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9940727 #
Numero do processo: 37383.000704/2005-58
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 205-00.226
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência na forma do voto do relator.
Nome do relator: DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES

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Sala da-i, '. s, em 07 de outubro de 2008. , 1 JULIO I.L\; e }.., lEIRA GOMES Presiden e DAMIÃO CORD ' O DE MORAES Relator Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros, Marco André Ramos Vieira, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi e Adriana Sato. 1 Processo n.° 37383.000704/2005-58ri-0n~ Resolução n.° Fls. 543205-00.226 CONFERZ CONI O ORIGINAL nr.coN 1%IF - SEGUNDO Brasifia. RELATÓRIO "SeiaAper198377 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa SISTEN S/A PARTICIPAÇÕES contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias, nos termos da ementa abaixo transcrita: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NULIDADE DA CIENTIFICAÇÃO DA NFLD. CERCEAMENTO DE DEFESA. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS, SAT DEDUÇÃO DE OUTROS TRIBUTOS. I. A intimação por via postal endereçada à pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação em período de férias coletivas. 2. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito supetTeniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3. Extingue-se após 10 anos o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos. 4. Pode o Auditor-Fiscal da Previdência Social desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado quando preenchidas as condições necessárias. 5. O correto enquadramento da empresa no código SAT é 119.990-0, uma vez que a atividade económica inclui a fabricação de produtos eletroeletrônicos. 6. As contribuições previdenciá rias incidem sobre a totalidade dos rendimentos creditados a qualquer título para os segurados, ressalvados os casos particulares previstos em lei, não cabendo dedução de nenhum outro tributo. LANÇAMENTO PROCEDENTE" 2. Inconformada com a decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, defende a nulidade da intimação, haja vista que a notificação foi realizada mediante o envio de correspondência à sede da empresa, no dia 29/12/2003, e recebida na portaria em período de férias coletiva, tendo chegado aos seus prepostos e dirigentes apenas em 20/01/2004, no retomo das atividades; argumenta ainda que a comunicação por via postal não pode ser admitida, uma vez que ausentes hipóteses que a justifique; CC". 2 Processo n.° 37383.000704/2005-58 Ce02.1005 Resolução n.° 205-00.226 Fls. 544 b) seja reconhecida a extinção dos créditos tributários atingidos pela decadência qüinqüenal, com base nos art. 156, V, combinado com o art. 173 do Código Tributário Nacional; c) a ação fiscal realizou procedimento de aferição indireta da base de cálculo, sem que houvesse condições legais para tanto; • d) no mérito, argumenta que os contratos de celebrados com as empresas terceirizadas não encontra vedação legal, tratando-se de operação licita, bem como que não se trata de mão-de-obra vinculada à sua atividade-fim, mas sim para a atividade-meio; e) que o lançamento se baseou apenas em indícios, o que não corrobora a realidade dos fatos apontados na notificação fiscal; f) a fiscalização deixou de considerar o limite máximo do salário-de- contribuição para efeitos de lançamento do débito. 3. As contra-razões do fisco estão às fls. 519/522 e batalham pela manutenção da decisão recorrida. 4. E assentadas anteriores, a então r Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social determinou a realização de duas diligências para que o Fisco prestasse esclarecimentos sobre a necessidade de reunião de processos conexos, bem como que verificasse a necessidade de retificação do débito, tendo em vista a observância do limite máximo do salário-de-contribuição. 5. As diligências foram devidamente cumpridas, conforme atestam os documentos carreados aos autos (fls. 527 e 533/535), inclusive com a retificação do quantum apurado. É relatório. e_ C°-t‘CCfr‘:().50.--(2 SaC/IN4Otb1,ÁF - cO. .499 ecoOs/ Atte 11 rixx42'3 sto' 3 Processo n.° 37383.000704/2005-58 morns • Resolução o' 205-00.226 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 545CONFERE COM O ORIGINAL Bomba. al) 12-Clidl_ Rosi• 410• -I VOTO Nlnt ,•• dr.;8377 DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES 2. Preliminarmente, cumpre destacar, desde logo, haver impedimento ao julgamento do presente recurso. É que, em assentadas anteriores, a então 2° Câmara de • Julgamento do CRPS determinou a realização de duas diligências para que o Fisco prestasse esclarecimentos sobre a necessidade de reunião de processos conexos, bem como que verificasse a necessidade de retificação do débito, tendo em vista a observância do limite máximo do salário-de-contribuição. 3. As diligências foram efetivamente cumpridas pela primeira instância, conforme atestam os documentos carreados aos autos (fls. 258 e 265), inclusive com a retificação do quantum apurado. 4. Ocorre que todos estes fatos processuais foram produzidos sem que a empresa recorrente fosse devidamente cientificada. E o que é pior, não há notícia nos autos de que contribuinte tenha sido intimado sequer dos acórdãos prolatados, equívocos que contribuíram efetivamente para o cerceamento ao direito de defesa da recorrente. 5.Vale dizer, porque importante, que não serve para comprovar a intimação do sujeito passivo os documentos juntados às fls. 537 a 539, pois o nome do requerente das cópias não consta, nem dos instrumentos de procuração outorgados, nem dos documentos constitutivos da empresa. 6. Nunca é demais lembrar que no Processo Administrativo Fiscal as partes - devem ser cientificadas de todos os atos praticados. Veja-se que, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. 7. O inciso I, do artigo 23, do citado Decreto, dispõe taxativamente acerca da necessidade de intimação do contribuinte no que tange a toda e qualquer decisão que tenha relevância em sua esfera de interesses. E mais ainda, pelo citado dispositivo somente reputa-se válida a intimação se "provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, de declaração escrita de quem o intimar". É dizer: a validade do ato pressupõe a ciência do intimado. 8. Vale dizer, ainda, porque importante, que, uma vez instalado o contraditório administrativo, os atos da administração devem ser pautados pelo conceito do devido processo legal, respeitando normas procedimentais e oportunizando sempre o cidadão o direito ao contraditório e a ampla defesa (art. 5 0, LV, da CF/88), sem que seja surpreendido por esta ou aquela decisão da autoridade julgadora. tr"- 4 • . Processo n.° 37383.000704/2005-58 rro2/CO5• Resolução n.° 205-00.226 Fls. 546 9. Sendo assim, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retomem à primeira instância, a fim de que o contribuinte seja devidamente cientificado dos acórdãos e documentos carreados aos autos, conforme acima. 10. O prazo para a empresa se manifestar, caso queira, será de 15 dias. Após, retomem os autos conclusos a este relator. CONCLUSÃO 1 1. Assim, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA. Sala das Sessões is 07 de outubro de 2008 ira ‘W) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator ,N.1/405 lè- co• ,..ncot4,50‘4140gotiptt xlx-w- n -cot> li-r Ali- -ti "r rtr-o‘ c.ro tat'‘ 5 Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1

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4556149 #
Numero do processo: 11128.000140/2006-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Atraso na entrega da declaração de exportação Data do fato gerador: 20/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO REPETITIVO – LEGITIMIDADE PASSIVA – AGENTE MARÍTIMO. Os conselheiros do CARF devem reproduzir as decisões de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do 543-C do CPC. Sendo assim, agente marítimo é responsável pelas multas decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias do transportador. ATRASO NO REGISTRO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE – EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO – CONFIGURAÇÃO. Configura-se embaraço à atividade de fiscalização aduaneira o registro das informações de embarque no SISCOMEX em prazo superior a 7 (sete) dias, consoante o art. 44 da IN 28/1994. MULTA POR ATRASO DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – IMPOSSIBILIDADE. É cediço nesse Conselho que os efeitos da denúncia espontânea, prevista do art. 138 do CTN, não alcançam a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Recurso Voluntário negado. Crédito tributário mantido
Numero da decisão: 3802-001.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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ementa_s : Atraso na entrega da declaração de exportação Data do fato gerador: 20/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO REPETITIVO – LEGITIMIDADE PASSIVA – AGENTE MARÍTIMO. Os conselheiros do CARF devem reproduzir as decisões de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do 543-C do CPC. Sendo assim, agente marítimo é responsável pelas multas decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias do transportador. ATRASO NO REGISTRO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE – EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO – CONFIGURAÇÃO. Configura-se embaraço à atividade de fiscalização aduaneira o registro das informações de embarque no SISCOMEX em prazo superior a 7 (sete) dias, consoante o art. 44 da IN 28/1994. MULTA POR ATRASO DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – IMPOSSIBILIDADE. É cediço nesse Conselho que os efeitos da denúncia espontânea, prevista do art. 138 do CTN, não alcançam a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Recurso Voluntário negado. Crédito tributário mantido

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 111        1 110  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11128.000140/2006­91  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3802­001.127  –  2ª Turma Especial   Sessão de  28/06/2012  Matéria  MULDI  Recorrente  MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Assunto: Atraso na entrega da declaração de exportação  Data do fato gerador: 20/06/2005  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  –  RECURSO  REPETITIVO  –  LEGITIMIDADE PASSIVA – AGENTE MARÍTIMO.   Os conselheiros do CARF devem reproduzir as decisões de mérito proferidas  pelo STJ na sistemática do 543­C do CPC. Sendo assim, agente marítimo é  responsável  pelas  multas  decorrentes  do  descumprimento  das  obrigações  acessórias do transportador.    ATRASO  NO  REGISTRO  DE  INFORMAÇÕES  DE  EMBARQUE  –  EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO – CONFIGURAÇÃO.  Configura­se  embaraço  à  atividade  de  fiscalização  aduaneira  o  registro  das  informações de embarque no SISCOMEX em prazo superior a 7 (sete) dias,  consoante o art. 44 da IN 28/1994.    MULTA  POR  ATRASO  DE  DECLARAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA – IMPOSSIBILIDADE.  É cediço nesse Conselho que os efeitos da denúncia espontânea, prevista do  art. 138 do CTN, não alcançam a penalidade decorrente do atraso na entrega  de declaração.    Recurso Voluntário negado.  Crédito tributário mantido         Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA   2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  CONHECER  do  Recurso Voluntário para NEGAR­LHE o provimento.    (assinado digitalmente)  Regis Xavier Holanda ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi ­ Relator.      EDITADO EM: 28/06/2012     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Regis  Xavier  Holanda  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Solon  Sehn  e  Cláudio  Augusto Gonçalves Pereira.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão 17­30.514, lavrado pela 2ª  Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPOII) em 12/03/2009, relativamente a  multa aplicada no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) em virtude de a interessada ter efetuado o  registro de dados de exportação no sistema SISCOMEX a destempo.  Em  momento  prévio  à  análise  das  motivações  recursais,  é  conveniente  que  sejam  revisitados  os  atos  e  fases  processuais  já  superados.  Por  bem  resumir  a  controvérsia  até  o  presente  momento, tomo emprestado o relatório presente no acórdão proferido a quo, de fls. 55­59:    De  acordo  com  o  Auto  de  infração,  a  empresa  em  epígrafe  deixou  de  registrar  os  dados de embarque das mercadorias despachadas através da DDE n° 2050666631/0,  no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos pela SRF, conforme disposto no art. 37  da Instrução Normativa n° 28, de 27/04/1994 e Noticia SISCOMEX no 0105, item "2"  de 27/07/1994.  As  mercadorias  foram  embarcadas  ao  amparo  do  Conhecimento  Marítimo  n°  SSZZIL879, emitido em 13/06/2005, data do efetivo embarque, tendo sido registrados  os  dados  de  embarque  apenas  em  17/08/2005,  conforme  extratos  de  "Consulta  Histórico Despacho" e "Consulta data de Embarque".  Em 04/01/2006, a fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 01/05, para a cobrança  da multa acima citada.   Ciente, a interessada apresentou a impugnação de fls.17/33, onde alegou:  ­ ao perceber o lapso temporal já transcorrido desde o embarque das mercadorias até  o registro de seus respectivos dados, a Impugnante imediatamente sanou o equívoco e  procedeu  ao  registro  do  embarque  das  mercadorias,  voluntária  espontaneamente,  antes de qualquer procedimento fiscal tendente 8. cobrança deste ato;  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.000140/2006­91  Acórdão n.º 3802­001.127  S3­TE02  Fl. 112        3 ­ a denúncia espontânea da infração exclui o pagamento de qualquer penalidade, nos  exatos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional;  ­  por  absoluta  ausência  de  tipificação  da  conduta  alegadamente  praticada  pela  Impugnante como sujeita à penalidade imposta, improcede o lançamento;  E o Relatório.    Ao analisar a impugnação oposta ao auto de infração, a 2ª Turma da DRJ de São Paulo ­  SP entendeu pela improcedência da impugnação, proferindo o seguinte acórdão:    “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 20/06/2005  EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DEE XPORTAÇÃO.  No despacho de exportação o transportador deve registrar os dados do embarque no  Siscomex,  dentro  do  prazo  previsto  na  legislação  aduaneira.  O  desatendimento  constitui embaraço à fiscalização.  Lançamento Procedente”    A turma considerou que o descumprimento da obrigação acessória de forma tempestiva  configura embaraço à fiscalização, de modo que a conduta do contribuinte estaria tipificada no art. 44 da  Instrução Normativa SRF n° 28/1994. Tendo isso em vista, a DRJ manteve o lançamento consignado em  Auto de  Infração por entender que, a despeito dos argumentos  trazidos pela  Impugnante, o  instituto da  denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa por atraso no registro dos dados da exportação  no sistema SISCOMEX.  Em seu Recurso Voluntário (fls. 64­108), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo  se insurge contra o acórdão a quo, alegando ilegitimidade passiva, além de ratificar o argumento de que o  lançamento da multa é improcedente, tendo em vista a ausência de tipificação, além da necessidade de se  aplicar  o  instituto  da  denúncia  espontânea,  já  que  a  interessada  regularizou  a  sua  situação  antes  de  qualquer fiscalização aduaneira.  Com base nos argumentos apresentados, a recorrente pediu pela procedência do Recurso  Voluntário para que fosse julgado cancelado o lançamento da multa em comento.  Os  autos  então  seguiram  ao  CARF  para  conhecimento  e  julgamento  da  referida  manifestação recursal.  Sendo  esses  os  aspectos  mais  relevantes  do  presente  procedimento  de  revisão  de  lançamento tributário, passa­se ao voto.        Voto             Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator.    Verifica­se que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual é admissível.   Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA   4  No  Recurso  Voluntário  em  comento,  a  Recorrente  alega  preliminarmente  que  é,  na  realidade,  agende marítima,  enquanto  que  a multa  aplicada  em  auto  de  infração  deve  ser  cominada  ao  transportador, pois este é quem tem o dever de prestar as informações de embarque ao SISCOMEX.  De  início,  é  importante  lembrar  que  o  argumento  preliminar  de  ilegitimidade  passiva  não pode ser provido.  Ora, a própria Recorrente afirma em sua peça defensiva, mais exatamente às fls. 18, que  é sua função fazer o transporte rodoviário e/ou marítimo em todo o tipo de navio no território nacional,  por sua conta ou por conta de terceiros.   Por  outro  lado,  na  hipótese  de  se  acolher  o  argumento  de  que  a Recorrente  somente  agencia o transportador estrangeiro, ainda assim ele seria responsável pelo pagamento da multa. Existem,  neste Conselho,  decisões  no  sentido  de que  o  agente marítimo  é  responsável  pela multa  decorrente  de  obrigação acessória, senão vejamos o acórdão de n° 312­000.826, proferido pela 1ª Câmara da 2ª Turma  Ordinária, na sessão de 09/12/2010:    “Assunto: Obrigações Acessórias  Data do fato gerador: 30/07/2004  Ementa  Multa pela Prestação de Informações em Desacordo com a Legislação.  Agente Marítimo. Responsabilidade.  Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao  embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de  regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação  acessória.  Recurso Voluntário Negado”    No mesmo sentido, foi proferido o acórdão de n° 3201.00­646 na sessão de 01/03/2010  pela 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária:    ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO.  O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável  solidário e responde pelas penalidades cabíveis.  EXPORTAÇÃO  EMBARAÇO  À  FISCALIZAÇÃO,  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS  O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no  prazo previsto na legislação, constitui embaraço à fiscalização.  APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.  Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade  de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza  tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  legislação  tributária.  Súmula  CARF No. 02.    Por derradeiro,  já  se manifestou o STJ,  ao proferir  o  acórdão do REsp 1.129.430­SP,  representativo de controvérsia na sistemática do art. 543­C do CPC, senão vejamos:    PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  IMPORTAÇÃO.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  AGENTE  MARÍTIMO.  ARTIGO 32, DO DECRETO­LEI 37/66. FATO GERADOR ANTERIOR AO DECRETO­ LEI  2.472/88.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL  DA  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.000140/2006­91  Acórdão n.º 3802­001.127  S3­TE02  Fl. 113        5 1. O  agente  marítimo,  no  exercício  exclusivo  de  atribuições  próprias,  no  período  anterior  à  vigência do Decreto­Lei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do Decreto­Lei 37/66), não ostentava  a  condição  de  responsável  tributário,  nem  se  equiparava  ao  transportador,  para  fins  de  recolhimento do imposto sobre importação, porquanto inexistente previsão legal para tanto.  2.  O  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  que  compõe  o  critério  pessoal  inserto  no  conseqüente da regra matriz de incidência tributária, é a pessoa que juridicamente deve pagar a  dívida tributária, seja sua ou de terceiro(s).  3.  O  artigo  121  do  Codex  Tributário,  elenca  o  contribuinte  e  o  responsável  como  sujeitos  passivos  da  obrigação  tributária  principal,  assentando  a  doutrina  que:  "Qualquer  pessoa  colocada por lei na qualidade de devedora da prestação tributária, será sujeito passivo, pouco  importando o nome que  lhe  seja atribuído ou a sua situação de contribuinte ou responsável"  (Bernardo Ribeiro de Moraes, in "Compêndio de Direito Tributário", 2º Volume, 3ª ed., Ed.  Forense, Rio de Janeiro, 2002, pág. 279).  4. O contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto ou  destinatário legal tributário) tem relação causal, direta e pessoal com o pressuposto de fato que  origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN).  5. O responsável  tributário  (por alguns chamado sujeito passivo  indireto ou devedor indireto),  por sua vez, não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever  jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN).  6.  Salvante  a  hipótese  em  que  a  responsabilidade  tributária  advém  de  norma  primária  sancionadora, "o responsável diferencia­se do contribuinte por ser necessariamente um sujeito  qualquer  (i)  que  não  tenha praticado o  evento  descrito  no  fato  jurídico  tributário;  e  (ii)  que  disponha de meios para ressarcir­se do tributo pago por conta de fato praticado por outrem"  (Maria Rita Ferragut, in "Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002", 2ª ed., Ed.  Noeses, São Paulo, 2009, pág. 34).  7.  O  imposto  sobre  a  importação,  consoante  o  artigo  22,  do  CTN,  aponta  apenas  como  contribuinte o importador ou quem a lei a ele equiparar (inciso I) ou o arrematante de produtos  apreendidos ou abandonados (inciso II).  8. O diploma legal  instituidor do imposto sobre a importação (Decreto­Lei 37/66), nos artigos  31 e 32, na sua redação original, assim dispunham:  "Art 31. É contribuinte do impôsto:  I  ­ O  importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria  estrangeira no território nacional.  II ­ O arrematante de mercadoria apreendida ou abandonada.  Art 32. Para os efeitos do artigo 26, o adquirente da mercadoria responde solidariamente com  o vendedor, ou o substitui, pelo pagamento dos tributos e demais gravames devidos."  9. O transportador da mercadoria estrangeira, à época, sujeitava­se à responsabilidade tributária  por infração, nos termos do artigo 41 e 95, do Decreto­Lei 37/66.  10. O Decreto­Lei 2.472, de 1º de setembro de 1988, alterou os artigos 31 e 32, do Decreto­Lei  37/66, que passaram a dispor que:  "Art. 31. É contribuinte do imposto:  I  ­  o  importador,  assim considerada qualquer  pessoa  que promova a  entrada de mercadoria  estrangeira no Território Nacional;  II ­ o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente;  III ­ o adquirente de mercadoria entrepostada.  Art . 32. É responsável pelo imposto :  I  ­  o  transportador,  quando  transportar  mercadoria  procedente  do  exterior  ou  sob  controle  aduaneiro, inclusive em percurso interno;  II  ­  o  depositário,  assim considerada qualquer pessoa  incumbida  da  custódia  de mercadoria  sob controle aduaneiro.  Parágrafo único. É responsável solidário :  a) o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto;  b) o representante, no País, do transportador estrangeiro ."  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA   6  11.  Conseqüentemente,  antes  do  Decreto­Lei  2.472/88,  inexistia  hipótese  legal  expressa  de  responsabilidade tributária do "representante, no País, do transportador estrangeiro", contexto  legislativo que culminou na edição da Súmula 192/TFR, editada em 19.11.1985, que cristalizou  o entendimento de que:  "O agente marítimo, quando no exercício atribuições próprias, não é considerado responsável  tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decreto­Lei 37/66."  12. A jurisprudência do STJ, com base na Súmula 192/TFR, consolidou a tese de que, ainda que  existente termo de compromisso firmado pelo agente marítimo (assumindo encargos outros que  não os de sua competência), não se lhe pode atribuir responsabilidade pelos débitos tributários  decorrentes da importação, por força do princípio da reserva legal (Precedentes do STJ: AgRg  no Ag 904.335/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18.10.2007,  DJe 23.10.2008; REsp 361.324/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado  em  02.08.2007,  DJ  14.08.2007; REsp  223.836/RS,  Rel.  Ministro  João  Otávio  de  Noronha,  Segunda  Turma,  julgado  em  12.04.2005,  DJ  05.09.2005;  REsp  170.997/SP,  Rel.  Ministro  Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 22.02.2005, DJ 04.04.2005; REsp 319.184/RS, Rel.  Ministro  Franciulli  Netto,  Segunda  Turma,  julgado  em  03.06.2004,  DJ  06.09.2004;  REsp  90.191/RS, Rel. Ministra Laurita Vaz, Segunda Turma, julgado em 21.11.2002, DJ 10.02.2003;  REsp  252.457/RS,  Rel.  Ministro  Francisco  Peçanha  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  04.06.2002, DJ  09.09.2002; REsp  410.172/RS, Rel. Ministro  José Delgado,  Primeira Turma,  julgado  em  02.04.2002,  DJ  29.04.2002;  REsp  132.624/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda Turma, julgado em 15.08.2000, DJ 20.11.2000; e REsp 176.932/SP, Rel. Ministro  Hélio Mosimann, Segunda Turma, julgado em 05.11.1998, DJ 14.12.1998).  13. Sob  esse  ângulo,  forçoso  destacar  (malgrado  a  irrelevância  no  particular),  que  a  empresa  destinada ao agenciamento marítimo, não procedeu à assinatura de "nenhuma fiança, nem termo  de  responsabilidade  ou  outro  qualquer,  que  venha  acarretar  qualquer  tipo  de  solidariedade  e/ou de  responsabilidade com o armador  (proprietário do navio), para que seja cobrada por  tributos  ou  outros  ônus  derivados  de  falta,  acréscimo  ou  avaria  de  mercadorias  durante  o  transporte" (assertiva inserta nas contra­razões ao recurso especial).  14.  No  que  concerne  ao  período  posterior  à  vigência  do  Decreto­Lei  2.472/88,  sobreveio  hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem,  à luz inclusive do parágrafo único, do artigo 124, do CTN) do "representante, no país, do  transportador estrangeiro".  15.  In  casu,  revela­se  incontroverso  nos  autos  que  o  fato  jurídico  tributário  ensejador  da  tributação pelo imposto de importação ocorreu em outubro de 1985, razão pela qual não merece  reforma o acórdão regional, que, fundado no princípio da reserva legal, pugnou pela inexistência  de responsabilidade tributária do agente marítimo.  16.  A  discussão  acerca  do  enquadramento  ou  não  da  figura  do  "agente  marítimo"  como  o  "representante, no país, do transportador estrangeiro" (à luz da novel dicção do artigo 32, II, "b",  do Decreto­Lei 37/66) refoge da controvérsia posta nos autos, que se cinge ao período anterior à  vigência do Decreto­Lei 2.472/88.  17. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008”.    Tendo  isso  em  vista,  ainda  que  não  seja  o  caso  de  conhecimento  da  arguição  de  ilegitimidade passiva, fica demonstrada a sua improcedência. Cumpre salientar que o acórdão transcrito  acima  transitou  em  julgado em 10/03/2011 e,  consoante o  art.  62­A,  caput,  da Portaria MF n° 256/09,  Regimento  Interno  do CARF,  devem  ser  reproduzidas  as  decisões  com  trânsito  em  julgado  proferidas  pelo STJ sujeitas ao regime do art. 543­C do CPC.  A Recorrente argumenta, ainda, a ausência de tipificação específica,  já que o art. 107,  inc.  IV, alínea “c” impõe a aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 a quem, por qualquer meio ou  forma,  de  modo  omissivo  ou  comissivo,  embaraçar,  dificultar  ou  impedir  a  ação  de  fiscalização  aduaneira. No entendimento da recorrente, ela não está sujeita à multa em comento, tendo em vista que,  espontaneamente, prestou todas as  informações do embarque em questão, ainda que fora do prazo, mas  antes de qualquer fiscalização ou cobrança.  No entanto, como bem explicou o acórdão a quo, a prestação de informações relativas  ao  embarque  no  SISCOMEX  é  obrigação  acessória,  consoante  o  art.  37  da  IN  SRF  28/1994  e  o  seu  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.000140/2006­91  Acórdão n.º 3802­001.127  S3­TE02  Fl. 114        7 descumprimento caracteriza embaraço à fiscalização aduaneira, como prevê o art. 44 o mesmo diploma  legal, in verbis:     "Art.  37.  Imediatamente  após  realizado  o  embarque  da mercadoria,  o  transportador  registrará  os  dados  pertinentes,  no  SISCOMEX,  com  base  nos  documentos  por  ele  emitidos.  Parágrafo  único.  Na  hipótese  de  embarque  de  mercadoria  em  viagem  internacional,  por  via  rodoviária,  fluvial  ou  lacustre,  o  registro  de  dados  do  embarque,  no  SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser  realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de  despacho.  (. .)  Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37 e 41 e § 3 do  art.  42  desta  Instrução  Normativa  constitui  embaraço  atividade  de  fiscalização  aduaneira,  sujeitando  o  infrator  ao  pagamento  da  multa  prevista  no  art.  107  do  Decreto­lei n° 37/66, com redação dada pelo art. 52 do Decreto­lei n2 751, de 10 de  agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." (grifei).    Essa Turma,  em sessão  de 02/02/2010, decidiu que se  aplica  a multa por  embaraço  à  fiscalização quando as informações relativas ao embarque são registradas no SISCOMEX fora do prazo  de 7 (sete dias). Foi proferido, então, o acórdão de n° 3802.00.155, in verbis:    MULTA  POR  EMBARAÇO  À  FISCALIZAÇÃO.  Aplica­se  a  multa  por  embaraço  à  fiscalização,  quando  o  registro  no  Siscomex,  dos  dados  pertinentes  ao  despacho  de  exportação,  na  hipótese  de  embarque  marítimo,  exceder  o  prazo  de  sete  dias  do  embarque da mercadoria.  Recurso Voluntário Negado.    Dessa feita, conheço o Recurso Voluntário no que diz respeito a ausência de tipificação  específica da multa para negar­lhe o provimento.    Por último, a Recorrente argumenta que, ainda de a destempo, mas de forma espontânea  e antes de qualquer fiscalização ou cobrança, registrou as informações no sistema SISCOMEX, razão pela  qual deveria ser beneficiada pelo instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN.   No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação  do  registro  de  embarque.  Assim,  uma  vez  transcorrido  esse  prazo  sem  que  o  sujeito  passivo  tenha  adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada.  Admitir  a  denúncia  espontânea  no  caso  em  tela  seria  transformar  esse  instituto  em  instrumento  de  permissibilidade  para  infrações  referentes  a  obrigações  acessórias,  já  que  o  simples  cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização),  não o levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do  sujeito  passivo  em  reconhecer  seu  erro  e  buscar  retificá­lo,  incentivaria  o  atraso  no  cumprimento  das  obrigações acessórias.  Esse tem sido o entendimento de ambas as Turmas de Direito Público do STJ e também  do CARF. No que toca o CARF, apenas à guisa de ilustração transcrevo o Acórdão abaixo:  Acórdão nº 101­95.964, de 25/01/2007  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA   8  Ementa NULIDADE­ Não há vedação para a assinatura digital, não  implicando vício  formal  nem  cerceamento  de  defesa.  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  ­  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA­  O  instituto  da  denúncia  espontânea  para  excluir  a  responsabilidade por infração não alcança a multa por atraso na entrega da declaração.    Diante  de  todo  o  aqui  exposto,  oriento  o meu  voto  de  negar  provimento  ao Recurso  Voluntário.      Conclusão    Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGAR­LHE provimento.    (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA

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Numero do processo: 10920.720393/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007, 2008 INTIMAÇÃO IMPROFÍCUA. PUBLICAÇÃO DE EDITAL. Nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quando resultar improfícua a intimação pessoal, por via postal ou via eletrônica a intimação poderá ser por edital (§1º). Estabelece ainda que tais meios de intimação não estão sujeitos a ordem de preferência (§3º). É dizer, para publicação do edital basta que seja improfícua a intimação postal - o caso dos autos - pessoal ou eletrônica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA DE 150%. REQUISITOS. Para aplicação da multa qualificada de 150% exige-se conduta caracterizada por sonegação ou fraude, a qual exige a presença de elemento adicional que a qualifique como evidente intuito de fraudar o Fisco. Tal conduta deve ser provada, e não presumida, por meio de elementos caracterizadores como documentos inidôneos, interposição de pessoas, declarações falsas, dentre outros. Além disso, a conduta deve estar descrita no Termo de Verificação Fiscal ou auto de infração, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. 124, I e 135, III do CTN. CONDUTA DO ADMINISTRADOR. REQUISITOS. A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado - resumidamente sócio-gerente -, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN), não se confunde com a responsabilidade do sócio. Afinal, não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a conduta, a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária. É necessário, portanto, a existência de nexo causal entre a conduta praticada e o respectivo resultado prejudicial ao Fisco. Com efeito, o administrador, ainda que de fato, que praticar alguma dessas condutas, com reflexo tributário, deverá figurar como sujeito passivo solidário. Quanto ao art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as “pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. No âmbito do STJ prevalece o posicionamento no sentido de que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. Nesse sentido, continua o STJ, “feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação”. O que significa dizer, a nosso ver corretamente, que somente o interesse econômico não legitima a atribuição de responsabilidade tributária ao terceiro. O que atrai essa responsabilidade solidária (124, I) é a participação do terceiro, ele não apenas sugere ao contribuinte o caminho a ser trilhado para burlar o Fisco, vai além, tem participação influente no procedimento de atribuir ao fato ocorrido no mundo concreto uma roupagem diversa da hipótese descrita na lei, com vistas a alterar as características essenciais do fato gerador ou impedir o seu conhecimento; o interesse econômico nessa hipótese também pode existir, mas não é primordial, o que importa é a conduta do terceiro, tal qual na responsabilidade do art. 135, III, do CTN. Enquadra-se nessa hipótese o terceiro que utiliza de interposta pessoa com vistas a ocultar do Fisco o verdadeiro administrador da pessoa jurídica, bem como irregularidades fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. NECESSIDADE. Os valores creditados em contas bancárias em relação aos quais a pessoa jurídica titular regularmente intimada não comprova, mediante documentação hábil e idônea e de forma individualizada, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estão sujeitos a lançamento de ofício, mediante presunção omissão de receita (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal está sujeito ao arbitramento do lucro, conforme previsto no art. 530, III, do Decreto 3000, de 1999 (RIR/99). CSLL, COFINS E PIS - REFLEXOS O valor apurado como omissão de receita deve ser considerado como base de cálculo para lançamento da CSLL, Pis e Cofins em razão de se tratar de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos e elementos de prova que ensejaram o lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1201-005.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Fredy José Gomes de Albuquerque, José Eduardo Genero Serra, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007, 2008 INTIMAÇÃO IMPROFÍCUA. PUBLICAÇÃO DE EDITAL. Nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quando resultar improfícua a intimação pessoal, por via postal ou via eletrônica a intimação poderá ser por edital (§1º). Estabelece ainda que tais meios de intimação não estão sujeitos a ordem de preferência (§3º). É dizer, para publicação do edital basta que seja improfícua a intimação postal - o caso dos autos - pessoal ou eletrônica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA DE 150%. REQUISITOS. Para aplicação da multa qualificada de 150% exige-se conduta caracterizada por sonegação ou fraude, a qual exige a presença de elemento adicional que a qualifique como evidente intuito de fraudar o Fisco. Tal conduta deve ser provada, e não presumida, por meio de elementos caracterizadores como documentos inidôneos, interposição de pessoas, declarações falsas, dentre outros. Além disso, a conduta deve estar descrita no Termo de Verificação Fiscal ou auto de infração, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. 124, I e 135, III do CTN. CONDUTA DO ADMINISTRADOR. REQUISITOS. A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado - resumidamente sócio-gerente -, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN), não se confunde com a responsabilidade do sócio. Afinal, não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a conduta, a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária. É necessário, portanto, a existência de nexo causal entre a conduta praticada e o respectivo resultado prejudicial ao Fisco. Com efeito, o administrador, ainda que de fato, que praticar alguma dessas condutas, com reflexo tributário, deverá figurar como sujeito passivo solidário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 03 93 /2 01 2- 95 Fl. 1873DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 Quanto ao art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as “pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. No âmbito do STJ prevalece o posicionamento no sentido de que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. Nesse sentido, continua o STJ, “feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação”. O que significa dizer, a nosso ver corretamente, que somente o interesse econômico não legitima a atribuição de responsabilidade tributária ao terceiro. O que atrai essa responsabilidade solidária (124, I) é a participação do terceiro, ele não apenas sugere ao contribuinte o caminho a ser trilhado para burlar o Fisco, vai além, tem participação influente no procedimento de atribuir ao fato ocorrido no mundo concreto uma roupagem diversa da hipótese descrita na lei, com vistas a alterar as características essenciais do fato gerador ou impedir o seu conhecimento; o interesse econômico nessa hipótese também pode existir, mas não é primordial, o que importa é a conduta do terceiro, tal qual na responsabilidade do art. 135, III, do CTN. Enquadra-se nessa hipótese o terceiro que utiliza de interposta pessoa com vistas a ocultar do Fisco o verdadeiro administrador da pessoa jurídica, bem como irregularidades fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. NECESSIDADE. Os valores creditados em contas bancárias em relação aos quais a pessoa jurídica titular regularmente intimada não comprova, mediante documentação hábil e idônea e de forma individualizada, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estão sujeitos a lançamento de ofício, mediante presunção omissão de receita (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal está sujeito ao arbitramento do lucro, conforme previsto no art. 530, III, do Decreto 3000, de 1999 (RIR/99). CSLL, COFINS E PIS - REFLEXOS O valor apurado como omissão de receita deve ser considerado como base de cálculo para lançamento da CSLL, Pis e Cofins em razão de se tratar de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos e elementos de prova que ensejaram o lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1874DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Fredy José Gomes de Albuquerque, José Eduardo Genero Serra, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de autos de infração para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição para o Pis/Pasep, referentes aos anos-calendário 2007 e 2008, no montante total de R$4.548.107,17, incluídos principal, juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%. 2. A fiscalização apurou as seguintes infrações: i) omissão de receita caracterizada por depósitos/créditos bancários de origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, relativamente aos anos-calendário de 2007 e 2008; ii) omissão de receita da atividade declarada à Secretaria de Fazenda Estadual e não oferecida à tributação, conforme DIME (Declaração do ICMS e do Movimento Econômico), relativamente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007; iii) omissão de receita da atividade escriturada no livro de apuração do ICMS e não oferecida à tributação, relativamente aos meses de agosto de 2007 a dezembro de 2008. 3. Devido a não apresentação de escrituração contábil e/ou fiscal arbitrou-se o lucro com base na receita bruta conhecida. 4. Por relacionar-se aos mesmos elementos de prova referentes ao IRPJ, houve o lançamento reflexo de CSLL, Cofins, Pis. 5. Lavrou-se ainda Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Bráulio Theilacker, com base nos arts. 124, I, e 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN). 6. Em impugnação a recorrente alegou, em síntese, irregularidade formal nas intimações, irregularidade nos depoimentos dos sócios e nas requisições de movimentações financeiras (RMF), duplicidade de cobrança de tributos, insurgiu-se contra a responsabilidade solidária e contra multa qualificada e requereu perícia. 7. O sujeito passivo solidário, Bráulio Theilacker, utilizou-se dos mesmos Fl. 1875DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 argumentos da impugnante e contestou a acusação fiscal de ser o titular do Frigorífico Codel. 8. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, julgou improcedentes as impugnações, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, além dos atos administrativos encontrarem-se revestidos de suas formalidades essenciais e a infração perfeitamente identificada e demonstrada no lançamento. INICIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS Constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias, e não havendo contestação expressa quanto a elas pela impugnante, importa na manutenção das exigências correspondentes, em consonância com o que preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. PROTESTO POR PERÍCIA. Indefere-se o pedido pela realização de perícia quando a mesma se revela prescindível. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que, no exercício de sua administração praticaram os sócios, gerentes ou representantes da pessoa jurídica atos com excesso de poderes ou infração de lei, tipificada estará a sua responsabilidade solidária prescrita pelo art. 135 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 9. Cientificada da decisão de primeira instância por edital (e-fls. 1816, 1821), a recorrente não apresentou recurso voluntário. O sujeito passivo solidário tomou ciência em 24/04/2014, interpôs recurso voluntário em 21/05/2014 e aduz, em resumo, as alegações a seguir tanto em relação ao mérito da autuação quanto à sujeição passiva solidária (e-fls. 1824 e seg.). Fl. 1876DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 Preliminares Administração da empresa i) a empresa autuada pertenceu à família Theilacker, que possuía tradição no negócio, mas por insatisfação com a parte do frigorífico (abate), retirou-se da empresa (venda) e passou intermediar operações de compra de gado. Bráulio, responsável solidário, com experiência na parte industrial da empresa, aceitou a oferta de emprego e continuou na Codel como gerente, enquanto a parte administrativa e contábil ficou a cargo de Joel e Osmar; Irregularidades formais nas intimações ii) a autoridade fiscal ora intimava de maneira pessoal, ora por via postal, o que inviabilizava o recebimento das correspondências quanto ao andamento da fiscalização, bem como gerou prejuízo para a defesa/acompanhamento do contribuinte; iii) é irregular e causa de nulidade a intimação do termo de sujeição passiva por edital; deve ser reaberto prazo para defesa, haja vista que seu endereço residencial e da Codel são de conhecimento da Receita Federal; tal intimação por edital prejudicou sobremaneira a defesa de seus interesses e fere o art. 5º da CF e legislação de regência; Irregularidades nos depoimentos dos sócios iv) os depoimentos dos sócios foram colhidos sem intimação fiscal anterior e sem a possibilidade de estarem acompanhados de seus advogados, “é como se os sócios fossem coagidos a prestar tais esclarecimentos, [...] prejudicando desta maneira, o devido processo legal, consequentemente prejudicando futuras defesas”; Irregularidades nas Requisições de Movimentações Financeiras (RMF) vi) as provas obtidas em decorrência das RMF’s foram obtidas ilicitamente, pois não intimou o contribuinte a respeito, dando lhe a oportunidade de trazer as informações ao processo administrativo, o que é causa de nulidade, devendo as respectivas informações serem desentranhadas e cancelados os autos de infração; Mérito vi) os valores retificados em 27/06/2012 referentes à declaração IRPJ 2007/2008, 2008/2009 embora não possam ser levados em consideração durante o trâmite da fiscalização para efeito de fixação da multa de ofício, devem ser abatidos do valor arbitrado e constituído; vii) há diversos lançamentos indevidamente considerados como base de cálculo (transferência de valores entre contas correntes, pagamentos realizados em substituição à cheques sem fundo, dentre outros eventos que poderão ser apurados em perícia contábil; viii) a multa qualificada de 150% é indevida em razão de irregularidades no procedimento fiscal que levam à nulidade do lançamento; Fl. 1877DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 ix) deve ser deferido o pedido de perícia, conforme quesitos e perito que especifica; x) por fim, requer o provimento do recurso. 10. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 11. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Delimitação da lide 12. O contribuinte não contestou em primeira instância as infrações decorrentes de valores declarados ao Fisco estadual, conforme trecho da decisão recorrida: Com relação às demais infrações (Omissão de receita da atividade declarada à Secretaria da Fazenda Estadual e não oferecida à tributação e Omissão de receita da atividade escrituradas no livro de apuração do ICMS e não oferecida à tributação), constata-se que não houve qualquer contestação específica quanto a elas pelos impugnantes e, uma vez constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias, importa na manutenção das exigências correspondentes, em consonância com o que preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 13. Trata-se, portanto, de matéria preclusa, ainda que não tenham sido objeto de recurso voluntário. 14. Cinge-se a controvérsia, portanto, à omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, e outras omissões de receita decorrentes de valores declarados ao Fisco estadual, bem como à sujeição passiva solidária. 15. Passo à análise das preliminares. Preliminares 16. O recorrente alega que a autoridade fiscal ora intimava de maneira pessoal, ora por via postal, o que inviabilizou o recebimento das correspondências quanto ao andamento da fiscalização e gerou prejuízo para a defesa/acompanhamento do procedimento fiscal. Assenta ainda ser irregular e nula a intimação do termo de sujeição passiva por edital e pleiteia a reabertura de prazo para defesa, haja vista que seu endereço residencial e da Codel são de conhecimento da Receita Federal. Por fim, acrescenta que a intimação por edital prejudicou sobremaneira a defesa de seus interesses e fere o art. 5º da CF e legislação de regência. 17. Sem razão o recorrente. Fl. 1878DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 18. Nos termos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 1972 (PAF), a intimação pode ser via pessoal, postal ou por meio eletrônico. No caso de resultar improfícua qualquer um desses meios - pessoal, postal eletrônica - a intimação poderá ser por edital (§1º). Estabelece ainda que tais meios não estão sujeitos a ordem de preferência (§3º). É dizer, para publicação do edital basta que seja improfícua a intimação postal - o caso dos autos - pessoal ou eletrônica. Veja-se: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considera-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III - se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1879DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 § 4º Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 19. No caso em análise, a intimação seja pessoal ou via postal fica a critério da autoridade fiscal, porquanto em consonância com a lei que rege o processo administrativo fiscal. Nos casos em que a intimação ocorreu por edital, tem-se que a intimação via postal restou improfícua, conforme consta dos autos. Logo não há falar-se em nulidade por cerceamento de direito de defesa, reabertura de prazo, tampouco que tal procedimento fere o art. 5º da CF. 20. Por fim, cumpre observar que “no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, nos termos do art. 26-A do PAF. Nessa mesma trilha a Súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005 21. Assim, nego provimento à matéria. 22. As demais preliminares acerca da administração da empresa, irregularidades nos depoimentos dos “sócios” e irregularidade na Requisição de Movimentação Financeira (RMF) por relacionarem-se com o mérito serão analisadas mais adiante. Mérito 23. Para melhor entendimento dos fatos, vejamos o apurado pela fiscalização. 24. Consoante Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal tentou, sem sucesso, intimar o contribuinte via postal do Termo de Início de Fiscal, em 30/05/2011, para apresentação, de livros contábeis, tabelas de plano de contas, arquivos de lançamentos contábeis e saldos mensais, bem como extratos bancários, todos relativos aos anos-calendário 2007 e 2008. A correspondência foi devolvida com o motivo: “recusado por Bráulio” (e-fls. 4-6). 25. Na sequência, a autoridade fiscal dirigiu-se à empresa, e após ser recepcionada por Nelson Theilacker, deu ciência do Termo de Início a Osmar Eichenberg, “sócio” da empresa (5-6). 26. Segundo a autoridade fiscal, desde o primeiro contato observou-se indícios de irregularidades quanto aos reais proprietários do contribuinte. Além de no portão de entrada Fl. 1880DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 constar placa de identificação com a denominação “Frigorífico Theilacker” (e-fls. 1580- 1581), Osmar informou que a administração da empresa é realizada pela família Theilacker (Nelson, Bráulio e Doralice), que ele e Joel Silva eram apenas sócios sem qualquer participação na gerência e, por fim, que os poderes de administração da empresa foram transferidos por meio de procuração. A fiscalização registrou tais fatos em Termo de Constatação, conforme trecho a seguir (e-fls. 2-3): Informou que fazia aproximadamente dois anos que entrou para o quadro societário com reduzida participação no capital social, mas que pretendia sair da sociedade até o final deste ano. Afirmou que a administração da empresa é realizada pela família Theilacker (Nelson, Bráulio e Doralice), sendo que ele e o Sr. Joel apenas eram sócios, não tendo qualquer participação na gerência da mesma. O Sr. Joel apenas consta como empregado, mas em virtude dos seus problemas de saúde não tem condições de trabalhar, sendo que "em troca deste registro como empregado" se mantêm na sociedade. Informou que os poderes de administração da empresa foram transferidos através de procuração. Indagado se ele ou o Sr. Joel assinavam os cheques da empresa, o mesmo informou que não, que toda a administração da empresa é realizada pelos membros da família Theilacker e que ele e o Sr. Joel apenas assinam um ou outro documento relacionado a alguma fiscalização em curso na empresa. 27. O contribuinte apresentou parcialmente a documentação solicitada em 03/08/2011. Note-se que o fato de não apresentar todos os extratos bancários configura motivo para emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), conforme veremos mais adiante. 28. Em 04/08/2011 a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar livros de Registro de Saídas, de Registro de Entradas e de Apuração de ICMS referente aos anos- calendário 2007 e 2008; o contribuinte apresentou somente o último, com registros a partir de agosto de 2007 (e-fls. 751-788). 29. Em 10/10/2011 e 09/12/2011, o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar os Livro Caixa ou Livro Diário e Livro Razão, mas não apresentou (e-fls. 829-830). 30. Intimado em 14/12/2011 a apresentar documentação relativa as duas operações específicas, consideradas relevantes pela fiscalização, manteve-se novamente silente, o que também ensejou a expedição de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) (e-fls. 833- 834). 31. A autoridade fiscal apurou ainda a existência de procuração concedida pelo contribuinte a Bráulio Theilacker, ora sujeito passivo solidário, com poderes amplos e especiais para gerir e administrar a empresa, dentre eles, representar perante a Receita Federal, assinar propostas ou contratos de abertura de contas bancárias, contrair empréstimos e/ou financiamentos em qualquer agência bancária, retirar e/ou renovar senhas e cartões eletrônicos, receber quaisquer importâncias devidas à outorgante, receber ordens de pagamento, assinando os necessários recibos e dando quitação, emitir, endossar e aceitar duplicatas, notas promissórias, dentre outros. Veja-se (e-fls. 1016-1017); PROCURAÇÃO BASTANTE QUE FAZ: CODEL FRIGORIFICO COM ATAC DE CARNES FRIOS DERIVADOS BOVINOS E SUINOS LTDA, na forma que segue: Fl. 1881DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 SAIBAM os que este público instrumento de procuração bastante virem que, ao(s) vinte e sete dias do mês de agosto do ano de dois mil e sete (27.08.2007), por este público instrumento nomeia(m) e constitui(em) seu(s) bastante procurador(es): BRAULIO THEILACKER, [...] com amplos e especiais poderes para gerir e administrar a outorgante, assinar propostas ou contratos de abertura de contas bancárias, contrair empréstimos e/ou financiamentos em qualquer agência bancária, convênios, financiamentos, descontar duplicatas e cheques, inclusive na Caixa Econômica Federal-CEF, e movimentá-las, emitir e endossar cheques, fazer retiradas mediante recibos, autorizar débitos, transferências e pagamentos por meio de cartas, ou quaisquer outros meios, sejam eletrônicos ou não, solicitar saldos, extratos de contas e requisitar talões de cheques, solicitar, retirar e/ou renovar senhas e cartões eletrônicos, receber quaisquer importâncias devidas à outorgante, assinar boletos de câmbio, receber ordens de pagamento, assinando os necessários recibos e dando quitação, emitir, endossar e aceitar duplicatas, notas promissórias, emitir letras de câmbio, assinar faturas e conhecimentos, dar instruções sobre títulos, assinar a correspondência da outorgante, inclusive a dirigida aos bancos, contratar e demitir empregados, comprar e vender mercadorias que se relacionem com os produtos da outorgante, assinar recibos de compra e venda de veículos e requerer 2a via, representá-la perante repartições públicas federais, estaduais e municipais, entidades autárquicas e paraestatais, Sindicatos, DETRANS, CIRETRANS, Delegacia da Receita Federal e Estadual, Junta de Conciliação e Julgamento, Junta Comercial, receber citações, inclusive iniciais, contratar advogado e outorgar-lhe os poderes "ad Judicia", requerer e assinar o que preciso for, praticar enfim, todos os demais atos necessários ao perfeito e cabal desempenho do presente mandato. (Grifo nosso) 32. Tendo em vista que o contribuinte havia outorgado procuração a Bráulio Theilacker com poderes de representação perante a Receita Federal, a autoridade fiscal encaminhou-lhe em 03/02/2012, em seu domicílio fiscal, todas as intimações emitidas até aquela data em nome do contribuinte. Cientificado em 09/02/2012, optou, novamente, por manter-se silente (e-fls. 1018-1019). 33. Em 07/02/2012 o contribuinte foi intimado a “Comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes”, (e-fls. 1022) e em 09/02/2012, a apresentar “Cópias dos documentos relativos aos débitos listados em anexo a presente intimação”, bem como cópias de cheques e demais informações acerca dos débitos que especifica (e-fls. 1066); todavia o AR fora devolvido novamente com o motivo “Recusado por Bráulio Theilacker” (e-fls. 1073). Note-se que Joel Silva, então “sócio” da empresa, foi cientificado desses mesmos termos em seu endereço residencial, mas também manteve-se silente (e-fls. 1021, 1063, 1070). 34. Em 08/05/2012 o contribuinte solicitou prorrogação de prazo de 90 dias para apresentar a escrita contábil e fiscal, sendo-lhe concedidos 45 dias (e-fls. 1470). 35. Em 27/06/2012, em atendimento à solicitação, a autoridade fiscal forneceu ao contribuinte cópias dos extratos bancários em meio magnético. Nessa mesma data, o contribuinte solicitou mais 90 dias para apresentação da escrita contábil e fiscal e a fiscalização concedeu 20 dias (e-fls. 1472-1473). Entretanto, tais documentos não foram apresentados. Com efeito, a fiscalização arbitrou o lucro e apurou as infrações a seguir. 1) Arbitramento A não apresentação dos Livros Fiscais (Diário e Razão ou Livro Caixa) ocasionou o arbitramento do lucro do contribuinte, conforme art. 47 da Lei n° 8.981/95. Fl. 1882DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 O lucro do contribuinte foi arbitrado considerando-se como receita bruta declarada aquela informada pelo contribuinte em DIPJ (Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica) (fls. 1474-1501). Utilizou-se os valores efetivamente recolhidos pelo contribuinte a fim de apurar a distribuição da receita ao longo dos meses, conforme demonstrativo "Base de Cálculo Declarada", anexo. [...] 2) Receita constante do Livro de Apuração de ICMS e DIME: Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 01, foi apresentado o livro de Apuração do ICMS. Os registros constantes deste livro iniciam-se a partir do mês de agosto de 2007 (fls. 753-788). A fim de obter informações sobre o período de janeiro a julho de 2007 foram analisadas as DIME (Declaração do ICMS e do Movimento Econômico) apresentadas a Secretaria da Fazenda Estadual. Contudo o contribuinte somente declarou faturamento no período de janeiro a março, sendo que deste modo não foi possível apurar qualquer receita nos meses de abril a julho (fls. 789-828). No ano de 2008 há igualdade de informações entre a DIME e o livro de Apuração de ICMS. A omissão de receita apurada esta demonstrada na planilha "Omissão de Receita - DIME e Livro de Apuração de ICMS", anexa ao presente relatório. 3) Movimentação Bancária. Haja vista o contribuinte não ter enviado a esta fiscalização todos os extratos bancários, procedeu-se à emissão de RMF (Requisição de Movimentação Financeira) aos bancos onde o contribuinte apresentou movimentação financeira no período, (fls. 45-47): 1) HSBC BANK BRASIL S/A (399) - agência 0645 , conta corrente 1109081 (fls. 48- 100). Merece destaque que na ficha da empresa consta como nome fantasia: Frigorífico Theilacker (fl. 51). 2) UNIBANCO (409) - agência 0453 , conta corrente 722123-8 (fls. 101-114). 3) BANCO SAFRA S/A (422) - agência 8800 , conta corrente 4.454-3 (fls. 115- 157). 4) BANCO ITAÚ S/A (341) - agência 0154 , contas correntes 11.342-7 e 80.856-2 (fls. 158-214). 5) BANCO ITAUBANK S/A - agência Joinville, contas correntes 19.8041.41 e 11.3425.13 (fls. 215-264). 6) BANCO SANTANDER BRASIL S/A (030) - agência 1243, conta corrente 19-8 (fls. 265-747) Após a consolidação das transferências de recursos entre as contas do contribuinte, foi o mesmo intimado a comprovar a origem dos créditos de recursos efetuados em suas contas bancárias, isto através do Termo de Intimação Fiscal 04 (fls. 1022-1062). Procedeu-se a ciência do referido termo através de envio de correspondência ao endereço do sócio Joel Silva, assim como da sede da empresa (fls. 1063-1065/1073- 1074). No endereço sede do contribuinte a correspondência foi devolvida novamente por recusa de recebimento procedida pelo sr. Braulio (fls. 1073-1074). Embora uma via da referida intimação já tivesse sido recebida pelo sócio gerente constante do contrato social (Joel Silva), procedeu-se à elaboração do Edital 005/2012 (fls. 1075-1076). Em relação a este termo de intimação, não houve qualquer manifestação por parte do contribuinte ou seus representantes. Fl. 1883DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 Os créditos efetuados nas contas bancárias da empresa e cuja origem não foi comprovada, estão relacionados no "Demonstrativo dos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada", integrante do presente auto e em anexo. A omissão de receita foi apurada totalizando-se os valores mensais de créditos não comprovados e descontando-se deste total a receita já tributada via DIPJ e os valores considerados omissão de receita conforme tópico anterior. O referido cálculo esta demonstrado na planilha "Omissão de Receita -Depósitos Bancários de Origem não Comprovada ", anexa ao presente relatório. (Grifo nosso) 36. O lançamento fundamentou-se no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, cujo dispositivo estabelece que os valores creditados em contas bancárias em relação aos quais a pessoa jurídica titular regularmente intimada não comprova, mediante documentação hábil e idônea e de forma individualizada, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estão sujeitos a lançamento de ofício, mediante presunção de omissão de receita. Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] § 5 o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Grifo nosso) 37. Presunção é meio indireto de prova resultante de um processo lógico mediante o qual do fato conhecido, cuja existência é certa, infere-se o fato desconhecido ou duvidoso, cuja existência considera-se provável 1 . As presunções legais podem ser absolutas – jure et jure – , quando não admitem prova em contrário, ou relativas – juris tantum – quando admitem prova em contrário. 38. A presunção legal relativa, caso dos autos, pode ser elidida pela parte cuja presunção milita contra mediante apresentação de elementos probatórios. Maria Rita Ferragut 2 aponta as seguintes características da presunção legal relativa: As presunções legais relativas caracterizam-se, basicamente: por (a) estarem sempre contidas numa proposição geral e abstrata; (b) poderem também ser uma proposição individual e concreta quando do ato de aplicação do direito; (c) serem meios indiretos de prova; (d) serem compostas por um fato indiciário que implique juridicamente a existência de um outro fato, indiciado; (e) contemplarem uma probabilidade de ocorrência do evento descrito no fato; (f) poderem prever a riqueza da base calculada, 1 CARVALHO, Paulo de Barros. A prova no procedimento administrativo tributário. Revista Dialética de Direito Tributário nº 34, São Paulo: Dialética, 1998. p. 109. BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 1972, p. 508. 2 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções: meio de prova do fato gerador? In: FERRAGUT, Maria Rita; NEDER, Marcus Vinícius; SANTI, Eurico Diniz de. (Coords.). A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 116. Fl. 1884DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 quando utilizadas com fundamento no princípio da praticabilidade, e não em decorrência de ilícitos praticados pelo contribuinte; (g) dispensarem o sujeito que tem a presunção a seu favor do dever de provar a ocorrência do evento descrito no fato indiciado, mas não de provar o fato indiciário e (h) admitirem prova a favor de outros indícios, e em contrário ao fato indiciário, à relação de implicação e ao fato indiciado. (Grifo nosso) 39. Dentre as características acima verifica-se que a presunção legal relativa, meio indireto de prova, é composta do fato indiciário – valores creditados em contas bancárias – que implica juridicamente a existência de outro fato, o fato indiciado – omissão de receita. Com efeito, o sujeito que tem a presunção a seu favor – autoridade fiscal – está dispensado do dever de provar a ocorrência do evento descrito no fato indiciado, mas não de provar o fato indiciário. 40. Por se tratar de presunção relativa, admite-se prova em contrário tanto do fato indiciário quanto do fato indiciado, ônus que o contribuinte não se desincumbiu. Portanto, correto o lançamento. 41. Com visto acima, intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou livros e documentos de sua escrituração, o que ensejou o arbitramento do lucro, conforme previsto no art. 530, III, do Decreto 3000, de 1999 (RIR/99): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (Grifo nosso). 42. Verifica-se, pois, que a autoridade fiscal também agiu corretamente ao arbitrar o lucro. Duplicidade de cobrança. Erros no lançamento. Perícia. 43. O recorrente alega duplicidade de cobrança de tributos e aduz que “não foram levados em consideração os créditos tributários já declarados através das retificadoras apresentadas em 06/2012”. Mesmo ciente de que a retificadora fora apresentada com a espontaneidade suspensa defende o abatimento dos valores retificados nos seguintes termos: “Mesmo que estes valores retificados não pudessem ser levados em consideração durante o trâmite da fiscalização para efeito de fixação da multa de ofício, o valor arbitrado e constituído no Termo de Encerramento deve ser abatido”. 44. Para usufruir do benefício da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, o sujeito passivo, com espontaneidade, deve apresentar declaração de débitos que constitua o crédito tributário, mediante confissão de dívida, tal qual a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), editada com base no art. 5º do DL 2.124, de 1984 e art. 16 da Lei 9.779, de 1999, e efetuar o recolhimento do respectivo débito concomitantemente à declaração. Fl. 1885DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 Todavia, o parágrafo único do referido art. 138 exclui a espontaneidade da denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Veja-se: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 45. Nesse mesmo sentido a Súmula Carf nº 33: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 102-49334, de 09/10/2008 Acórdão nº 106-17006, de 06/08/2008 Acórdão nº 106-16812, de 06/03/2008 Acórdão nº 106-16727, de 23/01/2008 Acórdão nº 106-17254, de 05/02/2009 Acórdão nº 103-22293, de 23/02/2006 Acórdão nº 106-16440, de 13/06/2007 Acórdão nº 106-14971, de 13/09/2005 Acórdão nº 104-23308, de 26/06/2008 Acórdão nº 104-23395, de 07/08/2008 Acórdão nº 104-23025, de 05/03/2008 Acórdão nº 201-80751, de 21/11/2007 Acórdão nº 201-79179, de 29/03/2006 Acórdão nº 201-76943, de 14/05/2003 Acórdão nº 201-74300, de 20/03/2001 Acórdão nº 201-73651, de 14/03/2000 46. Verifica-se, pois, que os valores declarados em DCTF pelo contribuinte não produzem efeito sobre os valores apurados durante o procedimento fiscal. 47. Aduz ainda o recorrente existência de “diversos lançamentos indevidamente considerados como base de cálculo (transferência de valores entre contas correntes, pagamentos realizados em substituição à cheques sem fundo, dentre outros eventos) que poderão ser apurados em perícia contábil”. Nesse sentido, requer deferimento de perícia, conforme quesitos e perito que especifica, para “comprovação dos fatos articulados na presente defesa, além dos documentos já entregues à fiscalização (toda a escrita contábil), a fim de demonstrar que foram levados em consideração valores indevidos pela fiscalização, fazendo com que a base de cálculo do arbitramento tenha ficado ‘inflada’”. 48. A recorrente limita-se a alegar e não apresenta um elemento probatório sequer, tampouco indica um período que teria ocorrido eventual lançamento indevido. Na espécie, alegar e não provar é quase não alegar. Acrescente-se que a decisão recorrida foi clara que o contribuinte deveria relacionar os erros alegados e apresentar provas. Veja-se: Com relação à alegação de que teriam sido computados na base de cálculo valores indevidos tais como transferências entre contas correntes, pagamentos realizados em substituição à cheques sem fundo, dentre outros, cabe ressaltar que o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção, ou seja, se os impugnantes entendem que foram computados Fl. 1886DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 indevidamente valores de depósitos bancários deveria eles não apenas relacioná-los mas também fazer prova de suas alegações. [...] Também na fase impugnatória a contribuinte não trouxe aos autos prova da origem do numerário depositado em suas contas bancárias, o que respalda o procedimento fiscal, pois configurado está a materialização da hipótese legal. É oportuno recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: “Allegatio et non probattio, quasi non allegatio” que significa que “quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse”. Ou seja, não basta questionar graciosamente os argumentos do fisco, deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos. (Grifo nosso) 49. Como se vê, mesmo ciente de que deveria fazer prova de suas alegações o recorrente não o fez, optou, novamente, por simplesmente alegar de forma genérica. Nesses termos, sem razão o recorrente. 50. Quanto ao pedido de realização de prova pericial, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, ao impugnar a exigência fiscal cabe ao contribuinte apresentar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões, bem como os elementos probatórios que possuir. A autoridade julgadora, por sua vez, ao apreciar as provas colacionadas aos autos formará livremente sua convicção, e somente determinará diligências e/ou perícias caso entenda necessário e indeferirá, de forma fundamentada, as que considerar prescindíveis 3 . 51. Portanto, não cabe ao julgador determinar diligência e/ou perícia para que sejam juntadas aos autos provas que deveriam ter sido apresentadas pela recorrente; é dizer, “a busca pela verdade material não autoriza o julgador substituir os interessados na produção de provas 4 ”. 52. É o caso. O feito está bem instruído com os elementos necessários para o julgamento. Portanto, por entender prescindível, indefiro o pedido de perícia. Irregularidades nas Requisições de Movimentações Financeiras (RMF) 53. Alega o recorrente que as provas obtidas em decorrência das RMF’s foram obtidas ilicitamente, pois não intimou o contribuinte a respeito, dando lhe a oportunidade de trazer as informações ao processo administrativo, o que é causa de nulidade, devendo as respectivas informações serem desentranhadas e cancelados os autos de infração. 54. A RMF deve ser expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal responsável pelo procedimento fiscal ou seu chefe imediato, 3 Cf. Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). 4 LÓPEZ, Maria Teresa Martínez; NEDER, Marcos Vinícius. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2008. p. 426 Fl. 1887DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 no qual deve estar demonstrado, de forma clara e precisa, que a motivação da proposta de expedição de RMF enquadra-se em hipótese de indispensabilidade prevista no art. 3º do Decreto 3.724, de 2001, as quais revelam condutas com fortes indícios de evasão fiscal, dentre outras. 55. A seguir os relatório elaborados pela autoridade fiscal: Relatório de 28/06/2011 (e-fls. 47) Em 07/06/2011 o contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Caixa ou os livros contábeis, assim como os extratos bancários das contas de sua titularidade. Analisando os dados bancários constantes do dossiê do contribuinte, observamos que o mesmo declarou faturamento em DIPJ de R$1.064.434,27 e de R$1.232.073,97, respectivamente em 2007 e 2008, sendo que pela análise das retenções de CPMF a sua movimentação financeira total neste anos foi de R$15.901.999,53 e R$15.739.799,79. Esta situação se enquadrada no inciso XI do art. 3 do Decreto n 3.724 de 10 de janeiro de 2001, permitindo a emissão desta RMF. Acrescenta-se ainda que o contribuinte não atendeu a intimação dentro do prazo inicial concedido, sendo que esta situação se enquadra no inciso VII do art. 3 do Decreto n. 3.724 de 10 de janeiro de 2001, também permitindo a emissão desta RMF. Relatório de 19/03/2012 (e-fls. 834) Em 14/12/2011 o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relativos a duas operações de empréstimos efetuadas pelo mesmo junto ao Banco Safra S/A e Banco Itaú S/A. O contribuinte não atendeu a intimação dentro do prazo inicial concedido, sendo que esta situação se enquadra no inciso VII do art. 3 do Decreto n. 3.724 de 10 de janeiro de 2001, permitindo a emissão desta RMF. Anteriormente o contribuinte também foi intimado e reintimado a apresentar os Livros Caixa ou os livros contábeis, o que não efetuou. Acrescenta-se ainda que analisando os dados bancários constantes do dossiê do contribuinte, observamos que o mesmo declarou faturamento em DIPJ de R$ 1.064.434,27 e de R$ 1.232.073,97, respectivamente em 2007 e 2008, sendo que pela análise das retenções de CPMF a sua movimentação financeira total nestes anos foi de R$ 15.901.999,53 e R$ 15.739.799,79. Esta situação se enquadrada no inciso XI do art. 3 do Decreto n 3.724 de 10 de janeiro de 2001, também permitindo a emissão desta RMF. (Grifo nosso) Relatório de 17/04/2012 (e-fls. 1085) O contribuinte foi intimado a apresentar os documentos relativos a lançamentos a crédito e a débito em suas contas bancárias. O mesmo não atendeu a intimação dentro do prazo inicial concedido, sendo que esta situação se enquadra no inciso VII do art. 3 do Decreto n. 3.724 de 10 de janeiro de 2001, permitindo a emissão desta RMF. Anteriormente o contribuinte também foi intimado e reintimado a apresentar os Livros Caixa ou os livros contábeis, o que não efetuou. Acrescenta-se ainda que analisando os dados bancários constantes do dossiê do contribuinte, observamos que o mesmo declarou faturamento em DIPJ de R$1.064.434,27 e de R$1.232.073,97, respectivamente em 2007 e 2008, sendo que pela análise das retenções de CPMF a sua movimentação financeira total nestes anos foi de R$15.901.999,53 e R$15.739.799,79. Esta situação se enquadrada no inciso XI do art. 3 do Decreto n 3.724 de 10 de janeiro de 2001, também permitindo a emissão desta RMF. (Grifo nosso) Fl. 1888DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 56. Observa-se que a motivação para expedição de RMF consta dos incisos VII e XI, do art. 3º do Decreto 3.724, de 2001: Art. 2 o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 5 o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). Art. 3 o Os exames referidos no § 5 o do art. 2 o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). VII - previstas no art. 33 da Lei n o 9.430, de 1996; [...] XI - presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) [...] § 2 o Considera-se indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I - as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3 o do art. 42 da Lei n o 9.430, de 1996; II - a ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. 57. Note-se que o inciso VII, ao remeter às hipóteses elencadas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, tomou por empréstimo as hipóteses que permitem a imposição de regime especial de fiscalização ao sujeito passivo e as inseriu no rol de indispensabilidade previsto no art. 3º do Decreto 3.724/2001. Frise-se, não há falar-se que o sujeito passivo está sob regime especial de fiscalização, o qual tem um rito próprio 5 . Dentre tais hipóteses, no inciso I consta o embaraço à fiscalização, caracterizado por condutas negativas do sujeito passivo, tais como: i) não exibição de livros e documentos fiscais/contábeis, sem a devida justificativa; ii) não apresentação das informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade. Veja- se: Lei 9.430, de 1996 Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I - embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição 5 O regime especial de fiscalização é regulamentado pela Instrução Normativa RFB 979, de 16 de dezembro de 2009. Fl. 1889DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; II - resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades do sujeito passivo, ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; III - evidências de que a pessoa jurídica esteja constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; IV - realização de operações sujeitas à incidência tributária, sem a devida inscrição no cadastro de contribuintes apropriado; V - prática reiterada de infração da legislação tributária; VI - comercialização de mercadorias com evidências de contrabando ou descaminho; VII - incidência em conduta que enseje representação criminal, nos termos da legislação que rege os crimes contra a ordem tributária (Grifo nosso). 58. Pois bem. Conforme consta dos autos, bem como das RMF's, intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou livros caixa ou os livros contábeis; não apresentou a íntegra dos extratos bancários das contas de sua titularidade; não apresentou documentos relativos a duas operações de empréstimos efetuadas perante o Banco Safra S/A e Banco Itaú S/A. Tais condutas permitem a expedição de RMF com base no inciso VII do Decreto 3.724, de 2001. 59. A autoridade fiscal apurou ainda que o contribuinte declarou em DIPJ, nos anos- calendário 2007 e 2008, faturamentos de R$1.064.434,27 e R$1.232.073,97, respectivamente; entretanto, as retenções de CPMF demonstraram movimentações financeiras nesses períodos nos montantes de R$15.901.999,53 e R$15.739.799,79. Tendo em vista tratar-se movimentação financeira superior a dez vezes a renda declarada, tal motivo, por si só, supre o requisito de indispensabilidade previsto no referido inciso XI do Decreto 3.724, de 2001. 60. Portanto, não há falar-se em irregularidade na emissão de RMF. Responsabilidade solidária 61. A autoridade fiscal elaborou Termo de Sujeição Passiva em face de Bráulio Theilacker, com base nos art. 124 e 135 do CTN ao argumento de que, embora o Frigorífico Codel estivesse em nome de Joel e Osmar, é a família Theilacker, principalmente, Bráulio Theilacker que desenvolve a atividade econômica e financeira da empresa, como interposta pessoa (laranja), com vistas a não recolher tributos. Assentou ainda que “Tal infração é de pleno conhecimento do titular de fato, haja vista o esforço dispensado em ocultar a titularidade e a atividade da empresa, tanto durante o período de funcionamento da empresa, quanto durante a fiscalização (não apresentação de documentos, solicitação de prorrogações com posterior não atendimento ou atendimento precário às intimações)”. 62. O responsável solidário, Bráulio Theilacker, alega que o Frigorífico Codel pertenceu à família Theilacker, que possuía tradição no negócio, mas por insatisfação com a parte do frigorífico (abate), retirou-se da empresa (venda) e passou intermediar operações de compra de gado. Nesse contexto, por possuir experiência na parte industrial da empresa, aceitou Fl. 1890DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 a oferta de emprego e continuou na Codel como gerente, enquanto a parte administrativa e contábil ficou a cargo de Joel e Osmar. Destaca que as rotinas executadas pelo responsável solidário em nome do Frigorífico Codel “sempre foram orientadas pelo proprietário (Sr. Joel) que mesmo estando relativamente afastado da operação empresarial, mantinha contato próximo e total controle dos negócios”: Conforme mencionado, ao longo do período fiscalizado o contribuinte Recorrente exerceu a função de gerente da empresa CODEL FRIGORÍFICO, inicialmente com a incumbência de gerir a produção, e posteriormente, após o agravamento da doença do Sr. Joel, assumindo a gerência administrativa e financeira, objetivando colaborar para a continuidade das operações empresariais (pois com o afastamento do Sr. Joel não havia quem executasse tais rotinas). Importante, entretanto, destacar que as rotinas executadas pelo Recorrente em nome da CODEL FRIGORÍFICO sempre foram orientadas pelo proprietário (Sr. Joel), que mesmo estando relativamente afastado da operação empresarial, mantinha contato próximo e total controle dos negócios. Nesse sentido, a alegação da autoridade fiscal de que a empresa CODEL é de titularidade do Recorrente, além de completamente descabida e inverídica, causou perplexidade ao mesmo diante da alegação da autoridade fiscal de que tais fatos foram informados pelos próprios sócios JOEL e OSMAR. (Grifo nosso) 63. Acerca da responsabilidade tributária, o art. 135 do CTN estabelece que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, os sócios, no caso de liquidação de pessoas (inciso I c/c inciso VII do art. 134), bem como os dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A jurisprudência do STJ acrescentou ainda outra hipótese de responsabilização solidária, a dissolução irregular de sociedade, conforme dispõe a Súmula STJ 435: “presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente”. Tal hipótese é um desdobramento de infração à lei. 64. Embora o CTN estabeleça que a responsabilidade prevista no art. 135, III seja de caráter pessoal – entenda-se, exclusiva do sócio-gerente – o que desperta controvérsia, entendemos tratar-se de responsabilidade solidária 6 , pois se o art. 128 do CTN exige lei expressa para atribuir responsabilidade a terceiro, de igual modo a exclusão da responsabilidade do contribuinte deve estar prevista em lei. Outro ponto a reforçar esse posicionamento é a própria súmula 430 7 do STJ, que ao tratar especificamente da matéria enuncia responsabilidade solidária 6 MACHADO, Hugo de Brito Machado. Curso de direito tributário. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 189. TORRES, Heleno Taveira. Responsabilidade de terceiros e desconsideração da personalidade jurídica em matéria tributária. In: ROCHA, Valdir de Oliveira. Grandes Questões Atuais do Direito Tributário. São Paulo: Dialética, v. 16, 2012. p. 125,127. ROCHA, Alessandro Martins dos Santos. Responsabilidade tributária de administradores com base no artigo 135, inciso III, do código tributário nacional. Revista da Receita Federal - Estudos Tributários e Aduaneiros, Brasília, 01, n. 02, jan./Jul 2015. 168-189. No mesmo sentido o Ac. CARF 9101-002.954, de 03 de julho de 2017. FREITAS JÚNIOR, Efigênio de. Responsabilidade tributária, solidariedade e interesse comum qualificado por dolo, fraude ou simulação. In: BOSSA, Gisele Barra (Coord.). Eficiência probatória e atual jurisprudência do CARF. São Paulo: Almedia, 2020. p. 226. 7 Súmula 430: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Fl. 1891DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 do sócio-gerente e não responsabilidade pessoal. 65. A responsabilidade tributária de dirigentes, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado – resumidamente sócio-gerente – não se confunde com a responsabilidade do sócio. Afinal, não é a condição de ser sócio da pessoa jurídica que atrai a responsabilidade tributária, mas sim a conduta, a atuação como gestor ou representante da pessoa jurídica e a prática de atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos que resultaram em descumprimento de obrigação tributária. É necessário, portanto, a existência de nexo causal entre a conduta praticada e o respectivo resultado prejudicial ao Fisco. Com efeito, o administrador, ainda que de fato, que praticar alguma dessas condutas, com reflexo tributário, deverá figurar como sujeito passivo solidário. 66. Nesse sentido já se manifestou o STF: O pressuposto de fato ou hipótese de incidência da norma de responsabilidade, no art. 135, III, do CTN, é a pratica de atos, por quem esteja na gestão ou representação da sociedade, com excesso de poder ou a infração à lei, contrato social ou estatutos e que tenham implicado, se não o surgimento, ao menos o inadimplemento de obrigações tributarias. [...] A regra matriz de responsabilidade do art. 135, III, do CTN responsabiliza aquele que esteja na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica. Daí a jurisprudência no sentido de que apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito – má gestão ou representação por prática de atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos – e a consequência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. (Trecho do voto do RE 562276, Relator(a): ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/11/2010, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe- 09-02-2011, p. 431, 432) 67. Na mesma linha o STJ: [...] 4. Segundo o disposto no art. 135, III, do CTN, os sócios somente podem ser responsabilizados pelas dívidas tributárias da empresa quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador. Precedentes. (REsp 640.155/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/04/2007, DJ 24/05/2007, p. 311) (Grifo nosso) [...] O quotista, sem função de gerencia não responde por divida contraída pela sociedade de responsabilidade limitada. Seus bens não podem ser penhorados em processo de execução fiscal movida contra a pessoa jurídica (CTN, ART. 134 - DEC. 3.708/19, ART. 2.). (REsp 27.234/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/12/1993, DJ 21/02/1994, p. 2126) (Grifo nosso) [...] A prática de atos contrários à lei ou com excesso de mandato só induz a responsabilidade de quem tenha administrado a sociedade por quotas de responsabilidade limitada, no caso, os sócios gerentes, não se expandindo aos meros quotistas. Não sendo o tema objeto de recurso pela decisão atacada, ausente, pois, o prequestionamento, que é pressuposto específico de admissibilidade do recurso especial. Recurso especial improvido. (REsp 330.232/MG, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/04/2003, DJ 30/06/2003, p. 178). (Grifo nosso) Fl. 1892DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 68. Quanto ao art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas as “pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. 69. No âmbito do STJ8 prevalece o posicionamento no sentido de que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. Nesse sentido, continua o STJ, “feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação 9 ”. O que significa dizer, a nosso ver corretamente, que somente o interesse econômico não legitima a atribuição de responsabilidade tributária ao terceiro. 70. O que atrai essa responsabilidade solidária é a participação do terceiro, ele não apenas sugere ao contribuinte o caminho a ser trilhado para burlar o Fisco, vai além, tem participação influente no procedimento de atribuir ao fato ocorrido no mundo concreto uma roupagem diversa da hipótese descrita na lei, com vistas a alterar as características essenciais do fato gerador ou impedir o seu conhecimento; o interesse econômico nessa hipótese também pode existir, mas não é primordial, o que importa é a conduta do terceiro, tal qual na responsabilidade do art. 135, III, do CTN. Enquadra-se nessa hipótese o terceiro que utiliza de interposta pessoa com vistas a ocultar do Fisco o verdadeiro administrador da pessoa jurídica, bem como irregularidades fiscais. 71. Necessário verificar, portanto, se há nexo causal entre a conduta praticada pelo recorrente, na condição de administrador, ainda que de fato, da pessoa jurídica e a prática de atos com infração à lei. 72. Compulsando os autos, verifica-se, de acordo com os elementos apurados pela fiscalização, que o real administrador do Frigorífico Codel é Bráulio Theilacker. Vejamos. 73. A empresa foi constituída em 1986 pela família Theilacker. Após várias alterações no quadro societário, na sexta alteração contratual, em 03/2003, Bráulio Theilacker torna-se sócio majoritário com 99% do capital (311.850 quotas) e sua irmã Doralice Theilacker com 1% (quota 3.150 quotas), cada quota no valor de R$1,00 (e-fls. 32-36). 74. A partir da sétima alteração contratual em 01/02/2007, conforme observado pela autoridade fiscal, iniciaram-se as irregularidades. Nessa alteração, Joel Silva ingressa na sociedade mediante transferência para seu nome das 3.150 quotas de Doralice Theilacker (sócia retirante) e 148.050 quotas de Bráulio Theilacker. Dessa forma Bráulio passou a deter 52% do capital da sociedade e Joel 48% (e-fls. 37-39). Observe-se que Joel foi incluído no contrato social como administrador da sociedade. 8 Entre os paradigmas principais destacam-se: REsp 834.044/RS, DJe: 15 de dezembro de 2008 e REsp 884.845/SC, DJ:18 de fevereiro de 2009. No mesmo sentido: REsp 611.964/SP, DJ: 10 de outubro de 2005; REsp 859.616/RS, DJ: 15 de outubro de 2007; AgInt no REsp 1.558.445/PE, DJe: 03 de maio de 2017; AgInt no AREsp 942.940/RJ, DJe: 12 de setembro de 2017; AgInt no AREsp 1.035.029/SP, DJe: 30 de maio de 2019. 9 Esse trecho consta da página 9 do voto do Relator no REsp 884.845/SC. Fl. 1893DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 75. Na sequência, em 02/04/2007, na oitava alteração contratual, Bráulio “vende e transfere” para Joel 140.000 quotas, o qual passou a deter 291.200 quotas - 92,44% do capital - e Bráulio 23.800 quotas - 7,56% do capital. Joel Permanece como administrador (e-fls. 40-41). 76. Note-se que, embora a alteração contratual seja de 02/04/2007, o registro na Junta Comercial de Santa Catarina ocorreu em 12/08/2008, data que efetivamente deve ser considerada para efeitos legais, porquanto nos termos da Lei 8.934, de 1994, que trata do registro público de empresas mercantis e atividades afins, a alteração contratual deve ser apresentada para arquivamento na junta comercial, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagem os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Veja-se: Art. 32. O registro compreende: I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; II - O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; [...] Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. (Grifo nosso) 77. Com se vê, a alteração contratual (02/04/2007) fora apresentada para arquivamento na Junta Comercial após trinta dias da sua assinatura, com efeito, a eficácia desse documento é somente a partir da data do registro (12/08/2008) o qual concedeu o arquivamento. 78. Em seguida, na nona alteração contratual, em 02/05/2007, Bráulio “vende e transfere” o saldo remanescente de suas quotas (23.800) para Joel, que passa a deter 315.000 quotas no valor de R$315.000,00, e Osmar Eichenberg ingressa na sociedade, com integralização de 1.000 quotas. Observe-se novamente que o registro na Junta Comercial ocorreu somente em 06/08/2009, data a partir da qual o documento tem eficácia (e-fls. 42-44). 79. Acerca do sócio Joel Silva, a fiscalização apurou que ele sempre exerceu funções simples em sua vida profissional com remuneração reduzida, chegando a no máximo R$550,00 em 2006 (e-fls. 1544-1546). Em sua DIRPF no ano-calendário 2006 não consta qualquer bem e o rendimento informado foi de R$18.700 (e-fls. 1549-1552); no ano-calendário 2007 consta rendimentos tributáveis da Codel no valor de R$12.000,00 e o único bem informado foi a participação nessa sociedade “adquirida em 03/2007” no valor de R$152.000,00 (1554-1557). 80. A fiscalização destacou também o fato de Joel Silva, com “rendimentos pífios e sem qualquer patrimônio”, adquirir no ano-calendário 2007 as quotas de uma empresa no valor total de R$ 315 mil. Neste ano o único bem declarado é esta participação societária, a qual, inclusive, foi informada por valor incorreto, R$ 152 mil (e-fls. 1562). Este bem foi informado pela última vez na DIRPF de 2008, voltando a ser declarado na DIRPF do ano de 2011. A reforçar a condição de baixa capacidade econômica de Joel Silva, a fiscalização apurou ainda Fl. 1894DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 que nos anos de 2006 a 2009 os créditos em suas contas bancárias foram R$4.531,00, R$15.684,00, R$0,00 e R$10.529,00, respectivamente. 81. Tais fatos foram reforçados pelo próprio Joel Silva em depoimento à autoridade fiscal. Na ocasião, informou que não trabalhou no período de 2007 e 2008; seu último emprego foi em 2006 e recebia em torno de R$500,00. Afirmou não ser proprietário da Codel e que fora convidado para fazer parte da sociedade por Bráulio Theilacker e Nelson Theilacker, os quais lhes foram apresentados por Osmar e informaram precisar de um proprietário para a empresa em razão da retirada de Bráulio e sua irmã Doralice, sendo-lhe prometido pró-labore mensal para ser dono da empresa. Como se encontrava em situação muito precária, sem emprego e com problemas sério de saúde, aceitou ser o dono da empresa. Registrou que não trabalhava na empresa e somente comparecia ao local para receber seu pró-labore ou assinar algum documento a pedido de Bráulio. Observou que desconhece totalmente as operações da empresa, que nunca assinou cheques, gerenciou recursos, contratou, demitiu. Todavia, “forneceu procuração” para Bráulio e só tomou conhecimento da ação fiscal por intermédio de Osmar. 82. Por fim, assentou: a “administração do frigorífico Codel é realizada pelo Bráulio, com auxilio do pai Nelson. Nunca gerencie a empresa, não sou dono da mesma, não tenho poder de decisão sobre os recursos que ela recebe, apenas consto como dono no contrato social”. Veja-se (1080-1082): No exercício das funções de Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil e no curso da fiscalização determinada pelo MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) acima, de acordo com o disposto nos art. 904, 905, 910, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), tomamos a termo o depoimento do Sr. Joel Silva, [...] prestando as informações que se seguem. > Em que empresa o senhor trabalhou no período de 2007 e 2008? Não trabalhava neste período, tendo saído do último emprego em 2006 (Asserpum), onde recebia em torno de E$ 500,00 (sic). > Qual a atividade profissional que o senhor exerce? Estou aposentado desde fevereiro de 2010, não exercendo qualquer atividade profissional. > Quais são suas fontes de renda? O valor recebido a título de aposentaria e um valor recebido da empresa Codel a título de pró-labore. > O senhor é proprietário da empresa Codel Frigorífico Comercio Atacadista de Carnes Frios Derivados de Bovinos e Suínos? Não sou proprietário da Codel. Fui convidado a fazer parte da sociedade pelo sr. Bráulio e Nelson Theilacker. Eles apenas disseram que precisavam de uma pessoa para ser o proprietário da empresa, dizendo que o sr. Bráulio e sua irmã Doralice estariam saindo da mesma para "montar" uma outra empresa. O sr. efetuou algum pagamento para ser proprietário da empresa? Nunca efetuei qualquer pagamento, pelo contrário, me foi prometido que receberia um valor por mês para que eu fosse o dono da empresa. Como me encontrava em situação muito precária, sem emprego e com sério problemas de saúde, aceitei ser o dono da empresa. > Como o senhor conheceu o sr. Nelson e o sr. Braulio? Fl. 1895DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 Conheceu através do sr. Osmar que os apresentou a minha pessoa, depois os mesmos passaram a entrar em contato comigo diretamente, convidando para entrar na sociedade do frigorífico Codel, sendo que neste momento o sr. Osmar não participou das conversas. Passei a fazer parte da sociedade e depois solicitei que o sr. Osmar entrasse como sócio pois o Bráulio disse que não queria mais figurar como dono e que eu ficaria sozinho como proprietário. Este convite foi feito no ano de 2009, porém a alteração do contrato social foi feita com data de 2007. > O senhor Joel Silva trabalhava na empresa? Não trabalhava na empresa. Somente ia a empresa para receber meu pró-labore ou assinar algum documento quando o sr. Bráulio solicitava. > Quem exerce a administração do Frigorífico Codel? Quem o auxilia? A administração do frigorífico Codel é realizada pelo Bráulio, com auxilio do pai Nelson. > O senhor saberia informar o valor aproximado do faturamento da empresa nos anos de 2007 e 2008? Não tenho a menor idéia do valor. > O senhor poderia me informar o nome dos principais clientes do Frigorífico Codel? Não conheço. Não sei para quem a empresa venda ou de quem ela compra o gado. > O senhor recebeu rendimentos da empresa Codel ou de alguma forma retirou recursos das contas bancárias da empresa? Somente recebia o meu valor de pró-labore. > O senhor poderia me informar em que bancos a empresa possuía conta bancária? Não sei, desconheço totalmente. Nunca assinei qualquer cheque da empresa, somente fiquei sabendo que a empresa possuía conta bancária quando recebi os termos de intimação fiscal 04 e 05. > O senhor poderia informar o destino dos recursos financeiros da empresa? Não tenho conhecimento do destino. > O senhor tem conhecimento das irregularidades fiscais cometidas pela empresa e respectivas conseqüências? Não sabe do que se trata. > O sr. forneceu procuração para alguém em nome da Codel? Sim, para o sr. Bráulio. > O sr. chegou a contratar algum empregado do Codel? Conhece algum funcionário de lá? Os empregados da Codel sabem que o sr. seria o dono da empresa? Nunca contratei ou demite. Conhece de vista o sr. Mauro, que atende os telefones. Eu acho que eles não sabem que sou o dono pelo contrato social. > Quem informou o sr. Joel da existência do procedimento fiscal? O sr. Bráulio ou Nelson conversaram com o sr. sobre este procedimento fiscal e as repercussões do mesmo? Quem me informou da fiscalização foi o sr. Osmar. O Bráulio e o Nelson nunca falaram nada comigo sobre esta fiscalização. > O sr. gostaria de declarar mais algum fato? Nunca gerencie a empresa, não sou dono da mesma, não tenho poder de decisão sobre os recursos que ela recebe, apenas consto como dono no contrato social. 83. Quanto a Osmar, trata-se de contador do contribuinte, atividade que desenvolve na cidade de Jaraguá do Sul e não de empresário no ramo frigorífico. Também não possui bens e seus rendimentos não ultrapassam a faixa dos R$20 mil reais nos anos anteriores e posteriores a seu ingresso na sociedade. Afirmou também não ser proprietário da Codel e confirmou que Joel Fl. 1896DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 Silva não trabalhava nessa sociedade e que a administração era realizada por Bráulio com auxilio do pai Nelson. Veja-se o depoimento (748-750): No exercício das funções de Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil e no curso da fiscalização determinada pelo MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) acima, de acordo com o disposto nos art. 904, 905, 910, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), tomamos a termo o depoimento do Sr. Osmar Eichenberg, [...] prestando as informações que se seguem. > Qual a atividade profissional que o senhor exerce? > O mesmo declarou trabalhar como contador no seu escritório. > Quais são suas fontes de renda? > Honorários de contador. > Em que empresa o senhor trabalhou no período de 2007 e 2008? > Trabalhou como contador no seu escritório. > O senhor é proprietário da empresa Codel Frigorífico Comercio Atacadista de Carnes Frios Derivados de Bovinos e Suinos? > Não sou proprietário da Codel. > Como o senhor conheceu o outro sócio da Codel? Tem conhecimento do atual endereço do mesmo? > Conheceu ele em um hotel San Sebastian onde o mesmo trabalhava há uns dez anos. Ai reencontrou ele quando o mesmo entrou como sócio na Codel. O Joel convidou o depoente para entrar na sociedade, o qual ele aceitou. Sabe que o Joel mora em Curitiba em virtude dos problemas de saúde do mesmo, desde setembro de 2010. > O senhor Joel Silva trabalhava na empresa? > Não trabalhava na empresa. > O que mais o sr. sabe sobre a pessoa de Joel da Silva? > Ele entrou na sociedade da Codel em virtude dos problemas de saúde que possuía, o mesmo não tinha renda e estava em situação muito difícil. Para entrar na sociedade ele recebia um pro-labore. > Quem exerce a administração do Frigorífico Codel? Quem o auxilia? > A administração do frigorífico Codel é realizada pelo Bráulio, com auxilio do pai Nelson. > O senhor saberia informar o valor aproximado do faturamento da empresa nos anos de 2007 e 2008? > Acredita que acima de 1 milhão por mês. > O senhor poderia me informar o nome dos principais clientes do Frigorífico Codel? > Breithaupt, Supermercado Lenzi, Supermercador Brasão e outros que não lembra. > O senhor recebeu rendimentos da empresa Codel ou de alguma forma retirou recursos das contas bancárias da empresa? > Somente recebia um salário mínimo para fazer a transmissão de dados contábeis, nformou que quem fazia a contabilidade é o sr. Udo Dano Balock mas como não tinha CRC, o depoente figura como contador nas declarações apresentadas pela empresa. > O senhor poderia me informar em que bancos a empresa possuía conta bancária? > HSBC, ltaú, Safra e Santander. > O senhor poderia informar o destino dos recursos financeiros da empresa? > Para atividade normal da empresa. > O senhor tem conhecimento das irregularidades fiscais cometidas pela empresa e respectivas conseqüências? Fl. 1897DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 > Sabe que parte do faturamento da empresa era omitido. > O sr. gostaria de declarar mais algum fato? > Tem a informação de que em nome da sogra do sr. Nelson vem sendo adquiridos diversos caminhões e bens. > Declara também que possui problemas de saúde, tendo sofrido derrames. > Declara que nunca participou da administração da empresa e nem se beneficio de qualquer recurso financeiro da empresa, exceto seus honorários de 1 salário mínimo. 84. A corroborar os fatos elencados acima a fiscalização apurou cheques assinados por Bráulio, valores recebidos pelos pais de Bráulio, operações de comercialização de gado conduzidas por Bráulio e sua família (mãe, pai, esposa, irmã), contratos bancários assinados por Bráulio e sua família, bem como contratos em que Bráulio e família figuram como garantidores. Veja-se (1671-1674): As informações recebidas que merecem destaque seguem abaixo relacionadas por banco: Banco Safra S/A: > Nas cópias de cheques apresentadas identifica-se visualmente que os mesmos foram assinados pelo sr. Braulio (fls. 1098-1110). > Recebimento de TED no valor de R$ 80 mil pela sra. Alcila (mãe do sr. Braulio) em 02/08/07 (fl. 1093). > Recebimento de TED no valor de R$ 50 mil pelo sr. Nelson (pai do sr. Braulio) em 01/08/07 (fl. 1174) > Recebimento de TED no valor de R$ 150 mil pela sra. Alcila Theilacker (mãe do sr. Braulio) em 01/08/07 (fl. 1115). > Pagamento a Manoel Inácio Lustosa Martins: Informou que o valor recebido refere-se à venda de bovinos, merecendo destaque na resposta que a pessoa de contato junto a empresa é o sr. Nelson Theilacker (fls. 1116-1120). > Pagamento a Victorio Francisco Bernardi: Informou que o valor recebido refere-se a venda de bovinos, merecendo destaque na resposta que as pessoas de contato junto a empresa eram o sr. Nelson ou Braulio (fls. 1121-1125). > Pagamento a Iracino Antonio Venturim Carlotto: Informou que o valor recebido referia-se a venda de gado ao sr. Aloir dos Anjos, o qual arrendou sua fazenda a pessoa de "Nelson de Tal" (fls. 1126-1139). > Pagamento a Marfrig Alimentos S/A: Informou como pessoa de contato junto ao Codel o sr. Braulio (fls. 1140-1152). Banco Itaú S/A: > Em análise as folhas 1191 a 1215, observamos diversas operações de transferência de recursos via sistema informatizado sendo que nas mesmas consta como CPF autorizador o da sra. Vandressa Mara Pereira Theilacker, esposa do sr. Braulio. > Recebimento de R$ 47 mil pelo sr. Geraldo Klitzke, casado com a sra. Lyana Behling Klitzke, avó materna do sr. Braulio (fl. 1190). > Pagamento a Anoar Fabris: Informou que o valor recebido referia-se a venda de gado à pessoa de Alcila Theilacker, conforme notas fiscais apresentadas pelo mesmo (fls. 1216-1225). Fl. 1898DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 > Pagamento a Ângelo Alberto Turani: Informou que o valor recebido refere-se a venda de gado e a pessoa de contato junto a empresa é o sr. "Nelson Tailak" (fl. 1156). HSBC Bank Brasil S/A: > Observamos nas cópias de cheques apresentadas que era o sr. Braulio que os assinava, sendo que diversos destes cheques eram inclusive nominais ao mesmo (fls. 1328-1333). > Também observamos um cheque assinado e sacado pela sr. Doralice Theilacker (fl. 1331). > A fim de amparar as operações de empréstimos, foram apresentados pelo banco os respectivos contratos. Merecem destaque: a) Contrato de folhas 1349 a 1354, o qual data de 06/05/2008 e possui como garantidor o sr. Braulio, sras. Doralice e Vandressa; b) Contrato de folhas 1337 a 1342, o qual data de 08/09/2008 e possui como garantidor o sr. Braulio; c) Contrato de folhas 1346 a 1348 datado de 11/02/2011, assinado e garantido pelo sr. Braulio; d) Contrato de folha 1334, assinado pela sra. Doralice em 16/11/2011. > Comércio e Indústria Breithaupt S.A: Merece destaque na resposta apresentada a informação de que o sr. Braulio era o contato junto a empresa, sendo o mesmo responsável pela "negociação". Outro detalhe que pode ser observado pela cópia das notas fiscais é que o veículo utilizado no transporte das mercadorias pertence a sra. Lyana Behling Klitzke (fls. 1361-1412). > Arlindo Huch: Informou que prestou serviços de pedreiro nas instalações do frigorífico, tendo sido contratado pelo sr. Braulio e sr. Nelson, donos da empresa (fls. 1436-1438). Banco Santander Brasil S/A: > Observamos nas cópias de cheques apresentadas que era o sr. Braulio que os assinava (fls. 1441-1444). (Grifo nosso) 85. Constam ainda dos autos reclamatórias trabalhistas referentes aos anos-calendário 2007 a 2009 contra o Frigorífico Codel as quais demonstram Bráulio Theilacker como representante da sociedade (e-fls. 1565-1576). 86. Lista de trabalhadores informados na GFIP do Frigorífico Codel demonstra que os maiores rendimentos são de Bráulio Theilacker (R$3.941,00) e de Alcila Theilacker, mãe de Bráulio (R$3.654,00). Por outro lado, Joel Silva, suposto proprietário, possui rendimentos de apenas R$1.407,00, sendo que há ainda outros quatro empregados que possuem rendimento superior ao de Joel (fls. 1577-1579). 87. Ante tais fatos, concluiu a autoridade fiscal que o “frigorífico Codel se encontra em nome do sr. Osmar e Joel, porém sua atividade econômica foi desenvolvida pela família Theilacker, basicamente pelo sr. Braulio”. 88. Enfim, a meu ver, os fatos elencados acima demonstram de forma inconteste que o Frigorífico Codel pertence à família Theilacker e o administrador de fato é Bráulio Theilacker que utilizou do artifício de interposta pessoa na tentativa de demonstrar que Joel Silva seria o administrador - o que não é verdade -, com vistas a eximir-se de responsabilidade tributária perante o Fisco. Tal conduta é suficiente para atrair a responsabilidade tributária prevista no art. Fl. 1899DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 135, III, porquanto configura-se prática de infração à lei pelo administrador de fato; bem como a prevista no art. 124, I, em razão de tratar-se de sujeito da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Irregularidades nos depoimentos dos sócios 89. O recorrente alega que os depoimentos dos sócios foram colhidos sem intimação fiscal anterior e sem a possibilidade de estarem acompanhados de seus advogados. Aduz que “é como se os sócios fossem coagidos a prestar tais esclarecimentos, [...] prejudicando desta maneira, o devido processo legal, consequentemente prejudicando futuras defesas”. Assim, pleiteia a nulidade desses depoimentos por inviabilizar o “regular exercício de defesa dos interessados”. 90. Ao tentar desacreditar os depoimentos e suscitar de forma subliminar que Joel e Osmar, supostos sócios do Frigorífico Codel, teriam sido coagidos a prestar esclarecimentos, o recorrente limita-se, novamente, a alegar e não provar. Não consta nenhuma prova dos autos que corrobore tal alegação. 91. Ademais, não há irregularidade nesses depoimentos, porquanto, de acordo com o art. 927 do Decreto 3000 (RIR/99), cuja base legal é o art. 197 do CTN, a pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, é obrigada a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelas autoridades fiscais no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante. Veja-se: Decreto 3000, de 1999 Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante. (Grifo nosso) CTN Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. (Grifo nosso) 92. A meu ver, o que deve ser desacreditado completamente, porquanto as provas dos autos demonstram o contrário, é a declaração de Bráulio Theilacker ao afirmar que “as rotinas executadas pelo Recorrente [Bráulio] em nome da CODEL FRIGORÍFICO sempre foram orientadas pelo proprietário (Sr. Joel), que mesmo estando relativamente afastado da operação empresarial, mantinha contato próximo e total controle dos negócios”. Basta verificar a procuração outorgada a Bráulio, as características de Joel Silva e seus rendimentos, sua condição financeira, e as movimentações financeiras realizadas por Bráulio e sua família em nome do Frigorífico Codel, para concluir-se que os depoimentos são verdadeiros e que a declaração de Fl. 1900DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 Bráulio não tem sustentabilidade fática. 93. Note-se, por fim, que os depoimentos de Joel e Osmar estão alinhados aos fatos apurados pela fiscalização; é dizer, as provas existentes nos autos corroboram na íntegra as informações dos depoentes. Tanto é verdade que o recorrente não apresentou nenhuma prova para infirmar o apurado, somente alegou. Nesse sentido, não há falar-se em vícios nos depoimentos, tampouco em suposta nulidade por cerceamento de direito de defesa. Multa qualificada de 150% 94. Insurge-se a recorrente contra a multa qualificada de 150%, e pleiteia sua redução para 75%, em razão de “algumas irregularidades no procedimento fiscal, que levam a nulidade de inúmeros atos, consequentemente, totalmente descabida a multa agravada que vem sendo aplicada”. 95. A despeito das várias alterações no art. 44 da Lei 9.430, de 1996, na essência, esse dispositivo sempre estabeleceu condutas objetivamente concretas para fins de aplicação da multa de 75%, quais sejam, “falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata”. 96. No tocante à multa qualificada de 150%, a redação anterior determinava a aplicação desse percentual “nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.” O novo dispositivo inserto pela Lei nº 11.488, de 2007, determina a aplicação desse percentual “nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 1964”. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1 o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 97. Embora a expressão “evidente intuito de fraude” tenha sido retirada do texto legal, sua essência permaneceu, porquanto a aplicação da multa qualificada foi remetida para as condutas típicas de sonegação, fraude e conluio, previstas na Lei nº 4502, de 1964. Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1901DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Grifo nosso) 98. Para a configuração de tais condutas exige-se sempre o dolo, elemento subjetivo do tipo. É dizer, para haver dolo não basta o agente querer o resultado, é indispensável a vontade consciente de se praticar a conduta prevista no tipo. Nesse sentido, salienta Marco Aurélio Greco 10 com apoio em Cezar Roberto Bitencourt: O dolo não se configura pela simples vontade de obter um resultado ou atingir uma finalidade. À vontade é indispensável associar a consciência de realizar a conduta descrita no tipo. Como expõe a doutrina mais moderna, o dolo corresponde ao elemento subjetivo do tipo, vale dizer, para haver dolo não se trata de querer o resultado, é indispensável que se tenha consciência e se queira a conduta definida no tipo legal. Como expõe CEZAR ROBERTO BITENCOURT: "Dolo é a consciência e a vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal, ou, na expressão de Welzel, 'dolo, em sentido técnico penal, é somente a vontade de ação orientada à realização do tipo de um delito' " Ou seja, é preciso querer a ação descrita como tipo infracional descrito na lei. (Grifo nosso) 99. Cezar Roberto Bitencourt11, por sua vez, ao discorrer sobre a consciência e a vontade, elementos imanentes ao dolo, dispõe: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constata-se que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que e o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizá-la. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, que e a vontade, que não pode existir sem aquele. Para a configuração do dolo exige-se a consciência daquilo que se pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto e, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada. A previsão, isto é, a consciência, deve abranger correta e completamente todos os elementos essenciais do tipo, sejam eles descritivos, normativos ou subjetivos. [...] A vontade, por sua vez, deve abranger a ação, o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. [...] Para Welzel, a vontade e a espinha dorsal da ação final, considerando que a finalidade baseia-se na capacidade de vontade de prever, dentro de certos limites, as consequências de sua intervenção no curso causal e de dirigi-la, por conseguinte, conforme um piano, à consecução de um fim. (Grifo nosso) 100. Na sonegação, a conduta dolosa visa impedir ou retardar o conhecimento pela 10 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. 4ª ed. São Paulo: Quartier Latin, 2019, p. 278. 11 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal, 2, parte especial, dos crimes contra pessoa. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 34. Fl. 1902DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou das condições pessoais de contribuinte que possam afetar o crédito tributário. Nessa hipótese o fato gerador já ocorreu; a conduta é no sentido de encontrar meios para ocultá-lo do Fisco. 101. A sonegação é figura típica de caráter criminal, tal qual prevista no art. 1º da Lei 4.729, de 1965, e que foi englobada – derrogada tacitamente – pelo conceito de crime contra a ordem tributária previsto na Lei nº 8.137, de 1990. A confirmar o caráter criminal da sonegação, verifica-se que a aplicação da multa de 150% deve ser aplicada “independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”, conforme previsto tanto na redação atual do §1º do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, quanto nas redações anteriores. 102. Como observa Leandro Paulsen12, a sonegação, além de ensejar o lançamento do tributo com multa de ofício qualificada, implica responsabilização penal: A diferença entre o simples inadimplemento de tributo e a sonegação, é o emprego de fraude. O inadimplemento constitui infração administrativa que não constitui crime e que tem por consequência a cobrança do tributo acrescida de multa e de juros, via execução fiscal. A sonegação, por sua vez, dá ensejo não apenas ao lançamento do tributo e de multa de ofício qualificada, como implica responsabilização penal. (Grifo nosso) 103. Na fraude, a conduta dolosa visa, na primeira parte do tipo, impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Nessa hipótese, o fato gerador está prestes a ocorrer, mas a conduta impede ou retarda sua ocorrência. 104. A fraude contempla ainda, na segunda parte do tipo, conduta dolosa que visa excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador. Nesse caso, o fato gerador já ocorreu, afinal, exclui-se ou modifica-se algo que já existe. O objetivo é alterar características essenciais do fato gerador, com vistas a evitar, reduzir ou diferir o pagamento do tributo. 105. Em relação ao conluio, para sua caracterização basta haver o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas visando qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude. É dizer, para que haja conluio faz-se necessário a ocorrência da fraude ou sonegação. 106. Portanto, para aplicação da multa qualificada de 150% exige-se conduta caracterizada por sonegação ou fraude, a qual exige a presença de elemento adicional que a qualifique como evidente intuito de fraudar o Fisco. Tal conduta deve ser provada, e não presumida, por meio de elementos caracterizadores como documentos inidôneos, interposição de pessoas, declarações falsas, dentre outros. Além disso, a conduta deve estar descrita no Termo de Verificação Fiscal ou auto de infração, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa 13 . 107. O Carf tem se posicionado na linha do racional exposto acima, inclusive com a edição de súmulas no sentido de que para fins de qualificação da multa não basta a simples 12 PAULSEN, Leadro. Crimes federais. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018, p. 361. 13 Cf. Ag.Reg.RE 608.426. DJe 21.10.2011: “Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicam-se plenamente à constituição do crédito tributário em detrimento de qualquer categoria de sujeito passivo, irrelevante sua nomenclatura legal (contribuintes, responsáveis, substitutos, devedores solidários etc.). [...]". Fl. 1903DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 omissão de receita ou rendimentos, faz-se necessário a comprovação de uma conduta qualificada por evidente intuito de fraude. A propósito, veja-se a inteligência das Súmulas Carf nº 14, 25 e 34: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94258, de 01/07/2003 Acórdão nº 101-94351, de 10/09/2003 Acórdão nº 104-19384, de 11/06/2003 Acórdão nº 104-19806, de 18/02/2004 Acórdão nº 104-19855, de 17/03/2004 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de14/07/2010) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº CSRF/04-00.883, de 27/05/2008 Acórdão nº CSRF/04-00.762, de 03/03/2008 Acórdão nº 104-23659, de 17/12/2008 Acórdão nº 104-23697, de 04/02/2009 Acórdão nº 3402-00.145, de 02/06/2009 Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de14/07/2010) (Grifos nossos) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 106-17001, de 06/08/2008 Acórdão nº 103-23507, de 26/06/2008 Acórdão nº 104-23212, de 28/05/2008 Acórdão nº 106-16708, de 22/01/2008 Acórdão nº 107-09027, de 23/05/2007 Acórdão nº 108-09286, de 25/04/2007 Acórdão nº 195-00008, de 15/09/2008 Acórdão nº CSRF/01-05820, de 14/04/2008 108. No caso em análise, a autoridade fiscal qualificou a multa em razão dos seguintes motivos: O evidente intuito de fraude no caso em questão é inquestionável, sendo que os inúmeros fatos anteriormente descritos o comprovam de forma inequívoca. Resumidamente destacamos: - Apresentação das DIPJ com omissão do faturamento declarado a Receita Estadual e/ou constante dos livros de apuração do ICMS, declaração falsa apresentada na tentativa de evitar o conhecimento dos fatores geradores dos tributos aqui lançados. - Utilização de interpostas pessoas ("laranjas") como sócios da empresa. - Adoção de inúmeros procedimentos a fim de evitar a identificação dos reais proprietários (durante o funcionamento da empresa e da fiscalização). - Transferência de todos os recursos advindos da atividade da empresa, deixando a mesma sem qualquer bem ou direito que pudesse ser utilizado no pagamento dos tributos devidos. Em síntese: desde a substituição dos sócios em 2007 até o presente momento, a administração do fiscalizado foi desenvolvida com o fim de evitar o recolhimento dos tributos devidos, tanto pela tentativa de evitar o conhecimento pelas autoridades fazendárias dos fatos geradores e dos elementos constitutivos do crédito tributário, quanto pela tentativa de evitar a possível execução do mesmo. Deste modo os tributos aqui apurados se sujeitam a qualificação da multa, sendo aplicado o percentual de 150%. Fl. 1904DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1201-005.888 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.720393/2012-95 109. A meu ver, o fato de o contribuinte utilizar artifícios de interposição de pessoas para evitar a identificação dos reais proprietários e do administrador revela a conduta dolosa com objetivo de impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou das condições pessoais de contribuinte que afetam o crédito tributário apurado. 110. Nestes termos, correta a aplicação da multa qualificada de 150%. CSLL, Cofins e Pis – reflexos 111. O valor apurado como omissão de receita deve ser considerado como base de cálculo para lançamento do Pis e da Cofins em razão de se tratar de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos e elementos de prova que ensejaram o lançamento do IRPJ. 112. Quanto à CSLL, o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, estabelece aplicar-se a essa contribuição as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, veja-se: Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (Grifo nosso) 113. Nesse sentido, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Conclusão 114. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Fl. 1905DF CARF MF Original

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Numero do processo: 13896.905896/2018-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3302-002.450
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à unidade de origem para: (i) apurar os reflexos sobre o presente caso da decisão definitiva a ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora, elaborando parecer conclusivo; (ii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.419, de 25 de abril de 2023, prolatada no julgamento do processo 13896.905862/2018-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Walker Araujo, Fabio Martins de Oliveira, Jose Renato Pereira de Deus, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Mariel Orsi Gameiro, Denise Madalena Green, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO

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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à unidade de origem para: (i) apurar os reflexos sobre o presente caso da decisão definitiva a ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora, elaborando parecer conclusivo; (ii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.419, de 25 de abril de 2023, prolatada no julgamento do processo 13896.905862/2018-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Walker Araujo, Fabio Martins de Oliveira, Jose Renato Pereira de Deus, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Mariel Orsi Gameiro, Denise Madalena Green, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter integralmente o Despacho Decisório atacado, cujas razões de fato e direito constam da referida peça recursal. É o relatório. Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 05 89 6/ 20 18 -6 7 Fl. 389DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3302-002.450 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13896.905896/2018-67 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto em lei. Passa-se, assim, na sua análise. Conforme se verifica dos autos, constasse que a DRJ condicionou o insucesso da Recorrente ao resultado do julgamento proferido nos autos onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora e onde foi realizado a reconstituição da escrita fiscal. Como se vê, a decisão definitiva à ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora e onde foi realizado a reconstituição da escrita fiscal, por envolver períodos e matérias idênticas, caso seja parcial ou totalmente favorável ao contribuinte, validará parcial ou totalmente o crédito por ele apurado e modificará o despacho que não homologou os pedidos de compensação. Neste cenário, verifica-se que a decisão à ser proferida no processo administrativo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora e onde foi realizado a reconstituição da escrita fiscal, repercutirá nestes autos, sendo, necessário determinar o sobrestamento do presente feito para: (i) aguardar a decisão definitiva daquela processo; (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva a ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora e onde foi realizado a reconstituição da escrita fiscal com o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iv) retornar os autos ao CARF para julgamento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º , 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de determinar o retorno dos autos à unidade de origem para: (i) apurar os reflexos sobre o presente caso da decisão definitiva a ser proferida no processo onde consta o Despacho Decisório de Não Homologação da Declaração Retificadora, elaborando parecer conclusivo; (ii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente Redator Fl. 390DF CARF MF Original

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4620856 #
Numero do processo: 16004.000440/2007-41
Turma: Oitava Turma Especial
Câmara: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -IRPJ Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS -Provado que os valores creditados na conta de depósito pertencem a pessoa jurídica, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação a mesma, na condição de efetivo titular da conta de depósito. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44 da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude. O evidente intuito de fraude foi minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 198-00.051
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro João Francisco Bianco votou pelas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR

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Numero do processo: 10508.720349/2014-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 15 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 DEDUTIBILIDADE DE PROVISÕES. Para efeito de apuração do lucro real, são vedadas as deduções de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2010 DEDUTIBILIDADE DE PROVISÕES. Para efeito de apuração da Base de Cálculo da CSLL, são vedadas as deduções de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável.
Numero da decisão: 1001-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Sidnei de Sousa Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira.
Nome do relator: SIDNEI DE SOUSA PEREIRA

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 DEDUTIBILIDADE DE PROVISÕES. Para efeito de apuração do lucro real, são vedadas as deduções de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2010 DEDUTIBILIDADE DE PROVISÕES. Para efeito de apuração da Base de Cálculo da CSLL, são vedadas as deduções de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável.

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 DEDUTIBILIDADE DE PROVISÕES. Para efeito de apuração do lucro real, são vedadas as deduções de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2010 DEDUTIBILIDADE DE PROVISÕES. 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(documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Sidnei de Sousa Pereira - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 03 49 /2 01 4- 18 Fl. 745DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.978 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10508.720349/2014-18 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (RV) contra acórdão da DRJ que julgou improcedente Impugnação contra autos de infração, relativos a IRPJ e CSLL, para fins de redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. Da Ação Fiscal A ação fiscal abrangeu o ano-calendário 2010, e foi iniciada em 5/2/2013. Do relatório do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, importa registrar o seguinte:  A então fiscalizada entregou a DIPJ/2011, ano-calendário 2010, zerada, bem como quase todas as DCTF, havendo somente confissão de débitos de estimativas do IRPJ/Lucro Real para os meses de novembro e dezembro, no total de R$ 30,00;  Conforme base de dados da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (SEFAZ/BA), o montante declarado como vendas de mercadorias foi de R$ 20.621.751,98;  Da análise das demonstrações de resultado verificou-se que a quase totalidade dos custos está na rubrica “Custo de Mercadorias Vendidas” (CMV), equivalente a 97,86% do faturamento;  A contribuinte afirmou que a empresa M.E. COMÉRCIO DE CACAU LTDA. pertence ao grupo econômico EDCAU e que todas as vendas foram para a empresa controladora do grupo EDCAU COMÉRCIO DE CACAU LTDA., o qual, por sua vez, revende para as indústrias;  Não faz sentido a empresa repassar a mercadoria para a EDCAU por um preço muito superior ao de compra, uma vez que revende para o próprio grupo;  Na conta 3.2.1.04.011 – Despesas Financeiras Operacionais”, foi identificado, ao final do ano-calendário, saldo devedor de R$ 400.000,00. Nesta conta é feito o lançamento a débito com o histórico "PRODUTORES A ORDEM", com contrapartida a conta de passivo circulante "2.1.1.01.003 - PRODUTORES A ORDEM" no último dia de cada mês. No primeiro dia do mês seguinte, é sempre feito o estorno destes lançamentos nos mesmos valores;  O contribuinte afirma que os lançamentos na conta 3.2.1.04.011 são feitos em virtude da variação diária do preço do cacau, cotado internacionalmente. Fl. 746DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.978 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10508.720349/2014-18 Explica que o produtor muitas vezes entrega sua produção ao atacadista, mas não a vende de imediato, esperando um preço melhor. Assim a empresa adianta o recurso ao produtor, mas como a venda não foi fechada, o valor adiantado não é definitivo. Essa variação pode gerar um aumento das obrigações com os fornecedores. Esses fatos são registrados nessas contas. Diz ainda que pela variação diária dos preços do cacau, esse reconhecimento é feito apenas no final do mês e estornado no mês seguinte. Enquanto a venda não é realizada e não se emite a devida nota fiscal de entrada, a empresa precisa reconhecer essa obrigação a pagar ao produtor rural. Faz-se então, mensalmente, a PROVISÃO desses valores nas duas contas mencionadas;  A conta de despesa 3.2.1.04.011 – DESPESAS FINANCEIRAS OPERACIONAIS terminou o ano calendário com saldo devedor de R$ 400.000,00, diminuindo o LUCRO LÍQUIDO apurado pela empresa. Apesar de estar colocada na contabilidade como uma provisão, não se trata de provisão para créditos de liquidação duvidosa, pois temos justamente o contrário. Como a mercadoria foi entregue à empresa anteriormente, o que pode ocorrer é um aumento ou diminuição do valor a pagar;  No LALUR e na DIPJ 2011 entregue pelo contribuinte (docs. 15 e 22), não foi adicionado, quando da apuração do lucro real, o saldo devedor remanescente de R$ 400.000,000. Entendemos que a adição deveria ter sido feita, pois não há base legal na legislação do imposto de renda para considerar dedutível esta provisão;  Na DRE foi apurado um prejuízo líquido de R$ 415.919,68 para o exercício. Na DIPJ e no LALUR apresentados não encontramos a adição dos valores da provisão mencionada anteriormente, que foi considerada não dedutível na apuração do Lucro Real, mantendo esse mesmo valor como prejuízo fiscal. Deve-se assim lavrar o auto de infração de redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$ 400.000,00, ano calendário de 2010;  A Contribuinte utilizava a estrutura da EDCAU COMÉRCIO DE CACAU LTDA para o pleno funcionamento da empresa. Os documentos fornecidos pela JUCEB/BA demonstram que a empresa foi aberta na forma de empresa individual tendo como responsável a Sra. Maria Madalena Santos de Oliveira, mãe do Sr. Edílson Santos de Oliveira, proprietários também da EDCAU COMÉRCIO DE CACAU (doc. 08);  Durante todo o período o Sr. Edílson atuou como procurador da empresa por meio de procuração, demonstrando ser o real negociador. Em 10/04/2013 foi feita a alteração contratual na junta comercial transformando a empresa individual em ME e incluindo o Sr. Edílson como sócio, confirmando assim a vinculação gerencial e de sócios entre as duas empresas (doc. 09);  Na análise das autorizações de pagamentos apresentadas pela empresa, constata-se que as folhas do talão mencionam EDCAU COMPRAS DE CACAU, colocando abaixo o endereço da empresa nas localidades de Fl. 747DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.978 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10508.720349/2014-18 Ubaitaba, Travessão, Itapitanga, Ipiaú, Itagí e Itajuipe. Nas primeiras quatro localidades a empresa atua por meio da EDCAU COMÉRCIO de CACAU. Já nas duas últimas, por meio da empresa M. E. COMÉRCIO de CACAU (doc. 29);  Pesquisando ainda no sítio da empresa EDCAU na internet, endereço www.edcau.com, encontramos no menu “PERFIL GLOBAL” da empresa, a indicação dos escritórios da empresa na Bahia. Na lista constam os endereços da matriz e filial da M E COMPRA DE CACAU, reforçando a ideia de grupo econômico (doc. 30);  Não há dúvidas da formação do grupo econômico EDCAU, abrangendo as empresas EDCAU COMÉRCIO DE CACAU LTDA. e a empresa M E COMPRA DE CACAU LTDA., demonstrando de maneira inequívoca o interesse comum nas atividades comerciais. Da Impugnação A contribuinte e a responsável solidária foram cientificadas dos autos de infração, tendo apenas a contribuinte apresentado Impugnação conjunta, alegando, em síntese: [...] CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Almejando o pleno esclarecimento do equivocado Auto de Infração, Processos: 10508- 720.347/2014-29, 10508-720.349/2014-18 e 10508.720.350/2014-42 (anexos 01 a 31), lavrado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (RFB) Marcelo Sancho Mattos, o contraditório posto a seguir será desenvolvido em três vertentes, conforme o número de processos. O intuito é a melhor identificação e apreciação por esta eminente Delegacia de Julgamento. Seguem desdobramentos: • Quanto ao IRPJ e CSLL, 2010 – Processo 10508-720.349/2014- 18. 1. Confirmação de inexistência do débito tributário pelo Auditor. [...] QUANTO AO IRPJ E CSLL, 2010 – PROCESSO 10508-720.349/2014-18 In limine, o contribuinte ressalta a discordância com a desconsideração do Auditor em relação às Provisões de Cacau a Ordem, inerente ao produto por tratar-se de uma commodity agrícola, escriturada no ano de 2010. A necessidade desse reconhecimento é devido à variação de preço no mercado internacional, tratado pela RFB como “preço de transferências”. Ressalta-se nesse contexto, como embasamento, a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e a Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012. No entanto, destaca-se que, mesmo com essa perda operacional glosada, o Auditor considerou que não há débitos tributários do contribuinte no ano-calendário 2010 para os seguintes tributos: IRPJ e CSLL. Fl. 748DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.978 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10508.720349/2014-18 Uma vez que, mesmo após a anulação dessa perda o Auditor percebeu-se um prejuízo no final do exercício de 2010 que montou o valor de R$ 15.919,68 (quinze mil novecentos e dezenove reais e sessenta e oito centavos) (anexo 10). [...] O contribuinte M E COMERCIO DE CACAU LTDA, CNPJ nº 08.730.791/0001-17, poderá consubstanciar, após o julgamento, outros esclarecimentos que se fizerem necessário ao bom direito, bem como seu sócio, o Sr. Edilson Santos de Oliveira, CPF: 578.147.835-34. Do Acórdão da DRJ Em Sessão de 11/7/2016, a DRJ julgou improcedente a Impugnação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2011 DEDUTIBILIDADE DE PROVISÕES. Na determinação do lucro real somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2011 CSLL. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda. Do voto condutor do acórdão, importa transcrever os excertos abaixo: [...] A interessada não impugna especificamente a responsabilização solidária, até admite haver uma razoabilidade mínima nessa imputação, mas entende que, uma vez estabelecida, deveria ser aplicada de modo coerente, seja para efeito de suspensão das contribuições, seja para fins de aproveitamento do crédito presumido. Essas questões são irrelevantes na solução da presente lide, que trata de lançamento que reduziu o prejuízo fiscal e a base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro. [...] DEDUÇÃO INDEVIDA DE PROVISÕES A Auditoria-Fiscal procedeu à glosa de despesa cujo saldo constava da contabilidade sob a classificação e título “3.2.1.04.011 – Despesas Financeiras Operacionais”, no valor de R$ 400.000,00, contabilizada para reconhecer a variação do preço do cacau, considerado seu valor de comercialização e câmbio vigente. Como bem foi esclarecido no relatório fiscal, fls. 492, tal valor não constitui uma despesa ou provisão dedutível, nos termos do art. 3°, do Decreto-Lei n° 1.730, de 1979; art. 13, inc. I, da Lei 9.249, de 1995 e art. 335 do RIR/99 (Decreto n° 3.000, de 1999). A legislação do imposto de renda somente admite a constituição, como custo ou despesa operacional, das seguintes provisões: a) provisões constituídas para o pagamento de férias de empregados; b) provisões para o pagamento de décimo-terceiro salário; c) provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, das entidades de previdência privada, e das operadoras de planos de assistência à saúde, cuja constituição é exigida em lei especial a elas aplicável; e d) provisões para perdas de estoques, de que Fl. 749DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.978 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10508.720349/2014-18 tratam os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.753, de 2003, com a redação do art. 85 da Lei nº 10.833, de 2003. [...] A menção a preços de transferência é imprópria, pois nada tem a ver com o caso que aqui se analisa, como se depreende do conceito dessa expressão, conforme a publicação da Receita Federal: O termo “preço de transferência” tem sido utilizado para identificar os controles a que estão sujeitas as operações comerciais ou financeiras realizadas entre partes relacionadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, ou quando uma das partes está sediada em paraíso fiscal. Em razão das circunstâncias peculiares existentes nas operações realizadas entre essas pessoas, o preço praticado nessas operações pode ser artificialmente estipulado e, consequentemente, divergir do preço de mercado negociado por empresas independentes, em condições análogas, preço com base no princípio arm’s length. (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2009/CapituloXIXIRPJCS LLOperações Internacionais2009.pdf) Em suma, o conceito de preços de transferência aplica-se a uma situação completamente oposta a que ocorre no mercado de commodities entre partes não relacionadas, como é o caso do mercado internacional de cacau. No restante, a inconformidade da interessada é contra a aplicação da lei, cuja observância é precisamente o fim maior da Administração, notadamente a Tributária e, no que toca à presente lide, a ter sua aplicação mantida na presente instância administrativa. Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda. [...] Do Recurso Voluntário A contribuinte foi cientificada do acórdão da DRJ em 26/10/2016. Em 18/11/2016, apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual alega: [...] A presente acusação fiscal deriva da glosa de despesa financeira operacional, contabilizadas pela Recorrente para reconhecer a variação do preço do cacau em face da flutuação do câmbio no preço de sua aquisição e comercialização. [...] A decisão ora recorrida trilhou no sentido de que o valor contabilizado não se sustenta sob a rubrica de despesa ou até mesmo provisão dedutível, porquanto ao compasso da legislação de piso no que tange a constituição de despesa operacional, elenca rol exaustivo a seguir delineado: a) Provisões constituídas para o pagamento de férias a empregados b) Provisões para o pagamento de décimo terceiro salario c) Provisão técnica das companhias de seguro e de capitalização d) Provisão para perdas de estoque Fl. 750DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.978 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10508.720349/2014-18 Neste particular a Recorrente reitera todos os termos esposados na peça de defesa como se aqui transcritos fossem, realçando que a variação dos preços internacionais na aquisição do cacau e sua comercialização pode resultar em perda dedutível por se enquadrar na rubrica de Despesa Financeira Operacional. No entanto vale por em relevo que mesmo anulada esta perda, verificou-se prejuízo no final do exercício fiscalizado (2010), razão pela qual a matéria ficou superada, pelo fato de haver débito tributário para a Recorrente a título de IRPJ. Configurando-se esta situação igual destino corre para a CSLL, devendo ser adotado os mesmos critérios para a decisão exarada para o IRPJ. Neste giro, não havendo interesse objetivo a justificar a continuidade do procedimento instaurado no Auto de Infração, fica requerido seja por fim determinado o cancelamento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ e CSSL que trata o presente Processo Administrativo, extinguindo-se o lançamento em epigrafe. É o relatório. Voto Conselheiro Sidnei de Sousa Pereira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. A controvérsia orbita em torno de despesa registrada na conta 3.2.1.04.011 – Despesas Financeiras Operacionais”, ao final do ano-calendário de 2010, com saldo devedor de R$ 400.000,00. A recorrente informa que nesta conta é feito o lançamento a débito com o histórico "PRODUTORES A ORDEM", como provisão, com contrapartida da conta de passivo circulante "2.1.1.01.003 - PRODUTORES A ORDEM", no último dia de cada mês, em virtude da variação diária do preço do cacau, cotado internacionalmente. Explica que o produtor muitas vezes entrega sua produção ao atacadista, mas não a vende de imediato, esperando um preço melhor. Assim a empresa adianta o recurso ao produtor, mas como a venda não foi fechada, o valor adiantado não é definitivo. A Autoridade Fiscal concluiu que a despesa de R$ 400.000,00, registrada na conta 3.2.1.04.011 – Despesas Financeiras Operacionais, denominada pela recorrente como “provisão”, não é dedutível à luz da legislação tributária, e lavrou auto de infração de redução de prejuízo fiscal e da base de cálculo da CSLL. A contribuinte impugnou os lançamentos e a DRJ manteve a exigência do crédito tributário, sob o fundamento de que somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas em lei (art. 3°, do Decreto-Lei n° 1.730, de 1979; art. 13, inc. I, da Lei 9.249, de 1995 e art. 335 do RIR/99). Fl. 751DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-002.978 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10508.720349/2014-18 Em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte reitera os argumentos da impugnação e insiste na dedutibilidade da despesa de R$ 400.000,00, registrada na conta 3.2.1.04.011 – Despesas Financeiras Operacionais, destacando que (i) a variação dos preços internacionais na aquisição do cacau e sua comercialização pode resultar em perda dedutível por se enquadrar na rubrica de Despesa Financeira Operacional, e (ii) que mesmo mantida a indedutibilidade dessa perda verifica-se prejuízo fiscal ao final do período de apuração, ano- calendário 2010. São dedutíveis os gastos não computados nos custos, mas necessários às transações ou operações da empresa, e que, além disso, sejam usuais e normais na atividade por esta desenvolvida, ou à manutenção de sua fonte produtiva, e ainda estejam intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (art. 299 do RIR/99). Nos casos em que o contribuinte se deparar com a falta de legislação que mencione, com exatidão, a dedução de uma possível despesa, logo deverá se voltar ao disposto no art. 299 do RIR/99 (art. 311 do RIR/2018). Se a operação analisada se enquadrar no referido conceito, poderá ser considerada como dedutível. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. As despesas computadas no lucro líquido, e consideradas indedutíveis pela lei fiscal, deverão ser adicionadas para fins de apuração do lucro real do respectivo período de apuração. No caso em apreço, a despesa registrada pela recorrente não se enquadra no conceito de despesa operacional, e, por isso, são despesas desnecessárias, consideradas pela legislação fiscal como sendo mera liberalidade da empresa e, como tal, não podem afetar o lucro tributável. Tampouco tais despesas caracterizam-se como provisão dedutível, uma vez que não constam do rol exaustivo das provisões excetuadas na legislação do imposto de renda. No tocante às provisões, assim dispõe o art. 13 da Lei 9.249, de 1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I - de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; O art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, referido no caput do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, tem a seguinte dicção: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. Fl. 752DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-002.978 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10508.720349/2014-18 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Conforme o disposto no art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda: Art. 57. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sidnei de Sousa Pereira Fl. 753DF CARF MF Original

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Numero do processo: 11080.737728/2018-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2018 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. STF. DECISÃO DEFINITIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. No julgamento de recursos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é obrigatória a reprodução da decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo do Recurso Extraordinário n° 796.939, que seguiu a sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015, cuja tese firmada foi pela inconstitucionalidade da multa isolada decorrente de compensação não homologada, desfecho igualmente observado em decisão definitiva plenária dada pela Suprema Corte em sede da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 4.905.
Numero da decisão: 1001-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sidnei de Sousa Pereira e Fernando Beltcher da Silva.
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2018 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. STF. DECISÃO DEFINITIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. No julgamento de recursos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é obrigatória a reprodução da decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo do Recurso Extraordinário n° 796.939, que seguiu a sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015, cuja tese firmada foi pela inconstitucionalidade da multa isolada decorrente de compensação não homologada, desfecho igualmente observado em decisão definitiva plenária dada pela Suprema Corte em sede da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 4.905. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sidnei de Sousa Pereira e Fernando Beltcher da Silva. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário do contribuinte em face do Acórdão n° 14- 99.654, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, a qual julgou a impugnação da ora Recorrente improcedente, mantendo a exigência de ofício da multa isolada de que trata o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em sede do recurso em apreço, a Recorrente reitera os argumentos lançados na impugnação, quais sejam: a impossibilidade da aplicação da multa em data anterior ao início da vigência da Medida Provisória n° 656, de 7 de outubro de 2014, cujo art. 2º alterou a redação do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 77 28 /2 01 8- 00 Fl. 332DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.952 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.737728/2018-00 dispositivo legal referido no parágrafo anterior, deslocando a base de incidência da multa isolada para o débito objeto de declaração de compensação não homologada; que a exigibilidade da multa isolada deve ser suspensa, haja vista o ajuizamento, com depósito do montante integral, de ação anulatória dos débitos tidos por a descoberto no processo administrativo n° 13603.900945/2015-71; e a inconstitucionalidade da penalidade. Anota, adicionalmente, que tramita no Supremo Tribunal Federal, sob o rito de repercussão geral, o Recurso Extraordinário n° 796939, no qual se discute a constitucionalidade da multa isolada em questão. Requer, pelas razões despendidas, que seja cancelado o lançamento da multa isolada ou, subsidiariamente, que a exigibilidade seja suspensa, tendo em vista a tramitação da Ação Anulatória de nº 0068550-69.2016.4.01.3800, com depósito do montante integral. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Fernando Beltcher da Silva, Relator. O Recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele conheço. O Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento do RE n° 796939, firmando a seguinte tese: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. O julgamento do RE em questão se deu na sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), sendo, assim, de reprodução obrigatória pelos conselheiros em suas decisões (§ 2º do art. 62 do Anexo II da Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Concomitantemente, a Suprema Corte concluiu o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 4.905, declarando igualmente a multa em testada inconstitucional, nos termos do dispositivo a seguir colacionado: O Tribunal, por maioria, conheceu parcialmente da presente ação direta, tendo em vista a revogação parcial de disposição impugnada, e, na parte conhecida, julgou procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei 12.249, de 11 de junho de 2010, alterado pela Lei 13.097, de 19 de janeiro de 2015, e, por arrastamento, a inconstitucionalidade do inciso I do § 1º do art. 74 da Instrução Normativa RFB 2.055/2021. Então, nos termos do art. 62, § 1º, inciso I, do Anexo II do Ricarf, cumulativamente se afasta a aplicação do dispositivo legal declarado inconstitucional em decisão definitiva plenária do STF em sede da ADI 4.905. Fl. 333DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.952 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.737728/2018-00 Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a exigência. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Fl. 334DF CARF MF Original

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Numero do processo: 37383.000179/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1996 a 30/11/1999 Ementa: INTIMAÇÃO. REGULARIDADE. ORDEM DE PREFERÊNCIA. VIA POSTAL OU PESSOAL. INEXISTÊNCIA. Conforme previsto nas Portarias MPS n ° 357/2002 e 520/2004, que regulamentavam o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, não existia uma ordem de preferência entre as intimações pessoais e por via postal com aviso de recebimento. No mesmo sentido dispõe o art. 23, § 3º do Decreto n° 70.235/1972, sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS. Não há exigência no processo administrativo tributário que o aviso de recebimento seja assinado pelo representante da pessoa jurídica. A necessidade é de que a intimação seja corretamente endereçada ao destinatário. DILAÇÃO DE PRAZO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Os prazos no processo administrativo são peremptórios, não podendo ser alterado pelas partes, tampouco a administração pode alterá-los para um determinado contribuinte. Assim, independentemente da quantidade de autuações lavradas, tal quantidade não tem o condão de alterar o prazo para apresentação de defesa administrativa. A prova documental tem que ser colacionada no prazo disponível para defesa. O prazo para apresentação de impugnação é ex lege, e justamente para não ferir o princípio da isonomia deve ser observado em qualquer caso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ENQUADRAMENTO DE SEGURADOS COMO EMPREGADOS. O órgão previdenciário possui a competência de realizar o enquadramento como segurado empregado para fins de recolhimento das correspondentes contribuições.Comprovados os elementos de subordinação, pessoalidade, não-eventualidade, onerosidade.
Numero da decisão: 2302-001.437
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, não houve divergência.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     2 ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO  I, DO CTN.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  sumulado,  Súmula  Vinculante  de  n  º  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.  Não  tendo  havido  pagamento  antecipado  sobre  as  rubricas  lançadas  pela  fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.  Encontram­se  atingidos  pela  fluência  do  prazo  decadencial  parte  dos  fatos  geradores apurados pela fiscalização.   ENQUADRAMENTO DE SEGURADOS COMO EMPREGADOS.   O  órgão  previdenciário  possui  a  competência  de  realizar  o  enquadramento  como  segurado  empregado  para  fins  de  recolhimento  das  correspondentes  contribuições.Comprovados  os  elementos  de  subordinação,  pessoalidade,  não­eventualidade, onerosidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  por  maioria  de  votos  conceder  provimento  parcial  quanto  à  preliminar  de  decadência,  nos  termos  do  voto  do  relator.  O  Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo  150, § 4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, não houve divergência.    Marco André Ramos Vieira ­ Presidente e Relator    Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Marco André Ramos  Vieira  (Presidente),  Liege  Lacroix  Thomasi,  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Wilson  Antônio  de  Souza Correa, Adriana Sato.  Fl. 753DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37383.000179/2005­71  Acórdão n.º 2302­01.437  S2­C3T2  Fl. 733          3   Relatório  A  presente  NFLD  tem  por  objeto  as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados e da empresa, referente ao período  compreendido  entre  as  competências  julho  de  1996  a  novembro  de  1999. De  acordo  com  a  fiscalização,  os  segurados  empregados  foram  indevidamente  contratados  como  pessoas  jurídicas pela notificada, conforme fls. 92 a 112.  Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 214 a 231.   Foi  exarada  a  Decisão­Notificação,  que  confirmou  a  procedência  do  lançamento, fls. 524 a 533.   Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso, conforme fls. 541 a 566. Em síntese o recorrente alega o seguinte:  a) Foi nula a intimação para impugnação;  b) Deve ser conferida oportunidade para juntada de novos documentos;  c) O crédito já foi atingido pela decadência;  d) São válidos os contratos celebrados pela recorrente;  e) Não  há  vínculo  empregatício;  não  há  pessoalidade,  nem  subordinação  jurídica;  f) Deve ser verificado o limite máximo do salário­de­contribuição;  g) A aferição foi irregular;  h) Requer a improcedência do lançamento.  Contrarrazões  apresentadas  pelo  órgão  previdenciário  às  fls.  644  a  647,  pugnando pela manutenção da decisão recorrida.  Decisão  proferida  pela  2ª Câmara  de  Julgamento  do CRPS,  fls.  649  a 650,  converteu o julgamento em diligência para informar a situação das notificações fiscais conexas.  Foram  prestados  os  esclarecimentos  à  fl.  702,  informando  que  as  NFLD  conexas já se encontram em Dívida Ativa.  Nova  decisão  proferida  pela  2ª  CaJ  do  CRPS,  fls.  703  a  705,  converteu  o  julgamento em diligência a fim de que a Receita Previdenciária informasse se os segurados já  tiveram  recolhimentos  acima  do  limite  máximo  do  salário­de­contribuição.  A  fiscalização  previdenciária  prestou  esclarecimentos  conforme  fls.  709  e  710,  sugerindo  a  retificação  do  lançamento.  Fl. 754DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     4 Uma vez que foram juntadas novas informações aos autos fez­se necessária a  concessão do direito de vistas à parte contrária (resolução às fls. 716 a 718) , ainda mais pelo  fato de já ter havido o julgamento pela 2ª Câmara do CRPS. Assim, em obediência ao princípio  do  contraditório,  foi  concedido  prazo  normativo  para manifestação  do  recorrente  acerca  das  informações às fls. 709 e 719, bem como do acórdão anterior.  A recorrente manifestou­se às fls. 725 a 728.  É o relato suficiente.  Fl. 755DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37383.000179/2005­71  Acórdão n.º 2302­01.437  S2­C3T2  Fl. 734          5   Voto             Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente.  Pressuposto  de  admissibilidade  superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito.  DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO:  Quanto  à questão  preliminar  suscitada  pela  recorrente,  na  peça  recursal,  de  que o lançamento já fora atingido pela decadência, razão lhe confiro em parte.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  sumulado,  Súmula  Vinculante  de  n  º  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu  a  inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras:  Súmula  Vinculante  nº  8“São  inconstitucionais  os  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da  Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.  Conforme previsto no art. 103­A da Constituição Federal a Súmula de n º 8  vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá­la.  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há  que serem observadas as regras previstas no CTN.   No presente caso  trata­se de  tributo  sujeito a  lançamento por homologação,  cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago,  nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a  aplicabilidade do  art.  173,  inciso  I  do CTN, para  efeitos da  contagem do prazo decadencial.  Mesmo porquê para  aplicação do  art.  150, parágrafo 4º ou 173,  inciso  I  do CTN, há que  se  analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer  determinada parcela como incidente, a mesma somente conseguiria ser apurada em uma ação  fiscal. A  obrigação  não  restou  adimplida,  no  que  concerne  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  período de julho de 1996 a novembro de 1999. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo  em 12 de janeiro de 2004, conforme informação à fl. 525.  Caso  o  sujeito  passivo  não  antecipe  o  pagamento,  porque  entende  que  o  tributo  não  é  devido,  obviamente  não  haverá  crédito  a  ser  extinto  por  homologação.  Os  Fl. 756DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     6 recolhimentos  efetuados  por  uma  pessoa  jurídica  (determinado  CNPJ),  não  pode  ser  aproveitado para outra pessoa jurídica (CNPJ distinto)  Seguindo a  interpretação da 1a Seção do STJ  (Recurso Especial  n 973.733,  cuja  ementa  foi  publicada no DJe  de 18/09/2009)  conta­se do  "do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  (artigo  173,  I,  do CTN),  o  prazo  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  quando,  a  despeito  da  previsão  legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou  simulação do contribuinte.   Pelo  exposto  encontram­se  atingidos  pela  fluência  do  prazo  decadencial  os  fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de  1998, inclusive esta, bem como o décimo terceiro desse ano. A competência dezembro de 1998  não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de  janeiro  de  1999;  assim  o  prazo  de  decadência,  para  tal  competência,  possui  como  termo  de  início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2000, a qual findaria  em 1o de janeiro de 2005.  Nesse  sentido  da  contagem  segue  entendimento  exarado  pelo  STJ  nos  Embargos  de  Declaração  nos  Embargos  de  Declaração  no  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada nestas palavras:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão  são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência,  in casu. 3. Embargos  de  declaração  acolhidos,  com  efeitos  modificativos,  para  dar  parcial provimento ao recurso especial.  Quanto  ao  argumento  recursal  de  que  houve  nulidade  na  intimação  para  impugnação, não assiste razão à recorrente.  Conforme  previsto  nas  Portarias  MPS  n  °  357/2002  e  520/2004,  que  regulamentavam o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, não existia uma ordem  de preferência entre as intimações pessoais e por via postal com aviso de recebimento.  No mesmo sentido dispõe o art. 23, § 3º do Decreto n ° 70.235/1972, sobre o  processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no  âmbito do INSS, nestas palavras:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  Fl. 757DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37383.000179/2005­71  Acórdão n.º 2302­01.437  S2­C3T2  Fl. 735          7 I ­ pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa,  com  declaração escrita  de  quem o  intimar;  (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97)  II ­ por via posta, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97)  III  ­  por  edital,  quando  resultarem  improfícuos  os  meios  referidos nos incisos I e II.  §  1º  O  edital  será  publicado,  uma  única  vez,  em  órgão  de  imprensa  oficial  local,  ou afixado  em dependência,  franqueada  ao público, do órgão encarregado da intimação  § 2º Considera­se feita a intimação:  I  ­  na  data  da  ciência  do  intimado  ou  da  declaração  de  quem  fizer a intimação, se pessoal;  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  Recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição  da  intimação;  (Redação dada pelo  art.  67  da Lei  nº  9.532/97)  III ­ quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este  for  o  meio  utilizado.  (Redação  dada  pelo  art.  67  da  Lei  nº  9.532/97)  §  3º  Os  meios  de  intimação  previstos  nos  incisos  I  e  II  deste  artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Acrescido pelo  art. 67 da Lei nº 9.532/97)  § 4º Considera­se domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo  o  do  endereço  postal,  eletrônico  ou  de  fax,  por  ele  fornecido,  para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.(Acrescido  pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97)  A  Portaria  MPS  n  °  357/2002  é  a  que  regulamentava  o  processo  administrativo  fiscal  no  âmbito  do  INSS,  conforme  autorização  expressa  no  art.  304  do  Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas  palavras:  Art.304.  Compete  ao  Ministro  da  Previdência  e  Assistência  Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da  Previdência  Social,  bem  como  estabelecer  as  normas  de  procedimento  do  contencioso  administrativo,  aplicando­se,  no  que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972, e suas alterações.  Como se percebe, a Portaria n ° 357 surgiu em virtude da previsão expressa  no  Regulamento  da  Previdência  Social,  que  transferiu  a  competência  para  o  Ministério  da  Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o  ordenamento  jurídico.  E  como  demonstrado,  o  assunto  acerca  de  intimações  está  tratado  da  Fl. 758DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     8 mesma  maneira  no  Decreto  n  °  70.235/1972.Não  havendo  ordem  de  preferência,  poderia,  portanto, a fiscalização previdenciária realizar a notificação do sujeito passivo via postal com  aviso de recebimento.   Não  há  exigência  no  processo  administrativo  tributário  que  o  aviso  de  recebimento  seja  assinado  pelo  representante  da  pessoa  jurídica.  A  necessidade  é  de  que  a  intimação  seja  corretamente  endereçada  ao  destinatário,  o  que  ocorreu  no  presente  caso.  Portanto, não há que ser anulada a NFLD.  Nessa  linha  já  se  manifestou  o  2º  Conselho  de  Contribuintes  por  meio  da  Súmula de n ° 6, nestas palavras:  SÚMULA N ° 6 É válida a ciência da notificação por via postal  realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada  com  a  assinatura  do  recebedor  da  correspondência,  ainda  que  este não seja o representante legal do destinatário.  O fato de a empresa ter concedido férias coletivas aos seus empregados, não  afasta a regularidade da intimação da notificação.  Quanto ao argumento de que deve ser oportunizada a dilação de prazo para  juntada de novos documentos, não assiste razão à recorrente. À fl. 01 foi cientificado à empresa  de que teria o prazo de 15 dias para apresentar defesa. Os prazos no processo administrativo  são  peremptórios,  não  podendo  ser  alterado  pelas  partes,  tampouco  a  administração  pode  alterá­los  para  um  determinado  contribuinte.  Assim,  independentemente  da  quantidade  de  autuações  lavradas,  tal quantidade não  tem o condão de alterar o prazo para apresentação de  defesa administrativa. A prova documental  tem que ser colacionada no prazo disponível para  defesa.  O prazo para apresentação de  impugnação é ex  lege, e  justamente para não  ferir o princípio da isonomia, o prazo de 15 dias deve ser observado em qualquer caso. Nesse  sentido, dispõe o art. 37, § 1º da Lei n ° 8.212/1991:  Art.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  §  1º  Recebida  a  notificação  do  débito,  a  empresa  ou  segurado  terá  o  prazo  de  15  (quinze)  dias  para  apresentar  defesa,  observado  o  disposto  em  regulamento.  (Parágrafo  renumerado  pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  Sendo  aplicada  a  lei  da  forma  como  prevista,  não  há  que  se  falar  em  cerceamento do direito de defesa.  A  Receita  Previdenciária  desconsiderou  a  natureza  da  contratação  do  segurado,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica,  pelo  recorrente,  reconhecendo  a  existência  de  vínculo  empregatício  entre  as  partes.  Ao  contrário  do  entendimento  da  recorrente,  possui  a  fiscalização  competência  para  a  prática  de  tal  ato.  Ao  cumprir  sua  atividade  de  arrecadar  e  fiscalizar  a  arrecadação  das  contribuições  sociais  destinadas  à  Seguridade  Social,  artigo  33,  caput  da  Lei  n.º  8.212/91,  possui  a  fiscalização  previdenciária  o  direito  de  desconsiderar  os  Fl. 759DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37383.000179/2005­71  Acórdão n.º 2302­01.437  S2­C3T2  Fl. 736          9 atos  e  negócios  jurídicos  praticados  pelos  contribuintes  com  intuito  de  se  escusarem  do  recolhimento de tributos, caso estejam em desacordo com a legislação tributária.  Em  tendo  a  Receita  Previdenciária  constatado  a  existência  da  relação  de  emprego  entre  o  considerado  sócio  da  prestadora  de  serviços  e  a  recorrente,  possui  a  fiscalização  o  direito­dever  de  desconsiderar  este  negócio  jurídico  simulado  e  proceder  à  notificação dos valores devidos.  Nesse  sentido  já  se  pronunciou  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  nestas  palavras:  “PREVIDENCIÁRIO –  INSS – FISCALIZAÇÃO – AUTUAÇÃO  – POSSIBILIDADE – VÍNCULO EMPREGATÍCIO.  A  fiscalização  do  INSS  pode  autuar  empresa  se  esta  deixar  de  recolher  contribuições  previdenciárias  em  relação  às  pessoas  que  ele  julgue  com  vínculo  empregatício.  Caso  discorde,  a  empresa  dispõe  do  acesso  à  Justiça  do  Trabalho,  a  fim  de  questionar a existência do vínculo.  Recurso provido.  REsp  n.º  236.279/RJ;  Rel. Ministro  Garcia  Vieira;  julgado  em  08/02/2000; publicado em 20/03/2000”    A vontade das partes é irrelevante para o surgimento da obrigação tributária,  pois  a  origem  desta  é  ex  lege.  Assim,  perante  o  fisco  é  irrelevante  o  desejo  das  partes  no  momento  da  contratação,  o  que  interessa  é  se  houve  ou  não  o  fato  gerador,  nesse  sentido  é  claro o disposto no art. 118 do CTN, nestas palavras:  Art.  118.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se:  I  ­  da  validade  jurídica  dos  atos  efetivamente  praticados  pelos  contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza  do seu objeto ou dos seus efeitos;  II ­ dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.    As pessoas jurídicas contratadas emitiram notas fiscais, sequência às fls. 94 a  101  praticamente  somente  para  a  empresa  contratante;  o  que  demonstra  que  a  sustentação  financeira  da  pessoa  jurídica  contratada  dava­se  somente  às  custas  da  notificada. Os  valores  eram  pagos  de  forma  equivalente  ao  longo  do  tempo,  o  que  demonstra  a  continuidade  dos  serviços,  e  que  o  tempo  executado  desses  serviços  não  se  alterava  mensalmente.  Restou,  portanto, comprovada a não­eventualidade e a onerosidade dos serviços prestados.  Quanto à Sra. Vera Lúcia Monteiro, a mesma era empregada da recorrente e  recebia  as  comissões  sobre  vendas  por  meio  de  interposta  pessoa  jurídica  (ASSESSORIA  COMERCIAL DIAS E SILVA). Os pagamentos eram realizados de forma nominal à Sra. Vera  Lúcia.  Desse  modo  restou  configurado  o  pagamento  “por  fora”  dos  registros  normais  da  autuada.  A  Sra.  Vera  era  considerada  empregada  da  recorrente  no  período  do  lançamento,  assim  não  se  faz  necessária  a  demonstração  da  subordinação,  pois  a  própria  autuada  já  Fl. 760DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     10 considerava  a  segurada  como  empregada.  Os  pagamentos  realizados  à  Sra.  Vera  Lúcia  por  intermédio da pessoa jurídica eram devidos em função das atividades normais da empregada na  empresa. A  empregada  era  vendedora  e  recebia  por meio  da pessoa  jurídica  (ASSESSORIA  COMERCIAL DIAS E SILVA) as comissões sobre as vendas.  Quanto à Sra. Cibelle Horcel, a mesma era empregada da recorrente e recebia  as  comissões  sobre  vendas  por  meio  de  interposta  pessoa  jurídica  (CIBELLE  GRADIA  BAPTISTA  HORCEL­REPRESENTAÇÕES).  Os  pagamentos  eram  realizados  de  forma  nominal à Sra. Cibelle. Desse modo restou configurado o pagamento “por fora” dos registros  normais  da  autuada. A Sra. Cibelle  era  considerada  empregada  da  recorrente  no  período  do  lançamento,  assim  não  se  faz  necessária  a  demonstração  da  subordinação,  pois  a  própria  autuada já considerava a segurada como empregada. Os pagamentos realizados à Sra. Cibelle  por  intermédio  da  pessoa  jurídica  eram  devidos  em  função  das  atividades  normais  da  empregada  na  empresa.  A  empregada  era  vendedora  e  recebia  por  meio  da  pessoa  jurídica  (CIBELLE  GRADIA  BAPTISTA  HORCEL­REPRESENTAÇÕES)  as  comissões  sobre  as  vendas.  Em relação ao Sr. Akio Yamane também restou configurado enquadramento  no RGPS como empregado. Os pagamentos sobre as comissões eram realizados diretamente à  pessoa do Sr. Akio. Também havia um controle sobre as viagens realizadas pelo segurado. O  segurado em alguns documentos assinava como chefe da Sra. Vera Lúcia, que era empregada  da  autuada.  Ora,  ocupar  um  cargo  na  estrutura  hierárquica  da  empresa  demonstra  a  subordinação,  pois  necessariamente  deverá  cumprir  as  ordens  do  empregador.  A  recorrente  ainda pagava seguro de vida para o Sr. Akio, assim como o fazia para os demais empregados.  O segurado ainda recebia pagamento a título de prêmios e férias, essa última verba estritamente  de caráter trabalhista.  Em  relação  ao  Sr.  Edvaldo  Ferreira  de  Souza  restou  configurado  enquadramento  no  RGPS  como  empregado.  Os  pagamentos  sobre  as  comissões  eram  realizados diretamente à pessoa do Sr. Edvaldo. Também havia um controle sobre as viagens  realizadas  pelo  segurado.  O  segurado  ocupava  o  cargo  de  Superintendente  Comercial.  Ora,  ocupar  um  cargo  na  estrutura  hierárquica  da  empresa  demonstra  a  subordinação,  pois  necessariamente  deverá  cumprir  as  ordens  do  empregador. Além do mais,  não  é possível  ao  profissional  autônomo  ocupar  um  cargo  na  sociedade,  pois  afrontaria  a  essência  da  própria  autonomia. No ano de 1997 foi pago décimo terceiro ao segurado, verba de cunho trabalhista.  Por sua vez, para os Srs. Carlos Toniolo e Renato de Souza os pagamentos  eram  contabilizados  por meio  da  SISTEN­TECNOLOGIA  ELETRÔNICA  LTDA.(SISTEC)  que possuía o mesmo endereço da autuada. Os valores eram pagos pessoal e diretamente aos  Srs. Carlos e Renato. Os segurados estavam incluídos no plano de saúde e seguro de vida da  recorrente,  que  eram  pagos  também  aos  demais  empregados;  também  eram  pagos  tíquetes  alimentação aos segurados Carlos e Renato. Além do mais, havia um controle sobre as viagens  realizadas pelos segurados.  Em  face  de  tais  elementos  constantes  no  relatório  fiscal  às  fls.  92  a  111,  é  possível formar convicção de existência do enquadramento como segurado empregado, razão  pela  qual  agiu  com  acerto  a  fiscalização  ao  exigir  as  contribuições  devidas  pelas  partes  em  virtude deste enquadramento.  Em  sendo  lícito  o  lançamento  das  contribuições  incidentes  sobre  o  fato  gerador  detectado  pela  Fiscalização,  deveria  o  recorrente  ter  comprovado  seu  regular  recolhimento.  Fl. 761DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37383.000179/2005­71  Acórdão n.º 2302­01.437  S2­C3T2  Fl. 737          11 Uma  vez  que  o  CRPS  comandou  diligência  para  verificar  se  havia  recolhimentos realizados pelos segurados enquadrados como empregados, tendo a fiscalização  prestado  informação à  fl. 709 e 710, entendo que o  lançamento deve ser  retificado na forma  dessa planilha.  CONCLUSÃO:  Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito  CONCEDER­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL.  Devem  ser  excluídas  as  competências  anteriores a novembro de 1998, inclusive, bem como deve ser retificado o lançamento na forma  da planilha às fls. 709 e 710.  É como voto.    Marco André Ramos Vieira                                Fl. 762DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA

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Numero do processo: 10711.720948/2012-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/02/2009 INFRAÇÕES E PENALIDADES ADUANEIRAS. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 800/2007. REVOGAÇÃO DO ART. 45 PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 1.473/2014. MULTA PREVISTA NO ART. 107, IV, “e” DO DECRETO-LEI N° 37/1966. RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA. A revogação do art. 45 da Instrução Normativa n° 800/2007 pela Instrução Normativa RFB n° 1.473/2014 não deixou de definir o descumprimento dos prazos para a prestação de informação sobre desconsolidação de carga como infração, pois se tratava de mera reprodução do art. 107, IV, “e” do Decreto-lei n° 37/1966. Por tal razão, não se aplica a retroatividade benigna às penalidades aplicadas com fundamento no dispositivo legal. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. MATÉRIA SUMULADA PELO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Análise da Súmula nº 2 do CARF conjunta com os arts. 62 do RICARF e 26-A do Decreto nº 70.235/72.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3002-002.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do recurso no que toca a violações principiológicas, rejeitar a preliminar de ilegitimidade da parte e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mateus Soares de Oliveira (Relator), Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta.
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-08-07T17:52:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-08-07T17:52:48Z; Last-Modified: 2023-08-07T17:52:48Z; dcterms:modified: 2023-08-07T17:52:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-08-07T17:52:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-08-07T17:52:48Z; meta:save-date: 2023-08-07T17:52:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-08-07T17:52:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-08-07T17:52:48Z; created: 2023-08-07T17:52:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-08-07T17:52:48Z; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-08-07T17:52:48Z | Conteúdo => S3-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10711.720948/2012-64 Recurso Voluntário Acórdão nº 3002-002.708 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 21 de junho de 2023 Recorrente MCLEAN CARGO DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/02/2009 INFRAÇÕES E PENALIDADES ADUANEIRAS. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 800/2007. REVOGAÇÃO DO ART. 45 PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 1.473/2014. MULTA PREVISTA NO ART. 107, IV, “e” DO DECRETO-LEI N° 37/1966. RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA. A revogação do art. 45 da Instrução Normativa n° 800/2007 pela Instrução Normativa RFB n° 1.473/2014 não deixou de definir o descumprimento dos prazos para a prestação de informação sobre desconsolidação de carga como infração, pois se tratava de mera reprodução do art. 107, IV, “e” do Decreto-lei n° 37/1966. Por tal razão, não se aplica a retroatividade benigna às penalidades aplicadas com fundamento no dispositivo legal. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. MULTA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. MATÉRIA SUMULADA PELO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Análise da Súmula nº 2 do CARF conjunta com os arts. 62 do RICARF e 26-A do Decreto nº 70.235/72.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do recurso no que toca a violações principiológicas, rejeitar a preliminar de ilegitimidade da parte e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 09 48 /2 01 2- 64 Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.708 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.720948/2012-64 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mateus Soares de Oliveira (Relator), Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto as fls. 92-98 face a decisão de fls. 67- 79, pugnando por sua reforma, sustentando, em síntese que: - a decisão recorrida não enfrentou os argumentos, fundamentos e pleitos apresentados pelo recorrente; - tal fato resulta na nulidade da mesma; - requer a exoneração do lançamento da multa. Em seus fundamentos, a decisão aborda sim a caracterização da infração consistente na perda do prazo para desconsolidação, aponta seu fundamento legal, bem como enfrenta as demais matérias trazidas pelo recorrente, até então, impugnante. A infração objeto da impugnação tem seu fundamento no artigo Voto Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. 1 DA TEMPESTIVIDADE. O presente Recurso merece ser conhecido, posto que encontram-se presentes todos os pressupostos para seu conhecimento e devido processamento. 2 DA CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO E RESPECTIVA LEGITIMIDADE PASSIVA DO AGENTE DE CARGA. De início e, com a devida vênia, considerando a excelência da fundamentação e análise dos fatos por parte do Auto de Infração, colaciona-se alguns trechos das fls. 11 e 12 deste processo: Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.708 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.720948/2012-64 Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.708 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.720948/2012-64 O navio atracou no primeiro porto de destino na data de 28 de Abril. As informações da primeira agente de carga foram prestadas na data de 26. Por seu turno, enquanto responsável pela desconsolidação do HBL nº 130905012618106, o registro por parte da recorrente ocorreu apenas na data de 04/02/2009, vale dizer, totalmente extemporâneo. Por fim e não menos importante, a companhia marítima disponibilizou o MHBL na data de 21 de Abril de 2009! E o artigo 22 da IN 800 de 2007 é claro no sentido da obrigatoriedade de cumprimento do prazo de até 48 horas antes da atracação para fins do registro. Assim não ocorrendo, naturalmente que seja aplicada a sanção prevista no art. 107, IV, “e”do Dec. 37/1966. Ademais não existe espaço para dúvidas acerca da responsabilidade do agente de cargas. O artigo 18 da IN RFB n° 800/2007 é claro quanto a obrigação daquele agente que constar na qualidade de consignatário do conhecimento de embarque de prestar informações da desconsolidação, sem prejuízo das menções neste sentido, presentes de forma clara e inequívoca previstas na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966. Eis as suas redações: Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao AGENTE DE CARGA; e Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.708 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10711.720948/2012-64 A conduta do Recorrente se enquadra perfeitamente ao tipo sancionador a partir do momento em que atrasa com a sua obrigação de registro nos prazos estabelecidos na IN 800/2007. 3 DA VIOLAÇÃO DO PRINCIPIO DA PROPORCIONALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Neste aspecto a Súmula nº 2 do CARF não deixa margem de dúvidas: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O RICARF, em seus artigos 26-A e 62, é claro no sentido de estabelecer que: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Do exposto, tratam-se de matérias que não podem ser suscitadas e apreciadas nesta Corte. 4 DO DISPOSITIVO Sendo assim, não conheço do recurso no que toca violações princiológicas, rejeito a preliminar de ilegitimidade da parte e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira Fl. 108DF CARF MF Original

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Numero do processo: 35011.003638/2006-51
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 Ementa: REGIME PREVIDENCIÁRIO. VINCULAÇÃO. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 205-01.206
Decisão: ACORDAM os membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no mérito, negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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Órgão público. Servidores não abrangidos por regime próprio. Acórdão n° 205-01206 Sessão de 08 de outubro de 2008 Recorrente ESTADO DO AMAZONAS - SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E QUALIDADE DO ENSINO. - Recorrida DRP MANAUS / AM - Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias . Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 • - Ementa: REGIME PREVIDENCIARIO. VINCULAÇAO. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. Recurso Voluntário Negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • • 2° CC/MF.- Quinta Ctárnara CONFERE COMO ORIGINAL Processo n0 35011.003638/2006-51CC Acórdão n.° 205-01206 Brasília, 0 5 0 5 1' CO2/05OS • • I sis_Sausa--1V1oura •j_ Matr. 4295 • ACORDAM os membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de• Contribuintes, Por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas e no mérito „ negado provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). • • 1 • • .‘415 JULIO nLeS it IRA GOMES • President - • • • celo Oliveira • / elator • • Participaram, 'ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Edgar Silva Vida! (Suplente). • • 2 • • 2° CC/NIP ciuv: Processo n°35011.003638/2006-51 Brasília CCO2/CO5• CONFERE() COMiOt 61z..-NrAa1 , Acórdão n.° 205-01206 • _Fls-126 —Isis Sousa Moura 4L" Matr. 4295 Relatório - Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Manaus / AM, Decisão-Notificação (DN) 03401.4/0280/2006, fls. 071 a 078, que julgou procedente o lançamento, efetuado pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. • Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 019 a 025, o • lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a • remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes à contribuição do segurado (não descontada), cla empresa, a _contribuição para o financiamento dos benefitios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais • do trabalho (GILRAT). • Ainda segundo o RF, o presente lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre os serviços prestados pelos segurados contratados sob a denominação "serviços prestados". Esclarece, ainda, que o termo "serviços prestados" abrange pessoal contratado sem lei específica que ampare a contratação para executar serviços ligados às atividades meio e fim da secretaria (professores e administrativos), os quais preenchem os requisitos da relação de emprego. Ressalte-se, por fim; que este lançamento substitui lançamento anterior, lavrado em 27/06/2003, anulado por presença de vício formal. , Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais • _ Em 08/11/2005 foi dada ciência à recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD). Em 13/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 032 a 048, áompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 084 a 0101, acompanhado de anexos. No recurso, a recorrente alega, em síntese, que: 1. Há cerceamento de defesa, pois a autoridade fiscal não/indic trabalhadores que entende filiados ao RGPS; 2. Portanto, é impossível à recorrente apresentar defesa; 3 n 1 • 2° CC/MF - Caulina Câmara . CONFERE COM O ORIGINAL • • Processo n" 35011.003638/2006-51 Brasília, _,Q2_,/jr5_,_/__9_3_ 1 _CCO2/CO5— Acórdão n.° 205-01206 Isis Sousa Moura Fls. 127 • • Matr. 4295 3. Não há discriminação clara e precisa do fato gerador; .. 4.. Portanto, faz-se necessária a elaboração nominal dos servidores contratados sob a denominação serviços prestados; 5. Os servidores que constam do lançamento estão, por força de legislação específica estadual, vinculados ao regime próprio; n 6. Há afronta ao Art. 37, IX, da Carta Magna; 7. Para a obediência ao dispositivo constitucional da Emenda Constitucional (EC) 20/98 a fiscalização deveria ter respeitado a "noventena", disposta no Art. 195, §- 6° da CF/88; 8. O Procurador Geral do Estado não pode constar da listagem de co- responsáveis do lançamento; 9. Requer, o conhecimento do recurso, acolhimento da preliminar de cerceamento de defesa, a improcedência do lançamento, a exclusão do • Procurador Geral do Estado da lista de co-responsáveis. ' • Posteriormente, a DRP eniou o processo ao Conselho . de Recursos da Previdência Social (CRPS). É o Relatório. •Voto • Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator ' Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Primeiramente, quanto as preliminares, a recorrente afirma que houve cerceamento de defesa, pois a autoridade fiscal não indica os trabalhadores que entende filiados ao RGPS. Por nossa análise, não há razão no argumento da recorrente. erificando o RF encontramos as contribuições lançadas (item 2), o fato gerador . do lançamento (item 5), o período fiscalizado (item 4), a base de cálculo (item 3), a fundamentação legal para o lançamento (item 6, 7 e 9). /(170• 'Portanto, há nos autos 'todas as informações para que a recorrente exer s u direito à ampla defesa e ao contraditório. . Por todo o exposto, rejeito 'a preliminar e passo ao exame do mérito. 4 • 2° CC/IVEF - Quinta Cz:::t.,,r.ra • CONFgRE CONVI O ORICINIAL.., Processo n° 35011.003638/2006-51 a, 19 43 Brasiiia, –CCO2/CO5— Acórdão n.° 205-01206 - Fls. 128isis Sousa ourM a Matr. 4295 DO MÉRITO .Quanto ao mérito, o primeiro argumento apresentado afirma que os servidores que constam do lançamento estão, por força de legislação específica estadual, vinculados ao regime próprio. Esclarecemos à recorrente que há disposição legal que determina que esses servidores, nomeados sem concurso, estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. A partir da EC 20/1998 ficou muito claro a diferença e a possibilidade de integração ao Regime Estatutário. CF/88: Art. 40 - Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social. Portanto, somente pessoa fisica contratada por concurso público pode ser vinculada a Regime Estatutário. Conseqüentemente, fica claro, por dispositivo constitucional, que essas pessoas não podem ser vinculadas a Regime Próprio de Previdência. ' Quanto à suposta afronta ao Art. 37, IX, da Carta Magna, devemos analisar o dispositivo. CF/88: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: • IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária . de excepcional interesse • público; Pela leitura do dispositivo, fica claro que o mesmo prevê legislação especifica, que tratará de estabelecer os casos de contratação por tempo determinado para atender a - necessidade temporária de excepcional interesse público. Não há vinculação desse dispositivo com a vinculação das pessoas com r - IA" e previdenciário. Aliás, como já esclarecido no texto constitucional acima, a própri • ei Magia determina que os cidadãos contratados por tempo determinado contribuirão p: ff o Regime Geral de Previdência Social. • cituF - Quinta Câmara L-• 2 C COM O oRAGINACONFURE • OS- / O ra,Processo n'' Bsília35011.003638/2006-51 CCO2/CO5 • Acórdão n.° 205-01206 isis Sousa Moura 4 Fls 129 Portanto, não há razão na alegação da recorrente. • Quanto à alegação de que a fiscalização deveria ter respeitado a `rioventea.a", disposta no Art. 195, § 6° da CF/88, novamente não há razão na alegação da recorrente. CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ,55' 6° -As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias.da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b". Como está claro no texto constitucional, somente nos casos de instituição ou • modificação é que se deve respeitar ao prazo de noventa dias, que não é o caso, pois sempre , houve a necessidade de recolhimento ao Regime Geral de Previdência Social. . , „ Quanto à solicitada exclusão do Procurado Geral, cabe esclarecer que a relação de co-responsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir cidadãos no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal; em consonância com o parágrafo 3 2 do ., artigo 42. da Lei 6.830/80, e após se, verificarem infrutíferas as tentativas de localização de :bens da própria empresa. • A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, as pessoas citadas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. • CONCLUSÃO . m ão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das -• se es 18 de outubro de 2008 • ce S. Oliveira 6 •

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