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Numero do processo: 10805.000237/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA
Decorrido cinco anos da data da ocorrência o fato gerador do IRPF sobre omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancário de origem não comprovada (Súmula Carf 38), extinto está o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 2101-000.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente na data da formalização do Acórdão.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA Decorrido cinco anos da data da ocorrência o fato gerador do IRPF sobre omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancário de origem não comprovada (Súmula Carf 38), extinto está o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 173, I, do CTN.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente na data da formalização do Acórdão. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 02 37 /2 00 4- 11 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRF de Julgamento de São Paulo II/SP, que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, ano base de 1998, sobre omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada. A decisão recorrida manteve a autuação e possui a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAFÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não há que se cogitar em nulidade processual nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, nos termos do artigo 144, § 1°, do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente No Recurso Voluntário sustenta a decadência do direito de a Fazenda realizar o lançamento por se tratar de imposto de renda da pessoa física do ano base de 1998 e a notificação em 07.02.2004 (fls. 244). No mérito, aduz que os depósitos decorrem da compra, venda e consignação de veículos em feiras livres, sem constituir rendimento tributável, por representar mera entrada e repasse de valores depositados em sua conta corrente. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes – Relator. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10805.000237/200411 Acórdão n.º 2101000.993 S2C1T1 Fl. 3 3 Cuidase de Recurso em autuado do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, ano base de 1998, sobre omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada. Sustenta inicialmente decadência da autuação. Aprecio a preliminar de mérito, relativa decadência. Essa matéria – decadência não foi suscitada na fase da impugnação e assim a decisão recorrida dela não tomou conhecimento. Pois bem é exigência do IRPF do anobase 1998, com isso o prazo para realizar o lançamento teve início em 01.01.1999, na forma da Sumula 38 deste Conselho. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário A notificação do lançamento – autuação ocorreu em 07.02.2004 (fls. 244). Entre 01.01.1999 e 07.02.2004, transcorreu lapso temporal superior aos cinco anos, operando, por consequência, em 01.01.2004 a decadência, com extinção do direito de o fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 173, I, do CTN. Ante do exposto, pelo meu voto, reconheço e dou provimento ao recurso para reconhecer a decadência, com a extinção do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 173, I, do CTN, com a reforma da decisão recorrida e cancelamento da autuação. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004314/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.448
Decisão: Vistas, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 31 4/ 20 09 -5 6 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004314/200956 Resolução nº 2402000.448 S2C4T2 Fl. 127 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS, em face do acórdão de fls. 83, por meio do qual foi mantida parcialmente a multa lançada no Auto de Infração n. 37.235.7857, por ter a recorrente deixou de arrecadar as contribuições previdenciárias mediante desconto das remunerações dos segurados Contribuintes Individuais. O lançamento compreende as competências de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 27/10/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, 4o do CTN; 2. que o Auto de Infração deve ser anulado pelo cerceamento de direito da recorrente em razão de não haver clareza quanto aos elementos constantes do lançamento fiscal; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004314/200956 Resolução nº 2402000.448 S2C4T2 Fl. 128 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações de recurso, tenho que outra providência seja necessária antes do julgamento. É que, conforme resultado de diligência juntado às fls. 157, os lançamentos principais relativamente ao presente Auto de Infração foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/09. Confirase a informação trazida aos autos. ▪ Conforme observado no TEAF de fls. 30, os AIOPs foram lançados através dos processos nº 19515.004317/200990 (Debcad 37.190.913 9), nº 19515.004318/200934 (Debcad 37.235.7814) e nº 19515.004310/200978 (Debcad 37.235.7822), sendo que estes processos permaneceram na situação “em papel”; ▪ Os débitos lançados nos respectivos Autos supracitados, encontram se incluídos na sua totalidade no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2011, vide fls.152 a 155 (numeração eprocesso). No entanto, no resultado da diligência não foi apontado se o débito objeto deste Auto de Infração também fora ou não incluído no parcelamento, até mesmo porque, a época da determinação daquela diligência, tal requerimento não fora formulado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo retornem à origem, para que se informe se o débito relativo ao presente processo foi ou não incluído em programa de parcelamento de débitos. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720350/2012-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/05/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO. JURISDIÇÃO.
A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer, ainda que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da relativa ao domicílio tributário do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3403-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela Barley Malting Importadora Ltda a Dra. Gabriella de Paula Almeida, OAB/DF no 30.316. Presenciaram o julgamento os Drs. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF no 35.220 e Alessandro Barreto Borges, OAB/SP no 196.401, advogados dos responsáveis solidários
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/2008 a 30/05/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO. JURISDIÇÃO. A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer, ainda que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da relativa ao domicílio tributário do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela Barley Malting Importadora Ltda a Dra. Gabriella de Paula Almeida, OAB/DF no 30.316. Presenciaram o julgamento os Drs. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF no 35.220 e Alessandro Barreto Borges, OAB/SP no 196.401, advogados dos responsáveis solidários ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/05/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO. JURISDIÇÃO. A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer, ainda que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da relativa ao domicílio tributário do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela Barley Malting Importadora Ltda a Dra. Gabriella de Paula Almeida, OAB/DF no 30.316. Presenciaram o julgamento os Drs. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF no 35.220 e Alessandro Barreto Borges, OAB/SP no 196.401, advogados dos responsáveis solidários ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 03 50 /2 01 2- 88 Fl. 8965DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 08/03/2012 (fls. 2 a 16, com ciência via Módulo eCAC à empresa “BARLEY” Malting Importadora LTDA, em 27/03/2012 fls. 4844 a 48651), para exigência de multa por diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado (prevista no art. 88 da Medida Provisória no 2.158 35/2001, no valor de R$ 141.332.415,14) em relação a 25 declarações de importação relacionadas à fl. 4, e multa substitutiva de perdimento (prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, no valor de R$ 267.647.199,46) para mercadorias amparadas pelas 34 declarações de importação listadas às fls. 5/6. No Relatório Fiscal de fls. 17 a 222, narrase que: (a) a filial da “BARLEY” (0003) em Paranaguá desembaraçou, de 01/2008 a 05/2011, 34 declarações de importação DI (fl. 17), referentes a mercadoria classificada na Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM como 1107.10.10 (malte inteiro ou partido, não torrado); (b) tendo por base elementos da “Operação Vulcano”, deflagrada em 11/2008, a unidade jurisdicionante da matriz instaurou procedimento especial de fiscalização para verificar a origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior (nas citadas DI e ainda em outras); (c) como consequência, foi lavrada autuação no processo administrativo no 10730.003034/201126, com a conclusão de que houve ocultação de pessoas nas importações (cópia do AI às fls. 224 a 1696 doc.1); (d) da análise daquela autuação, verificouse que apenas 13 das DI listadas à fl. 17 foram incluídas no lançamento, e que foram lançadas apenas as multas por acobertamento, e não as substitutivas do perdimento; (e) em virtude da lacuna, foi instaurada nova ação pela fiscalização aduaneira em Paranaguá, apurandose, além da ocultação, que para determinadas operações de importação, o preço declarado na exportação era substancialmente inferior ao declarado nas DI; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 8966DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.966 3 (f) a “BARLEY” tem matriz em Arraial do Cabo/RJ, e uma única filial em Paranaguá/PR, sendo seu quadro societário composto pelo Sr. Luiz Carlos Faccin (sócio administrador0,01%) e pela empresa Zuchetti International LTD (offshore constituída nas Ilhas Virgens Britânicas 99,9%); (g) até 2006, 90% das importações da mercadoria classificada na NCM 1107.10.10 (malte, matéria prima usada predominantemente na indústria cervejeira) eram feitas por 4 empresas tradicionais do ramo de cervejas, sendo que a partir daí a empresa “BARLEY” e a empresa “PRAIAMAR” Indústria, Comércio & Distribuição LTDA passam a ocupara ano a ano percentual significativo do mercado (a partir de 2009 a empresa “BARLEY” passa a ser a segunda maior importadora do produto; (h) com a deflagração da “Operação Vulcano” (que objetivava desmontar esquema criminosos envolvendo empresas dos setores de pneus e cerveja, e acabou resultando em diversas prisões, inclusive de agentes do fisco), em 11/2008, foi lavrada a já citada autuação, na qual são identificadas como ocultadas pela “BARLEY” as empresas “PRAIAMAR” e Cervejaria “PETRÓPOLIS” S.A.; (i) na referida autuação, das 23 DI para as quais foi lançada a multa por acobertamento, apenas 10 se referiam a importações efetuadas pelo estabelecimento matriz, sendo 13 relativas a DI da filial Paranaguá (0003), tendo havido, em virtude do procedimento especial, exigência de garantia (fiança bancária) em 7 DI (doc. 2 fls. 1698 a 1780); (j) foi então iniciada fiscalização em relação aos despachos da filial Paranaguá, com Termo cientificado à representante da empresa em 23/05/2011 (doc. 3 fls. 1781 a 1790); (k) após o início e ciência da ação fiscal, a unidade de jurisdição da matriz, “de forma até atípica e inesperada”, deu início a novo procedimento, aparentemente complementar, concluído em 02/2011 com a lavratura de novo Auto de Infração, controlado pelo processo administrativo no 10730.722104/201220, que somente estendeu a multa por acobertamento a outras operações (entre as quais as 13 DI registradas pela filial Paranaguá); Fl. 8967DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 (l) reafirmando a competência da ALF/Paranaguá para a ação fiscal em relação à filial importadora sob sua jurisdição, teve prosseguimento a ação fiscal iniciada; (m) do pedido de habilitação da empresa “BARLEY” (no processo administrativo no 10730.011994/200783, apenso ao presente auto), notase que: 1. a sede, em Arraial do Cabo, opera em imóvel alugado (por valor mensal de R$ 350,00, com área de 27 m2, que parece não comportar os 8 funcionários), não possui depósito e indica como cliente unicamente a Cervejaria “PETRÓPOLIS”, e como maior fornecedor a sócia majoritária da “BARLEY”, a “Zucchetti International LTD” (para a qual indicase ser o contato o Sr. Luiz Carlos Faccin, sócio administrador da “BARLEY”, o que se confirma pelo documento de fl. 158); 2. na diligência efetuada pela DRF Niterói, em 15/01/2008, a sala da empresa “BARLEY” foi encontrada fechada, e em confronto com as GFIP apresentadas pela empresa, mostrouse inverídica a informação da existência de 8 funcionários, não havendo sequer um vínculo empregatício registrado; 3. a Cervejaria “PETRÓPOLIS”, uma das maiores do país, jamais importou malte em nome próprio, e efetuou adiantamentos para pagamento de compras à “BARLEY” (cf. documentos de fls. 66 a 69); 4. os silos, que à época ainda estavam em fase de construção, eram administrados por antigo funcionário da Cervejaria “PETRÓPOLIS”, o Sr. Dirceu Bispo, e pertenciam à “PRAIAMAR” (cabe registrar que a última importação da “PRAIAMAR”, que atuou nos anos 2007 e 2008, antecede em alguns dias o primeiro registro de DI pela “BARLEY”, que passou a atuar desde então), cabendo destacar que a exportadora Zuchetti International Ltd. Tinha como únicos clientes a “PRAIAMAR” e “BARLEY”; 5. o contato da “PRAIAMAR” (cf. doc. de fl. 77) durante a construção do silo, em 2007, era o Sr. Luiz Carlos Faccin, que viria a ser tornar sócio administrador da “BARLEY”; 6. na análise da contabilidade da empresa “BARLEY”, percebese que os aluguéis dos silos jamais foram pagos/escriturados, e que contrapartidas de arrendamento ocorriam em conta anômala denominada “transferência de numerários”, com lançamentos diários a crédito e a débito que, na maioria dos casos compensavamse dentro Fl. 8968DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.967 5 do mesmo dia, registrando a circulação de mais de um bilhão (de fato, R$ 1.160.908.966,47) em 2009/2010; 7. conforme expresso na conclusão do procedimento de habilitação, restou demonstrado (destaque à fl. 88) que o cliente final da operação é a Cervejaria “PETRÓPOLIS” (que não poderia importar diretamente pois perderia incentivos fiscais estaduais), e que existe uma empresa em São Gonçalo/RJ, a Zuquete Empreendimentos e Participações LTDA (tendo como sócio majoritário Walter Faria, também sócio da Cervejaria “PETRÓPOLIS”, e preso na “Operação Cevada”) holding da Zuchetti International Ltd. (que indica como conselheiro o mesmo Walter Faria), e que a ela remete recursos, sendo o capital repassado à “BARLEY”; e 8. ainda assim a empresa foi habilitada a título precário pela unidade da RFB; (n) a filial de Paranaguá, constituída posteriormente à habilitação, foi responsável pelo registro de 34 DI, transportadas em 25 viagens de navios graneleiros afretados exclusivamente para isso, representando volume de importações superior à própria matriz (23 DI 12 navios), mas suas modestas instalações (fotos às fls. 111/112), gratuitamente cedidas em comodato pela AGTL Armazéns Gerais (que também prestava serviços de armazenagem à “BARLEY”; (o) a empresa alegou, no bojo da autuação lavrada no Rio de Janeiro, que efetuaria operação de industrialização do malte, em suas instalações, por meio de transilagem e beneficiamento (em que pese não estar prevista tal operação pelo contrato celebrado com a operadora portuária em Paranaguá fls. 120 a 122), e a alegação foi tomada em conta pelo julgador de piso naquela autuação, que cancelou o crédito lançado; (p) ao contrário do que alegou a empresa na impugnação àquela autuação, há cabais elementos que comprovam a ocultação dos responsáveis pela operação de importação, mediante simulações em diversos níveis (fls. 134 a 136); (q) a Zuchetti International Ltd., responsável por mais de 99% das importações da “BARLEY” em 2009, depois sucedida pela “Grenntag Investment LLP” (como confirma o documento de fl. 161), exportaram a ela praticamente um navio de malte por mês, de forma contínua, o que parece tornar pouco crível a informação Fl. 8969DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 da “BARLEY” de que não detém maiores informações sobre os exportadores (nem o nome completo e a designação das pessoas que conduziram as negociações), cabendo destacar que há faturas comerciais emitidas pela Zuchetti International Ltd. (v.g. fl. 144), que indicam como contato o Sr. Luis Carlos Faccin (sócio administrador da “BARLEY”), assim como faturas da Grenntag indicandoo igualmente como contato (v.g. fl. 167); (r) o gráfico de fl. 149 (que aponta diferenças da ordem de mais de 200% em relação aos preços da mercadoria) levanta dúvidas sobre a exatidão do valor aduaneiro declarado; (s) para mercadorias importadas no mesmo navio (iguais em tudo e estocadas nos mesmos porões) e registradas em diferentes DI, sendo diferentes apenas os exportadores declarados (“Zuchetti/Grenntag” e “Cargill”), a mesma discrepância absurda de preços declarados se verificou (fl. 150); (t) não se pode, com base no exposto, admitir os valores indicados nas importações como provas da ocorrência efetiva de uma venda entre os ali indicados como comprador e vendedor; (u) com base no Sistema de Intercâmbio de Informações dos Registros Aduaneiros no MERCOSUL (INDIRA), oficial e de uso restrito do fisco, é possível acessar dados das declarações de importação/exportação registradas em todos os países do bloco, e, tendo em vista que a quase totalidade (excepcionandose somente 3 DI) das mercadorias era procedente da Argentina, foi possível verificar os preços das mercadorias constantes nas declarações de exportação argentinas; (v) as mercadorias constantes da tabela de fl. 174, vindas da Argentina no navio Apisara Naree, exportadas por US$ 4.893.635,81 (conforme dados da declaração de exportação argentina extraídos do INDIRA) foram declaradas na importação e faturadas por US$ 9.059.492,40 (diferença de 85,13%), ocorrendo o mesmo fenômeno em praticamente todas as outras DI que tenham como exportadores a Zuchetti e a Grenntag (das 30 DI vindas da Argentina, somente uma apresentou os mesmos valores na exportação e na importação), como se comprova na tabela de fls. 176/177; (w) apesar de o produtor ser sempre a Cargill da Argentina, nas exportações em que tal empresa atua também como Fl. 8970DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.968 7 exportador (ao invés da Zuchetti ou da Grenntag) não há diferenças de preços na exportação e na importação; (x) com base nos valores efetivamente praticados nas vendas, declarados no país de origem, e tomando em conta os acréscimos ao valor aduaneiro, bem como as quantidades efetivamente desembarcadas em Paranaguá, chegouse aos valores aduaneiros na importação (tabela de fl. 178); (y) a “BARLEY”, como se percebe das tabelas de fls. 179 a 181, não possuía capacidade econômica para a realização das importações, só conseguindo efetiválas com recursos externos; (z) a “BARLEY” não mantém arquivos de correspondências trocadas na importação das mercadorias, e nem utiliza carta de crédito ou documentos de saque para garantia das operações, afirmando ainda não efetuar empréstimos ou financiamentos (quando as próprias declarações de importação registram “financ. fornec.” na ficha câmbio, v.g. tabela de fls. 184/185, e a contabilidade da empresa explicitamente reconhece expressivos valores de financiamento do exportador “Zuchetti / Grenntag” e da Cervejaria “PETRÓPOLIS” (fls. 185/186); (aa) o esquema fraudulento objetivou fornecer matéria prima à Cervejaria “PETRÓPOLIS”, ocultandoa na importação, e enviar recursos ilicitamente ao exterior; (bb) ao serem solicitadas as notas fiscais de saída das mercadorias, a “BARLEY” apresentou cópias digitalizadas de notas em papel manuscritas, e alegou que não poderia vincular tais notas às DI em virtude da fungibilidade das mercadorias; e (cc) a fiscalização, diante da falta de colaboração da empresa, utilizouse do repositório eletrônico de informações das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe), disponível para a filial a partir de 02/09/2009 (em um total de 7.049 documentos), elaborando quadro comparativo de entradas e saídas (fls. 193/194). São indicados como responsáveis solidários a Cervejaria “PETRÓPOLIS” S.A. e a empresa “PRAIAMAR” Indústria, Comércio & Distribuição LTDA, conforme Termos de fls. 4834/4835 e 4836/4837), esta cientificada da autuação em 16/03/2012 (cf. AR de fl. 4866) e aquela, em 30/03/2012 (cf. documento de fl. 4892). A empresa “BARLEY” apresenta impugnação em 25/04/2012 (fls. 5512 a 5640), sustentando que: Fl. 8971DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 (a) a administração pública (Acórdão no 0726.752, da DRJ/Florianópolis) já se pronunciou sobre as operações da empresa, afirmando que observaram todos os requisitos legais e caracterizaram importação por conta própria, em ofensa à definitividade das decisões administrativas e à hierarquia; (b) há dupla penalização pelo mesmo fato e período, já que a empresa foi fiscalizada e autuada, por duas vezes, pela DRF/Niterói (sede da matriz), em ofensa ao bis in idem processos administrativos: · no 10730.003034/201126, com período fiscalizado de 07/2008 a 04/2010 parcialmente juntado aos autos, que teve o lançamento cancelado pela DRJ/Florianópolis, que reconheceu ter havido importação direta; e · no 10730.722104/201220, com período fiscalizado de 03/2010 a 06/2011 não juntado aos autos, sob os mesmos fundamentos do anterior, ainda aguardando julgamento na DRJ); (c) houve nulidade por cerceamento do direito de defesa (negandose a juntada aos autos de três petições da empresa, instruídas com documentos), e falta de apresentação de provas materiais (derivadas dos procedimentos fiscais já em julgamento, e da chamada “Operação Vulcano”), em ofensa ao contraditório, ao devido processo legal, e à legalidade; (d) não se poderia proceder ao segundo exame da escrita, em relação ao mesmo período fiscalizado, sem a autorização escrita a que se refere o art. 42 do Decreto no 7.574/2011 (a própria autoridade fiscal autuante afirma que estava a preencher “lacunas” das autuações anteriores), como vem retiradamente decidindo o CARF (Acórdãos no 10418939 e no 101 94297) ; (e) houve usurpação de competência legal e invasão de jurisdição, tendo a autoridade autuante, de Paranaguá, revisado e emendado dois lançamentos efetuados pela DRF/Niterói, em violação ao art. 38, § 4o do Decreto no 7.574/2011; (f) o lançamento foi fundamentado em documentos estrangeiros sem a devida tradução juramentada, e obtidos com desprezo total às formalidades legais (v.g. documentos societários pertinentes às empresas Zuchetti e Grenntag, obtidos em sítio web da Inglaterra ao preço de uma libra esterlina cada um, sem indicação da fonte pagadora nos autos, destacandose ainda que o próprio sito web não se responsabiliza pela autenticidade e exatidão dos documentos arquivados); (g) foram juntados diversos excertos de documentos pela fiscalização, sem a transcrição integral de seus teores; (h) a empresa demonstrou sua capacidade financeira (v.g. extratos indicados à fl. 5561, e prestações de garantia com fiança, para desembaraço de mercadorias) e técnica (vendendo inclusive para outras conhecidas marcas de cerveja e uísque, além das indicadas na autuação) para a Fl. 8972DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.969 9 realização de operações por conta própria, cumprindo com todas as obrigações inerentes às importações (como já havia atestado anteriormente a DRF/Florianópolis); (i) não foi demonstrada a ocorrência de fraude, não tendo havido interposição fraudulenta, cessão de nome, dano ao Erário (tendo o próprio fisco constatado que teria havido “recolhimento a maior de cerca de 24 milhões em tributos) ou qualquer outras espécie de ilícito ligada ao comércio exterior; (j) a empresa assumiu por conta e risco as importações de malte, principalmente porque (1) mantém estoque regular do produto em grande quantidade (cf. demonstrativo de fls. 5571 a 5573), (2) verificouse perda e deterioração do produto em estoque (cf. tabelas de fls. 5574 a 5576), numa clara demonstração de que era a efetiva proprietária dos produtos; e (3) ocorreu a transformação do produto importado em operação industrial que não foi considerada pelo fisco (“transilagem e beneficiamento”, mediante recepção por correia que leva o malte até os silos; armazenagem; transilagem/”blendagem”, de acordo com as especificações exigidas pelos clientes; beneficiamento, classificandose os grãos, e separando impurezas por corrente de ar; aspiração do pó de malte, eliminando a poeira produzida no beneficiamento e na “blendagem”; e expedição, mediante descarga dos silos em transportadores); e (k) não é possível aplicar a pena de perdimento da mercadoria a quem não é seu proprietário; (l) não se pode efetuar arbitramento de valor aduaneiro a partir de dados do sistema INDIRA (reconhecidamente precários), ainda mais quando o próprio autuante afirma que alguns dados essenciais não puderam ser recuperados em tal sistema, de sorte que se adotaria “valor aproximado”, em flagrante violação ao acordado no âmbito do GATT; (m) a empresa possui silos tanto em Arraial do Cabo/RJ quanto em Paranaguá/PR (fotos às fls. 5614/5615), tendo ainda havido erro por parte da RFB ao identificar o escritório da empresa em Paranaguá, que fica quase ao lado da própria Receita Federal (foto à fl. 5616), tendo ainda sido equivocada a interpretação efetuada pelo fisco da situação em relação aos funcionários, aos pagamentos de aluguel, à existência de grupo econômico, à ausência de prestação de informações, à prestação de informações falsas e à irregularidade na escrituração contábil; e (n) são manifestas na autuação expressões injuriosas lançadas pelo agente fiscal, que devem ser riscadas dos autos (v.g. “garoto de recado” e “sorrateira”). As impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários trazem argumentos comuns aos apresentados pela “BARLEY” (que serão no quadro abaixo designados apenas pelas letras correspondentes aos itens da impugnação da “BARLEY”, Fl. 8973DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 adotadas acima) e argumentos diversos (a serem relacionados sinteticamente no quadro abaixo): Pessoa Razões/argumentos da Impugnação síntese (no caso de repetição, relacionase somente a letra correspondente, entre aspas) folhas “PRAIAMAR” Indústria, Comércio & Distribuição LTDA “(c)”, “(f)” e “(g)” em relação à juntada de excertos de documentos e de documentos estrangeiros; “(d)”; “(e)”; “(l)”; (o) é ilegal a utilização de prova emprestada de outros autos administrativos; (p) não há previsão legal para a RFB imputar responsabilidade solidária a terceiros; (q) a empresa deve ter reconhecido o direito de impugnar não só a responsabilidade solidária, mas a própria autuação, no mérito; (r) há violação à moralidade por abuso de poder; (s) houve violação ao devido processo legal e à segurança jurídica por revisão de lançamento por mudança de critério jurídico (art. 146 do CTN) em relação às duas autuações anteriores; (t) as ilações sobre os vínculos empregatícios de funcionários (nunca simultâneos) entre as empresas não gera a presunção de existência de grupo econômico, ou de interesse comum na prática de ilícitos, chegando ainda a fiscalização a diversas conclusões equivocadas sobre o contrato de arrendamento de silos e pagamentos decorrentes; e (u) não houve conduta específica da empresa que ensejasse a imputação de responsabilidade solidária (ausência de tipicidade). 4900 a 4964 Cervejaria “PETRÓPOLIS” S.A. “(c)”, “(d)”; “(e)”; “(f)”, “(g)”, inclusive no que se refere à documentação obtida junto a sítio web inglês; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”, no que se refere à impossibilidade de cumulação da multa de 10% pelo acobertamento com o perdimento, defendendo a ilegalidade do art. 727, § 3o do Regulamento Aduaneiro; “(l)”; “(p)”; “(r)”, tendo o abuso de poder ainda sido detectado na violação de sigilo de pessoas física (Walter Faria); “(s)”; “(t)”, sobre a inexistência de grupo econômico; (v) nenhuma pena pode passar da pessoa do infrator, conforme assegura a Constituição Federal; e (x) foram utilizadas bases de cálculo diferentes nas duas multas aplicadas. 5165 a 5240 A decisão de primeira instância é proferida em17/04/2013 (fls. 8911 a 8931), no sentido de que houve nulidade por vício formal (reexame de mesmo exercício sem ordem específica da autoridade competente), e por incompetência da autoridade autuante (visto que a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer, ainda que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do contribuinte). Diante da nulidade formal, não foi analisado o mérito. E, em virtude do valor exonerado, houve recurso de ofício ao CARF. A DRJ informa ainda que nos dois processos anteriores (no 10730.003034/201126 e no 10730.722104/2012 20), referentes a autuações lavradas pela DRF/Niterói, estas foram consideradas improcedentes, tendo sido exonerado o crédito tributário e interposto recurso de ofício ao CARF. É o relatório. Voto Fl. 8974DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.970 11 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Diante do recurso de ofício apresentado, de acordo com o Decreto no 70.235/1972, cabe avaliar as causas de nulidade apontadas pela DRJ. É incontroverso nos autos que a DRF/Niterói já havia lavrado a autuação constante no processo no 10730.003034/201126, em relação a acobertamento perpetrado pela “BARLEY” em diversas declarações de importação (algumas delas registradas pela filial de Paranaguá). E que em tal autuação exigiuse somente a multa por acobertamento (10%), havendo silencia em relação a sua cumulatividade com a pena de perdimento (ou a multa substitutiva de tal pena). Verificando, em nome da verdade material, no sistema ‘eprocessos’, aqueles autos, percebese que o lançamento se refere a operações efetuadas de 11/07/2008 a 23/04/2010 (na autuação não consta relação discriminando as DI, nem no relatório fiscal anexo fls. 15 a 25). Uma relação de 48 DI aparece às fls. 685/687, e, depois, às fls. 1392/1394 (aí já indicando, de forma manuscrita, nas laterais, a sigla do Estado onde foram registradas PR ou RJ, ainda que tal indicação seja efetuada somente até a metade da relação), sendo perceptível que havia declarações registradas de 04/07/2008 a 25/11/2010, sem uma clara individualização das condutas em relação às DI, ou aos estabelecimentos (matriz ou filial). Em tal processo, a DRJ julgou improcedente a autuação, por “ausência de comprovação de que as importações declaradas como sendo ‘por conta própria’ foram realizadas na modalidade ‘para revenda a encomendante predeterminado’”. E com esta mesma motivação a Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção deste CARF negou unanimemente provimento ao recurso de ofício pelo Acórdão no 3201001.254, de 19/03/2013. Cientificada a União em 12/06/2013, não houve interposição de Recurso Especial, tendo o processo sido arquivado em 06/08/2013. Também é incontroverso que a RFB em Paranaguá, identificando que foram registradas 34 DI pela filial parnanguara da “BARLEY” (fl. 17), de 18/09/2008 a 16/05/2011, tendo havido autuação pela DRF/Niterói somente em relação 13 DI, e, ainda assim, sem as multas substitutivas de perdimento, e sem a verificação do preço declarado na operação, iniciou procedimento de fiscalização, cientificado à filial em 23/05/2011, para eventualmente preencher o que designou por “lacunas” (fl. 22) daquela autuação. E, conforme narrou o autuante (fl. 37), após a ciência do início da ação fiscal por Paranaguá, a unidade de jurisdição da matriz (DRF/Niterói), “de forma até atípica e inesperada”, deu início a novo procedimento de fiscalização em 26/07/2011, “aparentemente complementar ao anterior por ela conduzido”, estendendo o lançamento a outras operações, aí incluídas outras 13 DI registradas pela filial Paranaguá que não constavam do procedimento anterior, chegando à lavratura de novo auto de infração (cientificado em 01/02/2012), no processo no 10730.722104/201220. A tabela de fl. 38 permite identificar as 13 DI da filial constantes da primeira autuação, as 13 DI constantes da segunda autuação, e outras 8 que sequer foram objeto de autuação. Ainda norteado pela verdade material, verificase no sistema ‘eprocessos’ que a segunda autuação indica operação efetuada na data de 19/04/2010, e que não há detalhamento por DI no relatório fiscal (fls. 9 a 12), encontrandose a listagem de DI (e datas de registro) somente nas planilhas de fls. 234 e 235 (nesta segunda figurando as 13 DI da filial Paranaguá, registradas de 19/04/2010 a 16/05/2011). O julgador de piso julga improcedente também a segunda autuação, deixando claro que estava ainda pior (em termos probatórios) que a primeira, como se percebe do seguinte excerto: Fl. 8975DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 “No processo administrativo fiscal no 10730.003034/201126, anteriormente julgado por esta Turma de Julgamento e formalizado sob a mesma acusação em relação a outras importações da interessada havia ao menos planilhas demonstrativas do fluxo financeiro e documentos que procuravam comprovar as alegações da fiscalização. No presente processo os autos foram instruídos unicamente com cópias de extratos bancários da interessada e de termo de depoimento do sóciodiretor. Tais documentos, por si sós, desamparados de uma análise demonstrativa específica não são suficientes para a comprovação das infrações apontadas. Nesse sentido, cumpre observar que é competência da fiscalização demonstrar e comprovar com suficiência a ocorrência das infrações de que acusa a interessada. Por outro lado, não cabe à autoridade julgadora perscrutar os autos à busca de elementos que não foram especificadamente indicados ou demonstrados pela acusação, sob pena de a inovação cercear o direito à defesa da impugnante. (grifo nosso) E o recurso de ofício interposto é negado unanimemente por esta Turma do CARF em 27/11/2013 (Acórdão no 3403002.630), sob o mesmo fundamento de carência probatória na autuação. Em 10/12/2013 a PGFN toma ciência do acórdão e informa que não haveria interposição de Recurso de Ofício. Assim, também a segunda decisão é definitiva na esfera administrativa. Não se tem dúvidas, assim, de que a unidade da RFB em Paranaguá está, efetivamente, a revisar procedimento de lançamento que sua congênere, a DRF Niterói, efetuou, assim como não resta qualquer dúvida de que o período analisado é o mesmo das autuações anteriores. Ambas as informações são expressamente admitidas na própria autuação. A diferença é que se discute a aplicação de outras penalidades para as mesmas condutas de ocultação e ainda a conduta de declarar preço diferente do praticado nas operações. Por isso, antes de analisar o mérito da autuação a DRJ verificou a possibilidade de a unidade de Paranaguá levar a cabo a tarefa, detectando dois impedimentos: um referente à competência e outro à necessidade de autorização para reexame. A nulidade encontrada pela DRJ em relação à necessidade de autorização específica para reexame não encontra guarida legal, mas de disposição regulamentar contida no art. 42 do Decreto no 7.574/2011: “Subseção V Do Segundo Exame da Escrita Art. 42. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal do Brasil (Lei no 2.354, de 1954, art. 7o, § 2o; Lei no 3.470, de 1958, art. 34).” (grifo nosso) Tal disposição nitidamente tem como base legal dois comandos legais afetos ao imposto de renda: "Art. 7o Os agentes fiscais do imposto de renda procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e Fl. 8976DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.971 13 documentos apresentados, e das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações. § 1o Iniciada a perícia contábil, nos termos deste artigo, os agentes fiscais do imposto de renda ficam obrigados a fazer a necessária comunicação à repartição a que estiverem jurisdicionados dentro do prazo de 10 (dez) dias. § 2o Em relação ao mesmo exercício só é possível um segundo exame da escrita mediante ordem escrita dos delegados seccional ou regional ou do diretor da Divisão do Imposto de Renda.” (grifo nosso) “Art 34. Os inspetores chefes das Inspetorias do Imposto de Renda poderão: I designar os agentes fiscais do Imposto de Renda para procederem ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes; II aplicar as multas previstas na legislação do imposto de renda; e III determinar o lançamento ‘ex officio’.” Tal comando regulamentar é corretamente repetido no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), em seu art. 906. Contudo, é inexistente no Regulamento Aduaneiro, que não está a tratar de “segundo exame da escrita”, ou mesmo de “exercício”, mas de revisão aduaneira, amparado por base legal diversa (o art. 54 do DecretoLei no 37/1966). A utilização inadequada de institutos tributários em matéria aduaneira é fruto da pouca maturidade com que se analisa a temática de comércio exterior no Brasil, com o vetusto viés tributário da década de 1960. Nenhuma das multas lançadas na autuação tem relação direta com tributos. A multa substitutiva do perdimento, por exemplo, é pela ocultação em operação de comércio exterior (e a comprovação de ocultação prescinde da discussão em relação a tributos devidos). Ademais, se a mercadoria ainda estivesse disponível para apreensão, sequer teria sido seguido o rito processual do Decreto no 70.235, referente a crédito tributário, mas sim o do DecretoLei no 1.455/1976, referente a perdimento. E a multa em relação à diferença de preço, como se destaca na própria autuação, não objetiva perscrutar fraude tributária, nem é fundada na escrita fiscal. Veja que a impossibilidade de apreensão de mercadoria, por exemplo, não transforma o crédito em tributário. Aliás, a própria norma que trata da multa substitutiva, em sua redação atual (art. 23, § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 12.350/2010), esclarece adequadamente que devem apenas ser seguidos o rito e as competências do Decreto no 70.235/1972 (e não que o crédito é de natureza tributária): “§ 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o Fl. 8977DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. O comando é muito parecido com o do art. 7o, § 3o da Lei no 9.019/1995, que trata de direitos antidumping e compensatórios, que não possuem natureza tributária: “§ 5o A exigência de ofício de direitos antidumping ou de direitos compensatórios e decorrentes acréscimos moratórios e penalidades será formalizada em auto de infração lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de registro da declaração de importação.” (grifo nosso) As penalidades aduaneiras possuem disciplina própria também, v.g., em relação a denúncia espontânea (art. 102 do DecretoLei no 37/1966), e a decadência (art. 139 do DecretoLei no 37/1966). Assim, entendemos inaplicável ao caso em análise o comando da legislação do imposto de renda, transcrito nos decretos no 3.000/1999 (RIR art. 906) e no 7.574/2011 (art. 42 na parte referente a crédito tributário). Mas o segundo obstáculo à procedência da autuação apontado pela DRJ é, em nosso entendimento, correto. Estabelece o art. 9o do Decreto no 70.235/1972, em seus §§ 2o e 3o: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2o Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7o, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3o A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)” (grifo nosso) Assim, a unidade da RFB em Paranaguá, ao detectar “lacunas” na autuação efetuada pela DRF/Niterói, deveria, ao invés de iniciar procedimento fiscal e se revelar surpresa com pela forma “atípica e inesperada” com que aquela DRF carioca conduziu célere fiscalização complementar (rechaçada de forma ainda mais veemente pela DRJ, diante da precariedade), colaborar com a nova autuação levada a cabo no Rio de Janeiro, fornecendo elementos para que fosse mais consistente, o que poderia até ter eventualmente afastado a improcedência da segunda autuação. Restou nítida na presente autuação a falta de colaboração entre as unidades da RFB, que chegou a beirar a desconfiança de uma em relação a outra, em procedimento que Fl. 8978DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.972 15 nada contribui para o nome que a instituição passou a utilizar a partir de sua última reforma, em maio de 2007: Receita Federal do Brasil. Sendo a jurisdição da DRF/Niterói, por prevenção, devese reconhecer a existência de causa de nulidade relacionada no art. 59, I do Decreto no 70.235/1972, por incompetência da unidade que lavrou o auto de infração em apreciação nestes autos. Identificada motivação suficiente para negativa do recurso de ofício, desnecessário se faz prosseguir com a análise do mérito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 8979DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900487/2012-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 87 /2 01 2- 78 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 08/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900487/201278 Acórdão n.º 3803006.187 S3TE03 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16095.000395/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. Confirmada a exoneração processada pelos membros da instância à quo, quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF. nº 03/2008, visto que assentada na correta interpretação dos fatos, à luz da legislação tributária perfeitamente aplicável às hipóteses submetidas à sua apreciação, e, ainda, na documentação comprobatória capaz de elidir a exigência correspondente, impõe-se o conhecimento do recurso de ofício.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO FEITO.
Tendo a contribuinte comprovado, a partir de documentação hábil e idônea, a causa e os beneficiários dos pagamentos objeto do lançamento, não se pode cogitar na manutenção da tributação levado a efeito pelo Fisco, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, com fundamento no artigo 674, § 1º do RIR, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para manter o Imposto de Renda na Fonte por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado apenas sobre o montante de R$ 404.500,00.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 18/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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CONHECIMENTO. Confirmada a exoneração processada pelos membros da instância à quo, quanto ao montante do crédito exonerado, que é superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF. nº 03/2008, visto que assentada na correta interpretação dos fatos, à luz da legislação tributária perfeitamente aplicável às hipóteses submetidas à sua apreciação, e, ainda, na documentação comprobatória capaz de elidir a exigência correspondente, impõese o conhecimento do recurso de ofício. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO FEITO. Tendo a contribuinte comprovado, a partir de documentação hábil e idônea, a causa e os beneficiários dos pagamentos objeto do lançamento, não se pode cogitar na manutenção da tributação levado a efeito pelo Fisco, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, com fundamento no artigo 674, § 1º do RIR, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para manter o Imposto de Renda na Fonte por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado apenas sobre o montante de R$ 404.500,00. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 95 /2 00 9- 15 Fl. 4117DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 18/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.3547/3590) interposto em 27 de maio de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) (fls.3495/3526), do qual o Recorrente teve ciência em 27 de abril de 2010, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o Auto de Infração lavrado em 11 de agosto de 2009, em decorrência de falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada no exercício 2005, sendo exigido um crédito de tributário de R$ 16.588.750,74 mais cominações legais. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 Pagamento a Beneficiário Não Identificado ou Sem Causa. Todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa, sujeitase à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. Devem ser excluídos da exigência os valores debitados nas contas correntes, quando comprovados os beneficiários e as operações que deram causa aos pagamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Multa Qualificada. Falta de Identificação dos Beneficiários e da Operação que deu Causa aos Pagamentos. Para aplicação da multa qualificada, pelo evidente intuito de fraude, não basta a imputação de falta de identificação dos beneficiários e/ou da operação que deu causa aos pagamentos, impondose que sejam agregadas, na descrição dos fatos, circunstâncias qualificadoras do ilícito, e subsumidas às Fl. 4118DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000395/200915 Acórdão n.º 2101002.450 S2C1T1 Fl. 4.118 3 hipóteses de fraude, definidas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Multa Agravada. Falta de Atendimento às Intimações. Não configurada, nos autos, a falta de atendimento às intimações, descabe o agravamento da penalidade aplicada de oficio. Impugnação Procedente em Parte A instância à quo submete de ofício, o acórdão referenciado em decorrência da exoneração de crédito tributário superior ao limite de alçada. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 3547/3590), por meio do qual reitera as razões apresentadas na impugnação à quo, argumentando que as operações listadas pelo julgador, contendo dados alusivos à falta de identificação dos beneficiários e/ou da operação que teria dado causa aos pagamentos, são passíveis de comprovação, cujos argumentos são pontuados em cada item remanescente do demonstrativo do Acórdão 0828.226 da 2ª Turma da DRJ/CPS. Ao final, requer a improcedência da exigência fiscal, cancelandose o lançamento remanescente prolatado na decisão recorrida. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A autoridade de primeiro grau cancela parte do lançamento, a partir da análise da documentação comprobatória juntada aos autos, reduzindose, ainda, a multa para 75%, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Correto o entendimento do voto condutor do Acórdão 0828.226 da 2ª Turma da DRJ/CPS. Do reexame necessário, verifico que deve ser confirmada a exoneração parcial processada pelos membros da 2ª. Turma de Julgamento da DRJ/CPS, visto que assentada na correta interpretação dos fatos, à luz da legislação tributária perfeitamente aplicável às hipóteses submetidas à sua apreciação, e, ainda, na documentação comprobatória capaz de elidir a exigência correspondente. Nessa conformidade NEGO provimento ao recurso de oficio interposto. Relativamente às argumentações da Recorrente, passemos à análise das mesmas, fazendose estampar, preliminarmente, o quadro dos valores que subsistiram à exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, da lavra do julgador à quo (fls. 3525): Fl. 4119DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Data Histórico Valor Beneficiário Operação Causa 03/01/2005 TEDt Elet Disp 294.606,41 Não identificado Não Identificada 03/01/2005 TEDt Elet Disp 8.000,00 Não identificado Não Identificada 24/02/2005 TEDD 7.000,00 Não identificado Não Identificada 11/04/2005 Transf. Valor entre conta 484.207,04 Não identificado Não Identificada 04/04/2005 Transf. Valor entre conta 43.000,00 Não identificado Não Identificada 11/04/2005 TEDt Elet Disp 78.000,00 Não identificado Não Identificada 11/04/2005 Transf. Valor entre conta 54.000,00 Não identificado Não Identificada 18/04/2004 TEDt Elet Disp 143.000,00 Não identificado Não Identificada 18/04/2005 Transf. Valor entre conta 30.000,00 Não identificado Não Identificada 20/04/2005 Deb de TED entre IFS 187.160,16 Jamyr Vasconcelos S.A. Não Identificada 26/04/2005 TEDt Elet Disp 43.000,00 Não identificado Não Identificada 26/04/2005 Transf. Valor entre conta 17.000,00 Não identificado Não Identificada 03/05/2005 TEDt Elet Disp 115.000,00 Ascard Não Identificada 04/05/2005 Transf. Valor entre conta 120.719,50 Não identificado Não Identificada 09/05/2005 TEDt Elet Disp 112.000,00 Ascard Não Identificada 09/05/2005 Transf. Valor entre conta 55.000,00 Não identificado Não Identificada 12/05/2005 Transf. Valor entre conta 82.875,22 Não identificado Não Identificada 17/05/2005 Transf. Valor entre conta 197.682,44 Não identificado Não Identificada 30/05/2005 TEDt Elet Disp 76.000,00 Ascard Não Identificada 30/10/2005 Transf. Valor entre conta 19.000,00 Não identificado Não Identificada 06/06/2005 TEDt Elet Disp 46.000,00 Ascard Não Identificada 06/06/2005 Transf. Valor entre conta 58.000,00 Não identificado Não Identificada 13/06/2005 TEDt Elet Disp 46.000,00 Ascard Não Identificada 20/06/2005 TEDt Elet Disp 18.000,00 Ascard Não Identificada 20/06/2005 Transf. Valor entre conta 23.000,00 Não identificado Não Identificada 27/06/2005 TEDt Elet Disp 50.000,00 Ascard Não Identificada 27/06/2005 Transf. Valor entre conta 16.000,00 Não identificado Não Identificada 30/06/2005 Transf. Valor entre conta 150.000,00 Não identificado Não Identificada 04/07/2005 TEDt Elet Disp 82.000,00 Ascard Não Identificada 04/07/2005 Transf. Valor entre conta 43.000,00 Não identificado Não Identificada 12/07/2005 Transf. Valor entre conta 311.179,79 Não identificado Não Identificada 01/08/2005 Transf. Valor entre conta 15.000,00 Não identificado Não Identificada 08/08/2005 TEDt Elet Disp 35.000,00 Ascard Não Identificada 08/08/2005 Transf. Valor entre conta 20.000,00 Não identificado Não Identificada 10/08/2005 Transf. Valor entre conta 39.300,00 Não identificado Não Identificada 16/08/2005 TEDt Elet Disp 18.500,00 Ascard Não Identificada 16/08/2005 Transf. Valor entre conta 11.500,00 Não identificado Não Identificada 19/08/2005 TED D Enviada 310.657,82 Jamyr Vasconcelos S.A. Não Identificada 13/09/2005 Transf. Valor entre conta 300.692,71 Não identificado Não Identificada 21/10/2005 TEDt Elet Disp 351.163,48 Jamyr Vasconcelos S.A. Não Identificada 21/11/2005 TEDt Elet Disp 352.008,58 Jamyr Vasconcelos S.A. Não Identificada 21/12/2005 TEDt Elet Disp 402.435,49 Jamyr Vasconcelos S.A. Não Identificada 28/12/2005 Transf. Valor entre conta 60.000,00 RB Crédito e Investimento Não Identificada Fl. 4120DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000395/200915 Acórdão n.º 2101002.450 S2C1T1 Fl. 4.119 5 Item 1 Comprovação Documental envolvendo liquidação de débito confessado à Distribuidora de Medicamentos Santa Cruz S/A A Recorrente após discorrer sobre a operação, conclui: Verificase, nesse sentido, que o valor de R$ 294.606,41, refere se à parcela de R$ 264.000,00 do mês de janeiro de 2005, devidamente acrescida da remuneração especificada na cláusula 2.1 do "Instrumento Particular de Confissão de Dívida", que foi devidamente paga, em 1010112010, à DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS SANTA CRUZ, o que também resta comprovado pela anexa "Declaração" (DOC. ANEXO 03) firmada pela mencionada empresa, ficando, portanto, devidamente identificado o beneficiário, bem como a causa do mencionado pagamento pela documentação carreada aos autos, devendo esta operação também ser excluída da presente autuação. Assiste razão à Recorrente visto que foram carreados aos autos os seguintes documentos comprobatórios capazes de elidir da base de cálculo da exigência, o montante de R$ 294.606,41: Documento Folha(s) Instrumento Particular de Confissão de Dívida 3314/3319 Declaração da Distribuidora Santa Cruz Ltda 3641 Extrato Banco Bradesco 3632 Vejase que no corpo do Extrato referenciado podese confirmar o destinatário do TED a Distribuidora Santa Cruz Ltda. Itens 4 e 14 Comprovação de operações de transferências entre contas do BANCO BRADESCO S/A mediante ordens de pagamento a "lojistas" Item 4 11/04/2005 Transf. Valor entre conta 484.207,04 Item 14 04/05/2005 Transf. Valor entre conta 120.719,50 Relativamente ao Item 4, a Recorrente discorre sobre a operação, esclarecendo: Após a efetivação dos pagamentos, a instituição financeira emite documento denominado “borderô”, que recebe numeração própria e relaciona todos os valores pagos no período, conforme ordem de pagamento anteriormente transmitida pelo cliente, o Fl. 4121DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 qual é utilizado pela RECORRENTE para efetivar a baixa de valores devedores na sua contabilidade. (...) Nesse sentido, com relação ao valor debitado da conta da RECORRENTE em 1110412005, no valor total de R$ 484.207,04, o mesmo referese ao somatório apenas das transferências efetivadas a "Lojistas" detentores de contas correntes junto ao Banco Bradesco S/A (Banco 237) , conforme relação constante da ordem de pagamento enviada pela RECORRENTE ao banco (DOC.ANEXO 06), que deu origem ao borderô" n°4120501 (DOC.—ANEXO 07), cujo somatório total foi de R$ 544.095,33, já que também constam do mesmo outros pagamentos que foram efetivados em contas mantidas junto a outras instituições financeiras. Consequentemente, as transferências interbancárias compreendidas no "borderô" n° 4120501 (DOC. ANEXO 07) foram efetivadas mediante transferências eletrônicas interbancárias (TED), cujos lançamentos de débito também aparecem no extrato da RECORRENTE no dia 11/04/2005 (DOC. ANEXO 04), logo após o débito do valor de R$ 484.207,04, sendo possível identificar cada operação registrada sob a rubrica de Tedtran. Elet. Disponível' e que também relaciona o nome do beneficiário ("Lojista") da mencionada transferência, conforme consta do “borderô" n° 4120501. Grifo nosso. Compulsandose os autos constatase a efetividade do alegado pela Recorrente. Vejase o seguinte quadro: Transf. Valor Entre Contas 484.207,04 Borderô 4120501 Folhas Carrefour 333.840,17 3655 Eldorado S/A 10.641,44 3655 Demac Produtos Farmacêuticos Ltda 8.979,27 3653 Drogaria Mais Econômica Ltda 8.855,09 3653 Drogaria Capilé Ltda 12.158,73 3653 Comércio de Medicamentos Maeoka Ltda 13.231,77 3653 Drogaria Rede Econômica Ltda 15.315,07 3654 Irmãos Guimarães Ltda 81.185,50 3654 TOTAL 484.207,04 Importa ressaltar que o documento intitulado borderô é documento emitido pelo Banco prestador do serviço de pagamento, cujo programa tem a assinatura da DATASUL, empresa responsável pela sua elaboração à época, como se vê no corpo do referido documento. Ressaltese, ainda, que a carta endereçada ao Banco Bradesco (fls. 3651) possuem os valores acima citados. Importa esclarecer que o voto condutor do acórdão da instância à quo entende que os borderôs são documentos de controle interno da Recorrente. Fl. 4122DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000395/200915 Acórdão n.º 2101002.450 S2C1T1 Fl. 4.120 7 Considerando a atividade da Recorrente; os documentos carreados aos autos, comprobatórios de pagamentos junto aos lojistas integrantes do sistema operacionalizado pela mesma, convençome de que essas transferências não podem ser classificadas sem causa. Inverossímil, ante o quadro apresentado, que tais operações teriam outra causa que não o pagamento aos lojistas partícipes do sistema de serviço prestado pela Recorrente. No concernente ao Item 14, a Recorrente informa que: “com relação ao valor de R$ 120.719,50, o mesmo referese ao somatório das ordens de pagamentos agrupadas no “Borderô" n° 5040513 (DOC. ANEXO 08), utilizado para baixar a relação de créditos a serem efetivados aos "Lojistas" (DOC. ANEXO 09), verificandose a identificação dos "Lojistas" beneficiários dos pagamentos, sendo certo que tais pagamentos foram todos realizados em contas bancárias mantidas junto à mesma instituição financeira e, por isto, conforme anteriormente explicitado, constatase um único lançamento a débito no extrato da conta corrente da RECORRENTE sob a rubrica de "Transf. Valor Entre Conta".” Transf. Valor Entre Contas 120.719,55 Borderô 5040513 Folhas Demac Produtos Farmacêuticos Ltda 10.002,47 3660 Drogaria Mais Econômica Ltda 6.209,84 3660 Drogaria Capile Ltda 6.927,35 3660 Drogaria Rede Econômica Ltdea 7.976,29 3660 Carrefour Comérci e Indústria Ltda 82.238,01 3660 Supermercados Bergamini Ltda 7.365,59 3660 Total 120.719,55 Há que se considerar, portanto, como comprovadas as transferências explicitadas e a correspondente causa das mesmas. Itens 28 e 43 Comprovação documental dos pagamentos para a liquidação parcial de mútuo com Rio Bravo crédito e investimentos Item 28 30/06/2005 Transf. Valor entre conta 150.000,00 Item 43 28/12/2005 Transf. Valor entre conta 60.000,00 Sobre os referidos valores a Recorrente argumenta que: “Para a perfeita elucidação e comprovação de que as mencionadas transferências referemse à amortização parcial do crédito liberado à RECORRENTE tendo por fundamento o contrato de mútuo no valor total de R$ 2.000.000,00 (fls. Fl. 4123DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 3380/3386), esclarecese que durante o ano de 2004 a RECORRENTE solicitou um total de 3 liberações de créditos, nos valores de R$ 114.385,59, em 15/06/2004, R$ 200.000,00, em 23/07/2004, e R$ 120.000,00, em 25/09/2004, totalizando um valor de crédito de R$ 434.385,59, conforme comprovam os aditivos ao contrato de mútuo celebrado com a RB CRÉDITO E INVESTIMENTOS. (...) Por conseguinte, os débitos das contas da RECORRENTE no valor de R$ 150.000,00, em 30/06/2005, e no valor de R$ 60.000,00, em 28/12/2005, que integram o "crédito tributário remanescente" ora recorrido, referemse a pagamentos para a liquidação parcial do total do crédito liberado à RECORRENTE no ano de 2004, o que também pode ser comprovado pelos "Recibos" fornecidos pelo beneficiário dos numerários, que comprovam o recebimento dos valores, as datas do recebimento, bem como que tais pagamentos estão vinculados ao contrato de mútuo firmado entre as partes (DOC. ANEXO 13). Da análise das argumentações e da documentação carreada aos autos, tenho que assiste razão à Recorrente. Os documentos comprobatórios capazes de demonstrar a causa da operação e a consequente identificação do beneficiário do pagamento são: Documento Comprobatório Folhas Valores Instrumento Particular de Compromisso de Mútuo 3376/3382 Borderô 6300501 3670 150.000,00 Borderô 12280508 3670 60.000,00 Recibo Rio Bravo 3671 150.000,00 Recibo Rio Bravo 3672 60.000,00 Totais 210.000,00 210.000,00 Itens 2 e 3 Comprovação das operações de transferência entre contas de mesma titularidade Item 2 03/01/2005 TED Elet Disp 8.000,00 Item 3 03/01/2005 TEDElet Disp 7.000,00 Relativamente a esses itens, também assiste razão à Recorrente. Foram juntados aos autos os seguintes documentos que comprovam a transferência entre contas da mesma titularidade: Documento R$ Folhas Extrato CEF 7.000,00 3677 Extrato CEF 8.000,00 3679 Fl. 4124DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000395/200915 Acórdão n.º 2101002.450 S2C1T1 Fl. 4.121 9 Itens 18, 31, 39, 10, 38, 40, 41, 42, e 17 Comprovação das operações de pagamento a "lojistas" mediante transferências eletrônicas ("Carrefour", "Drogarias Pacheco" e "Irmãos Guimarães") Itens 18, 31, 39: Pagamento à Carrefour Comércio e Indústria Ltda ITEM DATA ESPECIFICAÇÃO VALOR R$ 18 17/05/2005 Transf. Valor entre conta 197.682,44 31 12/07/2005 Transf. Valor entre conta 311.179,79 39 13/09/2005 Transf. Valor entre conta 300.692,71 A recorrente esclarece, às folhas 3573, que: “dentre os pagamentos relacionados aos itens 18, 31 e 39 da Tabela 1 supra, os mesmos foram realizados a título de reembolso ao estabelecimento credenciado CARREFOUR COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., em virtude das transações realizadas pelos Usuários dos cartões da RECORRENTE junto ao referido estabelecimento, conforme prevê o "Contrato de Credenciamento" firmado entre a RECORRENTE e o mencionado estabelecimento, em 09/09/2004 (DOC. ANEXO 16).” Relativamente a esses itens, também assiste razão à Recorrente. Foram juntados aos autos os seguintes documentos que comprovam a motivação da transferência e a identificação das contas destinatárias: Documento Comprobatório Folhas Valores Contrato de Credenciamento Carrefour / Medcheque 3240/3246 Anexo ao Contrato 3687 Borderô 5170501 3689 197.682,44 Borderô 7120501 3689 311.179,79 Borderô 9130501 3689 300.692,71 Cabe destacar que a autoridade autuante recebeu da Recorrente os livros contábeis Diário e Razão do período (fls.73), arquivo em CD, razão pela qual a primeira informa: “que os pagamentos em questão compõem a conta do total de pagamentos realizados ao referido estabelecimento ao longo do ano de 2005, observandose, inclusive, a periodicidade dos pagamentos realizados que se encontram fundamentados no contrato de credenciamento firmado entre as partes.” Fl. 4125DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Itens 10, 38, 40, 41, 42 Pagamentos a Jamyr Vasconcelos S/A ("Drogarias Pacheco") ITEM DATA ESPECIFICAÇÃO VALOR R$ 10 20/04/2005 Deb de Ted entre IFS 187.160,16 38 19/08/2005 TED D Enviada 310.657,82 40 21/10/2005 TEDt Elet Disp 351.163,48 41 21/11/2005 TEDt Elet Disp 352.008,58 42 21/12/2005 TEDt Elet Disp 402.435,49 A recorrente esclarece, às folhas 3574, que: “Com relação aos pagamentos relacionados aos itens 10, 38, 40, 41 e 42 da Tabela 1 supra, os mesmos foram realizados a título de reembolso ao estabelecimento credenciado JAMYR VASCONCELOS S/A, cujo nome fantasia é "DROGARIAS PACHECO", e da mesma forma como mencionado no item anterior, tais pagamentos também estão relacionados ao reembolso efetivado pela RECORRENTE pelas transações realizadas pelos Usuários dos cartões junto ao referido estabelecimento, conforme prevê o "Instrumento Particular de Contrato de Adesão ao 'Sistema SmartCard Medicamentos', Comodato de Equipamentos e Outras Avenças", firmado entre a RECORRENTE e o mencionado estabelecimento, em 29/11/2000 (DOC. ANEXO 19).” Relativamente a esses itens, igualmente assiste razão à Recorrente. Foram acostados aos autos os seguintes documentos que comprovam a motivação da transferência e a identificação das contas destinatárias: Documento Comprobatório Folhas Valores Instrumento Particular de Contrato de Adesão 3691/3695 Borderô 4250507 3696 187.160,16 Borderô 8190507 3696 310.657,82 Borderô 11090508 3696 351.163,48 Borderô 11220505 3696 352.008,58 Borderô 12200504 3696 402.435,49 Cabe destacar que os Extratos de Conta Corrente de folhas 3329, 186, 487, 500, 516 informam no campo Histórico, o destinatário do TED, ou seja, Jamyr Vasconcelos S/A. Item 17 Pagamentos a Irmãos Guimarães Ltda ITEM DATA ESPECIFICAÇÃO VALOR R$ 17 12/05/2005 Transf. Valor entre conta 82.875,22 A recorrente esclarece, às folhas 3576, que o pagamento: Fl. 4126DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000395/200915 Acórdão n.º 2101002.450 S2C1T1 Fl. 4.122 11 “foi realizado a título de reembolso ao estabelecimento credenciado efetivado pela RECORRENTE pelas transações realizadas pelos Usuários dos cartões junto ao referido estabelecimento, conforme prevê o "Instrumento Particular de Adesão ao Sistema SODEXHO PASS Saúde e Outras Avenças", firmado entre a RECORRENTE e o mencionado estabelecimento, em 2003 (DOC. ANEXO 21).” Relativamente a esses itens, também assiste razão à Recorrente. Foram juntados aos autos os seguintes documentos que comprovam a motivação da transferência e a identificação das contas destinatárias: Documento Comprobatório Folhas Valores Contrato Particular de Adesão MEDCHEQUE/Irmãos Guimarães 3698/3707 Borderô 5120503 3708 82.875,22 Item 35 Comprovação de pagamento pela aquisição de bem pela recorrente (veículo) ITEM DATA ESPECIFICAÇÃO VALOR R$ 35 10/08/2005 Transf. Valor entre conta 39.300,00 A recorrente esclarece, às folhas 3574, que: “tal pagamento referese à aquisição de veículo, pela RECORRENTE, no mês de agosto de 2005, junto à empresa H POINT COMERCIAL LTDA., conforme comprova a anexa Nota Fiscal de venda n° 107798 (DOC. ANEXO 24).” Fora carreado aos autos cópia da Nota Fiscal citada (folhas 3721), bem como página do Razão Contábil onde se vê o registro respectivo. Assim, há que se excluir da exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, o montante de R$ 39.300,00. ITENS N° 5, 6, 7, 8, 9, 11, 12, 13, 15, 16, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 29, 30, 32, 33, 34, 36, 37 – Pagamentos a ASCARD Informações & Serviços Ltda ITEM Data Histórico Valor R$ 5 04/04/2005 Transf. Valor entre conta 43.000,00 6 11/04/2005 TEDt Elet Disp 78.000,00 7 11/04/2005 Transf. Valor entre conta 54.000,00 8 18/04/2005 TEDt Elet Disp 143.000,00 9 18/04/2005 Transf. Valor entre conta 30.000,00 11 26/04/2005 TEDt Elet Disp 43.000,00 12 26/04/2005 Transf. Valor entre conta 17.000,00 13 03/05/2005 TEDt Elet Disp 115.000,00 15 09/05/2005 TEDt Elet Disp 112.000,00 16 09/05/2005 Transf. Valor entre conta 55.000,00 19 30/05/2005 TEDt Elet Disp 76.000,00 20 30/05/2005 Transf. Valor entre conta 19.000,00 21 06/06/2005 TEDt Elet Disp 46.000,00 Fl. 4127DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 22 06/06/2005 Transf. Valor entre conta 58.000,00 23 13/06/2005 TEDt Elet Disp 46.000,00 24 20/06/2005 TEDt Elet Disp 18.000,00 25 20/06/2005 Transf. Valor entre conta 23.000,00 26 27/06/2005 TEDt Elet Disp 50.000,00 27 27/06/2005 Transf. Valor entre conta 16.000,00 29 04/07/2005 TEDt Elet Disp 82.000,00 30 04/07/2005 Transf. Valor entre conta 43.000,00 32 01/08/2005 Transf. Valor entre conta 15.000,00 33 08/08/2005 TEDt Elet Disp 35.000,00 34 08/08/2005 Transf. Valor entre conta 20.000,00 36 16/08/2005 TEDt Elet Disp 18.500,00 37 16/08/2005 Transf. Valor entre conta 11.500,00 A Recorrente esclarece que: “entendendo ser conveniente a ampliação de sua atuação no mercado mineiro, resolveu adquirir a totalidade da carteira de clientes da "Ascard Informações & Serviços Ltda.ii através da celebração, em 01 de abril de 2005, do "Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações de Contratos de Prestação de Serviços" (DOC. n° 09 da Impugnação).” (...) “... em virtude de litígio judicial instaurado entre as parte (Processo n° 0024.07.3893638, em trâmite perante a 4ª Vara Cível do Foro da Comarca de Belo Horizonte), eventuais documentos adicionais que poderiam ser apresentados para corroborar o quanto explicitado anteriormente sobre o motivo/causa das transferências realizadas à "Ascard Informações & Serviços Ltda." encontramse inacessíveis à RECORRENTE, sendo certo que, em que pese tal fato, junta a mesma a cópia da petição inicial da referida ação(DOC. ANEXO 26), a qual encontrase instruída com todos os documentos apresentados pela “Ascard Inforamções & Serviços Ltda” que comprovam as afirmações tecidas na referida inicial, em que confirma o recebimento de inúmeros valores da RECORRENTE, no período do ano de 2005, justamente, em virtude do contrato celebrado entre as partes (DOC. n° 09 da Impugnação). Da análise de cada item temse que foram carreados aos autos Extratos Conta Corrente da empresa ASCARD INFORMAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, nos quais se vê o registro a crédito, confirmandose a motivação dos pagamentos, qual seja, o Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações de Contrato de Prestação de Serviços (fls. 3759/3774) e, de consequência, identificandose o destinatário dos TEDs. Assim, os seguintes pagamentos hão de serem exclusos da exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no montante de R$ 862.500,00. Fl. 4128DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.000395/200915 Acórdão n.º 2101002.450 S2C1T1 Fl. 4.123 13 ITEM Data Histórico Valor R$ Folhas 6 11/04/2005 TEDt Elet Disp 78.000,00 3819 8 18/04/2005 TEDt Elet Disp 143.000,00 3808 11 26/04/2005 TEDt Elet Disp 43.000,00 96 13 03/05/2005 TEDt Elet Disp 115.000,00 98 15 09/05/2005 TEDt Elet Disp 112.000,00 3859 19 30/05/2005 TEDt Elet Disp 76.000,00 3830 21 06/06/2005 TEDt Elet Disp 46.000,00 3913 23 13/06/2005 TEDt Elet Disp 46.000,00 106 24 20/06/2005 TEDt Elet Disp 18.000,00 107 26 27/06/2005 TEDt Elet Disp 50.000,00 108 29 04/07/2005 TEDt Elet Disp 82.000,00 109 33 08/08/2005 TEDt Elet Disp 35.000,00 3998 36 16/08/2005 TEDt Elet Disp 18.500,00 3988 TOTAL 862.500,00 O mesmo não se pode dizer dos seguintes pagamentos, para os quais não foram comprovadas a destinação dos mesmos: Item Data Histórico Valor R$ 5 05/04/2005 Transf. Valor entre conta 43.000,00 7 12/04/2005 Transf. Valor entre conta 54.000,00 9 19/04/2005 Transf. Valor entre conta 30.000,00 12 27/04/2005 Transf. Valor entre conta 17.000,00 16 10/05/2005 Transf. Valor entre conta 55.000,00 20 30/05/2005 Transf. Valor entre conta 19.000,00 22 06/06/2005 Transf. Valor entre conta 58.000,00 25 20/06/2005 Transf. Valor entre conta 23.000,00 27 27/06/2005 Transf. Valor entre conta 16.000,00 30 04/07/2005 Transf. Valor entre conta 43.000,00 32 01/08/2005 Transf. Valor entre conta 15.000,00 34 08/08/2005 Transf. Valor entre conta 20.000,00 37 16/08/2005 Transf. Valor entre conta 11.500,00 TOTAL 404.500,00 Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento parcial ao recurso voluntario, mantendo o lançamento em relação aos R$ 404.500,00 de pagamentos efetuados a beneficiários não identificados. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 4129DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Fl. 4130DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10166.727033/2011-22
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
PEÇA RECURSAL QUE ALEGA SITUAÇÕES INEXISTENTES NO LANÇAMENTO. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO. LANÇAMENTO CLARO, PRECISO E OBJETIVO. LASTREADO EM FARTO CONJUNTO PROBATÓRIO. EXISTENTE NOS AUTOS. LANÇAMENTOS ESCLARECIDOS COM RELATÓRIOS E PLANILHAS DESCRITIVAS. NULIDADE FORMAL. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja, a do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação das Lei 9.528/97 e 9.876/99, limitando-se essa multa a setenta e cinco por cento, nos termos do artigo 35-A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, tudo a ser verificado no momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.345.607-7 e 37.345.610-7. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente BIG TRANS COMERCIAL DE ALIMENTOS S/A E OUTROS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 PEÇA RECURSAL QUE ALEGA SITUAÇÕES INEXISTENTES NO LANÇAMENTO. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO. LANÇAMENTO CLARO, PRECISO E OBJETIVO. LASTREADO EM FARTO CONJUNTO PROBATÓRIO. EXISTENTE NOS AUTOS. LANÇAMENTOS ESCLARECIDOS COM RELATÓRIOS E PLANILHAS DESCRITIVAS. NULIDADE FORMAL. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. VERIFICAÇÃO NO MOMENTO DO PAGAMENTO, PARCELAMENTO OU EXECUÇÃO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja, a do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação das Lei 9.528/97 e 9.876/99, limitandose essa multa a setenta e cinco por cento, nos termos do artigo 35A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, tudo a ser verificado no momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD's 37.345.6077 e 37.345.6107. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 70 33 /2 01 1- 22 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.004 2 Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.005 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.345.6077, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a parte descontada do trabalhador contribuição pessoal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.345.6107, que objetiva a contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – cota patronal e ao SAT/RAT, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 05 a 30, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 140 a 141. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 17/10/2011, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 33 e 42. Consta, as folhas, 850 a 853, Termos de Apensação (1), que informam a juntada por apensação a este processo dos processos: 10166.727034/201177; 10166.727035/201111; 10166.727036/201166 e 10166.727085/201107, datado de 21/10/2011. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 854 a 874, recebida, em 16/11/2011, conforme carimbo de recepção, de fls. 854, estando acompanhada dos documentos, de fls. 875 e 876. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 877. A empresa contribuinte apresentou nova petição, 879, acompanhada dos documentos, de fls. 880 a 811, e mais outra petição, as fls. 882 a 902. Consta, as folhas, 906 a 909, Termos de Desapensação (1), que informam a desapensação deste processo dos processos: 10166.727034/201177; 10166.727035/201111; 10166.727036/201166 e 10166.727085/201107, datado de 02/10/2013. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0433.732 3ª, Turma DRJ/CGE, em 02/10/2013, fls. 911 a 936. A impugnação foi considerada procedente em parte, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 937 a 945. Os contribuintes tomaram conhecimento desse decisório, em 21/10/2013; 22/10/2013 e 13/11/2013, conforme AR, de fls. 958 a 977. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 980 a 989, recebida, em 18/11/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 979, acompanhada dos documentos, de fls. 990 a 1.000, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.006 4 Mérito. · que o acórdão impugnado não tratou do vale transporte, FOPG, premiação, dissídio e férias, alimentação sem PAT, sendo omisso o acórdão e incoerente a atuação; · que os julgadores disseram que em relação aos DEBCAD’s 51.008.1835; 51.008.1851, 51.008.1860 e 51.008.1878 não houve impugnação, porém a recorrente refutou todos os lançamento, conforme comprovam a cópia da impugnação anexada, não podendo ser alegada a falta de impugnação e a consolidação do lançamento, devendo a matéria ser analisada, sob pena de nulidade do lançamento por violação do contraditório e ampla defesa; · que os autos não foram lançados com o atendimento do requisitos mínimos em especial a descrição fiel dos fatos infringentes, pois cabe ao fisco a prova do fato constitutivo do seu direito, não havendo nos autos a descrição fática e prova que evidencie a legalidade do lançamento; · que não se verifica dos autos como ocorreu o fato que ensejou a infração, pois o fisco apenas diz o que entendeu ser infração, mas sem demonstrála e sem descrevêla, não estando os autos devidamente instruídos, uma vez que ausentes termos, depoimentos, laudos, notificações e documentos apresentados pela recorrente, sendo incompleto o auto de infração, pois o auto é um amontoado de números e de citação de legislação, sem relação com a descrição fática, devendo quem lê adivinhar, o que ocorreu para dar origem a autuação; · que o auto encerra nulidade formal, uma vez que falta requisito essencial a descrição do fato infringente, devendo o auto ser cancelado por falta de clareza; · que o agente lançador foi econômico em suas palavras na hora da descrição dos fatos, apenas descrevendo o descumprimento da obrigação, citando a norma sem relacionála ao mundo dos fatos, não sendo este claro, objetivo ou preciso, devendo este observar a estrita legalidade e assim não ocorrendo deve ser declarada sua nulidade; · que não há a obrigatoriedade da retenção do recolhimento por sub rogação em relação a receita bruta da comercialização da produção rural, nos termos da Lei 8.540/92 e das Lei 9.258/97 e 10.256/2001, pois o STF no RE 363.852 – MG declarou inconstitucional o artigo 1º, da Lei 8.540/92, devendo o mérito desse ser procedente, pois ilegítima a cobrança; · que a recorrente paga rigorosamente todos as suas obrigações não deixando de efetuar os pagamentos a seus funcionários, podendo ter Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.007 5 ocorrido de forma excepcional e por lapso a falta de declaração em GFIP, como o fisco consignou; · que a eventual não declaração ocorreu por falha e não dolo e tendo sido o principal pago, não há porque subsistir a multa, acessória, pois o acessório segue o principal, devendo a multa deixar de existir, conforme determinado pelo poder judiciário, no precedente citado; · que em relação ao dissídio e férias retroativos, há um engano, pois a convenção coletiva, em sua cláusula primeira diz que o aumento é apenas a partir de 01/11/2008 não havendo retroatividade; · que em razão da eventualidade deve ser aplicado ao auto o que determina a lei 11.941/2009 em razão da não declaração em GFIP e do não recolhimento do principal, devendo o autos ser revisado, em busca de um maior benefício a recorrente; · Conclusão e requerimento: a) recebimento do recurso, com a reforma da decisão a quo. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 1.002. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 1.002. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 19/02/2014, Lote 01. É o Relatório. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.008 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. Inicialmente, deve ser firmado quais as questões postas em discussão. No presente PAF apenas estão lançados os DEBCAD’s 37.345.6077 e 37.345.6107, aliás, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em seu acórdão já havia definido esta questão veja a transcrição. Ou seja, as alegações relativas aos créditos DEBCAD’s 51.008.1835; 51.008.1851, 51.008.1860 e 51.008.1878, nesse recurso, são impertinentes, descabidas e destituídas de fundamentos, ocorrendo em relação a elas o chamado divórcio ideológico, o que não permite o acolhimento das teses, na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal – STF, observese o que diz o tribunal. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.009 7 ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) (o destaque é meu). Nesta esteira de fatos e ocorrências o mesmo se dá com a alegação de que não há a obrigatoriedade da retenção do recolhimento por subrogação em relação a receita bruta da comercialização da produção rural, nos termos da Lei 8.540/92 e das Lei 9.258/97 e 10.256/2001, uma vez que tal rubrica não é parte constitutiva desse lançamento, ocorrendo aqui, também, o descrito divórcio ideológico. Ademais, o órgão julgador de primeiro grau reconheceu e excluiu dos créditos lançados nesse PAF, as rubricas a título de alimentação in natura e o vale transporte pago em dinheiro, veja o que diz o acórdão a quo sobre as rubricas. Portanto, assiste razão à Impugnante quanto a não incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre verbas incorridas a título de Despesas com Alimentação, que deverão seus levantamentos AL1 e AL2 serem excluídos, conforme “Demonstrativos de Revisão dos Lançamentos”, colados ao final deste Acórdão. Portanto, assiste razão à Impugnante quanto a não incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros sobre verbas incorridas a título de Vale Transporte, que deverão seus levantamentos VT1 e VT2 serem excluídos, conforme “Demonstrativos de Revisão dos Lançamentos”, colados ao final deste Acórdão. Assim sendo, essas matérias estão fora do âmbito recursal, uma vez que falta a recorrente legitimidade recursal quanto a alimentação in natura e ao vale transporte pago em dinheiro, pois nos termos do artigo 499, caput, da Lei 5.869/73 a empresa não sucumbiu em relação a essas matérias. Verificase que o recurso aviado não se coaduna com a realidade do Acórdão do Recurso Voluntário, pois expressamente a referida peça processual Acórdão cita e exclui essas rubricas do lançamento, mas o recurso diz que o acórdão não tratou do vale transporte, FOPG, premiação, dissídio, férias e alimentação sem PAT, sendo omisso o acórdão e incoerente a atuação, alegação inverídica e desprovida de fundamentos e juridicidade, a simples leitura de tal documento desmistifica a afirmação da recorrente. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.010 8 O presente PAF e seus dois créditos encerram o lançamento de créditos tributários obrigações principais, isto é, a contribuição social propriamente dita e não adimplida espontaneamente pela empresa recorrente. O agente fiscal em seu REFISC, de fls. 05 a 30, nos itens 37 a 48, determinou o fato gerador em relação à alimentação; no itens 49 a 54, determinou o fato gerador em relação à premiação; nos itens 55 a 62, determinou o fato gerador em relação ao vale transporte pago em pecúnia; nos itens 70 a 75, determinou o fato gerador em relação aos outros adicionais de férias; nos itens 76 a 78, determinou o fato gerador em relação à folha de pagamento não declarada em GFIP e nos itens 79 a 81, determinou o fato gerador em relação à diferença de descontos de segurados, estando desta forma descritos os fatos que fundamentam o lançamento. As provas que foram utilizadas para constituir o direito do fisco estão apresentadas, as folhas 275 a 314; 585 a 780; 781 a 796 e 836 a 848, bem como pela análise e compreensão do Plano de Contas, de fls. 797 a 835, indispensável para um melhor entendimento do Razão e Diário que foram solicitados pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 140 e 141. Fica evidente dos esclarecimentos acima que o fisco demonstrou os fatos geradores, bem como a documentação que lastreou as conclusões a que chegou o agente lançador, estando plenamente atendido o artigo 142, da Lei 5.172/66, bem como o artigo 9º e 10, do Decreto 70.235/72 e o artigo 333, I, da Lei 5.869/73, inexistindo qualquer dificuldade ou dúvida quanto ao lançamento e a origem dos créditos, sendo este bastante claro em suas conclusões, fundamentações, demonstrações e comprovações. O fisco demonstrou a ocorrência do fato gerador, bem como o não oferecimento de parte das verbas remuneratórias a tributação e assim exigiu as diferenças que entendeu e provou existentes e que estão discriminadas e demonstradas nos diversos relatórios deste PAF, tais como: ANEXO VI: Relação de Beneficiários Auxílio Alimentação; ANEXO VII: Relação de Beneficiários – Folha de Pagamento Não declarada em GFIP; ANEXO VIII: Relação de Beneficiários – Vale Transporte Pago em Dinheiro; ANEXO IX: Relação de Beneficiários – Premiação; ANEXO X: Relação de Beneficiários Dissídio Retroativo; ANEXO XI: Relação de Beneficiários Outros Adicionais de Férias; ANEXO XII: Cálculo da nova contribuição dos segurados; Relatório Fiscal, todos componentes do presente lançamento e baseados nos documentos apresentados pela empresa fiscalizada e supramencionados. A alegação não comprovada de que a recorrente cumpre com todas as suas obrigações e não deixa de efetuar os pagamentos a seus funcionários é irrelevante para o deslinde da questão, pois ficou comprovado que no presente caso temos o lançamento da contribuição social previdenciária, isto é, a obrigação principal ou o tributo em espécie. Não existe no presente auto o lançamento de obrigação acessória e ainda, que existisse as alegações da recorrente não alterariam as determinações legais, pois uma vez descumprida a lei ou a legislação tributária o fisco tem o dever constitucional e legal de agir e lançar os créditos devidos. Não há o engano suscitado pela recorrente no que tange ao dissídio e férias, pois uma vez que a remuneração paga, devida ou creditada foi acrescida de 8,2% a partir de 01/11/2008 e pagas na folha de dezembro devem ser ofertadas a tributação, pois são base de cálculo da contribuição. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.011 9 No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria do levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, tudo em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 17/11/2011, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 01/2008 a 12/2008, Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 140 e 141. Desta forma, para o período de 01/2007 a 11/2008, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não haja parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. No que tange a competência 12/2008, a multa a aplicar é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, pois já se encontrava em vigor. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.727033/201122 Acórdão n.º 2803003.374 S2TE03 Fl. 1.012 10 Expostos os argumentos acima rejeito todos os pedidos da recorrente, inclusive, a da multa prevista na Lei 11.941/2009, pois no presente temos lançamento de ofício e essa só será aplicável na forma acima esclarecida. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito darlhe provimento parcial, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja, a do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação das Lei 9.528/97 e 9.876/99, limitandose essa multa a setenta e cinco por cento, nos termos do artigo 35A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, tudo a ver verificado no momento do pagamento, parcelamento ou execução, relativamente, aos DEBCAD’s 37.345.6077 e 37.345.6107 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11080.918313/2012-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 13 /2 01 2- 31 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918313/201231 Acórdão n.º 3801003.460 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918313/201231 Acórdão n.º 3801003.460 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918313/201231 Acórdão n.º 3801003.460 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918313/201231 Acórdão n.º 3801003.460 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918313/201231 Acórdão n.º 3801003.460 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.914577/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ADMISSÃO.
Constatada a ocorrência de omissão no acórdão recorrido os embargos devem ser admitidos.
BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. NÃO CONSTITUÍDA PERANTE A FAZENDA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
A verificação, pela Fazenda. dos registros contábeis e ficais, de redução de base de cálculo cujos tributos decorrentes não foram informados em DCTF antes da decisão administrativa, para o fim de atestar o crédito alegado e usado em compensação, não viola o instituto da homologação tácita.
Numero da decisão: 3803-005.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ADMISSÃO. Constatada a ocorrência de omissão no acórdão recorrido os embargos devem ser admitidos. BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. NÃO CONSTITUÍDA PERANTE A FAZENDA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A verificação, pela Fazenda. dos registros contábeis e ficais, de redução de base de cálculo cujos tributos decorrentes não foram informados em DCTF antes da decisão administrativa, para o fim de atestar o crédito alegado e usado em compensação, não viola o instituto da homologação tácita.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. ADMISSÃO. Constatada a ocorrência de omissão no acórdão recorrido os embargos devem ser admitidos. BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. NÃO CONSTITUÍDA PERANTE A FAZENDA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A verificação, pela Fazenda. dos registros contábeis e ficais, de redução de base de cálculo cujos tributos decorrentes não foram informados em DCTF antes da decisão administrativa, para o fim de atestar o crédito alegado e usado em compensação, não viola o instituto da homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, sem efeitos infringentes, para suprir a omissão do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 77 /2 00 9- 17 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela TOP VISION CALÇADOS LTDA, sob o amparo do art. 65 do Anexo II da Portaria 256/2009 do Ministro da Fazenda, em face do Acórdão de n.º 3803004.398, exarado por esta turma julgadora em sede de Recurso Voluntário, em decisão que restou assim ementada: INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Irresignado, o sujeito passivo afirmou que houve contradição e omissão na decisão, sustentando que: 1. A discussão do processo é sobre a homologação do pagamento da COFINS, de setembro de 2001, e não da compensação, realizada em 2006, e aduz que não é permitido à Receita Federal do Brasil, em diligência, alterar as bases de apuração da COFINS quando já homologada; 2. As apurações apresentadas estão de acordo com os documentos fiscais apresentados no processo, asseverando que a Receita não pode alterar as bases de apuração da COFINS quando já homologadas; 3.Entende que não houve prova do erro alegado, seja em manifestação de inconformidade seja em recurso voluntário, bem como a demonstração do direito da embargante. 4. No Recurso Voluntário juntou diversos julgados favoráveis à embargante, comprovando a existência do crédito requerido 5. Juntou toda documentação requerida quando da diligência deste processo, entendendo que, por ela, resta comprovado todo o crédito pretendido; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11065.914577/200917 Acórdão n.º 3803005.864 S3TE03 Fl. 11 3 Nas Informações em Embargos, prestadas pelo Eminente Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, entendeuse que houve a contradição apontada pela recorrente, nos termos do despacho ora transcrito, na parte que interessa: “(...) Por outro lado, no que se refere à alegação de que, no voto condutor do acórdão embargado, terseia analisado o prazo para a homologação da compensação previsto no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, quando a defesa se referira ao prazo para a homologação tácita do pagamento antecipado, prazo este previsto no art. 150, § 4º, do CTN, constatase que, sem adentrar no mérito da questão posta, tal contradição ocorrera. Em seu Recurso Voluntário, o ora Embargante arguira que a Fazenda não poderia mais, na data da realização da diligência, rever os cálculos de apuração da contribuição devida em setembro de 2001, em razão da regra contida no § 4º do art. 150 do CTN, em que se prevê a homologação tácita do pagamento efetuado no lançamento por homologação. (...) Verificase do trecho acima transcrito que a Turma tratou o argumento do Embargante como se tratando da homologação tácita da compensação e não do pagamento antecipado declarado em DCTF. Tal contradição não significa, contudo, que a alegação do Embargante tenha fundamento ou que ela seja consistente, tratandose tão somente da constatação de que os argumentos arguidos em sede de recurso foram analisados no acórdão embargado sob outra perspectiva que não aquela aduzida na peça recursal. Diante do exposto, é possível concluir pela ocorrência de contradição no voto condutor do acórdão embargado, em razão do que, com base no § 2º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pronunciome pela admissibilidade como Embargos de Declaração da petição apresentada por Top Vision Calçados Ltda.” É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Contradição entre a homologação tácita do pagamento e da compensação. Quanto a esta questão, no Recurso Voluntário o pedido da requerente foi, de fato, referente a homologação tácita do pagamento antecipado, em cuja modalidade o Fisco perde o direito de cobrar uma possível diferença depois de decorrido o prazo decadencial de 5 anos, prazo este previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Por outro lado, o Acórdão 3803004.586, ora embargado, tratou de homologação da compensação, prevista no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, matéria diversa da abordade no Recurso Voluntário. Nada obstante a contribuinte ter referido tratarse de contradição, entendemos que processualmente este não é o caso e sim de omissão, em razão da falta de enfrentamento da questão efetivamente abordada no Recurso Voluntário. Como é de fácil apreensão a matéria trazida nos embargos é de se relevar a referência feita a contradição e não se criar osbtáculo à sua admissão como omissão. Tratandose de homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte, de apurar o valor da contribuição, informado em DCTF, e efetuar o respectivo pagamento, com efeito, a Fazenda não dispõe da prerrogativa de proceder à alteração de base de cálculo e consequente cobrança de débito eventualmente assim apurado, quando decorridos cinco anos do fato gerador, nos termos do § 4º, do art. 150, do CTN. Entretanto, não foi o uso de prerrogativa que não tinha a Fazenda o que ocorreu. A Fazenda não alterou bases de cálculo para o fim de exigir contribuição antes não apurada pela contribuinte, fora do prazo decadencial, violando o art. 150 § 4º do CTN. O que efetivamente ocorreu foi o uso de prerrogativa a que tinha direito a Fazenda de atestar o crédito pretendido pela recorrente, uma vez que perante a RFB a contribuinte não dispunha de nenhum crédito à data da decisão administrativa, em face de alocação do pagamento ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Para aferir o crédito, inevitável não apreciar a base de cálculo, uma vez que esta foi alterada mediante DCTF retificadora após a decisão administrativa. A base de cálculo da qual partiu o Fisco foi aquela declarada pela contribuinte em DCTF original vigente à época do encontro de contas, este o direito então constituído na data da decisão administrativa. Na diligência levada a efeito pela DRF identificouse diferença a maior para a base de cálculo pretendida pela contribuinte. Se a base cálculo constante dos sistema da RFB, via confissão de débito, na data da decisão administrativa, era maior que a pretendida, não se esteve a aumentar base de cálculo para negar direito ao crédito. Noutras palavras, não houve revisão de base de cálculo. No entanto, embora o Acórdão embargado tenha sido omisso em relação à matéria debatida, tal equívoco se mostra indiferente no tocante ao direito creditório pleiteado pela embargante, uma vez que a carência de provas, obstáculo central do não reconhecimento do crédito pleiteado, não foi suprida, permanecendo incólume, neste ponto, o acórdão recorrido, é o que será demonstrado. Da contradição frente à diligência realizada Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11065.914577/200917 Acórdão n.º 3803005.864 S3TE03 Fl. 12 5 Alega a embargante que há contradição nos fundamentos da decição embargada no que tange à diligência realizada, data vênia, discordamos peremptoriamente deste entendimento, não vislumbramos qualquer contradição, tanto que a embargante não traz com clareza qual seria tal contradição. A diligência realizada procurou suprir um ônus que seria da embargante, qual seja, o de fazer prova inequivoca do crédito alegado, óbvio que para aquilatar a certeza e liquidez do crédito alegado pela embargante indispensável é a composição da base de cálculo , mas, isto sem constituir uma nova base de cálculo para exigência de eventuais diferenças, mas, tão somente certificarse do real valor de crédito a que teria direito a contribuinte, e o fez de forma escorreita. A diligência negou o crédito total pretendido não pelo fato de haver divergência entre as declarações apresentadas, mas sim, como resultado da apuração realizada na escrita fiscal e contábil da embargante. Mais uma vez repisamos, a RFB não alterou as bases de cálculo da contribuição, tão pouco exigiu complemento de diferenças eventualmente detectadas, mas, tão somente verificou que o crédito pretendido pela embargante era superior ao que demonstrava a sua contabilidade. Portanto, nenhuma contradição identificamos neste ponto. Da contradição frente à prova/ Falta de documentos contábeis/fiscais É de se destacar o fato de que a embargante insiste que juntou toda documentação requerida quando da diligência deste processo, entendende que, por ela, resta comprovado todo o crédito pretendido. Contudo, o julgador, a partir do caso concreto que lhe foi posto, conforme o que ficou esclarecido e segundo seu livre convencimento, tem a liberdade para decidir acerca de seu conteúdo. Para tanto, basta que seu juízo esteja amparado por fundamentação legal de seus próprios argumentos, o que de fato ocorreu no acórdão atacado. Vale, então, repisar trecho da decisão embargada, que versa sobre a documentação probatória constante do processo, in verbis: “Nas referidas planilhas/fichas relativas aos meses anteriores, se identificam valores da contribuição a pagar em montante superior aos créditos apurados, o que em nada corrobora com a tese defendida pelo Recorrente, por falta de demonstração e de prova do erro alegado. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, desenvolvendose a atividade probatória nos limites do pedido formulado pelo contribuinte. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que reconheceu apenas em parte o direito creditório e homologou a compensação até esse limite, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas as planilhas e as fichas acima abordadas, mas desacompanhadas de qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse infirmar as conclusões da Fiscalização. No Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos, o contribuinte nada traz aos autos, salvo cópias de decisões da DRJ Porto Alegre/RS, versando sobre matérias que não coincidem com o objeto controvertido neste processo.” A embargante sustenta, ainda, que as apurações apresentadas estão de acordo com os documentos fiscais expostos no processo. No entanto, como bem explicado no acórdão embargado, o entendimento não é esse, senão que, in verbis: “(...) é possível constatar que, na realização da diligência, a Fiscalização não adotou simplesmente o que havia sido declarado em Dacon, pois, conforme se verifica das planilhas então elaboradas, os valores declarados pelo contribuinte em meses anteriores não coincidiram com os verificados pela Fiscalização, fato esse que, por si só, já afasta a alegação do Recorrente.” Além disso, o recorrente se defende de forma genérica, não apontando especificamente que dados não foram considerados pela Fiscalização, reportandose tão somente às planilhas e fichas apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sem identificar a origem dos erros alegados. Nas referidas planilhas/fichas relativas aos meses anteriores, se identificam valores da contribuição a pagar em montante superior aos créditos apurados, o que em nada corrobora com a tese defendida pelo Recorrente, por falta de demonstração e de prova do erro alegado” Neste ponto não encontramos nenhuma contradição, mas, sim a simples constatação de que a documentação juntada pela embargante não foi suficiente para comprovar o direito creditório pretendido, juntou tão somente documentos que comprovam o valor recolhido e não a composição da base de cálculo inicialmente declarada e a que pretendia ver acatada, tivesse esta juntado os razões da contas contábeis que compuseram a base de cálculo, os livros fiscais que comprovem sua receita, as receitas financeiras, de exportação e demais Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11065.914577/200917 Acórdão n.º 3803005.864 S3TE03 Fl. 13 7 receitas que pretendia ver excluídas da base de cálculo e nem mesmo diligência seria necessária. Da jurisprudência alegada Quanto aos julgados trazidos em Recurso Voluntário – que a recorrente reitera que lhes são favoráveis, além de não vincular à esta decisão, não vislumbramos nos mesmos a contradição apontada. Vale ressaltar que versam sobre a inconstitucionalidade do disposto no § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, questão já reconhecida e superada no presente processo. Os demais tratam de homologação das compensações em virtude de relatório de diligência que concluiu pela procedência do crédito solicitado, que em nada se aplica à demanda em questão, uma vez que o relatório da diligência requerida em 1ª instância não concluiu nesse sentido. Assim, os Embargos de Declaração apresentados não trazem alteração alguma em relação ao direito creditório pleiteado no processo, pois não supriram a carência que ensejou seu não reconhecimento, qual seja, a ausência de provas consistentes e firmes da existência do direito reclamado. Da conclusão Diante do exposto, damos PARCIAL PROVIMENTO Aos Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para RECONHECER A OMISSÃO apontada no que pertine à homologação tácita, uma vez que a matéria requerida em sede de Recurso Voluntário tratava sobre homologação do pagamento efetuado (art. 150, § 4º, CTN) e não sobre homologação da compensação pleiteada (§ 2º do art. 37 da IN/RFB nº 900/08). (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10073.902036/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 36 /2 00 9- 76 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902036/200976 Acórdão n.º 3802003.094 S3TE02 Fl. 123 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902036/200976 Acórdão n.º 3802003.094 S3TE02 Fl. 124 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10983.722367/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2009
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07.
A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso . Vencido conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. Votaram pelas conclusões os conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira e Raquel Motta Brandão Minatel. O Conselheiro João Carlos Cassuli Junior apresentará declaração de voto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso . Vencido conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. Votaram pelas conclusões os conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira e Raquel Motta Brandão Minatel. O Conselheiro João Carlos Cassuli Junior apresentará declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Raquel Motta Brandão Minatel.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. 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Votaram pelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 23 67 /2 01 1- 86 Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 conclusões os conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira e Raquel Motta Brandão Minatel. O Conselheiro João Carlos Cassuli Junior apresentará declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 164.661,33 referente a multa de 10% do valor das operações acobertadas pela importadora. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que a interessada teve duas Declarações de Importação fiscalizadas em unidade de fronteira da Receita Federal do Brasil. No decorrer daquela fiscalização foram levantados indícios de que haveria a prática de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas pela interessada, pois as importações eram realizadas na modalidade “direta”. Foram tomados depoimentos dos intervenientes nas operações, transportador e despachante aduaneiro, bem como do próprio diretor da empresa. Também foram apreendidas mensagens eletrônicas que confirmaram as suspeitas iniciais. Assim, foi realizada fiscalização nas Declarações de Importação registradas pela interessada no período de 2007 a 2009. A descrição dos fatos do auto de infração foi assim resumida pela fiscalização em seu relatório fiscal: “Diante do relatado até aqui, podemos concluir que: Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.903 3 A FIRST S/A atuava como intermediária nas operações de importação de preformas PET, que são objeto desta fiscalização, ocorridas entre julho de 2007 a agosto de 2009. As preformas PET a serem importadas eram definidas, em quantidade e características, pelas empresas clientes da FIRST: Renosa, Brasal, Rebica, Refresco Bandeirantes e Uberlândia Refrescos. As empresas destinatárias das preformas PET mantinham contato direto com a empresa Cristalpet, inclusive definindo características das mercadorias a serem importadas. A empresa FIRST procurou ocultar da fiscalização, no decorrer tanto do procedimento especial de controle instaurado pela IRF/Santana do Livramento quanto no decorrer da presente fiscalização, que as preformas PET, por ela importadas, tinham destinatários predeterminados. A emissão de notas fiscais de venda para os reais adquirentes das preformas PET, antes mesmo da liberação das mercadorias pela alfândega, era uma prática recorrente da empresa, uma vez que os reais adquirentes já eram conhecidos pela FIRST antes mesmo da importação ocorrer. Os recursos utilizados nas operações de importação pertenciam, ao que tudo indica, à empresa FIRST S/A e eram reembolsados a ela, pelas reais adquirentes das mercadorias. A empresa FIRST S/A atuava como prestadora de serviços de importação para empresas que utilizavam preformas PET em seus processos produtivos, entre elas as empresas Rebica Indústria e Comercio Ltda, Brasal Embalagens Ltda, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda e Uberlândia Refrescos Ltda. Houve ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas por meio das DI sob fiscalização. As operações realizadas pela FIRST, por suas características e, tendo em vista que a mercadoria a ser importada (quantidade, tipo, preço) era sempre definida, previamente em negociação direta entre os adquirentes das mercadorias (Renosa, Brasal, Refrescos Bandeirantes, Rebica, Uberlândia) e o exportador, se enquadram como importação por conta e ordem de terceiros.” Com relação às penalidades, assim, concluiu a fiscalização: “Diante de todo exposto no presente Relatório e nos documentos citados, concluise que: A empresa FIRST S/A efetuou diversas operações de importação de preforma PET (DI constantes na Tabela 1), onde declarava importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações: Rebica Indústria e Comercio Ltda, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, Brasal Embalagens Ltda, Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda e Uberlândia Refrescos Ltda, mediante simulação e fraude. Todas as operações de importação de preforma PET analisadas nesta fiscalização foram realizadas em nome das empresas Rebica Indústria e Comércio Ltda, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, Brasal Embalagens Ltda, Refrescos Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Bandeirantes Indústria e comércio Ltda e Uberlândia Refrescos Ltda. A conduta da empresa FIRST S/A configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado (prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiros) permaneceu oculto. Houve, em tese, utilização indevida de benefício fiscal relativo ao ICMS pelas empresas FIRST, Rebica Indústria e Comercio Ltda, Brasal Embalagens Ltda, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda e Uberlândia Refrescos Ltda, o que configura fraude tributária. Restou demonstrado que a empresa FIRST S/A, mediante cessão de seu nome e seus documentos, importou preformas PET, para as empresas Rebica Indústria e Comércio Ltda, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, Brasal Embalagens Ltda, Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda e Uberlândia Refrescos Ltda., sendo estas empresas acobertadas das relações obrigacionais tributárias formadas. Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) os verdadeiros destinatários das preformas PET importadas nas DI sob fiscalização (tabela 1), configurando a prática de OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR E RESPONSÁVEL pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” Assim conclui a fiscalização: “Cabe asseverar que a empresa FIRST S/A, na medida em que constou no SISCOMEX e em toda documentação analisada como se tivesse realizado importações por conta própria, acobertou as empresas Rebica Indústria e Comercio Ltda, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda, Brasal Embalagens Ltda e Uberlândia Refrescos Ltda, reais adquirentes/beneficiários das operações de importação das mercadorias objeto das DI sob fiscalização, registradas em seu nome. De fato, durante a ação fiscal levada a cabo, detectaramse fundados indícios (item 5.2 acima) de ocorrência da infração tipificada no artigo 33, caput, da Lei nº 11.488/2007, regulamentado pelo artigo 727, parágrafos 1º, 2º e 3º do Decreto nº 6.759/2007 (Regulamento Aduaneiro), qual seja: a cessão de nome e de documentos, pela empresa FIRST S/A, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros (importação de preformas PET), com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, empresas Rebica Indústria e Comercio Ltda, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, Brasal Embalagens Ltda, Refrescos Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda e Uberlândia Refrescos Ltda, infração punível com multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de cessão.” Assim, foi lavrado o auto de infração do presente processo para exigência da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: Preliminarmente, há nulidade do auto de infração por vício na Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.904 5 identificação da base de cálculo, pois não foram especificadas as DI’s sobre as quais restou aplicada a penalidade, o que caracteriza flagrante e insanável cerceamento de defesa. A operações de importação foram legalmente realizadas por conta própria para posterior revenda/distribuição, tendo a fiscalização cometido equívocos. O dano ao erário suscitado pela fiscalização definitivamente não se perfectibiliza na situação dos autos, pois não há burla aos controles aduaneiros, como a fuga da habilitação ao comércio exterior (Sistema Siscomex), tampouco quebra da cadeia do IPI, e, muito menos o empréstimo/cessão do nome a terceiro. Também não há a alegada alteração na sujeição passiva. Nunca houve o menor sentido e interesse na propalada interposição/ocultação do adquirente, não havendo, por isso, qualquer motivo para afastar a presunção de boafé das empresas. Não se caracterizou a interposição fraudulenta acusada pela fiscalização, sendo que não haveria nenhuma motivação para essa prática, pois ambas empresas são habilitadas a realizar operações de comércio exterior, possuem plena capacidade financeira, não há quebra da cadeia do IPI (os produtos não são tributados pelo IPI). As operações cumpriram todos os requisitos que caracterizam importações cujas mercadorias são consideradas de propriedade do importador, como define o Ato Declaratório Normativo SRF nº 7/2002. Os emails carreados aos autos não se prestam a embasar a presente autuação, pois coletados especificamente com relação a duas operações isoladas de importação. fiscalizadas na fronteira, e, ainda que se prestassem, não são suficientes para tal desiderato. A existência de um indício isolado, portanto, não é capaz de justificar a constituição do crédito tributário, ainda mais quando da análise dos demais “indícios” não de pode inferir a suposta infração. Não tendo a autoridade fiscal produzido prova capaz de demonstrar a relação de causalidade entre as constatações indicadas no relatório de ação fiscal e as supostas infrações que geraram a autuação, improcedente se mostra o auto de infração. O fato de a impugnante possuir regime especial de recolhimento de ICMS na importação não possibilita a conclusão de fraude, porquanto se trata de incentivo fiscal concedido pelo Estado de Santa (sic), do qual usufrui legalmente, fugindo da competência do Fisco Federal qualquer alegação relativa ao interesse arrecadatório dos demais Estados. Isto é, tratase de matéria que somente poderia ser objeto de autuação pelo Fisco estadual supostamente lesado. Não foram carreadas aos autos provas materiais que comprovassem a intenção de se ocultar o real importador, já que ambas as partes possuíam capacidade financeira e operacional para realizar as operações. A fiscalização promoveu a desconsideração no negócio jurídico indevidamente, pois não há permissão no ordenamento jurídico para o feito. O procedimento ofende o princípio da legalidade, bem como o da liberdade de contratação, corolário do princípio constitucional da livre iniciativa. Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Concluise que o ato administrativo vergastado não atendeu aos requisitos da motivação e da finalidade, já que o substrato fático certamente afasta a hipótese de interposição fraudulenta, e, por consequência, de aplicação da nefasta multa ora combatida. O vício de motivação do ato administrativo fica ainda mais evidente diante da contradição em que incorreram as Autoridades Administrativas. Isso porque a importação na modalidade por conta e ordem de terceiros é caracterizada pela antecipação de recursos por parte do adquirente das mercadorias, que apenas contrata a trading para prestar serviços relativos ao despacho aduaneiro. Ocorre que, embora as Autoridades Administrativas tenham constatado que os recursos empregados na importação eram próprios da ora Impugnante (o que consta de forma expressa no Relatório de Ação Fiscal), fundamentaram a autuação na descaracterização das operações de importação própria para importação por conta e ordem de terceiros! A multa aplicada tem nítido caráter confiscatório, vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, conforme a doutrina e a jurisprudência vêm entendendo. Caso mantida a autuação a impugnante não terá condições de pagar tão exorbitante quantia e restará aniquilada totalmente a base tributável e a função social da empresa, pois não poderá manter suas atividades empresariais. No caso em apreço não podem subsistir nem a multa pela conversão da pena de perdimento, nem a multa pela cessão de nome, ora questionada, por não se fazer presente a hipótese de incidência prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. A pena de perdimento deixou de ser imputável ao importador ou exportador ostensivo, em coautoria com o real encomendante/adquirente, a partir da entrada em vigor da Lei nº 11.488/2007. Pelo mesmo motivo, também não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, sob pena de se estar ferindo o princípio do non bis in idem. Há erro de tipificação legal, mormente diante da flagrante inaplicabilidade à hipótese da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, principalmente por estar sendo exigida cumulativamente com a multa de conversão da pena de perdimento. A pena de perdimento deve ser relevada, conforme art. 737 do Regulamento Aduaneiro, e, na pior das hipóteses, deve ser aplicada a multa de um por cento prevista no art. 712 do mesmo regulamento, caso seja mantido o entendimento de que as importações não foram por conta própria. Requer o cancelamento do auto de infração e o julgamento em conjunto com os demais processos conexos." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/07/2007 a 28/08/2009 Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.905 7 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com conseqüente aplicação da penalidade prevista. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada da decisão, as Empresas First S/A interpôs Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação, afirmando: (a) a legalidade das operações de importação por conta própria da Recorrente, para posterior revenda/distribuição; (b) a inocorrência de interposição fraudulenta de terceiros, mediante ocultação do real adquirente, e por consequência o descabimento da multa pela cessão de nome de pessoa jurídica; (c) a inexistência de fraude e simulação, com a indevida desconstituição/desconsideração do negócio jurídico; (d) os vícios de motivação e finalidade do ato administrativo; (e) a inaplicabilidade da multa pela cessão de nome de pessoa jurídica (Lei nº 11.488/07, art.33), e da configuração de indevido bis in idem; (f) a necessidade de relevação da multa ante a ausência do elemento danoso, conforme art. 737 do Regulamento Aduaneiro; e (h) o cabimento da penalidade menos gravosa em função da presunção de boafé. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Ofensa a princípios constitucionais e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações presentes no recurso voluntário quanto a relevação da multa aplicada em razão de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar a Recorrente alega a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requesitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação e as provas que conduziram a autoridade autuante às motivações para o lançamento. A Recorrente foi cientificada do Auto de Infração e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento prolatado pela autoridade a quo, interpôs recurso voluntários, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificada. Se a Recorrente não concorda com as conclusões da autoridade autuante, obtidas a partir dos fatos narrados, lhe é permitido apresentar os recursos cabíveis. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo Fiscal. Lançamento em razão da aplicação da pena de perdimento para mercadorias que teriam sido importadas sob o artifício da interposição fraudulenta A lide gira em torno da aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. A fiscalização entendeu que a empresa autuada teria cedido o nome para a operação de importação de terceiros. A Recorrente, em sua defesa, alega a licitude das operações sendo imputadas a ela uma fraude que não existe. É necessário esclarecer que diferente de outros casos já discutidos neste conselho, o fato que aqui se apresenta, não é de falta de comprovação de origem dos recursos. O que deu origem ao lançamento são as operações de importação da First, que segundo a Fiscalização Aduaneira, teriam ocorrido por conta e ordem da empresa Brasal. Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.906 9 Para o enfrentamento das matérias suscitadas nos autos é necessário trazer a lume o tema do controle aduaneiro e a interposição nas operações de comércio exterior. O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas. A primeira, de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e a segunda, a interposição fraudulenta de terceiros, que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada, presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.907 11 É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Quanto a alegação que a boafé na operação seria suficiente para afastar a exigência fiscal é necessário observar, que o diploma legal pune a ocultação das informações por meio de fraude ou simulação. A fraude está prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64 e para a sua configuração é necessária uma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente a obrigação tributária. A simulação, por sua vez, não exige necessariamente que seja comprovado a intenção de obter uma exoneração tributária, neste caminho a lição de Orlando Gomes. "A simulação existe quando em um contrato se verifica, para enganar a terceiro, intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada pelas partes."(Gomes, Orlando. Introdução ao Direito Civil. 17ª ed. Rio de Janeiro. Forense. 2000. p. 427. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 A procedência e legalidade da aplicação da multa de 10% na cessão de nome para terceiro nas operações importação. Além, da penas referentes ao perdimento da mercadoria, a interposição fraudulenta também gera a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." De acordo com este mandamento legal, a pessoa jurídica que cede o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros fica sujeita a multa de 10% do valor da operação. Questão reiteradamente discutida e questionada pela Recorrente é a alegação que a penalidade prevista no art. art. 33 da Lei nº 11.488/2007 afasta a aplicação da multa de perdimento e conversão da multa, nos casos de interposição fraudulenta, previsto no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A matéria foi disciplinada no art. 727, § 3º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. " Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. " Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.908 13 A determinação do § 3º deixa cristalino que a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não prejudica a aplicação da pena de perdimento, assim não existe substituição das penalidade, tampouco, revogação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 por esta nova multa. Esclarecida a questão da interposição fraudulenta e das penalidade aplicáveis, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela First S/A e o envolvimento de outras empresas na importação de preformas O cerne da lide é o conjunto de operações que a Fiscalização Aduaneira entende, terem constado como importador as empresa First S/A, mas cujo real adquirente eram as empresas Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S/A, Refreso Bandeirantes Indústria e Comércio Ltda, Brasal Embalagens Ltda. Uberlândia Refrescos Ltda e Rebica Indústria e Comércio Ltda. A apuração envolve a observância dos documentos e fatos trazidos aos autos pela Fiscalização. A fiscalização identificou por diversos informações e documentos fiscais a relação da First com empresas que atuavam na área da produção e envasamento de refrigerantes, atuando como importadora e fornecedora de preformas. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca o modo de operação. A seguir detalho informações extraídas do relatório fiscal, que motivaram a exigência fiscal. i) A Fiscalização identificou a existência de emissão de Notas Fiscais, na mesma data de liberação das mercadorias pela Alfândega, configurando que as mercadorias importadas já estavam com a destinação para as empresas que seriam as reais adquirentes da mercadoria. (fl. 40) "Conforme demonstrado nas Tabelas 2.1, 2.2, 2.3 e 2.5 (Uberlândia, Renosa, Ref.Bandeirantes/Rebica e Brasal respectivamente), verificamos que o fato ocorrido com relação às datas de emissão das notas fiscais de saída e de entrada durante o procedimento especial de controle acima relatado, longe de ser um engano da empresa FIRST, é uma prática corrente da empresa. Os dados das citadas tabelas revelam que as notas de saída (venda) para as cinco empresas acima relacionadas eram emitidas, em regra, na mesma data da liberação das mercadorias na fronteira, sendo a emissão das notas de saída sempre em ato contínuo à emissão das notas fiscais de entrada. Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Ora, a empresa FIRST “vendia” as preformas PET antes mesmo de elas terem sido nacionalizadas e, portanto, estarem aptas a entrar em seu estoque. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas nas Tabelas 2.1, 2.2, 2.3 e 2.5, tinham como destinatários predeterminados uma das cinco empresas acima citadas: Uberlândia, Renosa, Refresco Bandeirantes, Rebica ou Brasal." ii) A Fiscalização identificou a ligação documental para amparar a logística da importação e transporte de mercadoria, vinculado as importações ao transporte e a emissão de documentos fiscais, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do relatório fiscal. (fl. 42) "Para cada processo de importação era feita vinculação, documento a documento. Eram emitidas para cada processo, uma nota fiscal de entrada global que relaciona todas as mercadorias daquele processo/DI e várias notas fiscais de entradas parciais emitidas para acompanhar os transportes parciais (transporte fracionado). A nota fiscal de entrada global traz todas as informações do processo (seu código IMPXXXXXX, o número da DI, o número da Fatura Comercial (invoice)) e cada nota fiscal de entrada parcial traz, em seu corpo, o número da nota global. Importante notar também que, para controle da FIRST e do real adquirente da mercadoria, no corpo da nota fiscal de saída, além do número identificador do processo ao qual pertenciam as mercadorias, consta o número da fatura de importação da mesma, emitida pelo exportador no exterior" iii) A Fiscalização demonstra com riqueza de detalhes a vinculação entre as Declarações de Importação DI e as Notas Fiscais de Saída, comprovando a vinculação das importações a venda realizada às empresas reais adquirentes da mercadoria. (fl. 43 a 44) "A Tabela 3 resume os dados referentes às importações realizadas extraídos do SISCOMEX (informações das DI), das Notas Fiscais de entrada e saída apresentadas pela empresa, da contabilidade (apresentada em meio magnético), e das informações dos pagamentos referentes às vendas dos produtos importados e dos contratos de câmbio, também apresentadas pela empresa. A Tabela 3, mostra as 246 operações realizadas pela FIRST no período de 01/07/2007 a 30/08/2009 como importador direto de garrafas PET. Já vimos que cada importação realizada é destinada a apenas uma empresa em sua totalidade. Este fato é verificado comparando a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias constante de cada DI com a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias nas notas fiscais de saída, sempre iguais, assim como destinadas a um único cliente. Esta vinculação entre quantidade de mercadorias de uma DI e suas notas fiscais de saída pode ser verificada na Tabela 3, onde a vinculação entre DI e notas fiscais de vendas correspondentes (que deram saída às mercadorias importadas por meio desta DI) foi feita pelo número de controle interno da empresa FIRST (vide Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.909 15 explicação do item 5.2.1), uma vez que esse número é sempre mencionado na nota fiscal de entrada global e nas de saída das mercadorias importadas por uma DI, bem como nos livros contábeis. Cada DI possui um código do tipo “IMPXXXXXX” e esse código é informado na nota fiscal de entrada global da citada DI e nas notas fiscais de saída, sendo possível fazer uma perfeita vinculação entre a mercadoria importada por uma DI e sua venda nas notas fiscais de saída. Observouse então que TODA mercadoria de cada DI é sempre destinada a uma única destas empresas: Refrescos Bandeirantes, Rebica, Brasal, Uberlândia ou Renosa. Com exceção das mercadorias com saída para Refrescos Bandeirantes e Rebica que eram importadas sempre através de uma mesma DI. Isso pode ser explicado pelo fato de Refrescos Bandeirantes e Rebica possuírem praticamente o mesmo quadro societário (item 5.2.10.2 mais adiante). O fato de as notas fiscais de saída serem emitidas, muitas vezes em sequência numérica às notas fiscais de entrada (item 5.2.1), nas mesmas datas e nas mesmas quantidades e tipos de mercadorias (item 5.2.2) mostra que as mercadorias importadas tinham um destinatário prédeterminado.” iv) A investigação da Fiscalização verificou que a empresa não apresentava estoques de preformas importadas, sendo os produtos enviados diretamente após o desembaraço aduaneiro para os seus reais adquirentes. O funcionamento do estoque da empresa foi detalhado no Relatório Fiscal. (fl. 47) "Ao analisar a contabilidade da empresa, notamos que não existe estoque de preformas PET na empresa FIRST, na realidade o saldo do estoque é muitas vezes credor, ou seja, toda mercadoria importada é imediatamente destinada a uma terceira empresa. As notas fiscais de entrada e saída das preformas PET emitidas em sequência já é um indicativo de que realmente não seria possível haver estoque dessas mercadorias na FIRST. Este fato foi questionado ao Senhor Natanael que, em declaração prestada à fiscalização (Termo Declaração Diretor) informou que “nunca aconteceu de a mercadoria importada não ter sido vendida e nem mesmo de ter permanecido em estoque por longo período”. Na verdade esse estoque não existe, já que as mercadorias importadas são entregues diretamente aos reais adquirentes. Os gráficos de séries temporais de saldos dos períodos de 2007, 2008 e 2009 mostram a evolução do saldo contábil do estoque de garrafas PET (conta 1.1.03.01.017 MERCADORIAS IMPORTADAS GARRAFAS PET) no período de registro das importações analisadas. Verificamos que o saldo apresenta picos lançamentos das notas fiscais de entrada para liberação das importações – e retorna a zero – lançamento das notas fiscais de saída, evidenciando que, contabilmente, os produtos importados apenas passavam pela empresa e eram imediatamente destinados a seus reais adquirentes." Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 v) Os pagamentos referentes as mercadorias não guarda relação com as Notas Fiscais de Saída, mas com os processos de importação, conforme apuração dos registros financeiros na contabilidade da empresa First, detalhados no relatório fiscal (fl. 34) "Começamos esta análise com o primeiro pagamento relacionado com cada DI, verificamos que o valor é sempre igual ao valor dos impostos pagos na importação, nos casos analisados PIS e COFINS, já que as importações são originárias do MERCOSUL, e a alíquota do IPI é zero, e ocorre sempre sete dias após o registro da DI, ou em raros casos, muito próximo disso. Tomando como exemplo a primeira DI da Tabela 3, a de número 07/08823186 vemos que a data de seu registro foi 05/07/2007 e os impostos recolhidos totalizaram R$ 273.295,48. Na seção da Tabela 3 referente aos pagamentos realizados confirmamos o pagamento do mesmo valor dos impostos que ocorreu 7 dias após o registro da DI (dia 12/07/2007). A regra observada quanto aos pagamentos é que existam mais dois pagamentos relacionados a cada importação e, eventualmente, um quarto pagamento de pequeno valor, algumas vezes, inclusive negativo, tipicamente referente a algum ajuste, provavelmente de câmbio, neste caso, ajuste ao valor de liquidação dos contratos de câmbio. Embora nem todos os “pagamentos” negativos tenham sido informados à fiscalização, verificamos nos registros contábeis da empresa que eles são bastante numerosos.” As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre a vinculação das importações à Empresa Brasal e outras empresa são baseadas em procedimento de investigação detalhado e com fundamentos robustos, não há como não vislumbrar após os relatos e informações obtidos que existia a compra dos produtos importados com intervenção direta de terceiros, sendo a empresa First S.A. uma prestadora de serviços, que viabilizava as operações de importação das mercadorias. A fiscalização aventa a possibilidade desta operações ter intuito de obter vantagens tributárias de ICMS em razão da empresa First S.A. estar habilitada em regime diferenciado de apuração do ICMS permitido pelo Estado de Santa Catarina. Em que pese a relevância desta informações, do ponto de vista da exigência controlada no presente processo não é relevante, pois as penalidades previstas conforme já detalhado em tópico anterior deste voto, partem da presunção da existência de interposição, quando os fatos comprovam que a empresa importadora agiu em nome de terceiro, e ocultou esta informação dos controles aduaneiros, simulando operações que não correspondem a verdade fática da relação comercial entre a First e a empresa Brasal. (art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. ) O benefício do ICMS nas operações de importação realizada por empresa sediada no Estado de Santa Catarina . A empresa First é beneficiária de regime de tributação favorecida do ICMS, em razão dos autos discutirem o benefício do ICMS como uma das motivações para a conduta da Recorrente nas operações de comércio exterior. Extraio do relatório Fiscal, o detalhamento do benefício do ICMS utilizado pela First. (fls. 30 a 31) Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.910 17 " A empresa FIRST declarou que é beneficiária do regime especial de tributação provido pelo Estado de Santa Catarina, que consiste no diferimento do ICMS devido em operações de importação, e na aplicação de alíquotas diferenciadas nas operações subsequentes. A empresa apresentou parecer (PARECER ICMS) em que consta o deferimento do Regime Especial aplicável a importações efetuadas pela empresa FIRST. Neste documento, podese verificar que o benefício fiscal relativo ao ICMS, a que a empresa faz jus, consiste basicamente no seguinte: diferimento na importação de produtos destinados à comercialização; crédito presumido calculado sobre o valor do imposto devido pela operação subsequente à importação, equivalente a 96,5% do imposto devido; a empresa deve recolher o equivalente a 0,5% do valor da operação de venda da mercadoria importada, a título de contribuição a um Fundo Social constituído pelo Estado de Santa Catarina. Tal benefício confere uma considerável vantagem financeira às importações efetuadas pela empresa, quando comparadas a importações efetuadas direta ou indiretamente por empresas que não gozam desse benefício. Quanto ao benefício fiscal a que a FIRST faz jus, vale lembrar que o artigo 155, §2º, IX, a, da Constituição Federal, reproduzido abaixo, determina que na importação, o ICMS é devido ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria: "Constituição Federal (…) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (…) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (…) §2º. O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (…) IX incidirá também: a) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço.(...)" Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 18 Sendo assim, caso o destinatário das preformas PET importadas não fosse a FIRST e sim uma outra empresa estabelecida em outro ente federativo que não Santa Catarina, o ICMS sobre a importação seria devido àquele ente federativo e a utilização do benefício fiscal da FIRST não seria devida, pois prejudicaria o erário do outro ente federativo." Da sentença proferida nos autos da Ação Ordinária nº 500074588.2011.404.7103, discutindo operações de importação da First S/A A Recorrente informa no recurso a existência da Ação Ordinária nº 5000745 88.2011.404.7103 que discute Auto de Infração que serviu de fundamento para o processo de fiscalização que resultou na autuação ora combatida. Consultando a ação nos sistemas eletrônicos da Justiça Federal, constatei que a ação ordinária foi objeto de recurso e encontrase para julgamento no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A Recorrente anexa cópia da decisão da primeira instância, que cancelou a pena de perdimento aplicada. Em que pese a decisão obtida na ação judicial. A matéria tratada não corresponde a matéria objeto do presente lançamento, tampouco os fatos se confundem. Assim, a decisão judicial não socorre a recorrente e caso assim fosse entendido seria o caso de declarar a concomitância afastando o julgamento do presente processo nas esferas administrativas. Outrossim, em que pese a informação da sentença em sede de primeira instância, o ação foi objeto de recurso estande pendente de apreciação pelo TRF 4ª Região. Com estas considerações, entendo que a decisão da ação judicial não interfere no presente julgamento. Conclusão Nos termos já detalhados alhures, a Recorrente operou no comércio exterior cedendo seu nome para que fossem realizadas operações de importação de terceiros, reais adquirentes da mercadoria. Configurada a cessão do nome, correta a aplicação da multa de 10%, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Winderley Morais Pereira Fl. 2919DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.911 19 Declaração de Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior Apesar de ter votado pelas conclusões, concordando, ao final, com o resultado do julgamento proposto pelo Culto Conselheiro Relator deste processo, divirjo, entretanto, dos motivos determinantes para a manutenção da multa imposta ao contribuinte no auto de infração ora analisado, porquanto entendo pertinente deixar esta questão formalizada. Antes de mais nada, importa ressaltar a diferença entre a multa aplicada nestes autos (e também no PAF 10983.721006/201201), daquelas impostas nos processos 10983.721008/201292, 10983.721009/201237 e 10983.721011/201214, considerando que nestes três últimos, ao invés da pena de perdimento (pela impossibilidade de localização da mercadoria), foi ao contribuinte imputada a exigência do pagamento de multa de 100% do valor da mesma, fundamentada no artigo 23, V do DecretoLei 1.455/76 (com alterações trazidas pelo art. 59 da Lei 10.637/2002), mais conhecida, notadamente, como “multa por interposição fraudulenta”. Já neste caso, foi aplicada a multa de 10% (dez por cento) pela cessão de nome e documentos para a realização de operações de comércio exterior de terceiros reais adquirentes. Naqueles processos, a interposição fraudulenta foi ao contribuinte imputada afirmandose que houve a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante ato de simulação, pois a operação declarada, de “importação direta”, na verdade simularia uma “importação por conta e ordem” (cujo ato dissimulado seria a prestação de serviço, por obvia e expressa interpretação literal da Lei). Entretanto, não entendi ter havido a simulação objeto da acusação, sendo que a mim foi designada a tarefa de proferir o voto vencedor naqueles processos, desqualificando a acusação imposta ao sujeito passivo, uma vez que não tendo sido averiguada, em momento algum, a prestação de serviços dita como dissimulada – e, considerandose ainda que pelo pagamento integral de todos os impostos e taxas do desembaraço aduaneiro com recursos próprios, também não se poderia verificar a ocorrência de uma importação por conta e ordem, mas, quando muito, “por encomenda” –, acabouse por cancelar aqueles lançamentos, desacobertados que estavam de embasamento fático e legal. Por pertinência, transcrevo o voto vencedor constantes dos Acórdãos 3402 002.275, 3402002.276 e 3402002.277, respectivamente proferidos nos processos 10983.721008/201292, 10983.721009/201237 e 10983.721011/201214 por refletir a linha de entendimento que sustenta essa declaração de voto: Fl. 2920DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 20 Voto Vencedor: Conselheiro João Carlos Cassuli Jr. – Redator Designado. Da incumbência que me foi atribuída, relativa à redação do voto vencedor do julgamento ocorrido para estes autos, constato, inicialmente, que a contenda emerge da acusação fiscal de “interposição fraudulenta”, com fundamento no art. 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76, com as alterações trazidas pelo art. 59, da Lei n° 10.637/2002, e ainda, com imputação de responsabilidade solidária aos reais adquirentes, que teriam sido fraudulentamente ocultados, com embasamento legal no art. 95, inciso V, do DecretoLei n° 37/66. Tais dispositivos, por constituíremse na “espinha dorsal” do ato administrativo e lhe conferirem a indispensável legalidade, merecem ser reproduzidos: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) – grifouse Art.95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Pelo que se vê, a peça acusatória fiscal parte da análise importações realizadas pelo contribuinte FIRST S.A., e que acabou lhe imputando as seguintes condutas: (a) Efetuou importações de proformas PET, declarando importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude; (b) As operações foram realizadas, de fato, em nome dos terceiros; (c) Praticou ato simulado, de venda no mercado interno, ocultando o verdadeiro negócio, que era a prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiro (d) Utilizou indevidamente benefício fiscal de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina; (e) Cedeu nome e documentos para os terceiros, reais importadores por conta e ordem, e que acorbertaram relações obrigacionais de prestações de serviços e não de compra e venda (f) “Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário [dos bens] nas DI sob fiscalização, configurando a prática de ocultação do real comprador e responsável pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” As condutas imputadas à FIRST justificaram a autuação pela prática de “interposição fraudulenta” de terceiros (art. 23, inciso V, do DL 1.455/76), e como as mercadorias já não mais existiam, e na maioria dos casos houve a Fl. 2921DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.912 21 aplicação da pena de multa substitutiva da pena de perdimento, no percentual de 100% do valor aduaneiro da mercadoria. Tenho, porém, que alguns elementos iniciais, a guisa de premissas, devem ser perquiridos antes que se possa chumbar definitivamente o acerto ou desacerto do ato fiscal, ou a lisura ou o deslize da conduta do contribuinte, até porque aqui estamos cuidando de uma questão capital, de expropriação do patrimônio do particular em virtude de uma acusação de fraude e simulação, que deve antes de mais nada, estar suportada em prova robusta e inquestionável, convenhamos. Está claro que o ato fiscal, ao imputar as condutas de ocultação do real adquirente a empresa FIRST S/A, desqualificou a importação direta para importação por conta e ordem de terceiro, e ao qualificar o ato como sendo “simulado”, foi textual em dizer que o ato simulado foram a compra no mercado externo com a subseqüente venda no mercado interno (da FIRST – importadora , para o terceiro real adquirente: ATO SIMULADO; para FIRST prestadora de serviços de importação por conta e ordem, para real adquirente, tomador de serviços e real importador: ATO DISSIMULADO). Daí porque é indispensável para que esteja presente o instituto da “simulação”, que tenha concretamente havido o negócio jurídico simulado, o qual foi claramente apontado, qual seja: prestação de serviços de “importação por conta e ordem”. Sabemos que em matéria de comércio exterior existem três modalidades de importação, a saber: por conta própria, por encomenda, e por conta e ordem. Os ilustres Conselheiros desta Casa, Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, em trabalho inserido no livro “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF”, conceituam as três modalidades de importação, nos seguintes termos: “A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Notese que nessa modalidade de importação tradicional o importador deverá fechar o câmbio e proceder ao pagamento diretamente ao exportador, recolhendo os tributos com recursos próprios...” (...) A importação por conta e ordem de terceiros é a operação pela qual uma empresa contratada, geralmente uma importadora, promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra empresa em razão de contrato previamente firmado entre as partes e registrado na Receita Federal do Brasil – RFB. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos artigos 86 e 87 da IN n. 247 e ADI n. 07/02, os quais exigem determinados procedimentos e requisitos para sua caracterização. (...) As operações por conta e ordem são aplicáveis tão somente nas hipóteses em que a importadora atua como prestadora de serviços, isto é, uma intermediária nas importações. Em decorrência desta condição, a importadora que atua por conta e ordem não pode, em qualquer situação, adquirir a propriedade das mercadorias importadas, possuindo somente a posse até a transferência para a empresa adquirente. Fl. 2922DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 22 Sendo assim, na importação por conta e ordem de terceiros, a remessa da mercadoria da importadora para seus clientes não configura uma operação de venda, mas sim uma operação de remessa de mercadorias. (...) A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendelas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2°, § 1°, da IN SRF n. 634/06). Assim, o importador deverá fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir a mercadoria junto ao exportador no exterior, providenciar sua nacionalização e a revender ao encomendante. Importante salientar que tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. (...) Ressaltese ainda que, diferentemente da importação por conta e ordem, no caso de importação por encomenda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada exclusivamente em nome do importador, conforme determina o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). (...)”1 Quanto a importação direta, não há dúvidas. Ela é a clássica, na qual o importador importa para si próprio ou para seu consumo ou revenda. Ele assume todos os riscos e procedimentos e usa ou revende o produto. Não há participação de terceiro. Nesse caso, é típico que ocorram dois fatos geradores dos diversos tributos, aqueles incidentes no desembaraço aduaneiro relativos a importação e os outros na operação de venda no mercado interno. Já no que diz respeito às outras duas modalidades, e agora buscando no próprio sítio na internet, vemos que a Receita Federal do Brasil distingue claramente as modalidades de importação “por encomenda” daquela “por conta e ordem”, de modo que, positivamente, são modalidades diversas, sendo que as mesmas se desigualam pelo fato de que, realmente, na modalidade “por encomenda”, o encomendante até pode escolher a mercadoria e mesmo participar de atos de negociação (conforme regra legal abaixo referenciada), mas há também duas operações, uma de importação, pelo importador, e outra de venda, deste para o encomendante, e nesse caso, quem assume todos os riscos da importação, tais como o pagamento do preço pela importação, riscos cambiais (oscilações etc.), é o importador e não o encomendante. Já na importação “por conta e ordem”, tratase de mera prestação de serviços, não havendo “operação de venda no mercado interno”, e quem assume o risco da operação é o ordenante, por conta de quem a operação se realiza. A análise dos email’s que constam dos autos, dá conta de que os “supostos reais adquirentes” tiveram, uns mais e outros menos, algum conhecimento das negociações mantidas entre a FIRST e os exportadores sediados no exterior. Tal situação, a meu ver, caracteriza a hipótese do art. 11, §3°, da Lei n° 11.281/2006, pelo qual: “A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem .... participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior”. Esse preceito legal, em cotejo com a prova dos autos, colhida pela fiscalização, não firma a existência de importação “por conta e ordem”, mas antes afasta acusação de fraude ou simulação, firmando, a meu sentir, a certeza da existência de importação por encomenda. 1 SARTORI, Ângela, DOMINGO, Luiz Roberto. Div. Autores. Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF. São Paulo: MP Editora, 2013, pgs. 53 e ss. Fl. 2923DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.913 23 No que diz respeito ao benefício do ICMS no Estado de Santa Catarina, relendo a legislação que implementou o denominado “PróEmprego”2, não identifiquei nenhum condicionante que para usufruir do incentivo fiscal as importações devessem ser realizadas obrigatoriamente apenas por uma ou algumas dessas modalidades de importações (por conta própria, por encomenda ou por conta e ordem); e, ainda, havia o benefício da revenda de mercadoria, mesmo para compradores fora do Estado, e não apenas para aqueles sediados em SC. Tais aspectos, no meu entendimento, acabam por retirar o possível interesse e até sentido lógico de se fraudar ou simular para ocultar o real adquirente, de modo que a questão do benefício do ICMS torna se fator irrelevante para o deslinde da causa e para sustentar a aplicação da pena de perdimento por dano ao erário. Outro aspecto incontroverso dos autos que entendo relevante para a conclusão, que sempre quem efetivou o pagamento pelas importações foi a FIRST S.A. (fechamento de câmbio), e, portanto foi ela que assumiu os riscos da operação de importação (oscilações cambiais), subsequentemente emitindo nota fiscal de venda do produto para os “supostos reais adquirentes”. O fato de tais “supostos reais adquirentes” saberem os produtos que iriam adquirir, denota que tal operação poderia ser da modalidade “por encomenda”, mas jamais que se enquadraria na modalidade que foi capitulada pela autoridade fiscal, que foi taxativa em dizer tratarse de operação “por conta e ordem“ (§3°, do art. 11, da Lei 11.281/06). Tal fator recebe destaque pelos ilustres Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, no já citado artigo, ao concluírem sua exposição sobre a modalidade de “importação por encomenda”, diferenciandoa da “por conta e ordem”, a saber: “Com efeito, cumpre desde já salientar que o artigo 12 da IN SRF 247/02 estabelece que, SE nas operações de importação houver utilização de recursos de terceiros, poderá ser presumida a operação ‘por conta e ordem de terceiros’ o que implicaria o suposto ilícito de interposição fraudulenta de terceiros.” – grifouse.3 Vejase que a operação de importação não pode ser por conta OU ordem. Deve ser por conta E ordem, de modo que o elemento pagamento é fundamental para qualificar essa espécie de importação, e sendo o pagamento feito pela importadora, com recursos próprios, a importação será por encomenda. Não se poderia ter olvidado que os recursos sempre foram da FIRST S/A, e, portanto, a operação não seria por conta e ordem, mas quando muito “por encomenda”. Isto está claro inclusive na decisão da DRJ, que reconhece esse fato, mas relevao pelo fato de que, de todo modo, teria havido o fato “ocultação”. O mesmo se dá com a sentença prolatada pelo Excelentíssimo Magistrado Gaúcho, que concedeu parcialmente a segurança para algumas DI’s na fronteira daquele estado, que reconheceu textualmente tratarseia de operação de “importação por encomenda”. E esse reconhecimento (que estamos diante de uma operação “por encomenda” e não de uma importação “por conta e ordem”), no meu entendimento, se afigura fundamental para o deslinde da questão pelo fato de que, não basta a “ocultação pura e simples”, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano 2 O Programa PróEmprego foi instituído pela Lei nº 13.992, de 15 de fevereiro de 2007, e regulamentado pelo Decreto nº 105, de 14 de março de 2007. 3 op. cit., pg. 58. Fl. 2924DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 24 ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76. O conceito de fraude, dado pelo artigo 72, da Lei 4.502/644, em cotejo aos fatos dos autos, deixa claro que aqui não se está diante da hipótese de fraude, pois que não se impediu ou retardou o fato gerador e nem se excluiu ou modificou suas características essenciais, pois que não se deixou de recolher os tributos nas operações. Portanto, como bem sustentado pelo fiscal autuante, se trataria de simulação, cujo ato simulado teria sido a importação direta, e o ato dissimulado teria sido a “prestação de serviços” inerente à importação por conta e ordem. Se, porém, a importação não se qualifica legalmente como “por conta e ordem”, como reconhece a própria DRJ e mesmo os diversos elementos dos autos, e quando muito se qualificaria como “por encomenda”, que na verdade gera uma venda no mercado interno – tal e qual foi retratado nos documentos fiscais (o que põe em questionamento inclusive a máfé que está ínsita na acusação fiscal) – não há como se extrair o caracterizar a simulação. Até pode ter havido “ocultação”, mas não há “simulação”, pois que o ato dissimulado, que era a “prestação de serviços” inerentes a importação “por conta e ordem”, inexistente no caso. Não havendo simulação e nem fraude, não se preenche a hipótese legal do art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76, e, consequentemente, não deve subsistir o lançamento em questão. De qualquer forma, ainda que viesse a ser superada esta situação, quanto a responsabilidade solidária, do mesmo modo e pelos mesmos motivos, também não há como persistir, pois que, nos termos do art. 95, V, do DecretoLei n° 37/66, reportase especificamente à imputação de responsabilidade solidária em caso de importação por conta e ordem, e não para os casos de importação por encomenda, caso que aqui está incontroverso que é a hipótese que realmente se molda ao fatos ocorridos. Deste modo, mesmo que se resolva manter a autuação pelo fato de que houve ocultação, embora da pessoa do encomendante (o que seria inadmissível, pois que no meu ver estarseia alterando o fundamento jurídico e a capitulação legal do lançamento e o motivo do ato tido por dissimulado), ainda assim, não se poderia estender a responsabilidade solidária por analogia, pois sabidamente a solidariedade não se presume. Finalmente, no tocante à multa, também penso que no caso, deveria ser aplicada a penalidade de 10%, prevista no art. 33, da Lei n° 11.488/2007, em face da retroatividade benigna da Lei posterior, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, por configurar condutas típicas equivalentes, conforme já decidiu o STJ (nos autos do REsp n° 1.144.751 – DJe 15.03.2001), e por entender que deva incidir no mínimo a interpretação mais favorável ao acusado, nos moldes do art. 112, do CTN. Com efeito, peço vênia ao ilustre relator para divergir de seu voto, a fim de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, cancelandose a autuação, nos termos do que acima restou exposto. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr.” 4 “Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Fl. 2925DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10983.722367/201186 Acórdão n.º 3402002.279 S3C4T2 Fl. 2.914 25 Como visto, nem naquelas autuações mantevese hígido o intento de imputar ao contribuinte uma conduta evidentemente fraudulenta, assim como não se comprovou à saciedade a presença da “simulação”, pois conforme se infere da leitura do voto acima transcrito, no máximo o que se pôde abstrair dos fatos e documentos carreados aos autos, fora, talvez, uma “importação por encomenda”, e não aquela constante da acusação fiscal, que era uma operação “por conta e ordem”. De tais fatos, podemos agora enfrentar a multa aqui discutida. Tenho que embora não esteja presente os pressupostos de “fraude” ou de “simulação”, que autorizariam a aplicação da multa de 100% substitutiva da pena de perdimento, disso não decorre como consequência direta que não tenha havido cessão de nome, ainda que sem intuito ilícito. Tenho que a prova dos autos dá conta de que de fato teria o fornecimento de produtos predeterminados da importadora para a compradora no mercado interno, o que, ainda que não haja ilicitude nesta conduta, acaba refletindo que ao final e ao cabo, houve a cessão, pela primeira em favor da segunda, de seu nome, e que tal realidade acabou sendo omitida nos documentos de importação, que não apresentaram a informação do beneficiário da operação do comércio exterior, preenchendo a condição capitulada pelo artigo 33 da Lei 11.488/2007. A meu ver, houve a carência de informação por parte do contribuinte na operação de importação realizada, pelo que cabível a multa de 10%, nos termos do dispositivo retro mencionado, muito embora não vislumbre nenhuma conduta ilícita, mediante fraude ou simulação nesta “omissão” de informação, como exige o preceito relativo à “pena de perdimento”. Assim, com a vênia daqueles que entendem de modo diverso, tenho que o resultado do julgamento negando provimento ao recurso voluntário do contribuinte coincide com a conclusão de cessão de nome, porém, sem a configuração de “interposição fraudulenta”, pelo que acompanho o Conselheiro Relator e voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a multa de 10%, prevista no art. 33, da Lei 11.488/2007. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Conselheiro com Declaração de Voto. Fl. 2926DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/07/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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