulento ou malicioso, a justificar o confisco dos equipamentos importados; f) Ainda que se entendesse pela caracterização da ocultação do real adquirente das mercadorias, não há que se argumentar em dano ao erário como pretendeu fazer a fiscalização, eis que o trabalho fiscal não foi eficaz ao tentar demonstrar em suas alegações a suposta não declaração Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 26 25 do real adquirente das mercadorias. A fiscalização não deixa claro os motivos que ensejam o suposto dano causado; É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, de sorte conheço do recurso e passo ao mérito. Preliminar As recorrentes alegam cerceamento do direito de defesa em virtude do auto de infração ser vago e não apresentar os fundamentos jurídicos e legais que o embasam. Entendo que tais alegações estão desprovidas de razão. Uma simples leitura na “Descrição dos fatos e enquadramento legal” demonstra os motivos determinantes que provocaram o ato administrativo, no caso, o auto de infração. Tanto é verdade que os recorrentes apresentaram seus recursos impugnação e recurso voluntário em longas peças, de forma ampla e baseados nos fundamentos jurídicos e legais utilizados no auto de infração. Fato suficiente para demonstrar que não houve o cerceamento do direito de defesa. Assim sendo afasto a preliminar de nulidade nos mesmos termos da instância a quo. Mérito A questão central da lide diz respeito a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas pela importadora Clarion do Brasil. Segundo a Autoridade Autuante e a instância a quo, a Clarion do Brasil efetuou importações sob encomenda da MMC Automóveis do Brasil e escondeu o real adquirente da mercadoria. Por outro lado, as sociedades em questão afirmam que não houve importação por encomenda e sim compra por encomenda, uma vez que os produtos importados seriam produtos semiacabados que foram industrializados pela Clarion do Brasil para em momento posterior vendêlos à MMC Automóveis do Brasil. Delimitada a lide, passo ao exame. Para tanto, farei uso da brilhante explicação sobre controle aduaneiro e interposição fraudulenta contida no Acórdão nº 3402 002.212, dessa Turma de Julgamento, cujo relator foi o conselheiro Winderley Morais Pereira. O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante, o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal determinava Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 27 26 a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro, o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio exterior e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A identificação de ilícitos nas operações ou a falta de comprovação da origem dos recursos implica na aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas por operações irregulares. Por força legal, considerase dano ao erário punível com a pena de perdimento das mercadorias, a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, conforme o art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. “ Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 28 27 comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas interposição fraudulenta. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados nas IN SRF nº 225/02 e 247/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Contudo, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 29 28 Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento nas situações em que for comprovada ou presumida a interposição fraudulenta, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632,320100.837 e 310200.792. Após essa verdadeira aula sobre o assunto, retornando aos autos, entendo que a lide diz respeito a questões de fato, a prova da prática pelo recorrente da infração prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. A acusação fiscal se baseou no fato de que os produtos importados pela CLARION para a MMC são fruto de encomenda, tendo em vista a existência de contratos de fornecimento de produtos, com programação realizada anteriormente as importações, para o abastecimento de peças. Além disso, os produtos destinados às montadoras são desenvolvidos especificamente para cada modelo de carro e são sempre vendidos para a sua montagem na linha de produção. Existe ainda cláusula específica no contrato de que os mesmos não podem ser vendidos a terceiros sem autorização da MMC. Por ter informado nas declarações de importação que as importações foram na modalidade direta e não por encomenda, a Autoridade Fiscal efetuou o lançamento da multa prevista no §3º, art. 23, do Decretolei nº 1.455/76. “ Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V – estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 30 29 Pelas provas acostadas aos autos, a CLARION importava produtos semi acabados para industrializálos e revendêlo à empresa MMC. Todas as importações já possuíam destino certo, ou seja, havia um encomendante predeterminado. Cravadas essas premissas, passo a análise dos cânones legais que sustentaram a autuação. O inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76 define que há dano ao erário quando há ocultação do real comprador mediante fraude ou simulação, incluindo neste caso a interposição fraudulenta. O parágrafo primeiro do artigo supracitado define a pena de perdimento para as infrações contidas no inciso V do mesmo artigo. E, por último, o parágrafo terceiro permite a aplicação da multa no valor aduaneiro da mercadoria para os casos em que não for possível aplicação da pena de perdimento. Ao executar a subsunção dos fundamentos jurídicos aos fundamentos legais, temos: A CLARION ocultou o real comprador das mercadorias por ela importadas, isto é fato. Mas isso apenas não basta, deve estar presente a fraude ou a simulação. O advogado Marcelo Barbosa Sacramone, em texto sobre a simulação no novo Código Civil, descreve a simulação no sistema jurídico: O termo simulação tem origem no latim simulatio, que significa fingimento, artifício. Na definição vernacular, simulação significa ato ou efeito de fingir o que não é; disfarce; fingimento. Juridicamente, podese definir simulação como a aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta. Quanto à sua natureza jurídica, as teorias que procuraram conceituar a simulação podem ser agrupadas em dois grupos principais: a teoria tradicional e a teoria objetiva. A primeira teoria, cujos postulados são dominantes tanto no Brasil quanto alhures, preconiza uma discordância entre a vontade real e a declaração; as partes convencionariam uma vontade real desejada, mas emitiriam uma declaração não conforme a esta, com o intuito de iludir terceiros. Nesta acepção se enquadra Beviláqua, para o qual há simulação "quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma, em que o agente faz entrar nas relações da vida. É um ato fictício, que encobre e disfarça uma declaração real da vontade, ou que simula a existência de uma declaração que se não fez. É uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado” No mesmo sentido se manifesta Ferrara determinando que "aquilo que é mais característico no negócio simulado é a Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 31 30 divergência intencional entre a vontade e a declaração. A vontade interna e a declaração externa estão conscientemente em oposição" . As partes emitem, em suma, de comum acordo, com o intuito de enganar terceiros, uma declaração divergente da vontade real. A teoria objetiva, sustentada mormente por Kohler, por outro lado, preconiza a existência, no fenômeno simulatório, de duas declarações que se anulam reciprocamente. Para esta teoria, é inconcebível apregoar a divergência entre a vontade real e a declaração. Segundo esta teoria, não há na simulação qualquer desarmonia entre a ação e a vontade; a suposta divergência aparente decorre da separação de somente uma parte do todo da declaração, parte que é levada a conhecimento de terceiros. Mas esta divergência não existe; o que existe são duas declarações, uma declaração e uma contradeclaração no mesmo negócio jurídico, as quais se anulariam reciprocamente. Para a teoria objetiva, sobre a mesma intenção, duas declarações são emitidas. Uma é destinada a terceiros, criando a aparência de determinado negócio jurídico e determinados efeitos típicos que este geraria; a outra fica na esfera exclusiva de conhecimento dos contratantes, regulando de maneira real os efeitos estabelecidos pelas partes . A despeito das particularidades de cada teoria depreendese que o pactuado entre as partes não é o que é manifestado perante terceiros, criando uma aparência de negócio que não se coaduna com a vontade real de produção de efeitos dos sujeitos. A regulação sobre o instituto concentrase assim em saber, tanto na relação com terceiros quanto entre as partes, qual dos elementos da simulação deve prevalecer, quais sejam a vontade ou a declaração aparente. Como podemos extrair do texto acima, a simulação tem a função de ocultar a realidade fática, dar aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público. As partes convencionam uma vontade real desejada, mas emitem uma declaração não conforme a esta, com o intuito de iludir terceiros para fingir a existência de um negócio diferente daquele que se aparenta. Entendo que houve simulação no caso em questão, pois a CLARION declarou as importações como se fossem para seu uso ou sem destinatário predeterminado, quando na verdade as importações foram por encomenda, uma vez que já havia comprador predeterminado dessas mercadorias. E a existência desse comprador, no caso a MMC, fica evidenciada pelas cláusulas contratuais, em especial, a que proíbe a venda dessas mercadorias a outras pessoas físicas ou jurídicas. CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – O FORNECEDOR não poderá vender o(s) PRODUTOS(S) a terceiros, nem mesmo consumidores finais ou distribuidores sem a prévia e expressa concordância da MMCB, tendo em vista a produção sob encomenda e as especificações do(s) PRODUTO(S). Na hipótese Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 32 31 de ser autorizada a venda a terceiros, se estabelecerá o preço mínimo do(s) PRODUTOS(S) para a comercialização. CLÁUSULA VIGÉSIMA SÉTIMA – Não poderá o FORNECEDOR negociar com outros fornecedores mesmo que indicados pela MMCB sem autorização por escrito desta. Pelas assertivas feitas, não é preciso muito esforço para deduzir que houve a ocultação do encomendante predeterminado com o uso de simulação. Assim, tenho convicção de que a regra contida no inciso V, do art. 23, do Decretolei nº 1455/76 encaixa como um sapato velho em um pé descalço nos fatos contidos nos autos, cabendo a pena de perdimento. Como no caso as mercadorias não foram encontradas, inviabilizando o perdimento, aplicouse a pena alternativa que é a multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias. Cumpre examinar, neste momento, se o fato de a mercadoria importada ter sofrido processo de industrialização desconfigura o tipo infracional apontado no auto de infração. Entendo que não, pois o caput do art. 23 menciona mercadorias, que pode ser matériaprima, produto intermediário e até mesmo o produto final. Se assim não fosse, como já foi dito pela primeira instância, o acondicionamento da mercadoria em embalagem seria o suficiente para afastar a imputação prevista no inciso V, do art. 23, do Decretolei nº 1455/76. Forte nestas poucas linhas, afasto a alegação dos recorrentes de que a industrialização é excludente da infração prevista no inciso V, do art. 23, do Decretolei nº 1.455/76. Por fim, cabe ressaltar que a MMC Automóveis do Brasil deve responder conjunta ou isoladamente com a CLARION do Brasil por força do art. 95, VI, do Decretolei nº 37/66. Art. 95. Respondem pela infração: (...) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006). Assim sendo, tenho a convicção de que as operações de importação discutidas nesta lide foram por encomenda. Ao meu sentir, ficou provado que a MMC Automóveis não pretendia configurar no pólo passivo das importações, provavelmente porque não queria arcar com os custos e as responsabilidades de ser o verdadeiro importador das mercadorias. Pela perspectiva apresentada nos autos, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância, uma vez que sua posição foi baseada nos fundamentos jurídicos e a racional subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 33 32 Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, 23/04/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator designado. Impetro vênia ao ínclito relator para divergir de seu brilhante voto e dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a multa alternativa da pena de perdimento por entender que foi aplicada na ausência dos pressupostos legais, conforme as razões que passo a expor. Como é curial o controle aduaneiro das importações e exportações, é uma decorrência lógica e direta do acúmulo de competências constitucionais privativamente deferidas à União, para legislar sobre comércio exterior e câmbio (art. 22, VII e VIII da CF/88), para fiscalizar as operações de câmbio (art. 21, VIII da CF/88), portos, aeroportos e fronteiras (art. 21, XXII da CF/88), bem como para tributar a importação, exportação e câmbio (art. 155, I, II e V da CF/88). A complexidade dos diversos fatores que envolvem o comércio internacional (econômicos interno e externo, tributário, fitosanitário, ambiental, industrial e etc.) e a conseqüente diversidade de órgãos estatais (Banco Central, diversos Ministérios, Secretarias, e etc.) atuando nas várias áreas específicas de competência envolvidas nas transações internacionais, obviamente dificulta a coerência interna do sistema e de coordenação entre os diversos órgãos de atuação, o que impõe não só a uniformização das regras, critérios e procedimentos de controle aduaneiro das importações e exportações, como a especificação da competência dos órgãos de regulamentação, controle, fiscalização da execução das referidas normas. No caso específico da importação o controle aduaneiro se exerce fundamentalmente sobre a pessoa do importador, previamente habilitado pela Secretaria da Receita Federal para exercer as atividades de importação (arts. 542 e 549 do RA/09), e incide sobre um campo de incidência complexo, compreensivo de uma série de atos consecutivos que se desdobram, desde a autorização, concedida pelo Governo Federal para a importação (Licença de Importação – LI; art. 550 do RA/09), passando pela entrada em território nacional e “conferência aduaneira” da mercadoria (art. 564 do RA/09), até a sua incorporação definitiva ao comércio ou ao consumo nacionais, que à final se dá com o “desembaraço aduaneiro” da mercadoria (art. 571 do RA/09), através do qual se efetua a entrega da mercadoria ao importador, expedindose Comprovante de Importação – CI, que é o documento comprobatório da regularidade da importação (art. 571, § 2º do RA/09; art. 76 da IN/SRF nº 206 de 25/09/02; art. 28 da IN/SRF nº 357 de 02/09/03; art. 66 da IN/SRFB nº 680/06), e habilita a mercadoria para a venda no mercado interno. Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 34 33 Por outro lado, no campo sancionatório, embora não se ignore que um mesmo fato pode, em tese, lesionar a interesses distintos, protegidos e sancionados por diferentes normas, formas e órgãos dos Poderes Públicos (Poderes Executivo e Judiciário), cujas esferas de responsabilização (civil, penal e administrativa) são, em tese, independentes (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 677585RS, em sessão de 06/12/05, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 13/02/06, p. 679), também não se pode olvidar que, inserindose num mesmo sistema jurídico, estas esferas de responsabilização devem obedecer a um mínimo de coerência e racionalidade na apreciação e qualificação dos fatos tributários e aduaneiros, não se admitindo antinomias, desproporcionalidade, excesso ou decisões contraditórias, entre os órgãos jurisdicionais e sancionadores do Estado, na aplicação dos princípios que informam as atividades tributária e aduaneira asseguradas na Constituição. A evidente afinidade estrutural e teleológica entre as sanções criminais e administrativas, e a aplicabilidade dos princípios informadores do Direito Penal ao Direito Administrativo, já foram ressaltadas tanto pela Doutrina (cf. Nelson Hungria in “Ilícito Administrativo e Ilícito Penal” publ. na RDA Seleção Histórica Ed. Renovar Ltda. 1991, págs. 15/21), como pela Jurisprudência (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 75730PE, em sessão de 03/06/1997, Rel. Min. HUMBERTO GOMES DE BARROS, publ. in DJU de 20/10/97 pág. 52.976) e, referindose à necessária correlação entre a infração e sanção tributária e a infração e sanção penal, Geraldo Ataliba lembra que o “direito penal é direito de superposição”, posto que “a lei penal reportase à lei tributária” e, portanto, “o intérprete e aplicador da lei penal não poderá dar por ocorrido o fato criminoso sem determinar com precisão e rigor a obrigação tributária, suas características e peculiaridades estruturais e funcionais, em suas perspectivas estáticas e dinâmicas”, pois “enquanto não delineada uma situação concreta, à luz do direito tributário, de modo a tornar inquestionáveis as circunstâncias de fato e sua qualificação legal, é impossível darse por configurado o crime fiscal” (cf. Geraldo Ataliba em Parecer intitulado “Denúncia Espontânea e Exclusão da Responsabilidade Penal” in RDT vol. 66/1729). Nessa ordem de idéias, o Princípio da Tipicidade Tributária exige, não só que as condutas tributáveis e as respectivas obrigações e sanções tributárias delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a tributabilidade e responsabilidade de uma conduta somente se dêem quando ocorra sua exata adequação ao tipo legal, sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN), não prevista expressamente na descrição da lei tributária especifica. Nesse sentido a Jurisprudência já assentou que “o princípio mor da legalidade exige tipicidade estrita em sede tributária”, de tal forma que “inocorrendo a hipótese de incidência, tal como prevista na lei, inexigível é a exação, e por isso mesmo, qualquer punição administrativa decorrente da obrigação tributária”, “restando vedada qualquer interpretação extensiva por força do artigo 111 do CTN” (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp 662.882RJ, Reg. nº 2004/00729225, em sessão de 06/12/2005, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 13/02/06 p. 672). Fixadas essas premissas necessárias ao deslinde da lide, no caso concreto verificase que a ora Recorrente foi acusada de ser a “real importadora oculta em parte das importações registradas pela empresa CLARION DO BRASIL LTDA” (CNPJ 03.697.329/000141), no período de 11/09/07 a 18/04/12, razão pela qual a d. Ficalização entendeu configuradas supostas infrações capituladas no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76 (com a redação dada pela Lei nº 10.637/02), considerando exigível da Recorrente a multa de 100% sobre o valor aduaneiro da mercadoria Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 35 34 (R$ 34.211.277,07), capitulada no art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76 (com a redação dada pelo art. 29 da Lei n° 10.637, de 2002, e pelo art. 41 da Lei nº 12.350, de 2010), com imputação de responsabilidade solidária (art. 95, inc. I do Decretolei nº 37/66) à importadora que promoveu o desembaraço das mercadorias importadas (CLARION), tudo com base nos referidos dispositivos legais cujo teor transcrevo: DECRETOLEI Nº 37, DE 18 DE NOVEMBRO DE 1966 “Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; (...) Art. 95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...)” DECRETOLEI Nº 1.455, DE 7 DE ABRIL DE 1976 “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...). § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.”(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Inicialmente ressaltese que já por se tratar de infrações conceituadas por lei como crimes, em cuja definição o dolo específico é elementar (arts. 334, § 3º e 299 do CP), a responsabilidade pelas infrações acusadas no Auto de Infração (art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66 e art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76) é imputável pessoal e individualmente a cada um dos agentes (art. 137 do CTN), aplicandose o princípio da personalidade ou intranscendência da sanção constitucionalmente assegurado (art. 5º, XLV da CF/88), que Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 36 35 impede que sanção eventualmente aplicada ao infrator ou devedor original se transmita ou se estenda a pessoas alheias à infração, e que foi sintetizado no adágio “nemo punitur pro alieno delicto”. Nesse sentido a Jurisprudência do E. STJ já assentou que “tratandose de infração tributária, a sujeição à sanção correspondente impõe, em muitos casos, o questionamento acerca do elemento subjetivo, em virtude das normas contidas no art. 137 do CTN, e da própria ressalva prevista no art. 136” razão pela qual “não se tem consagrada de nenhum modo em nosso Direito positivo a responsabilidade objetiva enquanto sujeição à sançãopenalidade” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 777.732/MG, Reg. nº 2005/01438993, em sessão de 05/08/08, Rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 20/08/08) sendo que “a pena de perdimento até por ser pena não pode abstrair o elemento subjetivo, nem desprezar a boafé” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp. nº 315.553/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, publ. in DJU de 12/11/01; cf. tb. EMENTÁRIO DO S.T.J., 15/21). Dos preceitos retro transcritos já de início verificase que para a configuração da infração descrita no primeiro dispositivo capitulado na peça acusatória (art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66), que autorizaria a aplicação da severa pena de perdimento ou da multa alternativa, a lei descreve uma conduta (desembaraçar mercadoria estrangeira cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a comprovação do pagamento em parte dos tributos aduaneiros em razão de artifício doloso, no caso não produzida no Auto de Infração, que se restringe à exigência de multa, sem qualquer exigência adicional de tributos aduaneiros. Nesse sentido a jurisprudência do E. STJ tem reiteradamente proclamado que “o crime de descaminho, por também possuir natureza tributária, eis que tutela, dentre outros bens jurídicos, o erário público”, “pressupõe a existência de um tributo que o agente logrou êxito em reduzir ou suprimir (iludir)” razão pela qual “depende, para sua caracterização, do lançamento definitivo do tributo devido pela autoridade administrativa” (cf. Ac. da 6ª Turma do STJ no HC 109205/PR, Reg. nº 2008/01362550, em sessão de 02/10/08, Rel., JANE SILVA DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/MG, publ. in DJU de 09/12/2008 e RT vol. 882 p. 569; cf. tb. Ac. da 6ª Turma do STJ no HC nº 48805/SP, Reg. nº 2005/01693509, em sessão de 26/06/07, Rel. Min. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, publ. in DJU de 19/11/07 p. 294). Da mesma forma a Jurisprudência Judicial tem reiteradamente ressaltado a imprescindibilidade da prova do dano ao erário, da dimensão e extensão do dano para a configuração da materialidade da infração que justifica a aplicação da severa pena de perdimento e sua conversão em multa, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MERCADORIA IMPORTADA. DANO AO ERÁRIO INEXISTENTE. PENA DE PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. 1. Ausente a comprovação do dano ao erário, devese flexibilizar a aplicação da pena de perda de mercadoria estrangeira prevista no art. 23 do DecretoLei n. 1.455/76. 2. Recurso especial improvido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 639252PR, Reg. nº 2004/00050800, em sessão de Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 37 36 21/11/2006, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, publ. in DJU de 06/02/07 p. 286) “ADMINISTRATIVO. PENA DE PERDIMENTO DE VEÍCULO. ENQUADRAMENTO COMO INGRESSO TRANSITÓRIO DE AUTOMÓVEL. INAPLICABILIDADE. 1. Não se aplica a pena de perdimento prevista nos arts. arts. 27 da Portaria DECEX n. 8/91 e 23, I, parágrafo único, do DecretoLei nº. 1.455/76 na hipótese em que o bem objeto de apreensão – veículo automotor cujo proprietário reside em outro país – ingressa no território brasileiro somente para trânsito temporário. 2. É requisito para a aplicação da pena de perdimento, a teor dos referidos dispositivos, a existência de mercadoria importada, assim como a ocorrência de atos que causem dano ao erário, circunstâncias ausentes no caso em apreço. 3. Recurso especial improvido.” (cf Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 507364/SC, em sessão de 05/12/06, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, publ. in DJU de, DJ 07/02/2007, p. 274) Assim, ante a falta de comprovação do efetivo dano ao erário consubstanciado no pagamento apenas parcial dos tributos aduaneiros em razão de artifício doloso, que constitui pressuposto para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 105, inc. XI do Decretolei nº 37/66. Relativamente ao segundo dispositivo capitulado na peça acusatória (art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76), que autorizaria a aplicação da pena de perdimento ou da multa alternativa, verificase que a lei descreve uma conduta (ocultar o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros desembaraçar mercadoria estrangeira cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso) cujo pressuposto é a comprovação da “ocultação” de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, “mediante fraude ou simulação”. Notese que como argutamente observou o Ilustre Cons. João Carlos Cassuli em voto magistral recentemente acolhido por esta C. Turma:“não basta a ‘ocultação pura e simples’, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76.” (cf. Acórdão nº 3402002.2275, da 2ª Turma da 4ª Câm. da 3ª Seção do CARF no Proc. nº 10983.721008/201292, em sessão de 28/01/2014, Rel. Cons. Des. João Carlos Cassuli). O conceito de fraude é fornecido pelo artigo 72, da Lei 4.502/64 que expressamente dispõe que: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 38 37 montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento.” No caso inocorre quaisquer das hipóteses mencionadas no dispositivo retrotranscrito, eis que inexiste no Auto de Infração excogitado qualquer comprovação de insuficiência no pagamento dos tributos aduaneiros e muito menos em razão de artifício doloso, vez que o referido lançamento se restringe exclusivamente à exigência de multa, sem qualquer exigência adicional de tributos aduaneiros. Da mesma forma não vislumbro a ocorrência de qualquer “ocultação” “mediante simulação” que tivesse por fim prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato relevante para o controle aduaneiro ou para a arrecadação tributária, que justificasse a aplicação da pretendida pena de perdimento. Realmente, com a devida vênia dos doutos entendimentos contrários, os fatos aduzidos pela Fiscalização – no sentido de que “os produtos importados pela CLARION DO BRASIL para a MMC” seriam “fruto de encomenda, tendo em vista a existência de programação, realizada anteriormente as importações, para o fornecimento de peças” e de que “mediante a análise dos contratos com as montadoras e das respostas apresentadas pela empresa, concluise que a CLARION DO BRASIL, mesmo sabendo que só poderia cumprir suas obrigações contratuais por meio da importação de empresas coligadas localizadas no exterior, optou por não registrar essas operações de importação como sendo por encomenda” – em nada alteraram ou prejudicaram o controle aduaneiro da mercadoria importada ou a sua tributação. Em primeiro lugar porque como esclarece a própria Fiscalização a CLARION internacional é uma sociedade comercial de grande porte, controlada por multinacional japonesa com presença mundial, fabricante de aparelhos automotivos de audio e vídeo enquanto a CLARION DO BRASIL representa a marca de som automotivo de mesmo nome, importando produtos produzidos principalmente pela fábrica do México e os revende não só para a Recorrente, mas para inúmeras outras grandes montadoras de automóveis, além de estabelecimentos atacadistas e varejistas de equipamentos de som, o que demonstra que a d. Fiscalização conhece e controla perfeitamente a procedência, o destino e a tributação das mercadorias importadas pela empresa brasileira (CLARION DO BRASIL), sendo ainda certo que o mero erro eventualmente cometido no documento aduaneiro, por si só não autoriza a aplicação da pena de perdimento, como tem proclamado a Jurisprudência do STJ e se pode ver da seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO EM PREMISSA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. MERCADORIA IMPORTADA. PENA DE PERDIMENTO. ACÓRDÃO ASSENTADO EM MATÉRIA FÁTICA. INOCORRÊNCIA DE MÁFÉ DO IMPORTADOR. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DOCUMENTOS ALFANDEGÁRIOS. ATO DE TERCEIRO. (...) 2. O Tribunal a quo, ao decidir a controvérsia, assentouse em premissa fáticoprobatória, no sentido de que, "O preenchimento incorreto dos documentos relacionados ao trânsito aduaneiro foi ocasionado por ato de terceiro, a comissária aduaneira, sem Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 39 38 qualquer participação ou responsabilidade da impetrante. O erro deuse de boafé, e sem o intuito de burlar a fiscalização" bem como, ao afirmar que "Não houve dano concreto ao erário, pois as mercadorias estavam em trânsito, destinadas ao mercado externo, não se apurando tributos devidos e não recolhidos.", motivo pelo qual seu reexame revelase insindicável no âmbito desta Corte Superior, em sede de recurso especial, ante o óbice da Súmula 07/STJ. 3. Agravo regimental desprovido.” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no Ag 809825/SP, Reg. nº 2006/01872842, em sessão de 09/10/07, Rel. Min. LUIZ FUX , publ. in DJ 08/11/2007 p. 171) Em segundo lugar, porque no caso específico dos autos onde a importação foi declarada como sendo por conta própria, quando no entender da Fiscalização, supostamente deveria ser declarada por encomenda , inexiste sequer razão para qualquer simulação ou ocultação da realidade fática retratada na operação de importação em tela, posto que os efeitos tributários e cambiais são os mesmos em ambas as modalidades de importação (conta própria e por encomenda), como já foi sobejamente demonstrado pelos ilustres Conselheiros desta Casa, Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, em artigo inserido no livro “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF”, quando asseveram que: “A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Notese que nessa modalidade de importação tradicional o importador deverá fechar o câmbio e proceder ao pagamento diretamente ao exportador, recolhendo os tributos com recursos próprios...” (...) A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendelas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2°, § 1°, da IN SRF n. 634/06). Assim, o importador deverá fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir a mercadoria junto ao exportador no exterior, providenciar sua nacionalização e a revender ao encomendante. Importante salientar que tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. (...) Ressaltese ainda que, diferentemente da importação por conta e ordem, no caso de importação por encomenda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 40 39 exclusivamente em nome do importador, conforme determina o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen).” (cf. Ângela Sartori e Luiz Roberto Domingo in “A tributação Aduaneira à luz do CARF”, Ed. MP, 2013, págs. 53 a 68) Em terceiro lugar, ainda quanto aos efeitos tributários da operação (se por conta própria ou por encomenda), também não haveria qualquer interesse relevante para fins de simulação, o fato de ter ocorrido ou não industrialização dos produtos pela importadora (CLARION), pois nos expressos termos da legislação de regência, o fato gerador do IPI ocorre, tanto no “desembaraço aduaneiro” de produto industrializado importado (arts. 46, inc. I e 51 inc. I do CTN, art. 2º, inc. I e §§ 2º e 3º da Lei nº 4.502 de 30/11/64), quanto na subseqüente saída do produto recém nacionalizado pelo respectivo estabelecimento importador (arts. 46, inc. II e 51 inc. II do CTN, art. 2º, inc. II da Lei nº 4.502 de 30/11/64) que, nesta última hipótese equiparase a estabelecimento produtor para fins de incidência do IPI na operação interna (art. 4º incs. I e II da Lei nº 4.502 de 30/11/64), assim como suas filiais que exerçam comércio de produtos importados, e portanto estão “obrigados ao pagamento do imposto”, como contribuintes originários “em relação aos produtos tributados que, real ou fictamente, saírem de seu estabelecimento” (art. 35, inc. I, alínea “a” da Lei nº 4.502 de 30/11/64), cuja “importância “a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período (cf. art. 25 da Lei nº 4.502 de 30/11/64). Assim, ante a falta de comprovação da “ocultação” “mediante fraude ou simulação”, de quaisquer dos intervenientes na importação ou exportação expressamente mencionados, que constitui pressuposto para a aplicação da pena de perdimento e da pretendida multa alternativa, também não há como fugir à conclusão de impossibilidade de aplicação da pena, por atipicidade da conduta da Recorrente em relação ao disposto no art. 23, inc. V do Decretolei 1.455/76. No que toca à suposta solidariedade passiva da CLARION DO BRASIL , entendo que com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decretolei nº 1455/76, aplicável na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratandose de dispositivos legais que tipificam uma única conduta – “acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior , evidenciase o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulala ou agravala sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator, pois como expressamente determina o art. 100 do Decretolei nº 37/66, “in verbis”: Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 41 40 “Art. 100 – Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido.” Não se inserindo em nenhuma das condutas tipificadas nas normas capituladas na peça acusatória, não há como manter as pretensões fiscais, pois como já assentou a Jurisprudência deste E. Conselho “a aplicação de penalidade depende da verificação suficiente e necessária do fato descrito como infracional, para que o ato a ele afrontoso permita a aplicação da penalidade cominada, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada” (cf. Ac. nº CSRF/0201.845 da 2ª Turma da CSRF, Rec. nº 202099209, Proc. nº 10907.000178/9562, em sessão de 11/04/2005, rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer), vez que “a responsabilidade pela introdução clandestina ou irregular no país de mercadoria de procedência estrangeira não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas, salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade (precedentes: Acórdãos nºs 20162.893/84 e 20200.517/85, entre outros). (...)” (Ac. nº 20166.430, de 04/07/90, da 1ª Câm. do 2º CC DOU de 08/06/95, pág. 8288), in casu incomprovada. Nessa ordem de idéias, vale lembrar ainda a preciosa lição ministrada pelo E. STJ na voz da E. Min. DENISE ARRUDA, quando ressalta que: “os atos da Administração Pública devem sempre pautarse por determinados princípios, dentre os quais está o da legalidade. Por esse princípio, todo e qualquer ato dos agentes administrativos deve estar em total conformidade com a lei e dentro dos limites por ela traçados. (...) A aplicação de sanções administrativas, decorrente do exercício do poder de polícia, somente se torna legítima quando o ato praticado pelo administrado estiver previamente definido pela lei como infração administrativa.(...). É descabida, assim, a aplicação de sanção administrativa à conduta que não está prevista como infração" (RMS 19.510/GO, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 3.8.2006).(...)”(cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RMS nº 21274GO, Reg. nº 2006/00076016, em sessão de 26/09/06, rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 16/10/06 p. 292) Isto posto, impetro vênia ao relator para divergir de seu brilhante voto e, em face das razões retro expostas votar no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida e cancelar a multa alternativa de perdimento porque aplicada na ausência dos pressupostos legais. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.724447/201230 Acórdão n.º 3402002.362 S3C4T2 Fl. 42 41 Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11543.004505/2004-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.092
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o
julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Contra o recorrente foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício 1999, anocalendário 1998, em virtude da apuração de omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, mantida sob interposta pessoa, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Foi exigido o tributo acrescido de multa de ofício qualificada (150%) O procedimento fiscal foi instaurado em decorrência de fatos constatados no procedimento fiscal do contribuinte Jacy Brandão Leite — CPF 049.599.30772, ambos detalhados no Termo de Verificação de Infração fls. 1.805 a 1.975, e sinteticamente relatados a seguir. Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.370 2 No ano de 2001, o contribuinte Jacy Brandão Leite foi incluído em programa de fiscalização, em razão de se ter constatado que o mesmo era titular de direito de contas bancárias cuja movimentação financeira — base CPMF atingiu o montante de R$ 3.310.721,14, durante o anocalendário 1998, ao passo que se declarou isento do imposto de renda do respectivo exercício. O primeiro procedimento de fiscalização sobre Jacy Brandão Leite iniciouse com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização n° 7500, de 30/03/2001, mediante o qual o contribuinte foi intimado a apresentar extratos de movimentação bancária e comprovar a origem dos recursos depositados. Em razão de liminar concedida em Mandado de Segurança interposto pelo fiscalizado, a mencionada ação fiscal foi interrompida. Somente em 07/03/2003, após o trânsito em julgado de sentença de mérito que denegou a segurança pleiteada, foi iniciado novo procedimento fiscal com a ciência do Termo de ReIntimação Fiscal às fls. 10/12, basicamente, nos termos da primeira intimação. As informações sobre a movimentação financeira de Jacy Brandão Leite foram inicialmente obtidas a partir do processo judicial n° 2001.50.01.0072172, decorrente de inquérito policial instaurado na Policia Federal paralelamente à interrupção do primeiro procedimento fiscal. Respaldada pela decisão da Juíza Federal da 2a Vara da Seção Judiciária do Espírito Santo, que deferiu a extensão do afastamento do sigilo bancário à Receita Federal, a fiscalização teve acesso aos autos do processo judicial e dele extraiu cópias de cheques, depósitos, depósitos eletrônicos e DOC encaminhados pelo Banco Bradesco àquele Juízo. A fiscalização, por considerar indispensável o exame completo das informações sobre as constas bancárias mantidas por Jacy Brandão Leite e tendo em vista a não apresentação dos extratos bancários pelo contribuinte, solicitou a emissão de Requisição de Movimentação Financeira — RMF (fls. 56/58), nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.274/2001. Foram então emitidas RMF ao Banco Rural S/A, Banco do Brasil S/A, Unibanco — Unido de Bancos Brasileiros S/A e ao Banco Bradesco S/A (fls. 59/70). Posteriormente, foram emitidas outras RMF para obtenção de informações complementares. De posse dos documentos obtidos das instituições financeiras e do processo judicial, a fiscalização efetuou diversas diligências de "circularização" com o objetivo de rastrear a movimentação bancária na contacorrente n° 574511/agência 04146 do Banco Bradesco, já que esta concentrava a quase totalidade da movimentação financeira do ano de 1998. Havia sido apurado que, apesar de Jacy Brandão Leite figurar como titular, a citada contacorrente fora aberta, por procuração, pelo contribuinte José Augusto Simão que detinha, ainda, autorização para movimentála juntamente com o seu irmão, Edmilson Firme Simão. Nas diligências foram intimados diversos beneficiários de cheques ou DOC sacados da aludida contacorrente, para que informassem e comprovassem as operações que deram origem aos pagamentos. Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.371 3 A partir dos resultados obtidos, a fiscalização considerou existir indícios de que o fiscalizado Jacy Brandão Leite era interposta pessoa do Sr. José Augusto Simão, ora recorrente, este sim o titular de fato da contacorrente. Somente em 10/08/2004, após ter sido iniciado procedimento fiscal em nome do interessado, é que Jacy Brandão Leite se pronunciou mediante Ofício às fls. 996/1018 com objetivo de atender aos itens da intimação de que foi cientificado em 07/03/2003. Assume a titularidade da contacorrente auditada e informa que os recursos nela creditados provêm em sua grande parte de serviço de intermediação de compra e venda de bovinos que prestava ao interessado e ao Sr. Edmilson Firme Simão Junior e também de sua atuação no segmento financeiro. Em 30/08/2004 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 225/2004 (fls. 1162/1187), no qual as autoridades fiscais apontaram as incoerências e lacunas nos esclarecimentos e informações até então fornecidos e intimaram Jacy Brandão Leite a demonstrar, individualizadamente, as operações que deram origem a cada crédito efetuado na contacorrente em foco, bem como comprovar que, por meio dela, recebia recursos dos compradores de bovinos e os repassava aos respectivos vendedores, nas alegadas operações em que atuou como intermediário. Em 06/10/2004, atendendo à mencionada intimação, Jacy Brandão Leite entrega novo Oficio (fls. 1235/1271) no qual reafirma ser o efetivo titular da referida contacorrente e responde aos questionamentos da fiscalização, apresentando documentos e argumentos que, no entanto, foram considerados insatisfatórios pela fiscalização para comprovar que de fato tinha relação direta e pessoal com a movimentação financeira. Diante dos elementos até então colhidos nas diligencias de "circularização" que indicavam fortes indícios de que Jacy Brandão Leite não era titular da conta bancária n° 57451, foi encerrado o procedimento fiscal sobre esse contribuinte, inaugurandose ação fiscal contra José Augusto Simão (ora recorrente). A ação fiscal teve inicio com a ciência, em 12/12/2003, do Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 407/409), por meio do qual o interessado foi cientificado da suposição de que o mesmo seria o titular de fato da mencionada contacorrente e instado a apresentar extratos de movimentação financeira, a informar e comprovar as origens dos créditos efetuados nas contas bancárias, bem como a prestar outras informações e apresentar documentos a respeito do imposto de renda pessoa física no anocalendário de 1998. A partir de então as diligências que antes eram efetuadas no procedimento fiscal de Jacy Brandão Leite passaram a ser efetuadas no procedimento fiscal do interessado. Em 09/02/2004 o interessado responde aos termos da intimação apresentando diversos documentos e alguns esclarecimentos, mas deixa, no entanto, de apresentar os extratos bancários solicitados. Em virtude disto e por reputar presentes hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º do Decreto n° 3.724/2001, a fiscalização, em 17/02/2004, solicita a expedição de Requisições de Movimentação Financeira RMF (fl.531/540) dirigidas ao Unibanco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco Bradesco e Banco Boavista, para obtenção dos dados cadastrais e de movimentação financeira em nome do interessado, bem Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.372 4 como os respectivos documentos que alicerçaram cada lançamento nas contascorrentes. Assim, foram emitidas as RMF de fls. 541/555. Em 02/07/2004 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 008 3/2004 (fls. 861/912). Nesse termo foram retratados os fatos que levaram à conclusão de que o recorrente era o titular de fato da conta bancária n° 57451 do Banco Bradesco, e Jacy Brandão Leite uma interposta pessoa. Na seqüência o recorrente foi intimado a contestar os elementos de prova que até então eram apresentados, ou a comprovar as origens dos recursos creditados na citada conta, assumindo sua titularidade sozinho ou em conjunto com terceiros. No Oficio entregue à fiscalização em 10/08/2004 (fls. 1099/1128), o recorrente alegou que Jacy Brandão Leite atuou como produtor criando alguns bovinos, além de intermediar compra e venda de animais para as fazendas de sua propriedade em condomínio com Edmilson Firme Simão Junior e demais irmãos bem como para outros produtores; em tais operações de intermediação Jacy Brandão Leite transacionava, na referida contacorrente, recursos que não lhe pertenciam, ficando tão somente com os rendimentos dessa mediação; no que diz respeito à movimentação financeira decorrente da comercialização de seus bovinos, diz que o que tem maior relevância é o fato de que todas as operações foram devidamente escrituradas em livro próprio e levadas à tributação na DIRPF, "mesmo que o recurso proveniente da operação não tenha circulado na conta corrente do contribuinte"; as notas fiscais de produtor rural relativas aos pagamentos efetivados em cheque ou DOC da conta bancária em foco foram escrituradas em Livro Caixa a título de despesas de aquisição de bovinos e o resultado da atividade levado a tributação na respectiva declaração do IRPF. Quanto á intimação para comprovar a origem dos recursos depositados, declarou não possuir legitimidade alegando que o responsável direto pelas informações solicitadas é o contribuinte Jacy Brandão Leite, por ser o titular da contacorrente auditada. Nas diligencias de "circularização" a fiscalização constatou que: a) com recursos procedentes da conta bancária em foco foram adquiridos bovinos destinados a fazendas que o interessado e seus irmãos possuíam em condomínio ou destinados à Frimavil Frigorifico e ao Matadouro Viana Ltda, onde os animais foram abatidos, e a carne respectiva remetida ao supermercado Carone e Cia Ltda, além de cheque dado em pagamento pelo referido supermercado, em razão desse tipo de operação foi depositado na aludida conta bancária; b) o abatedouro Frimavil Frigorifico e Matadouro Viana Ltda. era controlado pelo interessado; c) com recursos da citada conta bancária o interessado adquiriu bens incorporados ao patrimônio de sua pessoa física e serviços prestados a seus dependentes e a pessoas de suas relações próximas; d) a conta bancária em tela foi abastecida com recursos provenientes de vendas feitas de couro cru salgado, proveniente de bovinos saídos das fazendas de propriedade do interessado, Edmilson Firme Simão Junior e irmãos, vendas essas realizadas pelo abatedouro Frimavil; Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.373 5 e) o interessado e Edmilson Firme Simão Junior, utilizaram a referida contacorrente para movimentar recursos da factoring A.C.S. Fomento Mercantil Ltda., da qual eram os verdadeiros titulares, sob a interposta pessoa de Marcio Geraldo Mônico. Por considerar as respostas às intimações vagas, imprecisas, contrárias à realidade dos fatos e ainda por não estarem respaldadas por documentação hábil e idônea, a fiscalização firmou convencimento de que o interessado era o titular de fato da aludida conta bancária. Dessa forma, e por não ter o interessado comprovado a origem dos recursos nela depositados, foi efetuado o lançamento de oficio por omissão de rendimentos, com base no art.42 da Lei n° 9.430/96, observandose o § 6°, em razão de se tratar de conta conjunta em que o outro titular era o contribuinte Edmilson Firme Simão Junior. A fiscalização aplicou a multa de oficio de 150% por entender que o interessado, ao efetuar movimentação bancária em nome de terceiro, teve o propósito deliberado de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Em apenso aos autos, segue representação fiscal para fins penais, formalizada conforme previsto na Portaria SRF n.° 2.752/2001, apontando a ocorrência de fatos que, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária. A ciência do lançamento ocorreu em 20/12/2004 (fl. 1.996). Impugnação O contribuinte alegou, em síntese: a) irregularidade no procedimento fiscal (falta de prorrogação dos MPF e assinatura pelo Delegado da Receita Federal) e falta de motivação especifica para a prorrogação dos trabalhos fiscalizatórios; b) decadência em relação a todos os fatos geradores, conforme §4º do art. 150 do CTN; ainda que seja aplicada a regra do artigo 173, inciso I do CTN, o presente lançamento estaria fulminado pela decadência, uma vez que o termo a quo seria o dia 10 de janeiro de 1999, tendo como dies ad quem 31 dezembro de 2003; e) invalidade do lançamento por presunção equivocada de que uma das contas do contribuinte Jacy Brandão Leite pertencia de fato ao impugnante; inexistência de interposição fictícia ou fraudulenta de pessoa, uma vez que havia instrumento de procuração outorgando poderes aos mandatários; f) bis in idem, pois a materialidade ora tributada foi objeto de investida fiscal já encerrada que resultou na constituição de um crédito tributário em nome de Jacy Brandão Leite, amortizado mediante parcelamento; g) ilícita utilização de prova emprestada; h) a circularização realizada pelo fisco violou o direito ao sigilo bancário e à intimidade do contribuinte; i) inexistência de hipótese de indispensabilidade para que fosse solicitada a expedição de Requisições de Movimentação Financeira; Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.374 6 j) aplicação retroativa da lei 10.174/2001, contrariando jursirúdência deste Conselho; l) considerar ocorrido o fato gerador com base em depósitos bancários contraria o enunciado da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos e ementas do Conselho de Contribuintes; m) os recursos não poderiam ser considerados rendimentos, pois apenas passaram transitoriamente pela contacorrente, sendo, em sua grande parte, oriundos de operações de intermediações, que foram efetivamente escrituradas em livro caixa e cujos tributos foram devidamente recolhidos; m) não foram levadas em consideração pela fiscalização as planilhas que comprovariam a origem dos recursos utilizados na comercialização de bovinos, em que o Sr. Jacy Brandão Leite teria atuado como intermediário para os irmãos Simão e outros; e n) incabível a qualificação da multa por não ter sido comprovado o dolo ou intuito de fraude do agente. O órgão de primeira instância julgou o lançamento procedente, por meio de acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). NULIDADES DECORRENTES DO MPF. O MPF constituise em instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. No caso, sequer se confirmou a irregularidade alegada relativamente ao MPF. LANÇAMENTO BASEADO EM PROVA EMPRESTADA, ORIUNDA DE OUTRO PROCEDIMENTO FISCAL. Em se tratando de procedimento fiscal, não cabe suscitar violação do contraditório para invalidar provas emprestadas que valem, igualmente, como as provas originais. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. É incabível falarse em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse principio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.375 7 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERTENCENTES A TERCEMOS. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964 Lançamento Procedente O recorrente tomou ciência do acórdão em 10/05/2006 e interpôs recurso voluntário em 05/06/2006. A peça recursal, com mais de cem laudas, contém, em síntese, os seguintes argumentos: 1. vícios formais no auto de infração que o tornam ilegal: ação fiscal não concluída no prazo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal, não houve ato legal de prorrogação da Ação Fiscal MPFComplementar assinado pelo Delegado da Receita Federal – nem a ciência ao contribuinte (nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72); a juntada de documentos fornecidos pelas instituições financeiras ocorreu quando já havia vencido o prazo do MPF; implicando nulidade do procedimento e da prova colhida; não foram indicados motivos que justificassem o prosseguimento da ação fiscal; 2. decadência, pois a ciência do lançamento ocorreu após mais de 5 anos da ocorrência de todos os fatos geradores, apontando acórdãos desse Conselho e lições doutrinárias, alegando que o acórdão recorrido negou aplicação ao §4º do art. 150 do CTN ilegal quebra do sigilo fiscal do recorrente; 3. ilegal utilização de provas emprestadas de inquérito policial e de procedimentos fiscal; 4. indevidas presunções fiscais que levaram a fiscalização a concluir que uma das contas (a de nº 574511 no Banco Bradesco) do Sr. Jacy Brandão Leite, então fiscalizado, pertencia de fato ao recorrente, com isso a fiscalização passou a fiscalizar o recorrente; 5. notório bis in idem, entre outras diversas ilegalidades, caracterizada pela ilegal refiscalização, alega estar claro que as movimentações financeiras da conta 57.4511 no Banco Bradesco, já foram objeto de fiscalização e tributação, razão pela qual a nova autuação caracteriza bis in idem, pois a União pretende tributar acréscimo patrimonial já tributado em outra ação fiscal, frisando que o crédito apurado na fiscalização do contribuinte Jacy Brandão Leite foi devidamente parcelado e está sendo quitado em dia; 6. ilegitimidade do recorrente para figurar como sujeito passivo pois houve presunção ilegal de que é o titular de fato da contacorrente de Jacy Brandão Leite que é seu parente, inexistindo renda que tenha integrado o patrimônio do recorrente; 7. ad argumentandum, a materialidade ora discutida já foi objeto de outra investida fiscal na qual foi constituído crédito tributário de R$643.999,15, como se extrai do Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.376 8 Termo de Verificação (fls. 4/170) e do Anexo I do auto de infração; crédito tributário que é objeto de parcelamento; 8. ilicitude da prova emprestada de outro procedimento administrativo no qual o recorrente não participou ; 9. violação do direito ao sigilo bancário e à intimidade do recorrente, à privacidade, à honra e à imagem do recorrente, pois a fiscalização intimou várias pessoas físicas e jurídicas para prestarem esclarecimentos sobre o recorrente, causando grande constrangimento ao mesmo; 10. ilegalidade da Requisição de Movimentação Financeira RMF, a uma por inconstitucionalidade, a duas porque o recorrente não estava incluído em qualquer das hipóteses previstas no Decreto 3.724/2001; 11. a motivação para expedição da RMF foi embaraço à fiscalização, porém as informações e documentos solicitados ao contribuinte estavam sendo disponibilizados à fiscalização (vide itens 51.3 e 5.1.4 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 141/170), não é razoável afirmar que por demora das instituições financeiras se impute ao recorrente a conduta de embaraçar a fiscalização; 12. irretroatividade da Lei 10.174/2001, mencionando acórdãos desse Conselho e decisão judicial em Apelação em Mandado de Segurança julgado pelo TRF da 4ª Região; 13. inexistência de interposição fraudulenta de pessoa; o Sr. Jacy Brandão Leite não era interposta pessoa do recorrente e do Sr. Edmilson Firme Simão; não houve a ocultação dolosa de uma das partes, pois havia instrumento procuratório outorgando poderes aos mandatários; os AuditoresFiscais ignoraram as afirmações e informações prestadas pelo Sr. Jacy Brandão Leite, as quais comprovam que ele era, de fato e de direito, o efetivo titular da conta corrente em questão; o próprio acórdão recorrido reconhece que não há provas da interposição fraudulenta depósitos bancários não constituem renda, como reconhece jurisprudência desse Conselho e Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, sendo necessário comprovar a utilização dos valores como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza; 14. tais recursos não se incorporaram ao patrimônio do recorrente, primeiro por que a conta bancária é de outro contribuinte, segundo porque, na hipótese de se entender que o recorrente era supostamente titular de fato da conta, devese reconhecer que parte dos recursos que nela transitavam referemse a intermediações, cujos tributos correspondentes foram devidamente recolhidos, conforme planilha apresentada em face de impugnação, a qual não foi levada em conta pela fiscalização, apesar de demonstrar que os recursos decorreram da comercialização de bovinos em que o Sr. Jacy Brandão Leite atuou como intermediário para os irmãos Simão e outros, conforme escriturado em Livro Caixa retido pela Fiscalização; 15. a multa é confiscatória; 16. não foi comprovada a existência de fraude ou dolo, de forma que não é cabível a aplicação da multa qualificada, mencionando lições doutrinárias, acórdãos desse Conselho e decisões judiciais. Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.377 9 O presente processo foi distribuído para julgamento de recurso voluntário em que uma das matérias a ser decidida é a licitude da prova obtida com utilização de informações bancárias obtidas pela Secretaria da Receita Federal diretamente às Instituições Financeiras. Em razão de o Supremo Tribunal Federal ter admitido a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, cujo mérito será julgado no Recuso Extraordinário 601314, ainda pendente de julgamento, primeiramente houve o sobrestamento do julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010. Posteriormente, foi editada a Portaria CARF nº 01/2012, na qual foram estabelecidos procedimentos acerca de sobrestamento de julgamentos no CARF, razão pela qual o processo foi incluído em pauta de julgamento para deliberação pelo Colegiado. Relatado, passa a deliberar. O valor do crédito tributário em litígio (tributo e multa ) está dentro do limite de competência dessa Turma Especial. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A solução do litígio exige que se enfrente a discussão acerca do acesso da Receita Federal à informações financeira por meio de Requisição de Movimentação Financeira – RMF. Não se desconhece a decisão proferida no RE389.808/PR, em sistema de controle difuso de constitucionalidade, porém se trata de matéria submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do CPC, com repercussão geral admitida, porém ainda pendente de julgamento, cujo recurso paradigma é o de nº 601.314. Como já se manifestou esta Turma de Julgamento, por meio de resoluções aprovadas por unanimidade, a medida cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, tal como exemplificado pelas transcrições abaixo. DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.378 10 (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) (grifos acrescidos) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) (grifo acrescido) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Error! Reference source not found. n.º 2802000.092 S2TE02 Fl. 2.379 11 Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos) Concluo, suscitando o sobrestamento do julgamento, nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.906523/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 28/12/2000
IPI. BASE DE CALCULO. INCLUSÃO DO ICMS.
O ICMS compõe o valor da operaço de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste.
Recurso Volunta´rio Negado.
Numero da decisão: 3302-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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BASE DE CALCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS compõe o valor da operaço de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 65 23 /2 00 9- 37 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Juiz de Fora: Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 50 [emitido eletronicamente pelo SCC] que não homologou a DCOMP nº 08877.65131.121005.1.3.040470 transmitida pelo contribuinte retro identificado, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 272.019,60 [IPI, PA 09/2005, venc. 14/10/2005, valor R$ 122.019,60, e, Cofins, PA 09/2005, venc. 14/10/2005, valor R$ 150.000,00], tendo por lastro crédito originário de Pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 20/12/2000, de valor original igual a R$ 243.606,78, que corrigido pela selic acumulada informada na DCOMP resulta no crédito atualizado de R$ 445.970,93. Restou saldo de crédito original da ordem de R$ 95.019,03. Tudo isso cf. fls. 54/58. A motivação da nãohomologação foi a constatação da inexistência do crédito informado em razão da utilização integral do pagamento para quitação de débitos do contribuinte [IPI, PA 20/12/2000, valor R$ 243.606,78], não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação da compensação, em 27/04/2010 (fl. 53), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 14/05/2010 (fl. 02), por meio do arrazoado de fls. 02/21, alegando, em síntese: => em preliminar, a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que os dispositivos legais indicados no despacho decisório [arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96] “em nada se relacionam com um possível Fundamento Legal, que deveria constituir o Despacho Decisório, a fim de evidenciar as justificativas e fundamentos de tal Ato Administrativo, a fim de ensejar elementos básicos para constituição da presente Manifestação de Inconformidade”; e, ainda, de que “não há narrativa lógica entre os fatos e o enquadramento legal utilizado pela Autoridade Fiscal, o que impossibilita a defesa atacar o fato concreto”; => no mérito, sob o título “Crédito Utilizado nos PER/DCOMPs – Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do IPI, PIS e da Cofins”, desenvolve longo arrazoado acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento [estas, sim, base de cálculo do PIS e da Cofins] segundo seus conceitos jurídicos, reproduzindo extensos excertos de doutrina e jurisprudência acerca do tema; => finaliza o tópico retro mencionado nos seguintes termos: “Tal entendimento, como facilmente demonstra o julgado, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.906523/200937 Acórdão n.º 3303002.535 S3C3T3 Fl. 115 3 deverá ser extensivo para a exclusão do ICMS da base de cálculo de todos os Tributos Federais”; => pede, ao final, seja acolhida a preliminar invocada e, no mérito, seja dado provimento à manifestação de inconformidade e homologada a compensação e, caso entenda necessário, seja convertido o julgamento em diligência para a realização de prova contábil para que sejam constatados e confirmados os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tributos Federais. Na sequência encontramse anexadas às fls. 22/41 dos autos longo arrazoado no qual a defendente discorre acerca do princípio da nãocumulatividade e da base de cálculo do ICMS, concluindo que “todos os tributos cujo valor tributável tem como base de cálculo o faturamento, trazem consigo o valor do ICMS incluído em sua própria base de cálculo, caracterizando, portanto, flagrante BITRIBUTAÇÃO”. Nestes termos, vieram os autos a esta DRJ para julgamento. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 28/12/2000 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço de venda], nele já está inserido, de modo que a expressão "valor da operação" deve ser compreendida com a sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido MG JUIZ DE FORA DR Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde, após longo arrazoado sobre a não cumulatividade e a base de calculo do PIS e da COFINS, pugna pela exsclusão do ICMS da base de calculo do IPI. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, trata o presente processo de pedido de restituição de IPI, por conta da indevida inclusão do ICMS na base de calculo do imposto sobre produtos industrializados. O Recorrente já teve inúmeros outros processos identicos ao presente julgados pelo CARF, sendo pertinente a trasncrição do voto exarado pelo Conselheito Paulo Sérgio Celani (Processo nº 15374.914749/200910) ao qual faço remissão como razão de decidir: No Sistema Tributário Nacional, cada tributo possui suá própria regra de incidência, à luz da qual se deve verificar se determinado valor integra sua base de cálculo. Sobre o IPI, o CTN dispõe: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaracão aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...); II no caso do inciso II do artigo anterior: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.906523/200937 Acórdão n.º 3303002.535 S3C3T3 Fl. 116 5 a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; A Lei no 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI, diz: “Art . 13. O imposto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sobre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei no 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei no 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei no 7.798, de 1989) A Lei Complementar no 87, de 13/09/1996, que dispõe sobre o ICMS, diz: “Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; (...) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; (...) § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; No julgamento do RE no 582.461/SP, em 18/05/2011, o Plenário do STF decidiu, em regime de repercussão geral, que o montante de ICMS deve ser incluído na própria base de caĺculo, pois integra o valor da operação. Transcrevo parte da ementa que interessa: 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/88, c/c arts.2o, I, e 8o, I, da LC 87/96), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação.” Uma vez que o ICMS faz parte do valor da operação, integra a base de A jurisprudência do STJ corrobora esta conclusão, conforme decisão abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. No 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.No 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. Alegações sobre a nãoincidência de outros tributos sobre o ICMS não se aplicam à incidência do IPI. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 13884.900346/2009-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 46 /2 00 9- 08 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração março de 2001, no valor original de R$ 6.253, 27, com débitos de PIS/PASEP que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900346/200908 Acórdão n.º 3803005.694 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900346/200908 Acórdão n.º 3803005.694 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900346/200908 Acórdão n.º 3803005.694 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10880.720854/2006-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 07/12/1979 a 01/04/1981
IPI. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Compete à Terceira Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo à compensação de crédito relativo ao IPI.
Numero da decisão: 1103-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Terceira Seção de Julgamento deste Conselho.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), André Mendes de Moura (Relator), Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcelo Baeta Ippolito.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ALIPERTI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 07/12/1979 a 01/04/1981 IPI. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Compete à Terceira Seção de Julgamento a competência para julgamento de recurso relativo à compensação de crédito relativo ao IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Terceira Seção de Julgamento deste Conselho. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), André Mendes de Moura (Relator), Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira e Marcelo Baeta Ippolito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 08 54 /2 00 6- 03 Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/200603 Acórdão n.º 1103000.910 S1C1T3 Fl. 3.817 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 14033.542/2011 (fls. 3545/3550), da 8ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP. Os fatos estão assim descritos na decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação das declarações de compensação As fl. 007/356, por meio dos quais o contribuinte pretende ter compensado o crédito total no valor de R$5.669.844,39, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em decisão judicial transitada em julgado que deu provimento A apelação da contribuinte para reconhecer o direito ao creditamento do IPI nas exportações ("crédito prêmio"), concedido pelo DecretoLei n° 491, de 05 de março de 1969, no período de 07/12/1979 a 01/04/1981, durante o qual o beneficio teria sido indevidamente suspenso pela Portaria Ministerial n° 960, de 07 de dezembro de 1979, editada com fulcro no DecretoLei n°1.724, de 07 de dezembro de 1979, suspensão essa considerada inconstitucional na jurisprudência dominante. A referida decisão judicial consiste no Acórdão do TRF da 3ª Região, proferido em 20/10/1999, no curso do processo n° 89.03.0317394, transitado em julgado em 02/09/2002. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, em 22/06/2010, mediante Despacho Decisório de fls. 3210/3213, no qual a autoridade competente indeferiu o pedido, com base em relatório elaborado pela fiscalização em virtude de não terem sido apresentados os documentos necessários à apreciação do pedido. A DRJ/Ribeirão Preto manifestouse no seguinte sentido: Homologação tácita das compensações De pronto, verificase que os pedidos de compensação em exame não foram objeto de nenhuma restrição quanto à sua regularidade formal no Despacho Decisório e foram formalizados entre 28/10/2003 e 28/02/2005. (...) No caso concreto, o despacho decisório, de 22/06/2010, foi cientificado à interessada em 19/07/2010 (f1. 3218 verso). No entanto, conforme o dispositivo legal exposto, os pedidos de compensação tiveram as respectivas homologações tácitas entre 28/10/2008 e 28/02/2010. Logo, na ocasião da ciência do Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/200603 Acórdão n.º 1103000.910 S1C1T3 Fl. 3.818 3 despacho decisório, todas as compensações já se encontravam tacitamente homologadas. Portanto, há que se reconhecer a homologação tácita de todas as compensações. Quantificação do crédito Considerando que não há pedido de ressarcimento associado ao presente processo, seu objeto restringese à verificação da procedência das compensações pleiteadas. Assim, a quantificação do créditoprêmio de IPI reconhecido pela decisão judicial só seria necessária como instrumento para a verificação da procedência dessas compensações; em conseqüência, com a homologação tácita das compensações, essa quantificação perde seu objeto. Cabe ressaltar que uma eventual análise da quantificação dependeria da devida comprovação pela contribuinte dos valores envolvidos e o indeferimento pela unidade de origem aponta exatamente a insuficiência da documentação apresentada em resposta às intimações realizadas. Diante de todo o exposto, a quantificação do crédito e as questões atinentes à sua comprovação não serão aqui adentradas, restando prejudicadas pela homologação tácita reconhecida. Declaração de compensação apresentada em papel Por último, observase nos autos a existência de Declaração de Compensação, referente ao crédito de que trata o presente processo, apresentada em meio papel (fl. 3208) e entregue em 18/02/2010, na qual está anotado pelo servidor que a recepcionou que somente foi recebida por insistência da contribuinte, que sustentou que o formulário utilizado seria o meio apropriado (Anexo VII da IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008). Não assiste razão à contribuinte na entrega de Declaração de Compensação em meio papel sem justificativa para tanto (...) Em face do exposto, a referida declaração entregue em papel não será considerada no presente voto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por considerar procedente a manifestação de inconformidade para aplicar o disposto no parágrafo 5°, do artigo 74, da Lei n° 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003, às compensações declaradas às fls. 007/356, devendo a contribuinte manter em sua escrita fiscal o estorno do crédito correspondente. (grifos originais) Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/200603 Acórdão n.º 1103000.910 S1C1T3 Fl. 3.819 4 Assim, o colegiado julgou procedente a manifestação de inconformidade, por unanimidade, sem, contudo, adentrar na quantificação do crédito e nas questões atinentes à sua comprovação. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou petição de fls. 3559/3569, e documentos probatórios (dentre os quais o “Parecer Técnico Contábil Extrajudicial e Memorial de Cálculos”), no qual fez os pedidos nos seguintes termos: Face ao exposto, contatamos inexatidão material na decisão, que podem ser detectadas na simples leitura do Acórdão, tendo em vista que está relatado o cumprimento das obrigações acessórias e na conclusão do julgado tal fato não está sendo considerado em detrimento ao direito liquido e certo da requerente, reconhecido pelo Poder Judiciário, razão esta que dá o bom direito ao presente requerimento a vista do art. 32 combinado com os Arts. 29 e 30 do Decreto 70.235/72, para ser requerido o quanto segue: 1 seja confirmado o direito da requerente ao crédito reconhecido judicialmente, tendo em vista a Inicial de 06/09/85 e o Acórdão exarado pela 6ª. Turma do TRF da 3ª. Região, documentos estes já acostados aos autos; 2 seja deferido, o montante de R$ 830.272.305,15 (oitocentos e trinta milhões, duzentos e setenta e dois mil, trezentos e cinco Reais e quinze centavos) apurado, na planilha elaborada por Perito Contábil, devidamente atualizada, a qual está respaldada nas informações fornecidas pela CACEX, com base na legislação federal, Decreto 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro) e a IN/SRF 28 de 27/04/94. Os cálculos foram realizados conforme determinação do Manual de Cálculo do CNJ e o Parecer nº 01 da AGU/MF de 1996, anexo. 3 seja reconhecido que os documentos acostados aos autos são suficientes para a quantificação do crédito, conforme consta no relatório do R. Acórdão ora questionado. 4 seja deferida a apresentação do Formulário de "Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado", bem como qualquer outro que a D.Autoridade Julgadora deste Colegiado entender ser necessário para cumprimento da decisão judicial transitada em julgado; e / ou, no mínimo, por economia processual, 5 seja ressarcido o montante apurado e deferido. N. termos e informando que o recebimento e procedência do presente requerimento irá confirmar o direito liquido e certo de um montante, fato este determinado por Decisão Judicial transitada em julgado, caso contrário, este Colegiado estará faltando com o respeito ao Poder Judiciário e sujeito as penalidades cabíveis pela não obediência a uma determinação judicial. Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/200603 Acórdão n.º 1103000.910 S1C1T3 Fl. 3.820 5 A DRJ/Ribeirão Preto recebeu a petição como embargos, e no Despacho de fls. 3740/3743, rejeitou o requerimento do contribuinte, no qual merecem destaque os seguintes fragmentos da decisão: Entendo que, a rigor, o Acórdão reportado não padece de inexatidão material ou erros de escrita e de cálculo, a demandar a sua revisão em face do que estatui o comando legal já transcrito. Cabe ressaltar que o processo se refere especificamente a um conjunto ("família") de Declarações de Compensação, nas quais o crédito de origem é informado como oriundo do processo judicial n° 89030317394 da 6ª Vara — SP, transitado em julgado em 02/09/2002, com valor inicial disponível de R$ 8.502.738,35. Não há nenhum pedido de ressarcimento no processo (PER), pois todos os documentos estão preenchidos no campo "Tipo de Documento" com a informação: "Declaração de Compensação". Como todas as compensações devidamente formalizadas' 'foram tacitamente homologadas, esgotando parcialmente o valor indicado como crédito nos documentos, e não havendo pedido acerca de eventual crédito ,excedente ao valor total compensado, não há razão para a apreciação do "quantum" de crédito do contribuinte. A verificação, portanto, somente se deu em respeito as compensações e não em relação ao valor total do crédito judicial que o contribuinte ora alega em seu favor. Quanto a alegação de que o pedido de ressarcimento foi efetuado quando da habilitação do crédito, nada no processo indica tal fato. A empresa não apresentou tal documento e inexiste nos sistemas da Receita Federal (Sief) qualquer pedido de ressarcimento em nome do contribuinte. Ademais, o processo de habilitação de crédito judicial não é instrumento hábil para se apresentar pedido de ressarcimento ou para se apurar crédito deferido judicialmente. De qualquer forma, não constava dos autos tais informações, motivo pelo que o Acórdão não deve ser revisto, mesmo porque o documento de fls. 1 demonstra que, à época da análise do pedido, não existia ação judicial cadastrada para o sujeito passivo e a data informada, pelo contribuinte, para a habilitação do crédito é posterior a apresentação.das Dcomp em análise. Além disso, não existe no processo qualquer documento hábil a comprovar a existência do crédito alegado Pela contribuinte (exportação, isnumos,etc...). Se o contribuinte quer ver apurado o crédito a seu favor e que este valor lhe seja ressarcido, deve seguir a legislação em vigor e apresentar o pedido pertinente a este crédito, apresentando para tanto todos os documentos necessários a averiguação dos mesmos. Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/200603 Acórdão n.º 1103000.910 S1C1T3 Fl. 3.821 6 Por outro lado, se já houve a apresentação de pedido de ressarcimento, este pedido será obrigatoriamente apreciado pela autoridade administrativa e, se deferido, o valor será ressarcido conforme determina a legislação de regência. Isto Posto, nos termos do artigo 27 da Portaria n° 341/2011, rejeito o requerimento do sujeito passivo por considerar que os erros apontados pelo embargante não se referem a lapso manifesto ou a erros de escrita ou de cálculo de que tratam tanto o artigo 32 do PAF.(grifos originais) Conforme Despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, de fls. 3755, foi cientificada a contribuinte da decisão em 10/01/2012, e interpôs o recurso voluntário de fls. 3763/3806 em 03/02/2012. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Observase no relatório que o processo trata de declarações de compensação no qual se discute o aproveitamento de crédito prêmio de IPI decorrentes de exportações. Ocorre que o regimento Interno do Carf (Ricarf) aprovado pela Portaria MF 256/2009 atribuiu às turmas da Terceira Seção de Julgamento a competência para julgamento de tal matéria, como se pode observar no art. 4º do Anexo II: Art. 4°. À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) Art. 7°. Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1°. A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...) Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.720854/200603 Acórdão n.º 1103000.910 S1C1T3 Fl. 3.822 7 Portanto, os autos devem ser transferidos à Terceira Seção de Julgamento para distribuição por sorteio a uma das turmas que integram aquele colegiado competente para processar o julgamento do recurso voluntário interposto. Diante de todo o exposto, devese declinar competência para a Terceira Seção de Julgamento deste Conselho. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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