Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.917872/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.917872/2011-51
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556081
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.768
nome_arquivo_s : Decisao_10830917872201151.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917872201151_5556081.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6242977
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125457825792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.984 1 2.983 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917872/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.768 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria COFINS DCOMP Eletrônico Recorrente HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 72 /2 01 1- 51 Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.734, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 64/70 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 40980.06999.110506.1.2.041926, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917872/201151 Acórdão n.º 3402002.768 S3C4T2 Fl. 2.985 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 11/12/2013 (fl. 73). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 75/95), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.207 (fls. 145/147), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.207 (fls. 145/147), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917872/201151 Acórdão n.º 3402002.768 S3C4T2 Fl. 2.986 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extitnta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.929/2.930 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 40980.06999.110506.1.2.041926, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 11.653,00 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 06/2003, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 7754544,72, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 7574972,78, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 81.249,08 a título das receitas que se pretende excluir. Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 81.249,08. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 2.437,47. Em sua manifestação (fls. 2.935/2.938), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.937: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 2.437,47, referente a parcela de crédito da COFINS, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917872/201151 Acórdão n.º 3402002.768 S3C4T2 Fl. 2.987 7 Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008925/2005-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/08/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
DESCONTO INCONDICIONAL. Descontos incondicionais concedidos são redutores do preço de venda e devem constar na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, independendo de evento posterior à emissão desses documentos.
FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Os dispêndios com fretes vinculados ao trânsito de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, são considerados custos da produção e geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica.
ZONA FRANCA DE MANAUS. VENDAS TRIBUTADAS. Até o advento da Medida Provisória n° 202, de 23/07/2004, as receitas provenientes de vendas para a Zona Franca de Manaus eram tributadas com a alíquota de 1,65% a título de PIS não-cumulativo.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas em relação a fretes para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, que negou provimento na íntegra. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que deu provimento parcial apenas em relação aos fretes entre filiais. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, quanto às despesas financeiras e variações monetárias passivas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de votar. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Lock Freire - Relator.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/08/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DESCONTO INCONDICIONAL. Descontos incondicionais concedidos são redutores do preço de venda e devem constar na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, independendo de evento posterior à emissão desses documentos. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Os dispêndios com fretes vinculados ao trânsito de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, são considerados custos da produção e geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica. ZONA FRANCA DE MANAUS. VENDAS TRIBUTADAS. Até o advento da Medida Provisória n° 202, de 23/07/2004, as receitas provenientes de vendas para a Zona Franca de Manaus eram tributadas com a alíquota de 1,65% a título de PIS não-cumulativo. Recurso voluntário provido em parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.008925/2005-95
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566570
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.817
nome_arquivo_s : Decisao_11080008925200595.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 11080008925200595_5566570.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas em relação a fretes para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, que negou provimento na íntegra. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que deu provimento parcial apenas em relação aos fretes entre filiais. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, quanto às despesas financeiras e variações monetárias passivas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de votar. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Lock Freire - Relator. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6271017
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125479845888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.703 1 1.702 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.008925/200595 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.817 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria PIS Nãocumulativo Recorrente ELEVA ALIMENTOS S/A (atual BRASIL FOOD'S S/A) Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/08/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DESCONTO INCONDICIONAL. Descontos incondicionais concedidos são redutores do preço de venda e devem constar na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, independendo de evento posterior à emissão desses documentos. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Os dispêndios com fretes vinculados ao trânsito de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, são considerados custos da produção e geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica. ZONA FRANCA DE MANAUS. VENDAS TRIBUTADAS. Até o advento da Medida Provisória n° 202, de 23/07/2004, as receitas provenientes de vendas para a Zona Franca de Manaus eram tributadas com a alíquota de 1,65% a título de PIS nãocumulativo. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas em relação a fretes para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais. Vencido o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 89 25 /2 00 5- 95 Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.704 2 Jorge Freire, que negou provimento na íntegra. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que deu provimento parcial apenas em relação aos fretes entre filiais. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, quanto às despesas financeiras e variações monetárias passivas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de votar. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Lock Freire Relator. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fl. 2) de crédito de PIS não cumulativo exportação, período de apuração julho/agosto de 2004, no valor de R$ 866.121,26, com débitos de COFINS, conforme DCOMP acostadas às fls. 873/886. Às fls. 760/761, informação fiscal, de 05/12/2005, na qual a fiscalização concluiu que o contribuinte não tinha direito a crédito algum no período e que em função das irregularidades encontradas foi levado a cabo lançamento de ofício de PIS nos autos dos processos administrativos 11080.009434/200561 e de COFINS 11080.009435/200514. Com arrimo nessa informação, o Delegado da DRF/POA (fl. 763), em 23/01/2006, exarou o Despacho Decisório 15/2006, não reconhecendo o crédito e, em consequência, não homologando as compensações a ele vinculadas. Contra essa decisão o contribuinte manifestou sua inconformidade (fls. 771/776), em 02/03/2006, na qual aduz que o fundamento da mesma tem igual teor às razões da impugnação apresentadas nos autos do processo onde foi lavrado auto de infração, o de nº 11080.009434/200561, pelo que pediu que se aguardasse o julgamento daquela para que mesmo entendimento fosse estendido ao presente processo. À fl. 892, informação DRF/POA/SEORT, de 13/07/2007, no sentido de que o contribuinte após ciência, em 06/02/2006, do despacho decisório 14/2006, apresentou DCOMP retificadoras (fls. 873/886). De fls. 1254/1275, Acórdão 1017.752, de 13/11/2008, da 2ª Turma DRJ/POA homologando as compensações no limite do crédito reconhecido, no valor de R$ Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.705 3 124,18, que se refere à divergência de valores primeiramente considerados pela fiscalização e aquele resultante da diligência solicitada, conforme anexo I daquela decisão. No relatório dessa decisão, informa a relatora que o Relatório de Atividade Fiscal no qual foram apontadas o as irregularidades referente aos períodos de abril de 2000 a março de 2005 está inserto no processo 11080.009434/200561, em face do que anexouo ao presente processo com o fito de facilitar a análise do mesmo. Esse decisum bem delimitou a matéria controvertida nestes autos, uma vez que o referido relatório fiscal abrange vários períodos de apuração, a saber: a) receitas de vendas para Zona Franca de Manaus compõem a base de cálculo do PIS; b) glosa de descontos incondicionais; c) glosa do desconto de créditos da contribuição devida a título de PIS; d) glosa de valores oriundos de peças, máquinas e material de transporte reutilizável como se insumos fossem; e) glosa de valores de bens (grãos) adquiridos de pessoa física; f) só foram considerados descontos de depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e utilizados na produção de bens destinados à venda; g) glosa de fretes, por falta de previsão legal, na transferência de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filias e parceiros integrados, e glosa de fretes sobre vendas para o mercado externo; h) glosa de despesa financeira referente a variações monetárias passivas sobre obrigações com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e juros sobre financiamentos devidos no mercado externo. Cientificado (fl. 1282) da r. decisão, em 11/03/2009, foi interposto o recurso voluntário de fls. 1.287/1.349. Em 06/10/2011, foi exarado o Acórdão 330201.255 (fls. 1.425/1.443) pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção do CARF, anulando o processo a partir da manifestação de inconformidade por vício de instrução processual. Entendeu aquele aresto que cópia dos processos 11080.009434/200561 e 11080.009435/200514, deveriam ter sido encaminhadas à recorrente junto com o despacho decisório, o que teria causado prejuízo à defesa da recorrente, determinando à autoridade local que encaminhasse "à recorrente os documentos citados na Informação Fiscal de fls. 52/53, abrindolhe prazo de 30 dias para renovar e/ou complementar a Manifestação de Inconformidade apresentada anteriormente". O referido julgado tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVOS FISCAL. INDEFERIMENTO TOTAL DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REMISSÃO A RELATÓRIO PRODUZIDO EM PROCESSO DIVERSO. A remissão a relatório produzido em processo diverso como fundamento e razão de decidir, por si só não implica em cerceamento de defesa, mas em vício de instrução processual, quando o mesmo não for juntado ao processo. A falta de encaminhamento do relatório ao contribuinte prejudica a sua defesa. O saneamento do vício de instrução processual dáse com o encaminhamento do relatório ao contribuinte para, querendo, manifestarse sobre o mesmo, no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.706 4 Processo Anulado a partir da Manifestação de Inconformidade De fls. 1.449/1.472, manifestação de inconformidade complementar. Em 10/10/2013, a Resolução nº 10000.500 da 2ª Turma da DRJ/POA (fls. 1.571/1.574), baixou o processo em diligência à unidade local para que fosse informado "se os documentos encaminhados ao contribuinte foram exatamente aqueles determinados no Acórdão nº 330201.255 do CARF". Despacho do SEORT/DRF/FLORIANÓPOLIS (fls. 1.575/1.577), de 30/01/2014, informa que foi providenciada ao contribuinte "cópia eletrônica integral de TODOS os documentos que compõem os processos nº 11080.009434/200561 e 11080.009435/200514 até os Acórdãos 1014.546 e 10.14.551 (relativo a cada um dos processos, respectivamente) exarados pela DRJ/POA em 29/11/2007, que apreciaram as impugnações interpostas pelo contribuinte, cujo julgamento foi anulado pelo CARF". Este mesmo despacho reabriu prazo de 30 dias após ciências dos documentos referidos, para que o contribuinte, em desejando, se manifestasse. A ciência operouse em 24/02/2014 (fl. 1.581), mas o contribuinte quedouse silente sobre tal despacho. Novo Acórdão (fls. 1.584/1.610) foi exarado pela DRJ/POA, em 11/07/2014, julgando improcedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo direito creditório no valor de R$ 124,18. À fl. 1.611, extrato SIEF compensando valor reconhecido. Não resignada, a empresa, em 08/12/2014, interpôs o presente Voluntário (fls. 1.616/1.654), no qual, em síntese, argui, mais uma vez, que no Termo de Verificação Fiscal nada consta sobre período de apuração sob análise e que no despacho decisório constante nestes autos a autoridade fiscal "não se deu ao trabalho de analisar os dados constantes no demonstrativo de apuração de valore a ressarcir de PIS (prévia), cujos valores demonstrariam a existência de créditos no período". Alega a conexão das matérias entre o presente processo e o de nº 11080.009434/200561, cujo objeto é o auto de infração, transcrevendo a ementa do Acórdão 210100.057, proferido em 05/05/2009, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção. Nessa decisão foi acolhida decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até outubro de 2000, inclusive, e, por maioria de votos, foi afastada a exigência sobre receitas financeiras e outras despesas para obtenção da receita financeira e o crédito presumido de IPI. Com base nessa decisão refez o Demonstrativo de Apuração de Valores a Ressarcir de PIS. Entende nesse ponto, "que resta evidente o equívoco da Autoridade Julgadora de Primeira Instância ao deixar de reconhecer a relação existente entre o que se discute nos presentes autos e no Processo nº 11080.009434/200561". Ademais, entende que as vendas para Zona Franca de Manaus são receitas equiparadas à exportação, nos termos do DecretoLei 288/67 e art. 40 do ADCT da Carta de 1988 e que, em consequência, sobre elas não incidiria o PIS. Quanto à glosa dos descontos, alega que tratamse de descontos incondicionais "concedidos por força de contratos de natureza confidencial mantidos com os clientes" e que por tal "não foram descritos no campo descrição dos produtos das respectivas notas fiscais, mas sim quando da emissão do boleto bancário de cobrança". Em relação à glosa sobre aquisições de peças, máquinas e material de transporte reutilizável, limitase a asseverar que todos os produtos excluídos pela fiscalização Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.707 5 da base de cálculo do crédito do PIS se enquadram no conceito de insumos, consoante art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, embora não acostando prova no sentido alegado. Quanto ao material de embalagem empregado no transporte dos produtos, entende passível sua utilização quando reutilizado. A seguir, consigna que a relatora no Acórdão do processo 11080.009434/200561 concluiu que os bens que deveriam estar ativados não são considerados insumos e por isso não dariam azo a seu creditamento, assim como se estivessem ativados seriam passíveis de depreciação, mas não gerando obrigação ao Fisco, mas sim um direito da empresa de calcular créditos sobre tais valores. Frente a tal, postula o "aproveitamento dos créditos sobre os encargos de depreciação relativo aos bens que a fiscalização entendeu que devem ser escriturados no imobilizado", mas não traz ao autos qualquer memória de cálculo. No que tange à glosa dos valores dos créditos sobre aquisições de grãos de pessoas físicas assim como dos valores comercializados, restringiuse a citar decisão da CSRF que reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, concluindo, ilogicamente, que "considerando que a discussão naqueles processos estava centrada nas aquisições de bens e serviços adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS, por extensão, os julgados são perfeitamente aplicáveis a este contencioso". Quanto à exclusão dos créditos em relação aos serviços de manutenção do ativo imobilizado "(máquinas, veículos, geradores, serviços de pintura, etc.)", alega que os mesmos "foram contratados e prestados com o objetivo de viabilizar a produção e comercializados (SIC) dos bens da Recorrente, para o mercado interno e externo". Aduz nesse tópico que "o texto da lei é abrangente e não especifica sobre quais tipos de serviços recai o benefício fiscal, de modo que os serviços contratados pela Recorrente atendem os requisitos do inciso II, art. 3º, da Lei 10.637/2002". Também não prova sua utilização no custo da produção. Na sequência, refuta as glosas dos valores de depreciação sobre reavaliação de bens, e as do grupo contas 5.01 Despesas com venda e 5.02 Despesas administrativas por não terem vinculação com bens utilizados na produção, assim como a exclusão das depreciações "de máquinas, equipamentos e de outros vens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção, a partir de agosto de 2004, face à incorporação da ELEGÊ ALIMENTOS S/A, e, portanto, em data anterior a maio de 2004, prevista no art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004". Refuta, igualmente, a glosa dos valores dos fretes sobre transferências de matériasprimas, de material de embalagem e de serviços, entre filiais ou entre parceiros integrados, assim como os fretes sobre vendas para o mercado externo. Quanto a este último, diz não tratarse de fretes internacionais e sim para transporte das mercadorias até o local de embarque, mas não traz prova de que arcou com tais custos, limitandose a alegar que quem pagas tais fretes, em geral, é o exportador. A seguir, insurgese contra a glosa das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, assim como juros de operações financeiras, não especificamente de arrendamento mercantil. Mais uma fez desmerece a planilha por ela elaborada para o Fisco no curso da ação fiscal, declarando que "este fato não configura confissão de irregularidade" e concluindo que "a autoridade fiscal foi omissa quanto ao documentário que a embasou as glosas, limitandose a fazer referência da legislação que considerou infringida". Aduz, ainda, que a fiscalização na apuração do crédito presumido Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.708 6 excluiu valores de matériasprimas importadas, compras de pessoas físicas, gastos gerais de fabricação, como mão de obra, depreciação, luz, água, aluguel, etc., dos estoques de produtos acabados, em elaboração , matéria prima, mas não segregou os valores. Mas, laconicamente, concluiu, que "não tem como desconstituir o quantum debeatur glosado". Por fim, pugna pela atualização dos valores a ressarcir com base na taxa SELIC. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. Preliminarmente gizese que nesses vários anos entre o protocolo deste processo e a presente decisão, a razão social da empresa iniciouse em Avipal S/A Avicultura e Agropecuária, após para Eleva Alimentos S/A, sendo posteriormente incorporada à BRF Brasil Foos's S/A, denominação atual, conforme documentos acostados aos autos. Por isso, tendo em vista os diferentes domicílios fiscais, o processo "andou" por distintas repartições da RFB em diversos locais. Como se dessume do relatado, o presente processo foi objeto dos mais variados tumultos processuais, onde pouco se quis discutir mérito e muito formalidades. A empresa quis a todo tempo desqualificar o despacho decisório por este se reportar ao processo 11080.009434/200561, o qual tem por objeto o auto de infração de PIS abarcando o período de abril de 2000 a março de 2005. Ocorre que o SEORT da DRF/POA remeteu o pleito para análise da fiscalização, a qual exarou informação fiscal concluindo que o contribuinte não tinha direito a valor algum a ser ressarcido no período sob comento, consignando que no curso da ação fiscal no período examinado ...foram apuradas irregularidades nas contribuições de PIS/COFINS, que foram relatadas e lançadas de ofício através dos Autos de Infração formalizadas sob o nº 11080.009434/200561 e 11080.009435/200514, respectivamente. Fazem parte integrante destes Autos, alem das planilhas de Demonstrativo, o Relatório de Atividade Fiscal e as planilhas "Demonstrativo de Apuração de Valores a Ressarcir de PIS(prévia) e "Demonstrativo de Apuração de Valores a Ressarcir de COFINS (prévia)". Inconteste que o diligente auditorfiscal entregou ao contribuinte os demonstrativos citados, elaborados pela empresa por sua solicitação, bem como a informação fiscal que motivou o lançamento. A empresa em sua peça impugnatória insistiu que tais documentos deveriam instruir o presente processo e que o despacho denegatório não poderia fazer menção a documentos inclusos em outros autos, o que, a seu juízo, a despeito de ser detentora de todas essas informações, tal fato estaria prejudicando sua defesa, reportandose às razões de defesa apresentadas no processo do Auto de Infração. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.709 7 A relatora do primeiro Acórdão prolatado pela DRJ/POA, que veio a ser anulado, para escoimar qualquer dúvida sobre o suposto afronte à defesa, houve por bem anexar tais documentos a estes autos. O Relatório de Atividade Fiscal, que delimita os termos do auto de infração, está acostado às fls. 1.048/1.065. Nele, consta o quadro abaixo copiado, onde estão arrolados todos os pedidos de reconhecimento de crédito de PIS, por período de apuração, e seus respectivos processos, com os valores dos créditos pleiteados e valores reconhecido pelo Fisco como passíveis de reconhecimento. PROCESSO PER. DE APUR. PIS SOLICITADO VALOR A RESSARCIR 11080.003330/200381 JAN/03 156.146,42 0,00 11080.003330/200381 FEV/03 638.441,91 305.617,24 11080.003330/200381 MAR/03 209.554,91 0,00 11080.009089/200302 ABR/03 584.392,05 0,00 11080.009089/200302 MAI/03 758.490,84 646.848,73 11080.009089/200302 JUN/03 763.513,10 477.162,48 11080.011652/200302 JUL/03 567.178,61 119.493,95 11080.011652/200302 AGO/03 637.778,70 406.426,65 11080.011652/200302 SET/03 868.411,82 604.139,23 11080.000174/200488 OUT/03 821.946,50 437.346,95 11080.000174/200488 NOV/03 718.253,73 218.999,89 11080.000174/200488 DEZ/03 700.593,92 0,00 11080.003380/200440 JAN/04 547.746,89 307.094,65 11080.003380/200440 FEV/04 480.491,00 275.373,16 11080.003380/200440 MAR/04 933.667,12 6.279,60 ABR/04 0,00 0,00 MAI/04 0,00 0,00 JUN/04 0,00 0,00 Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.710 8 JUL/04 0,00 0,00 AGO/04 0,00 0,00 SET/04 0,00 0,00 11080.000814/200531 OUT/04 9.158,66 0,00 11080.000814/200531 NOV/04 35.756,17 0,00 11080.000814/200531 DEZ/04 331.363,16 0,00 11080.004195/200553 JAN/05 910.363,91 406.540,17 11080.004195/200553 FEV/05 635.929,24 320.491,81 11080.004195/200553 MAR/05 431.460,02 431.460,02 Como podemos constatar, o agente fiscal, de acordo com a sistemática da não cumulatividade, a exemplo do IPI, refez a "escrita" do contribuinte, de acordo com a motivação do lançamento, demonstrando que em relação ao período conteúdo deste processo não havia crédito a ser ressarcido. Pois bem, embora o auto de infração tenha causado reflexo no pleito ora em debate, não necessariamente um depende do outro, visto serem seus objetos distintos, eis que um versa lançamento de ofício e outro pleito de compensação, onde se confronta crédito que se postula seu reconhecimento com débito de qualquer tributo administrado pela RFB. Esse fato é recorrente em fiscalizações de tributos não cumulativos que podem compensar eventual saldo credor referente a um período. Mas, in casu, nem todas ocorrências demonstradas no Relatório Fiscal atingem o período em testilha. Também antes de adentrar no mérito, é de bom alvitre que se diga que o relatório fiscal, assim como todos os demais elementos entregues ao contribuinte, demonstram de forma clara os procedimentos que foram adotados. As planilhas apontam os valores de apuração dos saldos de PIS disponíveis, a apuração de créditos incentivados, a apuração da natureza dos saldos e os cálculos dos valores a ressarcir. Outro ponto a mencionar é que a decisão (Acórdão 210100.057, de 06/05/2009, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção fls. 3553/3579 dos autos do AI) no processo 11080.009434/200561 ainda não é definitiva, e na parte em que foi dado provimento ao recurso, alem da questão da decadência, referese ao exame do alcance da declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718, aplicável apenas em relação aos períodos que a contribuição objurgada era cumulativa, portanto estranha ao deslinde desta quaestio. Mas a decisão naqueles autos não se estende ipso facto ao presente, pois, como dito, seus fundamentos são díspares. Passo ao exame do mérito. A peça impugnatória delimitou a lide nos seguintes termos: (a) acréscimo dos valores dos débitos mensais consignados na coluna 'C' do Demonstrativo referido no item 13, em decorrência Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.711 9 do cômputo, na base do faturamento, de valores que teriam deixado de ser apropriados pela empresa, tais como: receitas de variações cambiais; créditos presumidos do IPI;descontos incondicionais supostamente indevidos; vendas à Zona Franca de Manaus que não foram consideradas como exportação etc.; (b) redução dos créditos mensais consignados na coluna 'B' do Demonstrativo referido no item 13, em decorrência da supressão de créditos relativos à aquisição ou utilização de insumos que supostamente não dariam direito a crédito, tais como:materiais de conserto de máquinas e equipamentos;grãos adquiridos de pessoas físicas que, revendidos no comércio, não teriam sido excluídos, na devida proporção, das bases de cálculo dos créditos; serviços de limpeza e manutenção de ativos; depreciações; fretes no transporte de insumos; fretes no transporte de produtos vendidos etc.; (c) redução dos coeficientes representativos da participação das exportações no faturamento da empresa, consignados na coluna 'E' do Demonstrativo referido no item 13, apurados em segundo demonstrativo, auxiliar do primeiro. 1 QUESTÕES RELATIVAS À COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Vendas para Zona Franca de Manaus A empresa excluía da base imponível do PIS as vendas para a Zona Franca de Manaus, sem previsão legal para fazêlo. De forma alguma as receitas para a ZFM equiparam se à receitas de exportação, como quer fazer crer a recorrente. O que ocorre é que as vendas para essa Zona Franca a partir da MP 202, de 23/07/2004, reduziram sua alíquota a zero. E o agente fiscal salientou no Relatório Fiscal que só foram consideradas vendas para a ZFM as notas fiscais efetivamente internadas na ZFM, conforme registro junto à SUFRAMA. Sobre a confirmação da exclusão, tendo em vista que a abrangência do período fiscalizatório era maior do que o período aqui em análise, é de se comentar que a fiscalização solicitou ao contribuinte a relação de notas fiscais de vendas para a Zona Franca de Manaus, e dessa relação foi constatado que parte dessas notas fiscais não teve como destino a ZFM, e que outra parte não foi internada, conforme conferência realizada junto à SUFRAMA. Foram encontradas vendas com destino para os estados do Amapá, do Acre e de Roraima, os quais não pertencem à ZFM. Outras notas fiscais que tinham como destino o estado do Amazonas não foram internadas. O contribuinte, a pedido da fiscalização, elaborou os respectivos demonstrativos com os valores mensais. O relatório fiscal, de outro lado, é claro em dizer que o interessado excluía indevidamente da base de cálculo do PIS as vendas para a ZFM, sem previsão legal para tanto, pois apenas a partir do advento da Medida Provisória nº 202, de 23/07/2004, convertida na Lei nº 10.996, em 15/12/2004, a alíquota do PIS foi reduzida a zero. E tal aspecto foi considerado pela fiscalização. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.712 10 Sobre a discussão no tocante às Declarações de Ingresso emitidas pela SUFRAMA, como já observado no Acórdão anteriormente anulado, é de se registrar que o simples fato de que essas notas fiscais constem em tais declarações não é elemento suficiente para comprovar o ingresso das mercadorias na ZFM, mormente diante do levantamento feito nos elementos probatórios apresentados pelo próprio contribuinte quando intimado. Tal comprovação não foi feita pelo contribuinte, tendo em vista que essas declarações da SUFRAMA servem tanto para a internação de mercadorias na ZFM, como também em outras Áreas de Livre Comércio e na Amazônia Ocidental, regiões essas não albergadas pelo benefício da alíquota zero da Lei nº 10.996/04. Vejamos o que dispõe a Portaria nº 205/2002, a respeito desse assunto: Art. 3° A comprovação do efetivo ingresso de mercadoria nacional, como ato preparatório à formalização do internamento, darseá mediante processo de vistoria que consiste na constatação física de sua entrada nas áreas incentivadas. § 1° Todas as mercadorias nacionais incentivadas e ingressadas na Zona Franca de Manaus, Áreas de Livre Comércio e Amazônia Ocidental estão sujeitas à vistoria da SUFRAMA. § 2° No caso específico de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, a vistoria referida no caput, somente será realizada nos postos estabelecidos no Protocolo n° 01/97, firmado entre a SUFRAMA e a SEFAZ/AM. § 3° A SUFRAMA comunicará o ingresso da mercadoria ao fisco da unidade federada do remetente e ao fisco Federal, através de sua home page ou mediante remessa de arquivo magnético, até o último dia do segundo mês subsequente àquele de sua ocorrência, que conterá, no mínimo os seguintes dados: 1 nome e número de inscrição estadual e CNPJ do remetente; II nome e número de inscrição no CNPJ do destinatário; III número, valor e data de emissão da Nota Fiscal; IV local e data da vistoria. § 4° A SUFRAMA disponibilizará em sua home page, por meio de Declaração, a constatação do ingresso referida no caput. Tanto é que, a título de exemplo, foi demonstrado que a nota fiscal relacionada pelo contribuinte de nº 557612, no valor de R$ 45.079,48, constante na Declaração de Ingresso da SUFRAMA, teve como destino empresa localizada no município do Macapá, ou seja, fora da ZFM. Não devemos olvidar que a fiscalização intimou o contribuinte para apresentar as notas fiscais relativas à ZFM, e foi sobre a documentação apresentada pelo mesmo que se diligenciou para confirmação ou não da internação junto à SUFRAMA. Vejase, ainda, diante da alegação do contribuinte de que não se encontrava claro quais as notas que foram excluídas, foi esse processo encaminhado em diligência (fls. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.713 11 1.120 a 1.121) para o fim específico de indicar quais as notas fiscais que deixaram de ser consideradas, segundo consulta efetuada junto à SUFRAMA. A fiscalização então detectou uma pequena divergência de valores em relação ao primeiro demonstrativo (Demonstrativo de Apuração de Valores a Ressarcir de PIS), que estão representadas no Anexo I da fl. 1.276 destes autos. Como se observa na planilha lá referenciada foi criado um campo denominado “Valor Reconhecido pela DRJ”. Dessa forma, no tocante aos meses aqui em litígio, foi reconhecido um crédito de R$ 124,18 em favor do contribuinte (agosto de 2004). Portanto, somente o valor de R$ 124,18 deve ser excluída da receita bruta. Os chamados abatimentos A recorrente alega que os valores informados como desconto, tratamse na verdade de descontos incondicionais, os quais deveriam ser deduzidos da base imponível do PIS. Justifica que para "preservar a confiabilidade dos parâmetros ajustados com os diversos clientes, os referidos descontos não foram descritos no campo descrição dos produtos nas respectivas notas fiscais, mas sim quando da emissão do boleto bancário". Ora, se incondicionais fossem tais descontos, deveriam os mesmos constar das notas fiscais, pois são parcelas redutoras do preço de venda. Demais disso, como averbado pela r. decisão, a IN SRF 51/1978, dispõe que os "descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos". Do Relatório de Atividade Fiscal consta que tais abatimentos ou descontos foram concedidos no pagamento da duplicata e não na nota fiscal e que, verificando os contratos, por amostragem, constatou que dos mesmos constam cláusulas que caracterizam a reduções do valor devido como descontos condicionados a evento futuro, tais como volume de mercadoria adquirida, bonificações, participação na publicidade veiculada pelo cliente. Com efeito, é de ser mantida a inclusão de tais valores na base do PIS, uma vez não caracterizados como incondicionais. 2 AS GLOSAS DE CRÉDITOS O que se dessume da peça recursal é que a empresa quer alargar o conceito de insumos das contribuições nãocumulativos para abarcar todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, o que vai de encontro ao entendimento desta Colenda Turma. Também anuo com a guerreada r. decisão, quando asseverou que o que dá direito a crédito "são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa". Sem embargo, com base nessa análise do conceito de insumo na legislação do PIS e da COFINS nãocumulativas, já podemos concluir como correta a glosa de créditos dos serviços de manutenção do ativo imobilizado (máquinas, veículos, geradores, serviços de pintura), serviços prestados por pessoa física, tratamento de esgotos industriais, gráfica, cópias, Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.714 12 controle de pragas e dedetização pois não guardam consonância direta com o processo fabril, tratandose de despesa operacional, não sendo custo vinculado à produção. Somese a isso o fato de que o contribuinte não se desincumbiu de provar o contrário. E, nessa esteira, coerentemente,o Fisco considerou os créditos referente à sexagem das aves, industrialização de soja, abate e desossa de animais, industrialização de parte dos produtos, de acordo com a correta leitura do conceito de insumo. Nada obstante, quanto à essas glosas, restringiuse a recorrente a alegar que os mesmos "foram contratados e prestados com o objetivo de viabilizar a produção e comercializados (SIC) dos bens da Recorrente, para o mercado interno e externo". Ou seja, alegou a necessidade dos mesmos no processo fabril, mas não trouxe aos autos qualquer meio de prova nesse sentido, contrariando o entendimento desta Turma. E, nesse passo, outra questão consolidada nesta Turma: é ônus do peticionante provar que o valor do crédito que quer ver abatido do cálculo da contribuição para fins de apuração de eventual valor a pagar/ressarcir decorre de produto utilizado na produção. E aqui, novamente, transcrevo excerto do mesmo Acórdão 3403003.625, de relatoria do Conselheiro Trevisan, que trouxe à colação julgados acerca do entendimento desta Turma sobre esse ônus probatório: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013). Assim, todas as glosas anteriormente referidas bem como a referente a material de transporte reutilizável estão corretas, porque ou não lhe dá guarida a legislação ou porque a recorrente não provou suas alegações em sentido contrário ao atestado pelo Fisco. De igual sorte, correta a glosa dos valores referente às aquisições de grãos efetuadas de pessoas físicas para revenda (comércio), pois não utilizadas na produção. A fiscalização por meio de rateio proporcional entre compras de pessoas físicas e compras totais, Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.715 13 agiu bem ao excluir tais valores. Também correta a exclusão de notas fiscais em que consta o adquirente o próprio contribuinte e/ou não há identificação da mercadoria adquirida. Depreciação Alega a BR Food's no que tange à depreciação, não existir clareza sobre o procedimento adotado. Discorda diretamente das glosas referentes a peças, máquinas e materiais de transporte, discorrendo que essas não implicariam no aumento da vida útil dos bens. No procedimento fiscalizatório, em contrapartida, é dito que as peças, as máquinas e material de transportes especificados deveriam estar ativadas no imobilizado e, portanto, tais montantes foram retirados do direito creditório apurado. Observase como correto o procedimento da fiscalização pois somente foram consideradas as depreciações sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, relativas aos itens utilizados na produção de bens destinados à venda. Sendo assim, não teria sido considerada a depreciação oriunda de reavaliação (artifício contábil, não havendo incidência de PIS e de Cofins), e também de bens relativos às áreas de vendas e administrativa, visto não decorrerem da produção. Registrese ainda que, novamente, a interessada não trouxe ao processo qualquer comprovação de que os materiais excluídos pela fiscalização foram efetivamente aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. Fretes Também questão pacificada nesta Turma, que não pode ser considerado crédito valores de fretes realizados entre filiais ou, no caso, entre parceiros integrados e suas filiais por falta de previsão legal para tanto. Portanto, correta tal glosa. Coerentemente, foi aceito pelo Fisco o crédito oriundo de frete decorrente de operações de venda quando o ônus foi suportado pelo contribuinte. Quanto à glosa dos fretes para o mercado externo, a motivação fiscal foi que sobre o serviço prestado de transporte internacional de cargas há isenção do PIS/COFINS. A recorrente alega que não se tratar de fretes internacionais e sim para transporte das mercadorias até o local de embarque, mas não traz prova de que arcou com tais custos, limitandose a alegar que quem pagas tais fretes, em geral, é o exportador. Mais uma vez alegou mas não provou. Despesas Financeiras A fiscalização glosou as despesas financeiras da conta Despesas Financeiras Variações Monetárias Passivas Variações Cambiais em relação às despesas devido à variação cambial de contratos com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, uma que tal crédito só é permitido se contratado com pessoa jurídica domiciliada no país. Correta a glosa, portanto. Já com relação aos juros explicitou o Fiscal autuante que o contribuinte excluía das contas referentes às despesas com financiamentos os juros devidos ao mercado. externo, nos termos do disposto no art. 3°, inciso V, § 3°, inciso II da Lei 10.637/2002. Alega a autuada que os dispositivos legais citados tratam de cálculo de descontos de créditos calculados sobre despesas financeiras e, portanto, não teriam qualquer relação com a matéria tratada neste Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.716 14 item. Não está correta a interpretação da empresa. Os termos utilizados pelo fiscal (excluir da base de cálculo), talvez não tenham sido os mais adequados, uma vez que os créditos calculados são descontados dos valores devidos a título da contribuição e não da sua base de cálculo. Contudo, o fato que tais valores não dão direito a crédito da contribuição, nos termos do disposto na legislação citada e, por isso, não podem ser incluídos no cálculo dos valores a descontar. Dessa forma, igualmente correta a glosa efetuada. Também sem reparos a exclusão do crédito presumido de estoque as matériasprimas importadas, compras de pessoas físicas, gastos de fabricação com mão de obra, depreciação, luz, água e aluguel dos estoques de prodtos acabados. Taxa SELIC Por fim, postula a recorrente que aos valores ressarcíveis seja aplicada a taxa SELIC, tendo em vista a mora no atendimento de seu pleito. Como não há reparos ao trabalho fiscal, não crédito a ser ressarcível e, consequentemente, não valor a ser atualizado pela SELIC. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz Com relação ao crédito oriundo de frete para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais, há de ser revertida a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Isto porque o assunto dos gastos com fretes e seu consequente direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontrase inserido na questão maior do conceito de insumo para fins do direito ao crédito dessas Contribuições Sociais, o qual teve grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já amplamente aceita sobre o tema. Tal construção jurisprudencial decorre do fato de inexistir na legislação brasileira um preciso conceito de insumo que se adeque à materialidade de PIS e COFINS não cumulativos, vale dizer, às receitas auferidas pelos contribuintes (artigo 195, inciso I, alínea “b” da Constituição e artigo 1º das Leis n. 10.673/2002 e 10.833/2003). Tal materialidade, ressaltese desde já, foi o signo presuntivo de riqueza pinçado pela Constituição Federal ao dar competência para a União instituir as referidas Contribuições Sociais e, por conseguinte, esta mesma materialidade que é responsável por dar efetividade à sistemática da não cumulatividade dessas exações, especialmente pela determinação do direito creditório a ser aproveitado pelos contribuintes. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.717 15 Esta lacuna legislativa levou, inicialmente, os nobres Conselheiros do CARF a convalidarem o restritivo entendimento esposado pela Receia Federal nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, importando o conceito de insumo do IPI à sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, tão somente eram autorizados os créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Entretanto, constatouse a impropriedade de utilização do mesmo critério para aferir o direito de crédito de IPI para a Contribuição ao PIS e a COFINS, uma vez que o alcance do direito creditório corresponde às respectivas materialidades de cada uma das exações. Nesse sentido, destaco trecho do voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão n. 930301.035: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Desse modo, movimento em sentido diametralmente contrário teve surgimento no CARF: as decisões passaram a trazer à definição de insumos para o crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS as regras de dedutibilidade de despesa encontradas na legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ (e.g. Acórdão n. 3202 00.226). Esta vertente, contudo, também restou enfraquecida no CARF, pois ampliava demasiadamente a possibilidade de tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, abarcando situações totalmente estranhas ao processo produtivo dos contribuintes. Finalmente, chegouse à conclusão de que a definição do alcance do vocábulo insumo, para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS (artigo 3º, inciso II das Leis 10.673/2002 e 10.833/2003), não deveria importar conceitos advindos da legislação do IPI ou do IRPJ, pois são enunciados prescritivos estranhos às próprias Contribuições e, consequentemente, à sua lógica. É necessário, isto sim, o esforço exegético para construir critérios próprios e específico à Contribuição ao PIS e à COFINS a partir do contexto jurídico em que as se encontram. A Procuradora da Fazenda Nacional Bruna Garcia Benevides traz ensinamento bastante elucidativo a esse respeito: Isto porque, a não cumulatividade deve estar atrelada à materialidade do tributo, na medida em que o pressuposto de fato da exação, constitucionalmente definido, é que deve condicionar todos os demais mecanismos legais referentes a ela. O PIS e a COFINS, como é cediço, não incidem unicamente sobre produtos industrializados e nem sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa. Incidem sobre o ingresso que possa ser considerado receita. E a receita, por lei e nos Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.718 16 termos da jurisprudência do STF, deve ser oriunda de compra e venda de mercadorias, prestação de serviços e das demais atividades empresarias típicas. Assim, quando se fala em nãocumulatividade do PIS e da COFINS, ela deve estar relacionada com os gastos incorridos pelo contribuinte para realizar os negócios jurídicos capazes de gerar a sua receita operacional – fato gerador e base de cálculo do PIS e da COFINS1. Justamente acatando esta lógica, passou a caminhar a jurisprudência deste Conselho. Nestes moldes, adoto o mais recente e, ao meu ver, correto entendimento do CARF no sentido de aceitar os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que empregados indiretamente (e.g. Acórdão nº 3403003.052). Válido assinalar, então, que se amoldam ao conceito de insumo, além dos dispêndios diretamente relacionado com a atividade empresarial, também determinados dispêndios indiretos, a depender de sua indispensabilidade ao processo produtivo, que pode ser de natureza ontológica (imprescindibilidade material para a obtenção do resultado) ou jurídica (imposição legal ou regulamentar do uso de certos bens ou serviços).2 Pois bem. Dentre os dispêndios ontologicamente necessários para a produção, encontrase o frete de produtos inacabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Sobre especificamente essa questão, o CARF vem sedimentando seu entendimento no sentido de que determinadas operações com frete são sim capazes de garantir o direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. Bem sintetiza o assunto a manifestação do Conselheiro Marcos Trechesi Ortiz quando do julgamento do Acórdão n. 3403001.556 (Processo n. 11686.000346/200828, de 25 de fevereiro de 2012), nos seguintes termos: "(...) Porque na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matérias primas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3º, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável 1 BENEVIDES, Bruna Garcia. O Conceito de Insumo no Regime do PIS e da COFINS não Cumulativos Segundo a Ótica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Revista da PGFN/Procuradoriageral da Fazenda Nacional, Brasília, v. 2, n. 2, jul. 2012, p. 274. 2 SANTIAGO, Igor Mauler; JORGE, Carolina Schaffer Ferreira. Aspectos polêmicos de PISCOFINS. In MARTINS, Ives Gandra da Silva. Aspectos polêmicos de PISCOFINS. São Paulo: Lex, 2013, v. 1., p. 360. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 11080.008925/200595 Acórdão n.º 3402002.817 S3C4T2 Fl. 1.719 17 como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. (...)" Concluise assim que, efetivamente, quando tratamos do trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do mesmo contribuinte, o dispêndio com frete é custo do produto, e deve ser entendido como insumo, nos termos do artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673/2002 e 10.833/2003, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito, seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS. O presente caso versa sobre de serviço de transporte de matériasprimas, produtos intermediários, de material de embalagem e de serviços entre filiais ou entre parceiros integrados da Recorrente, dentro do seu contexto produtivo, razão pela qual se enquadra como custo de produção, cabendo o creditamento da Contribuição ao PIS com fundamento no artigo 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003. Assim, entendo que deve ser revertida a glosa relativa a fretes para o transporte de insumos e produtos inacabados entre filiais e entre parceiros e filiais. É como voto. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 0/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000831/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15983.000831/2010-12
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567682
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.820
nome_arquivo_s : Decisao_15983000831201012.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 15983000831201012_5567682.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6279359
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125497671680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000831/201012 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.820 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria INTEMPESTIVIDADE Recorrente FUNDAÇÃO PRIMEIRA DE SÃO VICENTE PARA O DESENVOLVIMENTO CULTURAL, CIENTÍFICO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 31 /2 01 0- 12 Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2007 a 12/2007. O Relatório Fiscal informa que os valores apurados foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: AL – Alimentação; EB Estagio Bolsa; SA Salário diferença DIPJ e GFIP; e CI – Autônomos. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 25/10/2010 (fls. 01 e 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1135/1140), alegando, em síntese, que: 1. nulidade do auto de infração, pois o Fisco não fez a descrição precisa dos fatos, nem apontou diferenças consistentes que ensejassem o lançamento do débito, cerceando o direito de defesa da impugnante; 2. inexistência da infração, tendose em vista que não há elementos claros no processo administrativo para que a impugnante possa defenderse, não lhe resta alternativa, senão dizer que nada deve a titulo de contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0540.260 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1675/1689) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que houve aproveitamento dos valores recolhidos e constantes dos sistemas do Fisco. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Santos/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15983.000831/201012 Acórdão n.º 2402004.820 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2013, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos (fls. 1694). Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 06/05/2013, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbado pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Santos/SP, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão no 0540.260 da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 1675/1689) – em 25/03/2013 (segundafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 26/03/2013 (terça feira). O trigésimo dia ocorreu em 24/04/2013 (quartafeira). Entretanto o recurso só teria sido apresentado ao Fisco em 06/05/2013, segundafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal que seria o dia 24/04/2013. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900880/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
IRPJ. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP.
Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 31647.10095.280307.1.3.044144, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: IRPJ. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 31647.10095.280307.1.3.044144, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16682.900880/2010-12
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5568146
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.320
nome_arquivo_s : Decisao_16682900880201012.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 16682900880201012_5568146.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6283403
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125500817408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900880/201012 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1201001.320 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de fevereiro de 2016 Matéria PER/DCOMP Crédito IRPJ Recorrente AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: IRPJ. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 31647.10095.280307.1.3.044144, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 80 /2 01 0- 12 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 31647.10095.280307.1.3.04.4144, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469), relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 7.471,50, com o crédito de R$ 7.471,50, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), no valor total de R$ 24.904,99, referente ao período de apuração 31/07/2006. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07/10 (nº de rastreamento 880540410), emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 7.471,50. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 21/09/2010 (AR,fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 12/20, instruída com os documentos de fls. 21/49, alegando, em síntese, que: 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 4 3 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 12B da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 12B da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936, como forma de corroborar o acima exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 103.179,76, o qual faz jus; 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 31647.10095.280307.1.3.044144 em 28/03/2007, no total de R$ 7.471,50 (principal: R$ 5.877,97; multa: R$ 1.175,60; juros: R$ 413,93), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 6.051,37, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 1.420,11; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/2009 e nº 0620283/2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006,não havendo qualquer mácula na efetiva existência do Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 5 4 crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.016, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 19/12/2012 (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO.CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art.170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/01/2013. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.02 0768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem Fl. 203DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 6 5 do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Nestes termos, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido, deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendose somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no ano calendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do ano base encerrado em 31/12/2006. Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. A antiga 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.314, de 11/09/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° Fl. 204DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 7 6 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, e outros, restou reconhecido o saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2006, no montante de R$ 103.179,78 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos e informar se os PER/DCOMPs n° 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existem decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. A Demac/RJO elaborou Despacho conclusivo para a análise, cientificado ao sujeito passivo em 22/11/2014, que se manifestou em 08/12/2013. Os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802000. 314, de 11/09/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: Conforme relatado, o crédito de R$ 7.471,50, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), no valor total de R$ 24.904,99, referente ao período de apuração de 31/07/2006 declarado no PER/DCOMP nº 31647.10095.280307.1.3.044144 (fls.02/06). Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 11 (“Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 9.617.173,50 (fls. 52/63), como demonstrado a seguir: ... Fl. 205DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 8 7 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 12B da DIPJ/2007, passando a fazer jus ao saldo negativo de R$ 103.179,76. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 64/66), que o motivo do acréscimo do saldo negativo está no preenchimento da Ficha12B (“Cálculo do IR sobre o Lucro Real”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” apresenta o valor de R$ 9.617.173,50, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 9.652.441,32. Consequentemente, o saldo negativo de R$ 67.911,94 das duas primeiras restou acrescido para R$ 103.179,76 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.02 1936 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 (fls.33/45) declara a compensação de débito de IRPJ utilizando o crédito de R$ 67.850,66, proveniente do saldo negativo retificado de R$ 103.179,76. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 35.329,10. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls. 107), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 34109.77151.211010.1.7.026122 (fls. 67/70), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 35.329,10, para compensar débito de IRPJ, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 35.267,82. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de IRPJ integra o saldo negativo de R$ 103.179,76 pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 12B das respectivas declarações o efetivo valor do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” – R$ 9.652.441,32 – e, consequentemente, do saldo negativo – R$ 103.179,78 após todos os recolhimentos de Fl. 206DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 9 8 estimativa de IRPJ efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de IRPJ recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 35.267,84, compõem efetivamente o saldo negativo de R$ 103.179,78, pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de saldo negativo, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936 pelo de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo do saldo negativo de R$ 103.179,78, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater ao mencionado saldo negativo retificado. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte do saldo negativo de R$ 103.179,78, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 104 e 106). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 35.267,82 indicado no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no Fl. 207DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 10 9 prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, motivo pelo qual não reconheço o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 31647.10095.280307.1.3.044144 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art.170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor do IRPJ, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 em que se analisa o saldo credor do IRPJ de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no ano calendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e Fl. 208DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 11 10 PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do anobase encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, relativo ao período de julho/2006, compõe o saldo negativo de R$ 103.179,78, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que reconhecido e informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, e outros, restou reconhecido o saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2006, no montante de R$ 103.179,78 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. ... A Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ após verificar a situação dos mencionados PER/DCOMP, conforme constam do sistema SIEF Web, proferiu despacho com a seguinte informação: (...) PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122 (fls. 162). A compensação pleiteada neste PER/DCOMP foi totalmente homologada. O crédito é de saldo negativo de IRPJ do exercício 2007 e seu valor transmitido é de R$ 35.329,10. O débito no valor de R$ 65,50, código de receita 231901, data do fim do PA 30/06/2007 e vencimento em 31/07/2007 foi extinto. O PER/DCOMP com informação do crédito é o de nº 33829.68784.230207.1.3.021936. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900880/201012 Acórdão n.º 1201001.320 S1C2T1 Fl. 12 11 PER/DCOMP nº 30693.88902.170707.1.3.028798 (fls. 163). Este PER/DCOMP foi cancelado pela retificadora 34109.77151.211010.1.7.026122. ... PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768 (fls. 168). A compensação pleiteada neste PER/DCOMP foi totalmente homologada. O crédito é de saldo negativo de IRPJ do exercício 2007 e seu valor transmitido é de R$ 103.179,76. O débito no valor de R$ 69.261,95, código de receita 231901, data do fim do PA 31/01/2007 e vencimento em 28/02/2007 foi extinto. ... Depreendese da informação acima que houve o reconhecimento total de saldo negativo do IRPJ relativo ao ano calendário de 2006 no valor de R$ 103.179,76, do qual foi utilizado parte à compensação homologada do débito de R$ 69.261,95 mediante o PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768, e outra parte à compensação homologada do débito de R$ 65,50 mediante o PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. Desse modo, verificado o mencionado saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 31647.10095.280307.1.3.044144 (fls.02/06), respeitado o limite do crédito reconhecido e o valor ainda não utilizado pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13855.722971/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
GLOSA DE IRRF. INDÍCIOS DE FRAUDE. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA.
Nos casos de suspeitas de fraude e de inidoneidade do comprovante de rendimentos, o imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos quando a retenção restar devidamente comprovada por meio de outros documentos, hábeis e idôneos, ou, ainda, por meio da comprovação dos respectivos recolhimentos.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 GLOSA DE IRRF. INDÍCIOS DE FRAUDE. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA. Nos casos de suspeitas de fraude e de inidoneidade do comprovante de rendimentos, o imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos quando a retenção restar devidamente comprovada por meio de outros documentos, hábeis e idôneos, ou, ainda, por meio da comprovação dos respectivos recolhimentos. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13855.722971/2014-17
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5576226
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.192
nome_arquivo_s : Decisao_13855722971201417.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 13855722971201417_5576226.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6316018
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125507108864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 77 1 76 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.722971/201417 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.192 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente EDITH BERTHA SABLEWSKY DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 GLOSA DE IRRF. INDÍCIOS DE FRAUDE. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA. Nos casos de suspeitas de fraude e de inidoneidade do comprovante de rendimentos, o imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos quando a retenção restar devidamente comprovada por meio de outros documentos, hábeis e idôneos, ou, ainda, por meio da comprovação dos respectivos recolhimentos. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 29 71 /2 01 4- 17 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio De Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855.722971/201417, em face do acórdão nº 1271.707, julgado pela 19ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), na sessão de julgamento de 12 de janeiro de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: Foi lavrada Notificação de lançamento relativa ao exercício de 2013, anocalendário 2012, fls. 05/09, em nome de EDITH BERTHA SABLEWSKY DE OLIVEIRA, para apuração de imposto de renda da pessoa física (cód.0211), no valor de R$686,60, acrescido de multa de mora de 20% e juros de mora. A alteração é decorrente da revisão da declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2013, anocalendário 2012, de modo a caracterizar a(s) infração(ões): “Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$9.143,47”, conforme descrição dos fatos às fls. 07 dos autos. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação em 01/10/2014, fls. 02 e 11/14, afirmando, em síntese, que o valor relativo ao IRRF consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e que possui direito a compensação pleiteada. A 19ª. Turma da DRJ/RJ1 entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte, entendendo que havia indícios de fraude apurados em outro processo administrativo, bem como por existir relação de parentesco entre a contribuinte e a fonte pagadora, de modo que caberia a contribuinte demonstrar inequivocamente que houve a retenção de imposto de renda para afastar a glosa. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 51/56, reiterando os argumentos já lançados na impugnação e juntando, em anexo ao recurso voluntário, novos documentos (fls. 62/70). É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13855.722971/201417 Acórdão n.º 2202003.192 S2C2T2 Fl. 78 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, esclarecese que a contribuinte é mãe do sócioadministrador (Humberto Alves de Oliveira) de sua fonte pagadora (Poliedro Contadores Ltda). A contribuinte declarou ter recebido no exercício de 2013 o valor de R$ 36.000,00 de sua fonte pagadora, tendo informado em Declaração de Ajuste Anual o imposto de renda retido pela fonte o valor de R$ 9.143,47. Todavia, constatouse que o valor recolhido pela fonte pagadora foi R$ 0,00, ocorrendo assim a glosa do valor total de IRRF no exercício 2013. Diante disso, foi lavrada Notificação de lançamento relativa ao exercício de 2013, anocalendário 2012, para apuração de imposto de renda da pessoa física, no valor de R$686,60, acrescido de multa de mora de 20% e juros de mora, pois teria ocorrida a compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 9.143,47. No presente caso, temos que o acórdão recorrido fundamentou a improcedência da impugnação pelo fato de a contribuinte ter se limitado a alegar que a retenção existiu, porém teria deixado de apresentar qualquer elemento para comprovar o recolhimento. Ainda, não apresentou qualquer elemento para comprovar o recolhimento. Destaco que a contribuinte não apresentou comprovantes de depósitos em conta corrente para comprovar a efetividade da retenção do imposto de renda na fonte. Entendo que o dever de comprovar a retenção na fonte cabe a fonte pagadora, e não à contribuinte. Porém tratase de caso atípico, pois há relação de parentesco entre a contribuinte e sua fonte pagadora, sendo o sócioadministrador da fonte pagadora filho da contribuinte, cabe nestes casos ao contribuinte o ônus de apresentar elementos probatórios inequívocos de que houve a retenção Ademais, há de ser salientado que a contribuinte foi intimada a apresentar outros documentos que viessem a comprovar a alegada retenção de imposto de renda na fonte, tais como contracheques, contrato de prestação de serviços e/ou respectivo termo de rescisão e carteira de trabalho (fls. 30 e 02). No entanto, limitouse a juntar aos autos o comprovante de rendimentos já apresentado e não aceito pelo Fisco para comprovar a referida retenção (fls. 34), bem como o recibo de fls. 37/38, sem assinatura do signatário. E, em recurso voluntário, apresenta recibo com assinatura (fls. 64/65). Assim, resta demonstrado que a contribuinte deixou de apresentar documentos comprobatórios de que a retenção do imposto de renda ocorreu, bem como que teria sua fonte pagadora efetuado o recolhimento do referido tributo, salientadose, mais uma vez, que empresa em questão possui seu filho como sócioadministrador. Por oportuno, Acrescentese, que, conforme relatado pela autoridade fiscal quando da motivação do lançamento efetuado, a referida empresa Poliedro possui processo Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 junto a esta SRFB (15956.000096/201155), iniciado por motivo de “suspeitas de fraude”, as quais se confirmaram, concluindose, no referido processo, às fls. 377 daquele, que: “Face ao acima exposto, está devidamente comprovado que essas restituições de Imposto de Renda são indevidas, pois são frutos de ...” Ainda, relevante transcrever trecho da decisão da DRJ/RJ1 que fundamenta seu voto também em relação a tal questão, o que leva a ser exigido da contribuinte prova inequívoca da retenção: "Ressaltese que, diante dos fatos narrados, das suspeitas de fraude e da conclusão exposta no processo nº 15956.000096/201155, cabia a contribuinte trazer aos autos outros documentos e/ou elementos que comprovassem de forma inequívoca a referida retenção." Assim, sem dispor de elementos de prova inequívocos, não é possível acatar a compensação pleiteada na declaração de ajuste, com base em simples alegações e documentos simplórios desqualificados pela própria SRFB no processo nº 15956.000096/2011 55, cabendo à interessada o ônus da prova de que efetivamente sofreu a referida retenção. Desse modo, não prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser mantida a glosa consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 18/03/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000712/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
TRANSPORTE DE CARGAS. EXPORTAÇÃO.
Não se considera como transporte internacional de cargas, para fins de isenção do PIS, o transporte de cargas realizado entre dois pontos situados no território nacional em que apenas a mercadoria transportada destina-se à exportação.
Numero da decisão: 3201-001.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 TRANSPORTE DE CARGAS. EXPORTAÇÃO. Não se considera como transporte internacional de cargas, para fins de isenção do PIS, o transporte de cargas realizado entre dois pontos situados no território nacional em que apenas a mercadoria transportada destina-se à exportação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11030.000712/2008-53
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5555700
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3201-001.946
nome_arquivo_s : Decisao_11030000712200853.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 11030000712200853_5555700.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6240457
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125521788928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2.141 1 2.140 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000712/200853 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.946 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS COFINS Recorrente CASTELLI LOGÍSTICA & TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 TRANSPORTE DE CARGAS. EXPORTAÇÃO. Não se considera como transporte internacional de cargas, para fins de isenção da Cofins, o transporte de cargas realizado entre dois pontos situados no território nacional em que apenas a mercadoria transportada destinase à exportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 TRANSPORTE DE CARGAS. EXPORTAÇÃO. Não se considera como transporte internacional de cargas, para fins de isenção do PIS, o transporte de cargas realizado entre dois pontos situados no território nacional em que apenas a mercadoria transportada destinase à exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 07 12 /2 00 8- 53 Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11030.000712/200853 Acórdão n.º 3201001.946 S3C2T1 Fl. 2.142 2 (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativa a períodos de apuração de 2003, 2004, 2005 e 2006. Em face da edição da Portaria RFB nº 666, de 2008, o presente processo também pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, pertinente também a períodos de apuração dos mesmos anos. Conforme apontado nos Autos de Infração, foi constatada a insuficiência de recolhimento das contribuições nesses períodos. A descrição detalhada dos fatos e das conclusões a que chegou o autuante são encontradas no Termo de Verificação de Ação Fiscal anexo aos autos de infração (Volume 1 do processo). São os seguintes os apontamentos do fiscal autuante: 1. Receitas de exportação: A contribuinte efetuou o cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos excluindo indevidamente da base de cálculo valores de fretes nacionais que foram lançados como se fossem exportações. A receita de prestação de serviços de transporte de mercadoria destinada à exportação, dentro do território nacional, até ponto de embarque ao exterior, não goza da isenção do PIS e da Cofins prevista para a exportação. O transporte internacional de cargas têm o benefício da isenção apenas quando o ponto de embarque ou de destino estiver situado fora do território nacional. 2. Subcontratação de fretes – cálculo de créditos: A Fiscalizada subcontrata seus fretes para pessoas físicas e empresas; entretanto, não efetua a devida separação dos valores decorrentes de subcontratação de empresas optantes pelo Lucro Real e Presumido, de empresas optantes do Simples, e de pessoas físicas (autônomos). A legislação não determina esta separação contábil, mas diz que o cálculo do crédito das empresas optantes do Simples e das pessoas físicas se dará mediante aplicação de uma alíquota de 75% (setenta e cinco por cento) da fixada pela norma geral. Quanto a esse cálculo dos créditos na subcontratação de fretes temse que: • se a subcontratada for PJ do Lucro Real ou Presumido, os créditos são calculados com as alíquotas cheias, isto é, 7,6% (Cofins) e 1,65% (PIS); Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11030.000712/200853 Acórdão n.º 3201001.946 S3C2T1 Fl. 2.143 3 • se a subcontratada for PF, os créditos são calculados com as alíquotas a 75% (crédito presumido), isto é, 5,7% (Cofins) e 1,2375% (PIS), a partir de dezembro de 2004; e • se a subcontratada for PJ do Simples, os créditos são calculados com as alíquotas a 75%, isto é, 5,7% (Cofins) e 1,2375% (PIS), a partir de abril de 2005. • Há que se observar que sem esta subdivisão os créditos foram calculados pelo seu montante integral pela Fiscalizado, ou seja, todos os pagamentos efetuados a subcontratados pessoas físicas, PJ do Simples e PJ Lucro Real e Presumido estão na mesma conta contábil e sobre esta foi aplicado o percentual de 7,6% (Cofins) e 1,65% (PIS), o que não é correto. E desta forma, como não há como esta fiscalização federal separar o montante que aplicasse a alíquota cheia e o que aplicasse a alíquota do crédito presumido, bem como, na amostra por nós analisada a maioria dos fretes subcontratados são decorrentes de pessoas físicas, aplicouse a alíquota do crédito presumido sobre o montante total. Além do citado Termo de Verificação de Ação Fiscal, importa também mencionar o documento Explicações das Planilhas da Cofins e do PIS não Cumulativo (Volume 4a), onde o autuante explana sobre a confecção de suas planilhas de cálculo, e o documento Termo de Esclarecimento de Fatos Ocorridos na Assinatura do Auto de Infração Fiscal (Volume 4a), onde expõe detalhes da ação fiscal conduzida junto à fiscalizada. Cientificada da exigência fiscal, a autuada apresenta Impugnação (Volume 4b), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Decadência: Impossibilidade de exigirse PIS e Cofins nos períodos de apuração de janeiro a abril de 2003, pois alcançados pelo instituto decadencial. • Nulidade: A descrição dos fatos, que configura componente obrigatório do auto de infração, carece do elemento “certeza”, o que conduz à nulidade. • Receitas de exportação: Receitas decorrentes de serviços de transporte vinculados/destinados ao comércio exterior não podem ser tributadas. Os fretes realizados pela impugnante configuram “transporte internacional” enquanto as cargas tenham destino ao mercado externo, mesmo que o transporte se dê até o destino escolhido pelo exportador/contratante, regra geral os recintos alfandegados junto aos portos. Fato é que as mercadorias são destinadas à exportação. • Erro material: Há erro de quantificação da base de cálculo do PIS em 04/2003, posto que o AFRF inseriu o valor de R$ 443.853,34 a título de receitas de exportação em sua planilha de cálculo, quando o correto é de R$ 404.568,33. Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11030.000712/200853 Acórdão n.º 3201001.946 S3C2T1 Fl. 2.144 4 • Subcontratação de fretes – cálculo de créditos: Impõese reconhecer desde logo assistir razão ao AFRF na parte em que afirma que a Impugnante equivocouse ao não “segregar” os serviços adquiridos de pessoas jurídicas (real/presumido), de PJSimples (a partir de 04/2005), dos contratos firmados com pessoas físicas (a partir de 12/2004), para fins de cálculo dos créditos em apreço. Entretanto, o Autuante incide em erro quando resolve impingir sobre a “base de cálculo” desta parcela representativa dos créditos (subcontratos) da Impugnante os percentuais reduzidos, tãosomente, como se não houvesse sido igualmente subcontratadas pessoas jurídicas contribuintes do PIS/COFINS. • Subcontratação de fretes – desconsideração de alguns períodos: Nas planilhas, além de ter creditado a alíquota presumida (75% de 7,6% e de 1,65%) sobre o valor total dos subcontratos, independentemente se pessoas físicas ou jurídicas, o autuante nada creditou de 02/2004 a 09/2004 para a Cofins, e de 02/2003 a 09/2004 para o PIS, o que é inadmissível. Antes da alteração de redação perpetrada pelos arts. 23 e 24 da Lei nº 11.051/04, nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, era lícito calcular os créditos sobre todos os subcontratos firmados com pessoas jurídicas, sendo desinfluente se tributadas pelo lucro real, presumido ou pelo Simples. • Caráter sancionatório: A impugnante argúi que os lançamentos, distantes da verdade material e da legítima hipótese de incidência do PIS e da Cofins nãocumulativos, acaba por assumir inarredável identidade punitiva, o que é absolutamente interdito nos termos do CTN. Após a apresentação da impugnação, acompanhada de cópias de documentos denominados “Conhecimentos de Transporte”, o processo veio para esta DRJSalvador para julgamento. Com o propósito de confirmar informações trazidas à baila na impugnação, o processo foi baixado em diligência Fiscal, conforme Despacho 147 – 4ª Turma da DRJ/SDR (Volume 7c). Realizada a diligência fiscal, conforme documentos acostados ao longo do Volume 8 deste processo, o fiscal apresenta suas conclusões no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, onde demonstra, após recálculo dos créditos dos fretes subcontratados, créditos a mais a que a contribuinte tem direito para abatimento dos débitos apurados nos autos de infração. Reaberto o prazo para manifestação da contribuinte após a realização da diligência fiscal, é apresentado um Aditamento à Impugnação, onde a diligenciada afirma que o recálculo dos créditos realizado na diligência apenas reafirma a insubsistência dos autos de infração. Sobreveio decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvado/BA, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11030.000712/200853 Acórdão n.º 3201001.946 S3C2T1 Fl. 2.145 5 impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 TRANSPORTE DE CARGAS. EXPORTAÇÃO. No transporte de cargas dentro do território nacional em que apenas a mercadoria transportada destinase à exportação, a receita desta modalidade de transporte não se configura como transporte internacional de cargas, não podendo assim ter o tratamento fiscal de isenção, estando sujeita ao pagamento regulamentar da contribuição para a Cofins. CRÉDITOS. PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA DO SIMPLES. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, observadas as vedações previstas e demais disposições da legislação aplicável, podem descontar créditos calculados em relação às aquisições de bens e serviços de pessoa jurídica optante pelo Simples Federal ou Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 TRANSPORTE DE CARGAS. EXPORTAÇÃO. No transporte de cargas dentro do território nacional em que apenas a mercadoria transportada destinase à exportação, a receita desta modalidade de transporte não se configura como transporte internacional de cargas, não podendo assim ter o tratamento fiscal de isenção, estando sujeita ao pagamento regulamentar da contribuição para o PIS. CRÉDITOS. PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA DO SIMPLES. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa do PIS, observadas as vedações previstas e demais disposições da legislação aplicável, podem descontar créditos calculados em relação às aquisições de bens e serviços de pessoa jurídica optante pelo Simples Federal ou Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 30/04/2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastada a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal, em face da edição da Súmula Vinculante nº 08, de 2008, considerase que o prazo decadencial Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11030.000712/200853 Acórdão n.º 3201001.946 S3C2T1 Fl. 2.146 6 para se efetuar o lançamento de ofício relativo ao PIS/Pasep e à Cofins é de cinco anos, contados a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente, em relação ao pleito de nulidade do procedimento fiscal, verificase que o presente auto de infração encontrase devidamente consubstanciado, com a clara explicitação dos fatos que ensejaram a autuação, inexistindo, desta forma a alegada falta de certeza. Quanto ao mérito, a lide tem por objeto a possibilidade de tributação, pelo PIS e pela Cofins, de receitas obtidas com serviços de transporte realizado entre dois pontos do território nacional de mercadorias destinadas à exportação, receitas estas que ensejaram na lavratura do presente auto de infração. A Recorrente sustenta que os fretes por ela realizados, em geral de cereais destinados à exportação, configuram “transporte internacional” enquanto as cargas tenham destino ao mercado externo, mesmo que o transporte se dê em território nacional. Pois bem, a Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em seu artigo 14, V, e §1º estabelece a isenção das contribuições em tela em relação a receitas decorrentes do transporte internacional de cargas ou passageiros: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; [...] Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11030.000712/200853 Acórdão n.º 3201001.946 S3C2T1 Fl. 2.147 7 § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput.”. O conceito de transporte internacional de cargas, por sua vez, conforme devidamente salientado pela decisão recorrida, encontrase previsto no artigo 2º parágrafo único, inciso II, da Lei nº 9.611/98, que assim dispõe: Art. 2º Transporte Multimodal de Cargas é aquele que, regido por um único contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é executado sob a responsabilidade única de um Operador de Transporte Multimodal. Parágrafo único. O Transporte Multimodal de Cargas é: I nacional, quando os pontos de embarque e de destino estiverem situados no território nacional; II internacional, quando o ponto de embarque ou de destino estiver situado fora do território nacional. (grifo nosso) Do exposto, extraise que, para que o transporte de cargas seja considerado internacional, ele deve ter como ponto de embarque ou de destino local situado fora do território nacional. Ao contrário, em se tratando de transporte de cargas no qual os pontos de embarque e de destino encontraremse situados no território nacional, o mesmo corresponde a transporte nacional de cargas. Na situação em julgamento, é incontroverso que os serviços de transporte realizados pela Recorrente apresentavam como pontos de embarque e destino localidades situadas dentro do território nacional. Desta forma, enquadramse como serviços de transporte interno, razão pela qual as receitas percebidas com a atividade encontramse sujeitas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. O fato de que a mercadoria transportada tem por destino o comércio exterior em nada altera esta situação. O que importa, conforme previsto no artigo 2º da Lei nº 9.611/98, é o que se encontra previsto no contrato de transporte que acoberta a operação. Caso o contrato estabeleça como pontos de embarque e de destino locais situados no território nacional, tratase de transporte nacional, e desta forma deve ser tributado. Quanto à alegação que a presente exigência seja sancionatória, conforme exposto, a tributação pelo PIS e pela Cofins das receitas percebidas por empresas transportadoras encontrase prevista na legislação de regência, o que impede o julgador administrativo de cancelar o auto de infração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11030.000712/200853 Acórdão n.º 3201001.946 S3C2T1 Fl. 2.148 8 Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10740.720030/2014-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
Ementa:
AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÃO COM PESSOA JURÍDICA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO.
Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exige-se deste a diferença nos valores devidos das contribuições sociais não cumulativas, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições de pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, aplicável às aquisições de pessoas físicas.
Numero da decisão: 3402-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÃO COM PESSOA JURÍDICA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exige-se deste a diferença nos valores devidos das contribuições sociais não cumulativas, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições de pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, aplicável às aquisições de pessoas físicas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10740.720030/2014-30
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5565702
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.869
nome_arquivo_s : Decisao_10740720030201430.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 10740720030201430_5565702.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6266523
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125558489088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.600 1 2.599 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10740.720030/201430 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.869 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria PIS/Cofins Recorrente NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÃO COM PESSOA JURÍDICA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exigese deste a diferença nos valores devidos das contribuições sociais não cumulativas, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições de pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, aplicável às aquisições de pessoas físicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 30 /2 01 4- 30 Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de autos de infração por falta/insuficiência de recolhimento de PIS/Cofins, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência não cumulativa das referidas contribuições. Em relação à Cofins, o crédito tributário foi constituído no valor total de R$ 5.184.661,00, incluindo juros de mora e multa qualificada de 150%; e, relativamente ao PIS, no valor total de R$ 1.125.617,15, incluindo juros de mora e multa qualificada de 150%. Consta na autuação como base legal do lançamento da Cofins a Lei nº 10.833/03, artigos 1º, 3º e 5º; e da multa, o art. 10, parágrafo único da Lei Complementar nº 70/91; e art. 44, inciso I (II) e § 1º, da Lei nº 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. No que se refere ao crédito principal do PIS, a base do lançamento é a Lei nº 10.637/02, artigos 1º, 3º e 4º. Quanto aos acessórios legais: a multa teve por base o art. 86, § 1º, da Lei nº 7.450/85; art. 2º da Lei nº 7.683/88; e art. 44, inciso I (II) e § 1º da Lei nº 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. Conforme consta no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, de 178 folhas, podemos assim sintetizar a ação fiscal que originou os lançamentos: A contribuinte apropriouse de créditos integrais fictos das contribuições sociais não cumulativas decorrentes da compra de café. A fraude consistia na escrituração de notas fiscais de empresas atacadistas para acobertar as operações realizadas de aquisições de café em grãos diretamente de produtores rurais pessoas físicas. O procedimento fiscal decorreu das investigações originadas na operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA”, deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal. Depois, em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA em parceria do Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diversos locais, dentre os quais, a sede da autuada. Após a deflagração da operação BROCA (junho a dezembro de 2010), as compras de café da NICCHIO SOBRINHO de cafeicultores do estado do ESPÍRITO SANTO foram documentadas com nota fiscal do próprio produtor (nota de produtor) e, então, as compras documentadas em nome de empresas laranjas foram canalizadas para o estado de MINAS GERAIS, em especial, MANHUAÇU. Esses fatos repetiramse no ano de 2011, período compreendido na presente auditoria: empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias nas compras de café de produtor na região de MANHUAÇU e municípios próximos a esta. Nesse período, ao rol de algumas empresas laranjas anotadas nos anos de 2009 a 2010, foram acrescidas outras mais novas, criadas a partir de 2010, que passaram a ser as principais fornecedoras da NICCHIO Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.601 3 SOBRINHO, tais como Quintão e Gonzaga Comércio Ltda, Balbino & Reis Comércio de Café Ltda, dentre outras. No esquema, na tentativa de dar aparência de legalidade à transação, utilizavase do depósito na conta corrente da empresa laranja emitente da nota para, em seguida, ser direcionado ao verdadeiro vendedor. A autuação foi fundamentada nos documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA”, dentre os quais estão: declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e vários outros documentos relacionados a tais empresas. Foram recebidos do Ministério Público e da Polícia Federal documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético, que demonstraram, de forma incontestável, a fraude. Também, coletouse documentos e informações junto às instituições financeiras, além de diligências nas principais empresas exportadoras de café. Apurouse que algumas contas eram movimentadas por intermédio de funcionários das próprias empresas exportadoras compradoras do café, neste caso, as compras eram efetivadas diretamente junto aos produtores rurais/maquinistas pelos compradores dessas empresas e guiadas em nome de empresa laranja. Junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins e outras. Os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, o que ficava a cargo dos escritórios dos corretores e/ou compradores. Os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente no que tange à utilização das pessoas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive com pleno conhecimento da empresa autuada. Os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas. Segundo os corretores, algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, sendo que a Nicchio Sobrinho tinha pleno conhecimento, participava e se beneficiava do esquema fraudulento. Os dirigentes da NICCHIO SOBRINHO não só sabiam de tudo, como estavam no controle, pois os documentos que foram apreendidos na própria NICCHIO SOBRINHO no curso da “OPERAÇÃO BROCA”, comprovam, de forma irrefutável, que a empresa possuía um “CONTROLE DIÁRIO DE COMPRAS” de café onde registrava o nome do produtor/maquinista que havia vendido o café, bem como empresa de fachada usada para falsamente documentar a operação. A NICCHIO SOBRINHO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação obrigatória da suspensão nas compras de café efetuadas com cooperativas. Assim, em relação ao ano de 2011, foram efetuadas glosas em duas espécies de crédito a saber: (i) aquisições de café de empresas de fachada inseridas como intermediárias Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 fictícias entre o produtor rural/maquinista e a NICCHIO SOBRINHO e de cerealistas dissimulados de comercial atacadista e; (ii) compras de café efetuadas de cooperativas. Nas aquisições de produtores rurais e cerealistas foi calculado o crédito presumido a que a empresa faz jus, vez que informou ser o café destinado à revenda, beneficiado, padronizado, preparado e separados por densidade dos grãos com redução dos tipos de classificação. Em relação às aquisições de cooperativas apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Em razão das glosas, a fiscalização efetuou a recomposição das bases de cálculo dos créditos a descontar. Como o autuado realizou operações de vendas para o mercado interno e também para o mercado externo, impôsse o rateio dos créditos com base na proporção da receita bruta. O crédito a ser utilizado para descontar o PIS ou a COFINS apurado no mês observou a seguinte ordem: primeiro o crédito vinculado ao mercado interno; em seguida, o crédito presumido da atividade agroindustrial, e, por fim, o crédito vinculado ao mercado externo, sendo o saldo passível de ressarcimento/compensação no final do trimestre. A partir de 01/01/2012, ficou suspensa a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes da venda no mercado interno de café não torrado (código 0901.1 da Tipi), sendo que a pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições passou a ter direito ao crédito presumido calculado mediante a aplicação do percentual de 10% das alíquotas do PIS/COFINS sobre a receita de exportação. Ao final de cada trimestre, o crédito presumido não utilizado na forma prevista na citada lei pode ser objeto de ressarcimento em dinheiro. Foram deferidos integralmente os valores contidos nos pedidos de ressarcimento da NICCHIO SOBRINHO no ano de 2012. Sobre o PIS e a COFINS apurados de ofício relativo ao ano de 2011 foi lançada a multa de 150% em razão da utilização de notas fiscais de empresas de fachada e cerealistas dissimuladas de comercial atacadista. Foi também lançada a multa isolada sobre o valor total dos débitos indevidamente compensado, e sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido. Cientificado do lançamento de Cofins e PIS/Pasep, o sujeito passivo apresentou a impugnação, alegando e requerendo, conforme consta na decisão recorrida: (...) · impõese a nulidade de todos os atos praticados, inclusive os autos de infração, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; · a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; · os elementos probatórios trazidos ao processo encaixamse no conceito de prova ilícita, pois a ação penal na qual se encontra vinculada (autos n. 2008.50.05.005383) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região; Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.602 5 · o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; · as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; · não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; · impende destacar que as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; · ao adquirir ‘café cru em grão’ o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; · o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; · a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; · na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica (cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; · o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6º do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; · em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem “café cru em grão”; · a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1ª etapa, agora, fornecedora, vende “café cru em grão” beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 · nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato nãocooperativo; · se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; · a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2ª etapa; · somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; · se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; · responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; · não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. O impugnante cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expendida, requer: a) produção de novas provas mediante diligências para conferência das notas fiscais, pagamentos efetuados e cadastros das pessoas jurídicas fornecedoras; b) deferimento da juntada de documentos que acompanham a peça impugnatória; c) nulidade da decisão exarada no Termo de Encerramento Fiscal e dos autos de infração de PIS, Cofins e Multa qualificada; d) reconhecimento integral do direito creditório de PIS/Cofins decorrente das aquisições de cooperativa. (...) Mediante o Acórdão nº 1268.663, de 18 de setembro de 2014, a 17ª Turma da DRJ/RJO julgou a impugnação da contribuinte improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.603 7 Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. COOPERATIVA. REGIME DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 21/10/2014. Em 17/11/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), repisando os argumentos da impugnação e acrescentando outros, sintetizados nos seguintes tópicos: 1.1 Preliminarmente: evidente cerceamento de defesa e da nulidade do processo administrativo. Ilegalidade do r. acórdão recorrido. Supressão às garantias do contraditório e da ampla defesa. CF, art. 5°, inc. LIV e LV. Lei n. 9.784/99, art. 2°, inciso X, art. 3°, inc. III e art. 38. 1.2 Operação Broca. Ação penal recentemente trancada por força do HC n. 2012.02.01.0143115. 2 Da análise do mérito: manifesto equívoco da 17a Turma da Colenda DRJ/RJ1 em manter a glosa dos créditos de PIS/COFINS não cumulativos. Validade das relações jurídicas de compra e venda de café. 3 Da análise do mérito: equívoco do r. acórdão da 17a Turma da DRJ/RJ1 ao entender pela existência de compra de café de "pseudoatacadistas". Inexistência de simulação. Ausência de prova concreta/robusta que vincule a Recorrente ao apontado conluio com as fornecedoras. 4 A declaração de idoneidade de pessoa jurídica depende de declaração formal da Receita Federal do Brasil. Validade dos créditos de PIS/COFINS adquiridos de pessoas jurídicas com CNPJ ativo. Posicionamento do colendo STJ. 5 Da indevida glosa dos decorrentes de aquisição de mercadoria de cooperativas. 5.1 Das Aquisições de "Café Cru em Grão" pela Recorrente de Sociedades Cooperativas de Produção Agropecuária, inclusive, Agroindustrial. 5.2 Direito ao Crédito Fiscal Integral da Contribuição para PIS/COFINS. 5.2.1 A vinculação do crédito fiscal da contribuição para a PIS/COFINS à cadeia produtiva do café. 5.2.2 Da impossibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café. Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.604 9 5.3 Da impossibilidade jurídica de aplicação do regime de suspensão nas aquisições de "café cru em grão" realizadas junto às sociedades cooperativas de produção agropecuária, inclusive agroindustrial. 6 Do indeferimento do pedido de diligência. Nulidade do v. acórdão e do processo administrativo. 7 Solução da consulta n. 65 e PARECER/PGFN/CAT/N° 1425/2014 Cosit confirma o direito ao crédito integral das aquisições feitas por cooperativas. 8 Da indevida aplicação da multa de 75% (art. 44 da Lei n. 9.430/96) e 150% (§§ 16 do art. 74 da Lei n. 9.430/96) sobre o. pedido de ressarcimento e compensação indevido/indeferido. Aplicação do princípio da proibição do non bis in idem. Incidência do princípio da proibição do confisco. 8.1 Da aplicação do princípio do non bis in idem. 8.2 MULTA ISOLADA, art. 74, §§ 15° e 17°, da Lei n. 9.430/96. Afronta ao direito constitucional de petição, art. 5o, XXXIV, alínea "a", da CF/88. ADI 4905/DF e RE 640.452RG, em trâmite no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 8.3 Do caráter confiscatório das multas aplicadas nos Autos de Infração ns. 10740.720030/201430 e 10740.720032/201429. Art. 150, inc. IV, CF/88. Ao final do Recurso Voluntário, requereu a recorrente: A) Preliminarmente, seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso para ANULAR o v. acórdão n. 1268.663 para DEFERIR as DILIGÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, conforme autoriza o art. 16 do Decreto n. 70.235/72, realizandose mediante a baixa dos autos, para que autoridade fazendária faça a conferência de (i) todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, (ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como (iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens; (iv) conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do.Município de Manhuaçu, tendo em vista que, conforme acima demonstrado, a RECORRENTE sempre adquiriu mercadorias de pessoas jurídicas em funcionamento regular perante o fisco (CNPJ ativo. Inscrição Estadual ativa, conta corrente em bancos, etc) e (v) providenciar a Indicação de todos os negócios jurídicos de compra e venda efetuados pelas empresas supostamente consideradas "laranjas", visando demonstrar que se tratavam de fornecedoras para múltiplas empresas compradoras. B) No mérito, seja presente recurso conhecido e provido para o fim de, reformando o v. acórdão n. 1268.663, ANULAR o Termo Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 de Encerramento Fiscal, em virtude dos fundamentos expostos, bem como para ANULAR o auto de infração oriundo da insuficiência/não pagamento de PIS/COFINS relativa ao ano de 2011; C) Especificamente sobre as aquisições de café em grão cru realizadas de Cooperativas com crédito integral, REQUER seja conhecido e provido o presente RECURSO para o fim de que seja RECONHECIDO O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL de PIS/COFINS referente às aquisições de cooperativa, conforme amplamente demonstrado no item III.5. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Passase a analisálo de acordo com seus próprios tópicos. "1.1 Preliminarmente: evidente cerceamento de defesa e da nulidade do processo administrativo. Ilegalidade do r. acórdão recorrido. Supressão às garantias do contraditório e da ampla defesa. CF, art. 5°, inc. LIV e LV. Lei n. 9.784/99, art. 2°, inciso X, art. 3°, inc. III e art. 38." A recorrente suscita nulidade do processo administrativo e ilegalidade do acórdão recorrido, por supressão às garantias do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista que os depoimentos pessoais de corretores de café, produtores, comerciantes, etc. foram colhidos ao total arrepio do conhecimento e participação da recorrente; e que o órgão de fiscalização valeuse de elementos de prova extraídos de outros processos administrativos, os quais a recorrente não figurou na condição de parte. Esta questão foi bem debatida na decisão de primeira instância, da qual adoto os fundamentos de decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, para rejeitar a preliminar de nulidade do processo administrativo, conforme trechos abaixo extraídos da decisão recorrida: (...) Por outro lado, os depoimentos, citados pelo impugnante como prova testemunhal, são, na verdade, Termos de Declaração devidamente assinados pelos depoentes, onde não se vislumbra traço de coação, inclusive muitos acompanhados de advogados, por isto mesmo lícitos. Não há elementos nos autos para imputar a nenhum dos depoentes a qualidade de interessado no julgamento contra o autuado, ou a existência de alguma relação (exceto de natureza comercial ou negocial) entre a impugnante e os depoentes (ou de seus parentes) que implique interesse no resultado da decisão administrativa negativa da perspectiva do autuado. Ao contrário, a decisão administrativa favorável ao recorrente seria de maior interesse para muitos dos depoentes, que de algum modo podem ser responsabilizados na medida de Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.605 11 participação, em tese, no esquema de simulação/dissimulação dos atos comerciais sub examine. Ademais, no âmbito do processo administrativo tributário, e em analogia ao processo penal, a auditoriafiscal é a fase inquisitorial que, antecedendo a fase contenciosa do procedimento, não se rege pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, pois se destina à investigação, à colheita de informações e de elementos de prova para a formação da convicção da autoridade fiscal a respeito da ocorrência, ou não, do fato gerador do tributo e de infrações porventura existentes. O encerramento desta fase com a lavratura do auto de infração, propicia, com a ciência do contribuinte, a fase contenciosa, esta sim plenamente regida pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, ou de modo mais amplo, do devido processo legal. A corroborar esse entendimento está o fato de que a auditoria fiscal, em certos casos, pode ser reduzida ao mínimo, dispensando qualquer fiscalização externa para efetuar o lançamento tributário e, então, o Fisco autua o contribuinte sem auditar o seu estabelecimento e sem intimála previamente, desde que já disponha dos elementos de prova para tanto, como acontece nas autuações decorrentes do simples exame de declarações (Declaração de Ajuste Anual de Pessoa Física DIRPF, ou Declaração de Contribuições e de Tributos Federais da Pessoa Jurídica DCTF) em cotejo com dados disponíveis nos sistemas informatizados. Acrescentandose, por último, que não há vício na coleta dos elementos probatórios, porquanto foram obtidos no bojo da Operação Broca que deflagrada como desdobramento da Operação Tempo de Colheita decorreu de ação conjunta da Receita Federal, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. A partir do resultado obtido desse esforço conjunto, cada instituição atuou com os elementos que são pertinentes às suas funções legais e constitucionais. Finalmente, o próprio Ministério Público Federal, titular da ação penal, encaminhou, mediante autorização judicial, à Receita Federal documentos relativos à Operação Broca por entender haver neles nítido interesse fiscal (Ofício nº 466/2010 do MPF à DRF/Vitória/ES, fls. 731/732). Depois encaminhou, em outro ofício (Ofício nº 0549/2011 PRM/COLPAG), CD’s “contendo cópias digitalizadas das análises das mídias eletrônicas apreendidas no bojo da ”Operação Broca “e que contou com o apoio técnico dos Auditores Fiscais da Receita Federal, em vista do nítido interesse fiscal” (fl. 733). Portanto, não há falar nesta quadra de documentos obtidos ilicitamente. Em conclusão, no processo administrativo fiscal, como em qualquer processo judicial ou administrativo, as partes submetemse à regra geral do ônus da prova. Incumbe à Autoridade Fiscal o ônus de provar os fatos constitutivos do direito da Fazenda Nacional. Assim, cabe aos Auditores da Fl. 2610DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Receita Federal provar a ocorrência do fato gerador e demais circunstâncias necessárias à constituição do crédito tributário. E, de fato, a autoridade fiscal formulou a exigência tributária a partir de um conjunto probatório extenso e robusto. O princípio do contraditório autoriza ao contribuinte autuado desconstituir a exigência atacando as provas colhidas. É necessário, contudo, mais que mera alegação Os requisitos inerentes ao contraditório e à ampla defesa foram observados com a ciência integral dos autos de infração, contra os quais o contribuinte pode deduzir defesa, igualmente robusta. Finalmente, não se vislumbra qualquer coação, abuso ou ardil na fiscalização empreendida pelas autoridades da Receita Federal, assim, o descabimento de qualquer alegação de nulidade, ou mesmo pedido de retirada de provas, deve ser rejeitada. Conclusão que se torna induvidosa quando se verifica que o auto de infração contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O simples cotejamento de cada auto de infração lavrado com cada requisito acima enumerado não permite duvidar de obediência plena às determinações legais, inclusive no que se refere à descrição dos fatos. Por outro lado, não se verifica ofensa ao art. 5º, LV, CF/88, pois houve ciência e oportunidade para o contraditório e a ampla defesa, nem se detecta violação aos art. 3º e 142 do CTN, pois, há indiscutível base legal citada no auto para o lançamento de ofício e para exigência de multas correspondentes. Enfim, não tendo havido cerceamento de defesa, tendo sido lavrado o auto de infração por autoridade competente com todos os requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), consideramse válidos todos os atos praticados no procedimento fiscal que redundou no presente auto de infração, porque em consonância ao que determina o PAF, art. 59, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.606 13 No presente processo todos os documentos e os relatórios a estes acostados foram suficientes para a correta compreensão das irregularidades para efeitos de elaboração da defesa administrativa da recorrente por ocasião da sua notificação do lançamento. Da análise dos autos, não se infere em nenhum momento qualquer prejuízo à sua defesa. Tanto a impugnação como o recurso apresentados demonstram que a contribuinte autuada tinha pleno conhecimento dos fatos aqui descritos e das infrações que lhe foram imputadas. A circunstância de os Autos de Infração terem sido lavrados depois de colhidos depoimentos de terceiros e informações diversas, mas sem intimação prévia à contribuinte, não implica qualquer ilegalidade. Na etapa anterior ao lançamento não é imprescindível a participação do sujeito passivo. Quando a administração já dispõe de todos os dados, deve efetuar o lançamento e dar ciência ao contribuinte, que, a partir daí, exercerá o contraditório e a ampla defesa. Nessa esteira é que dispõe a Súmula CARF nº 46 que: "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.” Também não se cogita de ilegalidade da decisão de primeira instância, que decidiu motivadamente, sem cerceamento do direito de defesa, como se vê dos trechos acima transcritos, sobre o não cabimento da nulidade suscitada pela impugnante. "1.2 Operação Broca. Ação penal recentemente trancada por força do HC n. 2012.02.01.0143115." Não pode prosperar a alegação da recorrente de ilegalidade das provas extraídas de ação penal trancada por força de decisão judicial do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Conforme se vê do conteúdo da decisão judicial proferida no Habeas Corpus nº 2012.02.01.0143115 nada foi mencionado acerca da eventual ilegalidade das provas, tendo o trancamento da ação penal, em face do paciente e dos demais acusados, se dado em face da ausência de decisão definitiva de constituição do crédito tributário, que seria pressuposto necessário para a instauração da ação penal de um crime contra a ordem tributária. Desta forma, diante da ausência de qualquer declaração judicial de ilegalidade das provas, a referida decisão judicial não obsta ao prosseguimento do presente processo, pelo contrário, ela alerta sobre a necessidade da conclusão do processo administrativo de crédito tributário para que se configure a justa causa para a instauração da ação penal. "2 Da análise do mérito: manifesto equívoco da 17a Turma da Colenda DRJ/RJ1 em manter a glosa dos créditos de PIS/COFINS não cumulativos. Validade das relações jurídicas de compra e venda de café." Alega a recorrente que todos os fornecedores de café em grão cru da Recorrente estavam, no ano de 2008, plenamente ativos perante a Receita Federal do Brasil, estando, portanto, credenciados como regulares perante as empresas adquirentes. Apoiandose na decisão judicial proferida no REsp 1148444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010), argumenta a recorrente que todos os requisitos para regularidade da aquisição dos créditos fiscais segundo reconhecido pelo STJ se fariam presentes no caso. No entanto, há uma grande diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial citado, que tutelou o adquirente que pode demonstrar a "veracidade da compra e venda efetuada", o qual não poderia, naquele caso, ser prejudicado pela desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contratou de boafé. No caso dos presentes autos, não se comprovou a veracidade das compras e vendas entre a recorrente e as pessoas jurídicas contratadas, conforme apurado pela fiscalização, confirmado em decisão de primeira instância e restará ratificado ao final deste Voto. Em sentido contrário ao que se constatou no precedente judicial citado pela recorrente, restou evidenciado no presente processo, pelo conjunto probatório apresentado pela fiscalização que não pode ser infirmado pela recorrente, que ela, na verdade, adquiria o café de produtores pessoas físicas, sendo que as pessoas jurídicas intermediárias não compravam, nem revendiam o produto, mas apenas emitiam notas fiscais com o objetivo de gerar créditos de PIS e Cofins para a adquirente, ora recorrente. Verificouse que a movimentação financeira na conta bancária da pessoa jurídica fornecedora era apenas para dar aparente legalidade à operação de compra e venda inexistente entre esta e a recorrente. Constatouse também que algumas contas eram movimentadas por intermédio de funcionários das próprias empresas exportadoras compradoras do café. As compras eram efetivadas diretamente junto aos produtores rurais/maquinistas pelos compradores dessas empresas e "guiadas" em nome de empresa laranja. Junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e as empresas exportadoras, como a recorrente, porém, nas notas fiscais apareciam como pseudo compradores atacadistas intermediários, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outros. Os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, o que ficava a cargo dos escritórios dos corretores e/ou compradores. Os corretores de café confirmaram a utilização das pessoas jurídicas para intermediar, de forma ficta, a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, com pleno conhecimento da empresa ora autuada de tais operações. Os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas. Segundo os corretores, a Nicchio Sobrinho tinha pleno conhecimento, participava e se beneficiava do esquema fraudulento. Os dirigentes da recorrente não só sabiam de tudo, como estavam no controle, pois os documentos que foram apreendidos na própria empresa no curso da “Operação Broca”, comprovam que a empresa possuía um “Controle diário de compras” de café onde registrava o nome do produtor/maquinista que havia vendido o café, bem como empresa de fachada usada para falsamente documentar a operação. "3 Da análise do mérito: equívoco do r. acórdão da 17a Turma da DRJ/RJ1 ao entender pela existência de compra de café de "pseudoatacadistas". Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.607 15 Inexistência de simulação. Ausência de prova concreta/robusta que vincule a Recorrente ao apontado conluio com as fornecedoras." Alega a recorrente que o mercado de compra e venda de café em grãos cru é uma atividade dinâmica, na qual o comprador não se envolve com particularidades dos atos praticados pelas empresas fornecedoras, eis que o importa é a aquisição do produto; bem como valese exclusivamente do profissional do "corretor de café" para intermediar, as operações de compra e venda. No entanto, a recorrente teria buscado informações sobre a regularidade das empresas fornecedoras. Todas as operações de compra de café estariam, a seu ver, arrimadas em documentos que comprovam a situação de regularidade fiscal e contábil das fornecedoras. Assim, segundo entende, seria inaceitável as glosas de créditos de PIS/Cofins não cumulativos advindos de operações nas quais houve a entrega das mercadorias e os pagamentos do preço acordado, em virtude de uma leva de depoimentos colhidos ao arrepio da participação prévia da interessada. Assevera que não haveria nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhe foram vendidas. Conforme já esclarecido neste Voto, a coleta de depoimentos e outras provas sem a participação prévia da recorrente em nada invalida a autuação, já que essa foi instruída com todos os atos e termos necessários à ampla defesa da autuada. Também a eventual ausência de comprovação de que a autuada exercia atos de gestão em todas as pessoas jurídicas fornecedoras e o fato de algumas delas terem sido constituídas antes da vigência da técnica da não cumulatividade não altera a conclusão do fato de que a autuada participava do esquema fraudulento da utilização de pessoas jurídicas intermediárias, as quais simulavam sua participação na compra e venda do café, para a obtenção do crédito integral das contribuições sociais não cumulativas. Conforme bem esclareceu a decisão recorrida, as aquisições eram apenas formalmente documentadas como se fossem advindas da pessoa jurídica, mas, materialmente, eram aquisições de pessoas físicas: (...) Uma vez confessado pelas próprias “atacadistas”, fornecedoras da contribuinte, que não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de “guiar o café”, concluise que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda conforme confessado por quem podia confessar tampouco poderia ter havido a compra, a contrario senso, estar se ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria”, o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: “de quem?”. E as provas dos autos direcionam para a resposta de que “comprou, pagou e recebeu a Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 mercadoria” de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar “empresas” sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. No quadro probatório assentado têmse ainda por irrelevantes as alegações da inconformada quanto à inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; ao tempo em que efetuou as transações, e de que tomou o cuidado de verificar a regularidade das empresas fornecedoras no CNPJ ou Sintegra. As alegações são irrelevantes porque independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovado não ter havido a transação a que se refere, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa. (...) O robusto quadro probatório levantado pela fiscalização conduz ao entendimento de que a autuada participava da fraude e não apenas atuava inocentemente na compra de café de pessoas jurídicas inidôneas, conforme detalhou a decisão recorrida: (...) Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 734/736 dos autos, corrobora a tese da auditoria de modo expresso, e, sem peias ou meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais. (gn) Registrese que Thiago de Resende Gava, filho de Antônio Gava, antes de fundar a Colúmbia, trabalhou na Nicchio Sobrinho. Logrou a Colúmbia negociar mais de 55 milhões de Reais em fornecimento de café para a Nicchio Sobrinho, apenas no período de 2006/2008. Em outro depoimento à Fiscalização, o Sr. Altair Braz Alves, ex faturista da NICCHIO SOBRINHO, admitiu ser o verdadeiro proprietário da empresa V Munaldi – ME, embora figurasse o nome de Vilson Munaldi nesta condição. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como esquema fraudulento Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.608 17 para vender notas fiscais e simular elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade. No ano de 2006, a Nicchio Sobrinho registrou mais de 4 milhões de reais em notas da V. Munaldi. O depoimento completo de Altair está às fls. 737/740. Na seqüência, destacamse alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi – ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi – ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda de café, porque não realizava tais atividades, mas recebia “comissão”, conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de R$0,35 a R$0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. Destaquese que Altair fora empregado da Nicchio Sobrinho, antes de se tornar o “proprietário” da V Munaldi (fl. 738). Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Colúmbia, e L&L confirmam a dedução acima (v. fls. 746 e ss): Vale ressaltar que em alguns casos, a Fiscalizada nem mesmo procurava o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a Fiscalizada que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem. Os recursos transitados pela conta da Fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, especuladores de mercado, indústrias torrefadoras, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Os sócios e/ou gestores da fiscalizada, na realidade e em verdade, são e sempre foram agentes de comércio (corretores de café), sendo por imposição do mercado (empresas que atuam do mesmo modo que a fiscalizada) transformada em pessoas jurídicas, para continuar ganhando pelo serviço prestado e Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 sujeitandose a situações como a presente fiscalização por exigência e imposição dos compradores, posto que esta seja a única forma de sobreviver em sua atividade comercial (gn) O depoimento denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está a contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores da contribuinte. Observese no item 4, fl. 860, citação expressa à Nicchio Sobrinho: Dependendo da necessidade do Comprador em baixar seu caixa “dois” ou de gerar mais créditos de entrada para caucionar as vendas, solicitavam a emissão das notas com valores acima do mercado, inclusive acima da pauta fiscal, que via de regra já é mais elevada que o preço comercial. Todas as empresas fizeram e fazem uso desta prática, podendose destacar .... Nicchio Sobrinho, ... Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. (...) Em mais um depoimento, de um outro corretor – Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 757 e 758), afirma, por exemplo, que os reais compradores (exportadoras e indústrias) perguntavam aos produtores quem iria “guiar” o café, muitas vezes elas mesmas indicando um nome, denunciando até uma reunião entre as reais compradoras e os corretores para passar “orientações”, entre as quais, a de pulverizar o café guiado em várias empresas, diminuindo o volume da Colúmbia, a de não mencionar o nome do produtor rural no fechamento das operações, nem deixar pistas (telefone, email, MSN): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém;(gn) (...) Que então se criou um círculo vicioso: o comprador satisfeito com o café sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica passou a solicitar que os corretores indicassem “empresas” para que os produtores rurais guiassem o café; (...) Que confirma a ocorrência de uma reunião na NICCHIO SOBRINHO, na qual o declarante estava presente, juntamente com outros corretores, onde foi dito que os corretores teriam de diminuir a quantidade de café guiado em nome da COLÚMBIA, pulverizando com outras “empresas”; (gn) Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.609 19 (...) Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 769/770): (...) 4) (...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: (...), NICCHIO SOBRINHO e (...); 5) Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, (...), (...) e Sr Edinho (Nicchio Sobrinho) indicaram que o declarante procurasse as ‘empresas’ Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a (...) Nicchio Sobrinho e (...); (...) 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...) (gn) Notase aí, na citação expressa à Nicchio Sobrinho pelo produtor rural/maquinista, o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação, exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde “atacadistas”, corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento firma mais ainda esta convicção. Tratase do depoimento do produtor rural Jarbas Alexandre Nicoli, a descrição detalhada torna inteiramente plausível a hipótese de uma intermediação fictícia com a participação ativa dos reais adquirentes (indústrias e exportadores) (fl. 822/824): 1) Que o declarante informou que é produtor de café na região de Jaguaré, com uma produção anual média em torno de 10.000 (dez mil) sacas, sendo a mesma em parceria/meação; Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 2) Que o declarante afirmou que a comercialização de seu café, produzido em meação, é feita por intermédio de corretores localizados em Colatina; 3) Que Paulo Zache, Junior Preti (RP COMISSARIA) e Fernando Alvarenga (CASA DO CAFE) são corretores de café em Colatina e que com quem o declarante, preponderantemente, mantém contato para a venda do café; 4) Que o declarante afirmou nunca ter negociado pessoalmente com a COLÚMBIA, (...) V. MUNALDI (...) ACÁDIA, DO GRÃO; (...) 6) Que o declarante afirmou que os corretores acima citados, por intermédio de FAX, repassavam o nome da empresa que deveria constar na nota fiscal do produtor rural; 7) Que o declarante afirmou que nunca pagou qualquer tipo de remuneração ou valor de corretagem para os corretores acima citados; (...) 10) Que a partir de 2003, ainda por intermédio de corretores de café da região de Colatina, o declarante não mais conseguia vender sua produção diretamente para exportadores e indústrias, sendo o declarante orientado pelos mesmos corretores a guiar seu café em nome de outras pessoas tais como: COLUMBIA e V. MUNALDI:, (...) 12) Que os corretores informavam ao declarante que as notas fiscais de produtor rural seriam trocadas quando o motorista chegasse nas redondezas de Colatina. que preferencialmente se dava em um posto de gasolina; que neste momento o próprio motorista ligava para determinado número de telefone, fornecido pelo corretor, comunicando a sua chegada a fim de possibilitar o recebimento da nota fiscal para o local onde o café era descarregado; (gn). A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Nicchio Sobrinho e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudoempresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Nicchio Sobrinho; (3) o café era retirado da propriedade rural pela Nicchio Sobrinho, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Nicchio Sobrinho, participa ativamente no setor de compra da Nicchio Sobrinho. Repitase: as ‘pseudoempresas’ que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.610 21 Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do “pleno conhecimento” dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre real comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: “Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de varias empresas (...)”. (v. por exemplo fl. 859, item 2). Acrescenta, em outro momento, que “regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores”. (v. por exemplo fl. 859, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torrefadoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, “que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café”. E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, “que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas”. Estas novas empresas “passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais” (fls. 861, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não operam no mercado de compra venda de café, mas atuam em outro ‘mercado’, a saber, ‘mercado de compravenda de nota fiscal’. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como ‘laranjas’, termo, aliás, corriqueiramente empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos “afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas” (fl. 786, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 Colúmbia “quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo” para R$ 0,50 ou R$ 0,30 (v. fl. 860, item 5). Como prova documental (v. fl. 1928), a Fiscalização cita dois cadernos contendo anotações de Edson Everaldo Bortolozzo (o citado Edinho), comprador da Nicchio Sobrinho. No caderno de compra da Nicchio Sobrinho aparecem o nome do produtor rural e o nome da empresa “atacadista” contratada para guiar o café, isto é, para vender a falsa nota fiscal. Observese o exemplo destacado à fl. 1928, onde aparece o nome Mazolini (produtor rural) seguida do nº 999 (pedido) e da abreviação “Col” de Colúmbia. O diálogo reproduzido na seqüência, fl. 1929), confirma a real compra e já fecha a simulação. No caso a compra é do produtor rural Ocimar Gomes, mas a nota fiscal deveria ser da Ypiranga. No diálogo “Edinho” da Nicchio Sobrinho adverte o corretor duas vezes, primeiro com a expressão “acorda” e depois, mas diretamente, com “e se espalhar já sabe que acontece”. Os diálogos mais completos encontramse reproduzidos às fls. 1216/1229 e estão recheados de expressões análogas às citadas. No trecho citado no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1220) aparece o número do pedido (nv 112): edinns (14:18:27): cafe do ocimar fica fechado edinns (14:18:31): qual firma? edinns (14:19:24): acorda Sidnei VG (14:19:31): Ypiranga edinns (14:19:38): nv 112 Sidnei VG (14:19:46): Agradecido... edinns (14:19:57): e se espalhar ja sabe que acontece Na nota fiscal da Nicchio Sobrinho aparece todo o combinado no diálogo, vide sua reprodução à fl. 1221. O suposto vendedor é a Ypiranga, mas o número nv 112, referente ao pedido fechado do corretor com o produtor rural, aparece no canto inferior esquerdo do engendrado documento, e o transportador é o próprio Ocimar Gomes, o produtor rural! A prova da simulação/dissimulação é cabal. Entre outras provas documentais, há as planilhas de “controle diário de compras”, que foram anexadas nos emails de Edson Bortolozzo (o Edinho) para os dirigentes da Nicchio Sobrinho. As planilhas encontramse às fls. 1364/1729 dos autos, e no relatório da Autoridade Fiscal concluise que: [negritos da Relatora] Essas planilhas de compras foram anexadas aos emails e encaminhadas por EDSON BORTOLOZZO aos dirigentes da empresa: SÉRGIO NICCHIO, JORGE NICCHIO, MAXWEL NICCHIO, NICCHIO JÚNIOR, PEDRO NICCHIO e outros. É mais um tipo de documento, onde restou, portanto, comprovado que os dirigentes da empresa tinham pleno conhecimento acerca das compras de café de produtores/maquinistas documentadas com notas de empresas laranjas. (gn) Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.611 23 Também a planilha de fl. 1939 demonstra a existência da operação fictícia, pois ao lado da quantidade de sacas registra se o valor de R$1,30, que representa a aludida remuneração por saca do (pseudo) atacadista para “guiar” o café. As notas fiscais citadas na planilha (2ª coluna) simulam a venda de “PJ” para outra PJ, encobrindo a venda real do produtor rural para a PJ: Por exemplo, a planilha mostra que no dia 26/05/2010 foi emitida a nota fiscal n° 4843 com 180 sacas de café ao preço unitário de R$234,00 para a NICCHIO SOBRINHO, referente à compra NV 0684/10 – Confirmação n° 0197/10. Compulsando a nota fiscal n° 4843 , da RODRIGO SIQUEIRA, que fora apresentada pela NICCHIO SOBRINHO em atendimento à intimação fiscal, verificase que se trata de venda de Domingos Perim que conduziu o seu próprio veículo de placa MPO 1651 até o armazém da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1.939). De documentos recebidos da Polícia Federal (fls. 730/731), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 1907 e ss) para a Nicchio Sobrinho deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso Jarbas Alexandre Nicoli, e o destino é a Nicchio Sobrinho. Jarbas Alexandre Nicoli, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Nicchio Sobrinho, mas que em determinado ponto era efetuada a troca das notas fiscais (fls. 822/824). A Fiscalização comprovou que a própria Nicchio Sobrinho depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais. Comparar a planilha de fl. 1977 (Razão Analítico da própria Nicchio Sobrinho) com a planilha de fls. 1978: É curioso notar que a “venda” do café para a Colúmbia, e a “revenda” desta para a Nicchio Sobrinho eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. [grifos da Relatora] Antonio Gava (já citado sócio da Colúmbia) confirmou a mecânica de pagamentos da Nicchio Sobrinho aos produtores rurais e, simultaneamente, aos (pseudo) atacadistas (reproduzido parcialmente à fl. 1921): (...) QUE, para pagar a NICCHIO SOBRINHO, mais precisamente para os sócios SÉRGIO, MAXUEL e JORGE, foi orientado por eles a vender nota fiscal, com vistas a possibilitar o creditamento das contribuições PIS e COFINS por parte da empresa. QUE, esclarecendo melhor, passou a fornecer a nota fiscal de sua empresa, em virtude da compra de café da NICCHIO SOBRINHO diretamente para o produtor; QUE, ficou acertado com os sócios da NICCHIO SOBRINHO que seria abatida da dívida de R$0,80 a R$1,00 por saca de café guiada por sua empresa (...). QUE, fazia contatos com SÉRGIO, MAXUEL e JORGE por telefone, (...) QUE, para pagamento dos produtores rurais de café adquirido pela empresa NICCHIO SOBRINHO, os sócios dessa empresa depositavam os valores em uma conta da COLÚMBIA e lhe mandavam posteriormente uma relação dos Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 24 produtores de café que deveriam ser pagos, com os respectivos montantes discriminados (...). O depoimento resume com coerência tudo o que a documentação extensa amealhada pela Fiscalização (e também pela Polícia Federal e pelo Ministério Público) e constante dos autos confirma. O papel fictício das “atacadistas” na negociação direta entre produtor rural e a Nicchio Sobrinho evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. (...) Nessa esteira, ao contrário do que alega a recorrente, o Fisco provou o fato constitutivo do seu direito, demonstrando que a escrituração das notas fiscais não estava lastreada numa aquisição real da pessoa jurídica. De forma que não procede a alegação da recorrente de que a autoridade administrativa não teria provado a inveracidade dos fatos registrados na sua contabilidade. Tampouco, poderseia dizer que a recorrente não teria praticado a fraude diante de tantas provas coletadas pela fiscalização. Também as "confirmações de corretagem" juntadas pela recorrente não são suficientes para afastar a caracterização da fraude, respaldada num robusto quadro probatório relativamente ao ano de 2011, mormente quando se referem a aquisições do ano de 2005. "4 A declaração de idoneidade de pessoa jurídica depende de declaração formal da Receita Federal do Brasil. Validade dos créditos de PIS/COFINS adquiridos de pessoas jurídicas com CNPJ ativo. Posicionamento do colendo STJ." Alega a recorrente que o sistema normativo brasileiro atribui à Receita Federal o dever exclusivo de declarar a inidoneidade das pessoas jurídicas operantes no país, sendo que, enquanto, essa declaração não for formalmente expressada, não haveria que se falar em invalidade das aquisições dos créditos tributários decorrentes das aquisições de mercadoria. Não obstante a legislação mencionada pela recorrente acerca da inidoneidade de documentos fiscais emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ foi declarada inapta, há outras formas de inidoneidade desses documentos, como por exemplo, a do caso presente, no qual houve a simulação de uma operação, materialmente inexistente, com a pessoa jurídica no intento de obter o crédito integral das contribuições não cumulativas. Nesse sentido, dispunham o art. 45, §4º da Instrução Normativa nº 1005/2010 e o art. 43, §4º da Instrução Normativa nº 1.183/2011, vigentes à época dos fatos, que: "§ 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º." "5 Da indevida glosa dos decorrentes de aquisição de mercadoria de cooperativas." Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.612 25 Em relação às aquisições de cooperativas, a fiscalização apurou o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, porque a contribuinte exerce a atividade de beneficiar, padronizar, preparar e separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. De outra parte, entende a recorrente que teria direito ao aproveitamento integral dos créditos das contribuições sociais não cumulativas nessas aquisições. A decisão de primeira instância manteve a decisão da fiscalização, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A suspensão da incidência das contribuições é obrigatória quando ocorre a situação tipificada no art. 9º, III da Lei nº 10.925/04: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Em consequência disso, fica vedado o aproveitamento integral dos respectivos créditos, nos termos do art. 3º, §2º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e há somente o direito ao crédito presumido nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04. A incúria do fornecedor (cooperativa agropecuária) ou do adquirente (pessoa jurídica agroindustrial) no cumprimento de suas respectivas obrigações acessórias não poderia alterar a substância do regime de suspensão. Não há qualquer prova, cuja produção incumbiria à impugnante, onde reste evidenciado tratarse de café que tenha simplesmente comprado e revendido no mesmo estado, conforme alegado, que ensejasse a vedação à suspensão. A “teoria das três etapas” defendida pela impugnante, embora possa esclarecer alguma particularidade do mercado de café, não pode alterar a legislação de regência com fins tributários, que inclusive considera a hipótese de beneficiamento pela cooperativa da produção de seus cooperados, sem qualquer prejuízo à eficácia do regime de suspensão da exigibilidade das contribuições. Em sede de recurso voluntário a questão é a mesma daquela já bem esclarecida pela decisão de primeira instância, cujos fundamentos adoto como fundamento de decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, para manter a glosa do crédito integral em face do direito a somente o crédito presumido das contribuições sociais. Quanto à solução de consulta mencionada pela recorrente, em nada lhe favorece, pois se refere a fatos ocorridos "No período entre o início da produção de efeitos do art. 8o da Lei n.° 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF n° 636/2006 (04/04/2006)", portanto, anteriores à produção de efeitos da suspensão da exigibilidade das contribuições de que trata o presente processo. Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 26 "6 Do indeferimento do pedido de diligência. Nulidade do v. acórdão e do processo administrativo". Alega a recorrente que, ao contrário do entendimento do v. acórdão, seria necessário baixar o processo em diligência para (i) conferir todas as compras da recorrente, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, (ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como (iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens. O julgador de primeira instância indeferiu o pedido de diligência ou perícia tendo em vista que: (...) Os pedidos para apresentação de provas suplementares, de diligências ou de perícias devem ser inadmitidos, uma vez que a apresentação de provas documentais deve ser efetivada no momento da impugnação, justificandose a juntada em outro momento, quando cumpridas as exigências dispostas no § 4º, artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: (...) Diligências ou perícias adicionais são desnecessárias, pois se encontram presentes circunstâncias fáticas das infrações à legislação tributária suficientemente caracterizadas e legalmente tipificadas na peça de autuação. As provas acostadas nos autos reputamse aptas a formar a convicção do julgador, assim, diligências ou perícias apenas procrastinariam a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica. Neste sentido, dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícia, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis, ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei nº 8.748/1993) (...) A decisão acima não merece qualquer reparo. Muito menos em segunda instância o pedido da recorrente poderia ser deferido, pois, além de estar preclusa a produção de provas nesse momento processual, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, seria da recorrente o ônus da prova do alegado, em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99. Também os quesitos formulados pela recorrente não ajudariam na solução da demanda, sendo, portanto, prescindíveis, eis que era parte do esquema a emissão das notas fiscais pela pessoa jurídica intermediária e a passagem do dinheiro pela sua conta para dar aparente realidade à operação e que a regularidade formal das inscrições dessas pessoas jurídicas perante os Fiscos não altera os fatos apurados. Assim, entendo que deve ser indeferido o pedido de diligência ou perícia da recorrente. Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.613 27 "7 Solução da consulta n. 65 e PARECER/PGFN/CAT/N° 1425/2014 Cosit confirma o direito ao crédito integral das aquisições feitas por cooperativas." A Solução da Consulta Cosit nº 65, de 10 de março de 2014, em nada altera a situação do crédito presumido sobre as aquisições da recorrente com cooperativas, pelo contrário, a confirma quando conclui: (...) 13. Pelo exposto, concluise que: 14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. 15. Até dezembro de 2011, a pessoa jurídica exportadora de café submetida ao regime de apuração não cumulativa tinha direito ao cálculo de créditos em relação às aquisições de café de cooperativas, observados os limites e condições legais. Não havia direito à apuração de créditos nas aquisições com suspensão previstas no art. 9º, I e III, da Lei nº 10.925, de 2004, nem nas aquisições feitas por empresa comercial exportadora que tenha adquirido o produto com o fim específico de exportação. 16. A partir de 2012, não é possível a apuração de créditos em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 4º da Lei nº 12.599, de 2012, e, posteriormente, a redução da alíquota a 0 (zero) prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004. Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 2012. (...) [grifos desta Relatora] Inclusive o próprio PARECER/PGFN/CAT/Nº 1425/2014, em seu item 55, citado pela recorrente, manifesta concordância expressa com esse entendimento da Cosit. "8 Da indevida aplicação da multa de 75% (art. 44 da Lei n. 9.430/96) e 150% (§§ 16 do art. 74 da Lei n. 9.430/96) sobre o pedido de ressarcimento e compensação indevido/indeferido. Aplicação do princípio da proibição do non bis in idem. Incidência do princípio da proibição do confisco." Sustenta a recorrente que teria havido bis in idem na exigência concomitante da multa qualificada prevista no art. 44 da Lei n. 9.430/96 e daquela prevista no do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação vigente à época dos fatos, exigida em outro processo. No entanto, são multas que tutelam bens completamente distintos, não havendo que se falar em bis in idem. A primeira é aplicável em face da falta de recolhimento espontâneo pela contribuinte e a segunda em face do pedido de ressarcimento indevido, sendo que ambas foram qualificadas em face da fraude. Não pode ser conhecida no presente processo a alegação de inconstitucionalidade da punição pelo pedido incorreto de ressarcimento ou de compensação, Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 28 vez que a referida multa é objeto de exigência em outro processo administrativo, no qual a recorrente teve ou terá a oportunidade de apresentar a sua defesa. Por fim, também não pode ser conhecido o argumento da recorrente de lesão ao princípio constitucional do não confisco em face da aplicação da multa de ofício qualificada. No caso, verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses autorizadas pelo seu Regimento Interno. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, por todo o exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.614 29 Declaração de Voto Conselheiro DIEGO DINIZ RIBEIRO Conforme já relatado tratase de Auto de Infração que redundou a exigência de PIS e COFINS contra a Recorrente. Segundo a acusação fiscal, a Recorrente teria arquitetado um esquema fraudulento que, dentre ouras medidas, teria implicado a criação de empresas para intermediar a compra de café entre seus produtores e a Recorrente. Este suposto ardil teria por escopo gerar créditos (nãocumulatividade) de PIS e COFINS para a Recorrente. Não obstante, ainda segundo se constata dos autos, este suposto esquema fraudulento teria sido apurado mediante um trabalho conjunto realizado entre a Polícia Federal e a Receita Federal do Brasil, trabalho este deflagrado a partir de depoimentos/testemunhos de produtores de café e intermediadores. Em outros termos, tais declarações colhidas unilateralmente pela Receita Federal do Brasil e, em grande, em outros processos administrativos que não o aqui tratado, configuraram o marco deflagrador do presente processo administrativo e de todas as demais “provas” aqui apuradas. É exatamente aí que se encontra a nulidade absoluta a macular o processo administrativo em epígrafe. Para se chegar à sobredita conclusão, insta desde já destacar que a natureza predominantemente inquisitorial de um procedimento fiscalizatório por parte do Fisco não lhe atribui um poder, ou melhor, um deverpoder absoluto, até porque inexistem direitos absolutos (seja ele do Fisco ou do contribuinte) no ordenamento jurídico nacional1. O que se quer dizer com isso é que, apesar da fiscalização ter o deverpoder de ouvir depoimentos/testemunhos em sede fiscalizatória – o que não se limita pelo presente voto –, não pode fazêlo com portas cerradas, como se estivesse conduzindo um processo inquisitório de idos medievais2. Em tempo de pósmodernidade não se pode olvidar que mesmo um procedimento inquisitorial está inserido e, portanto, contextualizado, em um Estado Democrático de Direito, devendo, pois, respeitar os valores e limites próprios deste modelo de comunidade histórica, dentre os quais destacamos o devido processo legal e seus consectários lógicos, i.e., o contraditório e a ampla defesa. Logo, não há vedação para que a fiscalização, em fase inquisitorial, colha declarações/depoimentos que venham contribuir com a apuração dos fatos em cotejo e objeto de fiscalização. O que não se admite é que tais declarações sejam colhidas sem a substancial participação do contribuinte fiscalizado ou do interessado. Assim, em situações como essa, é dever da fiscalização intimar o contribuinte para que (i) lhe seja dado ciência do dia e local em que as declarações serão colhidas, bem como para que, nesta oportunidade, (ii) lhe seja franqueada a possibilidade dele (contribuinte) também realizar questionamentos ao declarante/depoente. 1 Convém lembrar que mesmo o direito a vida, o mais importante bem jurídico salvaguardado pelo direito, não constitui um direito absoluto. Nesse esteio, basta a leitura do art. 5º., inciso XLVII, alínea “a” da CF, bem como algumas excludentes de ilicitude próprias do direito penal, mais precisamente a legítima defesa e o estado de necessidade, para afastar esse tipo de “fundamentalismo”. 2 A clássica obra de Beccaria, Dos delitos e das penas, já tratou disso em 1764, ano da sua publicação. Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 30 Nem se alegue que a ulterior intimação do contribuinte para se manifestar a respeito das declarações colhidas unilateralmente pelo Fisco seria suficiente para pretensamente legitimar as garantias fundamentais aqui tratadas. Por se tratar de uma prova dinâmica, a colheita de declarações/testemunhos também pressupõe um contraditório dinamizado, ou seja, que garanta, na realização do ato (colheita dos depoimentos), a oportunidade para que a parte interessada efetivamente participe da produção da prova, ou seja, do seu processo de enunciação. Simplesmente permitir que o contribuinte se manifeste a respeito das declarações já enunciadas, ou seja, depois de já produzidas e materializadas de forma documental, é apequenar indevidamente as garantias aqui tratadas e reduzila a uma questão de forma3. Ademais, não há que se falar em incidência da súmula n. 46 deste Tribunal Administrativo4. Referido enunciado sumular é passível de convocação quando o Fisco, munido previamente de documentos formados e apresentados pelo contribuinte fiscalizado (v.g., notas fiscais, livros e demais documentos fiscais), lavra a autuação exclusivamente com base em tais documentos. De fato, nesta hipótese não há que se falar, ao menos em tese, em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos, já que referida documentação é de conhecimento prévio do contribuinte, já que por ele produzido. Não é esse, todavia, o caso dos autos, já que as provas aqui debatidas – e que deflagraram todo o procedimento fiscalizatório que se seguiu – são testemunhais e, portanto, produzidas no bojo do processo fiscalizatório do presente processo administrativo ou, o que é ainda mais grave, em outro processo administrativo onde a Recorrente sequer figura como parte. Não obstante, ainda em relação às limitações do caráter inquisitorial das declarações/depoimentos colhidos em sede de processo administrativo fiscal, convém destacar que tais balizas devem ser aqui prestigiadas (no âmbito tributário) com um maior rigor, na medida em que tais declarações são colhidas (processo de enunciação) pela parte diretamente interessada no seu resultado (enunciado), quer dizer, pelo Fisco. O Fisco colhe as declarações para, eventualmente, delas se aproveitar ulteriormente na lavratura de uma exigência fiscal e multa. Fundamental, portanto, que o processo de produção desta prova também seja franqueado ao contribuinte interessado, de modo a existir um contraponto minimamente válido aos interesses do Fisco enquanto parte. Tal fundamentação também serve para aqueles testemunhos/depoimentos acostados nos autos na qualidade de prova emprestada. Ressaltese, desde que já, que entendemos perfeitamente válida a utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, haja vista o disposto no art. 30 do Decreto 70.235/1972, arts. 24 e 64 do Decreto 7.574/2011 e, ainda, o que prevê o art. 332 do Código de Processo Civil, o qual se aplica aqui subsidiariamente. 3 Acontece que o due processo of law tratase de uma garantia fundamental que vai para muito além de forma. Como já dito, é um dos pilares essenciais para a material existência de um Estado Democrático de Direito. Logo, deve ser tutelado sob uma perspectiva eminentemente substancial. Nesse sentido: O princípio do devido processo legal, contudo, não pode e não deve ser entendido como mera forma de procedimentalização do processo, isto é, da atuação do Estadojuiz em determinados modelos avalorativos, neutros, vazios de qualquer sentido ou finalidade mas, muito além disto, ele diz respeito à forma de atingimento dos fins do próprio Estado. É o que parcela da doutrina acaba por denominar “legitimação” pelo procedimento, no sentido de que é pelo processo devido (e, por isto não é qualquer processo que se faz suficiente) que o Estado Democrático de Direito terá condições de realizar amplamente suas finalidades.(...). O princípio do devido processo legal, neste contexto, é amplo o suficiente para se confundir com o próprio Estado Democrático de Direito. (BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil – volume 01. 4ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 138.) (grifos do Autor). 4 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10740.720030/201430 Acórdão n.º 3402002.869 S3C4T2 Fl. 2.615 31 A validade, todavia, quanto ao uso da prova emprestada no processo administrativo não lhe afasta de certas limitações. Nesse sentido, o primeiro aspecto a se destacar é que a prova emprestada é utilizada no processo onde será aproveitada com a mesma natureza probatória que lhe fora atribuída no processo em que produzida. Assim, em se tratando de um testemunho/depoimento emprestado, referida prova, embora se materialize documentalmente, mantém a natureza de prova testemunhal, motivo pelo qual é imprescindível que se dê oportunidade para que o contribuinte interfira no seu processo de produção (enunciação) e não para que apenas fale a seu respeito após a sua juntada nos autos no qual será emprestada (enunciado)5. A única exceção admissível ocorreria na hipótese do testemunho/depoimento ter sido produzido no processo de origem com a efetiva participação do contribuinte6 7 contra a qual o testemunho/depoimento será direcionado no processo para o qual a prova será emprestada, sob pena de nulidade da prova emprestada, bem como de todas as provas daí derivadas (fruits of the poisonous tree)8. Em não se tratando da exceção alhures não haveria que se falar em permissão para o uso da prova emprestada. Neste caso, deveria a fiscalização novamente colher os depoimentos que ela (fiscalização) entendesse pertinentes à apuração dos fatos fiscalizados, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de conteudisticamente participar da produção da enunciação da referida prova, conforme já mencionado anteriormente. Dito isso e analisando o caso decidendo é possível constatar que os depoimentos/testemunhos foram fundamentais para a autuação do Recorrente e para a derivação das demais provas acostadas no presente processo administrativo. Fazendo um exercício de abstração e imaginando inexistir nos autos tais declarações, o que se encontraria aqui seriam os seguintes elementos de prova: notas fiscais de saída regularmente emitidas pelas empresas intermediárias para a Recorrente; 5 Neste diapasão: DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil – volume 02. 10ª. ed. Salvador: JusPodivm. 2015, pp. 131/132. 6 Ainda que na qualidade de interessado, haja vista o teor do disposto no art. 3o., inciso II da lei n. 9.784/99. 7 Quando se fala em “efetiva participação” o que se quer dizer é que o Fisco deverá oportunizar ao contribuinte/interessado a possibilidade de interferir ativamente no processo de construção do testemunho que será colhido, o que consiste em franquear ao contribuinte a possibilidade de realizar perguntas ao depoente. 8 A teoria dos frutos da árvore envenenada já vem sendo acolhida pelo Supremo Tribunal Federal de longa data, conforme se observa do julgado cuja ementa segue abaixo transcrita: PROVA ILÍCITA: ESCUTA TELEFÔNICA MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL: AFIRMAÇÃO PELA MAIORIA DA EXIGÊNCIA DE LEI, ATÉ AGORA NÃO EDITADA, PARA QUE, "NAS HIPÓTESES E NA FORMA" POR ELA ESTABELECIDAS, POSSA O JUIZ, NOS TERMOS DO ART. 5., XII, DA CONSTITUIÇÃO, AUTORIZAR A INTERCEPTAÇÃO DE COMUNICAÇÃO TELEFÔNICA PARA FINS DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL; NÃO OBSTANTE, INDEFERIMENTO INICIAL DO HABEAS CORPUS PELA SOMA DOS VOTOS, NO TOTAL DE SEIS, QUE, OU RECUSARAM A TESE DA CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS DECORRENTES DA ESCUTA TELEFÔNICA, INDEVIDAMENTE AUTORIZADA, OU ENTENDERAM SER IMPOSSÍVEL, NA VIA PROCESSUAL DO HABEAS CORPUS, VERIFICAR A EXISTÊNCIA DE PROVAS LIVRES DA CONTAMINAÇÃO E SUFICIENTES A SUSTENTAR A CONDENAÇÃO QUESTIONADA; NULIDADE DA PRIMEIRA DECISÃO, DADA A PARTICIPAÇÃO DECISIVA, NO JULGAMENTO, DE MINISTRO IMPEDIDO (MS 21.750, 24.11.93, VELLOSO); CONSEQUENTE RENOVAÇÃO DO JULGAMENTO, NO QUAL SE DEFERIU A ORDEM PELA PREVALÊNCIA DOS CINCO VOTOS VENCIDOS NO ANTERIOR, NO SENTIDO DE QUE A ILICITUDE DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA A FALTA DE LEI QUE, NOS TERMOS CONSTITUCIONAIS, VENHA A DISCIPLINÁLA E VIABILIZÁLA CONTAMINOU, NO CASO, AS DEMAIS PROVAS, TODAS ORIUNDAS, DIRETA OU INDIRETAMENTE, DAS INFORMAÇÕES OBTIDAS NA ESCUTA (FRUITS OF THE POISONOUS TREE), NAS QUAIS SE FUNDOU A CONDENAÇÃO DO PACIENTE. (STF; HC 69912 segundo, Relator: Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 16/12/1993, DJ 25031994 PP06012 EMENT VOL0173801 PP00112 RTJ VOL0015502 PP00508). Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 32 registro de entradas das referidas notas fiscais pela Recorrente; pagamento das mercadorias retratadas em tais notas fiscais, o que foi feito pela Recorrente em favor das empresas intermediárias por meio de depósito bancário; empresas intermediárias idôneas à época dos fatos aqui narrados, bem como existentes, em sua maioria, muito antes do benefício fiscal que teria sido gozado pelo Recorrente9, o que afastaria a ilação de que tais intermediárias teriam sido criadas com o propósito exclusivo de permitir o gozo do aludido benefício; e, por fim registro e utilização regular do crédito de PIS e COFINS aqui debatido. Percebese, portanto, que as provas acima referidas e que, em princípio, atestavam a licitude da operação perpetrada pela Recorrente só foram retiradas deste contexto a partir dos depoimentos/testemunhos já mencionados e que, a nosso ver, encontramse calcados de notória ilegalidade. Por tais razões, voto para reconhecer a nulidade das provas produzidas no processo em epígrafe e, por conseguinte, do próprio processo em si considerando, razão pela qual dou provimento ao recurso voluntário aqui interposto. É como declaro meu voto. (Assinatura Digital) Diego Diniz Ribeiro 9 É o caso das seguintes empresas: Columbia Comércio de Café Ltda.; Acádia Comércio de Exportação Ltda.; Do Grão Exp. Imp. Ltda.; Nova Brasília Comércio de Café; JC Bins; V Munaldo ME. Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 02/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por DIEGO DIN IZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 03/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720359/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES.
Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10783.720359/2012-32
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566122
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.779
nome_arquivo_s : Decisao_10783720359201232.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10783720359201232_5566122.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6267699
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125572120576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 16.482 1 16.481 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.720359/201232 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.779 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria Pedido de Ressarcimento PIS Recorrente NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 59 /2 01 2- 32 Fl. 16516DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.483 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrita: Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de PIS do 2° trimestre de 2010, no valor de R$281.010,46 (duzentos e oitenta um mil, dez reais e quarenta e seis centavos), oriundo do sistema de nãocumulatividade, para fins de compensação com outros tributos (fls. 02/06). A autoridade fiscal decidiu pela procedência parcial do pedido, conforme Despacho Decisório de fl. 12, com fundamento na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 06/2012, às fls. 07/11, onde alega que: 1. NICCHIO SOBRINHO CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 07.2.01.00002011014792 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos principalmente da aquisição de café para revenda, deduzidos contabilmente dos valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos e contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP; 2. a auditoria fiscal comprovou à saciedade que a Empresa autuada apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café, razão pela qual foram objeto de glosas; 3. a Empresa autuada lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo e de Minas Gerais, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadista para dissimular vendas de café de pessoa física para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando créditos ilícitos; 4. as investigações originadas na operação fiscal "TEMPO DE COLHEITA", deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, resultaram na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; 5. em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais os estabelecimentos da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ; 6. a criação e utilização dessas meras figuras formais, travestidas de atacadistas de café em grão, provocaram e provocam notável distorção no mercado de café, beneficiando torrefadoras e grandes exportadoras; 7. na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ, o valor das notas fiscais em nome dessas empresas de fachada "laranjas" ultrapassou o valor de R$256 MILHÕES; Fl. 16517DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.484 3 8. provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais constam do processo fiscal n° 10783.720371/201247, desse modo, a Informação Fiscal e Despacho Decisório, bem como o aludido processo serão cientificados simultaneamente à Empresa, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. Devidamente cientificada, em 12/03/2012 (fl. 15), a interessada apresentou, às fls. 22 e seguintes, em 11/04/2012, a correspondente Manifestação de Inconformidade, onde alegou, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF n° 10783.720371/201247, em resumo, que: 1. se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; 2. a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; 3. o mesmo raciocínio se aplica aos documentos que a Receita diz ter recebido do Ministério Público; 4. o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; 5. as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; 6. não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; 7. as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; 8. ao adquirir 'café cru em grão' o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; 9. o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; 10. a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; 11. na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica (cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; Fl. 16518DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.485 4 12. o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6° do art. 8°, caput, da Lei n° 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; 13. em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem "café cru em grão"; 14. a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1a etapa, agora, fornecedora, vende "café cru em grão" beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; 15. nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato nãocooperativo; 16. se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; 17. a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2a etapa; 18. somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; 19. se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; 20. responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; 21. a impugnante, se solicitada, entregaria os documentos de registros de CNPJ e Sintegra a respeito dos seus fornecedores, e, ainda, notas fiscais e comprovantes de pagamento; 22. a responsabilidade solidária não pode ser presumida, deve ser provada, como não foi provada, a compensação/ressarcimento deve ser deferida; 23. não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. A inconformada cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expendida, requer: 1. produção de novas provas mediante diligências para conferência das notas fiscais, pagamentos efetuados e cadastros das pessoas jurídicas fornecedoras; Fl. 16519DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.486 5 2. deferimento da juntada de documentos que acompanham a Manifestação de Inconformidade; 3. reforma da decisão exarada e reconhecimento integral do crédito de ressarcimento pleiteado, visando homologação da compensação declarada; 4. reconhecimento integral do direito creditório de PIS/Cofins decorrente das aquisições de cooperativa. Ao julgar referida manifestação de inconformidade, a 17ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1 proferiu o Acórdão nº 1253990, de 21/03/2013, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Cooperativa. Regime de Suspensão da exigibilidade. Obrigatoriedade. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 Nulidade Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o Fl. 16520DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.487 6 contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 16.270 em diante, por meio do qual apresenta basicamente os mesmos argumentos colocados em sua manifestação de inconformidade e que podem ser assim resumidos. nulidade do auto de infração e processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Afirma que a fiscalização parte "de constatações fáticas particulares, pontuais e unilaterais para, com isso, construir uma 'conclusão generalizada' sobre o mercado e a empresa fiscalizada. Cita doutrina e jurisprudência do CARF para fundamentar as suas razões; nulidade da decisão recorrida por ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha; que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte; Fl. 16521DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.488 7 afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor; sustenta que a Receita Federal, está tentando de maneira oblíqua fazer com que o recorrente repare o erário por obrigações tributárias que seriam de responsabilidade de suas fornecedoras de café. Defende que a legislação do PIS/Cofins não atribui como requisito para manutenção dos créditos tributários "ter ou não ter a vendedora armazém, imóvel próprio ou alugado, quantidade mínima ou máxima de funcionários, etc.". Cita doutrina para concluir que cabe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do lançamento e também a improcedência do fato impeditivo de seu direito ao crédito, com base no art. 9º do Decreto nº 70.235/72; que enquanto a Receita Federal não declarar a inidoneidade, ou inaptidão, das pessoas jurídicas, atribuição que lhe é exclusiva, não há que falar em invalidade das aquisições dos créditos tributários efetuados, uma vez que foram adquiridos de empresas com seu funcionamento regular perante o cadastro do CNPJ; não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco; cita a legislação de regência no sentido de garantir o direito ao aproveitamento integral do crédito nas aquisições de café das cooperativas. Cita, o que segundo ele seriam as três etapas de beneficiamento do café, para concluir que na aquisição das cooperativas ele não atua na 2ª etapa, que seria o beneficiamento propriamente dito, e nesta condição a aquisição do café das cooperativas seria integralmente tributada gerando por consequência direito ao integral aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins; insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". É o relatório. Fl. 16522DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.489 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme o que tudo dos autos consta, a glosa de créditos de PIS realizadas no presente processo é decorrência da fiscalização realizada no contribuinte a qual gerou o processo administrativo fiscal nº 10783.720371/201247, no qual houve toda a glosa dos créditos e recomposição de toda a apuração do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, gerando os correspondentes autos de infração. De forma que o destino do julgamento do presente processo é totalmente dependente do que for decidido no processo nº 10783.720371/201247. Mantido os lançamentos naquele processo, forçoso é manter o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações constantes do presente processo. Da mesma forma a anulação de glosas constantes naquele processo gerariam efeitos correspondentes no presente processo, de acordo com o período de apuração a que se refere. Esclareço ainda que os argumentos de defesa utilizados pelo contribuinte no processo nº 10783.720371/201247, são idênticos aos utilizados no presente processo. De forma que já analisei aquele processo, proferindo voto pela manutenção do lançamento, o qual peço vênia para transcrevêlo abaixo, utilizandoo como razão para negar provimento ao presente recurso voluntário. (...) Nulidade do Lançamento O recorrente solicita a nulidade dos autos de infração e do processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Esclareço que não vislumbrei nos autos de infração constantes do presente processo, qualquer mácula que pudessem tornálos nulos. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 16523DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.490 9 Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Não há nem incerteza e nem falta de liquidez na autuação, pois o valor exigido está apontado e a matéria tributável devidamente caracterizada e fundamentada. A análise de mérito destas questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade. O contribuinte insiste que houve cerceamento ao seu amplo direito de defesa e que não teriam sido observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Vejamos o que dispõe estes dispositivos constitucionais e legais. Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) Fl. 16524DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.491 10 LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...) Lei nº 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 16525DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.492 11 Vêse que a Constituição Federal garante no processo administrativo o contraditório e ampla defesa e que ninguém seja privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Ora o contribuinte está exercendo o seu direito de ampla defesa. O Decreto nº 70.235/72, o qual regulamenta o processo administrativo tributário, garante duas instâncias administrativas para apresentação da defesa ao lançamento fiscal. Para tanto foi apresentada impugnação ao lançamento e agora, diante de improcedência da impugnação, está sendo apreciado o recurso voluntário. E nem há que se falar que o contribuinte esteja sendo privado de seus bens ou de sua liberdade, sem o devido processo legal, pois o objeto do presente processo é a exigência de crédito tributário e seus consectários legais, cuja exigibilidade está suspensa até a trânsito em julgado do presente processo. Não foi negado acesso ao contribuinte de nenhum elemento de prova constante do presente processo. Tanto é que ele faz referência aos depoimentos pessoais utilizados para compor a convicção da acusação fiscal. No caso a lei não determina que é direito do acusado de participar da tomada de depoimentos e demais diligências realizadas previamente ao lançamento fiscal. Ficaria até impraticável a realização da fiscalização nos contribuintes, caso eles tivessem que obrigatoriamente estar presentes em todos os atos fiscalizatórios. Não houve qualquer afronta aos dispositivos legais da Lei nº 9.784/99, acima citados. No presente caso, o contribuinte está exercendo o seu direito de defesa de forma plena. O fato de os autos de infração terem sido lavrados após colhidos os depoimentos de terceiros e coleta de provas e informações diversas, mas sem intimação prévia do contribuinte, não implica em qualquer ilegalidade. O contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72 com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Inclusive, nos termos da Súmula CARF nº 46, "o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Nulidade de Decisão Recorrida O contribuinte pede a nulidade da decisão recorrida por ela ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha. O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos atos administrativos, para que estes coadunemse o mais próximo possível com a legislação tributária. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 16526DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.493 12 Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Quanto a afirmativa de que a decisão teria sido embasada em elementos de prova declarados ilícitos pelo TRF da 2ª Região no HC nº 2012.02.01.0143115, concluo que esta afirmação não está correta. Neste sentido é relevante transcrever o trecho do recurso voluntário: (...) "Não obstante tais transcrições serem um absurdo por si só, é imperioso registrar que esses elementos probatórios encaixamse no conceito de prova ilícita, pois ação penal na qual se encontra vinculada (autos nº 2008.50.05.005383) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC n. 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no colendo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO. (Doc 02). No referido habeas corpus, a egrégia Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região afirmou categoricamente a inexistência de crime de estelionato, bem como afastou com todo acerto a existência de crime de quadrilha. Eis a ementa do acórdão, cuja relatoria foi confiada ao eminente e culto Des. ANTÔNIO IVAN ATHIE (doc. 02): EMENTA: Princípio da especialidade. Ações visando redução e/ou não recolhimento de tributos não configura estelionato, face estarem tipificadas na Lei 8137/90. Artigo 12 do Código Penal. Tampouco existe eventual crime de quadrilha antes de existir o próprio crime que, em tese, fora praticado. Adaptação do voto do relator neste sentido, adotando a tese desenvolvida pelo Des. Abel Gomes, no julgamento. Ordem concedida, estendida aos demais acusados, para trancar a ação penal. (...) Da leitura da ementa resta claro que não houve qualquer declaração de que as provas obtidas e disponibilizadas à Receita Federal sejam ilícitas. A conclusão é evidente no sentido de que, pelo princípio da especialidade das penas, o crime que Fl. 16527DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.494 13 pode ter sido praticado pelos acusados é o previsto na Lei nº 8.137/90, ou seja, crime contra a ordem tributária. Portanto a ação penal que tratava dos crimes de estelionato e formação de quadrilha foi extinta. Claro que o crime contra a ordem tributária de que trata a Lei nº 8.137/90 não era objeto daquela ação penal, pois nestes casos, a denúncia só pode ser oferecida após a constituição definitiva do crédito tributário, a qual se dá após o trânsito em julgado dos processos de lançamento fiscal. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Mérito Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de Pseudo Atacadistas. O contribuinte argumenta em sua defesa que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte. Afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor. Toda esta argumentação já havia sido apresentada na sua impugnação e foi rebatida de forma didática pela decisão recorrida. Da análise dos elementos apresentados pelo contribuinte em sua defesa constato que o conjunto de provas trazidos pela fiscalização são contundentes no sentido de que a recorrente efetivamente participou conscientemente de um esquema fraudulento para burlar a legislação tributária, sobretudo o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins de maneira indevida. As inúmeras notas fiscais de aquisição de café apresentadas pelo contribuinte e sua escrituração contábil e fiscal não afasta a acusação fiscal, ao contrário, o aproveitamento dos créditos depende efetivamente de todo os elementos apresentados pelo contribuinte, quais sejam: a) aquisição de mercadorias; b) emissão de nota fiscal de venda por parte do vendedor e seu registro na contabilidade do adquirente; c) pagamento do preço; e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente. Ora, a acusação fiscal não nega estes fatos, ao contrário concorda que foram realizados, mas relata com detalhes impressionantes, que tudo isto foi orquestrado para simular a verdadeira operação engendrada na compra do café, ou seja, foi colocado artificialmente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do produto, empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e Cofins. Fl. 16528DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.495 14 Longe de escorada em simples presunção, como argúi a Recorrente, a autuação encontra suporte fático, restando comprovada a simulação nas operações de compra às pessoas jurídicas atacadistas, já que de fato eram realizadas aos produtores pessoas físicas. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 1660/1962, é bastante detalhado e não há razão ao contribuinte em afirmar que não foi cumprido o art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Por economia processual e considerando que o contribuinte não rebateu especificamente as conclusões decorrentes do acórdão recorrido, transcrevo abaixo parte do voto, no qual fica evidente sua participação no esquema de fraude. Portanto com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, utilizo partes da própria decisão recorrida como razões de decidir. (...) No quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador; porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos... (...) No conjunto as empresas deste quadro movimentaram R$ 1,75 bilhão de Reais mas praticamente nada recolheram de PIS/Cofins, no período de 2003/2007. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total recolhido de tributos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada inapta, nula, baixada ou suspensa , junta Fl. 16529DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.496 15 se mais um fato, constatado em diligências nas empresas, nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns, nenhum funcionário contratado e, nenhuma estrutura logística. Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrando, ao invés disso, escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. A fiscalização exemplifica a exiguidade e precariedade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento da JC BINS (v. fl. 1675), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel de minguados 40 m2, com equipamentos e material de escritório: uma mesa, um armário, meia dúzia de pastas, telefone, fax e um computador. Vale sublinhar, contudo, que este mesmo atacadista de café movimentou mais de 149 milhões de Reais apenas no período de 2006 a 2007 (fls. 1674/1675). A fiscalização fornece outro exemplo de precariedade das instalações, com a fotografia do estabelecimento da Nova Brasília Comércio de Café Ltda (fl. 1678), onde o mesmo quadro de exiguidade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas se repete, um imóvel de minguadas dimensões, com equipamentos e material de escritório: duas mesas, duas cadeiras, um armário, meia dúzia de caixas, telefone, fax e um computador. A Empresa, dotada de tal patrimônio, movimentou mais de 300 milhões de Reais, apenas no período de 2007 a 2009. Como fornecedora da Nicchio Sobrinho teria negociado mais de 8 milhões de Reais, apenas no curto período de janeiro a agosto de 2009 (fl. 1679). Tudo indica até aqui que as autodenominadas "atacadistas" são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, um existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. É cedo, porém, enunciar esta hipótese como provada, embora seja inegável sua plausibilidade. A impugnante alega que se o esquema ocorreu, não foi com sua conivência, que procurava tão somente adquirir café de pessoas jurídicas, afirmando nada ter a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas, seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como se verá na seqüência. Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 230/232 dos autos, corrobora a tese da auditoria de modo expresso, e, sem peias ou meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; Fl. 16530DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.497 16 O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais.(destaquei) Registrese que Thiago de Resende Gava, filho de Antônio Gava, antes de fundar a Colúmbia, trabalhou na Nicchio Sobrinho. Logrou a Colúmbia negociar mais de 55 milhões de Reais em fornecimento de café para a Nicchio Sobrinho, apenas no período de 2006/2008. Em outro depoimento à Fiscalização, agora de Alexandre Pancieri, sócio da Do Grão, encontrase apoio para a hipótese de uma ação coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, o apoio desta vez vem no sentido de esclarecer outro aspecto da situação sob suspeita: a de que as empresas (ou pelo menos algumas delas) eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livre das vontades dos sócios para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados: Indagado pela fiscalização, ALEXANDRE PANCIERI confirmou figurar no quadro societário da DO GRAO como interposta pessoa e revelou que, na verdade, é classificador de café na FONTE RICA, corretora de seu irmão Paulo Pancieri Júnior. Assegurou que DO GRAO foi constituída a pedido de LUIZ FERNANDO MATTEDE. (fl. 1687) Destacamos a afirmação do sócio da Empresa Do Grão, cujo quadro societário compunhase de apenas dois sócios, que a empresa fora criada "a pedido" do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída, movimentou milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada aos cofres públicos a título de tributo, no período. Entre 2006 e 2008, a Do Grão teria negociado cerca de 9 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Porém, toda a estrutura empresarial da Do Grão restringese a uma pequena sala em Colatina. Vale notar que o Sr. Luiz Fernando Mattede Tomazi, citado no depoimento de Alexandre Pancieri, era um dos administradores da Do Grão, exercendo a função mediante procuração. Foi também um dos sócios fundadores da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e Exportação Ltda apresentou recolhimento nulo entre 2003/2009. Luiz Fernando Mattede Tomazi é ainda um dos sócios fundadores da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (fl. 1688), empresa que movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO no período. Entre 2008 e 2009, a Do Grão teria negociado cerca de 12 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Fato notável é que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio (Av. Silvio Ávidos, Ed. Silver Center) , e ainda têm a Fl. 16531DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.498 17 companhia de mais quatro empresas fiscalizadas na mesma operação: Colúmbia, JC Bins, Stange's Corretagem e a V Munaldi ME. Fato apenas curioso não se tratassem de "atacadistas de café", atividade que por sua própria natureza exige espaço, funcionários e logística sofisticada. Quanto a esta última empresa citada V Munaldi ME, no depoimento de seu titular de direito Vilson Munaldi (fl. 1689) à Fiscalização é declarado que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves. O Sr. Altair Braz Alves confirmou o depoimento de Vilson Munaldi, admitindo ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi ME, embora figurasse o nome daquele nesta condição. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como esquema fraudulento para vender notas fiscais e simular elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade. No ano de 2006, a Nicchio Sobrinho registrou mais de 4 milhões de reais em notas da V. Munaldi. O depoimento completo de Altair está às fls. 275/278. Na seqüência, destacam se alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda de café, porque não realizava tais atividades, mas recebia "comissão", conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de R$0,35 a R$0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. Destaquese que Altair fora empregado da Nicchio Sobrinho, antes de se tornar o "proprietário" da V Munaldi (fl. 276). Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L confirmam a dedução acima (v. fls. 248 e ss): Vale ressaltar que em alguns casos, a Fiscalizada nem mesmo procurava o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a Fiscalizada que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem. Fl. 16532DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.499 18 Os recursos transitados pela conta da Fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, especuladores de mercado, indústrias torrefadoras, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Os sócios e/ou gestores da fiscalizada, na realidade e em verdade, são e sempre foram agentes de comércio (corretores de café), sendo por imposição do mercado (empresas que atuam do mesmo modo que a fiscalizada) transformada em pessoas jurídicas, para continuar ganhando pelo serviço prestado e sujeitandose a situações como a presente fiscalização por exigência e imposição dos compradores, posto que esta seja a única forma de sobreviver em sua atividade comercial (gn) O depoimento denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está a contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores da contribuinte. Observese no item 4, fl. 289, citação expressa à Nicchio Sobrinho: Dependendo da necessidade do Comprador em baixar seu caixa "dois" ou de gerar mais créditos de entrada para caucionar as vendas, solicitavam a emissão das notas com valores acima do mercado, inclusive acima da pauta fiscal, que via de regra já é mais elevada que o preço comercial. Todas as empresas fizeram e fazem uso desta prática, podendose destacar .... Nicchio Sobrinho, ... Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Por exemplo, no depoimento do corretor de café Arylson Storck de Oliveira, às fls. 412/414, textualmente se declara: "(...)ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física, que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando café de pessoa jurídica" (item 2) "a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são ex Fl. 16533DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.500 19 funcionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo" (item 3) "pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o 'mercado de nota fiscal' chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café " (item 4).(gn) O depoimento esclarece que as próprias exportadoras somente estavam aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física. Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam pessoas jurídicas para "guiar o café", expressão, que neste caso, não passa de eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória. Noutro depoimento (fls. 449/454), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o depoente afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas, exportadoras e indústrias, passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 441 e seguintes, item 12), identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o mercado de café se "prostituiu"porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 529/534), afirma, por exemplo, que os reais compradores (exportadoras e indústrias) perguntavam aos produtores quem iria "guiar" o café, muitas vezes elas mesmas indicando um nome, denunciando até uma reunião entre as reais compradoras e os corretores para passar "orientações", entre as quais, a de pulverizar o café guiado em várias empresas, diminuindo o volume da Colúmbia, a de não mencionar o nome do produtor rural no fechamento das operações, nem deixar pistas (telefone, email, MSN): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor Fl. 16534DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.501 20 recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém;(gn) (...) Que então se criou um círculo vicioso: o comprador satisfeito com o café sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica passou a solicitar que os corretores indicassem "empresas" para que os produtores rurais guiassem o café; (...) Que confirma a ocorrência de uma reunião na NICCHIO SOBRINHO, na qual o declarante estava presente, juntamente com outros corretores, onde foi dito que os corretores teriam de diminuir a quantidade de café guiado em nome da COLÚMBIA, pulverizando com outras "empresas"; (gn) (... ) Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 307/308): (...) 4)(...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: (...), NICCHIO SOBRINHO e (...); 5)Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, (...), (...) e Sr Edinho (Nicchio Sobrinho) indicaram que o declarante procurasse as 'empresas' Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a (...) Nicchio Sobrinho e (...); (...) Fl. 16535DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.502 21 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...)(gn) Notase aí, na citação expressa à Nicchio Sobrinho pelo produtor rural/maquinista, o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação, exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde "atacadistas", corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento firma mais ainda esta convicção. Tratase do depoimento do produtor rural Jarbas Alexandre Nicoli, a descrição detalhada torna inteiramente plausível a hipótese de uma intermediação fictícia com a participação ativa dos reais adquirentes (indústrias e exportadores) (fl. 322/323): 1) Que o declarante informou que é produtor de café na região de Jaguaré, com uma produção anual média em torno de 10.000 (dez mil) sacas, sendo a mesma em parceria/meação; 2) Que o declarante afirmou que a comercialização de seu café, produzido em meação, é feita por intermédio de corretores localizados em Colatina; 3) Que Paulo Zache, Junior Preti (RP COMISSÁRIA) e Fernando Alvarenga (CASA DO CAFE) são corretores de café em Colatina e que com quem o declarante, preponderantemente, mantém contato para a venda do café; 4) Que o declarante afirmou nunca ter negociado pessoalmente com a COLÚMBIA, (...) V. MUNALDI (...) ACÁDIA, DO GRÃO; (...) 6) Que o declarante afirmou que os corretores acima citados, por intermédio de FAX, repassavam o nome da empresa que deveria constar na nota fiscal do produtor rural; Fl. 16536DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.503 22 7) Que o declarante afirmou que nunca pagou qualquer tipo de remuneração ou valor de corretagem para os corretores acima citados; (...) 10) Que a partir de 2003, ainda por intermédio de corretores de café da região de Colatina, o declarante não mais conseguia vender sua produção diretamente para exportadores e indústrias, sendo o declarante orientado pelos mesmos corretores a guiar seu café em nome de outras pessoas tais como: COLUMBIA e V. MUNALDI:, (...) 12) Que os corretores informavam ao declarante que as notas fiscais de produtor rural seriam trocadas quando o motorista chegasse nas redondezas de Colatina. que preferencialmente se dava em um posto de gasolina; que neste momento o próprio motorista ligava para determinado número de telefone, fornecido pelo corretor, comunicando a sua chegada a fim de possibilitar o recebimento da nota fiscal para o local onde o café era descarregado; (gn). E, finalmente, o depoimento do produtor rural Américo Barbosa Martins (fls. 295/296): (...) após concretizar a negociação, o café negociado por Junior Pretti é guiado por meio de nota fiscal de produtor do declarante em nome da COLUMBIA, e poucas vezes em nome da C DÁRIO ME, WR DA SILVA LTDA ME e WG DE AZEVEDO BRASIL COFFEE, (...); (...) após a descarga do café o corretor Junior Pretti informa ao declarante que o café foi descarregado/armazenado nos armazéns do (...), NICCHIO SOBRINHO e (...), em Colatina, e (...), em Vitória; O produtor rural (Américo Barbosa Martins) afirma que "do total dos recursos depositados na conta corrente do declarante por cada operação de venda de café é descontado o valor de R$1,00 por saca;que o declarante afirma queopróprio Junior Pretti dizia que esta quantia seria destinada à própria COLÚMBIA". Júnior Pretti aí referido é o corretor encarregado, no caso, da transação real e direta do produtor rural com a Nicchio Sobrinho ( e Fl. 16537DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.504 23 outras empresas), mas que também operava contatos entre a real adquirente e o pseudo adquirente do café do produtor rural, pois o produtor rural afirma na seqüência que "não conhece e nunca negociou com a COLÚMBIA, (...), ou seus sócios, sendo que o único contato do declarante na negociação do café era com o corretor Júnior Pretti" (fl. 296). A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Nicchio Sobrinho e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudoempresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Nicchio Sobrinho; (3) o café era retirado da propriedade rural pela Nicchio Sobrinho, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Nicchio Sobrinho, participa ativamente no setor de compra da Nicchio Sobrinho. Repitase: as 'pseudoempresas' que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do "pleno conhecimento" dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre real comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: "Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de varias empresas (...)". (v. por exemplo fl. 258, item 2). Acrescenta, em outro momento, que "regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores". (v. por exemplo fl. 258, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torrefadoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, "que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café". E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, "que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas". Estas novas empresas "passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais" (fls. 259/260, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não Fl. 16538DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.505 24 operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro 'mercado', a saber, 'mercado de compravenda de nota fiscal'. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 539/541) de Thiago de Resende Gava, assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) " nunca comprou nem vendeu um grão de café..", esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada: "que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que alem disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)" Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como 'laranjas', termo, aliás, corriqueiramente empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos "afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas" (fl. 423, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia "quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo'" para R$0,50 ou R$0,30 (v. fl. 259, item 5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: "para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é)pelo número de sacas". A face financeira da simulação consistiu, conforme demonstrou a Fiscalização, quase sempre na abertura de contascorrentes pela real compradora (Indústria ou exportadora, por exemplo, Nicchio Sobrinho) em nome de uma "atacadista" (por exemplo, V. Munaldi), mas para ser movimentada por um procurador, corretor ou pelo próprio produtor rural (exemplo, Fernando Plantikow Neto): Por exemplo, a conta n° 52.1914 aberta em nome da V. MUNALDI no SICOOB unidade de BAIXO GUANDÚ ES, era movimentada pelo produtor/maquinista FERNANDO PLATIKOW NETO. Indagada sobre a origem dos depósitos na citada conta da V. MUNALDI, Adriana Lopes Dal Cól Soares, então tesoureira da unidade do SICCOB, esclareceu que, em sua maioria, eram da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1709)(gn) Fl. 16539DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.506 25 Às fls. 1723/1724, no Termo de Encerramento Fiscal, há uma lista fornecida pela própria Colúmbia de contascorrentes abertas em seu nome, mas movimentadas por outras pessoas. Como prova documental (v. fl. 1731), a Fiscalização cita dois cadernos contendo anotações de Edson Everaldo Bortolozzo (o citado Edinho), comprador da Nicchio Sobrinho. No caderno de compra da Nicchio Sobrinho aparecem o nome do produtor rural e o nome da empresa "atacadista" contratada para guiar o café, isto é, para vender a falsa nota fiscal. Observese o exemplo destacado à fl. 1731, onde aparece o nome Mazolini (produtor rural) seguida do n° 999 (pedido) e da abreviação "Col" de Colúmbia. O diálogo reproduzido na seqüência, fl. 1732), confirma a real compra e já fecha a simulação. No caso a compra é do produtor rural Ocimar Gomes, mas a nota fiscal deveria ser da Ypiranga. No diálogo "Edinho" da Nicchio Sobrinho adverte o corretor duas vezes, primeiro com a expressão "acorda" e depois, mas diretamente, com "e se espalhar já sabe que acontece". Os diálogos mais completos encontramse reproduzidos às fls. 904/908 e estão recheados de expressões análogas às citadas. No trecho citado no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1732) aparece o número do pedido (nv 112): edinns (14:18:27): cafe do ocimar fica fechado edinns (14:18:31): qual firma? edinns (14:19:24): acorda Sidnei VG (14:19:31): Ypiranga edinns (14:19:38): nv 112 Sidnei VG (14:19:46): Agradecido... edinns (14:19:57): e se espalhar ja sabe que acontece Na nota fiscal da Nicchio Sobrinho aparece todo o combinado no diálogo, vide sua reprodução à fl. 909. O suposto vendedor é a Ypiranga, mas o número nv 112, referente ao pedido fechado do corretor com o produtor rural, aparece no canto inferior esquerdo do engendrado documento, e o transportador é o próprio Ocimar Gomes, o produtor rural! A prova da simulação/dissimulação é cabal. Entre outras provas documentais, há as planilhas de "controle diário de compras", que foram anexadas nos emails de Edson Bortolozzo (o Edinho) para os dirigentes da Nicchio Sobrinho. As planilhas encontramse às fls. 1103/1374 dos autos, e no relatório da Autoridade Fiscal concluise que: Essas planilhas de compras foram anexadas aos emails e encaminhadas por EDSON BORTOLOZZO aos dirigentes da empresa: SÉRGIO NICCHIO, JORGE NICCHIO, MAXWEL NICCHIO, NICCHIO JÚNIOR, PEDRO NICCHIO e outros. É mais um tipo de documento, onde restou, portanto, comprovado que os dirigentes da empresa tinham pleno conhecimento acerca das compras de café de produtores/maquinistas documentadas com notas de empresas laranjas. (gn) Fl. 16540DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.507 26 Também a planilha de fl. 1594 demonstra a existência da operação fictícia, pois ao lado da quantidade de sacas registrase o valor de R$1,30, que representa a aludida remuneração por saca do (pseudo) atacadista para "guiar" o café. As notas fiscais citadas na planilha (2a coluna) simulam a venda de "PJ" para outra PJ, encobrindo a venda real do produtor rural para a PJ: Por exemplo, a planilha mostra que no dia 26/05/2010 foi emitida a nota fiscal n° 4843 com 180 sacas de café ao preço unitário de R$234,00 para a NICCHIO SOBRINHO, referente à compra NV 0684/10 Confirmação n° 0197/10. Compulsando a nota fiscal n° 4843 , da RODRIGO SIQUEIRA, que fora apresentada pela NICCHIO SOBRINHO em atendimento à intimação fiscal, verificase que se trata de venda de Domingos Perim que conduziu o seu próprio veículo de placa MPO 1651 até o armazém da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1.613). De documentos recebidos da Polícia Federal (fls. 224/225), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 1759 e ss) para a Nicchio Sobrinho deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso Edmar Muller, e o destino é a Nicchio Sobrinho. Edmar Muller, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Nicchio Sobrinho, mas que em determinado ponto era efetuada a troca das notas fiscais (fls. 304/305). A Fiscalização comprovou que a própria Nicchio Sobrinho depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais (fls. 1765/1766). Comparar a planilha de fl. 1764 (Razão Analítico da própria Nicchio Sobrinho) com a planilha de fls. 1765/1766: É curioso notar que a "venda" do café para a Colúmbia, e a "revenda" desta para a Nicchio Sobrinho eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. Antonio Gava (já citado sócio da Colúmbia) confirmou a mecânica de pagamentos da Nicchio Sobrinho aos produtores rurais e, simultaneamente, aos (pseudo) atacadistas (reproduzido parcialmente às fls. 1771/1772): (...) QUE, para pagar a NICCHIO SOBRINHO, mais precisamente para os sócios SÉRGIO, MAXUEL e JORGE, foi orientado por eles a vender nota fiscal, com vistas a possibilitar o creditamento das contrubuições PIS e COFINS por parte da empresa. QUE, esclarecendo melhor, passou a fornecer a nota fiscal de sua empresa, em virtude da compra de café da NICCHIO SOBRINHO diretamente para o produtor; QUE, ficou acertado com os sócios da NICCHIO SOBRINHO que seria abatida da dívida de R$0,80 a R$1,00 por saca de café guiada por sua empresa (...). QUE, fazia contatos com SÉRGIO, MAXUEL e JORGE por telefone, (...) QUE, para pagamento dos produtores rurais de café adquirido pela empresa NICCHIO SOBRINHO, os sócios dessa empresa depositavam os valores em uma conta da COLÚMBIA e Fl. 16541DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.508 27 lhe mandavam posteriormente uma relação dos produtores de café que deveriam ser pagos, com os respectivos montantes discriminados (...). O depoimento resume com coerência tudo o que a documentação extensa amealhada pela Fiscalização (e também pela Polícia Federal e pelo Ministério Público) e constante dos autos confirma. Do Ministério Público do Espírito Santo Grupo GETPOT a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa ("caixa 2"), documento apreendido na Operação Acádia deflagrada "com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS" (fl. 223), que detalha ganhos das 'pseudoempresas' Do Grão e L&L, Acádia e D'Cristo. O documento reproduzido (fl. 1866) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 3706). Documento ainda mais conclusivo se isso é possível quanto ao efetivo uso do esquema pela Nicchio Sobrinho é o que transcreve conversas efetuadas mediante MSN. Neste voto, parte de tais diálogos já foi citada. Um dos diálogos é travado entre funcionário do setor financeiro da Nicchio Sobrinho e o corretor Edson Pancieri Filho da Clonal Corretora, que confirmou a conversa (fls. 432 e ss) e entregou o arquivo correspondente (fl. 435). Ali são tratados pagamentos da Nicchio Sobrinho a produtor rural. Ocorre que o pagamento ali registrado (R$59.722,00) é depositado na conta de WR da Silva (vide cópia do extrato do Razão analítico à fl. 1719) no valor de R$59.800,00 (2 X 29.900); onde a diferença devese a quebra de peso (fl. 1719). Examinese o que diz Weverton Rosa da Silva (WR DA SILVA): Que a WR DA SILVA não é empresa comercial de café, muito menos atacadista, conforme consta no contrato social; Que na verdade a WR DA SILVA fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e indústrias, que são as reais compradoras do café dos produtores rurais; Que pela operação de fornecimento da nota fiscal a WR DA SILVA recebe R$0,30 (trinta centavos) a R$0,50 (cinqüenta centavos)por saca de café; Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias (para as quais a WR DA SILVA guia o café) compram o café diretamente do produtor rural ou, mais frequentemente, por intermédio de corretores ou corretoras; O papel fictício das "atacadistas" na negociação direta entre produtor rural e a Nicchio Sobrinho evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. Fl. 16542DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.509 28 Ressaltese que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os limites do estado do Espírito Santo e atinge outros membros da Federação, particularmente, atinge Minas Gerais, onde as autoridades fiscais também diligenciaram e colheram provas que apontam para a mesma conclusão: as empresas "atacadistas" são chamadas no último ato para representar a cena final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo 6, do Termo de Encerramento Fiscal, item 5.10). Finalmente, a impugnante tenta fazer crer que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados. Alega que se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores que teria vendido café somente para a Nicchio Sobrinho. Uma vez confessado pelas próprias "atacadistas", fornecedoras da contribuinte, que não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de "guiar o café", concluise que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda conforme confessado por quem podia confessar tampouco poderia ter havido a compra, a contrario senso, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria", o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei n° 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: "de quem ?". E as provas dos autos direcionam para a resposta de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria" de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar "empresas" sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. No quadro probatório assentado têmse ainda por irrelevantes as alegações da inconformada quanto à inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; ao tempo em que efetuou as transações, e de que tomou o cuidado de verificar a regularidade das empresas fornecedoras no CNPJ ou Sintegra. As alegações são irrelevantes porque independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovado não ter havido a transação a que se refere, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de Fl. 16543DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.510 29 mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa. A alegação da contribuinte de que não é possível concluir que teve conhecimento da prática ilícita de fornecedores não prevalece diante dos depoimentos e da prova robusta reunida pela Autoridade Fiscal. Da mesma forma, a alegação de que responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo, decorre de lei e não pode ser presumida é irrelevante, pois não há imputação de solidariedade. Nem a Fiscalização está responsabilizando a autuada por tributos que não foram pagos por seus fornecedores, nem está aplicando penalidade por infração cometida por terceiros, mas essencialmente glosou créditos da nãocumulatividade, que entendeu indevidos, porque decorrentes de negócios inexistentes, meramente simulados, enfim, imputou responsabilidade por atos cometidos pela própria autuada. A infração tributária cometida, independente da repercussão penal dos mesmos atos, consistiu basicamente em se apropriar de créditos fiscais indevidamente, pois já se explicou, neste voto, que a compra de café diretamente de pessoa física dá ao comprador um direito de crédito presumido, correspondente a 35% do crédito que seria devido se o negócio fosse realizado com pessoa jurídica. (...) O contribuinte, em seu recurso voluntário, não contestou especificamente nenhum destes argumentos. Como disse combateu genericamente a acusação de que não teria provas no processo de sua participação. A única questão específica que argumentou nesta parte, em relação à decisão recorrida, é que ela teria utilizado provas ilícitas, situação esta que já foi explicitada neste voto na análise da preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Mérito Direito à Manutenção do Crédito na Aquisição de Café das Cooperativas. Após fazer um diagnóstico bem detalhado das aquisições efetuadas diretamente de pessoas físicas, produtores rurais de café, conforme tópico anterior, a fiscalização concluiu que nestas aquisições a recorrente faz jus ao crédito presumido do PIS e Cofins nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, nestas aquisições de café in natura diretamente dos produtores rurais, mas com intermédio da interposição fraudulenta de pseudoatacadistas, a adquirente beneficia este café in natura para venda no mercado externo. Concluise assim que o contribuinte exerce a produção agroindustrial, consistente no exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (art. 6º da IN SRF nº 660/2006). A partir daí, ao analisar os créditos decorrentes das aquisições de café oriundos de cooperativas de produção rural, a fiscalização conclui que as vendas deveriam ter sido efetuadas com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e que o contribuinte somente teria direito ao crédito presumido, efetuando a glosa dos créditos integrais apropriados pelo recorrente. Assim se pronuncia a fiscalização: (...) Fl. 16544DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.511 30 Desse modo, a NICCHIO SOBRINHO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. (...) Em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, no qual o contribuinte foi intimado a detalhar o seu processo produtivo, a empresa assim se pronunciou (fl. 6): (...) Item 2.7 Informamos que a empresa é uma produtora na concepção da lei, uma vez que em relação aos produtos classificados no código 0901.11.10 (Café em grãos), adota o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) e separar por densidades de grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (...) Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. O ônus da prova, na caso é do contribuinte, primeiro porquê ele altera uma realidade antes por ele afirmada e confirmada pela fiscalização. Segundo porque estamos falando de apuração de crédito de PIS e Cofins, cuja certeza e liquidez deve ser comprovada por quem afirma. Veja o que dispõe os art. 333, inc. I do CPC e 170 do CTN: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 16545DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.512 31 (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(destaquei) Quanto ao que ele diz ser as três etapas do processo produtivo do café, não vejo qualquer óbice de que qualquer contribuinte, ou membro da cadeia produtiva do café, realize as três conjuntamente, ou somente duas delas, ou até mesma uma em cada elo. Esta situação relatada como óbvia, da realidade do mercado, longe de ser um elemento de prova contundente, não passa de uma afirmação banal, que não traz nenhuma utilidade que possa alterar a realidade fática e a consequente utilização da legislação tributária. Portanto, entendo correta a apuração realizada pela fiscalização e confirmada pelo acórdão recorrido. Vejamos o que diz a legislação a respeito da suspensão do PIS e Cofins e o consequente aproveitamento do crédito presumido. Lei nº 10.925/04 Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do Fl. 16546DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.513 32 art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Destaquei) Da leitura desse dispositivo, entendo que a suspensão não é uma mera opção dos contribuintes, ao contrário, estando atendidas as condicionantes impostas pela lei, a suspensão do PIS e Cofins é obrigatória. Note que o § 2º da Lei autoriza que a Secretaria da Receita Federal estabeleça termos e condições para aplicação da suspensão. Neste sentido foi editada a IN SRF nº 660/2006, a qual regulamentou a suspensão das contribuições e o aproveitamento do crédito presumido. Para melhor clareza, transcreve se abaixo trechos essenciais da referida instrução normativa: DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº10.925, de 2004. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. Fl. 16547DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.514 33 § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do art. 8º e do § 4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput, deverão estornar os créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos Fl. 16548DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.515 34 agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. § 3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. DO CRÉDITO PRESUMIDO DO DIREITO AO DESCONTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: a) no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1; b) no capítulo 4; c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99; Fl. 16549DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.516 35 d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (Redação original) e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09 e 2209.00.00; f) no capítulo 23, exceto o código 23.09.90. g) no capítulo 3, exceto os produtos vivos deste capítulo; h) no capítulo 16; II classificados no código 22.04, da NCM. § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. § 3º Aplicase o disposto neste artigo também em relação às mercadorias relacionadas no caput quando, produzidas pela própria pessoa jurídica ou sociedade cooperativa, forem por ela utilizadas como insumo na produção de outras mercadorias. DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. DOS INSUMOS QUE GERAM CRÉDITO PRESUMIDO Art. 7º Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º, os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. 2º; Fl. 16550DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.517 36 II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (...) Verificase que a Instrução Normativa editada pela Receita Federal, em atendimento à exigência do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabeleceu alguns regramentos para o cumprimento da suspensão nas aquisições de café para beneficiamento e fica evidente que a suspensão na aquisição era obrigatória da simples leitura do seu art. 4º acima transcrito, pois a recorrente preenche todas as suas condições conforme constatou a fiscalização. A ausência da expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" em algumas das notas fiscais de aquisição não são suficientes para fazer prova de que o produto não foi adquirido com suspensão. Pode ter havido somente um descumprimento de uma obrigação acessória, a qual a recorrente poderia ter exigido a sua correção no momento do recebimento da mercadoria. Em seu recurso o contribuinte afirma "da impossibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café". Em síntese aduz que tendo a cooperativa já aproveitado do crédito presumido nas aquisições do café do produtor rural este crédito só pode ser aproveitado uma vez, cabendo o crédito integral para a recorrente que adquiriu o café da cooperativa. Correta a primeira afirmação de que não há previsão legal para aproveitamento do crédito presumido em duplicidade. Isto decorre da própria sistemática do sistema de créditos. No caso o § 2º do art. 3º da IN nº 660/2006, acima transcrito, prevê que nestas situações, quando a cooperativa utilizouse do crédito presumido na aquisição do produtor rural e efetuou a venda com suspensão, caso dos autos, ela deve estornar estes créditos apropriados na aquisição. Portanto a segunda afirmação não é verdadeira de que a recorrente poderia apropriarse integralmente do crédito de PIS e Cofins. Assim correta a glosa dos créditos integrais apropriados pelo contribuinte e a manutenção do crédito presumido apropriado pela fiscalização. Mérito Multa Qualificada de 150% Neste ponto o contribuinte afirma que não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Penso que a questão da existência de fraude ou dolo já foi enfrentada na questão de mérito inicial, pois a exigência do presente lançamento só se sustenta ante a comprovação da prática simulatória de adquirir o produto diretamente de produtores rurais com a inserção fictícia do pseudoatacadista. O dolo restou caracterizado e enseja a qualificação da penalidade nos exatos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração Fl. 16551DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.518 37 inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez assim dispõe a Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O procedimento sistemático de contribuir para a emissão dessas notas fiscais e depois se utilizar dos créditos básicos do PIS e Cofins, que como se sabe são superiores ao crédito presumido a que faz jus (este foi reconhecido pela fiscalização, cabe ressaltar), caracteriza o dolo, consistente na intenção de impedir ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Daí a fraude, cominada com a multa no percentual de 150%. Quanto à argumentação de inconstitucionalidade da norma em decorrência do suposto caráter confiscatório da multa aplicada, é necessário lembrar que este Conselho não é competente para se pronunciar a este respeito, conforme Súmula CARF nº 2: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 16552DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.519 38 Pedido de Diligência O contribuinte insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". Também neste caso concordo com a decisão recorrida. No meu entendimento as questões que o contribuinte colocam para ser diligenciadas não são pertinentes, pois já estão exaustivamente demonstradas no lançamento fiscal, ou por intermédio de sua defesa. Não há nenhum questionamento quanto à existência das notas fiscais emitidas pelos fornecedores. A fiscalização reconhece a sua existência tendo sido elas utilizadas para o cálculo matemático das glosas e dos lançamentos sendo que o contribuinte não impugnou qualquer questão relativa a estes cálculos, restringindo a discussão somente quanto ao direito ao crédito. Da mesma forma não há relevância quanto a existência dos pagamentos, depósitos bancários e cadastro ativo ou não nas Receitas Federal e Estadual. De igual forma a fiscalização não negou a existência dos pagamentos, depósitos bancários e as situações cadastrais. Assim também a fiscalização não diferenciou os tipos de operações em conformidade com o local de sua aquisição, seja em Colatina, Manhuaçu ou outro município qualquer. Em conclusão nego o pedido de diligência por entender que constam dos autos todos os elementos necessários para realizar o julgamento. Multas Isoladas Observase que não houve impugnação específica quanto à aplicação das multas isoladas em decorrência da não homologação das compensações declaradas ou do indeferimento dos pedidos de ressarcimento. Certo que se no mérito as glosas e o próprio lançamento fossem afastados haveria também o consequente afastamento destas multas, o que não é o caso. Porém, embora não contestadas especificamente no recurso voluntário, parte das multas isoladas foram aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Estes dispositivos legais foram revogados pelo art. 27, inc. II da Lei nº 13.137/2015, retirando tal penalidade do ordenamento jurídico. Desta forma entendo que a aplicação desta penalidade deve ser excluída do lançamento tributário, em face do disposto no art. 106, inc. II, "a" do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 16553DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720359/201232 Acórdão n.º 3301002.779 S3C3T1 Fl. 16.520 39 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para afastar a exigência das multas isoladas aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mantendo intacto o restante do crédito tributário exigido no presente processo. (...) (Fim da transcrição do voto) Portanto, pelas mesmas razões do voto proferido no processo de lançamento fiscal nº 10783.720371/201247, acima transcrito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o indeferimento do ressarcimento solicitado e a não homologação das compensações correspondentes. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 16554DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010288/2003-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1995 a 30/09/1995, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/11/1999 a 30/11/1999, 01/01/2000 a 31/12/2002
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS.
Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN.
BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. IMPOSSIBILIDADE. NORMA SEM EFICÁCIA.
A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de calculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas não produziu efeitos. Conforme entendimento do STJ, o disposto no art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.991-18, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo.
COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL.
Incabível à autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e a contribuições federais com créditos referentes a títulos da dívida pública por falta de previsão legal. De outra parte, a extinção do crédito tributário em face de determinação judicial demanda decisão transitada em julgado.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em face da decadência, excluir do lançamento as seguintes parcelas: ago/95 - R$29.805,29; set/95 - R$28.936,95; ago/98 - R$68.107,35 e out/98 - R$5.851,99.
Assinatura Digital
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
Assinatura Digital
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1995 a 30/09/1995, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/11/1999 a 30/11/1999, 01/01/2000 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. IMPOSSIBILIDADE. NORMA SEM EFICÁCIA. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de calculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas não produziu efeitos. Conforme entendimento do STJ, o disposto no art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.991-18, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. Incabível à autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e a contribuições federais com créditos referentes a títulos da dívida pública por falta de previsão legal. De outra parte, a extinção do crédito tributário em face de determinação judicial demanda decisão transitada em julgado. Recurso Voluntário provido em parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10980.010288/2003-49
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5576678
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.956
nome_arquivo_s : Decisao_10980010288200349.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 10980010288200349_5576678.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em face da decadência, excluir do lançamento as seguintes parcelas: ago/95 - R$29.805,29; set/95 - R$28.936,95; ago/98 - R$68.107,35 e out/98 - R$5.851,99. Assinatura Digital ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. Assinatura Digital MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6319112
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125607772160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2351; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.563 1 3.562 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.010288/200349 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.956 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2016 Matéria PIS/Pasep Recorrente Inepar S/A Indústria e Construções Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1995 a 30/09/1995, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/11/1999 a 30/11/1999, 01/01/2000 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS. IMPOSSIBILIDADE. NORMA SEM EFICÁCIA. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de calculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas não produziu efeitos. Conforme entendimento do STJ, o disposto no art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL. Incabível à autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e a contribuições federais com créditos referentes a títulos da dívida pública por falta de previsão legal. De outra parte, a extinção do crédito tributário em face de determinação judicial demanda decisão transitada em julgado. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 02 88 /2 00 3- 49 Fl. 3563DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em face da decadência, excluir do lançamento as seguintes parcelas: ago/95 R$29.805,29; set/95 R$28.936,95; ago/98 R$68.107,35 e out/98 R$5.851,99. Assinatura Digital ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. Assinatura Digital MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da DRJ/Curitiba que negou provimento à impugnação da contribuinte acima qualificada. Em face da contribuinte foi lavrado auto de infração, do qual foi cientificada em 31/10/2003, para a exigência do crédito de R$ 9.474.865,66 de contribuição para o Programa de Integração Social PIS, multa de oficio de 75% e encargos legais, tendo em vista a falta de recolhimento dessa contribuição, relativamente aos períodos de apuração de 01/08/1995 a 30/09/1995, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/11/1999 a 30/11/1999 e de 01/01/2000 a 31/12/2002, conforme Termo de Verificação Fiscal e demonstrativos de multa e juros de mora. A interessada apresentou a impugnação, argumentando, em síntese: decadência do direito de lançamento dos períodos de apuração de agosto e setembro de 1995 e de agosto de 1998, bem como dos cálculos de imputação efetuados pelo agente fiscal em relação a fatos geradores que tenham ocorrido antes de novembro de 1998. nulidade do auto de infração em face da suspensão de exigibilidade dos débitos lançados em agosto e setembro de 1995, nos termos do art. 151, III, do CTN, em face dos processos nºs 10980.011154/9330 e 10980.014364/9801. a fiscalização não poderia glosar a compensação efetuada, em 2001, com créditos advindos de recolhimentos com base nos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449/88, originados da aplicação da semestralidade, por estarem eles ainda em discussão, em recurso voluntário, no Processo Administrativo n° "10980.001954/2001". nulidade do auto de infração em face da glosa unilateral da compensação efetuada em novembro e dezembro de 1999 e em janeiro de 2000 com créditos da Inepar Factoring Fomento Industrial Ltda, no Processo Administrativo n° 10980.014364/98 01, por não haver sido intimada (e nem a pessoa jurídica cedente) da decisão de indeferimento naquele processo. Fl. 3564DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.564 3 impropriedade no auto de infração quanto à utilização da alíquota de 0,75% nos períodos de janeiro e fevereiro de 1996, argumentando que não se aplica o principio da anterioridade à Medida Provisória n° 1.212, de 1995, no tocante à alíquota de 0,65%, por não se tratar de instituição ou majoração de tributos, mas de redução, sem que tenha havido ação declaratória de inconstitucionalidade determinando sua não aplicação. quanto à exclusão da base de cálculo de fevereiro, março e junho de 2000 de receitas repassadas a subempreiteiras, acredita encontrar respaldo legal no inciso III do §2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que seria autoaplicável no período de sua vigência, vindo a ser revogado apenas com a edição da Medida Provisória n° 2.15835, além do que os ingressos que serão repassados a terceiros ou que constituem reembolsos por despesas ou custo a cargo de terceiros estariam fora da base de cálculo da contribuição para o PIS. em relação ao período de apuração de setembro de 1998, alega a improcedência do lançamento "embasado no fato de que o valor devido é menor que o declarado no processo de parcelamento e na DCTF". argumenta que tinha débitos junto Receita Federal, "os quais se encontram em discussão na via administrativa" (sic), tendo sido extintos pela compensação, por autolançamento, abrangendo o principal, juros e multas. requer o cancelamento do auto de infração, eis que se acolhendo todos os seus argumentos, concluiriase pela inexistência de débitos, conforme demonstra em planilha juntada, na qual se apura saldo credor em dezembro de 2002 no montante de R$ 116.591,05. entende incabível a multa de oficio, vez que os débitos foram declarados em DCTF e compensados de forma legal, além do que não se trata de caso de lançamento de oficio, mas de lançamento por homologação, acrescentando que o percentual de 75%, em época de estabilidade financeira, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da vedação ao confisco, podendose alcançar o efeito punitivo com a utilização de patamares inferiores. em relação aos juros de mora, contesta a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic para títulos federais, aduzindo, com base em doutrina, que a referida taxa: não tem caráter indenizatório, próprio dos juros moratórios; promove a majoração do crédito tributário; desatende ao limite de 1% ao mês estabelecido no CTN, que tem status de lei complementar; constitui ofensa ao principio da legalidade. Mediante o ACÓRDÃO DRJ/CTA N° 5.633, de 10 de março de 2004, a 3ª Turma da DRJ/Curitiba não acolheu as preliminares e julgou improcedente a impugnação, com base nos seguintes fundamentos: O prazo de decadência da contribuição para o PIS é de 10 anos, de forma que, em 31/10/2003, não havia decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo aos períodos de apuração de agosto e setembro de 1995 e de agosto de 1998. Descabe a preliminar de nulidade, por suposta precedência do julgamento definitivo dos Processos nº 10980.011154/9330 (ou 10980.001954/200196) e 10980.014364/9801. O Processo Administrativo n° 10980.011154/9330 não trata de Fl. 3565DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 exigência fiscal, mas de acompanhamento administrativo de ação judicial (no caso, do Mandado de Segurança n° 93.00157310). Já o Processo n° 10980.014364/9801 trata de pedido de restituição e compensação de Inepar Factoring Fomento Comercial, CNPJ n° 82.310.764/000148, não sendo, também, processo de exigência fiscal. Os débitos que a contribuinte pretendia compensar em face do Processo n° 10980.014364/9801 não estão sendo exigidos no presente, posto que encaminhados à PFN para cobrança. Toda a discussão correspondente a esse outro processo é estranha ao presente contencioso, posto que não tem influência sobre o crédito tributário neste formalizado. Assim, não se trata de hipótese para a qual tenha lugar o lançamento reflexo ou "por decorrência", a que se refere o § 10 do art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, uma vez que a origem dos processos mencionados não constitui pressuposto de causa e efeito da presente exigência, devendose, assim, negar provimento ao pedido de reunião de processos. O Processo Administrativo n° 10980.001954/200196 trata de auto de infração em que são exigidos créditos tributários diversos dos que foram neste formalizados. O fato de a contribuinte haver impugnado, naquele processo, créditos de outros períodos pela mesma compensação suscitada não faz com que a matéria lá discutida tenha reflexo processual no presente, que, por sua vez, constitui litígio daquele independente. Conforme se nota nas fls. 988/989, a questão das diferenças de alíquotas, ainda que tenha sido verificada e apontada como irregularidade pela fiscalização, não gerou autuação, não sendo, por conseguinte, causa de falta de recolhimento alguma das formalizadas neste processo administrativo. Sobre a discussão da eficácia do inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, sem a regulamentação pelo Poder Executivo, para excluir da base de cálculo da contribuição os valores que alega a contribuinte terem sido repassados a subempreiteiras, nos períodos de fevereiro, março e junho de 2000, não obstante os argumentos contrários apresentados, verificase que a norma legal encontravase com sua eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídicas da base de cálculo da contribuição, conforme também o o Ato Declaratório SRF n° 56/2000. Quanto ao lançamento que contemplaria o período de setembro de 1998, que se encontra sob a administração da PFN, trata de questões completamente alheias ao crédito tributário que restou, pela ação fiscal, autuado no presente processo. O crédito tributário específico que é objeto da Ação Declaratória n° 2002.34.00.0060268/DF na parcela coincidente com a formalizada no auto de infração ora discutido encontrase sub judice, sobre ela pesando o principio da unidade de jurisdição, que importa em renúncia à instancia administrativa. A alegada compensação de débitos tributários com créditos decorrentes de títulos da dívida pública é matéria não oponível ao lançamento fiscal, por falta de previsão legal. Os títulos da dívida pública da contribuinte não se encontram respaldados por decisão judicial passada em julgado, não tendo sido implementada a condição necessária a que se refere o inciso X do art. 156 do CTN para a extinção de crédito tributário. A multa de ofício, calculada sobre o valor de contribuição cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação que rege a matéria, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto. Por disposição legal, em consonância com o próprio CTN, foram definidos para cobrança de juros de mora, percentuais equivalentes à taxa referencial Selic. Fl. 3566DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.565 5 Cientificada dessa decisão em 18/05/2004, a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 16/06/2004, alegando, em síntese: PRELIMINARMENTE A) DECADÊNCIA. 1) Inaplicabilidade da Lei 8.212/91 ao presente caso. 2)Imputação de pagamentos: (...) a decisão utiliza a regra de decadência de dez anos, enquanto, de direito, deveria aplicar a de cinco anos. Corolário disso é que, uma vez ocorrida a decadência, a autoridade fiscal não pode sequer efetuar compensações de créditos do contribuinte com débitos anteriores a outubro de 1998, ou "apurar eventuais débitos em períodos anteriores" como pretendeu a presente. Isso seria o mesmo que afastar a aplicação da regra decadencial. E, por essa razão, os cálculos analisados, que também instruíram um pedido de diligencia em outro PAF, mesmo que não façam parte do presente PAF, influenciam neste pois naqueles, houve imputação dos créditos com débitos que já decaíram, os quais devem ser desconsiderados em face da decadência. A conseqüência é que os créditos utilizados indevidamente naqueles cálculos, devem ser utilizados para serem imputados nos débitos futuros, posteriores a outubro de 1998, tal como efetuado na planilha acostada a impugnação da ora recorrente. Nesse sentido, devese observar que o presente Auto de Infração deve ser declarado nulo em relação aos débitos referentes a 31/08/1995 R$ 50.439,49 , a 30/09/1995 R$ 48.075,84 , e 31/08/1998 R$ 65.417,10 , bem como a todos outros valores reconhecidos como recolhidos a menor e considerados nos cálculos de imputação efetuado pelo agente fiscal, cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de novembro de 1998 (...). 3) Lançamento por homologação. Inaplicabilidade do Decreto 2.052/83, art. 3°. Aplicação do art. 150, § 4° do CTN. Prazo decadencial de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) é de se ressaltar que houve antecipação parcial do pagamento em todos os períodos ora exigidos, o que é provado nas próprias planilhas elaboradas pela autoridade fiscal. Ora, se quando inexiste pagamento, o prazo é de 10 anos, [relativamente à decisão do STJ colacionada na decisão recorrida] tal regra não se aplica ao presente caso, pois neste houve pagamento parcial do tributo, o que resulta em que o lançamento efetivamente se deu por homologação. Portanto, concluise que o prazo decadencial aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Assim, tendo sido lavrado o presente Auto de Infração em 31 de outubro de 2003, somente poderia apurar eventuais débitos e efetuar imputação de Fl. 3567DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 pagamento a débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido de outubro de 1998 em diante. Ou seja, o Auto de Infração é totalmente nulo pois trata de débitos referente aos períodos de agosto e setembro de 1995 e agosto de 1998, que já haviam decaído quando da lavratura do presente auto de infração, devendo ser reformada, nesse ponto, a decisão ora recorrida. B) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM FACE DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS ORA LANÇADOS. (...) o presente auto de infração é nulo, pois, enquanto não houver o julgamento final dos PAF's 10980.001954/200196, do PAF 10980.014364/9801, e dos demais, é impossível a apuração exata dos verdadeiros créditos que são exigíveis da ora Recorrente. C) REUNIÃO DE PROCESSOS. INEXIGIBILIDADE DOS TRIBUTOS OBJETO DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO AB INITIO NO MÉRITO A) DESCONSIDERAÇÃO DE CRÉDITOS EXISTENTES EM OUTRO PAF. REPERCUSSÃO NO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. Como já salientado, no PAF 10980.001954/200196, a Requerente está discutindo o reconhecimento de créditos de recolhimento a maior a titulo de PIS com base nos Decretosleis 2.445 e 2.449, por meio de Recurso Voluntário protocolado recentemente. Esses créditos foram originados da aplicação da semestralidade da base de cálculo do PIS, sem correção monetária, e que foram aproveitados pela Requerente. No presente auto de infração, no entanto, a autoridade fiscal glosou a compensação que a empresa efetuou em 2001 com o saldo de créditos dos Decretos alegando não haver qualquer saldo a compensar. E nisso a autoridade fiscal se equivocou, porque a discussão quanto a existência de saldo não terminou, pois ainda está em fase recursal administrativa. Portanto o fisco não poderia ter glosado a compensação efetuada dos créditos tributários de janeiro/2001 até agosto/2001, mas apenas declarado a suspensão da exigibilidade dos tributos devidos que foram compensados, até decisão final do PAF 10980.001954/200196. Dessa forma, não há como prevalecer a r. decisão de fls., em relação aos débitos glosados em face de irregularidades no aproveitamento daqueles créditos. B) SEMESTRALIDADE DO PIS. DESCONSIDERAÇÃO DE CRÉDITOS. A r. decisão, portanto, em não aguardando a decisão do PAF 10980.001954/200196, não considerou a extinção dos créditos tributários referentes ao período de janeiro de 2001 a agosto de 2001, com créditos oriundo de recolhimentos indevidos PIS, decorrentes da ação judicial 93.00168673, apurados de forma que a base de cálculo deve observar a semestralidade do PIS Fl. 3568DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.566 7 prevista no art. 6°, parágrafo único da LC 7/70, sem incidência de correção monetária. 1. Da base de cálculo prevista na LC 7/70. O presente Auto de Infração deveria ter sido baseado não só no artigo 3°, da L.C. 07/70, mas como em todos os seus dispositivos que só foram revogados por ocasião da M.P. 1.212/95. Além do mais, deveria ter verificado as decisões judiciais em concreto, que impõem a forma de cálculo do tributo devido (não mais com base nos Decretoslei, mas com base na Lei Complementar 07/70) e a forma e critério de correção dos créditos do contribuinte, decorrentes de pagamentos indevidos. Ocorre que a autoridade fiscal não observou a forma de apuração da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo Único, da LC 7/70, que só foi revogada com a edição da MP 1.212/95 , conforme determinaram as decisões judiciaIs. Dispõe o art. 6°, parágrafo único, da LC 7/70: "Art. 6° A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente contribuição referida na alínea b do artigo 3° será processada mensalmente a partir de 1° de julho de 1971. Parágrafo único — A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente". (grifos nossos) (...) há posicionamento pacifico do Superior Tribunal de Justiça e decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, as quais têm reconhecido que o disposto no art. 6°, parágrafo único da LC 07/70 se refere à base de cálculo da contribuição ao PIS: (...) Dessa forma, deve ser reformada a decisão ora recorrida, devendo o auto de infração ser julgado improcedente no que se refere às quantias que estão sendo exigidas pelo fato da autoridade fiscal ter desconsiderado a compensação dos valores devidos à titulo de contribuição ao PIS entre o período de janeiro a agosto de 2001, com créditos em favor do contribuinte decorrentes da aplicação da regra do art. 6°, parágrafo único, da LC 07/70, que trata da apuração da base de cálculo do PIS. 2. Da impossibilidade de se corrigir monetariamente a base de cálculo do PIS, do momento em que se verifica o faturamento até o momento correspondente ao critério temporal, quando nasce a obrigação tributária. C) IMPOSSIBILIDADE DE SE GLOSAR AS COMPENSAÇÕES EFETUADAS COM A FACTORING NO PAF 10980.014364/98 01. Na r. decisão, a autoridade julgadora não considerou as compensações efetuadas com créditos da Inepar Factoring, admitindo a glosa das compensações de parte do PIS devido em novembro e dezembro de 1999 e janeiro de 2000. Tal débito decorreu do indeferimento da compensação efetuada com a Inepar Factoring Fomento Industrial Ltda. através do PAF 10980.014364/9801. Fl. 3569DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Ocorre que não houve intimação da decisão de indeferimento a Inepar Factoring ou a ora Requerente. Portanto, ainda há possibilidade de interposição de recurso, até mesmo daquele previsto na MP 135/2003, art. 17, que alterou o art. 74, parágrafos 7° a 11°, da Lei 9.430, o qual dispõe sobre a interposição de "manifestação de inconformidade" e "recurso ao Conselho de Contribuintes" nos seguintes termos: (...) Corolário do exposto é que os débitos referentes aos períodos de novembro e dezembro de 1999 e janeiro de 2000 não poderiam ter sido unilateralmente glosados pela autoridade administrativa antes que houvesse intimação da Inepar Factoring e/ou da ora Requerente, de que o PAF 10980.014364/9801 havia sido indeferido, e as compensações ali pleiteadas, não reconhecidas. Tais débitos encontramse com suas exigibilidades suspensas, devendo o presente auto de infração ser declarado nulo em relação aos mesmos. Além disso, o PAF 10980.014364/9801 foi indevidamente indeferido (...) Portanto, devem ser reconhecidas as compensações efetuadas no PAF 10980.014364/9801 e excluídos tais débitos do presente auto de infração. D) APLICABILIDADE DA ALÍQUOTA DE 0,65% NOS TERMOS DA MP 1.212/95. Ocorre que, embora não tenha havido lançamentos no presente auto de infração, referentes a janeiro e fevereiro de 1996, a falta de aplicação da alíquota correta pela autoridade fiscal em relação a estes períodos acarretou no errôneo lançamento de débitos em períodos anteriores, decorrentes da imputação incorreta de valores maiores de débitos em períodos futuros. Ora, após a vigência da MP 1.212/95, ou seja, a partir de novembro de 1995, a alíquota da contribuição ao PIS passou a ser de 0,65% sobre o faturamento (art. 8°, inc. I). No entanto, a autoridade fiscal aplicou a alíquota de 0,75% sobre o faturamento, como previsto na LC 07/70, art. 3°, b, 4), c/c o art. 1°, parágrafo único, b, da LC 17/73, de forma totalmente indevida. Ou seja, aplicou alíquota em 0,10% a mais que o devido a partir da vigência da MP 1.212/95. Portanto, deve ser reconhecida a aplicação de alíquota de 0,65% nos meses de janeiro e fevereiro de 1996, de forma que seja reconhecida a equivocada imputação dos créditos em relação a esse período, e, conseqüentemente, a redução do valor devido em relação aos débitos futuros. E) EXCLUSÃO DE RECEITAS REPASSADAS PARA SUBEMPREITEIRAS DA BASE DE CALCULO COM BASE NA LEI 7.918/98. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A autoridade fiscal glosou, lançando no presente auto de infração, os valores excluídos da base de cálculo do PIS, referentes às receitas repassadas para subempreiteiras, dos períodos de: Fevereiro/2000 = R$ 52.612,15 Março/2000 = R$ 209.218,03 Junho/2000 R$ 25.996,33. Fl. 3570DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.567 9 Ocorre que essas exclusões da base de cálculo do PIS foram efetuadas por determinação legal expressa no inciso III, do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 9.718 de 27.11.1998. Essa norma legal é auto aplicável no período de sua vigência, não importando o que diz a redação final do inciso III "observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo", pois só podese regulamentar a norma de acordo com o que ela estabelece; não podendo o Poder Executivo modificar, restringir ou ampliar o seu conteúdo, sob pena de incorrer em ilegalidade. Tanto é verdade que o texto do inciso III, citado, só deixou de ser aplicável com a edição da Medida Provisória n° 2.15835, de 24.08.2001 que expressamente revogou aquele inciso. F) DA NECESSÁRIA REVISÃO DE OFÍCIO EM RELAÇÃO A SETEMBRO DE 1998. G) VALIDADE E LEGALIDADE DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS COM TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. 1. DA DECISÃO RECORRIDA Primeiramente, argüi o Recorrido, com relação ao lançamento por homologação efetivado pela Recorrente que: (...). Logo adiante, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes em que o mesmo diz não estar compreendido no campo de sua competência a apreciação de pedido de compensação com débitos tributários de crédito decorrente de Apólice da Divida Pública. Ora, o Recorrido na ânsia de encontrar amparo legal que justifique a instauração do presente processo, termina por entrar em contradição, afinal em tempo algum ficou claro para o Recorrente o respaldo legal utilizado pelo Recorrido ao notificar o Contribuinte sobre os créditos tributários ora discutidos. Fica a dúvida: se o próprio Conselho de Contribuintes se declara incompetente para julgar a compensação efetuada, com que fundamento legal se investiu de competência o agente fiscal ao autuar os débitos compensados? 2. DA COMPENSAÇÃO REALIZADA Vejase, na própria manifestação do Relator ficou demonstrado que a competência para decidir sobre os créditos compensados cabe ao Poder Judiciário. Logo, definitivamente não há como admitir o lançamento do crédito em questão, pois a Recorrente tem assegurado o direito de compensar os seus débitos com a União Federal uma vez que tal fato se deu amparado em sentença judicial e, diante dos fatos e direitos demonstrados, o presente lançamento jamais pode prosperar por ausência de fundamentação legal. 3. DO MÉRITO 3.1. DO APORTE DE CAPITAL NA CONTABILIDADE DA EMPRESA E DA COMPENSAÇÃO COM ATIVO FINANCEIRO, SATISFAZENDO A OBRIGAÇÃO Para dar cobro as suas obrigações de natureza fiscal e tributária, a Empresa tomouse cessionária de ativos financeiros Fl. 3571DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 oponíveis a UNIÃO e suas entidades autárquicas, conforme previsão inserta no § 3°, do artigo 42 do CPC, cuja validade, inclusive para aporte e/ou integralização no capital da empresa, foram reconhecidas por decisão judicial, proferida por órgão Judicial competente, conforme faz prova cópias das decisões que anteciparam os efeitos da sentença e a própria sentença, inclusos nos autos. A Recorrente, por força da aludida cessão, tornouse possuidora de créditos oponíveis a União Federal, de natureza monetária, cuja validade, repisese, foi reconhecida por decisão judicial, proferida por órgão Judicial competente e cujo crédito foi usado para extinção (via de compensação) dos débitos após a escrituração contábil do referido ativo, através de lançamento nas contas que compõem o patrimônio da Empresa. Tudo conforme a legislação tributária, comercial e a própria Resolução CFC n° 686/90 4, bem como autorização do Órgão Judicial competente. Cumpre repisar que os créditos tributários em questão, além dos permissivos legais, foram devidamente compensados, sob o amparo da Decisão proferida nos autos do processo judicial tombado sob o n° 2001.35.00.0068982, em trâmite na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás, que inicialmente autorizou mediante Antecipação dos Efeitos de Tutela que o ativo financeiro fosse utilizado para fins de aporte de capital em beneficio próprio ou para quem fossem transferidas, decisão que restou confirmada na sentença de mérito. 3.2. DA COMPENSAÇÃO REALIZADA POSSIBILIDADE JURÍDICA POR PREVISÃO LEGAL E JURISDICIONAL EXPRESSA E POR INTEGRAÇÃO ANALÓGICA A rigor, a possibilidade de pagamento de quaisquer tributos através dos ativos financeiros oriundos da Divida Pública, além de previsão de decorrência ética e moral, porque os valores neles expressos foram captados em dinheiro, normatizouse em vários institutos legais, dentre eles a Lei n° 10.179/01, em seu art. 6°, que determina expressamente: "A partir da data de seu vencimento, os títulos da divida pública referidos no artigo 20 terão poder liberatório para pagamento de qualquer tributo federal, de responsabilidade de seus titulares ou de terceiros, pelo seu valor de resgate". É de suma importância observar que, tanto o art 170 do CTN, como o art. 170A, com redação dada pela Lei Complementar 104/01, se referem a créditos tributários do sujeito passivo. Ocorre que o crédito dos detentores de ativos financeiros oriundos das Apólices da Divida Pública é financeiro (que nada tem a ver com tributário), já que oriundo de empréstimo de dinheiro para a Unido. Evidente que as apólices emitidas representam o compromisso do erário de que o mútuo seria pago, também em dinheiro. Nesse caso, é claro, a compensação é instituto amplamente admitido, conforme entendeu a ilustre doutrinadora Maria Helena Diniz. Na esteira do alegado, inexiste desde então, qualquer impeço legal para a exclusão das dívidas fiscais do instituto da compensação regulado pelo Código Civil. A compensação é uma Fl. 3572DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.568 11 só, quer seja de dívidas privadas quer seja do indébito tributário, sendo efetuada diretamente pelo contribuinte e, no caso dos débitos fiscais, posteriormente, comunicada A autoridade fazenddria. 3.3. DO ATIVO FINANCEIRO UTILIZADO NA COMPENSAÇÃO A compensação com ativos financeiros vem encontrando rechaço especialmente na alegação da União de que esses créditos utilizados para compensar os débitos da Recorrente estariam prescritos por força de decretos editados sob o manto do regime politico instaurado pela ditadura militar. A tese da União — da prescrição — restou vencida diante da Sentença de Mérito prolatada no processo 2001.35.00.0068982, a qual declarou a validade e eficácia das Apólices da Divida Pública em questão e condenou a União Federal e o Banco Central do Brasil a resgatálas pelo valor de face com os acréscimos legais e contratuais. Pois bem, contrariando toda a celeuma e resistência da União a Inepar S/A Indústria e Construções, trouxe aos autos Declaração do Tesouro Nacional em que o mesmo se compromete a resgatar as Apólices da Divida Pública (que encontrase no processo 2001.35.00.0068982, e com cujo crédito operouse a compensação informada na vestibular) pelo valor de face. 4. DO AUDITOR FISCAL COMO AGENTE DO ESTADO Não é por demais lembrar que o Auditor Fiscal, como agente do estado, deve agir secundum legem, por ter sua atividade plenamente vinculada. (...) Finalmente, concluise, in casu, ser totalmente inadequado os lançamentos em questão, sobretudo porque, como se pôde verificar A. vista dos documentos anexos e da explanação, a Recorrente procedeu a compensação dos débitos tributários com ativo financeiro aportado na contabilidade da empresa por determinação judicial, extinguindo junto ao INSS a obrigação tributária dos valores ora lançados. H) CONCLUSÃO E REFLEXOS NA PLANILHA DEMONSTRATIVA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Acolhendose todos os argumentos acima aduzidos, concluise pela inexistência de débitos passíveis de exigibilidade pela autoridade fiscal, o que resta demonstrado na planilha em anexo, que apura um saldo credor, em dezembro de 2002, no montante de R$ 870.247,89 (oitocentos e setenta mil, duzentos e quarenta e sete reais e oitenta e nove centavos). Portanto, devem ser cancelados os débitos ora exigidos através do presente auto de infração, já que se deve proceder à imputação de pagamentos, com base no art. 163, III, do CTN. V. DO EXCESSO NA COBRANÇA PELA APLICAÇÃO DA MULTA — DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, DA RAZOABILIDADE E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO Fl. 3573DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Em primeiro lugar, devese observar que os débitos ora lançados, foram declarados em DCTF e compensados da forma legal, como se demonstrou acima. Ou seja, se os débitos foram declarados em DCTF, não incide sobre o presente caso a norma prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Sendo débitos de lançamento por homologação, deve ser aplicado o art. 61, § 2°, da Lei 9430/96 que impôs o limite de 20% sobre o valor devido a titulo de multa, devendo ser reduzida a multa aplicada. Observese que o fato do lançamento efetuado pela contribuinte não ter sido homologado parcialmente, não faz com que seja alterada a forma de lançamento apta a permitir a aplicação do art. 44, I, da Lei 9.430/96, pois que continua sendo por homologação, em face da antecipação parcial do pagamento. Em segundo lugar, em época de estabilidade financeira, 75% afigurase bastante para as empresas que atuam no mercado. Configura violação ao principio da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como, o da vedação ao confisco. VI. ILEGALIDADE DOS JUROS — TAXA SELIC. Não se nega à recorrida o direito a perceber valores, a titulo de indenização, que não foram recolhidos ao erário a seu oportuno tempo. Todavia, o valor a indenizar, baseado num índice que, ao invés de recompor um dano ao erário, promova a majoração do crédito destinado ao Fisco, é inaceitável. Ante a demonstrada ilegalidade destes índices, para todos os efeitos de direito deve prevalecer, para cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários, a taxa prevista no referido § 1 0, do artigo 161, do Código Tributário Nacional, ou seja, de 1% ao mês, visto ser essa regra sempre aplicável na ausência de norma especifica." (Repertório IOB Jurisprudência n.° 06/98, verbete1/12064, pág. 127 Dos Juros Moratórios incidentes sobre débitos tributários federais, José Eduardo Queiroz Regina). Nesta direção, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça homenageia os princípios da justiça e legalidade. Em admirável julgamento proferido no Recurso Especial n° 215.881/PR, reconheceu a inconstitucionalidade material e formal da aplicabilidade da referida taxa para aferição de correção monetária dos juros incidentes sobre tributos. Mediante a RESOLUÇÃO Nº 20200.883, de 8 de novembro de 2005, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, nesses termos do voto do Relator: (...) E os tais esclarecimentos acima mencionados serão objeto da conversão do presente feito em diligência, para que a autoridade administrativa apure e informe, conclusivamente, o quanto segue. Com relação ao "C. 3 — PIS — COMPENSAÇÃO INDEVIDA" (fl. 1005), necessário se faz esclarecer: Fl. 3574DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.569 13 (i) pronunciese a Fiscalização se com os exatos termos da decisão transitada em julgada nos autos da Ação Declaratória nº 93.00168673 (Oitava Vara da Justiça Federal no Paraná), promoveu a recorrente a correta compensação dos valores recolhidos a maior, a titulo de PIS, levandose em consideração o que determina o parágrafo único do art. 62 da Lei Complementar nº 7/70 (faturamento do sexto mês anterior semestralidade), informando, inclusive, caso venha a apurar a certeza e correção de tais compensações, se foram suficientes para a liquidação total ou parcial dos débitos, friso, nos moldes em que judicialmente deferido, nas respectivas datas de vencimento, referente aos períodos de apuração de que trata este processo e relacionados a este item e de fl. 1005 (demonstrar); e (ii) se porventura — ainda — houver créditos em favor da recorrente, bloquear os mesmos até que o presente processo venha a ser julgado em definitivo por este Tribunal Administrativo. No que diz respeito ao "C. 2 — PIS — COMPENSAÇÃO INDEVIDA" (fl. 1004), verificar, informar e demonstrar qual o tramite atual da Ação Declaratória Constitutiva nºs 2001.35.00.0068982 (Terceira Vara Federal no Estado de Goiás), se possível mediante a apresentação de Certidão de "Objeto e Pé" do feito, assim como do mencionado Processo Judicial nº 2002.34.00.0060268 (2ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal — fl. 1000). Outrossim, informar e demonstrar se as compensações judicialmente deferidas na aludida Ação nº 2001.35.00.0068982 foram e vêm sendo feitas de acordo com o que judicialmente deferido, buscando com isso afastar qualquer possibilidade da utilização duplicada de valores para a compensação de mais de uma exação a que está sujeita a recorrente. E, ainda nesta linha de apurações, verificar e informar o tramite atual dos seguintes Processos Administrativos: 10980.011968/9319; 10980.011752/9381; 10980.001954/2001 96; 10980.011154/9330; 10980.014364/9801; 10980.005652/200197; e, 11637.000154/9930. Ao final, seja deferido prazo razoável à recorrente para que a mesma, em observação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, manifestese sobre o resultado da diligencia determinada. (...) Mediante despacho de 31/08/2007, a fiscalização da DEFIS/RIO DE JANEIRO esclareceu que: (...) Com relação ao item C.3.i, foi solicitada pela Autoridade Administrativa Tributária, que: pronunciese a Fiscalização se com os exatos termos da decisão transitada em julgada nos Autos da Ação Declaratória n° 93.00168673 (Oitava Vara da Fl. 3575DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 Justiça Federal do Paraná), promoveu a recorrente a correta compensação dos valores recolhidos a maior, a titulo de PIS, levandose em consideração o que determina o parágrafo único do artigo 6°. da Lei Complementar n°. 7/70, informando, inclusive, caso venha a apurar a certeza e correção de tais compensações, se foram suficientes para a liquidação total ou parcial dos débitos, referente aos períodos de apuração de que trata este processo, de fls. 1005. Diante do solicitado acima, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal em 31/07/2006, com prazo para atendimento de 15 (quinze) dias, visando subsidiar o Processo em exame, cuja ciência foi dada ao contribuinte, de forma pessoal, na mesma data (fls. 1532 ), para o mesmo apresentar os Demonstrativos e comprovar as corretas compensações dos valores recolhidos a maior, a titulo de PIS, nos termos da decisão transitada em julgada nos autos da Ação Declaratória 93.00168673 (Oitava Vara da Justiça Federal no Paraná) e na Ação Declaratória Constitutiva n°. 2001.35.00.0068982 (Terceira Vara Federal no Estado de Goiás). Em seu atendimento à Intimação Fiscal, datado de 15/08/2006, o contribuinte, tempestivamente, requereu a prorrogação do prazo por mais trinta dias, o que foi concedido, para apresentação da documentação solicitada (fls. 1536). Em novos atendimentos à Intimação Fiscal, datados de 12/09/2006 e de 13/10/2006, o contribuinte solicitou novas prorrogações do prazo por mais trinta dias, o que foi concedido, para apresentação da documentação solicitada, bem como de todos os esclarecimentos necessários (fls.1.537/1538). Entretanto, até a presente data, o contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada ou qualquer outro esclarecimento, deixando de comprovar a correta compensação dos valores recolhidos a maior a titulo de PIS, impossibilitando assim a apuração, através do exame de sua escrituração contábil e fiscal, objeto da diligência proposta, razão pela qual proponho a manutenção dos valores apurados (fls. 1005) pela fiscalização no Auto de Infração constante do presente Processo. Quanto aos esclarecimentos aos demais quesitos constantes da diligência determinada, proponho o encaminhamento do presente processo para a DERAT/RJO, para análise e atendimento, adotando as demais providências cabíveis ao prosseguimento do feito, e posterior envio a Dicat/Derat/RJO para que ao final, conforme determinado, seja dado ciência e deferido prazo razoável a recorrente para que a mesma, em observação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, manifestese sobre o resultado da diligência determinada; após devolvase ao Segundo Conselho de Contribuintes. (...) A Dicat/Eqcob da Derat/São Paulo complementou a diligência com a anexação de extratos dos processos administrativos referidos na Resolução: (...) Fl. 3576DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.570 15 Atendida a solicitação da Diligência de fls. 1516/1525 vide fls. 1539/1540, 1577, 1579 e extratos de fls.1583/1589, proponho o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. (...) Os autos retornaram a este Conselho e o julgamento foi novamente convertido em diligência mediante a Resolução nº 3402000.420 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27/06/2012, para que se aguardasse a decisão final no processo nº 10768.906671/200661, tendo em vista que, em face da dependência, seria necessário aguardar o término deste outro processo que definiria o direito creditório alegado nas compensações discutidas neste. Em atendimento à segunda diligência, a fiscalização da Derat/São Paulo esclareceu que não seria o caso de sobrestamento do presente feito e apresentou suas considerações sobre as ações judiciais envolvidas neste processo: (...) Contudo, pela análise do Termo de Verificação Fiscal, fls. 2.012/2035, bem como da decisão recorrida, acórdão DRJ/CTA 5.633, fls. 2.626/2.658, não se verifica qualquer dependência ou relação entre os débitos objeto do presente processo e o processo 10768.906671/200661. De fato, entre os motivos da presente autuação estão as compensações indevidas, mas com créditos pleiteados por meio dos processos judiciais 93.00168673 e 2001.35.0068982, não verificando, portanto, qualquer relação com a descrição dos fatos do “Relatório” da Resolução 3402000420. Entretanto, antes da devolução dos autos ao CARF, cabem algumas considerações em relação a primeira diligência solicitada por meio da Resolução 20200.883, do então Segundo Conselho de Contribuintes, uma vez que esta foi apenas parcialmente cumprida. (...) Tendo sido cientificada da Resolução nº 20200.883, da Resolução CARF 3402000420 e do Relatório de Diligência, a recorrente apresentou sua manifestação, aduzindo, em síntese, que: Quanto à Resolução 3402000420, de fato está correta a RFB ao afirmar que o processo administrativo nº 10768.906671/200661 não se relaciona ao caso, daí porque não há motivo concreto para que fique este processo administrativo sobrestado até o desfecho daquele. Já quanto à Resolução 20200.833, importantes considerações merecem ser feitas. ∙ Compensações com Créditos de PIS Primeiramente, é importante salientar que a RFB não atendeu as determinações do Conselho de Contribuições. Ao contrário do que determinado por aludido órgão de julgamento, a RFB tentou transferir ao contribuinte o ônus da prova que lhe fora imputado Fl. 3577DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 na Resolução 20200.833, esta que foi extremamente clara ao impor à fiscalização o dever e apurar e verificar a regularidade das compensações realizadas pela autuada, inclusive mediante apresentação de demonstrativos. Assim, absurdo cogitar pela manutenção dos valores compensados com os créditos advindos da Ação Declaratória 93.00168673 em razão da alegada ausência de resposta, pelo contribuinte, à intimação fiscal de fls. 2804, mesmo porque as planilhas requeridas com a referida intimação já haviam sido apresentadas pelo contribuinte na impugnação administrativa acostada aos autos, estando encartadas às fls. 1477/1490 destes autos. Enfim, I. Julgadores, o fato é que o presente processo não poderá prosseguir sem que antes seja feita a devida análise e cálculo do indébito de PIS em conformidade com o resultado alcançados nas Ações nºs 93.00157590, 93.00168673 e Mandados de Segurança nºs 93.00157310 e 2001.70.00.023075 A partir daí caberá à fiscalização então seguir com o demonstrativo das compensações realizadas pelo contribuinte, em consideração aos valores trazidos nos processos administrativos 10980.001954/200196, 10980.001701/200112 e, por óbvio, aos valores relacionados nestes autos. ∙ Compensações com Apólices da Dívida Pública O relatório fiscal que aponta a situação da Ação Declaratória 2001.35.00.0068982, deixa transparecer a nulidade da autuação quanto à glosa da compensação operada com créditos oriundos de Apólices da Dívida Pública Federal de titularidade da autuada, já que, conforme relata a DERAT, em 2003, qual seja a data da autuação, estava em pleno vigor a autorização judicial para a compensação desses créditos, esta que apenas foi revogada 04/05/2007, quando o TRF 1 cassou a tutela antecipada anteriormente conferida em prol da prática da autuada. Em que pese a cassação havida em 04/05/2007, não se poderá atribuir validade a ato praticado com inobservância de decisão judicial plenamente válida à época da lavratura da autuação. A legalidade do ato administrativo deve ser avaliada em conformidade com o cenário existente à época de sua ∙ Compensações com Créditos da Inepar Factoring Fomento Comercial (processo administrativo 10980.014364/9801) Sob a alegação de que o processo administrativo nº 10980.014364/9801 (pedido de restituição apresentado pela Inepar Factoring) teria sido indeferido, a fiscalização glosou a compensação efetuada pela autuada e ora peticionária com uso de créditos adquiridos por cessão da Inepar Factoring Primeiro, o processo administrativo em questão apenas aproveitava a Inepar Factoring e, portanto, o seu indeferimento, não pode ser invocado para prejudicar a autuada que, nos temos em que à época era autorizado por lei, adquiriu créditos de terceiro para uso próprio em compensação. E, conforme destacado em seu recurso, os créditos adquiridos pela autuada da Inepar Factoring, a despeito de ainda não ter ocorrido o transito em julgado da ação nº 93.001.718954, eram Fl. 3578DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.571 17 reconhecidos pela Resolução do Senado nº 49, e, portanto, já passíveis de compensação. Novamente, é dever do Fisco perseguir a verdade material, sendo ônus do mesmo a confirmação dos valores declarados pelo contribuinte. E, desse ônus, claro está que a fiscalização não se desincumbiu. Para este tópico e, porque a questão envolve outro contribuinte, a autuada pede a concessão de prazo de 90 (noventa) dias para que possa, em contribuição à ação fiscal, trazer aos autos cópia da documentação contábil da Inepar Factoring a fim de demonstrar a existência e montante dos créditos que lhe foram cedidos. ∙ Compensações com Créditos de IRRF (processo administrativo 10980.005652/200197) Embora a Resolução 20200.833, tenho feito expressa determinação para que fosse apresentada a atual situação do processo em referência, foram trazidas aos autos apenas cópia do pedido de restituição e compensação apresentados pela Autuada em 2001, sem qualquer conclusão acerca dos mesmos. Nestes termos, deve a fiscalização ser novamente intimada a esclarecer o ocorrido no aludido processo administrativo, o qual, está, atualmente, arquivado. Ante ao todo o acima exposto, é a presente para requerer que seja a fiscalização novamente intimada para atender, na sua totalidade, as determinações contidas na Resolução nº 202 00.833, sob pena da confirmação da improcedência da autuação, em especial para que: a) apresente demonstrativo dos cálculos do indébito de PIS e das compensações realizadas com esse indébito, em conformidade com o decidido nos processos judiciais nºs 93.00157590, 93.00168673, 93.00157310 e 2001.70.00.0230759 e com as informações existentes nos processos administrativos 0980.001954/200196 e 10980.001701/200112 e também neste; b) apresente demonstrativo dos cálculos do indébito de PIS da Inepar Factoring e das compensações realizadas com esse indébito, em conformidade com o decidido nos processos judiciais nºs 93.001.718954 e na Resolução do Senado nº 49; c) apresente cópia integral do processo administrativo nº 10980.005652/200197. Ainda, é a presente para novamente reiterar o pedido para que seja reconhecida a decadência dos créditos cujos fatos geradores datam de antes de 10/1998, o que se requer inclusive com fundamento na Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Finalmente, a título colaborativo, requer seja concedido prazo de 90 (noventa) dias para que a empresa possa trazer aos autos os documentos contábeis da Inepar Factoring nos quais se apoiam o crédito por ela cedido à autuada, bem como para que possa trazer aos autos a atualização do indébito próprio de PIS utilizado em compensação. Fl. 3579DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomamos conhecimento do recurso voluntário. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal Parte C, os itens da autuação foram assim divididos: C.1 PIS FALTA DE RECOLHIMENTO Valores não recolhidos ou compensados ago/95 a nov/2002; C.2 PIS COMPENSAÇÃO INDEVIDA Valores compensados indevidamente com créditos provenientes do processo judicial n° 2001.35.00.68982, da 3ª Vara Federal de Goiás nov/99 a dez/2002; e C.3 PIS COMPENSAÇÃO INDEVIDA Valores compensados indevidamente com créditos do processo judicial n° 93.00168673, da 8ª Vara Federal de Curitiba jan a ago/2001; PRELIMINARMENTE A) DECADÊNCIA. A primeira controvérsia reside em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei n° 8.212/91. Em 20/06/2008, foi publicado no Diário Oficial da União o enunciado da Súmula vinculante nº 8, nesses termos: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do §4º do art. 2º da Lei n" 11.417/2006: Súmula vinculante n° 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Mi Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.572 19 DecretoLei n" 1.569/1997, art. 5", parágrafo ú nico Lei n" 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasilia, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n°117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, no presente caso concreto, há de ser aplicado o prazo de decadência disposto no CTN, ao contrário do entendimento contido na autuação e na decisão recorrida. O CARF, em cumprimento ao art. 62 do seu Regimento Interno, acolhe o entendimento constante no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333/SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que: "O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Nesse sentido, decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais o tratamento a ser dado à decadência nos tributos sujeitos à homologação no julgado abaixo, cuja ementa se segue: Processo nº 13819.005008/200260 Recurso nº 142.314 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.353– 1ª Turma Sessão de 15 de maio de 2012 Relatora: Susy Gomes Hoffmann Ano calendário: 1998. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E DE DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. FATOS GERADORES OCORRIDOS EM 1998. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO EM 26/12/2003. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado nem declaração prévia do débito, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. No caso presente, os valores relativos a fatos geradores de agosto/95 e setembro/95 da parte C1 da autuação estão claramente decaídos, seja pela contagem do prazo de 5 anos pelo art. 173, I ou pelo art. 150, §4° do CTN, vez que o lançamento foi efetuado em 31/10/2003. Conforme consta no item B.III do Auto de Infração, houve declaração para os débitos apurados pela contribuinte em agosto, outubro, novembro e dezembro/98 e também Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 pagamentos para os meses de outubro a dezembro. Assim, aplicandose a regra do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional e considerando que o lançamento foi efetuado em 31/10/2003, devese cancelar os créditos tributários cujos fatos geradores sejam anteriores a 1º de novembro de 1998. Assim, em face da decadência, devem ser excluídas as seguintes parcelas da ParteC do lançamento: ago/95 R$29.805,29; set/95 R$28.936,95; ago/98 R$68.107,35 e out/98 R$5.851,99. O processo nº 10980.001954/200196 trata de lançamento relativamente ao período de 01/1990 a 12/1995. Conforme consta no processo (vide trechos abaixo do auto de infração e cópia da Planilha 07 da diligência da DRJ no processo nº 10980.001954/200196), foram exigidos no presente processo as parcelas pertinentes aos meses de agosto e setembro de 1995 que deixaram de ser exigidos no processo nº 10980.001954/200196 e foram apuradas na diligência desse outro processo: (...) A DRJ solicitou diligência no PAF n° 10980.001954/200196, a qual foi determinada pelo MPF nº 2002.001946. Através da diligência realizada concluímos que os valores recolhidos a maior ou indevidamente, cuja compensação foi pleiteada pelo contribuinte, foram integralmente compensados com os créditos tributários apurados naquela autuação e, ainda, verificamos a necessidade da constituição do crédito tributário referente aos períodos de apuração de agosto e setembro de 1995, nos valores de R$ 29.805,29 e R$ 28.936,96, respectivamente, conforme descrito naquele TERMO DE DILIGÊNCIA no item 4 da CONCLUSÃO, do qual anexamos cópia a fls. 554 a 589. Portanto, procedemos ao lançamento de tais créditos tributários através do presente Auto de Infração (Vide PARTE C 1, adiante). Para fins de instrução, também anexamos cópia de partes do processo administrativo n° 10980.011154/9330, o qual trata do acompanhamento do Mandado de Segurança n° 93.00157310, da 8ª Vara Federal de Curitiba, a fls. 596 a 618. Em virtude do aproveitamento integral dos valores recolhidos a maior ou indevidamente, pleiteados pelo contribuinte através da ação judicial sob análise, na diligência fiscal citada no parágrafo anterior, constatamos que o contribuinte compensou valores indevidos nos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2001, cuja apuração encontrase detalhada na PARTE B VI, adiante. Anexamos cópia do Razão Analítico Contábil da conta 1.1.09.2.027 3832, a qual referese aos créditos provenientes da ação judicial, a fls. 619. (Vide PARTE C 3) Concluímos, portanto, que não há qualquer valor recolhido a maior ou indevidamente a ser aproveitado nos períodos de apuração objeto da presente ação fiscal. (...) Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.573 21 Assim, com relação à alegação de imputação de pagamentos em débitos alcançados pela decadência relativamente ao processo nº 10980.001954/200196, ela não acarretaria nenhum efeito na situação atual do presente processo, vez que as parcelas de ago/95 e set/95, complementares ao lançamento objeto do processo nº 10980.001954/200196, foram excluídas neste Voto em face da decadência. B) "NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM FACE DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS ORA LANÇADOS" Alega a recorrente que o presente auto de infração seria nulo, pois, enquanto não houver o julgamento final dos PAF's 10980.001954/200196, do PAF 10980.014364/98 01, e dos demais, seria impossível a apuração exata dos verdadeiros créditos que são exigíveis da ora Recorrente. Primeiramente cabe esclarecer que, caso o presente processo fosse dependente do julgamento dos outros processos mencionados pela recorrente, não seria o caso de declarar a nulidade do auto de infração, mas de aguardar a decisão definitiva daqueles processos. Considerando que as parcelas decorrentes da apuração na diligência do processo nº 10980.001954/200196 foram exoneradas neste julgamento em face da decadência, resta prejudicado o argumento da recorrente neste tópico em relação a esse processo. O processo nº 10980.014364/9801 é relativo a pedido de compensação de outra pessoa jurídica (Inepar Factoring Fomento Comercial, CNPJ n° 82.310.764/000148). Conforme consta no Auto de Infração, os valores glosados das compensações indevidas nesse processo (R$ 111.147,70, R$ 98.003,09 e R$ 101.129,06, de novembro de 1999 a janeiro de 2000) foram encaminhados à PFN para cobrança e não fazem parte do presente processo administrativo: (...) Como veremos mais adiante na PARTE B — IV e V, o contribuinte sujeito desta ação fiscal procedeu a compensações de parte do PIS devido em novembro e dezembro de 1999, e janeiro de 2000, nos valores de R$ 111.147, 70; R$ 98.003,09 e R$ 101.129,06, respectivamente, com créditos tributários provenientes deste processo administrativo. Assim, glosamos tais compensações indevidas por indeferimento do PAF em análise e encaminhamos os valores compensados indevidamente para a PFN para as providências de sua competência. (Vide PARTE C — 4). Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 (...) Ocorreu, no entanto, que, em relação ao mês de novembro de 1999, a fiscalização apurou outras parcelas, pendentes de recolhimento, que não aquelas objeto do processo nº 10980.014364/9801 (valor de R$ 111.147,70 novembro/99), as quais foram lançadas no presente processo (parcelas C1 e C2 da autuação), conforme esclarece o TVF: (...) Com relação ao período de apuração de novembro de 1999, apuramos o valor devido de R$ 126.214,94 (Vide "PLANILHA 10 APURAÇÃO DO PIS ANO CALENDÁRIO 1999" a fls. 974). O valor declarado pelo contribuinte em suas DCTF como débito apurado foi de R$ 125.763,25, o qual foi compensado (vide cópia das DCTF a fls. 383, 387 e 390). Parte deste débito, no montante de R$ 111.147,70, encontrase vinculado a um crédito proveniente do processo de compensação PAF n° 10980.014364/9801, analisado na PARTE AIII, o qual foi indeferido. Desta forma, tal valor de R$ 111.147,70 deverá ser encaminhado para PFN para as providências quanto a sua cobrança. Cópia de partes do processo estão em anexo a fls. 685 a 693. (Vide PARTE C 4). Outra parte deste débito, no montante de R$ 14.615,55, está vinculada na DCTF a uma compensação com créditos do processo judicial n° 2001.35.00.0068982, da 3. Vara Federal de Goiás, que analisamos a seguir e anexamos cópia de peças a fls. 723 a 783 e da consulta as fases a fls. 718 a722: (...) Como não há qualquer medida judicial que confira validade a compensação pretendida ao contribuinte, glosamos a referida compensação por ser indevida e procedemos ao lançamento do crédito tributário relativo ao período de apuração de novembro de 1999, no montante de R$ 14.651,55. (Vide PARTE C 2). Ainda, com relação ao período de apuração de novembro de 1999, apuramos um saldo a pagar, após as compensações pretendidas pelo contribuinte, no montante de R$ 451,69, o qual está sendo lançada através do presente Auto de Infração. Vide "PLANILHA 10 APURAÇÃO DO PIS ANO CALENDÁRIO 1999" a fls. 974. (Vide PARTE C 1). (...) De forma que o resultado do presente processo, embora também envolva o período de apuração de novembro de 1999, é independente daquele objeto do processo nº 10980.014364/9801. Com relação aos demais processos mencionados pela recorrente, que tratam meramente do acompanhamento administrativo das ações judiciais, eles não produzem, por si próprios, qualquer efeito à contribuinte ou ao presente processo, muito menos a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a qual só pode decorrer de lei ou de decisão judicial. Assim, os créditos tributários objeto do presente processo não se encontram suspensos em face dos outros mencionados pela recorrente não havendo que se cogitar da nulidade alegada. Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.574 23 C) "REUNIÃO DE PROCESSOS. INEXIGIBILIDADE DOS TRIBUTOS OBJETO DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO AB INITIO" Quanto ao pedido da recorrente de reunião deste processo com aqueles outros mencionados acima, não merece também ser acolhido pelas mesmas razões expostas no item precedente. MÉRITO A) "DESCONSIDERAÇÃO DE CRÉDITOS EXISTENTES EM OUTRO PAF. REPERCUSSÃO NO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO". No curso da diligência solicitada no processo nº 10980.001954/200196, a fiscalização identificou compensações indevidas nos períodos de janeiro a agosto de 2001 (Parte C3 do Auto de Infração), relativamente ao processo judicial n° 93.00168673, da 8ª Vara Federal de Curitiba, vez que não havia valores provenientes dessa ação a serem aproveitados nestes períodos de apuração, conforme consta no auto de infração: (...) Com relação aos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2001, verificamos que o contribuinte declarou em DCTF que realizou compensações com os créditos do processo judicial n° 93.00168673, da 8. Vara Federal de Curitiba, já analisado na PARTE A — I, anteriormente. Vide cópia das DCTF a fls. 421 a 432 e 435 a 437, de peças do processo judicial a fls. 508 a 553 e do Razão Contábil a fls. 619. (...) Como vimos anteriormente no item AI, não há valores recolhidos a maior ou indevidamente provenientes da ação judicial n° 93.00168673, da 8. Vara Federal de Curitiba, a serem aproveitados nestes períodos de apuração. Desta forma, lançamos os valores dos créditos tributários compensados indevidamente com créditos da ação judicial citada no parágrafo anterior, diminuídos dos valores compensados a maior nos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2001, através do presente Auto de Infração, a saber: janeiro, R$ 153.784,60; fevereiro, R$ 184.038,72; março, R$ 466.278,74; abril, R$ 166.764,03; maio, R$ 319.396,37; junho, R$ 432.032,12; julho, R$ 180.450,14; e agosto, R$ 348.139,96. Vide "PLANILHA 12— APURAÇÃO DO PI — ANO CALENDÁRIO 2001" a fls. 976. (Vide PARTE C — 3). (...) Assim, embora as compensações indevidas para fatos geradores de janeiro/2001 até agosto/2001 tenham sido identificadas na diligência solicitada no processo nº 10980.001954/200196, essa discussão é independente da lide relativa àquele processo processo, o qual trata do lançamento somente relativamente ao período de 01/1990 a 12/1995. B) "SEMESTRALIDADE DO PIS. DESCONSIDERAÇÃO DE CRÉDITOS". Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 24 Conforme esclarecido acima, é objeto de autuação (Parte C3) os créditos tributários referentes ao período de janeiro de 2001 a agosto de 2001, por compensação indevida relativamente ao processo judicial n° 93.00168673, da 8ª Vara Federal de Curitiba, vez que não havia valores provenientes dessa ação a serem aproveitados nesses períodos de apuração. Alega a recorrente que a autoridade fiscal teria desconsiderado a compensação dos valores devidos à titulo de contribuição ao PIS entre o período de janeiro a agosto de 2001, com créditos em favor do contribuinte decorrentes da aplicação da regra do art. 6°, parágrafo único da LC 07/70, que trata da apuração da base de cálculo do PIS. Visando analisar essa alegação, dentro do dever de instrução, o julgamento foi convertido em diligência por este Conselho Administrativo para que "pronunciese a Fiscalização se com os exatos termos da decisão transitada em julgada nos Autos da Ação Declaratória n° 93.00168673 (Oitava Vara da Justiça Federal do Paraná), promoveu a recorrente a correta compensação dos valores recolhidos a maior, a titulo de PIS, levandose em consideração o que determina o parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70, informando, inclusive, caso venha a apurar a certeza e correção de tais compensações, se foram suficientes para a liquidação total ou parcial dos débitos, referente aos períodos de apuração de que trata este processo, de fls. 1005". Nesse sentido, a recorrente foi intimada pela fiscalização a "apresentar os Demonstrativos e comprovar as corretas compensações dos valores recolhidos a maior, a título de PIS, nos termos da decisão transitada em julgado nos autos da Ação Declaratória 93.00168673 (Oitava Vara da Justiça Federal no Paraná) e na Ação Declaratória Constitutiva n°. 2001.35.00.0068982 (Terceira Vara Federal no Estado de Goiás)". No entanto, não obstante a oportunidade oferecida, inclusive com duas prorrogações de prazo, a recorrente não atendeu ao solicitado, nas palavras da fiscalização, "deixando de comprovar a correta compensação dos valores recolhidos a maior a título de PIS, impossibilitando assim a apuração, através do exame de sua escrituração contábil e fiscal, objeto da diligência proposta". Embora argumente depois a recorrente, em sua manifestação em face da diligência, que já teria apresentado as planilhas requeridas na impugnação administrativa, essas não são suficientes para a comprovação de que teriam sido corretas as compensações dos valores recolhidos a maior de PIS em face da decisão judicial nos autos da Ação Declaratória 93.00168673, levandose em consideração o parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70. O fato é que, tratandose de matéria de defesa à autuação, cujo ônus probatório seria da recorrente, não obstante tenha este Conselho Administrativo determinado a instrução do processo nesse sentido, a recorrente não colaborou com a fiscalização na diligência para a comprovação de sua própria alegação de que teria créditos para a liquidação total ou parcial dos débitos de que trata este processo. Assim, em consonância com o disposto nos arts. 36 e 40 da Lei nº 9.784/991, diante da ausência de comprovação na diligência de que haveria créditos oriundos de 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.575 25 recolhimentos indevidos PIS, decorrentes da ação judicial 93.00168673, não conheço das alegações correspondentes da recorrente. C) "IMPOSSIBILIDADE DE SE GLOSAR AS COMPENSAÇÕES EFETUADAS COM A FACTORING NO PAF 10980.014364/9801" Como já esclarecido, o processo nº 10980.014364/9801 é relativo a pedido de compensação de outra pessoa jurídica (Inepar Factoring Fomento Comercial, CNPJ n° 82.310.764/000148), sendo que os valores glosados das compensações indevidas nesse processo (R$ 111.147,70, R$ 98.003,09 e R$ 101.129,06, de novembro de 1999 a janeiro de 2000) foram encaminhados à PFN para cobrança e não fazem parte do presente processo administrativo. Com relação à parcela de janeiro de 2000 (partes B.V e C1 da autuação), tratase de um saldo a pagar (R$7.080,92), que não foi declarado, recolhido ou compensado, decorrente de uma exclusão indevida da base de cálculo do PIS pela contribuinte, vez que, na verdade, ela tinha feito uma compensação com créditos vinculados ao processo nº 10980.014364/9801. No entanto, o saldo a pagar nesse mês da presente autuação não inclui a parte da compensação indevida (R$101.129,06), a qual foi encaminhada para a PFN, como visto acima. Com efeito, o saldo a pagar em janeiro de 2000, no valor de R$7.080,92, é o valor do PIS devido no mês (R$ 110.546,26) subtraído da parcela de PIS declarada em DCTF (R$ 103.465,34), a qual por sua vez é decorrente da soma do valor compensado enviado à PFN (R$101.129,06) com o pagamento em Darf confirmado (R$ 2.336,28). De forma que o presente auto de infração não inclui as compensações indevidas no processo nº 10980.014364/9801, não podendo prosperar o pleito da recorrente de exclusão de tais débitos do presente processo pelo alegado indevido indeferimento das compensações no outro processo. D) "APLICABILIDADE DA ALÍQUOTA DE 0,65% NOS TERMOS DA MP 1.212/95". Conforme consta no item B.I do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização apurou que o contribuinte apurou o PIS devido com a aplicação da alíquota de 0,65% nos meses de janeiro e fevereiro de 1996, quando a alíquota correta para a fiscalização seria de 0,75%. No entanto, além de o presente processo não incluir esses períodos de apuração, a alteração da alíquota pela fiscalização não gerou autuação, eis que os saldos a pagar apurados foram liquidados por imputação de pagamentos a maior no período. Assim, não tendo essa questão influenciado no lançamento sob análise, dela não se toma conhecimento no presente processo. E) "EXCLUSÃO DE RECEITAS REPASSADAS PARA SUBEMPREITEIRAS DA BASE DE CALCULO COM BASE NA LEI 7.918/98. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE". Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 26 Insurgese a recorrente em face da parcela do lançamento nos períodos de apuração de fevereiro, março e junho de 2000, referente às receitas repassadas para subempreiteiras, eis que, a seu ver, a norma veiculada pelo inciso III, do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 9.718/98 seria autoaplicável no período de sua vigência: Art. 3° (...) (...) § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...) Conforme se depreende da leitura do dispositivo acima, a eficácia da norma estava condicionada à regulamentação do Poder Executivo, o que não veio a ocorrer, eis que a norma foi revogada expressamente pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991 18/2000, sem que tenha produzido efeitos durante sua vigência. Nessa linha, a matéria referente à exclusão da receita bruta que era prevista no inciso III do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, à época dos referidos fatos geradores do PIS, foi objeto do Ato Declaratório SRF nº 56, de 20/07/2000, transcrito abaixo: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A referida questão já se encontra pacificada no Superior Tribunal de Justiça, conforme esclarece o despacho abaixo que não admitiu o recurso especial: RECURSO ESPECIAL EM AC Nº 2000.70.01.0072990/PR DESPACHO Tratase de recurso especial interposto com fulcro no art. 105, inc. III, 'a' e 'c', da Constituição Federal, contra acórdão proferido por Turma desta Corte, segundo o qual, não são passíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores repassados a outras pessoas jurídicas, decorrentes de pagamentos de custos operacionais diretos e indiretos da empresa. Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.576 27 Em suas razões, a parte recorrente sustenta que o acórdão impugnado contrariou o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98, entendendo ser possível a exclusão das receitas transferidas a terceiros, relativas aos custos operacionais da empresa, da base de cálculo da COFINS e do PIS, em face da autorização prevista na legislação. Apontou divergência jurisprudencial. É o sucinto relato. Decido. O recurso não merece seguimento, porquanto o Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento no sentido de que o disposto no art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98, revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, não chegou a ter eficácia, visto ter sido retirado do ordenamento jurídico antes de sua regulamentação pelo Poder Executivo (REsp. 512.232/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJU 20.10.2003; REsp. 502.263/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU 10.10.2003; REsp. 445.452/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJU 10.03.2003). Ante o exposto, não admito o recurso especial. Intimemse. Porto Alegre, 21 de junho de 2004. [negritos desta Relatora] Nessa linha, decidiu recentemente também este Conselho Administrativo, conforme ementa abaixo: Processo nº 10983.901624/200687 Acórdão nº 3301002.729 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Relator Luiz Augusto do Couto Chagas Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PIS e COFINS. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III. VALORES TRANSFERIDOS PARA OUTRA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. De acordo com o inciso III do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 não é possível excluir da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins ou do PIS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, dada a inexistência de normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 28 Ademais, a base de cálculo do PIS consiste na receita bruta, que abrange todos os ingressos financeiros decorrentes da realização das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, em conformidade com o objeto de atividade da empresa, e dessa não se pode excluir os valores repassados a terceiros, sob pena de transmudarse seu conceito para lucro bruto, conforme observou a 2ª Turma do TRF da 4ª Região, na Apelação em Mandado de Segurança abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS. PASEP. FINSOCIAL. BASE DE CÁLCULO. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. TAXA ADMINISTRATIVA. Não prospera a pretensão da impetrante, empresa prestadora de serviços, de ter a base de cálculo do PIS, PASEP e FINSOCIAL calculada sobre a chamada "taxa administrativa", uma vez que essa nada mais é que o lucro bruto da sociedade e não receita bruta e/ou faturamento. As leis que estabelecem a base de cálculo do PIS, PASEP e FINSOCIAL não levaram em conta os custos necessários ao auferimento das receitas, sob pena de base de cálculo transmudarse para o lucro bruto das empresas, que é inadmissível”. (AMS nº 38.795 – PR, DJ de 15/03/2000, pg. 269). F) "DA NECESSÁRIA REVISÃO DE OFÍCIO EM RELAÇÃO A SETEMBRO DE 1998" A análise das alegações de duplicidade de exigência em relação aos meses de agosto e setembro de 98 em face de equívoco na declaração dos valores pela contribuinte nesses meses, resta prejudicada no presente julgamento em face da exclusão da parcela de agosto de 98 do lançamento pela decadência, bem como ao fato de que não constou na autuação parcela referente a setembro de 98. Ademais, o presente processo trata de lançamento e não se presta a reconhecimento de direito creditório da contribuinte, mormente quando envolveria a revisão de ofício de um outro processo que se encontra no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. G) "VALIDADE E LEGALIDADE DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS COM TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA" 1. "DA DECISÃO RECORRIDA" Reclama a recorrente de aparente contradição entre o fato de o julgador deixar de julgar parte da compensação e o AuditorFiscal autuar os débitos compensados. No entanto, nada há de contraditório na decisão recorrida, eis que o lançamento de ofício era cabível em face da inexistência de hipótese de extinção do crédito tributário, bem como foi correto o não conhecimento de apenas uma parte da matéria da autuação no âmbito administrativo que estava sob apreciação judicial na Ação Declaratória n° 2002.34.00.0060268/DF, conforme bem esclareceu o próprio acórdão de primeira instância: (...) 83. Em regra, mesmo quando a contribuinte adota medidas no âmbito do lançamento por homologação, sempre está sujeita a, ulterior verificação pelo fisco que, deparandose com um crédito fiscal nãoextinto, deve efetuar o lançamento de oficio. Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.577 29 84. No caso especifico, para a fiscalização, a contribuinte não seria detentora do direito pretendido, pelo que, inexistindo a extinção do crédito tributário, não haveria, por decorrência lógica, o que se homologar. (...) 86. Desse modo, preliminarmente à análise do direito invocado pela impugnante, verificase que a atividade fiscal que culminou com a autuação — o lançamento fiscal —decorreu do exercício regular do poder/dever, em que se encontra investida a autoridade administrativa, em relação a um crédito tributário nãoextinto. 87. No mérito, a pretensão da impugnante é a de que, por outro lado, se reconheça que houve a extinção do crédito, por compensação com títulos da dívida pública. (...) 90. É correta a assertiva fiscal, no que tange ao cabimento do lançamento, mas, tendo em vista que na própria Ação Declaratória n° 2002.34.00.0060268/DF (a. fl. 935), a interessada faz remissão à ação judicial proposta na Justiça Federal de Goias, constatase que, em que pese a informação apenas dessa ação na DCTF, o direito discutido naquela ação é com ela conexa. Nesse contexto, o crédito tributário especifico que é objeto da Ação Declaratória n° 2002.34.00.0060268/DF na parcela coincidente com a formalizada no auto de infração ora discutido encontrase sub judice, sobre ela pesando o principio da unidade de jurisdição, que importa em renúncia à instancia administrativa, vez que a competência sobre aquela parcela específica — e tãosomente sobre ela — do crédito tributário foi transferida ao Poder Judiciário. 91. Quanto as demais parcelas que contribuinte pretendeu compensar, em decorrência de alegados créditos constantes de títulos da dívida pública, passase à analise a seguir, vez que não alcançadas pela Ação Declaratória n° 2002.34.00.006026 8/DF. (...) 2. "DA COMPENSAÇÃO REALIZADA" Como esclarecido no item precedente, apenas a parcela da autuação que está sendo discutida na Ação Declaratória n° 2002.34.00.0060268/DF não está sujeita a julgamento administrativo, sendo o lançamento nessa parte definitivo até que sobrevenha decisão judicial transitada em julgado, à qual será dada fiel cumprimento pela autoridade responsável pelo controle do crédito tributário. Para as demais parcelas do lançamento, que não estão sub judice, o julgamento prossegue normalmente nas instâncias administrativas. A propósito da referida Ação judicial, como informado pela fiscalização na diligência, a contribuinte apresentou pedido de desistência já homologado pelo tribunal, não havendo qualquer respaldo judicial para as compensações pretendidas: Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 30 Ação Declaratório de Inexistência de Relação Jurídica Tributária 2002.34.00.0060268 (nova numeração 0006023 11.2002.4.01.3400) Tratase de ação onde a contribuinte pede que seja declarada a inexistência da relação jurídica obrigacional tributária em função da compensação dos débitos especificados na ação com créditos financeiros oponíveis à União, créditos estes, oriundos das apólices da Divida Pública objeto da ação 2001.35.00.0068982 (acima relatada). O pedido foi julgado improcedente pelo juízo de primeira instância, sendo a apelação interposta pela autora parcialmente provida apenas em relação aos honorários advocatícios. Entendeu o Tribunal Regional Federal da 1º Região que, além da prescrição dos alegados créditos contra a União, não ser Títulos da Divida Pública instrumentos hábeis à quitação de tributos, seja mediante pagamento, compensação ou dação, uma vez que as formas de extinção do crédito tributário encontramse exaustivamente previstas no art. 156, do Código Tributário Nacional – CTN, conforme excerto transcrito do acórdão: O pagamento é somente em dinheiro. A compensação depende de lei específica autorizativa (art. 170, CTN) e a dação, modalidade recentemente incluída pela Lei Complementar nº 104/2001, somente é permitida com a entrega de bens imóveis. Da referida decisão não houve interposição de recurso em função do pedido de desistência da contribuinte, com renúncia ao direito em que se funda a ação, para adesão ao parcelamento de débitos previsto pela Lei 11.941, cuja homologação do pedido foi deferido pelo tribunal por despacho datado de 10/11/2010. Portanto, concluise não haver respaldo judicial para as compensações pretendidas pela contribuinte. 3. DO MÉRITO 3.1. "DO APORTE DE CAPITAL NA CONTABILIDADE DA EMPRESA E DA COMPENSAÇÃO COM ATIVO FINANCEIRO, SATISFAZENDO A OBRIGAÇÃO" Alega a recorrente que é cessionária de ativos financeiros oponíveis a União cuja validade teria sido reconhecida por decisão judicial nos autos da Ação Declaratória n° 2001.35.00.0068982. No entanto, embora a recorrente tenha obtido provimento judicial não definitivo em sentença, essa foi reformada pelo Tribunal Regional da 1ª Região que deu provimento à remessa oficial. De todo o modo, somente seria hipótese de extinção do crédito tributário a decisão judicial favorável transitada em julgado, nos termos do art. 156, X e art. 141 do CTN, situação na qual não se encontra a recorrente. 3.2. "DA COMPENSAÇÃO REALIZADA POSSIBILIDADE JURÍDICA POR PREVISÃO LEGAL E JURISDICIONAL EXPRESSA E POR INTEGRAÇÃO ANALÓGICA" Em que pese as alegações da recorrente em contrário, nos termos do art. 170 do CTN, somente a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. No caso, inexiste qualquer permissivo legal para a compensação de débitos tributários da contribuinte com créditos decorrentes de títulos da dívida pública. Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.578 31 Nesse sentido já decidiu o Segundo Conselho de Contribuintes Primeira Câmara, no Acórdão nº 20307758; sessão de 17/10/2001, conforme ementa abaixo: COFINS COMPENSAÇÃO APÓLICES DA DÍVIDA PÚBLICA Imprescindível para apreciação de qualquer compensação a prova inequívoca da titularidade, liquidez e certeza do crédito com o qual se quer compensar a obrigação tributária pecuniária. Incabível a autoridade administrativa aceitar a compensação de débitos relativos a tributos e contribuições federais com créditos referentes a Apólices da Dívida Pública, seja por falta de previsão legal, que interrompa a prática de ato administrativo vinculado atinente à exigibilidade de crédito tributário, seja pela absoluta incerteza e iliquidez de tais títulos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO PAGAMENTO DO DÉBITO EXCLUSÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE Na dicção do artigo 138 do CTN, a responsabilidade só é excluída pela denúncia espontânea da infração quando acompanhada do pagamento ou depósito do tributo e dos juros de mora devidos. Recurso a que se nega provimento. De forma que não havendo previsão legal para a compensação pretendida pela recorrente no âmbito administrativo e inexistindo provimento judicial definitivo nesse sentido, a compensação alegada não é oponível ao presente lançamento. 3.3. "DO ATIVO FINANCEIRO UTILIZADO NA COMPENSAÇÃO" Conforme esclarecido acima, o provimento judicial obtido em sentença no processo n° 2001.35.00.0068982, além de não estar mais vigente atualmente, não se tratava de decisão transitada em julgado e, portanto, nunca foi hábil a socorrer a recorrente na compensação pretendida para extinguir o crédito tributário objeto do presente lançamento, nos termos dos arts. 156, X e 141 do CTN. 4. "DO AUDITOR FISCAL COMO AGENTE DO ESTADO" Em face do acima exposto, é justamente pelo fato de o AuditorFiscal ter sua atividade plenamente vinculada que o presente auto de infração foi lavrado e a pretensão de compensação da recorrente, sem sustentação em lei, em oposição ao lançamento não pode ser acatada. H) CONCLUSÃO E REFLEXOS NA PLANILHA DEMONSTRATIVA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Tendo em vista o não acolhimento dos argumentos da recorrente, a não ser quanto à questão da decadência, resta prejudicada a análise da planilha apresentada pela recorrente que apontaria um saldo credor em dezembro de 2002. V. DO EXCESSO NA COBRANÇA PELA APLICAÇÃO DA MULTA — DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, DA RAZOABILIDADE E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 32 A DCTF, quando apresentada nos prazos legais e antes de qualquer procedimento fiscal, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, nos termos do art. 5º do Decretolei nº 2.124/1984. A Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 126, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e estabeleceu normas para a sua apresentação, em seu art. 7°, § 1° determinava à época que somente os "saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF". De outra parte, dispunha o caput do art. 7º dessa Instrução Normativa que "Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". No presente caso, foi justamente esse o procedimento adotado pela fiscalização em relação à contribuinte: i) encaminhou diretamente para a inscrição em dívida ativa os saldos a pagar da parte dos tributos já confessados; e ii) em procedimento de auditoria da DCTF, apurou os valores de tributos a lançar objeto do presente auto de infração. O caso presente tratase de lançamento de ofício, em caráter supletivo, previsto no art. 149 do CTN, decorrente da verificação da não regularidade da apuração prévia do crédito tributário pelo contribuinte, que não restou homologada. De forma que correto o lançamento de ofício e o cabimento da multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, no percentual de 75%, por "falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Os argumentos apresentados pela recorrente de que a multa lesaria os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, e do não confisco não poderiam ser conhecidos no âmbito administrativo, pois significaria aferir a constitucionalidade de dispositivo de lei, o que é vedado a Administração Pública, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, que dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". VI. ILEGALIDADE DOS JUROS — TAXA SELIC. Insurgese a recorrente também em face da utilização da taxa Selic para o cálculo de juros moratórios sobre os débitos tributários. No entanto, essa matéria já se encontra pacificada neste Conselho Administrativo, mediante a Súmula CARF nº 4, a qual dispõe que: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Por fim, quanto ao pedido de diligência da recorrente, entendo que deve ser indeferido, eis que já foi oferecida essa oportunidade à recorrente, contudo ela não colaborou com a fiscalização para comprovar as suas alegações de defesa em oposição ao lançamento, conforme já esclarecido neste Voto. Tampouco se cogita em conceder prazo adicional para que a recorrente apresente documentos adicionais, eis que encerrada a fase de instrução do processo, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Há que se ter em conta que a diligência não se presta a suprir o ônus da prova da recorrente em relação aos elementos modificativos ou extintivos da autuação. Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10980.010288/200349 Acórdão n.º 3402002.956 S3C4T2 Fl. 3.579 33 A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Assim, pelo exposto, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em face da decadência, excluir do lançamento, as seguintes parcelas: ago/95 R$29.805,29; set/95 R$28.936,95; ago/98 R$68.107,35 e out/98 R$5.851,99. É como voto. Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 19/03/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727080/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso de retenção exclusiva na fonte a responsabilidade é apenas da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto.
FUNDOS E/OU CLUBES DE INVESTIMENTO. RESGATE DE QUOTAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Tratando-se de fundos de investimento cujo cálculo do imposto de renda ocorre no resgate de quotas, descabe falar em decadência do direito de se constituir o crédito tributário, em relação à operação de contabilização das ações bonificadas recebidas.
AÇÕES BONIFICADAS. CLUBES DE INVESTIMENTO. RECÁLCULO DAS QUOTAS. IMPOSSIBILIDADE.
As ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos Clubes de Investimento, portanto não pode servir de lastro para emissão de novas quotas.
CLUBES DE INVESTIMENTO. PERSONALIDADE JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE.
Embora o Código Civil de 2002 não atribua ao condomínio a forma de pessoa jurídica, por ser entidade jurídica incorpórea, assim como o espólio, a massa falida e o condomínio horizontal, para fins tributários, deve-se imputar-lhe personalidade jurídica.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 2201-002.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) Quanto ao Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; b) Quanto ao Recurso Voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002. Realizou sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Arão Bezerra Andrade, OAB/CE 28.335.
Assinado Digitalmente
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso de retenção exclusiva na fonte a responsabilidade é apenas da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto. FUNDOS E/OU CLUBES DE INVESTIMENTO. RESGATE DE QUOTAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tratando-se de fundos de investimento cujo cálculo do imposto de renda ocorre no resgate de quotas, descabe falar em decadência do direito de se constituir o crédito tributário, em relação à operação de contabilização das ações bonificadas recebidas. AÇÕES BONIFICADAS. CLUBES DE INVESTIMENTO. RECÁLCULO DAS QUOTAS. IMPOSSIBILIDADE. As ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos Clubes de Investimento, portanto não pode servir de lastro para emissão de novas quotas. CLUBES DE INVESTIMENTO. PERSONALIDADE JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. Embora o Código Civil de 2002 não atribua ao condomínio a forma de pessoa jurídica, por ser entidade jurídica incorpórea, assim como o espólio, a massa falida e o condomínio horizontal, para fins tributários, deve-se imputar-lhe personalidade jurídica. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.727080/2013-41
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573507
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.760
nome_arquivo_s : Decisao_11080727080201341.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 11080727080201341_5573507.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) Quanto ao Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; b) Quanto ao Recurso Voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002. Realizou sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Arão Bezerra Andrade, OAB/CE 28.335. Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 20/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6308021
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125640278016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.727080/201341 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201002.760 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IRPF Recorrentes GERVAL INVESTIMENTOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. No caso de retenção exclusiva na fonte a responsabilidade é apenas da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto. FUNDOS E/OU CLUBES DE INVESTIMENTO. RESGATE DE QUOTAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tratandose de fundos de investimento cujo cálculo do imposto de renda ocorre no resgate de quotas, descabe falar em decadência do direito de se constituir o crédito tributário, em relação à operação de contabilização das ações bonificadas recebidas. AÇÕES BONIFICADAS. CLUBES DE INVESTIMENTO. RECÁLCULO DAS QUOTAS. IMPOSSIBILIDADE. As ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos Clubes de Investimento, portanto não pode servir de lastro para emissão de novas quotas. CLUBES DE INVESTIMENTO. PERSONALIDADE JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. Embora o Código Civil de 2002 não atribua ao condomínio a forma de pessoa jurídica, por ser entidade jurídica incorpórea, assim como o espólio, a massa falida e o condomínio horizontal, para fins tributários, devese imputarlhe personalidade jurídica. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 70 80 /2 01 3- 41 Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) Quanto ao Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso; b) Quanto ao Recurso Voluntário: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral pela contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002. Realizou sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Arão Bezerra Andrade, OAB/CE 28.335. Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2008 e 2009, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 12.907.683,63, calculados até 07/2013. A fiscalização apurou majoração indevida dos custos do investimento e, consequentemente, apuração a menor do IRRF incidente sobre os ganhos auferidos nos resgates de quotas. A autoridade fiscal lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Germano Hugo Gerdau Johannpeter. Cientificada do lançamento, a Gerval Investimentos Ltda apresentou impugnação em 02/08/2013 (fls. 1124/1156), acompanhada de documentos (fls. 1157/1235), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Na descrição dos fatos, afirma que o procedimento contestado pela Fiscalização consistiu na transferência direta de ações bonificadas dos clubes de investimento para os seus cotistas, e não o recebimento das ações diretamente pelos clubes, uma vez que estes têm a natureza de condomínios. Recebidas as ações pelo cotista (que declarou o respectivo montante na sua DIRPF Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.727080/201341 Acórdão n.º 2201002.760 S2C2T1 Fl. 3 3 como rendimento isento, nos termos do artigo 10, parágrafo único da Lei nº 9.249/95), este em seguida as utilizou na integralização de novas cotas emitidas pelos clubes. Em sede de preliminar, alega a ocorrência de decadência, uma vez que a Fiscalização, ao calcular e cobrar o IRRF, considerou que o aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto seria o momento dos resgates das cotas, e não as datas de recebimento das ações bonificadas pelos cotistas. Ao seu ver, o que se está exigindo é o imposto sobre as próprias bonificações (e não sobre o ganho auferido quando do resgate das cotas), considerando tais rendimentos como tributáveis já que deixou de aplicar a isenção prevista no artigo 10, parágrafo único da Lei nº 9.249/95. Sendo assim, deveria o Fisco ter lançado o imposto por ocasião do pagamento das ações bonificadas (13.04.2006 e 13.06.2008), o que, no entanto, não mais era possível, tendo em vista o decurso do prazo previsto no artigo 150, §4º do CTN. Para as bonificações recebidas em 13.04.2006, a decadência ocorreria, ainda que se considere a contagem do artigo 173, I. Cita decisão do antigo Conselho de Contribuintes (acórdão nº 104718701, de 18.04.2002) no sentido de que o custo de aquisição de determinado ativo não pode ser contestado pelo Fisco, se ultrapassado o prazo de cinco anos. Além disso, segundo o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 7, de 24.05.2007, o fato gerador do IRRF ocorre quando do aporte ou da integralização de valores mobiliários em clubes de investimento, incidente sobre o ganho de capital derivado da diferença positiva entre o valor de mercado dos ativos aportados e o respectivo custo de aquisição. Desta forma, o Fisco deveria ter exigido o IRRF supostamente incidente no aporte das ações bonificadas nos clubes de investimento, o que, porém, também não mais poderia fazer, já que as bonificações foram integralizadas em 13.04.2006 e 13.06.2008. Conclui que o direito de lançar o crédito tributário encontrava se decaído na data da notificação da lavratura do auto de infração (09.07.2013), quer se considere ocorrido o fato gerador do IRRF quando do recebimento das ações bonificadas pelo cotista, quer se considere a sua ocorrência no momento da integralização das bonificações nos clubes de investimento. A autuada combate o lançamento também no mérito. Observa que os clubes de investimento constituem condomínios integrados por pessoas físicas com vistas à aplicação de recursos comuns em títulos e valores mobiliários, e por isso não têm personalidade jurídica, e seus cotistas detêm, em copropriedade, os títulos e valores mobiliários integrantes da sua carteira ou do seu patrimônio. Por não terem personalidade jurídica, os clubes (bem como os fundos de investimento) são, em Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 sua maioria, entidades não sujeitas à tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS, já que o sujeito passivo destes tributos é a pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada (é o caso, como exceção, dos fundos de investimento imobiliário, conforme o artigo 2º da Lei nº 9.779/1999). O artigo 28, parágrafo 10, "a" da Lei nº 9.532/97, combinado com o artigo 33 da mesma lei, reconhece que o fundo ou clube de investimento não são contribuintes de impostos e contribuições. Apenas os rendimentos e ganhos auferidos pelos cotistas é que sofrem a incidência do imposto de renda. No caso, portanto, os cotistas dos clubes Comitê, Jota, PB e Triplo não perderam a titularidade dos títulos e valores mobiliários que passaram a integrar a carteira dos clubes, mas apenas conferiram a eles, ou ao seu administrador a impugnante os poderes de gestão dos bens. Pertencem aos cotistas também, por conseguinte, os produtos, frutos, proventos ou rendimentos da coisa em comum. O Parecer CVM/SJU nº 102, de 23.09.1983, inclusive, assevera que são os cotistas que participam do mercado de capitais, por meio de um representante legal do condomínio. Assim, conquanto o clube de investimento figure nas negociações de mercado, ele o faz na qualidade de representante de seus cotistas. O fato de os registros constantes dos livros de ações ou dos controles de instituições financeiras fazerem menção aos clubes, e não aos cotistas, se explica pela legitimação conferida ao representante do condomínio, nos termos do artigo 28, parágrafo único, da Lei nº 6.404/76, como explicitado naquele Parecer. Desta maneira, a impugnante entende ser incorreta a afirmação da fiscalização de que os acionistas das empresas que promoveram as bonificações são os clubes de investimento, e que não há autorização para transferência direta de ações bonificadas pelos clubes aos cotistas. Ao seu ver, as ações bonificadas, tais como os dividendos e os juros sobre o capital próprio, constituem disponibilidades, cuja transferência aos cotistas é admitida pelo ordenamento jurídico, dada a natureza condominial do clube de investimento, e por isso não é correta a afirmação do autuante de que apenas os dividendos e juros sobre o capital próprio representam novas disponibilidades de recursos, aptos a serem reaplicados ou entregues diretamente aos cotistas. A regulamentação dos clubes de investimento, apesar de não autorizar expressamente a transferência direta das ações bonificadas, tampouco a impede. Os estatutos sociais dos clubes Comitê, Jota, PB e Triplo determinavam que os frutos, produtos ou rendimentos dos títulos e valores mobiliários deveriam ser reinvestidos nos clubes, o que foi feito pelos cotistas, quando receberam as bonificações e, ato contínuo, integralizaramnas nos clubes. Sendo assim, legítimo o procedimento do cotista de declarar como isentos os valores recebidos a título de ações bonificadas, e, ao reinvestir as ações nos clubes de investimento, não houve Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.727080/201341 Acórdão n.º 2201002.760 S2C2T1 Fl. 4 5 qualquer majoração indevida do custo de suas cotas, não havendo, portanto, qualquer diferença de IRRF a ser cobrada. A impugnante admite que há diferenças entre as ações bonificadas e os dividendos, porém não concorda com a conclusão a que chegaram os autuantes, de que as ações não poderiam ser transferidas diretamente aos cotistas, ao contrário dos dividendos. A despeito das peculiaridades de um e de outro, as bonificações, assim como os dividendos, são um direito do acionista, derivado da sua condição de titular de ações, e também derivado dos lucros apurados pela companhia. São mecanismos de disponibilização dos lucros, o que é confirmado pelo artigo 1º da Lei nº 9.532/97, o qual, ao dispor sobre a tributação dos lucros auferidos no exterior, considera que o emprego do lucro, por meio de capitalização, constitui hipótese de sua disponibilização. Sob o ponto de vista fiscal tal distinção não tem qualquer influência, tanto assim que o artigo 10 da Lei nº 9.249/95 atribui tratamento idêntico aos dividendos ("caput") e às ações bonificadas (parágrafo único). Sendo assim, afirma que carece de legitimidade o raciocínio da Fiscalização, de que quando a companhia emprega o lucro no pagamento de dividendos, o cotista do clube de investimento faz jus à isenção do artigo 10 da Lei nº 9.249/95, porém não quando o lucro for empregado em ações bonificadas. Observa que, ainda que não fosse possível a transferência direta de ações bonificadas aos cotistas, o ingresso destas ações no clube de investimento deve impactar o valor das cotas, sob pena de, afinal, tributarse o que não está sujeito à tributação (as ações bonificadas), desrespeitandose a natureza condominial do clube de investimento, que é mero gestor de bens de terceiros, uma entidade "transparente", desprovida de personalidade jurídica, que não é titular dos títulos e valores mobiliários integrantes de sua carteira. Conclui requerendo o acolhimento da impugnação, com o cancelamento do auto de infração. Caso mantida a exigência fiscal, requer o afastamento da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Argumenta que o artigo 61, "caput" e parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96 somente prevê a aplicação do referido encargo sobre os tributos e contribuições, sendo que as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, a teor do artigo 3º do CTN. O parágrafo único do artigo 43 da Lei nº 9.430/96, por outro lado, trata da incidência de juros sobre a multa cobrada isoladamente, que se contitui em crédito tributário principal. No caso da multa calculada proporcionalmente ao principal do tributo devido, no entanto, é este que constitui o crédito tributário principal. Em igual sentido já se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por exemplo, no acórdão CSRF/010200.722. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 de outros documentos. Informa que a matéria objeto da impugnação não foi submetida à apreciação judicial.. Por sua vez, o responsável solidário apresentou impugnação em 02/08/2013 (fls. 1101/1109), acompanhada de documentos (fls. 1110/1123), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Afirma que não foram os clubes de investimento que receberam as ações bonificadas, ao contrário do que aduzem os autuantes, mas que houve uma transferência direta de ações bonificadas dos clubes para os seus cotistas, o que é consentâneo com a sua natureza condominial. Por ter recebido ações bonificadas, declarou em sua DIRPF o respectivo montante no campo reservado para os "rendimentos isentos e não tributáveis", por conta da isenção prevista no artigo 10, parágrafo único da Lei nº 9.249/95. Ato contínuo, utilizou as ações bonificadas na integralização de novas cotas, emitidas por cada um dos clubes de investimento. Argumenta que o artigo 124, I é inaplicável ao presente caso, pois o mero benefício econômico não é motivo suficiente para a atribuição de solidariedade. Segundo entendimento dominante na doutrina e na jurisprudência, o interesse comum a que alude o artigo diz respeito ao fato gerador da obrigação tributária, ou seja, apenas fica caracterizado nas situações em que pessoas figurem em um mesmo polo na relação jurídica descrita hipoteticamente em lei como fato gerador de determinado tributo. É o caso, por exemplo, dos condôminos de um imóvel, em relação ao IPTU incidente sobre aquela propriedade. Cita neste sentido decisão do STJ no Recurso Especial nº 859.616RS, de 18.09.2007, bem como diversas decisões do CARF (acórdãos nº 120200030, de 12.05.2009; 1402001.237, de 06.11.2012; 1302000.960, de 08.08.2012). A atribuição de solidariedade também afrontou o Parecer Normativo nº 1/2002, que nos seus parágrafos 8 a 10 esposa o entendimento de que na retenção exclusiva na fonte subsiste a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora ainda que ela não tenha retido o imposto. Caso se admita como válida a atribuição de responsabilidade solidária, praticamente em todos os casos, se não em todos, que envolvem retenção exclusiva na fonte, o contribuinte seria responsável solidário, pois o não recolhimento do imposto pela fonte pagadora lhe beneficiaria economicamente. Requer o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Se mantido, requer o cancelamento da exigência fiscal de IRRF, pelas mesmas razões da defesa apresentada pela Gerval Investimento em sua peça impugnatória, à qual se reporta e cujas razões devem ser consideradas parte integrante da sua impugnação. A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou improcedente a impugnação de Gerval Investimentos Ltda, e procedente em parte a impugnação de Germano Hugo Gerdau Johannpeter, conforme ementas abaixo transcritas: Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.727080/201341 Acórdão n.º 2201002.760 S2C2T1 Fl. 5 7 CLUBES DE INVESTIMENTO. RECEBIMENTO DE AÇÕES BONIFICADAS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Não obstante o caráter condominial dos clubes de investimento, são os próprios clubes que recebem ações bonificadas distribuídas pelas companhias em decorrência do aumento de capital social por incorporação de lucros ou reservas, e não os seus cotistas. Da mesma forma, a regra que determina considerar como custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado é aplicável na apuração do ganho líquido obtido pelo próprio clube. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Nos termos do Parecer Normativo nº 1/2002, no caso de retenção exclusiva na fonte a responsabilidade é apenas da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto. Impugnação Procedente em Parte A conclusão a decisão de primeira instancia foi no seguinte sentido: ... voto pela procedência parcial da impugnação de Germano Hugo Gerdau Johannpeter, para afastar a responsabilidade tributária a ele atribuída, e pela improcedência da impugnação da Gerval Investimentos, mantendo o crédito tributário. (...) Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 3, de 2008. Intimada da decisão de primeira instância em 10/03/2014 (fl. 1270), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 08/04/2014 (fls. 1275/1322), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. A Fazenda Nacional apresenta às fls. 1328/1344 contrarrazões ao recurso voluntário alegando, em síntese, verbis: II.1. Matéria prejudicial arguida pelo contribuinte. Da inocorrência de decadência. Como se observa, o enunciado normativo elege claramente como critério temporal da hipótese de incidência o resgate das cotas, não o recebimento de qualquer bonificação. Com efeito, não se pode eleger as datas das bonificações como critério temporal, por absoluta falta de compatibilidade com o preceito legal em exame. Justamente porque o termo inicial da decadência leva em consideração a ocorrência do fato gerador, não há nesse ponto qualquer influência da data em que foram contabilmente apropriadas as bonificações. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Isso porque a figura da “glosa” não se submete à decadência. O que se submete a prazo decadencial é o lançamento. Digase de passagem, observese que os julgados colacionados pela Recorrente, além de antigos, dizem respeito a IRPJ e não a IRPF ou IRRF. (...) II.2. Das ações bonificadas recebidas pelos clubes de investimento. Como se observa, então, não houve substrato patrimonial para a chamada “bonificação em quotas”, de modo que este aumentou indevidamente o custo de aquisição do investimento dos cotistas e reduziu o ganho de capital e a respectiva tributação. A explicação também consta da autuação: a distribuição de novas cotas, houve também a redução do valor patrimonial de cada cota. Dessa forma, não havendo ingresso de riqueza nova, não pode haver aproveitamento das novas cotas como custo. Digase de passagem, a própria Recorrente admite essa circunstância em suas petições. II.3. Inaplicabilidade do artigo 10, parágrafo único, da Lei nº 9.249/95 aos cotistas de clubes de investimento. Como se observa, o lote de ações em condomínio pode ser livremente dividido entre os condôminos. Já no caso de clubes de investimento, a indivisibilidade não pode ser desfeita em virtude da vontade dos condôminos, conforme se observa do artigo 54 do Regulamento anexo à Resolução 303/2005CA da BOVESPA: (...) Em sede de Direito Tributário, a personificação anômala do condomínio é o suficiente para permitir que o mesmo seja sujeito passivo de uma relação tributária, uma vez que o artigo 126, inciso III, do CTN, prevê que a capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. (...) Ora, se a posição de acionista é do clube de investimento e não a seus cotistas, apenas aquele pode se aproveitar a regra do parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.249/95. II.4. Dos juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os recursos reúnem os requisitos de admissibilidade. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.727080/201341 Acórdão n.º 2201002.760 S2C2T1 Fl. 6 9 Como visto do relatório, versa o processo sobre auto de infração relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), atinente aos anoscalendário 2008 e 2009. I – Do exame do recurso de ofício: Ao analisar a impugnação apresentada pela Contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância excluiu do polo passivo da autuação o Sr. Germano Hugo Gerdau Johannpeter, com base nos seguintes argumentos, verbis: Os fundamentos para a imputação da solidariedade são os seguintes: o cotista teve interesse comum na situação que constitui o fato gerador (artigo 124, I, do CTN), uma vez que beneficiouse economicamente da não retenção do imposto; o cotista tinha conhecimento e concordou com os procedimentos adotados pela Gerval; o cotista era Diretor Conselheiro da Gerval nos anos de 2006 e 2008 e nesta qualidade dela recebeu remuneração mensal naqueles anos. O impugnante, por sua vez, argumenta que: o artigo 124, I é inaplicável ao presente caso, pois o mero benefício econômico não é motivo suficiente para a atribuição de solidariedade; o Parecer Normativo nº 1/2002 estabelece que na retenção exclusiva na fonte subsiste a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora ainda que ela não tenha retido o imposto. Uma primeira observação a fazer é que os autuantes constatam interesse comum entre administradora e cotista não na "situação que constitui o fato gerador", no caso o acréscimo patrimonial em virtude da valorização das cotas, mas sim no fato da não retenção do imposto, o que já prenuncia uma incorreta aplicação do artigo 124, I, do CTN. De todo modo, a jurisprudência tem se consolidado no sentido de que o interesse comum, de que trata o artigo, não é o interesse econômico, mas sim o jurídico, que se configura quando ambos os responsáveis tributários praticam o fato gerador. Cito, por exemplo, trecho da ementa do Recurso Especial nº 859.616 RS, julgado em 18.09.2007 pelo Superior Tribunal de Justiça: (...) O imposto de que estamos tratando é retido e pago pelo administrador dos clubes de investimento, sendo de incidência exclusiva na fonte, nos termos dos artigos 28, II, 32 e 33, todos da Lei nº 9.532/97, e dos artigos 8º, caput, e 16, caput e parágrafo primeiro, da Instrução Normativa SRF nº 25/2001, vigente à época dos fatos: Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 (...) A Gerval e os cotistas dos clubes de investimento não praticam, ambos, o fato gerador do tributo. Na realidade, apenas o cotista o faz, sendo a administradora dos clubes responsável tributário por expressa determinação legal. A rigor, nem se poderia dizer que ambos têm interesse econômico em comum, que neste caso parece ter apenas o cotista, uma vez que o imposto de renda na fonte seria pago com recursos seus, apenas retidos pela administradora. A não retenção do imposto, a não ser que provado em contrário, em nada beneficiaria a Gerval. Isto é verdade para todos os casos em que há a retenção de valores para pagamento do tributo. Caso vingasse a tese da fiscalização, em todos os casos de não retenção na fonte o contribuinte teria que ser responsabilizado. Não é o que entende a própria Secretaria da Receita Federal, no entanto, que em 2002 expediu o Parecer Normativo nº 1, publicado no DOU de 25.09.2002, em que explicitamente estabelece que: (...) Os parágrafos 18 a 22 tratam da não retenção por força de decisão judicial, e é apenas nesta hipótese que o Parecer admite que se efetue o lançamento em nome do contribuinte, no caso de retenção exclusiva na fonte. O fato de o cotista ter conhecimento de que o imposto não seria retido, e de ter sido ele Diretor Conselheiro remunerado da Gerval nos anos em que ocorreu o resgate das cotas, em nada muda o quadro traçado acima. No máximo poderia ensejar a responsabilidade nos termos do artigo 135, III, do CTN, caso demonstrado que o cotista, na qualidade de administrador da Gerval, agiu, pessoalmente, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que não foi feito pelos autuantes. Desta forma, considero indevida a inclusão de Germano Hugo Gerdau Johannpeter no polo passivo da autuação. (grifei) Do exposto, verificase que a autoridade recorrida corretamente excluiu da sujeição passiva solidária, Germano Hugo Gerdau Johannpeter, já que para figurar como obrigado solidário com base no inciso I do art. 124 do CTN, a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada Contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. Como bem pontuou o acórdão recorrido “... o interesse comum, de que trata o artigo, não é o interesse econômico, mas sim o jurídico, que se configura quando ambos os responsáveis tributários praticam o fato gerador”. No caso dos autos, tratase de situação em que a lei não só atribuiu a responsabilidade a terceira pessoa, à fonte pagadora dos rendimentos, mas determinou que essa responsabilidade seria exclusiva, como previsto no art. 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.727080/201341 Acórdão n.º 2201002.760 S2C2T1 Fl. 7 11 contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Portanto, é absolutamente incompatível a imputação de responsabilidade solidária a Germano Hugo Gerdau Johannpeter. II Do exame do Recurso Voluntário Antes de se entrar no mérito, cumpre enfrentar a preliminar de decadência do crédito tributário. Alega a suplicante, em linhas gerais, que “... ao calcular e cobrar o IRRF, a fiscalização considerou que o aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto seria o momento dos resgates das cotas, verificados em novembro e dezembro de 2008 e em janeiro e fevereiro de 2009, e não as datas de percepção ou recebimento das ações bonificadas pelos cotistas (13.4.2006 e 13.6.2008). Mas isto não passou de manobra adotada pela fiscalização, com o objetivo de afastar ou evitar a decadência do crédito tributário". De pronto, verifico, pois, que não assiste razão à Recorrente. O art. 744 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 é de uma clareza meridiana quando dispõe que o imposto de renda será calculo no resgate das quotas. Vejase: Art. 744. Os fundos de investimento cujas carteiras seja constituídas, no mínimo, por sessenta e sete por cento de ações negociadas no mercado à vista de bolsa de valores ou entidade assemelhada, calcularão o imposto no resgate de quotas abrangendo os rendimentos e ganhos totais do patrimônio do fundo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 28, § 6º, e Medida Provisória nº 1.75316, de 1999, art. 2º). § 1º A base de cálculo do imposto será constituída pela diferença positiva entre o valor de resgate e o valor de aquisição da quota, líquido de IOF (Lei nº 9.532, de 1997, art. 28, § 7º). A alegação de que as ações bonificadas foram recebidas em 13/04/2006 e 13/06/2008, não tem qualquer relação com a hipótese de incidência, já que o art. 114 do CTN define fato gerador da obrigação principal como a situação definida em lei como necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária. Ademais, como será melhor esclarecido adiante, os clubes de investimento sujeitamse às mesmas normas do imposto de renda aplicáveis aos fundos de investimento, consoante dispõe o art. 33 da Lei nº 9.532/1997. Portanto, os rendimentos produzidos pelos fundos de investimento estão sujeitos à tributação pelo IRRF, exclusivamente no resgate das quotas, independentemente do anocalendário em que as bonificações foram apropriadas. Ressaltese o Ato Declaratório InterpretativoRFB nº 7/2007 não se aplica à espécie, já que se trata de ato de integralização de quotas de capital social cuja transferência se dar por valor superior ao da declaração, na forma do art. 23 da Lei nº 9.249/1995. Assim, como os resgates das quotas ocorreram em novembro e dezembro de 2008 e em janeiro e fevereiro de 2009, o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia ainda sido atingido pela decadência. No mérito, alega a suplicante que os clubes de investimento apenas figuram nos livros ou registros afetos às ações por questões burocráticas e, por essa razão, não substitui Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 os verdadeiros proprietários dos títulos e valores mobiliários, já que a propriedade das ações é dos quotistas. Assevera ainda que "... o Sr. Agente Fiscal e o acórdão recorrido concluíram que somente os dividendos e juros sobre o capital próprio, podem ser distribuídos diretamente aos cotistas, contrariando, portanto, a natureza jurídica dos clubes de investimento, enquanto entidades condominiais, desprovidas de personalidade jurídica". Conclui a Recorrente que "Logo, tendo o Sr. Germano Hugo Gerdau Johannpeter recebido ações bonificadas, legítimo o procedimento de declarar o respectivo montante em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física no campo atinente aos "rendimentos isentos e não tributáveis", haja a vista a isenção de que trata o art. 10, parágrafo único, da Lei n. 9249, de 1995... Por sua vez, defende a autoridade fiscal e recorrida que, não obstante o caráter condominial dos clubes de investimento, são os próprios clubes que recebem ações bonificadas distribuídas pelas companhias em decorrência do aumento de capital social por incorporação de lucros ou reservas, e não os seus cotistas. Assim, a regra que determina considerar como custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado é aplicável na apuração do ganho líquido obtido pelo próprio clube. Delineada a controvérsia, urge entender melhor a natureza jurídica desta sociedade, já que a Contribuinte sustenta que os clubes de investimento são condomínios e, como tal, não dotados de personalidade jurídica capaz de atrair a responsabilidade pela tributação do imposto de renda. Pois bem, relativamente à análise tributária dos clubes de investimento, deve se, primeiramente, trazer a baila o art. 33 da Lei nº 9.532/1997 que determina a aplicação das normas atinentes aos fundos de investimento: Art. 33. Os clubes de investimento, as carteiras administradas e qualquer outra forma de investimento associativo ou coletivo, sujeitamse às mesmas normas do imposto de renda aplicáveis aos fundos de investimento. Os fundos de investimento, assim como os clubes de investimento, são definidos por parte da doutrina como sociedade jurídica despersonalizadas, ou seja, uma espécie de condomínio especial, pois, ainda que não vise ao lucro, e capaz adquirir direitos e contrair obrigações. O mestre Modesto Carvalhosa em sua obra “Comentários à Lei das Sociedades Anônimas” leciona: O fundo de investimentos é um patrimônio de propriedade comum de diversas pessoas, administrado por uma instituição financeira, constituído de valores mobiliários diversificados (inclusive ações) e de moeda corrente. Perguntase, na hipótese, se o fundo de investimentos seria um condomínio convencional semelhante ou mesmo idêntico ao condomínio de lote de ações. Embora Cunha Peixoto negue essa natureza ao fundo de investimento, chegando a lhe emprestar a figura de pessoa jurídica e mesmo de sociedade mercantil, parecenos, data venia, que se trata de um condomínio pro indiviso. E, por ser assim, os participantes que deixam o fundo não recebem sua parte em ações ou qualquer outro valor, mas o valor do resgate de sua participação naquele, calculado pelo valor patrimonial do fundo à época da despedida. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.727080/201341 Acórdão n.º 2201002.760 S2C2T1 Fl. 8 13 Tratase, portanto, o fundo de investimento de um condomínio de lote de ações e outros valores mobiliários, pro indiviso, regulado por normas especiais que lhe dão caráter institucional. De fato, diversos fatores conferem aos fundos/clubes de investimento personalidade jurídica anômala, são eles: a) capacidade processual nos termos do CPC; b) patrimônio próprio e autônomo; c) escrituração contábil própria; d) ausência de propriedade direta sobre ações; e) órgão representativo dos investidores (Assembléia Geral); f) gestor e administrador próprios. Diferentemente do que faz crer a Recorrente, o clube de investimento não pode ser enquadrado como um condomínio previsto no Código Civil, na acepção clássica da palavra, mas, fundamentalmente, uma forma especial de condomínio que tem no administrador, em conjunto com o seu gestor, a sua figura central. Não de pode perder de vista que a legislação confere aos clubes de investimento a titularidade de diversos direitos, incluindo o direito de propriedade sobre o patrimônio constituído a partir dos recursos aportados pelos quotistas. Como bem pontuou o professor Fábio Konder Comparato1 os regulamentos dos fundos e os estatutos das companhias “são corpos de normas, objetivas e impessoais, exatamente porque as sociedades por ações, ou os fundos de investimento, constituem reuniões de capitais, representados por ações ou quotas, e não reuniões de pessoas determinadas”. De fato, os investidores não possuem propriedade direta sobre os investimentos do fundo, sendo que os direitos dos quotistas são exercidos sobre todos os ativos da carteira de investimento de modo não individualizado, proporcionalmente ao número de quotas detidas. Mutatis mutandis, citase, outrossim, Instrução CVM n.º 472, de 31 de outubro de 2008, de que trata dos Fundos de Investimento Imobiliário (FII): Art. 8º O titular de cotas do FII: I – não poderá exercer qualquer direito real sobre os imóveis e empreendimentos integrantes do patrimônio do fundo; e É nesse sentido o entendimento de Marina Procknor e Gabriel Saad Kik Buschinelli em sua obra “Fundos de Investimento – Aspectos Regulatórios”: A propriedade das quotas não confere aos investidores propriedade direta sobre os investimentos do fundo, sendo que os direitos dos quotistas são exercidos sobre todos os ativos da carteira de investimento de modo não individualizado, proporcionalmente ao número de quotas detidas. Com efeito, o poder para praticar à administração da carteira do clube de investimento é de seu administrador, no caso dos autos a Gerval Investimentos Ltda, estando os quotistas alijados de quaisquer poderes para tanto, consoante se observa da transcrição do art. 12 da Resolução n. 303/2005CA da então Bolsa de Valores do Estado de São Paulo ("BOVESPA"), vigente à época dos fatos: 1 Restrições à circulação de ações em companhia fechada: Nova et vetera. Revista de Direito Mercantil, n. 36, 1979. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Artigo 12 Os recursos entregues pelos membros ao Clube de Investimento serão representados por quotas de igual valor. Parágrafo Único É facultado aos membros do Clube de Investimento a integralização de quotas mediante a entrega ou venda privada das ações ao Clube, desde que aprovada pelo Administrador do Clube e pelo Gestor da Carteira, e não conflitem com o disposto na política de investimentos do Clube e no disposto nos Capítulos VII e VIII deste Regulamento. No caso de integralização de quotas mediante a entrega ou venda privada das ações, o Clube registrará um crédito em nome do quotista em valor equivalente ao das ações recebidas e, ato contínuo, um débito pela atribuição das quotas subscritas pelo quotista. A Recorrente, na qualidade de administradora do clube de investimento, é a pessoa jurídica responsável pela gestão do patrimônio do fundo. De acordo com a professora Maria Helena Diniz2 a pessoa jurídica nada mais é do que a “unidade de pessoas naturais ou patrimônios, que visa a consecução de certos fins, reconhecida essa unidade como sujeito de direitos e obrigações”. Como sujeito de direito e obrigações o clube de investimento é, essencialmente, entidade jurídica incorpórea, assim como o espólio, a massa falida e o condomínio horizontal. Portanto, não é correto afirmar que somente os entes personalizados podem praticar direitos e obrigações. Citase, novamente, a lição do professor Fábio Konder Comparato3: ... a personalização é uma técnica jurídica utilizada para se atingirem determinados objetivos práticos – autonomia patrimonial, limitação ou supressão de responsabilidade individuais –, não recobrindo toda a esfera da subjetividade, em direito. Nem todo sujeito de direito é uma pessoa. Assim, a lei reconhece direitos a certos agregados patrimoniais como o espólio e a massa falida, sem personalizálos. (grifei) Embora defenda a Contribuinte que os clubes de investimento são condomínios sem personalidade jurídica, tal fato em nada prejudica a imputação tributária, já que as entidades com personificação anômala estão aptas ao exercício de direitos e assunção de obrigações. A título meramente ilustrativo, verificase que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) enquadrou o condomínio edilícios como pessoa jurídica para fins tributários, consoante se extrai das ementas transcritas: TRIBUTÁRIO. CONDOMÍNIOS EDILÍCIOS. PERSONALIDADE JURÍDICA PARA FINS DE ADESÃO À PROGRAMA DE PARCELAMENTO. REFIS. POSSIBILIDADE. 1. Cingese a controvérsia em saber se condomínio edilício considerado pessoa jurídica para fins de adesão ao REFIS. 2. Consoante o art. 11 da Instrução Normativa RFB 568/2005, o condomínios estão obrigados a inscreverse no CNPJ. A seu turno, Instrução Normativa RFB 971, de 13 de novembro de 2009, prevê, em seu art. 3º, § 4º, III, que os condomínios são 2 Curso de Direito Civil Brasileiro. Teoria Geral do Direito Civil. 29. Ed. São Paulo: Saraiva, 2012 3 O poder de controle na sociedade anônima. 3. ed. Rio de Janeiro : Forense, 1983. p. 268 Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.727080/201341 Acórdão n.º 2201002.760 S2C2T1 Fl. 9 15 considerados empresas para fins de cumprimento de obrigações previdenciárias. 3. Se os condomínios são considerados pessoas jurídicas para fins tributários, não há como negarlhes o direito de aderir ao programa de parcelamento instituído pela Receita Federal. 4. Embora o Código Civil de 2002 não atribua ao condomínio a forma de pessoa jurídica, a jurisprudência do STJ temlhe imputado referida personalidade jurídica, para fins tributários. Essa conclusão encontra apoio em ambas as Turmas de Direito Público: REs 411832/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado e 18/10/2005, DJ 19/12/2005; REsp 1064455/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 19/08/2008, DJe 11/09/2008. Recurso especial improvido. (REsp 1256912 / AL RECURSO ESPECIAL 2011/01229786) ........................... PROCESSO CIVIL E DIREITO CIVIL. DIREITOS REAIS. SERVIDÃO DE ÁGUA. ESTABELECIMENTO. CONDIÇÃO RESOLUTIVA. EXTINÇÃO PELA AUTOSSUFICIÊNCIA EM CAPTAÇÃO DA ÁGUA PELO PRÉDIO DOMINANTE (...) 2. Não é possível considerar, como fez o Tribunal de origem, que para ingressar no processo o proprietário teria de se valer do instituto da oposição. Se o condomínio não tem personalidade jurídica de direito civil, salvo para fins tributários, é incoerente dizer que ele possa ostentar um direito em oposição ao direito dos condôminos, notadamente quando se fala de direito real de servidão que, por determinação expressa de lei, é bem indivisível. (REsp 1124506 / RJ RECURSO ESPECIAL 2009/00307330) ................................ DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO PENHORA DE MÃO PRÓPRIA. EQUIPARAÇÃO A DEPÓSITO E DINHEIRO. PENHORA SOBRE ARRECADAÇÃO MENSAL D CONDOMÍNIO. (...) A despeito da sua personalidade restrita, é inegável que o condomínio tem aptidão para adquirir e exercer direitos e contrair obrigações. Ainda que não vise ao lucro, não pode ser tratado como simples estado de indivisão de bens. O condomínio, enquanto constituído para gerir um patrimônio comum, deve realizar o se mister com eficiência, objetivando sempre a preservação e o cumprimento dos direitos e deveres de condôminos e terceiros. Diante disso, concluise pela possibilidade de penhora sobre arrecadação mensal do condomínio. (REsp 829.583/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 03/09/2009, DJe 30/09/2009). (grifei) Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Não obstante o Código Civil não tenha conferido ao condomínio a forma de pessoa jurídica, para fins de tributários, o condomínio pode e deve ser sujeito passivo da relação tributária. Assim, como as ações bonificadas foram recebidas diretamente pelo clube de investimento, conforme comunicados de fls. 176; 188; 192; 202; 206; 215; 219; 228, a isenção prevista no parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/1995 somente se aplica ao próprio clube. Portanto, o procedimento efetuado pelo cotista Germano Hugo Gerdau Johannpeter de informar o respectivo montante em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física no campo atinente aos “rendimentos isentos e não tributáveis”, não encontra amparo legal. No que tange à alegação de que o recebimento das ações bonificadas poderia servir como lastro para emissão de novas quotas, já que aumentou o patrimônio dos clubes, reproduzo, de antemão, trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 21/25): 31 Os dois demonstrativos acima revelam, de forma clara que os valores das bonificações não afetam o patrimônio dos Clubes de Investimento. Em relação a 2006, o patrimônio dos Clubes sofreu um pequeno acréscimo de R$ 6.210.409,68 ou 0,5975%. Conforme já demonstrado acima, as bonificações totalizaram R$107.720.544,96, valor bem superior ao da variação do patrimônio do Clube. 32 Em 2008, o patrimônio dos Clubes sofreu um decréscimo de R$44.590.555,31 ou 1,5418%. As bonificações de 2008 totalizaram R$166.397.320,24. 33 Esclareçase que as variações patrimoniais ocorridas nos períodos referidos nos demonstrativos acima são decorrentes das oscilações de mercado dos ativos que compõem as carteiras dos Clubes de Investimento. Acrescentese que nas datas em exame os cotistas não promoveram aplicações ou resgates de recursos. 34 Ressaltese que as bonificações recebidas resultaram apenas. num aumento na quantidade de ações dessas companhias detidas pelo Clubes, conforme comprovam os Relatórios da Carteia Diária dos dias 13/04/2006 e 13/06/2008 apresentados pela GERVAL em resposta ao TIF n° 40/2012 (anexos 01.b e 01.f). 35 Então, as ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos Clubes de Investimento, pois as bonificações não representam ingresso de novas disponibilidades e não servem, portanto, de lastro para emissão de novas cotas. 36 No mesmo sentido, aposição patrimonial do investimento dos cotistas igualmente não sofre alterações em função da emissão das novas cotas. Para exemplificar, vejamos a posição do cotista Germano Hugo Gerdau Johannpeter no Clube de Investimentos Comite: (...) 37 Conforme demonstrativos acima, constatase que, nas datas das bonificações, o recebimento de novas cotas não afetou o patrimônio do cotista. Afinal, se, por um lado, houve aumento no Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.727080/201341 Acórdão n.º 2201002.760 S2C2T1 Fl. 10 17 número de cotas, por outro houve a redução do valor patrimonial da cota. A variação verificada se deu em função da oscilação de mercado dos ativos que compõem a carteira do Clube. 38 Entretanto, a emissão de novas cotas aumentou, de forma indevida, o custo do investimento dos cotistas. Na mesma linha, observese, na seqüência, a variação do Custo Histórico do investimento do cotista Germano Hugo Gerdau Johannpeter, antes e depois da emissão das novas cotas pelo Clube de Investimento Comite. (...) Do exposto, verificase que nas datas das bonificações, o recebimento de novas quotas não afetou o patrimônio do cotista, portanto, o valor das ações bonificadas recebidas por clubes de investimento em ações, emitidas em virtude de incorporação ao capital social da pessoa jurídica de lucros ou reservas, que corresponder às ações integrantes do fundo, não pode ser acrescido ao valor patrimonial das quotas que integram a carteira para fins de determinação do custo de aquisição. Não se pode perder de vista que a bonificação de ações advém do aumento de capital de uma sociedade, mediante a incorporação de reservas e lucros, quando são distribuídas gratuitamente novas ações a seus acionistas, em número proporcional às já possuídas. Assim, não existe alteração do valor possuído por cada acionista, já que a bonificação aumenta o capital e a quantidade de ações da empresa, porém sem alterar o valor do patrimônio líquido, pois as reservas fazem parte do patrimônio líquido da companhia (este evento não aumenta o valor da empresa, digase). Ademais, conforme dispõe a Solução de Consulta nº 22, de 11 de janeiro de 2008 SRRF/8ª RF/Disit “... para que o valor das ações bonificadas seja considerado custo de aquisição na apuração dos ganhos líquidos fazse necessário que haja previsão na legislação tributária ...”. Portanto, as ações bonificadas recebidas não afetam o valor do patrimônio dos clubes de investimento, fundamentalmente por não representar ingresso de novas disponibilidades e, dessa feita, não pode servir de lastro para emissão de novas quotas. Por fim, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, penso que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, já que a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Esse entendimento está pacificado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante a ementa destacada: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 910101.191 – Sessão de 17 de outubro de 2011) No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça assentou serem devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e quanto ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
