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4676557 #
Numero do processo: 10840.000473/99-55
Data da sessão: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PAF. Não se conhece do recurso especial se a divergência não foi comprovada. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/03-05.235
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto

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Acórdão n2 : CSRF/03-05.235 PAF. Não se conhece do recurso especial se a divergência não foi comprovada. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por POSITIVA RELATÓRIOS E PERÍCIAS S/C LTDA, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. atC É/. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE iwrixea / tDAU!RI—O RELATORA FORMALIZADO EM: 04 MAI 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Substituto Convocado), LUÍS ANTONIO FLORA, NILTON LUIZ BARTOLI e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. =Dl 4 Processo :10840.000473/99-55 Acórdão ri° : CSRF/03-05.235 Recurso n? : 302-124511 Recorrente : POSITIVA RELATÓRIOS E PERÍCIAS S/C LTDA Interessada : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO O presente recurso especial, interposto pela contribuinte, com fulcro no artigo 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, versa sobre decisão que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do ato declaratório argüida pela empresa. Os fatos constantes dos autos podem ser resumidos da seguinte forma: a empresa foi excluída do Simples em 09/01/1999, mediante Ato Declaratório do Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto/SP, por desempenhar atividade não permitida. A DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve a exclusão e a Câmara recorrida a confirmou, afastando a preliminar de nulidade do ato por falta de especificação do dispositivo legal supostamente infringido. A empresa recorre, alegando que a decisão exarada no acórdão recorrido não pode prosperar, tendo em vista que o ato declaratório de exclusão, por ser um ato administrativo, deve observância às formalidades da lei. No caso em tela, não houve tal obediência, uma vez que não ocorreu a correta e específica descrição da disposição legal infringida, o que acarretou lesão ao direito de defesa da recorrente. Traz e defende a posição contida nos Acórdãos 202-12496, 202-12209 e 202-12420. O então Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta contra- razões, defendendo a manutenção do acórdão recorrido, aduzindo que a empresa não logrou comprovar a divergência jurisprudencial. É o relatório. "heti 2 Processo n.2 :10840.000473/99-55 Acórdão n2 : CSRF/03-05.235 VOTO Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora. Entendo que o presente recurso não pode ser conhecido, haja vista a inexistência de divergência. A empresa foi excluída por exercer atividade não permitida para o Simples, conforme disposto nos artigos 9 2 a 16 da Lei n 2 9.317/96, com as alterações da Lei n2 9.732/98. Alega a nulidade do ato declaratório de exclusão, que não estaria revestido das formalidades legais, por não conter o dispositivo legal infringido. Apresenta, como paradigmas, ementas de três julgados de Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, que comprovariam a divergência. Todavia, nenhum dos três é suficiente para comprová-la. Os Acórdãos 202-12209 e 202-12420 rejeitaram a alegação de nulidade invocada pela contribuinte. O terceiro acórdão, embora tenha acatado a nulidade de ato declaratório de exclusão, tratou de matéria diferente da que está sendo julgada. Naquele caso, o ato declaratório foi declarado nulo porque a autoridade fazendária havia enquadrado a contribuinte em categoria profissional diferente da que ela de fato exercia. Portanto, como não restou comprovada a divergência, voto por não tomar conhecimento do recurso especial da contribuinte. Sala das Sessões - DF, em 12 de fevereiro de 2007. ANELISE DAUDT PRIETO • 3 Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1

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4674078 #
Numero do processo: 10830.004462/88-29
Data da sessão: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2003
Ementa: " CONCOMITANCIA DE ESFERAS - A ajuizamento de Ação Anulatória, antes do julgamento final do processo na esfera administrativa importa em renúncia ao direito de discutir a matéria nesta instância. Recurso de Divergência que não se conhece, mantendo-se integralmente a decisão recorrida
Numero da decisão: CSRF/03-03.558
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em face da opção pela via judicial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI

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ementa_s : " CONCOMITANCIA DE ESFERAS - A ajuizamento de Ação Anulatória, antes do julgamento final do processo na esfera administrativa importa em renúncia ao direito de discutir a matéria nesta instância. Recurso de Divergência que não se conhece, mantendo-se integralmente a decisão recorrida

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Recurso de Divergência que não se conhece, mantendo-se integralmente a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ELANCO QUÍMICA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em face da opção pela via judicial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. E N PEREI DRIGUES PRESIDENTE AOT" —No ARTO FORMALIZADO EM: 1 8 A GO 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros:CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e JOÃO HOLANDA COSTA Processo n° :10830.004462/88-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.558 Recurso n° : RD/301.0.314 Recorrente : ELANCO QUÍMICA LTDA. RELATÓRIO Adoto como relatório aquele elaborado na Resolução n° CSRF/03-0.049, de fls. 292/296, de minha relatoria, que converteu o julgamento do presente feito em diligência: (ler relatório de fls. 293/295) Mencionada Resolução determinou que fosse certificado pela repartição de origem o objeto da lide em curso na 148 Vara Federal de São Paulo, com o objetivo de se verificar da eventual possibilidade de coexistir decisões desta Corte e da Justiça Federal. Retornando à origem, foi anexada aos autos, às fls. 309/364, cópia da Ação Ordinária Anulatória de Lançamentos Fiscais, ajuizada perante a 148 Vara Federal de São Paulo, de n° 1999.61000134980. Após, os autos retornam à essa Corte para julgamento definitivo. É o relatório. 2 Processo n° :10830.004462/88-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.558 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator A inicial da Ação Ordinária Anulatória de Lançamentos Fiscais, acostada aos autos às fls. 3091364, em atendimento à Resolução desta Câmara Superior, não deixa dúvidas que a mesma está a questionar a exigência fiscal lançada neste exato processo. A conclusão inquestionável advém da pura e simples leitura do pedido constante da referida ação judicial, in litteris: "Diante do exposto é a presente para requerer a V.Exa. se digne determinar a citação da Ré na pessoa do seu representante legal para, querendo, vir responder aos termos da presente ação, a qual pede e espera a Autora seja julgada procedente para o fim de serem anulados os lançamentos fiscais decorrentes dos Autos de Infração lavrados em 14.12.88, que deram origem aos procedimentos administrativos n°s 10.830.004459/88-14 e 10.830.004462188-29, cujas exigências foram mantidas por decisões do Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já tendo a Autora sido intimada para pagar o débito em relação ao primeiro processo acima, conforme Intimação n° 10831 SASAR 046/89, estando na iminência de receber a intimação em relação ao segundo processo."(grifei) Assim, percebe-se que a Recorrente, mesmo antes do julgamento definitivo do presente processo, antevendo o seu julgamento, houve por bem ajuizar Ação Anulatória, ficando evidente a renúncia ao direito de permanecer discutindo a exigência fiscal na esfera administrativa. A concomitante existência de ação judicial e administrativa com as mesmas partes e idêntico objeto impede o julgamento de mérito nos autos da segunda, em vista do que dispõe o ADN n° 03/96. 3 Processo n° :10830.004462/88-29 Acórdão n° : CSRF/03-03.558 No caso presente a impossibilidade de julgamento do mérito da questão de fundo, nesta instância, se acentua uma vez que a própria Recorrente ajuizou Ação Anulatória do débito constante desses autos, não só renunciando mas dando como encerrada a questão na esfera administrativa, em inquestionável desistência, mesmo que tácita, do recurso interposto. Ante o exposto, NÃO CONHECÇO do Recurso de Divergência de fls. 187/209, uma vez que a recorrente renunciou à discussão na esfera administrativa, com o ajuizamento de Ação Anulatória, visando o cancelamento da exigência fiscal objeto destes autos, devendo ser mantida integralmente a decisão recorrida. Sala de Sessões – DF, em 30 de junho de 2003. ,P2Iton iir árto—li; 4 Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1

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4650513 #
Numero do processo: 10305.001303/96-11
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - ADMISSIBILIDADE - Para que se caracterize a divergência jurisprudencial e caso haja mais de um fundamento na decisão, cada um por si só suficiente, todos devem ser enfrentados no recurso especial de divergência. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/01-05.545
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Henrique Longo

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Sessão de :19 de setembro de 2006 Acórdão : CSRF/01-05.545 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - ADMISSIBILIDADE - Para que se caracterize a divergência jurisprudencial e caso haja mais de um fundamento na decisão, cada um por si só suficiente, todos devem ser enfrentados no recurso especial de divergência. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Primeira da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Coiti MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE • II Aire 11/4Jos,,,,„ o LO R • iiik FORMALIZADO EM: 26 DEZ 2006 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, MÁRCIO MAÇHADO CALDEIRA, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, JOSÉ CLÓVIS ALVES, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Rr Processo n° :10305.001303/96-11 Acórdão : CSRF/01-05.545 Recurso n° :107-136767 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : JAMYR VASCONCELLOS S.A. RELATÓRIO A Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial contra decisão da 7a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes (Acórdão 107-07.445, em 03/12/2003, fls. 400 e segs.) que, por unanimidade de votos, afastou a exigência decorrente da constituição da reserva de lucros sem anterior oferecimento à tributação; isto é, teria havido, no entendimento do agente fiscal, excesso de correção monetária devedora. A ementa do acórdão está assim redigida: IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA — O lançamento da reversão de provisão da CSL, como ajuste de exercícios anteriores no Patrimônio Líquido, tem o condão de restabelecer o lucro líquido do período ajustado, pelo que não procede a glosa de correção monetária decorrente do ajuste contábil. Resumidamente, os fundamentos da decisão foram dois: (i) é ilegítima a conclusão do Fisco de ser ônus do contribuinte a prova de não ter aproveitado concomitantemente a correção monetária do Património Líquido e a título de provisão para Reserva de Lucros Acumulados, e (ii) houve reversão contábil da provisão e isso restaurou as contas do Patrimônio Líquido encerrado em dezembro de 1990, e seria correto que se atribuíssem os efeitos decorrentes da correção monetária de balanço. O Recurso Especial de fls. 419 sustenta em suma que não há prova que suporta as alegações do contribuinte; pois, se aquela provisão não foi deduzida no próprio período-base onde foi constituída, mas sim adicionada ao patrimônio líquido, caberia a reversão da referida operação equivocada ou, pelo meno 2 a APS44,1/4 . . Processo n° :10305.001303/96-11 Acórdão : CSRF/01-05.545 recolher o tributo nos períodos posteriores a título de postergação do tributo, sendo que não se demonstrou a reversão ou postergação; assim, o ônus da prova é do recorrido. Na parte "Do Direito" do Recurso cita dispositivo do Código de Processo Civil (art. 333) e do PAF (art. 16), acerca do ônus da prova, bem como transcreve parte de obra de doutrinadores sobre o ônus da prova, e conclui: "Da lição acima e dos precedentes retro mencionados, concluímos ser indubitável que competia ao Recorrido a assunção do ônus da prova". A empresa interessada apresentou suas contra-razões sustentando em suma que o recurso se apóia no tema ônus da prova, mas a acusação fiscal foi outra, e que a discussão deveria ficar restrita aos limites estabelecidos desde o início do processo. Ademais não houve demonstração da divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma, levando em conta que no caso dos autos o julgamento foi fundamentado na decisão do mandado de segurança impetrado pelo recorrido, e nos demais casos, não. No mérito, sustentou o acórdão recorrido. É o Relatório. Éjs 3 Processo n° :10305.001303/96-11 Acórdão : CSRF/01-05.545 VOTO Conselheiro JOSÉ HENRIQUE LONGO, Relator. Parece-me que não está presente requisito basilar para conhecimento do Recurso Especial, qual seja o da contradição e apresentação de divergência em relação aos argumentos que sustentaram a decisão recorrida. Com efeito, no presente caso, a decisão da 7 11 Câmara se baseou no seguinte: a) "Não é cabível exigir do contribuinte a prova negativa, como pretende o Fisco. O Processo Administrativo Fiscal é regido pelo principio da verdade material e, para alcançar esse princípio basilar do direito tributário, é questão fundamental que o lançamento realizado possua prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo." b) "Mas, ainda que assim não fosse, o lançamento, quanto a este item, de qualquer sorte não pode prevalecer, dado que a reversão da provisão feita pela recorrente teve o condão de restaurar as contas de Patrimônio Líquido do balanço encerrado em dezembro de 1990, que justamente no montante transferido do passivo para o Patrimônio Liquido, deixara de ser corrigido. Daí porque, tratando-se de reversão em questão de lucro relativo ao ano de 1990, nada mais justo e correto do que a ele se atribuir os efeitos decorrentes da correção monetária de balanço, tal qual feito pela recorrente? Aliás, foi observado pela própria recorrente que o Acórdão guerreado adotara dois fundamentos. 4 k Air 11 . .-• ,. . , • ,• • Processo n° :10305.001303/96-11 Acórdão : CSRF/01-05.545 Entretanto, o Recurso Especial contém apenas argumentos contra o primeiro dos fundamentos do Acórdão — ônus da prova. Assim, não estão preenchidos os pressupostos para conhecimento do Recurso se verificado que, ainda que adotado o entendimento do recorrente, haveria ainda outro(s) fundamento(s) que sustenta(m) a decisão recorrida. É que, ainda que afastado o fundamento rebatido pela recorrente, remanesceria o outro que é por si só suficiente para manutenção da decisão, motivo pelo qual todos os argumentos da decisão recorrida, se cada um deles for suficiente por si mesmo, devem ser combatidos pelo recorrente. Esta E. Turma já decidiu dessa maneira, por unanimidade: RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - ADMISSIBILIDADE - Para que se caracterize a divergência jurisprudencial é necessário que se demonstre contradição com decisão de outra Câmara ou de outro Conselho. Caso haja . mais de um fundamento na decisão, cada um por si só suficiente, todos devem ser enfrentados no recurso especial de divergência. Incabível também a apreciação e julgamento de matéria que não tenha sido prequestionada, assim entendido aquela em que o órgão de segunda instância tenha se pronunciado expressamente em sua decisão. (CSRF/01- 05.043) Em face do exposto, não conheço do Recurso Especial. Sala das Sessões - DF, em 19 de setembro de 2006 Aba I lkJOSÉ, ,,,- • LON 4111111/4 gi s ...._ Page 1 _0056600.PDF Page 1 _0056700.PDF Page 1 _0056800.PDF Page 1 _0056900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10166.001932/00-69
Data da sessão: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSUAL — PRÉ-QUESTIONAMENTO - MULTA DE MORA — EXIGÊNCIA NÃO ATACADA DE FORMA ESPECÍFICA PELO SUJEITO PASSIVO. É dever do julgador administrativo, instado a rever o lançamento do crédito tributário exigido, verificar a subsunção dos fatos às normas legais de regência e declarar, inclusive de ofício, a sua ilegalidade, total ou parcial. Os princípios da legalidade e da isonomia devem sempre prevalecer sobre o formalismo processual, tendo-se em conta o interesse latente de se evitar o risco da sucumbência para o Erário Público. Havendo o contribuinte resistido ao lançamento principal, impugnando todo o crédito tributário exigido, tem-se que as demais parcelas, acessórias e decorrentes, foram igualmente atingidas. Comprovada a inaplicabilidade da multa de mora, ainda que não atacada de forma específica pelo sujeito passivo, é de se afastar a sua exigência, excluindo-a do lançamento, inclusive em obediência ao disposto no art. 60, do Decreto n° 70.235/72. Negado provimento ao Recurso da PFN.
Numero da decisão: CSRF/03-03.779
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes

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Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASÍLIA - TERRACAP Sessão de : 03 DE NOVEMBRO DE 2003. Acórdão : CSRF/03-03.779 PROCESSUAL — PRÉ-QUESTIONAMENTO - MULTA DE MORA — EXIGÊNCIA NÃO ATACADA DE FORMA ESPECÍFICA PELO SUJEITO PASSIVO. É dever do julgador administrativo, instado a rever o lançamento do crédito tributário exigido, verificar a subsunção dos fatos às normas legais de regência e declarar, inclusive de ofício, a sua ilegalidade, total ou parcial. Os princípios da legalidade e da isonomia devem sempre prevalecer sobre o formalismo processual, tendo-se em conta o interesse latente de se evitar o risco da sucumbência para o Erário Público. Havendo o contribuinte resistido ao lançamento principal, impugnando todo o crédito tributário exigido, tem-se que as demais parcelas, acessórias e decorrentes, foram igualmente atingidas. Comprovada a inaplicabilidade da multa de mora, ainda que não atacada de forma específica pelo sujeito passivo, é de se afastar a sua exigência, excluindo-a do lançamento, inclusive em obediência ao disposto no art. 60, do Decreto n° 70.235/72. Negado provimento ao Recurso da PFN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. D."; E ON PER À ROD UES PRESIDENTE Processo n° : 10166.001932/00-69 Acórdão : CSRF/03-03.779 Álieffirárialo. • —Ir d.~ PAUL • FOliTO CUCO ANTUNES RELAT• FORMALIZADO EM: 0 2 mAR Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; MOACYR ELOY DE MEDEIROS; MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLI. 2 Processo n° :10166.001932/00-69 Acórdão : CSRF/03-03.779 Recurso n° : 301-122371 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional, por sua Douta Procuradoria, pleiteando a reforma do Acórdão n° 301-29.694, proferido pela C. Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por maioria de votos, excluiu do crédito tributário exigido a Multa de Mora lançada pela repartição de origem, sob fundamento de que tal penalidade só é cabível após o julgamento administrativo definitivo do litígio fiscal. Toda a fundamentação da ora Recorrente assenta-se no entendimento de que houve decisão ultra ou extra petita, uma vez que o sujeito passivo não se insurgiu, especificamente, contra a referida penalidade. Ao Recurso Especial de que se trata, a Recorrente acostou, como paradigma, cópia do Acórdão n° 302-35.002, proferido em 08/11/2001, pela C. Segunda Câmara, do mesmo E. Terceiro Conselho, cujo entendimento, manifestado no Voto Vencedor e condutor do mesmo Acórdão, de lavra da Insigne Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, diverge do acima exposto, conforme transcrição que se segue: "(...) Discordo, entretanto, do voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange à exclusão da multa de mora, posto que tal pleito não integrou o recurso voluntário de fls. 29/30. A atividade de julgamento, seja no âmbito administrativo ou judicial, é regida pelo princípio da inércia, ou seja, o julgador só deve atuar quando provocado pela parte. O princípio da interpretação restritiva do pedido, por parte do julgador, está contido inclusive no Código de Processo Civil, em seus artigos 128 e 460, que a seguir se transcreve: .n/(/' 3 , ' Processo n° : 10166.001932/00-69 Acórdão : CSRF/03-03.779 "Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-se defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado." Da mesa forma entende a doutrina, aqui representada por Wambier, Correia de Almeida e Talamini, em seu "Curso Avançado de Processo Civil", Volume 1, 3 a Edição, Editora Revista dos Tribunais (paginas 317/318): "Os arts. 128 e 460 expressam o que a doutrina denomina de principio da congruência ou da correspondência, entre o pedido e a sentença. Ou seja, dado o principio dispositivo, é vedado à jurisdição atuar sobre aquilo que não foi objeto de expressa manifestação pelo titular do interesse. Por isso, é pedido (tanto o imediato como o mediato) que limita a extensão da atividade jurisdicional. Assim, considera-se extra petita a sentença que decidir sobre pedido diverso daquilo que consta da petição inicial. Será ultra petita a sentença que alcançar além da própria extensão do pedido, apreciando mais do que foi pleiteado." Destarte, ao julgador só é dado conhecer de oficio aquelas matérias de ordem pública, elencadas na legislação de regência, dentre as quais não se inclui a exclusão da multa de mora." Em contra-razões a Interessada manifesta-se nos autos pleiteando a manutenção do Acórdão atacado, asseverando que o argumento da ora Recorrente não procede, vez que a Terracap ao resistir ao lançamento tributário principal e ao 1 , aviar a sua defesa alcançou todas as parcelas acessórias, sendo certo que a i Câmara recorrida, ao proferir o Acórdão ora atacado, operou dentro dos limites da contenda, para eximir a contribuinte de pagamento da multa de mora. É o Relatório./ -0 j i, 4 i Processo n° : 10166.001932/00-69 Acórdão : CSRF/03-03.779 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, Relator: O Recurso atende aos necessários requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. A questão, única, objeto do litígio que aqui nos é dado a decidir, é de caráter genuinamente processual. Tudo o que questiona a Recorrente, a Fazenda Nacional aqui representada por sua D. Procuradoria, é que houve decisão ultra ou extra petita, por parte da C. Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, ao prover parcialmente o Recurso Voluntário interposto pela COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASÍLIA — TERRACAP, excluindo do lançamento contra Ela efetuado pela repartição fiscal competente, a exigência de multa de mora, não tendo havido expressa contestação do sujeito passivo sobre tal exigência. A matéria não representa qualquer novidade para esta Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com efeito, é bom que se destaque, pelo menos duas posições encontram-se registradas em suas mais recentes decisões, completamente antagônicas, como se demonstra: ACÓRDÃO N° CSRF/03-02.653 — SESSÃO DE 25.08.1997 — RP/301-0.481 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Decisão "ultra petita" na exclusão da multa de mora. Provido o recurso da Fazenda Nacional." Neste caso, consoante o seu Voto Condutor, de lavra do Insigne Relator, o Conselheiro João Holanda Costa, entendeu a Turma, à unanimidade de Ari 5 Processo n° : 10166.001932/00-69 Acórdão : CSRF/03-03.779 votos, que a exclusão da multa de mora, pela Câmara então recorrida, representava decisão "ultra petita", por não ter sido tal matéria prequestionada. Muito recentemente, entretanto, registrou-se posicionamento completamente diverso, como se pode constatar do seguinte Aresto: ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.683 — SESSÃO DE 30.06.2003 — RD/303-121089 "PROCESSUAL — MULTA DE MORA — EXIGÊNCIA NÃO ATACADA DE FORMA ESPECÍFICA PELO SUJEITO PASSIVO. É dever do julgador administrativo, instado a rever o lançamento do crédito tributário exigido, verificar a subsunção dos fatos às normas legais de regência declarando, inclusive de ofício, a sua ilegalidade, total ou parcial. Comprovado ser incabível a cobrança de multa de mora, reconhecendo-se a sua improcedência, ainda que não atacada, especificamente, pelo Recorrente, é de se afastar a sua exigência, excluindo-a do lançamento Negado provimento ao Recurso." Também neste último caso, a decisão foi adotada por unanimidade, em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Alinho-me, como já é conhecido por meus I. Pares, ao entendimento mais recente, estampado no segundo Acórdão acima indicado, cujo Voto condutor é de autoria deste Relator. Repetindo muito do que já disse naquele outro julgado, passo a expor meu pensamento sobre a questão e meu voto para solução do litígio. É entendimento deste Relator que a função primordial dos julgadores, integrantes dos órgãos colegiados administrativos, neste caso dos Conselhos de Contribuintes e desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, na apreciação dos litígios envolvendo, dentre outras coisas, os lançamentos tributários no âmbito da administração pública federal, é justamente a de revisar tais lançamentos, 49r, 4.0 6 Processo n° : 10166.001932/00-69 Acórdão : CSRF/03-03.779 observando a subsunção dos fatos às normas legais de regência, para dar-lhes, ao final, a condição de título exeqüível. Resumindo, cabe ao julgador, na esfera administrativa, verificar todo o lançamento, os fatos que o ensejaram e a sua legalidade à luz da legislação de regência aplicável podendo, inclusive, declarar, de ofício, a sua nulidade absoluta. Mais incisiva se torna essa realidade quando o contribuinte, a exemplo do caso presente, ataca a exigência principal, atingindo, por conseqüência, todas as parcelas acessórias e/ou decorrentes. A missão maior do julgador administrativo, em matéria tributária, mormente no âmbito federal, está diretamente vinculada ao princípio da legalidade, cabendo-lhe, por conseguinte, revisar o lançamento, em todos os seus aspectos legais e factuais. E não faria sentido a criação e manutenção do contencioso administrativo, inclusive com existência assegurada pela Constituição Federal, se não fosse da forma ora preconizada. Com o devido respeito que me merecem todos quanto entendem de forma contrária, não há aqui que se cogitar da similitude entre o contencioso administrativo tributário, cuja fórmula processual é definida pelo Decreto n° 70.235, de 1972 (lei delegada) e posteriores alterações, com o rito previsto no Código Processual Civil, aplicado no âmbito do Judiciário. Diferentemente do que acontece no Judiciário, no processo administrativo de constituição e exigência de créditos tributários a iniciativa é sempre da autoridade administrativa, cuja competência, exclusiva, para efetuar lançamentos lhe é deferida por lei. 7 , , Processo n° :10166.001932/00-69 , Acórdão : CSRF/03-03.779 ,No caso da multa de mora, objeto do litígio que aqui se cuida, a legislação de regência prevê a sua aplicação apenas no caso do não pagamento, até a data do vencimento, do tributo considerado devido. Tributo devido só pode ser considerado o justo, o legítimo, o certo, o que é de direito ou dever. i Neste caso, abrindo-se o lançamento do crédito tributário à discussão no âmbito administrativo, em obediência às disposições do Decreto n° 70.235, de 1972, evidentemente que não se pode falar em tributo devido antes de o lançamento revestir-se da condição de certeza e liquidez, tornando-se, conseqüentemente, exeqüível. Tal condição só se torna atingida, na esfera administrativa, no caso da não instauração da fase litigiosa, não havendo impugnação pelo contribuinte ou i sujeito passivo ou, de outra forma, instaurado o litígio, após o trânsito em julgado da sentença definitiva que reconhecer como devido o respectivo tributo, esgotadas as instâncias administrativas de defesa. , Forçoso se torna reconhecer, que a 'multa de mora' não poderia ter sido exigida no presente caso, pois que, até o momento do trânsito em julgado da 1 decisão de mérito estampada no Acórdão ora atacado, não se tinha por devido o 1 crédito tributário estampado na Notificação de Lançamento em questão. Não havia , incidência de mora por parte do Contribuinte litigante. , Portanto, do ponto de vista do lançamento e exigência da questionada multa de mora, no caso presente, torna-se indiscutível que autoridade lançadora , incorreu em flagrante equívoco e ilegalidade, fato reconhecido, à unanimidade, pela C. Câmara "a quo" , não tendo havido qualquer restrição a esse respeito por parte da ora Recorrente. 41 / R, •-/ f 8 Processo n° : 10166.001932/00-69 Acórdão : CSRF/03-03.779 Reflete o melhor acerto a Decisão atacada, por haver corrigido e legitimado um lançamento tributário que já nasceu inquinado, pela reconhecida ilegalidade da multa de mora exigida. Uma vez reconhecida a improcedência da exigência da multa de mora lançada, como no caso presente, configura-se, sem sombra de dúvida, uma irregularidade diferente daquelas previstas no artigo 59, do Decreto n° 70.235/72 e alterações, tornado-se obrigatório, inquestionavelmente, o saneamento de tal irregularidade, conforme determinado no art. 60, do mesmo diploma legal, o que só é possível mediante a exclusão, do respectivo lançamento, da referida multa de mora, o que foi feito, acertadamente, pela C. Câmara recorrida. Para finalizar, ainda sobre a questão de fundo atacada pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional na Apelação retro, a respeito da decisão "ultra" ou "extra" petita, alinho-me, com plena convicção, ao entendimento daqueles que defendem a prevalência dos princípios da legalidade e da isonomia sobre o formalismo processual, levando em consideração, inclusive, o interesse latente de se evitar o risco da sucumbência para o Erário Público. Não há, portanto, em meu entender, que se fazer qualquer reparo no Acórdão atacado, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial ora em exame. Sala das Sessões-DF, em 03 de novembro de 2003. .-,,VAIPW PAULO :TO CUCO ANTUNES RELATu R 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10435.000121/00-13
Data da sessão: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – COMPENSAÇÃO – LIMITAÇÃO – O saldo acumulado de prejuízos fiscais em 31/12/94, bem como os prejuízos fiscais gerados a partir de janeiro de 1995, sofrem a limitação de compensação de 30% do lucro real antes das compensações, imposta pela Lei 8.981/95. Recurso especial a que se nega provimento.
Numero da decisão: CSRF/01-04.191
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Remis Almeida Estol, Victor Luís de Salles Freire e Wilfrido Augusto Marques.
Nome do relator: Manoel Antônio Gadelha Dias

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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n.°. :10435.000121/00-13 Recurso n° : 107-125.981 Matéria: : I RPJ Recorrente : COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LACERDA LTDA. Recorrida : 7a CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 14 de outubro de 2002 Acórdão n.°. : CSRF/01-04.191 IRPJ — PREJUÍZOS FISCAIS — COMPENSAÇÃO — LIMITAÇÃO — O saldo acumulado de prejuízos fiscais em 31/12/94, bem como os prejuízos fiscais gerados a partir de janeiro de 1995, sofrem a limitação de compensação de 30% do lucro real antes das compensações, imposta pela Lei 8.981/95. Recurso especial a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LACERDA LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros i1 Remis Almeida Estol, Victor Luís de Salles Freire e Wilfrido Augusto Marques. --6,--' f,13( N PE --- -e - •D r -- ES—PRESIDENTE _ MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS - RELATOR ,, 1 Processo n.° : 10435.000121/0013 Acórdão n° : CSRF/01-04.191 7'32FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA., ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, ZUELTON FURTADO, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES E MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR./7/) 2 Processo n.° : 10435.000121/0013 Acórdão n° : CSRF/01-04.191 RELATÓRIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LACERDA LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 10.018.117/0001-56, irresignada com o decidido no Acórdão n° 107-06.274, de 23/05/2001, interpôs recurso especial com fulcro no art. 32, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria ME n° 55/98. Em seu apelo especial asseverou a recorrente que o v. acórdão guerreado diverge do entendimento adotado pela C. Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, no Acórdão n° 101-92.605, reconheceu o direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais, sem a limitação imposta pelo art. 42, parágrafo único da Lei n° 8.981/95. O recurso especial foi admitido por despacho exarado pelo Presidente da C. Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 85/86, que entendeu configurado o dissídio jurisprudencial suscitado. O aresto vergastado, no particular, traz a seguinte ementa (fl. 58): IRPJ — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS — LIMITES — LEI N° 8.981/95, ARTS. 42 E 58 — Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, no exercício financeiro de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido a, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social." Já o acórdão paradigma assentou (fl. 87): 3 Processo n.° : 10435.000121/0013 Acórdão if : C SRF/01 -04.191 "COMPENSAÇÃO DE LUCROS APURADOS NOS EXERCÍCIOS DE 1995 e 1996 COM PREJUÍZOS SUPORTADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. LIMITAÇÃO — O direito adquirido à compensação integral nasce para o contribuinte no instante em que for apurado o prejuízo no levantamento do balanço. A partir desse instante a aplicação de qualquer norma limitativa da sua compensação com lucros futuros, torna-se impossivel, por força da proteção constitucional ao direito adquirido. Prejuízo acumulado apurado quando a lei garantia a sua compensação integral." A douta Procuradoria ofereceu contra-razões às fls. 93/101, propugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. 7 r'6,3"V 4 Processo n.° :10435.000121/0013 Acórdão n° : CSRF/01-04.191 VOTO Conselheiro MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS, Relator O recurso especial do sujeito passivo é tempestivo e, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Conforme relatado, submete-se à apreciação desta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais o dissídio jurisprudencial configurado pelo confronto do entendimento adotado pela C. Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no Acórdão n° 107-06.274, de 23/05/2001 e o decidido pela C. Primeira Câmara do mesmo Conselho no Acórdão n° 101-92.605, de 17/03/1999. Em exame a validade da limitação de compensação de prejuízos fiscais a 30% do lucro líquido ajustado, estabelecida no art. 42 da Lei n° 8.981/95, em face do princípio constitucional do direito adquirido, uma vez que, no caso dos autos, os prejuízos fiscais que o contribuinte pretendeu compensar em 1995, sem a referida limitação legal, foram apurados até 31/12/1994. A matéria já se encontra pacificada nesta instância especial, que firmou o entendimento de que o saldo acumulado de prejuízos fiscais em 31/12/1994, bem assim os prejuízos apurados a partir de 1°/01/1995 sofrem a mencionada limitação de 30%, sob pena de se negar vigência à referida lei. Nesse sentido os Acórdãos n°s CSRF/01-03.808, de 15/04/2002, CSRF/01-03.915, de 17/06/2002, CSRF01-04.094, de 19/08/2002, entre tantos outros. 5 Processo n.° : 10435.00012110013 Acórdão n° : CSRF/01-04.191 Ademais, o E. Supremo Tribunal Federal vem corroborando esse entendimento, afastando qualquer ofensa aos princípios constitucionais da anterioridade, da irretroatividade e do direito adquirido, conforme decisões a seguir transcritas: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N°812, DE 31.12.94, CONVERTIDA NA LEI N° 8.981/95. ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A PARCELA DOS PREJUÍZOS SOCIAIS APURADOS EM EXERCÍCIOS ANTERIORES, A SER DEDUZIDA DO LUCRO REAL, PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS EM REFERÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO DIREITO ADQUIRIDO E DA ANTERIORIDADE E AOS ARTS. 148 E 150, IV, DA CF. Diploma normativo que foi editado em 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercício financeiro encerrado, ante a não- comprovação de haver o Diário Oficial sido distribuído no sábado, depois das dezenove horas, o que teria impedido a publicação, no mesmo dia, do referido diploma normativo. Descabimento da alegação de ofensa aos dispositivos constitucionais invocados. O mesmo é de dizer-se relativamente ao princípio da anterioridade, salvo no que concerne à contribuição social, circunscrita que se acha à anterioridade nonagesimal, prevista no art. 195, § 6°, da CF, dispositivo que, todavia, não foi apontado como ofendido. Ausência, em nosso sistema jurídico, de direito adquirido a regime jurídico, notadamente ao regime dos tributos, que se acham sujeitos à lei vigente à data do respectivo fato gerador. Recurso não conhecido." (RE 256.273-4/MG) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N° 812, DE 31.12.94, CONVERTIDA NA LEI N° 8.981/95. ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A PARCELA DOS PREJUÍZOS SOCIAIS, DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, SUSCETÍVEL DE SER DEDUZIDA NO LUCRO REAL, PARA APURAÇÃO DOS TRIBUTOS EM REFERÊNCIA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE E DA 1RRETROATIVIDADE. Diploma normativo que foi editado em 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercício financeiro encerrado. Descabimento da alegação de ofensa aos princípios da anterioridade e da irretroatividade, relativamente ao Imposto de Renda, o mesmo não se dando no tocante à contribuição social, sujeita que está à anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, § 6° da CF, que não foi observado. Recurso conhecido, em parte, e nela provido." (RE 232.0841SP) es:Si 6 Processo n.° : 10435.000121/0013 Acórdão n° : C SRF/01-04.191 Com essas considerações, NEGO provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Brasília — DF, 14 de outubro de 2002 MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS - RELATOR 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.012833/99-32
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IMPOSTO DE RENDA - RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA - PAGAMENTO INDEVIDO - RESTITUIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL - Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou da data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo, permitida, nesta hipótese, a restituição de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Desta forma, não tendo transcorrido, entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária (IN n.º 165, de 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO (PDV) - VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO À ADESÃO - NÃO INCIDÊNCIA - As verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório. Desta forma, os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-17653
Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão que negava provimento.
Nome do relator: Nelson Mallmann

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ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão que negava provimento. • • I , .4 •• . MINISTÉRIO DA FAZENDA •--vp-i";Y:- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.„,,,.•-ir..-- ''' QUARTA CÂMARA , Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 LEI MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE fd . (?1,/ R TO - 1•0 NOV 2000 FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO VVILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ELIZABETO CARREIRO VARÃO, JOÃO LUIS DE SOUZA PEREIRA e REMIS ALMEIDA ESTOL. , • , , , , , , 2 i ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 Recurso n°. : 122.461 Recorrente : LUIZ FELIPE COPPOLI RELATÓRIO LUIZ FELIPE COPPOLI, contribuinte inscrito no CPF/MF n.° 151.041.176-34, residente e domiciliado na cidade de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, à Rua Alagoas, n.° 997 — Apto 302 — Bairro Funcionários, jurisdicionado à DRF em Belo Horizonte - MG, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 26/30, prolatada pela DRJ em Belo Horizonte - MG, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 34/35. O requerente apresentou, em 10/05/99, pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, sobre valores pagos por pessoa jurídica, a título de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV). De acordo com a Portaria SRF n.° 4.980/94, o Delegado da Receita Federal em Divinópolis - MG, apreciou e concluiu que o presente pedido de restituição é improcedente, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que o Código Tributário Nacional em seu art. 165, I, c/c o art. 168, I é claro e expresso ao afirmar que o direito à repetição do indébito tributário decai com o decurso do prazo de 05(cinco) anos contados da data do pagamento indevido ou a maior, que, por outro lado, o inciso In do art. 165 não se aplica à espécie, porque não se instalou contencioso tributário anterior em relação à matéria objeto do pedido, conforme expressamente declarado pelo contribuinte às fls. 03; 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 - que interpretando a matéria, o Ato Declaratório SRF n.° 096, de 26 de novembro de 1999, concluiu que o termo inicial para contagem do prazo decadencial, no caso, conta-se da data do pagamento indevido ou a maior; - que o contribuinte protocolizou seu pedido de restituição em 10/05/99, como a incidência do imposto se fez em 25/06/92, verifica-se que o direito do contribuinte extinguiu-se em 25/06/97, pelo decurso do prazo decadencial. Irresignado com a decisão da autoridade administrativa singular, o requerente apresenta, tempestivamente, em 17/02/00, a sua manifestação de inconformismo de fls. 22/23, solicitando que seja revisto a decisão para que seja declarado procedente o pedido de restituição, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que em maio/99, seguindo instruções desta Receita, o requerente apresentou documentação hábil, relacionada pela mesma Receita, para obter a restituição do imposto de renda retido na fonte, referente ao exercício de 1993, ano calendário de 1992, relativamente a rendimentos indenizatórios decorrentes de participação em programa de demissão voluntária/incentivada (PDV/PDI) e que foram indevidamente tributados na fonte; - que, em 1998, reconhecendo o seu desastroso equívoco, a Receita normatizou a matéria e convocou os prejudicados, independentemente de prescrição e decadência, a apresentarem a documentação hábil. Informou até que os prazos de prescrição e decadência seriam relevados e que a Receita considerava que o contencioso sobre o assunto já estava estabelecido, por milhares de inquirições dos contribuintes, através dos serviços colocados à disposição do público pela Receita e ajuizamento de ações pelos que não acreditaram nestas informações; 4 • . v+.` k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 - que a prescrição ora argüida, fundamentada em Ato Declaratório de novembro de 1999, não pode prosperar para o caso em tela, refere-se à repetição de indébito, no prazo de cinco anos conforme estabelecido no CTN, sem nenhum questionamento durante o período. O caso presente é diferente: o questionamento pelos prejudicados foi permanente e a própria Receita Federal se propôs, à luz de decisão Judicial do Superior Tribunal, a repor, por indevido, o imposto que erroneamente cobrou, enumerando documentos hábeis à devolução, relevou o prazo de prescrição, e até mesmo fixou o prazo de 120 (cento e vinte) dias para o ressarcimento, através de cartazes em suas dependências. Após resumir os fatos constantes do pedido de restituição e as razões de inconformismo apresentadas pelo requerente, a autoridade julgadora singular resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra o Despacho Decisório da DRF/BELOHORIZONTE/SESIT, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que o Ato Declaratório SRF n.° 03/99, dispõe que os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário — PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário, como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/n.° 1278/98, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na declaração de ajuste anual; - que o Código Tributário Nacional — CTN em seu art. 165, inc. I c/c o art. 168, inc. I, dispõe que o direito à repetição do indébito decai com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido ou a maior; 5 • .0 I, • ,t•t 24 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 - que na hipótese dos autos, a data do pagamento indevido verificou-se no ano-calendário de 1992, consoante documento de fls. 10, enquanto a solicitação de restituição somente foi protocolizada em 10/05/99, conforme petição de fls. 01, ou seja, além do mencionado qüinqüênio legal. Consequentemente, o direito do interessado afigurava-se definitivamente extinto; - que cumpre ressaltar que, ainda que pareça injusto, os atos praticados por aplicação inadequada da lei, contra os quais não comporte revisão administrativa ou judicial por vencimento dos prazos legais, são considerados válidos para todos os efeitos; - que, portanto, as teses defendidas pelo interessado, a nosso ver, contraria um dos princípios fundamentais do estado de direito, plenamente consagrado na Constituição Federal, que é o da segurança jurídica. Com efeito, permitir sejam revistas situações plenamente consolidadas pela aplicação inadequada da lei, mesmo após decorridos os prazos decadenciais ou prescricionais, é estabelecer um verdadeiro caos na sociedade porquanto o raciocínio que se aplica ao direito do contribuinte de pedir restituição deve, por uma questão de coerência, aplicar-se igualmente ao direito da Fazenda Pública; - que isso significaria dizer que, por exemplo, quando uma lei que concedesse isenção fosse declarada inconstitucional, ainda que decorressem décadas do fato gerador, a Administração poderia/deveria formalizar o crédito tributário e exigir do contribuinte o correspondente pagamento. Isto indubitavelmente jogaria por terra o princípio da segurança jurídica e submeteria o contribuinte isento à inadmissível situação de nunca saber se aquele benefício é definitivo ou se, a qualquer tempo, poderá o fisco vir em seu encalço para exigir-lhe o tributo; - que ressalte-se, ademais, que o entendimento do interessado desconsidera também o princípio da estrita legalidade que rege a Administração Pública. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA .tr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 Como aduzido acima, o CTN cuidou expressamente do prazo de extinção do direito de pleitear a restituição tributária. Destarte, qualquer solução que não observe o disposto no artigo 165 c/c o artigo 168 do citado Código, constituirá simples criação exegética, desprovida de amparo jurídico ou legal. A ementa que consubstancia os fundamentos da decisão singular é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1993 Ementa: DECADÊNCIA Extingue-se em cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o prazo para pedido de restituição do imposto retido na fonte sobre verbas indenizatórias recebidas em decorrência de adesão a Plano de Desligamento Voluntário — PDV. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 03/04/00, conforme Termo constante às folhas 32/33, e, com ela não se conformando, o requerente interpôs, em tempo hábil (19/06/00), o recurso voluntário de fls. 33/34, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: - que a decadência não pode prevalecer com a interpretação dada, depois que a própria Receita, reconhecendo seus erros, criou uma expectativa nos contribuintes prejudicados de que o valor indevidamente retido seria devolvido em cento e vinte dias, após o requerimento, reiterando que a decadência só ocorreria em 2003; - que a decadência não pode prevalecer, nos termos pretendidos, quando a Receita pagou restituições a vários contribuintes, com fato gerador em 1990 a 1993, 7 ' 's -" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 explicitando, inequivocamente, que a prescrição de decadência só ocorreriam no ano de 2003, cinco anos após a IN SRF n.° 165 e decisão definitiva da Primeira e Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em fins de 1998. Negar igual direito a outros contribuintes, em iguais condições, é agredir a Constituição Federal, e constitui ato de arbítrio e enriquecimento ilícito. É o Relatório. • 8 • lk ":?4 "n.;, MINISTÉRIO DA FAZENDA• - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA - Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Não há argüição de qualquer preliminar. Discute-se, nestes, autos, acerca da incidência de imposto de renda na fonte/declaração de ajuste anual sobre as importâncias pagas a título de indenizações, nos casos de demissões voluntárias, em razão de incentivo à adesão a programas de redução de quadro de pessoal. Da análise do processo verifica-se que a lide versa sobre pedido de restituição de tributo concernente ao IRPF do exercício de 1993, ano-calendário de 1992, com base em Programa de Desligamento Voluntário — PDV. Observa-se, ainda, que de acordo com a cópia do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, fls. 10, que a retenção do tributo se deu em junho de 1992, tendo o interessado pleiteado restituição em 10/05/99 (fls. 01/03). A tese argumentativa do suplicante de que as verbas recebidas em decorrência da demissão voluntária são isentas da incidência do imposto de renda, merece prosperar, pois já é entendimento pacífico na esfera judicial que as verbas rescisórias 9 • . 7•::: MINISTÉRIO DA FAZENDA -* • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato de trabalho por dispensa incentivada tem caráter indenizatório, de natureza reparatória, não ensejando acréscimo patrimonial, a qual não pode ser objeto da tributação. Disso decorre a impossibilidade da incidência do imposto de renda sobre as mesmas. Diante disto, os Ministros Membros do Superior Tribunal de Justiça, vêm decidindo sistematicamente pela não incidência do imposto de renda e condenando a União ao ônus de sucumbência. Esse entendimento consolidado do mais alto órgão do Poder Judiciário, estabelecendo a não incidência do imposto de renda em causas que cuidem de verbas indenizatórias referentes ao programa de incentivo à demissão voluntária, importa em reconhecer que os lançamentos de constituição de créditos tributários decorrentes destas indenizações não poderiam ser exigidos, já que o valor jurídico desse ato é desprovido de qualquer eficácia no pleno de direito. Ora, se várias ações foram propostas por contribuintes contra a Fazenda Nacional, objetivando a não incidência do imposto de renda na fonte sobre as indenizações convencionais no programa de incentivo à demissão voluntária e o Superior Tribunal de Justiça declarou a não procedência dos processos instaurados pela Secretaria da Receita Federal, órgão responsável pela constituição dos créditos tributários, através do lançamento, tal declaração passa imediatamente a ter validade para todos os cidadãos, por se tratar de decisão final, irrecorrível e imutável, ou seja, estas decisões são insusceptíveis de alteração, uma vez que não cabem embargos infringentes, porque não são julgados proferidos em apelação ou em ação rescisória, nem embargos de divergência, já que as Turmas do Superior Tribunal de Justiça não divergem entre si nesta matéria. io • , , •-. -;;;; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'L>':,.1:.'•?:;:4>" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 Assim, não há dúvida que ações que versem sobre o mesmo tema, a decisão do Superior Tribunal de Justiça será a mesma. Já não há mais como se manter tal ônus para o contribuinte, primeiro porque a Corte Máxima já se pronunciou pela não incidência, de outro lado o próprio Conselho de Contribuintes já vem acolhendo a tese esposada pelo STJ, por razões de economia processual, dando provimento aos recursos interpostos pelos contribuintes, declarando a não incidência do imposto de renda sobre as verbas oriundas da demissão voluntária. Do exposto, observa-se que não só na esfera judicial foi acolhida a tese de não incidência, mas também já na própria esfera administrativa, o que, inclusive, redunda em economia processual, pois evita o recurso dos contribuintes ao Judiciário para haver seus direitos. O despacho proferido pelo ilustre Desembargador Federal - Juiz Hermenito Dourado - Presidente do Egrégio Tribunal Federal da ia Região, que, em sede de Recurso Especial no Processo n.° 92.01.21817-6, contra os argumentos da Fazenda Pública sobre os efeitos das decisões INTER PARTES ou ERGA OMNES, e mais o disposto no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, publicado no Diário da Justiça da União de 12 de novembro de 1993, dispensa qualquer comentário a respeito da vinculabilidade das decisões terminativas do Colendo Supremo Tribunal Federal "in verbis": "Por outro lado, embora em nosso sistema jurídico a jurisprudência não obrigue além dos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada, sem vincular os Tribunais inferiores aos julgamentos dos Tribunais Superiores, em casos semelhantes ou análogos, os precedentes desempenham, nos Tribunais ou na Administração, papel de significativo relevo no desenvolvimento do Direito. É usual, apesar de desobrigados, os juizes orientarem suas decisões pelo pronunciamento reiterado e uniforme dos Tribunais Superiores. A própria Administração Federal, através do seu órgão próprio - a antiga Consultoria Geral da República -, tem reafirmado ao longo dos tempos o 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 posicionamento de que a orientação administrativa não há de estar em conflito com a jurisprudência dos Tribunais em questão de direito." Conquanto a decisão do STJ não tenha efeitos "erga omnes", ela é definitiva, porque exprime o entendimento do Guardião Maior da Justiça. Oportuno se faz transcrever o ensinamento lapidar de LEOPOLDO CÉSAR DE MIRANDA LIMA FILHO, Consultor- Geral da República, no período de 20/10/60 a 06/02/61, recomendando não prosseguisse o Poder Executivo "a vogar contra a torrente de decisões judiciais" - Parecer C-15, de 13/12/63: "O precedente não obriga a decisão igual, mas apenas a insinua; não impõe a sua observância em casos análogos ou semelhantes se evidente a sua desconformidade com a lei. Ao aplicador da lei, administrador ou juiz, corre o dever de catar-le respeito, que não às decisões proferidas em hipóteses iguais non exemplis sed legibus judicandum est. Sem dúvida, os precedentes, administrativos ou judiciários, devem-se ter em conta, como subsídio prestimoso, no exame de casos semelhantes, merecendo considerados os argumentos, os raciocínios que deram na conclusão que expressam ou sintetizam. Não se hão de desprezar sem razões sérias, meditadas. Ainda que reiterados, constantes, devem considerar-se, sim, mas não obedecer-se cegamente, e menos ver-se com força de obrigar, de afastar a variação criteriosa e fundamentada da orientação que espelham. Se expressam errônea compreensão da lei, forçoso será abandoná-los para lhe restabelecer o império. Não dão, à mente que emprestam à lei, o condão de infalibilidade, o selo de irrecorribilidade. O Poder Judiciário não decide sobre as conseqüências ou efeitos possíveis de uma lei considerada em abstrato, mas exclusivamente em face do caso individual levantado ao seu exame. Declara a lei entre as partes; aplica- se no caso concreto, definido. Daí que os preceitos estabelecidos no julgado 12 - • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 .Acórdão n°. : 104-17.653 se circunscrevem aos litigantes para os quais a sentença "terá força de lei nos limites das questões decididas" (art. 287 do Código de Processo Civil). • A decisão judicial em dado pleito, portanto, ainda que do Pretório Máximo, não obriga a Administração além do seu exato cumprimento em relação àquele ou àqueles que o suscitaram. Apesar dela, quando chamada a decidir hipóteses iguais, em que outros os interessados, livre será de permitir na orientação adotada, em que pede a opinião contrária do Poder Judiciário. Ante um ou alguns raros julgados, salvo se convencida do acerto, da excelência dos seus fundamentos, a lhe recomendarem adote a orientação judicial, abandonando a que esposaram até então, razão inexistirá para ceder a Administração no sentido que emprestou à lei, passando a perfilhar, ao decidir casos iguais, o que lhe deu o Poder Judiciário. Muito ao contrário, deve insistir no seu ponto de vista, recorrendo, inclusive, aos meios que lhe propiciam as leis para tentar fazê-lo vitorioso nos tribunais. Se, entanto, através de sucessivos julgamentos, uniformes, sem variação de fundo, tomados à unanimidade ou por significativa maioria, expressam os Tribunais a firmeza de seu entendimento relativamente a determinado ponto de direito, recomendável será não reflita a Administração, em hipóteses iguais, em manter a sua posição, adversando a jurisprudência solidamente firmada. Teimar a Administração em aberta oposição a norma jurisprudêncial firmemente estabelecida, consciente de que seus atos sofrerão reforma, no ponto, por parte do Poder Judiciário, não lhe renderá mérito, mas desprestígio, por sem dúvida. Fazê-lo será alimentar ou acrescer litígios, inutilmente, roubando-se, e à Justiça, tempo utilizável nas tarefas ingentes que lhes cabem como instrumento da realização do interesse coletivo." As citadas decisões do Superior Tribunal de Justiça interpretou, em caráter definitivo, a legislação vigente sobre a matéria de que trata da não incidência sobre as verbas indenizatórias referentes ao programa de incentivo à demissão voluntária, de modo que, adotar a decisão antes referida, não caracteriza a extensão dos efeitos da mesma contrários à orientação estabelecida pela administração a que se refere o art. 1° do Decreto n.° 73.529/74. Adotar a decisão do STJ, significa, apenas, interpretar a lei na conformidade da interpretação dada pelo mais alto tribunal do País. 13 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • : 'tf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 Ademais, a própria Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional firmou entendimento, através do Parecer PGFN/CRJ/N° 1278/98, que pode ser dispensada a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações que cuidam, no mérito, exclusivamente, da não incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre as verbas indenizatórias referentes ao Programa de Demissão Voluntária, desde que inexista qualquer outro fundamento relevante, ponto um ponto final na discussão deste assunto. Desta forma, após a análise dos autos, entendo que cabe razão ao requerente já que os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário — PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário, como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/N.° 1278/98, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Ademais, é entendimento pacífico nesta Câmara, bem como no âmbito da Secretaria da Receita Federal (Ato Dedaratório SRF n.° 95, de 26 de novembro de 1999) que as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório. Da mesma forma, é entendimento pacífico que os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário — PDV, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual, independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência Oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentadoria pela Previdência Oficial ou Privada. Consta nos autos, que o desligamento do requerente deu-se através da adesão ao Programa de Permanente de Desligamento Voluntário (PDV). Portanto, não 14 - • MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 pairam dúvidas que as exigências legais foram cumpridas, ou seja, o requerente atende as normas legais vigentes para a não incidência do imposto de renda sobre as parcelas recebidas. Por outro lado, resta, ainda, analisar o termo inicial para a contagem do prazo para requerer a restituição do imposto que indevidamente incidiu sobre tais rendimentos. Em regra geral o prazo decadencial do direito à restituição do tributo encerra-se após o decurso de cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido. Observando-se de forma ampla e geral é liquido é cedo que já havia ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição, já que segundo o art. 168, I, c/c o art. 165 I e II, ambos do Código Tributário Nacional, o direito de pleitear a restituição, nos casos de cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, extingue-se com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data de extinção do crédito tributário. Entretanto, no caso dos autos, se faz necessário um exame mais detalhado da matéria. Senão vejamos: Com todo o respeito aos que pensam de forma diversa, entendo, que neste caso especifico, que o termo inicial não poderá ser o momento da retenção do imposto, já que a retenção do imposto pela fonte pagadora não extingue o crédito tributário em razão de tal imposto não ser definitivo, consubstanciando-se em mera antecipação do imposto apurado através da declaração de ajuste anual. Como da mesma forma, não poderá ser o marco inicial da contagem a data da entrega da declaração de ajuste anual. 15 • k •-• 7:':; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA • Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 Entendo, que a fixação do termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculada ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento as retenções efetuadas pela fonte pagadora eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo requerente em sua declaração de ajuste anual. Em outras palavras quer dizer que, antes do reconhecimento da improcedência do imposto, tanto a fonte pagadora quanto o beneficiário agiram dentro da presunção de legalidade e constitucionalidade da lei. Isto é, até a decisão judicial ou administrativa em contrário, ao contribuinte cabe dobrar-se à exigência legal tributária. Reconhecida, porém, sua inexigibilidade, quer por decisão judicial transitada em julgado, quer por ato da administração pública, sem sombra de dúvidas, somente a partir deste ato estará caracterizado o indébito tributário, gerando o direito a que se reporta o artigo 165 do C.T.N. Porquanto, se por decisão do Estado, polo ativo das relações tributárias, o contribuinte se via obrigado ao pagamento de tributo até então, ou sofrer-lhe as sanções, a reforma dessa decisão condenatória por ato da própria administração, tem o efeito de tomar o termo inicial do pleito à restituição do indébito a data de publicação do mesmo ato. Portanto, na regra geral o prazo decadencial do direito à restituição encerra- se após o decurso de cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido. Sendo exceção a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da lei em que se fundamentou o gravame ou de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo, momento em que o início da contagem do prazo decadencial desloca-se para a data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional, ou da data do ato da administração tributária que reconheça a 16 • • -' MINISTÉRIO DA FAZENDA' -* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10680.012833/99-32 Acórdão n°. : 104-17.653 não incidência do tributo, sendo que, nestes casos, é permitida a restituição dos valores pagos ou recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Sem dúvida, se declarada a inconstitucionalidade — com efeito erga omnes — da lei que estabelece a exigência do tributo, ou de ato da administração tributária que reconheça a sua não incidência, este será o termo inicial para o início da contagem do prazo decadencial do direito à restituição de tributo ou contribuição, porque até este momento não havia razão para o descumprimento da norma, conforme jurisprudência desta Câmara. Desta forma, no caso em litígio, não tenho dúvidas em afirmar que somente a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.° 165, de 31 de dezembro de 1998 (DOU de 06 de janeiro de 1999) surgiu o direito do requerente em pleitear a restituição do imposto retido, porque esta Instrução Normativa estampa o reconhecimento da Autoridade Tributária pela não-incidência do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de planos ou programas de desligamento voluntário. Assim sendo, entendo que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição em discussão. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito a restituição do imposto de renda na fonte, conforme pleiteado. Sala das Sessões - DF, em 17 de outubro de 2000 f LSQ1/(40f1 r•r9 17 Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10380.003857/00-45
Data da sessão: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ – REAVALAÇÃO DE BENS – LAUDO “EXPEDITO” DE AVALIAÇÃO – CABIMENTO – IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A lei não dispõe sobre quais metodologias as empresas de avaliação devem utilizar para a elaboração de laudos, exigindo, apenas, que estes estejam fundamentados em elementos de comparação que, não necessariamente, devem a eles estar anexados. Cabe à fiscalização, na análise dos elementos de comparação utilizados no laudo, intimar a recorrente e, sobretudo, a empresa avaliadora, a apresentar os elementos de comparação bem como os documentos e demais circunstâncias utilizados no laudo para, se for o caso, infirmá-lo. Se mais não bastasse, provado nos autos do processo que a reserva de reavaliação fora estornada, desmaterializando-se, pois, a infração que a fiscalização alegara ter ocorrido, também por isso não teria cabimento o auto de infração. Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: CSRF/01-05.449
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, José Henrique Longo e Mário Junqueira Franco Júnior, e no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber (Relator), Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio Machado Caldeira.
Nome do relator: Cândido Rodrigues Neuber

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-16T16:20:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-16T16:20:10Z; Last-Modified: 2009-07-16T16:20:10Z; dcterms:modified: 2009-07-16T16:20:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-16T16:20:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-16T16:20:10Z; meta:save-date: 2009-07-16T16:20:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-16T16:20:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-16T16:20:10Z; created: 2009-07-16T16:20:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-07-16T16:20:10Z; pdf:charsPerPage: 2044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-16T16:20:10Z | Conteúdo => • j:;;:.:•;i: MINISTÉRIO DA FAZENDA Yei.,": CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n.° :10380.003857/00-45 Recurso n.° :107-125782 Matéria : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Reconida : 7a CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : CEARÁ DIESEL SÃ. (SUC. DE NOVA TERRA DIESEL VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.) Sessão de :19 de julho de 2006 Acórdão n° : CSRF/01-05.449 IRPJ — REAVALAÇÃO DE BENS — LAUDO "EXPEDITO" DE AVALIAÇÃO — CABIMENTO — IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A lei não dispõe sobre quais metodologias as empresas de avaliação devem utilizar para a elaboração de laudos, exigindo, apenas, que estes estejam fundamentados em elementos de comparação que, não necessariamente, devem a eles estar anexados. Cabe à fiscalização, na análise dos elementos de comparação utilizados no laudo, intimar a recorrente e, sobretudo, a empresa avaliadora, a apresentar os elementos de comparação bem como os documentos e demais circunstâncias utilizados no laudo para, se for o caso, infirmá-lo. Se mais não bastasse, provado nos autos do processo que a reserva de reavaliação fora estornada, desmaterializando-se, pois, a infração que a fiscalização alegara ter ocorrido, também por isso não teria cabimento o auto de infração. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, José Henrique Longo e Mário Junqueira Franco Júnior, e no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber (Relator), Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio Machado Caldeira. Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE CHADO CALDEIRA REDATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 20 MAR 2008 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CLÕVIS ALVES, JOSÉ CARLOS PASSUELLO e DORIVAL PADOVAN. 2 CRN — 107-125.782— Ceará Diesel S/A. (Suc. de Nove Terra Diesel Veículos Peças e Serviços Ltda.) Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 Recurso n.° :107-125782 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : CEARÁ DIESEL S.A. (SUC. DE NOVA TERRA DIESEL VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.) RELATÓRIO A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, fls. 200 a 211, com fulcro nas disposições do artigo 5°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 55, Anexo I, de 16 de março de 1998 (D. O. U. de 17/03/1998), pleiteando a reforma do acórdão n°. 107-06.965, de 26/02/2003, fls. 169 a 198, de interesse da contribuinte CEARÁ DIESEL S/A. (SUC. DE TERRA DIESEL VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA.). Deseja a Fazenda Nacional restabelecer a exigência de CSLL, exercício financeiro de 1995, ano-calendário de 1994, autuada sob a acusação fiscal de "não adição ao lucro líquido do exercício na determinação do Lucro Real, da reserva de reavaliação de bens do Ativo Permanente, constituída com base em laudo, com inobservância dos requisitos legais, ...", segundo descrito no item 001, do auto de infração, fls. 03, exonerada pelo acórdão recorrido. Assevera a recorrente, em síntese, que a decisão recorrida contraria os elementos de provas contidos nos autos e as disposições do artigo 388, do RIR/94; as orientações da CVM, na Resolução n° 27, de 27 de fevereiro de 1986; o laudo de reavaliação não atende aos requisitos especificados no artigo 382, § 3°, do RIR/94 e do artigo 8°, da Lei n° 6.404/76, por não ter indicado os critérios de avaliação e os elementos de comparação adotados e nem está instruídos com os respectivos documentos que serviram à sua elaboração. Alfim, a Fazenda Nacional, pede seja reformado o acórdão recorrido, mantendo-se indene o auto de infração no tocante à adição ao lucro líquido da reserva de reavaliação, bem como os efeitos dela decorrentes. Admitido seguimento ao recurso especial, segundo Despacho n°. 107- 0126/04, fls. 233/234, por atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade. Cientificada do acórdão e da interposição do recurso especial, em 01/12/2004, segundo "A. R." afixado às fls. 239, a contribuinte pontificou-se em contra- razões, fls. 240 a 252, propugnando seja mantido, em sua totalidade, o acórdão recorrido e negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. )É o relatório. (1/4 O CRN - 107-125.782- COINII OS& S/A. ( 41 • Terra DIOSOI Veículos Peças • Serviços Ltda.) 3 Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 VOTO VENCIDO Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER - Relator. O recurso especial atende aos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Regimento Interno. Dele tomo conhecimento, Inicialmente, manifesto-me a respeito de preliminar de não conhecimento do recurso especial suscitada de oficio, em plenário, pelo ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no que foi acompanhado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e José Henrique Longo, sob a alegação de que a exigência objeto do especial teria sido exonerada sob dois fundamentos, mas que o senhor Procurador da Fazenda Nacional fundamentou seu recurso apenas em um deles, nada questionando sobre o segundo fundamento, consignado na ementa do acórdão recorrido, in fine, de que "Se mais não bastasse, provado nos autos do processo que a reserva de reavaliação fora estornada, desmaterializando-se, pois, a infração que a fiscalização alegara ter ocorrido, também por isso não teria cabimento o auto de infração,". O recurso especial foi interposto com base nas disposições do artigo 50, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em virtude de a decisão atacada ter sido extraída por maioria de votos. O voto vencido consignou as razões pelas quais entendeu procedente a exigência fiscal, contrárias à fundamentação do voto vencedor, encontrando-se o recurso especial devidamente fundamentado, eis que indicou a legislação que considerou contrariada e a prova, o laudo de avaliação, que entendeu não observada na decisão recorrida, além de que o recurso especial é contra a decisão recorrida, não contra os fundamentos da decisão, sendo que a aceitação ou não do segundo fundamento que estimulou a argüição de ofício da preliminar de inadmissibilidade do especial, na verdade, se traduz em uma questão a ser dirimida em sede de mérito, tendo em vista que o especial se refere apenas a uma matéria: a tributação da reserva de reavaliação. Dessarte, rejeito a preliminar suscitada de oficio. Enfrento o mérito. Entendo assistir razão à Fazenda Nacional. A questão de mérito refere-se à exoneração da exigência de CSLL lançada em decorrência da adição ao lucro liquido da contrapartida da reserva de reavaliação. A par da escorreita fundamentação doutrinária e técnica declinada no voto vencido da lavra do ilustre Conselheiro Luiz Martins Valero fls. 179 a 188, CRN - 107-125.782 - Ceará Diesel S/A (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e Serviços Ltdd es, 4 Processo n°. : 10380.003857100-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 volvendo para os aspectos tributários atinentes à reserva de reavaliação convenci-me do acerto da exigência fiscal ora demandada. Com efeito, trata-se de pessoa jurídica tributada pelo regime do lucro real, que se obriga a manter escrituração de todas as suas operações e apurar seus resultados com observância das disposições das leis comerciais e fiscais. Neste passo, reporto-me aos fundamentos do voto vencido que proferi quando do julgamento do recurso especial sob n° 107-131.072, interposto pela Fazenda Nacional nos autos do processo administrativo fiscal n° 10380.003856/00-82, também julgado nesta assentada, acórdão n° CSRF/01-05.448, relativo à exigência de imposto de renda pessoa jurídica, lançada sob os mesmos suportes fáticos e de direito versados nestes autos, cujas razões de decidir, igualmente, aplicam-se à solução da presente lide referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. "A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas — IRPJ, tem por ponto de partida o lucro liquido do exercício, apurado nas demonstrações financeiras definidas na Lei n° 6.404/76, o qual, para efeitos tributários, deve ser ajustados por adições e exclusões determinadas na legislação fiscal, mediante elaboração da demonstração fiscal denominada "demonstração do lucro real", escriturada em livro fiscal próprio, o "Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR", obtendo-se, desse modo, a base de cálculo do IRPJ. Do ponto de vista contábil e fiscal todo e qualquer acréscimo patrimonial, transita por conta de resultado e integra o lucro líquido do exercício e, em princípio, sofre incidência tributária pelo IRPJ. A regra geral é a tributação. A não tributação é uma exceção que deve ser prevista e autorizada pela legislação tributária. Assim, a reserva de reavaliação representa um acréscimo de valor ao patrimônio da empresa, deve compor o resultado do exercício integrando o lucro líquido do exercício e sofre incidência do IRPJ. Entretanto, a legislação fiscal abriu uma exceção quanto à tributação da reserva de reavaliação autorizando o seu diferimento para um momento futuro, o momento de sua realização, ocasião em que os efeitos tributários decorrentes seriam neutros, porém desde que observadas determinadas condições previstas na legislação fiscal, o artigo 382 do RIR194, a saber - a reavaliação deve ser efetuada com base em laudo nos termos do artigo 8° da Lei n°6.404/76; - a contrapartida do aumento do valor de bens do ativo permanente deve ser mantida em conta de reserva de reava fiação; - o laudo que serviu de base ao registro de reavaliação de bens deve Identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original; ntek 5CRN — 107425.782 — Ceará Diesel SIA. (Suc. de Nova Terra Díese/ Veículos Peças e Se Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 - o contribuinte deve discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período; e - se a reavaliação não satisfazer aos requisitos definidos no referido artigo será adicionada ao lucro líquido do período- base para efeito de determinar o lucro real. O laudo de avaliação, para amparar a neutralidade tributária pretendida, deve ser elaborado com observância dos requisitos previstos no artigo 8° da Lei n° 6.404/76, a seguir elencados: - a avaliação deve ser feita por três peritos ou empresa especializada; e - deve indicar os critérios de avaliação e os elementos de comparação adotados e instruídos com os documentos relativos aos bens avaliados No presente caso, quando do julgamento do recurso voluntário, constatou-se que o laudo de reavaliação utilizado não observou os requisitos da legislação societária e fiscal referidos, aspecto este que justifica o lançamento tributário. Neste particular, evoco excertos do voto vencido, a seguir transcritos, pela propriedade com que apreciou a questão, cujos fundamentos adoto e incorporo a este voto, fls. 529 a 533, in verbis: sd..iiitquestionável a possibilidade de uma empresa não sociedade anônima fazer uso do instituto da reavaliação de bens, a administração tributária já reconheceu isso em atos normativos. Claro também que algumas formalidades do laudo listadas na legislação societária e fiscal são impraticáveis por uma empresa não S/A, caso, por exemplo da assembléia geral, mas há requisitos que são fundamentais e constituem o cerne da segurança do fisco frente ao instituto como é o caso da exigência de indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados, vale dizer, a fundamentação do laudo, Como dissemos antes, em se tratando de bem intangível, esses requisitos são fundamentais. Nenhuma objeção a capacidade da empresa signatária do, laudo de fls. 14/20. Revela destacar o conteúdo do documento em relação ao ponto central a que no referimos. 52 fIs. 7 do referido Laudo constam as fontes de pesquisa (nome da fonte, do ramo de veículos, e pessoa consultada) a que se refere o Laudo como valor ofertado por outras revendas que encontram-se a venda. A partir disso, o Laudo relaciona em sua folha 5 e folha 6 o valor CRN — 107-125.782 — Ceará Diesel SIA. (Sua de Nova Terra Diesel veículos Peças e Serviços ‘ ci, 6 Processo n°. :10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 atribuído à bandeira Nova Terra Diesel VPS Ltda: U$ 3.000.000,00 e CR$ 8.250.000.000,00, convertido ao câmbio de CR$ 2.750,00. Há pontos nucleares omitidos no laudo, tais como: a) A cota fixada pela fábrica em função das variáveis citadas como válidas; b) o percentual de aproveitamento da cota que conduziu à constatação de que o 'negócio está em crescimento' valorizando a bandeira; c) as revendas que estão à venda é que serviram de base para comparação; d) o preço ofertado por essas revendas; e) os documentos corroboram os números citados; Não basta escrever o critério de avaliação e elementos de comparação utilizados. É preciso demonstrar sua objetividade e factualidade calçadas em elementos numéricos seguros, corroborados por documentos hábeis que ao Laudo deveriam estar anexados. Os esclarecimentos complementares juntados na fase impugnatária, fls. 302 a 335, não melhoram a fundamentação do laudo, pelo contrário, adicionam outras variáveis não provadas, como a existência de um processo de valorização das revendas de veículos em função das quotas detidas junto à fábrica para fazer face ao desabastecimento do mercado no ano de 1994. 1...1 O chamado nível expedito de avaliação não é adequado para o atendimento da legislação fiscal, ainda mais em se tratando de bens intangíveis, cujo reconhecimento contábil não é usual. Da forma como se apresenta o Laudo, o valor atribuído é por demais subjetivo. Por que U$ 3.000.000,00 e não U$ 6.000.000,00 ou U$ 1.000.000,00? O art. 382 do RIIR194, cuja base legal é o art. 43, § 1°, letra 'h' do Decreto-Lei n° 5.844143, na redação dada pelo art. 1° da Lei n° 154/47, deixa claro que se a reavaliação não satisfazer aos requisitos legais, sua contrapartida deverá compor o lucro líquido do período-base. Vale dizer, a legislação fiscal só admite a manutenção da contrapartida d reavaliação no patrimônio liquido quando realizada com estrita obediência a seus requisitos prévios, pelo menos aqueles que são nucleares ao instituto. Resta analisar o 'estorno' da reserva em janeiro de 2001, fls. 422 423, efetuada mais de seis anos depois de sua constituição, já na empresa NTP Participações Veículos Ltda, que, segundo informações do fisco, a recebeu em decorrência de cisão. Caberia à recorrente demonstrar de forma inequívoca que a reserva de reavaliação, mantida no patrimônio líquido e transferida para empresa resultante de cisão. Não produziu efeitos contábeis e fiscais .4 rante todo esses seis anos, ou mesmo no evento de cisão. iI,CRN — 107-125.782 — Ceará Diesel SIA. (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e Serviços • ) O 7 Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 • E mais, o dito estorno se deu, consoante cópia do lançamento contábil, por motivo de transferência da concessão - Matriz e Filial para outra pessoa jurídica. Mantida a tributação da contrapartida de reavaliação, restam mantidas as exigências fiscais calçadas no ajuste procedido nas compensações de prejuízos a partir de julho de 1994 porque essas sofreram influência do valor tributável apurado em 30/06/94. Na esteira destas considerações, oriento o meu voto no sentido de dar provimento ao recurso especial manejado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da CSLL correspondente ao item reserva de reavaliação. Sala das Sessões - DF, em 19 de junho de 2006. • RODRI - BER • CRN - 107-125.782 - Ceará Diesel SIA (Suc. de Nova Tetra Diesel Veículos Peças e Serviços Lida) 8 Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 VOTO VENCEDOR Conselheiro MÁRCIO MACHADO CALDEIRA — Redator designado O recurso foi conhecido na sessão de julgamento, tendo acompanhado o I. Relator Dr. Cândido Rodrigues Neuber pela sua admissibilidade. Discordei do mesmo quando deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, no intuito de reformar o Acórdão n° 107-06.966, de 26/02/2003, relativamente à tributação da reserva de reavaliação. Designado para redigir este voto, espelho o que foi discutido na sessão de julgamento, ao ser mantida a decisão recorrida. Verifica-se dos autos, que foi anexado às fls. 38/44 o laudo de avaliação que demonstra a metodologia utilizada pela avaliadora SETAP — Serviços Técnicos de Avaliação do Patrimônio e Engenharia S/C Ltda., e os elementos de comparação utilizados. Consta, ainda, às fls. 292/301 esclarecimentos adicionais da impugnante e às fls. 303/310 outras informações da avaliadora e mais, às fls. 436/504 documentação dessa empresa e certidões de outros serviços prestados da mesma natureza. Assim, entendo correto o seu procedimento e acompanho o voto condutor do acórdão recorrido, a cuja fundamentação me reporto e abaixo transcrito: "Vamos ao ponto nuclear que trata da tributação da contrapartida da reavaliação do fundo de comércio. O convencimento do julgador quanto à adequação do laudo de reavaliação, no caso em exame, independe de perícia uma vez que todas as variáveis (J51 necessárias à análise estão presentes nos autos. Nada acrescentaria ouvir a AB T- 9 CRN —107-125.782 — Ceará Diesel SIA. (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e Serviços Ltd • Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 quando é sabido que não existem normas padronizadas para avaliação de fundo de comércio. Por isso é de se indeferir o pedido de perícia. O que importa para o deslinde do mérito da lide é a abordagem do tema sob os seguintes aspectos: 1) Sentido e alcance da expressão "fundo de comércio" e seu reflexo no patrimônio das pessoa jurídicas; 2) Possibilidade de reavaliação do "fundo de comércio" (good will) à vista da sua intangibilidade 3) A Reavaliação Frente aos Princípios Contábeis 4) Alcance e sentido das exigências a serem atendidas pelo laudo de reavaliação de bens; e 5) Tratamento tributário da contrapartida da reavaliação espontânea de bens do ativo permanente. Fundo de comércio é expressão importada do francês fonds de commerce que corresponde à expressão vemácula "estabelecimento comercial". Designa o complexo de bens, materiais ou não, dos quais o comerciante se serve na exploração de seu negócio. No dizer de Bento de Faria, Direito Comercial; Hanus, Études du fonds de connnnerce: "É uma universalidade expressiva de corpo certo, individualizado, apesar das modificações sucessivas que podem sofrer." Essa universalidade de fato, que não se confunde com a marca comercial, na maioria dos casos é deixada à margem das demonstrações financeiras. Quando ela não está representada graficamente no balanço patrimonial, sob a ótica contábil, seu eventual valor econômico constituí-se em uma verdadeira reserva oculta. O seu reconhecimento em patrimônio jurídico-contábil implica reconhecer relevância jurídica idêntica a de outros intangíveis registrados no ativo da pessoa jurídica. É certo que a própria conceituação de fundo de comércio, na qual estão presentes características intrínsecas à empresa, tais como, poder de vend o CRN - 107-125.782 - Ceará Diesel S/A. (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e Serviços Lida) Processo n°. :10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 valor de revenda, região de atuação etc., toma impossível dissociá-lo do valor da empresa em si. A bem da verdade o valor da empresa e do fundo de comércio confundem-se, não guardando razoabilidade a contabilização do fundo no ativo imobilizado da empresa. Seria como considerarmos possível uma "auto-reavaliação" da empresa com contrapartidas em seu ativo imobilizado e patrimônio líquido. Em realidade a contabilidade sempre buscou espelhar o valor da empresa, seja pelo custo de aquisição, seja pelo valor do patrimônio líquido. Da mesma forma, valorar empresa é tarefa extremamente difícil. Por não outro motivo a contabilidade sempre optou por contabilizar os investimentos societários pelo custo de aquisição ou pelo patrimônio líquido, métodos objetivos inquestionáveis. O valor de mercado de empresa é de difícil mensuração, sendo extremamente dependente do método utilizado para sua aferição, seja o de valor descontado de fluxo de caixa futuro, seja pelo valor provável de revenda do investimento ou por qualquer outro método. Tanto é assim que normalmente estes métodos preferem atribuir faixas de valor aos investimentos ao invés de atribuir-lhes valores determinados, trabalhando com intervalos de confiança. Todos estes aspectos inviabilizam a contabilização na investidora dos seus investimentos pelo valor de mercado, quer pela falta de objetividade quer pela falta de consistência. Por este motivo é mais razoável a contabilização dos investimentos pela certeza objetiva dos métodos de custo de aquisição e valor do patrimônio liquido. Mas é claro que nada impede que o investidor solicite laudos de avaliação de investimento, tanto com o propósito de aquisição como com o propósito de futura alienação. No caso de alienação futura, os resultados contábeis e fiscais dar- se-ão à medida que os negócios realizarem-se, enquanto que no caso de avalia ã5 CRN — 107-125.782 — Ceará Diesel SIA. (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e SerWços Ltda.) Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 para aquisição de investimento o laudo de avaliação pode servir como "fundamento econômico" para eventual ágio pago na aquisição. Observe que no próprio artigo 329 do RIR194, o fundo de comércio é utilizado como base para avaliação de controlada quando de sua aquisição. Qualquer valoração do fundo de comércio é valoração da empresa e esta valoração, quando efetuada, deve pautar-se em estudos técnicos objetivos e consistentes. Já a reavaliação, atende a outras finalidades. O objeto da reavaliação são os bens da empresa, entes facilmente destacáveis da empresa em si, e que com esta não se confundem, reavaliados, atendem ao propósito econômico da contabilidade Nesse sentido e já abordando o segundo e terceiro aspecto colocados como premissa, importante discorrermos sobre o pronunciamento do Instituto Brasileiro de Contadores - IBRACON, em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários — CVM, divulgado pela Deliberação CVM n° 183, de 19.06.1995, publicada no D.O.U. de 22.06.1995, retificado no D.O.U. de 06.07.1995. Assim dispõe referido pronunciamento: (os grifos são nossos) Reavaliação Frente aos Princípios Contábeis Em vários países a avaliação de ativos pelos valores de mercado não é considerada aceitável como um princípio contábil, por contrariar o conceito de custo como base de valor. Sua permissão no Brasil se deu através da legislação societária, complementada pela legislação fiscaL Sua utilizacão, todavia, deve ser praticada dentro de critérios técnicos, apurada por parâmetros pautados pela realidade, e devidamente informada nas demonstrações contábeis e notas explicativas quanto a seus valores e reflexos. 6. Assim, a avaliação de ativos pelo custo corrigido monetariamente é o critério preferencial consagrado pelos princípios fundamentais de contabilidade, sendo a reavaliação um critério alternativo, que, se adotada dentro dos parâmetros e critérios técnicos definidos neste Pronunciamento, constitui-se em prática contábil aceitável. Em ambos os casos, deve-se observar o valor de recuperação, sempre que menor, conforme comentado no item 44. Essa posição se coaduna com as normas internacionais _dei,. contabilidade do -1ASC - International Accounting Standards Committe 12 CRN —107-125.782 — Ceará Diesel S/A (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e Serviços Ma.) Processo n°. :10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 9. A flexibilidade permitida pela legislação levou a uma heterogeneidade de tratamento na aplicação da reavaliação por parte das empresas, inclusive com a adoção de práticas distantes do objetivo para o qual foi criada, tais como, entre outros: a) empresas que efetuaram reavaliações para compensar correções monetárias insuficientes; b) empresas que efetuaram a contabilização de depreciações aceleradas ou superiores ao efetivo desgaste físico dos bens; c) empresas que registraram reavaliações visando demonstrar custos mais atualizados para justificar aumentos de preços; d)empresas que a aplicaram visando afetar distribuição de lucros; e)empresas que a aplicaram visando benefícios de ordem fiscal mediante a compensação contra prejuízos fiscais prestes a expirar; e O empresas que a adotaram objetivando alterações na relação entre capital próprio e de terceiros. HIPÓTESES POSSÍVEIS DE REAVALIA CÃO 12. O presente Pronunciamento se aplica às seguintes situações previstas nas legislações societária e fiscal que tratam de reavaliação: a)reavaliação voluntária de ativos próprios; b)reavaliação de ativos por controladas e coligadas; c)reavaliação na subscrição de capital em outra empresa com conferência de bens; d)reavaliação nas fusões, incorporações e cisões. REAVALIA CÃO VOLUNTÁRIA DE ATIVOS PRÓPRIOS Ativos que Podem ser Reavaliados 13. A Lei n° 6.404/76 menciona que a reavaliação pode ser feita para os "elementos do ativo", o que pode dar o entendimento de abranger não só itens do imobilizado, como de investimentos e ativo diferido, além de estoques, entre outros. A legislação fiscal é mais restritiva e refere-se somente a itens do ativo permanente não abrangendo, portanto, os estoques ou outros ativos constantes do Circulante ou Realizável a Longo Prazo. 14. O entendimento neste Pronunciamento é de que a reavaliacão seja restrita a bens tanalveis do ativo imobilizado desde que não esteja prevista sua descontinuidade operacional. Á vista disso vemos que no presente processo estamos diante de um procedimento não usual. Vale dizer a reavaliação é referida a um bem intangível, contrariando recomendações técnicas. É certo que tal procedimento não é veda els 13 CRN —107-125.782 — Ceará Diesel SIA (Suc. de Nova Terra Diesel veículos Peças e Serviços Ltda.) Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 legislação fiscal, mas isso exige que o aplicador da Lei seja mais cauteloso em relação aos critérios utilizados na determinação da mais valia. Dispunha o art. 382 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR194: Art. 382. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8° da Lei n.° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (Decretos-lei n°s 1.598/77, art. 35, e 1.730/79, art. /°, VI). § 1° O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original (Lei n.° 7.799/89, art. 12, § 2°). § 2° O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período-base (Decreto-lei n.° 1.598/77, art. 35, § 2°). § 3° Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro liquido do período-base, para efeito de determinar o lucro real (Decreto-lei n.° 5.844/43, art. 43, § /°, "h", e Lei n.° 154/47, art. 1°). O art. 8° da Lei n° 6.404/76, está assim redigido: Art. 8° A avaliação dos bens será feita por 3 (três) peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembléia geral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por um dos fundadores, instalando-se em primeira convocação com a presença de subscritores que representem metade, pelo menos, do capital social, e em segunda convocação com qualquer número. § 1° Os peritos ou a empresa avaliadora deverão apresentar laudo fundamentado, com a indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruido com os documentos relativos aos bens avaliados e estarão presentes à assembléia que conhecer do laudo, a fim de prestarem as informações que lhes forem solicitadas. (GRIFAMOS) É inquestionável a possibilidade de uma empresa não sociedade anônima fazer uso do instituto da reavaliação de bens, a administração tributária-Já reconheceu isso em atos normativos. 14 CRN - 107-125.782 - Ceará Diesel SIA (Suc. de Nova Terra Diesel veículos Peças e Serviços Ltda.) Processo n°. : 10380.003857/00-45 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 Claro também que algumas formalidades do laudo listadas na legislação societária e fiscal são impraticáveis para uma empresa não S/A, caso, por exemplo da assembléia geral, mas há requisitos que são fundamentais e constituem o ceme da segurança do fisco frente ao instituto como é o caso da exigência de indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados, vale dizer, a fundamentação do laudo. Como dissemos antes, em se tratando de bem intangível, esses requisitos são fundamentais. Nenhuma objeção à capacidade da empresa signatária do laudo de fls. 14/20. Releva destacar o conteúdo do documento em relação ao ponto central a que nos referimos. Com efeito diz o laudo em seu item 2 Metodologia, fls. 4, composto de dois parágrafos: "Para o presente caso, após uma análise deste setor, chegou-se a conclusão que existe por um lado uma relação de valores entre a concessão de uma cota de veículos/ano para uma determinada revenda autorizada, e que esta concessão baseia-se, genericamente, no potencial da região, tamanho das instalações, localização, capital de giro da empresa, histórico das vendas e etc. Por outro lado, o valor de uma bandeira pode variar também em função do aproveitamento da cota oferecida pelas fábricas, ou seja, conforme o total de vendas se aproxima do total do lote, indica que o negócio está em crescimento, o que acarreta numa maior valorização da bandeira. Portanto, para podermos definir um valor para as bandeiras, optamos por analisar o perfil das vendas das revendas nos últimos anos e pesquisar no mercado a relação do valor ofertado por outras revendas que encontram-se a venda para então chegarmos a um valor médio em função da cota de cada bandeira/revenda avaliada." Às fls. 7 do referido Laudo constam as fontes de pesquisa (nome da fonte, do ramo de veículos, e pessoa consultada) a que se refere o Laudo com algp ofertado por outras revendas que encontram-se a venda. 15 CRN - 107-125.782- Ceará Diesel S/A. (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e Serviços Lida) Processo n°. : 10380.003857/0045 Acórdão n°. : CSRF/01-05.449 A partir disso, o Laudo relaciona em sua folha 5 e folha 6 o valor atribuído à bandeira Nova Terra Diesel VPS Ltda: U$ 3.000.000,00 e CR$ 8.250.000.000,00, convertido ao câmbio de CR$ 2.750,00. Há pontos nucleares omitidos no laudo, tais como: a) A cota fixada pela fábrica em função das variáveis citadas como válidas; b) o percentual de aproveitamento da cota que conduziu à constatação de que o "negócio está em crescimento" valorizando a bandeira; c) as revendas que estão à venda é que serviram de base para comparação; d) o preço ofertado por essas revendas; e) os documentos corroboram os números citados; Não basta escrever o critério de avaliação e elementos de comparação utilizados. É preciso demonstrar sua objetividade e factualidade calçadas em elementos numéricos seguros, corroborados por documentos hábeis que ao Laudo deveriam estar anexados. Os esclarecimentos complementares juntados na fase impugnatória, fls. 302 a 335, não melhoram a fundamentação do laudo, pelo contrário, adicionam outras variáveis não provadas, como a existência de um processo de valorização das revendas de veículos em função das quotas detidas junto à fábricas para fazer face ao desabastecimento do mercado no ano de 1994. Peço licença à Câmara para ler a íntegra dos referidos esclarecimentos complementares. O chamado nível expedito de avaliação não é adequado para o atendimento da legislação fiscal, ainda mais em se tratando de bens intangíveis, cujo reconhecimento contábil não é usual. Da forma como se apresenta o Laudo, o valor atribuído é por demais subjetivo. Por que US$$ 3.000.000,00 e não US$$ 6.000.000,00 ou U$$1.000.0 0-,,? __ 16 _/:--":1----.------------ CRN — 107-125.782 — Ceara Diesel $/A. (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e Serviços Ltda.)0 . Processo n°. :10380.003856/00-82 Acórdão n°. : CSRF/01-05.448 O art. 382 do RIR/94, cuja base legal é o art. 43, § 1°, letra "h" do Decreto-Lei n°5.844/43, na redação dada pelo art. 1° da Lei n°154/47, deixa claro que se a reavaliação não satisfizer aos requisitos legais, sua contrapartida deverá compor o lucro líquido do período-base. Vale dizer, a legislação fiscal só admite a manutenção da contrapartida de reavaliação no patrimônio líquido quando realizada com estrita obediência a seus requisitos prévios, pelo menos aqueles que são nucleares ao instituto. Resta analisar o "estorno" da reserva em janeiro de 2001, fls. 422 e 423, efetuada mais de seis anos depois de sua constituição, já na empresa NTP participações Veículos Ltda, que, segundo informações do fisco, a recebeu em decorrência de cisão. Caberia à recorrente demonstrar de forma inequívoca que a reserva de reavaliação, mantida no patrimônio líquido e transferida para empresa resultante de cisão, não produziu efeitos contábeis e fiscais durante todo esses seis anos, ou mesmo no evento de cisão. E mais, o dito estorno se deu, consoante cópia do lançamento contábil, por motivo de transferência da concessão - Matriz e Filial para outra pessoa jurídica. Mantida a tributação da contrapartida da reavaliação, restam mantidas as exigências fiscais calçadas no ajuste procedido nas compensações de prejuízos a partir julho de 1994 porque essas sofreram influência do valor tributável apurado em 30/06/94? Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial e, no mérito em negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das sessões — DF, em 19 de julho de 2006 L- ÇO ACHADO- CALDEIRA 17 CRN — 107-131.072 — Ceará Diesel S/A. (Suc. de Nova Terra Diesel Veículos Peças e Serviços Ltda.) 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Numero do processo: 10825.001448/2003-51
Data da sessão: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Ementa: DECADÊNCIA – TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei nº 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Mantida a multa qualificada e tratando-se de apuração trimestral o início da contagem do prazo decadencial se dá no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Tendo o Pleno do STF já se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando as matérias contidas no artigo 146-III da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicando-se o Código Tributário em detrimento de Lei Ordinária. ( STF TRIBUNAL PLENO - RE 407190/RS –SESSÃO DE 27-10-2004). RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174/2001 – Tratando-se de lei que estabelece procedimentos de fiscalização, tem aplicação a fatos geradores pretéritos. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracteriza-se como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. MULTA QUALIFICADA – Restando configurada a utilização de interpostas pessoas por parte de pessoas físicas e jurídicas interligadas e a manutenção de contas bancárias à margem da escrituração, vislumbra-se a ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 71 e 73 da Lei nº 4.502/66. LANÇAMENTOS REFLEXOS – Tratando-se de autos de infrações decorrentes, aplica-se a decisão dada ao IRPJ na questão de mérito, tendo em vista a intima relação de causa e efeito que os une. Preliminar acolhida. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/01-05.643
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ e da CSL referentes aos fatos geradores ocorridos até o 32 trimestre de 1997 e da COFINS e da contribuição para o PIS referentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1997, vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que rejeitaram essa preliminar em relação à CSL e à COFINS, e no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Dorival Padovan (Relator), Cândido Rodrigues Neuber, Paulo Jacinto do Nascimento e Carlos Alberto Gonçalves Nunes que deram provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clóvis Alves.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Dorival Padovan

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Interessada : FAZENDA NACIONAL Recorrida :5' CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 27 de março de 2007 Acórdão n2. : CSRF/01-05.643 DECADÊNCIA — TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n2 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 42 do artigo 150 do CTN. Mantida a multa qualificada e tratando- se de apuração trimestral o início da contagem do prazo decadencial se dá no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Tendo o Pleno do STF já se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando as matérias contidas no artigo 146-111 da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicando-se o Código Tributário em detrimento de Lei Ordinária. ( STF TRIBUNAL PLENO - RE 407190/RS —SESSÃO DE 27-10-2004). RETROATIVIDADE DA LEI N2 10.174/2001 — Tratando-se de lei que estabelece procedimentos de fiscalização, tem aplicação a fatos geradores pretéritos. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracteriza-se como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. MULTA QUALIFICADA — Restando configurada a utilização de interpostas pessoas por parte de pessoas físicas e jurídicas interligadas e a manutenção de contas bancárias à margem da escrituração, vislumbra-se a ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 71 e 73 da Lei n2 4.502166. Joh ç4I , Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n. : CSRF/01-05.643 LANÇAMENTOS REFLEXOS — Tratando-se de autos de infrações decorrentes, aplica-se a decisão dada ao IRPJ na questão de mérito, tendo em vista a intima relação de causa e efeito que os une. Preliminar acolhida. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SUPERMERCADO SERVE TODOS PIRAJUl LTDA, ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ e da CSL referentes aos fatos geradores ocorridos até o 32 trimestre de 1997 e da COFINS e da contribuição para o PIS referentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1997, vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que rejeitaram essa preliminar em relação à CSL e à COFINS, e no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Dorival Padovan (Relator), Cândido Rodrigues Neuber, Paulo Jacinto do Nascimento e Carlos Alberto Gonçalves Nunes que deram provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Clóvis Alves. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE ))S L VIS AL 9ELATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 20 JUN 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CARLOS PASSUELLO e JOSÉ HENRIQUE LONGO. 2 Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 Recurso n°. :105-142077 Recorrente : SUPERMERCADO SERVE TODOS PIRAJUI LTDA. Interessada : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Contra o contribuinte Supermercado Serve Todos Pirajuí Ltda. foram efetuados lançamentos fiscais que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro (CSL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), com multa qualificada de 150%, referente omissão de receita caracterizada por créditos/depósitos bancários de origem não comprovada dos períodos-base de 1997 a 2000, sendo o IRPJ e a CSL apurados por trimestres (lucro presumido) e o PIS e a COFINS apurados mensalmente. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 42-64, o procedimento de fiscalização teve origem em representação da Câmara Municipal de Pirajuí (SP), tendo sido constatado que as contas bancárias particulares em nome dos sócios Erlon Carlos Godoy Ortega e Alessandra Helena Godoy Ortega e em nome da gerente e mãe dos sócios da recorrente Wanda Helena de Godoy Ortega, pertenciam, de fato, a cinco pessoas jurídicas, a saber Supermercado Serve Todos Pirajuí Ltda. (recorrente), Auto Posto E. A. Ortega de Pirajuí Ltda., Supermercado Serve Todos Reginópolis Ltda., Supermercado Serve Todos Presidente Alves Ltda. e Supermercado Serve Todos Pongaí Ltda., todas autuadas com base em receitas omitidas por conta da referida movimentação bancária. A fiscalização identificou ainda contas bancárias em nome das próprias empresas que igualmente foram consideradas no lançamento. Para determinar a base de cálculo do lançamento de cada uma das cinco pessoas jurídicas autuadas, os valores dos depósitos bancários em nome de 3 (/P /ty7 Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 Erlon, Alessandra e Wanda, foram rateados de forma proporcional às receitas brutas declaradas pelas pessoas jurídicas. O sujeito passivo, ora recorrente, impugnou o lançamento suscitando a preliminar de decadência em relação aos trimestres de 1997 e aos dois primeiros trimestres de 1998, tendo em vista a ciência do lançamento em 19/9/2003. E no mérito sustentou, em síntese: a inexistência de provas vinculando a conta bancária de Wanda Helena de Godoy Ortega aos negócios da empresa; a ilegalidade do rateio utilizado pela fiscalização; a impossibilidade dos depósitos como fato gerador de imposto de renda; a irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001; e, a ausência de provas para aplicação da multa qualificada de 150%. Ao examinar a impugnação, a c. Primeira Turma da DRJ de Ribeirão Preto decidiu pela improcedência do lançamento, conforme o Acórdão 5.579, de 7/6/2004, que tem a seguinte ementa (f. 3701): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade das normas tributárias regularmente editadas, tarefa privativa do Poder judiciário. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE. É incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos matérias do lançamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA. ( ta) 4 .111/V Processo n°. : 10825.00144812003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 Tratando-se de lançamento por homologação o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador. OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. A obtenção de provas pelo Fisco junto à instituição financeira não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente. LANÇAMENTO. ELEMENTO ESSENCIAL. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. DETERMINAÇÃO. A apuração da matéria tributável é elemento essencial ao lançamento, razão pela qual o erro na sua determinação torna improcedente a sua exigência do respectivo tributo. MULTA QUALIFICADA. A falta de comprovação da origem dos recursos depositados em conta corrente bancária caracteriza falta de simples de presunção de omissão de receitas, sem caracterizar evidente intuito de fraude. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido para o lançamento principal (IRPJ) estende-se aos lançamentos reflexos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Lançamento Improcedente. Assim decidido pela DRJ de Ribeirão Preto, sobreveio o recurso de ofício, que submetido à apreciação da c. Quinta Câmara foi provido integralmente, conforme Acórdão 105-15.086, de 19/5/2005, cuja ementa (f. 3744): IRPJ — DECADÊNCIA — EVIDÉNCIAS DE DOLO — A contagem do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário relativo a tributos sujeitos a homologação, quando da constatação de dolo, mediante a prática de sonegação e conluio, desloca o termo a quo para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001 — Tratando-se de lei que estabelece procedimentos de fiscalização, tem aplicação a fatos geradores pretéritos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE — Ao teor do att 2? do regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, é defeso a esse 5 • • . • Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 Colegiada afastar lei vigente ao argumento de sua inconstitucionalidade. OMISSÃO DE RECEITAS EM RAZÃO DA NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS VALORES CREDITADOS OU DEPOSITA TOS EM CONTAS BANCÁRIAS — ÔNUS DA PROVA — Caracteriza-se omissão de receita a não comprovação, por parte dos titulares, nem dos terceiros vinculados aos recursos, da origem desses, sendo, ónus da fiscalização tão-somente a prova da vincula ção dos terceiros com os recursos movimentados. APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL — Diante da ausência de norma que disponha sobre a quantificação da receita omitida, identificada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada vinculados a mais uma pessoa que não os titulares das contas, em razão do Princípio da Moralidade Administrativa e da Supremacia do Interesse Público, há de se admitir o procedimento fiscal que rateia os valores na proporção da receita declarada. MULTA QUALIFICADA — Restando configurada a utilização de interpostas pessoas por parte de pessoas físicas e jurídicas interligadas e a manutenção de contas bancárias à margem da escrituração, vislumbra-se a sonegação e o conluio, condições necessárias à qualificação da multa exigida em lançamento de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS — Tratando-se de autos de infrações decorrentes dos mesmos fatos que originaram o lançamento de exigência do IRPJ deve-se aplicar o mesmo entendimento. Recurso de oficio provido. Ciente da decisão da c. Quinta Câmara, que restabeleceu integralmente a exigência tributária, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), alegando, em síntese: (a) ausência de dolo e conseqüente decadência de p iarte da exigência fiscal nos termos do parágrafo 4° do art. 150 do CTN; (b) irretroatividade da Lei n° 10.174/2001 e que a Lei n°9.311/1996 proibia lançamentos fiscais com base em depósitos bancários; (c) inconstitucionalidade da legislação que autoriza lançamentos fiscais com base em depósitos bancários; (d) ilegitimidade do rateio dos depósitos bancários entre empresas diversas; (e) os depósitos bancários não se relacionam com a recorrente; (f) a autoridade fiscal não pode criar novas figuras ou meios de apuração da base de cálculo do imposto ou da contribuição não previstos em lei, pois trata-se de mandamentos outorgados somente aos legisladores; e, (g) a manutenção de contas 6 je Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 bancárias mantida à margem da escrituração não implica no intuito doloso, mormente quando se trata de uma empresa de cunho familiar. O arrolamento de bens foi atestado pelo despacho de f. 448. o, É o Relatório. 7 , • . Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 VOTO VENCIDO Conselheiro DORIVAL PADOVAN, Relator. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Trata-se de lançamento fundamentado em movimentação bancária realizada através de interpostas pessoas, quais sejam: os sócios da recorrente (Erlon e Alessandra) e a mãe deles (Wanda) e também gerente da recorrente, sendo certo que as contas de depósito pertenciam a cinco empresas: à própria recorrente e também a outras quatro empresas de propriedade dos mesmos sócios da recorrente. De fato, a amostragem realizada pela fiscalização comprova que os cheques debitados na conta bancária de Wanda referem-se a transações de interesses das pessoas jurídicas, porquanto quitaram duplicatas, notas fiscais, títulos, impostos e contribuições, entre outros, conforme circunstanciado às fls. 44-9 do TVF. E quanto às contas bancárias de Erlon e Alessandra ficou incontroverso a propriedade e utilização dos recursos, pois ambos declararam que as contas envolviam movimentações financeiras de suas empresas (fls. 50 e 52). No que tange a alegação de inconstitucionalidade da legislação tributária, a matéria já se encontra pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme a súmula n° 2, publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, em que: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe anotar, outrossim, que o obstáculo existente na Lei n° 9.311, de 1996, que restringia a utilização da movimentação bancária apenas para o interesse da CPMF, restou superado com o advento da Lei n° 10.174, de 2001, possibilitando-se, 80), i(d • . . • Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 desde então, a realização de lançamentos fiscais também para outros tributos, inclusive em relação a fatos pretéritos, dado a natureza procedimental desta nova norma tributária, conforme já decidido pela CSRF através do acórdão CSRF/04- 00.225, de 14/03/2006, entre outros: APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO - RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001 - Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, a Lei n° 10.174, de 2001 nada mais fez do que ampliar os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável essa legislação, por força do disposto no § /°, do art. 144 do Código Tributário Nacional a fatos geradores pretéritos. Até aqui o lançamento não merece reparos, inclusive quanto à multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), pois, conforme já mencionado, o recorrente utilizou-se de interpostas pessoas para movimentar recursos financeiros mantidos à margem de sua contabilidade. Entrementes, deixo de examinar a preliminar de decadência, por vislumbrar a possibilidade de decidir favoravelmente ao recorrente na questão de mérito que será analisada a seguir. De fato, quanto ao rateio do valor dos depósitos bancários na proporção das receitas declaradas pelas empresas, verifica-se que o procedimento não tem amparo na legislação de regência, que, aliás, prevê rateio (divisão) diverso. Em caso idêntico examinado pela c. Terceira Câmara (Recurso 142077), referente a uma das empresas autuada na mesma ação fiscal, ficou decidido: OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EM CONTA BANCÁRIA. CONTA CONJUNTA DE FATO. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. No caso de omissão de receitas identificada com base em depósitos em conta bancária comprovadamente conjunta de fato, embora registrada como individual, o valor das receitas será imputado a cada titular de fato mediante divisão entre o total das receitas pela quantidade de titulares de fato. (Acórdão 103-22.693, sessão de 20/10/2006, Relator Conselheiro Aloysio José Perclnio da Silva). #P, • Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 Colhe-se, a propósito, do voto do citado aresto o seguinte excerto, que igualmente se aplica ao presente processo: Entretanto, no tocante ao rateio, decidiu corretamente o órgão de primeiro grau. Muito embora a proporcionalidade adotada pelas autoridades fiscais evidencie condizente aproximação da realidade da repartição das receitas das empresas, a lei prescreve divisão diversa. Observe-se o art. 42 da Lei 9.430/96, nos seus parágrafos 5° e 6°: § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mentidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, como as contas se revelam conjuntas, de fato, reunindo movimentação financeira das pessoas físicas e das pessoas jurídicas, os recursos omitidos deveriam ser igualmente divididos entre os respectivos titulares. Com efeito, embora os parágrafos 5° e 6° da Lei n° 9.430 tenham sido introduzidos na legislação tributária em 2002 (Lei n° 10.637, de 30/12/2002), não se pode olvidar que se aplicam igualmente a fatos passados, conforme determina o § 1° do art. 144 do CTN, em que: § /° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Assim, constatando-se que houve erro no rateio da movimentação financeira, que deveria ser dividida em partes iguais entre as cinco empresas titulares das contas bancárias, não há como negar que a regra matriz de incidência tributária do rp•I0 )1, Processo n°. :10825.001448/2003-51 Acórdão n°. : CSRF/01-05.643 i lançamento restou prejudicada relativamente ao critério quantitativo da base de cálculo do imposto. Tais considerações aplicam-se igualmente aos lançamentos decorrentes: CSLL, PIS e COFINS, dado a íntima relação dos fatos tributados. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Tendo sido voto vencido na votação, particularmente quanto ao critério de rateio das receitas omitidas, retomo ao exame da preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. No presente processo, ainda que se trate de tributos submetidos ao chamado lançamento por homologação (Art. 150 do CTN), deve-se considerar que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso 1 do CTN, pois, conforme mencionado, os lançamentos sofrem da pecha da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). As exigências fiscais referem-se aos períodos-base de 1997 a 2000, sendo certo que o IRPJ e a CSL foram apurados por trimestres, segundo as regras do lucro presumido, e o PIS e a COFINS apurados mensalmente. Assim, tendo em vista que o sujeito passivo teve ciência dos lançamentos em 19/9/2003, restaram atingidas pela decadência as exigências do 1RPJ e CSL referentes os fatos geradores ocorridos até o 3° trimestre de 1997 e da COFINS e do PIS referentes os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1997. ,É o voto. Sala das Sessõe - DF, em 27 de março de 2007. /11DORI L PADO c I) , 32 . . Processo n2. :10825.001448/2003-51 Acórdão n2. : CSRF/01-05.643 VOTO VENCEDOR Conselheiro JOSÉ CLÓ VIS ALVES, Redator designado. Inicialmente cabe salientar que o presente voto se limitará à questão de mérito uma vez que as outras já foram resolvidas no voto conduzido pelo relator originário. A maioria da 1 2 Turma da CSRF não acompanhou o relator que entendeu por prover o recurso voluntário por entender que houve erro no rateio da movimentação financeira, que deveria ser dividida em partes iguais entre as cinco empresas titulares das contas bancárias, não há como negar que a regra matriz de incidência tributário do lançamento restou prejudicada relativamente ao critério quantitativo da base de cálculo do imposto. A tese do voto vencido embora não explicitada teria como apoio a própria legislação que amparara o lançamento o artigo 42 da Lei n2 9.430/96 e o artigo 142 do CTN. A maioria da Turma discordou do posicionamento do relator em virtude das circunstâncias peculiares do caso em julgamento e das provas trazidas aos autos. Transcrevamos a legislação de regência. Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. • Processo ng. :10825.001448/2003-51 Acórdão no. : CSRF/01-05.643 § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; 11 - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). {Limites do inciso 11 determinados pela Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 19974 § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Antigas Redações vigentes na época dos fatos geradores - Alterações do ano de 2002 § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mentidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. 13 . • • Processo n2. :10825.001448/2003-51 Acórdão n2. : CSRF/01-05.643 Novas redações dos § 52 e 62. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. {§§ 5° e 6° com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002.} Equivocadamente o relator entendeu ser aplicável o § 6 2 do artigo 42, pois entendeu que os depósitos para os quais não houve comprovação, deveriam ser rateados em partes iguais, ou seja, entre as cinco empresas titulares de fato das contas bancárias, porém a regra a ser aplicada é a do § 52 que trata de interposta pessoa, pois, não se trata de conta conjunta regulada pelo § 62. Não pode ser admitida, portanto a tese de erro na determinação de base de cálculo, pois a lei determinou a tributação em relação ao terceiro na condição de titular da conta de depósito e investimento. Ora mesmo intimados os contribuintes não lograram fazer a separação do valor por cada um deles movimentado, não cabendo exigir tal providência da fiscalização, que agiu com prudência, coerência e lógica, ao proporcionalizar os valores das receitas omitidas. A proporcionalização foi realizada com base na receita bruta declarada, por ano calendário, através das respectivas DIPJs, e detalhadas mês a Mês, pelos demonstrativos — informações prestadas à SRF (fls. 3501 a 3590), preenchidos pelas próprias empresas envolvidas, todas optantes pelo lucro presumido. Ora como sabemos no lucro presumido não é uma forma de tributação obrigatória, mas optativa, se todas as empresas envolvidas movimentaram os recursos 14 • Processo n2. :10825.001448/2003-51 Acórdão n2. : CSRF/01-05.643 e nem mesmo elas conseguiram separar a movimentação de cada uma, não há como admitir a invalidada do lançamento em virtude do rateio, pois de acordo com a lógica as empresas com maior faturamento declarado teriam participação maior na movimentação financeira alheia à contabilidade e as com menor faturamento declarado participação menor. Não há proibição legal para que a fiscalização aplique a lógica, o bom senso, a prudência e a coerência como restou provado no excelente trabalho de auditoria desenvolvido. Não resta nenhuma dúvida que a movimentação financeira incompatível com as receitas declaradas, demonstram de forma inquestionável o acréscimo patrimonial das pessoas envolvidas e o legislador ordinário materializou tal acréscimo com a presunção legal contida no artigo 42 da Lei n29.430/96. Ratifico a decisão contida no acórdão 105-15.086 quanto ao mérito, adoto as razões de decidir contidas no voto da relatora, pois a omissão de receitas foi comprovada. A utilização de contas bancárias em nome de interpostas pessoas numa tentativa de ocultar as transações comerciais realizadas pela recorrente. Concluindo, acompanho o relator em relação às preliminares e, no mérito, voto no sentido de negar provimento ao recurso em relação aos períodos não abrangidos pela decadência reconhecida. Sala das Sessões - DF, em 27 de março de 2007. )10dVIS ALVES (gi 15 Page 1 _0044200.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044400.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1 _0044600.PDF Page 1 _0044700.PDF Page 1 _0044800.PDF Page 1 _0044900.PDF Page 1 _0045000.PDF Page 1 _0045100.PDF Page 1 _0045200.PDF Page 1 _0045300.PDF Page 1 _0045400.PDF Page 1 _0045500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10980.001303/00-62
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: TRD - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Valores pagos a título de Taxa Referencial Diária, referentes ao período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, podem ser restituídos ao titular do direito de reclamar a sua restituição ou compensação. (Art. 165-I do CTN). Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/01-05.673
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: José Clóvis Alves

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Recorrida : SÉTIMA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessado : DM CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA. Sessão de :11 de junho de 2.007 Acórdão n.° : CSRF/01-05.673 TRD - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Valores pagos a titulo de Taxa Referencial Diária, referentes ao período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, podem ser restituídos ao titular do direito de reclamar a sua restituição ou compensação. (Art. 165-1 do CTN). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIREN ) . 31 C VIS S ELATOR FORMALIZADO EM: 2 5 JUN 2%17 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA, MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO, KAREM JUREIDINI DIAS (Substituta convocada) e VALMIR SANDRI (Substituto convocado). Ausente momentaneamente o Conselheiro NATANAEL MARTINS (Substituto convocado). Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO. g' • Processo n.° :10980.001303/00-62 Acórdão n.° : CSRF/01-05.673 Recurso n.° :107-139015 Recorrente : FAZENDA NACIONAL. Interessado : DM CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA. RELATÓRIO O Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto à ri Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, inconformado com a decisão contida no Acórdão n° 107-08.061, de 14 de abril de 2.005, utilizando da faculdade contida no artigo 32 inciso II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, artigo 5° inciso II do Regimento Interno da CSRF, aprovados pela Portaria MF 55/98, interpõe Recurso Especial, por entender ter a decisão contrariado a lei e as provas dos autos. O acórdão recorrido está assim ementado. "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TRD. ART. 165 do CTN. POSSIBILIDADE. Em face da Instrução Normativa n° 32/97, bem como por força do art. 165 do CTN, faz jus o contribuinte a restituição dos valores recolhidos indevidamente relativo a variação da TRD." Tratam os autos de pedido de restituição de TRD paga em processos de parcelamento. Inconformado o PFN apresentou o RD, argüindo, em resumo o seguinte. Que a decisão recorrida diverge da interpretação dada à matéria pelo acórdão n° 303-31.560 de 12 de agosto de 2.004 cuja integra fez juntar aos autos. Transcreve parte do voto do relator onde o mesmo defende a tese de que a previsão de Lei n° 8.218/91 e IN SRF 32/97 refere-se à não aplicação retroativa el92 , . • , . Processo n.° : 10980.001303/00-62 Acórdão n.° : CSRF/01-05.673 da cobrança da TRD como juros de mora, mas não trata de direito à restituição, e que, portanto inexiste previsão legal para a revisão do crédito tributário extinto. O relator do acórdão paradigma sustenta que a TRD era devida por lei, no período apontado, e assim os juros foram regularmente recolhidos, extinguindo-se o crédito tributário e completa, as normas invocadas não autorizam restituir parcela do crédito tributário extinta pelo pagamento. O Presidente da Câmara recorrida através do Despacho de folhas 126/127 deu seguimento ao recurso por entender estabelecido o dissídio jurisprudencial. Intimada a empresa apresentou contra-razões onde transcreve vários acórdãos dos 3 Conselhos de Contribuintes que decidiram na mesma linha da decisão recorrida, pede a manutenção do acórdão e por conseqüência o improvimento do recurso de divergência. (5) É o relatório. e,' • 3 , - • Processo n.° :10980.001303/00-62 Acórdão n.° : CSRF/01-05.673 VOTO Conselheiro JOSÉ CLÓ VIS ALVES, Relator. O recurso é tempestivo e teve seu seguimento deferido. Inicialmente cabe salientar que a motivação central para a negativa de provimento no acórdão paradigma foi a prescrição do direito de repetir, visto que o contribuinte apresentou o pleito depois do qüinqüênio previsto no artigo 168 do CTN, porém como o relator acrescenta argumento sobre a matéria de direito relativa à restituição da TRD, no sentido da impossibilidade da repetição, temos o dissídio estabelecido. Conforme visto no relatório, a recorrente pleiteia a restituição da TRD, pagas a título de juros, correspondente ao período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, calculada sobre crédito tributário lançado, objeto de parcelamento. O acórdão recorrido entendeu ser possível a restituição calcada na tese de que o artigo 165-1 do CTN ampara esse direito e ancora sua decisão também nos acórdãos da 2 a e 5a Câmaras do 1° CC. Já o acórdão recorrido entendeu que durante o período de fevereiro a julho de 1.991 a legislação previa a exigência da TRD e que a legislação não autoriza a restituição de valores já extintos pelo pagamento, já que não há norma que autorize a repetição. Exposto em breve síntese o dissídio jurisprudencial passo a analisar o tema, com apoio nas razões contidas no acórdão 105-13.680, de relatoria do Conselheiro Nilton Pêss, decidido por unanimidade, acompanhada portanto pelo ex- presidente da Quinta Câmara, Dr. Verinaldo Henrique da Silva. 4 Processo n.° :10980.001303/00-62 Acórdão n.° : CSRF/01-05.673 "Inicialmente, quanto a TRD, um breve histórico. A TRD, foi instituída através da Medida Provisória n° 294, de 31 de janeiro de 1991 (DOU de 01/02/1991), posteriormente convertida na Lei n°8.177, de 01 de março de 1991 (DOU de 04/03/1991), que em seu artigo 9 0, assim estipulava: "Art. 9° - A partir de fevereiro de 1991, incidirá a TRD sobre os impostos, as multas, as demais obrigações fiscais e parafiscais, os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, Estadual, do Distrito Federal e dos Municípios, com o Fundo de Participação PIS-PASEP e com o Fundo de Investimentos Sociais, e sobre os passivos das empresas concordatárias, em falências e de instituições em regime de liquidação extrajudicial, intervenção e administração especial temporária." A Medida Provisória n°298, de 29 de julho de 1991 (DOU de 30/07/91), convertida na Lei 8.218 de 29 de agosto de 1991 (DOU de 30/08/1991), em seu artigo 30, assim disse: "Art. 30 — O "caput" do art. 9° da Lei n°8.177, de 1° de março de 1991, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 9° - A partir de fevereiro de 1991, incidirão juros de mora equivalente à TRD sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, com a Seguridade Social, com o Fundo de Participação PIS-PASEP, com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS e sobre os passivos das empresas concordatárias, em falências e de instituições em regime de liquidação extrajudicial, intervenção e administração especial temporária." Após inúmeras demandas judiciais, o Supremo Tribunal Federal, por entender não constituir a TRD um fator de indexação, mas sim um fator de composição de juros flutuantes de mercado, de uso exclusivo do setor financeiro, declarou a sua inconstitucionalidade, relativa ao período de 04 de fevereiro de 1991 a 29 de julho de 1991, vedando sua utilização pelos demais segmentos da economia, porque a Lei n° 8.177 ao extinguir o BTN, o fez com relação à correção monetária. A Secretaria da Receita Federal, na prática aprovando e adotando o entendimento dominante junto aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e a Câmara Superior de Recursos Fiscais, fez editar a Instrução Normativa SRF n° 32, de 09 de abril de 1997 (DOU 10/04/97) que "Dispõe sobre a cobrança da TRD como juros de mora, legitima a compensação de valores recolhidos da contribuição para o FINSOCIAL com a COFIAIS devida, explicita o alcance do art. 63 da Lei 9.439, de 27 de dezembro de 1996, e dá outras providências.", assim especificando em seu artigo 1°: "Art. 1° - Determinar seja subtraída, no período compreendido entre 4 de fevereiro a 29 de julho de 1991, a aplicação do disposto no art. 30 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, resultante da conversão da Medida Provisória n°298, de 29 de julho de 1991. 5 • Processo n.° :10980.001303/00-62 Acórdão n.° CSRF/01-05.673 § 1° - O entendimento contido neste artigo autoriza a revisão dos créditos constituídos, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que estejam sendo pagos parceladamente, na parte relativa à exigência da Taxa Referencial Diária - TRD, como juros de mora, no período compreendido entre 4 de fevereiro a 29 de julho de 1991. § 2° - Na hipótese de que trata o parágrafo anterior aplica-se o disposto no art. 2°, § 2°, da Instrução Normativa n°031, de 8 de abril de 1997." Vamos a análise quanto a possibilidade de restituição da TRD, referente ao período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991. Quanto a questão sobre a ilegalidade da cobrança da TRD, como juros de mora, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, cabe analisar a sua possível restituição. PAGAMENTO INDEVIDO O Código Tributário Nacional, em seu artigo 165, que trata de Pagamento Indevido, assim dispõe: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou de natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. II — erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." O pagamento indevido se opera quando alguém, pondo-se na condição de sujeito passivo, recolhe uma suposta dívida tributária, espontaneamente ou à vista de cobrança efetuada por quem se apresente como sujeito ativo. Na nossa doutrina, encontramos: "PAGAMENTO INDEVIDO E RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO - ... na restituição (ou repetição) do indébito, não se cuida de tributo, mas de valores recolhidos (indevidamente) a esse título. Alguém (o solvens), falsamente posicionado como sujeito passivo, paga um valor (sob o rótulo de tributo) a outrem (o accipiens), falsamente rotulado de sujeito ativo. Se inexistia obrigação tributária, de igual modo não havia nem sujeito ativo, nem sujeito passivo, nem tributo devido. Porém, a disciplina da matéria fala em "sujeito passivo" (como titular do direito à restituição), em "tributo", em "crédito tributário" etc., reportando-se, como dissemos, ao rótulo falso e não ao conteúdo. O pagamento indevido é chamado de "extinção do crédito tributário" 6 99 • • Processo n.° :10980.001303/00-62 Acórdão n.° : CSRF/01-05.673 (art. 168, I), quando é obvio que no pagamento indevido, nem há obrigação nem crédito. O que pode ter havido é a prática de um ato administrativo irregular de lançamento, seguido de pagamento pelo suposto devedor, ou do pagamento, sem prévio lançamento, por iniciativa exclusiva do suposto sujeito passivo. Nesta última hipótese, nem a prática de ato da autoridade administrativa terá existido e, por isso, não caberia a referência a "crédito tributário" nem mesmo no sentido de entidade "constituída" pelo lançamento, com abstração da obrigação tributária." (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 5° edição, 2000, pgs. 397/398)" O direito à restituição do indébito tributário, encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Não vejo como prevalecer a tese defendida na decisão recorrida, da falta de previsão legal para a restituição da TRD, principalmente após a edição da Medida Provisória n° 1.621-36, de 10 de junho de 1998 (DOU 12106/1998), que "Dispõe sobre o Cadastro Informativo dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais, e dá outras providências.", que deu a seguinte versão ao artigo 18. "Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: •" § 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantias pagas." (grifos nossos). Registro que até a edição anterior, referido artigo, em seu § 2°, somente dispunha que: "O disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas", sendo portanto a expressão "EX OFF/C/O", introduzida na versão de junho de 1998 e seguintes. Caso persistissem duvidas sobre a possibilidade ou não da restituição de TRD paga, referente ao período referido, após a edição da MP 1621-36, referidas duvidas desapareceram, por expressa disposição legal da possibilidade de restituição, a pedido da parte interessada. gi2 7 - ... _ Processo n.° :10980.001303/00-62 Acórdão n.° : CSRF/01-05.673 Ressalte-se que reconhecer o direito de não exigir a TRD como juros de mora daqueles que não pagaram as exigências, que lhes são feitas com respaldo em lei válida, administrativamente reconhecida pela IN SRF 32/97, e deixar de restituir a quem pagou espontaneamente a exação, resultaria em conceder um privilégio injustificável ao mau contribuinte." Diante da análise feita percebe-se claramente que a tese defendida no acórdão paradigma não se sustenta. Na mesma linha de entendimento ora exposto temos, entre outros, os acórdãos, 105-13.567, 105-13.679, 102-43.849 e 103-21.730. Assim conheço do recurso e no mérito nego-lhe provimento. Sala das Sessões, Brasília DF, 11 de junho de 2.007. / gr cçkç J" I: LbVIS ALVES 8 Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10480.000134/2003-80
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA QUALIFICADA - CONDUTA CONTINUADA - Da conduta continuada se extrai a intenção (dolo), para concluir-se pela aplicação da multa qualificada nos termos do artigo 71 da Lei nº 4.502/64. O fato do contribuinte entregar DIPJ sem movimento, não entregar DCTF, mas calcula e recolhe valores aproximados dos devidos, evidencia desorganização administrativa e não se pode concluir pela existência de dolo, necessário à aplicação da norma contida no artigo 71 da Lei nº 4.502/64. Somente com o exame das provas colacionadas aos autos é que se pode concluir pela existência, ou não, do elemento subjetivo “dolo”. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.
Numero da decisão: CSRF/01-05.967
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Luciano de Oliveira Valença e Antonio Praga que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: José Clóvis Alves

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I r''Y MINISTÉRIO DA FAZENDA ' 51P-7Z;k" CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS -) "ts • Ir PRIMEIRA TURMA Processo n° 10480.000134/2003-80 Recurso n° 103-139.302 Especial do Procurador Matéria IRPJ - MULTA QUALIFICADA Acórdão n° 01-05.967 Sessão de 12 de agosto de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado REMANÇO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS LTDA. Assunto. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício. 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA QUALIFICADA - CONDUTA CONTINUADA - Da conduta continuada se extrai a intenção (dolo), para concluir-se pela aplicação da multa qualificada nos termos do artigo 71 da Lei n° 4.502/64. O fato do contribuinte entregar DIPJ sem movimento, não entregar DCTF, mas calcula e recolhe valores aproximados dos devidos, evidencia desorganização administrativa e não se pode concluir pela existência de dolo, necessário à aplicação da norma contida no • artigo 71 da Lei n° 4.502/64. Somente com o exame das provas colacionadas aos autos é que se pode concluir pela existência, ou não, do elemento subjetivo "dolo". A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Luciano de Oliveira Valença e Antonio Praga que deram provimento ao recurso. AO P' • A Presidente ....1 Processo rr 10480.000134/2003-80 CS9F/T01 Aceira° n.• 01-05.967 Fls. 2 1),J C VIS VES elator Formalizado em: - 31 311 2009 Participaram, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: José Carlos Passuello, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente Substituto). 27à • 2 Processo n° 10480.000134/2003-80 CSRF/T131 Acórdão n.° 01-05.967 Fls. 3 Relatório O Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto ao 1° CC, inconformado com a decisão contida no acórdão n° 103-22.408 de 26 de abril de 2.006 que por maioria de votos reduziu a multa de 150% para 75%, utilizando da faculdade contida no artigo 56-11 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes - RICC; artigos 7°-I e 15 § 1° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais — RICSRF, ambos aprovados pela Portaria MF 147/2007. A fiscalização, no Termo de Encerramento de Ação Fiscal fl. 23, assim descreve a infração para justificar a aplicação da penalidade qualificada, objeto de afastamento pelo acórdão recorrido. "Analisando os procedimentos adotados pela fiscalizada, verificamos que a mesma: i)apresentou declarações inexatas do IRPJ (anos-calendário de 1.997 e 1.998), com valores de movimentação operacional "ZERO", quando se encontrava em operação: ii) deixou de apresentar as suas declarações DCTF (que estava obrigada), deixando de dar conhecimento às autoridades tributárias de seus débitos fiscais; iii) apresentou declarações inexatas do IRPJ dos anos calendário de 2.000 e 2.001, declarado valores de receitas abaixo das verdadeiramente ganhas, eximindo-se de pagar tributos (1RPJ, CSLL, PIS e COFINS). Tais práticas reiteradas por parte do contribuinte, em tese, evidenciando a vontade do agente (dolo) e tipificam a hipótese de sonegação fiscal descrita no art. 71 da Lei n°4.502/64. A decisão recorrida em relação à matéria galgada a esta esfera especial está assim explicitada no voto condutor do acórdão, fl. 326: "A multa de oficio foi exigida nos termos da legislação aplicável, conforme enquadramento legal constante do auto de infração. A sua qualificação, no percentual de 150%, pressupõe comprovação do elemento subjetivo "evidente intuito de fraude" expressamente exigido pelo art. 44, II da Lei n°9.430/96. Penso que a reiterada prática de declarar receitas por valores inferiores aos efetivamente auferidos constitui elemento suficiente para caracterizar a intenção de eximir-se de fora ilegal do pagamento do tributo. Entretanto, sei que não é essa a compreensão predominante neste colegiado, já pacificada em inúmeros acórdãos. Entende a maioria que tal irregularidade deve ser enquadrada como simples inexatidão de declaração, portanto, sujeita apenas à multa no percentual padrão de 75% previsto pelo art. 41, 1, do mesmo diploma legal, uma vez que os valores das receitas não declaradas constavam dos registros fiscais da recorrente, portanto, à disposição do fisco, descaracterizando-se, assim, o pressuposto legal do "evidente intuito de fraude". Entende-se que os fatos descritos e os elementos trazidos aos autos representam fortes indícios da intenção de fraudar. Entretanto, indício não significa prova, como deveras sabido. Como não há prova inequívoca da intenção defraudar, o fato tributário se encontra no campo da dúvida. Nesses casos, cabe ao aplicador da lei interpretá-la da maneira mais favorável ao contribuinte, exatamente como prescrito pelo artigo 112 do CIN. 3 Processo rr 10480.000134/2003-80 CSRF/701 Acórdão ri.• 01 -05.967 ns 4 Inconformado o PFN apresentou o Recurso Especial de folhas 351/365, argumentando, em epítome o seguinte. Faz uma síntese dos fatos. Afirma que não tem razão o acórdão quanto à redução da multa pois é necessário não só interpretar a norma mas uma análise aprofundada dos fatos. Citando Marco Aurélio Greco diz que é necessária uma perfeita adequação entre o fato e a norma. Cita a legislação — art. 44 da Lei n° 9.430/96, para concluir que os fatos geradores das multas do inciso II são os mesmos do inciso I, modificados pelas circunstâncias e elementos subjetivos que os envolvem, e conclui: Assim é que, não se encontrando a fraude à lei (fraude civil) no inciso II, mas no inciso I, tem-se qu: (i) existindo sérias divergências sobre as qualificações jurídicas dadas ao fato, opondo-se Fisco e Contribuinte, enseja a aplicação da penalidade de 75% e, (ii) se o questionamento da conduta não se reveste da discordância de tal qualificação, a fraude não é à lei , mas contra o Fisco, caso em que inexiste dúvida quanto à qualificação jurídica e existe certeza quanto ao intuito. Cita mais uma vez Marco Aurélio Greco, transcreve os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 e faz sua interpretação. Cita Decisão do STF sobre a apresentação de denúncia antes de término do litígio na esfera administrativa, para justificar a necessidade de análise dos fatos. Afirma que tem-se que examinar o comportamento do contribuinte para verificar se a materialidade da conduta se ajusta à norma contida nos artigos 71 a 73 da citada lei. Afirma que o contribuinte nos anos calendário de 1.999 a 2.001, declarou apenas parte de suas receitas ao Fisco Federal, não sendo um fato isolado mas uma conduta continuada na omissão de receitas. Cita a decisão de 1* instância, rebate o argumento trazido pelo acórdão enfrentado, diz que a conduta do contribuinte retardou o conhecimento da verdadeira receita por parte do fisco, prestando informações inexatas, com alta levisidade à Administração Tributária, demonstrando conduta consciente que procura e obtém determinado resultado. Cita Luiz Regis Prado para dizer que houve vontade de realizar a ação típica, que pressupõe a possibilidade de influir no curso causal. Conclui a peça recursal com diversas afirmativas sobre a conduta do contribuinte inclusive dizendo que apresentara declarações nos anos calendário de 1.997 e 1998 com valores de movimentação "ZERO", quando se encontrava em operação. Pede o provimento do recurso e como conseqüência o reconhecimento da tempestividade do lançamento em relação ao fato gerador ocorrido em dezembro de 1.997. O Presidente da Câmara recorrida através do Despacho n° 103-0.127/2006, deu seguimento a RE, por entender preenchidos os requisitos i entais. OP 4 • Processo n° 10480.000134/2003-80 CSRF/TO I Acórdão n, 0145.967 Fls. $ Intimado o Contribuinte não apresentou contra-razões ao recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Processo n° 10480.000134/2003-80 CSRUT01 Acórdão n.° 01-05.967 Fls. 6 Voto Conselheiro JOSÉ CLÓ VIS ALVES, Relator O recurso da Fazenda Nacional é tempestivo, a decisão foi por maioria, dele portanto conheço. A matéria posta em discussão nesta esfera especial diz respeito à interpretação das normas legais relativas à penalidade pecuniária na esfera tributária, especificamente em relação à interpretação das normas relativas ao agravamento da penalidade, previsto no artigo 44 inciso II da Lei n° 9.430/96, c/c os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, na hipótese de acusação de omissão de receita por parte de contribuinte de que segundo o fisco de forma reiterada, escritura e declara valores ao fisco inferiores àqueles realmente auferidos. No acórdão recorrido a tese é no caso dos autos houve inexatidões de declarações, sem a suficiente caracterização do elemento subjetivo "evidente intuito de fraude", exigido expressamente pelo art. 44 inciso II da Lei n° 9.430/96, como pressuposto para a imposição de multa de 150%. Em se tratando da interpretação de legislação inicialmente transcrevamos as normas legais atinentes ao tema. Multas de Lançamento de Oficio Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § I° O percentual de multa de que trata o inciso I do 'Caput' será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário corresponde97nte. 6 Processo e 10480.000134/2003-80 CSRF/T01 Acórdão n. 01-05.967 fls. 7 Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A interpretação das normas relativas ao agravamento da multa requer um ' componente indispensável que é o dolo, ou seja, a intenção, quer de interferência no fato gerador do tributo, através de fraude como nota fiscal calçada, simulação através de vários atos jurídicos para esconder o fato gerador real, ou através da sonegação quando o contribuinte não tenta modificar o fato gerador, deixa-o ocorrer, porém através de mecanismos como a não escrituração de receita ou de não declaração dos valores reais ao fisco, age na informação, ou seja, deixa de informar ou informa valores menores que aqueles ocorridos no mundo fenomênico. Dos elementos de prova colacionados ao autos não pode haver dúvida de que o contribuinte agira com dolo, pois se estiver presente a incerteza quanto a tal elemento subjetivo, forçosamente o julgador terá de aplicar o artigo 112 do CTN, verbis: Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 112 - A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A falta de escrituração, a escrituração a menor de receitas, ou a informação ao fisco de valores inferiores que amieles realmente percebidos, pode demonstrar a intenção de informar valor menor ao fisco, se de forma continuada e uniforme, ou seja, em vários períodos de apuração do tributo, não há nenhuma dúvida de que o componente indispensável, ou seja, a intenção encontrar-se-ia presente. A Professora Dra. Angela Maria da Motta Pacheco, na obra — Sanções Tributárias e Sanções Penais Tributárias — Editora Max Limonad —1.997, páginas 301/302, tratando do elemento essencial na qualificação da multa — que é o dolo ou a intenção, assim leciona: "Dolo Este é o elemento pscológico-nomativo da culpabilidade, entendido como o nexo que liga o autor ao ato. 7 Processo n° 10480.000134/2003-80 CSRF/TD I Acórdão n.° 01-05.967 Fls. 8 Neste caso, a consciência e vontade efetivas desembocam numa ação consciente dirigida a um fim, no caso o ilícito. O dolo pode ser natural ou normativo. Dolo natural é a representação consciente de que a ação terá como fim um dano. Dolo normativo é a consciência de que a ação que praticará é proibida e levará ao prejuízo ou perda de um bem protegido pelo direito. Distingue-se o dolo: 1. consciência do ato e do resultado; 2. consciência da relação causal entre esses; 3. consciência da ilicitude do comportamento e, 4. vontade de praticar o ato que leva ao resultado." Uma pessoa que, de forma reiterada pratica a ação consubstanciada em declarar ao fisco valores inferiores que aqueles que deveriam ser declarados, tem consciência de que esse ato terá como resultado uma tributação inferior que a devida, pois se o fisco não buscar dados externos como bancários, circularização em fontes pagadoras ou recebedoras, entre outras, não descobrirá o valor real sujeito à incidência tributária. Se o descasamento entre a receita real e a declarada, ocorre eventualmente ou se o contribuinte em um período declara valor a maior em outro valor menor que o devido, não há como se caracterizar o dolo através da conduta continuada. De fato a simples omissão, como por exemplo, um erro de transcrição de determinado valor da escrituração para a declaração, a não contabilização de uma determinada nota fiscal de venda, por lapso, isoladamente embora seja uma conduta omissiva não possibilita o agravamento da multa, exceto se provada a conduta dolosa, ou seja, a vontade de praticar o ato e alcançar os objetivos pretendidos. Cabe ressaltar que a colaboração com o fisco é uma das obrigações do contribuinte, quer na emissão de documentos, escrituração, resposta a intimações, etc. A falta de interação, ou seja, a não resposta ou atraso no atendimento de urna intimação em relação a determinado fato, pode levar ao agravamento de 75% para 112%. A questão relativa ao agravamento da penalidade está diretamente relacionada à conduta do contribuinte dentro do elemento temporal da ocorrência do fato gerador do tributo e de sua informação ao fisco. Se a conduta naqueles momentos pode ser enquadrada nas hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, a forma de evitar a penalidade de oficio é a denúncia espontânea, assim entendida a ação de confissão da infração e respectivo pagamento com os acréscimos legais previstos no artigo 138 do CTN e legislação específica do tributo. No caso de lançamento por homologação há o estabelecimento de uma relação de confiança entre o sujeito ativo e passivo da relação jurídico tributária, visto caber ao contribuinte todas as providencias tendentes a apuração e recolhimento dos tributos assim que ocorridas no mundo fenomênico as normas hipotéticas prevista pelo legislador para o nascimento da obrigação tributária. O sujeito passivo que intencionalmente, quebra essa confiança, quer através da sonegação ou fraude, corre o risco e deve arcar com as • conseqüências previstas na legislação tributária que no caso é se sujeitar à multa dobrada em razão de sua conduta. Processo n°10480.000134/2003-80 CSRE/T01 Acórdão n.• 01-05.967 Fls. 9 Mister se faz como solicitado pelo recorrente, a análise dos fatos, para se verificar a subsunção da norma hipotética contida nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4302/64 aos fatos comprovados nos autos. Analisando os autos verifico que embora a própria fiscalização reconhece que em 2000 e 2001 houve declarações inexatas. A fiscalização fez comparações entre os valores constantes do livro de registro de entradas e saídas e apuração do ICMS, para comparar as vendas registradas com os valores constantes das DIPJs. Tenho o entendimento de que a conduta continuada deve ser apenada com multa qualificada, pois se ocorrer dela se extrai o elemento subjetivo "dolo" "intenção", indispensável para a exigência da multa de forma dobrada, ou seja, de 150%; porém, somente da análise das provas contidas nos autos é que se pode afirmar ou infirmar que o contribuinte agira com dolo. Nos presentes autos estou convencido de que pelas provas apresentadas, não se pode dizer que houve conduta continuada, eis que, embora o contribuinte tenha apresentado em relação aos anos calendário de 1.997 e 1.998 DIPJs "ZERADAS", calculou e recolheu o IRPJ com base no lucro presumido em todos os anos objeto da autuação. Assim a tese de que as declarações — "zeradas" poderiam indicar a intenção (dolo), caem por terra, pois qual seria o proveito do contribuinte de entregar declarações sem movimento quando na realidade calculou e recolheu valores aproximados do real? A DIPJ desde longa data não se constitui em elemento informativo para o lançamento de tributo, mas sim para o controle e informações econômico fiscais e financeiras além é claro de instrumento de fiscalização. Ora não se pode afirmar que existe dolo em sonegar quando embora o contribuinte tenha apresentado declarações sem movimento, tenha feito recolhimentos em valores aproximados do real como abaixo exemplificamos utilizando a mesma metodologia do auto de infração. MÊS/ANO VENDAS ALíQ LUCRO ALÍQ VR DEVIDO VR REC PÁGS 12/97 81.420,86 8% 6.513,66 15% 977,05 896,21 18/113 03/98 110.309,70 8% 8.824,77 15% 1.309,70 1.167,37 18/119 Assim não se pode dizer que o contribuinte ao entregar as declarações relativas a esses períodos 1997/ 1.998, sem movimento tivesse a intenção de não pagar tributo pois efetivamente o fez, ainda que parcialmente pois houve recolhimentos no período em todos os meses conforme reconhecido pela própria fiscalização, fls 18/19. As faltas ou atrasos nas entregas tanto de DIPJ como de DCTFs, não podem justificar a aplicação de multa qualificada pois, para tal infração ligada quebra de conduta legalmente estabelecida em relação às referidas obrigações acessórias tem legislação própria de apenamento. A questão de erro no índice para o cálculo do lucro presumido, salvo se houvesse sido demonstrado o dolo, pode ocorrer por ignorância do percentual correto para a atividade como por descontrole administrativo. 9 Processo n• 10480.000134/2003-80 CSRF/T01 Acórdão n.° 01-05.987 FIS. 1 0 As provas trazidas aos autos colacionadas pela própria fiscalização demonstram muito mais uma desorganização administrativa e contábil, do que uma conduta continuada em subtrair valores da tributação. Tal é corroborado pelo fato da tributação ter sido feita através do arbitramento do lucro, o que demonstra aos olhos da própria fiscalização a imprestabilidade da escrita e reforça a tese de desorganização. O caso então é realmente de declaração inexata sujeita à multa de 75%, conforme decido pelo acórdão recorrido, eis que não se pode acusar o contribuinte de ter agido com "dolo", pois sua conduta não foi continuada nem em termos de percentuais e nem de valores, havendo até períodos em que a embora tenha entregue declarações sem movimento fez recolhimentos de tributos. Pelo exposto, conheço do recurso e no mérito nego-lhe provimento. Sala da ./ e sõ " 12 . : tosto de 2008. 7 Élh t IS AL ' (a............„.„____ 10 Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1

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