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Numero do processo: 11516.720068/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.608
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WILHELM KROON.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 06 8/ 20 13 -4 8 Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.720068/201348 Resolução nº 2202000.608 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, WILHELM KROON, foi lavrado o Auto de Infração cujos fatos geradores ocorreram em janeiro e novembro de 2010 (fls. 869 a 875), relativo à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. O crédito tributário lançado foi de R$ 695.760,92. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 841 a 868. Após a ciência do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 888 a 906, alegando, em síntese, que: 1. a fiscalização aduziu que a impugnante não explorava atividade rural, omitindo ganhos de capital na alienação de terrenos supostamente urbanos, por estarem inseridos em área urbana, conforme Lei Complementar Municipal de Biguaçu nº 12/2009. Assim, entendeu o Fisco que a apuração deveria ser feita pela diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição, nos termos do art. 10, parágrafo 2º, da IN SRF nº 84/01; 2. descreve na peça defensória os três terrenos que foram objeto de autuação e como a fiscalização apurou a omissão de ganhos de capital, contendo o nome dos adquirentes e alienantes, valor de custo, preço de venda, etc. Entre outros elementos de prova, constam nos autos as escrituras de compra e venda dos respectivos imóveis; 3. todos os três imóveis são de Biguaçu: terreno 1 – matrícula n° 9.313 com 115.320,90 metros quadrados; terreno 2 – matrícula n° 9.313 com a mesma área e terreno 3 – matrícula n° 1.545; 4. o Fisco não teria levado em consideração as declarações de ITR (DIAT), conforme documentação anexa; 5. também discrimina na impugnação a forma na qual o impetrante apurou o ganho de capital dos imóveis, levando em conta o que dispõe a IN SRF nº 84/01 e as DIAT’s, de acordo com a documentação juntada ao processo; 6. alega que conforme documentos emitidos pela Administração Pública, o contribuinte explora a atividade rural de carcinicultura, consistente na criação de camarões em viveiros, possuindo nos imóveis diversos equipamentos (tanques e materiais de extração); Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.720068/201348 Resolução nº 2202000.608 S2C2T2 Fl. 4 3 7. portanto, com os elementos apresentados e os que serão juntados em momento adequado, estaria comprovada a atividade rural; 8. procurou demonstrar em sua contestação que os imóveis teriam a característica de rurais, devido a ausência de melhoramentos urbanos e pelo critério de destinação econômica; 9. cita o CTN, art. 32, no qual aponta os requisitos para que os Municípios definam, por meio de Lei, os imóveis como de zona urbana para efeito de aplicação do IPTU; 10. em Biguaçu, a matéria é regulada pelo art. 4º da Lei Complementar Municipal nº 3/07 que segue a Lei Complementar Nacional. No caso em questão, ainda que os imóveis estejam situados em zona de perímetro urbano, pela Lei Complementar Municipal nº 12/09, as áreas fiscalizadas não possuiriam melhoramentos exigidos na Lei, nem tampouco são objeto de loteamento aprovado pela municipalidade, constituindo indubitavelmente zonas rurais; 11. pretende produzir conjunto de provas documentais e periciais que demonstrem que os imóveis não apresentam meio fio, calçamento, abastecimento de água, entre outros, que são exigidos no art. 32 do CTN e na Lei Complementar Municipal nº 3/07; 12. os terrenos 1 e 2 só foram sujeitos ao IPTU a partir de 2012 e o terreno 3 nem possui inscrição. Foi apresentada DIAT e apurado o ganho de capital dos terrenos 1, 2 e 3. O impugnante elaborou o cálculo do ganho de capital com base na legislação aplicada para imóvel rural; 13. não só os imóveis de área rural estão sujeitos ao ITR, mas aqueles que exploram atividade rural ainda que na zona urbana, art. 15 do Decreto Lei nº 57/66. Assim, ainda que o contribuinte não tenha declarado rendimentos dessa atividade, não há como descaracterizar a atividade rural praticada; 14. então, o Fisco estaria equivocado em considerar os imóveis de área urbana, haja vista não existir melhoramentos urbanos e pelo fato de ser praticada a exploração rural alegada; 15. desse modo a fiscalização teria calculado erradamente o ganho de capital dos imóveis, já que não levou em consideração a legislação aplicada para os casos de imóvel rural e nem fundamentou tal motivo para aplicar norma divergente; Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.720068/201348 Resolução nº 2202000.608 S2C2T2 Fl. 5 4 16. o Fisco estaria errado em dizer que ainda que os imóveis fossem rurais, a apuração deveria ser feita pela diferença entre o custo de aquisição e alienação; 17. segundo a IN SRF nº 84/01, só teria cabimento apurar o ganho de capital pelo preço efetivo de alienação caso o contribuinte não apresente a DIAT do ano de aquisição do imóvel rural; 18. assim, não teria ocorrido ganhos de capital; 19. lista na peça defensória os documentos que estão sendo anexados para sua defesa e às fls. 902 e 903 descreve os documentos que serão apresentados posteriormente; 20. cita decisão administrativa para corroborar o seu argumento de defesa; 21. pede perícia nos termos de fls. 903 e 904 para comprovação da atividade rural e ausência de melhoramentos e loteamento; 22. por fim, pede o cancelamento do lançamento. A DRJ julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2010 GANHOS DE CAPITAL. IMÓVEIS DE ÁREA URBANA. Os imóveis serão considerados de área urbana caso exista Lei Municipal determinando tal situação. O que ocorreu na presente hipótese, conforme Lei Complementar Municipal nº 12, de 17/02/09, da Prefeitura de Biguaçu. Não cabe a esta DRJ julgar os fundamentos que deram origem a citada Lei Complementar, sendo essa prerrogativa apenas do Poder Judiciário, caso seja o interesse da parte contrária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.720068/201348 Resolução nº 2202000.608 S2C2T2 Fl. 6 5 Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação. Enfatiza em particular os seguintes aspectos: Da vinculação dos critérios de identificação do tipo de imóvel (rural ou urbano), a luz da jurisprudência da STJ. Do cerceamento do direito de defesa, tendo em vista a necessidade de prova pericial. Dos equívocos da fiscalização na apuração do ganho de capital e a inexistência de motivos para desconsideração das DIATs Da necessidade de apuração do ganho de capital sobre a venda de terrenos 1, 2 e 3,, conforme VTN constante na DIATs no ano de aquisição (2009) e de alienação (2010). Dos documentos novos: É o relatório. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.720068/201348 Resolução nº 2202000.608 S2C2T2 Fl. 7 6 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O lançamento fundamentase em ganho de capital na venda de imóvel. O contribuinte alega que não ocorreu omissão de ganhos de capital na alienação dos três terrenos relacionados nos autos, tendo em vista que os mesmos tratavamse de imóvel de natureza rural. O contribuinte alega que não ocorreu omissão de ganhos de capital na alienação dos três terrenos relacionados nos autos, tendo em vista que os mesmos teriam a característica de imóveis rurais e não urbana como alegado pela fiscalização. Para tanto o impugnante junta ao processo diversos elementos de prova no intuito de justificar a sua argumentação. A DRJ manteve o lançamento com o argumento de os imóveis seriam urbanos, pois existe Lei Municipal determinando tal situação. O que ocorreu na presente hipótese, conforme Lei Complementar Municipal nº 12, de 17/02/09, da Prefeitura de Biguaçu. A autoridade recorrida manteve o procedimento adotado por estar comprovado para a mesma que o imóvel estava dentro do perímetro urbano. Não compartilho desse entendimento, tendo em vista que fundamentalmente o que define a competência do tributo é a destinação econômica do imóvel. Em termos práticos se o imóvel está dentro do perímetro urbano e se destina a atividade típicas da área rural, o tratamento para uma eventual ganho de capital tem que ser de imóvel rural. É necessário comprovar que o imóvel encontrase localizada no perímetro urbano e não se destina a atividade agropecuária, ou ao menos que está sujeito ao tributo de competência municipal do IPTU, em data anterior a ocorrência do fato gerador. Diante dos fatos, face as alegações da recorrente, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providencias: Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.720068/201348 Resolução nº 2202000.608 S2C2T2 Fl. 8 7 1) Para que a autoridade fiscal, após intimar o contribuinte a apresentar provas adicionais do que alega, aprecie as novas provas apresentadas quanto a efetiva comprovação da realização de atividade rural nos imóveis, Verificar se nos referidos imóveis seriam realizadas exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial. É relevante verificar se há inscrição rural desses imóveis na Receita Federal e no IBAMA, ou qualquer outro documento oficial que demonstre esse fato. A autoridade poderá solicitar documentação adicional caso julgue pertinente. Ao final do procedimento, a autoridade deverá imitir parecer conclusivo sobre os fatos e as circunstâncias destacadas. 2) Propiciese vista desse parecer ao recorrente, para se,. querendo, pronunciar, com prazo de 10 dias.. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.720068/201348 Resolução nº 2202000.608 S2C2T2 Fl. 9 8 Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909674/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 390 1 389 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.909674/200942 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.542 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 74 /2 00 9- 42 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909674/200942 Acórdão n.º 3202001.542 S3C2T2 Fl. 391 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13864.000605/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2005
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ESTÁGIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Tendo em vista que não foram observadas as formalidades constantes no art. 28, 9º, i, da Lei 8.212/91, diante da não apresentação dos termos de compromisso de estágio, conforme previsão da Lei 6.494/77, é de se manter o lançamento das contribuições relativamente aos pagamentos efetuados a estagiários.
PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno
TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2005 VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ESTÁGIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Tendo em vista que não foram observadas as formalidades constantes no art. 28, 9º, i, da Lei 8.212/91, diante da não apresentação dos termos de compromisso de estágio, conforme previsão da Lei 6.494/77, é de se manter o lançamento das contribuições relativamente aos pagamentos efetuados a estagiários. PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2005 VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ESTÁGIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Tendo em vista que não foram observadas as formalidades constantes no art. 28, 9º, i”, da Lei 8.212/91, diante da não apresentação dos termos de compromisso de estágio, conforme previsão da Lei 6.494/77, é de se manter o lançamento das contribuições relativamente aos pagamentos efetuados a estagiários. PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 06 05 /2 00 7- 67 Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000605/200767 Acórdão n.º 2402004.594 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de contribuições previdenciárias da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT, do contribuinte individual, e as contribuições a outras entidades (SalárioEducação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE). O presente crédito previdenciário tem sua origem em 1 diferenças apuradas entre as remunerações creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais declaradas em GFIP e o valor das contribuições efetivamente recolhidas em GPS; 2 valores pagos autônomos, conforme Livro Diário da empresa e 3 valores pagos aos trabalhadores relacionados no Anexo II, a título de bolsa de estudo de estágio, sem a comprovação do vínculo de estagiário. Relatório Fiscal às fls. 1217/1226. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 1541/1576, que restou procedente em parte às fls. 1701/1719, sob os seguintes fundamentos: 1) Segundo a corrente doutrinária apresentada, o inciso I do artigo 173 do CTN incidirá quando o contribuinte não tiver promovido qualquer recolhimento do tributo. Já o § 4° do artigo 150 do Diploma Tributário será aplicado quando houver recolhimento parcial passível de homologação; 2) Para o período anterior a 2002, decaiu o direito de o Fisco constituir o crédito em decorrência do disposto no inciso I do artigo 173 do CTN. Para o ano de 2003 e 2004, não há que se falar em decadência, pois as duas normas que tratam da decadência autorizavam o lançamento fiscal em 20/12/2007. Concluindo: decaiu o direito do Fisco de exigir as contribuições relativas ao período anterior a 11/2002, inclusive; 3) No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedada a possibilidade de se afastar a incidência de lei ou decreto, nos termos do artigo 26A do Decreto n° 70.235/72, com redação dada pela Lei n° 11.941/09; 4) O legislador ordinário instituiu a tributação de valores percebidos pelos contribuintes individuais após a autorização constitucional de se tributar qualquer rendimento do trabalho pago ou creditado a pessoa física. É legítima, nesta parte, a exação fiscal; 5) A Fiscalização exigiu a contribuição para o SEBRAE nos exatos termos do § 31 do artigo 80 da Lei no 8.029, de 1990. Segundo a lei, toda a empresa que é contribuinte do SESC e do SENAC, independentemente do porte, deve contribuir para o SEBRAE. Não é possível se acolher a pretensão da impugnante; Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 6) As alegações a respeito do vício normativo atinente ao prazo de recolhimento dos tributos exigidos estão absolutamente desvinculadas da realidade. A fls. 1154, a Fiscalização apresentou as normas que tratam da obrigação de recolher. O fundamento da exação sempre é a lei. Decretos são citados como normas regulamentadoras, não como instituidoras da data de vencimento do tributo. Especificamente sobre o período não decadente, são mencionados o inciso I do artigo 30 da Lei n° 8.212, de 1991, e os §§ 1° e 21 do artigo 71 da Lei no 8.620, de 1993, além de normas regulamentadoras; 7) Melhor sorte não merece a notificada em relação à contribuição para o INCRA, a qual teve origem na Lei n° 2.613, de 23 de setembro de 1.955, que estabeleceu, em seu artigo 61, § 4% a obrigatoriedade de todos empregadores contribuírem para o então "Serviço Social Rural"; 8) A contribuição para o FUNRURAL, nitidamente, é uma contribuição previdenciária. Já a contribuição para o INCRA foi criada no interesse de fomentar o ambiente rural. São duas contribuições diversas, com destinações diferentes e custeadas na forma do artigo 31 do DecretoLei n° 1.146/70; 9) O § 1° do artigo 31 da Lei no 7.787, de 30 de junho de 1.989, in verbis, ao abranger o PRORURAL na alíquota da contribuição previdenciária devida pelas empresas, revogou tacitamente a contribuição para o PRO RURAL prevista no artigo 3 0 do DecretoLei n° 1.146, de 1970. Todavia, manteve intacta a contribuição para o INCRA prevista no mesmo artigo 3°; 10) O SAT, contribuição incidente sobre a remuneração, não é inconstitucional por possuir uma alíquota condicionada aos riscos ambientais do trabalho. As teses expostas pela impugnante são antigas e têm sido rechaçadas pelos tribunais superiores, como por exemplo no julgamento do Recurso Especial n° 781893/RJ; 11) A contribuição incidente sobre a gratificação natalina tem base legal e não existe controvérsia doutrinária ou jurisprudencial a respeito. Tanto assim que o Excelso Pretório editou o Enunciado da Súmula 688; 12) Os acréscimos moratórios foram exigidos conforme dispõe a legislação previdenciária. Pelo princípio da especificidade, a norma incidente no presente caso é o artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991; 13) Em momento algum, a Fiscalização exige da fiscalizada as retenções previstas no artigo 31 da Lei n° 8.212, de 1991. Por não terem qualquer relação com o lançamento fiscal, as argumentações da impugnante devem ser desconsideradas; 14) Devese excluir do lançamento apenas as estagiárias Sabrina Aline Torres de Lima, Ivanilza de Gouvêa e Amanda S de Oliveira, cujo vínculo de estágio foi comprovado pela impugnante; Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000605/200767 Acórdão n.º 2402004.594 S2C4T2 Fl. 4 5 15) Ante a inércia da notificada e a falta de demonstração de que os contratos existem e estão relacionados às pessoas relatadas no anexo II do relatório fiscal, indeferese o pedido de prazo para juntada dos contratos de estágio; 16) No tocante aos prestadores de serviços considerados como pessoas físicas constantes no anexo I, não foi juntada qualquer prova que pudesse macular o crédito constituído; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 1951/1985 alegando, em síntese: 1) Os créditos anteriores a janeiro do ano de 2003 foram atingidos pela decadência, já que a retroatividade das cobranças do INSS fica limitada em cinco anos; 2) A Recorrente foi atuada, NFLD 37.037.1100, por não apresentação dos contratos de estágio, e na sua defesa, além de justificar a não entrega, juntou os originais dos contratos dos estagiários relacionados às fls. 1954/1955. Assim, ante a apresentação dos contratos de estágio, requerse a exclusão dos valores ora impugnados da presente NFLD; 3) A maioria dos contratos solicitados e não apresentados estão juntados no processo movido pelo Ministério Publico do Trabalho em face da ora requerente, e a mesma infelizmente não teve vistas dos autos em tempo hábil; 4) Em relação aos valores pagos a empresas terceirizadas, autônomos e avulsos, a defesa da NFLD 37.037.1100, foi devidamente acompanhada das notas fiscais de n°: 226, 245, 266, 282, 296, 334, 352, 385, 426, 442, 451, 469, 476, 502, 525, 554, 579, 593 e 611, que não foram excluídas para cálculo da contribuição previdenciária. Todas as notas fiscais com data anterior a janeiro de 2003 estão alcançadas pela decadência; 5) A contribuição indireta ao SEBRAE, que não tem nada de adicional, se trata na verdade de uma nova contribuição social e é totalmente improcedente, pois, como criada com fundamento no art. 149 da Constituição Federal, carece de ter sido instituída através de Lei Complementar, dentre outras inconstitucionalidades; 6) Ademais, a Recorrente é empresa de grande porte. Assim todo o dinheiro recolhido à título de contribuição para o SEBRAE será utilizado para pequenas empresas, jamais para financiar atividades da Recorrente; 7) Administradores e autônomos não são empregados, de modo que não recebem salário e sim uma determinada remuneração denominada de pró labore ou honorários. O STF entendeu inconstitucional a expressão “autônomos e administradores”, contida no artigo 3º, I, da Lei nº 7.787189, no julgamento do RE n° 166.7729/RS. No julgamento da ADIN n° 1.1022, o STF suspendeu a eficácia dos vocábulos "empresários" e "autônomos", contidas no inciso I do artigo 22 da Lei nº Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 8.212. Em 1995 o Senado Federal expediu a resolução n° 14, suspendendo a execução da expressão "avulsos, autônomos e administradores", contida no inciso I do art. 3 da Lei n° 7.787, de 1.989. Por tais razões, as competências de setembro de 1989 a junho de 1995 não se submetem à inconstitucional cobrança do prólabore, razão pela qual não pode prosperar o lançamento efetuado pela fiscalização fazendária; 8) A referida contribuição recriada pela Lei Complementar nº84/96 também é inconstitucional, uma vez que afronta o artigo 154 da CF, pois a contribuição só pode incidir sobre salário, faturamento ou lucro. Além disso, infringe também o princípio da isonomia, uma vez que todos os empresários são obrigados a pagar 15% e os privilegiados Bancos apenas 2,5%; 9) Os prazos de pagamento são matéria reservada à lei, por se referir a extinção das obrigações tributárias e à definição de infração e penalidade, além de servir de ponto de partida para o direito dessas obrigações, e conseqüentemente, de agressão ao patrimônio do devedor. 10) O prazo de 30 dias para recolhimento da contribuição previdenciária fixado através da CLPS de 1976 é o mesmo do art. 160 do CTN e continuou em vigor até a promulgação da CF/88, uma vez que não foi baixado nenhum ato legal com força revogatória. Entretanto, os prazos de recolhimento a partir da CF de 1988, vêm sendo sistematicamente alterados através de simples leis ordinárias ou Medidas Provisórias que mesmo transformadas em lei, a posterior pelo Congresso Nacional, o foram na forma de legislação ordinária, o que infringe o art. 146 da Carta Magna; 11) Todas as leis originaramse de medidas provisórias, que só podem ser editadas "no caso de relevância e urgência", o que não é o caso dos dispositivos legais que modificaram o prazo de recolhimento. Basta examinar o art. 62 da CF. Fica assim provado que as referidas leis são inconstitucionais, uma vez que tratam de matéria tributária, não havendo qualquer motivo de urgência e relevância. As referidas leis deveriam ter nascido de projetos específicos na Câmara ou Senado Federal e nunca através de medida provisória; 12) Por todo o exposto fica cabalmente provado que razão assiste à Recorrente, uma vez que o prazo de recolhimento da Contribuição Previdenciária sempre foi de 30 dias, a partir do mês seguinte ao da ocorrência do fato gerador, o qual permanece até a presente data; 13) A Recorrente sempre recolheu as contribuições ao IAPAS, atual INSS, na qualidade de empregador urbano, e a exigência do adicional destinado ao INCRA e ao FUNRURAL em configura cobrança indevida, contribuição sem causa, caracterizando o "bis in idem" e a bitributação. A Recorrente não é produtora rural, mas sim empresa urbana, não estando vinculada a atividade rural, e nem ao fato jurídico gerador das contribuições previdenciárias rurais; Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000605/200767 Acórdão n.º 2402004.594 S2C4T2 Fl. 5 7 14) Em relação à cobrança do SAT, não havendo Lei Complementar em vigência que tenha instituído a contribuição prevista no inciso II, do artigo 22, da Lei 8.212191, alterado pela Lei nº 9.528/97 não se pode exigir tal contribuição como obrigação tributária, pois embora prevista em norma legal, não surgiu ainda no mundo jurídico como norma tributária fiscal, uma vez que não existe obrigação tributária sem lei, no caso específico, a lei válida, ou seja, a complementar; 15) Gratificação não se confunde com o salário/remuneração devida pelo mês de dezembro. Primeiro porque é gratificação, ou seja, mero favor legal, ao qual tem direito o empregado, sem que este tenha de executar qualquer serviço ou trabalho extraordinário no decurso do ano a única relação entre gratificação natalina e o trabalho executado nos meses do ano é para fins de cálculo do respectivo montante segundo dispõem os parágrafos 1 0 e 20 do Art. 1 0 da Lei 4.090/62. No contexto do art. 22 da Lei 8.212191 a Recorrente somente está obrigada ao recolhimento da Contribuição Previdenciária "sobre o total das remunerações pagas ou creditadas...no decorrer do mês”; 16) Em relação à contribuição sobre prestação de serviços de terceiros sob regime de cessão de mãodeobra, nos casos em que há fornecimento de refeições prontas, como o aqui tratado, a operação se sujeita à incidência do ICMS, pois se trata de operação comercial. Este é o entendimento do próprio INSS, conforme se constata através do ofício INSS/DAF/AFAR n° 077/99; 17) Em relação à taxa SELIC, não poderia o Fisco reclamar o pagamento de juros de mora sobre tributos vencidos, calculados por taxas de juros de natureza remuneratória, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios, e de ferir os mandamentos contidos no §10 do artigo 161 do Código Tributário Nacional, inciso I do artigo 150 e no § 3 do artigo 192, ambos da Constituição Federal; 18) A multa de mora cobrada pelo Fisco é absurda, chegando a possuir caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, conforme preceitua o seu artigo 150, inciso IV; Por fim, a Recorrente requereu prazo de 30 (trinta) dias para solicitar cópia dos contratos de estágio faltantes junto às instituições de ensino, anulação do lançamento quanto à contribuição indireta ao SEBRAE e a total improcedência da presente cobrança. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Relator Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, dentre os quais o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Sem preliminares. No Mérito Levantamento referente a contratos de estágio Pretende a Recorrente a exclusão de valores inclusos na base de cálculo da autuação decorrentes de pagamentos a pessoas físicas denominadas pela empresa como ‘estagiários’, sobre as quais a empresa não apresentou contratos de estágio que comprovassem a ausência de vínculo empregatício. Em diligência fiscal, alguns esclarecimentos foram prestados e alguns valores excluídos em razão da apresentação dos respectivos contratos de estágio. Entretanto, nos casos em que a empresa não apresentou a documentação pertinente, o crédito foi mantido. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega que parte dos contratos dados pela fiscalização como não apresentados, em verdade foram juntados na via original em defesa interposta em face da NFLD 37.037.1100. Apresenta lista dos ‘estagiários’ com contratos supostamente acostados. Nos autos, porém, foram encontrados apenas contratos relativos a três estagiárias (fls. 1499/1506). Além disso, nos autos do processo n° 13864.000309/200766, também foram apresentados poucos contratos. Da mesma forma, em informação fiscal de fls. 1575, o fiscal informou que os contratos apresentados naqueles autos, não dizem respeito à lista apresentada às fls. 1220/1238, não sendo portanto considerados para fins de exclusão nestes autos. Não obstante, a empresa Recorrente alegou em sede de recurso voluntário não ter apresentado a totalidade dos contratos de estágio por estarem os originais destes documentos juntados em processo instaurado pelo Ministério Público do Trabalho, não sendo possível ter vista dos autos em tempo hábil. Ao final, requer prazo de 30 dias para solicitação destas cópias. Ora, a Recorrente deu informação idêntica ao fiscal quando questionada sobre estes contratos de estágio. Fosse mesmo o caso de aguardar as cópias destes pelo prazo de 30 dias, a Recorrente já poderia ter trazido os documentos aos autos e, a partir daí, os mesmos seriam analisados para fins de exclusão do crédito tributário. Ao invés disso, a Recorrente, em todas as oportunidades, alega que os contratos estejam indisponíveis e requer prazo para apresentálos. Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000605/200767 Acórdão n.º 2402004.594 S2C4T2 Fl. 6 9 Assim, tendo precluído o direito a produção de provas documentais pela Recorrente, mantenho a autuação com relação aos pagamentos efetuados a profissionais denominados ‘estagiários’ que não tiveram os contratos de estágio acostados aos autos. Alegações de inconstitucionalidade O recurso voluntário traz longa argumentação acerca da inconstitucionalidade da cobrança das contribuições aos empresários e trabalhadores avulsos e autônomos, SESC, SENAC, SENAI, SESI e INCRA, bem como da redução do prazo de recolhimento da contribuição previdenciária e do SAT. Todavia, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação de dispositivos legais, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Da mesma forma verifico que a alegação relativa a violação do princípio do nãoconfisco pela aplicação das multas de ofício também o foram trazidos em sede de recurso sob a alegação da inconstitucionalidade de sua aplicação. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Assim, não cabe a análise por este Julgador das alegações apresentadas pela Recorrente. Na mesma linha, pretende a Recorrente o reconhecimento da impossibilidade de cobrança da contribuição ao INCRA por tratarse de empresa urbana. Todavia, a jurisprudência do STJ é no sentido da validade da cobrança da contribuição ao INCRA, mesmo para as empresas que não se dediquem a atividade rural: PROCESSUAL CIVIL — RECURSO ESPECIAL — CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA E FUNRURAL — LEGALIDADE DA EXAÇÃO — QUESTÃO DE MÉRITO JÁ DECIDIDA COM BASE NA SISTEMÁTICA DO ART 543C DO CPC — DECISÃO PROFERIDA ANTERIORMENTE AO JULGAMENTO DO CASO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. I. A contribuição destinada ao INCRA e ao FUNRURAL pelas empresas urbanas, não foram extintas pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como decidido no REsp 977058/RS, Die 10/11/2008, pela sistemática do art. 543C do CPC. 2. Decisão proferida anteriormente ao julgamento do caso representativo de controvérsia. 3. Agravo Regimental não provido. (Processo AgRg no REsp 999837, Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114), Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento 12/05/2009, Data da Publicação/Fonte Dje 29/05/2009) O Regimento interno do CARF (RICARF), em seu art. 62A, estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dos prestadores de serviços Autônomos A Fiscalização constatou a contabilização de pagamentos a prestadores de serviços identificados na contabilidade da Recorrente como “PG Honorários Ref. 01/03” e “PG Fiorde”. A Recorrente, por sua vez, alega em sede de recurso voluntário que tais pagamentos foram efetuados em favor de prestadores de serviços fornecedores de refeições prontas. Alega, ainda, que por se tratar de refeição pronta entregue, o imposto incidente seria ICMS e não a contribuição previdenciária. Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000605/200767 Acórdão n.º 2402004.594 S2C4T2 Fl. 7 11 Todavia, analisando todos os documentos acostados aos autos, verificamos que em momento algum a Recorrente apresentou os contratos de prestação de serviços em que ficassem comprovadas suas alegações quanto à natureza dos serviços prestados. O que se tem apenas são alegações sem provas da Recorrente de que a operação seria de entrega de mercadoria e não de serviço. Sendo assim, não havendo provas, mantenho a autuação neste ponto. 13° Salário Pretende a Recorrente o afastamento da incidência a contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos empregados a título de 13° Salário. Alega que é ilegal a inclusão da verba na base de cálculo tendo em vista a ausência de caráter remuneratório da verba e sua natureza de gratificação. A Lei n° 8.212/91, ao tratar do saláriodecontribuição em seu artigo 28 estabelece: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; § 7º O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. Neste ínterim, a regra disposta no art. 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, havendo previsão expressa e vigente de que o 13° salário integra o salário de contribuição, nos termos do Regimento Interno deste Conselho, não comporta julgamento da matéria no âmbito administrativo. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Conclusão Pelo exposto, voto para CONHECER o recurso voluntário e a ele NEGAR provimento nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900761/2013-87
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 271/1.281 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 01.278.018/000112). Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 271/1.281 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 76 1/ 20 13 -8 7 Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900761/201387 Resolução nº 3802000.392 S3TE02 Fl. 1.287 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0646.386, da 3ª Turma da DRJ de Curitiba (PR) fls. 221/226, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 30024.47506.250310.1.3.046720, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56416004). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/03/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 569.511,93 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 13/10/2006, sob o código 5856, no valor de R$ 2.114.776,42) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 779.263,17. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 30024.47506.250310.1.3.046720, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56416004). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/03/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 569.511,93 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 13/10/2006, sob o código 5856, no valor de R$ 2.114.776,42) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 779.263,17. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013, a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Na manifestação apresentada, a interessada discorre sobre os fatos havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900761/201387 Resolução nº 3802000.392 S3TE02 Fl. 1.288 3 apresentar documentos que comprovassem a origem do pagamento indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261, e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a compensação não foi homologada. Discorda da decisão e afirma que tanto a DCTF quanto o Dacon foram retificados antes da ciência do despacho decisório. Salienta que a declaração retificadora substitui integralmente a que foi retificada e, por considerar espontânea a transmissão da declaração, pede que a mesma seja acolhida. Transcreve jurisprudência do CARF e, ao final, pede a homologação da compensação. Às fls. 183 a 220, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF e Dacon. É o relatório. Em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 231 (ciência eletrônica – abertura do Portal eCAC). Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl. 233), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 234/249), argumentando em suas razões que: 1) Dos fatos e decisão recorrida Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de setembro/2006. E, consequentemente, a constatação de que o montante, devido para referido período de COFINS era de R$ 3.122.421,87 e não de R$ 3.691.933,80, conforme anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de restituição/compensação na quantia de R$ 569.511,93. Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Da análise do acórdão recorrido revela que o reconhecimento do direito ao crédito está condicionado à comprovação, por meio da apresentação de provas materiais (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON. 2) Das razões da reforma da Decisão Recorrida 2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que, as referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900761/201387 Resolução nº 3802000.392 S3TE02 Fl. 1.289 4 A realização da revisão tinha como escopo criar critérios únicos para apuração do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos. Conforme demonstra a tabela abaixo, que corresponde às fichas l6A e 16B da DACON, a base de cálculo do crédito apurado, no valor total de R$ 17.678.208,58, foi composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de depreciação e valor de aquisição sobre bens do ativo, devolução de vendas, créditos por unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos – importação (quadro demonstrativo elaborado no recurso): Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis da recorrente, anexados ao presente recurso. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do I ICMS entradas de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de cada operação (doc. n° 2), os rótulos de linha (doc. nº 3) as notas fiscais de entrada daquele estabelecimentos (doc. n° 4). Ressaltase que tais demonstrativos foram feitos com espeque nos registros efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS entradas e saídas e nas notas fiscais de entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntamse aos autos as cópias daqueles registros (doc. n° 5). Por conseguinte, algumas destas operações de entrada ensejaram à recorrente, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi devidamente efetuada, nos termos da tabela supramencionada. A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente encontram respaldo nos documentos fiscais/contábeis, juntamse os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 16 – fls. 271/1.281). 2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época da revisão realizada, a recorrente contratou a empresa PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia se encontra acostadas aos autos (fls. 337/359). Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do Brasil. 3) Do pedido Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900761/201387 Resolução nº 3802000.392 S3TE02 Fl. 1.290 5 Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 231 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 04/06/2014 (fl. 233 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 234/249). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata que a Recorrente, após intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório. No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra prova foi apresentada, concluindo a decisão recorrida que “resta inegável que o direito não pode ser reconhecido”. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013 (fls. 10 e 11), a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Consta dos autos que, em relação ao mês de setembro de 2006, a Recorrente transmitiu 03 declarações DCTF (em 07/11/2006, 01/06/2009 e 25/03/2010). Nelas, a contribuinte alterou o débito sob análise de R$ 3.393.916,64 para R$ 3.122.421,87. Por sua vez, quanto aos Dacon, vêse que apresentou dois demonstrativos (em 08/11/2006 e 22/02/2010) com alterações nos débitos apurados. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi cientificado no dia 15/07/2013 (fls.10 e 11) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 22/02/2010 e 25/03/2010, respectivamente, o DACON e a DCTF (fls. 183/220 extratos de consultas sistemas DCTF e Dacon), foram retificados pela Recorrente, afim de alterar o valor da COFINS devida no período de apuração de setembro de 2006. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900761/201387 Resolução nº 3802000.392 S3TE02 Fl. 1.291 6 Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Tais alterações, é válido ressaltar, decorreram da mudança nos valores de diversos outros itens do Dacon, tais como: bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, devolução de vendas, ajustes positivos e negativos de créditos, receitas financeiras, outras receitas, receitas isentas, etc. Aludidos ajustes, como pode ser verificado, ocorreram previamente à ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito ao crédito. Apesar de haver decisões administrativas, como a citada na manifestação de inconformidade, acolhendo tais retificações quando ocorridas antes de a contribuinte ser cientificada de algum despacho/decisão envolvendo os créditos tributários tratados nessas retificações, não há como perder de vista que a contribuinte foi intimada em processo específico (nº 10855.722095/201261), acerca da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas em suas DCTF e em seus Dacon (Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...). (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca dos créditos pleiteados, a discussão acerca da existência do crédito passa, necessariamente, para a comprovação dessas alterações, ou seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações, devese constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do art. 147 do CTN é esclarecedor – houve efetivamente algum erro de fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido. Noutras palavras, o fato de a contribuinte ter retificado espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi intimada a justificar (apresentando provas materiais) as alterações efetuadas na DCTF e no Dacon, a discussão acaba se deslocando justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de setembro/2006. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Destaca que a origem do crédito pretendido está amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC (fls. 337/359), concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900761/201387 Resolução nº 3802000.392 S3TE02 Fl. 1.292 7 utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Enfatiza ainda, que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Pois bem. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 271/1.281), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que: 1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 271/1.281 (planilha de cálculo, informações e cópia de documentos, demonstrativos e extrato de livros contábeis e fiscais), levandose em conta a DCTF e DACON, retificados, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme demonstrativo de apuração elaborado às fl. 241 do recurso voluntário; após, 2) elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.008719/2003-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprovado.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3301-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprovado”. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 87 19 /2 00 3- 76 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.008719/200376 Acórdão n.º 3301002.501 S3C3T1 Fl. 83 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: Contra o Contribuinte supraqualificado foi lavrado o auto de infração referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, fls. 44/49, relativo ao quarto trimestre do anocalendário de 1998, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 54.587,44, incluindose os encargos legais. Depreendese da análise do auto de infração em comento que o lançamento decorreu da não confirmação de créditos vinculados informados em DCTF, uma vez que não fora localizado o correspondente processo judicial, arrimo da compensação utilizada (Proc. Jud. não comprovado, ANEXO I, fls. 46). Inconformado com a exigência fiscal, da qual tomara ciência em 14/08/2003 (fls. 43), apresentou o Contribuinte impugnação em 12/09/2009, fls. 01, onde comprova a existência do processo judicial em referência (n° 9357081, fls. 03/42), requerendo, dessa forma, a improcedência do lançamento. Ao analisar referida impugnação a 3ª Turma da DRJ/FortalezaCE, proferiu o Acórdão nº 0816.923, de 14/01/2010, com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1998 VERIFICAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÃO. Efetuase o Lançamento de oficio quando o Sujeito Passivo não realiza ou realiza com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto ou da contribuição devida. MULTA DE OFÍCIO NÃO ISOLADA, ART. 90 DA MP 2.158 3512001. Nos Autos de Infração lavrados com fulcro no art. 90 da MP 2.15835, de 24/08/2001, cujo tributo devido foi regularmente informado, embora não tenha sido pago, e não estando presentes as circunstâncias versadas no art. 18 da Lei 10.833, de 29/12/2003, descabe a exigência da multa de oficio não isolada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A existência de Medida Judicial, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, não é obstáculo à lavratura do Auto de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.008719/200376 Acórdão n.º 3301002.501 S3C3T1 Fl. 84 3 Infração que visa prevenir a decadência, sendo, todavia, neste caso, inaplicável a multa do Lançamento de Oficio. AÇÃO JUDICIAL/COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO. Havendo Ação Judicial contra a cobrança de tributo ou contribuição, deverá a Unidade de Origem acompanhar o andamento dessa Ação e seguir as determinações legais pertinentes, sendo vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo/contribuição, objeto de Contestação Judicial pelo Sujeito Passivo, antes do trânsito em julgado de Decisão Judicial. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em resumo a decisão recorrida manteve a exigência do tributo e seus acréscimos legais e afastou a exigência da multa de ofício. Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual apresentou as seguintes alegações, em síntese: que interpôs medida judicial objetivando a compensação dos seus créditos de Finsocial com a COFINS (Processo n° 93.57081), a qual foi julgada procedente autorizando a compensação pleiteada com a inclusão dos expurgos inflacionários e da taxa SELIC, tendo inclusive já transitado em julgado; esclarece que referida compensação foi devidamente informada ao Fisco, através de DCTF que era o instrumento estabelecido na legislação tributária à época em que a mesma foi efetivada (IN 21/97 alterada pela IN 73/97 da Secretaria da Receita Federal); que o Fisco Federal, mesmo diante de uma decisão favorável ao contribuinte já transitada em julgado, glosou a compensação perfectibilizada pela empresa, procedendo assim a cobrança da totalidade dos valores compensados através da lavratura de auto de infração; cita jurisprudência administrativa e judicial para afirmar que com a informação do débito tributário em DCTF era incabível a sua exigência por meio de lançamento de ofício e, portanto pede a nulidade e improcedência do auto de infração. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.008719/200376 Acórdão n.º 3301002.501 S3C3T1 Fl. 85 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração eletrônico, decorrente de auditoria interna da DCTF do quarto trimestre de 1998, que promoveu a constituição de crédito tributário de Cofins. Consta como descrição dos fatos no Anexo I do auto de infração a ocorrência “Proc Jud não comprovado”. Apesar da descrição lacônica, inferese que a autuação tem por motivação a não comprovação da ação judicial nº 93.57081 informada pela recorrente em sua DCTF, que teria sido utilizada pela contribuinte para compensar créditos do Finsocial com a Cofins exigida no presente processo. O contribuinte comprovou por meio de sua impugnação a existência da ação judicial, Medida Cautelar nº 93.57081, Ação Ordinária nº 96.05.048248, que lhe permitia a compensação de créditos de pagamento indevido do Finsocial com débitos da Cofins. Inclusive comprova que houve o trânsito em julgado da referida ação em 29/10/1997, antes portanto da lavratura do auto de infração que aconteceu em 17/07/2003 e antes também da compensação que foi realizada na DCTF relativa ao quarto trimestre/1998. Tenho, em votações anteriores desta turma, manifestado meu entendimento de que reputo válido o lançamento nas situações de “Proc Jud não comprovado” quando o contribuinte não comprova a existência da ação judicial, ou, comprovando, essa não lhe permitia o procedimento de compensação adotado. Não é o caso do presente processo. Nesse além de existir a ação judicial informada, ela autorizava a compensação efetuada pelo contribuinte. Portanto o recorrente agiu em conformidade com autorização judicial, inclusive com trânsito em julgado, e caberia a autoridade fiscal por ocasião do lançamento verificar a correção da compensação efetuada, exigindo somente as diferenças que não fossem comprovadas. Assim, uma vez comprovada a existência da ação judicial que autorizava a compensação efetuada pelo contribuinte, mostrase incorreto o pressuposto fático que dá suporte ao auto de infração em relação aos débitos lançados sob o fundamento de "Proc jud não comprovado". Neste mesmo sentido, existem precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme transcrito abaixo: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10380.008719/200376 Acórdão n.º 3301002.501 S3C3T1 Fl. 86 5 Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso negado.” (Ac n. 9303002.326, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20/06/2013). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EM FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE DO PROCESSO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento motivado em "declaração inexata" em razão de "processo judicial não comprovado" deve ser julgado improcedente, caso o contribuinte comprove a existência e regularidade do processo judicial e, portanto, da situação do crédito tributário corretamente declarado na DCTF. Recurso negado.”(Ac nº 9303.002914, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Maria Teresa Martínez López, unânime, sessão de 10/04/2014). Portanto, diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para declarar a improcedência do lançamento. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10073.720081/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUES
Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer a área de preservação permanente e de utilização limitada, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), considerando como área de preservação permanente e de interesse ecológico, para fins de exclusão de tributação, a área do imóvel comprovadamente localizada dentro dos limites de Parque Nacional, criado antes da data do fato gerador do imposto.
Numero da decisão: 2202-003.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUES Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer a área de preservação permanente e de utilização limitada, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), considerando como área de preservação permanente e de interesse ecológico, para fins de exclusão de tributação, a área do imóvel comprovadamente localizada dentro dos limites de Parque Nacional, criado antes da data do fato gerador do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 00 81 /2 00 7- 42 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 02/05), emitida, em 19.11.2007, referente ao exercício de 2003, pela qual a contribuinte foi intimada a recolher o crédito tributário, no montante de R$1.880.541,25, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), como objeto o imóvel denominado “Fazenda Taquari”, cadastrado na RFB sob o nº 0.229.3277, com área declarada de 1.639,4 ha, localizado no Município de Parati/RJ, acrescido de multa de 75% e juros e mora. Procedimento de Fiscalização Teve início o procedimento de fiscalização, através do Termo de Intimação Fiscal nº 07105/00015/2007 de fls. 10/11, pela qual a contribuinte foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, os seguintes documentos referentes à Declaração do ITR, do exercício de 2003: Cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido junto ao IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado de ART registrada no CREA, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o art. 9º do Decreto nº 4.449/2002. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural ou de servidão florestal. cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 26 3 Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT da RFB. Intimado em 03/08/2007 (fl. 13), a fiscalizada apresentou Resposta ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 14/15), em 20/09/2007, informando a juntada de: Cópia do Ato Declaratório do imóvel cadastrado sob o n° 02293277, protocolado em 19/08/2004. (doc. 1); Cópia do Laudo Técnico ambiental elaborado pelo Eng. Florestal Jorge Oneto, datado de 19/08/2004, acompanhado da anotação de responsabilidade técnica (doc. 2); Cópia do Ato Declaratório Ambiental protocolado em 20/12/2004, nesse ADA foi excluída a área do INCRA (987,00 Hectares), (doc. 3); Cópia do Laudo Técnico Ambiental elaborado pelo Eng. Florestal Jorge Oneto, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica, datado de 10/10/2005; (doc. 4); Cópia do Diac — Comunicação de Alienação — Cafir referente à área do INCRA, protocolado em 30/12/2004. (doc. 5); Cópia do Parecer (Certidão) n° 04/2005/PNSB/IBAMA, (doc. 6); Cópia do Oficio n° 37/2005/PNSB/IBAMA, ref. Certidão de inclusão de terras no PNSB. (doc. 7); Cópia do Termo de Intimação Fiscal n°07105/00015/2007, (Doc. 8) (fls. 16/40). Sobreveio a notificação de lançamento, pois segundo a Autoridade Fiscal, a contribuinte, após regularmente intimada, não comprovou por meio de laudo deavaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. Assim, no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado na monta de R$ 5.644,98/ha, conforme o Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal a fiscalização entendeu por glosálas integralmente, em razão da ausência de comprovação por ter sido intempestivo o ADA apresentado dentro do anocalendário. Impugnação Intimado do auto de infração em 30/11/2007 (fl. 117), o contribuinte apresentou impugnação, em 17/12/2007 (fl.43/67), tempestivamente, com base nas seguintes razões. Traz considerações sobre a necessidade da busca da verdade material, como pressuposto do lançamento, cabendo à fiscalização provar a ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que imputa ao sujeito passivo. Assim, a autoridade lançadora ao Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 executar o ato de lançamento deve procurar cumprir a vontade e o que determina a lei, apurando se houve ou não a ocorrência e, em que medida, se deu o fato jurídico tributário, Entende que a utilização da presunção só pode ser admitida quando o fato não puder ser provado por outros meios de prova, significando que somente podem ser adotadas as presunções, simples ou legais, nas hipóteses previstas em lei e nos limites e nos termos em que a Lei explicitar, observando os motivos (legal e fático) para a substância do ato administrativo de lançamento. Salienta que a autoridade lançadora tem liberdade para colher as provas queentender necessária s à demonstração da ocorrência, ou não do fato jurídico tributário, porém a subsunção do fato d escrito na norma à lei deverá ter como substrato a verdade material, isto porque somente poder á ser lançado ou exigido tributo quando efetivamente se configure fato jurídico tributário e na medida da sua ocorrência; Aduz que a prova da ocorrência dos fatos e a averiguação da verdade material para a administração fiscal, muito mais do que um ônus se constitui em um dever jurídico, da qual ela somente estará exonerada na hipótese da existência de normas excepcionais que invertam o ônus da prova, quando se tratar “das presunções legais relativas”. Com base nas premissas da verdade material, tece considerações sobre a nulidade do lançamento. Refere que, que por força do art. 3° c/c art. 142, ambos do CTN, o lançamento constituise ato administrativo plenamente vinculado, estando sujeito aos requisitos genéricos de validade dos atos jurídicos daquela espécie, a par de seus requisitos específicos. Diante disso, a impugnante examina os motivos que levaram a lavratura da Notificação e analisando a descrição dos fatos e o enquadramento legal, bem como demonstrativo de apuração do ITR, conclui que a fiscalização motivou o ato praticado no suposto não recolhimento do tributo no prazo estabelecido, apurado em função da ausência de comprovação do solicitado, tendo, em decorrência disso, glosado a área de preservação permanente e a área de utilização limitada, sendo apuradas, ainda, diferenças entre o valor do imóvel e do grau de utilização (GU); Informa que, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, apresentou: a) cópia do ADA; b) Laudos Técnicos expedidos pelo Engenheiro Florestal Jorge Oneto; e c) Certidão n° 04/2005/PNSB, expedida pelo IBAMA, constando a área do imóvel desapropriada pelo Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB) da "Gleba Taquari"; sendo que tais os documentos citados comprovam a real existência das áreas não tributáveis do imóvel e, portanto, lançadas na DITR e excluídas da base de cálculo do ITR: (i) área de preservação permanente de 318 ha; (ii) área de reserva legal (utilização limitada) de 975,40 ha; Não obstante, observa que, de acordo com a Notificação de Lançamento, a fiscalização enquadrou a inclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal como suposta infração aos artigos 10, §1°, inciso II, “a” e 14 da Lei n° 9.393/96. Salienta que, analisando os dispositivos legais citados no auto impugnado, concluise que os fatos narrados Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 27 5 não se enquadram nas normas supostamente violadas, concluindo que inexiste subsunção dos fatos às normas. Argumenta, no ponto, que diferentemente do apurado pela fiscalização, atendendo ao art. 10 da Lei nº 9.393/96, a contribuinte apurou e efetuou corretamente o pagamento do ITR, sendo inaplicável a espécie qualquer tipo de revisão com lançamento de oficio. Isso porque o § 1° do art. 10 dessa Lei estabelece a forma de cálculo do ITR, sendo que a alínea “a”, do inciso II determina que para a apuração do imposto considerarseá área tributável a área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771/65; Sendo assim, como a propriedade possui área total de 1.639,4 ha e área de preservação permanente de 318 ha e 975,4 ha de área de utilização limitada, a contribuinte, excluiu da base de cálculo do imposto essa área não tributável, chegando à base de cálculo do imposto (346 ha) e ao real valor do imposto devido e efetivamente recolhido; Destaca que a área de preservação permanente, nos termos da Lei n° 4.771/65, pode ser facilmente demonstrada por meio da perícia agronômica realizada no imóvel, nos autos da Ação Ordinária n° 0006091490, da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (Doc. 7), do ADA emitido pelo IBAMA (Doc. 4), dos Laudos Técnicos expedidos (Doc. 5) e da Certidão expedida pelo IBAMA (Doc. 6), bem como por meio de nova perícia a ser realizada. Refere que, calculandose corretamente o imposto, da forma como foi feita pela Impugnante, jamais se chegaria ao grau de utilização (relação percentual entre a área efetivamente utilizada da propriedade e a área aproveitável) encontrado pela fiscalização e, consequentemente, não teria como aplicável a alíquota de 8,6% como, equivocadamente, pretende a Fazenda Nacional. Ressalta que a empresa jamais poderia ser considerada como latifúndio por exploração, com a aplicação de alíquotas punitivas de 8,6% sobre a área do imóvel rural, posto que teve quase a totalidade de sua área desapropriada pelo Parque Nacional da Serra da Bocaina, consoante demonstra o Ato Expropriatório anexo, não incidindo, nesta área, o ITR; Nesse ponto,contesta a necessidade, apontada pela fiscalização, da averbação da área de reserva legal na inscrição de matricula do imóvel, colacionando jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Conclui ter sido correta a exclusão levada à efeito pela contribuinte, em relação à área de reserva legal e de preservação permanente, sendo improcedente o auto de infração. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Considera que outro ponto que foi equivocadamente arbitrado pela fiscalização diz respeito ao valor do imóvel, que teria sido apurado com o valor total de R$13.374.380,21. Assevera que, de acordo ressalta que os Laudos Técnicos de Avaliação (às fls. 14 do Laudo), elaborados de acordo com a NBR 14.653 da ABNT, a avaliação média atual do móvel é de R$5.834,88/ha, concluindo que, se em 2007 o valor médio do imóvel é de R$9.565.702,20, em 2003. Sendo assim, valor do imóvel jamais poderia ser de R$13.374.380,21, sob pena de ofensa ao principio da verdade material. Traz considerações sobre a inconstitucionalidade da Progressividade do ITR, de forma que § 4º, do art. 153 da CF/88 somente autoriza a progressividade de alíquotas para coibir a manutenção de grandes latifúndios improdutivos. Nesse sentido, correta a sistemática adotada pela Lei nº 9.393/96. Todavia, pecou o legislador ao estabelecer alíquotas progressivas de acordo com a área da propriedade rural, posto que não autorizada pela Constituição. Colaciona Jurisprudência do STF analisando a constitucionalidade da progressividade de alíquotas em relação ao IPTU. Assim, invoca o julgado do STF para afirmar que o ITR, tal como o IPTU, um imposto real, não admitindo, portanto, alíquotas progressivas, salvo como forma de desestimulo da manutenção de propriedades improdutivas. Frisa que uma propriedade com área superior 5.000 hectares (maior alíquota definida na lei) pode ser totalmente produtiva, enquanto uma propriedade de 50 hectares pode ser totalmente ociosa, de tal forma que a lei deveria levar em conta o grau de produtividade e não o tamanho da propriedade. Destaca que a única progressividade autorizada pela Constituição é a progressividade extrafiscal, na forma como estabelecida pelo art. 153, § 4º, da CF/88. Propugna, em razão da inconstitucionalidade da progressividade estabelecida pela Lei nº 9.393/96, a nulidade do auto de infração. Tece comentários sobre o caráter confiscatório da alíquota de 8,6% aplicada, aduzindo estarse ferindo o principio insculpido no art. 150, IV, da Carta Magna. Ressalta que, em se aplicando a alíquota de 8,60%, chegarseia a conclusão que, no prazo de 10 anos, dar seia o perdimento da propriedade, adquirida, em média, num prazo de 15 anos, sendo claro o efeito confiscatório do tributo, com clara ofensa ao principio constitucional que garante o direito à propriedade privada, pelo que deve ser repelido e assim a Notificação de Lançamento deve ser anulada; Irresignase quanto a multa aplicada, concluindo ser a mesma ilegítima e inválida, não produzindo seus efeitos, pelo que deve ser anulada face às violações a os Princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, do NãoConfisco e Moralidade. Trouxe com a impugnação documentos de fls. (69/135). Acórdão de Impugnação Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 28 7 A 1a Turma de Julgamento da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 794.315,21, para R$ 4.298,01 (fls. 136/155).O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Improcedente a arguição de nulidade quando a Notificação de Lançamento contém os requisitos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as hipóteses do art. 59 do mesmo Decreto. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA PARQUES Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer a área de preservação permanente e de utilização limitada, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), considerando como área de preservação permanente e de interesse ecológico, para fins de exclusão de tributação, a área do imóvel comprovadamente localizada dentro dos limites de Parque Nacional, criado antes da data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. DA PROVA PERICIAL Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No tocante à Área de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, referiu o acórdão que, embora o Requerimento do Ato Declaratório Ambiental tenha sido protocolizado intempestivamente junto ao IBAMA para fins de tributação do período fiscalizado, tal exigência no caso não seria necessária. Entendeu que comprovado nos autos que áreas do imóvel estariam localizadas dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaina, criado por meio do Decreto nº 68.172/1971, conforme Parecer (Certidão) nº 04/2005/PNSB/IBAMA, às fls. 36 ou 92, emitida, em 07.10.2005, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e assinado pelo Chefe do referido Parque Nacional. Concluiu que à época do fato gerador do ITR, do exercício de 2003, ocorrido em 1º de janeiro de 2003, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393/96, as áreas localizadas dentro dos seus limites já possuíam relevante interesse ecológico, nos termos da legislação ambiental de regência. Citando a Lei nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza, apontou que somente se admite a existência de terras particulares dentro dos limites dos parques estaduais, enquanto não concluído o processo de regularização fundiária, mediante a desapropriação das áreas localizadas dentro dos seus limites do parque nacional. Com isso, analisando os documentos trazidos, o Acórdão restabeleceu, para fins de exclusão do cálculo do ITR/2003, a área declarada de preservação permanente de 318,0 ha e a área de utilização limitada, que entendeu ser de interesse ecológico, de 975,4ha, glosadas pela autoridade fiscal, consideradas áreas não tributáveis/aproveitáveis. E assim, refazendo o cálculo do imposto, reduziu a tributação de R$ 794.315,21, para R$ 4.298,01. Recurso de Ofício Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 29 9 Em razão dos valores exonerados, veio o processo para apreciação do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, por força de Recurso de Ofício, conforme art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748/1993 e Portaria MF nº 03/2008. É o relatório. Voto Conselheiro fabio brun goldscmidt Conselheiro Fabio BrunGoldschmidt, Relator Considerando que não houve a interposição de Recurso Voluntário pela contribuinte, restringirseá o voto à análise da parte em que decaída a Fazenda Nacional. Para tanto, adoto, como minhas, as razões da DRJ. A impugnação apresentada foi considerada tempestiva, conforme Informação de fls. 114 e Extrato do Processo de fls. 117, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1972 (PAF). Assim, dela tomase conhecimento. Da Nulidade do Lançamento A impugnante alega nulidade da Notificação de Lançamento, posto que os fatos nela narrados não se enquadrariam nas normas por ela invocadas como supostamente violadas, concluindo que inexistiria subsunção dos fatos às normas e, assim, inexistiria qualquer violação aquelas mesmas normas jurídicas, argumentando que todos os documentos entregues, em resposta ao Termo de intimação Fiscal, comprovam a real existência das áreas não tributáveis do imóvel e, portanto, corretamente informadas na DITR. Não obstante as alegações da requerente, entendo que a Notificação de Lançamento contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11 do Decreto n° 70.235/72, que rege o Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Processo Administrativo Fiscal, trazendo, portanto, as informações obrigatórias previstas nos incisos de I a IV e principalmente aquelas necessárias para que se estabeleça o c itraditório e permita a ampla defesa da autuada. art 11 do Decreto n° 70.235/72 assim dispõe: “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: a qualificação do notificado; I I o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal infringida, se for o caso; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. ” Assim sendo, ainda na fase inicial do procedimento fiscal, a contribuinte foi regularmente intimada does. de fls. 09/12 a apresentar os documentos necessários para fins de comprovar as áreas ambientais e o VTN informado na DITR/2003, sob pena de que fosse efetuado o lançamento de ofício. A autoridade fiscal, por entender nãocomprovada a integralidade dos dados declarados, decidiu pela emissão da presente Notificação de Lançamento, glosando áreas ambientais e alterando o VTN declarado. No presente caso, a Notificação de Lançamento identificou as irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação aplicável as matérias, as alterações efetuadas na DITR/2003, o que foi feito de forma clara, como se pode observar na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” e no “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido”, em consonância, portanto, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Tanto é verdade, que a interessada refutou, de forma igualmente clara e precisa, a imputação que lhe foi feita, como se observa do teor de sua impugnação, de fls. 42/66, e da documentação anexada, em que a autuada expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, discutindo o mérito da lide relativamente às matérias envolvidas, nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, não restando dúvidas de que compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência. Vejase que o trabalho de revisão então realizado pela fiscalização é eminentemente documental, e o não cumprimentodas exigências para a comprovação das áreas Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 30 11 ambientais e do VTN declarado justifica o lançamento de ofício, regularmente formalizado por meio de Notificação de Lançamento, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393/1996 e artigo 52 do Decreto n° 4.382/2002 (RITR), combinado com o disposto no art. 149, inciso V, da Lei n° 5.172/66 CTN, não havendo necessidade de verificar in loco a ocorrência de possíveis irregularidades. No caso, não compete à autoridade administrativa produzir provas relativas às matérias tributadas ou mesmo em relação a qualquer outra matéria relacionada, não obstante entendimento contrário da impugnante. Isto porque, o ônus da prova é do Contribuinte, seja na fase inicial do procedimento fiscal, conforme previsto nos artigos 40 e 47 (<caput), do De eto n° 4.382, de 19/09/2002 (RITR), ou mesmo na fase de impugnação, conforme rlisp o no artigo 16, inciso III do PAF, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo C il, aplicável à espécie de forma subsidiária; além de constar do art. 28 do Decreto n° 7. '4/2011, que regulamentou, no âmbito da RFB, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, que é do interessado o ônus de provar os fatos que tenha alegado. Também não pode justificar a nulidade da Notificação de Lançamento o tato de a autoridade fiscal não ter acatado os documentos apresentados pela requerente para comprovação das áreas ambientais do imóvel e do VTN, posto que a aceitação ou não dos mesmos, depende dos critérios de avaliação utilizados na análise desses documentos, à luz da legislação de regência. Observese que os princípios do contraditório e da ampla defesa são cânones constitucionais que se aplicam tão somente ao processo judicial ou administrativo, e não ao procedimento de investigação fiscal. A primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência, independentemente da participação do contribuinte. A partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, com a instauração do litígio e formalização do processo administrativo, é assegurado ao contribuinte o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. Nesse contexto, no caso concreto, não há que se falar em ofensa ao direito ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que é justamente pela impugnação ora em análise, assim como dos documentos acostados aos autos, que a contribuinte está exercendo o seu direito de defesa. Enfim, é preciso deixar registrado que nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72, depois de formalizada a exigência fiscal, mediante a emissão da competente Notificação de Lançamento, cabe ao Contribuinte, caso discorde do lançamento, contestálo por meio da apresentação tempestiva da Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 sua impugnação, devidamente motivada e acompanhada dos documentos que possuir, para fazer prova a seu favor. No que concerne às alegações suscitadas sobre a violação de princípios gerais de Direito e princípios Constitucionais, como o da legalidade, da vedação ao confisco, da proporcionalidade, da razoabilidade, e da moralidade, entre outros, cabe esclarecer que tal exame escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Os princípios Constitucionais e de Direito têm como destinatário o legislador na elaboração da norma. Ou seja, os princípios orientam a feitura da lei. Por sua vez, a autoridade fiscal é uma mera executora de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal, mas sim verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de possíveis inconstitucionalidades ou ilegalidades das normas vigentes, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do CTN. A autoridade tributária julgadora, nos julgamentos administrativos, especialmente os de primeira instância, encontrase cingida aos estritos termos da legislação fiscal, ou seja, deve observar os atos normativos da autoridade competente da Receita Federal do Brasil, aquem se subordina este Colegiado, conforme art. T da Portaria MF n° 341, que “Dis oi ia a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ)”, de 12.07.2011, in verbis: Art 7o São deveres do julgador: cumprir e fazer cumprir as disposições legais a que está submetido; e observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei n° 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Os mecanismos de controle de constitucionalidade/legalidade regulados pela própria Constituição da República passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. E inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Nesse diapasão, sobre a progressividade das alíquotas do ITR de acordo com a área do imóvel, prevista no art. 11 da Lei n° 9.393/96 e que conforme alegação da impugnante colidiria com a progressividade prevista no art. 153, § 4o, I, da Constituição da República, que autorizaria a aplicação de diferentes alíquotas tão somente com o fim de desestimular a manutenção de propriedades improdutivas (grau de utilização), não compete ao julgador administrativo essa apreciação, conforme já analisado, ressaltando que tal tema já se encontra sumulado Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 31 13 pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, por meio de sua Súmula n° 2, in verbis; Súmula CARF n°2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ” No que se refere às decisões judiciais citadas é de se ressaltar que as mesmas somente aproveitam às partes integrantes das respectivas lides, nos limites desses julgados, de conformidade com o disposto no art. 472 do Código de Processo Civil. Não tendo a contribuinte comprovado ter sido parte em ação judicial transitada em julgado e cuja solução lhe fosse favorável quanto às matérias ora tratadas, e inexistindo até a presente data decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em via de ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da Resolução do Senado Federal que suspender a sua execução, afastando as exigências em exame, não cabe à autoridade administrativa absterse de cumprir a legislação em vigor. Quanto às ementas da jurisprudência administrativa do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, transcritas pela requerente, têmse que as mesmas, além de se aterem às situações circunstanciadas naqueles autos, não afetam o presente lançamento, uma vez que, atualmente, não existem súmulas vinculantes contemplando as hipóteses aventadas pela requerente para comprovação das áreas ambientais e do VTN, muito menos admitindo a dispensa de comprovação, para exclusão de tributação, das exigências formuladas, além de não existir lei que lhes confira efetividade de caráter normativo (PN CST 390/71). No que concerne aos pronunciamentos doutrinários expostos, conquanto mereçam respf) entendimentos manifestados por juristas citados pela contribuinte, esclareça se que tais inte .d i mentos não podem prevalecer sobre a orientação dada pela Receita Federal do B' si quando da interpretação de dispositivos legais. Assim, contendo a Notificação de Lançamento os requisitos legais estabelecidos no art. 11 do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, especialmente no que diz respeito a descrição dos fatos e ao enquadramento legal das matérias tributadas, e tendo a contribuinte, após ter tomado ciência dessa Notificação, protocolado a sua respectiva impugnação, dentro do prazo previsto, não há que se falar em nulidade do lançamento. Quanto à declaração de nulidade do lançamento, enfatizase que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972 PAF, sendo incabível sua declaração, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Desta forma, não prosperam as alegações de nulidade do lançamento, passando, assim, à análise de mérito. Da Área de Preservação Permanente e de Utilização Limitada Na análise das peças que compõem o presente processo, verificase que a autoridade fiscal glosou a área declarada de preservação permanente de 318,0 ha e de utilização limitada de 975,4 ha, por falta de comprovação de que essas áreas foram objeto de Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente no EBAMA, bem como da averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, considerando que essa última área declarada como de utilização limitada fosse de reserva legal, posto que, até o exercício de 2003, não havia campo específico para a declaração de área de interesse ecológico. No que diz respeito à exigência do ADA, de caráter genérico, aplicada a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico e Reserva Legal), a mesma advém desde o ITR/1997 (art. 10, § 4o, da IN/SRF n° 043/1997, com redação dada pelo art. Io da IN/SRF n° 67/1997), e, para o exercício de 2003, encontrase prevista na IN/SRF n° 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e subsequentes), no Decreto n° 4.382/2002 RITR (art. 10, § 3o, inciso I), tendo como fundamento o art. 170 da Lei n° 6.938/81, em especial o capute parágrafo Io, cuja atual redação foi dada pelo art. Io da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Em se tratando do exercício de 2003, observado o prazo previsto no art. 9°, § 3°, inciso L da IN/SRF n° 256/2002, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) deveria ter sido protocolado junto ao IBAMA até 31 de março de 2004, considerandose o prazo de 6 (seis) meses, contado do prazo final fixado para entrega da DITR/2003 (até 30.09.2003, de acordo com a IN SRF n° 344/2003). No presente caso, consta nos autos a protocolização de um requerimento do ADA, junto ao IBAMA, apenas em 13.08.2004, às fls. 15, constando uma área de 318,0 ha de preservação permanente e uma área de interesse ecológico de 1.900,5 ha e outro ADA protocolado, às fls. 26, em 20.12.2004, constando uma área de 318,0 ha de preservação permanente e uma área de interesse ecológico de 975,4 ha, após a exclusão de uma área do INCRA dr98 ,0 na, de acordo com informação da impugnante, às fls. 13, e documento de fls. 35, provideícias essas, portanto, intempestivas para a finalidade de exclusão dessas áreas da tributaçãc do iTR. Apesar de a autoridade fiscal ter se apegado à intempestividade do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para justificar a glosa das áreas mbientais declaradas, entendo que Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 32 15 tal exigência não se faz necessária, quando comprovado nos autos, de forma inequívoca, que áreas do imóvel estão localizadas dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaina, criado por meio do Decreto n° 68.172/1971, conforme Parecer (Certidão) n° 04/2005/PNSB/EBAMA, às fls. 36 ou 92, emitida, em 07.10.2005, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e assinado pelo Chefe do referido Parque Nacional. Portanto, à época do fato gerador do ITR, do exercício de 2003, ocorrido em Io de janeiro de 2003, nos termos do art. Io da Lei n° 9.393/96, as áreas localizadas dentro dos seus limites já possuíam relevante interesse ecológico, nos termos da legislação ambiental de regência. Pois bem, a Lei n° 9.985, de 18.07.2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, que revogou o art. 5o da Lei n° 4.771/65, passou a estabelecer os critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação, assim definidas e categorizadas: Art. 2 Para os fins previstos nesta Lei, entendese por: I unidade de conservação: espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção; Art. 7sAs unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: Unidades de Proteção Integral; Unidades de Uso Sustentável. § 1° O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei. (grifouse) Essa mesma Lei categorizou o Parque como Unidade de Proteção Integral, isto em razão das restrições de uso das terras localizadas dentro dos limites de tais unidades de conservação ambiental PARQUES, seja ele Federal, Estadual ou Municipal , impostas pelo poder público, como se segue: Art.5aO grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias d&unidadede conservação: (...) III Parque Nacional; (grifouse) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Nesse aspecto, é preciso entender o significado e a abrangência legal dos Parques Ecologico conforme previsto no art. 11 da Lei n° 9.985/2000: Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1° O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. (grifouse) Portanto, somente se admite a existência de terras particulares dentro dos limites dos parques estaduais, enquanto não concluído o necessário processo de regularização fundiária, mediante a desapropriação das áreas localizadas dentro dos seus limites, declaradas de utilidade pública, mesmo assim sem que o proprietário possa desenvolver, nessas terras, qualquer tipo de exploração econômica. São admitidas apenas as medidas necessárias à recuperação de seus sistemas alterados e as ações de manejo para recuperação e preservação do equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos naturais, conforme estabelecido em seu plano de manejo. Até mesmo as pesquisas científicas, quando autorizadas pelo órgão responsável pela sua administração, estão sujeitas às condições e restrições determinadas por este, bem como ao que for definido em seu plano de manejo. Por essas razões entendo que não faz sentido exigir, para fins de exclusão do ITR, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), relativamente às áreas comprovadamente localizadas dentro dos limites dos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais. É de ressaltar que o Terceiro Conselho de Contribuintes julgando recurso de ofício interposto, por imposição legal, por esta DRJ/BSA, decidiu ratificar o nosso entendimento, conforme exarado no Acórdão n° 30236.980 cuja ementa ora se transcreve: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. Não é cabível a exigência da apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, para fins de exclusão do ITR, quando comprovado que as áreas estão localizadas dentro dos limites dos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais ”. De fato, consta dos autos, no Parecer (Certidão) n° 04/2005/PNSB/IBAMA, às fls. 36 ou 92, que uma área de 1.900,5 ha, do imóvel da impugnante, encontrase inserida no Parque Nacional da Serra da Bocaina, e que o restante do imóvel está inserido na Zona de Amortecimento deste Parque, conforme definido no seu plano de manejo, o que confirma que, já a época do fato gerador do ITR, em 01.01.2003, essa área de Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 33 17 do imóvel, já se encontrava incorporada ao citado Parque Nacional. Cabe requestar que essa área de 1.900,5 ha coincide com a área de interesse ecológico informado no ADA de 13.08.2004, às fls. 15, antes da exclusão da uma área do INCRA, de acordo com informação da impugnante, às fls. 13, e documento de fls. 35, e que a dimensão dessa área passou para 975,4 ha, como informado no ADA de 20.12.2004, às fls. 26. Além disso, foi carreado aos autos o Laudo Técnico Ambiental, às fls. 27/32, elabora o peio Engenheiro Florestal Jorge Oneto, com ART anotada no CREA, às fls. 33/34, no qual consta a informação que cabe à impugnante a obrigação da conservação total dos r cu os naturais na extensão de 1.293,4 ha (318 ha + 975,4 ha), correspondente a 78,89% ia área total e que o restante de 346,0 ha está contido na área de entorno, de acordo com a ertião do IBAMA/PNSB, sendo a área de 318,0 ha de preservação permanente e a área de ha de interesse ecológico, por estar inserida na citada Unidade de Conservação da atureza, prevista na Lei n° 9.985/2000. Esses documentos de prova permitem formar a convicção de que a área de ha(318 ha + 975,4 ha) , da “Fazenda Taquari”, está realmente inserida nos limites do Parque Nacional da Serra da Bocaina, cabendo ser considerada, para fins de exclusão do ITR/2003, como de preservação permanente e de interesse ecológico (utilização limitada). Salientese que sendo a área declarada de utilização limitada de 975,4 ha de interesse ecológico e não de reserva legal, não cabe exigir a sua averbação à margem da matrícula do imóvel no Cartório de Registro competente. Cabe esclarecer, ainda, que a exigência prevista no art. 10, § Io, inciso II, alínea “b”, da Lei n° 9.393/96, que consiste na apresentação de ato específico do órgão ambiental para a comprovação da área de interesse ecológico foi atendida com a emissão do já citado Parecer (Certidão) n° 04/2005/PN SB/IB AM A, às fls. 36 ou 92. Por fim, temse que ao julgador administrativo, com fulcro no art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, é permitido formar livremente convicção quando da apreciação das provas trazidas aos autos seja pela fiscalização, de um lado, seja pelo contribuinte, de outro , com o intuito de se chegar a um juízo quanto às matérias sobre as quais versa a lide. Desta forma, entendo que cabe restabelecer, para fins de exclusão do cálculo do ITR/2003, a área declarada de preservação permanente de 318,0 ha e a área de utilização limitada, que entendo ser de interesse ecológico, de 975,4 ha, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 glosadas pela autoridade fiscal, consideradas áreas não tributáveis/aproveitáveis. Do Valor da Terra Nua (VTN) Subavaliação Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393/96, razão pela qual foi rejeitado o VTN declarado para o imóvel na DITR/2003, de R$2.466.800,00 (R$1.504,70/ha) para R$9.254.380,21 (R$5.644,98/ha), valor este apurado com base no VTN médio por hectare, apurado no universo das DITRs do exercício de 2003, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Parati/RJ, consoante informação do SIPT de fls. 40. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$1.504,70 por hectare encontrase, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN médio, por hectare, de R$5.644,98/ha, apurado no universo das DITR/2003 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Parati/RJ. Esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2003 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Parati/RJ, correspondendo, portanto, à média dos valores (VTN) informados pelos próprios contribuintes nas suas DITR/2003. Pois bem. Caracterizada a subavaliação do VTN declarado e não tendo sido apresentado o laudo de avaliação então exigido, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo a» r de terra nua para efeito de cálculo do ITR/2003, em obediência ao disposto no art. 14 da i n° 9.393/1996, e artigo 52 do Decreto n° 4.382/2002 (RITR). Em resumo, cabia à autoridade fiscal arbitrar o VTN considerando a subavalição do valor declarado, efetuando de ofício o lançamento do imposto suplementar apurado, acrescido das cominações legais, sob pena de responsabilidade funcional. De fato, há que se destacar que à fiscalização cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do CTN. Portanto, cabe reiterar que não poderia a autoridade fiscal deixar de arbitrar novo Valor de Terra Nua, uma vez que não há dúvidas de que o VTN declarado pela contribuinte encontrase, de fato, subavaliado, não podendo passar despercebido que o VTN por hectare declarado para o imóvel de R$1.504,70/ha corresponde a apenas 27% do VTN médio por hectare de R$5.644,98/ha apurado no universo das declarações, feitas Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 34 19 pelos próprios contribuintes, do ITR/2003, referente aos imóveis rurais localizados em Parati/RJ. Há que se ressaltar que essa comparação é realizada como subsídio para demonstrar que o VTN declarado, por ser muito inferior ao VTN médio por hectare apurado pelos contribuintes do município, não estaria condizente com a realidade dos preços de mercado praticados na região, conforme alegado pela contribuinte, salvo apresentação de prova inequívoca da inferioridade do imóvel em relação aos imóveis da região. Para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1°.01.2003, art. T, caput,e art. 8o, § 2o, da Lei n° 9.393/96), a contribuinte foi intimada a apresentar “Laudo Técnico de Avaliação”, elaborado por profissional habilitado (engenheiro agrônomo/florestal), com ART devidamente anotada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT (NBR 14.6533), com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados (às fls. 09/10). Para atingir tal grau de fundamentação e precisão, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, com o posterior tratamento estatístico dos dados coletados, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, conforme demonstrado, respectivamente, nos anexos A e B dessa Norma, de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel avaliado, a preços de 01.01.2003, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. E de se ressaltar que não obstante a impugnante ter afirmado em sua impugnação, especificamente às fls. 55, que “Consoante demonstram os Laudos Técnicos de avaliação em anexo, folhas de n° 14 do laudo elaborado de acordo com as normas NBR Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.2002 de 24/08/2001 14.653, da ABNT, a avaliação média atual do imóvel é de R$5.834,88/ha... ”, não consta dos autos tal laudo, que demonstraria a avaliação para 2007, conforme afirmado pela impugnante. Quanto a esse suposto laudo, também, não há nenhuma referência, na Descrição dos Fatos, às fls. 02/03, sobre a sua apresentação, até pelo contrário, há a afirmação expressa, ao final das fls. 02 que “Não apresentou Laudo de Avaliação do imóvel.” Nesta fase, a contribuinte, também, não apresentou o laudo de avaliação então exgido. Reiterese que o ônus da prova no caso, documental é do Contribuinte. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Portanto, a requerente deveria ter instruído a sua defesa com esse documento de prova, de modo a comprovar o valor fundiário do seu imóvel, a preços de ercado, em 1°.01.2003, bem como a possível existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN arbitrado com base no referido VTN/ha apontado no SEPT. Em síntese, não tendo sido apresentado “Laudo de Avaliação”, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de mercado, em 1°.01.2003, está compatível com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela fiscalização. Assim sendo, entendo que deva ser mantida a tributação do imóvel com base no VTN de R$9.254.380,21 (R$5.644,98/ha), arbitrado pela fiscalização com base no SEPT. Da Multa de 75% A impugnante entende que a multa aplicada seria confiscatória e requer sua anulação. Pois bem, a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Para aplicação da multa de 75,0% foi observado, primeiramente, o disposto no § 2odo art. 14, da Lei n° 9.393/1996, que assim dispõe: “Art. 14 (...) §1°(~) § 2o As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. ” Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso E, da Lei n° 9.430/1996, que estabelece: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta dedeclaração e nos de declaração inexata; ” Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2o do art. 14 da Lei n° 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996). Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 35 21 Por outro lado, é preciso esclarecer que a instância administrativa não possui conpe. ncialegal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação dcregência e a Constituição da República, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Pode Ju icia. io (Constituição da República, art. 102,1, “a”, e III, “b”). Reiterese, desse modo, que as arguições de inconstitucionalidade de leis e dc violação de princípios constitucionais deverão ser feitas perante o Poder Judiciário, cabendo autoridade administrativa tãosomente velar pelo fiel cumprimento das leis. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, por Resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concreto, ou por meio da declaração de sua inconstitucionalidade em via de Ação Direta, no controle abstrato, também, pelo Supremo Tribunal Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, a norma inquinada de inconstitucional pela impugnante continua válida, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprila e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. Em síntese, as autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da constitucionalidade das leis, seja por que tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam de presunção de constitucionalidade, restando ao agente da administração pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto n° 2.346/1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que não é o caso. Apesar desse colegiado poder se abster de qualquer discussão quando a alegação do contribuinte aventar de inconstitucionalidade de leis e de violação de princípios constitucionais, como é o caso do princípio do nãoconfisco entre os demais princípios citados pela impugnante, é preciso esclarecer que esse princípio, cujo destinatário é o legislador na elaboração da norma, restringese à instituição de tributos e Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 contribuições, não se aplicando às penalidades, cujo intuito é justamente punir a conduta infratora. Desta forma, considerandose que a exigência de multa de ofício de 75,0% se baseia em dispositivo legal contra o qual a impugnante não se insurgiu judicialmente, não podem ser acatadas, neste colegiado, as razões de defesa apresentadas com respeito a essa questão, pois a norma legal goza de presunção de validade e eficácia. Da Solicitação de Perícia e da Instrução da Peça Impugnatória Quanto ao pedido de realização de perícia, a mesma não se faz necessária no presente lançamento. Cabe observar que o lançamento decorreu de procedimento de revisão de declaração, e crtanto, não há nenhum óbice a que tal revisão seja realizada apenas com base em provas documentais, sem a necessidade de se verificar “inloco” a realidade material do imóvel Tanto que, se por um lado a verdade material constituise em princípio que norte o julgamento do processo administrativo, e sendo assim todos os argumentos e documentos apresentados pela contribuinte são aqui apreciados, com a necessária fundamentação e esclarecimentos que se fizerem necessários, observandose cabalmente a legislação que disciplina o PAF e os princípios constitucionais da legalidade, proporcionalidade, razoabilidade, ampla defesa e contraditório, por outro tal premissa não desonera a apresentação da prova documental das alegações apresentadas conforme disposto na legislação tributária, uma vez que o juízo da autoridade julgadora é resultado da análise de todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. A realização de perícia, por sua vez, somente se justifica quando o exame das provas apresentadas não possa ser realizado pelo julgador, em razão da complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Caso as provas constantes do processo, ainda que versem sobre matéria especializada, possam ser satisfatoriamente compreendidas, nada justifica a realização de perícia. Enfim, esse tipo de prova tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, principalmente quando a análise da prova apresentada demande conhecimento técnico especializado, fora do campo de conhecimento da autoridade julgadora. Sendo assim, nenhuma circunstância há que justifique a perícia pleiteada. O lançamento limitouse a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados pelo contribuinte, não havendo matéria de complexidade que justifique a produção de prova pericial. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 36 23 Desta forma, como não há matéria de complexidade que demande a realização da perícia pleiteada, cabe a mesma ser indeferida, em observância ao art. 18 do Decreto n.° 70.235/1972 (PAF). A despeito dos pedidos da interessada constante em sua impugnação de ser intimada, do deferimento ou indeferimento da perícia, antes de ser proferida a Decisão, sobre a impugnação propriamente dita e de juntada de documentos e aditamento da impugnação, tais pedidos não encontram amparo no Processo AdministrativoFiscal, Decreto n° 70.235/1972, que dispõem no art. 15 e nos §§ 4o e 5o do art. 16, ipsis litteris: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...)” 'Art. 16. (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior." (grifei) Assim, cabe ao impugnante a apresentação da prova documental, que deve necessariamente ocorrer dentro do prazo legal previsto para a impugnação, a menos que ocorra a demonstração das condições exigidas §§ 4o e 5odo art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, acima transcritos. De todo o exposto, com base em documentação hábil, cabe restabelecer a área de preservação permanente e de utilização limitada declaradas, respectivamente, de 318,0 ha e de 975,4 ha, reduzindose o VTN tributado e a alíquota aplicada, e, consequentemente, o valor do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal, conforme demonstrado a seguir: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 Alterar: (...) Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, que seja julgada procedente em parte a impugnação ’resposta pela Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação n 07105/00058/2007 de fls. 01/04, para restabelecer a área de preservação permanente de 18,0 ha e a área de utilização limitada de 975,4 ha, efetuandose as demais alteraçõe: decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$794. 15,21 para R$4.298,01, conforme demonstrado, a ser acrescido de multa proporcional de 75,0% e juros de mora na forma da legislação vigente. Submetase à apreciação do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, conforme art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/1993 e Portaria MF n° 03/2008, por força de recurso necessário, também, previsto no art. 70 do Decreto n° 7.574/2011, ressaltando que, enquanto não decidido o recurso de ofício, a presente decisão não se toma definitiva. Esse é, inclusive, o entendimento do CARF. Se não vejamos: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE – ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. Não é cabível a exigência da apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, para fins de exclusão do ITR, quando comprovado que as áreas estão localizadas dentro dos limites dos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais. (Acórdão nº 30236980; Relator: LuisAntonio Flora; j. em 10/08/2005) Conclusão Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Fabio BrunGoldschmidt Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720081/200742 Acórdão n.º 2202003.000 S2C2T2 Fl. 37 25 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10469.721334/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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NUNES FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .7 21 33 4/ 20 08 -3 2 Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.721334/200832 Resolução nº 1301000.185 S1C3T1 Fl. 2.609 2 Relatório F. NUNES FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas, caracterizada pela não escrituração de resultados decorrentes de operações de factoring; e b) omissão de receitas, caracterizada por saldos credores de caixa. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 1.310/1.440), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que teria decaído o crédito relativo aos fatos geradores do PIS e da Cofins dos meses de abril e maio de 2003; que deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores do PIS e da Cofins lançados de oficio (fls.1.317 a 1.322) e as despesas bancárias relativas à conta mantida no BCN (fl. 1.328), cuja movimentação não fora contabilizada; que teria deixado de contabilizar despesas de leasing, nos dias 22/10/2003, 28/11/2003 e 29/12/2003, no montante de R$ 18.359,96 (fls. 1.323 a 1.325); que apesar de a conta do BCN não ter sido escriturada, as operações de factoring realizadas por meio dela teriam sido escrituradas a crédito de caixa e a débito de títulos a pagar, o que teria afetado substancialmente o saldo da conta caixa (fls. 1.329 a 1.368 e 1.369 a 1.400); que em diversas operações de factoring (fls. 1.404 a 1.405), realizadas através do banco do Brasil, a conta caixa teria sido debitada do valor líquido da operação (débito caixa X crédito banco conta movimento) em data posterior ao lançamento relativo à entrega do cheque ao favorecido (crédito caixa X debito títulos a pagar), o que teria afetado o saldo da conta caixa (fls. 1.403 a 1.406); que diversos lançamentos a crédito da conta caixa não refletiriam a efetiva saída de recursos, sendo que não teriam sido contabilizados como entradas os descontos, os cheques sem fundos e os valores quitados, relativos a operações anteriores (relação de contratos às fls. 1.410 e 1.417); Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.721334/200832 Resolução nº 1301000.185 S1C3T1 Fl. 2.610 3 que algumas operações inclusive não refletiriam pagamento algum (fls. 1.407 a 1.419); que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa quanto à infração 001, por não ter sido especificado nos demonstrativos das fls. 52 e 53 e das fls. 54 a 57, donde foram extraídos os seus dados, além do que não teriam sido especificados os custos envolvidos nas operações (fls. 1.420 a 1.422); que diversos lançamentos a crédito da conta caixa e a débito da conta Banco conta movimento estariam equivocados, vez que corresponderiam a recebimentos de clientes, que deveriam ter sido contabilizados a débito da conta Banco conta movimento e a crédito de Duplicatas a Receber (fls. 1.423 a 1.425); que teria solicitado ao Banco do Brasil o fornecimento de informações acerca do valor de R$ 40.597,92, estornado da conta caixa por falta de comprovação (fls. 1.426 e 1.427); que uma vez que teria provado que não houvera saldo credor de caixa nos lançamentos dos Processos nºs 10469.720262/200725 e 10469.720612/2008891, seria imprescindível que o julgamento dos processos fosse efetuado na ordem cronológica dos fatos, em face das repercussões nos saldos de caixa dos períodos subseqüentes. A contribuinte requereu realização de diligência, tendo, ainda, complementado os seus argumentos de defesa por meio dos documentos de fls. 2..115/2.135 e 2.212/2.234. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº 1123.929, de 29 de setembro de 2008, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA INFRAÇÃO Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa, por deficiência na descrição da infração, quando os fatos apurados, bem assim a legislação subsunsora, estão descritos de forma clara e completa no Quadro da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos os elementos necessários à formação da convicção da autoridade julgadora. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A falta de escrituração contábil de operações de factoring evidencia omissão das receitas auferidas. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. 1 Como assinalado na decisão de primeira instância, o número correto do processo é 10469.720613/200889. Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.721334/200832 Resolução nº 1301000.185 S1C3T1 Fl. 2.611 4 Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, à indicação na escrituração de saldo credor de caixa. Haja vista a omissão derivar de presunção relativa, eventuais erros ou omissões que, comprovadamente, operaram influência no saldo da conta caixa, devem ser considerados no cálculo da omissão. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL O prazo para a constituição de crédito relativo às contribuições sociais, quando não há pagamento da divida, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercido seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS. COFINS. CSLL Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Às fls. 2.255, identificase Memorando da Delegacia da Receita Federal em Natal, por meio do qual foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife complemento de impugnação apresentado pela contribuinte. Não obstante os referidos documentos (memorando e complemento) terem sido datados de 25 de setembro e 24 de setembro de 2008, respectivamente, anteriores, portanto, à decisão prolatada em primeira instância, verificase, a partir da data em que eles foram juntados ao processo (19 de novembro de 2008) e da informação de fls. 2.287, que o conhecimento da referida documentação por parte da unidade julgadora se deu após a apreciação da impugnação. Às fls. 2.288, constatase novo Memorando, em que a Delegacia da Receita Federal em Natal encaminha à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife outro complemento de impugnação apresentado pela contribuinte (fls. 2.290/2.308). Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 2.319/2.404, por meio do qual traz considerações acerca das seguintes questões: nulidade da decisão de primeira instância em virtude de cerceamento do direito de defesa e pela falta de apreciação de alegações e documentos apresentados; ausência de justificativa, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, para o indeferimento do pedido de perícia; ocorrência de equívocos na recomposição da conta CAIXA promovida em primeira instância; dedutibilidade das contribuições para o PIS e da COFINS, bem como dos respectivos juros, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; dedutibilidade, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, das despesas bancárias pagas e incorridas que não foram contabilizadas; ausência de cômputo das despesas com arrendamento mercantil/leasing; Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.721334/200832 Resolução nº 1301000.185 S1C3T1 Fl. 2.612 5 incorreção na apuração dos valores considerados improcedentes, relativos ao PIS e à COFINS de abril e maio de 2003; equívoco, no julgamento em primeira instância, sobre o conteúdo do título VI da impugnação (fls. 1.369/1.400); conclusões equivocadas e contrárias às provas dos autos no que diz respeito às operações descritas no título V da peça impugnatória (falta de apreciação de documentos e cerceamento do direito de defesa); comprovação de pagamento de título no montante de R$ 40.597,92 (fls. 76); contabilização a maior de pagamentos de operações de factoring (divergências entre valores contabilizados como pagos e valores efetivamente pagos); equívoco nas datas de contabilização de pagamentos de operações contratadas; improcedência do lançamento consubstanciado em omissão de receitas. A contribuinte apresentou, ainda, os seguintes complementos ao recurso voluntário interposto: fls. 2.438/2.471; fls. 2.475/2.500; 2.502/2.516; 2.520/2.566; 2.569/2.580; e 2.582/2.602. É o Relatório. Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.721334/200832 Resolução nº 1301000.185 S1C3T1 Fl. 2.613 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o auto de infração de fls. 06/15, foram as seguintes as imputações feitas pela Fiscalização à contribuinte fiscalizada: i) omissão de receitas decorrente de operações de factoring não contabilizadas (BANCO DO BRASIL); MONTANTE TRIBUTÁVEL APURADO: 30/06/2003 = R$ 2.524,50 30/06/2003 = R$ 2.573,89 30/06/2003 = R$ 9.538,79 30/09/2003 = R$ 5.646,67 30/09/2003 = R$ 6.965,54 30/09/2003 = R$ 8.101,67 31/12/2003 = R$ 14.161,90 31/12/2003 = R$ 13.668,91 31/12/2003 = R$ 14.339,21 ii) omissão de receitas decorrente de operações de factoring não contabilizadas (BANCO BCN); MONTANTE TRIBUTÁVEL APURADO: 30/06/2003 = R$ 3.116,54 30/06/2003 = R$ 4.685,66 30/09/2003 = R$ 10.397,45 30/09/2003 = R$ 1.198,74 31/12/2003 = R$ 2.192,05 31/12/2003 = R$ 3.160,92 31/12/2003 = R$ 4.700,28 Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.721334/200832 Resolução nº 1301000.185 S1C3T1 Fl. 2.614 7 iii) omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de CAIXA, tendo sido detectadas as seguintes irregularidades na referida conta: a) saldos credores contabilizados; e b) reforços fictícios de CAIXA, representados pelo fato de a contribuinte contabilizar como ingresso na referida conta contábil diversas operações bancárias sem, contudo, promover os registros contábeis relativos às saídas dos recursos correspondentes. SALDOS CREDORES APURADOS: 29/04/2003 = R$ 67.545,50 14/05/2003 = R$ 73.243,08 30/06/2003 = R$ 98.252,92 10/07/2003 = R$ 203.054,27 20/08/2003 = R$ 118.160,52 11/09/2003 = R$ 194.693,40 22/10/2003 = R$ 140.059,48 24/11/2003 = R$ 209.868,48 22/12/2003 = R$ 494.411,45 Em primeira instância, parte do crédito tributário constituído foi afastada, conforme descrição abaixo. A – PIS e COFINS referentes aos períodos de apuração de abril e maio de 2003, em razão de decadência; B – Redução da matéria tributável decorrente da imputação de SALDO CREDOR DE CAIXA, em virtude da constatação de erros e omissões nos registros contábeis, conforme transcrição abaixo. [...] 22. Como o saldo da conta sofre influência de todos os seus lançamentos, entendo que restando provada a existência de erros ou omissões, mesmo que não digam respeito às infrações constatadas, eles devem ser considerados, sob pena de apurarse valores indevidos da omissão. 23. Nesse contexto, é de reconhecer que a conta caixa teve o seu saldo afetado, indevidamente, por algumas operações terem sido registradas a crédito dela e a débito da conta títulos a pagar, não obstante terem sido efetivadas por meio de cheques da conta mantida no BCN, cuja movimentação não fora escriturada (vide, extrato, às fls. 1.286 a 1300, e livro Razão, às fls. 1.015 a 1.211) e por algumas terem sido registradas a crédito dela e a débito da conta banco movimento Banco Brasil, malgrado tratarse de pagamentos de clientes (não há os respectivos lançamentos a crédito da conta duplicatas a receber e a débito da conta caixa). 24. Considerarei, entretanto, apenas os lançamentos em que existe correspondência de valor e de data entre a conta caixa e o extrato bancário, urna vez Fl. 2822DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.721334/200832 Resolução nº 1301000.185 S1C3T1 Fl. 2.615 8 que as explicações quanto aos demais estão desprovidas de elementos probatórios. Cálculos ao Final. Por não terem ultrapassado o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008, não foi interposto recurso de ofício por parte da autoridade julgadora de primeira instância. Além do presente, encontramse sob apreciação neste Colegiado, os seguintes processos de interesse da contribuinte: 10469.720262/200725 e 10469.720613/200889. Todos, inclusive este, tratam, basicamente, das mesmas infrações, sendo que: a) o processo nº 10469.720262/200725 cuida dos fatos geradores ocorridos no segundo, terceiro e quarto trimestres de 2002; b) o processo nº 10469.720613/200889 cuida dos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2003; c) o presente processo cuida dos fatos geradores ocorridos no segundo, terceiro e quarto trimestres de 2003. A Recorrente requereu nos autos do presente processo que as lides em questão fossem apreciadas em ordem cronológica da ocorrência dos fatos, isto é, primeiramente fosse julgado o processo nº 10469.720262/200725, depois o de nº 10469.720613/200889 e, finalmente, este processo. Quanto a tal solicitação, a decisão recorrida assinala: 29. Por sua vez, o argumento do item 3.11 é falacioso. Como se sabe, o saldo credor que é objeto da tributação por omissão de receita não influencia o saldo dos períodos subseqüentes, ou seja, a conta caixa é zerada no dia seguinte (vide tabela às fls. 58 a 64). Assim, o fato de ter sido apresentado provas de que não teria havido saldo credor de caixa nos lançamentos dos processos nº 10469.720262/200725 e 10469.720613/200889 (não existe o processo nº 10469.720612/200889, decerto referiuse a este), o que cogito para argumentar, não opera influência nos saldos credores apurados no caso em questão. De maneira que o julgamento deste processo independe do daqueles. Em tese, o raciocínio esposado na decisão de primeiro grau está correto, vez que, tratandose de tributação com base no lucro real trimestral2, o saldo inicial da conta CAIXA em cada um dos trimestres auditados deveria ser o constante da escrituração, face a suposição de que os valores ali indicados resultaram de inventário. Entretanto, não foi essa metodologia adotada pela autoridade fiscal. Com efeito, a Fiscalização promoveu a recomposição dos saldos da conta CAIXA com base no anocalendário. Penso que o critério adotado pela autoridade fiscal não traz mácula aos lançamentos. Porém, uma vez acolhida tal metodologia, vejo como clara a interdependência 2 Opção registrada nas DIPJ/2003 e 2004, anexadas aos processos. Fl. 2823DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.721334/200832 Resolução nº 1301000.185 S1C3T1 Fl. 2.616 9 entre os processos, pois, neste caso, a recomposição deve levar em conta os saldos reconstituídos do período de 1º de janeiro de 20023 a 31 de dezembro de 2003. A proposição apresentada no processo nº 10469.720262/200725 foi, pelos fundamentos nele expostos, pela conversão do julgamento em diligência para que documentos aditados às peças de defesa fossem apreciados. Embora não vislumbre, no presente processo, as circunstâncias autorizadoras do acolhimento da documentação juntada pela contribuinte após a apresentação da impugnação, bem como da realização do procedimento de diligência, adoto, por isonomia e em razão da conexão das matérias, igual tratamento no presente processo. Assim, conduzo o meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem promova a análise dos seguintes esclarecimentos e documentos, aportados ao processo pela Recorrente: A) os anexados às fls. 2.256/2.285 e 2.290/2.308, apresentados antes de ter sido prolatada a decisão de primeira instância, mas que não foram apreciados em sede de julgamento; B) os constantes da peça recursal, identificados pelos seguintes itens: V (fls. 2.370); XI (fls. 2.379); XII (fls. 2.391); XIII (fls. 2.392); e XIV (fls. 2.401); D) os anexados às fls. 2.438/2.471; 2.475/2.500; 2.520/2.566; 2.569/2.580; e 2.582/2.602. Solicito, ainda, que o resultado da análise que ora se requer seja sintetizada em Relatório, cujo teor deverá ser cientificado à Recorrente para, se quiser, aditar razões. Para fins de julgamento conjunto, o presente processo deve ser reenviado a este Colegiado juntamente com os de nºs 10469.720262/200725 e 10469.720613/200889. “documento assinado digitalmente” Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2014 Wilson Fernandes Guimarães 3 A auditoria realizada no primeiro de trimestre de 2002 foi objeto do processo nº 10469.720140/200739, apenso, por solicitação deste Colegiado, ao de nº 10469.720262/200725. Fl. 2824DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 11080.721714/2012-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
SIMULAÇÃO - SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO AO SÓCIO OCULTO - CRÉDITOS INDEVIDOS DE IPI
O investimento da recorrente, para se tornar sócio oculto, i.e., para fortalecer o empreendimento do sócio ostensivo, é de valor simbólico. O único sócio oculto (recorrente), sobre ser o único cliente da Sociedade em Conta de Participação (SCP), recebia 65% do faturamento bruto da SCP, a título de distribuição de resultados dessa - receita não tributável. Conflito de interesses. Incompatibilidade entre causa típica de uma SCP e o fim prático pretendido pelas partes, a configurar simulação da SCP. Diante da simulação da SCP, fica caracterizada a majoração indevida de 65% dos custos dos kits para produção de refrigerantes, e, por conseguinte, de créditos indevidos de IPI em 65% dos custos os referidos kits. Como a SCP é simulada, o recebido pela recorrente não é distribuição de lucros, mas redução de 65% dos custos dos kits, para direito de créditos de IPI.
MULTA QUALIFICADA
No quadro exposto, não há elementos que concorram para uma simulação inocente. Ou ainda, não se está diante de fenômeno simulatório que se ponha numa linha divisória tênue ao olhar natural ou sob as lentes defasadas. No caso vertente, não se afigura factível mesmo um erro de proibição.
ILEGALIDADE DA TAXA SELIC E INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA
A Súmula CARF nº 4 reconhece ser devida a taxa Selic. A constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1103-001.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Carlos Mozart Barreto Vianna, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 SIMULAÇÃO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO AO SÓCIO OCULTO CRÉDITOS INDEVIDOS DE IPI O investimento da recorrente, para se tornar sócio oculto, i.e., para fortalecer o empreendimento do sócio ostensivo, é de valor simbólico. O único sócio oculto (recorrente), sobre ser o único cliente da Sociedade em Conta de Participação (SCP), recebia 65% do faturamento bruto da SCP, a título de distribuição de resultados dessa receita não tributável. Conflito de interesses. Incompatibilidade entre causa típica de uma SCP e o fim prático pretendido pelas partes, a configurar simulação da SCP. Diante da simulação da SCP, fica caracterizada a majoração indevida de 65% dos custos dos kits para produção de refrigerantes, e, por conseguinte, de créditos indevidos de IPI em 65% dos custos os referidos kits. Como a SCP é simulada, o recebido pela recorrente não é distribuição de lucros, mas redução de 65% dos custos dos kits, para direito de créditos de IPI. MULTA QUALIFICADA No quadro exposto, não há elementos que concorram para uma simulação “inocente”. Ou ainda, não se está diante de fenômeno simulatório que se ponha numa linha divisória tênue ao olhar natural ou sob as lentes defasadas. No caso vertente, não se afigura factível mesmo um erro de proibição. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC E INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA A Súmula CARF nº 4 reconhece ser devida a taxa Selic. A constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 17 14 /2 01 2- 71 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 595 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Carlos Mozart Barreto Vianna, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 596 3 Relatório DO LANÇAMENTO Conforme o relatório de ação fiscal, lavraramse autos de infração de IRPJ, de CSL, de PIS, de Cofins e de IPI, relativos ao superfaturamento de compras de insumos utilizados na produção, à dedução como despesas de PIS e CofinsImportação e à utilização indevida de créditos, realizada entre março de 2007 e dezembro de 2010. De início, insta relevar que este feito tem por objeto as questões atinentes à glosa de créditos de IPI (auto de infração de fls. 203216 do eprocesso), com a exigência de crédito tributário no valor de R$ 13.469.659,41 (atualizado até fevereiro de 2012, incluindo juros e multa qualificada). As exigências de IRPJ e de CSL foram incorporados no processo administrativo nº 11080.721713/201226, e as de PIS e de Cofins no processo administrativo nº 11080.721712/201281. Fundamentalmente, os autos de infração decorreram de suposta simulação na participação da fiscalizada como sócia oculta e na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP). A simulação seria quanto à validade da própria SCP, em que a fiscalizada atua como cliente e sócia oculta daquela, gerando aumento ficto do custo dos insumos adquiridos da SCP, a fim de reduzir o pagamento de tributos, conforme trecho do relatório de ação fiscal infratranscrito, de fl. 349 (eprocesso): “Com todos os dados e fatos apresentados até o momento fica claro que houve uma simulação com o intuito exclusivo de reduzir ou suprir tributos mediante o aumento ficto dos custos dos insumos, via compras realizadas pela figura societária criada entre a fiscalizada e a POLYAROMAS, SCP, desta forma diminuindo o lucro real e aumentando os créditos de PIS, Cofins, e IPI com a compra superfaturada no montante exato de 65% sobre todos os valores adquiridos pela fiscalizada da Polyaromas, sócia ostensiva dessa SCP.” Toda a receita bruta da SCP deriva das vendas efetuadas para a própria sócia oculta (recorrente), sendolhe creditados 65% dos valores arrecadados pela SCP, a título de participação nos resultados de tal sociedade. Essa exigiu da sócia oculta apenas dois mil reais, mas recebeu, na forma de distribuição de resultados, quase vinte milhões de reais no período de março de 2007 a dezembro de 2010. Ainda, por determinação legal, a sócia oculta não pode participar da atividade objeto do negócio de sociedade em conta de participação, devendo apenas contribuir com a entrega de recursos à sociedade. Constata, pois, que a SCP é simulada, sendo artifício empregado pela recorrente para inflar seus custos dos insumos adquiridos da suposta SCP, com o retorno imediato da parcela inflada dos custos por suposta distribuição de lucros à recorrente como sócia oculta da SCP simulada (cujo sócio ostensivo é a Polyaromas, o fornecedor dos insumos). Fl. 596DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 597 4 Afirmou que a recorrente apurou o seu lucro tributável no regime do lucro real anual e, com relação aos valores pagos a titulo de PIS/CofinsImportação, alegou que esses não podem ser deduzidos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, de acordo com o trecho do relatório de ação fiscal de fl. 351 (eprocesso): “Ora os valores recolhidos a titulo de PIS e Cofins Importação quando passível de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições não se traduz em custo dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que não foi contabilizado no custo de aquisição conforme declaração do contribuinte (fl. 102). Sendo assim, não há possibilidade dessa dedução; além disso o contribuinte utilizou tais valores para a apuração de créditos, esse sim com previsão legal; logo, é como se o contribuinte se beneficiasse em duplicidade. Assim, os valores informados na Demonstração de Resultados da DIPJ a titulo de PIS e Cofins (fls. 155, 202, 253, 298) como dedutíveis do resultado tributável dos anoscalendários 2007 a 2010 também foram acrescidos ao resultado apurado pelo contribuinte. A forma de apuração do lucro escolhida pelo contribuinte, Águas Minerais Sarandi Ltda, é o Lucro Real Anual. Para a fiscalização apurar os tributos IRPJ e CSLL devidos pelas infrações aqui apontadas foram usadas como valores iniciais os apurados como resultado tributável pelo contribuinte e informado em seu Lalur (fls. 105/150) e DIPJ (fls. 151/343), conforme quando abaixo. As leis acima informadas (11941/2009 e 12249/2010) permitem que em determinadas situações e para determinados débitos junto a Fazenda Nacional os saldos de prejuízo acumulado e o saldo negativo de base de cálculo da CSLL fossem utilizados para liquidação desses débitos. O contribuinte solicitou essa forma especial de pagamento nos processos 13026.000434/2009 18 e 12026.000063/201181 os valores de R$12.058.388,01 e R$12.187.959,19, de prejuízo fiscal acumulado e de base negativa de CSLL acumulada, respectivamente.” Acerca disso, colacionou quadros demonstrativos. Com relação ao PIS e à Cofins, a empresa recorrente, prestando esclarecimentos à fiscalização, afirmou que o controle destes é feito através das informações do Dacon, não tendo escrituração relativa a esses. Afirmou também que os valores de aquisição dos extratos de refrigerante da Polyaromas foram incluídos na base de cálculo desses créditos a alíquotas de 1,65% e 7,60%. Isso, de acordo com a legislação vigente, está incorreto, pois ela estabelece que quando uma empresa fora da Zona Franca de Manaus, o que é o caso da Sarandi, adquire insumos de empresas sediadas na ZFM com projeto aprovado pela Suframa, o que é o caso da Polyaromas, e não possui receitas excluídas da não cumulatividade, a alíquota de crédito apurado para PIS e Cofins devese limitar a 1% e a 4,6%. Desse modo, a recorrente além de retirar 65% das aquisições da base de cálculo dos créditos, incluiu nessa base alíquotas indevidas. A fim de demonstrar esses valores Fl. 597DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 598 5 de crédito apurados indevidamente e o cálculo de como deveria ter sido feito o recolhimento, colacionou quadros demonstrativos. Intimou a recorrente a reduzir de ofício o saldo de créditos de PIS e Cofins a zero, conforme o artigo 9°, § 4°, do Decreto 70.235/1972. Acerca do IPI, afirmou que estes créditos são apurados indevidamente pela recorrente, de acordo com o trecho do relatório de fls. 360 (eprocesso): “A empresa fiscalizada é uma industrial do ramo de bebidas frias que produz, entre outros, águas minerais e refrigerantes. Tais produtos estão sujeitos a tributação do IPI – Imposto de Produtos Industrializados. Ao adquirente de insumos utilizados na produção de tais produtos, a legislação admite o uso de crédito do mesmo imposto pago pelo fornecedor destacado em nota fiscal. A Sarandi adquire um produto da Polyaromas (sócia ostensiva da SCP de fachada) denominado “kit p/refrigerantes”, extrato e/ou concentrado, que é usado como insumo na produção de bebidas frias do tipo refrigerantes. Como a empresa Polyaromas é sediada na ZFM e tem projeto aprovado pelo Suframa (fl.169), como já dito anteriormente, essa empresa industrial se beneficia do não pagamento de IPI sobre os produtos por ela produzidos, em conformidade com os artigos 69, I e II e artigo 82, III do Decreto 4.544/2002, logo, em suas notas fiscais não há destaque do IPI. No entanto, em condições especiais, a aquisição de alguns insumos em que não houve destaque do IPI em nota pode vir a ter permissão legal de creditamento como se tributados esse insumo tivesse sido, no caso em tela, a fiscalizada se utiliza do artigo 175 do Decreto 4.544/2002 para a escrituração de um crédito de IPI sobre as aquisições da Polyaromas a uma alíquota de 27% no Livro de Apuração do IPI a título de “outros créditos”.” Acrescentou que, devido ao fato de o custo de aquisição dos insumos retromencionados estarem indevidamente majorados em 65%, os créditos “presumidos” de IPI na parcela “vitaminada” em 65% são indevidos. Promoveu a correção dos valores de IPI devidos mensalmente, levando em conta o total de créditos e débitos apurados no Livro de Apuração de IPI pela recorrente, considerandose a sistemática de débito de IPI contra crédito. Nesse sentido, colacionou quadros demonstrativos de créditos de IPI apurados pela recorrente coluna de créditos indevidos e de ajuste de créditos e de apuração de IPI a pagar, confeccionados pelo autuante. Concluiu que o que ocorreu foi uma simulação com a intenção de reduzir tributos, com efeito de aumento do custo dos insumos, via compras realizadas da SCP, diminuindo o lucro real e a base de cálculo da CSL, e aumentando créditos de PIS, Cofins e IPI com a compra superfaturada no montante de 65% sobre os valores adquiridos. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 599 6 Por fim, embasada nas Leis 9.430/96 e 4.502/1964, e no fato de a recorrente ter a intenção dolosa de reduzir tributos com a simulação retro mencionada, estabeleceu que a multa de ofício a ser aplicada aos tributos em questão deve ser de 150%. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 223 a 258 (e processo). Primeiramente, afirmou que é licita a associação empresarial realizada entre a recorrente e a SCP, pois isto foi feito com o fim de facilitar a fabricação, aquisição, comercialização, distribuição, logística e redução dos custos dos extratos de refrigerante, o que torna possível a competição com as grandes e internacionais fabricantes. Além disso, afirmou que essa associação recebe o nome de parcerias empresariais. Nesse sentido, colacionou doutrina. Alegou que a SCP em questão realizou o recolhimento de todos os tributos devidos à União. Contestou a afirmativa da fiscalização de que as ações da recorrente são vedadas pelo artigo 991 do Código Civil, pois ele interdita a participação dela nas atividades ligadas ao objeto social da SCP. Sobre isso, afirmou que não praticou atos ligados ao objeto social da SCP, pois o que ela realizou foi a aquisição de extrato de refrigerante, o que não é o objeto social da sociedade e, mesmo que fosse, isso apenas faria com que a recorrente passasse a ter responsabilidade perante terceiros. Além disso, atestou que o fornecimento de extratos de refrigerante não é feito exclusivamente para a recorrente, que a lei não proíbe que ela adquira produtos da SCP da qual faz parte, e que isso está autorizado no contrato de constituição da SCP. Esclareceu que a fiscalização não questionou, em nenhum momento, a efetiva existência fática e jurídica da SCP, a ocorrência da fabricação e venda de extratos de refrigerante pela SCP à recorrente. Alegou que o lançamento realizado deve ser considerado nulo, devido ao fato de esse apresentar uma fundamentação legal e fática equivocada, genérica e desconexa, o que prejudica o direito de defesa da recorrente. Além disso, baseou a nulidade no arbitramento realizado pela fiscalização ao desconsiderar quase a totalidade das operações ligadas à SCP, sob a alegação de não ter tido acesso à escrituração desta. Quanto a isso, juntou decisão do antigo Conselho de Contribuintes. Acrescentou que a principal alegação da fiscalização, que se refere ao fato de a constituição da SCP ter sido feita com o intuito de reduzir tributos, mediante o aumento ficto dos extratos de refrigerante, é deficiente devido à falta de provas. Sendo assim, afirmou que essa alegação deve ser comprovada: pela demonstração de que o valor do insumo é incompatível com o valor do mercado; por meio da Fl. 599DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 600 7 análise da contabilidade da Polyaromas. Isso porque a fiscalização não pode se basear apenas em presunções e indícios por prevalecer no direito a presunção de boafé do contribuinte e devido ao fato do ônus da prova caber ao poder público. Além disso, afirmou que alegar e não provar é o mesmo que não alegar, e colacionou entendimento do CARF e doutrina nesse sentido. Consignou que não houve nenhuma pesquisa e diligência nos órgãos do Governo Federal, assim como não foi feita a análise da contabilidade da Polyaromas a fim de avaliar qual é o preço de mercado dos insumos em questão. Portanto, a fiscalização não pode afirmar que houve o aumento ficto do preço deles. Além disso, afirmou que esse aumento ficto não ocorreu e, para tanto, apresentou dados oficiais comprovando que o custo de aquisição é compatível com o praticado no mercado. Afirmou que a recorrente não constituiu a SCP com o objetivo de ocultar a vontade efetivamente querida que, segundo a fiscalização, é a de reduzir os tributos. A SCP foi formal e materialmente constituída, tendo sido declarada e escriturada a distribuição dos seus resultados. Nesse sentido, alegou que o único erro realizado pelo contador da recorrente foi a contabilização equivocada dos resultados da SCP como ganho de capital. Ressaltou que a recorrente apenas não apresentou os documentos que estavam na posse da sócia ostensiva, sob os quais tomará as medidas cabíveis. Acentuou que o ônus probatório da fiscalização só daria suporte a alegação de que houve aumento fictício do valor do insumo, se ela provasse o conluio entre a recorrente e a Polyaromas. Não provando, caberia a fiscalização realizar questionamentos e exigências tributárias em face dessa empresa e não da recorrente. Colacionou entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que estabelece que se deve reconhecer a legitimidade de um planejamento tributário no qual foi feita a incorporação às avessas, para se poderem aproveitar prejuízos fiscais da empresa incorporadora, e que não se devem desconsiderar atos jurídicos quando houver motivo extra tributário. Com relação à taxa Selic, afirmou que, de acordo com o artigo 161, § 1°, do CTN, os juros são devidos a razão de 1%, sendo esse o limite máximo para a sua fixação. Por conseguinte, ressaltou que seria um grande equívoco igualar os juros à taxa do mercado financeiro, pois isso significaria retirar do Poder Legislativo a fixação do valor final da obrigação, deixandoa a cargo do ente tributante que controla tal mercado. Alegou que está incorreta a aplicação, por parte da fiscalização, da multa qualificada no percentual de 225%. Isso porque ela não comprovou que a recorrente agiu de forma fraudulenta, pois essa última não pode ser penalizada pela não entrega dos documentos por parte da sócia ostensiva da SCP, e porque essa multa fere os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e da proibição do confisco. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Tendo em vista o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos, requereu que a multa fosse reduzida ao percentual de 75%. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 601 8 Afirmou que não é possível incidir juros sobre a multa de ofício exigida conjuntamente com o tributo supostamente devido, em razão da ausência de previsão legal nesse sentido. Acrescentou que as questões referentes ao parcelamento da Lei 11.941/2009, não foram impugnadas, pois há rito próprio para a discussão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa. Por fim, requereu que seja julgada procedente a impugnação, a autorização da juntada de documentos, a realização de diligências para se verificarem os preços dos insumos das demais empresas na ZFM no período de 2007 a 2010, e a declaração da total improcedência do lançamento e dos autos de infração. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, de forma a manter o crédito tributário impugnado, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, entendeu que não houve o cerceamento de defesa alegado pela recorrente, uma vez que a fiscalização centralizou o lançamento no apontamento dos custos e esse fator foi abordado na impugnação, o que faz com que fique claro que a recorrente sabia o teor da acusação que lhe foi imputada. Afirmou que não está correta a alegação da recorrente, no sentido de que o lançamento deve ser nulo devido ao fato de ele ter como fundamento a glosa das despesas e a ausência de escrituração fiscal da SCP, pois o relatório de ação fiscal não faz referência a isso. Apontou que a fiscalização não baseou a simulação no fato de ela não ter acesso aos livros, mas sim nas operações com insumo, e que o não acesso àqueles não poderia causar arbitramento dos lucros da recorrente, mas sim da SCP. Acrescentou que a glosa parcial não é capaz de tornar a contabilidade do contribuinte imprestável para a apuração do lucro real, pois esta pode ser apurada através da desconsideração de poucos lançamentos contábeis. Com relação ao conceito e à prova de simulação, colacionou entendimentos doutrinários e ressaltou que, devido ao fato de a prova da simulação ser de difícil obtenção, é permitida a sua comprovação por todos os meios admitidos em direito, inclusive por indícios e presunções. Acerca disso abordou o entendimento de Francisco Ferrara sobre os elementos capazes de provar a simulação, como a falta de execução material do contrato, a conduta das partes e a existência de motivo para a simulação. Concluiu que não há provas de que a SCP tenha existência fática. O fato de o sócio ostensivo receber uma remuneração insignificante perto da que é recebida pelo sócio oculto (recorrente) indica que para eles não havia SCP. Que a recorrente não pagou nos insumos mais do que 35% do valor para eles declarados, e que os argumentos presentes na própria impugnação caracterizam a simulação. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 602 9 Com relação à multa de ofício, ressaltou que, diferentemente do que foi alegado pela recorrente, a multa fixada foi de 150%, em razão da simulação retromencionada, e que isso foi fundamentado de forma correta pela fiscalização, que indicou os artigos 72 e 73, da Lei 4.502/64. Além disso, afirmou que esse percentual está previsto na legislação em vigor e sendo a atividade administrativa vinculada. Afirmou que devem ser desconsideradas as alegações acerca da taxa Selic, pois não deve ser aplicado o artigo 161, § 1°, do CTN, devendo ser observado o que dispõe o artigo 61, § 3°, da Lei 9.430/96. Por fim, consignou que não pode ser apreciado pela Turma julgadora o questionamento da recorrente acerca da futura aplicação de juros sobre a multa de oficio, pois não há neste processo, até o presente momento, essa aplicação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 319 a 351 (eprocesso), reiterando integralmente o alegado em sede de impugnação. DO ACÓRDÃO DO CARF O Acórdão nº 3101001.302, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF declinou competência para a 1ª Seção de Julgamento, por se entender tratarse de tributação reflexa à de IRPJ. DA RESOLUÇÃO DO CARF A Resolução nº 1102000.183, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, encaminhou o feito a esta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, por conexão ao feito de IRPJ e por se entender que a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara se encontrava preventa. É o relatório. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 603 10 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 315 e 318). Dele, pois, conheço. Fui o relator do julgamento do recurso no processo administrativo nº 11080.721713/201226, de exigência de IRPJ e de CSL, decorrentes do mesmo Relatório de Ação Fiscal, e que resultou no Acórdão nº 1103001.004. A exigência de que trata os autos deste feito é de IPI. O problema de competência para julgamento do recurso é semelhante ao do processo administrativo nº 11080.721712/201281, de lançamentos de PIS e de Cofins, também decorrente do citado Relatório de Ação Fiscal, enfrentado por esta Turma. Nesse julgamento, sob relatoria do ilustre Conselheiro André Mendes de Moura, e que resultou no Acórdão nº 1103001.064, concluiuse ser competente para apreciação do recurso a 3ª Seção de Julgamento, em que pese ter havido acórdão com declinação de competência da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O caso, portanto, foi de encaminhamento do feito ao Presidente do CARF, por conflito negativo de competência. O caso aqui é de glosa de 65% do valor dos créditos de IPI decorrentes da aquisição dos kits para produção de refrigerantes da sociedade em conta de participação considerada simulada, com recomposição dos valores devidos mensalmente, por conta do regime de débito contra crédito, com a correção dos valores devidos considerandose o total de créditos e débitos apurados pela recorrente. Não há discussão da alíquota de IPI, seja para os créditos glosados, seja para a apuração do valor de IPI exigido. As mesmas razões que levaram o ilustre Relator do Acórdão nº 1103001.064 à declinação de competência, conduzem à conclusão oposta na situação em jogo, conquanto entenda que, aqui, não cabe o raciocínio a contrario sensu (i.e., caso a decisão final para o recurso sobre a exigência de PIS e Cofins venha a ser de que a competência para julgamento é da 1ª Seção). Transcrevo excertos do voto do referido acórdão, que deixam claro o que disse: Determinados fatos no mundo real podem ser amoldar não apenas à hipótese de incidência do IRPJ, mas também de outros tributos. Isso porque o fato que provoca a incidência do imposto de renda não é isolado e nem estanque, pelo contrário, pode ter desdobramentos e provocar repercussão em outros fatos que se constituem em hipótese de incidência de outros impostos ou contribuições sociais. Nesse sentido, considerando que o IRPJ incide sobre a renda, há que se considerar duas hipóteses, primeiro, se existem outros tributos cuja hipótese de incidência também seja sobre a renda (no caso, a CSLL e o IRRF), e segundo, se há alguma grandeza que guarde relação com a Fl. 603DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 604 11 apuração da renda, como, por exemplo, a receita bruta ou faturamento (no qual se aplica da tributação do PIS e da Cofins). Tratase de precisamente a situação no qual o lançamento de IRPJ tem desdobramento em autuações de CSLL, PIS e Cofins. Contudo, não se pode olvidar da aplicação de legislação para cada um dos tributos. Isso porque há se analisar a hipótese de incidência prevista, que autoriza a subsunção do fato à norma tributária. Quando se fala em lançamento conexo, decorrente ou reflexo, o fato X amoldase, plenamente, à hipótese de incidência do tributo A, B, C e D. Por outro lado, caso o fato X, por si só, não se mostre suficiente para a subsunção da norma tributária, sendo necessário a ocorrência de eventos complementares, não há que se falar em procedimento conexo, decorrente ou reflexo. Tratase precisamente do caso em análise. Isso porque constatou a Fiscalização que, além da glosa de 65% da base de cálculo utilizada pela contribuinte para a apuração dos créditos da nãocumulatividade, caberia também uma redução na alíquota aplicada pela contribuinte (para o PIS, de 1,65% para 0,65%, e para a Cofins, de 7,60% para 3,60%). No que concerne á glosa da base de cálculo, não há dúvidas, tratase decorrência clara dos fatos apurados para a autuação do IRPJ. Os custos da empresa foram aumentados artificialmente em razão da aquisição dos produtos da Polyaromas, que é uma sócia ostensiva da SCP fictícia. Tal majoração dos custos teve desdobramentos, portanto, na base de cálculo do IRPJ, e na base de cálculo para a apuração dos créditos da nãocumulatividade, atinentes ao PIS e a Cofins. Por outro lado, a alteração da alíquota envolve aspectos estranhos ao suporte fático do IRPJ. Isso porque, para se aplicar a legislação que justifique a mudança da alíquota dos créditos da nãocumulatividade, há que se considerar que a Polyaromas, empresa que revende as mercadorias para a contribuinte, encontrase sediada na Zona Franca de Manaus (ZFM), e tem projeto aprovado pela Suframa – Superintendência da Zona Franca de Manaus. Tal situação tem o condão de alterar a alíquota para apuração dos créditos nãocumulativos de 1,65% para 0,65% (PIS), e 7,60% para 3,60% (Cofins), conforme legislação específica disposta nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. (destaques do original) Ou seja, entendo ser competente para julgamento do presente recurso a 1ª Seção, conforme o Acórdão nº 3101001.302, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 605 12 Posto isso, passo ao exame do feito. Antecipase que a insurgência da recorrente se reserva à glosa dos créditos de IPI e, somente por decorrência, da exigência do IPI lançado. Quero com isso dizer que não há controvérsia sobre a forma de recomposição dos valores devidos, mas sobre a glosa dos créditos que levou a tal recomposição. Aliás, essa é a questão central da autuação. Pois bem. Como visto no relatório, a glosa de 65% dos créditos de IPI obtidos pela aquisição de insumos da sociedade em conta de participação (SCP) se deu por considerar o autuante que a SCP de que a recorrente é sócia oculta, é simulada. Para tanto, a constatação feita pelo autuante foi a seguinte. A SCP tem como sócia ostensiva a Polyaromas, sociedade instalada na Zona Franca de Manaus, e como sócia oculta a recorrente. A contribuição da recorrente para aquisição do status de sócia oculta foi de R$ 2.000,00. O objeto da SCP é a organização e fornecimento de kits para produção de refrigerantes. O único cliente da SCP é a sócia oculta, a recorrente. O parágrafo único da cláusula quarta do contrato de constituição da SCP prevê a distribuição de lucros desproporcional com a participação dos sócios. No caso, verificouse que a recorrente, sobre ser o único cliente da SCP, recebia 65% do faturamento bruto da SCP, a título de distribuição de resultados dessa. Recebimento esse que se dava no primeiro dia útil seguinte ao pagamento feito pela recorrente à SCP pela aquisição dos kits para produção de refrigerantes. Ou seja, a cada pagamento do preço pela aquisição dos kits pela recorrente se operava seu recebimento de 65% desse preço. O autuante reputou ser simulada a SCP, glosando 65% do custo dos insumos (kits para produção de refrigerantes) adquiridos da SCP, por constituir majoração indevida de custo. A recorrente alega que a fiscalização deveria ter aprofundado sua investigação fiscal, para demonstrar que o custo de produção dos kits em questão na fábrica da Polyaramas não é real. Não verificou a fiscalização os preços praticados pelo mercado pelas empresas situadas na Zona Franca de Manaus, para buscar a comprovação da artificialidade dos preços praticados entre a SCP e a recorrente. Também, não houve desconsideração da escrituração contábil da Polyaramas nem da SCP. Justamente porque não se aprofundou a investigação para demonstração da majoração artificial dos custos. E que, sem tal desconsideração, a contabilidade faz prova a favor do contribuinte. Mais. A evidência da precariedade e da insustentabilidade do entendimento fiscal está na aferição dos preços praticados pelo mercado pelas produtoras localizadas na Zona Franca de Manaus. A recorrente mostra que o preço de mercado praticado ao tempo dos negócios combatidos variava entre R$ 100,00 a R$ 130,00 o quilograma dos kits em apreço, segundo dados oficiais da Suframa, por meio do Sistema de Indicadores Industriais – Coise/Cgpro/SAP do Pólo Industrial de Manaus. E a recorrente adquiriu os kits ao preço médio de R$ 100,00 por quilograma. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 606 13 Pois bem. Como ensina Emílio Betti, se a discrepância entre a causa típica do negócio e a causa intentada ou o fim prático pretendido relevar uma simples incongruência ou discordância, o fenômeno é de negócio indireto ou de negócio fiduciário. Se a discrepância entre a causa típica e a causa intentada ou fim prático pretendido no negócio revelar uma incompatibilidade entre elas, o que é o fenômeno da simulação1. Ou seja, a insinceridade de causa (típica) ou a incompatibilidade entre a causa (típica) e o fim prático pretendido pelas partes configura a simulação do negócio. Essa incompatibilidade decorre de uma avaliação contingente, não sendo algo conceituável, ao menos em termos absolutos. Na causa típica de uma SCP estão presentes o fortalecimento do empreendimento do sócio ostensivo, enquanto tal, com os investimentos feitos pelos sócios ocultos, e a repartição dos resultados entre ambas as categorias de sócios. No caso vertente, foram detectados os seguintes elementos objetivamente verificáveis quanto à posição, atuação e atribuição à recorrente: é a única sócia oculta da SCP, e, para tanto, fez um aporte de R$ 2.000,00; a SCP só vendeu produtos (kits para produção de refrigerantes) para a recorrente, que é a única cliente da SCP; das vendas da SCP à recorrente, 65% do preço dessas vendas são distribuídos à recorrente a título de distribuição de lucros. A causa buscada com a SCP, na presença dos elementos objetivos descritos na situação em jogo, é a não redução de preços pagos pelo sócio oculto à SCP, para atribuição de significativos resultados ao sócio oculto, e para atribuição de lucros ao sócio empreendedor ou ostensivo. Há franca incompatibilidade entre essa causa ou fim concreto buscado pelas partes com a causa típica das partes com uma SCP. O investimento do sócio oculto é de apenas R$ 2.000,00, para fortalecer o empreendimento do sócio ostensivo. Se não, há de se considerar como “investimento” do sócio oculto a aquisição dos kits produzidos pelo sócio ostensivo somente por ele. E o sócio oculto recebe 65% do preço dos produtos que ela mesma adquire. A incompatibilidade de causas se desnuda, com um conflito de interesses “genético” numa sociedade nesses termos: o comprador busca o menor preço e o vendedor o maior, mas o comprador, aqui, sob o “chapéu” da SCP, tem o interesse do vendedor, pois tem direito a 65% do preço como “lucro” seu. Comprador que é o único cliente do vendedor, para que o “chapéu” da SPC dê o lucro que o comprador espera obter. Como se dizer que a reunião da recorrente com a Polyaromas numa SCP foi para redução de custos daquela, se são desses custos que ela recebe a título de distribuição de lucros 65% deles (custos)? 1 Cf. seu “Teoria geral do negócio jurídico – tomo II”. Tradução de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003, pp. 278, 279, 285 a 287. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 607 14 A redução de custos é possível sem a “participação nos lucros” sobre a aquisição que a própria recorrente faz do sócio ostensivo, até porque ela é a única cliente dessa SCP. Por isso, de nada adiantam os indicativos de preços médios praticados pelos fabricantes instalados na Zona Franca de Manaus. Também, a lição de Pontes de Miranda é precisa ao caso, ao dizer que “o acordo sobre a causa não basta a que a causa se estabeleça, se não há o elemento objetivo da adequação da atribuição à causa.” (Tratado de Direito Privado – tomo III. Rio: Borsoi, 1954, p. 94). Do que ficou deduzido, a conclusão inevitável é a de que a SCP em questão é simulada. Por conseguinte, fica evidenciada a majoração dos custos dos kits para produção de refrigerantes, encoberta sob a capa de lucros distribuídos pela SCP à recorrente, correspondentes a 65% do preço de aquisição dos kits para produção de refrigerantes. Ou seja, a majoração (indevida) dos custos pela recorrente corresponde exatamente a 65% dos “preços” de aquisição dos kits para produção de refrigerantes da Polyaromas – o aparente “sócio ostensivo da SCP”. Isso significa que houve majoração indevida em 65% dos créditos de IPI decorrentes da aquisição dos kits para produção de refrigerantes da Polyaromas. Se a SCP é simulada, é óbvio que o recebido pela recorrente não foi a título de distribuição de lucros, mas representativo da redução dos custos de aquisição dos kits para produção de refrigerantes em 65% do preço. O custo real, pois, é de 35% dos custos majorados. Por outro lado, é evidente que, sendo simulada a SCP, por princípio de identidade, a receita auferida pelo sócio ostensivo, não mais nessa qualidade, mas como Polyaromas, é justamente de 35% dos “preços” de venda praticados sob a “capa” da SCP à recorrente (dos kits para produção de refrigerantes). O resto é efeito da simulação da SCP. Nessa ordem de considerações, nego provimento sobre o mérito da exigência do IPI. Invoca a recorrente, ainda, ilegalidade da taxa Selic para os juros moratórios e inconstitucionalidade da multa por ofensa à razoabilidade e à vedação ao confisco. A questão da taxa Selic para juros moratórios é objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sobre a constitucionalidade da multa, tratase de matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 c/ a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e a Súmula CARF nº 2. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 608 15 Outrossim, nego provimento sobre ambas as questões. Prossigo, com a apreciação da questão da multa qualificada. Como se vê dos instrumentos específicos dos autos de infração, a multa qualificada foi infligida sobre o IPI, decorrente da majoração indevida dos custos (créditos) – fls. 205 a 207, 214 a 216. Diante do quadro exposto, não há elementos que acusem ou concorram para a consecução de uma simulação “inocente”. Ou melhor, que concorram a uma simulação “não legível” àquele que não passou por correção das lentes pelo oftalmologista. Ou ainda, não se está diante de fenômeno simulatório que se coloque numa linha divisória tênue ao olhar natural ou sob as lentes defasadas. Não se afigura factível mesmo um erro de proibição. Como se dizer que a construção em jogo, com os caracteres apresentados, não ostenta o elemento subjetivo do tipo, o dolo? Não vejo como se possa afastar a qualificação da multa no caso vertente, de modo que sobre a questão nego provimento ao recurso. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de março de 2015 (assinado digitalmente) Marcos Takata – Relator Fl. 608DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11080.721714/201271 Acórdão n.º 1103001.206 S1C1T3 Fl. 609 16 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 31/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11080.004489/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior que votaram por realizar o julgamento.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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Vencidos os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior que votaram por realizar o julgamento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 18/07/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03 a 15)., para exigir crédito tributário no montante de R$ 110.774,33, nele compreendidos imposto, multa de ofício e juros de mora, relativo ao anocalendário 2002, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados e omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Apreciada a Impugnação (fl. 230/248), o lançamento foi julgado procedente, por ausência de comprovação da origem dos depósitos bancário, mediante a vinculação de cada depósito à operação realizada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 04 48 9/ 20 07 -4 7 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.004489/200747 Resolução nº 2802000.124 S2TE02 Fl. 186 2 Nas razões de Voluntário (fl. 230/248), reclama ofensa ao princípio de igualdade de tratamento tributário e justifica que a origem dos depósitos glosados foi provada nos autos, contanto referida prova foi ignorada pela fiscalização. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB pelos seguintes bancos: Banco de Brasil S/A e ao Banco ABN AMRO REAL S/A., realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas no ano calendário de 2002, pela Recorrente, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Os extratos bancários foram apresentados pela Recorrente, após intimação,o que em nada altera a questão a respeito da violação ao sigilo de dados. Isso porque, a não entrega pelo contribuinte, acarretaria, invariavelmente, na expedição de RMF. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral no STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa do STF pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n. 1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – Fl. 366DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.004489/200747 Resolução nº 2802000.124 S2TE02 Fl. 187 3 AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 367DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.004489/200747 Resolução nº 2802000.124 S2TE02 Fl. 188 4 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 62A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF), ratificado pelas decisões acima transcritas, que impedem a apreciação do mérito do feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do presente feito, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF, com fulcro no art. 62A, §1º do Regimento Interno do CARF c/c.o artigo 1 da Portaria CARF n. 1/2012. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 368DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15586.721026/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/10/2008, 01/12/2008 a 31/01/2010, 01/03/2010 a 31/12/2010
BASE DE CÁLCULO. VALORES TRANSFERIDOS PELO MUNICÍPIO. EXCLUSÃO.
Exclui-se da base de cálculo do Pasep os valores transferidos pelo Município para o FUNDEF, inclusive por retenção das fontes pagadoras de receitas, e para o Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores do Município de Aracruz - IPASMA, a título de contribuição previdenciária patronal.
ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado erro de fato na apuração do crédito tributário, há que se proceder a retificação do lançamento para adequá-lo à realidade dos fatos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de inexistência de preclusão e, quanto ao mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto à preliminar, a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó. No mérito, os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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VALORES TRANSFERIDOS PELO MUNICÍPIO. EXCLUSÃO. Excluise da base de cálculo do Pasep os valores transferidos pelo Município para o FUNDEF, inclusive por retenção das fontes pagadoras de receitas, e para o Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores do Município de Aracruz IPASMA, a título de contribuição previdenciária patronal. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Comprovado erro de fato na apuração do crédito tributário, há que se proceder a retificação do lançamento para adequálo à realidade dos fatos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de inexistência de preclusão e, quanto ao mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto à preliminar, a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó. No mérito, os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 10 26 /2 01 2- 71 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.721026/201271 Acórdão n.º 3302002.848 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: 4. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 03 a 05), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 04.12.2012 (fl. 561), constituindo crédito tributário no valor total de R$6.484.354,47, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 11.2012, referente à Contribuição para o PASEP dos meses de 01.2008 a 05.2008, 07.2008 a 10.2008, 12.2008 a 01.2010, e 03.2010 a 12.2010 com enquadramento legal exposto às fls. 05 e 10. 5. No Relatório Fiscal de fl. 1214 a autoridade fiscal autuante informa que: i) O sujeito passivo é pessoa jurídica de direito público interno. O lançamento fiscal encontra arrimo legal nos artigos 10 e 11 da lei 9.715/98 e abrange as competências 01/2008 a 12/2010. A base de cálculo do PASEP foi quantificada na forma do art. 2º, inciso III e art. 7º da Lei 9.715/98 c/c art. 67 do Decreto 4.524/02; ii) Os valores apurados de Base de calculo mensal, período 01.2008 a 12.2010, encontramse detalhados por mês na planilha anexa "BC mensal" (fls. 15/16), e foram obtidos dos valores de receita constante de balancete mensal. A base de cálculo da contribuição é o somatório das Receitas Correntes Arrecadadas, das Transferências Correntes Recebidas, e das Transferências de Capital Recebidas; iii) Na quantificação da base de cálculo não foram deduzidas as receitas formadoras do FUNDEB (instituído pela Lei 11.494/2007), à míngua de previsão legal. O tributo devido, competências 01 a 05.2008, 07 a 10.2008, 12.2008 a 12.2010, foi lançado à razão da alíquota de 1% ( um por cento) da base de cálculo apurada, conforme estabelece o art. 8º, inciso III da Lei 9.715/98 c/c art. 70 caput e parágrafo 2° do Decreto 4.524/02; iv) Na tabela "V. Devido" (fls. 17 a 19), consta detalhadamente a forma de apuração da contribuição objeto de lançamento de ofício. Foram considerados: as contribuições recolhidas espontaneamente e/ou objeto de declaração em DCTF; as contribuições lançados em parcelamento; e as contribuições devidas ao PASEP retidos na fonte; v) Os documentos que embasaram o lançamento fiscal são: Balanço Orçamentário Anual, Balancetes Mensais Analíticos da Receita, Memórias de Cálculo de Apuração do PASEP, extratos bancários Banco do Brasil de repasse das transferências da União, DARF código 3703 (recolhimento espontâneo de PASEP) e DCTF, documentação de parcelamento processo n. 10783.720428/201046. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.721026/201271 Acórdão n.º 3302002.848 S3C3T2 Fl. 4 3 6. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs a impugnação de fls. 564 a 567, onde alega, em síntese, o que se segue: 6.1 Tratase de não recolhimento do PASEP sob as parcelas oriundas do FUNDEB, entre os anos de 2008 a 2010, nos termos da inconstitucional Lei nº 9.715/98; 6.2 A Lei n° 9.715/1998, no caso vertente, ofende a Carta Magna, pois, não poderia uma lei infraconstitucional e ordinária, interferir no sistema de repartição das receitas tributárias. A Constituição Federal recepcionou o PASEP por meio da Lei Complementar nº 07 e 08 de 1970. Logo, a incidência tributária é legitima apenas para as transferências autorizadas pela Constituição, ou seja, sobre o Fundo de Participação dos Municípios (FPM); 6.3 A perspectiva de fazer incidir tributação sobre parcelas do FUNDEB, tomandose por base o inciso III do art. 8º da Lei 9.715/98, que incluiu a expressão "das transferências correntes e de capital recebidas", não constitui matéria constitucional, pois, com exceção do FPM, todas as demais transferências carecem de disposição legal para que sejam objeto de incidência para tributação. 6.4 Nesse diapasão, o auto de infração é nulo, devendo o fisco reconhecer administrativamente o vicio de constitucionalidade; 6.5 Por meio da Lei n° 9.718/98, a União ampliou a base de cálculo das contribuições, sem contudo respeitar os ditames legais do ordenamento jurídico. Com a ampliação da base de cálculo, a União passou a exigir o pagamento de PASEP, sem a edição de Lei Complementar, tanto para recursos da receita corrente liquida quanto pelos recursos oriundos de transferências constitucionais, como o FUNDEB. Por tal motivo, a exigência de recolhimento de PASEP sobre o FUNDEB é ilegal e por isso o auto de infração deve ser declarado nulo; 6.6 Requer ainda que o auto de infração fique suspenso até decisão final da impugnação, e que após julgamento do recurso de impugnação e, em caso da impugnação haver sido rejeitada, que o Município possa usufruir dos benefícios instituídos na legislação e oferecidos na presente autuação, dentre os quais, o desconto e o parcelamento. A 9a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo I SP julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1651.828, de 18/10/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/10/2008, LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Fl. 851DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.721026/201271 Acórdão n.º 3302002.848 S3C3T2 Fl. 5 4 Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. FUNDEB. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Os Municípios ao receberem da União valores relativos as transferências constitucionais do FPE e do FPM, inclusive a parte destacada para o FUNDEB, devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PASEP, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas na legislação pertinente Ciente desta decisão em 09/12/2013 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 03/01/2014, com Recurso Voluntário, no qual alega o seguinte: 1 existe divergência, em diversos períodos de apuração, entre o valor do PASEP retido pela fonte pagadora, devidamente escriturado pela Recorrente, e o valor considerado pela Fiscalização, resultado numa diferença total, a favor da Recorrente, de R$ 89.023,09; 2 não foi excluído da base de cálculo do PASEP lançado o valor das transferências realizadas pela Recorrente para a autarquia municipal Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores do Município de Aracruz IPASMA, a título de contribuição previdenciária patronal; 3 não foi deduzida da base de cálculo do PASEP o valor das retenções do FUNDEB efetuadas pelas fontes pagadores, posto que as receitas foram contabilizadas (e incluídas na base de cálculo) pelo valor bruto, antes da dedução. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de auto de infração de Pasep lavrado em razão da apuração de diferenças que não foram nem pagas e nem declaradas em DCTF pela Recorrente. Na impugnação, a matéria de mérito alegada pela Recorrente foi somente a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 que incluiu a receita do FUNDEB na base de cálculo da exação. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.721026/201271 Acórdão n.º 3302002.848 S3C3T2 Fl. 6 5 Já no recurso voluntário, a Recorrente abandona esse argumento e inova completamente os fundamentos de sua defesa para alegar que existe erros de apuração da base de cálculo, que não excluiu os pagamentos feitos ao FUNDEB e ao IPASMA (Autarquia Municipal), e erros no valor do Pasep retido considerado pela Fiscalização. Vêse que as matérias alegadas dizem respeito a erros de fato existentes no lançamento, até mesmo em relação ao erro na apuração da base de cálculo, porque as deduções pleiteadas tem expressa previsão legal, conforme citou a Recorrente. Tal previsão está nos dispositivos da Lei nº 9.715/98, abaixo reproduzidos. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...] III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...] Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Por essas razões é que, em homenagem ao princípio da verdade material, entendo que ao caso não se aplica as disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que trata da preclusão, e passo ao exame das alegações da Recorrente. Quanto as divergências nos valores retidos de Pasep, fiz uma análise de alguns períodos de apuração e constatei que, de fato, existe a divergência apontada pela Recorrente, devendo o auto de infração ser retificado para excluir, do valor lançado, os valores efetivamente retidos pelas fontes pagadoras, e não considerados pela Fiscalização, conforme apontou a Recorrente e ressalvado do direito de a Receita Federal do Brasil confirmar a existência das referidas retenções no curso da execução do julgado. Quanto a exclusão dos pagamentos ao FUNDEB da base de cálculo do Pasep, pela regra do art. 7º, da Lei nº 9.715/98, acima transcrito, se parte de uma receita de transferência for repassada para outra entidade pública, o valor transferido deve ser excluído da base de cálculo do Pasep de quem pagou e, obviamente, incluído na base de cálculo de quem recebeu os recursos. Como o FUNDEB não é um fundo municipal, e sim federal, o valor pago pelo município ao FUNDEB (despesa de transferência do Município e Receita de Transferência do FUNDEB) deve sofrer uma única incidência (Parágrafo único, do art. 2º, da LC nº 08/70). E a incidência será suportada por quem recebeu os recursos, ou seja, pela União (FUNDEB). Não é por outra razão que o valor descontado do FPM a título de FUNDEB é excluído da base de cálculo do Pasep por ocasião do repasse do FPM. Correto, portanto, o procedimento da União de não efetuar retenção do Pasep sobre a parcela repassada para o FUNDEB, conforme demonstra os comprovantes emitidos pelo Banco do Brasil. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.721026/201271 Acórdão n.º 3302002.848 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que deve ser excluído da base de cálculo do Pasep todas as transferências para o FUNDEB, independente de qual ente público fez a retenção, se Estado ou União. Portanto, as retenções do FUNDEB feitas em razão da transferência de quota parte dos tributos estaduais (ICMS e IPVA) devem ser excluídas da base de cálculo da exação. O mesmo raciocínio acima se aplica às despesas de transferências efetuadas pelo Município de Aracruz para o Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores do Município de Aracruz IPASMA, referentes à contribuição previdenciária patronal. Como o IPASMA é uma autarquia municipal, ele é contribuinte do Pasep e o valor pago/transferido pelo Município de Aracruz (despesa de transferência do Município e Receita de Transferência do IPASMA), a título de contribuição previdenciária patronal, deve ser incluído na base de cálculo do Pasep devido pelo IPASMA e ser excluído da base de cálculo do Pasep devido pelo Município de Aracruz, conforme dispõe os arts. 2º e 7º da Lei nº 9.715/98, acima reproduzido, c/c o Parágrafo único, do art. 2º, da LC nº 08/70, abaixo reproduzido. Art. 2º A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: [...] Parágrafo único Não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para: 1 deduzir, do valor do Pasep apurado, o valor das retenções não consideradas quando da lavratura do auto de infração, no valor total de R$ 89.023,09, conforme demonstrado pela Recorrente, ressalvado o direito de a Receita Federal do Brasil confirmar a real existência das referidas retenções; 2 excluir da base de cálculo do Pasep o valor das retenções/transferências destinadas ao FUNDEB; 3 excluir da base de cálculo do Pasep o valor das transferências efetuadas para o Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores do Município de Aracruz IPASMA a título de contribuição previdenciária patronal; 4 se houver recurso especial da Fazenda Nacional admitido, apartar os autos para efetuar a cobrança do crédito tributário remanescente após as retificações acima, posto que sobre o mesmo não há mais litígio. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 854DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.721026/201271 Acórdão n.º 3302002.848 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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