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Numero do processo: 16095.000189/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
COOPERATIVA. REMUNERAÇÃO PAGA AO COOPERADO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
Sobre a remuneração paga e/ou creditada, pela cooperativa ao cooperado - contribuinte individual - incide contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento desta, na forma e no prazo estabelecidos em lei.
COOPERATIVA. VENDA DE PRODUTO NÃO É ATO COOPERATIVO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. VALOR PAGO A OUTRA COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
A venda de produto a terceiros por uma cooperativa não se constitui ato cooperativo e, por conseguinte, a mesma equipara-se à empresa no que se refere às obrigações previdenciárias. Assim, sobre o valor dos serviços pago e/ou creditado pela cooperativa a uma outra cooperativa, incide a contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento dessa contribuição, na forma e no prazo estabelecidos em lei.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe reconhecer e declarar, no âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais assim não declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes, nem reconhecido pela Chefia do Poder.
Numero da decisão: 2301-004.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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REMUNERAÇÃO PAGA AO COOPERADO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Sobre a remuneração paga e/ou creditada, pela cooperativa ao cooperado contribuinte individual incide contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento desta, na forma e no prazo estabelecidos em lei. COOPERATIVA. VENDA DE PRODUTO NÃO É ATO COOPERATIVO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. VALOR PAGO A OUTRA COOPERATIVA PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A venda de produto a terceiros por uma cooperativa não se constitui ato cooperativo e, por conseguinte, a mesma equiparase à empresa no que se refere às obrigações previdenciárias. Assim, sobre o valor dos serviços pago e/ou creditado pela cooperativa a uma outra cooperativa, incide a contribuição previdenciária. Pelo que a cooperativa está obrigada ao recolhimento dessa contribuição, na forma e no prazo estabelecidos em lei. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 89 /2 00 9- 13 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. Descabe reconhecer e declarar, no âmbito administrativo, a inconstitucionalidade de dispositivos legais assim não declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes, nem reconhecido pela Chefia do Poder. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 400 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal com ciência em 23/11/2011 por omissão de fatos geradores em GFIP. O processo mantém conexão com o processo principal nº 16095.000191/200984 e o crédito tributário decorre de desconsideração de ato cooperativo em razão da prática de suposto ato mercantil. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO INSS, POR INTERMÉDIO DA GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou inserir, na mesma Guia, dados incorretos que provoquem alteração no cálculo das contribuições devidas. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: sofreu fiscalização que culminou na lavratura de Auto de Infração, subscrito pela fiscal de rendas Sra. Maria Teresa Malvadosi; ao contrário do asseverado pela fiscal, é a cooperativa que presta serviços aos seus associados, por expressa disposição de lei, no caso, artigos 4º e 7º da Lei n° 5.764/71; sua federação FETRABALHO efetuou consulta perante a Gerência Executiva São Paulo Sul do INSS (doe. 09), a qual reconheceu A NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PELA COTA PATRONAL DA COOPERATIVA DE PRODUÇÃO, e reconheceu, também, A NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA COTA PATRONAL SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS PRA TICADOS ENTRE COOPERATIVAS ASSOCIADAS; o Manual da GFIP/SEFIP 8.4 não distingue cooperativa de produção da cooperativa de trabalho, sendo que o subitem 4.3.2 do Capítulo II desse Manual diz claramente como proceder; se fosse para aplicar a correta classificação do cooperado, deveria ser o código 25, uma vez que não há quota patronal; o valor da multa está incorreto, uma vez que está embasado em artigo revogado (art. 32, § 5 o , da Lei n° 8.212/1991); Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 o valor correto da multa é de R$ 500,00, conforme inciso II do § 3 o do art. 32A da Lei n° 8.212/1991, em aplicação da retroatividade mais benigna; e R$ 377.909,53. E também que pratica ato mercantil que implique afastarse suas atividades do conceito de ato cooperativo. No caso, sustenta que presta serviço na produção de papelão ondulado e caixas de papelão sobre matériaprima fornecida pelo encomendante. Todos que participam da produção são cooperados, remunerados pelo rateio proporcionalmente ao serviço prestado por cada um. A cooperativa seria um meio para a prática do ato cooperativo e não o contrário. A recorrente junta vários documentos para demonstrar suas alegações, dentre os quais o contrato para regular a facção de produtos com a empresa industrial e comercial Casablanca Indústria e Comércio de Embalagens Ltda, fls. 722. O julgamento foi convertido em diligência para que se fossem esclarecidas as operações realizadas pela recorrente à luz dos documentos juntados. Segue transcrição da resolução: Antes do exame das questões preliminares e de mérito, é necessário que se esclareça um fato importante para o julgamento. É que a definição de ato cooperativo e sua aplicação ou não ao presente caso tem estreita relação com os fundamentos a serem adotados e a correspondente conclusão. ... Para demonstrar suas alegações, a recorrente trouxe aos autos documentos que esclarecem a natureza das prestação de serviços, sobretudo a comprovação de fornecimento de matéria prima pelo encomendante, fls. 682 (ilustração representativa das operações), fls. 722 e seguintes (contrato de encomenda com fornecimento de matériaprima). Assim, para melhor compreensão dos fatos, penso ser cabível uma diligência, a fim de que a fiscalização explique detalhadamente as operações realizadas pela recorrente, a fim de justificar sua conclusão acerca da ausência de ato cooperativo: Ocorre que, conforme já demonstramos alhures, a Autuada pratica atos não cooperativos, consistentes na venda de produtos. E, que, por via de conseqüência, o reconhecimento de que fala a Autuada não alcança os valores pagos pelos serviços prestados por outra cooperativa. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias sobre o relatório conclusivo a ser redigido pela fiscalização. O relatório de diligência afirma que a suposta cooperativa de trabalho sequer emite nota fiscal de serviço contra clientes. O que se constata é que de fato seria uma cooperativa de produção e venda de produtos, fls. 792 e seguintes. O recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência. É o Relatório. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 401 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Das preliminares Quanto aos requisitos formais O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao mérito De fato, tanto no procedimento fiscal quanto na diligência que o sucedeu ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente se confunde com o conceito de cooperativa de trabalho. Não é a utilização como mão de obra de pessoas Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 402 7 organizadas em cooperativa que a caracteriza como cooperativa de trabalho, mas a natureza de sua atividade perante terceiros. Melhor dizendo, será cooperativa de trabalho quando a entidade presta serviços para seus clientes por intermédio de cooperados. Quando sua atividade é a fabricação própria ainda que de produtos por encomenda acompanhada do fornecimento de matériaprima se trata de cooperativa de produção e não de cooperativa de trabalho como deseja o recorrente ser tratado para fins de tributação. E ainda assim, o parágrafo único do artigo 79 da Lei 5.764, de 16/12/1971 afasta do conceito de ato cooperativo as operações de compra e venda de mercadorias e produtos: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Contudo, verifico que a recorrente contrata serviço de cooperativas de trabalho. De acordo com às fls. 112 a 116 e 382 foram lançadas contribuições relativas aos cooperados na condição de contribuintes individuais e sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho COOPERMAX e COOPERNAT. Quanto à esta última parte do lançamento, ou seja, contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF proferida na sessão de 18/12/2014 no sentido de declarála inconstitucional: 25/02/2015,Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015 ... EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 595.838 EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário.Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. De acordo com o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 devem ser reproduzidas pelas turmas do CARF: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, tendo se tornado definitiva a decisão do STF resta a esta turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. A multa relativa esta parte deve ser excluída da autuação. Quanto à multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 403 9 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 404 11 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 405 13 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 406 15 Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Quanto ao juros pela SELIC Ressaltase que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18 082011 EMENT VOL0256802 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. No mais, a recorrente insurgese contra a cobrança em tese da exação – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16095.000189/200913 Acórdão n.º 2301004.448 S2C3T1 Fl. 407 17 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da parte relativa aos serviços contratados de cooperativa de trabalho e, quanto ao remanescente, a retroatividade benéfica nos termos acima. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003847/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. IPI.
Inexistindo o lançamento por homologação, por se tratar de débito não declarado, nem recolhido, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN.
DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI.
É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos à insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Súmulas CARF nºs 18 e 20.
Recurso Voluntário Improvido
Numero da decisão: 3402-003.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator
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IPI. Inexistindo o lançamento por homologação, por se tratar de débito não declarado, nem recolhido, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos à insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Súmulas CARF nºs 18 e 20. Recurso Voluntário Improvido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 47 /2 00 9- 04 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de constante dos autos emanados da decisão DRJ/RPO, fls. 222 versos, por meio do voto do relator Marcelo Eduardo Barreto Mayr, nos seguintes termos: “Trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituir o IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos inexistentes, conforme a legislação do imposto, decorrentes da aquisição de insumos não onerados pelo tributo (produtos classificados na TIPI como de alíquota 0% ou NT), tampouco existindo qualquer concessão de liminar ou tutela antecipada concedida pelo Poder Judiciário que ampare tal pretensão. Por conseguinte, é exigido do contribuinte o crédito tributário montante em R$ 14.127.743,45, inclusos juros e multa de ofício, conforme descrito no Termo de fls. 140/150. Em sua impugnação (fls. 157/168), o contribuinte alega que teria ocorrido a decadência de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, conforme § 40 do art. 150 do CTN e que, no mérito, o creditamento estaria amparado pelo princípio constitucional da não cumulatividade e que o processo administrativo deveria ser suspenso até a deliberação definitiva no C. STF, quanto à repercussão do RE n° 590.809. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1427.238 de fls.222 que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. IPI. Inexistindo o lançamento por homologação, por se tratar de débito não declarado, nem recolhido, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos à insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF, fls. 230 a 246 onde repete as suas alegações apresentadas na sua impugnação e requer ao final o seguinte: 1) Seja reconhecida a consumação da decadência em relação às competências discriminadas e nos termos pleiteados, haja vista transcurso Fl. 365DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13888.003847/200904 Acórdão n.º 3402003.027 S3C4T2 Fl. 3 3 do tempo previsto no artigo 150 parágrafos 4º do CTN, conforme fundamentado. 2) Independentemente da consumação de decadência, requer seja reconhecida a insubsistência do Auto de Infração lavrado, com o seu consequente CANCELAMENTO, tendo em vista que a impugnante é detentora do direito ao aproveitamento dos créditos de IPI glosados pela autoridade fiscal. A procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões em 31/01/2011 para refutar as alegações da recorrente e requerer seja negado provimento ao recurso interposto, conforme razões acima suscitadas, para manter a decisão proferida em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Conforme o relatado, trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituir o IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos inexistentes, conforme a legislação do imposto, decorrentes da aquisição de insumos não onerados pelo tributo (produtos classificados na TIPI como de alíquota 0% ou NT), tampouco existindo qualquer concessão de liminar ou tutela antecipada concedida pelo Poder Judiciário que ampare tal pretensão. Por conseguinte, é exigido do contribuinte o crédito tributário montante em R$ 14.127.743,45, inclusos juros e multa de ofício, conforme descrito no Termo de fls. 140/150. O voto condutor da decisão recorrida, enfrentou muito bem cada argumento da Impugnação que são os mesmos do Recurso Voluntário para concluir pela improcedência da mesma e manter o crédito tributário exigido no AI e que corroboro acrescentando as súmulas do CARF de nº 18 e 20, também, como razões de decidir. “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. ” “Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Também, em sede de Recurso Voluntário cabe enfrentar a preliminar de decadência arguida pela Recorrente e nesse ponto passo ao meu entendimento sobre o assunto: A respeito da alegação de decadência parcial, importa destacar que venho entendendo da mesma forma do voto condutor da decisão recorrida, se houve pagamento aplicase o artigo 150 § 4º, se não houve pagamento, aplicase o art. 173, I do CTN. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Também, dizem os artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Cabe destacar que a decadência tributária é o prazo oponível ao Fisco, isso porque se a Fazenda perder o prazo quinquenal, arruinará seu direito de rever o pagamento da obrigação tributária. Acontece que o CTN aduz algumas peculiaridades quanto ao início da contagem do prazo decadencial, sendo este o cerne do estudo. Para isso, salientamos a primeira hipótese que é aquela em que a contribuinte paga de logo o tributo, mas que posteriormente, o Fisco verifica que o pagamento foi aquém do devido. Sem dúvida o contribuinte gozará dos efeitos do pagamento adiantado, entretanto quando o Fisco descobrir que não foi integral, revogará todos os efeitos benevolentes ao sujeito passivo e lançará a obrigação tributária (valor restante), constituindo o crédito tributário, recaindo assim na execução fiscal. Isso se trata da antecipação de pagamento do tributo. Como visto no artigo 150, §4° do CTN: Necessário ressaltar que, conforme o parágrafo 4° do aludido artigo, se a Fazenda Pública não usar do seu direito de lançar dentro do quinquênio contados a partir do fato gerador, o crédito restará extinto, segundo o Art. 156, V, do CTN. Agora, se porventura, Fl. 367DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13888.003847/200904 Acórdão n.º 3402003.027 S3C4T2 Fl. 4 5 for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, não será aplicado o Art. 150 §4° do CTN, mas sim o Art. 173, I do CTN. “O direito de o Fisco rever o lançamento do sujeito passivo, e, em consequência, exigir diferença e, ou suplementação do tributo, ou, ainda, aplicar penalidade, salvo caso de dolo, fraude ou simulação, caduca em 5 anos, reservado à Lei do Poder tributante fixar outro prazo menor. Se esgotarse o prazo, há decadência do direito de revisão por parte do Fisco, considerandose automaticamente homologado o lançamento em que se baseou o sujeito passivo para efetuar o pagamento antecipado. ” (Min. Francisco Peçanha Martins. STJ. REsp 132.329/SP) Diferentemente, do Art. 150 § 4° do CTN, no artigo 173, § I, há o elastecimento do prazo, pois sua contagem se dá em momento posterior, somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sendo assim, a aplicação deste cânon seria prejudicial ao contribuinte, tendo em vista haver um lapso maior para decair o direito do Fisco em lançar a obrigação tributária. Ora, como se pode perceber a contagem do prazo quinquenal dos dois artigos mencionados se dá de forma diversa, um começa a fluir da data do fato gerador; o outro somente no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter efetuado o lançamento. O que determina a aplicação de um ou outro é o pagamento. Assim, não há decadência a reconhecer no presente processo, tão pouco a fazer qualquer reparo na decisão recorrida em referência a hermenêutica do artigo 153, parágrafo 3º, II da Constituição Federal de que se não foi cobrado imposto nas operações anteriores, seja pela nãoincidência, isenção ou tributação à alíquota zero dos insumos, não há direito ao crédito. Isto posto, NEGO PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 368DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 20 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 11065.100835/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
null
Numero da decisão: 3301-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Os embargos só se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material, porventura, existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria julgada pelo colegiado no recurso. Embargos de declaração não conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os embargos de declaração formulados, por ausência de omissão, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Paulo Roberto Duarte Moreira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 35 /2 00 9- 77 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3301002.863 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de lançamento tributário consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon, no valor de R$ 11.821,49, referente a março de 2009, cujo prazo final era 07/08/2009, tendo sido entregue em 15/09/2009. Os presentes embargos de declaração foram opostos em face do Acórdão prolatado pela extinta 1ª Turma Especial, que manteve a exigência da multa por atraso na entrega da DACON: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado. A embargante requer o conhecimento e o provimento dos embargos de declaração, para o sobrestamento do feito até a decisão de mérito pelo STF na repercussão geral no RE 640.452, e para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro A embargante reitera o pedido de sobrestamento do feito, tendo em vista o reconhecimento em sede de repercussão geral pelo STF de tema que acredita ter influência sobre o presente caso, nos seguintes termos: Precipuamente, cumpre ressaltar a necessidade de verificação de fato capaz de modificar completamente o rumo da decisão ora embargada. Tratase da existência de Recurso Extraordinário com reconhecimento de repercussão geral em trâmite junto ao Supremo Tribunal Federal, cuja relatoria é do Ministro Roberto Barroso, que trata exatamente da mesma matéria discutida no presente Processo Administrativo Fiscal. Assim ementado o acórdão de reconhecimento da Repercussão Geral da discussão da matéria: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PUNIÇÃO APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3301002.863 S3C3T1 Fl. 12 3 INSTRUMENTAL RELACIONADO À OPERAÇÃO INDIFERENTE AO VALOR DE DÍVIDA TRIBUTÁRIA (PUNIÇÃO INDEPENDENTE DE TRIBUTO DEVIDO). "MULTA ISOLADA". CARÁTER CONFISCATÓRIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. QUADRO FÁTICOJURÍDICO ESPECÍFICO. PROPOSTA PELA EXISTÊNCIA DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL DEBATIDA. Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre o caráter confiscatório, desproporcional e irracional de multa em valor variável entre 40% e 05% aplicada à operação que não gerou débito tributário. (RE 640452 RG, RElator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 06/10/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe 232 DIVULG 06122011 PUBLIC 07122011 RT v. 101, n. 917, 2012, p. 643651). Não merece acolhida o pleito de sobrestamento, pois a Portaria n. 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, sem mesmo adentrar na similitude do tema deste processo com o da repercussão geral, o disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A não mais se aplica, ou seja, incabível o sobrestamento aqui alegado por ter sido revogado pela Portaria do MF n. 545/2013. Alega a embargante que houve omissão no acórdão citado, nos seguintes termos: Outrossim, no Recurso Voluntário apresentado foram expressamente veiculados argumentos no sentido de que o fato de não ter sido cumprida tempestivamente a obrigação acessória de apresentação da DACON não deveria ensejar a aplicação de multa. Além disso, o contribuinte elaborou argumentação no sentido de infirmar a base de cálculo da multa supostamente devida. Isso por que não é razoável que se aplique uma multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo como base de cálculo a mesma da obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal, nos casos em que a obrigação principal tenha sido devidamente cumprida. Vejase, nesse sentido, que a Embargante apresentou argumentos razoáveis e bem articulados no sentido de que a base de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória não poderia ser a mesma base de cálculo da obrigação principal. Assim, argumentou o contribuinte, em seu Recurso Voluntário. Em nenhum momento houve o descumprimento no pagamento do tributo, razão pela qual não se pode vincular uma obrigação acessória a uma obrigação principal que possui fato gerador completamente diferente. É importante deixar claro que a multa tributária é espécie de sanção fiscal oriunda de atos omissivos relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3301002.863 S3C3T1 Fl. 13 4 A norma legal estabelece que a base de cálculo para apuração da multa devida é o montante do tributo declarado, mesmo que pago integralmente. Cumpri referir que a base de cálculo é um critério ou referência para medir um fato tributário, possibilitando a quantificação da grandeza financeira. Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta. A exigência de multa pelo atraso do Dacon aplicada à embargante tem expresso fundamento legal. É o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11065.100835/200977 Acórdão n.º 3301002.863 S3C3T1 Fl. 14 5 § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” No caso concreto, é incontroverso que a DACON foi entregue em atraso, portanto, a situação fática subsumese à penalidade prevista no inciso IV, 3º do artigo 7º da Lei n. 10.426/2002. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos artigos 5º, II e 37, caput da Constituição e artigo 97 do CTN. Cumpre salientar ainda que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do Dacon, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Por isso, deve ser afastada a alegação de que "Beira ao absurdo vincular o critério material da multa a uma obrigação principal que possui o fato gerador completamente diferente da penalidade imposta." Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição, porventura, verificados na decisão recorrida, não se prestam, portanto à rediscussão da matéria decorrente de inconformismo com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido qualquer omissão, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração interpostos. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2016. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/0 3/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 11516.722854/2013-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por A. ANGELONI & CIA LTDA.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por A. ANGELONI & CIA LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
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ANGELONI & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por A. ANGELONI & CIA LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator designado, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado pela fiscalização, referente ao período de 01/2009 a 12/2012, que resultou na lavratura dos dois Autos de Infração abaixo discriminados: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 85 4/ 20 13 -8 0 Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 366 2 a) AI nº 51.012.5344, no valor de R$ 27.474.736,34, mais juros e multa de ofício, relativo à contribuição previdênciária patronal incidente sobre as remunerações pagas aos sócios, na qualidade de contribuintes individuais, em função do pagamento de juros sobre o capital próprio. b) AI nº 51.012.5342, no valor de R$ 3.420.018,23, mais juros e multa de ofício, relativo a diferença devida a título de GILRAT; De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos que motivaram as autuações foram os seguintes: Em relação ao AI 51.012.5344 relativo ao pagamento de Juros sobre o Capital Próprio JCP considerou que esses foram pagos em desacordo com a legislação em vigor, em razão de dois fatos: a) Pagamento em montante superior ao permitido: De acordo com a fiscalização verificase, conforme demonstrado nos quadros III e IV (fls. 178) que levandose em consideração a TJLP, o limite máximo a ser creditado a título de JCP seria de R$ 115.829.763,75. No entanto, a empresa pagou aos seus sócios o montante líquido de R$ 143.928.787,90, conforme constatado através da DIPJ e da DIRF; b) Os critérios utilizados para pagamento, conforme as atas constantes do Quadro V (fls. 179) foram os seguintes: b.1) aprovação da distribuição de remunerações aos sócios sob a forma de JCP; b.2) o valor pago a cada sócio seria o valor líquido após a retenção do imposto de renda na fonte; c.1) os pagamentos seriam efetuados de forma desproporcional à participação dos sócios no capital social da empresa. Em razão das referidas deliberações concluiu a autoridade fiscal que: a) no caso da deliberação “a”, ficou caracterizado que o pagamento correspondeu à remuneração”, tratandose de prólabore recebido pelos diretores, e não a juros sobre o capital próprio, conforme considerado pela ANGELONI b) no caso da deliberação “b”, tendo sido pagos os valores líquidos, para efeito de apuração de base de cálculo da contribuição previdenciária, devese acrescer o IRRF. Ainda em relação ao item “b”, com a inclusão do IRRF, os valores pagos foram superiores ao permitido pela legislação, porém, nos anos de 2009 e 2010, houve pagamento superior ao permitido independentemente de inclusão do IRRF, consoante demonstrado no Quadro VI (fls. 180); c) Finalmente, em relação à deliberação "c" a distribuição correta deveria ter observado a participação de cada quotista no capital social da empresa, consoante demonstrado no quadro VII (fls. 180), pois os sócios fundadores, Antenor e Arnaldo, que detêm apenas 0,01% do capital social, receberam o equivalente a 50,48% e 47,51%, respectivamente, enquanto que as empresas Távola Redonda e Três Ribeirões (holding’s), que detêm 50,99% e 48,99% do capital, conforme quadro VII (fls. 181) Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 367 3 Intimada a prestar esclarecimentos a empresa alegou que os sócios fundadores da empresa (Antenor e Arnaldo), por serem usufrutuários das holding´s, são detentores do direito de auferirem a percepção de lucros e juros sobre o capital próprio destas e, por via de conseqüência, da própria empresa fiscalizada. Assim, considerando que as empresa fiscalizada creditaria JCP para as holding´s, e estas, por sua vez, creditaria JCP aos sócios usufrutuários, optaram os sócios da fiscalizada por distribuir juros de forma desproporcional à participação social, conforme lhes faculta o artigo 1007 do Código Civil, combinado com a cláusula 29 do seu contrato social, evitando dupla atividade burocrática (confecção de atas, lançamentos contábeis, cumprimento de obrigações acessórias). Em relação ao AI nº 51.012.535 relativo a diferença GILRAT a fiscalização alegou que, embora a empresa tenha declarado em GFIP, de forma correta, o código CNAE e a alíquota RAT correspondente, ao preencher o campo FAP, no período de 01/2010 a 13/011, informou o coeficiente de 1,00 quando o correto seria 1,5790 para 2010 e 1,4159 para 2011, o que gerou a diferença a título de GILRAT, conforme planilha de cálculo de fls. 189/267; O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração (fls. 1.148/1.153 e 1271/1.295) alegando, resumidamente que: a) em relação AI nº 51.012.5352 (Diferença de GILRAT), nas competências 02/2010 a 12/2011, de fato, recolheu a contribuição social sem o FAP, tendo parcelado o débito correspondente e, em relação a competência 01/2010, o crédito já se encontra extinto pelo por pagamento, com a devida aplicação do FAP, conforme comprovado pelas GPS e GFIP´s em anexo. b) em relação ao AI nº 51.012.5344 (Juros sobre Capital Próprio JCP) esclarece que a própria Receita Federal, em relação ao mesmo contribuinte, fez lançamento do JCP como dividendo e, portanto, indedutível. c) que o tratamento do JPC como prólabore acarreta a possibilidade de sua dedução, o que vai de encontro a glosa contestada. d) O JCP é tratado como despesa financeira, o que seria incompatível com o conceito de remuneração. e) a situação não pode perdurar, sobretudo para o anocalendário de 2009, o qual foi objeto de duas classificações jurídicas distintas. Uma como dividendo e, portanto, indedutível na apuração do IRPJ, outra, como prólabore sujeito a contribuição previdenciária, mas, por outro lado, dedutível da base de cálculo do IRPJ. f) a autoridade fiscal apurou bases de cálculo incorreta pro dois motivos: f.1) Entendeu que o ônus do IRF não seria repassado aos sócios quando, na verdade, o agente fiscal acrescenta aos valores brutos distribuídos os valores de IRF, gerando uma duplicidade destes últimos. O quadro VI do Relatório Fiscal mostra que o valor considerado como pago a maior pela empresa se refere exatamente ao valor do IRF retido. f.2) nos anos de 2009 e 2011, o valor supostamente distribuído a maior pela empresa inclui, além do IRF em duplicidade, os montantes de JCP que deixaram de ser pagos nos anos de 2004, 2005 e 2006, procedimento que está em consonância com o Acórdão nº 1202000.766 de 08/05/2012, bem como com o RESP 1.086.752PR, de 11/03/2009, do STJ. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 368 4 Para comprovar a referida alegação junta cópia do Livro Razão, conta nº 3484 referentes aos anos de 2009 a 2012 (doc. 03), onde é possível checar a veracidade dos números informados na tabela de fls. 1.277. g) que a autoridade fiscal se utilizou da palavra "remuneração" constante dos documentos societários da empresa para concluir, por presunção, que os valores se referiam a prólabore, sem se preocupar em trazer ao lançamento uma única prova que corrobore tal entendimento. h) que o JCP possui natureza jurídica de dividendo, pelos seguintes motivos: h.1) sua distribuição depende do sucesso do empreendimento e somente os sócios fazem jus à sua percepção. h.2) de acordo com o art. 9º §1º, da Lei 9.249/95, a fonte dessa forma de remuneração é a mesma definida pelo art. 201 da Lei nº 6.404/76, a saber, o lucro líquido, lucros acumulados e reserva de lucros. Além disso, de acordo com o §7º do art. 9º da Lei nº 9.249/95, os juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica a título de JCP poderá ser imputado ao valor dos dividendos. h.3) que o RIR/99 regula a tributação do JCP dentro do capítulo referente a "rendimentos de participação societária." h.4) que o artigo 9º da Lei 9.249/95 não criou nova figura de direito privado, mas tão somente estabeleceu um regime fiscal opcional para os lucros distribuíveis pelas pessoas jurídicas e, por essa razão, a Deliberação CVM nº 207/96 previa a reversão do JCP contabilizado como despesa ou receita financeira. h.5) que tanto o CARF, no Acórdão nº 14010001.401, como a 2ª Turma do TRF da 4ª Região já reconheceram a natureza jurídica de dividendo. i) uma vez demonstrada a natureza jurídica de dividendo do JCP, a Impugnante, ora Recorrente, passa a defender legitimidade de sua distribuição desproporcional, desde que a sociedade assim delibere, pois: i.1) em nenhum momento a Lei nº 9.249/95 vinculou a base de cálculo do JCP à conta de capital dos sócios, com base em sua proporção no capital social i.2) o princípio da estrita legalidade impede as autoridades fazendárias de ampliar o escopo da norma para estabelecer restrições que não estão nela contida. i.3) que embora a regra do artigo 1007 se aplique às sociedades simples, o artigo 1.053 admite, em caso de omissão, a sua aplicação subsidiária às sociedades limitadas; j) que os valores distribuídos a título de JCP não consistem em pagamento pela prestação de serviço à empresa, não compondo a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois a distribuição de lucro é remuneração decorrente do capital investido e não rendimento do trabalho. Além disso, alega que o §9º do art. 28 da Lei 8.212/91 estabelece que a participação nos lucros e resultados não integra a base de cálculo do INSS. A Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação apresentada em decisão cuja ementa é a seguinte: Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 369 5 "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DIVIDENDOS. NATUREZAS DISTINTAS. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL. SÓCIOS DIRIGENTES. PRÓLABORE. Os juros sobre o capital próprio e os dividendos possuem naturezas jurídicas e tratamentos tributários distintos. Enquanto estes decorrem da distribuição de lucros aos sócios, aqueles representam a remuneração pelos recursos financeiros “emprestados” à empresa, constituindo despesa financeira. Os juros sobre o capital próprio é forma de remuneração pelo capital investido, motivo pelo qual os valores pagos aos sócios dirigentes da empresa a este título de forma desproporcional à participação dos mesmos no seu capital social, passa a assumir natureza jurídica de prólabore." Em seu voto, a Delegacia Regional de Julgamento DRJ reconhece a contradição entre o presente lançamento e a autuação que o mesmo contribuinte já havia sofrido em 27/06/2012, referente ao IRPJ, sob o mesmo fundamento, qual seja, distribuição desproporcional de JCP nos anoscalendários de 2007 a 2009. Conclui, no entanto, que "somente após o exaurimento da discussão na esfera administrativa é que haverá a necessidade de se compatibilizar o tratamento jurídico pagos a título de JCP aos sócios da empresa" , uma vez que, "haja vista a possibilidade de reforma das decisões proferidas em primeira instância, não há como, nessa fase processual, acolher a alegação do contribuinte de que há uma efetiva contradição na qualificação jurídica atribuída aos fatos que fundamentaram o lançamento. (fls. 1563) Em relação a natureza jurídica do JCP, a DRJ alega que eles não se confundem com dividendos, pois: a) ao contrário do que alega a Impugnante, a distribuição do JCP não depende, necessariamente, do resultado do período, uma vez que o §1º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 permite sua distribuição quando houver lucros acumulados ou reserva de lucros de períodos anteriores em montante igual ou superior ao valor de duas vezes o juros pagos ou creditados, o que demonstra que é possível a distribuição de JCP mesmo que tenha apurado prejuízo contábil. b) O JCP pode ser pago ou creditado sem prejuízo da distribuição de lucro apurado no exercício o que reforça a autonomia entre as duas espécies de remuneração de capital. c) que a sua imputação ao dividendo mínimo obrigatório, de que trata o art. 202 da Lei 6.404, de 1976, é tão somente facultada pelo §7º do art. 9º da Lei 9.249, de 1995, e, além disso, se dá sem prejuízo da retenção do imposto de renda na fonte, o que demonstra a nítida distinção entre os aludidos institutos. d) que o JCP corresponde a remuneração paga ao sócio pelo dinheiro "emprestado" por este à sociedade e, nestes termos, se trata de uma despesa financeira incorrida pela empresa, o que não se confunde, quer do ponto de vista contábil, quer do ponto de vista jurídico, com distribuição de lucro. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 370 6 e) em relação a distribuição desproporcional do JCP, alega que é uma espécie de remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência do capital por eles investido na sociedade e que, sendo assim, não há como pensar em pagamento desproporcional pagandose mais a quem investiu menos e vice versa. f) em relação ao lançamento dos valores pagos aos sócios a título de JCP como remuneração de prólabore sujeita a incidência das contribuições previdenciárias, entendeu a DRJ que o fato gerador das contribuições previdenciárias estaria configurado em razão alegação constante do item 2.2 do Relatório fiscal de que a 89º Alteração Contratual designa os sócios Antenor e Arnaldo Angeloni para ocuparem os cargos e exercerem as funções de diretores. Diante desse fato, conclui que embora estivessem sob a roupagem de juros sobre o capital próprio, os valores pagos aos sócios se destinaram, na verdade, a retribuílos pelos serviços prestados na administração da empresa. (fls. 1565/1566) g) Em relação a alegação da majoração da base de cálculo em razão da inclusão do IRF sobre os valores brutos pagos aos sócios, entendeu a DRJ que as cópias dos lançamentos efetuados nas contas "3484 CONSTAS CORRENTES DOS SÓCIOS" e "3875 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO" do Livro Razão (fls. 1360/1404), referentes aos anos de 2009 e 2010, juntadas pela defesa "embora demonstrem os valores "creditados" (despesa incorrida) aos sócios minoritários a título de JCP e o IRRF correspondente, não são hábeis a comprovar os valores efetivamente "pagos" aos mesmos. h) em relação aos valores que seriam relativos aos anos de 2004, 2005 e 2006 entendeu a DRJ que não podem ser computados para aferição dos limites de distribuição do JCP, uma vez que as referidas despesas foram incorridas somente em 2009 e 2010. i) Finalmente, em relação as alegações de que o crédito tributário constituído no AI 51.012.5352 (Diferença de GILRAT) entendeu a DRJ que, "em que pese as GFIP´s juntadas pelo contribuinte às fls. 1.217/1,270 dos autos, consultandose as informações do sistema GFIPWEB, verificase que tais documentos não constam da base de dados da Receita Federal do Brasil" e que, além disso, o contribuinte não instruiu sua peça impugnatória com os protocolos de envio das GFIP´s apresentadas nesta fase litigiosa, os quais comprovariam que aquelas informações foram, de fato, transmitidas. Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls.1570 1605) reiterando os argumentos da impugnação. Enfatiza, em particular, os seguintes aspectos: a) Diferentemente do alegado pela autoridade lançadora, os sócios Antenor e Arnaldo Angeloni não são e não foram à época dos fatos geradores diretores da sociedade, conforme se verifica pelas Atas de Reunião do Conselho de Administração da Recorrente; (fls. b) Que uma leitura atenta da 89ª alteração contratual (fls.1669 ) demonstra o equívoco da autoridade lançadora ao utilizála como elemento de prova de que os sócios Antenor e Arnaldo Angeloni seriam diretores da sociedade, por duas razões. Em primeiro lugar, porque a referida alteração contratual é datada de 05.07.2012, período posterior a grande maioria dos fatos geradores, e, em segundo lugar, porque a redação da cláusula 15, referente à composição da Diretoria é bastante clara ao atribuir aos referidos sócios a função de diretores apenas interinamente, até que houvesse nova deliberação em reunião de quotistas ou do Conselho de Administração. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 371 7 c) que a inclusão dos sócios como diretores interinos era mera formalidade de praxe, tanto assim que, à época em que realizada a referida alteração contratual , já havia membros eleitos da Diretoria (fls. 1669) d) que os senhores Arnaldo e Antenor Angeloni eram à época, e o são até hoje, membros do Conselho de Administração da Companhia e, para exercício de tal cargo, e recebem remuneração a título de prólabore, conforme se verifica das Atas de Quotistas anexas (fls.1299 a 1328) Finalmente, a Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarazões (fls. 1811 a 1839) reiterando, quanto ao mérito, as alegações da autoridade fiscal e da Delegacia Regional de Julgamento. Em relação a preliminar de nulidade por ausência de demonstração do fato gerador das contribuições previdenciárias por parte da Autoridade Fiscal, alega que, compulsando os autos, não se vislumbra o descumprimento de nenhum dos requisitos fixados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois não houve autuação de pessoa incompetente e tampouco preterição no direito de defesa do contribuinte. Em sessão de julgamento de 10 de maio de 2016, foi proposta a conversão do processo em diligência para que a Fiscalização se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre: a) os valores efetivamente pagos aos sócios Antenor Angeloni e Arnaldo Angeloni, a título de Juros sobre o Capital Próprio, considerando as informações constantes das bases de dados da Receita Federal do Brasil, além de todos documentos acostados ao autos, inclusive aqueles trazidos no Recurso Voluntário (DARFs, DIRFs e comprovantes de rendimentos de fls. 1.708/1.785); b) a exatidão dos valores recolhidos relativos a GILRAT na competência 01/2010, considerando a aplicação do coeficiente do FAP de 1,5790. É o relatório. Voto Vencido Entendo desnecessária a diligência requerida. Isso porque a Delegacia Regional de Julgamento não suscitou qualquer problema nos referidos documentos, apenas entendeu que, por não constarem os dados por eles informados dos sistemas da Receita Federal, não deveriam ser aceitos. Sendo assim, entendo estarem devidamente comprovados os valores pagos aos sócios, bem como parcelamento do GILRAT das competências 02/2010 à 12/2011 (fls. 1787) datado de 12/11/2013, em relação ao qual consta das fls. 1793 a autorização de débito em conta corrente das parcelas e os comprovantes os comprovantes de pagamento das parcelas ( fls. 1794 a 1802). Além disso, o pagamento da competência 01/2010 com a aplicação do fator FAP a Impugnante, está devidamente comprovado pelos seguintes documentos: a) Guias da Previdência Social GPS (fls. 1162 a 1213) b) Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas quais é possível constatar, nos campos "ALIQ RAT" "FAP" e "RAT AJUSTADO" a aplicação do FAP no cálculo da Contriuição Social. (fls. 1217 a 1270) Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 372 8 c) GFIP´s relativas à competência 02/2010 (fls.) para demonstrar que o FAP aplicado correspondeu a 1,00, ao passo que, nas GFIP´s de 01/2010, a Impugnante aplicou o FAP no percentual de 1,58 (fls. 1214 a 1216). Dessa forma, voto pela não conversão do processo em diligência, posto que o seu resultado em nada alterará o meu entendimento quanto à matéria discutida. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Voto Vencedor Conforme decidido pela DRJ, os lançamentos contábeis apresentados pela Contribuinte em sua impugnação não lograram comprovar que não foi a empresa que suportou o ônus do imposto de renda retido na fonte. As cópias dos lançamentos tão somente mostram os valores creditados, não havendo prova hábil que demonstre os valores efetivamente pagos aos sócios. Porém, por ocasião do Recurso Voluntário, a Contribuinte apresentou diversos documentos, tais como cópias de DIRFs, DARFs e comprovantes de rendimentos (fls. 1.708/1.785), visando demonstrar que o ônus do imposto de renda foi dos sócios beneficiários. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. No caso presente, pela análise dos documentos acostados no Recurso Voluntário, verifico que não é possível se chegar a uma conclusão em relação às alegações da Recorrente acerca dos sócios da empresa terem suportado o ônus do imposto de renda na fonte. É que não há como vincular os DARFs apresentados com as DIRFs informadas, razão pela qual entendo ser necessária uma diligência para que a autoridade lançadora possa analisar os documentos apresentados e emitir uma opinião conclusiva. Do mesmo modo, no tocante às Guias da Previdência Social GPS e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP , relativas à GILRAT da competência 01/2010, percebo que não é possível se constatar que as mesmas foram capazes de quitar as obrigações da Contribuinte em relação às diferenças de GILRAT lançadas de ofício. Dessa forma, para evitar cerceamento de defesa e em respeito ao princípio da verdade material, bem como para que não reste qualquer dúvida na deliberação do colegiado, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de o julgamento ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1. Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre: Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722854/201380 Resolução nº 2202000.684 S2C2T2 Fl. 373 9 a) os valores efetivamente pagos aos sócios Antenor Angeloni e Arnaldo Angeloni, a título de Juros sobre o Capital Próprio, considerando as informações constantes das bases de dados da Receita Federal do Brasil, além de todos documentos acostados ao autos, inclusive aqueles trazidos no Recurso Voluntário (DARFs, DIRFs e comprovantes de rendimentos de fls. 1.708/1.785); b) a exatidão dos valores recolhidos relativos a GILRAT na competência 01/2010, considerando a aplicação do coeficiente do FAP de 1,5790. 2. Dê vista à Recorrente, para, querendo, se pronunciar, no prazo de 30 (trinta) dias. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma, sob a responsabilidade da Relatora, para inclusão em pauta de julgamento. Assinado Digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 8/07/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10384.720877/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
PERDAS TÉCNICAS. DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. NÃO SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003.
As perdas técnicas correspondentes ao montante de energia elétrica dissipada no sistema de distribuição decorrente das leis da Física relativas aos processos de transporte, transformação de tensão e medição de energia elétrica, designadas como parcelas Joule, dielétrica e magnética, não se subsumem às hipóteses de furto ou roubo, inutilização ou deterioração, destruição em sinistro ou, ainda, emprego em outros produtos que tenham tido a mesma destinação, de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.
PERDAS NÃO TÉCNICAS. FURTO OU FRAUDE. DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003.
As perdas não técnicas correspondentes a desvios diretos de energia da rede elétrica (furto) e por adulterações em fiações elétricas e equipamentos, com o objetivo de reduzir ilicitamente o sistema de medição (fraudes) se subsumem às hipóteses de furto de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito vinculado às perdas técnicas.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 PERDAS TÉCNICAS. DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. NÃO SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. As perdas técnicas correspondentes ao montante de energia elétrica dissipada no sistema de distribuição decorrente das leis da Física relativas aos processos de transporte, transformação de tensão e medição de energia elétrica, designadas como parcelas Joule, dielétrica e magnética, não se subsumem às hipóteses de furto ou roubo, inutilização ou deterioração, destruição em sinistro ou, ainda, emprego em outros produtos que tenham tido a mesma destinação, de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. PERDAS NÃO TÉCNICAS. FURTO OU FRAUDE. DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. As perdas não técnicas correspondentes a desvios diretos de energia da rede elétrica (furto) e por adulterações em fiações elétricas e equipamentos, com o objetivo de reduzir ilicitamente o sistema de medição (fraudes) se subsumem às hipóteses de furto de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito vinculado às perdas técnicas. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. NÃO SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. As perdas técnicas correspondentes ao montante de energia elétrica dissipada no sistema de distribuição decorrente das leis da Física relativas aos processos de transporte, transformação de tensão e medição de energia elétrica, designadas como parcelas Joule, dielétrica e magnética, não se subsumem às hipóteses de furto ou roubo, inutilização ou deterioração, destruição em sinistro ou, ainda, emprego em outros produtos que tenham tido a mesma destinação, de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. PERDAS NÃO TÉCNICAS. FURTO OU FRAUDE. DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DE CRÉDITO. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE LEGAL PREVISTA NO §13 DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. As perdas não técnicas correspondentes a desvios diretos de energia da rede elétrica (furto) e por adulterações em fiações elétricas e equipamentos, com o objetivo de reduzir ilicitamente o sistema de medição (fraudes) se subsumem às hipóteses de furto de que trata o §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 08 77 /2 01 4- 11 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito vinculado às perdas técnicas. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários de PIS/Pasep e Cofins, relativos ao anocalendário de 2011, em razão da falta de estorno de créditos da nãocumulatividade referentes às perdas de parte da energia elétrica adquirida para revenda, denominadas perdas técnicas (decorrentes de aquecimento dos cabos de distribuição, medidores e demais equipamentos) e perdas não técnicas (decorrentes de furtos e fraudes perpetradas pelos consumidores), com fulcro no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em impugnação, a recorrente alegou que: 1. As perdas referemse à energia que, embora inserida no sistema e na rede das distribuidoras, não chega a ser comercializada, seja devido ao processo físico de transporte da energia (perdas técnicas), seja devido ao processo de comercialização (essencialmente, furtos e fraudes); 2. As perdas técnicas e não técnicas compõem os custos não gerenciáveis da empresa, cujos valores são reconhecidos e fixados pela ANEEL, compondo parte do preço tarifário da venda de energia elétrica e dos índices de reajuste tarifário, conforme Resolução Normativa ANEEL nº 234/2006 e Resolução Normativa ANEEL nº 166/2005; 3. As perdas técnicas não se subsumem a nenhuma das hipóteses previstas no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, a saber: furto, roubo, inutilização, deterioração, destruição em sinistro ou utilização em produtos com a mesma destinação; 4. Nos casos de perdas não técnicas, a empresa adota providências para apuração de possíveis irregularidades, mediante procedimento técnico administrativo, com o objetivo de recuperar a receita perdida, nos termos da Resolução ANEEL nº 414/2010; a recorrente acostou aos autos documentos relativos aos referidos procedimentos e relatório demonstrando os montantes recuperados em 2011, propugnando pela inexistência de fundamento legal para o estorno de tais créditos; Fl. 755DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 4 3 5. Efeito confiscatório da multa de 75% vinculada ao tributo lançado. Na peça impugnatória, a recorrente contestou matérias relativas à autuação de IRPJ e CSLL. A Terceira Turma da DRJ em Belém proferiu o Acórdão nº 0130.342, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 Ementa: PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ESTORNO DE CRÉDITOS As perdas em caráter permanente dos bens adquiridos para utilização na prestação de serviços ensejam o estorno dos créditos da Cofins apurados com base no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 756DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 5 4 Data do fato gerador: 31/01/2010, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 Ementa: PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ESTORNO DE CRÉDITOS As perdas em caráter permanente dos bens adquiridos para utilização na prestação de serviços ensejam o estorno dos créditos do PIS apurados com base no artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 757DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 6 5 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, não se conhece quanto às autuações de IRPJ e CSLL, por não serem objeto deste processo. No mérito, a lide cingese à necessidade de estorno de créditos da não cumulatividade referentes às perdas técnicas e não técnicas de energia elétrica, em razão do disposto no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A definição de perdas de energia pode ser obtida a partir da Resolução Normativa ANEEL nº 234/2006, que em seu Anexo VII dispôs: "1. Do ponto de vista regulatório, as perdas na distribuição serão classificadas em: • Perdas técnicas: montante de energia elétrica dissipada no sistema de distribuição decorrente das leis da Física relativas aos processos de transporte, transformação de tensão e medição de energia elétrica. Corresponde à soma de três parcelas: Joule, dielétrica e magnética; e • Perdas não técnicas: apuradas pela diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, considerando, portanto, todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, dentre outros. 2. As perdas na distribuição serão calculadas pelo balanço energético, ou seja, pela diferença entre o montante de energia injetada e a fornecida. Observados o período do balanço energético e a base de ativos correspondente, será apurada a parcela correspondente às perdas técnicas e, por diferença, as perdas não técnicas." Fl. 758DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 7 6 O site da ANEEL http://www.aneel.gov.br/area.cfm?idArea=801 dispõe em termos similares à nota técnica: O sistema elétrico de potência é dividido em geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. As distribuidoras recebem a energia dos agentes supridores (transmissoras, geradores ou outras distribuidoras), entregandoa aos consumidores finais, sejam eles residenciais, comerciais, rurais, industriais ou pertencente às demais classes. A energia medida pelas distribuidoras nas unidades consumidoras será sempre inferior à energia recebida dos agentes supridores. Essa diferença é denominada perda de energia e é segregada conforme sua origem: Perdas na Rede Básica (ou Transmissão): são aquelas que ocorrem entre a geração de energia elétrica nas usinas até o limite dos sistemas de distribuição. São apuradas mensalmente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, conforme dados de medição de geração e a energia entregue às redes de distribuição. A diferença entre elas resulta no valor de Perdas na Rede Básica e seu custo é rateado em 50% para geração e 50% para o consumo. Perdas na Rede de Distribuição: aquelas que ocorrem dentro do próprio sistema de distribuição e podem ser divididas em duas categorias, conforme sua causa: Perdas Técnicas: inerentes ao transporte da energia elétrica na rede, relacionadas à transformação de energia elétrica em energia térmica nos condutores (efeito joule), perdas nos núcleos dos transformadores, perdas dielétricas, etc. Podem ser entendidas como o consumo dos equipamentos responsáveis pela distribuição de energia. Perdas Não Técnicas: correspondem à diferença entre as perdas totais e as perdas técnicas, considerando, portanto, todas as demais perdas associadas à distribuição de energia elétrica, tais como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, etc. Esse tipo de perda está diretamente associado à gestão comercial da distribuidora. Esclarecidas as definições, necessário, pois, averiguar se tais perdas se amoldam às disposições do §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Como visto, as perdas técnicas são inerentes à atividade de transmissão e distribuição de energia elétrica e decorrem dos processos físicos de dissipação de energia no seu transporte. Novamente, socorrese do site da ANEEL quanto ao seu cálculo: "As perdas técnicas de cada distribuidora são calculadas na revisão tarifária periódica conforme as regras definidas no Módulo 7 do PRODIST. De forma resumida, o sistema de distribuição é dividido de acordo com os segmentos de rede (alta, média e baixa tensão), transformadores, ramais de ligação Fl. 759DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 8 7 e medidores. Aplicamse então modelos específicos para cada um desses segmentos, utilizandose informações simplificadas das redes e equipamentos existentes, como por exemplo, comprimento e bitola dos condutores, potência dos transformadores e energia fornecida às unidades consumidoras. Com base nessas informações, estimase o percentual de perdas técnicas relativas à energia injetada na rede." Tratase, portanto, de estimativa técnica, calculada a partir de modelos específicos adotados para cada segmento de rede e em funções das características físicas de seus componentes, sendo, portanto, um custo próprio do sistema, cujos efeitos financeiros compõem as tarifas de energia elétrica, conforme artigo 51 do Decreto nº 4.541/2002: Art. 51. As concessionárias, permissionárias e cooperativas referidas no art. 50 deverão celebrar contratos distintos para a conexão, uso dos sistemas de transmissão ou distribuição e compra de energia elétrica. Parágrafo único. Na definição do valor das tarifas para os contratos de conexão e de uso dos sistemas de transmissão ou distribuição de que trata este artigo, serão consideradas as parcelas apropriadas dos custos de transporte e das perdas de energia elétrica, bem como os encargos de conexão e os encargos setoriais, conforme regulamentação existente, admitida uma redução, quando necessária, em relação às tarifas de transmissão e de distribuição. (grifo não original) Assim, diante do exposto, concluise que as perdas técnicas não se enquadram nas hipóteses previstas no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, a saber: furto ou roubo, inutilização ou deterioração, destruição em sinistro ou, ainda, emprego em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. A título de comparação, a legislação do IPI prevê no artigo 254, inciso IV do Decreto nº 7.212/2010, dispositivo similar aplicado às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem: Art. 254. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto Lei no 34, de 1966, art. 2o, alteração 8a, Lei no 7.798, de 1989, art. 12, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11): [...] IV relativo a matériaprima, produto intermediário, material de embalagem, e quaisquer outros produtos que hajam sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma sorte; Porém o artigo 255 possibilita a manutenção do crédito em relação às quebras admitidas no regulamento, o qual permite a existência de quebras nos estoques ou no processo de industrialização, desde que submetidas a laudo de órgão técnico competente e desde que não excedam os limites normalmente admissíveis (artigo 523 do regulamento do IPI). Fl. 760DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 9 8 A apuração das perdas técnicas são definidas em ato normativo da ANEEL, decorrente de seu poder regulatório, e consiste em parcela da energia que, inevitavelmente se perderá no transporte, se assemelhando às quebras inerentes aos processos produtivos. Ressaltase que a norma dispõe sobre parcelas que foram inutilizadas ou furtadas ou destruídas, o que pressupõe que estes bens eram destinados a serem vendidos, sujeitandose à contribuição nãocumulativa. Ocorre que estas parcelas de energia perdida são inevitáveis e inerentes e não poderiam gerar contribuição nãocumulativa, pois que já estimadas em função das características físicas das instalações e equipamentos, independentemente da gestão comercial da empresa. Além disso, frisese que estes valores são repassados às tarifas de energia, sujeitandose à incidência nãocumulativa, o que reforça ser indevido lançamento, quanto à necessidade de se estornar créditos da nãocumulatividade da contribuição. Por outro lado, as perdas não técnicas correspondem à diferença entre as perdas totais verificadas no sistema (simplificadamente, a diferença entre a energia injetada e a vendida e entregue), e as perdas técnicas, decorrentes de eventos como furtos, erros de medição, fraudes e que estão diretamente relacionadas com a gestão comercial da empresa, como exposto no site da ANEEL. De fato, a recorrente afirmou que estas perdas decorrem essencialmente de furtos e fraudes, caracterizados por desvio direto de energia da rede elétrica (furto) e por adulterações em fiações elétricas e equipamentos, com o objetivo de reduzir ilicitamente o sistema de medição (fraudes). Diferentemente das perdas técnicas, as não técnicas dependem da eficiência e da gestão das empresas no combate a tais eventos, e podem ser repassadas às tarifas mediante limites definidos pela ANEEL, conforme esclarece o site da agência: “Cabe à ANEEL definir qual a parcela de perdas não técnicas de energia que poderá ser repassada à tarifa, sendo suportada, por seguinte, pelos consumidores regulares. Tais limites são estabelecidos por metodologias específicas, cujos parâmetros se baseiam, em grande parte, na observação das boas práticas de empresas eficientes nessas atividades. Nessa análise, que ocorre na revisão tarifária, as concessionárias são comparadas por critérios de similaridade. O referencial de perdas é estabelecido observando o nível real das perdas da própria empresa (histórico recente de perdas) e o nível de perdas reais praticadas por empresas similares e mais eficientes. Essa comparação foi viabilizada pela criação do “índice de complexidade” que reflete o conjunto de dados estruturados por área de concessão e que reúne as variáveis socioeconômicas que melhor explicariam o fenômeno de estudo. Com a caracterização de cada área de concessão através do índice e a apuração das perdas praticadas por cada empresa é possível identificar as mais eficientes. As regras de cálculo das perdas não técnicas estão definidas no Submódulo 2.6 do PRORET.” O submódulo acima mencionado estipula que os repasses tarifários são definidos na forma de uma trajetória decrescente ou de uma meta fixa ou ambas, sendo que tais Fl. 761DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 10 9 perdas decorrem de um problema sócioeconômico, aliado à eficiência no combate a tais eventos. As perdas são estabelecidas mediante metas a serem alcançadas a partir de um índice referencial. Depreendese, assim, que, ao contrário das perdas técnicas, as não técnicas se inserem nos custos gerenciáveis e estão diretamente vinculadas à gestão comercial da empresa. No próprio recurso voluntário, a recorrente confirma esta natureza ao expor que, relativamente a estas perdas, é possível sua recuperação mediante a abertura de procedimentos técnicos administrativos destinados a comprovar a ocorrência de furtos e fraudes, possibilitando a recorrente a recuperação destas perdas, mediante faturamento de receita, nos termos dos artigos 129 e 130 da Resolução Normativa ANEEL nº 414/2010. Portanto, as perdas não técnicas, afirmadas pela recorrente como decorrentes de furto e fraude, se amoldam à hipótese de furto1 prevista no §13 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, devendo os créditos relativos aos seus montantes serem estornados. Entretanto, a recorrente defende que os valores de receita recuperados, decorrentes dos eventos que fundamentam as perdas não técnicas, são incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Entendo que a alegação procede, pois a recuperação dos valores furtados ou fraudados implica sua sujeição às contribuições e, conseqüentemente, devolve à recorrente o direito à apropriação dos créditos vinculados a esta recuperação, que tenham, porventura, sido estornados em período anterior. A recorrente acostou aos autos alguns processos, por amostragem, relativos à recuperação de receita. Estes procedimentos administrativos são sujeitos à apresentação de reclamação à própria concessionária, e, ainda, no caso de manutenção do inconformismo, à Ouvidoria da Concessionária, ou à Agência Estadual reguladora, ou, na sua inexistência, à ANEEL, nos termos dos artigos 133 e 200 da Resolução Normativa nº 414/2010. Destacase, também, que alguns processos referemse a cobranças de períodos não abrangidos no lançamento, ou seja, as recuperações não se referem a perdas não técnicas que fundamentaram o estorno neste lançamento. Destarte, a possibilidade de reversão do estorno deve estar vinculada à recuperação da perda não técnica que o fundamentou, no período em que submetida à incidência da contribuição e no montante relativo à quantidade de energia recuperado, conforme valores determinados no demonstrativo de efls. 18. Caso a recuperação seja sujeita à incidência das contribuições em períodos posteriores aos lançados, tal reversão somente deve ser considerada nestes períodos posteriores, não surtindo efeito nos períodos lançados. No caso presente, a recorrente apresentou amostragem de um procedimento efetuado em cada mês, o qual informa o mês e a diferença de kwh cobrada. Verificase nestes documentos que a recuperação se referiu a valores cobrados de diversos períodos, em sua maioria 2009 e 2010 e apenas no documento de maio, setembro, outubro, novembro e dezembro constam períodos de 2011. No documento de efls. 678, a recorrente informou o 1 Art. 155 Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: [...] § 3º Equiparase à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 11 10 valor de R$ 3.946.358,87 como valor de processos faturados no ano de 2011, decorrentes de recuperação de receitas. Ocorre que neste valor estão incluídas recuperações de diversos períodos (pelo menos de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, a partir dos documentos juntados), sendo que apenas para 2011 houve glosa de créditos decorrentes de perdas não técnicas. Assim, a recorrente deveria ter demonstrado o valor mensal, em 2011, das recuperações relativas apenas ao anocalendário de 2011, pois, para os anos anteriores não houve qualquer glosa e, portanto, nada há a ser estornado. Além disso, não houve a comprovação de que os valores recuperados foram oferecidos à tributação, caracterizando sua definitividade. Assim, não há como prover o recurso neste ponto. Por fim, quanto às alegações de efeito confiscatório da aplicação da multa de 75%, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 622 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pontuese, ainda, que a multa aplicada possui fundamento legal no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Diante do exposto, voto para não conhecer das alegações relativas às matérias concernentes aos lançamentos de IRPJ e CSLL e das alegações de inconstitucionalidade, e para 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10384.720877/201411 Acórdão n.º 3302003.146 S3C3T2 Fl. 12 11 dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os lançamentos relativos às perdas técnicas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 15/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10970.720186/2011-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF N. 1. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÈDITO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quando configurado o instituto da concomitância, deve-se declarar a definitividade do crédito tributário, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário por concomitância nas esferas administrativa e judicial. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso .Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
PATRICIA DA SILVA - Relatora.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 09/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF N. 1. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÈDITO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quando configurado o instituto da concomitância, devese declarar a definitividade do crédito tributário, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário por concomitância nas esferas administrativa e judicial. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva (Relatora), Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso .Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 86 /2 01 1- 64 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 PATRICIA DA SILVA Relatora. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 09/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda e pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 280301.732, fls. 311/318, prolatado em 14 de agosto de 2012, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração a legislação previdenciária. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei n º 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32ª à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE O VALOR PAGO A COOPERATIVA DE TRABALHO. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 503 3 Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de Autos de Infração, lavrados em 26/09/2011, que têm por objeto contribuições previdenciárias, relativas ao período entre 01/2007 a 12/2008, e aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, a saber: a) DEBCAD nº 37.342.8154 Contribuição das empresas em geral relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, com fundamento legal no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91 – Competências 01/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008; Valor: R$ 458.176,66 (Quatrocentos e cinquenta e oito mil, cento e setenta e seis reais e sessenta e seis centavos), composto do principal, juros, multa de mora e multa de ofício; Fundamento Legal da Multa de Mora relativa às competências 01/2007 a 11/2008: art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 (redação dada pela Lei nº 9.876/99); Fundamento Legal da Multa de Ofício relativa à competência 12/2008: art. 35A, da Lei nº 8.212/91 (redação dada pela MP nº 409/2008); b) DEBCAD nº 37.338.9299 Multa por descumprimento de obrigações acessórias, com fundamento legal no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 409/2008); Valor: R$ 35.061,89 (trinta e cinco mil, sessenta e um reais e oitenta e nove centavos); Da análise do relatório fiscal, constatase que a autoridade fiscal adotou os seguintes critérios para aplicação das multas: As contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela UNIMED deveriam ter sido informadas em GFIP pela ADUFU, em todo o período auditado, mas analisando as GFIP do período verificamos que isto não foi feito em nenhuma competência. A falta de informações destas contribuições ocasionou a redução no cálculo das contribuições previdenciárias devidas pela mesma, devendo ser objeto de um auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, fundamentado no art. 32, inciso IV, parágrafo 5, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 9.528/1997. A multa aplicada corresponde ao total das contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, observado o limite Fl. 504DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 máximo por competência, fixado no art. 32, parágrafo 4, da Lei n. 8.212/91, com a redação da Lei n. 9.528/97. Ocorre que em 04/12/2008 a Medida Provisória n. 449, convertida na Lei n. 11.941 de 27/05/2009, alterou o cálculo do valor da multa para este tipo de infração. Para as infrações com fatos geradores anteriores a 04/12/2008, a multa aplicada deve observar o principio da anterioridade mais benéfica para o contribuinte, conforme o disposto na alínea “c”, inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. Efetuamos o cálculo da multa anterior e comparamos com o atual, conforme legislação a seguir: Antes da MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009: Art. 35, inciso II, alínea “a”, mais a multa prevista no parágrafo 5 do art. 32, inciso IV da Lei n. 8.212/91. Depois da MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009: Art. 35A da Lei n. 8.212/91, acrescentado pela MP 449/2008, que se reporta ao art. 44, inciso I da Lei n. 9.430/1996 – multa de ofício de 75%. Demonstramos no Anexo II a este relatório o cálculo da multa mais benéfica para o contribuinte em cada competência. A multa anterior prevaleceu em todas as competências de 01/2007 a 11/2008. Nas competências de 12/2008 em diante, a multa calculada é a definida no art. 35A da Lei n. 8.212/91, acrescentado pela MP 449/2008, que se reporta ao art. 44, inciso I da Lei n. 9.430/1996 – multa de ofício de 75%, já que estas competências são posteriores à medida provisória. Após análise da impugnação apresentada pelo Contribuinte, a 5ª Turma da DRJ/JFA, acórdão nº 0938.128, fls. 235, por unanimidade, manteve o lançamento tributário. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, o qual foi parcialmente provido para “retificar o valor da multa em razão da apresentação de GFIP com incorreções e omissões, devendose aplicar o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/91, com a redação pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte”. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando que o r. acórdão contrariou precedentes deste Conselho, mais precisamente o acórdão nº 2401.00.127, conforme ementa que segue: (...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia do recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 504 5 Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Argumenta que a legislação anterior previa multas distintas para o lançamento do principal (multa de mora do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91) e pelo descumprimento de obrigação acessória do art. 32, sendo lavrados dois autos de infração. Com a legislação atual, aplicase apenas a multa do art. 35A, em um único auto de infração. Havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias juntamente com descumprimento de obrigações acessórias, aplicase a multa única do art. 35A, da Lei nº 8.212/91, não mais devendo ser aplicado o art. 32A, sob pena de bis in idem. Ao final, requer a reforma do julgado e a manutenção do Auto de Infração, sendo que, na execução do julgado deverá ser verificada a norma mais benéfica (art. 35, II e art. 32, IV, da norma revogada ou art. 35A). O Contribuinte interpôs Recurso Especial arguindo a nulidade do auto de infração por fundamentação legal baseada em instrução normativa revogada e a inconstitucionalidade da contribuição, tendo por fundamento o RE nº 595.838, em sede de repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Informou, ainda, que aos 22/05/2013 impetrou o Mandado de Segurança nº 000620563.2013.4.01.3803, perante a 1ª Vara Federal de Uberlândia, tendo por objeto a constitucionalidade da contribuição e que obteve a concessão da segurança para determinar que a Fazenda Nacional se abstenha da cobrança do tributo. Em sede de exame de admissibilidade, o recurso foi parcialmente conhecido no que diz respeito à inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Nas contrarrazões recursais, a Fazenda Nacional requereu a inadmissibilidade do recurso por ausência de divergência jurisprudencial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patricia da Silva Na interposição do Recurso Especial da Fazenda foram observados os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Após interpor o Recurso Especial, o contribuinte peticionou nos autos, fls. 448/450, informando a impetração do Mandado de Segurança, tendo por objeto a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Assim, o opção pela discussão da matéria na via judicial importa renúncia à esfera administrativa, nos termos da Súmula 1, do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vejase que o referido entendimento sumular pautase no art. 126, § 3º, Lei nº 8.213/91, no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, bem como no art. 87, do Decreto nº 7.574/2011, os quais prevêem que a propositura de ação judicial que tenha objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Desta forma, tendo em vista que a questão relativa à inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91 foi posta sub judice, temse a renúncia à instância administrativa quanto à referida matéria. Vale ressaltar que a renúncia ao contencioso administrativo não alberga as demais matérias, devendo o processo administrativo prosseguir com relação à retroatividade benigna da multa prevista no art. 32A, da mesma Lei. Antes de analisar o debate em questão no Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante tecer algumas considerações sobre a Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes da entrada em vigor da referida MP, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 505 7 do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Para uma melhor visualização da matéria, vejase o quadro comparativo das multas antes e depois da MP nº 449/208: Lei 8.212/91 Multas Antes da MP 449/2008 Norma atual Obrigações principais Multa por obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso Multa de Mora art. 35, I 8 a 20% * Se incluído em dívida ativa, variável entre 30 a 100% (inciso III) Multa de Mora art. 35, caput 0,33% ao dia limitado a 20% Multa por obrigações não declaradas e lançadas de ofício Multa de Mora art. 35, II 24 a 50% * Se incluído em dívida ativa, variável entre 30 a 100% (inciso III) Multa de Ofício art. 35A 75% Obrigações acessórias Multa por descumprimento Art. 32, §4º, 5º e 6º 100% Art. 32A 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas; 2% ao mês calendário, limitada a 20%. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN, verbis: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II – tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática; Sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, nos seguintes termos: as multas aplicadas com fundamento no art. 35, I, da legislação anterior devem ser comparadas com o art. 35, caput, da norma atual; as multas com fundamento no art. 35, II, devem ser comparadas com a multa do atual art. 35 A; as multas por descumprimento de obrigação acessória, com fundamento no antigo art. 32, §§, deve ser comparada com a atual multa do art. 32A. Isto porque, a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver tanto descumprimento de obrigações principais quanto de obrigações acessórias. Tal entendimento não decorre expressamente de Lei, mas sim de uma interpretação do Fisco sob o argumento de que a multa única é mais favorável ao contribuinte do que a aplicação separada das multas dos arts. 32A e 35A, da Lei nº 8.212/91, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 506 9 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Vejase abaixo um quadro ilustrativo da sistemática da multa única: Multa única Fatos Geradores Ocorridos antes da MP 449/2008 Aplicação da multa mais benéfica Fatos Geradores ocorridos após a MP nº 449/2008 Multa atual Descumprimento de Obrigações principais e acessórias Comparação entre a multa atual (art. 35A) e o Somatório das multas anteriores (art. 35 e art. 32, §§ 4º, 5º e 6º) Art. 35A Descumprimento apenas de obrigações acessórias Comparação entre a multa anterior do art. 32, §§ 4º, 5º e 6º e a multa atual do art. 32A. Art. 32A Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Tal pretensão afronta diretamente o art. 106, II, “c”, do CTN, pois não proporciona uma aplicação retroativa da multa de mora prevista no atual art. 35, caput, e, mais grave ainda, da multa por descumprimento das obrigações acessórias, prevista no atual art. 32A. Desta forma, a Instrução Normativa inova o ordenamento jurídico, pois extrapola a regra prevista no art. 106, do CTN, uma vez que estipula a aplicação de uma multa única não é prevista em Lei. Tratase de solução inusitada, objetivando justificar a aplicação da gravosa multa de 75% à falta de recolhimento de contribuições cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à sua instituição. A multa única aplicada aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2008 mostrase ilegal, pois cumula penalidades decorrentes de infrações distintas e ignora o princípio da retroatividade benigna. Para se constatar se uma penalidade é mais benéfica, deve Fl. 510DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 se confrontar a multa atual com a multa anteriormente prevista para a infração de mesma natureza, ou seja, a atual multa prevista para os casos de lançamento de ofício (75%) deve ser comparada com a multa anteriormente prevista no art. 35, II (24% a 50%), enquanto que a multa por descumprimento de obrigações acessórias, atualmente prevista no art. 32A, somente pode ser comparada à multa anteriormente prevista no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º. Não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. O argumento do bis in idem utilizado pela Fazenda é válido apenas para os fatos geradores ocorridos posteriormente à entrada em vigor da MP nº 409/2008, não podendo cumular a multa prevista no atual art. 35A com a multa do art. 32A. Todavia, a mesma sistemática não pode ser estendida aos fatos geradores ocorridos anteriormente, devendose fazer o cotejo entre o artigo revogado e o atual para verificar a multa mais benéfica ao contribuinte. Nesse sentido, em respeito ao art. 106, do CTN, entendo que na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por contrariedade à Súmula CARF nº 1 e negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, pois a aplicação da multa única prevista na Instrução Normativa RFB 971/2009 viola o princípio da retroatividade benigna. É como voto. Patricia da Silva Relatora Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10970.720186/201164 Acórdão n.º 9202003.847 CSRFT2 Fl. 507 11 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora no âmbito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ouso discordar. Mais especificamente, entendo que se deva adotar aqui uma ótica de desistência de discussão em sede administrativa, sendo de se concluir que ao alegar a autuada, em sede de ação judicial, que não estaria sujeita à contribuição instituída pelo artigo 22, IV da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, dada sua inconstitucionalidade, insurgiuse (desistindo assim da discussão administrativa) não só contra o surgimento da obrigação principal insculpida no DEBCAD 37.342.8154, mas também contra a multa pelo descumprimento de obrigação acessória que deu origem ao DEBCAD 37.338.9299, multa esta cujo surgimento, notese, é consectário direto da existência dos débitos constituídos através do DEBCAD 37.342.8154 (cujos valores não declarados em GFIP geraram o descumprimento da obrigação acessória, descumprimento este sancionado através do DEBCAD 37.338.9299). Ou seja, estão, no meu entendimento e da maioria deste Colegiado, necessariamente abrangidos por pedido judicial que contém a alegação de inexistência da obrigação principal objeto de lançamento (através do DEBCAD 37.342.8154) também os débitos decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, que foram lançados, notese, por falta de declaração em GFIP dos referidos débitos de obrigação principal (agora DEBCAD 37.328.9299). Daí, de se entender que, o contribuinte, ao pleitear judicialmente a não incidência do dispositivo que deu origem aos débitos de obrigação principal deslocou para o Judiciário também a discussão quanto à multa decorrente da não declaração destes débitos em GFIP, caracterizada, assim, a desistência pelo contribuinte do direito de apreciação da matéria em litígio no âmbito do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Para a matéria sob litígio no pleito fazendário, não há que se falar, aqui, em "matéria distinta" da discutida na ação judicial para fins de aplicação da Súmula CARF no. 01, sendo de se estender, assim, a argumentação de concomitância, adotada para fins de não conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, também ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. A propósito, finalmente, de se ressaltar, para fins do deslinde da questão, somente o óbvio efeito diverso, dado o interesse oposto da agora recorrente (recorrida quando da análise do Especial de iniciativa da Contribuinte), qual seja: Em sede de Recurso Especial de iniciativa da Fazenda Nacional, a partir da observada concomitância entre as esferas administrativa e judicial, devese declarar a definitividade do crédito constituído decorrente da matéria sob litígio (in casu, as multas aplicadas nos débitos de obrigação principal constantes do DEBCAD 37.342.8154 e os débitos constantes do DEBCAD 37.338.9299). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, por concomitância nas esferas administrativa e judicial. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado d igitalmente em 13/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10516.720004/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011
OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o acórdão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Amorim, OAB/RS nº 40.881.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o acórdão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Amorim, OAB/RS nº 40.881. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 04 /2 01 2- 01 Fl. 6368DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 03/08/2012, lavrados para exigir diferenças dos tributos incidentes na importação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, bem como a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro em substituição à pena de perdimento, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 14/05/2008 e 21/12/2011. Segundo dá conta o Relatório de Auditoria de fls. 2226/2380, a fiscalização apurou que as importações efetuadas em nome da empresa FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA (CNPJ 08.008.172/000113) foram registradas com ocultação da MADEIREIRA HERVAL LTDA, real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude, simulação e utilização de documentos eivados de falsidade ideológica, que foram utilizados para instruir os despachos aduaneiros de importação. Foi apurado, ainda, que em seis declarações de importação ocorreu redução indevida do valor aduaneiro, em razão de o contribuinte ter apropriado descontos retroativos relacionados a ressarcimentos concedidos pelo exportador, em virtude de direitos antidumping incidentes em operações anteriores. Em sede impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, a nulidade da autuação por erro na identificação do sujeito passivo; preclusão lógica e falta de motivação para a revisão aduaneira; inexistência de convênio específico e protocolo que autorize a atuação em conjunto da Receita Federal com o fisco gaúcho; existência de decisão judicial que anulou o processo nº 10909.001939/200704 relativo à FREE TRADE; inexistência da interposição fraudulenta e de dano ao erário; criação regular da FREE TRADE; capacidade financeira da FREE TRADE comprovada e atestada por instituições financeiras e por ata notarial; comprovação da sua capacidade operacional, da sua lucratividade e de sua real existência; impossibilidade de converter o perdimento em multa em relação a fatos geradores ocorridos até o advento da MP nº 497/2010, sob pena de violar o princípio da irretroatividade das leis; devem ser deduzidos do valor da multa os tributos recolhidos no desembaraço aduaneiro; devem ser excluídos da autuação os valores relativos às vendas da FREE TRADE para terceiros diversos da ora impugnante; deve ser excluída a tributação sobre os descontos, pois foram obtidos na própria operação e não em operações anteriores. Por meio do Acórdão 31.299, a 1ª Turma da DRJ Florianópolis, por maioria de votos, julgou a impugnação procedente em parte. O relator originário foi vencido na preliminar de ilegitimidade passiva, relativamente à infração prevista no art. 23, V, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76 (perdimento). Foi cancelado o crédito tributário relativo às diferenças dos tributos devidos na importação, pois a DRJ entendeu que a autuada deveria ter sido arrolada como responsável solidária em relação a esses tributos e não como contribuinte. A DRJ entendeu que a FREE TRADE deveria ter sido arrolada como contribuinte e a MADEIREIRA HERVAL como responsável solidária. Tendo em vista que a MADEIREIRA HERVAL foi arrolada como contribuinte e a FREE TRADE nem sequer foi indicada no polo passivo da autuação, a DRJ anulou o lançamento de ofício em relação aos tributos, mantendo a exigência em relação à multa equivalente a 100% do valor aduaneiro. Não houve interposição de recurso de ofício, em razão do valor exonerado ser inferior ao limite de alçada. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 LEGITIMIDADE PASSIVA NA INFRAÇÃO. A responsabilidade pela infração pode ser atribuída conjuntamente ou isoladamente ao responsável solidário e ao contribuinte, quando da práticas de infrações que recaiam sobre Fl. 6369DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402003.115 S3C4T2 Fl. 3 3 o adquirente ou encomendante de mercadorias de procedência estrangeira. PERDIMENTO DE MERCADORIA POR OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. A falta de identificação da pessoa jurídica encomendante ou contratante por conta e ordem na declaração de importação, mediante utilização de fraude ou simulação, acarreta a pena de perdimento da mercadoria importada. Impugnação Procedente em Parte Regularmente notificado em 02/07/2013 (fl. 5734), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 5743 e ss. em 01/08/2013, no qual reprisou e reforçou as alegações de impugnação, contestando pontos específicos do acórdão de primeira instância e arguindo sua nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Em uma das preliminares a defesa alegou a nulidade do acórdão de primeira instância pelo fato de a DRJ não ter julgado sua impugnação, mas sim a impugnação apresentada pela FREE TRADE no processo nº 10516.720006/201292, no qual foi infligida àquela empresa a multa por acobertamento, em face dos mesmos fatos que deram lastro à presente autuação. Analisandose o inteiro teor do voto vencedor, proferido no acórdão recorrido, verificase que em relação à impugnação apresentada neste processo pela MADEIREIRA HERVAL, a Turma de Julgamento da DRJ Florianópolis apenas analisou de modo específico três alegações formuladas na impugnação, a saber: (i) a preliminar de erro na indicação da sujeição passiva; (ii) a possibilidade de dedução dos tributos recolhidos na época dos despachos aduaneiros do valor da multa equivalente a 100% do valor aduaneiro; e (iii) a aplicação da nova redação do art. 23, § 3º, do DL nº 1.455/76 à mercadorias revendidas antes do advento da MP nº 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, conforme se pode conferir nas fls. 5699/5706. A partir do final da fl. 5706, o ilustre relator designado para o voto vencedor aderiu ao voto proferido em primeira instância no processo nº 10516.720006/201292, no qual a FREE TRADE responde pela multa por acobertamento, entendendo que com isso rechaçaria todos os argumentos da impugnação apresentada pela MADEIREIRA HERVAL neste processo. Embora exista conexão entre os fatos que rendem ensejo à inflição da multa pela cessão do nome ao acobertante e à penalidade de perdimento (ou sua conversão em multa) Fl. 6370DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 ao acobertado, o exame da transcrição dos fundamentos utilizados no acórdão da FREE TRADE (fl. 5607 e ss.) em cotejo com o teor da impugnação (fls. 5742/5906), revela que não restaram analisados todos os argumentos de defesa apresentados pela MADEIREIRA HERVAL. O problema decorre do fato de que, conquanto as duas penalidades estejam lastreadas nos mesmos fatos, os fundamentos legais das multas são distintos e os argumentos das impugnações ofertadas em ambos os processos não são idênticos. Desse modo, restaram carecedores de análise as seguintes alegações da impugnação apresentada pela MADEIREIRA HERVAL: a) A existência de processo judicial que teria anulado o processo nº 10909.001939/200704, em nome da FREE TRADE, no qual o Judiciário teria decidido que não se verificaram os fatos invocados pelo fisco como pressupostos deste auto de infração (a simulação); b) Que este auto de infração contra a MADEIREIRA HERVAL seria uma retaliação da fiscalização, em razão da interposição da ação judicial acima noticiada; c) Que a fiscalização faltou com a verdade ao se referir no Relatório Fiscal ao processo 10909.001939/200704, pois na época da presente ação fiscal ela já sabia que o Poder Judiciário havia anulado aquele processo; d) Que naquele processo judicial restou decidido que não incide IPI na revenda de produto importado, e que é no mínimo curioso que a fiscalização omita essa informação e autue a empresa, sob o argumento de que a União teria prejuízo com o recolhimento a menor do IPI incidente na revenda; e) Inexistência de dano ao erário porque o IPI não incide na revenda de produto importado, conforme restou decidido no processo judicial, e também porque houve recolhimento dos impostos incidentes na importação na ocasião dos despachos aduaneiros; f) Ausência de competência para autuar valores referente ao ICMS, pois o fisco trata como dano ao erário a utilização do benefício concedido pelo Estado de Santa Catarina. Não cabe à Receita Federal desconsiderar benefícios fiscais legitimamente concedidos pelos estados federados; g) Impossibilidade de aplicação da pena de perdimento nas operações de revenda da FREE TRADE a outras empresas diversas da MADEIREIRA HERVAL; Por outro lado, verificase que outros argumentos foram analisados, porém, levando em contra a inflição da multa por acobertamento no processo da FREE TRADE, e não a pena de perdimento aplicada neste processo. Exemplos disso foram as alegações de inexistência de dano ao erário e de impossibilidade de desconsideração de operações de venda ou revenda de mercadorias. Observem senhores conselheiros o seguinte trecho do voto do acórdão recorrido: "(...) O presente processo não trata da imposição de qualquer penalidade relacionada à desconsideração das operações de venda (ou revenda), mas sim de penalidade relacionada à cessão de nome para a realização de operação de comércio exterior Fl. 6371DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402003.115 S3C4T2 Fl. 4 5 (importação) acobertando o real interessado na operação, empresa MADEIREIRA HERVAL LTDA., que em nenhum momento foi citada quando da apresentação das declarações de importação em apreço.(...)" Esse é um trecho em que o voto condutor do acórdão recorrido transcreveu a fundamentação do voto proferido no processo relativo à FREE TRADE. O trecho não pode ser aplicado a este caso concreto, pois este processo não trata da multa pela cessão do nome. É intuitivo que determinadas considerações válidas para o processo relativo ao acobertante, não são necessariamente válidas para o processo no qual responde o acobertado. Por fim, na parte em que o acórdão recorrido remete ao voto proferido no processo da FREE TRADE, o julgado incorreu em mais um problema que o eiva de nulidade: a Turma de Julgamento não fez nenhuma referência às provas trazidas pela defesa com a impugnação. Entre as fls. 2.615 e 5.676 deste processo, existem documentos apresentados pela defesa que não foram levados em conta pelo acórdão recorrido, nem sequer para serem rejeitados ou declarados impertinentes a este processo, pois a decisão recorrida não fez nenhuma referência a eles. Os referidos documentos são laudos de vistoria, documentos relativos à ação judicial acima citada, atestados passados por instituições financeiras, relação de clientes, balancetes e livros contábeis, contratos de locação de imóveis, documentos expedidos pelo fisco catarinense, entre outros, por meio dos quais a defesa tentou comprovar alegações destinadas a refutar a acusação fiscal de que a FREE TRADE não possuía capacidade operacional, os quais foram desconsiderados pela decisão recorrida. É certo que o julgador não tem a obrigação de analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para alcançar a convicção necessária para julgamento do processo, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp n. 874793/CE e REsp 876271). Todavia, ele não pode se eximir da análise de documentos e de argumentos que sejam decisivos para o deslinde do processo. No processo administrativo tributário, não pode a DRJ ou o CARF simplesmente restarem silentes a respeito da determinado fundamento da defesa apresentada pelo contribuinte que de fato pode culminar no cancelamento da autuação fiscal, sob pena de evidente afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa, da justiça, da equidade, além da busca da verdade material. O art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. No caso concreto, é inconteste que a falta de análise específica de argumentos ventilados em sede de impugnação, em conjunto com os documentos a ela anexados, violou o direito de defesa do contribuinte e suprimiu um grau de jurisdição, o que merece reparo por parte deste colegiado. Com esses fundamentos, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário para anular o acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, determinando Fl. 6372DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de origem, a fim que nova decisão seja proferida na boa e devida forma. Antonio Carlos Atulim Fl. 6373DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 12326.000073/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PREJUDICIAL DE MÉRITO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11).
Numero da decisão: 2301-004.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1338.242, exarado pela 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro II (fls. 53 a 56 – numeração dos autos eletrônicos). Reproduzo trechos do relatório do acórdão recorrido: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 00 73 /2 01 0- 98 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Foi efetuada Notificação de Lançamento de fls. 06/11 em razão de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 39.409,45, na declaração de rendimentos relativa ao Exercício de 2008, AnoCalendário 2007. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 09, verifica se que foram excluídos os pagamentos efetuados à EletrosSaúde em nome de não dependentes na DIRPF. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, fls. 03/06, alegando, em síntese, que: (...) Este valor, R$ 39.409,45, referese ao que foi pago por mim à ELETROS SAÚDE por meu sogro Francisco Antônio Mandarino Filho (CPF: 007.005.00772), nascido em 10 de agosto de 1904 e minha sogra Luz Mandarino, nascida em 02 de outubro de 1913, pais de minha mulher, filha única, Regina Célia Mandarino Medeiros, casada comigo em comunhão de bens, com renda própria insuficiente, já oferecida a tributação da Receita como minha dependente. Meus sogros eram meus vinculados no Plano de Saúde, ELETROS SAÚDE, conforme já foi dito. (...) Após intimação, fl. 17, o contribuinte complementou a impugnação anteriormente formulada, requereu novamente que seus sogros fossem considerados dependentes para fins de Imposto de Renda e apresentou a documentação de fls. 21/30. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Na Declaração de Ajuste Anual podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem assim as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao tratamento do contribuinte e de seus dependentes. A ciência pessoal dessa decisão ocorreu em 04/10/2013 (fl. 57). Em 29/10/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 59 a 63), sendo alegado, em síntese, a ocorrência de prescrição da notificação e a extinção da obrigação tributária. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 66). É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.000073/201098 Acórdão n.º 2301004.614 S2C3T1 Fl. 68 3 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÃO PREJUDICIAL DE MÉRITO – PRESCRIÇÃO Não se sustentam as alegações de que teria ocorrido a prescrição do crédito tributário em questão, uma vez que Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, conforme Súmula CARF 11, de observância obrigatória pelos membros do CARF, segundo determinação do caput do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Voto, portanto, por NEGAR provimento ao recurso (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10510.724896/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 24 89 6/ 20 11 -8 1 Fl. 911DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 912 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/SDR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar as alegações de decadência, nulidade e o pedido de juntada posterior de provas, e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação apresentada, para manter o valor do IRPJ em R$ 170.916,76, e exonerar o valor de R$ 52.282,51; manter o valor da CSLL, em R$ 62.075,03, e exonerar o valor de R$ 15.684,75; manter o valor da COFINS em R$ 42.828,05 e exonerar o valor de R$ 16.338,28, e, manter o valor do PIS em R$ 9.547,50, e exonerar o valor de R$ 3.539,96, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive a multa qualificada de 150%, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Constatada a ocorrência de fraude, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. PROVAS. PROTESTO PELA PRODUÇÃO. Resta esvaziado o protesto para a produção de provas, se no decorrer do processo não foi anexado qualquer documento ou elemento que demonstrasse o seu exercício. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 913 3 Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é cabível a aplicação da penalidade qualificada, nos termos da lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Foram lavrados autos de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no valor total (incluídos multa de ofício qualificada e juros de mora) de R$1.143.465,28 (fl. 846). O lucro foi arbitrado porque o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos da escrituração (fl.846). A matéria lançada é relativa a: a) receita omitida, apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada (fatos geradores entre 01/01/2006 e 30/06/2007 fl. 846); b) receita de prestação de serviços em geral, por falta de declaração e recolhimento quanto ao faturamento apurado em notas fiscais de prestação de serviços (fatos geradores entre 01/01/2006 e 30/06/2007 fl. 846). Informa a fiscalização que a DIPJ 2007 (anocalendário 2006), com opção pelo lucro real anual, declarou valores de receitas e despesas iguais a zero. DCTF/2006 também foi apresentada com ausência de débitos. No primeiro semestre do ano calendário 2007 optou pelo Lucro Presumido, e declarou na DIPJ 2008 receitas no valor total de R$ 265.122,53. Entretanto, na DCTF referente a esse período declarou novamente inexistência de débitos tributários. A partir do 2º semestre de 2007 optou pelo Simples Nacional. O contribuinte não apresentou livro diário e razão, embora intimado reiteradas vezes a fazêlo. Efetuouse Requisição de Movimentação Financeira (RMF) ao Banco do Estado do Sergipe (Banese) e Caixa Econômica Federal (CEF), nas quais o contribuinte mantinha contas abertas. Expurgadas as transferências entre contas, foi o contribuinte intimado a justificar a origem dos recursos depositados. No decorrer do procedimento, verificouse existência de notas fiscais de prestação de serviços Série A1, que não compuseram o faturamento declarado, as quais foram somadas e lançadas. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 914 4 Aplicouse multa qualificada pela prestação de DCTF falsa (2006 e 2007) e DIPJ/2007 zerada, pois evidenciam intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais. Nos lançamentos de PIS e Cofins foram abatidos todos os pagamentos constantes de DARF pagos espontaneamente, antes do procedimento fiscal. Não foi identificado pagamento de IRPJ e CSLL. O contribuinte apresentou impugnação (fls.575684) em 26/01/2012, na qual alegou comprovar alguns depósitos (item 1 do auto de infração), mas não contestou a matéria lançada no item 2. A DRJ acatou parcialmente o pedido e excluiu R$544.609,36 da base sobre a qual incidiu a tributação. Intimado do acórdão recorrido em 28/01/2014, interpôs recurso voluntário em 17/02/2014. Na peça recursal a ser submetida à apreciação deste colegiado, reiterou as alegações trazidas na impugnação, aduzindo que: a) Remanesce como matéria litigiosa os valores de depósitos bancários tidos como não comprovados pela DRJ nos meses de janeiro e setembro de 2006 e a imposição da multa qualificada, bem como as alegações preliminares suscitadas de nulidade e de decadência. b) Com relação à alegação de nulidade o acórdão de primeiro grau resumiu as alegações da recorrente desta forma: I. “No caso vertente, o processo se iniciou sem que o mesmo tenha sido instruído com qualquer documento que fosse, a exceção do termo de verificação e auto de infração, o que somente veio a ser retificado quando já tinha fluído metade do prazo impugnativo”. II. “Cumpre destacar que o prazo da Impugnante teve o seu termo inicial em 28.12.11, porém o feito somente foi devidamente instruído com as peças necessárias a partir do dia 10.01.12 à tarde, ou seja, não havia nos autos do processo administrativo qualquer elemento comprobatório de que as argumentações da autoridade fiscalizadora pudesse ser confrontada”. III. “Tal procedimento administrativo de instruir o feito sem qualquer documentação que desse arrimo ao auto de infração causou sérios prejuízos à Impugnante, que não teve tempo hábil para, por exemplo, solicitar as instituições financeiras os respectivos comprovantes da origem dos créditos que, em sua grande maioria, são apenas transferências de contas bancárias da sua titularidade ou ainda empréstimos bancários, e provar que não se tratavam de receitas tributáveis, isto porque desconhecia totalmente o conteúdo do processo já que o mesmo foi instaurado sem qualquer documentação que embasasse o auto de infração”. IV. “Desta forma, evidente a contrariedade aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, principios estes constitucionais cujas formalidades legais são essenciais para a validade do ato (a exemplo do lançamento), e que são uma esperança e garantia de justiça no processo e em qualquer decisão, e devem ser compreendidos como uma garantia fundamental do cidadão, servindo de instrumento para superação de eventuais injustiças processuais substanciais.”. b) De acordo com o acórdão recorrido, quanto à decadência, a recorrente alegou em sua impugnação, em síntese: Fl. 914DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 915 5 VII. “Preliminarmente, é preciso que se observe que, com relação aos lançamentos, relativos aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2006, a Fazenda Nacional, por decurso de prazo, perdeu o direito de lançar a exigência tributária, em face de ter ocorrido a decadência, uma vez que, tratandose do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e das contribuições do PIS e da COFINS, ocorre o chamado "lançamento por homologação". VIII. “Como é cediço, a regra básica, para contagem do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, é a prevista no Artigo 173, Inciso I, do Código Tributário Nacional. Porém, quando se trata de lançamento por homologação, como no caso dos autos, a norma a ser aplicada está contida no Artigo 150, § 42, do mesmo diploma legal”. IX. “Por todo o exposto, podese concluir que perdeu a Fazenda Pública o direito de rever o procedimento adotado pela Impugnante, para os três trimestres do ano calendário de 2006, para o IRPJ e para CSLL, enquanto que para as contribuições sociais do PIS e da COFINS, até os fatos geradores ocorridos até o dia 30/11/2006, não são mais passíveis de controvérsia, estando, de fato, caracterizada a decadência, uma vez que seu objeto é exatamente o direito concedido à Administração Tributária de constituir e/ou retificar o lançamento apurado sob condição resolutória, para posterior homologação”. c) Quanto ao mérito, alega no recurso: c.1) que os depósitos bancários tidos como não justificados nos meses de janeiro (R$ 78.117,50) e setembro de 2006 (R$ 150.000,00, foram devidamente justificados, mediante a apresentação das respectivas notas fiscais de prestação de serviços que correspondem aos créditos verificados na conta corrente; c.2) que, conforme demonstrado, todos os seus clientes são órgãos ou empresas públicas que, por questões de disponibilidade e dotação financeira, em regra, pagam seus títulos após o vencimento, num prazo médio de 45/50 dias, o que justifica os depósitos ocorridos em datas posteriores a emissão das notas fiscais; c.3) com relação ao depósito no valor de R$ 150.000,00 no mês de setembro de 2006, estes correspondem a notas fiscais emitidas em maio, junho, julho e agosto de 2003 que foram recebidas da Secretaria de Estado da Comunicação Social, após três anos de inadimplência; c.4) que todos os títulos representativos das vendas realizadas são cobrados e recebidos através de instituições financeiras, o que justifica o fato de alguns depósitos englobarem várias duplicatas de clientes diversos que são recebidos/liquidados na mesma data; c.5) que seria recomendável a realização de diligências junto aos Clientes, no sentido de averiguar as alegações e registros da recorrente. d) com relação à multa qualificada alega que a fiscalização não deduziu as razões pelas quais qualificou a multa de ofício, e que deve ser aplicado o disposto na súmula Carf nº 25. É o relatório. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 916 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. O recurso é tempestivo, e atende aos pressupostos legais e regimentais. Portanto, dele conheço. A questão de mérito remanescente referese ao lançamento de omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não comprovada, verificados nos meses de janeiro e setembro de/2006, bem como a imposição da penalidade qualificada no lançamento. Preliminarmente o recorrente alega a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, na medida em que o procedimento não estaria instruído com todos os seus elementos de forma que prejudicou o seu direito de defesa. A decisão recorrida analisou a preliminar de forma precisa, de forma que a adoto como fundamento para rejeitar a alegação de nulidade, verbis: Ao examinar os documentos que compõem o processo, verificamos que as alegações apresentadas pelo sujeito passivo não procedem, pois constam do PAF todas as comprovações de ele foi cientificado do início e fim do procedimento fiscal. Além do mais todas as informações que embasaram o lançamento foram diretamente ele requisitadas ao longo do procedimento de fiscalização, conforme comprovam os diversos Termos de Intimação que integram o PAF. Acrescentese, ainda, que no procedimento administrativo de fiscalização vige o princípio da inquisitoriedade, o qual permite que a autoridade fazendária apure eventos de interesse tributário com a finalidade instrutória, estando fora do alcance de questionamentos processuais do interessado. Já na fase do processo administrativo passam a vigorar as garantias processuais do interessado, como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Neste sentido, citase o autor James Marins, no Livro Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Ed. Dialética, 2ª edição, 2002, p. 182. Enquanto que a inquisitoriedade que preside o procedimento permite – dentro da lei – uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, as garantias do processo enfeixam o atuar administrativo, criando para o contribuinte poderes de participação no iter do julgamento (contraditório, ampla defesa, recursos, etc...). (grifo do relator) No caso específico, a Impugnante foi regularmente intimada e obteve acesso a todas as peças da autuação, o que lhe possibilitou apresentar as suas alegações, prazo dentro do qual poderia trazer aos autos todas as provas que entendesse capazes de elidir o lançamento. Ofereceu sua defesa em tempo hábil e demonstrou ter pleno conhecimento dos fatos apresentados, motivo pelo qual afasto a presente argüição de nulidade. Pelas razões retro expostas rejeito a alegação de nulidade. No que concerne às questões de mérito, examinando as alegações da recorrente e os documentos trazidos aos autos, entendo que o presente julgamento deve ser convertido na Fl. 916DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 917 7 realização de diligências com vistas a elucidar as questões pendentes relacionadas à comprovação da origem dos recursos creditados nas contas bancárias da recorrente, nos meses de janeiro e setembro de 2006, pelas razões que passo a expor. A recorrente alega que todos os seus clientes são órgãos públicos que dependem de dotações orçamentárias e disponibilidades financeiras para a quitação das faturas de serviços, o que geralmente ocorre em prazos médios de 45/50 dias. Especificamente com relação aos créditos bancários tidos como não comprovados pelo Fisco, ainda em litígio, a recorrente apresenta demonstrativos detalhados nos quais vincula os créditos bancários à notas fiscais/faturas de prestação de serviços por ela emitidas anteriormente, conforme abaixo reproduzo: Examinando os autos, verifico nas notas fiscais juntadas às fls. 669/712, que de fato elas correspondem a serviços de publicidade prestados a órgãos do Estado de Sergipe, nos meses de novembro e dezembro/2005 e que os valores são equivalentes àqueles créditos recebidos em janeiro/2006, conforme demonstrado no primeiro quadro acima. Verificase, também que os créditos globais efetuados em 03/01, nos valores de R$ 3.796,00 e de R$ 58.737,62 tem origem em serviços prestados com a intermediação de uma mesma agência de publicidade: Makplan, pelo que se infere das observações constantes das notas fiscais. Os créditos de R$ 6.800,00, R$ 8.000,00 foram intermediados pela agência: Mídia Publicidade e R$ 784,00 pela agência: SLA Propaganda Ltda. É prática usual no mercado publicitário que as agências de publicidade que intermedeiam as inserções nos veículos de comunicação recebam o valor integral dos serviços Fl. 917DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 918 8 prestados do anunciante e efetuem o repasse do valor do serviço aos veículos de comunicação, retendo a sua comissão. Por outro lado, todos os créditos do mês de janeiro/2006, relacionados nos extrato de fls. 132, foram feitos mediante TED, DOC ou transferências on line, conforme histórico constante dos extratos. Deste modo, entendo que é possível apurar, mediante diligências junto à própria recorrente, às agências de publicidade e ao Banco do Estado de Sergipe Banese, se efetivamente tais créditos tem como origem o pagamento pelos serviços prestados nas referidas notas fiscais. Com relação ao crédito de R$ 150.000,00, realizado em 08 de setembro de 2006, o contribuinte apresentou 15 notas fiscais (fls. 779/793), no valor de R$ 10.000,00, emitidas em favor da Secretaria de Estado da Comunicação Social do Estado de Sergipe no ano de 2003. Nestas notas não consta nenhuma observação quanto à intermediação dos serviços por agência de publicidade. O contribuinte justifica a grande diferença de prazo entre a emissão das notas fiscais (2003) e o recebimento (2006) como sendo devida ao inadimplemento do governo de Sergipe, por falta de recursos. No extrato do Banese (fls. 159), verificase o seguinte histórico no lançamento efetuado no dia 06/09: "C. Única". O crédito efetivo ocorreu no dia 08/09, com o histórico: "Lib Dep". A coincidência entre os valores creditados na conta bancária junto ao banco Banese e aqueles indicados, individual ou globalmente, nas notas fiscais apresentadas dá alguma verossimilhança à argumentação da recorrente quanto à origem dos créditos bancários. Não obstante, entendo que tais elementos não são suficientes para infirmar a autuação, sendo necessária a realização de diligências com vistas a melhor documentar as operações. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para a realização das seguintes diligências: a.1) Intimação da interessada para: apresentação de outros elementos de que disponha de modo a comprovar o vínculo entre os créditos bancários e as notas fiscais de serviços prestados; comprovar o oferecimento à tributação das receitas informadas nas notas fiscais, no ano de sua emissão; indicar o nome das agências de publicidades que intermediaram a realização dos serviços; e, ainda, identificar as fontes pagadoras dos recurso que deram origem a cada um dos créditos (se as agências de publicidade ou o próprio órgão governamental contratante); a.2) Intimação de terceiros (agências de propaganda e/ou órgãos contratantes) para confirmar a data e forma de pagamento pelos serviços referidos nas notas fiscais; Fl. 918DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 919 9 a.3) Intimação do Banco do Estado de Sergipe, mediante Requisição de Movimentação Financeira RMF complementar ou mediante solicitação de autorização da própria interessada, para informar os remetentes dos recursos creditados na conta bancária da recorrente, conforme indicado nos extratos bancários de fls. 132 e 159, bem como a apresentação dos documentos microfilmados relativos aos lançamentos respectivos; a.4) elaborar relatório circunstanciado sobre as apurações efetuadas e as conclusões quanto a comprovação da origem dos recursos creditados no mês de janeiro/2006 e setembro de 2006, indicados anteriormente. Concluídas as diligências a interessada deve ser cientificada do relatório conclusivo, abrindose prazo para sua manifestação nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Esgotado o prazo para manifestação o processo deve retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA
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Numero do processo: 10803.000064/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL.
Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República.
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA.
Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp n.º 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação.
IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO.
Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos, tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica, o Fisco tem o ônus de demonstrar que o contribuinte foi o efetivo beneficiário dos rendimentos, não bastando para tanto meros indícios e presunções.
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontando-as com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo ano-calendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) reconhecer a decadência referente ao ano-calendário de 2003, vencida a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis; (b) cancelar o lançamento relacionado ao reconhecimento do vínculo empregatício; vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior; (c) cancelar a multa qualificada sobre depósitos bancários de origem não comprovada, vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior; (d) nas demais questões, por unanimidade de votos, acompanhar o voto da relatora, que restou mantido na íntegra. Fez sustentação oral o Dr. Flavio Eduardo Carvalho, OAB/DF 20.720. Redigirá declaração de voto a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souzam Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp n.º 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos, tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica, o Fisco tem o ônus de demonstrar que o contribuinte foi o efetivo beneficiário dos rendimentos, não bastando para tanto meros indícios e presunções. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontando-as com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo ano-calendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Recurso Provido em Parte
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NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp n.º 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos, tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica, o Fisco tem o ônus de demonstrar que o contribuinte foi o efetivo beneficiário dos rendimentos, não bastando para tanto meros indícios e presunções. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 64 /2 00 9- 65 Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 2 OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontandoas com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo anocalendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) reconhecer a decadência referente ao anocalendário de 2003, vencida a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis; (b) cancelar o lançamento relacionado ao reconhecimento do vínculo empregatício; vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior; (c) cancelar a multa qualificada sobre depósitos bancários de origem não comprovada, vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior; (d) nas demais questões, por unanimidade de votos, acompanhar o voto da relatora, que restou mantido na íntegra. Fez sustentação oral o Dr. Flavio Eduardo Carvalho, OAB/DF 20.720. Redigirá declaração de voto a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.454 3 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souzam Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 18ª Turma da DRJ/SP1, nº 1642.908, constante em fls. 2.206/2.256: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 26/11/2009, o Auto de Infração de fls. 1.417/1.426 (numeração do processo digitalizado) acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 1.427/1.434, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 2.410.273,58, sendo R$ 813.082,89 de imposto, R$ 387.355,97 de juros de mora, calculados até 30/10/2009 e R$ 1.209.834,72 de multa proporcional, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física dos anos calendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. Por força da chamada “Operação Persona”, levada a efeito em conjunto pela Polícia Federal e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que tinha por objetivo desmantelar um esquema de importações fraudulentas, e atendendo requisição da Justiça Federal, foi instaurado o procedimento de fiscalização em nome do contribuinte. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal de fls. 1.435/1.641, do qual depreendese, em síntese: 1) Em face da instauração do Procedimento Criminal Diverso nº 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo/SP, diversas planilhas e documentos foram arrecadados, durante a execução dos Mandados de Busca e Apreensão na chamada“Operação Persona”, nas residências e escritórios dos sócios formais, dos sócios informais com cargos de direção e outras empresas integrantes do grupo JDTC/MUDE. 2) A força tarefa realizada entre a Receita Federal do Brasil, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, na denominada “Operação Persona”, conseguiu desmantelar um esquema de importação fraudulento que se valia de empresas e pessoas interpostas. As reais beneficiárias das operações eram a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. (denominada Mude Brasil), CNPJ 04.867.975/000172, e a multinacional americana CISCO SYSTEMS INC. Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 4 3) Em 16/06/2008, o Juiz Federal Dr. Alexandre Cassettari, da Quarta Vara Federal Criminal – 1ª Subseção Judiciária de São Paulo, por intermédio do Ofício nº 3693/2008 – S7 – SVZ, proferiu autorização para a utilização das interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal da 5ª e 8ª Regiões. 4) Pelos dados levantados, verificouse que a composição dos quadros societários das empresas utilizadas pelo esquema era de pessoas sem aparente capacidade econômicofinanceira, interpostas pessoas (“laranjas”), e pessoas jurídicas estrangeiras, em geral sediadas no Panamá, Bahamas, Ilhas Virgens Britânicas ou Estados Unidos, as quais eram, de fato, controladas por pessoas do grupo. 5) Na residência dos principais dirigentes e funcionários da empresa Mude, foram encontrados documentos, planilhas e fluxogramas que comprovam a composição do grupo JDTC/MUDE. 6) A distribuição dos recursos financeiros obtidos através do esquema de interposição fraudulenta ocorria basicamente em paraísos fiscais, através de offshores, e, em território nacional, pela própria MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., mediante pagamentos de prólabore e de prestação de serviços de empresas individuais inexistentes. 7) A estrutura de importação fraudulenta abrangeu empresas sediadas em território nacional e empresas sediadas no exterior. A principal atividade do grupo era a distribuição no Brasil de produtos fabricados pela multinacional americana CISCO SYSTEMS INC, sendo que cerca de 90% das vendas da MUDE eram de produtos fabricados pela CISCO. 8) O grupo empresarial atua no Brasil desde a época da empresa União Digital (de 1996 a 1999), passando pelas Fulfill Distribuidora (de 1999 a 2002) e Fulfill Serviços, sendo esta posteriormente substituída pela Mude, a partir de 2002. 9) Diversas planilhas e documentos arrecadados durante a execução dos Mandados de Busca e Apreensão na chamada “Operação Persona”, indicam que a Mude Comércio e Serviços Ltda. (denominada Mude Brasil) é um dos investimentos de um grupo empresarial transnacional mais abrangente denominado JDTC/MUDE, composto pelos reais responsáveis da Mude e beneficiário direto das práticas de importações fraudulentas coordenadas pela Mude Brasil. 10) Na residência de José Roberto Pernomian Rodrigues, atual diretor de operações e finanças da Mude, foi apreendido um relatório conclusivo do escritório de advocacia Mesquita Neto Advogados, grafado como “Confidencial”, referente a análise de risco no campo fiscal de operações da empresa Mude Comércio e Serviços. 11) Foi encontrada na residência de Marcílio Palhares Lemos, gerente financeiro da Mude Comércio e Serviços, um controle do fluxo financeiro, que comprova que a Mude controlava as contas bancárias das empresas pertencentes à estrutura de importação fraudulenta. Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.455 5 12) As empresas D’Luck, Spcom, Arco, Prime, Tecnosul e Comtec cediam seus nomes para que a Mude Comércio e Serviços abrisse contas bancárias e as transferências que simulavam operações de compra e venda eram orquestradas pela Mude para que os importadores dispusessem de recursos financeiros, quando do fechamento de câmbio e registro da declaração de importação, originando os recursos da Mude Comércio e Serviços. 13) De maneira a ocultar os reais beneficiários pelas operações de importação fraudulenta, os membros do grupo JDTC/MUDE optaram por criar empresas offshores sediadas em paraísos fiscais. Para fins didáticos, denominouse offshores particulares, as empresas de propriedade de cada membro do grupo, e de offshores operacionais, as empresas de propriedade do grupo JDTC/MUDE, todas sediadas em paraísos fiscais. 14) O sujeito passivo faz parte do grupo desde a União Digital e tem vinculação com outras empresas ligadas ao grupo. De acordo com os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, o sujeito passivo é sócio, ou exsócio, de diversas empresas vinculadas ao grupo, como: MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., CNPJ 04.867.975/000172; FULFILL SÉRVIOS LTDA., CNPJ 03.356.503/000138; FULFILL – DISTRIBUIDORA LTDA., CNPJ 03.362.390/000138; MARCELO NAOKI IKEDA, CNPJ 04.465.312/000121; e CASPIAN OVERSEAS LTDA., empresa estrangeira domiciliada nas Ilhas Virgens. 15) Os elementos coletados apontam que o sujeito passivo, além de exercer o cargo de Diretor Comercial, tinha também participação financeira no Grupo JDTC/MUDE, na condição de sócio, pertencendo também ao grupo LIG (ou SIG), subgrupo da organização JDTC, formado por Luis Scarpelli (L ou S), Marcelo Ikeda (I) e Fernando Grecco (G). 16) A Sinbold Holdings Limited (Ilhas Virgens Britânicas) vendeu para a Caspian Overseas Ltda. (Ilhas Virgens Britânicas), ambas tendo, coincidentemente, o mesmo endereço, quotas de capital da Fulfill Holding Ltda. (Ilhas Virgens Britânicas). O contribuinte foi uma das pessoas que assinou como sendo responsável pela offshore operacional Caspian Overseas. ficando o grupo LIG com 75% e o grupo JDTC/Mude, representado por Hélio Benetti Pedreira, com 25% de participação da Mude Comércio e Serviços Ltda. 17) Essa estratégia do grupo, denominada venda de 75% da MUDE pelo grupo JDTC, seria responsável pela alteração do quadro social da empresa Mude Comercio e Serviços. O grupo LIG (Luiz Scarpelli, Ikeda e Grecco) teria participação de 75% e Hélio Benetti Pedreira, representando o grupo JDTC, teria participação de 25%. 18) Segundo documentos arrecadados nas residências de José Roberto Pernomian Rodrigues e de Hélio Benetti Pedreira, o sujeito passivo teria direito a receber US$ 924,480.00 pela venda da MUDE e já teria recebido US$ 288,139.46. 19) Na residência dos membros da organização foram encontradas diversas planilhas contábeis que quantificam a participação de cada um na operação Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 6 denominada “venda de 75% da MUDE”. O contribuinte seria uma das pessoas beneficiadas pela operação com vultosos valores a receber, sendo que boa parte do numerário teria como destino a offshore particular CORDELL ENTERPRISES LIMITED. 20) Foram também encontradas planilhas de onde se extrai que o contribuinte é o proprietários da empresa CORDELL ENTERPRISES LIMITED. A propriedade da Cordell também foi confirmada pelo sujeito passivo, quando este retificou suas Declarações de Ajuste Anual, exercícios de 2004 a 2007, incluindo a empresa entre seus bens e direitos. 21) Assim, conseguiuse comprovar que o contribuinte recebia recursos nas contas bancárias de sua offshore Cordell Enterprises Limited., cujo endereço é Road Town P.O.Box 3175 Tortola, Ilhas Virgens Britânicas. Esse endereço é o mesmo da Cansons Investiments Ltd., Raywell Overseas Limites, April Hodings Overseas Limited e Boynton International Limited, outras offshores operacionais e particulares do grupo. 22) As offshores particulares dos membros dos grupos possibilitam aos mesmos ocultar das autoridades brasileiras patrimônio mantido no exterior e introduzir de maneira disfarçada no país os recursos mediante investimentos das offshores particulares no Brasil, na maioria das vezes, como integralização de capital social em empresas brasileiras que são responsáveis pela propriedade e administração dos bens particulares de cada membro do grupo JDTC. 23) Ficou comprovado na ação fiscal que o sujeito passivo também recebeu remuneração diretamente de outra offshores do grupo, conforme cópia de extrato da empresa Raywell Overseas Limited, que também pertence ao grupo Mude/JTDC. 24) A empresa Raywell Overseas Ltd. recebia diversos ingressos com a descrição “Câmbio RE”, supostamente numerário enviado pelo doleiro utilizado pelo grupo, de nome Renato Lanzuolo Filho. 25) De posse do numerário, a Raywell Overseas Ltd. fez sua distribuição para os integrantes do grupo (MIMarcelo Ikeda, FMGFernando Machado Grecco, PCPedro Costa e LSFLuiz Scarpelli Filho), para a Cansons Investiments, uma outra offshore operacional da organização, e para a Nordstrom, offshore operacional que realiza aportes de capital na Mude. 26) Os documentos arrecadados mediante a “Operação Persona” demonstram que o contribuinte teria adquirido imóveis no Brasil com recursos provenientes dos ilícitos praticados no comércio exterior. Os recursos recebidos pela offshore particular CORDELL teriam sido remetidos ao país a título de integralização de capital social. 27) Nos documentos arrecadados foi encontrado um contrato social da MINES PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS, constando como sócios a empresa Cordell Enterprises Limited e Sandro Takeo Ikeda, irmão de Marcelo Naoki Ikeda. Conforme documentos apreendidos, a Cordell Enterprises Limited é offshore particular do sujeito passivo. Portanto, a Mines Participações e Administração de Bens Próprios Ltda. é uma empresa do contribuinte. Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.456 7 28) Na residência do Sr. Marcílio Palhares Lemos foi apreendido arquivo magnético com controle dos pagamentos aos sócios do grupo MUDE através das empresas individuais de prestação de pagamentos aos sócios do grupo Mude por meio de empresas individuais de prestação de serviços inexistentes. 29) A empresa Marcelo Naoki Ikeda EPP recebeu ingressos com a descrição “Câmbio RE”, supostamente numerário enviado pelo doleiro utilizado pelo grupo, de nome Renato Lanzuolo Filho. 30) A Fiscalização concluiu que a participação do contribuinte no esquema de importação com interposição fraudulenta de pessoas vai além do cargo de direção da Mude Comércio e Serviços Ltda., por ser sócio oculto do grupo JDTC, sendo a Mude um de seus investimentos no país. 31) Foi iniciada a Fiscalização do sujeito passivo, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002008033730, onde se constatou que o contribuinte apresentou Declarações de Ajuste Anual no modelo Simplificado, dos exercícios 2004 a 2008, após a deflagração da Operação Persona, ocorrida em 16/10/2007. 32) Após intimações, a Fiscalização verificou que todas as notas fiscais foram emitidas, sequencialmente, pela empresa de propriedade do sujeito passivo, cuja sede ficava no mesmo endereço onde se localizavam outras empresas de propriedade de outros diretores da Mude Comércio e Serviços Ltda., indicavam apenas um tomador de serviços, a empresa Phase2 – Serviços Diferenciados Ltda., CNPJ 03.273.804/000152, no período de janeiro/2003 a outubro/2003. As Notas do período de novembro/2003 a setembro/2007 foram emitidas, também de forma sequencial, em nome da Mude Comércio e Serviços Ltda.. 33) A empresa Marcelo Naoki Ikeda EPP tem como CNAE a atividade “Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática” e todas as Notas Fiscais emitidas decorreram de “Prestação de Serviços”, conforme consta na “descriminação”das mesmas. 34) Assim, a Fiscalização concluiu que os serviços foram prestados, pessoalmente, pelo sócioproprietário da empresa Marcelo Naoki Ikeda EPP. O Livro de Registros de Empregados apresentado demonstrava que nunca houve contratação de quaisquer funcionários. 35) A Fiscalização verificou, ainda, que os serviços eram prestados de maneira contínua, habitual, exclusiva, nas dependências e com a utilização de equipamentos da Mude Comércio e Serviços Ltda., abrangendo não só a diretoria comercial, mas também as diretorias Operacional e de Marketing. 36) Esses fatos demonstram a existência de vínculo entre o sujeito passivo e a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. e o recebimento de remuneração por “interposta pessoa jurídica” (Marcelo Naoki IkedaEPP). Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 8 37) Não somente o sujeito passivo, mas todos os demais diretores da Mude Comércio e Serviços, prestavam serviços relacionados diretamente com as atividades de forma pessoal, onerosa, habitual e com poder decisório, decorrente da participação societária que detêm, ostensiva e ocultamente. 38) A pessoalidade é constatada pela prestação de serviço pelos próprios diretores, sem intermédio de outrem. O trabalho sempre foi prestado de maneira exclusiva e pessoal pelos próprios “sócios” das empresas contratadas, que nunca tiveram empregados registrados. A não eventualidade e a habitualidade estão presentes na execução de serviços ligados diretamente aos empreendimentos da Mude Comércio e Serviços (atividades essenciais e de necessidade permanente). A onerosidade fica por conta dos valores pagos aos profissionais pelos serviços prestados. Em relação ao poder de direção, em razão das funções exercidas pelos diretores, estes definem os rumos da empresa. 39) Tudo isso evidencia que a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. encobriu a real relação de trabalho entre ela e seus diretores, dentre eles o sujeito passivo, haja vista que utilizou o recurso de contratos de prestação de serviços com empresas interpostas para ocultar a verdadeira situação jurídica, ou seja, a prestação de serviços essenciais ao funcionamento da empresa por pessoas físicas, que no caso em questão, são os seus sócios ostensivos e ocultos. 40) Por fim, a Fiscalização concluiu que os pagamentos efetuados pela Mude Comércio e Serviços Ltda. e Phase2 Serviços Diferenciados Ltda. em favor da empresa Marcelo Naoki Ikeda EPP., valores informados na DIRPJ Simples, foram recebidos por seu sócioproprietário Marcelo Naoki Ikeda, em decorrência dos serviços por ele prestados, que no presente caso é um dos diretores/sócio oculto das contratantes, sendo assim esses valores objeto de lançamento como omissão de rendimentos. 41) Extratos da conta corrente nº 73807E25, do Merrill Lynch Bank, localizado na Flórida (USA), extraídas da mídia eletrônica apreendida junto a Marcílio Palhares Lemos, gerente financeiro da Mude Comércio e Serviços Ltda., comprovam a remessa de valores para a Cordell Enterprises Limited, por intermédio da Raywell Overseas Limited, offshore operacional, também localizada nas Ilhas Virgens Britânicas. 42) A offshore Cordell Enterprises Limited é sócia, no Brasil, da empresa Mines Participações e Administração de Bens Próprios Ltda., CNPJ 08.221.257/000185, situada à Rua Arnaldo Magniccaro, 927, conjunto 03, São Paulo, com 97,50% das cotas, sendo o outro sócio, Sandro Takeo Ikeda, irmão do sujeito passivo, com 2,5% das cotas. Sendo procuradores da Mines o sujeito passivo e sua esposa, Érika Sassaki Ikeda. 43) A empresa Mines permaneceu, desde sua constituição em 2006, sem auferir quaisquer receitas. 44) Concluiuse que os depósitos efetuados em favor da Cordell Enterprises Limited eram na realidade valores auferidos pelo seu proprietário, o sujeito passivo, em decorrência das atividades vinculadas a um esquema fraudulento de importações, já que foram utilizados para a integralização do capital da Mines e, consequentemente, para a aquisição de veículo. Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.457 9 45) Foi apreendida pela Equipe de Busca da Polícia Federal, na residência do sócio do sujeito passivo na Mude, Hélio Beneti Pedreira, planilha intitulada “Retiradas MI até 31/03/2005”, na qual constam os valores creditados para a Cordell Enterprises Limited de US$ 134,112.00 e US$ 85,000.00, em 18/08/2003 e em 14/07/2004, respectivamente. 46) Os valores recebidos pelo sujeito passivo, por intermédio da empresa Cordell Enterprises Limited, convertidos em reais de acordo com a IN SRF nº 208/2002, foram objeto de lançamento de ofício, já que não foram oferecidos à tributação. 47) O contribuinte foi regularmente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem de depósitos bancários que foram efetuados em sua contacorrente nº 53.5372, da Agência 641, do Banco Itaú S/A. A comprovação restringiuse na alegação de que os depósitos decorreram de dívida de terceiros e de recebimento de parcelas de um mútuo financeiro concedido à empresa Momentum Tecnologia Ltda., acarretando sua tributação, nos termos do art. 42, da Lei nº 9.430/96. 48) As receitas brutas correspondentes a valores recebidos pela empresa Marcelo Naoki IkedaEPP e informados em suas Declarações de IRPJSIMPLES foram considerados como origens no Demonstrativo de Variação Patrimonial, que deduzidos dos valores informados pelo sujeito passivo em suas Declarações de Ajuste Anual, resultou valores objeto de lançamento. 49) Em se tratando de variação patrimonial a descoberto decorrente de bens comuns ao casal e tendo sido apresentadas Declarações de Ajuste Anual em separado, a tributação do montante apurado foi efetuado na proporção de 50% para cada cônjuge, após regularmente intimados. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 1.419 e 1.426), o procedimento teve origem na: a) Omissão de rendimentos recebidos de Mude Comércio e Serviços Ltda., decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, pagos através de interposta pessoa jurídica, Marcelo Naoki IkedaEPP: [...] b) Acréscimo Patrimonial a Descoberto Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados: [...] c) Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos: [...] Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 10 d) Omissão de rendimentos correspondente a valores enviados ao exterior e que foram creditados em conta corrente da empresa de propriedade do sujeito passivo, Cordell Enterprises Limited: [...] Cientificado do lançamento em foco, em 1º/12/2009 (fl. 1.418 e 1.642), o interessado apresentou, em 30/12/2009, a impugnação de fls. 1.648/1.755, aduzindo o que se segue. PRELIMINARMENTE As conclusões da Fiscalização baseiamse em dados e arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal e que se destinavam exclusivamente à apuração de eventuais delitos na esfera criminal, sendo certo que apesar de ter sido concedida autorização judicial destinada à apuração de eventuais créditos tributários supostamente devidos pelo impugnante, tal medida é ilegal e inconstitucional. O procedimento adotado pela Fiscalização não tem amparo no disposto nos incisos X, XI e XII do artigo 5º da Constituição Federal, que somente admite a “flexibilização” dos sigilos de correspondência, comunicações telegráficas, de dados e de comunicações telefônicas mediante ordem judicial e apenas para investigação criminal ou para fins de instrução processual penal. Referida proteção constitucional resguarda a privacidade e protege a intimidade econômica e financeira das pessoas. Sobre a vida privada temse as palavras de Celso Bastos in “Estudos e Pareceres. Sigilo Bancário” – São Paulo – RT, 1993, p. 62/67. A Lei nº 9.296, de 24/07/1996, regulamentou a possibilidade de interceptação telefônica, dispondo inclusive que a interceptação de comunicações, telefônicas, de informática ou telemática com objetivos não autorizados em Lei constitui crime apenado com reclusão de dois a quatro anos, além de multa. Temse é o entendimento de Alexandre de Moraes – Direito Constitucional. 13ª edição. São Paulo. Editora Atlas. 2003, p. 86. Grande parte do que foi deduzido pela Fiscalização no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal referese a fatos relacionados às operações comerciais desenvolvidas pela empresa Mude e nada têm a ver com a ocorrência do fato gerador do IRPF. Foram lavrados autos de infração contra a empresa Mude, sob o entendimento de que seria devido o IPI incidente sobre produtos supostamente importados por terceiros por conta e ordem da empresa Mude (processos nº 10803.000134/200802 e 10803.000038/200937) e IPI devido pela equiparação da empresa Mude a estabelecimento industrial, que ainda não foram analisados. A Fiscalização ao lavrar o presente Auto de Infração partiu da premissa equivocada de que o crédito tributário constituído contra a empresa Mude já conteria a presunção de veracidade e legitimidade (próprios dos lançamentos tributários definitivamente constituídos). Valendose dessa situação (o que Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.458 11 demonstra a violação aos princípios da impessoalidade e da motivação, na medida em que esses fatos não tem qualquer relação com a correta apuração do IRPF), a Fiscalização narra no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal fatos tributários relacionados à Mude e alega indevidamente que a suposta sonegação demonstrada nos referidos lançamentos teria beneficiado o impugnante, o que não se pode admitir já que ainda não existe presunção de veracidade e legitimidade nas acusações feitas contra a Mude. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais teve a oportunidade de julgar recentemente caso análogo ao que está sendo discutido pela Mude e houve por bem acatar as alegações do contribuinte, que são os mesmos utilizados e comprovados documentalmente pela Mude para demonstrar a insubsistência dos lançamentos fiscais descritos (processo nº 10314.003911/200611 em nome da empresa LVMH Fashion Group Brasil Ltda.). Não lhe foi concedido vista dos autos do Processo Administrativo que fundamenta a exigência ora combatida, já que referidos autos encontravamse “EM TRÂNSITO” da DIFIS para a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária – DERAT, desde a data da ciência do lançamento, que ocorreu em 1º.12.2009, até o dia 30.12.2009, data do prazo fatal para a apresentação da defesa. Tal situação gerou graves prejuízos para a defesa, uma vez que ao longo do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, a Fiscalização faz diversas referências a documentos juntados a este processo administrativo. MÉRITO O auto de infração não aponta de forma clara e precisa a condição jurídica do Impugnante, confundindo os conceitos jurídicos e as suas consequências no campo tributário, o que demonstra a sua falta de motivação e a sua flagrante ilegalidade. A Auditoria Fiscal não conseguiu definir se o impugnante: (i) é ou foi sócio da Mude; (ii) se o impugnante era um dos sócios ocultos, ou ainda (iii) se ele era empregado da Mude e por isso mantinha vínculo empregatício com a referida empresa. Como o impugnante poderia ser sócio oculto da empresa Mude, sendo que o tipo societário previsto no artigo 991 do Código Civil jamais foi adotado. Se o tivesse feito, tal situação estaria devidamente informada em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, onde há ficha específica para tais informações. Sustenta a Fiscalização que o impugnante efetuou a compra da empresa Mude no ano de 2002, conforme “Instrumento Particular de Cessão de Ativos e Participações e Outras Avenças”. Com a referida compra, o grupo “LIG”, supostamente, formado pelo Sr. Luís Scarpelli Filho, Sr. Fernando Machado Grecco e o impugnante, tornarseia o controlador da Mude. A RFB lavrou autos de infração contra a Mude, objetivando a cobrança de créditos previdenciários, bem como por supostas transgressões de obrigações Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 12 acessórias, nos quais atribuiu ao Impugnante a responsabilidade solidária pelo pagamento de referidos créditos tributários na condição de sócio gerente da Mude. Tais atos demonstram que efetivamente a RFB considera que o impugnante é sócio da Mude, como de fato é, a partir de 2006. Em linha desse raciocínio, a própria Fiscalização autuou a Mude pelo não pagamento das contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre a alegada retirada de prólabore pelo impugnante e de outros supostos sócios da Mude e desconsiderou todos os pagamentos efetuados pela Mude à empresa Ikeda EPP, de propriedade do impugnante, sob o argumento de que tais valores se tratavam de prólabore. Os atos praticados pela Fiscalização violam o contraditório e obstam o pleno exercício do direito de defesa do impugnante e demonstram que o auto de infração é frágil, confuso e sem a devida sustentação legal. Temse lição de Alexandre de Moraes e entendimento do CARF em recente acórdão que houve por bem declarar a nulidade material da autuação fiscal lavrada com omissões e incorreções, na qual não ficaram comprovados todos os requisitos do vínculo empregatício e que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. Nos termos de recente entendimento do Conselho de Contribuintes e admitindose que fosse possível a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Ikeda pela Fiscalização sem ação judicial própria, mesmo assim, a Fiscalização deveria comprovar o vínculo empregatício. Não se sabe qual o fundamento legal utilizado pela Fiscalização para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa Ikeda EPP, o que demonstra a nulidade do auto de infração por violação aos princípios da legalidade e da motivação. Temse passagens referentes à obrigatoriedade da fundamentação legal no Curso de Direito Administrativo do professor Celso Antonio Bandeira de Mello e cita entendimento do antigo Conselho de Contribuinte nesse sentido. A Fiscalização considerou que o faturamento da empresa Ikeda EPP teria sido disponibilizado integralmente ao impugnante, razão pela qual foi aplicada a alíquota de 27,5%. Contudo, a Fiscalização da RFB não tem competência para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa Ikeda EPP. Ao pretender demonstrar a existência de vínculo material de trabalho entre o impugnante e a empresa Mude, a Fiscalização invadiu a esfera de competência da Justiça do Trabalho a quem compete processar e julgar todos os casos oriundos da relação de trabalho, conforme artigo 114 da CF. Em outro processo administrativo, a própria RFB considerou os mesmos valores como rendimentos relativos a prólabore, retirados pelo impugnante como sócio da empresa Mude, sem ao menos definir o período e sem considerar o que de fato aconteceu. Não foi considerado que, até o anocalendário de 2007, a empresa Ikeda EPP efetivamente prestou serviços à empresa Mude. Ainda que se admitisse que fosse possível desconsiderar a personalidade jurídica da empresa Ikeda EPP da forma como foi feita pela Fiscalização, com base no art. 116 do CTN, ainda assim o procedimento adotado pela Fiscalização não Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.459 13 tem fundamento legal, porque o parágrafo único do mesmo artigo 116 depende de regulamentação em lei ordinária, não contendo autoaplicabilidade. Tal entendimento confere com a posição da doutrina de Cleide Previtalli Cais em , 6ª Edição, São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2009, p. 258/259, e do Conselho de Contribuinte e da Delegacia de Julgamento de São Paulo. A suposição de que a Fiscalização teria verificado a presença de simulação não é capaz de embasar a configuração de relação empregatícia entre o impugnante e a Mude. A relação que se estabeleceu entre o impugnante e a Mude não se constitui, nem nunca constituiu, no período fiscalizado, relação de emprego, pois não estão presentes todos os requisitos exigidos pela CLT, quais sejam: subordinação, onerosidade, continuidade, habitualidade e pessoalidade. Não pode prosperar o lançamento por conta da inexistência de relação entre os documentos apreendidos pela Polícia Federal, as interceptações telefônicas e o fato gerador do IRPF, o que além de violentar o princípio da verdade material, demonstra a insubsistência do auto impugnado. A Fiscalização não analisou os documentos baseado na impessoalidade. O procedimento adotado pela Fiscalização violenta também os princípios constitucionais da eficiência, da finalidade, da motivação, previstos também pela Lei nº 9.784/99. A Fiscalização agiu sem obediência ao princípio da moralidade e da boafé, pois o mínimo que se esperaria da RFB seria a verificação real e precisa da ocorrência do fato gerador do IRPF. Temse as palavras do Ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, lição do doutrinador Egon Bockmann Moreira e julgado de Aires F. Barreto do Conselho Municipal de Tributos do Município de São Paulo. No item “002, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO”, a Fiscalização aponta que o impugnante omitiu rendimentos decorrentes de variação patrimonial a descoberto. Tratase de mais um absurdo, considerando que o procedimento realizado pela Fiscalização foi pessoal e tendencioso. A própria Fiscalização observou que, ao intimar o impugnante para manifestarse a respeito das supracitadas variações patrimoniais a descoberto, recebeu a informação de que o valor de R$ 98.500,00 foi equivocadamente considerado na planilha, constando em duplicidade. O impugnante anexou uma cópia de seu extrato bancário, comprovando um saque no valor de R$ 100.000,00, efetuado no mês de setembro de 2006, e a Fiscalização considerou como “renda consumida”. Além disso, a Fiscalização considerou para a lavratura do auto 50% do valor supostamente relativo à variação patrimonial a descoberto para o impugnante e a outra metade para sua esposa. O procedimento adotado pela Fiscalização deve ser afastada, eis que eivado dos vícios de pessoalidade e de imperícia. Para um mesmo fato foi aplicada a Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 14 multa qualificada de 150% para o impugnante e multa por lançamento de ofício de 75% para sua esposa. O impugnante apresentou o extrato de sua conta corrente demonstrando um saque no valor de R$ 100.000,00, que comprova que o impugnante tinha origem para a manutenção do caixa ou dinheiro em seu poder, no dia 31/12/2006. Referida situação foi devidamente informada em sua DIRPF às autoridades fiscais, em atendimento ao que dispõe as normas de preenchimento das informações na referida Declaração. No curso do processo de fiscalização do impugnante, foi solicitado, quando da lavratura do Termo de Intimação Fiscal nº 0001, que fossem elaboradas planilhas contendo todas as informações relativas a rendimentos tributáveis, isentos, sujeitos à tributação exclusiva e definitiva, bem como todos os dispêndios incorridos pelo impugnante no período fiscalizado, com envio de modelo de planilha com bases mensais a ser utilizado. Referido procedimento acarretou em uma transferência do ato de fiscalização ao próprio impugnante que, de fato, se autofiscalizou. Além da necessidade de realização desse volumoso trabalho, por determinação da Fiscalização, o impugnante foi obrigado a apresentar seus extratos bancários relativos ao período, bem como todos os documentos relativos a cada um dos valores informados nas planilhas. O impugnante teve em sua residência a realização da operação de busca e apreensão de documentos e muito do que lhe foi solicitado já se encontravam em poder da própria Fiscalização, que ainda solicitou a identificação da origem de todos os créditos efetuados na conta corrente do impugnante, mantida no Banco Itaú, o que foi atendido de imediato. Muito embora o impugnante tenha informado à Fiscalização a origem de todos os créditos realizados em sua conta corrente, determinados valores foram considerados como não identificados e, portanto, como omissão de rendimentos. Nos moldes do inciso II do parágrafo 2º do artigo 849 do RIR/1999, não haveria necessidade da demonstração da origem de depósitos bancários de valor indivIdual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório não ultrapassasse ao valor de R$ 80.000,00 por anocalendário fiscalizado. Nesse sentido temse posicionamento do CARF. No ano de 2003, um depósito de R$ 43.738,50, efetuado em 31/05/2003, que, além de ser atingido pela decadência, deveria ser desconsiderado. Em 30/10/2009 foi informado que tais valores referemse ao recebimento de comissão pela intermediação de negócios realizados pelo impugnante. A Fiscalização se utilizou de pretensas provas colhidas com o objetivo de instruir o Procedimento Criminal Diverso nº 2005.61.0092851, em trâmite junto à Quarta Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo, e não para fins fiscais. Verificase que de todas as mais de 130 planilhas apontadas em nada guardam relação com verdadeiros documentos que comprovam os fatos supostamente sustentados. A Fiscalização sequer se deu ao trabalho de cruzar as Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.460 15 informações constantes nas planilhas com, por exemplo, extratos bancários, documentos contábeis, financeiros e societários da empresa Ikeda – EPP e, menos ainda, com a empresa Cordell, sediada no exterior. Não foi carreado aos autos do presente processo administrativo nenhum documento que, de fato, tenha verdadeira correlação com as informações constantes nas planilhas mencionadas no curso da fiscalização e a ele atribuídas. As planilhas podem, no máximo, sem a devida comprovação, apontar indícios, mas nunca ter o poder ou a força das provas. As planilhas somente devem se sustentar como provas quando guardarem correlação com a ocorrência de fatos ocorridos, o que se prova por meio de documentos. Todo Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal está calcado na suposição de que a vantagem econômica foi transferida ao impugnante, por meio de transferências internacionais realizadas por um doleiro. Considerase que as transferências tenham sido efetuadas pelo Sr. Renato Lanzuolo ou pelo Sr. Renato Lanzuolo Filho, pessoas que o impugnante sequer conhece. Em relação à suposta operação de venda da Mude, referida operação sequer foi implementada, tendo em vista a desistência das partes signatárias do “Instrumento Particular de Cessão de Ativos e Participações Societárias e Outras Avenças”. O valor do preço que supostamente o impugnante faria jus a receber pela suposta “venda da Mude” seria de US$ 924,480.00, recebendo a parcela de US$ 289,139.46, valor refletido na planilha. Quando da elaboração da Parte C do mesmo Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal, a Fiscalização apontou a mesma planilha e considerou que US$ 134,112.00 e mais US$ 85,000.00, que perfazem US$ 219,112.46, considerados agora como omitidos da tributação e recebidos pelo impugnante por intermédio da Cordell, em remessas efetuadas pelos supostos doleiros, aplicandose as regras contidas no art. 16 da IN SRF nº 208/2002, sem o extrato bancário da empresa. Notese que para a aplicação das regras constantes na IN SRF nº 208/2002 é indispensável a verificação da data do crédito efetuado em conta corrente para determinar o valor em reais dos recursos recebidos. A Fiscalização buscou demonstrar no Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal que os valores apontados na planilha intitulada “Venda da Mude” teriam sido disponibilizados para a empresa Cordell e não a pessoa física do impugnante. Se tratasse de parcelas correspondentes à alienação da participação societária na empresa Mude pelo impugnante, a alíquota aplicável seria de 15% sobre eventual ganho de capital auferido pela pessoa física do impugnante, o que de fato não ocorreu. Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 16 O equívoco contido no auto de infração ao aplicar a alíquota de 27,5% sobre os supostos rendimentos não tem previsão legal e conduz ao reconhecimento da iliquidez da autuação e comprova a sua flagrante nulidade. Em nenhum momento o impugnante foi intimado para esclarecer sobre a referida aquisição da empresa para que, posteriormente, pudesse vendêla. Isso demonstra que a Fiscalização nem tentou ao menos buscar a verdade material dos fatos, o que comprova a fragilidade da ação fiscal. Tamanha imperícia e contradição terminou por violentar o direito à ampla defesa, pois o impugnante não sabe se contra ele foi constituído crédito tributário em decorrência da apuração de ganho de capital, por omissão de rendimentos ou por depósitos bancários de origem não comprovada, o que também não pode ser, porque sequer existe nos autos o extrato bancário da empresa Cordell. Mesmo se admitisse as alegações contidas no auto de infração, ainda assim, o crédito tributário constituído pela Fiscalização foi atingido pela decadência, nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN ou ainda nos moldes do artigo 173, inciso I do CTN e não poderá subsistir. No caso específico de ganho de capital apurado pela Fiscalização na suposta “Venda da Mude”, o IRPF poderia ter sido lançado até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do suposto fato gerador, consoante determina o parágrafo único do artigo 142 e o artigo 852, ambos do RIR/99. Assim, admitindose a aplicação da regra do artigo 150, § 4º do CTN, o lançamento de ofício relativamente aos créditos imputados pela Fiscalização somente poderia ser efetuado até o dia 31/08/2008, ou ainda, até o dia 31/07/2009, haja vista que os fatos geradores ocorreram em 31/08/2003 e 31/07/2004. Notese entendimentos do CARF. Caso se entenda pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I, do CTN, ainda, assim temse que o lançamento só poderia ocorrer no prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado e da mesma forma encontrase extinto o crédito tributário constituído pelo lançamento. Isso porque o fato gerador do ganho de capital é denominado pela doutrina como fato gerador dinâmico e deve ser verificado mês a mês e não anualmente.Dessa forma, se o contribuinte deixa de efetuar o pagamento do tributo devido até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do ganho de capital, as Autoridades Fiscais já estão autorizadas a efetuar o lançamento de ofício e exigir o montante do crédito tributário que entende devido. Assim, o lançamento do Imposto de Renda poderia ocorrer respectivamente em 31/09/2003 e 31/09/2004, ou seja, no primeiro dia do exercício seguinte à data de vencimento do Imposto de Renda que deveria ter sido recolhido pelo impugnante em 1º/10/2003 e em 1º/10/2004, caso essa operação tivesse de fato ocorrido e gerado um eventual ganho de capital. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.461 17 Têmse entendimentos de Zuddi Sakakihara e Vicente Cassoni que consideram possíveis exercícios inferiores ao anual e jurisprudência do TRF da 4ª Região nesse sentido. Portanto, os créditos decorrentes de ganho de capital que foram supostamente auferidos pelo impugnante nos dias 31.08.2003 e 31.07.2004 teriam sido atingidos pela decadência, pois o lançamento foi realizado apenas em 1º.12.2009, ou seja, depois de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento de ganho de capital poderia ter sido efetuado. E, ainda que se considerasse o exercício de forma anual, no caso do crédito efetuado em 31.08.2003, o lançamento já poderia ser efetuado em 1º.01.2004 e ainda assim referido crédito tributário estaria decaído, porque o crédito ora impugnado somente foi lavrado em 1º.12.2009, ou seja após o transcurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados de 1º de janeiro de 2004. Nesse sentido cita doutrina do tributarista Luciano Amaro. Ainda que houvesse utilização de interposta pessoa jurídica na realização das operações em análise, conforme entende a Fiscalização, tal situação não seria suficiente para configurar, por si só, a hipótese de aplicação de multa qualificada de 150%. Para que a multa possa ser exigida, é necessário que a Fiscalização demonstre, por intermédio de apresentação de provas inequívocas, que referidas operações foram feitas com evidente intuito doloso por parte do impugnante, nos termos exatos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Cita entendimentos no mesmo sentido de Plácido e Silva, Celso Antonio Bandeira de Mello, Lourival Vilanova e Pontes de Miranda e decisões do Conselho de Contribuinte ao analisar casos semelhantes. No presente caso, "a Fiscalização apenas acreditou que pudesse afirmar que a empresa Ikeda – EPP e a empresa Cordell são interpostas pessoas jurídicas, sem ao menos, para tanto, buscar a desconsideração de cada uma delas. Contudo, isto não é suficiente para a caracterização do dolo. Para tanto, teria que provar que esta simulação foi praticada com o intuito de fraudar o Fisco, e isto não foi feito.” O mesmo se pode afirmar em relação à suposta omissão de rendimentos, já que esses valores não foram declarados nas DIRPF do impugnante pelo simples fato de que não foram por ele recebidos, ou ainda, não eram de sua titularidade. Não há como negar que referidas empresas estão regularmente constituídas e são titulares de direitos e de deveres. Todos os atos relativos à sua constituição foram devidamente registrados nos órgãos competentes e não cabe à Fiscalização apenas desconsiderálos. A Fiscalização não comprovou ação ou omissão dolosa por parte do impugnante, uma vez que os fatos a ele atribuídos sequer ocorreram da forma com que foi colocada. A Fiscalização apenas transcreveu os dispositivos legais, sem apontar as provas que ensejariam a sua aplicação. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 18 Todos os atos comerciais praticados pelo impugnante foram devidamente escriturados e declarados às autoridades fiscais e todos os tributos devidos em referidas operações foram efetivamente recolhidos pela empresa Ikeda EPP. Todos os rendimentos auferidos pelo impugnante foram devidamente considerados e informados em suas DIRPF, onde foram considerados todos os bens de propriedade do impugnante. Quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não escritura em seus registros comerciais e fiscais, não declara essas operações nos formulários de entrega obrigatória e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações. Nenhuma dessas condutas foi praticada pelo impugnante para deixar de pagar tributo. Todas as operações bem como seus efeitos tributários foram devidamente registradas nos documentos fiscais e contábeis de sua empresa, que efetivamente prestou os serviços à empresa Mude. Nada foi omitido a ninguém, sequer as empresas situadas no exterior. A Fiscalização informa que as DIRPF do impugnante foram retificadas somente após a deflagração da Operação Persona. Nos termos do parágrafo 1º do artigo 7º, da IN RFB nº 918/2009, a declaração retificadora substitui integralmente a declaração retificada. A Fiscalização sequer apontou qualquer irregularidade na apresentação dessas DIRPF, já que a RFB ainda não havia iniciado o processo de fiscalização do impugnante. Esses dados, além de prejudicar uma decisão imparcial da Turma Julgadora, só acrescenta informações desnecessárias à verificação da ocorrência ou não dos fatos geradores do IRPF. As referidas DIRPF somente foram retificadas para corrigir algumas informações anteriormente prestadas pelo impugnante, oportunidade em que foram tributadas por meio de denúncia espontânea todas as importâncias que haviam sido disponibilizadas ao impugnante. No Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal, a Fiscalização referese a empresas situadas no exterior como “constituídas em paraísos fiscais”. Constituir empresas em tais localidades não é ilegal. Portanto, descartada está a possibilidade de alegação de fraude. Não há que se falar em conluio no presente caso. A ocorrência de conluio foi apenas considerada pela Fiscalização ao transcrever o dispositivo legal que trata do assunto. Não há em nenhuma passagem a consideração taxativa da ocorrência do conluio, portanto, não se pode admitilo. Conforme evidenciado pela documentação apresentada no curso do processo administrativo e de fiscalização, não existe ação dolosa do impugnante. Muito pelo contrário, todas as operações realizadas por ele ou por sua empresa foram devidamente registradas e contabilizadas e nunca foram omitidas. Não tendo demonstrado que o impugnante praticou qualquer um desses tipos penais, tendentes a impedir o surgimento da obrigação tributária, ainda que fosse Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.462 19 possível a exigência de multa de oficio, essa não poderia ser exigida de maneira agravada/qualificada. Ainda que pudesse prevalecer qualquer argumentação no sentido de que o impugnante utilizouse de interpostas pessoas jurídicas, não se demonstrou que essa utilização teve o objetivo claro de fraudar o Fisco. O impugnante não era e nunca foi empregado das empresas Phrase2 ou ainda da própria Mude, como ele prestaria os seus serviços a tais empresas? Onde está a operação que visou evitar ou retardar a geração da obrigação tributária, sendo que a empresa Ikeda EPP efetuou o recolhimento de todos os tributos por ela devidos? Sobre o tema, temse decisão proferida nos autos do processo nº 11051.000569/0004, de lavra do ilustríssimo Conselheiro Nelson Mallman, integrante da 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte. Assim, a Fiscalização entendeu pela aplicação da multa qualificada de 150% sob a alegação de que ocorreu sonegação, fraude ou conluio, de maneira genérica, sem enquadrar devidamente o procedimento adotado ao que, de fato, aconteceu. No direito tributário, a exemplo do que ocorre na seara penal, vigora o princípio da tipicidade cerrada, que demanda a descrição pormenorizada do fato capaz de atrair vínculo jurídico tributário, exigindo a previsão de cada um de seus elementos configuradores, tais como o próprio fato gerador, o momento em que se considera implementado, o lugar de sua ocorrência, entre outros. Cita posição do tributarista Alberto Xavier sobre o princípio da tipicidade cerrada. O artigo 50, inciso V, da Lei nº 9.874/99, que dispõe que todos os atos administrativos que decidam recursos deverão ser motivados com a indicação clara e precisa dos fatos e fundamentos jurídicos, foi absolutamente ignorado. Verificamse acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ocorreu o pagamento antecipado dos tributos, ainda que insuficiente no entendimento da Fiscalização, portanto, entendese plenamente aplicável ao caso a regra do artigo 150, § 4º, do CTN e assim encontrase decaído o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos até o dia 30/11/2004. Têmse entendimentos do tributarista Sacha Calmon Navarro Coelho, do CARF e do Superior Tribunal de Justiça. Não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios mediante a utilização da variação da taxa correspondente ao Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A taxa SELIC foi criada para medir a variação apontada nas operações do SELIC. É uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal. Sua fixação visa a remuneração Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 20 do investidor, de uma forma competitiva, e não para ser aplicada como sanção, por atraso no cumprimento de uma obrigação. É nesse sentido o entendimento de Maristela Miglioli Sabbag e do professor Ives Gandra da Martins. Devese ressaltar que a referida Taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil, o que ofende o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no artigo 161, parágrafo 1º do CTN. Citese entendimento do Exmo. Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Domingos Franciulli Netto, em artigo publicado na Revista Dialética de Direito Tributário nº 58 sobre a inconstitucionalidade da taxa Selic para fins tributários e acórdão do E. Superior Tribunal de Justiça. Em 11/05/2011, o processo foi encaminhado para a DERAT/SP para que o interessado fosse intimado para vista do processo, considerando que na impugnação alegou que os autos do processo não estavam disponíveis desde a data da ciência até o dia 30/12/2009 para vista na repartição de origem, já que referidos autos encontravamse “EM TRÂNSITO” da DIFIS para a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária – DERAT. O Interessado foi intimado para vistas do processo, facultando complementação à impugnação, em 25/05/2011, conforme fls. 1.979 e 1.980. Em 22/06/2011, apresentou Impugnação Complementar de fls. 1.985 a 2.000, alegando, em síntese, algumas razões já anteriormente expendidas na referida impugnação de fls. 1.648 a 1.755 e outras, conforme relatadas a seguir. Alega o contribuinte que a Delegacia de Julgamento reconheceu o cerceamento do seu direito de defesa e, por meio da concessão de novo prazo para acesso dos documentos ao Impugnante, busca uma tentativa de sanar o vício perpetrado pelo auto de infração. Contudo, a manutenção e aproveitamento do auto não merece prosperar, visto que o cerceamento de defesa macula o auto por atingir um dos requisitos indispensáveis à sua formação e validade, o que é causa insanável de sua nulidade. Alega que deverá ser reconhecida, juntamente com as violações ao princípio do contraditório e da ampla defesa, a ausência de motivo e de publicidade de parte integrante, declarando nulo o auto de infração. Nesse sentido têmse entendimentos do Professor Eurico Marcos Diniz de Santi, do Mestre Celso Antonio Bandeira de Mello, de Daniel Monteiro Peixoto e de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Alega também o Interessado que outra nulidade que macula as supostas provas acostadas pela Fiscalização diz respeito à utilização de provas em língua estrangeira, sem a devida tradução juramentada. Argumenta ainda que não é válida a tentativa de “aperfeiçoamento” do lançamento realizado pela Delegacia de Julgamento ao determinar a realização de diligência. Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.463 21 Ainda que fosse válido, o Auto de Infração não poderá prevalecer, tendo em vista que esse “aperfeiçoamento” ocorreu após o transcurso do prazo legalmente previsto pelo artigo 150, §4º, ou ainda pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. Isso porque transcorreram mais de 5 (cinco) anos entre a ocorrência dos fatos jurídicos, cujos fatos geradores ocorreram entre 01/01/2003 e 31/12/2007, e a data da ciência, 25/05/2011, data que se considera efetivado o lançamento tributário. Nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN, a renda supostamente auferida antes do dia 25/05/2006 foi atingida pela ocorrência da decadência e, ainda, que se aplicasse a regra do artigo 173, I do CTN, todos os valores lançados de janeiro de 2003 a dezembro de 2004 encontramse decaídos. Alega também que no caso da tributação de ganho de capital da suposta venda da participação societária na empresa Mude, o crédito tributário impugnado encontrase decaído, na medida em que ocorreram mais de cinco anos entre a ocorrência dos fatos geradores (31/08/2003 e 31/07/2004) até a data da ciência da decisão da DRJ que concedeu ao Impugnante vista das cópias que instruíram o auto de infração (25/05/2011), com a aplicação de ambas as regras (do artigo 150, § 4°, e do artigo 173, inciso I, do CTN). Por fim, reitera e ratifica tudo que foi aduzido em sua impugnação. A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a impugnação. O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1642.908 da 18ª Turma da DRJ/SP1 em 24/04/2013 (fl. 2.262). Sobreveio Recurso Voluntário em 23/05/2013 (fls. 2.263/2.328), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. Em 29/01/2014, o Recorrente requereu a desistência parcial do recurso voluntário, posto que aderiu ao programa de anistia instituído pela Lei nº 12.865/13, e optou por efetuar o recolhimento do IRPF sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário 2003, no valor de R$ 43.738,50, porém, com multa de 75% e não qualificada nos termos da autuação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. PRELIMINARES Preliminarmente, alega o Recorrente a impossibilidade de utilização das provas obtidas no Procedimento Criminal n.º 2005.61.0092851, da 4ª Vara Federal Criminal da Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 22 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (SP), sob o argumento de que tal medida não encontra amparo no artigo 5º, incisos X, XI e XII, da Constituição. Não é esse, contudo, o entendimento que deve prevalecer. Exatamente como determina o artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República, a quebra do sigilo das correspondências e comunicações foi realizada em cumprimento de ordem judicial (Ofício n.º 3693/2008 – S7 – SVZ, emitido em 16/06/2008 pelo Exmo. Juiz Alexandre Cassettari – cf. fl. 1.846), nos termos estabelecidos em lei para fins de investigação criminal. Mediante requisição da Justiça Federal, servidores da Secretaria da Receita Federal do Brasil participaram da investigação criminal na condição de assistentes técnicos. Não há vedação na Constituição, tampouco na legislação relativa ao processo administrativo, acerca do traslado de documentos ou utilização de provas realizadas em processo diverso. A propósito, em consonância com o Texto Constitucional, o artigo 332 do Código de Processo Civil autoriza o seu uso, ao determinar que “todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa.” Importante consignar, ademais, que a lavratura do auto de infração observou os ditames do devido processo legal, possibilitandose ao contribuinte o exercício do contraditório e ampla defesa. Nesse sentido, considerando que as provas foram produzidas em face da regular instauração do procedimento criminal e que foram observadas as garantias do contribuinte no processo administrativo tributário, não há que se falar em nulidade decorrente da sua utilização, como, aliás, já reconheceu em inúmeras oportunidades esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo do julgado cujo excertos ora se reproduz: “(...) PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL – DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – PROVA EMPRESTADA – POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO – DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA – DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO O fisco pode se valer de prova emprestada, produzida em outro processo administrativo fiscal ou mesmo processo judicial, inclusive em processo criminal. Não há necessidade de que a prova do Processo Administrativo Fiscal seja produzida por AuditorFiscal da Receita Federal. Peças incidentais em língua estrangeira, as quais não criaram qualquer dificuldade para a defesa do recorrente, estando, ressaltese, nos pontos que interessam à solução da presente lide, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Polícia Federal, não inquinam de nulidade o lançamento em debate. (...).” (Recurso Voluntário ref. Processo Administrativo n.º 18471.001360/200641, Acórdão n.º 10617029, Relator Giovanni Christian Nunes Campos, j. em 07/08/2008). Também não merece acolhida a preliminar arguida pelo Recorrente acerca da nulidade do lançamento por suposta violação aos princípios da impessoalidade e da motivação, Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.464 23 em razão da inexistência de relação entre as atuações fiscais lavradas em face da empresa MUDE e a apuração do IRPF havida nos presentes autos. Afastase também a alegação do Recorrente de que a Fiscalização teria partido da premissa de que teria havido uma operação de venda da empresa Mude ocorrida em 2002, no entanto referida operação sequer foi implementada, tendo em vista a desistência das partes e tal informação não interferiu no lançamento. Rejeitadas as preliminares arguidas pelo Recorrente, passo ao exame do mérito. DA DECADÊNCIA No caso em exame, embora a alegação da parte de que houve pagamento antecipado para o anocalendário de 2003, compulsando os autos, não consta comprovação de tal alegação, não há pagamentos, bem como não há retenção de Imposto de Renda na Fonte, portanto, com fundamento no recurso repetitivo do STJ, REsp n.º 973.733/SC, resta inaplicável o art. 150, § 4º, do CTN. Passo a análise da aplicabilidade do art. 173, I, do CTN. Inicialmente, cumpre esclarecer que a interpretação desta relatora quanto a contagem do prazo decadencial através do recurso repetitivo, REsp n.º 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CP, utilizava a interpretação dada no AgRg no AResp 252942/PE, conforme pode ser constatado na citação abaixo, vejamos: [...] 6. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art.173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 7. In casu, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1994, o lançamento somente poderia ter sido realizado no decorrer do ano de 1995, de modo que o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1996. Como o prazo decadencial de cinco anos se encerraria em 31 de dezembro de 2000, e a constituição do crédito tributário deuse em junho de 2000 (fl. 593), não há falar em decadência do direito de lançar o tributo. 8. Agravos Regimentais não providos. Através da súmula do CARF n.º 38, abaixo transcrita, bem como da jurisprudência do STJ, no caso de Imposto de Renda Pessoa Física, restou consolidado o entendimento de que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. In verbis: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 24 partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Não obstante a interpretação anterior desta relatora ser diversa, de acordo com o art. 62 do Regimento Interno do CARF, esta conselheira não pode afastar a aplicação dos recursos repetitivos do STJ e, sobre a matéria da aplicabilidade do art. 173, I do CTN, em relação a contagem do prazo decadencial, o REsp n.º 973.733/SC Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC, nos excertos abaixo transcritos, assim determina: [...] 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). [...] Sendo que fato imponível e fato gerador são sinônimos, contando o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, no caso em análise, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2004, de forma que o prazo decadencial se esgotaria em 31.12.2008. Assim, considerando que o Recorrente foi cientificado do lançamento em 1º/12/2009, verificase que decaiu o direito do Fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento em relação ao ano de 2003. Ademais, cabe registrar, que andou bem o STJ, quando da análise do prazo decadencial no REsp n.º 973.733/SC, submetido ao art. 543C do CPC, ao afirmar que “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, visto que, a entrega no ano seguinte ao fato gerador é apenas a Declaração de Ajuste Anual, a qual (obrigação assessória) não tem efeitos jurídicos para fins de início da contagem do prazo decadencial, sendo certo que o Ajuste Anual somente tem a função de apurar crédito ou débito em relação ao Fisco. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DAS PESSOAS JURÍDICAS MUDE E MARCELO NAOKI IKEDA EPP OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA OFFSHORE CORDELL Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.465 25 O caso dos autos, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, decorre de fatos desvendados em decorrência da chamada “Operação Persona”, deflagrada em 16/10/2007 pela Receita Federal do Brasil conjuntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, com a instauração do Procedimento Criminal n.º 2005.61.0092851, que tramitou na 4ª Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (SP), a qual apontou um esquema de importação tido por fraudulento, valendose de empresas e pessoas interpostas, cujas reais beneficiárias eram a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. e a multinacional americana Cisco Systems Inc. Diante do conjunto probatório obtido, constatouse a participação efetiva do sujeito passivo Marcelo Naoki Ikeda no esquema fraudulento JDCT/Mude e, concomitantemente, dos recebimentos pelo próprio de rendimentos tributáveis por participações nos resultados do Grupo JDCT/Mude. Consoante se extrai do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal que o Grupo JDCT/Mude era constituído por empresas sediadas no Panamá, Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas, Estados Unidos e Brasil. A distribuição dos recursos financeiros obtidos através do esquema de interposição fraudulenta ocorria basicamente em paraísos fiscais, através de offshores, e, em território nacional, pela própria MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., mediante pagamentos de prolabore e de prestação de serviços de empresas individuais inexistentes. Foi lavrado assim, o presente Auto de Infração decorrente de omissão de rendimentos recebidos da empresa Mude Comércio e Serviços Ltda., pagos através de interposta pessoa jurídica, Marcelo Naoki Ikeda EPP., nos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário de 2006, depósito bancário de origem não comprovada, nos anoscalendário de 2003 e 2004, e omissão de rendimentos recebidos por meio da offshore Cordell Enterprises Limited, em 31/08/2003 e 31/07/2004. Por pertinente, no que tange a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e omissão de rendimentos, cumpre ressaltar que este Egrégio Conselho quando analisou os processos nº 10803.000062/200976 e 10803.000018/201008, envolvendo outros acusados da mesma operação, entendeu que não havia provas suficientes comprovando a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, já que o único elemento em que se baseou as autuações é uma planilha apreendida na residência do contribuinte e de alguns envolvidos. Dito isso, compulsandose os autos, verifico, pois, que, relativamente ao item 01, “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas”, e item 04 "Omissão de Rendimentos", a autoridade fiscal também direcionou seus trabalhos utilizando como parâmetro a citada planilha. A questão destes autos é exatamente a mesma. Assim, utilizome dos mesmos fundamentos dos Conselheiros Relatores nos acórdãos nº 2201002.029 e 2201002.648, que considero bastantes para afastar a exigência fiscal do item 01, “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas”, e item 04 "Omissão de Rendimentos" pedindo vênia para a transcrição: Passo à análise dos outros itens da autuação, os itens 02, 03 e 04. Tratase de valores repassados, respectivamente, às empresas BRAVO TRADING, DELAIR e do doleiro Renato Lanzuolo Filho, o "Lanza". Aqui, diferentemente do que acontece quanto aos aportes de capital na empresa H.M.P. PARTICIPAÇÕES em que há comprovação da efetiva transferência de recursos para a empresa e a utilização, por Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 26 esta, em benefício do ora recorrente, não há nos autos evidência do efetivo benefício do Recorrente no recebimento dos tais recursos. O único elemento em que se baseia a autuação é em uma planilha, apreendida na residência do Recorrente, em que constaria a indicação dos valores repassados às empresas e ao doleiro, o que se supôs tratarse de pagamentos de rendimentos o ora Recorrente. Tratase da planilha às fls. 1409. Ali, como se vê, tratase de mera planilha, sem indicação de autor e que sugere a entrega de recursos às empresas e ao doleiro, ali indicados. A conclusão de que tais valores referemse a rendimentos recebidos pelo ora Recorrente é mera ilação, embora razoável, consideradas as circunstâncias do caso, mas insuficientes, a meu juízo, para configurar prova inequívoca da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda pelo Contribuinte É certo, como ressaltado pela decisão de primeira instância que em operações envolvendo fraude, como este caso, há uma dificuldade natural de se produzir provas da efetividade dos ganhos pelos partícipes de tais operações, dada a ausência de documentos a formalizarem as movimentações financeiras, mas tal dificuldade não dispensa o Fisco de comprovar a aquisição da disponibilidade da renda, o que faz é ampliar os meios de prova admissíveis que, certamente, não são os mesmos daquelas obtidas quando se cuida de operações regulares. Mas uma simples planilha com a indicação e valores sem a referência expressa ao Recorrente, mesmo nas circunstâncias do caso analisado, não permite concluir tratarse de rendimentos pagos ao Recorrente. Assim, como proferido no julgamento dos Acórdãos nº 2201002.029 e 2201 002.648, entendo que, também neste caso não há prova inequívoca da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda pelo recorrente. Isso posto, entendo que devese excluir do presente lançamento o item 01, “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas”, bem como o item 04 "Omissão de Rendimentos". DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto, igualmente ratifico as razões da decisão de primeira instância, por seus próprios fundamentos. A análise patrimonial realizada confrontou os recursos com as aplicações, ambos de acordo com os elementos apurados no curso da ação fiscal, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.560/1.562). Os Demonstrativos de Variação Patrimonial de fl. 1.561, incluídos valores de seu cônjuge, Érika Sasasaki Ikeda, CPF 018.009.12986, demonstram detalhadamente as origens e as aplicações dos recursos, mês a mês, referente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, que resultaram em Variação Patrimonial a Descoberto no mês de março de 2006, no valor de 4.581,28, e no mês de dezembro de 2006, no valor de R$ 90.348,15. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.466 27 Em se tratando de variação patrimonial a descoberto de bens comuns ao casal e tendo apresentadas Declarações de Ajuste Anual em separado, a tributação do montante apurado foi efetuada na proporção de 50% para cada cônjuge. Antes de analisar alguns aspectos pontuais acerca da planilha de evolução patrimonial construída pela fiscalização (fls. 591/593), através da qual foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto, comporta análise da legislação que envolve o procedimento adotado pela fiscalização. O acréscimo patrimonial a descoberto foi lançado com base nos artigos 1º a 3o e §§ da Lei 7.713/88; artigos 1o e 2o da Lei 8.134/90 e artigos 55, inciso XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR/99. No que tange a forma de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, dentre os dispositivos citados no Auto de Infração, interessam para o exame que se propõe, os que a seguir se transcrevem: [...] Lei 8.134/1990 “Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. (...) Art. 4° Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1° de janeiro de 1991, o imposto de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988: I será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês; (...)” De acordo com os artigos transcritos, a partir de 1º de janeiro de 1989, o imposto de renda das pessoas físicas é devido mensalmente, a medida em que os rendimentos incluídos neste conceito os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados e ganhos de capital são percebidos. Portanto, a análise da evolução patrimonial para fins de levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, cuja finalidade é detectar a existência de omissão de rendimentos tributáveis, deve reportarse aos períodos mensais para conformarse às disposições legais. Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 28 Além da exteriorização da omissão de rendimentos, o levantamento de que se trata propicia o arbitramento da renda omitida e, consequentemente, a apuração do montante do tributo devido. Constituise, pois, em ato integrante da atividade de lançamento, que por ser atividade vinculada (CTN, art.142, parágrafo único), deve ser exercida estritamente dentro da lei. Pelo exposto, perfeito o procedimento utilizado pela fiscalização na apuração do imposto devido relativamente à omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto. Cabe, ainda, considerar que o acréscimo patrimonial, assim como a tributação por depósitos bancários de origem não comprovada, é uma das formas colocadas à disposição do Fisco para detectar omissão de rendimentos, edificandose aí, uma presunção legal do tipo condicional ou relativa (juris tantum), que, embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto de verdade, impondo ao contribuinte a comprovação da origem dos rendimentos determinantes do descompasso patrimonial. Assim, muito embora admitam prova em contrário, as presunções juris tantum dispensam do ônus da prova àquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de refutá las. [...] Dessa forma, não é a autoridade lançadora quem presume a omissão de rendimentos, mas a lei, especificamente a Lei nº 7.713/1988, art. 3º, § 1°. Provada, então, pelo Fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados, ou seja, ocorre à inversão do ônus da prova. Frisese que cabe ao contribuinte, se pretende refutar a presença da omissão de rendimentos estabelecida contra ele, provar por meio de documentação hábil e idônea que tais valores tiveram origem em rendimentos tributáveis, não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva e/ou já tributados exclusivamente na fonte. [...] A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada, ainda, no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/1999), art. 55, XIII, e arts. 806 e 807: [...] À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Desta forma, a autoridade administrativa, em procedimento fiscal, utilizase de planilhas de cálculo com o fito de apurar se houve ou não a ocorrência de inconformidades entre a renda informada e os dispêndios e aplicações realizados pelo contribuinte. Ocorrendo diferenças negativas, quando são Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.467 29 verificadas despesas e/ou aplicações, sem cobertura dos rendimentos declarados, cabe ao contribuinte provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito, ou seja, justificar o acréscimo patrimonial com rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. O objetivo da análise patrimonial é verificar a situação do contribuinte, pela comparação, em determinado período, dos valores que ingressaram no seu patrimônio (origens de recursos) com aqueles efetivamente saídos (aplicações de recursos); a metodologia permite detectar se houve excesso de aplicações com relação às origens de recursos, situação que somente pode ser explicada pela omissão de rendimentos por parte do contribuinte. Em outras palavras, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Feitas estas considerações de cunho geral, analisamse a seguir as alegações específicas da defesa. Alega o contribuinte que anexou uma cópia de seu extrato bancário, comprovando um saque no valor de R$ 100.000,00, efetuado no mês de setembro de 2006, valor esse que a Fiscalização considerou como “renda consumida”. Alega que o extrato apresentado demonstrando um saque no valor de R$ 100.000,00 comprova que ele tinha origem para a manutenção do caixa ou dinheiro em seu poder, no dia 31/12/2006, e que atendimento ao que dispõe as normas de preenchimento das informações na referida Declaração. Alega também que o procedimento adotado pela Fiscalização deve ser afastado, eis que eivado dos vícios de pessoalidade e de imperícia. Para um mesmo fato foi aplicada a multa qualificada de 150% para o impugnante e multa por lançamento de ofício de 75% para sua esposa. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. O impugnante não apresenta documentos comprovando a existência de numerários informados em sua declaração de ajuste. Ressaltese que não basta a declaração de ajuste anual para comprovar a existência de numerários em seu poder. È necessário que se faça a prova cabal da sua existência física e que se demonstre documentalmente de onde provieram (saques em dinheiro, recebimentos em espécie, etc.). Ademais, é bastante estranho que alguém mantenha em seu poder, em espécie, tamanha quantia de recursos, com todos os riscos inerentes, deixando de aplicálos às taxas de juros que o mercado paga. O fato de a pessoa física não ter nenhuma obrigação de manter a escrituração de seu numerário não desobriga o contribuinte Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 30 pessoa física de manter a guarda dos respectivos comprovantes, principalmente, tendo em conta a movimentação financeira expressiva realizada no anocalendário em comparação com os rendimentos declarados. Ressaltese que em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 03/05), o contribuinte apresentou planilha de fl. 127, contendo as origens e aplicações de recursos, na qual o próprio sujeito passivo informou, em setembro/2006, “Despesas Gerais” no valor de R$ 101.920,00. Assim, por falta de comprovação, os valores declarados como“VALOR EM ESPÉCIE BRASIL” no valor de R$ 98.500,00, em 31/12/2006, foi corretamente desconsiderado na análise patrimonial, devendo ser mantido o critério adotado pela atuação nesse tocante. [...] Por todo exposto, constatase que o acréscimo patrimonial foi corretamente constituído a partir dos elementos que o Fisco tinha disponíveis, não podendo ser acatados os argumentos do impugnante por total falta de documentos hábeis para tanto. DA MULTA QUALIFICADA SOBRE A OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA ATRAVÉS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Através de petição protocolada em 29/01/2014, o Recorrente requereu a desistência parcial do recurso voluntário, posto que aderiu ao programa de anistia instituído pela Lei nº 12.865/13, e optou por efetuar o recolhimento do IRPF sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário 2003, no valor de R$ 43.738,50, porém, com multa de 75% e não qualificada nos termos da autuação. Em face dos documentos acostados, inclusive da DARF de fl. 2.362, a qual comprova o pagamento da primeira parcela referente ao programa de anistia, passo a análise da multa qualificada aplicada sobre os depósitos bancários de origem não comprovada. Qualquer circunstância que autorize a qualificação da multa de lançamento de ofício no percentual de 150%, deve ser minuciosamente justificada e comprovada. Em relação à omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários, verificase que tratase de uma presunção relativa, a qual incumbe ao contribuinte comprovar a origem dos valores que ingressaram nas suas contas bancárias fiscalizadas, de modo que, a simples apuração de omissão de rendimentos devido à falta de comprovação da origem de tais recursos financeiros, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Isso porque, seria inadmissível que o Fisco utilizandose de presunção legal, além de considerar os depósitos bancários cuja origem não fora comprovada como se rendimentos do contribuinte fossem, ainda qualifique a multa de ofício, penalizando o contribuinte duplamente. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho, que editou súmulas aplicáveis ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, bem como a presunção legal de omissão de rendimentos, por si só, não autorizam a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.468 31 multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Nesse sentido, cabe transcrever julgados deste Egrégio Conselho: "Acórdão nº 2102003.198 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Omissão de rendimentos e depósitos bancários ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 [...] MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)" (grifei) "Acórdão nº 2101002.732 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 [...] DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. Qualquer circunstância que autorize a qualificação da multa de lançamento de ofício no percentual de 150%, deve ser minuciosamente justificada e comprovada. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A falta inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda ou a apresentação da Declaração Anual de Isento, de valores depositados em contas correntes pertencentes ao contribuinte fiscalizado, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos." (grifei) "Acórdão nº 2202002.890 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2014 Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 32 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)." (grifei) "Acórdão nº 2202002.586 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 [...] DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude." (grifei) Relativamente aos depósitos bancários do anocalendário 2004, os quais não foram submetidos ao programa de parcelamento, verificase que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos mesmos. O art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, dispõe que: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.469 33 investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. Assim, a impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada Cabe frisar que, o objeto da tributação não foi o depósito bancário em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, não tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar a origem dos depósitos bancários relativos ao anocalendário 2004, deve ser mantido o lançamento neste item. Assim, no tocante à infração de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários com origem não comprovada, a multa de ofício aplicada deve ser reduzida de 150% para 75%, observados os valores excluídos pela decisão a quo. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Insurgese o recorrente contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, alegando a ausência de previsão legal neste sentido. Não lhe assiste razão. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 34 A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......)” A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.470 35 Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para acolher a decadência do ano de 2003, bem como para excluir do lançamento as infrações de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas (itens 01 e 04), bem como reduzir a multa de ofício de 150% para 75% quanto à infração de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários com origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Declaração de Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Decadência Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, ou em caso de dolo, fraude ou simulação, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 36 § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em síntese, para se determinar o dies a quo do prazo decadencial, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado, ou, ainda, se ficou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Havendo pagamento antecipado e inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento ao Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao rito de recursos repetitivos, art. 543C do CPC, que, por força do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/20151, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 1 art. 62 ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.471 37 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados,tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Relator Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). No caso em análise, verificase que não ocorreu pagamento antecipado, fazendo incidir a regra do art. 173, inciso I, do CTN. A questão de fundo consiste em saber qual é efetivamente o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", de acordo com a interpretação do STJ no REsp 973733/SC. No mencionado Recurso Especial foi negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mantendo a decisão do acórdão recorrido, proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que, por sua vez, confirmou a decisão de primeira instância, no sentido da decadência do direito de o Fisco, em 26/03/2001, constituir o lançamento relativo ao período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 38 O fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento ocorre no último dia do mês da prestação do serviço. Com efeito, naquele caso, o fato gerador da competência mais recente, dezembro de 1994, ocorreu em 31/12/1994 e poderia ser constituído a partir de 1º de janeiro de 1995, de modo que o primeiro dia do exercício seguinte a este último prazo teve início em 1º de janeiro de 1996, encerrandose se após o transcurso de cinco anos, em 31 de dezembro de 2000. No caso do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, nos termos do Enunciado da Súmula do CARF n.º 38, abaixo transcrita, assentado na jurisprudência do STJ: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, em relação ao tributos cujo fato gerador ocorre em 31 de dezembro, caso do IRPF, o lançamento somente pode ser constituído a partir de 1º de janeiro do exercício seguinte, sendo possível afirmar que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento pode ser efetuado corresponde a 1º de janeiro do segundo exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Essa interpretação fica clara no voto proferido pelo relator do REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, em outro processo, específico sobre a decadência no caso de IRPF: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ALEGADA NULIDADE DA CDA. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA Nº 07/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. (..) 8. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, representativo da controvérsia, nos termos do artigo 543C, do CPC, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.472 39 "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). 9. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento do IRPF foi omitida pelo contribuinte a partir de seu vencimento em 30.04.2001, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.2002 com término em 01.01.2007; (d) ocorre que a notificação do contribuinte da constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 16.02.2005, por edital, conforme consta da Certidão de Dívida Ativa. 6. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, I, do Codex Tributário, contandose o prazo de cinco anos, a contar "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), donde se dessume a inocorrência da decadência do direito de o Fisco lançar os referidos créditos tributários. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1199147/SC Rel. Min. Luiz Fux, DJe 30/06/2010). No agravo regimental ao Recurso Especial nº 1.467.333/SP (2014/0166969 2), que também tratou de prazo decadencial aplicável ao IRPF, o Relator, Min. Humberto Martins, fazendo referência ao recurso repetitivo, concluiu no mesmo sentido aqui exposto: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, considerase apenas a existência, ou não, de pagamento antecipado, pois é esse o ato que está sujeito à homologação pela Fazenda Pública, nos termos do art. 150, e parágrafos, do CTN. Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 40 2. Cuidase de débito tributário referente ao IRPF ano base 1992, exercício 1993, sem o devido pagamento do tributo. Logo, o prazo decadencial para Fazenda Pública realizar o lançamento de ofício substitutivo iniciouse em 1º.1.1994. Como a notificação do referido lançamento ocorreu em 1998, não se encontra caracterizada a decadência, porquanto não decorridos mais de cinco anos entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e a constituição definitiva do crédito. (grifei) Aplicação do disposto no art. 173, inciso I, do CPC. Agravo regimental improvido. (AgRg no Recurso Especial nº 1.467.333SP, Relator Min. Humberto Martins, DJe 16/09/2014). A mesma interpretação se repete nos demais julgados do STJ sobre a matéria. Eis alguns exemplos: TRIBUTÁRIO. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RENDIMENTOS. SÚMULA 7/STJ. DISPOSITIVOS LEGAIS IMPERTINENTES. SÚMULA 284/STF. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I, DO CPC. 1. Cuidase, originariamente, de Ação Anulatória que pretende desconstituir lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto relativo a 1994 e 1995. 2. Não está configurada a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal local julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. 3. O Tribunal a quo, mediante análise da prova documental produzida pelo contribuinte, concluiu pela comprovação parcial da origem dos rendimentos tributados. A reforma de tal entendimento demanda revolvimento fáticoprobatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 4. Da mesma forma, o exame das alegadas nulidades havidas no processo administrativofiscal exigem revolvimento de prova documental, uma vez que o Tribunal a quo atestou que "os documentos acostados aos autos demonstram que, ao demandante, foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, nas diversas fases do processo administrativo, tendo sido devidamente observadas as formalidades do Decreto 70.235/72" (fl. 592). 5. Os arts. 333, I, do CPC e 204 do CTN – que disciplinam o ônus da prova e a presunção de certeza e liquidez da CDA – não possuem carga normativa suficiente para amparar a tese da Fazenda Nacional, no sentido da necessidade de averbação do contrato na matrícula do imóvel. Incide, por analogia, a Súmula 284/STF. Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.473 41 6. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 7. In casu, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1994, o lançamento somente poderia ter sido realizado no decorrer do ano de 1995, de modo que o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1996. Como o prazo decadencial de cinco anos se encerraria em 31 de dezembro de 2000, e a constituição do crédito tributário deuse em junho de 2000 (fl. 593), não há falar em decadência do direito de lançar o tributo. 8. Agravos Regimentais não providos. (AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 252.942PE (2012/02347196), Relator Min. Herman Benjamin, Dje 12/06/2013). TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, considerase apenas a existência, ou não, de pagamento antecipado, pois é esse o ato que está sujeito à homologação pela Fazenda Pública, nos termos do art. 150, e parágrafos, do CTN. 2. Cuidase de débito tributário referente ao IRPF ano base 1992, exercício 1993, sem o devido pagamento do tributo. Logo, o prazo decadencial para Fazenda Pública realizar o lançamento de ofício substitutivo iniciouse em 1º.1.1994. Como a notificação do referido lançamento ocorreu em 1998, não se encontra caracterizada a decadência, porquanto não decorridos mais de cinco anos entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e a constituição definitiva do crédito. (grifei) Aplicação do disposto no art. 173, inciso I, do CPC. Agravo regimental improvido. (AgRg no Recurso Especial nº 1.467.333SP, Relator Min. Humberto Martins, DJe 16/09/2014). Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 42 Assim, com base na jurisprudência do STJ, no caso em análise, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ocorreu em 1º de janeiro de 2005, de modo que o prazo decadencial somente se encerrou após o transcurso de cinco anos, em 31 de dezembro de 2009. Considerando que o Recorrente foi cientificado do lançamento em 1º de dezembro de 2009, entendo que não restou configurada a decadência. Omissão de Rendimentos Recebidos da Pessoa Jurídica Mude Comércio e Serviços Ltda. Omissão de Rendimentos Recebidos por intermédio da Offshore Cordell Enterprises Limited De acordo com o Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal (TVCF), fls. 1435 e ss., o presente Auto de Infração, dentre outros fundamentos, decorrente de omissão de rendimentos recebidos pelo Recorrente da empresa Mude Comércio e Serviços Ltda, pagos através de interposta pessoa jurídica, Marcelo Naoki Ikeda EPP. Segundo a fiscalização, a prestação de serviços à sociedade empresária Mude Comércio e Serviços Ltda, no período do lançamento, foi feita pelo próprio Recorrente, com pessoalidade, onerosidade e não eventualidade, o qual atuava como diretor dessa sociedade empresária. Concluiu que a sociedade empresária Mude Comércio e Serviços Ltda simulou a utilização dos serviços da pessoa jurídica Marcelo Naoki Ikeda EPP para remunerar o Recorrente. Por conseguinte, os valores informados pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de lucros distribuídos oriundos da pessoa jurídica Marcelo Naoki Ikeda EPP, comprovadamente recebidos com base em extratos bancários, foram, no presente Auto de Infração, considerados rendimentos tributáveis decorrentes do trabalho na condição de sócio diretor. Portanto, os rendimentos identificados no Auto de Infração "001 rendimentos recebidos de pessoas jurídicas omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica" não foram extraídos de planilha apreendida pela Polícia Federal, mas das declarações de imposto de renda, corroboradas por extratos bancários. Entendo, portanto, que os fundamentos de fato deste lançamento não têm relação com aqueles analisados nos acórdãos deste Conselho nº 2201002.029 e 2201002.648, os quais foram adotados pela i. Relatora em seu voto como razões de decidir, porquanto aqui os rendimentos não foram extraídos de planilha apreendida pela Polícia Federal e restou suficientemente demonstrada a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Ademais, conforme descrito no TVCF, ficou demonstrado, em planilhas apreendidas pela Polícia Federal, que o Recorrente tinha participação societária na Mude e demais empresas do grupo, tendo sido beneficiado com o pagamento da venda de 75% da Mude Comércio e Serviços, ocorrida em 2006, proporcionalmente à sua participação social. Ficou demonstrado também que os recursos ilícitos, decorrentes de importação ilegal de mercadorias, eram destinados à offshore Cordell Enterprises Limited, empresa sediada no exterior (Ilhas Virgens Britânicas), de propriedade do Recorrente. A titularidade da empresa foi reconhecida na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.474 43 E que parte do crédito decorrente da venda da Mude foi destinada à offshore Cordell Enterprises Limited, sendo que do valor devido em 2006 foram abatidos valores adiantados também creditados em favor da mencionada offshore, em anos anteriores. Ficou consignado, na planilha apreendida pela Polícia Federal, que o Recorrente recebeu em 28/06/2004, por meio da offshore Cordell, o valor, em dólares, equivalente a R$ 210.000,00 "para compra da casa". A aquisição da casa, pelo Recorrente, foi confirmada por documentos, inclusive por comprovante de pagamento parcial, no valor de R$ 210.000,00, através de transferência bancária (TVCF, fls. 1596). Assim, o lançamento também se refere à omissão de rendimentos correspondentes a valores enviados ao exterior e que foram creditados em contacorrente da empresa Cordell Enterprises Limited, nos anos de 2003 (U$ 134.112,00 = R$ 382.836,12) e de 2004 (U$ 85.000,00 = R$ 266.662,00), o qual está identificado no auto de infração como "004 omissão de rendimentos". Esses valores foram extraídos da mesma planilha apreendida pela Polícia Federal, na qual constou o recebimento de R$ 210.000,00, pelo Recorrente, cuja aplicação do recurso, na compra da casa, ficou comprovada. A Cordell é sócia majoritária (97,50%) no Brasil, da sociedade empresária Mines Participações e Administração de Bens Próprios, juntamente com Sandro Takeo Ikeda, irmão do Recorrente. Embora o Recorrente figure como procurador da empresa Mines, ele é, de fato, o real proprietário. Ficou demonstrado que parte dos valores destinados à offshore Cordell nos anos de 2003 e 2004, que constam da planilha apreendida pela Polícia Federal, serviram para integralização do capital social da Mines e para a compra de um veículo. A Mines foi constituída em 2006, com capital registrado de R$ 369.140,00 e em 27/10/2006, a empresa efetuou a compra de um veículo, no valor de R$ 172.000,00, cujo pagamento foi autorizado pelo Recorrente, na qualidade de procurador da Mines Participações (TVCF, fls. 1.631). Esses elementos comprovam que ocorreu a disponibilidade da renda recebida por intermédio da offshore Cordell Enterprises Limited. Entendo, portanto, que os fundamentos de fato deste lançamento não têm relação com aqueles analisados nos acórdãos deste Conselho nº 2201002.029 e 2201002.648, os quais foram adotados como razões de decidir do voto da Relatora, porquanto aqui, embora os rendimentos tenham sido extraídos de planilha apreendida pela Polícia Federal, restou demonstrada a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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