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Numero do processo: 10835.901286/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. Recorrente CENTRO PRUDENTINO DE IMAGEM S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 12 86 /2 00 9- 20 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar débitos de CSLL, PIS e COFINS com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante a constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 15/09/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado em 20 de dezembro de 2012 (fl. 136), apresentou recurso voluntário em 21 de janeiro de 2013 (fl. 138), alegando, em síntese: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente: que resposta a consulta por ele apresentada lhe confere o direito à utilização dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, para apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que se enquadra como empresa prestadora de serviços hospitalares; que demonstrou que o crédito utilizado na compensação é oriundo do pagamento indevido correspondente a quota do IRPJ, cuja declaração foi retificada tendo em vista a resposta da consulta. Nesse sentido, comprovou que o apontamento do débito pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a retificação da DIPJ, a qual foi alterada gerando respectivo crédito. que por ocasião da manifestação de inconformidade juntou aos autos cópia do CNPJ, contrato social, solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 466, de 15 de dezembro de 2008; PER/DCOMP; DIPJ; DCTF e os comprovantes de pagamento indevido, e sustenta que tais documentos são hábeis e suficientes para demonstrar que exerce atividade de prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos, na medida em que (i) o seu objeto social está circunscrito, pura e simplesmente, no exercício das referidas atividades; (ii) no seu CNPJ estão cadastrados os seguintes CNAES: 86.40299 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica não especificadas anteriormente; 86.40206 Serviços de ressonância magnética; 86.40204 Serviços de tomografia; 86.40 205 Serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia; 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética; (iii) sua DIPJ revela que toda a receita operacional percebida pela Recorrente tem sua origem única e exclusivamente na prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos. que, não obstante, a documentação acima foi considerada insuficiente pela DRJ, do que resta configurada a hipótese do artigo 16 do Decreto 70.235/72, que lhe autoriza a juntada de documentação complementar para contrapor os argumentos dessa decisão, qual seja: declaração do contador da empresa de que a Recorrente exerce exclusivamente serviços de radiologia (173); Licença de Funcionamento da Vigilância Sanitária em que se verifica que a atividade de "serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia" (174). Alega ter juntado ainda cópia da folha do livro razão, mas o documento não se encontra nos autos. afirma, ainda, a necessidade superveniente de realização de diligência, haja vista que "emite, em média, um número muito grande de notas fiscais por mês, o que tornaria inviável carrear aos autos todas as notas fiscais". Discorre sobre a necessidade de a autoridade administrativa na busca de efetividade nas suas decisões perquirir sempre em busca da verdade material, alegando que esta tinha por dever funcional determinar a realização de diligências para se determinar a efetiva natureza da atividade exercida pela empresa. Aponta assistente técnico para tanto. que a DRJ pretende uma prova impossível de ser produzida por meio de documentos contábeis, pois nem mesmo se a recorrente juntasse aos autos todas suas notas fiscais juntamente com todos seus registros contábeis a Autoridade Julgadora não poderia chegar à conclusão pretendida quanto à exclusiva prestação de serviços hospitalares. Sustenta, assim, que cabe à Administração Pública comprovar que a Recorrente não exerce efetivamente as atividades de serviços de radiologia e radiodiagnóstico. reitera o argumento referente à nulidade do despacho decisório pois os dispositivos legais invocados seriam inadequados para a conclusão que o Fisco pretende alcançar, vez que tratam da possibilidade de compensação entre pagamentos indevidos de imposto e débitos de imposto a pagar, em nenhum momento estabelecendo em quais condições Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 5 4 uma Declaração de Compensação apresentada por determinado contribuinte pode ser considerada como irregular, e, portanto, nãohomologável. Além disso, foram aplicados correção monetária, juros e multa, sem no entanto se invocar nenhum dispositivo legal que legitimasse tal pretensão. No mérito: afirma que uma das razões para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi o pretenso descumprimento do requisito: “ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil;”. Todavia, o STJ já julgou em sede de recurso repetitivo que "para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).". Transcreve ementas de julgados do STJ e deste CARF neste sentido. sustenta que ainda que assim não se entenda, é cediço que a natureza empresária da sociedade deve ser analisada mais sob o aspecto material do que sob o aspecto formal, ou seja, é plenamente possível que uma sociedade constituída sob a forma de sociedade simples, mas que ostente todas as características de uma sociedade empresarial, seja assim considerada. por fim, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma presunção por parte das autoridades fiscais sem qualquer respaldo probatório, sendo certo que as provas carreadas aos autos demonstram a efetividade da existência do indébito tributário utilizado na compensação. É o relatório. Voto Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.124, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10835.901284/200931. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.124): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No mérito, primeiramente vislumbro um equívoco quanto à premissa adotada pelo despacho decisório proferido, já que este indeferiu a compensação sob a alegação de que inexistem créditos de IRPJ em um contexto em que a DIPJ e a DCTF, tais como retificadas (em retificações ocorridas antes do despacho decisório), contemplavam tais valores. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 6 5 De fato, o Recorrente transmitiu o PER/DCOMP pleiteando a compensação dos créditos ora em análise e alega, ademais, que o direito creditório a seu favor teria sido gerado por ocasião da retificação da DIPJ e da DCTF, após o que o valor do IRPJ a pagar foi reduzido para zero. O despacho decisório que não homologou a compensação foi emitido meses depois. Assim, à época do despacho decisório, o cenário que a autoridade fiscal tinha era a de que o IRPJ "autolançado" em DCTF pelo ora Recorrente era zero e de que a DIPJ contemplava os créditos pleiteados na DCOMP. De fato, a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. No caso, se a empresa apresenta DIPJ e DCTFs contendo tributos a pagar e depois as retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. Isso porque, no mundo jurídico, o débito de IRPJ passou a não mais existir após a transmissão das declarações retificadoras. Assim, se o fisco pretendia cobrar o IRPJ no valor tal como transmitidas a DIPJ e DCTF originais ou seja, se pretendia de alguma forma questionar as retificações deveria ter constituído o crédito tributário por meio do lançamento do tributo. Portanto, da forma como se mostra, o cenário na época da homologação das compensações em questão era de inexistência de débito (lançado ou autolançado) de IRPJ e, por consequência, de aparente existência do crédito pleiteado na compensação tal como declarado na DIPJ retificadora, devendo ser verificada apenas a regularidade de tal crédito ou seja: se os alegados pagamentos efetivamente foram efetuados (e, em se tratando de IRRF, também se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação). Assim, a DRF deveria ter analisado o crédito pleiteado nas compensações levando em consideração que o débito de IRPJ do anocalendário constante das DIPJ e DCTF retificadoras era zero, conforme declarações retificadoras. Pois bem. Em segundo lugar, noto que a razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 7 6 Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 8 7 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportaria pgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 9 8 Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Ante o exposto, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10835.901286/200920 Acórdão n.º 1401002.128 S1C4T1 Fl. 10 9 compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário e determino que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12%, nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002309/2006-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
COOPERATIVA - ATOS COOPERADOS , NÃO TRIBUTAÇÃO.
-A cooperativa, uma vez não descaracterizada sua natureza, tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre seus resultados decorrentes dos atos cooperados, não havendo possibilidade de se exigir tributos sobre esses atos.
RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. AÇÃO CAUTELAR, EFEITO NÃO VINCULATIVO, EC .33/2001 - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA, A decisão exarada em Ação Cautelar pelo Supremo Tribunal Federal, a respeito da imunidade das contribuições sociais sobre as receitas de exportação, instituída pela EC 33/2001, só tem validade entre as partes e,
portanto, não tem o condão de alterar a incidência da tributação da CSLL sobre essas receitas aos demais sujeitos passivos.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO, DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO
A multa isolada, pela falta de pagamento das estimativas mensais da CSLL a que está sujeita a pessoa jurídica, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio pela falta de pagamento da CSLL anual, porque os fundamentos legais e os bens jurídicos protegidos são distintos A data de início do prazo decadencial para imposição da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais do ano calendário de 2001 somente se inicia em 01/01/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 1202-000.294
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação o item RESULTADO POSITIVO COM SÓCIOS (cooperados), Quanto às outras matérias, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o Relator, Orlando José Gonçalves Buena, e os Conselheiros André Ricardo Lemes da Silva e Nereida de Miranda Finamore Horta que lhe davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Ausente justificadamente a Conselheira Valeria Cabral Géo Verçoza.
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10925,00230912006-60 Recurso n° 177,180 Acórdão n0 1202-00.294 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria CSLL Recorrente COOPERATIVA REG AGROPECUARIA CAMPOS NOVOS Recorrida 3' Turma/ DRJ/ FNS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA - ATOS COOPERADOS , NÃO TRIBUTAÇÃO. -A cooperativa, uma vez não descaracterizada sua natureza, tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre seus resultados decorrentes dos atos cooperados, não havendo possibilidade de se exigir tributos sobre esses atos. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. AÇÃO CAUTELAR, EFEITO NÃO VINCULATIVO, EC .33/2001 - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA, A decisão exarada em Ação Cautelar pelo Supremo Tribunal Federal, a respeito da imunidade das contribuições sociais sobre as receitas de exportação, instituída pela EC 33/2001, só tem validade entre as partes e, portanto, não tem o condão de alterar a incidência da tributação da CSLL sobre essas receitas aos demais sujeitos passivos. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO, DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO A multa isolada, pela falta de pagamento das estimativas mensais da CSLL a que está sujeita a pessoa jurídica, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio pela falta de pagamento da CSLL anual, porque os fundamentos legais e os bens jurídicos protegidos são distintos A data de início do prazo decadencial para imposição da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais do ano calendário de 2001 somente se inicia em 01/01/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n õ 10925002309/2006-60 S1-C2112 Acórdão n.' 1202-00.294 Fl. 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação o item RESULTADO POSITIVO COM SÓCIOS (cooperados), Quanto às outras matérias, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o Relator, Orlando José Gonçalves Buena, e os Conselheiros André Ricardo Lemes da Silva e Nereida de Miranda Finamore Horta que lhe davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Ausente justificadamente a Conselheira Valeria Cabral Géo Verçoza. ..),,,....., elson Lósso r ilho ji.lit> idente(&---- 1/ 4 ' OrlandkY José Ge' , lves Bueno — Relator \ --'-ê- ar<s Alberto e nassolo — Redator designado 0 2 SFT Presentes os seguintes Conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, André Ricardo Lemes da Silva, Darei Mendes de Carvalho lho, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Cif 2 Processo ri° 10925.002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n 1202-00194 Fl 3 Relatório Trata-se de exigência de oficio da CSLL, referente ao ano de 2001, 2002, 2003 e 2004 relativamente as seguintes infrações: 1- Base de cálculo negativa de períodos anteriores, compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, aplicado em 2002, referente 2001; 2- Apuração incorreta da CSLL, decorrente de exclusões de resultado positivo nas operações com sócios e de resultado positivo nas exportações, referente a 2001 e 2002; 3- Multas isoladas por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, em função da exclusão indevida de resultado positivo nas operações com sócios e de resultado positivo nas exportações, referente a 2001, 2002,2003 e 2004. O sujeito passivo foi cientificado em 23 de novembro de 2006, conforme fis.04 dos autos. Tempestivamente apresenta a contribuinte sua impugnação, fundamentando seu entendimento nos seguintes argumentos: - quanto a exclusão de valores de resultados de exportações entende aplicável a não incidência prevista na Emenda Constitucional no, 33/2001, posto que tal imunidade da receita de exportação atinge igual efeito quanto ao lucro, visto que esse é espécie daquela; - quanto a multa isolada entende inacumulável com a multa de oficio por duplicidade de incidência sobre a mesma base; - aduz considerações quanto ao mérito alusivas a distinção do tratamento de resultado das cooperativas que produzem "sobras" e "lucros"; - impugna o alcance dos artigos 39 e 48 da Lei n. 10.865/2004, posto que somente com o advento desse diploma legal foi reconhecida a isenção da CSLL sobre atos cooperativos, mas que a imunidade é anterior em decorrência da emenda constitucional, sendo que se fez necessário realizar um corte temporal para que a Fazenda Nacional estancasse os lançamentos levados a efeito até 2004, A DRJ julgou o lançamento procedente em parte, para reduzir somente a multa isolada de 75% para 50%, conforme autorizado pelo Lei no, 11,488/2007, que alterou o art. 44 da Lei no, 9,430/96 no que se refere ao percentual dessa penalidade, adotando a seguinte ementa: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. ã- CY71° 3 Processo n" 10925..002309/2006-60 SI-C2T2 Acórdfio n° 1202-00194 F1 4 Ano-calendário: 2001, 2002, 2003,2004 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos às operações internas ou de exportação, com associados ou não (Lei no.8.212, de 1991, art 10, Lei no. 7.689, de 1988, art, 40 e IN SRF no. 198, de 1988). O fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluí-la do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados ("sobras"), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto a distribuição de lucro deve guardar relação com a contribuição de cada sócio na formação do capital ( Lei no, 6.404, de 1976, art. 187). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ano-calendário: 2001, 2002, 2003,2004 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. DECADÊNCIA. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA TERMO INICIAL DA CONTAGEM. A contagem do prazo decadeneial qüinqüenal para formalização de lançamento de multa de oficio aplicada isoladamente, em relação às estimativas mensais da CSLL não-recolhidas, rege-se pelo disposto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional; assim, seu termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Os contribuintes que deixaram de recolher no curso do ano-calendário as parcelas devidas a título de antecipação (parcelas de estimativa) do IRPJ ou da CSLL, sujeitam-se à multa de oficio de cinqüenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de oficio não se confunde com aquela aplicada sobre o IRRI e CSLL apurados no ajuste anual, não pagos no vencimento, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridade administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. o* 4 Processo ri° 10925 002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n ° 1202-00.294 Fl. 5 RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI, MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. REDUÇÃO DE 75% para 50%. Aplica-se a ato ou fato pretérito — tratando-se de ato não definitivamente julgado — quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, Lançamento Procedente em Parte." Portanto, procedeu redução da multa isolada de 75% para 50%. E como exonerou valor abaixo do valor de alçada, que é, à data do julgamento, de R$ 1.000.000,00, não há remessa necessária para esta segunda instância de julgamento administrativa A contribuinte interpôs seu recurso voluntário, alegando os mesmos fundamentos já explicitados na sua peça impugnatória, acrescendo o argumento do prazo decadencial em relação a multa isolada a partir do mês de janeiro de 2001, sendo que os autos foram cientificados em 23 de novembro de 2006, donde se segue que relativamente aos fatos geradores ocorridos até o dia .31 de outubro de 2001, ocorreu a decadência, pela simples razão de que o lançamento da multa deve seguir a regra do próprio tributo — lançamento por homologação- na esteira da jurisprudência deste E,Conselho, em não se constatando evidência de intuito de fraude, ou qualificadora da m ,Ita cominada, Eis o sucinto relatório. - _ .,y diin l' ilik 5 Processo nú 10925002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão o ° 1202-00.294 Fl 6 Voto Conselheiro Relator, Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal — tempestividade, parte legítima e pedido pertinente — conheço as razões recursais. Há duas questões principais no objeto do presente lançamento. A primeira contém a segunda e uma vez decidida pode resolver, parcialmente, a problemática da segunda questão. Assim, a primeira diz respeito ao sentido e alcance da Emenda Constitucional ri. 33, de 2001, que trata da imunidade tributária relativa as receitas de exportações. A segunda, por sua vez, cuida da análise quanto a tributação das cooperativas. Como matéria discutível também se apresenta a sanção cominada, como multa isolada, e a cumulatividade com a multa de oficio do lançamento e, nesse aspecto, a questão do cabimento, ou não, da decadência suscitada para tal multa, no período até 31 de outubro de 2001, Passemos a análise da primeira questão. A Emenda Constitucional no. 33/2001 já foi apreciada pela Suprema Corte, conforme Ação Cautelar, n. 1.738-6, Sessão Plenária de 17/09/2007, Rel, Min. César Peluso, DJ, de 19/10/2007, neste ato parcialmente transcrito os dizeres do i.relator: "A Emenda Constitucional no. 33, em 12 de dezembro de 2001, modificou o texto do art. 149 da Constituição da República, afastando, no parágrafo 2. inc, 1 sobre as receitas decorrentes de exportação, incidência de todas as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, entre as quais a de que cuida esta ação, a CSLL. Tal imunidade implicou verdadeira limitação ao poder de tributar, com estender', sem restrição nem distinção alguma, o campo da não-incidência ou da incompetência tributária, às 'receitas decorrentes de exportação', genericamente consideradas, as quais já não podem ser alvo de contribuições sociais de nenhuma espécie, quer incidam, formal e nominalmente, sobre a receita (art, 195, inol ir', como o PIS/COFINS), quer atinjam o lucro (195, 1, 'c), É que o lucro, como entidade e vantagem provinda das receitas de exportação, não pode ser atingida, de maneira transversa, por nenhuma contribuição social, vedada que está, a incidência desta sobre aquelas. Se se não pode tributar o mais (as receitas), a fortiori, não se pode gravar o menos (o lucro). 6 Processo e 10925.002309/2006-60 SI-C2T2 Acórdão n° 1202-00,294 Fl 7 Não deixa dúvida a respeito de sua natureza, a conceituaçã'o de lucro, qualquer que seja o .fim que se considere, fiscal, contábil ou econômico. A CSLL incide sobre o resultado do exercício, ajustado por adições e exclusões previstas no art.. 2, parágrafo 1°, da Lei federal n. 7,689/88. Mas esse lucro nada mais é do que o resultado positivo do exercício, ou seja, o valor das receitas da empresa, descontados os custos e despesas operacionais e não-operacionais. (-) O lucro, portanto, embora não se confunda com a receita, desta depende estruturalmente, como uma elaboração do seu conceito mesmo". Não obstante a decisão do STF ainda não tenha efeito vinculante, eis que pronunciada em sede de controle difuso de constitucionalidade, no trecho acima reproduzido bem se vê o conceito de lucro, como espécie de receita, cujo vocábulo foi empregado no texto da emenda constitucional analisada. Impende lembrar que o STF é órgão decisório máximo no sistema jurídico brasileiro, que imprime definitividade à interpretação normativa, dizendo, efetivamente, o que é o direito. Não se está discutindo, nesta instância administrativa, qualquer argumento de constitucionalidade, ou inconstitucionalidade, com o objetivo de declarar uma, ou outra situação neste processo, mas e tão somente, o entendimento de alcance e sentido da Emenda Constitucional n, 3.3/2001, na esteira do pronunciamento oficial do STF. A citada emenda, alterando o artigo 149, parágrafo segundo, inciso 1 da Constituição Federal, a meu ver, contemplou a CSLL, posto que a própria Suprema Corte já se posicionou no sentido de que as contribuições sociais previstas no artigo 149 da CF desdobram-se em : a) contribuições de seguridade social; b) outras de seguridade social e, c) contribuições sociais gerais, tendo afirmado ainda, que as primeiras, ou seja, as de 'seguridade social' são as disciplinadas no artigo 195, incisos I, II e III da Carta Maior (RE 138,284/CE, de 01/07/1992). Entendo, destarte, que se encontra ao alcance da imunidade tributária, a CSLL, pela sua própria natureza e vinculação, nos termos estabelecidos pela Lei n. 7.689/88, dizendo em seus artigos 1 e 20: "Art. 1" Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao .financiamento da seguridade social, Art, 2"A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda" À luz da questão ora suscitada, inclusive quanto ao entendimento anterior a EC 33/2001 relativamente a tributação da CSLL sobre as receitas de exportações, tal situação ocorreu porque somente existiam os diplomas legais ordinários que isentavam as receitas de exportações nas bases de cálculo do PIS e da COF1NS, e que, após o advento da EC 33/2001, o tratamento que exclui as receitas de exportações das contribuições sociais, agora, aí, incluída a CSLL, ficou expressamente previsto em sede constitucional, como expressa regra-matriz de imunidade, com toda a força e soberania do preceito constitucional. , (:) " " 7 Processo n° 10925.002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n a 1202-00.294 Fl 8 A exegese constitucional pronunciada pelo STF, como dito, ainda que não vinculante do Poder Judiciário e da Administração Pública, direta e indireta, denota a expressão do conteúdo normativo do texto constitucional ora examinado, ou seja, um 'processo concretizador da norma da constituição com a atribuição de wn significado aos' enunciados lingüísticos do texto constitucional" pelos dizeres do prof. J,J,Gomes Canotilho (Direito Constitucional e Teoria da Constituição, Almedina, 7. , Ed,p1215), Pois bem, o renomado autor constitucionalista ainda preleciona, na obra citada, à página 1,221: "O processo de concretização normativo-constitucional, iniciado com a mediação do conteúdo dos enunciados lingüísticos (programa normativo) e com a seleção dos dados reais constitutivos do universo exterior abrangidos pelo programa da norma, conduz-nos a uma primeira idéia de norma juridico-constitucional: modelo de ordenação material prescrito pela ordem jurídica como vinculativo e constituído por (a) uma medida de ordenação linguisticamente formulada (ou captada através de dados lingüísticos); (b) um conjunto de dados reais selecionados pelo programa normativo (domínio normativo). A este nível, a norma jurídica é ainda uma regra geral e abstrata, que representa o resultado intermédio do processo concretizador, mas não é ainda imediatamente normativa. Para se passar da normatividade mediata para normatividade concreta, a norma jurídica precisa de revestir o carácter de norma de decisão," Referindo-me a esse modelo teórico de entendimento e sentido da regra constitucional, pode-se deduzir a geração, como resultado do processo administrativo fiscal, na realidade concreta do caso, da aludida norma de decisão, em idêntico procedimento e sentido da interpretação formulada pelo STF no caso concreto (com as devidas diferenças, pois se trata do órgão máximo de jurisdição de nosso ordenamento), que lhe foi submetido relativamente a exclusão das receitas de exportações na base de cálculo da CSLL, pelo pronunciamento no processo cautelar sobredito. Portanto, adotando o mesmo modelo decisório, sem invadir a competência jurisdicional exclusiva do Poder Judiciário, verifica-se que o diploma legal que instituiu a CSLL, em seu artigo 1°, criou sua regra-matriz, e logo em seguida, por seu art. 2, a respectiva base de cálculo, Mais especificamente, a regra-matriz de incidência da CSLL, ou fato gerador da obrigação tributária, sob a ótica clássica doutrinária, é, como regra geral e abstrata, o LUCRO, cuja arrecadação, como sói acontecer com a espécie tributária das contribuições, está vinculada à seguridade social, sendo sua base de cálculo, o VALOR DO RESULTADO DO EXERCÍCIO, ANTES DA PROVISÃO PARA O IMPOSTO DE RENDA, ou seja, o lucro líquido apurado no exercício., Pois bem, a regra constitucional, alterada pela Emenda Constitucional n. 33/2001, por seu lado, criou a regra-matriz da imunidade tributária, sobre as contribuições sociais destinadas à seguridade social, como bem explicitado no voto do ministro do STF acima mencionado, Por isso, cotejando a regra- matriz da CSLL, com a regra-matriz constitucional da imunidade tributária, há consonância da regra inferior em relação a superior, ou seja, adequa- se, ajusta-se harmonicamente o conteúdo do programa normativo constitucional com o o 0p) . 8 Processo n° 10925 002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão ri ° 1202-00.294 Fl. 9 conteúdo do programa normativo da lei ordinária, específica que instituiu a CSLL e sua base de cálculo. Em suma, significa que a CSLL está entre as contribuições sociais que recebem o efeito imunizante, na sua composição da base material de incidência, sobre as receitas de exportações. E, mais uma vez ponderando a regra geral e abstrata, seja no plano constitucional, seja no plano infra-constitucional, com sua lei ordinária de criação da CSLL, e a realidade apurada nos autos pela autoridade administrativa fiscalizadora, compreende-se que, aqui, foi exigida a inclusão da rubrica "resultado positivo das exportações", fls. 05, na base de cálculo da CSLL, objeto do lançamento de oficio, em desconformidade com a regra constitucional imunizadora dessa exigência. Contudo tenha sido esse o entendimento da autoridade lançadora, a meu ver, não guarda ela consistência e fundamento de validade em face a regra-matriz constitucional da imunidade tributária sobre receitas de exportações para contribuições sociais prescrita pela E.C. .33/2001, afetando diretamente o interesse do Poder Tributante para exigir o cumprimento de obrigação tributária, afastada que foi pela imunidade estabelecida na superior regra constitucional em comento, Criou-se uma limitação ao poder de tributar as receitas de exportações, no âmbito da composição das bases de contribuições sociais, dentre as quais se insere a CSLL. Pelo exposto, neste aspecto, sou por admitir fundamento jurídico aos argumentos da Recorrente, acolhendo as razões recursais para dar provimento, a fim de excluir as rubricas denominadas "resultados positivos das exportações" do presente lançamento. Enfrentada uma questão relevante, passa-se a outra questão, que é a tributação das receitas oriundas de atos cooperados e atos não cooperados. A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes é copiosa no sentido de que somente podem ser objeto de adição à base de cálculo da CSLL as receitas efetivamente decorrentes de operações não propriamente com seus cooperados, mas sim todas as demais que não sejam oriundas dessa natureza intrínseca e legal de existência válida do sistema cooperativista. Isto significa que somente se apresenta tributável aquelas receitas que não estão sob o manto do cooperativismo, mas que expressam mera atividade econômica lucrativa, as quais devem ser a minoria, como a prática comercial tem demonstrado nos inúmeros casos julgados perante esta segunda instância administrativa, O STJ também vem se pronunciando sobre tal matéria, no mesmo sentido. Nem se adentra na discussão conceituai e terminológica sobre a diferença de lucro, nas sociedades empresárias, e sobras, nas sociedades cooperativas, pois a definição é dicção legal (Lei 5.764/71), não cabendo ao intérprete criar entendimento novo perante a própria lei que criou a diferença, pois é da natureza do associativismo cooperativo a não distribuição de lucros, mas sim sobras, portanto, valores confiados pela mútua cooperação da categoria profissional, que tem destinação específica. Como ensina o mestre português constitucionalista citado, toda interpretação da lei inicia-se com a semântica de seu texto, portanto, o que está escrito no texto legal é o começo da interpretação para a criação da norma de decisão, finalidade deste processo administrativo. 9 Processo n° 10925 002309/2006-60 S1 -C212 Acórdão n. 1202 -00194 El 10 Desse modo, sendo pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial, as entidades cooperativas não apurando lucros, ou prejuízos, seus resultados não se incluem no campo de incidência previsto na Lei ri, 7,689/88, posto que não se produziu o lucro como descrito na hipótese legal de incidência. Nem se há que discutir a aplicação do art. 111 do CTN, no que se refere a disposição isencional da Lei n 10.865/2004, a qual reconheceu expressamente a isenção, relativamente a atos cooperativos da CSLL das sociedades cooperativas, por uma única e clara razão, tais sociedades não produzem lucro por seus próprios atos, qualificados que foram pelo diploma normativo próprio constante da Lei ri. 5.764/1971. Porém, se produzir lucro decorrente do exercício de outras atividades com não cooperados, tem cabimento a exigência tributária em comento, por contrariar a própria natureza da relação jurídica associativa intrínseca nas suas operações, determinada expressamente pela lei instituidora e reguladora referida. Portanto, a questão antecede a prescrição da regra isencional, pois infere-se do próprio regime jurídico das cooperativas, de seu regular funcionamento associativo, pressuposto básico e necessário para compreender-se que essas sociedades não geram lucro, no sentido da Lei n 7.689/88, portanto, estão fora do alcance da incidência dessa exigência tributária, Quer me parecer que a autoridade fiscal lançou (fis.05 e 27 dos autos), no caso, a CSLL sobre o resultado do exercício, não se detendo em apurar e/ou discriminar, nesse mesmo resultado, o que decorreu de ato cooperado do ato não cooperado, apenas inferindo que tal resultado é lucrativo, porque positivo, e deve ser tributável, destoando totalmente do quanto asseverado sobre o regime jurídico específico das sociedades cooperativas. Em face disso, por se tratar de operação de atividade cooperativista não vislumbro outra solução que não aquela que reconhece a inaplicabilidade da exigência da CSLL sobre os resultados próprios de atos cooperados, e, não existindo no trabalho fiscal qualquer outro elemento informador de que os resultados são constituídos de atividades com não cooperados, o lançamento, nesse aspecto, também encontra-se insanável, cabendo seu cancelamento. Cabe, por último, apreciar a questão da exigência da multa isolada juntamente com multa de lançamento de oficio. Por esse lado, não se sustentando o lançamento de oficio pelos fundamentos e motivações já expostas, a multa de oficio, como consectário sancionatório segue a mesma senda do principal, o auto de infração restou cancelado, não se pode aplicar a multa de oficio, contudo assim seja, cabe analisar o cabimento da multa isolada por falta de recolhimento da contribuição social sobre a base estimada (item 3 do auto de infração analisado). Já tive oportunidade de apreciar a questão em outros julgados, relativamente a idêntica matéria, pelo que reproduzo os seguintes argumentos, haja vista que a aplicação da multa ocorreu após o exercício de 2001/2002/2003 e 2004, ou melhor, somente em 2006, corroborando meu entendimento a seguir. Em breve análise, conforme os ensinamentos científicos do prof: Paulo Barros Carvalho, considerando a premissa jusfilosófica que não há texto, sem contexto, vale dizer, no campo da teoria da interpretação, onde o texto é apenas o ponto inicial para a correta Processo n° 10925002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n,° 1202-00194 El. 11 interpretação e a criação da norma jurídica, individual e concreta, manifestada pela decisão administrativa, em sede do processo tributário, passa-se a expor o presente entendimento sobre a multa isolada, nos termos do art. 44, § 1°, item IV da Lei n° 9.430/96. Primeiramente trata-se de penalidade, ou seja, consequente normativo para efeito de acepção do que se compõe toda norma, isto é, constitui-se da norma primária, preceito de conduta ôntica (dever ser) que se descumprido, redunda no consequente, que se constitui o efeito sancionatório. Delimita-se, com a multa isolada prevista no texto do art. 44, parágrafo 1 o, inciso IV, que seu objeto é a disciplina de aplicação de consequente normativo, de natureza sancionatória, Isto posto, veja-se a sua própria redação: "isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeito ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2o., que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente". Na denotação analítica pode-se, no seu corpo textual, distinguir-se as normas e/ou regras condicionantes, existentes, quais sejam: 1-pessoa jurídica obrigada ao pagamento do IRP.1 e CSLL da estimativa mensal; 2- omissão de pagamentos das respectivas estimativas mensais ainda que tenha apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Pode-se extrair, logicamente,o seguinte enunciado prescritivo: Deixar de pagar as estimativas mensais do IRP3 e CSLL, ainda que no final do ano-calendário, tenha apurado prejuízo ou base de cálculo negativa, caberá a multa isolada. Evidencia-se, desde já, que a aludida disposição normativa trata de duas condicionantes: o não-pagamento e a consideração de se apurar ou não o prejuízo fiscal, referindo-se claramente a possibilidade de se apurar, para o período anual, vale dizer, o próprio regime de apuração anual, prejuízo fiscal. E essa referência o legislador não fez sem sentido próprio, ou despropositadamente, como se demonstrará a seguir. Esse desmembramento dos efeitos implicacionais conduz para a análise da identificação da regra-matriz de incidência tributária, que preexiste necessariamente, a fim de se considerar a penalidade pelo descurnprimento dessa exigência tributária, Estar-se-á tratando de uma ou de duas regras de incidência tributária sobre o IRPJ e CS S L ? A meu ver, apenas um regra-matriz de incidência, sendo a sanção meramente uma conseqüência, uma penalidade pelo inadimplemento da obrigação tributária. Qual seria tal regra-matriz de incidência ? Processo rl° t0925002309/2006-6O S1 -C21 2 Acórdão n ° 1202-00.294 El. 12 Como consequente normativo sancionatório faz expressa menção sobre o prejuízo, que poderia ter lucro, no ano-calendário, bem se pode verificar que diz respeito apenas a um aspecto da regra-matriz, qual seja, o momento temporal do pagamento e a materialidade desse dever tributário, no caso, a falta de pagamento da estimativa mensal. Recorra-se, novamente, aos ensinamentos do prof. Paulo de Barros Carvalho, que analisa a regra-matriz de incidência: "Ao mesmo tempo, a regra-matriz de incidência, como anunciamos anteriormente, se inscreve entre as normas gerais e abstratas, havendo nela condicionalidade. O antecedente é posto em formulação hipotética:` se ocorrer o fato F'. Além disso, integra o quadro das regras de conduta, pois define por inteiro a situação de fato, sobre qualificar deonticamente os comportamentos inter-humanos por ela alcançados. No descritor da norma (hipótese, suposto, antecedente) teremos diretrizes para identificação de eventos portadores de expressão econômica. Haverá um critério material (comportamento de alguma pessoa), condicionado no tempo (critério temporal) e no espaço (critério espacial). Já na conseqüência (prescritor), toparemos com um critério pessoal (sujeito ativo e sujeito passivo) e um critério quantitativo (base de cálculo e alíquota)" 1 Destarte, no texto em comento como se verifica a regra-matriz de incidência tributária? Ora, se buscarmos a identificação de tal modelo doutrinário pode-se, analiticamente, discriminar-se o seguinte: - critério material: pagamento por estimativa mensal (obrigação tributária) (conduta do agente: pagar as estimativas - art 2' da Lei n° 9.430/96); - critério temporal: mensalmente, com observância do regime tributário adotado; - critério quantitativo: base de cálculo : o valor da estimativa mensal e sua alíquota. Contudo, ao deixar de pagar as estimativas, ou seja, incorrendo em conduta omissiva, tal fato redunda no consequente da hipótese legal de incidência, qual seja, a sanção, pois que se pode asseverar: tendo o sujeito passivo exercido a opção de recolher por estimativa, constitui ela sua obrigação tributária, e se a deixar de pagar, incide no consequente normativo sancionatório em comento, qual seja, a multa isolada, que, por si só, não tem o condão de afetar, neutralizando os efeitos, da própria natureza principal da obrigação tributária, o pagamento mensal das estimativas. Em outras palavras, a multa pela falta de pagamentos das estimativas não atinge a necessária consideração do tratamento de regime de tributação a que está sujeito o contribuinte, vez que se submete às expressas determinações legais para apuração do tributo devido conforme o regime tributário adotado. Não há com reconhecer duas regras-matriz de incidência tributária, mas uma única, como antecedente e, por seu descumprimento, o seu consequente, isto é, a sanção constituída na multa isolada. 11. Direito Tributário - Fundamentos Jurídicos da Incidência, Ed Saraiva, 5 a ed. 94, 12 Processo n° I 0925 002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n " 1202-00,294 Fl 13 A lição do Prof. Paulo de Barros Carvalho pode nos esclarecer, pelo dado que ocorrem duas coisas distintas, o fato lícito: obrigação tributária e o fato ilícito, seu descumprimento, a saber: "Se é certo asseverar que a relação jurídica que se instala em virtude do acontecimento de um ilícito apresenta grande similitude com a obrigação tributária, na hipótese das multas, posto que em ambas há de prestar o sujeito passivo um valor pecuniário, não menos evidente que o próprio legislador do Código Tributário Nacional traçou as fronteiras que separam as duas entidades, associando-as a fatos intrinsecamente distintos: fato licito para a obrigação tributária; fato ilícito para a penalidade pecuniária Examinadas isoladamente, nenhuma distinção apresentam a relação jurídica tributária e a relação jurídica sancionadora. Em ambas divisamos um sujeito ativo, titular de um direito subjetivo público de exigir, do sujeito passivo, o cumprimento de específica prestação, simbolizada em valores patrimoniais„ É por isso que os elementos caracterizadores desses institutos jurídicos devem ser pesquisados em terreno alheio ao do liame obrigacional. E o legislador elegeu o critério apropriado, na exata proporção em que atrelou cada um dos vínculos a ocorrências fácticas de índoles jurídicas discrepantes: a relação sancionadora será efeito insopitável de todos os ilícitos, ao passo que o liame obrigacional tributário só poderá corresponder à realização dos fatos lícitos„ Por amor a formulações singelas e desamor ao senso jurídico, não se admite comprometer a estrutura sistêmica de tão relevantes instituições, que jamais se confundem numa única realidade, mas que operam conjugadas para dar força e expressão ao direito,"2 Na linguagem prescritiva do direito positivo de que a regra-matriz de incidência mensal (pagamentos por estimativas mensais) deve estar harmonizada com o regime de tributação anual, estão as seguintes determinações legais: "Lei n° 8.981/95: art. 27. Para efeito de apuração do imposto de renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta Seção, sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37. Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art, 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 dezembro de cada ano-calendário ou na data da extinção, .„ § 3' Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a)... b)... c)... d)do imposto de renda calculado na forma dos arts. 27 e 35 desta Lei, pago mensalmente." Lei n° 9.430/96: 101112 Curso de Direito Tributário, 17° , Ed Saraiva, p.296/297 Processo o' 10925002309/2006-60 S1-C212 Acórdão ri 1202-00.294 Fl 14 Art. 2 0 A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ I' e 2° do art. 29 e nos arts. 30 e 32, 34 e 35 da Lei ri° 8,981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9,065, de 20 de junho de 1995. § 1° § 2' ... § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1' e 2° do artigo anterior. § 40 Para efeito de deterrninação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - II - III - IV — do imposto de renda pago na forma deste artigo." Ademais, não se pode, igualmente, olvidar o texto de lei citada da multa isolada que diz: "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente", o que determina, insofismavelmente, uma condicionante para a efetiva incidência, ou melhor, a individualização da norma geral e abstrata em norma concreta, ou seja, sua aplicação e exigência. Vale dizer, para que seja o consequente„ necessário cumprir todos os requisitos do antecedente. Tal enunciado remete, portanto, a imperiosa necessidade do agente observador do texto legal em aferir, no período anual, se ocorreu a condição necessária e suficiente, para a incidência penal conforme estipulada. Em outras palavras, o agente, obrigatoriamente, terá que conferir, na realidade, se o sujeito passivo encerrou o ano-calendário, com seu ajuste anual, E como no texto legal não se pode admitir proposições sem sentido, é mister considerar que a aplicabilidade da multa isolada está condicionada ao final do ano-calendário, ou seja, a regra-matriz de incidência somente se completa no implemento do seu critério temporal, final do ano-calendário, sobre o qual deve confirmar sua incidência. Uma vez satisfeita essa condição, há se analisar se o dispositivo penal pode ser aplicado, posto que constatado se o sujeito passivo deixou de recolher (omitiu-se na conduta de pagar) as estimativas mensais no decorrer do ano-calendário, pura e simplesmente e se se o contribuinte, ao final do exercício, apurou que as estimativas mensais não eram devidas. Sempre presente a atenção para o cânone jurídico básico da obrigação tributária, de que só se deve pagar aquilo que é devido. Embora seja denominada multa isolada, a interpretação para a busca do sentido normativo e formação da norma individual e concreta não pode ser isolada, mas sim sistêmica sempre vinculada a um domínio de significações, como ensina Paulo de Barros Carvalho: Nb. 14 Processo n" 0925 002309/2006-60 S1-C212 Acórdão n° 1202-00,294 Fl 15 "O procedimento de quem se põe diante do direito com pretensões cognoscentes há de ser orientado pela busca incessante da compreensão desses textos prescritivos. Ora, como todo texto tem um plano de expressão, de natureza material, e um plano de conteúdo, por onde ingressa a subjetividade do agente, para compor as significações da mensagem, é pelo primeiro, vale dizer, a partir do contacto com a literalidade textual, com o plano dos significantes ou com o chamado plano da expressão, como algo objetivado, isto é, posto intersubjetivamente, ali onde estão as estruturas morfológicas e gramaticais, que o intérprete inicia o processo de interpretação, propriamente dito, passando a construir os conteúdos significativos dos vários enunciados ou frases prescritivas para, enfim, ordená-los na forma estrutural de normas jurídicas, articulando essas entidades para constituir um domínio. Se retivermos a observação de que o direito se manifesta sempre nesses quatro planos: o das formulações literais, o de suas significações enquanto enunciados prescritivos, o das normas jurídicas, como unidades de sentido obtidas mediante o grupamento de significações que obedecem determinado esquema formal (implicação), e o da forma superior do sistema, que estabelece os vínculos de coordenação e subordinação entre as normas jurídicas criadas no plano anterior; e se pensarmos que todo nosso empenho se dirige para estruturar essas normas contidas num estrato de linguagem; não será dificil verificar a gama imensa de obstáculos que se levantam no percurso gerativo de sentido ou, em termos mais simples, na trajetória da interpretação"3. Isto posto é certo que a regra em comento não pode ser analisada de forma isenta e isolada do seu conteúdo e da sua expressão, enquanto enunciado prescritivo sancionatório, perante a regra de incidência tributária propriamente dita, ou seja, a aplicação do regime tributário a que está sujeito o contribuinte (lucro real, ou presumido, ou arbitrado). O professor mencionado faz importante menção sobre as significações e a implicação. Ora, se a multa isolada deve ser aplicada, ainda que se apure o prejuízo fiscal, o legislador logicamente remete à observância de pertinência para o ano-calendário, sendo lógico que se o núcleo material da conduta °missiva — deixar de pagar as estimativas mensais — se operou, não há se falar na implicação da conseqüência, ou seja, na penalidade isolada, uma vez provada, no final do ano-calendário, que o cerne da obrigação tributária, o tributo devido, remanesceu inexistente, uma vez que a norma primária, em seu antecedente não se verificando a incidência tributária, não pode penalizar pelo que não se materializou como devido. Enfatize-se, é inseparável considerar-se a "multa isolada" de maneira vinculada ao regime de tributação, posto que a estimativa, como diz o art. 2" da Lei n° 9,430/96, se trata de um regime de pagamento e não de tributação, não podendo o mero descumprimento da obrigação tributária isolar-se, para efeito de cobrança e efeitos, para se entender como crédito tributário, sendo na realidade uma penalidade (como disse acima o professor citado, a relação jurídica tributária tem natureza própria que não pode ser confundida com a relação jurídica sancionadora) cabendo interpretar sua aplicabilidade considerando os efeitos determinantes do regime de tributação anual, adotado pelo contribuinte, em observância das disposições da Lei n" 9891/95 e Lei n° 9.430/96, como anteriormente reproduzidas. Não se pode esquecer, no caso aqui analisado, que a sanção é decorrente da previsão de falta de cumprimento de obrigação tributária, ligada essa diretamente ao regime de tributação do contribuinte, pois entender uma segregação também "isoladamente" com a 3 Direito Tributário - Fundamentos Jurídicos da Incidência, Ed, Saraiva, p.67;68 15 Processo n" 10925.002309/2006-60 SI-C21.2 Acárdüo n " 1202-00294 Fl 16 finalidade aplicativa, seria corno se considerar que as pernas naturais de um empo humano possam andar independentes do mesmo... Em síntese final e confirinativa, assim, a criação da norma jurídica, individual e concreta, não pode, na construção de sentido, ser subtraída de seu contexto sistêmico normativo, vez que se está analisando uma penalidade, uma sanção, portanto, decorrente de conduta reconhecida como ilícita, e como tal, em se tratando de um aspecto operacional de pagamento do tributo por estimativa sujeita a conexão do quanto apurado no período, tal interpretação se impõe como adequada para observância do regime tributário adotado pelo sujeito passivo, após o que se pode considerar completa a análise para admissão da multa isolada como enunciada. Em face a todo exposto, sou por dar provimento ao recurso voluntário, paia o cancelamento integral do lançamento e seus consectários legais. i)Sala das Sessões, e i- 18 de maio de 2010 , 0 Oiland 1 José - -çalves Buena \ I6 Processo n° 10925 002309/2006-60 S1-C212 Acórdão n 1202-00294 El 17 Voto Vencedor Em que pese os valiosos argumentos apresentados pelo ilustre relator, peço vênia para discordar do seu entendimento. De acordo com o manifestado no voto, existem duas questões divergentes a serem enfrentadas. A primeira diz respeito ao sentido e alcance da Emenda Constitucional n. 33, de 2001, que trata da imunidade tributária relativa às receitas de exportações. A segunda cuida do cabimento da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas devidas da CSLL, bem como da sua cumulatividade com a multa de oficio do lançamento e, nesse aspecto, a questão do cabimento, ou não, da decadência suscitada para tal multa isolada, no período até 31 de outubro de 2001. Passemos a análise da primeira questão. Como bem explicado no voto vencido, o alcance da Emenda Constitucional n. 33, de 2001, foi enfrentado pela Suprema Corte na Ação Cautelar 1.738-6, Sessão Plenária de 17/09/2007, Rel„ Min. César Peluso, RIU de 19/10/2007. Na referida ação ficou decidido que referida Emenda Constitucional, ao afastar a incidência das contribuições sociais sobre as receitas decorrentes de exportação, também incluiu a CSLL, posto entender que o lucro, embora não se confunda com a receita, desta depende estruturalmente. Não obstante a decisão do STF, ficou evidenciado no voto vencedor que tal decisão não tem efeito vinculante, eis que pronunciada em sede de controle difuso de constitucionalidade. Pois bem„ Reconhecido que as Ações Cautelares não tem efeito erga (mines, nem efeito vinculante para os órgão da administração, conclui-se que essa decisão somente tem validade entre as partes envolvidas, não podendo ser aplicada ao caso aqui examinado. E a lei que trata da apuração da base de cálculo da CSLL, estabelece que as normas de sua apuração devem ser as mesmas aplicadas para a apuração do IRPJ, consoante disciplina o art„ da Lei n° 57 da Lei n° 8.981, de 1995 com a redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas ,juildica.s, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, manadas a base de cálculo e as aliquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei (Redação dada nela Lei n°9.065, de 1995) (grifei) 17 Processo n° 10925.002309/2006-60 S1-C212 Acórdão n 0 1202-00.294 Fl. 18 Já os valores das receitas decorrentes da exportação de mercadorias e serviços estão incluídos no conceito de receita bruta, nos termos do art. 279 do RIR/99, a saber: Art. 279, A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações- de conta alheia (Lei n" 4.506, de 1964, art. 44, e Decreto-Lei n" L.598, de 1977, ai. 12) Assim, como as normas aplicáveis à apuração do lucro para incidência do IRPJ não excluem as receitas de exportação da base de cálculo desse imposto, não podem, por conseqüência, serem excluídas da base de cálculo da CSLL, como pretende o autuado. O antigo Primeiro Conselho de Contribuintes também vinha decidindo no mesmo sentido, conforme se verifica na transcrição de parte da ementa proferida no Acórdão n" 101-97077, sessão de 17/12/2008, da relatoria da ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni, dentre outros: CSLL- RECEITAS DE EXPORTAÇÃO- A Emenda Constitucional n" 33, de 2001, ao dispor que as contribuições sociais não incidiriam sobre a receita de exportação, alcança apenas as contribuições instituídas com base na alínea "b" do inciso I do art 195, que são as que incidem sobre a receita ou faturamento, não alcançando a CSLL, que incide sobre o lucro. Dito isso, é preciso também registrar que este órgão julgador não pode interpretar dispositivo constitucional, sob pena de incorrer em violação ao art. 26-A do Decreto no 70.235, de 1972 (PAF), incluído pela Lei n° 11.941, de 2009, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo _fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fimdamento de incorzstitucionalidade Dessa forma, conclui-se que o Acórdão recorrido decidiu corretamente a matéria, devendo ser mantida a incidência da CSLL sobre as receitas de exportação. Em relação a segunda questão, cabe dizer inicialmente que a aplicação da multa isolada incidente sobre as parcelas das estimativas não recolhidas encontra respaldo em lei, de obediência obrigatória por este órgão julgador. Com efeito, a base legal para a imposição da multa isolada, no percentual de 75%, era o inciso IV do § 1° do art, 44 da Lei 9.430, de 1996 na sua redação original, que foi reduzida para o percentual de 50%, na redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, abaixo transcrito para melhor clareza: Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11 488, de 2007) 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) 18 Processo Tf 10925.002309/2006-60 S1 -C2T2 Acórdão n ° 1202-00,294 Fl. 19 - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) a) na forma do art 8" da Lei n" 7,713, de 2.2 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa Mica; (Incluída pela Lei n" 11,488, de 2007) b) na forma do art. 2" desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica, (Incluída pela Lei n°11.488, de 2007) (grifei) Da leitura dos dispositivos legais transcritos, percebe-se a existência de duas penalidades que incidem sobre fatos distintos: a primeira, no percentual de 75%, aplicada nos casos de falta de pagamento ou recolhimento do imposto ou contribuição; a segunda, no percentual de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor da estimativa (art. 20 da lei) que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurada base de cálculo negativa da CSLL no ano- calendário correspondente. A razão para a existência de duas penalidades foi que o legislador quis proteger dois bens jurídicos distintos: uma para desencorajar o não pagamento das estimativas mensais (antecipação) a que estão sujeitos os contribuintes e a outra para coibir a falta do pagamento dos impostos e contribuições definitivamente apurados. Por isso entendeu criar duas penalidades distintas pelo descumprimento da obrigação tributária. Além disso, a lei não previu nenhuma relação de dependência entre essas duas penalidades, porquanto são independentes uma das outras, podendo ser aplicadas em conjunto ou individualmente, sem restrição. Assim, a exigência da multa isolada pela falta de recolhimentos por estimativa ao longo do ano-calendário, sem qualquer justificativa, ensejam a incidência da norma penalizadora mesmo que, conforme previsto no art. 44, II, "b" da Lei n° 9,430, de 1996, a pessoa jurídica apure ao final do ano-calendário correspondente, base de cálculo negativa para a CSLL, Por fim, nesse mesmo sentido, por se considerar que o recolhimento das estimativas mensais é uma obrigação autônoma em relação ao pagamento da contribuição apurada ao final do ano-calendário, na declaração DIPJ, entende-se que a mesma tem natureza diversa da regra prevista no caput do art. 150 do MN, cujo surgimento, inclusive, independe da ocorrência do fato gerador do tributo (lucro líquido ajustado), e que, por isso, não se subsume às disposições do referido art. 150, mas sim à regra geral do art. 173, I, do CTN„ Dessa forma, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial para a imposição da multa isolada no ano-calendário de 2001, posto que o prazo decadencial de 5 anos previsto no art„ 17.3, I, do C'TN somente se inicia em 01/01/2002 e se encerra em 01/01/2007, após, portanto da data do lançamento que ocorreu em 2006. Esse é também o entendimento do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme transcrição de ementários de acórdãos que se transcreve, a titulo exemplificativo: AP 411P irE:i ,9 Processo IV W925..002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão o .° 1202-00194 Fl. 20 Acórdão IV 10547427, sessão de 06/02/2009, da relatoria do Conselheiro José Clóvis Alves: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício.' 2002, 2003, 2004. Ementa: IRPJ E CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E OU CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO - A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada, A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso, ( Lei n" 8,981/95, art. 35 c/c art. 2" Lei n" 9.430/96) A falta de recolhimento ou recolhimento a menor, está sujeita à multa de 50%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ OU CSL do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores, (Lei n" 9.430/9644 com redação dada pelo artigo 14 da MP 351/2007). A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor, (Lei n" 9,430/96 art. 44 caput c/c § 1" inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1" letra "b"). Acórdão n" 198-00101, sessão de 30/01/2009, da relatoria do Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL ANO-CALENDÁRIO: 2000 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS - DECADÊNCIA As estimativas mensais representam uma obrigação autônoma e de natureza diversa daquela prevista no caput do ar!. 150 do C11V; cujo surgimento, inclusive, independente da ocorrência do .fato gerador do tributo (lucro líquido ajustado), e que, por isso, não se subsume às disposições do referido art. 150, mas sim à regra geral do art. 173. L do CIN, MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS - LIMITE TEMPORAL O texto do inciso IV do § 1" do art 44 da Lei 9.430/96 não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no 20 Processo n° 10925 002309/2006-60 S1-C2T2 Acórdão n° 1202-W294 F1 21 sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso. Ao contrário, o texto prevê a multa ainda que a PJ "tenha apurado" prejuízo fiscal no final do período, MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PADRÃO - CONCOMITÂNCIA As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem COM a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual Não há previsão legal de afastamento da multa isolada em razão da aplicação da multa de oficio vinculada ao tributo anual que deixou de ser recolhido. Em vista do acima exposto, entendo que deva ser negado provimento ao recurso voluntário no que se refere às seguintes matérias: i) manter a incidência da CSLL sobre as receitas de exportação; ii) manter a multa isolada aplicada, reduzida ao percentual de 50%, pelo não recolhimento das estimativas mensais da CSLL nos anos-calendários correspondentes, afastada a ocorrência da decadência. a Carlos Alberto e inassolo 21 , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10925,002309/2006-60 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do ai t 81, § 3, do anexo II, do Regimento Interno do CARI, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 03 de setembro de 2010. Maria Cone ição de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurado; (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração,.
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Numero do processo: 18088.720054/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/05/2006
DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA
Não consta nos autos a antecipação do pagamento do tributo exigido, o que atrai a regra do artigo 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. Como o lançamento ocorreu em 01/04/2011 com a intimação em 04/04/2011, não há que se falar em decadência.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORRETO O LANÇAMENTO DECORRENTE DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR REFERENTE AO QUINHÃO RECEBIDO PELAS HERDEIRAS. INCORRETA A TRIBUTAÇÃO DO QUINHÃO DO CONJUGE MEEIRO ÀS HERDEIRAS. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO
Nos termos do art. 131, inciso II, do CTN, a responsabilidade objetiva deve ser atribuída ao cônjuge-meeiro e aos herdeiros na medida do respectivo quinhão.
ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Não há nulidade na eleição do sujeito passivo, conforme art. 131, inciso II do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo a parcela relativa aos valores recebidos por doação. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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INEXISTÊNCIA Não consta nos autos a antecipação do pagamento do tributo exigido, o que atrai a regra do artigo 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. Como o lançamento ocorreu em 01/04/2011 com a intimação em 04/04/2011, não há que se falar em decadência. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORRETO O LANÇAMENTO DECORRENTE DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR REFERENTE AO QUINHÃO RECEBIDO PELAS HERDEIRAS. INCORRETA A TRIBUTAÇÃO DO QUINHÃO DO CONJUGE MEEIRO ÀS HERDEIRAS. PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO Nos termos do art. 131, inciso II, do CTN, a responsabilidade objetiva deve ser atribuída ao cônjugemeeiro e aos herdeiros na medida do respectivo quinhão. ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Não há nulidade na eleição do sujeito passivo, conforme art. 131, inciso II do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 54 /2 01 1- 07 Fl. 321DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo a parcela relativa aos valores recebidos por doação. Vencidos a relatora e o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, decidiu desconhecer das nulidades suscitadas e, no mérito, considerar improcedente as impugnações oferecidas, para manter a exigência do crédito tributário constante do auto de infração, conforme ementa do Acórdão nº 0957.622 (fls. 256/263): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/05/2006 GANHOS DE CAPITAL. SUCESSÃO. VALOR DE TRANSMISSÃO. A legislação possibilita que o imóvel seja transferido a herdeiros pelo valor que constava na declaração de bens do "de cujus", contudo se a transmissão se der por valor distinto, este é o que deve ser considerado e constatado o ganho de capital cabe o recolhimento do imposto devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. HERDEIROS. Apurouse o ganho de capital na transmissão do imóvel, cabendo àquelas que detinham interesse em comum na situação que constituiu o fato gerador a obrigação solidária, no caso as herdeiras envolvidas, respeitado o quinhão afeto a cada uma, sendo o lançamento realizado em nome de uma delas, com a caracterização das demais na forma de responsáveis solidárias. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESES. DECADÊNCIA. Além de não se vislumbrar no caso em concreto prazo superior ao previsto nos lançamentos por homologação, a ausência de qualquer recolhimento transportaria o início da contagem decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 151/158), lavrado contra a Contribuinte em 01/04/2011, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao anocalendário 2006, no valor de R$ 89.303,34, Juros de Fl. 323DF CARF MF 4 Mora, calculados até março de 2012, no valor de R$ 45.678,65 e Multa Proporcional no valor de R$ 8.930,33, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 143.912,32. Conforme consta na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL – Imposto de Renda Pessoa Física (fl. 153), o lançamento decorre de “omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, correspondente ao valor tributável de R$ 595.355,62 (fato gerador 31/05/2006) ”. No RELATÓRIO FISCAL IRPF (fls. 159/162) consta que a Fiscalização apurou a ocorrência de ganho de capital na cessão pelos pais das contribuintes Juliane Joas Silveira Araújo (autuada), Cristiane Joas Silveira (responsável solidária) e Rejane Joas Silveira Alves (responsável solidária), do imóvel rural denominado Fazenda Santa Floriana, localizada em Ribeirão Bonito/SP com 296,42 ha, declarado pelo pai das contribuintes como valor original de R$ 95.701,62, adquirida em 1986 e cedido às filhas em 2006. De acordo com o Relatório Fiscal: 1. Os pais das contribuintes faleceram em 2004 (Márcia Joas Herdy Silveira Mãe) e em 2007 (Reinor Alves Silveira Pai); 2. No Formal de Partilha dos bens de Márcia Joas Herdy Silveira consta como inventariante o Sr. Reinor Alves Silveira, e como herdeiras as suas três filhas; 3. Os bens repartidos foram uma casa (adquirida em 1962) e o referido imóvel rural; 4. Houve a transferência pela sentença de homologação do Formal de Partilha dos bens de Márcia Joas Herdy Silveira para seu esposo Reinor Alves Silveira e suas três filhas e, concomitantemente, a transferência pelo Sr. Reinor Alves Silveira destas mesmas propriedades para suas três filhas; 5. Na avaliação constante do Formal de Partilha o imóvel rural foi avaliado em R$ 796.120,00; 6. O imóvel rural foi dividido em três partes iguais entre as filhas, 1/3 para cada uma delas; 7. Cada 1/3 foi transferido pelo valor de R$ 265.373,33; 8. O Sr. Reinor Alves Silveira ficou como usufrutuário vitalício do imóvel rural. 9. Apesar de a transferência ter ocorrido em 2006, exercício fiscal de 2007, a propriedade não foi “baixada” na DIRPF do Sr. Reinor, bem como, também não foi declarada em qualquer DIRPF de suas filhas neste exercício, conforme determina a legislação; 10. Houve ganho de capital pela transferência do bem denominado Fazenda Santa Floriana, no montante de R$ 595.355,62, conforme demonstrado à fl. 162. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 4 5 A Contribuinte e suas irmãs, Cristiane Joas Silveira e Rejane Joas Silveira, responsáveis solidárias, tomaram ciência da lavratura do Auto de Infração em 05/04/2011 (fls. 174/176). Em 04/05/2011, a Contribuinte e Cristiane Joas Silveira interpuseram em conjunto sua impugnação (fls. 178/185), instruída com os documentos nas folhas 186 a 241, na qual, em síntese, trazem as seguintes alegações: 1. O formal de partilha dos bens da Sra. Márcia Joas Herdy Silveira (mãe das impugnantes), retratou a transmissão do imóvel nos termos da Lei Estadual (SP) n. 10.705/2000, art. 13, inciso II; 2. Não haveria que se falar de lucro imobiliário, uma vez que o valor do imóvel rural deveria, por imposição legal, ser lançado no valor constante do ITR, qual seja, o de R$ 796.120,00, tanto para efeitos do próprio ITCMD como para efeito das custas processuais; 3. Também não cabe fundar parte do auto de infração na informação constante da DAA/2008 da codevedora solidária Rejane Joas Silveira Alves, que declarou sua parte ideal em R$ 265.373,33, pois as impugnantes não tinham conhecimento do valor lançado na declaração da irmã, já que se constitui em informação sigilosa; 4. "De forma correta e dentro dos termos da legislação fiscal vigente, as Impugnantes sempre lançaram suas respectivas quotasparte de 1/3 no valor de R$ 31.900,40”; 5. Ao contrário da afirmação do Auditor Fiscal, a Contribuinte declarou sim DIRPF 2007exercício 2008, onde, claramente está lançado o valor do imóvel na monta de R$ 31.900,40 (Doc. 11 – fls. 234/239); 6. Em 2008 a Contribuinte alienou sua parte do imóvel rural e, para efeito de tributação, em sua DAA/2008 ofereceu ao Fisco o lucro imobiliário tomando como custo a importância de R$ 31.900,40 (Doc. 12 – fls. 240/241). Por sua vez, Rejane Joas Silveira, também apontada pela fiscalização como responsável solidária, interpôs sua Impugnação em 02/05/2011 (fls. 242/250), na qual, em síntese, alega que: 1. O Auto de Infração é nulo por afrontar as disposições do art. 142, do Código Tributário Nacional; 2. Nos termos do art. 131, inciso II, do CTN, a responsabilidade objetiva deve ser atribuída ao cônjugemeeiro e aos herdeiros na medida do respectivo quinhão. Tais exigências tributárias devem ser distintas e individuais, isto é, lançadas em nome de cada um, sendo inconcebível a lavratura de auto de infração apenas contra um dos herdeiros figurando os demais como responsáveis solidários. Reforça seu argumento citando o Acórdão nº 104215545 do Primeiro Conselho de Contribuintes; Fl. 325DF CARF MF 6 3. Entre a data da sentença homologatória do formal de partilha (15/03/2006) e a ciência do auto de infração/termo de sujeição passiva solitária (01/04/2011), medeia lapso temporal superior a cinco anos, o que configura a decadência prevista no art. 150, § 4º, do CTN; 4. Não há nos autos qualquer explicação para o estabelecimento do fato gerador em 31/05/2006, sendo esta data totalmente estranha aos atos jurídicos praticados, o que também contamina o lançamento de vício insanável, conforme o entendimento emanado no "Acórdão n. 104 20.365", nos termos da ementa transcrita às fls. 248/249; 5. Na declaração IRPF relativa ao anocalendário 2006, apresentada por Reinor Alves Siqueira, a propriedade rural transferida figura pelo valor de R$ 95.701,62, o que não justifica a adoção de R$ 796.120,00 para transferência. Diante das impugnações tempestivas o processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0957.622, decidiu pela improcedência das impugnações apresentadas, mantendo o crédito tributário exigido. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, via Correio, em 24/04/2015 (AR – fl. 266) e, tempestivamente em 20/05/2015, apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO em seu nome e da Responsável Solidária Cristiane Joas (fls. 272/280), onde repete os mesmos argumentos aduzidos na impugnação para ao final requerer que seja reconhecida a insubsistência da autuação combatida. A Responsável Solidária Rejane Joas foi cientificada do Acórdão da DRJ/JFA, via Correio, em 26/05/2015 (AR – fl. 290), apresentando seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 292/302) em 25/05/2015, onde, em síntese traz as mesmas alegações da impugnação para ao final requerer que seja acolhido seu pleito e reformada a decisão prolatada pela DRJ/JFA para declarar a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência As Recorrentes alegam a decadência do lançamento ocorrido em 01/04/2011, com base no prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Sem razão. A transferência do imóvel aos herdeiros ocorreu por ocasião da sentença de homologação do formal de partilha do inventário que transitou em julgado em 02/05/2006 (fl. 11). Não consta nos autos a antecipação do pagamento do tributo exigido, o que atrai a regra do artigo 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. Como o lançamento ocorreu em 01/04/2011 com a intimação em 04/04/2011, não há que se falar em decadência. Assim, rejeito a preliminar suscitada. Constituição do Crédito Tributário Da identificação do fato gerador Trata de lançamento apurado para a exigência de IRPF sobre o ganho de capital na cessão de bens pelos pais das contribuintes de um imóvel rural denominado Fazenda Santa Floriana, adquirido no ano de 1986 e cedido às filhas no ano de 2006. As Recorrentes se insurgem contra a exigência do lançamento. Alegam contrariedade ao artigo 142 do Código Tributário Nacional. Cumpre destacar as premissas utilizadas pelo Auditor Fiscal para a efetivação do lançamento: (i) na Declaração do Imposto de Renda – DIRPF/2007 dos pais das contribuintes consta um imóvel rural denominado Faz. Santa Floriana adquirido no ao ano de 1986 pelo valor de R$ 95.701,62; (ii) na aquisição anterior a Lei 9.393/96, o ganho de capital é calculado pela diferença entre o constante na DIRPF e seu valor de venda e ou transmissão; Fl. 327DF CARF MF 8 (iii) no Formal de Partilha dos bens de Márcia Joas Herdy Silveira consta como inventariante o Sr. Reinor Alves Silveira, e como herdeiras as suas filhas; (iv) na avaliação constante do Formal de Partilha o imóvel rural foi avaliado em R$ 796.120,00, e o Sr. Reinor Alves Silveira ficou como usufrutuário vitalício, dividindo a propriedade em três partes iguais com suas filhas, e transferindo a propriedade pelo valor de R$ 265.373,33 (1/3); (v) ocorreu a transferência pela sentença de homologação do Formal de Partilha dos bens de Márcia Joas Herdy Silveira para seu esposo Reinor Alves Silveira e suas três filhas e concomitantemente a transferência pelo Sr. Reinor Alves Silveira destas mesmas propriedades para suas três filhas, com ganho de capital pela transferência do bem denominado Fazenda Santa Floriana assim calculado: Constatase que o ganho de capital ocorreu por ocasião do fechamento do inventário, na transferência do bem pela sentença de homologação do formal de partilha, quando o imóvel passou do valor de R$ 95.701,62, para ser avaliado por R$ 796.120,00. O fato gerador do ganho de capital se perfectibilizou no espólio e não por ocasião da declaração feita pelas herdeiras, como indicou o AFRF à fl. 161 nos seguintes termos: “Apesar desta transferência ter se dado no ano de 2006 exercício fiscal de 2007, esta propriedade não foi “baixada” zerando seu valor na DIRPF do Sr. Reinor, também não foi declarada “entrada” em qualquer DIRPF de suas filhas neste exercício conforme a legislação determina.” Destarte, a IN SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001, estabelece que a transferência dos bens aos herdeiros pode ser efetuada pelo valor constante na última declaração de bens apresentada pelo de cujos ou pelo valor de mercado. No presente caso a transferência se deu no inventário pelo valor atualizado. Transcrevemos: Art. 10. A transferência dos bens e direitos aos herdeiros ou legatários pode ser efetuada pelo valor constante na última declaração de bens e direitos apresentada pelo de cujus ou pelo valor de mercado. § 1º No caso em que o de cujus não houver apresentado Declaração de Ajuste Anual por não se enquadrar nas condições de obrigatoriedade estabelecidas pela legislação tributária, a transferência pode ser efetuada pelo custo de aquisição do bem ou direito, atualizado monetariamente até 31/12/1995, conforme Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos (Anexo I). § 2º Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na última declaração do de cujus ou do custo de aquisição, referido no § 1º, a diferença constitui ganho de capital tributável, sujeito à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 6 9 § 3° A opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo deve ser informada na Declaração Final de Espólio, sendo vedada a sua retificação. § 4º Na hipótese do § 2º, o inventariante deve apurar o ganho de capital por meio do Programa Demonstrativo de Ganhos de Capital do anocalendário correspondente ao que for proferida a decisão judicial ou lavratura da escritura pública e importar os respectivos dados para a Declaração Final de Espólio. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) § 5º O imposto devido sobre ganho de capital de que trata este artigo deve ser pago pelo inventariante até 30 (trinta) dias do trânsito em julgado da decisão judicial da partilha, sobrepartilha ou adjudicação ou lavratura da escritura pública. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) § 5º O imposto devido sobre ganho de capital de que trata este artigo deve ser pago pelo inventariante até a data prevista para a entrega da Declaração Final de Espólio. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1620, de 19 de fevereiro de 2016) § 6º Na Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício correspondente ao anocalendário da decisão judicial transitada em julgado, os herdeiros e os legatários deverão incluir os bens e direitos recebidos pelo valor informado na coluna "Valor de Transferência" da declaração de bens e direitos correspondente à Declaração Final de Espólio. § 7º Na apuração do ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo, deve ser considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o § 6º. § 8º Caso o custo de aquisição utilizado pelo herdeiro no cálculo do ganho de capital, na alienação de bens e direitos recebidos em herança, legado ou meação antes da entrega da Declaração Final de Espólio, seja maior do que o valor atribuído ao respectivo bem nessa declaração, caberá ao herdeiro o recolhimento da diferença do imposto sobre o ganho de capital apurado com base no valor de transferência, com os devidos acréscimos legais. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 897, de 29 de dezembro de 2008) (Grifos nossos). Ocorre que foi no próprio inventário que se fez a majoração do valor do imóvel. O inventário foi fechado com o bem avaliado pelo valor de mercado, o que gerou a obrigação do inventariante na declaração final do espólio e a fazer a apuração do ganho de Fl. 329DF CARF MF 10 capital e pagar o imposto na forma estabelecida nos §§ 4º e 5º, do art. 10 da IN SRF nº 81/2001, o que não se tem notícias nos presentes autos se efetivamente ocorreu ou não, na medida em que a fiscalização não verificou se foi efetuada a declaração do espólio e se ocorreu pagamento do tributo pelo inventariante. Como a transferência dos bens aos herdeiros ocorreu durante o inventário pelo valor de avaliação de R$ 796.120,00, correta está a declaração apresentada por uma das herdeiras em que consta o valor de R$ 265.373,33, correspondente a terça parte do imóvel em questão, não configurando, nesse passo, ganho de capital, conforme afirmado na acusação fiscal (fl.162) e corroborado pela decisão de piso: Ademais, erro na declaração não faz nascer a obrigação tributária que surge com a ocorrência do fato gerador (art. 113 do CTN), qual seja, o ganho de capital, assim considerado como a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. A Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, destaca que o herdeiro deverá incluir os bens ou direitos na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência, in verbis: Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. § 2º O imposto a que se referem os §§ 1o e 5o deverá ser pago: (Redação dada pela Lei nº 9.779, de 1999) I pelo inventariante, até a data prevista para entrega da declaração final de espólio, nas transmissões mortis causa, observado o disposto no art. 7o, § 4o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995; (Incluído pela Lei nº 9.779, de 1999) II pelo doador, até o último dia útil do mêscalendário subseqüente ao da doação, no caso de doação em adiantamento da legítima; (Incluído pela Lei nº 9.779, de 1999) III pelo excônjuge a quem for atribuído o bem ou direito, até o último dia útil do mês subseqüente à data da sentença Fl. 330DF CARF MF Processo nº 18088.720054/201107 Acórdão n.º 2401005.115 S2C4T1 Fl. 7 11 homologatória do formal de partilha, no caso de dissolução da sociedade conjugal ou da unidade familiar. (Incluído pela Lei nº 9.779, de 1999) § 3º O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência. (Grifamos). Nesse diapasão, restou confusa a acusação fiscal quando indicou que na declaração das herdeiras ocorreu o fato gerador do ganho de capital, quando o próprio Relatório Fiscal demonstra que este já havia ocorrido no encerramento do inventário, haja vista a majoração do valor do imóvel. Desta feita, entendo que o lançamento não fez a correta apuração do fato gerador consoante dispositivo do artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Quanto à alegativa de erro na identificação do sujeito passivo, não assiste razão à Recorrente. O lançamento foi efetuado em nome de Juliane Joas Silveira Araujo, tendo como responsáveis solidárias pelo pagamento do tributo as irmãs Cristiane Joas Silveira e Rejane Joas Silveira Alves, estando consignado no Auto de Infração que o lançamento foi limitado ao montante do quinhão, do legado ou da meação, nos termos e na forma do art. 131, II do CTN, que atribui a responsabilidade pessoal do sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; razão pela qual não há que se falar em nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Desta feita, tendo em vista que o lançamento não fez a correta apuração do fato gerador, deve ser considerado improcedente e extinto o crédito tributário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE PROVIMENTO para declarar a improcedência do lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 331DF CARF MF 12 Voto Vencedor Em que pese as doutas razões de decidir da eminente Relatora, Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, divirjo para julgar parcialmente procedente o pedido, em face ao que dispõe o art. 131, inciso II, do CTN, que ensina que a responsabilidade objetiva do pagamento de tributos deve ser atribuída ao cônjugemeeiro e aos herdeiros na medida do respectivo quinhão, ou seja, 50% dos bens integrantes do espólio ao cônjuge meeiro e 50% para partilha aos herdeiros. Assim, no presente caso, a exigência tributária referente à parte (meação) do cônjuge meeiro, que foi, ato contínuo, objeto de doação às herdeiras, é indevida. Tais exigências tributárias devem ser distintas e lançadas em seus respectivos fatos geradores, que no presente caso são dois falecimento (mãe) e imposto sobre doação o que não ocorreu. Nesse descortino entendo que são indevidos os valores lançados à tributação considerando a parte que o meeiro doou às herdeiras, já que o sujeito passivo dessa obrigação, naquele momento, era o cônjuge meeiro e não as herdeiras. Quanto ao restante do lançamento, entendo que é procedente e adoto como razões de decidir os fundamentos constantes no Acórdão proferido pela instância a quo, no que não contrariar o entendimento acima esposado. Em razão dos fundamentos adotados, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721564/2015-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
Domicílio Fiscal. Transferência. Comunicação Formal.
O contribuinte que transferir a sede de seu estabelecimento fica obrigado a comunicar a mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, observada a forma estabelecida nos atos normativos.
Recurso. Intempestividade. Pedido de Parcelamento. Ausência de Requisitos de Admissibilidade.
Não reúne condições de admissibilidade o recurso apresentado de forma extemporânea, bem como aquele que conteste débito objeto de pedido de parcelamento.
Numero da decisão: 1301-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da pessoa jurídica. Por voto de qualidade, não conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por conhecer dos recursos e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que os coobrigados fossem intimados da retificação do termo de verificação, reabrindo-se prazo para apresentação de impugnação, e a Conselheira Bianca Felícia Rothschild que votou por conhecer dos recursos e dar-lhes provimento para excluir os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DOMICÍLIO FISCAL. TRANSFERÊNCIA. COMUNICAÇÃO FORMAL. O contribuinte que transferir a sede de seu estabelecimento fica obrigado a comunicar a mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias, observada a forma estabelecida nos atos normativos. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. PEDIDO DE PARCELAMENTO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Não reúne condições de admissibilidade o recurso apresentado de forma extemporânea, bem como aquele que conteste débito objeto de pedido de parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da pessoa jurídica. Por voto de qualidade, não conhecer dos recursos voluntários dos coobrigados, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por conhecer dos recursos e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que os coobrigados fossem intimados da retificação do termo de verificação, reabrindose prazo para apresentação de impugnação, e a Conselheira Bianca Felícia Rothschild que votou por conhecer dos recursos e darlhes provimento para excluir os coobrigados do polo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 15 64 /2 01 5- 87 Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.347 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por OPP INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0268.970 (fls. 2.997 a 3.021), da 4ª Turma da DRJ Belo Horizonte, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo a integralidade do crédito tributário constituído pelos autos infração de fls. 2.750 a 2.808. A Fiscalização apurou as seguintes infrações: a) omissão de receitas caracterizada tanto por saldo credor de caixa, quanto por passivo fictício; b) custos, despesas e encargos não comprovados; c) custos contabilizados em duplicidade; d) cotas de depreciação não dedutíveis; e, por último, e) despesas financeiras não comprovadas. Diante de tais infrações, foi lançado crédito tributário relativo a IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no montante de R$ 85.118.856,26. O lançamento foi direcionado contra a pessoa jurídica, OPP INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA., e contra seus sócios, CLEBERSON CRISTIANO POLOTO FERREIRA e CLERISSON FABIANO POLOTO FERREIRA, que ingressaram no polo passivo na qualidade de responsáveis solidários. Contra a exigência fiscal foi apresentada apenas pela primeira autuada (OPP Indústria Têxtil Ltda.) impugnação, a que a DRJ BHE negou provimento, em acórdão cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. MULTA QUALIFICADA. Verificada a conduta volitiva do contribuinte em não oferecer seus resultados à tributação, é cabível a aplicação da multa qualificada, uma vez que tal conduta tem Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.348 3 claramente o intuito de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2011 MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O cancelamento de multa de ofício aplicada fundado no acolhimento do argumento de sua natureza confiscatória exigiria o exame da constitucionalidade do dispositivo legal que a instituiu e essa atividade é estranha ao contencioso administrativo, inserindose no âmbito da competência exclusiva do Poder Judiciário. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnado e incontroverso o item do lançamento cuja matéria não seja expressamente contestada e aquela com a qual o interessado concorde, em ambos os casos não se instaurando o litígio, o que a torna definitivamente consolidada na esfera administrativa. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Estando ausente o interesse recursal, mostrase imprópria a pretensão de se questionar a responsabilidade tributária imputada a terceiros, ainda que estes figurem no contrato social como sócios. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 GLOSAS DE CUSTO, DE DESPESAS E OMISSÃO DE RECEITAS. Não tendo a interessada demonstrado a improcedência das irregularidades apontadas pela fiscalização, o lançamento não deverá merecer qualquer ressalva. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento decorrente com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Não tendo a interessada demonstrado a improcedência das irregularidades apontadas pela fiscalização, o lançamento não deverá merecer qualquer ressalva. Não resignada, a recorrente se insurgiu contra a decisão. Alegou preliminarmente a tempestividade do recurso. Arguiu nulidade do acórdão recorrido e da própria intimação do acórdão. Disse, ademais, inexistir lançamento contra os sócios, sendo inválida a iniciativa de lhes imputar responsabilidade pelo crédito tributário. Acusou o cerceamento do direito de produzir provas, e invocou o princípio da verdade material. No mérito, considerou indevida a glosa de custos, pois não teria havido má fé, nem dolo, mas simples erro interno de registro contábil. Quanto à omissão de receitas, questionou o emprego de presunções. Aduziu, por outro lado, ser indevida a glosa de depreciação de veículos e aeronaves. Contestou a aplicação de multa qualificada e, por fim, alegou ofensa ao princípio da razoabilidade. Com essas razões, pediu o provimento do recurso. Os responsáveis solidários também recorreram. Em petições de mesmo teor, arguiram preliminarmente nulidade por não terem sido intimados da retificação do Termo de Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.349 4 Verificação Fiscal TVF. Alegaram também vício na formação do processo administrativo, porquanto algumas infrações teriam sido apuradas em auto de infração diverso, ao qual os recorrentes não tiveram acesso. Haveria também nulidade dos termos de sujeição passiva. Afirmaram, outrossim, não ter havido intimação do acórdão da DRJ, o qual, ademais, seria nulo por falta de diligência acerca da ausência de intimação dos recorrentes quanto à retificação do TVF. No mérito, alegaram a inaplicabilidade do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN; questionaram as glosas de despesas e deduções, bem como as omissões de receitas apuradas por passivo fictício e por saldo credor de caixa. Pugnaram, ao final, pelo provimento dos recursos. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Recurso de OPP Indústria Têxtil Ltda. O recurso de OPP Indústria Têxtil Ltda. não reúne as condições de admissibilidade. Primeiro, porque é manifestamente intempestivo; depois, por existir pedido expresso de parcelamento dos débitos objeto deste processo, o que implica a tácita desistência do recurso já interposto. A intimação do Acórdão nº 0268.970 deuse em 15/07/2016, conforme o A.R. de fl. 3.051. O recurso, porém, só veio a ser apresentado em 26/09/2016 (fls. 3.174 e 3.175), mais de dois meses depois do recebimento da decisão de primeira instância. A recorrente alegou nulidade da intimação, que não teria sido enviada para seu domicílio fiscal, transferido, dias antes, para a capital do Estado de São Paulo. A transferência do domicílio fiscal é ato da esfera jurídica do contribuinte. Porém, o exercício desse direito exige que o ato seja formalmente comunicado à Receita Federal. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, assim dispõe sobre a matéria: Art. 212. O domicílio fiscal da pessoa jurídica é (Lei nº 4.154, de 28 de novembro de 1962, art. 34, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 127): I em relação ao imposto de que trata este Livro: a) quando existir um único estabelecimento, o lugar da situação deste; b) quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, à opção da pessoa jurídica, o lugar onde se achar o estabelecimento centralizador das suas operações ou a sede da empresa dentro do País; Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.350 5 II em relação às obrigações em que incorra como fonte pagadora, o lugar do estabelecimento que pagar, creditar, entregar, remeter ou empregar rendimento sujeito ao imposto no regime de tributação na fonte. § 1º O domicílio fiscal da pessoa jurídica procuradora ou representante de residentes ou domiciliados no exterior é o lugar onde se achar seu estabelecimento ou a sede de sua representação no País (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 174). § 2º Quando não couber a aplicação das regras fixadas neste artigo, considerarseá como domicílio fiscal do contribuinte o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação tributária (Lei nº 5.172, de 1966, art. 127, § 1º). § 3º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose, neste caso, a regra do parágrafo anterior (Lei nº 5.172, de 1966, art. 127, § 2º). Art. 213. Quando o contribuinte transferir, de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município, a sede de seu estabelecimento, fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 195). § 1º As comunicações de transferência de domicílio poderão ser entregues em mãos ou remetidas em carta registrada pelo correio (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 196). § 2º A repartição é obrigada a dar recibo da entrega desses documentos, o qual exonera o contribuinte de penalidade (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 196, § 1º). § 3º As repartições fiscais transmitirão, umas às outras, as comunicações que lhes interessarem (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 196, § 2º). (g.n.) A formalização da transferência de domicílio fiscal deve ser feita com observância das disposições contidas na Instrução Normativa RFB nº 1.634/2016. No caso em tela, a recorrente não apresentou prova de que tenha feito qualquer comunicação formal de alteração de domicílio; muito menos, a comunicação prevista na aludida IN RFB nº 1.634. Sendo assim, para a Receita Federal, o domicílio da recorrente permanecia sendo aquele para o qual a intimação fora remetida. Observese que a própria recorrente, na procuração de fl. 3.340, datada de 17/10/2016, indica o estabelecimento sede como sendo o situado na "Avenida Rio Branco, s/n, Zona Rural, lote 714, Gleba Pérola, CEP 87540000, na Cidade de Pérola, Estado do Paraná", mesmo endereço para o qual a Fiscalização havia remetido a intimação do Acórdão nº 0268.970. Portanto, não houve vício na intimação, aplicandose aqui o enunciado da Súmula CARF nº 9. Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.351 6 Todavia, mesmo na hipótese de vício na intimação, o recurso não poderia ser admitido, dada a existência do pedido de parcelamento, formalizado no documento de fl. 3.344. Parcelamento tem por pressuposto o reconhecimento da dívida, que é incompatível com a vontade de impugnar a obrigação tributária. Sendo assim, a apresentação de pedido de parcelamento implica a desistência tácita de eventual impugnação ou recurso já interposto. Recursos dos responsáveis solidários Cleberson Cristiano Poloto Ferreira e Clerisson Fabiano Poloto Ferreira alegaram que, após a conclusão do lançamento, procedeuse a uma retificação do TVF, da qual nenhum dos dois teria sido intimado. Tal omissão, segundo os recorrentes, acarretaria nulidade insanável, inviabilizando a responsabilidade solidária estabelecida no lançamento. É que o vício os teria impedido de exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa. Semelhante omissão também teria se verificado quanto ao acórdão da DRJ Belo Horizonte, do qual os recorrentes também não foram intimados. Não procede a alegação dos recorrentes. Não houve cerceamento de defesa e tampouco ofensa ao contraditório. O erro apontado e corrigido pela autoridade lançadora não passa de mera imprecisão material na elaboração de uma planilha e de um item do TVF. Houve inserção incorreta de determinado valor no demonstrativo elaborado. No auto de infração, entretanto, os valores estão registrados corretamente. A retificação não alterou o montante do crédito tributário lançado, não modificou a descrição das infrações no TVF, nem o enquadramento legal. Em suma, não houve retificação dos elementos estruturais do ato administrativo: não se procedeu à qualquer mudança no valor do crédito tributário lançado, na descrição dos fatos ou nos fundamentos jurídicos. A imprecisão que foi corrigida no TVF poderia ter sido sanada a qualquer tempo, inclusive de ofício, sem que isso acarretasse qualquer prejuízo ao direito do contribuinte ou à validade do lançamento. O erro quanto a um determinado número, em um dos anexos do TVF, de forma nenhuma tangencia a essência do ato administrativo, senão em um aspecto de natureza meramente formal. Nessa linha, é o entendimento reiterado do E. Superior Tribunal de Justiça STJ, do qual é exemplo o acórdão proferido no Recurso Extraordinário nº 1.372.254 CE, de cuja ementa se pode extrair o seguinte trecho: A teor da iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o erro material pode ser corrigido a qualquer tempo, inclusive de ofício, nos termos do art. 463, I, do Código de Processo Civil, sem que isso implique em violação à coisa julgada. Nesse julgamento, o relator, o eminente Ministro Ari Pargendler, deixou assentado: A teor da iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o erro material pode ser corrigido a qualquer tempo, inclusive de ofício, nos termos do Fl. 3351DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.352 7 art. 463, I, do Código de Processo Civil, sem que isso implique em violação à coisa julgada. Entendese por erro material "aqueles equívocos facilmente observados pela simples leitura da decisão e dizem respeito à forma de expressão do julgamento, e não ao seu conteúdo, a exemplo de erros de cálculos aritméticos, erros de digitação" (AgRg na Pet n° 6.745, RJ, relator o Ministro Castro Meira). (g.n.) O erro ou imprecisão material não afeta o conteúdo do ato, nem implica nulidade. É o que se passa no caso ora em exame. Todavia, ainda que fosse decretada a nulidade do lançamento, ela jamais alcançaria o ato no seu todo, mas apenas a parte objeto da retificação. A nulidade, se existisse, ficaria restrita à parte comprometida pelo equívoco no preenchimento de uma das linhas da planilha anexa ao TVF. Se admitida a existência de vício, aos recorrentes só caberia falar sobre a parte retificada, adotandose, por analogia, a regra do art. 203 do CTN, que assim dispõe: Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo, são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada. Por outro lado, é necessário dar especial destaque ao fato de que os recorrentes não chegaram sequer a impugnar o lançamento (na sua forma original). Mesmo intimados, não manifestaram inconformismo com a exigência do crédito tributário ou com qualquer outro aspecto do lançamento. Tivessem apresentado impugnação, então se poderiam alegar que a imprecisão material produzira algum tipo de prejuízo. Mas os sócios, arrolados como responsáveis pelo crédito tributário, deixaram transcorrer o prazo, sem impugnar a exigência fiscal. Os recorrentes, frisese, incorreram em revelia. Portanto, não existindo impugnação à DRJ, não é correto, pelas regras do processo administrativo fiscal, que venham os autuados discutir o lançamento diretamente no CARF. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário de OPP Indústria Têxtil Ltda., nem dos recursos de Cleberson Cristiano Poloto Ferreira e Clerisson Fabiano Poloto Ferreira. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 10935.721564/201587 Acórdão n.º 1301002.631 S1C3T1 Fl. 3.353 8 Fl. 3353DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.010744/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/08/2010, 08/09/2010
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1.
De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir.
Numero da decisão: 3201-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário em razão da concomitância.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário em razão da concomitância. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 07 44 /2 01 0- 32 Fl. 234DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 215 em face da decisão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 205 que manteve o lançamento de II, IPI, Pis e Cofins, diante de indícios de falta de recolhimento de tributos, por importação não amparada por imunidade e, ao mesmo tempo, reconheceu a concomitância. A autoridade lavrou os Autos de Infração das fls. 87 a 105. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação dos fatos, matéria e trâmite dos autos, conforme segue: "DO LANÇAMENTO A interessada, por meio da DI nº 10/15040588, registrada em 30/08/2010, submeteu a despacho mercadoria descrita nas adições 001, 002 e 003, classificáveis na Tarifa Externa Comum nos códigos 9402.9010, 9402.9090 e 9402.9010 respectivamente, tendo sido desembaraçada a mercadoria importada por força de liminar concedida em Mandado de Segurança (nº 0013806 67.2010.4.03.6100). A fiscalização procedeu ao lançamento visando prevenir a decadência, relativamente ao II, IPI, COFINS e PIS/PASEP incidentes sobre as mercadorias importadas e seus respectivos juros de mora. O valor consolidado do crédito tributário perfaz a soma de R$ 84.685,71. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a empresa autuada apresentou tempestivamente a sua defesa, com as seguintes alegações, em síntese: a) nos termos de seu Estatuto Social, é associação de caráter beneficente, sem fins lucrativos, que se propõe a dar assistência social, moral, material e na área de saúde às pessoas necessitadas, sem distinção de raça, nacionalidade, condição social, religião, cor ou outras formas de discriminação; b) A Constituição Federal não define e nem indica quais as características essenciais, além dos fins não lucrativos, que uma entidade deve ter para que possa ser considerada de assistência social e, portanto, imune à tributação, mencionando apenas os requisitos da lei; c) informa que o CTN, em seu art. 14, determina os requisitos legais a serem atendidos para o gozo da imunidade em tela, além disso, a jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal tem exigido a prestação de assistência gratuita a pessoas carentes, atividade esta prevista expressamente no art. 10 do Estatuto Social da Impugnante. Assim, é beneficiária da imunidade tanto no que se refere aos impostos quanto às contribuições, uma vez que preenche todos os requisitos constitucionais e legais previstos; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10314.010744/201032 Acórdão n.º 3201003.157 S3C2T1 Fl. 235 3 d) o Ato Declaratório do PGFN nº 9, de 2006, dispõe sobre a dispensa de interposição de recurso nas ações judiciais que aleguem o alcance da imunidade prevista no art. 150, VI, “c” da CF ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados. Cita Acórdão da então Câmara Superior de Recursos Fiscais; e) os bens adquiridos pela Impugnante destinamse a uso próprio hospitalar dentro de suas instalações, ou seja, estão diretamente relacionados com sua finalidade essencial, em perfeita consonância com o que dispõe o artigo 150, § 4° da Constituição Federal; f) a exigibilidade do crédito está suspensa e não há que se falar em aplicação de juros pois, se o tributo não pode ser cobrado, não se pode dizer que o contribuinte encontrase em mora. Transcreve trecho de ementa de decisão do então Conselho de Contribuintes; Por fim, requer a declaração de insubsistência do auto de infração ora combatido. É o relatório." A DRJ/PE de fls. 205 publicou seu acórdão de primeira instância com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/08/2010, 08/09/2010 Ação Judicial II, IPI, PIS e Cofins lançamentos. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa dos impostos e contribuições sociais devidos, que deve ser realizado, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente a esses tributos, ficando o crédito constituído sujeito ao que vier a ser decidido, com trânsito em julgado, pela autoridade judicial. Concomitância de objeto com ação judicial. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto da ação administrativa implica em renúncia a este litígio e, em conseqüência, no impedimento da apreciação, pela autoridade administrativa, das razões de mérito, no tocante à cobrança dos tributos vinculados à importação. Lançamento para prevenir a decadência. Juros de Mora. De acordo com a legislação em vigor, os juros de mora são devidos mesmo durante o período de suspensão da respectiva cobrança por decisão administrativa ou judicial. Fl. 236DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O processo digitalizado foi distribuído e pautado nos termos do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é possível conhecêlo em razão de concomitância com processo judicial. Conforme destacado no relatório, o lançamento ocorreu diante de indícios de importação não amparada por imunidade, com expressa menção à medida judicial de fls. 185 e seguintes perante a 7.ª Vara Federal Cível de São Paulo/SP, Mandado de Segurança n° 2001380667.2010.4.03.6100. O contribuinte, tanto em Impugnação (fls. 123) quanto em Recurso Voluntário (fls. 215) alegou ser imune aos tributos em razão de ser entidade sem fins lucrativos com finalidade de assistência social e fundamentou sua alegação nos Art. 150, VI, c, da CF/88. Analisada decisão de fls. 201 proferida no âmbito judicial, é possível concluir que o Poder Judiciário trata da mesma matéria submetida à esta lide administrativa fiscal, conforme segue: Portanto, a decisão de primeira instância errou em julgar improcedente a Impugnação, uma vez que, ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário, com o reconhecimento de sua imunidade, o contribuinte optou por uma via de defesa, o que gerou concomitância, prevista na Súmula n.º 1 deste Conselho: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10314.010744/201032 Acórdão n.º 3201003.157 S3C2T1 Fl. 236 5 "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para que o Recurso Voluntário não seja conhecido, em razão da CONCOMITÂNCIA. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13331.000116/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 33 1. 00 01 16 /2 01 0- 29 Fl. 149DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13331.000116/201029 Acórdão n.º 2202004.231 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001887/2007-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 87 /2 00 7- 52 Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.382, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 6 5 SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 7 6 i) rateio das receitas de exportação O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 8 7 A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 9 8 códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 10 9 agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10950.001887/200752 Acórdão n.º 9303005.820 CSRFT3 Fl. 11 10 Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 687DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720764/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Wilson Antonio de Souza Corrêa (Suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
O presente Processo Administrativo Fiscal PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.350.518-3, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual cota patronal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.350.517-5, CFL.68 - por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/2006 a 12/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 03 e 04.
O sujeito passivo solidário foi cientificado por intermédio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 113 e 114, recebido, em 24/08/2012, conforme AR, de fls. 117.
O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição com razões impugnatórias acostadas, as fls. 123 a 172, recebida, em 17/05/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 173 a 181.
A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 182 e 183.
O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 01-28.024 - 4ª, Turma DRJ/BEL, em 11/12/2013, fls. 185 a 196.
A impugnação foi considerada improcedente.
Os contribuintes foram cientificados desse decisório, em 07/02/2014 e 28/02/2014, conforme AR de fls. 199 e 200.
Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário petição com razões recursais acostadas, de fls. 201 a 261, recebido, em 27/02/2014, desacompanhado de quaisquer documentos.
Mérito.
que é absurda a afirmação do julgador de primeiro grau de que as decisões de anulação de exclusão do SIMPLES em casos análogos, não podem ser aplicadas;
que o fisco busca resolver pendência por meios alternativos, mas isso é rechaçado pela jurisprudência, cita decisão em ADIN e súmulas citadas pela recorrente;
que no curso da decisão da exclusão do SIMPLES, não cabe cobrança do crédito tributário e muito menos que tal exclusão opere efeitos, ficando suspensa a exigibilidade do crédito;
que por força do princípio da legalidade não se pode tributar sob a presunção da existência do fato gerador, cita doutrina, devendo o fisco prova a existência do fato gerador, artigo 333, I, do CPC;
que o agente fiscal lançou mão do arbitramento, artigo 148, do CTN, sem justificativa para tal, pois teve acesso a todos os documentos, que solicitou, podendo examiná-los, estando o ato administrativo lastreado em motivos inidôneos, falsos ou inexistentes, representado exercício irregular do direito, sendo nulo, pois não se admite ato administrativo baseado em presunção;
que as leis ordinárias devem obedecer estritamente o que determinado nas leis complementares sob pena de inconstitucionalidade, sendo o CTN lei complementar;
Do pedido e do requerimento: a) que os créditos tributários sejam julgados improcedentes.
A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 262.
Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 262.
Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05, fls. 263.
É o Relatório.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Wilson Antonio de Souza Corrêa (Suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. O presente Processo Administrativo Fiscal PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.350.518-3, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual cota patronal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.350.517-5, CFL.68 - por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/2006 a 12/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 03 e 04. O sujeito passivo solidário foi cientificado por intermédio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 113 e 114, recebido, em 24/08/2012, conforme AR, de fls. 117. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição com razões impugnatórias acostadas, as fls. 123 a 172, recebida, em 17/05/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 173 a 181. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 182 e 183. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 01-28.024 - 4ª, Turma DRJ/BEL, em 11/12/2013, fls. 185 a 196. A impugnação foi considerada improcedente. Os contribuintes foram cientificados desse decisório, em 07/02/2014 e 28/02/2014, conforme AR de fls. 199 e 200. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário petição com razões recursais acostadas, de fls. 201 a 261, recebido, em 27/02/2014, desacompanhado de quaisquer documentos. Mérito. que é absurda a afirmação do julgador de primeiro grau de que as decisões de anulação de exclusão do SIMPLES em casos análogos, não podem ser aplicadas; que o fisco busca resolver pendência por meios alternativos, mas isso é rechaçado pela jurisprudência, cita decisão em ADIN e súmulas citadas pela recorrente; que no curso da decisão da exclusão do SIMPLES, não cabe cobrança do crédito tributário e muito menos que tal exclusão opere efeitos, ficando suspensa a exigibilidade do crédito; que por força do princípio da legalidade não se pode tributar sob a presunção da existência do fato gerador, cita doutrina, devendo o fisco prova a existência do fato gerador, artigo 333, I, do CPC; que o agente fiscal lançou mão do arbitramento, artigo 148, do CTN, sem justificativa para tal, pois teve acesso a todos os documentos, que solicitou, podendo examiná-los, estando o ato administrativo lastreado em motivos inidôneos, falsos ou inexistentes, representado exercício irregular do direito, sendo nulo, pois não se admite ato administrativo baseado em presunção; que as leis ordinárias devem obedecer estritamente o que determinado nas leis complementares sob pena de inconstitucionalidade, sendo o CTN lei complementar; Do pedido e do requerimento: a) que os créditos tributários sejam julgados improcedentes. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 262. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 262. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05, fls. 263. É o Relatório.
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Recorrente TRANSPORTES E LOGÍSTICA MANDALA LTDA E OUTROS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Wilson Antonio de Souza Corrêa (Suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 76 4/ 20 12 -2 1 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13971.720764/201221 Resolução nº 2202000.638 S2C2T2 Fl. 266 2 O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.350.5183, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.350.5175, CFL.68 por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/2006 a 12/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 03 e 04. O sujeito passivo solidário foi cientificado por intermédio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 113 e 114, recebido, em 24/08/2012, conforme AR, de fls. 117. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição com razões impugnatórias acostadas, as fls. 123 a 172, recebida, em 17/05/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 173 a 181. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 182 e 183. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0128.024 4ª, Turma DRJ/BEL, em 11/12/2013, fls. 185 a 196. A impugnação foi considerada improcedente. Os contribuintes foram cientificados desse decisório, em 07/02/2014 e 28/02/2014, conforme AR de fls. 199 e 200. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário petição com razões recursais acostadas, de fls. 201 a 261, recebido, em 27/02/2014, desacompanhado de quaisquer documentos. Mérito. · que é absurda a afirmação do julgador de primeiro grau de que as decisões de anulação de exclusão do SIMPLES em casos análogos, não podem ser aplicadas; · que o fisco busca resolver pendência por meios alternativos, mas isso é rechaçado pela jurisprudência, cita decisão em ADIN e súmulas citadas pela recorrente; · que no curso da decisão da exclusão do SIMPLES, não cabe cobrança do crédito tributário e muito menos que tal exclusão opere efeitos, ficando suspensa a exigibilidade do crédito; Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13971.720764/201221 Resolução nº 2202000.638 S2C2T2 Fl. 267 3 · que por força do princípio da legalidade não se pode tributar sob a presunção da existência do fato gerador, cita doutrina, devendo o fisco prova a existência do fato gerador, artigo 333, I, do CPC; · que o agente fiscal lançou mão do arbitramento, artigo 148, do CTN, sem justificativa para tal, pois teve acesso a todos os documentos, que solicitou, podendo examinálos, estando o ato administrativo lastreado em motivos inidôneos, falsos ou inexistentes, representado exercício irregular do direito, sendo nulo, pois não se admite ato administrativo baseado em presunção; · que as leis ordinárias devem obedecer estritamente o que determinado nas leis complementares sob pena de inconstitucionalidade, sendo o CTN lei complementar; · Do pedido e do requerimento: a) que os créditos tributários sejam julgados improcedentes. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 262. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 262. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05, fls. 263. É o Relatório. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13971.720764/201221 Resolução nº 2202000.638 S2C2T2 Fl. 268 4 A empresa autuada foi excluída do SIMPLES FEDERAL ADE 16 e do SIMPLES NACIONAL ADE 17 e está recorrendo em processos próprios de ambas as exclusões, processos 13971.720762/201232 e 13971.720763/201287, estando, ambos, na Primeira Seção de Julgamento, assim aplicase o que abaixo cito. O atual Regimento Interno do CARF Portaria MF Nº 343/2015 em seu artigo 6º, parágrafo 5º, abaixo, transcrito determina que o processo principal e o decorrente estejam em Seções diferentes do CARF o decorrente deverá ser baixado em diligência para a Câmara ate que o principal seja julgado. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Assim sendo, converto o julgamento em diligência para que o presente processo que é decorrente seja vinculado ao principal e fique sobrestado até o julgamento dos processos principais 13971.720762/201232 e 13971.720763/201287, devendo este ser remetido para a Secretaria da Câmara, a fim de que as providências necessárias sejam adotadas. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13971.720764/201221 Resolução nº 2202000.638 S2C2T2 Fl. 269 5 Informações Processuais Detalhe do Processo :. Processo Principal :13971.720762/201232 Data Entrada : 29/03/2012 Contribuinte Principal : TRANSPORTES E LOGISTICA MANDALA LTDA EPP Tributo : Não informado Recursos Data de Entrada Tipo do Recurso 19/12/2013 RECURSO VOLUNTARIO 06/03/2015 RECURSO VOLUNTARIO 06/03/2015 RECURSO VOLUNTARIO 02/01/2016 RECURSO VOLUNTARIO Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 22/01/2016 RETIRADO DE PAUTA POR DETERMINAÇÃO DO PRESIDENTEÓrgão Julgador: 2ª TO3ªCÂMARA1ªSEÇÃOCARFMFDFRelator: ROGERIO APARECIDO GILData da Sessão: 22/01/2016Hora da Sessão: 09:00Tipo da Pauta: OrdináriaTipo Sessão: Normal 07/01/2016 COLOCADO EM PAUTAUnidade: 2ª TO3ªCÂMARA1ªSEÇÃOCARFMF DFRelator: ROGERIO APARECIDO GILData da Sessão: 22/01/2016Hora da Sessão: 09:00Tipo da Pauta: OrdináriaTipo Sessão: Normal 02/01/2016 ENTRADA NO CARFTipo de Recurso: RECURSO VOLUNTARIOData de Entrada: 02/01/2016Unidade: 2ª TO3ªCÂMARA1ªSEÇÃOCARFMFDF Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.004413/2010-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento.
GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL.
Mantida glosa de despesa não dedutível.
Numero da decisão: 2001-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. Mantida glosa de despesa não dedutível.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. Mantida glosa de despesa não dedutível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 44 13 /2 01 0- 88 Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. Contudo, o Recurso é intempestivo. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 805,75, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2006. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, como se aqueles acostados não estivessem à representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: (...) O Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 RIR/99 consolida a legislação pertinente, dispondo sobre os requisitos legais exigidos para dedução de despesas médicas (art. 80) e pensão alimentícia judicial (art. 78): Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;(grifei) III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Fl. 70DF CARF MF Processo nº 18186.004413/201088 Acórdão n.º 2001000.142 S2C0T1 Fl. 70 3 Pessoa JurídicaCNPJ e quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) O art. 73 do RIR/99 traz as seguintes disposições do Decretolei nº 5.844/43: “Art 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, §3'). " § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4 '). ” §2—As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 11, §5°). (grifei) (...) Em princípio, os recibos fornecidos por profissional legalmente habilitado constituem documentos hábeis a comprovar a despesa médica, desde que contenham o seu nome, endereço do local da prestação de serviços e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ (antigo Cadastro Geral de Contribuintes CGC), a especificação dos pagamentos efetuados, bem como a informação precisa dos serviços prestados e o beneficiário dos mesmos, pois o direito à dedução restringese às despesas com o próprio contribuinte e seus dependentes assim considerados na forma da legislação do imposto de renda. Entretanto, tal valor probatório é relativo, pois a comprovação de despesas por meio de recibos é frágil e a apresentação destes documentos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas, não podendo a autoridade fiscal se satisfazer apenas com eles. (...) Quanto ao pagamento em espécie, tratase de forma eficaz de quitação de um débito, mas de difícil comprovação perante terceiros, como se faz necessário no caso das deduções que reduzem a base de cálculo do imposto de renda. No presente caso, o contribuinte deixa de impugnar a glosa de R$30,00, relativa a despesa não dedutível. Da análise dos autos, verifico que dos recibos anexados à impugnação, aquele relativo a Lucio Lopes Daltro consiste no mesmo que fora apresentado à autoridade fiscal lançadora (fls. 20), Fl. 71DF CARF MF 4 complementado com novos dados identificação do contribuinte como beneficiário dos serviços e endereço do profissional. (...) Como ponto de partida, a legislação define os requisitos a serem observados para que os recibos constituam prova da despesa declarada, e devem ser observados quando da emissão dos mesmos, não cabendo complementação posterior, como pretendeu o impugnante no presente caso. Ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) (...) Fl. 72DF CARF MF Processo nº 18186.004413/201088 Acórdão n.º 2001000.142 S2C0T1 Fl. 71 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal e 30 (trinta) dias para interposição do recurso já havia transcorrido na data em que foi protocolada a entrega do Recurso Voluntário. Registrese que o prazo é contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindose o do vencimento. Além disso, os prazos se iniciam e vencem em dia de expediente normal do órgão de trâmite regular do processo. De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de trinta dias, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Observase dos autos a cronologia dos acontecimentos acerca do acórdão vergastado, como segue: Acórdão da DRJ: 13.04.2011 Emissão da Intimação do Resultado: 05.05.2011 AR – Aviso de Recebimento – ciência do contribuinte: 18.05.2011. Protocolo do Recurso Voluntário: 27.06.2011 Fl. 73DF CARF MF 6 Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.002173/2001-16
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1995 a 31/08/1996
ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA DEMONSTRADA.
Demonstrada interpretação divergente da legislação tributária dos paradigmas em face da decisão recorrida, e preenchidos demais requisitos de admissibilidade, deve-se dar seguimento ao recurso.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1195 a 31/08/1996
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em julgamento submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, de 1973 (Recurso Especial nº 973.733), estabeleceu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do ocorrência do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, ainda que parcialmente (artigo 150, § 4º, do CTN), desde que não se trate de dolo, fraude ou simulação.
Numero da decisão: 9900-001.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (relator), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para afastar a decadência do período 08/1996. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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DIVERGÊNCIA DEMONSTRADA. Demonstrada interpretação divergente da legislação tributária dos paradigmas em face da decisão recorrida, e preenchidos demais requisitos de admissibilidade, devese dar seguimento ao recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1195 a 31/08/1996 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em julgamento submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, de 1973 (Recurso Especial nº 973.733), estabeleceu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do ocorrência do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado, ainda que parcialmente (artigo 150, § 4º, do CTN), desde que não se trate de dolo, fraude ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa (relator), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para afastar a decadência do período 08/1996. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 21 73 /2 00 1- 16 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 840 2 convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão nº 201127348, da Segunda Turma desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, proclamado em sessão de 24/04/2007 (fls. 685/688). Tal é a ementa do acórdão recorrido: “DECADÊNCIA — PIS — O direito à Fazenda Nacional constituir os créditos relativos para o PIS, decai no prazo de cinco anos fixado pelo Código Tributário Nacional (CTN), pois inaplicável na espécie o artigo 45 da Lei no 8212/91. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. Recurso especial do contribuinte provido.” Este acórdão foi objeto de Embargos de Declaração opostos pela PGFN, os quais foram rejeitados em 26/05/2009 (fls. 695/698). Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 841 3 A PGFN foi cientificada do acórdão dos Embargos de Declaração em 04/08/2009 (fl. 699). Recurso Extraordinário da PGFN (fls. 700/715) com entrada no órgão julgador em 11/08/2009 (vide RM de 11/08/2009). Nessa oportunidade, a PGFN aduz o seguinte: “...A Segunda Turma desta Egrégia Câmara Superior aduziu que, por ser o PIS tributo sujeito a recolhimento mediante o sistema de "lançamento por homologação", o auto de infração somente poderia ser lavrado dentro do prazo de 05 anos, a partir do fato gerador, conforme o art. 150, §4º do CTN. Interpostos embargos de declaração para que houvesse manifestação quanto à aplicação do artigo 173, I do CTN, estes foram rejeitados pela decisão de fls. 692/695. Eis a ementa do r. acórdão ora recorrido: "DECADÊNCIA — PIS O direito à Fazenda Nacional constituir os créditos relativos para o PIS, decai no prazo de cinco anos fixado pelo Código Tributário Nacional (CTN), pois inaplicável à espécie o art. 45 da Lei n°8.212/91. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. Recurso especial do contribuinte provido." Entretanto, o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0103.167 e 0103.215), sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do imposto, devendo, portanto, ser reformado, como restará demonstrado a seguir. Frisese que a decadência é matéria de ordem pública e fulmina o crédito tributário (artigo 156, V, CTN), podendo, portanto, ser reconhecida a qualquer momento, independentemente de alegação da parte. [...] A respeito do prazo para o lançamento dos tributos sujeitos a homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ora recorrida, e está representado nos acórdãos paradigmas emanados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas estão abaixo transcritas (cópia anexa): Acórdão CSRF/0103.215 "FINSOCIAL/FATURAMENTO — TRIBUTAÇÃO REFLEXA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO — DECADÊNCIA — No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo ou insuficiência do pagamento, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio. Com relação ao FINSOCIAL/FATURAMENTO, decorrente da fiscalização do IRPJ, o instituto da decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido." Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 842 4 Acórdão CSRF/0103.167 "PIS/FATURAMENTO — TRIBUTAÇÃO REFLEXA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO — DECADÊNCIA — No lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Constatada pelo Fisco falta de pagamento de tributo ou insuficiência do pagamento, objeto de auto de infração, a hipótese é de lançamento ex officio. Com relação ao PIS/FATURAMENTO, decorrente da fiscalização do IRPJ, o instituto da decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido” Abstraindose o fato de que os acórdãos tratam de tributos diversos, o fato é que a similitude entre os casos reside na modalidade do lançamento. Ambos estão, em regra, sujeitos ao chamado lançamento por homologação. E, de forma diversa da que ocorreu no presente caso, nos paradigmas se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de oficio, aplicandose a regra do artigo 173, 1 do CTN. No presente caso, assim corno nos paradigmas, verificase a falta de pagamento do tributo. Com efeito, conforme se vê do auto de infração, houve falta de recolhimento do PIS relativo às competências em questão, sendo que os recolhimentos eram devidos. Demonstrada a identidade fática entre o caso presente e os acórdãos paradigmas, bem como a solução divergente adotada, é de ser conhecido o presente recurso extraordinário. II DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO RECORRIDO O julgado recorrido entendeu aplicável à espécie o dies a quo do prazo decadencial corno sendo o constante do art. 150, § 4º, do CTN, qual seja, a data do fato gerador, independentemente do ter ou não havido recolhimento antecipado do tributo. O entendimento desta Procuradoria é que este dispositivo só se aplica no caso de ter havido efetivo pagamento adiantado do crédito tributário. Em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. Tal distinção é particularmente importante no presente caso porque, considerando o termo inicial previsto no artigo 173, a decadência do direito de lançar o PIS relativo aos períodos entre 31/12/1995 e 08/1996 (diferença entre o prazo do art. 150, §4° e o art. 173, do CTN) só se operaria em 01/01/2002, de modo que teria sido indevido o reconhecimento da decadência neste período por esta C. Turma (ciência do lançamento em 27/08/2001). E efetivamente o foi. Como se vê do auto de infração às fls. 469/472, o PIS lançado não foi recolhido parcialmente em nenhuma das competências. Não havendo pagamento antecipado, aplicase o dies a quo previsto no artigo 173, I, uma vez que não se trata mais de lançamento por homologação, mas simples lançamento ex officio. Logo, é indevida a aplicação do artigo 150, § 4°, na espécie. Merece reforma, portanto, a decisão ora recorrida, da colenda Segunda Turma, para que seja afastada a decadência do período em questão. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 843 5 Dando ensejo ao presente recurso extraordinário, a douta Primeira Turma desta Câmara Superior, diverge do entendimento abraçado pela Segunda Turma, conforme se pode perceber dos paradigmas colacionados acima. Estes perfilham a mesma tese ora esposada, entendendo que na falta de pagamento a hipótese é de lançamento ex officio, regendose o instituto da decadência pelo disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Ademais, outro não é o entendimento recente firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN. É o que se depreende do Informativo n° 250 do STJ: "LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em divida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. A Seção, ao prosseguir o julgamento, conheceu dos embargos e deulhes provimento. Precedentes citados: EREsp 101.407SP, DJ 8/5/2000; EREsp 278.727DF, DJ 28/10/2003; REsp 75.075 RJ, DJ 14/4/2003, e REsp 106.593SP, DJ 31/8/1998. EREsp 572.603PR, Rel. Min. Castro Meira, julgados em 8/6/2005". Consoante essa linha de interpretação, o art. 150, §4° do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um pagamento antecipado. Não existindo tal pagamento, o lançamento se dá de oficio, com fulcro no art. 149, V, do CTN. Portanto, o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°, aplicável na hipótese de efetiva antecipação de pagamento. [...] Acrescentese, ainda, as ponderações e conclusões jurídicas constantes do parecer PGFN/CAT n° 1617/2008, aprovado pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional e pelo Ministro da Fazenda, que trata, inclusive, da forma de contagem dos prazos de decadência e prescrição tributários (art. 150, § 4° e art. 173, I, ambos do CTN): […] III CONCLUSÃO O art. 173, I do CTN dispõe que o prazo decadencial para o lançamento de ofício é de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Logo, quanto aos fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1995 (vencimento em 01/1996) e agosto de 1996, o lançamento poderia ter sido Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 844 6 efetuado até 01/01/2002. Como a notificação do sujeito passivo acerca do auto de infração deuse em 27/08/2001, não há que se cogitar de decadência no período mencionado. Frisese que, quanto aos períodos posteriores a setembro de 1996 não há qualquer discussão acerca de decadência. Em face do exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) seja conhecido e provido o presente Recurso Extraordinário, para afastar a decadência no período entre 12/1995 e 08/1996, apontada pela e. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez que efetuado dentro do prazo legalmente fixado (art. 173, I, do CTN).” (grifos no original) O Recurso Extraordinário foi admitido por despacho de 14/01/2011 (fls. 717/718). O Contribuinte foi intimado a apresentar contrarrazões ao Recurso Extraordinário da PGFN em 09/06/2017 (efl. 819). Prazo transcorrido in albis. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Extraordinário foi interposto no dia 11/08/2009 contra acórdão da Segunda Turma desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, proclamado em sessão de 24/04/2007, formalizado em 25/02/2009. Deuse ciência em 17/04/2009 à PGFN, que opôs Embargos de Declaração às fls. 692/695, os quais foram rejeitados, cientificandose a PGFN dessa decisão em 11/08/2009. Portanto, o presente Recurso Extraordinário é tempestivo. Ainda em sede de preliminar, impõese destacar, no que diz respeito ao Recurso Extraordinário, a dicção do artigo 3º do vigente Regulamento do CARF, instituído pela Portaria MF nº 343/2015, verbis: “Art. 3º. Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento.” Além disso, cabe chamar a atenção para o fato de que, na data da interposição deste Extraordinário, vigia o artigo 4º do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que tem redação idêntica à redação do artigo 3º do vigente Regimento Interno do CARF. Anotese que o artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, mencionado no artigo 3º do atual Regimento Interno do CARF e no artigo 4º do Regimento Interno anterior, estabeleceu a competência do Pleno para “julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 845 7 lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, o julgamento do Recurso Extraordinário previsto no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, de 2007, compete ao Pleno da CSRF, quer sob a dicção do Regimento Interno atual, quer sob a dicção do Regimento Interno vigente na data da interposição do aludido recurso. E mais: seja por determinação do Regimento Interno atual, seja por determinação do Regimento Interno de 2009, o processamento deste feito deve seguir o disposto nos artigos 43 e 44 do Regimento Interno da CSRF de 2007, assim redigidos: “Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9º deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º O recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2º A cópia de publicação de ementa referida no § 2º, quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3º O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. § 4º Interposto o recurso extraordinário, compete ao Presidente, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. § 5º Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso extraordinário poderá ser parcial. § 6º É definitivo o despacho do Presidente que negar seguimento ao recurso extraordinário. Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite: I quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurandoselhe o prazo de quinze dias para oferecer contrarazões; e II quando se tratar de recurso extraordinário interposto pelo sujeito passivo, o Procurador da Fazenda Nacional será intimado pessoalmente para oferecimento de contrarazões, no prazo de quinze dias. “ Nos termos do artigo 43, § 1º, do Regimento Interno da CSRF, de 2007, em combinação com o artigo 3º do vigente Regimento Interno do CARF, a admissibilidade do Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 846 8 Recurso Extraordinário está subordinada à demonstração da divergência de interpretação de dispositivo normativo. Para a aferição da divergência suscitada nos presentes autos, é imprescindível observar o seguinte trecho da decisão recorrida: “A jurisprudência majoritária do Egrégio Conselho de Contribuintes, com relação à questão do prazo decadencial para a constituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação como é o caso do PIS , posicionase no sentido de que o prazo é de cinco anos. (grifei) O prazo decadencial para o PIS é de cinco anos, devendose subordinar a Fiscalização para fins de preservar seu direito de efetuar o lançamento (de oficio) ao disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, ou seja, aplicável independentemente de haver pagamento ou não do tributo em questão, conforme vasta jurisprudência deste Colegiado Superior. Ou seja, equivocada foi a aplicação do artigo 173, I, CTN, pelo acórdão recorrido (fatos geradores ocorridos até 31/12/1995). In casu, portanto, quanto aos créditos tributários objetos do Auto de Infração cientificado em 27/08/2001 (fatos geradores setembro de 1995 a dezembro de 1999), necessária é a revisão e reforma do acórdão recorrido; pois que em verdade restou decaído o direito da Fazenda.Nacional lançar os valores referentes aos fatos geradores anteriores a setembro de 1996, pois aplicável à espécie o artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, conforme entendimento deste Colegiado Superior, ao qual estou me curvando, friso por relevante.” Ainda para a aferição da divergência suscitada, reproduzemse os excertos abaixo, colacionados, dessa feita, dos acórdãos ofertados como paradigmas, com vistas ao cotejo com o acórdão recorrido. Em primeiro lugar, trazse à colação o voto condutor do acórdão nº CSRF/01 03.215, redigido pelo exConselheiro Cândido Rodrigues Neuber: “Conforme consta dos autos, o lançamento decorre de ação fiscal desenvolvida na empresa interessada e, por tributação reflexa, exigese contribuição ao FINSOCIAL/FATURAMENTO, referente ao períodobase de 1984, exercício de 1985. Inicialmente, cumpre registrar que a Colenda Quarta Câmara, ora recorrida, por maioria de votos, acolheu a preliminar da decadência, cuja ementa é a seguinte: "FINSOCIAL FATURAMENTO DECADÊNCIA A Fazenda Nacional decai do direito de constituir o crédito tributário relativo a contribuição para o FINSOCIAL, após cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, na forma estabelecida nos artigos 150, § 4°. do Código Tributário Nacional (Lei n°. 5.172/66)" A forma de lançamento de diversos tributos, se por declaração ou homologação, tem sido objeto de amplo debate neste Colegiado. Porém, abstraindose dessa discussão, o certo é que, no caso presente, estamos diante do lançamento de ofício, portanto efetuado pela autoridade tributária, por constatação de omissão de receitas à tributação, por parte da contribuinte. (grifei) Neste caso, o entendimento reiterado deste Colegiado é no sentido de que o prazo decadencial é regido pela regra contida no artigo 173 do Código Tributário Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 847 9 Nacional CTN, conclusão a que se chega da interpretação integrada dos seus artigos 149, inciso V; 150, § 4° ; e 173, inciso I, a saber: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por falta da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte, [...] Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º. O pagamento antecipado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento [...] § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art.. 173. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." (Destaquei) No Acórdão n° CSRF/011.563, do qual fui relator, expressei esse entendimento e, por pertinente, transcrevo trecho do voto: "[...] Há tributos, como o imposto de renda na fonte (IRF), cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 848 10 pagamento se diz, então, antecipado e a autoridade o homologará expressamente (CTN art 150, caput) ou tacitamente, pelo decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador (art. 150 § 4º CTN). A homologação, quer expressa, quer tácita, na modalidade de lançamento de que se ocupa o artigo 150, não implica decadência do direito de lançar, mas, ao contrário, traduz o exercício mesmo desse direito. A homologação, sob qualquer de suas duas formas (expressa ou tácita), representa a afirmação administrativa de que o pagamento antecipado condiz com o tributo devido E que nada mais há para ser exigido. Vêse, pois, que a homologação é o exercício do direito de lançar e não sua preclusão. (grifei em negrito) Mas a homologação, expressa ou tácita, para que se dê, pressupõe uma atividade do contribuinte: o pagamento prévio determinado em lei. Sem ele não há fato homologável. (grifei) Dai estabelecer o art. 149, V, do CTN que 'quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o art. seguinte' o lançamento é efetivado de ofício. Nada mais lógico: se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V): se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V). Como se vê, não tendo havido pagamento antecipado, não há que se falar em homologação do artigo 150 do CTN prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do artigo 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do artigo 173 do CTN". (grifei) Naquela assentada demonstrei que esse entendimento também encontrou guarida no Poder Judiciário, como se pode ver do n° 2 da ementa do acórdão do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR, nos Embargos Infringentes na Apelação Cível n° 75 165SP, onde se lê: "2 Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a exemplo das contribuições previdenciárias, é obrigação do sujeito passivo antecipar o pagamento. A falta deste que é a hipótese dos autos ou a sua realização em desacordo com os Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 849 11 critérios legais, no que concerne ao montante e a época do recolhimento, configura conduta omissiva, autorizando o lançamento ex officio; neste caso, o prazo de cinco anos para o fisco 'constituir o crédito' de ofício começa a contar 'do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado' (Código Tributário Nacional, art. 173, I)" (Destaquei). Embora o Acórdão n° CSRF/011.563 trate de imposto de renda na fonte e o Acórdão do T F.R. trate de contribuições previdenciárias, o entendimento exposto aplicase, em sua plenitude, ao caso dos autos, relativo ao FINSOCIAL/Faturamento, pois a tese levantada considera que a falta de pagamento antecipado, ou o pagamento em desacordo com a legislação aplicada, quanto ao montante e à época do recolhimento, autoriza o lançamento ex officio, sendo o direito de lançar regido pelo artigo 173 do CTN, já que, neste caso, não há fato passível de homologação. No caso presente, o período de apuração fiscalizado foi o do períodobase de 1984, exercício de 1985, cujo lançamento poderia ser realizado até o exercício 1990, inclusive. Logo, por força do artigo 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguirseia com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao em que o tributo poderia ter sido lançado (01/01/1986), com termo final em 31 de dezembro de 1990. Entretanto, considerando que a declaração de rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi apresentada em 08/05/1985, segundo informação de fls 25, o termo final para que o Fisco pudesse efetuar o lançamento retroagiu a 08/05/1990, pela regra do artigo 173, parágrafo único, do CTN. Como a contribuinte foi cientificada da autuação em 31/01/1990, data consignada no Auto de Infração n°. 827/90, fls. 01, ainda não havia transcorrido o lustro decadencial. Como se pode ver, de acordo com o voto condutor do acórdão nº CSRF/01 03.215, a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN impunhase ao caso então julgado, não porque a contribuição exigida no auto de infração é espécie de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas por ter sido objeto de lançamento de ofício. Isso está mais claro na parte do voto onde se lê que "a homologação, expressa ou tácita, para que se dê, pressupõe uma atividade do contribuinte: o pagamento prévio determinado em lei. Sem ele não há fato homologável." Em seguida, o aresto destacado arremata com a assertiva de que, uma vez comprovada a "omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte, o lançamento é efetivado de ofício". Portanto, a tese jurídica que prevaleceu no voto nº CSRF/0103.215 não favorece a Fazenda Nacional, já que não é a mesma que almeja ver aplicada, por este colegiado, na solução do litígio em julgamento. Neste Recurso Extraordinário, a PGFN pleiteia a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN ao argumento de que o tributo cobrado nos presentes autos está sujeito à sistemática das antecipações obrigatórias, independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, ou seja, exigência subjugada à disciplina normativa do lançamento por homologação. Porém, para o acórdão ofertado como paradigma, operase, em caso de descumprimento daquelas antecipações, um deslocamento do tributo para o regime do lançamento de ofício, ao qual estaria atrelado o artigo 173, inciso I, do CTN, no que diz Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 850 12 respeito ao prazo e o dies a quo relativos à decadência do direito estatal de constituir o crédito tributário. Assim, o aresto ofertado como paradigma em nada auxilia a pretensão da recorrente, pois a tese jurídica constitutiva da ratio decidendi do suposto paradigma é distinta da tese jurídica articulada no Recurso Extraordinário, razão pela qual devese rejeitar o acórdão trazido a lume com o objetivo de sustentar que o CARF, em algum momento, já acolhera a tese jurídica agora exposta na instância extraordinária. Desnecessário replicar o voto condutor do acórdão nº CSRF/0103.167, também redigido pelo exConselheiro Cândido Rodrigues Neuber, já que adota a mesma tese jurídica que orientou o acórdão nº CSRF/0103.215. A única diferença entre tais acórdãos reside no fato de que, neste último, debateuse sobre a decadência do lançamento de PIS/Faturamento, ao passo que, no primeiro, a discussão cingiuse à decadência do lançamento de Finsocial/Faturamento, embora sejam ambos referentes a períodos de apuração do ano calendário de 1984. No mais, os votos condutores dos citados arestos são absolutamente iguais. Por conseguinte, a tese jurídica consolidada no acórdão nº CSRF/0103.167 não é aquela que a PGFN quer ver adotada no caso em julgamento, motivo por que não se pode acolhêlo para fins de demonstração da divergência. Entendase que o Recurso Extraordinário previsto no artigo 43 do Regimento da CSRF, de 2007, sob os influxos do interesseutilidade, não se compatibiliza com a pretensão de se aplicar tese jurídica não confirmada em acórdão ofertado como paradigma. Isso porque, pela via do Recurso Extraordinário, admitiase, nos termos do Regimento da CSRF, de 2007, em caráter exclusivo, a dedução da pretensão de que o caso em julgamento viesse a ser decidido de acordo com a tese jurídica demonstrada em voto condutor do acórdão paradigma. Em face do exposto, não conheço do Recurso Extraordinário da PGFN. Caso vencido, prossigo no mérito. A questão a ser solucionada, no mérito, já está pacificada. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp nº 973.733, na sistemática dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, assim decidiu: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 851 13 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." O Termo de Constatação e Verificação de Irregularidades, à fl. 465, remete a apuração das diferenças do PIS/PASEP lançadas de ofício, nos presentes autos, às planilhas de fls. 453/457. Nestas, é possível reparar que a Fiscalização efetuou o cotejo entre as bases de cálculo dos valores lançados em DCTF e as bases de cálculo deduzidas com base na escrituração do Livro de Registro de Saídas. Uma vez constatada a existência de diferenças não confessadas em DCTF, procedeuse ao lançamento de ofício para a cobrança dos valores não declarados, cobrindose, neste lançamento, fatos geradores ocorridos entre setembro/1995 a maio de 1999 e entre outubro e dezembro/1999. Em sede de Recurso Especial, a Segunda Câmara da CSRF proclamara decisão no sentido de que o lançamento de ofício já havia sido fulminado pela decadência, em relação aos fatos geradores anteriores a setembro/1996. Na instância extraordinária, a PGFN reclama o afastamento da decadência para os fatos geradores compreendidos no período entre dezembro/1995 e agosto/1996. Para a solução da controvérsia posta, impende sublinhar, antes de tudo, que o recorrido tomou ciência do lançamento de ofício no dia 27/08/2001, à fl. 487. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 852 14 A contribuição para o PIS/PASEP exigida no auto de infração ora contestado é tributo que se conforma à sistemática do lançamento por homologação, porquanto, em consonância com o artigo 150 do CTN, a lei atribui ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de antecipar o pagamento da referida exação, sem o prévio exame da autoridade administrativa. Ademais, na instância ordinária, onde se exauriu a instrução probatória, restou comprovado, conforme relata o voto condutor do acórdão nº 20178.424, do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, à fl. 606, que, “no caso sob exame, houve pagamento antecipado ou parcelamento de débitos em todos os períodos de apuração levantados pela Fiscalização”. Com efeito, essa afirmação é ratificada pela planilha elaborada pelo autuante às fls. 458/459. Sendo assim, devese reconhecer a decadência do lançamento tributário somente para os fatos geradores ocorridos entre dezembro de 1995 e julho de 1996, já que, consoante a tese jurídica orientadora do mencionado acórdão proclamado no julgamento do Resp nº 973.733, devese aplicar ao caso em exame o artigo 150, § 4º, do CTN, porquanto, não se tratando de dolo, fraude ou simulação, o pagamento exigido em lei foi parcialmente efetuado ou o débito declarado em DCTF. Ressaltese, todavia, que a maioria dos Conselheiros deste Pleno entende que a tese jurídica adotada pelo STJ é consistente com a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN apenas aos casos em que a lei prevê o pagamento e este é realizado, ainda que parcialmente, desde que não se trate de dolo, fraude ou simulação. Diante disso, o fato gerador correspondente ao mês de agosto de 1996, que se considera consumado no último dia desse mês (dia 31/08/1996), não está abarcado pela decadência, pois o autuado tomou ciência do lançamento de ofício no dia 27/08/2001, isto é, anteriormente ao término do prazo de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, em consonância com o já mencionado artigo 150, § 4º, do CTN. Portanto, uma vez vencido na preliminar, dou provimento parcial ao Recurso Extraordinário da PGFN para afastar a decadência do lançamento em relação ao mês de agosto de 1996. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 853 15 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Peço vênia para discordar o i. Relator em relação à admissibilidade do recurso especial da PGFN. Foi externada preocupação em relação ao fato de uma possível incongruência entre a tese defendida pela PGFN no mérito e no paradigma apresentado. Entendeu o i. Relator que no paradigma foi defendida tese no sentido de que, no lançamento por homologação, o que se homologa é o pagamento, e não havendo pagamento, cabe lançamento de ofício, razão pela qual se aplica o art. 173, inciso I do CTN. Por sua vez, ao adentrar no mérito aduz o i. Relator Neste Recurso Extraordinário, a PGFN pleiteia a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN ao argumento de que o tributo cobrado nos presentes autos está sujeito à sistemática das antecipações obrigatórias, independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, ou seja, exigência subjugada à disciplina normativa do lançamento por homologação. Porém, para o acórdão ofertado como paradigma, operase, em caso de descumprimento daquelas antecipações, um deslocamento do tributo para o regime do lançamento de ofício, ao qual estaria atrelado o artigo 173, inciso I, do CTN, no que diz respeito ao prazo e o dies a quo relativos à decadência do direito estatal de constituir o crédito tributário. Assim, o aresto ofertado como paradigma em nada auxilia a pretensão da recorrente, pois a tese jurídica constitutiva da ratio decidendi do suposto paradigma é distinta da tese jurídica articulada no Recurso Extraordinário, razão pela qual devese rejeitar o acórdão trazido a lume com o objetivo de sustentar que o CARF, em algum momento, já acolhera a tese jurídica agora exposta na instância extraordinária. Passo ao exame, discorrendo sobre dois aspectos. Primeiro, sobre o que se caracteriza como divergência. No presente caso, entendo que o cerne da discussão consiste em, se ausente o pagamento, qual dispositivo se deve aplicar, o art. 150, §4º do CTN, ou o art. 173 do CTN. Outra coisa é discutir a tese que ampara cada uma das pretensões. Como se sabe, a matéria no decorrer do tempo sofreu inúmeras apreciações, com diferentes interpretações, consolidandose recentemente com o REsp nº 973.733, julgado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973. Para fins de admissibilidade, logrou a PGFN demonstrar um paradigma que apresentou interpretação divergente com a do acórdão recorrido. Ponto central é a existência ou não do pagamento, e isso foi debatido nas decisões recorrida e paradigma, cada qual externando um entendimento. Observase que no recorrido, discorre a decisão que o art. 150, §4º, é aplicável independentemente de haver pagamento ou não do tributo em questão. Por sua vez, no paradigma, entendese que a ocorrência de pagamento é fator crucial, porque, não ocorrendo o recolhimento, não há que se falar em homologação, e por isso o lançamento deve ser de ofício no qual se aplica o art. 173, inciso I do CTN. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 854 16 Ora, tal confronto já é suficiente para caracterizar a divergência para fins de admissibilidade do recurso. Segundo, da leitura do recurso extraordinário da PGFN, compreendi que no mérito defendese a tese apresentada pelo paradigma. Transcrevo excerto do recurso, no mérito: O entendimento desta Procuradoria é que este dispositivo só se aplica no caso de ter havido pagamento adiantado do crédito tributário. em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espenque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial o prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. (...) Dando ensejo ao presente recurso extraordinário, a douta Primeira Turma desta Câmara Superior, diverge do entendimento abraçado pela Segunda Turma, conforme se pode perceber os paradigmas colacionados acima. Estes perfilham a mesma tese ora esposada, entendendo que na falta de pagamento a hipótese é de lançamento ex officio, regendose o instituto da decadência pelo disposto no art. 173, inciso I, do CTN. (...) Consoante essa linha de interpretação, o art. 150, § 4º do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um pagamento antecipado. Não existindo tal pagamento, o lançamento se dá de ofício, com fulcro no art. 149, V, do CTN. Portanto, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, § 4º, aplicável na hipótese de efetiva antecipação de pagamento. (Grifei) Na sequência, a PGFN apresenta as conclusões do parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, mas num contexto de argumentação complementar. Diz a PGFN: Acrescentese, ainda, as ponderações e conclusões jurídicas do parecer(...). Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10875.002173/200116 Acórdão n.º 9900001.014 CSRFPL Fl. 855 17 Fl. 855DF CARF MF
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