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Numero do processo: 11030.001345/2007-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1996 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.CUSTEIO.
Empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição devida, incidente sobre a remuneração do segurado empregado e do segurado contribuinte individual e recolher no prazo legal. Art. 30, 1"a" e da Lei n.° 8.212/91 e 40 da Lei n° 10.666, de 8-05-2003.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Conforme Súmula Vinculante nº 8 do STF: “São inconstitucionais o
parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Prazo decadencial é de 05 anos na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN.
MULTA DE MORA
Por alteração na lei, para casos não definitivamente julgados, a multa de mora deve ser recalculada para prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.308
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por maioria de voto, em acatar a decadência até 11/2000, inclusive, e 13/2000 com base no Art. 173, inciso I do CTN. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto que vota pelo Art. 150, § 4º do CTN. NO MÉRITO, Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando e recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição devida, incidente sobre a remuneração do segurado empregado e do segurado contribuinte individual e recolher no prazo legal. Art. 30, 1"a" e da Lei n.° 8.212/91 e 40 da Lei n° 10.666, de 8-05-2003. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Conforme Súmula Vinculante nº 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Prazo decadencial é de 05 anos na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional - CTN. MULTA DE MORA Por alteração na lei, para casos não definitivamente julgados, a multa de mora deve ser recalculada para prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por maioria de voto, em acatar a decadência até 11/2000, inclusive, e 13/2000 com base no Art. 173, inciso I do CTN. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto que vota pelo Art. 150, § 4º do CTN. NO MÉRITO, Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando e recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto. Ausentes os Conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11030.001345/2007-24 Acórdão n.º 2403-00.308 S2-C4T3 Fl. 110 3 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa, acima identificada, que de acordo com o relatório fiscal de fls. 61/62, teve como fato gerador a contribuição devida à Seguridade Social, arrecadada, mediante desconto da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, e não recolhida pela empresa, no período de 11/99, 12/99, 07/02, 10/02, 12/02, 13/02, 02/03 a 05/03, 08/03 a 09/2006 Tal crédito foi cientificado em 26/10/2006 conforme assinatura do representante legal da Recorrente na Notificação Fiscal de Lançamento de Debito n.° 35.929.556-8, folha 01. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, a empresa contestou o lançamento, através do instrumento de fls.77/82, alegando em síntese que : - As contribuições sociais de seguridade possuem natureza tributária e o seu regramento deverá observar o que estabelece o art. 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, que diz que cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de decadência tributária. Assim, padece de inconstitucionalidade formal o art. 45, da lei 8.212/91, que fixou o prazo de 10(dez) anos de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Seguridade Social. Tratando-se de contribuições sociais de natureza tributária, as normas gerais de decadência deverão ser regradas pelo Código Tributário Nacional, mais especificamente o que estabelece o seu art. 173. Cita Jurisprudência que trata sobre a natureza tributária da contribuição social. - Que tendo transcorrido mais de cinco anos para que a Seguridade Social constitua seus créditos tributários, especialmente as contribuições sociais objeto da NFLD 35.929.556-8, que incluiu fatos geradores do período compreendido entre 11/1999 a 09/2006, verifica-se a ocorrência da decadência para constituir créditos tributários anteriores às competências de setembro de 2001, circunstância que impede a exigência do crédito tributário em questão. - Requereu o recebimento e o acolhimento da impugnação administrativa em todos os seus termos, sendo ao final, reconhecida a inconstitucionalidade formal do art. 45, da Lei 8.212/91, por ser matéria de ordem pública, aplicando-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, para que seja declarada a decadência do direito da Seguridade Social constituir seus créditos tributários anteriores às competências de setembro 2001 relativas às contribuições sociais objeto da NFLD em comento. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Analisadas as alegações da recorrente, a DRP-Delegacia da Receita Previdenciária em Caxias do Sul - RS, mediante a Decisão-Notificação N.° 19.422.4/0118/2007, fl. 75, concluiu pela procedência do lançamento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 DO RECURSO Irresignada com a decisão daquela Delegacia de Julgamento, a recorrente interpôs recurso de fls.89 a 97, em síntese, reiterando as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11030.001345/2007-24 Acórdão n.º 2403-00.308 S2-C4T3 Fl. 111 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio De Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de folha 108, o recurso é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA Em seu recurso, a recorrente argüiu apenas a decadência. Então, tomando-se como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedo-me a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: Os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 ” Três são os artigos do Código Tributário Nacional – CTN que preceituam as condições decadenciais do crédito tributário, a saber : artigo 150, § 4° ; artigo 173, I e artigo 156, V. 1 ARTIGO 150 § 4° Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 “ Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ” (grifo nosso) Ao efetuar o lançamento, a autoridade administrativa poderá corroborar o auto-lançamento ou cobrar eventual diferença, expressamente. Não o fazendo expressamente, a homologação se dará de forma tácita por extensão do artigo 150, § 4º do CTN : “ se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ” ( grifos de minha autoria) ARTIGO 173 , I “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ” ARTIGO 156, V “ Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; (...) V - a prescrição e a decadência; (...) VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; ” Se a autoridade administrativa tiver permitido que a homologação tenha se processado de modo tácito, restará homologada qualquer que seja a circunstância pretérita tenha ou não havido pagamentos, pagamentos antecipados e mesmo eventuais Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11030.001345/2007-24 Acórdão n.º 2403-00.308 S2-C4T3 Fl. 112 7 descumprimentos de outras obrigações acessórias não cabendo condicionamento algum para conferir os direitos derivados ao contribuinte. Entretanto, a autoridade fiscal em seu relatório de folhas 61/62, registra que a infração em comento foi motivo de Representação FiscaL Para Fins Penais, instruída com provas do ilícito : “ De acordo com art. 95 da Lei 8.212/91 "Constitui crime: deixar de recolher, na época própria, contribuição ou outra importância devida à Seguridade Social e arrecadada dos segurados ou do público." Verificada a ausência do repasse à Seguridade Social das contribuições arrecadadas dos segurados mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração, estamos remetendo, em relatório à parte, instruído com as provas do ilícito, Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal que deverá apurar a ocorrência do crime.” Então, se consta tipificado em lei que tal comprovada conduta constitui crime, a decadência resta capitulada sob a dicção do artigo 173, I : ARTIGO 173 , I “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ” Aduz que o crédito foi notificado, efetivamente, com a entrega dos documentos pela fiscalização ao término da ação fiscal, conforme assinatura na Notificação Fiscal de Levantamento de Débito – NFLD , no exercício de 2006,em 26/10/2006, fl.01. O artigo 173, I, vincula a contagem considerando o exercício da ocorrência e não a data. Então, conforme a regra, 5 anos são contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, desse modo o exercício anterior a este primeiro dia do seguinte, é considerado totalmente na contagem dos cinco anos: 1° exercício.= 2006 ( exercício que conteve a data notificação, 26/10/2006) 2° exercício = 2005 3° exercício = 2004 4° exercício = 2003 5° exercício = 2002 Exibidos os cálculos, colocando em evidência o exercício de 2002, o primeiro dia do exercício seguinte a que se refere o artigo 173, I do CTN, ocorreu no início deste, em 01/01/2002. Logo, tudo o que poderia ter sido lançado se remete ao o exercício anterior de 2001, que, por conseguinte, não foi alcançado pelo instituto da decadência. Relevante considerar que a competência 12/2000 poderia ser lançada a partir de 03/01/2001. Portanto, não decadente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 Há que se registrar, também, que a competência 13/2000 poderia ser lançada a partir de 21/12/2000. Portanto, decadente. Conclusão: A competência 13/2000 foi alcançada pela decadência bem como todas as anteriores a 11/2000, inclusive. MULTA MAIS BENÉFICA Relava reiterar que em seu recurso a recorrente nada mais contestou além da hipótese decadencial. Muito embora isto, em razão do artigo 106 do CTN que determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Aduz que às folhas 54 registram-se os fundamentos legais em que a multa de mora aplicada. Ali se revela que a multa teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava , à época, aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Entretanto, esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. DO MÉRITO Considerando que tanto em sede de impugnação, quanto em grau de recurso a recorrente alegou somente a decadência e não contrapôs a autuação, e ainda que, no meu entendimento a autoridade fiscal agiu com exação, resta pois procedente o lançamento. CONCLUSÃO Assim, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso e em preliminar reconhecer decadência até 11/2000, inclusive, e 13/2000, com base no artigo 173, inciso I do CTN e , no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11030.001345/2007-24 Acórdão n.º 2403-00.308 S2-C4T3 Fl. 113 9 da multa de mora de acordo com a nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 08/02/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 10325.000978/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.082
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 2 2 Relatório Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os seguintes autos de infração: 1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 02/14, no valor total de R$ 2.574.518,28, incluindo encargos legais; 2. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 15/25, no valor total de R$ 743.831,53, incluindo encargos legais; 3. Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL, fls. 37/48, no valor total de R$ 1.231.598,44, incluindo encargos legais; 4. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 26/36, no valor total de R$ 3.433.071,37, incluindo encargos legais; Os itens apurados pela Fiscalização, relatados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foram os seguintes. 1. Receita Operacional Omitida (Atividade não Imobiliária) — Revenda de Mercadorias Omissão de receitas da revenda de mercadorias informadas nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Secretaria da Fazenda do Estado do Maranhão, relativas ao ano calendário de 2004, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, fls. 49/67. Enquadramento Legal: arts. 532 e 537 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999 RIR/99). 2. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Valor apurado com base nos depósitos/créditos constante nos extratos bancários de contas correntes em nome da fiscalizada, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, fls. 49/67. Enquadramento Legal: Arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430/96; arts. 532 e 537 do R1R/99. A empresa foi cientificada da exigência em 10/07/2009 por meio de Edital, fls. 509. Não foi apresentada impugnação em nome da pessoa jurídica autuada. Por sua vez, o Sr. Roberto Agenor Gonçalves da Silva apresentou em 31/07/2009 impugnações, fls. 511/514, 517/520, 523/526 e 529/532, insurgindose contra o fato de ter sido incluído no pólo passivo solidário com base nos argumentos a seguir expostos. As fundamentações do Termo de Sujeição Passiva Solidária não são suficientes para incluir o nome do impugnante no pólo passivo da aludida obrigação tributária, uma vez que nenhuma delas demonstra a vantagem ou mesmo a responsabilidade do mesmo na época dos supostos fatos geradores. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 3 3 Em primeiro lugar, não poderia o Impugnante ser incluído como devedor solidário, uma vez que o mesmo sequer pertence ao quadro societário da empresa fiscalizada, conforme se observa da cópia dos Contratos Sociais juntados ao presente Procedimento Fiscal e sim tão somente procurador dos sócios para administrar as finanças das empresas fiscalizadas, todavia, como é do conhecimento de todos, esse instituto de Direito Civil, é uma das formas de representar uma sociedade comercial. Em segundo lugar, os Auditores Fiscais tratam os sócios formais da empresa fiscalizada como se fossem "testa de ferro e/ou "fantasma", todavia, não traz aos autos nenhuma prova desta alegação. Em uma verdadeira contradição aos seus próprios argumentos de que houve sonegação fiscal, os auditores da Receita Federal reconhecem no procedimento fiscal que a empresa declarou a RECEITA ESTADUAL grandes valores, jogando por terra a tese de sonegação fiscal. Por outro lado, observamos que os lançamentos em questão foram realizados ao arrepio da Lei e de forma aleatória, uma vez que por ocasião de busca e apreensão na empresa COMERCIAL DE CARNES IMPERATRIZ LTDA e no seu respectivo escritório de contabilidade, que a Receita Federal realizou com autorização judicial na operação denominada "abatedouro", todos os documentos fiscais, financeiros e contábeis foram recolhidos e estão em poder do órgão Fazendário, razão pela qual o imposto só poderia ser lançado em conformidade com a documentação e NÃO por arbitramento e amostragem, o pior com base em documento alheio a empresa. Considera que está diante de um verdadeiro cerceamento de defesa, onde os documentos financeiros e contábeis da impugnante foram apreendidos, inclusive, os equipamentos de armazenamento de dados. Todavia, o órgão Fazendário vem simplesmente, agora, arbitrar imposto sem qualquer base legal ou documental, como não realizou a devolução do material apreendido para elaboração de uma defesa fiscal mais consistente, pois aí então estaria com a documentação na mão para refutar as alegações da auditória e esclarecer seus lançamentos contábeis e financeiros. Diante de tudo exposto, requer que seja acolhida a presente impugnação julgandose totalmente insubsistentes os lançamentos efetuados. Requer, ainda, que todas as notificações e intimações sejam encaminhadas ao defensor, com escritório profissional localizado à Rua Luis Domingues n° 707A, centro, na cidade de Imperatriz MA, sob pena de nulidade dos atos por falta de conhecimento. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/FOR), decidiu a matéria por meio do Acórdão 0817.062, de 11/02/2010 (fls. 536), julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Rejeitase a alegação de cerceamento do direito defesa, baseada no argumento de que os documentos da empresa foram apreendidos e não Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 4 4 devolvidos, quando o lançamento está lastreado em provas obtidas junto a terceiros, cujas cópias foram anexadas aos autos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A existência da responsabilidade tributária deve ser decidida pelas vias cognitivas próprias, especialmente a dos embargos à execução. É inócua, portanto, a análise da matéria na fase de julgamento administrativo, mormente quando o interessado não apresenta elementos em que se funda sua defesa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente questionada pelo impugnante. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Verificase pela Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que trata a lide de exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), formalizados em decorrência da constatação de (I) Omissão de receitas da revenda de mercadorias informadas nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Secretaria da Fazenda do Estado do Maranhão, relativas ao ano calendário de 2004 e, (II) Valor apurado com base nos depósitos/créditos constante nos extratos bancários de contas correntes em nome da fiscalizada para os ano calendários de 2004 e 2005. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 49/ ) que intimada e reintimada a apresentar os livros e documentos fiscais os sócios de direito da pessoa jurídica (Antônio Batista do Nascimento e Josefa Rufina da Conceição do Nascimento) simplesmente respondem da impossibilidade em atender as intimações pois a empresa encontrase inativa. Prosseguindo na fiscalização em diligencia a empresa não foi localizada no endereço declarado assim como os sócios não residem no endereço informado no contrato social e, mais, o capital social integralizado é de apenas cinco mil reais, enquanto o faturamento declarado ao fisco estadual é da ordem de seis milhões de reais e a movimentação financeira nos bancos Bradesco S/A e Rural S/a é em média superior a dez milhões de reais. Face ao não atendimento das intimações e aos fortes indícios de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, providenciouse intimação por edital e foram requisitados aos Bancos Rural S/A e Bradesco S/A, na forma do art. 6° da Lei Complementar 105/2001, extratos e documentos da pessoa jurídica. O Banco Rural apresentou procuração pública no qual a Comercial de Carnes Imperatriz Ltda confere amplos, gerais e ilimitados poderes para o Sr. Roberto Agenor Gonçalves da Silva, para o fim especial de representála perante o Banco Rural S/A e Banco Bradesco S/A, podendo abrir, movimentar, e encerrar conta corrente, receber qualquer quantia dando recibo e quitação; emitir e endossar cheques; emitir, endossar e avalizar promissórias e contratos; emitir, endossar, aceitar e avalizar duplicatas; autorizar débitos ou transferências de fundos; contrair empréstimos bancários; requisitar cheques; assinar borderôs; solicitar saldos ou extratos e todos os demais atos necessários autorizados pelo citado mandato, alem do cartão de autógrafos do Sr. Roberto Agenor Gonçalves da Silva. Enfim, em apertada síntese vêse que não restou outra alternativa a autoridade fiscal a não ser o arbitramento do lucro da empresa conforme descrito no TVF, com multa qualificada e agravada alem de lavrar o Termo de Sujeição Passiva Solidária em face do Sr. Roberto Agenor Gonçalves da Silva, após varias tentativas em vão de intimálo a apresentar todos os livros e documentos anteriormente solicitados a pessoa jurídica, restando a via do edital. Pois bem, em primeiro plano necessário esclarecer que o recurso voluntário apresentado pelo Sr. Roberto Agenor Gonçalves da Silva traz as mesmas argumentações iniciais, com pequenas variações, em apertada síntese transcrevo: Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 6 6 “Para julgar procedente o Auto de Infração recorrido, o julgador de 1a Instância, sem qualquer base legal não acatou os robustos fundamentos de cerceamento de defesa, por falta de acessibilidade aos documentos apreendidos pela Policia Federal, por ordem de busca e apreensão, os quais até a presente data encontramse sob a custódia do Órgão lnquisitorial sem que o Recorrente tenha oportunidade de manuseálos para então elaborar sua defesa com eficácia e assim assegurar ao Recorrente o direito a ampla defesa, direito esse resguardado por nossa Carta Constitucional, como também, absurda a conclusão que a sujeição passiva deveria ser mantida e que o mérito NÃO teria sido impugnado. Senhores Julgadores, O Recorrente tomou ciência do TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA, em que o inclui como devedor solidário dos créditos tributários apurados no Auto de Infração impugnado lavrado contra a empresa COMERCIAL DE CARNES IMPERATRIZ LTDA. As fundamentações transcritas no Termo de Sujeição Passiva Solidária, não foram suficientes para incluir o nome do Recorrente no pólo passivo da aludida obrigação tributária, uma vez que nenhuma delas demonstra a vantagem ou mesmo a responsabilidade do mesmo na época dos supostos fatos geradores. Em primeiro lugar, não poderia o Recorrente ser incluído como devedor solidário, uma vez que o mesmo sequer pertence ao quadro societário da empresa fiscalizada, conforme se observa da cópia dos Contratos Sociais juntados ao presente Procedimento Fiscal e sim tão somente procurador dos sócios para administrar as finanças das empresas fiscalizadas, todavia, como é do conhecimento de todos, esse instituto de Direito Civil, é uma das formas de representar uma sociedade comercial. Em segundo lugar, os Auditores Fiscais tratam os sócios formais da empresa fiscalizada como se fossem "testa de ferro" e/ou "fantasma", todavia, não traz aos autos nenhuma prova desta alegação, como também tal tema sequer foi enfrentado pelo Julgador de 1a. Instância. Finalizando, também, não deve prosperar o argumento que no mérito o recorrente deixou de impugnar. Ora, se não foi oportunizado ao Recorrente acesso aos livros e informações contábeis e financeira da empresa pelo Órgão Fiscalizador, que estão sob sua custodia, é lógico que os pontos não seriam impugnados especificamente, até porque o CERCEAMENTO DE DEFESA é justamente no mérito e não nas questões preliminares.” Em que pese não constar entre as argumentações trazidas pela recorrente a questão da solicitação dos dados bancários diretamente pelo órgão fiscalizador, por disposições regimentais vigentes, aprecio, em primeiro lugar, a possibilidade de prosseguimento do julgamento submetido a este Colegiado. Com efeito, tomo de empréstimos as argumentações e conclusões contidas no trabalho do ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, a seguir transcrito: “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 7 7 afastar, está a questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão eqüidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 8 8 Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 9 9 O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 10 10 Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 11 11 No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. No momento em que o Ministro relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Acolhendo, por inteiro, a conclusão esposada no estudo acima reproduzido, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10325.000978/200917 Resolução n.º 1301000.082 S1C3T1 Fl. 12 12 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11831.001318/2001-31
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.086
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 424 2 RELATÓRIO SANOFI AVENTIS FARMACÊUTICA LTDA (atual denominação de AVENTIS PHARMA LTDA), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que deferiu em parte os pedidos veiculados por meio da manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO). Trata o processo de pedido de restituição, cumulado com pedidos de compensação, referente a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano calendário de 2000. Dos autos, extraio os seguintes dados: a) por meio de despacho decisório, a Derat/SPO reconheceu o direito creditório da contribuinte R$ 744.956,98, de um total de R$ 4.544.525,51 que fora pleiteado; b) o crédito reconhecido teve por base a constatação de que a contribuinte apurou um saldo negativo de CSLL de R$ 4.544.525,51, informando um total de estimativas de R$ 7.480.880,99 (recolhimento de R$ 4.111.127,18 e compensações no montante de R$ 3.369.753,81); c) na análise das compensações, verificouse que, entre outras origens, foi utilizado saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 apurado por sociedade sucedida, no valor de R$ 2.048.145,60 d) analisandose o saldo negativo da sucedida, verificouse: d.1) que parte desse saldo teve por origem dedução de 1/3 de COFINS efetivamente paga, e que, na referida dedução, os recolhimentos efetuados eram suficientes para a dedução de R$ 2.252.338,80 e não R$ 2.536.879,13, como promovido pela contribuinte; d.2) outra parte do saldo negativo derivava de estimativas recolhidas, que teriam totalizado R$ 5.716.965,86, e não R$ 6.503.949,02, como informado na DIPJ; d.3) a partir de tais constatações, o saldo credor de CSLL passível de utilização pela sucessora seria de R$ 935.404,03; e) tomando por base o crédito de R$ 935.404,03, foram consideradas compensações indicadas em DCTF, de modo que o resultado final foi um débito de R$ 993.991,93; f) refazendo o saldo pleiteado pela contribuinte, apurouse um saldo negativo para o anocalendário de 2000 de R$ 3.550.553,64 (R$ 4.544.525,57 – R$ 993.991,93); g) examinando DCTF entregues pela contribuinte, verificouse que a contribuinte utilizou parte do saldo negativo do anocalendário de 2000 para compensações no anocalendário de 2001, restando um saldo passível de compensação de R$ 744.956,98. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 425 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, fls. 199/203, por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que o montante de R$ 7.610.637,39 relativo à COFINS teria sido recolhido por meio de documento de arrecadação (DARF); que, relativamente às estimativas do anocalendário de 1999, teria havido recolhimento por meio de DARF de R$ 5.878.335,67 e compensação de R$ 465.431,62, o que totalizaria R$ 6.343.767,29; que os débitos de R$ 242.545,36 e R$ 202.886,26, relativos aos meses de maio e junho de 1999, teriam sido compensados com saldo negativo de CSLL apurado em 31 de dezembro de 1998; que não teria sido considerada a quantia de R$ 41.218,08 de CSLL retida por órgãos públicos. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, e, por meio do acórdão nº. 1613.971, de 14 de junho de 2007, deferiu em parte a solicitação, conforme ementa que ora transcrevo. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Pelo que foi possível depreender, o deferimento parcial em primeira instância deriva do fato de ter se reconhecido crédito adicional de R$ 151.799,12, relativos a pagamentos feitos, fora do prazo, para o anocalendário de 1999, que não haviam sido considerados pela Derat/SPO. Ciente da Decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento de folha 302/verso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 29 de outubro de 2007, conforme registro de recepção de folha 314, por meio do qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que, em que pese a juntada ao processo da documentação comprobatória do pagamento do valor de R$ 5.878.335,67, a decisão recorrida limitouse a considerar, além do valor de R$ 5.716.965,86, já reconhecido pela auditoria fiscal, o pagamento extemporâneo de R$ 138.578,37, deixando, portanto, de computar o montante de R$ 22.791,44 (R$ 161.369,81 R$ 138.578,37); que a diferença de R$ 22.791,44 referese às multas moratórias relativas aos pagamentos efetuados espontaneamente em atraso, nos montantes de R$ 73.744,84, R$ 86.431,17, R$ 33,16 e R$ 1.160,64; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 426 4 que, caso a autoridade fiscal entenda que existe débito em aberto concernente às referidas multas moratórias, deve se valer dos meios hábeis à cobrança, sendo inadequada a glosa do crédito correspondente; que, ainda que optasse por proceder ao lançamento dos valores em questão, tal conduta não teria qualquer respaldo, tendo em vista a configuração do instituto da decadência; que, relativamente às compensações efetuadas no anocalendário de 1999, cumpre mencionar que, inicialmente, não havia sido efetuada qualquer compensação relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 1999, tendo a empresa procedido tão somente às compensações referentes aos meses de maio e junho de 1999, nos montantes de R$ 336.290,20 (Docs. 21/21 A) e R$ 289.323,16 (Doc. 22), respectivamente; que, após revisão do cálculo da CSLL concernente ao anocalendário de 1999, foram apuradas diferenças a recolher nos montantes de R$ 3.517,63 e R$ 156.664,10, relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 1999, razão pela qual as compensações acima referidas foram realocadas, de maneira a satisfazer os débitos apurados nos referidos períodos de apuração; que, em razão da realocação em questão, foram efetuados pagamentos complementares, nos montantes de R$ 73.744,84 (Doc. 21 da Manifestação de Inconformidade I Doc. 23 do Recurso Voluntário) e R$ 86.431,17 (Doc. 22 da Manifestação de Inconformidade / Doc. 23 do Recurso Voluntário), relativamente aos períodos de apuração maio e junho de 1999; que, para a realização das compensações, foi utilizado crédito proveniente da CSLL apurada em 31 de dezembro de 1998, no valor de R$ 531.035,23, cujo pagamento foi efetuado em 31/03/99, através de guia DARF no valor de R$ 1.096.393,02 (Doc. 31 da Manifestação de Inconformidade), gerando crédito no montante de R$ 565.357,79 (Docs. 06 a 20); que na ocasião das compensações a matéria era regulamentada pela Instrução Normativa n° 21/1997, assim, considerando que não era obrigatória, à época, a formalização de compensações entre tributos ou contribuições da mesma espécie, caberia à empresa demonstrar a existência e legitimidade do crédito objeto de compensação, o que restou comprovado pelos documentos apresentados por ela (Docs. 06 a 20); que, considerando que os elementos probatórios são admissíveis até decisão administrativa definitiva, apresenta os razões contábeis que comprovam as compensações inicialmente efetuadas, nos valores de R$ 336.290,20 (Docs. 21/21A) e 289.323,16 (Doc. 22), bem como a planilha de controle do crédito oriundo do anocalendário 1998, que comprova a realocação das compensações (Doc. 24); que, deste modo, restaram devidamente comprovadas as compensações de R$ 3.517,63, R$ 156.664,10, R$ 262.545,36 e R$ 202.886,26, relativas aos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 1999, respectivamente, com crédito oriundo do anocalendário 1998, bem como a legitimidade do crédito utilizado em tais compensações; que somente os órgãos públicos responsáveis pelas retenções é que podem emitir e fornecer os respectivos informes de rendimentos, não podendo a Recorrente ser penalizada por deixar de apresentar documentos cuja emissão não está ao seu alcance; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 427 5 que é obrigação das ditas fontes pagadoras informar à Receita Federal, via DIRF, os dados referentes às retenções realizadas, nos moldes do que apregoa o § 2° do art. 31 da IN 475/2004, que dispõe sobre a retenção da CSLL, da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP nos pagamentos efetuados pelas pelos órgãos públicos; que, se a Receita Federal tem acesso às declarações entregues pelas fontes pagadoras, certamente possui em seu sistema todas as informações sobre as retenções realizadas, as quais poderiam e deveriam ter sido consultadas pelos agentes fiscais, o que não ocorreu no caso concreto; que, relativamente às compensações efetuadas no anocalendário de 2001, das que foram declaradas em DCTF, nos valores de R$ 862.186,66, R$ 127.677,31 e R$ 2.027.182,54, relativamente aos meses de abril, maio e junho, respectivamente, a única que deve ser considerada para fins de mensuração do saldo a ser restituído é aquela no valor de R$ 862.186,66, conforme demonstram os anexos razões contábeis (Docs. 25/ 25A); que a DCTF foi indevidamente preenchida à época, uma vez que foram informados como débitos a serem pagos nos meses em questão os saldos de provisão para CSLL apurados com base no cálculo do lucro real anual, sem a desconsideração dos valores pagos a título de estimativa ou das demais deduções previstas em lei, conforme comprovam os razões contábeis acostados ao presente Recurso (Doc. 26); que, tendo em vista o decurso de cinco anos da entrega da referida DCTF, está impossibilitada de promover a retificação correspondente. Ao final, a Recorrente protesta pela realização de sustentação oral quando do julgamento do Recurso Voluntário, bem como pela baixa do processo em diligência, para apuração do alegado. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 428 6 Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Conforme documento de fls. 01, a contribuinte impetrou pedido de restituição relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000 no montante de R$ 4.544.525,51, e, cumulativamente, indicou débitos para compensação. O valor indicado no pedido corresponde ao declarado na DIPJ/2001, conforme fls. 17. De acordo com o referido documento, o saldo negativo foi assim demonstrado: CSLL DEVIDA R$ 2.970.822,31 ESTIMATIVA R$ 7.480.880,99 CSLL RETIDA POR ÓRGÃO PÚBLICO R$ 34.466,83 SALDO NEGATIVO DE CSLL R$ 4.544.525,51 Apreciando os pedidos formulados pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, por meio do Despacho Decisório de fls. 187/189, decidiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório alegado. Para tanto, assinalou que: 1. do total de R$ 7.480.880,99, indicado como tendo sido recolhido antecipadamente (estimativas), R$ 4.111.127,18 efetivamente foram recolhidos por meio documento de arrecadação, sendo o restante (R$ 3.369.753,81) decorrente de compensações; 2. apreciando as compensações, foi verificado que uma delas decorreu de saldo negativo relativo ao anocalendário de 1999, apurado pela sucedida AVENTIS PHARMA LTDA., CNPJ nº 60.633.328/000177, conforme quadro abaixo, extraído da página da declaração de fls. 175; CSLL DEVIDA R$ 7.033.900,63 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA R$ 2.536.879,13 ESTIMATIVA R$ 6.503.949,02 CSLL RETIDA POR ÓRGÃO PÚBLICO R$ 41.218,08 SALDO NEGATIVO DE CSLL R$ 2.048.145,60 3. analisando o saldo negativo de R$ 2.048.145,60, apurou as seguintes irregularidades: a) o valor correspondente a 1/3 da COFINS era de R$ 2.252.338,80; e b) o total de CSLL paga por estimativa era de R$ 5.716.965,86; 4. a partir das constatações descritas no item anterior, concluiu que o saldo credor passível de utilização seria de R$ 935.404,03, conforme quadro abaixo; CSLL DEVIDA R$ 7.033.900,63 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 429 7 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA R$ 2.252.338,80 ESTIMATIVA R$ 5.716.965,86 SALDO NEGATIVO DE CSLL R$ 935.404,03 5. tomando por base o saldo negativo de R$ 935.404,03, foram imputadas compensações informadas em DCTF pela Recorrente em que o crédito derivava da empresa sucedida AVENTIS PHARMA LTDA., CNPJ nº 60.633.328/000177 (fls. 167/173 e 176), resultando, disso, um SALDO DEVEDOR de R$ 993.991,93; 6. constatado que do total considerado na compensação da estimativa do ano calendário de 2000 sob análise (R$ 2.048.145,60), R$ 993.991,93 não poderiam ser utilizados, concluiu que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000 era de R$ 3.550.533,64 (R$ 4.544.525,57, relativos ao saldo negativo declarado, subtraído de R$ 993.991,93, considerados como compensação indevida); 7. tomando por base o saldo negativo de R$ 3.550.533,64, foram imputadas compensações informadas em DCTF pela Recorrente para o anocalendário de 2001 (fls. 170/171 e 177), resultando, disso, um SALDO NEGATIVO de R$ 744.956,98. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte argumentou: que procedeu a compensação de 1/3 da COFINS efetivamente paga no período compreendido entre fevereiro e dezembro de 1999; que os pagamentos relativos ao período acima mencionado totalizaram R$ 7.610.637,39, devidamente comprovados, não havendo razão, assim, para a desqualificação das compensações no montante de R$ 2.536.879,13; que, relativamente aos valores antecipados a título de CSLL, a quantia de R$ 5.878.335,67 foi recolhida mediante DARFs e a quantia remanescente de R$ 465.431,62 foi objeto de compensação, restando, portanto, comprovada a CSLL recolhida por estimativa no valor de R$ 6.343.767,29; que o crédito utilizado para as compensações dos débitos de R$ 242.545,36 e R$ 202.886,26, relativos aos meses de maio e junho de 1999, respectivamente, é proveniente da CSLL apurada em 31 de dezembro de 1998 , no valor de R$ 540.404,89, cujo pagamento foi efetuado em 31/03/99 através de DARF de R$ 1.096.393,02; que, considerando que não era obrigatória, à época, a formalização de compensações entre tributos ou contribuições da mesma espécie, caberia, apenas, demonstrar a existência e legitimidade do crédito objeto de compensação; que deixou de se considerar na análise do crédito a quantia de R$ 41.218,08, correspondente às retenções na fonte de CSLL por parte dos órgãos públicos, retenções essas devidamente comprovadas. A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando os argumentos acima, os acolheu em parte. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 430 8 Partindo do saldo negativo apurado pela AVENTIS PHARMA LTDA., CNPJ nº 60.633.328/000177, valor de onde surgiram as glosas promovidas pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, o voto condutor da decisão exarada em primeiro grau: a) considerou, a partir do confronto dos extratos de fls. 278/280 com os documentos de arrecadação apresentados pela contribuinte (fls. 235/248), que a apuração do 1/3 da COFINS foi feita corretamente; b) tomando por base o extrato de fls. 282, acolheu como estimativa recolhida pagamentos fora do prazo no montante de R$ 138.578,371; c) avaliou como correta a não consideração do valor de R$ 41.218,08 referente à CSLL retida de órgãos públicos, pois considerou insuficiente para a comprovação das referidas retenções a simples apresentação de registros contábeis; d) não levou em consideração os montantes de R$ 242.545,36 e R$ 202.886,26, relativos aos meses de maio e junho de 1999, em razão da ausência de apresentação de documentação comprobatória das alegadas compensações. Com base nas verificações acima, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento elevou o saldo negativo apurado pela AVENTIS PHARMA LTDA., CNPJ nº 60.633.328/000177, de R$ 935.404,03 para R$ 1.073.982,40, reconhecendo crédito adicional de R$ 138.578, 37, que, corrigido, alcançou a quantia de R$ 151.799,12. Por meio de recurso voluntário, a contribuinte contesta a decisão exarada em primeira instância, argumentando: A – RELATIVAMENTE AOS RECOLHIMENTOS ANTECIPADOS Alega a Recorrente que, em que pese a juntada ao processo da documentação comprobatória do pagamento do valor de R$ 5.878.335,67, a decisão recorrida limitouse a considerar, além do valor de R$ 5.716.965,86, já reconhecido pela auditoria fiscal, o pagamento extemporâneo de R$ 138.578,37, deixando, portanto, de computar o montante de R$ 22.791,44 (R$ 161.369,81 R$ 138.578,37). Argumenta que a diferença de R$ 22.791,44 referese às multas moratórias relativas aos pagamentos efetuados espontaneamente em atraso, nos montantes de R$ 73.744,84, R$ 86.431,17, R$ 33,16 e R$ 1.160,64. Diz que, caso a autoridade fiscal entenda que existe débito em aberto concernente às referidas multas moratórias, deve se valer dos meios hábeis à cobrança, sendo inadequada a glosa do crédito correspondente. Adita que, ainda que optasse por proceder ao lançamento dos valores em questão, tal conduta não teria qualquer respaldo, tendo em vista a configuração do instituto da decadência. B – RELATIVAMENTE ÀS COMPENSAÇÕES Esclarece a Recorrente que, relativamente às compensações efetuadas no ano calendário de 1999, inicialmente, não havia sido efetuada qualquer compensação relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 1999, tendo a empresa procedido tãosomente às 1 O somatório dos valores originais dos recolhimentos indicados no extrato é de R$ 161.369,81. Contudo, como os referidos recolhimentos foram efetuados fora do prazo sem o recolhimento da multa de mora, pelo que se pode supor, a autoridade julgadora de primeira instância acolheu, como valor original, o montante de R$ 138.578,37. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 431 9 compensações referentes aos meses de maio e junho de 1999, nos montantes de R$ 336.290,20 (Docs. 21/21 A) e R$ 289.323,16 (Doc. 22), respectivamente. Contudo, após revisão do cálculo da CSLL concernente ao anocalendário de 1999, foram apuradas diferenças a recolher nos montantes de R$ 3.517,63 e R$ 156.664,10, relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 1999, razão pela qual as compensações acima referidas foram realocadas, de maneira a satisfazer os débitos apurados nos referidos períodos de apuração. Afirma que, em razão da citada realocação, foram efetuados pagamentos complementares, nos montantes de R$ 73.744,84 (Doc. 21 da Manifestação de Inconformidade I Doc. 23 do Recurso Voluntário) e R$ 86.431,17 (Doc. 22 da Manifestação de Inconformidade / Doc. 23 do Recurso Voluntário), relativamente aos períodos de apuração maio e junho de 1999. Diz que, para a realização das compensações, foi utilizado crédito proveniente da CSLL apurada em 31 de dezembro de 1998, no valor de R$ 531.035,23, cujo pagamento foi efetuado em 31/03/99, através de guia DARF no valor de R$ 1.096.393,02 (Doc. 31 da Manifestação de Inconformidade), gerando crédito no montante de R$ 565.357,79 (Docs. 06 a 20). Alega que na ocasião das compensações a matéria era regulamentada pela Instrução Normativa n° 21/1997, assim, considerando que não era obrigatória, à época, a formalização de compensações entre tributos ou contribuições da mesma espécie, caberia à empresa demonstrar a existência e legitimidade do crédito objeto de compensação, o que restou comprovado pelos documentos apresentados por ela (Docs. 06 a 20). Argumenta que, considerando que os elementos probatórios são admissíveis até a decisão administrativa definitiva, apresenta os razões contábeis que comprovam as compensações inicialmente efetuadas, nos valores de R$ 336.290,20 (Docs. 21/21A) e 289.323,16 (Doc. 22), bem como a planilha de controle do crédito oriundo do anocalendário 1998, que comprova a realocação das compensações (Doc. 24). Aduz que, deste modo, restaram devidamente comprovadas as compensações de R$ 3.517,63, R$ 156.664,10, R$ 262.545,36 e R$ 202.886,26, relativas aos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 1999, respectivamente, com crédito oriundo do anocalendário 1998, bem como a legitimidade do crédito utilizado em tais compensações. C – RELATIVAMENTE ÀS RETENÇÕES FEITAS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS Sustenta a Recorrente que somente os órgãos públicos responsáveis pelas retenções é que podem emitir e fornecer os respectivos informes de rendimentos, não podendo ser penalizada por deixar de apresentar documentos cuja emissão não está ao seu alcance. Argumenta que é obrigação das ditas fontes pagadoras informar à Receita Federal, via DIRF, os dados referentes às retenções realizadas, nos moldes do que apregoa o § 2° do art. 31 da IN 475/2004, que dispõe sobre a retenção da CSLL, da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP nos pagamentos efetuados pelas pelos órgãos públicos. Diz que, se a Receita Federal tem acesso às declarações entregues pelas fontes pagadoras, certamente possui em seu sistema todas as informações sobre as retenções realizadas, as quais poderiam e deveriam ter sido consultadas pelos agentes fiscais, o que não ocorreu no caso concreto. Entendendo ser necessária a complementação de informações, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte adote as seguintes providências: 1. manifestese acerca dos argumentos referenciados na letra B acima (COMPENSAÇÕES DO ANOCALENDÁRIO de 1999: compensações de R$ 3.517,63, R$ 156.664,10, R$ 262.545,36 e R$ 202.886,26, relativas aos meses de janeiro, fevereiro, maio e junho de 1999, respectivamente, com crédito oriundo do anocalendário 1998); Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11831.001318/200131 Resolução n.º 1302000.086 S1C3T2 Fl. 432 10 2. tomando por base os controles internos da Receita Federal, informe se existe registro de retenção de CSLL, feita por órgão público, relativamente ao anocalendário de 1999, para o CNPJ nº 60.633.328/000177 (AVENTIS PHARMA LTDA.), no montante de R$ 41.218,08. Solicitase que o resultado da presente diligência, sintetizado em Relatório, seja devidamente cientificado à Recorrente para que esta, querendo, adite razões. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 10DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/07/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 05/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10950.722133/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS.
As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE.
Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-011.293
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS. As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE. Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003.
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TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS. As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata- se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE. Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 21 33 /2 01 7- 10 Fl. 856DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722133/2017-10 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS Não-Cumulativa – Mercado Interno do 1º Trimestre de 2013, informando crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 2.493.526,88. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, em síntese: (1) A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; (2) Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações e prestar Liquidez e Certeza ao direito alegado; (3) Regra geral, as decisões administrativas e judiciais têm eficácia inter-partes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio; (4) É vedado o aproveitamento de créditos da não-cumulatividade em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; (5) Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua defesa anterior e defende a aplicação do laudo como prova de seus alegações. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722133/2017-10 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltou-se à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte, que foram objeto de pedidos de ressarcimento. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade de cooperativa agroindustrial. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de Fl. 858DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722133/2017-10 serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. As glosas são analisadas a seguir. Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit Alega a Recorrente que “não houve a devida análise da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit em que Manifestante, na ocasião Consulente, logrou êxito na consulta, sendo eficaz (leia-se favorável a Manifestante) exatamente na manutenção dos créditos”. Interessa ao presente litígio, portanto, verificar a conclusão da referida Solução de Consulta, e estabelecer a sua relação e pertinência com o direito ora em discussão: Conclusão 36. À vista do exposto, conclui-se que: 36.1. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. 36.2. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. Observe-se, inicialmente, que as conclusões da solução de consulta circunscrevem-se a definir os créditos que a cooperativa pode descontar e manter (item 36.1 da conclusão), diferenciando-os dos créditos que a cooperativa não pode descontar e, tampouco, manter (item 36.2). A Solução de Consulta não é “conclusiva nos exatos termos formulados pela Manifestante, ou seja, que as saídas beneficiadas com a exclusão da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS merecem o mesmo tratamento das saídas Fl. 859DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722133/2017-10 beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência (...)”, como pretende concluir a Recorrente, como bem posto na decisão de piso conforme os argumentos abaixo: Observe-se que, além de limitar a possibilidade de desconto/manutenção dos créditos às hipóteses descritas no item 36.1 da Solução de Consulta, a referida conclusão trata apenas dos efeitos concernentes aos próprios créditos das contribuições, não havendo qualquer menção ao tratamento das receitas correspondentes no que se refere ao rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo, que foi o objeto da fiscalização ao concluir que “os valores relativos a essas receitas devem compor o somatório da receita bruta total para fins de rateio (...)”. Tal conclusão, contida no Termo de Verificação Fiscal é relevante, visto que o pedido de ressarcimento ora em pauta apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, ou seja, os créditos apurados na forma do art. 3º da mesma lei relacionados às receitas de exportação (receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; e vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação). Caso a autoridade fiscal assim não procedesse, haveria o risco de ressarcir, a título de créditos do mercado externo, eventuais créditos apurados sobre receitas em operações realizadas no mercado interno, como são as operações que foram objeto da indigitada Solução de Consulta, o que aconteceria ao arrepio de todas as autorizações legais e normativas. Por isso, não há no Despacho Decisório e no TVF qualquer desconsideração, contradição ou incompatibilidade com a posição expressa na Solução de Consulta nº 151, da SRRF09/Disit. Do Direito à Manutenção e Ressarcimento do Crédito nas Saídas Beneficiadas com Exclusão da Base de Cálculo por Equiparação à Norma Prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Trata-se da mesma temática do tópico anterior, a violação da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit, da qual figurava como consulente. Adoto também as razões da decisão de piso, por com elas concordar integralmente: A própria conclusão do tópico, em que afirma que “todo contexto jurídico apresentado de forma escorreita demonstra que a Manifestante, com suas operações cooperativista, a luz do que dispõe o art. 15 da Medida Provisória nº 2.58-35 de 2001, justificou de forma plausível e incontroversa que as saídas beneficiadas com exclusão da base de cálculo devem ter o mesmo tratamento tributário das demais hipótese como "suspensão", "isenção", "alíquota zero" ou "não-incidência”, razão pela qual faz jus ao pedido de ressarcimento nos termos dos arts. 17 da Lei n° 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005”, demonstra que a alegante mantém-se ao redor da questão da possibilidade de desconto e manutenção de créditos decorrentes das suas operações cooperativistas. Como já clareado anteriormente, a real questão levantada pela fiscalização, considerando que o pedido de ressarcimento apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, é estabelecer o quanto de crédito vinculado às receitas de exportação encontra-se disponível para o pretendido ressarcimento. Para tanto, é necessário corrigir o tratamento das Fl. 860DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722133/2017-10 receitas correspondentes às operações com cooperados, computando os seus valores na receita bruta, para fins de estabelecer o correto rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo. Considerando que a manifestante sequer tangencia tal questão, e que os eventuais créditos decorrentes de operações no mercado interno, ainda que porventura existentes, não estão contemplados diretamente na fundamentação do pedido de ressarcimento, temos por prejudicadas as alegações manifestas neste tópico, com manutenção das conclusões da autoridade fiscal no Despacho Decisório. Logo, não se acolhe também os argumentos tecidos pela empresa neste tópico. Do Direito ao Créditos nas Aquisições de Bens para Revenda - Aquisição de Cooperados Insurge-se contra o entendimento da Autoridade Fiscal, de que as aquisições realizadas junto a cooperados não poderiam gerar crédito das contribuições para o PIS e a COFINS, tendo em vista que a Instrução Normativa nº 635/2006 restringe o crédito apenas para aquisições de “não associados”. Não há razão no argumento. A decisão de piso foi precisa também neste tópico: A possibilidade de descontar, do valor das contribuições incidentes sobre a receita bruta, o crédito calculado em relação a aquisições de bens para revenda, estava regulamentada, à época dos fatos, pela Instrução Normativa SRF nº 635/2006, que assim dispunha: Dos Créditos a Descontar na Apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Dos créditos decorrentes de aquisição e pagamentos no mercado interno Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I -bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) II - aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...) Tal disciplina mantém-se hígida até os dias atuais, através do art. 298, I, da IN RFB nº 1.911/2019. Assim, existe base legal para o desconto de créditos na aquisição de não associados, mas inexiste base para o creditamento na aquisição de associados. Relevante, ainda, estar-se diante de ato cooperativo, na acepção dada pelo art. 79 da Lei nº 5.764/1971 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”), in verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 861DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722133/2017-10 Inexistindo a incidência das contribuições, nas operações em questão, por tratarem-se de atos cooperativos, é natural que inexista, também, o direito ao creditamento, por força do inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) Observe-se que tais conclusões foram evidenciadas, até mesmo, nos parágrafos 8 a 11 da própria Solução de Consulta nº 151 - SRRF09/Disit, de 27 de junho de 2011, que a empresa utiliza em seu socorro em outros momentos da presente Manifestação de Inconformidade. Mantém-se, portanto, as disposições do Despacho Decisório. Despesas com Frete – Transferência de Produtos entre Estabelecimentos Sustenta a Recorrente que: Outrossim, deve-se entender melhor a atividade agroindustrial da Recorrente para certificar de que as despesas com transporte de carga são todas, sem qualquer exceção, realizadas para a movimentação de matérias-primas entre as unidades industriais e de beneficiamento. Basta analisar o Laudo do Processo Produtivo que facilmente se comprova a necessidade de deslocamento de um insumo/matéria-prima para uma das unidades da Recorrente, tendo em vista a localização geográfica das plantas industriais. Logo, não se tratam de deslocamento de produto final pronto para comercialização, mas sim, insumos que serão utilizados em alguma das unidades de beneficiamento. Há no laudo do processo produtivo, ora anexado, descrição do processo de beneficiamento dos insumos soja em grãos e para refino, café em grãos e para refino, algodão caroço, canola e girassol para refino, trigo para refino e grãos, inclusive seguindo instruções normativas do MAPA (Ministério da Agricultura e Abastecimento). Dessa forma, não se tratariam apenas de produtos acabados, mas insumos que são utilizados no processo produtivo, como café, soja, trigo para refino, algodão caroço, canola e semente de girassol para refino, laranja e néctar etc. Operações de transporte de matéria-prima de um ponto de coleta até as unidades de beneficiamento, e destes a outras unidades da Recorrente conforme a necessidade da produção. Em análise do Laudo, identifica-se que há vários processos produtivos que demandam insumos e fases diferentes. Por essa razão, não há como afastar a essencialidade dos dispêndios com frete. Assim, reverto as glosas referentes a: Fl. 862DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722133/2017-10 (i) Frete na aquisição de insumos, por representar custo de aquisição, com crédito fundamentado no inciso II, do art. 3°. (ii) Frete na transferência de insumos/produtos inacabados entre diferentes estabelecimentos da empresa, por representar também custo de aquisição, com crédito fundamentado também no inciso II. Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado O Laudo técnico identifica os principais bens do ativo imobilizado da empresa e suas respectivas utilizações. Da leitura em conjunto com as planilha de glosas dos imobilizados, cabe a reversão das glosas do sistema de aeração do armazém, balança rodoviária, ventilador centrifugo, forno elétrico industrial, conjunto de irrigação, equipamentos de conservação do armazém, trator agrícola, pulverizador hidráulico, cultivador São Francisco, pulverizador atomizado, secador de ar comprimido, sistema de termometria, prensa hidráulica, podador lateral, trilhadeira de parcela, determinador de umidade, dosadores, rack para armazenamento, tanques, balanças, centrifugadoras, filtros, misturador, trocador de calor, reator, medidores de vazão e secador adubadeira, agitador magnético, alicate amperímetro, analisador de rede, alinhador de eixo, aparelho de GPS, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos, balanças, betoneira, bicicleta cargueira, bomba diversas, caixas d’água, calibrador de pressão, carretas diversas, carrinhos diversos, compressores de ar, conjuntos de irrigação, dosimetro de ruído, empilhadeira, enceradeira, endoscópio, escadas, esmerilhadeiras, exaustores eólicos, forno elétrico industrial, furadeiras, lavadoras de alta pressão, máquinas de cortar grama, medidores de distância, de energia, de nível, motobombas diversas, motoserra, parafusadeiras pistolas para pintura e pulverização, politriz, prensas hidráulicas, pulverizadores, roçadeiras, semeadeira, sistema de alarme, soprador, talhas, tanques para diesel, termômetro, testador digital de cabos, transformadores, tratores agrícolas, ventiladores, entre outros, por serem utilizados na produção de bens destinados à venda. A utilização de todo o maquinário está descrita nos laudos de processo produtivo anexados aos autos, logo, em síntese, cabe a reversão das glosas do ANEXO VI – “BENS DO ATIVO IMOBILIZADO – DEPRECIAÇÃO - GLOSAS – GERAL”. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: PIS – COFINS – ATIVO IMOBILIZADO – CREDITAMENTO –LIMITAÇÃO – LEI Nº 10.865/2004. Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento do PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIMITAÇÃO TEMPORAL. ART. 31 DA LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A limitação temporal do aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004, no regime não-cumulativo do PIS e COFINS, ofende os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da não-surpresa. Fl. 863DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722133/2017-10 Declarada a inconstitucionalidade o art. 31 da Lei nº 10.865/05 pela Corte Especial deste Tribunal. Por conseguinte, deve ser afastada a trava do limite temporal. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 864DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13808.003406/2001-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.189
Decisão: Resolvem os membros 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Resolvem os membros 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Cristiane Silva Costa. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003406/200190 Resolução n.º 1302000.189 S1C3T1 Fl. 614 2 Relatório COPEBRÁS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Santos/SP.. Trata a lide de pedido de restituição de saldo negativo de CSLL, relativo ao ano calendário 2000, cumulado com pedido de compensação parcial. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Santos/SP.) deferiu parcialmente o pleito de restituição por entender que a interessada não ofereceu integralmente as receitas financeiras auferidas no anocalendário 1999. Deste modo recompôs a base de cálculo e recalculou a contribuição social devida, resultando em uma saldo negativo da CSLL inferior ao pleiteado. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) (fls. 395/413), trazendo, em resumo, os seguintes argumentos, assim resumidos na decisão recorrida: Cientificada da decisão, a contribuinte, em 30/03/2007, apresentou manifestação de inconformidade (fl. 395/413), alegando, em síntese, que: ∙ As compensações realizadas com créditos objeto do pedido de restituição ocorreram em julho e agosto de 2001, conforme se verifica dos pedidos de compensação constantes do processo. ∙ Por outro lado, a impugnante somente tomou ciência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação das compensações em 06/03/2007, ou seja, depois de mais de 6 anos da data do último pedido formulado. ∙ As normas contidas nos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei 9.430/1996, com redação dada pelas MP 66/2002 e 135/2003, convertidas em Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ratificam a já existente no Código Tributário Nacional, diploma este competente para dispor sobre decadência e prescrição em matéria tributária. ∙ Nem se alegue que os pedidos de compensação aqui referidos não foram convertidos em DCOMP, de forma que se pudesse cogitar da não aplicação das disposições mencionadas. ∙ Estando tacitamente homologados, não poderia o Fisco exigir valores compensados pela impugnante por falta de amparo legal. ∙ Ainda em sede preliminar, cumpre consignar que o despacho ora combatido incorre em flagrante violação a dispositivos legais. ∙ A empresa efetuou a liquidação da contribuição devida por estimativa do mês de janeiro de 2000 mediante compensação com créditos de terceiros. Pois, a autoridade a quo adotou entendimento de que o saldo negativo apurado nesse anocalendário, por ser composto de crédito cedido por terceiros, implicaria a não conversão em DCOMP dos pedidos de compensação. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003406/200190 Resolução n.º 1302000.189 S1C3T1 Fl. 615 3 ∙ A IN SRF 41/2000, que vedou a compensação de débitos com créditos de terceiros é posterior à data da compensação realizada, logo não pode ser tomada como supedâneo de validade para fundamentar o despacho decisório, sob pena de se aplicar a norma retroativamente, o que não é admitido pelo nosso sistema jurídico. Na data da efetivação da compensação acima mencionada, estava em vigor a IN SRF 21/1997, que autorizava o procedimento adotado pela ora impugnante e, conseqüentemente, gerando ato jurídico perfeito e com todos os efeitos dele decorrentes. ∙ Ademais, o crédito aqui discutido não decorre em sua totalidade de compensação com crédito de terceiros, mas de efetivos pagamentos mensais por estimativa. ∙ O crédito de terceiros utilizado havia sido expressamente reconhecido pela autoridade administrativa de origem. Todavia, no referido despacho, consignouse que a validade da cessão de crédito somente se verificou em 23/10/2006 e que, portanto, a compensação realizada com base nessa cessão de crédito estaria vedada pela legislação. ∙ Cabe salientar ainda que, em nenhum momento, a interessada foi intimada em razão da divergência entre os valores dos comprovantes de rendimentos e os constantes em DIRF das fontes pagadoras. ∙ Mesmo porque caberia ao Fisco a tarefa de demonstrar que os dados apresentados em DIRF estariam corretos, na medida em que é impossível à impugnante a análise de declarações de terceiros, a fim de apontar inconsistência em seus dados. ∙ Em relação a divergências nas fichas 06A e 43 da DIPJ, esclareçase que não há a obrigatoriedade de correlação exata entre os valores nelas imputados, eis que as receitas financeiras são reconhecidas “pro rata tempore”. ∙ Em obediência à própria legislação do IRPJ e CSLL, e aos princípios contábeis, as receitas financeiras foram apropriadas de acordo com o regime de competência. ∙ O fato de a empresa não ter sido intimada a se manifestar sobre as divergências, entre a escrituração e as DIRF, invalida qualquer alegação de omissão de receita, pelo não exercício de seu direito de contraditar tais informações. ∙ Requerse a declaração da homologação tácita das compensações realizadas ou, quando menos, o saneamento das incorreções aqui apontadas, ou, ainda, a homologação das compensações, em face da existência do crédito, o qual foi devidamente comprovado pelos documentos acostados aos autos. ∙ Protestase pela produção de todas as provas admitidas em direito, em especial pela juntada de novos documentos e pela realização de diligências que atestem o aqui alegado. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1615.776, de 11 de dezembro de 2007 (fls. 578/587), acolheu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003406/200190 Resolução n.º 1302000.189 S1C3T1 Fl. 616 4 Na hipótese de pedido de compensação de crédito do sujeito passivo com débito próprio, a autoridade administrativa dispõe do prazo de cinco anos, previsto no artigo 74, § 5º, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, para a apreciação do pleito. Transcorrido o prazo sem a manifestação da autoridade administrativa, considerase homologada a compensação e definitivamente extinto o crédito tributário. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Para a determinação do saldo negativo da CSLL, passível de ser restituído ou compensado, configurase imprescindível a comprovação de que as receitas financeiras auferidas foram devidamente computadas na determinação do lucro real. Solicitação deferida em parte. O acórdão recorrido reconheceu a homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados, porém indeferiu a solicitação relativa ao saldo negativo de CSLL a restituir, por considerar não comprovada a inclusão da integralidade das receitas financeiras na base de cálculo, mantendo o conteúdo despacho decisório nessa parte. Ciente da decisão de primeira instância em 29/01/2008, conforme documento de fl. 591, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 29/02/2008 (registro de recepção à fl. 592, razões de recurso às fls. 592/609), mediante o qual reitera todos os argumentos expendidos na manifestação e inconformidade, forte no sentido de que resta comprovada a correta tributação dos rendimentos de aplicação financeira e, por consequência, o direito creditório pleiteado. Ainda assim, ao final do recurso protesta pela realização de diligências, nestes termos: Por fim, em apreço ao principio da verdade material e considerando que a Recorrente apresentou à fiscalização todos os documentos por ela requeridos, caso esse E. Conselho entenda que o conjunto probatório acostado aos autos não seja suficiente para embasar o direito creditório, desde já a Recorrente protesta pela realização de diligência por parte da fiscalização, para que esta intime formalmente a recorrente a apresentar outros documentos que esta julgue necessário para comprovar o direito aqui postulado. É o Relatório. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003406/200190 Resolução n.º 1302000.189 S1C3T1 Fl. 617 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Analisando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A matéria recorrida versa exclusivamente sobre a correta apuração da base de cálculo da CSLL pela interessada, na qual deveriam estar incluídas todas as receitas financeiras auferidas no período base 2000. A autoridade administrativa entendeu, com base nos dados informados na DIPJ do anocalendário 2000 pela interessada e nas DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, que a recorrente não ofereceu integralmente os valores recebidos a título de receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, havendo por bem fazer a sua recomposição, com a inclusão dos valores que considerou omitidos, apurando assim um saldo a restituir inferior ao pleiteado. A decisão recorrida manteve o entendimento da autoridade administrativa, nessa parte. A recorrente, por sua vez, alega que os valores das suas receitas financeiras foram corretamente oferecidos à tributação, justificando as diferenças identificadas pela autoridade administrativa no fato de os rendimentos serem informados na DIRF pelas fontes pagadoras quando do efetivo resgate da aplicação, momento em que ocorreu a retenção do imposto de renda na fonte, ou seja, obedecendo ao regime de caixa. Todavia, alega que já havia oferecido parte desses rendimentos à tributação no anocalendário: 1.999, em obediência ao regime de competência determinado pela legislação fiscal e comercial. Para comprovar as suas alegações apresentou, ao longo do procedimento e também na fase litigiosa, cópias dos livros razão dos anoscalendário 1999 e 2000, onde foram contabilizadas as suas receitas financeiras, além de buscar demonstrar mediante planilha as diferenças que já teriam sido tributadas no ano de 1999 e que foram excluídas da base de cálculo do anocalendário 2000. Analisando os livros razão do anocalendário: 1999, anexados às fls. 448/481, verifico que aparentemente a interessada, ora recorrente, efetuava lançamentos mensais provisionando as receitas de aplicação financeira pelos valores acumulados até o mês de lançamento, com o estorno da provisão efetuada no período anterior. Em dezembro de 1999 constatase que a recorrente efetuou a provisão de receitas financeiras no montante total de R$ 3.819.075,93, conforme livro Razão (fls. 480/481). É possível verificar também no livro Razão do anocalendário 2000 que a recorrente procede no mês de janeiro (fls. 345/346) ao estorno das provisões de receitas financeiras contabilizadas em dezembro de 2009 e ao lançamento de receitas financeiras sobre resgates de aplicações. Neste mês (janeiro/2000) foram lançados a débito da conta de Receitas Financeiras o montante total de R$ 3.819.075,93 relativos aos estornos de provisões e o montante total de R$ 4.3238.784,22 a crédito dessa conta. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003406/200190 Resolução n.º 1302000.189 S1C3T1 Fl. 618 6 O valor estornado em janeiro/2000 é bastante próximo do valor informado (R$ 3.836.181,70) como tendo sido tributado no ano de 1.999, na planilha demonstrativa constante do recurso voluntário (fls. 597), reproduzida abaixo: Destarte, existem elementos no processo que conferem verossimilhança às alegações da recorrente. Todavia, não é possível correlacionar de forma conclusiva, mediante os elementos constantes dos autos, os valores contabilizados como receitas financeiras com as aplicações financeiras realizadas pela recorrente no ano de 1999 e resgatadas no ano de 2000. Tais esclarecimentos são necessários para o correto deslinde da controvérsia. Como é cediço, o processo administrativo fiscal é regido, além de outros, pelos princípios da instrumentalidade processual e da verdade material, cabendo ao julgador sopesar os elementos do processo e, sendo imprescindível, promover as medidas necessárias para sanear o processo com vistas a um julgamento justo e objetivo. A jurisprudência administrativa é pacífica quanto à observância do princípio da verdade material, tendo a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciado sobre isto no Acórdão CSRF/0304.371, in verbis: Fl. 639DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003406/200190 Resolução n.º 1302000.189 S1C3T1 Fl. 619 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCADA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 1031 8789 — 3' Câmara 1° C.C.). grifei Ante ao exposto, observando o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, considero imprescindível a realização de diligências para dirimir as dúvidas acima expostas. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente adote as seguintes providências: I Designação de autoridade fiscal para intimar a recorrente a apresentar demonstrativo correlacionando os valores contabilizados como receitas financeiras nos anos calendário 1999 e 2000, com as aplicações financeiras efetuadas no ano de 1999 (ou anteriores) e resgatadas no ano de 2000. O Demonstrativo deve identificar: a instituição financeira, a data de aplicação ou aquisição do título, o valor total dos rendimentos produzidos até o resgate, o valor reconhecido como receitas financeiras no ano de 1999, o valor reconhecido como receitas financeiras no ano de 2000, as contas contábeis creditadas e/ou debitadas e os respectivos lançamentos contábeis efetuados. Os dados informados devem ser comprovados com a documentação pertinente. II A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os elementos apresentados, em cotejo com as informações constantes dos autos, e elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre o valor total das receitas de aplicação financeiras a serem incluídas na base de cálculo da CSLL do anocalendário 2000. III A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, observandose o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. É como voto. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 640DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 17460.000381/2007-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/07/1998
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE Nº8.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.332
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso em face de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto no Art. 173, I, CTN quanto no Art. 150, § 4º, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 31/07/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE Nº8. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido.
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O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso em face de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto no Art. 173, I, CTN quanto no Art. 150, § 4º, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza Relator. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000381/200797 Acórdão n.º 240300.332 S2C4T3 Fl. 8 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.87 a 105 carreado de documentação, contra decisão da DRJRIBEIRÃO PRETO/SP (fls.76 a 81) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.029.4777, no valor consolidado de R$116.079,84 (cento e dezesseis mil, setenta e nove reais e oitenta e quatro centavos). Segundo o relatório fiscal às fls.17 a 20, a notificação corresponde à ausência de recolhimentos das contribuições devidas à Seguridade Social relativas à cota patronal e contribuição da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 09/01/2007 e apresentou impugnação às fls.29 a 44, alegando em síntese: Que ajuizou em 17/08/1994 uma ação cautelar, na intenção de compensar prólabore pago a maior, que foi concedida em 1 instancia e que o Tribunal Regional Federal ratificou essa decisão. Em última instância, a Recorrente conseguiu em definitivo o direito de compensar as contribuições previdenciárias recolhidas, indevidamente sem nenhuma limitação. Que a Lei n° 9.129, a qual impôs limitação de 30% sobre as compensações, somente passou a vigorar em 21/11/1995 e, desde 26 de agosto de 1994 (sentença em anexo), a Recorrente já detinha uma decisão a seu favor, configurando, inequivocamente, o direito adquirido. Para embasar mais ainda sua postulação, a recorrente transcreveu jurisprudências, ressaltando que as palavras dos respeitáveis julgados colacionados falavam por si só, não deixando dúvidas quanto à não limitação às compensações por recolhimentos indevidos. Por fim, requereu que a presente NFLD fosse reconsiderada para que a recorrente se isentasse de qualquer pagamento, tendo em vista que seu direito de compensar valores estava albergado por decisão judicial. A decisão de 1 instância foi proferida inicialmente pela Delegacia da Receita Previdenciária em São José do Rio Preto, através da DecisãoNotificação n 21.436.4/0147/2006 (fls.68 a 71). Ocorre que, com o advento da Lei n 11.457/2007, houve a transferência do acervo técnico, inclusive dos processos administrativos, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual houve novo julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), através do acórdão n 14 17.897 (fls.76 a 81), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/07/1998 Fl. 215DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. LIMITE DE 30%. A legislação aplicável na compensação é aquela vigente quando do encontro dos débitos e créditos se não houver disposição diversa na sentença judicial. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 87 a 105, reiterando todos os pontos da impugnação. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000381/200797 Acórdão n.º 240300.332 S2C4T3 Fl. 9 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR: DA DECADÊNCIA TOTAL: Não obstante a recorrente não ter se pronunciado acerca da ocorrência do instituto da decadência, cabe a este Conselho analisálo ex officio, por ser matéria que prejudica o mérito da causa. Assim, passo a examinar sua aplicação ao caso em tela. Vale destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173 é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies Fl. 218DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000381/200797 Acórdão n.º 240300.332 S2C4T3 Fl. 10 7 tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Desse modo, levandose em consideração a ciência da NFLD em 09/01/2007, e, as datas das competências que estão sendo objeto de discussão (05/1998 a 07/1998) temse que os valores cobrados na notificação fiscal estão acobertados pela decadência, independentemente do critério a ser adotado. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO reconhecendo a decadência dos valores relativos às competências de 05/1998 a 07/1998, independentemente do critério a ser utilizado pelo Código Tributário Nacional (art150, §4 ou art.173, I) e em razão da Súmula Vinculante n 8. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 16327.901263/2006-99
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.116
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 732 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 10ª Turma da DRJ/SP1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade devendose prosseguir na cobrança do débito cuja compensação não foi homologada, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICADORA. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA PARA ANALISE DA COMPOSIÇÃO DO CREDITO. INAPLICABILIDADE. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DE DÉBITOS DO SUJEITO PASSIVO. A extinção de créditos tributários por compensação, a partir da edição da Medida Provisória nº 66, de 2002, é efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (Declaração de Compensação). EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ILIQUIDEZ DOS CREDITOS. Os valores com exigibilidade suspensa não são passíveis de restituição, pois não correspondem a crédito líquido e certo de que trata o art. 170 do CTN, pois pendentes do resultado de ação judicial. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 733 3 DO DESPACHO DECISÓRIO Tratase de Declaração de Compensação eletrônica 23401.64413 (fls.01 a 05), apresentada em 08/08/2003, em que o contribuinte declara a compensação de débitos. Em 17/09/2007, o contribuinte apresentou a Declaração de Compensação retificadora nº 03017.56480 (fls.441 a 452), que foi admitida pela autoridade administrativa, em vista de que a Dcomp retificadora se enquadra nas condições da IN SRF nº 360/2003 e nas condições dos arts. 77 a 79 da atual IN RFB nº 900/2008 (item 11 do Despacho Decisório, fls.473). Expõe a autoridade administrativa, às fls.472/480, que o crédito apontado na Declaração de Compensação retificadora é proveniente do saldo negativo de IRPJ obtido na sua apuração anual do anocalendário 2002, de R$ 25.710.738,08, conforme a ficha 12B da DIPJ/2003 (fls.145 e 146), abrangendo estimativas compensadas com a utilização de valores que teriam se originado nos anoscalendário de 2000 e 2001. Da análise efetuada, constatou a autoridade administrativa que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 disponível para compensação com débitos futuros é de R$ 6.049.278,69, conforme demonstrativo de fls.478, como segue: RUBRICA VALOR IR alíquota de 15% 39.241.904,61 Adicional 26.137.269,74 () Op. Caráter Cultural 1.422.548,48 () PAT 181.499,03 () Fundo direitos criança 250.000,00 () IRRF 2.616.201,09 () IR mensal pago 66.958.204,44 IR A PAGAR AC 2000 6.049.278,69 A partir do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 disponível para compensação, foi efetuada a sua vinculação com os débitos de estimativa compensados, relativos aos períodos de apuração de janeiro a março de 2001 e foi constatado que esse crédito foi suficiente para extinguir o débito de janeiro/2001 e o valor parcial de R$ 4.502.910,70 relativo a fevereiro/2001, conforme os demonstrativos de fls. 462 a 464, que são os valores compensados passíveis de compor o saldo negativo do ano calendário de 2001, de acordo com o demonstrativo de fls.478, a saber: RUBRICA VALOR IR alíquota de 15% 53.806.599,25 Adicional 35.847.066,17 () Op. Caráter Cultural 1.633.201,92 () PAT 249.823,09 () Atividade audiovisual 300.000,00 () Fundo direitos criança 300.000,00 () IRRF 7.148.788,30 () IR mensal pago 77.259.482,05 () IR mensal compensado 6.231.064,05 IR A PAGAR AC 2001 3.468.693,99 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 734 4 Dessa forma, apurou a autoridade administrativa que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 disponível para compensação é de R$ 3.468.693,99 e a partir desse valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 disponível para compensação, efetuou a sua vinculação com os débitos de estimativa compensados, relativos aos períodos de apuração de janeiro a março de 2002. Constatou que esse crédito foi suficiente apenas para extinguir parcialmente o débito de janeiro/2002 no valor de R$ 3.556.451,95, conforme os demonstrativos de fls.465 a 467, valor compensado passível de compor o saldo negativo do anocalendário 2002. Por fim, a autoridade administrativa apurou o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 disponível para a compensação tratada no presente processo de R$ 1.207.971,65, conforme demonstrativo de fls.479, a saber: RUBRICA VALOR IR alíquota de 15% 56.402.166,25 Adicional 37.577.444,17 () Op. Caráter Cultural 2.071.088,09 () PAT 320.615,06 () Fundo direitos criança 200.000,00 () IRRF 4.486.600,38 () IR mensal pago 84.552.826,59 () IR mensal compensado 3.556.451,95 IR A PAGAR AC 2002 1.207.971,65 Assim, o saldo negativo de IRPJ disponível para compensação de R$ 1.207.971,65, discriminado na Listagem de Créditos (fl.469), foi vinculado aos débitos que o contribuinte declarou como compensados na Dcomp de fls.01 a 05 ou fls.441 a 453, e constatou a autoridade administrativa que o crédito foi suficiente apenas para suportar parte do débito de estimativa de IRPJ do período de apuração de janeiro/2003, no valor de R$ 1.058.085,46, restando em aberto o débito parcial de estimativa de IRPJ do período de apuração de janeiro/2003, no valor de R$ 9.697.545,28, e os débitos de estimativa de IRPJ do período de apuração de fevereiro/2003 e de IRRF sobre juros de capital próprio da 1ª semana de janeiro/2003, conforme a Listagem de Débitos de fl.468. Em resumo, a glosa efetuada pela autoridade administrativa quanto ao crédito passível de compensação devese aos seguintes motivos: conforme itens 22 a 25 do Despacho Decisório, os valores declarados como suspensos estão vinculados ao Mandado de Segurança nº 97.00073408 impetrado para assegurar o direito de recolher o IRPJ sem adicionar o valor da CSLL na apuração do Lucro Real, a partir do anobase de 1997 (fls.23 a 34); a sentença foi favorável ao contribuinte, concedendo a segurança (fls.36 a 43), mas o acórdão do TRF da 3ª Região deu provimento à remessa oficial (fls.45 a 51); o contribuinte interpôs Recurso Extraordinário contra esse acórdão (fls.52 a 70) e efetuou depósito judicial das importâncias questionadas pela Medida Cautelar nº 2004.03.00.0083978 (fls.72 a 86); o STF determinou a devolução dos autos para o TRF da 3º Região em vista da repercussão geral já reconhecida no RE 582.525 (fls.454 e 455). Atualmente, os autos encontramse sobrestados em virtude do precedente do RE 582.525 (fls.456 e 457). Dessa forma, conclui a autoridade administrativa que ainda não existe decisão judicial definitiva e, portanto, os valores suspensos não podem ser utilizados para compor o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 735 5 saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, por não serem líquidos e nem certos nos termos do art. 170 do CTN; a respeito dos valores de IRRF, a autoridade administrativa, em consulta às Dirf apresentadas pelas fontes pagadoras, constata valor inferior ao apontado pelo interessado a título de dedução do imposto devido. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente do Despacho Decisório em 10 de setembro de 2009( AR às fls. 490), o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 13 de outubro de 2009, trazendo os argumentos de fls. 497/524, acompanhados dos documentos de fls. 525/630. Expõe a defesa que em 08/08/2003 apresentou declaração de compensação que deu origem ao presente processo, indicando como crédito passível de restituição o valor de R$ 24.947.613,86, relativo ao saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, compensável com débitos de IRF sobre juros sobre capital próprio do período de apuração da 1ª semana de dezembro de 2002 e das estimativas de IRPJ de janeiro e fevereiro de 2003. E, posteriormente, em 17/09/2007, apresentou DCOMP retificadora apenas para corrigir o valor do crédito original utilizado na compensação efetuada para R$ 25.171.736,06 e para retificar o período de apuração e a data de vencimento do débito compensado de IRF sobre os juros sobre capital próprio. Mas que, procedendo à análise dos créditos/débitos apontados, a autoridade administrativa houve por bem homologar apenas parcialmente as compensações efetuadas. Da fundamentação do despacho decisório, alega a impugnante que a não homologação da compensação efetuada deveuse ao entendimento de que o saldo negativo indicado como crédito a compensar seria inexistente, por três motivos: a) por entender que não havia saldo negativo no ano de 2000 e 2001 suficiente para fazer face à estimativa de 2001 e 2002 compensadas com aqueles créditos, o que impactaria o saldo negativo de 2002 utilizado nestes autos; b) em razão da premissa (equivocada) de que teria a impugnante compensado valores com exigibilidade suspensa por força do MS nº 97.00073408; c) por entender que os valores de IRF antecipados ao longo dos anos de 2000, 2001 e 2002 são menores do que aqueles informados na DIPJ. Afirma o interessado que o entendimento da autoridade administrativa não pode prevalecer pelas seguintes razões: 1) Da decadência e homologação tácita das compensações realizadas Afirma a impugnante que tendo apresentado em 08/08/2003 a PER/DCOMP objeto do presente processo, não poderia a autoridade administrativa pretender em 10/09/2009 deixar de homologar as compensações realizadas, posto que passados cinco anos contados daquela data operouse a homologação tácita, nos termos do artigo 74, parágrafo 5º da Lei nº 9.430/96, operandose a decadência e com isso a extinção dos débitos compensados. Afirma, ainda, que Declaração de Compensação retificadora apresentada em 17/09/2007 em nada altera tal fato, pois tratandose de prazo decadencial, este não se interrompe nem se suspende, mas flui inexoravelmente, razão pela qual não tendo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 736 6 havido a homologação expressa dentro do prazo de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação, não resta dúvida de que ocorreu no caso a homologação tácita das compensações. A DCOMP retificadora foi apresentada apenas para corrigir (alterar para mais) o valor do crédito original utilizado na compensação efetuada para R$ 25.171.736,06 e para retificar o período de apuração e a data de vencimento do débito compensado de IRF sobre os juros sobre capital próprio. Assim, ainda que se entenda que a DCOMP retificadora possa reabrir o prazo para homologação, o que se admite para argumentar, quando menos ocorreu a homologação tácita em relação aos débitos cuja compensação não foi objeto de retificação, até porque o crédito originalmente pleiteado era suficiente para lhes fazer face. 2) Quanto à parte do saldo negativo de 2002 oriunda de estimativas quitadas por compensação com saldo negativo de 2001: impossibilidade de sua desconsideração. Expõe a defesa que, quanto à insuficiência de saldo negativo de 2002 em razão da desconsideração das compensações de estimativas de janeiro a março daquele ano e quanto à suposta insuficiência parcial do valor de IRF dos anos de 2000 e 2001, o argumento utilizado na decisão é improcedente, seja porque o saldo negativo apurado pela impugnante em 2001 não pode mais ser glosado pela autoridade administrativa em razão da decadência, seja porque a desconsideração das estimativas compensadas pela impugnante em 2001 deveria ter se dado mediante lançamento, o que igualmente não foi feito, seja ainda porque eventual diferença do IRF eventualmente apurada também deveria ter sido objeto de lançamento à época própria. Afirma que a autoridade administrativa está valendose do presente processo de compensação do saldo negativo apurado ao final do anocalendário de 2002 para realizar, por vias transversas, a fiscalização que não efetuou em tempo hábil quanto às compensações realizadas pela impugnante ao longo do ano de 2002 e do ano de 2001, devidamente contabilizadas e informadas em DCTF (todas constantes dos autos – fls.165/167 e 372/374), com o que a impugnante não pode concordar, em face da pacífica jurisprudência dos tribunais administrativos e judiciais. E que tendo sido devidamente informadas em DCTF, as compensações realizadas quanto às estimativas dos anos de 2001 e 2002, e não tendo sido as mesmas questionadas pela fiscalização ou objeto de qualquer lançamento, consideramse devidamente homologadas, não podendo a fiscalização, decorridos mais de 05 (cinco) anos desde a ocorrência dos respectivos fatos geradores, pretender agora modificar as apurações fiscais feitas pela impugnante relativamente aos anoscalendário de 2001 e 2002 porque foram alcançadas pelo instituto da decadência, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. 3) Dos valores referidos pelo Despacho Decisório como “suspensos” Afirma a defesa que o saldo negativo indicado pelo impugnante é composto por valores efetivamente pagos/compensados ao longo do ano de 2002 e que no ajuste do exercício, considerando o valor do IRPJ efetivamente então devido, geraram saldo negativo de imposto, em conformidade à legislação aplicável, o mesmo se aplicando também aos anos de 2000 e 2001. Esclarece que, em 21/03/1997, impetrou o Mandado de Segurança nº 97.00073408 objetivando assegurar seu direito líquido e certo de “calcular e recolher o imposto de renda devido, relativo ao anobase de 1997 e subseqüentes enquanto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 737 7 perdurar a vedação impugnada, contida no art. 1º da Lei nº 9.316/96, sem efetuar a adição do valor da contribuição social sobre o lucro na base de cálculo respectiva...” tendolhe sido concedida a medida liminar, posteriormente confirmada por sentença concessiva da segurança (fls.23/43). Expõe que, somandose os pagamentos efetivos com os pagamentos compensados e o IRF antecipado, a impugnante efetivamente recolheu a título de IRPJ durante o anocalendário de 2002 o montante de R$ 109.390.154,11 (R$ 84.552.826,59 – pagamentos; R$ 19.490.472,01 – compensações; R$ 5.346.855,51 – IR Fonte). Da comparação entre os valores efetivamente pagos/compensados e IRF antecipado ao longo do ano de 2002, no montante de R$ 109.390.154,22, com o IRPJ apurado ao final do anobase considerando os efeitos da dedução da CSL de sua própria base e da base de cálculo do IRPJ (MS nº 97.00073327 e MS nº 97.00073408), conforme autorizado pelas decisões judiciais (R$ 83.679.634,00), verificase que a impugnante realizou naquele ano pagamento a maior de R$ 25.710.520,11, que é justamente o saldo negativo consignado na DCOMP que originou o presente processo. A impugnante alega que pleiteou única e exclusivamente a compensação de valores efetivamente pagos durante o anocalendário de 2002 e que no ajuste do exercício, considerando o valor do IRPJ efetivamente devido em conformidade às decisões judiciais em vigor, geraram saldo negativo de imposto, conforme amplamente demonstrado, de modo que não procede a argumentação do despacho decisório quanto à glosa de supostos valores “suspensos”. Afirma que o valor indicado como crédito compensável (R$ 25.710.520,11) não tem relação alguma com o valor do IRPJ cuja exigibilidade está atualmente suspensa por força de depósito efetuado nos autos do Mandado de Segurança nº 97.00073408, no montante de R$ 7.708.273,27, conforme demonstrado na tabela de fls.518. Expõe que, tão logo reformada a sentença que concedera a segurança nos autos do MS nº 97.00073408 (Acórdão publicado no RJ de 28/01/2004 já constante dos autos), promoveu naqueles autos e no prazo de 30 dias previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 depósito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, II, do CTN (fls.96), no montante de R$ 7.708.273,27, com os juros devidos. E que, somandose o valor efetivamente pago/compensado/antecipado a título de IRF e estimativas (R$ 109.390.154,11) com o valor depositado de R$ 7.708.273,27, chegase a um total de R$ 117.098.427,38, superior ao IRPJ devido em 2002 de R$ 91.387.907,27, sendo que a diferença de R$ 25.710.520,11 corresponde exatamente ao quantum compensado nestes autos. Assim, no seu entender, fica evidente que, independentemente da decisão final no MS 97.00073408, a impugnante efetivamente tem um crédito passível de restituição no valor de R$ 25.710.520,11. Conclui que, restando inequivocamente demonstrado que os créditos apurados nos presentes autos decorrem da diferença entre os pagamentos efetivamente realizados pela ora impugnante durante o anocalendário e o montante de IR devido nos termos da sentença proferida, e não de suspensão, não há que se falar em iliquidez ou incerteza, devendo, portanto, ser reconhecidos integralmente os créditos declarados e, por conseguinte, homologada a compensação, já que descabe a glosa efetuada quanto a supostos valores “suspensos”. 4) Quanto às diferenças de IRFONTE apontadas pela decisão recorrida Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 738 8 Afirma que é descabido o indeferimento do saldo negativo sob o fundamento de que teria sido declarado na DIPJ valor de IRRF superior àqueles declarados pelas fontes pagadoras nas respectivas DIRFs, pois a autoridade administrativa está efetivamente cobrando por vias transversas o suposto valor de IRPJ que entende devido sem realizar o necessário lançamento. Expõe que os valores relativos ao IRRF indicado pela impugnante em sua DIPJ/2003 correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação pela impugnante, os quais de fato sofreram retenção na fonte, sendo que as supostas diferenças apontadas podem advir de eventual erro cometido pelas fontes pagadoras no cumprimento de suas obrigações acessórias, ou mera falha da própria Receita Federal no processamento das DIRFs, erros estes que não podem ser imputados à impugnante. Requer a impugnante, nos termos do artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72, em face do princípio da verdade material e com o objetivo de comprovar o alegado, seja determinada a realização de diligência no sentido de que sejam oficiadas as fontes pagadoras, conforme quadro anexo (doc.05 fls. 622/629), para que informem se estão corretos os valores de IRRF indicados pela impugnante em sua DIPJ. Conclusão Por todo o exposto e por tudo o mais que dos autos consta, pede e espera a impugnante seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade para o fim de reformar o despacho decisório, homologandose integralmente as compensações declaradas. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) tendo apresentado em 08/08/2003 a PER/Dcomp não poderia a autoridade administrativa pretender em 10/09/2009 deixar de homologar as compensações, posto que passados cinco anos contados daquela data operouse já sua homologação tácita; b) o argumento de que a contagem do prazo decadencial se desloca para a prestação da Per/Dcomp retificadora, baseado no §2º do art. 29 da IN SRF nº600/2005 carece de base legal e não pode ser argüido. Além disso, o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende. E, por fim, a Dcomp retificadora foi prestada apenas para corrigir (alterar para mais) o valor do crédito original utilizado na compensação efetuada para R$25.171.736,06 e para retificar o período de apuração e a data de vencimento do débito compensado de IRF sobre os juros sobre capital próprio; c) o saldo negativo apurado pela recorrente em 2001 não pode mais ser glosado, seja pela questão da decadência, seja porque a desconsideração das estimativas compensadas pela recorrente em 2001 deveria ter se dado mediante lançamento, o que igualmente não foi feito, seja porque eventual diferença de IRF eventualmente apurada também deveria ter sido objeto de lançamento à época própria. A autoridade administrativa pretende realizar, por vias transversas, a fiscalização que não efetuou em tempo hábil; d) não procedem as alegações contidas no acórdão recorrido quanto aos valores “suspensos”, pois o procedimento da recorrente foi correto. Do contrário estarseia anulando por completo os efeitos da decisão judicial. A rigor, não se trata de suspensão. Ocorre apenas que os créditos apurados nos presentes autos decorrem da diferença entre os pagamentos Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 739 9 efetivamente realizados durante o anocalendário e o montante de IR devido nos termos da sentença proferida. Ressalta que tão logo reformada a sentença que concedera a segurança nos autos do MS nº 97.00073408 promoveu a recorrente naqueles autos e no prazo de 30 dias previsto no art. 63 da Lei nº 9.430/96 depósito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, II, do CTN, no montante de R$7.708.273,27, com os juros devidos. Assim, em caso de insucesso na via judicial, o crédito está garantido, sendo o total pago superior ao devido; e) os valores relativos ao IRRF indicados pela recorrente em sua DIPJ/2003 correspondem a rendimentos efetivamente recebidos e oferecidos à tributação pela recorrente, os quais de fato sofreram retenção na fonte. A diferença apontada pela fiscalização se refere a retenções de IRF relativamente a valores recebidos pela recorrente a título de juros sobre capital próprio – JCP, cuja receita somente foi oferecida à tributação quando de seu efetivo pagamento à recorrente ocorrido posteriormente à retenção, razão pela qual a recorrente só se aproveitou do IRF também naquele mesmo ano base. As diferenças encontradas se referem ao fato, usual e corriqueiro, de as assembléias deliberarem o pagamento de JCP ao final de cada ano, enquanto o efetivo pagamento dos valores deliberados ocorre usualmente nos anos seguintes à retenção declarada pelas fontes pagadoras em suas DIRF. Junta documentos que comprovam a efetividade das retenções. Também não cabe falar em postergamento, pois a recorrente sempre apurou saldo negativo de imposto ao final do anobase. Pede a consideração das provas apresentadas, em prestígio do princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 740 10 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Dentre as matérias em debate, exsurge a questão do IRF utilizado para compor o saldo negativo de 2002, lastreado em retenções de juros sobre capital próprio – JCP cujas DIRF prestadas pelas fontes pagadoras não seriam suficientes para suportar os valores declarados pela recorrente. A recorrente afirma que os valores foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras, e acosta documentos nesta fase recursal que dão suporte às suas afirmações. Cita como exemplo o caso dos JCP pagos pela Telesp, recebidos em 11/12/2000 mas cujo pagamento havia sido deliberado parte em 30/12/98 e parte em 30/12/99. Aduz que não ofereceu aqueles valores à tributação naqueles anos pois deles só tomou conhecimento posteriormente. Também não se apropriou naqueles anos do IRF compensado, o que só fez quando do efetivo recebimento e oferecimento à tributação do respectivo valor. Venho me manifestando no sentido de que a mera adoção dos valores declarados em Dirf pelas fontes pagadoras sem um aprofundamento maior da investigação acerca dos valores retidos não é bastante para esgotar o tema, mediante a glosa do IRRF lançado na DIPJ e utilizado para compor o saldo negativo de IRPJ. Isto porque tal procedimento, calcado única e exclusivamente no procedimento – por vezes equivocado de terceiros, acaba em alguns casos por ferir direito líquido e certo do contribuinte, e este, muitas vezes, não dispõe de condições de produzir prova em seu favor. Não é o caso dos autos, vez que o contribuinte antecipouse e acostou elementos de prova, requerendo sua apreciação. Entretanto, em coerência com o raciocínio anterior, e em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, entendo que tais elementos devam ser apreciados pela autoridade administrativa, a qual também poderá dispor de outros meios de investigação e diligência, de modo a averiguar se os valores declarados efetivamente estão lastreados em elementos de prova que os comprovem. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de jurisdição aprecie os documentos acostados às fls.206/241, e, podendo efetuar outras diligências, manifestese conclusivamente acerca destes, relativamente aos valores lançados na DIPJ/2003. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.901263/200699 Resolução n.º 1302000.116 S1C3T2 Fl. 741 11 Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13161.000637/2004-37
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
Meras alegações de erro não se prestam a justificar procedimento de
retificação de declaração de rendimentos, mas sim provas inequívocas, que restaram não produzidas no presente caso.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-000.576
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatara
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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Meras alegações de erro não se prestam a justificar procedimento de retificação de declaração de rendimentos, mas sim provas inequívocas, que restaram não produzidas no presente caso. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatara. AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE - Presidente 710~' catc,,ASIA MARA PASCHOALIN Relatara EDITADO EM: 17/08/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henxiques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva (Suplente convocada), Tânia Mara Pasehoalin e Júlio Cezar da Fonseca Furtado. 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1" Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande, MS. Por bem descrever os fatos, reproduz-se abaixo o relatório da decisão recorrida: Exige-se da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao IRPF/2002 suplementar, no valor total de RS 8,789,33, incluindo juros e multa, em virtude da constatação de existência de irregularidades na declaração, conforme Auto de Infração de fls. 24a 30, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fis 25 a 29 2. O lançamento ocorreu em virtude da glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, por ser referente à retenção pela fonte pagadora cujo titular é a interessada em pauta, a qual, regularmente intimada, não comprovou o recolhimento do imposto. 3, Conforme Consulta Postagern e Aviso de Recebimento - AR de fls. 33 e 34, a contribuinte tomou ciência do lançamento em 28/06/2004 e elaborou sua impugnação em 07/07/2004, apresentando em 12/07/2004, segunda feira, ti 01, constando no carimbo de recepção da repartição 12/06/2004, sábado, obviamente, ao que tudo indica, equivocadamente quanto ao mês, 4. Argumentou, a impugnante, que não teve rendimentos tributáveis pela empresa, cujas atividades foram encerradas em 1999 e que, verificando os documentos da mesma, percebeu que seu ex-esposo, ao necessitar de rendimentos para retirar passaporte, declarou um rendimento em conjunto, 5. Instrui sua impugnação com os documentos de fls. 04 a 10, os quais são cópia de requerimento de baixa de Inscrição Estadual da empresa; da declaração do SIMPLES/2002; da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF/2002; da Declaração de Renda — Pessoa Física DIRPF/2002 e do Recibo de Entrega da mesma assinada pela interessada„ A DRJ em Canpo Grande/MS, conforme Acórdão de fls. 43/45, julgou procedente o lançamento, sob os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: Imposto Retido na Fonte - Empresário Individual Procedente a glosa de imposto retida na .fonte de declarante titular da fonte pagadora, cuja retenção não foi recolhida. Regularmente notificada daquele Acórdão em 11/07/2007 (fl. 51), a contribuinte interpôs recurso voluntário de fis. 52/59, em 31/07/2007, no qual, inicialmente, solicita a retificação de sua declaração, uma vez que não tem condições de pagar um advogado. Prosseguindo, relaciona os seguintes pontos de discordância: o a D1RF consta o seu CNPJ, porém não consta seu CPF; • as informações constantes da declaração de 1RPF ano base 2001, exercido 2002, não estão corretas; Processo ri° 13161 000637/2004-37 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.576 El. 73 o são inexistentes os rendimentos em sua declaração, haja vista o protocolo do pedido de baixa Estadual e Municipal no ano base de 1999; o a empresa ficou inativa a partir de julho de 1999, conforme consta das declarações IRPJ exercício de 2000 e 2001. É o relatório, Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de portanto merece ser conhecido. Trata o lançamento de glosa do imposto de renda retido na pela contribuinte em sua DIRPF/2002. A recorrente não discute a referida glosa, porém, pretende erro alegado concernente à inexistência dos rendimentos tributáveis por conforme documentos juntados aos autos. admissibilidade, fonte informado seja admitido o ela declarados, Tal justificativa não foi aceita pela decisão recorrida, porquanto a simples cópia de um requerimento de baixa da empresa junto ao Estado, sem a prova de seu deferimento, não é suficiente para desqualificar o lançamento. Além disso, foi verificado que a empresa individual Margarete Peres Pusippe Dagostim teve atividade normal e foram apresentadas as informações para a Receita Federal, inclusive a DIRF, porém, não houve recolhimento do imposto retido. De fato, conforme extrato de fi. 35, a referida empresa apresentou a DIRF informando a contribuinte como beneficiária de rendimentos tributáveis, código 0588, no montante de R$.38400,00, durante o ano-calendário de 2001, bem como declaração de Simples com apuração de receita bruta e imposto a pagar em todos os meses do período em análise, de acordo com o extrato de fl. 39. Cumpre salientar que meras alegações de erro não se prestam a justificar procedimento de retificação de declaração de rendimentos, mas sim provas inequívocas de sua ocorrência. Assim, não logrando a recorrente provar que não recebeu os rendimentos declarados, constantes tanto do Comprovante de Rendimento (f1,, 16) quanto da DIRF (fl. 35), resta concluir que não ocorreu o apontado erro quando da apresentação da declaração original, sendo incabível, portanto, a retificação pretendida, bem assim prejudicado o decorrente pedido de cancelamento do lançamento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. h IO,AA,c,u(\if\cac,4-20\ 'Qat. ânia Mara Paschoalin 3
score : 1.0
Numero do processo: 13808.003861/2001-95
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ASSESSORIAS
Exercício: 1999
MULTA POR ATRASO. AJUSTE ANUAL. DECLARAÇÃO POR TELEFONE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA.
Comprovada a apresentação da declaração de ajuste anual, por telefone, (lenho do prazo estipulado pela legislação, incabível a multa exigida nos autos.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2801-000.554
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHÃES
1.0 = *:*
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Fl 26 , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DF RECURSOS FISCAIS SECUND SUÃO DF UH CAMENTO Processo n" 13808 003861/2001-95 Recurso n 163.304 Voluntário Acórdão n" 2801-00.554 — 1" Turma Especial Sessão de 17 de junho de 2010 Matéria 1R PF Recorrente ..10SE LI.117 (TI .1J Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACTSSORIAS Exercício: 1999 MULTA POR ATRASO. AJUSTE ANUAL. DEC,1 ARAÇÃO POR TELES, ON1 :_. APRESENTAÇÃO TI ;.M11.1,,ST IVA. C..ompiovada a apresentação da declaração de ajuste anual, por telefone, (lenho do prazo estipulado pela legislação, incabível a multa exigida nos autos Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relalotio e voto que passam a integtar o presente julgado. Reinaldi e Hemiques Resende - Presidente AntQ iâv,)e no ádua thaykr'Magalhães — Relator EDITAIX-.) EM: 29/07/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Pasehoalin, Julio Cezar da l'onseca Furtado e Eivanice Canal io da Silva Relatório nita-se de Recurso Voluntário à 11 20, interposto por José Luiz Celli, inscrito no (TI . sob o n" 640.596.268-72, contra decisão de primeira instância que julgou procedente a exigência da multa por atraso na entrega da declaração do 11W1 . do exercício 1999, ano-ealendario I 998 Notificado da exigência fiscal, o contribuinte apresentou cm 03/08/2001 a impugnação às ti 01/02, onde solicitou o cancelamento do lançamento, urna vez que teria apresentado sua declaração de rendimentos, via teleiOne, em 11/04/1999 Corno prova do alegado, informou o nárnero de registro de entrega — 23790769(1)1, Ao apreciar o litígio, a 6 Turma de Julgamento da ORI/São Paulo li (SP) decidiu pela procedência do lançamento, nos termos da decisão às lis 13/1 ,S, sob o fundamento de que o impugnante não havia colacionado aos autos qualquer prova capaz de elidir a multa aplicada, infOrmando tão-somente um número de registro de entrega de declaração, que seria insuficiente para corroborar sua alegação de lempestividade. Devidamente notificado da decisão a quo em 17/08/2007, conforme documento à fl 17, o contribuinte interpôs, em 24/08/2007, o Recurso Voluntário à 11 20 suas razoes, o recorrente ratifica os termos da impugnação outrora apresentada, esclarecendo ainda que: - alardeado pela Secretaria da Receita Federal que a entrega da Declaração do 1RPF por ilicio do telefone seria rápido, Fácil e seguro, resolveu testá-lo, e de posse do manual executou todos os passos indicados, e em 11/04/1999, dentro do prazo legal, transmitiu as intOrmações sob o numero 2379076901., - encaminhou cópias do roteiro e da conta telefônica, mas acredita que tenham sido extraviadas, razão pela qual envia novamente cópias destes documentos pata denionstrar a insubsistência e improcedência da ação fiscal, É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator De início, declara-se a tc.mpestividade da peça 1- ecursal api °sentada nos autos, visto que o contribuinte ibi intimado da decisão recorrida em 17/08/2007 e interpôs o Recurso Voluntário em 24/08/2007, portanto, dentro do trintidio legal. Verifico ainda que foram atendidos os demais requisitos legais, razão pela qual tomo conhecimento da referida defesa Decorreu a exigência fiscal da constatação pela autoridade lançado a de que a Declaração de Ajuste Anual do recor rente, referente ao exercício 1999, ano-calendário 1998, teria sido entregue fora do prazo regulamentar, Ou seja, em 10/10/2000, confOr me extrato à 12, quando o prazo limite se deu em 30/04/1999, em confOrmidade com o art. 7" da Lei n" 9 250/1995, e ar t 3", inciso 11, da IN SRE n" 148/1998 Ao decidir pela ptocedência do lançamento, a 6" Turma de Julgamento da DRI/São Paulo 11 (SP), assim se manifestou: LI Proce,so n0 13808 003861/2001-05 524 É01 Ai ao n ' 2801-00354 ri 27 6 Relevante salientar que a dechuação de ajuste ai-Inc . /1, de /lha 12. lOi recepcionaria, t)10 fintam/dl io, em 10/10/2000, po; tanto, fina do /10000 kf ._?-111, S01(10 (51(1. (1 0i11( a /10010/ (IÇOU constante dos aTquivos desta Secrêlat ia da Receita Fede, al Caberia ao interessado a comprovação da efetiva entreza de outra DI1?PF/99, anterior, dentro do prazo leal. 7 Por/m, o i1l1erCS'5ad0 1100 alle0/01,1 (105 antros qualquel documentação que ü01/1/1701 ,050 a r(fti- ida entrega de declaTação, apenas infin mando urn número de i - e,ç_in 1,1.1 o, O que se /0( 00 insujicicate para cor robo p at sua ale,fmção de tcmpestividade. Relevante seria que houvesse sido anexado extrato de conta telefônica do interessado, que identificasse Iiimção para O serviço de atendimento telefônico da Secretaria da Receita Federal, n 0 0300-78-0300, em 11/04/1999, conforme infOrmado em sua impmmação I I (gri:JO nosso) Diante disso, para comprovar o que afirma, .juntamente com sua peça. Icem:sal o contribuinte cola.cionou ao processo O Roteito para Declaração por -felefone à 11 22, devidamente pree.nehido, onde consta a anotação, em campo próprio, do numero de registro da. entrega da declaração Anexou, ainda, cópia autenticada da -NO7'4 IIIM.Ali, DE FATURA DE SERVIÇOS DE IN,ECOMUNICAÇÕES" à fl.. 21, referente à sua conta de telefone do mês de abril de 1999, onde se pode identificar ligação para o serviço de atendimento teleffinico da Receita Federal - RECEITAVONE, sob n" 0300-78-0300, realizada em 11/04/1999, ou seja, dentro do prazo estipulado pela legislação Portanto, alicerçado no principio da boa-fé, que deve reger as relações privadas e públicas, acata-se como idônea e tempestiva a declaração do exercício 1999 a.prescntada. por telefone em 11/04/1999, nos termos do documento à. 11 22, o qual, inclusive, contém os mesmos dados da declaração de ajuste anual simplificada posteriormente apresentada 10/10/2000 (extrato à fl. 12). Assim, na espécie em exame, restou comprovada pelo recorrente a a.presentaçã.o de declaraç 2,--to de rendimentos dentro do prazo legal. ísto posto, VOTO em DAR provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte )1."--A., ,,,i,, de Padua At pray )e Magalhães 3
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720178/2007-16
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA.
Não comprovado, por Laudo Técnico hábil, o Valor da Terra Nua declarado, cabe manter a tributação com base no VTN apurado pela fiscalização, a partir de valor constante no SIPT, mantido pela Secretaria da Receita Federal, com amparo no art. 14 da Lei n° 9.393/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-000.520
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-11-17T14:37:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-11-17T14:37:11Z; Last-Modified: 2011-11-17T14:37:11Z; dcterms:modified: 2011-11-17T14:37:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c4523fb9-27e7-485d-8309-bb1f615d3327; Last-Save-Date: 2011-11-17T14:37:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-11-17T14:37:11Z; meta:save-date: 2011-11-17T14:37:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-11-17T14:37:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-11-17T14:37:11Z; created: 2011-11-17T14:37:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-11-17T14:37:11Z; pdf:charsPerPage: 1229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-11-17T14:37:11Z | Conteúdo => Amarylle • mi Marcelo wriviivra 'eixoto — Relator R aldi t es Resende - Presidente S2-TE01 El. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo IV 10670.720178/2007-16 Recurso le 343.051 Voluntário Acórdão no 2801-00.520 — la Turma Especial Sessão de 12 de maio de 2010 Matéria ITR Recorrente VILLARES METAIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA. Não comprovado, por Laudo Técnico hábil, o Valor da Terra Nua declarado, cabe manter a tributação com base no VTN apurado pela fiscalização, a partir de valor constante no SIPT, mantido pela Secretaria da Receita Federal, corn amparo no art. 14 da Lei n° 9.393/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Editado em: 21.10.2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, e Julio Cezar da Fonseca Furtado. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento n° 06108/00075/2007, na qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Rural — ITR, exercício 2004, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Cocha, Gibão e Fleixeiras" localizado no município de Januária/MG, com area total de 9.807,0 hectares, cadastrados na SRF sob n° 0.269.793-9, no valor total de R$ 139.362,96, em face da seguinte infração: "Valor da Terra Nua declarado não comprovado. Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIA T), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra — SIFT da RFB. Os valores do DIAT encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa." A ciência do lançamento ocorreu em 20/12/2007, conforme AR de fls. 19/20. Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou, em 21/01/2007, a impugnação de fls. 23, por intermédio da DRF-Campinas/SP, onde impugnava três (3) Notificações de Lançamento relativas aos exercícios de 2003, 2004 e 2005. Posteriormente, em 22/02/2008, via Correio, atendendo solicitação da DRF em Montes Claros/MG (fls. 22), apresentou, por intermédio de advogados, em separado, nova impugnação (fls. 52/63), acostando os documentos de fls. 64/65, onde alegou, em suma: - a existência de laudo técnico a respaldar as informações da DITR; - os valores atribuidos pela fiscalização carecem de embasamento técnico. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento — Brasilia/DF, por sua la Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento ( acórdão 03-24.824 - fls. 88/94), nos seguintes termos: "Da análise das peças do presente processo, verifica-se que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Prego de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2004, de R$ 196.140,00 (ou R$ 20,00/ha) foi aumentado para R$ 588.420,00, com base no VTN/ha, de R$ 60,00, apontado no SIPT para terras com aptidão agrícola de campos, para o exercício de 2004, aplicável ao município de Januciria/MG, conforme tela de folha 10. Os valores apontados no SIFT foram fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais, ermos do sS' 1° do art. 14, da Lei n° 9.393/1996. 2 Processo n° 10670.720178/2007-16 82-TE01 Acórdão n.° 2801-00.520 Fl. 2 Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$ 20,00 por hectare (R$ 196.140,00 / 9.807,0 ha), encontra-se, de fato, subavaliado, por ser muito inferior, não só a todos os VTN/ha listados no SIPT, conforme qualidade das terras (aptidão agrícola — pastagem/pecuária R$ 350,00, cultura/lavoura RS 410,00, matas R$ 370,00), inclusive 'a terras de campos (R$ 60,00/ha), mas também ao VTN médio, por hectare, de R$ 193,81, apurado no universo das DITR/2004 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Januária-MG, tela/SIPT de fls. 10. Cabe esclarecer que o arbitramento do VTN efetuado pela fiscalização, C0171 base no VTN médio, por hectare, de R$ 60,00, apontado no SIPT para terras com aptidão agrícola de campos, para o exercício de 2004, além de previsto na Lei 9.393/96, observou o disposto na Norma de Execução Cofis n° 03, de 29 de maio de 2006, aplicável à execução das atividades da Malha Fiscal ITR/2004. Sendo assim, resta claro que o VTN por hectare utilizado pela fiscalização para o arbitramento do VT1V, em função da sub- avaliação do VTN declarado, com base eni informações do SIPT, esta previsto na legislação em vigor, ressaltando que esse sistema constitui-se na ferramenta de que dispõe a fiscalização para detectar eventuais distorções relativas aos valores declarados para os imóveis, ficando, portanto, afastada a hipótese de ilegalidade para o arbitramento do VTN: Para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1 0/01/2004), art. 1°, e art. 80 , § 2°, da Lei 9.393/96), a Contribuinte foi intimada a apresentar "Laudo Técnico de Avaliação", conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão JI, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. No caso, a requerente não apresentou nenhum documento de prova, por entender que o 'onus da prova seria da autoridade fiscal, o que não é verdade conforme visto anteriormente. Na fase processual seguinte, a da inipugnação, o contribuinte anexou um documento intitulado "Laudo de Avaliação" «is. 64 e 65) que na realidade é uma carta emitida pela DEMI — IMOBILIA . RIA a pedido da Empresa Acesita S/A, avaliando a gleba denominada "Cocha, Gibão e Flexeira", com area de 9.800 ha, ao prego de R$ 35,00 o hectare, usando como comparativo de pregos a venda de outras duas glebas rurais, uma ao prego de R$ 30,00 o hectare e outra a RS 40,00. A referida carta foi expedida de Janucirici/MG, em 05 de inaio de 2004, assinada pelo Corretor de Imóveis Sr. Valdeniir Gonçalves Oliveira. Ocorre que, o documento hábil, nos termos da Norma de Execução Cofis n° 003/2006, de 29/05/2006, aplicável ao ITR/2004, é o Laudo Técnico de Avaliaciio, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), devidamente 3 registrada no CREA, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), com os requisitos das normas da ABNT (NBR 14.653-3), de modo a atingir Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, admitindo-se, ainda, avaliação efetuada pela EMA TER, desde que observe os requisitos mencionados, exatamente como foi inicialmente solicitado por intermédio do Termo de Intimação Fiscal. Portanto, uma carta expedida por imobiliária, embora com registro do corretor no CRECI, não é documento hábil para substituir o Laudo Técnico de Avaliação, que possui formalidades intrínsecas, determinadas pela Norma Brasileira 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT e fornialidades extrínsecas, como competência e responsabilidade técnicas. Esse documento poderia servir apenas como fonte de consulta de pregos de terras, de modo a corroborar o teor do competente Laudo Técnico de Avaliação, mas nunca substituir esse documento, cuja elaboração deve seguir as normas da ABNT previstas atualmente na NBR 14.653=3, como visto anteriormente. Desta forma, não tendo sido apresentado Laudo Técnico de Avaliação, conforme exigido pela autoridade fiscal, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a pregos de 1°/01/2004, está compatível com a distribuição das suas áreas de acordo com as características particulares e classes de exploração das suas terras, cabe manter a tributação do imóvel com base no VTN de R$ 588.420,00 (R$ 60,00 por hectare), arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, que deve ser mantido. Cientificado em 01/07/2008, fls. 97, e inconformado, o recorrente, em 30/07/2008, postou o recurso voluntário de fls. 98/111, onde reitera os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator 0 recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Restringe-se o presente feito a discussão do Valor da Terra Nua — VTN. Verifica-se que não há nos autos subsídios suficientes a atestar o valor A. titulo de VTN declarado pelo recorrente, de modo que não merece prosperar o recurso, neste ponto. 4 Processo n° 10670.720178/2007-16 S2-TE01 Acórdão n° 2801-00.520 1:1. 3 0 documento colecionado pelo recorrente não pode ser considerado um Laudo Técnico, tratando-se apenas de cotação de corretor de imóveis (fls. 50). A base de cálculo do ITR é o Valor da Terra Nua — VTN, declarado pelo contribuinte. Entretanto, questionado o valor declarado, fica reservado ao contribuinte o direito de provar, perante a autoridade administrativa, por meio de laudo técnico de avaliação, que preencha os requisitos fixados em norma da ABNT, que o valor declarado é de fato o prego real da terra nua do imóvel rural especificado. Nesse sentido, as decisões deste Tribunal: Processo n°10675.003349/2005-37 Recurso n° 138.210 Voluntário Matéria ITR - IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Acórdão n°302-39.646 Sessão de 9 de julho de 2008 Recorrente MAGNA MARIA Recorrida DRJ-BRAS1LIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL E ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. A mingua de Ato Declaratório Ambiental e de declaração da área de reserva legal na DITR, para os fins colimados pela recorrente, de exclusões das áreas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do imposto, vislumbram-se procedentes as glosas das referidas áreas. VALOR DA TERRA NUA E PRODUTOS VEGETAIS. Comprovado por laudo técnico, elaborado consoante as normas técnicas da ABNT, por profissional credenciado, o Valor da Terra Nua e a existência de área declarada coin produtos vegetais, mostra-se necessária a retificação do lançamento quanto a esses itens. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Portanto, entendo deva ser mantido o valor do VTN, nos moldes como arbitrado pela autoridade fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido de .NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Marcel ixoto 5
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