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Numero do processo: 10120.009772/2010-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-006.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, tendo em vista a desistência configurada pelo pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, tendo em vista a desistência configurada pelo pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 97 72 /2 01 0- 84 Fl. 538DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 2301002.797, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/05 a 12/05, 02/06 a 12/06, 01/07 a 11/07, 01/08 a 12/08 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES ENTRE A FOLHA DE PAGAMENTO. GFIP E O VALOR RECOLHIDO. Presumemse verdadeiros os valores lançados como base de cálculo pela autoridade fiscal fundamentado nas folhas de pagamento, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração sem carrear aos autos provas documentais, não tem o condão de desconstituir o lançamento. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACOLHIMENTO. Não ficaram configurados nos autos os casos de nulidade arguidos pela defendente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. TAXA DE DEPRECIAÇÃO DE FERRAMENTAS. USO DE VEÍCULO PRÓPRIO DO EMPREGADO. ALÍNEA “S” DO §9º DO ARTIGO 28 DA LEI 8.212/91. AJUDA DE CUSTO. NATUREZA INDENIZATÓRIA PRESMUIDA. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DAS DESPESAS REALIZADAS. 1. O ressarcimento de despesas pela utilização de ferramentas próprias possui natureza indenizatória, uma vez que é pago em decorrência dos prejuízos experimentados pelo empregado para a efetivação de suas tarefas laborais. 2. A verba paga em razão de despesas com veículo de propriedade do empregado tem natureza jurídica indenizatória e não salarial, principalmente quando o valor se prestar a cobrir as despesas com consumo de combustível e com a depreciação do carro. 3. A configuração do caráter indenizatório dos valores descritos na alínea “s” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 depende da comprovação efetiva de que se destinaram tais verbas a compensar os gastos, devidamente comprovados, com os quais teve que arcar o empregado quando da utilização de veículo próprio na execução de atividades da empresa. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10120.009772/201084 Acórdão n.º 9202006.202 CSRFT2 Fl. 539 3 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora de fato haja uma divergência jurisprudencial na tese apresentada pela Recorrente, nos termos em que fixado pelo respectivo despacho de admissibilidade, há nos autos incidente processual que merece ser apreciado. Estamos falando da renúncia apresentada pelo contribuinte em razão de adesão à programa de parcelamento especial instituído pelo Poder Executivo. Consta das efls. 532, extrato apontando a existência do parcelamento do débito ora discutido, informação presente também em nota lançada no sistema do eprocesso: Fl. 540DF CARF MF 4 Nota eprocesso: O sistema SICOB não permite a emissão da guia (título) do AI 37.277.4955 para envio junto à Intimação (fls. 533), em razão do débito encontrarse no sistema na situação de "Pedido Parcelamento AutomáticoIncluído Parcelam a Consolidar" (fls. 532) até 29/07/19Término do prazo p/ consolidação do Parcelam. Especial. Efls. 532: Diante disto, não há mais qualquer litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado em sua totalidade, razão pela qual deve ser declarada a definitividade do crédito tributário nos termos do art. 78 do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10120.009772/201084 Acórdão n.º 9202006.202 CSRFT2 Fl. 540 5 § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Por fim, vale mencionar que uma vez requerido o parcelamento, este foi processado e calculado exatamente nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, tendo em vista a desistência configurada pela adesão o pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000786/2002-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.?O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.?O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado.
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INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 07 86 /2 00 2- 80 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 211 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 60 a 71) interposto pelo Contribuinte, em 31 de outubro de 2006, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1413.607 (fls. 50 a 56), de 6 de setembro de 2006, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 21 a 32) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: O interessado em epígrafe pediu a compensação de seus débitos para com a SRF, com base nos créditos fictos deferidos no processo judicial nº 2000.72.01.0032181, cuja sentença ainda não transitou em julgado. A autoridade competente indeferiu o pedido, com base no artigo 170A do CTN, concluindo que tal pedido só poderia ser formulado após o trânsito em julgado da sentença. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, basicamente, que é improcedente o entendimento fiscal, pois a questão já estaria sedimentada no Poder Judiciário que, reiteradamente estaria reconhecendo os créditos pleiteados e o art. 170A seria eivado de inconstitucionalidade. Ademais, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, nos termos do artigo 151III do CTN. Encerrou solicitando o provimento ao recurso interposto. Tendo em vista a improcedência da manifestação de inconformidade proferida por intermédio do Acórdão nº 1413.607 da 2ª Turma da DRJ/RPO, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. Na análise do Recurso Voluntário a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, apresentou a Resolução 210100.164 (fls. 108 a 110), em 8 de maio de 2009, convertendo o julgamento do recurso em diligência, aguardando solução definitiva da ação rescisória noticiada nos autos do PAF nº 13937.000370/200181. Como resposta a este pedido de diligência foram apresentadas duas Informações Fiscais, a de nº 112/2014 (fls. 153 a 155) e a de nº 045/2016 (fls. 160 a 161). É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1413.607, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 212 3 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: COMPESAÇÃO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedada a compensação à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Solicitação Indeferida. O Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, requer que seja homologada a declaração de compensação apresentada, bem como que se reconheça a suspensão da exigibilidade do ora discutido crédito tributário, conforme se verifica no pedido do referido Recurso (fls. 70 e 71): Ante o exposto, requer a Impugnante V.Sa. se digne a julgar procedente a presente RECURSO VOLUNTÁRIO, homologando a declaração de compensação apresentada à Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC, face o trânsito em julgado da sentença proferida nos autos n. 2000.72.01.0032181, reformandose, assim, o r. decisão recorrida. Requer, outrossim, que se reconheça a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da presente declaração de compensação (art. 151, inciso III do CTN), para fins de expedição da “Certidão Positiva de Tributos e Contribuições Federais, com Efeitos de Negativa” da Recorrente, até que haja o julgamento definitivo do presente processo administrativo, bem como dos outros a ele subjacentes. Na análise do Recurso Voluntário a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, entendeu por bem converter o julgamento em pedido de diligência, por meio da Resolução nº 210100.164, com o seguinte entendimento: Antes de passar à discussão das questões objeto do recurso, cumpre analisar a situação processual aqui encontrada, face à existência de diversos processos existentes entre o contribuinte e Fisco, relativos à restituição e compensação de créditos tributários. Vejamos: Inicialmente, foi apresentado um pedido de restituição, que levou o número 13973.000370/200181, e em seguida foram apresentados diversos pedidos de compensação, incluindo este. A discussão no processo de restituição já se encerrou, sendo aplicada a renúncia à esfera administrativa, pela existência de ação judicial transitada em julgado e inclusive ação rescisória com antecipação de tutela concedida. Com a referida decisão, cessa eventual prejudicialidade entre os dois processos, podendo portanto a compensação aqui efetuada ser apreciada tão somente pela análise da ação judicial existente. Outrossim, tenho ciência, pela diligência realizada no processo n. 13973.000370/200181, da existência de uma ação rescisória, com antecipação de tutela concedida, que afetaria o deslinde da presente demanda. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 213 4 Assim, tenho por bem converter o presente julgamento em diligência à repartição de origem, para que este processo aguarde o desfecho da referida ação judicial, após o que retornará ao Colegiado, para conclusão de julgamento. Como resposta ao pedido de conversão do julgamento em diligência foi apresentada, em 6 de junho de 2014, Informação Fiscal nº112/2014 (fls. 153 a 155), na qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville (SC) assim se pronunciou: Este Processo de nº 13973.000786/200280 trata de declaração de compensação que indicou como origem de crédito o pedido apresentado no Processo nº 13973.000353/200224. O Processo nº 13973.000353/200224 em verdade engloba vários pedidos de compensação cujo crédito seria originário de outro processo, o Processo nº 13973.000370/200181, que referese a um pedido de ressarcimento de IPI que já fora indeferido em virtude de ter por base o Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC), pois a decisão vigente relacionada à tal ação não amparava a pretensão do contribuinte (fls. 16 e 17). Dado que o processo judicial em questão não amparava o pedido de ressarcimento do contribuinte ele foi indeferido, provocando reflexos nos processos que indicavam como origem de crédito justamente um crédito não reconhecido pela Receita Federal. Destacase que o indeferimento do pedido de ressarcimento fundamentouse na decisão judicial então vigente relacionada ao Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC), qual seja: a decisão somente havia concedido o direito de escrituração no Livro de IPI de créditos relativos às entradas de produtos adquiridos com isenção, não tributados ou de alíquota zero, sem autorizar a compensação com outros tributos e contribuições e ainda não havia o trânsito em julgado. Pois bem, o contribuinte recorreu administrativamente, primeiro à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que indeferiu seu recurso, e após ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Ocorre que durante a tramitação dos recursos administrativos o Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC) também teve seu curso, chegando ao final com decisão parcialmente favorável ao contribuinte, mas a Fazenda Nacional propôs a Ação Rescisória nº 2007.04.00.0040806 (TRF4) com o objetivo de desconstituir o julgado. Então, O CARF, ao analisar o Recurso Voluntário converteu o julgamento em diligência “para retornar os autos à unidade local da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio fiscal da recorrente a fim de aguardar a solução definitiva da ação rescisória noticiada nos autos do PAF nº 13973000370/200181.” (fls. 108 a 110) Este processo então retornou à Delegacia da Receita Federal em Joinville em outubro de 2009 e foi encaminhada pela SAORT, em maio de 2013, para que esta EQPAJ acompanhasse a ação rescisória e retornasse o processo quando do trânsito em julgado (fls. 116 a 118). Pois bem, o TRF4 decidiu pela procedência da Ação Rescisória nº 2007.04.00.0040806, “para desconstituir o acórdão proferido no Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181/SC, e, em juízo rescisório, dar provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.” (fls. 120 a 128). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 214 5 O contribuinte apresentou embargos de declaração, mas eles só foram acolhidos para fins de prequestionamento. Então foram interpostos Recurso Especial e Recurso Extraordinário que não foram admitidos pelo TRF4, mas em face da interposição de agravos de instrumento em relação às decisões do TRF4 os recursos subiram aos Tribunais Especiais (fls. 129 a 131). O contribuinte não teve êxito no STJ e a decisão de tal Tribunal transitou em julgado em 20/06/2012, após o julgamento de Embargos de Divergência em Agravo de nº 1391059 (fls. 132 a 150). Os autos então foram protocolados no STF em 30/04/2013 sob no ARE 747976, mas foram devolvidos em 03/05/2013 por decisão da Presidência em virtude de a matéria do recurso já ter sido analisada em sede de repercussão geral (fls. 151 e 152): Tendo em vista o disposto na Portaria GP 138, de 23/7/2009 (DJe 140/2009), e considerando o(s) tema(s) 136, remeto os presentes autos à origem. Brasília, 3 de maio de 2013. Eu, (Patrícia Pereira de Moura Martins), Secretária Judiciária do Supremo Tribunal Federal, lavrei este termo. Com o retorno do processo ao TRF4, em maio de 2013, ele foi distribuído à VicePresidência, mas ainda não houve despacho formal do TRF4 quanto ao Recurso Extraordinário restar prejudicado e haver definitividade da decisão que julgou procedente a ação rescisória (fl. 129). Embora ausente tal registro/despacho, proponho, s.m.j., que o processo seja devolvido à SAORT para que o encaminhe ao CARF a fim de que prossiga o seu julgamento, pois não mais existem expedientes jurídicos que possam alterar a situação vigente, sendo desnecessário manter o processo sobrestado. (grifou se). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville (SC) apresentou, também, Informação Fiscal nº 045/2016 (fls. 160 e 161), de 5 de maio de 2016, ainda como resposta à Resolução do CARF que converteu o julgamento da lide em diligência, cito o texto da referida Informação Fiscal como modo de elucidação do caso: Este Processo de nº 13973.000786/200280 trata de declaração de compensação que indicou como origem de crédito o pedido apresentado no Processo nº 13973.000353/200224. O CARF, ao analisar o Recurso Voluntário, converteu o julgamento em diligência e o encaminhou a DRF/JOI/SC em 2009 (fls. 108 a 110). Em 2013 a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF/JOI/SC fez despacho relatando sobre a origem e a situação do processo em questão e o encaminhou a Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais – EQPAJ (fls. 116 a 118). A DRF/Joinville/SC elaborou a Informação Fiscal EQPAJ no 112/2014 e o devolveu ao CARF (fls. 153 a 157). A Informação Fiscal supracitada partiu do pressuposto que o desfecho da Ação Rescisória seria idêntico a de tantos outros que transitaram em julgado antes do julgamento do RE nº 590.809. Pois bem, em virtude da decisão proferida pelo STF no RE nº 590.809, o TRF4 revisou sua decisão e julgou improcedente a Ação Rescisória nº 2007.04.00.0040806/RS, sendo necessário complementarse a informação elaborada anteriormente e juntarse a decisão em comento, que transitou em Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 215 6 julgado em 19/08/2015, conforme registro na movimentação processual de 12/11/2015. Destacase, por oportuno, que o Processo nº 13973.000353/200224 em verdade engloba vários pedidos de compensação cujo crédito seria originário de outro processo, o Processo nº 13973.000370/200181, que referese a um pedido de ressarcimento de IPI que já fora indeferido em virtude de ter por base o Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC), pois a decisão vigente relacionada à tal ação não amparava a pretensão do contribuinte (fls. 16 e 17). Há que ressaltar ainda que o indeferimento do pedido de ressarcimento fundamentouse na decisão judicial então vigente relacionada ao Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC), qual seja: a decisão somente havia concedido o direito de escrituração no Livro de IPI de créditos relativos às entradas de produtos adquiridos com isenção, não tributados ou de alíquota zero, sem autorizar a compensação com outros tributos e contribuições e ainda não havia o trânsito em julgado. O restabelecimento da possibilidade da apropriação do crédito por parte do contribuinte, não afasta, s.m.j., os pressupostos para o indeferimento referido acima. (grifouse). A questão central é se a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero geram crédito de IPI. Neste sentido o Contribuinte requereu em seu Recurso Voluntário a compensação de seus débitos com base nos créditos fictos deferidos no processo judicial n. 2000.72.01.003218. Ocorre que como bem salientado na Informação Fiscal nº 045/2016 a decisão somente havia concedido ao Contribuinte o direito de escrituração no Livro de IPI de créditos relativos às vendas de produtos adquiridos com isenção, não tributados ou de alíquota zero, sem autorizar a compensação com outros tributos. No que tange ao crédito de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero o STF, entre maio de 1998, quando do julgamento do RE 212.484, até meados de 2007, entendia que os contribuintes tinham o direito de se creditar. Entendimento do STF que se alterou com os julgamentos dos RE 353.657 e 370.682, julgados em 25 de junho de 2007, negando o direito de crédito nas hipóteses de aquisição de insumos não tributados e sujeitos à alíquota zero. No RE 353.657 assim ficou ementado: EMENTA: IPI – INSUMO – ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3o do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO – ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – INEXISTÊNCIA DO DIREITO – EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto Sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353.657) Já no RE 370.682 a ementa é a seguinte: Ementa: Recurso Extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 216 7 cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. Esse novo entendimento do STF, de 25 junho de 2007, contemplava os insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, sem ainda tratar da questão de insumos isentos. Assim o STF se pronunciou em 29 de setembro de 2010, no RE 566.819/RS, negando também o crédito de insumos isentos. Assim ficou ementado: EMENTA: IPI CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPICRÉDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário nacional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPICRÉDITO DIFERENÇAINSUMOALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. Esse também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Também nesta mesma direção a seguinte súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. De acordo com a posição do STF e das Súmulas do CARF, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário por entender que não gera crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou alíquota zero que não se tenha demonstrado que suportaram em fases anteriores gravame tributário. Valcir Gassen Relator Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002475/2010-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 24 75 /2 01 0- 92 Fl. 241DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 37.256.8181, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 19/07/2010, no valor de R$ 1.389.316,53 (hum milhão, trezentos e oitenta e nove mil, trezentos e dezesseis reais e cinqüenta e três centavos), já acrescidos de juros de mora, da multa de mora e da multa de ofício de 75%, resultante da aplicação do instituto da retroatividade benéfica previsto no art. 106 do CTN, relativo às contribuições devidas à seguridade social, referente às contribuições correspondentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, não retidas e tampouco recolhidas aos cofres públicos, em época própria, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, a serviço da autuada, no período de 04/2007 a 08/2009, constantes das folhas de pagamentos, não declaradas em GFIP. Consta do Relatório Fiscal, que os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, antes do procedimento fiscal, foram apropriados, prioritariamente, para o abatimento das contribuições declaradas em GFIP, as quais não se incluem no presente lançamento, sendo o saldo, quando existente, abatido dos valores constantes do auto de infração em apreço. Os valores considerados constam demonstrados no Relatório de Apropriação de Documentos – RDA. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/05/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301002.780 (fls. 134/140), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso para aplicar nas penalidades por descumprimento da obrigação acessória, até 11/2008, anteriores a 12/2008 o resultado mais benéfico, quando comparado o determinado no art. 32A, com os §§ do art. 32; da Lei 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Vencidos Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa na obrigação principal, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento desta multa, até 11/2008; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008. para que seja aplicada a multa referente a obrigação Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 3 3 principal o previsto no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL. TAXA SELIC. APLICÁVEL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 13/03/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/03/2013, o presente Recurso Especial (fls.141/162). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação às seguintes matérias: a) preclusão quanto à matéria relativa à multa aplicada; e b) cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento parcial, em relação ao item b cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 11/06/2015 (fls. 192/199) e Despacho s/nº, da CSRF, de 12/06/2015 (fls. 200/201), respectivamente, Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial da Fazenda Nacional. O recorrente, em suas alegações em relação ao item b – cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Fl. 243DF CARF MF 4 Cientificado do Acórdão nº 2301002.780, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 22/02/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 208. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 245DF CARF MF 6 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 5 7 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 247DF CARF MF 8 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 6 9 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 249DF CARF MF 10 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 7 11 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 13608.000169/2007-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente
Lizandro Rodrigues de Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva.- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente Lizandro Rodrigues de Souza - Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva.- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
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Numero do processo: 15504.726158/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2010
CIDE. REEMBOLSO DE DESPESAS. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE FINS ECONÔMICOS E DE LUCRO. INOCORRÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VERDADE MATERIAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT 378/2017.
Na hipótese dos autos ocorreu mero reembolso de despesas e não remuneração por prestação de serviços, o que faz com que não incida a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE. Pela Solução de Consulta COSIT 378/2017 é possível perfilhar o entendimento de que quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio-administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão ser tributadas.
Numero da decisão: 3201-003.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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REEMBOLSO DE DESPESAS. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE FINS ECONÔMICOS E DE LUCRO. INOCORRÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VERDADE MATERIAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT 378/2017. Na hipótese dos autos ocorreu mero reembolso de despesas e não remuneração por prestação de serviços, o que faz com que não incida a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE. Pela Solução de Consulta COSIT 378/2017 é possível perfilhar o entendimento de que quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão ser tributadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 58 /2 01 3- 32 Fl. 318DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Em decorrência da ação fiscal, foi lavrado auto de infração para exigir da interessada a CIDE – Remessas ao exterior, sobre fatos geradores que ocorreram no ano de 2005, no valor de R$ 103.534,07 acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 2 a 6 e Termo de Verificação fiscal (fl. 7 a 16), foram feitos lançamentos fiscais relativos à falta/Insuficiência de pagamentos de IRRF, sendo apurados os fatos descritos a seguir. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CIDE REMESSA DE VALORES PARA O EXTERIOR O contribuinte foi intimado a apresentar contratos que impliquem transferência de tecnologia, assistência técnica e assemelhados com residentes ou domiciliados no exterior, além de livros e DARF. O contribuinte informou que em relação ao período requerido não havia contratos que implicassem a transferência de tecnologia e/ou prestação de serviços, assistência técnica e assemelhados, com residentes ou domiciliados no exterior, não havia importâncias pagas, creditadas, entregues ou remetidas a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos contratos relativos a fornecimento de tecnologia, prestação de serviços, serviços de assistência técnica, serviço técnico especializado e de assistência administrativa ou semelhante, não havia processos judiciais movidos em que estivessem sendo discutidos os tributos fiscalizados e que não houve incidência de PIS e COFINS (Importação). Em 28/03/2013 o contribuinte foi questionado sobre o recolhimento de IRRF, através do DARF (cód. 0422), tendo em vista que se tratava de retenção na fonte de pagamento de royalties e/ou remuneração a título de assistência técnica a beneficiários sediados no exterior. Em 01/04/2013, o senhor Nivaldo Lima, Gerente de Contabilidade e Fiscal da empresa encaminhou um email informando que: "o recolhimento de IRRF relacionado à remessa ao exterior identificada foi indevido, tendo sido considerado como indébito e, inclusive, já compensado com outros tributos através de PER/DCOMP. Não houve Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 3 3 recolhimento de CIDE, PIS e COFINS, tendo em vista que não foi configurado o fato gerador dos referidos tributos". O contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes documentos: número do PER/DCOMP utilizado para a compensação do valor pago, através do Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, em 14/07/2010, com Código de Receita 0422, Documentos de caixa que respaldam todos os lançamentos contábeis escriturados na conta 1872 "Imposto de Renda Expatriados a Pagar". O contribuinte informou que o número do PER/DCOMP utilizado para compensação do valor pago através do DARF, em 14/07/2010, com código de receita. 0422 é 25381.91084.120811.1.3.046374. Com relação aos lançamentos contábeis escriturados na conta 1872 Imposto de Renda Expatriados a Pagar", informou que: "Em consonância com os esclarecimentos solicitados sobre os lançamentos contábeis escriturados na conta IR EXPATRIADOS A PAGAR temos a informar que tal conta era utilizada inicialmente para registrar os valores a pagar de impostos, supostamente incidentes sobre a remessa de reembolsos de gastos, em moeda estrangeira à Almaviva italiana. Tais reembolsos seriam realizados em decorrência do pagamento, feito na Itália, dos salários e encargos sociais dos funcionários da empresa estrangeira que se encontravam trabalhando em sua controlada brasileira por decorrência de seu contrato de trabalho temporário. A Almaviva do Brasil, por mal interpretar a operação realizada à época, optou por provisionar tais valores em sua contabilidade. Afirmou que após estudar a operação praticada e confrontálos com o posicionamento atual da Receita Federal do Brasil, a Almaviva procedeu ao estorno dos valores provisionados, pois inexistia qualquer variável que pudesse ensejar o pagamento de impostos. Alegou que o reembolso do custo não contém qualquer margem de lucro, os funcionários objeto dos pagamentos realizados no Brasil eram vinculados aos quadros da empresa Italiana do mesmo Grupo Econômico, tais serviços eram prestados em caráter "intuitu personae" e com prazo de validade tipificado em contrato de trabalho. É de ressaltar que, a par do ordenamento brasileiro contemplar (e possibilitar), a operação tal como fora delimitada, também o Direito Italiano possui um instituto que regem as relações de trabalho denominado "Distacep" cujas características principais foram todas mencionadas acima e solenemente atendidas pelas empresas envolvidas. Além de inexistir prejuízo ao Erário existe ainda um outro motivo que explica é norteia a operação, sob a óptica da empresa cedente italiana que é o de possibilitar o desenvolvimento de serviços por parte de seu quadro de funcionários para o desenvolvimento da empresa cessionária no Brasil. O rateio de despesas efetuado entre as empresas Almaviva (BR) e Almaviva (IT) está em linha com o que estabelece o instituto Italiano e de acordo com o contrato de trabalho dos funcionários estrangeiros. Fl. 320DF CARF MF 4 O contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes documentos: documentação probatória referente à remessa de reembolso que resultou na retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$ 477.683,20, pago através de DARF em 14/07/2010, cód. de receita 0422: cópia do contrato de trabalho dos funcionários registrados na controladora italiana, que prestam serviços temporariamente na controlada brasileira, cujo reembolso dos salários pagos na Itália, referente aos serviços prestados na controlada brasileira, ensejaram o pagamento via DARF. O contribuinte informou que: "Os contratos de trabalho foram formalizados com a empresa Atesia Telemarketing, comunicação, telefônica e pesquisas de mercado SpA, controlada pela Almaviva Contact, que posteriormente incorporada pela Almaviva Contact SpA, conforme Ato de fusão por incorporação da Sociedade. Reitera que não se trata de prestação de serviço e sim de reembolso dos salários e encargos pagos na Itália a funcionários da Controladora que estavam trabalhando na Controlada Brasileira Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda e que sobre o reembolso não incide qualquer modalidade lucro, juros, Mark up, ou semelhante, como pode ser visto no acordo para reembolso de custos e despesas, assinado entre as partes”. O contribuinte foi intimado a apresentar documentos que respaldam os lançamentos contábeis realizados nas contas: 2241 "Almaviva Contact S.p.A" e 4108 "Salários e Ordenados Expatriados", Recibos e/ou comprovantes de pagamentos realizados em favor dos senhores Giulio Salomone, Marco Benini, Filippo Sandei e Bilancioni Gianluca. O contribuinte apresentou os seguintes documentos: Faturas e Planilha que respaldam os lançamentos contábeis nas contas 2141 Almaviva Contact S.p. A Expatriados e 4108 Salários e Ordenados Expatriados, Cópia dos recibos de pagamentos realizados aos senhores Giulio Salomone, Marco Benini e Felippo Sandei. Informou que as faturas foram emitidas em Euro e convertidas em Real, conforme cotação da moeda informada na planilha, e que no mês de fevereiro de 2010 o registro contábil da despesa não se baseou em fatura emitida e sim em informação recebida da Itália, anexando documento para registro da despesa. Informou que os lançamentos registrados na conta 2141 têm contrapartida na conta 4108, e que os demais lançamentos existentes nessa última conta, referentes a IR indevidamente calculado e lançado, referemse à interpretação errada da legislação. Por fim, informou que não foram realizados pagamentos a Gianluca Bilancioni porque o mesmo já não trabalhava na Almaviva do Brasil no período solicitado. De acordo com a 18a Alteração Contratual, constitui o objeto social da empresa: a prestação de serviços de telemarketing, teleatendimento ativo e receptivo, interno e externo, incluindo o gerenciamento e desenvolvimento de projetos de tele atendimento próprio e de terceiros, prestação de serviços técnicos de informática, desenvolvimento e licenciamento de uso de programas e sistemas de computador, próprios ou de terceiros, bem como o Desenvolvimento e difusão de home Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 4 5 pages"; prestação de serviços e atividades relativas à Correspondente Bancário e afins. Da análise da DIPJ, ano calendário 2010, verificase na Ficha 01 Dados iniciais, que o contribuinte informou que houve pagamento ou remessa a título de serviço, juros e dividendos a beneficiários do Brasil e do exterior. Na escrituração contábil há lançamentos referentes a pagamentos de salários expatriados, os quais foram contabilizados nas contas 2241 Almaviva Contact S.p. A Expatriados e 4108 Salários e Ordenados Expatriados. Sendo a conta 2241 uma conta patrimonial, onde os salários eram provisionados, e a conta 4108 uma conta de despesa, onde os salários eram lançados em contrapartida aos valores provisionados. Conforme esclarecimentos do contribuinte tais despesas se referem a reembolso dos salários e encargos pagos na Itália a funcionários da controladora que estavam trabalhando na controlada brasileira Almaviva. Do Brasil Telemarketing e Informática Ltda. Corroboram com as alegações da empresa o Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas, firmado entre as empresas Almaviva S.p.A., sediada em Roma Itália, e Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda, sediada em Belo Horizonte, e também os Contratos de Trabalho temporário dos funcionários da controladora italiana que prestaram serviços na controlada brasileira. A controladora italiana alega que um dos motivos que ensejaram a transferência laboral temporária, pactuada entre as partes, foi de possibilitar o necessário desenvolvimento de serviços por parte de seu quadro de funcionários para o desenvolvimento da empresa Cessionária no Brasil, e complementa que "o rateio de despesas efetuado entre as empresas Almaviva (BR) e Almaviva (IT) está em linha com o que estabelece o instituto Italiano e de acordo com o contrato de trabalho dos funcionários estrangeiros". Não obstante os serviços prestados na cessionária brasileira, pelos funcionários da cedente italiana, estarem em consonância com o acordo celebrado entre as partes e com o ordenamento jurídico italiano, ressaltamos que convenções particulares e o instituto estrangeiro não têm o condão de afastar as disposições legais estatuídas no ordenamento pátrio. Assim, contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, a partir de 1o de janeiro de 2002, são regulados pela Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterada pela Lei 10.332, de 19 de dezembro de 2001.. Assim, as pessoas jurídicas signatárias de tais contratos estarão sujeitas à incidência dos seguintes tributos: CIDEREMESSAS, IRRF, PIS E COFINS Importação. A Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, instituiu, em seu artigo 2o, a CIDE devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, Fl. 322DF CARF MF 6 bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. A Lei n°10.332, 19/12/2001, conferiu nova redação ao §2° do art. 2°, do referido diploma legal, no seguinte teor: "A partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, a serem prestados por residentes ou, domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior". As alterações introduzidas pela Lei n° 10.332/2001, no parágrafo 2o do artigo 2o da Lei 10.168/2000, estabelecendo que a partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE seria devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tivessem por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa (além daqueles de assistência técnica, já previstos na Lei 10.168/2000), assim como sobre os royalties devidos a qualquer título a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, significaram um alargamento do campo de incidência da contribuição, pois tais rubricas, por sua natureza, não estão associadas à transferência de tecnologia. A Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, instituiu o PIS e a COFINS incidentes na importação de produtos estrangeiros ou serviços, devida pelo importador de bens estrangeiros ou serviços do exterior, in verbis: , Art.l°. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços " PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros, ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2°, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente óu domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: • I executados no Pais;,ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. (...) . Art. 3°. O fato gerador será:: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 5 7 II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. Art. 5o. São contribuintes: I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; • II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior A Lei n° 10.332, de 19/12/2001, incluiu o art. 2°A na Lei 10.168,de 29/12/2000, definindo que as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior, a título de royalties, de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sujeitamse à incidência do imposto na fonte à alíquota, de quinze por cento: Art. 2°A Fica reduzida para 15% (quinze por cento), a partir de 1° de janeiro de 2002, alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes. As sociedades estrangeiras e suas coligadas brasileiras devem ser consideradas, quais sejam, a autonomia das obrigações entre sociedade controladora e sociedade controlada, onde as obrigações contraídas por cada uma são autônomas e independentes, além da distinção da personalidade jurídica e patrimonial, mantendo cada uma sua personalidade jurídica e patrimônio distintos. Os serviços prestados pelos funcionários da Almaviva italiana, empresa controladora, na Almaviva do Brasil, empresa controlada, se enquadram em serviços prestados por residentes ou domiciliados no exterior, que tinham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, posto que, conforme os Contratos de Trabalhos analisados, tais funcionários seriam responsáveis pela administração, planejamento e controle das operações desenvolvidas no Brasil, dentre outras, que seriam comunicadas posteriormente. Conforme o Acordo para Reembolso de Custos e Despesas, firmado entre a empresa brasileira e empresa italiana, ficou acordado que a Almaviva do Brasil reembolsaria a Controladora italiana os custos e despesas por ela incorridas, pelos trabalhadores colocados à sua disposição. Tal situação se efetivaria com o aporte de remessas feitas ao exterior, que foi convencionado pelas partes como "reembolso de custos e despesas". Considerando que as remessas feitas ao exterior se deram em contrapartida aos serviços prestados por residentes ou domiciliados no exterior, quais sejam, funcionários da Fl. 324DF CARF MF 8 controladora italiana, ficou caracterizada a ocorrência dos fatos geradores dos seguintes tributos: CIDE REMESSAS, IRRF, PIS/COFINS Importação. A soma dos débitos da CIDEREMESSAS, PIS/COFINS Importação declarados/extintos pelo contribuinte equivale a R$ 0,00, e que, embora o contribuinte tenha recolhido um DARF com código de receita 0422, referente à IRRF sobre pagamentos de Royalties e/ou remuneração a título de assistência técnica a residente ou domiciliado no exterior, o mesmo alegou, posteriormente, tratarse de pagamento indevido, tendo inclusive já compensado com outros tributos através do PER/DCOMP n° 25381.91084.120811.1.3.04 6374. Ficou caracterizado, portanto, a insuficiência de recolhimento dos referidos tributos. Foram considerados pela fiscalização como remessas realizadas ao exterior, os valores referentes aos salários expatriados, contabilizados na conta 4108 Salários e Ordenados Expatriados. Referidos valores foram considerados como base de cálculo, sobre a qual. incidiu as alíquotas da CIDEREMESSAS, IRRF e PIS/COFINS Importação. Para melhor visualização, demonstrase em planilha, denominada Anexo I, os valores considerados, as alíquotas aplicadas, bem como os valores apurados. DAS ALÍQUOTAS APLICADAS CIDEREMESSAS Alíquota da contribuição é de 10%.(Lei 10.168, de 29/12A2000, art. 2o, § 4o, alterado,pela Lei 10.332, de 19/12/2001) (.............................) Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 20/06/2013 (fl. 3) a interessada apresentou em 19/06/2009 a impugnação de fl. 172 a 192, na qual alega, em síntese que: • Com sede e domiciliada no Brasil, a Impugnante faz parte do grupo econômico internacional da Almaviva, cuja matriz localizase na Itália. Em decorrência das estreitas relações envolvendo as empresas e diante da necessidade de desenvolvimento do negócio no Brasil, a matriz Italiana forneceu mãodeobra a Impugnante durante o exercício de 2010, com a cessão temporária de funcionários. • A referida disponibilização de funcionários, por período determinado, para a prestação de serviços para a filial brasileira se deu em observância estrita a legislação, tendo sido regida pelos Contratos de Trabalho assinados entre a Almaviva Italiana e os respectivos funcionários, nos termos e em consonância com o Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas, que de forma clarividente, estabeleceu um rateio de custos para a divisão dos encargos. • Entre as empresas, ficou acertado que a Impugnante seria responsável por reembolsar a empresa italiana pelos custos Fl. 325DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 6 9 incorridos para a remuneração dos funcionários disponibilizados, de modo proporcional à responsabilidade definida no rateio. • Entre Maio e Dezembro de 2010, nenhum tipo de remessa, foi realizado pela empresa brasileira a empresa italiana, inexistindo a configuração da hipótese de incidência tributária de REMESSA. • O Fisco deixou de atentar que, por fazerem parte de um acordo de partilhamento de custos (com atendimento aos requisitos formais e materiais) qualquer "contraprestação" eventualmente remetida pelos serviços prestados, in casu, teria por escopo somente a finalidade de reembolsar os custos incorridos pela empresa italiana, não havendo na operação qualquer margem de lucro (markup). • PRELIMINAR. INEXISTÊNCIA DO FATO GERADOR DA CIDE PARA OS MESES DE MAIO A DEZEMBRO DE 2010. O crédito tributário teria o seu fato gerador fundamentado nos art.2º e 3º da Lei 10.168/00 • O fato estaria associado a "remessa" de proventos de qualquer natureza a pessoa jurídica domiciliada no exterior, como forma de remuneração pela prestação de serviços. • Deixou a Fiscalização de apontar precisamente quais seriam, especificamente, as remessas efetuadas que justificariam a lavratura do Auto de Infração. • O trabalho fiscal se pautou na premissa falsa e simplista de que houvera "remessas" para residente ou domiciliado no exterior sem qualquer fundamento fático para tanto, conforme é possível se aferir com uma simples análise do Razão da conta 2141 e 4108 juntados em anexo. • A. Fiscalização, sem nenhum embasamento legal, subverteu as taxativas hipóteses de incidência da CIDE que consistiria in casu, como já se repetiu, na remessa de valores a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e, em desrespeito aos princípios da tipicidade e legalidade tributária, houve por bem tributar valores que foram apenas provisionados em conta corrente, sem nunca haverem sido REMETIDOS ao exterior. • No que se refere à ilegalidade originária da própria autuação, decorrendo da sua leitura que: "Foram considerados pela Fiscalização como REMESSAS realizadas ao exterior, os valores referentes aos salários expatriados, contabilizados na conta 4108 Salários e Ordenados Expatriados”. • O Fisco não poderia simplesmente alterar o conceito taxativo do fato gerador do IRRF, de modo a alterar os Fl. 326DF CARF MF 10 conceitos envolvidos como pagamento, emprego, remessa, etc, é dizer o óbvio. É cediço que in casu nenhum dos fatos geradores do IRRF nunca ocorreram, como o caso da REMESSA no qual a Fiscalização fundamentou a infração. • O art. 97, inciso III do Código Tributário Nacional é clarividente ao determinar que somente a lei pode estabelecer a definição do fato gerador da obrigação tributária. • Os arts. 114 e 115 do CTN que definem as normas gerais relativas ao fato gerador e as formas de sua configuração, que de forma solene foram desconsiderados pelo Fisco. • Cumpre ressaltar conforme anteriormente informado à fl. 32 do processo, que o recolhimento efetuado pela Impugnante a título de IRRF por meio do DARF 0422, se deu à época pura e simplesmente por um equívoco de enquadramento legal, tendo este valor sido inclusive compensado posteriormente por meio da PER/DCOMP 25381.91084.120811.1.3.046374. como se demonstrou à fl.34, o que corrobora o fato de nunca ter ocorrido o envio de remessa como forma de pagamento a serviços porventura prestados. • Por todo o exposto, em sede preliminar, é patente que o crédito tributário constituído no presente auto de infração em relação ao período de Maio a Dezembro de 2010 deve ser integralmente cancelado. • DO MÉRITO. ILEGALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DA DESQUALIFICAÇÃO EFETUADA PELA FISCALIZAÇÃO DO ACORDO PARA O REEMBOLSO DE CUSTOS E DESPESAS FIRMADO ENTRE AS EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. • A Fiscalização que a natureza jurídica de contraprestações eventualmente REMETIDAS pela Impugnante à matriz italiana, seria de verbas típicas de remuneração por serviços prestados, e não verbas de reembolso de custos conforme esclareceu a Impugnante em diversas ocasiões durante a fase de diligências fiscais. • No entendimento do i. Fiscal Fazendário, o Acordo de Reembolso de Custos e Despesas assinado entre as partes se enquadraria como convenção particular que não teria o condão de ilidir a existência do fato gerador, que teria se dado in casu e assim justificado a incidência do IRRF. • A natureza jurídica de operações eventualmente consideradas realizadas pela Impugnante, supostamente enquadradas como fato gerador do IRRF, ignorando que qualquer valor remetido pela empresa brasileira à empresa italiana foi feito única e exclusivamente como forma de reembolso de custos. • O que se denota com a leitura do presente auto de infração é que: (i) a jurisprudência dos diversos órgãos jurisdicionais administrativos sobre os acordos de rateio e reembolso de custos, (ii) as próprias orientações da SRFB exaradas por meio de soluções de consulta sobre as formalidades necessárias para Fl. 327DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 7 11 que os acordos de compartilhamento e reembolso de custos tenham eficácia jurídica, e (iii) os documentos e esclarecimentos fornecidos pela Impugnante durante a fase de diligências fiscais; foram solenemente desconsiderados pelo Fisco com a lavratura do presente e equivocado auto de infração. • Se suposto valor remetido em decorrência da prestação de uma atividade representa ou não reembolso de custos de rateio, importa em aferir se determinado ingresso patrimonial tem correlação exata com as despesas que lhe estão economicamente correlatas, pois não havendo o intuito de remunerar (com agregação de valores), não haverá que se falar em importação de serviços, mas sim e puramente no reembolso de custos incorridos. • É o que determina o art. 2A da Lei 10.168/00, que além de exigir para a consubstanciação do fato gerador do IRRF a existência de remessa de importância, exige ainda que as referidos remessas se dêem como forma de remuneração de serviços. • DA EFICÁCIA E DO ATENDIMENTO AOS REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS DO ACORDO PARA O REEMBOLSO DE CUSTAS E DESPESAS ASSINADO. Analisandose em primeiro plano o "Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas" constatase de forma clarividente que o referido instrumento contratual foi editado com observância as exigências formais e materiais atinentes à espécie obrigacional, tendo sido firmado: (i) entre empresas pertencentes ao mesmo grupo industrial; (ii) entre empresas com interesses convergentes; (ii) praticado com o intuito de otimizar a eficiência de processos empresariais; (iv) realizado sem qualquer finalidade lucrativa: (v) registrado com total transparência e publicidade. • A finalidade de normatizar as relações estabelecidas entre a Impugnante e a empresa italiana, que tinha por escopo unicamente permitir o reembolso de custos incorridos na prestação de atividades intra parte. • Transcrevase as cláusulas 1.1. , 2.1, 1.3 e 2.5 do referido acordo: (..........................................................................). • Citese a Solução de Consulta nº 8 de 01/01/2012, na qual alguns parâmetros e diretrizes sobre os acordos de rateio foram enunciados (tendo sido cumpridos pela Impugnante in casu) entre eles: (i) a necessidade de se adotar critérios objetivos; (ii) de se ajustar previamente às disposições contratuais; (Mi) de se respeitar os princípios gerais de contabilidade, entre outros. • Ilustrando os critérios comumente exigidos pela SRFB para reconhecer a validade dos contratos ou acordos de rateio de Fl. 328DF CARF MF 12 custos, que não se confundem com contratos de remuneração de serviços, citese a título exemplificativo também a Solução de Consulta n.9 18 de 2009, cujos preceitos estão consubstanciados e positivados de forma correta no Acordo para Reembolso de Custas e Despesas firmado pela Impugnante em obediência as diretrizes firmadas pelos órgãos administrativos. • Constatase com as diversas soluções de consulta proferidas pelos órgãos competentes e com a realização de diversos julgamentos administrativos, quando contrapostos ao Acordo de Reembolso de Custas assinado pela Impugnante, é que os critérios de repartição de despesas mais comumente adotados e aceitos pelas autoridades foram por ela atendidos de forma inequívoca e com evidente boafé. • Ainda que não tenha se configurado o fato gerador REMESSA para a nos meses de Maio a Dezembro de 2010 como bem atesta o Razão da conta 4101cumpre frisar que: (i): durante todo o exercício de 2010; não se aperfeiçoou de qualquer modo o fato gerador do IRRF. consubstanciado no texto do art. 2º, § 3º da Lei 10.168/00 tendo em conta que, AINDA QUE SE CONSIDERASSE A EXISTÊNCIA DE FATO GERADOR TIPIFICADO PELA LEI, eventual remessa ou pagamento efetuado A TÍTULO de reembolso de custos não se confunde com a hipótese de incidência descrita pela lei que exige a existência de pagamentos, remessas, etc realizadas "A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO decorrentes das obrigações indicadas no caput". • ILEGALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE LUCRO (MARKUP) SOBRE CREDITAMENTO EFETUADO PARA O REEMBOLSO DE CUSTOS E DESPESAS ASSINADO ENTRE AS EMPRESAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR • A cessão de mãodeobra realizada esteve sujeita a um regime jurídico próprio, no sentido de que a relação foi constituída com base no Contrato de Rateio de Custos e Despesas e Contratos de Trabalho específicos, por meio dos quais a empresa italiana se comprometeu a efetuar o pagamento da remuneração dos funcionários disponibilizados, cabendo a filial brasileira realizar o reembolso desses gastos. • De acordo com as informações e documentos prestados durante as diligências fiscais, os reembolsos eventualmente considerados provisionados pela empresa brasileira a empresa italiana não conteriam qualquer margem de lucro ínsita a operação, sendo certo que os funcionários remunerados pela empresa italiana, (reembolsada pela empresa brasileira), sempre estiveram vinculados aos quadros da matriz italiana. • Dos trabalhos fiscais, não decorre a existência de nenhum elemento que suscite dúvidas sobre a correspondência entre eventuais valores considerados remetidos ou provisionados pela Impugnante a empresa italiana (por meio do reembolso de custos) e suposta diferença entre os montantes perpetrados na Fl. 329DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 8 13 operação, que pudessem indagar a existência de processos simulados ou de evasão de divisas à tributação. • Os documentos juntados em anexo por amostragem, que demonstram a completa correspondência dos valores pagos pela empresa italiana aos funcionários disponibilizados a Impugnante, e os valores provisionados em conta pela Impugnante (doc n.e 06), referente aos meses do janeiro, fevereiro, março e abril de 2010, que evidenciam de forma indubitável a inexistência de markup na operação. • Não obstante, o que talvez tenha passado despercebido quando da lavratura do presente auto de infração, tenha sido a obediência necessária que a Administração Pública guarda quanto ao mandamento contido no art. 110 do Código Tributário Nacional, que estabelece que: "A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado (...)", não podendo tampouco a Fiscalização considerar como receita aquilo que não é receita, tampouco considerar como remuneração de serviço, aquilo que seja reembolso de custo, muito menos considerar como remessa, aquilo que não é remessa. • A inexistência de comprovação do aperfeiçoamento dos fatos geradores para o IRRF in casu é inquestionável quando se constata que supostas remessas eventualmente consideradas realizadas se deram pura e unicamente para reembolsar custos despendidos pela matriz Italiana em relação aos funcionários que foram deixados a disponibilidade da empresa brasileira (nos termos do acordo firmado), e em momento algum tiveram a finalidade de "remunerar os serviços" nos termos dispostos pelo Art. 2A da Lei 10.168/00. • Requerse ainda que o presente processo seja julgado juntamente com os processos 15504.726233/201365 e 15504.726158/201332, considerando que são todos provenientes da MPF 06.101.002013001264. É o relatório." A decisão recorrida proferida pela 5ªTurma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESA DO EXTERIOR. REMESSA/CREDITAMENTO DE RECURSOS. INCIDÊNCIA DE CIDE. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência da CIDE. Fl. 330DF CARF MF 14 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Em recurso de forma hábil e tempestivamente interposto, a recorrente alega que: (i) de acordo com as relações jurídicas firmadas entre as empresas, ficou acertado que a recorrente seria responsável por reembolsar a empresa italiana pelos custos incorridos para a remuneração dos funcionários disponibilizados, de modo proporcional a responsabilidade definida no rateio; (ii) a decisão recorrida desconsiderou jurisprudência dos diversos órgãos jurisdicionais administrativos sobre os acordos de rateio e reembolso de custos; orientações da Receita Federal e foram desconsiderados os documentos e esclarecimentos prestados durante o transcurso processual; (iii) desqualificação equivocada por parte da fiscalização do acordo para o reembolso de custos e despesas firmado entre as empresas do mesmo grupo econômico; (iv) que se não houver o intuito de remuneração, mas tão somente o reembolso de custos não há incidência da CIDE, de acordo com o previsto no § 3°do art. 2° da Lei 10.168/2000; (v) eficácia e atendimento aos requisitos do acordo para o reembolso de custas e despesas assinado entre Almaviva S.p.A e Almaviva do Brasil Telemarketig e Informática Ltda (vi) não houve pagamento de salários e encargos sociais dos funcionários, pois estes são realizados pela Almaviva Italiana, cabendo à Recorrente tão somente o reembolso de tais parcelas; (vii) ilegalidade do crédito tributário em razão de inexistir lucro (markup) sobre creditamento efetuado para o reembolso de custos e despesas assinado entre as empresas; (viii) não configuração do fato gerador da CIDE; (ix) inexistência do fato gerador da CIDEremessas para os meses de maio a dezembro de 2010; (x) alteração no critério jurídico adotado pelo Fisco, com ofensa ao art. 146 do CTN Pugna ao final a recorrente pelo provimento integral do seu recurso e, alternativamente, pelo parcial provimento em razão da não ocorrência de fato gerador para os meses de maio a dezembro de 2010, pois não houve nenhum tipo de remessas de valores ao exterior em aludido período. É o relatório. Voto Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 9 15 Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Cingese o presente processo sobre a incidência da CIDE sobre as remessas a título de reembolso de despesas efetuadas pela recorrente. Como sabido, a CIDE é de competência exclusiva da União, conforme disposto no art. 149 da Constituição Federal, in verbis: "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo." Tal contribuição, de caráter extrafiscal, respeita os princípios encartados no art. 170 da Carta Magna, conforme a seguir: "Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei." Sobre a CIDE, o escólio de Hugo de Brito Machado é elucidativo: "A finalidade da intervenção no domínio econômico caracteriza essa espécie de contribuição social como tributo de função Fl. 332DF CARF MF 16 nitidamente extrafiscal. Assim, um tributo cuja finalidade predominante seja a arrecadação de recursos financeiros jamais será uma contribuição social de intervenção no domínio econômico. A finalidade interventiva dessas contribuições, com o característica essencial dessa espécie tributária, deve manifestarse de duas formas, a saber: (a) na função da própria contribuição, que há de ser um instrumento da intervenção estatal no domínio econômico, e ainda, (b) na destinação dos recursos com a mesma arrecadados, que só podem ser aplicados no financia mento da intervenção que justificou sua instituição." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 422.) Tecidas estas considerações prévias, passo a análise das matérias alegadas em sede recursal. Entendo que no caso em apreço, considerando os argumentos postos na peça recursal, assiste razão à recorrente. A atual redação dos §§ 2° e 3° do art. 2° da Lei 10168/2000 assim dispõem: "Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo." É sabido, que diante do contido no art. 110 do CTN, que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Também é de conhecimento que tanto o Supremo Tribunal Federal como o Superior Tribunal de Justiça entendem não ser possível ampliar o conceito de serviço para fins de tributação. Neste sentido temse os seguintes precedentes: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 10 17 "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. FRANQUIA (FRANCHISING). NATUREZA JURÍDICA HÍBRIDA (PLEXO INDISSOCIÁVEL DE OBRIGAÇÕES DE DAR, DE FAZER E DE NÃO FAZER). PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONCEITO PRESSUPOSTO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. AMPLIAÇÃO DO CONCEITO QUE EXTRAVASA O ÂMBITO DA VIOLAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL PARA INFIRMAR A PRÓPRIA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. 1. O ISS na sua configuração constitucional incide sobre uma prestação de serviço, cujo conceito pressuposto pela Carta Magna eclipsa ad substantia obligatio in faciendo, inconfundível com a denominada obrigação de dar. 2. Outrossim, a Constituição utiliza os conceitos de direito no seu sentido próprio, com que implícita a norma do artigo 110, do CTN, que interdita a alteração da categorização dos institutos. 3. Consectariamente, qualificar como serviço a atividade que não ostenta essa categoria jurídica implica em violação bifronte ao preceito constitucional, porquanto o texto maior a utiliza não só no sentido próprio, como também o faz para o fim de repartição tributáriaconstitucional (RE 116121/SP). 4. Sob esse enfoque, é impositiva a regra do artigo 156, III, da Constituição Federal de 1988, verbis: "Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...)" 5. A dicção constitucional, como evidente, não autoriza que a lei complementar inclua no seu bojo atividade que não represente serviço e, a fortiori, obrigação de fazer, porque a isso corresponderia franquear a modificação de competência tributária por lei complementar, com violação do pacto federativo, inalterável sequer pelo poder constituinte, posto blindado por cláusula pétrea. 6. O conceito pressuposto pela Constituição Federal de serviço e de obrigação de fazer corresponde aquele emprestado pela teoria geral do direito, segundo o qual o objeto da prestação é uma conduta do obrigado, que em nada se assemelha ao dare, cujo antecedente necessário é o repasse a outrem de um bem preexistente, a qualquer título, consoante a homogeneidade da doutrina nacional e alienígena, quer de Direito Privado, quer de Direito Público. (...)" (AgRg no REsp 953.840/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/08/2009, DJe 14/09/2009) E o próprio Supremo Tribunal Federal assim entende: Fl. 334DF CARF MF 18 "IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS (ISS) LOCAÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR INADMISSIBILIDADE, EM TAL HIPÓTESE, DA INCIDÊNCIA DESSE TRIBUTO MUNICIPAL DISTINÇÃO NECESSÁRIA ENTRE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS (OBRIGAÇÃO DE DAR OU DE ENTREGAR) E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (OBRIGAÇÃO DE FAZER) IMPOSSIBILIDADE DE A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA MUNICIPAL ALTERAR A DEFINIÇÃO E O ALCANCE DE CONCEITOS DE DIREITO PRIVADO (CTN, ART. 110) INCONSTITUCIONALIDADE DO ITEM 79 DA ANTIGA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETOLEI Nº 406/68 PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RECURSO IMPROVIDO. Não se revela tributável, mediante ISS, a locação de veículos automotores (que consubstancia obrigação de dar ou de entregar), eis que esse tributo municipal somente pode incidir sobre obrigações de fazer, a cuja matriz conceitual não se ajusta a figura contratual da locação de bens móveis. Precedentes (STF). Doutrina." (RE 446003 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 30/05/2006, DJ 04082006 PP00071 EMENT VOL02240 06 PP01094 RTJ VOL0020201 PP00336 REVJMG v. 57, n. 176/177, 2006, p. 465468) Adotandose a interpretação dada pela jurisprudência pátria entendo ser indevido o alargamento da hipótese de incidência prevista na Lei 10.168/2000, conforme pretendido pela fiscalização, eis que o diploma legal estabelece de modo claro a necessidade de haver a prestação de um serviço e sua consequente remuneração para que ocorra a incidência da CIDE. No caso dos autos, considerando os elementos colacionados houve um mero reembolso de despesas pela cessão dos funcionários pertencentes à matriz da recorrente. A recorrente consigna em sua peça recursal: O acordo de reembolso de despesas prevê que (cláusulas 1.1 e 2.1): Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 11 19 Em dito instrumento contratual consta também: Assim, em observância ao princípio da verdade material, sendo o caso de simples reembolso de despesas, não há como incidir a CIDE. O Superior Tribunal de Justiça entende que deve prevalecer a verdade material em favor do contribuinte: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. SALDO CREDOR EM CAIXA.PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. FACULDADE DO CONTRIBUINTE PRODUZIR PROVA CONTRÁRIA.PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SUCUMBÊNCIA.PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. 1. A presunção juris tantum de omissão de receita pode ser infirmada em Juízo por força de norma específica, mercê do Fl. 336DF CARF MF 20 princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5.º, XXXV, da CF/1988) coadjuvado pela máxima utile per inutile nom vitiatur. 2. O princípio da verdade real se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do § 2º, do art. 12 do DL 1.598/77 (art. 281 RIR/99 Decreto 3.000/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa. Aplicação do princípio da verdade material. (...)" (REsp 901.311/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2007, DJe 06/03/2008) O reembolso de despesas, pela sua própria natureza não possui fins econômicos, ou seja, não se destina a uma contraprestação ou remuneração de serviços. Se serviço tivesse sido prestado à recorrente, tal, obviamente, visaria o lucro, o que não é o caso ora em análise. Para a incidência de CIDE conforme previsto no texto legal, necessária a prestação de um serviço, exigindo atividade econômica, ínsita nessa definição, a nosso ver, o fim de obtenção de lucro, o que não se vislumbra na hipótese em apreço de reembolso de despesas. No plano jurídico, portanto, os reembolsos de custos ou despesas tem nítidos fins não econômicos, ou seja, não objetivam lucro e, portanto, não sujeitos à incidência da CIDE. Gustavo Brigagão, sobre os contratos de rateio de despesas com o consequente reembolso anota que: "Tratase, portanto, de contrato atípico por meio do qual duas ou mais pessoas jurídicas repartem custos e despesas de interesse comum relativos a utilidades que lhes aproveitam, tais como o compartilhamento de pessoal técnico (departamentos de apoio nas áreas de informática, contabilidade, RH entre outros), equipamentos, estruturas e bens de natureza diversa. Há, nesse contrato, de um lado, a assunção por uma das partes da obrigação de suportar inicialmente o ônus relativo às despesas incorridas, e, de outro, o posterior rateio do respectivo valor entre as demais empresas envolvidas, na proporção do aproveitamento das utilidades auferidas por cada uma delas, sem que a esse valor seja acrescida qualquer mais valia." (Revista Consultor Jurídico, Controvérsia sobre regras de tributação do rateio de despesas caminha para o fim, 18/06/2014) Não há como se confundir os institutos de "reembolso" e "prestação de serviços", dado possuírem naturezas jurídicas distintas, não sendo, a meu ver, correto se falar em tributação dos reembolsos pelos custos incorridos no que se refere a remuneração dos funcionários disponibilizados pela matriz à recorrente, haja vista não se tratarem de remuneração pela prestação de serviços, mas sim de um mero ressarcimento de custos. Matheus Monteiro Morosini anota que: Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 12 21 "Reembolso e rateio de despesas de gastos são importâncias que não incrementam o patrimônio de quem os recebe. Em tais situações, não há propriamente uma prestação de serviços, tampouco o percebimento de receita tributável, assim entendida aquela que venha a produzir reflexos na esfera patrimonial da empresa." (http://boletim.prolikadvogados.com.br/2016/05/18/o rateiodedespesaseaposicaodareceitafederal/) À toda evidência, de conseguinte, que os reembolsos não possuem qualquer margem de lucro e assim, não objetivam alcançar fim econômico, e passam ao largo do arco de abrangência da incidência tributária. Neste sentido, colhese o seguinte precedente deste Colegiado Administrativo de Julgamento: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/2007 a 31/12/2008 COFINS/PIS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA EMPRESA CONTROLADORA DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. Os serviços compartilhados (nas áreas de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) prestados (inhouse ou intragrupo) pela controladora exclusivamente às empresas controladas do mesmo grupo empresarial, por serem prestados sem finalidade lucrativa e não se inserirem no objeto do social ou no “comercium” da controladora, que carece de habilitação para sua prestação a terceiros alheios ao grupo empresarial (registros da controladora na OAB, CRC, CRA, etc), não se inserem nos núcleos da materialidade da hipótese de incidência, quer do ISS, quer das contribuições do PIS e da COFINS. COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO REEMBOLSO OU RESSARCIMENTO DE DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. As quantias recebidas pela controladora a título de reembolso ou ressarcimento, por despesas com serviços compartilhados sem qualquer margem de lucro ou finalidade lucrativa, não se inserem no conceito de faturamento ou receita bruta decorrente da exploração da venda de serviços ou de quaisquer outras receitas tributáveis pelas contribuições doo PIS e da COFINS, seja porque se encontram fora do objeto das atividades institucionais (atividadefim) da controladora, seja porque não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, vez que se destinam apenas à justa reposição de seu patrimônio, reduzido ou diminuído em razão de gastos efetivados em proveito da controlada." (Processo 16327.721361/201110; Acórdão 3402001.912; – 4ª Câmara / 2ª Fl. 338DF CARF MF 22 Turma Ordinária; Sessão de 27 de setembro de 2012; Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça) Recente decisão proferida pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento assim concluiu: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. (...)" (Processo nº 13603.722329/201068; Acórdão 2401004.672; Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Sessão de 15 de março de 2017) Por fim, vale mencionar a Solução de Consulta COSIT 378/2017, ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIOADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Quando da remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão sofrer retenção de imposto de renda na fonte (IRRF), até o limite do valor percebido no exterior pelo sócioadministrador ou pelo profissional expatriado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, por não se caracterizarem rendimentos da empresa domiciliada no exterior. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 13 23 Dispositivos Legais: Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999, alínea “a” do art. 685. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIOADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA PARA FINS DE IRPJ. Para efeito de apuração do IRPJ, o valor reembolsado pela pessoa jurídica no Brasil a sua matriz ou a empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior no valor da remuneração de sócioadministrado ou profissional expatriado residente no Brasil da pessoa jurídica domiciliada no Brasil pago no exterior, mediante "invoice" apresentada por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial, é dedutível quando da apuração do IRPJ, se tais despesas forem necessárias às atividades da pessoa jurídica no Brasil e à manutenção da fonte produtora e desde que sejam também despesas usuais em seu ramo de negócio. Dispositivos Legais: Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999, arts. 299 e 300 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1981, itens 4 e 5. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA PARA FINS DA CSLL. Para efeito de apuração da CSLL, o valor reembolsado pela pessoa jurídica no Brasil a sua matriz ou a empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior no valor da remuneração de sócioadministrado ou profissional expatriado residente no Brasil de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, pago no exterior, mediante "invoice" apresentada por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial, é dedutível quando da apuração da CSLL, se tais despesas forem necessárias às atividades da pessoa jurídica no Brasil e à manutenção da fonte produtora e desde que sejam também despesas usuais em seu ramo de negócio. Dispositivos Legais: Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 57; Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 13; Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de Fl. 340DF CARF MF 24 março de 1999, arts. 299 e 300 e Parecer Normativo CST no 32, de 1981, itens 4 e 5. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliado no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência do PISImportação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior. Dispositivos Legais: Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, inciso II do art. 3o. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliado no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência da COFINSImportação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior. Dispositivos Legais: Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, inciso II do art. 3o." De tal Solução de Consulta, destaco os seguintes excertos: "Com efeito, a consulente descreve como situação fática o reembolso a sua matriz ou a empresas do grupo empresarial de despesas relativas rendimento auferido por sócioadministrador ou funcionário expatriado residente no País para fins tributários. Nesta situação, caracterizamse as remessas efetuadas como mero retorno de capital à empresa no exterior, não passíveis de retenção a título de IRRF." " Todavia, analogamente ao raciocínio já desenvolvido quanto da análise do IRRF, entendese que, verificada a premissa de os valores a serem reembolsados, até o limite do valor percebido no exterior pelo sócioadministrador ou pelo funcionário da Fl. 341DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 14 25 consulente, residentes no Brasil, cujas despesas foram arcadas por empresa no exterior, não há que se falar em tributação das remessas destes valores seja pelo PISImportação ou a título de COFINSImportação. Daí concluirse aqui, pela não ocorrência da hipótese de incidência prevista no art. 3o, inciso II, da Lei no 10.865, de 2004.' Da conclusão da Solução de Consulta temse: "a) quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão sofrer retenção de imposto de renda na fonte (IRRF), até o limite do valor percebido no exterior pelo sócio administrador ou pelo profissional expatriado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, por não se caracterizarem rendimentos da empresa domiciliada no exterior; b) quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência do PISImportação ou da COFINS Importação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior.' Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 342DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.721048/2014-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 30/09/2013
DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN.
Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar os créditos escriturais de IPI no RAIPI.
IPI. FRETE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O frete inclui-se na base de cálculo do IPI, por expressa de previsão legal.
IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, NEM CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INVIABILIDADE DO CREDITAMENTO. Consolidada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme acórdão proferido pelo regime de recurso repetitivo (REsp 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009).
MULTA ISOLADA POR FALTA DE DESTAQUE DE IPI COM COBERTURA DE CRÉDITO. A multa isolada por falta de destaque de IPI com cobertura de crédito encontra-se prevista na legislação vigente, art. 80, §8°, da Lei n° 4.502/64.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen que davam provimento quanto à preliminar de decadência do direito de glosa dos saldos credores e o Conselheiro Valcir Gassen que dava provimento também à exclusão do frete da base de cálculo do IPI.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar os créditos escriturais de IPI no RAIPI. IPI. FRETE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O frete incluise na base de cálculo do IPI, por expressa de previsão legal. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, NEM CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INVIABILIDADE DO CREDITAMENTO. Consolidada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme acórdão proferido pelo regime de recurso repetitivo (REsp 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009). MULTA ISOLADA POR FALTA DE DESTAQUE DE IPI COM COBERTURA DE CRÉDITO. A multa isolada por falta de destaque de IPI com cobertura de crédito encontrase prevista na legislação vigente, art. 80, §8°, da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 10 48 /2 01 4- 23 Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.783 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen que davam provimento quanto à preliminar de decadência do direito de glosa dos saldos credores e o Conselheiro Valcir Gassen que dava provimento também à exclusão do frete da base de cálculo do IPI. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Em desfavor do contribuinte, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/33, para exigir R$ 8.530.896,70 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 2.847.343,18 de juros de mora calculados até outubro de 2014, R$ 6.398.172,58 de multa proporcional ao valor do imposto e R$ 5.899.756,28 de multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, representando um crédito tributário total consolidado de R$ 23.676.168,74. O referido auto de infração constituiu as exigências fiscais em razão da apuração das seguintes infrações: ‘0001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI – INOBSERVÂNCIA DO VALOR TRIBUTÁVEL (PRODUTO NACIONAL) Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) do estabelecimento de produto(s) tributado(s), por não ter incluído na base de cálculo o valor do frete, cobrados ou debitados ao comprador ou destinatário, conforme Relatório Fiscal.’ Compulsando os dados das notas fiscais eletrônicas, relata a autoridade que o contribuinte deixou de incluir o frete cobrado do destinatário em suas notas fiscais. A planilha "IPI Sobre Frete" aponta todas as notas fiscais em que houve a infração. Em vista disso foi lavrado o lançamento de ofício das diferenças. ‘0002 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.784 3 SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI – INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produto(s) tributado(s), com falta, insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal, conforme Relatório Fiscal.’ E, infração n° 3: ‘0003 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO O estabelecimento industrial ou equiparado deixou de recolher imposto em decorrência da escrituração e utilização de crédito indevido sobre insumos do processo produtivo, conforme Relatório Fiscal. Foram acatados como insumos no processo industrial da Recorrente: ferroligas, tarugos, gusa sólido, pó dessulfurante, material de embalagem, eletrodo grafite e outros. Todavia, foram glosados os seguintes materiais, por não integram o processo industrial produtivo do aço da empresa, ou seja, por não serem produtos intermediários: refratários (tijolos, placas, massas e concretos feitos de material muito resistente ao calor), ventaneira (peça feita de cobre, instalada no alto forno com durabilidade entre 100 e 800 dias), tubo 1/2 (utilizado para a limpeza dos recipientes de aço líquido), guia, inserto, conjunto, rolete (peças internas dos laminadores, geralmente adquiridas do fornecedor Etage Ind. e Com Ltda.). A fiscalização considerou que se tratam tipicamente de peças de máquinas, não sendo consumidos no processo industrial da empresa. ‘0004 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) O estabelecimento industrial ou equiparado deixou de recolher imposto em decorrência da escrituração e utilização de ajustes indevidos, relativos a decisões de homologação de ressarcimentos, conforme Relatório Fiscal. Neste tópico, relata a fiscalização que: A empresa efetuou ajustes de créditos nos valores de R$ 413.386,68, R$ 2.179.822,30 e R$ 554.325,26, respectivamente para os meses de 03/2013, 05/2013 e 09/2013. Intimada a justificar e comprovar tais créditos, a empresa informou tratar se da diferença entre o valor de ressarcimento pedido e o reconhecido, em Despachos Decisórios Eletrônicos que indeferiram parcial ou totalmente os valores pedidos. Com efeito, por ocasião do pedido de ressarcimento, devese estornar o valor pedido, a débito, no RAIPI. Todavia, o indeferimento Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.785 4 total ou parcial desse valor não gera crédito, pois o Despacho Decisório que indefere já apura corretamente os saldos subsequentes, deduzindo somente o valor reconhecido. Os Despachos Decisórios subsequentes observam o saldo remanescente do Despacho Decisório anterior, e portanto, não consideram o estorno de débito pelo valor do pedido, e sim pelo valor reconhecido. Do mesmo modo, a planilha Reconstituição da Escrita Fiscal, documento anexo a este Relatório Fiscal, também reconstrói o Livro de Apuração de IPI, a partir de janeiro de 2009, registrando o estorno relativo ao pedido de ressarcimento (débito) somente pelos valores de ressarcimento reconhecidos, considerando as infrações apuradas. Portanto, totalmente indevidos os valores em foco, razão pela qual foram glosados da coluna de ajustes credores. A conclusão da autoridade foi: Em razão das irregularidades, apuramos novos saldos ao final de cada período de apuração, conforme planilha "Reconstituição da Escrita Fiscal", que faz parte do presente relatório. Nos períodos em que houve saldo devedor, efetuamos o lançamento de ofício do imposto, e a respectiva multa de ofício e juros. Nas infrações de ausência de lançamento de IPI, procedemos também ao lançamento da multa de ofício, mesmo nos casos em que houve cobertura de créditos, conforme legislação citada no corpo do Auto de Infração do qual este Relatório Fiscal é parte integrante. Por fim, cumpre relatar que foi reconhecida a decadência pela própria autoridade fiscal: As multas de ofício foram lançadas para infrações de débito a partir de 05102009, em vista da decadência do direito de lançar (art. 150 do Código Tributário Nacional). Não obstante, as infrações anteriores a esta data alteram efetivamente os saldos credores passíveis de ressarcimento, visto que o erro do contribuinte não pode beneficiálo para receber recursos públicos indevidos. Apresentada a impugnação, posteriormente, houve desistência de parte dela, quanto à infração do item 2: erro de classificação fiscal. A fiscalização apontou que “vários produtos da empresa eram constituídos de aços ligados, na definição dada pela aliena "f da Nota 1 do Capítulo 72 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. Tais produtos devem ser classificados nos códigos da posição 72.27, como fio máquina de outras ligas de aço, cuja alíquota de IPI, para todo o período, é de 5%, conforme os Decretos 6006/2006 e 7660/2011, tendo a empresa classificado na posição 72.13 da TIPI”. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.786 5 Ocorre que, em 02/10/2015, em petição de fls. 1623/1658, para efeito de adesão ao parcelamento especial previsto na Lei nº 12.996, de 18/06/2014, o contribuinte pediu a desistência parcial da impugnação, condicionada a deferimento de Pedido de Revisão dos valores consolidados referentes ao parcelamento em questão. A 2ª Turma da DRJ REC (fls. 1660/1680) julgou procedente o auto de infração lavrado contra a empresa, nos termos do acórdão assim ementado: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A expressa desistência da impugnação quanto à matéria objeto de autuação, implica renúncia ao contencioso administrativo, tornandose definitiva a correspondente exigência fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. Não há como confundir a proibição de constituição do crédito tributário, em face do que dispõe o § 4º do artigo 150 do CTN, que trata da decadência, com proibição de glosa de saldos credores indevidos. FRETE. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. A base de cálculo do imposto corresponde ao valor total da operação, que inclui o frete cobrado do adquirente. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem geram direito creditório do imposto. DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO DE CRÉDITOS NO RAIPI. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento, parcial ou integral, de pleito creditório não autoriza o requerente a efetuar lançamento a crédito dos valores não reconhecidos no Livro de Apuração do IPI RAIPI. MULTAS. Não incorre em duplicidade a aplicação simultânea da multa de ofício sobre o IPI não recolhido e sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 30/09/2013 PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.787 6 Não há de ser deferido o pedido de perícia quando estão presentes nos autos elementos suficientes à formação da convicção do julgador e ao deslinde do litígio. Impugnação Improcedente Os argumentos estampados na impugnação foram bem resumidos pela DRJ REC, nos seguintes: Defende a impossibilidade de reconstituição da conta gráfica no período de janeiro a setembro de 2009. No seu entendimento, seria definitivo o saldo credor por ele apurado para os períodos anteriores a outubro de 2009, em virtude do transcurso do prazo decadencial previsto para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), não dispondo o Fisco, dessa forma, de prazo ilimitado para efetuar a revisão da atividade de apuração realizada pelo contribuinte. Alega que houve concomitância ilegal na aplicação das penalidades incidentes na autuação e sustenta a nulidade do lançamento da multa isolada nos períodos compreendidos entre fevereiro de 2011 e maio de 2012. Sobre o tema, transcreve ementas de julgados administrativos. Sustenta que as normas legais Lei nº 4.502/1964, bem como o RIPI/2002 e o RIPI/2010 que disciplinam o IPI, ao incluir o frete na base de cálculo do imposto, contrariariam os ditames do artigo 47 do CTN, alargando indevidamente a hipótese de incidência do tributo, conforme consta em doutrina e decisões judiciais que transcreve. Argumenta que a fiscalização glosou indevidamente créditos de IPI sobre uma série de produtos pertencentes ao processo produtivo da empresa. A respeito do tema, tece considerações atinentes ao Princípio da NãoCumulatividade (art. 153, § 3º, II, da CF) e ao conceito de produtos intermediários, por meio das quais procura demonstrar que a fiscalização teria deixado de reconhecer o direito creditório correspondente à aquisição de determinados produtos por considerálos equivocadamente como partes ou peças de máquinas. No tocante aos referidos materiais, defende classificálos como produtos intermediários, em vista do seu consumo inequívoco no processo produtivo do aço e durabilidade inferior a um ano, e cita alguns deles dando ênfase aos materiais refratários (bloco refratário, tijolo refratário, concreto refratário, massa e argamassa refratárias e demais materiais refratários) os quais seriam necessários ao processo de produção do aço em fornos de siderurgia, em face da altíssima temperatura em que este se dá. Conforme expõe, em todos os casos citados, estarseia diante de produtos intermediários, com desgaste no processo produtivo da Empresa e em contato direto com o aço produzido, pelo que é indiscutível o creditamento de IPI nos termos do RIPI/2010. Sobre a questão, apresenta planilha contendo informações a respeito da descrição, aplicação e vida útil, dos itens glosados (doc. 06 às fls. 1506/1536) e, com vistas a fundamentar sua tese, transcreve excertos de acórdãos de decisões administrativas e judiciais. Ainda com relação aos materiais cujo creditamento foi objeto de glosa, especifica o seguinte: Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.788 7 1. Ventaneira: Conforme planilha acostada pela Empresa (doc. 06, cit.), tratase de material que transporta o ar quente que vem do regenerador para dentro do alto forno, entrando em contato com a gusa em produção. Ao contrário do que alega o fisco, sua durabilidade é de 4 meses a 1 ano, sendo indiscutivelmente um produto intermediário. 2. Tubo 1/2: Produto essencial ao processo produtivo, utilizado para auxiliar na fusão de cascão de ferro, sem o qual o processo produtivo precisa ser interrompido. Sua vida útil é inferior a 3 meses, motivo pelo qual o crédito é indiscutível 3. Guia, inserto, conjunto e rolete: Quanto a esses itens muito não precisa ser dito. O próprio relatório fiscal assume que tais produtos "entram em contato direto com o produto e se consomem em alguns meses." Afinal de contas, o que falta, à luz da legislação de regência, para que o crédito seja concedido? 4. Demais produtos glosados: Quanto a estes itens, tratase até mesmo de hipótese de nulidade, pois sequer mencionados no relatório fiscal, dentre os quais podemos destacar as correias. Não obstante, conforme planilha fiscal, o único fundamento para a glosa desse item decorre do suposto enquadramento como parte do maquinário. Portanto, tal qual demonstrado para os refratários, o presente fundamento é completamente insubsistente, devendo o crédito ser reestabelecido. Contesta a infração atinente aos ajustes de créditos relativos a pedidos de ressarcimento integral ou parcialmente indeferidos, alegando que tais ajustes não foram indevidos como destacou a fiscalização. Afirma que o fundamento da glosa apresentado pela fiscalização estaria equivocado e repisa os valores glosados, expressando especial contrariedade quanto ao valor de R$ 484.710,96, em relação ao qual afirma não existir sentido algum na glosa, posto que não seria decorrente do não reconhecimento de um pedido de ressarcimento, por se tratar de um débito referente à utilização de saldo credor, conforme DCOMP 03137.63026.081013.1.3.017018, do 1°T/2009 (doc. 10). Quanto à questão aduz ainda que deveria ter procedido ao estorno dos créditos de IPI no seu livro fiscal no momento da transmissão dos pedidos de ressarcimento, mas somente o fez quando da apresentação das DCOMP vinculadas aos pedidos de ressarcimento, o que teria ocasionado uma distorção do montante passível de ressarcimento, especialmente quando a compensação ocorria em trimestre posterior ao da entrega do Pedido de Ressarcimento. Em acréscimo, diz que os valores reajustados nos livros fiscais são exatamente os mesmos recolhidos pela Empresa em função da não homologação integral das compensações, o que seria o mesmo que afirmar que a parcela do crédito reconhecida pela RFB compensou os tributos apontados na DCOMP e levou à manutenção do estorno do saldo credor, enquanto que a parcela não reconhecida deixou os respectivos débitos em aberto, os quais foram devidamente quitados, ao passo que o crédito ressarcível não utilizado foi reincorporado ao livro fiscal da empresa. Alegando ausência de previsão legal e de prejuízo ao Erário, questiona o lançamento da multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito e argumenta que as multas aplicadas (isolada e de ofício) estariam estabelecidas em patamares abusivos, conflitando com os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, razão pela qual deveriam ser canceladas ou reduzidas a patamares constitucionalmente admitidos. Requer a realização de perícia que se prestaria a esclarecer a essencialidade e vida útil dos itens glosados pelo fisco relativos à infração atinente aos créditos de IPI sobre insumos considerados indevidos. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.789 8 Esses argumentos foram repisados em sede de recurso voluntário, juntamente com a alegação de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, tendo em vista a não realização de perícia nos itens glosados. Diante disso, em preliminar, requer a nulidade ou a conversão do julgamento em diligência para oportunizar a apresentação de laudo técnico sobre os produtos glosados. Ao final requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário atende os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Preliminar de falta de intimação dos débitos do processo A empresa aponta que, na intimação do acórdão da DRJ, somente foi anexado o extrato e DARF vinculados à multa isolada cobrada nesta autuação, não tendo sido notificado ao contribuinte o valor dos débitos de IPI e multa de ofício remanescente, em especial decorrente da adesão parcial ao parcelamento. Com isso, requer nova intimação do acórdão da DRJ e reabertura de prazo para novo recurso voluntário. Entendo que não se trata de nulidade, uma vez que o que não foi objeto de parcelamento, foi integralmente mantido pela DRJ. No mais, consta nos autos que a parte não litigiosa, para o qual a empresa apresentou desistência parcial para o parcelamento, foi transferida e está sob controle no Processo 18208.083707/201577. Ademais, o recurso voluntário se insurge contra todos os pontos da decisão recorrida. Portanto, não vislumbro nulidade, por ausência de prejuízo à defesa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa Alega a Recorrente que houve cerceamento de defesa, pois requereu a prova pericial apta a demonstrar a aplicação dos refratários em seu processo produtivo. Pretende, com essa perícia, demonstrar que efetivamente o refratário é produto intermediário, sendo devido os créditos que foram glosados. Defende que "a única forma de elucidar o processo produtivo é através da elaboração de um laudo pericial, o que foi inexplicavelmente indeferido pela DRJ". Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.790 9 Não há que se falar em nulidade da decisão de piso, uma vez que o entendimento foi no sentido da prescindibilidade da perícia, diante dos elementos constantes dos autos: Com efeito, os autos se encontram instruídos com termos e planilhas que evidenciam os dados obtidos, as conclusões da fiscalização e demais informações atinentes às infrações apuradas, tendo a presente autuação sido precedida de diligência fiscal que, entre outras providências, contemplou visita técnica a planta fabril do impugnante e exames concernentes à execução das etapas do seu processo produtivo, os quais contaram inclusive com o acompanhamento de coordenador técnico da empresa e serviram para suprir os autos com todas as informações necessárias ao deslinde da presente lide. Salientese que a fiscalização não presumiu suas conclusões, tendo se fundamentado em exames efetuados no próprio estabelecimento, em sede de ação fiscal consubstanciada em diligência tendente a examinar, a partir de informações prestadas pelo autuado, o processo produtivo efetuado e os itens com este relacionados (cf. efls. 1101/1120). Em seguida, a autoridade fiscal elaborou planilha (cf. fls. 303/812), na qual se encontra explicitada, entre outras informações, a descrição dos itens e a motivação da glosa a eles imposta. Preliminar de decadência do direito de glosa dos saldos credores Alega que, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, está decaído o direito de o Fisco proceder a ajustes/glosas em seus saldos credores anteriores a outubro de 2009 (data da ciência 06/10/2014). Entendo que não há razão nesse argumento. Explico. Diferese a glosa de crédito escritural e reescrita fiscal, de constituição do crédito tributário pelo lançamento. A glosa decorre de créditos escriturais não admitidos pelo RIPI, mas que foram utilizados pelo contribuinte na sua escrita fiscal atinente à apuração do IPI sob a égide da não cumulatividade. Já a constituição do crédito tributário referese à exigibilidade do pagamento do saldo devedor do IPI, o qual foi apurado na escrita fiscal do RAIPI, mas não espontaneamente pago ou compensado (DCOMP) ou confessado (mediante DCTF). A constituição do crédito tributário pelo lançamento é que deve se dar no prazo de 5 anos. Se da glosa dos créditos escriturados resultar a apuração de saldos devedores, estes serão passíveis de exigência mediante lançamento de ofício, se relativos aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário foi tratado pelo STJ, no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, no qual se Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.791 10 pacificou que a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento lançamento por homologação regese pelo art.150, §4º, do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é o do art.173, I, do CTN, ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Dessa forma, a decadência operase em relação ao crédito tributário decorrente da existência de saldo devedor do IPI apurado no RAIPI e não em relação à glosa de ofício dos créditos escriturais indevidos. Nesse sentido, o acórdão CARF nº 3403003537: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSAR. INEXISTÊNCIA A decadência fulmina o direito de a fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar glosas no livro de IPI. As glosas podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. Enfim, considerando que o art. 150 do CTN não se aplica ao direito da administração de glosar os créditos escriturais indevidos do IPI, deve ser afastada a preliminar de decadência dessas glosas. Preliminar de nulidade do lançamento da multa isolada, nos períodos de fev./11 a maio/12 Neste tópico, a Recorrente defende que a autoridade fiscal ao mesmo tempo em que cobrou a multa isolada, também lançou débitos contra a empresa, acrescidos de multa de ofício de 75% e dos juros de mora respectivos. Com isso, haveria uma concomitância ilegal entre a multa de ofício de 75% e a multa isolada de 75% para os mesmos períodos, de fevereiro de 2011 a maio de 2012, ou seja, a pena foi imposta duplamente. Entendo que este tópico se confunde com o próprio mérito, que será tratado a seguir. MÉRITO Inclusão do frete na base de cálculo do IPI Aponta a Recorrente o equívoco da inclusão na base de cálculo do IPI dos valores referentes ao frete cobrado dos adquirentes dos seus produtos. Entende que a inclusão do frete afronta o disposto no art. 47, II, a, do CTN, não compondo o “valor da operação” de Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.792 11 que decorrer a saída do produto. Dessa forma, o “frete” se refere a outra relação contratual, que não compõe o critério material da hipótese de incidência do IPI. A inclusão do frete na base de cálculo do IPI foi estabelecida pela Lei nº 7.798/89, cujo art.15 alterou a redação do art. 14 da Lei nº 4.502/1964: Art. 15. O art. 14 da Lei nº 4.502, com a alteração introduzida pelo art. 27 do DecretoLei nº. 1.593, de 21 de dezembro de 1977, mantido o seu inciso I, passa a vigorar a partir de 1° de julho de 1989 com a seguinte redação: Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: I .......................................... II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. § 3º. Será também considerado como cobrado ou debitado pelo contribuinte, ao comprador ou destinatário, para efeitos do disposto no § 1º, o valor do frete, quando o transporte for realizado ou cobrado por firma coligada, controlada ou controladora (Lei nº 6.404) ou interligada (DecretoLei nº 1.950) do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual este tenha relação de interdependência, mesmo quando o frete seja subcontratado. Tal prescrição está replicada no art. 131 do Decreto n° 4544/2002 (RIPI/2002) e no art. 190 do Decreto n° 7212/2010 (RIPI/2010). Aponto que o STF ao analisar AgRg no RE n° 636.714/SC, aplicou o entendimento do RE n° 567.935/SC para afastar a inclusão do valor do frete na base de cálculo do IPI, estabelecida nos §1° e § 3 do art. 14 da Lei n° 4.502/1964, com a alteração do art. 15 da Lei n° 7.798/1989. Confirase o teor dos julgados: RE 636.714, DJ 4.11.2014 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – VALORES DE DESCONTOS INCONDICIONAIS – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO – ARTIGO 15 DA LEI Nº Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.793 12 7.798/89 – INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL – LEI COMPLEMENTAR – EXIGIBILIDADE. Viola o artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Carta Federal norma ordinária segundo a qual hão de ser incluídos, na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, os valores relativos a descontos incondicionais concedidos quando das operações de saída de produtos, prevalecendo o disposto na alínea “a” do inciso II do artigo 47 do Código Tributário Nacional. AgRg no RE n. 636.714, julg. 30/06/2015 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO FRETE: IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. JULGADO RECORRIDO CONSOANTE À JURISPRUDÊNCIA DESTE SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ASSENTADA NO PROCEDIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL: RE 567.935. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. Trecho do voto da Min. Cármen Lúcia: No Recurso Extraordinário n. 567.935, a inconstitucionalidade da Lei n. 7.798/1989 se verifica no dispositivo pelo qual ampliada a base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados, com a inclusão dos valores de descontos incondicionais concedidos quando da saída dos produtos (§ 2º do art. 14 da Lei n. 4.502/1964, com a alteração do art. 15 da Lei n. 7.798/1989). No presente recurso, como assinalado pelo Tribunal de origem, a inconstitucionalidade da referida lei se manifesta no dispositivo pelo qual determinada a inclusão do valor do frete na base de cálculo do imposto, dispondo de forma diversa da estabelecida na lei complementar competente, o Código Tributário Nacional (§ 1º e § 3º do art. 14 da Lei n. 4.502/1964, com a alteração do art. 15 da Lei n. 7.798/1989). Existe identidade material entre o Recurso Extraordinário n. 567.935, paradigma da repercussão geral, e o presente Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.794 13 recurso, a autorizar a adoção do entendimento assentado pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, a decisão do AgRg no RE n° 636.714/SC referiuse a exclusão da base de cálculo do IPI dos “descontos incondicionais”, tendo sido afetada a decisão à sistemática de repercussão geral. Por sua vez, o entendimento do RE n° 567.935/SC não foi afetado como repercussão geral. Assim, inexiste a vinculação deste processo administrativo à decisão do RE n° 567.935/SC. Por conseguinte, ausente o imperativo do art. 62, §2º do RICARF. Os argumentos que envolvem o afastamento da legislação vigente e válida por afronta à Constituição ou ilegalidade esbaram na vedação do disposto no art. 62 do RICARF e na Súmula CARF n° 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, a inclusão do frete na base de cálculo do IPI está respaldada em documentos normativos válidos e vigentes na época dos fatos. Os créditos indevidos – controvérsia a respeito dos “produtos intermediários” Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados poderão creditar se, conforme autorização legal contida no RIPI/2010 e no RIPI/2002, do imposto relativo às matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) adquiridos para emprego na industrialização de produtos, podendose incluir entre os insumos que, embora não se integrando na composição final do novo produto industrializado, sejam consumidos no processo de fabricação por desgaste no contato direto com o produto final produzido, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização, bem como os bens adquiridos compreendidos no ativo permanente da empresa. A autoridade fiscal considerou os seguintes critérios para a glosa: Que não seja classificável como ativo permanente, Que seja semelhante a produto intermediário, no sentido de se consumir, desgastar, em contato direto com o produto, Que não seja incorporado às instalações industriais, como partes ou peças de máquinas, Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.795 14 O desgaste é natural do uso e não do processo produtivo (do contato direto com os produtos industrializados). A fiscalização glosou os créditos dos seguintes produtos, por não os considerar “produtos intermediários”, com as seguintes justificativas: · Refratários – São tijolos, placas, massas e concretos feitos de material muito resistente ao calor. Revestem internamente as panelas e canais onde passa o ferro ou aço líquidos, por causa das altíssimas temperaturas. Há também tampões, tubos, válvulas e outros objetos de material refratário, todos em conexão com os equipamentos que contém em seu interior o ferro ou aço líquido. Alguns podem se consumir rapidamente, outros podem se consumir em muitos meses, a depender da qualidade do insumo e local onde é aplicado. Não obstante sua durabilidade ou contato com o produto, tratase tipicamente de parte de máquinas, sendo elementos que compõem os fornos, convertedores e recipientes semelhantes. Os diversos tipos de refratários têm aplicação específica para cada equipamento. Vinculamse à proteção do equipamento, e não agregam características peculiares ao produto, senão como resultado de sua função própria como parte do equipamento. Vale dizer, os refratários protegem O EQUIPAMENTO, sendo, portanto, classificável no ativo permanente, nos termos da NBC TG 27 (R1). · Ventaneira – Conforme Termo lavrado em visita, tal peça é feita de cobre, instalada no Alto Forno e tem durabilidade entre 100 e 800 dias. Não há possibilidade de distinguir, a partir dos registros, quais peças duraram menos de um ano. Tais circunstâncias levam a glosar o crédito sobre esse insumo, seja porque deve ser ativado em função do tempo de duração, seja por ser incorporado ao maquinário. · Tubo 1/2 – Esse insumo não faz parte de qualquer máquina, porém é utilizado para a limpeza dos recipientes de aço líquido. Portanto, não entra em contato direto com o produto, mas somente com os resíduos. · Guia, inserto, conjunto, rolete – Peças internas dos laminadores, geralmente adquiridas do fornecedor Etage Ind. E Com Ltda. Entram em contato direto com o produto, e se consomem em alguns meses. Tipicamente são peças de máquinas. Já a Recorrente defende que todas as glosas se referem a produtos intermediários, com desgaste no processo produtivo da empresa e em contato direto com o aço produzido. São produtos intermediários todos aqueles que apesar de não integrarem o produto final, se consomem, seja pelo desgaste, seja pela transformação (perda de propriedade) no processo produtivo na condição de elemento indispensável à sua consecução. Fundamenta a essencialidade dos insumos ao seu processo industrial: · Tijolo refratário: No decurso do processo produtivo do aço, inúmeros equipamentos precisam ser revestidos por tijolos refratários, pois caso não existisse dita proteção, este maquinário se fundiria em contato com a alta temperatura do aço. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.796 15 · Bloco refratário: é utilizado em diversos equipamentos do processo produtivo do aço, tais como o distribuidor do aço líquido, a abóboda do forno elétrico e o alto forno, funcionando como função isolante térmico e protetor do maquinário em decorrência do contato com o aço produzido. A diferença entre o bloco e o tijolo refratário é que o primeiro é feito de concreto, enquanto que o segundo é de argila. · Concreto refratário: é aplicado nas panelas de aço, distribuidores de aço líquido, alto forno e laminação e também tem a função de isolamento térmico do maquinário no processo produtivo. O contato com o aço é direto, o material consomese no processo de produção (choque térmico, erosão, etc). · Massa refratária: assenta os tijolos e demais materiais refratários instalados nos equipamentos do processo produtivo do aço. Compõe o revestimento dos equipamentos para auxiliar na proteção contra a atuação do aço em temperaturas elevadas. Dura no máximo 30 dias. · Demais materiais refratários: são aplicados no forno elétrico, compondo o revestimento desse equipamento contra a ação do metal. Dura cerca de 15 dias. · Ventaneira: material que transporta o ar quente que vem do regenerador para dentro do alto forno, entrando em contato com a gusa em produção. Com durabilidade de 4 meses a 1 ano. · Tubo 1/2: Produto essencial ao processo produtivo, utilizado para auxiliar na fusão de cascão de ferro, sem o qual o processo produtivo precisa ser interrompido. Sua vida útil é inferior a 3 meses. · Guia, inserto, conjunto e rolete: como o próprio relatório fiscal assume, tais produtos entram em contato direto com o produto e se consomem em alguns meses. · Demais produtos glosados: não integram o maquinário. A natureza dos itens glosados, como produtos intermediários, foi especificamente descrita pela empresa (v. efls. 17121713) como: a) não são matériasprimas, vez que não se incorporam ao produto final. b) tampouco são bens destinados ao ativo imobilizado – já que sua vida útil é menor a 1 ano. c) não sendo tampouco bens de uso e consumo – dada a essencialidade no processo produtivo. Entendo que não assiste razão à Recorrente, porquanto a jurisprudência consolidada, tanto do STF quanto do STJ, não considera como produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os bens adquiridos para utilização no processo produtivo, ainda Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.797 16 que não tenham duração superior a doze meses, que não são imediata e integralmente consumidos e incorporados ao produto final. Assim, nem todo produto consumido no processo de industrialização pode ser considerado produto intermediário, sem que isso implique em violação ao princípio da não cumulatividade. Observese o teor do REsp 1075508/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 13/10/2009, julgado na sistemática dos recursos repetitivos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.798 17 desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão do REsp nº 1.075.508, representativo de controvérsia, vincula este colegiado, de acordo com a prescrição do art. 62, §2º do RICARF (Portaria n° 343/2015). No mesmo sentido, o acordão 3402004.126, da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, julg. 23052017: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 Ementa: IPI. CRÉDITOS. MATÉRIAS PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. Parte e peças de reposição e ferramentas. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no REsp nº 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o RICARF. Recurso voluntário negado. Em suma, não se trata de afastar a essencialidade ou o consumo no processo industrial, mas sim de examinar se o insumo se agrega ao produto final fabricado, se é consumido de forma imediata (direta) e integral durante o processo de industrialização e ainda, se não pertence ao ativo permanente da empresa. De acordo com a aplicação/função indicada pela empresa na planilha anexada às fls. 1506/1536, constatase que os itens ventaneira (transporte de ar quente), tubo 1/2 (limpeza de peças e refratários), guias, insertos, conjuntos e roletes (todos responsáveis pela condução do fiomáquina) e correias (transporte de materiais diversos), configuramse como maquinário ou suas partes e peças, consubstanciandose na vedação “destinadas ao ativo permanente”, ao passo que o material refratário protege os equipamentos durante o processo de industrialização. Quanto à investigação da aplicação no processo industrial da Recorrente, temse que, como já dito outrora, que as glosas foram feitas após exames efetuados no próprio Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.799 18 estabelecimento, em diligência fiscal, a partir de informações prestadas pela própria empresa, em companhia de coordenador técnico da Recorrente (cf. efls. 1101/1120). Ajustes indevidos de créditos no RAIPI Houve a glosa que se configurou com a exclusão, por parte do fisco, dos créditos de IPI apontados no Registro de Apuração do IPI (RAIPI), provenientes do estorno praticado pela Recorrente, de valores que já haviam sido submetidos a pleitos de ressarcimento. Alega a empresa que o estorno foi efetuado em função da quitação dos débitos que restaram em aberto em decorrência da não homologação, parcial ou integral, das compensações pleiteadas. A esse respeito, a DRJ foi bastante clara: Com efeito, já tendo os supostos créditos sido objeto de análise por meio de processamento eletrônico, o seu não reconhecimento, integral ou parcial, de modo algum autoriza o requerente a novamente adicionálos ao RAIPI. Na realidade, referidos créditos, já submetidos ao processamento eletrônico e não aproveitados por terem sido considerados indevidos, não podem ser “reaproveitados” na escrita fiscal do requerente, sob pena de contribuir para a redução ou mesmo eliminação indevida de eventuais saldos devedores a serem apurados ou mesmo possibilitar a sua indicação (dos créditos) em novas PER/DCOMP e, assim, viabilizar o aproveitamento irregular dos mesmos. Em outras palavras, o fato de o contribuinte ter pago um débito compensado indevidamente com um crédito considerado improcedente de forma alguma o possibilita a aproveitálo em sua escrita, mediante estorno no RAIPI. Por outro lado, cabe ainda esclarecer quanto à questão em apreço que a reversão dos estornos é cabível tãosomente na reconstituição da escrita fiscal, para efeito de apuração dos débitos a serem lançados, o que foi adequadamente levado a efeito pela autoridade autuante. Quanto à especial contrariedade demonstrada pelo contribuinte em relação ao valor de R$ 484.710,96, o qual, segundo ele, por se tratar de um débito, não estaria vinculado a um pedido de ressarcimento, resta destacar que a cópia da PER/DCOMP trazida aos autos como comprovação da alegação formulada, anexada às fls. 1569/1573, demonstra exatamente o contrário, posto que o Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.800 19 valor em apreço se encontra informado como crédito oriundo de ressarcimento de IPI a ser utilizado para compensar um débito declarado em igual valor. Logo, correta a glosa dos valores de créditos indevidamente ajustados pelo contribuinte no RAIPI. Multas aplicadas Questiona o lançamento da multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito e argumenta que as multas isolada e de ofício foram aplicadas em duplicidade. A multa isolada teve como fundamento o art. 80, caput, da Lei nº 4.502: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Neste ponto, concordo com os fundamentos da decisão de piso: Conforme se observa, a teor do dispositivo acima transcrito, a multa de ofício de 75% deve ser imposta nas hipóteses de falta de lançamento ou falta de recolhimento do imposto. No presente caso, ambas as condutas foram penalizadas, ou seja, aplicouse a multa acima prevista tanto pela falta de lançamento do imposto nas notas fiscais, quanto pelo seu não recolhimento aos cofres públicos. Pode haver casos, como ocorreu em alguns períodos de apuração objeto do Auto de Infração em apreço, em que a falta de lançamento do imposto na nota fiscal não implique em equivalente falta de recolhimento. Isso acontece quando o estabelecimento tem créditos capazes de absorver parte do imposto que deixou de ser lançado. Nesta hipótese, mediante a reconstituição da escrita fiscal, cobrase apenas o imposto (evidenciado pelos saldos devedores apurados) não absorvido pelos créditos, mas a multa de ofício é aplicada sobre todo o imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, ficando, portanto, dividida em duas partes: a que se refere ao imposto a ser cobrado e a que é relativa ao imposto não lançado acobertado por créditos. Dessa forma, independente do lançamento advindo da reconstituição da escrita feita pelo Fisco e da apuração de Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.801 20 eventuais saldos devedores, tendo sido constatada a saída de produtos em operações tributadas sem o destaque do imposto ou em destaque a menor, é dever do agente fiscal proceder à aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor que deixou de ser lançado na nota fiscal. Nesse sentido, já preceituava o Parecer Normativo CST nº 39/76, na sua ementa: “A multa por falta do lançamento [do IPI na nota fiscal], apurada pela fiscalização, independe do Imposto não lançado [na nota fiscal] estar ou não coberto por eventuais créditos.” Sendo assim, concluise que a separação em duas parcelas distintas para a aplicação da multa de ofício em análise resulta apenas de uma sistemática de cálculo empregada no lançamento de ofício, razão pela qual não houve a alegada duplicidade da penalidade sobre o IPI. Logo, não há razão no inconformismo, uma vez que, a autoridade fiscal elaborou a reconstituição da escrita fiscal do IPI, com diversos demonstrativos da apuração tanto do IPI não lançado sem cobertura de crédito, no qual a multa de ofício foi exigida em conjunto com o imposto, e do IPI não lançado com cobertura de crédito, no qual a multa foi exigida isoladamente. A letra da lei assenta que a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal incide mesmo quando não restou saldo a pagar. Por fim, quanto a alegação de confiscatoriedade da multa aplicada, tal pleito esbarra no comando do art. 62 do RICARF e da Súmula CARF n° 2. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1801DF CARF MF
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Numero do processo: 14367.720009/2014-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição.
Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienantes e adquirentes integrarem o mesmo grupo econômico e estarem submetidos a controle comum, evidencia-se a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienantes e adquirentes integrarem o mesmo grupo econômico e estarem submetidos a controle comum, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 72 00 09 /2 01 4- 08 Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S.A. em 13/04/2017, com fundamento nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), em que se alega a existência de divergências jurisprudenciais acerca de matérias relacionadas à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1402002.209, por meio do qual os membros da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. No que tange ao ponto central do mérito, a decisão recorrida manteve os autos de infração lavrados pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que a contribuinte deduziu indevidamente, no anocalendário 2010, de seu lucro real e da sua base de cálculo da CSLL, despesas relativas à amortização de ágio contabilizado em operações societárias caracterizadoras de planejamento tributário abusivo, praticadas entre empresas pertencentes ao mesmo grupo, sem propósito negocial e sem substrato econômico. As operações analisadas pela Fiscalização envolveram a contribuinte PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S.A. (doravante denominada apenas de P&G DO BRASIL) e várias empresas a ela relacionadas. Uma parcela do ágio indevidamente aproveitado para fins tributários surgiu em operação realizada em junho de 2006, quando a empresa estrangeira PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V. aumentou de R$ 107.621,06 para R$ 2.221.528.472,87 o capital social de sua controlada brasileira PROCTER & GAMBLE SERVIÇOS DE PESQUISAS LTDA (deste ponto em diante mencionada como P&G SERVIÇOS) mediante a entrega de quotas da GILLETTE DO BRASIL LTDA (que passa a ser identificada apenas como GILLETTE DO BRASIL) e de ações da autuada P&G DO BRASIL. Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 4 3 As referidas quotas e ações representativas de capital social foram conferidas na operação de aumento de capital por seu valor de mercado (estimado por empresas independentes de consultoria), o que provocou o registro, na contabilidade da P&G SERVIÇOS, de ágio no valor total de R$ 1.426.145.438,51, correspondente à diferença entre tal valor de mercado e o valor patrimonial das quotas e ações. Posteriormente, a P&G DO BRASIL incorporou a GILLETTE DO BRASIL (em setembro de 2006) e sua própria controladora P&G SERVIÇOS (em novembro do mesmo ano), absorvendo em sua contabilidade o ágio originalmente registrado no Ativo Permanente de sua investidora. Já a segunda parcela do ágio utilizado pela contribuinte ao longo do ano calendário 2010 teve origem em novembro de 2008, quando a contribuinte P&G DO BRASIL adquiriu a totalidade das quotas de capital da PROCTER & GAMBLE HIGIENE E COSMÉTICOS LTDA (citada a partir deste ponto como P&G HC) da seguinte forma: 10% adquiridos da empresa PROCTER & GAMBLE DO BRASIL LLC; 10% adquiridos da empresa ROSEMOUNT CORPORATION; 80% entregues pela empresa PROCTER & GAMBLE AMAZON HOLDING B.V. como subscrição de debêntures emitidas pela fiscalizada. Tais operações tomaram como base o justo valor de mercado da pessoa jurídica P&G HC, quantificado em laudo técnico elaborado por empresa contratada para este fim. Desse modo, a contribuinte P&G DO BRASIL registrou em sua contabilidade um ágio de R$ 746.509.139,56 oriundo do processo de aquisição total da P&G HC, empresa que veio a incorporar logo em seguida. Iniciado o anocalendário de 2010, a fiscalizada P&G DO BRASIL tinha em sua contabilidade saldos dos ágios registrados nos dois conjuntos de operações societários descritos (integralização do aumento de capital social da P&G SERVIÇOS e aquisição das quotas da P&G HC). Como ambas as empresas haviam sido por ela incorporadas, a contribuinte considerou que sua situação enquadrarseia na regra insculpida no art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999), que reproduz os comandos legais dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Assim, deduziu de cada resultado tributável trimestral do ano de 2010 o valor de R$ 54.318.420,73 (R$ 18.664.784,89 do ágio decorrente da primeira operação e R$ 35.653.635,84 do sobrepreço verificado na segunda operação). Por entender que tal procedimento não tinha base legal, a Fiscalização lavrou autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL referentes ao anocalendário 2010. A autuação foi mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, também pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 5 4 Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. A contribuinte foi intimada a respeito da decisão em 02/08/2016, por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico), e lhe opôs, em 05/08/2016, embargos de declaração tempestivos. Arguiu a existência de várias omissões que demandariam a retificação do julgado. Em despacho de 08/11/2016, o Conselheiro Relator da decisão embargada, que era também o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, rejeitou os embargos por entender improcedentes as alegações de que o Acórdão nº 1402002.209 padeceria de omissões. Devidamente cientificada em 30/03/2017 a respeito da rejeição de seus embargos, a contribuinte interpôs, em 13/04/2017, recurso especial tempestivo insurgindose contra o acórdão que apreciou seu recurso voluntário, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pela contribuinte contesta a interpretação adotada pelo acórdão recorrido em relação a duas matérias: 1) possibilidade de aproveitamento tributário de "ágio interno", gerado em operações realizadas entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico; e 2) necessidade da ocorrência de desembolso financeiro na operação que originou o ágio, para fins de dedutibilidade das despesas decorrentes de sua amortização. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2015, a recorrente apontou acórdãos de turmas de câmara do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que teriam dado aos temas debatidos interpretação diversa daquela esposada pela decisão recorrida. No que toca à primeira matéria contestada (possibilidade de aproveitamento tributário do "ágio interno"), o recurso especial traz o relato de que o acórdão recorrido teria mantido a glosa das despesas de amortização da parte do ágio oriunda da operação de aquisição da P&G HC pela recorrente, com base no entendimento de que operações realizadas entre empresas relacionadas, integrantes do mesmo grupo econômico e controladas pelas mesmas pessoas, não podem gerar ágio passível de aproveitamento tributário. Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 6 5 Ao interpretar desta forma os arts. 385 e 386 do RIR/1999, a decisão recorrida teria entrado em divergência com os Acórdãos nº 1301001.224 e nº 1301001.299, que, diante de situações fáticas idênticas à analisada nos presentes autos, concluíram pela dedutibilidade das despesas de amortização de ágio gerado em operações celebradas entre empresas relacionadas. Para fundamentar tal conclusão, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara apontou, em ambos os paradigmas, que a legislação aplicável ao tema não estabelece nenhuma vedação ao denominado "ágio interno" e não distingue este ágio daquele gerado em operações observadas entre empresas independentes entre si. Já tratando da segunda matéria questionada (dedutibilidade de despesas de amortização de ágio gerado sem desembolso financeiro), a recorrente menciona a operação, ocorrida em 2008, de conferência de suas ações e de quotas da GILLETTE DO BRASIL para fins de integralização do aumento de capital da P&G SERVIÇOS e relata que o ágio ali gerado foi considerado indedutível pelo acórdão recorrido em razão de não ter sido acompanhado por qualquer desembolso financeiro. Tal interpretação dada pelo acórdão recorrido aos arts. 385 e 386 do RIR/1999 teria configurado, segundo a recorrente, conflito com o entendimento exposto, diante de situações semelhantes, nos Acórdãos nº 9101001.657 e nº 1301001.299. Nos paradigmas apontados, a 1ª Turma da CSRF e a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, respectivamente, teriam firmado o posicionamento de que a aquisição de participação societária requerida pela legislação não se restringiria a uma operação de compra e venda com pagamento em dinheiro. Assim, operações como a subscrição de ações seriam igualmente hábeis à geração de ágio passível de aproveitamento tributário. Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas em relação às matérias indicadas, a recorrente apresenta ainda uma série de alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão combatida. Em suma, argumentase que: Os arts. 385 e 386 do RIR/1999 não estabelecem como necessária a participação de terceiros não relacionados na operação geradora do ágio, para fins de dedutibilidade das despesas de sua amortização; Os referidos dispositivos legais estabelecem tãosomente as seguintes exigências para fins de registro e amortização do ágio: (i) aquisição de participação societária; (ii) custo de aquisição superior ao valor de patrimônio líquido da participação societária adquirida; (iii) fundamento do ágio em expectativa de rentabilidade futura; e (iv) liquidação do investimento adquirido mediante incorporação, fusão ou cisão; Nos termos dos arts. 5º, II, e 150, I, da Constituição Federal, a cobrança ou o aumento de tributos só podem ser determinados por lei, o que não se verificou no caso sob análise. Além disso, a Administração Pública somente pode agir pautada pela legalidade; Se a legislação não fez nenhuma ressalva ou restrição quanto à forma de aquisição considerada válida para fins de registro e amortização de ágio, não cabe ao intérprete da norma fazêlo. Assim, é manifestamente ilegal a exigência de que o ágio, para ser válido, deva decorrer de aquisição feita perante terceiros; Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 7 6 Somente com a edição da Lei nº 12.973/2014 é que passou a existir a vedação ao aproveitamento tributário do "ágio interno". Não se pode alegar que tal lei teria caráter meramente interpretativo (aplicação retroativa); As autoridades fiscais sequer alegaram a existência de simulação, fraude, conluio, sonegação ou qualquer outra conduta que pudesse levar à desconsideração das operações que geraram o ágio discutido nos autos; O grupo P&G fez pagamentos em dinheiro pela aquisição da GILLETTE DO BRASIL e das demais empresas do grupo Gillette no exterior. Sendo assim, é improcedente a conclusão da decisão recorrida de que o ágio decorrente das operações que envolveram a empresa GILLETTE DO BRASIL não poderia ser aproveitado tributariamente em razão da ausência de desembolso financeiro; Ainda que assim não fosse, tal condição não poderia ser exigida para fins de dedutibilidade das despesas de amortização do ágio. Se a legislação que regulamenta o ágio menciona que, para seu registro, é necessária tãosomente a aquisição de participação societária relevante (sociedade controlada ou coligada), sem fazer qualquer ressalva quanto à forma de aquisição, não pode o intérprete restringila à compra e venda com pagamento em dinheiro; No caso dos autos, a aquisição da GILLETTE DO BRASIL e da recorrente pela P&G SERVIÇOS foi realizada em operação de integralização de aumento de capital desta última, ou seja, houve uma aquisição de participação societária com pagamento em quotas/ações. Embora não tenha existido fluxo financeiro na operação, é incontestável que houve uma aquisição que gerou direito ao registro do ágio. A contribuinte encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja admitido e provido para determinar a reforma integral do acórdão recorrido, com o reconhecimento da regularidade dos ágios registrados e amortizados e o cancelamento integral das exigências fiscais. A irresignação da contribuinte foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 22/05/2017. O aludido despacho concluiu que, em relação à primeira matéria contestada pela recorrente ("possibilidade de aproveitamento tributário de ágio gerado entre empresas de um mesmo grupo econômico"), restou devidamente demonstrada a existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os Acórdãos paradigmas nº 1301001.224 e nº 1301001.299. Também a respeito da segunda matéria, atinente à "dedutibilidade de despesas de amortização de ágio gerado sem desembolso financeiro", entendeuse devidamente configurado o alegado dissenso jurisprudencial. Assim, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção deu seguimento total ao recurso especial interposto pela contribuinte. Em 23/05/2017, os autos foram eletronicamente remetidos à PGFN para fins de ciência da interposição de recurso especial pela contribuinte, assim como de sua admissão, em conformidade com o art. 70 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, foram apresentadas, em 01/09/2016, contrarrazões às alegações da recorrente. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pela Fazenda Nacional: Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 8 7 Para existir, o ágio deve ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e um substrato econômico (transação comercial). Meros registros escriturais não podem ensejar o nascimento desta figura econômica e contábil; Propósito negocial é a lógica econômica que leva ao surgimento do ágio, ou seja, a razão negocial que enseja a aquisição de um investimento por valor superior àquele que custou originalmente ao alienante; O ágio deve sempre decorrer da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e obrigações proporcionais; Além disso, para que ocorra a efetiva aquisição de um investimento, com o correspondente surgimento do ágio, é imprescindível a existência de substrato econômico à sua realização, ou seja, de transação econômica que materialize o valor de aquisição ao mesmo tempo pago pelo adquirente e recebido pelo alienante; A aquisição de um investimento, assim como de qualquer bem ou direito, deve sempre importar no dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e no ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Sem essa troca de riquezas e da titularidade dos investimentos, não há que se falar em aquisição e, como consequência, no surgimento de ágio; Tal entendimento é corroborado pela Comissão de Valores Mobiliários, conforme o teor do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, e pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, como se verifica no item 50 da Orientação Técnica OCPC nº 02/2008; Nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, somente é amortizável na apuração do resultado da empresa o ágio efetivamente decorrente da aquisição de uma pessoa jurídica por outra, por incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação adquirida com ágio; No caso dos presentes autos, o ágio absorvido pela incorporadora nunca existiu, pois fora criado somente de forma artificial. Assim, se não existe ágio decorrente de aquisição de investimento (segundo o art. 385 do RIR/1999), não há que se falar em sua amortização no resultado da empresa que o absorveu por incorporação; A Exposição de Motivos da Lei nº 9.532/1997 deixa claro que a elaboração dos arts. 7º e 8º (reproduzido no art. 386 do RIR/1999) procurou justamente impedir a criação de ágio artificial, ou seja, a realização de negócios fictícios com o fim exclusivo de fazer surgir o benefício fiscal; O ágio criado por meio de negócios sem fins econômicos e/ou onde não houve o efetivo dispêndio do preço de aquisição do investimento não deve dar ensejo ao benefício previsto no art. 386 do RIR/1999. Por conta de tudo que expôs, a PGFN pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte. Os autos seguiram para a CSRF para o julgamento do recurso especial. Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 9 8 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Não tendo sido apresentadas, pela PGFN, por ocasião da exposição de suas contrarrazões, alegações preliminares de não conhecimento da peça recursal apresentada pela contribuinte PROCTER & GAMBLE DO BRASIL S.A., adoto as razões expostas no despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial, para dele CONHECER, passando à análise de seu mérito. Conforme relatado, a recorrente arguiu a existência de divergência jurisprudencial em relação a duas matérias abordadas pelo Acórdão nº 1402002.209: 1) possibilidade de aproveitamento tributário de ágio gerado entre empresas de um grupo econômico; e 2) dedutibilidade de despesas de amortização de ágio gerado sem desembolso financeiro. Entendo que as análises relativas às duas matérias se sobrepõem em vários momentos. Assim, em razão da proximidade temática existente entre as matérias contestadas de forma autônoma pela recorrente e visando evitar repetições desnecessárias, acredito que a melhor abordagem é seu exame de maneira conjunta, que passo a desenvolver. O ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pela recorrente (e condenado pela Fiscalização) de deduzir, no anocalendário de 2010, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas relacionadas à amortização de ágio registrado em sua contabilidade. Tal ágio decorreu de dois grupos de operações societárias celebradas entre a recorrente e empresas a ela relacionadas. O primeiro grupo de operações foi realizado no ano de 2006. O ágio criado naquela ocasião deveuse à entrega, pela empresa PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V., de ações da contribuinte P&G DO BRASIL e de quotas de capital da GILLETTE DO BRASIL, por valores substancialmente superiores àqueles registrados na contabilidade da controladora original, para fins de integralização de aumento de capital da pessoa jurídica P&G SERVIÇOS. O ágio resultante desta operação, no valor total de R$ 1.426.145.435,51, ingressou no patrimônio da contribuinte fiscalizada no fim daquele ano, após esta incorporar sua então controladora. A segunda sequência de operações de interesse para a presente lide ocorreu em 2008. Naquele ano, a contribuinte adquiriu, de empresas a ela relacionadas, a totalidade das quotas representativas do capital social da empresa P&G HC, por valor significativamente superior ao registrado nas excontroladoras da pessoa jurídica adquirida. A diferença total entre o custo de aquisição e o valor patrimonial das quotas foi de R$ 746.509.139,56, montante registrado como ágio na contabilidade da contribuinte. Ainda no mesmo ano, a P&G DO BRASIL incorporou sua subsidiária integral P&G HC. Chegado o ano de 2010, a contribuinte possuía em sua contabilidade saldos dos ágios relacionados: (i) à sua aquisição pela P&G SERVIÇOS; e (ii) à aquisição da P&G Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 10 9 HC por ela (a contribuinte). Como a P&G DO BRASIL incorporara tanto sua excontroladora P&G SERVIÇOS quanto sua excontrolada P&G HC, deduziu, ao longo de 2010, um total de R$ 217.273.682,92 de seus resultados tributáveis, considerando que tal prática estaria amparada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, também contempladas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), nos arts. 385 e 386. Muito bem. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do Decreto Lei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O art. 385 do RIR/1999 é basicamente uma cópia do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em ambos os dispositivos, encontrase a determinação de que contribuintes que avaliam investimentos em sociedade controlada ou coligada pelo valor do patrimônio líquido registrem o ágio apurado na aquisição de participação societária em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Além disso, os dispositivos prevêem que tal ágio deve ser fundamentado em pelo menos um dos três fatores: a) valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; b) expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros ou; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Quando o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e o art. 385 do RIR/1999 afirmam que o destinatário das regras ali expostas é o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, estão se referindo ao método da equivalência patrimonial. Segundo tal método, as variações observadas nos Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 11 10 patrimônios líquidos da sociedades coligadas ou controladas provocam reflexos nos valores dos investimentos registrados na investidora. Observese o que dispõem os arts. 387 a 389 do RIR/1999, a respeito do método de equivalência patrimonial: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) O art. 389 do RIR/1999 é explícito ao determinar que os resultados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas não devem ser computados na determinação do resultado da investidora. Assim, lucros apurados em uma investida devem ser objeto de tributação somente no âmbito daquela empresa. Embora tenham o reflexo de majorar o valor do investimento registrado na investidora, os lucros da investida não devem integrar a base tributável da pessoa jurídica que nela detém participação societária, sob pena de configurarse hipótese de dupla tributação. Caso a investidora tenha registrado, em sua contabilidade, ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura da investida, concluise que a causa do pagamento a maior efetivamente se concretizou, mas foi tributada somente na coligada ou controlada. Sendo assim, não há que se cogitar de amortização do ágio na investidora, uma vez que não ocorre, nesta pessoa jurídica, tributação do resultado positivo da investida. Somente seria lógico falar em amortização daquele ágio caso a concretização do motivo que lhe deu causa, qual seja, a lucratividade futura da investida, tivesse reflexos tributários na pessoa jurídica que pagou a "mais valia". Dessa forma, o dispêndio a maior Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 12 11 poderia ser gradativamente recuperado sob a forma de despesas dedutíveis, se os lucros que o motivaram provocassem um maior recolhimento de tributos nos períodos posteriores à aquisição do investimento. Como, por determinação legal, não é esta a hipótese que se verifica no método de equivalência patrimonial, podese concluir que a regra geral é a da impossibilidade de utilização fiscal do ágio registrado na investidora. É o que reza expressamente o art. 391 do RIR/1999: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Existem, contudo, duas exceções a tal regra. A primeira delas é indicada pelo próprio art. 391, quando ressalva o disposto no art. 426 do mesmo RIR/1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. A primeira exceção à regra da impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio tratado pelo art. 385 do RIR/1999 diz respeito, portanto, à apuração de ganho ou perda de capital. Se o investimento que deu causa à "mais valia" for alienado ou liquidado, o ágio ou deságio registrados na contabilidade da controladora devem compor o custo de aquisição considerado no cálculo do resultado tributável da operação, sobre o qual incidirão IRPJ e CSLL. Já a segunda exceção, que interessa mais diretamente à discussão desenvolvida nos presentes autos, referese a transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos. A respeito da evolução histórica das previsões legais que contemplaram a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio em hipóteses de transformações societárias, Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 13 12 remetome ao irretocável apanhado feito pelo nobre Conselheiro André Mendes de Moura no Acórdão nº 9101002.301: "Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 14 13 aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 19971, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI2 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas 1 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 15 14 jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista3 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 19974: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.607, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização." 3 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18494, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 Na realidade, o número da Medida Provisória abordada é 1.602. Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 16 15 Depreendese da retrospectiva transcrita que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (produto da conversão da Medida Provisória nº 1.602/1997) foram erigidos pelo legislador com a específica finalidade de coibir a prática de planejamentos tributários abusivos em que empresas superavitárias adquiriam com ágio empresas deficitárias para serem em seguida incorporadas por elas. Tal incorporação reversa, também denominada de incorporação "às avessas", não tinha nenhum propósito negocial que não fosse a simples geração de ganhos de natureza tributária. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Como este artigo faz referência expressa a dispositivos do art. 385 (cópia do já reproduzido art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), transcrevemse ambos a seguir: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 17 16 II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 18 17 II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Verificase que os arts. 385 e 386 do RIR/1999 guardam uma relação indissociável entre si, uma vez que requisitos à aplicação do segundo artigo são extraídos diretamente da redação do primeiro. O art. 385, conforme já mencionado, estabelece duas regras principais. A primeira determina que o ágio apurado em uma aquisição de participação societária em sociedade controlada ou coligada seja registrado em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Já a segunda fixa os possíveis fundamentos econômicos do ágio pago na aquisição da participação societária (valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas). Por fim, o artigo ainda prevê que o ágio fundamentado em valor de mercado dos bens do ativo da investida ou na expectativa de resultados futuros deve ser baseado em documentação comprobatória, devidamente arquivada. Já o art. 386 trata, entre outras coisas, da possibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente do fundamento econômico previsto no inciso II do §2º do artigo anterior (valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros). O caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. A respeito deste primeiro requisito exigido pela norma, recorro novamente ao Acórdão nº 9101002.301, pela assertividade da análise ali desenvolvida: "Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 5. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. 5 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 19 18 E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 20 19 sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoa se o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI6, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. 6 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 21 20 Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial." Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu §6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 22 21 que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa em que investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que o ágio cujas despesas de amortização a recorrente pretende dedutíveis teve origem em dois momentos distintos. A parcela mais significativa surgiu em 2006, quando a empresa estrangeira PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V. utilizou ações reavaliadas da contribuinte P&G DO BRASIL e quotas reavaliadas da GILLETTE DO BRASIL para fins de integralização de aumento de capital da empresa P&G SERVIÇOS. Os valores pelos quais as ações e as quotas foram recepcionados na nova controladora contemplaram seus valores patrimoniais e o ágio quantificado com base em laudos que avaliaram o valor de mercado das participações societárias cedidas (R$ 1.426.145.438,51). Ainda naquele ano, a recorrente incorporou tanto a GILLETTE DO BRASIL quanto sua então controladora P&G SERVIÇOS, trazendo o referido ágio para sua contabilidade e passando a deduzir de seu lucro líquido, inclusive no anocalendário de 2010 (objeto deste processo), as despesas decorrentes da sua amortização, sob o argumento de que sua situação amoldavase à previsão legal abrigada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e pelos arts. 385 e 386 do RIR/1999. A outra parcela de ágio de interesse para a presente discussão teve origem em 2008, quando a recorrente adquiriu, das empresas relacionadas PROCTER & GAMBLE DO BRASIL LLC, ROSEMOUNT CORPORATION e PROCTER & GAMBLE AMAZON HOLDINS B.V., a totalidade das quotas representativas do capital social da P&G HC. O valor considerado para o registro das quotas na adquirente seria seu valor de mercado, atestado por laudo elaborado por empresa especializada. Tal valor era superior ao valor patrimonial das quotas e a diferença, de R$ 746.509.139,56, foi registrada como ágio pela contribuinte. Na sequência, a contribuinte P&G DO BRASIL incorporou sua controlada P&G HC e, novamente acreditando estar amparada pela regra legal estabelecida nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e pelos arts. 385 e 386 do RIR/1999, passou a deduzir das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas relacionadas à amortização do ágio descrito. Tal prática foi observada inclusive no ano de 2010, examinado nos presentes autos. Ocorre que o entendimento defendido pela recorrente não tem amparo nos mencionados dispositivos legais ou em quaisquer outros. Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 23 22 Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. A configuração do aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 requer, como foi visto, que a pessoa jurídica que vier a absorver o patrimônio da outra em que detenha participação societária (ou a ser absorvida por ela, no caso da incorporação "às avessas") tenha acreditado na "mais valia", feito estudos de rentabilidade futura e efetivamente desembolsado os recursos para a aquisição do investimento. Analisando primeiramente as operações societárias levadas a efeito em 2006, não resta dúvidas de que não houve desembolso algum, por qualquer das partes envolvidas, no processo de aumento de capital da P&G SERVIÇOS que originou o ágio de R$ 1.426.145.438,51. Este número adveio simplesmente da diferença entre as reavaliações encomendadas pelos controladores da recorrente e da GILLETTE DO BRASIL e os valores nominais das participações societárias cedidas e transferidas. Sendo assim, não há que se falar na existência de uma investidora real, que faria jus à possibilidade de aproveitamento tributário do ágio nos moldes delineados no art. 386 do RIR/1999. Além disso, também o aspecto material da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999 não restou caracterizado no caso concreto. Para que o ágio possa ser objeto de aproveitamento fiscal, é necessária a ocorrência de "confusão patrimonial" entre investidora e investida porque assim passam a coexistir dentro da mesma pessoa jurídica a "mais valia" paga com base na expectativa de rentabilidade futura e o próprio investimento de que se espera tal rentabilidade. É justamente por conta deste encontro que a legislação permite que os contribuintes dêem por perdido o capital investido na "mais valia" e passem a utilizar as despesas de sua amortização como deduções da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se não existiu o efetivo dispêndio da investidora por tal "mais valia", não há valor pago a maior que possa ser considerado perdido por ocasião de seu encontro, na contabilidade da mesma pessoa jurídica, com o investimento de que se esperava a produção futura de resultados positivos. Logo, perde o sentido a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio. Assim, a amortização operada pela recorrente não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou é por ela incorporada. No caso dos autos, não existiu a figura da investidora originária porque não houve dispêndio apto a amparar a criação do ágio que se pretendeu amortizável. O ágio contabilizado decorreu de reavaliações dos valores de mercado das empresas P&G DO BRASIL e GILLETTE DO BRASIL, cujas ações/quotas foram utilizadas na integralização do capital social da P&G SERVIÇOS, não tendo sido verificado nenhum dispêndio que viesse a satisfazer os aspectos pessoal e material da hipótese de incidência da benesse estabelecida no art. 386 do RIR/1999. Assim, concluise ser indiferente o fato de, ao final das operações societárias realizadas em 2006, os patrimônios das três empresas envolvidas terem sido todos reunidos na pessoa jurídica da recorrente. Sem a realização de investimento efetivo que justifique o nascimento do ágio, não há que se falar na ocorrência de confusão patrimonial que possibilite a dedutibilidade prevista no art. 386 do RIR/1999. Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 24 23 Importante ressaltar que, quando se estabelece a necessidade de que a investidora arque com a aquisição do investimento com ágio, não se restringe tal operação a uma compra e venda com o desembolso de valores monetários. O dispêndio a que se refere diz respeito a qualquer operação que gere ganhos para o alienante e gastos para o adquirente. Mais do que um pagamento em dinheiro, o que se espera como resultado desta operação é que haja variações patrimoniais para os envolvidos em valores proporcionais ao negócio celebrado. O ágio inicialmente contabilizado pela P&G SERVIÇOS e posteriormente incorporado pela recorrente foi criado sem esta troca de riquezas entre adquirente e alienantes. A criação de tal ágio foi um fenômeno puramente contábil. Ninguém sacrificou valores ou direitos que justificassem sua criação. Isso só foi possível porque todas as empresas envolvidas pertenciam ao mesmo grupo econômico, estando submetidas ao controle dos mesmos acionistas. No momento da operação de aumento do capital da P&G SERVIÇOS, tanto esta empresa quanto a recorrente P&G DO BRASIL e a GILLETTE DO BRASIL eram diretamente controladas pela PROCTER & GAMBLE BRAZIL HOLDINGS B.V.. Subindo na estrutura societária do grupo PROCTER & GAMBLE, fornecido pela recorrente na sua defesa, verificase que todas as empresas mencionadas estavam submetidas ao controle indireto da PROCTER & GAMBLE COMPANY, empresa de nacionalidade norteamericana. Assim, o negócio celebrado entre estas empresas não aconteceu em um ambiente de livre concorrência, em que os atos negociais visam a atender aos interesses de ambos os contratantes, que assumem direitos e deveres proporcionais. O fato de as empresas integrarem o mesmo grupo econômico adiciona novos elementos e interesses maiores ao negócio. Não necessariamente os atos celebrados têm como objetivo beneficiar todas as partes envolvidas. Todas as considerações feitas em relação às operações realizadas pelo grupo econômico da recorrente no ano de 2006 aplicamse, com pequenas ressalvas, também às operações levadas a cabo em 2008: aquisição, pela recorrente P&G DO BRASIL, da totalidade das quotas de participação societária da P&G HC, com surgimento do ágio de R$ 746.509.139,56. As empresas ROSEMOUNT CORPORATION e PROCTER & GAMBLE DO BRASIL LLC, ambas americanas, que venderam à recorrente, cada uma, 10% das quotas da P&G HC, eram controladas diretas da PROCTER & GAMBLE COMPANY. Esta por sua vez, controlava também, de forma indireta, tanto a recorrente quanto a P&G AMAZON HOLDINGS B.V., que cedeu à P&G DO BRASIL os 80% restantes das quotas da pessoa jurídica "alienada". Mais uma vez, o fato de as empresas envolvidas fazerem parte do mesmo grupo econômico foi determinante para a criação do ágio que a recorrente defende ser dedutível. Quanto aos 20% das quotas que foram comprados pela recorrente junto à ROSEMOUNT CORPORATION e PROCTER & GAMBLE DO BRASIL LLC, verificase que, embora possa ter havido pagamento em dinheiro da adquirente para as alienantes, tal operação não operaria efeitos reais de circulação de riquezas em relação à companhia controladora do grupo, a PROCTER & GAMBLE COMPANY. Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 25 24 A circulação de riquezas requerida pelo art. 386 do RIR/1999, para fins de caracterização do aspecto pessoal da hipótese de incidência, requer obrigatoriamente a participação de um terceiro, externo ao grupo econômico que negocia a participação societária. Somente desta forma é possível garantir que o valor praticado na alienação é verossímil e pode ser utilizado como base de cálculo de um ágio que será posteriormente convertido em vantagens tributárias para o adquirente da participação societária. No caso concreto, a controladora alienígena PROCTER & GAMBLE COMPANY poderia determinar, em última instância, qualquer valor de alienação para as quotas da P&G HC, já que nem a participação societária nem os valores transferidos chegariam a deixar efetivamente seu patrimônio: haveria simples movimentação entre os patrimônios de suas várias controladas, diretas ou indiretas. Não ocorreria, qualquer que fosse o valor estipulado para a celebração da alienação, a efetiva e necessária mudança de titularidade da participação societária negociada: o controle indireto permaneceria com a PROCTER & GAMBLE COMPANY. Não há sentido em se cogitar da existência de ágio com base em reavaliação promovida unilateralmente por uma empresa controladora, sem que o valor estipulado para a "mais valia" passe pelo crivo de razoabilidade do mercado, por meio da aceitação, por um terceiro nãorelacionado, em arcar com o correspondente ônus (não necessariamente por meio de pagamento, mas de algum sacrifício patrimonial proporcional). Já no que diz respeito à parcela de 80% das quotas da P&G HC transferida pela P&G AMAZON HOLDINGS B.V. à recorrente, não houve efetivamente qualquer sacrifício patrimonial. Assim, a dedutibilidade do ágio daí decorrente deve ser negada com base nos argumentos já expostos quando se analisou a operação societária de utilização de ações/quotas da recorrente e da GILLETTE DO BRASIL para aumento de capital da P&G SERVIÇOS, ocorrida em 2006. O entendimento aqui exposto é corroborado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já se pronunciou de forma contrária à possibilidade de geração de ágio em operações societárias envolvendo apenas empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, por meio do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de onde se transcreve o seguinte trecho: "Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em Fl. 1952DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 26 25 transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Grifouse) Assim, verificase que a CVM não chancela a existência contábil do ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico, sem dispêndio algum. Também o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) já se manifestou de maneira semelhante, por meio da Orientação Técnica OCPC nº 02/2008: "É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação." Por fim, relevante ainda mencionar que o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) tampouco reconhece a legitimidade do ágio gerado intragrupo, como foi expresso nas seguintes Resoluções: Resolução CFC nº 1.110/2007 “O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado.” Resolução CFC nº 1.303/2010 "48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo." Os atos administrativos mencionados e parcialmente transcritos foram todos exarados de 2007 em diante, posteriormente, portanto, ao um dos períodos em que o grupo econômico a que pertence a recorrente praticou operações societárias que pretensamente originaram ágio passível de aproveitamento tributário (2006). Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 27 26 Isto não significa, entretanto, que o entendimento exposto nos atos administrativos daqueles órgãos fosse novo. A este respeito, observese a manifestação da própria CVM por ocasião do julgamento de recurso constante do Processo Administrativo CVM RJ 2007/3480: "RELATÓRIO No caso concreto, as demonstrações financeiras da Companhia do exercício de 2006 continham uma informação que a SEP e a SNC consideraram errada: o valor de um ativo (a participação acionária na CPM USA) foi contabilizado por um valor apurado em laudo de avaliação, mas esse bem estava, antes, contabilizado em companhia do mesmo grupo por valor mais baixo, e o aumento de seu valor se deu por incorporação entre partes relacionadas. A Companhia não recorreu quanto ao mérito desse entendimento, mas entende que ele somente foi manifestado pela CVM ao mercado através do Oficio Circular de 2007, divulgado em 14.02.2007,(...) SEP e SNC confirmam que essa dicção somente constou a partir do Oficio Circular 01/2007, mas sustentam que o entendimento já era este desde sempre, porque ele decorre dos princípios contábeis geralmente são aplicáveis à escrituração contábil das companhias brasileiras por força do art. 177 da Lei 6.404/76 (...) O recurso apresentado pela Companhia sustenta que a introdução desse entendimento pela CVM constituiria mudança de critério contábil de que trata o art. 186, §1º da Lei 6.404/76, e, por isso, a determinação de baixa do ágio poderia ser feita mediante ajuste de exercícios anteriores, na primeira ITR, como já teria sido aceito pela CVM em outros precedentes. Quanto ao primeiro ponto, entendo ter razão a área técnica. Não se pode afirmar que seja novo o entendimento da CVM quanto à impossibilidade contábil de aproveitamento do ágio interno (assim entendido como aquele gerado em operações entre partes relacionadas). Como lembra a SNC, essa impossibilidade está ligada ao Principio do Custo como Base de Valor — segundo os especialistas "o mais antigo e discutido principio de contabilidade" — que considera o valor de entrada como o que deve servir de base para registro de qualquer ativo, ressalvada a hipótese restrita (e mesmo inexistente em alguns países, como nos Estados Unidos) de reavaliação e, ainda, observandose o valor de recuperação, sempre que menor. Como destacam as áreas técnicas, esse principio foi expressamente reconhecido na "Estrutura Conceitual Básica de Contabilidade" desde a Deliberação 29/86, além de estar à base da Deliberação 183/95. Portanto, ainda que o OficioCircular 01/2007 tenha vindo a dar maior destaque à questão especifica do ágio interno, o entendimento da CVM sempre existiu, com fundamento do Principio do Custo como Base de Valor, e era público. Assim, não vejo como sustentar, portanto, que se possa falar em "mudança de critério contábil" (grifouse). Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 28 27 Diante de todo o exposto, concluise que as próprias Ciências Contábeis têm restrições em relação à existência do ágio gerado internamente, por meio de operações societárias realizadas no interior de um grupo econômico e sem o lastro de efetiva circulação de riquezas. Com base nisso e na inexistência de lei que estabeleça tratamento tributário diferenciado para este instituto, forçoso se faz concluir pela inutilidade do denominado "ágio interno" para os fins tributários pretendidos pela recorrente. Ainda que não bastassem todos os argumentos já apresentados no sentido da indedutibilidade das despesas de amortização do ágio gerado nas operações societárias celebradas no interior do grupo econômico de que fazia parte a recorrente, a análise do caso realizada sob outro enfoque leva à mesma conclusão. O aproveitamento tributário do ágio discutido nos presentes autos consiste, como já foi dito por diversas vezes, na dedução de despesas decorrentes de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fazse relevante, portanto, analisar o caso sob a perspectiva da teoria atinente às despesas que têm relevância fiscal. Uma vez mais, pedese vênia para transcreverse excerto extraído do Acórdão nº 9101002.301, por sua concisão e clareza: "Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 29 28 Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. Despesa Diante de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especificamente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, que recebem aportes de milhões e em questão de dias ou meses são objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma Fl. 1956DF CARF MF Processo nº 14367.720009/201408 Acórdão n.º 9101003.078 CSRFT1 Fl. 30 29 determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes." Acrescentese à análise reproduzida que os pronunciamentos da CVM, CPC e CFC, transcritos alhures, deixam claro que as Ciências Contábeis não reconhecem o ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico. Assim, do ponto de vista contábil, são inexistentes tanto este ágio quanto as despesas decorrentes de sua amortização. Sendo inexistentes as despesas de amortização do "ágio interno", não podem afetar a apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real e da base de cálculo da CSLL (que decorrem do lucro líquido calculado nos termos da legislação comercial). Concluise, assim, que as despesas de amortização de ágio criado em operações como as analisadas nos presentes autos, internas, atípicas e integrantes de um processo de planejamento tributário que tem a finalidade específica de criar artificialmente hipótese próxima à requerida pelo art. 386 do RIR/1999, não se revestem das características de necessidade, usualidade e normalidade requeridas para sua dedutibilidade. Diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1957DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.904310/2009-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-000.912
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 212DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 301 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30.12.2005, fls. 169172, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$63.434,64 de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2362, efetuado em 30.09.2002. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 21, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 176, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 30.04.2009, fls. 163167, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que apurou a IRPJ a pagar no valor de R$234.275,32 no final do ano calendário 2002. Argúi que houve erro no preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) por não ter informado na Ficha 12A a título de IRPJ mensal paga por estimativa o valor de R$561.814,56 para fins de cálculo do saldo negativo no valor de R$327.539,24, a despeito do fato de ter confessado os referidos débitos em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF. Esclarece que nos presentes autos, para fins de compensação tributária, tem direito ao reconhecimento do crédito indicado na Per/DComp, que está contido no saldo negativo de IRPJ a que tem direito. Solicita a produção de todos os meios de prova em direito admitidas. Por conseguinte, requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada, porque se originam de valores regularmente escriturados, recolhidos e declarados. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0340.869, de 06.12.2010, fls. 178184:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2002 ESTIMATIVA. SALDO DE IMPOSTO A PAGAR OU A COMPENSAR. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 302 3 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Notificada em 21.02.2011, fl. 185verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.03.2011, fls. 189194, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora indicando o saldo negativo correto. Reitera que o erro escusável nos dados declarados não tem o condão de extinguir seu direito, de modo que a realização de diligência é imprescindível. Assim novamente requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 303 4 O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. A presente 1ª Turma Especial da 1º Seção do CARF examinando esta mesma questão de direito, pacificou o entendimento, de acordo com o Acórdão nº 180100.597 proferido pela Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez na sessão de julgamento de 28.06.2011 no processo nº 19647.010657/200610, no seguinte sentido: A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do ano calendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 304 5 Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do ano calendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 305 6 direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 306 7 Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 307 8 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 308 9 III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 309 10 dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 310 11 data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 311 12 período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 312 13 § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 313 14 SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado Acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito [...] e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade Fl. 225DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 314 15 administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente apresentou a DIPJ original em que nenhuma dedução foi informada a título de IRPJ mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter confessado os referidos débitos indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Tabela 1 Cálculo na IRPJ informado na DIPJ original do anocalendário de 2002 Descrição R$ Ficha 11 – Cálculo da IRPJ por Estimativa Janeiro 23.872,46 Fevereiro 34.613,13 Março 35.989,97 Abril 35.989,97 Maio 52.219,33 Junho 58.570,75 Julho 57.221,12 Agosto 63.434,64 Setembro 64.707,74 Outubro 68.125,55 Novembro 67.069,90 Dezembro 0,00 Total 561.814,56 Ficha 12A – Cálculo da IRPJ Cálculo da IRPJ 234.275,32 IRPJ Mensal Paga por Estimativa 0,00 IRPJ a Pagar 234.275,32 Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de IRPJ, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ. Superada esta questão, necessário 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904310/200911 Acórdão n.º 180100.912 S1TE01 Fl. 315 16 se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso4. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentado sem datas distintas, se for o caso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10510.720006/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1302-002.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 506 1 505 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.720006/200785 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.326 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria IRPJ Recorrente CONSTRUTORA CELI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 00 06 /2 00 7- 85 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10510.720006/200785 Acórdão n.º 1302002.326 S1C3T2 Fl. 507 2 Relatório Por bem sintetizar o discutido nestes autos, adoto o relatório da DRJ/SDR (fls. 444/446), a seguir transcrito: “Trata o presente processo dos PER/DCOMP abaixo relacionados, nos quais foi utilizado crédito que seria oriundo de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003, no valor de R$3.877.484,38, parcialmente reconhecido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Aracaju, consoante Despacho Decisório DRJ/AJU n° 1.251, de 26 de dezembro de 2008: Consta do despacho decisório que: · a análise da compensação nos presentes autos levou em consideração os débitos cadastrados neste processo (fls. 216/242) e o débito referente ao IRPJ suplementar, código 5788, no valor de R$5.701,07, objeto de compensação na DCOMP 08326.22040.171204.1.7.02 2600, que está sendo cobrado no processo n° 10510.001302/200198, conforme fl. 204; · à vista do pedido de cancelamento de fl. 206 foram excluídos os débitos da DCOMP 41268.58380.310105.1.7.025097, uma vez que os referidos débitos já haviam sido compensados na DCOMP 42536.18836.301204.1.3.020409; · os autos foram enviados à Seção de Fiscalização para realização de diligência proposta no Despacho SAORT n° 468/2007 (fl. 243/247); · a Seção de Fiscalização abriu ação fiscal na empresa, resultando na lavratura de Auto de Infração sobre omissão de receitas relativas a aplicações financeiras, juros sobre o capital próprio, além de multa isolada pela insuficiência de pagamento de estimativas de IRPJ e CSLL, conforme informado no Relatório de Fiscalização anexado às fls. 249/251; · conforme Ficha 12A — Cálculo do IRPJ sobre o Lucro Real, fl. 03, o interessado apurou no anocalendário 2003 o IRPJ devido no valor de R$20.150,77 e com a dedução das estimativas compensadas no Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10510.720006/200785 Acórdão n.º 1302002.326 S1C3T2 Fl. 508 3 valor deR$807.492,04 e do Imposto de Renda retido na fonte no valor de R$3.089.336,79, apurou saldo negativo do IRPJ no valor de R$3.877.484,38; · no que diz respeito às estimativas dos meses de janeiro a março de 2003, nos valores de R$63.472,08, R$38.610,64 e R$55.252,87, respectivamente, as compensações efetuadas via DCOMP apresentadas anteriormente a 31/12/2003, não foram confirmadas, estando sendo cobradas no processo n° 10510.000508/200362; · desta forma, impõese a glosa dos valores acima referidos na apuração do saldo negativo do IRPJ no anocalendário 2003, bem como a consequente exclusão da cobrança das estimativas no processo n° 10510.000508/200362; · no curso da ação fiscal levada a efeito no processo n° 10510.006937/200858, confirmouse o valor do IRRF deduzido na apuração do lucro real, constatandose, contudo, a omissão tanto de receitas financeiras quanto de valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio, o que resultou na lavratura de Auto de Infração; · isto posto impõese efetuar a glosa de R$157.335,59, relativa às estimativas de janeiro a março de 2003, reconhecer o saldo negativo do IRPJ no valor de R$3.720.148,79 e proceder à compensação dos débitos até o limite reconhecido; · verificouse que ainda que tivesse sido reconhecido o saldo negativo pleiteado, no montante de R$3.877.484,38, ainda assim ele não seria suficiente para extinguir os débitos que o interessado pretendia compensar. Assim, de acordo com o art. 48, § 3°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, eventual manifestação de inconformidade não teria o condão de suspender a exigibilidade dos seguintes débitos: Em 06 de fevereiro de 2009, a Contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 413 a 419, sob os seguintes argumentos: · a presente demanda correlacionase, diretamente, com a matéria discutida no processo n° 10510.000508/200362, originado do Despacho Decisório n° 573/2007, que indeferiu compensação de débitos do IRPJ, CSLL, IRRF e Cofins, dentre os quais os relativos às estimativas de IRPJ dos meses de janeiro a março de 2003, com saldo negativo do IRRI e da CSLL, apurados nos anoscalendário de 1997 e 1999, que se encontra atualmente à espera de julgamento; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10510.720006/200785 Acórdão n.º 1302002.326 S1C3T2 Fl. 509 4 · assim, impõese que seja suspensa a cobrança dos débitos não homologados, diante da relação de causa e efeito existente entre as parcelas não homologadas objeto da presente Manifestação de Inconformidade com o direito creditório que está sendo discutido no processo n° 10510.000508/200362; · deve o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguardar a decisão a ser proferida no Processo n° 10510.000508/200362, por esse Egrégio Tribunal Administrativo; · na remota possibilidade de a Requerente não ter o direito creditório restabelecido no Processo n° 10510.000508/200362, será recolhido o valor devido em 1999 e, automaticamente, o crédito glosado pelo Despacho Decisório ora guerreado estará legitimado, o que comprova que, se mantidas as duas glosas, ocorrerá duplicidade de exigência tributária; · a exclusão da cobrança constante do processo n° 10510.000508/200362, efetuada pela autoridade administrativa, consoante afirmativa desta, do ponto de vista processual é inadequada, uma vez que na fase em que se encontra o referido processo falta à autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em Aracaju, competência para proceder a qualquer ajuste no Despacho Decisório anteriormente proferido; · diante desse fato, espera a Requerente que seja declarada a improcedência do Despacho Decisório ora contestado; · por fim, informa que efetuou o pagamento da parcela de R$ 355.679,09, conforme comprovam cópias dos DARF anexos; Após análise das razões aduzidas na manifestação de inconformidade, a DRJ/SDR julgou pela sua improcedência, não reconhecendo o crédito pleiteado no valor de R$ 157.335,59 (cento e cinquenta e sete mil, trezentos e trinta e cinco reais e cinquenta e nove centavos), pretensamente oriundo das estimativas mensais dos meses de janeiro a março de 2003, levadas ao ajuste anual do anocalendário de 2003, e que comporia o saldo negativo supostamente apurado naquele anocalendário. O Acórdão foi reduzido à seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Indeferese a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou parcialmente as compensações declaradas pela contribuinte, até o limite do crédito reconhecido, em face da inexistência do crédito pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10510.720006/200785 Acórdão n.º 1302002.326 S1C3T2 Fl. 510 5 Inconformada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 450/454) reiterando os argumentos sustentados em sua manifestação de inconformidade; notadamente que, diante da relação de causa e efeito existente entre a questão discutida e o direito creditório da Recorrente que está sendo discutido no Processo Administrativo n° 10510.000508/200362, deve o julgamento do presente Recurso Voluntário aguardar a decisão a ser proferida naquele processo. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 24/02/2010, tendo protocolado recurso em 25/03/2010, o que configura a tempestividade do mesmo. Sendo assim, conheço do presente Recurso Voluntário. Como bem delimitado pela DRJ, discutese a glosa das estimativas de IRPJ relativas aos meses de janeiro a março de 2003, no montante de R$ 157.335,59, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ no anocalendário 2003, em face de a sua quitação estar vinculada a compensações, efetuadas via DCOMP apresentadas antes de 30/10/2003, não homologadas no processo n° 10510.000508/200362, com a consequente exclusão da cobrança das referidas estimativas no mencionado processo. O entendimento da decisão recorrida vai no sentido de que somente as estimativas que tiveram seus PERDCOMP´s homologados é que podem ser utilizados para compor o saldo do IRPJ do ajuste anual, pois caso esse não seja o entendimento adotado “mesmo declarada/confessada a antecipação (estimativa) do tributo como débito em DCTF ou DCOMP, em não sendo paga ou homologada a compensação, ela deve ser tida por inexistente, porque o débito não será passível de cobrança e de inscrição em dívida ativa.” Discordamos de tal entendimento. Isso porque, a eventual não homologação significaria uma cobrança em duplicidade contra o contribuinte, a primeira ocorreria em relação ao próprio processo que está discutindo o direito creditório de determinado valor compor o saldo negativo do IRPJ e a segunda ao débito compensado através da DCOMP. Neste sentido, caso o contribuinte tenha o seu recurso administrativo julgado improcedente e se torne inadimplente a posteriori, certamente ficará sujeito à competente Execução Fiscal do débito confessado e não pago. Daí a conclusão que, caso o contribuinte esteja discutindo o seu direito creditório perante o fisco (da estimativa) e não possa, seja antes, durante ou depois dessa discussão, compensar tal valor como parte integrante do seu ajuste anual de outro período de apuração, restará prejudicado em seu direito. Por outro lado, caso deixe de pagar a estimativa e também seja impedido de compensar o valor confessado como estimativa, será chamado a pagar um débito de um tributo que, ao final, fora apurado como indevido. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Interna (SCI) n. 18/2006: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10510.720006/200785 Acórdão n.º 1302002.326 S1C3T2 Fl. 511 6 JURÍDICA IRPJ Estimativas. Compensação. Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. 12. No que se refere à compensação não homologada, inicialmente cabe ressaltar que o crédito tributário concernente à estimativa é extinto, sob condição resolutória, por ocasião da declaração da compensação, nos termos do disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, nesse sentido, não cabe o lançamento da multa isolada pela falta do pagamento de estimativa. 12.1 Por conseguinte, aos valores relativos às compensações não homologadas importa aplicar os procedimentos cabíveis estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, como abaixo exposto: 12.1.1 no prazo de 30 dias contados da ciência da não homologação da compensação, o contribuinte poderá recolher as estimativas acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic para títulos federais ou apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão; 12.1.2 não havendo pagamento ou manifestação de inconformidade, o débito relativo às estimativas deve ser encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, com base na Dcomp (confissão de dívida); 12.1.3 nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, aplicasse a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de janeiro de 2003; 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada. 12.1.4 Assim sendo, no ajuste anual do Imposto sobre a Renda, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada." (grifos aditados) Vejamos ainda, precedente do CARF neste mesmo sentido (acórdão 1801001.616 da 1ª Turma Especial da 1° Seção de Julgamento): "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10510.720006/200785 Acórdão n.º 1302002.326 S1C3T2 Fl. 512 7 Exercício: 2004 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS PARCELADAS. UTILIZAÇÃO NA COMPOSIÇÃO DA CSLL AO FINAL DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Na declaração de compensação, com crédito de saldo negativo de CSLL, cabe computar estimativas de CSLL, confessadas e cobradas em processo de parcelamento, eis que a decisão de não homologação implicaria dupla cobrança da mesma dívida: a estimativa no processo de parcelamento e o débito no processo de Per/Dcomp." Tal entendimento é amparado pelo posicionamento da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) expresso no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014: "Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança." Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para homologar as compensações até o limite do crédito pleiteado pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006442/2008-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA INTERPRETATIVA. DEMONSTRAÇÃO.
Não se conhece do recurso especial interposto perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, se, na data de sua interposição o acórdão apontado pelo recorrente como paradigma da divergência já houver sido reformado na matéria que lhe aproveitaria.
Numero da decisão: 9101-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA INTERPRETATIVA. DEMONSTRAÇÃO. Não se conhece do recurso especial interposto perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, se, na data de sua interposição o acórdão apontado pelo recorrente como paradigma da divergência já houver sido reformado na matéria que lhe aproveitaria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 64 42 /2 00 8- 31 Fl. 911DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo em epígrafe, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Alega a recorrente que a 1ª Tuma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao exarar o acórdão nº 1401001.229, emprestou à legislação tributária que trata dos preços de transferência interpretação distinta daquela acolhida pela Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes no âmbito do acórdão nº 10322.017. A divergência interpretativa diz respeito à obrigatoriedade, ou não, de o autor da ação fiscal, ao calcular de ofício o preço parâmetro referente ao bem objeto da fiscalização, empregar o método mais benéfico ao sujeito passivo. O processamento do especial, quanto à matéria acima referida, foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF1. Intimada, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões ao recurso pedindo, ao final, seja negado provimento ao especial do sujeito passivo É o relatório. 1 Em seu recurso especial o sujeito passivo também alega existir divergência interpretativa em relação a outra matéria, qual seja, a glosa de custos, despesas e encargos. Todavia, a Presidência da 4ª Câmara negou o seguimento do especial em relação a essa matéria, e, interposto agravo, o Presidente da CSRF decidiu por rejeitá lo. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Como visto no relatório, a recorrente apontou como paradigma da divergência por ela suscitada o acórdão nº 10322.017, da lavra da Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa a seguir se transcreve : IRPJ. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. A obrigação de dedutibilidade do maior valor apurado impõe ao Fisco, não só a utilização do método menos gravoso, mas também a demonstração, a cargo deste, de que o método utilizado atende a este requisito. (g.n.) MÉTODO PIC. A correta aplicação deste método exige que os preços independentes de comparação tenham sido praticados no período de apuração da base de cálculo do imposto. (g.n.) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. No que couber, aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 9101003.269 CSRFT1 Fl. 3 3 Pelo exame da referida ementa, bem como do inteiro teor do acórdão paradigma anexado aos autos pela recorrente (efl. 815 e ss.), é possível verificar que a Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes elencou duas razões distintas para dar provimento ao recurso voluntário, cada uma delas por si só suficiente para amparar a sua decisão. São elas: a) ainda que o sujeito passivo não tenha indicado o método de cálculo do preço parâmetro relativamente aos produtos objeto da fiscalização, caberia ao autor da ação fiscal, ao adotar de ofício um dos métodos previstos em lei, demonstrar que esse é o método mais benéfico ao sujeito passivo; b) mesmo que assim não se entenda, não poderia o Fisco, no cálculo do preço parâmetro PIC, utilizarse de operações ocorridas em período distinto daquele em que o produto sob fiscalização foi importado pelo sujeito passivo. Confirase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão paradigma (efls. 823/824): Conforme relatado, não tendo a recorrente aplicado aos produtos importados qualquer dos métodos admitidos pela Lei n° 9.430/96 para apuração dos preços de transferência, a fiscalização aplicou ao produto PIA o método PIC e ao glifosato, utilizado como matériaprima no fabrico de outros produtos, aplicou o método PRL. (g.n.) Contudo, o fato de não ter a recorrente aplicado qualquer dos métodos previstos na legislação não confere à autoridade fiscal a discricionariedade para selecionar dentre eles o que lhe aprouver, obrigada que está a utilizar o método mais benéfico ao contribuinte, a teor do § 4° do art. 18 da Lei n°9.430/96: (g.n.) (...) A ausência de demonstração, pela autoridade lançadora, de que os métodos por ela utilizados são os mais favoráveis ao contribuinte, contraria o disposto no art. 18, § 4°, da Lei n° 9.430/96, imprestabilizando o lançamento. Ademais, ao utilizar o método PIC, a fiscalização comparou o preço das importações promovidas pela recorrente nos anos de 1997 e 1998 com o preço de importações realizadas no ano de 2001, com o que contrariou a expressa disposição do § 1° do art. 18 da Lei n°9.430/96, que determina: (g.n.) (...) Esse dispositivo da lei exige a verificação do comportamento do mercado no próprio ano em que se deram as importações, isto porque, se as operações do contribuinte, alvo da fiscalização, são todas as importações por ele promovidas ao longo de todo o períodobase, quantificadas na sua totalidade por média de preços, o mesmo deve acontecer com relação aos preços independentes, sob pena de se fazer comparações com base em critérios distintos, o que, evidentemente, compromete o resultado obtido. Fl. 913DF CARF MF 4 (...) Ocorre que, contra o mencionado acórdão paradigma nº 10322.017, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial o qual foi julgado em 14/10/2008 pela 1ª Turma da CSRF, conforme acórdão nº 0106.014, cuja ementa e a parte dispositiva a seguir se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 1999 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE CÁLCULO MAIS FAVORÁVEL. Não há prioridade de aplicação dos três métodos de preços de transferência que servem de parâmetro para o estabelecimento de custos de importação. Recai sobre o contribuinte o ônus de evidenciar, por um ou por mais de um desses métodos, a sua regularidade fiscal. Já o Fisco pode apurar o valor base do arbitramento do custo parâmetro por apenas um dos métodos existentes e, nessa hipótese, não há falar na adoção do método mais favorável ao contribuinte. (g.n.) APLICAÇÃO RETROATIVA DE PREÇOS PRATICADOS POR PESSOAS NÃO VINCULADAS PARA FINS DE COMPARAÇÃO. A legislação de preços de transferência autoriza a aplicação de uma presunção relativa (juris tantum) para fins de arbitramento do custo da importação desde que se comprove o excesso de custo pela comparação com preços praticados por pessoas independentes ou apurados por meio da utilização de margens fixas de lucro. Essa regra antielisiva pode ser infirmada por ocorrências específicas, representadas por fatos que fujam ao padrão estabelecido pela experiência, tanto que a legislação autoriza a desconsideração da margem fixa se evidenciada a regularidade da operação pela comparação com outras similares realizadas por terceiros independentes (método PIC). Por ser uma presunção legal, a comprovação do excesso de custo pelo Fisco deve ser cercada de maior rigor. Não é possível a comprovação do fato indiciário pelo emprego de dupla presunção. Inválida a autuação que se baseia em importações realizadas em 2001 para comparação com operações de 1997 e 1998. A adoção da taxa de câmbio como única variável importante nesse cálculo não empresta segurança necessária a comparação de preços de importação em anos anteriores. (...) ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (g.n.) Como é possível observarse no trecho do acórdão nº 0106.014 acima reproduzido, bem como seu inteiro teor (acessível no sítio do CARF na internet), a 1ª Turma da CSRF reformou o acórdão nº 10322.017 exatamente na matéria em que a ora recorrente o aponta como paradigma da divergência, qual seja, a alegada obrigatoriedade de o Fisco empregar o método de cálculo do preço parâmetro mais benéfico ao sujeito passivo. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 11516.006442/200831 Acórdão n.º 9101003.269 CSRFT1 Fl. 4 5 Embora a 1ª Turma da CSRF tenha negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, o fez somente em relação à segunda matéria levada à sua apreciação, qual seja, a impossibilidade de o autor da ação fiscal, ao calcular o preço parâmetro PIC, utilizar para tal transações ocorridas em período diverso daquele objeto da fiscalização. De ver, também, que o presente recurso especial do sujeito passivo foi interposto em 09/03/2015, ou seja, muitos anos após a 1ª Turma da CSRF haver reformado, em 14/10/2008, o acórdão nº 10322.017, apontado como paradigma, na parte em que aproveitaria a ora recorrente. É de se aplicar ao caso o disposto no abaixo transcrito § 15 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) Uma vez que acórdão nº 10322.017 foi o único apontado pela recorrente como paradigma da divergência por ela suscitada, e tendo em conta que tal acórdão, segundo as normas regimentais acima referidas, não serve como paradigma, não há como se conhecer do recurso especial ora sob exame. Tendo em vista todo o exposto, voto por não conhecer do recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 915DF CARF MF 6 Fl. 916DF CARF MF
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