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Numero do processo: 11128.733760/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário.
MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÕES A DESTEMPO. RFB. PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
Súmula CARF nº 126
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
null
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
AGENTE DE CARGA. INFRAÇÃO. FATO GERADOR. DATA ANTERIOR A 01/04/2009. MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
A infração cometida em data anterior a 01/09/2009, não exime o agente de carga de prestar informação sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.
A falta de informação e/ ou a informação a destempo sujeita o agente a multa regulamentar.
Numero da decisão: 3301-011.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.864, de 24 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 11128.734589/2013-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marco Antônio Marinho Nunes Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Júnior, José Adão Vitorino de Morais, Marcelo Costa Marques dOliveira (suplente convocado), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro e Marco Antônio Marinho Nunes (Presidente substituto). Ausente a Conselheira Juciléia de Souza Lima, substituída pelo Conselheiro Marcelo Costa Marques dOliveira.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÕES A DESTEMPO. RFB. PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA null MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. AGENTE DE CARGA. INFRAÇÃO. FATO GERADOR. DATA ANTERIOR A 01/04/2009. MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. A infração cometida em data anterior a 01/09/2009, não exime o agente de carga de prestar informação sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. A falta de informação e/ ou a informação a destempo sujeita o agente a multa regulamentar.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÕES A DESTEMPO. RFB. PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. AGENTE DE CARGA. INFRAÇÃO. FATO GERADOR. DATA ANTERIOR A 01/04/2009. MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. A infração cometida em data anterior a 01/09/2009, não exime o agente de carga de prestar informação sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 37 60 /2 01 3- 18 Fl. 160DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.945 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.733760/2013-18 A falta de informação e/ ou a informação a destempo sujeita o agente a multa regulamentar. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.864, de 24 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 11128.734589/2013-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marco Antônio Marinho Nunes – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Júnior, José Adão Vitorino de Morais, Marcelo Costa Marques d’Oliveira (suplente convocado), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Sabrina Coutinho Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro e Marco Antônio Marinho Nunes (Presidente substituto). Ausente a Conselheira Juciléia de Souza Lima, substituída pelo Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ em São Paulo/SP que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento do crédito tributário referente à multa regulamentar pela não prestação tempestiva de informação sobre veículo e/ ou carga transportada. O lançamento teve como fundamento legal os artigos 37, § 1º; e, 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Intimada da exigência da multa regulamentar, a recorrente impugnou-a, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: A impugnante informou os dados antes de qualquer medida de fiscalização devendo ser afastada a multa em decorrência do instituto da denúncia espontânea; Não há fundamento legal para a cobrança de multa acima de R$ 5.000,00 sobre o mesmo fato gerador (SCI COSIT nº 08, de 14/02/2008); A multa ofende princípios constitucionais. Analisada a impugnação, a DRJ julgou-a improcedente, nos termos de Acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO DE CARGA. MULTA. Fl. 161DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.945 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.733760/2013-18 A não prestação de informação do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário requerendo o cancelamento da exação, alegando em síntese: 1) em preliminar, a nulidade do auto de infração por vício formal, sob o argumento de afronta ao artigo 10 do Decreto º 70.235/72, tendo em vista que a descrição do fato que ensejou a aplicação da multa não foi realizada de forma clara e completa: e, 2) no mérito: 2.1) Da não caracterização da infração imposta: as informações foram devidamente prestadas, sendo que a conduta da recorrente não caracteriza o tipo legal sob o qual se justifica a imposição de multa, uma vez que não houve ausência de informação; 2.2) Das infrações anteriores a 01/04/2009 – suspensão dos prazos de antecedência: a multa aplicada teve seu fato gerador ocorrido no período de transição da IN RFB nº 800/2007, ou seja, no momento em que a obrigatoriedade de observância dos prazos estava suspensa, conforme regulação trazida pela IN RFB nº 899/2008, que alterou o artigo 50 daquela IN; e, 2.3) Denúncia espontânea aduaneira: ainda que a infração tenha ocorrido, o registro efetuado no Siscomex fora do prazo, mas antes da lavratura do auto de infração, caracterizou denúncia espontânea, nos termos do artigo 102, caput, e § 2º, do Decreto-lei nº 37/66. Em síntese, e o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; assim, dele conheço. 1) Preliminar A suscitada nulidade do auto de infração sob o argumento de que a descrição do fato que ensejou a aplicação da multa não foi clara e completa, ferindo o disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, é equivocada e não prospera. No auto de infração, mais especificamente na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, consta literalmente a infração que lhe foi imputada, ou seja, a prestação intempestiva de informação sobre veículo e/ ou carga transportada procedente do exterior. Os dispositivos legais infringidos e o fundamento do lançamento foram citados e transcrito naquela descrição. A informação expressa da infração imputada, a citação e a transcrição dos dispositivos legais constantes do auto de infração permitiram à recorrente exercer sua defesa, tanto é que o fez em primeira e segunda instância. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.945 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.733760/2013-18 2) Mérito. 2.1) Multa Regulamentar/Caracterização. A recorrente tem como atividades econômicas, dentre outras, o agenciamento de cargas e descargas de fretes aéreos e marítimos internacionais. No presente caso, conforme consta do relatório, a recorrente prestou a destempo informação sobre veículo e/ ou carga transportada procedente do exterior. Consta expressamente da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração a conduta que ensejou a aplicação da multa: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA., CNPJ 03.229.138/0004-06, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub-Máster (MHBL) CE 150905015856460 a destempo às 16:16 do dia 19/02/2009, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150905019633733. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) Container(es) MSCU8984541, pelo Navio M/V "MSC CAROLINA", em sua viagem 001A, no dia 17/02/2009, com atracação registrada às 05:43. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 09000038133, Manifesto Eletrônico 1509500227293, Conhecimento Eletrônico Máster MBL 150905014900334, Conhecimento Eletrônico Sub- Máster MHBL 150905015856460 e Conhecimento Eletrônico Agregado 150905019633733. Em relação à prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute no Siscomex Carga, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações, assim dispondo: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (...); III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (...); Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: Fl. 163DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.945 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.733760/2013-18 I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, embora as informações sobre a operação de desconsolidação tenham ocorrido antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. A responsabilidade tributária do agente de carga está prevista no art. 37, do Decreto-lei nº 37/66, que assim dispõe: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (destaque não original) (...). Já o artigo 107, desse mesmo decreto-lei, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, estabelece multa pelo descumprimento do dever de prestar informações à RFB, assim dispondo: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e, (destaque não original) (...). Em relação à legitimidade da solidariedade tributária de agentes marítimos e de cargas, em relação ao transportador estrangeiro, no julgamento do REsp nº 1.129.430/SP, de relatoria do então ministro Luiz Fux, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recurso repetitivo, decidiu que aqueles agentes, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do Decreto-lei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do Decreto-Lei nº 37/66), não ostentavam a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Contudo, a partir da vigência do Decreto-lei nº 2.472/88, já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Fl. 164DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.945 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.733760/2013-18 Dessa forma, correta a aplicação e exigência da multa regulamentar, inclusive, em nome da recorrente. 2.2) Das infrações anteriores a 01/04/2009–suspensão dos prazos de antecedência A alegação de que os fatos ocorridos em datas anteriores a 01/04/2009 não podem ser considerados infração não tem amparo legal. De acordo com o disposto no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, já citados e transcritos anteriormente, o agente de carga e/ ou marítimo não foi dispensado da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) Embora no presente caso, as informações sobre a operação de desconsolidação tenham ocorrido antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, nos termos do referido artigo. Também, entendemos que não há dúvidas de que a conduta praticada pela recorrente subsume-se à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos, legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. 2.3) Denúncia espontânea aduaneira A aplicação do instituto da denúncia espontânea à exigência de multa regulamentar, por meio de lançamento de ofício, decorrente do não cumprimento de prazos fixados pela RFB para prestação de informações à administração aduaneira, constitui matéria sumulada pelo CARF, nos termos da Súmula 126, que assim dispõe: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, por força do disposto no art. 72, caput, do RICARF, aplica- se a esta matéria, a súmula reproduzida acima. 2.4) Decisão judicial Depois da interposição do recurso voluntário, ainda em sede recursal, a recorrente juntou aos autos a cópia da decisão judicial que deferiu parcialmente a antecipação da tutela na Ação Coletiva Fl. 165DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.945 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.733760/2013-18 nº 0005238-86.2015.4.03.6100, interposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissária de despachos e Operadores Intermodais (ACTC), visando afastar a exigência de multas e sanções administrativas impostas pela RFB, em virtude de informações e/ ou retificações prestadas a destempo nas operações aduaneiras. No entanto, ao contrário do seu entendimento, essa antecipação de tutela não lhe beneficia, tendo em vista que não informou nem comprovou que é filiada àquela associação. Ao contrário, em consulta ao processo judicial da ação coletiva, não identificamos seu nome entre os filiados daquela associação. Além disto, na esfera judicial, o Supremo Tribunal Federal, assim decidiu, literalmente: RE 573232/SC. Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI. Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. DJe 18/09/2014 Ementa REPRESENTAÇÃO – ASSOCIADOS – ARTIGO 5º, INCISO XXI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALCANCE. O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta da República encerra representação específica, não alcançando previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos associados. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL – ASSOCIAÇÃO – BENEFICIÁRIOS. As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, é definida pela representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a lista destes juntada à inicial. Tema 82 - Possibilidade de execução de título judicial, decorrente de ação ordinária coletiva ajuizada por entidade associativa, por aqueles que não conferiram autorização individual à associação, não obstante haja previsão genérica de representação dos associados em cláusula do estatuto. Tese I – A previsão estatutária genérica não é suficiente para legitimar a atuação, em Juízo, de associações na defesa de direitos dos filiados, sendo indispensável autorização expressa, ainda que deliberada em assembleia, nos termos do artigo 5º, inciso XXI, da Constituição Federal; II – As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, são definidas pela representação no processo de conhecimento, limitada a execução aos associados apontados na inicial. Assim, ainda que a decisão transitada em julgado naquela ação coletiva seja favorável aos impetrantes, a recorrente não será beneficiada por não fazer parte da referida associação. Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Fl. 166DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.945 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.733760/2013-18 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Antônio Marinho Nunes – Presidente Redator Fl. 167DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10660.902421/2009-01
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/11/2001
Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO
NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO
INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 14/11/2001
Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-002.078
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 TOTAL ALIMENTOS S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de compensação nº 07105.54619.010606.1.7.042000, visando a compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, efetuado em 14/11/2001. A DRF Varginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, fls. 01 a 08, por meio da qual o declarante alega, em síntese, que, após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 0935.179, de 25 de maio de 2011, fls. 32 a 35, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/JFA. O arrazoado de fls. 37 a 45, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a explicação sobre a gênese do crédito oposto na compensação declarada e reclama do fato de a Administração não ter providenciado o cruzamento das informações prestadas em DIPJ para atestar a existência do direito creditório. Entende que a falta de prévia retificação da DCTF não inviabiliza, porque o montante das receitas financeiras foi declarado de forma individualizada na DIPJ, tocando à autoridade administrativa a aferição dos valores pagos a maior, mediante o cruzamento de outras declarações prestadas peço contribuinte. Aduz que o Despacho Decisório não foi precedido de qualquer verificação fiscal. Na continuação, lembra da autorização de lançamento de débitos, constante do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que nada obstante, exige que se proceda à prévia investigação da matéria tributável. Transcreve doutrina. Discorre sobre os princípios constitucionais que norteiam a atividade administrativa. Transcreve mais doutrina. Pede provimento para o efeito de cancelamento das exigências fiscais, ou, no mínimo, determinar a revisão do lançamento para averiguação do crédito apurado pelo recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.902421/200901 Acórdão n.º 380302.078 S3TE03 Fl. 68 3 Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 37 a 45 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJJFA2ª Turma nº 0935.179, de 25 de maio de 2011. Lembro, inicialmente, que se trata de processo de restituição e compensação de iniciativa do contribuinte. Nesse sentido, a invocação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, é improcedente, posto de que de lançamento de ofício não se trata. Nem mesmo a cobrança do(s) débito(s) confessado(s) na Dcomp demandará lançamento de ofício, haja vista o disposto no § 1º do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.902421/200901 Acórdão n.º 380302.078 S3TE03 Fl. 69 5 sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp nº 07105.54619.010606.1.7.042000 comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reporto me à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.902421/200901 Acórdão n.º 380302.078 S3TE03 Fl. 70 7 REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp nº 07105.54619.010606.1.7.042000 lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, não se dignou a fazêlo, esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Ou, quem sabe, contasse o requerente justamente com a usual dilação temporal do processo 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 administrativo com o propósito de fazer adiar ao máximo o cumprimento da obrigação tributária. Seja como for, tranqüilizese o contribuinte. Caso realmente disponha do direito creditório alegado, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, tem cinco anos, contados da data do pagamento indevido – desde que devidamente comprovada essa circunstância – para buscar seu direito. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2011 Alexandre Kern Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10660.902421/200901 Acórdão n.º 380302.078 S3TE03 Fl. 71 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10660.902421/200901 Interessada: TOTAL ALIMENTOS S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.078, de 7 de novembro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 7 de novembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 76DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0420.19109.9AIV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE KERN em 08/11/2011 08:46:46. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE KERN em 08/11/2011. Documento assinado digitalmente por: ALEXANDRE KERN em 08/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP11.0420.19109.9AIV Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D7CF3506496E4E3DD8EF400CC4889F99C98A113D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10660.902421/2009-01. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10935.001179/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento de defesa quando nos autos se encontram a descrição dos fatos, o enquadramento legal e todos os elementos que permitem ao contribuinte exercer seu pleno direito de defesa.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não constatada a existência de vício de motivação ou ausência de análise de fundamentos e elementos de prova utilizados pelo contribuinte na Impugnação capazes de infirmar o lançamento fiscal, incabível a alegação de nulidade da decisão de primeira instância.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. APLICAÇÃO SOMENTE ÀS PARTES LITIGANTES.
As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão.
COOPERATIVAS. CONSELHEIROS DE ADMINISTRAÇÃO E FISCAL. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA.
Sujeitam-se as cooperativas ao pagamento de contribuições sociais incidentes sobre as remunerações devidas aos membros integrantes dos conselhos de administração e fiscal.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR MEIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Tema 166 da Repercussão Geral do Supremo Tribunal Federal - Recurso Extraordinário nº 595.838/SP).
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM O REGULAMENTO (CFL 30).
Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. DEIXAR DE DESCONTAR A CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS SEGURADOS (CFL 59).
Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS (CFL 68).
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. REFLEXOS DO PROCESSO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
Deve ser excluída da base de cálculo da multa a parcela da contribuição previdenciária (obrigação principal) cuja cobrança foi julgada improcedente em processo administrativo específico.
Numero da decisão: 2201-009.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os valores referentes aos serviços prestados por cooperativas de trabalho e, ainda, para determinar a aplicação dos reflexos de tal decisão em relação às obrigações acessórias correspondentes (CFL 68).
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa
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INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento de defesa quando nos autos se encontram a descrição dos fatos, o enquadramento legal e todos os elementos que permitem ao contribuinte exercer seu pleno direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não constatada a existência de vício de motivação ou ausência de análise de fundamentos e elementos de prova utilizados pelo contribuinte na Impugnação capazes de infirmar o lançamento fiscal, incabível a alegação de nulidade da decisão de primeira instância. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. APLICAÇÃO SOMENTE ÀS PARTES LITIGANTES. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão. COOPERATIVAS. CONSELHEIROS DE ADMINISTRAÇÃO E FISCAL. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. Sujeitam-se as cooperativas ao pagamento de contribuições sociais incidentes sobre as remunerações devidas aos membros integrantes dos conselhos de administração e fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 11 79 /2 01 1- 96 Fl. 1698DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR MEIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Tema 166 da Repercussão Geral do Supremo Tribunal Federal - Recurso Extraordinário nº 595.838/SP). OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM O REGULAMENTO (CFL 30). Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. DEIXAR DE DESCONTAR A CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS SEGURADOS (CFL 59). Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS (CFL 68). Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. REFLEXOS DO PROCESSO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Deve ser excluída da base de cálculo da multa a parcela da contribuição previdenciária (obrigação principal) cuja cobrança foi julgada improcedente em processo administrativo específico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os valores referentes aos serviços prestados por cooperativas de trabalho e, ainda, para determinar a aplicação dos reflexos de tal decisão em relação às obrigações acessórias correspondentes (CFL 68). (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Fl. 1699DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face da decisão da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), consubstanciada no Acórdão nº 06-36.619 (fls. 1.603/1.622), o qual julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foram lavrados 6 (seis) Autos de Infração, referentes às contribuições previdenciárias, GILRAT e terceiros, além de obrigações acessórias, conforme abaixo: DEBCAD n° 37.298.291-3: Falta de recolhimento da contribuição patronal cujo fato gerador ocorreu com o pagamento de remuneração aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa e não recolhimento da contribuição patronal incidente sobre as notas fiscais ou faturas emitidas por cooperativas de trabalho; DEBCAD n° 37.298.292-1: Falta de recolhimento da contribuição devida pelos segurados cujo fato gerador ocorreu com o pagamento de remuneração aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa; DEBCAD n° 37.298.293-0: Falta de recolhimento de contribuições patronais destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; DEBCAD n° 37.298.295-6: Empresa ter deixado de elaborar a folha de pagamento de todos os segurados que lhe prestaram serviço de acordo com as normas e padrões estabelecidos; DEBCAD n° 37.298.294-8: Empresa ter deixado de declarar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias; DEBCAD n° 37.298.296-4: Empresa ter deixado de descontar a contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. Consoante o Relatório Fiscal, pela análise dos Livros Diário e Razão da empresa, verificou-se que foram feitos pagamentos de honorários para os membros do Conselho Fiscal e Administrativo, os quais, chamados pela empresa de "cédula de presença", foram efetuados em retribuição aos serviços prestados como conselheiros e foram pagos pela presença nas reuniões dos conselhos. Assim, tais pagamentos foram enquadrados como remuneração paga a contribuintes individuais, visto não existir vínculo empregatício entre as partes. Fl. 1700DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Também foi constatado pela autoridade fiscal a utilização de serviços de terceiros, contratados por intermédio de cooperativas de trabalho, para disponibilizar assistência à saúde aos seus colaboradores e demais cooperados associados. Pela análise das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP e das Guias da Previdência Social, a Fiscalização apontou que a empresa deixou de declarar e recolher as contribuições devidas ao INCRA, em todo o período de 02/2006 a 13/2008. Observou-se, ainda, que o contribuinte deixou de informar nas GFIPs, diversos fatos geradores de contribuições previdenciárias: pagamento de remuneração a contribuintes individuais membros dos conselhos administrativo e fiscal, bem como pagamentos a cooperativas de trabalho. No cálculo da aplicação das multas, a autoridade lançadora aplicou a penalidade menos severa, comparando a legislação vigente na época da ocorrência do fato gerador com as alterações introduzidas na legislação pela Medida Provisória MP 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009. Cientificada do lançamento fiscal, a empresa fiscalizada apresentou a impugnação de fls. 1.522 a 1.571, com as seguintes alegações, assim relatadas na decisão de primeira instância: O lançamento é nulo pois o formulário denominado "FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO", nada mais é que um emaranhado de normas, exposto em duas laudas para cada DEBCAD, que vão desde leis, medidas provisórias, decretos, regulamentos e outros atos normativos, aplicáveis à várias situações, nada mais representando que um "clichê" ou "consolidação de normas", que acompanham toda e qualquer autuação. Evidente, que por sua generalidade, os autos de infração não possibilitam ao "acusado" o exercício completo ou satisfatório do direito de defesa assegurado pelo inciso LV, do artigo 5° da Constituição Federal. Complementa com jurisprudência e vasta doutrina sobre o tema. Questiona o fato de o FLD trazer fundamentos de períodos anteriores ao débito e conclui que os autos de infração não são precisos nem específicos como necessário. Aduz que no Auto de Infração de DEBCAD 37.298.2930, a pretensão fiscal é de exigir a contribuição supostamente devia ao INCRA, mas no FLD consta legislação referente às contribuições para o SESCOOP e FNDE. Destaca que no "Relatório Fiscal das Infrações", o Auditor-Fiscal se refere várias vezes às situações regidas por dispositivos da Instrução Normativa SRP n° 3/2005, como sendo atualmente tratadas pela Instrução Normativa SRF n° 971 /2009. Contudo, na página 6 do referido "Relatório Fiscal das Infrações", o Auditor-Fiscal, quando trata do "momento da ocorrência do 'fato gerador' das contribuições sociais", refere-se somente ao artigo 66 da Instrução Normativa SRP n° 3/2005, que está revogada pela aludida Instrução Normativa SRF n° 971 /2009, mais um motivo que leva a nulidade dos autos de infração, por ausência de fundamento válido. Conclui que a fundamentação legal dos autos de infração é defeituosa, vício que determina a sua nulidade. Esclarece que as cooperativas de crédito são regidas pela Lei Complementar n° 130/2009, Lei n° 5.764/1971 e Lei n° 4.595/1964, além de diversos atos normativos do Fl. 1701DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Banco Central do Brasil, em especial a Resolução CMN/BACEN n° 3.442/2007, mais atualmente Resolução CMN/BACEN n° 3859/2010. Destaca que seu objeto social, dentre outros, é de estimular a formação de poupança, administrando os recursos pertinentes, e, através da mutualidade, conceder empréstimos aos seus associados, além de oferecer utilidades inerentes à sua condição de instituição financeira. Assim, pode praticar todas as operações compatíveis com a sua modalidade social, inclusive obter recursos financeiros de fontes externas, obedecida a legislação pertinente, os atos regulamentares oficiais, seu Estatuto Social e as normas internas do sistema SICREDI. Cita vários dispositivos da Lei 5.764/71, lição de Waldirio Bulgarelli e informa que o ato cooperativo não é tributável. Complementa alegando que a cooperativa, enquanto sociedade, não aufere nenhuma vantagem econômica própria, senão a satisfação de seus objetivos sociais. Assim, a cooperativa de crédito não aufere nenhuma espécie de lucro, receita, faturamento ou qualquer outra vantagem econômica enquanto opera apenas com o seu quadro social, praticando atos cooperativos. No caso da impugnante, que é cooperativa de crédito, esclarece que os cooperados efetuam o ressarcimento das despesas que se tem com as atividades desenvolvidas em benefícios dos seus associados, como é o caso de intermediar e facilitar a seus cooperados o acesso a plano de saúde. Tal situação representa uma facilidade proporcionada pela cooperativa aos seus associados, sendo que o custo desta despesa é suportado integralmente pelo cooperado que venha a adquirir a titularidade do plano de saúde. Cita o art.80 da Lei 5.764/71, doutrina de Reginaldo Ferreira Lima e conclui que as utilidades fornecidas pela cooperativa a seus associados decorrem da prática de atos cooperativos, ou seja, operações realizadas pela impugnante com seus cooperados em decorrência do seu objeto social, na forma do artigo 79 da Lei n° 5.764/1971. Aduz que, estabelecido o regime jurídico aplicável às cooperativas de crédito, como é o caso da impugnante, necessário abordar de maneira específica as questões levantadas pelo Auditor-Fiscal que motivaram as autuações. Informa que a fiscalização federal pretende exigir a contribuição previdenciária sobre as cédulas de presença dos membros do Conselho Fiscal e Conselho de Administração da impugnante, por entender que deveria ter sido retido do valor pago aos conselheiros que, supostamente, seriam contribuintes individuais. Contesta a citada exigência porque tais valores não integram o salário-de-contribuição para fins previdenciários. Neste sentido, cita a alínea f, do inciso V, do artigo 12 da Lei n° 8.212/1991. Conclui, então, que o dispositivo estabelece quais são os contribuintes individuais, limitando-se aos diretores das cooperativas, não fazendo qualquer menção aos membros dos conselhos, razão pela qual não se pode estender indevidamente o alcance da lei, o que fere o princípio da legalidade tributária. Informa que o próprio fiscal reconhece que os membros do Conselho Fiscal não estão dentre aqueles que a lei determina como sendo contribuintes individuais, mas entende por exigir a contribuição indevida por considerar que recebem remuneração. Em relação aos membros do Conselho de Administração, alega que a fiscalização equivocadamente entendeu que os conselheiros ocupam cargo de direção e afirma que apenas Presidente e Vice-Presidente possuem funções executivas, não cabendo aos Conselheiros de Administração atos de gestão, nos termos do § 1° , do artigo 23 do Estatuto Social da impugnante na época. Conclui que a direção da impugnante compete, na forma dos artigos 26 e 27 de seu Estatuto Social no período fiscalizado, ao Presidente e Vice-Presidente do Conselho de Administração, o que não inclui os demais conselheiros. Fl. 1702DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Ademais, aduz que a lei é absolutamente clara ao estabelecer que somente os membros do conselho de administração de sociedade anônima é que são contribuintes individuais, por serem segurados obrigatórios. Entende que o rol da legislação é taxativo, não admitindo interpretação extensiva do dispositivo para incluir, como pretende a fiscalização, os membros do Conselho de Administração e Conselho Fiscal das sociedades cooperativas. Complementa citando julgado do antigo CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social sobre o tema. Reafirma que nas cooperativas, a lei elegeu tão somente como contribuinte individual, o associado eleito para o cargo de direção, não incluindo os membros dos conselhos de administração e nem fiscal. Portanto, se na alínea f , do inciso V, do artigo 12 da Lei n° 8.212/1991 existe item específico que considera como contribuinte individual apenas o associado eleito para o cargo de direção de cooperativa, não incluindo os membros dos conselhos de administração e fiscal, tal não pode ser feito pela regra geral, pois prevalece a norma especial. Complementa com doutrina de Maria Helena Diniz. Cita o art.150 da CF/88 e conclui que o comando constitucional estabelece o já citado princípio da legalidade tributária, sendo que qualquer exigência deve observar a lei. E a lei, mais precisamente alínea f , do inciso V, do artigo 12 da Lei n° 8.212/1991, não estabelece que os conselheiros fiscais e de administração das cooperativas seriam segurados obrigatórios, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos a título de cédula de presença. Quanto aos pagamentos à UNIMED, aduz que as cooperativas de trabalho, de igual maneira às demais, têm seu regime jurídico previsto na Lei n° 5.764/1971, devendo observar, ainda, as regras estabelecidas pelo Ministério do Trabalho para o setor. Desta forma, são sociedades cooperativas que se dedicam a organizar e administrar os interesses comuns de determinada categoria profissional, cujos indivíduos se associam para prestar seus serviços a terceiros, visando proporcionar melhores condições de trabalho para seus associados, que continuam autônomos. Cita o inciso IV do art.22 da Lei 8.212/91 e alega que o pressuposto para a exigência da contribuição previdenciária em questão é que haja um tomador dos serviços prestados pela cooperativa de trabalho. Afirma que, segundo os artigos 593 e 594 do Código Civil, prestação de serviço é toda espécie de atividade ou trabalho lícito, material ou imaterial, contratada mediante remuneração, salvo as relações de emprego e outras situações sujeitas ao regime trabalhista e demais casos regulados por lei especial. Por sua vez, o tomador é aquele que recebe diretamente o serviço do prestador e que, de conseqüência, efetua o pagamento pela atividade contratada. Conclui que, no caso em análise, os serviços decorrentes dos planos de saúde são prestados diretamente aos cooperados da impugnante, o que significa que esta não é tomadora, pois não recebe nenhuma atividade da cooperativa de trabalho, não se enquadrando na hipótese do artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/1991. Alega que referida hipótese não ocorreu no caso pois o contrato firmado entre a impugnante e a cooperativa de trabalho não é de prestação de serviço na forma da legislação civil. Trata-se de contrato que estabelece as condições gerais para a cobertura de assistência de saúde a ser oferecida aos cooperados da impugnante diretamente pela cooperativa de trabalho. Esclarece que a impugnante apenas viabiliza a contratação dos planos de saúde aos seus cooperados, mas não recebe nenhum serviço, o que não enseja a incidência da contribuição previdenciária. Fl. 1703DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Repisa que não há na aludida contratação, nenhuma prestação de serviço para a impugnante na forma da legislação civil capaz de configurar a hipótese de incidência da contribuição previdenciária exigida. Afirma que a subsunção ao conceito da norma deve ser uma operação lógica, que somente vai operar os efeitos desde que haja perfeita correspondência entre fato e hipótese. Neste sentido, cita o ensinamento de Paulo de Barros Carvalho. Cita o art.112 do Código Civil e ensinamentos de Maria Helena Diniz para, então, concluir que a situação em pauta efetivamente não configura prestação de serviço da cooperativa de trabalho para a impugnante, vez que o contrato celebrado não se enquadra na definição dos artigos 593 e 594 do Código Civil, mas é ajuste disciplinado por norma especial, não podendo a lei tributária, para fins de incidência fiscal, alterar a definição dos institutos de direito privado, conforme estabelece o artigo 110 do Código Tributário Nacional. De outro ângulo, argumenta que sobre os pagamentos à UNIMED não haveria incidência tributária, considerando que representam nada mais que simples utilidade oferecida pela impugnante aos seus cooperados, que viabiliza a contratação e efetua o pagamento em nome de seus associados, sem que isto signifique que tenha tomado algum serviço, posto que o plano de saúde é de titularidade individual. Assim, a impugnante atua em nome e no interesse de seus cooperados, e, desta forma, realiza ato cooperativo na forma do artigo 79 da Lei n° 5.764/1971. Destaca que o entendimento consolidado pela jurisprudência, em especial pelo Superior Tribunal de Justiça, é no sentido de que todas as atividades realizadas pelas cooperativas de crédito, o que, segundo a defesa, inclui os pagamentos efetuados para cooperativas de trabalho, estão inseridos no conceito de ato cooperativo. Cita jurisprudência e conclui que, mutatis mutandi, os entendimentos podem ser aplicados ao caso. Ademais, destaca que o presente caso não equivale aos contratos em que o empregador fornece aos seus empregados os planos de saúde, arcando com parte dos custos. Pelo contrário, na situação analisada os cooperados não são empregados da impugnante. Reafirma que a impugnante apenas viabiliza a operação em termos logísticos, para que a cooperativa de trabalho tenha acesso direto e facilitado aos seus cooperados, mas são estes que adquirem às suas custas e são titulares dos planos de saúde. Apela para o princípio da relatividade dos contratos, afirmando que a convenção entre o titular do plano e a cooperativa de trabalho produz efeitos somente entre as partes, não podendo afetar a esfera patrimonial da impugnante. Esclarece que, caso o cooperado opte pela adesão, seu vínculo será direto com a cooperativa de trabalho, sendo que a impugnante apenas viabiliza o pagamento mediante desconto em conta, mas o custo é totalmente arcado pelo associado. Cita o inciso I, do art.1°, da Lei 9.656/1998 e conclui que o contrato celebrado entre a impugnante e a cooperativa de trabalho é uma estipulação em favor de terceiro, cuja eficácia tem tratamento nos artigos 436 a 438 do Código Civil. A partir do momento em que o cooperado adere a plano, passa a ser o tomador do serviço da cooperativa de trabalho, tendo a obrigação de efetuar o pagamento integral, o que no caso ocorre mediante desconto pela impugnante em sua conta e posterior repasse para a operadora de saúde. Afirma que não existe prestação de serviço da cooperativa de trabalho para a impugnante, que os pagamentos dos planos de saúde são contabilizados a débito em conta do ativo do balanço patrimonial. Esclarece que estes mesmos valores são debitados das contas dos cooperados e contabilizados a crédito na mesma rubrica do Fl. 1704DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 balanço patrimonial. Desta forma, os pagamentos efetuados para a cooperativa de trabalho não constituem despesa para a impugnante, assim como os descontos dos valores respectivos das contas dos cooperados não constituem receita, o que, mais uma vez, demonstra que se trata de simples repasse. Aduz que o artigo 221 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009 determina que apenas deverá ser efetuada a retenção no pagamento de planos de contrato coletivo de saúde firmado por cooperativa médica com empresa, quando houver rateio dos custos do plano com o beneficiário, situação que não se aplica ao presente caso. Alega que a incidência fiscal somente será legítima desde que não viole o princípio da capacidade contributiva, previsto no § 1°, do artigo 145 da Constituição, que veda a tributação quando não houver resultado econômico. Cita doutrina de Luciano Amaro e argumenta que a impugnante não aufere nenhum resultado econômico com a celebração do contrato com a cooperativa de trabalho, passível de justificar a incidência da contribuição previdenciária exigida. Alega que, segundo ensinamento de José Eduardo Soares de Melo, tributar a impugnante por efetuar apenas e tão somente o repasse de valores, sem obter nenhum proveito econômico, viola sua capacidade contributiva, configurando a exigência como de natureza confiscatória. Isto porque a pretensão fiscal determina que seja efetuado recolhimento pela impugnante que não é proporcional ao resultado econômico produzido, que no caso sequer existe. Cita entendimento de Marcelo Martins Altoé e conclui que não há que se falar em sujeição passiva em relação à contribuição pretendida pela fiscalização, não só por não haver proveito econômico nenhum pela impugnante para justificar a incidência, como também por não receber nenhum serviço, já que é o beneficiário do plano de saúde que remunera o profissional vinculado à cooperativa de trabalho, justamente por ser o titular do plano. Afirma que o inciso IV, do artigo 22, da Lei n° 8.212/1991, com redação dada pela Lei n° 9.876/1999, é inconstitucional. Cita o art.195 da CF/88 e aduz que a pretensão exigida pela fiscalização baseada no inciso IV, do artigo 22, da Lei n° 8.212/1991, não encontra previsão constitucional. Isto porque a exigência com base no valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços não se enquadra em nenhuma das situações elencadas no inciso I, do artigo 195 da Constituição. Explica que a Lei n° 8.212/1991 criou hipótese de incidência da contribuição previdenciária não prevista no texto constitucional. Esclarece que, se assim pretendesse a União, deveria ter exercido sua competência residual, na forma do artigo 195, § 4o da Constituição, que determina que a criação de nova fonte de custeio da seguridade social deve ocorrer por meio de lei complementar, na forma do artigo 154, inciso II, o que, por óbvio, não é o caso da Lei n° 8.212/1991, nem da Lei n° 9.876/1999, ambas leis ordinárias, outro motivo que leva à inexigibilidade dos valores. Destaca que foi ajuizada Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, autuada sob n° 2.594, cujo parecer da Procuradoria-Geral da República confirma a inconstitucionalidade da exigência. Cita outros julgados do STF e conclui que a única forma de instituição dessa contribuição seria por meio de lei complementar, com base na competência residual. Aduz que ao se exigir contribuição previdenciária com base em prestação de serviços, adotou-se hipótese de incidência e base de cálculo do ISS de competência dos municípios. Acaba ocorrendo no caso bitributação, pois uma mesma situação prestação de serviços sofre a incidência de tributos de mais de um ente estatal, prática esta expressamente vedada Constituição, justamente porque as competências tributárias são privativas, não se admitindo que o mesmo fato sofra mais de uma exação. Fl. 1705DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Quanto à exigência para o INCRA, esclarece que a jurisprudência já pacificou o entendimento pela sua legitimidade. Desta forma, a impugnante esclarece que já efetuou o recolhimento dos valores com os benefícios de redução de multa, restando prejudicada a impugnação em relação a este item. Quanto às autuações por obrigações acessórias descumpridas, alega que restou demonstrado que os valores principais não são devidos, salvo em relação ao adicional de 0,2% ao INCRA, e, desta forma, inexistindo a obrigação principal, não é possível exigir as multas decorrentes da não apresentação de informação na GFIP para tais eventos, nem a elaboração de folha de pagamentos e da retenção dos valores pagos aos conselheiros e à cooperativas de trabalho. Por fim, requer: • reconhecer a nulidade dos autos de infração, na forma antes requerida; • não sendo reconhecida a nulidade, o que se admite apenas por hipótese, desconstituir o crédito tributário, diante da inexigibilidade dos valores, tudo diante dos fundamentos antes expostos. Requer, ainda, a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos e pericial, caso a autoridade julgadora entenda que os fundamentos apresentados não são suficientes para desconstituir a exigência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR)), por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 FORMALIDADES DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa, quando presentes no lançamento todas as informações que possibilitem o sujeito passivo compreender a sua exata extensão. COOPERATIVAS. CONSELHEIROS DE ADMINISTRAÇÃO E FISCAL. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. Sujeitam-se as cooperativas ao pagamento de contribuições sociais incidentes sobre as remunerações devidas aos membros integrantes do Conselho de administração e fiscal. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. Incide contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão em 22/10/2012, por via postal (A.R. de fl. 1.624), a Contribuinte apresentou, em 20/11/2012, por meio de procurador legalmente habilitado, o Recurso Voluntário de fls. 1.625/1.667, no qual repisa os argumentos da impugnação, acrescendo as seguintes alegações, em suma: Fl. 1706DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 1. Preliminarmente, que seja determinado o sobrestamento do presente feito até o final julgamento da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista pelo inciso IV, artigo 22, da Lei nº 8.212/91, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838. 2. O acórdão recorrido não enfrentou todas as questões alçadas pela impugnação, acarretando sua nulidade. A decisão deixou de se pronunciar e decidir em relação aos aspectos constitucionais expostos, sequer mencionando-os. Também demonstra a nulidade o suprimento da fase probatória, embora tempestivamente requerida. 3. O próprio acórdão recorrido reconheceu a inexistência de previsão legal a embasar a exigência de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos membros do Conselho de Administração, deixando nítida a afronta ao princípio da estrita legalidade tributária. 4. Ao contrário do consignado na decisão, os membros do Conselho de Administração não são integrantes do corpo diretivo da Cooperativa, mas somente seu Presidente e Vice-presidente. Cita doutrina e jurisprudência. Ao final, requer, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração pela ausência de indicação precisa dos dispositivos legais tidos como infringidos; a nulidade do acórdão pela não apreciação dos fundamentos expostos na impugnação, bem como do processo administrativo por não ter havido produção de provas. No mérito, solicita o reconhecimento da inexigibilidade da exação prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, declarando a inexistência de relação jurídica tributária entre a Recorrente e a União, relativa à referida contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO Cabe esclarecer que a Contribuinte não impugnou a parte do lançamento relativa às contribuições para o INCRA, de modo que essa parte se tornou incontroversa e não faz parte do litígio, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): “Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” PEDIDO DE SOBRESTAMENTO Fl. 1707DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Incialmente, cabe analisar o pedido de sobrestamento dos autos até a decisão final do julgamento da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista pelo inciso IV, artigo 22, da Lei nº 8.212/91, com repercussão geral reconhecida no RE nº 595.838 RG. Não há razão para sobrestamento dos presentes autos, uma vez que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) nº 595.838, sob o rito de repercussão geral, já declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, que previa a contribuição previdenciária incidente sobre o valor de notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Como adiante se demonstrará, nesse caso será aplicado o entendimento do STF, pois, em conformidade com o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (Ricarf), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei 5.869/1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS A Recorrente cita decisões administrativas e judiciais. Quanto ao entendimento que consta das decisões proferidas pela Administração Tributária ou pelo Poder Judiciário, embora possam ser utilizadas como reforço a esta ou aquela tese, elas não se constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, portanto, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. São inaplicáveis, portanto, tais decisões à presente lide. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Com relação às alegações de inconstitucionalidade ou de interpretação conforme a Constituição, convém registrar que o exame de validade das normas insertas no ordenamento jurídico através de controle de constitucionalidade é atividade exercida de maneira exclusiva pelo Poder Judiciário e expressamente vedada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1708DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) É o caso também de se aplicar a Súmula nº 2 do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. PRELIMINARES DE NULIDADE Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa, sob o argumento da falta de exposição dos fundamentos legais do débito. Aduz que o relatório FLD é um emaranhado de normas, sem permitir o conhecimento do fundamento legal da autuação. Verifica-se que, no relatório FLD (Fundamentos Legais do Débito), a fundamentação legal encontra-se disposta detalhadamente por competência e por rubricas, de forma clara e completa, permitindo a perfeita compreensão dos fatos geradores, bem como da capitulação legal à qual se refere. Ademais, além do FLD, acompanha o lançamento outros anexos, que o integram e possibilitam uma visão circunstanciada dos aspectos tributários abrangidos pelo lançamento, a saber: Instruções para o Contribuinte (IPC), Discriminativo do Débito (DD), Relatório de Lançamentos (RL), Relatório de Vínculos (RV), assim como o Relatório Fiscal das Infrações (fls. 116/130). Cabe esclarecer que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. O art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, não compete ao Auditor Fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, deve lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99 assim dispõe neste sentido: Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 1709DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Portanto, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento aos direitos de defesa pela ausência de fundamentação legal. O relatório fiscal, além de conter a descrição pormenorizada dos fatos que são imputados ao sujeito passivo, expõe de forma clara e objetiva os elementos que levaram a Fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos geradores do tributo. A Fiscalização motivou o ato de lançamento e descreveu os elementos comprobatórios da ocorrência dos fatos jurídicos, assim como das circunstâncias em que foram verificados, respaldando, por conseguinte, o nascimento da relação jurídica por meio das provas. Outrossim, os diversos anexos que acompanham o relatório fiscal possibilitam ao fiscalizado o exercício do direito à defesa e ao contraditório, consoante previsão da Constituição Federal. Tais documentos de apoio estão organizados por competência e fato gerador, contendo todas as informações necessárias à perfeita compreensão da autuação. Aqui, constata-se que todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), foram observados quando da lavratura do Auto de Infração. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – A qualificação do autuado; II – O local, a data e a hora da lavratura; III – A descrição do fato; IV – A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – A determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias. Diferentemente do alegado, os fatos foram descritos corretamente, de forma minuciosa, no Relatório Fiscal, assim como foram mencionadas as disposições legais infringidas. Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 1710DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o autuado foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Relatório Fiscal das Infrações (fls. 116/130). Em resumo, encontram-se satisfeitos todos os requisitos legais. Observa-se, ainda, que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa, tendo todos eles apresentado impugnação ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto nº 70.235/72 (PAF). O sujeito passivo autuado revelou conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, cuja impugnação e recurso voluntário abrangeram não só questões preliminares como também razões de mérito. Ainda que se pudesse admitir alguma falha na exposição dos fundamentos legais do débito, como alega a Recorrente, não há por que reconhecer a existência de vício capaz de anular o lançamento, uma vez que a descrição dos fatos possibilita ao contribuinte o pleno conhecimento do que lhe é imputado pela autoridade fiscal, não havendo cerceamento de defesa. Nesse sentido as seguintes decisões do CARF: LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O lançamento fiscal efetuado por agente competente, com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. O erro no enquadramento legal da infração cometida ou enquadramento legal incompleto não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa. A capitulação legal incompleta a infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defender-se de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo Fl. 1711DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de prejuízo ou de cerceamento do direito de defesa. (Acórdão nº 1401-004.146, de 22/01/2020, Rel. Nelso Kichel) AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INCOMPLETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não procede a alegação de nulidade do lançamento quando a fundamentação legal citada, ainda que incompleta, aponta dispositivos legais que dão amparo à pretensão do Fisco e se faz acompanhar de descrição dos fatos precisa e objetiva, a qual possibilita ao sujeito passivo exercício do direito de defesa. (Acórdão nº 2801-001.815, de 24/08/2011, Rel. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende). Logo, ausentes os vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, afasta-se a preliminar de nulidade do lançamento fiscal. Suscita, ainda, a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância, alegando que o acórdão recorrido não enfrentou todas as questões alçadas pela impugnação, Aduz que a decisão deixou de se pronunciar e decidir em relação aos aspectos constitucionais expostos, sequer mencionando-os. Também sustenta a nulidade por suprimento da fase probatória, embora tempestivamente requerida. Não cabe razão à Recorrente nesse ponto. Destaque-se que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos demandantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. É entendimento pacífico neste Conselho que não é necessário rebater, uma a uma, as alegações do sujeito passivo, porém o julgador deve apresentar razões suficientes para justificar seu convencimento e fundamentar o seu voto. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento dos EDcl no MS 21.315/DF, assim decidiu: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (Rel. Min. Diva Malerbi Desembargadora Convocada TRF 3ª Região, Primeira Seção, DJe 15/06/2016) Consoante entendimento transcrito, é dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão. No caso presente, penso que a decisão recorrida não deixou de abordar nenhum fundamento utilizado pelo contribuinte em sua Impugnação capaz de afastar o lançamento fiscal. Fl. 1712DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Quanto à questão probatória, constata-se que a decisão da DRJ indeferiu o pedido de perícia, por entender que se considera não formulado o pedido em que não se nomear perito e indicar os seus motivos e os quesitos requeridos, nos termos do art. 16, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 7.748/1993), de modo que não há reparo a se fazer na decisão a quo. Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) A realização de diligências/perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, sobre a qual o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. Contudo, elas não podem ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, porque se destinam a subsidiar a formação da convicção do julgador e não para suprir a deficiência probatória do recurso, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciar. Caberia, assim, ao impugnante trazer aos autos a comprovação de suas alegações e não tentar transferir para o Fisco esse ônus. Assim dispõe a Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Além disso, como visto, não foram atendidos os requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Desse modo, rejeito as preliminares. COOPERATIVAS DE TRABALHO A Fiscalização constatou que a empresa deixou de recolher a contribuição prevista no art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. No entanto, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 595.838, sob o rito de repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, que previa a contribuição previdenciária de 15%, incidente sobre o valor de notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Fl. 1713DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº9.876/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN I IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. 1 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei DF CARF MF Fl. 473 Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-008.751 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12971.008954/2009-17 complementar, com base no art. 195, § 4.º - com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.º 9.876/99. (RE 595.838, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-196 DIVULG 07-10-2014 PUBLIC 08/10/2014) No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, para suspender a execução do referido dispositivo inconstitucional. Em conformidade com o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (Ricarf), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei 5.869/1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no Fl. 1714DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Desse modo, devem ser cancelados os lançamentos referentes aos serviços prestados por cooperativas de trabalho, diante da inconstitucionalidade do seu fundamento legal (art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991). REMUNERAÇÃO DE CONSELHEIROS Nessa matéria, opto por transcrever excerto do voto vencedor da decisão de primeira instância, com o qual concordo e adoto como razões de decidir. Conselho Fiscal e Administrativo A Lei 8.212/91/91 com redação dada pela Lei nº 9.876/99 dispõe sobre a obrigatoriedade do recolhimento da contribuição patronal, ao associado eleito de cooperativa para cargo diretivo, nos seguintes moldes: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V – Como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; Art.15 (...) Parágrafo único. Equipara-se a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. No caso, cabe destacar que o Estatuto Social da Entidade (em anexo), no Capítulo VI que trata da Administração, cita que a sociedade será administrada por um Conselho de Administração, composto pelo Presidente, Vice Presidente e pelos Conselheiros titulares. Ou seja, diferente do que alega a defesa, resta claro que os membros do conselho administrativo ocupam cargo de direção na cooperativa, enquadrados na citada alínea “f” do inciso V do artigo 12 da Lei 8.212 de 24/06/2001. Quanto aos demais membros que compõe a estrutura administrativa da cooperativa (conselheiros de administração e fiscais), muito embora a Lei de Custeio não os Fl. 1715DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 discrimine textualmente no rol de seu art. 12, a incidência tributária permanece incólume. Isso porque a caracterização do fato gerador no caso em tela se satisfaz pela regra da alínea “g” do artigo 12, inciso V da mesma Lei, face a presença de pagamento como contraprestação pelo serviço exercido. No caso, o Estatuto Social da Cooperativa define as atividades/atribuições a serem desempenhadas pelos membros eleitos do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, mediante retribuição fixada, ora lançada na escrituração contábil da cooperativa como “cédula de presença”, em evidente retribuição pelo trabalho desempenhado. Com efeito, as verbas pagas aos cooperados possuem, de forma inconteste, nítido caráter remuneratório. A contribuição social devida pela empresa prevista no art.22, III da Lei de Custeio, vai ao encontro da determinação contida no artigo 195 da Constituição Federal, que arrolou como fonte de custeio da Previdência Social, a contribuição social paga pela empresa incidente sobre "a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício" (art. 195, I, a, CF). Desta feita, o fato gerador da contribuição previdenciária em apreço é a prestação de serviço remunerada, inexistindo no ordenamento jurídico, norma que isente a autuada das contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas a cooperados que prestem serviços no âmbito interno da Cooperativa. São os princípios da solidariedade e universalidade de cobertura (art. 3º , I e 194, parágrafo único, I, da Constituição Federal) que assim determinam. Nesse sentido, dispõe pacificamente a jurisprudência: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO ART. 1º, I E II,DA LC 84/96. COOPERATIVA DE TRABALHO. DISTINÇÃO DE COOPERATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE A EMPRESA. POSSIBILIDADE. ART. 3º. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA CDA. 1. Ainda que os conselheiros fiscais das cooperativas não estejam inseridos no art. 12, da Lei nº 8.212/91, que arrola os segurados obrigatórios da Previdência Social, com base no princípio da solidariedade social são exigíveis as contribuições previdenciárias sobre a remuneração por eles percebidas. 2. A Constituição Federal de 1988, por meio dos arts. 146, III, c, e 174, pretendeu conferir tratamento privilegiado, inclusive em matéria tributária, às cooperativas. Ocorre que do texto constitucional a única conclusão invencível é que os atos cooperativos não tipificam certas hipóteses de tributos, como aqueles que incidem sobre o lucro; todavia, não estão protegidos por norma constitucional que impeça sua tributação, sob o benefício da imunidade ou isenção. Entendimento da Corte Especial deste Tribunal.(TRF 4ª Região, 2ª Turma, AC nº 200204010444655/RS, Relator JUIZ JOEL ILAN PACIORNIK, DJU de 17/09/2003,p. 748) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALORES PAGOS A TÍTULO DE CÉDULA DE PRESENÇA. MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E FISCAL DE COOPERATIVA. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/1999. ART. 173 DO CTN.(...) A Lei nº 9.876/1999 alterou a redação do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, criando contribuição social da empresa, incidente no percentual de 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem Fl. 1716DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 serviços. Nesta hipótese inclui-se o pagamento efetuado aos conselheiros de administração e fiscais a título de cédula de presença, tendo em conta serem contribuintes individuais, de acordo com o disposto no artigo 12, V, "f", da Lei nº 8.212/1991. (TRF4. Classe: AC APELAÇÃO CÍVEL. Processo: 2005.71.04.0084476. D.E. 18/09/2007) Assim, resta evidente que os valores pagos a título de cédula de presença aos conselheiros de administração e fiscais representam uma forma de retribuição pelo trabalho prestado à Cooperativa, motivo pelo qual as referidas verbas encontram-se sob o âmbito de incidência tributária. Portanto, devem ser mantidos os lançamentos efetuados em relação à remuneração dos membros dos conselhos administrativo e fiscal, conforme decisão a quo. MULTAS APLICADAS No seu Recurso, a Contribuinte limitou-se a afirmar que, inexistindo a obrigação principal, não é possível exigir as multas decorrentes da não apresentação de informação na GFIP para tais eventos, nem a elaboração de folha de pagamentos e da retenção dos valores pagos aos conselheiros e a cooperativas de trabalho. Pois bem. DEBCAD n° 37.298.295-6 (CFL-30): lançamento efetuado em face de a empresa ter deixado de elaborar a folha de pagamento de todos os segurados que lhe prestaram serviço de acordo com as normas e padrões estabelecidos. Observa-se que a multa CFL 30 pode não envolver contribuição lançada e ainda que se limite a envolver contribuição lançada, basta a subsistência de uma única ocorrência de infração para a sua manutenção, uma vez que se trata de multa de valor fixo e, no presente caso, foi aplicado o valor mínimo, conforme relatório fiscal (fl. 124): APLICAÇÃO DA MULTA 3.5 Pelo fato de ter deixado de elaborar a folha de pagamento de todos os segurados, aplica-se a multa prevista no art. 92, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 283, I, "a", do Decreto n° 3.048/99 que dispõem sobre a penalidade mínima ao descumprimento da obrigação acessória relatada. 3.6 Como a autuada não incorreu em situações agravantes (art. 292, I, do Decreto n° 3.048/99), em consonância com a Portaria Interministerial MPS/MF n° 568, de 31.12.2010 (D.O.U. De 03.01.2011), a multa foi aplicada em seu valor atual mínimo, ou seja, R$ 1.523,57 (um mil, quinhentos e vinte e três reais e cinquenta e sete centavos). Como restaram mantidos os lançamentos referentes às remunerações dos membros dos conselhos administrativo e fiscal, deve ser mantida a multa CFL-30, que foi aplicada em seu valor mínimo. DEBCAD n° 37.298.296-4 (CFL-59): Lançamento efetuado por a empresa ter deixado de descontar a contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. Fl. 1717DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Foi aplicado o valor mínimo, consoante relatório fiscal (fls. 126/127): APLICAÇÃO DA MULTA 3.17 Pelo fato de ter deixado de descontar a contribuição de segurados a seu serviço aplica-se a multa prevista no art. 92, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 283, I, "g", do Decreto n° 3.048/99 que dispõem sobre a penalidade mínima ao descumprimento da obrigação acessória relatada. [...] 3.18 Como a autuada não incorreu em situações agravantes (art. 292, I, do Decreto n° 3.048/99), em consonância com a Portaria Interministerial MPS/MF n° 568, de 31.12.2010 (D.O.U. De 03.01.2011), a multa foi aplicada em seu valor atual mínimo, ou seja, R$ 1.523,57 (um mil e quinhentos e vinte e três reais e cinquenta e sete centavos). Desse modo, como restaram mantidos os lançamentos referentes às remunerações dos membros dos conselhos administrativo e fiscal, deve ser mantida a multa CFL-59, que foi aplicada em seu valor mínimo. DEBCAD n° 37.298.294-8 (CFL-68): Lançamento efetuado por a empresa ter deixado de declarar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. O lançamento para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP deve ter o mesmo destino daquele consignado para exigência das contribuições relativas aos mesmos fatos geradores. Portanto, em relação a essa multa, devem ser excluídos os valores reflexos relativos às contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados por cooperativas de trabalho, diante da inconstitucionalidade do seu fundamento legal, consoante entendimento acima exposto. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo os valores referentes aos serviços prestados por cooperativas de trabalho e, ainda, para determinar a aplicação dos reflexos de tal decisão em relação às obrigações acessórias correspondentes (CFL 68). (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 1718DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 2201-009.924 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.001179/2011-96 Fl. 1719DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720030/2007-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
EXERCÍCIO: 2003
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO USUFRUTO EM
CONDOMÍNIO
Ciente da morte de um dos usufrutuários contribuintes do ITR, antes da lavratura da notificação do lançamento, esta deveria ter sido efetuada em nome do outro contribuinte também usufrutuário que, por assentamento no registro de imóveis , assumiu o usufruto da totalidade do imóvel.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-001.139
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Relator. EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 po r LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório O processo em epígrafe cuida da Notificação de Lançamento NL n° 06113/00005/2007 , relativa ao exercício de 2003 , em que apurou imposto suplementar pela falta de comprovação do Valor da Terra Nua (fl.02). Na descrição dos fatos de fl. 02 constouse que : Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto IR Devido, em folha anexa.. .. Complemento da Descrição dos Fatos: O contribuinte é proprietário do imóvel de NIRF 06833268, denominado FAZENDA CACHOEIRA, no município de BURITIZEIRO MG, tendo sido regularmente intimado por via postal (fl. ), em conformidade com o art. 23 inciso II do Decreto 70.235/72, a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os documentos relacionados no Termo de Intimação Fiscal (f1.011, referentes à Declaração do Imposto Territorial Rural DITR 2004. Nas respostas ao referido Termo, datada de 25/05/2007, o contribuinte encaminhou Ato Declamatório Ambiental ADA (f1.1 14), matricula do imóvel (fl. 2a) e laudos de avaliação (f1.26), dentre outros. Pela análise dos documentos e da DITR 2004, foram constatados os fatos descritos a seguir. .........” (grifei) Na primeira instância a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 151/156) relatou que “ autoridade fiscal alterou o VTN declarado de R$ 784.920,00, arbitrandoo em R$ 10.508.508,96, com conseqüente aumento do VTN tributável, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 25.072,28,` conforme demonstrativo de fls. 04.” Nessa sessão , mantevese, ao final, o lançamento nos seguintes termos de ementa: DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Caracterizada a subavaliação do valor da terra nua informado na DITR/2004, deverá ser mantido o VTN arbitrado com base no SIPT pela autoridade fiscal, nos termos da Lei n° 9.393/1996, por falta de documentação hábil para comprovar, de forma inequívoca, o valor declarado e as características particulares desfavoráveis do imóvel, que o justificassem. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 po r LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13609.720030/200713 Acórdão n.º 280201.139 S2TE02 Fl. 220 3 A ciência de tal julgado se deu por via postal em 22/01/2009(quintafeira), consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 158 (data limite dia 23/02segundafeira de carnaval) À vista da decisão, foi encaminhado via postal, em 25 /02 /2009 (envelope de fl. 216vol2), com o recurso voluntário de fls. 159168 , em nome do Espólio de José de Campos Valadares, representado pelo inventariante Marcelo de Campos Valadares, em que se questiona a decisão proferida. Na peça recursal, o contribuinte considerando que a irregularidade supostamente por ele cometida seria a não comprovação por meio de laudo de avaliação do imóvel, cfme. Estabelecido na NBR 14653 da ABNT para o valor da terra nua declarado, afirma que “apresentou ao fisco quando do atendimento à intimação em 25/05/2007, laudo de avaliação, juntamente com o comprovante de recolhimento da ART, demonstrando o valor da terra nua da propriedade rural denominada 1 Fazenda Cachoeira, situada no município de Buritizeiro MG para o exercício de 2003, o referido laudo foi elaborado por empresa especializada e conforme estabelecido pelas normas da ABNT, portanto revestido da mais ampla legalidade. Porém, a fiscalização simplesmente desconsiderou o laudo, alegando subavaliação do valor do imóvel. Assim, procedeu o lançamento de oficio baseado nas informações do SIPT Sistema de Preços de Terras, entretanto, fazendo uma análise, verificase que os valo informados pela Secretaria de Agricultura do município de Buritizeiro MG, não condize 1 com a realidade do preço de mercado praticado no município de Buritizeiro MG, conforme demonstrado no laudo, em levantamentos junto à Cartórios e imobiliárias dos municípios de Buritizeiro — MG e Pirapora — MG, senão vejamos: Tabela SIPT — Exercício de 2004 Valor para área de Florestas/ha R$ 600,00 Valor para área de pastagens/ha R$ 1000,00 Valor para área de campos/ha R$ 400,00 Sendo o VTN/ha encontrado pela fiscalização de R$ 733,54. Levantamentos em Cartórios e demonstrado no laudo — (Exercício 2003) ...1 Observamos que os valores apontados na tabela SIPT — Sistema de Preço Terra, estão MUITO ACIMA do valor praticado no mercado imobiliário. Sendo assim, o valor declarado corresponde efetivamente ao valor da terra nua, inclusive devidamente comprovado através do laudo de avaliação que tem Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 po r LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 o condão de desconstituir a pretensa subavaliação, pois comprova a realidade do valor da terra nua do imóvel. ... Em continuidade, questiona o SIPT Sistema de Preços de Terra (fl. 136), como também a alegação da primeira instância que indagou sobre as características desfavoráveis do imóvel que justificassem um valor abaixo do informado na própria DITR/2004, uma vez que tal indagação não havia sido feita por ocasião da apresentação do laudo em resposta à intimação. Fazendo uma digressão sobre o assunto, cita decisões administrativas do Conselho e indica anexar Laudo de avaliação Complementar e seus anexos. É o relatório. Voto Conselheiro Lucia Reiko Sakae, Relator O recurso voluntário é tempestivo (fl. 218) e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Tratase de recurso Voluntário, encaminhado em 25/02/2009, proposto pelo inventariante em nome do Espólio de José de Campos Valadares, referentes à DITR/2.003, recepcionado em 23/09/2.004 (fls. 10/12), tendo como representante legal o Sr. Marcelo de Campos Valadares (fl. 12). À fl. 13, consta a resposta ao Termo de Intimação, apresentada, em 20/04/2.007, pelo inventariante Sr. Marcelo de Campos Valadares (Termo de compromisso juntado à fl. 14), em que o mesmo, além de solicitar a prorrogação do prazo, informou o falecimento do Sr. José de Campos Valadares ocorrida em 02 de novembro de 2.004 Analisandose a escritura do imóvel em questão, observase : às fl 22, matrícula de n 15. 258 –Fazenda Cachoeira, de 12.810 ha, em que consta como proprietário o Sr. José de Campos Valadares (em 30/10/1991); em 17/04/2000, R3.15.258, consta como “TRANSMITENTES”, o Sr. José de Campos Valadares e sua esposa Maria Lúcia de Almeida Valadares e como “ADQUIRENTES”, o Sr. Marcelo de Campos Valadares, Maria Cristina de Almeida Valadares e Maria Letícia de Almeida Valadares “TÍTULO”: público: doação com reserva de usufruto vitalício – “CONDIÇÕES” Os doadores reservaram pare si o o usufruto vitalício do imóvel ora doado No caso de falecimento de qualquer dos doadores, o usufruto instituído passará a ser usufruído, em sua totalidade, pelo usufrutuário sobrevivente. (verso da fl. 22); R4.15.258, data de 17/04/2000, consta como condição de que o usufruto se extingue com a morte dos usufrutuários; já às fl.s 2324, matrícula de n. 15.259, de 271,80 ha, em que consta como proprietário o Sr. José de Campos Valadares (em 30/10/1991); . nessa mesma matrícula , registro – AV1.15.259, de 05061996, averbação de área preservas, AV2 e 3, respectivamente Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 po r LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13609.720030/200713 Acórdão n.º 280201.139 S2TE02 Fl. 221 5 arrolamento e cancelamento da averbação de arrolamento pela Receita federal, essa última em 29.04.2005. Tratandose de lançamento referente à Fazenda Cachoeira, o Sr José de Campos Valadares e a Sra. Maria Lucia de Almeida Valadares, sua esposa, na condição de usufrutuários vitalícios eram os contribuintes do ITR, vide artigo 4° da Lei n° 9.393/96, in verbis, esclarecido, ainda , como por exemplo no Perguntas e Respostas do exercício de 2.006 Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Parágrafo único. O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro. No ano de 2.003, com o falecimento do Sr. José de Campos Valadares em 02/11/2004, Sra. Maria Lucia de Almeida Valadares, sua esposa passou a ser a usufrutuária da totalidade do imóvel, conforme escritura citada, sendo que em primeiro de janeiro de 2.003, ambos em condomínio respondiam pelo imóvel, cfme. Art.39 do RITR “Condomínio Art.39. Deve ser declarado em sua totalidade o imóvel rural que for titulado a várias pessoas, enquanto este for mantido indiviso (Lei nº 5.172, de 1966, art. 124, inciso I).” Nesse sentido, entendo que a Sra. Maria Lucia de Almeida Valadares que já era contribuinte em conjunto com o de cujus, também na condição de usufrutuária, adquiriu, com a morte do declarante, a condição de única contribuinte do ITR, por sucessão do usufruto. E conforme resposta ao Termo de Intimação de fl. 13, em 20/04/2007, o Sr. Marcelo de Campos Valadares, na condição de inventariante do de cujus informou o falecimento do mesmo, vindo a entregar toda a documentação, inclusive as escrituras dos imóveis, em 25/05/2007 (fls. 13), durante o procedimento de fiscalização. De pronto, verificase a desobediência a dispositivo básico para o regular desenvolvimento do processo definido pelo artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 – PAF, a saber: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 po r LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” É cediço que o cônjuge supérstite não é sucessor do cônjuge falecido, mas sim titular da metade do imóvel. Neste caso, a viúva meeira era cousufrutuária do imóvel lançado, vindo a suceder como usufrutuária da totalidade, com o falecimento do marido. Assim, entendo que, fundamentado também nos artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional CTN, ciente da morte de um dos contribuintes, o auto deveria ter sido lavrado em nome da esposa, contribuinte remanescente, inclusive a título de sucessão da parte condominial que pertencia ao marido. “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Com essas considerações e diante dos elementos de prova constantes do processo, encaminho meu voto no sentido de reconhecer o erro na identificação do sujeito passivo e, via de consequência, cancelar o auto de infração. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 po r LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13609.720030/200713 Acórdão n.º 280201.139 S2TE02 Fl. 222 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13609.720030/200713 . TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802001.139 . Brasília/DF, (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 po r LUCIA REIKO SAKAE, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 37116.000280/2005-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Jan 04 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/11/1996
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977e os artigos 45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.
Numero da decisão: 9202-010.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo Newman de Mattera Gomes, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Mário Pereira de Pinho Filho, Rayd Santana Ferreira (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Carlos Henrique de Oliveira (Presidente).
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo Newman de Mattera Gomes, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Mário Pereira de Pinho Filho, Rayd Santana Ferreira (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Carlos Henrique de Oliveira (Presidente).
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LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977e os artigos 45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo Newman de Mattera Gomes, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Mário Pereira de Pinho Filho, Rayd Santana Ferreira (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Carlos Henrique de Oliveira (Presidente). Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo sujeito passivo em face do acórdão da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social - CAJ/CRPS, e que foi parcialmente admitido pela Presidência da 2ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que seja rediscutida a seguinte matéria: inaplicabilidade da decadência decenal, por força da Súmula nº 8 do STF. Segue a ementa da decisão nos pontos que interessam: EMENTA- PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO- AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 11 6. 00 02 80 /2 00 5- 81 Fl. 438DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-010.551 - CSRF/2ª Turma Processo nº 37116.000280/2005-81 DE- OBRA. DECADÊNCIA ( DECENAL. JUROS E MULTA PREVISÃO LEGAL. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Na forma do disposto no art. 31 da Lei n° 8212/91, em vigor na data da ocorrência do fato gerador, o contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode- obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese o benefício de ordem. 2- Nos termos do art. 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições devidas à seguridade Social e outras importâncias não recolhidas nas épocas próprias ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa Referencial de Liquidação e - SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 3-Na forma do art. 70 do Regimento Interno do CRPS, é vedado aos órgãos julgadores deste Conselho afastar a aplicabilidade da norma por inconstitucionalidade. A decisão foi assim registrada: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, em CONHECER DO RECURSO E NEGAR-LHE PROVIMENTO POR UNANIMIDADE, de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Quanto a essa parte admitida do recurso especial, o sujeito passivo basicamente afirma que, conforme paradigmas consubstanciados nos acórdãos nºs 9101-004.550 e 9303- 009.706, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de cinco anos, de forma que o presente lançamento está decaído, seja contando-se o prazo em consonância com o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, seja contando-se o prazo de acordo com o art. 173, I. Não houve a interposição de agravo contra a parte inadmitida do recurso. A Fazenda Nacional foi intimada, mas não apresentou contrarrazões (vide efl. 431). É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator 1 Conhecimento O recurso especial é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de quinze dias (art. 68, caput, do Regimento Interno do CARF - RICARF), e foi demonstrada a existência de legislação tributária interpretada de forma divergente (art. 67, § 1º, do Regimento), de forma que deve ser conhecido. 2 Decadência quinquenal Discute-se nos autos se o prazo decadencial de lançamento das contribuições previdenciárias é de cinco ou dez anos e se estão decaídas as contribuições lançadas. Pois bem. A inaplicabilidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8212/91, que tratavam da prescrição e decadência do crédito tributário, é objeto da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: Fl. 439DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-010.551 - CSRF/2ª Turma Processo nº 37116.000280/2005-81 Súmula Vinculante 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto- Lei nº 1.569/1977e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. A ementa do precedente representativo da súmula demonstra que as normas relativas à prescrição e decadência são gerais de direito tributário e devem ser disciplinadas por lei complementar, ex vi do art. 146, III, alínea b, da Constituição, mais precisamente pelo Código Tributário Nacional, o qual foi recepcionado como lei complementar: As normas relativas à prescrição e à decadência tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a lei complementar, tanto sob a Constituição pretérita (art. 18, § 1º, da CF de 1967/69) quanto sob a Constituição atual (art. 146, b, III, da CF de 1988). Interpretação que preserva a força normativa da Constituição, que prevê disciplina homogênea, em âmbito nacional, da prescrição, decadência, obrigação e crédito tributários. (...) O Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966), promulgado como lei ordinária e recebido como lei complementar pelas Constituições de 1967/69 e 1988, disciplina a prescrição e a decadência tributárias." (RE 556664, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgamento em 12.6.2008, DJe de 14.11.2008) Logo, a prescrição e a decadência do crédito tributário são quinquenais e regulamentadas pelo Código Tributário Nacional, de modo que o prazo para o Fisco constituir o crédito tributário tem natureza decadencial, estando previsto no art. 150, § 4º, do Código, ou no seu art. 173, I ou II, a depender de cada hipótese. No presente caso, o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF de efl. 19 não registra a existência de recolhimentos antecipados parciais. Da mesma forma, o relatório da notificação fiscal de efls. 21 e seguintes também não se refere a lançamento por diferença de contribuições devidas. De tal maneira, e inexistindo comprovação de recolhimentos antecipados parciais, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com a regra do art. 173, I, do Código, já que a aplicação da regra estatuída no art. 150, § 4º, pressupõe a existência de recolhimentos parciais. De todo modo, e mesmo contando-se o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I), ainda assim o presente lançamento está integralmente decaído. Com efeito, a contribuinte foi notificada da constituição do crédito tributário em 21/10/5 (efl. 46), quando já havia transcorrido o lustro decadencial das competências 06/95 a 11/96. Logo, deve ser integralmente provido o recurso especial, para reconhecer-se a decadência de todas as contribuições lançadas neste processo. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, a fim de reconhecer a decadência de todas as contribuições lançadas neste processo. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 440DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-010.551 - CSRF/2ª Turma Processo nº 37116.000280/2005-81 Fl. 441DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13839.004471/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DATA DO PROTOCOLO.
Na falta de prova da data do protocolou ou da postagem e não tendo o órgão preparador acusado a intempestividade, o recurso deve ser tido por tempestivo.
ADMISSIBILIDADE. ESPÓLIO. HERDEIROS. SUCESSORES. DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA DE BENS A INVENTARIAR.
Cientificados os herdeiros/sucessores do finado contribuinte do resultado da diligência e dos atos praticados por procurador após o falecimento do recorrente e tendo se manifestado pela ratificação das razões recursais e declarado a inexistência de bens a inventariar, resta aplicável subsidiária e analogicamente o §1° do art. 75 da Lei n° 13.105, de 2015.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Não preenchida a hipótese do art. 138 do CTN, não há que se falar em denúncia espontânea.
CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL.
Cabe ao contribuinte provar o fato impeditivo consistente na isenção.
RAZÕES RECURSAIS. INOVAÇÃO.
Não prosperam as alegações trazidas apenas em sede recursal, diante da preclusão.
Numero da decisão: 2401-010.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001 ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DATA DO PROTOCOLO. Na falta de prova da data do protocolou ou da postagem e não tendo o órgão preparador acusado a intempestividade, o recurso deve ser tido por tempestivo. ADMISSIBILIDADE. ESPÓLIO. HERDEIROS. SUCESSORES. DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA DE BENS A INVENTARIAR. Cientificados os herdeiros/sucessores do finado contribuinte do resultado da diligência e dos atos praticados por procurador após o falecimento do recorrente e tendo se manifestado pela ratificação das razões recursais e declarado a inexistência de bens a inventariar, resta aplicável subsidiária e analogicamente o §1° do art. 75 da Lei n° 13.105, de 2015. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não preenchida a hipótese do art. 138 do CTN, não há que se falar em denúncia espontânea. CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL. Cabe ao contribuinte provar o fato impeditivo consistente na isenção. RAZÕES RECURSAIS. INOVAÇÃO. Não prosperam as alegações trazidas apenas em sede recursal, diante da preclusão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier.
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AUSÊNCIA DE DATA DO PROTOCOLO. Na falta de prova da data do protocolou ou da postagem e não tendo o órgão preparador acusado a intempestividade, o recurso deve ser tido por tempestivo. ADMISSIBILIDADE. ESPÓLIO. HERDEIROS. SUCESSORES. DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA DE BENS A INVENTARIAR. Cientificados os herdeiros/sucessores do finado contribuinte do resultado da diligência e dos atos praticados por procurador após o falecimento do recorrente e tendo se manifestado pela ratificação das razões recursais e declarado a inexistência de bens a inventariar, resta aplicável subsidiária e analogicamente o §1° do art. 75 da Lei n° 13.105, de 2015. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não preenchida a hipótese do art. 138 do CTN, não há que se falar em denúncia espontânea. CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL. Cabe ao contribuinte provar o fato impeditivo consistente na isenção. RAZÕES RECURSAIS. INOVAÇÃO. Não prosperam as alegações trazidas apenas em sede recursal, diante da preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 44 71 /2 00 6- 80 Fl. 129DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.473 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.004471/2006-80 Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 52/58) interposto em face de Acórdão (e- fls. 44/47) que julgou procedente Auto de Infração (e-fls. 31/38), no valor total de R$ 28.493,16, referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), ano-calendário 2001, por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e de imposto de renda retido na fonte (75%). O lançamento foi cientificado em 03/10/2006 (e-fls. 41). Na impugnação (e-fls. 02/10), em síntese, se alegou: (a) Nulidade por ausência de indícios de cessão gratuita de imóvel. (b) Omissão de aluguéis recebidos de Transportes Pesados Minas Ltda. Reconhece ter havido erro na declaração, sanado pelo recolhimento do imposto com acréscimos legais antes do início de qualquer procedimento fiscal. (c) Omissão de aluguel provenientes de cessão gratuita de imóveis. Isenção. Presunção de omissão. A seguir, transcrevo do Acórdão recorrido (e-fls. 44/47): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideram-se não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias em que o contribuinte concorda expressamente com a infração. CESSÃO GRATUITA DE IMÓVEL A TERCEIROS Submete-se à tributação o valor arbitrado de aluguel de imóvel cedido gratuitamente a terceiros, não dependentes do contribuinte. O Acórdão foi cientificado em 30/10/2008 (e-fls. 49/51) e o recurso voluntário (e- fls. 52/58), em síntese, alega: (a) Omissão de aluguéis recebidos de Transportes Pesados Minas Ltda. O contribuinte apresentou defesa reconhecendo a omissão do aluguel no valor de R$ 31.800,00, sanada em 30/06/2003 quando do recolhimento do imposto devido. Como tomou conhecimento do Auto de Infração em 03/10/2006, em tal data já havia recolhido o valor do imposto, conforme DARFs, tendo havido denúncia espontânea (CTN, art. 138). Fl. 130DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.473 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.004471/2006-80 (b) Cessão gratuita. O Acórdão de Impugnação sustenta que os imóveis situados na Praça Pio XII n° 140, 148 e 156 eram cedidos gratuitamente à empresa AA. Facio, não se configurando isenção. Conforme declarações em anexo, os imóveis eram cedidos ao filho e netos do contribuinte. A empresa de propriedade dos netos iniciou suas atividades apenas em junho de 2001 e ocupava o imóvel de n° 148 de valor venal de R$ 13.008,04, conforme prova anexa. Logo, o imóvel de n° 148 foi cedido gratuitamente aos netos e, ainda que assim não fosse, o valor arbitrado deve se limitar a 10% do valor venal desse imóvel e a partir de junho de 2001. Os imóveis de n° 140 e 156 eram cedidos ao filho, conforme declaração, sendo isentos. (c) Valor do crédito. Sendo o crédito indevido, tendo havido denúncia espontânea e arbitramento de fato isento por lei, não prospera a multa de 75%. O valor arbitrado é superior ao devido, descontando-se despesas com taxas, impostos, agua, luz etc proporcional ao período cedido. A empresa iniciou atividades apenas em junho de 2001. Convertido o julgamento em diligência pela Resolução n° 2401-000.823, de 5 de novembro de 2020 (e-fls. 76/79), a Receita Federal apresentou o Termo de Diligência Fiscal de e-fls. 90/91, acompanhado dos documentos de e-fls. 82/89. Diante do falecimento do recorrente, a intimação para regularização da representação (assinatura da procuradora não conferia por semelhança com o documento de identificação) e para manifestação sobre o resultado da diligência foi encaminhada para procurador do finado contribuinte (e-fls. 92/93), tendo este apresentado petição a ratificar os termos das razões recursais (e-fls. 96), bem como cópia da certidão de óbito (e-fls. 101, falecimento em 15/03/2013). Por força do Despacho de Saneamento de e-fls. 106, os autos retornaram ao órgão preparador para que a intimação sobre o resultado da diligência e para regularização da representação processual fosse empreendida em face do Espólio ou, caso o Espólio já estivesse encerrado, fosse empreendida em face dos sucessores 1 , bem como para a ratificação dos atos praticados pelo procurador após a extinção do mandato (Lei n° 10.406, de 2002, arts. 662 e 682, inciso II). Não tendo encontrado declaração de espólio e nem informações sobre inventariante, o órgão preparador intimou os herdeiros (e-fls. 108/116). Milton Washington Facio, na condição de filho e sucessor, apresenta manifestação a ratificar as razões recursais e informa que Milton Facio não deixou bens a serem inventariados (e-fls. 121/122), carreando declaração de inexistência de bens a inventariar (e-fls. 123). Lygia Facio Ferro, na condição de filha e sucessora, apresenta manifestação a ratificar as razões recursais e informa que Milton Facio não deixou bens a serem inventariados (e-fls. 124), carreando declaração de inexistência de bens a inventariar (e-fls. 125). É o relatório. 1 Consta da certidão de óbito: “O falecido era viúvo de (...). Deixou 2 filhos vivos, maiores e seguintes: Milton e Ligia. Deixou bens, não deixou testamento e era beneficiário do INSS”. Fl. 131DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.473 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.004471/2006-80 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. O Acórdão de Intimação foi cientificado em 30/10/2008 (quinta- feira) (e-fls. 49/51), mas não consta dos autos a data de protocolo do recurso voluntário (e-fls. 52/75). Instado a esclarecer a data do protocolo/postagem do recurso (e-fls. 76/79), órgão preparador afirma (e-fls. 90) ser provável o protocolo tempestivo, pois o prazo recursal se encerraria em 01/12/2008 (segunda-feira) e o despacho encaminhando o processo ao Conselho de Contribuintes foi lavrado em 02/12/2008 (e-fls. 75), mesma data em que o processo foi movimentado (e-fls. 01). Na falta de prova da data do protocolou ou da postagem e não tendo o órgão preparador acusado a intempestividade, o recurso deve ser tido por tempestivo. Os dois sucessores/herdeiros do falecido tomaram conhecimento do resultado da diligência e dos atos praticados por procurador e expressamente ratificaram as razões recursais, sendo aplicável subsidiária (Lei n° 13.105, de 2015, art. 15) e analogicamente (Decreto-Lei n° 4.657, de 1942, art. 4°; e Lei n° 5.172, de 1966, art. 108, I) o § 1° do art. 75 da Lei n° 13.105, de 2015 2 , em face da declaração de inexistência de bens a inventariar 3 . Por fim, ressalte-se que não compete ao presente colegiado diligenciar no sentido de se confirmar a efetiva inexistência de bens a inventariar/partilhar, sendo esta questão atinente à esfera da cobrança do débito. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Omissão de aluguéis recebidos de Transportes Pesados Minas Ltda. A impugnação reconheceu a omissão dos aluguéis recebidos de Transportes Pesados Minas Ltda, mas alegou que o erro na declaração teria sido sanado pelo recolhimento do imposto com acréscimos legais antes do início do procedimento fiscal. A decisão recorrida considerou que a recorrente reconheceu a omissão, a atrair a aplicação do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972. Nas razões recursais, reitera-se a defesa indireta de mérito no sentido de que, apesar de ter reconhecido a omissão da declaração, o recolhimento caracterizaria denúncia espontânea a impedir o lançamento de ofício. Sendo a matéria de direito, cabe decidir desde logo o mérito (Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013, §3°). Assim, devemos ponderar que a ausência da 2 Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) VII – o espólio, pelo inventariante; (...) § 1º Quando o inventariante for dativo, todos os herdeiros e sucessores do falecido serão autores ou réus nas ações em que o espólio for parte. 3 Note-se, contudo, que a Certidão de Óbito menciona a existência de bens (e-fls. 101). Logo, poderíamos conjecturar que a declaração de inexistência de bens a inventariar pode significar a inexistência de bens a partilhar por serem os encargos superiores às forças da herança. A legislação não impõe o inventário negativo, mas atribui ao herdeiro o ônus de provar o excesso (Lei n° 10.406, de 2002, art. 1.792), o que não restou demonstrado nos autos. Assim, mesmo na hipótese de mera inexistência de bens a partilhar, ainda que eventualmente os encargos não tenham sido superiores às forças da herança, um dos herdeiros ao menos estaria a representa o espólio (Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15, 75, VII, e 618, I; e Lei n° 10.406, de 2002, art. 1.797, II). Fl. 132DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.473 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.004471/2006-80 declaração do aluguel em questão afasta a caracterização da denúncia espontânea, não bastando recolhimento desacompanhado da denúncia da infração (CTN, art. 138). Cessão gratuita. Com a impugnação, o recorrente apresentou declaração firmada em seu nome por procurador a asseverar que o “imóvel localizado à Praça Pio XII, n° 140/148 e 156, sediava a empresa AA Facio Ferro, inscrita no CNPJ sob n° 04.477.294/0001-06, pertencente ao contribuinte” (e-fls. 27). Além disso, foi apresentada declaração de engenheiro civil a informar que (e-fls. 16 e 71): (...) em meados do ano de 2001, foi procurado pelo Sr. Alexandre Facio Ferro para a realização de projeto de obra do imóvel situado na Praça Pio XII, Centro na cidade de Atibaia, o qual é divido pelos n°s: 140°,148°,156°, tratando-se, porém, de uma única propriedade. Relata que naquele momento o imóvel encontrava-se desocupado, inclusive, sem condições de uso, diante do estado de quase abandono. Por fim, informa que a planta foi formalizada, entretanto, desconhece sobre a realização da obra. Com o recurso, nova declaração firmada por procurador em nome do recorrente a asseverar que os imóveis situados na Praça Pio XII, n°s 140/148 e 156, durante o ano de 2001 não se encontravam locados, sendo cedidos gratuitamente a meu filho Milton Washington Facio e netos. Segundo a impugnação, os imóveis “situados na Praça Pio XII, n°: 140/148 e 156, encontravam-se desocupados durante o ano de 2001, sendo utilizado pelo filho do contribuinte, o Sr. Milton Washington Facio, apenas como depósito de coisas pessoais, sem qualquer fim lucrativo” (e-fls. 05). Nas razões recursais (e-fls. 55/56), o recorrente sustentou que os imóveis em questão foram cedidos ao filho e aos netos do contribuinte, sendo que a empresa A.A. Facio Ferro & C.A. Facio Ferro (CNPJ 04.477.294/0001-06) seria de propriedade de seus netos e só teria iniciado suas atividades em julho de 2001 e a ocupar tão somente o imóvel n° 148, havendo, na pior das hipóteses, isenção durante todo o ano para os imóveis n° 140 e n° 148 e isenção proporciona para o imóvel n° 148. A diligência fiscal confirmou que “AA Facio Ferro” e “A.A. Facio Ferro & C.A. Facio Ferro” são a mesma empresa de CNPJ n° 04.477.294/0001-06 e esclareceu que o finado recorrente não foi sócio da empresa no ano-calendário de 2001 (e-fls. 83/86 e 90). A impugnação havia inicialmente sustentado que os três imóveis representariam uma única propriedade e que teriam sido cedidos gratuitamente para o filho, contudo, a decisão recorrida não acolheu o argumento, pois a declaração de e-fls. 27 afirma que o imóvel de n° 140/148 e 156 abrigaria a sede da empresa AA Facio Ferro. Com as razões recursais, a nova declaração apresentada trata os imóveis de n° 140/148 e 156 de forma conjunta e esclarece que a cessão teria sido para filho e netos. Além das declarações, não há nenhum outro elemento a sustentar a alegação de que a propriedade teria sido cedida ao filho. Fl. 133DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.473 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.004471/2006-80 Em relação aos netos, contrato social (e-fls. 66/69) e Ficha Cadastral Completa emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo (e-fls. 84) da empresa em questão revela o início de atividade empresarial em 07/04/2001 no endereço n° 148. Diante do conjunto probatório constante dos autos, forma-se a convicção de que os três endereços se referem a mesma propriedade cedida pelo finado aos netos por todo o ano calendário de 2001, sendo que por estes foi empregada a partir de 07/04/2001 para ser a sede da pessoa jurídica por eles constituída. Logo, há que se manter a presunção resultante dos arts. 6°, III, da Lei n° 7.713, de 1988, e 23, VI, da Lei n° 4.506, de 1964, explicitados pelos arts. 39, IX, e 49, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, não havendo correção a ser empreendida no valor considerado como omitido, eis que apurado a partir do valor venal dos três imóveis no ano-calendário de 2001. Valor do crédito. O recorrente inova nas razões recursais, postulando a limitação em parte do crédito apurado e, por consequência, da respectiva multa. Não tendo demonstrado o cabimento da limitação em razão da isenção para parte do tempo ou para parte dos imóveis, não prosperam as alegações. A alegação de serem cabíveis deduções não prospera em razão da preclusão (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 17) e em razão de não se ter demonstrado ter o contribuinte arcado com tais despesas. Isso posto, vencido VOTO por CONHECER do recurso voluntário e NEGAR- LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 134DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720345/2011-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados.
A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu.
Numero da decisão: 2003-004.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Wilderson Botto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente).
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu.
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São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Wilderson Botto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de impugnação a notificação de lançamento de fls. 05 a 10, na qual é exigido imposto de renda pessoa física-suplementar no valor de R$ 3.743,26, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao ano-calendário 2008, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas. Discordando da notificação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 e 03. Concorda com a glosa no valor de R$6.973,92. Apresenta os documentos para comprovação das despesas médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 03 45 /2 01 1- 18 Fl. 57DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-004.320 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.720345/2011-18 O colegiado de primeira instância restabeleceu parte das despesas médicas glosadas, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Ciente do acórdão da DRJ em 13/08/2013, o(a) contribuinte, em 09/09/2013, apresentou recurso voluntário, no qual alega, em apertado resumo, que: a) despesas médicas estão comprovadas nos autos e em consonância com a legislação de regência. É o relatório. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre as despesas médicas informadas com os profissionais André Luís de Moura e Lisiane Romani. Na autuação, além de outras irregularidades, a autoridade fiscal apontou a ausência de indicação dos pacientes nos documentos comprobatórios apresentados(fl.8). Na apreciação dos documentos juntados à impugnação (fls. 12/14), o colegiado de primeira instância manteve a glosa dessas despesas, registrando: Entretanto, não são passíveis de dedução os valores pagos a Andre Luis Silva de Moura e Lisiane Romani, tendo em vista que não foi suprido o requisito que motivou o lançamento, ou seja, a identificação do paciente. Apesar do inciso III do § 1º do art. 80 não especificar a indicação do beneficiário como requisito formal do comprovante, o art. 73 do RIR autoriza à autoridade lançadora a seu juízo exigir esclarecimentos adicionais sobre a dedução pleiteada. Este artigo, combinado com o inciso II do § 1º do art. 80, serviu como base legal para a exigência de que fosse identificado o paciente dos serviços prestados. O art. 73 do RIR permite à autoridade fiscal exigir outros documentos, além do recibo propriamente dito, para comprovar um fato específico questionado pela fiscalização, no caso a identificação do paciente do tratamento. Observe-se que somente são dedutíveis as despesas médicas de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que for considerado dependente. Ao ser notificado, caberia o interessado trazer aos autos novo documento que suprisse a falta apontada no lançamento, sob pena de se manter as glosas efetuadas. Ressalte-se que não se exige exclusivamente a emissão de um novo recibo formal, mas sim um conjunto de documentos de livre produção que se complete (declarações ou qualquer outra forma de manifestação escrita por meio da qual pudesse ser suprida a deficiência apontada na peça fiscal). Fl. 58DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-004.320 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.720345/2011-18 O simples fato dos recibos indicarem que o pagamento foi realizado pela contribuinte não implica necessariamente que os mesmos tenham sido os beneficiários dos serviços prestados. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Os documentos comprobatórios das despesas médicas devem trazer também a indicação do paciente beneficiário do serviço prestado, como decorrência lógica da necessidade de os contribuintes demonstrarem que tais despesas correspondem ao tratamento deles próprios ou de seus dependentes (art. 8º, § 2º, inc. II, da Lei 9.250, de 1995). Quanto à exigência de especificação do beneficiário do tratamento nos documentos comprobatórios, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 23 da RFB, publicada no sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil em 10 de fevereiro de 2014, dispõe que, na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico ter sido emitido em nome do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal foram constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso, constato que o Termo de Intimação encaminhado ao contribuinte solicitou a apresentação de “comprovantes originais e cópias das despesas médicas, com a identificação do paciente” (fl.28). Assim, acompanho o disposto na decisão recorrida de que caberia ao contribuinte, diante da exigência fiscal, juntar elementos de prova de forma a identificar os pacientes das despesas médicas em comento. Nesse sentido, em seu recurso, o contribuinte juntou novas vias dos recibos dos profissionais, nos quais o contribuinte é apontado como tendo sido o paciente dos tratamentos realizados pelos dois profissionais (fl.49), sendo de se restabelecer as despesas médicas correspondentes, no montante de R$7.800,00. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas médicas no montante de R$7.800,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 59DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-004.320 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.720345/2011-18 Fl. 60DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10380.730399/2017-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 18 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/09/2008
NULIDADE.
Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015
PASEP. FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. TRANSFERÊNCIAS. INCLUSÕES. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL.
As transferências da União aos Municípios a título de parcela de participação do próprio ente federativo no FUNDEB, integram a base de cálculo da Contribuição para o PASEP, excluídas as retenções já realizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Também devem ser excluídos da base de cálculo os valores transferidos pelos Municípios ao FUNDEB e incluídos os valores deles recebidos. Solução de Consulta COSIT nº 278, de 2017.
Numero da decisão: 3001-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo da Costa Marques d´Oliveira, João José Schini Norbiato e Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues.
Nome do relator: Francisco Martins Leite Cavalcante
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Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015 PASEP. FUNDEB. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. TRANSFERÊNCIAS. INCLUSÕES. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. As transferências da União aos Municípios a título de parcela de participação do próprio ente federativo no FUNDEB, integram a base de cálculo da Contribuição para o PASEP, excluídas as retenções já realizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Também devem ser excluídos da base de cálculo os valores transferidos pelos Municípios ao FUNDEB e incluídos os valores deles recebidos. Solução de Consulta COSIT nº 278, de 2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo da Costa Marques d´Oliveira, João José Schini Norbiato e Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 03 99 /2 01 7- 30 Fl. 237DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo o relatório da decisão de piso: Trata-se de Auto de Infração relativo à falta de recolhimento da contribuição para o PASEP, nos períodos de fevereiro de 2014 a dezembro de 2015, fls. 02 a 06, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no montante de R$ 21.543,04, somados o principal, multa e juros de mora. - Relatório Fiscal. O Autuante, após introdução, apresenta o que chamou de "Situação Encontrada: ... DA SITUAÇÃO ENCONTRADA 5. A empresa foi intimada a presentar os balancetes consolidados para determinação das bases de cálculo para o Pasep. Saliente-se que a auditoria possui os dados dos balancetes consolidados, através dos arquivos enviados pelo órgão ao Tribunal de Contas dos Municípios — TCM — Ce , conhecido como sistema SIM, nos quais são declarados todos os lançamentos contábeis. O órgão , apesar de solicitado no TIPF, não apresentou memorial do cálculo para a contribuição do PASEP. A auditoria comparou os valores declarados nos arquivos do SIM , conforme balancetes consolidados apresentados ao Tribunal de Contas do s Municípios - TCM e constatou diferenças em algumas competências, as quais foram lançadas como diferenças apuradas, conforme demonstrativos em anexo ( ANEXO 5 a 7). ... Demonstra a apuração do fato gerador da contribuição, assim como da apuração dos valores devidos de PASEP: ... DOS FATOS GERADORES DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 8. Constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e das transferências correntes e de capital recebidos. Deste montante são deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas conforme disposição do art. 70. Da lei 9.715/1998 e o parágrafo 2°. Do art. 70 do decreto 4.524/2002. Deduz-se da base de cálculo, igualmente as transferências que já sofreram retenções pelos repasses recebidos. 9. Conforme já mencionado anteriormente , da confrontação dos valores apurados nos balancetes consolidados e os valores devidos declarados em DCTF, deduzidas as retenções realizadas nos repasses do Banco do Brasil e os valores relativos ao repasse para o FUNDEB. 10. Os valores do crédito tributário ora lançado, encontra-se demonstrado na relatório " Demonstrativo de Multa e Juros de mora" e é fundamentado na legislação citada neste relatório. ... Fl. 238DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 Ao fim, elenca a relação dos anexos, entre eles, o Demonstrativo de Apuração de fl. 71, que traz o valor do PASEP devido. - Impugnação. Cientificado do lançamento, em 18/12/2017, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva de fls. 99 a 108, em 17/01/2018. Alega, através do item 3.1 da impugnação, a nulidade do auto de infração, por causar cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que o Relatório Fiscal elaborado pelo Fisco "fala de forma generalizada, pois foi sem apontar especificamente quais os valores e bases de cálculos. Ou seja, o relatório do AI não especifica a que se referem e quais os fatos". Complementa sua explanação, apresentando decisão do Supremo Tribunal Federal, entendimentos doutrinários, decisão do Conselho de Contribuintes, além de instruções da Receita Federal do Brasil, que, em seu entendimento, reforçam seu posicionamento, prosseguindo: ... Não afirma, o relatório multicitado, o nome das rubricas, supostamente pagas, impossibilitando, desta forma, que seja aferido se, de fato, eles são ou não bases, são folhas de pagamentos ou empresas prestadoras de serviço. Esses fatos, por si só, são suficientes para impedir que o defendente exerça os direitos que lhe são constitucionalmente garantidos, ao Contraditório e à Amplitude de Defesa, tomando-se-lhe impossível, no presente momento, de posse do Relatório e do Auto de Infração Multicitados, bem como de todos os documentos que os instruíram, a ofertar defesa de forma plena e ampla, porquanto não tem todos os dados inerentes e necessários à defesa. Por essas razões, a ampla defesa do defendente encontra-se prejudicada, de modo, a necessitar os devidos e necessários esclarecimentos para que se possa ofertar, com precisão, o direito de defesa em toda sua amplitude. ... Continua, através do item 3.2 da impugnação, questionando o prazo exíguo de apenas trinta dias para a apresentação de sua defesa. Em seu entendimento, prazo tão pequeno, impede o acesso à ampla defesa, "pelo claríssimo motivo de que para produzir defesa técnica é necessário antes de qualquer coisa, entender a metodologia da auditoria, fazer as conferências de bases levantadas, analisar se as informações foram todas devidamente anotadas, colher documentos, averiguar as mais de 10 folhas de planilhas que compreendem a totalidade do procedimento de fiscalização em que os presentes autos estão incluídos, de forma ser humanamente impossível o cumprimento de tal tarefa quando se tem concomitantemente outras a serem executadas": ... Portanto, está claramente caracterizado o cerceamento de defesa pela situação fática, como ocorre nos presentes autos, todo o processo administrativo fica eivado de nulidade absoluta, a qual pode e deve ser conhecida, para anularem-se todos os atos do processo, posto que contrários à Constituição Federal, o que requer a Impugnante desde já. ... Nada disso, no entanto, verificou-se quando da lavratura do auto indicado, nos instrumentos notificantes anexos, ocasionando graves lesões ao Autuado, que foram Fl. 239DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 prejudicados por formalização de obrigações tributárias inexistentes, sem que tivesse havido a constatação dos responsáveis pelas infrações, e o pior, sem que tivesse tido a chance de contestá-los, por falta da devida clareza. ... Questiona também, conforme item 3.3 da impugnação, os acréscimos legais aplicados: ... Em outra vertente, quando se disseca os valores que se consolidam, espantosamente se verifica um valor originário de R$ 10.353,83, enquanto os acréscimos legais totalizam R$ 11.189,21, resultado da aplicação arbitrária, cruel, ilegal e insuportável, por qualquer contribuinte, da taxa SELIC. ... No item 3.4 da impugnação, o impugnante interpreta a forma de apuração da base de cálculo da contribuição, assim como do PASEP devido, discordando, entretanto, dessa apuração, pois, em seu entendimento, "o nobre auditor deixou de incluir no cálculo os valores dedutíveis da base de cálculo do PASEP". Daí em frente, faz um arrazoado, trazendo a Solução de Divergência COSIT nº 12 de 2011 e a recente Solução de Consulta nº 278 de 01/06/2017, com o fim de demonstrar que as transferências para a formação do FUNDEB deixaram de ser deduzidas na apuração da contribuição devida: ... Portanto, observa-se nas planilhas constantes no levantamento fiscal que as deduções legais não foram consideradas devendo ser corrigidas. É cediço que os entendimentos, na nova solução, favoráveis ao contribuinte retroagem para beneficiá-lo, porém, naquilo que a nova solução alterar entendimentos anteriores favoráveis ao contribuinte, o entendimento anterior prevalecerá. ... Ao fim, apresenta seus pedidos: ... a) Tomar insubsistente o Auto de Infração, em foco, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa; b) Acaso não se acolha a pretensão anterior, reconheça-se, pois, incidir sobre o caso a nulidade do lançamento por falta de objeto, vez que não ficou caracterizada a infração; c) Requer, por fim, que sejam excluídas da base de cálculo, as parcelas dedutíveis conforme estabelecidas nas normas legais. ... É o relatório. A DRJ em Campo Grande/MS julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário lançado conforme Acórdão n o 04-46.187, cuja ementa encontra-se a seguir transcrita: Fl. 240DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2014 a 31/12/2015 NULIDADE DO LANÇAMENTO Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. A Contribuição para o PASEP será apurada mensalmente, à alíquota de 1% (um por cento), pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas (arts. 2º, III, 7º e 8º, III, da Lei nº 9.715/98). FUNDEB - RECEITAS TRANSFERIDAS PELO MUNICÍPIO PARA O FUNDO. NÃO INCIDÊNCIA NA ENTIDADE A QUE SÃO VINCULADOS. As parcelas de participação das receitas próprias dos Estados, DF e Municípios transferidas ao FUNDEB, devem ser excluídas da base de cálculo do PASEP, em razão da parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. Tais valores sofrerão a incidência da contribuição quando os entes beneficiados receberem os recursos distribuídos por meio do fundo. FUNDEB - RECEITAS RECEBIDAS PELO MUNICÍPIO ORIUNDAS DO FUNDO. INCIDÊNCIA NA ENTIDADE A QUE SÃO VINCULADOS. Os valores distribuídos aos Estados e Municípios, oriundos do fundo, aqui denominados receitas do FUNDEB, deverão ser incluídos na base de cálculo do PASEP, em razão do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. CONVÊNIOS. As transferências decorrentes de “convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido”, nos termos do § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998 devem se excluídas da base de cálculo do PASEP, a partir de maio de 2013, desde que devidamente comprovadas como tal. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei. O princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância alegando, preliminarmente, que a ampla defesa e o contraditório foram violados tendo em vista o exíguo prazo de 30 dias para formular quatro imensas defesas. No mérito a Recorrente alega que a fiscalização deixou de incluir no cálculo valores dedutíveis da base de cálculo do PASEP. Fl. 241DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 Esta 1ª Turma Extraordinário resolveu baixar o processo em diligência por intermédio da Resolução n o 3001-000.493 para que fosse juntado aos autos o Razão das contas contábeis que compõem o Total de Receitas Correntes, de Transferência de Capital e de Deduções do FUNDEB nos períodos de apuração objeto do auto de infração, indicando o razão das contas onde estão registradas as transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido (transferências voluntárias decorrentes de acordos entre entes federativos - §7º do art. 2º da Lei n o 9.715/98) bem como confirmasse se tais transferências estão inseridas no total de receitas correntes, de transferência de capital mencionadas e utilizadas como base de cálculo da contribuição para o PASEP. Isto posto, a unidade de origem procedeu a diligência, elaborou a Informação Fiscal de e-fls. 161 a 163 e juntou os documentos de e-fls. 164 a 231. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi novamente distribuído à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Fl. 242DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 Preliminarmente a Recorrente afirma que o auditor demandou diversos meses para apurar os débitos lançados e que não há como exigir que “se defenda de todos em apenas 30 dias” com vistas a averiguar as mais de 500 folhas que compreendem a totalidade do procedimento de fiscalização. Com isso alega ofensa à ampla defesa e ao contraditório quando é obrigado a formular quatro imensas defesas no prazo exíguo de 30 dias. Neste sentido afirma estar eivado de nulidade absoluta o presente processo. Este argumento de defesa já havia sido suscitado quando da sua impugnação e o acórdão recorrido o rejeitou com fundamento no art. 15 do Decreto n o 70.235/72. Afirmou ainda que todos os elementos probatórios já estavam em sua posse quando do recebimento do auto de infração. De fato concordo com o disposto na decisão recorrida tendo em vista que o prazo de 30 dias para apresentação da impugnação estabelecido no art. 15 do Decreto n o 70.235/72, norma que rege o Processo Administrativo Fiscal, há de ser respeitado. Portanto, não há que se falar em nulidade do processo por estar de acordo com a norma de regência. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa exclusivamente sobre a possibilidade de inclusão de valores dedutíveis na base de cálculo do PASEP. Segundo a Recorrente, estes valores estariam amparados conforme disposto no §7º do art. 2º da Lei n o 9.715/98 bem como pelo que dispõe a Solução de Consulta COSIT n o 278/2017. Neste sentido, a Recorrente entende que não caberia a tributação das transferências complementares do FUNDEB da União para os Municípios, as transferências do Município para a formação do FUNDEB e as transferências Fundo a Fundo. O acórdão recorrido jugou improcedente a impugnação utilizando como razão de decidir trechos da Solução de Consulta n o 278/2017. Reproduzo a seguir o extrato da decisão recorrida que contém os referidos trechos: ... “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep 21.3. Em linhas gerais, tanto a participação como a complementação dos recursos do FUNDEB são transferências intergovernamentais constitucionais operacionalizadas de modo indireto, já que é criado um fundo meramente contábil para distribuir recursos a diversas entidades, devendo seguir a regra das transferências constitucionais e/ou legais já exposta nesse trabalho. Portanto, seus recursos devem ser inseridos na base de cálculo do ente recebedor (o ente que efetivamente receber as receitas do FUNDEB) e o ente transferidor deve excluir de sua base de cálculo os valores repassados. Tendo em vista a complexidade da sistemática de transferência dos diversos recursos que compõem o fundo, apresenta-se o tratamento tributário a ser dado para cada espécie de receita do FUNDEB: Fl. 243DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 Transferências da União a outros entes federativos que compõem a participação do FUNDEB 21.3.1. As transferências efetuadas pela União aos Estados, Distrito Federal (DF) e Municípios que compõem a participação dos entes federativos ao FUNDEB, a exemplo do percentual do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), devem ser inseridas na base de cálculo do ente recebedor, em razão do inciso III do art. 2º, conjugado com o art. 7º da Lei nº 9715, de 1998. Também por causa da parte final do referido art. 7º, anteriormente comentado, o ente transferidor (no caso, a União) deve excluir os valores repassados de sua base de cálculo; 21.3.2. Caso a STN retenha alguma dessas parcelas de participação, em razão do § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, os entes beneficiários, apesar de obrigatoriamente incluírem os montantes recebidos em sua base de cálculo, deverão excluir da contribuição devida tais valores retidos. Destarte, como a União já reteve a contribuição sobre tais parcelas, os valores retidos devem ser deduzidos da contribuição devida pelo ente recebedor. Transferências dos Estados e Municípios que compõem a participação do FUNDEB 21.3.3. Quanto às parcelas de participação das receitas próprias dos Estados, DF e Municípios transferidas ao FUNDEB, os entes transferidores devem excluir de sua base de cálculo os valores repassados ao fundo, em razão da parte final do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. Tais valores sofrerão a incidência da contribuição quando os entes beneficiados receberem os recursos distribuídos por meio do fundo. Transferências da União ao FUNDEB - parcela de complementação 21.3.4. Quanto à parcela de complementação, por se tratar de transferência constitucional e/ou legal, quando for transferida para os fundos, a União, segundo o que preconiza a parte final do referenciado art. 7º, deverá excluir os valores entregues da base de cálculo da contribuição. Tais valores sofrerão a incidência da contribuição no ente recebedor dos recursos, quando de sua alocação ao fundo. Caso a União venha a reter a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre Receitas Governamentais quando da transferência aos demais entes, aplica-se o mesmo raciocínio apresentado no item 21.3.2. Distribuição dos recursos do FUNDEB 21.3.5. Uma vez distribuídos os recursos dos fundos aos Estados e Municípios, aqui denominados Receitas do FUNDEB, os entes favorecidos deverão incluir em sua base de cálculo a totalidade dos valores recebidos (transferências recebidas), em razão do inciso III do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998. Poderá ser deduzido do valor da contribuição devida o valor retido pela STN nas transferências realizadas, em respeito ao § 6º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, para que se evite a dupla tributação de recursos, vedada pelo art. 68, parágrafo único, do Decreto nº 4.524, de 2002. 21.4. Reitere-se mais uma vez que qualquer receita corrente, transferência corrente e transferência de capital deve compor a base de cálculo dos entes governamentais, considerando as peculiaridades já expostas quanto às transferências intergovernamentais." ... Fl. 244DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 38. Reforme-se, naquilo em que for contrário a esta Solução de Consulta, a Solução de Divergência nº 02, de 10 de fevereiro de 2009, e a Solução de Divergência nº 12, de 28 de abril de 2011. ... Diante dos entendimentos constantes da Solução de Consulta n o 278/17 acima reproduzidos, o Acórdão vergastado decidiu assim: Posta a questão nessa conformidade, quanto a não inclusão na base de cálculo do PASEP, dos valores próprios do Município transferidos ao fundo (contas constantes do grupo "9"), fica claro, através do item 21.3.3 da citada Solução de Consulta, que tais valores não devem constar na base de cálculo do PASEP apurada pelo ente municipal. Já em relação às transferências oriundas do FUNDEB, contabilizada na rubrica 17.24.00.00.00 - Transferências de Recursos do FUNDEB, item 21.3.5 da Solução de Consulta, fica claro que devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição. Com efeito, a sistemática de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP faz incidir a contribuição uma única vez sobre todas as receitas do ente público, de modo a evitar a dupla incidência tributária (art. 2º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970; art. 68, parágrafo único, do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, e art. 2º, inciso III, e art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998 ). É por essa razão que o Município deverá incluir na base de cálculo da Contribuição para o PASEP os valores recebidos do FUNDEB, inclusive as complementações da UNIÃO, haja vista que a incidência da contribuição sequer ocorreu nas movimentações anteriores, quer nos Municípios ou Estados. Ao fim das contas, as receitas que se destinarão ao FUNDEB sofrerão tributação uma única vez, nos termos do parágrafo único do art. 2º da Lei Complementar nº 8 de 1970. Inicialmente é relevante reproduzir a legislação que rege o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), relevante para a presente demanda, iniciando pela previsão constitucional consubstanciado no art. 239 da Carta Magna e pelo art. 1º e 2º da Lei Complementar n o 8/70: Constituição Federal Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do seguro desemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. Lei Complementar n o 8/70 Art. 1º - É instituído, na forma prevista nesta Lei Complementar, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Art. 2º - A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: Fl. 245DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 I - União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II - Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2% (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo da União e dos Estados através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único - Não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. A base de cálculo da Contribuição para o PASEP foi determinada pelo art. 2º da Lei n o 9.715/98 que assim dispôs: Art. 2 o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III - pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (grifos do relator) §6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 2.158-35, de 2001) (...) Art.7º Para os efeitos do inciso III do art. 2°, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. (grifos do relator) Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III - um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Vejamos ainda que a Lei nº 12.810/2013 alterou a Lei nº 9.715/1998 para incluir o parágrafo §7º no art. 2º. O citado parágrafo passou a permitir a exclusão da base de cálculo do PASEP a parte relacionada às transferências recebidas decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, nos seguintes termos: §7º Excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013). Fl. 246DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 Diante da necessidade de confirmar o valor total das Receitas Correntes, de Transferência de Capital e de Deduções do FUNDEB de modo a verificar se houve a exclusão das transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, o processo foi baixado em diligência por intermédio da Resolução n o 3001- 000.493. Procedida a diligência pela unidade de origem, reproduzo a seguir trecho da Informação Fiscal sobre os quesitos constantes da Resolução n o 3001-000.493: Através desse procedimento obtivemos bases idênticas àquelas utilizadas no lançamento dos créditos tributários, mas, desta vez, conforme solicitado pela autoridade julgadora, com a discriminação das contas contábeis (códigos de receita), inclusive quanto às competências anteriores a 09/2014, cujas informações dos balancetes consolidados não foram anexadas ao processo pela Autoridade Autuante. Destacamos ainda, que julgamos oportuna a reconstituição também da tabela “Demonstrativo do Cálculo para o Pasep” (fl. 71), para a devida demonstração da apuração do Pasep devido na competência 09/2015, que foi lançado pela Autoridade Autuante e por isso compõe os demonstrativos de lançamento fiscal (fls. 03 a 05) e tem suas bases de cálculo exibidas nos Balancetes Consolidados (fls. 54 a 56) e Débitos Declarados em DCTF (fl.70), porém não figuravam na planilha da fl.7l (Demonstrativo do Cálculo para o Pasep). Ainda em relação ao “Demonstrativo do Cálculo para o Pasep” (fl.71), informamos que em sua reconstituição inserimos as bases referentes à apuração do Pasep devido na competência 10/2015, que não possui diferença a ser cobrada e por isso não havia sido relacionada no referido demonstrativo, porém, identificamos que houve um erro de digitação no lançamento do tributo da competência 11/2015, que nos demonstrativos das fls. 03 a 05 foi equivocadamente atribuído à competência 10/2015. A inserção das informações da competência 10/2015 na reconstituição dos Balancetes Consolidados das Receitas e do “Demonstrativo do Cálculo para o Pasep” nos pareceu conveniente para uma melhor análise da autoridade julgadora, trazendo maior clareza, já que poderia haver dúvida quanto à qual das competências se referia o crédito tributário ou mesmo se haveria divergência nas duas competências em questão. O segundo item solicitado pela Autoridade Julgadora foi cumprido pelo Recorrente, que após intimação apresentou dois relatórios extraídos de sua contabilidade, intitulados DIÁRIO DA RECEITA PREVISTA E ARRECADADA, sendo um para cada exercício. Estes relatórios trazem as informações separadas por conta contábil (código de receita) e demonstram os lançamentos de valores arrecadados provenientes de convênios. Para o cumprimento do terceiro item, identificamos e hachuramos nos Balancetes Consolidados, reconstituídos e anexados nesta diligência, os lançamentos que compunham as bases de cálculo utilizadas pela Autoridade Autuante e que correspondiam às transferências provenientes de convênios elencadas nos relatórios apresentados pelo Município de Milhã. Informamos que foi elaborada planilha específica que contém os valores identificados e hachurados nos balancetes com a respectiva totalização por competência. Analisando os documentos juntados na diligência, especialmente em relação aos Balancetes Consolidados de e-fls. 166 a 206, verifica-se que estão segregadas as contas “Total de Receitas Correntes”, “Total Transferências de Capital” e as “Deduções do Fundeb” tal qual constam da planilha feita pela fiscalização por ocasião da constituição do crédito tributário, com Fl. 247DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3001-001.241 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº10380.730399/2017-30 os devidos ajustes de inclusão na referida planilha dos dados da competência 09/2015 (corretamente lançado) e inclusão das bases de cálculo da competência 10/2015, a qual não possui diferença de tributo a ser cobrado. Portanto, diante das análises procedidas pela unidade de origem por ocasião da diligência, bem como pelos documentos juntados, verifico que ficou demonstrado que as parcelas de participação das receitas próprias dos Estados, DF e Municípios transferidas ao FUNDEB foram devidamente deduzidas da base de cálculo apurada pela fiscalização. Neste sentido, concordo com o entendimento esposado pela decisão recorrida na qual constam que as transferências destinadas ao FUNDEB, ou oriundas deste, somente sofrerão incidência da Contribuição para o PASEP somente uma vez. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 248DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000706/2005-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 10/06/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO.
O deferimento de pedido de restituição de indébitos depende da sua cabal comprovação, com base em documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.246
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO. O deferimento de pedido de restituição de indébitos depende da sua cabal comprovação, com base em documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório E. JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. formulou, em 07/06/2005, pedido de restituição referente a pagamento indevido ou maior que o devido a titulo de PIS, no valor de R$ , efetuado em 10/06/1999 por Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ nº 62.355.698/000115, incorporado pelo requerente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 28 a 33, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito ao indébito e na Fl. 139DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN 2 falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Sobreveio reclamação, fls. 35 a 46, por meio da qual o interessado alega, em síntese: a) Que, por meio do Mandado de Segurança nº 1999.61.02.0070375, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei nº 9.718, de 1998, b) Que, nos meses de março a junho de 1999, auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento, c) Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei nº 9.715, de 1998 e na Lei Complementar nº 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindose as demais receitas não caracterizadas como sendo da venda de mercadorias ou serviços, d) que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e) que, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a partir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador, f) Que o art. 3° da LC 118, de 2005, modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional — CTN — e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005, g) Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal — 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC nº 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°, h) que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. i) que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não havendo falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido trânsito em julgado, j) que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13851.000706/200515 Acórdão n.º 380302.246 S3TE03 Fl. 1.322 3 A 1ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1430.819, de 6 de setembro de 2010, fls. 86 a 89, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/1999 DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PAF. PROVA DOCUMENTAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de ser apresentada em outro momento processual. RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO Não comprovada a existência do direito creditório do sujeito passivo, condição essencial nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se indeferir o pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Colegiado de primeira instancia, considerando que o pagamento objeto do pedido ocorreu em 10/06/1999, e que o mesmo só foi protocolado em 07/06/2005, ou seja, há mais de cinco anos da data do pagamento, entendeu que o direito à restituição de eventual indébito estava decaído, adotando como termo inicial do prazo a data da extinção do crédito, nos termos da LC nº 118, de 2005. No mérito, entendeu que os documentos que instruem a Manifestação de Inconformidade não são suficientes para comprovar a liquidez e a certeza do crédito, haja vista que não dizem respeito a Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ nº 62.355.698/000115, autora do suposto recolhimento indevido ou a maior. Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/RPO, interposto por ITAÚUNIBANCO S.A., na qualidade de sucessor por incorporação de E. JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. O arrazoado de fls. 95 a 107, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a tese dos “5+5” e rechaça a aplicação retroativa da LC nº 118, de 2005, já defendidos na Manifestação de Inconformidade. Pede reforma da decisão de piso, para o efeito do deferimento do pedido de restituição formulado. Adicionalmente, requer a reunião dos processos administrativos nºs Fl. 141DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN 4 13851.000708/200512, 13805.000702/200537, 13805.000703/200581, 13851.000701/2005 92, 13851.000688/200571, 13851.000690/200541,13851.000695/200573, 13851.000692/200530, 13851.000705/200571,13851.000707/200560, 13851.000704/2005 26, 13851.000706/200515,13851.000687/200527, 13851.000694/200529, 13851.000691/200595,13851.000693/200584, 13851.000699/200551, 13851.000709/2005 59,13851.000710/200583, 13851.000700/200548, 13851.000696/2005 18,13851.000689/200516, 13851.000697/200562, 13851.000698/200515, diante da identidade da discussão neles vertida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 95 a 107 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO1ª Turma nº 1430.819, de 6 de setembro de 2010. Pedido de julgamento conjunto de processos administrativos O recorrente, invocando conveniência relacionada com a identidade das matérias tratadas nos processos citados, pede que os mesmos sejam julgados conjuntamente. Reportome aos arts. 4º e 8º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Lá o recorrente poderá constatar que as competências das turmas de julgamento CARF estão divididas segundo o tributo de que se trata e o valor do crédito tributário envolvido. Está 3ª TE/3ªS, por exemplo, está adstrita aos recursos voluntários contra decisões de DRJ que versem sobre PIS/Pasep, Cofins,Finsocial, IPI, CPMF, IOF, CIDE, II e IE, limitados a R$ 1.000.000,00. Ademais, segundo os arts. 46 e 47 do RICARF, os processos devem ser sorteados e distribuídos segundo critérios de prioridade e observada a competência da turma de julgamento. Destaco essas regras regimentais para ilustrar a impossibilidade de atendimento do pedido. Preliminar de decadência/prescrição A controvérsia, reeditada no presente recurso voluntário, versa, preliminarmente, sobre o prazo prescricional/decadencial, fundamentado no art. 165, I, e 168, I do Código Tributário Nacional, que recebeu reforço interpretativo dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005. Acerca desse prazo, existe decisão da Corte Superior de Justiça aplicando temporalmente a tese da contagem em cinco anos após o prazo de outros cinco anos para a homologação da atividade do contribuinte de apurar e pagar os tributos devidos, estes tendo como início a extinção do crédito tributário pelo pagamento. A matéria encontrase todavia submetida a julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Disso haveria de decorrer a incidência, ao caso, do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, verbis: Art. 62A. [...] Fl. 142DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 13851.000706/200515 Acórdão n.º 380302.246 S3TE03 Fl. 1.323 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Contudo, a matéria de fundo – a necessidade de liquidez e certeza do crédito objeto do pedido – tem sido reiteradamente apreciada por esta 3ª Turma, de forma que entendo que o exame da preliminar pode ser superado, para enfrentamento direto do mérito. Mérito – comprovação do indébito Foi registrado no Despacho Decisório a falta de instrução do pedido de restituição relativamente a documentação que comprovasse a liquidez e certeza de seu crédito. Para atender a esse registro, o interessado junto, em sua Manifestação de Inconformidade, documentos dos registros contábeis, referentes a: a) E. JOHNSTON PARTICIPAÇÕES LTDA, empresa inscrita no CNPJ sob nº 52.542.255/000180, incorporada pela requerente em 05/12/2005; b) DIRBANCO ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES SA, inscrita no CNPJ sob nº 59.527.580/000112, também incorporada pela requerente em 29/01/2001, e; c) BRASIL WARRANT ADM. DE BENS E EMPRES. LTDA, inscrita no CNPJ sob nº 33.744.277/000188 que, conforme pesquisa no sistema CNPJ, fls 85, está Ativa. A decisão a quo julgou que tais documentos não comprovam o indébito por pagamento a maior de Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ nº 62.355.698/000115, razão pela qual decidiu não serem tais documentos hábeis e idôneos para a comprovação da liquidez e certeza do suposto crédito objeto do pedido de restituição, condição essencial conforme o disposto no art. 170 do CTN. A propósito do assunto, destaco inicialmente que o recurso voluntário nada opôs a tal conclusão, razão pela qual a tenho como correta. Conclusão Com essas considerações, em face da falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de restituição, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 9 de novembro de 2011 Alexandre Kern Fl. 143DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13851.000706/200515 Interessada: E. JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.246, de 9 de novembro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 9 de novembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 144DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10920.721527/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006, 2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PERÍODOS POSTERIORES. LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO.
Tendo contribuinte sido excluído do Simples, correto o lançamento do IRPJ de períodos posteriores, com o devido abatimento dos valores recolhidos pelo Simples, pelo lucro arbitrado nos períodos cuja escrituração não foi apresentada.
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1301-006.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Taranto Malheiros, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso, Giovana Pereira de Paiva Leite (Presidente).
Nome do relator: ILIANA ZAVALA DAVALOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Presidente (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Taranto Malheiros, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso, Giovana Pereira de Paiva Leite (Presidente).
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PERÍODOS POSTERIORES. LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO. Tendo contribuinte sido excluído do Simples, correto o lançamento do IRPJ de períodos posteriores, com o devido abatimento dos valores recolhidos pelo Simples, pelo lucro arbitrado nos períodos cuja escrituração não foi apresentada. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite - Presidente (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Taranto Malheiros, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso, Giovana Pereira de Paiva Leite (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 15 27 /2 01 1- 12 Fl. 416DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão 06-48.477 - 2ª Turma da DRJ/CTA (e-fls. 359 e ss), que decidiu julgar procedente em parte a impugnação apresentada para afastar as preliminares de nulidade, reconhecer a decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL do primeiro e segundo trimestres de 2006 e de PIS e Cofins dos períodos 01/2006 a 07/2006, e, no mérito, julgar procedentes os demais lançamentos, para manter as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, todos com respectivas multas e juros de mora. Peço a devida vênia para reproduzir o relatório constante da decisão da DRJ, que bem descreve os fatos e argumentos apresentados pelas partes (e-fls. 359 e ss): Trata o processo de autos de infração do IRPJ e reflexos, dos anos calendários 2006 e 2007. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 111/126) exige o recolhimento de R$ 19.963,99 de imposto e R$ 14.973,01 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 175/178: Resultados escriturados e não declarados: no período de 06/2007. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 249 inciso II, e 841 inciso III do RIR/1999. Multa de 75%; Receitas da atividade. Receita bruta na revenda de mercadoria: nos períodos de 01/2006 a 12/2006. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 532 do RIR/1999. Multa de 75%; Receitas da atividade. Outras receitas da atividade: nos períodos de 01/2006 a 12/2006. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 532 do RIR/1999. Multa de 75%; 3. O auto de infração de CSLL (fls. 127/141) exige o recolhimento de R$ 13.407,58 de contribuição e R$ 10.055,69 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 175/178: Resultados não declarados: no período de 06/2007. Enquadramento legal nos arts. 2° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Multa de 75%; CSLL sobre receitas escrituradas e não declaradas: no período de 01/2006 a 12/2006. Enquadramento legal nos arts. 2° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Multa de 75%; 4. O auto de infração do PIS (fls. 142/157) exige o recolhimento de R$ 9.644,36 (código 6656) e R$ 8.263,70 (código 2986) de contribuição e R$ 7.233,28 (código 6656) e R$ 6.197,78 (código 2986) de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 175/178: Insuficiência cumulativa padrão. Insuficiência de recolhimento do PIS: nos períodos de 01/2006 a 12/2006. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9° da Lei nº 9.715, de 25 de Fl. 417DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 novembro de 1998; arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Multa de 75%; Insuficiência não cumulativa padrão. Insuficiência de recolhimento do PIS: nos períodos de 01/2006 a 12/2006. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 1°, 2°, 3° e 4° da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Multa de 75%; 5. O auto de infração da Cofins (fls. 158/174) exige o recolhimento de R$ 36.296,07 (código 2960) e R$ 44.471,55 (código 5477) de contribuição e R$ 27.222,07 (código 2960) e R$ 33.353,67 (código 5477) de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 175/178: Insuficiência cumulativa padrão. Insuficiência de recolhimento da Cofins: nos períodos de 01/2006 a 12/2006. Enquadramento legal no art. 8° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Multa de 75%. Insuficiência não cumulativa padrão. Insuficiência de recolhimento da Cofins: nos períodos de 01/2006 a 12/2006. Enquadramento legal nos art. 1° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 1°, 3° e 5° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Multa de 75%; 6. Cientificado dos autos de infração do IRPJ e reflexos em 24/08/2011, conforme fls. 111, 127, 143 e 159, tempestivamente, em 21/09/2011, o contribuinte encaminhou a impugnação de fls. 185/196, 227/238, 268/280 e 310/321, acompanhada dos documentos de fls. 197/226, 239/267, 281/309 322/352, que se resume a seguir: PRELIMINAR. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - ULTRAPASSADO O PRAZO DE CONCLUSÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL-VÍCIO FORMAL a. Observa que o mandado de procedimento fiscal n° 0920200.2010.01299, que deu origem ao presente auto de infração, foi expedido em 23/09/2010, sendo que a data de início do Procedimento fiscal ocorreu em 29/10/2010. Conforme consta do mandado de procedimento fiscal, o prazo para conclusão do referido mandado se encerrava em 21/01/2011, tendo sido somente concluído em data de 12/08/2011, e a empresa cientificada no presente auto de infração em 23/08/2011; b. Lembra que o prazo para conclusão do procedimento fiscal se encerrou em 21/01/2011, e o presente auto de infração somente foi lavrado em 12/08/2011, e do qual a Requerente somente teve conhecimento em 23/08/2011, ou seja, após o prazo legal estabelecido para sua conclusão. Pelo exposto, observa-se que não foi respeitado o prazo previsto para conclusão do mandado de procedimento fiscal, assim sendo deve ser declarada a nulidade do procedimento fiscal, bem como do auto de infração lavrado, tendo em vista que foi ultrapassado o prazo fixado para conclusão do procedimento fiscal, assim como foi ultrapassado o prazo legal de 120 (cento e vinte dias), conforme estabelecido no artigo 11, inciso I, da Portaria 11.371/2007 o que constitui vício formal, diante da inobservância do princípio da Legalidade; c. Cita o art. 142 do CTN, que estabelece que a atividade administrativa de lançamento, é vinculada e obrigatória, ou seja, deve observar os princípios legais estabelecidos; d. Cita doutrina e jurisprudência do CARF; e. Conclui que, no presente caso descumprido o prazo previsto em norma legal para conclusão do procedimento fiscal, ao qual estão sujeitos os agentes fiscais, e o desrespeito do referido prazo constitui infração ao disposto no artigo 142 do CTN, bem Fl. 418DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 como ao artigo 37 da CF/88, sendo o ato praticado eivado de ilegalidade, e nulo de pleno direito por constituir vício formal. Diante do descumprimento do prazo previsto na Portaria 11.371, deve ser declarada a nulidade do mandado de procedimento fiscal, bem como do auto de infração resultante dele, devendo assim ser determinado o cancelamento da multa aplicadas contra a ora Impugnante, por vício formal; DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - VÍCIO DO AUTO DE INFRAÇÃO - FALTA DE DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO - VIOLAÇÃO DO ARTIGO 10 DO DECRETO 70.235/72 f. Observa que o auto de infração não atende ao disposto no artigo 10 do Decreto 70.235/72, uma vez que não apresenta a descrição dos fatos que deram origem ao auto de infração. Cita o artigo 10 do Decreto, que dispõe, sobre quais os elementos devem constar no auto de infração, para sua validade e regularidade; g. Entende que os requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72, são requisitos essenciais para validade e regularidade do auto de infração. Conforme se observa do auto de infração cuja cópia segue em anexo, não existe a descrição do fato que deu origem ao auto em questão, para justificar a lavratura do auto de infração e a constituição do crédito. Pelo exposto, verifica-se que o auto de infração em questão não atende ao disposto no artigo 10, ou seja, não traz a descrição do fato alegado como violado, devendo assim ser declarado o vício formal do referido auto de infração, e por consequência do crédito consolidado, não podendo a empresa Impugnante ser compelida ao pagamento do valor descrito no auto de infração; h. Cita decisão do CARF; NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA -VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUICIONAL DA AMPLA DEFESA i. Reclama que o agente fiscal ao ter lavrado o auto de infração, sem observar ao disposto no artigo 10 do Decreto 70.235/72, em virtude da falta de descrição dos fatos, a referida nulidade acarreta ainda o cerceamento de defesa da empresa Impugnante, ocorrendo assim violação ao principio constitucional da ampla defesa, o que também se constitui em uma nulidade, que deve ser observada e declarada. Pelo exposto, deve ser declarada a nulidade do auto de infração, tendo em vista o cerceamento de defesa, impossibilidade do da ampla defesa, já que a Impugnante não pode aduzir sua defesa, pela falta de descrição dos fatos e da capitulação legal para lavratura do auto de infração em questão; DA DECADÊNCIA j. Aduz que deve ser declarada a decadência de alguns dos créditos constituídos através do presente auto de infração, tendo em vista que o auto de infração somente foi lavrado em data de 12/08/2011, e o prazo decadencial para a constituição do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN, contando-se o prazo de 05 (cinco) anos a partir do fato gerador. Pelo exposto, ao imposto de renda cujos fatos geradores do período de apuração 01/01/2006 até 31/03/2006 e de 01/04/2006 até 30/06/2006, e foram incluídas no presente auto de infração não podem prevalecer, assim sendo deve ser reconhecida a decadência do direito de constituição do mesmo, tendo em vista que o auto de infração em questão somente foi lavrado em data de 12/08/2011; k. Cita decisão do CARF; NO MÉRITO l. Narra que a Impugnante foi em data de 23/08/2011 intimada quanto ao auto de infração em questão, onde é reclamado o pagamento da importância de R$ 45.446,56 (quarenta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e cinquenta e seis centavos), a Fl. 419DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em virtude das nulidades anteriormente arguidas deve ser o presente auto de infração cancelado; m. Afirma que há de ser observada a necessidade da declaração das decadência do imposto de renda pessoa jurídica relativo aos fatos geradores relativos ao período de apuração 01/01/2006 até 31/03/2006 e de 01/04/2006 até 30/06/2006, os valores ali descritos, assim como as multas e juros deverão ser readequados, ou seja, excluídos do valor devido; n. Acrescenta que também não pode prevalecer a multa de ofício aplicada em 75%, contra a Impugnante, devendo a multa em questão ser excluída em sua integralidade ou reduzida para o percentual de 20%, ou seja, deve ser aplicada no presente caso a multa de mora (falta de pagamento), e não a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, uma vez que a presente autuação é decorrente da exclusão da Impugnante do SIMPLES, conforme processo administrativo n° 10920.001069/2007-15; o. Esclarece que a Impugnante havia optado pelo SIMPLES em 01/01/1997, sem qualquer oposição da Receita Federal, que acatou a opção pelo SIMPLES, se somente após passados mais de 05 (cinco) anos revisou a opção, o que acabou resultando na exclusão da Impugnante do SIMPLES. A Impugnante quando da opção pelo SIMPLES agiu de forma regular, e acreditava assim ter agido, uma vez que a sua opção havia sido deferida pela Receita Federal do Brasil, que se manteve inerte até o processo de exclusão do SIMPLES. Esse fato demonstra, que a multa de ofício não pode ser aplicada em 75% no presente caso, devendo a mesma ser afastada em sua integralidade, ou caso assim não entenda a mesma deverá ser reduzida, ou seja, deverá ser aplicada no presente caso a multa de 20% (multa de mora), tendo em vista que não foi a intenção da Impugnante infringir qualquer disposição legal, uma vez que a Impugnante acreditava estar regular com sua opção pelo SIMPLES, tendo em vista a confirmação pela Receita Federal da referida opção. A falta de pagamento dos impostos devidos pela Impugnante, se deu não por vontade dela, mas, pelo fato de ter sido acatada a opção pelo SIMPLES, sem qualquer oposição da Receita Federal, o que a induziu em erro, e por consequência gerou o recolhimento a menor ou o não recolhimento de todos os tributos devidos; PEDIDOS FINAIS p. Ao final, requer: i) que seja declarada a nulidade do presente auto de infração, tendo em vista a existência de vício formal, uma vez que ultrapassado o prazo legal para apuração do Mandado de Procedimento de Fiscalização, além da inobservância do disposto no artigo 10 do Decreto 70235/72, e do cerceamento de defesa, conforme anteriormente exposto; ii) que seja reconhecida a decadência do imposto de renda pessoa jurídica referente aos fatos geradores do período de apuração 01/01/2006 até 31/03/2006 e de 01/04/2006 até 30/06/2006; iii) que no mérito, caso ultrapassada a preliminar arguida, o que fazemos somente a título de argumentação, que seja julgado na sua totalidade procedente a presente impugnação, determinando-se o cancelamento do auto de infração contra a Impugnante, pelos fundamentos de fato e de direito que foram anteriormente expostos, devendo ser atribuído efeito suspensivo a presente impugnação; iv) requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas. 7. O contribuinte anexou impugnação separadamente para as contribuições da CSLL, PIS e Cofins, em teor semelhante ao do IRPJ, acima resumido. 8. É o relatório. A primeira instância (acórdão 06-48.477 - 2ª Turma da DRJ/CTA, e-fls. 359 e ss) julgou procedente em parte a impugnação apresentada para afastar as preliminares de nulidade, Fl. 420DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 reconhecer a decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL do primeiro e segundo trimestres de 2006 e de PIS e Cofins dos períodos 01/2006 a 07/2006, e, no mérito, julgar procedentes os demais lançamentos, para manter as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, todos com respectivas multas e juros de mora: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007 NULIDADE. VENCIMENTO DO PRAZO DO MPF. FALTA DE DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. É infundada a argüição de nulidade dos lançamentos, sob alegação de vencimento do prazo de validade do MPF, quando nele constam prorrogações anteriores à data da ciência do auto de infração, ou por falta de descrição da infração, quando esta consta no Termo de Verificação Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a legalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. DECADÊNCIA. INFRAÇÃO APURADA COM MULTA DE 75%. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, em que a infração é apurada sem constatação de dolo, fraude ou simulação, e havendo pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial conta-se a partir da ocorrência do fato gerador, devendo ser canceladas as exigências de períodos anteriores a cinco anos da ciência do auto de infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PERÍODOS POSTERIORES. LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO. Tendo contribuinte sido excluído do Simples, correto o lançamento do IRPJ de períodos posteriores, com o devido abatimento dos valores recolhidos pelo Simples, pelo lucro arbitrado nos períodos cuja escrituração não foi apresentada. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/09/2014 (e-fl 374) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 01/10/2014 (e-fl 406), em que repete os argumentos da impugnação. Fl. 421DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Trata o processo de autos de infração do IRPJ e reflexos, dos anos calendários 2006 e 2007. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as infrações relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 175/178: apuração indevida pelo Simples mesmo após a exclusão da interessada do regime simplificado e arbitramento do lucro, tendo-se em vista que a Recorrente não dispunha de escrituração contábil que permitisse a apuração do lucro real. A primeira instância (acórdão 06-48.477 - 2ª Turma da DRJ/CTA, e-fls. 359 e ss) julgou procedente em parte a impugnação apresentada para afastar as preliminares de nulidade, reconhecer a decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL do primeiro e segundo trimestres de 2006 e de PIS e Cofins dos períodos 01/2006 a 07/2006, e, no mérito, julgar procedentes os demais lançamentos, para manter as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, todos com respectivas multas (75%) e juros de mora, conforme razões trazidas no acórdão recorrido, que abaixo reproduzo como razões de decidir por concordar integralmente (art. 57, § 3° do Ricarf): Preliminar. Nulidade. 10. Preliminarmente, a impugnante pede a nulidade dos lançamentos por: i) vício formal, já que que o prazo para conclusão do MPF se encerrou em 21/01/2011, e os autos de infração somente foram cientificados 23/08/2011; ii) foi ultrapassado o prazo legal de 120 dias, conforme estabelecido no artigo 11, inciso I, da Portaria 11.371/2007; iii) falta de descrição da infração, em violação ao art. 10 do PAF; iv) cerceamento do direito de defesa, por falta de descrição dos fatos. 11. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifou-se). 12. Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o despacho decisório um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no despacho decisório não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo Fl. 422DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 13. No caso em tela, não procede a alegação da impugnante, de que o prazo previsto para conclusão do mandado de procedimento fiscal não teria sido respeitado. É verdade que o prazo inicial para conclusão do procedimento fiscal era 21/01/2011, conforme cópia do MPF que anexei às fls. 357/358. No entanto, no mesmo documento constam as seguintes datas de prorrogações de encerramento: 22/03/2011, 21/05/2011, 20/07/2011 e 18/09/2011. Como a ciência dos autos de infração deu-se em 23/08/2011, não houve nenhuma irregularidade quanto ao prazo de validade do MPF. 14. Quanto ao prazo legal de 120 dias estabelecido no artigo 11, inciso I, da Portaria 11.371/2007, tem-se que o art. 12 do mesmo instrumento legislativo ressalva a possibilidade de prorrogação, tantas vezes quantas necessárias: Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: II - sessenta dias, no caso de MPF-D. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. 15. A reclamação de falta de descrição das infrações não procede, já que a fiscalização cuidou de justificá-las no Termo de Verificação Fiscal de fls. 175/178, sendo portanto infundada a alegação de cerceamento do direito de defesa. Prejudicial de mérito. Decadência. 16. Ainda em preliminares, a litigante argüi o transcurso da decadência, para os lançamentos com fatos geradores anteriores a 30/06/2006, tendo em conta a regra do § 4º do artigo 150 do CTN e a data de lavratura dos lançamentos (12/08/2011). 17. Tem razão a impugnante. 18. A modalidade de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, opera- se pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a decadência opera-se em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo disposição do § 4º do mesmo artigo, nos seguintes termos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ................................................................................................................... § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 19. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto pelo sujeito passivo, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, Fl. 423DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. No caso, o contribuinte era optante do Simples mas foi excluído por meio de Ato Declaratório de Exclusão n° 555.104, de 02/08/2004, discutido no processo n° 10920.001069/2007-15. A empresa efetuou pagamentos pelo regime do Simples, os quais foram inclusive abatidos pela autoridade fiscal, conforme demonstrativos de fls. 177/178. Além disso, todas as exigências foram lavradas com multa de ofício de 75% e não consta nenhuma acusação de prática de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado a partir do fato gerador. 20. Como a ciência dos autos de infração deu-se em 24/08/2011, deve ser reconhecida a decadência em relação às exigências de IRPJ e CSLL do primeiro e segundo trimestres de 2006, e às exigências de PIS e Cofins dos períodos 01/2006 a 07/2006. 21. Superada a prejudicial de decadência, passo a apreciar o mérito. Auto de infração. Mérito. 22. A impugnante contesta os lançamentos. Alega que não pode prevalecer a multa de ofício de 75%, contra a Impugnante, que deve ser excluída em sua integralidade ou reduzida para o percentual de 20%, que corresponde à multa de mora (falta de pagamento), uma vez que a presente autuação é decorrente da exclusão do Simples. Justifica que havia optado pelo SIMPLES em 01/01/1997, sem qualquer oposição da RFB, que acatou a opção pelo SIMPLES e somente após passados mais de 05 (cinco) anos revisou a opção, resultando na exclusão. Alega que agiu de forma regular e por isso a multa de ofício não pode ser aplicada em 75%. Acrescenta que a falta de pagamento dos impostos não se deu por sua vontade mas pelo fato de ter sido acatada a opção pelo SIMPLES, sem qualquer oposição da RFB, que a induziu em erro, e por consequência gerou o recolhimento a menor ou o não recolhimento de todos os tributos devidos. 23. O exame dos fatos indica que os lançamentos devem ser mantidos. 24. Os lançamentos referem-se ao ano calendário de 2006 e primeiro semestre de 2007. A fiscalização constatou que neste período o contribuinte continuou apurando seus tributos pelo Simples, apesar de ter sido excluído desse regime, pelo Ato Declaratório de Exclusão n° 555.104, lavrado em 02/08/2004, com efeitos a partir de 01/01/2002, discutido no processo n° 10920.001069/2007-15. 25. Houve manifestação de inconformidade contra o ADE, que foi julgada improcedente por esta DRJ/Curitiba, pelo acórdão n° 06-24.728, de 03/12/2009, cujas ementas se transcrevem a seguir. O processo encontra-se arquivado desde 14/09/2011 e não consta decisão de segunda instância, de sorte que a exclusão é definitiva na esfera administrativa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Ano-calendário: 2002 ATIVIDADE VEDADA O exercício de atividades complementares à construção civil impede a permanência no Simples. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Fl. 424DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 OBRIGAÇÕES APÓS A EXCLUSÃO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DOUTRINA. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois, não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem crédito em litígio 26. Para o ano de 2006 o lucro foi arbitrado, com base nas receitas declaradas na Declaração Simplificada, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar a escrituração completa, incluindo o Lalur, situação esta que autoriza o arbitramento com fulcro no art. 530 inciso III do RIR/99. Para o ano de 2007 os lançamentos foram feitos com base nos livros contábeis e planilha de apuração do PIS e Cofins. Os recolhimentos do Simples foram abatidos das exigências. 27. A multa de ofício de 75% foi corretamente exigida, eis que ela deve ser acompanhada dos tributos exigidos mediante lançamento de ofício, sendo que sua previsão legal encontra-se disciplinada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, que inclusive teve sua redação alterada no decorrer do período fiscalizado. E não existe previsão alguma para redução da multa para 20% e muito menos para sua exclusão. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) 28. Por todo o exposto, julgo procedentes as exigências de IRPJ, como exceção das parcelas decaídas, assim como as das contribuições da CSLL, PIS e Cofins, sob os mesmos fundamentos, já que decorrem dos mesmos fatos. CONCLUSÃO. 29. À vista do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares de nulidade, reconhecer a decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL do primeiro e segundo trimestres de 2006 e de PIS e Cofins dos períodos 01/2006 a 07/2006, e, no mérito, julgar procedentes os demais lançamentos, para manter as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, todos com respectivas multas e juros de mora. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 425DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-006.286 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721527/2011-12 (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 426DF CARF MF Original
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